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Numero do processo: 11330.001337/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2001 a 30/09/2006
CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUIÇÕES
SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS AUXÍLIO
UNIVERSITÁRIO NÃO EXTENSÃO A TOTALIDADE DE EMPREGADOS E DIRIGENTES NATUREZA SALARIAL
O art. 28, §9ºda Lei 8.212/91 destaca quais as verbas que não compõem a base de cálculo de contribuições.
Não integram o salário de contribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e
dirigentes tenham acesso ao mesmo. O fato de a empresa atribuir restrições ao empregados, é sim condição que afasta o benefício da totalidade de empregados como prescreve a lei.
Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/2001 a 30/09/2006
PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN.
Constatando-se antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, deve-se
aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.914
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 09/2002. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que declarava a decadência até 11/2001; e II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/09/2006 CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS AUXÍLIO UNIVERSITÁRIO NÃO EXTENSÃO A TOTALIDADE DE EMPREGADOS E DIRIGENTES NATUREZA SALARIAL O art. 28, §9ºda Lei 8.212/91 destaca quais as verbas que não compõem a base de cálculo de contribuições. Não integram o salário de contribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. O fato de a empresa atribuir restrições ao empregados, é sim condição que afasta o benefício da totalidade de empregados como prescreve a lei. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2001 a 30/09/2006 PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatando-se antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, deve-se aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Não integram o saláriodecontribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. O fato de a empresa atribuir restrições ao empregados, é sim condição que afasta o benefício da totalidade de empregados como prescreve a lei. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2001 a 30/09/2006 PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Fl. 345DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Constatandose antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 09/2002. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que declarava a decadência até 11/2001; e II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Walter Murilo Melo Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 346DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001337/200701 Acórdão n.º 240101.914 S2C4T1 Fl. 346 3 Relatório O presente NFLD, lavrado sob o n. 37.112.4697, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados (observado o limite do salário de contribuição), da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os pagamentos feitos aos segurados empregados conforme descrito no relatório fiscal, fls. 146 a : Constituem fatos geradores das contribuições lançadas a remuneração paga aos segurados empregados a título de AUXILIOUNIVERSITÁRIO, incluída em folha de pagamento nas rubricas de proventos e descontos. Com base nas informações contidas nos arquivos digitais relativos às folhas de pagamento, verificouse, no período mencionado, que parte dos empregados receberam mensalmente proventos, e eventualmente sofreram descontos, a título de AUXÍLIOUNIVERSITÁRIO, através das rubricas de códigos 186, 286, 286D, 286J, 286N e 786, as quais não foram consideradas pela empresa como base de cálculo para incidência das contribuições mensais à seguridade social, no período de 03/2001 a 09/2006. Destaca o auditor que em análise aos diversos documentos e regulamentos internos da empresa, verificouse que o AuxílioUniversitário (também chamado de Reembolso Universitário) tratase de beneficio concedido pela Fundação aos seus empregados, na forma de auxílio financeiro para o custeio parcial de cursos de graduação e pósgraduação, o qual é oferecidoexclusivamente aos empregados que ocupam cargo de suporte, e que não seja graduado em áreas de carreira da empresa. Verificada a disponibilidade orçamentária, a seleção dos empregados a serem aqueles que manifestaram interesse em realizar algum curso universitário, obedece aos critérios de prioridades definidas no "Plano de Desenvolvimento de Pessoal da Petros". Essa priorização segue regras que levam em conta os interesses da empresa, e possui alguns critérios subjetivos, tais como o "potencial de desenvolvimento do empregado". Ressalta a autoridade fiscal que com base no art. 28, I, §9o,"t" da Lei n.° 8.212/91, e conforme estabelecido pela Lei 9.394/96, o valor destinado ao plano educacional, incluídos os cursos de graduação e pósgraduação, não sofreria a incidência de contribuição previdenciária desde que todos os empregados e dirigentes tivessem acesso ao mesmo de forma equânime, ou seja, todos que estejam em situações semelhantes e tenham interesse em receber o auxíliouniversitário deveriam ter acesso ao mesmo, participando de processo de seleção que contenha regras claras e objetivas, em igualdade de condições. Observandose que o Auxílio Universitário não é acessível a todos os empregados e dirigentes interessados, e ainda que a indicação dos empregados a serem beneficiados é condicionada aos interesses da empresa e baseada em critérios de priorização pouco claros e subjetivos, concluise que o benefício deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 28/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 02/10/2007. Fl. 347DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 191 a 211. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 264 a 273. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 304 a 324 , onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: Preliminarmente, o artigo 45 da Lei 8.212/1991, é inaplicável às contribuições, a teor do disposto no artigo 146, III, "h" da CRFB/1988, que disciplina matéria relativa a "obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários". Assim, devem ser excluídas as contribuições até a competência 09/2002. A Recorrente, disponibilizou aos seus empregados matriculados em universidades; AUXÍLIOUNIVERSITÁRIO, em cumprimento aos Acordos Coletivos de Trabalho firmados entre ela e o Sindicato dos Securitários do Estado do Rio de Janeiro e da Bahia (ACT), como forma de incentivo à respectiva capacitação profissional. O Auxílio Universitário não se sujeita à incidência das CONTRIBUIÇÕES, pois não integra o salário dos empregados beneficiados, a saber: antes da Emenda Constitucional (EC) n° 20, de 15/12/1998, as CONTRIBUIÇÕES incidiam, apenas, sobre a folha de salários, com base nessa redação que alterou a redação do artigo 195, I da Constituição Federal pela EC n° 20, o STF firmou o entendimento de que as CONTRIBUIÇÕES não poderiam incidir sobre a remuneração paga a autônomos, avulsos ou administradores, ou seja, a contribuição dos segurados empregados, sempre incidiu e continua a incidir, apenas, sobre a folha de salários; Cita o § 2° do artigo 458 da CLT (redação dada pela Lei n° 10.243/2001), para esclarecer que o beneficio concedido a título de Auxílio Universitário aos seus empregados não integra a remuneração dos mesmos; Cita ainda julgado do TRF/MG e alega que o fato de não disponibilizar o Auxílio Universitário a todos os empregados não tem o condão de transformar esse beneficio em salário, já que o conceito de salário não pode ser alterado pela lei tributária aí incluída a previdenciária; Por outro lado os artigos 22, I e 28, I, ambos da Lei n° 8.212/1991, utilizam se da "retributividade pelo trabalho" como critério da hipótese de incidência das CONTRIBUIÇÕES , nesse passo as parcelas pagas pelos empregadores aos empregados sem a finalidade de retribuir o respectivo trabalho não integram a base de cálculo das contribuições para a Seguridade Social. O Auxílio Universitário pago pela recorrente aos seus empregados não possui cunho contraprestativo, ele não é pago pelo trabalho dos seus empregados, representa um reembolso de natureza assistencial, não sujeito à incidência das contribuições previdenciárias. Alega que o entendimento da fiscalização foi equivocado por entender que o Auxílio Universitário estaria sujeito à incidência das CONTRIBUIÇÕES, neste particular para se determinar se tal parcela possa, ou não, ser excluída das bases de cálculo, mister se faz a análise da sua natureza, mesmo que a legislação previdenciária não preveja que certa parcela não integre o saláriodecontribuição, ela não o integrará caso não tenha sido paga como Fl. 348DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001337/200701 Acórdão n.º 240101.914 S2C4T1 Fl. 347 5 retribuição do trabalho, sob pena de violação ao artigo 195, I, da CF/1988 e aos artigos 22, I, e 28, I, ambos da Lei n°8.212/1991; Cita jurisprudência do STJ e farta doutrina para corroborar seu entendimento de que o Auxílio Excepcional, por se tratar de beneficio de natureza assistencial, não integra a base de cálculo das CONTRIBUIÇÕES, independentemente de não estar expressamente elencado no § 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/1991. Requer, ao final, seja cancelada a NFLD, com a conseqüente extinção do crédito tributário por ela exigido. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o Relatório. Fl. 349DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 328. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabível a sua apreciação. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: Fl. 350DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001337/200701 Acórdão n.º 240101.914 S2C4T1 Fl. 348 7 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de Fl. 351DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos Fl. 352DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001337/200701 Acórdão n.º 240101.914 S2C4T1 Fl. 349 9 sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou Fl. 353DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado Fl. 354DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001337/200701 Acórdão n.º 240101.914 S2C4T1 Fl. 350 11 da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. No caso, a NFLD referese a pagamentos feitos á título de premiação, valores estes não reconhecidos por meio da GFIP como salário de contribuição, razão porque entendo não há de se falar em recolhimento antecipado de contribuições, razão porque a decadência deve ser vista à luz do art. 173 do CTN. Fl. 355DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar;.Chegar antes de; anteceder, ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. No caso em questão, o lançamento foi efetuado em 28/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 02/10/2007. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1999 a 09/2006, dessa forma em aplicandose o art. 173, I do CTN, devem ser excluídos os fatos geradores até a competência 11/2001. DO MÉRITO Para iniciarmos a análise da procedência ou não do lançamento, importante identificar quais as contribuições apuradas pelo lançamento. Assim, foram apuradas contribuições sobre os valores pagos s pessoas físicas, enquanto empregados á título de auxílio universitário. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na Fl. 356DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001337/200701 Acórdão n.º 240101.914 S2C4T1 Fl. 351 13 própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de auxílio universitário, não representam alguma espécie de ganho para seus empregados Pelo contrário, estão inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição, seja para os segurados empregados, seja para os contribuintes individuais. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Quanto a verba AUXÍLIO UNIVERSITÁRIO nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que, razão não assiste ao recorrente. Conforme descrito pela autoridade fiscal, o argumento para que os valores do auxílio constituam salário de contribuição é o fato do mesmo não ser estendido a totalidade dos empregados, senão vejamos, trecho do relatório fiscal: Destaca o auditor que em análise aos diversos documentos e regulamentos internos da empresa, verificouse que o AuxílioUniversitário (também chamado de Reembolso Universitário) tratase de beneficio concedido pela Fundação aos seus empregados, na forma de auxílio financeiro para o custeio parcial de cursos de graduação e pósgraduação, o qual é oferecidoexclusivamente aos empregados que ocupam cargo de suporte, e que não seja graduado em áreas de carreira da empresa. Verificada a disponibilidade orçamentária, a seleção dos empregados a serem aqueles que manifestaram interesse em realizar algum curso universitário, obedece aos critérios de prioridades definidas no "Plano de Desenvolvimento de Pessoal da Petros". Essa priorização segue regras que levam em conta os interesses da empresa, e possui alguns critérios subjetivos, tais como o "potencial de desenvolvimento do empregado". Ressalta a autoridade fiscal que com base no art. 28, I, §9o,"t" da Lei n.° 8.212/91, e conforme estabelecido pela Lei 9.394/96, o valor destinado ao plano educacional, incluídos os cursos de graduação e pósgraduação, não sofreria a incidência de contribuição previdenciária desde que todos os empregados e dirigentes tivessem acesso ao mesmo de forma equânime, ou seja, todos que estejam em situações semelhantes e tenham interesse em receber o auxíliouniversitário deveriam ter acesso ao mesmo, participando de processo de seleção que contenha Fl. 357DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 regras claras e objetivas, em igualdade de condições. Observandose que o Auxílio Universitário não é acessível a todos os empregados e dirigentes interessados, e ainda que a indicação dos empregados a serem beneficiados é condicionada aos interesses da empresa e baseada em critérios de priorização pouco claros e subjetivos, concluise que o benefício deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. (grifos nossos) O fato de a empresa atribuir restrições ao empregados, é sim condição que afasta o benefício da totalidade de empregados como prescreve a lei. Destacase que a “folha de salários” descrita pelo recorrente como base para excluir a verba da base de cálculo, encontrase equivocada, uma vez que os tidos “salários in natura” compõem o conceito de salário e remuneração, como retribuição pelo serviço prestado. O art. 458, § 2º da CLT não é capaz de alterar a incidência de base de cálculo de contribuições, mas apenas para efeitos trabalhistas, já que existe legislação específica previdenciária, que disciplina quais as verbas estão excluídas do conceito de salário de contribuição. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Ademais, a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei, por mais que se vislumbre a boa intenção do empregador, estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de “auxílio universitário”, possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa de alguns segurados empregados e dirigentes em decorrência do contrato de prestação de serviços à recorrente, sendo, portanto, uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. O argumento de que se trata de verba assistencial não se coaduna com os preceitos legais para exclusão dos valores da base de cálculo. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Fl. 358DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.001337/200701 Acórdão n.º 240101.914 S2C4T1 Fl. 352 15 O ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente, quando a empresa concedeu valores à título de auxílio universitário, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso excluir face a aplicação da decadência quinquenal as contribuições até 11/2001 e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 359DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Voto Vencedor Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito ao critério para fixação do prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. A bem da verdade, tanto esse Conselheiro quanto a Ilustre Relatora entendemos que, havendo recolhimento antecipado da contribuição, há de se contar o prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4. do CTN, qual seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Divergimos, todavia, para os casos em que, embora existam recolhimentos efetuados pela empresa, esta não reconhece a incidência de contribuição sob determinada rubrica. Nesses casos, a Conselheira Elaine Cristina pondera que as guias de recolhimento embora existentes, dizem respeito a outras rubricas, haja vista que, para as parcelas sobre as quais não se considerou a incidência tributária, não há o que se falar em antecipação de pagamento. Ouso divergir dessa tese. É cediço que na Guia da Previdência Social – GPS não são identificados os fatos geradores, mas são lançados em campo único – “Valor do INSS” – todas as contribuições previdenciárias e, inclusive a dos segurados. Por esse motivo, havendo recolhimentos, não vejo como segregar as parcelas reconhecidas pela empresa, daquelas que não tenham sido tratadas como saláriodecontribuição. Verificase na espécie, que há fortes índicos da existência de recolhimentos posto que, embora não exista nos autos o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, há um fato que me leva a supor que houve pagamentos para as contribuições decorrentes de outros fatos geradores, que não os lançados. Isso porque todas as NFLD constantes no Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF, são relativas a contribuições decorrentes do pagamento de salário indireto, não havendo lançamento decorrente de valores lançados em folha de pagamento ou GFIP. Nesses casos, o entendimento que tem prevalecido nessa Turma de Julgamento é que se aplique o § 4. do art. 150 do CTN para contagem do prazo decadencial. Assim, considerandose que a ciência do lançamento deuse em 02/10/2007, voto pela declaração de decadência para o período de 03/2001 a 09/2002. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 360DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11610.004069/2007-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
ERRO DE FATO. PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE
ANUAL.
Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2102-001.371
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso de ofício. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
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PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 13/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 38DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11610.004069/200725 Acórdão n.º 210201.371 S2C1T2 Fl. 37 2 Relatório Contra LAERCIO BRANDINI foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 04/06, para formalização e exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), no valor total de R$ 2.472.324,40, em razão de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2003, anocalendário 2002, que promoveu as seguintes alterações: desconto simplificado de R$ 1.803.626,00 para R$ 9.400,00; base de cálculo de R$ 7.214.506,00 para R$ 9.008.723,00 e imposto devido de R$ 0,00 para R$ 2.472.324,40. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação e a autoridade julgadora de primeira instância julgou improcedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1719.729, de 16/08/2007, fls. 29/30. A DRJ São Paulo II recorreu de ofício de sua decisão ao Primeiro Conselho de Contribuintes, em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 375, de 07 de dezembro de 2001. É o Relatório. Fl. 39DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11610.004069/200725 Acórdão n.º 210201.371 S2C1T2 Fl. 38 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. Dos documentos que compõe o processo verificase que o lançamento é decorrente de normalização dos valores informados pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2003, anocalendário 2002, fls. 27. Na impugnação, o contribuinte esclareceu que, à época da data fixada na legislação para a apresentação da referida DAA, se encontrava doente, de sorte que a mesma foi preenchida por terceiro, que cometeu erros de preenchimento no valor dos rendimentos tributáveis. Aduz, ainda, que no anocalendário em questão somente recebeu rendimentos tributáveis, no valor total de R$ 14.093,54, sendo R$ 3.076,86 do INSS, R$ 5.018,00 de pessoas físicas e R$ 5.998,68 recebidos do INSS, por sua dependente. A autoridade julgadora de primeira instância verificou que procediam as alegações expendidas pelo contribuinte na impugnação, conforme documentos juntados aos autos, fls. 09/17. Constatouse, ainda, que, conforme informações contidas em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), fls. 22, o contribuinte somente auferiu rendimentos tributáveis do INSS, no valor de R$ 3.076,86. Nessa conformidade, restando comprovado que de fato o contribuinte incorreu em erro de preenchimento quando da apresentação de sua DAA, exercício 2003, e na inexistência de comprovação de que o contribuinte tenha recebido rendimentos tributáveis em valor superior ao limite de isenção anual, correta a decisão de primeira instância, em considerar improcedente o lançamento, para cancelar a exigência tributária. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso de ofício. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 40DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001028/2007-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2003
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO NÃO
LANÇAR EM CONTAS
INDIVIDUALIZADAS DA CONTABILIDADE.
