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Numero do processo: 11522.001285/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial, nos termos do art. 173, I do CTN, parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ÓRGÃOS PÚBLICOS. SERVIDORES OCUPANTES DE CARGO EM COMISSÃO. RGPS.
São segurados obrigatórios do RGPS os servidores ocupantes,
exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público.
SERVIDOR PÚBLICO. CONTRATAÇÃO SEM PRÉVIO CONCURSO PÚBLICO. FILIAÇÃO AO RGPS.
O regime próprio de previdência social é reservado, exclusivamente, aos servidores titulares ocupantes de cargos efetivos, cuja investidura depende sempre de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos.
Não estando amparados por RPPS, por exclusão expressa da Constituição Federal, os servidores admitidos sem concurso público são filiados, automaticamente, ao Regime Geral de Previdência Social.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.265
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art.
173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa que entenderam aplicar-se
o art. 150, paragrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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Recorrente ESTADO DO ACRE SECRETARIA DE ESTADO DE INFRA ESTRUTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial, nos termos do art. 173, I do CTN, parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇOES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ÓRGÃOS PÚBLICOS. SERVIDORES OCUPANTES DE CARGO EM COMISSÃO. RGPS. São segurados obrigatórios do RGPS os servidores ocupantes, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público. SERVIDOR PÚBLICO. CONTRATAÇÃO SEM PRÉVIO CONCURSO PÚBLICO. FILIAÇÃO AO RGPS. O regime próprio de previdência social é reservado, exclusivamente, aos servidores titulares ocupantes de cargos efetivos, cuja investidura depende sempre de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos. Não estando amparados por RPPS, por exclusão expressa da Constituição Federal, os servidores admitidos sem concurso público são filiados, automaticamente, ao Regime Geral de Previdência Social. Fl. 357DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa que entenderam aplicarse o art. 150, paragrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. ARLINDO DA COSTA E SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003 Data da lavratura da NFLD: 17/11/2005. Data de ciência da NFLD: 24/11/2005. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em face do Estado do Acre – Secretaria de estado de infraestrutura, em substituição a NFLD declarada nula por vício formal na identificação do sujeito passivo, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 55/63. A presente NFLD tem por objeto o lançamento tributário das contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados e a da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a outras entidades e fundos. Relata a Autoridade Lançadora que os valores da base de cálculo foram apurados com base nos pagamentos efetuados a servidores não efetivos, admitidos sem concurso público após a Constituição Federal de 1988. Fl. 358DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11522.001285/200716 Acórdão n.º 230201.265 S2C3T2 Fl. 348 3 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o notificado apresentou impugnação a fls. 67/78. O Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária no Estado do Acre baixou o feito em diligência, para que a fiscalização se pronunciasse a respeito dos argumentos de defesa e das provas apresentadas, conforme despacho a fl. 105. Informação Fiscal a fls. 106/114, pugnando pela retificação parcial do lançamento, para abater valores oriundos de salário família e licença maternidade. Reaberto o prazo para impugnação, o sujeito passivo se manifestou a fls. 120/131, acompanhada de anexos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa a fls. 161/174, acatando em parte os argumentos de defesa, julgou o débito parcialmente procedente, nos termos do Discriminativo Analítico do Débito Retificado a fls. 175/185. O sujeito passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 18/12/2007, conforme Aviso de Recebimento a fl. 189. Inconformada com a decisão prolatada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 191/212, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que não há amparo legal para a conclusão tomada pelo Fisco de que servidores admitidos sem concurso público devem ser filiados ao Regime Geral de Previdência Social. Aduz que os servidores irregulares não podem ser vinculados ao INSS; • Que pelo Parecer GM 030/2002 da AGU fica claro que os servidores admitidos após 1988 sem concurso público podem ser vinculados a Regime Próprio de Previdência Social; • Que foram incluídos no lançamento servidores que ocupavam cargos em comissão, os quais já se encontravam filiados ao RGPS, cujas contribuições previdenciárias já foram objeto de recolhimento ou parcelamento e, por isso, devem ser excluídos do lançamento; • Que foram incluídos no lançamento servidores que já haviam sido exonerados ou demitidos; • Que não houve a dedução dos valores pagos pelo Estado aos servidores a título de salário família, em decorrência da não apresentação dos documentos previstos na legislação do INSS, gerando assim uma cobrança indevida, visto que, tais valores são benefícios, cujo pagamento é de responsabilidade da previdência social; Fl. 359DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 • Que grande parte dos valores que estão sendo cobrados na presente NFLD está inclusa em parcelamentos referente às competências 02/1999 a 08/1999, feitos pela Administração Direta perante o INSS; • Que, caso se entenda que os servidores deveriam se encontrar no Regime Geral, há a necessidade de compensação de regimes; Os autos foram encaminhados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise e julgamento do Recurso. A 2ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da segunda Seção, mediante resolução a fls. 270/274, converteu o julgamento em diligência para que fossem esclarecidas questões controvertidas no lançamento. Informação Fiscal a fls. 279/283. Cientificado dos termos da Informação Fiscal acima mencionada, o Recorrente se manifestou a fls. 285/288, apresentando os documentos a fls. 289/334. A Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Rio Branco/AC baixou uma vez mais o feito em diligência para que a fiscalização se pronunciasse acerca do aditamento de defesa oferecido pelo Recorrente. Informação fiscal a fl. 336/339. Promovida a ciência do contribuinte, este se manifestou a fl. 345. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 18/12/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 07/01/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Fl. 360DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11522.001285/200716 Acórdão n.º 230201.265 S2C3T2 Fl. 349 5 Pondera o Recorrente que, caso se entenda que os servidores deveriam se encontrar no Regime Geral de Previdência Social, haveria a necessidade de compensação de regimes. Tal matéria, contudo, não pode ser conhecida por este Colegiado eis que, em seu louvor, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por esta corte. O lançamento tributário em apreciação não trata, nem mesmo indiretamente, da compensação de regimes de previdência social tratado no §9º do art. 201 da CF/88. Ademais, tal matéria escapa da competência deferida pelo legislador ordinário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial. No rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento, como se consubstanciam, exatamente, as alegações deduzidas pelo Recorrente no parágrafo preambular deste item 1.2. Por tais motivos, esquivamonos de conhecer das questões aventadas no primeiro parágrafo deste tópico, eis que, ao seu mister, não se instaurou qualquer controvérsia no presente processo a ser dirimida por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, deste conheço parcialmente. Passamos então ao exame das questões preliminares ao mérito. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA. Malgrado não tenha sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à fluência do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário objeto do vertente processo. Fl. 361DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem aplicadas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitosas posições em contrário, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (grifos nossos) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 17 de novembro de 2005, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência Fl. 362DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11522.001285/200716 Acórdão n.º 230201.265 S2C3T2 Fl. 350 7 dezembro/1999, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos em novembro de 1999 e nas competências anteriores a esta, bem como aquelas relativas ao 13º salário desse mesmo ano, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. Vencidas as questões preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Em razão do provimento relativo à decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário de que trata o presente processo, nos termos do item 2.1. supra, apenas será objeto de apreciação por este colegiado as matérias de fato e de direito referentes aos fatos geradores ainda não alcançados pelo decurso do prazo decadencial acima referido. Dessarte, em relação aos demais, consideraremos ter havido perda do interesse, razão pela qual não serão mais objeto de apreciação. Por tal motivo, não será apreciada a alegação de que parte dos valores que estariam sendo cobrada na presente NFLD estaria inclusa em parcelamentos referente às competências 02/1999 a 08/1999, uma vez que o instituto da decadência tributária culminou por fulminar, definitivamente, todas as obrigações tributárias anteriores a dezembro de 1999. Outrossim, cumpre assentar que também não será objeto de apreciação por este colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA FILIAÇÃO AO RGPS. Argumenta o Recorrente inexistir amparo legal para a conclusão tomada pelo Fisco de que servidores admitidos sem concurso público devem ser filiados ao Regime Geral de Previdência Social. Aduz que os servidores irregulares não podem ser vinculados ao INSS. O apelo acima esposado não reflete o Direito Positivo Brasileiro. Fincamos os alicerces sobre os quais estamos a erigir a opinio juris que ora se escultura nos dispositivos concretados nos artigos 37 e 40 da nossa Lei Soberana, em excerto rememorado adiante para a melhor compreensão de seus fundamentos. Constituição Federal de 1988 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Fl. 363DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) I os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) II a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (grifos nossos) Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) (grifos nossos) Deflui do regramento constitucional suso selecionado que o regime próprio de previdência social – RPPS é reservado, exclusivamente, aos servidores titulares ocupantes de cargos efetivos, cuja investidura depende sempre de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos. Tal compreensão encontra amparo, igualmente, no Direito positivado no art. 1º, V da Lei nº 9.717/98, a qual dispõe sobre regras gerais para a organização e o funcionamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal, in verbis: Lei nº 9.717, de 27 de novembro de 1998. Art. 1º Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: (...) V cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; (grifos nossos) Assim, não estando amparados por RPPS, por exclusão expressa estampada na Carta Maior, os servidores admitidos sem concurso público se subsumem à norma geral encartada no inciso I, alínea ‘a’ do art. 12 da Lei nº 8.212/91, não se mostrando despiciendo Fl. 364DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11522.001285/200716 Acórdão n.º 230201.265 S2C3T2 Fl. 351 9 relembrar que, nos termos do art. 15, I do Diploma Legal em realce, considerase empresa para os fins fixados na Lei de Custeio da Seguridade Social os como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) (...) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004). Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (grifos nossos) § 1o Caso o servidor ou o militar venham a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseão segurados obrigatórios em relação a essas atividades. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). § 2o Caso o servidor ou o militar, amparados por regime próprio de previdência social, sejam requisitados para outro órgão ou entidade cujo regime previdenciário não permita a filiação nessa condição, permanecerão vinculados ao regime de origem, obedecidas as regras que cada ente estabeleça acerca de sua contribuição. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional;(grifos nossos) Outra não é a diretriz traçada pelo Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, cujo art. 9º, ao obstar o dispêndio de energias intelectuais no Fl. 365DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 exame da legislação em abstrato, dimanou, com extrema clareza, o efetivo enquadramento a que se submetem os servidores estaduais ocupantes de cargo efetivo que, nessa qualidade, não se encontram amparados por regime próprio de previdência social. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) i) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; j) o servidor do Estado, Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e fundações, ocupante de cargo efetivo, desde que, nessa qualidade, não esteja amparado por regime próprio de previdência social; l) o servidor contratado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem como pelas respectivas autarquias e fundações, por tempo determinado, para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal; m) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante de emprego público; No que tange ao alegado Parecer GM 030, de 04 de abril de 2002, este veio a dirimir, tão somente, dúvida existente entre as assessorias dos Ministérios da Previdência e Assistência Social e Planejamento, Orçamento e Gestão acerca da vinculação dos servidores beneficiados pela estabilidade especial conferida pelo art. 19 do ADCT ao regime previdenciário, concluindo que tanto os servidores estabilizados pela Constituição Federal de 1998 como aqueles não estáveis nem efetivados possuíam direito ao mesmo regime próprio dos servidores titulares de cargos efetivos, consoante dessai do Parecer MPS/CJ n° 3.333/2004, publicado para a eficaz interpretação do Parecer GM n° 030/2002, do Advogado geral da União. PARECER/MPS/CJ nº 3.333/2004 REFERÊNCIA: Comando n° 7196962 INTERESSADO: DIRETORPRESIDENTE DO INSS ASSUNTO: Regime de Previdência dos Servidores Públicos. Interpretação do Parecer GM n° 030/2002, do AdvogadoGeral da União. Aprovo. Publiquese. Brasília, 21 de outubro de 2004 AMIR LANDO EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. REGIME DE PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES PÚBLICOS. INTERPRETAÇÃO DO PARECER N° GM 030/02, DO ADVOGADOGERAL DA UNIÃO. Fl. 366DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11522.001285/200716 Acórdão n.º 230201.265 S2C3T2 Fl. 352 11 O servidor estável abrangido pelo art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e o admitido até 05 de outubro de 1988, que não tenha cumprido, naquela data, o tempo previsto para aquisição da estabilidade no serviço público, podem ser filiados ao regime próprio, desde que expressamente regidos pelo estatuto dos servidores do respectivo ente. A matéria que se apresentou à apreciação do Ministério da Previdência Social limitouse à determinação de qual regime previdenciário seria o aplicável aos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, suas autarquias e fundações, admitidos no serviço público em data anterior à promulgação da Constituição de 1988, mais precisamente, no período compreendido entre 05 de outubro de 1983 a 05 de outubro de 1988. Tendo em vista que o debate em torno da matéria previdenciária aludida nos parágrafos precedentes repercutia diretamente em outras situações concretas envolvendo regimes previdenciários de inúmeros entes federativos, manifestouse a Consultoria Jurídica da autarquia previdenciária no seguinte sentido: a) Aplicase o regime de previdência previsto no caput do art. 40 da Constituição da República aos servidores que por força do disposto no art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias foram considerados estáveis no serviço público, desde que submetidos a regime estatutário; b) Aplicase o regime de previdência previsto no caput do art. 40 da Constituição da República aos servidores não estabilizados por não cumprirem o interregno de 05 (cinco) anos previsto no caput do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, desde que a natureza das atribuições dos cargos ou funções ocupados seja permanente e estejam submetidos a regime estatutário; c) aplicase o regime de previdência previsto no §13 do art. 40 da Constituição da República aos servidores não estabilizados por não cumprirem o interregno de 05 (cinco) anos previsto no caput do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, apenas quando a natureza das atribuições dos cargos ou funções ocupados seja temporária/precária; d) aplicase a exegese literal do art. 40 da Constituição da República aos servidores admitidos no serviço público após a promulgação da Constituição de 1988, somente sendo aplicável o regime previdenciário próprio previsto no caput do citado artigo aos servidores nomeados para cargo de provimento efetivo. À luz dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que o disposto no Parecer GM nº 030/2002 da Advocacia Geral da União é aplicável, tão somente, aos servidores estáveis abrangidos pelo art. 19 do ADCT e àqueles admitidos até 05 de outubro de Fl. 367DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 1988 que não tenham cumprido, à data da promulgação da vigente Constituição Federal, o tempo previsto para aquisição da estabilidade no serviço público, os quais podem ser filiados a Regime Próprio de Previdência Social, desde que expressamente regidos pelo estatuto dos servidores do respectivo ente. Ato das Disposições Constitucionais Transitórias Art. 19. Os servidores públicos civis da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da administração direta, autárquica e das fundações públicas, em exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos continuados, e que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37, da Constituição, são considerados estáveis no serviço público. §1º O tempo de serviço dos servidores referidos neste artigo será contado como título quando se submeterem a concurso para fins de efetivação, na forma da lei. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos ocupantes de cargos, funções e empregos de confiança ou em comissão, nem aos que a lei declare de livre exoneração, cujo tempo de serviço não será computado para os fins do "caput" deste artigo, exceto se se tratar de servidor. §3º O disposto neste artigo não se aplica aos professores de nível superior, nos termos da lei. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível que os servidores contratados após 05/10/1988, ao arrepio das exigências formuladas pelo art. 37 da CF/88, máxime à obediência ao requisito da aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, vinculamse peremptoriamente, ao Regime Geral de Previdência Social — RGPS. 3.2. DAS DEDUÇÕES Assentado que os servidores admitidos após 05/10/1988 sem a fiel observância do prévio concurso público sujeitamse ao regime jurídico do Regime Geral de Previdência Social, a eles se aplicam, na integralidade, as regras previdenciárias fixadas pelas leis nº 8.212/91 e 8.213/91, incluindo, por obvio, aquelas atinentes ao salário família e salário maternidade. Relata a Autoridade Lançadora em seu Relatório Fiscal, a fl. 62, que as importâncias pagas a título de salário família não foram consideradas para fins de dedução do valor apurado mensalmente em decorrência de sua não conformidade com o disposto na Lei n° 8.213/91 (valor da cota, apresentação de certidão de nascimento com apresentação anual de atestado de vacinação obrigatória e frequência escolar, dentre outros). Em sede de impugnação, a fl. 76, o contribuinte argumentou que os servidores para os quais foram pagas as cotas de salário família estavam, até então, albergados pela Previdência Estadual, a qual não exigia a apresentação da mesma documentação demandada pelo INSS. Diligência comandada pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF evocou a fiscalização a se pronunciar, de modo conclusivo, justificadamente, se as parcelas referentes ao salário família e salário maternidade deveriam ser excluídas do lançamento. Fl. 368DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11522.001285/200716 Acórdão n.º 230201.265 S2C3T2 Fl. 353 13 Como resultado da diligência, respondeu o auditor fiscal notificante ter o contribuinte apresentado arquivos digitais com informações referentes às quotas pagas de salário família e salário maternidade, contendo o valor da quota e o nome dos beneficiários. Tendo em vista que o Recorrente somente apresentou os arquivos digitais, não cortejados pela documentação probatória, farseia necessária a apresentação da certidão de nascimento, carteira de vacinação e declaração de frequência escolar para comprovação do salário família e certidão de nascimento e atestado médico para comprovação do salário maternidade, sendolhe reaberto o prazo de 30 dias para a exibição de tais documentos. Com base nos novos argumentos e nos documentos apresentados pelo Recorrente, verificou a fiscalização o adimplemento dos requisitos necessários ao pagamento do salário família às servidoras Maria Eliza Ribeiro Salomão e Valsimar de Melo Vale. O Recorrente, contudo, não logrou apresentar a documentação necessária ao pagamento do salário maternidade da servidora Verônica Hadar de Melo. Conforme já salientado alhures, estando o empregador e os servidores em apreço sujeitos ao regime jurídico instalado pelas leis nº 8.212/91 e Lei nº 8.213/91, para que se faça jus ao benefício do pagamento do salário família e do salário maternidade pela autarquia previdenciária, e, por consequência, a dedução dos valores correspondentes do valor devido, imperativo é o adimplemento integral de todos os requisitos essenciais para a sua fruição. Diante de tal panorama, fazse mister a dedução do lançamento dos valores pagos a título de salário família às seguradas Maria Eliza Ribeiro Salomão e Valsimar de Melo Vale, tão somente. 3.3. DOS SERVIDORES OCUPANTES DE CARGO EM COMISSÃO. Alega o Recorrente haverem sido incluídos no lançamento servidores que ocupavam cargos em comissão, os quais já se encontravam filiados ao RGPS, cujas contribuições previdenciárias já foram objeto de recolhimento ou parcelamento. Da análise dos documentos apresentados pelo Recorrente, em razão das diligências requeridas pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, concluiu a fiscalização que o Sr. Pablo Ney de Melo Queiroz é, de fato, servidor efetivo do Estado do Acre, pertencente, portanto, ao Regime Proprio de Previdência Social do Estado do Acre, motivo pelo qual urge o crédito ora lançado ser retificado para excluir da base de incidência as remunerações auferidas pelo servidor ora em realce. 3.4. DOS SERVIDORES DEMITIDOS OU EXONERADOS Sustenta o Recorrente haverem sido incluídos no lançamento servidores que já haviam sido exonerados ou demitidos; Em relação ao servidor Augusto Cruz Sousa, o Recorrente apresentou documentos referentes à sua nomeação, em 29 de janeiro de 1999, como Procurador Geral do Departamento de Estradas de Rodagem do ACRE DERACRE e sua exoneração em 27 de julho Fl. 369DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 de 1999, ou seja, em um período totalmente abraçado pelo instituto da decadência abordado no item 2.1. supra, motivo pelo qual o presente caso não será apreciado por esta corte. O Recorrente sustentou, ainda, haverem sido lançadas contribuições previdenciárias referentes aos servidores públicos José Nelson Goveia Junior, Verônica Vasconcelos de Castro e Augusto Cruz Souza os quais já teriam sido exonerados ou demitidos. Ocorre, todavia, não ter logrado o sujeito passivo apresentar documentação idônea apta a comprovar as datas de afastamento decorrentes das demissões/exonerações dos servidores por ele mencionados. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse contexto, mesmo ciente de que seu pedido houvera sido negado em razão da carência da comprovação material do Direito alegado, nas inúmeras oportunidades em que teve de se pronunciar, formalmente, nos autos, o Recorrente quedouse inerte no sentido de suprir a falta em destaque, optando e limitandose a verter alegações repousadas no vazio, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores do lançamento ora discutido, não logrando se desincumbir, dessarte, do ônus que lhe era avesso, nem, tampouco, ilidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária. Diante desse quadro, não se revela possível a esta Corte Administrativa o deferimento do pleito ora requerido pelo Recorrente em epígrafe, em razão da carência de conjunto probatório sólido que dê esteio ao direito por si alegado. Cabe a quem alega o recolhimento indevido, o ônus probatório dessas alegações. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídos do lançamento os fatos geradores ocorridos em novembro de 1999 e nas competências anteriores a esta, bem como aqueles relativos ao 13º salário desse mesmo ano, em virtude da fluência do prazo decadencial. Além disso, devem ser excluídas do lançamento as remunerações auferidas pelo servidor Pablo Ney de Melo Queiroz, assim como devem ser deduzidos da base de cálculo os valores referentes às quotas de salário família recebidas pelas servidoras Maria Eliza Ribeiro Salomão e Valsimar de Melo Vale. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 370DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11522.001285/200716 Acórdão n.º 230201.265 S2C3T2 Fl. 354 15 Fl. 371DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907500/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 15/08/2003
COEFICIENTE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE.
A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%.
Numero da decisão: 1801-000.793
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/08/2003 COEFICIENTE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%.
