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Numero do processo: 10508.000007/2005-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
IRPF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INDEPENDENTEMENTE DA NATUREZA DAS VERBAS DISCUTIDAS NA AÇÃO JUDICIAL.
São tributáveis os rendimentos do trabalho nãoassalariado
relativos a honorários do livre exercício da profissão de advogado, independentemente da natureza das verbas discutidas na ação judicial.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais” (Súmula CARF nº 4).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.145
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INDEPENDENTEMENTE DA NATUREZA DAS VERBAS DISCUTIDAS NA AÇÃO JUDICIAL. São tributáveis os rendimentos do trabalho nãoassalariado relativos a honorários do livre exercício da profissão de advogado, independentemente da natureza das verbas discutidas na ação judicial. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 12 a 27, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, para lançar infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$4.818,00, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 11), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 39), que os rendimentos em questão lhe foram pagos a título de honorários advocatícios em causa trabalhista; que não os declarara em 2002 porque a sua cliente somente havia requerido o recibo em 2004; que as verbas sobre as quais foram calculados os seus honorários se compunham em parte de juros de mora; que sobre esta parcela não deveria incidir o imposto de renda; que a imposição de multa de 75% seria confiscatória e inconstitucional; e que o uso de juros de mora com base na taxa SELIC seria ilegal. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 38 a 39): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. IRRELEVANTE A NATUREZA DOS RENDIMENTOS DOS CLIENTES. A sua natureza tributável dos honorários advocatícios independe da natureza dos rendimentos questionados em juízo pelos clientes patrocinados. Fl. 55DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10508.000007/200597 Acórdão n.º 2101001.145 S2C1T1 Fl. 51 3 Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 18/01/2008 (fl. 41v), o contribuinte apresentou, em 11/02/2008, o recurso de fls. 42 a 43, onde: a) afirma que a cobrança do crédito tributário resta improcedente, em parte, porquanto os honorários recebidos incidiu sobre parcela tida como não tributável, ou seja: juros de mora, por força de decisão judicial, ocorrida no Processo mencionado na defesa fiscal; b) postula que, na hipótese de se reconhecer a existência de crédito fiscal, deverão ser acolhidas as alegações contidas na impugnação quanto às arguições de inconstitucionalidade da multa de 75% e dos juros proibitivos. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 49, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte foi autuado por ter recebido, no ano de 2001, R$ 17.520,00 a título de honorários advocatícios, mas afirma que parte desses rendimentos é isenta, porque decorreu de seus serviços em ação judicial que resultou no pagamento de crédito trabalhista a uma cliente. Como, no seu entender, os juros de mora integrantes do crédito trabalhista são isentos, a parcela dos honorários recebidos correspondente a essa parte também é isenta. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, sem avaliar o mérito sobre a natureza isenta dos juros de mora pagos em ação trabalhista, considerou que, ainda que tenham sido calculados sobre vantagens não tributáveis auferidas pelos seus clientes, os honorários do advogado remuneram os serviços prestados e, por tal motivo, sujeitamse ao imposto de renda. Irreparável a conclusão julgador de 1a instância. O art. 45, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, define como tributáveis os rendimentos do trabalho nãoassalariado relativos a honorários do livre exercício da profissão de advogado, não fazendo qualquer referência à natureza da ação judicial da qual resultaram esses estipêndios. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 De fato, os honorários advocatícios constituem em acréscimo patrimonial daquele que os recebe, não adquirindo caráter indenizatório se os rendimentos discutidos tiverem essa natureza. Do mesmo modo, não assiste razão ao recorrente quando defende a inconstitucionalidade e o caráter confiscatório da multa de ofício. Essa penalidade está prevista explicitamente em lei, e não é permitido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). Quanto aos juros de mora, nunca é demais enfatizar que a assunto não comporta mais discussão no âmbito do CARF com a publicação da Súmula CARF nº 4 (antigas Súmulas nos 4 do 1º e 3º Conselhos de Contribuinte e 3 do 2º Conselho de Contribuinte), que possui o seguinte conteúdo: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 57DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10930.002525/2004-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO.
Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços
utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação
de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais.
CRÉDITO. MÃODEOBRA.
TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO.
CONTRATAÇÃO.
Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra
avulsa,
mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da
categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse
aos trabalhadores.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA.
Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic
sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de PIS na
exportação.
CONSTITUCIONALIDADE. LEIS.
Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto
de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á
ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.864
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito
ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de PIS na exportação. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado
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INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de PIS na exportação. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 02/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep Mercado Externo (fl. 01), protocolizado em 30/07/2004, relativo ao 4º trimestre/2003, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.637/2002. Posteriormente, a recorrente apresentou declarações de compensação vinculadas ao seu pedido de ressarcimento. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 407, deferiu parcialmente o pedido da recorrente, tendo efetuado a glosa de créditos concernentes aos custos/despesas com serviços relacionados às fls. 364/365 e aos pagamentos feitos a Sindicato de Trabalhadores e considerou, para efeitos de base de cálculo da contribuição, receitas financeiras não computadas pela recorrente. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 442/467, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0620.175, de 03/12/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS, o sujeito passivo poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. PIS NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM MÃODEOBRA PESSOA FÍSICA. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. •No sistema de nãocumulatividade, não geram créditos passíveis de desconto do PIS, as despesas com mãodeobra Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.002525/200474 Acórdão n.º 330200.864 S3C3T2 Fl. 584 3 pessoa física, ainda que pagas por meio de sindicato da categoria, por força da • legislação. TRIBUTAÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS. A contribuição para o PIS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões permitidas da base de cálculo são apenas as listadas de forma taxativa na legislação de regência. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos ao PIS, por falta de previsão legal. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/02/2009, conforme AR de fl. 541, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/03/2009, com o recurso voluntário de fls. 542/568, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, que abaixo resumo no essencial. 1 insumo é uma combinação dos fatores de produção (matériasprimas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço. Portanto, o conceito de insumo alcança tudo aquilo que é consumido em um processo, seja para fabricação de bens ou prestação de serviços e/ou aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social. Por este conceito, são dispêndios financeiros (gastos) com insumos os gastos realizados com a aquisição dos seguintes bens e serviços: Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual; Materiais de Manutenção/Conservação; Materiais Químicos e de Laboratórios; Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Lubrificantes e Combustíveis; Outros Materiais de Consumo; Serviço Temporário; Serviços de Segurança e Vigilância; Serviços de Conservação e Limpeza; Serviços de Manutenção e Reparos; Outros Serviços de Terceiros; Exportação e Gastos Gerais. 2 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR reconhece o direito ao crédito da contribuição ao PIS/Pasep sobre os valores dos custos/despesas das seguintes rubricas: Materiais de manutenção, serviços de industrialização, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes; 3 Discorre sobre a natureza jurídica dos sindicatos, alega que não contratou mãodeobra de pessoa física e, com relação aos serviços prestados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral, alega que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR alterou o seu posicionamento para o fim de validar e legitimar os créditos da contribuição ao PIS/Pasep sobre os valores dos pagamentos efetuados ao referido sindicato, conforme transcrição abaixo (Processo Administrativo n° 16366.003268/200779 PIS Nãocumulativo do 2° TR/2007 fls. 363): b.3) Serviço temporário Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Constatei ainda que em relação ao item "Serviço Temporário", os dispêndios também contemplam insumos cuja aplicação foi feita diretamente na fabricação de produtos destinados à venda, e pagos para pessoas jurídicas estabelecidas no país. Cabe salientar, a título de ilustração e para estabelecer diferenciação dos serviços mencionados nos itens 1 a 15, que os pagamentos relativos ao item "serviço temporário" foram feitos para outra empresa proceder, mediante cessão de sua mãode obra, serviços que implicam no manuseio direto da matéria prima (café) utilizado pela empresa requerente em seu parque industrial. (grifei) 4 é ilegal a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo do PIS porque o disposto no artigo 3°, §1º da Lei nº 9.718/98 extrapolou o conceito de faturamento previsto na legislação societária, contábil e fiscal. Discorre sobre o conceito de receita; 5 não prospera a alegação da decisão recorrida de que as receitas financeiras integram a base de cálculo da contribuição social ao PIS em razão da Lei nº 10.637/2002 porque a EC nº 20/2003 acabou por determinar que a legislação infraconstitucional definirá os setores de atividade econômica para os quais a contribuição ao PIS será nãocumulativa. É, portanto, ilegal e inconstitucional a exigência do PIS sobre as receitas financeiras; 6 sobre a forma de apuração da receita decorrente de contratos de renda fixa e renda variável, a recorrente entende que os ajustes diários são marcações diárias dos ativos financeiros e devem ser calculados na forma que exemplifica, apurados no mês, considerando as perdas e os pagamentos efetuados pela outra parte contratante; 7 o valor a ressarcir deve ser atualizado pela Taxa Selic, conforme previsto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95. Cita decisão da CSRF sobre aplicação da taxa Selic no ressarcimento de crédito presumido de IPI (art. 1º da lei nº 9.363/96); Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de PIS não cumulativo, cujo crédito pleiteado foi aproveitado para efetuar a compensação com débitos também da recorrente, devidamente declarados à RFB. A RFB deferiu parte do crédito pleiteado por ter efetuado a glosa de créditos sobre despesas que não se enquadram no conceito de insumo e/ou que não existe previsão legal, além de incluir receita financeiras na base de cálculo da exação. Com relação aos créditos, a RFB efetuou a glosa em relação aos seguintes gastos da recorrente: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.002525/200474 Acórdão n.º 330200.864 S3C3T2 Fl. 585 5 1. Alimentação; 2. Cesta básica; 3. Vale transporte; 4. Assistência médica/odontológica; 5. Uniforme e vestuário; 6. Equipamento de proteção individual; 7. Matérias de manutenção/conservação; 8. Materiais químicos e de laboratórios; 9. Materiais de limpeza; 10.Materiais de expediente; 11.Lubrificantes e combustíveis; (exceto os utilizados na indústria) 12.Outros materiais de consumo; 13.Serviço temporário, contratado com sindicato; 14.Serviços de segurança e vigilância; 15.Serviços de conservação e limpeza; 16.Serviços de manutenção e reparos; 17.Outros serviços de terceiros; 18.Exportação; 19.Gastos gerais. Adoto integralmente os fundamentos da decisão recorrida quando à legitimidade das glosas efetuadas pela RFB, aos quais acrescento os argumentos abaixo. Em sua defesa, a recorrente parte de um equivocado conceito de insumo, tanto do ponto de vista fiscal, como econômico ou fabril. Em termos fiscais, a Lei nº 10.637/2002, em seu artigo 3º, afirma que o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Não precisa muito esforço de hermenêutica jurídica para concluir que equivocase a recorrente quando afirma que insumo é tudo “aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social”. Como bem disse a decisão recorrida, os insumos são consumidos ou aplicados diretamente na produção ou fabricação de bens e produtos. Os outros dispêndios não relacionados diretamente com a produção dos bens são custos indiretos e somente geram direito a crédito se houver expressa previsão legal. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Nesse passo, as despesas realizadas com os bens e serviços acima listados não geram direito a crédito ou por não se constituírem em insumo ou por existir expressa vedação legal, quando forem insumos, como é o caso de mãodeobra adquirida de pessoa física, inclusive via sindicato de trabalhadores. Esclareçase que não foi realizado glosa de gastos com materiais de manutenção de máquinas industriais, com serviços de industrialização prestado por pessoa jurídica, com serviços de manutenção de máquinas industriais prestado por pessoa jurídica e com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Portanto, não há que se falar em mudança de entendimento da DRF Londrina. Sobre os gastos com serviços temporários, realizados via sindicato de trabalhadores, enganas e a recorrente quando afirma que a DRF Londrina admite o crédito para tais gastos. Os gastos admitidos pela DRF em Londrina, a que se refere o processo nº 16366.003268/200779, foram feitos para outra empresa, pela cessão de sua mãodeobra, e não a sindicato, pela contratação da mãodeobra de seus filiados. Quanto à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS, não conheço dos argumentos da recorrente sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei nº 10.637/02, por força do que dispõe a Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à forma de contabilização e apuração da receita financeira incluída na base de cálculo do PIS, também não vejo reparos a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto. De fato, o procedimento adotado pela recorrente, abaixo descrito pela autoridade da RFB, teve como conseqüência a não tributação da receita financeira no valor de R$ 486.825,00, corretamente incluído na base de cálculo pela RFB. Em relação às receitas acima verifiquei que a empresa requerente contabiliza, incorretamente, tanto os ganhos/rendimentos quanto os prejuízos/perdas na mesma conta contábil, conforme razão contábil às fls. 311 a 319 e balancetes contábeis (fls. 43, 63, 83 e 84). Assim, por exemplo, a conta " Rendimentos de Mercado Futuro" (fis. 313 a 317) registra valores positivos (ganhos) e também valores negativos (perdas). Percebese pelo razão que tais valores (negativos) não se constituem em estornos (que seriam registros devedores) e sim que a requerente realmente escritura tanto os ganhos quanto as perdas na mesma conta. Quando efetua algum estorno (fls. 318/319), o lançamento espelha esta situação. [...] Assim, novamente no exemplo mencionado anteriormente, a requerente registrou a crédito da conta 85101010 — Rendimentos de Mercado Futuro, no mês de julho de 2003, o valor de R$ 486.825,00. Registrou a débito, o mesmo valor de R$ 486.825,00 como perda com a referida aplicação (fls. 314/315). Em 31.07.2003 registrou a transferência (crédito) do valor de R$ 39.679,00 para a conta de perdas de mercado futuro. Desta Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.002525/200474 Acórdão n.º 330200.864 S3C3T2 Fl. 586 7 forma o valor registrado a débito, não transferido, foi diminuído do valor oferecido à tributação pela requerente, que no mês em questão foi reduzido a zero (fls.43,125 e315). Portanto, para efeitos da legislação comercial, a requerente deveria registrar apenas o valor dos rendimentos na conta 85101010 (R$ 486.825,00) e o valor de R$ 526.504,00 na conta 85203003. Ao agir da forma acima, a requerente não ofereceu à tributação da contribuição para o PIS o valor de R$ 486.825,00. Por fim, pretende a recorrente que incida a taxa Selic no valor do ressarcimento pleiteado, pelos fundamentos que cita. Ratifico o entendimento da decisão recorrida de que não há previsão legal para a incidência da taxa Selic no ressarcimento e que este instituto não se confunde com a restituição. O ressarcimento em tela é uma modalidade de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep (art. 5º, § 2º, da Lei nº 10.637/02), ao passo que a restituição, prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional (CTN), é a devolução, ao contribuinte (de direito) de valores referentes a tributos ou contribuições pagos indevidamente ou a maior que os valores devidos, pelo sujeito passivo, ou seja, de receita que ingressou nos cofres da Fazenda Nacional e que não lhe pertencia de direito. Ambos são despesa pública e, como tal, a sua realização deve obedecer aos estritos limites da lei, independente do tipo de dispêndio. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10073.000283/2006-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS OMITIDOS. LANÇAMENTO CORRETO.
