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Numero do processo: 17883.000205/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
Ementa: DIFERENÇAS DE RENDIMENTOS PERCEBIDOS PELA MAGISTRATURA ESTADUAL IGUAIS AO ABONO VARIÁVEL DA LEI N° 9.655/98, ESTE OFERTADO A MAGISTRATURA DA UNIÃO.
NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. Veio a Lei estadual n°
4.631/2005 e ofertou aos magistrados fluminenses diferenças salariais iguais a do abono variável do art. 5º da Lei n° 9.655/98 c/c o art. 2° da Lei IV 10.474/2002, este originalmente deferido somente A magistratura mantida pela Unido, como igualmente já fizera a Lei federal n° 10.477/2002 para os
Membros do MPF. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as
diferenças do art. 2º da Lei federal n° 10.477/2002 nos termos da Resolução STF no 245/2002, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação as diferenças pagas A Magistratura fluminense com esteio na Lei estadual n° 4.631/2005. Observe-se que aqui não se está aplicando analogia para afastar o
tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, tratam de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas — Unido e Estado do Rio de Janeiro — e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2° da Lei federal no 10.477/2002 e da Lei estadual n°4.631/2005 são idênticos, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de urna, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN n° 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF n° 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2° da Lei n° 10.477/2002 tem caráter indenizat6rio, igual raciocínio deve ser
aplicado as diferenças auferidas pela magistratura fluminense com base na Lei estadual n° 4.631/2005, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.349
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasugi
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NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. Veio a Lei estadual n° 4.631/2005 e ofertou aos magistrados fluminenses diferenças salariais iguais a do abono variável do art. 5 0 da Lei n° 9.655/98 c/c o art. 2° da Lei IV 10.474/2002, este originalmente deferido somente A magistratura mantida pela Unido, como igualmente já fizera a Lei federal n° 10.477/2002 para os Membros do MPF. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2' da Lei federal n° 10.477/2002 nos termos da Resolução STF no 245/2002, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação as diferenças pagas A Magistratura fluminense com esteio na Lei estadual n° 4.631/2005. Observe-se que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, tratam de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas — Unido e Estado do Rio de Janeiro — e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2° da Lei federal no 10.477/2002 e da Lei estadual n°4.631/2005 são idênticos, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de urna, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN n° 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF n° 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2° da Lei n° 10.477/2002 tem caráter indenizat6rio, igual raciocínio deve ser aplicado as diferenças auferidas pela magistratura fluminense corn base na Lei estadual n° 4.631/2005, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do o eado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do vo da Relat ira. EDITA lO EM: 30/11/ 011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Em face do contribuinte LUIZ CARLOS DA COSTA CARVALHO FILHO, CPF/MF n° 029.393.127-53, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 06/12/2006, auto de infração (fls. 20 a 24), a partir da revisão de sua declaração de ajuste anual, referente aos exercícios 2002, 2003, com o lançamento do imposto de renda pessoa fisica no valor de R$51.471,76. 0 valor do crédito tributário apurado está assim constituído: i. Imposto R$ 20.920,37 ii. Juros de Mora (calculados até 30/11/2007) R$ 14.807,12 iii. Multa Proporcional R$ 15.690,27 iv. Total do Crédito Tributário R$ 51.471,76 De acordo com o Auto de Infração de fls. 20 a 24, contra o contribuinte foi imputada a seguinte infração: 001 - CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF A contribuinte, as fls. 27 a 32, impugna total e tempestivamente o auto de infração, juntando os documentos. 2 Processo n° 17883.000205/2006-01 S2-C I T2 Acórdão n.° 2102-01.349 Fl. 2 A 2a Turma de Julgamento da DRJ/RJOII, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar suscitada e considerou PROCENDENTE o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 13-18.644, em Sessão de 18 de janeiro de 2008 (fls. 78 a 83), com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL. NATUREZA INDENIZATORIA' : TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTARIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo as verbas recebidas pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10.474, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. Lançamento Procedente 0 contribuinte foi intimado da decisão a quo em 10/06/2008 (fls. 89), cujo qual interpôs recurso voluntário em 10/07/2008 (fls. 90 a 104), alegando em síntese: I. o art. 6° da Lei n° 9.655/98 concedeu aos membros da Magistratura da Unido abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1°/01/1998, cuja forma de cálculo somente foi disciplinada pelo art. 2° da Lei n° 10.474/2002. Dessa forma, por meio da Resolução no 245, de 12.12.2002, o Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que o referido abono tem natureza indenizatória, não integrando a base de cálculo do imposto de renda, determinando, no artigo 3° da mencionada Resolução, o recalculo, mês a mês, no período de janeiro de 1998 a maio de 2002, do valor da contribuição previdencidria e do imposto de renda retido na fonte, "expurgando-se da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer titulo, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como a repercussão desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono"; II. 0 Ministro da Fazenda, ancorado no Parecer PGFN n° 529/2003, reconheceu expressamente a não incidência sobre o abono variável acima, inclusive estendendo essa interpretação ao abono variável pago aos membros do Ministério Público Federal, previsto na Lei n° 10.477/2002, na forma do Parecer PGFN n° 923/2003; III. no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, a questão foi tratada na Lei estadual n° 4.631/2005, que determinou a aplicação do disposto no art. 2°, caput, e § 1 °, da Lei federal n° 10.474/2002 aos membros da Magistratura do Rio de Janeiro, os quais passaram a fazer jus a abono variável com fórmula de calculo idêntica aquela do abono percebido pela Magistratura Federal; IV. os Membros do Ministério Público do Rio de Janeiro —MPE-RJ também foram agraciados pelo abono variável, pela Lei estadual n° 4.433/2004, tendo como espelho a Lei federal n° 10.477/2002, sendo que a PGFN, a AGU e a PGR reconheceram que o abono do MPE-RJ é idêntico aos das Leis n's 10.474/2002 e 10.477/2002, conforme pareceres acostados aos autos da ADI n° 3.560-6, manejada contra a lei n° 4.433/2004, implicando, por conseqüência, no caráter indenizatório do abono deferido aos Membros do MPE-RJ, bem como aos Membros da Magistratura do Rio de Janeiro, pois ambos os abonos variáveis deferidos pelas leis estaduais são idênticos; V. a Chefia do Poder Judiciário do Rio de Janeiro demandou a Receita Federal, quando ficou acertado a retificação das DIRFs e emissão de novos comprovantes de rendimentos, o que aparelho a retificação por parte dos contribuintes de suas declarações de ajuste anual, sendo que a maior parte já recebeu as restituições e uma minoria, como o recorrente, foi autuada; VI. diferentemente do asseverado na decisão recorrida, o recorrente não pretende "alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto", mas apenas obstar o alargamento perpetrado pela autoridade lançadora, em desacordo com a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional, pois foi o Supremo Tribunal Federal, pela Resolução n° 245/2002, que afastou da tributação as verbas relacionadas ao abono variável percebidas no período de 1998 a 2002. Ainda, registre-se que o recorrente não pretende se valer do instituto da analogia para fazer valer seu direito, pois não há qualquer vazio normativo, tendo sido o abono em debate pago com base na Lei estadual n° 4.433/2004; VII. "0 exame do acórdão recorrido revela que, a razão fundamental para a manutenção do lançamento, foi o fato de o recorrente integrar o Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, e não a Magistratura Federal. 50. Considerando que a evidente identidade absoluta entre .o "abono variável" da Lei Estadual n. 4.631/2005 e aqueles das Leis 10.474 e 10.477, reconhecida pela PGF1V, lido foi objeto de qualquer questionamento por parte das autoridades lançadora e julgadoras, o que se tem é que a razão invocada pelo acórdão recorrido é desprovida de qualquer respaldo jurídico, consistindo em inaceitável discriminação odiosa" (fl. 72 — transcrição do recurso voluntário); VIII.deve ser declarada a ilegitimidade passiva do recorrente, pois este agiu de acordo com as orientações e informes de rendimentos expedidos pela fonte pagadora, e, se se entender cabível a omissão de rendimentos em debate, o tributo e a penalidade devem ser cobradas da fonte pagadora; IX. se superadas todas as argumentações precedentes, devem-se ser afastadas as incidências de juros de mora e multa, pois todo o procedimento de retificação perpetrado pelo recorrente teve por base as orientações prestadas ao Poder Judiciário Fluminense pelas autoridades da Receita Federal no Rio de Janeiro, sendo forçoso reconhecer a incidência do art. 100,111 e parágrafo único, do CTN. Juntou aos autos todos os ofícios e pareceres que culminaram no reconhecimento pelo Sr. Ministro da Fazenda do caráter indenizatório do abono variável percebido pelos Membros do MPF, bem como as leis estaduais e outros documentos. É o relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi, Relatora 0 recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheço-o e passo ao exame. Inicialmente, aqui não se analisarão as preliminares de ilegitimidade passiva, bem como os pleitos sucessivos do recorrente no tocante aos juros de mora e A. multa de oficio, pois aqui se demonstrará que o autuado tem razão no mérito. V Processo n° 17883.000205/2006-01 S2-CI T2 Acórdão n° 2102-01.349 I'l. 3 Pela Resolução STF no 245/2002, especificamente em seu art. 3°, ficou determinado que "todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer titulo, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais", percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6° da Lei n° 9.655/98 c/c o art. 2° da Lei n° 10.474/2002, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN n° 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei n° 10.477/2002, que, em seu art. 2°, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal as mesmas vantagens do art. 6° da Lei n° 9.655/98, dadas à Magistratura da Unido, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 1998-2002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da Unido (Resolução STF n° 245/2002), apoiado no Parecer PGFN n° 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei n° 9.655/98 estava voltada unicamente Magistratura da Unido, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsidio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional n° 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente a publicação da Lei n° 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura Federal e determinou o pagamento das diferenças do período 1998-2002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei n° 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2° da Lei n° 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6° da Lei n° 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3° da Resolução STF n° 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento do abono variável aos Membros da Magistratura fluminense, na forma da Lei estadual n° 4.631/2005 1 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois a Magistratura fluminense não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei n° 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela Unido (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios da magistratura local). Veio a Lei estadual n°4.631/2005 e ofertou aos Magistrados fluminenses diferenças salariais iguais a do abono variável do art. 5° da Lei n° 9.655/98 c/c o art. 2° da Lei no 10.474/2002, como igualmente fizera a Lei federal n° 10.477/2002, esta para os Membros do MPF. LEI no 4.631, DE 27 DE OUTUBRO DE 2005. DETERMINA A APLICAÇÃO AOS MEMBROS DO PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO DE DISPOSITIVOS A LEI FEDERAL N° 10.474, DE 27 DE JUNHO DE 2002 E DA OUTRAS PROVIDENCIAS. A Governadora do Estado do Rio de Janeiro, Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1° - Aplica-se aos membros do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro o disposto no art. 2°, caput, e § 1 0 , da Lei Federal n° 10.474, de 27 de junho de 2002. Art. 20 - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2005. ROSINHA GAROTINHO Governadora uri Wakasugi Ora, se o Chefe último da Administração Tributária Federal, o Sr. Ministro da Fazenda, interpretou as diferenças do art. 2a da Lei federal n° 10.477/2002 nos termos da Resolução STF no 245/2002, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas à Magistratura fluminense com esteio na Lei estadual n° 4.631/2005. Observe-se que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, tratam de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que s6 não são idênticas por provirem de fontes diversas — Unido e Estado do Rio de Janeiro — e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2° da Lei federal n° 10.477/2002 e da Lei estadual n° 4.631/2005 são idênticos, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN n° 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF n° 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2° da Lei n° 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado As diferenças auferidas pela magistratura fluminense com base na Lei estadual n°4.631/2005, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as 7ZOTS-acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. das S ssões, é 08 de junho de 2011. 6
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Numero do processo: 36624.012375/2006-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/10/2006.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. CFL 34. LEGALIDADE.
A empresa é obrigada a lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, em contas individualizadas, de forma discriminada, os fatos geradores de toda as contribuições previdenciárias, de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do salário de contribuição, bem como o montante das contribuições descontadas dos segurados, o das empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços.
Constitui infração ao Art. 32, II da Lei 8.212/91 deixar a empresa de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as quantias descontadas, as contribuições patronais e os totais recolhidos.
GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive sob a forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica
das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado
obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. COMINAÇÃO. LEI Nº 8.212/91.
A multa decorrente do descumprimento de obrigações acessórias de natureza previdenciária foi instituída e cominada diretamente pelo art. 92 da Lei nº 8.212/91, o qual outorgou ao regulamento a competência para dispor sobre a forma como essa penalidade, variável em sua origem legal, será aplicada às infrações, em razão da sua maior ou menor gravidade ao interesse da
arrecadação ou da fiscalização de tributos.
JULGAMENTO CONJUNTO. MÉRITO JÁ ASSENTADO. DESNECESSIDADE.
