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Numero do processo: 18471.001620/2003-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
Ementa:
FUNDAMENTO RELEVANTE DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO ATACADO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.
A decisão recorrida manteve o auto de infração com base em dois
fundamentos jurídicos: i) de que as plataformas petrolíferas não seriam espécies de embarcação, portanto, não faria jus a alíquota de 0%; e ii) acrescentando a essa fundamentação, o voto trouxe o entendimento que a partir da vigência da Lei n. 9.779/99 a operação passou a ser tributada independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações.
A peça do recurso especial nada se referiu ao primeiro fundamento jurídico, qual seja, o de que plataformas petrolíferas não são embarcações, limitou-se, ao revés, a impugnar a matéria relativa ocorrência da tributação independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações, por entender ter havido alteração da fundamentação da exigência.
É inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso.
Súmula n. º 283 do Supremo Tribunal Federal.
Precedentes do STJ e da CSRF.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.545
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial apresentado pelo sujeito passivo, por ausência de pressuposto de admissibilidade pertinente ao dissídio jurisprudencial. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Susy Gomes Hoffmann e Gustavo Lian Haddad. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor.
Matéria: IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. A decisão recorrida manteve o auto de infração com base em dois fundamentos jurídicos: i) de que as plataformas petrolíferas não seriam espécies de embarcação, portanto, não faria jus a alíquota de 0%; e ii) acrescentando a essa fundamentação, o voto trouxe o entendimento que a partir da vigência da Lei n. 9.779/99 a operação passou a ser tributada independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações. A peça do recurso especial nada se referiu ao primeiro fundamento jurídico, qual seja, o de que plataformas petrolíferas não são embarcações, limitouse, ao revés, a impugnar a matéria relativa ocorrência da tributação independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações, por entender ter havido alteração da fundamentação da exigência. É inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Súmula n. º 283 do Supremo Tribunal Federal. Precedentes do STJ e da CSRF. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial apresentado pelo sujeito passivo, por ausência de pressuposto de admissibilidade pertinente ao dissídio jurisprudencial. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Susy Gomes Hoffmann e Gustavo Lian Haddad. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 2 3 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – RedatorDesignado EDITADO EM: 15/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Relatório Em sessão plenária de 24 de fevereiro de 2005, a então Sexta Câmara do Primeiro do Conselho de Contribuintes julgou Recurso Voluntário n. 139.865, decisão essa consignada no Acórdão n. 10614.432 (fls. 631 a 690): NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – CONSTITUIÇÃO DO CRÉITDO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO – Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Sendo a atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (Art. 142, caput, e parágrafo único, do CTN). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO NULIDADE Não está inquinado de nulidade o lançamento efetuado por autoridade competente no exercício da sua atividade funcional, mormente quando lavrado em consonância com o art. 142 da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN) e com o artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. AÇÃO FISCAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL CONTROLE ADMINISTRATIVO A manifestação do Poder Tributante, por meio dos seus agentes fiscalizadores, em lançamento de oficio, aos quais conferiu a lei competência para praticar todos os atos próprios à exteriorização da sua vontade, não se confunde com as atividades específicas de controle administrativo daqueles atos praticados em seu nome. EMBARCAÇÃO CONCEITO FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA NA FONTE Prescinde de conceituar embarcação nos casos em que se verifica a ocorrência do fato gerador nas remessas de recursos a residentes ou domiciliados em países com tributação favorecida. REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR. EMPRESA DOMICILIADA EM PAISES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA – A partir de 1999, é de vinte e cinco por cento a aliquota do imposto de renda retido na fonte sobre as receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, quando auferidas por residentes ou domiciliados em países com tributação favorecida. Recurso negado. Cientificado do acórdão, o contribuinte opôs Embargos de Declaração (fls. 703 a 715), recurso esse que foi rejeitado, conforme despacho de fls. 743 a 751. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 3 5 Antes mesmo de ser notificado da rejeição dos Embargos de Declaração (fls. 753verso), o contribuinte interpôs, em 20 de setembro de 2005, Recurso Especial de Divergência (fls. 754 a 957) que abordou as seguintes matérias: (i) Incompetência do Primeiro Conselho de Contribuintes para decidir sobre a classificação fiscal; (ii) Incompetência do Delegado Adjunto para emitir Mandado de Procedimento Fiscal Complementar; (iii) Indicação do mesmo Auditor Fiscal para atuar em MPF já extinto; (iv) Alteração da fundamentação da exigência; (v) Discrepância entre o Auto de Infração e o Termo de Constatação e do Ato Declaratório SRF n. 008/1999; (vi) Modificação do critério jurídico do lançamento; (vii) Força vinculante das soluções de consulta; e (viii) Exclusão de acréscimos moratórios. Ao Recurso Especial foi negado seguimento, conforme o Despacho n. 106 129/2006 (fls. 985 a 1013). Cientificado da negativa de seguimento do Especial, o contribuinte interpôs, em 29 de setembro de 2006, tempestivamente, Agravo (fls. 1020 a 1095), que objetivou destrancar o Recurso Especial. O Agravo foi distribuído para a i. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que, por meio do Despacho n. 104A195/2007 (fls. 11691197), decidiu pelo seguimento do Recurso Especial apenas em relação à matéria (iv), qual seja, alteração da fundamentação da exigência. A decisão foi aprovada pelo então Presidente da CSRF, Dr. Antonio José Praga de Souza (fl. 1197). Ato contínuo, a Fazenda Nacional foi intimada a se manifestar em face do Especial interposto, tendo apresentado, tempestivamente, contrarazões sob os seguintes fundamentos (fls. 12051210): (a) O auto de infração foi fundado na falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior, conforme fl. 86; (b) Tanto a DRJRJ, como a então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes mantiveram o auto de infração pelos mesmos motivos do auto de infração, que se deu com base nos alugueis pagos a empresa localizadas no exterior por plataformas; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 (c) A decisão recorrida, na qual o contribuinte alega a suposta nulidade, manteve o auto de infração com base em dois fundamentos jurídicos: c.1) de que as plataformas petrolíferas não seriam espécies de embarcação, portanto, não faria jus a alíquota de 0%, conforme análise de trecho de voto: Assim sendo, definitivamente, não há como prosperar o argumento da defesa no sentido de que plataforma sejam embarcações; consequentemente, não há como ser aplicável a alíquota zero de que trata o disposto no art. 1º, inciso I, da Lei n. 9.481, de 1997 e alterações (fls. 683). c.2) acrescentando a essa fundamentação, o voto trouxe o entendimento que a partir da vigência da Lei n. 9.779/99 deixou de existir a alíquota zero, por derrogação do art. 1º da Lei n. 9.481 e art. 20 da Lei n. 9.532 de 1997, logo passou a ser tributada, independentemente de ter sido a remessa proveniente de alugueis de embarcações ou plataformas. (d) A fundamentação de ambas as decisões entendem por não enquadrar plataformas petrolíferas como espécies de embarcação, o que também inibiria as supostas alegações do contribuinte para incidir alíquota zero; (e) Não houve qualquer mudança de fundamentação, o que houve foi reforçar as argumentações trazidas pelo auto de infração; (f) Só existe nulidade do lançamento por cerceamento de defesa se restar caracterizado o óbice ao exercício do direito, de modo que o tema sub examine não tenha sido aventado na impugnação e no recurso voluntário. Em outras palavras, ocorre o dito cerceamento, quando a imputação e a finalidade do auto de infração não são sequer compreeendidas pelo sujeito passivo. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 4 7 Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Dito isso, passo ao exame das questões intrínsecas (demonstração de divergência). Como consignado no relatório, o contribuinte interpôs, em 20 de setembro de 2005, Recurso Especial de Divergência (fls. 754 a 957) que abordou as seguintes matérias: (i) Incompetência do Primeiro Conselho de Contribuintes para decidir sobre a classificação fiscal; (ii) Incompetência do Delegado Adjunto para emitir Mandado de Procedimento Fiscal Complementar; (iii) Indicação do mesmo Auditor Fiscal para atuar em MPF já extinto; (iv) Alteração da fundamentação da exigência; Discrepância entre o Auto de Infração e o Termo de Constatação e do Ato Declaratório SRF n. 008/1999; (v) Modificação do critério jurídico do lançamento; (vi) Força vinculante das soluções de consulta; e (vii) Exclusão de acréscimos moratórios. Ao Recurso Especial foi negado seguimento, conforme o Despacho n. 106 129/2006 (fls. 985 a 1013). Cientificado da negativa de seguimento do Especial, o contribuinte interpôs, em 29 de setembro de 2006, tempestivamente, Agravo (fls. 1020 a 1095), que objetivou destrancar o Recurso Especial. O Agravo foi distribuído para a i. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que, por meio do Despacho n. 104A195/2007 (fls. 11691197), decidiu pelo seguimento do Recurso Especial apenas em relação à matéria (iv), qual seja, alteração da fundamentação da exigência. A decisão foi aprovada pelo então Presidente do CSRF, Dr. Antonio José Praga de Souza (fl. 1197). Nesse sentido, por existir impedimento para reexame das demais matérias, passo a apreciação da única questão posta a julgamento. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 O Recorrente acusa o acórdão recorrido de haver inovado na fundamentação da infração, indicando à guisa de divergência o Acórdão 10420.222, assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU – MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NA FUNDAMENTAÇÃO DA EXIGÊNCIA – IMPOSSIBILIDADE – NULIDADE DA DECISÃO – É nula a decisão de primeira instância que mantém a exigência formalizada em Auto de Infração com base em fundamentos diferentes dos apontados no instrumento de autuação, quando essa discrepância representa evidente mudando no critério jurídico do lançamento. Decisão anulada. A ementa acima não deixa dúvidas no sentido de que se trata de nulidade da decisão de primeira instância, declarada por Câmara dos Conselhos de Contribuintes, tendo em vista que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento teria mantido a exigência com base em fundamento diverso do apontado na autuação. Relativamente a este tema, releva notar que o acórdão recorrido não trata de suposta nulidade da decisão de primeira instância. E obviamente nem poderia tratar, já que tal matéria sequer foi argüida pelo contribuinte em sede de Recurso Voluntário (fls. 462 a 521 Volume 111). Não obstante, analisandose os argumentos relativos a este item, aduzidos no Recurso Especial e no presente Agravo (fls. 769 a 773 Volume IV), o que se conclui é que o contribuinte intenta que a Câmara Superior de Recursos Fiscais declare a nulidade do acórdão recorrido, por entender que este padeceria do mesmo vício que o acórdão da Quarta Câmara (paradigma) atribuiu à decisão de primeira instância, vindo a declarar lhe a nulidade. Assim, em consonância com a decisão que deu provimento parcial ao Agravo, este Conselheiro entende, tendo em vista os princípios do contraditório e da ampla defesa, o precedente colacionado pelo contribuinte pode ser considerado para fins de análise. Isso porque, tratandose de suposto vício verificado somente no acórdão de segunda instância, não haveria como o contribuinte provocar o seu prequestionamento no Recurso Voluntário, como ocorreu no caso do paradigma. Ademais, a tentativa de obter o posicionamento da então Sexta Câmara acerca dos supostos vícios contidos no acórdão recorrido foi frustrada, já que os Embargos Declaratórios opostos pelo contribuinte (fls. 703 a 715 Volume IV) foram rejeitados (despacho de fls. 743 a 752 Volume IV). Destarte, o paradigma deve efetivamente ser analisado, com vistas à aferição acerca da demonstração da alegada divergência jurisprudencial. Nesse passo, convém esclarecer que, pelas razões acima expostas, o dissídio interpretativo, caso efetivamente se confirme, só poderá ser demonstrado de forma indireta, a partir de uma construção lógica, a saber: a então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes não teria admitido a alteração na fundamentação da exigência, perpetrada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, vindo a anular a respectiva decisão; considerandose, em tese, que a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes também tenha alterado a fundamentação da exigência no acórdão recorrido, tal comportamento seria obviamente repudiado pela Quarta Câmara, caracterizandose assim a alegada divergência. Isso porque os elementos de comparação, no presente caso, são representados por duas decisões inseridas no processo administrativo tributário, sujeitas aos mesmos princípios, sendo irrelevante a instância prolatora de cada julgado. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 5 9 Assim, resta a este Conselheiro proceder à comparação entre a situação retratada no paradigma Acórdão 10420.222, às fls. 833 a 851, Volume IV e a do recorrido, com o escopo de aferir acerca de sua identidade. Análise do paradigma: No caso do paradigma, tratase de Auto de Infração por meio do qual se exigia Imposto de Renda sobre ganho de capital em operação de permuta de participações societárias (fls. 837 Volume IV). Confirase os fundamentos da autuação, conforme o relatório do precedente: "A fiscalização entendeu que a alienação das ações do Banco Real S/A, ainda que tendo sido feita por meio de permuta está sujeita ao pagamento de imposto sobre o ganho de capital e que, tratandose de rendimentos de residente no exterior, o imposto deveria ser exigido do adquirente, com fundamento no art. 685, § 2° do RIR/90. Afirma a propósito, a autoridade lançadora, no Termo de Verificação Fiscal que: 'A apuração de ganho de capital em operações de permuta é pacífica, sendo exceção somente as operações de permuta de unidades imobiliárias, sem torna, conforme disposto na Instrução Normativa 107/88. No caso de permuta de ações, não há exceção e o ganho de capital deve ser apurado, sobre o qual haverá incidência de imposto.' A autoridade lançadora menciona expressamente o art. 3° da Lei 7.713, de 1988, também indicado nos fundamentos legais do Auto de Infração, o qual, no seu § 3°, inclui expressamente entre as hipóteses de alienação nas operações de ganho de capital a permuta e, ainda, transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes que corroborariam essas conclusões." Não obstante, a decisão de primeira instância, proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, assim asseverou, conforme o relatório do paradigma (fls. 844/845 Volume IV): A autoridade julgadora de primeira instância assim resumiu a controvérsia no que se refere à questão de mérito central objeto do processo, verbis: 'De um lado, o fisco entende ser devido o Imposto de Renda na fonte sobre o ganho de capital auferido pelos alienantes. Em contraposição, a impugnante advoga que a modalidade negociada utilizada permuta, sem preço e sem torna inviabiliza a pretensão fiscal, posto inexistir o valor de alienação, cujo balanceamento com o custo de aquisição é procedimento indispensável para que exsurja o quantum do ganho de capital objeto da tributação.' Daí, conclui: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 'Necessário, portanto, dissecar a operação com o objetivo de apurar se a aparência do negócio permuta coincide com sua natureza intrínseca, ou se, pelo contrário, sob o formato e denominação de permuta, encontrase outra operação de natureza diversa compra e venda.' Dessa análise a autoridade julgadora de primeira instância concluiu que, 'A criação das empresas Maxpar Participações S/A e Fortblanc Serviços S/A serviu apenas como simulacro, buscando travesti r de permuta o que é uma autêntica compra e venda por preço pago em dinheiro contado". E, ainda, 'a) ser plenamente possível neste caso concreto apurar o ganho de capital auferido pela família Szajman (empresa Fortblanc Serviços S/A) na alienação das ações do Banco Real S/A; b) que a impugnante, estando na condição de fonte pagadora dos rendimentos, sempre esteve ciente de sua obrigação de efetuar a retenção e o recolhimento respectivo mas, em vez de assim agir, optou por simular com a beneficiária dos rendimentos uma permuta envolvendo empresa criada para esse fim exclusivo, sem existência efetiva, e cujo único efeito foi de servir de embalagem para o preço pago em dinheiro; e c) é legal o reajustamento da base de cálculo, posto não ter havido a retenção do imposto na fonte." Verificase, claramente, que há alteração na determinação da infração imputada ao contribuinte, que passou de "falta de recolhimento de imposto sobre ganho de capital em operação de permuta", para "falta de recolhimento de imposto sobre ganho de capital em operação de compra e venda travestida de permuta". Diante de tal alteração, assim se posicionou o voto condutor do paradigma: "Sem prejuizo da arguiçao de ilegitimidade passiva levantada pela Recorrente, o cerne da questão de mérito objeto do litígio diz respeito à incidência, ou não, do ganho de capital no caso de permuta de ações. A autoridade lançadora fundamenta a exigência, entre outros dispositivos, no art. 3° da Lei n? 7.713, de 1988 segundo o qual a incidência do imposto sobre o ganho de capital independe da forma de alienação, sendo devida, inclusive, no caso de permuta. A Recorrente, por sua vez, sustenta que, sem um valor de alienação, já que a permuta se deu sem preço e sem torna, não é possível apurarse o ganho de capital, base de cálculo do imposto. Escorase em pareceres da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN os quais, segundo sua interpretação, concluem no sentido de que 'não há ganho de capital na mera troca de bens ou direitos pois no momento da troca não ocorre o fato gerador do imposto de renda', o que só ocorrerá quando o particular vender a participação acionária. Essa tese, ainda segundo a Recorrente, é corroborada por decisão do Supremo Tribunal Federal. Notese que a autoridade lançadora em momento algum se refere, na fundamentação do lançamento, em simulação. Ao contrário, procura lastrear a exigência demonstrando Fl. 10DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 6 11 exatamente que há fundamento na legislação e na jurisprudência administrativa para a incidência do imposto, ainda que a alienação tenha se dado na forma de permuta. Verificase, entretanto, que a autoridade julgadora de primeira instância fundamenta sua decisão, principalmente, no pressuposto de que a criação das empresas FORTBLANC e MAXPAR 'serviu apenas como simulacro, buscando travesti r de permuta o que é uma autêntica compra e venda por preço pago em dinheiro contado', hipótese, como se viu acima, alheia aos fundamentos da autuação. Por outro lado, a decisão recorrida passou ao largo da questão central objeto da controvérsia entre os fundamentos da autuação e as alegações da peça impugnatória, isto é, a incidência (ou não), de ganho de capital no caso de alienação de ações por meio de permuta, conforme relatado acima. É forçoso concluir, portanto, que a autoridade julgadora de primeira instância: a) introduziu mudança no critério jurídico da fundamentação da exigência; e b) não apreciou as razões da defesa no que se refere à questão de mérito objeto da lide. Desnecessário dizer que essas circunstâncias são absolutamente incompatíveis com o devido processo legal, consagrado na Constituição Federal, o qual desdobrase nas garantias do contraditório e da ampla defesa e que, entre outros aspectos, compreende o duplo grau de jurisdição e exigência de suficiente e adequada fundamentação das decisões administrativas. O Decreto n. 70.235/72 traduziu o devido processo legal em vários dispositivos, ao estabelecer, por exemplo, o duplo grau de jurisdição na apreciação das provas e dos argumentos de defesa (art. 10); ao determinar que os atos sejam lavrados por servidor competente e sem preterição de direito de defesa (art. 59); e ao prescrever mínimos a serem observados nas decisões administrativas (art. 31)." (...) A introdução de fundamento para a exigência diferente do constante do Auto de Infração, como se verifica neste caso, configura a hipótese de agravamento da exigência a qual não poderia ser operado pela autoridade julgadora de primeira instância. De tudo quanto foi acima exposto, tenho claro que a decisão recorrida está eivada de vícios insanáveis, que reclamam a declaração de sua nulidade, sem prejuízo da repetição do ato, na boa e devida forma. Embora essa preliminar tenha sido argüida pela defesa apenas nas razões adicionais, apresentadas após vencido o prazo recursal, tratase de matéria de ordem pública, devendo ser suscitada ex officio. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 Por todo o exposto, voto no sentido de declarar NULA a decisão recorrida, para que outra seja prolatada na boa e devida forma." Verificase, assim, que no caso do paradigma, na decisão de primeira instância procedeuse à alteração do fundamento da exigência, o que acarretou a sua anulação por parte do Colegiado de segunda instância. Análise do acórdão recorrido: No caso do julgado guerreado, repitase que se trata de exigência de Imposto de Renda sobre remessas ao exterior em pagamento de aluguéis de plataformas. A autuação foi assim fundamentada, conforme o "Termo de Constatação de Infração Fiscal” (tis. 70 a 72 Volume I): "Referidos aluguéis foram pagos ou creditados sem retenção do imposto de renda, conforme lançamentos à conta ('Controladoras, Subsidiárias e Coligadas/Afretamento de Plataforma Aluguel'). O art. 743 do regulamento do imposto de renda, baixado pelo decreto 1.041/94, determina seja retido o imposto sobre proventos de qualquer natureza pagos por fonte situada no país a residentes no exterior. O art. 791 atribui à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção. Os referidos artigos receberam os números 682 e 785, respectivamente, no atual regulamento Decreto 3.000/99 O inciso I do art. 749, atual art. 691, ao reduzir a alíquota a zero, exclui do campo de incidência tais rendimentos quando recebidos a título de frete, afretamento, aluguel ou arrendamento de embarcações marítimas e fluviais, aeronaves estrangeiras ou containers. A lei 9.537/97, ao definir o conceito de embarcação, em seu art. 2°, inciso V, dispõe: (...) Embarcação qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e, quando rebocadas, as fixas, sujeita à inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas'. (grifo nosso) Ora, fica claro que as plataformas alugadas ou arrendadas pela epigrafada não se inserem na definição acima, uma vez que a despeito de serem plataformas não são empregadas para transporte de pessoas ou carga. Notese que a norma isentiva do mencionado art. 749, atual 691, ao beneficiar as embarcações, o fez também às aeronaves a aos containers, numa clara demonstração do seu escopo excluir do campo de incidência equipamentos ou veículos que realizam transporte de carga ou pessoas. Simultaneamente, a mesma lei define plataforma, no inciso XIV do referido artigo: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 7 13 (...) Plataforma instalação ou estrutura, fixa ou flutuante, destinada às atividades direta ou indiretamente relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar, inclusive plataforma continental e seu subsolo.' É evidente que as plataformas arrendadas ou alugadas pela Petrobrás são estas. No mesmo sentido aponta a Nomenclatura Comum do Mercosul, em seu capítulo 89, ao tratar das embarcações e estruturas flutuantes. Segundo a referida Nomenclatura, a posição 8905 inclui barcos faróis, barcosbombas, dragas, guindastes flutuantes e outras embarcações em que a navegação é acessória da função principal. Além destas, a mencionada posição abriga docas, diques flutuantes, plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis. Fica bem claro que as plataformas estão destacadas das embarcações definidas no início do texto, estando delas separadas por pontoevírgula numa evidente demonstração de que não são embarcações e sim estruturas flutuantes, já que o capítulo 89 compreende os dois conceitos. É importante lembrar que a legislação concernente à outorga de isenção ou à exclusão do crédito tributário, consoante art. 111 do Código Tributário Nacional (lei n° 5.172/66), deve ser interpretada literalmente. Por ser o beneficiário domiciliado em Cayman, país com regime de tributação favorecida, a que se refere o art. 24 da Lei 9.430/1996, o lançamento de ofício farseá com a alíquota de 25%, conforme determina o art. 8º da Lei 9.779/99, com a base de cálculo reajustada em conformidade com o art. 796 do RIR/94, art. 725 do RIR/99." (grifos no original) A simples leitura do "Termo de Constatação de Infração Fiscal" acima transcrito permite concluir que o fundamento da autuação é o fato de as plataformas objeto dos contratos de aluguéis não se enquadrarem no conceito de "embarcações", que gozavam da prerrogativa de alíquota zero. Quanto ao art. 8° da Lei n° 9.779, de 1999, este foi mencionado no penúltimo parágrafo para especificar a alíquota aplicável, que seria de 25%. Na mesma linha da autuação, a decisão da DRJ fixou a lide nos seguintes termos (fls. 435 e 450 Volume 11): "No mérito, o cerne da controvérsia encontrase na definição do que seja embarcação. O contribuinte afirma que a plataforma está incluída no conceito de embarcação e, desta forma, está amparado pela alíquota zero prevista na Lei 9.481/1997, art. 1°, com alterações da Lei 9.532/1997, enquanto a fiscalização entende que não. (...) Concluise que o auto de infração, em tela, interpreta os dispositivos da Lei n. 9.481/97 de acordo com o que determina o Fl. 13DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 art. 109 do CTN. Correto, portanto, o lançamento de IRRF efetuado pelos auditores com base nos aluguéis pagos a empresas localizadas no exterior por plataformas ou por FPSO utilizados pelo contribuinte, uma vez que apenas a embarcação, entendida no ordenamento jurídico privado brasileiro como navio, e, sendo assim, construção destinada a percorrer águas, de forma itinerante e autônoma , está amparada pelo benefício da alíquota zero." Não obstante, a ementa do acórdão recorrido assim assevera (fls. 631 Volume 111): "(...) EMBARCAÇÃO CONCEITO FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA NA FONTE Prescinde de conceituar embarcação nos casos em que se verifica a incidência do fato gerador nas remessas efetuadas por residentes ou domiciliados em países com tributação favorecida. REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR. EMPRESA DOMICILIADA EM PAISES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA A partir de 1999, a alíquota do imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos auferidos no país, por residentes ou domiciliados em países com tributação favorecida é de 25% (vinte e cinco por cento), quando tratar de receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes." (grifei) Ademais, o voto condutor do julgado guerreado assim especifica (fls. 665 a 667 e 683 Volume 111 em diante): "Em seguida, passo a análise de mérito. 1. PLATAFORMAS SÃO OU NÃO EMBARCAÇÕES A Recorrente fixou a sua defesa na alegação de que plataformas petrolíferas são embarcações marítimas, conseqüentemente, ver ao caso aplicável a alíquota zero de que trata o disposto no art. 1°, inciso I, da Lei n? 9.481/97 e alterações posteriores. A autoridade autuante deixou assente que no conceito de embarcação figuram aquelas que se prestam para o transporte de pessoas ou cargas, enquanto plataformas são instalações ou estruturas marítimas para as atividades relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação de recursos petrolíferos, sendo desta categoria as plataformas arrendadas/alugadas pela recorrente. Este também foi o sentido a que chegaram os Membros da 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, mediante o Acórdão DRJ/RJOI N° 4.484, de 12 de outubro de 2003, ora recorrido. Nesse sentido, analisados os termos da Lei n. 9.537/97, as plataformas utilizadas pela contribuinte, 'até se locomovem na água, mas não se destinam ao transporte de pessoas ou coisas. Na realidade são estruturas fixas ou flutuantes que visam a Fl. 14DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 8 15 prospecção de petróleo, por isso, o legislador na Lei de Transporte Aquaviários as distinguiu das embarcações'. (...) Embora a referida discussão possa ser dispensável à solução da presente lide, é possível adicionar mais alguns pontos acerca do que seja embarcação e do que não possa ser assim conceituado. (...) Assim sendo, definitivamente, não há como prosperar o argumento da defesa no sentido de que plataformas sejam embarcações, conseqüentemente não há como ser aplicável a alíquota zero de que trata o disposto no art. 1°, inciso I, da Lei n. 9.481/97 e alterações. 2. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IMPOSTO. ENQUADRAMENTO DO CASO. Convém recordar que, em sede de mérito, a Recorrente asseverou que o 'fundamento único' do auto de infração reside em considerar que as 'plataformas petrolíferas' não são 'embarcações marítimas' e, nesse sentido, formulou a impugnação ao feito que, apreciada em seus termos, resultou no julgamento de primeira instância, retro examinado. É verdade, de qualquer natureza auferidos por residentes ou domiciliados a ocorrência do fato gerador do tributo objeto da autuação pouco foi aventada pela recorrente, qual seja, a falta de retenção na fonte sobre proventos no exterior, isto é, em chamados 'paraísos fiscais'. (...) Do exame da legislação supra, cabe observar que as remessas de rendimentos auferidos por residentes no exterior são tributadas à alíquota de vinte e cinco por cento, quando o país destinatário tribute a renda em percentual inferior à mencionada aliquota. No caso presente, a remessa de valores de aluguéis das plataformas foi feita a residentes nas Ilhas Cayman. Como visto, a Lei n. 9.779, de 19 de janeiro de 1999, somente excepcionou da tributação do imposto de renda na fonte as operações indicadas nos incisos V, VIII, IX, X e XI do art. 1° da Lei N° 9.481, de 1997. Logo, a situação que diz respeito à recorrente, indicada no inciso I, passou a ser tributada, independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações ou plataforma. É que a partir da vigência da Lei n. 9.779, de 1999 deixou de existir o benefício da alíquota zero, por derrogação do art. 1° da Lei n. 9.481 e art. 20 da Lei n. 9.532, de 1997. A partir de 1° de janeiro de 1999, por intermédio da Medida Provisória n. 1.788, de 1998, convertida na Lei n? 9.779, de 1999, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em Fl. 15DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento, a que se refere o art. 24 da Lei n.9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de vinte e cinco por cento. Reiterese, antes vigia, em função da Lei n. 9.481, de 1997, art. 1°, e Lei n. 9.532, de 1997, art. 20, a alíquota zero do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no país, por residentes ou domiciliados no exterior, nas hipóteses ali previstas. A partir da Lei n. 9.779, de 1999, art. 8°, acima transcrito, somente as hipóteses dos incisos V, VIII, IX, X e XI continuaram com o benefício da alíquota zero. A previsão contida no inciso I da Lei n° 9.481, de 1997, a partir de 01 de janeiro de 1999, deixou de existir, isto é, para os pagamentos feitos a títulos de fretes, afretamentos, etc, aos beneficiários de paraísos fiscais. No caso concreto, as empresas beneficiárias, como visto, estão localizadas nas Ilhas Cayman, pelo que se aplica a tributação exclusiva do imposto de renda a alíquota de 25% (vinte e cinco por cento) sobre a base de cálculo reajustada, como destacado no Termo de Constatação de Infração Fiscal, parte integrante do auto de infração, referente aos períodos de 1999 a 2002 (fls. 70/72). De ver, ainda, para que equívocos não restem, o expresso na Exposição de Motivos n. 834, de 29 de dezembro de 1998, do Projeto da referida Medida Provisória n. 1.788, de 1998, convertida na Lei n. 9.779, de 1999, in verbis: (...) O art. 8° determina a cobrança do imposto de renda à alíquota de vinte e cinco relativamente a rendimentos remetidos para beneficiários residentes ou domiciliados em países 'Paraísos Fiscais', restringindose, quanto a esses destinatários, as hipóteses de aplicação do benefício da alíquota zero. (destaque posto) Assim, reiterese outra vez, a partir de 01/01/1999, nos termos do disposto do art. 8° da Lei n. 9.779/99, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento (países com tributação favorecida), a que se refere o art. 24 da Lei n.9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte exclusiva à alíquota de vinte e cinco por cento, situação a que se subsume as remessas feitas pela recorrente, pois os beneficiários dos rendimentos são domiciliados nas Ilhas Cayman. Cabe reforçar, quanto à situação da recorrente, que a tributação interna encontrase prevista nos Contratos firmados, a exemplo, entre outros, do que se verifica na Tradução n? C 0020/03 do Contrato de Sub Afretamento P24 datado de 28 de dezembro de 1994, entre a BRASPETRO OIL SERVICES COMPANY, como Afretador, e PETRÓLEO BRASILEIRO S. A PETROBRÃS (fls. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 9 17 54/55 Anexo 111). É o que se vê na Subcláusula 8.2 Impostos, assim firmada: (...) Isto posto, voto por afastar as preliminares de nulidades do lançamento e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, posto que o lançamento encontrase devidamente amparado na legislação de regência." (grifos no original) Recordese que, conforme asseverou a própria decisão de primeira instância, o cerne da controvérsia encontravase "na definição do que seja embarcação", já que o "contribuinte afirma que a plataforma está incluída no conceito de embarcação e, desta forma, está amparado pela alíquota zero prevista na Lei 9.481/1997, art. 1°, com alterações da Lei 9.532/1997, enquanto a fiscalização entende que não" (fls. 435 Volume 11). Entretanto, não há como negar que, além disso, o acórdão recorrido trouxe nova fundamentação à autuação, que logrou tornar dispensável o intenso debate que até aquele momento povoava todas as peças do processo. Confirase alguns trechos do julgado guerreado: "EMBARCAÇÃO CONCEITO FATO GERADOR DO IMPOSTO SOBRE A RENDA NA FONTE Prescinde de conceituar embarcação nos casos em que se verifica a incidência do fato gerador nas remessas efetuadas por residentes ou domiciliados em países com tributação favorecida." (ementa) "Embora a referida discussão possa ser dispensável à solução da presente lide, é possível adicionar mais alguns pontos acerca do que seja embarcação e do que não possa ser assim conceituado. (...) Logo, a situação que diz respeito à recorrente, indicada no inciso I, passou a ser tributada, independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações ou plataforma. É que a partir da vigência da Lei n? 9.779, de 1999 deixou de existir o benefício da alíquota zero, por derrogação do art. 1° da Lei n. 9.481 e art. 20 da Lei n. 9.532, de 1997. Remarquese que a alteração no fundamento da exigência é tão gritante que no acórdão recorrido chegase a considerar prescindível a conceituação de "embarcação", questão esta que, repitase, até aquele momento constituíra o fundamento da autuação e alimentara a discussão constante de todas as peças do processo, sejam elas de acusação ou de defesa. Assim, forçoso é reconhecer que o acórdão recorrido efetivamente alterou a fundamentação da autuação, a saber: conforme o Auto de Infração e a decisão da DRJ, o contribuinte deveria recolher o Imposto de Renda sobre as remessas referentes a aluguéis de plataformas, uma vez que estas não estariam incluídas no conceito de "embarcações", para efeito de aproveitamento da alíquota zero, prevista no art. 1°, Fl. 17DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 18 inciso I, da Lei n. 9.481, de 1997, com a redação dada pela Lei n. 9.532, de 1997; de acordo com o acórdão recorrido, ainda que as plataformas pudessem ser caracterizadas como "embarcações", as remessas efetuadas pela contribuinte não estariam acobertadas pela alíquota zero, uma vez que "a partir da vigência da Lei n. 9.779, de 1999 deixou de existir o benefício da alíquota zero, por derrogação do art. 1° da Lei n. 9.481 e art. 20 da Lei n. 9.532, de 1997" (fls. 687 Volume III). Concluise, portanto, que não se trata de mero reforço de argumento, mas sim da introdução de novo fundamento que conduziria, inclusive, a possível situação da manutenção de Auto de Infração e de decisão de DRJ que teriam travado longas discussões estéreis, acerca de aplicação de dispositivo legal já derrogado. Por outro lado, a questão da derrogação do art. 1°, inciso I, da lei n. 9.481, de 1997, até aquele momento não havia sido debatida nos autos, ensejando vários argumentos de defesa em sede de Embargos Declaratórios que, não obstante, sequer foram conhecidos. Assim, não há como negar a identidade da situação do acórdão recorrido com a do paradigma, cuja ementa ora se recorda: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO NA FUNDAMENTAÇÃO DA EXIGÊNCIA IMPOSSIBILIDADE NULIDADE DA DECISÃO É nula a decisão de primeira instância que mantém a exigência formalizada em Auto de Infração com base em fundamentos diferentes dos apontados no instrumento de autuação, quando essa discrepância representa evidente mudança no critério jurídico do lançamento." Portanto, voto por CONHECER DO RECURSO ESPECIAL interposto, haja vista a demonstração da divergência. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 18DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 10 19 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado Ouso divergir do ilustre conselheiro relator quanto ao conhecimento do recurso especial sob apreciação. Inicialmente saliento que não merece prosperar alegação no sentido de que a este Colegiado seria defeso reexaminar a admissibilidade de recurso especial nas hipóteses em que há homologação de despacho proferido em agravo de instrumento pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Por certo, a admissibilidade do recurso especial é prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Relembro que a decisão recorrida manteve o auto de infração com base em dois fundamentos jurídicos: i) de que as plataformas petrolíferas não seriam espécies de embarcação, portanto, não faria jus a alíquota de 0%; e ii) acrescentando a essa fundamentação, o voto trouxe o entendimento que a partir da vigência da Lei n. 9.779/99 a operação passou a ser tributada independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações. Por oportuno colaciono excerto do voto condutor do acórdão recorrido em que constam os dois fundamentos jurídicos que ampararam a decisão a quo: “1. PLATAFORMAS SÃO OU NÃO EMBARCAÇÕES (...) Assim sendo, definitivamente, não há como prosperar o argumento da defesa no sentido de que plataformas sejam embarcações, conseqüentemente não há como ser aplicável a alíquota zero de que trata o disposto no art. 1°, inciso I, da Lei n. 9.481/97 e alterações. 2. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IMPOSTO. ENQUADRAMENTO DO CASO. (...) Logo, a situação que diz respeito à recorrente, indicada no inciso I, passou a ser tributada, independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações ou plataforma. É que a partir da vigência da Lei n. 9.779, de 1999 deixou de existir o benefício da alíquota zero, por derrogação do art. 1° da Lei n. 9.481 e art. 20 da Lei n. 9.532, de 1997. (...) Fl. 19DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO 20 Assim, reiterese outra vez, a partir de 01/01/1999, nos termos do disposto do art. 8° da Lei n. 9.779/99, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento (países com tributação favorecida), a que se refere o art. 24 da Lei n.9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte exclusiva à alíquota de vinte e cinco por cento, situação a que se subsume as remessas feitas pela recorrente, pois os beneficiários dos rendimentos são domiciliados nas Ilhas Cayman.” Todavia, a peça do recurso especial nada se referiu ao primeiro fundamento jurídico, qual seja, o de que plataformas petrolíferas não são embarcações, limitouse, ao revés, a impugnar a matéria relativa ocorrência da tributação independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações, por entender ter havido alteração da fundamentação da exigência. De tal modo, remanesceu no aresto recorrido fundamento inatacado, suficiente, por si só, para determinar o desprovimento do pedido, evidência que atrai, mutatis mutandis, a regra inscrita na Súmula n. º 283 do Supremo Tribunal Federal,deste teor: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." Destarte, é inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Neste mesmo sentido precedente do STJ. “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO FISCAL. PRESCRIÇÃO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. CDA. DEFEITO FORMA. NULIDADE. FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO IMPUGNADO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 283/STF. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. (...) 3.Não se conhece do recurso especial que não ataca fundamento que, por si só, é suficiente para fundamentar o juízo emitido pelo acórdão recorrido, evidência que atrai, mutatis mutandis, , a regra inscrita na Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal, deste teor:"É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." 4. Na espécie, o acórdão recorrido desproveu o agravo interno sob o argumento de prescrição do crédito fiscal e, também, de nulidade da CDA. As razões de recurso especial, todavia, apenas impugnaram a matéria referente à prescrição dos valores exigidos. (...)” ( STJ, 1ª Turmaa, REsp 704504 / RS, Relator: Ministro José Delgado) Fl. 20DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 18471.001620/200336 Acórdão n.º 920201.545 CSRFT2 Fl. 11 21 Nesta mesma linha já decidiu a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FUNDAMENTOS RELEVANTES DO ACÓRDÃO RECORRIDO, IMPOSSIBILIDADE DE PROVIMENTO. Inviável o recurso especial que pleiteia a reforma de acórdão mas não impugna todos os fundamentos relevantes da decisão recorrida.” (Acórdão nº 910100.692, Relator: Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho) Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso especial. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 21DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 po r OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903188/2009-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: DCOMP Eletrônica De Pagamento A Maior Ou Indevido.
Período de Apuração: 01.11.2000 a 30.11.2000
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,
da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda
Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade
administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,
conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Ementa: DCOMP. DECISÃO JUDICIAL. EFEITOS.
Pedido de compensação transmitido antes da decisão judicial não surte
efeitos jurídicos, implica na inexistência do reconhecimento do direito
creditório.