Toda empresa é obrigada a lançar, em contas individualizadas e por
estabelecimento, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.151
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2003 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO NÃO LANÇAR EM CONTAS INDIVIDUALIZADAS DA CONTABILIDADE. Toda empresa é obrigada a lançar, em contas individualizadas e por estabelecimento, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado
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Toda empresa é obrigada a lançar, em contas individualizadas e por estabelecimento, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Wilson Antonio De Souza Correa Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 29/06/2007, por ter a empresa acima identificada deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo, dessa forma, o art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso II, §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 06), a empresa deixou de registrar, de forma discriminada em sua contabilidade ,os valores da folha de pagamento, ou seja, deixou de demonstrar de forma individualizada, por estabelecimento, tanto no livro diário quanto no livro auxiliar razão, os valores da folha de pagamento. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1217.519, da 10a Turma da DRJ/RJOI, (fls. 94), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 104 ), alegando, em síntese, o que se segue. Reafirma que a fiscalização desconsiderou, na avaliação da escrita da empresa, o permissivo atualmente contido no art. 162 da IN 03/2005, que prevê a dispensa de elaboração de folha de pagamento distintas por estabelecimento ou obra de construção civil quando comprovadamente a empresa utilizar o mesmo empregado para atender várias empresas contratantes, o que é o caso da recorrente. Lamenta que apesar de reconhecerem a dispensa legal prevista no normativo citado acima, os julgadores de Primeira Instancia não consideraram os documentos acostados pela recorrente junto à impugnação como sendo capazes de comprovar o enquadramento da empresa na situação de dispensa. Reitera que a empresa procedia a contabilização dos valores com o maior grau de especificidade possível, como demonstra o balancete referente à competência 06/2003 da MATRIZ (000152), cujas contas de despesa no período traziam o detalhamento nas contas de resultado a permitir a identificação as verbas que integram ou não o salário de contribuição, sob a rubrica "DESPESAS COM PESSOAL conta 3.2.10. Alega, porém, que tornase impossível realizar a contabilização na forma exata prevista no art. 225, II, §13 a § 17, do RPS, ou seja, fazer o registro do recolhimento por tomador de serviço e simultaneamente por estabelecimento, visto que um está contido no outro, pelo que se faz necessária o observância do art. 162 da IN MPS/SRP n° 03/2005, uma vez que um detalhamento maior pode ser obtido em balancetes com fins gerenciais, que fornecem os saldos de cada conta de acordo com centros de custo. Insiste na realização de perícia contábil, e indica o técnico e os quesitos a serem respondidos que, conforme entende a recorrente, demonstrará a imprestabilidade do presente Auto de Infração É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.001028/200723 Acórdão n.º 230102.151 S2C3T1 Fl. 116 3 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Inicialmente, a autuada alega que a fiscalização desconsiderou, na avaliação da escrita da empresa, o permissivo atualmente contido no art. 162 da IN 03/2005 e no art. 171, da IN 100/2003, que prevê a dispensa de elaboração de folha de pagamento distintas por estabelecimento ou obra de construção civil quando comprovadamente a empresa utilizar o mesmo empregado para atender várias empresas contratantes, o que é o caso da recorrente. Contudo, tais normativos, que, registrese, ainda não estavam em vigor nas competências abrangidas pelo Auto de Infração, tratavam da elaboração de folha de pagamento e informação em GFIP, no caso das prestadoras de serviço, enquanto o auto em tela foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, por estabelecimento, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, consoante determinação contida no art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91e art. 225, inciso II, §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 32. A empresa é também obrigada a I – (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II — lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos" (...) §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos Livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: (...) II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.001028/200723 Acórdão n.º 230102.151 S2C3T1 Fl. 117 5 identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. "(grifei) Ademais, os normativos vigentes à época da ocorrência do fato gerador, quais sejam, a IN 69/02 e a IN 71/02, deixavam claro, em seus artigos 53 e 112/113, respectivamente, a obrigatoriedade de as empresas prestadoras de serviços prepararem folhas de pagamento distintas por estabelecimento ou obra de construção civil. Verificase, dos autos, que a empresa possui mais de um estabelecimento (matriz e filiais), localizadas em diferentes unidades da Federação. Assim, ela estava obrigada a registrar, em contas individualizadas de sua contabilidade, as contribuições descontadas do segurado, as da empresa, e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa. A recorrente, não nega que tenha deixado de proceder conforme dispõe o Decreto, mas apenas se justifica alegando que é impossível realizar a contabilização na forma exata prevista no art. 225, II, §13 a § 17, do RPS, pelo que se faz necessária a observância do art. 162 da IN 03/2005, uma vez que utiliza o mesmo empregado para atender várias empresas contratantes. Porém, não comprova o alegado, e ela estava obrigada a registrar, nos Livros Diário/Razão, todos os fatos relacionados com as contribuições previdenciárias, separadas por cada um de seus estabelecimentos, e não só por contratante de serviços ou obra de construção civil. E é muito difícil crer que os mesmos empregados da empresa autuada laboram em mais de um de seus estabelecimentos. Ou seja, a recorrente quer fazer crer que os mesmos empregados que laboram na matriz, sediada no Rio de Janeiro, também trabalham nas filiais de Manaus ou de Pernambuco. Dessa forma, ao deixar de registrar, em contas individualizadas de sua contabilidade e por estabelecimento, os dados relacionados com as contribuições previdenciárias, a recorrente infringiu mandamento legal a todos imposto. Tal procedimento configura infração ao art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91, combinado com art 225, inciso II, §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, transcritos acima. E o Auditor Fiscal, ao constatar o inadimplemento das obrigações previdenciárias acessórias, lavrou corretamente o auto, em observância aos normativos legais e normativos que disciplinam o lançamento e em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Nesse sentido, o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. A recorrente insiste na produção de prova pericial, que foi indeferida com muita propriedade pelo julgador de primeira instância, que demonstrou a desnecessidade de realização de perícia, tendo em vista que todos os questionamentos feitos poderiam ter sido esclarecidos por meio da juntada de prova documental pela autuada e ressaltando que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. A necessidade de perícia para o deslinde da questão tem que restar demonstrada nos autos, o que não ocorreu no presente caso, já que a empresa não negou que deixou de registrar, nos Livros Diários ou Razão, por estabelecimento, todos os fatos relacionados com a contribuição previdenciária. Assim, indeferese o pedido de diligência, por considerála prescindível e meramente protelatória. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, Voto do sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13971.000354/2002-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/1997 a 31/05/1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO
LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO
JUDICIAL.
Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre
impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de
fundamento e objeto.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário exonerado.
Numero da decisão: 3302-001.051
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Alan
Fialho Gandra, relator. Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto
vencedor.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1997 a 31/05/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Alan Fialho Gandra, relator. Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 Alexandre Gomes Redator designado. EDITADO EM: 27/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra (Relator), Alexandre Gomes (Redator Desigando) e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário contra o acórdão no 0712.937, da DRJ/Florianópolis, (fls. 106 e ss.), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. O acórdão tem a seguinte ementa: “CRÉDITOS RECONHECIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. SUBORDINAÇÃO AOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL A atualização monetária e a incidência de juros de mora sobre créditos contra a Fazenda Nacional reconhecidos em ação judicial, deve ser efetuada nos estritos termos da determinação posta no provimento judicial. Lançamento Procedente”. A Primeira Instância muito bem resumiu os fatos (até a apresentação da impugnação), da seguinte maneira: “Por meio do auto de infração às folhas 05 a 10, foi exigida da contribuinte acima qualificada a importância de R$ 245,58, a título de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, acrescida de multa de oficio de 75% e dos acréscimos legais devidos à época do pagamento, referente aos fatos geradores ocorridos no segundo trimestre de 1997. O lançamento se deu em face da realização de auditoria interna nas DCTF apresentadas pela contribuinte. Em consulta à "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", à folha 06, verificase que a autuação se deu em razão da "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata". É que a contribuinte informou o adimplemento das contribuições devidas por via de compensação com créditos que teriam sido reconhecidos em ação judicial, sendo que tais créditos não teriam suas existências confirmadas. Irresignada com o feito fiscal, interpôs a contribuinte a impugnação constante das folhas 01 e 02, na qual reafirma ser detentora de créditos contra a Fazenda Nacional, que teriam sido reconhecidos em ação judicial regularmente proposta. Anexa cópias dos provimentos judiciais, com fins de ver corroborada a regularidade da compensação informada nas DCTF. A DRF/Blumenau/SC, em cumprimento às determinações constantes da Norma Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit n.° 32, de 19/02/2002, tratou de, anteriormente ao envio da impugnação para apreciação da DRJ/Florianópolis/SC, analisar as razões Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13971.000354/200299 Acórdão n.º 330201.051 S3C3T2 Fl. 126 3 trazidas pela contribuinte em seu recurso administrativo (folhas 102 a 105), tendo constatado, nesta análise, que apesar da existência da ação judicial reclamada, a contribuinte só conseguiu levantar crédito contra a Fazenda Nacional para fins de intentar a compensação informada nas DCTF, porque ao calcular o montante que lhe seria devido, o fez em dissonância com o determinado nas decisões judiciais. É que tais decisões judiciais garantiram à contribuinte a correção monetária nos mesmos termos em que eram corrigidos os débitos tributários e a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir da vigência da Lei n.° 9.250/1995, mas a contribuinte, ao calcular seus créditos, tratou de fazer incidir sobre os valores originais, expurgos inflacionários ocorridos no período, bem como juros de 1% ao mês desde a data dos recolhimentos indevidos. Com isso, houve uma ampliação irregular do montante de créditos contra a Fazenda Nacional. A DRF/Blumenau/SC, ainda no âmbito da análise prévia da impugnação, efetuou o recálculo do montante do crédito da contribuinte, e depois de efetuar as devidas confrontações com os valores devidos desde a data dos recolhimentos indevidos, verificou que, ao tempo da apresentação das DCTF ora em comento, não havia mais créditos remanescente em montante suficiente para o adimplemento das contribuições devidas declaradas, razão pela qual se manifestou pela regularidade do lançamento. Na seqüência, o processo foi encaminhado a esta DRJ para julgamento”. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo, em suma: i) inaplicabilidade do auto de infração, vez que por força de regulamentação específica, tanto o "débito", quanto o "crédito" a ele vinculado em DCTF, são suficientes para a "constituição" do crédito tributário e para a "liquidação" desse crédito tributário. Estando o crédito tributário constituído através de DCTF não há o que se falar em novo lançamento, gerando este último constituição em duplicidade; ii) A DCTF em questão consigna uma compensação e, sendo assim, deve ter o rito processual adequado, previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Entregou a DCTF em 26/02/1998 e, não tendo sido cientificada de nada acerca da compensação, resta claro que a compensação efetuada se encontra devidamente homologada, uma vez que já transcorreram mais de 5 (cinco) anos, conforme estabelecido no § 5º do citado dispositivo. iii) Repisa os argumentos acerca dos expurgos inflacionários. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inaplicabilidade do auto de infração e homologação tácita da compensação informada em DCTF Concernente às alegações “inaplicabilidade do auto de infração” e “homologação tácita da compensação”, descritas nos itens i e ii do relatório acima, entendo que não deve ser tomado conhecimento dessas matérias vez que não foram argüidas em sede de primeiro grau, restando preclusas, conforme estabelece o art. 171, do Decreto nº 70.235/72. Na impugnação a Recorrente não contestou essas questões. Conseqüentemente, sobre tais matérias não há litígio e nem foram objeto de apreciação pelo julgador de primeira instância. Portanto, não há como este Conselho apreciálas, posto que preclusas. Cumprimento de decisão judicial. Expurgos inflacionários. Pretende a Recorrente que este Colegiado reforme a decisão recorrida para reconhecer integralmente as compensações de PIS informadas em DCTF, sob a alegação de amparo em decisão judicial e na legislação de regência. Verificase nos autos que a Contribuinte informou em DCTF a compensação de PIS com créditos que teriam sido reconhecidos em ação judicial. Frisese que a Contribuinte obteve provimento judicial (fls. 26 e ss.) para corrigir monetariamente seus créditos na mesma forma pela qual são corrigidos os débitos vencidos dos contribuintes para com a Fazenda Pública Federal, no período respectivo e de acordo com a Súmula 46, do extinto TFR, e acrescidos de juros conforme o art. 39 da Lei 9.250/95. 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13971.000354/200299 Acórdão n.º 330201.051 S3C3T2 Fl. 127 5 Sucede que o cálculo do montante que lhe é devido está superestimado e em dissonância com o determinado na decisão judicial. Ao calcular seus créditos, além do que lhe foi garantido, a Contribuinte incluiu indevidamente os expurgos inflacionários ocorridos no período, bem como juros de 1% ao mês desde a data dos recolhimentos indevidos. Com isso, contrariando a legislação vigente e a decisão judicial, ampliou os créditos a que fazia jus. Destarte, não estando provado a existência de crédito líquido e certo a favor da Recorrente, utilizado para compensar seus débitos do período autuado, fica caracterizado a inexatidão da DCTF e autorizado o lançamento de ofício. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Conclusão Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde da questão, voto no sentido de não conhecer do recurso, na parte referente as matérias “inaplicabilidade do auto de infração” e “homologação tácita da compensação informada em DCTF”; e, no restante, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Voto Vencedor Em que pese as considerações trazidas aos autos pelo eminente Relator, ouso discordar de suas conclusões pelos motivos que passo a expor. O processo administrativo fiscal, por sua essência, deve sempre respeitar os princípios da legalidade e da verdade material. No presente caso, verifico que o auto de infração teve por fundamento a não comprovação da existência do processo judicial declarada na DCTF enviada pelo Recorrente. Nesta Declaração era informada a compensação de seus débitos com créditos decorrentes dos recolhimentos indevidos promovidos em decorrência dos decretos lei. 2.445/88 e 2.449/88. Com a impugnação o Recorrente apresentou copia do Mandado de Segurança nº 96.0106273, bem como das decisões a ele relacionadas. Embora saibamos que tais autos de infração são emitidos eletronicamente através do cruzamento de informações, não podemos esquecer que a atividade do lançamento é vinculada e deve respeitar todos os requisitos legais para que tenha validade. Assim prescreve o art. 142 do CTN: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES 6 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifo nosso) Restando clara e inequívoca a veracidade do fato apontado pelo contribuinte, qual seja, a existência do processo judicial, fica prejudicado o presente auto de infração. Isto porque não compete à autoridade julgadora “ajustar” a descrição do motivo para que o auto de infração tenha validade. Sendo o motivo ensejador do lançamento a ausência de processo judicial, não se pode após comprovada a existência do mesmo transmutar o lançamento justificandoo pela ausência de ordem judicial ou compensação em desacordo com a legislação. Ademais, quanto à possibilidade de manter o presente lançamento sob outros pressupostos, agravando a exigência da inicial, assim determina o § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993: “§ 3°. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.” (grifo nosso) No presente caso não foi emitida notificação complementar nem tampouco novo auto de infração. É de se ressaltar que bastaria uma simples intimação ao contribuinte para que este comprovasse a existência do processo judicial, o que possibilitaria a fiscalização de analisar as questões de mérito quanto às compensações efetuadas, se possíveis, se albergadas por decisão liminar, se o crédito era suficiente, e assim por diante. A informatização dos sistemas de controle e de lançamentos não pode ser desculpada para o não cumprimento das determinações legais quanto ao lançamento. Se o “sistema” possui falhas ou não é capaz de prever todas as situações não deve ser utilizado, ou ainda, deve ser atualizado e melhorado. A respeito do tema, cito parte da ementa de julgado deste Conselho: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. (Recurso n° 133.787 – 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes – relatora Fabíola Cassiano Keramidas – Data da Sessão: 08/12/2006). (grifou nosso) Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13971.000354/200299 Acórdão n.º 330201.051 S3C3T2 Fl. 128 7 Destarte, conforme demonstrado e sendo este o entendimento deste Conselho de Contribuintes, não há razão para subsistência do lançamento em questão, pois, deixando de possuir fundamento para sua validade o auto de infração perde seu objeto. Isto posto, voto por DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes – redator designado. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ALAN FIALHO GANDRA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalme nte em 27/03/2012 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10943.000401/2007-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1999;
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADOS. EMPRESA. SAT/RAT. TERCEIROS DECADÊNCIA.
Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Há que se aplicar, portanto, a regra do art. 150, § 4 º do CTN.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. PERÍODO JÁ FISCALIZADO. REVISÃO. ART. 149 DO CTN. NÃO OBSERVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE
I - O lançamento pode ser revisto ex-officio, condicionando-se
a necessidade da administração fiscal comprovar a ocorrência de uma das situações do art. 149 do CTN; II - Fora dessas hipóteses, à segurança jurídica prestigiada pelo Códex Tributário não permite que o Fisco modifique de ofício, crédito já devidamente constituído, ou imponha uma exigência fiscal referente a
período já fiscalizado.
ACORDOS/SENTENÇAS PROCESSOS TRABALHISTAS. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Devida a contribuição previdenciária e a Terceiros, incidentes sobre a remuneração paga por força de reclamatória trabalhista, com arrimo nos artigos 43 e 94, da Lei nº 8.212/1991. Nos termos do artigo 43, parágrafo único, do mesmo Diploma Legal, nas sentenças judiciais ou acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais de incidência, a contribuição previdenciária incidirá sobre o valor total.