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SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa em epígrafe emitiu diversas Declarações de Compensação eletrônicas – Dcomp pleiteando a restituição/compensação de parte dos valores recolhidos por DARF, a título de IRPJ, durante os anoscalendários de 1999, 2000, 2001 e 2002 por entender que fez pagamentos maiores que os devidos. Explica que se enquadra no conceito de empresa que exerce atividades hospitalares e, portanto, fez jus ao coeficiente de 8% para apuração do lucro presumido naqueles anos e não 32%, como equivocadamente procedeu nos cálculos de IRPJ. As Dcomp foram emitidas para solicitar a restituição/compensação das diferenças entre os valores que entende devidos e aqueles efetivamente recolhidos. A empresa apresenta manifestação de inconformidade à fl. 01 e o despacho eletrônico de não homologação da compensação veiculada na Dcomp de fls. 12 a 16 encontra se às fls. 02 dos autos. Neste despacho está consignado que o valor pleiteado na Dcomp – referente ao recolhimento de IRPJ efetuado em 15/08/2003 – está devidamente alocado como pagamento do tributo devido, não havendo qualquer saldo a ser restituído. A fiscalização intimou a empresa a apresentar cópia do Contrato Social e alterações, entre outros documentos, às fls. 03 (Intimação nº 137/2010), ao que juntouse ao processo as referidas cópias às fls. 05 a 10. A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF exarou o Acórdão nº 0339.710/10 não reconhecendo o direito creditório em litígio. Assim restou ementado o aresto: “LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS NÃO HOSPITALARES. Auferindo a empresa receita de atividade médica ambulatorial restrita a consultas, que não se enquadra no conceito de serviços hospitalares estabelecido pela legislação tributária, a base de cálculo do lucro presumido deve ser apurada com a aplicação do percentual de 32%.” Aquela turma de julgamento fundamentou o votocondutor no fato de a clínica em apreço ter sua atividade econômica enquadrada expressamente como “ambulatorial restrita a consultas (CNPJ) e constar na cláusula 3ª do Contrato Social, como objetivo social: Prestação de serviços de segurança e medicina do trabalho, clínica médicaambulatorial, ginecologia, cardiologia, oftamologia, otorrinolaringologia, psiquiatria, psicologia, fonoaudiologia (exclusivamente para audiometria ocupacional) e pequenas cirurgias; sem internação e sem raio X no local. Invocou o Ato Declaratório Interpretativo – ADI/RFB nº 19/07 que cuida dos aspectos conceituais de “serviços hospitalares”. Tempestivamente, a clínica médica interpôs o Recurso de fls. 29 e ss, instruído com a consolidação do Contrato Social. Reprisa os termos da exordial e enfatiza: “Extraise dos autos que o Relator do Acórdão, com base no art. 106 do CTN, aplicou retroativamente o Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 19, de 2007 para julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório que não homologou a compensação efetuada pela Recorrente através do PER/DCOMP. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907500/200981 Acórdão n.º 180100.793 S1TE01 Fl. 46 3 A Recorrente é empresa que atua na área de "atendimento médico ambulatória!, atendimento médico ocupacional, programa de prevenção de riscos ambientais, elaboração do Itcat (laudo técnico de condições ambientais do trabalho), assessoria na elaboração do PPP (perfil prossiográfico previdenciário) e PCMAT (programa de condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção. Consta do Contrato social que a empresa "tem por objetivos a prestação de serviços de Segurança e Medicina do Trabalho,, Clínica Médica Ambulatoriál, Ginecologia, Cardiologia, Oftamologia, Otorrinolaringologia, Psiquiatria, Psicologia, Fonoaudiologia (exclusivamente para Audiometria Ocupacional) e pequenas cirurgias, sem internação e sem Raio X no local"e apresentou pedido de compensação oriundo de CSLL, no regime de tributação do lucro presumido, pelo percentual de 32% sobre a receita bruta trimestral. Respalda seu entendimento na Instrução Normativa – IN SRF nº 306/03 que classificou como serviços hospitalares o que segue, conforme cita: "Art. 23 . Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de UMA DAS ATIVIDADES ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II. Capitulo 2. da Portaria GM 1.884. de 11 de novembro de 1994. do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: (...) II prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial. compreendendo as seguintes atividades: a) recepcionar, registrar e fazer marcação de consultas; c) proceder a consulta médica, odontológica, psicológica, de assistência social, de nutrição, de fisioterapia, de terapia ocupacional, de fonoaudiologia e de enfermagem: Observese que esses conceitos relativos ao que se enquadra como serviços hospitalares e extraídos da Portaria GM/1.884, do Ministério da Saúde, mencionada na INSRF n.° 306/2003 já haviam sido mantidos e reproduzidos, em termos idênticos, na Resolução RDC n.° 50, de 21.02.2002, da Diretoria Colegiada da ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária.” Cita, ainda, a Solução de Divergência em Consulta CST nº 11/2003 editada no sentido de admitir a natureza hospitalar das clínicas médicas (para os serviços médicos prestados por clínicas de ortopedia, traumatologia e radiológicas) e decisões judiciais que entende corroborar seu entendimento sobre a abrangência da expressão “serviços hospitalares”: 1999.01.1.0149015 TJDFT e Resp STJ nº 380.584/02 – este último sobre sociedades civis prestadoras de serviços médicos de hemodiálise. É o relatório. Passo à análise das razões recursais. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente pleiteia a restituição de valores de IRPJ que entende haverem sido pagos a maior indevidamente, por enquadrarse nas pessoas jurídicas que prestam serviços hospitalares, estando sujeita ao coeficiente para apuração do lucro presumido no percentual de 8% e não 32%, conforme houvera procedido aos efetivos recolhimentos via DARF. Respalda seu entendimento no artigo 23 da IN SRF nº 306/03, cujo texto parcial transcreveu no recurso interposto e foi acima reproduzido. Divirjo da interpretação dada pela recorrente ao texto do caput do referido artigo 23. A administração tributária ao redigir o referido preceito infralegal deixou claro que a pessoa jurídica para ser considerada como prestadora de serviços hospitalares deve necessariamente possuir estrutura física condizente com a execução de uma das atividades elencadas nos incisos I, II, III, IV e V que esmiuça. Cada inciso traz as atividades que devem ser desenvolvidas pela pessoa jurídica conjuntamente, não uma de cada, como interpretou equivocadamente a recorrente. O inciso I, por exemplo, exige: I realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: a) ações individuais ou coletivas de prevenção à saúde tais como: imunizações, primeiro atendimento, controle de doenças transmissíveis, visita domiciliar, coleta de material para exames, etc.; b) vigilância epidemiológica por meio de coleta e análise sistemática de dados, investigação epidemiológica, informação sobre doenças, etc.; c) ações de educação para a saúde, mediante palestras, demonstrações e treinamento in loco, campanhas, etc.; d) orientar as ações em saneamento básico por meio de instalação e manutenção de melhorias sanitárias domiciliares relacionadas com água, dejetos e lixo; e) vigilância nutricional por meio das atividades continuadas e rotineiras de observação, coleta e análise de dados e disseminação da informação referente ao estado nutricional, desde a ingestão de alimentos à sua utilização biológica; f) vigilância sanitária, por meio de fiscalização e controle que garantam a qualidade aos produtos, serviços e do meio ambiente. O inciso II, ad exemplum: II prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: Fl. 55DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907500/200981 Acórdão n.º 180100.793 S1TE01 Fl. 47 5 a) recepcionar, registrar e fazer marcação de consultas; b) realizar procedimentos de enfermagem; c) proceder a consulta médica, odontológica, psicológica, de assistência social, de nutrição, de fisioterapia, de terapia ocupacional, de fonoaudiologia e de enfermagem; d) recepcionar, transferir e preparar pacientes; e) assegurar a execução de procedimentos préanestésicos e realizar procedimentos anestésicos nos pacientes; f) executar cirurgias e exames endoscópios em regime de rotina; g) emitir relatórios médico e de enfermagem e registro das cirurgias e endoscopias realizadas; h) proporcionar cuidados pósanestésicos; i) garantir o apoio diagnóstico necessário. E assim por diante. Todas as atividades que encabeçam os incisos exigem a prestação de serviços que em algum momento diferenciam as clínicas de atendimento meramente ambulatorial, consultas etc daqueles estabelecimentos médicos que possuem leitos, internações, disponibilidade para atendimento de urgência (24h), realização de exames de raio X, endoscopias, realização de hemodiálises. É suficiente a leitura acurada de cada atividade descrita nos incisos. Por isto, correta era a interpretação do caput do referido artigo 23 determinando que para a pessoa jurídica se enquadrar como prestadora de “serviços hospitalares” deve exerce pelo menos uma das atividades (descrita no inciso e não nas alíneas somente), podendo ainda combinar outras atividades das alíneas dos demais incisos. Assim a norma interpretativa faz o sentido lógico, considerandose a interpretação sistemática das normas, sem a qual qualquer consultório médico, desde que com mais de um profissional, se enquadraria no conceito super relativizado que a recorrente pretendeu atribuir à IN SRF. Ademais, o mais importante é que esta IN SRF nº 306 foi expressamente revogada pela nº 480/2004, e essa, por sua vez, foi posteriormente alterada pela IN SRF nº 500/2005, que em seu artigo 27 incluiu mais algumas exigências para o conceito de “serviços hospitalares”, grifei. Mas as instruções normativas não servem para legislar. Somente elucidam a norma tributária e constituem fonte secundária do Direito Tributário, pois, por serem normativas, são as denominadas normas complementares previstas no artigo 100, mais especificamente inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. Todavia, frisese, são atos interpretativos não podendo ir além das normas tributárias. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Para o mesmo fim, no entanto sem a referida força normativa, servem os atos expedidos interna corporis pela Administração Tributária, cuja principal meta é homogeneizar o entendimento da própria administração sobre determinado assunto, sempre à luz da norma tributária. Dito isto, prossigamos para a norma insculpida no artigo 15, da Lei nº 9.249/95, que dispõe: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] Há uma questão de pura semântica aqui envolvida. A norma tributária, vigente à época, não disse que os demais serviços ligados à área da saúde, desvinculados dos hospitais, fossem tratados como serviços hospitalares. E quando a norma não diz, não cabe aos intérpretes o fazer, quando mais se trata de normas tributárias, cuja tipicidade é cerrada. Ao revés do que pretende a recorrente, como visto, inúmeros atos administrativos, Soluções de Consulta e inclusive decisões judiciais versaram sobre esta matéria. E nem hoje a norma tributária igualou os serviços hospitalares aos demais serviços prestados na área da saúde. Pelo contrário, esse assunto foi amplamente debatido pelo Superior Tribunal de Justiça. A jurisprudência da Corte Superior foi pacificada no mesmo sentido ora sustentado. A exemplo, citese o acórdão extraído do REsp nº 925.175/SC, da lavra do ministro Castro Meira: Ementa : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS. ATIVIDADES HOSPITALARES. ART. 15, § 1º, III, "A", DA LEI Nº 9.249/95. 1. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95, que diminui a base de cálculo, resultando em menor valor a recolher de pessoas jurídicas que desenvolvem atividades hospitalares, deve ser interpretado restritivamente, para abranger, além Fl. 57DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907500/200981 Acórdão n.º 180100.793 S1TE01 Fl. 48 7 dos próprios hospitais, apenas os estabelecimentos que dispõem de "estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes" (REsp 786.569/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 30.10.06). 2. No caso concreto, não podem ser enquadrados no conceito de serviços hospitalares os exames realizados em laboratórios de análises clínicas, porquanto os favores fiscais não comportam interpretação analógica. Precedentes da Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Eliana Calmon e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator. Sustentou oralmente Dr. Marcos Cardoso Resende, pela parte: RECORRIDO: LABORATÓRIO FLEMING S/S LTDA. (grifos não pertencem ao original) Trago à luz da discussão, por oportuno, para demonstrar que não possuo entendimento isolado sobre a questão proposta, o Projeto de Lei nº 1.716/071, no qual o deputado Júlio Delgado e o relator, deputado Luiz Carlos Hauly, teceram questões a respeito da inclusão das empresas que desenvolvem as atividades laboratoriais no texto das empresas favorecidas pelo coeficiente do lucro presumido a 8%: PROJETO DE LEI Nº 1.716, de 2007 (Apensado: PL 1.777, de 2007) Altera a Lei nº 9.249, de 1995, no que respeita ao coeficiente de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime do Lucro Presumido, para os laboratórios de Análises Clínicas. AUTOR: Deputado JÚLIO DELGADO RELATOR: Deputado LUIZ CARLOS HAULY I RELATÓRIO O Projeto de Lei nº 1.716, de 2007 pretende equiparar os laboratórios de análise clínica aos hospitais, para efeito do cálculo do lucro presumido sujeito à tributação pelo Imposto de Renda e pela Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL. 1 http://www.camara.gov.br/sileg/integras/553012.pdf Fl. 58DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Segundo o Autor da proposição, atualmente a Lei nº 9.249, de 1995 institui o coeficiente de 8% do faturamento para calcular o lucro presumido das prestadoras de serviços hospitalares, com exceção das empresas do setor de serviço, cujo coeficiente é de 32%. A presente Medida visa, deste modo, equiparar os laboratórios de análise clínica com os serviços hospitalares. [...] É o relatório. II VOTO Cabe a esta Comissão, além do exame de mérito, inicialmente apreciar as proposições quanto à sua compatibilidade ou adequação com o plano plurianual, a lei de diretrizes orçamentárias e o orçamento anual, nos termos do Regimento Interno da Câmara dos Deputados (RI, arts. 32, IX, "h", e 53, II) e de Norma Interna da Comissão de Finanças e Tributação, que "estabelece procedimentos para o exame de compatibilidade ou adequação orçamentária e financeira". A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2008, no seu artigo 98, condiciona a aprovação de lei ao cumprimento do art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, nos seguintes termos: O art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 04.05.2000) determina: "Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário financeiro no exercício em que deva iniciar sua vigência e nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo menos uma das seguintes condições: [...] § 1º A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. § 2º Se o ato de concessão ou ampliação do incentivo ou benefício de que trata o caput deste artigo decorrer da condição contida no inciso II, o benefício só entrará em vigor quando implementadas as medidas referidas no mencionado inciso. .............................................................................................." Contudo, entendemos que a aplicação de tais dispositivos deve aterse a uma interpretação finalística da própria Lei de Responsabilidade Fiscal LRF. Em seu artigo 1º, ela estabelece que seu escopo é a determinação de normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, entendida esta Fl. 59DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907500/200981 Acórdão n.º 180100.793 S1TE01 Fl. 49 9 responsabilidade como a “ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas”. De tal conceito depreendemos que somente aquelas ações que possam afetar o equilíbrio das contas públicas devem estar sujeitas às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal. Assim, entendemos que as proposições que tenham impacto orçamentário e financeiro de pequena monta não ficam sujeitas ao disposto no art 14 da LRF, já que não representam qualquer risco para a obtenção dos resultados fiscais definidos nas peças orçamentárias. É precisamente essa a característica do PL nº 1.716, de 2007, que possibilita aos laboratórios de análises clínicas se enquadrarem no regime do lucro presumido. Além disso, devese esclarecer que até novembro de 2007, os laboratórios de análise clínicas e os serviços de auxílio diagnóstico estavam enquadrados no regime de lucro presumido. Assim, está receita não estava prevista para o ano 2008 e seguintes, não podendo se falar em renúncia fiscal efetiva. Quanto ao mérito, tratase de matéria que preserva a isonomia de tratamento entre os prestadores de serviço de saúde à população A redução da carga tributária poderá beneficiar a toda sociedade prestandose um serviço de melhor qualidade a menor custo. Além disso, a similitude e o caráter de complementação dos serviços laboratoriais aos de natureza médicohospitalar exigem um tratamento isonômico na parte tributária. De modo a aprimorar o presente projeto, alteramos a redação inicialmente proposta pelo AUTOR, acrescentando os serviços de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e de análises e patologia clínicas, que se constituem em serviços subsidiários e complementares das atividades hospitalares, assim como aqueles de análises clínicas. (grifos não pertencem ao original) É importante ressaltar que o presente projeto de lei, retrato da mens legis da norma tributária, não precisou ser votado, pois em 2008 a Lei nº 11.727, cuja proposição original foi a Medida Provisória nº 413/08 (que recebeu diversos aditivos no deputado HAULY), assim dispôs em seu artigo 29: Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Fl. 60DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 [...] a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (grifos não pertencem ao original) Eis que somente a partir da edição da Lei nº 11.727, de 2008, a prestação de serviços de auxílio diagnóstico, terapia e outras foram alçadas pela exceção referida na alínea “a” do inciso III do § 1º da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sujeitandose, portanto, ao coeficiente de 8% (oito por cento) incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido. Por conseguinte, considerando que a lei tributária não retroage (exceto nas hipóteses elencadas no artigo 106, o que não é o caso), antes da vigência do artigo 29 da Lei nº 11.727, as pessoas jurídicas que prestam serviços à saúde, mas sem prestarem serviços hospitalares sujeitamse ao coeficiente de 32% para determinar o seu lucro. Colaciono, por derradeiro, ao presente voto para corroborar o entendimento ora esposado, a ementa do Acórdão nº 10323.236, de 18/10/07, cuja lavra do votocondutor é do conselheiro Antonio Carlos Guidoni Fº: “SERVIÇOS HOSPITALARES. CARACTERIZAÇÃO. A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 está intimamente ligada à existência de custos relevantes com instalações, equipamentos e mãodeobra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindose meramente em um exercício de profissão regulamentada.” Transcrevo, por oportuno, trecho do voto: “A presunção de lucratividade reduzida prevista na Lei n. 9.249/95 (artigo 15, § 1°, III), está intimamente ligada à existência de custos relevantes com equipamentos e mãodeobra qualificada inerente a um hospital, compreendendo tanto a parte médica especializada quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos. A aplicação do percentual de 8% apenas se justifica quando presentes fatores de custos relevantes, como os que ocorrem em um hospital. A prestação pessoal de serviços médicos, por si só, não corresponde ao conjunto de serviços e custos inerentes a um centro hospitalar, traduzindose meramente em um exercício de profissão regulamentada.” (grifos não pertencem ao original) Comungo com as colocações do r. conselheiro em todos os aspectos, precipuamente quando faz a distinção entre os demais serviços prestados pelas pessoas jurídicas ligadas à área da saúde (mera receita de prestação de serviços em geral – 32%) e aqueles prestados pela entidade hospitalar (receita de serviços hospitalares – 8%). De todo o exposto, verifico dos autos que é fato incontroverso no presente caso que a recorrente tem como objetivo social: Fl. 61DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.907500/200981 Acórdão n.º 180100.793 S1TE01 Fl. 50 11 “Cláusula Terceira Alteram também neste ato os objetivos da Sociedade, que passam a ser: Prestação de serviços de Segurança e Medicina do Trabalho, Clinica Médica Ambulatorial, Ginecologia, Cardiologia, Oftalmologia, Otorrino laringologia, Psiquiatria, Psicologia, Fonoaudiologia (exclusivamente para Audiometria Ocupacional) e pequenas cirurgias; sem internação e sem Raio X no local.” (grifos não pertencem ao original) Entendo que estes serviços não podem ser considerados como serviços hospitalares da recorrida. São serviços que consistem em outra atividade que não a de oferecer ou disponibilizar internação em seu estabelecimento, pelo que justa a aplicação do coeficiente de 32% para a apuração do lucro presumido. Tratase de mera prestação de serviços, em geral, na área de saúde, no entanto, sem natureza hospitalar. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso, por não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação pleiteada. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 62DF CARF MF Emitido em 26/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/11/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/11/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 18108.002277/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/11/2001
CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO DECADENCIAL.
A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.134
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1467; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 131 1 130 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18108.002277/200719 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.134 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1 de dezembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SUDESTE ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1999 a 30/11/2001 CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.014.1334, na qual foram lançadas as contribuições relativas a retenções que deixaram de ser efetuadas das faturas emitidas por serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, no período de 06/1999 a 11/2001. O crédito, com data de consolidação em 30/11/2007, assumiu o montante de R$ 13.895,41 (treze mil, oitocentos e noventa e cinco reais e quarenta e um centavos). O Fisco apresentou tabela onde são discriminados, por competência, todos os serviços executados sobre os quais recaiu a retenção Cientificada do lançamento em 10/12/2007, a empresa apresentou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que declarou procedente o lançamento. Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) estão decadentes as competências lançadas; b) o Fisco não poderia autuar a empresa, sem que antes tivesse feito uma visita para orientála quanto às falhas porventura existentes. Assim, por ferir as disposições legais vigentes, o AI merece ser nulificado; c) não efetuou a retenção, posto que os serviços apontados não estão sujeitos a essa sistemática de arrecadação; j) por ser primária, deve ter a imposição reduzida a 50% do valor lançado. Ao final, pede a decretação de nulidade ou insubsistência do lançamento ou, alternativamente, a redução da exigência à metade. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18108.002277/200719 Acórdão n.º 240102.134 S2C4T1 Fl. 132 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Vamos à decadência do direito de lançar as contribuições em questão. Na data da lavratura, o Fisco Previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.º 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (...) Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.º 8.212/1991, aplicase às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional – CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4.º, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL nº 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA. MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543C DO CPC Fl. 143DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 (RECURSOS REPETITIVOS).OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. CARÁTER PROTELATÓRIO. MULTA. 1. O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN)". 2. Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida. 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. No caso vertente, a ciência do lançamento deuse em 10/12/2007 e o período do crédito é de 06/1999 a 11/2001. Assim, por quaisquer dos critérios adotados para a contagem do prazo decadencial, todo o período do crédito estaria alcançado pela decadência. Diante desse cenário, devem ser excluídas do crédito em razão da decadência a totalidade das contribuições lançadas. Reconhecida a decadência, deixo, por economia processual, de me pronunciar sobre as demais alegações recursais. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso e reconhecer a decadência para todas a contribuições lançadas. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 144DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10410.004698/2002-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL
Exercícios: 1998, 1999, 2001, 2002
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL.
SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. O resultado dos atos
cooperados estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido.
CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio
deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. 0 tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante da contribuição devida, apurada
ao final do exercício.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9101-001.207
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negado
provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior que dava provimento.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Exercícios: 1998, 1999, 2001, 2002 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL. SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. O resultado dos atos cooperados estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. 0 tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante da contribuição devida, apurada ao final do exercício. Recurso Especial do Procurador negado.
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Antonio Carlos ilho - Relator. CSRF-Tl Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10410.004698/2002-34 Recurso n° 161.434 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-001.207 — la Turma Sessão de 17 de outubro de 2011 Matéria Cooperativa - CSL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA DE COLONIZAÇÃO AGROPECUARIA E INDÚSTRIA PINDORAMA LTDA. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Exercícios: 1998, 1999, 2001, 2002 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL. SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. 0 resultado dos atos cooperados estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. CSLL. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. 0 artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. 0 tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante da contribuição devida, apurada ao final do exercício. Recurso Especial do Procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negado provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior que dava provimento. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Claudemir Rodrigues Malaquias. Relatório Com base no Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial contra o Acórdão n° 103-23.618, de 12/11/2008, proferido pela extinta 3a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes assim ementado: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL — SOCIEDADES COOPERATIVAS - INCIDÊNCIA O resultado dos atos cooperado estão fora do campo de incidência da tributação da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. CSLL - MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA - 0 artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. 0 tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante da contribuição devida, apurada ao final do exercício. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. Antes da edição da MP n° 1924, de 1999, a realização pelo uso da reserva dava ensejo à adição do valor realizado ao lucro do período, para efeito de cálculo da CSLL. JUROS DE MORA- SELIC —A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4). 0 caso foi assim relatado pela Câmara recorrida, verbis: Trata- se de recurso voluntário contra o acórdão n. 11-18807, da 3° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasil ia-DF. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: "Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL, as fls. 05 a 11, formalizando-se crédito no montante de R$ 3.852.979,47 (valores principais, multas e juros), em virtude da constatação das seguintes infrações: 1) reserva de reavaliação não computada no Resultado apurado em 31/12/1998; 2) exclusões indevidas no cálculo do lucro liquido relativo aos 2 Processo n° 10410.004698/2002-34 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.207 Fl. 2 0 anos-calendário de 1997 e 2000; 3) falta de recolhimento da CSLL apurada na DIPJ do ano-calendário de 2001; e 4) recolhimento a menor de estimativas da CSLL, do mês de julho de 1997 a dezembro de 2001, o que deu ensejo ao lançamento de multa isolada (infração 004 do auto de infração). 2. Os detalhes da ação fiscal estão descritos no Relatório Fiscal, as fls. 50 a 53. 3. Inconformada, ela apresentou impugnação, as fls. 473 a 505, alegando, em apertada síntese, que: 3.1 - todas as suas operações estariam enquadradas nas finalidades previstas no art. 2° de seu estatuto Social (transcrito à fl. 486), as quais revelariam a natureza de atos cooperativos, insuscetiveis, no seu entender, da incidência da CSLL: 3.2 - a tributação da Reserva de Reavaliação teria sido incorreta, dado que: I) não teria ocorrido nenhuma das hipóteses previstas nos incisos do art. 383 do RIR, de 1994: a simples transferência contábil de uma reserva para outra, no seu entender, não daria ensejo à sua tributação; 2) mesmo que tivesse ocorrido a realização da reserva, o que cogitou apenas para argumentar ela deveria ter sido tributada na "proporção dos atos não cooperativos, jamais de forma integral"; e 3) compondo o saldo da referida reserva de reavaliação, encontrar-se-iam contrapartidas de aumentos de valores de bens imóveis, cuja realização é isenta de tributo, consoante as disposições do art. 384 do RIR, de 1994; 3.3 - as bases de cálculo das estimativas teriam sido aumentadas, indevidamente, de receitas relativas a subsídios recebidos dos Governos Federal e Estadual, de ICMS lançado indevidamente na conta de resultado, além do que, especificaniente, nas dos meses de dezembro de 1997, dezembro de 1998, janeiro de 1999, teriam sido incluídos valores relativos à recuperação de despesas e a IPI e ICMS de anos anteriores. Acresceu, os resultados positivos de receitas financeiras, vez que decorrentes de ato cooperativo, não deveria ter sido incluído nas referidas bases; 3.4 - a aplicação da taxa Selic, no cálculo dos juros de mora, seria inconstitucional. 4. Ante o exposto, requereu a improcedência do lançamento. 5. .