Recurso Negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3403-001.231
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: DCOMP Eletrônica De Pagamento A Maior Ou Indevido. Período de Apuração: 01.11.2000 a 30.11.2000 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ementa: DCOMP. DECISÃO JUDICIAL. EFEITOS. Pedido de compensação transmitido antes da decisão judicial não surte efeitos jurídicos, implica na inexistência do reconhecimento do direito creditório. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Liduina Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve o indeferimento de compensação de crédito tributário decorrente de pagamento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, período de apuração de novembro de 2000, com débito do IRPJ, conforme se extrai do Despacho Decisório. Narra à peça inicial que a contribuinte ajuizou ação perante a 1ª Vara da Justiça Federal de Piracicaba – SP visando à declaração de ilegalidade do aumento da alíquota de 2% para 3% e a incidência sobre outras receitas auferidas além do faturamento, pleiteando também a restituição dos valores recolhidos em razão da majoração e ampliação da base de cálculo nos molde da Lei nº 9.718/98. Ação judicial perante a Primeira Vara tomou o número 2000.61.09.0026744, cuja sentença prolatada em 22 de setembro de 2004 lhe foi desfavorável. No entanto, em grau de recurso de apelação obteve êxito, cujos autos perante o Egrégio Tribunal Federal tomou o número 2002674.35.2000.4.03.6109, transitando em julgado em 17 de novembro de 2008. A DCOMP teria sido transmitida em 26 de março de 2006 objetivando compensar possível crédito relativo ao pagamento a maior do que o fato gerador do período de apuração de 01 a 30.11.2000. A Recorrente informou que teria cometido lapso em deixar de informar a origem do crédito, que esse decorria de decisão judicial. Cuidou, a título de prova, trazer à colação cópia da inicial, da sentença e da decisão do recurso de apelação, assim como, informação extraída do sitio do Tribunal Regional informando a data da baixa definitiva dos autos. O indeferimento deuse em razão de ausência de prova da certeza e liquidez dos créditos tributários, e, o fato de ter sido pleiteado antes do transito em julgado da decisão judicial, tomando como data da solicitação a transmissão da DCOMP, que ocorreu em 28.11.2005, quando o transito em julgado só teria acontecido em 17 de novembro de 2008. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13888.903188/200908 Acórdão n.º 340301.231 S3C4T3 Fl. 2 3 Tratase de recurso tempestivo e encontra atendidos os demais pressupostos necessários ao conhecimento. A irresignação da contribuinte encontra fulcrada na negativa do direito de compensar crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Restou evidente que a solicitação da restituição e compensação ocorreu antes da prolatação da sentença, que só ocorreu em 17 de novembro de 2005, desfavorável, bem como, pela ausência de prova em relação à certeza e liquidez dos créditos tributários. O direito relativo ao recolhimento a maior teria decorrido da ampliação da base de cálculo, o que restou reconhecido pelo Poder Judiciário tempos depois da transmissão do pedido de compensação. De modo que, a DCOMP teria sido transmitida antes da decisão judicial que veio a beneficiar a Recorrente. No caso em exame o pedido de compensação ocorreu antes da sentença, se o pedido de compensação tivesse como fonte a decisão judicial, a compensação de indébito antes do trânsito em julgado da decisão judicial comporta duas análises. A compensação de créditos depende de solicitação por meio próprio, DCOMP. A extinção de crédito que advém da compensação está prevista no Código Tributário Nacional – CTN, pelo seu art. 156, II, tendo tal possibilidade detalhada no art. 170 do mesmo diploma legal, nos seguintes termos: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Em 1996 foi editada a Lei n. 9.430, estabelecendo em seus arts. 73 e 74: “Art. 73”. Para efeito do disposto no artigo 7º do Decretolei n. 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretária da Receita Federal, observado o seguinte: I – o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II – a parcela utilizada para a quitação do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74 – Observado o disposto no artigo anterior, a Secretária da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. ”(negrito acrescido)”. Com a instituição da Dcomp, tornouse o instrumento legal para que se registrassem as compensações efetuadas pelo contribuinte, passando a ser exatamente as Fl. 97DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Declarações de Compensação (Dcomp), nos termos do art. 21, parágrafo 1º, da IN SRF 210/2002: “Art. 21 – O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. Parágrafo 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da “Declaração de Compensação”. Segundo a doutrina o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Pela sistemática vigente é dispensável procedimento administrativo prévio, ficando a iniciativa e realização de compensação sob a responsabilidade do contribuinte, sujeito o controle posterior do fisco. Portanto, cabe ao contribuinte a apuração e realização da compensação, submetendose a posterior fiscalização. No entanto, no caso deste caderno processual administrativo, a sentença reconhecendo o direito creditório só aconteceu muito tempo depois do pedido de compensação ter sido transmitido, o que implica em reconhecer que no momento da transmissão da DCOMP não existia qualquer crédito que se pretendia compensar com débito próprios. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Com razão a Administração em não reconhecer o referido crédito. AUSÊNCIA DE PROVA. O deferimento da compensação também deuse em decorrência da ausência da demonstração cabal da exitência do crédito que se desejava compensar. Examinando os autos verifico que a Interessada deixou de trazer à colação prova conclusiva dos créditos que pretende ver compensados. A cópia da inicial, da sentença e demonstração do transito julgado, não configura documento hábil para aferir a certeza e a liquidez do indébito. Exigese demonstração real da existência do crédito no sentido de aquilatar a certeza e a liquidez, é preciso proporcionar meios capaz de permitir Autoridade Administrativa examinar em toda a sua extensão se o pleito atende esses dois pressupostos essenciais, inexistindo comprovação, impõe em negar o direito de compensação. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13888.903188/200908 Acórdão n.º 340301.231 S3C4T3 Fl. 3 5 No caso dos autos constando que a contribuinte apresentou a DCOMP, e, estabelecido o contraditório em razão da negativa, se fazia necessário que a Interessada demonstrasse a origem dos créditos que visava a restituição ou compensação, pois o reconhecimento do direito em si só foi reconhecido judicialmente muito tempo após a transmissão do pedido de compensação. Nesse caso a incumbência da prova passou a ser da Recorrente, deixando de fazela, obstacularizou a Administração Pública em aferir o quanto e a certeza do crédito, motivo pelo qual deve deixar de reconhecer o direito creditório do contribuinte, direito esse reservado ao fisco. Do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 99DF CARF MF Emitido em 06/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/10/2011 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 13433.001284/2007-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
Ementa: IRPJ. CSLL. COOPERATIVA MÉDICA. PRATICA DE ATOS
NÃO-COOPERADOS. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE TERCEIROS
(HOSPITAIS, LABORATÓRIOS). INCIDÊNCIA.
É dado As cooperativas, no regime jurídico que lhes é próprio, praticar atos não-cooperativos intrínsecos (praticados em relação a terceiros, mas diretamente relacionados aos objetivos sociais da cooperativa), e atos nãocooperativos extrínsecos (praticados em relação a terceiros, de cunho negocial e com intuito de lucro), sem que isso importe em descaracterização da entidade como cooperativa.
Atos não-cooperativos intrínsecos ou extrínsecos, cuja prática não desnatura a cooperativa, sendo praticados em relação a terceiros (não associados) devem ter seus reflexos financeiros atingidos pelas normas de tributação. Inteligência do art. 87 da Lei n°. 5.764/71.
Recurso Voluntário desprovido
Numero da decisão: 1103-000.592
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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SI-Cl TI Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13433.001284/2007-98 Recurso n° 179.168 Voluntário Acórdão n° 1103-00.592 — la Camara / P Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2011 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente UNIMED MOSSORÓ COOPERATIVA DE TRABALHOS MEDICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: IRPJ. CSLL. COOPERATIVA MÉDICA. PRATICA DE ATOS NÃO-COOPERADOS. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS DE TERCEIROS (HOSPITAIS, LABORATÓRIOS). INCIDÊNCIA. É dado As cooperativas, no regime jurídico que lhes é próprio, praticar atos não-cooperativos intrínsecos (praticados em relação a terceiros, mas diretamente relacionados aos objetivos sociais da cooperativa), e atos não- cooperativos extrínsecos (praticados em relação a terceiros, de cunho negocial e com intuito de lucro), sem que isso importe em descaracterização da entidade como cooperativa. Atos não-cooperativos intrínsecos ou extrínsecos, cuja prática não desnatura a cooperativa, sendo praticados em relação a terceiros (não associados) devem ter seus reflexos financeiros atingidos pelas normas de tributação. Inteligência do art. 87 da Lei n°. 5.764/71. Recurso Voluntário desprovido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. -- ALOYSIO J SE PERCINIO DA SILVA - Presidente. EDITADO EM: 08/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes (Conselheiro Substituto), Hugo Correia Sotero e Eric Moraes de Castro e Silva. Relatório Trata-se de lançamento de oficio formalizado em relação 5. Recorrente — Cooperativa de Trabalho Médico — por descortinar a autoridade lançadora a prática reiterada de atos estranhos aos objetivos que nortearam a constituição da Cooperativa, que deveriam ser oferecidos A. tributação. Do Relatório Fiscal (fls. 302-315), consta: "Portanto, basicamente, na Cooperativa Médica os cooperados (médicos) prestam aos usuários, diretamente, assistência médica, cabendo à entidade a captação de clientela; a oferta pública ou particular dos serviços dos cooperados; a cobrança e o recebimento dos honorários; o registro, controle e distribuição periódica dos honorários recebidos; a apuração e cobrança das despesas da sociedade. Conjuntamente com os serviços dos cooperados, a cooperativa contrata com a clientela o fornecimento a esta de serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com diárias e serviços hospitalares e laboratoriais. Sendo assim, o contribuinte deve apurar duas classes de resultados em sua contabilidade: o primeiro, denominado resultado de atos cooperativos, composto de transações situadas exclusivamente no campo do cooperativismo, que, conforme exposto, são os atos praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas para a consecução dos objetivos sociais. Estes atos são protegidos, como visto, do alcance da cobrança de tributos. A segunda classe de resultados é a composta pelos atos não cooperativos, aqueles estranhos et sua finalidade e que não se incluem, portanto no conceito de cooperativismo. Neste caso, tais resultados estão dentro do campo de incidência tributária. Na análise dos livros contábeis do contribuinte fiscalizado, verificou-se que o mesmo não discriminou as receitas de atos cooperativos e não cooperativos, fazendo-se obrigatória a determinação de qual parcela da receita corresponde a atos não cooperativos, para possibilitar a apuração da base de cálculo da tributação. 2 Processo n° 13433.001284/2007-98 S I-CITI Acórdão n.° 1103-00.592 Fl. 2 Desta forma, conclui-se que o caminho para se chegar (.2 distribuição das receitas de atos cooperativos e atos não cooperativos é a partir da parcela de custos destes atos. Corn essa informação, é possível proceder ao arbitramento do lucro (autorização conforme documento 04)". Em escorço, a autoridade lançadora identificou a prática, pela Recorrente, de atos tipicamente cooperativos (atos internos) e de atos "não-cooperados", consignando que somente estão afastados da tributação os atos tipicamente cooperativos. Dada a ausência de discriminação, na contabilidade da Recorrente, das receitas pertinentes aos atos cooperados (intermediação de serviços médicos) e de atos não-cooperados, a apuração do crédito tributário pertinente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), foi realizada por arbitramento, a partir dos custos (escriturados) de cada atividade. Cientificada do lançamento, apresentou a Recorrente impugnação (fls. 392- 412), arguindo: (a) decadência do direito de lançar em relação aos fatos geradores anteriores a 21 de dezembro de 2002; (b) por não objetivar lucro e visar aos seus objetivos sociais — fundamentalmente, a prestação de serviços aos médicos cooperados através da captação de clientes — todos os seus atos, mesmo os praticados com terceiros, seriam atos cooperativos; (c) materialização de "bitributação", vez que os cooperados são obrigados ao recolhimento dos tributos incidentes sobre a remuneração que percebem da cooperativa; e (d) a Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, não teria tratado de forma adequada os "atos cooperativos", de maneira que restariam controvérsias em relação ao alcance da mencionada expressão. 0 lançamento foi julgamento procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife (PE), assim: "COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA TRIBUTARIA. Os resultados positivos das cooperativas, decorrentes da prática de atos não cooperativos, estão inseridos no campo de incidência tributária. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 0 prazo para a constituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, na hipótese em que não lid pagamento da divida, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - PIS, COFINS e CSLL. Estende-se aos lançamentos decorrentes a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Lançamento Procedente." Da decisão se extrai: 3 "Como não houve recolhimento do imposto no mencionado período e não transcorreram mais de cinco anos entre o primeiro dia do mês de janeiro de 2003 (exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, relativamente aos fatos geradores do IRPJ mais longínquos, ou seja, os três primeiros trimestres de 2002) e a data da ciência do auto de infração, em 20 de dezembro de 2007 (ff389), não há falar em decadência no caso em questão. Da leitura do citado artigo 79, resta claro que são considerados atos cooperativos apenas aqueles mantidos pelas Cooperativas com seus associados, entre estes e aquelas, ou entre as cooperativas entre si, o que leva a concluir, apenas os resultados positivos decorrentes do travamento de tais relações estão fora do campo de incidência dos tributos. E de se perguntar então: e as relações mantidas pelas cooperativas com terceiros não associados? Como se deve classificd-las para efeito de tributação? Como visto, os resultados positivos decorrentes dos atos previstos nosartigos 85, 86 e 87 da Lei ri° 5.764, de 1971 — comuniente denominados de atos não cooperativos legalmente autorizados — devem ser tributados. Outras relações mantidas corn terceiros, contudo, não se enquadram nas hipóteses dos referidos artigos. Algumas, como é o caso da venda de planos de saúde pelas cooperativas de médicos, não merecem a denominação de ato cooperativo, tampouco de ato não cooperativo (legalmente permitidos), para efeito de tributação, vez que se trata, corn efeito, de negócio 'meio para a consecução de urn fim, qual seja a prestação de serviço ao cooperado, nos termos do citado art 40 da Lei n° 5.764, de 1971. Algumas práticas, contudo — como explicado no brilhante Relatório Fiscal — são estranhas à finalidade das cooperativas, corno é o caso da contratação de serviços hospitalares, laboratoriais, de psicólogos, etc., dado que não se trata de prestação de serviço ao cooperado, mas sim ao beneficiário do plano de saúde. Seus resultados, portanto, não podem ser considerados como decorrentes da prática de atos cooperativos, nos termos do art. 79 da Lei n° 5.764, de 1971, devendo, por conseguinte, ser tributados." Em face da decisão interpôs o contribuinte recurso voluntário (fls. 454-474), reiterando as razões de impugnação. É o relatório. 4 Processo n° 13433.001284/2007-98 SI-C ITI Acórdão n.° 1103-00.592 El. 3 Voto Conselheiro Hugo Correia Sotero - Relator Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Conheço inicialmente da preliminar de decadência do direito de lançar. Defende a Recorrente a aplicação da regra insculpida no art. 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional, de modo que, formalizado o lançamento em 20 de dezembro de 2007, estariam atingidos pela decadência todos os valores pertinentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 21 de dezembro de 2002. 0 entendimento majoritário deste Conselho é no sentido de que: (a) havendo antecipação parcial do tributo devido na sistemática do lançamento por homologação, o fluxo do prazo decadência se inicia na data da ocorrência do fato gerador, aplicando-se a disposição do art. 150, § 40, do CTN; e, (b) não havendo antecipação, incide a regra do art. 173, I, do CTN, iniciando-se o curso do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorrera o fato gerador. Nesse sentido: "DECADÊNCIA. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°. 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's Vs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTIV, ART. 150, § 4°). Nos casos de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, não ha o que se falar em aplicação do art. 150, § 4.°, do CTN. Vale considerar que, se à própria obrigação principal pode ser aplicada a contagem pelo critério do art. 173, I, do CTN, com o muito mais razão deve-se utilizar esse dispositivo quando se trata de aferir o prazo que o fisco dispõe para aplicar penalidades administrativas, haja vista ser esse um caso típico de lançamento de oficio." (Acórdão n°. 2401-01.751, 4° Camara, 1°. Turma, rel. Cons. Cleuza Vieira de Souza) 5 Ainda que assim não fosse, no que atine ao IRPJ e 6. CSLL, não se faz possível o acolhimento da preliminar, posto que, como é cediço, o fato gerador de ambas as exações somente ocorre quando do encerramento do exercício (31/12), momento em que se apuram as receitas e despesas obtidas e incorridas durante todo o ano que, uma vez cotejadas, permitem a definição do lucro – elemento material das respectivas hipóteses de incidência. Se os fatos imponiveis pertinentes ao IRPJ e à CSLL ocorrem em 31 de dezembro, o dies a quo do prazo decadencial coincide com o dia subseqüente (1° de janeiro), o que, no caso vertente, impede a declaração da decadência do direito de lançar pretendida pelo contribuinte. Com efeito, tratando-se de lançamento de oficio que se reporta aos fatos geradores de IRPJ e CSLL pertinentes ao exercício de 2002, a contagem do prazo decadencial, mesmo se aplicado o art. 150, § 4°, do CTN, iniciou-se no dia 1° de janeiro de 2003, encerrando-se em 31 de dezembro de 2007, tendo a autoridade lançadora se desincumbido de formalizar o ato de constituição do crédito tributário em momento anterior (20/12/2007). Rejeito, nestes termos, a preliminar de decadência. Quanto ao mérito, o argumento utilizado pela Recorrente para postular a reforma do acórdão erigido pela Delegacia de Julgamento de Recife (PE) é no sentido de que os atos considerados pela autoridade lançadora como "não-cooperados" seriam na verdade "atos auxiliares", essenciais à prestação dos serviços médicos pelos cooperados e, assim, integrados no conceito de ato cooperativo. Confira-se a argumentação da Recorrente: "Este entendimento deixa claro que tanto a receita como a despesa da ora Recorrente esta abrangida pela não incidência tributária, a primeira na condição de ato principal e a segunda como ato auxiliar, as duas, no entanto, integrantes do niesmo gênero: ato cooperativo. Assim, para se entender o alcance dessa interpretação, as contratações que as cooperativas médicas realizam de hospitais, de serviços auxiliares e outros, não se destinam aos contratantes, mas sini aos cooperados, uma vez que estes são os únicos responsáveis pelo custo das mesmas. Desta feita, não pode a Administração ou a Fiscalização Tributária simplesmente tentar descaracterizar a cooperativa para fins de tributação, unia vez que a não incidência tributária — ao contrário da isenção — decorre da especifica relação intersubjetiva praticada pelas cooperativas e não pela sua forma de ser. Nessa linha de raciocínio, na cooperativa que presta serviços médicos, o cooperado é o profissional de medicina, ao qual ern tese, é prestado o serviço, que se faz ao paciente. Contratação de serviços de laboratórios e clinicas, colocados a disposição dos cooperados, inseridos que estão no ato cooperativo, não podem dele ser dissociados para incidência tributária. Em outras palavras, equiparam-se ao ato cooperativo os negócios auxiliares ou meios, indispensáveis a consecução dos objetivos sociais. Contudo, no Brasil a Lei das Cooperativas, em seu artigo 79, determina o que se denominam atos cooperativos, praticados 6 Processo n° 13433.001284/2007-98 SI-CITI Acórdão n.