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Numero do processo: 15983.000839/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-Calendário: 2002.
MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
0 litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, deve-se trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF n°1
(DOU de 22/12/2009), verbis: "Importa renúncia as instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.272
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos o voto da Relatora. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que cassava a decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasugi
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MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. 0 litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, deve-se trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF n°1 (DOU de 22/12/2009), verbis: "Importa renúncia its inskincias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos o tes autos. Acordam os Membro{ do Colegia o, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos o voto d Relat ra. Vencida a Conselheira Niibia Matos Moura que cassava a decisão rec rida, por ce eam to do direito de defesa. Giova sidente EDITADO EM: 28/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Eivanice Canário da Silva, Nilbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Em face do contribuinte ABIB ISSA SABBAG, CPF/MF n° 017.769.918-34 , já qualificado neste processo, foi lavrado, em 03/07/2007, auto de infração (fls. 01 a 13), a partir da revisão de sua declaração de ajuste anual, referente ao ano-calendário 2002, com o lançamento do imposto de renda, multa de oficio e de juros de mora, totalizando um crédito tributário de R$ 320.354,45. Conforme descrição dos fatos, o contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste rendimentos decorrentes de aposentadoria de anistia, como isentos. Tal irregularidade decorre da falta de apresentação pelo contribuinte, conforme bem relatado pela DRJ, da Portaria do Ministro de Estado da Justiça, a qual conferiria o direito de reparação econômica de caráter indenizatório do regime de anistiado politico, segundo art. 3°, da Lei 10.559, de 13/11/2002. 0 crédito tributário foi lançado com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar, da 8 Vara Cível da Justiça Federal do Distrito Federal, razão pela qual também não foi aplicada a multa de oficio de 75%, em processo tombado sob o n° 2002.34.00.013434-7. A 3 a Turma da DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou por não conhecer da impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 17-31.696, 06 de maio de 2009 (fls. 67 a 63), que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-Calendário: 2002 Ementa: PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITAWCIA. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instcincias administrativas. Impugnação não Conhecida 0 contribuinte foi intimado da decisão a quo em 01/06/2009, cujo qual interpôs recurso voluntário em 03/06/2009, no qual assim assevera: 3. Pelo que se percebe, a r. decisão da Primeira Instância Administrativa não levou em consideração, nas razaes de decidir, a eficácia dos princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, verdade real, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica, interesse público e justiça tributária, ao fundamentar seu decisum, nos seguintes pontos: "No caso em questão o interessado impetrou o Mandado de Segurança n° 2002.34.00.013434-7, com pedido de liminar, pleiteando provimento jurisdicional no sentido de ser declarada a ilegalidade da tributação dos proventos de caráter indenizatórios relativo à anistia política Processo if 15983.000839/2007-83 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.272 FL 90 "0 objeto da demanda judicial, portanto, é o nesmo tratado neste processo administrativo. Tal fato demonstra que o contribuinte fez clara opção pela via judicial em detrimento da via administrativa, uma vez viger no Brasil o principio da Unidade de Jurisdição ou Sistema de Jurisdição Única, segundo o qual a função jurisdicional é monopólio do Poder Judiciário. (..) 5. DO PROCESSO JUDICIAL — Mesmo com advento da Lei 10.559, de 13 de novembro de 2002, o pagamento da aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados politicos continuou sendo efetuado pelo INSS. 0 artigo 90 da referida Lei estatuiu que "os valores mencionados não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, as caixas de assistência ou fundos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias." E, ainda, segundo seu parágrafo único, tais valores, pagos a titulo de indenização a anistiados politicos, são ISENTOS DE IMPOSTO DE RENDA. 6. Ocorre que o artigo 19 da referida lei enseja a interpretações a cerca da anistia política concedida anteriormente à Constituição da República, se seria beneficiada pela isenção, caso da requerente. Entretanto a matéria foi esclarecida pelo Decreto 4.987, de 25 de novembro de 2003, editado pelo Presidente da República, para regulamentar o referido artigo 19, da Lei 10.559/02, expressamente incluiu as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer nature:a pagos aos já anistiados politicos (§ 10, do artigo 1°, do Decreto 4987/03). 7. Com efeito, mesmo alcançando os pagamentos de aposentadoria e de pensões de anistiados politicos que trata o artigo 19, da Lei 10.559/02, o INSS não reconhecia a isenção do Imposto de Renda em relação aos beneficios na forma prevista no artigo 90, parágrafo único da Lei 10.559/02, isto porque, era o responsável tributário pelas retenções do IRRF e pelas informações fiscais perante a Receita Federal. 8. Nesse diapasão, o recorrente, para se valer do direito, e para que a Autarquia viesse a obedecer ao principio da legalidade e segurança jurídica (art. 37, caput, da CF), conforme disposto na Constituição e na Lei, impetrou Mandado de Segurança, contra o INSS e o Gerente Executivo da Autarquia, autoridade responsável pela retenção do indigitado tributo, objetivando a declaração de inexigibilidade do Imposto Sobre a Renda, sobre a indenização recebida a titulo de aposentadoria excepcional de anistiado. Observa-se no processo judicial que mesmo diante dos apelos do INSS/Gerente Executivo da Autarquia, que arguiram ilegitimidade passiva, ambos foram mantidos no pólo passivo da ação, uma vez que era o responsável pela retencdo. A Unido (Fazenda Nacional) foi posteriormente incluída na ação. Portanto, o que objetiva a recorrente na ação judicial é a declaração da inexigibilidade do Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre os beneficios pagos pelo INSS, auferidos a titulo de aposentadoria excepcional de anistiado politico. (..) o relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakaugi, Relatora Declara-se a tempestividade do apelo, já que interposto dentro do trintidio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciá-lo. Informa o recorrente que a controvérsia deduzida nestes autos se encontra sob apreciação do judiciário, no bojo do mandado de segurança 2002.34.00.013434-7, sem solução definitiva na instância judicial. Vê-se que a pretensão aqui deduzida pela recorrente não pode ser julgada nesta instancia administrativa, pois somente cabe a Administração se submeter ao decidido pelo Poder Judiciário, no bojo da Ação ordinária citada. Considerando a unicidade de jurisdição que tem vigência no Brasil, com supremacia do direito dito pelo Poder Judiciário, somente cabe a esta Segunda Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF reconhecer a concomitância das instâncias, e, em analogia com o determinado pelo parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/80, declarar, neste ponto, que a recorrente desistiu tacitamente do recurso interposto na esfera administrativa. É de se evidenciar que recentemente o Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/80, ou seja, a propositura de demanda com o mesmo objeto da lide administrativa implica em renúncia a esta última instancia. Assim, nessa questão, veja-se a transcrição do informativo STF n° 476, de 22 agosto de 2007, verbis: Em conclusão de julgamento, o Tribunal, por maioria, negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei 6.830/80 ("Art 38. A discussão judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da divida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A pro positura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto."). Tratava-se, na espécie, de recurso interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que negara provimento à apelação da recorrente e confirmara sentença que indeferira mandado de segurança preventivo por ela impetrado, sob o fundamento de impossibilidade da utilização simultânea das vias administrativa e judicial para discussão da mesma matéria — v. Inform ativos 349 e 387. Entendeu-se que o art. 38, da Lei 6.830/80 apenas veio a conferir mera alternativa de escolha de uma das vias processuais. Nesta assentada, o Min. Sepulveda Pertence, em voto-vista, acompanhou a divergência, no sentido de negar provimento ao recurso. Asseverou que a presunção de renúncia ao poder de recorrer ou de desistência do recurso na esfera administrativa não implica afronta à garantia constitucional da jurisdição, uma vez que o efeito coercivo que o dispositivo questionado possa conter apenas se efetiva se e quando o contribuinte previa o acolhimento de sua pretensão na esfera administrativa. Assim, somente haverá receio de provocar o Judiciário e ter extinto o processo administrativo, se este se mostrar mais eficiente que aquele. Neste caso, se houver uma solução administrativa imprevista ou contrária a seus interesses, ainda ai estará resguardado o direito de provocar o Judiciário. Por outro lado, na situação inversa, se o contribuinte não esperar resultado positivo do processo administrativo, não hesitará em provocar o Judiciário tão logo possa, e já não se interessará mais pelo que se vier a decidir na esfera administrativa, salvo no caso de eventual sucumbência jurisdicional. Afastou, também, a alegada ofensa ao direito de petição, uma vez que este já teria sido exercido pelo contribuinte, tanto que haveria um processo administrativo em curso. Concluiu que o dispositivo atacado encerra preceito de economia processual que rege Processo re' 15983.000839/2007-83 S2-CIT2 Acórdao n.°2102-01.272 FL 91 tanto o processo judicial quanto o administrativo. Por Jim, registrou que já se admitia, no campo do processo civil, que a prática de atos incompatíveis com a vontade de recorrer implica renúncia a esse direito de recorrer ou prejuízo do recurso interposto, a teor do que dispõe o art. 503, caput, e parágrafo único, do CPC, nunca tendo se levantado qualquer dúvida acerca da constitucionalidade dessas normas. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, relator, e Carlos Britto que davam provimento ao recurso para declarar a inconstitucionalidade do dispositivo ern análise, por vislumbrarem ofensa ao direito de livre acesso ao Judiciário e ao direito de petição. RE 233582/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, rel. p/ o acórdão Min. Joaquim Barbosa, 16.8.2007. (RE-233582)— grifou-se - Por fim, no caso ora em debate, também incide a inteligência da Súmula CARF N° 1: "Importa renúncia as instancias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", e, com espeque no art. 72, capuz' e § 40, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda', aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares, dos Conselhos de Contribuintes e do CARF, são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. ANTE 0 EXPO,$TO, voto no sentido de reconhecer que o objeto do presente feito administrativo td—sen o a . scutido na via judicial, o que implica em NEGAR PROVIMENTO AO 111 CURSO ri Wakaugi I Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em sumula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° a §3° Omissis. § 40 As sumulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF.
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Numero do processo: 13804.001607/2001-92
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 05 anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se pronuncie, considerar-se-á homologada a compensação declarada pelo sujeito passivo e extinto o crédito tributário nela declarado.
COMPROVAÇÃO
Uma vez comprovado os valores devem ser homologadas as compensações.
Numero da decisão: 1103-000.417
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária do primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o saldo credor requerido de CSLL no ano de 1996, bem como o IRRF no valor de R$ 16.755,69.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 05 anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se pronuncie, considerar-se-á homologada a compensação declarada pelo sujeito passivo e extinto o crédito tributário nela declarado. COMPROVAÇÃO Uma vez comprovado os valores devem ser homologadas as compensações.
