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Numero do processo: 10680.722734/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2007
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade da cobrança decorrente da parcela não homologada por despacho decisório quando não há ofensa ao princípio da ampla defesa e contraditório, bem como quando forem observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Aplica-se à compensação de débito não declarado em DCTF em momento anterior ao da transmissão do pedido, que não tenha sido objeto de lançamento de ofício e desde que a DCOMP tenha sido formalizada antes de qualquer medida de fiscalização instaurada contra o sujeito passivo, o benefício de não incidência de multa moratória previsto no artigo 138 do CTN (denúncia espontânea).
Numero da decisão: 1201-003.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Allan Marcel Warwar Teixeira.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Wilson Kazumi Nakayama (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Ausente o conselheiro Efigênio de Freitas Junior.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade da cobrança decorrente da parcela não homologada por despacho decisório quando não há ofensa ao princípio da ampla defesa e contraditório, bem como quando forem observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplica-se à compensação de débito não declarado em DCTF em momento anterior ao da transmissão do pedido, que não tenha sido objeto de lançamento de ofício e desde que a DCOMP tenha sido formalizada antes de qualquer medida de fiscalização instaurada contra o sujeito passivo, o benefício de não incidência de multa moratória previsto no artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Allan Marcel Warwar Teixeira. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Wilson Kazumi Nakayama (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Ausente o conselheiro Efigênio de Freitas Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 27 34 /2 01 2- 37 Fl. 185DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.557 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.722734/2012-37 Relatório 1. Por bem resumir o litígio, reproduzo o Relatório constante da decisão de primeira instância: Trata-se de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante solicitação/utilização de pretenso “Saldo Negativo de CSLL”, apurado no AC de 2006, no valor de R$ 18.580.564,64. Despacho Decisório da DRF 2. A análise dos documentos protocolizados pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 19093790 anexado à fl. 102, exarado aos 01/03/2012, de onde se extrai: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificou-se: Parcelas de composição do crédito indicadas DCOMP....R$ 56.735.525,96 Parcelas de composição do crédito confirmadas...............R$ 56.735.525,96 CSLL devida........................................................................R$ 38.154.964,57 Valor do Saldo Negativo de CSLL disponível....................R$ 18.580.561,39 2.1 Confirmado o direito de crédito utilizado pelo contribuinte nas DCOMP’s em análise, a DRF conclui: O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 39898.72237.160807.1.3.03-8621 3. Em síntese, a DRF validou a totalidade do crédito utilizado pelo contribuinte na DCOMP, contudo, apurou que tal crédito não é suficiente para homologar a totalidade das compensações declaradas na DCOMP de nº 39898.72237.160807.1.3.03-8621. Manifestação de Inconformidade 4. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 20/03/2012, conforme documento anexado à fl. 117; irresignado, apresenta em 18/04/2012 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 02 a 19, onde, em síntese, argumenta: 4.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 4.2 “Entende o despacho decisório que a Requerente deveria ter incluído as multas quando realizou a compensação; do seu lado, entende a Requerente que – sendo uma denúncia espontânea – não caberia se falar em qualquer tipo de multa, conforme pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça e nos termos do art. 138 do CTN.” 4.3 O crédito utilizado na DCOMP tem origem no Saldo Negativo de CSLL apurado no AC de 2006 no valor de R$ 18.580.564,64. Apesar de reconhecer a legitimidade do crédito utilizado, a DRF “atesta uma suposta insuficiência do crédito utilizado pela requerente”. 4.4 Examinando o “Detalhamento da Compensação”, constatou que o fisco aplicou uma multa de mora para as compensações constantes das DCOMP’s de nº 12203.87422.110707.1.7.03-9697 e 36117.19690.110707.1.3.03-8910. “Assim, a razão da suposta falta de créditos para compensação integral da compensação é a imputação equivocada das multas pela Receita Federal.” Razões para a reforma do Despacho Decisório Fl. 186DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.557 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.722734/2012-37 4.5 Nulidade por vício substancial: tece diversas considerações acerca do procedimento eletrônico adorado pelo fisco quando da análise das DCOMP’s, concluindo que “em face da limitada possibilidade de cognição dos fatos e do direito decorrente da adoção pelo fisco do cruzamento eletrônico de declarações como única causa de decidir do processo, deve ser declarado nulo.” 4.6 Necessidade de lançamento de ofício: o manifestante defende que “a eventual existência de débitos em aberto para os períodos em debate (...) deve ser apurada em procedimento próprio e não nos autos do processo administrativo de compensação”. Em síntese, argumenta que “para a cobrança da multa moratória discutida nos autos seria necessária a prévia constituição do débito por meio do lançamento de ofício.” Ilustra jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ. 4.7 No mérito, defende a impossibilidade da aplicação da multa moratória, com a aplicação inequívoca do instituto da denúncia espontânea. Tece diversas considerações acerca do assunto, transcrevendo passagens de Yves Gandra da Silva Martins e do Ministro do STJ, João Octávio Noronha. 4.7.1 Conclui que, “não obstante terem sido compensados após o vencimento, deu-se antes da apresentação da declaração retificadora e antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório por parte da Receita Federal, afastando, assim, a exigência da multa moratória, por força do disposto no art. 138 do CTN”.A seguir, tece extensa argumentação acerca da denúncia espontânea, esclarecendo que “a Requerente seguiu fielmente os comandos normativos do art. 138 do Código Tributário Nacional e por ele está protegido”. Cita jurisprudência do STJ. 4.8 Acrescenta que “da mesma forma que o pagamento, a compensação é uma das formas de extinção da obrigação tributária prevista no art. 156 do CTN. Este assunto, inclusive, já está pacificado pelo STJ, ou seja, entende-se que a compensação pode ser utilizada nos casos de denúncia espontânea.” Transcreve ementa de acórdão do STJ. 4.9 A seguir, descreve os procedimentos executados quando da apresentação das DCOMP’s em análise, concluindo que “é inconteste a efetivação da extinção integral do débito via compensação e a regularidade do recolhimento dos juros à taxa SELIC, visando a recomposição monetária dos valores representativos dos débitos em atraso.” Ilustra com a Súmula nº 360 do STJ, ressaltando que “é improcedente qualquer exigência de multa moratória no caso”. Transcreve acórdão do STJ no intuito de validar seu entendimento. 4.10. Por fim, propugna pela procedência da manifestação de inconformidade, com a homologação da compensação declarada e a extinção do débito fiscal. 2. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por meio do Acórdão de fls. 119/121, que restou assim ementado: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA - OPERACIONALIZAÇÃO A compensação tributária obedece a regras específicas, previstas na legislação tributária. As regras para o encontro de contas estão expressamente determinadas nesta legislação e devem ser obedecidas integralmente. 3. Cientificada da decisão de piso em 13/11/2012 (fls. 139), a contribuinte, em 12/12/2012, interpôs recurso voluntário (fls. 140/159), onde basicamente reitera as alegações de defesa e questionada determinados pontos da decisão de piso. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.557 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.722734/2012-37 Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. 4. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo a apreciá-lo. Nulidade 5. De plano, rejeito os argumentos invocados pelo contribuinte acerca da nulidade do despacho decisório, adotando como razões de decidir os fundamentos da própria decisão da DRJ, in verbis: 11. Preliminarmente, o manifestante pleiteia a nulidade do Despacho Decisório, argumentando, em síntese, o cerceamento do direito de defesa. Acerca deste assunto, o artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972: “Art. 59 – São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” 12. Não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade do ato realizado pelo Fisco, uma vez que efetuado nos moldes estabelecidos pela legislação afeta ao procedimento. Constata-se que o Despacho Decisório em questão foi prolatado por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, portanto, norteados dentro do Princípio da Legalidade. 13. Por outro lado, constata-se ainda que os motivos do indeferimento foram perfeitamente identificados pela autoridade competente, e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pelo interessado nas peças impugnatórias permite concluir que o motivo deste indeferimento foi compreendido, tanto que contestado. 13.1 No presente caso, o manifestante aduz que “o cruzamento eletrônico de dados no sentido de liberar os valores pleiteados pode ser um mero auxiliar, mas nunca determinante da imediata recusa do crédito informado pelo contribuinte” (negrito do original). Este argumento em particular não se aplica ao caso em questão: independentemente da forma de verificação do crédito utilizado pelo contribuinte – eletrônica ou manual – o crédito utilizado nas DCOMP’s em análise neste processo foi integralmente reconhecido como válido pela DRF. 13.2 O manifestante descreve minuciosamente a origem do resultado do “encontro de contas” promovido pela DRF: “a razão da suposta falta de créditos para a compensação integral da compensação é a imputação equivocada das multas pela Receita Federal do Brasil”, transcrevendo inclusive o demonstrativo de imputação do crédito fornecido pela DRF (fl. 04). Esta alegação já demonstra de forma inequívoca a motivação para a homologação parcial das compensações declaradas e a compreensão desta motivação pelo contribuinte. 14. Também como motivação para a nulidade do Despacho Decisório exarado pela DRF, o manifestante alega ausência de lançamento de ofício. Acerca desta alegação, Fl. 188DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.557 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.722734/2012-37 cabe esclarecer que a lide instaurada neste processo diz respeito à validade ou não do procedimento informado pelo contribuinte ao fisco: compensação de débitos. Considerando que a totalidade do crédito utilizada pelo contribuinte foi validada pela DRF, a discordância do contribuinte acerca dos critérios adotados para a operacionalização da compensação pode originar a reforma do Despacho Decisório exarado pela DRF e não a sua nulidade. 15. Esclareça-se ainda, por oportuno, que o Despacho Decisório exarado também expressamente identifica o enquadramento legal da decisão prolatada; confira-se: Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN RFB 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 16. Enfim, a argumentação acerca da nulidade apresentada pelo manifestante não tem razão de ser: o ato em questão não resultou em cerceamento do direito de defesa do interessado, uma vez que o mesmo tomou ciência do procedimento, da sua motivação e da capitulação legal correspondente. Prova inequívoca de que inocorre o cerceamento do direito de defesa é que o ato foi impugnado e a sua manifestação está sendo examinada por essa autoridade julgadora. 17. Assim sendo, não ocorreu nenhuma irregularidade, incorreção ou omissão que importe em nulidade, motivo pelo qual REJEITO a preliminar de nulidade suscitada pelo impugnante. Mérito 6. Da análise do despacho decisório, nota-se que não há celeuma acerca do valor do crédito objeto das compensações (R$ 18.580.561,39 a título de Saldo Negativo de CSLL referente ao AC 2006), conforme atesta a própria decisão recorrida, in verbis: 9. A validação da compensação tributária envolve, inicialmente, dois tópicos: o reconhecimento do direito creditório utilizado e a sua suficiência na extinção dos débitos. O crédito utilizado pelo contribuinte na DCOMP foi integralmente reconhecido como válido, de modo que, quanto a este assunto, não há litígio. 9.1 Entretanto, apesar de integralmente reconhecido, a DRF constatou que o crédito utilizado é insuficiente para extinguir a totalidade das compensações declaradas, de modo que invalidou parte do procedimento executado pelo contribuinte. O manifestante se insurge quanto aos critérios de utilização do direito de crédito reconhecido como válido (operacionalização). 7. A controvérsia, na verdade, gira em torno da aplicação ou não da dispensa de multa moratória na hipótese de compensação tributária, ou seja, se aplica ou não aplica a denúncia espontânea (artigo 138 do CTN) na liquidação de débitos por meio de compensações formalizadas após o vencimento legal apenas com incidência de juros. 8. Mais precisamente, restou demonstrado (fls. 67/99) que a parcela ora exigida decorre da não homologação total das compensações, tendo em vista que o fisco imputou multa de mora em relação a dois débitos que acabaram sendo compensados posteriormente ao vencimento legal, mas sem que tivessem sido declarados anteriormente em DCTF ou em momento que a Recorrente esteve sob ação fiscal, fato este que afasta a aplicação da Súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça STJ (O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos Fl. 189DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-003.557 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.722734/2012-37 tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo). 9. A matéria em discussão, como se sabe, é norteada de insegurança jurídica, afinal há verdadeira instabilidade jurisprudencial e doutrinária acerca do gozo do direito dos benefícios advindos da denúncia espontânea na liquidação de tributo em mora via compensação. 10. De qualquer forma, não se pode perder de vista que a compensação, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação, assim como o pagamento, constituem causas de extinção do crédito tributário. Também não pode ser desprezado o fato de que a legislação prescreve que o débito cuja compensação (ou parte dela) não for homologada deve ser cobrado de ofício com multa de mora e juros, além de multa isolada. 11. Há, portanto, uma consequência legal específica ao tributo indevidamente compensado, assim como existe à insuficiência de pagamento, situações estas que ensejam o lançamento de ofício do tributo devido, sem prejuízo de incluir juros e multa nesta cobrança. 12. Esse procedimento próprio, porém, não produz efeitos na espontaneidade do sujeito passivo, que pode optar por liquidar o débito em mora por meio de pagamento ou por intermédio do instituto da compensação tributária, sem que esta escolha traga o ônus de atrair a multa moratória se implementada antes de ação fiscal e sem confissão de dívida anterior. 13. Dito de outros modos: a compensação, para efeitos de denúncia espontânea, é equiparada ao pagamento. 14. Nesse contexto, me curvo à tese na qual considera aplicável o instituto da denúncia espontânea em situação como a presente, em conformidade com o voto do I. Conselheiro Luis Flávio Neto, proferido em Sessão da CSRF ocorrida em 07/08/2018 e que ora transcrevo (Acórdão n° 9101-003.687): O presente caso exige que se compreenda a hipótese de incidência do art. 138 do CTN, especialmente quanto à exigência de extinção do crédito tributário por meio de "pagamento" ou de "compensação". O art. 138 do CTN possui a seguinte redação: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontanea da infraçao, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontanea a denuncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O núcleo da presente discussão consiste em saber se o termo "pagamento", adotado pelo art. 138 do CTN (acima sublinhado), tem o sentido restritíssimo de "quitação em Fl. 190DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-003.557 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.722734/2012-37 dinheiro" ou se contempla acepção mais ampla de adimplemento, abarcando, no caso, a compensação tributária. De início, é necessário observar que o legislador nem sempre utiliza o vocábulo "pagamento" no sentido de quitação em dinheiro, valendo-se deste em sua acepção mais ampla de adimplemento. É o que se verifica em variados exemplos colhidos tanto de leis ordinárias como de leis complementares, conforme se passa a analisar antes de adentrar ao mérito em si do art. 138 do CTN. Primeiramente, note-se a redação do art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Note-se que o CTN utilizou a dicção "antecipar o pagamento" no sentido de antecipar o adimplemento sem prévio exame da autoridade administrativa. Não há dúvidas que o contribuinte, mediante declaração e compensação regularmente levadas a termo, irá consumar o típico "lançamento por homologação" tutelado pelo art. 150 do CTN. Nesse sentido, merecem destaque os seguintes julgados, proferidos pela Primeira e Segunda Turma do STJ, que consideram indiferente o adimplemento dar-se mediante pagamento em dinheiro ou compensação tributária para a incidência do art. 150 do CTN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ART. 74 DA LEI 9.430/96. MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS: LEI 10.637/02 E LEI 10.833/03. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NOV/1998. INDEFERIMENTO ADMINISTRATIVO DA COMPENSAÇÃ. MAI/05. TRANSCURSO DE PRAZO SUPERIOR AO QUINQUENIO LEGAL. ART. 150, §4o, DO CTN. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PAGAMENTO ANTECIPADO. 1. No caso concreto, o crédito tributário foi constituído na data do protocolo do pedido de compensação (10/11/1998), por forca do §4o do art. 74 da Lei n. 9.430/96. Logo, como até maio de 2005, a Administração não havia se manifestado sobre o referido pleito, ocorreu a homologação tácita prevista no §4o do art. 150 do CTN. 2. Recurso especial provido. (STJ, REsp 1320994/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONCALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/10/2014, DJe 22/10/2014) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ICMS. LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. CREDITAMENTO INDEVIDO. PAGAMENTO PARCIAL. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. ART. 150, § 4o, DO CTN. 1. O prazo decadencial para o lançamento suplementar de tributo sujeito a homologação recolhido a menor em face de creditamento indevido é de cinco anos contados do fato gerador, conforme a regra prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Precedentes: AgRg nos EREsp 1.199.262/MG, Rel. Ministro Benedito Goncalves, Primeira Seçao, DJe 07/11/2011; AgRg no REsp 1.238.000/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, SEGUNDA TURMA, DJe 29/06/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1318020/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONCALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/08/2013, DJe 27/08/2013). Prosseguindo a análise ora empreendida, verifica-se que o mesmo se verifica, por exemplo, em relação ao art. 9 o , § 2°, da Lei n. 9.532/97. Esse enunciado prescritivo estabelece, em seu caput, que, "à opção da pessoa jurídica, o saldo do lucro inflacionário acumulado, existente no último dia útil dos meses de novembro e dezembro de 1997, poderá ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento". Para que essa opção fosse exercida, o legislador requereu a sua manifestação mediante o adimplemento do tributo correspondente, em quota única. Fl. 191DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-003.557 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.722734/2012-37 Não há sinais de que o legislador procurou se referir a quitação em dinheiro, mas sim às hipóteses que legitimamente conduzam ao adimplemento da obrigação, como é o caso da compensacão. Esse foi precisamente o entendimento adotado por esta 1 a Turma da CSRF, em julgamento recente sobre o tema: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2004 SALDO ACUMULADO DE LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO INTEGRAL EM COTA ÚNICA. COMPENSAÇÃO. À opção da pessoa jurídica, o saldo do lucro inflacionário acumulado, existente no último dia útil dos meses de novembro e dezembro de 1997, poderia ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento (Lei n. 9.532/1997, art. 9°). Exercício da opção mediante o adimplemento do valor correspondente. A regular compensação, assim como a regular quitação em dinheiro, era meio hábil para o exercício da opção. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF n. 10 O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização. (CSRF, 9101-002.352, 14/06/2016) Adentrando no mérito do presente recurso, verifica-se que, tal como se dá com os outros dispositivos citados, incluindo o art. 150 do CTN, embora o art. 138 do CTN, textualmente adote o termo "pagamento", não procura restringir o instituto da denúncia espontânea às hipóteses de quitação em dinheiro, requerendo o adimplemento em sentido amplo, o que inclui a compensação tributária. A Nota Técnica n. 1 COSIT, de 18.01.2012, posteriormente cancelada pela Nota Técnica no 1 COSIT, de 12.06.2012, chegou a reconhecer de ofício, com o propósito de colocar fim aos litígios sobre a matéria, o sentido amplo de "pagamento", para abrager hipóteses de adimplemento como a "compensacao", in verbis: "18. Com relação à aplicabilidade da denúncia espontânea na compensação de tributos, não se pode perder de vista que pagamento e compensação se equivalem; ambos apresentam a mesma natureza jurídica, seus efeitos são exatamente os mesmos: a extinção do crédito tributário. Como consequencia, a compensação também é instrumento apto a configurar a denúncia espontânea. 18.1 Tanto é assim que o art. 28 da Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, ao dar nova redação ao art. 6° da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991, conferiu à compensação o mesmo tratamento dado ao pagamento para efeito de redução das multas de lançamento de oficio. 18.2 Essa equiparação do pagamento e compensação na denúncia espontânea resulta da aplicação da analogia, prevista como método de integração da legislação pelo art. 108, I, do CTN. 18.3 Dessa forma, respondendo às indagações formuladas nas letras h e i do item 3 desta Nota Técnica: a) se o contribuinte não declara o débito na DCTF, porém efetua a compensação desse débito na Dcomp, sendo os atos de confessar e compensar concomitantes, aplicasse o mesmo raciocínio previsto no item 10, ou seja, neste caso resta configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. O entendimento esposado pela Nota Técnica n. 1 COSIT, de 18.01.2012 não merece reparo. Vale observar que a compensação efetuada pelo contribuinte possui efeito de pagamento, sob condição resolutória. Significa dizer que, se porventura a compensação não vier a ser homologada, perderá a eficácia a denúncia espontânea, com a exigência do débito tributário com a multa. Fl. 192DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-003.557 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.722734/2012-37 Não obstante tratar-se de matéria controversa, seja neste Conselho ou no e STJ, é importante observar as decisões deste Tribunal que se alinham ao entendimento que acolho no presente voto. A Primeira e a Segunda Turma do STJ apresentam precedentes em que aplicam a norma do art. 138 do CTN de forma que o termo "pagamento" assuma a acepção de "adimplemento". Conforme a interpretação levada a termo nos julgados a seguir, há denúncia espontânea mediante o adimplemento integral do débito tributário antes da ação fiscal, independentemente deste se dar mediante pagamento em dinheiro ou compensação. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PRESENÇA DE OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO. TRIBUTO PAGO SEM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO ANTERIOR E ANTES DA ENTREGA DA DCTF REFERENTE AO IMPOSTO DEVIDO. 1. A decisão embargada afastou o instituto da denúncia espontânea, contudo se omitiu para o fato de que a hipótese dos autos, tratada pelas instancias ordinárias, refere-se a tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo os ora embargantes recolhido o imposto no prazo, antes de qualquer procedimento fiscalizatório administrativo. 2. Verifica-se estar caracterizada a denúncia espontânea, pois não houve constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a compensação de tributos. Ademais, a compensação efetuada possui efeito de pagamento sob condição resolutória, ou seja, a denúncia espontânea será válida e eficaz, salvo se o Fisco, em procedimento homologatório, verificar algum erro na operação de compensação. Nesse sentido, o seguinte precedente: AgRg no REsp 1.136.372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, DJe 18/5/2010. 3. Ademais, inexistindo prévia declaração tributária e havendo o pagamento do tributo antes de qualquer procedimento administrativo, cabível a exclusão das multas moratórias e punitivas. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (STJ, EDcl no AgRg no REsp 1375380/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe 11/09/2015) AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido. (STJ, AgRg no REsp 1136372/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/05/2010, DJe 18/05/2010) O mesmo entendimento tem sido adotado por este Tribunal administrativo, como se observa desta recente decisão da 1 a Turma Ordinária da 4 a Câmara da 3 a Seção: CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF. Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, Crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Fl. 193DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1201-003.557 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.722734/2012-37 Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF. (Acórdão 3401002.706, Sessão de 21/08/2014). Nesse cenário, a norma do art. 138 do CTN não se aplica apenas às hipóteses de pagamento em dinheiro: a norma de denúncia espontânea incide igualmente em face de outras hipóteses em que haja equivalente adimplemento, como é o caso da regular compensação tributária. Não se trata de interpretacao ampliativa ou restrintiva, mas de reconhecimento do ambito de incidência prescrito pelo legislador. Nao há que se falar, por conseguinte, em ofensa ao art. 111 do CTN. 15. Nesse sentido, entendo descabida a imputação da multa de mora aos referidos débitos em mora compensados de forma espontânea. Conclusão Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.959935/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do sujeito passivo o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do direito creditório a ser compensado. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-007.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente), Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Walker Araújo, Corintho Oliveira Machado, Denise Madalena Green, Raphael Madeira Abad, Vinícius Guimarães.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A alegação de erro na DCTF, a fim de reduzir valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do sujeito passivo o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do direito creditório a ser compensado. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente), Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Walker Araújo, Corintho Oliveira Machado, Denise Madalena Green, Raphael Madeira Abad, Vinícius Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 99 35 /2 00 9- 36 Fl. 150DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.918 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.959935/2009-36 Relatório O presente processo versa sobre declaração de compensação, transmitida por meio de PER/DCOMP, no qual o interessado indica crédito de pagamento indevido ou a maior de COFINS, informado em PER/DCOMP anterior, para compensação de débito próprio. Em análise do PER/DCOMP, foi emitido despacho decisório eletrônico, o qual não homologou a compensação declarada, pois o crédito indicado já havia sido utilizado integralmente para a extinção de débito constituído. Em manifestação de inconformidade, a manifestante aduziu, em síntese, que houve erro no valor da COFINS, período de apuração 03/2004, informado em DCTF. Juntou parte da DCTF retificadora e comprovante de arrecadação do suposto pagamento indevido. A 6ª Turma da DRJ em São Paulo I negou provimento à manifestação de inconformidade, por entender que a manifestante não logrou comprovar a certeza e liquidez do direito creditório alegado. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reafirma a alegação trazida na manifestação de inconformidade e apresenta demonstrativo de apuração da COFINS e algumas páginas do Razão. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento por esta Turma. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu PER/DCOMP, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS, período de apuração de março de 2004. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurou-se que o crédito indicado não estava disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuição declarada. Foi, então, emitido Despacho Decisório (fl. 3) 1 cuja decisão não homologou a compensação declarada. Cientificado da decisão, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustentou, em síntese, que houve erro na informação, em DCTF, do valor devido a título de COFINS, período de apuração 03/2004, juntando, então, DARF do suposto recolhimento indevido e parte de DCTF retificadora com o valor corrigido do débito de COFINS, transmitida, vale dizer, depois da ciência do despacho decisório. Ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório, sustentando, em essência, que não restou demonstrado, por documentos hábeis e idôneos, o recolhimento a maior. Importa assinalar, antes de tudo, que a compensação tributária pressupõe a existência de crédito líquido e certo em nome do sujeito passivo, a teor do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. 1 Neste voto, as referências às folhas processuais seguem a numeração do e-processo. Fl. 151DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.918 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.959935/2009-36 Pode-se dizer, em outros termos, que o direito à compensação existe na medida exata da comprovação da certeza e liquidez do crédito postulado, de maneira que a prova do crédito se revela fundamental para a própria concreção da compensação. Nesse contexto, lembre-se que recai sobre o interessado o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, como dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; É inerente, portanto, à análise das declarações de compensação, a verificação da existência de provas suficientes e necessárias para a comprovação do direito creditório pleiteado. Em especial, nos casos em que o direito creditório invocado decorre do reconhecimento de equívoco na informação, em DCTF, do valor do tributo objeto de pagamento indevido, o mínimo que se reclama é que aquele que alega erro demonstre, com a apresentação da escrituração contábil-fiscal e seus documentos de suporte, qual a apuração correta. Assim, no caso dos autos, já em sua manifestação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Examinando os autos, observa-se que a recorrente não apresentou, na fase de manifestação de inconformidade, escrituração contábil-fiscal nem documentos que a suportem aptos a demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado, em especial, para comprovar que o valor apurado da COFINS, período de apuração 03/2004, é aquele informado na DCTF retificadora, ao invés daquele valor regularmente constituído pela DCTF original. Diante de tal ausência de elementos probatórios, revela-se correta a decisão recorrida ao indeferir a declaração de compensação. Apesar da ausência de provas na impugnação – com a consequente preclusão probatória -, analisei os autos em busca de eventuais documentos apresentados após a manifestação de inconformidade, tendo constatado que a recorrente juntou, em sede recursal, cópias das páginas do Razão, período de março de 2004, atinentes à conta do ativo COFINS A COMPENSAR – FONTE (fl. 142), e às contas de receitas de serviços (fls. 143 a 147). Também foi apresentado o demonstrativo de apuração da COFINS no referido período (fl. 141). Compulsando o demonstrativo à fl. 141, observa-se que a COFINS apurada foi de R$ 70.262,66, tendo sido deduzido, de tal valor, o montante de R$ 32.801,51, a título de contribuição retida na fonte, resultando em COFINS a pagar de R$ 37.461,15. O referido valor da contribuição retida na fonte pode ser visualizado na página do Razão da conta COFINS A COMPENSAR – FONTE à fl. 142. Fl. 152DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.918 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.959935/2009-36 Embora tenha juntado as páginas do Razão, com o registro de supostas retenções na fonte a título de COFINS, do exame dos autos, não há como saber se ocorreu, de fato, as alegadas retenções, quando ocorreu o recolhimento pela empresa pública responsável e se, até mesmo, a operação registrada seria ou não passível de retenção - vale lembrar que há várias hipóteses normativas para a inexistência de retenção e, nos autos, não há elementos para afirmar ou infirmar a obrigatoriedade de retenção. A recorrente deveria ter apresentado, por exemplo, o comprovante anual de retenção, de fornecimento obrigatório pela fonte pagadora - ex vi do art. 11 da IN SRF nº. 381/2003, reproduzido no art. 12 da IN SRF nº. 459/2004 - no qual constam, para cada mês em que houver sido feito pagamentos, os códigos de retenção, os valores pagos e os valores retidos. Saliente-se, nesse ponto, que nem mesmo documentos fiscais – como, por exemplo, notas fiscais de serviços com o destaque das retenções -, fundamentais para lastrear os registros contábeis, foram apresentados pela recorrente. Ademais, verifica-se que a documentação apresentada também não serve para demonstrar se houve escrituração das operações atinentes (i) ao pagamento indevido e (ii) à própria compensação litigiosa. A escrituração dessas operações se mostra fundamental para a própria aferição e controle da certeza, liquidez e, sobretudo, disponibilidade do direito creditório pleiteado. Neste caso, a recorrente poderia ter apresentado o Razão da conta Cofins a compensar, a fim de comprovar o lançamento do suposto pagamento indevido - lançamento a crédito na conta de despesas atinente à COFINS e lançamento a débito na conta do ativo Cofins a compensar - e da compensação declarada - lançamento a crédito na conta de Cofins a compensar e lançamento a débito na conta do passivo relativa ao tributo compensado. É de se lembrar que, em casos em que o direito creditório pleiteado decorre do reconhecimento de equívoco na informação do valor do tributo constituído em DCTF, o mínimo que se espera é que aquele que alega erro demonstre, com a apresentação da escrituração contábil-fiscal e seus documentos de suporte, qual a apuração correta. Sublinhe-se, além disso, que toda a prova documental deveria ter sido apresentada com a manifestação de inconformidade ou, na última hipótese, com o recurso voluntário. Mesmo diante de repetidas oportunidades, a recorrente não juntou provas suficientes para demonstrar suas alegações. Há que se lembrar, por oportuno, que a busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Naturalmente, o órgão julgador pode, eventualmente, determinar, a seu critério, diligências/perícias para esclarecimentos de questões e fatos que julgar relevantes. Isso não significa, entretanto, que a verdade material deverá levar a uma desregrada busca, pelos órgãos julgadores, por elementos de provas que deveriam ser trazidos pela parte interessada. Nesse prisma, deve-se observar que existem regras processuais claras, no âmbito do contencioso administrativo, que regulam a preclusão probatória, não cabendo ao julgador afastar regras postas em face de aplicação indevida, no caso concreto, de eventuais princípios. A aplicação de princípios, como aqueles do formalismo moderado ou da verdade material, não deve abrir caminho para o afastamento de regras que servem, em última instância, para a concretização de outros princípios jurídicos valiosos – como, por exemplo, a razoável duração do processo e a segurança jurídica. Fl. 153DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.918 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.959935/2009-36 Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.720017/2013-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
É ônus do contribuinte provar que na DIRF os valores constantes estão em desacordo com o que foi recebido pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2002-001.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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É ônus do contribuinte provar que na DIRF os valores constantes estão em desacordo com o que foi recebido pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 56/59) contra decisão de primeira instância (e-fls. 45/48), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Mediante Notificação de Lançamento de fls. 05/10, exige-se do contribuinte acima qualificado o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 7.037,65, incluído o valor da multa de ofício e dos juros de mora calculado até 28/12/2012, em virtude da constatação de irregularidades na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2009, ano-calendário de 2008. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 00 17 /2 01 3- 33 Fl. 66DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.813 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10860.720017/2013-33 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 06/07 e 09, a fiscalização informou ter constatado os seguintes fatos motivadores do lançamento: - omissão de rendimentos no total de R$ 11.591,17 – fontes pagadoras: Universidade de Taubaté R$ 567,38; Fundação Universitária Vida Cristã R$ 10.723,79 e Fundação Vale Paraibana R$ 300,00. - dedução indevida de previdência oficial no valor de R$ 668,67, incidente sobre os rendimentos recebidos da Fundação Universitária Vida Cristã. Contra o lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02/04 dos autos. Incialmente destacou o fato de não ter recebido os informes de rendimentos das fontes pagadoras Fundação Vale Paraibana e da Universidade de Taubaté, sendo esse o motivo da não informação dos valores no ajuste anual. Concorda com as omissões dos rendimentos de R$ 300,00 e R$ 567,38 respectivamente. No que se refere aos rendimentos recebidos da fonte pagadora São Paulo Secretaria da Saúde CNPJ n° 46.374.500/0001-94 no valor de R$ 9.703,00, com IRRF de R$ 2.668,32, segundo referiu, foi declarado com a indicação da fonte pagadora Governo do Estado de São Paulo CNPJ n° 46.379.400/0001-50. Observa ter sanado tal situação por meio da impugnação protocolada na RFB em 25/12/2012. Alegou ter ocorrido erro na identificação da fonte pagadora, já devidamente comprovado e regularizado. Com referência aos rendimentos recebidos da fonte pagadora (4) Fundação Universitária Vida Cristã CNPJ n° 07.761.666/0001-01, afirma ter ocorrido divergência entre os valores informados com aqueles efetivamente recebidos. Conforme cópias dos holerites em anexo, o total dos rendimentos é de R$ 44.639,83, com contribuição para a previdência de R$ 4.313,97. Segundo referiu, solicitou à fonte pagadora a retificação da DIRF entregue incorretamente. Ao concluir suas razões, requereu o cancelamento do crédito tributário, com a apuração do imposto suplementar devido, sobre os quais se compromete a regularizar. O contribuinte apresentou cópias de documentos. Consta às fls. 25, minuta de cálculo com o valor do imposto devido incidente sobre os rendimentos para os quais o contribuinte concordou com a omissão. Imposto suplementar incontroverso no valor de R$ 221,37 (valor principal). Às fls. 41 consta Extrato do Processo. Inconformada a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Fl. 67DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.813 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10860.720017/2013-33 Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi cientificada em 06/03/2019 (e-fl. 53); Recurso Voluntário protocolado em 05/04/2019 (e-fl. 56), assinado por procurador legalmente constituído (fl. 60). Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ ********11.591,17, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, (...) Apresentou holerites de período diverso (ano-calendário 2009). b) Dedução Indevida de Previdência Oficial Relativa à Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou-se deduções indevidamente declaradas a título de Contribuição a previdência Oficial, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ ***********668,67, (...) A r. decisão revisanda, julgou improcedente em parte o lançamento, assim se manifestando: (...) No tocante ao valor recebido da fonte pagadora Fundação Universitária Vida Cristã, o contribuinte declarou no ajuste anual o valor do rendimento recebido no total de R$ 44.639,83. Há que ser referido, porém, que a fonte pagadora - Fundação Universitária Cristã informou à RFB por meio de DIRF, o valor do rendimento pago ao contribuinte no total de R$ 55.363,62, sendo apurada a omissão de R$ 10.723,79. Objetivando comprovar a correção do valor informado na DAA, o contribuinte apresentou cópias dos recibos dos pagamentos mensais, ocorridos em 2008, anexados às fls. 14/21 dos autos. A partir da análise desses documentos, constato que o valor apontado na defesa relativo ao total dos rendimentos R$ 44.639,83, não contêm todos os valores recebidos no ano calendário em questão. Observo que no mês de julho, o valor das férias não foi computado na totalização, tendo sido oferecido nesse mês à tributação somente o valor de R$ 129,80. Conforme verifico, consta nos autos às fls. 22, cópia do Comprovante de Rendimentos do ano calendário 2008, que informa os rendimentos recebidos pelo contribuinte, incluindo o valor das férias, no total de R$ 55.363,62, contribuição previdência oficial de R$ 3.645,30 e IRRF de R$ 6.643,62. Cabe referir que na DIRF apresentada pela fonte pagadora constou o valor correspondente às férias gozadas no mês de junho (R$ 8.912,02), totalizando os rendimentos recebido no ano calendário de 2008 em R$ 55.363,62. Fl. 68DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.813 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10860.720017/2013-33 Convém referir que a DIRF é uma declaração de apresentação obrigatória pelas fontes pagadoras dos rendimentos pagos aos trabalhadores. Os dados nela inseridos são de responsabilidade da fonte pagadora, encaminhados mensalmente à RFB. Portanto, não são destituídos de força probatória, até por apontar a ocorrência de retenção de imposto de renda na fonte, cujo recolhimento está sob a responsabilidade de cada fonte pagadora emitente do documento. Conclui-se, portanto, que deve ser mantido o lançamento da omissão de rendimentos pago pela fonte pagadora Fundação Universitária Cristã, no valor de R$ 10.723,79, resultante da diferença entre o valor declarado pelo contribuinte e o valor constante na DIRF entregue pela fonte pagadora ( R$ 55.363,62 – R$ 44.639,83 valor declarado) Irresignada, a contribuinte maneja recurso próprio, juntando documentos. Relativamente “omissão de rendimentos” no total de R$ 11.591,17 das fontes pagadoras (Universidade de Taubaté; Fundação Universitária Vida Cristã e Fundação Vale Paraibana, concorda com o lançamento, menos em relação a Fundação Vida Cristã no valor de R$10.723,70. Destaco por oportuno que o imposto devido incidente na parte que a contribuinte concorda, já foi recolhido. Como bem ressalvado pela r. decisão primeira, a única controvérsia estabelecida nestes autos diz respeito a fonte pagadora Fundação Universitária Vida Cristã. Pois bem a Fundação informou à RFB, por meio de DIRF, o valor do rendimento pago ao contribuinte, o valor de R$ 55.363,62, sendo certo que a contribuinte alega erro no valor apontado, dizendo ter recebido o valor de R$ 44.639,83. Podemos observar que a diferença entre o valor pago e o recebido é de R$ 10.723.79, e é essa omissão a parte controvertida. O comprovante de rendimentos (e-fl. 22) apresentado pela contribuinte confirma o valor declarado em DIRF pela fonte pagadora, o que corrobora com a manutenção do lançamento. Assim nesta quadra de entendimento, carece de razão a contribuinte. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito nega-se provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 69DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.813 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10860.720017/2013-33 Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.013911/2001-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/1996, 01/07/1996 a 31/12/1996, 01/02/1997 a 28/02/1997, 01/04/1997 a 31/08/1997, 01/12/1998 a 31/08/1999, 01/12/1999 a 31/01/2000, 01/05/2000 a 31/10/2000, 01/01/2001 a 31/01/2001, 01/03/2001 a 31/05/2001
COFINS RETIDO NA FONTE. PAGAMENTOS RECEBIDOS DE ÓRGÃOS, AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL
Os pagamentos recebidos de órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal por pessoa jurídica, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, sujeitos à incidência na fonte do imposto ou das contribuições, serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições.
TRIBUTO RETIDO NA FONTE. ART. 64, § 3º LEI 9.430/96. DIREITO AO APROVEITAMENTO. DESCONTOS OBSERVADOS PELA AUTORIDADE FISCALIZADORA. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Retenções de tributos em decorrência de pagamentos efetuados por entes públicos à pessoa jurídica, nos termos do disposto no art. 64, § 3º da Lei nº 9.430/1996, consubstanciamse em créditos a serem aproveitados pelo recebedor pois tem natureza de antecipação dos valores devidos. Constatadas as retenções e considerados os créditos, os salvos remanescentes são passíveis de lançamento.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ANÁLISE EM SEDE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não sendo matéria de ordem pública, resta prejudicada a análise de matéria não suscitada na impugnação, por força do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-008.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente)
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/1996, 01/07/1996 a 31/12/1996, 01/02/1997 a 28/02/1997, 01/04/1997 a 31/08/1997, 01/12/1998 a 31/08/1999, 01/12/1999 a 31/01/2000, 01/05/2000 a 31/10/2000, 01/01/2001 a 31/01/2001, 01/03/2001 a 31/05/2001 COFINS RETIDO NA FONTE. PAGAMENTOS RECEBIDOS DE ÓRGÃOS, AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL Os pagamentos recebidos de órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal por pessoa jurídica, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, sujeitos à incidência na fonte do imposto ou das contribuições, serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. TRIBUTO RETIDO NA FONTE. ART. 64, § 3º LEI 9.430/96. DIREITO AO APROVEITAMENTO. DESCONTOS OBSERVADOS PELA AUTORIDADE FISCALIZADORA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Retenções de tributos em decorrência de pagamentos efetuados por entes públicos à pessoa jurídica, nos termos do disposto no art. 64, § 3º da Lei nº 9.430/1996, consubstanciamse em créditos a serem aproveitados pelo recebedor pois tem natureza de antecipação dos valores devidos. Constatadas as retenções e considerados os créditos, os salvos remanescentes são passíveis de lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ANÁLISE EM SEDE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Não sendo matéria de ordem pública, resta prejudicada a análise de matéria não suscitada na impugnação, por força do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72.
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GERAL DO JABOATÃO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/1996, 01/07/1996 a 31/12/1996, 01/02/1997 a 28/02/1997, 01/04/1997 a 31/08/1997, 01/12/1998 a 31/08/1999, 01/12/1999 a 31/01/2000, 01/05/2000 a 31/10/2000, 01/01/2001 a 31/01/2001, 01/03/2001 a 31/05/2001 COFINS RETIDO NA FONTE. PAGAMENTOS RECEBIDOS DE ÓRGÃOS, AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL Os pagamentos recebidos de órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal por pessoa jurídica, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, sujeitos à incidência na fonte do imposto ou das contribuições, serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. TRIBUTO RETIDO NA FONTE. ART. 64, § 3º LEI 9.430/96. DIREITO AO APROVEITAMENTO. DESCONTOS OBSERVADOS PELA AUTORIDADE FISCALIZADORA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Retenções de tributos em decorrência de pagamentos efetuados por entes públicos à pessoa jurídica, nos termos do disposto no art. 64, § 3º da Lei nº 9.430/1996, consubstanciam-se em créditos a serem aproveitados pelo recebedor pois tem natureza de antecipação dos valores devidos. Constatadas as retenções e considerados os créditos, os salvos remanescentes são passíveis de lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ANÁLISE EM SEDE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Não sendo matéria de ordem pública, resta prejudicada a análise de matéria não suscitada na impugnação, por força do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 39 11 /2 00 1- 94 Fl. 551DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-008.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.013911/2001-94 (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente) Relatório Por bem retratar os fatos até o presente momento, reproduz-se o relatório do acórdão da DRJ de Recife, nº 11-31.891, da 2ª Turma de Julgamento, em sessão de 18 de novembro de 2010: Contra a empresa já qualificada foi lavrado o Auto de Infração, a seguir especificado, para exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), a seguir especificado: 2. De acordo com o autuante, o referido Auto é decorrente da falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - CO FINS, conforme descrito à fls. 06/07. 3. Devidamente intimada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte, por seu procurador, instrumento, fl. 234, apresentou a impugnação, de fls. 239/242, em 28 de setembro de 2001, cuja petição foi assinada em 05 de fevereiro de 2010, conforme atesta o Agente Administrativo Wilton Prazeres Câmara — Mat. 85107 — ARF JGS/PE, anexou cópia dos documentos, de fls. 243/285, alegando, em síntese, que: 3.1 — até janeiro de 1997, o faturamento recebido do SUS, era isento de retenção de impostos federais na fonte, a partir de 02/97, conforme o art. 64 da Lei 9.430/96, os órgãos públicos passaram a reter todos os tributos federais na fonte. Devido ao atraso das informações do SUS, houve dificuldades no cálculo dos tributos; 3.2 — as notas fiscais n° 3306 e 3307, referente recebimento de dezembro de 2000, foram lançadas em duplicidade no mês de janeiro de 2001; 3.3 — por conta das dificuldades para somar o faturamento total, sempre ocorrem algumas diferenças, que são compensadas nos meses subseqüentes. Os pagamentos a maior ocorriam porque a contabilidade não tinha os dados para fazer os cálculos, por conseguinte, era feita uma estimativa do que faltava apurar; 3.4 — constata que as diferenças apuradas estão relacionadas com os relatórios mensais apresentados pelo SUS na parte que se refere ao faturamento de SAI — atendimento ambulatorial, o qual não está incluído no relatório mensal analisado pelo fiscal, cujo relatório analisado refere- se apenas ao faturamento de AIH — serviço de internamento, daí a diferença, apresentando sempre um saldo a pagar; Fl. 552DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-008.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.013911/2001-94 3.5 — os lançamentos efetuados em duplicidade foram estornados na contabilidade, entretanto o pagamento do PIS não foi a maior devido ao cálculo ser realizado consoante o Livro de Apuração do ISS, estando o mesmo correto; 3.6 — requer, em síntese: a compensação dos pagamentos mensais do PIS efetuados a maior, a partir do mês seguinte à quitação do tributo, conforme as planilhas anexas e o art. 14 da IN 21/97; a alteração dos valores retidos pelo SUS, considerando que o faturamento do SIA (atendimento ambulatorial) não está incluso no levantamento do Auditor, conforme planilhas anexas e comprovantes de retenção de tributos enviados pelo SUS; a redução da base de cálculo do PIS, no mês de janeiro de 2001, considerando o estorno de notas fiscais lançadas em duplicidade, conforme planilhas e cópias do Livro de Apuração do ISS anexas; e a compensação dos valores devidos mensalmente, a partir de julho de 1998, com o crédito levantado através do processo judicial n° 97.0011327-2 da 3a Vara de Pernambuco, conforme planilha e processo anexos. 4. Em 22 de outubro de 2004, foi emitido o Acórdão DRJ/REC N° 9.884, 2a Turma de Julgamento da DRJ/Recife, nos seguintes termos: "Acordam os membros da 2' Turma de Julgamento, por maioria de votos, não conhecer da peça impugnatória, pela falta de sua efetiva materialização, tendo em vista a falta de subscrição da mesma pelo sujeito passivo ou seu representante legal, de acordo com a legislação vigente, nos termos do voto do Relator, parte integrante deste Acórdão. Vencido o julgador Manoel de Barros de Andradre Lima Júnior que votou pela realização de diligência". 5. Em vista de recurso voluntário interposto pela interessada às fls. 296/299, a Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão n°204-01.295 (fls. 323/326), acompanhando, unanimemente, o voto do Conselheiro Relator Rodrigo Bernardes de Carvalho, decidiu "em anular o processo, a partir da decisão de primeira Instância, inclusive", estando a decisão da referida Câmara resumida na seguinte ementa: "COFINS. Em face do princípio do informalisnno moderado que deve reger o procedimento administrativo fiscal, a falta de assinatura do patrono da contribuinte é vício sanável, devendo-se intimar a parte para sanar tal irregularidade". 6. Posteriormente, na análise procedida por esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento constatou-se a necessidade de diligência, conforme Despacho, de fls. 349/350, com os seguintes objetivos: a) verificar e justificar, à luz da legislação vigente, se os valores informados pelo impugnante a título de retenções por órgãos públicos são ou não procedentes (fls. 261/266); b) se concluir por valores diferentes, elaborar novos demonstrativos de cálculos (por período de apuração); c) acrescentar qualquer informação que julgue necessária à elucidação dos fatos; d) anexar aos autos toda documentação comprobatória necessária para a conclusão da diligência; e) demais providências que, a seu critério, possam subsidiar na solução da lide; f) seja cientificado o contribuinte do resultado da diligência solicitada, sendo-lhe concedido o prazo para possíveis manifestações, se for o caso, acerca de diligência, nos termos do Decreto 70.235/72. 7. O Auditor Fiscal Francisco Ribamar Soares apresentou o Termo de Encerramento de Diligência, fls. 392/396 e anexou os documentos e cópias, de fls. 352/391. 8. Foi dada ciência ao contribuinte do referido Termo de Encerramento de Diligência, conforme consta do mesmo e o "AR", de fl. 397. Conforme despacho, de fl. 398, a empresa não apresentou manifestação a respeito da diligência. Fl. 553DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-008.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.013911/2001-94 No julgamento do acórdão do qual foi retirado o relato acima, foi julgada procedente em parte a impugnação da recorrente, recebendo a r. decisão a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/1996, 01/07/1996 a 31/12/1996, 01/02/1997 a 28/02/1997, 01/04/1997 a 31/08/1997, 01/12/1998 a 31/08/1999, 01/12/1999 a 31/01/2000, 01/05/2000 a 31/10/2000, 01/01/2001 a 31/01/2001, 01/03/2001 a 31/05/2001 DECISÃO ANULADA PELO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Há de ser proferido novo acórdão relativamente a processo administrativo cuja decisão de primeira instância foi anulada pelo Conselho de Contribuintes. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, por inconstitucional, o prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional.Havendo pagamento do imposto e/ou contribuição, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. BASE DE CÁLCULO. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidirá sobre o faturamento do mês, deduzidas as exclusões previstas em lei. COFINS RETIDO NA FONTE. Os pagamentos recebidos de órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal por pessoa jurídica, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, sujeitos à incidência na fonte do imposto ou das contribuições, serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com a decisão acima transcrita, a recorrente interpôs recurso voluntário, contrapondo as razões do acórdão da DRJ, trazendo argumentos até então não ventilados em sua peça impugnatória. Passo seguinte, o processo foi remetido ao CARF e distribuído para minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator. Fl. 554DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-008.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.013911/2001-94 Pois bem. O processo encontra-se em termos, trata de matéria relacionada à competência dessa D. Turma, atende aos pressupostos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme podemos observar do relatório acima, o presente processo trata da falta de recolhimento da COFINS, por parte da recorrente, referente a períodos de apuração compreendidos de 1996 a 2001. Parte dos créditos apurados pela fiscalização foram corretamente exonerados pela decisão de piso, tendo em vista terem sido atingidos pelo instituto da decadência, um dos motivos pelos quais foi julgada procedente em parte a defesa da recorrente. I – Matéria Preclusa Em seu recurso voluntário a recorrente discorre sobre sua interpretação do artigo 64 e seus parágrafos da Lei 9.430/96, alegando que a decisão dada pela DRJ não estaria de acordo com o que preceituaria referida lei. Aduz ainda sobre a aplicação da responsabilidade tributária nos casos em que se tem a retenção de tributos determinada por lei, imputando o ônus à fonte pagadora. Entretanto, tais matérias não fazem parte da defesa da recorrente (efls. 239 e segs.), onde em sede de “preliminar” foram relatadas dificuldades de levantamento dos dados, e lançamento de duplicidade de duas notas fiscais. Observa-se que a recorrente pretende que seja analisada matéria que não foi objeto da impugnação e que não foi analisada pela DRJ. Desta forma, como referidas matérias não foram trazidas na manifestação de inconformidade, sua análise restou preclusa nesta instância administrativa, na forma do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. "Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Vale ressaltar que mesmo intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência requerida pela DRJ (e-fls. 355/356), oportunidade em que poderia trazer fatos ou provas que afastassem o ali constatado, a recorrente quedou-se inerte. Assim, não se tratando de matérias passíveis de serem conhecidas de ofício por este Colegiado, delas não tomo conhecimento, sob pena de supressão de instância e de ferir o devido processo legal. II – Do mérito O único ponto tratado pela recorrente que poderíamos estabelecer como mérito, seria a possibilidade de compensação da COFINS com eventuais pagamentos mensais efetuados a maior, nos termos do art. 14 da IN nº 21/97. Entretanto, melhor sorte não atende ao pleito da contribuinte recorrente. Fl. 555DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-008.018 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.013911/2001-94 Conforme se depreende dos documentos acostados ao processo, especialmente aqueles que fizeram acompanhar o resultado da diligência requerida pela DRJ, todos os descontos e compensações foram observadas pela autoridade fiscal. Destaca-se, por pertinentes, trechos do acórdão recorrido: 13 O diligenciante afirma que "após a apresentação dos Livros Razão e Prestação de Serviços, fls. 381 a 389 e fls. 284 a 285, respectivamente, ficou esclarecido o correto valor da base de cálculo da Cofins (valor escriturado na contabilidade e Livros fiscais), clareando-nos agora esta divergência. O valor da COFINS devida em 31/01/2001, efetuando-se os novos cálculos reduziu de R$ 12.726,07 para R$ 6.014,05". 14 O Auditor Fiscal que procedeu a diligência diz, ainda, que: "Feitas as devidas correções, e alocando os dados dos documentos anexos às fls. 378, 379 a 380, 381 a 389 e 390 a 391, elaboramos então o novo Demonstrativo "Retenções Efetuadas por Órgãos Públicos da COFINS", fls. 357 a 359 e "Compensação (sem DARF)", fls. 368 a 369, passando assim, a recalcular os valores retidos por órgão público, conforme solicitado e que deverão substituir os Demonstrativos anexos às fls. 30 a 32 e 55 a 61, respectivamente". Como se vê, não há razão para a reforma da r. decisão de piso, devendo ser mantida em sua totalidade. III – Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Fl. 556DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13424.720163/2015-68
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE.