° 1103-00.592 Fl. 4 entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais. E mais, pela dicção dos artigos 85, 86 e 88, do mesmo diploma legal, ficam possibilitadas as cooperativas de praticar atos com terceiros não-cooperados, sem que sejam mencionadas, em qualquer momento, as expressões 'atos não-cooperativos' ou 'atos cooperativos auxiliares'." Em suma, defende a Recorrente que as relações jurídicas travadas com terceiros (hospitais, fisioterapeutas e laboratórios), para disponibilização de serviços aos usuários de seus planos de saúde, seriam atos auxiliares, incluídos no escopo da cooperativa e, assim, afastados da incidência tributária. Necessário estabelecer distinção conceitual entre atos cooperativos (atos internos de relacionamento entre a cooperativa e seus associados), atos não-cooperativos intrínsecos (praticados em relação a terceiros, mas diretamente relacionados aos objetivos sociais da cooperativa), e atos não-cooperativos extrínsecos (praticados em relação a terceiros, de cunho negocial e com intuito de lucro). Em relação aos atos não-cooperativos, estes podem ser divididos em intrínsecos e extrínsecos. Os atos não-cooperativos intrínsecos abarcam os atos comerciais ou civis que são inerentes aos objetivos da sociedade no atendimento de sua finalidade. Não geram lucros, mas apenas sobras, que retornarão ao associado (art. 4°, inciso VII da Lei n°. 5.764/71) ou serão destinados aos fundos previstos no art. 28 ou à cobertura de despesas da sociedade (art. 44, II). As cooperativas podem também realizar atos com intuito de lucro, diferentemente do que ocorre com os atos cooperativos e os não-cooperativos intrínsecos. Estes atos são considerados não-cooperativos extrínsecos, podendo ser separados entre os expressamente previstos e os implicitamente previstos. São realizados pela cooperativa em nome próprio, e não em nome dos cooperados. Os atos cooperativos, sendo atos internos, não visam lucro por força de lei (art. 3 0 da Lei n°. 5.764/71), e por sua própria essência não constituem a base de cálculo do Imposto sobre a Renda (lucro real, presumido ou arbitrado) e da CSLL, embora possam, algumas vezes, implicar transferência patrimonial, como no caso das cooperativas agrícolas que recebem de seus associados produtos, com amplos poderes para deles dispor (art. 83 da lei antes citada). Os atos não-cooperativos intrínsecos também não geram lucro para a sociedade por sua própria essência, pois, caso contrário, não estariam atendendo aos objetivos sociais. Os resultados positivos resultantes destas operações constituem, por opção do legislador e em atenção aos princípios cooperativos, sobras. Neste caso teremos um acréscimo patrimonial suficiente, em principio, para completar o suporte fatico previsto para o imposto, com a conseqüente tributação dos associados. Ou seja, como há resultados positivos, é o associado que deverá pagar o tributo, por lhe pertencerem os resultados positivos gerados pela cooperativa. Ji 7 E dado as cooperativas, no regime jurídico que lhes é próprio, praticar atos não-cooperativos intrínsecos (praticados em relação a terceiros, mas diretamente relacionados aos objetivos sociais da cooperativa), e atos não-cooperativos extrínsecos (praticados em relação a terceiros, de cunho negocial e com intuito de lucro), sem que isso importe em descaracterização da entidade como cooperativa. Este Conselho já teve oportunidade de se manifestar sobre o tema, nestes termos: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO. SOCIEDADES COOPERATIVAS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. A prática habitual de atos não cooperativos não descaracteriza, para fins fiscais, a sociedade cooperativa, havendo o lançamento, para prevalecer, que promover a segregação entre atos cooperativos e atos não cooperativos, tributando apenas estes (Acórdão CSRF/01- 04.073). Recurso provido." (Acórdão n°. 105-15923, 5 1. Câmara, rel. Conselheiro Eduardo da Rocha Schmidt) "IRPJ SOCIEDADES COOPERATIVAS DESCARACTERIZAÇÃO DE SUA NATUREZA PELA FISCALIZAÇÃO — A pratica por Sociedades Cooperativas, de atos diferentes dos atos cooperativos, havendo contabilidade segregando uns e outros, não autoriza sua descaracterização pelo Fisco para tributá-la pelo resultado total dos atos, inclusive os cooperativos." (Acórdão n°. 103-19730, 3". Camara, rel. Antenor de Barros Leite Filho) "PRÁTICA REITERADA DE ATOS NÃO COOPERATIVOS — UNIMED — DESCARACTERIZAÇÃO DA COOPERATIVA — IMPOSSIBILIDADE — A pratica habitual de atos não- cooperativos não autoriza a desclassificação da sociedade como cooperativa (a não incidência é objetiva, e não subjetiva), devendo ser tributado o resultado positivo dos atos não cooperativos." (Acórdão n°. 105-14269, 5. Camara, rel. Conselheiro José Carlos Passuello). As sociedades cooperativas não estão impedidas de praticar atos não- cooperativos, sendo-lhes licito o desenvolvimento de atividades econômicas com finalidade de obtenção de resultados, não se convolando em sociedades mercantis por este só fato. No entanto, a possibilidade de praticarem as cooperativas atos impróprios (dissociados do liame especifico com seus associados), não significa que tais operações estejam afastadas da incidência de tributos e contribuições federais, posto que somente os atos cooperativos próprios (internos, que relacionam a cooperativa e seus associados) estão fora do âmbito de incidência tributária, por força de determinação legal expressa. Atos não-cooperativos intrínsecos ou extrínsecos, cuja prática não desnatura a cooperativa, sendo praticados em relação a terceiros (não associados) devem ter seus reflexos financeiros atingidos pelas normas de tributação, sendo entendimento dominante no Colendo Superior Tribunal de Justiça que "os atos que não se configuram como tipicamente t7 8 Processo n° 13433.001284/2007-98 SI-CITI Acórdão n.° 1103-00.592 Fl. 5 cooperativos, tais qual a prestação de serviços a terceiros realizada por sociedades cooperativas médicas, são passíveis de incidência da Cofins" (REsp 611.578/MG, 2 Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 6.3.2007). Nesse sentido a regra inscrita no art. 87 da Lei n°. 5.764/71, verbis: "Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas corn não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados a conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos." 0 entendimento deste Conselho se coaduna com o entendimento ora expendido: "COOPERATIVA: CONDIÇÕES NECESSÁRIAS E SUFICIENTES. A sociedade cooperativa se constitui de pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens e serviços, em proveito comum, sem objetivo de lucro. Para se aquilatar se um ato é cooperativo, deve-se, portanto, dar relevo ao critério funcional, desde que associado â premissa conceitual básica de que se trata de um esforço conjunto de pessoas que contribuem para a consecução de uma finalidade especifica. A medida de todas as coisas para a cooperativa deve ser a identificação dessa moeda de troca, qual seja, deve-se averiguar se a atividade em questão objeto do estatuto pode ser convertida ou mensurada em esforço individualizado de cada um dos cooperados para a consecução desse objetivo. BASE DE CÁLCULO E FATO GERADOR. PERIOD() ANTERIOR A MP n° 1.858/99. Apenas os atos cooperativos estão isentos por força do art. 6° da LC n° 70/91. Os serviços auxiliares, prestados por hospitais, clinicas e laboratórios ou por outras instituições que tenham por objeto a realização de serviços médicos, contratados pela cooperativa de serviços médicos para atendimento dos usuários dos seus planos de saúde são meros atos de intermediaçeio não cooperativos e, portanto, sujeitos a incidência da Cofins. BASE DE CÁLCULO E FATO GERADOR. PERIOD° POSTERIOR A MP n°1.858/99. A Cofins incide sobre o faturaniento, que abrange a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, sendo permitida apenas certa exclusões especificas. PERÍODO POSTERIOR A MP n° 1.858/99. DEDUÇÕES AUTORIZADAS NA BASE DE CÁLCULO. PRO VA.NA determinação da base de cálculo da COFINS, as operadoras de planos de assistência a saúde poderão deduzir: (I) co-responsabilidades cedidas; (II) a parcela das contraprestações pecuniárias destinada a constituição de provisões técnicas; e (III) o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. Porém, para o ano calendário de 2003 não foi provado o direito a tais exclusões." 9 (Acórdão n°. 1401-000.498, 4". Camara, 1a. Turma, rel. Antônio Bezerra Neto) "COOPERATIVA. ATENDIMENTO PRESTADO POR TERCEIROS CONTRATADOS.OFENSA AO PRINCIPIO COOPERATIVO. LANÇAMENTO SUBSISTENTE. Por entidades Cooperativas entendem-se aquelas que exercem as atividades na forma de lei especifica, por meio de atos cooperativos, e que se traduzem na prestação direta de serviços, sem objetivo de lucro e sem o concurso habitual e indescartavel de terceiros contratados. COOPERATIVA. ATENDIMENTO AOS USUÁRIOS ATRAVÉS DE CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICO- HOSPITALARES E DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO ( AUXILL4RES ) DE TERCEIROS. NA -0 DISTINÇÃO CONTÁBIL. NATUREZA DE MERO VENDEDOR DE PLANO DE SEGURO DE SAÚDE. EXIGÊNCIA SOBRE A RECEITA PLENA. PERTINÊNCIA ACUSATÓRIA. A contratação de serviço de terceiro não tem o condão de validar a natureza do cooperativismo, na espécie. A necessidade dos serviços auxiliares para a consecução dos atos médicos não decorre desses atos, mas da própria natureza da ciência médica, da boa conduta técnica e da melhor relação médico-paciente. A Lei n° 9.656, de 03 de junho de 1998 distinguira as pessoas jurídicas que operam seguros de saúde e as cooperativas (que devem ser organizadas nos termos da Lei 5.764/71 sem invadir a natureza ou os conceitos expendidos pela lei antes citada), pois, em não tendo hospitais, ambulatórios, pronto socorros, serviços de laboratórios, de hematologia e outras unidades de tratamento e diagnóstico próprios capazes de atender a toda ou a grande parte da sua clientela, mas apenas ou fundamentalmente pela via da contratação de terceiros, transmudam-se de cooperativas num mero vendedor de plano de seguro de saúde pela prestação indireta dos serviços ofertados." (Acórdão n°. 107-07.914, 7a. Camara, rel. Cons. Neicyr de Almeida) Com estas considerações, conheço do recurso voluntário para negar-lhe provimento. - • Hugo ' orreia Soter - Relator 1 0
score : 1.0
Numero do processo: 10314.002349/2001-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 07 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 07 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001
MULTA. NATUREZA JURÍDICA. APLICABILIDADE DO DISPOSTO NO REGULAMENTO ADUANEIRO. PRESCRIÇÃO / DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. A multa prevista no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64 foi
instituída para punir violações ao controle aduaneiro das importações. Pelo fato da penalidade em foco não se revestir de natureza tributária, inaplicável os prazos de decadência previstos nos arts. 150, § 4º ou 173, I, do CTN. O prazo para que a Fazenda Pública possa infligir esta penalidade consta expressamente do art. 78 da Lei nº 4.502/64.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.282
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Gilson Macedo Rosenburg Filho votaram pelas conclusões
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 MULTA. NATUREZA JURÍDICA. APLICABILIDADE DO DISPOSTO NO REGULAMENTO ADUANEIRO. PRESCRIÇÃO / DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. A multa prevista no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64 foi instituída para punir violações ao controle aduaneiro das importações. Pelo fato da penalidade em foco não se revestir de natureza tributária, inaplicável os prazos de decadência previstos nos arts. 150, § 4º ou 173, I, do CTN. O prazo para que a Fazenda Pública possa infligir esta penalidade consta expressamente do art. 78 da Lei nº 4.502/64. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 MULTA. NATUREZA JURÍDICA. APLICABILIDADE DO DISPOSTO NO REGULAMENTO ADUANEIRO. PRESCRIÇÃO / DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. A multa prevista no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64 foi instituída para punir violações ao controle aduaneiro das importações. Pelo fato da penalidade em foco não se revestir de natureza tributária, inaplicável os prazos de decadência previstos nos arts. 150, § 4º ou 173, I, do CTN. O prazo para que a Fazenda Pública possa infligir esta penalidade consta expressamente do art. 78 da Lei nº 4.502/64. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Gilson Macedo Rosenburg Filho votaram pelas conclusões. Caio Marcos Candido Presidente Substituto Nanci Gama Relatora EDITADO EM: 23/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por CLEUZA TAKAFUJI Assinado digitalmente em 11/03/2011 por NANCI GAMA, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Nayra Bastos Manatta, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento do artigo 5°, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais vigente quando da interposição do recurso, em face do acórdão 30332.359 que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, ora recorrido, cuja ementa é a seguinte: “Multa Regulamentar. Lançamento de ofício extemporâneo. Art. 173, I, CTN. Prazo máximo de cinco anos. Decadência do lançamento ultimado. A multa aplicada objetiva penalizar aqueles que procedem irregularmente à entrada de mercadorias importadas no país, sendo indiscutível a sua natureza tributária. O art. 173, I, do CTN, estabelece prazo de cinco anos após o primeiro dia do exercício seguinte à data de conhecimento do fato gerador para que a autoridade fazendária formalize o lançamento, o que não ocorreu no caso em escopo, sendo o lançamento decadente. Recurso provido.” Em seu recurso especial a Procuradoria aponta que a decisão recorrida diverge da prolatada pela Segunda Câmara, acórdão n° 30236.927, proferido pelo Conselheiro Luís Antonio Flora, cuja ementa ora se transcreve: “Multa Regulamentar. Art. 463, I, RIPI/98. Natureza Jurídica. Espontaneidade. PRESCRIÇÃO e Decadência. A multa prevista no art. 83, I, da Lei n° 4.502/64 foi instituída para punir violações ao controle aduaneiro das importações. Não possuindo natureza jurídica tributária, o CTN cede passo à aplicação das normas específicas sobre espontaneidade e prescrição, previstas nos arts. 76 e 78 da Lei n° 4.502/64, respectivamente. Multa Regulamentar. Ilegitimidade Passiva. Para inflição da multa regulamentar é irrelevante que a propriedade do bem tenha sido transferida a terceiro. Recurso Negado.” O recurso foi admitido em despacho de fls. 174/175. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por CLEUZA TAKAFUJI Assinado digitalmente em 11/03/2011 por NANCI GAMA, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10314.002349/200195 Acórdão n.º 930301.282 CSRFT3 Fl. 197 3 O contribuinte devidamente intimado apresentou suas contrarazões requerendo que o recurso não seja provido e sustentando com base na doutrina e jurisprudência a natureza tributária da multa em questão. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço do recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, eis que tempestivo e, a meu ver, a divergência jurisprudencial que justifica o seu cabimento encontrase devidamente demonstrada no voto indicado como paradigma. A controvérsia trazida aos autos cingese à natureza da multa instituída para punir violações ao controle aduaneiro das importações como sendo de natureza jurídica tributária ou de outra natureza jurídica, que não a tributária. Como me posicionei quando do julgamento deste processo na extinta Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, considerando que a multa em questão, mesmo tendo por finalidade punir aqueles que violem as regras do controle aduaneiro, visa desestimular o não pagamento dos tributos vinculados ao comércio exterior de mercadorias, concordei com o relator com a natureza tributária de referida multa. No entanto, em análise mais detida sobre a natureza da multa aplicada em caso de vulneração às regras estabelecidas pelo Controle Aduaneiro revi minha posição. Em pesquisa jurisprudencial, verificase a existência de precedentes do Superior Tribunal de Justiça no sentido de considerar que estas multas não representam, por seu caráter administrativo, crédito tributário, não se podendo aplicar, deste modo, a disciplina jurídica do Código Tributário Nacional. Confirase: “PROCESSO CIVIL E ADMINISTRATIVO – COBRANÇA DE MULTA PELO ESTADO – PRESCRIÇÃO – RELAÇÃO DE DIREITO PÚBLICO – CRÉDITO DE NATUREZA ADMINISTRATIVA – INAPLICABILIDADE DO CÓDIGO CIVIL E DO CTN – DECRETO 20.910/32 – PRINCÍPIO DA SIMETRIA. 1. Se a relação que deu origem ao crédito em cobrança tem assento no Direito Público, não tem aplicação a prescrição constante do Código Civil. 2. Uma vez que a exigência dos valores cobrados a título de multa tem nascedouro num vínculo de natureza administrativa, não representando, por isso, a exigência de crédito tributário, afastase do tratamento da matéria a disciplina jurídica do CTN. 3. Incidência, na espécie, do Decreto 20.910/32, porque à Administração Pública, na cobrança de seus créditos, devese impor a mesma restrição aplicada ao administrado no que Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por CLEUZA TAKAFUJI Assinado digitalmente em 11/03/2011 por NANCI GAMA, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 4 se refere às dívidas passivas daquela. Aplicação do princípio da igualdade, corolário do princípio da simetria. 4. Recurso especial provido.” (REsp 775.117/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/08/2007, DJ 11/09/2007 p. 213). Em suas razões, ressaltou a Ministra: “Penso então que, na ausência de definição legal específica, o prazo prescricional para a cobrança da multa, crédito de natureza administrativa, deve ser fixado em cinco anos, não podendo a União, o Estado ou o Município gozar de tratamento diferenciado em relação ao administrado, porquanto não se verifica, nesse entendimento, risco de prejuízo ao interesse público.” (grifouse) Como se pode constatar, estas multas, no entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem caráter eminentemente administrativo e, por isso, a elas não devem ser aplicadas as disposições do Código Tributário Nacional. Por outro lado, restou assente que, em havendo disposição legal específica acerca da matéria, deve ser considerado o prazo descrito na legislação especial, em detrimento aos cinco anos inicialmente considerados. Com efeito, a Lei n° 4.502/64 afigurase, ao caso concreto, perfeitamente aplicável. Nela, há dispositivo que trata, exclusivamente, do prazo prescricional para a imposição deste tipo de penalidade ao contribuinte, qual seja, 05 (cinco) anos, verbis: “Art . 78. O direito de impôr penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração.” No caso da CCA Cereal, entendeu a Câmara que, in casu, deveria ser aplicado o prazo previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, em razão da natureza tributária da multa. Em termos práticos, não haverá diferenças quanto à extemporaneidade do lançamento, visto que o lapso temporal descrito no diploma acima, ressaltese, é também quinquenal, como se constata do dispositivo acima citado. Desse modo, de qualquer forma, a autoridade responsável pela formalização do lançamento o fez, reconhecidamente, a destempo. Face ao exposto, conheço do recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional por preencher os requisitos de admissibilidade e, no mérito, voto por negar lhe provimento. É como voto. Nanci Gama Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por CLEUZA TAKAFUJI Assinado digitalmente em 11/03/2011 por NANCI GAMA, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10314.002349/200195 Acórdão n.º 930301.282 CSRFT3 Fl. 198 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por CLEUZA TAKAFUJI Assinado digitalmente em 11/03/2011 por NANCI GAMA, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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Numero do processo: 13854.000144/00-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
IPI.CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de
incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer
distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ.
SELIC.
Devida a atualização monetária, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA BRUTA OPERACIONAL. REVENDAS AO EXTERIOR.
As receitas de exportação de produtos NT, bem assim as de produtos adquiridos de terceiros e exportados, devém ser excluídas da receita de exportação e da receita operacional bruta para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos.
Recursos Especiais do Procurador Negado e do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-001.452
Decisão: Acordam os membros do Colegiado: I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões; e
II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 IPI.CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ. SELIC. Devida a atualização monetária, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA BRUTA OPERACIONAL. REVENDAS AO EXTERIOR. As receitas de exportação de produtos NT, bem assim as de produtos adquiridos de terceiros e exportados, devém ser excluídas da receita de exportação e da receita operacional bruta para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos. Recursos Especiais do Procurador Negado e do Contribuinte Provido.
