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Numero do processo: 13706.000350/2008-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO.
Os rendimentos recebidos pelos anistiado s político s, nos termos da Lei nº 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda apenas a partir de 29 de agosto de 2002. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda dos rendimentos relacionados § 1º do Decreto nº 4.897/03 não está condicionada a prévio requerimento de substituição do pagamento daqueles rendimentos pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela Lei nº 10.559/2002.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.786
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ISENÇÃO. Os rendimentos recebidos pelos anistiado s político s, nos termos da Lei nº 10.559, de 2002, são isentos do imposto de renda apenas a partir de 29 de agosto de 2002. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO. A isenção do imposto de renda dos rendimentos relacionados § 1º do Decreto nº 4.897/03 não está condicionada a prévio requerimento de substituição do pagamento daqueles rendimentos pelo regime de prestação mensal, permanente e continuada, instituído pela Lei nº 10.559/2002. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13706.000350/200836 Acórdão n.º 220201.786 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, EUNICIO PRECILIO CAVALCANTE , foi lavrada Notificação de Lançamento de fls. 02/04, que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício 2005, anocalendário 2004 (fls. 18/20), de imposto a restituir de R$ 2.161,43, para imposto a pagar de R$ 574,31. O valor lançado referese ao imposto de renda suplementar de R$574,31, acrescido de multa de oficio de 75% e de juros de mora calculados até dezembro de 2007, perfazendo um crédito tributário total de R$ 1.220,75. O lançamento decorreu de procedimento de revisão interna da declaração de rendimentos do contribuinte, no qual, conforme "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" à fl. 03, foi apurada omissão de rendimentos pagos pelo Comando da Marinha, no valor de R$ 35.512,00. Cientificado do lançamento em 14/01/2008 (fl.17), o interessado apresentou impugnação, em 24/01/2008 (fl.01), alegando que é anistiado político e, portanto, os rendimentos considerados omitidos são isentos por força da Lei n° 10.559, de 13/11/2002. Foram juntados aos autos decisão proferida pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, relativa ao requerimento protocolado pelo interessado sob n 2 2001.03.01045 (fl. 28), bem como Ata de Julgamento referente a esta decisão (fl.29). Os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II, proferiram Acórdão que considerou procedente o lançamento, nos termos da Ementa a seguir transcrita. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 ANISTIA POLÍTICA. INCIDÊNCIA DE IR. As aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza percebidos pelos já anistiados políticos, civis ou militares, a partir de 29 de agosto de 2002 são isentos do Imposto de Renda, desde que o beneficiário tenha solicitado, mediante requerimento ao Ministério da Justiça, a sua substituição pelo regime de reparação econômica instituído pela Lei n2 10.559, de 2002. ANISTIA POLÍTICA. RESTITUIÇÃO DO IRRF. Os rendimentos percebidos a partir de agosto de 2002, em decorrência de anistia política, sobre os quais houve retenção de imposto de renda na fonte, deverão ser informados como tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, enquanto não verificada a substituição de regime prevista no art. 19 da Lei n2 10.559, de 2002. Impugnação Improcedente Fl. 65DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 O contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. Que podem ser sintetizados da seguinte forma: 1. O requerente é anistiado político, conforme decisão transitada em julgado do Egrégio Tribunal Regional Federal da 2a Região, como se lê na publicação da portaria, no DOUSEÇÃO II n° 111, ISSN 16762347, de sextafeira, 11 de junho de 2004. Assim como por decisão da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, no processo 2001.03.01045 que julgou o pedido procedente e reconheceu a decisão judicial; 2. a Lei da Anistia 10.559/02 isenta o anistiado político da contribuição do Imposto de Renda; 3. Houve um atraso da fonte pagadora em implantar o regime de isenção do requerente, em cumprimento As determinações do Ministério da Justiça, via Ministério da Defesa, Comando da Marinha de Guerra, razão pela qual foi descontado IR do requerente e este após a implantação da isenção, requereu a devolução dos valores pagos. Acontece que a RF em vez de devolver os valores descontados, quer que o requerente pague suposto débito do IR, apesar de isento, com multas que ultrapassam os valores da suposta divida. 4. No acórdão 1326.828 da 1g Turma da DRJ/11.12, na página cinco (5), após a referência ao Decreto 4.897, de 2003, concluíram: "Portanto, eventual restituição de imposto de renda já recolhido somente poderá ser efetivada após deferimento da mencionada substituição de regime." Fato já ocorrido, com relação ao ora requerente. Devolução e não cobrança. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13706.000350/200836 Acórdão n.º 220201.786 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. O § 6° do art, 150 da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional no. 3, de 17 de março de 1993, assim dispõe § 6° Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativas a impostos, taxas ou contribuições, .vá poderá ser concedido mediante lei especifica, .federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no artigo 155, ,§ 2°, XII, g. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966) ao tratar das isenções, assim determina: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Portanto, verificase, de pronto, que isenção é sempre decorrente de lei especifica. Os rendimentos de aposentadoria em regime excepcional, na condição de anistiados, têm o mesmo tratamento tributário das demais aposentadorias, ou seja, submetem se às regras da Lei n° 7,713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações posteriores. Tanto a Lei n° 6..683, de 1979, quanto a EC ri' 26, de 27 de novembro de 1985, concederam a anistia política e permitiram o retorno ou a reversão ao serviço ativo dos servidores civis e militares demitidos, postos em disponibilidade, aposentados, transferidos para a reserva ou reformados. Dispôs, ainda, que aqueles que não requeressem o retorno ou a reversão às atividades ou tivessem seu pedido indeferido, seriam considerados aposentados, transferidos para a reserva ou reformados, contandose o tempo de afastamento do serviço ativo para efeito de cálculo de proventos da inatividade ou da pensão, Esses atos não trataram de reparação econômica ou de isenção aos rendimentos que os anistiados passassem a receber, quer na ativa, quer na aposentadoria excepcional. Ao contrário, a Lei IV 6.683, de 1979, em seu art. 11, dispôs que, além dos direitos nela expressos, não geraria quaisquer outros, inclusive aqueles relativos a vencimentos, soldos, salários, proventos, restituições, atrasados, indenizações, promoções ou ressarcimentos. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Com o advento da medida provisória n" 65/2002, convertida na Lei n° 10.559, de 2002, que regulamenta o art. 8° do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, estabelecendo o Regime do Anistiado Político, foi garantido ao anistiado político, entre outros direitos, o da reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada (art. 1°, II), bem assim, dispôs que os valores pagos a título de indenização são isentos do imposto de renda (art. 9 o , parágrafo único). O imposto de renda das pessoas físicas, em obediência ao regime de caixa, deve ser retido pela fonte pagadora no momento do pagamento do rendimento, aplicandose a legislação tributária vigente à época em que estiver sendo efetuado este pagamento. Antes da edição da Medida Provisória n° 65, de 28 de agosto de 2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.559, de 13 de novembro de 2002, os valores pagos a título de reparação econômica aos anistiados políticos encontravamse no campo de incidência do imposto de renda. A isenção do imposto de renda, prevista no parágrafo único do art. 90 da Lei n° 10,559, de 2002, alcança os valores pagos a titulo de reparação econômica de caráter indenizatório a anistiado político a partir de 29 de agosto de 2002, data em que a referida medida provisória foi publicada no Diário Oficial da União. Ressaltase que o Decreto n° 4.897, de 25 de novembro de 2003, que regulamentou o parágrafo único do art.. 9' da Lei n° 10,559, de 2002, em seu art.. 2° estabeleceu que as disposições do referido Decreto produziam efeitos a partir de 29 de agosto de 2002 (data da publicação da medida provisória n" 65/2002), nos termos do art. 106, inciso I, da Lei 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional. Adicionalmente, quanto à isenção, vale a pena relembrar que os rendimentos recebidos pelos anistiados políticos ao abrigo da Lei n° 6,686, de 1979, não têm caráter indenizatório, por falta de previsão legal, portanto estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda. Em face da documentação acostada aos autos, comprovase que houve o reconhecimento da condição de anistiado do recorrente. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 68DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13706.000350/200836 Acórdão n.º 220201.786 S2C2T2 Fl. 4 7 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11618.004819/2005-27
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2001, 2002 PIS E COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, disciplinada no parágrafo 1 o do artigo 5 o da Lei n. 9718/98, por ser necessária a alteração por Lei Complementar. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Exercício: 2001, 2002, 2003 COFINS. MAJORAÇÃO ALÍQUOTA. O Supremo Tribunal Federal considerou constitucional a majoração da alíquota da Cofins de 2% para 3%, considerando matéria passível de regulamentação por lei ordinária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001, 2002, 2003 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf)
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001, 2002, 2003
RECURSOS STF/STJ. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal
e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na
sistemática prevista pelos artigos 543B
e 543C
da Lei nº 5.869, de 11 de
janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos
conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão
consubstanciadas em súmula de observância obrigatória
pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-001.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2001, 2002 PIS E COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, disciplinada no parágrafo 1 o do artigo 5 o da Lei n. 9718/98, por ser necessária a alteração por Lei Complementar. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Exercício: 2001, 2002, 2003 COFINS. MAJORAÇÃO ALÍQUOTA. O Supremo Tribunal Federal considerou constitucional a majoração da alíquota da Cofins de 2% para 3%, considerando matéria passível de regulamentação por lei ordinária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001, 2002, 2003 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001, 2002, 2003 RECURSOS STF/STJ. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2001, 2002 PIS E COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO. O Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, disciplinada no parágrafo 1o do artigo 5o da Lei n. 9718/98, por ser necessária a alteração por Lei Complementar. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2001, 2002, 2003 COFINS. MAJORAÇÃO ALÍQUOTA. O Supremo Tribunal Federal considerou constitucional a majoração da alíquota da Cofins de 2% para 3%, considerando matéria passível de regulamentação por lei ordinária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001, 2002, 2003 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no Fl. 580DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001, 2002, 2003 RECURSOS STF/STJ. REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1116.709/06 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE, fls. 920 a 925, que manteve a autuação sofrida, consubstanciada nos Autos de Infração lavrados para as exigências fiscais de PIS e Cofins relativas aos anocalendários de 2000, 2001 e 2002, perfazendo o total de R$ 540.228,43, incluídos os juros e as multas pertinentes (75%) – fls. 15 a 18 e 28 a 32. Aproveito trechos do relatório do aresto vergastado para historiar os fatos: “De acordo com o Termo de Encerramento das fls. 34 a 47, foi constatado que os valores que ela declarara em DCTF, relativamente aos períodos de janeiro 2000 a junho de 2001, e julho de 2001 a dezembro de 2002, estavam incorretos. Quanto ao primeiro período, a constatação se deu à vista das GIMs fornecidas pela Secretaria de Orçamento e Finanças do Estado da Paraíba (fls. 51 a 53, 11.2 e 11.3). Com base nos valores de vendas informados nessas guias as contribuições Fl. 581DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11618.004819/200527 Acórdão n.º 180101.101 S1TE01 Fl. 973 3 revelaramse maiores. À base de cálculo apurada, vale destacar, foi adicionado o montante dos juros auferidos em face de empréstimo à Prefeitura Municipal de Patos PB. Com relação ao segundo período, além de ela ter informado valores inferiores aos apurados com base nas supracitadas guias, não escriturara vendas nos meses de julho, novembro e dezembro de 2001, e não comprovara a origem de recursos utilizados em depósitos bancários, no mês de janeiro de 2002, o que caracteriza omissão de receita. As demais particularidades da ação fiscal estão descritas no referido Termo de Encerramento. Inconformada, ela apresentou duas impugnações (uma para cada auto de infração), às fls. 884 a 899 e 901 a 916, alegando, em síntese, que: Como preliminares de nulidade. o auto de infração careceria de "clareza e objetividade quanto à origem da diferença que se entende devida pela Defendente" a título de contribuição para o Pis e para Cofins, o que dificultaria e cercearia o seu direito de defesa, "amplamente assegurado a nível constitucional (art. 5o, inciso LV)." Teria sido ferido, também, o princípio do devido processo legal; o autuante não teria provado a diferença de base de cálculo apurada, o que viria, no dizer de suas palavras, "concorrer para viciar com a pecha da nulidade a autuação fiscal". Nesse sentido, afirmou que o ônus de provar a infração seria da "Autarquia, na medida de suas alegações"; Quanto ao Mérito. a Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, não poderia ter modificado o conceito de faturamento, para fins de incidência do PIS e da Cofins — o que poderia ter ocorrido, na sua intelecção, apenas por meio de Lei Complementar, Também não poderia ter aumentado a alíquota da Cofins (no seu entender, teriam sido feridos os princípios da isonomia, da legalidade e da capacidade contributiva). Questionou, ademais, que teria ocorrido vício na conversão da Medida Provisória 1.724, de 1988, na sobredita Lei 9.718, e que esta teria desrespeitado (sic) "aspectos formais estatuídos no Texto Supremo para a edição de lei, ressentíndose, por essas razoes, do vício da inconstitucionalidade que a torna nula de pleno direito"; a multa de ofício seria inconstitucional. Ante o exposto, requereu a improcedência do lançamento.” Aquela turma julgadora assim ementou o acórdão: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. VÍCIO DE FORMA. NAOOCORRÊNCIA. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, sem a ocorrência Fl. 582DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 de vícios com relação à forma, competência, objeto, motivo ou finalidade, nâo há falar em nulidade. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEL INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas sao incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2000, 2001, 2002 Ementa: VALORES CONFESSADOS A MENOR EM DCTF, LANÇAMENTO DA DIFERENÇA. A constatação de que os valores da contribuição para o PIS, informados em DCTF, foram calculados tomandose por base valores inferiores à receita bruta auferida, enseja o lançamento para formalização do crédito relativo à diferença. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocalendario; 2000, 2001,2002 Ementa: VALORES CONFESSADOS A MENOR EM DCTF. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA. A constatação de que os valores da Cofins, informados em DCTF, foram calculados tomandose por base valores inferiores à receita bruta auferida, enseja o lançamento para formalização do crédito relativo à diferença.” Cumpre esclarecer que a fiscalização na empresa em epígrafe iniciouse por demanda externa proveniente de ação cautelar de busca e apreensão ajuizada pelo Ministério Público Federal, de interesse da Justiça Federal, sendo que os documentos utilizados na apuração dos valores que consistem a matéria tributária dos presentes Autos de Infração são provenientes dos Mandados de Busca e Apreensão Judiciais e foram remetidos à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) em cumprimento à ordem judicial, revestindose de todas as formalidades necessárias ao desempenho da fiscalização, tanto em relação à remessa das caixas apreendidas, quanto a sua utilização, consoante diversos termos de abertura de caixas e relações minuciosas de seus conteúdos, na presença do representante legal da autuada, termos vinculados ao mandado de Busca e Apreensão Judicial – assim noticia o Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 39 a 47 e Termos de fls. 238 a 362. A empresa esclareceu às autoridades fiscais que fora vítima de sinistro (incêndio) e não possuía a contabilidade de determinado período sob fiscalização para ser apresentada em resposta às intimações fiscais, e, embora intimada, não refez a contabilidade, restando à fiscalização arbitrar o lucro pelas receitas conhecidas. A presente autuação para as exigências de PIS e Cofins foram acompanhadas de autuação para exigências de IRPJ e CSLL, formalizadas no processo administrativo fiscal nº 11618.004818/200582, já julgadas por este órgão recursal – Acórdão nº 10196.755/08, cujo teor da ementa reproduzse: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000,2001 IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. EXTRAVIO DE DOCUMENTOS EM RAZÃO DE INCÊNDIO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBILFISCAL. A adoção dos procedimentos previstos no art. 264, § Io, do RIR/99, para comunicação de extravio de documentos relativos à escrituração da pessoa jurídica, deve ser seguida de reconstituição do acervo da contabilidade comercial e fiscal. Eventual perda de documentação não exclui o contribuinte do seu Fl. 583DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11618.004819/200527 Acórdão n.º 180101.101 S1TE01 Fl. 974 5 dever acessório de reunir, guardar em boa ordem e manter à disposição do fisco os documentos que dão respaldo à apuração do imposto devido, nem tampouco pressupõe homologação dos valores informados em DIPJ. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2000, 2001, 2002 MULTA EX OFF1CIO. CONFISCO. O princípio constitucional da vedação ao confisco é dirigido aos tributos em geral, não alcança as multas de lançamento ex oficio. Anocalendário: 2000,2001,2002 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal são calculados com base na taxa Selic (Súmula Io CC n° 4). Recurso Voluntário Negado Inconformada com a decisão de primeira instância, tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso de fls. 931 a 950 argumentando, em apertada síntese: I) apuração das bases de cálculo do PIS e da Cofins de forma indevida; as bases de cálculo para a apuração das referidas contribuições é o faturamento da empresa; a Lei nº 9.718/98, em seu artigo 3º, § 1º, alargou a base de cálculo em flagrante ofensa às disposições inseridas na Lei Complementar que regula as contribuições; faturamento é a receita bruta da pessoa jurídica, condizente com a venda das mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme disposto no art. 2º da Lei Complementar nº 70/91; não pode ser incluído no conceito de faturamento as receitas geradas por aplicações financeiras, variações monetárias ativas etc; desrespeito à competência outorgada pela Constituição Federal, em alterar o conceito de faturamento, por Medida Provisória, posteriormente convertida em Lei; somente por Lei Complementar seria possível alterar o referido conceito; ao tratar desta matéria, a lei ordinária na verdade instituiu indevidamente novo tributo; II) a majoração da alíquota da Cofins de 2% para 3% também deve ser rechaçada por veiculada em lei ordinária e não complementar; III) inconstitucionalidade da multa de ofício balizada em 75% sobre o tributo apurado em procedimento fiscal, por seu caráter extorsivo e confiscatório; IV) possibilidade de apreciação de inconstitucionalidade de atos normativos, por órgão julgador da Administração Tributária; V) inaplicabilidade dos juros calculados com base na taxa Selic, por extorsivos. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 584DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. As contestações da recorrente são precisas, pelo que passo a analisálas pontualmente. I) Do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, com a inclusão das receitas financeiras no conceito de faturamento e da majoração da alíquota da Cofins de 2% para 3%, veiculada por lei ordinária. A matéria controversa diz respeito ao alargamento das bases de cálculo das contribuições sociais Cofins e PIS introduzido pela Lei n. 9.718/98, em seu artigo 3o, parágrafo 1o,, especificamente, pela inclusão das receitas financeiras no cômputo das bases de cálculo destas contribuições. O Supremo Tribunal Federal (STF) firmou entendimento sobre a Inconstitucionalidade do parágrafo 1o do artigo 3o da Lei n. 9.718/98, acolhendo a matéria como objeto de recursos de repercussão geral. “RECURSO EXTRAORDINÁRIO 527.6023 SÃO PAULO PIS E COFINS LEI N2 9.718/98 ENQUADRAMENTO NO INCISO I DO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NA REDAÇÃO PRIMITIVA. Enquadrado o tributo no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, é dispensável a disciplina mediante lei complementar. RECEITA BRUTA E FATURAMENTO A sinonímia dos vocábulos Ação Declaratória ne 1, Pleno, relator Ministro Moreira Alves conduz à exclusão de aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida Recurso Extraordinário n 2 357.9509/RS, Pleno, de minha relatoria.” Em compêndio intitulado “Repercussão Geral” editado pela Suprema Corte (Gabinete da Presidência), relativo a março de 2010, no item 31 consta, in verbis: “31. COFINS. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. LEI Nº 9.718/98, ARTIGO 8º. O Plenário do Supremo Tribunal Federal confirmou o entendimento da Corte no sentido da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins, para reconhecer que a receita bruta (faturamento) seria a “totalidade das receitas auferidas” pelas empresas. A decisão, tomada no julgamento do Recurso Extraordinário 527602, seguiu o entendimento do ministro Marco Aurélio, para quem o novo conceito de faturamento criado pelo dispositivo questionado – uma lei ordinária, foi além do que previu a Constituição Federal – que determinava a necessidade de uma lei complementar para tal. Já o artigo 8º da mesma lei, que aumentou a alíquota da contribuição, de 2% para 3%, foi considerado constitucional pela Corte, uma vez que não existe a necessidade de lei complementar para tratar do aumento da alíquota. Os ministros se mantiveram fiéis a uma série de REs julgados recentemente pela Corte que tratavam deste assunto – como os recursos 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11618.004819/200527 Acórdão n.º 180101.101 S1TE01 Fl. 975 7 Leading case: RE 527.602, Min. Eros Grau, relator para o acórdão Min. Marco Aurélio” (grifos não pertencem ao original) O artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF n. 256/09 e alterações) disciplinou sobre a vinculação deste órgão colegiado às decisões proferidas em recursos de repercussão geral pelos Tribunais Superiores: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (grifos não pertencem ao original) Desta forma, aplico ao presente litígio a decisão da Corte Superior no considerado leading case RE nº 527.602, tanto para a argumentação sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, quanto para a majoração da alíquota de 2% para 3%, da Cofins, por via de lei ordinária e não complementar. O alargamento da base de cálculo com a inclusão de receitas financeiras não pode prosperar. O STF rechaçou a alteração do conceito de faturamento e dos valores que compõem o termo receita bruta com a inclusão de outros valores, precipuamente as receitas financeiras, que não advindos das vendas de mercadorias e/ou serviços, atividades consideradas normais praticadas para as empresas auferirem receitas. O autor do procedimento fiscal explicita as infrações tributárias e forma de apuração destas contribuições, minuciosamente, às fls. 44 a 46 do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, sob o título “Irregularidades caracterizadas”. Subdivide o título em infrações apuradas em dois períodos distintos :– item III 1) “Quanto ao anocalendário de 2000 e o período de janeiro a junho de 2001; e – item III 2) “Período de julho de 2001 a dezembro de 2002. Esclarece, inclusive, quais receitas foram incluídas nas bases de cálculo das contribuições PIS e Cofins. Constato que na base de cálculo das referidas contribuições, no período compreendido entre janeiro e junho de 2001, e anocalendário de 2000, a autoridade fiscal considerou como receita bruta valores de juros ativos (recebidos) da Prefeitura Municipal de Patos/PB, por ocasião de empréstimos que a Prefeitura contraiu com a recorrente. O demonstrativo dos valores apurados a título de juros ativos encontrase às fls. 65 e 106 e devem ser, por conseguinte, excluídos das presentes autuações – anocalendário de 2000, no valor de R$ 81.425,72 (fls. 65) e para o anocalendário de 2001, no valor de R$ 30.454,82 (fls. 106). No que respeita aos demais valores considerados na base de cálculo das contribuições, nada a reparar nas autuações por estarem vinculados à percepção de receitas de vendas de mercadorias – foram extraídos e confrontados entre os seguintes documentos: Guias Fl. 586DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 de Informações GIM, Livro de Registro de Apuração do IPI e do ICMS, Livro de Registro de Saídas de Mercadorias, Notas Fiscais emitidas, DIPI, DIPJ e DCTF. Quanto à majoração da alíquota da Cofins de 2% para 3%, o mesmo RE nº 527.602, retro citado, findou a discussão sobre o tema considerando constitucional a majoração veiculada por lei ordinária. É de ser rejeitada, portanto, a contestação da recorrente. II) Multa de ofício – excessiva e confiscatória; Aplicação dos juros calculados à taxa Selic; Apreciação da constitucionalidade das leis pelos órgãos administrativos de julgamento Estas três matérias encontramse sumuladas em razão das reiteradas decisões que pacificaram o entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), não comportando mais discussão. A multa de ofício regular (75%) é aplicável sempre que o lançamento do crédito tributário é efetuado ex officio, por força legal. A norma tributária que versa sobre as penalidades está vigente e a sua constitucionalidade não foi debatida judicialmente. O pleito de alterar o percentual cominado na norma de regência deve ser exercido junto ao Poder Legislativo, responsável pela edição da norma – no caso, o artigo 44 da Lei nº 9.430/96. A autoridade administrativa responsável pelo lançamento tributário, bem como as de julgamento não podem se abstrair de cumprir as normas vigentes, devendo observálas estritamente, imposição do princípio da legalidade. Os agentes do Estado não podem agir discricionariamente e optar em cumprir ou não as normas vigentes. Só podem fazer o que a norma determina. E a norma tributária acima citada reza a aplicação da multa ora debatida nos procedimentos realizados de ofício. Assim descabe a apreciação da arguição de inconstitucionalidade ou ainda legalidade das normas tributárias. Como já explicado, é mansa e pacífica a jurisprudência firmada neste sentido, conforme se depreende da Súmula nº 02 recepcionada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, editada pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que tange aos juros Selic, também não há mais discussão sobre ser aplicável ou não aos créditos tributários. Dispõe a Súmula nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Destarte, tratandose de matérias sumuladas por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11618.004819/200527 Acórdão n.º 180101.101 S1TE01 Fl. 976 9 Por todo o exposto, voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para excluir da matéria tributável os valores de juros ativos, incluídos como receita bruta na apuração das contribuições do PIS e da Cofins, no anocalendário de 2000 e no período de janeiro a junho de 2001. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 588DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 14/08/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.012101/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2000
DEDUÇÃO INDEVIDA DE IR FONTE - GLOSA - Cabível a glosa de dedução de imposto de renda retido na fonte , quando não comprovada a alegada retenção.
Recurco provido em parte.
Numero da decisão: 2202-001.875
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte para R$ 6.533,83, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Recurco provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte para R$ 6.533,83, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, RAUDABEM BARK, foi lavrado o auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, às fls. 26/32, em face da revisão da declaração de ajuste anual do exercício 2001, anocalendário 2000, para a exigência de imposto suplementar de R$ 11.935,28 e R$ 8.951,46 de multa de oficio, além dos acréscimos legais correspondentes. Consoante descrição das infrações, à fl. 28, foi constatada dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, esclarecendo a autoridade autuante que a contribuinte, intimada, não apresentou comprovante de rendimentos pagos e de retenção do imposto de renda na fonte, recibos mensais dos rendimentos de aluguel e resumo anual emitido pela imobiliária. Acrescenta que não consta a apresentação de Dirf para a contribuinte. Cientificada, por via postal, em 05/10/2005 (fl. 62), a interessada, por intermédio de procurador (fls. 23/24), apresentou, tempestivamente, em 01/11/2005, a impugnação de fls. 01/22, a seguir resumida. Após dizer que sua renda advêm da locação de seus imóveis, faz demonstrativos mensais de valores, por fonte pagadora, discriminando valores brutos, 1RRF retidos na fonte e valores líquido que lhe competiriam. Reconhece que tais rendimentos são tributáveis, mas que estão sujeitos à retenção na fonte, conforme art. 631 do RIR/1999, esclarecendo que declarou o valor bruto dos aluguéis e os montantes retidos pelas locatárias, sendo surpreendida pela autuação, que lhe impõe pagar novamente o imposto de renda, em duplicidade, "pois houve a retenção do valor pelas inquilinos que não recolheram o tributo aos cofres públicos". Referindose ao pedido fiscal de apresentação dos comprovantes de rendimentos, observa que apresentou os contratos de locação, que comprovam a fonte de renda declarada, argumentando, em relação à falta de comprovação de retenção, que não pode ser coibida a apresentar documento que não possui. Aduz que os recibos de aluguel são elaborados pelo locador e entregues aos locatários, cabendo a esses comprovar que não houve a devida retenção do imposto. Descreve o procedimento que adota, fazendo constar dos recibos os valores a serem retidos, obrigação a que se sujeita a fonte pagadora, considerando inadmissível a inversão do ônus ao contribuinte, posto que os documentos são de propriedade daquela e o ônus da prova da Receita Federal. Acrescenta que a ação fiscal somente poderia lhe ser direcionada caso a fonte comprovasse que o imposto não foi retido. Sugere que a fonte teria se apropriado indevidamente dos valores, deixando de recolhêlos aos cofres públicos. Alega que a obrigação da fonte pagadora se encontra expressa no art. 722 do RIR/1999 e que se trata de responsabilidade tributária, hipótese que classifica como "sujeito passivo indireto", nos termos do art. 121 do CTN, na qual enquadra, também, o substituto legal tributário. Defende, assim, ser a locatária o contribuinte, como substituto tributário. Acerca da Fl. 252DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.012101/200511 Acórdão n.º 220201.875 S2C2T2 Fl. 2 3 responsabilidade pelo imposto retido e não recolhido, cita jurisprudência. No que tange à comprovação do imposto retido na fonte, dizendo que "em que pese a impossibilidade de se provar a retenção mês a mês do valor do imposto de renda, já que os aluguéis eram pagos diretamente à locadora", entende serem suficientes os contratos de locação. Alega que o procedimento fiscal contraria o disposto no art. 842 do R1R/1999, sendo nula a exigência imposta. Lembra que o art. 722 do RIR/1999 estabelece a obrigação da fonte pagadora e destaca, a propósito, o Parecer Normativo CST n° 324, de 1971. Finaliza, citando jurisprudência. Pelo exposto, requer a nulidade do auto de infração, para que se declare indevida a alteração dos valores declarados a titulo de IRPF, para que se reconheça o direito à restituição de R$2.314,12. Requer, ainda, a produção futura de outras provas documentais. A DRJCuritiba ao apreciar as razões da contribuinte, julgou o lançamento procedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Lançamento Procedente Insatisfeita, a contribuinte apresenta o recurso de fls. 77 a 78, onde reitera as razões da impugnação, indicando que o imposto retido na fonte glosado, teria sido retido pela fonte pagadora e que a responsabilidade deveria recair sobre esta. A 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1 Intime a fonte pagadora para que se verifique se houve retenção na fonte, tal como alega a contribuinte; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 2 Examine a documentação apresentada. Realizando intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento; 3 Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Em relatório fiscal de fls. 229 a 231, a autoridade fiscal indica que realizou diligências nas empresas Danny Snooker e Bar Ltda, CNPJ 85.052.439/000110; Calachi Comercial de Armarinhos Ltda, CNPJ 76.027.200/000108; Italy Color Materiais Fotográficos Ltda, CNPJ 00.167.941/000114; e Laser Company Comércio de Aparelhos de Som Ltda, CNPJ 01.400.531/0000134, fontes pagadoras dos alugueres declarados pela Contribuinte Raudabem Bark. Ainda que tenha feita intimação a várias empresas, não houve a possibilidade de levantar das demais fontes pagadoras se houve ou não a retenção, Conclui afirmando que dada a inexistêncifato que não apresentou as comprovações das Retenções dos Impostos de Renda e dado o lapso temporal, tornaramse impossíveis à obtenção de tais informações nas empresas diligências, motivadas pela decadência. Cabe somente o direito de IRRF de R$ 6.533,83, constante na DIRF apresentada por Laser Company Comércio de Aparelhos de Som Ltda A recorrente ao tomar ciência da relatório fiscal demonstrase indignada. Indicando que a diligência deveria ter sido feita prontamente pela Receita Federal. Entendendo inaceitável a responsabilização da contribuinte pela inércia e ineficácia da Receita Federal. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.012101/200511 Acórdão n.º 220201.875 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A lide versa sobre a glosa de imposto de renda retido na fonte. A contribuinte não comprova o valores que efetivamente alega. Como a recorrente indica que esses recursos teriam sido retidos por terceiros, a contribuinte almeja transferir para as empresas supostamente pagadoras o ônus de comprovação e justificação das referidas retenções, e, não o fazendo, devem estas assumir as conseqüências legais. Imposta dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Não cabe ao fisco, neste caso, obter provas a favor da contribuinte, mas sim, a suplicante apresentar elementos que dirimam qualquer dúvida que paire a esse respeito sobre o documento. A diligência foi solicitada no sentido de atender os argumentos da recorrente, que parecem verossímeis. Na verdade em função da diligência é possível reconhecer o direito de IRRF de R$ 6.533,83, constante na DIRF apresentada por Laser Company Comércio de Aparelhos de Som Ltda Entretanto, para o restante pleiteado na declaração, sem provas não há como dar suporte as suas alegações, e reconhecer a dedução pleiteada pela recorrente em sua declaração. Nesse sentido, é de se manter a glosa de Imposto de Renda na Fonte , quando o contribuinte não traz aos autos documentos hábeis que comprovam a sua retenção ou seu recolhimento, ainda mais, quando a administração tributária procede diligências e constata que no período questionado as empresas apontam a impossibilidade de apresentar os comprovantes. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; Fl. 255DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Uma vez que não foram apresentados quaisquer outros documentos robustos para respaldas as alegações da recorrente, não há como acolher o pleito. Nesse momento cabe recordar um brocardo jurídico que se aplica à situação que está sendo apreciada: “Allegatio et non probattio, quasi non allegatio” que significa que “quem alega e não prova, se mostrará como se estivesse calado ou que nada alegasse”. Ou seja, não basta questionar graciosamente o lançamento do fisco, deve o interessado rebater de forma coerente e com meios de prova idôneos. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte para R$ 6.533,83. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 256DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 18471.000549/2003-74
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 28/02/2000 a 31/12/2000
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. FUNDAMENTO NÃO RECORRIDO SUFICIENTE PARA MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
É inadmissível o recurso especial quando a decisão recorrida se assenta em mais de um fundamento suficiente para sua manutenção e o recurso não abrange todos eles, na mesma linha de entendimento das Súmulas 126 do Superior Tribunal de Justiça e 283 do Supremo Tribunal Federal.
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PREMISSAS FÁTICAS DIVERSAS.