É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE.
As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49.
AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2.
Numero da decisão: 2002-002.347
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11080.731930/2015-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA. GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE. As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2.
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GFIP ENTREGUE INTEMPESTIVAMENTE. É devida a multa pelo atraso na entrega da GFIP quando o contribuinte, estando obrigado ao cumprimento da obrigação acessória, apresenta o documento após o prazo estabelecido na legislação. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. PENALIDADE. As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138, do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº49. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº2. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 11080.731930/2015-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 42 4. 72 01 63 /2 01 5- 68 Fl. 67DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.347 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13424.720163/2015-68 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto integralmente o relatado no Acórdão nº 2002-002.308, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de auto de infração consubstanciando exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. Cientificada da decisão do colegiado de primeira instância, a qual julgou improcedente a impugnação, a empresa apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese: decadência do crédito tributário; entrega espontânea da GFIP com recolhimento dos valores devidos; alteração de critério jurídico; ausência de intimação prévia e de fiscalização orientadora; violação a princípios constitucionais. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-002.308, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Quanto à alegação de decadência, impõe-se observar que nos casos de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária o prazo para a constituição do crédito tributário extingue-se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional - CTN. É nesse sentido a Súmula CARF n° 148, de observância obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos Recursos: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Tomando-se o ano-calendário de 2010, cuja competência mais antiga deveria ser apresentada até 05/02/2010, o lançamento só poderia ser efetuado após o vencimento do prazo, ou seja, a partir de 06/02/2010. Logo, inicia-se a contagem do prazo decadencial em 1º de janeiro de Fl. 68DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.347 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13424.720163/2015-68 2011, encerrando-se em 31 de dezembro de 2015. Para o ano-calendário 2011, o prazo decadencial encerraria em 31 de dezembro de 2016. Dessa feita, não procede a preliminar de decadência suscitada. Como relatado, discute-se nestes autos a exigência referente à multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009. Esclareço que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, parágrafo único). Assim, constatado o atraso ou a falta na entrega da declaração/demonstrativo, a autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao lançamento de ofício da multa pertinente. Não procede a alegação de que a exigência só poderia se dar a partir do exercício 2014. A alteração ocorreu no início de 2009, com a inserção do art.32-A da Lei nº 8.212, de 1991, pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterando a sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP, em especial com a previsão de aplicação da multa por atraso na entrega de GFIP, até então inexistente. Assim, a partir dessa data e antes de decaído o direito do Fisco, a autoridade fiscal tem o poder-dever de proceder ao lançamento da exigência. A exigência da penalidade independe da capacidade financeira ou de existência de danos causados à Fazenda Pública. Ela é exigida em função do descumprimento da obrigação acessória. Portanto, não assiste razão à recorrente ao pleitear a exclusão multa pelo fato de ter efetuado os recolhimentos previdenciários devidos. A autuação não aponta a falta ou insuficiência desse recolhimento. No tocante à alegação de espontaneidade na entrega da Declaração, trago a Súmula CARF nº 49, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Quanto à alegação de falta de intimação prévia ao lançamento, no caso em tela, não houve necessidade dessa intimação, pois a autoridade autuante dispunha dos elementos necessários à constituição do crédito tributário devido. A prova da infração é a informação do prazo final para entrega da declaração e da data efetiva dessa entrega, a qual constou do lançamento. As disposições insertas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, não contrariam o entendimento manifestado acima. Em nenhum momento há imposição de prévia intimação ao lançamento tributário. Apenas nos casos em que a intimação é necessária é que a intimação deve ser realizada. Fl. 69DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.347 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13424.720163/2015-68 Nesse sentido, é o que dispõe a Súmula CARF nº 46: Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Acrescento que o artigo 55, da Lei nº123, de 2006, trata de fiscalizações trabalhistas, sanitárias, de segurança, de relações de consumo, entre outras, não se aplicando ao processo administrativo fiscal relativo a tributos, conforme explicitado em seu §4º. Quanto às alegações de violação a princípios constitucionais, não cabe tal discussão na esfera administrativa de julgamento, prevalecendo a vinculação à lei, que conduz à obrigatoriedade de observância e aplicação das normas regularmente editadas. Acrescento a Sumula CARF nº2, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 70DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 15471.000092/2006-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
IRPF DEDUÇÃO
DE CONTRIBUIÇÃO A PREVIDÊNCIA OFICIAL PROVA DO DESCONTO.
Demonstrando o contribuinte, através de documentação idônea, o efetivo desconto da contribuição previdenciária oficial, é cabível a dedução de tais valores dos rendimentos tributáveis da declaração de ajuste anual do IRPF.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2202-000.935
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: João Carlos Cassuli Junior
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Demonstrando o contribuinte, através de documentação idônea, o efetivo desconto da contribuição previdenciária oficial, é cabível a dedução de tais valores dos rendimentos tributáveis da declaração de ajuste anual do IRPF. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 2 Relatório Contra o contribuinte JOÃO ROBERTO OLIVEIRA NUNES foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2002, anocalendário 2001, na qual se apurou crédito tributário no valor de R$ 8.892,41, já incluído multa de ofício e juros de mora. DA AÇÃO FISCAL Em consulta a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 04), o lançamento é decorrente de revisão da declaração de ajuste anual do contribuinte, relativa ao exercício de 2002, ano calendário de 2001, tendo sido apurado que através de declaração retificadora o contribuinte reduziu o valor dos seus rendimentos tributáveis [1], aumentou as deduções a título de imposto de renda retido na fonte [2], e, finalmente, reduziu os valores das deduções a título de contribuição previdenciária oficial [3], razão pela qual, no tocante as duas primeiras modificações [1 e 2], foi efetuado, pela autoridade fiscal, o ajuste da declaração com a apuração de imposto suplementar e encargos legais. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com o lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fl. 01, instruída com os documentos de fls. 10 a 15, na qual se insurge unicamente quanto ao não abatimento da contribuição previdenciária oficial, no valor de R$ 1.081,64, alegadamente retida pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro (fl. 01), requerendo, então, o recálculo do tributo devido, para acatar a dedutibilidade da contribuição previdenciária oficial, conforme efetivamente havia sido retido na época própria. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação da contribuinte de fl. 01, instruída com os documentos de fls. 10 a 15, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Rio de Janeiro II (RJ), julgou procedente o lançamento, proferindo o Acórdão n° 132.4257 (fls. 35 e 35), de 15/04/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL Serão deduzidos, na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do Imposto de Renda, os valores pagos a título de contribuição previdenciária oficial somente quando provada a retenção na fonte incidente sobre os rendimentos omitidos. Lançamento Procedente A decisão a quo, considerou que deve ser mantido o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física suplementar lançado de R$ 3.600,61, acrescido de multa de ofício e juros. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 15471.000092/200652 Acórdão n.º 220200.935 S2C2T2 Fl. 5 3 DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, em 19/06/2009 (vide fl. 37), o contribuinte apresentou em 30/06/2009, tempestivamente, o recurso de fl. 40, no qual requer que sejam aceitos os documentos anexados, a fim de comprovarem que os valores da contribuição previdenciária oficial somam o valor informado, e, conseqüentemente, seja provido o recurso para cancelar a exigência no que se refere ao valor da contribuição previdenciária oficial não considerada pela fiscalização no recálculo de sua declaração. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção do CARF. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN 4 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. A análise dos autos demonstra que a controvérsia dele objeto, cingese a aceitação ou não, do valor de R$ 1.081,64, a título de contribuição previdenciária oficial, que teria sido retida pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, um dos dois empregadores do recorrente. É esse o único ponto contra o qual se volta o recorrente em sua impugnação (fl. 01) e que é repetido genericamente no seu recurso, que com ele trouxe documentos no afã de comprovar a aludida retenção/desconto. O julgado recorrido, proferido pela 7ª. Turma da DRJ/Rio de Janeiro, assim pontuou a questão: “ 7. O processo administrativo pauta se na materialidade. Se por um lado compete ao julgador a busca da verdade material; ao interessado cabe a prova dos fatos alegados, conforme previsto no art. 16, III do Decreto 70.235, de 06/03/1972. No caso em tela, o contribuinte anexou à defesa apenas o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Ano Calendário 2001 da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, fazendo se, deste modo, inexeqüivel a verificação da efetiva não inclusão dos correspondentes R$ 1.081,64 de contribuição providenciaria oficial no montante de R$ 4.599,10 pleiteado na Declaração de Ajuste Anual 2002. A prova trazida aos autos pelo Interessado foi insuficiente para a comprovação de sua alegação.” Visando o cumprimento da exigência contida no acórdão recorrido, o recorrente anexou ao recurso voluntário fotocópia do “Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte – Ano Base: 2001”, expedido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, de modo que, cotejandoo com o documento de fl. 10 dos autos (“Comprovante emitido pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro”), temse a conclusão de que o valor passível de dedução, a título de contribuição previdenciária oficial, no ano calendário de 2001, pelo recorrente, é de R$ 5.680,64. Ou seja, concluise que, no valor de R$ 4.599,10, contido no “Demonstrativo das Alterações da Declaração de Ajuste Anual”(fl. 05), não está computado o valor de R$ 1.081,64, de que trata o documento de fl. 10. Ou seja, com tais documentos (fls. 10 e 41), que são corroborados pelos documentos acostados as folhas 32 e 33 dos autos, resta comprovada a dedução da contribuição previdenciária oficial, descontadas do recorrente pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro (R$ 1.081,64), e também pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (R$ 4.599,10), de modo que devese aceitar a dedutibilidade das referidas verbas descontadas do contribuinte. Impende deixar expresso, porém, que no que se refere aos demais ajustes verificados na coluna “Valores Alterados por Lançamento de Ofício” (fl. 05), não houve impugnação e nem recurso do contribuinte quanto a esses aspectos, de modo que resta mantida a exigência tributária com referência aos citados ajustes, a eles devendo, apenas, ser adicionada a dedução da contribuição previdenciária oficial no valor de R$ 1.081,64, recalculandose a revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2002, ano base 2001. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 15471.000092/200652 Acórdão n.º 220200.935 S2C2T2 Fl. 6 5 Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para determinar a dedutibilidade da contribuição previdenciária oficial no valor de R$ 1.081,64, mantidas as demais exigências tributárias não impugnadas. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR Assinado digitalmente em 29/04/2011 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, 29/04/2011 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 13679.720024/2017-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2014
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.. COMPROVAÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL.
Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve comprovar, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda, ou no inc. XIV do art. 6º da Lei 7713/88.