O julgamento conjunto de processos conexos só se mostra valiosa nas situações em que existir relação de prejudicialidade entre o mérito discutido em ambos os processos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.148
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/10/2006. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. CFL 34. LEGALIDADE. A empresa é obrigada a lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, em contas individualizadas, de forma discriminada, os fatos geradores de toda as contribuições previdenciárias, de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do salário de contribuição, bem como o montante das contribuições descontadas dos segurados, o das empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Constitui infração ao Art. 32, II da Lei 8.212/91 deixar a empresa de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as quantias descontadas, as contribuições patronais e os totais recolhidos. GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive sob a forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. COMINAÇÃO. LEI Nº 8.212/91. A multa decorrente do descumprimento de obrigações acessórias de natureza previdenciária foi instituída e cominada diretamente pelo art. 92 da Lei nº 8.212/91, o qual outorgou ao regulamento a competência para dispor sobre a forma como essa penalidade, variável em sua origem legal, será aplicada às infrações, em razão da sua maior ou menor gravidade ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. JULGAMENTO CONJUNTO. MÉRITO JÁ ASSENTADO. DESNECESSIDADE. O julgamento conjunto de processos conexos só se mostra valiosa nas situações em que existir relação de prejudicialidade entre o mérito discutido em ambos os processos. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/10/2006. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. CFL 34. LEGALIDADE. A empresa é obrigada a lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, em contas individualizadas, de forma discriminada, os fatos geradores de toda as contribuições previdenciárias, de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriode contribuição, bem como o montante das contribuições descontadas dos segurados, o das empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Constitui infração ao Art. 32, II da Lei 8.212/91 deixar a empresa de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as quantias descontadas, as contribuições patronais e os totais recolhidos. GRATIFICAÇÃO. NATUREZA REMUNERATÓRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito jurídico de salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive sob a Fl. 229DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 forma de utilidades. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. COMINAÇÃO. LEI Nº 8.212/91. A multa decorrente do descumprimento de obrigações acessórias de natureza previdenciária foi instituída e cominada diretamente pelo art. 92 da Lei nº 8.212/91, o qual outorgou ao regulamento a competência para dispor sobre a forma como essa penalidade, variável em sua origem legal, será aplicada às infrações, em razão da sua maior ou menor gravidade ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. JULGAMENTO CONJUNTO. MÉRITO JÁ ASSENTADO. DESNECESSIDADE. O julgamento conjunto de processos conexos só se mostra valiosa nas situações em que existir relação de prejudicialidade entre o mérito discutido em ambos os processos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 36624.012375/200626 Acórdão n.º 2302001.148 S2C3T2 Fl. 218 3 Relatório Período de apuração: 03/2001 a 03/2003. Data da lavratura do Auto de Infração : 31/10/2006. Data da Ciência do Auto de Infração : 31/10/2006. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas nos parágrafos 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa ter deixado de lançar, mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os valores pagos a segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço mediante Cartões de Premiação fornecidos pela empresa Incentive House, violando assim obrigação tributária acessória prevista no inciso II do art. 32 da Lei 8.212/91 c.c. art. 225, II e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fl. 04. CFL 34 Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. A multa foi aplicada no valor básico de R$ 11.569,42, de acordo com os artigos 92 e 102 ambos da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, II, "a" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, reajustado nos termos da Portaria nº 342, de 16.08.06, art. 7º, inciso VI , multiplicada em duas vezes, conforme previsto no art. 292, IV do RPS, por ter incorrido a empresa em circunstância agravante prevista no inciso V do art. 290 do mesmo regulamento, consistente na reincidência. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 22/31. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa a fls. 79/91, julgando procedente em parte a autuação em estudo e afastando a incidência da circunstância agravante, eis que não restou comprovada. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 10 de dezembro de 2007, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 93. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 96/116, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: Fl. 231DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 • Decadência quinquenal; • Que não houve caracterização de conduta representativa de descumprimento de obrigação acessória; • Que as verbas pagas a título de incentivo aos empregados da Recorrente, por meio dos cartões "FLEXCARD", contratados junto à empresa Incentive House, não podem ser consideradas remuneração e por tal razão não poderiam compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias; • Que o presente auto de infração é nulo, uma vez que a gradação da multa aplicável para a situação dos autos não se encontra prevista em Lei, mas tão somente no art. 283, II, do Decreto n° 3.048/99. Por se tratar de gradação da multa fixada em ato infralegal, está inviabilizada sua aplicação; • Que a conduta do Recorrente não trouxe qualquer prejuízo ao Erário; • Que há conexão entre o presente processo e aquele referente à NFLD n° 37.140.1709, no qual se discute a obrigação principal, motivo pelo qual devem ser julgados em conjunto. Ao fim, requer o Recorrente o cancelamento do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 232DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 36624.012375/200626 Acórdão n.º 2302001.148 S2C3T2 Fl. 219 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 10/12/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado em 09/01/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. 2.1. DA DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 233DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o Auto de Infração lavrado em 31 de outubro de 2006, este alcançaria todas as obrigações acessórias exigíveis a contar da competência dezembro/2000, inclusive, excluídas as relativas ao 13º salário desse mesmo ano. Considerando que o vertente Auto de Infração foi lavrado em razão de descumprimento de obrigação acessória referente às competências de março/2001 a março/2003, não demanda áurea mestria concluir que a obrigação instrumental em julgo não se houve ainda por finada pela algozaria do instituto da decadência tributária. Vencidas as preliminares, passamos diretamente à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA MOTIVAÇÃO O Recorrente sustenta que não houve caracterização de conduta representativa de descumprimento de obrigação acessória. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 36624.012375/200626 Acórdão n.º 2302001.148 S2C3T2 Fl. 220 7 A razão não lhe sorri. A conduta ensejadora da lavratura do debatido Auto de Infração não se assentou na falta de escrituração de lançamentos, mas, sim, na não escrituração, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, de todos os fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. A pedra fundamental sobre a qual se edifica a obrigação acessória em estudo encontrase fincada no art. 32, II da Lei nº 8.212/91, o qual determina terem as empresas a obrigação instrumental de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Considerando tratarse de competência do Poder Executivo a administração dos efeitos oriundos do citado comando legal, dentre eles, a verificação da observância de tal obrigação acessória imposta pela Lei, impõese que tal Poder Estatal seja o mais indicado para dispor sobre o assunto e regulamentar como se materializará, de fato, o comando normativo. Tal competência regulamentar deflui diretamente da Constituição Federal, a qual prevê, em seu art. 84, inciso VI, a competência privativa do Presidente da República expedir decretos para regulamentar as leis. O decreto regulamentar tem por objetivo explicitar a norma contida na lei, estipulando procedimentos a serem realizados pelos contribuintes perante a administração para que o comando da lei se realize a contento, não podendo criar novas obrigações que não aquelas previstas na lei regulamentada. Assim estatui o art. 99 do Código Tributário Nacional que o conteúdo e o alcance dos decretos restringirseá aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas no próprio CTN. Nesse sentido, figura o art. 103 da Lei nº 8.212/91, ipsis litteris: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 103. O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de sua publicação. Fl. 235DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 Ora, a Lei Ordinária nº 8.212, de 24 de julho de 1991, determinou que a empresa é obrigada a lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Mas... O que significa “lançar de forma discriminada”? Esclarecendo o comando legal, o Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, no exercício da competência que lhe foi conferida pela CF/88 e nos limites fixados pelo CTN, traçou o procedimento a ser seguido pelo obrigado, perante a administração tributária, visando à realização do comando normativo, assim dispondo: Regulamento da Previdência Social Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. §14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. Registrese, por relevante, que o §13 do mesmo art. 225 do RPS fixou, tão somente, como devem ser discriminados os fatos geradores de contribuições previdenciárias, ostentando tal norma caráter meramente procedimental, na medida em que explicita como deve ser realizado, na prática da empresa, o comando inscrito genérica e hipoteticamente na norma legal. É de bom alvitre ressaltar que as disposições regulamentares acima selecionadas não ultrapassam os limites erigidos pelo CTN, não conflitando com o teor normativo prescrito pelo art. 113, II c.c. art. 115, ambos do codex em foco. Fl. 236DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 36624.012375/200626 Acórdão n.º 2302001.148 S2C3T2 Fl. 221 9 As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. Com efeito, sob a ótica empresarial, escrituração contábil tem, como uma de suas finalidades, assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, e sua mutações. Aditese que, na atualidade, ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Mostrase auspicioso destacar, contudo, que a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade e a sua formatação legal é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Avulta nesse panorama que as prestações adjetivas ordenadas na legislação tributária têm por finalidade precípua permitir à fiscalização a sindicância ágil, segura e integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo, motivo pelo qual se exige que a escrituração seja: a) Mensal, em razão do critério de apuração das contribuições previdenciárias ser por competência; b) Em títulos próprios, que propicie uma fácil e rápida identificação pelos agentes fiscais das contas contábeis onde se encontram registrados os fatos geradores de contribuições previdenciárias; c) De forma discriminada, de molde a se identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e as não integrantes do Salário de Contribuição; d) Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos, de maneira que a fiscalização possa verificar a correcção das importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos. Fl. 237DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 No caso vertente, a empresa recorrente contabilizou os pagamentos efetuados aos segurados a seu serviço na conta 310.12.503, denominada "Prêmios", registrando o histórico de cada lançamento um pagamento em referência a uma nota fiscal ou fatura específica, dando a entender não se tratar de fatos geradores de contribuições previdenciárias, eis que os pagamentos não estavam lançados em favor de pessoas físicas, mas , sim, em prol de pessoas jurídicas. Em ádito, a empresa também não discriminou, tampouco segregou, em cada pagamento referido no parágrafo precedente, a parcela repassada aos “premiados”(90%) daquela destinada a remunerar a empresa emissora dos cartões, Incentive House, CNPJ n° 00.416.126/000141 (10%). Cumpre enfatizar, eis que se nos antolha não ter o Recorrente ainda se apercebido, que quando a lei determina “lançar em títulos próprios de sua contabilidade , forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições”, ela não quer dizer, simplesmente, lançar em contas com rótulos sugestivos como “prêmios” ou “pagamentos”, mas, sim, registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, como assim estatui, de forma expressa, o art. 225, §13, II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. No caso dos autos a empresa lançou as verbas em realce em uma conta intitulada “prêmios”, mas sem identificar, devidamente, que vultosa parcela desses valores era destinada a pessoas físicas; que tais valores estavam sujeitos à incidência de contribuição previdenciária e sem especificar os valores devidos à Previdência Social decorrentes do pagamento dessas verbas, frustrando assim os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram obrigados a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como notas fiscais de prestação de serviços, títulos diversos e genéricos da contabilidade, etc. Não ressobram dúvidas, portanto, quanto à ocorrência de infração à legislação previdenciária e quanto à tipicidade da conduta perpetrada pelo Recorrente, bem como, quanto à legalidade do procedimento levado a cabo pela fiscalização, restando a penalidade aplicada em perfeita harmonia com o ordenamento jurídico vigente. 