Comprovada a exatidão dos rendimentos tributáveis lançados, irretocável a autuação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.100
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS OMITIDOS. LANÇAMENTO CORRETO. Comprovada a exatidão dos rendimentos tributáveis lançados, irretocável a autuação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: presentes José Raimundo Tosta Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Maria Paula Farina Weidlich, Célia Maria De Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 a 6, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, para lançar infração de omissão de rendimentos de R$17.682,21 recebidos da CSN – Companhia Siderúrgica nacional, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$81,32, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1), acatada como tempestiva, alegando que não recebeu os rendimentos lançados. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 20 a 22): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 PROVA. Cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os elementos que comprovem as razões de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Cabível o lançamento relativo a rendimentos percebidos e não declarados. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 30/04/2009 (fl. 25), o contribuinte apresentou, em 20/05/2009, o recurso de fls. 26 a 27, onde reafirma que houve erro no lançamento, acrescentando documentação comprobatória. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 49, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 55DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10073.000283/200693 Acórdão n.º 210101.100 S2C1T1 Fl. 51 3 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte apresentou sua declaração de rendimentos do exercício de 2003 na modalidade online/telefone, declarando rendimentos tributáveis de R$699,79 (fl. 9 ). Entretanto, sua fonte pagadora, a Companhia Siderúrgica Nacional, CNPJ no 33.042.730/000104, informou lhe ter pago rendimentos de R$17.682,21 no anocalendário de 2002 (fl. 16). Na sua impugnação, o sujeito passivo alega que não recebeu essa quantia, argumentação não admitida pelo julgador de 1a instância, tanto pela falta de provas, quanto pela dedução do imposto retido na fonte na declaração de ajuste. No voluntário, o recorrente reafirma o erro do lançamento, e traz documentação que julga comprovar seu direito. Entretanto, um dos novos documentos acostados é um comprovante de rendimentos do anocalendário de 2002, que informa a percepção de rendimentos tributáveis de R$17.682,21 (fl. 38), exatamente o valor lançado. Em análise desse documento, é fácil perceber o erro do contribuinte, que declarou o valor do 13o salário, de R$699,79, como rendimentos tributáveis. Provada a correção do lançamento, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 56DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 35358.000502/2007-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 30/09/2005
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO.
Conforme previsto no art. 22A da Lei n 8.212, a agroindústria é o produtor rural que industrializa produção própria. Não se pode confundir a indústria que passa a produzir sua matéria prima; com o produtor rural que passa a industrializar sua produção. Somente este último está amparado pelo artigo 22A.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.079
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN para todo o período; os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio Souza Correa entenderam que se aplicaria o art.150, parágrafo 4 do CTN para todo o período. Quanto à parcela não extinta não houve divergência, acompanhando pelas conclusões os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio Souza Correa.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 30/09/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. Conforme previsto no art. 22A da Lei n 8.212, a agroindústria é o produtor rural que industrializa produção própria. Não se pode confundir a indústria que passa a produzir sua matéria prima; com o produtor rural que passa a industrializar sua produção. Somente este último está amparado pelo artigo 22A. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente MÓVEIS RUECKL LTDA Recorrida DRJ FLORIANÓPOLIS SC Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 30/09/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. Conforme previsto no art. 22A da Lei n 8.212, a agroindústria é o produtor rural que industrializa produção própria. Não se pode confundir a indústria que passa a produzir sua matéria prima; com o produtor rural que passa a industrializar sua produção. Somente este último está amparado pelo artigo 22A. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN para todo o período; os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio Souza Correa entenderam que se aplicaria o art.150, parágrafo 4 do CTN para Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 todo o período. Quanto à parcela não extinta não houve divergência, acompanhando pelas conclusões os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio Souza Correa. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35358.000502/200750 Acórdão n.º 230201.079 S2C3T2 Fl. 306 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, bem como as devidas pelos segurados, cujos valores foram declarados em GFIP e/ou constavam em folhas de pagamento ou RAIS, referente ao período compreendido entre as competências março de 1999 a setembro de 2005, fls. 104 a 107. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 209 a 217. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento proferiu a decisão de fls. 282 a 288, que confirmou a procedência do lançamento. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, foi interposto recurso, conforme fls. 291 a 301. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: I. Parte do lançamento já foi atingida pela fluência do prazo decadencial; II. Ao invés de se lavrar a notificação por escrito foram entregues ao contribuinte as informações em CD; III. A recorrente industrializou produção própria; IV. matériaprima é própria quando extraída de reflorestamentos pertencentes à indústria, não necessitando ser proprietária do imóvel V. requerendo provimento ao recurso interposto. Não foram apresentadas contrarazões pela Receita Previdenciária. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 290 e 291. Pressuposto superado, passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida em parte. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Na hipótese concretizada, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre algumas rubricas, conforme relatório fiscal (DAD). Assim, para o levantamento FDG aplicase o previsto no art. 150, parágrafo 4o do CTN; desse modo, a contar dos fatos geradores, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento fiscal. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35358.000502/200750 Acórdão n.º 230201.079 S2C3T2 Fl. 307 5 Para tais rubricas encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência fevereiro de 2002, inclusive esta. Por seu turno para os levantamentos FNG não houve pagamento antecipado, logo deve ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para essas competências encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2001, inclusive esta. A competência dezembro de 2001 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, data em que se exigia o pagamento antecipado, ou seja em 2 de janeiro de 2002; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, o dia 1o de janeiro de 2003, a qual findaria em 1o de janeiro de 2008. Ao contrário do que afirma a recorrente, a entrega de informações em meio digital (CDRom) não invalida o procedimento. Além das informações impressas foram entregues ao sujeito passivo as informações em CD. Desse modo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, pois de fato houve uma ampliação da garantia do sujeito passivo. Além de contar com as informações em meio papel, a fiscalização forneceu as informações em meio digital. O procedimento da fiscalização encontra amparo no art. 663 da Instrução Normativa INSS n ° 3 de 2005. A utilização de documento eletrônico para fins tributários encontra amparo na Medida Provisória n° 2.200, de 24/06/2001, bem como a utilização de arquivos digitais, no âmbito previdenciário está autorizada por meio do artigo 8° da Lei n° 10.666 de 2003. O próprio Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, foi modificado por meio da Lei n ° 11.196 de 2005 para incorporar a forma eletrônica de apresentação de atos e termos processuais, conforme artigos 2° e 23. Ao contrário do afirmado, a recorrente não se enquadra como agroindústria. Para tal enquadramento é imprescindível que haja industrialização de produção própria, conforme previsto no art. 22 A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme relatório fiscal às fls. 108 a 118 não houve industrialização de produção própria no período objeto do lançamento. A recorrente somente começou a cortar as árvores de reflorestamento em outubro de 2005 (item 37 à fl. 116). Não bastasse, a atividade da recorrente não pode se enquadrar como agroindustrial. O artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, assim dispõe, verbis: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Iincluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Iincluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) (...) § 6º Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 7º Aplicase o disposto no § 6º ainda que a pessoa jurídica comercialize resíduos vegetais ou sobras ou partes da produção, desde que a receita bruta decorrente dessa comercialização represente menos de um por cento de sua receita bruta proveniente da comercialização da produção. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Para ser enquadrada como agroindústria o produtor rural deve industrializar produção própria ou produção própria e de terceiros. Além disso, a norma afasta o benefício do tratamento fiscal substitutivo em qualquer fase do processo produtivo, quando a empresa se dedique apenas ao florestamento ou reflorestamento e modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. Há uma finalidade na norma em beneficiar o produtor rural que efetivamente se dedique a industrializar a sua própria produção. Conforme previsto no art. 22A da Lei n 8.212, a agroindústria é o produtor rural que industrializa produção própria. Não se pode confundir a indústria que passa a produzir sua matéria prima; com o produtor rural que passa a industrializar sua produção. Somente este último está amparado pelo artigo 22A. A recorrente é uma indústria de móveis de madeira, sendo essa a principal atividade econômica. O reflorestamento não é sua principal atividade conforme informação trazida pela fiscalização, tanto em relação ao pessoal ocupado, quanto à produção própria em relação à adquirida de terceiros. Nesse sentido já se posicionou o TRF da 4ª Região no julgamento de caso análogo, cuja ementa da Apelação em Mandado de Segurança n ° 200572000070924 foi publicada no Diário do Estado em 14 de agosto de 2007, nestas palavras: MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AGROINDÚSTRIA. FÁBRICA DE MÓVEIS DE MADEIRA. NÃO ENQUADRAMENTO. ART. 22A, LEI Nº 8.212/1991. LEI Nº 10.256/2001. O regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, tem por objetivo beneficiar o produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, soma a esta a de terceiros. A atividade preponderante da impetrante é a fabricação de móveis Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35358.000502/200750 Acórdão n.º 230201.079 S2C3T2 Fl. 308 7 com predominância em madeira, que além de empregar os insumos (toras, tábuas, etc.) que provêm da atividade de reflorestamento, agrega ainda outros materiais e envolve um complexo processo de industrialização de matériaprima beneficiada ou transformada, passando pela atividade moveleira. Assim sendo, não pode ser considerada como empresa agroindustrial. No mesmo sentido foi o julgado na Apelação e Reexame Necessário n ° 200671130035215, cuja ementa foi publicada no Diário do Estado em 20 de janeiro de 2010, nestas palavras: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. DECADÊNCIA. PRAZO E MARCOS TEMPORAIS. AGROINDÚSTRIA. FÁBRICA DE MÓVEIS. NÃO ENQUADRAMENTO. ART. 22A, LEI Nº 8.212/1991. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. NÃOINCLUSÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. ART. 89, § 8º, DA LEI 8212/91. POSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. 2. A decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. 3. Afastase a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. 4. Julgamento pela sistemática do art. 543C, do CPC (recurso repetitivo), do REsp nº 973.733/SC, STJ, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ Publicação em 18/09/2009. 5. O regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, tem por objetivo beneficiar o produtor ou empresa rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, soma a esta a de terceiros. 6. A atividade preponderante da empresa é a industrialização e exportação de móveis em madeira, que além de empregar os insumos (toras, tábuas, etc.) que provêm da atividade de reflorestamento, envolve um complexo processo de transformação de matériaprima beneficiada ou manipulada, passando pela atividade moveleira. Assim sendo, não pode ser considerada como empresa agroindustrial. 7. Interpretação restritiva que se encontra em Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 precedentes deste Regional. 8. De acordo com o art. 28, § 9º, "p", da Lei 8212/91, não integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuição social, os valores efetivamente pagos a programa de previdência complementar, desde que disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. 9. No caso concreto, a análise do contrato e termos aditivos celebrado entre a apelada e a empresa de previdência privada indica que não houve qualquer exclusão prévia da extensão dos benefícios a todos os empregados. 10. O fato de ter que a apelada (conforme contrato) informar a entidade de previdência privada dos trabalhadores que aderiram ao plano é mero procedimento funcional e não pode ser tido aprioristicamente como mecanismo de escolha ou exclusão. De outra banda, as várias declarações de empregados manifestandose pela nãoinclusão no plano de previdência privada é reforço do caráter genérico e eletivo do benefício. 11. Possível a compensação de ofício amparada no § 8º do artigo 89 da Lei 8.212/91, acrescido pelo art. 115 da Lei nº 11.196, de 21.11.2005. 12. Sentença parcialmente reformada. Pelo exposto, não há como considerar a recorrente uma agroindústria. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo a decadência parcial. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 35569.003241/2006-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/05/2006
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A
à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a
qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.003
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei
nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/05/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35569.003241/200663 Recurso nº 206.025 Voluntário Acórdão nº 230201.003 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2011 Matéria Auto de Infração: GFIP. Fatos Geradores Recorrente MARIO CATULO GIANESE COLAÇO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/05/2006 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Da Costa e Silva, Thiago D Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Ausência momentânea : Thiago D’ Avila Melo Fernandes Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35569.003241/200663 Acórdão n.º 230201.003 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s das competências de 06/2003 a 05/2006, o código 02, empresas optantes do SIMPLES, quando deveria ter informado código 01 empresas não optantes. Após a apresentação da defesa, Acórdão de fls. 46/49, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo alegando que poderia se inscrever no SIMPLES, conforme lhe facultou decisão judicial, que não foi intimado a apresentar o termo de opção e que a pessoa que recebeu o MPF não era representante da empresa, motivo pelo qual requer a nulidade do AI. Não forma apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro LIEGE LACROIX THOMASI Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Não assiste razão à recorrente quanto à tese de nulidade da autuação por ter sido o Mandado de Procedimento Fiscal MPF recebido por pessoa que não o representante legal da empresa. O artigo 4º do Decreto n.º 3669/2001, que disciplina o planejamento das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal e para a execução de procedimentos fiscais com vistas à apuração e cobrança de créditos previdenciários, estabelece que o MPF seja cientificado ao sujeito passivo, nos termos do artigo 23, do Decreto n.º 70235/72, o qual diz que a intimação será provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto: Art. 4º O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pelos órgãos competentes, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Assim, o MPF foi regularmente recebido na empresa por funcionário da mesma e não se comprovou qualquer irregularidade ou cerceamento de defesa, já que a autuada apresentou defesa e recurso tempestivamente, demonstrando ciência e compreensão da autuação. Do exame da legislação que instituiu e disciplina o mandado de procedimento fiscal, constatase sua finalidade essencial: segurança ao contribuinte quanto à regularidade e imparcialidade do procedimento de fiscalização, afastandose pseudoações fiscais. Esta argumentação já seria mais do que suficiente para afastar a preliminar suscitada, contudo, vale registrar em caráter subsidiário que a nulidade do lançamento é Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35569.003241/200663 Acórdão n.º 230201.003 S2C3T2 Fl. 3 5 causada pela falta de precedência do MPF, conforme expressamente consignado no artigo 32, Inciso III da Portaria MPS n° 520/2004. A finalidade do MPF é conferir ciência ao contribuinte do procedimento fiscal. Ora, no presente caso resta induvidosa a ciência prévia do procedimento que sustentou a autuação Ademais, quanto ao procedimento da fiscalização e formalização da autuação não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23, já transcrito, do mesmo Decreto. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. A autuação, no que concerne à informação errônea no código do SIMPLES, seu deu, justamente, porque a recorrente não comprovou que está inscrita no sistema. A menção que faz para dizer que está abrigada em decisão judicial impetrada por sindicato patronal que lhe faculta a opção, em nada modifica a autuação, posto que a faculdade de inscreverse no Sistema não supre a efetiva inscrição e opção pelo mesmo. Da mesma forma, é inócua a assertiva de que o fisco não solicitou, através de TIAD, o termo de opção, eis que no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal a empresa consta como não optante do SIMPLES, fls. 45, sendo desnecessária a intimação para a apresentação de termo inexistente. É de se salientar também, que a informação errônea alterou o valor das contribuições, pois a empresa passa a dever apenas o valor descontado dos segurados, já que a optante pelo SIMPLES tem as contribuições patronais substituídas. Ao informar que era optante do SIMPLES, quando não era, a recorrente omitiu fato gerador e infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35569.003241/200663 Acórdão n.º 230201.003 S2C3T2 Fl. 4 7 Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Deverá ser considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 8 Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. §1oPara efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. §2 Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. §3 A multa mínima a ser aplicada será de: IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35569.003241/200663 Acórdão n.º 230201.003 S2C3T2 Fl. 5 9 Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa ser calculada considerando as disposições do artigo 32A , inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000700/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
ENTIDADE BENEFICENTE. ISENÇÃO. FALTA DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.
