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Numero do processo: 19515.720959/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento no Art. 65 do Ricarf.
Numero da decisão: 3201-004.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, com efeitos infringentes, para esclarecer que, por unanimidade, os sócios Daniela Aparecida das Dores e Marcus Richetti foram excluídos do pólo passivo, conforme o voto do relator do acórdão embargado.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento no Art. 65 do Ricarf.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, com efeitos infringentes, para esclarecer que, por unanimidade, os sócios Daniela Aparecida das Dores e Marcus Richetti foram excluídos do pólo passivo, conforme o voto do relator do acórdão embargado. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2007 a 30/09/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão, contradição ou obscuridade, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento no Art. 65 do Ricarf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, com efeitos infringentes, para esclarecer que, por unanimidade, os sócios Daniela Aparecida das Dores e Marcus Richetti foram excluídos do pólo passivo, conforme o voto do relator do acórdão embargado. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 59 /2 01 3- 16 Fl. 1135DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Receita Federal em fls. 1126, em face do Acórdão desta Turma de Julgamento de fls. 1105, em razão de omissão e contradição. O Presidente desta Turma de julgamento admitiu os Embargos, conforme Despacho de Admissibilidade fls. 1130, transcrito a seguir: "Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária – DERAT/São PauloSP, unidade da Administração Tributária encarregada da execução, por intermédio de petição fundamentada de seu Titular ao amparo do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Os Embargos forma opostos em face do Acórdão nº 3201 003.686 (doc. fls. 1105 a 1121)1, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, proferido em sessão de 22/05/2018, cuja Ementa abaixo se transcreve em sua integralidade. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. Diante da inexistência de comprovação dos créditos escriturados, deverá ser mantida a glosa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 MPF. FALHAS PROCEDIMENTAIS. VÍCIO. INOCORRÊNCIA. Eventual desrespeito às regras relativas ao MPF não implica a nulidade dos atos administrativos posteriores, haja vista seu caráter subsidiário. CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência da autoridade administrativa a apreciação de argüições relativas à constitucionalidade de leis. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado elemento doloso, conforme provas dos autos, aplicase a multa duplicada, nos termos do artigo 80, §6º, e artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. MULTA MAJORADA A majoração da multa em 50%, prevista no art. 80, §7º da Lei 4.502/64, decorre do descumprimento de intimação do Fisco, para apresentação de elemento obrigatório, com eventual prejuízo à apuração correta dos tributos. Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 19515.720959/201316 Acórdão n.º 3201004.919 S3C2T1 Fl. 1.136 3 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GESTÃO COM INFRAÇÃO À LEI A gestão empresarial com infração à lei enseja a responsabilidade tributária dos sócios administradores, nos termos do artigo 135, III, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A Decisão foi assim registrada. "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, apenas para reconhecer a decadência em relação aos períodos de janeiro a novembro de 2007. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), que lhe deu provimento parcial em maior extensão, para também reduzir a multa de ofício aplicada para o percentual de 112,5% e excluir a responsabilidade solidária dos sócios da pessoa jurídica autuada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira." São estes os fatos. Passo ao exame dos pressupostos formais e materiais para a admissibilidade do presente remédio processual. PRESSUPOSTOS PRELIMINARES Os Embargos foram formalizados pelo Titular da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária – DERAT/São PauloSP, Autoridade Administrativa incumbida da execução do Acórdão, legitimado a opor esse tipo de recurso, conforme o que estabelece o § 1o do art. 65 do Anexo II, do RICARF, de sorte que podem ser conhecidos. EXAME DO VÍCIO APONTADO Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem Embargos de Declaração quando o Acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, podendo ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. Nos Embargos de Declaração (Doc. fls. 443 a 448), a Embargante alega a ocorrência do vício de contradição no Acórdão embargado. Para tanto, aduz, em síntese, que: a) na parte dispositiva do Acórdão consta que foi excluída “a responsabilidade solidária dos sócios da pessoa jurídica autuada”; b) no voto vencido consta que “havendo uma mera indicação de responsabilidade dos sócios por parte da fiscalização, não há como manter suas responsabilidades neste caso, não devendo prosperar os Termos de Sujeição Passiva Solidária”; e c) os solidários, consoante os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 843, 880 e 917, são três: Daniela Aparecida das Dores, Marcus Richetti e Moracy Oswaldo das Dores. Fl. 1137DF CARF MF 4 Contudo, sustenta a embargante que o voto vencedor trata somente da responsabilidade solidária de um dos sócios, onde consta que “o Sr. Moracy Oswaldo das Dores era sócio administrador (Diretor Presidente) da empresa, conforme se constata nas Atas das assembléias, fls. 72/73, 82/83, durante grande parte do período fiscalizado, cf. fl. 86”, tendo concluído o Relator por manter “a responsabilidade solidária do Sr. Moracy, no período em que foi administrador da empresa”. Diante do exposto, a unidade executora aduz que (fls. 1127): “Da parte dispositiva do acórdão, inferese que não houve provimento ao recurso voluntário para excluir a responsabilidade solidária dos sócios da empresa autuada. Todavia, da leitura do voto vencedor, depreendese que foi mantida a solidariedade apenas do Sr. Moracy Oswaldo das Dores”. Assim, a unidade “requer que os presentes embargos sejam admitidos e providos para que o colegiado se pronuncie quanto à contradição aqui apontada, a fim de possibilitar a correta execução e cumprimento do julgado”. Confrontando o alegado pela unidade executora, verifico que a razão pode estar com a embargante, como se extrai dos excertos transcritos (os destaques são nossos): “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, apenas para reconhecer a decadência em relação aos períodos de janeiro a novembro de 2007. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), que lhe deu provimento parcial em maior extensão, para também reduzir a multa de ofício aplicada para o percentual de 112,5% e excluir a responsabilidade solidária dos sócios da pessoa jurídica autuada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira.” (fls. 1126); Novamente verificase que os autos não foram suficientemente instruídos, visto que não há no Auto de Infração (fls. 741) e não há no Termo de Verificação Fiscal (fls. 516), nenhuma descrição individualizada a respeito da responsabilidade dos demais sócios ou pessoas físicas e as possíveis práticas de atos com excessos de poder. Diante de casos como este, é possível aplicar o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, em Repercussão Geral, no Acórdão do RE 562.276, reforçado por recente decisão proferida no âmbito do STJ no RESP 1.656.723/SP, reproduzida a seguir: (...) Desse modo, havendo uma mera indicação de responsabilidade dos sócios por parte da fiscalização, não há como manter suas responsabilidades neste caso, não devendo prosperar os Termos de Sujeição Passiva Solidária” (fls. 1116 e 1117); e Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 19515.720959/201316 Acórdão n.º 3201004.919 S3C2T1 Fl. 1.137 5 “Responsabilidade solidária de Moracy Oswaldo das Dores Caracterizadas as infrações dolosas, os sócios administradores da empresadevem ser responsabilizados por gestão fraudulenta, nos termos do artigo 135, III do CTN. O Sr. Moracy Oswaldo das Dores era sócio administrador (Diretor Presidente) da empresa, conforme se constata nas Atas das assembléias, fls. 72/73, 82/83, durante grande parte do período fiscalizado, cf. fl. 86. Portanto, mantenho a responsabilidade solidária do Sr. Moracy, no período em que foi administrador da empresa” (fls. 1120). A meu pensar, a omissão alegada reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos. Convém notar que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. CONCLUSÃO Diante do exposto, constatase a presença de elementos indiciários suficientes para a admissão dos aclaratórios. Entendo que essas inconsistências devem ser examinadas e esclarecidas pelo colegiado, a fim de possibilitar a plena execução do aresto. Com essas considerações, para os fins previstos no § 7o do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, DOU SEGUIMENTO aos embargos interpostos. Encaminhese o presente processo ao i. Relator, Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, para inclusão em pauta." Após, os autos foram pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Fl. 1139DF CARF MF 6 Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o Despacho de Admissibilidade, os tempestivos Embargos de Declaração devem ser conhecidos. Considerando o sério e preciso trabalho exposto nos Embargos de Declaração, verificase que as alegações de omissão e contradição procedem. Isto porque não ficou claro no Acórdão embargado o resultado do julgamento, com relação à responsabilidade dos sócios da empresa contribuinte, Sra. Daniela Aparecida das Dores e Sr. Marcus Richetti. Sendo este o momento oportuno para tal esclarecimento, é importante registrar que o voto vencido, como deve constar nas minutas dos Acórdãos deste Conselho, é na verdade um voto "parcialmente" vencido, na medida em que a decadência proposta pelo voto vencido foi acatada pela Turma de julgamento, conforme segue: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, apenas para reconhecer a decadência em relação aos períodos de janeiro a novembro de 2007. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), que lhe deu provimento parcial em maior extensão, para também reduzir a multa de ofício aplicada para o percentual de 112,5% e excluir a responsabilidade solidária dos sócios da pessoa jurídica autuada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira." Pela leitura do resultado registrado acima e registrado no Acórdão embargado, é possível concluir que o provimento parcial foi reconhecido somente para a decadência e, mas não foi isto que ocorreu. Em discussão da Turma durante o julgamento, conforme recordação de todos, a proposta de exclusão da responsabilidade dos sócios Sra. Daniela Aparecida das Dores e Sr. Marcus Richetti foi acatada pela Turma de julgamento, razão pela qual basta adicionar ao resultado do julgamento tal posição. Por fim, verificase que, para reforçar a responsabilidade somente do Sr. Moracy Oswaldo das Dores, que era sócio administrador (Diretor Presidente) da empresa, verificase que o voto vencedor incluiu na Ementa do Acórdão embargado o seguinte trecho a respeito da responsabilidade dos sócios: "RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GESTÃO COM INFRAÇÃO À LEI A gestão empresarial com infração à lei enseja a responsabilidade tributária dos sócios administradores, nos termos do artigo 135, III, do CTN." Diante de todo o exposto, votase para que os Embargos Declaratórios, com fundamento no Art 65 do Ricarf, SEJAM ACOLHIDOS, com efeitos infringentes, para esclarecer que as pessoas físicas Sra. Daniela Aparecida das Dores e Sr. Marcus Richetti foram excluídos do pólo passivo conforme voto do relator. Em conseqüência, o dispositivo do acórdão deve ser corrigido e passará a ter a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência em relação aos períodos de janeiro a novembro de Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 19515.720959/201316 Acórdão n.º 3201004.919 S3C2T1 Fl. 1.138 7 2007 e, por unanimidade de votos, em excluir a responsabilidade das pessoas físicas Sra. Daniela Aparecida das Dores e Sr. Marcus Richetti. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), que lhe deu provimento parcial em maior extensão, para também reduzir a multa de ofício aplicada para o percentual de 112,5% e excluir a responsabilidade solidária do sócio Moracy Oswaldo das Dores. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira." Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 1141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720195/2012-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
Numero da decisão: 2001-001.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 01 95 /2 01 2- 38 Fl. 158DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente em parte a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas informadas na DAA. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 6.722,23, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2007. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento definidor da lavratura o fato de não ter sido apresentado parte da comprovação das despesas deduzidas do imposto e falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de comprovação parcial do efetivo pagamento dos serviços prestados, mediante critério adotado na análise fiscal realizada pela autoridade tributante, como segue: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida por AuditorFiscal da DRF/Campos dos Goytacazes/RJ, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008, anocalendário 2007. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 6.722,23, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O direito à dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está previsto no art. 80 do Decreto nº 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda/99 (RIR/99), que assim dispõe: (...) Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Cabe ressaltar que é necessária a identificação dos beneficiários das despesas médicas, visto que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e dos dependentes. Ademais, somente podem ser deduzidas despesas médicas com os profissionais elencados no caput do art. 80, anteriormente transcrito, razão pela qual o documento probatório deve apresentar o número do registro profissional de quem o emitiu. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10725.720195/201238 Acórdão n.º 2001001.208 S2C0T1 Fl. 159 3 1 Unimed Norte Fluminense falta de discriminação dos beneficiários A interessada argumenta que é a única beneficiária do plano de saúde e para comprovar o que alega junta aos autos Comprovante Anual Pagamentos Plano Saúde/Pessoa Física/Ano Base 2007 tendo como usuária a impugnante (fl. 17). Sanado o motivo da glosa, restabelecese a despesa médica no valor de R$ 3.444,48. 