É o que importa relatar." A DRJ, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1997, 1998, 2000, 2001 3 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL - SOCIEDADES COOPERATIVAS - INCIDÊNCIA. As sociedades cooperativas devem recolher a CSLL sobre a totalidade de seus resultados em virtude do principio constitucional da universalidade da incidência das contribuições sociais. RESERVA DE REAVALIAC.40. Antes da edição da MP n° 1924, de 1999, a realização pelo uso da reserva dava ensejo a adição do valor realizado ao lucro do período, para efeito de cálculo da CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1997, 1998, 2000, 2001 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argiiições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1997, 1998, 2000, 2001 MULTA POR FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS DA CSLL. As empresas que apuram lucro real anual são obrigadas a pagar estimativas mensais do 1RPJ e da CSLL. O new- recolhimento destas, ou a não-demonstração, através de balancetes de suspensão, da ocorrência de prejuízo ou de base de cálculo negativa da CSLL, enseja o lançamento de multa isolada. RETROATIVIDADE BENIGNA. De acordo com o principio da retroatividade benigna, consubstanciado na alínea c do inciso II do art.106 do CTN, aplica-se a ato pretérito, não definitivamente julgado, lei que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. De maneira que a multa por falta de pagamento de estimativas deve ser calculada com aplicação da aliquota de 50%, "ex vi" do disposto no art. 14 da MP 351, de 22 de janeiro de 2007." lrresignada com a decisão de primeira instancia, a interessada interpôs recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuinte, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação no sentido de historiar todo o contexto do cooperativismo no Brasil; apontando as suas atipicidades e peculiaridades; bem assim tentando demonstrar que a tributação das cooperativas para o IRPJ restringe-se aos atos não cooperativos e essa mesma lógica deve ser transposta para o contexto da CSLL, afinal afirma "o pressuposto para a incidência da CSLL é a apuração do lucro"; e por fim 4 Processo IV 10410.004698/2002-34 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.207 Fl. 3 3 I reafirmando que pela própria natureza de seu estatuto social, apenas praticaria atos cooperados. o relatório. O acórdão acima ementado, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso de oficio por este não ter atingido o valor de alçada previsto na legislação e, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência "Exclusões ao Lucro Liquido Antes da CSLL" (Item 2 do auto de infração). Também por maioria de votos deu provimento parcial ao recurso para excluir a exigência de multa isolada (Item 4 do auto de infração) em relação aos anos-calendário de 1997 a 2000 (por concomitância com a penalidade de oficio lavrada em conjunto com a contribuição devida no mesmo período) e, quanto ao ano-calendário de 2001, limitou o valor da multa isolada ao valor efetivamente devido de CSLL no referido ano-calendário. Entendeu o acórdão recorrido, em síntese, que não há incidência de CSLL sobre sobras ou perdas das cooperativas, entendidas estas como resultado da prática de atos estritamente cooperados, por ausência de previsão legal. Segundo o acórdão, "como a contribuição social somente incide sobre o lucro das pessoas jurídicas, como definido no artigo 1° da Lei n° 7.689/88, não poderá haver uma interpretação extensiva para atingir também as sobras das sociedades cooperativas. Tais sobras estão fora do campo de incidência e qualquer outra interpretação afrontaria o principio da reserva legal e da apicidade cerrada, que norteiam a legislação tributária. As sociedades cooperativas somente estão sujeitas ao pagamento da contribuição social quando pratiquem atos não-cooperativos legalmente permitidos, como os definidos nos artigos 85, 86 e 88 da lei que define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, a mencionada Lei n° 5.764/71". E conclui: "como os autos tratam apenas da exigência da questionada contribuição sobre os resultados da cooperativa, não há como ser a mesma exigida por estar fora do campo de incidência". Quanto ao cancelamento da exigência de multa isolada por não recolhimento de tributos sobre bases estimadas nos anos-calendário de 1997, 1998 e 2000 e redução do montante respectivo no ano-calendário de 2001, asseverou o acórdão que, em vista da jurisprudência pacificada sobre a matéria, "como nos anos calendário de 1997 a 2000 a recorrente não apresentou base positiva de contribuição social, relativamente aos atos não cooperados, não há falar-se em falta de antecipações e, por via de consequência, de multa isolada, todavia, no ano calendário de 2001, a recorrente apresentou base de cálculo contribuição social, referente a atos não cooperativos. Nesse caso, a multa isolada deve ser mantida, contudo, sua base de cálculo reduzida e limitada ao valor da contribuição social declarada". Em sede de recurso especial, sustenta a Fazenda Nacional contrariedade do acórdão recorrido ao (i) art. 2° da Lei n° 8.134/1990, pois as cooperativas não estão ao abrigo de imunidade tributária que afasta a incidência de CSLL sobre suas operações, nem tampouco de isenção prevista na Lei n° 7.689, de 1988. No ponto, conclui que não há lei que afaste a incidência da CSLL sobre os resultados positivos das cooperativas, independentemente da origem respectiva (se provenientes de atos cooperados ou de atos não cooperados); e (ii) art. 44, §1°, inc. IV da Lei n° 9.430/96, que serve de fundamento à exigência de multa isolada nos 5 casos de falta de pagamento por estimativa, ainda que o contribuinte tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do período de apuração. 0 recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido pela Presidente da 2' Câmara da Primeira Seção do CARF por meio do Despacho n. 1200 - 0.365/2009 (645/646), ante a configuração potencial da alegada contrariedade do acórdão recorrido à citada legislação federal. 0 contribuinte apresentou contra-razões (fls.662/696). É o relatório. kk 6 Processo n° 10410.004698/2002-34 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-001.207 Fl. 4 4 1 a Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual o conheço. (i) Da incidência de CSLL sobre os resultados positivos das sociedades cooperativas Preliminarmente, releva destacar ser fato incontroverso nos autos o de que a matéria ern exame cinge-se á incidência de CSLL sobre resultados auferidos pela cooperativa exclusivamente pela prática de ato com seus associados (atos cooperativos), ordinariamente denominados de sobras. Sobre o ponto, não bastasse a natureza da acusação fiscal e a afirmação inatacada (pela Fazenda Nacional) do acórdão recorrido nesse sentido (fls. 630), diga-se que a própria Recorrente atesta expressamente que "Do exposto (em seu recurso), não poderia a recorrida ter excluído da tributação os resultados positivos decorrentes de operações com associados". Em síntese, entende a Fazenda Nacional que "independentemente do alcance da definição do ato cooperativo, prevista no art. 79 da Lei n° 5.764, de 1971, ou das características peculiares das sociedades cooperativas a CSLL incide sobre a totalidade dos seus resultados positivos", não havendo dispositivo legal que afaste a incidência da CSLL sobre o resultado das cooperativas. Em que pesem seus fundamentos, parece-me que a distinção entre atos cooperativos e atos não-cooperativos é condição para a incidência da CSLL sobre os resultados líquidos das cooperativas, uma vez que somente aqueles provenientes de atos não-cooperativos devem submeter-se à referida tributação, conforme arts. 79 e 87 da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, verbis: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. 0 ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados el conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. _ Tal assertiva assenta-se no fato de que as cooperativas não têm finalidade lucrativa e não apuram lucro ao final de apuração respectivo. A lei de regência das cooperativas define o resultado positivo obtido pelas cooperativas como "sobras liquidas", que devem ser distribuídas aos cooperados na proporção da participação de cada qual nos atos -40- 7 cooperativos, ao contrário do lucro, que é distribuído via de regra na proporção do capital investido. Nesse sentido, se dos atos cooperativos não resulta lucro, não se realiza o fato jurídico do qual decorre a obrigação de pagar a CSLL, visto que a materialidade desse tributo é justamente a percepção de lucro (CF, art. 195, I, c, e Lei n. 7.689/88, art. 1°). Este é o entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, conforme precedentes abaixo transcritos, verbis: "DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO - ATO COOPERATIVO — LEI N° — ISENÇÃO. 1. A não-incidência da CSLL, nos termos da jurisprudência dominante do STJ, em casos de cooperativas, restringe-se a atos cooperados praticados exclusivamente entre a cooperativa e seus associados. 2. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 1190066 / SP (2010/0072796-0), STJ, 2" Turma, Relatora Ministra ELIANA CALMON, j. 08/06/2010, Die 28/06/2010). No mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO. ATO COOPERATIVO TÍPICO. CSLL. NÃO-INCIDÊNCIA. ART. 79, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 5.764/1971. PRECEDENTES DO STJ. 1. Nos termos do art. 79 da Lei 5.764/1971, atos cooperativos são aqueles praticados entre a cooperativa e seus cooperados ou entre cooperativas associadas. 0 ato cooperativo, assim definido, não implica operação de mercado. 2. As cooperativas podem realizar negócios com terceiros não- cooperados, desde que observados seus objetivos sociais e disposições legais. Nessa hipótese, contudo, a própria Lei 5.764/1971 dispõe expressamente que os negócios praticados pela cooperativa com terceiros não são considerados atos cooperativos e devem ser tributados (arts. 86 e 87). 3. In casu, o Tribunal a quo acolheu os Embargos ti Execução, sob o fundamento de que a Autoridade Fazenddria, ao proceder ao lançamento fiscal, não fez distinção entre os atos cooperativos próprios e os não-cooperativos da cooperativa de eletrcação rural. 4. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de ser indevida a cobrança da CSLL sobre atos vinculados ri atividade básica da sociedade cooperativa. 5. Agravo Regimental não provido". (AgRg no REsp 499581 / SC (2003/0015084-0), STJ, 2" Turma, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, j. 22/09/2009, Die 30/09/2009). No mesmo sentido: "SOCIEDADE COOPERATIVA DE CRÉDITO. CSLL. ISENÇÃO SOBRE OS ATOS TIPICAMENTE COOPERATIVOS. LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N° 10/STF. INAPLICABILIDADE. I - Os atos tipicamente cooperativos por não implicarem em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias, conforme a Lei das Sociedades Cooperativas (Lei n° 5.764/71), não geram faturamento, bem assim não produzem lucro para a sociedade, porquanto o resultado positivo decorrente dos seus atos pertence exclusivamente a cada um dos cooperados. Em face de tais peculiaridades, os atos das cooperativas de crédito, ressalvado o 8 Processo n° 10410.004698/2002-34 CSRF-TI Acórdão n.° 9101-001.207 Fl. 5 A 3 disposto nos artigos 86 e 87 da Lei n° 5.5764/71, não sofrem incidência tributária, inclusive de CSLL. Precedentes: AgRg no REsp n° 749.345/RS, Rel. Mill. JOSE DELGADO, DJ de 08/08/2005; AgRg no REsp n° 650.656/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 17/12/2004; REsp n° 573.393/RS, Rel. MM. CASTRO MEIRA, DJ de 28/06/2004 e AgRg nos EDcl no Ag n° 980.095/SP, Rel. MM. LUIZ FUX, DJe de 29/09/2008. - Na hipótese dos autos não se cogita de incidência da súmula vinculante n° 10 do STF, porquanto não se está afastando a aplicação do parágrafo 1° do artigo 22 da Lei n° 8.212/91, que determina para a cooperativa de crédito a contribuição de acordo com o faturamento ou lucro. A norma, ao imputar a sociedade cooperativa a contribuição sobre o faturamento e o lucro (art. 23 da Lei n° 8.212/91), criou hipótese de incidência tributária irrealizável, uma vez que os atos tipicamente cooperativos não produzem qualquer vantagem ou lucro para a cooperativa, não implicando ainda suas atividades em faturamento conforme definido na Lei das sociedades cooperativas (Lei n° 5.764/71). III - Agravo Regimental improvido. (AgRg no REsp 1057481/CE (2008/0104852-0), STJ, 1" Turma, Relator Ministro FRANCISCO FALCÃO, j. 21/10/2008, DJe 19/11/2008). No mesmo sentido: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃO-COOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. I. 0 ato cooperativo tipico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. 2. A operação de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. 0 resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submete-se a incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental parcialmente provido." (AgRg no REsp 653489/RS (2004/0058309-8), STJ, 2' Turma, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN j. 15/09/2009, Die 24/09/2009). Por sua clareza, pede-se vênia para citar trecho do voto proferido pelo Ministro Herman Benjamim no julgamento do AgRg no REsp 653.489/RS, supracitado, em que marca a divisa entre atos cooperativos e não-cooperativos para os fins dos arts. 79 e 87 da Lei n° 5.764/71 e da incidência da CSLL, verbis: "Prosseguindo, descreveu os vários tipos de atos cooperativos, nos seguintes termos (fl. 181): 1 — ato cooperativo (ou negócio-fim, negócio cooperativo, ou ainda negócios internos) que retratam as relações estabelecidas entre a cooperativa e os cooperados. São os atos cooperativos básicos, fundamentais, que caracterizam a sociedade; 9 2. — atos chamados negócios externos ou negócios de meio, necessários à realização do ato cooperativo, também chamados de negócios de contra-partida, que são em última análise as vendas dos produtos para terceiros; 3 — negócios acessórios ou auxiliares para a consecução dos fins da empresa, como por exemplo a contratação de empregados, o aluguel da sede, etc; 4 — atos vinculados el finalidade básica, negócios entabulados com não associados, previstos na Lei das Cooperativas nos artigos 85, 86 e 88. Caracterizam-se pelas relações estabelecidas com os nab- associados ou dizem respeito aos investimentos em sociedades cooperativas, com o intuito de melhor capacitar ou aumentar as potencialidades da sociedade. Assim, por exemplo, a lei autoriza a aplicação da sobra de caixa em investimentos que tragam retorno mais efetivo à cooperativa, de forma que possa atuar com mais eficácia na persecução de seus objetivos. 5 — por fim, existem os atos que não podem ser praticados pelas cooperativas, porquanto são vedados por lei. Por derradeiro, concluiu que, do rol apresentado, apenas os atos descritos no item 4, por sua natureza mercantil, sofrem a incidência da tributação. Contudo, consoante a pacifica jurisprudência do STJ, as disposições previstas no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971 aplicam-se apenas aos negócios jurídicos diretamente vinculados a atividade fim das cooperativas, isto é, aos atos cooperativos próprios, de sorte que não só o resultado da aplicação de recursos no mercado financeiro, mas também os valores advindos dos negócios jurídicos descritos nos itens 2 e 3, por envolverem operação com não associados, sujeitam-se a incidência da Contribuição Social Sobre o Lucro, conforme prevê o art. 87 do referido diploma legal, in verbis : Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Dessa forma, por ser legitima a cobrança da CSLL sobre os valores decorrentes dos denominados 'negócios externos ou negócios de meio', bem como dos 'negócios acessórios ou auxiliares', praticados pelas sociedades cooperativas, impõe-se a reforma parcial do acórdão recorrido nesse ponto." Tal entendimento encontra respaldo também em precedentes deste Colegiado e das extintas Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, verbis: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - SOCIEDADES COOPERATIVAS - A proteção assegurada pelo art. 146, inciso III, alínea "c" da Constituição Federal impede a imposição de exação tributária 10 Processo n° 10410.004698/2002-34 Acórdão n.° 9101-001.207 ao amparo de legislação ordinária (Lei 8.212/91, art. 22, § 1°) sobre as cooperativas de crédito." (Acórdão n. CSRF/01-04.910, Sessão de 12/4/2004, Relator Conselheiro Victor Luis de Salles Freire) No mesmo sentido: "COOPERATIVA - SOBRAS - CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO - As sobras apuradas pelas cooperativas, resultado de atos exclusivamente cooperativos, não podem ser confundidas com o lucro. Os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91 não ensejam o entendimento de que a CSL deva incidir sobre as denominadas "sobras", mas somente sobre a renda derivada de atos não cooperativos" (Acórdão CSRF /01-04.445, Sessão de 24/02/2003, Relator Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior) • No mesmo sentido: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO - CSLL - COOPERATIVA DE CRÉDITO - ATOS COOPERATIVOS - A CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO NÃO INCIDE SOBRE 0 RESULTADO POSITIVO OBTIDO PELA SOCIEDADE NAS OPERAÇÕES QUE CONSTITUEM ATOS COOPERATIVOS. O ATO COOPERATIVO NÃO CONFIGURA OPERAÇÃO DE MERCADO, SEU RESULTADO NÃO É LUCRO E ESTÁ FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO INSTITUÍDA PELA LEI N° 7.689, DE 1988. SOMENTE OS RESULTADOS DECORRENTES DA PRÁTICA DE ATOS COM NÃO ASSOCIADOS ESTÃO SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO." (Acórdão n. 107-08.906, Sessão de 28/02/2007, Relator Conselheiro Hugo Correia Sotero) No mesmo sentido: O CSLL - SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CRÉDITO - REGIME DE TRIBUTAÇÃO DOS ATOS COOPERADOS - O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas, negam as decididas nas operações realizadas com seus associados, os chamados atos cooperados, não integram a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Somente os resultados decorrentes da prática de atos com não associados estão sujeitos et tributação. Precedentes do STJ e da CSRF. Recurso de oficio negado. (Acórdão n. 105-15.882, Sessão de 27/07/2006, Relator Conselheiro EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT) No mesmo sentido: "(..)Assunto:Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano -calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa :COOPERATIVA. RESULTADO DO ATO COOPERADO - As sobras, entendendo-se como tal o resultado positivo do ato cooperado, não sofrem a incidência da CSLL por não se CSRF-TI Fl. 6 6- I I enquadrarem no conceito de lucro, base de cálculo dessa contribuição." (Acórdão n. 103-22.735, Sessão de 09/11/2006, Relator Conselheiro Leonardo de Andrade Couto) No mesmo sentido: "BASE DE CÁLCULO - COOPERATIVAS - 0 pressuposto básico para a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro é a existência de lucro apurado segundo a legislação comercial. As entidades cooperativas não apuram lucros ou prejuízos, mas sobras que têm destinação especifica. A regra matriz de incidência da CSLL, trazida pela Lei 7.689/1988 e alterações posteriores, lido alcança a sobra obtida pelas entidades cooperativas nas operações com cooperados. Somente poderia incidir a CSLL sobre O resultado decorrentes das operações realizadas com não Cooperados." (Acórdão n. 101-95.004, Sessão de 20/05/2005, Relator Conselheiro Caio Marcos Cândido) No mesmo sentido: "CSLL - SOCIEDADES COOPERATIVAS - OPERAÇÕES COM COOPERADOS - SOBRAS LIQUIDAS - NÃO INCIDÊNCIA - A base de cálculo da Contribuição Social é o lucro liquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operação com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos arts. 1° e 2° da Lei n° 7.689/88, c/c com os arts 79 e 111 da Lei n°5.764/71." (Acórdão n. 108-08.130, Sessão de 02/12/2004, Relatora Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTO)' No caso, pois, considerada a pretensão da Fazenda Nacional de tributar pela CSLL resultados da Contribuinte provenientes de atos praticados exclusivamente com seus associados, entendo que há de ser mantido o acórdão recorrido nesta parte. (ii) Da exigência de multa isolada sobre estimativas não-recolhidas A inexigibilidade de multa isolada sobre as estimativas de CSLL não- recolhidas pelo contribuinte assenta-se nos mesmos fundamentos acima expostos, uma vez que o reconhecimento da inexigibilidade da CSLL apurada de modo amplo e indistinto sobre o resultado do contribuinte implica, por Conseqüência, reconhecer também a inexigibilidade do pagamento das estimativas de CSLL. Não fosse tal fato suficiente para cancelamento das multas isoladas relativas aos anos-calendário de 1997, 1998 e 2000, diga-se ainda que tais penalidades estão sendo cobradas de forma concomitante com multa de oficio lançada em conjunto com a CSLL relativa caos citados períodos de apuração, o que não se admite conforme remansosa jurisprudência desta Corte Administrativa. Veja-se, a titulo ilustrativo, ementa de alguns julgados proferidos por este Conselho, verbis: "MULTA ISOLADA ' E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO - A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n°9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legitima quando Processo "V 10410.004698/2002-34 CSRF-T1 Acórdão ri.° 9101-001.207 Fl. 7 incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. (Processo n. 10510.000679/2002-19, Recurso n. 106- 131314, Ac. CSRF/01-04.987, Primeira Turma, Relator: Leila Maria Scherrer Leitão, 15/06/2004) No mesmo sentido: ACÓRDJO 9202-00.869 Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF Processo n° 14041,000780/2005-39 Recurso n°151.136 Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão n°9202-00.1369 - 2a. Turma da 2a. Camara Sessão de 11 de maio de 2010 Data de publicação: 11/05/2010 Matéria IRPF Recorrentes FAZENDA NACIONAL e MARIA BER.NADETE ROCHA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO - CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legitima quando incide sobre unta mesma base de cálculo (Acórdão CSRF n° 01-04.987 de 15/06/2004). Recurso especial da Fazenda Nacional não conhecido e do Contribuinte conhecido e negado." (grifamos). No mesmo sentido: "Acórdão n°40105675 Processo 10670001429200336 Camara Superior de Recursos Fiscais. 1" Turma Data 11/06/2007 Ementa PENALIDADE - MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de oficio, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento 13 fiscal. Não pode ser base de cálculo valor que não integra a base de calculo do tributo que deveria ser calculado por estimativa. Recurso especial negado." (grifamos). No mesmo sentido: "Acórdão n°40105875 Processo 10384000638200479 Câmara Superior de Recursos Fiscais. la Turma Data 23/06/2008 Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA - 0 artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. 0 tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA - Incabível a aplicação concomitanie de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. 0 bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bern jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso especial negado." (grifamos). No mesmo sentido: "ACÓRDÃO 9101-00.634 Camara Superior de Recursos Fiscais - CSRF — 1° Turma da P. Camara Processo n° 10930.005174/200.3-72 Recurso n° 157.960 Especial do Procurador Sessão de 06 de julho de 2010 Data de publicação: 06/07/2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Recorrente FAZENDA NACIONAL 14 l'rocesso n° 10410.004698/2002-34 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.207 Fl. 8 I C hiteressado HYDRONORTH S/A Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001 Ementa: ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A multa isolada constante no art. 44 da Lei n° 9.430/96 tern como objetivo obrigar o sujeito passivo ao recolhimento mensal de antecipações de um possível imposto de renda e contribuição devidos ao final do ano-calendário, de modo que a penalidade somente se justifica quando cobrada durante aquele ano- calendário. Ao final do exercício, desaparece a base imponivel daquela penalidade (antecipações), surgindo uma nova base, que corresponde a contribuição efetivamente apurada, cabendo tão-somente a cobrança da mu/ta de oficio, que é devida caso a contribuição não seja paga no seu vencimento e apurada ex- officio. E se inexiste saldo de contribuição a pagar, sequer a base de cálculo da multa de oficio persistirá." (grifamos). Quanto ao afastamento da multa isolada sobre não recolhimento de estimativas no ano-calendário de 2001, o acórdão recorrido encontra-se em consonância com a iterativa jurisprudência desta Corte, no sentido de que a exigência da multa isolada sobre diferenças de CSLL não recolhidas mensalmente somente se justifica se operada no curso do próprio ano-calendário ou, se após o seu encerramento, constatar-se a falta de recolhimento ou recolhimento a menor do tributo apurado ao final por conta da insuficiência das estimativas recolhidas. Verbis: CSLL — MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. 0 artigo 44 da Lei n° 9.430/96 determina que a multa de oficio seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte - fato gerador do imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo não- recolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. Recurso Especial Negado. (Acórdão n. 01-05.552) No mesmo sentido: CSLL — MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — 0 artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. 0 tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando a empresa recolhe, ao longo do ano, valor superior ao apurado em sua escrita fiscal 15 de outubro de 2011. Sala das Ses o • oni Filho Antonio C 1 ao final do exercicio.ReCurso especial provido. (Acórdão n. 01- 05.652) No mesmo sentido: RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA - MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANO CALENDÁRIO: Encerrado o período anual da apuração, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece á exigência efetivamente devida, apurada com base no balanço anual, revelando-se improcedente a cominação de multa, mormente se o contribuinte optou, antes da ação fiscal, em incluir l a referida no REFIS. (Acórdão n. 01- 05.578) No mesmo sentido: IRPJ — RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA — MULTA ISOLADA — LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO 0 ANO-CALENDÁRIO: Encerrado o período anual de apuração do imposto de renda; a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido, apurado com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelando-se improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido antecipadamente superou o efetivamente devido. Recurso especial negado. (Acórdão n. 01-05.327) Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no 'rito, negar-lhe provimento. 16
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000631/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006
Ementa:
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-001.257
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2005, 01/03/2006 a 31/03/2006 Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu, Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Ausência Momentânea: Vera Kempers de Moraes Abreu Fl. 283DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000631/200975 Acórdão n.º 230201.257 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente lançamento de contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados caracterizados como empregados e destinadas às terceiras entidades INCRA, SENAR e FNDE, no período de 12/2004 a 02/2005 e 03/2006. O auto de infração foi lavrado em 25/09/2009. Após impugnação, Acórdão de fls. 243/253, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, arguindo: a) que não pode ser excluído do SIMPLES, porque se trata de direito adquirido e o ato jurídico perfeito não pode ser afastado pelo fisco; b) que a exclusão não pode ter efeitos retroativos; c) que é necessária a edição de lei complementar para instituir novas contribuições; d) que o MPF é inválido; e) que o vínculo empregatício deve ser demonstrado; f) que a prova emprestada não oferece segurança; g) que a SELIC é inconstitucional. Requer a reforma da decisão recorrida porque o auto de infração não possui respaldo legal e deve ser julgado insubsistente, sendo que, subsidiariamente requer o afastamento da SELIC por ilegal e inconstitucional, da multa por ser confiscatória. É o relatório. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 243/253, em 17/09/2010, fls.256, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 20/09/2010, fruindo até 19/10/2010. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 20/10/2010, conforme protocolo de fls. 257, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 285DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000631/200975 Acórdão n.º 230201.257 S2C3T2 Fl. 3 5 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13804.001607/2001-92
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2000
OMISSÃO
Acolhem-se os embargos quando a decisão estiver com omissão.
Numero da decisão: 1103-000.594
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanar a omissão indicada.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para sanar a omissão indicada. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Fl. 684DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Tratase de embargos de declaração interposto pela Fazenda Nacional a respeito do acórdão nº 110300.417, proferido em 24 de fevereiro de 2011, pela 3ª turma ordinária da 1ª câmara da 1ª seção do CARF, que deu parcial provimento ao recurso da contribuinte.. O acórdão atacado dispôs (ementa): “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 05 anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se pronuncie, considerarseá homologada a compensação declarada pelo sujeito passivo e extinto o crédito tributário nela declarado. COMPROVAÇÃO Uma vez comprovado os valores devem ser homologadas as compensações.” As razões dos embargos foram (resumo): A omissão da decisão embargada reside na análise do momento da edição do dispositivo legal que fundamenta o julgado e sua suposta aplicabilidade retroativa. Ocorre que a determinação acerca da homologação tácita após 5 (cinco) anos do protocolo do pedido de compensação apenas foi inserida no ordenamento jurídico pátrio a partir da edição do art. 17, da Medida Provisória n.° 135, de 30 de outubro de 2003 (convertida na Lei n.º 10.833, de 29 de dezembro de 2003), que modificou o art. 74, § 59, da Lei n.º 9.430/96. Portanto, apenas se aplica tal raciocínio a partir de 30/10/2003, uma vez que antes de tal marco não havia para a Administração Tributaria qualquer prazo limite para a homologação. Entendimento diverso conduziria à situação esdrúxula de ser a Administração Tributária literal e sumariamente surpreendida com a repentina fluência de um prazo que, quando do pedido de compensação formulado pela contribuinte, sequer existia. Com efeito, mostrase omisso/contraditório o voto condutor no que tange à detida análise da legislação ora apontada, mostrandose relevante que o colegiado demonstre as razões para eventual manutenção do entendimento acerca da aplicação retroativa da nova regra acerca do prazo para homologação tácita, sob pena de cerceamento de defesa. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator Os embargos atendem os requisitos de admissibilidade, assim, deles conheço. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13804.001607/200192 Acórdão n.º 110300.594 S1C1T3 Fl. 2 3 A Fazenda nacional alega omissão quanto a fundamentação do acórdão atacado. Para esclarecer a omissão transcrevo parte do art. 74 da lei nº 9.430, de 1996, com alterações, a saber: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Assim, com uma simples leitura do §4º do referido art. 74 da Lei 9.430/96, vemos que os pedidos de compensação pendentes de apreciação converteramse em declaração de compensação, desde o seu protocolo. Por outro lado, o parágrafo 5º do mesmo artigo afirmou que o prazo de homologação das declarações de compensação seria de cinco anos. Assim, embora concorde com a procuradoria quanto à situação “esdrúxula”, não vejo como interpretar diferente, pois, a opção “esdrúxula” foi do legislador, que ao converter todos os pedidos de compensação, desde o seu protocolo, à declaração de compensação, e afirmar que estas teriam, 5 anos para serem homologadas, realmente causou uma surpresa a Fazenda. Contudo, não cabe a esta esfera administrativa discutir questões de segurança jurídica, por ser matéria de ordem constitucional. Em face do exposto, acolho os embargos para sanar omissão. Sala das Sessões, em 24 de novembro de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 686DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 10768.003317/2003-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1999
IR FONTE - RENDIMENTOS DE NÃO-RESIDENTES - OPERAÇÕES DE
HEDGE - ALÍQUOTA ZERO - As operações de cobertura (hedge),
realizadas para proteção de posições assumidas na BM&F expressas em moeda nacional, mas atreladas a derivativos de variação cambial, não podem ser consideradas não admitidas por falta de normativo expresso de conteúdo proibitivo. Sobre o valor das remessas a beneficiários no exterior, destinadas à liquidação de operações de hedge, de que trata a Resolução CMN nº 2.012/1993, aplica-se a alíquota de zero do Imposto de Renda na Fonte,
inclusive quando realizadas mediante operações de swap liquidadas em moeda nacional, não constituindo restrição o disposto no art. 1º da Circular Bacen nº 2.348/1993.
OPERAÇÕES DE SWAP NO EXTERIOR - REGISTRO NA CETIP -
IMPOSSIBILIDADE - Em relação às operações de swap realizadas mediante contratos firmados no exterior, é inaplicável a norma prevista no art. 3º da Resolução CMN nº 2.138/1994, que se converte em condição inexeqüível, pela inexistência, à época dos fatos, de sistema habilitado para registro.
Numero da decisão: 9101-000.706
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1999 IR FONTE - RENDIMENTOS DE NÃO-RESIDENTES - OPERAÇÕES DE HEDGE - ALÍQUOTA ZERO - As operações de cobertura (hedge), realizadas para proteção de posições assumidas na BM&F expressas em moeda nacional, mas atreladas a derivativos de variação cambial, não podem ser consideradas não admitidas por falta de normativo expresso de conteúdo proibitivo. Sobre o valor das remessas a beneficiários no exterior, destinadas à liquidação de operações de hedge, de que trata a Resolução CMN nº 2.012/1993, aplica-se a alíquota de zero do Imposto de Renda na Fonte, inclusive quando realizadas mediante operações de swap liquidadas em moeda nacional, não constituindo restrição o disposto no art. 1º da Circular Bacen nº 2.348/1993. OPERAÇÕES DE SWAP NO EXTERIOR - REGISTRO NA CETIP - IMPOSSIBILIDADE - Em relação às operações de swap realizadas mediante contratos firmados no exterior, é inaplicável a norma prevista no art. 3º da Resolução CMN nº 2.138/1994, que se converte em condição inexeqüível, pela inexistência, à época dos fatos, de sistema habilitado para registro.