Não se conhece de recurso especial fulcrado em divergência jurisprudencial quando as premissas fáticas do acórdão recorrido são diferentes do paradigma colacionado.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Antonio Carlos Atulim, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/2000 a 31/12/2000 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. FUNDAMENTO NÃO RECORRIDO SUFICIENTE PARA MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. É inadmissível o recurso especial quando a decisão recorrida se assenta em mais de um fundamento suficiente para sua manutenção e o recurso não abrange todos eles, na mesma linha de entendimento das Súmulas 126 do Superior Tribunal de Justiça e 283 do Supremo Tribunal Federal. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PREMISSAS FÁTICAS DIVERSAS. Não se conhece de recurso especial fulcrado em divergência jurisprudencial quando as premissas fáticas do acórdão recorrido são diferentes do paradigma colacionado. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Antonio Carlos Atulim, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/2000 a 31/12/2000 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. FUNDAMENTO NÃO RECORRIDO SUFICIENTE PARA MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. É inadmissível o recurso especial quando a decisão recorrida se assenta em mais de um fundamento suficiente para sua manutenção e o recurso não abrange todos eles, na mesma linha de entendimento das Súmulas 126 do Superior Tribunal de Justiça e 283 do Supremo Tribunal Federal. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PREMISSAS FÁTICAS DIVERSAS. Não se conhece de recurso especial fulcrado em divergência jurisprudencial quando as premissas fáticas do acórdão recorrido são diferentes do paradigma colacionado. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 05 49 /2 00 3- 74 Fl. 501DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Antonio Carlos Atulim, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 350 a 364) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 331 a 346) que, por unanimidade de votos, em relação ao recurso voluntário, (i) quanto aos períodos de apuração de fevereiro de 2000 a junho de 2001, por unanimidade de votos, negoulhe provimento, e (ii) quanto aos períodos de apuração de julho de 2001 a dezembro de 2002, por unanimidade de votos, deulhe provimento. Por bem descrever os termos da presente controvérsia, adoto o relatório de fls. 333, exarado no v. acórdão recorrido, verbis: Trata o presente processo de Auto de Infração cientificado pessoalmente ao sujeito passivo em 31/03/2003, por meio do qual foi constituído crédito tributário da ordem de R$ 1.167.280,35, nele incluidos o valor do principal (PIS/Pasep dos períodos de apuração de fevereiro de 2000 a dezembro de 2002), dos juros de mora e de multa de oficio de 75% e de 225%, neste caso, em face de ter sido apontada a ocorrência de fraude e não atendimento intimação fiscal. Foi elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais. Segundo o Termo de Verificação de fls. 156/161, para os períodos de apuração compreendidos entre fevereiro de 2000 a junho de 2001, foram constatadas diferenças entre o montante devido e o montante efetivamente declarado/recolhido, tendo sido aplicado a multa de oficio de 75%. Para os períodos de apuração de julho de 2001 a dezembro de 2002, a fiscalização procedeu à desconsideração da personalidade jurídica da empresa Labratos Farmacêutica Ltda. doravante denominada Labratos , considerando que o real vendedor, responsável pelo faturamento dos produtos, fora a ora autuada e que, portanto, as operações de venda realizadas pelo Laboratório Daudt Oliveira Ltda. — doravante denominado Laboratório Daudt à referida Labratos, visaram unicamente uma economia no pagamento da Cofins, em face da aliquota de 10,2%, em vigor a partir de 1° de maio de 2001, por conta dos dispositivos da Lei n° 10.147, de 2000. Incluiuse também na base de cálculo da contribuição o montante das receitas financeiras auferidas pela Labratos por ter tido a sua personalidade jurídica desconsiderada. Para proceder à desconsideração da personalidade jurídica da Labratos, levaram em conta os fiscais as seguintes informações: a empresa não possui e nem possuía nenhum funcionário registrado e com carteira de trabalho assinada e tampouco funcionários terceirizados; a empresa tinha como único fornecedor o Laboratório Daudt, o qual, por sua vez, destinava toda a sua produção exclusivamente para a Labratos, que, por sua vez, somente comercializava os produtos adquiridos do Laboratório Daudt; os principais dirigentes da Labratos são os mesmos do Laboratório Daudt, sendo que o seu capital social é de propriedade desses dirigentes e do próprio Laboratório Daudt; e que a empresa Labratos tem como domicilio o mesmo do Laboratório Daudt. Levou em conta ainda o AuditorFiscal que, segundo os arquivos da Receita Federal, a empresa Labratos se encontrava na situação de Inativa, tendo sido sendo reativada Fl. 502DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 18471.000549/200374 Acórdão n.º 9303001.737 CSRFT3 Fl. 502 3 em julho de 2001, exatamente dois meses após o inicio da vigência da Lei n° 10.147, de 21/09/2000, norma esta que passou a fazer incidir para as receitas de vendas de medicamentos afiquotas do PIS/PASEP e da Cofins em percentuais superiores' aos tradicionais 0,65 e 31%, respectivamente. Assim, segundo o AuditorFiscal, toda a produção do Laboratório Daudt era vendida à Labratos, receita essa que, por estar submetida àquelas alíquotas mais elevadas, era faturada por preços bastante inferiores aos que a Labratos praticava quando, posteriormente, revendia essa mesma produção aos seus clientes, visto que não estaria ela, a Labratos, sujeita àquelas alíquotas diferenciadas e sim à alíquota zero, a teor do disposto no artigo 2° da referida Lei n° 10.147, de 2000. Para fins de determinação do valor tributável, considerouse, portanto, que as vendas realizadas pela Labratos foram, na verdade, realizadas pelo Laboratório Daudt, aplicandose a elas as aliquotas de 2,2% para o PIS/PASEP e de 10,3% para a Cofins, excluindose os valores dos débitos informados em DCTF. Considerou ainda o AuditorFiscal que esse procedimento configura o tipo descrito no inciso I, do artigo 2° da Lei n° 8.137, de 1990, e no art. 1° da Lei n° 4.729, de 1965, vez que, para eles, houve uma situação fática inverídica, que simulou a ocorrência de fatos que, ao final, não se concretizaram como pretende fazer crer a autuada, o que teria provocado a diminuição no montante do recolhimento das contribuições. Por conta disso e por não terem sido atendidas algumas intimações, foi aplicada a multa agravada de 225%. Na Impugnação, a autuada alega preliminarmente a prejudicial de nulidade pelo fato de considerar que houve arbitrariedade do Fisco ao desconsiderar a personalidade jurídica de uma pessoa regularmente constituída, arbitrariedade essa caracterizada na falta de indicação de dispositivo legal para motivar tal ato, que, segundo ela, o nosso ordenamento jurídico não contempla. Adiciona que nem mesmo o disposto no parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional, introduzido pela Lei Complementar n° 104, de 10/01/2001, poderia ser invocado para o presente caso, primeiro por tratarse, segundo a impugnante, de dispositivo de constitucionalidade duvidosa e, segundo, que ainda padece de uma regulamentação não implementada. Assim, o procedimento do Fisco teria deixado de observar os princípios que regulam ação da Administração Pública, tal como regulado no artigo 37 da Constituição Federal (moralidade, impessoalidade, eficiência etc.), aos direitos e garantias do contribuinte (ampla defesa, contraditório) e os constantes da Lei nº 9.784, de 1999 (legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica, interesse público e eficiência). Considera nulo também o auto de infração a impugnante por entender que o mesmo se baseou em meras conjecturas do AuditorFiscal para considerar as operações como crime contra a ordem tributária, tratando como evasão um procedimento que, na verdade, deve ser considerado como elisão fiscal, fruto de um planejamento tributário feito As claras, sem qualquer simulação, ou dissimulação, sem subterfúgios, sem esconder nenhum elemento 'e valendose, estritamente, dos institutos permitidos pelas leis fiscais e comerciais. Como terceira prejudicial de nulidade, aponta a impugnante ter havido erro na eleição do sujeito passivo responsável pelo pagamento da contribuição sobre o montante das receitas financeiras, já que, tendo tais receitas sido auferidas pela Labratos, que existe de fato e de direito, a exigência deveria ter sido constituída em seu nome e não em nome do Laboratório Daudt, como ocorreu. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 No mérito, insurgiuse a impugnante contra o lançamento, primeiro em relação aos períodos de apuração de fevereiro de 2000 a junho de 2001, por considerar que, tendo, de fato, constatado, quando da intimação efetuada pelo AuditorFiscal, diferenças nos recolhimentos que efetuara, procedeu em tempo, ainda sob o manto da espontaneidade, a entrega da DCTF com os valores corretos. Explica que a espontaneidade restou caracterizada pelo fato de que apresentou a DCTF retificadora em 24/07/2002, portanto, antes de decorrido o prazo de vinte dias desde a data da intimação fiscal, que ocorrera no dia 9/07/2002. Beneficiarase, entende, do disposto no artigo 47 da Lei n° 9.430, de 1996. Assim, referidos débitos não poderiam ter sido objeto do auto de infração vez que confessados por meio de DCTF, muito menos imposto ao contribuinte a multa de oficio de 75%. Em relação aos períodos de apuração de julho de 2001 a dezembro de 2002, a impugnante procura demonstrar que não houve qualquer simulação de ato jurídico, tal como definido no artigo 102 do Código Civil, o que demandaria o cancelamento da exigência. Nessa linha, assevera a impugnante, primeiro, que os atos praticados por ela não aparentam conferir» nem transmitiram direitos a pessoas diversas daquelas a quem realmente se destinaram, pois, de fato, as operações de compra e venda ocorreram, inclusive mediante o seu pagamento; não: houve ato simulado pois as declarações prestadas são verdadeiras, tanto que o AuditorFiscal as considerou na sua autuação; e, por fim, as datas dos documentos fiscais foram inteiramente acolhidos pelo Fisco como sendo corretos. Insurgiuse ainda a impugnante contra a afirmação do AuditorFiscal de que os preços praticados pela Labratos nas vendas dos produtos que adquirira do Laboratório Daudt eram a esses muito superiores, visto que não foram apresentadas provas de que isso tenha realmente ocorrido. Contrapôs, em relação à inexistência de empregados na Labratos, que isso, por si só, não poderia justificar a imputação de ato simulado, vez, que, entende, a utilização de mãodeobra pertencente a empresa do mesmo grupo econômico em nada viola a legislação trabalhista e é perfeitamente aceita. Invocou o disposto no artigo 123 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, constante do Decreto n° 2.637, de 1998, para afirmar que o tipo de operação que realizou venda a empresa considerada interdependente — está perfeitamente previsto na legislação, visto que as condições ali impostas — observância de valor tributável mínimo — foram cumpridas. Discorrendo sobre os dispositivos da Lei n° 10.147, de 2000, disse a impugnante que o legislador previu a tributação monofásica para os medicamentos, não excluindo da cadeia nem as distribuidoras de remédios, tampouco as pessoas jurídicas com vinculo societário com o fabricante; apenas o fez expressamente em relação às empresas optantes pelo SIMPLES. Por fim, contestou a aplicação da multa de oficio de 225%, vez que não teria ela incorrido em nenhum dos fatos descritos no § 2° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, do qua1 se valeu o Fisco para aplicála. A 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ manteve o lançamento, retirando apenas da exigência o agravamento da multa qualificada, reduzindoa, de 225% para 150%, em decisão assim ementada: "Acórdão DRJ N° 133062 de 2003 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 18471.000549/200374 Acórdão n.º 9303001.737 CSRFT3 Fl. 503 5 Normas Gerais de Direito Tributário AUDITOR FISCAL.DESCONSIDERAÇÃO.PROCEDIMENTO. 0 auditor fiscal é a autoridade competente para desconsiderar atos, negócios e pessoas que repute como simulados, de forma a lançar o tributo devido. REPRESENTAÇÃO. FINS PENAIS. COMPETÊNCIA. O auditorfiscal tem o dever de oficio de representar para fins penais ao Ministério Público Federal todo o fato que repute como crime de natureza tributária. SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. Não se toma como nulo o lançamento que deliberadamente desloca a sujeição passiva do ente simulado para o real sujeito da relação jurídicotributária sobre a qual incide a exação. FRAUDE. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. PESSOA INTERPOSTA. Comprovada a existência de simulação por meio de interposta pessoa com o fim exclusivo de ilidir a contribuição devida pelo verdadeiro sujeito da obrigação tributária, e uma vez presentes os atos caracterizadores do evidente intuito de fraude, é de se desconsiderar os atos e entes simulados, de moldes a incidir o tributo sobre o real sujeito passivo, devendo, nesses casos, fazer consignar no lançamento a multa de oficio qualificada de 150 %. MULTA AGRAVADA. SITUAÇÃO FÁTICA NÃO CONFIGURADA. Não cabe a imposição de multa agravada quando não restar configurado de forma clara e evidente o não atendimento pelo sujeito passivo às solicitações que lhe foram efetuadas. ESPONTANEIDADE. LEI Nº 9.430/96. DCTF. VINTE DIAS. DÉBITO DECLARADO OU LANÇADO. Somente para os casos de tributo já declarado ou lançado é que a pessoa jurídica submetida a ação fiscal se beneficia do instituto da espontaneidade com o pagamento dessas exações, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de inicio de fiscalização. Lançamento Procedente em Parte." Não se conformando com tal decisão, a autuada apresentou Recurso Voluntário no qual, preliminarmente, aponta uma modificação indevida no enquadramento legal da infração feita pela DRJ quando, ao considerar ter havido uma evasão fiscal, mencionou sua subsunção ao disposto nos art. 102, do Código Civil, nos artigos 149, VII e 150, § 4°, do CTN, no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 e nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. No mais, como alguma ou outra ênfase, praticamente repisou os termos de sua impugnação. Neste ponto, esclareço que este processo tem as mesmas características (período de apuração, desconsideração da personalidade jurídica, agravamento da multa de ofício etc.) do Processo nº 18471.000550/200307, que trata da Cofins, de maneira que, o que restar decidido lá, incontestavelmente haverá de o ser aqui. Ocorre, entretanto, que ambos seguiram rumos diferentes nos escaninhos deste Conselho de Contribuintes, ou seja, enquanto aquele já foi, inclusive submetido a julgamento por duas vezes, este ainda está na fila de espera desde maio de 2005! Esse descompasso e as deliberações proferidas naqueles dois julgamento do processo da Cofins resultaram em que, por conta de duas diligências realizadas, aquele processo, passasse, das 299 páginas com que aportou na Secretaria desta Terceira Câmara, a ter 2.941 páginas até a data de hoje. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 6 Naquele processo, inclusive, à fl. 2.937, o Patrono da Recorrente fez um pedido para que, primeiro, o resultado das duas diligências a que me referi acima fosse carreado para este processo, e, segundo, que ambos fossem julgado em conjunto. O segundo pedido é facílimo de atender, tanto que é o que estamos a fazer neste momento, mas, o primeiro, ao menos na sua íntegra, se mostra desnecessário e extremamente dispendioso em termos de horas de trabalho e de materiais, tão escassos no dia de hoje. Assim, por meio do Termo de Juntada de Documentos de fl. 311, trouxe para este processo cópias de documentos que visam a atender à solicitação formal da Recorrente, todos extraídos do referido processo nº 18471.00550/200374, a saber: Resolução nº 203 00.481, de 16/03/2004 (fls. 312/316), Termo de Relatório de Diligência e Relatório, de 26/04/2005 (fls. 317/321), Resolução nº 20300.682, de 25/01/2006 (fls. 322/327), Termo de Diligência/Solicitação de Documentos, de 02/08/2006 (fl. 328), Resposta, de 16/08/2006 (fl. 329) e Pedido da Recorrente para a juntada do resultado das diligências e julgamento conjunto de processos (fl. 330). Registrado o liame entre este processo e aquele relacionado à autuação da Cofins, transcrevo abaixo a parte final do Relatório de meu voto lido agora há pouco em Sessão quando do julgamento do Recurso Voluntário nº 125.229, verbis: “Submetido a julgamento na Sessão de 16/03/2004, esta Terceira Câmara, por unanimidade de votos, determinou a realização de uma diligência para que fosse informado: 1°) se os preços pelos quais a Recorrente comercializou os produtos farmacêuticos de sua produção cobririam seus custos industriais e a margem de lucro; 2°) se os atos constitutivos da empresa Labratos estavam devidamente inscritos e arquivados na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro; e 3°) se a empresa Labratos possuía à época inscrição nos cadastros dos fiscos federal, municipal e estadual e se possuía autorização para funcionamento mediante alvará de localização expedido pela autoridade fiscal competente. Concluída a diligência (fls. 2.914/2.917), retornou a informação de que, para os sete produtos analisados, os preços praticados pelo Laboratório Daudt nas suas vendas para a Labratos mostraramse superiores aos preços de custos, em grandezas que variaram de 22% a 316%, e que os documentos relativos à inscrição na Junta Comercial e junto aos fiscos foram apresentados, bem como o alvará de funcionamento. 0 contribuinte foi cientificado quanto ao teor da diligência e em nada se opôs quanto ao seu resultado. Em novo julgamento, realizado na Sessão de 25/01/2006, esta Terceira Câmara, por unanimidade de votos, deliberou por uma nova diligência, desta feita "(..) para verificar divergência entre os valores informados à Câmara de Medicamentos (fls. 46/47) e os informados à Receita Federal e solicitar esclarecimentos à Recorrente sobre diferenças eventualmente encontradas." Atendendo a Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, a empresa Laboratório Daudt assim se manifestou: Fl. 506DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 18471.000549/200374 Acórdão n.º 9303001.737 CSRFT3 Fl. 504 7 "(...), ao contrário do que fez crer a fiscalização, o relatório de comercialização de fls. 46/47 NÃO se refere ao relatório de comercialização citado no artigo 5º da Lei nº 10.213/01, o qual, em seu inciso V, menciona outro período, ou seja, agosto de 1999 a novembro de 2000. Na verdade, o relatório de comercialização de fls. 44/47 está baseado no artigo 3° da Resolução da Câmara de Medicamentos n° 1, de 21 de janeiro de 2002 (D.0 29/01/2002) no qual esta Empresa equivocouse tão somente quanto aos valores de venda informados, sendo certo que aqueles informados à Secretaria da Receita Federal refletem as vendas efetivamente realizadas pela Empresa. À guisa de esclarecimento, esta Empresa informa que o acima ocorrido não acarretou qualquer infração as normas que regulam o setor de medicamentos. 0 objetivo da Câmara de Medicamentos é controlar e limitar o Preço Fábrica (preço máximo que o Fabricante pode praticar em seu produto), sendo livre os descontos que o Fabricante pode conceder para distribuição. Periodicamente aquela Câmara autoriza um % de reajuste sobre o Prego Fábrica anterior e não sobre o preço liquido praticado (sempre menor por conta dos descontos). No caso do relatório de comercialização de fls. 44/47, o reajuste máximo permitido foi de 5,83% (1,35 x 4,32%) por produto, limitado a 4,32% o reajuste ponderado total da Empresa baseado no preço de cada produto na venda total dela. Tendo em vista que o equivoco dos valores de venda acima referido seguiu a mesma proporção em todos os produtos, o % de reajuste seria o mesmo se considerados o valores de venda informados ao Fisco. Por outro lado, a apresentação do referido documento jamais poderia conduzir à conclusão pela qual esta Empresa nada teria vendido através do Distribuidor mas que teria efetuado vendas diretas. Isto porque foi apurado pela fiscalização todas as notas fiscais de venda para referido Distribuidor, assim como as deste para os seus clientes. Ademais, o Distribuidor é empresa estabelecida, com os devidos registros nos órgãos competentes e cumpridora de suas obrigações comerciais e fiscais. (.)" É o Relatório. Portanto, a presente controvérsia reside, em síntese, na utilização de uma empresa ligada para distribuição de produtos (medicamentos) produzidos pela empresa industrial, diminuindo os efeitos da incidência das alíquotas diferenciadas instituídas pela Lei nº 10.147/2001. A ementa do v. acórdão ora recorrido, que, como destacado acima, deu provimento parcial ao recurso voluntário, tem o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 507DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 8 Período de apuração: 28/02/2000 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESCARACTERIZAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE DISPOSITIVO LEGAL. NULIDADE. A descaracterização de pessoa jurídica que demonstrou estar legalmente constituída só pode ser feita mediante a indicação de dispositivo legal no qual se baseou. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. Nulo é o procedimento fiscal que retira de pessoa jurídica legalmente constituída a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição de receitas financeiras por ela auferida, transferindo a a outrem. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELISÃO FISCAL Não há simulação em operações de venda realizada entre empresas interdependentes, quando, ainda que por preço bastante inferior ao praticado pelo mercado, tenham sido observadas todas as normas legais vigentes, tais como, a fixação de valor tributável mínimo para fins de apuração do IPI, a emissão de documentário fiscal, o pagamento, a tradição da mercadoria, dentre outras, tudo isso devidamente escriturado nos livros fiscais e contábeis de ambas as empresas. A economia de contribuições a que se buscou e se logrou obter com a operação é mera decorrência da brecha escancarada na legislação, que deixou de criar obstáculos para que as empresas interdependentes ou integrantes de um mesmo grupo econômico dela se aproveitassem. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ESPONTANEIDADE. DÉBITO DECLARADO. Somente para os casos de tributos ou contribuições lançados ou declarados é que a pessoa jurídica submetida à ação fiscal se beneficia com o instituto da espontaneidade mediante o pagamento dessas exações no prazo de vinte dias do termo de inicio da ação fiscal. No caso, passaramse mais de vinte dias, não houve pagamento e, além disso, os débitos não estavam lançados ou declarados. Recurso provido em parte. (grifos nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese, divergência jurisprudencial, trazendo paradigma cujo excerto da ementa, no que interessa à controvérsia do presente recurso especial, é a seguinte: Acórdão 10809496 (...) DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. A constituição de sociedade em conta de participação é válida, exceção feita na hipótese da constituição da sociedade ocorrer com a finalidade exclusiva de evasão fiscal. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 18471.000549/200374 Acórdão n.º 9303001.737 CSRFT3 Fl. 505 9 (...) (grifos e destaques nossos) A Fazenda Nacional trouxe, ainda, um segundo paradigma, cujo ementa, no que interessa, reza o seguinte: Acórdão 10616837 (...) SIMULAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO – Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados divergiam da real intenção subjacente (compra de imóveis), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. (...) No entendimento da Fazenda Nacional, referido paradigma considerou simulação toda e qualquer prática que não seja condizente com a real intenção subjacente, tornando a conduta passível de punição por simulação. Especificamente quanto ao presente caso, apontouse que a simulação ocorreu porquanto a empresa Labratos, embora legalmente constituída, servia tãosomente de “fachada” para sonegação fiscal. A Fazenda Nacional asseverou, ainda, que o acórdão paradigma nº 106 16837, verbis, não obstante envolva aspectos diversos, pode ser aplicado à espécie para evidenciar a inadequada utilização de empresas interpostas, a fim de encobrir negócio jurídico realizado, em verdade, por outro contribuinte. O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 429 a 430 apenas quanto ao acórdão paradigma 10616837. Contrarrazões às fls. 477 a 497 onde se propugnou, preliminarmente, pelo não conhecimento do recurso, tanto pela sua intempestividade quanto pela inexistência de divergência jurisprudencial. No mérito, apontouse, em síntese, a inexistência de simulação e a legitimidade da operação de venda através da Labratos, requerendose, assim, a manutenção do v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Quanto à admissibilidade do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que referido recurso não merece ser conhecido. Com efeito, cumpre salientar que o v. acórdão recorrido cancelou a exigência consubstanciada no auto de infração, preliminarmente, e a despeito da questão relativa às receitas financeiras (em que se apontou ilegitimidade passiva), em razão da inexistência de fundamento legal na autuação que justifique a desconsideração da pessoa jurídica da Labratos. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 10 Isso é o que se depreende do seguinte excerto do voto proferido pelo ilustre relator, Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, verbis: Também em sede de preliminar, entendo que o Fisco não poderia ter desconsiderado a personalidade jurídica de uma empresa legalmente estabelecida, especialmente quando o fez somente para fins de apuração do PIS/Pasep e da Cofins, não o fazendo em relação ao IPI e em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Juridica. Além disso, não há ainda no nosso ordenamento jurídico, nenhum dispositivo legal a contemplar a descaracterização da forma com que se procedeu no presente caso. Tentativa nesse sentido foi feita quando da edição da Lei Complementar n° 104, de 2001, que acresceu ao artigo 116 do Código Tributário Nacional o parágrafo único versando sobre a possibilidade de a autoridade administrativa desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária, que, até o presente momento não foi editada. A DRJ, inclusive, admite que não foi mesmo nesse dispositivo no qual se fundou a autuação, tendo, no Acórdão ora atacado estabelecido que a autuação se fundava no Código Civil, artigo 102, no CTN, artigos 149, VII, e 150, § 4°, na Lei n° 9.430/96, artigo 44, e, especialmente, Lei n°4.502, artigos 71 a 73. Entretanto, a teor da argumentação que tecerei logo mais adiante, não vislumbro no contraponto dos fatos relatados e dos dispositivos legais invocados pela DRJ o encaixe, a subsunção necessária para que a desconsideração da personalidade jurídica da Labratos possa ser reconhecida como válida. Assim, dou provimento ao recurso para reconhecer a inexistência de fundamento legal na autuação que justifique a desconsideração da pessoa jurídica da Labratos, devendo ser cancelada a exigência. Deveras, compulsandose os autos, verificase no Enquadramento Legal do auto de infração, às fls. 166, que nenhum dos dispositivos acima aludidos foi apontado como arrimo da exação. Com relação a esse fundamento, qual seja, a da inexistência de fundamento legal na autuação que justifique a desconsideração da pessoa jurídica da Labratos, a Fazenda Nacional não se irresignou, não trazendo em seu recurso especial qualquer argumento para refutar tal conclusão. O presente recurso especial, por conseguinte, não merece ser conhecido, haja vista que a ausência de fundamentação legal para desconsideração da personalidade jurídica, por si só, é fundamento suficiente para manutenção do v. acórdão recorrido. Nessa linha de entendimento, em situação análoga, tanto o Egrégio Superior Tribunal de Justiça quanto o Excelso Supremo Tribunal Federal já firmaram sua jurisprudência, respectivamente, quanto ao recurso especial e ao recurso extraordinário, no sentido da impossibilidade de se dar seguimento a tais recursos quando da existência de fundamento não recorrido suficiente para manutenção do acórdão impugnado: Súmula 126 do STJ É inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantêlo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 18471.000549/200374 Acórdão n.º 9303001.737 CSRFT3 Fl. 506 11 Súmula 283 do STF É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. Assim, nesse particular, adotando a mesma linha de entendimento do STJ e do STF, concluo que o presente recurso especial não merece ser conhecido. Todavia, ainda que superado esse óbice inicial, o recurso especial não merece de qualquer forma ser conhecido. A despeito do r. despacho de fls. 429 a 430 ter admitido o recurso especial com base em divergência jurisprudencial, pretensamente comprovada através do acórdão 106 16837, relativo à interposição de empresa e ocorrência de simulação, entendo que tal dissenso não foi devidamente demonstrado. Com efeito, imperioso salientar que a divergência jurisprudencial que possibilita o conhecimento do recurso especial e, por conseqüência, provoca a Câmara Superior de Recursos Fiscais a cumprir com o seu mister uniformizar a jurisprudência no âmbito do CARF demanda identidade de premissas fáticas entre o acórdão recorrido e o paradigma trazido no recurso, com resultados, considerando tais premissas, diversos. O primeiro ponto a ser considerado, assim, diz respeito à identidade de premissas fáticas entre os caso, não obstante as diferenças entre os tributos analisados no v. acórdão recorrido (PIS) e no acórdão paradigma (IRPF). O v. acórdão recorrido, conforme se verifica às fls. 341, fixou o seguinte quanto aos fatos, verbis: O resultado da primeira diligência determinada por esta Câmara retornou a informação dede que a empresa Labratos possuía seu contrato social registrado na Junta Comercial do Rio de Janeiro desde 1947, e se encontrava na condição de ATIVA. Igualmente mostrara situação de ATIVA os cadastros dos fiscos federal, estadual e municipal, bem como a existência de alvará para funcionamento, expedido pela Prefeitura do Município do Rio de Janeiro. Assim, antes de julho de 2001 a empresa Labratos não operava, não realizava transações comerciais, o que não significa que ela não existisse juridicamente. Por outro lado, o fato de a mesma não possuir empregados registrados e valerse em suas operações da mãodeobra contratada pela empresa que lhe detém o controle acionário, qual seja, a Laboratórios Daudt, bem como as mesmas instalações fisicas desta, não lhe retiram as condições exigidas para o seu funcionamento; ao contrário, já que, por uma questão economia de custos, essa pratica é bastante difundida nos conglomerados de empresas, sem que isso resulte em desobediência sequer as relações de trabalho, já que, não é defeso as empresas buscar a redução de seus encargos, notadamente os trabalhistas. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 12 Nenhuma irregularidade há também no fato de duas empresas interdependentes realizarem transações comerciais entre si, ainda mais quando sobre a sua efetividade não tenha sido suscitada qualquer dúvida, mormente em relação à tradição das mercadorias, os pagamentos, aos registros na escrituração fiscal e contábil de ambas as empresas. (grifos e destaques nossos) Portanto, verificase na presente hipótese que a empresa em questão existia desde 1947 e encontravase regular perante os fiscos federal, estadual e municipal, apesar de não se encontrar operacional. Além disso, as empresas envolvidas no presente caso praticaram atos efetivos, notadamente quanto à compra e venda de mercadorias, seus respectivos pagamentos e escrituração fiscal e contábil, a despeito de compartilhamento de custos, notadamente mãode obra. De se destacar, além disso, que o v. acórdão recorrido ainda fixou o seguinte (fls. 342), verbis: (...) Desta forma, o Laboratório Daudt vendia seus produtos para a Labratos e esta, por sua vez, em seguida, os revendia ao mercado, com mais uma variante a ser considerada, qual seja, de que, conforme relata o Fisco, "(...) sendo os preços de venda desta empresa bastante superiores aos preços praticados pelo Laboratório Daudt (..)". Mas, quanto a isso, a essa disparidade de preços, a Recorrente se defende alegando estar escorada no artigo 123 do Decreto n° 2.637, de 1998 (RIPI) e, que, nessa linha, os preços praticados pelo Laboratório Daudt à Labratos observaram o valor tributável mínimo, os quais levaram em conta o custo de fabricação, os custos financeiros e os de venda, administração e publicidade, além do seu lucro. A propósito, talvez isso tenha motivado a primeira diligência determinada por esta Terceira Câmara, a qual, repitase, retornou com informação de que os preços de venda praticados pelo Laboratório Daudt são superiores aos preços de custos num intervalo que varia de 22% a 316% (fl. 2.916). Ou seja, restou incontroverso nos autos, também, que os preços praticados pela Labratos, ao contrário do que alegado no auto de infração, não são bastante superiores aos preços praticados pelo contribuinte. Ao revés, restou comprovado que os preços praticados pelo Laboratório Daudt cobrem os seus custos de produção, com margens de lucro bastante razoáveis, e que estão de acordo com a legislação do IPI. Tal premissa fática restou corroborada, inclusive, no seguinte trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro relator, verbis: (...) Não há dúvida de que se tratou de um planejamento tributário visando a economia da Cofins e do PIS/Pasep, conforme assumido pela Recorrente quando de sua peça impugnatória, já que, em vez dos 3% e 0,65% usuais, a saída de medicamentos do Fl. 512DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 18471.000549/200374 Acórdão n.º 9303001.737 CSRFT3 Fl. 507 13 estabelecimento industrial, a partir de maio de 2001, passou a ter tributada pelas alíquotas de 10,3% e de 2,2%, respectivamente, e esse mesmo medicamento, quando vendido por estabelecimento não produtor, foi tributado a alíquota zero. Assim, a Laboratório Daudt vendia seus produtos a Labratos por um preço mínimo — respeitando as regras do valor tributável mínimo para fins de IPI, nos termos do artigo 123 do RIPI/98 , sofrendo a incidência da Cofins e do PIS/Pasep aquelas alíquotas diferenciadas, e a Labratos, por sua vez, praticava os preços de venda do mercado, nada recolhendo de Cofins e de PIS/Pasep, visto que a alíquota incidente era zero. Valeuse a empresa da grande brecha deixada pela Lei n° 10.147, de 2000, pois, nas vedações de utilização da alíquota zero, tratou ela de restringir o beneficio da alíquota zero apenas aos optantes do SIMPLES, dentre os quais, obviamente, a Labratos não se enquadra. Ora, não há na legislação da Cofins e do PIS/Pasep qualquer limitação, primeiro, para a venda entre empresas do mesmo grupo, e, segundo, qualquer restrição ou regra a ser seguida na prática de preços envolvendo tais operações, de sorte que, no presente caso, tendo sido comprovado que o preço de venda praticado pelo Laboratório Daudt cobre com folga os custos de produção, não vejo como possamos descaracterizar a existência de uma pessoa jurídica legalmente estabelecida para fins de fazer incidir ditas contribuições sobre o montante de suas vendas, então abrigadas ou tributadas à alíquota zero. (...) Em face de todo o exposto, dou provimento ao recurso para cancelar a exigência apurada em relação aos períodos de apuração de julho de 2001 a dezembro de 2002. (grifos e destaques nossos) Por outro lado, o acórdão paradigma colacionado com o recurso especial (fls. 406 a 426) foi proferido em decorrência de lançamento de IRPF em que se apurou as seguintes infrações, verbis (fls. 408): 1) omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas; 2) glosa de despesas da atividade rural; 3) omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior; 4) omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito mantidas em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; 5) falta de recolhimento de IRPF devido a titulo de carnêleão. Quanto à simulação, o acórdão paradigma se limitou ao seguinte, verbis (fls. 422): (...) Em grau de recurso, o contribuinte repisa os argumentos já prestados na impugnação, no sentido de que a suposta simulação, imputada pelo Fisco teve como base probatória depoimentos de pessoas aleatórias (vizinhos e porteiros) e dos corretores, que apenas intermediaram a aquisição dos imóveis pela empresa. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 14 Aqui, destaco que o deslinde da controvérsia envolve, basicamente, a verificação das operações de compra e venda dos imóveis: a empresa foi criada em 17/09/2002 e logo após a constituição ocorreu a nomeação dos dois procuradores, pai e filho, em 04/10/2002; em seguida, ocorreu a aquisição 'dos dois imóveis, em novembro de 2002; a revogação dos poderes outorgados aos dois procuradores ocorreu em 29/04/2003, após a consolidação dos negócios jurídicos Assim, entendo que dada à proximidade de datas entre os atos, está evidenciado o escopo de efetivar as transações imobiliárias, ocultando assim, um acréscimo patrimonial a descoberto, oriundo de recurso de origem não declarada. O negócio oculto configurou a simulação, transparecendo que o contribuinte teria realizado uma procuração em causa própria, que a sociedade constituída pela off shore Villa Del Monte Corporation S/A se confunde com o próprio contribuinte, pois, as escrituras de compra e venda consubstanciaram transferência de titularidade de dois imóveis. A interposição da referida sociedade somente evidenciou a prática de ato fictício para fins de encobrir o negócio real. (grifos e destaques nossos) Ou seja, do excerto acima, bem como do rol de infrações apontadas no respectivo auto de infração, depreendese que as premissas fáticas do paradigma são completamente diversas daquelas constantes do presente processo. Especificamente quanto à simulação, verificase que no paradigma cuidouse de venda de imóvel através da prática imediata e concatenada de vários atos (constituição da empresa, outorga de procurações, aquisição de imóveis e revogação das procurações após a consolidação dos negócios jurídicos), com a utilização de empresa off shore que, em verdade, se confundia com o próprio contribuinte pessoa física. Indubitável, portanto, que as premissas fáticas do v. acórdão recorrido e do acórdão paradigma são patentemente diversas. Aliás, a própria Fazenda Nacional, nesse sentido, asseverou em seu recurso especial (fls. 362) que o acórdão paradigma nº 10616837 envolve aspectos diversos do caso ora em apreço, o que confirma a diferença de premissas fáticas. Portanto, não havendo identidade de premissas fáticas entre o v acórdão recorrido e o acórdão paradigma, este não se presta à comprovação do dissenso jurisprudencial e, por conseqüência, tornase inviável o conhecimento do recurso especial. Esse entendimento, a propósito, não é acolhido somente pela iterativa jurisprudência dos Tribunais Superiores, mas também pelo próprio CARF, conforme se depreende da ementa abaixo: Processo n° 10945.013231/200417 Recurso n° 146.275 Especial do Procurador Fl. 514DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 18471.000549/200374 Acórdão n.º 9303001.737 CSRFT3 Fl. 508 15 Acórdão n° 920200.821 2 Turma Sessão de 10 de maio de 2010 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado KHALID ALI OUMEIRI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. A divergência ensejadora de conhecimento de recurso especial tem de existir entre acórdãos que apreciaram idêntica ou, até mesmo, semelhante situação fática e sobre ela aplicou os mesmos dispositivos legais sem convergência. No caso concreto houve convergência jurisprudencial na aplicação dos dispositivos legais, que chegou a conclusões distintas por apreciarem situações fáticas diferentes. Portanto, não restou instaurada a divergência. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente ELIAS SAMPAIO FREIRE – Relator (grifos e destaques nossos) Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 515DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Numero do processo: 10215.720020/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Indefere-se o pedido de diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-001.645
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, REJEITAR a preliminar de realização de diligência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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Indeferese o pedido de diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, REJEITAR a preliminar de realização de diligência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 48/64, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 40.157,13. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificada do lançamento, a autuada apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 69/76), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: a) A empresa da impugnante, A. C. T. T. ASSESSORIA LTDA EPP, CNPJ N. 05.443.659/000136, foi contratada para regularizar as documentações das terras adquiridas pelos senhores Luis Vacarro e Márcio Vacarro e como não havia agência HSBC na cidade onde residem, os valores de R$ 25.000,00 e R$ 55.000,00 foram depositados na conta corrente da Impugnante, para que sua empresa providenciasse os pagamentos das despesas e demais obrigações, sendo que a prestação dos serviços foi realizada pela empresa e não pela Impugnante. b) Solicita todos os meios de prova admitidos no Direito, inclusive que sejam intimados os senhores Luis Vacarro e Márcio Vacarro; c) Os extratos bancários, por si só, não autorizam a presunção de omissão de receita, não servindo assim de meio idôneo para a apuração de crédito tributário; h) As movimentações bancárias não são suficientes para comprovar o ingresso de riqueza, podendo, em última análise, apenas representar presunção simples. A 2ª Turma da DRJ em Belém/PA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: Omissão. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância em 18/06/2008 (fl. 88), Onélia Kzan Nogueira Barbosa apresenta Recurso Voluntário em 20/06/2008 (fls. 89/95), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10215.720020/200713 Acórdão n.º 2201001.645 S2C2T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário 2005. Em sua peça recursal alega a recorrente que os valores de R$ 25.000,00 e R$ 55.000,00 depositados em sua conta corrente referemse a receitas de serviços prestados da empresa A. C. T. T. Assessoria LtdaEPP, CNPJ n° 05.443.659/000136, depositados pelos Senhores Luis Vacarro e Marcio Vacarro para pagamento de despesas, taxas e impostos de terras adquiridas na região. Assevera, ainda, a recorrente que “apenas a existência de indícios ou presunções, não pode caracterizar o crédito tributário como renda consumida da Recorrente. Qualquer indício deve ser necessariamente provado e isso não foi, uma vez que não foram intimados os senhores Luis Vacarro e Marcio Vacarro a prestar esclarecimentos”. Antes de adentrarmos no mérito da questão cumpre examinar, de antemão, a preliminar argüida pela defesa e que diz respeito ao indeferimento de seu pedido de diligência para que fossem intimados os senhores Luis Vacarro e Marcio Vacarro a prestar esclarecimentos. De início cabe o registro que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de diligências, perícias e oitivas, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerarem prescindíveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). No presente caso houve a devida apreciação pela turma julgadora do pedido de diligência e foi bem explicitada a razão pela qual foi indeferida. A bem da verdade, a diligência não pode ter por objetivo a complementação do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho do Fisco ao lançar o crédito ou da Impugnação apresentada pela autuada. Tais instrumentos se prestam tão somente a esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas ao julgador no exame do litígio. No caso dos autos, o lançamento efetuado com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Assim sendo, a lei estabelece uma presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Portanto, se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele, e não ao Fisco, a comprovação da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Destarte, inócuas as alegações da contribuinte no sentido de transferir ao Fisco a prova de que os créditos havidos em sua conta corrente não representam rendimentos tributáveis da pessoa física. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Quanto ao mérito alega a recorrente que apenas a existência de indícios ou presunções, não pode caracterizar o crédito tributário como renda consumida. Além do mais, os valores de R$ 25.000,00 e R$ 55.000,00 depositados em conta corrente referese a receitas de serviços prestados da empresa A. C. T. T. Assessoria Ltda – EPP. Pois bem, como dito anteriormente o fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Em verdade, verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pela contribuinte, é presumida a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo a contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal. Portanto, diferentemente do que pensa a recorrente a autoridade fiscal não tem que comprovar renda consumida. Neste sentido foi editada a Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Ainda, ao analisar a argumentação da recorrente de que os depósitos referem se a receitas de serviços prestados da pessoa jurídica, verifico, pois, que em momento algum apresenta a suplicante qualquer elemento de prova, limitando sua defesa em uma suposta prova que a fiscalização deveria produzir. Assim, os argumentos defendidos pela recorrente são sobremaneira frágeis, pois, ainda que os senhores Luis Vacarro e Marcio Vacarro confirmassem a alegação da suplicante, caberia, ainda, a autuada a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os depósitos foram efetuados na conta corrente. Com efeito, poderia a recorrente para comprovar sua alegação carrear aos autos Nota fiscal de prestação de serviços da empresa A. C. T. T. Assessoria Ltda, bem como comprovantes das alegadas taxas, impostos e despesas pagas para aquisição de imóveis em nome dos terceiros referenciados. Destarte, pelos fundamentos expostos entendo que a exigência tributária em exame deve ser mantida. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de indeferimento do pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 15374.002950/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. ART. 22, III DA LEI Nº 8.212/91.
