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Numero do processo: 13805.013891/96-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1994
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário.
DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL DE IDÊNTICA MATÉRIA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. Não há previsão legal ou normativa, fora dos casos previstos no Regimento Interno do CARF, para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, em face da existência de processo judicial em que se discute o mérito do lançamento.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1994
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. Não cabe o lançamento da multa de ofício na constituição de crédito tributário para prevenir a decadência, relativo a tributo cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN.
JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicam-se juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não integralmente pago, desde o primeiro dia do mês seguinte ao do vencimento, e são devidos mesmo durante a vigência de decisão judicial que suspenda a exigibilidade do tributo, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 1102-000.521
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, não conhecer do recurso voluntário no tocante à matéria cuja apreciação foi submetida ao Poder Judiciário, afastar as preliminares, e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar as multas de ofício aplicadas.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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Recorrentes PATENTE PARTICIPAÇÕES S/A (ATUAL DENOMINAÇÃO DE BANCO PATENTE S/A) FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1994 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL DE IDÊNTICA MATÉRIA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. Não há previsão legal ou normativa, fora dos casos previstos no Regimento Interno do CARF, para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, em face da existência de processo judicial em que se discute o mérito do lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1994 LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. Não cabe o lançamento da multa de ofício na constituição de crédito tributário para prevenir a decadência, relativo a tributo cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Fl. 539DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13805.013891/9601 Acórdão n.º 110200.521 S1C1T2 Fl. 540 2 Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os juros de mora incidem sobre o crédito tributário não integralmente pago, desde o primeiro dia do mês seguinte ao do vencimento, e são devidos mesmo durante a vigência de decisão judicial que suspenda a exigibilidade do tributo, salvo quando existir depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, não conhecer do recurso voluntário no tocante à matéria cuja apreciação foi submetida ao Poder Judiciário, afastar as preliminares, e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar as multas de ofício aplicadas. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Plinio Rodrigues Lima e Marcos Vinicius Barros Ottoni. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a empresa acima identificada, para exigência de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, para prevenir a decadência, em razão de ações judiciais por ela interpostas para reconhecimento do direito de realizar, no ano calendário 1994, períodobase mensal maio/94, a dedução fiscal do complemento de 51,87% da despesa de correção monetária do balanço decorrente da diferença de inflação suprimida em janeiro do períodobase 1989. Em 27/06/94 o contribuinte propôs a Medida Cautelar n° 94.00151314, pedindo a liminar para poder realizar as deduções, sendo esta negada em 01.07.94 (fls. 40). Em 22.11.96 foi proferida a sentença julgando parcialmente procedente a ação, autorizando a aplicação do índice de 42,72% na correção do balanço (fls. 328333). Houve então apelação da Autora em 04.02.98 (fls. 294314) e apelação da União em 18.02.98 (fls. 335351). Em 27.09.99 a Autora apresentou requerimento na Apelação (n° 1999.03.99.0019384) para desistir no Recurso de Apelação somente do percentual de 16,29%, não reconhecido pela sentença monocrática (fls. 350351). Fl. 540DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13805.013891/9601 Acórdão n.º 110200.521 S1C1T2 Fl. 541 3 Em 16.08.94 o contribuinte propôs a Ação Ordinária n° 94.00197659. A sentença foi prolatada em 22.11.96 julgando parcialmente procedente a ação, autorizando a aplicação do índice de 42,72% na correção do balanço (fls. 269273). Houve então apelação da Autora em 03.11.97 (fls. 296314) e apelação da União em 04.02.98 (fls. 316325). Em 27.09.99 autora apresentou requerimento na Apelação (n° 1999.03.99.0019396) para desistir no Recurso de Apelação somente do percentual de 16,29%, não reconhecido pela sentença monocrática (fls. 352). Nos referidos requerimentos de desistência parcial, informa o contribuinte ter realizado o pagamento desta parte, utilizandose dos benefícios da MP n° 1.8586/99 e pelo AD SRF n° 69/99 conforme guias DARF anexas (fls. 353 358). O contribuinte também impetrou o Mandado de Segurança n° 94.03559454 contra a decisão do Juiz que indeferiu o pedido de Liminar pleiteado na Medida Cautelar em 15.07.94 (fls. 4157). Em 21.07.94 teve sua pretensão alcançada, pois o Juiz concedeu a Liminar (fls. 58). Este processo já se encontra arquivado. O lançamento fiscal foi constituído em 11.12.1996, e se fez com imposição de multa de ofício de 100% e juros de mora. Em 09.01.1997 o contribuinte apresentou impugnação (fls. 62 a 96). O lançamento é nulo em face do deferimento da liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n° 94.03.559454, que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário lançado. Pelo fato do não recolhimento dos tributos estar amparado em medida liminar, não procede a aplicação de multa e juros ao principal não recolhido. Também o artigo 63, da Lei n° 9.430/96, determina que, na hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em virtude de liminar, não é cabível lançamento de multa de ofício. O ADNCOSIT n° 3/96, que diz que a propositura de medida judicial implica a renúncia da discussão do assunto na esfera administrativa, além de manifestamente ilegal, é inaplicável à impugnante, pois tal renúncia não se verifica na hipótese de ação de rito ordinário, de natureza declaratória, e que assim também entende o E. 1º Conselho de Contribuintes. Assim, sua impugnação deve ser recebida e regularmente processada. No mérito, sustenta em síntese as mesmas alegações aduzidas nas peças judiciais, no sentido de que o índice que corretamente refletiria a inflação correspondente ao mês de janeiro de 1989 seria de 70,28%. Em 30.08.1999 o Delegado da Receita Federal de Julgamento de São Paulo prolatou a Decisão n° 002859, fls. 176 a 183, negando conhecimento à impugnação, por concomitância entre os processos administrativo e judicial, e sobrestando o julgamento do mérito até a decisão definitiva do Poder Judiciário. O contribuinte teve ciência desta decisão em 27.09.1999 (fls. 185). O contribuinte impetrou ainda o Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0514636, contra ato do Delegado da DEINF/SP objetivando o sobrestamento deste processo administrativo até o julgamento da Ação Ordinária e da Medida Cautelar antes referidas. Obteve a liminar em 26.10.1999 até a vinda de informações, quando esta deveria ser Fl. 541DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13805.013891/9601 Acórdão n.º 110200.521 S1C1T2 Fl. 542 4 reapreciada (fls. 364), posteriormente a liminar foi cassada. Interpôs então, agravo de instrumento, e o Juiz atribuiu efeito suspensivo ao agravo até a decisão do Mandado de Segurança (fls. 370371). A Sentença foi proferida em 06.07.2001 atendendo parcialmente o pedido de segurança, somente para fim de suspender a imposição de multa e juros e eventual inscrição em dívida ativa, no que tange as diferenças oriundas da contabilização do índice de 42,72%, no mês de janeiro de 1989, sobre a correção do balanço (págs.380385), até o deslinde das ações judiciais, apontadas na petição inicial. Em 26.02.2004, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo prolatou o Acórdão n° 04.922, fls. 405 a 422, anulando a decisão anteriormente proferida, por ter deixado de observar preceitos legais e por ter cerceado o direito de defesa da impugnante, ao não analisar todos os argumentos de defesa apresentados e ter negado ao contribuinte o direito ao recurso à instância superior. A DRJ afastou a preliminar de nulidade por considerar que a existência de medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não é óbice ao lançamento de ofício, inclusive multa e juros moratórios, especialmente porque, à época, não havia no CTN a previsão de suspensão da exigibilidade do crédito tributário no caso de liminar concedida em processo cautelar, como é o caso dos autos. Esclarece que não é verdade que a sua conduta estivesse amparada em liminar concedida em mandado de segurança, pois, na verdade, ao ingressar com mandado de segurança com pedido de liminar, junto ao Tribunal Regional Federal, contra ato do juízo “a quo”, o deferimento da liminar pelo juízo “ad quem” apenas substituiu a manifestação do juiz de primeira instância, de sorte que a liminar que foi concedida pelo Tribunal é aquela que foi requerida na medida cautelar, e somente o meio utilizado é que se travestiu de mandado de segurança. Quanto à alegada ilegalidade do ADNCOSIT n° 3/96, observou que o referido ato não distinguiu entre as diversas formas de ação, quer sejam declaratórias, constitutivas, ou outras, ou mesmo o rito utilizado, se sumário, ordinário, etc., e que as DRJ estão obrigadas a observar as orientações expedidas pela Administração em seus julgados, de sorte que considerou ter havido renúncia à instância administrativa no que tange à matéria levada à apreciação do Poder Judiciário. No mérito, observa que o contribuinte, alegando respaldo em ação judicial, deduziu nos meses de maio, junho e julho de 1994, despesas de correção monetária, apuradas no ano de 1989, mas que o pleito judicial previa tal dedução apenas no mês de maio de 1994, conforme trechos dos pedidos iniciais constantes das ações cautelar e ordinária, e das próprias decisões proferidas pelo juízo nas mesmas, as quais reproduz no voto. Assim, conclui que os meses de junho e julho não foram agraciados pelo Poder Judiciário, e que, portanto, houve infração à legislação fiscal sem respaldo judicial nestes meses. Com relação ao lançamento relativo ao mês de maio, em face da nova redação do art. 151 do CTN, incluindo a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada em outras espécies de ação judicial como causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, e da retroatividade benigna, cancelou a multa de ofício aplicada. E com relação ao lançamento relativo aos demais meses, em razão da retroatividade benigna, reduziu a multa de ofício ao percentual de 75%. A decisão está assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Fl. 542DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13805.013891/9601 Acórdão n.º 110200.521 S1C1T2 Fl. 543 5 Data do fato gerador: 31/05/1994, 30/06/1994, 31/07/1994 Ementa: Anulação de decisão administrativa A decisão administrativa que deixou de observar preceitos legais e cerceou o direito de defesa do contribuinte deve ser anulada. Concomitância entre processo administrativo e judicial Período: maio. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. As matérias que não foram levadas à apreciação do Poder Judiciário seguem o rito previsto no Processo Administrativo Fiscal. Exclusão indevida do lucro líquido Períodos: junho e julho. A despesa de correção monetária que superar o previsto na legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador não pode ser excluída do lucro líquido para fins de apuração do lucro real. Multa de ofício e juros de mora A lei que comine penalidade menos gravosa deve retroagir para atingir fatos pretéritos. CSLL O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão do lançamento decorrente.” De sua própria decisão, recorreu a DRJ de ofício ao CARF. O contribuinte, por sua vez, cientificado desta decisão em 17.05.2011, conforme AR de fls. 479, e com ela inconformado, interpôs recurso voluntário em 16.06.2011, fls. 480 a 534, no qual alega, em síntese, o seguinte: Que praticamente quinze anos depois de cientificada da autuação fiscal, foi surpreendida como nova decisão administrativa anulando a anteriormente proferida; Que a referida decisão alterou completamente o lançamento efetuado, mantendo suspensa tão somente a exigibilidade do mês de maio de 1994, e determinando a continuidade da cobrança dos valores dos meses de junho e julho do mesmo ano; Que houve a decadência, em face da impossibilidade de alteração do lançamento efetuado fora do prazo legal; Que a afirmação de que a recorrente deduziu de forma fracionada a despesa de correção monetária do balanço não consta do auto de infração, mas tão somente no v. acórdão a quo, e que é vedada a alteração da fundamentação do lançamento efetuado, nos termos do art. 146 do CTN; Que os valores lançados foram corroídos pela prescrição intercorrente, uma vez que o processo administrativo permaneceu parado por anos, e o prazo prescricional dos débitos tributários é de cinco anos; Que o julgador a quo, de maneira totalmente equivocada, conheceu e julgou procedente o lançamento fiscal relativo aos períodos de junho e julho de 1994, por entender que estes períodos não foram objeto da ação judicial; Que, entretanto, o objeto da ação é o reconhecimento do direito à dedução da correção monetária devedora de CR$ 8.076.843.022,81, correspondente ao diferencial de Fl. 543DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13805.013891/9601 Acórdão n.º 110200.521 S1C1T2 Fl. 544 6 51,87% da inflação de janeiro de 1989, e que este foi o valor integralmente deduzido em maio de 1994, conforme cópia do seu Lalur, acostada aos autos (doc. 02); Que esta dedução resultou em uma base de cálculo negativa de IRPJ e CSLL, não tendo sido integralmente absorvida naquele mês, uma vez que o seu lucro no período foi inferior, e que, portanto, a recorrente transportou tal prejuízo para os meses subseqüentes; Que o i. AFTN, ao lavrar o auto de infração ora atacado, entendeu perfeitamente a operação realizada, conforme as observações que transcreve do Termo de Verificação Fiscal, tendo constituído os créditos com a exclusiva finalidade de prevenir a decadência e determinado a suspensão da sua exigibilidade até a decisão judicial definitiva; Que a multa de ofício aplicada, e reduzida de ofício para 75%, relativa aos períodos de junho e julho de 1994, deve ser inteiramente cancelada, em face do disposto no art. 63 da Lei n° 9.430/96, e da retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso I, do CTN; Que a taxa Selic é inaplicável na atualização monetária de débitos tributários cujos fatos geradores tenham se dado anteriormente à edição da Lei n° 9.065/95, como no caso em tela; Que, além disto, a taxa Selic traduz manifesta majoração inconstitucional do tributo; Que a decisão ignorou que o Governo Federal editou a Medida Provisória n° 1.8586/99, posteriormente convertida na Lei n° 9.779/99, concedendo aos contribuintes uma anistia para o recolhimento de tributos federais, sob cujo pálio a recorrente recolheu as diferenças relativas ao percentual de 16,29% da correção monetária, do qual desistiu no âmbito das ações judiciais; Que sem qualquer fundamentação ou motivação, a i. DRJ procedeu ao cálculo da amortização desses valores sem observar as reduções previstas na referida anistia, devendo o processo retornar à DRJ para que efetue novos cálculos da forma correta; Que o E. STJ já pacificou o seu entendimento no sentido de que a atualização monetária em janeiro de 1989 deve ser feita pelo índice de 42,72%; Que a própria PGFN, acatando o posicionamento do STJ, reconheceu indiretamente o direito da recorrente, conforme o Ato Declaratório n° 10 de 01.12.2008; Que não podem os Tribunais adotarem pesos e medidas diferentes, reconhecendo a inclusão dos expurgos inflacionários para a atualização monetária de débitos tributários, mas não reconhecêlos para a correção monetária de balanço. Finaliza requerendo o reconhecimento preliminar da extinção dos débitos de junho e julho de 1994 pela decadência, ou então pela prescrição, aguardandose o deslinde da ação de rito ordinário para a exigência relativa a maio de 1994, e, no mérito, que seja retomada a suspensão da exigibilidade dos valores relativos a junho e julho de 1994, que sejam exoneradas integralmente as multas lançadas, e que seja suspenso o processo até o deslinde da ação de rito ordinário, ou, alternativamente, que seja reconhecido administrativamente o direito da recorrente à dedução extemporânea da correção monetária efetuada com o conseqüente Fl. 544DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13805.013891/9601 Acórdão n.º 110200.521 S1C1T2 Fl. 545 7 cancelamento de todos os débitos exigidos e seus consectários, ou, caso mantida a exigência, sejam os autos remetidos à DRF para a adequada alocação dos valores quitados por meio da anistia antes referida, e que, por fim, seja afastada a aplicação da taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Recurso de Ofício O valor exonerado de crédito tributário supera aquele previsto na Portaria MF nº 03, de 03.01.2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício deve ser conhecido. Este tem por objeto a reapreciação da exoneração da multa de ofício relativa aos fatos geradores ocorridos no mês de maio de 1994, e a redução do percentual aplicado, de 100% para 75%, relativamente aos meses de junho e julho do mesmo ano. As reduções aplicadas pela autoridade administrativa atenderam ao comando previsto no artigo 106 do CTN (retroatividade benigna), tanto na parte em que reconheceu que a existência de liminar concedida em ação cautelar passou a obstruir o lançamento de multa de ofício, por força de alteração legislativa posterior ao lançamento, quanto na parte em que reconheceu a redução do percentual aplicado, quando devido, também por força de alteração legislativa posterior ao lançamento. Nestes termos, correta a exoneração procedida pela DRJ. Nego provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Em sede de preliminares, aduz a recorrente que teria ocorrido a decadência, em face da impossibilidade de alteração do lançamento efetuado fora do prazo legal. Não há dúvidas de que não compete aos órgãos julgadores promover alterações em lançamentos de ofício efetivados, aperfeiçoando ou alterando os fundamentos utilizados na autuação. Em casos como tais, a nulidade de tal iniciativa se daria com a anulação da decisão de primeira instância, ou, conforme o caso, poderia ser superada com o julgamento favorável ao interessado, mas tais medidas se imporiam antes pela incompetência da autoridade julgadora para fazêlo, do que propriamente pelo decurso de prazo legal. Entretanto, indo ao cerne da questão, não vislumbro qualquer alteração que tenha sido promovida no lançamento fiscal pelo julgador a quo. O lançamento foi efetuado porque o contribuinte aplicou índices de correção monetária de balanço sem previsão legal, Fl. 545DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13805.013891/9601 Acórdão n.º 110200.521 S1C1T2 Fl. 546 8 tendo sido reconstituídos os seus resultados fiscais de modo a apurar o valor dos tributos devidos, e foi com estes mesmos fundamentos que foi proferida a decisão ora recorrida. As divergências entre a autoridade lançadora e julgadora a quo se deram tão somente no plano da suspensão ou não da exigibilidade do crédito tributário, com reflexos também na multa aplicada, sendo que, neste aspecto, inclusive em benefício da recorrente, ao cancelar a multa aplicada no período em que julgou presente a suspensão da exigibilidade no momento do lançamento. Melhor sorte não colhe a arguição da recorrente, ainda em preliminares, de que os valores lançados teriam sido corroídos pela prescrição intercorrente, uma vez que, a este respeito, há Súmula de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado, com o seguinte teor: “Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Afastadas as preliminares, passo ao mérito. Inicialmente, de se destacar que a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo impede ao julgador administrativo qualquer digressão sobre o assunto, estando tal entendimento também consolidado em Súmula de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado, com o seguinte teor: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Ocorre que, com relação ao pleito judicial, considerou a r. decisão recorrida que este estaria incontestavelmente limitado à dedução das despesas de correção monetária no mês de maio de 1994, mas não aos demais meses, e isto porque a petição inicial, que fixa os limites da lide, encontrase assim redigida: Na cautelar: “pretende a REQUERENTE (...) visando ter reconhecido o seu direito à dedução fiscal do complemento de 51,87%, no anocalendário de 1994, períodobase mensal maio/94” Na ação ordinária principal: “dedução fiscal do complemento do saldo devedor da correção monetária de balanço de 51,87% (relativa a janeiro/89), no períodobase mensal maio/94, do anocalendário 1994” Embasou ainda a DRJ o seu entendimento no fato de que também a decisão judicial claramente reconheceu que a dedução deveria ocorrer apenas no mês de maio de 1994, verbis: “(...) julgo parcialmente procedente a presente ação, assegurando à(s) autora(s), o direito de aplicar o índice de 42,72%, relativo ao mês de janeiro de 1989, na correção do balanço, efetuandose dedução fiscal no período base mensal de maio/94.” Entretanto, neste aspecto, entendo merecer reparo a decisão de piso. Fl. 546DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13805.013891/9601 Acórdão n.º 110200.521 S1C1T2 Fl. 547 9 O objeto da ação é o reconhecimento do direito à dedução da correção monetária devedora de CR$ 8.076.843.022,81, correspondente ao diferencial de 51,87% da inflação de janeiro de 1989. Tal valor encontrase expressamente consignado em ambas as ações antes referidas, tendo a recorrente nelas informado de que já o deduzira em maio de 1994, procedimento para o qual buscava a tutela jurisdicional. Os valores lançados pela autoridade fiscal em maio, junho e julho de 1994 totalizam precisamente o montante acima referido. Pela decisão da DRJ, entretanto, somente o valor de CR$2.637.512.005,15, relativo à exclusão do lucro líquido feita em maio, estaria sob a tutela do pedido, estando as demais ao seu desabrigo. Já por aí se percebe o descompasso. Ora, a dedução em questão se operou por exclusões extracontábeis ao lucro líquido, procedidas apenas, ao que consta, no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) da recorrente. Neste aspecto, registrese que, para fins de CSLL, as cópias do Lalur acostadas aos autos desde o procedimento fiscal confirmam nitidamente que a exclusão foi integralmente procedida em maio de 1994, gerando base de cálculo negativa naquele mês (fls. 18), a qual se propaga para os meses subseqüentes. É a partir da desconsideração desta exclusão que irão surgir os valores a recolher nos meses de maio, junho e julho. Já com relação ao IRPJ, as cópias do Lalur indicam que a exclusão dos CR$ 8.076.843.022,81 pleiteados foi procedida até o limite dos resultados positivos apurados em maio e junho, de sorte que o Lalur indica Lucro Real igual a zero nestes meses, e aponta a exclusão do saldo restante do valor pleiteado em julho. Entendo que tal circunstância, por si só, não é suficiente para sustentar o argumento de que somente a exclusão relativa ao mês de maio estaria albergada pela ação judicial. Em primeiro lugar, porque a Medida Cautelar foi proposta pela recorrente em 27.06.1994, daí porque, prima facie, faz sentido o pedido referirse à dedução no mês de maio de 1994, sendo evidente que, em caso de eventual impossibilidade de aproveitamento no próprio mês, em virtude de excesso do valor, este aproveitamento se dê em meses seguintes, posto que isto é da própria lógica de apuração do imposto de renda. Em segundo, porque à época não havia a limitação de 30% na compensação de prejuízos, de sorte que, se em lugar de o Lalur demonstrar a dedução dos CR$ 8.076.843.022,81 distribuída em três meses, a apresentasse na forma de dedução integral no mês de maio, gerando prejuízo fiscal neste mês, este prejuízo seria integralmente compensável com os resultados positivos de junho e julho, portanto o efeito fiscal seria rigorosamente o mesmo. Portanto, sendo o pedido para a exclusão de CR$ 8.076.843.022,81, a título de diferença de correção monetária devedora, não há como sustentar que somente os CR$2.637.512.005,15 lançados em maio estariam incluídos no pedido levado à apreciação do Poder Judiciário. Em consequência do raciocínio acima exposto, cumpre exonerar a multa de ofício aplicada sobre os meses de junho e julho. Isto porque entendo aplicável a estes meses o correto raciocínio utilizado pela DRJ para afastar a multa de ofício relativa ao mês de maio, qual seja, a necessidade de aplicação do instituto da retroatividade benigna prevista no artigo 106 do CTN, em razão do disposto no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, abaixo transcrito: “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da Fl. 547DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13805.013891/9601 Acórdão n.º 110200.521 S1C1T2 Fl. 548 10 União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício.” Quanto às alegações de mérito da recorrente no tocante ao índice de 42,72%, e o pedido de reconhecimento administrativo do seu direito à dedução extemporânea da correção monetária, com o conseqüente cancelamento de todos os débitos exigidos, estes não podem ser conhecidos, conforme já ao norte exposto, por estarem sob a tutela do Poder Judiciário. Quanto ao pedido da recorrente para que seja suspenso o curso do presente processo administrativo até o deslinde da ação de rito ordinário, o mesmo não possui respaldo legal. Aliás, como corolário da impossibilidade de pronunciamento da autoridade administrativa sobre o assunto levado ao conhecimento do Poder Judiciário, não há de fato qualquer motivo ou razão lógica para suspender o curso do presente processo administrativo, mas tão somente para, se for o caso, suspender a execução do acórdão enquanto perdure eventual decisão judicial que determine a suspensão da exigibilidade, ou inexigibilidade, do crédito tributário aqui discutido, tendo em vista a inegável submissão da administração ao pronunciamento judicial sobre o assunto. Única exceção que se faz ao acima disposto é a que consta no artigo 62A do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, o qual determina que deverão ser sobrestados os julgamentos dos recursos administrativos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos seus recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida uma decisão nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil (matérias com repercussão geral reconhecida). Entretanto, não há qualquer notícia de que este seja o caso dos autos. Quanto ao pedido para afastamento dos juros calculados à taxa Selic, tal questão dispensa maiores considerações a respeito, em razão de se encontrar devidamente pacificada por meio das seguintes súmulas, de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado, e que a seguir se transcrevem: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Quanto às alegações de que a DRJ teria, sem qualquer fundamentação ou motivação, procedido ao cálculo da amortização dos valores pagos pela recorrente ignorando estarem os mesmos ao abrigo da anistia concedida pela Medida Provisória n° 1.8586/99, posteriormente convertida na Lei n° 9.779/99, observo que tal matéria refoge aos limites da Fl. 548DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 13805.013891/9601 Acórdão n.º 110200.521 S1C1T2 Fl. 549 11 lide aqui posta, pois tais cálculos não são feitos no âmbito das Delegacias de Julgamento, como de fato não o foram, e, portanto, não fazem parte da decisão recorrida. Entretanto, é fato que os cálculos procedidos pela autoridade administrativa o foram levando em consideração o que havia sido decidido pela DRJ, ou seja, de que os períodos de apuração de junho e julho de 1994 não integravam a ação judicial, e que, portanto, os recolhimentos efetuados, a eles relativos, não fariam jus às reduções previstas na citada anistia. Assim, com a presente decisão, por certo novo cálculo se fará devido. Por fim, registrese que tudo o quanto exposto no presente voto aplicase de igual modo tanto para o IRPJ, quanto para a CSLL, dada a similaridade de suas respectivas apurações, e a ausência de qualquer motivo ou argüição específica que justifique decisão diversa. Pelo exposto, não conheço do recurso voluntário no tocante à matéria cuja apreciação foi submetida ao Poder Judiciário, rejeito as preliminares, e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar integralmente as multas de ofício aplicadas, e que ainda não haviam sido exoneradas pela autoridade julgadora de primeira instância. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 549DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 19515.000681/2006-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Indefere-se pedido de realização de diligência para confirmação de que os depósitos eram de titularidade de terceiros indicados, pois não é possível transferir ao Fisco o ônus da prova atribuído pela lei ao contribuinte.