ARBITRAMENTO – POSSIBILIDADE – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE
Na ocorrência de recusa na apresentação de livros ou documentos ou se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão
apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
O procedimento de arbitramento, embora seja prerrogativa legal do fisco, deve revestir-se de razoabilidade, de tal sorte que os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do fato gerador, sob pena de sua improcedência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.735
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 11/1994. II) Por maioria de votos dar provimento parcial para: a) excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos até a competência 11/1997, em virtude de estes períodos já terem sido submetidos a fiscalizações anteriores e não ter havido fundamentação para a revisão do lançamento. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de
Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votaram por excluir em menor extensão, somente até a competência 12/1996. b) por excluir do lançamento os levantamentos NF, BUS e PL. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votaram por não excluir estes levantamentos.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1999; Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SEGURADOS. EMPRESA. SAT/RAT. TERCEIROS DECADÊNCIA. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Há que se aplicar, portanto, a regra do art. 150, § 4 º do CTN. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. PERÍODO JÁ FISCALIZADO. REVISÃO. ART. 149 DO CTN. NÃO OBSERVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE I - O lançamento pode ser revisto ex-officio, condicionando-se a necessidade da administração fiscal comprovar a ocorrência de uma das situações do art. 149 do CTN; II - Fora dessas hipóteses, à segurança jurídica prestigiada pelo Códex Tributário não permite que o Fisco modifique de ofício, crédito já devidamente constituído, ou imponha uma exigência fiscal referente a período já fiscalizado. ACORDOS/SENTENÇAS PROCESSOS TRABALHISTAS. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Devida a contribuição previdenciária e a Terceiros, incidentes sobre a remuneração paga por força de reclamatória trabalhista, com arrimo nos artigos 43 e 94, da Lei nº 8.212/1991. Nos termos do artigo 43, parágrafo único, do mesmo Diploma Legal, nas sentenças judiciais ou acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais de incidência, a contribuição previdenciária incidirá sobre o valor total. ARBITRAMENTO – POSSIBILIDADE – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Na ocorrência de recusa na apresentação de livros ou documentos ou se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O procedimento de arbitramento, embora seja prerrogativa legal do fisco, deve revestir-se de razoabilidade, de tal sorte que os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do fato gerador, sob pena de sua improcedência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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SEGURADOS. EMPRESA. SAT/RAT. TERCEIROS DECADÊNCIA. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Há que se aplicar, portanto, a regra do art. 150, § 4 º do CTN. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. PERIODO JÁ FISCALIZADO. REVISÃO. ART. 149 DO CTN. NÃO OBSERVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE I O lançamento pode ser revisto exofficio, condicionandose a necessidade da administração fiscal comprovar a ocorrência de uma das situações do art. 149 do CTN; II Fora dessas hipóteses, à segurança jurídica prestigiada pelo Códex Tributário não permite que o Fisco modifique de ofício, crédito já devidamente constituído, ou imponha uma exigência fiscal referente a período já fiscalizado. ACORDOS/SENTENÇAS PROCESSOS TRABALHISTAS. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Devida a contribuição Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 previdenciária e a Terceiros, incidentes sobre a remuneração paga por força de reclamatória trabalhista, com arrimo nos artigos 43 e 94, da Lei nº 8.212/1991. Nos termos do artigo 43, parágrafo único, do mesmo Diploma Legal, nas sentenças judiciais ou acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais de incidência, a contribuição previdenciária incidirá sobre o valor total. ARBITRAMENTO – POSSIBILIDADE – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Na ocorrência de recusa na apresentação de livros ou documentos ou se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O procedimento de arbitramento, embora seja prerrogativa legal do fisco, deve revestirse de razoabilidade, de tal sorte que os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do fato gerador, sob pena de sua improcedência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 11/1994. II) Por maioria de votos dar provimento parcial para: a) excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos até a competência 11/1997, em virtude de estes períodos já terem sido submetidos a fiscalizações anteriores e não ter havido fundamentação para a revisão do lançamento. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votaram por excluir em menor extensão, somente até a competência 12/1996. b) por excluir do lançamento os levantamentos NF, BUS e PL. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votaram por não excluir estes levantamentos. Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10943.000401/200758 Acórdão n.º 2401001.735 S2C4T1 Fl. 3.478 3 Tratase de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito –NFLD nº 35.085.1727 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 136/167, referese a contribuições devidas à Seguridade Social e não recolhidas em época própria, no período de 01/1989 a 10/1999. Preliminarmente esclarece a Autoridade Lançadora que, a fiscalização foi requisitada pelo Ministério Público Estadual, em 26/05/1999, tendo em vista os fatos relativos à denúncia de fraude, a fiscalização abrangeu o período a partir de 01/1989. Segundo o relatório fiscal, os lançamentos integrantes do débito foram classificados por Tipos de Levantamentos a seguir: LEVANTAMENTO “LC –M LANÇAMENTO CONTÁBIL” – período de 1989 a 1990 Tratase de contribuições relativas aos segurados empregados e contribuições da Empresa incidentes sobre as remunerações pagas/creditadas aos segurados empregados, nos termos do art. 41, inciso I do RCPS aprovado pelo Decreto nº 83081, de 24/01/1979, com alterações introduzidas pelo Decreto nº 17/01/1985. Os documentos apresentados pela empresa relativos ao período de 1989 a 1990 restringese somente a escassas e esparsas Folhas de Pagamento e Livros Diários nº 33 a 35 e 37 a 53. Apesar de reiterados pedidos, a empresa deixou de apresentar a totalidade das Folhas de Pagamento, embora regularmente notificada. As folhas de pagamento apresentadas, foram confrontadas com o movimento contábil mensal registrado e com outros elementos (RAIS, FGTS). Dessa forma, os valores que serviram de base de cálculo das contribuições devidas, foram apurados nos Livros diários nº 33 a 35 e 37 a 53; LEVANTAMENTO “VT VALE TRANSPORTE – período de 1989 a 1990 Também apurados nos Livros Diário nº 33 a 35 e 37 a 53; LEVANTAMENTO “PT – PROCESSOS TRABALHISTAS – período de 1989 a 1998. No período de 1989 a 1990, os valores foram apurados nos Livros Diários 33 a 35 e 37 a 53 e de 1991 a 1998 os valores foram apurados dos respectivos Processos verificados na Junta de Conciliação e Julgamento; Os valores relativos a cada pagamento objeto do presente levantamento estão discriminados por competência e por reclamante, no relatório Anexo IVA e os recolhimentos efetuados pela empresa a esse título foram devidamente considerados e deduzidos, exceto os recolhimentos efetuados no período de 1994 a 1996, uma vez esses valores já foram objeto de dedução no levantamento da NFLD nº 32.235.94223. LEVANTAMENTO “CC – CONSTRUÇÃO CIVIL (contabilidade) – 1989 a 1990; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 LEVANTAMENTO “RS – BASE DE CALCULO RAIS” – período de 1991a 1993 Nesse período, foram obtidos nos sistemas informatizados: valores recolhidos pela empresa em guias; valores constantes de parcelamentos; valores constantes de notificações A soma desses valores foi confrontada com os elementos subsidiários (RAIS, FGTS) resultando desse cotejo a existência de divergências, demonstradas no presente relatório. O Salário de Contribuição foi apurado com base na RAIS, em razão de a empresa, por mais que se tenha reiterado o pedido, não se dispôs a apresentar a documentação pertinente. LEVANTAMENTO “NF – NOTAS FISCAIS” – período de 1997 a 1998 Em face da não apresentação dos documentos solicitados e em consonância com o art. 33 § 3º da Lei nº 8212/91, os salários de Contribuição foram aferidos, considerando 40% do valor das Notas Fiscais de Prestação de Serviços que se encontravam apreendidas na Delegacia da Receita Federal. As notas referemse somente ao faturamento decorrente da cessão de mão de obra. LEVANTAMENTO “BUS – FILIAL TRANSP. COLETIVO” período de 1997 a 1998. Tratase de contribuições relativas aos segurados empregados e contribuições da empresa incidentes sobre remunerações pagas/creditadas aos segurados empregados (motoristas, cobradores, mecânicos e outros ligados a transporte rodoviários, portanto não alcançada nos cálculos com base nas notas fiscais. LEVANTAMENTO “PL – PRO LABORE – período de 12/1997 a 12/1998. Tratase de contribuições da empresa incidentes sobre remunerações pagas/creditadas aos empresários. Os valores foram obtidos mediante a projeção dos valores declarados no instrumento de parcelamento CDF DEBCAD 32.077.3426, onde consta o valor de 40.075,20 por mês, no período de 01/1997 a 11/1997. Os recolhimentos efetuados a esse título, foram devidamente considerados e deduzidos do presente levantamento. Tempestivamente o contribuinte apresentou sua impugnação, fls.444/464, juntando aos autos, os documentos de fls. 465/510. A Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização em Santo André, por meio da Decisão Notificação nº 21.634.0/081/1999, julgou procedente o lançamento Não concordando com a decisão, o contribuinte interpôs recurso ao Conselho de Recurso da Previdência Social – CRPS, em que preliminarmente pugna pela anulação da decisão de primeira instância, alegando; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10943.000401/200758 Acórdão n.º 2401001.735 S2C4T1 Fl. 3.479 5 A falta de motivação da referida decisão; Que efetivamente recolheu quase que a totalidade das contribuições lançadas; Alega, mais, que a recorrente foi fiscalizada regularmente nos anos de 1989/1990 (período de 09/1989 a 06/1990); 1993 (período de 1990 a 1993); 1995 ( período de 12/1993 a 10/1995); 1997 ( período de 01/1994 a 04/1995) e 1998 (período de 01/1993 a 03/1998), conforme cópias dos Termos de Início e Encerramento de Ação Fiscal , juntados aos autos; Que o lançamento pretende alterar lançamentos anteriores, que pelo que foi exposto no relatório fiscal, decorre de “iniciativa de ofício da autoridade administrativa”, de que trata o inciso III do artigo 145 do CTN, em razão disto, tornase necessário verificar se se trata de um dos casos previstos no artigo 149 do CTN especialmente o disposto no inciso IX , o que no presente caso não ocorreu. Argúi a incompetência da autoridade que realizou o lançamento, pois desconsiderou o agente fiscal o estabelecimento centralizador eleito, nos termos da Lei pela recorrente, situado no Brás e resolveu fiscalizar a empresa em seu arquivo morto, localizado em São Bernardo do Campo. Não obstante esse fato, os agentes fiscais que realizaram o lançamento são da GRAF de SANTO ANDRÉ e não da GRAF de SÃO BERNARDO DO CAMPO Insurge contra todos os levantamentos e pugna pela reforma total da decisão, para declarar integralmente improcedente o lançamento. Juntou aos autos cópias de GRPS, DARP, NFLD nº (anteriores e seus anexos), pedido de parcelamento, CDF, TIAF, TIAD e TEAF (fiscalizações anteriores) e outros fls. 585/2843. Em razão da documentação apresentada, os autos foram baixados em diligência, tendo a fiscalização se manifestado no sentido de retificar o débito nas competências de 07/1989 e 11/1989; 05/1991, 06/1991 e 11/1991, conforme informação de fls. 3292/3.302, o que resultou na reforma da Decisão Notificação, por meio da Decisão Notificação nº 21.432/434/2002 (fls. 3303/3342), em que julgou o lançamento procedente em parte. Esclareçase que o contribuinte não foi intimado da informação fiscal que retificou parte do débito. Intimado dessa nova decisão o contribuinte apresentou recurso tempestivo, trazendo os mesmos argumentos do recurso anterior. Por fim requer a declaração de nulidade da NFLD, ou que a decisão seja totalmente reformada, para declarar integralmente improcedente o lançamento. É o relatório Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Presentes os pressupostos de admissibilidade, por isso o recurso merece ser conhecido. Conforme relatado, o presente lançamento referese a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no período de 01/1989 a 10/1999 Antes de proceder à análise das questões suscitadas pela Recorrente, embora não argüida por ela, mister se faz analisar a decadência, levando em consideração que o Supremo Tribunal Federal STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1ª Turma do STJ pronunciouse nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º).PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10943.000401/200758 Acórdão n.º 2401001.735 S2C4T1 Fl. 3.480 7 do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.922/SC, DJ 11.10.2007, a 1ª Turma do STJ, mais uma vez, pronunciouse nos temos da ementa colacionada: “EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplicase também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp nº 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa " e "operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , há regra Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, tratase de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. É a orientação também defendida em doutrina: “Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4º tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4º deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos.” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência , Ed. Livraria do Advogado, 6ª ed., p. 1011) “Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência –homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada” (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404) No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, houve antecipação de pagamento, devendo então ser aplicada a regra do art. 150, § 4º, do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do fato gerador. Portanto, na data da ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que se deu em 03/12/1999, fls. 135, as contribuições relativas ao período de 01/1989 a 11/1994 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10943.000401/200758 Acórdão n.º 2401001.735 S2C4T1 Fl. 3.481 9 já se encontravam fulminadas pela decadência. Razão pela qual, os valores relativos às contribuições devem ser excluídos do presente lançamento. MÉRITO 1. REFISCALIZAÇÃO Em suas razões de recurso, a Recorrente alega que foi fiscalizada regularmente nos anos de 1989/1990 (período de 09/1989 a 06/1990); 1993 (período de 1990 a 1993); 1995 ( período de 12/1993 a 10/1995); 1997 ( período de 01/1994 a 04/1995) e 1998 (período de 01/1993 a 03/1998), conforme cópias dos Termos de Início e Encerramento de Ação Fiscal , juntados aos autos; Que o lançamento pretende alterar lançamentos anteriores, que pelo que foi exposto no relatório fiscal, decorre de “iniciativa de ofício da autoridade administrativa”, de que trata o inciso III do artigo 145 do CTN, em razão disto, tornase necessário verificar se se trata de um dos casos previstos no artigo 149 do CTN especialmente o disposto no inciso IX , o que no presente caso não ocorreu. Com efeito, da leitura atenta do que consta nos presentes autos, extraise especialmente do seu REFISC que a ação fiscal precedente da NFLD ora discutida, tratavase de revisão de lançamento, procedimento pelo qual se reanalisa período já devidamente fiscalizado. Nesse sentido, nada obstante os argumentos trazidos à baila pela Autoridade Julgadora de primeira Instância, entendendo que os lançamentos anteriores na foram alterados, ao contrário foram preservados, e devidamente deduzidos do presente lançamento; além de que a hipótese aqui mencionada, não é a do artigo 149, inciso IX do CTN, mas a hipótese do artigo 149, inciso VIII, face à necessidade imperiosa da Administração de apreciar fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior. Entendo que independentemente de terem sido ou não alterados os lançamentos anteriores, o fato é que houve outro lançamento relativo a períodos integralmente fiscalizados e que por essa razão parte do trabalho desenvolvido pela ilustre autoridade lançadora não pode ser mantido, na medida em que não constam dos autos quaisquer elementos justificadores para a revisão de débitos já lançados, ou referentes a períodos já fiscalizados. Com efeito, a questão pertinente à revisão do lançamento, deve ser encarada a partir da leitura atenta do art. 145 do CTN, que consagra, como regra, a imutabilidade do acertamento, assim prescrevendo: Art. 145 O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149. Notase do dispositivo codificado que uma vez regularmente notificado o sujeito passivo, o lançamento tornase definitivo, apto a produzir todos os efeitos que dele se Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 espera, podendo, entretanto, ser alterado (fazendo uso do termo legal) somente nas hipóteses excepcionais arroladas nos seus incisos. Para melhor análise, mister trazer a colação o art. 149 do Código Tributário Nacional, que assim estabelece: “Art. 149 O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior: IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuo, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade essencial” O lançamento, portanto, pode ser revisto exofficio, condicionandose a necessidade da administração fiscal comprovar a ocorrência de uma das situações do art. 149 do CTN. Fora dessas hipóteses, a segurança jurídica prestigiada pelo CTN não permite que o Fisco modifique de ofício, crédito já devidamente constituído, ou imponha uma exigência fiscal referente a período já fiscalizado. Não se pode olvidar, ainda, que o próprio INSS tem acolhido tal entendimento, na medida em que seus atos normativos rotineiramente vêm prevendo que a revisão do lançamento deve acompanhar as determinações do citado art. 149 do CTN. Tanto isso é verdade, que bastanos ver o que prescreve o art. 226 da IN 70/2002, ou o art. 588 e §§ da IN 100/03 ou ainda o art. 570 e §§ da IN 03/05. Assim, como se pode ver, caminhava a jurisprudência do CRPS: Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10943.000401/200758 Acórdão n.º 2401001.735 S2C4T1 Fl. 3.482 11 EMENTA. PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – NFLD REVISÃO LANÇAMENTO ART. 149 CTN. A constituição de um novo lançamento ou a revisão de crédito previdenciário decorrente de auditoria fiscal previdenciária que abranja períodos e fatos já objeto de auditoriasfiscais anteriores está condicionada a ocorrência das hipóteses previstas no art. 149 do CTN. CONHECIDO E PROVIDO. (CRPS, 4ª CAJ. Relatora Ana Maria Bandeira Acórdão nº 1232/2006) ........................................................................ EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. REFISCALIZAÇÃO. ARTIGO 149, CTN. RELATÓRIO FISCAL OMISSO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DOS FATOS ENSEJADORES DA REVISÃO DE LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA NFLD. I O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório; II Nos termos do artigo 37, da Lei nº 8.212/91, o fiscal autuante ao promover o lançamento deve fundamentálo de forma clara e precisa, sob pena de nulidade da notificação, sobretudo quando decorrente de revisão de lançamento, com fulcro no artigo 149, do CTN; III Tratandose de procedimento de refiscalização, obviamente para período já devidamente fiscalizado, deve a autoridade fiscal motiválo, de maneira a comprovar cabalmente uma das hipóteses permissivas inscritas no artigo 149, do CTN, devendo, ainda, cientificar o contribuinte dos fundamentos deste procedimento, oportunizandolhe o exercício pleno de seu direito de defesa, sob pena de improcedência do lançamento. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO (CRPS, 4ª CAJ, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Acórdão nº 2050/2006) ............................................................ EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. REVISÃO LANÇAMENTO. ART. 149 CTN. VÍCIO OBJETO. PARECER. VINCULAÇÃO. 1. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos. 2. Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes ou reconhecidos pela Chefia do Poder Executivo. 3. O vício relativo à ilegalidade do objeto não se trata de vício formal. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 4. Os pareceres da Consultoria Jurídica do MPS, quando aprovados pelo Ministro de Estado e, nos termos da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, vinculam os órgãos julgadores do CRPS, à tese jurídica que fixarem. 5. A constituição de um novo lançamento ou a revisão de crédito previdenciário decorrente de auditoria fiscal previdenciária que abranja períodos e fatos já objeto de auditoriasfiscais anteriores está condicionada a ocorrência fática das hipóteses previstas no art. 149 do CTN. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (CRPS, 4ª CAJ, Relator Elias Sampaio Freire, Acórdão nº 1346/2006). É bem de se ver, que não há dúvidas de que apenas a estrita comprovação de que o fato apurado pelo Fisco enquadrase em um dos incisos do art. 149 do Códex Tributário, autoriza a revisão de crédito já constituído ou mesmo um novo lançamento abrangendo os mesmos períodos e fatos já cobertos por auditoria fiscal anterior. Como já dito, o referido dispositivo legal enumera em seus incisos os casos em que a revisão possa ser promovida, limites objetivos para a atuação do Fisco. O Caput apenas prevê a possibilidade de revisão, os incisos indicam em quais situações ela pode ocorrer. Isso quer nos dizer que para justificar o ato revisional não basta à mera menção ao art. 149, sem indicação especifica de qual hipótese se enquadra a atuação estatal. A falta de motivação do relatório fiscal, portanto, quanto aos elementos de fato e direito que sustentam e justificam a revisão de período já fiscalizado, impossibilita o trabalho da ilustre autoridade lançadora de atingir seu fim, na esteira do que vem entendendo desta Câmara. Releva salientar que o lançamento, como ato administrativo plenamente vinculado, exige da autoridade responsável por sua lavratura à descrição clara, a indicação especifica e detalhada dos seus motivos de fato e de direito, de forma que sua omissão acarreta a invalidade do ato administrativo, consoante às disposições do art. 50, II da Lei nº 9.784/99, in verbis: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;” Desse modo, não basta a mera indicação abstrata da norma legal que ampara o ato administrativo, ou mesmo a menção sucinta de um fato que nem mesmo se amolda à previsão legal. Antes disso, a legislação condiciona a validade do ato administrativo à motivação de fato e de direito, o que, como vimos, não ocorreu no caso em questão. A prerrogativa de constituir créditos em períodos já cobertos por ação fiscal, somente se confirma se alguma das situações fáticas do art. 149 estiver presente. Fora delas, não há sustentação fática ou legal que viabilize um procedimento revisional, como pretende a douta autoridade fiscal no caso em baila, para os períodos de: 01/1990 a 11/1993, fiscalização encerrada em 13/12/1993 (TEAF fls. 2034); 12/1993 a 10/1995, fiscalização encerrada em 30/11/1995, (TEAF fls. 2036); 12/1993 a 11/1997, fiscalização encerrada em 29/12/1997 (TEAF fls. 2029); 01/1994 a 12/1996, fiscalização encerrada em 27/05/1998 (TEAF fls. 2032). Entendo assim, que há que ser dado provimento ao recurso, para excluir do lançamento os períodos acima relacionados. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10943.000401/200758 Acórdão n.º 2401001.735 S2C4T1 Fl. 3.483 13 2. DOS PROCESSOS TRABALHISTAS – LEVANTAMENTO “PT” No que tange ao aludido levantamento, repisa a contribuinte os argumentos contidos na peça impugnatória, pugnando pela reforma da decisão recorrida, a qual manteve parcialmente o crédito originalmente constituído, por entender que as verbas em comento, pagas ao segurados empregados não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em face da natureza indenizatória, na forma que restou consignado nas sentenças exaradas nos autos dos processos trabalhistas. Sustenta que o simples fato de não constar no bojo de alguns dos acordos trabalhistas a que título referidas parcelas foram pagas não é capaz de descaracterizar a natureza indenizatória confirmada pelo próprio juízo, tendo a autoridade lançadora escorado a exigência fiscal em simples presunções, em detrimento aos documentos colocados à sua disposição. Não obstante o esforço da recorrente, suas alegações, contudo, não têm o condão de prosperar. Com efeito, a legislação que regulamenta a matéria é por demais enfática ao estabelecer que na hipótese de o acordo e/ou sentença trabalhista não constar discriminadamente as parcelas legais de incidência das contribuições previdenciárias, essas recairão sobre a totalidade do valor acordado e/ou sentenciado, conforme se verifica do artigo 43 da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 276, § 2º, do Decreto nº 3.048 – RPS, que assim preceituam: “ Lei nº 8.212/91 Art. 43. Nas ações trabalhistas de que resultar o pagamento de direitos sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, o juiz, sob pena de responsabilidade, determinará o imediato recolhimento das importâncias devidas à Seguridade Social. Parágrafo único. Nas sentenças judiciais ou nos acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais relativas à contribuição previdenciária, esta incidirá sobre o valor total apurado em liquidação de sentença ou sobre o valor do acordo homologado.” “ Decreto nº 3.048 – RPS Art. 276. Nas ações trabalhistas de que resultar o pagamento de direitos sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, o recolhimento das importâncias devidas à seguridade social será feito no dia dois do mês seguinte ao da liquidação da sentença. [...] § 2º Nos acordos homologados em que não figurarem, discriminadamente, as parcelas legais de incidência da contribuição previdenciária, esta incidirá sobre o valor total do acordo homologado.” Por sua vez, com o fito de afastar qualquer dúvida quanto ao tema, impende esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF aprovou a Súmula contemplando a matéria, com o seguinte enuciado: Fl. 13DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 “A base de cálculo das contribuições previdenciárias será o valor total da sentença ou acordo trabalhista homologado quando as parcelas legais de incidência não estiverem discriminadas.” Neste sentido, não tendo a contribuinte ofertada a documentação necessária ao exame mais aprofundado das verbas pagas por ocasião de sentenças/acordos trabalhistas, não se cogita em irregularidade no procedimento eleito pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, uma vez encontrar guarida nos dispositivos legais que disciplinam a matéria, bem como em Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a qual os julgadores estão obrigados a observarem. 3. DO ARBITRAMENTO – LEVANTAMENTOS NFF, BUS, PL Pretende a contribuinte, em suas razões recursais, seja decretada a insubsistência do procedimento adotado pela fiscalização ao constituir o crédito previdenciário, por entender que o arbitramento fora procedido com base em cálculos e estimativas sem fundamento para apuração do pretenso débito. Sustenta que o auditor autuante identificou o piso salarial da categoria através do sindicato, e, com base nele, acresceu neste piso, aleatoriamente, 58% a todos os empregados a título de hora extra, descanso semanal remunerado e adicional noturno, sem conquanto lograr comprovar aludida conclusão, desconsiderando, ainda, que o descanso semanal remunerado já está incluído no piso salarial. Mais a mais, defende que não se pode atribuir tais verbas à integralidade dos funcionários, eis que não são todos que trabalham a noite ou fazem hora extra. Ao contrário, aduz que a maioria executa seus serviços em horário comercial. No mais, acrescenta que as contribuições previdenciárias pretensamente devidas foram apuradas a partir de puro e simples exercício de presunção realizado pela fiscalização, onde a apuração da “remuneração paga (...), se deu não pela comprovação do montante pago efetivamente mas, pelo que se acha que foi pago.” Consoante se positiva da análise dos autos, tratase de notificação fiscal englobando vários levantamentos distintos, contemplando, inclusive, aferição indireta da base de cálculo dos tributos lançados, razão pela qual o exame do recurso se dará de forma individualizada. Diante do acolhimento da preliminar de decadência, até 11/1994, e a improcedência parcial do feito em razão da revisão do lançamento procedida de maneira injustificada, relativamente ao período de 01/1990 a 11/1997, além das contribuições incidentes sobre as sentenças trabalhistas, acima contempladas, remanesce em discussão tão somente parte dos seguintes levantamentos: NFF – Notas Fiscais/Faturas – 1997 a 1998; BUS – Filial Transportes Coletivos – 1997 e 1998; PL – Prólabore – 12/1997 a 12/1998; Como se verifica das informações constantes do Relatório Fiscal, nos levantamentos supramencionados, o fiscal autuante constituiu o crédito previdenciário com base na aferição indireta/arbitramento, uma vez que a contribuinte não apresentou a totalidade dos documentos exigidos pela fiscalização e, bem assim, em razão de a contabilidade Fl. 14DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10943.000401/200758 Acórdão n.º 2401001.735 S2C4T1 Fl. 3.484 15 apresentada não registrar a movimentação real das remunerações dos segurados empregados a serviço da notificada. Com efeito, do exame dos autos, concluise que o fiscal autuante edificou uma presunção legal, lançando valores que entendeu devidos, considerando, ainda, repasses a empresas prestadoras de serviços como salário de contribuição na apuração do crédito tributário, invertendo, assim, o ônus da prova ao contribuinte. No entanto, sabemos que a presunção legal, como o próprio nome indica, somente poderá ser levada a efeito quando estiver expressamente inserta na legislação de regência. Na hipótese vertente, o único dispositivo legal que dá amparo ao procedimento adotado pelo fiscal autuante é o artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91, o qual contempla a possibilidade da apuração das contribuições previdenciárias por arbitramento, nos seguintes termos: “Art. 33. [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Vislumbrase, assim, que o procedimento utilizado pela fiscalização ao lavrar a notificação foi precisamente aquele inscrito na norma legal encimada, qual seja, aferição indireta. Como se observa, o procedimento do arbitramento, uma vez constatados os requisitos exigidos pela legislação de regência, é legal e inverte o ônus da prova ao contribuinte. Porém, tal procedimento deve estar devidamente fundamentado e motivado nos autos do processo, além de estar revestido dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sob pena de nulidade ou improcedência do lançamento. Destarte, o arbitramento não pode representar uma verdadeira “carta branca” ao agente fiscal, de maneira a possibilitarlhe concluir pela existência de débitos tributários bem distoantes do que efetivamente devido pelo contribuinte, escoarados em parâmetros aleatórios e imprecisos, sem o devido aprofundamento no exame das provas constantes dos autos. Não se pode admitir, pois, seja praticado o arbítrio em nome do arbitramento. É um procedimento, portanto, que objetiva aproximar, mensurar as remunerações tributáveis tanto Fl. 15DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 quanto possível daquele que seria real. Temse assim que a vontade abstrata da lei é gravar o tributo que seria devido em condições normais, não mais do que isso, porquanto o objetivo precípuo da fiscalização é a orientação, com a finalidade de esclarecer aos contribuintes em geral sobre o indelével dever de recolher ao fisco os tributos efetivamente devidos, naturalmente após identificar as eventuais irregularidades extraídas de sua atividade, ou contabilidade, se for o caso. Em nenhum sistema jurídico se permite a tributação ao alvedrio da lei ou se preconiza a cobrança de tributo acima daquilo que o fisco tem direito. Gravar tributo não tem o mesmo sentido de agraválo. O agravamento se faz mediante cominação de multas, não pela via do arbitramento. A jurisprudência administrativa é firme e mansa neste sentido, determinando o cancelamento de autuações em que a fiscalização extrapolou os limites impostos pela legislação ao lançar com base no arbitramento, sobretudo quando os critérios utilizados nesta empreitada não estejam devidamente claros e precisos, senão vejamos: “[...] Ementa: ARBITRAMENTO – POSSIBILIDADE – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Na ocorrência de recusa na apresentação de livros ou documentos ou se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O procedimento de arbitramento, embora seja prerrogativa legal do fisco, deve revestirse de razoabilidade, de tal sorte que os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do fato gerador. [...]” (1a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, Acórdão n° 240100.057, Sessão de 04/03/2009 – Relatoria Conselheiro Ana Maria Bandeira) (grifamos) “Ementa: [...] AFERIÇÃO INDIRETA. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AFERIÇÃO. REQUISITOS. NULIDADE. Na utilização da aferição o Fisco deve, de forma clara e precisa, descrever a fundamentação legal, os fatos geradores ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente, indicando claramente os parâmetros utilizados, bem como, sempre que possível, os segurados envolvidos. [...]” (2a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF – Acórdão n° 240201.174, Sessão de 21/09/2010 – Relatoria Conselheiro Marcelo Oliveira) (grifamos) Fl. 16DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10943.000401/200758 Acórdão n.º 2401001.735 S2C4T1 Fl. 3.485 17 Ademais, o lançamento – atividade vinculada que constitui o crédito tributário – não pode se apoiar em suposições, conjecturas e muito menos presunções do agente arrecadador, como se extrai do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Deve fundamentar se em fatos concretos, demonstrados, susceptíveis de comprovação. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador, determinando, ainda, a perfeita base de cálculo dos tributos exigidos, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Em outras palavras, o procedimento do arbitramento, em que pese conferir a prerrogativa do fiscal autuante em presumir a base de cálculo do tributo lançado, não o desobriga de comprovar a ocorrência do fato gerador. Ou seja, a base de cálculo poderá ser presumida, uma vez observados os requisitos para tanto, mas a ocorrência dos fatos geradores não. É o que se extrai do artigo 148 do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” Destarte, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da Lei 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...] §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]” Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, para que o lançamento encontre sustentáculo nas normas jurídicas e, conseqüentemente, tenha validade, deverá o fiscal autuante descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo e determinar a matéria tributável (base de cálculo). A ausência dessa descrição clara e precisa, especialmente no Relatório Fiscal da Notificação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento fiscal. No caso dos autos, inobstante a contribuinte ter dado causa ao arbitramento, em face da deficiência na apresentação dos documentos solicitados no decorrer da fiscalização, não vislumbramos a devida correição na condução do arbitramento procedido pela autoridade Fl. 17DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 lançadora, desprovido de certeza e liquidez do quantum debeatur, como passaremos a demonstrar para cada levantamento. A) NF – NOTAS FISCAIS – 1997 a 1998 Relativamente a este levantamento entendeu por bem a fiscalização promover o arbitramento na constituição do crédito previdenciário, em razão de somente ter acesso ao Livro Razão de 1997, apreendido pela DRF, e ao Livro Diário para o ano de 1998, os quais foram analisados mediante confrontação com a RAIS, FGTS e Faturamento. A partir de aludida confrontação, levandose em consideração as informações de 03 (Três) Segurados (Aparecida da Silva Lopes, Antonio Carlos B. Souza e Orlando da Silva Mendes), concluiu o fiscal autuante que a declaração da RAIS 1997 estava incorreta. Igualmente, em relação a remuneração declarada na RAIS de outros 02 (Dois) funcionários (Genildo Laurentino Ferreira e Vander Silva – Motoristas), confirmouse, para o fiscal autuante, a incorreção das informações da RAIS, eis que os salários se apresentavam bem aquém do próprio Piso Salarial estipulado pelo Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores do Ramo de Transporte Urbanos, Rodoviários e Anexos de São Paulo. Assim, como os registros da RAIS 1997, o Resumo Totalizador da Folha de Pagamento 1997 e o Livro Razão 1997 registravam informações idênticas, concluiu a fiscalização que todos não representavam o real movimento dos salários dos empregados da empresa, razão pela qual desconsiderou a sua contabilidade. No que concerne ao ano de 1998, sustentou o fisco que além de ser insuficiente, para os trabalhos da fiscalização, somente o Livro Diário, esse apresenta deficiências em seu conteúdo, por não conter todos os fatos contábeis tais como os lançamentos de transferência de resultados, muitas despesas são lançadas na conta a classificar (...) sem, no entanto, constar lançamentos quando de sua reclassificação, impossibilitando a apuração do movimento real de fatos geradores. Dessa forma, tendo em vista a desconsideração da contabilidade da contribuinte, a autoridade lançadora apurou os salários de contribuição com aplicação de 40% do valor total das Notas Fiscais de Prestação de Serviços que se encontravam apreendidas na DRF, concernentes ao FATURAMENTO decorrente da cessão de mãodeobra. Extraise daí a impropriedade incorrida pelo fiscal autuante. De um lado, a partir da análise das informações quanto as remuneração de 05 (cinco) empregados concluiu a fiscalização que a totalidade dos funcionários da empresa (de 5 a 6 mil funcionários) estavam com registros fictícios na RAIS. Ou seja, num universo de 5 mil funcionários, se 05 (cinco) contém informações equivocadas na RAIS presumiuse que os demais igualmente se apresentam com tal deficiência. Ora, é um parâmetro muito pequeno diante do quadro funcional da empresa, demonstrando que o fiscal autuante não se aprofundou na análise das provas na forma que as normas legais exigem, de maneira a conferir certeza e liquidez ao crédito previdenciário. Por outro lado, admitiu a fiscalização o faturamento como base de cálculo das contribuições previdenciárias, olvidandose, porém, que o faturamento é justamente o fato gerador de outros tributos (PIS e COFINS), o que implica dizer que sobre um mesmo fato/base incidiu duas contribuições distintas, num verdadeiro bis in idem. Não bastasse isso, para se chegar a conclusão que todas as Notas Fiscais que se encontram em poder da DRF, de fato, dizem respeito a prestação de serviço mediante cessão Fl. 18DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10943.000401/200758 Acórdão n.