Numero da decisão: 9202-008.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cadozo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
João Vitor aldinucci - Relator
(documento assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2014 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.. COMPROVAÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve comprovar, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda, ou no inc. XIV do art. 6º da Lei 7713/88.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cadozo - Presidente (documento assinado digitalmente) João Vitor aldinucci - Relator (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.. COMPROVAÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve comprovar, por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda, ou no inc. XIV do art. 6º da Lei 7713/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cadozo - Presidente (documento assinado digitalmente) João Vitor aldinucci - Relator (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 9. 72 00 24 /2 01 7- 12 Fl. 284DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.383 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13679.720024/2017-12 Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do acórdão 2001-000.518, e que foi admitido pela Presidência da 1ª Câmara da 2ª Seção, para que seja rediscutida a seguinte matéria: requisitos para comprovação da data de início de moléstia grave. Segue a ementa da decisão, nos pontos que interessam: MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Documentos anexados aos Autos, como exames, atestados, podem complementar as informações do Laudo, na formação da convicção do Julgador. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Neste tocante, em seu recurso especial, a Fazenda Nacional basicamente alega que a Lei nº 9.250/95, ao isentar de imposto de renda os rendimentos percebidos pelos portadores de moléstia grave, exigiu que a doença, entendido aqui inclusive seu marco inicial, fosse comprovada por laudo oficial. Ademais, a extensão do benefício fiscal a situações não abrangidas pela norma, criando direito estranho à previsão legal desrespeita a exegese do art. 111 do CTN. O sujeito passivo não apresentou contrarrazões, embora intimado (fl. 280 do e- processo). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Vitor aldinucci, Relator. 1. Conhecimento O recurso especial é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de quinze dias (art. 68, caput, do Regimento Interno do CARF), e foi demonstrada a existência de legislação tributária interpretada de forma divergente em relação ao paradigma consubstanciado no paradigma 9202-007.016 (art. 67, § 1º, do Regimento). 2. Isenção de IRPF por portadores de moléstia grave A isenção do imposto de renda pessoa física sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portadores de moléstia grave tem fundamento no art. 6º, incs. XIV e XXI, da Lei 7713/88: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia Fl. 285DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.383 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13679.720024/2017-12 irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) (Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência) XXI - os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) Para o gozo da isenção, o art. 30 da Lei 9250/95 determina que a moléstia grave deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que fixará o prazo de sua validade, nos caso de moléstias passíveis de controle. Veja-se: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). O § 2º do art. 30 retro transcrito ainda preleciona que fica incluída a fibrose cística na relação das moléstias a que se refere o inc. XIV do art. 6º da Lei 7713/88. Por sua vez, o Regulamento do Imposto de Renda, que consolida os diversos dispositivos legais e infralegais num só Decreto, assim prevê acerca da isenção sob comento: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXI - os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); XXXIII - os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). Fl. 286DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art6xiv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art6xxi http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art6xxi http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8541.htm#art47 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8541.htm#art47 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art6xiv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art6xiv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8541.htm#art47 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8541.htm#art47 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art6xxi http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art6xxi http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8541.htm#art47 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art6xiv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7713.htm#art6xiv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8541.htm#art47 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art30%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art30%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art30%C2%A71 Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.383 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13679.720024/2017-12 § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir: I - do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II - do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III - da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Portanto, para fazer jus à isenção, o contribuinte deve cumprir determinados requisitos, tais como: (i) ser portador de uma das moléstias arroladas no inc. XXXIII do art. 39 do Regulamento ou no inc. XIV do art. 6º da Lei 7713/88; (ii) receber proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, visto que a regra isentiva não se aplica a outros rendimentos porventura tributáveis; (iii) ter laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Tal matéria é objeto de Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. De conformidade com o § 5º do art. 39 do Regulamento, a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir (i) do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; (ii) do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta foi contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; ou (iii) da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Portanto, e de conformidade com a regra do § 5º, importa a data em que foram recebidos os rendimentos, conclusão esta reforçada pelo art. 6º, § 4º, inc. II, da IN RFB 1500/2014 (que revogou a IN RFB 15/2001, sem alteração do conteúdo do texto), segundo o qual a isenção é aplicável "aos rendimentos recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave, desde que correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, ainda que se refiram a período anterior à data em que foi contraída a moléstia grave" (destacou-se). IN RFB 1500/2014: Art. 6º São isentos ou não se sujeitam ao imposto sobre a renda, os seguintes rendimentos originários pagos por previdências: § 4º As isenções a que se referem os incisos II e III do caput, desde que reconhecidas por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, aplicam-se: II - aos rendimentos recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave, desde que correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, ainda que se refiram a período anterior à data em que foi contraída a moléstia grave; Neste caso concreto, e segundo se depreende da decisão da Turma a quo, o recorrido apresentou o laudo médico oficial que demonstra a existência da moléstia grave. A aceitação dos documentos complementares, particulares, somente ocorreu para suprir lacuna do documento oficial, mais especificamente no ponto relativo à data de início/contração da doença grave. Veja-se, com destaques não constantes do original: Embora o Laudo seja o documento essencial para o reconhecimento da isenção, nada impede que o Julgador, com base em outros elementos trazidos aos Autos, firme sua convicção no sentido de definir eventual lacuna ou incongruência do documento emitido pela perícia. Fl. 287DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.383 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13679.720024/2017-12 É o que ocorre nos presentes Autos. A documentação acostada justifica a aceitação dos argumentos esposados pelo recorrente, haja vista que por documentação suficiente (f. 152/202), comprova-se que ele padece da doença indicada no Laudo em data anterior à da ocorrência do fato gerador analisado neste procedimento. Entendo que, ao assim proceder, a Turma a quo não violou o Regulamento do Imposto de Renda vigente à época dos fatos geradores, nem tampouco o art. 111, inc. II, do CTN. A verificação da data de contemporaneidade da doença é uma circunstância material relativa à norma de isenção, de tal maneira que o colegiado a quo, na apreciação de tal elemento fático, não deixou de seguir a literalidade da lei, mas sim apreciou a prova de acordo com o sistema da persuasão racional do julgador, ou livre convencimento motivado (art. 371 do NCPC e art. 9º do Decreto 70.235/1972), segundo o qual "o julgador é livre para decidir segundo seu convencimento, que necessariamente deve estar pautado no conjunto probatório constante dos autos" 1 . O próprio Superior Tribunal de Justiça editou, recentemente, o enunciado de Súmula nº 598, que é ainda mais amplo do que o entendimento da Turma a quo. Veja-se: Súmula 598 - É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do imposto de renda, desde que o magistrado entenda suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova. (Súmula 598, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/11/2017, DJe 20/11/2017) De acordo com tal verbete, nem mesmo seria necessária a apresentação de laudo médico oficial, ao passo que, no caso concreto, e segundo se extrai da decisão atacada, houve a apresentação de laudo médico oficial, sendo que os documentos particulares foram aceitos apenas para eliminar dúvidas sobre a contemporaneidade da doença. Ainda sobre a interpretação literal para a isenção aplicável à hipótese sob julgamento, entendo que ela deve ser aplicada com ressalvas, ou, no mínimo, com um certo cuidado. Isso porque a isenção do imposto de renda pessoa física sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portadores de moléstia grave não é uma isenção própria, concebida como um privilégio ou um favor legal, mas sim uma isenção técnica, cuja finalidade é resguardar o princípio da capacidade contributiva e o mínimo existencial em favor do sujeito passivo. Nesse sentido, e para desenvolver meu entendimento a respeito da matéria, valho-me da doutrina do Professor Luís Eduardo Schoueri 2 : Isenções técnicas: Quando a atuação do legislador é no sentido de tornar comparáveis as situações a partir do critério da capacidade contributiva, tem-se que o emprego da isenção é meramente técnico: não há a excepcionalidade. O legislador apenas procurou descrever a hipótese de incidência, valendo-se de todos os artifícios que tinha à mão: seja uma descrição minuciosa e enumerativa, seja, alternativamente, uma descrição geral seguida de isenção, que estreita o alcance daquela hipótese. [...] Isenções próprias (ou de subvenção): Outras situações haverá em que o legislador, não obstante a igualdade diante do critério primeiro de diferenciação (no caso dos impostos, a capacidade contributiva), ainda assim, procurará destacar um grupo dentre os "iguais", dando-lhe um tratamento diferenciado, mais benéfico que o genérico. Aqui, como no caso anterior, nada mais se tem que uma não incidência pela técnica da isenção. Entretanto, a excepcionalidade desta situação exigirá controle. Caberá investigar a fundamentação para a diferenciação. Poderá ter fundamentos distributivos, 1 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 91. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 258-259. Fl. 288DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-008.383 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13679.720024/2017-12 simplificativos, ou, o que é mais comum, caracterizarem-se normas tributárias indutoras, servindo de intervenção do Estado no Domínio Econômico. E mais 3 : [...] a classificação entre isenção técnica e isenção própria não é precisa. é útil apenas na medida em que permite ressaltar, na aproximação tipológica, que somente quando o dispositivo tem características de excepcionalidade é que se justificam as restrições impostas pelo Código Tributário Nacional. Quer dizer, a isenção sob comento não é um favor ou um privilégio legal, mas sim uma técnica de isenção que visa, em verdade, a resguardar o princípio da capacidade contributiva para o contribuinte acometido de uma moléstia grave, que, portanto, encontra-se em situação de vulnerabilidade. Daí, entendo que a análise de documentos particulares e complementares ao laudo médico oficial, com a finalidade de suprir lacuna, não ofende a legislação do imposto de renda. Quanto à análise dos documentos em si, trata-se de procedimento inviável em sede de recurso especial, cuja finalidade é meramente uniformizadora. Isto é, firmando-se a premissa de que podem ser aceitos documentos particulares, para complementar e suprir lacuna do documento médico oficial, e tendo se consignado, na decisão, que a moléstia era anterior ao fato gerador, não cabe mais, em apelo de natureza especial, analisar os documentos, para chegar- se à conclusão de fato diversa. Logo, e nesses termos, voto por desprover o recurso da Fazenda Nacional. 3. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) João Vitor aldinucci 3 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. Obra citada, p. 720. Fl. 289DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-008.383 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13679.720024/2017-12 Voto Vencedor Divergi do relator quanto à admissibilidade de documento particular com informação da data de início da doença, quando esta data não consta do laudo oficial ou neste consta data distinta. O argumento do Relator, corroborando o entendimento do Colegiado a quo é o de que o documento complementar apenas supriria lacuna do laudo oficial. E é neste ponto que reside a minha divergência. A razão de se exigir laudo médico oficial para comprovar a doença não é outro que não o de oferecer à Administração Tributária a prova por meio de um documento com fé pública de que o contribuinte é portador de determinada doença e que, portanto, faz jus ao benefício da isenção. A ausência de indicação da data de início da doença não é uma simples lacuna, é informação essencial, que não poderia ser suprida por outro meio que não por outro laudo oficial ou um laudo oficial complementar. Não cabe ao julgador administrativo fazer juízo a respeito de aspectos técnicos especializados relacionados a doenças, pela absoluta falta de competência para tanto. Daí deve decidir com base nos elementos de prova previstos na própria legislação e, no caso, a lei é clara ao exigir que a comprovação da doença seja feita por meio de laudo oficial, conforme § 4º do art. 39, da Lei nº 7.713, de 1.988, com redação dada pela Lei nº 9.250, de 1.995. Confira-se: Art. 39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). (destaquei\) Ora, não cabe ao julgador administrativo afastar a lei para admitir declaração particular para comprovar a doença, da mesma forma como não lhe compete rejeitar o laudo oficial, salvo por comprovada inidoneidade. A prova da doença, inclusive o seu início, é feita por meio de laudo oficial. Cabe à administração, inclusive ao julgador administrativo, diante da comprovação da doença pelo meio hábil, o laudo oficial, atendidos os demais requisitos para a isenção, reconhecer o direito do contribuinte ao benefício. No presente caso, o contribuinte apresentou laudo que atesta como marco inicial da doença janeiro de 2017 (e-fl. 102). Pois bem, é este e apenas este o documento válido para comprovar a doença, inclusive o seu termo inicial. O Acórdão Recorrido admitiu como provas os documentos de fls. 152 a 202. São exames laboratoriais, de imagem, etc. Ora, vale repetir, não compete ao julgador administrativo interpretar esses exames para deles extrair qualquer informação, pró ou contra a pretensão do contribuinte, por absoluta falta de competência. Repito, daí a lei exigir o laudo, e não qualquer laudo, mas laudo emitido por serviço médico oficial, para atestar a doença. Ante o exposto, conheço do Recurso e, no mérito, dou-lhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 290DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art30%C2%A71 Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-008.383 - CSRF/2ª Turma Processo nº 13679.720024/2017-12 Fl. 291DF CARF MF
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Numero do processo: 10746.900608/2011-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
LUCRO PRESUMIDO. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA. FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL.
Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 12% (oito por cento) para o CSLL na hipótese de contratação por empreitada na modalidade total, com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta.