Pedido de Diligência Indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.309
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese pedido de realização de diligência para confirmação de que os depósitos eram de titularidade de terceiros indicados, pois não é possível transferir ao Fisco o ônus da prova atribuído pela lei ao contribuinte. Pedido de Diligência Indeferido. Recurso Voluntário Negado. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 19515.000681/200638 Acórdão n.º 2101001.309 S2C1T1 Fl. 162 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Ausente, justificadamente, o conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 e 110 a 119, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, para lançar infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$116.313,58, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 128 a 133), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 140 a 142): a) apesar da ilustre Auditora consignar no Auto de Infração o correto domicilio fiscal, o encaminhamento, não só da intimação para prestação de informações, como da autuação, inclusive pelo não atendimento da intimação, decorreu de envio de correspondência a endereço errado, o que não mais importa, posto que o autuado se deu por notificado. b) o Imposto sobre as Rendas, de qualquer natureza, regese pelo “regime de caixa” e, a sua incidência decorre do recebimento e sua disponibilidade imediata pelo beneficiário do crédito. Assim, em caso do não recebimento do crédito, o Imposto sobre as Rendas tornase inexigível. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 19515.000681/200638 Acórdão n.º 2101001.309 S2C1T1 Fl. 163 3 c) Melhor esclarecendo a assertiva supra, temos “in casu” o fato de que o impugnante, dentre outras atividades, presidiu a empresa COOGER COOPERATIVA DE TRABALHO MULTIPROFISSIONAL (CNPJ n.° 03.432~551I000112). Sempre recebeu prólabore a que fazia jus e, seu primeiro secretário, promoveu o recolhimento do Imposto de Renda Fonte, incidente sobre prólabore, como consta de suas declarações. Tal ocorrência a COOGER informava na DIRF. Para melhor análise do equívoco e insubsistência dos trabalhos fiscal, passamos a analisar as contas apresentadas na autuação. d) As contas correntes referentes aos Bancos: Brasil, Itaú e Real foram utilizadas para o pagamento de vários compromissos pela COOGER — Cooperativa de Trabalho Multiprofissional , CNPJ 03.432.551/000112 e, ainda, por alguns cooperados para o recebimento de seus pró labores em razão das restrições bancárias existentes na ocasião. Tanto a Cooperativa como alguns dos cooperados utilizaram a conta corrente do impugnante para recebimento de créditos e pagamento de débitos. Entre alguns cooperados podem ser identificados os seguintes: Sonia Regina Costa, CPF 116.288.85807, Adriana Cristina da Silva, CPF 080 514 738 17, Fiori Roberto Correa, CPF 755 735 128 20, Olavo Tarricone Filho, CPF 043.342.47881, Rosmari Aparecida dos Santos, CPF 036.855.70811, Elizabeth Tarricone, CPF 042.018.95807, dentre outros mais que, ainda, não possuíam conta e receberam seus prólabores através destas contas correntes. e) Os valores consignados como omissão de receita no Banco NOSSA CAIXA, no total de R$ 11.235,00 (onze mil duzentos e trinta e cinco reais), foram movimentados por Roberto Bittar, CPF 003.773.38850, ao qual foi permitida a movimentação bancária, através de cartão magnético, em razão dos laços familiares com o impugnante (irmão) e que se encontrava com restrições bancária, inclusive empréstimos pessoais em nome do impugnante. f) em relação ao Banco do Brasil, como se comprova da documentação ofertada pelo impugnante, e daquela obtida pela Digna Auditora, foram tributados como rendimentos omitidos o C.D.C. salário (crédito direto ao consumidor com garantia de salário – empréstimos pessoais, em caixa eletrônico) em conjunto aos depósitos de salários, em conta corrente, para pagamento do empréstimo. Em suma ocorreu bitributação, posto que os salários recebidos e utilizados para pagamento dos C.D.C.s. já foram tributados na Fonte e objetos da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física na forma da legislação vigente. Os valores do CDC são os seguintes: DATA VALOR R$ 14/01 3.000,00 01/04 5.000,00 04/04 3.000,00 06/05 2.500,00 20/06 10.000,00 29/07 6.000,00 19/08 8.000,00 31/10 2.000,00 Fl. 182DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 19515.000681/200638 Acórdão n.º 2101001.309 S2C1T1 Fl. 164 4 TOTAL 39.500,00 g) Outros depósitos em conta, como os ocorridos em 07/01/2002, no valor de R$ 1.505,27 (um mil quinhentos e cinco reais e vinte e sete centavos) e R$ 1.315,00 (um mil trezentos e quinze reais) e o empréstimo de R$.10.000,00 (dez mil reais), em data de 20/06/2002 – para pagamento em 24 meses —, foram utilizados para pagamento de várias contas da COOGER e alguns cooperados. Ressaltese que em virtude do empréstimo tomado ser financiamento à longo prazo, não resulta em ganho tributável na ocasião de sua tomada, inclusive o pagamento da abertura do crédito. h) O pagamento dos C.D.C.s, descritos no item 3, foi realizado através de empréstimo obtido com familiares no valor de R$. 40.000,00 (quarenta mil reais) em meados de agosto (05/08), com a finalidade de saldar tais débitos. Posteriormente, o empréstimo foi quitado com o recebimento da venda do imóvel. i) em relação à instituição financeira Banco Itaú, a situação era a mesma do Banco do Brasil e Banco Real, inclusive com a transferência de valores de contas correntes, de mesma titularidade. Tal fato pode ser constatado, em agosto, através de um depósito de R$ 7.800,00 (sete mil e oitocentos reais), entre outros, proveniente dos recursos do Banco Real, inclusive objeto de recebimento da venda do imóvel e bens móveis (não tributáveis tapetes, eletrodomésticos, mobília, etc..). j) Com relação ao Banco Real, em nenhum momento foi autorizada a abertura de uma conta poupança, tratandose de medidas adotadas pela entidade financeira a transferência de depósitos para conta poupança, fato que pode se notar em razão do crédito entrar automaticamente e sair quase que instantaneamente e automaticamente para a cobertura da conta corrente. Essa instituição também foi utilizada para os mesmos fins explicitados acima e, em agosto de 2002, k) recebeu um depósito no valor de R$ 136.500,00 (cento e trinta e seis mil e quinhentos reais) referente a venda de um imóvel na praia de Juquehy, conforme declarado no I.R.P.F.. O valor da venda do imóvel foi de R$ 85.000,00 (oitenta e cinco mil reais) e o restante referente a bens móveis do referido imóvel. Este dinheiro foi utilizado para o pagamento de diversas dividas ao longo do ano sendo inclusive através de depósitos no Banco do Brasil e Banco Itaú em contas de titularidade do impugnante. Tal valor não representa ganho omitido e tributável. Não existe tributação de bens móveis usados e adquiridos em exercícios anteriores. No máximo, o cabível, e com isso concorda o impugnante, é o débito de Imposto de Renda sobre o lucro imobiliário, lançado pela Auditora e que neste reconhece como devido. l) Não cabe, no presente caso, a bitributação, ou seja, tributação, como lucro imobiliário e como receita omitida, posto que tal valor foi agregado a outros valores, também, plenamente justificáveis, em razão de saques de um banco e depósito em outro. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 139 a 145): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 183DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 19515.000681/200638 Acórdão n.º 2101001.309 S2C1T1 Fl. 165 5 Exercício: 2003 Omissão. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente em Parte O julgador de 1a instância fundamentou sua decisão da seguinte maneira: 13. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, de que o contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, depósito por depósito, mediante documentação hábil e idônea, a sua origem, fato descrito no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, correta é a autuação. A justificativa para cada depósito deve ser acompanhada de provas a cargo do contribuinte. As alegações apresentadas na Impugnação carecem de elementos probatórios. Não há prova de que os depósitos podem ser, individualizadamente, imputados: a) a empréstimos (fora os CDCs); b) à COOGER — Cooperativa de Trabalho Multiprofissional , CNPJ 03.432.551/000112, ou A alguns cooperados que teriam utilizaram as contas correntes do Impugnante para o recebimento de seus pró labores em razão das restrições bancárias existentes na ocasião. c) a Roberto Bittar, CPF 003.773.3885 (os valores consignados como omissão de receita no Banco NOSSA CAIXA, no total de R$ 11.235,00 (onze mil duzentos e trinta e cinco reais)), d) a transferência de valores de contas correntes, de mesma titularidade; e) a recebimento de R$ 136.500,00 (cento e trinta e seis mil e quinhentos reais) referente a venda de um imóvel na praia de Juquehy, conforme declarado no I.R.P.F.. f) a depósitos de recursos provenientes de outras contas; 14. Qualquer alegação efetuada para justificar cada depósito deve ser comprovada documentalmente e individualizadamente, conforme prescreve a art. 42 da Lei 9.430/96. E tal comprovação não ocorreu. (...) 18. Desta forma, considerandose não tributável os depósitos referentes a empréstimos via crédito direto a consumidor, no Banco do Brasil, que prescinde de contrato e estão discriminados nos próprios extratos, assim permanece a tributação: AC 2002 base de cálculo = R$ 27.727,48 Fl. 184DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 19515.000681/200638 Acórdão n.º 2101001.309 S2C1T1 Fl. 166 6 infrações = R$ 422.958,47 – R$ 39.500,00 = R$ 383.458,47 imposto a pagar = R$ 105.451,09 (...) RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 22/4/2010 (fl. 147v), o contribuinte apresentou, em 13/5/2010, o recurso de fls. 152 a 156, onde: a) reitera os argumentos da impugnação; b) assevera que sua impugnação deixou claro que a maior parte dos movimentos financeiros eram praticados em favor de terceiros informados e identificados na impugnação, bem como a origem e destino dos depósitos; c) afirma que ficou esclarecida a origem do depósito de R$136.500,00 como relacionado à venda de imóvel, tanto que foi tributado o ganho de capital decorrente, consistindo em bitributação a exigência de imposto sobre ganho de capital e omissão de receitas; d) questiona a tributação de empréstimos bancários comprovados através dos próprios extratos, pois dívidas não devem ser tributadas pelo imposto de renda; e) solicita que, em caso de dúvida, seja o julgamento convertido em diligência para que seja apurado, através de constatação na empresa COOGER e nas pessoas físicas arroladas e identificadas nos autos, a veracidade dos esclarecimentos que foram prestados. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 159, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, contendo ainda a fl. 160, sem numeração, referente ao Despacho de Encaminhamento dos autos do SECOJ/SECEX/CARF para a 1a Câmara da 2a Seção. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O lançamento se deu com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, abaixo transcrito: Fl. 185DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 19515.000681/200638 Acórdão n.º 2101001.309 S2C1T1 Fl. 167 7 Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Acrescentese que os limites do inciso II do § 3º foram alterados para R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente, pelo art. 4o da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 19515.000681/200638 Acórdão n.º 2101001.309 S2C1T1 Fl. 168 8 Assim, vêse que a lei criou uma presunção legal de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. Por isso, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. No caso, verifico que a autoridade fiscal intimou devidamente o contribuinte a apresentar seus extratos bancários (fl. 4) e que, depois de totalizar os depósitos, novamente o intimou a justificar sua origem (fls. 105 a 108), tendo sido lavrado o auto de infração diante da ausência de resposta do fiscalizado. Isso comprova a correta adequação do procedimento fiscal aos termos da lei. Essa explicação afasta também o argumento de que não se poderia utilizar os depósitos bancários como omissão de receitas sem que se estabelecesse um vínculo entre os recursos depositados e alguma receita não escriturada, devendose ressaltar que essa interpretação está definitivamente sepultada na esfera administrativa desde a edição da Súmula CARF nº 26, que possui o seguinte enunciado: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, após devidamente intimado a esclarecer a origem dos depósitos, passou a ser do recorrente o ônus dessa comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os depósitos bancários. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Por esse motivo, há que se indeferir de plano o pedido de realização de diligência para confirmação de que os depósitos eram de titularidade dos terceiros indicados, não sendo lícito se transferir ao Fisco o ônus da prova atribuído pela lei ao contribuinte. Passo, então, a analisar criteriosamente as explicações dadas para as origens dos depósitos. De início, há que se ressaltar que o julgador de 1a instância já afastou a tributação sobre os depósitos relativos a empréstimos obtidos via crédito direto a consumidor (CDC), no Banco do Brasil. a) depósitos relativos à movimentação de terceiros: O contribuinte alega que as contas correntes referentes aos Bancos do Brasil, Itaú e Real foram utilizadas para o pagamento de vários compromissos pela COOGER — Cooperativa de Trabalho Multiprofissional, CNPJ 03.432.551/000112, e ainda por alguns cooperados para o recebimento de seus prólabores em razão das restrições bancárias existentes na ocasião. Fl. 187DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 19515.000681/200638 Acórdão n.º 2101001.309 S2C1T1 Fl. 169 9 Entretanto, não foram trazidas quaisquer provas nesse sentido, o que seria possível com a apresentação da contabilidade da empresa que demonstrasse a movimentação financeira e o pagamento de prólabores. O recorrente também afirma que os valores consignados como omissão de receita no Banco Nossa Caixa, no total de R$ 11.235,00, foram movimentados por Roberto Bittar, CPF 003.773.38850, a quem foi permitida a movimentação bancária, através de cartão magnético, em razão dos laços familiares (irmão), que se encontrava com restrições bancárias, inclusive os empréstimos pessoais feitos em seu nome. Do mesmo modo, não foram apresentadas quaisquer provas do alegado. Em análise da citada contacorrente, verifico a existência de dois lançamentos com o título “EMPR.. ELETR”, mas sem provas de se tratar de empréstimo (fls. 73 a 79). O sujeito passivo ainda indica que outros depósitos em conta, como os ocorridos em 07/01/2002, no valor de R$ 1.505,27 e R$ 1.315,00, e o empréstimo de R$10.000,00, em data de 20/06/2002, para pagamento em 24 meses, foram utilizados para quitação de várias contas da COOGER e alguns cooperados, ressaltando que, em virtude do empréstimo tomado ser financiamento de longo prazo, não resulta em ganho tributável na ocasião de sua tomada, inclusive o pagamento da abertura do crédito. Verifico que os citados depósitos foram efetivados na conta do Banco do Brasil (fls. 11 e 18), e que o depósito de R$10.000,00 relativo ao empréstimo CDC já foi excluído pela decisão recorrida. Já para os outros dois depósitos não foram apresentadas quaisquer comprovações. Como já explicado, simples argumentos não servem como prova da origem dos depósitos, nem é possível transferir ao Fisco o ônus de diligenciar junto aos terceiros indicados a veracidade das informações. b) empréstimo obtido com familiares: O contribuinte alega que o pagamento dos CDCs foi realizado através de empréstimo obtido com familiares no valor de R$40.000,00 em meados de agosto (05/08), com a finalidade de saldar tais débitos. Posteriormente, o empréstimo foi quitado com o recebimento da venda do imóvel. Apesar de existir o depósito de R$40.000,00 na conta do Banco do Brasil em 06/08/2002 (fl. 21), não existe qualquer comprovação do alegado. c) transferência de R$7.800,00: O recorrente afirma que, em relação ao Banco Itaú, a situação era a mesma do Banco do Brasil e Banco Real, inclusive com a transferência de valores de contas correntes, de mesma titularidade, e que tal fato pode ser constatado, em agosto, através de um depósito de R$ 7.800,00, entre outros, proveniente dos recursos do Banco Real, inclusive objeto de recebimento da venda do imóvel e bens móveis (não tributáveis — tapetes, eletrodomésticos, mobília, etc.). De fato, verifico um depósito em dinheiro de R$7.800,00 na contacorrente do Banco Itaú, em 07/08/2002 (fl. 32). Fl. 188DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 19515.000681/200638 Acórdão n.º 2101001.309 S2C1T1 Fl. 170 10 Contudo, não há saída correspondente no extrato do Banco Real em agosto de 2002 (fl. 45), nem nas contas do Banco do Brasil (fl. 21) e da Nossa Caixa (fl. 78), não tendo se comprovado a alegada transferência. d) poupança do Banco Real: O sujeito passivo assevera que, com relação ao Banco Real, em nenhum momento foi autorizada a abertura de uma conta poupança, tratandose de medidas adotadas pela entidade financeira a transferência de depósitos para conta poupança, fato que pode se notar em razão do crédito entrar automaticamente e sair quase que instantaneamente e automaticamente para a cobertura da conta corrente. Em análise dos extratos da contacorrente (fls. 36 a 52) e da poupança (fls. 56 a 72), verifico que as duas contas eram utilizadas em conjunto, com os depósitos feitos na segunda e em seguida transferidos para a primeira. Entretanto, o agente fiscal teve o cuidado de evitar a dupla tributação, o que é de fácil verificação quando se observa que só foram tributados R$2.320,0 de créditos da conta corrente (fl. 103), correspondentes ao únicos depósitos nela diretamente efetuados (fls. 36 e 51), não havendo qualquer prejuízo ao contribuinte. e) venda de imóvel: O contribuinte alega que o depósito no valor de R$ 136.500,00, em agosto de 2002, na conta do Banco Real, é referente à venda de um imóvel na praia de Juquehy, conforme informado na declaração de ajuste. Acrescenta que o valor da venda foi de R$85.000,00 e o restante se refere a bens móveis existentes na propriedade, e informa que reconhece o ganho de capital resultante. De fato, existe um depósito de R$136.500,00, em 19/08/2002 (fl. 67), na conta poupança do Banco Real e o contribuinte declarou a venda de um terreno por R$85.000,00 em sua declaração de ajuste do exercício de 2003, nos seguintes termos (fl. 7v): TERRENO SITUADO A PRAIA DE JUQUEHY, SAO SEBASTIAO S P., ADQUIRIDO EM 06/89, ONDE FOI CONSTRUIDA UMA CASA DE ALVENARIA, CONCLUIDA EM 01/97. VENDIDA AO SR ISIDRO RAMON FONDEVILA QUINONERO CPF NO 68375492868, PELA IMPORTANCIA DE RS 85.000,00, CONF. ESCRITURA LAVRADA NO TABELIAO DE MARESIAS, LIVRO 112 PAGINA NO 291 – BRASIL Entretanto, não é possível fazer uma vinculação entre o pagamento recebido e a venda do bem declarado, tanto pela diferença dos valores, quanto pela ausência da data da efetivação do negócio. No caso, teria sido fácil a comprovação da venda, bastando a simples apresentação da escritura e dos comprovantes de pagamento. Desta forma, concluo que o recorrente não teve sucesso na comprovação da origem de novos depósitos, pelo que voto por indeferir o pedido de diligência e por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 189DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 19515.000681/200638 Acórdão n.º 2101001.309 S2C1T1 Fl. 171 11 Fl. 190DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/ 10/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001345/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. LANÇAMENTO PRINCIPAL ANULADO POR DECISÃO DA DRJ. RELAÇÃO DE ACESSORIEDADE. Em se tratando do lançamento de multa por ter deixado o contribuinte de declarar em GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias, objeto de lançamento em
