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Numero do processo: 14485.001513/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS RECURSO INTEMPESTIVO NÃO CONHECIDO
É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso,
respectivamente, conforme descrito no art. 56 do Decreto 70.235/1972.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-002.340
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Relatório A presente NFLD, lavrado sob n. 35.744.7328, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo do segurados, da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e a destinada aos Terceiros, levantadas a título de responsabilidade solidária pela mão de obra utilizada por trabalhadores em cessão de mão de obra na competência 12/1998. Durante o procedimento fiscal, no exame dos registros contábeis a fiscalização verificou que a empresa, no período mencionado, contratou os serviços de trabalhadores no seu estabelecimento, mais especificamente da prestadora L&T Empreiteira dc MO S/C Ltda., CNPJ 71.741.623/000163; tendo sido lançado o presente debito, em razão de não terem sido apresentados, pela empresa contratante as cópias autenticadas das Guias de Recolhimento quitadas (GRPS) e respectivas Folhas de Pagamento específicas conforme dispunha o artigo 31 e parágrafos da Lei N° 8.212/9l. Os valores foram apurados de acordo com os dados lançados no Razão e em notas fiscais e faturas disponibilizados pelo contribuinte. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 15/10/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo responsável solidário ocorreu no dia 21/10/2004. Considerando que o prestador de serviços não havia ido cientificado, foi providenciada sua notificação em 09/12/2004 Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 30 a 47. Informa a DRFB, fl. 59, que tendo em vista que o AR retomou dos correios sem o comprovante de recebimento por parte da empresa solidária (fls. 28), sugerimos o encaminhamento do presente processo ao Serviço de Fiscalização 21.404.2, para que seja providenciado novo envio da Notificação aos coresponsáveis. A Decisão de 1ª instância confirmou a procedência do lançamento, fls. 66 a 80. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 91 a 115 . Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Ausência de fiscalização da empresa contratada: Afirma ser um imprescindível a fiscalização do outro responsável que é o sujeito passivo da relação e pode já ter efetuado o recolhimento do valor lançado. 2. Necessária conversão do julgamento em diligências: Alega que em decorrência da ausência de averiguação pela fiscalização da regularidade fiscal da empresa contratada pela Impugnante para a prestação de serviços, requer a realização de diligência para verificar a existência do crédito, nos termos do art. 9o , inciso IV e. 11 da Portaria n. 520/04. A DRFB encaminhou o processo para julgamento. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14485.001513/200721 Acórdão n.º 240102.340 S2C4T1 Fl. 2 3 3. Necessidade de verificação da natureza dos serviços prestados: Diz que é necessária a realização de diligência para verificação da natureza dos serviços prestados. 4. Inaplicabilidade da Taxa SELIC: Alega que embora o parágrafo 1 o do art 161 do CTN contemplar a hipótese de lei dispor de modo contrário à alíquota de 1% dos juros de mora, tal permissão não implica em que a taxa de juros possa ultrapassar o percentual de 1% ao mês, posto que o item "a" do art 4 o da lei n° 1.521/51 proíbe a cobrança de juros superiores à taxa permitida em lei, sob pena de cometimento do crime de usura pecuniária. Cita a vedação imposta pela CF/88 .expressa em seu § 3o, art 195, à cobrança de taxa de juros acima de 1 % ao mês para operações de crédito. 5. Inexistência da responsabilidade tributária apontada: Imputou, injustamente, pelos argumentos que entendeu cabíveis, a responsabilidade aos sócios e responsáveis da notificada pelo presente lançamento; ' 10. Do Pedido: 6. Requer seja convertido o julgamento em diligências, anulado o presente lançamento ou, subsidiariamente, excluída a aplicação da taxa SELIC e os sócios e demais responsáveis como corresponsáveis. O recorrente manifestouse às 124, considerando ter requerido cópia do processo onde restou descrita a intempestividade do mesmo. Em sua manifestação requer o recorrente seja afastada a intempestividade do recurso uma vez que o AR com a Decisão de 1 instância foi recebida por pessoa incompetente, senão vejamos: Todavia, quando da intimação por Aviso de Recebimento AR, esta não se deu na pessoa de um dos representantes legais devidamente constituídos nos autos do processo administrativo em tela pela Requerente, mas sim na pessoa de um vigia, que não t em autonomia nem poderes para receber correspondências, o Sr. Milton Salvador, de modo que a Requerente teve efetiva e eficaz intimação somente quando da chegada de referido documento às mãos de um dos seus representantes legais, o que aconteceu alguns dias depois da assinatura do "AR" pelo citado vigia. Logo, o prazo para interposição de recurso somente se iniciou corretamente a partir desta efetiva ciência. I Neste sentido, inexistiu a regular notificação da decisão proferida no auto de infração, visto que a pessoa a qual foi entregue o aviso de recebimento não tem poderes para representar a empresa perante o Fisco, não possuindo[ nenhum conhecimento a respeito da relevância da comunicação fiscal então efetuada, de maneira que o cômputo do prazo para apresentação do recurso não pode ser de forma alguma realizado a partir do aludido recebimento postal. i I Evidente, pois, que deve ser afastado qualquer entendimento equivocado de que o Recurso ofertado teria sido intempestivo. Ora, ao se entender e proceder desta forma, a conclusão não será outra senão a de cercear injusta I e indevidamente o direito de defesa da ora Requerente de ver o seu Recurso processado e apreciado pelo Egrégio Conselho de Recursos da Previdência^Social. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Nesse sentido, conforme disposto no artigo 1022 combinado com o artigo 1018, ambos do Novo Código Civil, as sociedades são representadas pelos seus i respectivos sócios, os quais a obrigarão perante terceiros, exceto na existência de procuradores com poderes expressamente concedidos pelos sócios: É fundamental atentar para o fato de que o "AR" não foi entregue nem sequer a um porteiro, auxiliar de escritório ou secretária. A o contrário, o documento foi recebido por um vigia semialfabetizado, que se limita a olhar os 'carros estacionados no local de entrega dos "AR's", no sentido de evitar furtos e roubos numa cidade massacrada pela violência, como São Paulo. Nesse sentido, não se trata nem mesmo de uma recepcionista ou de alguém responsável pela portaria. Tratase de pessoa não habilitada para dar eficácia ao ato de receber intimações pela Requerente, haja vista que, pelas funções que desempenha e pelo grau de instrução que possui, não pode jamais criar obrigações da Requerente perante terceiros e muito menos perante a fiscalização previdenciária, cuja atuação se reveste de muita responsabilidade não só para si como para com as pessoas físicas e jurídicas deste País. O recorrente foi cientificado do termo de Transito em Julgado, porém apresentou petição no sentido de que o recurso fosse encaminhado ao CRPS, para que o presidente da câmara do CRPS, a qual seja distribuído o processo, manifestese acerca da validade do direito então vindicado pelo contribuinte, qual seja, afastase a intempestividade do recurso, pela razões trazidas em momento posterior Foram apresentadas contrarrazões, fls. 151 a 152, ratificando o posicionamento acerca da intempestividade do recurso. O processo foi apreciado inicialmente pelo Conselheiro Daniel Ayres Kalume Reis na 4 Câmara do CRPS, porém entendo aquele conselheiro converter o julgamento em diligência considerando tratarse de responsabilidade solidária, nos seguintes termos: O entendimento desta Colenda 4a Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, nos casos de solidariedade, é determinar a baixa dos autos em diligência, para que a fiscalização informe se o Prestador de Serviços já foj submetido a alguma espécie de fiscalização total (com contabilidade), se há lançamentos referentes ao período considerado no Tomador, se aderiu a parcelamentos especiais e se tem CND de baixa já emitida. Mencionado procedimento visa aferir se efetivamente há obrigação inadimplida ou não com o Fisco, para depois o Julgador poder concluir com segurança os fatos alegados na presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que o AFPS responda às indagações acima, e, após tais diligências, em observância ao contraditório e à ampla defesa, seja intimado o Recorrente de Fl. 219DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14485.001513/200721 Acórdão n.º 240102.340 S2C4T1 Fl. 3 5 seu resultado, dandolhe prazo de 10 dias para, caso queira, se manifestar. Restou cumprida a diligência conforme fls. 169, tendo o recorrente sido devidamente cientificado, inclusive se manifestado às fls. 174. É o Relatório. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 Voto Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Em que pese ter o Conselheiro Daniel Ayres, convertido o julgamento em diligência para verificação de fiscalização na prestadora de serviços, entendo que exista um primeiro ponto a ser apreciado. O fato a ser discutido diz respeito a tempestividade do recurso, alegando o recorrente, que a entrega da Decisão de 1 instância a pessoa incompetente, qual seja o vigia da empresa, o que resultou do não conhecimento imediato pelo responsáveis da empresa, deve ser considerado pelos julgadores para afastar a intempestividade do recurso. Quanto a este ponto, entendo que estando o endereço descrito no AR correto, irrelevante o fato do mesmo ter sido recebido por vigia, ou qualquer outro responsável da empresa, já que a legislação abraça a possibilidade do encaminhamento de NFLD, AI e decisões, dele resultantes, em meio postal. Neste sentido, também encaminhase as decisões desse conselho, uma vez que editada a súmula Ainda com relação ao encaminhamento do AI ou NFLD por via postal assim, manifestasse esse Conselho, por meio da súmula n. 9, aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes, com os correspondentes acórdãos paradigmas, enfatizandose as súmulas vinculantes, aprovadas pela Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assim, após afastar o argumento do recorrente de que a cientificação deuse em pessoa incompetente, conforme reza a própria súmula acima decrita. APRECIAÇÃO DA TEMPESTIVIDADE O recurso foi interposto intempestivamente. De acordo com o recibo de cientificação pessoal, redigido pelo próprio responsável pela associação, o mesmo foi cientificado, recebendo cópia do acordão, no dia 31/10/2005, conforme documento acostado a fl. 85 a 89. Assim, considerandose o dia 31 de outubro como data da cientificação, e que o prazo para interposição do recurso era de 30 dias, bem como que na contagem é excluído o dia de início, o prazo venceria em 30/11/2005. A notificada interpôs o recurso no dia 01/12/2005, fl. 91, portanto fora do prazo normativo. Assim, dispõe o art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Fl. 221DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 14485.001513/200721 Acórdão n.º 240102.340 S2C4T1 Fl. 4 7 Dos Recursos Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729/03). Contudo, considerando a data da lavratura da NFLD devemos ter em mente a legislação vigente à época, qual seja o art. 21, II do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, que dispõe acerca da competência do Conselho de Contribuintes para julgar os processos de competência do CRPS . Art. 21. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: II às Quinta e Sexta Câmaras, os relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e contribuições devidas a terceiros. No mesmo sentido a Portaria MF nº 147/2007, dispõe acerca da transferência dos processos pendentes de julgamento do CRPS para o Conselho de Contribuintes: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso no uso das atribuições previstas no art. 87, parágrafo único, incisos II e IV, da Constituição Federal, no art. 4º do Decreto n.