º 2401001.735 S2C4T1 Fl. 3.486 19 de mãodeobra era necessário que se analisasse caso a caso, na forma que a própria jurisprudência do CARF determina, para se caracterizar a prestação de serviço naquela modalidade. Melhor elucidando, não basta listar uma infinidade de Notas Fiscais (Anexo VII – fls. 216/268), com seus respectivos valores e datas de emissão para se concluir que todas se referem à prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, de forma a amparar o arbitramento sobre essa base de cálculo. Repitase, no arbitramento, pelo menos a base de cálculo, ou seja, o parâmetro utilizado na apuração das contribuições previdenciárias, deve ser precisa, passível de comprovação. Mas não é o que se verifica na hipótese dos autos. Veja que para se admitir que 40% da NF relacionase à mãodeobra (remuneração – fato gerador do tributo em epígrafe), mister se faz ao menos ter a devida certeza que tal serviço fora prestado mediante cessão de mãodeobra. Isso não logrou o fisco a comprovar, fragilizando a base de cálculo admitida para efeito de apuração do tributo lançado, impondo seja reconhecida a improcedência do levantamento NF. BUS – Filial Transportes Coletivos – 1997 e 1998; Quanto ao levantamento BUS, melhor sorte não está reservada ao fisco. Igualmente, em decorrência da deficiência dos documentos ofertados pela contribuinte, o fiscal autuante apurou as remunerações dos segurados empregados (motoristas, cobradores e mecânicos e outros ligados a transporte rodoviários) com base no arbitramento, adotando como parâmetro o imposto Sindical de 1997, 1998 e 1999, dos motoristas e trabalhadores do ramo de transportes urbanos. Assim, considerando que o Imposto Sindical representa o valor de um dia de trabalho sobre o valor do Piso Salarial da Categoria, projetouse o cálculo para o salário mensal. Ocorre que, sobre o piso salarial nominal de cada empregado adicionouse horas extras, adicional noturno e descanso semanal remunerado, na ordem de 58,45%, tomando por base as informações da RAIS de 1996. Como se observa, a partir dos registros constantes da RAIS de 1996, que nesse levantamento fora validado, a fiscalização presumiu que todos os funcionários da “Filial Transp. Coletivo” recebiam, nos anos de 1997 e 1998, horas extras, adicional noturno e Descanso Semanal remunerado, no percentual de 58,45% a mais que o piso salarial. Em verdade, aludido procedimento da fiscalização nada mais foi do que presumir a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias para todos os funcionários da empresa (filial) em período subsequente ao adotado na apuração do crédito tributário. Ora, o fato de alguns ou todos os funcionários (motoristas, cobradores, administrativo...etc) receberem tais verbas no ano de 1997 não implica dizer necessariamente que assim o foi nos anos posteriores. Tratase, pois, de verdadeira presunção de fato gerador do tributo o que não é admitido pela legislação de regência, a qual contempla simplesmente a possibilidade de presumir a base de cálculo. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Neste sentido, verificase que o levantamento não se encontra revestido da certeza e liquidez exigida para os créditos tributários, eis que amparado em parâmetros falíveis, sem qualquer comprovação da ocorrência do fato gerador, devendo ser rechaçado de plano na forma pretendida pela recorrente em sua peça recursal. PL – Prólabore – 12/1997 a 12/1998; Por derradeiro, o mesmo entendimento sustentado para afastar a pretensão fiscal em relação ao levantamento BUS, acima delineado, se presta a decretar a insubsistência do levantamento PL – PróLabore. Com efeito, em seu Relatório Fiscal, item 23, o fiscal autuante, ao apurar as contribuições previdenciárias em epígrafe, exclusivamente se deu ao trabalho de inferir que “Os valores foram obtidos mediante a projeção dos valores declarados no instrumento de parcelamento CDF DEBCAD 32.077.3426, onde consta o valor de R$ 40.075,20 por mês, no período de 01/97 a 11/97.” Constatase, assim, que a fiscalização deu uma verdadeira demonstração de como não se proceder num lançamento fiscal. De um lado, fez referência a documento estranho aos autos para justificar a forma de apuração da contribuição pretensamente devida, a partir de uma projeção. De outro, novamente, a partir de uma declaração relacionada ao período de 01/1997 a 11/1997, concluiu que para todo o período o valor do prólabore fora o mesmo, em uma verdadeira presunção de fato gerador do tributo. Ora, se é devida a contribuição incidente sobre o prólabore no valor de R$ 40.075,20, nos autos da CDF DEBCAD 32.077.3426 que se execute aludida exigência. Não se pode, porém, com base de tal documento, presumir nestes autos a ocorrência dos mesmos pagamentos em valores iguais, mormente quando a autoridade lançadora sequer procurou justificar sua conclusão, demonstrando, mais uma vez, a fragilidade do feito. Nessa toada, impõese a decretação na improcedência do levantamento PL – Pro Labore, em vista dos argumentos acima transcritos. Na esteira desse entendimento, concluise que a conduta da fiscalização, relativamente ao arbitramento procedido, afronta a segurança jurídica do ato administrativo, atribuindo incertezas ao lançamento, o que é repudiado pela legislação tributária, a qual exige certeza e liquidez no crédito tributário, para efeito de inscrição em dívida ativa. A rigor, ou se está exigindo tributos a maior, ensejando enriquecimento ilícito da administração, ou a menor, o que provavelmente acarretará revisão de lançamento, se observados os requisitos do artigo 149 do CTN. Nesse contexto, deve ser declarada a insubsistência do feito, quanto aos levantamentos NFF, BUS e PL, em observância a legislação de regência, mais precisamente dos artigos do CTN, das Leis 8.212/91 e 9.784 encimados, uma vez que as incorreções apontadas contaminam a exigência fiscal, tornandoa precária, não lhe oferecendo certeza e/ou liquidez, principalmente pelo fato de se mostrar insanável e por cercear o direito de defesa da recorrente. Por todo o exposto; VOTO, no sentido CONHECER DO RECURSO, acolher a preliminar de decadência das contribuições apuradas no período de 01/1989 a 11/1994, E DARLHE Fl. 20DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10943.000401/200758 Acórdão n.º 2401001.735 S2C4T1 Fl. 3.487 21 PROVIMENTO PARCIAL, para excluir os períodos objeto de fiscalizações anteriores (período compreendido entre 01/1990 a 11/1997 – acima demonstrado), e os levantamentos NF, BUS e PL. Cleusa Vieira de Souza Fl. 21DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 18/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13804.001894/2002-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/08/2001 a 28/02/2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Lei 9.430/96, art. 74, § 4º.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido
de compensação convertido em declaração de compensação que não seja
objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da
data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do
montante do crédito.
DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei 9.430/96, art. 74, § 5º.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de
declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho
decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos,
contado da data de seu protocolo.
Numero da decisão: 3302-001.127
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José
Antonio Francisco.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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REFINADORA DE AÇÚCAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2001 a 28/02/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Lei 9.430/96, art. 74, § 4º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei 9.430/96, art. 74, § 5º. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Antonio Francisco. Walber José da Silva Presidente. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES 2 Alexandre Gomes Relator. EDITADO EM: 16/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de pedidos de compensação de créditos relacionados a crédito premio de IPI pertencentes a empresa Refinadora Catarinense com de débitos de terceiros, no caso pertencentes a empresa Usati S/A Refinadora de Açúcar. Os créditos utilizados estavam sendo controlados nos processos 13706.000714/200110 e 13706.000745/200243. No presente processo estão sendo analisadas as seguintes compensações: Período de Cód. Valor Data do Processo Apuração Tributo Compensado Pedido Controle Crédito ago01 2172 87.421,14 25/09/01 13706.000714/200110 ago01 8109 18.941,25 25/09/01 13706.000714/200110 set01 2172 77.871,08 22/10/01 13706.000714/200110 set01 8109 16.872,06 22/10/01 13706.000714/200110 out01 2172 99.577,82 04/01/02 13706.000714/200110 out01 8109 21.757,19 04/01/02 13706.000714/200110 nov01 2172 93.318,69 14/01/02 13706.000714/200110 nov01 8109 20.219,05 14/01/02 13706.000714/200110 dez01 2172 71.259,31 02/04/02 13706.000745/200243 dez01 8109 15.439,52 02/04/02 13706.000745/200243 dez01 2172 207,57 02/04/02 13706.000745/200243 dez01 8109 44,97 02/04/02 13706.000745/200243 jan02 2172 90.751,47 02/04/02 13706.000745/200243 jan02 8109 19.662,82 02/04/02 13706.000745/200243 fev02 2172 76.308,28 02/04/02 13706.000745/200243 fev02 8109 16.533,46 02/04/02 13706.000745/200243 Junto com os pedidos foram juntadas diversas peças processuais, bem como decisão judicial (fls. 43) que garantia a empresa Refinadora Catarinense o direito ao crédito prêmio de IPI bem como garantia sua utilização de acordo com as hipóteses prescritas nas IN/SRF 21/97, 37/97 e 73/97, amparadas pelos artigos 1º e 5º do DecretoLei nº 491/69. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13804.001894/200211 Acórdão n.º 330201.127 S3C3T2 Fl. 181 3 O processo foi encaminhado à DRF/Florianópolis em 21/10/2004, que após análise de tudo que constava no processo, proferiu despacho decisório (fls. 83) indeferindo os pedidos de compensação em 05/03/2008. O Recorrente foi cientificado do despacho em 03/04/2008, conforme se constata do AR Juntado às fls. 94. Do despacho decisório proferido pela DRF de Florianópolis destaco: Com a decisão proferida pelo TRF2 em 04/07/2006, verificouse que nenhum crédito era devido à cedente, Refinadora Catarinense S.A. São irregulares, portanto, as compensações que utilizaram esse crédito. Os recursos interpostos não foram admitidos, perdeu assim eficácia o mandamento da sentença proferida na Medida Cautelar Inominada interposta pelo contribuinte que suspendia temporariamente a cobrança dos valores em aberto. Em 01/10/2002, a Medida Provisória n° 66, de 29 de setembro de 2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, alterou a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, instituindo nova sistemática de compensação e criando a Declaração de Compensação (DCOMP). Os Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros que se encontravam pendentes de análise quando da entrada em vigor das alterações promovidas pela Lei n° 10.637/2002, no entanto, não estão sujeitos à nova disciplina da compensação, visto que não atendem a um dos requisitos inerentes à Declaração de Compensação compensação com créditos próprios, vedada a cessão a terceiros. Os pedidos de compensação de créditos de um contribuinte com débitos de terceiros de que tratam este processo, todos protocolados entre 25/09/2001 e 02/04/2002, antes, portanto, das inovações legislativas acerca da matéria, não se converteram em DCOMP. Tal entendimento é o mesmo adotado em Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional (PARECER PGFN/CDA/CAT nº 1499/05). Contra referido despacho foi apresentada manifestação de inconformidade cujos pedidos foram assim resumidos: Pelo exposto, a Defendente requer a V. Sa. seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade reformandose o despacho decisório em referência, a fim de ser reconhecida a homologação tácita dos pedidos de compensação realizados às fls. 01/04 e 69/72 ou caso assim não entenda, a decadência do direito de lançar os supostos débitos indevidamente compensados. Por outro lado, não sendo acolhidos os supracitados fundamentos de reforma, requer seja anulado o Despacho Decisório ora recorrido, por conter vícios insanáveis. Por fim, ultrapassadas todas as razões preliminares, requer seja reformado o Despacho Decisório ora recorrido, sendo homologados os pedidos de compensação de fls. 01/04 e 69/72. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES 4 Após análise dos argumentos produzidos pelo Recorrente, a DRJ de Ribeirão Preto manteve o indeferimento dos pedidos em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/08/2001 a 28/02/2002 CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto de parte da manifestação de inconformidade, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. NULIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA. A Administração tem o dever de anular seus próprios atos, quando estes estiverem eivados de vicio de legalidade. Solicitação Indeferida. Contra a decisão exarada foi interposto Recurso Voluntário que em síntese requereu: Ex positis, a Recorrente requer aos E. Conselheiros que seja acolhido o presente Recurso Voluntário, a fim de ser conhecido e provido, para anular o Acórdão lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Sendo outro o entendimento de Vossas Excelências, pugnase pela reforma do decisum recorrido, para julgar improcedente o despacho decisório Que determinou a não homoloqacão das compensações realizadas assegurando à Recorrente a manutenção das mesmas até o advento do trânsito em julgado do processo judicial de onde originamse os créditos utilizados nas compensações em tela. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito foram apresentados pedidos de compensação com créditos de terceiros no período de 25/09/2001 a 02/04/2002. Os créditos utilizados nas compensações efetuadas eram decorrentes de decisão judicial que reconhecia o direito a utilização de créditos prêmio de IPI bem como a possibilidade de cessão a terceiros. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13804.001894/200211 Acórdão n.º 330201.127 S3C3T2 Fl. 182 5 Somente em 05/03/2008 os pedidos de compensação foram analisados pela DRF de Florianópolis, que, diante das decisões contrarias proferidas nos processos judiciais da empresa Refinadora Catarinense, os indeferiu. Em relação a alegação de homologação tácita das compensações efetuadas citou o Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1.499/05. A Recorrente foi cientificada do despacho decisório que indeferiu a restituição e as compensações no dia 03/04/2008. Em se tratando de pedidos de compensação protocolados no ano de 2001 e 2002, convém analisar o disposto no art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pelas Leis nº. 10.637/2002 e nº. 10.833/03, assim determinou: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 194DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES 6 VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Nos termos do §§ 4ºe 5º do art. 74 da Lei 9.430/96, os pedidos de compensação pendentes de análise por parte da SRF em 01/10/2002, foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação desde o seu protocolo, passando, a partir disto, a estarem sujeitos à homologação tácita quando não analisados dentro do prazo de 5 anos a contar do seu protocolo. A Instrução Normativa SRF n° 460, de 18/10/2004, primeira a regular a matéria tratada nos parágrafos 2° e 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, após a edição da MP n° 66/2002, basicamente repete os dispositivos contidos naquela Lei, vejase a seguir: Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 1º. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput,o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no art. 48. § 2º. prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. (...) Art. 64. Serão considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003, os pedidos de compensação que, em 1º de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF. (...) Art. 70. A data de início da contagem do prazo previsto no § 2º. do art. 29, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização o do pedido na SRF. A Secretaria da Receita Federal, por meio da sua CoordenaçãoGeral de Tributação, editou a Solicitação de Consulta Interna n° 01, de 04 de Janeiro de 2006, em que restou esclarecido: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 13804.001894/200211 Acórdão n.º 330201.127 S3C3T2 Fl. 183 7 ASSUNTO : Homologação tácita de compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação. EMENTA : Pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Prazo de cinco anos para homologação tácita da compensação. Inexistência de homologação tácita para pedidos de compensação não convertidos em declaração de compensação. obrigatoriedade de exame do pedido de restituição. Cabimento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Ou seja, não existe, na legislação de regência, qualquer determinação ou exigência relacionada a procedência ou não dos pedidos de ressarcimento/restituição, nem a eventuais requisitos a serem cumpridos por estes. A homologação tácita ocorre somente em relação aos pedidos de compensação que foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação e não em relação aos pedidos de ressarcimento/restituição, que em alguns casos não precisam sequer ser analisados, como no caso de os créditos requeridos estarem sendo totalmente utilizados nas compensações informadas. A interrupção do prazo disposto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96, somente ocorre com a regular intimação da decisão ao sujeito passivo. Esta é a determinação contida na Instrução Normativa SRF nº 460/2004, senão vejamos: Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 57, 62 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. (grifos nossos) No presente caso isto somente ocorreu em 03/04/2008, ou seja, seis anos ou mais após o protocolo dos Pedidos de Compensação que foram posteriormente convertidos em Declaração de Compensação. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES 8 Tendo sido homologadas tacitamente todas as compensações requeridas, as outras questões levantadas no Recurso Voluntário perdem força, motivo pelo qual deixo de examinálas. Neste sentido já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes, em acórdão de lavra do eminente conselheiro Antônio Zomer, cuja ementa assim ficou assentada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/0712000 a 31/10/2000 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LITÍGIO NÃO CONFIGURADO. O reconhecimento da ocorrência de homologação tácita da compensação, conforme disposto nos §4 e 52 do art. 74 da Lei nº. 9.430/96, prejudica a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte e resolve processo administrativo, extinguindo o correspondente litígio. (Acórdão nº20219304 – Relator Antônio Zomer. Data Julgamento 04/09/2008) Por todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário reconhecendo a homologação tácita das compensações protocoladas, cancelandose por inteiro a exigência fiscal. ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 197DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/201 1 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/10/2011 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13839.005665/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/01/2006
PIS. REVISÃO DE DCTF. MULTA. LEI N. 10.833, DE 2003, ART. 18.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
À vista das disposições do art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, é descabida a
exigência de multa de ofício no caso de compensação autorizada por medida
liminar, ainda que posteriormente reformada.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/01/2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALMPF.
NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal foi concebido com o objetivo de
disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e
contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal, não
atingindo a competência impositiva dos seus auditores fiscais.
PROCEDIMENTOS APÓS INÍCIO DE AÇÃO FISCAL.
ESPONTANEIDADE. PERDA.
O questionamento dos efeitos decorrentes das ações promovidas perante a
Justiça Federal, ainda que no âmbito de Verificações Obrigatórias, exclui a
espontaneidade do contribuinte relativamente às exigências decorrentes de
compensações indevidas vinculadas a processo judicial.
Recurso Voluntário Negado
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-000.911
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de
ofício, nos termos do voto do relator. Vencido, quanto ao recurso de ofício, o conselheiro
Walber José da Silva, que apresentou declaração de voto. A conselheira Fabiola Cassiano
Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra.
Priscila Reys Terra, OAB/SP 281901.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 30/01/2006 PIS. REVISÃO DE DCTF. MULTA. LEI N. 10.833, DE 2003, ART. 18. RETROATIVIDADE BENIGNA. À vista das disposições do art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, é descabida a exigência de multa de ofício no caso de compensação autorizada por medida liminar, ainda que posteriormente reformada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 30/01/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALMPF. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal foi concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal, não atingindo a competência impositiva dos seus auditores fiscais. PROCEDIMENTOS APÓS INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE. PERDA. O questionamento dos efeitos decorrentes das ações promovidas perante a Justiça Federal, ainda que no âmbito de Verificações Obrigatórias, exclui a espontaneidade do contribuinte relativamente às exigências decorrentes de compensações indevidas vinculadas a processo judicial. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Negado
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 30/01/2006 PIS. REVISÃO DE DCTF. MULTA. LEI N. 10.833, DE 2003, ART. 18. RETROATIVIDADE BENIGNA. À vista das disposições do art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, é descabida a exigência de multa de ofício no caso de compensação autorizada por medida liminar, ainda que posteriormente reformada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 30/01/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal foi concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal, não atingindo a competência impositiva dos seus auditores fiscais. PROCEDIMENTOS APÓS INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE. PERDA. O questionamento dos efeitos decorrentes das ações promovidas perante a Justiça Federal, ainda que no âmbito de Verificações Obrigatórias, exclui a espontaneidade do contribuinte relativamente às exigências decorrentes de compensações indevidas vinculadas a processo judicial. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Fl. 91DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005665/200783 Acórdão n.º 330200.911 S3C3T2 Fl. 281 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Vencido, quanto ao recurso de ofício, o conselheiro Walber José da Silva, que apresentou declaração de voto. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Priscila Reys Terra, OAB/SP 281901. Ausente o conselheiro Alexandre Gomes. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário (fls. 268 a 275) apresentado em 20 de janeiro de 2009 contra o Acórdão no 0521.201, de 20 de fevereiro de 2008, da 5ª Turma da DRJ/CPS (fls. 252 a 258), cientificado em 22 de dezembro de 2008, que, relativamente a auto de infração de PIS dos períodos de janeiro de 2004 a janeiro de 2006, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. ESPONTANEIDADE. O questionamento dos efeitos decorrentes das ações promovidas perante a Justiça Federal, ainda que no âmbito de Verificações Obrigatórias, exclui a espontaneidade do contribuinte relativamente às exigências decorrentes de compensações indevidas vinculadas a processo judicial. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual descompasso entre seu conteúdo e o lançamento não acarreta a nulidade deste. Fl. 92DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005665/200783 Acórdão n.º 330200.911 S3C3T2 Fl. 282 3 RECOLHIMENTOS EFETUADOS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. DÉBITOS DECLARADOS (JANEIRO/2004 A DEZEMBRO/2005). INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO. Nos termos da legislação atualmente em vigor, mesmo após o início do procedimento fiscal, e ainda que ultrapassado o prazo do art. 47 da Lei nº 9.430/96, o contribuinte tem o direito de recolher apenas com acréscimos moratórios os débitos indevidamente compensados, desde que os tenha previamente declarado em DCTF. LANÇAMENTO. A formalização, mediante Auto de Infração, de crédito tributário previamente confessado, não configura ato administrativo nulo, sendo instrumento hábil para conferir liquidez e certeza à exigência nele consignada. Cabe à administração, porém, cuidar para que não ocorra duplicidade na cobrança, ou mesmo cobrança de valores já recolhidos com os acréscimos moratórios devidos. RECOLHIMENTOS EFETUADOS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. DÉBITOS NÃO DECLARADOS (JANEIRO/2006). Sujeitamse a lançamento de ofício os débitos não declarados antes do início do procedimento fiscal. Todavia, ante os recolhimentos efetuados no curso do procedimento, cumpre à autoridade preparadora promover a imputação proporcional destes aos valores devidos com acréscimo de multa de ofício, para cobrança apenas dos débitos remanescentes. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. Na ausência de norma específica sobre como deve ser feita a alocação de pagamentos entre as parcelas componentes de um mesmo crédito tributário, a sistemática da imputação proporcional, prevista no CTN para a restituição, aplicase, por analogia e simetria, ao pagamento. Lançamento Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 18 de dezembro de 2007, de acordo com o termo de fls. 35 e 36. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, formalizado em razão da compensação indevida com Crédito Prêmio de IPI, objeto de ação judicial, mas sem a comprovação do trânsito em julgado. Ressalta a Fiscalização, no Termo Conclusivo de Ação Fiscal às fls. 35/36, que o contribuinte efetuou o recolhimento dos débitos compensados em 15/02/2007, quando já se encontrava sob procedimento fiscal. A exigência recaiu sobre os períodos de apuração de 01/2004 a 05/2005 e de 07/2005 a 01/2006 e totalizou R$ 4.399.610,08. Cientificado em 18/12/2007, o contribuinte, por intermédio de seus advogados e procuradores, apresentou a impugnação de fls. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005665/200783 Acórdão n.º 330200.911 S3C3T2 Fl. 283 4 50/68 em 16/01/2008, acompanhada dos documentos de fls. 69/134, deduzindo as seguintes razões de fato e de direito: • Assevera que desistiu do aproveitamento do benefício da compensação obtido na ação judicial e efetuou o recolhimento dos débitos compensados com acréscimo de multa e juros moratórios, de forma a desconsiderar as compensações até então efetuadas. • Entende que os recolhimentos foram realizados de forma espontânea, mas a Fiscalização desconsiderou tal procedimento, simplesmente alegando que o pagamento não poderia ser efetuado após o início do Mandado de Procedimento Fiscal. E consigna: Importa ressaltar que essa fiscalização sequer entrou no mérito quanto ao cabimento ou não do pagamento do PIS limitandose a desconsiderar (i) as compensações efetuadas nos prazos de vencimento do PIS, e ainda absurdamente (ii) os pagamentos dos mesmos valores que foram efetuados acrescidos de juros e multa de mora. Além disso, o agente fiscal nem mesmo atentou para os períodos base abrangidos em referido MPF (PIS 01/2002 a 12/2003), efetuando, assim, auto de infração compreendendo mais períodosbase do que aqueles previstos no MPF (PIS períodos base de janeiro de 2004 a janeiro de 2006). • Argúi a nulidade do auto de infração, na medida em que a descrição do fato e a disposição legal infringida referemse à forma de cálculo e pagamento do PIS, ao passo que em parte alguma do Auto de Infração demonstrou, por exemplo, que a Impugnante deixou de oferecer alguma receita auferida à tributação do PIS. Ao contrário, o agente fiscal reconhece, no próprio Auto de Infração emitido, que a Impugnante efetuou pagamento de PIS (com multa e juros de mora) no período entre o 20o dia da fiscalização e a data da autuação. • Opõese também à indicação do art. 149 do CTN, no qual inexiste a hipótese de pagamento feito irregularmente pelo fato de o contribuinte encontrarse sob procedimento fiscal. E reportase à jurisprudência administrativa que reconhece a nulidade em tais circunstâncias, por haver cerceamento do direito de defesa. • Consigna, também, como vício formal, o fato de a exigência reportarse a período que não está compreendido no MPF nº 08.1.24.002006007949, citando julgados administrativos em abono à sua tese. • Aduz que a fiscalização não pode pretender restringir a espontaneidade da Impugnante em relação a todos os seus períodos vez que delimitou uma data específica para sua análise. E ressalta que a desconsideração dos pagamentos espontâneos caracteriza enriquecimento ilícito pela administração pública. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005665/200783 Acórdão n.º 330200.911 S3C3T2 Fl. 284 5 • No mérito, entende improcedente a exigência porque a d. fiscalização deveria necessariamente verificar a base de cálculo de tal tributo e os valores de tributos já quitados, cobrando, então, eventual diferença recolhida a menor. Contudo, todos os valores recolhidos com multa e juros de mora foram desconsiderados pela autoridade fiscal, com o conseqüente lançamento dos exatos valores de principal que já haviam sido recolhidos através de DARF´s. • Destaca que tendo em vista que os pagamentos espontâneos foram feitos após o decurso do prazo de 20 dias, contados do termo de início do Mandado de Procedimento Fiscal, a Impugnante recolheu todos os valores acrescidos de multa de mora de 20% e mais os juros SELIC para atualização dos valores envolvidos, como estabelecido nas regras de pagamentos espontâneos. • Cita jurisprudência administrativa no sentido de dar provimento ao recurso mesmo nos casos de pagamento após o julgamento da infração, na medida em que não se pode cobrar o mesmo imposto duas vezes, e afirma que inexiste vedação ao recolhimento em atraso, independentemente de existir ou não uma fiscalização em curso. • Reportase ao disposto no art. 47 da Lei nº 9.430/97, que reconhece expressamente a possibilidade desse recolhimento em atraso de tributos federais após o início de uma fiscalização, particularmente porque veio para conceder o benefício de dispensa do pagamento de multa para tal recolhimento se efetuado até o 20o dia da data do início da fiscalização. Conclui que tal dispositivo não veda recolhimentos a partir do 21o dia do início da data fiscalização, mas apenas não concede a dispensa da multa (de mora) não existe mais a partir do 21o dia. • Invoca, ainda, o disposto nos arts. 950 e 957 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, no sentido de que as multas de mora e de ofício nunca incidem simultaneamente sobre o mesmo débito, para concluir que a multa de ofício foi indevidamente aplicada, porque os pagamentos dos valores de PIS lançados já haviam sido integralmente pagos inclusive com a incidência de multa de mora. • Consigna que a multa de ofício depende necessariamente da realização do ato administrativo de lançamento, e somente se torna devida após o lançamento, o que inviabiliza a aplicação da multa de ofício quando já houve prévio pagamento acompanhado de multa de mora. Em outras palavras, o lançamento da multa de ofício somente seria possível: (a) quando não houvesse recolhimento do tributo; ou (b) quando o tributo fosse recolhido em atraso e sem a respectiva multa de mora. • Em conclusão: se o débito fiscal foi quitado com todos os acréscimos devidos à época do seu recolhimento, não mais se poderia realizar uma autuação fiscal. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005665/200783 Acórdão n.º 330200.911 S3C3T2 Fl. 285 6 • Ainda, cita acórdão do Conselho de Contribuintes que considera indevida a multa de ofício nos casos de pagamento espontâneo do débito em atraso, entendendo necessária a prévia intimação do contribuinte para pagar no prazo de vinte dias. • Ressalta que, também os juros moratórios já pagos, estão sendo cobrados novamente, desrespeitando assim o princípio da verdade material que rege o processo administrativo, e gerando um enriquecimento sem causa para o erário público. • Subsidiariamente, mesmo que fosse devida a multa de ofício, afirma ser nulo o lançamento porque a exigência inclui valores já quitados. Tais autoridades poderiam, quando muito, ter cobrado da Impugnante a diferença de multa supostamente devida, mas nunca exigido valores que reconhecidamente já haviam sido recolhidos integralmente a título de principal e juros. Assim, ainda que não seja cancelado, devem ser no mínimo excluídos da exigência fiscal os valores já quitados e exigidos em duplicidade ao recolhimento feito antes da autuação. E acrescenta: Em vista da ilegalidade que a Administração Tributária vem perpetrando neste processo, a Impugnante consigna que se reserva de logo o direito de futuramente efetuar compensação ou solicitar restituição de quaisquer valores que sejam cobrados em duplicidade, inclusive a fim de evitar a decadência do seu crédito, caso não seja de imediato reconhecido o seu direito de cancelamento da exigência fiscal neste particular. No entanto, mesmo tendo a Impugnante perdido a espontaneidade – fato este que nunca foi discutido pela Impugnante –, esta circunstância não justifica a realização de lançamento de tributo que já havia sido pago (com multa e juros moratórios), ainda que após a perda da espontaneidade! • Ao final, pede o cancelamento do auto de infração, ou, subsidiariamente, o abatimento dos valores de PIS, da multa de mora e dos juros de mora já recolhidos em 15/02/2007, de tal forma que somente remanesça a diferença entre a multa de ofício exigida e a multa de mora recolhida, com a devolução do prazo de 30 dias legalmente previsto para apresentação de nova defesa ou pagamento com redução de 50% de seu valor, nos termos da legislação fiscal vigente (art. 6o da Lei 8.218/91 e art. 46, § 2o da Lei 9.430/96)." A DRJ cancelou a multa de ofício incidente sobre débitos indevidamente compensados, à vista das disposições do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003. No recurso, a Interessada a Interessada contestou o acórdão de primeira instância, alegando que o auto de infração seria nulo, pois “pem parte alguma do Auto de Infração demonstrou, por exemplo, que a Recorrente deixou de oferecer, alguma receita auferida à tributação da Cofins”. Quanto ao mérito, alegou o seguinte: Fl. 96DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005665/200783 Acórdão n.º 330200.911 S3C3T2 Fl. 286 7 No mérito, é importante deixar claro que era absolutamente descabida a exigência de multa de ofício sobre valores integralmente recolhidos com multa de mora e juros calculados com base na taxa SELIC, independentemente de tais valores terem sido ou não previamente declarados. Sendo assim, é improcedente a manutenção parcial da autuação com base no argumento de que seria cabível a exigência de multa de ofício sobre o PIS devido no mês de janeiro de 2006, pelo fato de tais valores não terem sido integralmente declarados anteriormente ao início da fiscalização. Passou, a seguir, a justificar suas alegações. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação ao recurso de ofício, foram as seguintes as considerações da DRJ para efetuar o cancelamento da autuação: Por todo o exposto, mesmo após o início do procedimento fiscal, e ainda que ultrapassado o prazo do art. 47 da Lei nº 9.430/96, o contribuinte tem o direito de recolher apenas com acréscimos moratórios os débitos indevidamente compensados, desde que os tenha previamente declarado em DCTF. Em conseqüência, não se sujeitará a multa de ofício sobre tais valores, e nem mesmo à multa de ofício isolada do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, desde que não se valha de DCOMP para tanto. Nos sistemas informatizados da RFB, tais requisitos estão confirmados para a quase totalidade dos débitos aqui exigidos, na medida em que os valores apurados de janeiro/2004 a maio/2005 e de julho/2005 a dezembro/2005 foram declarados e vinculados a “Outras Compensações” com “Processo Judicial” de número “8400201094”. Não há qualquer notícia de apresentação de DCOMP nestes documentos, ou mesmo nos autos do presente processo. As peças juntadas às fls. 154/204 evidenciam as informações contidas nas DCTFs ativas no início do procedimento fiscal (conforme data de recepção indicada na relação de fls. 152/153) e confirmam os dados por amostragem apresentados pela fiscalização às fls. 32/40. Na sequência, juntamse as retificações de DCTF ativas no momento do lançamento (fls. 205/234) e na atualidade (fls. 235/263), por meio das quais o contribuinte desfez a vinculação a compensação nos períodos antes referidos, passando a indicar pagamento em todos eles. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005665/200783 Acórdão n.º 330200.911 S3C3T2 Fl. 287 8 Logo, impõese a exoneração da multa de ofício aplicada aos débitos exigidos de janeiro/2004 a dezembro/2005. Nesse contexto, o art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, dispôs o seguinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Tratase, portanto, de nova multa, tendo sido excluída da legislação a previsão anterior. Aplicamse, dessa forma, as disposições do art. 106, II, do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe esclarecer que a Interessada, sem apresentar declaração de compensação, vinculou em DCTF os débitos à hipótese de suspensão de exigibilidade (“outros”) em razão de processo judicial. Vale dizer, efetuou vinculação completamente indevida em DCTF, como se o processo judicial lhe permitisse deixar de recolher os débitos em face de sua suposta suspensão. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005665/200783 Acórdão n.º 330200.911 S3C3T2 Fl. 288 9 Entretanto, conforme anteriormente esclarecido, no caso de declaração de tributos em DCTF, somente seria cabível a aplicação da multa se houvesse compensação indevida por meio de declaração de compensação. Portanto, a multa é inexigível nesses casos. Quanto ao recurso voluntário, a Interessada alegou preliminarmente nulidade da autuação. Em relação ao MPF, o entendimento que tem prevalecido no Carf é o de que o MPF é antes um instrumento de controle interno e não um elemento formal imprescindível para a ação fiscal, a ponto de alguma irregularidade representar nulidade do procedimento fiscal. A rigor, não se trata de instrumento previsto em lei como requisito necessário à competência do agente fiscal para investigar infrações de natureza tributária, de forma que a ausência de prorrogação não infringe a lei. É importante ressaltar que, em decisões recentes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos CSRF/0105.189, de 2005, 0105.558, de 2006, 0202.187, de 2006) afastou a configuração da nulidade do lançamento em função de irregularidade e falta de MPF. Há que se considerar, ainda, que todo e qualquer MPF prevê as chamadas “verificações obrigatórias”, que permitem a conferência dos valores declarados com os devidos de acordo com a escrituração do contribuinte. Nesse contexto, o débito de janeiro está abrangido pelas verificações obrigatórias, uma vez que não tinha sido declarado. Portanto, inexiste nulidade no procedimento em questão. Em relação às demais alegações de nulidade, devese esclarecer que os fundamentos alegados são incoerentes com a conclusão, uma vez que, da eventual desconsideração de pagamentos e compensações, deveria resultar cancelamento de mérito da autuação e não sua nulidade. Nesse contexto, esclareçase ainda que o acórdão de primeira instância considerou inexistir espontaneidade em relação, dando razão à Interessada apenas em relação à imputação proporcional dos pagamentos efetuados com multa de mora. Dessa forma, ao contrário do alegado no recurso, o acórdão não decidiu pelo cancelamento de 99% da autuação, pois somente cancelou a multa de ofício de forma parcial. Decidiu, sim, que o lançamento seria procedente e que os valores pagos poderiam ser imputados, o que é algo totalmente diverso. Portanto, no recurso, a Interessada deixou de contestar o acórdão de primeira instância em relação a essa matéria, contestando apenas a validade formal do auto de infração e o lançamento referente ao período de janeiro de 2006. Mas, conforme esclarecido pelo acórdão de primeira instância, não havendo declaração (constituição do crédito tributário) até a data de início de fiscalização, o lançamento Fl. 99DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005665/200783 Acórdão n.