NFLD principal, resta patente que a multa somente deverá ser mantida no caso de também o ser o lançamento das contribuições previdenciárias que não vieram a ser objeto de declaração. No caso dos autos, tendo sido anulado o lançamento principal pela DRJ, outra conclusão não pode haver, senão pela
necessidade de anulação do presente lançamento, em razão da relação de acessoriedade existente entre ambos.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2402-002.251
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a
preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Julio Cesar Vieira Gomes.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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FATOS GERADORES Recorrente ASSOCIAÇÃO REGIONAL DE TRANSPORTE DE LEITE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. LANÇAMENTO PRINCIPAL ANULADO POR DECISÃO DA DRJ. RELAÇÃO DE ACESSORIEDADE. Em se tratando do lançamento de multa por ter deixado o contribuinte de declarar em GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias, objeto de lançamento em NFLD principal, resta patente que a multa somente deverá ser mantida no caso de também o ser o lançamento das contribuições previdenciárias que não vieram a ser objeto de declaração. No caso dos autos, tendo sido anulado o lançamento principal pela DRJ, outra conclusão não pode haver, senão pela necessidade de anulação do presente lançamento, em razão da relação de acessoriedade existente entre ambos. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Julio Cesar Vieira Gomes. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Igor Araújo Soares Relator. Fl. 557DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Cesar Vieira Gomes, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araujo Soares. Fl. 558DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11070.001345/200839 Acórdão n.º 2402002.251 S2C4T2 Fl. 483 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ASSOCIAÇÃO REGIONAL DE TRANSPORTE DE LEITE, irresignada com o acórdão de fls. 441/446, por meio do qual fora mantida a integralidade do Auto de Infração n. 37.041.9238, lavrado para a cobrança de multa aplicada por ter a empresa apresentado as GFIP´s omitindo fatos geradores de contribuições previdenciárias, no caso, os valores de serviços pagos que lhe foram prestados por transportadores autônomos. A multa lançada compreende o descumprimento de obrigações acessórias no período de 01/2004 a 12/2004, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 26/08/2008 (fls. 01). Consta dos autos que o v. acórdão, mesmo mantendo a procedência do Auto de Infração lavrado, determinou fosse recalculado o valor da multa aplicada em razão da promulgação da Lei 11.941/09, com espeque no art. 32A da Lei 8.212/91. Em seu recurso, alega a recorrente que é associação sem fins lucrativos, cuja finalidade é a de prestar assessoramento e apoio aos seus associados no exercício da atividade de transportadores de leite, especialmente o da negociação e intermediação com os contratantes dos serviços, visando melhores condições de trabalho e rentabilidade aos mesmos, promovendo a aquisição conjunta de equipamentos e insumos, visando diminuir e racionalizar os custos, inclusive angariando financiamentos para veículos e equipamentos, fornecendo, inclusive, as garantias pela instituição financeira e responsabilizandose pelos pagamentos das parcelas, mas, de modo algum presta ou compra serviços de transporte. Afirma, por conseguinte, que não sendo prestadora ou tomadora de serviços, ou compradora ou vendedora de mercadorias, é insubsistente a exigência fiscal, pois em não tendo contratado qualquer serviço de transporte autônomo, não deveria contabilizar qualquer valor de fretes pagos, não havendo o que ser informado em GFIP sobre esta rubrica. Esclarece que embora os repasses efetuados aos associados constem em documento denominado “folha de pagamento”, na verdade esta denominação não representa remuneração feita pela recorrente aos prestadores de serviços de transporte, eis que estes são vinculados diretamente com o produtor que fornece o leite e o comprador (COTIJUI/ELEGÊ) que adquire o produto. Em sendo assim, defende que a COTRIJUI contratava a compra do leite diretamente dos produtores e vinculava a entrega, de forma que diariamente o produto era coletado nas propriedades rurais e entregue na ELEGÊ, quando, ao final do mês, a CONTRIJUI emitia relatórios das entregas e transportes, com base nos quais calculava o valor a ser pago a cada um dos fornecedores e, aplicando o respectivo percentual, calculava também o valor do frete, este descontado do valor do próprio produtor, sendo repassado a cada um dos transportadores, o que, por questão de logística, era feito através da ARTRALEI. Logo, a ARTRALEI apenas recebia um cheque da COTRIJUI com o valor total líquido relativo aos transportes mensais, procedendo, simplesmente ao depósito do valor individual para cada um Fl. 559DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 dos transportadores, descontando o percentual de 1% relativo a remuneração de seus serviços administrativos. Finaliza sob o argumento de que não remunera os transportadores e que o “resumo da folha de pagamento” que emitia era um mero resumo geral no qual identificava cada um dos transportadores e seus respectivos valores, também não podendo ser mantido o entendimento do v. acórdão no sentido de que o fato de ter apresentado a DIRF com dados equivalentes aos das folhas de pagamento, o obrigava a apresentação da GFIP com os mesmos dados, além de defender que o recálculo da multa levado a efeito em primeira instância é equivocado, devendo resumirse ao montante de R$ 722,00. Enviados os autos a este Eg. Conselho, na sessão de março de 2011, esta Turma determinou a realização de diligência com a finalidade de identificarse qual dos demais lançamentos consistia na obrigação principal a que se vinculava o presente Auto de Infração. Baixado o processo, sobreveio, então, a seguinte resposta (fls. 481): Em atendimento ao despacho de folhas n°s 456 a 457, informamos que a obrigação principal foi lançada nos DEBCADs n°s 37.172.9211, 37.172.9203 e 37.172.9220 controlados, respectivamente, nos processos administrativos n°s 11070.001350/200841, 11070.001343/200840 e 11070.001344/200894, conforme documentação de folhas n°s 459 a 470. Informamos, ainda, que os processos físicos acima referidos encontramse na SAFIS/DRF/SAO, com proposta de arquivamento, em face da decretação de nulidade por decisão final da DRJ/STM, conforme acórdão n° 1810.307 de folhas n°s 471 a 480. Cumprida, portanto, a diligência, novamente subiram os autos a este Eg. Conselho. É o necessário relatório. Fl. 560DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11070.001345/200839 Acórdão n.º 2402002.251 S2C4T2 Fl. 484 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARMENTE Antes mesmo de adentrar a qualquer discussão acerca do mérito do presente processo, há de se considerar importante informação prestada pelo auditor que cumpriu a diligência solicitada por este Eg. Turma. O mesmo indicou que o lançamento principal a que se vincula o presente Auto de Infração, foi declarado nulo pela DRJ de origem e fez juntar aos autos do presente o respectivo acórdão que declarou a nulidade dos lançamentos. Da análise de referido acórdão (fls. 478) cumpre apontar que a conclusão pela nulidade do lançamento deuse em razão dos lançamentos terem sido efetuados sem a inclusão dos valores relativos à multa de mora, situação que não poderia ter sido sanada naquele julgamento, frente à impossibilidade de atendimento do art. 28 da Portaria RFB n° 10.875/2007 (saneamento), motivo pelo qual foram anulados os processos principal 11070.001350/200841 e os apensados de n. 11070.001344/200894 e 11070.001343/200840. Ademais, o fiscal a informar que os lançamentos foram anulados, fez constar de sua resposta que os autos de referidos processos então na origem para que sejam arquivados. Ora, em se tratando o presente lançamento de multa pela não informação em GFIP de fatos geradores de contribuições previdenciárias, que vieram a ser declarados nulos por decisão da DRJ que não veio a ser objeto de recurso voluntário ou de ofício, tenho que a sorte do presente Auto de Infração deverá ser a mesma daquela determinada ao processo principal, uma vez que, se não subsistem fatos geradores de contribuições previdenciárias com lançamento válido, como então manterse a multa pela sua não informação em GFIP. Ante todo o exposto, voto no sentido de ANULAR O PRESENTE LANÇAMENTO, em razão da necessidade de reconhecimento da relação de acessoriedade existente no presente caso, adotando, ainda, como fundamento, as razões de decidir contidas no v acórdão 181037, de 03 de março de 2009, lançado nos autos do processo administrativo 11070.001350/200841, com a determinação da baixa dos autos e apensamento deste ao seu lançamento principal. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 561DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Fl. 562DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000425/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2007
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 5° e 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1102-000.560
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 5° e 33 do Decreto n° 70.235/72.
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Recorrente AGROFLORESTAL MATA ATLANTICA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Voluntário protocolizado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 5° e 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, e Marcos Vinicius Barros Ottoni. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Plinio Rodrigues Lima. Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto por Agroflorestal Mata Atlantica Ltda, contra o Acórdão n° 1526.598, de 25 de março de 2011, da 4ª Turma de Fl. 208DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10508.000425/201041 Acórdão n.º 110200.560 S1C1T2 Fl. 209 2 Julgamento da DRJ/SalvadorBA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o Ato Declaratório Executivo (ADE) IRF/ILHÉUS nº 003, de 09/08/2010 (fl. 20), que impôs a exclusão do Simples Nacional a partir de 1º/08/2007, por exercício de atividade qualificada como cessão de mãodeobra. Às fls 1 a 3 encontrase a Representação ERCAJ/IRF/ILHÉUS nº 34/2010, instruída com os elementos comprobatórios de fls. 04 a 19 (contrato de prestação de serviços e notas fiscais), os quais motivaram a expedição do referido ato. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 23 a 38, na qual alegou, em síntese, o que segue, conforme relatório da decisão recorrida, o qual, por bem sintetizar os argumentos expendidos, ora adoto: “(i) Haja vista a existência de decisão definitiva em sede administrativa invoca o efeito suspensivo da manifestação de inconformidade, mantendose a requerente no Simples até a decisão final na esfera administrativa. (ii) Em preliminar, o feito deve ser extinto, sem adentrar no mérito, pois a RFB, através do ADE ora combatido, tenta modificar decisão administrativa anterior do então Conselho de Contribuintes, que manteve a recorrente no Simples Federal, entendendo que a mesma não pratica cessão de mãodeobra, consoante processo n° 13558.000778/200404,violando, dessarte, a coisa julgada administrativamente. (iii) Quanto ao mérito, a recorrente diz que tem como atividade principal"produção e comercialização de mudas de espécies nativas, hortícolas, frutíferas e silvícolas,bem como a realização de outras atividades silviculturais'", que não coincide com as hipóteses de exclusão do Simples previstas na "Lei n2 9.137/90" ou Lei n2 8.212/90 e demais atos legais pertinentes à espécie, eis que não realiza cessão de mãodeobra à Suzano Papel Celulose S/A(ex Bahia Sul Celulose Ltda). (iv) A recorrente possui viveiro de produção de mudas de sua propriedade,onde produz mudas de espécies nativas e exóticas e revende a terceiros. No caso da Suzano S/A,que mantém programa de áreas degradas da Mata Atlântica, a recorrente, além de produzir as mudas, realiza com pessoal, equipamentos e materiais próprios, o plantio dessas mudas. (v) Antes do preparo das mudas, é necessário a execução de atividades de preparo do solo, combate de formigas, irrigação manutenção e adubação, e ocorre na forma demonstrada nas fotografias anexas. Entende que isso seria o mesmo que atividade de jardinagem,praticada em áreas maiores, geralmente áreas de preservação ambiental ou de reservas legais. (vi) Em tal contexto, os serviços prestados não teriam qualquer relação com a atividadefim da SUZANO S/A ou colocação de empregados à disposição da contratante, como quisera fazer crer a representação fiscal que subsidiou a exclusão de ofício por meio de ADE.Também não caberia falar de prestação de serviços contínuos à contratante, posto que, preparado o solo, plantada a muda, irrigada e adubada, considerase concluído o serviço, ao passo que serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periodicamente e sistematicamente. (vii) Aliás, a produção o plantio de mudas, por exigir pessoal treinado e especializado, é feito pela própria empregadora, e não pelo comprador das mudas (A Suzano S/A). Fl. 209DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10508.000425/201041 Acórdão n.º 110200.560 S1C1T2 Fl. 210 3 (viii) Ao contrário do que acontece na cessão de mãodeobra, o pessoal da contratada não fica subordinado ao poder de mando da contratante, pois se assim o fosse, estaria denotada a subordinação e a formação do vínculo de empregado diretamente com esta, o que também não é o caso. (ix) De acordo com a Consulta n2 180, de 28/04/2010, a empresa que presta serviços de jardinagem — produção, comercialização e plantio de mudas como é o caso da recorrente, pode optar e permanecer no Simples Nacional. (x) Quando o contrato de prestação de serviços fala em "avaliação da qualidade dos serviços de plantio poderá ser realizado pela Bahia Sul, por intermédio de seus prepostos", não significa que a contratante está interferindo nas atividades, comandando as operações, mas simplesmente que poderá avaliar a qualidade dos serviços de plantio, algo absolutamente normal. (xi) No caso concreto, o Agente do Fisco se baseou tãosomente no texto frio de um contrato de prestação de serviços firmado em 01/09/2002, e que de há muito não vigora, sem verificação in loco das atividades da recorrente, incorrendo, destarte, em malfada presunção, que não condiz com a realidade fática. (xii) A recorrente faz colação de doutrina e jurisprudência que entende servir de suporte às suas afirmações. (xiii) Por fim, no entender da recorrente, nada impede a sua reinclusão no Simples Nacional, o que desde já requer. Isto posto, requer ainda o deferimento da restituição de valores relativos a períodos constantes dos requerimentos já protocolados no INSS.” A 6ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP decidiu a lide por meio do Acórdão 1424.345, fls. 716 a 724, mantendo integralmente o lançamento efetuado, conforme ementa a seguir transcrita: A 4ª Turma da DRJ/SalvadorBA rejeitou o argumento de violação da coisa julgada, posto que o processo nº 13558.000778/200404 trata de exclusão de ofício em face de prestação de serviços de cessão de mãodeobra no âmbito do Simples Federal (Lei nº 9.317/96), e o presente trata de exclusão de oficio por cessão de mãodeobra, no âmbito do Simples Nacional, regime jurídico distinto daquele, e cujo fundamento é a Lei Complementar nº 123, de 2006. No mérito, manteve a exclusão da empresa do regime simplificado, por entender configurada a cessão de mãodeobra por parte da recorrente. O Acórdão está assim ementado: “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/08/2007 VEDAÇÃO À OPÇÃO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. A prestação de serviços caracterizados como de cessão de mãodeobra impede a opção e permanência no Simples Nacional, por parte da microempresa ou empresa de pequeno porte.” Cientificada desta decisão em 18.04.2011, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 20.05.2011, fls. 197 a 202, no qual reprisa os argumentos expostos por ocasião da inicial, e requer a integral reforma da decisão recorrida e a sua conseqüente manutenção no regime simplificado. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10508.000425/201041 Acórdão n.º 110200.560 S1C1T2 Fl. 211 4 É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé A recorrente foi cientificada em 18.04.2011 (AR de fls. 196), e apresentou o recurso em 20.05.2011, data a qual fez constar ao final da peça recursal (fls. 202), e confirmada pelo carimbo aposto pela unidade de origem às fls. 197. Dispõe o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” Por sua vez, o artigo 5º do mesmo Decreto disciplina como deve ser feita a contagem dos prazos, nos seguintes termos: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Assim, no caso concreto, temse que a contagem do prazo recursal de 30 dias, que se iniciou no dia 19.04.2011, terçafeira, encerrouse no dia 18.05.2011, quartafeira. O recurso voluntário, por sua vez, somente foi protocolado em 20.05.2011, portanto, dois dias após a expiração do prazo. Assim, há que se reconhecer que o recurso voluntário interposto é intempestivo. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecêlo. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 211DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10508.000425/201041 Acórdão n.º 110200.560 S1C1T2 Fl. 212 5 Fl. 212DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 11128.007425/99-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 07/05/1999
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE
O prosseguimento do recurso especial de divergência pressupõe a
demonstração de dissídio jurisprudencial acerca da matéria recorrida, mediante indicação e apresentação de cópia da decisão divergente.
ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 07/05/1999
MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES
Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada.
Recurso Especial do Contribuinte Parcialmente Conhecido e, na Parte Conhecida, Provido.