º 4.395, de 27 de setembro de 2002, e tendo em vista o disposto nos arts. 25, 27, 29, 30 e 31 da Lei n.º 11.457, de 16 de março de 2007 e no art. 4º do Decreto n.º 5.136, de 7 de julho de 2004, resolve: Art. 5º Ficam instaladas a Quinta e Sexta Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes. §1º No prazo de 30 (trinta) dias da data da publicação desta Portaria, os processos administrativofiscais referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei n.º 11.457/2007 que se encontrarem no Conselho de Recursos da Previdência Social serão encaminhados ao Segundo Conselho de Contribuintes e distribuídos por sorteio para a Quinta e Sexta Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes, ou, se cabível, à Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §2º Aplicase o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social (RICRPS), aprovado pela Portaria do Ministro da Previdência Social n. o 88, de 22 de janeiro de 2004 aos recursos interpostos até o termo final do prazo fixado no §1º, Fl. 222DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 nos processos administrativofiscais em trâmite no Conselho de Recursos da Previdência Social. §3º Os julgamentos e atos processuais pendentes nos processos referidos no §1º serão regulados pelo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao contrário do que encaminhou o Conselheiro anterior, entendo que nem mesmo competiria a conversão do julgamento em diligência Em sendo intempestivo o recurso, e não tendo sido demonstrado nos autos nenhum fato que impedisse o requerente de interpor recurso na data estabelecida, julgo por não conhecer do recurso. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude da intempestividade do mesmo. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 223DF CARF MF Impresso em 16/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 15/04/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15471.000855/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 1999
OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE IMPEDITIVA À OPÇÃO RELACIONADA NO REQUERIMENTO DE EMPRESÁRIO.
É caracterizador do elemento da empresa a declaração da atividadefim,
assim como a prática de atos empresariais. O objeto social informado no
Requerimento de Empresário, devidamente registrado na Junta Comercial, é
prova bastante por si só para efeito de certificação da atividade econômica
explorada, incumbindo à parte interessada, seja a própria empresa ou o Fisco, descaracterizar o registro. Em se tratando de inclusão retroativa, o interesse é da pessoa jurídica, daí porque cabe a ela demonstrar que não incorre em nenhum tipo de vedação à opção por esse sistema.
Numero da decisão: 1102-000.713
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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SALGADO AGENCIAMENTO COMISSIONADO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 1999 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE IMPEDITIVA À OPÇÃO RELACIONADA NO REQUERIMENTO DE EMPRESÁRIO. É caracterizador do elemento da empresa a declaração da atividadefim, assim como a prática de atos empresariais. O objeto social informado no Requerimento de Empresário, devidamente registrado na Junta Comercial, é prova bastante por si só para efeito de certificação da atividade econômica explorada, incumbindo à parte interessada, seja a própria empresa ou o Fisco, descaracterizar o registro. Em se tratando de inclusão retroativa, o interesse é da pessoa jurídica, daí porque cabe a ela demonstrar que não incorre em nenhum tipo de vedação à opção por esse sistema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Plínio Rodrigues Lima, e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15471.000855/200916 Acórdão n.º 110200.713 S1C1T2 Fl. 54 2 Relatório Tratase de recurso contra decisão da autoridade julgadora de primeira instância que considerou improcedente a inconformidade da contribuinte com o Termo de Indeferimento da Opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional. Consta do referido Termo, às fls. 14, que a opção pelo Simples Nacional foi indeferida em razão dos seguintes eventos: “ Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art.17, inciso V. Atividade econômica vedada: 79121/00 Operadores turísticos Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art.17, inciso XI.” Em data anterior à própria expedição do referido Termo de Indeferimento da Opção, que se deu somente em 10.12.2009, o contribuinte já havia protocolado solicitação de reintegração ao sistema, baseandose nas informações contidas no “Acompanhamento do Resultado da Solicitação de Opção” (fl.03), datado de 20/02/2009, no qual estavam relacionadas as pendências impeditivas ao ingresso da interessada no regime em questão, descritas exatamente nos mesmos termos acima transcritos. Na mencionada solicitação, recebida pela autoridade julgadora de primeira instância como manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, em síntese, que: a) não exerce nenhuma atividade impeditivas do Simples Nacional, conforme se verifica em sua Declaração de Firma Individual (fls.02), desconhecendo como as atividades 79121/00 (Operadores turísticos) e 79902/00 (Serviços de reservas e outros serviços de turismo não especificados anteriormente) vieram a constar no seu CNPJ; b) já foram providenciados os pagamentos relativos aos débitos apresentados. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 considerou insubsistente a acusação relativa aos débitos, ante a falta de discriminação da espécie, valor, e período de apuração dos supostos débitos em questão, mas julgou improcedente a manifestação de inconformidade por conta da existência de atividade vedada. Isto porque, em que pese tenha sido efetuada alteração cadastral no CNPJ em 12/01/2010 para excluir a atividade CNAE 79121/00 – “Operadores turísticos”, impeditiva ao Simples Nacional, e incluir a atividade CNAE 49302/01 – “Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, municipal”, não impeditiva, consta no seu Requerimento de Empresário, registrado na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 03/12/2004, a atividade de “agenciamento de transporte”, cujo código CNAE 52508/03 está relacionado no Anexo I da Resolução CGSN nº 06/2007 como atividade impeditiva à opção pelo Simples Nacional. O Acórdão está assim ementado: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15471.000855/200916 Acórdão n.