Numero da decisão: 1302-004.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA. FORNECIMENTO DE MATERIAL. PERCENTUAL. Às receitas decorrentes da prestação de serviços de construção civil somente se aplica o percentual de presunção de 12% (oito por cento) para o CSLL na hipótese de contratação por empreitada na modalidade total, com fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, sendo tais materiais incorporados a esta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Trata-se de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 03-50.452, de 31 de janeiro de 2013, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 06 08 /2 01 1- 37 Fl. 475DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.319 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10746.900608/2011-37 Julgamento em Brasília/DF (fls. 161 a 168), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 08837.05104.311007.1.3.04-4798 (fls. 22 a 27), por meio da qual a contribuinte compensou débitos de sua responsabilidade referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativos ao 3º trimestre de 2007, no valor total de R$ 2.145,48, com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior relativo a título de CSLL. O crédito em questão, no valor de R$ 1.753,70, originar-se-ia de pagamento efetuado em 31/01/2006, no montante de R$ 2.866,86; e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 13, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Cientificado, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 a 12, na qual sustentou que, por equívoco, na Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao ano-calendário de 2005, e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao quarto trimestre do citado ano- calendário, informou débito a título de CSLL, regime de apuração baseado no Lucro Presumido, calculado a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta. Contudo, em decorrência da sua atividade, estaria sujeito à CSLL, sobre o Lucro Presumido, calculada com base na aplicação da alíquota de 12% sobre a sua receita bruta. Invocou o princípio da verdade material e apresentou elementos que, no seu entender, comprovariam o erro de fato e o indébito em questão (DIPJ retificadora, cópias parciais dos livros Diário, Razão e Registro de notas fiscais de serviços prestados, bem como cópias das notas fiscais do período). Relatou, ainda, haver procedido à retificação da DIPJ referente ao ano-calendário de 2005, e apresentou diversas decisões de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que respaldariam o crédito pleiteado. Em dezembro de 2012, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 159 e 160, intitulado "Resumo do Manifesto de Inconformidade P.J.", no qual, além de reiterar os termos da sua Manifestação Inconformidade, esclarece que deixou de retificar a DCTF do 4º trimestre de 2005, uma vez que, no momento em que constatou a necessidade de tal retificação, já se teria operado a decadência do seu direito de alterar o referido documento. A decisão de primeira instância (fls. 161 a 168) considerou que a Recorrente não havia apresentado documentação suficiente capaz de "demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 12%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95", de modo que o alegado indébito não se revestiria da liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN. Fl. 476DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.319 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10746.900608/2011-37 Registrou, ainda, que as decisões administrativas colecionadas pela pessoa jurídica não possuíam caráter de normas complementares, nem efeitos vinculantes. Deste modo, não reconheceu o direito creditório do sujeito passivo. Após a ciência, comprovada às fls. 169/170, foi interposto o Recurso de fls. 172 a 183, por meio do qual a Recorrente, após reiterar as razões contidas na Manifestação de Inconformidade, sustenta que tem como cliente contratante, na maioria dos serviços prestados, o Poder Público, sendo a prática e costume os contratos de obras públicas serem formalizados sob a sistemática da empreitada global. Aduz que os documentos já apresentados, em especial as notas fiscais de serviço, são elementos hábeis a demonstrar se tratar de serviços prestados com fornecimento de material. Invoca a aplicação do princípio in dúbio pro contribuinte (calcado no art. 112, inciso II, do CTN) ou, ainda, a realização de diligência para juntada aos autos dos contratos de prestação de serviço. Contudo, com base no art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o §5º do referido dispositivo, já traz aos autos os mencionados contratos de prestação de serviço, que comprovariam o direito pleiteado. Tendo em vista que, em meio às provas juntadas aos autos pela Recorrente, havia documentos em nome da Construtora Monte Carmelo Ltda, esta Turma Julgadora, por meio da Resolução nº 1302-000.607, de 12 de abril de 2018, converteu o julgamento em diligência, a fim de que fosse esclarecido tal fato e questões relativas aos recolhimentos a título de CSLL em relação ao 4º trimestre de 2005 (fls. 324 a 328). O resultado da diligência foi registrado na Informação Fiscal de fls. 447 a 468, da qual a Recorrente foi cientificada, sem que tenha apresentado qualquer consideração. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator I. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 18 de abril de 2013 (fls. 169/170), tendo apresentado seu Recurso Voluntário, em 21 de maio de 2013 (fl. 172). Considerando que o último dia do prazo (18/05) recaiu em um sábado e que a segunda-feira (20/05) é feriado municipal, nos termos da Lei nº 577, de 2 de abril de 1996, o Recurso foi apresentado dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído à fl. 184. Fl. 477DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.319 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10746.900608/2011-37 A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso II, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II. DO MÉRITO Como já relatado, trata-se de Declaração de Compensação (DComp) referente a pagamento efetuado, em 31/01/2006, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativo ao 4ª trimestre do ano-calendário de 2005. O crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, em decorrência da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. O direito creditório invocado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 13, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Por outro lado, a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo foi julgada improcedente por se considerar que os elementos juntados aos autos não são suficientes para comprovar que os serviços prestados pela Recorrente incluem o fornecimento de todo o material necessário à sua realização. Nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mão-de-obra. A Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, tratava do assunto, nos mesmos moldes do ADN mencionado. Aquele entendimento vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". (Destacou-se) Fl. 478DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.319 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10746.900608/2011-37 No caso sob exame, tratando-se do ano-calendário de 2005, aplica-se, portanto, o entendimento que exige o fornecimento de todos os materiais, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pelo sujeito passivo são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Na opinião deste julgador, as notas fiscais de serviço apresentadas pela Recorrente junto com a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 123 a 137), conjugadas com os contratos juntados com o Recurso ao CARF (fls. 208/320) são, sim, elementos hábeis para a satisfatória comprovação de que as referidas receitas estão sujeitas à aplicação do percentual de 12% para a determinação do Lucro Presumido do período. Tal conclusão deriva, especialmente, das cláusulas que tratam do fornecimento integral dos materiais necessário às obras contratadas. Cabe o registro que, in casu, deve-se deferir a juntada dos citados contratos após a manifestação de inconformidade, posto que se prestam a rebater as razões somente trazidas pelo julgador administrativo de primeira instância, de modo que plenamente amparada pelo art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972. A par disso, os Livros contábeis e fiscais de fls. 38 a 116 revelam a base de cálculo da CSLL no período em questão, a apuração realizada pelo sujeito passivo com base no Lucro Presumido determinado por meio da aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta, de modo a amparar a existência do direito creditório no qual se embasou a apresentação da DComp sob análise. A diligência determinada por esta Turma Julgadora esclareceu o fato de alguns Contratos e Notas Fiscais juntadas como elemento de prova ao processo estarem em nome da Construtora Monte Carmelo Ltda. Trata-se de pessoa jurídica incorporada pela Recorrente, de modo que esta é a legítima sucessora dos direitos creditórios relativos àquela. A partir dos elementos constantes dos autos, segue o detalhamento do referido direito creditório, conforme, inclusive, corroborado na Informação Fiscal resultante da Diligência realizada nos autos, que concluiu, ainda, pela procedência do direito creditório e opinou pela homologação da compensação declarada na DComp sob exame (planilha de cálculo juntada à fl. 469): DESCRIÇÃO VALOR (R$) RECEITAS AUFERIDAS: 1.253.566,91 CSLL DEVIDA 13.538,52 CSLL APURADA E RECOLHIDA: 36.102,72 PAGAMENTO A MAIOR: 22.564,20 O sujeito passivo recolheu a CSLL relativa ao trimestre em questão por meio de 15 (quinze) Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), conforme a seguir detalhado: Fl. 479DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-004.319 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10746.900608/2011-37 DATA DA ARRECADAÇÃO VALOR PAGO VALOR DEVIDO APROVEITADO SALDO PAGO A MAIOR 31/01/2006 1.737,34 R$ 1.737,34 R$ 0,00 31/01/2006 1.845,04 R$ 1.845,04 R$ 0,00 31/01/2006 2.256,84 R$ 2.256,84 R$ 0,00 31/01/2006 1.326,18 R$ 1.326,18 R$ 0,00 31/01/2006 1.025,14 R$ 1.025,14 R$ 0,00 31/01/2006 672,75 R$ 672,75 R$ 0,00 31/01/2006 556,29 R$ 556,29 R$ 0,00 31/01/2006 352,94 R$ 352,94 R$ 0,00 31/01/2006 2.397,83 R$ 2.397,83 R$ 0,00 31/01/2006 5.844,52 R$ 1.368,17 R$ 4.476,35 31/01/2006 259,4 R$ 0,00 R$ 259,40 31/01/2006 2.859,82 R$ 0,00 R$ 2.859,82 31/01/2006 2.866,86 R$ 0,00 R$ 2.866,86 31/01/2006 5.264,27 R$ 0,00 R$ 5.264,27 31/01/2006 6837,5 R$ 0,00 R$ 6.837,50 TOTAL 36.102,72 R$13.538,52 R$22.564,20 A DComp de que trata este processo se utiliza do indébito referente ao pagamento realizado no montante de R$ 2.866,86, compensando o valor de R$ 1.753,70 e, nas DComp nº 16710.90439.311007.1.3.04-3365 (tratada no processo administrativo nº 10746.900607/2011-92) e 16460.39844.311007.1.3.04-0250 (tratada no processo administrativo nº 10746.900609/2011- 81), foi compensado o saldo do pagamento. III. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a consequente homologação da compensação por ele declarada, até o limite do crédito reconhecido, no valor de R$ 1.753,70. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 480DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16004.720284/2017-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012
PRAZO DECADENCIAL. EXISTÊNCIA DE FRAUDE E SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DA REGRA CONTIDA NO ARTIGO 173, I, DO CTN.ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF.
Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, ainda que parcial, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. EXISTÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade.
NULIDADE. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME DO PERÍODO.
Inexiste nulidade do lançamento tributário baseado em procedimento fiscal que reexaminou o período anteriormente fiscalizado, quando esse novo exame foi autorizado pelo Delegado da Receita Federal do Brasil
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. OFENSA.
Arguições de ofensa a princípios constitucionais refogem à competência da instância administrativa, não podendo a autoridade administrativa negar a aplicação de lei ou ato normativo sob este fundamento. Súmula CARF 02.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FRAUDE. SIMULAÇÃO. CONTRATOS DE MÚTUO.
Ausentes os requisitos para a validade dos contratos de mútuo e evidenciada a fraude e a simulação por parte do Contribuinte e de sua empresa, os valores podem ser considerados como rendimentos definitivos e estão sujeitos à tributação, sob pena de omissão de rendimentos.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. SIMULAÇÃO.
É aplicável a multa de 150% do valor devido a título de imposto quando devidamente comprovada a existência de fraude e simulação de negócios jurídicos com o evidente intuito de burlar o fisco
Numero da decisão: 2402-007.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Francisco Ibiapino Luz, Paulo Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012 PRAZO DECADENCIAL. EXISTÊNCIA DE FRAUDE E SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DA REGRA CONTIDA NO ARTIGO 173, I, DO CTN.ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, ainda que parcial, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. EXISTÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade. NULIDADE. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME DO PERÍODO. Inexiste nulidade do lançamento tributário baseado em procedimento fiscal que reexaminou o período anteriormente fiscalizado, quando esse novo exame foi autorizado pelo Delegado da Receita Federal do Brasil PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. OFENSA. Arguições de ofensa a princípios constitucionais refogem à competência da instância administrativa, não podendo a autoridade administrativa negar a aplicação de lei ou ato normativo sob este fundamento. Súmula CARF 02. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FRAUDE. SIMULAÇÃO. CONTRATOS DE MÚTUO. Ausentes os requisitos para a validade dos contratos de mútuo e evidenciada a fraude e a simulação por parte do Contribuinte e de sua empresa, os valores podem ser considerados como rendimentos definitivos e estão sujeitos à tributação, sob pena de omissão de rendimentos. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. É aplicável a multa de 150% do valor devido a título de imposto quando devidamente comprovada a existência de fraude e simulação de negócios jurídicos com o evidente intuito de burlar o fisco
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EXISTÊNCIA DE FRAUDE E SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DA REGRA CONTIDA NO ARTIGO 173, I, DO CTN.ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. Conforme decidido pelo STJ quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, que teve o acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, ainda que parcial, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. EXISTÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade. NULIDADE. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME DO PERÍODO. Inexiste nulidade do lançamento tributário baseado em procedimento fiscal que reexaminou o período anteriormente fiscalizado, quando esse novo exame foi autorizado pelo Delegado da Receita Federal do Brasil PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. OFENSA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 02 84 /2 01 7- 19 Fl. 25336DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 439 2 Arguições de ofensa a princípios constitucionais refogem à competência da instância administrativa, não podendo a autoridade administrativa negar a aplicação de lei ou ato normativo sob este fundamento. Súmula CARF 02. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. FRAUDE. SIMULAÇÃO. CONTRATOS DE MÚTUO. Ausentes os requisitos para a validade dos contratos de mútuo e evidenciada a fraude e a simulação por parte do Contribuinte e de sua empresa, os valores podem ser considerados como rendimentos definitivos e estão sujeitos à tributação, sob pena de omissão de rendimentos. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. É aplicável a multa de 150% do valor devido a título de imposto quando devidamente comprovada a existência de fraude e simulação de negócios jurídicos com o evidente intuito de burlar o fisco Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Francisco Ibiapino Luz, Paulo Sergio da Silva, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão de nº 0663.101, da 6ª Turma da DRJ/CTA (fls. 25.111 ss.) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário relativo a Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário 2011 e 2012 no valor total de R$ 35.836.074,99 (R$ 11.699.880,56 de Imposto de Renda Pessoa Física, R$ 6.586.373,60 de juros de mora, R$ 17.549.820,83 de multa Fl. 25337DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 440 3 proporcional) em função da apuração de infração consistente em omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica (AI de fls. 22317 ss.) Esclarece a autoridade fiscal no "Termo de Constatação e Conclusão Fiscal" (fls. 22.504/22.610) que a constituição do crédito tributário decorre principalmente de recebimentos de recursos de empresa Lance/Consutec, da qual o ora recorrente é sócio único. Esclarece que tais recursos foram travestidos de mútuos, mas que, na realidade, tratase de remuneração indireta. Relata, ainda, que O procedimento de fiscalização nas declarações de renda do Advogado/Empresário Paulo Roberto Brunetti é decorrente de outra fiscalização em curso, especificamente na empresa que operou a venda (cessão) de títulos públicos a pessoas jurídicas. A documentação, informações, etc., juntadas a este procedimento foram apresentadas naquele procedimento, bem como em procedimentos de diligências sobre empresas relacionadas: Paulo Brunetti & Advogados Associados 08.215.053/000131, Pamev Administradora Empreendimentos Imobiliários Ltda, 11.148.869/000102 (Ex. Mev), Pameva Administradora Ltda 12.931.456/000154, Agropecuária e Empreendimentos Teka Ltda, Cnpj 09.084.165/000163 e a pessoa natural de Paulo Roberto Brunetti. (...) No período de 2006 a 2012, o mentor intelectual de fraudes tributárias Paulo Roberto Brunetti e vendedores, acordados entre si de maneira estável e permanente, induziram seus clientes representantes de pessoas jurídicas a adquirirem supostos créditos exequendos contra a União Federal, fundados em títulos da dívida externa brasileira prescritos ou sem valor, e os utilizarem indevidamente para suspensão da exigibilidade de tributos fazendários federais e compensação de contribuições sociais previdenciárias. Primeiramente, Brunetti e parceiros associados incitaram seus clientes pessoas jurídicas a adquirirem supostos créditos lastreados em títulos da dívida pública emitidos no início do século XX da empresa Lance/Consutec, atualizados monetariamente em valores exorbitantes para incluílos no polo ativo de ações de execução contra a União Federal, propostas em varas da Seção Judiciária do Distrito Federal. Em seguida, após levarem essas pessoas jurídicas ao polo ativo das ações executivas, Brunetti, patrono da maior parte delas, e demais associados, induziram seus clientes a inserirem a falsa informação de exigibilidade suspensa dos tributos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) e DASN (Declaração Anual do Simples Nacional) por força de supostas decisões proferidas nas citadas ações e/ou por supostos depósitos no montante integral. Entretanto, essas ações não tratam de matéria tributária e os depósitos foram efetivamente efetuados no montante irrisório de dez ou quinze reais, por Fl. 25338DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 441 4 tributo, período de apuração, recolhidos por meio de documento de arrecadação oficial, a fim de passar a falsa ideia de atender as condições necessárias para a suspensão da exigibilidade prevista no art. 151 do Código Tributário Nacional. (...) No caso da GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), ou seja, da declaração das contribuições sociais previdenciárias, as entidades foram induzidas a inserir um valor no campo “Compensação” suficiente para zerar os valores a pagar da contribuição previdenciária referente à parte patronal. Por intermédio desses procedimentos fraudulentos, os empresários obtiveram a suspensão temporária da exigibilidade do seu débito fiscal até que fosse constatada a irregularidade pela autoridade tributária. Enquanto isso, conseguiram emitir certidões de regularidade fiscal via Internet e beneficiarse da contagem do prazo prescricional referente à extinção do crédito tributário. Importante esclarecer que os títulos públicos objeto do litígio contra a União Federal foram considerados prescritos em todas as ações de execução julgadas até a presente data (Fls. 21363/21395). (...) Simultaneamente, partir do segundo semestre de 2012, em função de medidas adotadas pela Receita Federal do Brasil (RFB) para coibir essa fraude, observouse mudança no modus operandi adotado pelo mentor intelectual de fraudes tributárias e seus associados, utilizandose de outras empresas e parceiros para as celebrações dos contratos, os quais estão sendo apurados em outros procedimentos fiscais. Notificado do lançamento, o recorrente apresentou impugnação tempestivamente, alegando, em síntese: nulidade do auto de infração sob o argumento de que não lhe foi oportunizado o direito ao contraditório e à ampla defesa, tendo em vista que entre o início e o fim do lançamento de ofício, transcorreram apenas 7 dias; que o presente procedimento se baseia em suposições decorrentes de outras fiscalizações de pessoas jurídicas, que apresentam nulidades não reconhecidas pelo órgão fiscalizador; que o órgão fiscalizador não poderia descaracterizar os contratos de empréstimos realizados pelo impugnante, pois foram realizados de acordo com a legislação vigente; que é incabível a aplicação da multa de 150%, mormente pelo fato de não existirem elementos que evidenciam o intuito de fraude do impugnante; Fl. 25339DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 442 5 inaplicabilidade da Taxa SELIC, pois, com base no princípio da estrita legalidade, os juros moratórios devem ser calculados à taxa de 1% ao mês, conforme previsto nos artigos 161, § 1º, do CTN. A DRJ/CTA julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, à exceção das decisões do Supremo Tribunal Federal sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. LANÇAMENTO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. É válido o lançamento que observa os pressupostos legais e que tenha os seus atos e termos lavrados por pessoa competente, no qual os despachos e decisões tenham sido proferidos pela autoridade competente e sem preterição do direito de defesa. NULIDADE. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME DO PERÍODO. Inexiste nulidade do lançamento tributário baseado em procedimento fiscal que reexaminou o período anteriormente fiscalizado, quando esse novo exame foi autorizado pelo Delegado da Receita Federal do Brasil. PRINCÍPIO DA ENTIDADE. DISTINÇÃO ENTRE PESSOA FÍSICA E JURÍDICA. Há que se distinguir a pessoa física e a pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio, dado o Princípio da Entidade que professa que a pessoa jurídica não se confunde com a pessoa física de seus sócios. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. OFENSA. Arguições de ofensa a princípios constitucionais refogem à competência da instância administrativa, não podendo a autoridade administrativa negar a aplicação de lei ou ato normativo sob este fundamento. DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. FASE INQUISITÓRIA. Fl. 25340DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 443 6 O direito a ampla defesa e ao contraditório nos processos de exigência de crédito tributário surge somente com a apresentação tempestiva da impugnação pelo contribuinte, momento em que se inicia fase litigiosa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, notadamente quando o lançamento é efetuado com a constatação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MÚTUO. SIMULAÇÃO. Caracterizam a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica a simulação de obtenção de empréstimos quando não se identificam as características próprias desse negócio jurídico, mormente quando constatada a apropriação dos valores pela pessoa física sem o ânimo de restituição. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. A fiscalização tem o dever de desconsiderar os atos e negócios jurídicos, a fim de aplicar a lei sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos, sendo que esse dever está implícito na atribuição de efetuar lançamento e decorre da própria essência da atividade de fiscalização tributária, que deve buscar a verdade material com prevalência da substância sobre a forma. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CABIMENTO. Presente nos autos a comprovação do evidente intuito de fraude, mediante comportamento intencional (simulação) de causar dano à Fazenda Pública, correta a aplicação da multa qualificada de 150% prevista na legislação de regência. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos da legislação, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de fazêlo em data posterior. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA. Sempre que constatada a ocorrência, em tese, de crime ou contravenção penal, deverá ser elaborada Representação Fiscal para Fins Penais, inexistindo competência para apreciação de matéria penal no âmbito do contencioso administrativo tributário. Impugnação Improcedente Fl. 25341DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 444 7 Crédito Tributário Mantido O recorrente apresentou recurso voluntário aos 26/07/18 (fls. 25160), alegando, em síntese: (i) Que o presente auto de infração se refere a irregularidades cometidas com fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2010, mas que foi efetuado o pagamento antecipado do tributo. Assim, deveria ser aplicada a regra prevista no artigo 150, § 4º, do CTN e ser reconhecida a decadência referente ao período de janeiro/2010 a novembro/2010, já que o auto de infração foi lavrado aos 14/12/2015; (ii) Que o auditor fiscal não poderia ter concluído, no auto de infração, que as atividades exercidas pela Lance/Consultec eram ilícitas, o que torna o presente procedimento administrativo nulo, uma vez que o ramo de atuação da empresa está devidamente especificado pelo CNAE nº 66.19399 – Outras Atividades Auxiliares dos Serviços Financeiros Não Especificadas Anteriormente; (iii) Que a inocência do Recorrente pode ser facilmente constatada por uma simples análise da r. Sentença proferida nos autos do processo nº 100462411.2014.8.26.0576, em trâmite perante a 4ª Vara Cível da Comarca de São José do Rio Preto – SP, que condenou a imprensa local e jornalistas por publicação de notícias falsas acerca de títulos da dívida externa; (iv) Que o auto de infração não indicou os fatos que justificaram a descaracterização dos contratos de mútuo. Mais um motivo para se reconhecer a nulidade do presente processo administrativo; (v) Que pelo fato de o auditor fiscal ter fundamentado sua motivação em informações mentirosas, deve ser reconhecida a nulidade do processo administrativo; (vi) Que o lançamento não poderia ter ocorrido, pois o Recorrente teria apresentado justificativa de rendimentos por intermédio dos contratos de mútuo com quitação por meio de dação em pagamento, que não foi aceita pelo auditor fiscal sob o argumento de existência de ilegalidade e fraudes; (vii) Que não há ilegalidades nos contratos de mútuo apresentados, pois respeitaram o disposto na legislação brasileira e foram formalizados de acordo com todos os requiitos necessários para a sua validade; (viii) Que após as partes transigirem, os mútuos foram pagos por meio de dação em pagamentos, devidamente formalizada por meio de escritura pública. Assim, o auditor fiscal não poderia descaracterizar a vontade das partes, principalmente por não pertencer à relação civil; (ix) Que a dação em pagamento é o encerramento do vínculo obrigacional existente entre as partes, tendo em vista seu efeito liberatório. Desta forma, o bem entregue na dação em pagamento não precisa ter o mesmo valor do crédito que se pretende extinguir, cabendo às partes verificarem se os direitos e/ou bens foram vantajosos ou não; Fl. 25342DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 445 8 (x) Que a redução do valor de pagamento de contrato de mútuo é válida, pois as partes têm autonomia para regulamentar os seus próprios interesses; (xi) Que embora o auditor fiscal tenha concluído que os lotes dados em pagamento são objeto de ação de desapropriação, este fato não desqualifica os contratos de mútuo e a escrituração de dação em pagamento, que seguiram os trâmites legais; (xii) Que não é cabível a multa isolada de 150%, pois não restou caracterizada a fraude, simulação e máfé. Assim, deveria ser aplicada a multa de 75% do tributo devido; Ao final, requer o provimento do recurso voluntário para: Reconhecer a nulidade do auto de infração, pois a motivação foi embasada em informações inverídicas; Reconhecer a decadência dos créditos lançados referentes aos fatos geradores do período de janeiro/2010 a novembro/2010, nos termos do disposto no artigo 150, § 4º, do CTN; Julgar improcedente o auto de infração pela legalidade dos contratos de mútuo e pela legalidade da dação em pagamento; Reconhecer a ausência de provas relacionadas à fraude, à sonegação ou à simulação e reduzir a multa qualificada de 150% para 75%; Não houve contrarrazões. Houve representação fiscal para fins penais. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora Inicialmente, anotese que não há nos autos comprovante de intimação do contribuinte, ora recorrente, da decisão recorrida. Todavia, conforme se verifica do acórdão, a fls. 25111 ss., o julgamento em primeira instância ocorreu aos 28/06/18. Considerando que o recurso voluntário foi interposto aos 26/07/18, dentro dos 30 dias que se seguiram ao aludido julgamento, independentemente de não haver prova nos autos acerca da intimação do recorrente dessa decisão, seu recurso deve ser considerado tempestivo. E uma vez que preenche os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. A respeito das teses de defesa trazidas pelo recorrente em seu recurso, adoto, como razões de decidir, o voto proferido no acórdão de nº 2401005.916, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de julgamento deste tribunal administrativo, em tudo e por tudo Fl. 25343DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 446 9 aplicável ao presente caso, dado que diz respeito a lançamento originário do mesmo procedimento fiscalizatório, porém relativo ao anocalendário de 2010, e que tem por objeto os mesmos fatos e fundamentos (autos do processo nº 16004.720215/201535): 2. DA PRELIMINAR 2.1. Da Nulidade do Auto de Infração. Da Existência de Motivação O Recorrente argui a nulidade do auto de infração sob o argumento de que o auditor fiscal se baseou em informações inverídicas e, por isso, não poderia ter concluído que as atividades exercidas pela Lance/Consultec eram ilícitas, defendendo, ainda, que o ramo de atuação da empresa está devidamente especificado pelo CNAE nº 66.19399 – Outras Atividades Auxiliares dos Serviços Financeiros Não Especificadas Anteriormente. Ao defender sua tese, o Recorrente argumenta que sua inocência pode ser facilmente constatada por uma simples análise da r. sentença proferida nos autos do processo nº 100462411.2014.8.26.0576, em trâmite perante a 4ª Vara Cível da Comarca de São José do Rio Preto – SP, que condenou a imprensa local e jornalistas por publicação de notícias falsas acerca de títulos da dívida externa. Além do mais, informa que o auto de infração não indicou os fatos que justificaram a descaracterização dos contratos de mútuo, o que evidencia sua nulidade. Contudo, não assiste razão ao Recorrente. Compulsando os autos, verificase que o Auto de Infração está devidamente motivado por meio de elementos examinados durante a investigação realizada pelo agente fiscal, bem como contém o discriminativo de todos os fundamentos legais que suportam o débito, não havendo que se cogitar de nulidade. Isso porque, o lançamento foi originado a partir de uma fiscalização regular, onde se constatou valores devidos pelo Recorrente decorrentes da omissão de rendimentos. Nesse diapasão, o Auto de Infração apresenta de forma discriminada todos os fundamentos que deram origem ao débito apurado em desfavor da Recorrente, não havendo que se falar em nulidade do presente procedimento por ausência de motivação do lançamento. Nesse passo, os fatos geradores dos valores cobrados no presente processo tiveram sua ocorrência constatada quando da regular análise dos contratos de mútuo realizados pelo Recorrente, onde restou evidenciada a conduta dolosa, fraudulenta e simulada por parte do contribuinte, com o objetivo de omitir rendimentos. Diante disso, se entendido pela autoridade administrativa a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a mesma Fl. 25344DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 447 10 tem o dever legal e funcional de efetuar o lançamento. Na dicção do parágrafo único do artigo 142 do Código, a atividade administrativa de lançamento não é apenas vinculada, mas também obrigatória, sob pena de responsabilidade. Confirase: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Além disso, o auditor fiscal enquadrase como servidor público. Por efeito, seus atos têm presunções de veracidade e legitimidade, pela fé pública que lhe é conferida. Ainda, por consequência, os autos de infração e os relatórios de fiscalização, confeccionados alcançam as mesmas presunções. No caso em tela, notase claramente que o Auto de Infração se encontra dentro das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com a legislação vigente. Ora, cabia ao Recorrente, in casu, comprovar suas alegações, mormente no que tange à argumentação de que o auto de infração foi baseado em informações mentirosas, o que não ocorreu. E mais, o fato de o Recorrente ter tido seus pedidos julgados procedentes nos autos do processo nº 100462411.2014.8.26.0576, em trâmite perante a 4ª Vara Cível da Comarca de São José do Rio Preto – SP, que condenou a imprensa local e jornalistas por publicação de notícias falsas acerca de títulos da dívida externa, não retira a veracidade das informações e dados levantados e apresentados pelo agente fiscal, não se podendo concluir, assim, a inocência do Contribuinte com relação à omissão de rendimentos. Desta forma, nego provimento a Recurso Voluntário, neste particular. 3. DO MÉRITO 3.1. Da Decadência O Recorrente argumenta que o auto de infração se refere a irregularidades cometidas com fatos geradores ocorridos entre janeiro/2010 e dezembro/2010 [no presente caso concreto, os anoscalendário 2011 e 2012], mas que efetuou o pagamento antecipado do tributo. Assim, assevera que o caso em tela se sujeita a incidência da decadência nos ditames do artigo 150, § 4º, do Código Fl. 25345DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 448 11 Tributário Nacional. Discorre no sentido de que não há dolo, fraude ou simulação que traga a incidência do artigo 173, I, do CTN, defendendo a validade de todos os contratos de mútuo firmados por ele. (...) Para o bom emprego do instituto da decadência previsto no CTN é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos aplicável ao caso: se é o estabelecido pelo artigo 150, § 4º ou pelo artigo 173, I, ambos do CTN. Em 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça julgou o Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil (CPC/1973) e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, §4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em Fl. 25346DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 449 12 que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ªed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu¬se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, 1ª Seção, REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, , julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Portanto, sempre que o contribuinte efetuar o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorrido 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do artigo 150, § 4º, do CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para se constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos moldes do artigo 173, I, do CTN. Por ter sido sob a sistemática do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil, a decisão do Colendo Superior Tribunal de Justiça acima deve ser observada por este CARF, nos termos do artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] Fl. 25347DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 450 13 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, a autoridade fiscal constatou a ocorrência de conduta dolosa, fraudulenta e simulada por parte do contribuinte, com relação aos contratos de mútuo, com o objetivo de omitir rendimentos, devendo ser aplicada, portanto, a regra contida no artigo 173, I, do CTN. Embora o Recorrente defenda que a inexistência de dolo, fraude ou simulação, bem como a validade de todos os contratos de mútuo firmados por ele, tais argumentos não restaram comprovados. (...) Portanto, neste ponto, como bem asseverado na decisão recorrida, caracterizada a conduta dolosa (simulação) por parte do recorrente e tendo sido ele regularmente cientificado do lançamento tributário aos 29/12/2017, constatase que não procede o argumento da defesa, pois a decadência somente ocorreria após o dia 31/12/2017 para o anocalendário 2011 e após o dia 31/12/2018, para o anocalendário 2012. Assim, não há que se falar em decadência. 3.2. Dos Contratos de Mútuo. Da Omissão de Rendimentos O Recorrente argui que o lançamento não poderia ter ocorrido, pois o Contribuinte teria apresentado justificativa de rendimentos, por intermédio dos contratos de mútuo com quitação através de dação em pagamento, que não foi aceita pelo auditor fiscal sob o argumento de existência de ilegalidade e fraudes. Nesse sentido, assevera que não há ilegalidades nos contratos de mútuo apresentados, pois respeitaram o disposto na legislação brasileira e foram formalizados de acordo com todos os requisitos necessários para a sua validade. Assim, após as partes transigirem, os mútuos foram pagos por meio de dação em pagamentos, devidamente formalizada por meio de escritura pública, o que não poderia ter sido descaracterizado pelo auditor fiscal, tendo em vista e vontade das partes e, principalmente, pelo fato de ele não pertencer à relação civil. Defendendo sua tese, o Recorrente argumenta que a dação em pagamento é o encerramento do vínculo obrigacional existente entre as partes, tendo em vista seu efeito liberatório. Desta forma, o bem entregue na dação em pagamento não precisa ter o mesmo valor do crédito que se pretendi extinguir, cabendo às Fl. 25348DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 451 14 partes verificarem se os direitos e/ou bens foram vantajosos ou não; Desta forma, a redução do valor de pagamento de contrato de mútuo seria válida, pois as partes tem autonomia para regulamentar os seus próprios interesses. Ao final, defende, ainda, que embora o auditor fiscal tenha concluído que os lotes dado em pagamento são objeto de ação de desapropriação, este fato não desqualifica os contratos de mútuo e a escrituração de dação em pagamento, que seguiram os trâmites legais. Pois bem. Com a análise dos autos, verificase, a partir dos argumentos expostos na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, bem como dos argumentos expostos pelo Recorrente, que a questão controvertida referese, principalmente, à matéria probatória atinente aos contratos de mútuo colacionados aos autos. Sobre os contratos de mútuo, os seguintes dispositivos do Código Civil assim determinam: “Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Art. 587. Este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada ao mutuário, por cuja conta correm todos os riscos dela desde a tradição. [...] Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumem se devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será: I – até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura; II – de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro; III – do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível.” A respeito do tema, Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald assim elucidam: “Seguindo o caminho pavimentado pelo conceito adotado pelo Código Civil (art. 586), notase que o mútuo constituise como to típico e nominado, com uma natureza jurídica bem definida: Fl. 25349DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 452 15 i) é contrato real, por exigir tradição; ii) é unilateral, por estabelecer obrigações para uma das partes apenas; iii) é informal, não exigindo o cumprimento das formalidades; iv) pode se apresentar como gratuito ou oneroso, a depender de sua finalidade; [...] A unilateralidade do negócio decorre do fato de que, formado o contrato pela entrega da coisa, somente o mutuário terá obrigações, como o dever de restituíla.” (CHAVES DE FARIAS, Cristiano. ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito Civil. Vol. 4. 