3.2. DOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Argumenta a empresa que as verbas pagas a título de incentivo aos empregados da Recorrente, por meio dos cartões "FLEXCARD", contratados junto à empresa Incentive House, não podem ser consideradas remuneração e por tal razão não poderiam compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Tal rogativa não encontra ambiente legislativo propício para florescer. A vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na subsunção ou não dos valores pagos mediante cartão premiação ao conceito legal de Salário de Contribuição, para os fins exclusivos de incidência de contribuições previdenciárias. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 36624.012375/200626 Acórdão n.º 2302001.148 S2C3T2 Fl. 222 11 Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei n.º 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) § 3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% Fl. 239DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) § 4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, o caráter de constância somente se verifica na eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do Fl. 240DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 36624.012375/200626 Acórdão n.º 2302001.148 S2C3T2 Fl. 223 13 saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Fl. 241DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 14 Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência da base de incidência das contribuições previdenciárias aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Imerso nessa ordem constitucional, iluminese a definição legal de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Fl. 242DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 36624.012375/200626 Acórdão n.º 2302001.148 S2C3T2 Fl. 224 15 Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesse cenário, a vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina trabalhista, avulta compreenderemse no hodierno conceito de remuneração os três componentes do gênero, especificados nos moldes que se vos seguem: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; Fl. 243DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 16 c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção Fl. 244DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 36624.012375/200626 Acórdão n.º 2302001.148 S2C3T2 Fl. 225 17 estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é Fl. 245DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 18 necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que as verbas auferidas pelos segurados obrigatórios que prestam serviços à Recorrente, mediante Cartões de Premiação denominados "Premium Card" e "Flexcard", representam para os beneficiários um ganho patrimonial efetivo, decorrente da eficiência do trabalho por eles prestado à empresa em tela, subsumindose, dessarte, no conceito de “salário de Contribuição” assentado no caput do art. 28 da Lei nº 8.212/91, não estando acobertados por nenhuma das hipóteses de não incidência destacadas no §9º desse mesmo dispositivo legal, razão pela qual integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 3.2.1. DA NATUREZA JURÍDICA DAS PREMIAÇÕES Destaca o Recorrente que as verbas pagas aos seus empregados mediante Cartões de Premiação denominados "Flexcard" não podem ser consideradas remuneração e por tal razão não poderiam compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Tal argumentação não produz eco nas montanhas do ordenamento jurídico nacional. Na hipótese sub oculi, não é exigida áurea mestria para perceber que tais pagamentos ostentam natureza jurídica de gratificação de desempenho. Da pena de Plá Rodriguez, citado por Mascaro Nascimento, grafouse singular conceito de gratificações como as “somas em dinheiro de tipo variável, outorgadas voluntariamente pelo patrão aos seus empregados, a título de prêmio ou incentivo, para lograr a maior dedicação e perseverança destes. Mostrase valioso relembrar, no que pertine à natureza de liberalidade das gratificações, as palavras de Cabanellas: “provado ou comprovado o caráter habitual, geral, invariável e periódico da gratificação, esta perde a sua voluntariedade característica, para se converter em obrigatória; então, deixa de ser liberalidade para se transformar em direito exigível pelo trabalhador e inescusável pelo empregador” (Guillermo Cabanellas de Torres, Compendio de Derecho Laboral, Bibliográfica Omeba, Buenos Aires, 1968) É exatamente o que ocorre no caso concreto sobre o qual ora nos debruçamos. As verbas em destaque não se consubstanciam em ganhos eventuais, mas, sim, numa contraprestação remuneratória auferida pelos empregados como incentivo em concurso interno de produtividade, conforme declarado expressamente pelo Recorrente. Fl. 246DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 36624.012375/200626 Acórdão n.º 2302001.148 S2C3T2 Fl. 226 19 Atingindo o empregado a produtividade desejada, este se titulariza no direito subjetivo à gratificação, podendo esta ser exigida inclusive judicialmente. O que é isso senão uma gratificação de desempenho ? Por outro lado, o simples fato de uma determinada verba ser eventual ou não mostrase irrelevante para o seu enquadramento no conceito jurídico de Salário de Contribuição. Por tudo o quanto foi ora discutido, avulta que o benefício auferido pelos beneficiários das premiações oferecidas pelo Recorrente, dada a sua natureza jurídica de gratificação e por não constar expressamente no rol numerus clausus de hipóteses de não incidência tributária, constituise parcela integrante do Salário de contribuição dos segurados, estando sujeito, por decorrência legal vinculante, à incidência de contribuições sociais previdenciárias. 3.3. DA MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Argumenta o sujeito passivo que o presente auto de infração é nulo, uma vez que a gradação da multa aplicável para a situação dos autos não se encontra prevista em Lei, mas tão somente no art. 283, II, do Decreto n° 3.048/99. Por se tratar de gradação da multa fixada em ato infralegal, está inviabilizada sua aplicação; O apelo acima esposado não é merecedor do albergue pretendido. A Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988, outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar das obrigações tributárias, já no âmbito infraconstitucional, o art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Título que versa sobre as Obrigações Tributárias, estabeleceu o discrimen entre obrigações tributárias principal e acessórias, assim conformando seus traços definidores: Código Tributário Nacional Fl. 247DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 20 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Deflui da análise das disposições do CTN que a imposição de obrigação tributária acessória prescinde de lei formal, podendo ser instituída mediante legislação tributária, assim compreendidas, nos termos do art. 96 do próprio CTN, as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Código Tributário Nacional Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. Fl. 248DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 36624.012375/200626 Acórdão n.º 2302001.148 S2C3T2 Fl. 227 21 Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Conforme ressai do citado codex tributário, as matérias que se compreendem na reserva de lei em sentido estrito, com as ressalvas previstas, restringemse a instituição, majoração, redução ou extinção de tributos; a definição do fato gerador da obrigação tributária principal e do seu sujeito passivo correspondente; a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, a formalização de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades, bem como a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; Cominar significa ameaçar com pena, ou castigo, o vocábulo advém do latim, comminatio. A função da cominação é tornar mais seguro o cumprimento da obrigação, quer em si mesma, quer por via de seu substitutivo processual, a pena. Na acepção jurídica, cominar tem o sentido de prescrever ou decretar (penalidades), por descumprimento de norma ou infração legal. Dessarte, em observância ao preceito insculpido no art. 97, V do CTN, o art. 92 da Lei nº 8.212/91 estabeleceu que a infração de qualquer dispositivo constante na citada Lei de Custeio, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), na forma como dispuser o regulamento. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez Fl. 249DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 22 milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (grifos nossos) Em reforço a tal assertiva, iluminese a expressão realçada nas linhas precedentes, nos termos da qual ressai que, se a uma determinada infração tributária inexistir a ela associada uma penalidade específica expressamente assentada na lei, então será aplicada uma multa oscilando entre os limites máximo e mínimo previstos no art. 92 da Lei nº 8.212/91, cujo valor exato, a ser definido em função da gravidade da infração, será determinado na forma como dispuser o Regulamento da Previdência Social. Vertendo em termos mais palatáveis, a lei formal cominou às infrações a dispositivos constante na Lei de Custeio da Seguridade Social penalidade pecuniária, variável em função de sua gravidade, outorgando ao regulamento a competência para dispor sobre a forma como essa penalidade, variável em sua origem legal, será aplicada às infrações em razão da sua maior ou menor gravidade ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. Notese que, nos termos do art. 115 do CTN, o fato gerador da obrigação acessória é a situação que, na forma da legislação – não da lei , impõe a prática ou a abstenção do ato punível. Louvouse o Auto de Infração sub examine na infração perpetrada pelo Recorrente à obrigação acessória assentada no inciso II do art. 32 da Lei 8.212/91 , a qual finca o dever instrumental de o sujeito passivo lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Nessa vertente, atendendo à normatividade exigida pelo dispositivo legal em ênfase, a alínea ‘a’ do inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, assim destacou: Regulamento da Previdência Social. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 36624.012375/200626 Acórdão n.º 2302001.148 S2C3T2 Fl. 228 23 Abordando as alegações do recorrente por um outro ângulo, não se pode esquecer que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos normativos que regem a imposição da penalidade ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legislativos implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, tampouco de ilegalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ao cabo de tais considerações, impõese consignar que não vislumbramos qualquer vício que possa macular, formal ou materialmente, o procedimento operado pela fiscalização. 3.4. DO PREJUÍZO AOS COFRES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Argumenta o Recorrente que a suposta infração não trouxe nenhum prejuízo aos cofres da Previdência Social, já que se trata tão somente de um dever instrumental, logo não pode a recorrente ser penalizada. A alegação acima postada é totalmente desprovida de razoabilidade. Em primeiro lugar, há que se ter em mente que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a sindicância ágil e segura, pelos agentes do fisco, do efetivo cumprimento das obrigações ditas principais, bem como na prestação de informações de relevante interesse para o Estado, como é o caso ora em apreciação. Dessarte, a mera violação objetiva de obrigação de natureza instrumental, acarreta, por presunção legal, prejuízo imediato no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, bem como outros de natureza parafiscal e extrafiscal. Em segundo lugar, mas não menos importante, o não lançamento de fatos geradores, de forma discriminada, em títulos próprios de sua contabilidade, prejudicou a Fl. 251DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 24 atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos livros fiscais, mas, igualmente, em outras fontes de informação. Aditese que o mero descumprimento de obrigação acessória convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária, e a sua não cobrança representaria prejuízo econômico para a autarquia previdenciária, além de negativa de vigência ao art. 92 da Lei nº 8.212/91. Mostra auspicioso destacar que, nos termos do art. 136 do CTN, a responsabilidade por infração à legislação tributária tem caráter objetivo, independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo irrelevante, igualmente, a sindicância da culpa ou da intenção do infrator. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco mostrase irrelevante para a lavratura do correspondente auto de infração e para a imputação da respectiva penalidade pecuniária. 3.5. DO JULGAMENTO SIMULTANEO COM A NFLD CONEXA. Pondera o Recorrente haver conexão entre o presente processo e aquele referente à NFLD n° 37.140.1709, no qual se discute a obrigação principal, motivo pelo qual devem ser julgados em conjunto. Tal alegação não merece acolhida. O procedimento requerido pelo sujeito passivo mostrase de extrema valia em todas as ocasiões em que nos deparamos com uma relação de prejudicialidade entre o mérito discutido em dois Processos Administrativos Fiscais conexos. No caso vertente, tal cuidado revelase despiciendo, eis que de há muito se assentou a jurisprudência unânime desta Corte Administrativa no sentido de que as verbas pagas a título de prêmio através de cartões de premiação integram o conceito jurídico de salário de contribuição, devendo, nessa qualidade, ser contabilizados em títulos próprios de fatos geradores de contribuição previdenciária. Dessarte, fruto de tais considerações, restou detalhadamente demonstrado que a imputação in comentum resultou de procedimentos administrativos conduzidos em perfeita sintonia com os comandos constitucionais e legais vigentes no Ordenamento Jurídico, Fl. 252DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 36624.012375/200626 Acórdão n.º 2302001.148 S2C3T2 Fl. 229 25 impondose salientar não haver sido detectado qualquer vício, de jaez formal ou material, que possa macular o lançamento operado pela fiscalização. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 253DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002065/2007-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RECEITAS.
Quando a omissão de receita representa cerca de 90% da receita total é de se reconhecer que a escrituração da pessoa jurídica é imprestável à apuração do lucro real, razão pela qual a apuração do IRPJ e da CSLL deve-se realizar com base nas regras do lucro arbitrado.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Ano-calendário: 2004
COFINS.
Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de fevereiro de 2004, inclusive, as pessoas jurídicas que apuraram lucro real, mas que sofreram arbitramento do lucro, devem ter a Cofins exigida em bases cumulativas.