Numero da decisão: 9303-001.567
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, do recurso especial, nos termos do voto do Relator; e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, dar-lhe
provimento. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE O prosseguimento do recurso especial de divergência pressupõe a demonstração de dissídio jurisprudencial acerca da matéria recorrida, mediante indicação e apresentação de cópia da decisão divergente. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 07/05/1999 MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES Descabe a aplicação da multa por falta de licenciamento de importação na hipótese em que a revisão da classificação fiscal não interfere no controle administrativo que recai sobre a mercadoria importada. Recurso Especial do Contribuinte Parcialmente Conhecido e, na Parte Conhecida, Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, do recurso especial, nos termos do voto do Relator; e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, darlhe provimento. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 2 Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial por divergência, manejado em desfavor do Acórdão nº 30133.355. A exigência fiscal decorre da reclassificação de produto descrito como “NOME COMERCIAL: AVILAMICINA (AVILAMYCIN GRANULES BLENDED) QA292J (...). POTÊNCIA ESTIMADA 100 MG/G. GRAU DE PUREZA: 80%. QUALIDADE: VETERINÁRIA”, importado com base na declaração de importação nº 99/03645635, registrada em 07/05/1999, cópia de fls.16 a 19, classificandoa no código NCM/SH 2941.90.73, sujeita à alíquota de 5% de II e 0% de IPI. Após a análise pelo LABANA, teria restado demonstrado que, em verdade o produto seria uma preparação constituída de Avilamicina (Antibiótico), Polissacarídeo, partes de plantas pulverizadas e Substâncias Inorgânicas à base de Carbonato, Sódio, Potássio e Ferro, na forma de grânulos, própria para ser administrada a animais por meio de suas rações. Em decorrência dessas informações, foi lavrado o auto de infração litigioso, reclassificando a mercadoria no código NCM 3003.20.99, sujeita a alíquota de 11% de II e 0% de IPI, exigindose, além da diferença de tributo apurada, a multa de ofício, capitulada no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, multa do controle administrativo, prevista no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 91.030/85), multa por falta de fatura, prevista no art. 521, inciso III, alínea “a” do Regulamento Aduaneiro. Regularmente cientificado, apresentou o sujeito passivo sua impugnação em que defende a higidez da classificação empregada, na medida em que o produto não seria comercializada diretamente, mas empregada na fabricação de prémisturas medicamentosas. Aduz, por outro lado, que não omitiu informações ou prestou declaração inexata, nem muito menos agira com dolo, simulação ou fraude; Após a conversão do julgamento em diligência, decidiu o órgão de primeira instância pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 07/05/1999 Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Preparação constituída de Avilamicina (Substância Medicamentosa com ação Antibiótica), e excipientes (Polissacarídeo, Partes de plantas pulverizadas e Substâncias Inorgânicas), que será administrada aos animais por via oral, uma Preparação especificamente elaborada para ser adicionada Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 11128.007425/9989 Acórdão n.º 930301.567 CSRFT3 Fl. 474 3 na alimentação de animais, com fins profiláticos e/ou terapêuticos, pelas fábricas de rações, não se classifica no código NCM 2941.90.73, adotado pelo impugnante, nem no código NCM 3003.20.99, adotado pela fiscalização. Multa de ofício – aplicação prejudicada, pois seu valor incide sobre a diferença de tributo apurada, que no caso inexiste. Multa do controle administrativo das Importações, capitulada no art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, e multa regulamentar, prevista no art. 521, inciso III, alínea “a” do RA, consideradas não impugnadas, por não terem sido expressamente contestadas pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97). Devidamente cientificado, aduz o sujeito passivo, essencialmente, que: a) impugnara exaustivamente os fatos que dariam espeque à exigência de diferença de Imposto de Importação, juros de mora e multa de ofício do artigo 44, I, da Lei 9.430/96, mas a decisão recorrida manteve a exigência das multas do artigo 526, inciso II e do artigo 521, inciso III, “a”, ambos do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030/85, que foram consideradas como não impugnadas por não terem sido expressamente contestadas pela impugnante. b) a mercadoria importada seria exatamente aquela descrita nos documentos de importação, principalmente na DI e na fatura comercial e não haveria qualquer inexatidão da classificação; c) a divergência na classificação seria fato diverso de importação de produto diferente daquele para o qual se obteve a licença e jamais pode ensejar penalidades administrativas; d) a exclusão da multa se impõe até mesmo de ofício, em vista do que dispõe o ADN COSIT 12/97; e) igualmente inaplicável seria a multa por falta de fatura, na medida em que não restariam dúvidas acerca da existência desse documento de instrução. Por outro lado; f) a descrição indevida da mercadoria ou eventual divergência na descrição de suas características, este fato não autoriza a aplicação da penalidade prevista no artigo 526, II do Regulamento Aduaneiro/85; O acórdão recorrido manteve integralmente a exigências das multas administrativas alvo de recurso, nos termos da ementa abaixo transcrita: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. As Notas Explicativas da posição 2309 autorizam a inclusão de produtos com as características de Preparações destinadas a entrar na fabricação dos alimentos completos e alimentos complementares para nutrição animal. Tais preparações, designadas comercialmente de prémisturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 4 de elementos (às vezes denominados aditivos), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Regularmente cientificado pela via postal, comparece o Contribuinte ao processo sustentando divergência entre o entendimento sedimentado no acórdão recorrido e a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e das demais câmaras do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. Juntou cópia de arestos que demonstrariam o dissídio jurisprudencial. Reafirma, ademais, a veracidade das informações consignadas na declaração de importação e nos documentos de instrução do despacho e aponta impropriedade na manutenção da multa calculada sobre o imposto pago ou devido, na medida em que o acórdão de piso afastara a fração da exigência fundada em diferença entre o valor do imposto efetivamente pago e o que seria devido. O recurso foi admitido pelo Despacho nº 1.539, de fls. 457/459, sob entendimento de terem sido preenchidas as condições regimentais. Ciente da admissão do recurso especial em 11/03/2009, a Fazenda Nacional apresenta contrarrazões em 13/03/2009, arguindo a não comprovação de dissídio jurisprudencial acerca da multa capitulada no art. 521, III, “a” do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, e reafirmando as conclusões do acórdão recorrido acerca da importação ao desamparo de Guia ou Licença de Importação. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator 1 Preliminarmente Como é possível extrair do voto condutor, fixou a Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes interpretação no sentido de que a declaração inexata acerca das características da mercadoria, em inobservância aos atos administrativos que regem a expedição de licença de importação, conduziria à imposição das multas capituladas nos artigos 521, III, “a”1 e 526, II2 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85. 1 Art. 521. Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução (Decretolei No 37/66, art. 106, I, II, IV e V): (...) III de dez por cento (10%): a) pela inexistência da fatura comercial ou falta de sua apresentação no prazo fixado em termo de responsabilidade; 2 Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decreto lei No 37/66, art. 169, alterado pela Lei No 6.562/78, art. 2º): (...) II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 11128.007425/9989 Acórdão n.º 930301.567 CSRFT3 Fl. 475 5 Demarcado o objeto, antes de adentrar na análise do mérito do recurso especial de divergência, entendo relevante, em sede de preliminar, promover nova avaliação acerca da sua admissibilidade. A meu ver, com a devida vênia, entendo que, efetivamente, não restou demonstrada divergência jurisprudencial acerca da multa capitulada no art. 521, III, “a”. Assim, em homenagem ao comando do § 2º do art. 15 do regimento aprovado pela Portaria MF nº 147, de 20073, não há como dar seguimento a esta matéria. De fato, dúvida não há que foram trazidos à colação arestos no sentido de que a prestação de informação inexata acerca da classificação, por si só, não seria suficiente para viciar a Licença ou Guia de Importação obtidas para a importação da mercadoria. Entretanto, nenhum desses acórdãos ratifica o entendimento no sentido de tal conduta não viciaria igualmente a fatura comercial. Por outro lado, não há margem, igualmente, para discutir a reclassificação fiscal, na medida em que não foi trazido paradigma que ratificasse a classificação empregada pelo sujeito passivo e, por outro lado, o fundamento do recurso especial (divergência) não admite a rediscussão da matéria fática. Para efeito do julgamento do presente recurso, portanto, há que se partir do pressuposto de que a mercadoria foi descrita e classificada incorretamente. 2 Mérito Passando ao julgamento da matéria sobre a qual deve este Colegiado se manifestar, entendo que razão assiste ao sujeito passivo. Como é cediço, o regime de licenciamento de importações é regido pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Artigo 1 Disposições Gerais 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) 3 Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. (...) § 2º Na hipótese de que trata o inciso II do art. 7º deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovandoa mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara recorrida. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 6 Pois bem, na vigência do APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual. Com efeito, analisando os artigos 2 e 3 do já citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do Licenciamento Automático e NãoAutomático, vêse que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas a alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido não há que se falar em licenciamento. Vejase a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2 do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. Por outro lado, esclarece o art. 3: Artigo 3 Licenciamento Não Automático de Importações 1. Além do disposto nos parágrafos 1 a 11 do Artigo 1, as seguintes disposições aplicarseão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos nãoautomáticos para licenciamento de importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1 do Artigo 2. Segundo a definição do parágrafo 1 do art. 2: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Ou seja, o licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estadoparte. O nãoautomático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. Comparando esses dispositivos com o contexto do licenciamento realizado no âmbito do Siscomex, disciplinado pela Portaria Secex nº 21, de 1996, cujos procedimentos foram alvo do Comunicado Decex nº 12, de 1997, chegase à conclusão de que o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, em verdade, representa a dispensa desse controle administrativo, o qual relembrese, segundo o art 1 do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvem “a apresentação de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. Nesse aspecto, é importante trazer à colação o que dispõe o art. 4º da Portaria Interministerial nº 109, de 12 de dezembro de 1996, que trata do processamento das operações de importação no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 11128.007425/9989 Acórdão n.º 930301.567 CSRFT3 Fl. 476 7 Art. 4º Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela SECEX, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. § 2º Tratandose de licenciamento não automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX. § 3º As informações referidas neste artigo, independentemente do momento em que sejam prestadas, e uma vez aceitas pelo Sistema, serão aproveitadas para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da licença de importação, no momento de formular a declaração de importação. Extraise do referido ato interministerial pelo menos três elementos que, a meu ver, corroboram com o entendimento ora defendido: a) no “controle” que os órgãos governamentais nacionais denominaram licenciamento automático, conforme consignado no § 1º, não se exige qualquer informação ou procedimento diverso da declaração de instrução do despacho de importação; b) quando necessárias, as providências inerentes ao controle administrativo, por definição, são sempre adotadas em data anterior ao embarque da mercadoria. Cabe aqui lembrar a multa especificada no art. 526, VI4 do regulamento aduaneiro vigente à época do fato. Se a LI automática tivesse realmente substituído a Guia de Importação todas as mercadorias sujeitas àquela modalidade de licenciamento estariam sujeitas à penalidade, já que a “LI” é “solicitada” juntamente com registro da Declaração de Importação que, regra geral, só ocorre após a chegada da carga; c) na hipótese do chamado licenciamento automático, não é gerado qualquer documento, físico ou informatizado, que o identifique, até porque, como se viu, nenhum órgão anuente intervém nesse processo. Dessa forma, forçoso é concluir que, sob a égide da Portaria Secex nº 21, de 1996, aquilo que os atos administrativos licenciamento automático, em verdade, alcança as hipóteses em que a mercadoria não está sujeita a licenciamento. Nesse diapasão, não vejo como imputar a multa em questão à importação de mercadorias sujeitas exclusivamente a controle tarifário. Se a mercadoria não estava sujeita a controle administrativo, salvo melhor juízo, seria um contrasenso aplicar uma penalidade própria do descumprimento deste último controle. 4Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: (...) VI embarque da mercadoria antes de emitida a guia de importação ou documento equivalente: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES 8 Outra discussão comumente travada no âmbito deste Colegiado diz respeito aos efeitos do erro de classificação sobre o licenciamento da mercadoria. Uma tese recorrentemente trazida à baila é a de o erro de classificação não seria suficiente para caracterizar o descumprimento do regime de licenciamento e, nessa condição, não haveria como se considerar que a mercadoria importada não estava licenciada. Na esteira do que se discutiu quando da diferenciação entre licenciamento automático e nãoautomático, em que se demonstrou que, a partir da Rodada do Uruguai, o Brasil passou a tratar o controle administrativo das importações de maneira seletiva, penso que essa interpretação, com o máximo respeito, não pode prosperar. Nesse novo contexto, o elemento que identifica se a mercadoria está ou não sujeita a licenciamento nãoautomático e, em caso afirmativo, quais os procedimentos que devem ser seguidos para sua obtenção dessa autorização, é a classificação fiscal. Vejase o que ditava o Comunicado Decex nº 12, de 06 de maio de 1997, vigente à época dos fatos: 2. Estão relacionados no Anexo II deste Comunicado os produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no licenciamento automático, bem como os produtos sujeitos a licenciamento não automático. 2.1 Quando os procedimentos listados no Anexo II referiremse, genericamente, a Capítulo, posição ou subposição da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, deverá ser observado o tratamento administrativo específico por item tarifário consignado na tabela "Tratamento Administrativo" do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, aplicável ao produto objeto do licenciamento.(grifei) Ou seja, o erro de classificação, por si só, de fato não é suficiente para caracterizar a conduta sujeita a multa, é necessário que tal erro prejudique o tratamento administrativo da mercadoria, como ocorreria, v.g., na hipótese do código tarifário original estava sujeito a LI automática e o corrigido, a nãoautomática. Neste caso, forçoso é concluir que a mercadoria não passou pelos controles próprios da etapa de licenciamento e, conseqüentemente, teria sido importada desamparada de documento equivalente à Guia de Importação. Por outro lado, se, tanto a classificação empregada pelo importador, quanto definida pela autoridade autuante não estiver sujeita a licenciamento ou, se sujeita, possuir o mesmo tratamento administrativo da classificação original, não há que se falar em falta de licenciamento por erro de classificação. Da mesma forma, sem ao menos saber se a mercadoria estava sujeita a licenciamento, não se pode assumir que a descrição inexata, por si, tenha prejudicado tal controle administrativo. Trazendo tal discussão para o presente litígio, estou convicto de que, de fato o Fisco não logrou êxito em demonstrar que a nova classificação estaria sujeita a algum tratamento administrativo diverso do empregado, limitandose a apontar como motivadora da autuação a prestação de declaração inexata. A fim de demonstrar, transcrevo trecho da descrição dos fatos que trata da infração: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 11128.007425/9989 Acórdão n.º 930301.567 CSRFT3 Fl. 477 9 Tendo em vista que o produto não está corretamente descrito com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento fiscal pleiteado, caracterizouse a condição de declaração inexata, constituindo infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do R.A., aprovado pelo Decreto 91.030/85 (Ato Declaratório nr. 12/97). Com essas considerações, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso e, na parte conhecida, provêlo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Assinado digitalmente em 29/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES
score : 1.0
Numero do processo: 10735.000264/96-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1991, 1992, 1993, 1994
IRPF. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
“Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (Súmula CARF n. 43).
Hipótese em que o Recorrente comprovou ter moléstia grave, nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.420
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (Súmula CARF n. 43). Hipótese em que o Recorrente comprovou ter moléstia grave, nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 198DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10735.000264/9684 Acórdão n.º 2101001.420 S2C1T1 Fl. 187 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 120 e ss.) interposto em 11 de dezembro de 2002 contra o acórdão de fls. 102 e ss., do qual o Recorrente teve ciência em 19 de novembro de 2002 (fl. 112), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 01 e seguintes, lavrado em 12 de fevereiro de 1996, em decorrência de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, verificada nos anoscalendário de 1990 a 1994. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1991, 1994, 1995 MOLÉSTIA GRAVE: A concessão de isenção e imposto de renda incidente sobre rendimentos de aposentadoria em decorrência de moléstia grave contraída está condicionada a comprovação por meio de laudo pericial, emitido pelo serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios que expressamente identifique a moléstia. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO: Lei nova aplicase a ato ou fatos não definitivamente julgados quando lhes comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Lançamento Procedente” (fl. 102). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 120 e ss.), requerendo seja reconhecida a isenção dos rendimentos recebidos a título de aposentadoria, tendo em vista ser portador de moléstia grave, consoante comprovariam os atestados colacionados aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A controvérsia cingese à glosa do valor que foi indevidamente qualificado, na declaração de ajuste anual do contribuinte, como rendimento isento e não tributável. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10735.000264/9684 Acórdão n.º 2101001.420 S2C1T1 Fl. 188 3 O Recorrente afirma ser beneficiário de norma de isenção (inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88) que ampara sua moléstia grave, em razão dos atestados colacionados indicarem sua invalidez. De acordo com o dispositivo supra, ficam isentos do imposto de renda: “XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma”. Dispondo sobre essa isenção, a Lei n.º 9.250/95, em seu art. 30, veio a exigir, a partir de 1º de janeiro de 1996, para reconhecimento de novas isenções, que a doença fosse comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: “Art. 30. A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º. O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2°. Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6° da Lei n° 1713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrosecística (mucoviscidose).” Da simples leitura dos dispositivos supracitados concluise que o contribuinte para gozar da isenção ora em discussão deve cumprir três requisitos, cumulativamente, quais sejam: i) os rendimentos percebidos pelo interessado devem ser rendimentos de aposentadoria; ii) o interessado deve estar acometido de moléstia grave prevista no rol do art. 6º, XIV, da Lei n.º 7.713/88; iii) a moléstia deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estado, Distrito Federal ou Município. No caso dos autos, a decisão recorrida entendeu que a moléstia grave não estaria comprovada pois o contribuinte não teria apresentado laudo médico, apenas mera referência a eventual documento que atestaria referida moléstia grave. Em seu recurso, o contribuinte apresenta o laudo referido no mencionado documento de fls. 97/98 dos autos (folha 129), motivo pelo qual entendo que os três requisitos estão presentes, pois o mesmo documento de fl. 129 comprova que os rendimentos recebidos pelo contribuinte são de aposentadoria e que junta médica pericial da Delegacia de Administração no Estado do Rio de Janeiro concluiu que o contribuinte era “portador de Tumor benigno da Hipófise, recidivante após a cirurgia, de Defeitos do Campo Visual e de Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10735.000264/9684 Acórdão n.º 2101001.420 S2C1T1 Fl. 189 4 Visão Subnormal em ambos os olhos, o que o torna incapaz definitivamente para o trabalho”, ou seja, cegueira. Aplicável, portanto, ao presente caso, a Súmula CARF n. 43, que tem a seguinte redação: “Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001151/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 26/07/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES
OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias apuradas pela fiscalização.
GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive sob a forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das
parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado
obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 2302-001.264
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941/2009 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991. Também foi reconhecida a decadência parcial na forma do art. 173, inciso I do
CTN.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/07/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias apuradas pela fiscalização. GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive sob a forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/07/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias apuradas pela fiscalização. GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive sob a forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 680DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941/2009 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991. Também foi reconhecida a decadência parcial na forma do art. 173, inciso I do CTN. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 681DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 230201.264 S2C3T2 Fl. 676 3 Relatório Período de apuração: Outubro/2000 a agosto/2004. Data da lavratura do Auto de Infração : 26/07/2007. Data da Ciência do Auto de Infração : 27/07/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em razão da apresentação de GFIP com omissão de valores pagos a titulo de prêmios por meio do cartão eletrônico de premiação emitido pela empresa Salles, Adan & Associados Marketing Inc. S/C Ltda, visando à distribuição de valores a título de prêmio, conforme descrito no Relatório Fiscal a fl. 18, e anexos I a V, a fls. 20/591. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Relata o auditor fiscal autuante que os referidos valores não foram declarados em GFIP. Tal constatação foi apurada mediante o confronto das informações prestadas pela empresa nesse documento e os valores pagos e distribuídos em virtude de "campanha para aumento de performance e produtividade" instituído pela empresa mediante contrato firmado com a empresa Salles, Adan & Associados Marketing Inc. S/C Ltda, visando à distribuição dos referidos valores (prêmios) através de cartões eletrônicos. Tais notas fiscais foram localizadas a partir do relatório "Contas a Pagar" apresentado. Também foram utilizadas para confronto com as informações prestadas pela empresa na GFIP a listagem nominal de pagamentos de prêmios efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais, fornecidos pela empresa, lançamentos contábeis e folhas de pagamento. A multa aplicada corresponde a 100% do valor das contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP, relativas aos fatos geradores descritos no parágrafo precedente, apurados pela fiscalização, consoante critério pormenorizado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa a fl. 20 e memória de cálculo a fls. 592/593. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 619/631. Fl. 682DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I lavrou Decisão Administrativa a fls. 645/650, julgando procedente a autuação em estudo e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 29 de janeiro de 2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 651. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 653/664, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que parte das obrigações tributárias teria sido alcançada pela decadência; • Que o pagamento das verbas apuradas pela fiscalização não foi efetuado pelo Recorrente, mas, sim, pela empresa prestadora de serviços Salles, Adam & Associados Marketing In. S/C Ltda; • Que o valor pago pela empresa de marketing não integra o salário dos respectivos beneficiários por se tratar de bônus, com o intuito de incentivar o desempenho dos colaboradores da empresa. Aduz que tal pagamento não se configura complementação de salário, mas um simples pagamento de incentivo em razão da obtenção de uma meta determinada de trabalho, estabelecida pela empresa de marketing; • Que não incluiu os valores pagos pela empresa de marketing aos seus funcionários nas GFIP correspondentes em virtude de não haver Contribuição Social a ser recolhida, uma vez que não efetuou qualquer pagamento a seus funcionários que justificasse tal procedimento fiscal; Ao fim, requer o Recorrente a declaração de insubsistência do presente auto de infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 683DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 230201.264 S2C3T2 Fl. 677 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 29/01/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 26/02/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. 2.1. DA DECADÊNCIA O Recorrente pugna pela declaração da decadência de parte das obrigações tributárias ensejadoras do presente Auto de Infração. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 684DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o Auto de Infração lavrado em 26 de julho de 2007, este alcançaria todas as obrigações acessórias exigíveis a contar da competência dezembro/2001, inclusive, excluídas as relativas ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2001, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre inicialmente assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DOS FATOS GERADORES. O Recorrente concentra seu inconformismo na concepção adotada pela autoridade fiscal autuante de que os valores pagos a seus empregados a título de incentivo de Fl. 685DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 230201.264 S2C3T2 Fl. 678 7 produtividade estariam abrangidos pelo conceito de Salário de Contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Argumenta em defesa que o pagamento das verbas apuradas pela fiscalização não foi efetuado pelo Recorrente, mas, sim, pela empresa prestadora de serviços Salles, Adam & Associados Marketing In. S/C Ltda. Em ádito, aduz que o valor pago pela empresa de marketing não integra o salário dos respectivos beneficiários por se tratar de bônus, com o intuito de incentivar o desempenho dos colaboradores da empresa. Pondera que tal pagamento não se configura complementação de salário, mas um simples pagamento de incentivo em razão da obtenção de uma meta determinada de trabalho, estabelecida pela empresa de marketing. Alega ainda não ter incluído os valores pagos pela empresa de marketing aos seus funcionários nas suas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social em virtude de não haver Contribuição Social a ser recolhida, uma vez que não efetuou qualquer pagamento a seus funcionários que justificasse tal procedimento fiscal. As alegações deitadas pelo Recorrente, no entanto, não reúne condições de prosperar. Impende, neste comenos, digressionar levemente que o CTN, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Fl. 686DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Nessa perspectiva, não exige o dispêndio de elevadas energias intelectuais a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. No presente caso, o Recorrente foi notificado pela falta de recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de premiação de incentivo e foi, em consequência, autuado pela não inclusão de tais valores nas respectivas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Com efeito, a vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na subsunção ou não dos valores pagos mediante cartão premiação ao conceito legal de Salário de Contribuição, para os fins exclusivos de incidência de contribuições previdenciárias. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei n.º 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada à distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 687DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 230201.264 S2C3T2 Fl. 679 9 II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) § 3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) § 4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, o caráter de constância somente se verifica na eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas as ajusta à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas Fl. 688DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados Fl. 689DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 230201.264 S2C3T2 Fl. 680 11 em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Imerso nessa ordem constitucional, iluminese a definição legal de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; Fl. 690DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesse cenário, a vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina trabalhista, avulta compreenderemse no hodierno conceito de remuneração os três componentes do gênero, especificados nos moldes que se vos seguem: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Fl. 691DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 230201.264 S2C3T2 Fl. 681 13 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 692DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 693DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 230201.264 S2C3T2 Fl. 682 15 u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que as verbas auferidas pelos segurados obrigatórios que prestam serviços à Recorrente, mediante Cartões de Premiação denominados "Premium Card" e "Flexcard", subsumemse no conceito de “salário de Contribuição” assentado no caput do art. 28 da Lei nº 8.212/91, não estando acobertados por nenhuma das hipóteses de não incidência destacadas no §9º desse mesmo dispositivo legal, razão pela qual integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Destaca o Recorrente que as verbas pagas aos seus empregados mediante Cartões de Premiação não se configuram complementação de salário, mas um simples pagamento de incentivo em decorrência da obtenção de uma meta determinada de trabalho, não podendo, por tal motivo, serem consideradas como integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Por tal razão, aduz que a conduta por si perpetrada não caracteriza descumprimento de obrigação acessória. Tal argumentação, todavia, não produz eco nas montanhas do ordenamento jurídico nacional. Na hipótese sub oculi, não é exigida áurea mestria para perceber que tais pagamentos ostentam natureza jurídica de gratificação. Da pena de Plá Rodriguez, citado por Mascaro Nascimento, grafouse singular conceito de gratificações como as “somas em dinheiro Fl. 694DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 de tipo variável, outorgadas voluntariamente pelo patrão aos seus empregados, a título de prêmio ou incentivo, para lograr a maior dedicação e perseverança destes. Mostrase valioso relembrar, no que pertine à natureza de liberalidade das gratificações, as palavras de Cabanellas: “provado ou comprovado o caráter habitual, geral, invariável e periódico da gratificação, esta perde a sua voluntariedade característica, para se converter em obrigatória; então, deixa de ser liberalidade para se transformar em direito exigível pelo trabalhador e inescusável pelo empregador” (Guillermo Cabanellas de Torres, Compendio de Derecho Laboral, Bibliográfica Omeba, Buenos Aires, 1968) É exatamente o que ocorre no caso concreto sobre o qual ora nos debruçamos. As verbas em destaque não se consubstanciam em ganhos eventuais, mas, sim, numa contraprestação remuneratória auferida pelos empregados como incentivo em concurso interno de produtividade, conforme declarado expressamente pelo Recorrente. Atingindo o empregado a produtividade desejada, este se titulariza no direito subjetivo à gratificação, podendo esta ser exigida inclusive judicialmente. O que é isso senão uma gratificação de desempenho ? Por outro lado, o simples fato de uma determinada verba ser eventual ou não mostrase irrelevante para o seu enquadramento no conceito jurídico de Salário de Contribuição. No presente caso, não resta dúvida que houve prestação de serviços à sociedade empresária pelos segurados, e os valores pagos pela prestação de serviços estão no campo de incidência tributária, por remunerarem tal serviço. Prova disso é que somente os trabalhadores de lograssem atingir as metas estabelecidas pela empresa seriam honrados com o recebimento dos cartões de premiação. Por tudo o quanto foi ora discutido, avulta que o benefício auferido pelos beneficiários das premiações oferecidas pelo Recorrente, dada a sua natureza jurídica de gratificação e por não constar expressamente no rol numerus clausus de hipóteses de não incidência tributária, constituise parcela integrante do Salário de contribuição dos segurados, estando sujeito, por decorrência legal vinculante, à incidência de contribuições sociais previdenciárias. Melhor sorte não se encontra reservada à alegação de que tais valores eram pagos pela empresa de marketing contratada e não pela Recorrente. O simples fato de os valores das gratificações em realce haverem sido repassadas a uma interposta empresa, no caso a Salles, Adan & Associados Marketing Inc. S/C Ltda, não desnatura o fato gerador de contribuições previdenciárias em relação ao Recorrente, eis que o encargo financeiro foi efetivamente por este suportado e não por aquela, como assim demonstram as notas fiscais apuradas pela fiscalização. A todo saber, a empresa de marketing contratada apenas dava cumprimento às determinações traçadas pelo Recorrente, tais como as metas a serem alcançadas, valores a serem distribuídos, bem como a relação nominal dos beneficiários dos prêmios. Revelase insofismável que os montantes assim auferidos pelos segurados em questão decorreram em razão do vínculo destes com o Recorrente e pelos serviços prestados por eles à Telesoluções Telemarketing, e não à Salles, Adan & Associados Marketing Inc. S/C. Dessarte, havendo a autuada remunerado segurados obrigatórios do RGPS, mesmo que por intermédio de interposta empresa, deveria ter efetuado o recolhimento das respectivas contribuições sociais à autarquia previdenciária federal e, por obrigação legal, ter Fl. 695DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 230201.264 S2C3T2 Fl. 683 17 informado tais remunerações e contribuições nas correspondentes Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Nessa perspectiva, os valores pagos através de cartões de premiação, por se enquadrarem no conceito de salário de contribuição, deveriam ter sido declarados nas GFIP das competências correspondentes, como assim determina o inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 3.2. DA RETROATIVIDADE BENIGNA As normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Fl. 696DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei n º 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor Fl. 697DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 230201.264 S2C3T2 Fl. 684 19 do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação de penalidade pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu artigo 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Mostrase flagrante que a citada IN RFN nº 1.027/2010 extrapolou os limites da lei, inovando o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia Fl. 698DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 699DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 230201.264 S2C3T2 Fl. 685 21 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Como é de sabença universal, a incidência de ambas as penalidades são independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. È mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 700DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, extrapola os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Fl. 701DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11330.001151/200744 Acórdão n.º 230201.264 S2C3T2 Fl. 686 23 Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do presente lançamento todas as obrigações tributárias ocorridas nas competências anteriores a dezembro de 2001, exclusive, eis que fulminadas pelo instituto da decadência tributária, a teor do art. 173, I do CTN. Outrossim, deve a pena administrativa a ser impingida ao infrator ser recalculada tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, inserido pela Medida Provisória nº 449/2008, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 702DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13851.000982/2001-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
Ementa: RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE.
Mantida uma das razões apontadas para a suspensão da isenção, ainda que comprovada a divergência jurisprudencial em relação à outra questão, o recurso não deve ser conhecido por ser inócuo para reformar o julgado.
Numero da decisão: 9101-000.907
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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INADMISSIBILIDADE. Mantida uma das razões apontadas para a suspensão da isenção, ainda que comprovada a divergência jurisprudencial em relação à outra questão, o recurso não deve ser conhecido por ser inócuo para reformar o julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegia unanimidade de votos, não conhecer 10 mrd 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Júnior, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Claudemir Rodrigues Malaquias, Orlando José Gonçalves Bueno, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Processo n° 13851.000982/2001-50 CSRF-T1, Acórdão n.° 9101-00.907 Fl. 2 Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte em face do acórdão n° 105-14226, abarcando também a matéria relativa ao processo n° 13851.000118/2002-39 (acórdão n° 105-14225), haja vista a conexão processual reconhecida expressamente em ambos os acórdãos. Processo n° :13851.000118/2002-39 Recurso n° : 133.714 Matéria : IRPJ e OUTRO - EX: 1998 Recorrente : FUNDAÇÃO PARA 0 INCREMENTO DA PESQUISA E APERFEIÇOAMENTO INDUSTRIAL- FIPAI Recorrida : I a TURMA/DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP Sessão de :15 DE OUTUBRO DE 2003 Acórdão n° :105-14.225 CONEXÃO PROCESSUAL - SUSPENSÃO DE ISENÇÃO E LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO - Havendo suspensão de isenção de tributos administrados pela SRF e dela decorrendo auto de infração, as impugnações contra o ato declaratário e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente (Art. 32, 5S' 9 0 , da Lei n° 9.430/96). O acórdão recorrido foi negado por unanimidade de votos, nos seguintes termos: SUSPENSÃO DE ISENÇÃO - LANÇAMENTO POR PARTIDAS MENSAIS - MOVIMENTAÇÃO • FINANCEIRA NÃO CONTABILIZADA - REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTE - Cabível é a suspensão da isenção quando comprovado que a entidade postulante deixou de cumprir requisitos essenciais ao gozo do beneficio fiscal, mormente quando proporcionou remuneração a dirigente e mantinha escrita em desacordo ao exigido pelas normas contábeis e tributárias, eis que não abraça todos os atos e operações capazes de modificar a situação patrimonial e apresenta registros por partidas mensais sem apoio de livros auxiliares. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o lançamento efetuado por autoridade competente Processo n° 13851.000982/2001-50 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.907 Fl. 3 no exercício da sua atividade funcional, mormente quando lavrado em consonância com o art. 142 da Lei n° 5.172/66 (CTN) e com o artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 (PAF) e não teve por base as informações ou valores relacionados à CPMF, nos termos do art. 11, § 30, da Lei n°9.311/96. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA - ARBITRAMENTO - PARTIDAS MENSAIS - MOVIMENTAÇA - 0 FINANCEIRA NA -0 REGISTRADA - Cabível é a desclassificação da contabilidade do contribuinte, dando lugar ao arbitramento de seus lucros, quando a escrituração do Livro Diário é feita por lançamentos mensais e de forma resumida, sem a adoção de livros auxiliares para registro individuado, com inobservância do disposto no art. 50, § 3° do Decreto-lei n° 486/69, assim também quando deixa ao largo de sua escrituração movimentação realizada em instituição financeira (RIR194, art. 204, caput, e §§ 1° e 5°). LANÇAMENTO DE OFICIO - MULTA - Nos casos de lançamento de oficio sera aplicada a multa de setenta e cinco por cento, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, pela falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e de declaração inexata, conforme preceitua o art. 44, da Lei n° 9.430/96. LANÇAMENTO DE OFICIO - TAXA SELIG - JUROS DE MORA - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidade cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária (Art. 161 do CTN). LANÇAMENTOS REFLEXIVO - CSLL - Considerando a intima relação de causa e efeito que vincula o lançamento principal ao lançamento reflexivo, aplica-se a este o que decidido foi em relação ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica. A recorrente alega em preliminar a nulidade do lançamento pela aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105, de 10/01/2001 e da Lei n° 10.174, de 09/01/2001, que alterou a regra do §3° da Lei n° 9.311, de 24/10/96, entendendo que norma que revoga outra norma de direito material possui cunho igualmente material. Apresenta como paradigma o acórdão n° 103 -21890. No mérito, discorda da suspensão da isenção/imunidade de tributos e contribuições que lhe foi imposta pelo Ato Declaratório Executivo n° 13. Tanto o ADE quanto a notificação fiscal precedente estão embasados em irregularidades na escrituração contábil e na remuneração de membro da diretoria da recorrente. Reconhece que a escrituração se deu por partidas mensais, não seguindo os ditames exigidos para as empresas mercantis, como manda o art. 5° e §3° do Decreto-lei n° 3 Processo no 13851.000982/2001-50 CSRF-TI Acórdão n.° 9101-00.907 Fl. 4 468/69, contudo, a fiscalização embora a tenha desclassificado, dela se valeu para apurar os tributos. Aduz que apurou receita bruta anual dentro dos limites do art. 10 da Lei n° 6.468/77 (lucro presumido) e que a escrituração existente e constatada pela fiscalização vai alem das condições estabelecidas no item 9 do Parecer Normativo SRF n° 97/78. Requer a integral reforma do acórdão recorrido, com o cancelamento do ADE n° 13/2001 e, por consequência, o restabelecimento, no período fiscalizado, dos direitos constitucionalmente assegurados á. recorrente, dando-se por insubsistentes os lançamentos do IRPJ e da CSLL. Requer, ainda, a realização de pericia nos livros contábeis reescriturados pela recorrente, a fim de que seja constatada a regularidade da sua escrita contábil, h. vista dos respectivos documentos. Em contrarrazões, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional propugna pelo no conhecimento do recurso quanto à preliminar de nulidade por ter sido reformado o acórdão paradigma. Quanto ao conhecimento das matérias de mérito, aduz que os paradigmas trazidos no recurso não demonstram a divergência. No mérito propriamente dito, afirma que o recurso pretende a reapreciação de provas e pede o seu não provimento. o relatório. Processo n° 13851.000982/2001-50 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.907 Fl. 5 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, relatora DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA A esta instancia especial compete a uniformização da jurisprudência administrativa, superando as divergências verificadas entre as turmas do CARF. Quanto à primeira divergência, referente à. preliminar de nulidade em razão da irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, verifica-se que à época da interposição do especial, o acórdão paradigma já havia sido totalmente reformado pelo acórdão CSRF n° 01- 05682, de 11.06.2007, que afastou a preliminar de nulidade e determinou o retomo dos autos à. Camara recorrida, para o exame das demais razões do recurso voluntário. Processo n°. :10140.000533/2003-00 Recurso n°. :103-138443 Matéria : IRPJ Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : KABRIL YUSSEF (Firma individual) Recorrida : Terceira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes Sessão de :11 de junho de 2007. Acórdão n°. : CSRF/01-05.682 IRPJ — OMISSÃO DE RECEITA — RETROATIVIDADE DA LEI 10.174/01 - POSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ANTES DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001 -.A regra geral de irretroatividade da lei prevista no artigo 144 contempla exceção no tocante a introdução de normas jurídicas que ampliem os poderes de investigação dos agentes fiscais. A inovação trazida pela Lei n° 10.174, de 2001, é disposição de Direito Processual Tributário e, portanto, norma processual de imediata executoriedade e aplicação, inclusive, aos processos pendentes (CPC, art. 1.211). Não há falar em violação da proteção constitucional a vida privada e a intimidade, pois os dados investigados da pessoa jurídica são relativos a vida econômico financeira— de natureza patrimonial —, além de o sigilo fiscal proibir a divulgação a terceiros dos dados conhecidos em razão de oficio, o que implica que tais dados permanecem de exclusivo acesso da autoridade fiscal. Processo n° 13851.000982/2001-50 CSRF-TY Acórdão n.