º 110200.713 S1C1T2 Fl. 55 3 “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 OPÇÃO PELO SIMPLES. ATIVIDADE DESCRITA PELO CÓDIGO CNAE. ATIVIDADE RELACIONADA NO REQUERIMENTO DE EMPRESÁRIO. PREVALÊNCIA. O objeto social, para efeito de certificação da atividade econômica explorada, prevalece sobre o CNAE. Assim, se a atividade relacionada no Requerimento de Empresário, devidamente registrado na Junta Comercial, estiver relacionada no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007, o ingresso da pessoa jurídica (empresário individual) no Simples Nacional será vedado. COMUNICAÇÃO DO TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES. IMPRECISÃO. INEFICÁCIA. O Termo de Indeferimento do Simples Nacional é ineficaz em relação à ocorrência que apresenta imprecisão na sua motivação.” Cientificada desta decisão em 03.03.2010, conforme AR de fls. 44, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 01.04.2010, fls. 49 a 50, no qual, em síntese, reprisa os argumentos expostos por ocasião da inicial. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de pedido de inclusão no Simples Nacional, formalizado em 10.02.2009, o qual foi indeferido por dois motivos: existência de débito com exigibilidade não suspensa, e de atividade vedada ao ingresso no referido regime. A decisão de primeira instância já rejeitou o motivo do indeferimento atinente aos supostos débitos, não existindo recurso de ofício a este respeito, nem sequer previsão de sua interposição, haja vista não haver crédito tributário em litígio. Assim, não há razão para analisar os argumentos recursais a este respeito. Nos termos da Lei Complementar nº 123/2006, art. 16, a opção pelo Simples Nacional deve ser realizada até o último dia útil do mês de janeiro de cada ano, produzindo assim os seus efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção. Deste modo, quaisquer pendências detectadas que impeçam a pessoa jurídica de ingressar no Simples Nacional devem ser solucionadas até aquela data. Contudo, o Comitê Gestor do Simples Nacional, por meio da Resolução do CGSN nº 54, de 29.01.2009, prorrogou o prazo para adesão ao regime, em 2009, para o dia 20 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15471.000855/200916 Acórdão n.º 110200.713 S1C1T2 Fl. 56 4 de fevereiro de 2009, sendo este então o prazo fatal para a regularização das pendências a ser considerado no presente caso. A recorrente já estava ciente de que a sua opção não poderia ser deferida em razão da existência de atividade vedada constante dos registros cadastrais disponíveis na RFB, os quais tem por base informações por ela mesma prestadas acerca de suas atividades. O cartão do CNPJ anexo pela recorrente aos autos (fls. 04), emitido no dia 10.02.2009, aponta como uma de suas atividades a de “Operadores turísticos” (CNAE 79121/00), a qual é impeditiva ao Simples Nacional, sendo que somente em 12.01.2010 procedeu a recorrente à alteração cadastral para excluir a referida atividade do rol daquelas por ela desempenhada. Em se tratando de pedido de inclusão com efeitos retroativos, o interesse é da pessoa jurídica, donde é seu o ônus na constituição do direito que alega. Desde a sua defesa inicial, sua alegação é a de que exerceria exclusivamente a atividade de Agência de Viagens e Turismo. Entretanto, não trouxe aos autos nenhum elemento de comprovação de que esta tenha sido sua exclusiva atividade, aliás, nem mesmo de que esta tenha sido uma de suas atividades, posto que nenhum documento fiscal por ela emitida foi juntado aos autos, não tendo assim ela sequer desconstituído a informação, por ela mesma prestada à RFB, de que seria “operadora turística”. Em sentido contrário, os poucos elementos juntados aos autos em nada favorecem a tese de defesa por ela apresentada. Em primeiro lugar, porque, na mesma alteração cadastral levada a efeito em 12.01.2010, na qual foram excluídas as atividades 79121/00 (Operadores turísticos) e 7990 2/00 (Serviços de reservas e outros serviços de turismo não especificados anteriormente), foi também incluída a atividade 49302/01 – “Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, municipal”. Em que pese esta última atividade citada não constitua vedação ao ingresso no Simples, a sua inclusão não corrobora a alegação de que exerceria exclusivamente a atividade de Agência de Viagens e Turismo. Em segundo, mais relevantes são as informações colhidas no seu Requerimento [de registro] de Empresário, anexo às fls. 09. Conforme bem pontuou a decisão recorrida, o contrato social de uma empresa representa o entendimento dos sócios quanto aos seus direitos e deveres com vistas à realização do objeto da sociedade. O arquivamento dos atos constitutivos da sociedade deve darse perante o Registro Público de Empresas Mercantis, se ela tiver por objeto atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços, ou no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, se não exercer tal atividade. No caso do Empresário (cfe. art. 966 do Código Civil: “quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços”), este é obrigado, nos termos do artigo 967 do mesmo Código Civil, a efetuar a sua inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis, a cargo das Juntas Comerciais. Essa inscrição é efetuada por meio de requerimento, no qual deve constar, entre outros dados, a descrição do seu objeto social (artigo 968 do Código Civil). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 15471.000855/200916 Acórdão n.