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Numero do processo: 10920.720244/2016-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO PARA ALEGAÇÕES DESENVOLVIDAS PELO CONTRIBUINTE PONDERAÇÃO DAS PROVAS E LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
Não há que se falar em nulidade da decisão recorrida quando a decisão atacada analisa as provas produzidas pelo contribuinte, mas, de forma motivada, entende que tais provas são insuficientes para se contrapor ao acervo probatório desenvolvido pela fiscalização, em especial quando a acusação é de existência de operações simuladas e o contribuinte insiste em afirmar a validade formal da sua documentação fiscal.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO POR INEXISTÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DOS FATOS APURADOS ÀQUELE DESCRITO NO TIPO NORMATIVO.
A suposta ausência de subsunção dos fatos apurados pela fiscalização àqueles descritos no tipo normativo, em verdade, configura com questão que se confunde com o próprio mérito da demanda, na medida em que perpassa por uma análise ponderativa das provas produzidas nos autos, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade do lançamento por ausência de motivação.
MULTA REGULAMENTAR. APROVEITAMENTO DE NOTAS FISCAIS QUE NÃO CORRESPONDEM A EFETIVA SAÍDA. ART. 572, II DO RIPI/2010. PENALIDADE IGUAL AO VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA.
Aquele que, em proveito próprio ou alheio, utilizar, receber ou registrar nota fiscal que não corresponda à saída efetiva das mercadorias nela constantes, aplica-se a multa isolada equivalente ao valor das mercadorias, nos termos do art. 572, II, do RIPI/2010.
MULTA DE OFÍCIO. OFENSA AO PRINCÍPIO QUE VEDA O CONFISCO. SÚMULA N. 02 DO CARF
É vedado ao CARF a realização de controle, ainda que difuso, de constitucionalidade de norma.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, INCISO III DO CTN. PROVA DE MÁ-FÉ. CONDUTA DOLOSA PASSÍVEL DE REPREENSÃO EM PREJUÍZO DOS ADMINISTRADORES DAS EMPRESAS ENVOLVIDAS.
Provada a má-fé das pessoas jurídicas, aqui retratadas pela existência de operação fraudulenta com base em notas fiscais que não retratavam operações comerciais de fato, é possível responsabilizar os administradores das empresas, exatamente como prevê o art. 135, inciso III do CTN.
Numero da decisão: 3402-006.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte dos Recursos Voluntários e, na parte conhecida, negar-lhes provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO PARA ALEGAÇÕES DESENVOLVIDAS PELO CONTRIBUINTE PONDERAÇÃO DAS PROVAS E LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Não há que se falar em nulidade da decisão recorrida quando a decisão atacada analisa as provas produzidas pelo contribuinte, mas, de forma motivada, entende que tais provas são insuficientes para se contrapor ao acervo probatório desenvolvido pela fiscalização, em especial quando a acusação é de existência de operações simuladas e o contribuinte insiste em afirmar a validade formal da sua documentação fiscal. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO POR INEXISTÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DOS FATOS APURADOS ÀQUELE DESCRITO NO TIPO NORMATIVO. A suposta ausência de subsunção dos fatos apurados pela fiscalização àqueles descritos no tipo normativo, em verdade, configura com questão que se confunde com o próprio mérito da demanda, na medida em que perpassa por uma análise ponderativa das provas produzidas nos autos, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade do lançamento por ausência de motivação. MULTA REGULAMENTAR. APROVEITAMENTO DE NOTAS FISCAIS QUE NÃO CORRESPONDEM A EFETIVA SAÍDA. ART. 572, II DO RIPI/2010. PENALIDADE IGUAL AO VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. Aquele que, em proveito próprio ou alheio, utilizar, receber ou registrar nota fiscal que não corresponda à saída efetiva das mercadorias nela constantes, aplicase a multa isolada equivalente ao valor das mercadorias, nos termos do art. 572, II, do RIPI/2010. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 02 44 /2 01 6- 50 Fl. 7037DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO. OFENSA AO PRINCÍPIO QUE VEDA O CONFISCO. SÚMULA N. 02 DO CARF É vedado ao CARF a realização de controle, ainda que difuso, de constitucionalidade de norma. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, INCISO III DO CTN. PROVA DE MÁFÉ. CONDUTA DOLOSA PASSÍVEL DE REPREENSÃO EM PREJUÍZO DOS ADMINISTRADORES DAS EMPRESAS ENVOLVIDAS. Provada a máfé das pessoas jurídicas, aqui retratadas pela existência de operação fraudulenta com base em notas fiscais que não retratavam operações comerciais de fato, é possível responsabilizar os administradores das empresas, exatamente como prevê o art. 135, inciso III do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte dos Recursos Voluntários e, na parte conhecida, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Tratase de auto de infração (fls. 02/08) no valor de R$ 14.835.878,29 e que tem por fito exigir multa regulamentar isolada equivalente a 100% (cem por cento) dos valores das mercadorias, por utilização de notas fiscais irregulares, recebidas e escrituradas pelo contribuinte autuado, mas que não corresponderiam à efetiva entrada dos produtos nelas descritos, exatamente como narrado no Termo de Verificação de Infração (TVI) de fls. 10/49. 2. Além do contribuinte Ecoflex Fábrica de Espumas e Colchões Ltda. (Ecoflex), também foram autuados, na condição de responsáveis tributários, a Evolution Comercial Exportadora Ltda. (Evolution) que, segundo a fiscalização, praticou fraude em conjunto com a Ecoflex, bem como as seguintes pessoas físicas: Nelson Habowsky (sócio majoritário e administrador da Ecoflex) e Afonso Henrique Maia Bastos (sócio majoritário e administrador da Evolution). 3. Devidamente notificados, todos os contribuintes apresentaram suas impugnações as fls. 4.925/4.977 (Ecoflex), fls. 5.054/5.131 (Nelson Habowsky), 5.137/5.172 (Evolution) e 5.192/5.227 (Afonso Henrique Maia Bastos), as quais foram devidamente Fl. 7038DF CARF MF Processo nº 10920.720244/201650 Acórdão n.º 3402006.612 S3C4T2 Fl. 7.038 3 processadas e julgadas improcedentes pelo acórdão n. 1464.316 (fls. 5.234/5.265), da DRJ de Ribeirão Preto/SP, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 MULTA REGULAMENTAR. APROVEITAMENTO DE NOTAS FISCAIS QUE NÃO CORRESPONDEM A EFETIVA SAÍDA. RIPI/2010, ART. 572, II. PENALIDADE IGUAL AO VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. Nos termos do art. 572, II, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 7.212, de 2010, aos que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem nota fiscal que não corresponda à saída efetiva das mercadorias nela constantes, aplicase a multa isolada equivalente ao valor das mercadorias. IPI. NOTAS FISCAIS EMITIDAS EM NOME DE EMPRESA DE FACHADA. DOLO CARACTERIZADO. Caracteriza fraude e ajuste doloso (conluio) o aproveitamento de notas fiscais emitidas por empresas de fachada, simulando aquisições que inexistiram, a fim de reduzir o montante de imposto devido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O prazo decadencial para lançamento de multa regulamentar, lançada isoladamente, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador (artigo 173, inciso I, do CTN). RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. PESSOA JURÍDICA ENVOLVIDA EM FRAUDE. CONLUIO. ART. 124, I, DO CTN. SOLIDARIEDADE DE FATO. A solidariedade de fato, prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, atinge a pessoa jurídica que, mediante fraude, contribui para reduzir tributo de outra empresa, com ela conluiada. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. ADMINISTRADORES. DOLO CARACTERIZADO. CTN, ART. 135, III. INCLUSÃO NO POLO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTARIA. Caracterizado o dolo, por estar comprovado o registro e a utilização de notas fiscais que não correspondem à efetiva entrada de mercadorias no estabelecimento, em simulação visando reduzir o recolhimento de tributo e permitir informações inverídicas à Receita Federal, os administradores da pessoa jurídica também respondem pela obrigação tributária, de modo Fl. 7039DF CARF MF 4 solidário e sem benefício de ordem, nos termos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Colegiado. AUTOS DE INFRAÇÃO CONTENDO AS MATÉRIAS TRIBUTADAS E RESPECTIVOS ENQUADRAMENTOS LEGAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. NULIDADE REJEITADA. Não caracteriza a preterição do direito de defesa, a suscitar a nulidade dos lançamentos, os autos de infração que atendem ao disposto no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, identificam as matérias tributadas e contém os enquadramentos legais correlatos, demonstrando com clareza as exigências. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 4. Contra esta decisão, os contribuintes acima mencionados interpuseram seus recursos voluntários as fls. 5.275/5.305 (Afonso Henrique Maia Bastos), fls. 5.306/5.336 (Evolution), fls. 5.339/5.401 (Ecoflex) e fls. 5.439/5.514 (Nelson Habowsky). 5. Não obstante, em 13 de março de 2018 a Procuradoria da Fazenda Nacional peticionou nos autos informando o ajuizamento de ação cautelar fiscal contra a empresa Evolution. 6. Em sessão realizada em 29 de agosto de 2018, este órgão Colegiado, por unanimidade de votos, resolveu converter o presente julgamento em diligência (resolução n. 3402001.401 fls. 5.557/5.566) para que fossem tomadas as seguintes providências: (...). 19. Assim, para dissipar quaisquer dúvidas acerca dos fatos apurados pela fiscalização, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora promova relatório analítico com o seguinte escopo: (i) discrimine quais operações fiscalizadas foram perpetradas por empresas inexistentes à época dos fatos e quais foram realizadas por empresa formal e materialmente válidas, indicando separadamente as páginas do eprocesso que atestam tais conclusões; (ii) segregue, por empresa chamada "noteira", o impacto das operações realizadas com a Ecoflex para fins de apuração do montante exigido no presente auto de infração; Fl. 7040DF CARF MF Processo nº 10920.720244/201650 Acórdão n.º 3402006.612 S3C4T2 Fl. 7.039 5 (iii) nas operações com empresas existentes à época dos fatos fiscalizados, aponte quem era responsável pelo transporte das mercadorias entre a empresa chamada "noteira" e a Ecoflex e desta última para a empresa Evolution, sempre indicando, discriminadamente, as páginas das provas no eprocesso que atestam as conclusões a serem alcançadas; e, por fim (iv) ainda nas operações com empresas existentes à época dos fatos fiscalizados, detalhar se também foi perpetrada a estratégia de revender os bens pelo valor de custo subtraída a carga tributária, de modo a neutralizar o impacto de IRPJ e CSLL que existiria em razão das operações intermediárias entre as "noteiras" e a Evolution. Em caso positivo, discriminar por empresa noteira (ainda que por amostragem) tal prática. 20. Caso necessário, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para apresentar os documentos fiscais pertinentes para o cumprimento da diligência aqui designada. 21. Uma vez realizada a diligência acima, (v) deverá o Recorrente ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. (...). 7. Referida diligência foi devidamente cumprida, conforme retrata o relatório de fls. 6.150/6.158, a respeito do qual os recorrentes foram intimados e se manifestaram as fls. 6.177/6.192 (Ecoflex), 6.206/6.221 (Nelson Habowsky) e 6.237/6.289 (Evolution e Afonso Henrique Maia). 8. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 9. Embora tempestivos, os recursos interpostos pelos recorrentes atendem parcialmente os pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual os conheço em parte, conforme será exposto a seguir. I. Do não conhecimento de parte dos recursos interpostos por Evolution e Afonso Henrique Maia Bastos 11. Conforme se observa dos recursos interpostos por Evolution e Afonso Henrique Maia Bastos, um dos tópicos (12) e subtópicos (12.1, 12.2, 12.3 e 12.4) lá desenvolvidos diz respeito à glosa de créditos de IPI, glosa esta que seria objeto de discussão no âmbito do processo administrativo n. 10920720.244/201650, o qual estaria pendente de distribuição neste CARF. 12. Acontece que o processo administrativo n. 10920720.244/201650 é exatamente o aqui debatido, o qual trata repitase – de multa regulamentar isolada equivalente Fl. 7041DF CARF MF 6 a 100% (cem por cento) dos valores das mercadorias, nos termos do art. 572, inciso II do RIPI/2010. 13. Assim, ante a impertinência dos tópicos desenvolvidos pelos recorrentes em relação ao caso decidendo, tais pontos do recurso não merecem conhecimento. II. Do não conhecimento de parte dos recursos interpostos por Ecoflex e Nelson Habowsky 14. De forma subsidiária, os recorrentes aqui mencionados desenvolvem no item III.c do seu recurso insurgência contra multa supostamente aplicada com fundamento na Portaria MF n. 187/1993, bem como a impossibilidade de aplicação de multa em duplicidade. 15. Acontece que, como já mencionado no tópico imediatamente anterior do presente voto, a presente multa é decorrente da previsão prescrita no art. 572, inciso II do RIPI/2010, a qual é, por si só, suficiente para fundamentar a presente exigência fiscal, não havendo qualquer menção no auto de infração à Portaria MF n. 187/1993. 16. Não obstante, o contribuinte ainda alega que: 17. Acontece que, diferentemente do que alega o contribuinte, não há no presente caso qualquer análise quanto a pedidos de ressarcimento nem a respeito de glosas de crédito de IPI. Repitase: a presente exigência impõe tãosomente a multa capitulada no art. 572, inciso II do RIPI/2010. 18. Assim, também em face da impertinência de tais questões com o caso em julgamento, deixo de conhecer tais alegações desenvolvidas pelos recorrentes. III. Das preliminares (i) Da nulidade da decisão recorrida pela ausência de apreciação de matérias desenvolvidas autonomamente nas impugnações 19. Uma das preliminares desenvolvidas pelos recorrentes Ecoflex e Nelson Habowsky diz respeito a suposta ausência de apreciação de fundamentos autonomamente desenvolvidos nas suas respectivas impugnações por parte do acórdão recorrido. 20. Em suma, os recorrentes alegam que trouxeram aos autos documentos que atestariam a existência das empresas chamadas noteiras (cartão CNPJ, Sintegra e histórico de pagamentos), bem como os registros contábeis da empresa Ecoflex que atestariam a legitimidade da operação e que tais documentos teriam sido ignorados pela decisão atacada. 21. Não é isso, todavia, o que ocorre no presente caso. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho da decisão recorrida: Fl. 7042DF CARF MF Processo nº 10920.720244/201650 Acórdão n.º 3402006.612 S3C4T2 Fl. 7.040 7 (...). Por um lado, a autuação demonstrou que as notas fiscais e duplicatas emitidas pela denominadas “noteiras” não correspondem a operações de fato realizadas com o contribuinte Ecoflex. No Anexo ao TVI, às fls. 40/49, essas empresas Norte Sul Comércio de Madeiras e Materiais de Construção Ltda, Fábrica de Móveis Melomar Ltda, Móveis Rueckl Ltda, J4 Madeiras Ltda, MPR Indústria de Móveis Ltda, Renari Móveis Ltda, Produmex Móveis Ltda, Harmony Móveis Ltda , são analisadas uma a uma, e dele se extrai o seguinte: as “noteiras” Norte Sul, Melomar, Rueckl e J4 não existiram de fato, vez que não possuíam sede, não efetuaram movimentação financeira nem seus sócios tinham capacidade econômica e financeira para dar seguimento às atividades do objeto social; a MPR emitiu notas fiscais contra a Ecoflex, que foram contabilizadas à exceção das notas fiscais número 133 e 134 – não obstante constarem registros de pagamentos referentes a esses dois documentos na contabilidade de Ecoflex. Na contabilidade da MPR constam recebimentos referentes à Nota Fiscal nº 89 em datas anteriores a sua emissão. a Renari emitiu notas fiscais contra a Ecoflex, que foram contabilizadas à exceção das notas fiscais número 14 e 18, mas sua contabilidade registra somente um único pagamento relativo às mercadorias vendidas, no valor de R$ 17.700,00. Em face dos dados apresentados, temse ideia de que Renari operou em 2011, não obstante a baixa movimentação financeira, incompatível com as receitas declaradas; na contabilidade da Produmex as notas fiscais emitidas contra Ecoflex foram contabilizadas e, em face dos dados apresentados, temse ideia operou em 2011, não obstante a baixa movimentação financeira e o montante de receitas constante da DIPJ, incompatíveis com as receitas declaradas em Dacon; e na contabilidade da Harmony há registro de vendas à Ecoflex, mas não de qualquer pagamento relativo as mercadorias vendidas. O sócioadministrador da Harmony se apresentou na Receita Federal para entrega de documentos requeridos, confirmou que nunca teve qualquer contato comercial com representantes da Ecoflex e que sua empresa nunca vendeu para Ecoflex, mas sim para Evolution, que, por sua vez, instruía que o faturamento fosse feito contra Ecoflex para que esta se aproveitasse dos créditos relativos às mercadorias; (...). Em relação à essas operações fictícias, como se tratam de notas fiscais irregulares que não correspondiam à efetiva entrada de mercadorias e que o contribuinte registrou e utilizou, mesmo que sua utilização não tenha resultado em insuficiência de Fl. 7043DF CARF MF 8 recolhimento do IPI, houve a imposição da multa regulamentar prevista no art. 572, II, do RIPI/2010. (...) (grifos nosso). 22. Ao se analisar tal excerto decisório, além de outros trechos da decisão recorrida, é possível constatar que a instância a quo analisou as provas apresentadas pelos recorrentes, mas ao confrontálas com as provas colacionadas pela fiscalização, entendeu que o acervo documental produzido pelo contribuinte não foi suficiente para afastar as acusações fiscais. Em suma, a decisão recorrida, pautada pela ideia do livre convencimento motivado, ponderou as provas produzidas no processo e, ao apreciálas, se convenceu de que as provas trazidas pelo contribuinte eram insuficientes para afastar a pretensão fiscal. 23. O mesmo vale para a assertiva do contribuinte de que as operações fiscalizadas estavam devidamente registradas nos livros contábeis e demais documentos fiscais dos recorrentes. Ora, a acusação fiscal, pautada em vasto acervo probatório, era exatamente no sentido de que o conteúdo de tais informações não condiziam com a realidade fática apurada na autuação, ou seja, que tais documentos fiscais, embora formalmente válidos, apresentavam conteúdo que destoavam da realidade ao fundamento de fraude. 