° 9101-00.907 Fl. 6 Por se enquadrar na situação prevista no §10 do art. 67 do Anexo II da Portaria MF no 259, de 22.06.2009, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF - RICARF, deixo de conhecer o recurso nessa matéria. Quanto ao conhecimento das matérias de mérito, cumpre ressaltar que foram dois os fundamentos da suspensão da isenção: a) falta de escrituração de receitas e despesas; e b) remuneração do Diretor-Presidente. Nos termos do §5° do art. 67 do Anexo II do RICARF, serão apreciados apenas os dois primeiros paradigmas citados. Os moldes da isenção lastreada em norma constitucional encontram-se definidos no Código Tributário Nacional, especialmente nos dispositivos abaixo transcritos: Art. 9" É vedado à Unido, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV- cobrar imposto sobre: c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos politicos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capitulo; Art. 14. 0 disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer titulo; (Redação dada pela Lcp n°104, de 10.1.2001) II - aplicarem integralmente, no Pais, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1° Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no ,ys 1° do artigo 9 0 , a autoridade competente pode suspender a aplicação do beneficio. 2" Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9° são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, Processo n° 13851.000982/2001-50 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-00.907 Fl. 7 previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.(grifou- se) Da simples leitura do art. 14 do CTN extrai-se a patente cumulatividade dos requisitos para a isenção de tributos. Tendo sido reconhecido pelo acórdão recorrido o descumprimento de dois deles, em caso de falta de conhecimento em relação a qualquer dos fundamentos, restará prejudicada a análise do recurso. A situação representada nos presentes autos foi analisada A luz do disposto no art. 12, parágrafo 2 °, alínea c, da Lei n° 9.532/97 ("c — manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão"). Em razão da escrituração incompleta e viciada, entendeu a câmara a quo ter sido caracterizada a falta de observância de um dos requisitos para a fruição do beneficio fiscal. Em relação A. questão da suspensão da isenção por irregularidades apontadas na escrituração fiscal foram apresentados os paradigmas cujas ementas são reproduzidas abaixo: IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - IMUNIDADE Instituição de assistência social, que se enquadre no texto constitucional e regulamentar, tem os seus resultados protegidos pela imunidade tributária. Mesmo parcelas que se escrituram sem precisão adequada a ciência contábil, e desde que o resultado apurado seja totalmente reinvestido no desenvolvimento ou na manutenção dos seus objetivos sociais, não se sujeitam a incidência tributária. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO IMPOSTO SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO Insubsistindo a exigência fiscal formulada no processo matriz, igual sorte colhe o recurso voluntário interposto nos autos do processo, que tem por objeto auto de infração lavrado por mera decorrência daquele. (ACÓRDÃO N°: 103-18.467) Do relatório se extrai: 3. DA ESCRITURAÇÃO DE RECEITAS E DESPESAS: Várias foram as irregularidades detectadas na escrituração da entidade (duplicidade no registro de despesas, erro no histórico de lançamentos, existência de saldo credor em conta de despesas, faturas de tickets alimentação relativos a 1989 registrados em 1990, e outros) que demonstram a displicência da entidade no que tange ao registro de suas atividades e quanto a utilização dos Princípios Contábeis geralmente aceitos, infringindo o terceiro requisito legal para a fruição do beneficio fiscal (inciso III do art. 14 da Lei n. 5.172/66) i .D_--7 Processo n° 13851.000982/2001-50 CSRF-Tt Acórdão n.° 9101 -00.907 Fl. 8 A natureza da irregularidade fica clara no voto condutor do acórdão paradigma, da lavra da ilustre conselheira Sandra Maria Dias Nunes: For fim, as falhas de natureza contábil apontadas pela Fiscalização não justificam, em si mesmas, o enquadramento no inciso III do art. 14 do CT1V, uma vez a entidade mantém "escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar a sua exatidão", adotando livros obrigatórios revestidos das formalidades legais exigíveis. A Fiscalização não provou o contrário. E evidente que erros podem ocorrer, como em qualquer atividade humana ou empresarial. Mas esses erros, em principio, são sanáveis e não justificam medidas extremas. E tanto é verdade que a Fiscalização buscou na contabilidade da recorrente os fatos que, segundo ela, considera suficientes para a perda do beneficio fiscal. Que ela considera, não a lei. Dadas as suas características de entidade assistencial, encontra- se dispensada de manter escrituração contábil formalizada nos termos exigíveis ás empresas voltadas a consecução de lucro, bastando efetivar a escrituração de suas receitas e despesas em livros próprios. Portanto, seria impróprio exigir dessas entidades escrituração contábil de acordo com a legislação comercial e fiscal, especifica para as empresas que tributam seus resultados com base no lucro real. Por sua vez, o acórdão recorrido traz um resumo dos fatos apreciados no seguinte trecho: Pela observação das peps processuais, tem-se como fato induvidoso que a escrita contábil da Recorrente não abriga todos os atos ou operações de suas atividades, ou que proporcionariam modificações em seu patrimônio, pelas afirmativas inafastáveis no que concerne a escrituração do Livro Diário por partidas mensais sem apoio de livro auxiliar; falta de contabilização da movimentação financeira; aplicações de recursos relacionados a pagamentos atribuidos a notas fiscais não registradas na contabilidade, verificando-se estar um Dirigente da entidade entre os beneficiários de tais pagamentos. Logo, a argumenta cão trazida não tern o condão de modificar fato inequivocainente demonstrado, o qual se houve na contramão da legislação aplicável, eis que provado que a entidade não contabilizara todos os seus atos. Especialmente em se observando que os extratos bancários indicam ter havido mais de cinco mil lançamentos, dos quais quase quatro mil correspondem a cheques pagos, conforme Relatório Fiscal às fls. 34 e Anexos XIV e XV, repita-se, não registrados.(destacou-se) Processo n° 13851.000982/2001-50 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.907 Fl. 9 Nota-se que, enquanto o acórdão paradigma apreciava fatos restritos a meras irregularidades na escrita contábil, concluindo pela desnecessidade de exigência de escrituração contábil nos mesmos moldes das entidades mercantis, o acórdão recorrido apreciava fatos distintos, caracterizados pela falta de contabilização de parte das operações realizadas pela recorrente. A inobservância da forma de escrituração contábil exigida para as empresas obrigadas ou optantes da apuração do imposto de renda pelo lucro real, consubstanciada na ausência do livro auxiliar ao Livro Diário registrado por partidas mensais, foi um dos argumentos do relator para reconhecer o descumprimento da lei, mas não o único. 0 argumento trazido no paradigma no sentido de que a entidade assistencial encontra-se dispensada de manter escrituração contábil formalizada nos termos exigidos As empresas voltadas à consecução de lucro não seria suficiente para afastar a conclusão do acórdão recorrido, justamente por tratar-se aqui de situação fática mais complexa. Verificada a dissonância entre os aspectos faticos entre os acórdãos, resta afastada a possibilidade de utilização do referido acórdão trazido como paradigma para comprovar a alegada divergência. 0 segundo acórdão apontado como paradigma tem a seguinte ementa: IRPJ - INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA — IRREGULARIDADES FORMAIS NA CONTABILIDADE — AFASTAMENTO DA IMUNIDADE — IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO — Instituição de assistência social, que se enquadre no texto constitucional e regulamentar, tem os seus resultados protegidos pela imunidade tributária. irregularidades detectadas na escrita de entidades imunes, a teor da jurisprudência deste Colegiado, não constitui razão bastante para o afastamento de sua imunidade. (Acórdão 0.:107-05.340) Aduz o relator do segundo paradigma as mesmas considerações do anterior sobre as falhas de natureza contábil apontadas pela fiscalização como insuficientes para causar a perda do beneficio, por entender que uma entidade assistencial encontra-se dispensada de manter escrituração contábil formalizada nos termos exigíveis às empresas mercantis. Quanto aos fatos analisados, extrai-se daquele relatório que as autuações decorrentes da perda da imunidade pautaram-se na omissão de receita operacional caracterizada pela falta de contabilização de receitas decorrentes de subvenções sociais, dentre outras infrações. Aqui, verifica-se que a realidade dos fatos analisados equivale A. que se extrai do presente processo, confirmando a divergência jurisprudencial. Quanto ao segundo motivo da suspensão, a remuneração de diretor, foram apontados como paradigmas os acórdãos cujas ementas são reproduzidas abaixo: IMUNIDADE TRIBUTARIA — INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO —REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES — A Processo n° 13851.000982/2001-50 CSRF-T1- Acórdão n.° 9101-00.907 Fl. 10 proibição de remunerar dirigentes não alcança os cargos de Reitor e de Vice-Reitor de fundação universitária instituída por lei municipal, que tern funções apenas administrativas e gerenciais. 0 poder de decisão, inclusive quanto à destinação de recursos e assunção de obrigações, está nas mãos do Conselho Curador, ao qual são submetidas a proposta e a execução orçamentária da entidade. (Acórdão n° : 108-06.234) SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTARIA. A suspensão da imunidade prevista no artigo 150, VI, "c", da Constituição Federal, só é cabível na hipótese de serem desatendidos, comprovadamente, os requisitos fixados pela legislação de regência. IMUNIDADE- INTERPRETAÇÃO- Albergando, a norma imunizante, urn princípio fundamental a ser preservado, não se justifica qualquer interpretação que o amesquinhe. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA- A interpretação restritiva não reduz o campo da norma, mas determina-lhe as fronteiras exatas. Não conclui de mais, nem de menos do que o texto exprime, mas declara o sentido verdadeiro e o alcance exato da norma, tomando em apreço todos os fatores jurídico-sociais que influiram em sua elaboração. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES. 0 pagamento regular, aos dirigentes, de salários e gratificações a que fazem jus como integrantes do corpo docente da universidade, de acordo coin o plano de carreira do magistério, em iguais condições com os demais professores que não exercem cargo de direção, não se identificam como distribuição velada de patrimônio, em nada importando que, enquanto exercendo as funções de reitor, pró- reitor, e assemelhadas, sejam dispensados da atividade de docência. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS- Não se caracterizam como "vantagem extra" e "distribuição de parcela do patrimônio ou renda" a atribuição de gratificação a titulo de "Dedicação Exclusiva" e a disponibilização, aos dirigentes, para uso em serviço, de veículos da entidade e correspondentes despesas de manutenção. Da mesma forma, a contratação de parentes não possui nenhuma vedação, a menos que a fiscalização prove tratai-se de situação simulada a fim de encobrir distribuição de resultados. CRITÉRIOS CONTÁBEIS- A acusação de adoção de critérios contábeis que dificultam a análise e cálculos que estão fora de urna base firme e segura não é suficiente para suspender a imunidade, se a Fiscalização não alega que a Entidade não mantém escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS- descumprimento de dispositivo da legislação tributária como Processo n° 13851.000982/2001-50 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -00.907 Fl. 11 requisito para a suspensão da imunidade esta previsto no art. 13, caput, da Lei 9.532/97, cuja vigência se encontra suspensa pela cautelar concedida no julgamento da Ação Declarat6ria de Inconstitucionalidade n° 1.802/DF. TRIBUTAÇÃO-1RPJ- Não caracterizado o descumprimento dos requisitos para a imunidade, não subsiste a suspensão do beneficio e, conseqüentemente, não prospera o lançamento do TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL - Em se tratando de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão segue a mesma sorte da prolatada no processo principal. (Acórdão n°. 101- 94.657) Em ambos os paradigmas, os dirigentes são reitores de universidades e professores e é nessa qualidade que recebem salários, como integrantes do seu corpo docente. No caso ora analisado, os fatos são expostos pelo relator em seu voto: Além disso, viu-se que a entidade destinou remuneração ao seu Diretor Presidente, Prof Dr. Odilson Coimbra Fernandes, aos auspícios de serviços profissionais na elaboração de laudos técnicos e pela coordenação de convênios firmados entre a FIPAI e a DERSA - Desenvolvimento Rodoviário SÃ. Em seu recurso, alega a recorrente: 75. A remuneração paga a professores que exercem a coordenação técnica e administrativa dos convênios ocorre em razão dos trabalhos profissionais realizados; nunca em decorrência das funções administrativas ou gerenciais por ele exercidas na administração e gerência da Fundação. A divergência para fins de admissibilidade do recurso especial deve ser demonstrada de plano, quando outro colegiado confere interpretação diferente â. mesma legislação tributária, a partir da mesma situação de fato. A comparação somente se faz possível a partir da similitude atica, o que não se verifica no presente caso. Enquanto o acórdão recorrido analisava a remuneração do diretor por serviços profissionais de elaboração de laudos técnicos e coordenação de convênios, os paradigmas tratavam da atividade de magistério realizada no âmbito da entidade. Consoante documentos de fls. 59 -63 (designação e recibos), o Diretor- Presidente da recorrente foi designado para exercer funções de Coordenador Administrativo do Convênio FIPAI/DERSA. Por outro lado, os acórdãos paradigmas consideram a atividade de professor, enquadrada dentro da carreira do magistério, tendo a remuneração sido efetuada em igualdade de condições com os demais professores. No presente caso, não há atividade dentro de determinada carreira de modo permitir comparar as remunerações. 11 Processo n° 13851.000982/2001-50 CSRF-T1- • Acórdão n.° 9101-00.907 Fl. 12 Tratando-se de beneficio fiscal, nos termos do art. 111 do CTN, interpreta-se restritivamente a legislação que determina que a entidade sem fins lucrativos, para fins de isenção, não deve remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados (art. 12, §2°, alínea a da Lei n° 9.532/97). Nesse sentido, cito o exemplo do art. 34 da Lei n° 10.637/2002, que ressalvou expressamente uma situação de vinculo empregaticio. Cada caso exigiria um exame especifico da situação em que ocorre a remuneração. Para ter o condão de permitir o reexame da matéria por divergência entre os resultados adotados em casos equivalentes, todas as características fáticas do caso sob recurso e do paradigma deveriam combinar. Se, de um lado, um colegiado analisou atividade corriqueira, e o outro deve analisar situação especifica de prestação de serviço técnico com características próprias e distintas dos demais, não há equivalência. Reforçando a distinção, transcrevo as cláusulas especificas do Convênio n° 002/98 (fls. 46/47), entre a recorrente e a DERSA S/A, sobre a competência do coordenador técnico e administrativo do convênio, sobre o que se refere a remuneração do diretor em questão: ADMINISTRAÇÃO DO CONVÊNIO 9.1 A Coordenação Técnica e Administrativa do presente Convênio ficará constituída por um Engenheiro designado pela FIPAI, e por um Engenheiro a ser indicado pela DERSA. 9.2 Caberá a Coordenação Técnica e Administrativa a responsabilidade pela solução e pelo encaminhamento das questões técnicas, administrativas e financeiras, que eventualmente surgirem durante a vigência do Convênio em questão, bem como supervisionar e gerenciar, inclusive financeiramente, a execução dos trabalhos previstos, conforme disposto na Lei n" 8.666 de 21/06/93, atualizada pela Lei n" 8.883 de 08/06/94. Dissonantes, nesse caso, as hipóteses fáticas apreciadas nos acórdãos recorrido e paradigmas, impossibilitando o conhecimento do recurso especial nessa matéria. Assim, não restou comprovada a alegada divergência jurisprudencial em relação a um dos motivos da suspensão da isenção, qual seja, a questão da remuneração de diretor. Como já adiantado, mantida uma das razões apontadas para a suspensão da isenção, ainda que se reconheça a divergência em relação à outra questão, isso não permitiria a reforma do julgado. 0 recurso especial, nesse caso, seria inócuo. ..;6i vista do exposto, voto pelo não conhecimento do recurso especial do contribuinte. Viviane Vidal Wagner 12
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Numero do processo: 10240.001474/2004-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCEDIMENTO ESPECÍFICO PARA A SUSPENSÃO DE IMUNIDADE PREVISTO NO ARTIGO 32 DA LEI N° 9.430/96.
A ausência da observância do procedimento especifico para a
suspensão da imunidade acarreta vicio formal ao lançamento
tributário. A nulidade atinge o IRPJ e os tributos a ele correlatos,principalmente se a entidade goza de isenção, nos termos do artigo 32, §10, da Lei n° 9430/96.
COFINS. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS. ISENÇÃO.
A isenção das entidades de educação e assistência social, sem fins lucrativos, para as receitas relativas às suas atividades próprias, alcança fatos geradores ocorridos a partir do' me's de fevereiro de 1999,não havendo como argüir-se imprescindibilidade de Ato Declaratório de suspensão do beneficio fiscal condicionado
quando a autuação diz respeito a infrações fiscais apuradas em
períodos anteriores à sua vigência.
CSLL. ISENÇÃO DAS INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO. PROCEDIMENTOS.
Incidindo sobre o lucro liquido, o direito A. sua isenção subsume-se, a exemplo do IRPJ, aos requisitos do art. 9º § 1º e art. 14 do Código Tributário Nacional - CTN, para cuja suspensão deve ser observado o comando inserto no art. 32 da Lei n° 9.430/1996, sob pena de nulidade do lançamento de oficio.
Numero da decisão: 9101-000.877
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar de nulidade do lançamento por vicio formal, em relação à COFINS do ano-calendário de 1998, determinando o retorno dos autos à Câmara
recorrida para análise das demais matérias do recurso voluntário em relação à COFINS do ano-calendário de 1998, vencida a Conselheira Susy Gomes Hoffmann (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco Sales Ribeiro de Queiroz.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10240.001474/2004-31 Recurso n° 152.297 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-000.877 — 1 Turma Sessão de 22 de fevereiro de 2011 Matéria 1RPJ E OUTROS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SERVIÇOS DE APOIO As MICRO E PEQUENAS EMPRESAS DE RONDÔNIA - SEBRAE/RO PROCEDIMENTO ESPECÍFICO PARA A SUSPENSÃO DE IMUNIDADE PREVISTO NO ARTIGO 32 DA LEI N° 9.430/96. A ausência da observância do procedimento especifico para a suspensão da imunidade acarreta vicio formal ao lançamento tributário. A nulidade atinge o IRPJ e os tributos a ele correlatos, principalmente se a entidade goza de isenção, nos termos do artigo 32, §10, da Lei n° 9430/96. COFINS. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS. ISENÇÃO. A isenção das entidades de educação e assistência social, sem fins lucrativos, para as receitas relativas às suas atividades próprias, alcança fatos geradores ocorridos a partir do' me's de fevereiro de 1999, não havendo como argüir-se imprescindibilidade de Ato Declaratório de suspensão do beneficio fiscal condicionado quando a autuação diz respeito a infrações fiscais apuradas em períodos anteriores à sua vigência. CSLL. ISENÇÃO DAS INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL, SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO. PROCEDIMENTOS. Incidindo sobre o lucro liquido, o direito A. sua isenção subsume- se, a exemplo do IRPJ, aos requisitos do art. 9 0 §1 0 e art. 14 do Código Tributário Nacional - CTN, para cuja suspensão deve ser observado o comando inserto no art. 32 da Lei n° 9.430/1996, sob pena de nulidade do lançamento de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar de nulidade do lançamento por vicio formal, em C." arcos Cândido - Presiden Susy Go hie Francisc e Sales • sei de Queiroz - Redator Designado. Editado em: 35 MAI 2011 Processo n° 10240.001474/2004-31 AcOrdRo n.° 9101-000.877 CSRF-T1 Fl. 2 relação à COF1NS do ano-calendário de 1998, determinando o retorno dos autos A Camara recorrida para análise das demais matérias do recurso voluntário em relação à COFINS do ano- calendário de 1998, vencida a Conselheira Susy Gomes Hoffmann (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Francisco Sales Rib o 1 e Queiroz. • Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido,' Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Trata-se de recurso especial por divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. 0 auto de infração que deu origem ao presente processo versa sobre: a) IRPJ, relativo aos anos de 1998 e 1999. Constatou-se que houve omissão dk de receitas decorrentes de depósitos bancários não contabilizados, bem como falta de recolhimento ou de declaração de imposto de renda. b) CSLL e Cofins concernentes ao ano de 1998. Constatou-se a ocorrência de omissão de receitas. 0 valor do lançamento é de R$ 541.460,39, com imposição de multa de oficio de 75%. 0 contribuinte apresentou impugnação As fls. 238/257 dos autos. Alegou, em síntese, que se cuida de instituição sem fins lucrativos, que tem como objetivo o fomento e o auxilio As micro e pequenas empresas, de modo que suas ações não poderiam ser consideradas transações comerciais ou prestações de serviços, mas perpetração do seu objetivo institucional. Argumentou que os valores que a fiscalização reputou como receitas, na verdade, constituem meros ingressos, os quais foram repassados para empresas promotoras de eventos de apoio As micro e pequenas empresas. 2 Processo n°10240.001474/2004-31 CSRF-T1 Acórdao n! 9101-000.877 PI. 3 Sfq 'CS" Alegou, ainda, que tem natureza de sociedade civil, sem fins lucrativos, instituida sob a forma de Serviço Social Autônomo, e que preenche os requisitos para o gozo da imunidade prevista no artigo 150, inciso VI, "c", da Constituição Federal, assim como os previstos no artigo 14 do CTN. Por outro lado, aduziu que a multa de oficio, de 75% sobre o tributo devido, viola o principio do não-confisco. Ainda, que a utilização das informações referentes a CPMF, no que se refere aos dados anteriores A Lei n° 10,174/2001, é ilegal. Por fim, requereu perícia contábil para determinar as diferenças apontadas no que tange aos ingressos e As receitas efetivas. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, As fls. 292/298, julgou procedente o lançamento. As fls. 302/332 dos autos, o contribuinte interpôs recurso voluntário, do qual resultou, por parte da Quinta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, a declaração de nulidade dos lançamentos por vicio formal (fls. 339/344): Eis a ementa da decisão: "SEBRAE- IMUNIDADE- VIVO FORMAL- NULIDADE- Tratando-se de instituição de educação e assistência social, sem fins lucrativos, a entidade integrante do .sistema "S" goza de imunidade tributária, cuja suspensão deve obedecer o rito instituído pelo art, 32 da lei n° 9430/96. E nulo, por vicio formal, o lançamento não precedido daquelas formalidades". Expressou-se, na decisão, que a fiscalização, embora reconhecendo a natureza jurídica da fiscalizada, decidiu que não era beneficiária da imunidade tributária cm questão, não observando o artigo 32 da lei n° 9.430/96, cujo §3 0 estabelece, com exclusividade, o delegado ou o inspetor da Receita Federal como detentores da competência para decidir e expedir o ato declaratório suspensivo da imunidade. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial (fls. 349/357), suscitando divergência jurisprudencial no que se refere à aplicação do artigo 32 da Lei n° 9.430/96. Citou, para tanto, acórdão da antiga Terceira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, em que se entendeu que o rito do mencionado dispositivo não se aplica As contribuições sociais, por ter em vista apenas a imunidade tributária concernente a imposto, prevista no artigo 150, inciso VI, "c", da Constituição Federal. Assim, a recorrente postulou que "seja afastada a nulidade por vicio formal relativamente aos lançamentos de CSLL e CORNS". E o relatório. Processo n° 10240.001474/2004-31 Acórdão n.° 9101-000.877 CSRF•Tl Fl. 4 Voto Vencido Conselheiro Susy Gomes Hoffmann, Relator O presente recurso é tempestivo. Preenche todos os requisitos de admissibilidade, já que se demonstrou a divergência jurisprudencial suscitada. Realmente, a recorrente trouxe à tona decisão da antiga Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em que se entendeu que "a submissão ao artigo 32 da lei n° 9430, de 27 de dezembro de 1996, não atinge a Cofins, por envolver apenas a imunidade tributária relativa a impostos, prevista na alínea "c", do inciso VI, do artigo 150, da Constituição Federal". Ressalto desde já, no entanto, que a pretensão recursal não merece acolhida. • Preliminarmente, contudo, impõe-se tecer algumas ponderações a respeito da existência de duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade que dizem com o tema ora em julgamento. Com efeito, estão a tramitar no Supremo Tribunal Federal a ADI n° 1802, protocolizada no ano de 1998, que questiona a constitucionalidade dos artigos 12, 13 e 14 da Lei n° 9.532/1997, e a ADI n° 4021, protocolizada em 2008, tendo como objeto a declaração de inconstitucionalidade do artigo 32 da Lei n° 9.430/96. Tem-se o seguinte panorama: a) ADI n° 1802: em 27/08/1998, o Tribunal, por unanimidade, deferiu parcialmente o pedido de medida cautelar, para suspender, até a decisão definitiva da ADI, a vigência do §1 0 e alinea "f" do §2°, ambos do artigo 12, do artigo 13, "caput", e do artigo 14, todos da Lei n° 9.532/97. b) ADI n° 4021: diante do pedido de medida cautelar, o relator, Min. Eros Grau, entendeu por bem aplicar o artigo 12 da Lei n° 9.868/99, a fim de submeter o processo diretamente ao Tribunal, tendo em vista a relevância do caso. Ainda, em face da alegação do autor da ação de conexão com a ADI n° 1802, acima referida, submeteu-se à consideração do Presidente do STF no que tange à eventual necessidade de redistribuição do feito, por prevenção, ao relator desta ADI. Entendeu-se, neste ponto, consoante despacho proferido ern 27/08/2008, que não restou caracterizada a conexão, sob o fundamento de que as duas ações versam sobre dispositivos de leis diferentes. E de se ressaltar que, na ADI n° 4021, o STF ainda não apreciou o pedido de medida cautelar. Trago à baila as duas ações, tendo em vista potencial discussão a respeito da vigência ou não do artigo 32 da Lei n° 9.430/96, diante do deferimento da medida cautelar no bojo da ADI 1802, suspendendo-se, dentre outros, o artigo 14 da lei n°9.532/97. Este dispositivo legal tem a seguinte redação: Processo n°10240.001474/2004-31 Acórdão n.° 9101-000.877 Art. 14. 4 suspensão do gozo da imunidade aplica-se o disposto no art. 32 da Lei n'9.430, de 1996. Poder-se-ia depreender desta circunstância que o artigo 32 da Lei n° 9.430/96, já que a ele refere-se expressamente o artigo 14 suspenso, também estaria com a sua vigência sobrestada. Entretanto, tal entendimento é destituído de razão jurídica. Vejamos. Analisando-se o voto do Min. Sepólveda, á. época relator da ADI n° 1802, o qual fora acolhido por unanimidade, tem-se que, tratando especificamente dos artigos 13 c 14 da Lei n° 9.532/97, e baseando-se no entendimento já consolidado da Suprema Corte, entendeu, em juizo provisório, que a suspensão da imunidade tributária, nos termos do disposto no artigo 13, aplicável sob a forma de sanção ao sujeito passivo que "houver contribuído para a prática do ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária (..)" extrapolaria os lindes legítimos de regulação por lei ordinária de matéria atinente a imunidade tributdria. Destarte, nessa esteira, partindo-se do pressuposto da inconstitucionalidade do artigo 13, suspendeu-se, também, o artigo 14, que se liga umbilicalmente àquele dispositivo, e sem o qual não haveria razão de existir. De fato, afigura-se, neste ponto, não obstante não expresso neste sentido o voto do ilustre ministro, uma verdadeira "inconstitucionalidade por arrastamento", aquela em que "a dependência ou interdependência normativa entre os dispositivos de uma lei pode justificar a extensão da declaração de inconstitucionalidade a dispositivos constitucionais mesmo nos casos em que estes não estejam incluidos no pedido inicial da ação" 1 . Inconstitucionalidade, é de se enfatizar, "provisória", já que a norma encontra-se com sua eficácia suspensa, em virtude de concessão de medida cautelar. Realmente, o artigo 14 não subsiste sem o artigo 13, . de modo que a suspensão deste importa, inexoravelmente, a suspensão daquele. Sob esta perspectiva, tem-se, na medida cautelar, que o relator foi explicito, ao tratar do artigo 32 da Lei n° 9.430/96, no seguinte sentido: "Essa L. 9.430/96 prevê a 'suspensão' da imunidade tributária por falta de observância dos requisitos do art. 90, §1°, e 14, do CT1V, claramente enquadrtiveis no campo que vimos considerando facultado até a lei ordinária" E, cuidando do artigo 14 da Lei n° 9.532/97, sob o prisma em que tal dispositivo determina a aplicação do artigo 32 da Lei n° 9.430/96 na hipótese de configuração dos pressupostos para a suspensão da imunidade tributária previstos no artigo 13 daquele diploma legal, adianta o seu juizo de inconstitucionalidade, externando que: "A norma agora impugnada, contudo, uma vez mais, instrumentaliza a suspensão da imunidade tributária como sanção MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocência Mártires; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional. 2° edição. Saravia. 2008. p. 1247. Processo e 10240.001474/2004-31 CSRF-T1 Acórddo n.° 9101-000.877 Fl. 6 dos ilícitos fiscais que não dizem com os pressupostos do beneficio constitucional" Vê-se, com isso, que, inequivocamente, não se pode dizer que o artigo 32 da Lei n° 9.430/96 esta com a sua vigência suspensa por força da suspensãO do artigo 14 da Lei n° 9.532/97, tão-somente pelo fato de que este artigo faz referência Aquele. Com efeito, o sobrestamento do artigo 14 da Lei n° 9.532/97 deu-se cm razão do juizo provisório de inconstitucionalidade que recaiu sobre o artigo 13 da mesma lei, o qual constitui-se cm condição para a aplicação do artigo 14, e sem o qual este não subsistiria (conforme já exposto); é dizer, a suspensão da imunidade tributária que se reputoit como ilegítima é aquela que tem como pressuposta a tipificação de uma infração à legislação tributária, consubstanciando-se, portanto, numa verdadeira sanção; ressalvou-se, de outro lado, expressamente, que a suspensão da imunidade sob o pressuposto da falta de preenchimento dos requisitos estabele'cidos nos artigos 9 0, §1°, e 14 do CTN, conforme regulado pela: Lei n° 9430/96, é dotada de compatibilidade constitucional. Ora, como se sabe, o efeito vinculante, cm termos objetivos, que assoma de uma sua decisão, seja definitiva seja cautelar, sobretudo em sede de controle abstrato de constitucionalidade, que tem eficácia ergo omnes, abrange não só a sua parte dispositiva, mas também os seus fundamentos determinantes, conforme se depreende da seguinte passagem do voto proferido pelo ex-ministro Mauricio Corrêa, no âmbito da Reclamação n° 1.987 (DJ1J 21/05/2004): "A questão fundamental é que o ato impugnado não apenas contrastou a decisão definitiva proferida na ADI 1.662, como, essencialmente, está em confronto com seus motivos determinantes. A propósito, reporto-me it recente decisão do ministro Gilmar Mendes (RCL 2.126, DJ de 19/08/02) sendo relevante a consideração de importante corrente doutrinária, segundo a qual a 'eficácia da decisão do Tribunal transcende o caso singular, de modo que os princípios dimanados da parte dispositiva e dos fundamentos determinantes sobre a interpretação da constituição devem ser observados por todos os Tribunais e autoridades nos casos futuros', exegese que fortalece a contribuição do Tribunal para preservação e desenvolvimento da ordem constitucional". Neste sentido, o ministro Gilmar Mendes diz que: "Como se vê, com o efeito vinculante pretendeu-se conferir eficácia adicional à decisão do STF, outorgando-lhe amplitude transcendente ao caso concreto. Os órgãos estatais abrangidos pelo efeito vinculante devem observar, pois, não apenas o conteúdo d aparte dispositiva da decisão, mas a norma abstrata que dela se extrai, isto é, que determinado tipo de situação, conduta ou regulação- e na apenas aquele objeto de pronunciamento jurisdicional- é constitucional ou inconstitucional e deve, por isso, ser preservado ou eliminado (.) Com a positiva cão dos institutos da eficácia erga omnes e do efeito vinculante das decisOes proferidas pelo STF na ação declaratária de constitucionalidade e na ação direta de inconstitucionalidade Processo rl° 10240.001474/2004-31 CSRF-Tl Acórao n.° 9101-000.877 Fl. 7 a2 61-- deu-se um passo significativo no rumo da modernização e racionalização da atividade da jurisdição constitucional entre nos" Assim é que não se pode levar em conta a medida cautelar concedida pelo STF na ADI 1802, sem se analisar e considerar o teor da sua fundamentação. E esta, como já demonstrado, faz explicita distinção entre as hipóteses de suspensão tributária previstas na Lei no 9.532/97 e na Lei n° 9.430/96, reputando-se como suspensa aquela (artigos 13 e 14). Por outro lado, além do fato de, nos termos do já exposto, não se poder afirmar que o artigo 32 da Lei n° 9.430/96 encontra-se suspenso, em razão da decisão proferida no bojo da ADI no 1802, também não se pode relegar que existe uma ADI especifica que questiona a constitucionalidade de tal dispositivo, na qual ainda não houve sequer a análise da medida cautelar postulada. Ademais, nessa ADI, de n° 4021, verifica-se a existência de despacho do Presidente da Corte no sentido da inexistência de conexão entre as duas ações comentadas, determinando-se o seu trâmite com relatores diferentes. Ora, como se sabe, es institutos processuais da prevenção, da prorrogação de competência e da conexão, tem o escopo último de evitar que, no âmbito do Poder Judiciário, surjam decisões divergentes em casos de ações que, por suas elementos, encontram-se intimamente ligadas, o que geraria, alem de incongruência, urna insegurança jurídica latente nos jurisdicionados. Esta razão revela-se ainda mais premente quando se trata de ações existentes num mesmo tribunal. Diante desse panorama, passo à análise do mérito. Tem-se que, consoante se enfatizou no acórdão recorrido, a própria fiscalização reconheceu a natureza jurídica do Sebrae, nos termos do que dispõe o Decreto n° 99.570/1990, que desvinculou o Sebrae (antigo Cebrae) da Administração Pública Federal, para transformá-lo em Serviço Social Autônomo. Este, conforme ensina Hely Lopes Meirelles: "São todos aqueles instituidos por lei, com personalidade de Direito Privado, para ministrar assistência ou ensino a certas categorias sociais ou grupos profissionais, sem fins lucrativos, sendo mantidos por dotações orçamentárias ou por contribuições parafiscais. Sao entes paraestatais, de cooperação com o Poder Páblico, con: administração e patrimônio próprios, revestindo a forma de instituições particulares convencionais (fundações sociedade civis ou associações) ou peculiares ao desempenho de suas incumbências estatutárias". 2 Em sua essência, tais entidades não tem fins lucrativos, e são reconhecidamente destinatárias da imunidade tributária prevista no artigo 150, inciso VI, "c", da Constituição Federal, o que particularmente interessa aqui. No acórdão recorrido, considerou-se totalmente nulo o lançamento, coin base em vicio formal, tendo em vista o fato de não se ter observado, no procedimento fiscalizatório, o artigo 32, §3°, da Lei n° 9.430/96, que tem a seguinte redação: MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, Sao Paulo: Revista dos Tribunais, 1996, P. 338. 7 Processo n° 10240.001474/2004-31 CSRF-Tl AcOrddo n.° 9101-000.877 Fl. 8 Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 3° 0 Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato deelaratório suspensivo do beneficio, na caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência a entidade. A recorrente defende que a anulação não pode se estender h CSLL e COF1NS, que também foram objeto do lançamento. Isto porque o referido dispositivo legal apenas se refere, especificamente em seu § 1°, h. "imunidade de tributos federais de que trata a alínea "c" do inciso VI do artigo 150 da Constituição Federal". Não procedem, contudo, suas alegações. Realmente, o mesmo artigo 32 da Lei n° 9.430/96 estabelece, em seu §10, que: § 10, Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicam-se, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver deseumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. O Sebrae, por sua natureza, goza de isenção, tanto no que se refere ,h CSLL c h Cofins, com base no artigo 15 da Lei n° 9532/97, que dispõe no seguinte sentido: Art. 15. Consideram-se isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e cientifico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituidas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sera fins lucrativos. (Vide Medida Provisória n°2158-35, de 2001) § 1" A isenção a que se refere este artigo aplica-se, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro liquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. E com fundamento no artigo 14 da Medida Provisória n° 2158-35/01, que prevê: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12 de fevereiro de 1999, são isentas da COFITIS as receitas: X- relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Desta forma, assim como se revela nulo o auto de infração, no que se refere ao IRPJ, por não se ter observado o artigo 32 da Lei n° 9430/96, pelo mesmo fundamento a nulidade do auto de infração assoma em relação à CSLL e h Cofins, com base no artigo 32, §10, daquele diploma legal. Note-se que, além dessas razões, outras ensejam a que não se de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Y18 Processo n° 10240.001474/2004-31 CSRF-T1 Acórd5o n.° 9101 -000.877 Fl. 9 I3 ? a 4 Com efeito, não é razoável se defender que, no âmbito de uma só fiscalização, se permita fragmentar a atuação do fisco, a fim de que se a repute nula apenas no que tange a um tributo, e se salve, a qualquer custo, o lançamento dos demais tributos, o qual somente se deu em decorrência daquela fiscalização maculada de nulidade. De um lançamento nulo não pode advir a constituição válida de créditos tributários derivados. Ressalte-se, por outro lado, que o previsto no artigo 32 da Lei n° 9.430/96 é urn procedimento que deve ser observado pelo fisco, em relação aos entes enquadrados no âmbito de proteção da imunidade constitucional em questão, previamente h constituição do crédito tributário. Isto é, antes da autuação do contribuinte, o fisco deve implementar o procedimento em comento, de modo que, não o fazendo, toda a autuação que não o teve como precedente, deve ser considerada nula. Ademais, tal procedimento, para além da suspensão da imunidade, também deve ser obedecido no caso de isenção da entidade, conforme relatado acima. Neste sentido, veja o trecho do seguinte julgado (acórdão 105-15406, da Quinta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes): Por apresentar normas procedimentos, a semelhança da regulamentação do lançamento apoiado em dados fornecidos a partir da CPMF, o artigo 32 tem aplicação sobre os fatos pendentes e alcança os procedimentos realizados a partir de sua vigência, sendo aplicável, portanto, ao presente caso. A Lei n° 9.430/96 estabeleceu uma cronologia rígida de procedimento, iniciada pela notificagdo fiscal, atribuindo o prazo de trinta dias para a empresa apresentar suas alegações para, somente então, a au toridade administrativa da Receita Federal, apreciando as alegações, expedir o ato declaratório, dando, de sua decisão, ciência à entidade. Poderá ser expedido o ato declaratório se, decorridos os trinta. dias, a instituição não se manifestar. Efetivada a suspensão da imunidade (par 6 ) caber-6 o prazo de trinta dias para a instituição impugnar o ato declaratório e poderá a fiscaliza cão (par 6", II), então, lavrar os autos de infração, se for o caso. A instituição (recorrente) tomou ciência do ato preparatório (par I), conforme declaração de punho aposta a fls. 731, na mesma data em que tomou ciência dos autos de infração (lis. 739 e seguintes), sem que lhe fosse atribuído o direito de discussão acerca dos termos do Parecer n' 555/2000 6:xtr 2). Não houve a maniftstação da autoridade administrativa preconizada pelo parágrafo Não foi aberta oportunidade para a recorrente impugnar o ato declaratório (par 6', I). Como se pode ver, somente em 21.08.2001 (Ils. 1240) o ato declaratório foi levado à ciência formal da recorrente. Como conseqüência lógica, a partir de 21.08.2001 deveria se desencadear toda a corrente de procedimentos visando a quebra ou suspensão da imunidade com cumprimento ao rito do artigo 32 da tf 9 Processo rf 10240.001474/2004-31 • CSRF-T1 Acárd5o n.° 9101-000.877 Fl. 10 Lei n° 9.430/96, para, somente esgotados todos os passos e procedimentos, abrir-se a possibilidade da lavratura dos autos de infração. Não foi assim que aconteceu, uma vez que os autos de infração foram lavrados quase um ano antes da tentativa de saneamento do processo pela reabertura dos procedimentos que deveriam culminar, se fosse o caso, com a lavratura dos autos de infração. É, portanto, o ato decIaratório ineficaz, uma vez que osart. 32, § 3°, da Lei n° 9.430/96, onde regula os procedimentos administrativos, portanto sob a égide do direito instrumental, foi descumprido, cuja consequência direta é a nulidade dos autos de infração lavrados no procedimento fiscal. Não há como, portanto, convalidar as exigências fiscais comidas nos autos de infração lavrados intempestivamente e sem o imprescindivel cumprimento do ritual de suspensão da imunidade, expressamente previsto na legislação vigente (Lei no 9.430/96, artigo 32). E nem estamos diante de vicio formal, uma vez que hotn4 o descumprimento dos procedimentos vinculatórios e antecedentes a lavratura dos autos de infração, que não podem ser simplesmente suprido s diante da manutenção da exigência contida nos autos de infração irregularmente lavrados. Assim conduzo melt voto no sentido de acolher a preliminar de nulidade dos autos de infração por desatendimento ao pressuposto no artigo 14 do C7N principalmente pelo descumpritnento das determinações vinculatórias trazidas no artigo 32 da Lei n° 9.430/96, vigentes a época da lavratura dos autos de infração. Veja-se que, em tal caso, o auto de infração versava, alem do Imposto de Renda, também sobre a Cofins. Ademais, há reiteradas deeiseies deste tribunal administrativo no sentido de que, caindo a autuação principal, cai também, forçosarnente, a reflexa. Neste sentido, os seguintes julgados: 1" Conselho de Contribuintes / la. Câmara / ACÓRDÃO 101- 95.473 em 26.04.2006 IRPJ E OUTRO - Ex(s): 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO - CERCEAMENTO DE DEFESA - FALTA DE INTIMAÇÃO - IMPROCEDÉNCIA - Não é causa de nulidade do lançamento de oficio, a falta de intimação do sujeito passivo sobre as irregularidades apuradas durante a ação fiscal, caso a autoridade autuante entender desnecessário tal procedimento. PRELIMINAR DE DECADÉNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - CASO DE DOLO OU FRAUDE - Uma vez tipificada a conduta fraudulenta prevista no § • Processo n0 10240.001474/2004-31 CSRF-T1 Acórdio n.° 9101-000.877 Fl. II 32a CSy 4 0 do art. 150 do CT1V, aplica-se ti regra do prazo decadencial e a forma de contagem fixada no art. 173, quando a contagem do prazo de cinco anos tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IMUNIDADE TRIBUTAM - INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO - SUSPENSÃO DA IMUNIDADE - As instituiçães de educação podem ter a imunidade tributária suspensa nos precisos termos do § 10, do artigo 14, por descumprimento dos incisos Jell, do mesmo artigo § 1', do artigo 90, do Código Tributário Nacional. Os pagamentos a beneficiários não identificados (empresas comprovadamente inexistentes ou declaradas inaptas para emissão de documentário fiscal) mediante utilização de notas fiscais iniclôneas (Súmulas de Documentação Tributariamente Ineficazes) e pagamento de despesas pessoais dos diretores e associados caracterizam distribuição de lucros ou rendas a dirigentes ou participação nos resultados pelos seus administradores. IRA! - SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA - LANÇAMENTO DE OFICIO - LUCRO ARBITRADO - POSSIBILIDADE - Suspensa à imunidade tributária, por descumprimento do disposto no artigo 14 do Código Tributário Nacional, é cabível o lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica mediante arbitramento do lucro quando a escrituração contábil não contém os elementos indispensáveis para a apuração do lucro real. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - CSLL - PIS - A decisão proferida no lançamento principal estende-se aos demais lançamento face relação de causa e efeito que vincula um co outro. MULTA QUALIFICADA - Se as provas carreadas aos autos pelo Fisco, evidenciam a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada de desviar receitas da tributação, cabe a aplicação da multa qualificada. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Manoel Antonio Gadelha Dias - Presidente Publicado no DOU em: 18.07.2006 Relator: Valmir Sandri Recorrente: ASSOCIAÇÃO PRUDENTINA DE EDUCAÇÃO E CULTURA - APEC Recorrida: 3" TURMA/DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP 1° Conselho de Contribuintes / 7a. Câmara / AC6RDÃO 107- 08,772 em 18.10.2006 IRPJ E CSLL - Exs: 1997 e 1998 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO - IMUNIDADE - .ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 14 DO CYN - SUSPENSÃO - IMPROCEDÊNCIA DO ATO - A suspensão de imunidade de instituição de educação,. medida excepcional, somente subsiste para efeitos de permissão de tributação se provado - se e enquanto vigente as suas causas d términantes ofensa ao art. 14 do CTN. 11 Processo n° 10240.001474/2004-31 CSIRF-T 1 AcOrdao n.° 9101-000.877 Fl. 12 IRI".1 E CSLL - IMUNIDADE - MANUTENÇÃO - INSUBSISTgNCIA DOS LANÇAMENTOS - Mantida a imunidade da instituição, consequentemente, os lançamentos de oficio decorrentes de ato que anteriormente decretara a sua suspensão, devem ser declarados insubsistentes. Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Nectar de Lima e Albertina Silva Santos de Lima. Marcos Vinicius Neder de Lima - Presidente. Publicado no DOU em: 31.08.2007 Relator: Natanael Martins Recorrente: UNIVERSIDADE CATÓLICA DO SALVADOR Recorrida: 2" TURMAIDRJ - SALVADOR/BA 1° Conselho de Contribuintes / la. Camara / ACÓRDÃO 101- 95.505 em 27.04.2006 IRPJE OUTROS - Ex(s): 1999 e 2000 SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTARIA. A suspensão da imunidade prevista no artigo 150, VI, "c", da Constituição Federal, só é cabível na hipótese de serem desatendidos, comprovadamente, os requisitos fixados nalegislagdo de regência. IMUNIDADE- INTERPRETA C. -0- Albergando, a norma imunizante, um principio fundamental a ser preservado, não se justijica qualquer interpretação que o amesquinhe. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA - A interpretação restritiva não reduz o campo da norma, mas determina-lhe as fronteiras exatas. Não conclui de mais, nem de menos do que o texto exprime, mas declara o sentido verdadeiro e o alcance exato da norma, tomando em apreço todos os fatores jurídica-sociais que influirant em sua elaboragdo. - REMUNERAÇA0 DE DIRIGENTES. 