A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
NFLD. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS.
A apresentação de documentação deficiente autoriza o Fisco a lançar a contribuição previdenciária que reputar devida, recaindo sobre o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. O Recurso pautado unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material, não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelo art. 33, §3º, in fine da Lei nº 8.212/91, eis que alegar sem provar é o mesmo que nada alegar.
JUROS E MULTA MORATÓRIOS. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR.
Os artigos 132 e 133 do CTN impõem ao sucessor a responsabilidade
integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável.
Recurso Voluntário Provido em parte e Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-001.630
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicar-se o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. ART. 22, III DA LEI Nº 8.212/91. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. NFLD. ÔNUS DA PROVA. IMPUGNAÇÃO SEM ESTEIO EM PROVAS MATERIAIS. A apresentação de documentação deficiente autoriza o Fisco a lançar a contribuição previdenciária que reputar devida, recaindo sobre o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. O Recurso pautado unicamente em alegações verbais, sem o amparo de indício de prova material, não desincumbe o Recorrente do ônus probatório imposto pelo art. 33, §3º, in fine da Lei nº 8.212/91, eis que alegar sem provar é o mesmo que nada alegar. JUROS E MULTA MORATÓRIOS. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. Fl. 2746DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Os artigos 132 e 133 do CTN impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável. Recurso Voluntário Provido em parte e Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que entendeu aplicarse o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. ARLINDO DA COSTA E SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004. Data da lavratura da NFLD: 08/07/2005. Data da Ciência do NFLD: 12/07/2005. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, a cargo da empresa e, também, a cargo dos segurados contribuintes individuais, estas, no período compreendido entre abril/2003 a dezembro/2004, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls.64/72. Informa a Autoridade Lançadora que as bases de cálculo utilizadas para a quantificação do débito correspondem às remunerações pelos serviços prestados pelos segurados sem vínculo empregatício, não informadas nas respectivas GFIP, obtidas das Fl. 2747DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15374.002950/200944 Acórdão n.º 230201.630 S2C3T2 Fl. 2.485 3 Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF feitas à Receita Federal e apresentadas pela empresa à fiscalização, conforme discriminação individual, mês a mês, por beneficiário, por incorporadas e incorporadora. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 186/194, acompanhada pelos documentos a fls. 195/2.397. A Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária RJ/SUL baixou o feito em diligência, para que fossem esclarecidos pontos controversos no lançamento, conforme Despacho a fl. 2.402. Informação fiscal a fls. 2.404/2.406 e anexos fls. 2.407/2.412. Promovida a ciência da referida Informação Fiscal ao sujeito passivo, este se manifestou a fls. 2.416/2.417. A Delegacia RJSul da Secretaria da Receita Previdenciária no Rio de Janeiro/RJ lavrou DecisãoNotificação a fls. 2.418/2.429, julgando procedente em parte a autuação, para dela excluir os pagamentos efetuados a pessoas físicas que se referiam a alugueis, bem como aqueles em que restou comprovado o devido recolhimento das contribuições devidas, retificandose o crédito tributário na forma da tabela a fls. 2.423/2.424, e recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 09/07/2007, conforme atesta documento a fl. 2.432. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 2.434/2447, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: • Que houve decadência parcial das obrigações tributárias; • Que o indeferimento da produção da prova pericial importou em cerceamento ao direito de defesa e também em violação ao principio da verdade material; • Que recolheu as contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados aos prestadores de serviços autônomos; • Que não existe responsabilidade da Recorrente por supostas infrações praticadas por suas sucedidas; • Protesta pela produção de prova pericial. Ao fim, requer a desconstituição do lançamento. Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 09/07/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 08 de agosto do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 2749DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15374.002950/200944 Acórdão n.º 230201.630 S2C3T2 Fl. 2.486 5 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Fl. 2750DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Fl. 2751DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15374.002950/200944 Acórdão n.º 230201.630 S2C3T2 Fl. 2.487 7 Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Nessa cadência, tendo sido a vertente Notificação Fiscal lavrada em 08 de julho de 2005, esta alcançaria todos os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/1999, inclusive, excluídas as relativas ao 13º salário desse mesmo ano. No caso vertente, o prazo decadencial relativo à competência dezembro de 1999 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2001, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2005, inclusive. Pelo exposto, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 1999, exclusive, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. 2.2. DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL Pondera o Recorrente que o indeferimento da produção da prova pericial importa em cerceamento ao direito de defesa e também em violação ao principio da verdade material. Não vislumbramos conteúdo em tal apelo. Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados na escrita fiscal do sujeito passivo ou em outros documentos obrigatórios, cujo teor já é do conhecimento do auditor fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Fl. 2752DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nesse contexto, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do contribuinte desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos, via de regra, como meramente protelatórios. De outro eito, mostrase auspicioso destacar que os artigos 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72 estipulam que a impugnação tem que ser formalizada com os documentos em que se fundamentar a defesa do impugnante, devendo mencionar o correspondente instrumento de bloqueio, as perícias pretendidas, expostos obrigatoriamente os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados. No caso vertente, o requerimento para produção de prova pericial traz como quesito único a ser respondido pelo perito o questionamento se “Com base nas guias de recolhimento (GPS) de posse da Impugnante e das guias juntadas aos autos, é possível verificar o recolhimento integral ou parcial dos débitos exigidos na autuação”. Avulta de plano que a perícia pretendida pela parte se revela impraticável, pois nenhum perito, por mais capaz que seja, conseguirá responder tal questão apenas com base nas GPS. Isso porque as Guia da Previdência Social possuem apenas dois campos de informação de valores referentes a fatos geradores: o Campo 6. Valor do INSS, e o campo 9. Valor de outras entidades. Ora, o campo 6: valor do INSS é o campo indicado para se informar o somatório de todas as contribuições vertidas à autarquia previdenciária, dentre elas, contribuição dos segurados empregados, contribuição a cargo dos segurados contribuintes individuais, contribuição da empresa incidente sobre a remuneração de segurados empregados destinada ao custeio da Seguridade Social, contribuição da empresa incidente sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços durante o mês, destinada ao custeio da Seguridade Social, contribuição da empresa destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, adicional de SAT para o custeio de aposentadoria especial, dentre muitas outras contribuições mais específicas para cada ramo da atividade econômica, como bancos, produtor rural, transportadoras, etc. O mais iniciante dos matemáticos tem consciência que, para a solução de um sistema de equações, são necessárias tantas equações linearmente independentes quanto o número de incógnitas do sistema. Na presente hipótese, há pelo menos cinco ou seis incógnitas Fl. 2753DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15374.002950/200944 Acórdão n.º 230201.630 S2C3T2 Fl. 2.488 9 a serem determinadas, dentre elas, contribuição da empresa incidente sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços durante o mês e a contribuição previdenciária a cargo desses mesmos segurados, e apenas uma única equação, consubstanciada no valor recolhido ao INSS. Em outras palavras, sem a análise de um conjunto integrado de documentos, tais como folhas de pagamento, GFIP, contabilidade, etc., revelase impossível, pelo exame único da GPS, verificar se houve o recolhimento integral ou parcial dos débitos exigidos no presente lançamento. Por isso se mostra desnecessária e impraticável a perícia formulada nos termos requeridos pelo Recorrente. No caso presente, a autoridade de 1ª instância indeferiu o pedido de produção de prova pericial pois entendeu que “neste caso a realização de perícia é desnecessária, em razão de o levantamento do débito ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da recorrente, por ela elaborados e contabilizados, o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que, forçosamente, são de seu conhecimento”. Assentado que o Processo Administrativo Fiscal é permeado pelo Princípio da Livre Convicção da autoridade julgadora, não detém este Colegiado competência para sindicar as razões de conveniência e oportunidade de conduziram a autoridade de 1ª instância a considerar prescindível a realização da perícia requerida pelo contribuinte. Não se mostra despiciendo relembrar que a legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 2754DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15374.002950/200944 Acórdão n.º 230201.630 S2C3T2 Fl. 2.489 11 impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua produção em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais previstas no §5º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre assentar inicialmente que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES Argumenta o Recorrente que não existe responsabilidade do sucessor por supostas infrações praticadas por suas sucedidas. Razão não lhe assiste. De plano, cabe trazer a balha que, na concepção legal das obrigações tributárias, o CTN honrou discernir, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo art. 146, III, ‘b’ da CF/88, os trações delineadores das duas espécies de obrigação tributária, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 2756DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O caso em apreciação trata da obrigação tributária principal, consistente numa obrigação de dar, consubstanciada no recolhimento de tributos e seus acessórios legais, a saber, juros e multa moratórios. Ao tratar da sujeição passiva, estatuiu o codex tributário que o sujeito passivo da obrigação principal pode ser o contribuinte ou o responsável tributário, o qual, mesmo sem revestir a condição de contribuinte, a sua obrigação pelo recolhimento do tributo e seus acessórios decorre de disposição expressa de lei. Certo é que, no caso ora em estudo, o Recorrente não se caracteriza como o contribuinte do tributo em voga, eis que não possui relação pessoal e direta com os fatos geradores aqui apurados, mas a sua responsabilidade pelo recolhimento da exação decorre de disposição expressa da lei, in casu, o art. 132 do CTN, o qual adiante transcrevemos para melhor compreensão de seus fundamentos. Código Tributário Nacional CTN Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Anotese que os juros e multa moratórios em debate tem sua origem, exclusivamente, na intempestividade objetiva do sujeito passivo no recolhimento das contribuições previdenciárias em foco, configurandose, portanto, como acessórios da exação e, nessa qualidade, seguem o mesmo destino do principal. Registrese, por relevante, que mesmo as penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigação acessória também são transferidas para a responsabilidade do sucessor, eis que, nos termos do §3º do art. 113 do CTN, a penalidade pecuniária convertese em obrigação principal, ou seja, segue o mesmo caminho traçado pela lei para os tributos. A matéria ora em foco já foi bater às portas do Superior Tribunal de Justiça, que irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto: REsp 432.049 / SC Relator Min. JOSÉ DELGADO T1 PRIMEIRA TURMA DJ 23/09/2002 p. 279 Ementa TRIBUTÁRIO. EMPRESA INCORPORADORA. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SUCESSOR. MULTA FISCAL (MORATÓRIA). APLICAÇÃO. ARTS. 132 E 133, DO CTN. PRECEDENTES. 1. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão segundo o qual não se aplicam os arts. 132 e 133, do CTN, tendo em vista que Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15374.002950/200944 Acórdão n.º 230201.630 S2C3T2 Fl. 2.490 13 multa não é tributo, e, mesmo que se admita que multa moratória seja ressalvada desta inteligência, o que vem sendo admitido pelo STJ, in casu, tratase de multa exclusivamente punitiva, uma vez que constitui sanção pela não apresentação do livro diário geral. 2. Os arts. 132 e 133, do CTN, impõem ao sucessor a responsabilidade integral tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável. Portanto, é devida a multa, sem se fazer distinção se é de caráter moratório ou punitivo, visto ser ela imposição decorrente do não pagamento do tributo na época do vencimento. 3. Na expressão "créditos tributários" estão incluídas as multas moratórias. 4. A empresa, quando chamada na qualidade de sucessora tributária, é responsável pelo tributo declarado pela sucedida e não pago no vencimento, incluindose o valor da multa moratória. 5. Precedentes das 1ª e 2ª Turmas desta Corte Superior e do colendo STF. 6. Recurso provido. No mesmo sentido: REsp n. 3097/RS Relator Min. Garcia Vieira DJ 19/11/90 Ementa EXECUÇÃO FISCAL. MULTA MORATÓRIA. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. O sucessor tributário é responsável pela multa moratória, aplicada antes da sucessão. Recurso conhecido e provido. O posicionamento da Suprema Corte de Justiça não discrepa das disposições insculpidas no art. 671 da IN INSS/DC nº 100/2003, in verbis: Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003 Art. 671. Na sucessão de empresas o AI será lavrado em nome do sucessor, identificandose a seguir o antecessor ou os antecessores, se houver infração praticada em período anterior, registrandose no relatório fiscal a forma como se deu a sucessão. Fl. 2758DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Inexiste dúvida, pois, de que os referidos dispositivos legais impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor. 3.2. DO ALEGADO RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS Argumenta o Recorrente ter recolhido contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados aos prestadores de serviços autônomos. Tal alegação não reúne os requisitos necessários para prosperar. Colhemos do Relatório Fiscal a fls. 67/68 que através do TIAD datado de 07/01/2005 foi a empresa intimada a apresentar as Folhas de Pagamento/Recibos de Pagamento dos Segurados Contribuintes Individuais. Em razão da não apresentação de tais documentos, estes foram novamente solicitados mediante os TIAD datados de 16/03/2005 e de 10/05/2005, tendo sido solicitado, mediante este último, também as respectivas GPS referentes aos recolhimentos dos Contribuintes Individuais. Em virtude da não apresentação da documentação requerida, valeuse a fiscalização das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte apresentadas pela fiscalizada para a identificação dos segurados sem vínculo empregatício (segurados contribuintes individuais), os quais constam na DIRF com o código 0588 (Rendimentos do Trabalho Sem Vinculo Empregatício) e a consequente apuração de suas remunerações. Informa a Autoridade Lançadora que, ao serem confrontados tais segurados com as informações prestadas pela empresa através das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, restou configurado que a grande maioria dos segurados dessa categoria não constava nas GFIP da empresa, sendo tais segurados relacionados nas planilhas anexas ao relatório fiscal, Anexo I, a fls. 115/183. Assim, os somatórios das remunerações dos contribuintes individuais listados no anexo I aludido no parágrafo precedente, arrolados por competência, englobando todas as incorporadas e a incorporadora, foram considerados como bases de cálculo das contribuições, e constam no RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS – RL, a fls. 42/51, nele constando também a contribuição de segurados de 11% para o período de 04/2003 a 12/2004. Em sede de impugnação ao lançamento, logrou a empresa comprovar que parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização referiamse, em realidade, a pagamento de alugueis, os quais foram excluídos do lançamento. De forma semelhante, constatou o órgão judicante de 1ª instância ter havido recolhimento de contribuições previdenciárias relativo a outra parcela dos fatos geradores apurados, os quais, igualmente, foram extirpados do lançamento, nos termos da informação fiscal a fls. 2.404/2.412. Fl. 2759DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15374.002950/200944 Acórdão n.º 230201.630 S2C3T2 Fl. 2.491 15 Retorna, então, à carga o Recorrente afirmando que “entende que recolheu as contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados aos prestadores de serviços autônomos”, mas sem qualquer esteio em indício de prova material. Mas não é bem nesse tom que a banda toca. A estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Para tanto, exige o art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social que a empresa, mensalmente, elabore folhas de pagamento, lance em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, informe ao Fisco Federal, mediante GFIP, todos os citados fatos geradores e outras informações de interesse do INSS, etc. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) No que pertine à elaboração das folhas de pagamento, ouvimos em alto e bom som das normas assentadas no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 que a folha de pagamento deve ser elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, devendo, necessariamente, discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; destacar o nome das seguradas em gozo de saláriomaternidade; destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais e indicar o número de quotas de salário família atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Citese que tal documento deve ser mantido pela empresa à disposição da fiscalização, observadas as normas estabelecidas pelos órgãos competentes, até que ocorra a decadência das obrigações tributárias a eles associadas ou deles decorrentes. De outro canto, mas ária de outra ópera, a lei ordena que sejam lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Mostrase auspicioso destacar que a contabilidade tem como uma de suas finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a atender, de forma uniforme, às exigências das leis e regulamentos dos órgãos públicos. Na atualidade ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Contudo, a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Enganase aquele que acredita serem os livros contábeis exigíveis apenas pela legislação comercial. A legislação Tributária é aquela que mais impõe modulações e padrões aos lançamentos contábeis e à estruturação e formalização dos livros, não sendo por outro motivo também conhecidos como “Livros Fiscais”. No tocante à escrituração contábil, a não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária sujeita o contribuinte ao pagamento de penalidades pecuniárias a lhe serem impostas mediante o competente Auto de Infração. Quanto as GFIP, exige a lei, taxativamente, que nela sejam declarados todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias além de outras informações de interesse da autarquia previdenciária federal, haja vista que as informações constantes nesse documento servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego meios indiretos para a apuração da base de cálculo das contribuições sociais em foco. E foi exatamente o que se sucedeu no presente caso. Ante a omissão da empresa em apresentar a documentação exigida, mediante documento próprio, valeuse a fiscalização das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte como fonte de apuração do montante tributável, com esteio jurídico no permissivo legal encartado no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, o qual foi lançado como devido, transferindose para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15374.002950/200944 Acórdão n.º 230201.630 S2C3T2 Fl. 2.492 17 único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos encartados no Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 148 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte. Código Tributário Nacional CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente nas folhas de pagamento, nas GFIP e na escrita fiscal. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Diante desse quadro, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação figura como motivo justo, bastante, suficiente e determinante para que a fiscalização inscreva de ofício importância reputada como devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado no parágrafos3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. No presente caso, do exame minucioso da documentação acostada aos autos pelo Recorrente, apurou a fiscalização a existência de lançamentos que não correspondiam a fatos geradores de contribuições previdenciárias, os quais foram excluídos da notificação fiscal, assim como recolhimentos atrelados a fatos geradores aqui igualmente lançados, sendo estes, da mesma forma, retirados do presente lançamento tributário. Dessa forma, ante a ausência de suporte probatório consistente, mantémse a exigibilidade das contribuições previdenciárias referentes aos fatos geradores que o Recorrente não logrou desconstituir. Não basta para a elisão do crédito previdenciário a estes associado a singela argumentação do Recorrente de que “entende que recolheu as contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados aos prestadores de serviços autônomos”, descalçada do indispensável esteio de provas materiais. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Dada à reconfiguração do ônus probante imposta pelo §3º, in fine, do art. 33 da Lei nº 8.212/91, tem o Recorrente que demonstrar e comprovar ou o recolhimento das contribuições devidas ou que os fatos imputados pela fiscalização não se configuram como fatos geradores de contribuições previdenciárias. Diante desse quadro, não se revela possível a esta Corte Administrativa o provimento do pleito ora requerido pela empresa em epígrafe, em razão da carência de conjunto probatório robusto que dê esteio ao direito por si alegado. Nas circunstâncias específicas do presente caso, cabe a quem alega o lançamento indevido ou o recolhimento prévio dos tributos em apreço, o ônus probatório dessas alegações. Alegar sem nada provar é o mesmo que nada alegar. Nesse contexto, não havendo o sujeito passivo produzido qualquer indício de prova material com pujança bélica poderosa o suficiente a desintegrar os sólidos fundamentos do presente lançamento, este há de ser mantido. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídos do lançamento todos os fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/1.999, exclusive. 5. DO RECURSO DE OFÍCIO Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15374.002950/200944 Acórdão n.º 230201.630 S2C3T2 Fl. 2.493 19 Não merece reparos a decisão levada a efeito pelo Órgão Judicante Administrativo a quo. Com efeito, restando comprovado que parte dos fatos jurídicos arrolados no Relatório de Lançamentos se referiam a alugueis e não a pagamento a segurados contribuintes individuais, estes têm que ser excluídos do lançamento tributário, eis que não se configuram como fatos geradores de contribuições previdenciárias. De maneira análoga, restando comprovado o efetivo recolhimento de contribuições previdenciárias associado univocamente a fatos geradores integrante do lançamento, estes, necessariamente, tem que ser retirados do lançamento, sob pena de bis in idem. Por tais razões, pugnamos pela negativa de provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 18336.000193/2003-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Data do Fato Gerador: 12/09/2002
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DA MULTA DE MORA. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Deve ser cancelada a multa de ofício lançada pela aplicação retroativa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, com fundamento no art. 106, II, “a” do CTN.
Negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 9303-001.798
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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FALTA DE PAGAMENTO DA MULTA DE MORA. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Deve ser cancelada a multa de ofício lançada pela aplicação retroativa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, com fundamento no art. 106, II, “a” do CTN. Negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Otacílio Dantas Cartaxo _ Presidente da CSRF Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Fl. 223DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes: Tratase de Auto de Infração de fls. 01/05, no qual se exige o recolhimento de juros e multa de mora relativa à complementação da C1DE, demonstrada na descrição dos fatos (fls. 02/03), referente a declaração de Importação n° 02/01924417 registrada em 05/03/2002 na modalidade antecipada (fls. 06/08). Segundo procedimento fiscal de verificação, em relação a DI em questão ora registrada e desembaraçada alicerçada na quantidade declarada (fls.10/11), conforme preconiza a IN SFR 175/02, diesel é uma mercadoria importada a granel, a arqueação foi realizada com respaldo na art. 5° da citada IN, o arqueador emitiu um laudo de arqueação, onde foi constatada diferença de volume descarregado a mais. Visando sanar as irregularidades apresentadas, a Petrobrás solicitou a retificação da DI em 16/09/2002 instruída pelo DARF (fls. 20), com o recolhimento da CIDE para a mercadoria descarregada a mais. Fundamentaramse as exigências nos arts. 43, 44, inciso e § 1°, inciso II e art. 61, 1°§ e 2§, da Lei n'9.430/96, art. 6° da Lei n°10.336/01, art. 570 do Decreto n° 4.543/02 bem como art. 161 da Lei n°5.172/66. Ciente do Auto de Infração o contribuinte apresenta tempestiva impugnação de fls. 24/34, alegando, em síntese, que: (i) em matéria idêntica a esta lide, foram dadas 22 decisões a seu favor, as quais é importante que sejam observadas afim de que todas as unidades da Receita Federal se mantenham firmes e coerentes; (ii) com as mudanças constantes do preço do petróleo, bem como as variações apresentadas de volume, ambos inconstantes, apenas com a chegada no porto de destino, com o inicio de procedimento fiscal é que se dará a regularização fiscal da importação; (iii) devido a retificação feita pelo contribuinte que caracteriza a denúncia espontânea (atividade de colaboração entre contribuinte e o fisco), é incabível a aplicação de multa de mora, portanto efetuou o pagamento da diferença do CIDE, com juros, mas sem multa, ressaltando que não se encontrava sob procedimento fiscal instaurado; Fl. 224DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 18336.000193/200323 Acórdão n.º 930301.798 CSRFT3 Fl. 196 3 (v) por se tratar de urna matéria reservada a Lei Complementar (lido pode ser alterada por lei ordinária) não pode ser alterado o instituto da denuncia espontânea. Frente aos argumentos citados, o contribuinte requer seja declarado nulo por ilegalidade, ou se assim não entender, seja dado como improcedente este AI. Para afirmar seus argumentos faz uso de Jurisprudências do 1°,2° e 3° Conselho de Contribuintes, do STJ e TRF 2ª Região, doutrinas, bem como do art. 138 do CTN. Encaminhados os autos a DRJFORTALEZA/CE, esta entendeu pela Procedência do Lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 12/0312002 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO SEM O CÔMPUTO DA MULTA DE MORA. INEXISTÊNCIA. Dentre os requisitos inerentes à denúncia espontânea, fazse necessário o recolhimento do tributo devido com o acréscimo da multa de mora correspondente, sem o qual não há como se configurar tal instituto. MULTA ISOLADA. RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO EM ATRASO SEM O CÔMPUTO DA MULTA DE MORA DEVIDA. INCIDÊNCIA. Haverá lançamento de multa de oficio quando constatado o pagamento em atraso de débito para com a Unido, sem o concomitante recolhimento da multa de mora devida. Lançamento Pr cedente Irresignado com a decisão singular, o contribuinte apresentou tempestivo Recurso Voluntário, fls.48/66, e documentos de fls. 46/47, reiterando todos os argumentos e pedidos apresentados em sua peça impugnatória, ressaltando, ainda, que: (i) anteriormente a CSRF julgou 5 processos a seu favor em matéria idêntica, assim como o 3° Conselho de Contribuintes, em 24 oportunidades; (ii) o impugnante se vê indagado, sobre a quem compete o "controle da constitucionalidade e ou legalidade” das leis, sendo que a , administração deve tornar sem efeito os atos viciados; (iii) é importante ressaltar que a Lei n°9.430/96 só poderia se aplicar ao contribuinte se não fosse A expedição feita pelo Secretário da Receita Federal no Ato Declaratório SRF nº. 13/2002, o qual desconsiderou infração punível a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de Fl. 225DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional; (iv) ademais, o fato gerador é anterior ao advento do Ato Declaratório n°13/02 (norma complementar), sendo assim não há como subsistir a aplicação da multa proporcional imposta pelo Fisco. Em garantia ao seguimento do Recurso Voluntário, apresentou Relação de Bens e Direitos para Arrolamento, fls. 67 e 68. Tendo em vista o disposto na Portaria MF n°314, de 25/08/1999, deixam os autos de serem encaminhados para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional, quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, constando numeração até às fls. 169, última. É a seguinte a ementa da decisão recorrida: DENUNCIA ESPONTÂNEA A teor do art. 138 do CTN, se a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, e ocorrer antes do inicio de qualquer procedimento fiscalizatório, não é devido o pagamento da multa de mora ou da multa de oficio, vinculadas ao fato gerador. RECURSO PROVIDO. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial por contrariedade à legislação tributária, às fls. 169/178, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. Foi alegado que não se configurou a denúncia espontânea da infração, uma vez que a denúncia não foi acompanhada do recolhimento integral do tributo e acréscimos moratórios devidos. O recurso foi admitido pela presidente da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio de despacho às fls. 182. Devidamente intimada, a sociedade empresária não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão Conheço o Recurso Especial da Fazenda Nacional, admitido conforme acima mencionado, em boa forma. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 18336.000193/200323 Acórdão n.º 930301.798 CSRFT3 Fl. 197 5 A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à questão da configuração, ou não, da denúncia espontânea. Contudo, no caso em questão outra questão se antepõe a esta. É que a multa aplicada no auto de infração teve sua base legal modificada, não mais existindo, o que implica conseqüências que adiante se analisa. A multa isolada exigida no presente auto de infração foi aplicada com base no art. 44, inciso I e § 1º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: ... II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; O art. 44 da Lei nº 9.430/96 foi alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, passando a regular a matéria da seguinte forma: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 227DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991 § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Examinando as hipóteses de imposição de multa de oficio isolada, constantes do novel dispositivo supratranscrito, constatase que aquela que fundamentou o presente lançamento não mais encontra amparo legal. Assim, com fundamento no art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), o contribuinte deve ser exonerado da totalidade da multa de oficio, pela aplicação retroativa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. De observar que o recurso especial foi interposto antes do advento da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, razão pela qual à época foi admitido. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 18336.000193/200323 Acórdão n.º 930301.798 CSRFT3 Fl. 198 7 Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
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Numero do processo: 10166.001223/2004-97
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO.
Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 -A do Regimento Interno do CARF.
Recurso extraordinário provido.
Numero da decisão: 9900-000.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e José Ricardo da Silva.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior - Relator
EDITADO EM: 02/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62 A do Regimento Interno do CARF. Recurso extraordinário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e José Ricardo da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 12 23 /2 00 4- 97 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 02/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário (fls. 196202) interposto pela r. Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 910100.029 (fls. 122124) da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido em 09/03/2009, que, por maioria de votos, negou provimento ao Recurso Especial. Contra o sujeito passivo foi lavrado o auto de infração de IRPJ às fls. 01/25, referente ao anocalendário 1998, com crédito tributário de R$ 268.511,85. O lançamento decorreu da verificação de realização a menor do saldo de lucro inflacionário existente em 31/12/1995 e de compensação de prejuízo fiscal em montante superior ao limite de 30% do lucro líquido ajustado. A diferença de lucro inflacionário que deixou de ser realizada decorreu do fato de que, segundo a fiscalização, o sujeito passivo não mantinha em seus controles a correção do saldo do lucro inflacionário existente em 31/12/1989 pela diferença IPC/BTNF. Em sede de impugnação (fls. 56/71), o contribuinte alegou, dentre outros argumentos, a decadência do crédito tributário, com base no disposto no art. 150, §4º do CTN. Em setembro de 2004, a Segunda Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Brasília/DF considerou procedente em parte o lançamento, conforme o teor do Acórdão nº 11.099: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 448DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10166.001223/200497 Acórdão n.º 9900000.361 CSRFPL Fl. 10 3 Anocalendário: 1998 Ementa: ESPONTANEIDADE a permissão para o recolhimento espontâneo do art. 47 da Lei no. 9.430/96, alterada pela Lei no. 9.532/97, restringese aos tributos já declarados quando da ciência da intimação. A espontaneidade não é para entrega de declaração para retificar dados anteriormente declarados após o início de procedimento fiscal, mas para o recolhimento de {3 tributos ainda não pagos, mas devidamente declarados. DECADÊNCIA Nos termos do art. 149, inciso V do CTN, emhavendo omissão ou inexatidão quanto ao disposto no art. 150, deve ser efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa, apenas em relação à irregularidade, contandose o prazo decadencial conforme preceituado no art. 173, inciso I. Decaído o direito de lançar os fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 1998. LUCRO INFLACIONÁRIO Receita Federal A diferença do saldo do lucro inflacionário em 31/12/1995 teve sua origem na correção do saldo de lucro inflacionário existente em 31/12/89 pela diferença IPC/BTNF, que não foi controlada pelo sujeito passivo. Dúvida quanto a aplicação das regras de correção pela diferença IPC/BTNF não autoriza o recolhimento a menor de imposto. Para tanto está prevista o processo de consulta, nos termos do art. 46 do Decreto no. 70.235/72. Excluise as parcelas de lucro inflacionário que deveriam ter sido realizadas nos anos de 1933/1995, tendo em vista estarem abrangidas pela decadência, nos termos do art. 173,1 do CTN. PREJUÍZO FISCAL LIMITE DE 30% E TAXA SELIC INCONSTITUCIONALIDADE / ILEGALIDADE A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. SENTENÇA JUDICIAL No que diz respeito às sentenças judiciais trazidas aos autos, dispõe o art. 472, do Código de Processo Civil, que L'a sentença faz coisa julgada eis parles entre as quais ó dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros.'" Então, não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, o sujeito passivo não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que os efeitos são inter partes e não erga omnes.. Interposto Recurso Voluntário (fls. 121/ss), o contribuinte reiterou as alegações apresentadas na primeira instância. Em dezembro de 2006, ao analisar o recurso interposto pelo contribuinte a 3ª Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes resolveu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário (Acórdão nº 10322.827): IRPJ DECADÊNCIA O IPRJ é tributo cuja legislação prevê a antecipação de pagamento, sem prévio exame pelo Fisco, estando, por via de conseqüência, adstrito à sistemática de lançamento dita por homologação, na qual a contagem da Fl. 449DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 decadência do prazo para sua exigência tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. De acordo com as informações trazidas na decisão, como o IRPJ, desde o advento do Decretolei n° 1.967/82 que impôs ao contribuinte a obrigação de recolher o tributo, após a sua apuração antecipada e independentemente de qualquer manifestação ou verificação por parte da Administração Tributária é, por via de conseqüência, um tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação. Assim, tendo em vista que o auto de infração somente foi lavrado e dele tomou conhecimento o sujeito passivo em 27/01/2004; por se tratar de tributos sujeito ao lançamento por homologação, a Terceira Câmara reconheceu decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 1998. Inconformada, a PGFN interpôs Recurso Especial com o fundamento no o art. 32, I do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. Sustenta a recorrente que, no caso em tela, restou claro que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo devido. Portanto, cabível é a aplicação do art. 149, V, do CTN, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa. Segundo a PGFN, não há que se falar em homologação do art. 150 do CTN prolatável no prazo de 5 anos contados do fato gerador. Ao contrário, sob o amparo do art. 149, V, a Administração poderá exercer o direito de lançar de ofício, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública na forma do art. 173 do CTN. Em março de 2009, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, resolveu, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Especial, mantendo o acórdão da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes inalterado: Acórdão 910100.029 Ementa: IRPJ DECADÊNCIA A ausência ou insuficiência de recolhimento não desnatura o lançamento,pois o que se homologaé a atividade exercida pelo sujeito passivo, da qual pode resultar ou não crédito tributário devido. Em razão da natureza e modalidade originária de apuração, para o IRPJ aplicase a regra decadencial prevista no § 4 o do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Nos casos dos tributos sujeitos à forma de apuração por homologação, apenas na ocorrência de dolo fraude ou simulação é que o dies a quo do prazo deslocase do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado (artigo 173, inciso I do CTN). De acordo com o voto condutor do acórdão, o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica é tributo sujeito à apuração por homologação, sendo aplicáveis, pois, as disposições do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. Portanto, o IRPJ, deve obediência às disposições do Código Tributário Nacional, , inclusive o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a autoridade administrativa analisar os procedimentos adotados pelo contribuinte, na constituição do crédito tributário, cabendo a ela homologálos ou não. Segundo a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos casos de apuração por homologação apenas haverá constatação de dolo, fraude ou simulação se houver lançamento de ofício, mas nem sempre que há o lançamento de ofício existe a constatação de dolo, fraude ou simulação. Assim, se a norma legal especifica as hipóteses em que o prazo previsto no artigo 150 do Código Tributário Nacional se desloca para aquele previsto no artigo 173 do mesmo código, então tal prazo não pode ser aplicado para qualquer lançamento de Fl. 450DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10166.001223/200497 Acórdão n.º 9900000.361 CSRFPL Fl. 11 5 ofício, senão apenas nos casos em que ocorrer lançamento de ofício que implique em não homologação do procedimento adotado pelo contribuinte e com constatação de dolo, fraude ou simulação. O prazo previsto no artigo 173 do Código Tributário Nacional, conforme do leitura do acórdão, é também aplicável aos tributos cuja modalidade de apuração é originariamente de ofício, conforme dispõe o inciso I do artigo 149 do Código Tributário Nacional. Concluiu o julgado que o artigo 173 do Código Tributário Nacional se refere apenas ao prazo decadencial para os tributos sujeitos à apuração pela modalidade originária de lançamento de ofício ou para os lançamentos efetuados em procedimento de revisão e que impliquem em constatação de dolo, fraude ou simulação. Já o artigo 150, § 4 o do Código Tributário Nacional assevera norma decadencial para os tributos cuja forma de apuração é a de homologação, como é o caso do IRPJ. Às fls. 175 e ss, Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional no qual requereu a pronúncia da CSRF acerca da interpretação da legislação federal ora em discussão já pacificada no STJ. No entanto, apenas de conhecidos, os embargos foram rejeitados, conforme extrato à folha 192. Irresignada, a Fazenda Nacional intepôs Recurso Extraordinário (fls. 196/ss), com fundamento no art. 9º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. De acordo com a recorrente, o acórdão em alusão contrariou a adequada análise dos dispositivos constantes do art. 150, § 4º e art. 173, I, ambos do CTN, tendo em vista que, nas hipóteses de total ausência de recolhimento do tributo sujeito a lançamento por homologação, o início da contagem do prazo decadencial deverá ser postergado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o referido lançamento poderia ser efetuado. No sentido de fundamentar suas razões, a Procuradoria da Fazenda apresentou os Acórdãos CSRF/ 0202.288 e o CSRF/0203.305 da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Ficais como paradigmas: Acórdão CSRF/ 0202.288 "PIS. DECADÊNCIA. Por ter natureza tributária, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, aplicase ao PIS a regra de decadência prevista no art. 173,I, do CTN. Recurso especial negado." Acórdão CSRF/0203.305 Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1995 a 31/10/2002 Ementa: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.e 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173,1); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4a). Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. A recorrente defende que, no presente caso, não se operou lançamento por homologação a possibilitar a aplicação da regra do art. 150, § 4º do CTN, afinal, a contribuinte Fl. 451DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 não antecipou o pagamento do tributo nas mencionadas competências. Por conta disso, continua, deverá ser aplicado ao lançamento de ofício em questão o disposto no art. 173,I, do CTN. Cumpre destacar que a Procuradoria da Fazenda colacionou precedente do Superior Tribunal de Justiça, que, segundo ela, perante a sistemática dos Recursos Repetitivos, ratificou a tese acima delineada, restando pacificado o entendimento acerca da controvérsia. Por fim, requereu o provimento do Recurso Extraordinário para reformar o acórdão recorrido, sendo afastada a decadência das competências de dezembro de e do quarto trimestre de 1998. Em Despacho de fls. 214 e ss, o Presidente Substituto do Carf deu seguimento ao RE, tendo em vista haver divergência entre os arestos confrontados, uma vez que a decisão vergastada embasase no artigo 150, caput e § 4.°, mesmo na ausência de pagamento antecipado, e o paradigma oferecido preconiza que a contagem do prazo decadencial deve observar a regra prevista no artigo 173,1, do CTN, na hipótese de ausência de pagamento antecipado. Em sede de Contrarrazões, o contribuinte requereu o não provimento do recurso, já que se deve diferenciar o não pagamento por dívida ao Fisco, do não pagamento por falta de base imponível. No caso presente, segundo o sujeito passivo, a compensação de prejuízos naqueles períodos decaídos importou em não existir tributo a pagar. Dessa forma, a contribuinte defende não poder ser penalizada com o aumento no prazo de decadência, por estar enquadrado na hipótese legal de não recolhimento por falta de base imponível, pois agiu autorizada por lei. Reitera, ainda, que o lançamento não se submete ao art. 173 do CTN, mas ao 150, § 4, como já fora afirmado. É o que tenho a relatar. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10166.001223/200497 Acórdão n.º 9900000.361 CSRFPL Fl. 12 7 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade do Recurso Extraordinário ora em análise, passo a apreciar as questões de mérito. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõe se a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, tem se que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 453DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) A imperiosidade de aplicação dessa decisão do STJ, no âmbito do CARF, é inequívoca, conforme o disposto no artigo 62ª do seu Regimento Interno. Desse modo, ao observar o caso concreto trazido a esta câmara superior de julgamento, notase que à recorrente assiste razão quanto ao seu inconformismo no que se refere à fundamentação do acórdão recorrido. De acordo com o julgado, foi suscitada a decadência do crédito tributário com base no disposto no art. 150, § 4º do CTN. Senão vejamos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10166.001223/200497 Acórdão n.º 9900000.361 CSRFPL Fl. 13 9 No entanto, conforme se o observa no precedente vinculante do Superior Tribunal de Justiça, deverseá aplicar o disposto no art.173, I do CTN quando do cálculo do prazo quinquenal, mesmo nos casos de lançamento por homologação. Fato imprescindível para a seleção de tal dispositivo é antecipação de pagamento, por parte do contribuinte, do tributo devido e recolhido a menor. Ao consultar os autos, verifico ausente a conduta do contribuinte em adiantarse à quitação fiscal, havendo, deste modo, verossimilhança entre o fáctico trazido a este Conselho Pleno com aquele objeto da apreciação do Superior Tribunal de Justiça. Assim sendo, tornase necessária a revisão do acórdão proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais com o objetivo único de ajustálo ao entendimento ulterior do STJ. Por todo o exposto, voto em DAR PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional para afastar a decadência apontada pelo e. Primeiro Conselho de Contribuintes e mantida pela e. Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, uma vez necessária a conjugação da jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 455DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 17546.001012/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/12/2003
Ementa: REMUNERAÇÃO NÃO DECLARADA EM GFIP
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a
remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços.