2 falta de comprovação do efetivo pagamento Marcelo Citelli da Fonseca R$ 3.300,00; Priscilla Soares de Andrade R$ 7.700,00; Marcella Azeredo Rocha Picanço R$ 10.000,00 Normalmente, o recibo é o documento hábil para comprovar a dedução da despesa médica. Entretanto, é facultado ao Auditor Fiscal nos casos em considerar necessários, solicitar ao contribuinte provas adicionais relativas às deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual, fundamentado no art. 73 combinado com o art. 80 do Decreto nº 3.000/99. A contribuinte argumenta que possui rendimentos e meios compatíveis para efetuar as despesas. Esclarecese que, muito embora a questão de possuir rendimentos compatíveis seja considerada na análise fiscal, a disponibilidade financeira, por si só, não comprova que o ônus das despesas médicas foi do interessado. Dos extratos bancários emitidos pelo Banco do Brasil (fls. 33/46), os saques efetuados nos dias 06/02 (R$ 310,00), 18/07 (R$ 300,00), 03/10 (R$ 500,00) e 05/10 (R$ 170,00) comprovam o efetivo pagamento das despesas incorridas com o prestador de serviços Marcelo Citelli da Fonseca nos dias 06/02/2007 no valor de R$ 206,25 e no dia 21/07/2007 no valor de R$ 275,00 e com a prestadora de serviço Priscilla Soares de Andrade no dia 06/10/2007 no valor de R$ 640,00, totalizando R$ 1.121,25, valor de despesa médica a ser restabelecido. Foi adotado o critério de saques com até três dias antes da data de emissão desses recibos em valores suficientes para quitálos, tendo sido esse o critério adotado para a verificação do efetivo pagamento. Registrese que o critério adotado é mais benéfico ao contribuinte, pois émais flexível do que a exigência de que a data do saque coincida exatamente com a data do pagamento da despesa (ou com a data do recibo). Assim, restabelecemse as despesas médicas no valor de R$ 4.565,73. Diante do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer as despesas médicas no valor de R$ 4.565,73, o que resulta em saldo de imposto a pagar de R$ 5.466,66, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, de acordo com a legislação vigente. Fl. 160DF CARF MF 4 Assim, conclui o Acórdão da DRJ pela procedência parcial da impugnação para manter a exigência do Lançamento no valor de R$ 5.466,66, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Tendo sido intimada através do termo nº 2008/234047530317818 em 28/08/2011, prontamente atendeu conforme protocolo de 04/10/2011, no qual apresentou toda a documentação exigida por V.Sª. Em 01/11/2011 foi emitida pela Receita uma nova solicitação (em anexo) para apresentação dos documentos já apresentados em 04/10/2011, o qual foi prontamente atendido, encaminhado à Receita conforme protocolo em 16/11/2011 e novamente em 20/11/2011. Esperando ter sanado as dúvidas existentes, foi com surpresa que ao receber a notificação na DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL estava “Regularmente intimado, o contribuinte deixou de apresentar documentos solicitados que comprovem o efetivo desembolso para pagamento das despesas médicas referente a:” A contribuinte já havia emitido por duas vezes tais documentos para verificação. Quanto ao desembolso, esclareceu que foi em espécie, tendo inclusive apresentado seus extratos bancários, que a seu ver é sigiloso, mas mesmo assim enviou, para não haver dúvidas e também por entender que pode efetuar o pagamento como preferir, já que é muito atarefada, saca o dinheiro para ir efetuando os pagamentos já previstos e marcados com antecedência, esclarecendo que também possui prólabore de um salário mínimo que recebe mensalmente em espécie da empresa da qual é sócia. A contribuinte possui os recibos médicos, assinados, carimbados, com identificação dos prestadores dos serviços, bem como a declaração de ratificação e complementação de dados para comprovação hábil e idônea da veracidade dos mesmos. Certamente os profissionais envolvidos declararam que receberam tais quantias em seus atendimentos e pagaram os impostos devidos sem suas declarações. A responsabilidade de emitir recibos completos com endereço e todos os dados é do profissional que os emite e o paciente tendo pago a consulta e de posse do recibo em seu nome, lhe é permitido utilizálo como abatimento em sua declaração, como é previsto na legislação. Quanto ao pagamento, é um critério particular da contribuinte efetuar como melhor lhe convir. Se a Receita aceita pagamento ao profissional em cheque nominal, porque esse questionamento radical quanto ao pagamento em espécie? Não há lei que proíba alguém de se utilizar desse meio para tal finalidade. Enfim, para sanar completamente as dúvidas ainda existentes, torna a enviar toda a documentação existente, a seguir relacionada: (...) Uma vez totalmente comprovada de forma indubitável todas as despesas aludidas na declaração exercício 2008, ano base 2007, entende ter caído por terra o mérito deste acórdão, ficando claramente demonstrada através dos recibos e declarações, a Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10725.720195/201238 Acórdão n.º 2001001.208 S2C0T1 Fl. 160 5 veracidade e especificidade das despesas alegadas, estando os profissionais envolvidos dispostos a responder por estes documentos, se solicitados para o bem da verdade. À vista de todo exposto, demonstrada a inconsistência e improcedência da ação fiscal, bem como a inexistência do mérito, espera e requer a impugnante, seja de imediato acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose este débito fiscal reclamado e sem procedência, evitandose transtornos desnecessários e dispendiosos para se provar uma verdade óbvia e claramente elucidada. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A decisão do Acórdão da DRJ contempla parcialmente a demanda da Contribuinte e reduz o crédito tributário lançado de R$ 6.722,23 para R$ 5.466,66, em razão da aceitação dos comprovantes do Plano de Saúde e aceitação de parte dos recibos, pela comparação de periodicidade com dos saques das disponibilidades bancárias em que ficou constatada a proximidade entre as retiradas e a data dos recibos, motivo da aceitação pelo critério de análise adotado pelo Relator do Acórdão vergastado. DESPESAS MÉDICAS A divergência no que ser refere à despesa médica é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia na contenda é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Fl. 162DF CARF MF 6 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10725.720195/201238 Acórdão n.º 2001001.208 S2C0T1 Fl. 161 7 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) Fl. 164DF CARF MF 8 A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Longe de se contestar legalidade ou constitucionalidade, o que não cabe na competência desta instância administrativa, até mesmo por orientação sumulada do CARF, o que aqui se faz na verdade é a divergência da larga literalidade na interpretação e aplicação do art. 73, pelo ente tributante. O Novo Código de Processo Civil pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. No presente caso, a questão esgotase na apresentação da comprovação das despesas médicas para efeito de dedução do imposto, concluindo pelo entendimento de que o recibo idôneo é documento hábil para satisfação dos requisitos legais pertinentes, restando aqui o exame da questão fática dos documentos apresentados pela Recorrente. Deve ser acolhido todo o elemento de prova durante o processo administrativo fiscal visando o aclaramento da verdade material, o direito do contraditório e da ampla defesa para o atingimento de justa decisão da causa. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10725.720195/201238 Acórdão n.º 2001001.208 S2C0T1 Fl. 162 9 No que se refere à observação constante no voto da DRJ quanto ao dever de constar no “documento comprobatório da despesa que contenha a indicação de nome endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente...”, constatase pelas provas acostadas aos autos que está demanda legal/fiscal foi atendida desde a fase de revisão fiscal, conforme fls. 17/29, em sede de impugnação conforme relatado no instrumento de defesa fls. 67/68, com declaração dos profissionais ratificando o recebimento dos valores referentes às prestações de serviços, bem como na por ocasião deste Recurso Voluntário, fls. 107/138. Quanto à observação constante do voto da DRJ de que deve constar nos documentos comprobatórios da despesa “o nome da pessoa beneficiária”, é oportuno dizer que o recibo é dado ao ContribuintePaciente e somente deve ser especificado outro nome de paciente no documento quando é o caso de atendimento a dependentes, o que é destacado na INRFB nº 1.500/2014, art. 97, inciso II, como se vê: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: II a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário caso seja pessoa diversa daquela; grifei A decisão do Acórdão da DRJ contestada na defesa do Recorrente aceita parte dos comprovantes emitidos pelos profissionais, pela adoção de critério subjetivo que considera válidos os recibos com data de emissão com até três dias depois de algum saque bancário, argumentando que este “critério é mais benéfico ao contribuinte, pois é mais flexível do que a exigência de que a data do saque coincida exatamente com a data do pagamento da despesa (ou com a data do recibo)”. Destaquese que o critério mais benéfico ao contribuinte é aquele disposto em lei e a obrigação de os saques bancários coincidirem com a data da emissão do recibo não está respaldado na legislação. Além disso, a data da emissão do recibo não garante que o pagamento tenha ocorrido naquele exato momento. Por isso, o critério adotado é subjetivo e inconsistente pelos motivos expostos. No que se refere aos recibos fornecidos pelos profissionais Marcelo Citelli da Fonseca, Priscilla Soares de Andrade e Marcella Azeredo Rocha, constatase serem documentos hábeis para comprovação até mesmo porque a decisão da DRJ aceita como prova alguns dos recibos dos mesmos profissionais, a seu critério de compatibilidade de datas de recibos com saques bancários. Se alguns dos recibos preenchem aos requisitos legais quanto à formalidade e veracidade então todos estão aptos a serem recepcionados como bons. Ressalte se que o critério adotado de compatibilizar datas de recibos com saques bancários não tem lastro legal, além do que os valores podem ter outra origem como a existência de numerários em caixa e recebimentos em espécie de outras pessoas físicas ou jurídicas. Assim, considerando que a Contribuinte apresentou os recibos e documentos, prova exigida legalmente e ainda disponibilizou extratos bancários de forma a verificação de sua capacidade financeira de pagamento, podendo fazêlo em espécie, fica constatada a providência de atendimento da exigência legal e da validade dos comprovantes apresentados, legitimando a dedução do imposto na DAA. Fl. 166DF CARF MF 10 No caso, constatase que os serviços prestados correspondem à especialidade técnica de profissional habilitado na área e de acordo com as necessidades especificas do beneficiário, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados, mediante recibos assinados. Portanto, legítima a dedução a título de despesas pela apresentação de recibos e declarações, assinados por profissionais habilitados, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirmam o seu pagamento. Excluída, portanto, a glosa total objeto do Lançamento. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas médicas glosadas no valor de R$ 24.444,48, razão pela qual se faz imperioso o cancelamento integral do crédito tributário. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.900006/2010-80
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO.
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação.
Numero da decisão: 1003-000.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação.
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IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 00 06 /2 01 0- 80 Fl. 158DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0943.751, proferido pela 2ª Turma da DRJ/JFA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não homologando a compensação declarada, por não reconhecer, integralmente, o direito creditório informado em Declarações de Compensação Eletrônica – Dcomp. Fazendo um breve relatório do processo, verificase que a Recorrente transmitiu referidas declarações (Declaração Eletrônica de Compensação – PER/DCOMP, 00737.40849.311006.1.3.020052 e 39184.63498.311006.1.3.026968,) em 31/10/2006, compensação de débitos diversos em seu nome, com crédito de saldo negativo de IRPJ AC 2001, no valor original de R$ 66.438,01. Ocorre que a compensação em questão não foi homologada, integralmente, pela DRF/UBERLÂNDIA/MG, no seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do credito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 66.438,01 Valor na DIPJ: R$ 66.438,01 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 72.234,96 IRPJ devido: R$ 5.796,95 Valor original do crédito utilizado em compensações anteriores à transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 21.954,53 Valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) (Utilizações em Compensações anteriores) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 39.094,06 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10675.900006/201080 Acórdão n.º 1003000.541 S1C0T3 Fl. 3 3 00737.40849.311006.1.3.020052 NãO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP:39184.63498.311006.1.3.026968 Inconformada, a Recorrente apresentou a competente Manifestação de Inconformidade e requereu a reforma da decisão, que homologou apenas parcialmente a compensação efetuada, aduzindo, dentre outros argumentos, que “o despacho decisório ora contestado apresenta irregularidades uma vez que não promoveu a confirmação dos créditos existentes de saldos negativos de exercícios anteriores bem como as retenções realizadas pelos tomadores do contribuinte, conforme demonstrado a seguir bem como os débitos apurados no mesmo.” Por sua vez, a 2ª Turma da DRJ/JFA julgou o pedido improcedente e manteve o entendimento de que o valor das retenções (crédito) informadas no PERD/COMP foi maior do que aquele efetivamente confirmado Fisco. A ementa da dita decisão segue abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2001 SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Para utilização do imposto retido na fonte como dedução na apuração do IRPJ ao final do período, fazse necessário que, além da tributação dos correspondentes rendimentos, seja comprovada a efetividade das retenções mediante apresentação dos respectivos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, o que pode ser suprido pela confirmação da retenção em DIRF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, a Recorrente, discordando no acórdão de piso, interpôs o Recurso Voluntário, ora analisado, requerendo a reforma da decisão atacada e a homologação integral das compensações efetuadas, e. para tanto, alegou, em síntese, que: Fl. 160DF CARF MF 4 (...) (...) É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Como visto no Relatório, o presente processo diz respeito à declaração de compensação não homologada, integralmente, devido a não apresentação de documentação Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10675.900006/201080 Acórdão n.º 1003000.541 S1C0T3 Fl. 4 5 comprobatória suficiente para lastrear o crédito de IRRF que compôs o valor do saldo negado do IRPJ compensado. Assim, a homologação parcial da compensação declarada na DCOMP 00737.40849.311006.1.3.020052 e a não homologação da compensação declarada na DCOMP 39184.63498.311006.1.3.026968, se deu em conseqüência da não comprovação de valores de IRRF informados no referido PER/DCOMP, ou de comprovações apenas parciais, conforme quadro “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou não Confirmadas” constante no acórdão de piso e na Informação da Análise do Crédito, à disposição no sítio da Receita Federal e ora transcrito: Depreendese da tabela acima reproduzida, que o Despacho Decisório, confirmado pelo acórdão recorrido, foi exarado tendo em vista os valores comprovados em Declaração constante de DIRFs entregues pelos referidos “clientes” da Manifestante, vez que acerca das diferenças apontadas não houve apresentação de informes de rendimentos. Registrese que a referida análise restringiuse aos valores de IRRF determinados pela Recorrente em sua DCOMP, como componentes do saldo negativo do período. Portanto, ao contrário do que afirma a manifestante, para a DCOMP em análise, NÃO HÁ créditos originados de saldos negativos de exercícios anteriores. E, possuindo a Recorrente saldo negativo composto exclusivamente de antecipações a título de IRRF, a verificação da ocorrência de sua efetiva retenção somente se mostrou possível através da análise dos valores declarados em DIRF. Restam cristalinas, portanto, as razões que motivaram a glosa dos valores de IRRF, não considerados na formação do saldo negativo do anocalendário 2001. Em suas razões recursais, a Recorrente, basicamente, reproduziu os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, todavia, por ocasião da apresentação do recurso voluntário, houve a juntada de cópias todas as notas fiscais emitidas no ano de 2001, na tentativa comprovar o suposto direito creditório. Fl. 162DF CARF MF 6 Ocorre que as notas fiscais acostadas aos autos, em que constam as retenções do IRRF, ressaltese, sem assinatura de recebimento do serviço, não constituem prova suficiente para concretizar o crédito e permitirlhe a compensação, conforme dispõe o artigo 55 da Lei n°7.450/85 (art. 943, do Decreto n° 3.000/99): "Art. 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos". Assim, a legislação, nos casos como o ora analisado, condiciona a possibilidade do IRRF ser objeto de compensação (ou deduzido) com valor do Imposto de Renda a ser pago, à exibição do informe de rendimentos expedido pelo tomador do serviço ou da declaração de informações de retenções – DIRF. Neste sentido, é o entendimento deste colegiado: RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido. A apresentação de planilha não constitui documento hábil para comprovar a efetividade das retenções sofridas. RETENÇÃO DE TRIBUTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova de que os tributos foram efetivamente retidos é do contribuinte que pugna pela sua compensação. (Acórdão nº 1801001.507, Sessão de 09 de julho de 2013) Ademais, a exigência do informe de rendimentos anual por parte do beneficiário é condição sine qua non para proceder à própria contabilização dos valores retidos e que consistirão em eventuais créditos. Observese, ainda, que a obrigatoriedade de exigir o referido informe é da Recorrente. Assim dispõe o Regulamento do Imposto de Renda vigente à época (Decreto nº 3.000/99 – RIR/99), que consolidava a legislação tributária sobre a matéria: Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano calendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86) formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10675.900006/201080 Acórdão n.