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Sobre o valor das remessas a beneficiários no exterior, destinadas à liquidação de operações de hedge, de que trata a Resolução CMN nº 2.012/1993, aplica-se a alíquota de zero do Imposto de Renda na Fonte, inclusive quando realizadas mediante operações de swap liquidadas em moeda nacional, não constituindo restrição o disposto no art. 1º da Circular Bacen nº 2.348/1993. OPERAÇÕES DE SWAP NO EXTERIOR - REGISTRO NA CETIP - IMPOSSIBILIDADE - Em relação às operações de swap realizadas mediante contratos firmados no exterior, é inaplicável a norma prevista no art. 3º da Resolução CMN nº 2.138/1994, que se converte em condição inexeqüível, pela inexistência, à época dos fatos, de sistema habilitado para registro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 2 2 CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS - Relator. EDITADO EM: 20/01/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Leonardo de Andrade Couto, Claudemir Rodrigues Malaquias, Viviane Vidal Wagner, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Susy Gomes Hoffman (Vice- Presidente), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Antonio Carlos Guidoni Filho, Karen Jureidini Dias e Valmir Sandri. Relatório Com fundamento no art. 56, inciso II do Regimento Interno do Conselhos de Contribuintes - RICC c/c arts. 7, inciso I e 15 § 1º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais – RICSRF, ambos aprovados pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial (fls. 1.960/1.987) em face do acórdão nº 105-15.504 proferido pela antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselhos de Contribuintes assim ementado: “IRFONTE - REMESSAS A BENEFICIÁRIOS DOMICILIADOS NO EXTERIOR - Aplica-se a alíquota de zero por cento do Imposto de Renda Devido na Fonte sobre o valor das remessas a beneficiários domiciliados no exterior destinadas à liquidação de operações de 'hedge', que se caracterizam como atividades operacionais, normais e usuais da empresa, realizadas nos termos da Resolução CMN - 2.012/1993, inclusive quando realizadas mediante operações de 'swap', sendo ineficaz a restrição prevista no art. 1° da Circular Bacen 2.348/1993 que não consta da Resolução CMN 2.012/1993, bem como, no caso, ineficaz a norma prevista no art. 3° da Resolução CMN 2.138/1994, que se converte em condição inexeqüível em relação às operações de swap, que foram realizadas no exterior.” De início, cumpre registrar que os fatos que deram origem aos presentes autos, ensejaram também o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que constituem o objeto do processo de nº 10768.002986/2003-95, que será apreciado nesta mesma oportunidade. A ação fiscal que resultou em ambos os processos foi motivada por comunicação feita pelo Banco Central do Brasil à Superintendência Regional da Receita Federal, da 7ª Região Fiscal, por meio do expediente DESUP/GABIN-2001/036, de 20/04/2001, assim como, pela informação do Ministério Público Federal feita pelo Ofício nº 109/PR/RJ/GAB/AG, de 10.07.2001 (fls. 1.461). No âmbito daquela Autarquia, a matéria foi objeto de investigação simultânea, cujas conclusões foram consubstanciadas no Processo BCB nº 0101088985, julgado em caráter definitivo na 267ª Sessão de Julgamento do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN) e que resultou no Acórdão CRSFN nº 7.842/06, de 07.11.2006. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 3 3 Deve-se destacar também que, em vista das disposições regimentais vigentes, especificamente quanto às atribuições para julgamento das Turmas desta Câmara Superior, foi suscitado conflito de atribuição, nos termos da Informação nº 9101-00248, de 27.09.2010 (fls. 2.159/2.161 do processo acima referido), cuja competência para sua solução é do Presidente do Carf, nos termos do art. 20, inciso IX do atual Regimento. Em 28.09.2010, o Presidente do Carf, manifestando-se sobre o conflito suscitado, determina a relatoria e julgamento conjunto pela 1ª Turma da CSRF dos processos de nº 10768.002986/2003-95 (IRPJ/CSLL) e de nº 10768.003317/2003-31 (IRF) (fls. 2.162/2.163). Da autuação A contribuinte foi cientificada do auto de infração em 02.04.2003, por meio do qual a autoridade formaliza a exigência de Imposto de Renda Devido na Fonte (IRF) que teria deixado de ser recolhido sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior, no ano de 1999, nos montantes de R$ 13.879.008,00 (sujeito à multa de 75%) e de R$ 4.918.659,43 (sujeito à multa de 150%), conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) (fls. 1.447/1.479). Trata-se de remessas efetuadas para pagamento de resultados (perdas) decorrentes de operações de swap OTC market (expressão financeira usual para designar over the counter market), referenciado no País como “mercado de balcão” ou mercado organizado fora de bolsa), realizadas no exterior e que foram utilizadas como instrumentos financeiros de operações de cobertura (hedge). Tais operações foram destinadas a cobrir riscos de variação cambial de direitos adquiridos em operações de swap realizadas na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BMF) no Brasil. A autuação apresentou duas fundamentações, a seguir resumidas: 1. PAGAMENTO OU RECEBIMENTO EM MOEDA ESTRANGEIRA 1.1 A Lei 9.481/97, art 1º, inciso IV, com a redação dada pela Lei nº 9.532/97, reduz a zero a alíquota do IRF incidente sobre valores correspondentes a operações de cobertura de riscos (hedge), auferidos no País, por residentes domiciliados no exterior. 1.2 No entanto, a redução da alíquota a zero, segundo o § 1º do dispositivo legal referido, exige que sejam observadas as condições estabelecidas pelo Ministro da Fazenda. 1.3 O Ministro da Fazenda determinou, pelo art. 1º, inciso III, da Portaria MF nº 70, de 31/03/97, que as remessas correspondentes a operações de cobertura (hedge) obedeçam à regulamentação pertinente. 1.4 Por sua vez, a regulamentação pertinente é a estabelecida pela Resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) nº 2.012/93 e pela Circular Bacen 2.348/93. Segundo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 4 4 essas normas, as operações de cobertura (hegde) realizadas no exterior devem ter por objeto pagamentos ou recebimentos em moeda estrangeira. 1.5. A contribuinte não cumpriu referidas normas, uma vez que as operações por ela realizadas tinham por objeto ativos financeiros decorrentes de operações de swap realizadas na BMF, portanto, no Brasil e sujeitos a pagamento ou recebimento em moeda nacional. 1.6 A falta de obediência dessas normas, Resolução CMN nº 2.012/93 combinada com a Circular Bacen 2.348/93, impede a aplicação da alíquota zero. 2. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA CETIP 2.1 As operações de hedge realizadas no exterior valeram-se, como instrumentos financeiros, de operações de swap realizadas em mercado de balcão. Estas últimas, no entanto, são operações sujeitas a registro na CETIP ou em outro sistema de registro habilitado pelo Bacen ou pela CVM, conforme dispõe o art. 3º da Resolução CMN Nº 2.138/94. 2.2 Assim, a redução da alíquota do IRF a zero, além de depender da obediência das normas relativas ao hedge (Resolução CMN nº 2.012/9 e Circular Bacennº 2.348/93), depende também da obediência da norma relativa ao registro das operações de swap, utilizadas como instrumento financeiro do hedge (Resolução CMN nº 2.138/94). 2.3 Como as operações de swap não foram registradas na CETIP ou em outro sistema de registro autorizado pelo Bacen ou pela CVM, não se podia aplicar a alíquota zero do IRF às remessas destinadas à liquidação das operações, por constituírem rendimentos de domiciliados ou residentes no exterior. Da impugnação O sujeito passivo, conforme petição de fls. 1.559/1.602, instruída com os documentos de fls. 1.603/1.731, impugnou a exigência fiscal, exceto a parcela relativa ao crédito tributário decorrente da operação realizada com o Banco Surinvest, iniciada em 12.01.99 e concluída em 29.01.99, que foi liquidada na ocasião. Referida operação ensejou o lançamento do IRF com multa de ofício no percentual de 150% em razão da conduta considerada qualificada pela autoridade fiscal. Desta forma, desde a primeira instância, não foi objeto de litígio a parte do crédito tributário lançada, relativa à operação em que figurava como contra-parte o Banco Surinvest, correspondente ao contrato de câmbio nº 99/00044, conforme TVF (fls. 1.476/1.477). O Acórdão DRF/RJO-I nº 4461/2003, de Primeira Instancia, (fls. 1.735/1.773, mantém a exigência fiscal. Refuta ou desconsidera as argüições da impugnante, invocando as mesmas razões apresentadas pelo auditor fiscal no TVF. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 5 5 Do recurso voluntário Em sede de recurso voluntário (fls. 1.780/1.799), a contribuinte ratifica, os argumentos apresentados na Impugnação e acrescenta novas ponderações: a) quanto à premissa em que se baseou o acórdão da DRJ de que, gozando as normas administrativas regularmente editadas de presunção de validade, tal questionamento deve ser dirigido ao Poder Judiciário, que detém a competência legal para apreciá-lo; e b) quanto à conclusão da decisão da DRJ de que havia alternativas de registro, além da CETIP, porque a Resolução CMN nº 2.138/94 refere-se a “outros sistemas de registro”. A Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da decisão recorrida de fls. 1.759/1.810, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, corroborando o estudo do i. relator Conselheiro Irineu Bianchi, que em síntese, concluiu que: a) quanto aos pagamentos em moeda estrangeira, objeto das operações de cobertura “112. (...) a inovação inserta no caput do art. 1° da Circular Bacen 2.348/94 não reúne condições de merecer a interpretação restritiva que lhe atribuíram o auditor fiscal e a autoridade julgadora. Não tem ela condições de inculcar nas operações realizadas pelo recorrente, ao amparo da Resolução CMN 2.012/93, a pecha de irregulares. 113. Nesse caso, não há qualquer desobediência à Resolução CMN 2.012/93 que justificaria a vedação de se aplicar a alíquota zero do IRF sobre as remessas necessárias para cobrir os resultados negativos das operações, que constituem rendimentos de domiciliados no exterior.“ b) quanto à necessidade de registro das operações na CETIP “140. Seja como for, essa legislação básica que autoriza a realização de hedge no exterior, que se vale de instrumentos que atendem aos parâmetros internacionais (de que fala o § 1° do art. 1° da Resolução CMN 2.012/93), um dos quais são as operações de swap realizadas em mercado de balcão, não pode ver usurpada sua eficácia pela inserção no seu contexto de condição inexeqüível. 141. A lei tem o atributo intrínseco da eficácia, que se remove apenas com a revogação da própria lei, ou se suspende temporariamente com a edição de outra lei, ou se submete ao implemento de determinada condição, mas desde que exeqüível a condição. O que não se pode admitir é que a eficácia de uma lei seja aniquilada pela criação de condição inexeqüível, como se pretendeu fazer no presente caso. (...) 143. Nesse contexto, não sendo registráveis as operações realizadas no exterior, não se pode considerar que tenha havido desobediência à Resolução CMN2.138/94, de tal forma que não se pudesse admitir a aplicação da alíquota zero do IRF.” (grifos do original) A Câmara a quo afastou, então, a exigência do IRF sobre os rendimentos auferidos por não residente, correspondentes às perdas verificadas nas referidas operações de hedge, instrumentalizadas por contratos swap OTC, considerando que o Banco Central não poderia, ao regulamentar a Resolução do CMN, restringir as operações permitidas somente Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 6 6 àquelas em que os pagamentos e recebimentos fossem efetuados em moeda estrangeira e que, não seria possível, retirar a eficácia da norma permissiva pela não realização de registro considerado impossível naquela ocasião. Dos embargos de declaração Em face da decisão da Quinta Câmara, a Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração (fls. 1.814/1.834), alegando, em síntese: a) quanto à questão do “registro das operações”, que a Câmara deixou de observar que a exigência de tal registro decorre do art. 3º e seguintes da Lei nº 4.131 c/c Circular Bacen nº 2.348, art. 5º; b) quanto à “autonomia do BCB para editar atos pertinentes a câmbio” argumenta que a Câmara ao rejeitar a condição estabelecida pela Circular Bacen nº 2.348, sob o argumento de que o Bacen extrapolou a competência que lhe fora delegada, deixou de observar que a Lei nº 4.595, art. 4º, inciso XVIII, ao atribuir ao Bacen o “monopólio das operações de câmbio”, atribui-lhe autonomia para editar atos referentes à matéria cambial; e, finalmente, c) quanto à questão da “paridade entre moedas”, a PFN argumenta que a Câmara, ao entender que o Bacen alterou condições das operações de swap/hedge, por inserir na Circular nº 2.348 exigência de que os objetos do hedge fossem “pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras”, deixou de observar que, à vista do conceito de “paridade”, assentado no Glossário do Bacen, a Circular Bacen nº 2.348 não colide com a disposição da Resolução CMN nº 2.012, visto que as operações enquadradas como “operações de paridade entre moedas” resultam necessariamente em “pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras”. Oportuno registrar que, na sua manifestação perante os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, a contribuinte, em 20.06.2007, aduziu as seguintes informações ao processo, peticionando a juntada de diversos documentos: “5. Como indicado nos autos, a fiscalização do Bacen considerou que determinadas operações de hedge do contribuinte eram violadoras das normas administrativas do CMN e do Bacen. Dessa fiscalização decorreram um processo administrativo na esfera do Bacen (nº 01001088985), o Auto de Infração objeto do processo em epígrafe e um processo criminal. 6. A decisão de primeira instância na esfera do Bacen foi contrária à PETCIONÁRIA, à qual aplicou multas em valor superior a R$ 18 milhões; no entanto, o recurso dela interposto pela PETICIONARIA (nº 5523) foi provido por acórdão unânime do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN), proferido na 266ª sessão, de 07 e 08.11.2006, que contou com parecer favorável do Procurador da Fazenda Nacional, Rodrigo Pirajá Wienkoski. 7. (...) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 7 7 8. A PETICIONARIA vem juntar cópia aos autos da p. 58 do Diário Oficial de 20.12.2006 (Doc. 1), que noticia que o processo 01001088985 foi arquivado em razão do provimento doseu recurso nº 5523, e cópia do pertinente parecer do Procurador da Fazenda Nacional, Rodrigo Pirajá Wienkoski (Doc. 2), favorável à PETICIONARIA.” (fls. 1.842/1.843) Em 21.08.2007, foram juntados aos autos cópia do Acórdão proferido pelo Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional nº 7842, de 07.11.2006, o qual, por unanimidade de votos, “concluiu que as operações de hedge praticadas pela PETICIONARIA foram válidas e encontram amparo na Lei nº 4.595/64 e nas normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), notadamente a Resolução nº 2.012/93, vigente à época” (fls. 1.857/1.936). Ao analisar os referidos embargos, o i. relator concluiu pela inexistência das imperfeições alegadas, não padecendo a decisão da câmara a quo de qualquer vício de omissão, obscuridade ou contradição, qualificando de inovadores os argumentos trazidos pela embargante. Assim, as alegações foram rejeitadas pelo então presidente da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme despacho de 24.01.2008 (fls. 1.941/1956). Do recurso especial Mantido sem reparos o teor do acórdão proferido pela antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselhos de Contribuintes, a Fazenda Nacional apresentou, então, recurso especial com fundamento no art. 56, inciso II do RICC c/c art. 7º, inciso I, alegando, em síntese, o seguinte (fls. 1.960/1.987): 1. “Violação ao artigo 1º, inciso IV e parágrafo único da Lei nº 9.481, de 1997, c/c Portaria MF nº 70/97, art. 1º, inciso III, c/c Resolução CMN nº 2.012, de 1993, artigo 1º, c/c Circular BCB 2.348, de 1993, art. 1º, no tocante à primeira fundamentação da autuação, a saber, o fato do contribuinte não ter cumprido às referidas normas, uma vez que as operações tinham por objeto ativos financeiros decorrentes de operações de swap realizadas na BM&F, sujeitos a pagamento ou recebimento em moeda nacional”; (destaques do original) 2. “Ofensa ao artigo 3º da Resolução nº 2.138 do BACEN, ao parágrafo único da Lei nº 9.481/97 e ao inciso III do artigo 1º da Portaria MF nº 70/97, no tocante à segunda fundamentação da autuação, a saber, a incidência dos tributos, em decorrência da ausência de registro das operações na CETIP ou em outro sistema de registro habilitado pelo Banco Central ou pela CVM.” (destaques do original) A Fazenda Nacional insurge-se contra a decisão recorrida, a qual rechaçou os dois fundamentos da autuação, ao argumento de que: a) as operações da contribuinte não se coadunam com as normas do CMN porque não visavam a cobrir riscos de “pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira”; e b) essas operações não foram objeto de registro na Cetip, conforme estabelecido pela Resolução CMN nº 2.138/94. Em despacho de 08.08.2008 (fls. 1.989/1.990), o presidente da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes reconhece que foram atendidos os pressupostos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 8 8 de admissibilidade e determina o seguimento do Recurso Especial, retornando os autos para ciência manifestação da contribuinte. Em suas contrarrazões (fls. 2.004/2.014), a contribuinte destaca a decisão definitiva que lhe foi favorável prolatada sobre a mesma matéria pelo Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional. Aquele órgão, com o apoio do parecer do Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Rodrigo Pirajá Wienkoski, por meio de decisão unânime do colegiado, deu provimento ao recurso da contribuinte e considerou lícitas e conformes à legislação cambial e às normas do CMN e do Bacen as operações objeto dos presentes autos. Quanto ao mérito, assevera que a Lei nº 4.595/64 estabeleceu diferentes competências para o CMN e o Bacen, além de notória hierarquia entre tais órgãos e as normas por eles expedidas. O CMN se sobrepõe ao Bacen e não pode o Bacen alterar as normas baixadas pelo CMN; compete-lhe cumpri-las, e não inová-las, ampliá-las, restringi-las nem condicioná-las. No que se refere à segunda fundamentação do auto, quanto à necessidade de registro das operações na CETIP, argui que tal registro era impossível e que a Resolução CMN nº 2.138/94, invocada pela autoridade fiscal como suposto amparo à exigência de registro no Brasil, nada tem a ver com câmbio nem com operações de swap efetuadas no exterior. Às fls. 2.015, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro retorna os autos a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais para as providências cabíveis. É o relatório. Voto Conselheiro CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS O presente recurso foi interposto tempestivamente, desafia decisão não unânime da Câmara a quo e, nos termos do art. 15, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), demonstra fundamentadamente que a decisão recorrida apresenta suposta contrariedade à lei. Dele, portanto, tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre registrar que a matéria submetida a exame deste Colegiado não inclui a parcela do crédito tributário decorrente da operação realizada com o Banco Surinvest, iniciada em 12.01.99 e concluída em 29.01.99. Referida operação ensejou o lançamento do IRF com multa de ofício no percentual de 150% em razão da conduta considerada qualificada pela autoridade fiscal. Desta forma, desde a primeira instância, não foi objeto de litígio a parte do crédito tributário, relativa à operação em que figurava como contra- parte o Banco Surinvest, correspondente ao contrato de câmbio nº 99/00044, conforme TVF (fls. 1.476/1.477). Portanto, estão sendo discutidas nestes autos, as consequências tributárias relativas a 24 operações realizadas com o Mellon Bank N.A., discriminadas no quadro Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 9 9 constante do Termo de Verificação Fiscal (TVF), (fls. 1.448), todas liquidadas entre 15.01.99 e 02.09.99. Cumpre também registrar que os fundamentos da autuação referente ao IRF são os mesmos que embasaram o lançamento do IRPJ no processo de nº 10768.002986/2003- 95, que será também apreciado nesta oportunidade. Pois bem, como se verifica no relatório, a contribuinte realizou nos anos de 1998 e 1999 operações de cobertura (hedge) que empregaram, como instrumentos financeiros, contratos de swap OTC market (over the counter market), firmados no exterior. Tais contratos correspondem a operações realizadas no chamado mercado organizado fora de bolsa, aqui no Brasil referenciado com a expressão “mercado de balcão”. As operações de hedge, como o próprio nome sugere, destinam-se a cobrir riscos potenciais, proteger alguém de eventuais perdas resultantes do aumento do valor de suas obrigações ou da redução do valor de seus bens. No caso dos autos, a contribuinte realizou no exterior tais operações para cobrir ou “hedgear” posições assumidas em outras operações, também do tipo swap, realizadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), no Brasil. As operações de hedge são justificadas por pressupostos verificáveis objetivamente, quais sejam, a existência de uma obrigação futura ou um ativo financeiro e a possibilidade de um provável aumento no valor da obrigação ou a perda de valor do ativo, consubstanciando um risco financeiro. Da análise da documentação acostada aos autos, pode- se afirmar que as operações realizadas pela contribuinte se iniciavam com assunção de posições na BM&F, por meio de dois contratos simultâneos de swap: um swap de dólar contra Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e outro swap de CDI contra uma taxa de juros pré- fixada. Os CDI constavam em ambos os contratos, mas em posições inversas e, portanto, sua variação era neutralizada, caracterizando-se tais operações os chamados swaps sintéticos de dólar contra taxa de juros pré-fixada. Estas operações cursadas na BM&F, apesar de justapostas, configuravam ainda uma situação de risco pela possível discrepância entre a variação da taxa de juros pré-fixada e a variação do dólar, passível, portanto, de ser objeto de hedge. Em outras palavras, a operação da contribuinte consistia em trocar no mercado a variação dos juros pré-fixados pela variação cambial; pagava os juros incorridos no período de cada operação e, em troca, recebia a variação cambial ocorrida neste mesmo período. Se neste lapso, a variação do dólar fosse maior do que a taxa de juros pré-fixada, a contribuinte receberia a diferença, obtendo lucro. E, caso a variação da cotação do dólar fosse menor que a taxa de juros pré-fixada contratada, ou fosse negativa, a contribuinte arcaria com a diferença, tendo prejuízo. Estas posições assumidas na BM&F caracterizam risco potencial decorrente da variação do preço da moeda estrangeira. Ela poderia ganhar ou perder. Porém, ao fazer o swap inverso no OTC como forma de “travar” a operação na BM&F, a contribuinte estaria protegida do risco cambial. É esta a justificativa para as operações de cobertura no exterior, que foram estruturadas em posições inversas àquelas assumidas na BM&F. Ao final do período, a contribuinte, por meio destas operações, pagava à sua contraparte no exterior a variação cambial e recebia o valor correspondente a uma taxa de juros pré-fixada. Foi justamente a liquidação destas operações no exterior deu origem aos contratos de câmbio (remessas) que ensejaram a presente autuação (fls. 1.448). Em relação à tais remessas ao exterior, a contribuinte não reteve e não recolheu o IRF, por entender que a Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 10 10 elas se aplicava a alíquota zero, prevista no art. 1º, inciso IV, da Lei nº 9.481, de 13.08.1997, com a redação dada pelo art. 20 da Lei nº 9.532, de 11.12.1997, verbis: “Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (...) IV - valores correspondentes a operações de cobertura de riscos de variações, no mercado internacional, de taxas de juros, de paridade entre moedas e de preços de mercadorias (hedge); (...) Parágrafo Único. Nos casos dos incisos II, III, IV, VIII, X e XI, deverão ser observadas as condições, formas e prazos estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda.” (os grifos não constam do original) O Ministro de Estado da Fazenda, tendo em vista a delegação que lhe foi conferida pelo diploma legal acima, editou a Portaria MF nº 70, de 31.03.1997, fixando as condições para aplicação da alíquota zero do imposto de renda incidente nas remessas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Estabeleceu que as remessas correspondentes às operações de cobertura (hedge) deveriam se caracterizar como necessárias, usuais e normais, inclusive quanto ao seu valor e, ainda, obedecer à regulamentação pertinente, verbis: “Art. 1º Para efeito do benefício da alíquota zero do imposto de renda incidente nas remessas para beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, nas hipóteses dos incisos II, III, IV, VIII, X e XI do art. 1º da Medida Provisória nº 1.563, de 1996, devem ser atendidos os seguintes requisitos: (...) III - nas remessas correspondentes a operações de cobertura de variações, no mercado internacional, de taxas de juros, de paridade entre moedas e de preços de mercadorias (hedge): sejam comprovadamente caracterizadas como necessárias, usuais e normais, inclusive quanto ao seu valor, para a realização da cobertura de riscos delas decorrentes, obedecida a regulamentação pertinente; (...)”(os grifos não constam do original) À época dos fatos, a regulamentação pertinente referida na aludida Portaria ministerial, for expedida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), por meio da Resolução CMN nº 2.012, de 30.07.1993 1 , que assim disciplinou o assunto, na parte que interessa a esta análise: 1 A Resolução CMN 2.012/93 foi revogada pela Resolução CMN nº 3.312, de 31.08.2005, que assim dispõe sobre matéria: “Art. 1º Estabelecer que as transferências financeiras do e para o exterior, decorrentes de operações destinadas à proteção (hedge) de direitos ou obrigações de natureza comercial ou financeira, sujeitos a riscos de variação, no mercado internacional, de taxas de juros, de paridades entre moedas estrangeiras ou de preços de mercadorias, podem ser realizadas por pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no País, em bancos autorizados a operar no mercado de câmbio, observado o disposto na presente Resolução. Parágrafo único. Observados os riscos de variação previstosno caput deste artigo, pode ser utilizada qualquer modalidade de hedge regularmente praticada no mercado internacional. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 11 11 “O Banco Central do Brasil, na forma do art. 9º da Lei nº 4.595, de 31.12.64, torna público que o Conselho Monetário Nacional, em sessão realizada em 28.07.93, com base nos arts. 4º, incisos V e XXXI, e 57 da referida lei, e tendo em vista as disposições do art. 9º do Decreto-Lei nº 1.351, de 24.10.74, com a redação dada pelo Decreto-Lei nº 1.411, de 31.07.75, e do art. 63 da Lei nº 8.383, de 30.12.91, R E S O L V E U: Art. 1° Permitir que as entidades do setor privado realizem, no exterior, com instituições financeiras ou em bolsas, operações destinadas a proteção ("hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional. § 1° As operações de que se trata pautar-se-ão pelos parâmetros vigentes no mercado internacional, podendo o Banco Central do Brasil, a seu exclusivo critério, exigir compensação cambial suficiente para elidir os efeitos das operações que se mostrarem dissonantes do objetivo previsto ou celebradas fora daqueles parâmetros, sem prejuízo da aplicação das sanções porventura cabíveis. (...) Art. 4° Fica delegada competência ao Banco Central do Brasil para adotar as medidas e baixar as normas necessárias à execução do disposto nesta Resolução. (...)" (os grifos não constam do original) O Banco Central do Brasil, no exercício da competência delegada pelo CMN, regulamentou a referida Resolução por meio da Circular nº 2.348, de 30.07.1993, dispondo o seguinte, na parte que interessa a esta análise: “Art. 1º Podem ser objeto de proteção (hedge) contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional, os pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras programados ou previstos para ocorrerem em momentos futuros, relacionados com obrigações e direitos de natureza comercial ou financeira. Parágrafo único. Incluem-se, também, neste artigo os pagamentos e recebimentos: Art. 2º Incluem-se entre os direitos e obrigações a que se refere o artigo anterior os pagamentos e os recebimentos em moeda nacional decorrentes de repasses de obrigações contraídas em moeda estrangeira, bem como aqueles relativos a: I - importação, exportação ou negociação no mercado interno de mercadorias cujo preço seja estabelecido consoante suas cotações em bolsa no exterior; II - operações em bolsas de mercadorias e de futuros no País; III - exposições assumidas, no País, pelos bancos autorizados a operar no mercado de câmbio com seus clientes, desde que vinculadas a direitos ou obrigações passíveis de hedge no exterior nos termos desta Resolução. Art. 3º Podem também ser efetuadas transferências financeiras referentes a hedge de variações de taxas de juros e de paridade entre moedas estrangeiras: I - destinadas à constituição de depósitos a título de caução (collateral, escrow accounts); II - necessárias à efetivação de hedge relativo a recursos externos a serem desembolsados no futuro. Art. 4º Para as operações previstas nesta Resolução, são admitidas remessas destinadas à abertura de contas correntes em corretores no exterior e a depósitos de margens de garantia, bem como o financiamento dessas margens pelos bancos autorizados a operar no mercado de câmbio, mediante a utilização de linhas de crédito externas.” Fl. 11DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 12 12 I — em moeda nacional, decorrentes de repasses de obrigações contraídas em moeda estrangeira e admitidas na legislação vigente; II — relativos a importação, exportação e negociação, no mercado interno, de mercadorias cujo preço seja estabelecido consoante suas cotações em bolsas no exterior.” (os grifos não constam do original). Da simples leitura dos dispositivos regulamentares tem-se que o CMN permitiu “que as entidades do setor privado realizem, no exterior, com instituições financeiras ou em bolsas, operações destinadas a proteção ("hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional”. Ao seu turno, o Banco Central, por força da delegação conferida pelo art. 4º da Resolução CMN, declarou que podem ser objeto de proteção (hedge) contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional, os pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras programados ou previstos para ocorrerem em momentos futuros, relacionados com obrigações e direitos de natureza comercial ou financeira. Tecidas estas considerações iniciais e transcritos os dispositivos legais pertinentes, passo à análise das razões da ora recorrente Fazenda Nacional. 