24. Logo, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida, motivo pelo qual afasto essa primeira preliminar aventada. (ii) Da ausência de motivação do auto de infração e suposta ofensa ao princípio da legalidade 25. Não obstante, ainda preliminarmente, os recorrentes Ecoflex e Nelson Habowsky protestam pela nulidade do auto de infração em razão de uma suposta carência motivacional, uma vez que os fatos apurados pela fiscalização não se subsumiriam ao tipo legal do disposto no art. 572, inciso II do RIPI. 26. A respeito do tem, bem andou a decisão atacada quando assim decidiu: (...). Rejeito a preliminar de nulidade do lançamento, por não verificar qualquer mácula na autuação. O Auto de Infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contêm os enquadramentos legais correlatos, demonstrando com clareza a exigência em questão. A autuação não dá margem a qualquer dúvida, a multa regulamentar equivalente ao valor das mercadorias constantes das notas fiscais consideradas irregulares pela fiscalização, como assentado na fl. 7, informa que o estabelecimento “registrou e utilizou notas fiscais que não correspondem à efetiva entrada dos produtos nelas descritos, conforme consignado no Termo de Verificação de Infração em anexo.” Onde também é informado o enquadramento legal da penalidade isolada (art. 572, II, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010 RIPI/2010). Em relação ao valor de R$ 14.835.878,29, relativo ao lançamento da multa regulamentar, o TVI é claro ao informar que corresponde ao somatório do valor das mercadorias, campo Valor dos Produtos, consignado nas notas fiscais de entrada da Fl. 7044DF CARF MF Processo nº 10920.720244/201650 Acórdão n.º 3402006.612 S3C4T2 Fl. 7.041 9 planilha Notas fiscais de Entrada Noteiras, juntada às fls. 1830/1838. Ao contrário do que argumentam o contribuinte e os responsáveis tributários, inexiste incongruência na narrativa fiscal. Tampouco há simples presunção por parte da fiscalização (como nas Impugnações é alegado que as operações entre a Ecoflex Fábrica de Espumas e Colchões Ltda e as empresas denominadas noteiras não seriam simuladas, mais adiante, no mérito, retomo a questão). Quanto à penalidade isolada de 100% , está posta no Auto de Infração com base na legislação do IPI, pelo que descabe falar em ilegalidade ou abuso por parte da fiscalização. (...). 27. Em verdade, ao aduzir que os fatos apurados não se enquadram ao tipo legal, ou seja, ao afirmar a inexistência de subsunção, o que o contribuinte pretende aqui discutir é o próprio mérito da presente exigência fiscal, o que será tratado em momento oportuno do presente voto. 28. Nesse sentido, com base nas razões acima transcritas e com fundamento no art. 50, § 1o da lei 9.784/99, também afasto essa suposta preliminar de mérito desenvolvida pelos recorrentes. (iii) Da fundamentação da autuação com base em indícios e a desqualificação da fraude 29. Embora também desenvolva como preliminar processual, as discussões que a recorrente Ecoflex desenvolve nos itens I.c (indícios) e I.d (descaracterização da fraude) do seu recurso voluntário, em verdade, configuram questões de mérito, na medida em que o que é ali questionado é, em última análise, a existência de provas ou não aptas a caracterizar a fraude na qual a fiscalização arrimou toda a acusação fiscal. 30. Logo, tais considerações serão sopesadas no mérito do presente voto. II. Do mérito (i) A decadência 31. Os recorrentes Evolution e Afonso Henrique Maia Bastos alegam, como preliminar de mérito, que parte da exigência fiscal aqui discutida estaria decaída. 32. Pois bem. Como já relatado, tratase de auto de infração que implicou a imposição de multa regulamentar isolada equivalente a 100% (cem por cento) dos valores das mercadorias fiscalizadas, por utilização de notas fiscais irregulares, recebidas e escrituradas pelos contribuintes autuados, mas que não corresponderiam à efetiva entrada dos produtos nelas descritos. 33. Por sua vez, as operações fiscalizadas englobam o período compreendido entre janeiro e dezembro de 2011. Já a autuação em apreço se aperfeiçoou com as notificações dos contribuintes, o que se deu nas seguintes datas: Ecoflex 11/02/2016 (fl. 4.904), Afonso Fl. 7045DF CARF MF 10 Henrique Maia Bastos 11/02/2016 (fl. 4.906), Nelson Habowsky 22/02/2016 (fl. 4.917) e Evolution 11/02/2016 (fl. 4.919). 34. Assim, em tese, poderseia cogitar uma suposta decadência para o mês de janeiro de 2011, isso se fosse o caso de exigência de tributos sujeitos a homologação, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Acontece que, como visto alhures, o que se tem aqui é a exigência de multa isolada, o que implica a contagem do prazo decadencial prescrito no art. 173, inciso I do CTN. 35. Assim, o marco inicial para a contagem do prazo decadencial no presente caso ocorreu no primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, i.e., 1o de janeiro de 2012, sendo o termo final o dia 1o de janeiro de 2017. No presente caso, as pessoas jurídicas e os seus correlatos sócios foram respectivamente notificados a respeito do auto de infração em fevereiro de 2016, razão pela qual não há que se falar em decadência do crédito em cobro. (ii) Da acusação fiscal, das circunstâncias fáticas que gravitam em torno da presente demanda e das contundentes provas produzidas pela fiscalização 36. Antes de seguir adiante no presente voto, mister se faz, neste momento, detalhar as circunstâncias fáticas que gravitam em torno da presente acusação fiscal, bem como o robusto acervo probatório desenvolvido pela fiscalização acerca da acusação fiscal ora analisada. 37. Nesse sentido, convém destacar que, segundo informa a fiscalização no já mencionado Termo de Verificação de Infração (TVI), o Ministério Público do Estado do Paraná e a Delegacia da Receita Federal em Curitiba teriam deflagrado uma operação conjunta para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão fiscal. 38. Ainda segundo a acusação, a empresa Evolution tinha por objeto social a exportação, importação e industrialização de mercadorias na categoria de empresa comercial exportadora, fomento comercial e mercantil, sendo o seu sócio majoritário (Afonso Henrique Maia Bastos) também sócio majoritário da empresa Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda., cujo objeto social era a elaboração de planejamentos tributários, diagnose e revisões fiscais. 39. A fiscalização também afirma que a empresa Evolution promovia a venda de produtos para encomendantes no exterior, sem que, todavia, tivesse capacidade operacional para produzir tais bens. Assim, contratava empresas da região para a produção de tais bens, os quais eram adquiridos pela Evolution sem as correspondentes notas fiscais. Diante deste quadro, a empresa Evolution "comprava" notas fiscais frias para dar um verniz de legitimidade às suas operações, aquisição essa feita perante empresas que não promoviam o recolhimento dos respectivos tributos. 40. Ademais, ainda segundo o TVI, a empresa Evolution resolveu "refinar" ainda mais a operação fraudulenta, o que fez mediante a inserção de empresas intermediárias entre as empresas chamadas de "noteiras" e a própria Evolution, uma vez que, dessa forma, criaria um esquema fictício de geração e aproveitamento de créditos tributários, esquema essa que era vendido pela empresa Maia Bastos Assessoria Empresarial Ltda. como uma modalidade de "planejamento tributário". Dentre as empresas intermediárias que participaram deste esquema estaria a empresa Ecoflex, uma das responsabilizadas no presente auto de infração. O citado esquema foi assim representado no TVI: Fl. 7046DF CARF MF Processo nº 10920.720244/201650 Acórdão n.º 3402006.612 S3C4T2 Fl. 7.042 11 41. Em relação a parte financeira, assim destacou o TVI: (...). Na parte financeira, as noteiras emitiam títulos (duplicatas) contra Ecoflex e Empresa Y pelas suas vendas e imediatamente os descontavam junto à Evolution em operações de factoring. Ecoflex e Empresa Y emitiam títulos contra Evolution referentes à suas vendas. Como Ecoflex e Empresa Y eram credoras (pelas suas vendas) e devedoras (pelas compras das noteiras cujos títulos foram descontados) a Evolution, faziamse transferências bancárias mútuas e simultâneas e as dívidas se extinguiam, exceto pela parcela dos créditos tributários gerados que poderiam ser aproveitados por Ecoflex e Empresa Y em suas apurações. O infográfico abaixo sintetiza o fluxo financeiro do esquema: Acerca dos valores informados em notas fiscais das noteiras e de Ecoflex e Empresa Y, mais um fato aponta pela ficção dos documentos. Ao longo de 2011 Evolution teria adquirido R$ 9,5 milhões de Ecoflex e R$ 11,6 milhões de Empresa Y em mercadorias para exportação, mas efetivamente exportou R$ 20,7 milhões, R$ 400 mil a menos que as entradas3. Evolution Fl. 7047DF CARF MF 12 não possui local para estocagem. Mesmo que se leve em conta trataremse de valores globais e a possível variação de início e final de ano nos embarques, Evolution teria vendido mercadorias ao exterior com prejuízo ou por preço muito próximo do custo, algo um tanto difícil de crer. (...). 42. Detalhando ainda mais os referido "esquema", a fiscalização afirma que a empresa Ecoflex, intermediária na citada "operação empresarial", tinha por objeto social a fabricação de espumas e colchões e que, mas operações aqui tratadas, teria "vendido" para Evolution pallets, madeiras e móveis, ou seja, produtos completamente diferentes do seu objeto social, o que reforçaria a intenção da Ecoflex em participar do esquema apenas para fins de aproveitamento de créditos. A vantagem obtida pela Ecoflex foi assim descrita no TVI: (...). A vantagem indevida era gerada por meio do registro das entradas no CFOP 1.102 Compra para revenda e, como os bens entrados eram diretamente revendidos a Evolution com fim específico de exportação, pelo registro das saídas sob CFOP 5.502 Remessa de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, com fim específico de exportação, operação esta feita com suspensão de IPI (art. 43, V, a, do Decreto n.º 7.212/2010 Regulamento do IPI), isenta da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins (art. 5.º da Lei n.º 10.637/2002 e art. 6.º da Lei n.º 10.833/2003) e objeto de nãoincidência de ICMS (art. 6.º, inciso II e §1.º inciso I, do Decreto n.º 2.870/2001 Regulamento do ICMS/SC). A título exemplificativo, numa compra de produtos no valor de R$ 1.000,00 seriam gerados R$ 312,50 de créditos daqueles tributos [1.000 x (17% ICMS + 1,65% PIS + 7,6% Cofins=26,25%) + 1.000 x 5% IPI]. Como na revenda destes bens não havia débito, estes R$ 312,50 eram aplicados integralmente na redução dos saldos a pagar, independentemente do valor de revenda. Porém havia ainda o reflexo na apuração de IRPJ e CSLL, pelo aumento de custos e de receitas. Para solucionar esta questão, bastava revender os bens pelo valor de custo, líquido dos tributos. No exemplo acima, o custo das mercadorias revendidas seria contabilizado por R$ 687,50 (1.000 312,50) e a venda feita também por R$ 687,50, anulando o efeito da operação na apuração do IRPJ e da CSLL. (...). Verificase que 245 unidades de “cômoda 2 portas” escriturados sob código 40030 entraram por R$ 124.008,93, gerando créditos tributários de R$ 36.907,39 e resultando num custo contabilizado de R$ 87.101,54, e que 245 unidades de mercadoria com código e descrição idênticos foram faturadas para Evolution por R$ 87.103,85, praticamente o valor da nota de entrada descontada dos tributos (70,2% da nota de entrada). (...). Fl. 7048DF CARF MF Processo nº 10920.720244/201650 Acórdão n.º 3402006.612 S3C4T2 Fl. 7.043 13 43. Promovendo ainda o detalhamento da fraude, assim afirma o TVI pautado pelas provas realizadas ao longo da fiscalização (fls. 51/4.902): A parte financeira do esquema iniciavase com a emissão de títulos (duplicatas) em nome das noteiras no valor integral da nota fiscal, divididos em 4 parcelas com 55%, 25%, 15% e 5% do valor total4, imediatamente descontados em operações de factoring junto à Evolution, que escriturava todas as suas operações de factoring em totalizações mensais a débito na conta Clientes Diversos e a crédito em Caixa e Receita Financeira, como no exemplo abaixo: (...). Quando Ecoflex revendia as mercadorias, emitia apenas um título contra Evolution no valor total da nota fiscal que, como demonstrado, eram os mesmos 70% da nota de entrada referente. Evolution foi intimada a apresentar os comprovantes de pagamento pelas aquisições de mercadorias e efetivamente apresentou transferências bancárias à Ecoflex nos valores corretos. Ecoflex também foi intimada a apresentar comprovantes de pagamento pelas aquisições junto às noteiras e apresentou, para os títulos de 55% e 15% do valor, resultando em 70% da nota de entrada referente, transferências bancárias únicas à Evolution. A análise dos comprovantes destes pagamentos não deixa dúvidas quanto ao conluio EvolutionEcoflex. Numa incrível ‘coincidência’, as transferências bancárias de ambas as partes eram simultâneas, feitas nos mesmos valores, datas e horas, com diferença de poucos segundos, vejase os comprovantes bancários e os lançamentos contábeis das operações RE06 e ME02 já citadas acima: (...). Desta forma, Evolution dava por quitada sua compra e Ecoflex quitava as duplicatas com 70% do valor devido à noteira cujo título estava em poder de Evolution. Quanto aos títulos com 25% do valor, os comprovantes fornecidos por Ecoflex foram pagamentos de boletos bancários emitidos por Evolution como beneficiária, indicando a noteira como avalista. Restavam então os títulos de 5% do valor que, pelos elementos colhidos e a informação da denúncia sobre pagamento de 3% do valor de cada nota fiscal fria, levam a crer ser a remuneração paga a Evolution/Maia Bastos pelos créditos fictícios. Aparentemente baixo, cabe ressaltar que o valor pago por Ecoflex sobre cada nota fiscal equivale em verdade a 16,67% do ganho obtido em créditos. Fl. 7049DF CARF MF 14 (...). Ainda sobre os comprovantes de pagamento pelas supostas compras das noteiras, percebeuse que todas as transações com todas as noteiras tinham vencimentos entre 30 e 60 dias da emissão da nota fiscal e que muitos pagamentos foram adiantados. Se o prazo de pagamento era de no máximo 60 dias e por vezes feito antes do dia de vencimento, por que razão as noteiras precisariam sempre descontar estes títulos em factoring e sempre com a mesma Evolution? Notouse também que as duplicatas mercantis não tinham o aceite nem a assinatura do sacado Ecoflex reconhecendo a exatidão dos dados da venda e da dívida, algumas não tinham sequer a assinatura do emitente, e mais, algumas duplicatas já foram emitidas como quitadas, porém mesmo assim foram pagas, por exemplo a de número 05/D de Renari no valor de R$ 16.239,17 que, junto com a 05/A de R$ 70.862,31, compôs o pagamento de R$ 87.101,48 da citada operação RE06: (...). Assim, na parte financeira o esquema estava concluso em Ecoflex. Na Evolution, comprovados seus pagamentos pelas compras junto a Ecoflex e seus recebimentos de Ecoflex pelos títulos de 55%, 25% e 15% descontados, faltava a outra ponta do esquema: a aquisição por Evolution de títulos emitidos pelas noteiras. Evolution foi intimada a comprovar os pagamentos pelas aquisições de títulos emitidos por Arueira, Biomade e Norte Sul contra a Empresa Y. Trouxe documentos para 111 títulos com valores totais de face de R$ 4.566.688,17 e de aquisição de R$ 3.919.612,15. Os documentos entregues para comprovação de pagamento, totalizando R$ 3.315.057,25 (R$ 635.247,90 a menor), não apresentavam relação direta nem identificação com quaisquer dos títulos, das pessoas jurídicas emitentes (noteiras) ou dos sócios destas. Pelo contrário, tinham inúmeras inconsistências. Apresentou diversos cheques do Banco do Brasil e Bradesco, com valores redondos e na grande maioria entre R$ 600 e R$ 7.000, num total aproximado de R$ 2,3 milhões, entre os quais foram encontrados cheques não nominais, cheques não cruzados, cheques com datas anteriores à de emissão da nota fiscal referente, dois cheques nominais a própria Empresa Y. Os cheques n.º 852530, 852570 e 852571 do Banco do Brasil não foram assinados, mas havia uma assinatura feita sobre a cópia entregue, outras cópias vieram sem qualquer assinatura. Também de se destacar a grafia em cheques de Evolution semelhante àquelas encontradas nas duplicatas mercantis emitidas por Norte Sul. Vejase: (...). Outra característica peculiar dos cheques é que na maioria foram preenchidos e assinados pela auxiliar administrativa sra. Fl. 7050DF CARF MF Processo nº 10920.720244/201650 Acórdão n.º 3402006.612 S3C4T2 Fl. 7.044 15 Silvana Tamanine Richter, que recebeu a fiscalização quando estivemos na Evolution, vejase cópia de um cheque e de recebimento do Termo de Início: (...). Segundo informações de GFIP, esta pessoa tinha salário mensal de R$ 1.090,00 em 2011. Causa no mínimo estranheza que um mero auxiliar administrativo, com rendimento de apenas dois salários mínimos vigentes à época, tivesse poderes para movimentar milhões de reais das contas bancárias da empresa. (...). Transportadoras As transportadoras Rodomoveis Transportes e Transportes Rodomovel7 constam em várias notas fiscais emitidas pelas noteiras como transportador das mercadorias entre elas e Ecoflex e Empresa Y. Em 08/12/2014 e 12/02/2015 as transportadoras foram intimadas a informar se ao longo de 2011 prestaram algum serviço às noteiras e à Evolution. As respostas foram protocoladas em 16/12/2014 e 26/02/2015. Transportes Rodomovel informou que “não prestou serviços de transporte para a[s] empresa[s]”. Rodomoveis Transportes informou que “não prestou diretamente serviços de transportes para a empresa ... mas carregamos mercadorias nas dependências da empresa, através da Evolution Comercial Exportadora Ltda., a qual prestamos serviços”. (...). 44. Um dos fundamentos desenvolvidos pelos recorrentes e que desnaturaria a acusação de fraude seria a comprovação de pagamentos para parcela das empresas chamadas noteiras, bem como a existência formal destas empresas à época em que realizada as operações em análise. Aliás, foi esta a razão que motivou este Colegiado em converter o presente julgamento em diligência. 45. Nesse sentido, o primeiro apontamento requisitado por este órgão julgador foi no sentido da unidade preparadora discriminar quais operações fiscalizadas foram perpetradas por empresas inexistentes à época dos fatos e quais foram realizadas por empresa formal e materialmente válidas, indicando separadamente as páginas do eprocesso que atestam tais conclusões. Em resposta a tal questionamento, assim manifestou a unidade preparadora: Fl. 7051DF CARF MF 16 Fl. 7052DF CARF MF Processo nº 10920.720244/201650 Acórdão n.º 3402006.612 S3C4T2 Fl. 7.045 17 Fl. 7053DF CARF MF 18 Fl. 7054DF CARF MF Processo nº 10920.720244/201650 Acórdão n.º 3402006.612 S3C4T2 Fl. 7.046 19 46. Uma primeira análise deste questionamento poderia redundar na conclusão, precipitada, de que as operações celebradas com as empresas Harmony Móveis Ltda., Renari Móveis Ltda., MPR Indústria de Móveis Ltda. e Produmex Móveis Ltda. seriam válidas, uma vez que, conforme apontado pela fiscalização, tais empresas existiriam de fato à época das operações fiscalizadas. 47. Em contrapartida, a diligência, em conjunto com as demais provas acostadas nos autos e já mencionadas no presente voto, atestariam a fraude nas supostas operações perpetradas com empresas inexistentes de fato à época de tais operações, i.e., com as empresas Móveis Rueckl Ltda., Fábrica de Móveis Melomar Ltda., Norte Sul Comércio de Madeiras e Materiais de Construção Ltda. e J4 Madeiras Ltda., bem como para a empresa Fl. 7055DF CARF MF 20 Harmony Móveis Ltda. para a qual, inclusive, existe declaração do seu sócio (fls. 1.101/1.102) corroborando a participação da sua empresa em esquema fraudulento nos seguintes termos: 48. Acontece que, a simples existência de fatos das empresas nominadas no parágrafo 46 do presente voto não é, por si só, suficiente para atestar a validade das supostas operações comerciais formalmente documentadas. Para se chegar a uma conclusão mais segura, mister se faz analisar as demais respostas ofertadas pela unidade preparadora aos demais questionamentos formulados por este Colegiado. 