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RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ. SELIC. Devida a atualização monetária, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA BRUTA OPERACIONAL. REVENDAS AO EXTERIOR. As receitas de exportação de produtos NT, bem assim as de produtos adquiridos de terceiros e exportados, devém ser excluídas da receita de exportação e da receita operacional bruta para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos. Recursos Especiais do Procurador Negado e do Contribuinte Provido. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martìnez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de análise de dois recursos especiais interpostos: pela Fazenda Nacional e contribuinte, contra Acórdão nº 20216.893, que deu parcial provimento. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: "IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO LEI N°9.363/96. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Não se inclui na base de cálculo do incentivo os insumos que não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da COFINS na operação de fornecimento ao produtor exportador. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. • A energia elétrica e Os combustíveis consumidos na atividade industrial não dão direito ao crédito presumido de por não se enquadrarem no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. TAXA SELIC. NÃOINCIDÊNCIA. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um “plus” sem previsão legal. CÁLCULO DO PERCENTUAL RELATIVO ÀS RECEITAS OPERACIONAL BRUTA E DE EXPORTAÇÃO. Não há que se falar em exclusão ou glosa ele quaisquer parcelas, por inexistência de previsão legal para tal. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13854.000144/0011 Acórdão n.º 930301.452 CSRFT3 Fl. 366 3 Recurso provido em parte." ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: I) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto às aquisições de insumos de pessoas físicas. II) por maioria de votos, cru negar provimento ao recurso quanto à atualização do ressarcimento pela taxa Selic e à inclusão de energia elétrica e combustíveis no cálculo do benefício. e III) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso quanto à inclusão dos valores dos produtos adquirido para revenda na receita de exportação. A contribuinte solicitou o ressarcimento de IPI (fl. 1), no valor de R$ 200.064,44, a título de crédito presumido (Portaria MF nº 38/97), relativamente ao 2º trimestre do ano de 2000. Referido pedido foi cumulado com pedidos de compensação, os quais foram convertidos em declarações de compensação, conforme § 4º do artigo 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. A contribuinte interpôs recurso no tocante aos insumos adquiridos de pessoa física e cooperativas e com relação a incidência da taxa SELIC. A Fazenda Nacional recorreu no tocante ao cômputo, na receita de exportação, dos valores adquiridos de terceiros, para efeito de cálculo do coeficiente de exportação. Pelos Despachos nº 202096, de fls. 232/233, e nº 2101238, de fls. 337 e 338, sob o entendimento de estarem presentes as condições de admissibilidade do recurso, foram admitidos os recursos especiais de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional e do contribuinte, interposto contra o Acórdão nº 20216.893. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Tratase de análise de dois recursos. A saber: Recurso da contribuinte: As divergências apontadas pela empresa referemse a: I) não inclusão, no cálculo do crédito presumido, dos custos das aquisições de pessoas físicas e cooperativas, sob entendimento de que supostamente não tiveram incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS e II) a não atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional: A divergência apontada pela Fazenda Nacional referese a quanto à inclusão dos valores dos produtos adquiridos para revenda na receita de exportação. Passo à análise. 1.a) aquisições de pessoas físicas e cooperativas: Fl. 373DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 A controvérsia limitase à incidência do art. 1º da Lei n° 9.363, de 16/12/96, imposta pela Instrução Normativa SRF n° 23, de 13/03/1997, que reconhece o direito apenas para aquisições de pessoas jurídicas, e pela Instrução Normativa SRF n° 103, de 30/12/1997, que excluem as cooperativas de produção. Em ambos os casos, o fundamento é o mesmo: o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível quando nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtorexportador houver incidência dessas contribuições sociais. Seguem transcrições: IN SRF n° 23/97: Art. 2º (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. IN SRF n° 103/97: Art. 2° as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido. Muito embora o assunto já se encontre pacificado no âmbito desta Eg. Câmara Superior, conforme jurisprudência trazida pela interessada, pertinentes são as conclusões do respeitável doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira em trabalho divulgado em 2000, quando o assunto era ainda polêmico.1 Para melhor clareza, peço vênia para reproduzir as suas conclusões como se minhas fossem: VII CONCLUSÃO: AS AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS INTEGRAM O CÁLCULO DO INCENTIVO, SENDO ILEGAIS AS INSTRUÇÕES NORMATIVAS FAZENDÁRIAS EM CONTRÁRIO De tudo se conclui que as aquisições de insumos que não tenham sofrido a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS também integram a determinação da base de cálculo do crédito presumido a que alude a Lei n. 9363. Isto porque, e em síntese: a expressão legal “contribuições incidentes” não pode ser vinculada a cada operação de aquisição de insumos, pois tal vinculação não faz qualquer sentido lógico, além de impor condição a incidência sobre cada aquisição, isoladamente considerada de realização impossível, porque as contribuições não incidem na base de 5,37%, que é a porcentagem para cálculo do crédito presumido segundo a respectiva fórmula legal; 1 Em 20/06/200, sob o título: Crédito presumido de ipi para ressarcimento de PIS e COFINS direito ao cálculo sobre aquisições de insumos não tributadas. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13854.000144/0011 Acórdão n.º 930301.452 CSRFT3 Fl. 367 5 seja pela literalidade da norma do art. 1o da Lei n. 9363, seja por sua consideração em conjunto com os demais dispositivos dessa mesma lei, especialmente com os que estatuem a fórmula de cálculo do crédito presumido, verificase que a alusão ao ressarcimento das contribuições incidentes somente pode ser referida a todas as incidências que possivelmente tenham ocorrido em qualquer anterior etapa do ciclo econômico do produto exportado e dos seus insumos; o incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte; a fórmula legal de cálculo do incentivo manda considerar o valor total das aquisições de insumos, sem distinção entre as tributadas e as não tributadas; o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras, e não se confunde com restituição de contribuições, não havendo, assim, razão para exigir a incidência de contribuições para que uma aquisição de insumos seja integrada ao respectivo cálculo; o ressarcimento do crédito presumido, em moeda corrente, é uma forma alternativa de pagamento da subvenção, sendo que ressarcimento significa provimento do incentivo, em cobertura de parte das despesas de custeio, e não restituição de contribuições, também por isto sendo irrelevante ter ou não ter havido incidência sobre cada aquisição de insumos, isoladamente considerada; a prova da incidência e dos recolhimentos sobre cada aquisição de insumos era exigida pela legislação anterior, mas foi tacitamente revogada, não, podendo, pois, ser feita na vigência da nova lei, revogadora da anterior; o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, as quais integram o custo do produto exportado; tudo isto é confirmado pelas regras de hermenêutica, que excluem a interpretação pela literalidade da norma legal e a consideração de apenas um dispositivo isolado das demais normas da mesma lei e do ordenamento jurídico, que exigem resultado derivado da interpretação que seja coerente com os objetivos da lei, que excluem resultado ilógico e de realização impossível, e que requerem o emprego de todos os métodos de exegese, notadamente o sistemático, o teleológico e o histórico; não obstante, mesmo a letra da lei comporta perfeitamente a interpretação no sentido de que não é necessária a incidência Fl. 375DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 sobre a aquisição de insumos, propriamente dita, referindose, antes, às possíveis incidências em quaisquer outras operações que tenham onerado as aquisições dos insumos e o custo do produto exportado. Em vista disso tudo, concluise de modo inarredável que carecem de base legal o parágrafo 2o do art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 23/97 (que limita o crédito às aquisições feitas à pessoas jurídicas e que tenham sido tributadas) e o art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 103/97 (que exclui as aquisições feitas à cooperativas). Na verdade, o crédito presumido de IPI, por ser presumido, independe do valor que efetivamente tenha sido recolhido a título daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto vendido. Mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/PASEP e COFINS em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do benefício. Por fim, noticiase que a matéria, conforme jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, já se encontra pacificada 2. O Tribunal vem, repetidamente, entendido que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (RESP 993164, Min. Luiz Fux). Atendidos a todos os requisitos previstos em lei, não vejo como se negar o direito do produtorexportador ao crédito presumido de IPI, ainda que na última etapa não tenha incidido PIS/PASEP e COFINS. 1.b) Incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de IPI. O pleito da contribuinte, de que o ressarcimento seja acrescido de juros Selic a partir do protocolo do pedido, está fundado na interpretação analógica do disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95, que prescreveu a aplicação da taxa Selic na restituição e na compensação de indébitos tributários. Filiome à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que pela sua importância transcrevo a ementa a seguir: REsp 611905 / RS RECURSO ESPECIAL 2003/02101147 Relator(a) Ministro JOSÉ DELGADO (1105) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 25/05/2004 Data da Publicação/Fonte 2 Matérias Julgadas pelo STJ no Regime do art. 543C e Resolução STJ nº 08/08 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13854.000144/0011 Acórdão n.º 930301.452 CSRFT3 Fl. 368 7 DJ 05.08.2004 p. 195 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 535, II, DO CPC. VIOLAÇÃO.INEXISTÊNCIA. IPI DEVOLVIDO ADMINISTRATIVAMENTE. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. ÍNDICE DE ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. Não configura afronta ao art. 535, II, do CPC, a rejeição dos embargos declaratórios quando a decisão recorrida não padece de omissão, contradição ou obscuridade. 2. Consoante posicionamento pacífico deste colendo Superior Tribunal de Justiça, não incide correção monetária sobre os créditos escriturais do IPI, contudo, outro é o tratamento dispensado para os créditos reconhecidos administrativamente e pagos com atraso ao contribuinte, pois tratamse de créditos reais e efetivos. 3. A nãoaplicação de correção monetária sobre os valores devolvidos tardiamente pela Fazenda Pública colocaria o contribuinte ao arbítrio do administrador que somente faria o ressarcimento quando bem lhe conviesse, mantendo os valores em seu poder, só os entregando ao seu titular quando já corroídos pela inflação. Tal fato contraria a própria lógica, pois não pode o Estado negligenciar e ficar imune aos efeitos de sua conduta. 4. A jurisprudência desta Corte é remansosa no sentido de que as regras atinentes à repetição de indébito são extensíveis ao ressarcimento do IPI. Portanto, tanto na primeira hipótese quanto na segunda, cabe a aplicação de correção monetária e a compensação desses valores com débitos vencidos e vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da Secretariada Receita Federal. 5. Aplicase a taxa Selic como índice de atualização monetária, tendo em vista que os pedidos de ressarcimentos foram formulados após a vigência da Lei 9.250/95.6. Recurso provido. Penso na forma de decidir do Eg. STJ, que por unanimidade de votos admitiu a atualização do crédito pela taxa Selic. Ressalto conhecer da existência de Jurisprudência cristalina dos Tribunais Superiores no sentido de que crédito escritural não deve ser sujeito à atualização. Não é o caso dos autos em que se permite a atualização a partir do protocolo do pedido administrativo de ressarcimento de crédito de IPI. Aliás, a partir do protocolo de pedido de restituição de determinada importância, passa a ser a referida importância, uma dívida. Como dívida, ressalvase um outro aspecto importante. A demora própria do andamento fiscal, e a correspondente defasagem monetária do crédito, não podem ser carregadas como ônus do contribuinte, sob pena de ficar comprometido, pelo menos em parte, o valor ressarcido, que se busca preservar. Cabe também asseverar que não se discute se correção monetária é mera recomposição do poder aquisitivo da moeda, fato este constatado pela jurisprudência dos Tribunais Superiores, a exemplo dos seguintes julgados: RE nº 93.415/RS, RE nº 893837/RJ, RE nº 77.803/RS. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 Penso, que a partir da data de protocolização do respectivo pedido e o do efetivo ressarcimento, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que à contribuinte titular do direito ao crédito de IPI, garantase o direito à atualização monetária pela SELIC, nesse período, nos moldes aplicáveis na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais. A negativa de aplicação da taxa SELIC, nos ressarcimentos de crédito do IPI, por parte dos julgadores administrativos tem sido fundamentada em duas linhas de argumentação: uma, com o entendimento de que seria indevida a correção monetária, por ausência de expressa previsão legal, e a outra considera cabível a correção monetária até 31 de dezembro de 1995, por analogia com o disposto no art. 66, § 3o, da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, não admitindo contudo a correção a partir de 1o de janeiro de 1996, com base na taxa SELIC, por ter ela natureza de juros e alcançar patamares muito superiores à inflação efetivamente ocorrida. Não comungo nenhum desses entendimentos, pois, sendo a correção monetária mero resgate do valor real da moeda, é perfeitamente cabível a analogia com o instituto da restituição para dispensar ao ressarcimento o mesmo tratamento, como o faz a segunda linha de argumentação acima referida, à qual não me alio porque, no meu entender, a extinção da correção monetária a partir de 1o de janeiro de 1996 não afasta, por si só, a possibilidade de incidência taxa SELIC os ressarcimentos. Entendo que, se sobre os indébitos tributários incidem juros moratórios, também nos ressarcimentos, analogamente à correção monetária, esses juros são cabíveis. Registrese, entretanto, que os indébitos e os ressarcimentos se diferenciam no aspecto temporal da incidência da mora, visto que o indébito caracterizase como tal desde o seu pagamento, podendo ser devolvido desde então. Já os créditos de IPI devem antes ser compensados com débitos desse imposto na escrita fiscal e somente se tornam passíveis de ressarcimento em espécie quando não houver possibilidade de se proceder a essa compensação, cabendo então a formalização do pedido de ressarcimento pelo contribuinte que fará as provas necessárias ao Fisco. Destarte, podese afirmar que a obrigação de ressarcir em espécie nasce para o Fisco apenas a partir desse pedido, portanto, somente com a protocolização do pedido de ressarcimento, podese falar em ocorrência de demora do Fisco em ressarcir o contribuinte, havendo, pois, a possibilidade de fluência de juros moratórios. Ademais, o simples fato de a taxa de juros eleita por lei para a administração tributária ser compensada pela demora no pagamento dos seus créditos e compensar o contribuinte pela demora na devolução do indevido alcançar patamares superiores ao da inflação não pode servir à negativa de compensar o contribuinte pela demora do Fisco no ressarcimento. Alguns poderiam questionar o por quê da escolha da taxa SELIC. Penso que a sua aplicação vai de encontro ao adotado na legislação, nos pedidos de restituição, compensação e cobrança de créditos da União. Em verdade, o Fisco exige ou paga ao contribuinte aquilo que a União paga para tal captação. Nesse sentido, “os juros” são devidos por representar remuneração do capital, que permaneceu à disposição da empresa, e não guardam natureza de sanção. Por esses motivos, a exemplo do ocorrido na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais é que entendo que a escolha da taxa SELIC reflete a melhor opção. Devida assim a atualização monetária, a partir da data de Fl. 378DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13854.000144/0011 Acórdão n.º 930301.452 CSRFT3 Fl. 369 9 protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. Em razão de todo o exposto, dou provimento ao recurso da contribuinte. 2) Recurso da Fazenda Nacional: Receita operacional bruta e de exportação: A posição que a fiscalização tem adotado é a de que na composição da receita Operacional Bruta (ROB), também se incluam as receitas de exportação de produtos adquiridos de terceiros, mas não da composição da receita de exportação (RE). Nesse sentido, foi a decisão externada pela DRJ a seguir reproduzida (EMENTA): CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. Não se incluem no cálculo do crédito presumido, a título de receita de exportação, os valores relativos aos produtos exportados adquiridos para revenda, devendo estes integrarem a receita bruta operacional nos termos da legislação do Imposto de Renda. Solicitação Indeferida”. A posição adotada pelo interessado, foi pela exclusão total (sic) “como forma de neutralizar fiscal e contabilmente os efeitos”. A jurisprudência desta Eg. Câmara também é no sentido de neutralizar os efeitos fiscais e assim negar provimento ao recurso da Fazenda. Mas há uma pequena divergência na metodologia dos procedimentos, ou seja: (i) ou a receita de exportação (RE) de mercadorias adquiridas de terceiros entra na composição da RE como um todo ou (ii) não entra em nenhuma das rubricas. Alguns Conselheiros entendem que deveria ser incluído como um todo. Particularmente, esta Conselheira entende que deva ser excluído das duas rubricas. Mas, isto, no meu entender, não está em discussão, eis que não é objeto do pedido do recurso interposto. No caso em análise a decisão recorrida enveredou pelo entendimento adotado pela interessada ao excluir tudo. A Fazenda Nacional pede a manutenção do entendimento da fiscalização. De outra sorte, consta do voto ora guerreado (AC. nº 20216.893) o que a seguir transcrevo: Sobre a metodologia de apuração do percentual relativo à razão receita de exportação/receita operacional bruta, tenho que assiste razão à contribuinte. Vejamos: A Portaria MF nº 129/95, em seu art. 2º, prevê que: “Artigo 2º Para efeito de determinação do crédito presumido de que trata o artigo anterior, o produtorexportador deverá: I – determinar o valor do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta anuais; Fl. 379DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 (...) §2º Para os efeitos deste artigo, considerase: I – receita operacional bruta, a definida no art. 31 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995; II – receita de exportação, o produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais.” (grifos nossos) Assim, temse que não há exclusão de natureza quantitativa ou qualitativa de qualquer espécie, relativamente à apuração do percentual entre as receitas. Logo, há que prevalecer o entendimento esposado pela contribuinte, ao qual me filio. Penso que a decisão está no Acórdão recorrido. Destarte, no que tange à receita de exportação de produtos adquiridos de terceiros, entendo ter sido acrescida indevidamente pela fiscalização à receita operacional bruta não sendo considerada, entretanto, no total da receita de exportação. Para fins de cálculo do crédito presumido, referido valor não deve integrar nem a receita de exportação nem a receita operacional bruta a fim de não distorcer o valor a ser ressarcido. No que diz respeito às receitas de revendas ao exterior, a razão entre receita de exportação e receita bruta tem o claro objetivo de apurar o percentual dos insumos que são utilizados em produtos exportados. Dessa forma, pareceme razoável se pensar que a receita bruta somente poderia referirse à receita de vendas de produtos fabricados com os insumos. A inclusão da receita de revendas diminui artificialmente o percentual, de forma injustificada, uma vez que os insumos não são empregados em produtos revendidos. Este tema foi brilhantemente analisado pelo ilustre Conselheiro José Antonio Francisco no voto condutor do Acórdão nº 20190.004, Recurso n º 136.395, na sessão de 24 de maio de 2007, cujos excertos reproduzo a seguir: A Portaria MF nº 38, de 1997, referiuse à receita operacional bruta como se representasse o produto de venda de bens e serviços, o que causou o surgimento de uma linha de interpretação literal das disposições da Portaria, segunda a qual a receita bruta, para efeito do cálculo, abrangeria também a receita de exportação de produtos adquiridos de terceiros. Nesse ponto, as Portarias MF nº 64, de 2003, e nº 93, de 2004, art. 3°, parágrafo 12, II, antes de inovarem a ordem jurídica, já que não houve alteração legal, objetivaram afastar essa linha de interpretação, para deixar claro que receita operacional bruta representa apenas a de produtos industrializados pela pessoa jurídica. Se é assim, a definição da receita de exportação também deve seguir no mesmo sentido. Notese que sequer a expressão 'receita operacional bruta' foi alterada, o que exige que se reconheça que se trata apenas de receita de produtos industrializados pelo contribuinte. Dessa forma, o valor das mercadorias revendidas no exterior deve ser excluído tanto da receita de exportação como da receita operacional bruta, para que não haja distorção na proporção." Em síntese, voltando ao caso em análise: Fl. 380DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13854.000144/0011 Acórdão n.º 930301.452 CSRFT3 Fl. 370 11 Considerando que: (i) A PGFN recorreu e pede para incluir a receita de exportação só no denominador, ou seja, na receita operacional bruta, com o fim de diminuir o coeficiente de exportação; (ii) que, a decisão recorrida excluiu a receita de exportação dos dois, não há como se defender uma terceira hipótese neste caso: a inclusão nos dois pólos. Mesmo porque, a conclusão seria a mesma: negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Assim, com relação a este item, voto no sentido de negar provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional para manter o acórdão recorrido por seus próprios e jurídicos fundamentos. CONCLUSÃO: Em face ao acima exposto, voto no sentido de: I) dar provimento ao recurso especial da contribuinte e II) negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Maria Teresa Martínez López Fl. 381DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008185/2005-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
SUPLEMENTAÇÃO
Apesar de ter deixado de citar expressamente a não aplicação do
entendimento do STJ, segundo o qual, para aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, art. 150 do CTN, é necessário o pagamento, os fundamentos apresentados pelo voto vencedor foram suficientes para a solução do litígio. Todavia, essa omissão pode potencialmente causar obscuridade ao julgado, em razão do que deve ser explicitada.