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O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 05 anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se pronuncie, considerarseá homologada a compensação declarada pelo sujeito passivo e extinto o crédito tributário nela declarado. COMPROVAÇÃO Uma vez comprovado os valores devem ser homologadas as compensações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária do primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o saldo credor requerido de CSLL no ano de 1996, bem como o IRRF no valor de R$ 16.755,69. HUGO CORREA SOTERO Presidente em exercício Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Marcos Shigeo Takata, Gervásio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva, José Sérgio Gomes (substituto convocado). Ausente, justificadamente, o conselheiro Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratasse de recurso voluntário a respeito da decisão da DRJ que indeferiu a manifestação de inconformidade. Trata o processo de pedidos de restituição de saldo negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2000, cumulados com pedidos de compensação com débitos próprios, constantes destes autos e dos Processos nos 13804.001871/200126, 13804.002230/200199 e 13804.001000/200293, anexados ao presente. Por meio do referido Despacho Decisório (fls. 193 a 200), a DIORT deferiu parcialmente os pedidos de restituição e, em conseqüência, homologou as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido, em face da comprovação parcial da CSLL mensal calculada por estimativa e da CSLL retida na fonte por órgão público. Cientificada em 28/12/2006 (fl. 477, verso), a interessada, representada por procurador (fls. 495 a 514), apresentou, em 26/01/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 482 a 494. A interessada alega que, por não ter sido localizado no sistema IRPJ/CONS o saldo credor da CSLL de 1996, que teria sido compensado pela empresa com as estimativas devidas em setembro, novembro e dezembro de 2000, a Receita Federal utilizou parte do saldo credor de 2000 em compensação de ofício com a CSLL por estimativa apurada naqueles meses. No rodapé da fl. 1 das razões de defesa (fls. 483), menciona que “a suposta inexistência do saldo credor da CSLL no anocalendário de 1996 é objeto da manifestação de inconformidade protocolada, em 22.12.2006, nos processos ns. 13804.000124/0171, 13804.000409/0110, 13804.000618/0155 e 13804.000868/0195”. Entende que seria equivocado e ilegal o procedimento adotado pela Receita Federal, uma vez decaído o direito à constituição dos créditos compensados de ofício, nos termos do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Caso se admita que a entrega da DIPJ seria suficiente para a constituição definitiva dos pretensos créditos de CSLL por estimativa, argumenta que também teria sido ultrapassado o prazo prescricional estabelecido no artigo 174 do CTN, impedindo a compensação de ofício prevista no artigo 163 do CTN e no artigo 35 da Lei n° 9.430/1996. Afirma que teria ocorrido a homologação tácita da compensação dos débitos de CSLL estimativa relativos ao anocalendário de 2000 com saldos credores da CSLL do ano base de 1996, não podendo, dessa forma, ser desconsiderada tal compensação. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 13804.001607/200192 Acórdão n.º 110300.417 S1C1T3 Fl. 2 3 Observa que também teriam sido homologadas tacitamente as compensações cujos pedidos foram apresentados até setembro de 2001, visto que a empresa foi intimada da decisão de homologação parcial da compensação em dezembro de 2006. Quanto à diferença da CSLL retida na fonte por órgãos públicos, de R$ 44.126,49, a interessada alega que está procedendo ao levantamento das notas fiscais dos serviços prestados aos órgãos públicos retentores, que deverão ser analisadas em conjunto com os extratos bancários demonstrativos dos depósitos relativos ao pagamento por tais serviços, documentos esses a serem oportunamente apresentados. Aponta a existência de erros no extrato de cobrança gerado após o Despacho Decisório, conforme item “26” da manifestação de inconformidade (fls. 492 e 493). Por fim, requer sejam deferidos os pedidos de restituição e compensação constantes destes autos, sejalhe resguardado o direito à posterior apresentação de provas documentais, bem como sejam respeitados os ditames legais quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A DRJ decidiu (ementa): “COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DA MESMA ESPÉCIE. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE. Até o advento da declaração de compensação, não há que se cogitar de prazo para homologação de compensações de créditos do sujeito passivo com débitos da mesma espécie. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. INOCORRÊNCIA. Na hipótese de apuração anual da CSLL, o contribuinte poderá deduzir da contribuição devida os valores pagos por estimativa ou retidos na fonte por órgãos públicos no curso do anocalendário, podendo o eventual saldo negativo resultante dessa soma algébrica ser restituído ou compensado com débitos de períodos subseqüentes. Não comprovada a efetividade de parte dos valores deduzidos pelo contribuinte, a autoridade administrativa apurou um saldo negativo menor que o informado na DIPJ, não tendo realizado qualquer compensação de ofício do saldo negativo com estimativas devidas no curso do anocalendário. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Corrigido o lapso na execução do julgado, consistente na inobservância da ordem cronológica dos pedidos de compensação, deverá remanescer não compensado débito não atingido pelo decurso do prazo para homologação da compensação.” Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 4 Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Primeiramente, esclareço que de fato os créditos dos Processos nos 13804.001607/200192, 13804.001871/200126, 13804.002230/200199 estão homologados tacitamente, como inclusive reconhecera a DRJ, pois, seus pedidos são de julho a setembro de 2001, e a intimação de homologação só foi em dezembro de 2006. A DRJ, apesar de reconhecer, este fato, informou que as compensações foram efetuadas fora de ordem assim, os débitos do 13804.001000/200293 (não homologado tacitamente), foram compensados antes do 13804.002230/200199, que assim, ainda esta em aberto. Assim, a DRF de origem deve providenciar o acerto, compensando primeiro o 13804.002230/200199, e por último o 13804.001000/200293. Quanto ao mérito, informo que os valores glosados concernente a inexistência de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 1996, já tinha mais de cinco anos quando foi glosado. Quanto a CSLL retida por órgãos públicos o doc 14 fl. 617 comprova exatamente ao contrário do alega a recorrente, haja vista que o Ministério da saúde afirma que não encontrara no SIAFI retenções para o CNPJ da recorrente. Já o doc 15 a Secretaria de Educação realmente comprova que houve retenções para a recorrente em valores que suportam os valores apontados pela recorrente de R$ 16.753,69. (fl. 544). Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o saldo de CSLL de 1996 glosado pela DRF e reconhecer o Imposto retido na Fonte R$ 16.753,69. Ficando, ainda a cargo da DRF o acerto relativo à compensação no processo n.º3804.002230/200199 que deve ser efetuada antes do processo 13804.001000/200293. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 13804.001607/200192 Acórdão n.º 110300.417 S1C1T3 Fl. 3 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 35398.000168/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2001 a 30/09/2004
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO. CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN.
O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose
o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início
a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de
resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-001.865
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal e
Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pelo provimento do recurso. Redator designado: Mauro José Silva.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN. O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pelo provimento do recurso. Redator designado: Mauro José Silva. MARCELO OLIVEIRA Fl. 125DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35398.000168/200768 Acórdão n.º 230101.865 S2C3T1 Fl. 126 2 Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Mauro José Silva Redator Designado Participaram do presente julgamento MARCELO OLIVEIRA (Presidente), EDGAR SILVA VIDAL, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35398.000168/200768 Acórdão n.º 230101.865 S2C3T1 Fl. 127 3 Relatório Tratase de Requerimento de Restituição de Valores Indevidos – RRVI, protocolado em 26/02/2007, em decorrência da suspensão da execução da alínea “h”, do inciso I, do art. 12, da Lei 8.212/91 que determinava a incidência de contribuições previdenciárias sobre a remuneração dos exercentes de mandato eletivo. Em sua decisão, constante às fls. 50/52, a Unidade de Atendimento da Receita Previdenciária em Itápolis deferiu parcialmente o requerimento pleiteado afirmando ter sido atingida pela decadência parcela dos períodos compreendidos no pedido de restituição. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 94/97, alegando, em síntese: a) Não poder a lei nova, que reduziu o prazo previsto para a consumação da prescrição do direito de pleitear a restituição de valores indevidos, retroagir para atingir fatos geradores ocorridos anteriormente à edição da lei; b) Que tendo a nova lei reduzido o prazo para a contagem da prescrição, este somente deve começar a correr da data da edição da nova lei, exceto se a prescrição iniciada na vigência da lei antiga vier a se consumar em menor tempo, o que não é o caso dos autos; c) Não ter sido atingida pela prescrição nenhuma das competências compreendidas no presente Requerimento de Restituição de Valores Indevidos. Sem contra razões. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35398.000168/200768 Acórdão n.º 230101.865 S2C3T1 Fl. 128 4 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Primeiramente, imperioso fazer uma breve explanação acerca das modificações trazidas pela Lei Complementar nº 118/05. Pois bem. Até o advento da Lei Complementar nº 118/05, o art. 150, §4º c/c o art. 168, I, do Código Tributário Nacional, previa um prazo de cinco anos para a homologação do pagamento efetuado pelo contribuinte, iniciandose, a partir de então, um prazo prescricional de cinco anos para o contribuinte pleitear a restituição do valor pago indevidamente, resultando num prazo total de 10 anos (5 + 5), para o ajuizamento da ação judicial de repetição do indébito. Esse era a interpretação pacífica da jurisprudência sobre o tema. Ocorre que, com a edição da Lei Complementar nº 118/05, seu art. 3º veio alterar a regra até então vigente, prevendo que “para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei”. Vejase que a alteração foi substancial, uma vez que o art. 150, §4º do CTN, dispunha que o crédito tributário somente era extinto definitivamente com a homologação, expressa ou tácita, do pagamento antecipado. Com a nova sistemática, a extinção do crédito tributário se dá já no pagamento antecipado, de modo que o prazo para requerer a restituição do indébito passou a ser de 5 anos contados do pagamento antecipado. Assim, o art. 3º da Lei Complementar nº 118/05 promoveu uma verdadeira mudança no conteúdo do art. 150 do CTN, não podendo ser considerado norma meramente interpretativa, vedada a sua aplicação retroativa, podendo incidir tão somente sobre os pagamentos efetuados posteriormente ao seu advento. Com efeito, restou inaplicável a segunda parte do art. 4º da referida Lei Complementar1, que pretendia dar ao art. 3º conteúdo exclusivamente interpretativo e determinar a sua incidência retroativa (art. 106 do CTN), inclusive aos pagamentos já efetuados antes da sua edição. 1 Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. (grifase). Fl. 128DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35398.000168/200768 Acórdão n.º 230101.865 S2C3T1 Fl. 129 5 Por tal razão é que o Superior Tribunal de Justiça declarou, em incidente de inconstitucionalidade, a violação ao principio constitucional da autonomia e independência dos poderes (art. 2º da Carta Magna) e à garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (art. 5º, XXXVI), concluindo, por conseguinte que, “tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência” (AI nos Embargos de Divergência em REsp nº 644.736/PE). Deste modo, a aplicação da Lei Complementar nº 118/05 ficou limitada aos pagamentos efetuados após a sua vigência, o que se deu somente em 09.06.2005, por força do previsto no art. 4º da Lei. Embora não tenha aplicação retroativa, o art. 3º da Lei Complementar em referência teve aplicação imediata, de modo que os pagamentos efetuados antes da sua vigência tiveram uma redução no prazo para pleitear a repetição do indébito. Se faltava prazo inferior a 5 anos para se operar a prescrição, esse dispositivo legal não se aplicaria, já que o intuito da norma foi o de reduzir o prazo, e não de ampliálo (aplicação analógica do art. 2.028 do Código Civil). Por outro lado, se faltava mais de 5 anos para se encerrar o prazo prescricional, o art. 3º da LC nº 118/05 incidiria imediatamente para que a contagem do lapso temporal passasse a ser de 5 anos a partir de 09.06.2005, data de início da vigência da norma. Assim, ajuizada a ação até 08.06.2010, pode o contribuinte requerer a devolução dos valores pagos indevidamente desde 09.06.2000. No tocante aos pagamentos indevidos efetuados após 09.06.2005, não há dúvida quanto à aplicação do prazo prescricional de 5 anos, já que sujeitos às novas disposições introduzidas pelo art. 3º da LC nº 118/05, prazo este que não teria ainda se encerrado na data do ajuizamento deste pedido (26/02/2007). Sobre a correta aplicação dos prazos prescricionais para as ações de repetição do indébito, importa transcrever acórdão do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. ARTIGO 4º DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. DIREITO INTERTEMPORAL. AÇÃO AJUIZADA APÓS A VIGÊNCIA DA LC N. 118/2005. FATOS GERADORES ANTERIORES À LC 118/2005. APLICAÇÃO DA TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". 1. Até a entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/2005, o entendimento do STJ era no sentido de que se extinguiria o direito de pleitear a restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação somente após decorridos cinco anos, a partir do fato gerador, acrescidos de mais 5 anos, contados da homologação tácita (EREsp 435.835/SC, julgado em 24.3.04). 2. Esta Casa, por intermédio da sua Corte Especial, no julgamento da AI nos EREsp 644.736/PE, declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar n. 118/2005, que estabelece aplicação retroativa de seu art. 3º, por ofender os princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35398.000168/200768 Acórdão n.º 230101.865 S2C3T1 Fl. 130 6 3. De acordo com a regra de transição adotada pela Corte Especial no julgamento da AI no EREsp 644.736/PE, aplicarseá a tese dos "cinco mais cinco"aos créditos recolhidos indevidamente antes da LC 118/2005, limitado, porém, ao prazo máximo de 5 anos, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal. 4. É possível simplificar a aplicação da citada regra de direito intertemporal da seguinte forma: I) Para os recolhimentos efetuados até 8/6/2000 (cinco anos antes do inicio da vigência LC 118/2005) aplicase a regra dos "cinco mais cinco"; II) Para os recolhimentos efetuados entre 9/6/2000 a 8/6/2005 a prescrição ocorrerá em 8/6/2010 (cinco anos a contar da vigência da LC 118/2005); e III) Para os recolhimentos efetuados a partir de 9/6/2005 (início de vigência da LC 118/2005) aplicase a prescrição quinquenal contada da data do pagamento. Concluise, ainda, de forma pragmática, que para todas as ações protocolizadas até 8/6/2010 (cinco anos da vigência da LC 118/05) é de ser afastada a prescrição de indébitos efetuados nos 10 anos anteriores ao seu ajuizamento, nos casos de homologação tácita. 5. In casu, a ação ordinária foi ajuizada em 12/1/2006 com o objetivo de restituir recolhimentos indevidos entre as competências de 2/1999 a 11/2002, ou seja, proposta dentro do quinquênio inicial de vigência da LC 118/2005, devese afastar a prescrição dos recolhimentos indevidos efetuados em até dez anos do ajuizamento da ação. 6. Recurso especial provido, para afastar a prescrição dos recolhimentos indevidos efetuados em até dez anos pretéritos do ajuizamento da ação. (Resp. 1.086.871/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJE 02.04.2009). (grifo nosso). Sobre o caso em análise, o Pedido de Restituição foi devidamente protocolizado em 26.02.07 e referese ao período de 01/2001 a 09/2004, assim, quando da edição Lei Complementar nº 118/05, tendo em vista que restavam 6 anos para o encerramento do prazo prescricional, aplicase imediatamente o disposto no art. 3º da referida Lei, para que o lapso temporal para consumação da prescrição passe a ser de 5 anos contados a partir de 09.06.2005. Desta feita, temse que o período de 01/2001 a 01/2002, desconsiderado pela fiscalização, não foi atingido pelo instituto da prescrição, razão pela qual deve ser restituído em sua totalidade ao ora Recorrente. Quanto à constatação de pedido de parcelamento de débitos efetuado pela Prefeitura Municipal da Borborema compreendendo as competências de 01/2001 a 04/2001, período que coincide com parcela dos exercícios em que pleiteou a restituição o então Recorrente, não há que se falar em operação concomitante, ou tampouco na impossibilidade de deferimento do pedido efetuado pelo contribuinte. Isto porque a obrigação de repassar ao INSS os valores retidos referentes às contribuições do segurado empregado é da empresa, não podendo o primeiro se responsabilizar pela ausência do repasse das quantias efetivamente descontadas de sua remuneração mensal. Com intuito de ratificarse o entendimento ora externado, impende atentarse para o disposto no art. 30, inc. I, alínea “a”, da Lei 8.212/91: Fl. 130DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35398.000168/200768 Acórdão n.