CONTRIBUIÇOES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS
DO TRABALHO.
Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial
GRUPO ECONÔMICO
Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes.
SUCESSÃO
Os elementos caracterizadores da sucessão de empresa estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD.
Numero da decisão: 2301-002.757
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/12/2003 Ementa: REMUNERAÇÃO NÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços. CONTRIBUIÇOES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. SUCESSÃO Os elementos caracterizadores da sucessão de empresa estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD.
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CONTRIBUIÇOES RELACIONADAS COM OS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. Os adicionais destinados ao financiamento das aposentadorias especiais serão devidos pela empresa sempre que ficar constatada a ocorrência da situação prevista na legislação como necessária para ensejar a concessão do benefício da aposentadoria especial GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizálo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. SUCESSÃO Os elementos caracterizadores da sucessão de empresa estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 330DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.001012200771 Acórdão n.º 2301002.757 S2C3T1 Fl. 310 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à diferença de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros, e ainda, Contribuição Adicional para Aposentadoria Especial ( 6%). Conforme Relatório Fiscal (fls. 69), constitui a NFLD os seguintes levantamentos: CA, correspondente à contribuição Adicional para Aposentadoria Especial aos 25 anos, incidente sobre a remuneração declarada em GFIP e Folha; e SIM, relativa à contribuição incidente sobre o salário alimentação. A autoridade autuante informa que a empresa fornece alimentação in natura a seus empregados sem inscrição no PAT, e esclarece que a utilização do método de aferição deveuse à falta de apresentação de documentos e livros contábeis, tendo sido lavrado o AI competente. A seguir expõe os motivos pelos quais entende que há formação de grupo econômico entre a recorrente e as empresas ali listadas, e fundamenta a solidariedade entre as empresas do grupo no art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/91. A empresa notificada e as demais solidárias apresentaram defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0519.358, da 7a Turma da DRJ/CPS, (fls. 234), julgou o lançamento procedente, excluindo, porém, do pólo passivo da NFLD, a empresa Frigovalpa Comércio e Indústria de Carnes Ltda, sob a alegação de que não restaram evidenciados, nos autos, os elementos caracterizadores da constituição de grupo econômico de fato entre esse frigorífico e as demais empresas. Inconformada com a decisão, a empresa notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 280), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, alega que não ocorreu qualquer atuação concomitante entre as empresas, nos termos explicados em impugnação, tanto que o relato da decisão declara que as empresas foram constituídas sucessivamente, e não concomitantemente, sendo, assim, latente a ilegalidade na decisão, afrontando as determinações legais e deturpando entendimentos entre sucessão e formação de grupo econômico. Reitera que não se pode falar em sucessão de empresas, pois jamais ocorreu transferência do fundo de comércio, lembrando que os equipamentos e o local são arrendados, sendo que o próprio relatório aduz tratarse de possível sucessão de empresas e, se uma sucedeu a outra não poderiam de forma alguma formar grupo econômico de fato, ante a não existência concomitante. Entende que o fato de não ter ocorrido baixa no cadastro junto a Receita Federal não indica que a empresa esteja de fato em atividade, tanto que algumas das citadas empresas apresentaram declaração de inatividade e reafirma que não existiu a confusão Fl. 331DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 patrimonial, pois cada uma das empresas tem sua personalidade e obrigações tributárias próprias. Observa que na legislação pátria civil os contratos não necessitam estar dispostos de forma explicita ou formal, podendo ser tácitos, conforme ocorreu com a cessão do uso do nome fantasia Mantiqueira, o que não pode levar a crer que existe grupo econômico, "Mantiqueira"; e Defende que o fato de um empregado laborar em uma empresa e ser proprietário de outra no mesmo ramo não pode ensejar na formação de econômico, sob pena de ferir o direito ao livre emprego do cidadão, sem contar que a legislação nada dispõe em contrário sobre o assunto. Alega que o Sr. Julgador cometeu equívocos ao aplicar norma posterior a fato anterior; ou seja, utilizou entendimento da IN n° 3, com alteração dada por normativo editado posteriormente à finalização do procedimento fiscal e inicio do contencioso. Argumenta que, ao aplicar o artigo 124 do CTN, sob fundamento do inciso I e II, alegando que as empresas têm interesse comum na situação do fato gerador, o julgador o faz de forma equivocada, distorcendo o verdadeiro sentido do dispositivo legal, sendo que jamais ocorreu interesse comum em fato gerador tributário, e mais, esse interesse comum a que se refere o art. 124 do CTN, não reflete na formação de grupo econômico ou confusão patrimonial, como entendeu a decisão. Insiste em afirmar que todo o relato tratou de sucessão e não de formação de grupo econômico, lembrando que são situação bem distintas. Aponta como sendo outra ilegalidade da decisão o embasamento da formação de grupo econômico em norma reguladora trabalhista, uma vez que a presente discussão versa sobre débitos tidos como fiscais e não trabalhistas, não podendo, portanto, requerer aplicação de dispositivo da CLT a questão fiscal. Assevera que a Lei 8112/91, em seu artigo 30, IX, não se refere à solidariedade, referindose somente à arrecadação Requer, por fim, que seja dado provimento ao recurso, com a conseqüente reforma da decisão recorrida. As empresas consideradas integrantes do Grupo Econômico e solidárias pelo débito, FRIGOSEF FRIGORIFICO SEF DE SÃO JOSE DOS CAMPOS LTDA e ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIOR apresentaram recurso tempestivo, alegando, em síntese, desnecessidade de efetuar o depósito prévio e inexistência de formação de grupo econômico. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.001012200771 Acórdão n.º 2301002.757 S2C3T1 Fl. 311 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Verificase, dos autos, que somente a notificada FRIGORÍFICO CAMPOS DE SÃO JOSÉ LTDA, e as empresas consideradas como integrantes do Grupo Econômico, FRIGOSEF FRIGOR. SEF DE S.J.DOS CAMPOS e ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JUNIOR ME, apresentaram recursos, sendo que as três insurgiramse contra a caracterização do Grupo Econômico, motivo pelo qual, no que se refere a essa matéria, seus recursos serão analisados em conjunto. Com relação ao recurso apresentado pelo FRIGORIFICO CAMPOS DE SAO JOSÉ LTDA, cumpre observar que a recorrente não contestou a base de cálculo arbitrada pelo auditor fiscal, e nem mesmo a contribuição sobre ela incidente, insurgindose somente contra a caracterização do grupo econômico e sucessão empresarial. A notificada alega que não se pode falar em sucessão de empresas, pois jamais ocorreu transferência do fundo de comércio, lembrando que os equipamentos e o local são arrendados. Contudo, a fiscalização constatou a presença dos elementos que caracterizam a sucessão, quais sejam, empresas que desenvolvem o mesmo ramo de atividade, no mesmo endereço, com a transferência de fundo de comércio. Verificouse que o Frigorífico Campos de Sao José Ltda passou a funcionar no mesmo local em que até então funcionava o Frigorífico Mantiqueira Ltda, utilizando exatamente das mesmas máquinas e equipamentos e dos mesmos empregados. O Frigorífico Campos de Sao José Ltda "sucedeu", para efeitos cadastrais, o Frigorifico Mantiqueira Ltda junto ao Serviço de Inspeção Federal — SIF do Ministério da Agricultura, e continuou a usar o "nome fantasia" de "Frigorifico Mantiqueira", assim como as firmas individuais, consideradas integrantes do "grupo econômico", utilizam o nome fantasia de "Distribuidora de Carnes Mantiqueira". Documentos fiscais emitidos em nome do Frigorífico Mantiqueira Ltda foram registrados em livro do Frigorífico Campos de Sao José Ltda. A recorrente não nega tais fatos constatados pela fiscalização, mas apenas se justifica afirmando que os equipamentos e o local são arrendados e o fato de não ter ocorrido baixa no cadastro junto a Receita Federal não indica que a empresa esteja em atividade, observando que na legislação pátria civil os contratos não necessitam estar dispostos de forma explicita ou formal, podendo ser tácitos, conforme ocorreu com a cessão do uso do nome fantasia Mantiqueira, o que não pode levar a crer que existe grupo econômico, "Mantiqueira". Fl. 333DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Contudo, todos esses fatos, aliados à falta de documentos que pudessem comprovar as alegações da recorrente, levam à convicção de que a empresa Frigorífico Campos De São José Ltda sucedeu a Frigorífico Mantiqueira Ltda, nos temos do Assim, entendo que os elementos citados acima, presentes no caso em estudo, evidenciam a sucessão de fato, nos termos do art. 133, do CTN, e do art. 751, da IN 03/2005. A notificada entendeu que todo o relato tratou de sucessão e não de formação de grupo econômico, lembrando que são situação bem distintas. Porém, estão presentes no caso em tela as duas situações. Está claro nos autos que houve sucessão da empresa Frigorífico Mantiqueira Ltda pela Frigorífico Campos De São José Ltda. Já o grupo econômico de fato é composto pelas empresas Frigosef Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda, Frigorífico Campos de São José Ltda, André Luiz Nogueira Junior ME, Tânia Pereira Lopes ME e Monalisa Pereira Lopes Nogueira ME. Portanto, as duas situações não se confundem, tendo a autoridade lançadora fundamentado tanto a sucessão quanto a formação do grupo econômico, de formas distintas, motivando seu entendimento e expondo, com muita clareza, as razões que o levaram à convicção de que houve uma e outra situação, diante da realidade fática encontrada durante a ação fiscal. Quanto ao questionamento de a empresa notificada e as duas empresas solidárias que apresentaram recursos não participarem de grupo econômico, passase, agora, à análise dos fatos trazidos aos autos. O Relatório Fiscal, no item "Caracterização do Grupo Econômico de Fato", bem como toda a documentação contida nos autos, trazem as seguintes informações relevantes: O Sr José Luiz Nogueira é sócio da Frigosef e da empresa Frigorífico Campos de São Jose Ltda, sucessora do Frigorífico Mantiqueira A empresa FRIGOSEF foi aberta com um capital social de R$ 950,00, para fazer funcionar um frigorífico que nasceu falido, diante de um arrendamento de R$ 15.000,00 e aquisição de matériaprima paga normalmente à vista , e somente a conta de energia elétrica deveria consumir todo o capital investido no primeiro mês de funcionamento. O Sr: Andre Luiz Nogueira, sócio gerente da FRIGOSEF desde 20/03/98 e do Frigorífico Campos de São Jose, assina documento pelas 2 empresas, como verificado no processo de beneficio de Hélio Soares de Lima (FRIGOSEF) e Processo Trabalhista nr. 82/2005 de Francisco das Chagas (FRIGOSEF) e recibos de férias, rescisões, cheques e outros pelo Frigorífico Mantiqueira Ltda. Verificouse, ainda, nos locais desses estabelecimentos, que o Sr. André Luiz Nogueira faz a verificação da falta de carnes bovinas e suínas, que somente o Frigorífico Campos de São Jose fornece. O Sr. André Luiz Nogueira Júnior é empregado do Frigorífico Campos de São José Ltda, e o Sr. André Luiz Nogueira assina documentos da empresa André Luiz Nogueira Junior ME Portanto, constatase que as empresas citadas têm, em comum, o fato de desenvolverem atividades vinculadas e complementares, evidenciandose, a partir do exame de seu quadro societário, uma estreita ligação entre todas elas. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.001012200771 Acórdão n.º 2301002.757 S2C3T1 Fl. 312 7 É importante destacar que essas participações societárias, no ensinamento de Verçosa (2006, p. 262/266), [..] podem ter o caráter de mero investimento e até mesmo ser acidentais, como ocorre nas hipóteses em que uma sociedade credora recebe ações ou quotas de outra sociedade devedora como resultado de um acordo. Mas tais participações podem compor um quadro mais amplo e profundo. [..] Do ponto de vista jurídico, a união de sociedades fundada em relações de controle baseadas em participações de capital apresentase sob a forma de dois tipos de grupos: (t) de direito ou (ii) de fato. Os primeiros organizamse formalmente por meio da celebração de um contrato denominado convenção de grupo.Os segundos são aqueles assim considerados em vista do puro e simples fato da existência de uma ou mais sociedades que, individualmente ou em conjunto, pode(m) determinar os destinos das sociedades que abaixo dela(s) s coloca(m) na cadeia de comando. (g.n.). De todo o conjunto probatório examinado, o meu convencimento caminha na direção da existência de inúmeros elementos indicativos de um poder de controle de certo modo centralizado, ou, pelo menos, harmonizado com os interesses comuns das empresas. É patente, no caso em tela, a configuração de empresas atuando com objetivos correlatos, constatandose várias operações a demonstrar, no mínimo, uma coordenação entre as empresas; fato reforçado em razão de que, basicamente, as mesmas pessoas exercem, direta ou indiretamente, a administração dos negócios do grupo. Cumpre observar que não é o mero fato da relação de parentesco que vai indicar a existência de um grupo econômico, mas , no caso específico sob exame, a forma peculiar como estão dispostos, societariamente, o controlador principal (Sr. André Luiz Nogueira), e as outras empresas citadas pela fiscalização. Vale esclarecer que o sentido de grupo econômico não se restringe mais à interpretação literal do art. 2o, § 2o, da CLT, no sentido de se ter uma empresa controladora, admitindose também existir apenas coordenação entre as empresas e, nesse sentido, dispõe a jurisprudência: EMENTA: GRUPO ECONÔMICO DE FATO – CARACTERIZAÇÃO. O § 2o, do art. 2o da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática, situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados o controle e direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. PROCESSO TRT/15a REGIÃO – Nº 00902200108315000RO 922352/2002RO9) Fl. 335DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 Assim, entendo que restou caracterizada a formação do grupo econômico entre as empresas citadas, pois existe interesses comuns entre as mesmas pessoas, indicadas pela fiscalização, que comandam e dirigem o empreendimento. A fiscalização fundamentou o lançamento na responsabilidade solidária de que trata o inciso IX, do art 30, da Lei 8.212/91. Responsabilidade Solidária é a obrigação legalmente imposta aos integrantes do grupo econômico de qualquer natureza de responder pelas obrigações previdenciárias, isoladamente ou em conjunto, consoante art. 30, IX, da Lei 8.212/91. Portanto, por determinação legal, todas as empresas que integram o grupo econômico respondem solidariamente, entre si, pelas obrigações decorrentes da Lei 8.212/91. As recorrentes alegam que o Sr. Julgador cometeu equívocos ao aplicar norma posterior a fato anterior, ou seja, utilizou entendimento da IN n° 3, com alteração dada no ano de 2007. Entende que as disposições da Lei 6.404/76 devem prevalecer sobre o que dispõe a IN n° 3; levando ao entendimento pela impossibilidade de formação do grupo econômico. Contudo, a responsabilidade solidária pelo débito foi fundamentada no artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 e no art. 222, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, normas legais que devem ser observadas pela autoridade fiscal, tendo em vista sua atividade vinculante. E a menção da IN 03/2005 pela autoridade julgadora não se trata de retroação da norma, conforme entenderam de forma equivocada as recorrentes, uma vez que o referido normativo legal é de 2005 e, portanto, se encontrava em vigor quando da lavratura do AI, e o julgador apenas citou, para reforçar sua argumentação e se contrapor aos argumentos das recorrentes, o artigo com redação vigente à época da emissão do Acórdão recorrido, o que não invalida a decisão combatida. A IN 03/05 foi trazida pela autoridade julgadora por ser o normativo vigente quando da emissão do Acórdão, e a IN 20/2007, que deu nova redação ao inciso I, do citado artigo 179, do referido normativo legal, apenas acrescentou a expressão “conforme previsto no inciso IX do art.30, da Lei 8.212 de 1991” Assim, a IN 03/05, em sua redação original e vigente quando da lavratura do AI, já estabelecia, no inciso I, do seu art. 179, que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, são responsáveis solidárias, entre si, pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal. Nesse sentido, não merece reparos o Acórdão recorrido. Dessa forma, verificase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período Fl. 336DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17546.001012200771 Acórdão n.º 2301002.757 S2C3T1 Fl. 313 9 correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Nesse sentido, Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 337DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 12448.733906/2011-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em analisar e apreciar o recurso. Redator designado: Mauro José Silva.