º 1003000.541 S1C0T3 Fl. 5 7 § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). (grifos não pertencem ao original) Nesse sentido também dispõe o Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018, cuja base legal vigora desde a ocorrência do fato gerador: Art. 987. As pessoas físicas ou jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto sobre a renda na fonte deverão fornecer a pessoa física ou jurídica beneficiária, na forma e nas condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda, documento comprobatório, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto sobre a renda retido no anocalendário anterior, quando for o caso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86, caput; e Lei nº 9.779, de 1999, art. 16). Parágrafo único. O órgão gestor de mão de obra fica responsável por fornecer aos trabalhadores portuários avulsos, inclusive àqueles pertencentes à categoria dos arrumadores, o comprovante de rendimentos de que trata o caput (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 65, caput e § 2º). Art. 988. O imposto sobre a renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos § 1º e § 2º do art. 6º e no parágrafo único do art. 7º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Em tempo, o pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais1. Cabe, pois, à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. 1 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 164DF CARF MF 8 E, como o documento hábil para comprovar a retenção efetuada pelas fontes pagadoras, qual seja, o informe de rendimentos por aquelas fornecidos e que faria prova definitiva do direito creditório em discussão, , não foi apresentado pela Recorrente, entendo, que, de fato, a decisão da DRJ não merece ser reformada. Logo, por serem irretocáveis as considerações aduzidas no acórdão de piso, colaciono aqui parte do seu texto, como fundamento deste voto: "(...) Restam cristalinas, portanto, as razões que motivaram a glosa dos valores de IRRF, não considerados na formação do saldo negativo do anocalendário 2001. Nesse diapasão, cumpre também esclarecer à Contribuinte que apesar de por ela anexado o “Livro de Registro de Serviços Prestados”, este não comprova as retenções efetuadas pelo tomador dos serviços e segundo determinação da Lei n.º 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, verificase que esta foi condicionada à apresentação dos respectivos comprovantes de retenção: “Art. 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos”. Vejase o que prevê o RIR/99, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, a respeito do assunto: "Art. 942– As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei Nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único – O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86).” Como se vê, é obrigação da fonte pagadora o fornecimento do documento anual comprobatório da retenção do imposto de renda na fonte, competindo aos beneficiários a sua guarda e contabilização. De outro giro, o Código Tributário Nacional – CTN, aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, prescreveu a observância da guarda dos documentos que acobertam a escrituração, nos seguintes termos: “Art. 195 – (omissis) Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10675.900006/201080 Acórdão n.º 1003000.541 S1C0T3 Fl. 6 9 Parágrafo único – os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.” Nesse mesmo sentido são as disposições constantes do art. 264, do RIR/1999 (Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1.999), a saber: “Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n.º 486, de 1969, art. 4º).” Portanto, a existência dos comprovantes de retenção, cuja guarda é obrigatória à pessoa jurídica, é condição sine qua non para a dedutibilidade do imposto retido incidente sobre rendimentos computados na declaração, sendo, entretanto, suprida tal exigência caso a referida retenção seja confirmada através da DIRF apresentada pela respectiva Fonte Pagadora. Assim, vinculandose a Declaração de Compensação a um direito alegado pelo sujeito passivo, este deve estar fundamentado e acompanhado de documentação comprobatória da existência do crédito junto à Fazenda Pública para aferição da autoridade administrativa quanto a sua consistência. (...) Decorre daí que os pedidos, solicitações e declarações envolvendo reivindicação de direito creditório junto à Fazenda Nacional devem estar, necessariamente, instruídos com as provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento, configurandose imprescindível, no caso de saldo negativo ou saldo credor de IRPJ, que seja comprovada a regular apuração do tributo devido no período, bem como as deduções efetivadas a título de antecipações, tais como a efetiva retenção de IRPJ. Por conseguinte, o indébito não se constitui automaticamente do saldo negativo apontado nas declarações entregues à Receita Federal, tendo em conta que o resultado declarado pelos contribuintes deve obrigatoriamente refletir a apuração corretamente escriturada, sujeitandose, assim, à comprovação documental para aferição da certeza do crédito pleiteado. Em face do princípio da supremacia do interesse público e da indisponibilidade do crédito tributário, é dever da Administração analisar a correta composição e procedência do direito creditório invocado pelo sujeito passivo em Declarações de Compensação, o que pode levar à verificação da efetiva retenção efetuada. Fl. 166DF CARF MF 10 (...) Assim, restou demonstrado que a documentação ofertada pela Recorrente, conforme legislação anteriormente citada e aplicada à matéria, não é hábil e suficiente para comprovar o IRRF. A efetividade da retenção de IRPJ, incidente sobre os rendimentos de prestação de serviços incluídos na base de cálculo tributável do anocalendário, é comprovada pelos informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras (exigência que suprida pelas informações constantes da DIRF. .Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.906167/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO
Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1402-003.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
assinado digitalmente
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 61 67 /2 01 1- 17 Fl. 153DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente feito de retorno de diligência dos autos do processo administrativo em epígrafe. Na sessão ocorrida em 26 de janeiro deste ano, esta turma deliberou e decidiu por converter o feito em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Adoto o relatório encartado naquele voto como ponto de referência, complementandoo ao final: Tratase o presente processo de Pedido de Compensação (PER/DCOMP), com base em créditos do SIMPLES e débitos apurados pela sistemática do Lucro Presumido (COFINS). O Despacho Decisório não homologou a pretensa compensação sob a justificativa da ausente apresentação de Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original informado na DCOMP, o que impossibilitou a confirmação sobre a existência do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão acima resumida, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, apenas alegando que efetuou os pagamentos de tributos em 2003 e 2004 ainda como optante do SIMPLES, mas que efetuou a entrega de suas obrigações acessórias (DIPJ), pela apuração do Lucro Presumido. Em primeira instância o pedido da contribuinte foi julgado totalmente improcedente sob a fundamentação de não ter restado comprovado suficientemente nos autos a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Irresignada com tal decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, repisando seus argumentos, mas também trazendo algumas inovações em suas alegações, as quais resumo a seguir: a) Explica que sua exclusão do SIMPLES ocorreu por ato de ofício, qual seja: Ato Declaratório Executivo nº 76, de 29/11/2005; b) Afirma que foi comunicada do supracitado ato por edital SACAT/DRF/POR nº 01/2006 em 02 de janeiro de 2006 e que os efeitos de tal exclusão retroagiram a 2002; c) Acrescenta que não pode juntar cópia de tal ato aos autos pelo fato de a comunicação ter ocorrido por edital; d) Alega que só entregou a DIPJ em momento posterior, devido a equívoco da contabilidade da empresa e que tal declaração possui os valores pelo presumido; Por fim, registrese, ainda, que junto de seu Recurso Voluntário a Recorrente anexa novos documentos: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.906167/201117 Acórdão n.º 1402003.633 S1C4T2 Fl. 3 3 a) parte de um Termo de Encerramento de Ação Fiscal de outro processo que está registrado sob o MPF nº 08.1.09.002006009198 (efls 9097); b) mais especificamente, cabe ainda relatar que no retromencionado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, consta que no início da fiscalização a Recorrente não se encontrava no domicílio fiscal por ela indicado. Confirmam os auditores fiscais que no local operava a empresa Organização Educacional Barão de Mauá, CNPJ 56.001.480/000836. Além disso, os funcionários do local afirmaram desconhecer a empresa Liceu Leonardo da Vinci LTDA e, menos ainda, o representante desta, o Sr. João Ângelo Everaldo Mucke. Os auditores localizaram, então, o endereço do escritório de contabilidade da fiscalizada. Lá, foram atendidos pelo Sr. Newton Figueira de Mello, proprietário da empresa, que entrou em contato com os sócios da fiscalizada, que compareceram no local tomando ciência do Termo de Início de Fiscalização e respectivo MPFF. c) apresenta um Demonstrativo de receitas elaborado pela fiscalização, cujos valores foram extraídos das notas fiscais de prestação de serviços do contribuinte; d) sob MPF nº 0810900/00910/06, há Autos de Infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, apurados pela sistemática do Lucro Arbitrado, haja vista a fiscalização ter considerado a escrituração da autuada como imprestável e ter entendido como configurada a infração de omissão de receita. Tal glosa pertencente ao processo administrativo sob o nº 15956.000077/200742, cujo acórdão de impugnação a Recorrente anexa logo em seguida, o que se deduz pela correlação evidente entre os fatos narrados em tal acórdão e os dados presentes em tais autos de infração. Na sessão de 21 de janeiro de 2018, baixaramse os autos em diligência para: a) a autoridade preparadora, considerando que os pagamentos realizados a titulo de Simples são incontroversos neste processo, depure tais recolhimentos de acordo com a legislação do Simples vigente a época dos pagamentos informados, especificando quais os tributos e respectivos valores compõem cada recolhimento realizado pelo contribuinte, ou seja, depure cada um dos tributos e contribuições sociais que compõe o valor recolhido (IRPJ, PIS, INSS, ISS, etc). b) uma vez depurados, que seja apresentado em tabela, onde se possa identificálos por competência. c) uma vez identificados, elabore um ultimo demonstrativo apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, excluindose portanto eventuais recolhimentos a titulo de Contribuições Previdenciárias INSS ou tributos não federais (ISS, p. ex.). Ao Fl. 155DF CARF MF 4 final, que tais valores compensáveis sejam somados e o valor resultante seja destacado ao final do demonstrativo. d) Observase que as efolhas onde se encontram os valores apontados não estão sendo aqui especificados pois este julgamento segue o sistema de julgamento de recursos repetitivos. e) ao contribuinte seja dada a oportunidade de, cientificado da diligência, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias (parágrafo único, do art. 35, do Decreto 7.574/2011) sobre o resultado da mesma. Foi então proferido o despacho de diligência de fls.140/145, em que o AFRFB responsável elaborou tabela constante dos autos apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para a competência discutida nos presentes autos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.630, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906164/2011 75, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.630): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO: A exclusão do sujeito passível, por meio da ADE n.76, DE 29/11/2005, da sistemática do simples torna indevidos os recolhimentos naquela sistemática, contudo, a compensação por meio de DCOMP exlcui as contribuições previdenciárias Aplicase ao caso o entendimento de que após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos da resolução transcrita no relatório da presente decisão. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.906167/201117 Acórdão n.º 1402003.633 S1C4T2 Fl. 4 5 Depurados os recolhimentos realizados na sistemática do Simples pela Receita Federal, sem contestação do contribuinte, este deve ser o valor compensável nos termos do apurado em sede do relatório da diligência fiscal. Diante do exposto voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36624.000242/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-007.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 02 42 /2 00 6- 15 Fl. 2959DF CARF MF Processo nº 36624.000242/200615 Acórdão n.º 2402007.028 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/2010 41, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava, à época da prolação da Decisão de Primeira Instância Administrativa, o valor limite de alçada estipulado na legislação então vigente. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento nesta Corte, tão somente, o Recurso de Oficio ora em debate. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/201041, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019: Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso de Ofício interposto pela DRJ tem amparo no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e Fl. 2960DF CARF MF Processo nº 36624.000242/200615 Acórdão n.º 2402007.028 S2C4T2 Fl. 4 3 decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...](grifei) Insta salientar que a autoridade julgadora de primeira instância observou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício fixado na legislação vigente na ocasião do julgamento da Impugnação Administrativa em face do vertente lançamento. Ocorre que, em conformidade com o Enunciado nº 103 de Súmula CARF, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Destarte, impõese aplicar, no caso em apreço, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que estabelece o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, bem assim quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, nos termos do seu art. 1°, §§ 1° e 2°, verbis: Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. [...](grifei) Na espécie, resta comprovado nos autos que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo de crédito tributário em montante inferior ao piso estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, do que decorre o não conhecimento do Recurso de Ofício em apreço. Ante o exposto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 36624.000242/200615 Acórdão n.º 2402007.028 S2C4T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 2962DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962326/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999
REMESSA GRATUITA. COFINS CUMULATIVA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
As remessas gratuitas de mercadorias, constantes das Notas Fiscais de Saída, devem ser excluídas da base de cálculo da COFINS apurada pelo remetente, por não representarem ingresso de faturamento.
DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA
O postulante de direito creditório deve apresentar as provas inerentes ao crédito alegado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO
Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito da Recorrente. Procedendo-se à análise dos documentos e comprovado documentalmente se impõe o reconhecimento parcial do direito postulado.
Numero da decisão: 3201-004.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar a exclusão, da base de cálculo da Cofins, daquelas notas fiscais apresentadas pelo contribuinte que se refiram a saída gratuita do estabelecimento autuado, bem como aquelas de simples remessa, nos termos do Relatório Fiscal.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999 REMESSA GRATUITA. COFINS CUMULATIVA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. As remessas gratuitas de mercadorias, constantes das Notas Fiscais de Saída, devem ser excluídas da base de cálculo da COFINS apurada pelo remetente, por não representarem ingresso de faturamento. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA O postulante de direito creditório deve apresentar as provas inerentes ao crédito alegado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito da Recorrente. Procedendo-se à análise dos documentos e comprovado documentalmente se impõe o reconhecimento parcial do direito postulado.