Numero da decisão: 1201-000.476
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto do Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Régis Magalhães Soares de Queiroz.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. Quando a omissão de receita representa cerca de 90% da receita total é de se reconhecer que a escrituração da pessoa jurídica é imprestável à apuração do lucro real, razão pela qual a apuração do IRPJ e da CSLL deve-se realizar com base nas regras do lucro arbitrado. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2004 COFINS. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de fevereiro de 2004, inclusive, as pessoas jurídicas que apuraram lucro real, mas que sofreram arbitramento do lucro, devem ter a Cofins exigida em bases cumulativas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. Quando a omissão de receita representa cerca de 90% da receita total é de se reconhecer que a escrituração da pessoa jurídica é imprestável à apuração do lucro real, razão pela qual a apuração do IRPJ e da CSLL devese realizar com base nas regras do lucro arbitrado. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 COFINS. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de fevereiro de 2004, inclusive, as pessoas jurídicas que apuraram lucro real, mas que sofreram arbitramento do lucro, devem ter a Cofins exigida em bases cumulativas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto do Relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Régis Magalhães Soares de Queiroz. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias – Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Fl. 1205DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 29/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. A autoridade tributária acusa a contribuinte de haver omitido de receitas da atividade durante o anocalendário de 2004, razão pela qual lavrou os autos de infração do IRPJ, CSLL, contribuição para o Pis e Cofins (fls. 713/743). Por motivo de economia processual transcrevo, a seguir, os principais trechos do termo de verificação fiscal (fls. 711/712): (...) Em 30/03/2007, lavramos Termo de Início de Fiscalização (fls 086), cuja ciência pelo contribuinte foi na mesma data, solicitando Livros, Contratos Sociais e alterações, Extratos Bancários e Notas Fiscais de Prestação de Serviços a Terceiros. O contribuinte apresentou os Livros Razão e Diário de 2004 e extratos bancários do Unibanco, não apresentando , entretanto, as Notas Fiscais solicitadas (fls 087). Analisando a DIPJ 2005 Ano Calendário de 2004, cuja forma de tributação foi com base no Lucro Real e a forma de apuração trimestral (fls 007 a 073), bem como os Livros Fiscais apresentados, verificamos que, em ambas, o contribuinte apresentou uma Receita de Prestação de Serviços Anual no valor de R$ 588.241,50 (fls 662 a 693). Com base em DIRFs apresentadas à SRF (fls 074 a 085) referentes a pagamentos efetuados à DBK Sistemas Ltda por serviços prestados, solicitamos a emissão de Mandados de Procedimento Fiscal Extensivos e intimamos às empresas Empresa Brasileira de Telecomunicações S/A Embratel, Light Serviços de Eletricidade S/A, Sul América Seguros de Vida e Previdência S/A, Executivos S/A Administração e Promoção de Seguros, Sul América Cia de Seguro Saúde e Icatu Hartford Seguros S/A, a apresentar cópia das Notas Fiscais emitidas pela empresa fiscalizada por prestação de serviços no Ano Calendário de 2004, bem como comprovantes dos pagamentos das referidas Notas Fiscais e cópia dos Livros Diário e Razão, onde constam os pagamento efetuados pelos serviços prestados. As empresas intimadas apresentaram a documentação solicitada e as Notas Fiscais (fls 88 a 509 525 a 658). Em 04/09/2007, intimamos a DBK Sistemas Ltda, a manifestarse sobre as Notas Fiscais apresentadas pelas empresas circularizadas, devidamente relacionadas, (fls 515 a 521 ), no valor total de R$ 5.284.677,05, bem como a informar os valores retidos na fonte, pelas fontes pagadoras, acompanhados da regular contabilização dos mesmos. O contribuinte não apresentou sua manifestação nem a documentação solicitada. Assim sendo, com base nas Notas Fiscais, elaboramos planilha consolidando as mesmas mês a mês (fls 698). De acordo com as DIRFs apresentadas à RFB, pelas empresas circularizadas, também foram informados valores retidos na fonte da DBK Sistemas Ltda referentes aos códigos 1708 (IRRF Remuneração Serviços Prestados por Pessoa JurídicaJ) e 5952 (Retenção de Contribuições sobre Pagamentos Fl. 1206DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 29/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 18471.002065/200793 Acórdão n.º 120100.476 S1C2T1 Fl. 1.114 3 de Pessoa Jurídica a Pessoa Jurídica de Direito Privado CSLL, COFINS e PIS) ( fls 074 a 085). Com base nas referidas DIRFs, elaboramos planilhas, discriminando, mês a mês os referidos valores (fls 693 a 704), os quais foram compensados pela fiscalização na elaboração do Auto de Infração (...) Havendo a DRJ de origem decidido pela procedência do lançamento, (fls. 1071/1077), a autuada interpôs recurso voluntário, pedindo, ao final, o cancelamento da exigência, sob as seguintes alegações, em síntese (fls. 1088/1097): a) nulidade do lançamento, tendo em vista que a autoridade fiscal não considerou as despesas operacionais autuada. Deveria o fiscal ter auditado as contas da empresa, confrontando receitas e despesas, a fim de apurar ou lucro líquido, ou ainda, desconsiderar a escrita e arbitrar o lucro. Como não fez uma coisa nem outra, acabou por equiparar receita a lucro. É imperioso que a autoridade analise os livros, bem como toda a documentação que serve de suporte à escrituração; b) nulidade da decisão a quo por cerceamento do direito de defesa, uma vez que o órgão de primeiro grau não deferiu o pedido de diligência, nem atendeu a pedido alternativo para que os documentos relativos às despesas operacionais fossem entregues na DRJ; c) à época da auditoria a empresa encontravase em processo de retificação da escrita do ano de 2004, pois, com a substituição do contador, verificouse que os livros não estavam adequadamente escriturados. De boafé a ora recorrente promoveu a regularização da escrita e da DIPJ correspondente, apurando tributos a recolher no valor de R$ 27.941,30, o qual já foi objeto de parcelamento. Assim, não resta dúvida acerca do valor dos tributos devidos, sendo absolutamente inconsistente o valor apontado no auto de infração impugnado, e confirmado pela decisão ora recorrida. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Alegação de Nulidade do Lançamento Não procede a alegação de nulidade do lançamento. Ao contrário do afirmado pela recorrente, a autoridade fiscal não estava obrigada a examinar todas as contas da empresa. Os procedimentos de auditoria contábil em geral, inclusive os de natureza fiscal, no mais das vezes são realizados em observância a uma programação prévia, onde são determinadas as contas a serem auditadas. No caso, conforme informado no termo de verificação fiscal de fls. 711/712, a auditoria tinha como objetivo verificar possível redução indevida da receita líquida Fl. 1207DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 29/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO 4 relativamente ao ano de 2004, logo, a autoridade tributária não estava obrigada a se debruçar sobre as contas de despesas. Por outro lado, não consta que a contribuinte tenha alertado a autoridade fiscal sobre a existência de despesas incorridas, mas não escrituradas. Tal alegação somente veio aos autos com a impugnação ao lançamento. Assim sendo, o auditor, corretamente, considerou na autuação apenas as despesas de que tinha conhecimento, ou seja, aquelas registradas nos livros Diário e Razão apresentados pela própria fiscalizada (fls. 662/692), e igualmente informadas na DIPJ/2005. 3) Da Alegação de Nulidade da Decisão de Primeiro Grau Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa por parte do órgão julgador recorrido. Conforme explicado na decisão combatida, a prova documental deveria ter sido juntada à impugnação, conforme estabelecido no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/72, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Não provada pela defesa a ocorrência de quaisquer das situações previstas nas alíneas “a” a “c” da norma acima transcrita, correto o indeferimento do pedido de diligência para juntada de documentos. 3) Do IRPJ e da CSLL O auditor apurou junto a clientes da fiscalizada, relativamente ao ano de 2004, a existência de notas fiscais de prestação de serviços no montante de R$ 5.284.677,05. Por outro lado, verificou que a contribuinte informou na respectiva DIPJ receitas de apenas R$ 588.241,50. Constatada, portanto, a omissão de receitas no valor de R$ 4.696.435,55, a autoridade efetuou o lançamento com base nas regras do lucro real trimestral, forma de tributação adotada pela contribuinte no ano de 2004. Entretanto, vem se consolidando neste Conselho o entendimento de que quando o montante das receitas omitidas se aproxima de 90% do total das receitas tributáveis, é obrigatório o arbitramento do lucro, por força do disposto no art. 530, II, “b” do RIR/99, que assim prescreve: Fl. 1208DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 29/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 18471.002065/200793 Acórdão n.º 120100.476 S1C2T1 Fl. 1.115 5 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: (...) b) determinar o lucro real; (...) No caso sob exame, as receitas omitidas totalizaram 89% das receitas tributáveis, razão pela qual devese reconhecer estaremem incorretos os lançamentos do IRPJ e da CSLL realizados com base no lucro real. 4) Da Contribuição para o PIS e da Cofins Sendo obrigatório o arbitramento do lucro, a contribuição para o PIS incidente sobre as receitas omitidas no ano de 2004 não poderia ter sido lançada segundo as regras da tributação não cumulativa, a teor do previsto no art. 8º, II, da Lei nº 10.637/2002: Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (...) O mesmo se diga em relação à Cofins referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro a dezembro de 2004, conforme art. 10, II, e 93, I, ambos da Lei nº 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (...) Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeito, em relação: I aos arts. 1o a 15 e 25, a partir de 1o de fevereiro de 2004; Fl. 1209DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 29/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO 6 (...) Por fim, no que toca à Cofins relativa ao mês de janeiro de 2004, como se refere a fato gerador ocorrido antes que o art. 10, II, da Lei nº 10.833/2003 produzisse seus efeitos, correto está o lançamento efetuado com base na Lei Complementar nº 70/91 (fl. 738). 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para: a) afastar a exigência do IRPJ, da contribuição para o PIS e da CSLL; b) afastar a exigência da Cofins relativa aos fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro a dezembro de 2004; c) manter a exigência da Cofins relativa ao fato gerador ocorrido no mês de janeiro de 2004. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1210DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 29/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10240.901523/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA
APRESENTADA APÓS A DECISÃO QUE INDEFERIU A
COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega pelo contribuinte
de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF
e do Demonstrativo de
Apuração de Contribuições Sociais DACON,
após a decisão que indeferiu a
compensação, visto que demandaria a análise de documentação e escrita
contábil do contribuinte, o que não seria possível na fase recursal, sem a
prévia apreciação pela Fiscalização. Inteligência do art. 74, §§1º e 3º, inciso
VI, da Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-000.887
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos
do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO RETIFICADORA APRESENTADA APÓS A DECISÃO QUE INDEFERIU A COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega pelo contribuinte de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, após a decisão que indeferiu a compensação, visto que demandaria a análise de documentação e escrita contábil do contribuinte, o que não seria possível na fase recursal, sem a prévia apreciação pela Fiscalização. Inteligência do art. 74, §§1º e 3º, inciso VI, da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Improvido.
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IMPOSSIBILIDADE. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega pelo contribuinte de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, após a decisão que indeferiu a compensação, visto que demandaria a análise de documentação e escrita contábil do contribuinte, o que não seria possível na fase recursal, sem a prévia apreciação pela Fiscalização. Inteligência do art. 74, §§1º e 3º, inciso VI, da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente Antônio Lisboa Cardoso Fl. 104DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros:José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 20.12.2006, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada, com crédito de Cofins referente a pagamento indevido (efetuado através do DARF descrito na fl.03), no valor original de R$ 1.751,36, conforme ementa de fl. 65, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada em 30/08/2010 (AR – fl. 68), a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 69/72 (e documentos de fls. 70/97) em 25/08/2010, alegando, em síntese, que sua atividade econômica preponderante é o comércio atacadista de defensivos agrícolas e produtos agropecuários, sendo que, na apuração do imposto do período de apuração de Janeiro de 2006 foi atribuída à base de cálculo da COFINS o valor das vendas de produtos isentos deste imposto, conforme dispõe o art. 1° da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004, in verbis: “Art. 1° Ficam reduzidas a O (zero) as aliquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas; II defensivos agropecuários classificados na posição 38.08 da TIPI e suas matériasprimas; III sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei no 10.711, de 5 de agosto Fl. 105DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS Processo nº 10240.901523/200942 Acórdão n.º 330100.887 S3C3T1 Fl. 105 3 de 2003, e produtos de natureza biológica utilizados em sua produção; IV corretivo de solo de origem mineral classificado Capitulo 25 da TIPI;” Logo, o fato gerador da COFINS foi majorado indevidamente, em virtude da desconsideração do benefício fiscal imputado para tais produtos, sendo pago a maior o valor de R$ 2.069,99, pois houve um pagamento no valor de R$ 3.325,04, sendo que o valor devido é de R$ 1.255,05. Constatado o erro, argumenta que formalizou processo de PER/DCOMP transmitido em 20.12.2006, através do qual foi efetivada a compensação de débito no valor original de no valor original de R$ 1.751,36, referente à COFINS do período de novembro de 2006, conforme Declaração de Compensação n° 14131.99749.201206.1.3.048199. Assim sendo, considerando que a Recorrente efetuou as retificações das informações da Declaração de Débitos e Créditos Tributários federais — DCTF e Do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — DACON, onde foi corrigida a base de cálculo do imposto e, consequentemente o valor devido da COFINS do período de Janeiro de 2006, para R$ 1.255,05, demonstrando e comprovando, desta forma, o surgimento de um crédito tributário e, portanto, legitimidade para compensar com qualquer tributo, caso que foi efetivado através da PER/DCOMP n°14131.99749.201206.1.3.048199. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e revestido dos demais requisitos indispensáveis à sua admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. De acordo com o despacho decisório de fls. 6/7, de 25/05/2009, o indébito foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação ou restituição: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos ( ) integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do credito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". Fl. 106DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS 4 Entretanto, após o referido despacho decisório, a recorrente procedeu à retificação das DACON/DCTF, em 23/06/2009, conforme se observa à fl. 28. Existe óbice de ordem legal ao pleito da recorrente, conforme consta do art. 74, §3, VI, da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)” É neste sentido que perfilha a jurisprudência deste E. CARF, conforme depreendese pelas seguintes ementas parcialmente transcritas: “PROVA DECLARAÇÃO RETIFICAÇÃO A apresentação de um formulário, apenas no momento do recurso voluntário com valores alterados em relação à declaração original, não tem o valor de uma declaração retificadora. Pode servir como uma planilha demonstrativa de cálculos, mas a modificação dos valores deveria ter sido comprovada por documentos efetivos”. (Ac. 120100.033, 2ª Câmara da 1ª TO da 1ª Seção/CARF, DOU01 14/02/2011, pág. 68) No mesmo sentido: “Assunto: normas de administração tributária anocalendário: 2001 Dcomp, retificação do débito após decisão que negou homologação à compensação, a manifestação de inconformidade contra a decisão da autoridade fiscal que não homologa a compensação declarada pelo sujeito passivo, ou mesmo o recurso voluntário que fustiga decisão de primeiro grau que Fl. 107DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS Processo nº 10240.901523/200942 Acórdão n.º 330100.887 S3C3T1 Fl. 106 5 manteve o entendimento nãohomologatório, não constituem meios adequados para veicular a retificação do débito indicado na declaração de compensação.” (Ac. nº 110200.174 (DOU01, 20/09/2010 pág. 33) Desta forma, nova declaração de compensação somente pode ser apresentada, após a apreciação ao pedido de retificação apresentado pelo contribuinte, pois, demandaria a análise de documentação e escrita contábil do contribuinte, o que não seria possível neste momento recursal, sem a prévia apreciação pela Fiscalização. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 07 de abril de 2011 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 108DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Assinado digitalmente em 02/06/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA POSS AS
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Numero do processo: 13707.000270/2004-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa: COMPANHEIRA. DEDUÇÃO COMO DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO. A lei admite a dedução, como dependente, de companheiro ou companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor, se houver filho em comum. Para tanto, todavia, o Contribuinte deve demonstrar, de forma inequívoca, a existência
da vida em comum por período igual ou superior ao acima referido.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.127
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Ementa: COMPANHEIRA. DEDUÇÃO COMO DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO. A lei admite a dedução, como dependente, de companheiro ou companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor, se houver filho em comum. Para tanto, todavia, o Contribuinte deve demonstrar, de forma inequívoca, a existência da vida em comum por período igual ou superior ao acima referido. Recurso negado.