49. Neste sentido, convém destacar a primeira parte do terceiro questionamento apresentado por esta Turma julgadora, no seguinte sentido ...nas operações com empresas existentes à época dos fatos fiscalizados, aponte quem era responsável pelo transporte das mercadorias entre a empresa chamada "noteira" e a Ecoflex ..., sempre indicando, discriminadamente, as páginas das provas no eprocesso que atestam as conclusões a serem alcançadas, com a devida vinculação dos conhecimentos de transportes e notas fiscais emitidas; 50. Em resposta a tal questionamento, assim se pronunciou a unidade preparadora: (...). As empresas existentes à época, conforme já constava no Termo de Verificação de Infração e seu Anexo (fls. 10/49) e repetido acima, são Harmony, MPR, Renari e Produmex. As notas fiscais emitidas por Harmony Móveis Ltda. (fls. 1422/1474) indicam que o frete era por conta do emitente e que a própria empresa teria executado o transporte. Assim, não há Fl. 7056DF CARF MF Processo nº 10920.720244/201650 Acórdão n.º 3402006.612 S3C4T2 Fl. 7.047 21 comprovação do transporte entre Harmony e Ecoflex. Vale mencionar que seu sócio administrador sr. José Afonso Zipperer, ao confessar à fiscalização a existência e sua participação no esquema fraudulento, afirmou que “os móveis eram colocados em contêineres, fechados e carregados em seu pátio por transportadoras (não soube identificar quais) contratadas sempre por Evolution, destinados diretamente ao porto para exportação”. Nas notas fiscais emitidas por MPR Indústria de Móveis Ltda. (fls. 1197/1330) há informação de que o transporte seria prestado por Rodomóveis Transportes, ora indicando que o frete era por conta do emitente ora que seria encargo do destinatário. A transportadora foi intimada a confirmar a prestação de serviços a MPR (fls. 4827/4829), mas confirmou serviços totalmente distintos: os conhecimentos de transporte entregues não fazem menção à Ecoflex, tratamse de transportes de Battistela Ind. Com. Ltda. até a MPR (fls. 4844/4859), nas quais MPR era o destino das cargas, ou seja, são prestações de serviço alheias às aqui tratadas. Assim, não há comprovação do transporte entre MPR e Ecoflex. As notas fiscais emitidas por Renari Móveis Ltda. (fls. 1482/1561) indicam que o frete era por conta do emitente e que a própria empresa teria executado o transporte. Assim, não há conhecimentos de transporte entre Renari e Ecoflex. Nas notas fiscais emitidas por Produmex Móveis Ltda. (fls. 1358/1397) há informação de que o transporte seria prestado por Rodomóveis Transportes, ora indicando que o frete era por conta do emitente ora que seria encargo do destinatário. A transportadora foi intimada (fls. 4827/4829) a confirmar a prestação de serviços a Produmex, mas afirmou que prestou apenas indiretamente e forneceu os conhecimentos de transporte indicando que a contratante Evolution ordenou e pagou pelo carregamento de mercadorias na Produmex (campo Observações do CTRC) com destino aos portos de Navegantes SC, ItajaíSC e São Francisco do SulSC (fls. 4830/4843). Assim, não há comprovação do transporte entre Produmex e Ecoflex. Diversamente, os conhecimentos de transporte de Rodomóveis envolvendo Produmex só reforçam a existência da simulação exatamente como afirmado pelo sócio de Harmony, repisase, “os móveis eram colocados em contêineres, fechados e carregados em seu pátio por transportadoras (não soube identificar quais) contratadas sempre por Evolution, destinados diretamente ao porto para exportação. Vale mencionar que a fiscalizada Ecoflex foi intimada a apresentar conhecimentos de transporte referentes às operações com todas as noteiras (fls. 617/624) e respondeu apenas que “as aquisições se davam na modalidade CIF” (fl. 628), é dizer, que a responsabilidade do frete recaía sobre o fornecedor. Entretanto, mesmo quando o frete é pago pelo fornecedor uma via do conhecimento de transporte é anexada ao DANFE no ato de entrega de mercadorias, então, se Ecoflex tivesse realmente recebido aqueles produtos, possuiria uma via Fl. 7057DF CARF MF 22 do CTRC emitido pelas transportadoras indicadas na nota fiscal. Como nunca os recebeu, não possui tais conhecimentos e não os disponibilizou à fiscalização quando requerido. (...) (g.n.). 51. Tais fatos, somados às alegações genéricas formuladas pelos recorrentes em suas manifestações após a conversão do presente julgamento, só reforçam as conclusões fiscais alcançadas. Mas não é só. Existe um último elemento probatório que sedimenta a conclusão fiscal. 52. Neste sentido, o quarto questionamento deste Colegiado foi assim deduzido: ... ainda nas operações com empresas existentes à época dos fatos fiscalizados, detalhar se também foi perpetrada a estratégia de revender os bens pelo valor de custo subtraída a carga tributária, de modo a neutralizar o impacto de IRPJ e CSLL que existiria em razão das operações intermediárias entre as "noteiras" e a Evolution. Em caso positivo, discriminar por empresa noteira (ainda que por amostragem) tal prática. 53. A respeito deste ponto assim se manifestou a fiscalização: O detalhamento requerido também consta nas tabelas individualizadas por operação e empresa do quesito (i) acima, nas colunas da direita sob o título Notas fiscais de Ecoflex para Evolution. Cada linha das tabelas relaciona uma suposta compra de noteira com a respectiva suposta venda a Evolution, com indicação das folhas em que se encontram as notas fiscais. Tomemos como exemplo a operação MP17, em que MPR faturou produtos no valor de R$ 150.843,90, (NF 87, de 06/05/2011, fl. 1261) que, excluídos os tributos recuperáveis, tiveram um custo para Ecoflex de R$ 111.247,38. Tais produtos foram faturados por ela a Evolution por R$ 111.251,40 (NF 25131, de 10/06/2011, fl. 1681). Tomemos também a operação PR09, em que Produmex faturou produtos no valor de R$ 110.834,70, (NF 1136, de 07/12/2011, fl. 1393) que, excluídos os tributos recuperáveis, tiveram um custo para Ecoflex de R$ 81.740,59. Tais produtos foram faturados por ela a Evolution por R$ 81.742,92 (NF 13648, de 15/12/2011, fl. 1801). Tal raciocínio pode ser feito para qualquer nota emitida pelas noteiras e registradas/aproveitadas por Ecoflex1. A esta conclusão individualizada por operação também se chega ao verificaremse valores globais de aquisição e revenda daquelas tabelas. Harmony faturou produtos no valor de R$ 2.038.051,27 que, excluídos os créditos fictícios aproveitados por Ecoflex, resultam em custo de R$ 1.503.062,92. Os faturamentos correspondentes de Ecoflex a Evolution somam R$ 1.503.109,64. Fl. 7058DF CARF MF Processo nº 10920.720244/201650 Acórdão n.º 3402006.612 S3C4T2 Fl. 7.048 23 MPR faturou produtos no valor de R$ 5.396.456,46, excluídos os créditos fictícios aproveitados por Ecoflex, R$ 3.979.886,61, que foram faturados a Evolution por R$ 3.980.005,92. Renari faturou produtos no valor de R$ 2.711.219,71, excluídos os créditos fictícios aproveitados por Ecoflex, R$ 1.999.524,70, que foram faturados a Evolution por R$ 1.999.574,94. Produmex faturou produtos no valor de R$ 863.867,17, excluídos os créditos fictícios aproveitados por Ecoflex, R$ 637.102,02, que foram faturados a Evolution por R$ 637.120,89. 54. Percebese, portanto, que para cada uma das empresas existentes de fato (Harmony Móveis Ltda., Renari Móveis Ltda., MPR Indústria de Móveis Ltda. e Produmex Móveis Ltda.) o que se fez foi exatamente revender as mercadorias pretensamente adquiridas pelo valor do custo, i.e., subtraída a carga tributária para fins de evitar o impacto de IRPJ e CSLL que existiria por conta das operações intermediárias entre as noteiras e a Evolution. 55. Tal prova, que apresenta uma exatidão próxima da casa dos centavos, juntamente com o restante do acervo probatório aqui mencionado, demonstra, cabalmente, a existência de operações fraudulentas com base em notas fiscais incapazes de retratar uma real operação empresarial. Aliás, foi também neste sentido a decisão desta turma julgadora para outro do mesmo recorrente e pautado nas mesmas acusações fáticas: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CRÉDITOS. DESCONTOS INDEVIDOS. GLOSAS. MANUTENÇÃO. Mantêmse as glosas dos valores dos créditos aproveitados (descontados) indevidamente sobre os custos das aquisições de bens para revenda, decorrentes de operações simuladas, inclusive com empresas inativas e/ ou inexistentes de fato. (...). (Acórdão n. 3402006.612). 56. Logo, todas as manifestações desenvolvidas ao longo dos recursos interpostos, quanto à existência das empresas chamadas noteiras, da existência de documentos fiscais formalmente válidos e de que a presente exigência estaria exclusivamente pautada em indícios e presunções, caem por terra, restando devidamente comprovado o notório esquema fraudulento, motivo pelo qual a presente exigência fiscal deve ser mantida exatamente como posta. (iii) Da exclusão ou redução das multas aplicadas em razão da ofensa ao princípio da que veda o confisco 57. Subsidiariamente, não há que se falar em afastamento das multas aplicadas por ofensa ao disposto no art. 150, inciso IV da Constituição Federal, que impede o caráter confiscatório de exigências fiscais. Fl. 7059DF CARF MF 24 58. Ressalvado meu entendimento pessoal, no sentido de que também é possível o exercício do controle difuso de constitucionalidade na instância administrativa de caráter judicativo12 – exatamente como se afigura aqui no CARF – não posso deixar de reconhecer o disposto no art. 62 do Regimento Interno deste Tribunal3 que, como regra, veda a possibilidade do sobredito controle. No mesmo sentido é o teor da Súmula n. 02 deste E. Tribunal Administrativo, a qual tem caráter vinculante para este julgador, nos termos do art. 42, inciso VI do RICARF4, motivo pelo qual também rejeito esta específica pretensão dos recorrentes. (iv) Da responsabilidade tributária da empresa Evolution 59. Embora a discussão quanto a ilegitimidade passiva de coobrigados trata se de questão preliminar de mérito, tal debate será aqui travado na medida que a sua devida análise perpassa pelas conclusões anteriormente firmadas acerca da existência ou não de conduta fraudulenta por parte dos envolvidos. 60. Fixado tal ponto e voltando ao termo de verificação fiscal (fls. 36/37), é possível concluir que a responsabilidade da empresa Evolution se deu com fundamento no art. 124, inciso I do CTN5, i.e., pelo fato de existir um interesse comum da responsabilizada com a empresa Ecoflex em relação com a situação que redundou no fato gerador objeto da autuação. 61. Para verificar se tal conclusão é adequada juridicamente, mister se faz delimitar o conteúdo semântico da expressão interesse comum. Nesse sentido, insta desde já destacar que a legislação tributária não faz tal conformação, tarefa essa que fica sob responsabilidade da doutrina6 e da jurisprudência, para quem interesse comum só tem as pessoas que estão no mesmo polo na situação que constitui o fato jurídico tributário. Assim, por exemplo, os condôminos tem “interesse comum” na propriedade; se esta dá azo ao surgimento da obrigação de recolher o IPTU, são solidariamente responsáveis pelo pagamento do imposto todos os condôminos7. Assim, ter interesse comum significa partilhar a prática do fato tido como gerador. 1 Ainda que o faça de forma atípica, o que é perfeitamente válido, haja vista a possibilidade dos diferentes Poderes do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário) desempenharem outras funções além daquelas que lhe foram tipicamente atribuídas pelo texto constitucional. 2 Não me parece lógico muito menos válido juridicamente, que um órgão administrativo de caráter judicativo possa reconhecer o descompasso de um ato jurídico em face de uma lei, instrução normativa ou portaria, mas não possa fazêlo em relação à Constituição Federal, que, sob uma estrita perspectiva legal, é o fundamento de validade de todas as demais peças legislativas do ordenamento jurídico nacional. 3 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." 4 "Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." 5 "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...)." 6 "O art. 124 prevê duas hipóteses de solidariedade: a) em relação às pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; e b) referente às pessoas expressamente designadas em lei. A primeira hipótese está redigida em linguagem bastante vaga, não traduzindo com acuidade o que quer significar. Comprador e vendedor têm interesse comum na transmissão da propriedade de imóvel, mas nem por isso podem ser devedores solidários. A solidariedade tributária, que é sempre passiva, somente pode existir entre sujeitos que figurem nesse polo da relação obrigacional." (COSTA, Regina Helena. Curso de direito tributário – Constituição e Código Tributário Nacional. São Paulo, Saraiva, 2012. p. 210.). 7 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 476. Fl. 7060DF CARF MF Processo nº 10920.720244/201650 Acórdão n.º 3402006.612 S3C4T2 Fl. 7.049 25 62. Também tratando do “interesse comum” para fins de incidência do dispositivo legal alhures citado, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é clara ao entender que para a sua configuração não basta o mero interesse econômico, havendo a especial necessidade de haver um interesse jurídico no fato gerador do tributo. Nesse sentido: Ementa TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011) (g.n.). Ementa PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. PESSOAS JURÍDICAS QUE PERTENCEM AO MESMO GRUPO ECONÔMICO. CIRCUNSTÂNCIA QUE, POR SI SÓ, NÃO ENSEJA SOLIDARIEDADE PASSIVA. 1. O entendimento prevalente no âmbito das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte é no sentido de que o fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do CTN. Ressaltese que a solidariedade não se presume (art. 265 do CC/2002), sobretudo em sede de direito tributário. 2. Embargos de divergência não providos. (STJ; EREsp 834044/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/09/2010, DJe 29/09/2010) (g.n.). 63. Nesse sentido, equivocase a fiscalização quando responsabiliza a empresa Evolution com fundamento em tal dispositivo legal. O art. 124, inciso I do CTN existe para contemplar uma responsabilização solidária pautada em atividades lícitas e não para imputar sanções, responsabilidade essa devidamente contemplada no art. 136 e s.s. do CTN. 64. Tal equívoco, todavia, não macula, neste caso específico, a exigência tributária em prejuízo da empresa Evolution, até porque o que se contesta aqui não é uma obrigação tributária em sentido estrito, mas sim uma sanção de caráter pecuniário em razão de Fl. 7061DF CARF MF 26 fraude. E, para imputar tal sanção à empresa Evolution, a regra do art. 527, inciso II do RIPI/2010 é suficiente. Vejamos novamente o que prescreve o aludido dispositivo: Art. 572. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente: (...). II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento. (...) 64. Referido dispositivo aponta como sujeito passivo da infração todo aquele que, em certa medida é beneficiado com a emissão de notas que não correspondam à efetiva saída dos produtos nela descritos, sendo exatamente este o caso dos autos, já que as empresas noteiras emitiam notas divorciadas da realidade em face da empresa Ecoflex que, por sua vez, emitia notas fiscais que também não contemplavam a realidade da operação à empresa Evolution. Há, pois, perfeita subsunção dos fatos apurados ao tipo legal acima transcrito que, por si só, é suficiente para implicar a sujeição passiva da empresa Evolution pelas infrações aqui apuradas. 65. Nesse sentido, afasto a alegação de ilegitimidade passiva da empresa Evolution. (v) Da responsabilidade dos administradores das empresas autuadas 66. Não obstante, outro fundamento desenvolvido pelos recorrentes Afonso Henrique Maia Bastos e Nelson Habowsky seria quanto a ilegitimidade passiva de ambos, uma vez que não teria restado configurado nos autos a hipótese de responsabilização prescrita no art. 135, inciso III do CTN. 67. Importante desde já destacar que o Sr. Henrique Maia Bastos é o sócio da empresa Evolution com 99% do capital social integralizado8, competindo a ele a administração isolada da empresa, conforme atesta contrato social da referida pessoa jurídica. Por sua vez, em relação à empresa Ecoflex, restou demonstrado que até agosto de 2004 o capital social da empresa pertencia aos irmãos Nelson Habowsky (90%) e Francisco Carlos Habowsky (10%), oportunidade em que a estrutura societária foi alterada com a cessão das cotas de Nelson a seus filhos Juliano Habowsky e Luciana Habowsky. Ressaltese, todavia, que esta cessão foi feita com reserva de usufruto vitalício a Nelson Habowsky que, desde então, foi designado como administrador exclusivo da empresa. 68. Feitos tais esclarecimentos de ordem fática, insta destacar que uma pessoa jurídica é uma ficção estabelecida pelo ordenamento no sentido de congregar diferentes pessoas físicas dotadas de sinergia para um mesmo propósito negocial. Referida ficção, portanto, tem por escopo facilitar essa junção, implicando, por conseguinte, a autonomia e a 8 O 1% restante do Capital Social de Evolution pertence a Regina Célia Maia, CPF 764.762.27904, mãe de Afonso Henrique Maia Bastos. Fl. 7062DF CARF MF Processo nº 10920.720244/201650 Acórdão n.º 3402006.612 S3C4T2 Fl. 7.050 27 distinção de responsabilidades entre a pessoa jurídica e as pessoas físicas que a compõem. Tal autonomia, entretanto, não é ilimitada, já que inexistem direitos absolutos no ordenamento jurídico nacional9. Acreditar no absolutismo de direitos subjetivos seria, em última análise, coadunar com a existência pretensamente válida de abusos de direitos. 69. Nesta toada, sempre que a pessoa jurídica estiver sendo indevidamente utilizada pelos sócios ou administradores, o ordenamento jurídico não só pode como deve impor sanções para coibir tais práticas. Este é o motivo de existência de disposições legais como o art. 135 do Código Tributário Nacional. 70. No presente caso, diante de tudo o que fora até então exposto no presente voto, resta cristalina a incidência do disposto no art. 135, inciso III do Código Tributário Nacional. Isso porque, como visto ao longo dos autos e do presente voto (em especial no seu tópico II.ii), ficou devidamente comprovada a conduta fraudulenta promovida pelas pessoas jurídicas aqui tratadas, que simularam a prática de operações empresariais com o escopo de "fraudar a lei". 71. Por sua vez, as pessoas físicas aqui referidas eram as responsáveis exclusivas pela administração das respectivas empresas, cabendo a tais pessoas, portanto, gerir os negócios que estavam sob o alcance do objeto social das citadas pessoas jurídicas. Logo, resta claro que a decisão das pessoas jurídicas em promover um complexo esquema fraudulento foi responsabilidade dos seus administradores, o que justifica a incidência em concreto do disposto no art. 135, inciso III do CTN. Dispositivo 72. Ex positis, voto por conhecer parcialmente os recursos interpostos e, na parte conhecida, negarlhes provimento. 73. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro 9 Nem mesmo direito a vida é um direito absoluto, haja vista a possibilidade de restrições a tal bem jurídico na hipótese de guerra externa (art. 5., inciso XLVII, alínea "a" da CF), bem como na hipótese de atitudes em legítima defesa e estado de necessidade no âmbito penal. Fl. 7063DF CARF MF 28 Fl. 7064DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910743/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/11/2009
COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO.
Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.032
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/11/2009 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 07 43 /2 01 2- 45 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13888.910743/201245 Acórdão n.º 3401006.032 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, sob o fundamento da integral vinculação do crédito indicado a outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. A decisão de 1ª instância julgou o recurso improcedente ao argumento de que não havia prova exaustiva da liquidez e certeza do crédito vindicado, pois não foram juntados os registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido. O Recurso Voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos autos à unidade de origem para revisão do despacho eletrônico, por força do Parecer Normativo Cosit nº 02/2015; e ratificou as alegações já deduzidas em primeira instância quanto ao direito pleiteado. Foram anexados à peça recursal o ADE nº 53/06 (CARTEPILLAR BRASIL LTDA, admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas. Considerando a documentação carreada aos autos pela Recorrente no Recurso Voluntário, este Colegiado converteu o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse acerca da procedência e quantificação do direito creditório, bem como da disponibilidade e da suficiência do crédito para a compensação pretendida. O processo retornou para julgamento com Informação Fiscal no sentido da procedência, disponibilidade e suficiência do crédito para extinguir o débito declarado no PER/DCOMP. A Recorrente ratifica as razões recursais. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.017, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.910728/201205. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.017): "A controvérsia posta nos autos cingiase à existência de crédito de COFINS decorrente de pagamento a maior no valor de R$ 36.019,17 (competência MAI/2008), recolhido mediante DARF, Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13888.910743/201245 Acórdão n.º 3401006.032 S3C4T1 Fl. 4 3 hábil a ser compensado com débito do mesmo tributo no valor de R$ 19.860,91 (competência AGO/2012). O feito tramitou em 1ª instância sem que a Recorrente fizesse prova suficiente do indébito, posto que alegava ser beneficiária da suspensão do tributo por vender mercadorias à pessoa jurídica habilitada no RECOF sem juntar os respectivos documentos contábeis e fiscais que espelhassem as operações. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente supriu tal carência probatório, de modo que este Colegiado resolveu converter o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse conclusivamente acerca da procedência, disponibilidade e suficiência do direito creditório. Assento pois as informações apresentadas pela autoridade fiscal em sede de diligência: 3. Em nossa análise verificamos que o crédito alegado pelo contribuinte na Dcomp (R$ 36.019,17), encontrase disponível para compensação, em nossos sistemas, após as retificações efetuadas na DCTF e DACON, relativas ao período de apuração 05/2008. A emissão Despacho Decisório de nº de Rastreamento 042024158 foi realizada em 03/01/2013 e as retificações citadas foram realizadas em 29/01/2013 e 30/01/2013, respectivamente. Portanto, não havia saldo disponível quando da emissão do Despacho Decisório, o que motivou seu indeferimento inicial. 4. Ademais, da análise do Livro de Registro de Entradas e Saídas, do DACON, dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e tendo em vista que as notas fiscais apresentadas são de venda de produtos a empresa beneficiária do RECOF e, por consequência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, dentro das condições previstas no ADE nº 53, de 24 de julho de 2006 e da IN SRF 417/2004 (alterada pela IN SRF 547/2005 e posteriores), concluímos que a manifestante faz jus a compensação dos créditos de R$ 36.019,17, de Cofins (cód. 5856), período de apuração 30/05/2008, demonstrados na Dcomp nº 28653.88994.190912.1.3.046142. Conforme verificamos nos relatórios do Sistema de Apoio Operacional (fls. 198 a 200), o crédito utilizado na Dcomp tratada nesse processo é suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 19.860,91, Cofins (5856), vencido em 25/09/2012). O saldo do crédito não utilizado nessa Dcomp foi utilizado em outra Dcomp relacionada, de nº 04211.25185.270912.1.3.040704, tratada no processo nº 13888.910730/201276, sendo que também nessa Dcomp relacionada o crédito utilizado também foi suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 30.778,44, CSLL (2484), vencido em 28/09/2012), conforme vemos no relatório de fls. 200. (grifo nosso) É de se concluir que, ante a informação de que o crédito existe, está disponível e é suficiente para se homologar a compensação pretendida, cai por terra a matéria antes controvertida, de modo Fl. 233DF CARF MF Processo nº 13888.910743/201245 Acórdão n.º 3401006.032 S3C4T1 Fl. 5 4 que deve ser acolhido o resultado da diligência para se reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada no PER/DCOMP 28653.88994.190912.1.3.046142. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.001021/2007-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO.
O Supremo Tribunal Federal julgou, com repercussão geral (RE 601.314/SP), constitucionais os dispositivos da LC nº 105/2001 que permitem a Receita Federal obter dados bancários de contribuintes, fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. A presunção estabelecida no art. 42 da lei nº 9.430/96 dispensa o fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, nos termos da SÚMULA CARF Nº 26. Argumentações com ausência de prova enseja o indeferimento da pretensão, haja vista a impossibilidade de se apurar a veracidade das alegações. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 2401-006.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores discriminados na Tabela 2 do voto, no montante de R$ 131.000,00.
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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O Supremo Tribunal Federal julgou, com repercussão geral (RE 601.314/SP), constitucionais os dispositivos da LC nº 105/2001 que permitem a Receita Federal obter dados bancários de contribuintes, fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. A presunção estabelecida no art. 42 da lei nº 9.430/96 dispensa o fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, nos termos da SÚMULA CARF Nº 26. Argumentações com ausência de prova enseja o indeferimento da pretensão, haja vista a impossibilidade de se apurar a veracidade das alegações. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 10 21 /2 00 7- 48 Fl. 686DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores discriminados na Tabela 2 do voto, no montante de R$ 131.000,00. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de auto de infração de fls. 5/15, lavrado para a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (“IRPF”), acrescido de juros moratórios, multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e multa de isolada no valor de 50 % (cinquenta por cento), referente ao ano calendário de 2003, com fundamento na ocorrência de omissão de rendimentos, caracterizada por rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas sujeitas ao carnêleão e por depósitos bancários com origem não comprovada. Devidamente cientificado do lançamento o Contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 19/09/2007 (fls. 268/302) devidamente acompanhada de documentos (fls. 306/405), alegando nulidade do auto de infração por quebra de sigilo fiscal e, no mérito, pugnou pela baixa dos autos em diligência, para que o agente fiscal apure os cheques devolvidos, estornados e as transferências entre suas contas, bem como requereu o cancelamento do auto de infração. A DRJ/JFA determinou a baixa dos autos em diligência junto à DRF/Uberlândia/MG/SAFIS (fls. 413/414) para análise de toda a documentação apresentada e solicitação de outros esclarecimentos. Assim, foi realizada diligência e elaborado relatório de diligência de fls. 627/635, excluindo os montantes que entendeu comprovado e retificando o valor do lançamento de acordo com as fls. 638/639 e multas de fls. 638/640. Além disso, concedeu o prazo de 30 (trinta) dias para o contribuinte se manifestar. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0920.859 da 4ª Turma da DRJ/JFA, às fls. 641/657, oportunidade em que considerou procedente em parte o lançamento, para excluir parcela de R$ 295.876,81 do IRPF e de R$ 10.996,02 da multa isolada; e exigir do contribuinte o recolhimento das parcelas restantes do IRPF no valor de R$ 134.448,82, sujeito à multa proporcional de 75% e multa isolada no valor de R$ 3.376,63 pela falta de recolhimento do imposto devido a título de carnêleão, acrescidos de juros de mora, nos termos da ementa abaixo: Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10675.001021/200748 Acórdão n.º 2401006.215 S2C4T1 Fl. 3 3 Restou o demonstrativo de débito à fl. 659. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA IRPF Exercício: 2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, o que não é a hipótese dos presentes autos. OMISSSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n° 9.430/96, a partir de 1/1/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, de forma inconteste, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Excluemse do lançamento, todavia, os depósitos bancários, questionados pelo Fisco, cuja origem de recursos restou devidamente comprovada pelo contribuinte. REQUISIÇÃO E UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar n° 105/2001, constitui simples transferência à RFB, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pela administração tributária, a par de amparada legalmente, não constitui quebra do sigilo bancário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Alterase parte do lançamento para manter a tributação dos rendimentos recebidos de pessoas fisicas, omitidos da tributação, decorrentes da prestação de serviços sem vínculo de emprego, devidamente comprovados através de recibos firmados pelo profissional. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊLEÃO. É cabível a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do Fl. 688DF CARF MF 4 imposto devido a título de carnêleão, aplicada em face da omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoas fisicas. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 28/10/2008 (às fls. 662/680), repisando as alegações de Impugnação, e argumentando o que segue: a) preliminar de nulidade do lançamento, em virtude da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial tornar o procedimento fiscal ilegal e inconstitucional; b) no mérito, argumentou que depósitos bancários, por si só, não autorizam o lançamento efetuado, já que não constituem fato gerador do imposto de renda, haja vista não caracterizarem disponibilidade de renda e proventos e, por conseguinte, sinais exteriores de riqueza. Assim, defende que deve ser comprovada pelo Fisco o uso dos valores depositados como renda consumida; c) pela análise da decisão de primeira instância, o valor tido como não justificado é de R$ 448.127,82, havendo um erro de cálculo na planilha elaborada pela DRJ/JFA que não subtraiu dos depósitos apurados os valores declarados como recebidos de pessoas físicas (R$ 55.881,00), mas apenas os valores tido como omitidos. E pede a correção; d) grande parte dos depósitos considerados não justificados foram originados de operação de títulos descontados, liberação de créditos e outros, que nada mais são do que empréstimos, devendo ser retirados do lançamento, vez que não podem ser considerados receitas. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 29/09/2008, conforme AR de fl. 660, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 28/10/2008 (fls. 662/680), razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. PRELIMINAR a) NULIDADE Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10675.001021/200748 Acórdão n.º 2401006.215 S2C4T1 Fl. 4 5 O Recorrente alegou às fls. 663/668 a nulidade da autuação fiscal, em virtude da ilegalidade na quebra de seu sigilo bancário sem a devida autorização judicial, porque atenta contra os direitos individuais e contra os princípios constitucionais. Ocorre que a presente discussão foi resolvida em 24/02/2016 pelo E. STF julgou o RE n° 601.314/SP, com repercussão geral reconhecida, fixando a tese que “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. Com efeito, prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancaria para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto, não há ofensa à Constituição Federal. EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, RELATOR(A): MIN. RICARDO LEWANDOWSKI, JULGADO EM 22/10/2009, DJE218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422) Nesse sentido, é válido trazer à baila o disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“RI/CARF”), art. 62, §2, Anexo II, o qual determina que as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicacã̧o ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 690DF CARF MF 6 Pelos argumentos acima trazidos, não merece guarida a preliminar de nulidade do lançamento arguida pelo Recorrente, pela quebra do sigilo de sua conta bancária, devendo ser mantido incólume o acórdão vergastado nesta parte. 3. MÉRITO a) DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O Recorrente alegou às fls. 669/680 que os depósitos bancários, por si só, não autorizam o lançamento, já que não constituem fato gerador do imposto de renda porque não caracterizarem disponibilidade de renda e proventos e, por conseguinte, não corroboram sinais exteriores de riqueza. Assim, defendeu que deve ser comprovado pelo Fisco o uso dos valores depositados como renda consumida. Suscitou que a decisão de primeira instância (fls. 641/657) acatou várias justificativas de depósitos, que reduziu o valor de depósito tido como não justificada de R$ 1.448.096,32, para R$ 504.008,82. Menciona ainda, que na verdade o valor não justificado é de R$ 448.127,82, pois existe um erro de fato na planilha elaborada pela DRJ/JFA, que não subtraiu dos depósitos apurados os valores declarados como recebidos de pessoa física no valor de R$ 58.881,00, mas apenas os valores tidos como omitidos, sendo que o valor tido como não justificado pela DRJ/JFA corresponde à quantia de R$ 448.127,82. Em complemento, alegou que grande parte dos depósitos considerados não justificados foram originados de operações de títulos descontados, liberação de créditos e outros, que nada mais são do que empréstimos, devendo ser retirados do lançamento, vez que não podem ser considerados receitas. À título de exemplo ele elenca os seguintes valores descritos a seguir: TABELA I INSTITUIÇÃO FINANCEIRA VALOR DATA OBJETO Banco do Brasil R$ 1.729,45 21/01/2003 Cheque descontado de empréstimo. Banco do Brasil R$ 4.939,86 30/01/2003 Empréstimo decorrente de e desconto de cheque Banco do Brasil R$ 8.425,91 30/02/2003 Empréstimo decorrente de e desconto de cheque Banco do Brasil R$ 6.117,40 10/02/2003 Empréstimo decorrente de e desconto de cheque Banco do Brasil R$ 974,36 24/02/2003 Empréstimo decorrente de e desconto de cheque Banco do Brasil R$ 3.535,60 27/02/2003 Empréstimo decorrente de e desconto de cheque HSBC R$ 20.000,00 10/03/2003 Empréstimo eletrônico realizado através do caixa automático, Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10675.001021/200748 Acórdão n.º 2401006.215 S2C4T1 Fl. 5 7 Conta 1096607 comprovado por documentos juntado por instituição financeira (fls. 395). HSBC Conta 1096607 R$ 14.000,00 30/04/2003 Empréstimo eletrônico realizado através do caixa automático, comprovado por documentos juntado por instituição financeira (fls. 395). HSBC Conta 1096607 R$ 35.000,00 4/7/2003 Empréstimo eletrônico realizado através do caixa automático, comprovado por documentos juntado por instituição financeira (fls. 395). HSBC Conta 1096607 R$ 27.000,00 11/8/2003 Empréstimo eletrônico realizado através do caixa automático, comprovado por documentos juntado por instituição financeira (fls. 395). HSBC Conta 1096607 R$ 20.000,00 01/10/2003 Empréstimo eletrônico realizado através do caixa automático, comprovado por documentos juntado por instituição financeira (fls. 395). HSBC Conta 1096607 R$ 4.500,00 01/09/2003 Trata de recebimento de parte de valor transferido da sua conta da Unicred, no importe de R$ 9.800,00. HSBC Conta 629016 R$ 200,00 18/09/2003 HSBC Conta 629016 R$ 5.000,00 27/8/2003 HSBC Conta 629016 R$ 3.000,00 02/12/2003 Estes valores depositados na conta em questão são originados de cheques emitidos pelo próprio impugnante, de sua conta da UNICRED, com exceção do valor do dia 27/08, que a origem foi de cheque do impugnante da outra conta no próprio HSBC, o que pode ser verificado pelos extratos bancários. Para reforçar os argumentos, juntamos os canhotos dos cheques, que constam como destino o depósito na sua própria conta. Fl. 692DF CARF MF 8 HSBC Conta 629016 R$ 1.500,00 16/12/2003 No caso em espécie, o ora Recorrente alegou que os valores descritos acima não poderiam ser utilizados para compor a base de cálculo do lançamento, por se tratarem de empréstimos. Porém, apesar das alegações da ora recorrente e de acordo com os documentos colacionados nos autos (fls. 306/405), não restou comprovado que os valores mencionados decorrem de empréstimos bancários. Conforme se passará a expor, procedem parcialmente as arguições do Recorrente. A tributação da omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada tem como supedâneo o art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com efeito, tratase de uma presunção legal de omissão de rendimentos que ocorrerá sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Presunção esta relativa, que pode ser infirmada por prova em contrário apresentada pelo contribuinte, o qual possui a incumbência de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos, já que a própria lei define os depósitos bancários de origem não comprovada como omissão de receita ou de rendimentos. Outra questão relevante sobre o tema é que a comprovação da origem dos recursos deve ser individualizada, ou seja, há que existir correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária, a fim de que se tenha certeza inequívoca da procedência dos créditos movimentados, consoante o §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Assim, não é preciso a coincidência absoluta entre os dados, mas os valores auferidos devem corresponder aos depósitos efetuados nas contas, para fins de provas robustas da origem do recurso. Inclusive, este E. Conselho já sumulou o assunto no sentido de que o Fisco não precisa comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, prevalecendo a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10675.001021/200748 Acórdão n.