º 330200.911 S3C3T2 Fl. 289 10 é cabível, pois a partir daí já não é mais possível ao sujeito passivo efetuar confissão de dívida nem agir espontaneamente em relação à aplicação da multa. Esclareçase que o art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, prevê sua incidência nos casos de falta de declaração ou de recolhimento. Portanto, ainda que haja eventual recolhimento após o início da ação fiscal, a falta de declaração implica a exigência da multa. É importante destacar que não é o MPF ou seu conteúdo material ou formal que delimitam a espontaneidade, mas, sim, conforme prevê o art. 7º, § 1º, do Decreto no 70.235, de 1972, “O início do procedimento”, representado pelo “primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto”. Dessa forma, qualquer termo que tenha sido lavrado anteriormente à data dos pagamentos efetuados seria suficiente para excluir a espontaneidade. No auto de infração, a Fiscalização esclareceu que, “No Termo de Início de Fiscalização, também cientificado em 22/12/2006, item 4, foi solicitado o Demonstrativo de apuração dos valores do PIS que não foram recolhidos pela empresa em virtude de ação judicial movida na justiça federal, ação essa que suportasse definitivamente a falta de recolhimento dos referidos valores, nos termos da legislação”. É o que se verifica do exame do termo de início de ação fiscal. Portanto, quando a Interessada efetuou os recolhimentos, já havia sido excluída sua espontaneidade. À vista do exposto, voto por negar provimento a ambos os recursos. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Walber José da Silva Dou provimento ao Recurso de Ofício porque a recorrente fraudou a DCTF ao declarar extintos os débitos por compensação inexistente (ou os vincular a compensação), posto que a compensação somente se efetua (ocorre, existe) com a apresentação da Declaração de Compensação (DCOMP) e a recorrente nunca apresentou DCOMP. Portanto, nenhuma extinção de débito por compensação declarada pela recorrente em DCTF existia, servindo a DCTF assim apresentada ao único fim de evitar que o Fisco viesse a exigir o pagamento dos referidos débitos. A recorrente violou o art. 74 da Lei 9.430/96 (com a redação da Lei nº Fl. 100DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005665/200783 Acórdão n.º 330200.911 S3C3T2 Fl. 290 11 10.637/02 e alterações posteriores) ao deliberadamente declarar em DCTF suposta compensação, que sabia inexistir. Por outro lado, a decisão recorrida partiu do falso pressuposto de que houve compensação, quando está provado que compensação nunca houve. Portanto, não se aplica aqui o disposto no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/01 porque compensação (devida ou indevida) não houve. O que houve foi falsa declaração de extinção de crédito tributário em DCTF e, portanto, ao caso aplicase literalmente o disposto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (pura e simples), conforme consignado no Auto de Infração, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Quanto ao Recurso Voluntário, nada a reformar na decisão recorrida e, portanto, acompanho o voto do Ilustre Conselheiro Relator. Pelas razões acima, voto no sentido de dar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 101DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 19515.002208/2007-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
e
Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/10/2004
Ementa: RECEITAS DAS AGÊNCIAS DE PROPAGANDA E
PUBLICIDADE.
Os valores recebidos pelas agências de propaganda, ou incluídos em suas
notas fiscais, e devidos pelos anunciantes aos veículos de divulgação não é
receita da agência e, conseqüentemente, não integram a base de cálculo do
PIS e da Cofins.
Recurso de Ofício e Recurso Voluntário Providos em Parte
Numero da decisão: 3302-00.962
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Paulo Rogério Sehn, OAB/SP 109361.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2001 a 31/10/2004 Ementa: RECEITAS DAS AGÊNCIAS DE PROPAGANDA E PUBLICIDADE. Os valores recebidos pelas agências de propaganda, ou incluídos em suas notas fiscais, e devidos pelos anunciantes aos veículos de divulgação não é receita da agência e, conseqüentemente, não integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. Recurso de Ofício e Recurso Voluntário Providos em Parte
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Os valores recebidos pelas agências de propaganda, ou incluídos em suas notas fiscais, e devidos pelos anunciantes aos veículos de divulgação não é receita da agência e, conseqüentemente, não integram a base de cálculo do PIS e da Cofins. Recurso de Ofício e Recurso Voluntário Providos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Paulo Rogério Sehn, OAB/SP 109361. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 07/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 466DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, relativos a fatos geradores ocorridos entre maio de 2001 e outubro de 2004, tendo em vista que a Fiscalização constatou a empresa deixou de incluir na base de cálculo das exações os valores faturados e repassados aos veículos de comunicação. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 9a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP julgou parcialmente procedente o lançamento, para reconhecer a decadência até o PA 07/2001 e para admitir a utilização dos créditos escriturados previamente pela recorrente, nos termos do Acórdão no 16 20.905, de 27/03/2009, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2001 a 31/10/2004 AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO. Inexistia previsão legal à época dos fatos autorizando as agências de propaganda e publicidade excluir da base de cálculo da COFINS os valores repassados a terceiros (veículos de divulgação). COFINS NÃO CUMULATIVO. DESCONTO DE CRÉDITOS NÃO CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO. ERRO. Confirmada em diligência, devese exonerar as parcelas relativas aos créditos de COFINS não cumulativo informados no DACON e não considerados pela fiscalização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2001 a 31/10/2004 AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO. Inexistia previsão legal à época dos fatos autorizando as agências de propaganda e publicidade excluir da base de cálculo do PIS os valores repassados a terceiros (veículos de divulgação). PIS NÃO CUMULATIVO. DESCONTO DE CRÉDITOS NÃO CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO. ERRO. Confirmada em diligência, devese exonerado as parcelas relativas aos créditos de PIS não cumulativo informados no DACON e não considerados pela fiscalização. Fl. 467DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.002208/200776 Acórdão n.º 330200.962 S3C3T2 Fl. 386 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2001 a 31/10/2004 DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante n° 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2001 a 31/10/2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Somente será considerado nulo o lançamento, se presente quaisquer das situações previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. Lançamento Procedente em Parte. A turma de julgamento recorreu de ofício da parte exonerada. Ciente desta decisão em 22/05/2009 (fl. 336), a interessada ingressou, no dia 23/06/2009, com o recurso voluntário de fls. 337/358, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 as receitas de terceiros (veículos de comunicação) representam meras entradas e não receita da Recorrente, razão pela qual não há base constitucional e legal para compelir a Recorrente à apuração e pagamento do PIS e da COFINS sobre elas. Os serviços prestados pelos meios de comunicação foram contratados pela Recorrente em nome de seus clientes, na forma autorizada pela legislação que regula a atividade de propaganda e publicidade; e 2 na remota hipótese de entenderse pela exigibilidade do PIS e da COFINS sobre receitas de terceiros, a Recorrente, no mínimo, teria direito de tomar proveito dos créditos decorrentes da contratação dos veículos de comunicação, os quais se qualificariam, então, como insumo na prestação de seus serviços. Na forma regimental, os recursos voluntário e de ofício foram distribuídos a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva Fl. 468DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos preceitos legais. O recurso de ofício também atende aos requisitos legais. Portanto conheço a ambos os recursos. Como relatado, a empresa recorrente foi autuada porque não incluiu na base de cálculo do PIS e da Cofins o valor recebido de seus clientes para pagar serviços de divulgação por eles contratados juntos a veículos de divulgação, conforme prevê a legislação da atividade da recorrente (agência de propaganda). A empresa autuada é uma agência de propaganda, cujas atividades são regidas pela Lei nº 4.680/65, regulamentada pelo Decreto nº 57.690/66. A Recorrente pretende ver excluído da tributação do PIS e da Cofins o valor incluído em suas faturas e pertencentes a terceiros, especialmente aos veículos de divulgação. A autoridade lançadora e o Acórdão recorrido sustentam que todos os valores incluídos nas faturas da Recorrente são receitas dela e, nesta qualidade, devem integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, conforme preceitua a Lei nº 9.718/98, independentemente do tipo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica e da classificação contábil adotada. Ao julgar o Recurso Voluntário nº 120.728, cujo interessado também é a Recorrente, a Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes se manifestou no sentido de que os valores constantes das faturas das agências de propaganda e pertencentes a terceiros, notadamente aos veículos de divulgação, não é receita da agência e, nesta qualidade, não pode integrar a base de cálculo do PIS, nos termos do Acórdão nº 20177.363, cujos fundamentos adoto. O mesmo entendimento aplicase à Cofins. O cerne da lide centrase na identificação da receita das agências de propaganda, ou seja, todos os recursos que ela recebe, incluídos em suas notas fiscais ou faturas, se constitui, de fato, em receita própria ou parte é receita de terceiros. A Fiscalização e o Acórdão recorrido entendem que sim, que todos os valores constantes das notas fiscais ou faturas das agências de propaganda são receitas próprias e, nesta qualidade, devem integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins. A Recorrente sustenta que não, que a legislação que regulamenta sua atividade (Lei nº 4.680/65 e Decreto nº 57.690/66) determina que a remuneração recebida pelas agências de propaganda (honorários) corresponde a um percentual do valor cobrado pelos veículos de divulgação e que estes prestadores de serviços emitem a nota fiscal em nome dos seus clientes anunciantes, a quem compete pagar tais despesas, diretamente aos prestadores de serviços ou via agência de propaganda. A Lei nº 4.680/65 e o Decreto nº 57.690/6 deixam claro que a agência de propaganda não presta serviço de divulgação, portanto, não vende este serviço a seus clientes para, em seguida, subcontratálos com empresas (ou veículos) de divulgação. Somente nesta hipótese é que o valor desse serviço integraria sua receita e seria tributado pelo PIS e pela Cofins. Pelos fatos narrados no Auto de Infração, a Recorrente foi acusada de ter excluído indevidamente da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores dos serviços de divulgação contratados por seus clientes junto a veículos de divulgação e incluídos em suas faturas ou notas fiscais. De fato, não há previsão legal para excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins receitas próprias transferidas a terceiros, a exemplo de subempreitada ou de pagamento de comissão. Fl. 469DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.002208/200776 Acórdão n.º 330200.962 S3C3T2 Fl. 387 5 No caso sob exame, a legislação reguladora da atividade da Recorrente deixa claro que não há subempreitada por parte das agências de propaganda, especialmente na divulgação da propaganda. A subempreitada se caracteriza pela contratação de um serviço por uma empresa A, que assume o compromisso de sua realização. Para tal fim, a empresa A contrata uma terceira empresa B, que executa o serviço e emite a nota fiscal em nome da empresa A, que fica obrigada a pagar o preço do serviço contratado, independente de seu cliente encomendante efetuar ou não o pagamento do serviço executado. No caso do serviço de divulgação de propaganda, não há subempreitada por parte a agência de propaganda. O que há é o agenciamento do serviço, que é contratado pela agência de propaganda em nome de seu cliente anunciante, a quem compete efetuar o pagamento pelo serviço de divulgação prestado pelo veículo de divulgação, quer diretamente, quer via agência de propaganda. Não faz diferença. A agência de propaganda não tem responsabilidade pela falta de pagamento do serviço de divulgação ou qualquer outro serviço contratado em nome do seu cliente. É o que se depreende dos seguintes dispositivos do Decreto nº 57.680/66. Art 1º A profissão de Publicitário, criada pela Lei nº 6.680, de 18 de junho de 1965, e organizada na forma do presente Regulamento, compreende as atividades daquele que, em caráter regular e permanente, exercem funções artísticas e técnicas através das quais estudase, concebese, executase e distribuise propaganda. (...) Art 3º As atividades previstas no Art. 1º dêste Regulamento, serão exercidas nas Agências de Propaganda, nos Veículos de Divulgação ou em qualquer emprêsa nas quais se produz a propaganda. (...) Art 6º Agência de Propaganda é a pessôa jurídica especializada nos métodos, na arte e na técnica publicitários, que, através, de profissionais a seu serviço, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de clientes anunciantes, com o objetivo de promover a venda de mercadorias, produtos e serviços, difundir idéias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições a que servem. (...) Art.7oOs serviços de propaganda serão prestados pela Agência mediante contratação, verbal ou escrita, de honorários e reembolso das despesas previamente autorizadas, tendo como referência o que estabelecem os itens 3.4 a 3.6, 3.10 e 3.11, e respectivos subitens, das NormasPadrão da Atividade Publicitária, editadas pelo CENP Conselho Executivo das NormasPadrão, com as alterações constantes das Atas das Reuniões do Conselho Executivo datadas de 13 de fevereiro, 29 de março e 31 de julho, todas do ano de 2001, e registradas no Cartório do 1o Ofício de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da cidade de São Paulo, Fl. 470DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 respectivamente sob no 263447, 263446 e 282131. (Redação dada pelo Decreto nº 4.563/2002). Art 8º Consideramse Clientes ou Anunciante a entidade ou indivíduo que utiliza a propaganda. Art 9º Nas relações entre a Agência e o cliente serão observados os seguintes princípio básicos. (...) IV O Cliente comprometerseá a liquidar à vista, ou no prazo máximo de trinta (30) dias, as notas de honorários e de despesas apresentadas pela Agência. Estes dispositivos deixam claro que a agência de propaganda contrata serviços de terceiros, não em seu nome, mas por ordem e conta do cliente anunciante, sendo deste a responsabilidade pelo pagamento dos serviços contratos. As notas fiscais dos prestadores de serviços (divulgação, impressão, filmagem, etc.) são emitidas pelos prestadores do serviço em nome do cliente anunciante, que de fato contratou o serviço (via agência), e apresentadas pela agência de propaganda ao cliente anunciante através da Nota Fiscal própria desta atividade, onde consta o valor dos honorários (serviços prestados pela agência) e o valor dos serviços prestados ao cliente anunciante por terceiros, devidamente comprovado pelas notas fiscais dos prestadores de serviços, emitidas contra o cliente anunciante. A receita faturada pela agência é somente o valor dos honorários (ou comissão) calculados sobre o valor dos serviços contratados por conta e ordem do cliente anunciante. Os outros valores constantes da nota fiscal da agência representam receita (do prestador de serviços) e despesa (do cliente anunciante) de terceiros. Desta forma, sem razão o Acórdão recorrido ao afirmar que a Lei nº 9.718/98 inclui os valores glosados como receita da agência de propaganda e não autoriza a sua exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, pois tais valores não são receitas da agência de propaganda. Apenas para ilustrar, vejamos o que dizem os autores do livro Imposto de Renda das Empresas (ed. Atlas, 26ª Ed., 2001, p. 150), Hiromi Higuchi e Celso Higuchi sobre as receitas de terceiros incluídas em faturas de empresas: Em alguns casos, as empresas recebem, no mesmo documento, destacadamente, receitas próprias e receitas de terceiros. Nessa hipótese, não há necessidade de lei autorizando a exclusão do valor repassado para terceiros na base de cálculo de tributos, inclusive de PIS/Pasep e Cofins. Isso porque, originariamente, essas receitas não pertencem à pessoa jurídica arrecadadora. O fato ocorre, por exemplo, nas empresas de telefonia. Além das receitas pertencentes a outras empresas de telefonia, é comum a cobrança de receitas de terceiros como mensalidades de internet, doações para UNICEF etc”. Diante do colocado, entendo que não há como ser mantida a decisão vergastada neste particular. Está provado que as receitas incluídas pela Fiscalização não são receitas da recorrente. Sobre os efeitos do art. 13 da Lei nº 10.925/2004, entendo que este dispositivo legal é meramente interpretativo e, como acima já se disse, o extinto Segundo Fl. 471DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19515.002208/200776 Acórdão n.º 330200.962 S3C3T2 Fl. 388 7 Conselho de Contribuinte tinha o entendimento no mesmo sentido de referido dispositivo legal, o qual comungo integralmente. Portanto, não aplico ao caso o ADI nº 8/2005 da SRF. Sobre o pedido alternativo da recorrente para considerar, no período tributado pela sistemática da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, os créditos decorrentes dos custos incorridos, representados pelos serviços de divulgação, não há como prosperar. Não pela razão suscitada na decisão recorrida (direito não exercido), mas pelo simples fato de que tais despesas são do cliente anunciante e não da recorrente. Tanto é que as notas fiscais dos veículos de comunicação são emitidas em nome do cliente anunciante e não em nome da agência. Quanto ao recurso de ofício, entendo que a decisão recorrida também deve ser modificada para devolver à recorrente os créditos utilizados na exoneração promovida pela decisão de primeira instância, devendo primeiramente ser excluído da base de cálculo os valores que não representam receita da recorrente, acima referidos, para só depois utilizar os créditos escriturados pela recorrente, caso resulte ainda em débitos não pagos ou não declarados pela recorrente, tanto de PIS como de Cofins. Com relação à decadência reconhecida pela decisão recorrida, não vejo reparos a fazer posto que obedeceu os estritos ditames da legislação de regência, aí incluído a Súmula Vinculante nº 8, do STF. Por estas razões, e por tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de: (i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo das exações os valores que não representam receita da recorrente, acima referidos; (ii) dar provimento parcial ao recurso de ofício para determinar que o saldo dos créditos da recorrente utilizados na decisão recorrida, após a retificação da base de cálculo antes referida, seja restituído à recorrente para futuras e regulares compensações em sua conta gráfica. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 472DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10980.004257/2007-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004
MULTA DE MORA. PAGAMENTO INTEMPESTIVO. CABIMENTO.