º 230101.865 S2C3T1 Fl. 131 7 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Uma vez que, por determinação da alínea “h”, do inciso I, do art. 12 da Lei 8.212/91, o exercente de mandato eletivo era enquadrado na categoria dos segurados empregados, cabia a ele contribuir para o financiamento da Seguridade Social, sendo, contudo, a obrigação de repassar os valores descontados de seu salário imputada à empresa que lhe contratou. Acrescentese, ainda, que para fins de recolhimento de contribuições previdenciárias os órgãos da administração pública tanto direta, quanto indireta são enquadrados na categoria de empresa, cabendo a eles reter e repassar os valores concernentes às contribuições de seus segurados empregados. Particularizandose a previsão normativa referida ao caso concreto dos autos, uma vez que o contribuinte exercente do cargo de vereador recebeu sua remuneração mensal com os devidos descontos efetuados no próprio recibo de pagamento de salários, cumpriu ele com sua obrigação contributiva podendo requerer a Receita Federal a restituição dos valores pagos de forma indevida. Sendo assim, ainda que tenha sido constatada a existência de débitos da Prefeitura Municipal da Borborema em parte do período cuja restituição fora pleiteada pelo ora Recorrente, não se pode indeferir o RRVI interposto, haja vista o contribuinte ter arcado com o ônus do desconto salarial concernente às contribuições previdenciárias, não podendo ele responsabilizarse pela ausência de repasse dos valores retidos pela Prefeitura. A jurisprudência do STJ coadunase com o entendimento ora exposto de que, para fins de pedido de restituição de valores pagos de forma indevida, basta ao contribuinte a comprovação da retenção, sendolhe dispensada a produção de provas do efetivo repasse das quantias retidas, consoante se pode observar: TRIBUTARIO. ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA. RETENÇÃO NA FONTE. PROVA PARA OS EFEITOS DA REPETIÇÃO DO INDEBITO. O CONTRIBUINTE QUE SOFRE, NA FONTE, RETENÇÃO INDEVIDA DO ADICIONAL DE IMPOSTO DE RENDA NÃO PRECISA COMPROVAR QUE O RESPONSAVEL TRIBUTARIO RECOLHEU O RESPECTIVO MONTANTE AO ERARIO; SO LHE PODE SER EXIGIDA A PROVA DA RETENÇÃO, QUE NÃO CARECE DE FORMA ESPECIAL E E FORNECIDA PELO PROPRIO RESPONSAVEL TRIBUTARIO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. (REsp 91669 / SP, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, 2ª TURMA, julgado em 24/03/1998, DJ 06/04/1998 p. 78) Não obstante a jurisprudência acima colacionada tratar da restituição de tributo diverso das contribuições previdenciárias, o entendimento nela adotado deve ser também utilizado em matéria de restituição de contribuições, não podendo imporse ao contribuinte a responsabilização por obrigação que o próprio legislador atribuiu como sendo da Fl. 131DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35398.000168/200768 Acórdão n.º 230101.865 S2C3T1 Fl. 132 8 empresa. Tampouco poderseia indeferir o requerimento do ora Recorrente sob a alegação de que os valores por ele pleiteados não foram efetivamente repassados ao INSS. Do exposto, concluise que, não tendo sido as competências abrangidas no presente pedido de restituição atingidas pela prescrição, bem como tendo o contribuinte comprovado a retenção dos valores que então pleiteia, ainda que não tenham sido repassados de forma devida, devese conceder integral provimento ao recurso do contribuinte para deferir totalmente o Requerimento de Restituição de Valores Indevidos. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 11 de março de 2011 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 132DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35398.000168/200768 Acórdão n.º 230101.865 S2C3T1 Fl. 133 9 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Decadência do direito de pleitear a restituição ou a compensação. A decadência do direito de pleitear a restituição ou a compensação de tributos, assim como no caso da decadência do direito do fisco efetuar o lançamento, suscita o esclarecimento de dois de seus aspectos: o prazo e o dies a quo. O prazo, a despeito do texto do art. 168 do CTN que estabelece ser este de cinco anos, foi tomado pelo STJ como totalizando dez anos, em vista da aplicação da chamada tese de “cinco mais cinco”. No entanto, nesse Colegiado Administrativo a tese do STJ jamais teve guarida, prevalecendo o prazo de cinco anos, com a qual nos alinhamos, como a interpretação mais de acordo com o conteúdo do art. 168 do CTN. Afastada a referida tese do STJ, tornase impertinente qualquer consideração sobre a aplicabilidade ao caso da LC 118/05. Nesse sentido, transcrevemos e adotamos o voto do Conselheiro José Raimundo Tosta Santos no Acórdão 10247.131: “DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — PDV — TERMO INICIAL — O instituto da decadência decorre da inércia do titular de um direito em exercêlo. Devese, portanto, tomar a data da publicação da norma que veiculou ser indevida a exação como o dies a quo para a contagem do prazo decadencial. (...) O instituto da decadência decorre da inércia do titular de um direito em exercêlo, e encontra regência, no campo tributário, no próprio Código Tributário Nacional, razão pela qual tenho por inaplicável, ao presente caso, as disposições do Código Civil. A Decadência é fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu não exercício durante um certo lapso de tempo, diferentemente da prescrição que atinge a ação que o protege. Ao efetuar retenções na fonte e incluir as parcelas do PDV na base de cálculo anual do tributo, tanto a fonte pagadora quanto o sujeito passivo agiram sob a presunção de ser legítima a exação. Mais: seguiram orientação expressa da administração tributária, sob pena, inclusive, de serem autuados. Entretanto, reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça e, posteriormente, por ato da administração pública, atribuindo efeito erga omnes, que as parcelas recebidas como incentivo ao desligamento voluntário estão fora do campo de incidência do imposto de Fl. 133DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35398.000168/200768 Acórdão n.º 230101.865 S2C3T1 Fl. 134 10 renda, surge para o contribuinte o direito ao não recolhimento do tributo, como também a repetição aos valores recolhidos indevidamente. No meu sentir, desta forma se homenageiam princípios basilares do direito como o da moralidade, isonomia, boa fé, lealdade, vedação do enriquecimento sem causa e o da segurança jurídica. Do contrário, estarseia disseminando a desconfiança na lei e no Órgão tributário que orientou o contribuinte e a fonte pagadora ao cumprimento de obrigação tributária inexistente. Nos casos em que os pagamentos indevidos decorrem de situações em que o contribuinte não deu causa (inconstitucionalidade, não incidência tributária), muito melhor e saudável para o sistema é a certeza de que a legalidade será restaurada. E não poderia ser de outra forma. O lançamento é ato administrativo vinculado à lei. Nesta, encontramse todos os elementos que compõem a obrigação tributária. O controle da legalidade, a ser efetuado pela própria administração ou pelo poder judiciário, é imperativo de ordem pública. Constatada a ilegalidade da cobrança do tributo, a administração tem o poder/dever de anular o lançamento e restituir o pagamento indevido. O valor maior sobre o qual se sustenta o Estado e a arrecadação, como subproduto, é o valor legalidade, não podendo dele haver renúncia, em nenhum momento, sem que se comprometa a legitimidade de ação do Estado. A legalidade, ontologicamente, é objeto e causa do Estado de Direito.” Citado pelo relator do voto acima transcrito, temos o Acórdão n°.: 108 05.791 que muito bem expressa a posição que adotamos: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO — CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA — INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindose o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter início com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela Fl. 134DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 35398.000168/200768 Acórdão n.º 230101.865 S2C3T1 Fl. 135 11 edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributária anteriormente exigida. Dessa forma, in casu, o dies a quo da decadência do direito de pleitear a restituição deve ser tomado como a data do pagamento indevido. In casu, todos os períodos objeto do recurso voluntário foram atingidos pela decadência. Ante o exposto, conheço do recurso, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 135DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 08/07/2011 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10280.900198/2006-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/07/1999, 15/12/1999
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3803-001.604
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Andréa Medrado Darzé, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Amazônia Celular S/A declarou a compensação de direito creditório advindo de pagamentos indevidos, efetuados em 10/05/1999, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com débito de COFINS, código 2172, Período de Apuração maio de 2003, no valor de R$ 3.608,15. A DRF de jurisdição não reconheceu o direito creditório e, via de consequência, não homologou a compensação declarada. O PARECER SEORT/DRF/BEL N° 057/2008, fls. 19 a 21, sobre o qual se amparou o Despacho Decisório, deu conta de que contribuinte recolheu a título de COFINS (código 2172) correspondente ao Período de Apuração Setembro/1999 o valor de R$ 47.169,80; que confrontado o montante total recolhido com o valor apurado e declarado em DCTF e DTP] Fl. 178DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN 2 correspondente ao período em questão, chegouse ao montante de R$ 678,29, pleiteado como crédito pelo contribuinte; que o Faturamento/Receita Bruta registrado na contabilidade, cf. Balancete de fls. 10 e 11, e o valor utilizado efetivamente como Base de Cálculo da COFINS e demonstrado na apuração do citado tributo na ficha 33A da DIP3/2000 (fls. 08 e 09) apresentam discrepâncias injustificadas, não permitindo análise conclusiva sobre o valor correto de COFINS a pagar. Sobreveio reclamação, julgada improcedente pela DRJ/BEL3ª Turma. O Acórdão nº 0112.305, de 21 de outubro de 2008, fls. 77 a 88, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. FALTA DE ESCRITURAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO DE DECISÃO DENEGATÓRIA. A análise de questão prévia, relacionada à falta de escrituração e da respectiva documentação, impede o trabalho da autoridade fiscal no sentido de investigar a veracidade das informações registradas na DCTF, constituindo esta circunstância a motivação da decisão denegatória. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA. A falta de indicação de dispositivos normativos no despacho decisório não induz, de si mesma, a qualquer nulidade, na medida em que o contribuinte se defende de fatos e não de normas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. PROFUNDIDADE DO EXAME. No pedido de restituição, o direito respectivo deve ser analisado em toda sua completude, inexistindo legislação que vede a ampla apuração do direito creditório do contribuinte por parte do fisco, que poderá investigar de forma abrangente a existência ou não do crédito pleiteado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. GUARDA. ÔNUS DA PROVA. Em caso de pedido de restituição, deve o contribuinte permanecer na guarda dos livros e documentos a ele relativos enquanto durar o processo administrativo ou judicial, na medida em que possui o encargo probatório quanto ao fato constitutivo de seu direito. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.900198/200681 Acórdão n.º 380301.604 S3TE03 Fl. 142 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando inexistente o crédito apontado como compensável. Solicitação Indeferida O arrazoado de fls. 143 a 15392 a 102, após protestar pela tempestividade do apelo, e resumir os fatos relacionados com a demanda, digressionado sobre o dever de colaboração do contribuinte na instrução do processo, repete os termos da reclamação, valendose de doutrina de Alberto Xavier, para exonerarse de qualquer obrigação de produção de provas outras das constantes nos autos. Entende que, no presente caso, a origem do crédito tem como base as apurações contábeis, refletidas em demonstrativos fiscais entregues ao Fisco, comprovando a utilização de créditos nos exatos termos apurados e informados, cabendo ao Fisco o ônus de impugnar os lançamentos ou revisar seus critérios. Em assim não procedendo, a prova de existência do crédito deverá ser feita apenas com a disponibilização fiscal em DCTF. Na continuação, disserta sobre os fundamentos dos atos administrativos, para acusar a autoridade fiscal de evadirse de seu dever funcional de verificação da ocorrência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito postulado pelo contribuinte. Argumento tocar ao Fisco efetuar as diligências necessárias ao conhecimento do objeto da tributação, em obediência ao art. 142 do CTN, que vincula a atuação dos agentes e autoridades fiscais. Os poderes vastíssimos de fiscalização e de acesso aos documentos de toda natureza dos contribuintes prestase à descoberta da verdade material, enquanto pressuposto da adequada aplicação da lei fiscal. Diz que o Fisco desconsiderou o crédito ao seu alvedrio sem justificar tal conduta e o Despacho Decisório não logrou fundamentar de forma legal a exigência fiscal, pois, embora tenha tido acesso a toda a documentação requerida da Requerente, não indicou de forma individualizada as supostas irregularidades, nem o fundamento legal para deixar de analisar os demonstrativos apresentados. Rechaça a pretensão do Fisco de rediscutir a base de cálculo de tributo relativo a período decaído, por constituirse uma situação jurídica consolidada, já que se reporta a período pretérito alcançado pela homologação tácita, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, a que se sujeita a contribuição. Cita jurisprudência administrativa. Considera desarrazoada a objeção do Fisco ao reconhecimento de crédito apurado pela Requerente, em relação ao ano de 1999, pois representa exigência a destempo de comprovação de fatos relativos a períodos decaídos. Reitera a correção dos procedimentos da Requerente, que indicou nos PER/DCOMP o seu crédito e facultou ao fisco elementos probatórios suficientes à averiguação do crédito, apresentando, conforme reconhecido pela própria Fazenda, documentação demonstrando a apuração do crédito e a sua aptidão para extinguir os débitos do processo, enquanto o Fisco apresentou alegações genéricas sem demonstrar qualquer irregularidade acerca dos demonstrativos contábeis apresentados. Menciona doutrina sobre o dever de prova por parte da autoridade administrativa. Acusa o despacho decisório de transferir tal dever (e não ônus) ao contribuinte, em face se sua incapacidade de demonstrar a ocorrência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito postulado, quando deveria se dar o inverso, cabendo ao Fisco indicar as evidências seguras que infirmassem as declarações fiscais e os registros contábeis apresentados à autoridade administrativa. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN 4 Pede reforma para o fim de reconhecimento do direito creditório e homologação da compensação declarada. É o Relatório, Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Verifico, liminarmente, que a petição de fls. 92 a 102 foi protocolada fora do trintídio regulamentar, contado da data da intimação da decisão de primeira instância. Conforme atesta o Aviso de Recebimento de fl. 91v, a ciência ocorreu em 11/11/2008, terça feira. Assim, o prazo para recorrer findou em 11/12/2008, quintafeira. Todavia, a petição de fls. 92 a 102 somente foi protocolada em 12/12/2008, conforme o carimbo de protocolo na fl. 92. Diante do exposto, em face de sua intempestividade, não há como conhecer como recurso voluntário a referida petição. Sala das Sessões, em 4 de maio de 2011 Alexandre Kern Fl. 181DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.900198/200681 Acórdão n.º 380301.604 S3TE03 Fl. 143 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10280.900198/200681 Interessada: AMAZÔNIA CELULAR S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.604, de 4 de maio de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 4 de maio de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 182DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 19515.004522/2003-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 30/11/2002
NULIDADE. FALHA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. CERCEAMENTO
DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando demonstrado que
o contribuinte teve pleno conhecimento da causa do lançamento.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE.
INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em omissão da decisão de primeira instância
relativamente à matéria não alegada na impugnação.
DÉBITO DECLARADO. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE
OFÍCIO.
A declaração do débito com exigibilidade suspensa em DCTF não obsta a
possibilidade de seu lançamento em procedimento de ofício.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.989
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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FALHA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando demonstrado que o contribuinte teve pleno conhecimento da causa do lançamento. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em omissão da decisão de primeira instância relativamente à matéria não alegada na impugnação. DÉBITO DECLARADO. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A declaração do débito com exigibilidade suspensa em DCTF não obsta a possibilidade de seu lançamento em procedimento de ofício. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.004522/200360 Acórdão n.º 330200.989 S3C3T2 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 240 a 272) apresentado em 08 de fevereiro de 2008 contra o Acórdão no 1615.625, de 27 de novembro de 2007, da 8ª Turma da DRJ/SPO I (fls. 221 a 231), cientificado à Interessada em 09 de janeiro de 2008, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de maio a novembro de 2002, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 NULIDADE. FALHA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do feito fiscal quanto demonstrado que o contribuinte teve pleno conhecimento da causa do lançamento fiscal impugnado. DÉBITO DECLARADO. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A declaração do débito com exigibilidade suspensa em DCTF não obsta a possibilidade de seu lançamento em procedimento de ofício. Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 16 de dezembro de 2003 de acordo com o termo de fls. 38 a 40. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de impugnação (fls. 50 a 62) apresentada por VOTOCEL FILMES FLEXÍVEIS LTDA., supra qualificado, contra Auto de Infração (fls. 38 a 45) de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, referente a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2.000. 2. Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fls. 44), a Autoridade Fiscal autuante informa que durante o procedimento de verificações obrigatórias constatou divergências entre os Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.004522/200360 Acórdão n.º 330200.989 S3C3T2 Fl. 3 3 valores declarados e os escriturados, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 38 a 40). 2.1. No TVF consta que o contribuinte, insurgindose contra a cobrança da COFINS nos moldes previstos na Lei nº 9.718/98, impetrou Mandados de Segurança (1999.61.00.0133940 e 1999.61.00.0395921), tendo obtido as liminares (07/04/1999 e 24/08/1999, respectivamente), autorizando o recolhimento da COFINS nos termos da Lei Complementar nº 70/91. As sentenças confirmaram as liminares, tendo sido concedida a segurança pleiteada, em 04/06/2001 e 02/05/2001. 2.2. A Autoridade autuante constatou, nas planilhas do ano de 2000 ter havido insuficiência nos recolhimentos de COFINS sobre o Faturamento e constituiu o crédito tributário correspondente, ressalvando que os valores correspondentes ao período de fevereiro de 1999 a outubro de 2003 não serão lançados em virtude da sentença proferida nos Mandados de Segurança. 2.3. Há, também, a informação de que tramita uma Ação Ordinária, na qual o contribuinte pleiteia “a inconstitucionalidade da COFINS com a inclusão do ICMS em sua base de cálculo e o direito de compensarem o indébito tributário decorrente do recolhimento indevido da COFINS com a inclusão do ICMS, desde março de 1992.” 2.4. Continua: “Em razão da Ação mencionada acima o contribuinte deixou de recolher os 2% s/ faturamento e depositou em Juízo conforme demonstrados nas planilhas AnoBase 2002 (anexo), correspondente o período (FG) 05/2002 a 11/2002, cujos valores, serão lançados de Ofício com exigibilidade suspensa de acordo com inciso II, do artigo 151, do CTN, a saber: ...” 2.5. O crédito tributário lançado está assim constituído (fls. 43): COFINS: R$ 2.329.507,98 Juros (até 28/11/2003): R$ 560.828,52 CRÉDITO TRIBUTÁRIO TOTAL: R$ 2.890.336,50 2.6. A base legal indicada no Auto de Infração é art. 77, inciso III, do DecretoLei nº 5.844/43; art. 149, da Lei nº 5.172/66; art. 1º, da Lei Complementar nº 70/91; arts. 2º, 3º e 8º, da Lei nº 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória nº 1.807/99 e reedições, com as alterações da Medida Provisória nº 1.858/99 e reedições (fls. 44). 3. Tendo tomado ciência deste lançamento em 16/12/2003 (fls. 43 e 45), o contribuinte, por intermédio de seus advogados (docs. às fls.63 e 64) interpôs impugnação (fls. 50 a 62), remetida por SEDEX em 15/01/2004 (fls. 49), relatando e alegando o que segue. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.004522/200360 Acórdão n.º 330200.989 S3C3T2 Fl. 4 4 3.1. Em seu entendimento, a descrição dos fatos é absolutamente genérica e discorre sobre a descrição dos fatos como requisito necessário à elaboração do auto de infração, afirmando que “não há possibilidade de imediata compreensão da suposta infração cometida pela ora Impugnante, sem que seja necessária uma demorada interpretação de todas as irregularidades que possam têlo gerado. ” 3.2. Com isso, alega, não se permite o conhecimento imediato das irregularidades que lhe foram imputadas, havendo o risco de ocorrer uma interpretação equivocada por parte do contribuinte, levandoo a se defender de fatos não coincidentes com as infrações apontadas no Auto de Infração. Isso prejudica seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Cita o artigo 10, do Decreto nº 70.235/72 para afirmar que todo Auto de Infração deve conter, entre outros requisitos, a descrição minuciosa dos fatos que deram origem ao lançamento e que esta deve ser clara para não deixar qualquer margem para interpretações equivocadas. 3.3. Continua: “10. E, analisando esse auto de infração é difícil compreender, com uma simples leitura, as infrações que lhe estão sendo imputadas, assim como identificar sobre quais importâncias foram apuradas as diferenças da COFINS lançada, já que o Sr. Fiscal, muito embora aponte que houve o efetivo recolhimento ao calcular a suposta diferença não identifica sobre qual outra parcela não teria sido efetuado o pagamento, que é o objeto da presente cobrança. 11. Ora, seria crucial, nos termos do citado Decreto, que os fatos tivessem sido discriminados minuciosamente para que o presente auto de infração cumprisse os requisitos legais e, como isso não ocorreu, já que não indica a que se refere a parcela utilizada como base de cálculo para apuração da diferença, há que se reconhecer sua nulidade.” 3.4. Não bastasse isso, ainda há o equívoco na capitulação legal, já que houve indicação de inciso não existente. Transcreve o artigo 77, do Decreto – Lei nº 5.844/43 para mostrar que não há o inciso III, citado no Auto. Analisando tal dispositivo, afirma que não poderia ser enquadrado em nenhuma de suas alíneas, pois não foi imputada nenhuma sanção pela não apresentação de declaração de rendimentos, nem pela criação de obstáculos à fiscalização e nem pela omissão de rendimentos. Dessa forma, entende que não havendo correlação entre a descrição dos fatos e o enquadramento legal indicado no Auto, este deve ser considerado nulo. 3.5. Afirmando que a COFINS está sujeita ao lançamento por homologação, alega não haver permissivo legal para legitimar o lançamento de ofício relacionado a débito declarado pelo contribuinte, e, apoiandose nos §§ 1º e 2º, do artigo 5º, do Decretolei nº 2.124/84 aduz apenas ser possível a inscrição na dívida ativa para posterior cobrança executiva. Diz que este Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.004522/200360 Acórdão n.º 330200.989 S3C3T2 Fl. 5 5 dispositivo foi regulamentado pela IN SRF nº 45/98 e que, portanto, os débitos apurados a título de tributos e contribuições, exceto em relação ao IRPJ e CSLL, devem ser objeto de inscrição em dívida, não cabendo lançamento de ofício. Cita, ainda, a Nota conjunta COSIT/COSAR/COFIS Nº 535/97 e também menciona diversas ementas de acórdãos dos Conselhos dos Contribuintes e do STF. 3.6. À vista do que expôs, entende estar demonstrada: a nulidade do lançamento pela “não observância do art. 10, do Decreto nº 70.235/72, já que os fatos ensejadores da autuação não estão claramente descritos, assim como não há correlação ente a descrição dos fatos e o enquadramento legal imposto”; nulidade do Auto de Infração, por já existir declaração do contribuinte, sendo dispensável o lançamento de ofício; 3.7. Requer o provimento da impugnação com a anulação do lançamento. No recurso, a Interessada alegou a nulidade do acórdão de primeira instância, em razão de não haver supostamente apreciado a alegação da “inexistência de diferenças de COFINS escriturado, declarado e o efetivamente pago, tendo em vista que a exigência do presente lançamento fiscal versa sobre valor originário de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), não caracterizando conceito de receita para fins de incidência da contribuição.” A seguir, requereu o julgamento conjunto dos processos de PIS e Cofins, como medida de economia processual. Na sequência, repetiu as alegações quanto à nulidade da autuação, à vista da falta de descrição dos fatos e pelo fato de haver apresentado DCTF. No mérito, abordou a questão do “conceito de receita para fins de incidência da Cofins”, alegando que “a diferença apurada pela fiscalização quanto ao recolhimento da COFINS referente ao ano de 2000 compreende a incidência desse tributo sobre parcela que não é receita nova da empresa”, que se referiria ao crédito presumido de IPI. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, esclareçase não ser possível o julgamento conjunto dos processos, como solicitado pela Interessada, uma vez que somente houve distribuição do presente processo. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.004522/200360 Acórdão n.º 330200.989 S3C3T2 Fl. 6 6 Em relação à decisão de primeira instância, a Interessada alegou que teria deixado de apreciar o argumento de que os valores adotados como base de cálculo não corresponderiam a receitas, por se tratar de crédito presumido de IPI. Entretanto, na impugnação (fls. 50 a 62), a Interessada não abordou tal matéria, ao contrário do afirmado no recurso. As alegações resumiramse às nulidades e desnecessidade de lançamento de débito declarado em DCTF. Portanto, a alegação é improcedente e a nova alegação apresentada no recurso, relativa ao crédito presumido de IPI, além completamente inaplicável ao caso do auto de infração, que não lançou diferenças relativas a crédito presumido de IPI, é preclusa. Conforme esclarecido no acórdão de primeira instância, as diferenças lançadas referiramse a valores declarados em DCTF e vinculados a uma ação judicial em que a Interessada questionou a constitucionalidade da incidência da contribuição sobre o ICMS, não tendo sido exigida a multa de ofício, nos termos do art. 63 da Lei no 9.430, de 1996. Quanto à nulidade da autuação, há que se discordar das alegações da Interessada, uma vez que a ação fiscal foi especificamente dirigida à matéria em questão, à vista dos documentos de fls. 2 a 37 e do termo de verificação de fls. 38 a 40. Ademais, os valores lançados foram demonstrados nas fls. 27 e 28 e, conforme descrição dos fatos (fl. 39), correspondem aos valores de depósitos judiciais (fl. 42 versus fls. 27 e 28). Tanto é assim que a alegação de mérito da Interessada diz respeito à desnecessidade de lançamento, pelo fato de os débitos terem sido declarados em DCTF Sobre a questão, é importante frisar que inexiste cópia de DCTF juntada aos autos. Ademais, ressaltese que o acórdão de primeira instância traz uma contradição, uma vez que, no resultado do julgamento, observa que o relator teria sido vencido em relação a uma diligência, enquanto que, em seu voto, concluiu pela nulidade da autuação. Talvez a matéria tenha sido discutida no julgamento e tenha sido proposta diligência para verificar a existência de declaração em DCTF, questão que restou, no entanto, prejudicada, uma vez que o acórdão concluiu que, ainda que os valores houvessem sido declarados em DCTF, seria possível o lançamento. Obviamente, se não houvesse a declaração em DCTF, não haveria discussão sobre a necessidade de lançamento de ofício. Entretanto, pressupondo que tenha havido a declaração regular em DCTF, hipótese aventada desde o início do processo, há que se considerar que os períodos de apuração são do ano de 2002, quando vigiam as disposições originais do art. 90 da Medida Provisória no 2.15835,de 2001, que determinava o lançamento de débitos vinculados em DCTF. Muito embora o dispositivo tenhase referido a hipóteses de declaração irregular, que não é aparentemente o caso dos autos, a interpretação adotada pela lei era de que a vinculação em DCTF impedia a caracterização da confissão de dívida, que se restringia aos casos de declaração de saldo devedor. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.004522/200360 Acórdão n.º 330200.989 S3C3T2 Fl. 7 7 Tal situação somente foi alterada com a Lei no 10.833, de 2003, quando se passou a considerar os débitos vinculados como confessados, perdendose, no entanto, o direito ao contraditório. No caso dos autos, prejuízo algum existe ao contribuinte pelo lançamento de ofício, uma vez que os valores lançados estão vinculados à ação judicial e permanecem com a exigibilidade suspensa. Por outro lado, o fato de haver o lançamento permite ao sujeito passivo discutir no processo administrativo a matéria residual em relação à ação judicial. À vista do exposto, voto por negar provimento a recurso voluntário. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13971.001317/2003-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2002
OPÇÃO PELO SIMPLES. VEDAÇÃO. Não pode optar pelo Simples a
pessoa jurídica que realiza locação de mão-de-obra para terceiros, salvo as expressamente ressalvadas na legislação.