º 2401006.215 S2C4T1 Fl. 6 9 No caso, o Recorrente alegou em sua impugnação (265/301) que parte dos valores utilizados para o lançamento se tratam de empréstimos e por tal motivo não poderiam ter sido utilizadas como fundamento, por não se tratar de renda, colacionando para tanto inúmeros docucumentos (fls. 306/405). Com efeito, a DRJ determinou a baixa dos autos em diligência para verificar os documentos (fls. 413/414) e, após análise, foi retificado o valor da autuação, conforme relatório de diligência (fls. 627/635). Ao longo da Fiscalização e dos autos, foram juntados aos autos: Contrato de Financiamento FINAME – ESPECIAL, montante financiado de R$ 68.130,00 (fl. 81/89), planilha de capacidade de pagamento de produtor rural (fl. 90), proposta de fornecimento (fl. 91), DIRPF anocalendário 2003 (92/99), Contrato particular de parceria pecuniária com Sr. Alceu Ferreira de Queiroz (fl. 100/130), Recibo no valor de R$ 10.277,81(fl. 104), demonstrativo da venda de bois (fl. 105/111, 119); Nota da Minerva (Fl. 112), demonstrativo cálculos (113/115, 123/124, 125/126) nota promissória rural (116, 120/122), recibo de R$ 10.152,15 do Sr. Alceu Ferreira Queiroz (fl. 117); Declaração de ajuste anual de IRPF do anocalendário de 2003 (134/139); Declaração do banco do brasil (fl. 140), extrato da conta corrente deste banco (fl. 141/168); Declaração do Unicred (fl. 169), ficha proposta (Fls. 170/171), extrato (Fls. 172/209); Declaração HSBC (fl. 210), extratos (fl. 211/261); Extratos e relatórios de empréstimos rurais (305/332 – BB); extratos, informes de empréstimos e canhotos de cheques (333/361, 411) – HSBC; Unicred extratos e informe de rendimentos (fls. 362/402); comprovantes de empréstimo do sr. Antônio Vilela (fl. 403/404). Em diligência: recibos e cheques (Fls. 428/454, 462/463, 469, 472, 475, 477, 480/421, 485, 489 e outros mais ao longo da diligência. Diante da análise da documentação colacionada e dos argumentos do Recorrente em sede de Recurso Voluntário, entendo serem suficientes as provas da origem dos créditos previstos à fl. 411, por documento oficial elaborado pelo Banco HSBC e previstos nos extratos bancários de fls. 339/353, confirmando ter havido “contratos de crédito parcelado” liberados através de caixa automática na conta corrente de número 08621096607, registrados no extrato como “Transf Cx Automático”. TABELA II Assim, devem ser excluídos da presente autuação: HSBC Conta 1096607 R$ 20.000,00 10/03/2003 Empréstimo eletrônico realizado através do caixa automático, comprovado por documentos juntado por instituição financeira (fls. 411) e extrato bancário de fls. 339. HSBC Conta 1096607 R$ 14.000,00 30/04/2003 Empréstimo eletrônico realizado através do caixa automático, comprovado por documentos juntado por instituição financeira (fls. 411) e extrato bancário de fls. 342. HSBC Conta 1096607 R$ 35.000,00 4/7/2003 Empréstimo eletrônico realizado através do caixa automático, comprovado por documentos juntado por instituição financeira (fls. 411) e extrato bancário de fls. 347. HSBC R$ 27.000,00 11/8/2003 Empréstimo eletrônico realizado através do caixa automático, comprovado por Fl. 694DF CARF MF 10 Conta 1096607 documentos juntado por instituição financeira (fls. 411) e extrato bancário de fls. 349. HSBC Conta 1096607 R$ 15.000,00 05/09/2003 Empréstimo eletrônico realizado através do caixa automático, comprovado por documentos juntado por instituição financeira (fls. 411) e extrato bancário de fls. 351. HSBC Conta 1096607 R$ 20.000,00 01/10/2003 Empréstimo eletrônico realizado através do caixa automático, comprovado por documentos juntado por instituição financeira (fls. 411) e extrato bancário de fls. 353. Quanto aos demais depósitos combatidos às fls. 676/680, os valores do Banco do Brasil, entendo que a existência de “cheque descontado” no extrato bancário não é suficiente a demonstrar a ocorrência de empréstimos, como alegou o Recorrente; quanto às contas do HSBC de n° 1096607 e 629016, entendo que não restou cristalino se tratar de cheques emitidos pelo próprio Recorrente. Em relação ao valor de R$4.500,00, relacionado a transferência da conta da Unicred, acompanho a manifestação da diligência, e também entendo que não restou comprovado em razão da falta de coincidência de valores. Sendo assim, para tais montantes e os demais presentes na autuação fiscal, aplicouse a presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, haja vista que cabe ao contribuinte demonstrar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos questionado, certo que deve ser mantido a decisão proferida pela DRJ (fls. 641/657) diante da ausência de comprovação. Anotase que o valor de R$ 58.881,00 o qual o Recorrente alega que não foram subtraídos dos depósitos apurados, este argumento também não merece prevalecer, tendo em vista que ao realizar o lançamento a autoridade administrativa realizou a dedução conforme fls. 15 no item “omissão de renda de Pessoa Física”. Portanto, da análise da documentação apresentada, temse que não é possível compreender que todos os valores alegados pelo Recorrente em seu recurso tratamse de empréstimos, capaz de retificar a base de cálculo do IRPF lançado. Certo é que as alegações apresentadas pelo Recorrente devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, especialmente para combater uma presunção legal (relativa) como a do presente feito, não sendo suficiente juntar documentos aleatórios, sem a devida correlação com os fatos geradores tributários. Argumentações com ausência de prova enseja o indeferimento da pretensão, haja vista a impossibilidade de se apurar a veracidade das alegações. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil. Portanto, resta demonstrada a ocorrência parcial do fato gerador in casu, qual seja, a aquisição de disponibilidade de renda pela Recorrente representada pelos recursos que ingressaram Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10675.001021/200748 Acórdão n.º 2401006.215 S2C4T1 Fl. 7 11 em seu patrimônio, por meio de depósitos ou créditos bancários cuja origem não foi esclarecida, consoante o art. 42 da Lei n° 9.430/1996. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para conhecer do recurso voluntário, para no mérito darlhe provimento parcial, para excluir do auto de infração os valores considerados comprovados em relação à conta n° 1096607 do HSBC, no montante de R$ 131.000,00, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 696DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.720810/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio.
A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125.
Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI.
Recurso Voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-006.441
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 08 10 /2 01 3- 31 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10925.720810/201331 Acórdão n.º 3402006.441 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa, transmitido pela Cooperativa Rio do Peixe, CNPJ nº 84.590.314/000181, posteriormente incorporada pela Cooperativa de Produção de Consumo de Concórdia. A autoridade administrativa não deferiu integralmente o pleito, em síntese, sob os seguintes fundamentos: a) as receitas de revendas da interessada gerariam créditos passíveis apenas de abatimento do valor da contribuição a pagar, mas não de ressarcimento; b) seria vedado o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos referentes a produtos agropecuários vendidos com suspensão das contribuições; c) houve necessidade de ajuste do percentual de rateio para o ressarcimento dos créditos, pois representa a relação proporcional entre as receitas de venda de produtos produzidos com alíquota maior que zero, isentos ou não alcançados pela tributação em relação à receita total obtida; d) as receitas de revendas de produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não tributáveis não gerariam direito ao crédito, conforme art. 3º, § 2º, II, Lei nº 10.637/2002; e) não seria possível a tomada de créditos em relação a produtos farmacêuticos com tributação concentrada, em virtude da vedação contida nos arts. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório relativa às glosas do crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº 14075.896. Cientificada dessa decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário ora em apreço, sustentando, em síntese: Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10925.720810/201331 Acórdão n.º 3402006.441 S3C4T2 Fl. 4 3 i) O critério de rateio adotado pela fiscalização não tem amparo legal. Não há, em toda a legislação que rege o PIS/Pasep e a Cofins, no regime não cumulativo, nada que prescreva ou autorize o procedimento adotado pela fiscalização, no sentido de excluir as receitas suspensas, isentas, alíquota zero e sem incidência, na composição do montante das receitas não tributadas. ii) A autoridade fiscal não pode se valer do prazo previsto na IN nº 660/2006 para deixar de reconhecer a suspensão da incidência de PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes de venda de suínos e leite “in natura”, sob argumento que não aplica suspensão a estes produtos. iii) A realocação da totalidade do crédito sobre a revenda de mercadorias exclusivamente para o mercado interno tributado está em evidente descompasso com as disposições legais que tratam dessa matéria. Em sintonia com as disposições do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 erigiu comando muito claro do sentido de que o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção de crédito assegurada pelo art. 17, da Lei nº 11.033/2004, poderá ser objeto de compensação ou, então, de pedido de ressarcimento em espécie. iv) A recorrente requer o reconhecimento do direito de direito de receber o valor do seu crédito atualizado monetariamente pela taxa Selic desde a data do protocolo do seu pedido até a data do efetivo ressarcimento. Ademais, a atualização do crédito pela taxa Selic decorre também da aplicação do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito na parte pertinente, por se tratar de matéria julgada na sistemática do art. 543 C, do Código do Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164). É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.431, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.720269/201018, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.431): "Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último em relação à matéria contestada. Na manifestação de inconformidade, a interessada somente se insurgiu em face das glosas relativas ao crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10925.720810/201331 Acórdão n.º 3402006.441 S3C4T2 Fl. 5 4 suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz alegações sobre outras matérias objeto do Despacho Decisório que não constaram na sua primeira defesa, quais sejam: a) recálculo efetuado pela fiscalização do índice de rateio (receita não tributada no mercado interno/receita total) para a obtenção do montante do crédito a ressarcir e b) realocação da "totalidade do crédito relativo a bens para revenda, informado na linha 01, das Fichas 06A e 16A, do Dacon, exclusivamente, para o mercado interno tributado". Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/721, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que a matéria contestada submetida à primeira instância que determina os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pelo órgão a quo que, por conseguinte, poderá ser objeto de revisão pelo órgão ad quem. Se não houve decisão pelo órgão a quo por não ter sido a 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10925.720810/201331 Acórdão n.º 3402006.441 S3C4T2 Fl. 6 5 matéria sequer impugnada, não se há de falar em reforma do julgado nesta parte (Acórdão nº 2402006.480, de 07/08/2018, Relatora: Renata Toratti Cassini). O entendimento acima coadunase com o que tem sido decidido neste CARF, no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como consta nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF, Relator: Demes Brito, j. 08/12/2016 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10925.720810/201331 Acórdão n.º 3402006.441 S3C4T2 Fl. 7 6 Dessa forma, em face da preclusão, não se deve conhecer de parte da matéria do recurso voluntário relativa ao "recálculo do índice de rateio" e à "realocação de crédito relativo a bens para revenda". De outra parte, tomase conhecimento, por atender aos requisitos de admissibilidade, da parte restante do recurso voluntário relativa à correção monetária e às glosas de crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, ainda que contida nos tópicos da peça recursal relativos ao índice de rateio e à realocação de crédito. O pedido de ressarcimento tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Nesse ponto, cabe reiterar o entendimento deste Colegiado, conforme consta na ementa do Acórdão nº 3402 006.223, julgado em 26 de fevereiro de 2019 no sentido de que: "O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis", sendo que tal "dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação". Dessa forma, para o ressarcimento do saldo credor da contribuição com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, deve haver um crédito preexistente na aquisição de determinado bem, a qual é vinculada à venda da contribuinte com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição PIS/Cofins. Alega a recorrente que "não procede o argumento lançado pela autoridade fiscal no sentido de que as vendas de suínos e de leite “in natura”, efetuadas pela recorrente, não se Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10925.720810/201331 Acórdão n.º 3402006.441 S3C4T2 Fl. 8 7 deram nas condições em que se aplicaria a suspensão do pagamento das contribuições". Argumenta que "a autoridade fiscal não pode se valer do prazo previsto na IN nº 660/2006, para deixar de reconhecer a suspensão da incidência de PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes de venda de suínos e leite “in natura”, sob argumento que não aplica suspensão a estes produtos". No entanto, especificamente no presente processo, observase da leitura atenta do Despacho Decisório que a questão da não vigência da suspensão no período de apuração (prazo prorrogado no art. 11 da IN nº 660/2006) não foi suscitada pela fiscalização e não representou nenhum óbice ao pedido de ressarcimento da interessada, como se denota nos trechos abaixo do Despacho Decisório: (...) (...)[as] operações classificadas pela contribuinte como saídas com suspensão não ocorreram as condições de suspensão elencadas na legislação de regência – é o caso da compra para revenda de suínos, que na verdade estavam sob o campo de incidência das contribuições sociais em causa. (...) Com efeito, não estão inseridos no contexto da suspensão de incidência de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 as aquisições de produtos agropecuários para revenda –o que ocorreu em larga escala ao efetuar a compra de leitoões de associados e não associados para revendêlos a outros, além da compra de suínos para revenda a Cooperativa Central Oeste Catarinense Aurora. De fato, às aquisições para revenda não se aplica a apuração dos créditos presumidos e nem a suspensão. A concessão de favor fiscal vinculado ao requisito de destinação a consumo humano ou animal deve ser entendido como destinação imediata do produto ao consumo (produtos do art. 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004). Conseguintemente, se a agroindústria comercializar as mercadorias produzidas para outras indústrias, sejam ou não do setor alimentício, onde serão utilizadas em novo processo industrial, resta descaracterizada a destinação ao consumo humano ou animal. (...) De outra banda, a determinação estampada na IN SRF nº 636/2006 que dispõe sobre a suspensão da exigibilidade das indigitadas contribuições é claro no sentido na impossibilidade do aproveitamento de créditos em relação as aquisições de insumos de produtos agropecuários Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10925.720810/201331 Acórdão n.º 3402006.441 S3C4T2 Fl. 9 8 vendidos com suspensão dessas contribuições. Observe se: (...) 2.2.2. Operações com suspensão da exigibilidade das contribuições. Sistema de parceria para a criação de Suínos e da Venda do leite “in natura” e cereais (milho e soja). A receita da venda de cereais (milho e soja) da venda de suínos que foram criados pelo sistema de integração e da venda de leite “in natura” ocorreu com suspensão da exigibilidade das contribuições Pis e Cofins não cumulativo de acordo com os registros contábeis e fiscais apresentados. Observese: (...) De fato, os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 permitem às sociedades cooperativas efetuarem a venda destes insumos com suspensão da incidência das indigitas contribuições. O artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, propicia às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, deduzir crédito presumido calculado sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Permite também, no seu § 1º, I, que as aquisições, por essas mesmas pessoas, quando efetuadas de cerealistas também tenham direito a esse crédito presumido: (...) A par do crédito presumido atribuído ao adquirente dos produtos, o artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 determina a suspensão das contribuições, quando da venda de certos produtos agrícolas, por, entre outros, cooperativas, “litteris”: Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifei) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10925.720810/201331 Acórdão n.