A exigência de multa de mora é devida quando comprovado que o pagamento do débito foi realizado a destempo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.302
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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PAGAMENTO INTEMPESTIVO. CABIMENTO. A exigência de multa de mora é devida quando comprovado que o pagamento do débito foi realizado a destempo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Jose Luiz Novo Rossari Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Luiz Novo Rossari, Mara Cristina Sifuentes, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, e Antônio Spolador Júnior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Curitiba, a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão nº 0623.809, proferido em 23 de setembro de 2009 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 2 Trata o presente processo do Auto de Infração n° 0011110, às fls. 20/27, cientificado em 21/03/2007 (fl. 80), em que são exigidos R$ 1.403,15 de multa de mora não paga, com fundamento no art. 160 da Lei n° 5.172, de 1966, art. 43 e 61 e §§. 1° e 2º da Lei n° 9.430, de 1996, e art. 90, par. único, da Lei nº 10.426, de 2002. O lançamento fiscal originouse de Auditoria Interna na DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2004, em que se constatou a falta de pagamento de acréscimos legais. Em 19/04/2007, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01/10, acompanhada dos documentos de fls. 11/71, onde alega, em síntese, a ocorrência de equívocos na apuração do débito e a denúncia espontânea da infração, a teor do art. 138 do CTN. Transcreve jurisprudência e requer o cancelamento do lançamento. Requer, ainda, que lhe seja possibilitada a retificação do DACON e da DCTF para que possa ingressar com pedido de restituição. Posteriormente, em 23/04/2007, a contribuinte solicitou a juntada de documentos (cópia) pessoais do sócio da empresa (fls. 72/73). À fl. 78, despacho do Secat da DRF em Curitiba propondo a manutenção da exigência.. No voto condutor do acórdão recorrido a DRJ afirma que, em síntese: A impugnante informa que ao apurar os valores devidos a título de PIS teria se equivocado na interpretação do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Diz, também, que, em relação aos mesmos períodos, teria recolhido valores de PIS nãocumulativa e de PIS cumulativa. Salienta, inclusive, que "os valores pagos em 29/05/2006 com o intuito da Denúncia Espontânea devem ser objeto de indébito tributário". Como se vê, a impugnante pretende, via impugnação a lançamento de multa de mora (isolada), que se reconheça não só a existência de erros na apuração dos débitos mas, e principalmente, a existência de indébito tributário, passível de restituição. Tais questões, no entanto, não podem ser tratadas no presente âmbito. O processo ora sob análise, como já ressaltado, foi formalizado apenas para a exigência da multa de mora (isolada) sobre os valores devidos a título de PIS (em 02 e 03/2004) recolhidos a destempo sem o pertinente acréscimo. Eventuais erros na apuração do débito e, até mesmo, os pedidos de restituição de valores acaso pagos a maior ou indevidamente, seguem trâmites que não se confundem com o presente. Nesse contexto, já que não dizem respeito à exigência e a questão, deixase de tomar conhecimento de tais alegações (pelos mesmos motivos, resta prejudicado o pedido para que seja possibilitada a retificação do DACON e da DCTF do 1º trimestre de 2004, com vistas à repetição do suposto indébito). Conforme relatado, a impugnante alega a denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN). Transcreve jurisprudência e pede o cancelamento do lançamento. O art. 161 do CTN dispõe que o crédito não integralmente pago no vencimento deverá ser acrescido dos juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. Inserese no rol das penalidades a multa de mora. O próprio CTN, no art. 134, parágrafo único, adota esse entendimento, ao dispor, nos casos em que especifica, em matéria de penalidades, a aplicação tãosomente das de caráter moratório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10980.004257/200782 Acórdão n.º 320200.302 S3C2T2 Fl. 103 3 Assim, constituindo o CTN um conjunto de normas gerais, visando de modo precípuo ao legislador ordinário e não ao sujeito passivo, admitir a literal aplicação do art. 138 do CTN no caso ora em exame equivaleria a admitir uma moratória geral e indiscriminada. Além do que, adotar uma interpretação extensiva de seus efeitos, no sentido de excluir a penalidade moratória, seria contrariar toda a legislação tributária que cuida de sua aplicação.[...] Uma leitura mais atenta do art. 138 nos permite inferir que o que emerge de seu conteúdo encontrase adstrito à exclusão da penalidade de cunho punitivo. Já a multa de mora não se destina a imputar falta ao sujeito passivo, mas diversamente, compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no recebimento de receita previamente determinada, portanto é de natureza exclusivamente indenizatória. Ademais, por se tratar de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o fato de a contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente, como no presente caso. Tal entendimento, aliás, já foi pacificado inclusive no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. É o que se extrai da Súmula IV 360, abaixo transcrita: O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. O art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB), cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitado a 20 % (vinte por cento). Por sua vez, o art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Com efeito, estando a multa de mora expressamente prevista na legislação e submetendose a administração tributária ao princípio constitucional da legalidade, princípio basilar e norteador de toda a administração pública, não tem a autoridade tributária competência para afastar os efeitos de lei inquestionavelmente em vigor. Desse modo, com esteio nas normas legais pertinentes podese inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher o tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruções da Secretaria da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. Nesse contexto, não tendo a contribuinte logrado afastar os pressupostos legais que ensejaram o lançamento no que diz respeito à cobrança da multa de mora não paga, considerase acertado o feito. Quanto à jurisprudência apresentada, em face da inexistência de norma legal que lhe confira eficácia normativa, não pode ser estendida administrativamente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 4 Posto isso, voto para que seja julgado procedente o lançamento, mantendose a exigência de R$ 1.403,15 de multa de mora isolada. A empresa apresentou Recurso Voluntário, onde, em síntese, traz as seguintes alegações e pedidos: O procedimento da recorrente se amolda ao previsto no artigo 138 da lei 5.172 de 25 de outubro de 1966, ou seja ao Instituto da Denúncia espontânea, que assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único: Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Vejamos que o recolhimento foi efetuado conforme exigido na referida lei, e demonstrado conforme DARF e realizado antecipadamente a qualquer medida administrativa ou de fiscalização do fato ocorrido por parte do Erário Público. [...] Decisões administrativas, em seus órgãos colegiados, já tem aderido à tese de que a multa de mora não passa de uma sanção e assim não podendo ser imposta ao não responsável, ficando o infrator com direito subjetivo de exclusão da mesma, com fulcro no artigo 138 do CTN. (Cita diversos acórdãos de diversas câmaras e do CSRF).[...] Reiteramos que em relação ao Conselho de contribuintes o entendimento é pacífico quanto a possibilidade de aproveitamento do Instituto da Denúncia espontânea, para excluir a multa moratória, do pagamento do principal quando acompanhado da correção e dos juros devidos, como é o caso da recorrente. É importante, também analisarmos o entendimento do poder judiciário quanto a matéria. Assim destacamos o precedente do Tribunal federal da 4ª Região e jurisprudências do STJ Superior Tribunal Judiciário. Como precedente temos a apelação em Mandato de segurança n°2005.71.00.0150127 RS, publicado no diário da Justiça da União n° 98 de 24/05/2006, Comarca DJU 2 T.R.F. 4ª REGIÃO Vara 1ª TURMA BOL. 252, página 585 Item: 2º Seção: 2. [...] É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10980.004257/200782 Acórdão n.º 320200.302 S3C2T2 Fl. 104 5 Do mérito O cerne da questão se restringe à possibilidade da aplicação da multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9430/96, nos casos de pagamento dos tributos fora do prazo mas antes de qualquer procedimento fiscal . A recorrente alega em sua defesa que estaria amparada pelo instituto da denúncia espontânea e por isso, respaldada por diversos julgados do CARF e também do judiciário, não se aplicaria a multa de mora, por ser seu caráter punitivo. Entretanto, apesar das decisões que fazem coro a esta linha de raciocínio, este não é o meu entendimento. Acompanho o parecer da DRJ quanto ao esclarecimento que: a multa de mora não se destina a imputar falta ao sujeito passivo, mas diversamente, compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no recebimento de receita previamente determinada. E é clara a disposição do art. 61 da Lei nº 9430/96 quando enuncia: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Mara Cristina Sifuentes Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 20/07/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, 18/07/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
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Numero do processo: 35569.003239/2006-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2003
Ementa:
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS NOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não
relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, Código FPAS, enseja infração aos artigos 32, inciso IV, § 6º da Lei n.º 8.212/91 e 284, inciso III, do Regulamento da Previdência Social.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA
MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, CONVERTIDA NA Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.000
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei
n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Também foi reconhecida a decadência parcial.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2003 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS NOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, Código FPAS, enseja infração aos artigos 32, inciso IV, § 6º da Lei n.º 8.212/91 e 284, inciso III, do Regulamento da Previdência Social. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, CONVERTIDA NA Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Outros Dados Recorrente MARIO CATULO GIANESE COLAÇO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2003 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇAO ACESSÓRIA APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS NOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, Código FPAS, enseja infração aos artigos 32, inciso IV, § 6 º da Lei n.º 8.212/91 e 284, inciso III, do Regulamento da Previdência Social. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, CONVERTIDA NA Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, incisoI da Lei n º 8.212 de 1991. Também foi reconhecida a decadência parcial. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Da Costa e Silva, Thiago D Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Ausência momentânea : Thiago D’ Avila Melo Fernandes Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35569.003239/200694 Acórdão n.º 230201.000 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em 28/07/2006, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §6º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 6º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso III, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s das competências 01/1999 a 05/2003, o código relativo às empresas optantes do SIMPLES, quando não é inscrito no programa e não comprovou a opção. Após a apresentação de impugnação, Acórdão de fls. 44/48, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo alegando que poderia se inscrever no SIMPLES, conforme lhe facultou decisão judicial, que não foi intimado a apresentar o termo de opção e que a pessoa que recebeu o MPF não era representante da empresa, motivo pelo qual requer a nulidade do AI. Não forma apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. O auto de infração em tela compreende as competências de 01/1999 a 05/2033 e foi lavrado em 28/07/2006, com ciência ao sujeito passivo em 04/08/2006. Portanto, há que ser observada de ofício matéria de ordem pública como a decadência parcial do período autuado já que o Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e editou a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: “Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Por sua vez, os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...) Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35569.003239/200694 Acórdão n.º 230201.000 S2C3T2 Fl. 3 5 quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Por força dos dispositivos acima transcritos, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional artigo , artigo 173, inciso I, uma vez que se trata de auto de infração e não há recolhimento previdenciário parcial, devendo ser excluídas do lançamento as competências até 11/2000, inclusive: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Não assiste razão à recorrente quanto à tese de nulidade da autuação por ter sido o Mandado de Procedimento Fiscal MPF recebido por pessoa que não o representante legal da empresa. O artigo 4º do Decreto n.º 3669/2001, que disciplina o planejamento das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal e para a execução de procedimentos fiscais com vistas à apuração e cobrança de créditos previdenciários, estabelece que o MPF seja cientificado ao sujeito passivo, nos termos do artigo 23, do Decreto n.º 70235/72, o qual diz que a intimação será provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto: Art. 4º O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pelos órgãos competentes, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Assim, o MPF foi regularmente recebido na empresa por funcionário da mesma e não se comprovou qualquer irregularidade ou cerceamento de defesa, já que a autuada apresentou defesa e recurso tempestivamente, demonstrando ciência e compreensão da autuação. Do exame da legislação que instituiu e disciplina o mandado de procedimento fiscal, constatase sua finalidade essencial: segurança ao contribuinte quanto à regularidade e imparcialidade do procedimento de fiscalização, afastandose pseudoações fiscais. Esta argumentação já seria mais do que suficiente para afastar a preliminar suscitada, contudo, vale registrar em caráter subsidiário que a nulidade do lançamento é causada pela falta de precedência do MPF, conforme expressamente consignado no artigo 32, Inciso III da Portaria MPS n° 520/2004. A finalidade do MPF é conferir ciência ao contribuinte do procedimento fiscal. Ora, no presente caso resta induvidosa a ciência prévia do procedimento que sustentou a autuação Ademais, quanto ao procedimento da fiscalização e formalização da autuação não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23, acima transcrito, do mesmo Decreto. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35569.003239/200694 Acórdão n.º 230201.000 S2C3T2 Fl. 4 7 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. A apresentação de GFIP com informações inexatas no campo relativo à opção pelo SIMPLES se constitui em infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, § 6º da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Lei n.º 9.528/97. Vejamos o que diz o dispositivo legal: Art. 32. A empresa é também obrigada a : ... IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio de documento a ser definido em regulamento (grifamos) dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. O artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, traz no seu inciso IV, que a empresa é obrigada a prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do Instituto. O parágrafo 6º, do já citado artigo 32, inciso IV da Lei n.º 8.212/91, diz que a apresentação de documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no artigo 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no § 4º, do mesmo artigo. O artigo 92, da Lei n.º 8.212/91, estabelece o valor mínimo a ser tomado como base e que vem sendo atualizado pelas Portarias emitidas pelo Ministério da Previdência e Assistência Social. A autuação, no que concerne à informação errônea no código do SIMPLES, seu deu, justamente, porque a recorrente não comprovou que está inscrita no sistema. A menção que faz para dizer que está abrigada em decisão judicial impetrada por sindicato patronal que lhe faculta a opção, em nada modifica a autuação, posto que a faculdade de inscreverse no Sistema não supre a efetiva inscrição e opção pelo mesmo. Da mesma forma, é inócua a assertiva de que o fisco não solicitou, através de TIAD, o termo de opção, eis que no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal a empresa consta como não optante do SIMPLES, fls. 43, sendo desnecessária a intimação para a apresentação de termo inexistente. É de se salientar também, que a informação errônea alterou o valor das contribuições, pois a empresa passa a dever apenas o valor descontado dos segurados, já que a optante pelo SIMPLES tem as contribuições patronais substituídas. No entanto, até a competência 05/2003, as informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias eram capituladas no Código de Fundamento Legal 69, a que se refere este auto de infração. A partir da competência 06/2003, a informação errônea nos campos da GFIP, que reduzem o valor das contribuições previdenciárias, foram incluídas entre as infrações capituladas no código de fundamentação legal — CFL68, em razão das alterações previstas no Decreto 4.729/03, que deu nova redação ao art. 284 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Por derradeiro é de se notar que, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 8DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35569.003239/200694 Acórdão n.º 230201.000 S2C3T2 Fl. 5 9 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos." Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional e excluir da autuação as competências até 11/2000, inclusive, devendo a multa ser calculada considerando as disposições do artigo 32A , inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/05/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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