Recurso Voluntário Negado Provimento.
Numero da decisão: 1402-000.490
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2002 OPÇÃO PELO SIMPLES. VEDAÇÃO. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que realiza locação de mão-de-obra para terceiros, salvo as expressamente ressalvadas na legislação. Recurso Voluntário Negado Provimento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 OPÇÃO PELO SIMPLES. VEDAÇÃO. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que realiza locação de mãodeobra para terceiros, salvo as expressamente ressalvadas na legislação. Recurso Voluntário Negado Provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13971.001317/200389 Acórdão n.º 140200.490 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório TUPÃ SERVICOS DE PLANTIO LTDA (REBLU REFLORESTAMENTO LTDA.) recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/BrasíliaDF em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: A exclusão da interessada da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3º da Lei 9.317/96, denominada Simples, foi efetuada por se enquadrar na condição impeditiva prevista no inciso XII"f" e V4ºdo art. 9º da referida lei . A manifestante contesta, em síntese, sua exclusão do Simples sob o argumento de que os efeitos da exclusão devem ser a partir de 01/01/2003, pois se excluiu por opção em 12/2002. A decisão recorrida está assim ementada: Opção pelo Simples Condição Vedada Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei. Solicitação Indeferida. Nos fundamentos da aludida decisão consta que a empresa pratica locação de mãodeobra para plantio. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória no sentido que não exerce atividade impeditiva e questiona a exclusão do Simples a partir do anocalendário de 2002. A ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13971.001317/200389 Acórdão n.º 140200.490 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Em que pese a veemência das alegações da peça recursal, está patente nos autos que a contribuinte realiza e realizava atividades vedadas ao Simples desde a sua adesão, qual seja, locação de mãodeobra. As notas fiscais juntadas por cópia as fls. 1117 fazem prova cabal disso. Todas são referentes a roçada e trata de culturas de terceiros, utilizando mãodeobra humana. O fato do contrato social da empresa dar outra roupagem às suas atividades não lhe socorre: Para fins de enquadramento no Simples vale o aspecto material e não o formal, ou seja, se no contrato ainda contasse locação de mãodeobra, mas a empresa efetuasse o serviço com máquinas, caberia sua manutenção na sistemática do Simples. Portanto, não merecem reparos os fundamentos da decisão recorrida, a seguir transcritos: O argumento trazido à baila pela empresa não a socorre para o fim de mantêla na sistemática do Simples, visto que se encontrava em condição não permitida para permanecer no Sistema, nos termos do inciso XII"f" e V4º do art. 9º da Lei 9.317/1996 (que realize operações relativas a prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mãodeobra e que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis). A documentação acostada aos autos atesta que a contribuinte coloca à disposição do contratante, em suas dependências ou na de terceiros, segurados que realizam serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, qualquer que sejam a natureza e a forma de contratação, nos termos do art. 31, parágrafo 3º da Lei 8.212/1991, alterado pela Lei 9.711/1998., caracterizando assim cessão ou locação de mãode obra. Quanto à ofensa a princípios constitucionais e legais, registrese que matéria de natureza constitucional e de legalidade não pode ser oposta na esfera administrativa, dado que cabe ao judiciário apreciar a constitucionalidade e/ou legalidade das normas jurídicas. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13971.001317/200389 Acórdão n.º 140200.490 S1C4T2 Fl. 4 4 No que tange aos efeitos da exclusão, registrese que, no caso, a exclusão do Simples surte efeito a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, portanto, em 2002 a interessada não pode estar no Simples. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, confirmando a exclusão da contribuinte do Simples nos termos do Ato Declaratório recorrido. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10735.002178/2005-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
IRPF RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após decorrido o prazo
regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Numero da decisão: 2201-001.166
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 IRPF RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestividade. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Fl. 216DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Paulo Ricardo Gonçalves Raunheitti recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado. Tratase de Auto de Infração (fls. 113/119), relativo ao IRPF, exercício 2003, que se exige imposto no valor total de R$ 733.199,20, já acrescido de multa de ofício e de juros de mora. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Além do mais, a autoridade fiscal agravou a penalidade, aplicando multa de ofício de 112,5%, posto que o contribuinte não atendeu, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos. Cientificado da exigência em 19/08/2005, o autuado apresenta Impugnação em 20/09/2005 (fls. 141/157), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: O defendente sustentou inicialmente a tempestividade da impugnação e fez um resumo da autuação. No tocante aos depósitos bancários, historiou sobre a aplicação do art. 9o da Lei nº 4.729, de 14 de julho de 1965, e as alterações posteriores ocorridas com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, citando jurisprudência administrativa e judicial acerca do assunto em pauta. Assim, destacou que toda a evolução da doutrina e da jurisprudência converge no sentido de que, apesar da presunção legal ter invertido o ônus da prova, a simples existência do depósito bancário, ainda que de origem não comprovada, por si só, não configura renda omitida. Somente na hipótese de existir distorção entre o montante depositado e os rendimentos declarados e, mesmo assim, se o total não identificado ultrapassar R$80.0000,00, ou, se entre os valores não identificados houver um valor igual ou superior a R$12.000,00, é que haverá incidência da norma contida no art. 42 e seus §§ da Lei n° 9.430, de 1996. Fora desta hipótese, não há como invocar o dispositivo legal em comento. Em seguida, o impugnante elaborou a planilha de fls. 148/151 contendo a identificação dos depósitos questionados pela autoridade fiscal. Preliminarmente, sustentou que devem ser excluídos os valores decorrentes de transferências entre as diversas contas do mesmo titular, na forma prevista no inciso I do mencionado art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Com isto, os valores referentes aos itens 10, 13, 26, 106, 110 e 113, oriundos da conta corrente n° 0035537063 da Agência 0185 da Caixa Econômica Federal devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento realizado. Da mesma forma, o item 66, um depósito no Unibanco, decorrente de um saque realizado no BicBanco na mesma data. Fl. 217DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10735.002178/200577 Acórdão n.º 220101.166 S2C2T1 Fl. 2 3 Argumentou o defendente que outros itens que devem também ser excluídos são aqueles cheques depositados que, por algum motivo, foram devolvidos, ou seja, não representaram efetiva disponibilidade. Isto acontece nos itens 27, 34, 51, 55, 60, 61, 73 e 102, e, parcialmente, em relação aos itens 31, 40, 93 e 121. Quanto aos itens 12, 14, 16, 20, 30, 31, 44, 47, 56, 78, 84, 93 e 114 são todos originários de Alexandre, Michelle e Danielle — Administradora de Imóveis Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 36.149.433/000150, adquirente da venda de uma área contínua de terras com 1.107.978, 26 m2, vendida em 14/05/2001 e paga por intermédio de 19 parcelas. O impugnante alegou comprovar a venda realizada por intermédio de cópia da escritura lavrada no Tabelionato do 14° Ofício de Notas (Doc. n° 01 – fls. 153/157). Quanto aos itens remanescentes, em especial, os itens 35, 45, 50, 59, 69, 81, 83, 88, 109, 117, 121 e 124, acentuou que dependiam dos documentos que foram solicitados às mencionadas instituições financeiras e que serão posteriormente anexados aos presentes autos. À vista das razões de direito ora expostas e demonstradas requer e confia o impugnante que seja julgado inteiramente improcedente o lançamento, por ter o mesmo se processado sem qualquer fundamentação legal que possa respaldálo. Por último, caso venha remanescer alguma parcela do crédito tributário lançado, que seja excluído do seu cômputo a multa agravada, pois inexistentes os seus pressupostos para sua cominação. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO Devem ser excluídos do lançamento os valores correspondentes a transferências entre contas do mesmo titular e os casos de devolução de cheques depositados, cujos valores compuseram o levantamento fiscal, ficando afastada ainda a presunção legal de omissão de rendimentos, quando a documentação atestar que os recursos depositados são provenientes dos rendimentos tributáveis, isentos ou de tributação exclusiva auferidos durante o anocalendário, ou oriundos do patrimônio declarado pelo contribuinte. Fl. 218DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA Nos casos de lançamento de ofício, o autuado está sujeito ao pagamento de multa sobre os valores do imposto devido, nos percentuais definidos na legislação de regência, sujeitandose ainda ao agravamento da exigência quando deixar de atender, no prazo marcado, a intimações para prestar esclarecimentos. Lançamento Procedente em Parte Intimado da decisão de primeira instância em 15/06/2009 (fl. 189), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 21/08/2009 (fl. 202/205), sustentando, essencialmente, verbis: Preliminarmente, cabe ressaltar a tempestividade do presente recurso, eis que a ciência ocorreu no dia 15 de junho de 2009 e o mesmo encerrarseia no dia 15 de julho de 2.009. Apresentado nesta data, o presente recurso é, pois, manifestamente tempestivo. O contribuinte foi atuado com fundamento no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1.996, sob a alegação de que a falta da comprovação da origem dos depósitos bancários na conta corrente do contribuinte, constituiria presunção de omissão de rendimentos. O ora Recorrente, com intuito de não se alongar em suas considerações, se reporta à sua Impugnação, na qual evidencia que o que se pretende tributar é renda, e não depósitos bancários. De tal forma que, pelo fato da contribuinte não dispor, nem ser obrigado ex vi legis a ter contabilidade, com precisão, a origem de cada um dos seus movimentos financeiros, cinco anos após a ocorrência do mesmo. Entretanto, duas situações se afiguram peculiares nos depósitos remanescentes. A primeira delas refere se a venda de uma área continua de terras, ocorrida em 14 de maio de 2.001 e paga por intermédio de 19 parcelas, tendo anexado cópia da escritura de promessa de compra e venda (fls. 153/157 dos autos). Com efeito, a própria autoridade julgadora de primeira instância, reconhece que a parte que cabe ao Recorrente da alienação daquele imóvel corresponde a R$ 40.000,00 (quarenta mil mensais). Exclui, portanto, diversos valores correspondentes às mencionadas prestações, quando estas foram pagas através de um único cheque. Entretanto, quando o pagamento foi desdobrado em parte em cheque e parte em dinheiro, ou seja, duas vezes R$ 20.000,00, somente aceitou o pagamento em cheque, pois entendeu que não havia como vincular o valor em espécie à prestação então paga. Ora, dinheiro em espécie não tem como vincularse a qualquer operação. Ocorrendo o depósito no dia em que o vendedor resgata a promissória a ele correspondente, o contribuinte dispõe da origem do recurso. Fl. 219DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10735.002178/200577 Acórdão n.º 220101.166 S2C2T1 Fl. 3 5 Somente com uma prova irrefutável de que aqueles recursos em espécie não decorreriam daquela origem, é que a explicação poderia ser refutada. Dinheiro é dinheiro, não tem marca. Se o contribuinte por força contratual tem que receber uma quantia numa certa data, e nesta mesma data ele efetua o depósito em espécie de valor compatível com aquela quantia, é de se presumir que a origem do depósito seja o pagamento recebido. Finalmente, cabe salientar que a multa agravada pela falta de apresentação de esclarecimentos é de todo infundada, eis que a mesma dificuldade que o contribuinte se deparava à época da fiscalização para obter os documentos que comprovam a origem dos depósitos submetidos à tributação é a mesma de hoje. Portanto, o agravamento a falta de apresentação de esclarecimentos que ensejou o agravamento da penalidade, não parte do contribuinte, mais sim das instituições financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Consta nos autos que o recorrente foi cientificado da decisão recorrida em 15/06/2009, uma segundafeira, conforme fl. 189. O Recurso Voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deveria ser apresentado no prazo máximo de trinta (30) dias, conforme prevê o artigo 33 do Decreto n° 70.235/1972. Considerando que 15/06/2009 foi uma segundafeira, dia de expediente normal na repartição de origem, o início da contagem do prazo começou a fluir a partir de 16/06/2009, uma terçafeira, primeiro dia útil após a ciência da decisão de primeiro grau, sendo que neste caso, o último dia para a apresentação do recurso seria 15/07/2009, uma quartafeira. Contudo, o Recurso Voluntário somente foi apresentado em 21/08/2009 (fls. 202/205), uma sextafeira, ou seja, sessenta e sete (67) dias após a ciência da decisão do julgamento de primeira instância. Neste sentido, lavrou autoridade preparadora, fl. 195, o competente Termo de Perempção. Portanto, se o sujeito passivo, no prazo de trinta dias da intimação da ciência da decisão de primeira instância, não se apresentar ao processo para interpor Recurso Voluntário para o CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, automaticamente, independente de qualquer ato, no trigésimo primeiro (31º) dia da data da intimação, ocorre a perempção. Por todo exposto, o Recurso Voluntário apresentado foi intempestivo. Fl. 220DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Nestes termos, não conheço do recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 221DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 18471.001886/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES.