º 3402006.441 S3C4T2 Fl. 10 9 do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifouse) Os produtos relacionados no § 1º do artigo 8º, que quando de sua venda admitem suspensão, são os incluídos nos códigos NCM 09.01 (café), 10.01 a 10.08 (trigo, centeio, cevada, aveia, milho, arroz, sorgo de grão, alpiste e outros cereais) exceto os dos códigos 1006.20 (arroz descascado) e 1006.30 (arroz semibranqueado ou branqueado), 12.01 (soja) e 18.01 (cacau). Ao conceder a suspensão quando da venda desses produtos, a Lei nº 10.925/2004 também estabeleceu a vedação ao aproveitamento do crédito presumido e de créditos em geral por parte de quem vende com suspensão. Essa vedação aparece no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004: (...) 2.2.3 Apuração dos créditos de bens para revenda (Linha 1 do DACON). (...) Como regra geral, a aquisição de produtos para revenda gera direito ao crédito, no entanto, em relação aos produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não alcançados pela tributação, há vedação expressa neste sentido por parte do revendedor e do produtor. (...) Dos dispositivos legais acima colacionados, verificase que a regra é a apuração de crédito em relação à aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Todavia, o texto legal constante no art. 3º, § 2º, II, determina expressamente que não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Nesse diapasão, possível concluir que não dá direito a crédito a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência da alíquota zero uma vez que o legislador determinou que não gera crédito o valor das aquisições de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, exceto quando adquiridos com isenção, se os referidos bens forem utilizados para gerar receita tributável. (...) Em outras palavras, tendo a contribuinte adquirido créditos, na forma do art.3º, das Leis nºs 10.637, de 2002 e Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10925.720810/201331 Acórdão n.º 3402006.441 S3C4T2 Fl. 11 10 10.833, de 2003, por haver arcado com o ônus do pagamento dos tributos incidentes na cadeia da produção, esses créditos serão mantidos, ainda que as vendas efetuadas forem efetivadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição, por determinação legal. É o caso, por exemplo, dos próprios custos suportados pela contribuinte, na operação de revenda dos seus produtos, tais como, energia elétrica, transporte, locações e outros créditos vinculados que sofreram a incidência do PIS e da Cofins. Não podendo ser incluído aí o custo das compras da mercadoria por ela revendida, quando foi afastada a tributação como no caso da ocorrência de alíquota zero ou isenção, o que é o caso da revenda de: sementes, fertilizantes, defensivos, corretivos, medicamentos, etc. Assim, o art.17 da Lei nº 11.033/2004 permite a manutenção de créditos na tributação concentrada no fabricante ou importador não sendo possível manter crédito do PIS/Pasep e da Cofins nas aquisições para revenda de produtos sujeitos à incidência monofásica ou sujeitos a alíquota zero, isentos ou não tributados e, por conseguinte, conceder ressarcimento ou compensação. Alega também a recorrente que a "lei assegura a possibilidade da compensação ou do ressarcimento para todos os créditos previstos no art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15, da Lei nº 10.865/2004, dentre os quais constam os créditos sobre os bens adquiridos para revenda". Embora da leitura isolada de alguns trechos do Despacho Decisório pudesse parecer que a fiscalização estaria entendendo incabível o creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 a todos bens para revenda, isso não se confirma numa análise mais aprofundada do Despacho Decisório. Em verdade, nenhuma glosa ou ajuste de crédito foi efetuada simplesmente por se tratar de revenda, mas em face de tratar de revenda de: a) produtos agropecuários que não atenderiam às condições para a fruição do crédito presumido da agroindústria (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) ou da suspensão da incidência da contribuição na venda prevista no art. 9º dessa Lei, vez que a revenda descaracterizaria a destinação imediata ao consumo humano ou animal; ou de b) de produtos que não dariam direito a crédito básico. Além disso, outro obstáculo ao pleito de ressarcimento da interessada quanto aos bens para revenda foi o fato de o crédito presumido da agroindústria, quando aplicável, só poderia ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. Relativamente à correção monetária, alega a recorrente descumprimento do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 e violação do princípio constitucional da razoável duração do Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10925.720810/201331 Acórdão n.º 3402006.441 S3C4T2 Fl. 12 11 processo, requerendo a atualização monetária de eventual crédito que seja reconhecido em seu favor. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Além disso, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento. Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Essa matéria já está pacificada neste CARF, tendo sido objeto da Súmula abaixo, de aplicação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 20313.354, de 07/10/2008; 3301 00.809, de 03/02/2011; 330200.872, de 01/03/2011; 310101.072, de 22/03/2012; 310101.106, de 26/04/2012; 3301002.123, de 27/11/2013; 3302002.097, de 21/05/2013; 3403001.590, de 22/05/2012; 3801001.506, de 25/09/2012; 9303005.303, de 25/07/2017; 9303 005.941, de 28/11/2017. Assim, pelo exposto, voto no sentido de: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "recálculo do índice de rateio" e de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por: Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10925.720810/201331 Acórdão n.º 3402006.441 S3C4T2 Fl. 13 12 a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "recálculo do índice de rateio" e de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 244DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.006849/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.156
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada
a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal (assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. . Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10909.006849/200882 Resolução n.º 220200.156 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório O presente processo, trata de autuação contra o RECORRENTE SELINO PEREIRA, conforme auto de infração de fls. 10/20 e 181, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios de 2003, 2004 2005 e 2006, anoscalendários de 2002, 2003, 2004 e 2005, no valor de R$ 567.917,67 (quinhentos e sessenta e sete mil, novecentos e dezessete reais e sessenta e sete centavos), valor já acrescido dos juros de mora e multa de oficio, calculados de acordo com a legislação de regência. Intimado por edital, foi requerido os extratos bancários junto as instituições financeiras através de RMF. O lançamento de oficio decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo RECORRENTE, tendo sido constatado omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovados, conforme fls. 12/14, descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração. No dia 10/12/2007, foi juntada a impugnação de fls. 184/207, cujo teor, em suma foi o seguinte: 1) Cita farta doutrina e jurisprudência administrativa e dos tribunais; 2) Argui ofensa a princípios constitucionais e legais; 3) É nulo de pleno direito a quebra do sigilo fiscal e bancário, quando ausente a indispensável fundamentação, estabelecida a partir de fatos tidos, em tese, como ilícitos ou ilegais — Fl. 199; 4) Fls. 202/206. Argui a decadência dos fatos geradores ocorridos de janeiro de 2002 a outubro de 2002; 5) 0 simples fato de alguém efetuar depósitos em um banco não 6, por si só, comprobatório de que ele tenha auferido rendimentos tributáveis. E necessário o nexo da evidência do auferimento de rendimentos; 6) A autoridade fiscal não demonstrou utilização desses valores do depósito (presumido), como renda auferida, como gastos incompatíveis com o rendimento declarado ou até mesmo crescimento patrimonial injustificado; 7) A própria legislação determina que o dever de prova é do fisco, não bastando lançar sem o esteio da comprovação. Cabe a autoridade administrativa a prova da efetiva renda do recorrente com os supostos repasses. Estes não trazem nem uma presunção relativa, porque não se deposita somente renda; 8) Cabe ao fisco o ônus da prova; Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10909.006849/200882 Resolução n.º 220200.156 S2C2T2 Fl. 3 3 9) Imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, bem como seja comprovada a utilização dos valores em aplicação no mercado financeiro, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários, cheques emitidos e aplicações financeiras não constitue fato gerador do imposto de renda, pois caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos; 10) 0 RECORRENTE exercia a atividade de intermediação, compra e venda de madeira; 11) Requer o cancelamento do crédito tributário arbitrado, lavrado no auto de infração, por não encontrar respaldo para sua exigência, tendo como base apenas os extratos bancários por não ter sido comprovado sinais exteriores de riqueza. O art. 42 da Lei 9.430/96 acaba por atingir o que não é renda. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDFADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improficuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Para o IRPF, o fato gerador do imposto sobre os rendimentos sujeitos ao ajuste anual aperfeiçoase no momento em que se completa o período de apuração dos rendimentos e deduções: 31 Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10909.006849/200882 Resolução n.º 220200.156 S2C2T2 Fl. 4 4 de dezembro de cada anocalendário, quando se constata que o sujeito passivo sofreu retenção do imposto de renda na fonte pagadora ao longo do exercício, à medida que recebe rendimentos tributáveis, ou recolheu o tributo mensalmente, quando sujeitos ao CamêLeão. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, recebendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Comprovada a legitimidade do lançamento efetuado de oficio e cumpridas as formalidades legais dispostas em lei para sua efetivação, afastamse, por improcedentes, as preliminares arguidas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. ONUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. 0 ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Nesse passo, o Fisco deve comprovar regularmente seu direito ao crédito tributário provando o acréscimo patrimonial. Ja o contribuinte deve apresentar. Devidamente intimado desse decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10909.006849/200882 Resolução n.º 220200.156 S2C2T2 Fl. 5 5 Voto O presente processo administrativo, versa sobre autuação com base no artigo 42, da Lei 9.430, de 1996, cujo fundamento é a omissão de rendimentos baseado em depósitos bancários de origem não comprovada. Tendo em vista que a partir de 21 de dezembro de 2011, os conselheiro do CARF são obrigados a observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que foi alterado pela Portaria MF n° 256 abaixo transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Desta forma, a partir de 21 de dezembro de 2011, devemos sobrestar os julgamentos em que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. Neste sentido, proponho o sobrestamento do julgamento do presente caso até que o STF decida sobre a matéria de sorte a suspender o sobrestamento efetuado. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 722DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.004605/2002-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
DECISÃO A QUO. NULIDADE. SUPERAÇÃO. PROVIMENTO. POSSIBILIDADE.
É de se superar a nulidade da decisão de primeira instância que denegou o pleito da contribuinte se, no mérito, é dado provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório.
RETENÇÃO NA FONTE. AGÊNCIA DE PROPAGANDA. PROVA.
É de se reconhecer o crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ no caso de a contribuinte, que exerce a atividade de agência de propaganda, comprovar os recolhimentos do IRRF e o cumprimento dos deveres instrumentais previstos na IN SRF nº 130/92.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Na homologação das compensações suportadas pelo crédito decorrente de saldo negativo, impõe-se observar todos os débitos que foram vinculados em DComp e em DCTF, verificando-se as eventuais compensações realizadas diretamente na contabilidade.
Numero da decisão: 1401-003.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório decorrente do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2001 no valor de R$ 108.465,89, homologando-se as compensações realizadas este limite, observando-se os débitos que estão controlados neste processo e os débitos que não se encontram neste processo.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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NULIDADE. SUPERAÇÃO. PROVIMENTO. POSSIBILIDADE. É de se superar a nulidade da decisão de primeira instância que denegou o pleito da contribuinte se, no mérito, é dado provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório. RETENÇÃO NA FONTE. AGÊNCIA DE PROPAGANDA. PROVA. É de se reconhecer o crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ no caso de a contribuinte, que exerce a atividade de agência de propaganda, comprovar os recolhimentos do IRRF e o cumprimento dos deveres instrumentais previstos na IN SRF nº 130/92. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Na homologação das compensações suportadas pelo crédito decorrente de saldo negativo, impõese observar todos os débitos que foram vinculados em DComp e em DCTF, verificandose as eventuais compensações realizadas diretamente na contabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório decorrente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 no valor de R$ 108.465,89, homologandose as compensações realizadas este limite, observandose os débitos que estão controlados neste processo e os débitos que não se encontram neste processo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 46 05 /2 00 2- 54 Fl. 447DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente feito de Declarações de Compensação de débitos da contribuinte com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2001. Preambularmente, é oportuno registrar que as Declarações de Compensação ora sob análise foram juntadas, a princípio, aos processos 13896.004605/200254, 13896.004604/200218 e 13896.000570/200365. Compulsando os autos, verifico que foram apresentadas as seguintes Declarações de Compensação: Processo (original) Crédito Débito AnoCalendário Valor PA Tributo Valor 13896.004605/200254 2001 R$ 59.864,28 31/08/2002 0561 R$ 30.522,63 13896.004605/200254 2001 R$ 59.864,28 31/08/2002 8045 R$ 3.375,91 13896.004605/200254 2001 R$ 59.864,28 07/09/2002 0561 R$ 22.774,69 13896.004605/200254 2001 R$ 59.864,28 14/09/2002 8045 R$ 3.191,05 13896.004604/200218 2000/2001 R$ 125.402,72 22/06/2002 8045 R$ 1.058,01 13896.004604/200218 2000/2001 R$ 125.402,72 31/05/2002 2362 R$ 5.158,86 13896.004604/200218 2000/2001 R$ 125.402,72 29/06/2002 8045 R$ 9.144,23 13896.004604/200218 2000/2001 R$ 125.402,72 29/06/2002 0561 R$ 26.767,05 13896.004604/200218 2000/2001 R$ 125.402,72 06/07/2002 0561 R$ 22.774,69 13896.004604/200218 2000/2001 R$ 125.402,72 06/07/2002 8045 R$ 1.570,49 13896.004604/200218 2000/2001 R$ 125.402,72 03/08/2002 0561 R$ 30.356,21 13896.004604/200218 2000/2001 R$ 125.402,72 03/08/2002 0561 R$ 22.774,69 13896.004604/200218 2000/2001 R$ 125.402,72 17/08/2002 8045 R$ 5.797,89 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 28/09/2002 8045 R$ 1.506,95 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 05/10/2002 8045 R$ 825,43 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 18/10/2002 8045 R$ 387,25 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 02/11/2002 8045 R$ 3.672,85 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 30/11/2002 8045 R$ 2.615,24 Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13896.004605/200254 Acórdão n.º 1401003.483 S1C4T1 Fl. 448 3 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 07/12/2002 8045 R$ 1.383,41 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 14/12/2002 8045 R$ 5.430,98 Conforme se depreende do Despacho Decisório emitido pela DRF/Osasco em 11/10/2007, os débitos que eram controlados no processo nº 13896.004604/200218 haviam sido vinculados a créditos decorrentes de saldos negativos dos anoscalendário 2000 e 2001. Os débitos foram apartados, separandose aqueles que eram suportados pelo saldo negativo de 2000 dos que eram vinculados ao saldo negativo de 2001. Os débitos vinculados ao saldo negativo de 2001 passaram a ser controlados pelo presente processo: PA Tributo Valor 06/07/2002 0561 R$ 5.397,79 (parcial do valor R$ 22.774,69) 06/07/2002 8045 R$ 1.570,49 03/08/2002 0561 R$ 30.356,21 03/08/2002 0561 R$ 22.774,69 17/08/2002 8045 R$ 5.797,89 Além disso, o processo nº 13896.000570/200365 foi apensado ao presente, conforme despacho de fls. 43. Desta forma, os débitos que passaram a ser controlados no presente processo são os seguintes: Processo (original) Crédito Débito AnoCalendário Valor PA Tributo Valor 13896.004605/200254 2001 R$ 59.864,28 31/08/2002 0561 R$ 30.522,63 13896.004605/200254 2001 R$ 59.864,28 31/08/2002 8045 R$ 3.375,91 13896.004605/200254 2001 R$ 59.864,28 07/09/2002 0561 R$ 22.774,69 13896.004605/200254 2001 R$ 59.864,28 14/09/2002 8045 R$ 3.191,05 13896.004604/200218 2001 R$ 65.897,07 06/07/2002 0561 R$ 5.397,79 13896.004604/200218 2001 R$ 65.897,07 06/07/2002 8045 R$ 1.570,49 13896.004604/200218 2001 R$ 65.897,07 03/08/2002 0561 R$ 30.356,21 13896.004604/200218 2001 R$ 65.897,07 03/08/2002 0561 R$ 22.774,69 13896.004604/200218 2001 R$ 65.897,07 17/08/2002 8045 R$ 5.797,89 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 28/09/2002 8045 R$ 1.506,95 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 05/10/2002 8045 R$ 825,43 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 18/10/2002 8045 R$ 387,25 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 02/11/2002 8045 R$ 3.672,85 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 30/11/2002 8045 R$ 2.615,24 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 07/12/2002 8045 R$ 1.383,41 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 14/12/2002 8045 R$ 5.430,98 Para fazer frente aos débitos acima, a contribuinte afirma ter apurado saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2001 no montante de R$ 108.465,89. Fl. 449DF CARF MF 4 As declarações de compensação foram objeto do Parecer SEORT/DRF/OSA nº 968/2007 e do Despacho Decisório lavrado pela DRF/Osasco em 18/10/2007. Neste, a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. Dois foram os fundamentos que justificaram a decisão: (i) a autoridade verificou nas DIRF os valores de retenção de IRRF e apurou um montante de R$ 50.383,83, ao invés do valor de R$ 108.465,89 declarado pela contribuinte: e (ii) a contribuinte teria efetuado compensações sem processo no total de R$ 325.127,60. Considerando os dois fatos, não restaria saldo negativo para satisfazer os débitos declarados. Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, por meio da qual reiterou o saldo negativo de R$ 108.465,89. Alegou, também, que não teria utilizado em duplicidade o crédito pleiteado. Por fim, pugnou pela oportunidade de apresentar novos documentos que viessem a ser necessários. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão de piso recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Verificada a existência de compensações sem processo, registradas em DCTF, com a utilização do saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2001, em montante superior ao apurado na DIPJ/2002, inviável se apresenta o reconhecimento de qualquer direito creditório, com a consequente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs recurso voluntário, por meio do qual alegou, em resumo: (i) que a decisão de primeira instância teria partido de uma premissa equivocada, porque as mencionadas "compensações sem processo" teriam sido declaradas e juntadas ao processo nº 13896.004603/200265; (ii) as compensações realizadas em 2002 teriam como base os saldos negativos dos anoscalendário 2000 (R$ 184.073,80) e 2001 (R$ 108.465,89), sendo esses créditos suficientes para toda as compensações declaradas; (iii) que a diligência proposta pela recorrente somente não havia sido negada porque a a DRJ teria adotado a premissa equivocada de que o saldo negativo de 2001 seria insuficiente até para a satisfazer as "compensações sem processo"; (iv) que defendeuse apenas da insuficiência do saldo negativo de 2001, conforme o Despacho Decisório, mas, diante da decisão da DRJ, entendeu ser necessário Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13896.004605/200254 Acórdão n.º 1401003.483 S1C4T1 Fl. 449 5 demonstrar o saldo negativo de 2000, que também foi utilizado nas compensações efetuadas em 2002; (v) em relação à comprovação dos saldos negativos, provenientes sobretudo da retenção na fonte de IRPJ incidente sobre a prestação de serviço de propaganda, a recorrente alega que procedeu de acordo com a IN SRF nº 130/92, pois é a própria agência que efetua a retenção e o pagamento do IRRF. Para comprovar as alegações, juntou cópias de DARF, planilha analítica, relação de pagamentos de IRRF, comprovantes anuais de imposto fornecidos aos clientes e notas fiscais; (vi) entende ser possível apresentar novos elementos de prova com base no artigo 16, § 4º, "c" do Decreto nº 70.235/72; (vii) elaborou o quadro abaixo com as compensações declaradas: Fl. 451DF CARF MF 6 Ao final do recurso, a contribuinte pugnou pela reforma da decisão de piso e subsidiariamente, pela conversão em diligência. Requer, também, que a procuradora seja intimada por via postal para que possa realizar sustentação oral. Em essência, era o que havia a relatar. Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Verificase no relato acima que a controvérsia da presente lide cingese ao reconhecimento do direito creditório da contribuinte decorrente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 e à homologação das compensações declaradas, conforme tabela abaixo: Processo (original) Crédito Débito AnoCalendário Valor PA Tributo Valor 13896.004605/200254 2001 R$ 59.864,28 31/08/2002 0561 R$ 30.522,63 13896.004605/200254 2001 R$ 59.864,28 31/08/2002 8045 R$ 3.375,91 13896.004605/200254 2001 R$ 59.864,28 07/09/2002 0561 R$ 22.774,69 13896.004605/200254 2001 R$ 59.864,28 14/09/2002 8045 R$ 3.191,05 13896.004604/200218 2001 R$ 65.897,07 06/07/2002 0561 R$ 5.397,79 13896.004604/200218 2001 R$ 65.897,07 06/07/2002 8045 R$ 1.570,49 13896.004604/200218 2001 R$ 65.897,07 03/08/2002 0561 R$ 30.356,21 13896.004604/200218 2001 R$ 65.897,07 03/08/2002 0561 R$ 22.774,69 13896.004604/200218 2001 R$ 65.897,07 17/08/2002 8045 R$ 5.797,89 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 28/09/2002 8045 R$ 1.506,95 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 05/10/2002 8045 R$ 825,43 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 18/10/2002 8045 R$ 387,25 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 02/11/2002 8045 R$ 3.672,85 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 30/11/2002 8045 R$ 2.615,24 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 07/12/2002 8045 R$ 1.383,41 13896000570/200365 2001 R$ 15.822,11 14/12/2002 8045 R$ 5.430,98 Direito creditório. A contribuinte declarou na DIPJ/2002 (anocalendário 2001) um saldo negativo decorrente de retenções na fonte de IRPJ no total de R$ 108.465,89. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13896.004605/200254 Acórdão n.º 1401003.483 S1C4T1 Fl. 450 7 Para verificar a correção desse valor, a autoridade administrativa consultou as Declarações de Imposto Retido na Fonte DIRF que constam na base de dados da RFB. Nesta consulta, apurou que, no ano de 2001, as DIRF em beneficio da Talent Propaganda somavam apenas R$ 50.383,83. Esta foi uma das razões adotadas pela fiscalização para indeferir o pleito creditório da contribuinte. Tratavase, pois, de matéria probatória, ou seja, de se verificar se efetivamente haviam sido feitas as retenções e os recolhimentos de IRRF que compunham o saldo negativo e se as respectivas receitas haviam sido oferecidas à tributação. É de se convir, no entanto, que a manifestação de inconformidade foi genérica nessa matéria, restringindose a reafirmar o valor de R$ 108.465,89, com suporte apenas na DIPJ, e pugnar, de forma indireta, pela realização de diligência ("estamos a sua total disposição para apresentar os documentos, comprovantes que venham a ser necessários"). Diante da fragilidade probatória e dos parcos esclarecimentos fornecidos pela contribuinte, a DRJ manifestouse da seguinte forma sobre o assunto: Conforme relatado, a autoridade fiscal, que examinou as declarações de compensação, reconheceu como saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2001, a quantia de R$50.383,83, em contraposição ao valor declarado de R$108.465,89, constante da DIPJ/2002, entregue pela interessada, não tendo homologado quaisquer dos débitos compensados, em razão de haver constatado a utilização da quantia de R$325.127,60, por parte da contribuinte, em compensações sem processo. [...] Devese ressaltar que a requerente não juntou aos autos quaisquer documentos comprobatórios dos elementos que influem na formação de saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica, como o imposto retido na fonte, no presente caso. Como a contribuinte se colocou à disposição para apresentação dos documentos comprobatórios, se fosse o caso, poderseia aventar a hipótese de se encaminhar o processo em diligência, para propiciar a juntada da documentação correspondente ao imposto de renda na fonte, formador do saldo negativo do IRPJ, considerandose que não houve apuração de imposto de renda pessoa jurídica a pagar, no anocalendário de 2001 (fls. 77/78). No entanto, e em que pese a argumentação da recorrente de que não teria cometido nenhuma duplicidade de compensação de débitos, podese constatar que os valores compensados, constantes das DCTF entregues (fls. 50171) e das declarações de compensação (fls. 01, 15 e 22), alcançam montante muito superior ao pretenso saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2001, no valor declarado de R$108.465,89. [...] Fl. 453DF CARF MF 8 A análise de documentação, visando retificar o saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2001, revelase, portanto, inócua, em relação às compensações discutidas no presente processo. [...] Comprovado, portanto, que o saldo negativo de IRPJ, declarado na DIPJ/2002, no importe de R$108.465,89, é insuficiente para acobertar as compensações realizadas sem processo, ratificase a decisão proferida pela DRF/Osasco. Em síntese, a DRJ entendeu que não seria o caso de realizar diligência para verificar se a contribuinte efetivamente tinha direito ao crédito de R$ 108.465,89 porque mesmo esse valor seria insuficiente para as "compensações sem processo" que teriam sido efetuadas pela contribuinte. Com fulcro nesse raciocínio, a DRJ deixou de decidir se a contribuinte tinha direito ao crédito pleiteado no valor de R$ 108.465,89. Tenho que, na espécie, ao deixar de decidir a matéria, a primeira instância administrativa incorreu em supressão de instância e cerceamento do direito de defesa da contribuinte, configurando a hipótese de nulidade da decisão a quo, nos termos do artigo 59, II do Decreto 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Contudo, é de se superar a decretação de nulidade da decisão de piso porque entendo que, neste ponto, o recurso voluntário deve ser acolhido no mérito, como passo a expor. Inicialmente, impende considerar que os elementos probatórios apresentados pela contribuinte devem ser conhecidos com supedâneo no disposto no artigo 16, § 4º, "c" do Decreto 70.235/72. Tenho que o princípio da verdade material e da informalidade moderada do processo administrativo não autorizam o sujeito passivo a apresentar elementos de prova e razões a qualquer momento do processo. O legislador, ao ponderar tais princípios com os da igualdade, do devido processo legal, especialmente da celeridade na prestação da tutela administrativa, já positivou a regra geral de preclusão e as suas exceções. Não cabe ao intérprete administrativo deixar de aplicar a norma legal, sob pena de o processo não ter fim. Contudo, na espécie, considerando que (i) a matéria é essencialmente probatória; (ii) a contribuinte não foi intimada previamente pela autoridade administrativa para apresentar elementos de prova e razões durante o procedimento de ofício; (iii) a DRJ baseouse na premissa de que o possível crédito teria sido consumido em "compensações sem processo" para indeferir a diligência; (iv) a DRJ realizou minucioso levantamento dos débitos que não havia sido feita pela autoridade administrativa, configurase a hipótese legal de exceção da norma geral de preclusão conforme dispositivo anteriormente citado. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13896.004605/200254 Acórdão n.º 1401003.483 S1C4T1 Fl. 451 9 Passo, então, ao exame da matéria, à luz dos elementos probatório juntados na fase recursal. Acerca das retenções de IRPJ que compõem o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001, a contribuinte chamou atenção para a peculiaridade da atividade de propaganda e alegou que cumpriu o disposto na Instrução Normativa SRF nº 130/1992. Sinteticamente, a norma da RFB determina que as agências de propaganda que efetuem elas próprias a retenção e o recolhimento do IRRF e forneçam aos anunciantes o comprovante do imposto recolhido, conforme modelo anexo à instrução normativa. Para comprovar as retenções e recolhimentos do IRRF, a recorrente apresentou cópias de todos os DARF que integram o saldo de R$ 108.465,89. Apresentou, também, os Comprovantes Anuais de Imposto de Renda Recolhido em 2001. É fato que a fiscalização apurou que nem todo o crédito estava suportado pelas DIRF que constam no sistema da RFB. Contudo, a ausência de DIRF não ilide a prova produzida pela recorrente de que efetivamente recolheu os valores de IRRF e os comunicou aos anunciantes. Os elementos trazidos aos autos pela recorrente comprovam, além de qualquer dúvida razoável, que efetivamente reteve e recolheu os valores de IRRF que compõem o saldo negativo de R$ 108.465,89. Ademais, é de se observar na Planilha Demonstração Analítica da Apurado de IRRF que as receitas brutas que deram origem às retenções somaram em 2001 R$ 6.703.016,29 (base de cálculo do IRRF de R$ 1.282.611,84). Este valor é compatível com as receitas de prestação de serviços declaradas na DIPJ/2002, que totalizaram R$ 6.876.437,34, o que leva a crer que as respectivas receitas tenham sido integralmente oferecidas à tributação. Assim, diante das provas carreadas aos autos, concluo que, neste ponto, deve se dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito da contribuinte originário de saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2001, no valor de R$ 108.465,89. Homologação das compensações. Como visto no relatório supra, no presente processo estão controlados débitos que a contribuinte havia vinculado ao crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001. Mas, constam destes autos apenas os débitos objeto de Declaração de Compensação que foram originalmente juntados aos processos 13896.004605/200254, 13896.004604/200218 e 13896.000570/200365. Como dito pela autoridade administrativa, no Despacho Decisório guerreado, o total dos créditos utilizados nas DComp que integram o presente feito somam R$ 141.583,46. Entretanto, a fiscalização identificou, a partir do exame das DCTF, que a contribuinte teria utilizado o saldo negativo de IRPJ de 2001 para compensar outros débitos "sem processo", no valor total de R$ 325.127,60. Na manifestação de inconformidade, a contribuinte limitouse a afirmar que não havia utilizado o crédito em duplicidade. Fl. 455DF CARF MF 10 Na primeira instância, a DRJ fez um minucioso trabalho de identificação dos débitos da contribuinte, vinculandoos às respectivas DComp e DCTF: Vêse que a DRJ constatou que parte dos débitos que foram declarados em DCTF, ou seja, parte dos R$ 325.127,60, teriam sido também declarados em DComp e, portanto, não configurariam compensações "sem processo". Na apuração da instância de piso, configurariam compensações sem processo um total de R$ 138.353,65. A recorrente sustenta, conforme quadro abaixo, que parte desses débitos, na verdade, não seriam compensações "sem processo", ou seja, realizadas diretamente na contabilidade e apenas declaradas em DCTF. Tais débitos estariam controlados no processo nº 13896.004603/200265: Fl. 456DF CARF MF Processo nº 13896.004605/200254 Acórdão n.º 1401003.483 S1C4T1 Fl. 452 11 De fato, compulsando os autos, verifico que há débitos cujas compensações sem DARF foram declaradas em DCTF e não constam do presente processo: Fl. 457DF CARF MF 12 DCTF Débitos compensados sem DARF e que não estão no processo PA Tributo Valor 0104/2002 8045 R$ 1.741,08 0404/2004 8045 R$ 2.077,88 0305/2002 8045 R$ 16.689,89 0105/2002 8045 R$ 63,62 0106/2002 8045 R$ 7.245,37 0306/2002 8045 R$ 7.843,26 0107/2002 0561 R$ 22.774,69 0206/2002 0561 R$ 22.774,69 0106/2002 0561 R$ 31.027,60 0105/2002 0561 R$ 48.890,26 Total R$ 161.128,34 Consultando o sistema Comprot, constato que o processo nº 13896. 004603/200265 encontrase arquivado no Arquivo Geral da SAMF SP. Assim, não há como saber, em sede de julgamento administrativo de segunda instância, se o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 foi utilizado total ou parcialmente para solver os débitos lá controlados. Dessa forma, a autoridade administrativa, ao realizar as verificações necessárias para a homologação das compensações, deverá levar em conta todos os débitos listados acima, tanto os que estão controlados neste processo, quanto os que não estão, seja por estarem controlados em outro processo, seja por terem as compensações sido feitas exclusivamente na contabilidade da contribuinte, conforme as DCTF. A recorrente elaborou demonstrativo dos créditos decorrentes dos saldos negativos de IRPJ dos anos 2000 e 2001, entretanto, não há que se levar em consideração os saldos de 2000, pois os débitos declarados em DComp e DCTF acima relacionados foram vinculados apenas ao saldo negativo de IRPJ de 2001. Os débitos vinculados ao saldo negativo de 2000, como dito alhures, foram apartados e estão sendo controlados em outro processo. Intimação do procurador. É de se indeferir o pleito, conforme Súmula CARF nº 110, verbis: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Conclusão. Voto por dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório decorrente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 no valor de R$ 108.465,89, Fl. 458DF CARF MF Processo nº 13896.004605/200254 Acórdão n.º 1401003.483 S1C4T1 Fl. 453 13 homologandose os débitos declarados até este limite, observandose os débitos que estão controlados neste processo e os débitos que não se encontram neste processo. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator Fl. 459DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720197/2014-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da manifestação de inconformidade.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. SUPOSTA PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA NO CASO CONCRETO.
Não há que se falar em ofensa ao direito de defesa quando, em fase fiscalizatória e pautado em declarações realizadas pelo próprio contribuinte, o agente público lança tributos sem analisar outros documentos fiscais, em especial quando o contribuinte teve a oportunidade de prestar informações acerca das divergências de informações presentes em DACON e DCTF e preferiu ficar inerte.
MULTA QUALIFICADA
Constitui fato apenável com multa qualificada a prática dos atos descritos no art. 71 da lei n° 4.502/64.