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COFINS CUMULATIVA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. As remessas gratuitas de mercadorias, constantes das Notas Fiscais de Saída, devem ser excluídas da base de cálculo da COFINS apurada pelo remetente, por não representarem ingresso de faturamento. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA O postulante de direito creditório deve apresentar as provas inerentes ao crédito alegado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito da Recorrente. Procedendose à análise dos documentos e comprovado documentalmente se impõe o reconhecimento parcial do direito postulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar a exclusão, da base de cálculo da Cofins, daquelas notas fiscais apresentadas pelo contribuinte que se refiram a saída gratuita do estabelecimento autuado, bem como aquelas de simples remessa, nos termos do Relatório Fiscal. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 23 26 /2 00 8- 83 Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 268 2 (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Manifestação de Inconformidade, o qual está consignado nos seguintes termos: "1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação nº 35099.76713.151004.1.3.044413 em 15/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de COFINS, com créditos de COFINS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 12/11/99. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05/01/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: 3.1 Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de COFINS utilizado para sua compensação referese à parcela da contribuição indevidamente paga sobre valores relativos às saídas gratuitas ("brindes") de seus produtos. 3.2 Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. 3.3 Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equívoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 269 3 3.4 Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente à apresentação desta PER/DCOMP. 3.5 Tal equívoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF nº 600/2005. 3.6 Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o caput do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2º, 3º, inciso I e 50, inciso I da Lei 9.784/99. 3.7 Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP." A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente e a decisão apresenta a seguinte ementa: O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 270 4 (i) efetuou o recolhimento a maior da COFINS, em razão de indevida inclusão na base de cálculo do valor de mercadorias que saíram de seu estabelecimento a título gratuito; (ii) compensou o crédito decorrente do mencionado recolhimento a maior com débitos de tributos federais; (iii) não está em discussão nos autos a impossibilidade de incidência da COFINS sobre o valor de mercadorias que deixam o estabelecimento a título gratuito, sendo que a decisão recorrida apenas entendeu não terem sido apresentados documentos que comprovam a liquidez e certeza dos créditos compensados; (iv) o despacho decisório é nulo, pois foi indeferida a compensação com base em suposta inexistência do crédito, sem que a Recorrente tivesse sido intimada para apresentar documentos comprobatórios dos créditos alegado na DCOMP, ou determinar a realização de diligências em seu estabelecimento; (v) o deslinde dessa questão passa pela análise e correta interpretação do art. 4º da Instrução Normativa nº 600/2005, cuja correta interpretação implica na intimação do contribuinte para apresentação de documentos para comprovar o seu direito e, se for o caso, realizar diligências em seu estabelecimento; (vi) a interpretação conferida pela decisão recorrida não pode prevalecer, eis que afronta os princípios da moralidade administrativa, bem como legalidade, finalidade, impessoalidade e eficiência; (vii) é idônea a documentação acostada com a Manifestação de Inconformidade, consistente em (a) demonstrativo de composição da base de cálculo da COFINS e (b) balancetes de verificação nos quais indicou claramente o valor das mercadorias que saíram do estabelecimento a título gratuito e que, portanto, não deveriam ter integrado a base de cálculo; (viii) apresenta documentos adicionais com a peça recursal no propósito de corroborar as provas apresentadas com a Manifestação de Inconformidade, constituídos por (a) Demonstrativo de composição da base de cálculo da COFINS e balancetes idênticos aos juntados à Manifestação de Inconformidade, mas contendo os elementos que a decisão recorrida reputou essenciais, a saber: nome e assinatura do contabilista responsável, sua categoria profissional e registro no CRC; (b) Demonstrativo das Notas Fiscais que não deveriam ter sido inclupidas na base de cálculo da COFINS, com indicação de seus respectivos valores contábeis e códigos fiscais de operação (CFOP) e (c) cópia do Termo de Abertura, do Termo de Encerramento e das páginas do Livro Registro de Saídas em que as referidas Notas Fiscais foram lançadas. O processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para julgamento e convertido em diligência através da Resolução nº 3201 000.428, de 25/09/2013, para que a Delegacia da Receita Federal analisasse documentos apresentados e trazidos em sede de recurso voluntário (documentos intitulados 03/04 , as Notas Fiscais referidas nos docs. 05, bem como Livro Registro de Saídas das respectivas Notas Fiscais (docs. 06)). Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 271 5 A Informação Fiscal datada de 15/03/2018 produzida pela Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo SP, atestou que: "Informamos que os documentos intitulados 03/04 (demonstrativo de composição da base de cálculo da COFINS/balancetes), fls. 66 a 69, contém os mesmos dados dos documentos apresentados anteriormente, porém agora assinado pelo contador “Mauro Santiago”, CRC nº 1SP15187601, CPF 003.955.09823. O valor apurado do débito de COFINS para o P.A 10/1999 constante do demonstrativo de composição da B.C da COFINS está em conformidade com a ficha 33ACALCULO DA COFINS PJEMGERAL da DIPJ da empresa incorporada ARNO S/A (61.064.978/000101) e foi declarado em DCTF e o valor devido foi recolhido extinguindo o crédito tributário. O pedido de compensação se baseia em crédito de COFINS calculado sobre saídas intituladas pela contribuinte como saídas grátis eletrodomésticos, saídas grátis assistência técnica, saídas grátis importados e saídas grátis diversas/diversos, lançadas com os CFOP´s 5.99, 6.99 e 7.99. O relatório de notas fiscais saídas de outubro de 1999, fls. 70 a 89, apresenta relação de notas fiscais dos estabelecimentos matriz (000101) e das filiais (000454 e 001507) emitidas com os CFOP´s 5.99, 6.99 e 7.99, totalizando saídas no valor de R$ 192.627,51, valor este em consonância com as saídas grátis informadas no demonstrativo de composição da base de cálculo da COFINS do mês de 10/1999. Considerando que somente com as informações constantes do relatório de notas fiscais de saídas e do livro de registro de saídas são insuficientes para formar convicção da não incidência e portanto da sua exclusão na base de cálculo da COFINS, foi aberto o procedimento fiscal de diligência nº 08119.00.2017.001424, na qual intimamos a contribuinte a apresentar 194 cópias de notas fiscais relativas aos P.A out/99, nov/99, fev/00, mar/00, mai/00, jun/00 e jul/00, a fim de formar convicção e prestar informações nos 07 processos administrativos constante da presente diligência, a saber: 10880.962326/200887, 10880.962328/200872, 10880.962334/200820, 10880.962336/200819, 10880.962340/200887, 10880.962342/200876 e 10880.962344/200865. Das 194 notas fiscais solicitadas a contribuinte apresentou somente 105 notas fiscais, sendo 75 notas fiscais pertencente ao estabelecimento conforme intimação, 30 de outro estabelecimento diferente do intimado e deixou de fornecer 119 notas fiscais. Juntamos às fls. 239 a 242 o “Demonstrativo das Notas Fiscais Solicitadas em Diligência” que contém os principais dados constantes do corpo das notas fiscais. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 272 6 Verificamos que quase a totalidade das notas fiscais apresentadas foram escrituradas no livro de registro de saídas, a exceção das notas fiscais nº 263978 e 263979 do estabelecimento 001507, que não foram localizadas, haja vista a informação de que estariam escrituradas ás páginas 185/186 do livro de registro de saídas nº 24, porém não foram localizadas nestas páginas e pela numeração das notas e suas datas de emissão a página provável seria a de nº 179 do livro 24 que não foi apresentada. Uma análise mais detalhada das 75 notas fiscais fornecidas corretamente, verificamos que no campo “Natureza da Operação” constam somente duas natureza a saber: “Remessa Grátis” e “Reposição Estoq. Garantia” e no campo “Tipo Condição Pagto”, última coluna do demonstrativo, identificamos várias notas fiscais emitidas para grandes lojistas e supermercados tais como: Carrefour, Lojas Renner, Martins Com. Serv. Distr. S/A, Wall Mart, Yamada S/A em quantidade elevada e com o tipo de condição de pagamento como “PROMOÇÃO”. Chama a atenção também o quantitativo de itens enviados as empresas que prestam serviço de assistência técnica a marca, são centenas e milhares de partes e peças enviadas em reposição. Identificamos as notas fiscais nºs 230769, 233194, 237620, 255776, 254253, 262183, 270632 e 277812 que tem como destinatário outro estabelecimento da contribuinte, porém no campo “Tipo Cond. Pagto” foram enquadradas como “Markerting” e “Gratis Industrial”, que ao nosso ver se tratam de transferências entre unidades “Simples Remessa” e portanto as únicas que não deveriam ser tributadas. Conforme estipula o § 2º do art. 3º da |Lei 9.718/98 que define as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS faturamento, verificamos que não existe previsão legal para a exclusão da base de cálculo destas contribuições às vendas realizadas a título gratuito, seja ela por mera liberalidade da empresa ou por motivos promocionais." A Recorrente manifestouse sobre a Informação Fiscal, aduzindo: (i) desde o início do pedido de compensação em discussão, jamais houve qualquer pedido de apresentação das notas fiscais. Em razão disso, e pela atividade desenvolvida pela Recorrente, é fácil concluir pela existência de uma grande quantidade de notas fiscais emitidas diariamente, que atualmente encontramse em arquivo externo, não tendo sido possível (em tempo hábil) localizar todos os documentos solicitados; (ii) no Recurso Voluntário foram anexados a relação de todas as notas fiscais e o respectivo Livro Registro de Saídas (LRS) onde foram escrituradas, não havendo dúvidas acerca da sua efetiva emissão e escrituração. Nesse sentido a própria Delegacia da Receita Federal afirmou que “... quase a totalidade das notas fiscais apresentadas foram escrituradas no livro de registro de saídas, a exceção das notas fiscais nº 263978 e 263979 do estabelecimento 001507 ...”; Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 273 7 (iii) com exceção de apenas 02 notas fiscais (de um total de 194), todas as notas fiscais estão devidamente escrituradas no Livro Registro de Saídas, o que caracteriza a sua efetiva emissão (vejase, inclusive, que na planilha elaborada pela fiscalização, relativamente às notas fiscais em questão, claramente consta a informação de que se tratam de “remessa grátis”, havendo a informação de que se tratam de brindes e promoção); (iv) uma vez comprovada a sua existência e escrituração, fica totalmente caracterizada a operação realizada, além do pagamento indevido da COFINS relativamente a saída gratuita de produtos da Recorrente pelos demais documentos acostados aos autos; (v) o próprio auditor fiscal em sua manifestação deixou claro que o valor apurado do débito da COFINS, constante no demonstrativo de composição da base de cálculo dessa contribuição, está em conformidade com a ficha 33A – CÁLCULO DA COFINS PJ EMGERAL da DIPJ, foi declarado em DCTF e foi recolhido aos cofres públicos; (vi) que o valor das saídas grátis está em consonância com as informadas no demonstrativo de composição da base de cálculo da COFINS; (vii) não procede o entendimento fiscal que somente as notas fiscais nºs 230769, 233194, 237620, 255776, 254253, 262183, 270632 e 277812 que não deveriam ser tributadas. Todas as notas fiscais citadas no processo, são referentes a saídas gratuitas, tendo ocorrido o indevido pagamento da COFINS, a ensejar o direito ao ressarcimento por meio de compensação. A própria planilha elaborada pela Delegacia da Receita Federal deixa claro as operações realizadas, que por serem gratuitas, não deveriam compor a base de cálculo da COFINS; (viii) não existem dúvidas acerca da emissão das notas fiscais, a remessa gratuita e o pagamento indevido da COFINS; e (ix) não se pode pretender que a simples ausência da apresentação de algumas notas fiscais (inclusive pelo tempo decorrido e a dificuldade em serem encontradas) seja suficiente para descaracterizar todas as demais informações fiscais que foram prestadas pela Recorrente e reconhecidas como corretas pela Delegacia da Receita Federal. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, apresentou petição na qual alega: (i) não há como ser permitida a juntada serôdia de documentos. Com efeito, a verdade material não pode ser elevada a tal patamar que anule por completo as regras para o correto desenvolvimento do processo administrativo, erigindo à condição de “letra morta” a norma jurídica estabelecida nos §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972; (ii) a manutenção da decisão de primeira instância; e (iii) o acolhimento de todas as ponderações acima expostas, em especial as ponderações trazidas pela SEORT, no sentido de que o pleito da recorrente não merece acolhimento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que “conforme estipula o § 2º do art. 3º da |Lei 9.718/98 que define as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS faturamento, verificamos que não existe previsão legal para a exclusão da base de cálculo destas contribuições às vendas realizadas a título gratuito, seja ela por mera liberalidade da empresa ou por motivos promocionais”. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 274 8 É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Preliminarmente, com relação à alegação de nulidade produzida pela Recorrente, com a realização da diligência fiscal, conforme Resolução nº 3201000.428, de 25/09/2013, entendo que está superada, pois eventual prejuízo à Recorrente restou sanado. Do mesmo modo, entendo improcedente a irresignação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quando pugna pela não aceitação dos documentos apresentados em sede de diligência, em razão de concordar com os termos da Resolução anteriormente referida, pois buscou apurar a verdade material existente. O direito está ao lado da Recorrente. A Solução de Consulta DISIT/SRRF08 nº 130, de 3 de maio de 2012, está ementada nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas à operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 275 9 será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Cofins. BASE DE CÁLCULO . BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA.. A base de cálculo da Cofins é definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuitade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Cofins. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.833, de 2003 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982." O CARF assim já se posicionou: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/09/2000 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 276 10 quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte." (Processo nº 10865.900772/200892; Acórdão nº 3802003.548; Relator Conselheiro Solon Sehn; sessão de 20/08/2014. Com relação a existência de prova da liquidez e certeza do direito creditório invocado pela Recorrente, perfilho o entendimento de que assiste parcial razão ao seu pleito, devendo o direito creditório ser reconhecido de modo parcial, levandose em consideração as provas produzidas nos autos. A Informação Fiscal datada de 15/03/2018 produzida pela Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo SP consignou que das 194 notas fiscais solicitadas a contribuinte apresentou somente 105 notas fiscais, sendo 75 notas fiscais pertencentes ao estabelecimento conforme intimação, 30 de outro estabelecimento diferente do intimado e deixou de fornecer 119 notas fiscais. É de se consignar, ainda, que a Informação Fiscal pontua que: "Verificamos que quase a totalidade das notas fiscais apresentadas foram escrituradas no livro de registro de saídas, a exceção das notas fiscais nº 263978 e 263979 do estabelecimento 001507, que não foram localizadas, haja vista a informação de que estariam escrituradas ás páginas 185/186 do livro de registro de saídas nº 24, porém não foram localizadas nestas páginas e pela numeração das notas e suas datas de emissão a página provável seria a de nº 179 do livro 24 que não foi apresentada." Ora, com o reconhecimento por parte das autoridades fazendárias que das 194 (centos e noventa e quatro) notas fiscais solicitadas, 75 (setenta e cinco) notas fiscais foram apresentadas corretamente, sendo que apenas 2 (duas) não foram escrituradas, é de se reconhecer o direito da Recorrente em relação às notas fiscais apresentadas. Da Informação Fiscal, extraise, também: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10880.962326/200883 Acórdão n.º 3201004.760 S3C2T1 Fl. 277 11 "Uma análise mais detalhada das 75 notas fiscais fornecidas corretamente, verificamos que no campo “Natureza da Operação” constam somente duas natureza a saber: “Remessa Grátis” e “Reposição Estoq. Garantia”" Como visto, efetivamente tratamse de fornecimento de mercadorias a título gratuito (remessa grátis e reposição estoque garantia) e a autoridade fazendária consigna "75 notas fiscais fornecidas corretamente", o que faz concluir que tais operações efetivamente foram concretizadas pela Recorrente. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para determinar a exclusão, da base de cálculo da COFINS, daquelas Notas Fiscais apresentadas pelo contribuinte que se refiram a saída gratuita do estabelecimento autuado, bem como aquelas de simples remessa, nos termos do Relatório Fiscal. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 277DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903160/2009-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE.
Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação.
Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
Numero da decisão: 1002-000.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ângelo Abrantes Nunes.
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CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 60 /2 00 9- 62 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 173 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RPO: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de nº 36063.08591.080508.1.7.048825, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2362). Por intermédio do despacho decisório, cópia legível ora anexada, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado “por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.02/03, na qual alega, em síntese, que: DOS FATOS A empresa no ano base de 2005, apurou Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, facultandolhe o direito de compensar este valor conforme Instrução Normativa n° 460, artigo 10. A DIPJ/2006 no 23.33.22.30.3914, transmitida em 30/06/2006, onde na ficha 11 no mês de dezembro/05 na linha 12, o valor Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 174 3 devido referente o IRPJ Estimativa competência 12/2005, tendo o mesmo valor sido declarado na DCTF do período. Assim a PER/DCOMP Retificadora n° 36063.08591.080508.1.7.048825 entregue em 08/05/2008, apresentou a compensação do Pagamento Indevido a Maior detectada na DIPJ/2006 (ano base 2005). A empresa foi notificada pela SRFB através do Despacho Decisório rastreamento n° 825079670 conforme Processo de Crédito n° 13888903.160/200962, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil. DO DIREITO A Perdcomp a qual se refere o Despacho Decisório n° 825079670 está correta baseada na IN 460, artigo 10 que segue: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrada que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Fonte: http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Ins/2004/in460200 4.htm Valor IRPJ devido na DIPJ — R$ 161.270,34 Valor do débito na DCTF 12/2005 — R$ 161.270,34 Valor pago — R$ 166.504,82 Saldo credor — R$ 5.234,48 em 31/12/2005 Podese observar claramente o valor do crédito utilizado na Perdcomp. Débito compensado parcialmente: IRPJ estimativa mês 02/2006. DO MÉRITO Segue cópias dos documentos a seguir: DIPJ/2006, ano calendário 2005 entregue em 30/06/2006 conforme recibo n° 23.33.22.303914. DCTF mensal referente 12/2005, retificadora entregue em 05/05/2008 conforme recibo n° 10.63.98.83.0687. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 175 4 PERDCOMP versão 3.3 entregue em 08/05/2008, retificadora n° 36063.08591.080508.1.7.048825. Despacho Decisório n°825079670 conforme Processo n° 13888903.160/200962. DA CONCLUSÃO A vista de todo exposto, solicitamos a aceitação da PERDCOMP declarandose a improcedência e a insubsistência do despacho decisório ora contestado, homologandose em definitivo a compensação levada a efeito pela contribuinte. Certo em contar com as devidas providências, colocome a disposição. P. Deferimento A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RPO, conforme acórdão n. 1440.920, de 25 de março de 2013 (efl. 87), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 08/05/2008 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Irresignada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 106), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados (grifos do original). Registra que " ...é pessoa jurídica de direito privado que apura e recolhe o IRPJ e a CSSL com base no Lucro Real, adotando o regime de Estimativa Mensal, com apresentação de balancetes mensais de suspensão...". Diz que "No mês de dezembro de 2005, a Recorrente apurou, por estimativa, um débito de IRPJ no montante de R$ 166.504,82 (cento e sessenta e seis mil quinhentos e quatro reais e oitenta e dois centavos), tendo promovido o regular recolhimento do tributo em questão conforme faz prova o comprovante de arrecadação expedido pela própria Receita Federal do Brasil...". Aduz "....que o tributo efetivamente devido no mês de dezembro de 2005 redundou ser de R$ 161.270,34 (cento e sessenta e um mil duzentos e setenta reais e trinta e Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 176 5 quatro centavos), conforme claramente se verifica pelo balancete do referido mês/ano, pela DIPJ e pela DCTF...". Conclui que "...é credora do Fisco em R$ 5.234,48 (cinco mil duzentos e trinta e quatro reais e quarenta e oito centavos), o qual, corrigido, montava em R$ 5.347,02 (cinco mil trezentos e quarenta e sete reais e dois centavos), tendo utilizado referido crédito em duas Per/Dcomp, nos valores respectivamente de R$ 5.234,48(cinco mil duzentos e trinta e quatro reais e quarenta e oito centavos) e R$ 110,17 (cento e de reais e dezessete centavos)". Ao final, requer o integral provimento do recurso para o fim de homologar a compensação levada a efeito pelo contribuinte. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF n.º 329. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 36063.08591.080508.1.7.048825 transmitido em 08/05/2008, sob a alegação de que o crédito original de R$ 5.234,48 nele informado já havia sido utilizado integralmente no pagamento de outro débito, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo: Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 177 6 Como se observa, o suposto crédito informado no PER/DCOMP nº 36063.08591.080508.1.7.048825 decorre de pagamento indevido ou a maior, e a circunstância fática que motivou seu indeferimento está inequivocamente registrada no Despacho Decisório Eletrônico, qual seja: a utilização anterior do crédito pleiteado no pagamento de tributo de código 2362 (IRPJ PJ obrigadas ao Lucro Real Entidades Não Financeiras Estimativa Mensal), do período de apuração de 31/12/2006. Em suas razões de defesa, o Recorrente afirma que apura e recolhe o IRPJ e a CSLL com base no Lucro Real, adotando o regime de Estimativa mensal, com a apresentação de balancetes mensais de suspensão ou redução dos tributos, e que no mês de dezembro de 2005 apurou um saldo credor correspondente a R$ 5.234,48 (cinco mil duzentos e trinta e quatro reais e quarenta e oito centavos). Vejo que o Recorrente não trouxe provas suficientes ou fundamentos de fato e de direito tendentes a infirmar a decisão de indeferimento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação do PER/DCOMP proferida pela instância de origem. Por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o então manifestante apresentou, tão somente, DCTF mensal retificadora do mês de dezembro/2005 e DIPJ/2006, desacompanhadas de provas documentais provenientes de sua escrituração contábilfiscal; agora, no Recurso Voluntário, limitouse a apresentar fichas de DRE, de Balanço patrimonial encerrado em 31/12/2005, e de balancete analítico do mês 12/2005 emitidas em 08/08/2013 (efls. 127), data posterior à de ciência do despacho decisório, ocorrida em 01/04/2009 (efls 83). Além disso, o Recorrente ignorou por completo o registro do voto condutor do acórdão recorrido alertando para a necessidade de apresentação de outros documentos e Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 178 7 livros contábeis/fiscais do períodobase examinado para a comprovação do suposto crédito, tais como: Livro Diário e Lalur. Este arcabouço probatório seria imprescindível ao batimento dos dados constantes das declarações com os da escrituração do contribuinte, para efeito de comprovar a regular transcrição, idoneidade e identidade dos registros e atestar o oferecimento à tributação de receitas que ensejaram retenções legais do período, de modo a permitir, assim, a formação de juízo conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório postulado. Concluo, portanto, não haver reparos a fazer na decisão recorrida, motivo porque reproduzo, na sequência, os trechos principais dela extraídos, adotandoos como razões de decidir, de acordo com o §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57, do RICARF (grifos do original): (...) Assim, admitido o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, esta Turma de Julgamento tem consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Diante disso, caberia a recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que identificassem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ do mês de dezembro de 2005, o IRPJ devido em meses anteriores (até novembro/2005) e os recolhimentos que deram origem ao indébito pretendido. Ainda mais, quando a contribuinte é pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7º do Decretolei nº 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Nesse contexto, indispensáveis, portanto, os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos no livro “Diário”, a demonstração do resultado do exercício, etc, além dos registros pertinentes do livro “LALUR”, principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte levantou balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução. (...) No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, não apresentou qualquer elemento contábil que comprovasse o indébito pleiteado. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 179 8 Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) A análise acima descrita reflete o posicionamento deste julgador quanto ao tema ora examinado e seus fundamentos estão em perfeita consonância com a legislação regente da matéria. Acrescento que os requisitos de liquidez e certeza do crédito são exigências legais para deferimento da homologação da compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 180 9 É de se ressaltar, ainda, que não compete a este relator sanar possíveis erros de preenchimento de PER/DCOMP ou demonstrar que a não homologação da compensação foi equivocada, a uma, porque há comprovação evidente e insofismável nos autos de que o suposto crédito foi alocado a outro débito e, a duas, porque o ônus probatório do direito vindicado é do Recorrente, conforme prevê a legislação1 e de acordo com forte corrente jurisprudencial deste CARF, da qual colaciono, como exemplos, os Acórdãos 3201002.303 e 3001000.312: ACÓRDÃO 3201002.303 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. (...) Recurso Voluntário Negado Acórdão n.º 3001000.312 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. À vista do exposto, o improvimento do recurso impõese. 1 Lei nº 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13888.903160/200962 Acórdão n.º 1002000.605 S1C0T2 Fl. 181 10 Dispositivo Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; que o suposto crédito de R$ 5.234,48 constante do PER/DCOMP de nº 36063.08591.080508.1.7.04 8825 fora integralmente utilizado na quitação de débitos de tributo do código 2362 de período de apuração de 13/12/2005; e, ainda, que o Recorrente não traz elemento de prova capaz de infirmar os fatos aqui narrados, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.727814/2011-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
Proventos de aposentadoria são isentos quando acompanhados de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV.
Numero da decisão: 2001-001.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Proventos de aposentadoria são isentos quando acompanhados de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1202; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.727814/201185 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001001.079 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente ADELAIDE ALVES DA ROCHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. Proventos de aposentadoria são isentos quando acompanhados de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 78 14 /2 01 1- 85 Fl. 60DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, comprovação de doença grave. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre doença grave. A DRJ recusou o laudo fundamentando que o médico não estava bem identificado. Com relação aos rendimentos recebidos do INSS, é de se confirmar que os mesmos se referem a benefício previdenciário em face da documentação acostada ao presente às fls.16/21. Quanto ao outro requisito indispensável à concessão da isenção, é de se informar que, de acordo com os laudos de fls. 11 e 12, a contribuinte é portadora de moléstia discriminada na lei de que trata a isenção ora pleiteada. Não obstante, é de se asseverar que não há como aceitálos porque não identificam a autoridade médica que os emitiu. A DRJ/RJ II, juntou petição em processo de inscrição em dívida, tomados os mesmo argumentos como recurso voluntário do presente processo. Assim se manifestou: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Trata o presente despacho de recurso contra decisão de primeira instância, conforme petição às fls. 03 e 04, protocolada em 03/12/2013 no processo administrativo nº 18470.731980/2013 48 (juntado ao presente feito). O último domicílio declarado pela contribuinte situase na área de atuação da DRF/RJ II. 2. A contribuinte alega ser isenta do recolhimento do IRRF em razão de ser portadora de doença elencada no inciso XIV do art. 6º da Lei 8.112/1988. Alega também que os rendimentos auferidos no anocalendário de 2009 são referentes à pensão e à complementação de pensão recebida em decisão judicial. 3. A pretensão isentiva foi indeferida pelo Acordão 1255.130 da 18ª Turma de DRJ/RJI, sessão de 24/04/2013 (fls. 29/32). O motivo do indeferimento foi: “Quanto ao outro requisito indispensável à concessão da isenção, é de se informar que, de acordo com os laudos de fls. 11 e 12, a contribuinte é portadora discriminada na lei de que trata a isenção ora pleiteada. Não obstante, é de se asseverar que não há como aceitálos porque não identificam a autoridade médica que os emitiu.” 4. No processo administrativo nº 18470.731980/201348 (juntado a este presente processo), a contribuinte, além do recurso contra a decisão de primeira instância, solicita a decorrente revisão do débito inscrito em DAU – inscrição nº 70 1 13 00601208 de 12/09/2013. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 18470.727814/201185 Acórdão n.º 2001001.079 S2C0T1 Fl. 3 3 5. Segundo a petição, os documentos juntados às fls. 12/15 do PA nº 18470.731980/201348, identificariam a médica autora do laudo pericial, exarado pelo Hospital Universitário Pedro Ernesto – serviço médico oficial do Estado do RJ, como sendo DÉBORA FONTENELLE DOS SANTOS, CRM 52499704. Realizouse uma pesquisa ao sítio na internet do Conselho Regional de Medicina, conforme documento juntado à fl. 21 daquele PA. A contribuinte reitera a condição de doente grave, com direito à isenção. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de discussão sobre doença grave. A DRJ recusou o laudo fundamentando que o médico não estava bem identificado. Conforme se verifica no despacho que encaminhou o recurso, a identificação do médico, único fundamento para a recusa do laudo resta suprido. Repetimos o ponto suscitado: 5. Segundo a petição, os documentos juntados às fls. 12/15 do PA nº 18470.731980/201348, identificariam a médica autora do laudo pericial, exarado pelo Hospital Universitário Pedro Ernesto – serviço médico oficial do Estado do RJ, como sendo DÉBORA FONTENELLE DOS SANTOS, CRM 52499704. Realizouse uma pesquisa ao sítio na internet do Conselho Regional de Medicina, conforme documento juntado à fl. 21 daquele PA. Considerando caracterizada a doença prevista, entendemos que faz jus o contribuinte a isenção solicitada, pois o fundamento para a recusa fica superado. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 62DF CARF MF 4 Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.911276/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal, mesmo singelo do pronto de vista procedimental, fundamenta corretamente o ato administrativo em matéria de fato e de direito, possibilitando a compreensão do fato apurado e da aplicação da norma.