Excluem-se da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários.
MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de
transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário,
salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.449
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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Beacon Hill Recorrentes OSCAR FREDERICO JAGER FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Excluemse da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001886/200711 Acórdão n.º 210201.449 S2C1T2 Fl. 793 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 17/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra OSCAR FREDERICO JAGER foi lavrado Auto de Infração, fls. 701/707, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2002 e 2003, exercícios 2003 e 2004, no valor total de R$ 94.943.582,68, incluindo multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora, estes últimos calculados até 31/01/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal, encontrase assim descrita no Auto de Infração: 001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA Omissão de rendimentos apurados, conforme termo de verificação, parte integrante do presente Auto. Já no Termo de Verificação Fiscal, fls. 102/107, a autoridade fiscal descreve a infração como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, transcrevendo, inclusive, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Acrescentese que as contas bancárias investigadas são mantidas no exterior e foram identificadas durante as investigações do “Caso Banestado”, momento em que se identificou a empresa Beacon Hill Service Corporation como intermediária de diversas ordens de pagamento. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001886/200711 Acórdão n.º 210201.449 S2C1T2 Fl. 794 3 Do referido Termo inferese, ainda, que a multa de ofício foi aplicada na sua forma qualificada, no percentual de 150%, pelas seguintes razões: Ficou constatado que o contribuinte, nos anoscalendário de 2002 e 2003 movimentou reiteradamente recursos através de suas contas bancárias no exterior, visando a ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador. Deixou, ainda, de declarar a totalidade das receitas, também buscando fugir à tributação. Tais fatos caracterizam sonegação e evidente intuito de fraude, na forma como definido nos artigos 71 a 73 , da Lei 4.502, de 30/11/64. Aplicável ao caso, portanto, a multa de ofício prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, no percentual de 150% sobre a totalidade ou diferença dos tributos apurados de ofício. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 716/731, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/RJOII nº 1320.583, de 16/07/2008, fls. 756/770: 1) todos os documentos que teriam servido de base para a fiscalização e teriam dado lastro ao presente processo estariam redigidos em inglês, desacompanhados de sua tradução para a língua pátria, efetuada por um tradutor juramentado, devendo eles, em homenagem ao princípio da estrita legalidade dos atos administrativos, ser desentranhados do processo e, por conseqüência, ser declarado nulo o lançamento em sua totalidade; 2) não teria havido qualquer respeito às regras de obtenção e introdução no país dos documentos acostados ao processo, notadamente àquelas insertas nos arts. 4° e 13 do Decreto n° 3.810/2001, tornando a prova ilícita e imprestável para qualquer fim a bem do art. 5°, LVI da Constituição Federal; 3) nenhuma das assinaturas constantes dos documentos de abertura da conta "Vertiginoso" no Israel Discount Bank of New York, nem a constante da folha que contém a numeração "26" aposta pelo DPR/PR seriam do Interessado, embora a ele estejam sendo atribuídas; 4) em nenhum dos documentos de fls. 108 a 689 constaria a assinatura, ou mesmo rubrica, do Interessado, razão pela qual seria solicitada perícia grafotécnica para determinar se, efetivamente, o recorrente está a eles vinculado; 5) tanto a subconta "Eleven" quanto a conta "Vertiginoso" foram abertas em conjunto com outras pessoas e, salvo no momento de suas aberturas, o Impugnante não teria participado de nenhum dos atos constantes dos documentos anexados, não podendo ser imputados ao Contribuinte quaisquer efeitos decorrentes dessa documentação, inclusive tributários, resultando daí o descabimento da exigência fiscal; 6) se o AuditorFiscal Autuante reconheceu que a contas cujos depósitos foram utilizados como base para a exigência fiscal Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001886/200711 Acórdão n.º 210201.449 S2C1T2 Fl. 795 4 eram tituladas em conjunto com outras pessoas, não poderia valerse das disposições contidas no caput do art.42 da Lei n° 9.430, de 1996, como suporte para a lavratura do Auto de Infração, ignorando a regra inserta no § 6°, deixando de proceder à intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos valores apontados, estando em virtude disso o auto de infração contaminado por vício insanável, impondose a nulidade do lançamento; 7) como os demais titulares das contas utilizadas para a exigência fiscal, embora conhecidos pelo Auditor Autuante, nunca teriam sido intimados para comprovação da origem dos recursos apontados, teria restado desatendida a condição imposta pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, como indispensável para o nascimento da presunção legal que permite a tributação de tais valores como omissão de rendimentos; 8) a tributação de rendimentos omitidos apurados a partir de valores, sem origem comprovada, creditados em conta bancária, deve se dar no mês em que foram considerados recebidos, nos termos do § 4° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; 9) se o fato gerador do tributo devido com base no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, ocorre no próprio mês dos respectivos créditos, o prazo decadencial a ser aplicado na presente hipótese deveria ser o do § 4° do art. 150 do CTN, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes; 10) o auto de infração estaria fundamentado na presunção legal da existência de depósitos bancários sem origem comprovada, com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e não poderia, em razão disso, ter sua multa agravada, com base na falta de informação pelo Interessado de suas origens, porque assim não o preveria a norma de regência utilizada, conforme entendimento da própria Secretaria da Receita Federal; 11) o Fiscal Autuante teria efetuado o lançamento das transferências entre as contas "Vertiginoso" e "Eleven", configurando tal prática evidente bitributação, devendo esses valores ser imediatamente retirados das planilhas anexadas aos autos; 12) o Fiscal Autuante teria entendido por bem efetuar o lançamento com base na suposta falta de identificação dos remetentes e destinatários das transferências apontadas, embora o próprio Fiscal tenha relacionado todos eles, um a um, no processo; 13) se o Autuante afirma ter identificado os remetentes dos valores tributados para o exterior, não poderia autuar o Contribuinte pela falta de identificação desses remetentes ou destinatários dos recursos transitados pela subconta "Eleven", porque o próprio Fiscal já teria afirmado saber de quem eram esses valores; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001886/200711 Acórdão n.º 210201.449 S2C1T2 Fl. 796 5 14) na forma do art. 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235, de 1972, o Impugnante requer diligência fiscal à própria Secretaria da Receita Federal para que traga a este processo a identificação das demais pessoas que participaram com o Impugnante da abertura da subconta "Eleven" e da conta "Vertiginoso", bem como espécimes de suas assinaturas, tendo em vista que se torna indispensável saber quais as pessoas que poderiam movimentála; 15) solicitase diligência fiscal à própria Secretaria da Receita Federal para que faça constar do processo cópia dos atos oficiais que validam a requisição e o ingresso no país de documentos vindos dos Estados Unidos da América, a ele anexados, na forma do Decreto n° 3.810, de 2001, e em especial daqueles relacionados nos seus arts. 40 e 13; 16) requerse diligência fiscal à própria Secretaria da Receita Federal para que faça constar do processo a Nota DEFIC/RJO n° 01, de 1° de agosto de 2006, e a Nota COFIS/GAB n° 2005/0142, por serem documentos públicos indispensáveis à defesa do Impugnante, que estariam em poder deste órgão e, que não teriam sido publicados no Diário Oficial da União; 17) o Contribuinte solicita a realização de perícia grafotécnica para que seja determinada a autoria dos atos nos quais o auto de infração teria se lastreado, devendo o perito informar se todas as assinaturas constantes dos documentos de abertura das contas seriam do Interessado; se de qualquer um dos documentos que relacionam as transferências de numerário constaria rubrica ou assinatura do Impugnante e se seria possível informar de quem seriam as rubricas e assinaturas constantes dos documentos de transferência de numerário; 18) por opção, o Interessado não indicará um assistente técnico para a perícia requerida, aceitando, desde já, o parecer técnico oficial do perito grafotécnico da União Federal; 19) no mérito, face às preliminares argüidas, o Interessado nada poderia dizer, uma vez que não teria participado dos atos descritos no auto de infração. A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento para reduzir o imposto devido, relativo ao anocalendário 2002, de R$ 26.896.489,86 para R$ 244.244,81 e cancelar o crédito tributário relativo ao anocalendário 2003, conforme Acórdão DRJ/RJOII nº 1320.583, de 16/07/2008, fls. 756/770. Da referida decisão recorreuse de ofício ao Primeiro Conselho de Contribuintes, em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 23/12/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 777, o contribuinte apresentou, em 22/01/2009, recurso voluntário, fls. 780/786, no qual reitera e reforça as alegações e argumentos da impugnação. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001886/200711 Acórdão n.º 210201.449 S2C1T2 Fl. 797 6 Voto Conselheira Núbia Matos Moura Recurso de ofício O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. Inicialmente, registrase que correta se encontra a decisão de primeira instância quando considerou que o lançamento cuida de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. De fato, muito embora na descrição dos fatos a autoridade fiscal tenha se reportado à infração de acréscimo patrimonial a descoberto, verificase que no Termo de Verificação Fiscal, fls. 102/107, a infração descrita foi de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, sendo, inclusive, transcrito o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ressaltese que na impugnação o contribuinte demonstrou, mediante as razões de defesa apresentadas, ter compreendido que a infração imposta pela autoridade fiscal era a de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Pois muito bem. No Auto de Infração foram levados à tributação valores que foram movimentados em duas contas bancárias, denominadas Eleven e Vertiginoso, os quais encontramse consolidados na planilha, fls. 700. No que se refere à movimentação na conta denominada Eleven, a autoridade fiscal levou à tributação os valores correspondentes às operações, onde a conta Eleven funciona como remetente. Veja, à titulo de exemplo as planilhas, fls. 435/439 (agosto de 2002) e fls. 640/643 (janeiro/2003). Ora, se a conta Eleven é a remetente, temse que nestas operações a referida conta bancária foi debitada. Como se sabe, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso, temse que os valores levados à tributação no Auto de Infração, no que se refere à conta Eleven, não são recursos creditados, e sim debitados. Logo, correta a decisão recorrida ao excluir da tributação tais valores. Já no que concerne às quantias movimentadas na conta denominada Vertiginoso, verificase que a autoridade fiscal deixou de excluir da tributação as quantias originadas de transferências oriundas da conta Eleven. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001886/200711 Acórdão n.º 210201.449 S2C1T2 Fl. 798 7 O art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que para efeito de determinação da receita omitida não serão considerados os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. Assim, mais uma vez, correta a decisão recorrida quando excluiu da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários as quantias correspondentes às transferências bancárias entre a conta Eleven e Vertiginoso. Nessa conformidade, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Recurso voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De pronto, devese observar que permanecem no litígio somente créditos tributários, cujos fatos gerados ocorrem durante o anocalendário 2002. No recurso, o contribuinte argúi que, na data do lançamento, o crédito tributário exigido no Auto de Infração já estaria alcançado pelo instituto da decadência. Para a análise da questão, fazse necessário observar o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Nesse sentido, no que se refere à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001886/200711 Acórdão n.º 210201.449 S2C1T2 Fl. 799 8 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) No presente caso, o contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2003, anocalendário 2002, fls. 04/10, tempestivamente, e apurou saldo de imposto a pagar, no valor de R$ 1.695,60. Ocorreu, portanto, a antecipação do pagamento, de modo que se deve aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, conforme entendimento acima transcrito. Ocorre que a autoridade fiscal imputou ao contribuinte a multa de ofício em sua forma qualificada, no percentual de 150% e considerandose que tal fato influencia a Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001886/200711 Acórdão n.º 210201.449 S2C1T2 Fl. 800 9 contagem do prazo decadencial, abrese aqui um parêntese para examinar a pertinência da multa qualificada. Para a análise da questão, transcrevese a seguir os dispositivos legais que tratam da matéria: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. Como se vê, para a aplicação da multa qualificada, exigese que reste provada presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados elencados nos arts. 71, 72 e 73 ou mesmo que assumiu o risco de produzilos. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001886/200711 Acórdão n.