0 pagamento regular, aos dirigentes, de salários e gratificações a que fazem jus como integrantes do corpo docente da universidade, de acordo com o plano de carreira do magistério, em iguais condições com os demais professores que não exercem cargo de direção, não se identificam como distribuição velada de patrimônio, em nada importando que, enquanto exercendo as funções de reitor, pró- reitor, e assemelhadas, sejam dispensados da atividade de docência. - TRIBUTAÇA0- IRPJ- Não caracterizado o descumprimento dos requisitos para a imunidade, não subsiste a suspensão do beneficio e, conseqüentemente, não prospera o lançamento do IRPJ. TRIBUTAÇÃo REFLEXA - CSLL - Em se tratando de exigência reflexa, que tent por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão segue a mesma sorte da prolatada no processo principal. 12 Processo n° 10240.00 i 474/2004-31 Acórdão n.° 9101-000.877 CSRF-T1 Fl. 13 Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Manoel Antonio Gadelha Dias - Presidente Publicado no DOU em: 22.11.2006 Relator: Valmir Sandri Recorrente: INSTITUTOS PARAIBANOS DE EDUCAÇÃO - IPE Recorrida: 3" TURMA/DRJ-RECIFE/PE 1° Conselho de Contribuintes / la. Cámara / ACÓRDÃO 101- 95053 ern 17.06.2005 IRPJ E OUTROS- Ex(s): 1994 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E OUTROS - AC 1992 LUCRO REAL - DESPESAS NÃO COMPROVADAS - GLOSA - Só poderão ser deduzidos na apuragdo do Lucro Real os custos e as despesas operacionais, cuja realização estiverem comprovadas por documentação hábil e idônea. Decorrência no lançamento da CSLL. IR FONTE SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO (ILL) - Tratandose de contribuinte cuja natureza jurídica seta a de sociedade por ações, não procede a exigência a título de Imposto sobre o Lucro Liquido, tendo em vista a suspensão, pelo Senado Federal, da execução do art. 35 da Lei n" 7.713/88, no que diz respeito ez expressão "o acionista" nele contida (Resolução n°82. de 1996 - DOU 19 e 22.11.96). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - MATÉRIA NÃO COTESTADA EXPRESSAMENTE - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - A impugnação e o recurso voluntário devem conter 03 argumentos e proves que desconstituarn o lançamento tributário. A matéria que não for expressamente contestada sera considerada incontroversa e o lançamento tributário ern relação a ela, mantido. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA - INAPLICAÇÁO AO CASO - SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA - Sendo a recorrente constituída na forma de Sociedade de Economia Mista, a ela não se aplica a imunidade tributária reciproca estabelecida na forma do artigo 150, VI, "a" combinado com o parágrafo 20 do mesmo dispositivo. LANÇAMENTOS REFLEXOS - MANUTENÇÃO - Aplicam- se as exigências reflexes a decisão tomada ern relação ao lançamento principal, devido à intima relação de causa e efeito entre elas existentes, naquilo em que não houver especificidade capaz de alterar tal relagrio.Recurso voluntário parcialmente provido. Por unanimidade de votos. DAR provimento PARCIAL ao 13 Processo n° 10240.001474/2004-31 Acórdão n.° 9101-000.877 recurso, para cancelar a exigência do ILL. Manoel Antonio Gadelha Dias - Presidente Publicado no DOU em: 08.09.2005 Relator: Caio Marcos Candid() Assim, deve-se proceder a manutenção da decisão recorrida, em todos os seus estritos termos. Diante do exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional, a fim de que se mantenha a decisão recorrida, no sentido da declaração de nulidade total do auto de infração CS RF-Tl Fl. 14 Susy Processo n°10240.001474/2004-3! AciircIdo n.° 9101-000.877 C8RF-T1 Fl. 15 ag6 Voto Vencedor Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Redator Designado Encarregado que fui para redigir o voto condutor da presente decisão, trago as informações que me couberam resgatar quando da pesquisa efetuada em face do meu pedido de vistas ao processo, proferindo, ao final, meu entendimento a respeito. Trata-se de lançamentos de oficie decorrentes de fiscalização em que foram apuradas omissões de receitas que teriam ocorrido no ano-calendário de 1998, ensejando a lavratura de autos de infração para cobrança da Colitis e da CSLL, e também do IRPJ, este último não questionado no presente Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional — PFN. Questiona-se se haveria submissão das referidas Contribuições ao art. 32 da Lei no 9.43011996, ou se esse dispositivo diria respeito apenas à imunidade tributária relativa a impostos, consoante alínea "c", inciso VI, artigo 150, da Constituição Federal, tendo em vista o entendimento da recorrente, a Procuradoria da Fazenda Nacional — PFN, no sentido de que o rito do mencionado dispositivo não se aplicaria as contribuições sociais. Na análise do caso, entendi que, primeiramente, deveria ser verificado se as entidades integrantes do sistema "S", como sendo instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, gozariam de isenção relativamente as citadas Contribuições (Cotins e CSLL). Sendo assim, achei oportuno buscar no sitio da Receita Federal do Brasil — RFB as informações que são disponibilizadas para consulta dos contribuintes em geral, as quais transcrevo a seguir: • 1. Quanto a isenção da Cofins: Consta que são isentas da Cofins as receitas relativas its atividades próprias das seguintes entidades (Medida Provisória n2 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, art. 14, 30: a) templos de qualquer culto; lb) partidos politicos; c) instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Processos' 1 0240 . 00 1 474/2004-3 1 Acórdão n.°9101-000.877 CSRF-T1 Fl. 16 d) instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, dent(fico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nE 9.532, de 19973 ); (negritei) e) sindicatos, federações e confederações; serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; g) conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; fundações de direito privado; condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e j) Organiza cão das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § da Lei n2 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Nesse caso, observa-se que as referidas entidades integrantes do sistema "S" • estariam enquadradas na letra "d" supra (art. 15 da Lei no 9.532/1996). Entretanto, o supramencionado art. 15 da Lei n5 9.532, de 1997, recomenda que seja vista a Medida Provisória 2.158, de 2001, a qual, no art. 14— X 4, estabelece a isenção da Cofins Em relaçlio aos fatos geradores ocorridos a partir de 1de fevereiro de 1999, para as receitas relativas as atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13... cujo inciso III faz referencia as instituições de educação e de assistência iocial a que 3 Lei n°9.532/1996: Art. 15. Consideram-se isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e cientifico e as Alb associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituidas c os coloquem h disposição do VIIF grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória n° 2158-35, de 2001) § 1° A isenção a que se refere este artigo aplica-se, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro liquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. (negritei) § 2° Não estio abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3° As instituições isentas aplicam-se as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001 Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP sera determinada com base na folha de salários, à aliquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III - instituições de educação e de assistancia social a que se refereo art. 12 da Lei n°9.532. de 10 de dezembro de 1997 - IV - instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei n°9.532. de 1997; 4 Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de la de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: X - relativas as atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (negritei) fit 16 CSRF-T1 Fl. 17 826 Er Processo n°10240.001474/2004-31 Acórdão n.° 9101-000.877 se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997. 5 (negrilei) Sendo assim, minha conclusão é a de que as entidades em causa gozam da isenção da Cofins, mas somente sobre os fatos geradores ocorridos a partir do mês de fevereiro de 1999. Dessa forma, não lid falar-se na necessidade da edição de Ato Declaratório de suspensão de beneficio fiscal condicionado, se o mesmo não existia no ano-calendário de 1998, período em que teriam sido apuradas as omissões de receitas que ensejaram o questionado lançamento de oficio. 2. Quanto à isenção da CS LL6 : Extraem-se as seguintes informações: As entidades sem fins lucrativos de que trata o Decreto no 3.048, de 1999, art. 12, 1 7, que não se enquadrem na imunidade ou isenção da Lei no 9.532, de 1997, esteio sujeitas à CSLL, devendo apurar a base de cálculo e a CSLL devida nos termos da legislação comercial. Consideram-se isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e cientifico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituidas e os coloquem a disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos (Lei n5 9.532, de 1997, art.15). (negritei) O beneficio da isenção independe do prévio reconhecimento (RIR/1999, art. 181). Os procedimentos a serem adotados pela fiscalização tributária nas hipóteses que ensejem a suspensão da isenção encontram-se disciplinados na Lei n° 9.430, de 1996, art. 32, sendo referido dispositivo aplicável também a fatos geradores ocorridos antes da sua vigência, tendo em vista se tratar de norma de natureza meramente instrumental (Lei no 9.532, de 1997, art. 14). (negritei) Da análise das informações acima transcritas, extraídas do sitio RFB, conforme enfatizado, entendo que essas entidades preenchem os requisitos necessários ao gozo do beneficio da isenção da Cofins e da CSLL. Entretanto, com relay -do à Cofins, deve ser observado que a isenção alcança os fatos geradores ocorridos somente a partir do mês de fevereiro de 1999 (e somente as receitas relativas As atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13), não abrangendo, assim, o período objeto da autuação em causa, em que a CSLL e a Cofins incidiram sobre omissão de receitas que teriam sido apuradas no curso do ano de 1998. Esta particularidade, 5 Lei n° 9.532/1996 — art. 12: "(...) considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituida e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar ãs atividades do Estado, sem fins lucrativos." 6 http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/dipj/2005/pergresp2005/pr24a31.htm 7 Art. 12. Consideram-se: I - empresa - a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e II — OnliSSiS. I 7 Processo n° 10240.001474/2004-31 Acórdao n.° 9101-000.877 CSRF-T1 11. 18 para a Cofins, afastaria a necessidade de obediência ao §3° do art. 1° da Lei n° 9.430/1996, repita-se, no ano de 1998, não pelas razões alegadas pela recorrente, mas simplesmente pelo fato de'essas entidades, no referido ano de 1998, serem contribuintes da Cofins. De oUtra forma, com relação à CSLL, a obrigatoriedade do cumprimento da regra prevista no mencionado §3° já se fazia presente no ano de 1998. E mais. Por ser a CSLL incidente sobre o lucro liquido, e o lançamento de oficio decorrer de fiscalização do IRPJ, torna-a umbilicalmente ligada ao IRPJ, subsumindo-a, assim, aos requisitos legais do art. 9° §1° e art. 14 do Código Tributário Nacional — CTN, o mesmo não podendo ser dito com relação Cofins, cuja base de calculo é o faturamento ou a folha de salários, conforme o caso. Passemos, agora, a analisar o aspecto procedimental que deve ser observado pela fiscalização e que se encontra disciplinado no art. 32 da Lei e 9.430/1996, necessário e imprescindível h suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais. Entendo que o comando inserto no caput do art. 32 impõe um rito preliminar aplicável a todos os casos de suspensão do beneficio em virtude da inobservância de requisitos legais e não apenas à situação descrita no §1°, ate porque o §10 explicita, com toda a clareza, que ,f 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicam-se, também, its hipóteses de suspensão de isen cães condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descunsprindo as condiçóes ou requisitos impostos pela legislação de regência. (negritei) sempre bom ressaltar que estamos diante de urna regra procedimental, portanto preparatória para que se reúnam as condições legais que possibilitem a realização do lançamento de oficio, sob pena de, em assim não procedendo, inquiná-lo de nulidade. Em outras palavras, poderíamos dizer que o fato impeditivo (a não observância da exigência que o caso requer, v.g., a constante do §3°) inviabiliza o nascimento do fato constitutivo (o lançamento de oficio). Dessa forma, considero que a análise ora empreendida deve adstringir-se aplicabilidade, ao caso concreto, do rito estabelecido no mencionado dispositivo do art. 32 da Lei n° 9.430/1966, tornando dispensável, no caso, qualquer outra consideração. Importante observar que o condicionamento à obediência do rito instituido pelo art. 32 da Lei n° 9.430/1996, com vistas ao gozo da imunidade tributária, impõe que seja levado em consideração o mandamento do §10 e não somente o do §1°. Nesse sentido é que trago h. baila os fundamentos que ensejaram a nulidade do lançamento por vicio formal, levantada de oficio pelo relator do acórdão recorrido, decisão pautada em preliminar, conforme se extrai da ementa a seguir transcrita (fls. 339/344): "SEBRAE- IMUNIDADE- viCIO FORMAL- NULIDADE- Tratando-se de instituição de educação e assistência social, sem fins lucrativos, a entidade integrante do sistema "S" goza de imunidade tributária, cuja suspensão deve obedecer o rito instituído Processo n0 10240.0(11474/2004-31 Acórao n.° 9101-000.877 CSRF-Tl Fl. 19 3? pelo art. art. 32 da lei n° 9430/96. É nulo, por vicio formal, o lançamento não precedido daquelas formalidades". Percebe-se com clareza que a decisão a quo não apreciou questões de mérito, coisa que a meu ver deveria ter sido efetuada, não fosse a equivocada preliminar de nulidade em relação a Cans, pois em nada seria necessária a observância do rito de que trata o art. 32 da Lei n° 9,430/1996, conforme já explicitado. Por essas razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar de nulidade do lançamento por vicio formal em relação a Cofins do ano- calendário de 1998, determinando o retorno dos autos a Camara recorrida para análise das demais matérias do recurso voluntário, em relação a Cofins do ano-calendário de 1998. É como voto. Sala das Sessões, 22 de fevereiro de2011. • Francisco ales Ri iro de Queiroz - Redator Designado • 19
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Numero do processo: 11020.002300/2001-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PRESSUPOSTOS – RICARF.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos, quando
inocorrentes os pressupostos regimentais (necessidade de suprir dúvida, contradição ou omissão constante na fundamentação do julgado)
Numero da decisão: 3402-001.568
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, conheceram-se e rejeitaram-se os Embargos de Declaração.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Interessado FAZENDA NACIONAL (PGFN) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PRESSUPOSTOS – RICARF. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos, quando inocorrentes os pressupostos regimentais (necessidade de suprir dúvida, contradição ou omissão constante na fundamentação do julgado) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade votos, conheceram se e rejeitaramse os Embargos de Declaração, NAYRA BASTOS MANATTA Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Sílvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Fl. 458DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 11020.002300/200109 Acórdão n.º 3402001.568 S3C4T2 Fl. 2 2 Tratase de Embargos Declaratórios (fls. 418/422) interpostos pela contribuinte, com fundamento no art. 65 do RICARF por supostas contradição e omissão no v. Acórdão nº 340200.884 exarado por esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 409/414) de minha relatoria em sede de Recurso Voluntário (fls. 78/80) que, em sessão de 28/10/10, por maioria de votos, houve por bem anular o processo a partir da decisão da DRJ (vencido o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça – Relator que não conhecia do recurso), aos fundamentos sintetizados nas seguintes ementa e súmula: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1993 a 30/09/1993 PEDIDO APRESENTADO PELA CONTRIBUINTE. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INCOMPETÊNCIA DA DRJ. Exorbita a esfera de competência das DRJ o julgamento de manifestação contra o nãoatendimento de pedido formalizado pela contribuinte para que sejam excluídos do conta corrente débitos de sua responsabilidade. Processo anulado a partir da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em anular o processo a partir da decisão da DRJ. Vencido o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator) que não conhecia do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Silvia de Brito Oliveira. Nayra Bastos Manatta Presidente Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça – Relator Silvia de Brito Oliveira – Relatora Designada. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Nayra Bastos Manatta, Júlio César Alves Ramos, Ângela Sartori (Suplente), Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da gama Lobo D'Eça e Leonardo Siade Manzan.” Entende a ora embargante que apesar de ter reconhecido a nulidade do processo a partir da decisão da DRJ, o v. Acórdão, terse ia omitido quanto as providências a serem tomadas para a sanear o processo e quanto à questão envolvendo a forma como a compensação em questão foi efetuada pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Fl. 459DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 11020.002300/200109 Acórdão n.º 3402001.568 S3C4T2 Fl. 3 3 Os Embargos Declaratórios são tempestivos e merecem ser conhecidos, mas no mérito não merecem provimento, ante a inocorrência de qualquer omissão na sua fundamentação a ser suprida. Inicialmente registrese que o voto vencedor e vencido divergem apenas quanto à conclusão do v. Acórdão ora embargado, sendo o voto vencido pelo não conhecimento do recurso e o voto vencedor pela nulidade da r. decisão da DRJ, ambos entendendo não se tratar de compensação administrativa, como resulta claro da fundamentação do voto vencedor quando assevera que: “Discordo do Ilustre Conselheiro Relator quanto ao deslinde da questão submetida a este colegiado e passo a expor, a seguir, as razões dessa discordância. Inicialmente, notese que, conforme consignado no voto vencido, não trata estes autos de pedido de compensação, tampouco de declaração de compensação passível de decisão homologatória ou não e sujeita ao rito processual previsto no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Este processo, de acordo com a decisão recorrida, teria origem em pedido da contribuinte para que fossem retirados do conta corrente os débitos objeto de carta cobrança, tendo em vista o término, com decisão favorável à contribuinte, de ação judicial. Destarte, não se tratando de processo submetido ao rito do Decreto supracitado, entendo que a decisão proferida, da qual ora se recorre a este colegiado, é nula, tendo em vista que não está inserto na esfera de competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) o julgamento de manifestações ou pedidos dessa natureza. Em face disso, voto pela nulidade do processo a partir da decisão da DRJ.” Na mesma linha, embora concluindo pelo não conhecimento do recurso, o voto vencido esclarece com minúcia didática sobre o procedimento a seguir ao asseverar que: “A emissão da Carta Cobrança nada mais é que um ato preparatório, antecedente ao envio do débito para a PFN, destinado a dar uma última oportunidade ao contribuinte para adimplir espontaneamente a obrigação ou comprovar a ocorrência de pagamento, outra forma de extinção ou parcelamento. (...) Assim, desde logo verificase, a matéria objeto do presente processo não decorre de nãohomologação de pedido administrativo de compensação ou de declaração de compensação, sujeitos à apresentação de manifestação de inconformidade, nos termos do § 9° do dispositivo legal reproduzido, visto que não há pedido de compensação pendente nem declaração de compensação entregue, mas restringese a mera execução de decisões judiciais, das quais resultou a Fl. 460DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 11020.002300/200109 Acórdão n.º 3402001.568 S3C4T2 Fl. 4 4 constatação de saldos de débitos declarados pela interessada em DCTFs, nos respectivos períodos de apuração, cujas importâncias se achavam depositadas judicialmente em ação cautelar, e que foram parcialmente quitados pela Recorrente, uma vez que que, na verificação dos valores depositados ou convertidos a favor da União, em comparação com os débitos declarados pela contribuinte em DCTFs, foi constatado que os saldos dos depósitos convertidos e das importâncias compensadas eram suficientes para extinguir somente parte dos débitos declarados naquelas DCTFs. Portanto não há que se falar em homologação expressa ou tácita de compensação declarada pelo sujeito passivo, cujo prazo é de 5 anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (§ 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 na redação dada pela Lei n° 10.833, de 29/12/03), no caso inexistente, vez que se trata de mera execução de decisões judiciais, cujo mérito sequer poderia ser apreciado na instância administrativa, porque "a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição" (cf. Ac. n° 201 77.493, Rec. n° 122.188, da 1ªa Câm. do 2° CC em sessão de 17/02/04, Rel. Antonio Mario de Abreu Pinto; cf. tb Ac. Acórdão nº 20177.519, Rec. nº 122.642, em sessão de 16/03/04 Rel. Gustavo Vieira de Melo Monteiro). (...) Embora não se ignore a possibilidade de erros de cálculo na extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN) que sempre autorizam o acesso à via administrativa da repetição do indébito (arts. 165 a 168 do CTN) observados o rito e o prazo legalmente estabelecidos, também não se pode ignorar a preclusão lógica ocorrida na espécie, que não somente enaltece o respeito à confiança e à lealdade processuais, como impede que o processo seja utilizado para abuso do direito pelas partes, para rediscutir questões suscitadas na via judicial, pelo princípio do "electa una via non datur regressus ad alteram".” Assim, a par de inexistir qualquer contradição ou omissão na fundamentação do v. Acórdão ora embargado, dos seus expressos termos decorre que a nulidade da decisão da DRJ proclamada pela d. Maioria, enseja a imediata cobrança das importâncias constantes da carta cobrança indevidamente impugnada através da manifestação de inconformidade. Portanto, data vênia não se vilumbra qualquer contradição a suprir, donde os Declaratórios apresentam caráter nitidamente infringente, razão pela qual devem ser rejeitados, tal como proclamado pela Jurisprudência Administrativa e se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PRESSUPOSTOS Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração interpostos pelo sujeito passivo, quando não demonstrados os pressupostos do art. 27 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, ante a Fl. 461DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 11020.002300/200109 Acórdão n.º 3402001.568 S3C4T2 Fl. 5 5 inexistência de dúvida, contradição ou necessidade de suprir omissão constante do julgado recorrido. EMBARGOS DECLARATÓRIOS LIMITES Não pode ser conhecido o pedido do sujeito passivo na parte que, a pretexto de retificar o acórdão, pretende substituir a decisão recorrida por outra, com revisão do mérito do julgado.Embargos de declaração rejeitados.” (cf. Acórdão 10805339, Rec. nº 114572, Proc. nº 10935.000705/9628 , em sessão de 22/09/1998, Rel. Cons. Maria do Carmo Soares Rodrigues de Carvalho) Isto posto, voto no sentido de conhecer dos Embargos Declaratórios, mas no mérito rejeitálos, por inocorrência das supostas omissão e contradição na sua fundamentação. É como voto. Sala das Sessões, em 07 de outubro de 2011. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 462DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D E, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA
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