1. PAGAMENTO OU RECEBIMENTO EM MOEDA ESTRANGEIRA A Fazenda Nacional alega que a decisão recorrida incorreu em: “Violação ao artigo 1º, inciso IV e parágrafo único da Lei nº 9.481, de 1997, c/c Portaria MF nº 70/97, art. 1º, inciso III, c/c Resolução CMN nº 2.012, de 1993, artigo 1º, c/c Circular BCB 2.348, de 1993, art. 1º, no tocante à primeira fundamentação da autuação, a saber, o fato do contribuinte não ter cumprido às referidas normas, uma vez que as operações tinham por objeto ativos financeiros decorrentes de operações de swap realizadas na BM&F, sujeitos a pagamento ou recebimento em moeda nacional”; (destaques do original) Na sua argumentação, indica que a razão básica da defesa da contribuinte apoia-se no entendimento de que “a Circular nº 2.348/93 foi além do que podia. A pretexto de normatizar a execução da Resolução nº 2.012/93 (era só isso que tinha poderes para fazer, delegados pelo art. 4º), limitou o seu alcance: disse que só se poderiam hedgear pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras, restrição que a norma superior (do CMN) não fazia.” Sustenta que a Circular objeto de questionamento foi expedida em 30 de julho de 1993 e que não houve mudança de entendimento por parte do Banco Central quanto às moedas utilizáveis nas operações de swap. Menciona a Circular nº 2.170, de 30 de abril de 1992, anterior a que ora está sendo questionada. Fazendo análise temporal, conclui a Fazenda Nacional, “o Banco Central manteve o seu entendimento de que as operações de hedge são aquelas relativas a obrigações assumidas em moeda estrangeira, não se tratando este o caso das operações realizadas pelo contribuinte que forma liquidadas em moeda nacional e também não se referem a empréstimos, financiamentos ou dívidas contraídas em moeda estrangeira” (fls. 1976). Fl. 12DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 13 13 Mais adiante, a recorrente observa “que as remessas ao exterior realizadas pelo impugnante por terem sido liquidadas em moeda nacional e por não se vincularem a obrigações contraídas em moeda estrangeira, não cumprem os requisitos necessários para que tenha a sua alíquota de incidência reduzida a zero” (fls. 1.978). Além disso, acrescenta a Fazenda Nacional que o CMN delegou competência O Banco Central para regulamentar a aludida Resolução, permitindo entender que na visão da recorrente, aquela Autarquia possuía prerrogativas amplas para definir quais operações seriam ou não permitidas como objeto de operações de cobertura (hedge) (fls. 1.979). E, assim sendo, o fez por intermédio da Circular nº 2.138/93 que em seu art. 1º estabeleceu que somente os pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras poderiam ser objeto de proteção (hedge) contra risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional. E, conclui a Fazenda, “em havendo o contribuinte efetuado operações de swap no mercado de balcão no exterior que tinham a finalidade de cobertura (hedge) de outras operações financeiras realizadas, por ele, na BM&F – Bolsa Mercantil e de Futuros (sic), liquidadas em moeda nacional, cabível é o presente lançamento” (fls. 1979). Diante desta primeira argumentação, utilizada, inclusive, como uma das razões do voto proferido em primeira instância, entendo que não assiste razão à Fazenda Nacional, pelos motivos que seguem. A uniformidade de critério verificada entre a Circular nº 2.170/92 (anterior) e a Circular nº 2.438/93 (posterior), admitindo de modo exclusivo que o objeto das operações de cobertura (hedge) devem ser os "pagamentos ou recebimentos em moedas estrangeiras", não encontra guarida na Resolução CMN nº 2.012/93, norma de hierarquia superior. Os normativos do Banco Central, dispostos por meio de Circulares estão limitados pelas resoluções editadas pelo CMN que lhe dão respaldo jurídico. Não podem restringir, ampliar ou inovar o seu escopo. Isso decorre da regra intrínseca a qualquer sistema normativo hierarquizado. Assim, o fato do Banco Central editar dispositivos com redação semelhante ao longo de determinado período, não significa adoção de entendimento uniforme em relação a determinada matéria, o que passa a ser irrelevante para a análise jurídica. Na verdade, deve-se analisar o conteúdo da norma regulamentada por delegação de competência e verificar se a aplicação dos dispositivos infra não representa uma limitação ou ampliação do disposto na norma superior. No caso dos presentes autos, as operações realizadas pela contribuinte devem ser consideradas admitidas segundo o disposto na Resolução CMN nº 2.012/93. Isto porque o CMN ao resolver “Permitir que as entidades do setor privado realizem, no exterior, com instituições financeiras ou em bolsas, operações destinadas a proteção ("hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional (Art. 1º)”, não estabeleceu restrição alguma quanto aos riscos cobertos, limitando-se a permitir operações de cobertura (hedge). Ou seja, as operações realizadas pela contribuinte no exterior devem ser consideradas admitidas em razão da observância à norma hierarquicamente superior, representada pela Resolução do Conselho Monetário. Desse modo, não encontra respaldo jurídico qualquer limitação ou definição dispostos em normativo infra resolução do CMN, que venham fixar quais são os objetos passíveis de serem “hedgeados”. No entanto, é justamente o que se depreende da Circular Bacen nº 2.138/97 ao estabelecer que “podem ser objeto de proteção (hedge) contra o risco de Fl. 13DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 14 14 variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional, os pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras programados ou previstos para ocorrerem em momentos futuros, relacionados com obrigações e direitos de natureza comercial ou financeira” (art. 1º). Ora, a delegação de competência conferida ao Banco Central na forma do art. 4º era “para adotar as medidas e baixar as normas necessárias à execução do disposto” na referida Resolução. Por certo, não se incluíram no escopo da autorização a permissão para limitar, definir ou especificar quais riscos poderiam ou não ser protegidos pelas operações do cobertura realizadas no mercado internacional e que passaram a ser permitidas a partir da resolução do CMN. A medida infra resolução adotada pelo Banco Central desafia regra intrínseca a todo sistema hierarquizado de normas. É inconteste a existência de vício de validade em toda norma regulamentadora que limita ou amplia o conteúdo da norma hierarquicamente superior que lhe deu origem. No presente caso, seguindo o entendimento de que a Circular Bacen nº 2.138/93 foi além da regulamentação autorizada pela Resolução CMN nº 2.012/93, as operações realizadas pela contribuinte devem ser consideradas regulares e, portanto, albergadas pelas disposições do CMN, ainda que os riscos cobertos sejam decorrentes de posições assumidas na BM&F, no Brasil, portanto, expressas em moeda nacional. Não obstante esta linha argumentativa, deve-se analisar as características e a natureza das posições assumidas pela contribuinte nas operações cursadas na BM&F e indagar se tais posições deveriam ou justificariam a realização de operações de cobertura no mercado internacional. Analisando-se diversos documentos acostados aos autos, bem como a síntese trazida pelo Termo de Verificação Fiscal no seu item 4.1 – Operações Financeiras Feitas na BM&F (fls. 1.451/1.452), a autoridade fiscal relaciona as operações, classificando-as por tipo. Verifica-se que a contribuinte realizou no País as seguintes modalidades de swap e contratos futuros: Swap SDC, Swap SDP, DDIFN9, DOLFG9, DOLFH9 e DOLFQ9. Conforme as características apresentadas pela própria autoridade fiscal, todas as operações são de derivativos atrelados à variação cambial. Ou seja, ainda que realizadas no País, necessariamente firmadas na moeda local, que possui curso forçado por disposição da Autoridade Monetária, as operações objeto dos hedges contratados no exterior, embutem o risco da variação cambial. Tal risco, o de variação na taxa de câmbio, é justamente o previsto na Resolução CMN que autoriza a realização das operações objeto dos presentes autos. Destarte, ainda que se considere lícita a regulamentação do Bacen, ao restringir o objeto das operações de cobertura (hedge) aos “pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira”, como entende a recorrente, não há como não considerar que apesar dos contratos firmados na BM&F serem liquidados em moeda nacional, estariam fora do escopo da Resolução CMN, pois em sua totalidade estão embutidos derivativos atrelados à variação cambial. Em suma, as operações de cobertura realizadas no exterior para proteção de riscos inerentes a posições assumidas na BM&F, expressas em moeda nacional mas atreladas à variação cambial (preço de moeda estrangeira), devem ser consideradas dentro do escopo da Resolução nº 2.012/93, infirmando a tese da recorrente. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 15 15 Ainda que seja ultrapassada esta tese, qual seja, a de que o Banco Central ao regulamentar a Resolução CMN nº 2.012/93, por meio da Circular nº 2.138/93, não possuía respaldo jurídico para estabelecer quais ativos financeiros poderiam ser objeto de operações de cobertura (hedge) realizados no exterior, deve-se analisar esta questão à luz da argumentação trazida pelo i. Procurador da Fazenda Nacional Dr. Rodrigo Pirajá Wienkoski em parecer juntado aos autos do Processo BCB nº 0101088985, instaurado no âmbito daquela Autarquia para investigação das mesmas operações. Referido parecer, favorável à contribuinte, fundamentou a decisão final proferida pelo Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, conforme Acórdão nº 7842/06, de 07.11.2006, cujo inteiro teor foi juntado aos presentes autos (fls. 1.857/1.936). No sessão de julgamento daquele Conselho, a relatora Rita Maria Scarponi adotou, como razão de decidir os argumentos trazidos pelo i. Procurador da Fazenda Nacional com atuação naquele colegiado. A decisão final foi assim ementada (fls. 1.860): “EMENTA: RECURSOS VOLUNTÁRIOS – Câmbio – Falsas declarações prestadas em contrato – Incorreta classificação de operações – Celebração de contratos de hedge em moeda nacional sem objeto de proteção de pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira – Irregularidades não caracterizadas – Auferimento de lucros correspondentes com diferencial de taxas de juro implícitas no Brasil e no exterior – Transações sem estabelecimento de condição não equitativa – Enquadramento como prática comum de mercado à época – Ausência de elementos comprobatórios de infringência a normativos legais e regulamentares – Apelos a que se dá provimento.” Oportuna também a transcrição do item 113 do voto da conselheira Rita Maria Scarponi, no qual declara a assunção da tese apresentada pela Procuradoria e qualifica como regulares as operações realizadas pela contribuinte, as quais ensejaram o crédito tributário objeto do presente litígio (fls. 1.931): “113. Com base nas considerações lançadas no item IV.2 do tópico antecedente, adoto os fundamentos suscitados há pouco pelo Dr. Rodrigo Pirajá, em seu novel Parecer, substitutivo do anterior, quanto ao errôneo enquadramento conferido pelo BACEN ao caso sob análise, que levam à inexorável conclusão de que não houve descumprimento, por qualquer dos Recorrentes, de nenhuma restrição estabelecida em lei, não havendo, consequentemente, como apená-los pelos fatos descritos pelo BACEN. As operações efetuadas pelo Banco Brascan foram regulares e a Autarquia Recorrida não logrou êxito na comprovação da materialidade das infrações por ela imputadas aos Recorrentes.” Pois bem, a decisão daquele Conselho afastou a pecha de irregularidade invocada pelo Banco Central em relação as mencionadas operações. No âmbito daquela Autarquia, referidas operações foram consideradas conformes à Resolução do CMN nº 2.012/93. O Parecer do i. Procurador da Fazenda apresenta rigorosa análise jurídica da questão a partir dos conceitos e prescrições da lógica deôntica a que se vinculam as normas legais. Por sua clareza e precisão técnica, peço licença para transcrever excertos do referido Parecer, também juntado aos autos (fls. 1.845/1.855): (...) Fl. 15DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 16 16 Os princípios do Direito Penal, nada obstante, não se aplicam in totum ao Direito Administrativo Sancionador. Dependem da convivência harmônica com outros princípios específicos da Administração Pública, tais como o da presunção de veracidade e legitimidade dos atos administrativos. Nesse aparente conflito entre os princípios do direito penal e princípios do direito administrativo, a solução da certeza relativa haveria ser extraída da própria interpretação jurídica da norma aplicável ao caso. Nesse particular, as normas jurídicas, consoante ensina Tércio Sampaio Ferraz Jr. In Teoria da Norma Jurídica, obedecem a uma lógica deôntica cujas prescrições são construídas pelos operadores ou funtores “obrigatório”, “proibido” ou “permitido”. Seriam, assim, apenas três modais operados pelos enunciados jurídicos, interdefiníveis entre si. Nesse sentido, admite a lógica jurídica que toda norma obrigatória possa ser referida através de uma proibição e vice-versa. A dificuldade residiria entre os modais obrigatório/proibido, de um lado, e o permitido, de outro (Fábio Ulho Coelho, in Roteiro de Lógica Jurídica). O professor Tércio observa que a problemática dos modais, a impedir raciocínios simplistas, situa-se no funtor “permitido”, a saber se efetivamente existiria a possibilidade de normas permissivas ou se a permissividade não resultaria antes da ausência de proibição ou obrigação. A hipótese dos autos lida justamente com o modal deôntico “permitido”, daí a importância de um raciocínio lógico-jurídico correto diante das dificuldades e da atipicidade dessa espécie modal normativo específica. (...) A partir de todo o cabedal acima, passa-se a enquadrar as normas aplicáveis ao caso subexamine nas possibilidades antes expendidas. Os arts. 1º e 4º da Resolução CMN nº 2.012/93 rezam: “Art. 1° Permitir que as entidades do setor privado realizem, no exterior, com instituições financeiras ou em bolsas, operações destinadas a proteção ("hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional. Art. 4° Fica delegada competência ao Banco Central do Brasil para adotar as medidas e baixar as normas necessárias à execução do disposto nesta Resolução.” Já a Circular BACEN nº 2.348/93, no propósito de “adotar as medidas e baixar as normas necessárias à execução” da Resolução CMN 2.012/93, dispôs: “Art. 1º Podem ser objeto de proteção (hedge) contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional, os pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras programados ou previstos para ocorrerem em momentos futuros, relacionados com obrigações e direitos de natureza comercial ou financeira.” Verifica-se da disciplina normativa transcrita que o modal deôntico utilizado pela Circular BACEN nº 2.348/93 foi exclusivamente o “permitido” no sentido de qualificar juridicamente como facultativa ou permitida a operação de hedge para proteção de pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira. A Resolução CMN Fl. 16DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 17 17 nº 2.012/93, por seu turno, não configura uma proibição ou obrigação geral a enquadrar a hipótese na condição de norma permissiva complementar que constitui exceção a uma norma geral de obrigação/proibição. Ao revés, pela leitura da Resolução CMN extrai-se a conclusão que a Circular BACEN nº 2.348/93 enquadra- se no tipologia das normas permissivas independentes, pois através do operador “é permitido” a ação ou omissão foi qualificada como facultativa ou permitida, sem que haja, sobre o mesmo conteúdo, norma geral de obrigação/proibição em relação à qual constitua exceção. A mensagem da Circular BACEN nº 2.348/93 limita-se ao seu texto: autorizar, permitir ou facultar operações de hedge para proteger pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira. A dúvida persiste no caso dos autos: e se o hedge não for utilizado para proteger pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira, mas para proteger ativos de instituição brasileira na Bolsa de Mercadorias e de Futuros – BM&F? Essa hipótese, por não regulada especificamente na norma de permissão independente, tampouco em norma geral de obrigação ou de proibição, enquadra-se na situação de ausência de norma, cujo silêncio do editor torna a ação ou omissão nem obrigatória, nem proibida, nem permitida ou facultada, mas juridicamente, indeterminada. Neste caso, admitindo-se, com o professor Tércio, que “não há comportamento fora de uma situação comunicacional” e que “todo silêncio é também forma de comunicar”, teríamos de reconhecer que o silêncio do comunicador normativo abre espaço para incidência de uma “norma geral exclusiva” (Zitelman), em que o comportamento, por não se encontrar especificamente referido por uma norma jurídica (nem de proibição, nem de obrigação, nem de permissão), passa a ser juridicamente qualificado pela norma de âmbito geral do tipo “tudo que não é proibido, é permitido”. Ou seja, pela ausência de regra específica sobre o hedge praticado (permitindo, proibindo ou obrigando), há de se entender a conduta como indiferente ou permitida, jamais como proibida. O vazio normativo não importa sanção dada a atipicidade da conduta praticada. (...)” (os grifos não constam do original) De fato, tanto a Resolução CMN quanto à Circular BACEN devem ser qualificadas pelo modal deôntico das normas jurídicas “permitido”. A Resolução CMN dispõe que o Conselho Monetário “resolveu” permitir que as entidades do setor privado realizem, no exterior, com instituições financeiras ou em bolsas, operações destinadas a proteção ("hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional. Ora, o verbo “permitir” possui significado equivalente a “dar a liberdade de”, “autorizar”, “não se opor”, ou seja, não apresenta conteúdo proibitivo, mas ao contrário, “admite” e “consente” que sejam realizadas operações destinadas a proteção ("hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional, sem qualquer restrição ou limites. No caso dos autos, que decorrem das repercussões tributárias das mesmas operações analisadas no âmbito do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, não há como sustentar entendimento diferente. Ou seja, as operações de cobertura (hedge), realizadas para proteção de posições assumidas na BM&F expressas em moeda nacional, mas atreladas a derivativos de Fl. 17DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 18 18 variação cambial não podem ser consideradas irregulares por falta de disposição normativa expressa de conteúdo proibitivo. Sobre o valor das remessas a beneficiários no exterior, destinadas à liquidação de operações de hedge, realizadas nos termos da Resolução CMN nº 2.012/1993, aplica-se a alíquota de zero do Imposto de Renda na Fonte, inclusive quando realizadas mediante operações de swap liquidadas em moeda nacional, não constituindo restrição o disposto no art. 1º da Circular Bacen nº 2.348/1993. Destarte, diante dos argumentos expostos, concluo que não assiste razão à Fazenda Nacional, sendo que o Acórdão recorrido não incorreu na alegada contrariedade à legislação tributária. 2. FALTA DE REGISTRO DAS OPERAÇÕES NA CETIP A Fazenda Nacional alega também que o Acórdão recorrido dever ser reparado em razão de: “2) Ofensa aos artigo 3º (sic) da Resolução 2.138 do BACEN, ao parágrafo único da Lei 9.481/97 e ao inciso III do artigo 1º da Portaria MF 70/97, no tocante à segunda fundamentação da autuação, a saber, a incidência dos tributos, em decorrência da ausência de registro das operações na CETIP ou em outro sistema de registro habilitado pelo Banco Central ou pela CVM.” Aduz a recorrente que a Resolução CMN nº 2.138/94 estabelece dois requisitos para as operações de swap: a) indicação de um administrador tecnicamente habilitado; e b) obrigatoriedade de registro das referidas obrigações. Referida resolução do CMN dispõe, verbis: “RESOLUÇÃO CMN Nº 2.138, de 29 de dezembro de 1994. Autoriza a realização, no mercado de balcão, de operações de "swap" e de opções sobre "swap", referenciadas em ouro, taxas de câmbio, taxas de juros e índices de preços por parte das instituições que especifica. O BANCO CENTRAL DO BRASIL, na forma do art. 9º da Lei nº 4.595, de 31.12.64, torna público que o Presidente do CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL, por ato de 29.12.94, com base no art. 8º, parágrafo 1º, da Medida Provisória nº 785, de 23.12.94, "ad referendum" daquele Conselho, tendo em vista o disposto no art. 4º, inciso VIII, da referida Lei nº 4.595, R E S O L V E U: Art. 1º Autorizar os bancos múltiplos com carteira comercial e/ou de investimento, os bancos comerciais, os bancos de investimento, as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários e as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários a realizarem, no mercado de balcão, operações de "swap", com ou sem a utilização de limitadores de oscilação máxima ou mínima, bem assim Fl. 18DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 19 19 opções sobre "swap", referenciadas em ouro, taxas de câmbio, taxas de juros e índices de preços, por conta própria ou de terceiros. Parágrafo 1º Para os efeitos desta Resolução, definem-se como de "swap" as operações consistentes na troca dos resultados financeiros decorrentes da aplicação de taxas ou índices sobre ativos ou passivos utilizados como referenciais. Parágrafo 2º Os índices de preços mencionados neste artigo devem ter série regularmente calculada e de conhecimento público. Parágrafo 3º O Banco Central do Brasil poderá modificar o elenco de operações de "swap" passíveis de realização, estabelecer condições para a contratação das mesmas, bem assim delimitar a atuação das instituições mencionadas neste artigo relativamente a essas operações. Art. 2º A prática das operações de que trata esta Resolução fica condicionada a indicação de administrador tecnicamente qualificado, responsável pelas mesmas junto ao Banco Central do Brasil. Parágrafo 1º O administrador referido neste artigo será responsabilizado, prioritariamente, nos termos da legislação em vigor, pela ocorrência de situações que indiquem fraude, negligência, imprudência ou imperícia no gerenciamento dos controles internos e dos riscos envolvidos, sem prejuízo da aplicação das penalidades de suspensão ou inabilitação para cargos de direção na administração ou gerência em instituições financeiras e demais instituições autoriza- das a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Parágrafo 2º As instituições que já operam na modalidade terão prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da vigência desta Resolução, para promover a indicação do administrador responsável. Art. 3º Estabelecer a obrigatoriedade do registro das operações de que trata esta Resolução em sistema administrado pela Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos - CETIP ou em outros sistemas de registro, de custódia e de liquidação, devidamente autorizados pelo Banco Central do Brasil ou pela Comissão de Valores Mobiliários e que atendam às necessidades de fiscalização e controle por parte do Banco Central do Brasil. (...) Art. 6º Fica o Banco Central do Brasil autorizado a adotar as medidas e baixar as normas necessárias à execução do disposto nesta Resolução.” (os grifos não constam do original) A recorrente parte da literalidade do texto da aludida Resolução para argumentar, em síntese, o seguinte: a) as operações realizadas pela contribuinte são justamente as que se encontram definidas no § 1º do art. 1º, quais sejam “as operações consistentes na troca dos resultados financeiros decorrentes da aplicação de taxas ou índices sobre ativos ou passivos utilizados como referenciais” (fls. 1.982); b) “quanto ao argumento (da contribuinte) de que não seria possível o registro das operações por se tratar de operação realizada no exterior, a Resolução CMN nº 2.138/94 não distingue dois tipos de operações, quais sejam, as realizadas no exterior e as Fl. 19DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 20 20 realizadas em território nacional, a mesma determina no seu artigo terceiro que as operações de swap sejam devidamente registradas” (fls. 1.986); c) quanto à impossibilidade de registro na CETIP, alega a Fazenda “que o mesmo artigo referido no parágrafo anterior (art. 3º) estabelece a obrigatoriedade do registro das operações de que trata a Resolução CMN nº 2.138/94 em sistema administrado pela Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos – CETIP, ou em outros sistema sde registro, de custódia e de liquidação, devidamente autorizados pelo Banco Central do Brasil ou pela Comissão de Valores Mobiliários e que atendam as necessidades de fiscalização e controle por parte do Banco Central do Brasil.” E conclui a Fazenda, “haviam outras alternativas de registro das operações realizadas, além daquela questionada pelo impugnante como impossível, não podendo, desta forma, ser acatada esta alegação do contribuinte” (fls. 1.986). Diante dos argumentos ora apresentados pela Fazenda Nacional na tentativa de caracterizar que a decisão recorrida violou a legislação vigente, entendo mais uma vez que não assiste razão à recorrente, pelos motivos que seguem. Antes, porém, é necessário registrar que a discussão em torno da possibilidade ou não de registro destas operações cursadas no exterior, bem como sobre a existência de instituição responsável para efetivar tal registro, ensejaria um novo debate sobre elementos predominantemente fáticos, o que requer espaço inexistente no âmbito deste Colegiado. É oportuno asseverar que esta matéria foi amplamente dissecada pelo voto condutor da decisão recorrida e, nova apreciação, redundaria nas mesmas conclusões, uma vez que os autos foram muito bem instruídos com todos os elementos necessários à convicção da Câmara a quo. A argumentação da recorrente, com todas as vênias, não incrementa o debate e se limita reapresentar a tese inicial empregada pela autoridade fiscal. Não obstante, mas com a finalidade de vincar os fundamentos deste voto passo a examinar as considerações expendidas pela Fazenda Nacional. Tomo por base a análise e as conclusões a que chegou o i. relator da decisão recorrida. Segundo a autoridade fiscal, o hedge no exterior foi realizado usando o swap como instrumento e que, por isso, ter-se-ia de obedecer também às normas sobre swap. Citando o art. 74, § 3º, da Lei nº 8.981/95 2 , alega que o registro, no caso, teria que ser feito na CETIP, e não foi. Ou seja, mesmo tendo admitido serem de hedge as operações realizadas pela contribuinte, instrumentalizadas por meio de contratos de swaps, conclui a Fiscalização que às remessas para liquidação das operações não se poderia aplicar a alíquota zero do IRF, porque teria faltado o registro na CETIP. 2 “Art. 74. Ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por cento, os rendimentos auferidos em operações de swap. § 1º A base de cálculo do imposto das operações de que trata este artigo será o resultado positivo auferido na liquidação do contrato de swap. § 2º O imposto será retido pela pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento, na data da liquidação do respectivo contrato. § 3º Somente será admitido o reconhecimento de perdas em operações de swap registradas no termos da legislação vigente.” (Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995) Fl. 20DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 21 21 A necessidade de registro das operações na CETIP chegou a ser levantada pelo Bacen, em 1999. Na oportunidade, a contribuinte respondeu que o registro só cabia quanto a swap domésticos, não internacionais. Importante destacar que este assunto não foi objeto de discussão no processo administrativo que tramitou no Banco Central. Naquele processo, a contribuinte faz apenas referência a suposta necessidade do registro. Necessária se faz a transcrição da única referência deste assunto naquele processo.: “(111). A primeira manifestação formal do D. Banco Central do Brasil com relação às operações de hedge cursadas pelo intimado verificou-se, em 30.9.1999, por meio do expediente DEFIS/GTRJA-99/084, que indica, na súmula de irregularidades, o seguinte: "Irregularidade nº 12 Ocorrência: Contratos de swap sem registro na CETIP ou em sistema autorizado pelo Bacen ou CVM. Capitulação: Resolução nº 2.138 Art. 3º (112). Sem prejuízo da posição adotada anteriormente pelo intimado de não mais realizar operações dessa natureza, o intimando teve a oportunidade de esclarecer prontamente, por meio do expediente BCAN-ADM-007/99, de 29.10.1999, que a falta de registro em sistema autorizado pelo D. Banco Central do Brasil decorre do entendimento que as operações não estavam sujeitas às regras da Resolução n° 2.138/94, que trata, especificamente, de operações de swap contratadas em mercado de balcão no País. (113). De outra forma, as operações cursadas pelo intimado foram baseadas na Resolução n° 2.012/93, relativas, exclusivamente, à possibilidade de contrafação de operações de hedge no mercado internacional, que não exige registro das operações no CETIP.” (os grifos não constam do original) Com efeito, não se trata de analisar se o registro de hedge no exterior era exigível ou não. Na verdade, a CETIP à época dos fatos, não efetuava este registro. Esta constatação foi bem demonstrada na decisão recorrida, em relação à qual peço licença para transcrever um pequeno trecho: “30. Na verdade, não é que a contratação de hedge internacional não exige registro. Mais do que isso: ele é impossível. A CETIP pura e simplesmente não registra. É o que se vê nas duas cartas transcritas na Impugnação e anexadas como documentos 05 e 06. Na primeira, de 10.04.2003, o impugnante consulta a CETIP sobre a necessidade de registro das operações com o Mellon Bank realizadas nos termos descritos em "Confirmation Agreements" (como o anexo). Na segunda, a CETIP responde que só é possível o registro de ativos padronizados, realizados no mercado brasileiro. 31. Não procede, portanto, a afirmação do TVF (segundo parágrafo da folha 20 do TVF) de que as operações do impugnante no OTC deveriam ter sido registradas na CETIP. Lá não eram registráveis. (...) 35. Acontece que, na CETIP, só são registrados - sempre foi assim e continua sendo - ativos (ou contratos que os gerem) domésticos, como salientado na resposta transcrita no item 5.2.3 da Impugnação. Na Intimação do Fisco, perguntava-se se a Fl. 21DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 22 22 CETIP estava autorizada a registrar um contrato "do tipo" do que anexava. Quem a respondeu há de ter entendido que a pergunta queria referir-se a um contrato daquele "tipo", mas celebrado no Brasil e aqui liquidável. Acredita o impugnante que nem sequer há de ter passado pela cabeça de quem respondeu à Intimação que o Fisco pudesse estar querendo referir-se a um contrato liquidável no exterior. Ou seja, quem respondeu, no passado, deve ter entendido que o Fisco queria saber se, caso o mercado brasileiro "importasse" esse tipo de "produto" para "comercializá-lo" aqui, os contratos seriam registráveis na CETIP” (fls. 1.771/1.772). (os grifos constam do original) Acerca desta discussão, o julgador de primeira instância demonstra admitir que a CETIP não era a responsável pela efetivação destes registros. Analisando o teor de sua justificativa, cuja íntegra do texto foi transcrito pela recorrente, como um dos seus argumentos, verifica-se que se o registro não era realizado pela CETIP, o mesmo deveria ser feito por qualquer outro sistema, pois a havia (mesmo sem apontar quais eram) outras alternativas para o referido registro. Necessária a transcrição do item 43 do seu voto: “Devemos lembrar também, abordando a impossibilidade de registro na CETIP, que o mesmo artigo referido no parágrafo anterior estabelece a obrigatoriedade do registro das operações de que trata a Resolução CMN nº 2.138/94 em sistema administrado pela Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos – CETIP, ou em outros sistemas de registro, de custódia e de liquidação, devidamente autorizados pelo Banco Central do Brasil ou pela Comissão de Valores Mobiliários e que atendam as necessidades de fiscalização e controle por parte do Banco Central do Brasil. Concluo assim, que haviam (sic) outras alternativas de registro das operações realizadas, além daquela questionada pelo impugnante como impossível, não podendo, desta forma, ser acatada esta alegação do impugnante.;” (os destaques em negrito não constam do original) Verifica-se que a autoridade julgadora também desconhecia qualquer outro sistema habilitado para fazer o registro. Mas, se a norma previa a possibilidade de registro em outros sistemas, de fato, deveriam existir outros sistemas que fariam o registro. Não há nos autos qualquer indicação de qual seria este outro sistema habilitado para registro. Essa discussão é praticamente encerrada a partir da juntada aos autos, na fase recursal, de cópia do ofício nº 067/2003-DF, de 09.05.2003 da BM&F, por meio do qual aquela entidade esclarece que as operações realizadas no exterior, classificadas como Non deliverable Forward 3 não eram, à época de sua celebração e no momento daquela resposta, passíveis de registro na BM&F (fls. 1.757). Esta constatação levou o i. relator a concluir seu posicionamento da seguinte forma: “141.A lei tem o atributo intrínseco da eficácia, que se remove apenas com a revogação da própria lei, ou se suspende temporariamente com a edição de outra lei, ou se submete ao implemento de determinada condição, mas desde que exeqüível a condição. O que não se pode admitir é que a eficácia de uma lei seja aniquilada pela criação de condição inexeqüível, como se pretendeu fazer no presente caso (fls. 1.802). (os grifos não constam do original) 3 Trata-se de operações realizadas sem a entrega efetiva da quantia da moeda negociada. As liquidações ocorrem pela diferença verificada no preço de suas cotações. É o caso das operações swap contratadas no exterior pela contribuinte. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 23 23 De fato, a obrigatoriedade de registro das operações de swap “na forma da legislação vigente”, nos termos do art. 74 da Lei nº 8.981/1995 4 c/c com o art. 3º da Resolução CMN nº 2.138/94, acaba por constituir uma condição impossível de ser implementada em razão da inexistência, à época dos fatos, de sistema habilitado a promover tal registro. Desta forma, não obstante o disposto no mencionado art. 74, a falta de registro das operações de que tratam os presentes autos, não possui força suficiente para desqualificar as operações efetuadas no exterior, impedindo a aplicação da alíquota zero do IRF incidente sobre as remessas para sua liquidação. Por outro lado, poder-se-ia indagar se, nos dias atuais, operações desta natureza são ou não passíveis de registro no âmbito do Sistema Financeiro Nacional. Pois bem, em pesquisa realizada no repositório de normas daquela Autarquia, pude verificar que em janeiro deste ano, o Conselho Monetário Nacional, alterando as disposições da Resolução CMN nº 3.312/05 (que revogou a Resolução CMN nº 2.012/93, vigente à época dos fatos deste processo), instituiu tal registro por meio da Resolução CMN nº 3.833/2010. Oportuna a transcrição da ementa da referida Resolução que veio instituir o registro que, a toda evidência, ainda não existia: “Resolução CMN nº 3.833, de 28 de janeiro de 2010. Altera a Resolução nº 3.312, de 31 de agosto de 2005, com vista a instituir a obrigatoriedade de registro das operações de proteção (hedge) realizadas com instituições financeiras do exterior ou em bolsas estrangeiras.” (os grifos não constam do original) Com efeito, somente com a Resolução CMN nº 3.833/10 5 é que o aludido registro se tornou obrigatório para a totalidade das operações de proteção (hedge) realizadas no exterior. 4 “Art. 74. Ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por cento, os rendimentos auferidos em operações de swap. § 1º A base de cálculo do imposto das operações de que trata este artigo será o resultado positivo auferido na liquidação do contrato de swap. § 2º O imposto será retido pela pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento, na data da liquidação do respectivo contrato. § 3º Somente será admitido o reconhecimento de perdas em operações de swap registradas no termos da legislação vigente.” (Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995) 5 RESOLUÇÃO CMN Nº 3.833 Altera a Resolução nº 3.312, de 31 de agosto de 2005, com vista a instituir a obrigatoriedade de registro das operações de proteção (hedge) realizadas com instituições financeiras do exterior ou em bolsas estrangeiras. O Banco Central do Brasil, na forma do art. 9º da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, torna público que o Conselho Monetário Nacional, em sessão realizada em 28 de janeiro de 2010, com base nos arts. 4º, incisos V, VIII e XXXI, e 57 da referida Lei, R E S O L V E U: Art. 1º O art. 1º da Resolução nº 3.312, de 31 de agosto de 2005, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 1º ................................................................................................... § 1º Observados os riscos de variação previstos no caput, pode ser utilizada qualquer modalidade de hedge regularmente praticada no mercado internacional, negociada, no exterior, em bolsas ou em mercado de balcão com instituições financeiras. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 24 24 Portanto, é forçoso concluir que a alegada ausência de registro na CETIP das operações de cobertura objeto dos presentes autos, por representar uma condição inexequível à época dos fatos, não pode ser invocada como razão para a não aplicação da alíquota zero do IRF, incidente sobre as remessas efetuadas para sua liquidação. Ou seja, em relação às operações de swap realizadas mediante contratos firmados no exterior, é inaplicável a norma prevista no art. 3º da Resolução CMN nº 2.138/1994, que se converte em condição inexeqüível, pela inexistência, à época dos fatos, de sistema habilitado para registro. Diante do exposto, manifesto-me no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, mantendo-se integralmente o Acórdão recorrido, com as seguintes conclusões, em síntese: a) as operações de cobertura (hedge), realizadas para proteção de posições assumidas na BM&F expressas em moeda nacional, mas atreladas a derivativos de variação cambial não podem ser consideradas não admitidas por falta de normativo expresso de conteúdo proibitivo. Sobre o valor das remessas a beneficiários no exterior, destinadas à liquidação de operações de hedge, de que trata a Resolução CMN nº 2.012/1993, aplica-se a alíquota de zero do Imposto de Renda na Fonte, inclusive quando realizadas mediante operações de swap liquidadas em moeda nacional, não constituindo restrição o disposto no art. 1º da Circular Bacen nº 2.348/1993; § 2º As transferências financeiras de que trata esta resolução ficam condicionadas ao registro, ou à comprovação do registro, caso já efetuado, da operação de proteção (hedge) em sistema administrado por entidade de registro e de liquidação financeira de ativos autorizado pelo Banco Central do Brasil ou pela Comissão de Valores Mobiliários. § 3º O registro de que trata o § 2º deve: I - ser realizado por meio de instituição financeira e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; e II - abranger os ativos subjacentes, os valores e moedas envolvidos, os prazos, contrapartes, forma de liquidação e parâmetros utilizados, tais como limites, multiplicadores e aceleradores. § 4º A comprovação do registro e a documentação alusiva às operações de proteção (hedge) devem ser mantidas à disposição do Banco Central do Brasil pela instituição responsável pelo registro, pelo prazo de cinco anos." (NR) Art. 2º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 15 de março de 2010. Art. 3º Fica revogada a Resolução nº 3.318, de 29 de setembro de 2005. Brasília, 28 de janeiro de 2010. Fl. 24DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.003317/2003-31 Acórdão n.º 9101-00.706 CSRF-T1 Fl. 25 25 b) em relação às operações de swap realizadas mediante contratos firmados no exterior, é inaplicável a norma prevista no art. 3º da Resolução CMN nº 2.138/1994, que se converte em condição inexeqüível, pela inexistência, à época dos fatos, de sistema habilitado para registro. É como voto. Sala das sessões, 8 de novembro de 2010. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS - Relator Fl. 25DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 11831.003776/2003-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
COMPROVAÇÃO DE DIREITO. GUARDA DE DOCUMENTOS.
PRAZO. - 0 contribuinte deve estar apto a comprovar os direitos que alega independente da data de surgimento destes direitos.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - Ano-calendário:
1999
COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CREDITO. COMPROVAÇÃO. - Cabe ao
contribuinte comprovar os direitos que pleiteia, com documentos hábeis e suficientes.
Numero da decisão: 1101-000.629
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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FAZENDA NACIONAL provimento julgado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 COMPROVAÇÃO DE DIREITO. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. - 0 contribuinte deve estar apto a comprovar os direitos que alega independente da data de surgimento destes direitos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CREDITO. COMPROVAÇÃO. - Cabe ao contribuinte comprovar os direitos que pleiteia, com documentos hábeis e suficientes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente VALMAR FONSECE ME ZES - Presidente. C 1 OS EDUA 0 DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator. EDITADO EM: 18/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presi dente), Nara Cristina Takeda Taga, e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Processo n° 11831.003776/2003-76 SI-C1 T1 Acórdão n.° 1101-00.629 Fl. 619 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em razão de despacho decisório que não homologa declaração de compensação. Em 15/05/2003, o contribuinte apresenta declaração de compensação, com base em saldo negativo de IRPJ e CSLL de 2001 (proc. fls. 1 a 2). Em 01/05/2008, parecer conclusivo propõe que algumas compensações sejam convalidadas, outras parcialmente convalidadas, outras não seja convalidadas, e que compensações declaradas não sejam homologadas (proc. fls. 264 a 289). Diz que o pedido é tempestivo e que é possível pedir restituição de saldo negativo, decorrente de antecipações e retenções maiores que o imposto devido ao fim do ano. Lembra que o IRRF s6 pode ser deduzido se for apresentado comprovante de retenção (art. 55, da Lei n° 7.450, de 1985). Diz que as estimativas foram compensadas com saldos negativos anteriores, de sorte que o exame do crédito pleiteado implica no exame dos slados negativos desde 1998. Diz que "tais compensações eram permitidas a época destas contabilizações, sendo feitas sem requerimento, apenas ressalvado o fato de que deveriam ser feitas com tributos da mesma espécie, como consta no art. 66 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995)". Informa que a análise do ano-calendário de 1998 mostra que o contribuinte deduziu das estimativas e da apuração anual R$ 10.358.327,41 de IRRF, quando o rendimento oferecido a tributação permitiria deduzir apenas R$ 7.804.474,32. Também, informa que parte das estimativas não pode ser aceita como paga, pois vinculadas a ação ainda não transitada em julgado, sendo cancelado R$ 590.932,40. Assim, o saldo negativo declarado de R$ 5.358.046,45 passa a ser de R$ 2.213.260,96. A análise do ano-calendário de 1999 mostra que o contribuinte deduziu da apuração anual R$ 5.584.322,88 de IRRF, enquanto o sistema da Receita com base nas DIRFs indica apenas R$ 5.423.945,14. Além disso, o rendimento oferecido a tributação permitiria deduzir apenas R$ 4.591.470,08. Assim, o saldo negativo declarado de R$ 5.584.322,88 passa a ser de R$ 4.591.470,08. A análise do ano-calendário de 2000 mostra que o contribuinte deduziu da apuração anual R$ 7.332.249,68 de estimativas. Por outro lado, foram deduzidos R$ 2.795.831,31 de IRRF dessas estimativas, sendo que o sistema da Receita confirmou este saldo de IRRF. Porém, o rendimento oferecido a tributação permitiria deduzir apenas R$ 2.774.722,61. A análise das estimativas mostra que, do montante de R$ 7.332.249,68 de estimativas declaradas, considerando que R$ 2.795.831,31 decorrem de dedução do IRRF, falta comprovar R$ 4.536.418,37, que teriam sido extintas por compensação com saldo negativo anterior ou pagamento. Os dados confirmam este montante, de sorte o saldo negativo de R$ 44.402,50 passa a ser de R$ 23.293,80. A análise do ano-calendário de 2001 mostra que o contribuinte deduziu da apuração anual R$ 8.708.714,82 de estimativas. Por outro lado, foram deduzidos R$ 3 7.438.216,47 de IRRF dessas estimativas, sendo que o sistema da Receita confirmou saldo de R$ 7.438.146,21 de IRRF. Porém, o rendimento oferecido a tributação permitiria deduzir apenas R$ 7.394.401,21. A análise das estimativas mostra que, do montante de R$ 8.708.714,82 de estimativas declaradas, considerando que R$ 7.438.146,21 decorrem de dedução do IRRF, falta comprovar R$ 1.270.498,35, que teriam sido extintas por compensação com saldo negativo anterior, pagamento, ou estariam com exigibilidade suspensa por ação judicial. Foi verificado que o processo judicial não transitou em julgado e que só houve compensação de parte do débito, por falta de crédito suficiente. Deste modo, o saldo negativo declarado de R$ 265.846,92 passa a ser saldo a pagar. No que tange ao saldo negativo de CSLL pleiteado pelo contribuinte, no montante de R$ 125.769,21, propõe análise de cada ano. Diz que no ano-calendário de 2000 o saldo negativo informado decorreu de estimativas no montante de R$ 1.937.708,43, que teriam sido extintas por pagamento ou que estariam com exigibilidade suspensa por ação judicial. Os pagamentos foram confirmados, mas a ação não havia transitado em julgado. Por isso, o saldo negativo informado de R$ 119.244,26 é na verdade saldo positivo a pagar. Informa que no ano-calendário de 2001 o saldo negativo informado decorreu de estimativas no montante de R$ 2.889.735,17, que teriam sido extintas por pagamento, ou compensadas com saldo negativo de 2000, ou que estariam com exigibilidade suspensa por ação judicial. Os pagamentos foram confirmados, mas a ação não havia transitado em julgado e nem cabia a compensação indicada. Por isso, o saldo negativo informado de R$ 125.769,21 é na verdade saldo positivo a pagar. Em 07/05/2008, despacho decisório informa que (proc. fls. 290 e 291): CONVALIDO as compensações sem processo do crédito referente ao saldo credor de IRPJ do ano-calendário 1998; CONVALIDO as compensações sem processo do crédito referente ao saldo credor de IRPJ do ano-calendário 1999; CONVALIDO PARCIALMENTE as compensações sem processo do crédito referente ao saldo credor de IRPJ do ano-calendário 2000; NÃO CONVALIDO as compensações sem processo do crédito referente ao saldo credor de CSLL do ano-calendário 2000; NA -0 HOMOLOGO as compensações declaradas, nem quaisquer outras compensações vinculadas aos Saldos Negativos de IRPJ/CSLL apurados em 2001, nos termos do disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637/02, e no §2 0 do art. 26 da IN SRF n° 600/05. Consta do despacho a seguinte informação para o contribuinte: "Cabe ressaltar que, por falta de previsão legal, não cabe manifestação de inconformidade contra a convalidação/ndo convalidação das compensações feitas sem requerimento à RFB e com base no art. 66 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com alterações posteriores, ou no art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em sua redação original, e no art. 14 da Instrução Normativa SRF no 21, de 10 de março de 1997". Em 13/05/2008, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 295). Em 12/06/2008, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade (proc. fls. 301 a 320). 4 Processo n° 11831.003776/2003-76 SI-C I TI Acórdão n.° 1101-00.629 Fl. 620 Quanto a glosa de IRRF do ano-calendário de 1998, diz que parte dos rendimentos, correspondente ao IRRF pleiteado, foram oferecidos em anos anteriores, em razão do regime de competência. Diz também que a comparação das DIRFs com os dados declarados não é procedente. Diz juntar planilha onde discrimina os rendimentos que correspondem ao IRRF pleiteado. Afirma que informou os rendimentos de swap e de comissões na linha 23 da ficha 7, ao invés da linha 21, onde a autoridade baseou seu exame. Alega que o erro de preenchimento não pode prejudicar a dedutibilidade deste IRRF. Adiciona que a glosa em razão de não haver transito em julgado não é cabível, pois tinha liminar permitindo deduzir a CSLL da base de cálculo do IRPJ. Explica que "com fundamento em referida decisão judicial, ao calcular o IRPJ no ano-calendário de 1998, a Impugnante procedeu à dedução da CSLL daquele ano no cálculo do IRPJ, constatando que havia apurado IRPJ em valor maior que o devido naquele ano-calendário (R$ 5.754.735,17), sendo que a ordem judicial lhe assegurava apurar e recolher a importância de R$ 5.163.802,77 (Cinco milhões, cento e sessenta e três mil e oitocentos e dois reais e setenta e sete centavos)". Esclarece que "a ordem judicial apenas garantiu à Impugnante o direito de apurar corretamente no ano-calendário 1998 o IRPJ devido (R$ 5.163.802,77) e, assim procedendo, assegurou-lhe registrar em DIPJ um crédito antecipado (R$ 590.932,40) maior que aquele devido segundo entendimento do Fisco, considerada a dedução assegurada pela ordem judicial". Adiciona que acabou recolhendo tais valores com os acréscimos legais, quando a ordem judicial foi cassada. Quanto ao ano-calendário de 1999, diz que o fiscal, indevidamente, deixou de considerar o IRRF dos Swap e comissões. Afirma que informou os rendimentos de swap e de comissões na linha 23 da ficha 7, ao invés da linha 21, onde a autoridade baseou seu exame. Alega que o erro de preenchimento não pode prejudicar a dedutibilidade deste IRRF. Quanto ao ano-calendário de 2000, diz que o fiscal, indevidamente, deixou de considerar o IRRF dos Swap e comissões. Afirma que também houve erro de preenchimento e que ofereceu os rendimentos a tributação, no que tange ao IRRF sobre Swap. Diz que está juntando os informes de rendimento para comprovar o IRRF sobre comissões. Esclarece que, diante da redução do saldo negativo, a autoridade não homologou toda a compensação sem DARF realizada em DCTF referente ao mês de dezembro de 2001. Alega que o saldo negativo de 2000 seria suficiente para compensar o montante de R$ 83.397,68. Quanto a CSLL informa que: Todavia, há que se salientar que conforme sentença publicada em 30 de novembro de 2000 pela MM Juiza Federal da 17 Vara da Seção Judiciária de São Paulo nos autos do mandado de segurança n° 98.0017247-5, embora desafiada por recurso de apelação, ainda em vigor até o presente momento, a Impugnante foi autorizada a recolher a CSLL em desconformidade com o artigo 41 do decreto n° 332, de 4 de novembro de 1991, ou seja, adicionando a diferença do IPC em relação ao BTNF contida nos encargos de depreciação, amortização, exaustão e custos de bens baixados a qualquer titulo na apuração da base de calculo de referida contribuição social (doc.6). Assim, com fundamento em referida decisão judicial, ao calcular a CSLL no ano-calendário de 2000, a Impugnante procedeu a 5 adição da diferença do IPC em relação ao BTNF contida nos encargos de depreciação, amortização, exaustão e custos de bens baixados a qualquer titulo na apuração da base de cálculo de referida contribuição social, constatando que havia apurado CSLL em valor maior que o devido naquele ano-calendário (R$ 1.937.708,43), sendo que a ordem judicial lhe assegurava apurar e recolher a importância de R$ 1.757.951,52 (Um milhão, setecentos e cinqüenta e sete mil, novecentos e cinqüenta e um reais e cinqüenta e dois centavos). ...Assim, a ordem judicial apenas garantiu à Impugnante o direito de apurar corretamente no ano-calendário 2000 a CSLL devida (R$ 1.757.951,52) e, assim procedendo, assegurou-lhe registrar em DIPJ um crédito antecipado (R$ 179.736,91) maior que aquele devido segundo entendimento do Fisco, considerada a dedução assegurada pela ordem judicial. Entendimento diverso, certamente, configuraria descumprimento de ordem judicial. Quanto ao ano-calendário de 2001, diz que o fiscal, indevidamente, deixou de considerar o IRRF dos Swap e comissões. Afirma que também houve erro de preenchimento e que ofereceu os rendimentos a tributação, no que tange ao IRRF sobre Swap. Diz que está juntando os informes de rendimento para comprovar o IRRF sobre comissões. Adiciona a glosa feita pelo Fisco, sob a alegação de não haver trânsito em julgado, está errada, pois tinha liminar para deduzir a CSLL da base de calculo do IRPJ. Informa que "assim, com fundamento em referida decisão judicial, ao calcular o IRPJ no ano-calendário de 2001, a Impugnante procedeu ei dedução da CSLL daquele ano no cálculo do IRPJ, constatando que havia apurado 1RPJ em valor maior que o devido naquele ano-calendário (R$ 1.301.940,66), sendo que a ordem judicial lhe assegurava apurar e recolher a importância de R$ 610.949,18 (Seiscentos e dez mil, novecentos _e quarenta e nove reais e dezoito centavos)". Fala que "a ordem judicial apenas garantiu a Impugnante o direito de apurar corretamente no ano- calendário 2001 o IRPJ devido (R$ 610.949,18) e, assim procedendo, assegurou-lhe registrar eni DIPJ um crédito antecipado (R$ 690.991,58) maior que aquele devido segundo entendimento do Fisco, considerada a dedução assegurada pela ordem judicial. Entendimento diverso, certamente, configuraria descumprimento de ordem judicial". Relata que acabou recolhendo tais valores com os acréscimos legais, quando a ordem judicial foi cassada. Conclui que o saldo negativo de 2000 é suficiente para a compensação sem DARF declarada em DCTF. Quanto a CSLL, informa que: Todavia, há que se salientar que conforme sentença publicada em 30 de novembro de 2000 pela MM. Juiza Federal da 17 . Vara da Seca() Judiciária de Sao Paulo nos autos do mandado de segurança n°98.0017247-5, embora desafiada por recurso de apelação, ainda em vigor até o momento em que a presente inanifestação de inconformidade é apresentada, a Impugnante foi autorizada a recolher a CSLL em desconformidade com o artigo 41 do decreto n° 332, de 4 de novembro de 1991, ou seja, adicionando a diferença do IPC em relação ao BTNF contida nos encargos de depreciação, amortização, exaustão e custos de bens baixados a qualquer titulo na apuração da base de calculo de referida contribuição social. Assim, coni fundamento em referida decisão judicial, ao calcular a CSLL no ano-calendário de 2001, a Impugnante procedeu a adição da diferença do IPC em relação ao BTNF contida nos 6 Processo If 11831.003776/2003-76 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.629 Fl. 621 encargos de depreciação, amortLação, exaustão e custos de bens baixados a qualquer titulo na apuração da base de cálculo de referida contribuição social, constatando que havia apurado CSLL em valor maior que o devido naquele ano-calendário (R$ 2.889.735,17), sendo que a ordem judicial lhe assegurava apurar e recolher a importância de R$ 2.532.201,06 (Dois milhões, quinhentos e trinta e dois mil, duzentos e um reais e seis centavos). ...Assim, a ordem judicial apenas garantiu à Impugn ante o direito de apurar corretamente no ano-calendário 2001 a CSLL devida (R$ 2.532.201,06) e, assim procedendo, assegurou-lhe registrar em DIPJ um crédito antecipado (R$ 357.534,11) maior que aquele devido segundo entendimento do Fisco, considerada a dedução assegurada pela ordem judicial. Entendimento diverso, certamente, configuraria descumprimento de ordem judicial. Em 30/06/2008, o contribuinte reitera sua manifestação de inconformidade (proc. fls. 530 a 532). Em 15/10/2009, a 2' Turma da DRJ I em Sao Paulo considera improcedente a manifestação de inconformidade (proc. fls. 583 a 591). A turma julgadora explica que "a lide em questão refere-se a glosa sobre o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre operações de Swap (código 5273) deduzido na apuração do saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 18.588,01, e de IR