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Tendo a instância de piso apreciado a alegação da defesa e exposto na fundamentação do acórdão as razões de fato e de direito que motivaram a decisão, não há lesão ao contraditório ou ao direito de defesa que justifique a nulidade da desta.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE.
A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado. A DIPJ não se presta a tal comprovação por tratar-se de prestação de informações unilateral, que não está sujeita à revisão da Administração por não constituir débitos ou créditos tributários.
Numero da decisão: 1401-003.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal, mesmo singelo do pronto de vista procedimental, fundamenta corretamente o ato administrativo em matéria de fato e de direito, possibilitando a compreensão do fato apurado e da aplicação da norma. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Tendo a instância de piso apreciado a alegação da defesa e exposto na fundamentação do acórdão as razões de fato e de direito que motivaram a decisão, não há lesão ao contraditório ou ao direito de defesa que justifique a nulidade da desta. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE. A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado. A DIPJ não se presta a tal comprovação por tratar-se de prestação de informações unilateral, que não está sujeita à revisão da Administração por não constituir débitos ou créditos tributários.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal, mesmo singelo do pronto de vista procedimental, fundamenta corretamente o ato administrativo em matéria de fato e de direito, possibilitando a compreensão do fato apurado e da aplicação da norma. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Tendo a instância de piso apreciado a alegação da defesa e exposto na fundamentação do acórdão as razões de fato e de direito que motivaram a decisão, não há lesão ao contraditório ou ao direito de defesa que justifique a nulidade da desta. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE. A mera retificação da DCTF após o despacho decisório denegatório, sem a apresentação de escrituração e documentação contábil e fiscal, não é suficiente para comprovar o crédito pleiteado. A DIPJ não se presta a tal comprovação por tratarse de prestação de informações unilateral, que não está sujeita à revisão da Administração por não constituir débitos ou créditos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 12 76 /2 00 9- 22 Fl. 164DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente processo do Despacho Decisório nº 848522232 que negou o pedido de repetição de indébito e não homologou a compensação efetuada pela contribuinte por meio do PER/Dcomp nº 15735.84562.170908.1.3.048209, transmitido em 17/09/2009. Na época dos fatos, a contribuinte apurava o IRPJ na forma do Lucro Real Anual e a repetição de indébito referese a pagamento a maior de IRPJ relativo ao período de apuração encerrado em 31/12/2007, no valor original de R$ 120.656,24. Segundo o PER/Dcomp da contribuinte, o pagamento a maior teria se originado com o recolhimento em DARF da importância de R$ 4.706.653,33 em 31/03/2008, sendo R$ 4.623.431,57 de valor principal e R$ 83.221,76 de juros. No procedimento que redundou no despacho decisório, houve o cotejamento do PER/Dcomp com a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. No procedimento, constatouse que o débito de IRPJ declarado em DCTF era de R$ 4.623.431,57, ou seja, exatamente o valor principal pago. Com o procedimento descrito, não se confirmou o crédito de R$ 120.656,24, pois não teria ocorrido pagamento a maior. O pedido de repetição foi negado e a compensação não foi homologada. A contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório nº 848522232 em 20/10/2009. Em 18/11/2009, retificou a DCTF, reduzindo o débito de IRPJ para R$ 4.502.755,33. Em 19/11/2009, apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que havia cometido um erro na DCTF original e que, diante da retificação do valor do débito, o despacho decisório deveria ser reformado. É de se destacar que o montante do débito de IRPJ declarado na DCTF retificadora é igual ao apurado na DIPJ da contribuinte. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10166.911276/200922 Acórdão n.º 1401003.119 S1C4T1 Fl. 165 3 A manifestação de inconformidade da contribuinte foi julgada improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília por meio do Acórdão nº 0345.379, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2007 PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo sido trazida na manifestação de inconformidade nenhuma prova documental que dê suporte à alegada ocorrência de pagamento a maior, não há reparos a fazer no despacho decisório recorrido. Resumidamente, a DRJ fundamentou sua decisão em dois pontos, a saber: (i) a retificação da DCTF, para os fins que importam ao processo, deveria ter sido efetuada espontaneamente pela contribuinte antes da ciência do despacho decisório; (ii) uma vez que a retificação foi realizada após a ciência do despacho decisório, a contribuinte deveria ter juntado elementos de prova do direito creditório reivindicado, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. A decisão pela improcedência da manifestação de inconformidade foi baseada no fato da contribuinte não ter juntado nenhum elemento de prova, além da própria DIPJ, para fundamentar a retificação da DCTF e, por consequência, seu pleito repetitório. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reitera os argumentos da manifestação de inconformidade e alega que teria ocorrido nulidade do processo por cerceamento da defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Assim, dele tomo conhecimento. Cerceamento de defesa. Preliminarmente, é de se afastar as alegações de cerceamento de defesa. Ao dissertar acerca do amplo direito de defesa constitucionalmente assegurado aos litigantes na ordem jurídica pátria, a contribuinte lança argumentos genéricos e afirma que "não obstante a importância de tais regras, não foi isso, contudo, que se verificou no presente processo administrativo, no qual se decidiu, sem o devido processo legal, pela não compensação do crédito tributário que a recorrente tem". Fl. 166DF CARF MF 4 Embora tenha afirmado que "sem qualquer informação ou oportunidade de reação, a recorrente está sendo cobrada de um débito que deveria ter sido compensado, e não foi por culpa exclusiva da Receita Federal do Brasil", a recorrente não logrou identificar qual(is) o(s) ato(s) que teria(m) maculado seu direito de defesa. Ao revés, vêse que seu direito de defesa foi rigorosamente observado. No procedimento fiscal, embora singelo do ponto de vista procedimental, a descrição dos fatos ocorridos e a aplicação da norma de regência foram claros o suficiente para possibilitar à contribuinte a perfeita compreensão do ato administrativo. Podese constatar pelo simples fato da contribuinte ter sido capaz de identificar que a inconsistência localizavase na contradição entre o pleito repetitório materializado no PER/DComp e o débito declarado em DCTF, que indicava o aproveitamento integral do DARF em questão. Da mesma forma, a decisão da instância de piso enfrentou de maneira suficientemente fundamentada o único argumento trazido pela contribuinte: teria havido um erro na DCTF original e, com a apresentação da declaração retificadora, o despacho decisório deveria ser reformado para reconhecer o direito creditório da contribuinte. A DRJ, diante dos elementos trazidos aos autos, decidiu de forma motivada, aplicando a norma conforme exposto anteriormente. Não se vislumbra no processo qualquer lesão ao contraditório ou prejuízo ao direito de defesa da contribuinte. Portanto, nesse aspecto, voto pela improcedência da alegação de nulidade do processo. Mérito. A questão controvertida é a certeza e liquidez do crédito pedido pela contribuinte e utilizado em compensação, conforme o PER/Dcomp nº 15735.84562.170908.1.3.048209. A contribuinte alega que tem o direito de retificar a DCTF, dentro do prazo decadencial, e que tal retificação, por si só, seria prova suficiente de seu direito creditório, sobretudo neste caso em que o débito declarado na DCTF retificadora equivale ao informado em DIPJ. Entretanto, não lhe assiste razão. Para fundamentar este voto, peço vênia para tomar emprestados os argumentos proferidos pela 2ª Turma da DRJ/Campo Grande, citados na fundamentação do Acórdão nº 1201002.590 da 1ªTO/2ªCâmara/1ª Seção deste Conselho, com relatoria do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado: AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO Postula a interessada direito creditório em tese decorrente de recolhimento indevido ou a maior de estimativa de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. A pretensão não foi acolhida pois, conforme a DCTF apresentada pela empresa, havia correspondência entre o Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10166.911276/200922 Acórdão n.º 1401003.119 S1C4T1 Fl. 166 5 recolhimento e o valor do débito declarado. Por esse viés, inexistiu recolhimento indevido ou a maior. Cientificada do despacho decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, afirmando, em síntese, que o débito não existiria e que apresentou DCTF retificadora. [...] Nenhuma explicação foi apresentada para as retificações e nenhum documento foi trazido para subsidiar as informações prestadas nas declarações, e há evidente contradição entre o conteúdo das declarações retificadoras. Em situações tais como a analisada, o crédito pretendido poderia ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde. Outrossim, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto, com força de Lei, determina em seu art. 16 que a impugnação (manifestação de inconformidade) “mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. No mesmo sentido, a Lei n.º 9.784/99, de aplicação subsidiária ao rito processual do Decreto n.º 70.235/72, estabelece, em seu art. 36, que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, em consonância, ainda, com o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil (CPC), que afirma que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Com efeito, cumpre elucidar ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil (CC), para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos contábeis e fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como prova a mera apresentação de DCTF retificadora, notadamente quando contraditória com outras declarações apresentadas. Nesse sentido tem decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme ementas a seguir transcritas: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Fl. 168DF CARF MF 6 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes,Sessão de 22/05/2013) Assim, na ausência de comprovação do direito creditório em tela, não merece reforma a decisão combatida. Concluise que incumbe à contribuinte apresentar elementos probatórios que demonstrem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Chama atenção o fato da contribuinte não ter juntado, mesmo após a decisão da DRJ, qualquer elemento probatório. Sua pretensão poderia ser provada pela apuração contábil do lucro líquido, ajustado conforme a escrituração fiscal, com suporte nos documentos que está obrigada a manter e a apresentar à fiscalização enquanto não perecer o direito da Fazenda. Também não é de se acolher a DIPJ como elemento probatório que supra a inércia da contribuinte em apresentar a escrituração contábil e fiscal. A DIPJ nada mais é que uma prestação de informações unilateral que sequer está sujeita à revisão por parte da Administração Tributária, posto que não constitui créditos ou débitos tributários. No mérito, portanto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10166.911276/200922 Acórdão n.º 1401003.119 S1C4T1 Fl. 167 7 Conclusão. Conforme a fundamentação, voto pelo afastamento da preliminar de nulidade por cerceamento de defesa e, no mérito, pela improcedência do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12689.000578/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência para verificar o cumprimento dos requisitos da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467/2010, com a redação vigente dada pela Portaria Conjunta RFB/SECEX n.º 1.618/2014. Vencidas as Conselheiras Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Thais de Laurentiis Galkowicz (relatora) que entendiam pela desnecessidade de diligência. Proposta de diligência do Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes feita após a leitura do voto da relatora dando provimento ao Recurso Voluntário. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo, substituído pela conselheira Larissa Nunes Girard.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência para verificar o cumprimento dos requisitos da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467/2010, com a redação vigente dada pela Portaria Conjunta RFB/SECEX n.º 1.618/2014. Vencidas as Conselheiras Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Thais de Laurentiis Galkowicz (relatora) que entendiam pela desnecessidade de diligência. Proposta de diligência do Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes feita após a leitura do voto da relatora dando provimento ao Recurso Voluntário. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo, substituído pela conselheira Larissa Nunes Girard.