º 210201.449 S2C1T2 Fl. 801 10 Exigese, pois, para a aplicação da multa de ofício qualificada, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Portanto, a qualificação da multa de ofício é inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos/receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos/receitas de fato. Vale destacar que tal matéria já foi pacificada neste CARF, que editou súmula, aplicável ao caso, que cristaliza o entendimento de que a presunção legal de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) No caso dos autos, colhese do Termo de Verificação Fiscal, que a multa de ofício foi exigida na sua forma qualificada em razão de o contribuinte ter movimentado reiteradamente recursos através de suas contas bancárias no exterior, visando a ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador e também por ter deixado de declarar a totalidade das receitas. Considerando que a autuação utilizou presunção legal para concluir pela omissão de rendimentos, verificase que fica ainda mais distante a caracterização do dolo. A presunção legal autoriza que se conclua pela omissão de rendimentos e não pela “sonegação” ou pelo “evidente intuito de fraude”, conforme entendeu a autoridade fiscal. Ressaltese que o fato de o contribuinte movimentar recurso no exterior, sem a devida comunicação às autoridades brasileiras, também não conduz à conclusão de evidente intuito de fraude. Nestes termos, incabível a qualificação da multa de ofício. Em assim sendo, afastada a qualificação da multa de ofício, temse que a contagem do prazo decadencial no presente caso , se dá conforme previsto no § 4º do art. 150 do CTN. Os fatos geradores ocorridos durante o anocalendário 2002 somente se completaram em 31/12/2002, data a ser considerada para fins de contagem do prazo decadencial, que se encerrou em 31/12/2007. Como o contribuinte somente foi cientificado do Auto de Infração em 12/03/2008, conforme Avisos de Recebimento, fls. 708/712, temse que o crédito tributário remanescente no Auto de Infração se encontrava fulminado pelo instituto da decadência na data do lançamento. Logo, tornase desnecessária a análise das demais argumentações apresentadas pelo contribuinte no recurso. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Fl. 10DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 18471.001886/200711 Acórdão n.º 210201.449 S2C1T2 Fl. 802 11 Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 11DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000303/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2006
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE INFORMAÇÕES
Toda empresa está obrigada a prestar todas as informações e esclarecimentos necessários à fiscalização.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2301-002.006
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 28/06/2007, por ter a empresa acima identificada deixado de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, infringindo, dessa forma, o inciso III, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso III e § 22 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 03), a empresa deixou de apresentar, apesar de intimada por meio de TIAD, os seguintes documentos: as Folhas de Pagamentos e a contabilidade, de todo o período fiscalizado, em meio digital, conforme MANAD; as GFIPs, referentes a todo período fiscalizado, em meio magnético; as RAIS dos anos de 1999 a 2001, 2004 e 2006, em meio magnético; os arquivos digitais da DIRF e o Livro de Inspeção do Trabalho. A autuada impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1722.127, da 10a Turma da DRJ/SP011 (fls. 47), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 55), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, reitera que o TIAD não trouxe um prazo fatídico e exato para que toda a documentação fosse entregue à Fiscalização, mencionando apenas que deveria estar à disposição "a partir de 14/05/2007 e durante todo o procedimento fiscal ". Argumenta que, ao ler a frase que dispôs que os documentos deveriam estar à disposição a partir de 14/07/2007 e durante todo o procedimento fiscal, a recorrente entendeu que poderia apresentar os documentos exigidos no lapso temporal compreendido entre 14/07/2007 e a data final da ação fiscal, sendo que nenhuma outra interpretação pode ser exigida da recorrente a partir da leitura gramatical do homem médio. Afirma que, se a frase estivesse redigida de outra maneira, como por exemplo "os documentos devem ser apresentados à fiscalização até o dia 14/07/2007 e, após esta data, permanecerão à disposição durante todo a ação fiscal, sob pena de multa", certamente a Recorrente seria capaz de compreender o teor da intimação que recebeu e teria providenciado toda a documentação exigida no prazo designado e, consequentemente, o referido auto de infração não teria sido lavrado. Sustenta que entregou os documentos exigidos pelo auditorfiscal, tanto que três NFLDs foram lavradas, o que, segundo entende, prova que os tais documentos foram, de fato, exibidos à fiscalização, pois é inimaginável que o auditorfiscal conseguisse calcular supostos débitos previdenciários, por exemplo, sem a análise das GFIPs do período fiscalizado. No mérito, argumenta que, em que pese o auditor autuante não ter relatado nenhuma conduta da empresa que possa ter causado o suposto prejuízo, já que não caracterizou a ocorrência de uma situação agravante, a Turma Julgadora entende que o auto de infração foi lavrado em função do suposto prejuízo sofrido pela Auditoria Fiscal com a alegada não apresentação dos documentos. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15983.000303/200768 Acórdão n.º 230102.006 S2C3T1 Fl. 65 3 Ratifica que o próprio auditorfiscal reconhece que a multa deve ser relevada, conforme menciona expressamente na única parte clara de seu obscuro e confuso auto de infração, e requer, por fim, que seja acolhido o recurso para o fim de aser decidido pela improcedência do Auto de Infração e, no caso do não acolhimento do pedido, requer ainda que a multa seja relevada. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Preliminarmente, a autuada alega que o TIAD não trouxe um prazo fatídico e exato para que toda a documentação fosse entregue à Fiscalização, mencionando apenas que deveria estar à disposição "a partir de 14/05/2007 e durante todo o procedimento fiscal, e afirma que se a frase estivesse redigida de outra maneira, como por exemplo "os documentos devem ser apresentados à fiscalização até o dia 14/07/2007, certamente a Recorrente seria capaz de compreender o teor da intimação que recebeu e teria providenciado toda a documentação exigida no prazo designado e, consequentemente, o referido auto de infração não teria sido lavrado. Contudo, não procede o inconformismo da recorrente quanto à redação contida no TIAD, já que os normativos legais que tratam da matéria são bastante claros ao determinar que a empresa deverá apresentar a documentação e as informações no prazo de, no máximo, dez dias úteis, contados da data da ciência do respectivo TIAD. O art. 592, da IN 03/2005, dispõe que Art.592. O TIAD será emitido privativamente pelo AFPS, no pleno exercício de suas funções, quando da solicitação de documentos ao sujeito passivo em ações fiscais. §I° O sujeito passivo deverá apresentar a documentação e as informações no prazo lixado pelo A FPS, que será de, no máximo, dez dias úteis, contados da data da ciência do respectivo TIAD. §2° A não apresentação dos documentos no prazo fixado no TIAD ensejará a lavratura do competente Auto de Infração, sem prejuízo da aplicação de outras penalidades previstas em lei. Ademais, a afirmação feita pela recorrente, de que se a redação tivesse sido outra ela teria apresentado os documentos e o Auto não teria sido lavrado, não resiste a uma análise crítica, uma vez que a autuada não apresentou a documentação apontada pela fiscalização, nem a partir do dia 14/07/07, conforme consta do TIAD, e nem após a lavratura do AI para fins de relevação da multa aplicada, conforme instruções contidas no IPC e no próprio relatório fiscal, integrantes do Auto de Infração. Verificase, dos autos, que a autuada tomou ciência do AI em 29/06/2007, e o Acórdão recorrido é de 20/12/2007. Ou seja, a recorrente teve quase seis meses para a juntada de elementos que comprovassem suas alegações ou a improcedência da autuação, ou mesmo para ter a multa relevada. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15983.000303/200768 Acórdão n.º 230102.006 S2C3T1 Fl. 66 5 Todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ter sido comprovadas por meio da juntada de documentos, conforme disposto no relatório IPC (fls. 02/03) e ressaltando que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Todavia, a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho que demonstrassem a veracidade de sua afirmação de que todos os documentos foram apresentados à fiscalização. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados aos autos. Daí a necessidade de se juntar elementos comprobatórios dos fatos alegados. A autuada insiste em afirmar que entregou os documentos exigidos pelo auditor fiscal, e entende que as NFLDs lavradas provam que os tais documentos foram, de fato, exibidos à fiscalização, pois é inimaginável que o auditorfiscal conseguisse calcular supostos débitos previdenciários, por exemplo, sem a análise das GFIPs do período fiscalizado. Todavia, a autoridade autuante deixa bem claro, nos relatórios que integram o AI, que a empresa deixou de apresentar os arquivos digitais e magnéticos solicitados. Portanto, reiterase, é objeto do Auto de Infração discutido por meio do presente processo administrativo a falta de prestação de todas as informações de interesse do fisco, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Cumpre observar que cabe à fiscalização, e não ao contribuinte, estabelecer quais são os documentos e informações necessários para o bom desenvolvimento da ação fiscal. E a apresentação de documentos em desconformidade com o estabelecido pela fiscalização constitui infração à legislação previdenciária. Tal conduta configura descumprimento da obrigação acessória de prestar, ao INSS e à Receita Federal, informações de interesse dos mesmos, consoante determinação contida no art. 32, inciso III°, da Lei 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS e ao Departamento da Receita Federal DRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. (Secretaria da Receita Federal, conforme Lei nº 8.490, de 19/11/92) Assim, rejeito as preliminares suscitadas. No mérito, a autuada tenta demonstrar que inexistiu prejuízo ao fisco, argumentando que a própria autoridade autuante deixou consignado, no Relatório Fiscal, que não restou caracterizada a ocorrência de situação agravante. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Alega que o próprio auditorfiscal reconhece que a multa deve ser relevada, conforme menciona expressamente, na única parte clara de seu obscuro e confuso auto de infração. Porém, em nenhum momento a autoridade lançadora afirmou que a multa deve ser relevada, conforme quer fazer crer a recorrente. O que o agente fiscal deixou claro, no item 4 do Relatório Fiscal (fls. 04), é que a multa poderá ser relevada, nos termos do § 1° do art. 291, do Decreto 3.048/99. E o referido dispositivo legal estabelece que a multa poderá ser relevada , desde que cumpridos os requisitos por ele estabelecidos. Ou seja, para que a multa seja relevada é necessário o preenchimento de todos os requisitos previstos no §1º, do art. 291, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.04899: Art.291 § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. No presente caso, houve o pedido no prazo de defesa, não houve circunstância agravante e o infrator é primário. Contudo, a recorrente não faz jus ao benefício solicitado por não ter havido a correção total da falta, já que a empresa não apresentou os documentos apontados no Relatório Fiscal da Infração. Portanto, a penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração, não podendo ser atenuada ou relevada, como quer a recorrente, tendo em vista a não ocorrência das circunstâncias atenuantes previstas no art. 292, inciso V, do Decreto 3.048/99, ou o preenchimento dos requisitos previstos no §1º, do art. 291, do mesmo normativo legal. Da mesma forma, não se verifica a obscuridade ou confusão, nos relatórios integrantes da infração, conforme afirma a recorrente. Constatase, sim, que o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Em relação ao entendimento defendido pela autuada de que não houve prejuízo ao fisco, cumpre esclarecer que a penalidade pecuniária imposta pelo legislador ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta tem como objetivo o melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa. Dessa forma, não pode a legislação dar tratamento igual a um contribuinte que é diligente, cumpre os prazos procedimentais e apresenta, quando solicitado, todas as informações e documentos necessários à fiscalização, a um outro contribuinte que não cumpre obrigações acessórias e dificulta a administração tributária ao deixar de prestar todas as Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15983.000303/200768 Acórdão n.º 230102.006 S2C3T1 Fl. 67 7 informações e esclarecimentos necessários à fiscalização, ou deixar de apresentar documentos na forma por ela estipulada. Mister lembrar que o descumprimento de obrigações legais, sejam elas acessórias ou principais, sempre prejudica o erário. E é com o objetivo do melhor funcionamento da administração tributária que o legislador impôs a penalidade pecuniária ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta. Assim, ao deixar de apresentar todos os documentos solicitados pela fiscalização, a recorrente infringiu a legislação previdenciária, e a autoridade fiscal, ao se deparar com o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art.33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Nesse sentido e, Considerando tudo o mais que dos autos consta, Voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10980.008732/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. OBJETO SOCIAL MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS. Comprovado que a recorrente, pequena sociedade empresária (micro empresa), dedicando-se ao ramo de manutenção de máquinas e equipamentos eletrônicos, prestados por
técnico de nível médio, e que este ramo não se confunde com a prestação de serviços privativos de engenheiros, assemelhados e profissões legalmente regulamentadas de engenharia mecânica ou elétrica, sendo essa atividade exercida pela recorrente perfeitamente permitida pela legislação vigente aplicável, é de incluir retroativamente a recorrente no Sistema Integrado de
pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES.