sobre Prestação de Serviços, no montante de 2.520,59 no ano-calendário de 2000; e, de R$ 40.934,69 e RS 2.818,02, respectivamente, para o ano-calendário de 2001, efetuada pela autoridade fiscal em razão do não oferecimento a tributação destes correspondentes rendimentos". Esclarece que o contribuinte alegou que "na DIPJ correspondente ao anocalenclário de 2000 e na de 2001 tais rendimentos teriam integrado os valores com outros rendimentos de investimentos na linha 7 da ficha 11 da DIPJ". Explica que o local correto para informar as operações swap era o indicado pela DRF, mas que em caso de restar demonstrado erro de preenchimento, o equivoco não poderia prejudicar o contribuinte. Porém, alega que o contribuinte não logrou demonstrar seu erro. Conforme a turma julgadora: 0 contribuinte apenas alega que os rendimentos referentes às operações de Swap e os de prestação de serviços estariam informados na linha 7 da ficha 11, ficha esta denominada CÁLCULO DO IMP. DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA, cuja linha 7 corresponde ao montante do IR retido na fonte. Assim, se equivoco houve no preenchimento da DIPJ, houve também na apresentação da manifesta cão de inconformidade. Ademais, cabe esclarecer que ainda que houvesse o impugnante alegado ter incluído esses rendimentos em outra linha correspondente a rendimentos na ficha 06A, o que não foi o caso, deveria ter também apresentado provas cabais do equivoco, porém não apresentou a correspondente escrituração contábil e fiscal 7 demonstrando a composição da conta que possivelmente contivesse as receitas em questão. Destarte, não se pode acatar a argumentação da defesa por falta de comprovação. A turma julgadora também considera improcedente a alegação do contribuinte de que, por ter recolhido os valores quando da cassação da liminar, teria direito aos montantes glosados pelo Fisco em razão de ainda não haver transito em julgado. Isso porque, verificou que a questão estava em litígio na justiça. Explica que: Note-se então que, ainda que comprovado o pagamento mencionado pelo contribuinte, quando da publicação da sentença que cassou a liminar, ent dezembro de 2003, o crédito se encontrava em litígio no poder judiciário, na época da protocolização da Dcomp e como é consabido, antes do trânsito em julgado, qualquer compensação aventada antes desta data está expressamente vedada pela legislação vigente. Assim sendo, não há como considerar como componente do saldo negativo de IRPJ apurado em 2001, a parcela contestada judicialmente na data da apresentação da declaração de compensação. Cabe salientar ainda que, pesquisa aos sistemas da RFB noticia estar o crédito declarado em DCTF como crédito com exigibilidade suspensa, bem assim não ter contribuinte desistido da ação judicial o que contribui para evidenciar a falta de liquidez e certeza do crédito em questão. No que tange à desconsideração da compensação sem DARF no montante de R$ 83.397,68, referente ao ano de 2001, por falta de saldo negativo em 2000, a turma afirma que a DRF está correta. Já quanto à CSLL, a turma afirma que a glosa feita pela DRF está correta, por não haver trânsito em julgado. Também, explica que as alegações do contribuinte sobre a composição dos saldos negativos de 1998 e 1999 não são pertinentes, pois não afetaram a compensação objeto deste processo. Em 13/11/2009, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 592 v.). Em 15/11/2009, apresenta recurso voluntário (proc. fls. 595 a 605). Alega que a turma julgadora baseou sua decisão por considerar que o contribuinte não comprovou suas alegações. Adiciona que a turma se equivocou, pois foram anexadas cópias do livro razão na manifestação de inconformidade. Argumenta que se o julgador deveria ter baixado o processo em diligência, inclusive para apurar se teria havido fraude. Insiste que a demonstração de que as receitas de operações swap e de prestação de serviço estão consignadas na linha 7 da ficha 11 é suficiente e que o contribuinte não é obrigado a provar tal fato, salvo por sua declaração. Apresenta os seguintes questionamentos: Ora, se o Contribuinte tivesse preenchido corretamente a declaração de rendimentos, ou seja, não tivesse cometido um lapso manifesto em seu preenchimento, as informações prestadas na linha certa não seriam objeto de dúvida do Julgador e não precisaria o Contribuinte provar nada; ora, se o Contribuinte pode declarar uma vez, porque não pode declarar novamente? Será que a partir do momento em que o Contribuinte declarou uma informação inexata não pode mais ela ser retificada? 8 Processo n° 11831.003776/2003-76 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-00.629 Fl. 622 0 contribuinte também argumenta que "não se utilizou de crédito de liminar; mas sim, fazendo valer da liminar que obtivera, calculou corretamente o montante do Imposto de Renda devido e o recolheu nessas condições". Explica que: No mais, o valor do crédito cuja origem foi a antecipação de recolhimentos com base em estimativa foi posteriormente, conforme bem reconhece o Julgador, recolhido após cassação da liminar; negar o direito ao crédito que o Contribuinte possuía, frisa-se, não decorrente de compensações e sim de antecipações a maior durante o período base, é aceitar o enriquecimento sem causa do Estado, é não homenagear o Principio da Busca da VerdadeMaterial dos Fatos. No mais, o voto do Ilustre Conselheiro está eivado de falaciosas argumentações, como por exemplo, quando salienta que o valor recolhido ainda se mantém controlado nos sistemas da Receita Federal do Brasil na condição de exigibilidade suspensa. O que pode o Contribuinte contra os sistemas mal alimentados da Receita Federal do Brasil? Argumenta que a turma decidiu pela não consideração dos R$ 83.397,68 sem apresentar fundamentos. Quanto a CSLL, alega que apenas implementou a ordem judicial e que o valor foi integralmente recolhido em 30/06/2008. Pede a baixa do processo em diligência para verificação dos registros contábeis. 9 Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Quanto a redução do IRRF dos anos-calendários de 2000 e 2001, referente às operações swap e comissões, o contribuinte diz que não precisaria efetuar maiores demonstrações, salvo informar o erro de preenchimento na sua DIPJ. Também, sustenta que juntou cópia de seus livros, para comprovar que os rendimentos foram oferecidos para tributação. Por fim, pede que seja feita diligência nos registros contábeis. Conforme visto nos autos, a decisão da DRF se baseou na análise da DIPJ do contribuinte. Dessarte, o apoio fático da decisão é uma informação dada pelo próprio contribuinte, que pode infirmá-la a qualquer tempo. Não obstante, não basta que o contribuinte simplesmente diga que sua declaração estava errada. E preciso que isso seja acompanhado de atos concretos que sustentem esta posição, quer por meio de retificação de declaração, quer por meio de mapas e documentos que demonstrem suas afirmações e demonstrem o que o contribuinte entende ser correto. No caso, o contribuinte se limitou a afirmar que errou no preenchimento, sem informar/determinar qual seria o correto preenchimento. Nessas circusntâncias, não é possível aceitar a alegação do contribuinte de que ofereceu os rendimentos a tributação. No que tange a afirmação do contribuinte de que juntou cópia de seus livros junto com sua manifestação de inconformidade, analisando o trecho de tal peça referente a este ponto do litígio, não se verifica qualquer menção à juntada de livro ou documento, salvo informes de rendimento (proc. fls. 309 e 310). Ademais, não bastaria a mera juntada de documentos sem o esforço de demonstrar que os documentos comprovam as alegações. Sob este prisma, nota-se que, tanto na manifestação como no recurso, não há um esforço para informar como determinado documento demonstra os argumentos do contribuinte e a indicação da localização de documentos no processo é bastante deficiente. Deste modo, não existe nos autos qualquer motivação para atender ao pedido do contribuinte para que seja determinada diligência. Afinal, a determinação de diligência visa buscar elementos que dêem convicção ao julgador, em razão de dúvidas sucitadas pelos fatos presentes no processo. De modo algum a diligência tem por objetivo substituir o contribuinte ou o Fisco na busca dos fatos que cada um deveria demonstrar. No caso, como dito acima, o contribuinte não logrou colocar nenhuma das conclusões da DRF em dúvida. Quanto a desconsideração da estimativa de dezembro de 2001, na apuração do saldo negativo de 2001, por não haver saldo negativo suficiente em 2000, para efetuar a compensação registrada, o contribuinte alega que a DRJ não fundamentou adequadamente sua decisão. Porém, o contribuinte está equivocado, já que a DRJ remeteu suas conclusões ao exame feito pela DRF. De fato, a constatação de que não cabe considerar a estimativa de dezembro de 2001 decorre da verificação de saldo negativo de 2000 insuficiente para tanto, tal 10 Processo n° 11831.003776/2003-76 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.629 Fl. 623 como a DRF demonstrou. Por isso, não há qualquer reparo a fazer na decisão da turma julgadora. Quanto a desconsideração de valores de estimativas de 2001, na apuração do saldo negativo de 2001, em razão de não haver trânsito em julgado da decisão que propiciou que o contribuinte considerasse valores com a exigibilidade suspensa e desta ainda estar pendente, o contribuinte alega que não efetuou compensação mas apenas implementou a ordem judicial e que posteriormente efetuou o recolhimento desses valores quando a ordem judicial foi cassada. Porém, o efeito prático do seu procedimento foi considerar, dentro do montante de estimativas, valores decorrentes desta questão judicial, que informou como tendo exigibilidade suspensa. Assim, a apuração ao fim do ano acaba sendo afetada por tais valores e é o saldo negativo ao fim do ano que o contribuinte quer compensar. Porém, o art. 170 A veda a compensação antes do trânsito em julgado. Portanto, não há como admitir que o contribuinte acabe por compensar valor que ainda não foi decidido pela justiça. A alegação de o pagamento foi efetuado mais tarde também não beneficia o contribuinte, já que, além de ser posterior à sua declaração de compensação, pode estar pendente de julgamento, já que o contribuinte não informa e nem comprova o final do litígio. Quanto à desconsideração de estimativas de CSLL no ano de 2000 e 2001, na apuração dos respectivos saldos negativos, em razão de não haver trânsito em julgado da decisão que propiciou que o contribuinte considerasse valores com a exigibilidade suspensa, o contribuinte alega que a medida judicial ainda está em vigor, que não efetuou compensação mas apenas implementou a ordem judicial, e que posteriormente efetuou o recolhimento desses valores. Sobre esta questão, cabe o mesmo acima afirmado para o IRPJ de 2001. Por estas razões, voto por não atender ao pedido de diligência e por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação pleiteada. IDA GUERREIRO CARLOS EDuAO—DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.012734/2008-94
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário:2009
SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS EM ABERTO. EXCLUSÃO.
Devem ser excluídas do Simples Nacional as empresas optantes que possuam débitos para com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa.
Numero da decisão: 1801-000.783
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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DÉBITOS EM ABERTO. EXCLUSÃO. Devem ser excluídas do Simples Nacional as empresas optantes que possuam débitos para com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/12/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Consta dos autos que a empresa interessada foi excluída do Simples Nacional, com efeitos a partir 01/01/2009, pelo Ato Declaratório Executivo da DRF em Goias DRF/GOI n º 034261/2010 (fl. 01), por possuir os débitos com a Fazenda Pública Federal relacionados, com exigibilidade não suspensa. O ADE encontrase fundamentado no artigo 17, V da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006 e na alínea "d" do inciso II do art. 3°, combinada com o inciso I do art. 5°, ambos da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007. Irresignada a empresa apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 01, alegando, não entender o motivo da exclusão, pois não possuiria débito algum em aberto, tendo obtido, inclusive, certidão negativa, juntada à fl. 18 e 19/21, 24. De acordo com o despacho da DRF em Goiânia de fl. 47 “ após prazo para regularização a empresa possuía débitos previdenciários na RFB e nos sistemas da Previdência e não consta regularização dos mesmos (fl. 33/46)”. Por tal razão encaminhou os autos para apreciação da autoridade julgadora. Pelo despacho de fl. 50 a DRJ em Brasília/DF determinou que os autos retornassem à origem para que a empresa fosse cientificada da relação dos débitos que ensejaram a exclusão da sistemática, conferindolhe novo prazo para impugnação, o que foi providenciado, segundo quota à fl. 53. Não houve aditamento da impugnação. Novamente os autos foram devolvidos à origem, pelo despacho da DRJ de fl. 54, para que fosse verificado se houve a regularização dos débitos, no novo prazo para impugnação concedido. Como resultado, foram produzidos os documentos de fls. 56 a 63, assim como o relatório de fl. 64, que concluiu que a empresa ainda permanecia devedora de débitos previdenciários oriundos de divergências de GFIP. A interessada foi cientificada mas não aditou a impugnação (fls. 66/67). A DRJ em Brasilia/DF proferiu o Acórdão 0342.511 (fls. 70/72). Inicialmente observou que a certidão negativa fornecida pela empresa não abarca débitos previdenciários e consignou: Constatase que os débitos geradores do ADE, quais sejam, débitos previdenciários de competência vários meses entre 06/2005 a 09/2007, cujos montantes em valores originários foram agrupados em três cobranças de R$ 11.985,87, R$ 6.305,78 e R$ 98,01 (fls. 30d, 38/41d, 60/63d), permanecem em exigíveis, em consonância com a análise feita pela unidade de origem (fl. 66d). Afirmou que a interessada não providenciou a regularização no novo prazo concedido, julgando improcedente impugnação. Notificada da decisão, em 10/05/2011, como demonstra a cópia do AR à fl., apresentou a empresa, em 09/06/2011, recurso voluntário. Em sua defesa aduz, em síntese, que estaria anexando os comprovantes dos recolhimentos dos débitos de competência 06/2005 a 09/2007, que foram quitados à época dos respectivos vencimentos. Afirma, ainda: Fl. 94DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/12/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.012734/200894 Acórdão n.º 180100.783 S1TE01 Fl. 94 3 Portanto, conforme todos os itens citados acima, e também seguindo em anexo o comprovante do nosso enquadramento dentro da lei, justamente para provar que quando dos nosso recolhimentos foram efetuados dentro do regime Simples Nacional, visto que conforme comprovantes, fazíamos e fazemos parte deste regime facultado pela Lei. Seguemse documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Consta dos autos que a empresa recorrente foi excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, por possuir débitos para com a Fazenda Pública Federal não quitados e com exigibilidade não suspensa. A seu turno a recorrente alega não possuir débitos em cobrança. Mas os documentos angariados em diligência fiscal denotam que há, sim, débitos de responsabilidade da empresa interessada, junto ao INSS, não quitados e com exigibilidade não suspensa. Assim, cumpre fazer remissão aos dispositivos da legislação de regência, pertinentes ao caso: Lei Complementar n º 123, de 2006 Art. 1º Esta Lei Complementar estabelece normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, especialmente no que se refere: I à apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação, inclusive obrigações acessórias; ... Art. 12. Fica instituído o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional Fl. 95DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/12/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; ... Art. 28. A exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das empresas optantes. Parágrafo único. As regras previstas nesta seção e o modo de sua implementação serão regulamentados pelo Comitê Gestor. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verif icada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; ... Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das si tuações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou ... § 1º A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: I na hipótese do inciso I do caput deste artigo, até o último dia útil do mês de janeiro; II na hipótese do inciso II do caput deste artigo, até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que ocorrida a situação de vedação; ... § 2º A comunicação de que trata o caput deste artigo darseá na forma a ser estabelecida pelo Comitê Gestor. Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: I na hipótese do inciso I do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir de 1º de janeiro do anocalendário subseqüente, ressalvado o disposto no § 4º deste artigo; Fl. 96DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/12/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.012734/200894 Acórdão n.º 180100.783 S1TE01 Fl. 95 5 II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; ... IV na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência da comunicação da exclusão. § 2º Na hipótese do inciso V do caput do art. 17 desta Lei Complementar, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência da comunicação da exclusão. ... (destaques acrescidos) Em que pese os protestos da defesa a Lei Complementar n º 123, de 2006, é clara: não podem recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional (art. 17) as micro e pequenas empresas que estejam em débito com o INSS ou Fazenda Pública Federal (inciso V), cuja exigibilidade não esteja suspensa. Portanto, as micro e pequenas empresas que possuam débitos com o INSS, ou Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal, que não estejam com sua exigibilidade suspensa, não podem continuar a recolher na sistemática do Simples Nacional. É verdade que o § 2o. do artigo 30 possibilita a permanência, no regime, da pessoa jurídica como optante do Simples Nacional, quando, no prazo de até 30 (trinta) dias, contado a partir da ciência da comunicação da exclusão, a empresa comprove a regularização do débito. A empresa alega que efetuou os recolhimentos nos respectivos prazos e junta as guias de fls. Referidos comprovantes realmente indicam que os valores neles consignados foram recolhidos nos respectivos prazos de vencimento. Mas tais guias dizem respeito unicamente a débitos dos meses de 06/2005, 07/2007, 08/2007, e 09/2007, enquanto que, em verdade, há vários débitos em aberto, de vários meses entre o período que vai do mês 06/2005 ao mês 09/2007, conforme indicado às fls. 58 a 63 No presente caso, portanto, verificase que não foram regularizados os pagamentos de todos os débitos no prazo de 30 (trinta) dias, contado a partir da ciência da comunicação, como determinado pela DRJ em Brasília. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 97DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/12/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 98DF CARF MF Emitido em 12/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 05/12/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.007945/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Os fatos devem evidenciar que as
pessoas físicas e jurídicas são responsáveis solidárias nos termos dos artigos 132, 133 e 135 do CTN.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de inconstitucionalidade das
normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. Súmula CARF nº 2.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se definitiva, na esfera
administrativa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
Numero da decisão: 1202-000.594
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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NUNES DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Os fatos devem evidenciar que as pessoas físicas e jurídicas são responsáveis solidárias nos termos dos artigos 132, 133 e 135 do CTN. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. Súmula CARF nº 2. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10935.007945/200740 Acórdão n.º 120200.594 S1C2T2 Fl. 510 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrados contra a empresa E. Nunes de Souza e recebidos, em 12 de dezembro de 2007 (fls. 335/382), exigindo IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no valor de R$548.407,60, e seus reflexos, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$304.760,75, contribuição ao PIS no valor de R$107.189,08; COFINS no valor de R$162.631,47; acrescidos de multa de 150% e juros calculados com base na taxa SELIC. A exigência, correspondente ao período do 1º Trimestre de 2003 ao 3º Trimestre de 2005, foi motivada pela constatação de omissão de receitas caracterizada pela diferença entre os valores registrados nos livros de Apuração do ICMS e Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ e Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. Abrange o 1º trimestre de 2003 ao 3º trimestre de 2005. O fundamento legal do lançamento de ofício é conforme abaixo: IRPJ –artigos 532 e 537 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/1999 – RIR/99. CSLL artigo 2° e §§ da Lei n° 7.689/1988; artigo 24 da Lei n° 9.249/1995; artigo 29 da Lei n° 9.430/1996; artigo 37 da Lei n° 10.637/2002. Contribuição ao PIS artigos 1° e 30 da Lei Complementar n° 7/1970; artigo 24, § 2° da Lei n° 9.249/1995; artigos 2°, I, “ a” e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/ 2002; artigo 9°da Lei n° 10.925/2004 c/c a Lei n° 11.051/2004. COFINS – artigos 2°, II, e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002; artigo 90 da Lei n°10.925/2004 c/c a Lei n° 11.051/2004. O termo de constatação fiscal (fls 315 e seguintes) que embasa o Auto de Infração, após analise de documentação referente aos anos de 2003, 2004 e 2005, encontrou irregularidades aqui expostas em breve síntese. De início, cumpre informar que a empresa era optante da modalidade lucro presumido e, para verificar a regularidade de suas condutas, foi intimada a apresentar os Livros Diário e Razão, ou Livro Caixa (caso tivesse optado pela não contabilização de suas operações, conforme artigo 527 do RIR/99); Livros Registro de Entradas, Registro de Saídas e Apuração de ICMS; Extratos bancários das contascorrentes mantidas pela empresa; e, Declaração de Firma Individual e posteriores alterações. No mesmo ato de ciência do Termo de Início, foram apresentados os livros fiscais (Registro de Entradas, Registro de Saídas e Apuração de ICMS) para os anos calendários de 2003 e 2004 e a Declaração e alterações de Firma Individual. Em 28 de junho do mesmo ano, protocolou uma declaração dizendo que não possuía nenhum extrato bancário solicitado. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10935.007945/200740 Acórdão n.º 120200.594 S1C2T2 Fl. 511 3 Em 12 de julho de 2007, foi solicitado prorrogação do prazo por mais 45 dias para atender à intimação, que foi desconsiderada por ter sido enviada por email por uma advogada e sem nenhuma assinatura ou procuração. Em 20 de agosto de 2007, foi feita nova intimação para apresentar os documentos não entregues, bem como as notas fiscais emitidas a partir de agosto de 2004, em função da introdução, a partir daquele mês, da suspensão da contribuição ao PIS e da Cofins nas vendas de café em grão para empresas tributadas pelo regime do lucro real. Porém, ao término do prazo concedido foi apresentados livro Registro de Entradas, Registro de Saídas e Apuração de ICMS de 2005 e as notas fiscais solicitadas.Os Livros Diário ou Caixa não foram apresentados e não houve qualquer justificativa para tanto. No cruzamento das informações contidas nos livros fiscais apresentados com as Declarações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, verificouse a omissão regular da maior parte das receitas auferidas pela empresa, uma vez que, nos últimos 3 anoscalendários, o total de receitas registrados nos livros de Registros de Saídas e Apuração do ICMS era de R$11.343.937,44, enquanto que as DIPJ apresentadas informaram receitas de apenas R$1.780.582,49, pouco mais de 15% do valor anteriormente apontado. Por esta razão, o agente fiscal observou o disposto no artigo 530, III, do RIR/99, a saber: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário,será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado,quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n°9.430, de 1996, art. 1°): (.....) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;’ Assim para a apuração do IRPJ e CSLL, houve a alteração do regime do Lucro Presumido para o Lucro Arbitrado. Para as contribuições ao PIS e a COFINS, até julho de 2004, temos que calcular estas contribuições diretamente sobre as receitas não declaradas. A partir de agosto de 2004, passou a vigorar a Lei nº 10.925/2004, que estabeleceu: “Art. 9°. A incidência da contribuição para o PIS/ PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal.” A Lei 11.051/2004 introduziu algumas alterações na redação deste artigo, sem modificar a sua essência. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10935.007945/200740 Acórdão n.º 120200.594 S1C2T2 Fl. 512 4 Foi solicitada a apresentação de notas fiscais para averiguar as vendas com suspensão, como anteriormente dito, tendo em vista que a empresa sob fiscalização: a) efetivamente exerce a atividade de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos de origem vegetal; b) trabalha com café em grãos, produto classificado na posição 09.01 da NCM; c) tem a maioria dos clientes tributados pelo lucro real. A empresa não atendeu a toda solicitação, apresentou apenas cópias das notas fiscais emitidas, assim, a autoridade lançadora elaborou uma planilha onde cruzou as informações de cada nota fiscal com a forma de tributação adotada por cada cliente e classificamos as vendas efetuadas a partir de agosto de 2004, em vendas com tributação normal e com direito à suspensão (anexo III ao Termo de Constatação – fls 329 a 334) . Importante relatar que a autoridade fiscalizadora apurou que, como a empresa não levou em conta a suspensão, nos meses de agosto e setembro de 2004, o valor declarado e recolhido foi superior ao valor devido, assim sendo, procedeu à compensação nos meses seguintes. Por último, o termo de constatação fiscal apurou a utilização de interposta pessoa para a constituição da empresa, no intuito de fraudar o Erário Público. Tomo a explicação constante no Termo de Constatação por ser bastante clara, que abaixo transcrevo: “ O Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas indica a existência de três empresas com inscrição ativa no CNPJ, com sede em São Jorge do Patrocínio e usando a expressão "SANTA BRANCA" em seu nome de fantasia: a) J J BRAGA & CIA LTDA, inscrita no CNPJ em 30/11/1987, sob número 80.338.494/000158, tendo como sócios JOAQUIM JURACI BRAGA e sua esposa, SIRLEI APARECIDA DE SOUZA BRAGA. Esta empresa tinha sede na Rua Marechal Floriano 403 e usava o nome de fantasia de CEREALISTA SANTA BRANCA e atuava no ramo de "comércio atacadista de café em grão"(CNAE 4621.4.00). Embora ainda conste no CNPJ na condição de "ATIVA", esta empresa teve sua inscrição baixada na Receita Estadual, por encerramento de atividades, em 30/09/1999. E, na Receita Federal, o último mês em que informou algum movimento foi em maio de 1998. Depois disso, esteve omissa no anocalendário de 1999, apresentou Declarações totalmente zeradas nos anos calendários de 2000 a 2002 e apresentou declaração de INATIVA nos anoscalendários de 2003 em diante. É importante também destacar que, em 08/05/1995, foi lavrado, contra esta empresa, Autos de Infração que constituíram o processo 10935.000876/9530 o qual, por falta de pagamento, foi enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional em 04/09/2000. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10935.007945/200740 Acórdão n.º 120200.594 S1C2T2 Fl. 513 5 b) E. NUNES DE SOUZA, a empresa sob fiscalização, inscrita no CNPJ em 08/04/1999 sob número 03.106.602/000116 e tendo como titular ENEDINO NUNES DE SOUZA. Esta empresa tinha sede na Rua José H. Visconcini 403 e também usava o nome de fantasia de CEREALISTA SANTA BRANCA. Conforme informações obtidas junto ao contador da empresa e confirmadas na Prefeitura Municipal de São Jorge do Patrocínio, a Rua José H. Visconcini é a mesma Rua Marechal Floriano, que apenas mudou de nome. A atividade econômica informada no CNPJ também é o "comércio atacadista de café em grão"(CNAE 4621.4.00). Da mesma forma que a J J BRAGA, esta empresa também está na situação "ATIVA" no CNPJ, mas teve sua inscrição estadual baixada, por encerramento de atividade, em 31/12/2006. E, desde outubro de 2005, não exerce mais nenhuma atividade, tendo apresentado a sua DIPJ do exercício 2007, anocalendário 2006, totalmente zerada, exceto pelas informações de encerramento do exercício anterior, ou seja, 31/12/2005. c) MÁQUINA DE CAFÉ PATROCNIO LTDA,inscrita no CNPJ, em 18/07/2005 sob número 07.500.178/000140, tendo como sócios ENEDINO NUNES DOS SANTOS e sua esposa FRANCISCA DE SOUZA OLIVEIRA. Esta empresa, que continua em operação normal e com inscrição estadual ativa, também tem sede na Rua Marechal Floriano 403 e usa o nome de fantasia de CAFEEIRA SANTA BRANCA. O seu ramo de econômica, informada no CNPJ também é o "comércio atacadista de café em grão" (CNAE 4621.4.00). Pesquisas feitas no sistema CNPJ e no Sintegra, que forneceram as informações acima, são juntadas nas fls. 148/161 do processo. 