Marcelo Oliveira Presidente
Bernadete De Oliveira Barros Relator
Mauro José Silva Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva Adriano Gonzales Silvério
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Acordam os membros do colegiado I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em analisar e apreciar o recurso. Redator designado: Mauro José Silva. Marcelo Oliveira – Presidente Bernadete De Oliveira Barros – Relator Mauro José Silva – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva Adriano Gonzales Silvério RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 33 90 6/ 20 11 -0 3 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 12448.733906/201103 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.348 S2C3T1 Fl. 320 2 RELATÓRIO Tratase de Autos de Infração AI lavrados contra a Entidade acima qualificada, cujos créditos tributários são os descritos a seguir: AI DEBCAD nº 51.011.0754, referente a contribuições destinadas à Previdência Social, correspondente à parte da empresa e do SAT; AI DEBCAD nº 51.011.0762, referente a contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos, Terceiros – Salário Educação (FNDE), INCRA, SESC e SEBRAE. Conforme Relatório Fiscal (fls. 41), o objeto do lançamento fiscal são as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, que prestaram serviços à entidade, declarada em GFIP. A autoridade lançadora informa que a entidade informou, em GFIP, código 639, referente a entidades isentas, dispensadas dos recolhimentos das contribuições previdenciárias patronais e aos Terceiros, sem, contudo, preencher todos os requisitos e condições estabelecidos no art. 55, da Lei 8.212/91, e na Lei 12.101, de 27/11/2009, que revogou o referido art. 55 e passou a reger a certificação e o direito à isenção. Esclarece que, apesar de intimada, a recorrente não apresentou o CEAS e o Registro de Entidade Beneficente de Assistência Social, e que, em 18/08/2003, foi emitido Ato Cancelatório nº 17.001/001/2003, declarando cancelada a isenção das contribuições previdenciárias a partir de 01/01/1995, por infringência ao inciso II, do art. 55, da Lei 8.212/91. Segundo ainda relato fiscal, da análise das folhas de pagamento e dos registros contábeis, constatouse registro de serviços prestados por pessoas físicas que não foram registrado na GFIP, e as bases de cálculo e alíquotas aplicadas encontramse discriminadas no relatório Discriminativo do Débito DD. Consta, ainda, que foi aplicada a multa prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, nos termos previstos no art. 35A, da Lei 8.212/91, com redação dada pela MP 449/08, convertida na Lei 11.491/09, mas que, considerando que as omissões em GFIP e a informação incorreta do FPAS configuram, em tese, prática de crime citados no item 31, do Relatório Fiscal, e que com esse procedimento o contribuinte reduziu e deixou de recolher e informar as contribuições sociais devidas, foi aplicada a multa de ofício pelo percentual de 150¢ A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1245.103, da 14a Turma da DRJ/RJ1 (fls. 282), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 294), alegando, em síntese, o que se segue Inicialmente, reafirma que possui direito adquirido à isenção previdenciária, ressaltando que teve sua condição de Entidade Filantrópica de utilidade pública reconhecida em data anterior ao DecretoLei 1.572/77, entendendo que seu direito à imunidade permanecerá enquanto continuar preenchendo os requisitos da legislação vigente à época de sua obtenção, em 02/1978. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 12448.733906/201103 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.348 S2C3T1 Fl. 321 3 Alega que o Acórdão recorrido confunde isenção e imunidade e discorre sobre cada uma dessas modalidades para tentar demonstrar que, apenas na falta de cumprimento dos requisitos dispostos no art. 14, do CTN, poderia a autoridade competente suspender a aplicação do benefício conferido à recorrente. Entende que a fiscalização fundamentou a autuação exclusivamente em suposta infração ao inciso II, do art. 55, da Lei 8.212/91, dispositivo em vigor à época da emissão do Ato Cancelatório de Isenção, sendo que não houve qualquer descumprimento aos requisitos do art. 14, do CTN. Insurgese contra o Ato Cancelatório, alegando que o mesmo foi praticado por órgão incompetente, sendo nulo e não produzindo, portanto, qualquer efeito, ressaltando que, no particular, não há uma linha sequer no acórdão recorrido, e conclui que deverá ser mantida a isenção concedida à recorrente, uma vez que cancelada em total afronta ao direito adquirido. Sustenta que os três primeiros incisos do art. 55 da Lei 8.212/91 ferem diretamente o Princípio da Razoabilidade, transcrevendo trechos da decisão liminar proferida na ADIN 2028DF para reforçar suas argumentações, e defende a exigência de um certificado para que a empresa possa usufruir do benefício de isenção de impostos é incompatível com o Princípio da Proporcionalidade e, por conseqüência, com a Constituição Federal. Insurgese contra a qualificação da multa aplicada, frisando que os casos previstos nos art. 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64, não se aplica à matéria em discussão, uma vez que não restou constatada a intenção dolosa da recorrente, e discorda da emissão da Representação Fiscal para Fins Penais, alegando que a situação constatada pela fiscalização não está tipificada nos dispositivos legais referidos. Finaliza reiterando que a empresa não omitiu informação de pagamentos realizados e nem reteve qualquer parcela não repassada ao trabalhador, tendo deixado somente de recolher contribuição sobre verba que não entende fato gerador do recolhimento e, se não recolheu, por óbvio não declarou. É o relatório. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 12448.733906/201103 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.348 S2C3T1 Fl. 322 4 VOTO VENCIDO Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Inicialmente, a recorrente traz um extenso arrazoado na tentativa de demonstrar que as exigências dispostas no art. 55, da Lei 8.12/91 não são aplicadas à Entidade, tendo em vista que ela já possuía direito adquirido à referida isenção antes mesmo da edição do referido normativo legal, e que teve sua condição de Entidade Filantrópica de utilidade pública reconhecida em data anterior ao DecretoLei 1.572/77, sendo que todas as condições e requisitos que a Recorrente deveria cumprir se encontram disciplinados na Lei n° 3.577/59. Em relação a essa matéria, convém, para sua melhor compreensão, tecer algumas considerações acerca da legislação que trata da isenção e/ou imunidade previdenciária para, depois, fazer algumas observações sobre direito adquirido ao referido benefício fiscal. A Lei 3.577/59 que, no art. 1º, concedeu isenção a todas as entidades de fins filantrópicos reconhecidas como de utilidade pública e cujos membros não percebessem remuneração, foi revogada em 1.977 pelo DecretoLei nº 1572, que resguardou, porém, o direito à isenção das entidades que tinham sido reconhecidas como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data de publicação do referido DecretoLei e que fossem portadoras do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos com validade por prazo indeterminado. Em 1988, a Constituição Federal veio amparar a isenção de contribuições previdenciárias dispondo, em seu art. 195, § 7º, serem isentas de tais contribuições as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Observase que o texto constitucional remeteu à lei ordinária o estabelecimento das condições necessárias para a obtenção da isenção de contribuições sociais pelas entidades consideradas de assistência social. O art. 55 da Lei 8.212/91 veio regulamentar a matéria, estabelecendo os diversos requisitos a serem cumpridos pelas entidades consideradas de assistência social, a fim de obterem isenção da cota patronal. Com relação ao direito adquirido, para melhor análise da matéria, segue transcrita a redação do art. 1º e § 1º do Decretolei 1.572/77: Art. 1º Fica revogada a Lei nº 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto nacional de Previdência Social IAPAS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. § 1º A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste DecretoLei, seja Fl. 322DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 12448.733906/201103 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.348 S2C3T1 Fl. 323 5 portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. (grifei) Entretanto, de uma simples leitura do art. 2º, do mesmo Decretolei resta afastada, inequivocamente, qualquer possibilidade de entendimento no sentido de direito adquirido à isenção, verbis: Art. 2º O cancelamento da declaração de utilidade pública federal ou a perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos acarretará a revogação automática da isenção, ficando a instituição obrigada ao recolhimento da contribuição previdenciária a partir do mês seguinte ao dessa revogação. Essa regra contida no art. 2º transcrito acima exige que as entidades beneficiadas pelos §§ 1º, 2º e 3º do art. 1º , do referido diploma legal, mantenham a condição de entidades filantrópicas, bem como o reconhecimento de utilidade pública federal, caso contrário, perdem automaticamente o direito à isenção, ou seja, a garantia do direito à isenção ficou sujeita a não ocorrência da condição resolutiva. Assim, ao prever a possibilidade de perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos, depreendese que o Decretolei 1.527/77 manteve, conseqüentemente, no ordenamento jurídico, a imposição de certos requisitos para que uma entidade venha gozar de isenção das contribuições previdenciárias. Corrobora nesse sentido o Parecer 3.133/2003, da Consultoria Jurídica do INSS: (...) 33. O instituto do direito adquirido protege um determinado direito, já incorporado definitivamente ao patrimônio do seu titular, contra alterações posteriores da legislação. Para tanto, é necessário que o ordenamento jurídico, em um dado momento, segundo as regras então vigentes, tenha garantido a incorporação do direito ao patrimônio do seu titular, bem como tenha determinado a intangibilidade deste direito. 34. Concluise, portanto, que o direito à isenção não foi resguardado pela cláusula da intangibilidade, muito pelo contrário, a própria lei que o garantiu, estabeleceu os casos em que seria revogado. Nunca, em nenhum momento, o direito à isenção tornouse um direito intocável, de forma a configurar direito adquirido das entidades beneficiárias, como quer fazer crer, equivocadamente, a recorrente. 35. A tese da recorrente, na verdade, defende direito adquirido a um regime jurídico, na medida que ela, simplesmente, não teria que atender qualquer novo requisito criado por meio de lei para a obtenção da isenção, permanecendo, tão somente, as exigências estabelecidas pela legislação anterior, a qual encontrase revogada. Em outras palavras, a pretensão da recorrente é de não se submeter à legislação atualmente em vigor, legislação esta de conteúdo abstrato e comando imperativo erga omnes, cuja previsão encontra respaldo no próprio Texto Constitucional quando determina que: Fl. 323DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 12448.733906/201103 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.348 S2C3T1 Fl. 324 6 “Art. 195. (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. 36. Portanto, não pode prevalecer a proposição de direito adquirido alegada pela impetrante, sob pena de termos reconhecido o direito adquirido a um regime jurídico que não está mais em vigor, em detrimento da nova regulamentação estabelecida por meio de lei. Portanto, para se beneficiar da isenção de que trata o art. 55, da Lei 8.212/91, a recorrente estava obrigada, sim, a observar todos os requisitos do mencionado dispositivo legal. A autoridade lançadora informou que a recorrente, apesar de intimada por meio dos TIFs 001 e 003, não apresentou provas de que era portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado. Tal informação não foi negada pela recorrente em sua peça recursal, como também em nenhum momento a recorrente afirma que é possuidora do referido certificado, ou que o era quando da vigência do DecretoLei 1.572/77. O CEBAS era uma exigência tanto do citado DecretoLei, como também do art. 55, da Lei 8.212/91, e sua falta era, e é, impedimento para que a recorrente usufrua da isenção previdenciária, pois a Lei 12.101, de 27/11/2009, que revogou o mencionado art. 55, manteve a obrigatoriedade de as entidades beneficentes manterem a Certificação para se beneficiarem da benesse fiscal. Ademais, como exposto acima, antes de 27/11/2009, ou seja, na vigência ainda do art. 55, da Lei 8.212/91, a recorrente estava, sim, sujeita aos mandamentos inseridos no referido dispositivo legal. E não consta que houve novo pedido de isenção após o trânsito em julgado do processo administrativo que culminou no Ato Cancelatório citado no Relatório Fiscal. Ou seja, até 11/2009, a entidade deveria preencher os requisitos legais, comproválos junto à Receita Previdenciária ou à Receita Federal do Brasil, dependendo do período, e requerer a outorga da isenção. Nesse sentido, o direito ao benefício da isenção das contribuições previdenciárias não era, antes da vigência da Lei 12.101/09, exercível de plano por quem preenchia as condições, mas dependia de ato declaratório da Administração Pública, estabelecido a título precário, passível de anulação quando a entidade deixasse de preencher as condições legais de manutenção. Nesse sentido, concluise que a recorrente não faz jus ao referido benefício para o período objeto do AI , pois não observou os requisitos estabelecidos em Lei, mais especificamente aqueles inseridos no inciso I, e § 1o , do art. 55, da Lei 8.212/91. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 12448.733906/201103 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.348 S2C3T1 Fl. 325 7 Portanto, a fiscalização não fundamentou a autuação “exclusivamente” na infração ao inciso II, do art. 55 , da Lei 8.212/91, como quer fazer crer a recorrente, nas também na Lei 12.101/09. Em relação aos argumentos utilizados para desqualificar o Ato Cancelatório, entendo que a recorrente deveria demonstrar seu inconformismo nos autos que discute o referido Ato, e não no presente processo administrativo fiscal, que tem como objeto o lançamento de contribuições devidas e não recolhidas. Conforme ressaltado com muita propriedade pela autoridade julgadora de primeira instância o processo que discutiu o Ato Cancelatório já foi julgado definitivamente na esfera administrativa. Portanto, entendo qeu não cabe, por meio do processo ora discutido, apreciar as alegações de nulidade de um Ato Cancelatório que já teve seu trânsito em julgado. Como também não cabe alegações de inconstitucionalidade de dispositivos legais na esfera administrativa. Conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Portanto, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. E não consta que o inciso II, do art. 55, e seu parágrafo primeiro, da Lei 8.212/91, tenham sido declarados inconstitucionais pelo STF. Conforme nos ensina Hans Kelsen: “ partindo da premissa unidade lógica da ordem jurídica, tenta impôr concordância apriorística entre a lei e a Constituição, que acabe por negar não apenas a possibilidade jurídica da sanção da nulidade, mas da própria noção de inconstitucionalidade "lato sensur": "A afirmação de que uma lei válida é "contrária à constituição" (anticonstitucional) é uma "contradictio in adejecto", pois uma lei somente pode ser válida com fundamento na Constituição. Quando se tem fundamento para aceitar a validade de uma lei, o fundamento da sua validade tem de residir na Constituição. De uma lei invalida não se pode, porem, afirmar que ela é contraria à Constituição, pois uma lei invalida não é sequer uma lei, porque não é juridicamente existente e, portanto, não é possível qualquer afirmação jurídica sobre ela. Se a afirmação, corrente na jurisprudência tradicional, de que uma lei é inconstitucional há de ter um sentido jurídico possível, não pode ser tomada ao pé da letra. O seu significado apenas pode ser o de que a lei em questão, de acordo com a Constituição, pode ser revogada não só pelo processo usual, quer dizer, por uma outra lei, segundo o principio lex posterior "derogat priori", mas também através de um processo especial, previsto pela Constituição. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 12448.733906/201103 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.348 S2C3T1 Fl. 326 8 Enquanto, porém, não for revogada, tem de ser considerada válida; e, enquanto for válida, não pode ser inconstitucional" (KELSEN, Hans. Teoria pura do direito, 2. ed., trad. João Baptista Machado, São Paulo, Martins Fontes, 1987, p287). O Decreto 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito federal, determina que: Art.26A.No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do Enunciado 02/2007, transcrito a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Assim, a autoridade julgadora, como agente da Administração, não está obrigada a apreciar as alegações de inconstitucionalidade de dispositivos legais trazidas pela recorrente, já que está impedida de aplicálas. Insurgese contra a qualificação da multa aplicada, frisando que os casos previstos nos art. 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64, não se aplica à matéria em discussão, uma vez que não restou constatada a intenção dolosa da recorrente. Todavia, entendo que a conduta da recorrente se enquadra perfeitamente no art. 71, II, do referido diploma legal. e discorda da emissão da Representação Fiscal para Fins Penais, alegando que a situação constatada pela fiscalização não está tipificada nos dispositivos legais referidos. Finaliza reiterando que a empresa não omitiu informação de pagamentos realizados e nem reteve qualquer parcela não repassada ao trabalhador, tendo deixado somente de recolher contribuição sobre verba que não entende fato gerador do recolhimento e, se não recolheu, por óbvio não declarou. Dolo é definido pelos doutrinadores como a vontade ou a intenção do agente de praticar o ato definido como crime. É a plena consciência de que o ato praticado irá ocasionar o resultado delituoso. No dolo tributário subsiste apenas o ânimo unilateral do agente infrator em agir ou omitirse intencionalmente de forma ilícita. Segundo Álvaro Villaça Azevedo, dolo é comportamento voluntário, intencional e específico de induzir alguém ao erro. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 12448.733906/201103 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.348 S2C3T1 Fl. 327 9 No caso presente, a autuada tinha conhecimento de que não fazia jus à isenção previdenciária, pois não cumpria requisitos legais para tanto e, mesmo assim, informou, em GFIP, código incorreto, correspondente aos de entidades isentas. Tal conduta impediu/retardou o conhecimento, por parte do Fisco, das condições reais do contribuintes, o que afetou a obrigação tributária principal, ensejando a aplicação de multa qualificada. A autuada discorda da emissão da Representação Fiscal para Fins Penais, alegando que a situação constatada pela fiscalização não está tipificada nos dispositivos legais referidos. Entretanto, no meu entendimento, não cabe manifestação a respeito da oportunidade em que a auditoria fiscal deveria efetuar a citada representação, pois o lançamento, objeto do recurso, não guarda qualquer relação de dependência com o possível ilícito praticado. Ademais, a auditoria fiscal agiu no estrito dever funcional, uma vez que tomou ciência da ocorrência, em tese, de crime previsto no art. 337A, incisos I e III, da Lei 2.848/40, do Código Penal. Também não cabe nesta instância administrativa discutir a ocorrência ou não de crime, devendo a recorrente apresentar suas alegações perante o órgão competente para a apuração do ilícito, uma vez que a autoridade fiscal autuante não é titular da pretensão punitiva estatal, cabendolhe apenas representar ao órgão competente — no caso, ao Ministério Público Federal — a quem caberá tipificar o fato e oferecer ou não a denúncia. Logo, o que é pertinente na Representação Fiscal para Fins Penais é tãosomente o relatório dos fatos e não a sua tipificação penal, devendose enfatizar, ainda, que o resultado da persecução penal não interfere no julgamento do processo administrativo fiscal, eis que distintos os seus objetos. Nesse sentido e. Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 327DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 12448.733906/201103 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.348 S2C3T1 Fl. 328 10 VOTO VENCEDOR Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Observamos que a fiscalização apontou em fls. 46 que existe ação judicial da recorrente. O resumo da ação que consta de fls. 64 induz a dúvida se o caso não suscita, integral ou parcialmente, a aplicação da súmula CARF Nº 01, in verbis: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.“ Para verificarmos se a ação judicial possui o mesmo objeto do processo administrativo fazse necessário que conheçamos o conteúdo da petição inicial e demais peças do processo judicial. Assim, votamos por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade preparadora intime a recorrente a apresentar a petição inicial do processo 2009.51.01.0031833, bem como as demais peças (liminar, sentença, recursos e acórdãos) que porventura já tenham sido juntadas àqueles autos. Efetuada a diligência, devem os autos retornar para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Redator Fl. 328DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 01/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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