Numero da decisão: 1201-000.604
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER
os embargos declaratórios para, sem efeitos infringentes, rerratificar o Acórdão nº 10323.665, de 04.02.2009 e explicitar a não adoção do entendimento da necessidade de pagamento parcial
para a aplicação do disposto no art. 150, § 4º do CTN, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 SUPLEMENTAÇÃO Apesar de ter deixado de citar expressamente a não aplicação do entendimento do STJ, segundo o qual, para aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, art. 150 do CTN, é necessário o pagamento, os fundamentos apresentados pelo voto vencedor foram suficientes para a solução do litígio. Todavia, essa omissão pode potencialmente causar obscuridade ao julgado, em razão do que deve ser explicitada.
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Todavia, essa omissão pode potencialmente causar obscuridade ao julgado, em razão do que deve ser explicitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos declaratórios para, sem efeitos infringentes, rerratificar o Acórdão nº 10323.665, de 04.02.2009 e explicitar a não adoção do entendimento da necessidade de pagamento parcial para a aplicação do disposto no art. 150, § 4º do CTN, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 11080.008185/200597 Acórdão n.º 120100.604 S1C2T1 Fl. 3.512 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Marcelo Baeta Ippolito (Suplente Convocado), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Eduardo Martins Neiva Monteiro (suplente convocado), Regis Magalhães Soares Queiroz, Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Mediante a peça de fl. 3.508 a 3.510, a Procuradoria da Fazenda Nacional opõe embargos de declaração ao acórdão nº 10323.665, de 04 de fevereiro de 2009 (fls. 3.492 a 3.503), o qual afastou parte da exigência ao aplicar a regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Na peça, a Procuradoria aduz que o STJ só aplica o regramento do art. 150, §4º, no caso de haver pagamento parcial do tributo, entendimento este que tem sido seguido pelo CARF. Dessa forma, o acórdão foi omisso ao não explicitar se aplicou o referido dispositivo em razão da existência de pagamentos ou por discordar do entendimento acima exposto. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Nos fundamentos da decisão embargada, foram explicitadas tãosomente as razões para a aplicação do art. 150, § 4º do CTN, apesar de ter havido no período abarcado pela decadência lançamento de multa qualificada. De fato, como afirmado pelo embargante, a jurisprudência do STJ se firmou no sentido de que para a aplicação da citada regra, não bastaria a inexistência de “dolo, fraude ou simulação”, seria necessário também que o sujeito passivo tivesse promovido o pagamento em parte do tributo lançado. Sempre divergi desse entendimento e, na época da votação, esse também era o tratamento dispensado pela Câmara. Todavia, tal posição não foi explicitada em razão de não ser necessário ao julgador analisar e afastar cada um dos possíveis entendimentos sobre a refrega jurídica, exceto se possuir caráter vinculante, o que não foi o caso. Os fundamentos devem ser suficientes para a solução do litígio. Nada obstante, entendo que, neste caso em particular, em razão da pacífica jurisprudência da Corte Superior, que possui também predominância neste Tribunal Administrativo, considero que a Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 11080.008185/200597 Acórdão n.º 120100.604 S1C2T1 Fl. 3.513 3 total ausência de citação expressa à rejeição da tese tem a potencialidade de causar obscuridade ao julgado. Isso posto, voto por dar provimento aos embargos com o fito de explicitar a não adoção do entendimento da necessidade de pagamento parcial para a aplicação do disposto no art. 150, §4º do CTN. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por MILANNE DA SILVA ALVES NUNES, Assinado digitalmente em 30 /07/2012 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MEND, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10730.001207/2008-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
GLOSAS DE DESPESAS NA DIRPF. COMPROVAÇÃO PARCIAL.
Comprovadas parcialmente as despesas glosadas, na forma da legislação de regência da matéria, devem-se restabelecê-las.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-001.615
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
parcial provimento ao recurso, para restabelecer as despesas no importe de R$ 3.277,45, nos
termos do voto do relator.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 GLOSAS DE DESPESAS NA DIRPF. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Comprovadas parcialmente as despesas glosadas, na forma da legislação de regência da matéria, devem-se restabelecê-las. Recurso parcialmente provido.
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COMPROVAÇÃO PARCIAL. Comprovadas parcialmente as despesas glosadas, na forma da legislação de regência da matéria, devemse restabelecêlas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso, para restabelecer as despesas no importe de R$ 3.277,45, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 08/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Fl. 76DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Em face do contribuinte MARCOS ANTONIO LAGATTA, CPF/MF nº 070.327.30868, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 28/04/2005, auto de infração (fls. 29 e seguintes), com ciência postal em 17/01/2008 (fl. 36). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 4.629,34 MULTA DE OFÍCIO R$ 3.472,00 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações: 1. dedução indevida com dependentes, no montante de R$ 3.816,00, por falta de comprovação; 2. dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$ 4.321,85, por falta de comprovação; 3. dedução indevida de despesas com instrução, no montante de R$ 3.208,00, por falta de comprovação; 4. dedução indevida de despesa com pensão alimentícia, no montante de R$ 10.162,87, por falta de comprovação; 5. omissão de rendimentos percebidos do INSS, no importe de R$ 12.928,37. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação parcial ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Não contestou a parcela do imposto referente à omissão de rendimentos, sendo que esta exação passou a ser cobrada em autos apartados (fl. 44). A 3ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0421.607, de 25 de agosto de 2010 (fls. 46 e seguintes). A decisão acima restabeleceu as seguintes despesas: § 02 dependentes (filhas), no valor de R$ 2.544,00, mantendo a glosa do dependente Marcos Antônio Lagatta Júnior, já que não restou comprovado na impugnação o vínculo de dependência; § restabelecimento parcial da despesa com instrução, referente às dependentes Rayra de Abreu Lagatta (R$ 1.998,00) e Natale Abreu Lagatta (R$ 381,18); § restabelecimento parcial da despesa médica glosada, no valor de R$ 4.314,40; § restabelecimento de despesa com pensão judicial no importe de R$ 8.072,48. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 06/10/2010 (fl. 59). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 29/10/2010 (fl. 60). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: Fl. 77DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10730.001207/200876 Acórdão n.º 210201.615 S2C1T2 Fl. 2 3 I. o dependente Marcos Antônio Lagatta Júnior é seu filho, nascido em 1º/11/1984, que agora se comprova com cópia da certidão de nascimento, devendo ser restabelecida as despesas respectivas (de dependente e médica); II. agora traz declaração de estabelecimento de ensino para comprovar as despesas de instrução com a dependente Natale de Abreu Lagatta; III. deve ser restabelecida a manutenção da glosa parcial com a pensão alimentícia, pois se trata de valor descontado da aposentadoria do recorrente pela autarquia previdenciária (INSS) em prol da pensionista. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 06/10/2010 (fl. 59), quartafeira, e interpôs o recurso voluntário em 29/10/2010 (fl. 60), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 05/11/2010, sextafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, na forma do art. 35, III, da Lei nº 9.250/95 (... poderão ser considerados como dependentes: a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho), vêse que restou demonstrado o vínculo de dependência de Marcos Antônio Lagatta Júnior com o autuado, comprovado a partir da Certidão de Nascimento do primeiro (fl. 62), pois o Sr. Marcos Lagatta Júnior é filho do autuado e nascido em 1º/11/1984, ou seja, tinha 20 tinha anos no ano calendário auditado (AC 2004), estando acobertado pelo permissivo legal antes transcrito. Reconhecido o vínculo de dependência acima, devese restabelecer a despesa de dependente, no importe de R$ 1.272,00, bem como a despesa médica glosada em nome de tal dependente, no montante de R$ 7,45 (fl. 52). O recorrente ainda combate a glosa de despesa com instrução com a filha Natale de Abreu Lagatta, trazendo declaração do estabelecimento de ensino Sociedade Educacional Pio XII –Sepio – Rede MV1, com dispêndio total de R$ 3.830,89 (fl. 61). No ponto, assim se posicionou a decisão recorrida: Às fls. 08/09, consta comprovante de pagamento de uma mensalidade escolar de Natale de Abreu Lagatta, no valor total de R$ 381,18, com data de pagamento em 13/02/2004 (f. 09). Não é eficaz para comprovar o pagamento de mensalidade escolar o comprovante no valor de R$ 377,33, datado de 20/01/2004 porque esse documento não especifica o beneficiário do pagamento nem o objeto do pagamento. Fl. 78DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 O documento trazido no recurso voluntário (fl. 61), indicando como beneficiária dos pagamentos a Sociedade Educacional Pio XII –Sepio – Rede MV1, é harmônico com a comprovação parcial feita na fase impugnatória, bem como com o declarado na DIRPF respectiva (fls. 9 e seguintes), tudo indicando tal sociedade com prestadora dos serviços educacionais às dependentes do fiscalizado. Nessa linha, tal documento deve ser acatado. Vêse, ainda, que ambas as filhas do recorrente estudavam no colégio acima, tendo o contribuinte colocado a maior parte da despesa como paga em nome da filha Rayra de Abreu Lagatta (fl. 22), somente comprovando parte de tal dispêndio na fase impugnatória, o que foi suficiente, entretanto, para alcançar o teto da despesa dedutível (R$ 1.998,00 – fl. 51). De outra banda, no tocante à filha Natale, vêse que o contribuinte somente informou como pagamento na DIRPF (fl. 22) o montante de R$ 1.210,00, dos quais R$ 381,18 foram restabelecidos pela DRJ. Porém, agora demonstra que a despesa com esta última foi maior, alcançando R$ 3.830,89. Apesar de o contribuinte ter apenas informado o pagamento no importe de R$ 1.210,00 em benefício educacional com a filha Natale, em sua DIRPF, parece claro que o dispêndio foi maior, tendo o contribuinte equivocadamente lançando a diferença em nome da filha Rayra (vejase que o contribuinte não logrou comprovar a inteireza da despesa com a filha Rayra, quando confrontados os recibos e o valor registrado na DIRPF). Assim, razoável também deferir o teto da despesa com instrução, em relação à filha Natale, no importe de R$ 1.998,00. Por fim, no tocante à manutenção da glosa parcial com a despesa de pensão judicial, o recorrente alega que o valor decorreria de retenção da pensão em seus proventos de aposentadoria, feito pelo INSS em favor da alimentante. Ocorre que o contribuinte não juntou ao recurso qualquer documentação que comprove tal alegação. Na documentação juntada no recurso (fls. 61 a 64), consta apenas a declaração da SOCIEDADE EDUCACIONAL PIO XI SEPIO – Rede MV1, a certidão de nascimento e declaração de conclusão de curso universitário do dependente Marcos Antonio Lagatta Junior e declaração do PLANO DE ASSISTÊNCIA MEDICA DOS APOSENTADOS DA VALE DO RIO DOCE. O recorrente apenas alegou que a pensão constaria na declaração de pagamentos feita pelo INSS, que teria alicerçado a omissão de rendimentos. Ora, caberia ao recorrente ter acostado cópia do comprovante de rendimento emitido pela autarquia previdenciária para comprovar a retenção da pensão e não alegar que tal informação estaria de posse do fisco (pelo menos foi isso que este Conselheiro entendeu do recurso), pois nada há nos autos que abone essa tese defensiva. Nos autos não há qualquer comprovação do pagamento de pensão alimentícia efetuada a partir dos rendimentos percebidos pelo autuado do INSS. E, como é cediço, no momento que o contribuinte sofreu a glosa da pensão alimentícia judicial, deveria ter comprovado o seu direito, como fez com a pensão retida pela fonte pagadora Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social – VALIA (fl. 04). No ponto, sem razão o recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de DAR parcial provimento ao recurso, para restabelecer as despesas no importe de R$ 3.277,45 (despesas com os dependentes Marcos Antônio Lagatta Júnior – dependente e médica – e Natale de Abreu Lagatta – instrução ). Fl. 79DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10730.001207/200876 Acórdão n.º 210201.615 S2C1T2 Fl. 3 5 Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 80DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 11080.922713/2009-46
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA
DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO.
Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à
comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro
de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos
termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 3403-001.180
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POA, que manteve o despacho decisório da DRF de origem o qual não reconheceu o direito de crédito pleiteado, e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada O Despacho Decisório nº. 842610248, fls. 6, indeferiu o pedido formulado no PER/DCOMP nº 05939.51590.260506.1. 3.041980, em razão dos créditos informados estarem integralmente utilizados para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/COMP. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade ao despacho decisório. Transcrevo a seguir trechos do relatório da decisão recorrida, fls. 35: (...) A interessada defende a existência do indébito afirmando que estaria errado o valor inicialmente informado em DCTF, causando o indeferimento da compensação e o lançamento de ofício. Anexa DCTF retificadora entregue em data posterior à ciência do Despacho Decisório, a qual corrigiria o equívoco. Então, após solicitar a suspensão da exigibilidade tributária, requer o cancelamento do Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação e a validade da compensação, com a extinção da exigência de ofício. A 2ª Turma da DRJ/POA, no Acórdão nº 1027.232, de 2 de setembro de 2010, fls.35/36, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Cientificada da decisão em 11/03/2011, recorrente interpôs Recurso Voluntário em 29/03/2011, requerendo o reconhecimento do crédito pleiteado e as respectivas compensações alegando que sendo pessoa jurídica de direito privado cujo objeto social consiste no comércio, por atacado e varejo, de peças e acessórios para veículos em geral, suas receitas restaram tributadas pela COFINS até a entrada em vigor da Lei Federal n.° 10.485/2002. Com o advento da entrada em vigor da Lei Federal n.° 10.485/2002, mais precisamente dos efeitos normativos contidos no artigo 3 o e seu §2°, as receitas auferidas pela Recorrente, decorrentes da venda no atacado e no varejo de peças e acessórios de veículos, restou sujeita à alíquota Fl. 69DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.922713/200946 Acórdão n.º 3403001.180 S3C4T3 Fl. 69 3 zero. Referida redução passou a ocorrer da partir do mês de novembro de 2002. Contudo, por lapso deixou de excluir do cálculo dessa exação as receitas da vendas dessa atividade, o que resultou em pagamento a maior do PIS e de Cofins. Aduz que carecem de juridicidade a decisão recorrida. Assim, impera a reforma julgado de primeira instância posto que desconsiderou a prova através do único documento válido a ser anexado pela recorrente, por ocasião da manifestação de inconformidade,o qual consiste justamente na DCTF retificadora. Ao final pede que: seja recebido esse recurso voluntário; reforma da decisão recorrida, reconhecendo ao fim a compensação procedida; caso entenda essa Colenda Câmara Recursal necessária maior dilação probatória além das DCTF retificadoras, e a considerar os documentos que a Recorrente protesta pela juntada em trinta dias, que se determine a baixa dos autos à instância originária para fins de diligências, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, para aferição dos créditos declarados/compensados nas PER/DCOMP; seja realizados o julgamento do presente recursos voluntário em conjunto outros processos, conforme especificados na peça recursal. Para fortalecer seus argumentos traz decisões do STJ e do Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). Ademais, a realização de diligência, conforme prevista no Decreto nº 70.235, de 1972, não tem por objetivo suprir procedimento que é encargo das partes. No presente caso, o ônus de provar o fato constitutivo do direito creditório que alega ter é da recorrente. A realização de diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Não cabe ao julgador substituir os interessados na produção de provas. A inércia da recorrente não pode ser suprida por diligência. Como em qualquer relação jurídica e na relação jurídica tributária não poderia ser diferente, quem alega um fato deve proválo. A Recorrente deveria ter trazido as provas junto com a manifestação de inconformidade. Por essas razões, não acolho o pedido de diligência. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 Quanto às decisões administrativas e judiciais trazidas aos autos não podemos negar que os precedentes tem força persuasiva, contudo não tem força vinculantes. No tocante às decisões administrativas, mesmo que o Primeiro Conselho de Contribuintes (atual 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) tenha decidido reiteradas vezes sobre determinada questão, não vinculam os demais julgadores desse Colegiado, estes podem ter entendimento diferente. Nesse sentido, o inciso II do artigo 100 do CTN determina que são normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa. No tocante às decisões judiciais, observese o disposto nos artigos 102, § 2°, e 103A da Constituição da República (CR/1988), com redação dada pela Emenda Constitucional n° 45, de 08/12/2004, além do artigo 8° desta Emenda. O artigo 102, § 2°, da CR/1988 determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) e nas ações declaratórias de constitucionalidade (ADC) produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Já o artigo 103A estipula que o Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Por fim, o artigo 8º da Emenda Constitucional n.° 45/2004 preconiza que as atuais súmulas do Supremo Tribunal Federal somente produzirão efeito vinculante após sua confirmação por dois terços de seus integrantes e publicação na imprensa oficial. Por essas normas constitucionais, apenas as súmulas vinculantes e os julgados em sede de ADI e ADC deverão ser observadas pela Administração Pública e aquelas decisões judiciais em que o contribuinte se configure como parte. Na espécie, também não serão conhecidas as decisões judiciais suscitadas pelo litigante, posto que vinculam somente às partes envolvidas naqueles litígios específicos, não abrangendo terceiros. Data vênia ao entendimento dos Tribunais Superiores, este não vincula o administrador em seus julgados, já que não faz parte da legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do CTN, salvo na hipótese dos artigos 102 (§2º) e 103A da CR/1988, o que não ocorreu na espécie. Conforme relatado, o litígio do presente processo envolve a análise da liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de compensação, referente a suposto pagamento a maior de Cofins. O pedido foi indeferido sob a justificativa de que o referido pagamento encontrase “integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Como se vê dos autos, às fls. 44/45, a Recorrente, após ciência do decisório do despacho que não homologou a compensação pretendida, alegando erro no valor declarado na DCTF de pronto providencia a sua retificação, entendendo que essa retificação corrigiria o Fl. 71DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.922713/200946 Acórdão n.º 3403001.180 S3C4T3 Fl. 70 5 equívoco e exsurgiria o direito creditório alegado. Entretanto, não instrui sua manifestação de inconformidade com documentos que contábil e/ou fiscal que respaldasse sua alegação. A autoridade julgadora de primeira instância em seu voto condutor assim fundamentou as razões que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não merecendo retoque: Por sua vez, o art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser corroborada a compensação pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser comprovadas documentalmente, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cabendo à interessada apresentar as provas necessárias para confirmar sua defesa: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.° da Lei n.° 8.748/93) Na manifestação de inconformidade entregue, a empresa apenas menciona a existência de erro em sua DCTF sem indicar sua origem ou mesmo juntar qualquer prova que confirme o novo valor indicado. Não é possível reconhecer o direito creditório se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art. 333, do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: " Art. 333 — O ônus da prova incumbe: I—ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. No presente, no entanto, a interessada não trouxe qualquer elemento contábil para comprovar o indébito alegado. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 Como se vê do voto condutor, a autoridade julgadora de primeira instância deixou claro o que deveria comprovar o indébito alegado. Entretanto, aqui também, quanto na Manifestação de Inconformidade, a Recorrente não traz aos autos nenhum documento contábil e/ou fiscal para comprovar o valor do pagamento a maior. Solicita, caso essa Colenda Câmara Recursal entenda necessária maior dilação probatória além das DCTF retificadora, pela juntada de prova no prazo de 30 (trinta) dias. De acordo com os autos, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 29/03/2011, passado esse período, não consta nos autos, ora examinado, tenha a Recorrente apresentado provas para comprovar o direito alegado, até o presente momento. Contrário ao entendimento da recorrente, a declaração retificadora não era um único documento válido a ser anexado a Manifestação de Inconformidade. Impende esclarecer que a DCTF retificadora não tem força probatória para alterar a representação do fato (pagamento a maior ou indevido) apurado com base em declarações prestadas pela contribuinte existentes à época do despacho decisório. Assim, para comprovar a certeza e liquidez, deveria a Recorrente além de ter retificado a DCTF, ter instruído também a Manifestação de Inconformidade com documentos contábeis e /ou fiscais que comprovassem o quantum recolhido indevidamente É assim porque, em primeiro lugar, o ônus de provar fato constitutivo do direito creditório incumbe ao contribuinte que alega ter. O ônus da prova em nosso ordenamento jurídico é regulado pelo art. 333, I, do Código de Processo Civil. Em segundo lugar, o momento apropriado para se desincumbir de tal ônus é quando da interposição da manifestação de inconformidade, arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ou ainda, junto com o recurso voluntário com base na flexibilidade que o art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999 deu as regras da preclusão administrativa estabelecidas no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Trago à colação ensinamento do doutrinador Humberto Teodoro Júnior, apresentado em julgado anterior sobre a comprovação dos fatos alegados como condicionante de sua existência: Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Vejo que a compensação tributária na forma pretendida pela recorrente, não pode ser implementada porque continua faltando a liquidez e a certeza dos créditos apontados como pagamento indevido. Com essa considerações, não tendo a recorrente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, apresentado os documentos hábeis à comprovação do valor recolhido indevidamente, não é possível aferir a certeza e da liquidez do indébito, que são requisitos legais indispensáveis à compensação tributária exigidos pelo art. 170 do CTN. 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 11080.922713/200946 Acórdão n.º 3403001.180 S3C4T3 Fl. 71 7 Ante o exposto, voto no sentido de não acolher o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 74DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 1 3/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.006151/2005-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL – ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO VIA LAUDOS PERICIAIS. INEXISTÊNCIA ADA. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. DECLARAÇÃO
CONTRIBUINTE. De conformidade com os dispositivos legais que
regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive.