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DEDUÇÃO COMO DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO. A lei admite a dedução, como dependente, de companheiro ou companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor, se houver filho em comum. Para tanto, todavia, o Contribuinte deve demonstrar, de forma inequívoca, a existência da vida em comum por período igual ou superior ao acima referido. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 49DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório EDSON DE SOUZA einterpôs recurso voluntário contra acórsão da DRJ RIO DE JANEIRO/RJ II (fls. 19) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 02, que alterou o resultado da Declaração de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2003, de imposto a restituit de R$ 93,99 para imposto a pagar de R$ 408,13. O lançamento decorreu da glosa do valor deduzido como dependentes (R$ 3.816,00) na apuração da base de cálculo do imposto. O Contribuinte impugnou o lançamento e aduziu, em síntese, que Rosane de Souza Costa é sua companheira há treze anos e que seus filhos menores Michele Costa Pinheiro e Anderson Costa Monteiro Rosane vivem em sua companhia. A DRJRIO DE JANEIRO/RJ II julgou improcedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que, segundo os elementos carreados aos autos, o Recorrente era casado com Selva de Jesus Macedo de Souza no anocalendário de 2000, conforme informado pelo próprio Contribuinte na sua Declaração de Rendimentos, e que, portanto, em 2002, não poderia ter vida em comum com Rosane de Souza Costa por mais de cinco anos, conforme define o art. 35, II da Lei nº 9.250, de 1995. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 07/11/2007 (fls. 23v) e, em 30/11/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 26, que ora se examina, e no qual reitera em síntese que tem vida em comum com Rosane de Souza Costa e que apresenta novas provas. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da glosa de valor declarado como dedução com dependentes. Segundo afirma o Contribuinte, os dependentes em questão seriam Rosane de Souza Costa, que seria sua companheira há treze anos, e os filhos desta, Michele Costa Pinheiro e Anderson Costa Monteiro Rosane, que vivem em sua companhia. Fl. 50DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 13707.000270/200447 Acórdão n.º 220101.127 S2C2T1 Fl. 2 3 Sobre a dedução de companheira ou companheiro como dependente, a matéria está regulada pelo art. 35, II da Lei nº 9.250, de 1995. Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: [...] II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; A lei, portanto, reconhece o direito à dedução, porém define, objetivamente, a existência de vida em comum por cinco anos ou mais ou a existência de filho resultante da união. É preciso também que a vida em comum seja comprovada de forma inequívoca. Neste caso, com mais razão ainda, vez que, segundo o documento de fls. 37, apresentado pela própria defesa, até 07/07/1999 o Contribuinte era casado. E o que se vê é que os elementos apresentados de modo algum comprovam a existência de vida em comum pelo período de cinco anos ou mais. Ou são meras declarações de particulares, ou documentos particulares em nome da suposta companheira em que aparece indicado o mesmo endereço do Recorrente. Ora, as declarações de particulares não têm fé pública para serem aceitas por si mesmas como elemento de prova e os demais documentos apenas indicam algum tipo de relação entre o Contribuinte e a senhora Rosane que não necessariamente seria uma união estável. Nestas condições, penso que o Recorrente não logrou comprovar a relação de dependência. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 51DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/05/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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Numero do processo: 18471.002581/2008-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2004
BOLSAS DE ESTÁGIO. AUSÊNCIA DE INTERVENIÊNCIA DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO NO TERMO DE COMPROMISSO. ESTÁGIO REALIZADO SOB A FORMA DE AÇÃO COMUNITÁRIA. CASO DE EXPRESSA DISPENSA LEGAL. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Conforme determinado pelo art. 28, 9º, “i” da Lei 8.212/91, uma vez cumpridos os requisitos determinados pela Lei 6.494/77, os valores pagos a título de bolsa auxílio de estágio educacional não são objeto de incidência das contribuições previdenciárias, já que o termo de compromisso de estágio não é exigível para os casos em que o estágio é realizado sob a forma de ação
comunitária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.828
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade dar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Jhonatas Ribeiro da Silva, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Igor Araújo Soares.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2004 BOLSAS DE ESTÁGIO. AUSÊNCIA DE INTERVENIÊNCIA DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO NO TERMO DE COMPROMISSO. ESTÁGIO REALIZADO SOB A FORMA DE AÇÃO COMUNITÁRIA. CASO DE EXPRESSA DISPENSA LEGAL. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Conforme determinado pelo art. 28, 9º, “i” da Lei 8.212/91, uma vez cumpridos os requisitos determinados pela Lei 6.494/77, os valores pagos a título de bolsa auxílio de estágio educacional não são objeto de incidência das contribuições previdenciárias, já que o termo de compromisso de estágio não é exigível para os casos em que o estágio é realizado sob a forma de ação comunitária. Recurso Voluntário Provido.
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AUSÊNCIA DE INTERVENIÊNCIA DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO NO TERMO DE COMPROMISSO. ESTÁGIO REALIZADO SOB A FORMA DE AÇÃO COMUNITÁRIA. CASO DE EXPRESSA DISPENSA LEGAL. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Conforme determinado pelo art. 28, 9o, “i” da Lei 8.212/91, uma vez cumpridos os requisitos determinados pela Lei 6.494/77, os valores pagos a título de bolsa auxílio de estágio educacional não são objeto de incidência das contribuições previdenciárias, já que o termo de compromisso de estágio não é exigível para os casos em que o estágio é realizado sob a forma de ação comunitária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Jhonatas Ribeiro da Silva, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Fl. 208DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Jhonatas Ribeiro da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 209DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002581/200807 Acórdão n.º 240101.828 S2C4T1 Fl. 209 3 Relatório Tratase do Auto de Infração n. 37.190.4218, consolidado em 13/10/2008 no valor de R$ 18.792,03 (dezoito mil, setecentos e noventa e dois reais e três centavos). O crédito contempla as contribuições patronais para outras entidades e fundos (Salário Educação, Sebrae, Incra e Sescoop). De acordo com Relatório Fiscal, fls. 20/25, os fatos geradores que deram ensejo ao lançamento foram os pagamentos a trabalhadores admitidos como estagiários sem observância dos requisitos legais. Afirma a Auditoria que constatou, mediante análise da escrituração da empresa autuada, a existência de pagamentos à entidade denominada Círculo dos Amigos do Menino Patrulheiro – CAMP MANGUEIRA, os quais a empresa alegou que se tratavam de desembolsos decorrentes de convênio com essa entidade, objetivando a promoção de estágio para estudantes do ensino médio. Na seqüência, o Fisco complementa: Para que fosse comprovado a regularidade na contratação de estagiários foi solicitado que o contribuinte apresentase os instrumentos jurídicos celebrados entre as instituições de ensino e a UNIMED, bem como os termos de compromisso firmados entre os estudantes e a UNIMED. Somente foram apresentados os termos de compromisso firmados entre a UNIMED e os menores e o instrumento de convênio celebrado entre o CAMPMangueira e a UNIMED. Nestes documentos não foi verificado a interveniência das instituições de ensino. 7. Diante dos fatos apresentados, não tendo o contribuinte cumprido todos os requisitos legais para a realização do estágio, foram os menores caracterizados como segurados empregados para fins tributários e previdenciários. Para tal foram lançadas de ofício as contribuições devidas. 8. O lançamento utilizou como base os valores constantes na escrituração contábil( conta 22.815.20000A88), na medida em que a empresa não possui folha de pagamento relativa aos estagiários do CAMP Mangueira. Tais valores estão discriminados no anexo 1 deste relatório. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 56/73, na qual alega que a época da ocorrência dos fatos geradores, embora a Lei n. 6.494/1977 previsse a necessidade de interveniência da instituição de ensino, não determinava a forma como esta deveria ser operacionalizada. Sustenta que nem mesmo o Decreto n. 87.497/1982, que a regulamentou, tratou dessa questão. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Conclui, assim, que a aceitação curricular por parte da instituição pode se dar até de forma tácita. Advoga que, somente anos mais tarde, a formalização da interveniência da instituição de ensino teve regulamentação. A qual se deu com a promulgação da Lei n°. 11.788, de 25 de Setembro de 2008, estabelecendo em seus artigos 7° e 16 a necessidade da concordância da Instituição de Ensino nos Termos Compromissos firmados entre o Estudante e a Concedente. Afirma também que, nos termos do § 2. do art. 3. da Lei n. 6.494/1977, os estágios realizados sob a forma de ação comunitária, o que é o caso do convênio celebrado com o CAMP Mangueira, estariam isentos da celebração de termo de compromisso. Cita trechos doutrinários acerca do princípio da legalidade e da vinculação do ato administrativo à lei, para justificar o alegado erro da Auditoria em tributar as verbas em questão, posto que os pagamentos foram efetuados de acordo com a lei de regência, estando os mesmos fora do campo de incidência de contribuições. Segue afirmando que, embora o Auditor Fiscal afirme que caracterizou os estagiários como segurados empregados, em nenhuma passagem do seu relato foram descritos os pressupostos fáticos jurídicos relacionados ao liame empregatício. A base de cálculo, afirma, foi fixada a maior, posto que incluiu, além do valor das bolsas repassadas aos estagiários, a quantia destinada ao agente de integração, a qual representava um percentual de 25% do salário mínimo para cada aluno contratado. A Delegacia de Julgamento Rio de Janeiro I decidiu, fls. 121/129, considerou procedente o lançamento. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2004 PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO AOS ESTAGIÁRIOS, EM DESACORDO COM A LEI REGENTE. ENQUADRAMENTO COMO SEGURADOS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES. Incide contribuição social para outras entidades sobre os valores pagos aos estagiários, em desacordo com a lei 6.494/77, enquadrados como segurados empregados (art.3° da lei 11.457/07, art.28, I e art. 94 da lei 8.212/91). Lançamento Procedente Não se conformando, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, fls. 168/182, no qual pede que o Acórdão da DRJ seja reformado, de modo que se declarem improcedentes as contribuições lançadas, pelas mesmas razões de mérito apresentadas na defesa. Em suas ponderações a recorrente afirma que, de fato, nos termos do art. 111, I, e do art. 175, I, do CTN, os dispositivos que tratam de isenção tributária devem ser interpretados literalmente, todavia, o fato de se considerar a possibilidade de haver concordância tácita da instituição de ensino em nada afeta a interpretação desses dispositivos Fl. 211DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002581/200807 Acórdão n.º 240101.828 S2C4T1 Fl. 210 5 da legislação previdenciária. Por isso não se sustenta a justificativa dada pela DRJ para manter a exação sob cuidado. É o relatório. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Incidência de contribuição sobre bolsa de estágio O destino da presente lide resumese em verificar se há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos pela empresa a título de bolsa de estágio. De acordo com a Lei n. 8.212/1991, se os pagamentos forem feitos em consonância com a legislação de regência, tais verbas não se submetem à tributação previdenciária. Vejamos o previu o legislador: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; (...) Do dispositivo acima, podese extrair que somente haverá incidência sobre os valores repassados a título de bolsa educacional ao estagiário se a empresa descumprir os ditames da lei que rege a matéria. O Fisco aponta que a falta de um requisito formal, qual seja, a interveniência da instituição de ensino, representaria afronta à Lei n. 6.494/1977, devendo, por esse motivo, exigir as contribuições sobre tais parcelas. A empresa alega que a Lei de regência não fixou a forma como deveria ser a anuência da escola ao contrato de estágio, portanto, essa manifestação poderia se dar tacitamente, pelo que não haveria motivo para exação, sendo improcedente o lançamento. Não custa transcrever trecho da hoje revogada Lei n. 6.494/1977, na parte que trata da questão: Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, como interveniência obrigatória da instituição de ensino. § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no parágrafo 2º do art. 1º desta Lei. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002581/200807 Acórdão n.º 240101.828 S2C4T1 Fl. 211 7 § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no § 3° do art. 1º desta lei.(Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 2º Os estágios realizados sob a forma de ação comunitária estão isentos de celebração de termo de compromisso. Vêse que o legislador erigiu como condição obrigatória para a realização do contrato de estágio a interveniência da instituição de ensino. Há de se aplaudir a exigência dessa formalidade, uma vez que o estágio, na verdade, tem por finalidade precípua integrar os conhecimentos escolares com aqueles encontrados no mercado de trabalho, propiciando ao estudante a experiência prática na sua área de formação. Assim, a escola tem papel fundamental na verificação das atividades a serem desenvolvidas pelo estagiário, bem como na observância de compatibilidade entre o horário escolar e a carga horária do trabalho. Essa participação evita também a ocorrência de fraudes, que se dão mediante a fixação de vínculos de trabalho travestidos de contrato de estágio, ou seja, a instituição de ensino cumpre também um papel de fiscalização da relação empresaaluno. Constatando a necessidade da anuência da escola, resta saber se a mesma poderia se dar de forma tácita como defende a recorrente. Socorramonos do Decreto n. 87.497/1982, que regulamentou a Lei do Estágio: Art . 6º A realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. § 1º O Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. § 2º O Termo de Compromisso de que trata o parágrafo anterior deverá mencionar necessariamente o instrumento jurídico a que se vincula, nos termos do artigo 5º. § 3º Quando o estágio curricular não se verificar em qualquer entidade pública e privada, inclusive como prevê o § 2º do artigo 3º da Lei nº 6.494/77, não ocorrerá a celebração do Termo de Compromisso. A leitura do § 1. acima dissipa qualquer dúvida sobre a questão. O regulamento indica claramente que o Termo de Compromisso, que deverá conter a interveniência da escola, constituise de comprovante de inexistência de vínculo de emprego a ser apresentado à autoridade competente. A leitura que se pode tirar do dispositivo é que, uma vez solicitado o Termo de Compromisso e esse não seja apresentado ou contenha deficiência, há de se concluir pela existência da relação de emprego. É exatamente essa situação que exsurge dos autos. Na ação fiscal foi solicitado o contrato de estágio, todavia, o mesmo foi exibido sem a interveniência da escola, o que lhe retira a validade. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Outra alegação que não merece acatamento é a de que o estágio firmado com a recorrente teria sido ajustado na modalidade de ação comunitária, o que lhe isentaria da obrigação de firmar o Termo de Compromisso, conforme o § 2. do art. 3. da Lei n. 6.494/1977, acima reproduzido. Não é essa a conclusão a que cheguei. Inicialmente cabe ressaltar que é intuitivo o conceito de ação comunitária, a qual se caracteriza por atividades vinculada à prestação de serviços à coletividade. Tratase de interação entre a escola e a comunidade, na qual os estagiários atuam em campanhas, empreendimentos ou projetos colocando seus serviços à disposição da sociedade. Lendo o § 3. do art. 6. do Decreto n. 87.497/1982, verifico que a outra conclusão não posso chegar, vejamos: § 3º Quando o estágio curricular não se verificar em qualquer entidade pública e privada, inclusive como prevê o § 2º do artigo 3º da Lei nº 6.494/77, não ocorrerá a celebração do Termo de Compromisso. O dispositivo deixa claro que somente não haverá a necessidade do Termo de Compromisso quando a realização estágio não ocorrer em entidade pública ou privada. Portanto, na espécie não há que se falar na inexistência da obrigação sob comento, uma vez que UNIMED caracterizase como entidade privada. Caracterização de estagiários como segurados empregados Assevera a recorrente que tendo a Auditoria mencionado a caracterização dos estagiários como segurados empregados, haveria a necessidade de demonstrar a existência dos pressupostos do vínculo de emprego. Não enxergo por essa ótica. Nesse caso, o Fisco aplicou uma presunção prevista na própria legislação. A dicção do dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999 (redação vigente na época dos fatos), que abaixo reproduzirei não deixa dúvida: Art.9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: Icomo empregado: (...) h)o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa, em desacordo com a Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; (...) O próprio Decreto n. 87.497/1982, como já visto, erige o Termo de Compromisso como documento comprobatório da inexistência de vínculo de emprego. Assim, tendose em conta que os pressupostos fáticojurídicos da relação de emprego, quais sejam, pessoalidade, subordinação, não eventualidade e remuneração estão também presentes no contrato de estágio, a descaracterização desse último acarreta automaticamente no reconhecimento do primeiro. Erro na base de cálculo Fl. 215DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002581/200807 Acórdão n.º 240101.828 S2C4T1 Fl. 212 9 Acusa a empresa que a base tributável foi superdimensionada, posto que incluiu a remuneração do agente de integração, no caso o CAMP Mangueira. Essa alegação, embora plausível, para ser aceita deveria ter sido carreada de provas que pudessem lhe dar sustentação. Os comprovantes de repasse de tais valores, ou mesmo a discriminação dos valores lançados na contabilidade, onde restasse comprovado o total destinado às bolsas de complemento educacional e a parcela destinada pagamento pelos serviços prestados entidade de integração seriam provas irrefutáveis que militariam em favor da recorrente. Todavia, a mera alegação não é suficiente, até porque, se a empresa está a afirmar que os valores estão incorretos, deveria, por encargo processual de se provar o alegado, indicar quais seriam os valores efetivamente pagos aos estagiários. Vejase que, nos termos do relato do Fisco, a empresa sequer disponibilizou a lista dos estagiários. Assim, diante de uma alegação desprovida de elementos probatórios, opto por não acolhêla. Conclusão Diante das considerações apresentadas, voto pelo conhecimento do recurso e pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares, Redator designado: Em que pesem os fundamentos de decidir sempre bem lançados no voto do Em. Relator, não vejo outra solução a ser aplicada no presente caso, senão dele divergir quando à conclusão adotada. No caso dos autos discutese a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos pela empresa a título de bolsa de estágio, tendo sustentado o contribuinte, em seu recurso, que não descumpriu a Lei 6.494/77 em razão de que o estágio firmado o foi na modalidade de ação comunitária. O assunto merece algumas ponderações. Inicialmente, há de se reconhecer que o art. 28, § 9º da Lei 8.212/91 expressamente consignou que a bolsa de complementação educacional (bolsa de estágio) recebida pelo estagiário, não integra o salário de contribuição para fins de incidência das contribuições previdenciárias. Confirase o seu teor: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 216DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; Da leitura de referido dispositivo, concluise que para o deslinde da controvérsia deveremos observar se a recorrente cumpriu os requisitos determinados na Lei 6.494/77, de modo a perquerir se esta agiu acertadamente quando entendeu não incidirem as contribuições sobre as parcelas pagas a título de bolsa. O fundamento adotado pela fiscalização para fins de cobrança das contribuições foi o fato de que o Termo de Compromisso de Estágio apresentado não continha a interveniência da instituição de ensino, o que ensejou a tributação das parcelas pagas.E, de fato, a Lei 6.494/77 exige que o Termo de Compromisso de Estágio seja elaborado com a interveniência da instituição de ensino, para que então possa estar configurada a situação de não incidência e inclusive venha a ser afastado o vínculo de emprego. Se no caso dos autos, a recorrente apresentou os Termos sem a devida interveniência da instituição de ensino, o entendimento da fiscalização, a princípio, estaria correto. Entretanto, a mesma Lei 6.494/77 assim dispôs em seu art. 3o, verbis: Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, como interveniência obrigatória da instituição de ensino. § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no parágrafo 2º do art. 1º desta Lei. § 1º Os estágios curriculares serão desenvolvidos de acordo com o disposto no § 3° do art. 1º desta lei.(Redação dada pela Lei nº 8.859, de 23.3.1994) § 2º Os estágios realizados sob a forma de ação comunitária estão isentos de celebração de termo de compromisso. Ora o mesmo artigo que determina a obrigatoriedade da elaboração do termo de compromisso de estágio com a interveniência da instituição de ensino, trouxe a lume situação na qual é dispensada a sua realização, ou seja, situação na qual nem mesmo é exigida a elaboração do Termo de Compromisso de Estágio para que o estágio, de fato, seja reconhecido como estágio, na forma determinada pela própria Lei 6.494/77. Diante de tais considerações, analisando a documentação carreada aos autos, bem como as próprias alegações constantes do recurso voluntário, verificase que o lançamento fora realizado sobre pagamentos efetuados à entidade denominada Círculo dos Amigos do Menino Patrulheiro – CAMP MANGUEIRA. Fl. 217DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.002581/200807 Acórdão n.º 240101.828 S2C4T1 Fl. 213 11 A finalidade de dita entidade, em que pesem os argumentos expostos no voto do Em. Relator, me parece, ao contrário, apontar requisitos intrínsecos do exercício de ação comunitária para fins de isenção das contribuições previdenciárias lançadas, já que, a meu ver inserese a determinação legal do art. 3o 2o da Lei 6.494/77. O conceito de ação comunitária, a meu ver, deve ser entendido como a adoção de medidas sociais e educativas dirigidas e voltadas para a melhoria das condições sócioeducativas, de qualificação profissional, promoção da saúde e de direitos de cidadania, dentre outras, para aqueles que estão à margem de usufruir dignamente de tais condições. O CAMP Mangueira tem como objetivo contribuir para a formação de menores adolescentes, necessitados e carecedores de condições para uma inserção no contexto social do mercado de trabalho que lhes possam melhorar as condições de vida, garantindolhes o acesso a cursos preparatórios, palestras educativas, acompanhamento psicológico, preparandoos para o posicionamento em funções que lhes proporcionem o contato com um ambiente de trabalho, na tentativa de colaborar com o seu desenvolvimento, amadurecimento e crescimento. Ademais, além dos demais elementos dos autos, da análise do seu sítio na internet (www.campmangueira.org.br), percebese também que seu modo de agir, quanto aos estágios em que posiciona os beneficiados de sua ação, ostenta o acompanhamento das equipes de serviço social e psicologia da instituição que verificam sempre se o caráter pedagógico das atividades desenvolvidas pelos jovens está sendo privilegiado e ampliado bem como avaliam o desenvolvimento profissional dos mesmos. Diante de tais informações e inclusive da notoriedade dos serviços prestados pelo CAMP Mangeuria, não vejo como entender que tais objetivos, finalidades e ações, que logicamente devem ser tomadas em conjunto com outras entidades privadas, não possam estar compreendidas dentro do conceito de ação comunitária, ponto no qual peço vênias para divergir do relator. Por tais motivos, entendo estar configurada a situação de dispensa legal da exigência de elaboração do Termo de Compromisso de Estágio, e, portanto, da anuência da instituição de ensino em referido termo, motivo pelo qual concluo, sobre este ponto, não ter havido qualquer ofensa à Lei 6.494/77. Por fim, em assim sendo, e por via de conseqüência, reconheço que as parcelas pagas e objeto do lançamento o foram em consonância com o disposto na alínea, “i” parágrafo 9o do art. 28, , da Lei 8.212/91. Ante todo o exposto, pedindo vênias ao Em. relator, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para declarar improcedente o lançamento. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 218DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Fl. 219DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por IGOR ARAUJO SOARES , 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10166.009590/2002-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
RETENÇÃO POR ÓRGÃO PÚBLICO. COMPROVADO.
Comprovado que houve a retenção da Cofins por órgãos públicos, o valor
retido deve ser excluído do lançamento de ofício, mesmo que tal retenção
tenha sido informada na DCTF como pagamento via DARF.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-000.997
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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materia_s : DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 RETENÇÃO POR ÓRGÃO PÚBLICO. COMPROVADO. Comprovado que houve a retenção da Cofins por órgãos públicos, o valor retido deve ser excluído do lançamento de ofício, mesmo que tal retenção tenha sido informada na DCTF como pagamento via DARF. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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COMPROVADO. Comprovado que houve a retenção da Cofins por órgãos públicos, o valor retido deve ser excluído do lançamento de ofício, mesmo que tal retenção tenha sido informada na DCTF como pagamento via DARF. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Alan Fialho Gandra. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Fl. 109DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração eletrônico para exigir o pagamento de Cofins, relativa aos meses de outubro a dezembro de 1997, tendo em vista que não foram localizados pagamentos informados na DCTF. Inconformada com a autuação, no dia 10/07/2002, a empresa interessada impugnou o lançamento, alegando que os pagamentos informados referemse, de fato, a valores retidos pelo INCRAMT, CISCEA e pela empresa LENC. Junta cópia de tela do SIAFI do INCRAMT e do CISCEA (Comando da Aeronáutica), bem como do Darf recolhido pela empresa LENC, e das respectivas notas fiscais; No despacho de fl. 45/48, a DRF Brasília – DF informa que não existem retenções declaradas em favor da recorrente. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília DF julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/BSA nº 16.082, de 21/12/2005, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Exercício: 1997 Ementa: COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS COM VALORES RETIDOS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. A contribuinte tem que comprovar a retenção havida por órgãos públicos para efetuar a compensação com os tributos devidos e declarados em DCTF. Caso contrário há que se manter a exigência fiscal. CONVENÇÕES PARTICULARES Salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não pode se opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Lançamento Procedente em Parte. Ciente desta decisão em 15/05/2006, a interessada ingressou, no dia 12/06/2006, com o recurso voluntário de fls. 56/61, no qual repisa os argumentos da impugnação, reforçando seus argumentos a respeito da Cofins devida na operação de sub contratação de serviços junto à empresa LENC, que detinha contrato de prestação de serviços com a NOVACAP e esta não estava obrigada a reter a Cofins. A empresa LENC efetuou o pagamento da exação e o descontou do valor da subempreitada pago à recorrente. Na sessão realizada no dia 07/11/2008 a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência à repartição de origem para esta confirmar a alegação da recorrente de que houve retenção, pelo INCRA e pela CISCEA, da exação lançada, conforme Resolução nº 20100.791 (fls. 67/68). Realizado a diligência, a DRF em Brasília DF confirmou a existência das retenções alegadas pela recorrente, conforme Termo de Encaminhamento de fl. 85. É o Relatório do essencial. Fl. 110DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10166.009590/200277 Acórdão n.º 330200.997 S3C3T2 Fl. 10.8 3 Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário foi conhecido na sessão do dia 07/11/2008. Como relatado, a empresa autuada informou em DCTF o pagamento da Cofins por meio de DARFs que resultaram não sendo localizados nos sistemas de controle da RFB e, consequentemente, foi lavrado o auto de infração competente para exigir o pagamento da exação. Em seu recurso, a empresa alega que cometeu erro no preenchimento da DCTF porque, de fato, não houve pagamento mas retenções por parte dos órgãos públicos federais INCRA e CISCEA e, também, pela empresa LENC, contratada pela NOVACAP para prestar serviços que foram sublocados à recorrente. Esclareço, preliminarmente, que os valores da Cofins devidos e declarados na DCTF são os mesmos declarados na DIPJ. Foi realizado diligência para constatar se houve, efetivamente, as retenções por órgãos públicos federais alegadas pela recorrente, no que resultou confirmado. Portanto, embora a recorrente tenha declarado erroneamente pagamentos na DCTF, ela efetivamente suportou o ônus das exações retidas pelo INCRA e pela CISCEA, conforme ficou provado. Portanto, deve ser excluído do lançamento os valores retidos por esses órgãos públicos. Com relação à alegação de que a empresa LENC teria efetuado retenção de Cofins devida pela recorrente, não há como prosperar tal alegação por absoluta falta de previsão legal para tal procedimento. Tanto é que as provas trazidas pela recorrente são DARFs em nome da empresa LENC e não em seu nome. Portanto, pagamento efetuados por uma empresa não pode ser aproveitado por outra empresa, mesmo que esta tenha sublocado algum serviço daquela. Neste caso, cada empresa tem sua própria receita e cada empresa incorreu no fato gerador da Cofins, isoladamente. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do auto de infração os valores retidos pelo INCRA e pela CISCEA, alegados pela recorrente. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 111DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Fl. 112DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003310/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2003
PEDIDO DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO.