º 110200.713 S1C1T2 Fl. 57 5 Assim, o contrato social, no caso de sociedade empresária, ou o Requerimento de Empresário, no caso concreto, especialmente no que atine ao objeto social, é o documento que se tem por mais próximo aos fins a que o Contribuinte se dedica. Isto porque se trata de instrumento levado a registro público em órgão incumbido justamente da guarda e publicidade dos atos empresariais, sendo de se ressaltar, ainda, que estes órgãos (Juntas Comerciais) são terceiros absolutamente desinteressados que se colocam entre a Secretaria da Receita Federal do Brasil e o próprio contribuinte, circunstância esta que atribui mais força probatória aos atos ali levados a registro. Em síntese, entendo que a atividade econômica inserida no contrato social de uma sociedade empresária é prova bastante por si só, incumbindo à parte interessada, seja a própria empresa ou o Fisco, descaracterizar o registro. E, conforme já dito alhures, em se tratando de inclusão retroativa, o interesse é da pessoa jurídica, daí porque cabe a ela demonstrar que não incorre em nenhum tipo de vedação à opção por esse sistema. Uma vez que o Requerimento de Empresário, protocolado em 26.11.2004, indica como um dos objetos sociais da pessoa jurídica o Agenciamento de Cargas (CNAE 52508/03), está ela impedida também por este motivo de ingressar no Simples Nacional, conforme bem pontuou a autoridade julgadora a quo, sendo que, novamente, nenhuma prova de que não praticasse tal atividade foi apresentada. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10715.002407/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006
PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA.
A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-000.938
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a
preliminar de nulidade. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos
termos do voto da relatora.
Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA. A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.002407/201059 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201000.938 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2012 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente AEROLINEAS ARGENTINA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA. A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar de nulidade. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. EDITADO EM: 31/03/2012 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “O presente processo trata da exigência do valor de R$ 65.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 09, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em novembro de 2006 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE’s listadas no demonstrativo “AUTO DE INFRAÇÃO nº 0717700/00/00177/10”, descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/1994, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 13 a 29, acompanhada dos documentos de fls. 30 a 53, para aduzir, em apertada síntese, que: (i) a equivocada fundamentação legal da penalidade aplicada torna nulo o auto de infração, conforme se depreende do inciso IV do artigo 10 combinado com o inciso II do artigo 59, ambos do Decreto 70.235/1972, eis que cerceia o direito de defesa da impugnante, uma vez que a multa não corresponde à infração supostamente praticada; (ii) as mercadorias embarcadas nos dias 02.11.2006, 13.11.2006 e 14.11.2006 foram informadas tempestivamente no Siscomex, conforme disposição contida na Solução de Consulta 215, de 16.08.2004; (iii) diversas datas de embarque de mercadorias nas aeronaves da impugnante corresponderam a sextasfeiras, sábados e domingos ou vésperas de feriado, mas que por razões econômicas não é viável a Fl. 143DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.002407/201059 Acórdão n.º 3201000.938 S3C2T1 Fl. 2 3 manutenção de pessoal especializado da impugnante para realizar atividades operacionais exclusivas no Siscomex; (iv) a penalidade, da forma como aplicada no caso vertente, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, pois o valor da multa não se altera, independentemente do quantitativo de registros informados intempestivamente, também porque seu valor é muitas vezes superior ao da multa por embaraço à fiscalização, cuja aplicação depende do valor aduaneiro da mercadoria e do caráter doloso, enquanto que o pequeno atraso na inclusão das informações no Siscomex não causa qualquer prejuízo à fiscalização; (v) o artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37/1966 não se aplica ao caso sob exame eis que a impugnante inseriu absolutamente todos os dados de embarque das mercadorias no Siscomex, conforme determinado pela Receita Federal; (vi) até o ano de 2008 o Siscomex Exportação registrava as averbações tempestivamente realizadas com novas, logo, em caso de qualquer divergência que impedisse a averbação automática, as empresas aéreas tinham que excluir a informação equivocada para posteriormente incluir a correta, porém, para fins de contagem de prazo, o Siscomex levava em consideração a data da inserção da informação correta. Por todo exposto, requer seja acolhida a presente defesa e, por conseguinte, declarada a nulidade do auto de infração, bem como a desconstituição do crédito tributário apurado.” O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0724.953, de 17/06/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. A lei tributária, em sentido amplo, que comina penalidade aplicase a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA EXAME. A relevação de penalidade somente poderá ser exercida dentro dos limites e condições estabelecidos em lei, e pela autoridade para tanto competente. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O julgamento foi no sentido de rejeitar as preliminares arguidas e por julgar procedente em parte a impugnação, para manter o crédito tributário lançado no valor de R$ 5.000,00. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. Observese que a referência da IN 510/2005 foi quando da lavratura do Auto de Infração. Inicialmente, tratarei da preliminar suscitada de nulidade do lançamento por errônea tipificação, já que a recorrente entende que o dispositivo citado no auto de infração não guarda pertinência com o fato ocorrido. Argumenta a empresa, que o Auto de Infração foi lavrado com fundamento no art. 37 da IN n° 28/1994, que estabelecia, à época, o prazo de dois dias para que o transportador procedesse ao registro no Siscomex os dados de embarque das mercadorias destinadas ao exterior. No entanto, o art. 44 da referida IN determina expressamente que o descumprimento da obrigação constitui embaraço à fiscalização aduaneira, penalidade prevista na alínea “c”, IV, do art. 107 do Decretolei n° 37/66 e não alínea “e”, inc IV, do mesmo dispositivo. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.002407/201059 Acórdão n.º 3201000.938 S3C2T1 Fl. 3 5 Observase que o art. 44 da citada IN menciona que o descumprimento a vários artigos, dentre eles, o art. 37, constitui embaraço à atividade da fiscalização aduaneira, sujeitando ao pagamento da multa prevista no art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Ou seja, o art. 44 da referida IN estabelece que o descumprimento do disposto no art. 37 daquela norma regulamentar é considerado embaraço à fiscalização, punível com multa pecuniária. A norma infracional em análise não dispunha de comando integral, na medida em que não definiu o que seria o embaraço à fiscalização na hipótese de não apresentação de documentos à fiscalização; constituindo, da forma com está colocada pela redação dada pelo DL 751/69, “norma penal em branco”, uma vez que o agente para ser considerado infrator deveria descumprir determinada obrigação acessória não definida na lei de regência, mas em norma infralegal. Pois bem, o comando constante do art. 37 da IN/SRF 28/1994 tem por objetivo criar obrigação acessória a qual, se não observada, será considerada conduta infracional por parte do sujeito passivo. Portanto, diferentemente do entendimento da recorrente quanto à inaplicabilidade ao caso da multa exigida, o art. 37 da IN/SRF 28/1994 e suas alterações posteriores, tem por fim completar a “norma penal em branco”, devendo ser entendido e interpretado em conjunto com a norma propriamente dita. No caso concreto, a infração tipificou a conduta da recorrente na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005 (à época do auto de infração), que dispõem: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (grifei) ** Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) (grifei) (...) Entendo que houve aplicação direta e objetiva da norma. Logo, consumada a infração resta aplicável a penalidade prevista em lei pelo descumprimento de obrigação acessória, que no caso é a prestação intempestiva da informação sobre carga transportada, ou seja, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de registrar corretamente os Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 dados de embarques das mercadorias exportadas, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Em sendo assim, a recorrente não prestou as informações sobre as cargas transportadas no prazo estabelecido na legislação, justificada está a aplicação da multa em comento, por descumprimento de obrigação acessória, não havendo falar em embaraço à fiscalização e, por conseguinte, em fundamentação legal equivocada da multa para gerar a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Pois, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; IIOs despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pelo transcrito, observase que, no caso de auto de infração – que pertence à categoria dos atos ou termos –, só há nulidade se esse for lavrado por pessoa incompetente, uma vez que por preterição de direito de defesa apenas despachos e decisões a ensejariam. Por outro lado, caso houvesse irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não importariam em nulidade e poderiam ser sanadas, se tivessem dado causa a prejuízo para o sujeito passivo, como determina o art. 60 do mesmo decreto: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por todo o exposto, são improcedentes os argumentos da recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada, logo, não vejo como acolher essa preliminar. Concluindo, afasto alegação de nulidade levantada pela recorrente. Passando ao mérito, mas antes de adentrálo, quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ressalto para ficar bem claro, que a decisão de primeira instância, tendo em vista o retroatividade benigna, por conta da entrada em vigor da IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010 passando a ser de sete dias, para prestação de informações sobre as cargas pelo transportador. Logo, julgou procedente em parte e manteve o lançamento do crédito tributário no valor de R$ 5.000,00. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.002407/201059 Acórdão n.º 3201000.938 S3C2T1 Fl. 4 7 Passo a todo histórico da legislação, do caso em concreto. O fato é que houve registro no Siscomex das cargas acobertadas pelas declarações de exportação listadas no auto de infração em prazo superior a dois dias, razão pela qual o auto de infração tipificou a conduta da autuada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprindo da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005. A obrigação de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, no Siscomex, independe da participação efetiva do fisco aduaneiro para que o responsável pelo seu cumprimento a satisfaça no prazo de dois dias, contado da data do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04. Os sujeitos passivos de tais obrigações são previamente habilitados pela Receita Federal do Brasil para acessarem, de forma ininterrupta, o Siscomex, dentre outros sistemas informatizados, razão pela qual, da mesma forma, os prazos concernentes à prestação de informação no referido sistema também devem ser contados ininterruptamente. A sistemática operacional consiste em o transportador registrar os dados de embarque imediatamente depois de realizado o embarque da mercadoria para o exterior, com base nos documentos por ele emitidos (observar os prazo da norma). E, posteriormente ocorrerá a averbação que é o ato final do despacho de exportação que consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque da mercadoria. A averbação, por fim, será feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes pelo transportador. Por isso, a importância, dentro do prazo, do informe dos dados de embarque pelo transportador, com a documentação. Registrados os dados de embarque, se os dados informados pelo transportador coincidirem com os registrados no desembaraço da DDE ou DSE, haverá averbação automática do embarque pelo Sistema. Caso contrário, a Alfândega irá analisar a documentação apresentada, confrontandoa com os dados relativos ao desembaraço e ao embarque, efetuandose a chamada averbação manual, com ou sem divergência. Pois bem, as IN SRF 28/1994, da IN SRF 510/2005 ou da IN RFB 1.096/2010 dispõem: IN/SRF 28, de 27.04.1994, redação original Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (g.n.) Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. (...) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. IN/SRF 28/1994, com redação da IN/SRF 510, de 14.02.2005 (vigente à época dos fatos geradores e da lavratura do auto de infração) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN no 510, de 2005) (g.n.) (...) § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (...) IN/SRF 28/1994, com redação da IN/RFB 1.096, de 13.12.2010 (vigente a partir de sua publicação, ocorrida no DOU de 14.12.2010) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (g.n.) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (...) A multa de que tratava o artigo 107 do DecretoLei 37/1966, antes da nova redação dada pela Lei 10.833/2003, assim dispunha. Art.107 Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.002407/201059 Acórdão n.º 3201000.938 S3C2T1 Fl. 5 9 I de NCr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros novos), a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do fisco ou embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) (...) O art. 37 da IN/SRF 28/1994, estabelecia originalmente o prazo para o registro dos dados de embarque da mercadoria pelo transportador no Siscomex, como sendo “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria (...)”. O alcance do vocábulo “imediatamente” foi esclarecido pela Notícia Siscomex 105, de 27.07.1994: Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos”. Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a revisão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado. A IN/SRF 510/2005, vigente à época da lavratura do auto de infração, ao dar nova redação ao citado artigo, definiu como prazos para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, dois dias para o transporte aéreo e sete dias para o transporte marítimo. Igualmente, a IN/RFB 1.096/2010, que passou a viger a partir de 14.12.2010, definiu sete dias como sendo o prazo para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, independentemente da modalidade de transporte efetuada. É de observar também que o artigo 37 é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. Logo, o aumento do prazo para o transportador registrar no Siscomex os dados do embarque da mercadoria, primeiramente excluiu de sanções os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de dois dias, na hipótese de embarque aéreo, bem como os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, na hipótese de embarque marítimo, posteriormente estendeu a exclusão de sanções para quaisquer registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, uma vez que não mais especificou o prazo em função da modalidade de embarque utilizada pelo transportador internacional. Por fim, a recorrente argumenta que não foi possível efetuar no prazo regulamentar os registros de embarque de que trata a presente autuação, uma vez que ocorreram falhas no Siscomex que a impediram de assim proceder, bem assim, em caso de divergência que impedisse a averbação automática, as empresas aéreas eram obrigadas a excluir a informação equivocada para incluir a correta, porém, o sistema somente considerava a data da inserção da informação correta, ou seja, apenas alega e foram verificados registros intempestivos de dados de embarque referentes aos despachos de exportação. Como já relatado, é de ver que para os embarques no Voo AR1255, ocorridos em 02.11.2006, 07.11.2006, 10.11.2006, 11.11.2006, 13.11.2006, 18.11.2006 e 19.11.2006, o novo prazo de sete dias, nos moldes da IN RFB 1.096/2010, para a prestação das informações sobre as respectivas cargas, iniciou em 03.11.2006, 08.11.2006, 11.11.2006, 12.11.2006, 14.11.2006, 19.11.2006 e 20.11.2006, e venceu em 09.11.2006, 14.11.2006, 17.11.2006, 18.11.2006, 20.11.2006, 25.11.2006 e 26.11.2006. Portanto, como se observa, são tempestivos Fl. 150DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 os registros efetuados pela transportadora em 06.11.2006, 10.11.2006, 16.11.2006 e 22.11.2006. Quanto aos embarques no Voo AR1257, ocorridos em 07.11.2006, 14.11.2006, 18.11.2006, 19.11.2006, 22.11.2006 e 29.11.2006, o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre as respectivas cargas, iniciou em 08.11.2006, 15.11.2006, 19.11.2006, 20.11.2006, 23.11.2006 e 30.11.2006, e venceu em 14.11.2006, 21.11.2006, 25.11.2006, 26.11.2006, 29.11.2006 e 06.12.2006. Portanto, é intempestivo o registro efetuado pela transportadora somente em 30.11.2006. Foi mantido o crédito tributário lançado no valor de R$ 5.000,00. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10980.008889/2002-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/01/2000
ASPECTOS CONSTITUCIONAIS, INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF
N2.
O Pleno do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, em sessão realizada
no dia 18/09/2007, decidiu que a instância administrativa não possui
competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a
colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição
reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Súmula n g 2,
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/01/2000
COFINS. RESTITUIÇÃO. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
IMUNIDADE. CONDIÇÕES LEGAIS. LEI 1\12 9332/98..
A exigência de que, para fruição da imunidade prevista no art. 195, § 7, da
Constituição Federal, a instituição de assistência social devesse prestar
serviços gratuitos está suspensa por medida cautelar concedida pelo Supremo
Tribunal Federal, nas ADITO 2,028 e 2,036,
COFINS. RESTITUIÇÃO, ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
IMUNIDADE. LEI N 8,212/91.