Numero da decisão: 3402-006.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da manifestação de inconformidade. NULIDADE DO LANÇAMENTO. SUPOSTA PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA NO CASO CONCRETO. Não há que se falar em ofensa ao direito de defesa quando, em fase fiscalizatória e pautado em declarações realizadas pelo próprio contribuinte, o agente público lança tributos sem analisar outros documentos fiscais, em especial quando o contribuinte teve a oportunidade de prestar informações acerca das divergências de informações presentes em DACON e DCTF e preferiu ficar inerte. MULTA QUALIFICADA Constitui fato apenável com multa qualificada a prática dos atos descritos no art. 71 da lei n° 4.502/64.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade. NULIDADE DO LANÇAMENTO. SUPOSTA PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA NO CASO CONCRETO. Não há que se falar em ofensa ao direito de defesa quando, em fase fiscalizatória e pautado em declarações realizadas pelo próprio contribuinte, o agente público lança tributos sem analisar outros documentos fiscais, em especial quando o contribuinte teve a oportunidade de prestar informações acerca das divergências de informações presentes em DACON e DCTF e preferiu ficar inerte. MULTA QUALIFICADA Constitui fato apenável com multa qualificada a prática dos atos descritos no art. 71 da lei n° 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 97 /2 01 4- 39 Fl. 622DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, emprego parte do relatório desenvolvido no acórdão n. 1674.050 (fls. 588/599), desenvolvido pela DRJ de São Paulo/SP, o que passo a fazer nos seguintes termos: 4. O processo em exame versa sobre lançamento de ofício realizado pela DEFIS/SPO devido à insuficiência de declaração e de recolhimento de débitos de Cofins relativos ao ano calendário de 2010, consoante se lê no auto de infração anexo às fls. 350/353, cujos demonstrativos se acham nas fls. 346/349. 5. O crédito tributário exigido, composto de principal, multa de ofício de 150% e juros de mora (calculados até 31/01/2014), perfaz o montante de R$ 1.809.617,71. 6. No Termo de Verificação Fiscal anexo às fls. 339/345 informa o autuante que, em procedimento de Revisão Interna, averiguou serem insuficientes os valores recolhidos e declarados em DCTF em face daqueles constantes nos respectivos DACON, o que o levou a intimar a contribuinte a justificar as diferenças apuradas, conforme quadro incluído na fl. 341. 7. Relata ainda que, como ela não atendeu às duas intimações que lhe dirigiu, se viu obrigado a realizar o lançamento de ofício a fim de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional. 8. Quanto à multa qualificada, esclarece havêla aplicado nos termos do art. 44, § 1°, da lei n° 9.430/96, porque o sujeito passivo retificara reiteradamente diversas DCTF relativas ao anocalendário de 2010 com o fito de reduzir os valores de Cofins a recolher, procedimento que se subsome ao disposto no art. 71 da lei n° 4.502/64. 9. Tomando conhecimento da autuação por via postal em 18/02/2014 (fl. 358), apresentou a interessada em 19/03/2014 — tempestivamente portanto — a impugnação anexa às fls. 363/382, acompanhada dos documentos reunidos nas fls. 383/577, cujo teor passo a resumir. (...). 2. A impugnação de fls. 363/382 foi julgada improcedente pelo sobredito acórdão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 623DF CARF MF Processo nº 19515.720197/201439 Acórdão n.º 3402006.417 S3C4T2 Fl. 623 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO A insuficiência de declaração e recolhimento torna indispensável o lançamento de ofício, a fim de constituir o crédito tributário devido. MULTA QUALIFICADA Constitui fato apenável com multa qualificada a prática dos atos descritos no art. 71 da lei n° 4.502/64. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 3. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 608/616, oportunidade em que repisou parte das alegações desenvolvidas em impugnação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso é tempestivo, mas só em parte atende os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual deixo de tomar de conhecimento de parcela da discussão aqui travada, o que passo a fazer nos seguintes termos. I. Do não conhecimento de parte do recurso interposto (a) Da inovação recursal 6. Para a compreensão do presente tópico, mister se faz destacar que, em sede de impugnação, a discussão meritória travada pelo contribuinte foi no sentido de que sua atividade empresarial (locação de imóveis comerciais) não se enquadraria no conceito de faturamento, o que, por conseguinte, afastaria a incidência da COFINS por ausência de subsunção. 7. Por sua vez, já em sede de recurso voluntário, o contribuinte inova a lide, na medida em que, após fazer um histórico da legislação da COFINS, protesta pela injuridicidade da presente exigência fiscal ao fundamento que a base de cálculo eleita pela fiscalização seria indevida na medida em que não encontraria amparo legal. Destaco, nesse sentido, o seguinte trecho do recurso voluntário: Fl. 624DF CARF MF 4 8. Convém também lembrar que a presente exigência decorre de divergências não explicadas pelo contribuinte entre valores apontados em DACON e DCTF's. Em momento algum o contribuinte explica em sua peça recursal por qual razão aqueles valores apontados a maior em DACON não comporiam a base de cálculo da COFINS. Aliás, o contribuinte sequer menciona qual seria a origem e, consequentemente, a natureza jurídica de tais valores, limitandose a protestar pela ilegalidade da base de cálculo eleita na presente autuação. Resta claro, portanto, o propósito do contribuinte em inovar a lide, em total descompasso com o disposto no art. 17 do Decreto n. 70235/72. Nesse sentido, inclusive, são os precedentes desta turma julgadora: PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade. (Acórdão n. 3402005.609 Relatora Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2010 MULTA ATRASO ENTREGA DACON. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da Impugnação Administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. (Acórdão n. 3402006.124 Rel. Cons. Waldir Navarro Bezerra). 9. Assim, com base em tais fundamentos, deixo de conhecer o recurso voluntário interposto no que tange ao aludido tópico. II. Da parte conhecida do recurso interposto (a) Da suposta nulidade por ofensa ao direito de defesa do contribuinte 10. Preliminarmente, o contribuinte alega a nulidade do presente auto de infração, uma vez, segundo suas assertivas, em sede fiscalizatória os seus livros fiscais não Fl. 625DF CARF MF Processo nº 19515.720197/201439 Acórdão n.º 3402006.417 S3C4T2 Fl. 624 5 foram objeto de análise, o que, por sua vez, implicaria a preterição do seu direito de defesa. Em verdade, o contribuinte promove alegação genérica, desprovida de qualquer fundamento jurídico ou substrato fático a validar sua assertivas. Em momento algum afirma e/ou apresenta quais seriam os documentos fiscais que, se analisados, alterariam o curso da citada fiscalização. 11. Ademais, como reconhecido pelo próprio contribuinte, a presente fiscalização pautouse por declarações fiscais veiculadas pelo recorrente, mais precisamente aquelas acostadas as fls. 10/338 (DACON, DARF's e DCTF's originais e retificadas). 12. Por fim, o contribuinte foi intimado e reintimado (fls. 307/308) para justificar as diferenças de recolhimentos apuradas a partir dos sobreditos documentos fiscais, oportunidade em que permaneceu inerte. Logo, não há que se falar em qualquer nulidade no lançamento, mas sim em absoluto descaso do contribuinte que, devidamente intimado, foi incapaz de apresentar qualquer contraprova que justificasse a diferença de apuração dos tributos fiscalizados. 13. Assim, sob uma perspectiva formal, é hígido o trabalho fiscal em apreço. (b) Da multa aplicada 14. Por fim, de forma subsidiária, o contribuinte protesta pala redução da multa aplicada na ordem de 150% sobre o valor do crédito tributário. Neste ponto em particular assiste total razão a decisão recorrida, a qual reproduzo a seguir: 41. Segundo minucioso relato contido no Termo de Verificação Fiscal (fls. 341/345), o autuante averiguou que a contribuinte havia retificado a maior parte das DCTF relativas ao ano calendário de 2010, reduzindo a zero ou a valores insignificantes os montantes originalmente declarados, correspondentes aos apurados nos DACON. Averiguou também que ela não recolhera os valores indevidamente excluídos das declarações. 42. Adotado de maneira reiterada nesse período, tal procedimento tinha o fito evidente de retardar o conhecimento desses débitos pela autoridade fazendária, que, de fato, somente os descobriu em 2014 por meio de Revisão Interna, ao cotejar as DCTF e DACON apresentados pela empresa. 43. Não há dúvida, portanto, de que, ao contrário do que alega, a recorrente agiu de maneira intencional e dolosa. 44. Tais fatos, além disso, se subsomem ao disposto no art. 71 da lei n° 4.502/64: “Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” (Os negritos são meus) Fl. 626DF CARF MF 6 45. Assim, ao autuante não restou alternativa senão aplicar a multa qualificada de 150%, cuja cominação na hipótese de sonegação, tal como a define o artigo transcrito, vem expressamente prevista no art. 44, § 1°, da lei n° 9.430/1996: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” (Os negritos são meus) 46. A penalidade pecuniária imposta achase, por conseguinte, em perfeita conformidade com a legislação de regência, de modo que não merecem acolhida as alegações em contrário aduzidas na impugnação. 15. Assim, adoto como minha as razões de decidir externadas na sobredita decisão, nos termos do art. 50, § 1o da lei 9.784/991, motivo pelo qual também afasto a pretensão do contribuinte em ver reduzida a multa aqui aplicada. Dispositivo 16. Diante do exposto, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento. 17. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro 1 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 627DF CARF MF Processo nº 19515.720197/201439 Acórdão n.º 3402006.417 S3C4T2 Fl. 625 7 Fl. 628DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.690845/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 22/08/2003
MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA PELO ART. 8º DA LEI 9.718/98. CONSTITUCIONALIDADE.
As turmas do Carf não têm competência para afastar dispositivo legal por inconstitucionalidade, salvo exceções previstas, que não se caracterizam para o art. 8º da Lei 9.718/98. O STF já declarou, em rito de repercussão geral, a desnecessidade de Lei complementar para majorar as alíquotas de Pis e Cofins, RE 527602.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/08/2003
INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Aplicação da súmula Carf nº 9.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/08/2003
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Negado.
Numero da decisão: 3201-005.194
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa à prescrição e, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 22/08/2003 MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA PELO ART. 8º DA LEI 9.718/98. CONSTITUCIONALIDADE. As turmas do Carf não têm competência para afastar dispositivo legal por inconstitucionalidade, salvo exceções previstas, que não se caracterizam para o art. 8º da Lei 9.718/98. O STF já declarou, em rito de repercussão geral, a desnecessidade de Lei complementar para majorar as alíquotas de Pis e Cofins, RE 527602. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 22/08/2003 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Aplicação da súmula Carf nº 9. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 22/08/2003 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa à prescrição e, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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CONSTITUCIONALIDADE. As turmas do Carf não têm competência para afastar dispositivo legal por inconstitucionalidade, salvo exceções previstas, que não se caracterizam para o art. 8º da Lei 9.718/98. O STF já declarou, em rito de repercussão geral, a desnecessidade de Lei complementar para majorar as alíquotas de Pis e Cofins, RE 527602. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/08/2003 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Aplicação da súmula Carf nº 9. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/08/2003 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 08 45 /2 00 9- 15 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.690845/200915 Acórdão n.º 3201005.194 S3C2T1 Fl. 0 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa à prescrição e, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação apresentada pelo Contribuinte em meio, pela qual pretendeu quitar os débitos próprio, com supostos créditos decorrentes de recolhimento indevido de Cofins. Apreciando o pedido formulado, a unidade de origem emitiu Despacho Decisório, no qual se pronunciou pela NÃO HOMOLOGAÇÃO, por inexistência de crédito da compensação declarada. Cientificada da solução dada à declaração de compensação apresentada, a insurgente, por intermédio de representante constituído, interpôs a Manifestação de Inconformidade, apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: Inicialmente, com base no art. 151, III, do CTN, assevera que o débito constante da não homologação da compensação está suspenso. Preliminarmente, alega que o despacho decisório foi recebido e assinado, via postal, por pessoa não credenciada e não habilitada (balconista) para receber qualquer correspondência da Insurgente. Ademais, articula que somente o representante legal, sócio gerente, poderia ter recebido tal correspondência, ainda mais por tratarse de intimação para pagamento. Corrobora seu entendimento citando o art. 215 do CPC e jurisprudência. Ademais, entendendo que a ciência do DD em tela assemelhase à intimação processual, e que a partir desta é que resta possibilitado o exercício do contraditório, não observados os lindes estabelecidos para tal ato foi cerceada a defesa da Manifestante e, assim, seria nulo o ato processual praticado. Tratando dos fatos, após longo relato acerca das normas e normativos envolvidos com o PER/DCOMP, ataca o mecanismo eletrônico denominado PER/DCOMP que sustenta ser verdadeiro empecilho para o fim de aproveitamento de crédito tributário decorrente de discussão judicial. Quanto à matéria de direito, aduz que a majoração de alíquota da COFINS decorrente Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.690845/200915 Acórdão n.º 3201005.194 S3C2T1 Fl. 0 3 da Lei nº 9.718/98 é manifestamente inconstitucional e ilegal, contrariando, inclusive, princípios assegurados em sede constitucional, decorrendo de tal vício o crédito ora pleiteado pela Insurgente. Em complemento, sustenta que a Emenda Constitucional nº 20/98, posterior à supracitada lei, não teve o condão de validar os dispositivos desta que, ao tempo de sua entrada em vigor, eram desconformes à Constituição. De outra banda, escorandose na tese dos “cinco mais cinco”, sustenta que a Manifestante efetuou a repetição do indébito da COFINS dentro do prazo prescricional, atacando, pois, a interpretação introduzida pela Lei Complementar nº 118/05. Ante o que expõe, requer o provimento da Manifestação intentada para o fim de reformar o DD. Requer, por fim, observância da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, consoante previsto no art. 151, III, do CTN. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 16035.681. No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta: que o crédito é liquído e certo, pela inconstitucionalidade dos dispositivos legais apontados; que o prazo para o pedido de restituição não teria sido ultrapassado, considerandose 5 anos para homologação, mais 5 anos para a prescrição do pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.184, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.690838/200913, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.184): "O recurso é tempestivo, cf envelope de postagem à fl. 56, e atende aos requisitos de admissibilidade. 1 Delimitação do litígio Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.690845/200915 Acórdão n.º 3201005.194 S3C2T1 Fl. 0 4 O fundamento do Despacho Decisório foi a ausência de disponibilidade do Darf apontado pelo contribuinte como crédito. Não se aplicou a prescrição do pedido, e portanto, não há interesse de agir nesta matéria. Embora a decisão recorrida tenha discorrido sobre a questão, também não a utilizou como fundamento, conforme o seguinte excerto (fl. 46): 5.3. Com isso, ainda que desimportante para o caso sub examine, tendo em vista que o presente PER/DCOMP foi apresentado dentro do prazo legal, tal entendimento não pode prosperar vez que, hodiernamente, revelase cabalmente superado. Assim, não conheço da matéria. 2 – Preliminar Ciência a pessoa não sócia A recorrente pede a nulidade da ciência do Despacho Decisório, por ter sido feita a balconista da empresa, e não a seus sócios. Tal matéria já se encontra sumulada no Carf: Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. As Turmas do Carf devem acompanhar as súmulas, cf. art. 72 do regimento interno. Desse modo, o pedido deve ser negado. 3 – Inconstitucionalidade da legislação pertinente O alegado crédito da recorrente teria duas origens: a a inconstitucionalidade da majoração de alíquota da Cofins, de 2% para 3% (art. 8º da Lei 9.718/98), por necessidade de Lei Complementar, e a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, cf. §1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. É consabido que a ampliação da base de cálculo, no §1º do art. 3º, foi efetivamente afastada do arcabouço legal brasileiro, por decisão do Supremo Tributnal Federal (RE 346.084 e outros), por resolução do Senado, e revogada pela Lei 11.941/2009. A majoração das alíquotas, por outro lado, não foi considerada inconstitucional. As turmas do Carf não podem afastar previsão legal por inconstitucionalidade, cf. súmula: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.690845/200915 Acórdão n.º 3201005.194 S3C2T1 Fl. 0 5 As exceções são previstas no artigo 62, as quais não se configuram para esta matéria. Pelo contrário, a majoração da alíquota foi considerada constitucional pelo STFno RE 527602, julgado no regime de repercussão geral (art. 543B do CPC/73). Copio a parte da ementa que é pertinenbte: PIS E COFINS – LEI Nº 9.718/98 – ENQUADRAMENTO NO INCISO I DO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NA REDAÇÃO PRIMITIVA. Enquadrado o tributo no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, é dispensável a disciplina mediante lei complementar. Portanto, não assiste razão à recorrente neste ponto. 4 – Certeza e liquidez do crédito A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação material. Confirase a Instrução Normativa RFB 786/2007: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo a integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Instruções Normativas posteriores mantém o mesmo teor. Assim, estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se possa retificálo, após os procedimentos de ofício, é necessária prova de sua inexatidão. É preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. A escrituração contábil/fiscal difere de meras planilhas quanto à confiabilidade, posto que possuem requisitos de registros e temporalidade. Além disso, a própria contabilidade Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.690845/200915 Acórdão n.º 3201005.194 S3C2T1 Fl. 0 6 não prescinde de ser lastreada em documentos do relacionamento da empresa com terceiros, tais como notas fiscais e contratos, a conferir veracidade ao registro. Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.690845/200915 Acórdão n.º 3201005.194 S3C2T1 Fl. 0 7 compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2. No presente caso, não houve retificação da DCTF, mas a recorrente invoca a certeza do crédito apenas brandindo as alegadas inconstitucionalidades. A recorrente não apresenta nenhuma comprovação material do crédito, mesmo depois de cientificada dessa exigência pela decisão recorrida. Desse modo, não há materialidade para o crédito, ainda que a tese da ampliação da base de cálculo, perpetrada pelo §1º do art. 3º da Lei 9.718/98, seja inaplicável. Portanto, ausente a certeza e liquidez do crédito, conforme exigível pelo artigo 170 do CTN, o pedido deve ser negado. 5 Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer da matéria relativa à prescrição, e da parte conhecida, por negar provimento ao recurso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer da matéria relativa à prescrição e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.690845/200915 Acórdão n.º 3201005.194 S3C2T1 Fl. 0 8 Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.902405/2014-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 05 /2 01 4- 68 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10580.902405/201468 Acórdão n.º 3401005.839 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de COFINS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10580.902405/201468 Acórdão n.º 3401005.839 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.513. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10580.902405/201468 Acórdão n.º 3401005.839 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10580.902405/201468 Acórdão n.º 3401005.839 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10580.902405/201468 Acórdão n.º 3401005.839 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10580.902405/201468 Acórdão n.º 3401005.839 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10580.902405/201468 Acórdão n.º 3401005.839 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10580.902405/201468 Acórdão n.º 3401005.839 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.911804/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.082
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP), transmitida eletronicamente, com base em créditos relativos à Contribuição. Conforme consta do relatório que subsidiou a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, na referida DCOMP a contribuinte declarou a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando as características do DARF correspondente. Por sua vez, o processamento eletrônico do pedido teria apontado que, a partir das características do DARF, foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 11 80 4/ 20 09 -8 5 Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10855.911804/200985 Resolução nº 3302001.082 S3C3T2 Fl. 3 2 integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Cientificado eletronicamente do Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, sintetizada, no acórdão recorrido, nos seguintes termos: Em suma, esclarece que teria declarado indevidamente o valor da contribuição do período e que teria retificado a DCTF no intuito de demonstrar a existência do crédito pleiteado. Ao final, solicita a homologação da compensação. A 4ª Turma da DRJ Brasília (DF) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa parcialmente reproduzida a seguir: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) O despacho decisório eletrônico foi proferido sem a prévia intimação do recorrente para prestar os esclarecimentos necessários, cerceando o direito de defesa; b) Houve um erro de fato no preenchimento da DCTF, o qual foi devidamente sanado por meio da apresentação de DCTF retificadora. Com base na retificadora pode ser verificado que o real valor apurado é zero, diferentemente do alegado; Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10855.911804/200985 Resolução nº 3302001.082 S3C3T2 Fl. 4 3 c) É totalmente lícito e legítima a retificação de DCTF nos casos de erro de fato, em virtude da observância ao princípio da verdade material; e d) É imprescindível a realização de diligência para averiguação de seu direito creditório. Termina petição recursal requerendo o provimento do recurso voluntário para fins de que seja reconhecido o direito creditório e integralmente homologada a compensação declarada. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 24 de abril de 2019. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.076, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10855.911798/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.076): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. No caso em concreto, a manifestante não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10855.911804/200985 Resolução nº 3302001.082 S3C3T2 Fl. 5 4 competente a não homologar a compensação ou comprovar inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Portanto, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. O recorrente, em sede de recurso voluntário, também não apresentou um único documento que comprovasse seu direito creditório. Ocorre que cerca de um ano e oito meses depois da interposição do recurso voluntário,em 02/06/16, o recorrente apresentou petição requisitando a análise de diversos documentos, entre eles: planilha com a apuração do PIS e da Cofins, planilha com comparativo do SINTEGRA e os livros fiscais, os lançamentos no sintegra, os lançamentos nos livros fiscais, a listagem das notas fiscais, a composição das receitas de exportação, a composição das receitas de projetos de longo prazo, a composição das devoluções de vendas, o balancete mensal de setembro de 2005 e o balancete analítico. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que depende do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário. Conforme já mencionado, foram acostados aos autos documentos que embasariam seu pedido de restituição. Acontece que os documentos acostados, caso autênticos, podem sugerir que o sujeito passivo efetuou recolhimentos indevidos. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10855.911804/200985 Resolução nº 3302001.082 S3C3T2 Fl. 6 5 Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem avalie os documentos acostados às efls. 140/728, analise a existência do indébito tributário pleiteado, inclusive podendo intimar o sujeito passivo a apresentar documentos que ache necessário. Caso exista o indébito, informar se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após realizados os procedimentos, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem avalie os documentos citados/trazidos na petição, analise a existência do indébito tributário pleiteado, inclusive podendo intimar o sujeito passivo a apresentar documentos que ache necessário. Caso exista o indébito, informar se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após realizados os procedimentos, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 625DF CARF MF
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