Durante a vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, somente faziam jus à isenção do recolhimento da cota patronal previdenciária as entidades que cumpriam os seus requisitos.
ENTIDADES COM PERSONALIDADES JURÍDICAS DISTINTAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Inexiste a possibilidade de extensão da condição de entidade beneficente entre organizações com personalidades jurídicas distintas.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO.
Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.769
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ENTIDADE BENEFICENTE. ISENÇÃO. FALTA DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Durante a vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, somente faziam jus à isenção do recolhimento da cota patronal previdenciária as entidades que cumpriam os seus requisitos. ENTIDADES COM PERSONALIDADES JURÍDICAS DISTINTAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Inexiste a possibilidade de extensão da condição de entidade beneficente entre organizações com personalidades jurídicas distintas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 244 1 243 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000700/200984 Recurso nº 902.560 Voluntário Acórdão nº 240101.769 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente INSTITUTO DO CORACÃO DR. ELIAS ANTONIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ENTIDADE BENEFICENTE. ISENÇÃO. FALTA DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Durante a vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, somente faziam jus à isenção do recolhimento da cota patronal previdenciária as entidades que cumpriam os seus requisitos. ENTIDADES COM PERSONALIDADES JURÍDICAS DISTINTAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Inexiste a possibilidade de extensão da condição de entidade beneficente entre organizações com personalidades jurídicas distintas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. Recurso Voluntário Negado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 228/241, interposto pela empresa acima epigrafada contra decisão da DRJ Rio de Janeiro I (RJ), fls. 216/222, a qual declarou procedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração AI n. 37.213.8438, posteriormente cadastrado sob o número de processo constante no cabeçalho. O crédito em questão contempla o período de 01 a 12/2005 e contém a contribuição as contribuições patronais, incluindo aquela destina ao financiamento dos benefícios acidentários.O valor do crédito, com data de consolidação em 27/07/2009, assumiu o montante de R$ 214.307,37 (duzentos e quatorze mil, trezentos e sete reais e trinta e sete centavos). De acordo com o Relatório da Auditoria, fls. 116/122, o lançamento decorreu da suposta falta de recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais verificadas mediante análise de folhas de pagamento, de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, Guias da Previdência Social – GPS, Livros Contábeis, etc. Verificase que foram adotados, para a confecção do lançamento, os seguintes levantamentos (itens de apuração): a) AUT – pagamentos a contribuintes individuais constantes em folha de pagamento e não declarados em GFIP, os quais foram relacionados na Planilha 12; b) DIF – este levantamento subdividese em: b.1) pagamentos a empregados, registrados na folha de pagamento normal, sob a forma de “abonos” e sem incidência de contribuição, nem declaração em GFIP, os quais foram relacionados na Planilha 13; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15586.000700/200984 Acórdão n.º 240101.769 S2C4T1 Fl. 245 3 b.2) pagamentos a empregados constantes em recibos e em folhas de pagamento, que foram denominadas pelo Autuado como “Folhas de Pagamento – Autônomos”, não declarados em GFIP, os quais foram relacionados na Planilha 13; c) EMP – pagamentos a pessoas físicas, enquadradas pelo Fisco como segurados empregados, constantes em recibos e em folhas de pagamento, que foram denominadas pelo Autuado como “Folhas de Pagamento – Autônomos”, os quais encontramse relacionados na Planilha 15. A seguir, em relação ao levantamento EMP, a Auditoria passa a apresentar os motivos de fato e de direito que a levaram a concluir pela existência da relação de emprego para os trabalhadores arrolados. A empresa apresentou impugnação, fls. 167/179, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que declarou procedente o lançamento. Inconformado o Instituto apresentou recurso, no qual argumenta, em apertada síntese, que: a) por ser entidade beneficente de assistência social e sem fins lucrativos, não pode sofrer tributação sobre o se patrimônio, renda ou receitas de serviços, pelo que dispõe o art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal e o art. 14 do Código Tributário Nacional – CTN; b) presta relevantes serviços a pessoas carentes na região em que atua; c) se enquadra em todos os requisitos fixados pelo artigo 14 do CTN, portanto, faz jus ao beneficio da imunidade prevista no art. 150, VI, "c", da Constituição Federal; d) o registro no Conselho Nacional de Assistência Social e a declaração de utilidade pública apenas reforçam os argumentos relativos à imunidade, já que os certificados foram emitidos à época em que o Instituto integrava a Fundação, abarcando, assim, tanto um como o outro; e) sendo a imunidade uma espécie de limitação ao poder de tributar, somente lei complementar pode lhe traçar os contornos e esse aspecto deve ser enfrentado pelo órgão de julgamento administrativo; f) é antijurídica toda medida tomada pela Administração que não seja amparada por lei ou que extrapole o âmbito fixado por essa; g) não se pode afastar a imunidade das entidades que prestam assistência social pelo mero fato de seus diretores receberem remuneração, quando essa decorre exclusivamente de atividade laborativa; h) no caso em apreço, as leis ordinárias invocadas para sustentar os autos de infração lançados invadem o espaço que o constituinte reservou para as leis complementares, sendo, portanto, o auto de infração totalmente inválido; Ao final, pede a declaração de nulidade do AI e a produção de todos os meios de prova em direito admitidos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15586.000700/200984 Acórdão n.º 240101.769 S2C4T1 Fl. 246 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Matéria não impugnada Um primeiro ponto a ser destacado é o fato do Instituto autuado não haver se contraposto, nem na defesa, tampouco no recurso, à apuração fiscal. Não se traçou uma linha sequer impugnando a ocorrência dos pagamentos efetuados pelo autuado aos trabalhadores a seu serviço ou mesmo quanto ao enquadramento previdenciário dado pelo fisco a esses. Nesse sentido, conforme dispõe o Decreto n. 70.235, art. 17, “caput” 1, esses pontos do lançamento não foram objeto de impugnação. Isenção/imunidade A invocada imunidade da recorrente com base no art. 150, VI, da Constituição Federal não se sustenta. Vejamos: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. (...) Como se pode ver do comando constitucional, a imunidade ali traçada diz respeito apenas aos impostos, que é espécie tributária diferente de contribuição, exação tratada no presente AI. 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Para as contribuições destinadas à Seguridade Social, o legislador constituinte reservou o § 7. do art. 195 quando pretendeu tratar de imunidade: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (...) Para regulamentar esse preceptivo da Carta Magna foi inserido no ordenamento o hoje revogado art. 55 da Lei n. 8.212/1991, o qual regulou a matéria na época da ocorrência dos fatos geradores. Eis o texto: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. (...) Em nenhuma passagem do seu recurso o sujeito passivo buscou demonstrar o atendimento aos requisitos legais acima expostos, limitandose a tentar afastar a aplicação da Lei n. 8.212/1991, por entender que a mesma padece de vício formal de inconstitucionalidade. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15586.000700/200984 Acórdão n.º 240101.769 S2C4T1 Fl. 247 7 Também não se pode acatar a pretensão da recorrente de ver reconhecido o direito ao Certificado de Entidade Beneficente e ao Título de Utilidade Pública Federal obtidos por entidade que no passado foi sua mantenedora. Sobre essa questão vale a pena reproduzir trecho da decisão recorrida que trata magistralmente da matéria: 7. Extraise do teor da defesa apresentada que a Impugnante confundese com sua personalidade jurídica, quando argui a possibilidade de aproveitar os certificados e títulos pertencentes a outra pessoa jurídica, a Fundação do Coração Dom Luiz Gonzaga Peluso, CNPJ n° 02.513.754/000170, como se fossem uma só, pelo fato de terem sido emitidos quando o Impugnante figurava apenas como corpo clínico daquela Fundação, desprovido de personalidade. 8. Ocorre que desde 30/10/2000, a Ata de reunião do conselho Deliberativo da Fundação do Coração Dom Luiz Gonzaga Peluso, desagregou o Corpo Clínico do Instituto do Coração Dr. Elias Antonio, o qual ganhou personalidade jurídica e passou a atuar com autonomia e independência em relação à Fundação, como executora dos serviços médicos da Fundação. Também neste sentido, em 03/01/2005, celebraram contrato para que o 4 Impugnante realizasse o gerenciamento operacional do serviço de Hemodinâmica e Ambulatório oferecido pela Fundação. 9. Notese, portanto, que se tratam de pessoas jurídicas distintas onde a autuada se apresenta como mera prestadora de serviços médicos contratada pela Fundação, para a consecução dos objetivos desta e não como parte integrante da entidade, embora dela tenha nascido. Com a escusa pelo exemplo, aproveitar os títulos conferidos à Fundação para imunizar o Instituto que dela se originou, seria o mesmo que tratar por Doutor o filho, pelo fato de sua mãe possuir o título de Doutorado. Claro então que não há de se cogitar da extensão de situações jurídicas da Fundação do Coração Dom Luiz Gonzaga Peluso para a recorrente, que, como afirmado acima, é pessoa jurídica com personalidade distinta, sendo mera prestadora de serviço da Fundação. A essa situação aplicase o § 2. do art. 55 da Lei n. 8.212/1991 (acima transcrito), o qual veda expressamente que a isenção seja aproveitada por pessoas jurídicas de personalidades distintas, ainda que uma seja entidade mantenedora da outra. Nesse sentido, não atendendo aos requisitos legais que lhe garantiriam a isenção da cota patronal previdenciária, mormente a ausência de requerimento ao INSS, descabido o reconhecimento da pretendida desoneração. Decorrência disso é que o pedido de anulação do AI não deve ser acatado, uma vez que o sujeito passivo deixou de demonstrar a ocorrência de qualquer mácula que pudesse levar á invalidação do ato administrativo. As meras considerações de ordem teóricas são insuficientes para comprovar a necessidade de nulificação do lançamento. Da inconstitucionalidade do art. 55 da Lei n. 8.212/1991 Para enfrentar a tese da possibilidade de órgão administrativo afastar a aplicação de lei em face do reconhecimento de sua inconstitucionalidade, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF2. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade de lei trazida pela recorrente. Juntada de provas A juntada de elementos probatórios no processo administrativo fiscal é regulada pelo Decreto n. 70.235/1972, nos seguintes termos: 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15586.000700/200984 Acórdão n.º 240101.769 S2C4T1 Fl. 248 9 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos Considerandose que o recorrente não apresenta qualquer justificativa legal que ampare a apresentação de novas provas no presente momento processual, devese indeferir o seu requerimento nesse sentido. Conclusão Ante todo o exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 10/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000326/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Ementa.