In casu, tratando-se de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudo Pericial, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental – ADA tempestivo, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao
princípio da verdade material.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE.
O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada
à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área,com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de
averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo
em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da benesse tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-001.494
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer no lançamento os valores relativos à área de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator),
Alexandre Naoki Nishioka, Gustavo Lian Haddad, Ronaldo Lima de Macedo e Gonçalo Bonet Allage, que negavam provimento; e II) por maioria de votos, manter a exclusão da área de preservação permanente, vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Giovanni Christian Nunes Campos, Marcelo Oliveira e Francisco de Assis Oliveira Junior. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à área de reserva legal, o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalháes de Oliveira
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO VIA LAUDOS PERICIAIS. INEXISTÊNCIA ADA. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive. In casu, tratandose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudo Pericial, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental – ADA tempestivo, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 2 2 com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da benesse tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer no lançamento os valores relativos à área de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gustavo Lian Haddad, Ronaldo Lima de Macedo e Gonçalo Bonet Allage, que negavam provimento; e II) por maioria de votos, manter a exclusão da área de preservação permanente, vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Giovanni Christian Nunes Campos, Marcelo Oliveira e Francisco de Assis Oliveira Junior. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à área de reserva legal, o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Assinado digitalmente Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto Assinado digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Redator Designado EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 3 3 de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 4 4 Relatório OROMAR WOODS SOUZA NETO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 16/12/2005, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Sucuri de São Luiz”, localizado no município de Caceres/MT, NIRF nº 34018727, conforme peça inaugural do feito, às fls. 01/09, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0410.220/2006, às fls. 124/135, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 3ª Câmara, em 19/06/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30335.421, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR Exercício: 2001 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. COMPROVAÇÃO. A comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo de ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. Com efeito, a teor do artigo 10°, parágrafo 70, da Lei N. 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.16667/2001, basta a simples declaração do contribuinte quanto à existência de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, não é por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR. VALOR DA TERRA NUA VTN Retificase o VTN através de Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel, emitido por profissional habilitado, ou por entidade de capacitação técnica reconhecida, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 5 5 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 205/215, com arrimo no artigo 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado a legislação de regência, notadamente as Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, as quais exigem a averbação tempestiva da reserva legal à margem da matrícula do imóvel, bem como o protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisum guerreado, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente. Sustenta que a Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), na redação dada pela Lei nº 7.803/1989, impõe que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Em defesa de sua pretensão, assevera que a exigência encimada foi expressamente inserida no artigo 10, § 4º, inciso I, da IN/SRF nº 43/1997 (que disciplinou a Lei 9.363/96), com redação do artigo 1º, inciso II, da IN/SRF nº 67/1997. Alega que a Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual dispôs sobre a declaração das áreas na Lei nº 9.393/1996, utilizada como esteio ao Acórdão atacado, em nada alterou a necessidade da averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, eis que, igualmente, contemplou essa exigência, remetendo às disposições do Código Florestal, instituído pela Lei nº 4.771/1965. Tece comentários a propósito do conceito e finalidade da “Reserva Legal”, traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, notadamente Código Florestal, aprovado pela Lei nº 4.771/1965, bem como Lei nº 7.803/1989, a qual estabeleceu a necessidade da averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel, concluindo que aludida exigência visa justamente atender o fim precípuo da reserva legal, a partir da publicidade dessa situação de fato e de direito. Contrapõese ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que áreas de reserva legal são aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando averbadas na matrícula do imóvel, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Elucida, ainda, para fins de não incidência do ITR, que a averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel, deve ser procedida antes do fato gerador do tributo, somente passando a produzir efeitos a partir de tal providência, não retroagindo, portanto, a fatos geradores ocorridos anteriormente a esse ato, em observância ao disposto no artigo 144 do Código Tributário Nacional, com vistas à assegurar os interesses coletivos relativamente à proteção do meio ambiente. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 6 6 Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. No caso dos autos, tratandose do exercício de 2001, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu tempestivamente à averbação em comento e a protocolização atempada do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 3ª Câmara do 3º Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de terem sido observados os pressupostos para conhecimento do recurso, uma vez tempestivo e por tratarse de decisão não unânime, além da existência do pré questionamento da matéria e indício de contrariedade à lei, conforme Despacho nº 392/2008, às fls. 216/217. Instado se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, 224/234, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. Igualmente, o contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 238/245, insurgindose contra a decisão recorrida relativamente ao VTN arbitrado, não tendo, porém, obtido êxito em sua empreitada no que tange aos requisitos de admissibilidade, o que ensejou o não conhecimento de sua peça recursal nos termos do Despacho n° 2201 00.067/2010, às fls. 251/257, ratificado pelo Despacho de fls. 258/259, da lavra do ilustre Presidente da CSRF, em face de reexame de admissibilidade necessário. É o Relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 7 7 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 3ª Câmara do 3º Conselho a contrariedade à lei suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os dispositivos legais que regulamentam a matéria, os quais exigem a averbação tempestiva da reserva legal à margem da matrícula do imóvel e, bem assim, o protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisum guerreado Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência da prévia averbação de reserva legal e requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Câmara recorrida malferiu as normas insertas nas Leis n°s 9.393/1996, 6.938/1981 e 10.165/2000, mormente tratandose do exercício de 2001, posteriormente ao advento da alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos, pela recorrente, é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo e, bem assim, a exigência do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA, quanto à área de preservação permanente, dentro do prazo legal, objetivando a não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 8 8 a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) DA AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários, de reserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo à gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento da recorrente. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destinase a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Tratase, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis – CRI, como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a comprovação da existência da área destinada à proteção ambiental, muito menos poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 9 9 É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão da douta DRJ e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurandolhe o beneficio fiscal se comprovada à observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforçalhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito1. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Por essas razões, não merece ressalvas o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao rechaçar o entendimento do Fisco/Fazenda Nacional, escorado no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de reserva ambiental no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a título elucidativo, não sendo o prévio assentamento da reserva legal em Cartório condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. 1 Misabel Derzi, Comentários de atualização da 11ª Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 10 10 Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. In casu, o que torna ainda mais digno de realce, relativamente à área de reserva legal, é que o contribuinte trouxe à colação documentos comprobatórios de sua existência, dando conta, inclusive, da lavratura de Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal – TRARL, às fls. 85/86, datado de 10/10/1999 (antes do fato gerador), conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Acórdão recorrido, senão vejamos: “[...] No caso "in concretum", a fiscalização declarou na Descrição dos Fatos constantes do auto de infração, às fls. 06, que o Contribuinte autuado não apresentou documentação hábil e idônea a comprovar as áreas de preservação permanente e reserva legal declarada em sua DITR/2001, assim como, "não apresentou Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais, conforme NBR 8799 da ABNT, sendo, conforme art. 14, parágrafo 1° da Lei 9.393/96, substituído o Valor da Terra Nua por Hectare Declarado pelo Valor da Terra Nua por Hectare constante no SIPT( Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal)". Inicialmente, ao compulsarmos os autos do processo, observase que o Contribuinte não apresentou cópia do Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Contudo, verificase, que o Contribuinte trouxe aos autos outros documentos, pertinentes, como TERMO DE RESPONSABILIDADE DE AVERBAÇÃO DE RESERVA LEGALTRARL, com data de 10/10/1999, Planta de Localização do Imóvel, Mapa de Identificação das Áreas, assim como, LAUDO TÉCNICO, atestando a existência das áreas de Reserva Legal e Preservação Permanente.” Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 11 11 Nesse sentido, ainda que inexistente a averbação tempestiva à margem da escritura do imóvel, os documentos acima elencados, notadamente o TRARL e Laudos Técnicos, de fls. 88/95 e 101/122, e anexos, se prestam a comprovar a existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – INEXIGÊNCIA – EXERCÍCIO 2001 Inicialmente, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. Por outro lado, para os exercícios de 2001 em diante, após o advento da Lei no 10.165, de 28/12/2000, que alterou a Lei no 6.938/1981, entende a jurisprudência majoritária deste Colegiado que a protocolização atempado do ADA passou a ser exclusiva exigência legal, para fins de fruição da isenção em comento. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou Enunciado da Súmula, contemplando o tema nos seguintes termos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” No entanto, afora a exigência de apresentação do ADA contemplada pela legislação vigente à época do fato gerador do tributo em debate, o mesmo entendimento levado a efeito na área de reserva legal deve ser adotado para a preservação permanente, sobretudo em face do disposto no artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual estabelece que a isenção em epígrafe sobre aludidas áreas, independe de prévia comprovação (requisição atempada do ADA), bastando que o contribuinte a declare como tal na DITR, ficando sujeito ao pagamento do imposto devidamente corrigido na hipótese de falsidade na informação. Em outras palavras, em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material da área declarada pelo contribuinte como de preservação permanente, o que se vislumbra na hipótese dos autos, como se verifica do Laudo Técnico delimitando precisamente a área de preservação permanente, afastando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pelo autuado, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Acórdão recorrido. Nesse sentido, a documentação trazida à colação pelo contribuinte, se presta a comprovar a existência da área de preservação permanente, repelindo o pleito da recorrente, mormente em homenagem ao princípio da verdade material. Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica não condiciona a isenção em comento, exclusivamente, à requisição tempestiva do ADA e/ou a averbação da reserva legal junto a matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador do tributo, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 12 12 contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 13 13 Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela então 3a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Assinado digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 14 14 Voto Vencedor Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Designado A área de reserva legal deve ser restabelecida no lançamento do ITR em debate, pois não se comprovou a averbação dela à margem da matrícula do imóvel rural no CRI (Cartório de Registro de Imóveis), em momento pretérito ao início da ação fiscal, como se motiva a seguir. Especificamente, a reserva legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. 1º, § 2º, III, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da propriedade rural que deve ser afetada à reserva legal, nas diversas regiões do país, determinando, ainda, que tal reserva seja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel (art. 16, § 8º, do Código Florestal). Inicialmente, farseá um breve apanhado jurisprudencial sobre a necessidade, ou não, da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Primeiramente, apreciase a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, intérprete máximo da lei federal brasileira. Começase pelo REsp 1.125.632/PR, da Primeira Turma, sessão de 20/08/2009, relator o Ministro Benedito Gonçalves, unânime, onde há um razoável apanhado da jurisprudência dessa Superior Corte. Eis a ementa desse julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. O art. 2º do Código Florestal prevê que as áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, há óbice legal à incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente, sendo inexigível a prévia comprovação da averbação destas na matrícula do imóvel ou a existência de ato declaratório do IBAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). Fl. 14DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 15 15 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise. 5. Recurso especial parcialmente provido, para anular o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de Primeiro Grau de fls. 139145, inclusive quanto aos ônus sucumbenciais. (grifouse) Acima se exigiu a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel como condição para fruição da redução do ITR. Porém, a mesma Primeira Turma do STJ julgou o Resp nº 1.060.886/PR, na sessão de 1º/12/2009, relator o Ministro Luiz Fux, quando asseverou que a falta de averbação da reserva legal na matrícula do imóvel ou a averbação a destempo, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção no âmbito do ITR, em votação unânime, ou seja, em manifesto confronto com o REsp 1.125.632/PR, também unânime, que determinou a obrigatoriedade da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóvel para fruição do benefício no âmbito do ITR, ressaltando que a decisão de dezembro de 2009 não faz qualquer menção à decisão pretérita da mesma Turma. Para tanto, vejase o excerto da ementa do Resp nº 1.060.886/PR, verbis: Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área". Já no âmbito da Segunda Turma do STJ, no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal, recentemente se firmou uma posição pela necessidade da averbação como condição para fruição da benesse no âmbito do ITR, como se pode ver no Recurso Fl. 15DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 16 16 Especial nº 1.027.051 – SC (STJ, 2011 C), sessão de 07/04/2011, por maioria (relator vencido), com a seguinte ementa no votovista do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. AMBIENTAL. ITR. ISENÇÃO. LEIS 8.971/91 E 9.393/96. RESERVA LEGAL FLORESTAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. O Código Florestal exige a aprovação dos órgãos ambientais quanto à localização da reserva legal, bem como a sua averbação no registro de imóveis. A imprescindibilidade da averbação justificase não apenas para facilitar o controle do Poder Público, mas também em razão do caráter propter rem da obrigação de manter a reserva legal que, em regra, não se altera nos casos de transmissão, desmembramento ou de retificação da área. 2. O imposto territorial rural ITR possui inequívoco propósito extrafiscal, sendo utilizado para combater o latifúndio improdutivo e para incentivar e proporcionar a utilização racional dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente. Caracterizase, portanto, como um imposto que auxilia o Estado no disciplinamento da propriedade rural, tendo como norte a função social da propriedade. 3. Os incentivos fiscais assumem considerável relevância na consecução dos objetivos constitucionais, o que implica reconhecer, sob a ótica da proteção ao meio ambiente, que a interpretação da norma instituidora da isenção tributária não pode se afastar dos valores e princípios veiculados na Constituição e na legislação ambiental. 4. Apesar de o art. 111 do CTN consignar que se interpreta literalmente a norma que outorga isenção, isso não significa que seja vedada a utilização dos critérios teleológico, histórico e sistemático. O hermetismo do ordenamento jurídico não prescinde da atuação do intérprete, cumprindolhe buscar uma identidade lógicojurídica do deverser. Assim, é impossível conferir à lei uma aplicação em descompasso com o sistema normativo no qual esteja inserida. 5. Quando as Leis nºs 8.171/91 e 9.393/96 isentam o tributo referente à área de reserva legal prevista na Lei nº 4.771/65, significa que apenas se sujeitam à exclusão do crédito tributário as áreas que estiverem em consonância com a legislação de proteção ao meio ambiente, visto que não é possível conferir um benefício fiscal àqueles que descumpriram a própria lei que serve de base para a isenção. Entender o contrário seria desconsiderar o modelo de proteção ambiental contemplado no Texto Maior, bem assim o princípio cooperativo insculpido no art. 225 da CF. 6. A previsão contida no § 7º do art. 10 da Lei n. 9.393/96, segundo a qual o contribuinte não precisa comprovar a regularidade das deduções efetuadas em decorrência da isenção, apenas disciplina a forma de constituição do crédito tributário, que se dá por meio do autolançamento, em nada interferindo Fl. 16DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 17 17 quanto à exclusão do crédito tributário, ou seja, sobre os requisitos para obtenção do benefício fiscal. 7. Recurso especial provido. (grifouse) Claramente se vê que a Segunda Turma do STJ, com supedâneo no caráter extrafiscal do ITR, albergou a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, como condição para fruição de benesse no âmbito do ITR. Observese que se trata de Acórdão em que a Turma debateu a matéria com profundidade, como se comprova pela existência de voto vencido. Por tudo, no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal, a Segunda Turma do STJ asseverou sua necessidade, não havendo ainda concordância no âmbito da Primeira Turma. Porém, se há dúvidas no âmbito da jurisprudência do STJ sobre a presente controvérsia, como se vê pelas decisões conflitantes no âmbito da Primeira Turma do STJ, tal situação não é amainada pelo que ocorre no âmbito da jurisprudência administrativa, como abaixo se demonstrará. A jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, competente para apreciar as controvérsias no seio do ITR até março de 2009, era oscilante no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal. Abaixo, breve apanhado da jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exercícios posteriores ao ITRexercício 2001 (que pode ser aplicada desde o exercício 1997, pois a legislação que passou a obrigar a averbação de tal área remonta à Lei nº 7.803/89), em decisões prolatadas no ano de 2008, trazendo também algumas informações sobre a exigência de Ato Declaratório Ambiental ADA, já que, em regra, debatese a exigência do ADA e da averbação cartorária para deferimento da fruição da benesse tributária no tocante à área de reserva legal: 1. exigência de averbação da área de reserva legal somente a partir do Decreto nº 4.382/2002 (Regulamento do ITR) – Acórdão nº 301 34459, sessão de 20/05/2008, unânime; 2. área de reserva legal reconhecida a partir de documentos outros, privilegiando a busca da verdade material – Acórdão nº 30134475, sessão de 20/05/1998, unânime; Acórdão nº 30239586, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão nº 39100031, sessão de 21/10/2008, por maioria (acatando também laudo técnico para comprovar a existência de área de preservação permanente); 3. Ausência de averbação cartorária da reserva legal, por si só, não afasta a benesse legal – Acórdão nº 30335421, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão nº 30335734, sessão de 16/10/2008, por maioria; 4. área de reserva legal averbada e ADA extemporâneo reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão nº 30134686, sessão de 13/08/2008, unânime (também com laudo técnico); Acórdão nº 30134632, sessão de 10/08/2008, unânime; 5. área de reserva legal averbada extemporaneamente reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão nº 30134788, sessão de 15/10/2008, Fl. 17DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 18 18 por voto de qualidade (os vencidos exigiam o ADA para os exercícios posteriores a 2001); 6. comprovação da área de utilização limitada (reserva legal) a depender do ADA e da averbação cartorária tempestivos – Acórdão nº 302 39244, sessão de 29/01/2008, por maioria; Acórdão nº 30239866, sessão de 15/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 30335538, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 30335645, sessão de 11/09/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 39300083, sessão de 19/11/2008, por voto de qualidade. Tentando fazer um resumo dos posicionamentos acima sobre a averbação da área de reserva legal, temse: § averbação após a publicação do Decreto nº 4.382/2002 (1ª Câmara); reconhecimento da área por laudos técnicos (1ª, 2ª, 3ª Câmaras e 3ª TE); averbação cartorária e ADA intempestivo (1ª Câmara); averbação cartorária intempestiva (1ª Câmara); averbação e ADA tempestivos (2ª, 3ª e 3ª TE); Da jurisprudência acima, claramente não se extrai qualquer posição consolidada no tocante à averbação cartorária para a área de reserva legal (há precedentes de todas as Câmaras ordinárias com reconhecimento da área de reserva legal a partir de laudos técnicos), sendo certo que as posições mais formais, com exigência do ADA e da averbação tempestivos para a área de reserva legal são tomadas, em regra, por voto de qualidade (vide item 6, acima), a demonstrar a profundidade da controvérsia. Longe de tecer quaisquer críticas à jurisprudência do Terceiro Conselhos de Contribuintes, aqui se reconhece a funda controvérsia no tocante à necessidade da averbação cartorária da reserva legal para reconhecimento dos benefícios isentivos no âmbito do ITR, ressaltando que o próprio Superior Tribunal de Justiça tem também vacilado na solução dessa controvérsia, como se viu acima, com a Primeira Turma dessa Superior Corte prolatando decisões divergentes, por unanimidade, em um mesmo semestre, sem qualquer ressalva à posição pretérita (apesar da matéria aparentemente ter sido pacificada na Segunda Turma, como já visto neste artigo). Sem apoio na jurisprudência, quer do Terceiro Conselho de Contribuintes, quer do Superior Tribunal de Justiça, passase a definir um posicionamento sobre a controvérsia referente à averbação da área de reserva legal. Da área tributável para fins do ITR se excluem as áreas de preservação permanente e de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas ambientais, comprovadamente imprestáveis para os fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental e, mais recentemente, cobertas por florestas nativas e alagadas por reservatórios hidrelétricos, como se pode ver no art. 10, § 1º, II, “a” a “f”, da Lei nº 9.393/96. Claramente vêse que as áreas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sobre as áreas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária e extrativista. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 19 19 O nó górdio aqui é definir quais os requisitos que devem ser implementados para que uma área seja considerada de reserva legal para fins de fruição da exclusão da tributação do ITR. Partindo do princípio que o ITR incide sobre a área tributável da propriedade (área total do imóvel menos as áreas de preservação permanente e de utilização limitada2), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, parece claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essas áreas de utilização limitada, ou seja, caso as áreas de reserva legal ou de preservação permanente estejam sendo utilizadas indevidamente em atividades agrícolas, extrativistas ou pecuárias diretas, afastarseia a isenção legal. De outra banda, existindo tais áreas, o contribuinte pode se beneficiar do favor legal, cumpridos os requisitos formais, que se verá a seguir. Assim, para a fruição de isenção tributária, pode a lei exigir o cumprimento de requisitos formais, além dos substanciais (no caso vertente, a existência das próprias áreas ambientalmente protegidas). Como exemplo de requisito isentivo de ordem formal, o art. 4º, V, da Lei nº 8.661/1993 determina que o contribuinte detentor de um Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI pode ter um crédito de 50% do IRRF incidente sobre as remessas para o exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstas em contratos de transferência de tecnologia, desde que averbados nos termos do Código de Propriedade Industrial, ou seja, não basta ter um contrato de transferência de tecnologia firmado com uma empresa estrangeira, mas se deve averbálo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, como manda o art. 230 do Código de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), para fruição do benefício legal. Agora, passase a verificar a existência de requisitos formais para fruição do benefício no âmbito do ITR para área de reserva legal. Em relação à área de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I Omissis; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a área de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65), pode ser excluída da área tributável. Já no art. 16 da Lei nº 4.771/65 definemse os percentuais de cobertura florestal a título de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regiões do país e determina que a área de reserva legal deve ser 2 As áreas de utilização limitada são as áreas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN, cobertas por floresta nativa e alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 20 20 averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do benefício no âmbito do ITR, já que a Lei nº 9.393/96 assevera a exclusão da área de reserva legal, porém remetendoa ao Código Florestal, não havendo, especificamente, uma obrigação de averbação cartorária da área de reserva legal na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal, em sentido lato, parece que não há qualquer dúvida, pois inclusive há norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei nº 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme o art. 55 do Decreto nº 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 – MG, julgado pela Primeira Turma em 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unânime, assim ementado: DIREITO AMBIENTAL. ARTS. 16 E 44 DA LEI Nº 4.771/65. MATRÍCULA DO IMÓVEL. AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA FLORESTAL.NECESSIDADE. I A questão controvertida referese à interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei n. 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matrícula do imóvel. II "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, levam à conscientização de que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (RMS nº 18.301/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005). III Inviável o afastamento da averbação preconizada pelos artigos 16 e 44 da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), sob pena de esvaziamento do conteúdo da Lei. A averbação da reserva legal, à margem da inscrição da matrícula da propriedade, é conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias à proteção do meio ambiente, previstas tanto no Código Florestal como na Legislação extravagante. IV Recurso Especial provido. (grifouse) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis nº 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva Fl. 20DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 21 21 legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal, sendo, inclusive, a defesa do meio ambiente um dos princípios da ordem econômica. E aqui não se diga que, por se tratar de isenção tributária, estarseia obrigado a fazer uma interpretação literal, na forma do art. 111, II, do Código Tributário Nacional, sem qualquer observação da teleologia visada pelo legislador. Não obstante a interpretação restritiva, nada impede a busca da concretização das finalidades previstas pelo legislador, como se pode ver no precedente do Supremo Tribunal Federal, abaixo transcrito: EMENTA: CONSTITUCIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTENSÃO DA IMUNIDADE À CPMF INCIDENTE SOBRE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS RELATIVAS A RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO ESTRITA DA NORMA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. I O art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal é claro ao limitar a imunidade apenas às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. II Em se tratando de imunidade tributária a interpretação há de ser restritiva, atentando sempre para o escopo pretendido pelo legislador. III A CPMF não foi contemplada pela referida imunidade, porquanto a sua hipótese de incidência – movimentações financeiras – não se confunde com as receitas. IV Recurso extraordinário desprovido. (STF; RE 566259; Relator(a): Min. Ricardo Lewandowski; Tribunal Pleno; julgado em 12/08/2010; Repercussão Geral Mérito; DJe179: 24092010) – Destacouse. Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa específica, parece desarrazoado deferir o benefício tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei nº 9.393/96 defere a exclusão da área de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, parece que com as condicionantes da legislação ambiental. A interpretação acima está alicerçada no entendimento de que o ITR é um imposto de feição essencialmente extrafiscal, tendo pouco valor o aspecto fiscal, arrecadatório. Aqui, tratando da coexistência da fiscalidade e da extrafiscalidade nas normas tributárias, assevera Paulo de Barros Carvalho3: Há tributos que se prestam, admiravelmente, para a introdução de expedientes extrafiscais. Outros, no entanto, inclinamse mais ao setor da fiscalidade. Não existe, porém, entidade tributária que se possa dizer pura, no sentido de realizar tãosó a 3 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário – Linguagem e Método. 2ª ed., São Paulo: Noeses, p. 241. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 22 22 fiscalidade, ou, unicamente, a extrafiscalidade. Os dois objetivos convivem, harmônicos, na mesma figura impositiva, sendo apenas lícito verificar que, por vezes, um predomina sobre o outro. No dizer de José Marcos Domingues Oliveira4 (1999, p. 37) a “Tributação extrafiscal é aquela orientada para fins outros que não a captação de dinheiro para o Erário, tais como a redistribuição da renda e da terra, a defesa da indústria nacional, a orientação dos investimentos para setores produtivos ou mais adequados ao interesse público, a promoção do desenvolvimento regional ou setorial etc.”, sendo certo que é do conhecimento geral que o ITR é um imposto marcantemente extrafiscal, desde sua instituição, primeiramente tentando atingir os fins da reforma agrária e gravando de forma mais vertical os latifúndios improdutivos, como se viu com o Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/64) e com as alterações perpetradas pela Lei nº 6.746/79 nesse Estatuto, e, posteriormente, notadamente com a Lei nº 9.393/96 (e suas alterações posteriores, como a Lei nº 11.428/2006), avultou a extrafiscalidade do ITR no tocante à preservação das áreas de interesse ambiental, já que tais áreas não compõem as áreas objeto da incidência do imposto, bem como a progressividade a depender do binômio área total do imóvel/grau de utilização. Apenas para se ter uma idéia da irrelevância do aspecto fiscal, arrecadatório, do ITR, no ano de 2009, as receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil atingiram 682.983 bilhões de reais, e, desse montante, a arrecadação do ITR atingiu a mísera quantia de 480 milhões de reais, ou seja, 0,07% do total arrecadado5, isso no país que é o quinto maior em extensão do planeta, a indicar que, a despeito das enormes áreas rurais do Brasil, a questão arrecadatória é marginal, secundária. De outra banda, o aspecto extrafiscal do ITR é cristalino, e diversos pontos dessa extrafiscalidade podem ser anotados, a saber: § imunidade da pequena gleba familiar, a favorecer a fixação do homem no campo; § progressividade das alíquotas, como se vê no anexo da Lei nº 9.393/96, no qual uma propriedade com o mesmo grau de utilização do imóvel rural, pode variar a alíquota de 1% a 20%, a depender do porte da propriedade, tudo a agravar mais fortemente as propriedades de maior porte, favorecendo os minifúndios e propriedades de pequeno porte; § tributação mais favorecida dos imóveis rurais com maior grau de utilização das atividades do setor primário, a privilegiar um mais racional uso da terra; § exclusão da área de tributável das partes do imóvel que detém interesse ecológico (áreas de preservação permanente e de reserva legal; de interesse ecológico declaradas pelos órgãos ambientais; imprestáveis para a atividade primária e declaradas de interesse 4 OLIVEIRA, José Marcos Domingues de. Direito Tributário e Meio Ambiente: proporcionalidade, tipicidade aberta, afetação de receita. 2ª ed. (rev. e amp.), Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 37. 5 Esses dados da arrecadação federal podem ser acessados no site da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no endereço: http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/arre/2009/Analisemensaldez09.pdf. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 23 23 ecológico pelo órgão ambiental competente; de servidão florestal ou ambiental; e cobertas por florestas nativas), destacando a preservação do meio ambiente. Em um cenário dessa natureza, devese privilegiar toda a interpretação que potencialize os aspectos extrafiscais do ITR e, dentre esses, avulta a relevância das áreas de proteção ambiental, sendo que a averbação cartorária da área de reserva legal é um importante requisito para a conservação da área protegida, para as atuais e futuras gerações, devendo ser rechaçada qualquer interpretação que enfraqueça o aspecto extrafiscal do ITR, como aquela que arrosta a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, pelo simples fato de não haver um comando literal na Lei nº 9.393/96 para o mister. Ora, o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, obrigação propter rem, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Insistese que afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. O entendimento acima, no tocante à necessidade de averbação cartorária da área de reserva legal, já foi adotado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, como se viu no Acórdão nº 9202001.348, sessão de 09 de fevereiro de 2011, por maioria, que restou assim ementado: (...) ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma Fl. 23DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10183.006151/200547 Acórdão n.º 920201.494 CSRFT2 Fl. 24 24 interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, aqui não me filio àqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, especificamente se anterior ao início do procedimento fiscal pela autoridade tributária, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua (re)composição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. Devese, porém, definir um termo final de quando poderia ser implementada a averbação cartorária da área de reserva legal, para fruição da exclusão da área tributável do ITR, pois não se pode deixar ao alvedrio do contribuinte implementar a averbação da área, sob pena de vulnerar a cogência da obrigação, pois o contribuinte poderia, simplesmente, aguardar o início do procedimento fiscal para fazêla, hipótese que jamais pode se concretizar, já que a quantidade de imóveis de um país continental como o Brasil é imensa, não sendo razoável imaginar que a autoridade tributária tenha condições de auditar todos os imóveis rurais do país. Dessa forma, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir das benesses tributárias. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início do procedimento fiscal. Com as considerações acima, entendo que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é condição imperativa para exclusão dela da incidência do ITR, devendo ser procedida antes do início do procedimento fiscal, o que não restou comprovado nestes autos, devendo, por conseqüência, ser dado provimento parcial ao recurso procurador. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 24DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 02/06/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 02/06/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO, 15/06/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19647.005201/2005-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. LOCAÇÃO DE MAO DE
OBRA
TEMPORÁRIA.TRIBUTAÇÃO.BASE DE CALCULO.
No caso de empresa que presta serviços de locação de mãodeobra
temporária, a base
de cálculo do PIS corresponde aos valores por ela recebidos da empresa tomadora dos
serviços, neles incluídos reembolsos do pagamento de salários e encargos sociais,
previdenciários e trabalhistas dos empregados. Os salários e encargos relacionados aos
trabalhadores temporários são custos operacionais incorridos pela empresa prestadora que
os contrata e aluga a respectiva mãodeobra
para outra pessoa jurídica ,
razão pela
qual compõem o valor do prego pago pela tomadora dos serviços e, portanto, o
faturamento que, por definição legal, é a base de cálculo do PIS.
DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, só produzem
efeitos para as partes envolvidas no processo.
Numero da decisão: 3403-001.339
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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LOCAÇÃO DE MAO DE OBRA TEMPORÁRIA.TRIBUTAÇÃO.BASE DE CALCULO. No caso de empresa que presta serviços de locação de mãodeobra temporária, a base de cálculo do PIS corresponde aos valores por ela recebidos da empresa tomadora dos serviços, neles incluídos reembolsos do pagamento de salários e encargos sociais, previdenciários e trabalhistas dos empregados. Os salários e encargos relacionados aos trabalhadores temporários são custos operacionais incorridos pela empresa prestadora que os contrata e aluga a respectiva mãodeobra para outra pessoa jurídica , razão pela qual compõem o valor do prego pago pela tomadora dos serviços e, portanto, o faturamento que, por definição legal, é a base de cálculo do PIS. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora. Antonio Carlos Atulim – Presidente Fl. 112DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Para compor o presente julgado, adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida, fls. 62: A Contribuinte, por seu procurador, instrumento, fl. 06, solicitou por meio de Pedido de Restituição, fl. 01, a restituição de pretensos valores retidos a maior, relativos ao PIS do ano calendário de 2004, pelos tomadores de serviços quando do pagamento pelos serviços prestados. 2. Tendo sido indeferido o pedido de restituição, a Contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade, às fls. 36/43, com as alegações a seguir: 2.1 — a Recorrente é pessoa jurídica de direito privado que atua no ramo do agenciamento de mãodeobra temporário (Lei no 6.019/74) e, nestas condições vem sofrendo a retenção dos seus tributos federais, tomando por base os valores das suas notas fiscais de prestação de serviços; 2.2 — a sua receita bruta de prestação de serviços é representada pela sua Taxa de Administração ou Comissão, o que faz com que os valores retidos sejam muito superiores ao efetivamente devido; 2.3 — sendo assim, a Recorrente protocolizou o Pedido de Restituição dos valores pagos a maior (retidos) atualizados pela Taxa SELIC; 2.4 — ao apreciar o seu pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife/PE o indeferiu sob o fundamento de que não existe amparo legal no sentido de que a base de calculo dos tributos federais devidos pela Recorrente, seja a sua Taxa Administrativa ou Comissão; 2.5 — acontece que a própria Recorrente já obteve diversos provimentos judiciais que reconheceu tal pleito, conforme se comprova. A 2ª Turma da DRJ/Recife, no Acórdão nº 1125.090, de 19 de janeiro de 2009, fls.61/68, indeferiu, por unanimidade, a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Fl. 113DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 19647.005201/200549 Acórdão n.º 3403001.339 S3C4T3 Fl. 113 3 Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. LOCAÇÃO DE MAO DE OBRA TEMPORÁRIA.TRIBUTAÇÃO.BASE DE CALCULO. No caso de empresa que presta serviços de locação de mãodeobra temporária, a base de cálculo do PIS corresponde aos valores por ela recebidos da empresa tomadora dos serviços, neles incluídos reembolsos do pagamento de salários e encargos sociais, previdenciários e trabalhistas dos empregados. Os salários e encargos relacionados aos trabalhadores temporários são custos operacionais incorridos pela empresa prestadora que os contrata e aluga a respectiva mãodeobra para outra pessoa jurídica , razão pela qual compõem o valor do preço pago pela tomadora dos serviços e, portanto, o faturamento que, por definição legal, é a base de cálculo do PIS. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. Solicitação Indeferida Cientificada da decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, fls. 72/81, repisando as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade. Ao final pede: Por tais motivos, a Requerente pede e espera que esse Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se digne de DAR PROVIMENTO ao presente Recurso, para que seja dado cumprimento à decisão judicial proferida nos Autos da AC nº 428.162PE, determinando que se proceda a restituição dos valores que foram recolhidos a maior pela Recorrente, atualizados pela Taxa SELIC, por ser a única e melhor forma de se fazer JUSTIÇA!!! É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991,cabe registrar que adoto o entendimento esposado pela autoridade julgadora a quo sobre os efeitos da decisões judiciais . 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] Fl. 114DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 Como já relatado, versa a lide sobre Pedido de Restituição, fl. 01, a de pretensos valores retidos a maior, relativos ao PIS do ano calendário de 2004, pelos tomadores de serviços quando do pagamento pelos serviços prestados, indeferido pela autoridade de origem e pela autoridade julgadora de primeira instância. Sem a razão a recorrente, como bem fundamentou o voto condutor da decisão recorrida que adoto e tomo a liberdade de transcrevêlo parcialmente: (...) 15. Induvidosamente, portanto, toda a receita de prestação de serviços auferida pelo contribuinte integra o faturamento definido como base de cálculo do PIS, à luz do novo preceito que, veiculado na forma da Lei n.° 9.718, de 1998, passou a ter eficácia a partir de 1° de fevereiro de 1999, a seguir reproduzidos, verbis : Lei n.° 9.718, de 27 de novembro de 1998 “Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1o Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas." § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas de Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (...)." (g.n) 16. Observese que o inciso I do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao tratar das exclusões da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo, não inclui as parcelas que a autuada pretende ver excluídas da base de cálculo do PIS. Lembrese que o inciso I do art. 111 do CTN preconiza que se interpreta literalmente a legislação que disponha sobre exclusão do crédito tributário. Assim sendo, por não se encontrarem expressamente listadas no dispositivo acima reproduzido, não se pode excluir tais parcelas da base de cálculo dessa contribuição. § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 115DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 19647.005201/200549 Acórdão n.º 3403001.339 S3C4T3 Fl. 114 5 17. Como demonstrado, o valor pago pelo tomador do serviço representa tãosomente o pagamento do preço que é cobrado pelo prestador em troca da locação da mão de obra. Inegável, na mesma medida, que esse valor constitui uma receita auferida pelo prestador, nada importando, para os efeitos da incidência das contribuições em foco, se, do cotejo entre esta receita e os custos e despesas incorridos no período, o prestador e a autuada, no caso concreto , conseguiu ou não obter algum acréscimo patrimonial. 18. Ademais disso, é importante assinalar que a atividade desenvolvida pela autuada não traduz jurídica e economicamente mera intermediação entre o trabalhador temporário e a empresa tomadora do serviço. A rigor, é bem de ver que a função do intermediário é tãosomente a de aproximar os interessados na realização de um negócio, atividade esta, portanto, bem distinta daquela desenvolvida pela autuada, já que, repitase, os trabalhadores temporários não são apresentados ao tomador do serviço para que este, então, os contrate e remunere. (...) 26. Ante o exposto, voto no sentido de indeferir a solicitação por inexistência de créditos relativos a retenções que teriam sido a maior do PIS e por ausência de previsão legal a amparar o pedido da Contribuinte. Como se vê, a pretensão da recorrente não pode ser acatada porque a base de cálculo da contribuição PIS, segundo a legislação de regência, é o faturamento, que corresponde o total da receita bruta da pessoa jurídica. E a definição sobre o que venha ser receita bruta ficou estabelecido que: Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Depreendese da leitura do regramento que é irrelevante o tipo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica. Ao determinar as exclusões permitidas para determinação da base de cálculo das contribuições, o legislador ordinário não fez referência não deu nenhum tratamento excepcional às receitas decorrentes de prestações de serviços de locação de mãodeobra temporária. Não há, portanto, previsão legal assegurando às empresas que exercem essa atividade empresarial que a base de cálculo para apuração da contribuição para o PIS seja apenas a taxa de administração. Ora, se não há regra normativa para excluir estas receitas da base de cálculo, o pedido de restituição não pode ser deferido porque não houve pagamento de tributo a maior, consequentemente, não há contribuição à restituir. Quanto ao pedido de cumprimento à decisão judicial proferida nos Autos da AC 428.162PE, vejo que não pode ser aplicada nos autos do processo sub examine uma vez que aqui se cuida de pedido de restituição de contribuição para o PIS compreendendo o período de apuração de janeiro a dezembro de 2004, por sua vez a ordem judicial contida no recurso citado pela recorrente faz referência à retificação de débitos que o contribuinte possui a titulo Fl. 116DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 de contribuições ao PIS e à Cofins e que se encontram consolidados no PAES, instituído pela Lei no 10.684/03. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 117DF CARF MF Emitido em 05/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
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