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Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência para verificar o cumprimento dos requisitos da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467/2010, com a redação vigente dada pela Portaria Conjunta RFB/SECEX n.º 1.618/2014. Vencidas as Conselheiras Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Thais de Laurentiis Galkowicz (relatora) que entendiam pela desnecessidade de diligência. Proposta de diligência do Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes feita após a leitura do voto da relatora dando provimento ao Recurso Voluntário. Designado o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo, substituído pela conselheira Larissa Nunes Girard. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 26 89 .0 00 57 8/ 20 07 -3 8 Fl. 926DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 927 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Recife/PE, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Tratase de auto de infração lavrado contra Vicunha Têxtil S/A, no qual formulase a exigência de Imposto de Importação, Cofins Importação, PIS/Pasep Importação, totalizando a exigência tributária de R$ 453.579,77, à qual devem ser acrescidos juros de mora e multa de ofício de 75%. Nos termos do Relatório Fiscal, fls. 17 e seguintes, tais exigências decorreriam do inadimplemento parcial dos compromissos de exportação firmados no âmbito dos Atos Concessórios de Drawback, modalidade suspensão, identificados pelos números 2003/0037565 e 2003/0037565. I DA AUTUAÇÃO Inicialmente, discorre a autoridade fiscal sobre a natureza do Regime Aduaneiro de Drawback, destacando a relevância do princípio da Vinculação Física que estabeleceria que os insumos importados com suspensão de tributos devem efetivamente integrar os bens exportados para fins de adimplemento do regime. Fundamenta sua convicção no Parecer Normativo/CST n° 12/79, destacando o seguinte trecho: "... a vinculação no caso de Drawback, é sempre de natureza física, ou seja, o bem importado deve ser obrigatoriamente exportado ou as matérias primas e produtos intermediários importados devem ser totalmente utilizados na industrialização de bens a exportar..." Nesse trilhar, destaca que a empresa beneficiária do Drawback deveria necessariamente manter controles e registros em separado dos estoques de insumos estrangeiros importados sob o manto do regime, bem como controle em separado dos produtos finais produzidos com tais insumos. Acrescenta que, nos termos do art. 179 do CTN, compete à beneficiária o ônus de comprovar o cumprimento de todas as condições e requisitos estabelecidos para fruição do regime. Ressalta que vencido o prazo previsto sem que os compromissos tenham sido adimplidos, caberia à beneficiária providenciar a devolução dos insumos ao exterior, patrocinar sua destruição ou promover sua nacionalização, mediante o pagamentos dos impostos incidentes. A seguir, sintetiza o conteúdo dos atos concessórios objeto de auditoria. Ato Concessório de Drawback n °. 2003/0037565: Fl. 927DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 928 3 Em 26/03/2006, teve início a vigência do referido AC, que autorizou a empresa Vicunha Têxtil S/A, por meio de seu estabelecimento localizado em Simões Filho, a importar 500.000 kg de "DMT — Dimetil Tereftalato", com o compromisso de exportar, até o prazo de 25/03/2005, 500.000 kg dos produtos "Fio 100% Poliester", "Fio 100% Poliéster Texturizado" e "Fio 100% Poliéster com Torção Superior a 50 V/M", numa relação insumo/produto de 1:1. Sob o referido ato concessório foi registrada a DI 03/02463156, em 25/03/2006. 2.2. Ato Concessório do Drawback n °. 2004/0323153: Em 29/12/2004, teve inicio a vigência do AC em epígrafe, por meio do qual o estabelecimento da empresa Vicunha Têxtil S/A localizado em Simões Filho ficou autorizada a importar 500.000 kg de "DMT — Dimetil Tereftalato", com o compromisso de exportar, até o prazo de 29/12/2006, numa relação insumo/produto de 1:1, 500.000 kg dos produtos: "Fio continuo 100% Poliester", "Fio Continuo 100% Poliéster" e "Fio 100% Poliéster". Sob o referido ato concessório foi registrada a DI 03/02463156, em 04/13239459. Informa a autoridade fiscal que, segundo as informações apresentadas pela autuada, o processo produtivo da empresa consiste, resumidamente, na importação do DMT pelo estabelecimento de Simões Filho — BA, onde, combinado com a substância monoetilenoglicol, tais insumos sofreriam tratamentos térmicos, químicos e mecânicos, obtendose polímeros de poliéster. Estes polímeros constituiriamse insumos (identificados como "insumos intermediários" neste relatório) que, transferidos para o estabelecimento industrial da empresa na cidade de Americana — SP, sofreriam outros processos de industrialização (fiação, texturização, estiragem, retorção, etc.), de onde se obtém o produto final (fios de poliéster) para comercialização ou exportação. Com efeito, analisandose a documentação apresentada, verificouse que as exportações vinculadas aos AC objetos da ação fiscal haviam sido efetuadas pelo estabelecimento da empresa localizado no interior do Estado de São Paulo. Relata ainda a autoridade fiscal que, em cumprimento a intimação formulada pela fiscalização, a empresa apresentara notas fiscais de entrada, saída e transferência de produtos (entre o estabelecimento da Bahia e o de São Paulo), bem assim tabelas e arquivos eletrônicos referentes aos registros de controle da produção e de estoque dos produtos fabricados exclusivamente com as matérias primas objeto do regime. Após análise da documentação apresentada, a fiscalização teria identificado dois tipos de irregularidades, a seguir detalhadas. Exportação anterior à produção das mercadorias com a matéria prima importada sob o regime de drawback Analisandose os registros do processo produtivo da matériaprima importada sob o regime, desde Fl. 928DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 929 4 sua entrada em produção na unidade de Simões Filho até a entrada do "insumo intermediário" na unidade de Americana, foi possível verificar que os insumos intermediários fabricados no âmbito do AC 2003/0037565 entram na etapa final do processo produtivo a partir de 02/05/2003. Confrontandose tal conclusão com os REs apresentados para fins de comprovação do adimplemento do regime, verificase que parte deles não seria apta a tal fim, posto que as exportações teriam sido concretizadas entes mesmo da entrada dos insumos intermediários na unidade de Americana. Desse modo, defendeu a fiscalização a glosa dos REs a seguir listados, em razão de restar caracterizado que os bens exportados não teriam sido produzidos com os insumos importados sob o AC 2003/0037565. (...) Exportação de mercadorias produzidas com matériaprima diversa da pertencente ao Ato Concessório No particular, informa a autoridade fiscal que, com base nas tabelas e registros fornecidos pela empresa, seria possível controlar as mercadorias produzidas com insumos importados ao amparo do regime, desde sua entrada na unidade de Simões Filho, passando pela industrialização nessa unidade, a transferência do insumo intermediário para a unidade de Americana e, finalmente, a entrada em produção na fábrica paulista. Acrescenta ainda a autoridade fiscal que, após intimação, a empresa forneceu os dados relativos ao controle de estoque de produtos finais em meio magnético. Nesse trilhar, alega a autoridade fiscal que, cruzandose as informações apresentadas pela contribuinte foi possível identificar os códigos dos produtos finais fabricados com insumos importados sob os atos concessórios em análise, os quais são listados nas tabelas abaixo: (...) Por sua vez, comparandose o rol de produtos listados nas notas fiscais de saída associadas aos REs apresentados para fins de comprovação do adimplemento do regime, a fiscalização identificou códigos de produtos que não se encontravam entre os acima elencados, ou seja, que não poderiam ter sido fabricados com os insumos importados. Por conseguinte, defendeu a fiscalização a glosa dos REs abaixo elencados, em razão de tratarem da exportação de produtos diversos dos fabricados com os insumos importados sob o regime: (...) Observa ainda a autoridade fiscal que, pesquisando os sistema de comércio exterior da RFB, teriam sido localizados três REs vinculados aos ACs em tela e que, caso se constatasse que tais REs diziam respeito a produtos fabricados com os insumos importados, ditas operações seriam consideradas para fins de comprovação do cumprimento do regime. No entanto, recuperandose os dados dos respectivos REs, Fl. 929DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 930 5 restou caracterizado que os produtos ali elencados não se encontravam no rol dos efetivamente produzidos com os insumos importados. A seguir, passa a fiscalização a descrever e quantificar o descumprimento do regime. Descumprimento do Regime Procedidas as glosas acima mencionadas, a fiscalização sintetizou os montantes correspondentes ao adimplemento e inadimplemento do regime, conforme tabela abaixo: (...) Segundo as conclusões da autoridade fiscal, o percentual não cumprido do AC n° 2003/0037565 corresponde a 61,90% e do AC n°2004/0323153 atinge 95,29%. Estes percentuais foram posteriormente utilizados para cálculo dos tributos devidos. Nacionalização Parcial Acrescenta a autoridade fiscal que, no que se refere ao AC n° 2003/0037565, em resposta a intimação fiscal, a autuada apresentou comprovante de recolhimento tributário, realizado através de um DARF de 14/04/2005 (confirmado por consulta ao sistema Sinal), relativo à nacionalização de parte dos produtos importados no referido AC. Nesta operação, o valor total do pagamento foi de R$53.723,61, sendo R$34.471,36 concernentes ao Imposto de Importação, correspondente à 22,3% do imposto suspenso na DI n° 03/02463156, e o restante aos acréscimos legais. Informa ainda que, em 13/12/2006, ou seja, após a instauração da ação fiscal, a empresa VICUNHA TEXTIL formalizou, na Alfândega do Porto de Salvador, o processo n° 12689.002011/200615, relativo à. nacionalização de parte do AC n°2004/032315 3. No requerimento constante deste processo, a empresa informa que haveria 224.449 kg de matériaprima importada (DMT), de um total de 500.000 kg importado neste Ato Concessório, que não havia sido utilizada no cumprimento do regime aduaneiro em pauta, e que deveria ser nacionalizada. Com base nesta apuração, foram recolhidos R$148.957,53 em tributos e contribuições federais e acréscimos legais, sendo R$55.449,70 relativos ao Imposto de Importação, R$35.118,14 relativos à COFINS e R$7.624,33 relativos ao PIS. Cálculo dos Impostos Incidentes e das Penalidades Aplicáveis Inicialmente, observese que a fiscalização reconheceu, sem qualquer ressalva quanto à sua espontaneidade, a íntegra dos pagamentos realizados pela autuada com vistas à nacionalização dos insumos que a própria empresa admitiu não haverem sido empregados na produção de bens destinados ao exterior. Tais valores foram abatidos do montante de impostos incidentes sobre os insumos objeto de glosa. Com relação ao restante do montante glosado, defendeu a autoridade fiscal o lançamento dos impostos incidentes e, ainda, a aplicação da multa de ofício de 75% sobre os impostos e contribuições lançados, nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/96, além da cobrança de juros. Os cálculos procedidos estão sintetizados nas tabelas abaixo: (...) Fl. 930DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 931 6 Os valores totais a recolher, considerados impostos, contribuições multa de ofício e encargos estão a seguir discriminados (...) II DA IMPUGNAÇÃO Regularmente cientificada, comparece a autuada ao processo em 12/06/2007 para impugnar o lançamento. As razões de defesa apresentadas, a seguir sintetizadas, centramse em dois pontos principais: a inaplicabilidade do princípio da Vinculação Física, defendido pela fiscalização, e a desconsideração, pela autuação, do percentual correspondente às perdas do processo produtivo da impugnante. Inicialmente, a impugnante aduz ser a impugnante uma das maiores indústrias têxteis da América Latina, destinando cerca de 30% de sua produção ao mercado externo, o que, por si só, inviabilizaria a comprovação da vinculação física pretendida pela fiscalização. Sustenta que o controle requerido para tal seria impraticável. Alega que, na prática, não seria possível vincularse o insumo X ao produto exportado Y, sendo certo, porém, que os produtos exportados possuem em sua composição o insumo importado. Questiona o método adotado pela fiscalização, baseado em planilhas fornecidas pela impugnante, para deduzir que o insumo importado não integraria os produtos exportados. Para sustentar seu ponto de vista, colaciona jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Argúi que as falhas observadas poderiam, no máximo, ser entendidas como práticas que perturbariam o efetivo controle da Administração Tributária. Discorre sobre a natureza e os objetivos do Regime de Drawback, que visaria incentivar as exportações brasileiras, eliminando do custo final dos produtos o ônus relativos a insumos estrangeiros neles empregados. Por outro lado, alega que restou claro que a impugnante cumpriu todas as exigências legais, comprovando que a parte dos insumos que, de fato, não restara exportada foi devidamente nacionalizada, mediante pagamento dos impostos incidentes na importação comum. Por outro lado, observa que a autoridade fiscal desconsiderou o percentual de perda do processo produtivo da impugnante. Aduz que a própria legislação reconhece e admite um limite de perda de 5%, conforme art. 17 da Portaria Secex n°4/97. Sustenta que a autoridade fiscal não admitira nem ao menos o referido limite, já que as perdas da impugnante seriam superiores, nos termos do laudo técnico apresentado. Por fim, argúi que não haveria previsão legal para imposição da multa de 75%, uma vez que, na hipótese de inadimplemento do regime, conforme regulamentado no art. 319 do Regulamento Aduaneiro, apenas se exigira a adoção de uma das condutas saneadoras da Fl. 931DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 932 7 irregularidade, quais sejam, reexportação, destruição ou nacionalização, mediante recolhimento dos impostos incidentes. Não haveria, pois, no seu entendimento, sanção a ser aplicada. O julgamento da impugnação resultou no Acórdão da DRJ de Recife/PE (fls 806 a 828), cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário: 2003, 2004 DRAWBACK. EXIGÊNCIA DE VINCULAÇÃO FÍSICA ENTRE O INSUMO IMPORTADO E O BEM EXPORTADO. CARACTERIZAÇÃO DE SALDO POSITIVO DE ESTOQUE. LANÇAMENTO PROCEDENTE. A literalidade (ou tipicidade) da norma que estabelece o benefício fiscal inerente ao Drawback vincula inequivocamente o bem importado ao bem exportado, determinando que a própria mercadoria importada deverá ser exportada após beneficiamento ou emprego na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada. Nos termos da legislação em vigor, o importador não tem a faculdade de, por iniciativa própria e sem prévia autorização, promover a compensação de impostos eventualmente incidentes na importação de insumos que integraram produtos exportados, nem a transferência de estoques de insumos importados sob o manto do Drawback Suspensão para outro Ato Concessório (AC) do mesmo regime. Restando caracterizada a ocorrência de saldo de insumos não exportados ao final do prazo concedido em determinado AC, há que se reconhecer a procedência do lançamento. DRAWBACK. PERDAS DO PROCESSO PRODUTIVO. DESCONSIDERAÇÃO DE MONTANTES INFERIORES A 5%. CARACTERIZAÇÃO MEDIANTE LAUDO TÉCNICO. O Regulamento Aduaneiro prevê que perdas no processo produtivo de até 5% podem ser desprezadas para efeito de concessão do Drawback. No caso em tela, havendo laudo técnico que comprove perdas em montante inferior ao limite estabelecido na legislação, cabe desconsiderar a parcela correspondente dos insumos, quando do cálculo dos impostos e contribuições devidos. DRAWBACK. MULTA DE OFÍCIO DE 75% SOBRE OS IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE OS INSUMOS NÃO EXPORTADOS. HIGIDEZ. Deixandose de cumprir um dos requisitos para fruição da isenção, sem que se tenha adotado qualquer providência para a extinção regular do Regime, incide a regra do art. 155 do Código Tributário Nacional. Uma vez devidos os impostos e contribuições incidentes sobre a parcela não exportada, sem que a contribuinte tenha efetuado o seu recolhimento, cabe o lançamento da multa de ofício de 75%. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 933 8 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignado, o Sujeito Passivo recorre a este Conselho por meio de petição de fls 841 a 864, repisando os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Haja vista que, no meu entender, há elementos suficientes nos autos para resolver o mérito do processo administrativo ora sob análise, rejeito a proposta de diligência levantada no Colegiado. Thais De Laurentiis Galkowicz Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Redator Designado. A ilustre Relatora entendeu que haveria elementos suficientes nos autos para resolver o mérito do processo administrativo ora sob análise, e rejeitou a proposta de diligência. Não foi o entendimento do colegiado, que resolveu converter o julgamento em diligência para o esclarecimento de alguns pontos a seguir delimitados. A questão cingese sobre o descumprimento parcial dos compromissos de exportação firmados no âmbito dos Atos Concessórios de Drawback, modalidade suspensão, identificados pelos números 2003/0037565 e 2003/0037565, em especial pelo descumprimento do “princípio da vinculação física”. Tal princípio, inerente ao regime de drawback, determina que os itens importados deverão ser totalmente utilizados na industrialização do produto a ser exportado. A controvérsia relativa à comprovação do adimplemento das condições legais e das condições pactuadas no Ato Concessório do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, especialmente a utilização dos itens importados no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias efetivamente exportadas, denominado de “Princípio da Vinculação Física”, foi objeto de inúmeros estudos doutrinários e de acalorados debates no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De um lado, as Autoridades Fiscais, que sempre defenderam a necessidade de vinculação do insumo, ainda que indireta, no produto exportado; de outro lado, grande parte dos importadores e beneficiários do regime, com fundamento em algum estudo jurídico acerca do tema, defendendo que tal previsão não encontrava amparo legal e representava elevado ônus aos contribuintes. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 934 9 A matéria tornouse ainda mais palpitante, pela possibilidade legal trazida pela Medida Provisória 497/2010, posteriormente convertida na Lei 12.350/2010, de substituição dos insumos importados ou adquiridos no mercado interno, por outros insumos e mercadorias equivalentes. Mas, antes de adentrarmos na inovação legal, cumprenos analisar se tal exigência (vinculação física) fazia (e ainda faz) parte da essência do regime. As legislações de regência do regime já tratavam do tema desde o primeiro ato normativo (Decreto 994/36), e as primeiras regulamentações, veiculadas pelos Decretos 50.485/611 e 53.967/642, expressamente consignavam que o benefício seria aplicável às matériasprimas e aos produtos semimanufaturados utilizados diretamente na fabricação de mercadorias destinadas à exportação, consideradas como uma condição para fruição do benefício. Tal previsão constou do comando do artigo 78 do DecretoLei 37/66, ainda em vigor (grifo nosso): Art. 78. Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: [...]II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; [...] .(grifo nosso) Pela redação do dispositivo legal acima reproduzido, a mercadoria exportada deve ser industrializada (beneficiada, fabricada, complementada ou acondicionada), a partir de mercadorias anteriormente importadas, com total vínculo entre as operações: importação de insumos → industrialização do produto com os insumos importados → exportação dos produtos industrializados com os insumos importados Também consta no texto do artigo 12 da Lei nº 11.945/2009, que trata do Drawback Integrado Suspensão, a previsão da utilização da mercadoria na industrialização de produto a ser exportado, não na simples industrialização de outro produto: Art. 12. A aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria para emprego ou consumo na industrialização de produto a ser exportado poderá ser realizada com suspensão do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação. .(grifo nosso) 1Art. 2º O favor de que trata o presente Regulamento poderá ser aplicado: a) às matériasprimas e produtos semimanufaturas utilizados diretamente na fabricação de mercadorias destinadas à exportação; b) às peças, partes, aparelhos e máquinas, complementares de aparelhos, máquinas, veículos ou equipamentos destinados à exportação; c) às mercadorias destinadas a embalagem, acondicionamento ou apresentação de produtos a serem exportados; [...]. 2“Art. 2º O estímulo de que trata êste Regulamento será aplicado: a) às matérias primas e produtos semimanufaturados utilizados diretamente na fabricação de mercadorias destinadas à exportação; b) às peças, partes, utensílios, dispositivos, aparelhos e máquinas, quando complementares de aparelhos, máquinas, veículos ou equipamentos destinados à exportação; c) às mercadorias ou materiais para utilização em embalagem, acondicionamento ou apresentação de produtos a serem exportados.” Fl. 934DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 935 10 O Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 6.759/2009, tratou da matéria em seu artigo 389: Art. 389. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Entendemos que o princípio da vinculação física é inerente ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback suspensão pelos seguintes fundamentos: (i) princípio da estrita legalidade; (ii) condição para fruição do incentivo; e (iii) adequação ao controle aduaneiro. Claramente a legislação brasileira fez opção pelo “princípio da vinculação física” para o Drawback Suspensão, até a edição da MP 497/2010, devendo ser observado o disposto no artigo 111 do CTN, que impõe a interpretação literal sobre a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, o que é o caso. Destacase que a doutrina majoritariamente trata o regime de drawback suspensão como uma isenção condicionada. Associase a esse fundamento a plena adequação ao controle aduaneiro, de matriz constitucional (art. 237 da CF/88), e a necessidade de se proteger a ordem econômica (arts.170 e 174 da CF/88), especialmente o controle das desonerações tributárias e o combate à concorrência desleal, direcionados também à proteção da sociedade e o equilíbrio no ambiente de negócios. A possibilidade de se desviar mercadorias importadas com benefício para o mercado interno leva a uma redução no custo dessa mercadoria e um ganho concorrencial desproporcional, em desacordo com os objetivos do regime (industrialização e exportação do bem industrializado). Mesmo com a posterior reposição do insumo, o estrago concorrencial já pode ter sido consumado, gerando uma distorção sistemática e completamente alheia aos objetivos legais do regime e constitucionais. Também se destaca que a lei instituidora do regime estabelece, como condição para fruição do benefício, a utilização das mercadorias admitidas com benefício no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Entretanto, tal exigência é alvo de inúmeras críticas baseadas na alegação de que o princípio da vinculação física deve ser substituído pelo princípio da equivalência ou fungibilidade. Alguns autores afirmam que a exigência de vinculação dos insumos importados ao produto exportado oneraria de forma excessiva o custo da operação, podendo até mesmo eliminar o possível ganho com o regime, pois seria necessária a separação física de estoques. Entendemos que tal argumento não pode prevalecer. Em nenhum ato normativo consta a exigência de separação física de estoque. O devido controle pode e deve ser feito de forma escritural. Para tanto, já existe, há muito tempo, a previsão obrigatória de escrituração do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque – livro modelo 3. Não se trata de nenhuma nova exigência para o controle do drawback, mas uma obrigação acessória prevista pela legislação do IPI. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 936 11 Nenhum problema há em se misturar os estoques de insumos adquiridos com o benefício de drawback e aqueles adquiridos sem o benefício, desde que devidamente registrados no livro modelo 3. A apuração do efetivo consumo dos insumos na produção dos itens a serem exportados deve ser feita considerando o critério contábil de ordem “primeiro que entra, primeiro que sai (PEPS)"3. Com a edição da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 1.618/2014, que alterou a redação da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467/2010, passouse a não mais se exigir controles segregados de estoque, sem prejuízo dos controles contábeis previstos na legislação. Os controles fiscais, como, por exemplo, o livro modelo 3, continuam obrigatórios pela legislação do IPI. Tal alteração em nada prejudica o controle do regime, visto que em um mesmo código de insumo/produto, pelo critério PEPS, pode ser apurado o consumo de cada item vinculado a determinada ordem de produção. Assim, é possível a comprovação de que tal insumo, em determinada data, foi utilizado na produção de determinado item, em determinada data, possibilitando o pleno controle do Regime de Drawback. Destarte, o princípio da vinculação física no Drawback Suspensão estava fixado na legislação, conforme acima demonstrado, até que a questão foi objeto de alteração legislativa, com a edição da Lei nº 12.350/2010 (conversão da MP 497 de 17/07/2010), cujo art. 32 deu nova redação ao art. 17 da Lei nº 11.774/2008, passando a prever de forma expressa a equivalência, ou seja, a possibilidade de substituição dos insumos importados ao amparo do Drawback Suspensão, por outros produtos nacionais ou importados: Art. 32 (deu nova redação ao art.17 da Lei nº 11.774/2008) “Art. 17 Para efeitos de adimplemento do compromisso e exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. § 2º A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo” (NR) O dispositivo legal acima é claro ao determinar a regulamentação, em ato conjunto da Secretaria da Receita Federal do Brasil e da Secretaria de Comércio Exterior, dos termos, limites e condições para a substituição de produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão de pagamento de tributos, por insumos similares, adquiridos sem o benefício. Interpretase, portanto, que, até a edição da Medida Provisória nº 497, de 17/07/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, a legislação brasileira fez clara opção pela vinculação física para o Drawback Suspensão, e que a possibilidade de substituição dos itens 3Embora já utilizada há tempos no controle e apuração do drawback, tal previsão constou expressamente na Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 1.618/2014. “Art. 6ºA Para fins de fiscalização do cumprimento do compromisso de exportação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) levará em consideração as operações cursadas ao amparo do regime segundo o critério contábil de ordem primeiro que entra, primeiro que sai (PEPS)”. Fl. 936DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 937 12 importados por equivalentes somente poderia ser aplicada após a edição de ato regulamentar do Poder Executivo. Não houve a delegação a ato infralegal da possibilidade de se inovar na hipótese isentiva. A previsão legal trazida pelo artigo 78 do DecretoLei 37/66 e pela Lei 11.945/2009 continua plenamente válida: a isenção, condicionada à industrialização de produto a ser exportado com os insumos importados ou adquiridos no mercado interno com o benefício. Essa é a regra geral plenamente em vigor. O que a Lei 12.350/2010 trouxe foi uma situação excepcional, para fins de comprovação daquele compromisso de exportar, que foi condicionada ao atendimento dos critérios estabelecidos pelo Poder Executivo, dentro de sua competência regulamentar, atendendo à necessidade de controle das operações, e a definição do que seria “mercadoria equivalente” para fins de adimplemento do regime. Atendendo ao previsto no dispositivo legal, ainda que com um considerável atraso, a Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior editaram a Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 1.618, de 2 de setembro de 2014, que alterou a redação da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467/2010, que “disciplina o regime especial de Drawback Integrado, que suspende o pagamento dos tributos que especifica”4. Não se trata de uma inovação infralegal, restringindo uma hipótese legal, mas de uma regulamentação prevista na própria lei, de forma a esclarecer seu conteúdo, alcance e medidas de controle. O núcleo da norma de isenção continua intacto, mesmo aquela possibilidade excepcional de se aceitar a equivalência para fins de adimplemento no regime. A regulamentação deu a dimensão para se considerar como equivalente o produto, de mesma espécie e qualidade, evitando interpretações distorcidas, dando uma segurança jurídica ao regime. Quanto ao limite determinado pela norma, o Poder Executivo foi muito condescendente com os operadores, fixando apenas o limite quantitativo, considerando aquele definido pelo regime (Ato Concessório). Nenhum limite temporal foi imposto, ainda que necessário ao pleno controle do regime, que poderia evitar distorções concorrenciais temporais, como por exemplo, a oscilação de preços internos ocasionados por safras (e entressafras) agrícolas. Quanto às condições, que preferimos denominar de critérios, houve distinção para as mercadorias idênticas e as mercadorias equivalentes: (I) serão consideradas como idênticas, para fins de substituição no produto exportado, aquelas mercadorias iguais em tudo, ou seja, em suas características físicas, qualidades e reputação comercial, admitidas pequenas diferenças na aparência; (II) serão consideradas como equivalentes, (II.1) aquelas classificadas no mesmo código da NCM, (II.2) aquelas que realizarem as mesmas funções, (II.3) aquelas obtidas a partir dos mesmos materiais, (II.4) aquelas comercializadas a preços equivalentes, e (II.5) aquelas com as mesmas especificações, que as tornem aptas ao emprego ou consumo na industrialização de produto final exportado informado. Destacase que os critérios são cumulativos, ou seja, para considerar a mercadoria como equivalente, ela deve observar todos os critérios definidos na norma. 4 Assim dispõe o artigo 5º da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467/2010, incluído pela Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 1.618, de 2 de setembro de 2014: Art. 5ºA Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação no regime de que trata o art. 1º, as mercadorias importadas ou adquiridas no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídas por outras, idênticas ou equivalentes, nacionais ou importadas, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importadas ou adquiridas no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 12689.000578/200738 Resolução nº 3402001.790 S3C4T2 Fl. 938 13 Destacase que, no critério de preços equivalentes, a Portaria permite o desconto da variação cambial e a possibilidade de desconsiderar alterações no preço da mercadoria de até cinco por cento em relação ao valor das mercadorias originalmente adquiridas no mercado interno ou importadas. Tal comparação de preços deve ser feita confrontando o valor de aquisição da mercadoria equivalente (sem benefício do drawback) e o valor da mercadoria originalmente adquirida no mercado interno ou importada (com benefício do drawback), excluindo o valor dos tributos e contribuições incidentes sobre a aquisição (ICMS, IPI, PIS e COFINS), e a variação cambial, de forma a comparar os preços na mesma base. Portanto, em caso de descumprimento dos critérios estabelecidos pela norma, para fins de se considerar a mercadoria como idêntica ou equivalente, a operação é desconfigurada como hipótese excepcional (equivalência) , voltando à regra geral (vinculação física). Importante destacar a possibilidade de aplicação retroativa de tais dispositivos. Ainda que a Portaria tenha determinado que sua aplicação retrocederia à data da edição da Medida Provisória 497/2010 (28 de julho de 2010), desde que atendidas as condições estipuladas, entendemos que, para fatos ocorridos anteriormente à referida data, em autos de infração ainda não definitivamente julgados, aplicarseia a retroatividade benigna prevista no inciso II, art. 106 do CTN, por se tratar de ato não definitivamente julgado que deixou de definilo como infração. Destacase que é imperativa, para a retroação, a efetiva comprovação do atendimento dos critérios estabelecidos na Portaria, por parte do beneficiário. Dessa forma, o colegiado resolveu converter o presente julgamento em diligência a repartição de origem, para verificar o cumprimento, por parte da beneficiária do drawback, dos requisitos enumerados no artigo 5º da Portaria Conjunta RFB/SECEX nº 467/2010, com a redação vigente dada pela Portaria Conjunta RFB/SECEX n.º 1.618/2014. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É o voto vencedor. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 938DF CARF MF
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