Simples.
Ano-calendário 2001.
EXCLUSÃO DO SIMPLES ATIVIDADE PRÓPRIA DE ENGENHEIRO.
É vedada a opção pelo SIMPLES por empresa que exerce atividade própria de engenheiro. A eventual execução dos serviços por empregados sem esta qualificação profissional não desnatura a natureza da atividade, já que mesmo nestas hipóteses os serviços devem ser acompanhados, assessorados e supervisionados por engenheiros.
Numero da decisão: 1302-000.672
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: DANIEL SALGUEIRO DA SILVA
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Anocalendário 2001. EXCLUSÃO DO SIMPLES ATIVIDADE PRÓPRIA DE ENGENHEIRO. É vedada a opção pelo SIMPLES por empresa que exerce atividade própria de engenheiro. A eventual execução dos serviços por empregados sem esta qualificação profissional não desnatura a natureza da atividade, já que mesmo nestas hipóteses os serviços devem ser acompanhados, assessorados e supervisionados por engenheiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator ad hoc e presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatório Fl. 86DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13851.000326/200661 Acórdão n.º 130200.672 S1C3T2 Fl. 87 2 O contribuinte acima identificado foi excluído do SIMPLES, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/AQA nº 31/2007, por exercer atividade econômica vedada no sistema simplificado, consistente na prestação de serviços de engenheiro e assemelhados. 2. Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 6566, na qual afirma que os serviços prestados pela empresa na área mecânica não dependem de profissionais com atividades regulamentadas. Alega que os serviços são prestados por um mecânico, que utiliza um aparelho para fazer inspeção de vibração, alinhamento e balanceamento em motores e bombas. No tocante à atividade de treinamento de software, sustenta que a empresa não desenvolve o programa, limitandose a auxiliar em sua instalação, razão pela qual não há qualquer impedimento legal para a consecução destes serviços. Sugere o contribuinte que, ao interpretar a Lei n° 9.317/96, devese atentar para o fato de que às atividades semelhantes aplicase igual tratamento. Com base nesta premissa, sustenta que a atividade de alinhamento e balanceamento de um veículo pesado, própria de mecânicos, é semelhante à de alinhamento e balanceamento de motores elétricos e de bombas mecânicas, já que todos dependem do uso de um equipamento dedicado a este fim. 2.1. Por fim, pede que seja provido seu recurso, para o fim de reconsiderar a exclusão do SIMPLES. A DRJ decidiu: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES ATIVIDADE PRÓPRIA DE ENGENHEIRO. É vedada a opção pelo SIMPLES por empresa que exerce atividade própria de engenheiro. A eventual execução dos serviços por empregados sem esta qualificação profissional não desnatura a natureza da atividade, já que mesmo nestas hipóteses os serviços devem ser acompanhados, assessorados e supervisionados por engenheiros. A recorrente tomou ciência do acórdão em 08/04/2008 e apresentou recurso em 07/05/2008. Em seu recurso alega: Fl. 87DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13851.000326/200661 Acórdão n.º 130200.672 S1C3T2 Fl. 88 3 Voto O recurso voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Não merecem acolhida os argumentos da recorrente. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13851.000326/200661 Acórdão n.º 130200.672 S1C3T2 Fl. 89 4 Afirma o acórdão recorrido: 4. Alega o contribuinte que os serviços prestados pela empresa na área mecânica não dependem de profissionais com atividades regulamentadas. Afirma que os serviços são prestados por um mecânico, que utiliza um aparelho para fazer inspeção de vibração, alinhamento e balanceamento em motores e bombas. No tocante à atividade de treinamento de software, sustenta que a empresa não desenvolve o programa, limitandose a auxiliar em sua instalação, razão pela qual não há qualquer impedimento legal para a consecução destes serviços. Sugere o contribuinte que, ao interpretar a Lei 9.317/96, devese atentar para o fato de que às atividades semelhantes aplicase igual tratamento. Com base nesta premissa, sustenta que a atividade de alinhamento e balanceamento de um veículo pesado, própria de mecânicos, é semelhante à de alinhamento e balanceamento de motores elétricos e de bombas mecânicas, já que todos dependem do uso de um equipamento dedicado a este fim. 4.1. A Lei 9.317/96 contempla a seguinte regra acerca da vedação à opção pelo SIMPLES: Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; 4.2. O Ato Declaratório Normativo nº 04/2000, ao interpretar o art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96, no tocante à atividade de manutenção de equipamentos industriais, assim dispôs: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista as disposições do inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e da alínea "f" do art. 27 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966 e a Resolução nº 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais, por caracterizar prestações de serviço profissional de engenharia. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13851.000326/200661 Acórdão n.º 130200.672 S1C3T2 Fl. 90 5 4.3. Portanto, a atividade de manutenção de máquinas é própria de profissionais com habilitação em engenharia. O fato de haver, de fato, eventual prestação destes serviços por profissionais sem esta habilitação não infirma esta conclusão. 4.4. Há nos autos prova bastante da atividade desenvolvida pelo contribuinte. Seu contrato social (fl. 20) contempla a atividade de manutenção de máquinas, instalações e implantação de sistemas de manutenção. Nos termos do “Contrato Administrativo para a Manutenção nos Equipamentos Elétricos e Mecânicos do D.A.A.E.” (fls. 2528), celebrado com o departamento Autônomo de Água e Esgoto de Araraquara, o contribuinte presta serviços de manutenção preventiva, manutenção preditiva e corretiva planejada em todos os equipamentos elétricos e mecânicos existentes nos diversos setores da Autarquia. Também as notas fiscais acostadas por cópia às fls. 3056 revelam que há efetivo exercício das seguintes atividades: manutenção preventiva e corretiva de equipamentos elétricos e mecânicos; análise de vibração e tribologia; manutenção e treinamento em software; análise de óleo; balanceamento dinâmico de rotor de ventilador de exaustão de secador; análise termográfica; análise de vibração em gerador. Todas estas atividades, a despeito de serem eventualmente desenvolvidas por empregado sem habilitação profissional específica, exigem a supervisão, acompanhamento e assessoramento de engenheiros, de sorte que não há como negar o exercício de atividade vedada no SIMPLES. Como se pode verificar, não se trata de prestação de serviço simples de reparo mecânico ou manutenção, mas manutenção de máquinas, instalações e implantação de sistemas de manutenção. Como afirma a DRJ, todas estas atividades, a despeito de serem eventualmente desenvolvidas por empregado sem habilitação profissional específica, exigem a supervisão, acompanhamento e assessoramento de engenheiros, de sorte que não há como negar o exercício de atividade vedada no SIMPLES. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator ad hoc Fl. 90DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13851.000326/200661 Acórdão n.º 130200.672 S1C3T2 Fl. 91 6 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10930.720017/2006-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A área de preservação permanente foi glosada unicamente em decorrência da
ausência de sua comprovação a partir de laudo técnico idôneo. Suprida essa deficiência, deve-se deferir a exclusão dessa área da incidência do ITR.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
NECESSIDADE.
O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada
à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extra fiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extra fiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extra fiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo
em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar
no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da benesse tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITRS DO MUNICÍPIO DO IMÓVEL. ARBITRAMENTO QUE DEVE CEDER AO APURADO EM LAUDO TÉCNICO, QUE CORROBORA O VALOR DECLARADO NA DITR
RESPECTIVA. Dentre as possibilidades de arbitramento com base no SIPT, o valor médio das DITRs é o menos fidedigno, pois termina tratando os imóveis de pequeno, médio e grande porte de forma uniforme, não distinguindo as diversas realidades. Em um cenário assim, tal arbitramento deve ceder àquele feito a partir de laudo técnico, subscrito por profissional competente, que discrimina as características específicas do imóvel. No caso vertente, o laudo técnico terminou corroborando o VTN declarado pelo próprio contribuinte na DITR respectiva, devendo este ser restabelecido.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-001.311
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR parcialmente provimento ao recurso, para acatar uma área de preservação permanente de 3.448,42 hectares, mantendo o valor da terra nua declarado de R$ 3.500.000,00, nos termos do voto relator. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho que mantinham o arbitramento do VTN pelo SIPT, dando provimento parcial em menor extensão, e o Conselheiro Atilio Pitarelli que dava provimento em maior extensão, reconhecendo a exclusão da tributação da área de reserva legal constante do laudo técnico.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A área de preservação permanente foi glosada unicamente em decorrência da ausência de sua comprovação a partir de laudo técnico idôneo. Suprida essa deficiência, devese deferir a exclusão dessa área da incidência do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do Fl. 400DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da benesse tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITRS DO MUNICÍPIO DO IMÓVEL. ARBITRAMENTO QUE DEVE CEDER AO APURADO EM LAUDO TÉCNICO, QUE CORROBORA O VALOR DECLARADO NA DITR RESPECTIVA. Dentre as possibilidades de arbitramento com base no SIPT, o valor médio das DITRs é o menos fidedigno, pois termina tratando os imóveis de pequeno, médio e grande porte de forma uniforme, não distinguindo as diversas realidades. Em um cenário assim, tal arbitramento deve ceder àquele feito a partir de laudo técnico, subscrito por profissional competente, que discrimina as características específicas do imóvel. No caso vertente, o laudo técnico terminou corroborando o VTN declarado pelo próprio contribuinte na DITR respectiva, devendo este ser restabelecido. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR parcialmente provimento ao recurso, para acatar uma área de preservação permanente de 3.448,42 hectares, mantendo o valor da terra nua declarado de R$ 3.500.000,00, nos termos do voto relator. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho que mantinham o arbitramento do VTN pelo SIPT, dando provimento parcial em menor extensão, e o Conselheiro Atilio Pitarelli que dava provimento em maior extensão, reconhecendo a exclusão da tributação da área de reserva legal constante do laudo técnico. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 25/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Atílio Pitarelli, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte FAZENDAS REUNIDAS ALMEIDA S.A., CNPJ/MF nº 03.190.527/000114, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 6/10/2006, auto de infração (fls. 1 a 7), com ciência postal em 23/10/2006 (fl. 184), com ação fiscal iniciada em 19/04/2006 (fls. 6 a 9). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo Fl. 401DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10930.720017/200633 Acórdão n.º 210201.311 S2C1T2 Fl. 2 3 auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 2.207.071,91 MULTA DE OFÍCIO R$ 1.655.303,93 Em procedimento de revisão da DITRexercício 2004, do imóvel NIRF nº 3.097.6880, denominado Fazenda Flórida, a autoridade autuante procedeu às seguintes alterações nos valores e áreas declarados, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido (fl. 4): Declarado Alterado pela fiscalização Área total do imóvel 40.086,3 hectares 40.086,3 hectares Área de Preservação Permanente 10.043,1 hectares 0,0 Área de utilização limitada 0,0 Área Tributável 10.000,0 hectares 40.086,3 hectares Valor da Terra Nua R$ 3.500.000,00 R$ 11.054.999,81 No quadro acima, constante deste processo, faltou a discriminação da área de utilização limitada (reserva legal) de 20.043,2 hectares, que constou nas DITRsexercícios 2003 e 2004, acostadas aos autos pelo então impugnante (fls. 141 a 154), bem como no auto de infração do exercício 2004 enviado ao próprio autuado (fls. 121 a 124). As alterações acima foram perpetradas com a seguinte motivação (fls. 2 e 3), verbis: Área de preservação permanente: Não apresentação do Laudo elaborado por Eng.° Agrônomo ou Florestal, informando as áreas que se enquadram no art. 2° da Lei 4771/65 (redação dada pelo art. 1° da Lei 7803/89), conforme art. 10, S 1°, inciso II,letra a da Lei 9393/96, sendo desconsiderado o valor declarado; Área de utilização limitada: Não apresentação de documentação probatória da averbação da reserva em cartório de registro de imóveis, à margem da matrícula do imóvel, conforme art. 10, S 1°, inciso II,letra a da Lei 9393/96, e art. 16, §2° da Lei 4771/65 (redação dada pelo art. 1° da Lei 7803/89), em data anterior à do fato gerador do ITR, conforme art. 12 § 1° do Decreto 4.382/02, sendo desconsiderado o valor declarado; Valoração da Terra Nua: contribuinte apresentou o Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais para comprovação do valor da terra nua VTN de acordo com a NBR 8.799/85 (ABNT NB 613/80). A intimação discriminava que deveria ser apresentado Laudo de avaliação conforme NBR 14653 da ABNT, com grau de fundamentação e precisão II. Pela falta de apresentação do laudo de acordo com a intimação, o valor da terra nua está sendo arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços Fl. 402DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, conforme art. 14 da Lei 9393/96. (aqui se grifou) O autuado juntou aos autos cópia do Ato Declaratório Ambiental de 2003 (protocolizado em 31/03/2004 – fls. 17 e 18), 2004 (protocolizado em 31/03/2005 – fls. 20 e 21) e 2005 (transmitido em 16/05/2006 – fl. 57), contendo as seguintes informações: Área total do imóvel 40.086,3 hectares Área de Preservação Permanente 10.043,1 hectares Área de Reserva Legal 20.043,2 hectares Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 1ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0412.713, de 14 de setembro de 2007 (fls. 239 a 246). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 17/10/2007 (fl. 254). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 19/11/2007 (fl. 256). No voluntário, o recorrente alegou, em síntese, que: I. deve ser declarada a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, decorrente do indeferimento do pedido pericial, que tinha o fito de mensurar as áreas passíveis de incidência pelo ITR; II. “Quando o Fisco, desprezando a declaração produzida pelo contribuinte, realizou o lançamento tributário, e integrou as áreas de preservação permanente e reserva legal na base de cálculo do ITR, embora a própria lei em seu artigo 10, inciso II do parágrafo 1°, c/c com o parágrafo 7° do mesmo artigo, ambos da lei 9.393/96, tenha determinado que referidas áreas deveriam ser excluídas independentemente de prévia comprovação por parte do contribuinte, criou um novo tipo tributário que não é aquele instituído pelo legislador” (fl. 264 – transcrição do recurso voluntário); III. o procedimento do fisco vulnerou a regramatriz de incidência do ITR, incluindo indevidamente as áreas de preservação permanente e reserva legal dentre aquelas tributáveis, vulnerando o princípio da legalidade estrita. Ademais, caberia ao contribuinte apenas declarar as áreas de preservação permanente e de reserva legal, sendo ônus da autoridade fiscal desconstituir tal declaração, o que não ocorreu no caso em comento; IV. “Da mesma forma que a exigência do averbamento em registro de imóveis, a obrigatoriedade da utilização do ADA também não se mostra justificável em todos os casos de isenção de ITR, como condição para aproveitamento desse benefício, ainda mais quando existirem outros meios dos quais o contribuinte possa se valer para comprovar a realidade fática das áreas envolvidas” (fl. 268 – transcrição do recurso voluntário); Fl. 403DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10930.720017/200633 Acórdão n.º 210201.311 S2C1T2 Fl. 3 5 V. ataca a necessidade de apresentação do ADA para excluir as áreas de preservação permanente e reserva legal da tributação do ITR, juntando jurisprudência em prol de sua defesa; VI. o imóvel autuado localizase no Pantanal MatoGrossense, área que é um patrimônio ecológico nacional. Ao final, juntou novo Laudo Técnico que também atesta a real situação do imóvel rural, inclusive o valor do VTN, ficando claro o caráter confiscatório do tributo lançado. Deste Laudo Técnico, extraemse as seguintes informações (fls. 289 a 325): § confeccionado pelo Engenheiro Agrônomo Gabriel Dionísio Mancilla, nos termos da norma ABNT NBR 14.6533 (fl. 306); § atesta uma área de preservação permanente de 3.448,42 hectares e uma área de utilização limitada de 39.307,93 hectares (fl. 296), esta “encontrandose totalmente conservadas, sendo protocolado Licenciamento Ambiental junto a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA), conforme pode ser constatado por protocolo em anexo, com o qual poderá ser efetuada a averbação da área de Reserva Legal nas matriculas” (fl. 304); § utilizaramse 05 eventos amostrais para definição do VTN do imóvel (fls. 310 a 321), arbitrandose um VTN de R$ 2.742.000,00, no exercício 2004. Pela Resolução 3102.00.061, da Primeira Câmara da Segunda Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF, o julgamento foi convertido em diligência, para que a autoridade preparadora tomasse as seguintes providências (fls. 345 e 346), verbis: Diante do exposto, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA À REPARTIÇÃO DE ORIGEM, para que a autoridade fiscalizadora informe a este Conselho se, quando da lavratura do Auto de Infração, possuía as informações sobre preços de terras recebidos da Secretaria de Agricultura, entidades correlatas ou do Município de Cáceres, no Estado de Mato Grosso, dados estes utilizados para alimentar o sistema SIPT para a região e ano em debate, para fins de apuração do VTN do imóvel em tela. No bojo da diligência acima, a autoridade preparadora que a presidiu prestou os seguintes esclarecimentos (fls. 354 e 355), verbis: Por esse motivo, adotouse a medida excepcional de arbitrar o VTN com base nos valores registrados no SIPT, correspondentes ao preço médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas declarações do imposto sobre a propriedade territorial rural (DITR) apresentadas para os imóveis localizados no município de Cáceres/MT no exercício de 2004, uma vez que a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado de Mato Grosso, através do OF/SEDER/GS/441/2005, de 21/07/2005, às fls. 351 e 352, informou que não teria condições de fornecer os valores de terra nua, sugerindo que a então SRF Fl. 404DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 utilizasse valores históricos constantes de seus acervos, até que fosse viabilizada, naquele órgão, a realização do trabalho de coleta de informações em cada município de Mato Grosso. Assim, considerando a área do imóvel rural declarada pelo contribuinte e o preço médio do hectare constante do SIPT à época do lançamento, apurouse o VTN de R$ 11.054.999,81. (...) Outrossim, insta informar que atualmente constam do SIPT os valores de terra nua, por aptidão agrícola, fornecidos pela Prefeitura Municipal de Cáceres, por meio do Oficio n° 332/2006SF, de 20/12/2006. O contribuinte foi intimado das conclusões acima e quedouse inerte. Assim, os autos retornaram para este CARF para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 17/10/2007 (fl. 254), quartafeira, e interpôs o recurso voluntário em 19/11/2007 (fl. 256), dentro do trintídio legal, este que teria seu termo final em 16/11/2007, sextafeira, data porém que foi ponto facultativo na Administração Pública Federal (fls. 288 e 343), o que transferiu o termo final para interposição do recurso para 19/11/2007.. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. De plano, rejeitase o pedido de nulidade da decisão de primeira instância, em decorrência do indeferimento da perícia, pois a glosa perpetrada na DITRexercício 2004 foi procedida a partir do descumprimento de requisitos formais por parte do fiscalizado, especificamente a ausência de laudo técnico idôneo a comprovar o valor da terra nua da propriedade e a área de preservação permanente APP. Ainda, em face da área de reserva legal, ausente a averbação dela à margem da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis. Ora, para produzir a prova acima, despiciendo qualquer pedido pericial, pois era ônus do contribuinte produzila, o que inocorreu na fase que antecedeu a autuação. Para deferimento da perícia, o então impugnante deveria ter demonstrado a imprescindibilidade dela, o que não restou demonstrado, pois a autoridade fiscal se fiou apenas na ausência de laudo técnico idôneo e na ausência da averbação da área de reserva legal, sendo que, no curso deste processo administrativo fiscal, já em grau recursal, o contribuinte produziu o Laudo Técnico de fls. 289 a 325, a demonstrar que era prova fácil de ser produzida, não havendo qualquer necessidade de perícia para tanto. Ainda, a decisão recorrida fundamentou adequadamente o indeferimento da perícia (fls. 241 e 242), não havendo, no ponto, qualquer nulidade. Rejeitase, assim, o presente pedido. Fl. 405DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10930.720017/200633 Acórdão n.º 210201.311 S2C1T2 Fl. 4 7 Passase ao mérito. Apesar de interposto de forma extemporânea, pois deveria ter sido produzido na fase que antecedeu à autuação (ou, quiçá, na impugnação), vêse que o Laudo Técnico de fls. 289 a 325 atende aos requisitos da norma ABNT NBR 14.6533, estando subscrito por profissional habilitado, com a ART respectiva (fls. 324 e 325), e aqui será considerado como veículo hábil a suprir a necessidade do laudo idôneo apontada pela autoridade autuante. Rejeitar um laudo da espécie em grau de recurso seria um apego a uma ritualística desnecessária e cega, o que não se coaduna com o processo administrativo fiscal, vocacionado para a busca da verdade material. Assim, aqui será considerado o Laudo Técnico acostado no recurso voluntário. Superado o ponto acima, passase a apreciar a glosa das áreas de preservação permanente e reserva legal. O Laudo atesta uma área de preservação permanente de 3.448,42 hectares e uma área de utilização limitada de 39.307,93 hectares (fl. 296), esta “encontrandose totalmente conservadas, sendo protocolado Licenciamento Ambiental junto a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA), conforme pode ser constatado por protocolo em anexo, com o qual poderá ser efetuada a averbação da área de Reserva Legal nas matriculas” (fl. 304); Inicialmente, aqui não se abordará a controvérsia sobre a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA, como combatido pelo recorrente, pois o ADA respectivo foi juntado aos autos e a autoridade fiscal não se fiou na ausência (ou inconsistência) dele para perpetrar as glosas. A glosa da área de preservação permanente APP decorreu da ausência do laudo técnico, agora suprida. Assim, a partir do Laudo Técnico, aqui se reconhece uma área de preservação permanente de 3.448,42 hectares. Já no tocante à área de reserva legal, devese discutir a pertinência da averbação cartorária, pois a autoridade autuante procedeu à glosa exatamente pela ausência da averbação dessa área à margem da matrícula imobiliária do imóvel rural. Especificamente, a reserva legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. 1º, § 2º, III, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da propriedade rural que deve ser afetada à reserva legal, nas diversas regiões do país, determinando, ainda, que tal reserva seja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel (art. 16, § 8º, do Código Florestal). Inicialmente, farseá um breve apanhado jurisprudencial sobre a necessidade, ou não, da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Primeiramente, apreciase a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, intérprete máximo da lei federal brasileira. Fl. 406DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Começase pelo REsp 1.125.632/PR, da Primeira Turma, sessão de 20/08/2009, relator o Ministro Benedito Gonçalves, unânime, onde há um razoável apanhado da jurisprudência dessa Superior Corte. Eis a ementa desse julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. O art. 2º do Código Florestal prevê que as áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, há óbice legal à incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente, sendo inexigível a prévia comprovação da averbação destas na matrícula do imóvel ou a existência de ato declaratório do IBAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise. 5. Recurso especial parcialmente provido, para anular o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de Primeiro Grau de fls. 139145, inclusive quanto aos ônus sucumbenciais. (grifouse) Acima se exigiu a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel como condição para fruição da redução do ITR. Porém, a mesma Primeira Turma do STJ julgou o Resp nº 1.060.886/PR, na sessão de 1º/12/2009, relator o Ministro Luiz Fux, quando asseverou que a falta de averbação da reserva legal na matrícula do imóvel ou a averbação a destempo, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção no âmbito do ITR, em votação unânime, ou seja, em manifesto confronto com o REsp 1.125.632/PR, também unânime, que determinou a Fl. 407DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10930.720017/200633 Acórdão n.º 210201.311 S2C1T2 Fl. 5 9 obrigatoriedade da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóvel para fruição do benefício no âmbito do ITR, ressaltando que a decisão de dezembro de 2009 não faz qualquer menção à decisão pretérita da mesma Turma. Para tanto, vejase o excerto da ementa do Resp nº 1.060.886/PR, verbis: Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área". Já no âmbito da Segunda Turma do STJ, no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal, recentemente se firmou uma posição pela necessidade da averbação como condição para fruição da benesse no âmbito do ITR, como se pode ver no Recurso Especial nº 1.027.051 – SC (STJ, 2011 C), sessão de 07/04/2011, por maioria (relator vencido), com a seguinte ementa no votovista do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. AMBIENTAL. ITR. ISENÇÃO. LEIS 8.971/91 E 9.393/96. RESERVA LEGAL FLORESTAL. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. O Código Florestal exige a aprovação dos órgãos ambientais quanto à localização da reserva legal, bem como a sua averbação no registro de imóveis. A imprescindibilidade da averbação justificase não apenas para facilitar o controle do Poder Público, mas também em razão do caráter propter rem da obrigação de manter a reserva legal que, em regra, não se altera nos casos de transmissão, desmembramento ou de retificação da área. 2. O imposto territorial rural ITR possui inequívoco propósito extrafiscal, sendo utilizado para combater o latifúndio improdutivo e para incentivar e proporcionar a utilização racional dos recursos naturais e a preservação do meio ambiente. Caracterizase, portanto, como um imposto que auxilia o Estado no disciplinamento da propriedade rural, tendo como norte a função social da propriedade. 3. Os incentivos fiscais assumem considerável relevância na consecução dos objetivos constitucionais, o que implica reconhecer, sob a ótica da proteção ao meio ambiente, que a interpretação da norma instituidora da isenção tributária não pode se afastar dos valores e princípios veiculados na Constituição e na legislação ambiental. 4. Apesar de o art. 111 do CTN consignar que se interpreta literalmente a norma que outorga isenção, isso não significa que seja vedada a utilização dos critérios teleológico, histórico e Fl. 408DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 sistemático. O hermetismo do ordenamento jurídico não prescinde da atuação do intérprete, cumprindolhe buscar uma identidade lógicojurídica do deverser. Assim, é impossível conferir à lei uma aplicação em descompasso com o sistema normativo no qual esteja inserida. 5. Quando as Leis nºs 8.171/91 e 9.393/96 isentam o tributo referente à área de reserva legal prevista na Lei nº 4.771/65, significa que apenas se sujeitam à exclusão do crédito tributário as áreas que estiverem em consonância com a legislação de proteção ao meio ambiente, visto que não é possível conferir um benefício fiscal àqueles que descumpriram a própria lei que serve de base para a isenção. Entender o contrário seria desconsiderar o modelo de proteção ambiental contemplado no Texto Maior, bem assim o princípio cooperativo insculpido no art. 225 da CF. 6. A previsão contida no § 7º do art. 10 da Lei n. 9.393/96, segundo a qual o contribuinte não precisa comprovar a regularidade das deduções efetuadas em decorrência da isenção, apenas disciplina a forma de constituição do crédito tributário, que se dá por meio do autolançamento, em nada interferindo quanto à exclusão do crédito tributário, ou seja, sobre os requisitos para obtenção do benefício fiscal. 