Numero da decisão: 1101-000.509
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.008732/2006-17 Recurso n° 514.162 Voluntário Acórdão n° 1101-00.509 — la Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 01 de julho de 2011 Matéria Exclusão do Simples Recorrente Altamir Abrão Junior Recorrida Fazenda Nacional SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. OBJETO SOCIAL MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS. Comprovado que a recorrente, pequena sociedade empresária (micro empresa), dedicando-se ao ramo de manutenção de máquinas e equipamentos eletrônicos, prestados por técnico de nível médio, e que este ramo não se confunde com a prestação de serviços privativos de engenheiros, assemelhados e profissões legalmente regulamentadas de engenharia mecânica ou elétrica, sendo essa atividade exercida pela recorrente perfeitamente permitida pela legislação vigente aplicável, é de incluir retroativamente a recorrente no Sistema Integrado de pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. EIRO DE QUEIROZ - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Andrade da Lima da Fonte Filho (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva (relator), Benedicto Celso Benicio Junior, Nara Cristina Takeda Taga. Er i Relatório ALTAMIR ABRAO JUNIOR, firma individual, recorre a este colegiado (fls. 74/89), contra decisão da 2a Turma da DRJ/CTA, consubstanciada no acórdão n° 06-21.787 (fls. 67/70), que indeferiu sua solicitação de permanência no SIMPLES. A Recorrente é optante pelo SIMPLES desde 12/04/2002, com objeto social de "Manutenção de Máquinas e Equipamentos Eletrônicos". Em procedimento fiscal levado a termo (fls. 03 104), foi constatado que a Recorrente presta Serviços de Manutenção em Telefonia, atividade esta, no entender da fiscalização, vedada pela legislação do SIMPLES, conforme inciso V c/c §40 do art. 90 da Lei 9.317/96, com redação dada pela Lei 9.528/97, ensejando, assim, Representação Administrativa, datado em 20 de julho de 2006, a fim de se proceder sua exclusão do regime tributário em comento. Em virtude da Representação oferecida pela autoridade fiscalizadora, foi expedido o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n° 5, de 25 de janeiro de 2007, excluindo a Recorrente do SIMPLES, com ciência da decisão em 07 de fevereiro de 2007, conforme AR juntado As fls. 38 dos autos. Em 02 de março de 2007 foi apresentado Manifestação de Inconformidade, com os seguintes argumentos: a) que a recorrente cumpre fielmente o ramo de atividades descrito em seu contrato social, e que em momento algum desenvolveu atividades estranhas; b) se o equipamento no qual a Recorrente presta serviços é utilizado para operar sistemas de voz, serviços de tarifação e controle de faturas, esta é uma característica do equipamento, e não do serviço de manutenção; c) uma vez iniciado o processo de exclusão da Recorrente do simples, deveria a Receita Federal ter disponibilizado oportunidade para se fazer o contraditório e a ampla defesa, o que não ocorreu; d) o principio da segurança jurídica impede a desconstituição injustificada de atos ou situações jurídicas, pois a Recorrente não possui no seu quadro de empregados nenhum engenheiro, obstando assim, sua exclusão do simples; e) o Ato Declaratório da Exclusão consignou em seu corpo, que seus efeitos retroagiriam a data do ano-calendário da opção do regime do SIMPLES, que no caso vertente, seria 01/05/2002; 0 ocorre o Ato da SRF afronta o art. 179 da Constituição Federal, pois as empresas de pequeno porte serão beneficiadas por incentivos simplificadores de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e crediticias, ou pela eliminação ou redução destas por 2 Processo IV 10980.008732/2006-17 S1-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.509 Fl. 2 meio de lê, desburocratizando, assim, o processo de incentivo ao empreendedorismo; g) a atividade excluída não exige habilitação profissional pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura — CREA, menos ainda a presença ou acompanhamento de engenheiro; h) com a aplicação retroativa dos efeitos da exclusão, a SRF violou o art. 150, III, "a" da Constituição Federal e do art. 15 da Lei 9.317/96; i) ao final, requer sua permanência no sistema de tributação do SIMPLES. A 2 Turma da DRJ/CTA, ao apreciar o mérito, indeferiu a solicitação, conforme se extrai da ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Uma vez a exclusão do Simples ter sido devidamente notificada contribuinte, abrindo-se-lhe prazo para manifestação de inconformidade, não há que se falar ern cerceamento do direito de defesa. DOS ARGUMENTOS DE VIOLAÇÃO DE PRINCiPIOS CONSTITUCIONAIS. Aldo cabe ao órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer principio constitucional de natureza tributária. CIRCUNSTÂNCL4S IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES FEDERAL. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnico-cientifico próprio de profissional da engenharia ou tecnálogo, bem o que, a locação de melo-de-obra são circunstancias que impedem o ingresso ou a permanência no Simples Federal. EXCLUSÃO DE OFICIO. EFEITOS. TERMO INICIAL DE VIGÊNCIA. A data em que o ato de exclusão gera seus efeitos é determinada pela legislação que rege a matéria. 3 Ciente da decisão de primeira instância em 23/05/2009 (fls. 73), e com ela não se conformando, a Recorrente encaminhou a este Colegiado Recurso Voluntário (fls. 74/89), apresentando as mesmas razões de fato e de direito da Impugnação. o relatório Voto Conselheiro Jose Ricardo da Silva Como visto do relato, a exclusão retroativa da recorrente no SIMPLES se deu, pelo motivo de que a mesma prestaria serviços na Area de manutenção e reparo de máquinas e equipamentos eletrônicos, e que esta atividade seria privativa de profissionais com habilitação legalmente exigida, e economicamente vedada pela legislação aplicável em vigor. Do Despacho Decisório proferido pela DRF em Curitiba —PR (fls. 32/35), extrai-se os seguintes excertos: "De todo modo, na caracterização do impedimento à opção pelo Simples tratado pelo art. 9°, MI, da Lei no 9.317, de 1996, não importa saber se, de fato, as tarefas contratadas teriam sido executadas, dentro do rigor legal, corn o concurso de trabalhador(ES) detentor(ES) da necessária formação exigida ern lei, ou se, ao invés disso, os serviços teriam se desenvolvido corn o emprego, apenas, de pessoa(s) desprovida(s) da devida titulação formal. Interessa, tão-somente, que se verifique que a atividade da empresa vincula-se ao exercício de alguma profi ssão cuja habilitação profissional é legalmente exigida." Com a devida vênia, ouso discordar desse entendimento expresso, pois não existe sequer qualquer evidência que as atividades exercidas pela contribuinte exijam a interferência de engenheiro, ou que nela se desempenhem atividades de competência primordial de profissionais legalmente habilitados na Area de engenharia. Além do mais, não há nos autos qualquer prova efetiva, cujo ônus é do fisco, que imponha o entendimento de que os serviços prestados na oficina da interessada são, no mínimo, de relativa complexidade. Alias, a reiterada adoção, pela Receita Federal, da citada Resolução, no intuito de caracterizar como "serviços profissionais" diversas atividades dedicadas manutenção e reparação de bens variados, impulsionou a edição do art. 4° da Lei n° 10.964/2004, posteriormente alterado pela Lei n° 11.051/2004, e que foi regulamentada pelo Ato Declaratório Executivo n° 8, de 18 de janeiro de 2005. Referido dispositivo legal excetuou, expressamente, da distorcida interpretação do inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317/96, retroativamente, diversos serviços de manutenção e reparação, a exemplo dos "serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados", nos seguintes termos: • 4 Processo n° 10980.008732/2006-17 Si -C1T1 Acórdão n.° 1101-00.509 Fl. 3 Art, 4° Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9° da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem eis seguintes atividades: (Redação dada pela Lei n°11 051, de 2004) 1 — serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) li — serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; (Redação dada pela Lei ri° 11.051, de 2004) III — serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) IV — serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) V — serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 1° Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação, (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2° As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art 9° da Lei n° 9.31 7, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos a data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 3° Na hipótese de a exclusão de que trata o sç 2° deste artigo ter ocorrido durante o ano-calendário de 2004 e antes da publicação desta Lei, a Secretaria da Receita Federal — SRF promoverá a reinclusdo de oficio dessas pessoas jurídicas retroativamente à data de opção da empresa. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 4° Aplica-se o disposto no art. 2° da Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, a partir de I° de janeiro de 2004. (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004). (6) 5 Como visto acima, a legislação em descrita veio pacificar o entendimento no sentido de que a prestação de serviços de manutenção e conservação de máquinas e equipamentos em geral, não é atividade que possa ser caracterizada como atividade que se subsume ao art. 90, inciso XIII, da Lei n°9.317/96. Cabe destacar também, as inúmeras decisões proferidas pelo antigo Terceiro Conselho de Contribuintes no sentido de que o teor do artigo 17, § 2°, da Lei Complementar 123/2006, que admite no Simples Nacional as empresas dedicadas As atividades de serviços de reparação e manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas, que o consentimento teria aplicação retroativa. Referidas atividades, dentre outras, antes da edição da Lei Complementar 123/2006, frequentemente eram equiparadas pela administração tributária a prestadoras de serviços de engenharia e excluídas do Simples com base no inciso XIII do art. 9 0 da Lei n° 9.317/96. Abaixo segue a ementa de algumas decisões proferidas pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes: SIMPLES - ATIVIDADES DE ENGENHARIA CIVIL - ATIVIDADES MAO VEDADAS PELA LEI COMPLEMENTAR 123/2006 - APLICAÇÃO RETROATIVA. As atividades de construção de imóveis e de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, não são mais vedadas ao SIMPLES nos termos do artigo 17, 5Ss 1°, inciso XIII, da LC 123/2006, Aplicação retroativa em virtude do artigo 106, inciso II, alínea "b", do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNL4RIO PROVIDO (Acórdão 301-34.362, de 27/03/2008, Recurso 130.441) (No mesmo sentido os Acórdãos 303-34535, 301- 34.578 e 393-00.020) Diante disto, de acordo com os precedentes citados, também por força do principio da retroatividade benigna, que teria amparo no art. 106, inciso II, alínea "b", da Lei n° 5.172/66 — Código Tributário Nacional, não poderia vingar a exclusão da recorrente do Simples a partir de 01/01/2002, conforme estabelece o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n° 126, de 07 de dezembro de 2005 (fls. 14). Na esteira destas considerações, tendo como suporte o entendimento de que os serviços prestados pela recorrente não se ajustam, em vista de sua pouca complexidade, As atividades próprias de engenheiro, e por expressamente admitidas no Simples conforme disposições do art. 40 da Lei n° 10.964/2004, posteriormente alterado pela Lei n° 11.051/2004, posteriormente regulamentada pelo Ato Declaratório Executivo n° 8, de 18 de janeiro de 2005, não vejo como manter a exclusão do Simples em relação as atividades exercidas pela recorrente. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 01 de julho de 2011 r 6
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