3.2. Como se observa,existem alguns pontos em comum entre estas três empresas que são muito mais que meras coincidências: a) Todas elas sempre tiveram a mesma sede, inicialmente informada como "Rua Mal. Floriano 403" e depois como "Rua Hosé H. Visconcini 403", em decorrência da mudança de denominação da rua; b) O imóvel localizado neste endereço é de propriedade de JURACI JOAQUIM BRAGA, conforme matrícula 2.056 do Cartório de Registro de Imóveis de Altônia. c) Todas estas empresas sempre usaram o nome de fantasia de "SANTA BRANCA"; d) Todas estas empresas sempre tiveram o mesmo ramo de atividade, representada pelo CNAE O 4621.4.00 Comércio Atacadista de Café em Grão; e) A primeira empresa tinha JURACI JOAQUIM BRAGA como sóciogerente. As outras duas, tem JURACI JOAQUIM BRAGA como seu procurador, com amplos poderes, conforme Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10935.007945/200740 Acórdão n.º 120200.594 S1C2T2 Fl. 514 6 instrumentos obtidos no Serviço Distrital de Registro Civil e Notarial de São Jorge do Patrocínio. 3.3. Antes disso, no mesmo endereço funcionara, entre 09/11/1981 e 31/03/1988 (data da baixa da inscrição na Receita Estadual), a firma individual JURACI JOAQUIM BRAGA, inscrita no CNPJ sob número 75.919.068/000178 e que também utilizava o nome de fantasia de CEREALISTA SANTA BRANCA. Esta empresa foi regularmente baixada no CNPJ em 06/05/1988. 3.4. No dia 26/07/2007, tomamos declaração a termo do suposto titular da empresa sob fiscalização,ENEDINO NUNES DE SOUZA o qual, entre outras coisas, declarou (fls. 136/137 do processo): a) Que a E. NUNES DE SOUZA funcionou durante aproximadamente dois anos, encerrando suas atividades porque não agüentava pagar seus compromissos; b) Que JURACI JOAQUIM BRAGA é seu sócio na MÁQUINA DE CAFÉ PATROCÍNIO e encarregado da parte de vendas, pagamentos, bancos, enfim de toda a parte administrativa, sendo ele, ENEDINO, encarregado apenas das compras na roça, junto a produtores. Ao final da declaração, ENEDINO retificou esta informação, para dizer que JURACI é apenas procurador da empresa e seu sócio apenas nas compras de café; c) Que a E. NUNES DE SOUZA vendia principalmente para empresas de Londrina e Maringá, sendo que o único cliente cujo nome sabia citar era a UNICAFÉ, de Londrina; d) Que não sabe dizer o valor dos honorários que a E. NUNES DE SOUZA pagava ou que a MÁQUINA DE CAFÉ PATROCÍNIO paga para o seu contador, Sr. FRANCISCO CANDIDO DA CRUZ; e) Que não sabe o nome do proprietário do imóvel onde a empresa funcionou a E. NUNES DE SOUZA e onde funciona a MÁQUINA DE CAFÉ PATROCÍNIO; que só sabe que o proprietário morava em Altônia e atualmente mora em São Jorge do Patrocínio, mas que o aluguel é pago para um sobrinho do proprietário, de nome PAULO de tal e que o valor do aluguelé de um salário mínimo mensal; f) Que a empresa E. NUNES DE SOUZA movimentava conta bancária no Banco Itaú e quem controlava esta conta era o procurador, JURACI; g) Que sua retirada mensal é em torno de R$ 600,00; que mora em casa própria uma "casinha popular" e que não tem automóvel, mas apenas uma bicicleta. 3.5. Vamos confrontar estas declarações com alguns fatos levantados no curso da ação fiscal: a) ENEDINO demonstrou desconhecer a "idade" de sua própria empresa, pois declarou que a E.NUNES DE SOUZA funcionou Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10935.007945/200740 Acórdão n.º 120200.594 S1C2T2 Fl. 515 7 por dois anos. No entanto, esta empresa foi criada em abril de 1999 e operou normalmente até setembro de 2005;portanto por mais de seis anos; b) Depois de declarar que JURACI é seu sócio, ENEDINO retificou esta informação para dizer que ele é seu sócio "apenas nas compras de café". Só que JURACI não declara nenhuma atividade de compra de café, seja como pessoa física, seja como empresário (firma individual); c) Embora fosse o único dono da E. NUNES DE SOUZA, ENEDINO soube nominar um único cliente desta empresa, a UNICAFÉ, alegando que este era seu principal cliente No entanto, entre as notas fiscais emitidas no período de 01/08/2004 a 30/09/2005, listadas no Anexo III, encontramos uma única nota emitida para esta empresa, no valor de apenas R$ 48.400,00; d) Embora supostamente fosse o dono da empresa, ENEDINO não soube informar o valor dos honorários pagos para seu contador; e) ENEDINO declarou desconhecer quem é o proprietário do imóvel onde funcionou a sua firma individual e onde funciona a empresa que mantém, atualmente, em sociedade com sua esposa. Se estivéssemos falando de uma empresa localizada em cidades como São Paulo, ou Curitiba, este tipo de informação até seria possível de ser verdadeira. Mas estamos falando de um imóvel ocupado por duas empresas, supostamente do mesmo proprietário (ENEDINO) há mais de oito anos e localizado numa cidade cuja população estimada pelo IBGE para 2006 era de apenas 4.732 habitantes (isto mesmo: menos de cinco mil habitantes, em todo o município e não apenas em sua área urbana). Numa cidade deste porte, é absolutamente impossível acreditar que ENEDINO pudesse desconhecer o proprietário do imóvel ocupado por suas empresas. é uma hipótese absolutamente inadmissível; f) ENEDINO disse que o valor do aluguel pago pelo imóvel seria de "um salário mínimo mensal",valor talvez dentro dos limites de sua humilde condição financeira. Mas, em suas Declarações de Ajuste Anual de 2007, JURACI e sua esposa SIRLEI declararam R$ 2.000,00 mensais a título de aluguel recebida da MÁQUINA DE CAFÉ PATROCÍNIO; g) Enquanto ENEDINO informou ter uma retirada mensal "em torno de R$ 600,00" e possuir apenas uma "casinha popular" e uma bicicleta, JURACI declarou, em sua Declaração de Ajuste Anual de 2007, bens no valor total de R$ 504.968,03, constituídos por imóveis rurais e urbanos, vários veículos e participação societária na J J BRAGA & CIA LTDA. 3.6. Na mesma ocasião em que ENEDINO prestou as declarações comentadas acima, também ocontador da empresa, Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10935.007945/200740 Acórdão n.º 120200.594 S1C2T2 Fl. 516 8 FRANCISCO CANDIDO DA CRUZ prestou declarações, onde informou (fl. 138 do processo): a) Que era o contador da E. NUNES DE SOUZA desde sua constituição, assim é o contador atual da MÁQUINA DE CAFÉ PATROCÍNIO LTDA; b) Que nestas empresas, seus contatos sempre são com o procurador das mesmas, JURACI JOAQUIMBRAGA, c) Que também foi o contador da firma individual JURACI JOAQUIM BRAGA e da J J BRAGA & CIA LTDA e que esta encerrou suas atividades "por problemas de fiscalização da Receita Federal, pois ainda tem processo pendente". 3.7. Mas não apenas o imóvel onde funciona a empresa pertence a JURACI JOAQUIM BRAGA. Também o sobrado mencionado no item 5 do Termo de Informação Fiscal L212/2007, localizado na praça próxima à empresa e apontado por vizinhos como sendo a residência "do proprietário da Santa Branca" é de propriedade de JURACI JOAQUIM BRAGA, conforme matrícula 7.075 do Cartório deRegistro de Imóveis de Altônia (cópias de matrículas destes imóveis foram juntadas nas fls. 173/179 do processo), E é a sua residência, como comprova o fato de todas as intimações enviadas para JURACI e para sua esposa, terem sido regularmente recebidas. 3.8. Além disso, documentos obtidos através de RMF, junto ao Banco Bradesco (fls. 195/270), indicam: a) A assinatura de ENEDINO NUNES DE SOUZA aparece apenas na abertura da conta. Os cartões de assinatura apresentados pelo Bradesco contém apenas a assinatura de JURACI JOAQUIM BRAGA. b) Solicitamos ao Bradesco a apresentação de cópias de cheques cheques estes escolhidos ao acaso, pela expressividade de valor. Todas as cópias apresentadas contém a assinatura de JURACI JOAQUIM BRAGA, Nem um único destes cheques foi assinado por ENEDINO. c) Portanto, fica demonstrado que JURACI JOAQUIM BRAGA efetivamente exercia o mandado de procurador outorgado pela E. NUNES DE SOUZA. 3.9. Finalmente, documentos obtidos através de RMF, junto ao Banco Itaú (fls. 181/191), demonstram: a) A conta 034999 da agência 5225, em nome da E. NUNES DE SOUZA, tinha como procuradores JURACI JOAQUIM BRAGA e sua esposa, SIRLEI APARECIDA DE SOUZA BRAGA. b) Esta conta tinha apenas duas assinaturas, exatamente dos dois procuradores. ENEDINO NUNES DE SOUZA, embora fosse, supostamente, o único proprietário da empresa, nem mesmo possuía cartão de assinatura para movimentar a conta. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10935.007945/200740 Acórdão n.º 120200.594 S1C2T2 Fl. 517 9 3.10. Portanto, os fatos aqui narrados e os documentos juntados ao processo deixam claro, sem margem para qualquer dúvida que: a) Há mais de vinte e cinco anos, JURACI JOAQUIM BRAGA opera no ramo de comércio atacadista de café, sempre no mesmo endereço e utilizando o mesmo nome de fantasia de "SANTA BRANCA". b) Até 1999, JURACI operou em seu próprio nome, com firma individual ou com sociedade limitada, tendo sua esposa como sócia. Depois de ter sido autuado pela Receita Federal e quando o processo decorrente da autuação estava na Fazenda Nacional para cobrança, JURACI passou a utilizar interpostas pessoas, ou "laranjas", para continuar operando. c) ENEDINO NUNES DE SOUZA e sua esposa FRANCISCA DE SOUZA OLIVEIRA não passam de "laranjas" utilizados por JURACI JOAQUIM BRAGA, que é o verdadeiro proprietário, tanto da E.NUNES DE SOUZA quanto da MÁQUINA DE CAFÉ PATROCÍNIO LTDA. (...) 3.12. Portanto, conforme disposto nos arts. 129, 132 e 233 do Código Tributário Nacional, reproduzidos adiante, a MÁQUINA DE CAFÉ PATROCÍNIO LTDA é responsável, como sucessora,pelos créditos tributários aqui constituídos contra a E. NUNES DE SOUZA. 3.13. E, como proprietários de fato, tanto da E. NUNES DE SOUZA quanto da MÁQUINA DE CAFÉ PATROCÍNIO LTDA, JURACI JOAQUIM BRAGA e sua esposa SIRLEI APARECIDA DE SOUZA BRAGA são pessoaImente responsável (sic) pelos créditos tributários aqui constituídos,conforme disposto nos arts. 134 e 135 do CTN, abaixo reproduzidos.” (fl.318 a 322)” (grifamos). Foram lavrados Termo de Responsabilização de Juraci Joaquim Braga e Sirlei Aparecida de Souza Braga (fl. 384); e, Termo de Responsabilização da Máquina de Café Patrocínio Ltda (fls 440 a 442). Ainda, foi lavrado Termo de Informação Fiscal relativo a procurações e cheques assinados por Juraci e Sirlei, em contacorrente da E.Nunes Souza no Banco Itaú (fls 387), comprovando que estes efetivamente operaram as contas da empresa, termo este também cientificado aos interessados e a Enedino Nunes de Souza, CPF 738.707.49920. Por fim, entendeu que a verificação de tais práticas, especialmente ante a reiterada omissão de receitas e a utilização de ardis para fraudar, impunham a aplicação de multa qualificada nos termos do artigo 957 do RIR/99 ou artigo 44 da Lei nº 9430/1996. Inconformada, a empresa apresentou impugnação, alegando, em síntese que: é irregular o regime de tributação adotado pelo fisco, eis que é optante pelo “Lucro Presumido”, opção que é permitida pelo legislador, mesmo após o início do procedimento de fiscalização, não sendo, nesse passo, compatível com a imposição do regime Fl. 9DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10935.007945/200740 Acórdão n.º 120200.594 S1C2T2 Fl. 518 10 do “lucro Arbitrado”. Ainda, afirma que a adoção do regime do lucro arbitrado atenta contra o princípio da aplicação da norma mais favorável ao contribuinte, qual seja o artigo 112 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172/1966, segunda a qual interpretase a legislação tributária da forma mais favorável ao contribuinte, em caso de dúvida. a multa é exacerbada e tem caráter confiscatório; a taxa Selic é ilegal, motivo pelo qual requer sua exclusão dos cálculos; o agente fiscal quis imputar a existência de “laranja” no intuito de sonegar tributos, sem que haja prova de atuação dolosa que assim autorize multa no patamar de 150%. Em sua argumentação, explana que sequer houve omissão de receitas, havendo mera “inexatidão da Declaração de Rendimentos” (fl. 450). suas ações não tipificam dolo. não houve a existência de interposta pessoa na atuação da empresa, explicando e exemplificando a diferença entre procuradores e interposta pessoa, afirmando que a conduta da empresa é perfeitamente legal e não houve qualquer intuito de fraude. requer a observância do Princípio da Proporcionalidade quando da aplicação da multa no importe de 150%, alegando que somente se aplica se ficar evidente o intuito de fraude e, nos termos do artigo 137 do CTN, deve a penalidade ser aplicada somente contra a pessoa física do agente, ficando descartada que a responsabilidade recaia sobre a pessoa jurídica. Todavia, mesmo houver o intuito de dificultar a cobrança de créditos tributários, então, aplicase o agravamento da multa de 75%, para 112,5% (§ 2° do artigo 44 em questão). o artigo 44 é inválido porque desobedece às três máximas do princípio da proporcionalidade: a adequação, a necessidade e a proporcionalidade em sentido estrito; reivindica que a multa seja reduzida a 20%. reclama sobre o arrolamento de bens. ao final, requer : “1) Exoneração do arbitramento do IRPJ, recalculando o lançamento na forma do lucro presumido; 2) Exoneração da multa de 150% nos lançamentos do IRPJ, CSSL, PIS eCOFINS, reduzindoa ao percentual de 20%; 3) Exclusão da SELIC como indexador, concordando como a aplicação da TJLP.” Em linhas gerais, a decisão da 2ª Turma da DRJ/CTBA, proferida no Acórdão nº 0621.497, houve por bem julgar procedente o Auto de Infração, pelos argumentos a seguir sintetizados. Inicialmente, a decisão salienta que não houve em momento algum a impugnação da omissão de receitas apurada. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10935.007945/200740 Acórdão n.º 120200.594 S1C2T2 Fl. 519 11 Em seguida, esclarece que a interessada foi devidamente intimada para apresentar os documentos requisitados (livros obrigatórios), e que, se não o fizesse, poderia implicar em adoção do regime do lucro arbitrado. A falta de apresentação da documentação solicitada não motiva a adoção de regime mais favorável ao contribuinte, mas o lançamento nos termos da lei, eis que o lançamento é ato administrativo vinculado. Com os elementos apresentados pela contribuinte em mãos, foram elaborados os autos de infração, no regime de lucro arbitrado, nos termos do artigo 530, III do RIR de 1999, acima transcrito, dado que a interessada não mantinha escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, nem demonstrações financeiras, nem documentos e livros auxiliares obrigatórios que permitissem ser a autuação no lucro real e, por outro lado, não manteve Livro Caixa no qual estivesse escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária (art. 527, parágrafo único do RIR/1999). Em relação à interpretação da legislação tributária da forma mais favorável ao contribuinte, em caso de dúvida, consoante o artigo 112 do CTN, como não há dúvidas quanto às circunstâncias materiais do fato, à autoria, à capitulação, à natureza ou graduação da penalidade aplicável, não se aplica o normativo invocado, uma vez que estamos diante de provas contidas nos autos, inexistem dúvidas quanto a prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso. No que tange à responsabilização, baseouse em confrontar os fatos, as receitas apuradas e as inconsistências obtidas nos depoimentos colhidos no processo administrativo, que levaram o julgador a verificar a existência de “laranja”, interposta pessoa (Sr. Enedino Nunes de Souza) que constituiu empresa E Nunes de Souza, sob fiscalização, com o intuito de fraudar o fisco. A interessada acusou a fiscalização de desqualificar a condição pública dos Srs. Juraci Joaquim Braga e Sirlei Aparecida de Souza Braga, que é de procuradores da empresa, uma vez que a gestão foi autorizada por procurações públicas, portanto seria descabida a imputação de interpostas pessoas ou que houve intenção de esconder os fatos. Confunde a interposição trazida pela fiscalização entendendo que teria caracterizado Juraci Joaquim Braga e Sirlei Aparecida de Souza Braga como interpostas pessoas na E. Nunes de Souza, quando, muito pelo contrário, a fiscalização identificou que a interposta pessoa é o titular oficial da mesma, Enedino Nunes de Souza CPF 738.707.49920, fls. 6/10, 16, sendo é a "pessoa que se interpõe em negócio de outrem para realizar em substituição da que tinha a incumbência de fazêlo.", e sendo os primeiros Srs. os responsáveis de fato pelas operações da empresa, tudo apoiado por farta documentação contida no processo. Enfim, a DRJ julga procedente a autuação da empresa por omissão de receitas, o que não foi contestado, ficando, assim, responsabilizados os Srs. Joaquim Juraci Braga e Sirlei Aparecida de Souza Braga pelos créditos tributários, na qualidade de procuradores da empresa, bem como da empresa Maquina de Café Patrocínio Ltda., como sucessora da empresa sob fiscalização, consoante o artigo 132 e 133 do CTN. A responsabilização da pessoa jurídica Máquina de Café Patrocínio Ltda, na qualidade de sucessora da E. Nunes de Souza também não foi contestada na impugnação que se limitou a questionar a aplicação da multa de 150%, no item intitulado “VI) Do Princípio da Proporcionalidade na Aplicação da Penalidade Pecuniária”. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10935.007945/200740 Acórdão n.º 120200.594 S1C2T2 Fl. 520 12 Diante da atuação com nítido dolo, entende que cabe a aplicação da multa de ofício no importe de 150%. Em relação à multa ser inválida e com intuito de confisco, cita que já julgou pela procedência da multa e que não é órgão competente para tratar de ilegalidades ou inconstitucionalidades da lei. Quanto à desproporcionalidade invocada com base no artigo 137 do CTN, limitase a dizer que a identificação da sucessora não se deu com base no artigo 134 a 137 do CTN, portanto, não cabe tal alegação. No mais, entende ser cabível a aplicação da taxa Selic e o arrolamento de bens, perfeitamente amparado pela lei 9.532/1997. Ciente da decisão da DRJ em 16 de abril de 2009 (fls 480), a recorrente apresentou seu Recurso Voluntário em 18 de maio de 2009, reiterando as razões constantes de sua impugnação, e manifestando seu inconformismo ao aduzir que a responsabilização pessoal dos Joaquim Juraci Braga e Sirlei Aparecida de Souza Braga é impossível, já que eram somente antecessores do recorrente, motivo pelo qual não há de se falar em responsabilidade pessoal. Discorre sobre a atribuição da sujeição passiva e da dificuldade em se especificar qual seria o sujeito passivo no caso concreto, citando vasta e abalizada doutrina, buscando comprovar o equívoco do fisco em imputar responsabilidade pessoal Diz ainda ser necessário a revogação da multa de 150 %, que possui caráter confiscatório, sendo no caso apresentado, necessário a aplicação do princípio da razoabilidade. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O Recurso apresentado pela empresa E Nunes de Souza é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração lavrado para exigir IRPJ, a contribuição ao PIS, COFINS e à CSLL, para o período correspondente ao 1º Trimestre de 2003 ao 3º Trimestre de 2005, pela omissão de rendimentos constantes nos Livros de Registro de Saídas e Apuração do ICMS em confronto com a DIPJ e DCTF enviadas pela recorrente à autoridades fiscais competentes. Verificada a divergência, foi solicitada sua devida explicação, porém, não foi(documento assinado digitalmente) atendida. Ainda, durante a fiscalização ficou verificada a interposição de pessoas e lavrados Termos de Representação Fiscal aos Srs. Juraci Joaquim Braga e Sirlei Aparecida de Souza Braga , e à empresa Máquina de Café Patrocínio Ltda, sua sucessora. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10935.007945/200740 Acórdão n.º 120200.594 S1C2T2 Fl. 521 13 Importante ressaltar que a recorrente não comprova a origem das divergências encontradas ou mesmo contesta os cálculos desenvolvidos pela autoridade lançadora propriamente ditos. Desse modo, considerase definitiva, na esfera administrativa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Primeiramente, a recorrente requer que sejam descaracterizadas a atribuição de sujeição passiva e a de responsabilizada tributária, entende que a responsabilidade é da empresa e, não, de terceiros estranhos ao contrato social. A Decisão da DRJ não merece reparos ao manter as responsabilidade dos Srs. Juraci Joaquim Braga, CPF de nº 279.356.04991, e Sirlei Aparecida de Souza Braga, CPF de nº 648.45189991, por serem proprietários de fato e procuradores da empresa, nos termos do art. 135 do CTN (fls. 383 e 440/441), e da empresa Máquina de Café Patrocínio Ltda, por ser sucessora da E. Nunes de Souza, nos termos dos artigos 132 e 133 do CTN (fls. 384 e 442). Como vimos do excerto do Termo de Constatação, a empresa autuada E. Nunes de Souza deixou de registrar receitas a partir do 4° Trimestre de 2005 (fl. 459), quando a Máquina de Café Patrocínio Ltda. ´passou a declarar suas receitas; as contas bancárias de titularidade da E Nunes de Souza foi movimentada até setembro de 2005; a E. Nunes de Souza ficou com as atividade encerradas, mas com CNPJ ativo no cadastro da Secretaria da Receita Federal (fl 464) sendo dado a baixa somente em 31 de dezembro de 2006. Em relação à empresa Máquina de Café Patrocínio Ltda, esses são atos que comprovam a sucessão nos termos dos normativos retromencionados, houve continuação da exploração da atividade da E Nunes de Souza por parte da Máquina Café Patrocínio no mesmo local. Quanto às pessoas físicas responsabilizadas, como bem demonstrou a DRJ, no quadro abaixo que copio, há relação entre os responsabilizados e a empresa sob fiscalização: Fls Empresa Responsável no Contrato Social Nome Fantasia Data da abertura Atividade até 148/150 Juraci Joaquim Braga Juraci oaquim Braga e esposa Cer Sta Branca 8/11/1987 Maio/1998 151/154/494 J.J. Braga & Cia. Juraci Juraci Joaquim Braga Cer Sta Branca 11/11/1987 Maio/1998 155/159, 459, 464 . Nunes de Souza Souza Enedino Nunes de Souza Cer Sta Branca 8/4/1999 3° trim 2005, mas apresentou decl zeradas até 2006; baixada junto Faz. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10935.007945/200740 Acórdão n.º 120200.594 S1C2T2 Fl. 522 14 Estadual em 2006 160/161, 459/460 Máq Café Patrocínio Ltda. Enedino Nunes e Souza e esposa Caf Sta Branca 18/7/2005 e declarou receitas a partir de set/2005 ativa Fato importante para salientar é que a empresa J. J. Braga & Cia. Juraci foram autuadas em relação ao anocalendário de 1995 Processo 10935000.876/9530, o qual já foi enviado à PFN em 9 de janeiro de 1996, portanto, já foi enviado e deve estar para cobrança da dívida. Para mais evidência dos fatos e comprovação da responsabilidade das pessoas físicas, as empresas estavam sempre localizadas no mesmo imóvel à Rua Marechal Floriano Peixoto s/n, que passou a ser designada de Rua José Visconcini, 403, posteriormente. O imóvel é de propriedade do Sr. Juraci Joaquim Braga, que recebia os aluguéis, consoante declarou em depoimento o Sr. Francisco Cândido de Souza, contador da empresa. Ademais, como disposto no depoimento do Sr. Enedino Nunes de Souza, quem demonstrou pouco saber sobre a história da empresa de sua propriedade, sua retirada é de R$600,00 mensais, mora em casa popular e seu único meio de transporte é uma bicicleta. Uma pessoa nessa situação não poderia ser proprietário de uma empresa do porte da recorrente. No Termo de Constatação também foi evidente que quando se perguntava entre pessoas residentes na cidade onde morava o proprietário da “Santa Branca”, sempre se indicava a casa do Sr. Juraci Joaquim Braga. Portanto, de fato, os Srs. Juraci Joaquim Braga e sua esposa não eram meros procuradores, mas, sim, proprietários de fato, e tiveram participação direta nas divergências encontradas para afastar do Fisco o conhecimento do fato gerador do tributo. Sr. Enedino Nunes de Souza, de acordo com os fatos narrados, claramente, não poderia ser responsável por atos de administração. Logo, por esses motivos, concordo com a decisão da DRJ em manter a responsabilização das pessoas físicas e jurídicas indicadas nos termos dos artigos 132, 133 e 135 do CTN. No que concerne à imposição da multa qualificada, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, vejo que foi perfeitamente aplicada ao caso em voga, haja vista a conduta dolosa ao omitir receitas durante períodos consecutivos, declarando sistematicamente montantes de receitas inferiores aos efetivamente realizados, divergências importantes entre os livros entregues à autoridade fiscal estadual e às declarações enviadas à Secretaria da Receita Federal. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 está assim redigido: Fl. 14DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10935.007945/200740 Acórdão n.º 120200.594 S1C2T2 Fl. 523 15 “Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Omissis) II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis” A infração submetida à hipótese da multa do inciso II do artigo 44 é a ação ou omissão com intenção de retardar ou impedir o pagamento do tributo, cujo fato gerador tenha ocorrido. Alberto Xavier traduz com clareza, apoiado em Rubens Gomes de Sousa, a noção deste instituto: “Não cabe dúvida que a definição se inspirou nas lições de Rubens Gomes de Sousa, quando ensinava no seu ‘Compêndio de Legislação Tributária’ que a fraude fiscal – uma das infrações tributárias simples, por oposição aos crimes e contravenção em matéria tributária – podia ser definida como toda ação ou omissão destinada a evitar ou retardar o pagamento de um tributo devido, ou a pagar tributo menor que o devido. Em face desta noção desenhavase bem simples a distinção entre a fraude fiscal e a evasão de imposto. Ambas seriam ações ou omissões destinadas a evitar, retardar ou reduzir o pagamento de um tributo, mas enquanto a fraude fiscal pressupõe a ocorrência do fato gerador, isto é, uma obrigação tributária já existente, constituindo uma infração, a evasão colocase em momento anterior ao da ocorrência do fato gerador, antes pois do nascimento da obrigação do imposto, pelo que não caberia no caso falarse em ato ilícito.” O artigo 72 da Lei nº 4.502/64 traz a definição de fraude citada no art. 44 da Lei nº 9.430/96: “Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Ao definir que fraude é a ação ou omissão dolosa para impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do tributo, o legislador entendeu que tal procedimento seria motivado por artifício engendrado para impossibilitar a exteriorização completa de um fato que efetivamente aconteceu ou vai acontecer na hipótese de incidência tributária. Novamente Alberto Xavier, com apoio em Galvão Teles, define assim o conceito do dolo no campo tributário: “Ensina Galvão Teles – com a clareza que é de seu timbre – que dolo, na acepção com que lhe dá a linguagem dos juristas, é a intenção de provocar um evento ou resultado contrário ao Direito. O agente prevê e quer o resultado ilícito; este representase no espírito do sujeito que o elege como fim, e para Fl. 15DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO Processo nº 10935.007945/200740 Acórdão n.º 120200.594 S1C2T2 Fl. 524 16 ele dirige a sua vontade através de uma conduta ativa ou passiva’ (Dos Contratos em Geral, 2a ed., 1962, pág. 45). Não pode falarse em fraude à lei sem que exista dolo e não pode falarse em dolo onde não ocorra uma especial direção subjetiva da consciência e vontade do agente que possa caracterizarse como ‘intenção fraudulenta.” As irregularidades apuradas durante o processo de fiscalização apontam a interposição de pessoas e sucessão de responsabilidades o que resulta na imposição da multa qualificada, por ter a empresa omitido receitas que reduziram durante períodos consecutivos a receita sujeita ao IRPJ e seus reflexos. Assim, fica denotada a intenção de reduzir o pagamento do tributo por artifício doloso, sendo aplicável a multa qualificada de 150%. Quanto à alegação do caráter confiscatório da multa e ao não atendimento do Princípio do Nãoconfisco, esse colegiado não é competente para analisálas nos termos da Súmula do CARFnº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A garantia de instância prevista no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72 foi dispensada pelo Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 9/07(editado em conseqüência da declaração de inconstitucionalidade dessa exigência). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e atribuir de responsabilidade tributária a Juraci Joaquim Braga CPF 279.356.049 91, Sirlei Aparecida de Souza Braga CPFnº 648.453.89991 e Máquina de Café Patrocínio Ltda CNPJ 07.500.178/000140. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta – Relatora Fl. 16DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMO RE HO
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