7. Recurso especial provido. (grifouse) Claramente se vê que a Segunda Turma do STJ, com supedâneo no caráter extrafiscal do ITR, albergou a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, como condição para fruição de benesse no âmbito do ITR. Observese que se trata de Acórdão em que a Turma debateu a matéria com profundidade, como se comprova pela existência de voto vencido. Por tudo, no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal, a Segunda Turma do STJ asseverou sua necessidade, não havendo ainda concordância no âmbito da Primeira Turma. Porém, se há dúvidas no âmbito da jurisprudência do STJ sobre a presente controvérsia, como se vê pelas decisões conflitantes no âmbito da Primeira Turma do STJ, tal situação não é amainada pelo que ocorre no âmbito da jurisprudência administrativa, como abaixo se demonstrará. A jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, competente para apreciar as controvérsias no seio do ITR até março de 2009, era oscilante no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal. Abaixo, breve apanhado da jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exercícios posteriores ao ITRexercício 2001 (que pode ser aplicada desde o exercício 1997, pois a legislação que passou a obrigar a averbação de tal área remonta à Lei nº 7.803/89), em decisões prolatadas no ano de 2008, trazendo também algumas informações sobre a exigência de Ato Declaratório Ambiental ADA, já que, em regra, debatese a exigência do ADA e da averbação cartorária para deferimento da fruição da benesse tributária no tocante à área de reserva legal: 1. exigência de averbação da área de reserva legal somente a partir do Decreto nº 4.382/2002 (Regulamento do ITR) – Acórdão nº 301 34459, sessão de 20/05/2008, unânime; 2. área de reserva legal reconhecida a partir de documentos outros, privilegiando a busca da verdade material – Acórdão nº 30134475, Fl. 409DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10930.720017/200633 Acórdão n.º 210201.311 S2C1T2 Fl. 6 11 sessão de 20/05/1998, unânime; Acórdão nº 30239586, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão nº 39100031, sessão de 21/10/2008, por maioria (acatando também laudo técnico para comprovar a existência de área de preservação permanente); 3. Ausência de averbação cartorária da reserva legal, por si só, não afasta a benesse legal – Acórdão nº 30335421, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão nº 30335734, sessão de 16/10/2008, por maioria; 4. área de reserva legal averbada e ADA extemporâneo reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão nº 30134686, sessão de 13/08/2008, unânime (também com laudo técnico); Acórdão nº 30134632, sessão de 10/08/2008, unânime; 5. área de reserva legal averbada extemporaneamente reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão nº 30134788, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade (os vencidos exigiam o ADA para os exercícios posteriores a 2001); 6. comprovação da área de utilização limitada (reserva legal) a depender do ADA e da averbação cartorária tempestivos – Acórdão nº 302 39244, sessão de 29/01/2008, por maioria; Acórdão nº 30239866, sessão de 15/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 30335538, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 30335645, sessão de 11/09/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 39300083, sessão de 19/11/2008, por voto de qualidade. Tentando fazer um resumo dos posicionamentos acima sobre a averbação da área de reserva legal, temse: • averbação após a publicação do Decreto nº 4.382/2002 (1ª Câmara); reconhecimento da área por laudos técnicos (1ª, 2ª, 3ª Câmaras e 3ª TE); averbação cartorária e ADA intempestivo (1ª Câmara); averbação cartorária intempestiva (1ª Câmara); averbação e ADA tempestivos (2ª, 3ª e 3ª TE); Da jurisprudência acima, claramente não se extrai qualquer posição consolidada no tocante à averbação cartorária para a área de reserva legal (há precedentes de todas as Câmaras ordinárias com reconhecimento da área de reserva legal a partir de laudos técnicos), sendo certo que as posições mais formais, com exigência do ADA e da averbação tempestivos para a área de reserva legal são tomadas, em regra, por voto de qualidade (vide item 6, acima), a demonstrar a profundidade da controvérsia. Longe de tecer quaisquer críticas à jurisprudência do Terceiro Conselhos de Contribuintes, aqui se reconhece a funda controvérsia no tocante à necessidade da averbação cartorária da reserva legal para reconhecimento dos benefícios isentivos no âmbito do ITR, ressaltando que o próprio Superior Tribunal de Justiça tem também vacilado na solução dessa controvérsia, como se viu acima, com a Primeira Turma dessa Superior Corte prolatando decisões divergentes, por unanimidade, em um mesmo semestre, sem qualquer ressalva à Fl. 410DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 posição pretérita (apesar da matéria aparentemente ter sido pacificada na Segunda Turma, como já visto neste artigo). Sem apoio na jurisprudência, quer do Terceiro Conselho de Contribuintes, quer do Superior Tribunal de Justiça, passase a definir um posicionamento sobre a controvérsia referente à averbação da área de reserva legal. Da área tributável para fins do ITR se excluem as áreas de preservação permanente e de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas ambientais, comprovadamente imprestáveis para os fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental e, mais recentemente, cobertas por florestas nativas e alagadas por reservatórios hidrelétricos, como se pode ver no art. 10, § 1º, II, “a” a “f”, da Lei nº 9.393/96. Claramente vêse que as áreas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sobre as áreas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária e extrativista. O nó górdio aqui é definir quais os requisitos que devem ser implementados para que uma área seja considerada de reserva legal para fins de fruição da exclusão da tributação do ITR. Partindo do princípio que o ITR incide sobre a área tributável da propriedade (área total do imóvel menos as áreas de preservação permanente e de utilização limitada1), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, parece claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essas áreas de utilização limitada, ou seja, caso as áreas de reserva legal ou de preservação permanente estejam sendo utilizadas indevidamente em atividades agrícolas, extrativistas ou pecuárias diretas, afastarseia a isenção legal. De outra banda, existindo tais áreas, o contribuinte pode se beneficiar do favor legal, cumpridos os requisitos formais, que se verá a seguir. Assim, para a fruição de isenção tributária, pode a lei exigir o cumprimento de requisitos formais, além dos substanciais (no caso vertente, a existência das próprias áreas ambientalmente protegidas). Como exemplo de requisito isentivo de ordem formal, o art. 4º, V, da Lei nº 8.661/1993 determina que o contribuinte detentor de um Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI pode ter um crédito de 50% do IRRF incidente sobre as remessas para o exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstas em contratos de transferência de tecnologia, desde que averbados nos termos do Código de Propriedade Industrial, ou seja, não basta ter um contrato de transferência de tecnologia firmado com uma empresa estrangeira, mas se deve averbálo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, como manda o art. 230 do Código de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), para fruição do benefício legal. Agora, passase a verificar a existência de requisitos formais para fruição do benefício no âmbito do ITR para área de reserva legal. Em relação à área de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos 1 As áreas de utilização limitada são as áreas de reserva legal, de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas ou imprestáveis para fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental, de RPPN, cobertas por floresta nativa e alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Fl. 411DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10930.720017/200633 Acórdão n.º 210201.311 S2C1T2 Fl. 7 13 pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I Omissis; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a área de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65), pode ser excluída da área tributável. Já no art. 16 da Lei nº 4.771/65 definemse os percentuais de cobertura florestal a título de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regiões do país e determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do benefício no âmbito do ITR, já que a Lei nº 9.393/96 assevera a exclusão da área de reserva legal, porém remetendoa ao Código Florestal, não havendo, especificamente, uma obrigação de averbação cartorária da área de reserva legal na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal, em sentido lato, parece que não há qualquer dúvida, pois inclusive há norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei nº 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme o art. 55 do Decreto nº 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 – MG, julgado pela Primeira Turma em 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unânime, assim ementado: DIREITO AMBIENTAL. ARTS. 16 E 44 DA LEI Nº 4.771/65. MATRÍCULA DO IMÓVEL. AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA FLORESTAL.NECESSIDADE. I A questão controvertida referese à interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei n. 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matrícula do imóvel. II "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, levam à conscientização de que os recursos naturais devem ser utilizados Fl. 412DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 14 com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (RMS nº 18.301/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005). III Inviável o afastamento da averbação preconizada pelos artigos 16 e 44 da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), sob pena de esvaziamento do conteúdo da Lei. A averbação da reserva legal, à margem da inscrição da matrícula da propriedade, é conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias à proteção do meio ambiente, previstas tanto no Código Florestal como na Legislação extravagante. IV Recurso Especial provido. (grifouse) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis nº 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal, sendo, inclusive, a defesa do meio ambiente um dos princípios da ordem econômica. E aqui não se diga que, por se tratar de isenção tributária, estarseia obrigado a fazer uma interpretação literal, na forma do art. 111, II, do Código Tributário Nacional, sem qualquer observação da teleologia visada pelo legislador. Não obstante a interpretação restritiva, nada impede a busca da concretização das finalidades previstas pelo legislador, como se pode ver no precedente do Supremo Tribunal Federal, abaixo transcrito: EMENTA: CONSTITUCIONAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTENSÃO DA IMUNIDADE À CPMF INCIDENTE SOBRE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS RELATIVAS A RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO ESTRITA DA NORMA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. I O art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal é claro ao limitar a imunidade apenas às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas decorrentes de exportação. II Em se tratando de imunidade tributária a interpretação há de ser restritiva, atentando sempre para o escopo pretendido pelo legislador. III A CPMF não foi contemplada pela referida imunidade, porquanto a sua hipótese de incidência – movimentações financeiras – não se confunde com as receitas. IV Recurso extraordinário desprovido. (STF; RE 566259; Relator(a): Min. Ricardo Lewandowski; Tribunal Pleno; julgado em 12/08/2010; Repercussão Geral Mérito; DJe179: 24092010) (grifouse). Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa específica, parece desarrazoado deferir o benefício tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei nº 9.393/96 defere a exclusão da área de Fl. 413DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10930.720017/200633 Acórdão n.º 210201.311 S2C1T2 Fl. 8 15 reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, parece que com as condicionantes da legislação ambiental. A interpretação acima está alicerçada no entendimento de que o ITR é um imposto de feição essencialmente extrafiscal, tendo pouco valor o aspecto fiscal, arrecadatório. Aqui, tratando da coexistência da fiscalidade e da extrafiscalidade nas normas tributárias, assevera Paulo de Barros Carvalho2: Há tributos que se prestam, admiravelmente, para a introdução de expedientes extrafiscais. Outros, no entanto, inclinamse mais ao setor da fiscalidade. Não existe, porém, entidade tributária que se possa dizer pura, no sentido de realizar tãosó a fiscalidade, ou, unicamente, a extrafiscalidade. Os dois objetivos convivem, harmônicos, na mesma figura impositiva, sendo apenas lícito verificar que, por vezes, um predomina sobre o outro. No dizer de José Marcos Domingues Oliveira3 (1999, p. 37) a “Tributação extrafiscal é aquela orientada para fins outros que não a captação de dinheiro para o Erário, tais como a redistribuição da renda e da terra, a defesa da indústria nacional, a orientação dos investimentos para setores produtivos ou mais adequados ao interesse público, a promoção do desenvolvimento regional ou setorial etc.”, sendo certo que é do conhecimento geral que o ITR é um imposto marcantemente extrafiscal, desde sua instituição, primeiramente tentando atingir os fins da reforma agrária e gravando de forma mais vertical os latifúndios improdutivos, como se viu com o Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/64) e com as alterações perpetradas pela Lei nº 6.746/79 nesse Estatuto, e, posteriormente, notadamente com a Lei nº 9.393/96 (e suas alterações posteriores, como a Lei nº 11.428/2006), avultou a extrafiscalidade do ITR no tocante à preservação das áreas de interesse ambiental, já que tais áreas não compõem as áreas objeto da incidência do imposto, bem como a progressividade a depender do binômio área total do imóvel/grau de utilização. Apenas para se ter uma idéia da irrelevância do aspecto fiscal, arrecadatório, do ITR, no ano de 2009, as receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil atingiram 682.983 bilhões de reais, e, desse montante, a arrecadação do ITR atingiu a mísera quantia de 480 milhões de reais, ou seja, 0,07% do total arrecadado4, isso no país que é o quinto maior em extensão do planeta, a indicar que, a despeito das enormes áreas rurais do Brasil, a questão arrecadatória é marginal, secundária. De outra banda, o aspecto extrafiscal do ITR é cristalino, e diversos pontos dessa extrafiscalidade podem ser anotados, a saber: • imunidade da pequena gleba familiar, a favorecer a fixação do homem no campo; • progressividade das alíquotas, como se vê no anexo da Lei nº 9.393/96, no qual uma propriedade com o mesmo grau de 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário – Linguagem e Método. 