3ª ed. rev., ampl. e atual. Editora Juspodivm: Bahia, 2013. p. 777) De acordo com a fiscalização, para o recebimento de remuneração indireta, o Recorrente entabulou contratos de mútuos entre ele e suas próprias empresas, onde restou constatada, ainda, a confusão patrimonial entre os patrimônios das empresas, do Recorrente e de sua esposa. Ademais, existem valores de mútuos que foram creditados, de forma direta, nas contas bancárias do Recorrente. No caso em tela, o Recorrente defende que apresentou contratos de mútuo para justificar os rendimentos recebidos. Contudo, essa simples afirmação, por si só, não é capaz de anular todas as conclusões apresentadas pelo agente fiscal. Nesse diapasão, o Recorrente não se desincumbiu de seu ônus probatório de comprovar suas alegações. Restou evidenciado que a Lance (Consultec) alterou a natureza jurídica dos valores repassados ao Recorrente, que, em verdade, referemse a rendimentos, não se tratando de mútuos, o que levou o agente fiscal a concluir pela ilicitude da atitude praticada pela Empresa e pelo Recorrente. No que tange à argumentação de que os contratos de mútuo são legais e preencheram todos os requisitos legais, cumpre destacar que o agente fiscal concluiu que os referidos documentos são falsos e simulados, de forma a fraudar o fisco. Nesse diapasão, restou evidenciado que não se tratam de mútuo, entrega de valores com promessa de devolução, mas de repasses definitivos, que deveriam ter sido submetidos ao fisco para fins de imposto de renda. Ademais, a simulação de repasse definitivo de valores, por intermédio de contratos de mútuo, é facilmente verificada a partir dos próprios contratos, uma vez que não apresenta atualização monetária, além de estabelecerem juros irrisórios (0,5%) e de terem sido “mutuados” com o real dono da empresa. Fl. 25350DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 453 16 Não obstante, deve ser destacado o fato de que até o início da fiscalização, não havia quaisquer indícios acerca da devolução dos valores mutuados. Ora, a fiscalização se iniciou em 07/12/2015 e os contratos foram celebrados durante o ano de 2010, motivo pelo qual os valores já deveriam ter sido devolvidos até o início da referida fiscalização, uma vez que os contratos previam o prazo de 5 anos a contar da data de sua assinatura. Além do mais, embora o Recorrente tenha apresentado escrituras públicas com o intuito de comprovar a devolução dos valores por meio de dação em apagamento, cumpre ressaltar que após as devidas diligências realizadas pelo agente fiscal, restou comprovada a existência de falsidade material nas escrituras de fls. 11.134 a 11.152 e 11.154 a 11.160. Desta forma, os valores “devolvidos” não poderiam ter sido considerados pela autoridade fiscal. Sendo certo, ainda, que, por este motivo, não houve a efetiva devolução dos valores mutuados. Noutro giro, conforme bem fundamentado pela DRJ de origem, os imóveis dados em pagamento pelo Recorrente são objetos de discussão em ação de desapropriação por parte do Governo de Santa Catarina, uma vez que estão situados em uma área de ocupação irregular, tendo em vista o parque estadual de preservação ambiental. Assim, não pairam dúvidas acerca da simulação realizada pelo Recorrente com o intuito de ludibriar o fisco e omitir rendimentos recebidos por parte de suas empresas. Não se pode olvidar, ainda, que a Lance/Consultec pertence, única e exclusivamente, ao Recorrente, o que o motivou a realizar as referidas simulações de contratos de mútuo e dação em pagamento. Diante de tais constatações, a Fiscalização, considerando as disposições contratuais, que previam a quitação dos empréstimos em cinco anos, classificou os valores mutuados como rendimentos, que deveriam ter sido tributados. Sobre o tema em relevo, reputo como correto o entendimento adotado pela Fiscalização e convalidado pela primeira instância administrativa de julgamento. Notese, pelas disposições do Código Civil anteriormente transcritas, que a obrigatoriedade de restituição do valor e a temporalidade são requisitos básicos para enquadramento do empréstimo como mútuo, sob pena de configurarse doação ou pagamento por causa diversa que não a estipulada no acordo de vontades. No caso concreto, os contratos de mútuo, redigidos todos segundo o mesmo padrão, prevêem a restituição das quantias entregues em 05 (cinco) anos. Todavia, sobrou constatado que o referido prazo sistematicamente foi descumprido. Fl. 25351DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 454 17 Tendo em vista essas constatações, exsurge a precariedade dos contratos em foco para fins de comprovação da efetividade dos mútuos a que se referem. É de se esclarecer que os fatos devem ser devidamente comprovados com elementos que não deixem margem à dúvida quanto à consistência da operação, em especial frente a matérias que cominem ao contribuinte o ônus probatório, como nos casos de presunções legais, sendo certo que tudo que é informado nas declarações, livros caixa e razão estão sujeitos à comprovação, por documento hábil, tendo a fiscalização a atribuição legal para verificar a autenticidade de todos os fatos declarados. Diz o artigo 33 da Lei nº 8.212/91: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.” Nesse sentido, a autoridade administrativa fiscal possui prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos que não reflitam a realidade, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, que não pode ficar adstrita aos aspectos formais dos atos e fatos. Assim, uma vez verificado que o sujeito passivo utilizase de simulação ou de fraude para se esquivar do pagamento de tributo, o Auditor Fiscal tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo com os fatos, por ele constatados, em detrimento da verdade jurídica aparente (formal). Ou seja, uma vez evidenciada a simulação, não resta outra opção à fiscalização a não ser descaracterizar a relação formal existente e considerar, para efeitos do lançamento tributário, a relação real entre o contribuinte e seus prestadores. Nesse sentido dispõe o Código Tributário Nacional: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VII – quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação;” Sendo assim, resta evidente a possibilidade de o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil desconsiderar os atos e fatos simulados e apurar o crédito tributário com base nos fatos efetivamente ocorridos, não havendo que se cogitar qualquer ilegalidade. Fl. 25352DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 455 18 Notese que um dos princípios norteadores do direito é o da “primazia da realidade”, ou seja, atribuirse maior relevância a realidade dos fatos, ou como no caso concreto, como se dava o pagamento e a devolução/quitação dos contratos formalmente apresentados. Assim, uma vez constatado que há pagamento de rendimentos revestidos de “contrato de mútuo”, cabe à autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional, desconsiderar a forma sob a qual a contratação se deu para, com base na realidade emergente, apurar as contribuições devidas e condutas incompatíveis com a legislação aplicável. Em caso como tais, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou simulação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída. Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta ou simulatória, a partir de meras presunções e/ou subjetividade, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Ora, conforme demonstrado anteriormente, tais fatos restam devidamente comprovados pela robusta prova documentação produzida nos autos, de modo que agiu corretamente a fiscalização ao desconsiderar o negócio celebrado entre o Recorrente e suas empresas. Sendo assim, reputo como correto o procedimento fiscal, e, com essas mesmas conclusões acima, afasto as alegações do Recorrente, porquanto, como vimos, não se trata de um “contratos de mútuo”. Desta forma, nego provimento a Recurso Voluntário, neste particular. 3.3. Da Multa Qualificada O Recorrente argui que não é cabível a multa isolada de 150%, pois não restou caracterizada a fraude, simulação e máfé; Assim, deveria ser aplicada a multa de 75% do tributo devido. Contudo, não assiste razão ao Recorrente. Isso porque, conforme visto anteriormente, restou evidenciada a existência de fraude e simulação dos contratos de mútuo com o objetivo de omissão de rendimentos. Fl. 25353DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 456 19 Ora, a partir dos “contratos de mútuo”, o Recorrente pegava empréstimos com o objetivo de devolver os valores em 5 (cinco) anos, mas, na verdade, não se tratavam de empréstimos, mas de pagamentos definitivos vindos de suas empresas. Nesse sentido, em se tratando de pagamento definitivo, o acréscimo patrimonial deveria ter sofrido a tributação decorrente do imposto de renda da pessoa física. Assim, não há qualquer ilegalidade na multa qualificada de 150% prevista no artigo 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96 cumulado com os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, que assim dispõem: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. As condutas praticadas pelo Recorrente se enquadram perfeitamente nas hipóteses apresentadas acima, mormente pela existência do dolo, fraude e simulação, não havendo que se falar em redução da multa qualificada de 150%. Fl. 25354DF CARF MF Processo nº 16004.720284/201719 Acórdão n.º 2402007.988 S2C4T2 Fl. 457 20 Desta forma, nego provimento a Recurso Voluntário, neste particular. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Fl. 25355DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.009542/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA.
Tendo havido compensação de débitos considerada não declarada por autoridade fiscal competente, cabe a aplicação da multa isolada prevista em lei, mormente quando as razões de fato do despacho decisório e da decisão recorrida não são expressamente refutadas.
Numero da decisão: 3302-007.851
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-01-03T14:12:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-01-03T14:12:55Z; Last-Modified: 2020-01-03T14:12:55Z; dcterms:modified: 2020-01-03T14:12:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-01-03T14:12:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-01-03T14:12:55Z; meta:save-date: 2020-01-03T14:12:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-01-03T14:12:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-01-03T14:12:55Z; created: 2020-01-03T14:12:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2020-01-03T14:12:55Z; pdf:charsPerPage: 1523; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-01-03T14:12:55Z | Conteúdo => SS33--CC 33TT22 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA EECCOONNOOMMIIAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPrroocceessssoo nnºº 10830.009542/2010-17 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3302-007.851 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 16 de dezembro de 2019 RReeccoorrrreennttee PHILTRAR IND. E COM. DE FILTROS E EQUIPAMENTOS EIRELI IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. Tendo havido compensação de débitos considerada não declarada por autoridade fiscal competente, cabe a aplicação da multa isolada prevista em lei, mormente quando as razões de fato do despacho decisório e da decisão recorrida não são expressamente refutadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 95 42 /2 01 0- 17 Fl. 658DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.851 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009542/2010-17 Relatório Adoto e transcrevo relatório da decisão de primeira instância, com os devidos adendos: Trata-se de impugnações apresentadas pelo interessado supra qualificado em face de autos de infração de PIS, Cofins e multa isolada. Relata a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal de fls. 13/16 que no processo administrativo nº 13710.02427/2006-81 foi exarado o Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS nº 745/2009, de 25/09/2009 (cópia às fls. 17/29), pelo qual foi considerada não declarada a compensação de débitos de PIS e de Cofins (períodos de apuração: NOV e DEZ de 2006, AGO e NOV de 2008, JAN a JUL de 2009) ensejando o lançamento de multa isolada de 75% prevista no art. 18, da Lei nº 10.833/2003, c/c art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Lavrado o Auto de Infração de Multa Regulamentar de fls. 05/12, no valor de R$ 88.858,85, foi o interessado dele notificado por via postal em 22/07/2010 (AR às fls. 55). Irresignado, o contribuinte apresentou em 23/08/2010 a Impugnação de fls. 58/86, alegando, em síntese: rograma de parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 incluindo todos os seus débitos no referido parcelamento nos termos da IN RFB nº 968/2009, resultando que os créditos tributário com vencimento de 12/12/2006 até 19/09/2008 estavam com a sua exigibilidade suspensa, ou seja, não eram exigíveis à época da lavratura do auto de infração; compensações, tendo em vista a inequívoca aplicação imediata do parágrafo 2º do art. 78 do ADCT da CF/88, da admissiblidade de conferência de poder liberatório dos precatórios alimentares, bem como em razão da comprovada existência do precatório utilizado nas compensações; um incidiu em ilegalidade, ou apresentou qualquer alegação ou documento falso, não ocorrendo de forma nenhuma a compensação indevida tratada no art. 18 da Lei nº 10.833/2003; não houve entrega de declaração de compensação, mas, sim, de um pedido para que o Fisco providenciasse a quitação dos débitos sugeridos; tributários. Em 27/08/2010, foi autorizado, na forma do art. 906 do RIR/99, que se procedesse a um segundo exame relativamente à apuração e lançamento dos valores tratados no Despacho Decisório 745/2009 (fls. 369). Segundo o Termo de Verificação Fiscal Complementar de fls. 325/330, constatou-se que a multa isolada lançada não considerou a totalidade dos débitos de PIS e Cofins tratados no processo administrativo 13710.002427/2006-81 (períodos de apuração: FEV a DEZ de 2007, JAN a JUL, SET e NOV de 2008), e que havia débitos que não foram declarados em DCTF (per. apuração: NOV e DEZ de 2006, AGO e NOV de 2008, JAN a JUL de 2009). Ante o constatado, foi lavrado Auto de Infração Complementar de Multa Regulamentar (fls. 302/308), no valor de R$ 347.842,55, bem assim o Auto de Fl. 659DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.851 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009542/2010-17 Infração de Cofins (fls. 309/316), no valor de R$ 160.447,14, e o Auto de Infração de PIS (fls. 317/324), no valor de R$ 69.392,66. As exigências de PIS e de Cofins incluem a multa de ofício de 75% e os juros de mora calculados até 31/08/2010. Cientificado da autuação em 11/09/2010 (AR às fls. 370), o contribuinte, em 08/10/2010, apresentou nova Impugnação, de fls. 372/399, aduzindo em essência os mesmos argumentos já expendidos na peça anterior apresentada em 23/08/2010. A segunda autuação havia formado o processo administrativo nº 10830.012400/2010-29, o qual, posteriormente, foi juntado por anexação ao presente processo (v. Termo de Juntada às fs. 299). Os respectivos débitos foram igualmente transferidos para este processo (fls. 585/599). Em 29/03/2017, a DRJ/SPO, julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. Por não caber manifestação de inconformidade em face de despacho decisório que considerou não declarada a compensação, restam improfícuos os questionamentos formulados contra os fundamentos da referida decisão. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. Tendo havido compensação de débitos considerada não declarada por autoridade fiscal competente, cabe a aplicação da multa isolada prevista em lei. MULTA ISOLADA. CONSTITUCIONALIDADE. Lançada em razão de expressa previsão legal, resta vedado aos órgãos de julgamento reduzir ou afastar a aplicação da multa isolada sob fundamento de inconstitucionalidade. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. Cabível a constituição de crédito tributário de PIS e de Cofins relativamente a débitos não declarados ou confessados em DCTF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão, em 07/04/2017, consoante Termo de ciência por abertura de mensagem, a recorrente supra mencionada interpôs recurso voluntário, tempestivo, em 26/04/2017, consoante Termo de solicitação de juntada de documentos, no qual criticou as razões de decidir do acórdão guerreado e aduz ser impossível a imposição de multa isolada, tendo em vista que não houve a tipificação da conduta realizada pela Recorrente, muito menos a comprovação da existência de dolo, para o agravamento da multa. Por fim, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o cancelamento da multa isolada ou sua aplicação nos patamares mínimos. Fl. 660DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.851 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009542/2010-17 Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Consoante relatado, a autuação aqui se refere a PIS e Cofins, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora, bem como multa isolada de 75% prevista no art. 18, da Lei nº 10.833/2003, c/c art. 44 da Lei nº 9.430/1996, em virtude de ter sido considerada não declarada a compensação de débitos de PIS e de Cofins (crédito de terceiros e não se referir a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal – SRF). As alegações da recorrente cingem-se a atacar a multa isolada, ao argumento de que não houve a tipificação da conduta realizada pela Recorrente, muito menos a comprovação da existência de dolo, para o agravamento da multa. Ora, a multa isolada foi lançada no percentual de 75%, o que faz cair no vazio a discussão sobre a existência de dolo. Quanto à não tipificação da conduta realizada, melhor sorte não assiste à recorrente, vale a pena trazer excertos do voto da decisão recorrida no particular: (...) Trata a presente exigência fiscal de multa isolada em decorrência de compensação considerada não declarada pela autoridade fiscal competente. Prevê o art. 74, da Lei nº 9.430/96, com as alterações dadas pelas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 11.051/2004 (destaques incluídos): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: Fl. 661DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.851 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009542/2010-17 [...]§ 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I - previstas no § 3º deste artigo; II - em que o crédito: a) seja de terceiros; [...]e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF. § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. [...]Conforme se verifica na cópia do Despacho Decisório nº 745/2009 prolatado no processo administrativo nº 13710.002427/2006-81 (fls. 17/29), a compensação de débitos pretendida pelo contribuinte foi considerada não declarada com fulcro nas alíneas ‘a’ e ‘e’ do inciso II, do § 12, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 (v. fls. 23). (...) Basta-nos, para resolver a lide, o fato de ter a autoridade fiscal competente considerado não declarada a compensação dos débitos tratados. A partir deste fato, extrairemos as suas consequências segundo a legislação de regência. Estabelecia o art. 18, da Lei nº 10.833/2003 (g.n.): Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não-homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 662DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.851 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009542/2010-17 § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplica-se o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Resta caracterizado, assim, o cabimento da aplicação da multa isolada, porquanto o § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, previa expressamente o seu lançamento na hipótese de compensação não declarada com fulcro no inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, como ocorre no presente caso. Assim é que a não refutação expressa das razões de fato do despacho decisório e da decisão recorrida infirmam o quanto alegado pela recorrente, no que pertine à não tipificação da conduta realizada, devendo ser mantida a multa isolada. A jurisprudência do CARF é pacífica quanto à matéria: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 13/01/2005 a 11/10/2005 DCOMP NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A compensação efetuada, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), analisada e considerada não declarada pela Autoridade Administrativa competente, implica imposição de multa isolada, no percentual de 75,0% do débito cuja compensação foi considerada não declarada. Acórdão nº 9303-006.882 de 12/06/2018; Relator Rodrigo da Costa Pôssas Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 663DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.851 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.009542/2010-17 Fl. 664DF CARF MF
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