A simples informação de pagamento do crédito tributário não contesta a matéria lançada, e não permite o prosseguimento da lide por falta de objeto.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2101-001.124
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
1.0 = *:*
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AUSÊNCIA DE LITÍGIO. A simples informação de pagamento do crédito tributário não contesta a matéria lançada, e não permite o prosseguimento da lide por falta de objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: presentes José Raimundo Tosta Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Maria Paula Farina Weidlich, Célia Maria De Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 4 a 9, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, para lançar infração de glosa de despesas médicas, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$5.781,86, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 1), acatada como tempestiva, informando que já havia apresentado os comprovantes das despesas médicas e que novamente estava anexando cópias autenticadas desses documentos. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 89 a 93): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Ementa: DESPESAS MÉDICAS Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto de renda, poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza. Lançamento Procedente em Parte RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 17/08/2009 (fl. 96), o contribuinte apresentou, em 28/08/2009, o recurso de fls. 97 a 109, onde informa que o imposto suplementar cobrado era de R$4.865,82, mas que já pagou, em 29/09/2008, o valor de R$4.949,88, e solicita a extinção do crédito tributário pelo pagamento. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 110, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.003310/200612 Acórdão n.º 210101.124 S2C1T1 Fl. 112 3 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo, e traz como único argumento o pedido de extinção do crédito tributário com o DARF de fl. 103. Desta forma, não houve contestação do objeto da autuação, a glosa de despesas médicas, o que demonstra que não houve impugnação da matéria lançada. A extinção do crédito tributário pelo pagamento é direito líquido e certo do contribuinte, desde que ele tenha se dado nos termos da legislação tributária e não esteja alocado a outro débito, e não necessita da intervenção da autoridade julgadora. Por outro lado, se o recolhimento indicado for insuficiente para quitar o débito, nos termos da legislação aplicável, o recorrente não trouxe argumentos que validem o cálculo efetuado. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO, por inexistência de litígio a ser apreciado por este Colegiado. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 121DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19647.006069/2006-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999, 2000
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SISTEMÁTICA. DECADÊNCIA.
No julgamento havido no Recurso Especial nº 973.733 SC
(2007/01769940), havido na sistemática da repercussão geral, o STJ decidiu que nos casos de lançamento por homologação o deslocamento (antecipação) do termo inicial de contagem de decadência para a data da ocorrência do fato gerador
tributário exige a figura do pagamento. In casu, ante a inexistência de pagamentos, o direito fiscal no lançamento procedido em data de 13 de julho de 2006 afeto a fato gerador ocorrente no ano-calendário de 2000 não se
encontra contaminado pelo fenômeno extintivo, enquanto o tributo relativo ao ano-calendário de 1999, ainda que contado o prazo qüinqüenal de decadência a partir do primeiro dia útil do exercício subseqüente, atraiu aquele.
Numero da decisão: 1103-000.504
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em DAR
provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao ano-calendário de 1999, vencidos o Conselheiro Marcos Shigueo Takata e
a Conselheira Cristiane Silva Costa, que votaram pelo provimento integral do recurso.
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999, 2000 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SISTEMÁTICA. DECADÊNCIA. No julgamento havido no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), havido na sistemática da repercussão geral, o STJ decidiu que nos casos de lançamento por homologação o deslocamento (antecipação) do termo inicial de contagem de decadência para a data da ocorrência do fato gerador tributário exige a figura do pagamento. In casu, ante a inexistência de pagamentos, o direito fiscal no lançamento procedido em data de 13 de julho de 2006 afeto a fato gerador ocorrente no ano-calendário de 2000 não se encontra contaminado pelo fenômeno extintivo, enquanto o tributo relativo ao ano-calendário de 1999, ainda que contado o prazo qüinqüenal de decadência a partir do primeiro dia útil do exercício subseqüente, atraiu aquele.
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Recorrida 3ª TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ EM RECIFE PE ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SISTEMÁTICA. DECADÊNCIA. No julgamento havido no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), havido na sistemática da repercussão geral, o STJ decidiu que nos casos de lançamento por homologação o deslocamento (antecipação) do termo inicial de contagem de decadência para a data da ocorrência do fato gerador tributário exige a figura do pagamento. In casu, ante a inexistência de pagamentos, o direito fiscal no lançamento procedido em data de 13 de julho de 2006 afeto a fato gerador ocorrente no anocalendário de 2000 não se encontra contaminado pelo fenômeno extintivo, enquanto o tributo relativo ao anocalendário de 1999, ainda que contado o prazo qüinqüenal de decadência a partir do primeiro dia útil do exercício subseqüente, atraiu aquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em DAR provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 1999, vencidos o Conselheiro Marcos Shigueo Takata e a Conselheira Cristiane Silva Costa, que votaram pelo provimento integral do recurso. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 04/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.006069/200673 Acórdão n.º 110300.504 S1C1T3 Fl. 206 2 JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa e Marcos Shigueo Takata. Declarouse impedido o Conselheiro Hugo Correia Sotero (VicePresidente). Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em RecifePE que julgou procedente o lançamento efetuado em 13/07/2006 pela Delegacia da Receita Federal em Recife com vistas a exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos anoscalendário de 1999 e 2000, acrescida de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios calculados à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) A ação fiscal, em sede de verificações obrigatórias, consistiu em cotejar os valores confessados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nas quais nada constava a título da CSLL, com as quantias do tributo lançadas na escrituração mercantil, do que seguiu a exigência das cifras ali constantes (R$ 12.281,93 e R$ 10.604,77, respectivamente). Impugnando o lançamento a contribuinte alegou preliminar de nulidade em vista da extrapolação do prazo estabelecido em lei para o encerramento da fiscalização e falta de precisão na descrição do suposto ilícito tributário, caracterizando cerceamento do direito de defesa. Quanto ao mérito, argüiu a decadência do direito fiscal de lançar as exigências em razão de se tratar de tributo sujeito ao regime de lançamento denominado “por homologação” previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN), pugnando, ainda, pela inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, a qual prevê prazo decadencial de 10 (dez) anos para Fisco lançar contribuições sociais. Também invocou a ilegalidade da cobrança da multa, taxandoa de desproporcional, e de juros à taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), requerendo, ao final, a improcedência da autuação, bem assim, a juntada de novos documentos e realização de perícia. Aquele Colegiado (3ª Turma de Julgamento) admitiu a impugnação, refutou a preliminar de nulidade, indeferiu o pedido de prova pericial e, no mérito, entendeu procedente o lançamento, consoante Acórdão nº 1121.836 tomado à unanimidade de votos, assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 04/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.006069/200673 Acórdão n.º 110300.504 S1C1T3 Fl. 207 3 Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n.° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há falar em nulidade do procedimento fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000 CSLL. DECADÊNCIA. O prazo para a constituição do crédito tributário relativo à CSLL é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional.” Ciente do decisório em 18 de novembro de 2008 a contribuinte apresentou em 04 do mês seguinte o recurso de fls. 192/201 no qual requer a reforma da decisão recorrida para que seja reconhecida a ocorrência da decadência, já que o dispositivo legal da Lei nº 8.212/91 que previa o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de crédito tributário afeto às contribuições para a seguridade social foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Inicialmente, é de ser afastado o prazo de 10 (dez) anos fixados para constituição de contribuições previdenciárias previsto no artigo 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, o em razão da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, que se expressa no seguinte teor: “SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 04/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.006069/200673 Acórdão n.º 110300.504 S1C1T3 Fl. 208 4 Em decorrência, o prazo imposto ao sujeito ativo da obrigação tributária para exercer seu direito ao lançamento deve ser analisado sob as luzes dos artigos 150, § 4º e 173 do Código Tributário Nacional (CTN) A exigência materializada no auto de infração encontrase afeta a lançamento cuja natureza é por homologação, assim compreendida pela atividade imposta ao contribuinte em determinar a matéria tributável, calcular a exação e efetuar o pagamento do quantum eventualmente apurado, independentemente de notificação. Cediço que afora o lançamento por excelência (praticado de ofício), duas outras modalidades de lançamento foram previstas pelo Código Tributário Nacional: i) por declaração (artigo 147) e ii) por homologação (artigo 150). Assim, se a administração fiscal praticamente baniu a utilização da primeira modalidade (ao menos o tributo aqui discutido não foi lançado mediante informações da contribuinte acerca de matéria de fato indispensável ao lançamento), resta concluso que impera a segunda. As prescrições do lançamento por homologação encontramse delineadas no artigo 150 do Código Tributário Nacional (CTN), que estabelece: “Art. 150 – O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entendo que a “atividade” eleita pela norma não se restringe à presença de efetivo pagamento, bastando a existência do sujeito passivo, é dizer, encontrarse a pessoa jurídica inscrita nos cadastros fiscais, seja porque o pagamento nem sempre poderá apresentar se necessário, embora apurado crédito tributário, que se anula à vista de crédito a favor da própria contribuinte, seja diante da figura da mera inadimplência. Por sua vez, não há imputações à fiscalizada que digam respeito ao instituto da fraude, a qual, na seara fiscal, encontrase delineada nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, assiste razão à Recorrente na argüição de que o direito fiscal na constituição do crédito tributário afeto aos anoscalendário de 1999 e 2000 decaiu, eis que compreendidas operações econômicas tendentes à apuração do lucro (base de cálculo do CSLL) cujo aperfeiçoamento do fato gerador ocorreu no último dia daqueles respectivos anos, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 04/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.006069/200673 Acórdão n.º 110300.504 S1C1T3 Fl. 209 5 iniciandose aí a contagem do prazo qüinqüenal para a prática do ato administrativo a que alude o artigo 150, § 4º do CTN. Aplicandose as regras de contagem insertas no artigo 210 do CTN e artigo 66, § 3º, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, quais sejam, que se exclui o dia de início e incluise o dia final, bem como, que na fixação de prazo em meses e anos contase data a data, apercebese que em 13 de julho de 2006, quando ultimado o ato administrativo, já se encontrava perecido o direito fiscal em proceder ao lançamento complementar. Todavia, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Referido julgado operouse na sistemática da repercussão geral a que alude o artigo 543C do Código de Processo Civil (CPC). Em decorrência, aplicase a Portaria MF 586, de 22 de dezembro de 2010, a qual introduziu o artigo 62A no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256 de 22 de junho de 2009, e que possui a seguinte dicção: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Consoante fartamente relatado na peça fiscal de fl. 12, inexistiram pagamentos de CSLL nos períodos em comento. Assim, é de ser aplicado as disposições do artigo 173, inciso I, do CTN, que versa: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ...................................................................................................” Portanto, o marco inicial de contagem do prazo decadencial, na dicção do artigo 173, I do CTN, se opera em 1º de janeiro de 2001 e 1º de janeiro de 2002, já que os lançamentos poderiam ter sido efetuados nos exercícios de 2000 e 2001, respectivamente, de sorte que o ato administrativo ocorrente em 2006 só se encontra contaminado pelo fenômeno legal no que tange ao primeiro período de apuração. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 04/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.006069/200673 Acórdão n.º 110300.504 S1C1T3 Fl. 210 6 Com tais razões, voto pelo parcial provimento do recurso para reconhecer a extinção do crédito tributário da CSLL afeto ao anocalendário de 1999, na forma do artigo 156, inciso V, do Código Tributário Nacional. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/08/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 04/08/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10166.009362/2002-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS Se a contribuinte não comprova que houve recolhimentos ou que foi utilizado créditos de