2ª ed., São Paulo: Noeses, p. 241. 3 OLIVEIRA, José Marcos Domingues de. Direito Tributário e Meio Ambiente: proporcionalidade, tipicidade aberta, afetação de receita. 2ª ed. (rev. e amp.), Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 37. 4 Esses dados da arrecadação federal podem ser acessados no site da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no endereço: http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/arre/2009/Analisemensaldez09.pdf. Fl. 414DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 16 utilização do imóvel rural, pode variar a alíquota de 1% a 20%, a depender do porte da propriedade, tudo a agravar mais fortemente as propriedades de maior porte, favorecendo os minifúndios e propriedades de pequeno porte; • tributação mais favorecida dos imóveis rurais com maior grau de utilização das atividades do setor primário, a privilegiar um mais racional uso da terra; • exclusão da área de tributável das partes do imóvel que detém interesse ecológico (áreas de preservação permanente e de reserva legal; de interesse ecológico declaradas pelos órgãos ambientais; imprestáveis para a atividade primária e declaradas de interesse ecológico pelo órgão ambiental competente; de servidão florestal ou ambiental; e cobertas por florestas nativas), destacando a preservação do meio ambiente. Em um cenário dessa natureza, devese privilegiar toda a interpretação que potencialize os aspectos extrafiscais do ITR e, dentre esses, avulta a relevância das áreas de proteção ambiental, sendo que a averbação cartorária da área de reserva legal é um importante requisito para a conservação da área protegida, para as atuais e futuras gerações, devendo ser rechaçada qualquer interpretação que enfraqueça o aspecto extrafiscal do ITR, como aquela que arrosta a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, pelo simples fato de não haver um comando literal na Lei nº 9.393/96 para o mister. Ora, o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, obrigação propter rem, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Insistese que afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. O entendimento acima, no tocante à necessidade de averbação cartorária da área de reserva legal, já foi adotado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, como se viu no Acórdão nº 9202001.348, sessão de 09 de fevereiro de 2011, por maioria, que restou assim ementado: (...) ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº Fl. 415DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10930.720017/200633 Acórdão n.º 210201.311 S2C1T2 Fl. 9 17 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, aqui não me filio àqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, especificamente se anterior ao início do procedimento fiscal pela autoridade tributária, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua (re)composição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. Devese, porém, definir um termo final de quando poderia ser implementada a averbação cartorária da área de reserva legal, para fruição da exclusão da área tributável do ITR, pois não se pode deixar ao alvedrio do contribuinte implementar a averbação da área, sob pena de vulnerar a cogência da obrigação, pois o contribuinte poderia, simplesmente, aguardar o início do procedimento fiscal para fazêla, hipótese que jamais pode se concretizar, já que a quantidade de imóveis de um país continental como o Brasil é imensa, não sendo razoável imaginar que a autoridade tributária tenha condições de auditar todos os imóveis rurais do país. Dessa forma, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir das benesses tributárias. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início do procedimento fiscal. Ainda, cabem algumas considerações sobre o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96 (A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem Fl. 416DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 18 prejuízo de outras sanções aplicáveis), na redação dada pela Medida Provisória nº 2.166/2001 67). Esse inciso apenas assevera que o contribuinte pode declarar as áreas de preservação permanente e de utilização limitada sem qualquer comprovação prévia, como sucede com qualquer declaração de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como o próprio ITR. Porém, intimado ao contribuinte a fazer a prova da existência das áreas isentas, em seus requisitos formais e materiais, deve fazêlo, sob pena de glosa, como ocorre com qualquer informação em declaração prestada à Administração Tributária, sendo desarrazoado imaginar que a redação do art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96, dada pela posterior MP 2.166 67/2001, que versa sobre a natureza homologatória da informação das áreas isentas, possa ter impedido a autoridade fiscal de intimar o contribuinte a comprovar quaisquer das informações constantes na DITR, este que tem sede no poder geral da autoridade fiscal de rever qualquer declaração prestada pelo sujeito passivo à Administração Tributária, na forma do art. 149, I a VI, do Código Tributário Nacional. Com as considerações acima, entendo que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é condição imperativa para exclusão dela da incidência do ITR, devendo ser procedida antes do início do procedimento fiscal, o que não restou comprovado nestes autos, devendo, por conseqüência, ser negado, no ponto, a pretensão do recorrente. Por fim, passase à controvérsia sobre o valor da terra nua. Quanto ao procedimento utilizado pela autoridade autuante, assim se posicionou a autoridade que presidiu a diligência (fls. 354 e 355), verbis: Por esse motivo, adotouse a medida excepcional de arbitrar o VTN com base nos valores registrados no SIPT, correspondentes ao preço médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas declarações do imposto sobre a propriedade territorial rural (DITR) apresentadas para os imóveis localizados no município de Cáceres/MT no exercício de 2004, uma vez que a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado de Mato Grosso, através do OF/SEDER/GS/441/2005, de 21/07/2005, às fls. 351 e 352, informou que não teria condições de fornecer os valores de terra nua, sugerindo que a então SRF utilizasse valores históricos constantes de seus acervos, até que fosse viabilizada, naquele órgão, a realização do trabalho de coleta de informações em cada município de Mato Grosso. (grifouse) Claramente vêse que a autoridade autuante, sem lastro nas informações das Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios, fiouse, excepcionalmente, no valor médio das DITR do município de Cáceres, constante do SIPT. A utilização do valor médio das DITR do SIPT de um mesmo município, tratando todos os imóveis de pequeno, médio e grande porte de forma uniforme, é uma medida precária de arbitramento, pois é cediço que um imóvel de pequeno porte, próximo de estradas ou vias vicinais, com atributos especiais, pode atingir valor de VTN inalcançável para um imóvel de grande porte, o que pode desnaturar o valor médio obtido das DITR. Na prática, quando se utiliza essa forma de arbitramento, perdese qualquer possibilidade de discriminar os imóveis, por porte, por tipo de solo, cultura etc., tratando todos como uma massa uniforme, hipótese de arbitramento que não permite confrontar o VTN proveniente de um laudo técnico, Fl. 417DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10930.720017/200633 Acórdão n.º 210201.311 S2C1T2 Fl. 10 19 subscrito por profissional habilitado, voltado para as características individuais do imóvel, como se viu no Laudo Técnico de fls. 289 a 325. Com as considerações acima, aqui se deveria simplesmente acatar o VTN arbitrado pelo Laudo Técnico, no montante de R$ 2.742.000,00, no exercício 2004. Ocorre que esse valor foi mensurado a partir de uma base de informações no ano de 2007, com deflação para 2004, não parecendo razoável arrostar o VTN confessado pelo próprio declarante, no montante de R$ 3.500.000,00, na DITR respectiva. O valor confessado dentro do exercício 2004, pelo próprio declarante, certamente tem uma maior fidedignidade do que o valor arbitrado em 2007, com deflação para 2004, devendo, assim, ser mantido. Ademais, vêse que o VTN do Laudo e o declarado são aproximados, na mesma ordem de grandeza, podendose dizer, no extremo, que o VTN do Laudo terminou por corroborar o VTN declarado, este feito dentro do exercício, e mais próximo dos fatos que geraram a avaliação. Ante o exposto, voto no sentido de DAR parcialmente provimento ao recurso, para acatar uma área de preservação permanente de 3.448,42 hectares, mantendo o valor da terra nua declarado de R$ 3.500.000,00. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 418DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10166.722849/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005
CONHECIMENTO DO RECURSO.
Não se conhece de matéria não impugnada, sob pena de supressão de
instância, bem como em razão da preclusão processual.
Numero da decisão: 2301-002.140
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não
conhecer do Recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Adriano González Silvério
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MUTUO DE INST. FINANC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005 CONHECIMENTO DO RECURSO. Não se conhece de matéria não impugnada, sob pena de supressão de instância, bem como em razão da preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.143.5501, o qual exige contribuição previdenciária relativa à contribuições de segurados empregados e retenção de 11% de contribuintes individuais, descontadas pela empresa de suas remunerações. Segundo o Relatório Fiscal foram identificadas contribuições dos segurados descontadas pela empresa de suas remunerações, informadas em folhas de pagamento, que não foram declaradas em GFIP, nem recolhidas à previdência social. A empresa autuada apresentou sua impugnação alegando, em breve síntese, os argumentos a seguir: i) o lançamento tem efeito confiscatório, sendo nulo o lançamento em virtude de agressão ao inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal; ii) que o lançamento contraria o artigo 142 do Código Tributário Nacional, pois foi lavrado sem a clareza e precisão dos fatos geradores, motivo pela qual está criando dificuldades para o exercício da defesa; iii) não incide contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados, uma vez que esses não são vinculados obrigatório ao RGPS; iv) que os diretores e os presidentes não podem figurar como coresponsáveis pelo débito; v) que é inaplicável a multa haja vista que os pagamentos efetuados a membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados não constituem fato gerador das contribuições previdenciárias; vi) que é impossível gerar a GFIP, pois não houve a ocorrência do fato gerador; vii) que a representação fiscal para fins penais ofende o princípio da verdade material. A DRJ de Brasília manteve integralmente o presente AI, conforme se extrai da ementa transcrita: LANÇAMENTO FISCAL. FATO GERADOR Contribuições, cotaparte dos segurados, arrecadadas dos empregados e contribuintes individuais, na folha de pagamento, e não recolhidas à Receita Federal. PRINCÍPIO NÃOCONFISCO O princípio constitucional do nãoconfisco não se reporta às sanções por atos ilícitos, pois as multas objetivam punir o Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.722849/200945 Acórdão n.º 230102.140 S2C3T1 Fl. 3 3 contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias; portanto, de caráter sancionador. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Estando enunciadas as razões técnicas e jurídicas que serviram de calço ao lançamento fiscal, o que possibilitou, amplamente, à autuada manifestar sua posição, por meio da impugnação apresentada, cumpremse todos os pressupostos quantos ao princípio do contraditório e ampla defesa. A autuada, devidamente intimada em interpôs recurso voluntário alegando o que o crédito tributário foi apurado equivocadamente, pois as diferenças verificadas em DIRF, tratamse de adiantamento de férias pagas, havendo, na legislação, um desencontro de fato gerador. Para o imposto de renda ocorre quando do pagamento e para as contribuições previdenciárias, apenas quando do efetivo gozo das férias; É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso não pode ser conhecido, uma vez que no meu entender a recorrente suscitou questões não levadas em sede de impugnação e, portanto, ao conhecimento do órgão colegiado de primeira instância. Como visto no relatório acima, a recorrente suscita equívoco no lançamento das contribuições previdenciárias, uma vez que os fatos geradores para o imposto de renda ocorre em momento diverso do das contribuições, não podendo a fiscalização ter considerado a DIRF como prova para efetuar o lançamento. Ora essa questão não foi suscitada quando da impugnação e, assim, creio que houve preclusão processual. Conhecer dessa matéria nessa segunda instância administrativa ensejaria a supressão da primeira instância como órgão que primeiro analisa e decide sobre a matéria impugnada. Nesse sentido destaco julgados dessa Colenda Corte Administrativa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Exercício: 2001 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Devese considerar definitiva na esfera administrativa matéria não impugnada pelo interessado. SUPRESSÃO DE INSTÃ,NCIA. Se a instância inferior não aprecia o mérito da manifestação de inconformidade, o Colegiado encontrase impossibilitado de fazêlo, ainda mais se tal apreciação conflita com a matéria preclusa. Recurso não conhecido. (Acórdão nº 20217418 do Processo 13811002989200182)” Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 “NORMAS PROCESSUAIS CONCOMITÂNCIA PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO A propositura pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda, importa em renúncia à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, uma vez que o ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da jurisdição una, estabelecido no art. 5º, inciso XXXV, da Carta Política de 1988. NORMAS PROCESSUAIS PRECLUSÃO Não se conhece, na fase recursal, de matéria não agitada na fase impugnatória, pena de supressão de instância. (Acórdão nº 10514375 do Processo 10120007354200161)” Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos acima explicitados. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 11/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013501/2005-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2001
Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação
das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
ÁREA DE RESERVA LEGAL/SERVIDÃO FLORESTAL AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS A
área de reserva legal e a área de servidão florestal somente serão consideradas como tal, para efeito de exclusão da área
tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por
infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados.
JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4)
Preliminar rejeitada
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-000.969
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ÁREA DE RESERVA LEGAL/SERVIDÃO FLORESTAL AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS A área de reserva legal e a área de servidão florestal somente serão consideradas como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4) Preliminar rejeitada Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 259DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator EDITADO EM: 14/02/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório UBIRAJARA KEUTENEDJIAN interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJCAMPO GRANDE/MS (fls. 121) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 21/26, para exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR referente ao exercício de 2001, no valor de R$ 22.196,94, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 55.350,28. Segundo o relatório fiscal, o lançamento decorre da revisão da DITR/2001 da qual foi glosado o valor declarado como área de utilização limitada (580ha), conforme descrição dos fatos do auto de infração, a saber: O contribuinte foi intimado por via postal em 18 de novembro de 2005, para comprovar que requereu o beneficio da redução do valor do imposto territorial referente às áreas declaradas no quadro 09 Distribuição da área do imóvel, linha 02 Áreas de Preservação Permanente e linha 03 Áreas de Utilização Limitada, com base no ADA Ato Declaratório Ambiental do IBAMA, sendo solicitada a apresentação de cópia da matricula no Registro de imóveis e copia do Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolizado junto ao IBAMA. Em resposta ao solicitado, é apresentada cópia do Ato declaratório ambiental protocolizado em 18 de setembro de 1998, cópia de certidões das matriculas n° 1.155 e 890, relativas â imóvel rural com área total de 974 alqueires e cópia de certidão de inventariante. No protocolo do ADA apresentado, é pleiteada isenção para área de 140,0 hectares de preservação permanente em concordância com o originalmente declarado na DITR. O contribuinte não pleiteia isenção referente às áreas de utilização limitada através do ADA, inexistindo referência à averbação de Fl. 260DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10980.013501/200536 Acórdão n.º 220100.969 S2C2T1 Fl. 2 3 reserva legal ou reserva particular do patrimônio natural nas copias das matrículas apresentadas. Diante do exposto, com base no Art. 17O da Lei n° 6.938/81, com redação dada pelo art. 1° da Lei nº 10.165/00, foi mantida a área de preservação permanente originalmente declarada, sem alterações, sendo efetuada a glosa da área de utilização limitada originalmente declarada, provocando mudança na área tributável do imóvel de 1.601,7 hectares para 2.181,7 hectares. Com base no exposto, as retificações das áreas declaradas alteraram o Valor da Terra Nua Tributável, de R$ 512.482,77 para R$ 698.070,18 e o grau de utilização do imóvel para 62,90% conforme Formulário de Alteração e Retificação emitido, acarretando mudança na alíquota de 0,30 % para 3,40 %, sendo apurada dessa forma uma diferença de imposto de R$ 22.196,94 conforme detalhado no demonstrativo de apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural anexo. O Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 29/41 na qual alegou, em síntese, que o imóvel foi cedido para reflorestamento e esse tipo de atividade exige do órgão ambiental vistorias prévias solicitadas pela arrendatária, que em projetos técnicos decorrentes de laudos de vistoria constam as áreas de preservação permanente; que a partir de 1989, com as modificações introduzidas no Código Florestal com o advento da lei 7803/89, surgiu a necessidade de averbação das áreas de reserva legal e o IBAMA passou a exigir que as áreas de preservação permanente que se encontrassem com cobertura de Pinus, fossem recuperadas com essências nativas após a rotação total dos projetos de reflorestamento, e que quando isso ocorrer ficarão perfeitamente definidas as novas faixas de preservação permanente, conforme norma da lei florestal estadual. O Contribuinte referese a dificuldades de averbação das áreas de reserva legal e diz que, de acordo com compromissos assumidos junto ao IBAMA, existe na propriedade 260,88 hectares de preservação permanente e 359 hectares de utilização limitada e que, portanto, há perfeitas condições de se considerar 128,12 ha de preservação permanente, como sendo, área de reserva legal, além dos 140,0 hectares de preservação permanente. O Contribuinte arremata relacionando as áreas que entendem devam ser excluídas da tributação, sendo 140,0 hectares de preservação permanente, 128,12 hectares de reserva legal/preservação permanente, área de utilização especial, 359,0 hectares e área de gruta de 92,88 hectares, totalizando as áreas de utilização limitada em 580 hectares, que é o que foi declarado na DITR. A DRJCAMPO GRANDE/MS julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que os documentos apresentados, especialmente o referido laudo de vistoria técnica, não comprovam a existência da área de reserva legal, observando que este documento referese aos anos de 1979 e 1980. Destaca, ainda, o fato de que não consta a averbação de nenhuma área de reserva legal, o que é condição necessária para a comprovação da referida área. Observa também que, O fato de o contribuinte ter assumido compromissos com o IBAMA sem nenhuma prova disso nos autos, não supre as condições necessárias à exclusão de áreas da tributação do ITR, que no caso seria a declaração tempestiva junto ao IBAMA Fl. 261DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 através do ADA, além da averbação da área de reserva legal junto à matricula do imóvel, reconhecimento especifico das áreas de Reserva Particular do Patrimônio Nacional (se fosse o caso da gruta ) e as de interesse ecológico da mesma forma. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 18/02/2009 (fls. 132) e, em 18/03/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 133/177 na qual afirma que a glosa da área de utilização limitada foi realizada por autoridade incompetente, pois Auditorfiscal não estaria habilitado a verificar a existência da referida área e que deveria estar respaldado em laudo técnico e de outras autoridades ligadas a órgãos como IBAMA e INCRA. Argumenta que a glosa da área ambiental, aumentado o grau de utilização do imóvel, onera em demasia o tributo, caracterizando afronta ao princípio da vedação ao confisco. O Contribuinte tece considerações sobre a utilização do imóvel e sustenta que a não realização de vistoria, pra verificar, in loco, essa utilização e a existência das áreas preservadas enseja a nulidade do lançamento. Especificamente quanto à glosa da área de reserva legal, argumenta que, no Estado do Paraná, devido a normas locais, a averbação era muito difícil, argumentos que são resumidos no seguinte trecho do Recurso: Portanto, os proprietários de imóveis rurais do Paraná possuíam enorme dificuldade em averbar as áreas de reserva legal, haja vista que após a edição da Lei Florestal Paranaense, a regulamentação quanto a reserva florestal legal e preservação permanente somente ocorreu em 1999, de forma que se toma abusiva a exigência de averbação antes da respectiva normalização. Além disso, os imóveis explorados antes do advento da Lei N°7.809/89 ainda apresentavam grandes dificuldades para averbar as áreas de reserva legal, uma vez que o mesmo imóvel tinha grandes quantidades de área de preservação e ainda era necessário averbarse mais 20% a título de reserva legal. Afirma que a exigência da averbação é abusiva e ilegal e que a não averbação não impede a isenção da área. Reitera alegações da impugnação quanto ao aproveitamento, como área de reserva legal, de áreas de preservação permanente. Referese a laudo de vistoria que teria sido emitido em 1979 e que indicaria áreas de preservação permanente e de reserva legal. Por fim, reitera manifestações contrárias à incidência da multa e dos juros. O Contribuinte formula pedido final nos seguintes termos: Diante o exposto, requerse: a)o recebimento do presente recurso, em seu efeito suspensivo, nos termos do art. 33, do Decreto N° 70 235/72 b)o provimento do recurso, para o fim de: b.1) não sendo este o entendimento, reconhecer a inexigibilidade do ADA para obtenção de isenção do ITR referente às áreas de preservação permanente e Utilização Limitada, nos termos da Medida Provisória N° 216667 e art. 10, § 1°, II, da Lei n° 9393/96; Fl. 262DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10980.013501/200536 Acórdão n.º 220100.969 S2C2T1 Fl. 3 5 b.2)reconhecer a inexigibilidade de averbação das áreas de Utilização Limitada junto à matrícula do imóvel, para fins de obtenção de isenção do ITR; b.3) reconhecer que a competência para verificação da existência de Área de Preservação Permanente e Reserva Legal é do IBAMA, sendo ilegal a glosa das referidas área pelo Fisco, anulandose o Auto de Infração N° 10980.013501/200536; b.4) reconhecer a regularidade da área de 128,12 hectares de Reserva Legal declarada na DITR/2001, excluindoa do cálculo da área tributável, anulandose o Auto de Infração N°10980.013501/200536; b.5) reconhecer a regularidade da área de 359,0 hectares de preservação permanente, nos moldes do art. 10 do Código Florestal e a possibilidade de cômputo desta área como sendo Reserva Legal excluindoa do cálculo da área tributável e anulandose o Auto de Infração N° 10980.013501/200536; b.6) reconhecer a regularidade da área de 92,88 hectares de gruta e que a referida área deve ser considerada como sendo de preservação permanente, independentemente de reconhecimento e averbação da área como Reserva Particular do Patrimônio Natural; b.7) reconhecer a possibilidade da área de 92,88 hectares de preservação permanente (gruta) ser computada como Reserva Legal excluindoa do cálculo da área tributável e anulandose o Auto de Infração N° 10980.013501/200536; b.8) reconhecer que a área de 71276 hectares da Fazenda Varanópolis encontrase inserida no Bioma Mata Atlântica, razão pela qual as parcelas de mata/capoeira em estágios médio e avançado de regeneração não podem sofrer quaisquer explorações, excluindoa do cálculo da área tributável e anulandose o Auto de Infração N° 10980.013501/200536; c) em todos os casos acima a exclusão da incidência de juros de mora e multa em sua totalidade; d) a produção de todos os meios de prove em especial vistoria da área pelo IBAMA, com a finalidade de comprovar regularidade das áreas de Reserva Legal e Preservação Permanente. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 263DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 6 Fundamentação Examino, inicialmente, a argüição de nulidade do lançamento,. Afirma o Recorrente que o Auditor –fiscal não é competente para verificar a existência o não das áreas ambientais e que deveria estar lastreado em laudo técnico ou em pareceres de órgãos com competência para tanto. Ocorre que, como reconhece o próprio contribuinte, é o Auditor Fiscal o agente com competência para formalizar a exigência de tributo e, quanto à matéria específica, a existência ou não de áreas ambientais, se o lançamento envolve estes aspectos, por certo o Agente fiscal também é competente para verificálos. De qualquer forma, neste caso, a autuação não discute a existência efetiva ou não de uma área de preservação, mas o atendimento de uma condição legal para o exercício do direito à isenção: a averbação da área e a apresentação do ADA. Não se discute aqui, portanto, aspectos geológico, florestais, ambientais, etc. O fundamento para a autuação foi a não apresentação do ADA quanto á área de reserva legal e a inexistência de averbação. Descabe, portanto, a alegação de incompetência do agente que promoveu a autuação. Também não vislumbro na autuação nenhum outro vício que possa ensejar sua autuação. O lançamento decorre apenas da glosa de um valor declarado como área de reserva legal, fato que está detalhadamente descrito no instrumento da autuação que também apresenta os fundamentos legais da autuação. Assim, o procedimento fiscal e a autuação dele decorrente ocorreram segundo as normas que regem o processo administrativo fiscal. Rejeito, pois, a preliminar de nulidade. Quanto á glosa da área de reserva legal, independentemente de qualquer consideração sobre a necessidade ou não do ADA, tenho firmado entendimento de que a averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário é ato constitutivo da reserva legal, portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR. É o que prescreve o artigo 10 da Lei n° 9.393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Pelo que se vê, o art. 10 da Lei n° 9.393/1996 considerou como área tributável a área total do imóvel menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Todavia, para fazer jus a redução deverá o sujeito passivo cumprir determinada exigência, especialmente em relação à reserva legal. Tratase da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, verbis: Fl. 264DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10980.013501/200536 Acórdão n.º 220100.969 S2C2T1 Fl. 4 7 Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Portanto, diferentemente do que prega a insurgente, o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nessa esteira, apenas depois de cumprida a obrigação legal prévia, qual seja, a averbação da área no cartório de registro de imóveis é que o proprietário constitui, perante as autoridades ambientais competentes e, via de conseqüência, para o órgão tributário, a parte da área passível de preservação (parágrafo 8o, art. 16, da Lei 4.771/1965). Logo, a averbação é ato de constituição da área de reserva legal, obrigando o proprietário ou quem adquirir o imóvel o ônus de manter e preservar, tornandose, desta feita, responsável pela reposição ambiental, mesmo que não tenha contribuído para destruíla. Em questão envolvendo o assunto, cumpre reproduzir parte do voto da lavra do eminente Ministro Benedito Gonçalves do Superior Tribunal de Justiça STJ: Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise. Com essas considerações, não pode o contribuinte, ora recorrido, usufruir da regra prevista no inciso II, alínea "a" do art. 10 da Lei n. 9.393/1996, ante a ausência de averbação na matrícula do imóvel da área declarada como de reserva legal. [(Recurso Especial Nº 1.125.632 Pr (2009/00998015)] Esse entendimento encontrase pacificado neste Tribunal Administrativo, consoante às ementas transcritas: A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá excluíla da base de cálculo para apuração do ITR. (Acórdão 920200.303 – 2ª Turma da CSRF). Fl. 265DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 8 ..... A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. (Acórdão 920200.424– 2ª Turma da CSRF). Destarte, a área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis, o que não ocorreu no presente caso. Quanto às considerações feitas pelo Recorrente a respeito da existência de áreas que deveriam ser consideradas como de preservação permanente e o seu aproveitamento como área de reserva legal, vale repetir que o lançamento decorre apenas da glosa do valor declarado como área de utilização limitada (reserva legal) em razão da não averbação. Portanto, ainda que fosse o caso de se admitir, em sede de recurso voluntário, considerar valores que não foram declarados, neste caso, essas áreas deveriam estar averbadas como de reserva legal, o que, como se viu, não estão. O lançamento do ITR se processa com base na declaração apresentada pelo contribuinte e o lançamento de ofício ora examinado decorreu da revisão desta declaração, com a alteração de valores nela declarados. Não pertence á matéria objeto deste processo qualquer fato que não tenha sido objeto da declaração e/ou do lançamento de ofício. Não cabe, em sede de recurso voluntário, cujo objeto é o lançamento e a decisão de primeira instância, discutir matéria alheia a estes objetos. Portanto, não conheço dos pedidos relativos ao reconhecimento de áreas que não foram declaradas e que não foram objeto do lançamento. Também não procede a alegação de que a exclusão da área ambiental eleva a alíquota do imposto, elevandoo em demasia. Não cabe ao julgador administrativo fazer juízo de valor a respeito da repercussão econômica do tributo, juízo que deve ser exercido pelo legislador. Além disso, esse tipo de alegação procura ferir a constitucionalidade da lei que instituiu o tributo, matéria cuja apreciação escapa á competência do julgador administrativo. Portanto, não há qualquer reparo a ser feito às conclusões da decisão recorrida, neste ponto. Quanto à multa de ofício, tratase de exigência baseada em disposição expressa de lei. Tratase do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Não cabe ao julgador administrativo avaliar, subjetivamente, o efeito econômico da multa, tarefa que coube ao legislador ao calibrar a penalidade. Por outro lado, qualquer juízo sobre a compatibilidade da lei ao ordenamento jurídico, será um juízo de constitucionalidade, que escapa à competência dos órgãos administrativos fazer. Portanto, quanto á multa de ofício, nada há a rever no lançamento. Também quanto aos juros calculados com base na taxa Selic este Conselho já há muito firmou o entendimento a respeito da regularidade de sua aplicação, entendimento este que está consolidado em súmula, a saber: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 266DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10980.013501/200536 Acórdão n.º 220100.969 S2C2T1 Fl. 5 9 Não merece reparos o lançamento também quanto a este aspecto Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo pereira Barbosa Fl. 267DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
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