terceiros informando de forma expressa, será mantido o lançamento.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA É devida a exigência da multa
de ofício e dos juros de mora sobre tributos não recolhidos.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS A instância
administrativa não é foro apropriado para apreciar essa matéria, mas o Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1202-000.485
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA É devida a exigência da multa de ofício e dos juros de mora sobre tributos não recolhidos. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS A instância administrativa não é foro apropriado para apreciar essa matéria, mas o Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos AlbertoDonassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Jaci de Assis Junior, Valeria Cabral Geo Verçoza, Flavio Vilela Campos, Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 15/05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT 2 Relatório O Auto de Infração Eletrônico sob análise nesse processo teve origem em auditoria interna na DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais, relativa ao ano calendário de 1998, consoante as Instruções Normativas SRF n°. 45 e n°. 77, ambas de 1998. Foi apurada irregularidade nos créditos vinculados informados na DCTF, conforme indicado no Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na DCTF (anexo Ib, fls. 21 e 22) e no Demonstrativo de Crédito Tributário a Pagar, fl.23. Cientificada da exigência, a recorrente apresentou Impugnação, onde alega, em síntese, que: o crédito tributário está extinto, uma vez que a quantia devida foi devidamente recolhida como prova as cópias dos DARF em anexo; com relação ao crédito tributário de R$ 371.655,89, esse foi quitado em16/03/98, data de vencimento da obrigação tributária, momento em que foi recolhido o montante de R$385.927,50; fez pedido de alteração de DARF (Redarf), a fim de que a quantia de R$ 371.655,89 fosse apontada como o principal. Restando, assim, crédito de R$131.796,89 em favor da impugnante; esse crédito de R$ 131.796,89, foi utilizado para compensar seu débito, em idêntico valor, devido em 31/03/1998; o DARF no valor de R$ 487.253,25, comprova o recolhimento do crédito tributário de R$192.170,43. Esse mesmo DARF foi pago pela Telecomunicações de Brasília S/A; a Telecomunicações Brasileiras S/A – Telebrás, que era controlada pela União e controlava diversas empresas prestadoras de serviços de telecomunicações, dentre elas, a Telecomunicações de Brasília S/A; a Telecomunicações de Brasília S/A, além dos serviços tradicionais de telefonia fixa, era detentora de permissão para exploração do serviço de rádio comunicação móvel terrestre em Brasília; enquanto a Telebrasília Celular S/A se encontrava em face inicial de operação, sendo oriunda da constituição de nova sociedade resultante da cisão parcial da Telecomunicações de Brasília S/A, em face da absoluta inviabilidade da interrupção dos serviços de telefonia celular aos assinantes, a empresa cindida não teve, nesse período de transição, condições de segregar, em seu resultado, as receitas relativas às operações de telefonia fixa das receitas geradas nas operações do SMC; a Telecomunicações de Brasília S/A, sob orientação de empresa de consultoria contratada pela Telebrás para atuar no caso, realizou o pagamento dos tributos devidos por ela e também pela impugnante. O fundamento para o pagamento imediato dos tributos pela Telecomunicações de Brasília S/A em nome da impugnante era evitar a mora; posterior a fase de organização inicial da Telebrasília Celular S/A, empresa sucedida, a Telecomunicações de Brasília S/A refez a apuração, de forma segregada, as Fl. 527DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 15/05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT Processo nº 10166.009362/200205 Acórdão n.º 120200.485 S1C2T2 Fl. 527 3 quantias que eram efetivamente devidas por ela e também pela impugnante, o que pode ser observado das cópias das declarações de imposto de renda; depreendese que a quantia devida pela primeira era de R$ 432.029,43 e pela segunda de R$ 420.022,01, a título de CSLL do mês de janeiro de 1998, as quais totalizam o valor de R$ 852.051,44. Parte da CSLL devida foi retida por órgãos públicos que eram clientes dessas empresas, apenas a quantia de R$ 487.253,25 foi objeto de recolhimento por parte da Telecomunicações de Brasília S/A, sendo que ainda remanesceu um crédito de R$ 131.796,89. Esse crédito foi compensado com débito também de CSLL no mesmo valor em período posterior; o pedido de compensação, formulado pela Telecomunicações de Brasília S/A, era o de regularizar a situação fiscal da impugnante. Dessa forma, o débito de CSLL em questão se extinguiu por meio do instituto da compensação; no final de julho de 1998 a recorrente foi privatizada, oportunidade na qual foi também levada em conta a extinção do débito fiscal em questão; não pode persistir a cobrança de qualquer multa relativamente a esse crédito, nem a incidência de juros, visto que, extinto o crédito tributário referente ao principal, também serão extintos os acréscimos legais objeto de exigência; na remota e pouca provável hipótese de não ser reconhecida a extinção dos créditos, contesta a cobrança da taxa SELIC para cômputo de juros moratórios de débitos fiscais, uma vez que tal exigência viola flagrantemente diversos preceitos constitucionais e legais (art. 150 da Constituição Federal e art.161, § 1, do CTN). ao final, requer seja julgado improcedente o auto de infração; e, também, por se tratar de matéria idêntica e que depende dos mesmos elementos de prova, seja o presente Auto de Infração e os Autos de Infração nºs 0003007 (cofins), 0003008 (PIS) e 0003005 (IRPJ), reunidos em um único processo administrativo, para apreciação conjunta por parte desse douto Colegiado. À folha 394, foram solicitadas diligências para que a interessada fosse cientificada da revisão. Cientificada da revisão de ofício, apresentou nova impugnação, ponderando que: novamente que o valor do débito de CSLL em janeiro de 1998 é de R$ 432.029,43. Foram reconhecidos pela Receita Federal e alocados nesse mês os pagamentos de valores de R$371.655,89 e R$ 192.170,43 que, somados, chegam a R$563.826,32, exatamente o valor do auto de infração ora contestado. Portanto, o mesmo merece ser cancelado e não como decidido pelo r. despacho decisório, que extinguiu o crédito de R$ 432.029,43; os valores reconhecidos e alocados em janeiro de 1998 superam o valor devido de R$131.796,89; o valor devido em fevereiro de 1998 equivale a R$ 131.796,89, diferença entre o valor creditório reconhecido pelo fisco e o valor devido pela empresa em janeiro de 1998 (R$ 536.826,32 () 432.029,43 = R$ 131.796,89); Fl. 528DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 15/05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT 4 conforme registrado pela empresa, ora requerente, em sua impugnação, o crédito de janeiro de 1998 foi utilizado para extinguir o débito de fevereiro do mesmo ano; inexiste qualquer crédito tributário a ser exigido pelo Auto de Infração epigrafado, motivo pelo qual requer seja acolhida sua extinção integral e posterior arquivamento do procedimento fiscal instaurado. A DRJ julgou procedente em parte, entendendo que o montante de R$131.796,89 deveria continuar a ser devido, pelos motivos a seguir: na revisão de ofício o valor de R$ 432.029,45 (pagamento não localizado) e acréscimos pertinentes foram excluídos, permanecendo o saldo remanescente de R$ 131.796,89 (Despacho Decisório – fls. 382/384). o valor de R$432.029,43, de janeiro de 1998, deve ser excluído uma vez que foi feito pagamento no valor de R$ 385.927,50. Posteriormente, esse DARF foi retificado nos campos: valor principal R$ 371.655,89, multa R$ 11.873,02 e juros R$ 2.398,59 (fl 353). No entanto, tal alteração foi equivocada, pois deveria ser: valor principal R$ 364.254,36, multa R$ 18.030,59 e juros R$ 3.642,54 (fl. 449) dado que o recolhimento foi feito em atraso. assim, do montante de R$ 385.927,50 se compensou o débito de janeiro/98 somente no valor de R$ 364.254,36 restando a diferença de R$ 67.775,07 (R$ 432.029,43 () 364.254,36). Essa importância foi compensada no Processo nº 10166.005983/9855 (fls. 357/364). logo, o documento de fls 450/451 se encontra exarado. em relação ao valor de R$ 131.796,89 deve continuar pois: quanto ao pagamento de R$ 192.170,43 (de 27/02/1998), esclarece se que se refere a recolhimento efetuado pela empresa Telecomunicações de Brasília — Telebrasília — CNPJ n. 00.058.578/000107 e não pela Telebrasília Celular. Ocorre que por meio do Processo nº 10166.005983/9855, a empresa Telecomunicações de Brasília — Telebrasília solicitou a compensação deste pagamento e de outros pagamentos com débitos da Telebrasília Celular. O pedido de compensação foi feito no prazo em que ainda se admitia este tipo de compensação. Todavia, o débito de CSLL de fevereiro de 1998 — R$ 131.796,89 não foi objeto de pedido de compensação feito à época; como o débito de CSLL de fevereiro de 1998 não foi compensado no Processo n. 10166.005983/9855 e não é mais cabível compensação de créditos de terceiros e, ainda o pagamento de R$ 385.927,50 (16/03/1998) foi totalmente utilizado para liquidar o débito de CSLL de janeiro de 1998, o fato foi acertadamente desconsiderado na revisão de oficio deste período. Motivo pelo qual ficou mantido. Quanto à multa de ofício e juros SELIC, os valores exigidos estão previstos no caput do artigos 44 , I, § 1º, e 61, §3º da Lei nº 9.430/96. Quanto à inconstitucionalidade da legislação aplicável, esclarece que a análise de teses contra a constitucionalidade e/ou legalidade de leis é privativa do Poder Judiciário, não sendo possível a apreciação destes tópicos na instância administrativa. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 15/05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT Processo nº 10166.009362/200205 Acórdão n.º 120200.485 S1C2T2 Fl. 528 5 Cientificada da decisão da DRJ em 9 de outubro de 2008, apresentou Recurso Voluntário em 10 de novembro do mesmo ano, portanto, tempestivamente, reiterando as alegações feitas Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta Como pudemos depreender do relatório acima, tratase de Auto de Infração Eletrônico oriundo de auditoria feita na DCTF da recorrente e relatório de tributos a pagar. Nessa análise, a autoridade lançadora exigiu o recolhimento de R$ 432.029,43, de janeiro/1998 e R$ 131.796,89 , fevereiro/1998 , correspondente à CSLL – contribuição social sobre o lucro líquido. A DRJ, em sua decisão, cancelou a exigência referente à quantia de R$ 432.029,43, de janeiro de 1998, tendo em vista que houve o pagamento no valor de R$ 364.254,36. Esse montante advém do pagamento feito através de DARF no valor de R$385.927,50, o qual foi retificado mediante procedimento de REDARF com valor principal R$ 371.655,89, a multa R$ 11.873,02 e os juros R$ 2.398,59, todavia, o correto deveria ser R$ 364.254,36, multa R$ 18.030,59 e juros R$ 3.642,54.. Do débito de R$432.029,43, foi compensado o valor de R$ 364.254,36 e a diferença de R$ 67.775,07 (R$ 432.029,43 menos R$ 364.254,36) fora compensada no Processo nº 10166.005983/9855 (fls 357 a364). Portanto, cumprida a exigência referente a esse mês. Em relação ao montante de R$ 131.796,89, não foi solicitada sua compensação. Esclarece a recorrente que foi feito pagamento de valor equivalente a R$ 192.170,43 (de 27/02/1998), pela empresa Telecomunicações de Brasília — Telebrasília — CNPJ nº. 00.058.578/000107 e, não, pela Telebrasília Celular. Ocorre que não foi solicitada a compensação com créditos de terceiros para o débito de CSLL de fevereiro de 1998 — R$ 131.796,89. Não houve compensação com o crédito de terceiros Processo nº10166.005983/9855, e não é mais cabível essa compensação de créditos de terceiros após a edição da Instrução Normativa SRF nº 41/2000. A recorrente alega que o pedido de compensação foi efetuado quando da impugnação do lançamento e deve ser acatado como legítimo por ser sucessora da empresa Telecomunicações de Brasília S/A (telefonia fixa), por cisão, cabendolhe, assim, o direito ao crédito por ser referente a tributo (CSLL) de sua atividade própria. Acresce ainda que o fato de constar o CNPJ da sucedida em dito recolhimento não altera esse direito de sucessão. Ora, a compensação, principalmente com créditos de outras pessoas jurídicas com CNPJ distintos, quando era possível, deveria seguir rito próprio segundo disposto no artigo 15 da Instrução Normativa do SRF nº 21/97, cuja base legal era o artigo 73 da Lei nº 9.430/96. Um dos quesitos para tal compensação era a intenção expressa da contribuinte em Fl. 530DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 15/05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT 6 compensar, o que não foi feito; logo, não procede a alegação da recorrente. Portanto, está correto o não deferimento e a decisão da DRJ. Em relação à cobrança de multa pelo lançamento, esta é devida com base no artigo 44, I, § 1º, da Lei nº 9430/1996. Quanto a cobrança de juros com base na taxa SELIC, deve ser mantida com base na Súmula CARF nº 4 in verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” Em relação às inconstitucionalidades alegadas pela recorrente, não nos cabe analisar consoante a Súmula CARF nº 2. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 531DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 15/05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por NEREIDA DE MIRAND A FINAMORE HORT
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