Somente a instituição que satisfaça os requisitos do art. 55 da Lei 1-12 8212, de
1991, pode ser considerada beneficente de assistência social e, assim, imune
à incidência da Cotins,
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.602
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado, Vencidos os
Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (Relatara), Alexandre Gomes e Gileno Gudão
Barreto. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor,
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
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SÚMULA CARF N2. O Pleno do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, em sessão realizada no dia 18/09/2007, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Súmula n g 2, ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/1997 a 31/01/2000 COFINS. RESTITUIÇÃO. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. CONDIÇÕES LEGAIS. LEI 1\12 9332/98.. A exigência de que, para fruição da imunidade prevista no art. 195, § 7, da Constituição Federal, a instituição de assistência social devesse prestar serviços gratuitos está suspensa por medida cautelar concedida pelo Supremo Tribunal Federal, nas ADITO 2,028 e 2,036, COFINS. RESTITUIÇÃO, ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. LEI N 8,212/91. Somente a instituição que satisfaça os requisitos do art. 55 da Lei 1-12 8212, de 1991, pode ser considerada beneficente de assistência social e, assim, imune à incidência da Cotins, Recurso Voluntário Negado. se da Silva =,rpresidente A , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator Designado, Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (Relatara), Alexandre Gomes e Gileno Gudão Barreto. Designado o ConselliM)ro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor, Gu,d6 Fabrola Cassian Ceramidas Relatora José Arítonló'Francisco - Redator Designado EDITADO EM: 18/10/10 10 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco (Relator), Fabiola Cassiano Keram idas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição/compensação protocolado em 29.08.02, ti. 01, em que a Recorrente pleiteia valores de PIS e Cofins retidos indevidamente pelo Sistema Único de Saúde - SUS, no período de abril de 1997 a janeiro de 2000. No entender da Recorrente a retenção é indevida por tratar-se de hospital beneficente, de caráter filantrópico e sem fins lucrativos, ou seja, imune destes tributos, conforme a Constituição Federal.. Em virtude de resumir adequadamente fatos ocorridos, transcrevo o relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: 1 Às 40/42, a Delegacia da Receita .Federal em Curitiba emitiu despacho decisório deferindo parcialmente o pedido de restituição, para reconhecer o direito creditório no valor R$ 28.998,55, deixando, a,ssini, de reconhecer o direito creditório de R$ 93,88 a titulo de PIS, referente ao período de apuração 12/1997, bem como o valor de R$ 9.888,03 a título de COFINS, referente aos períodos de apuraçâo de 04/1997 a 01/1999. Vale registrar que a Delegacia da Receita Federal em Curitiba, a despeito de a solicitação se pautar na condição de imune, reconheceu a isenção de alguns tributos e concedeu a restituição parcial dos valores pleiteados. No caso do PIS a restituição foi parcial porque a fiscalização entendeu ser devido o PIS na modalidade folha de salários, tendo recalculado o valor e compensado o crédito (fls. 41), Ainda nos termos do relatório da decisão da Delegacia de Julgamento: 2 Processo n" 10980 008889/2002-19 S3-C3'12 Accirdilo n " 3302-00.602 F 1. 2 Cientificada do despacho decisório em 22/04/2004 (fl. 42), a interessada, por intermédio do mesmo representante que protocolizara o pedido inicial (Procuração, fl. 04), apresentou, em 26/04/2004, a tempestiva manifestação de inconformidade de fis, 55/77, alegando, em síntese, que: Não se trata o presente caso de isenção e sim de imunidade constitucional, cuja abrangência é delimitada pela Constituição Federal, em seus artigos 150 e 195; Por ser urna entidade beneficente, de assistência social, goza dos beneficios da imunidade constitucional, que no caso da COHNS, está amparada pelo artigo 195, § 7 0, da Constituição Federal, embora tal dispositivo utilize o termo "isenção". Neste sentido já se manifestou o Supremo Tribunal Federal no MS 22.192-DF/96, conforme trecho citado em sua impugnação; Os requisitos contidos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91 não se aplicam nesta situação, já que não se trata de isenção e sim de imunidade, logo não se sujeita aos regramentos das leis ordinárias, Ademais, devido à inexistência de lei complementar específica para regulamentar as condições necessárias à obtenção do beneficio previsto pelo art. 195, § 72, os artigos 90 e 14 do CTN são suficientes para determinar os requisitos para o gozo da imunidade questionada, por serem tais condições compatíveis com a finalidade para qual ambas as desonerações foram concebidas pelo legislador supremo, conforme doutrinas também citadas; O conceito de beneficência explícito no artigo 199 da CF deve ser interpretado com a maior amplitude, ficando claro que estão imunes de contribuições sociais as entidades de saúde que sejam beneficentes, ou seja, que atue em benefício de outrem.. Para tanto não se exige a filantropia, bastando tratar-se de entidade sem fins lucrativos. Já os dispositivos da Lei n° 8,212/91 com as alterações da Lei n° 9,7.32/98 impõe requisitos exigindo que as entidades sejam filantrópicas, ou seja, exerçam a caridade, o que a própria Constituição não exige. Os artigos 196, 197 e 199 da CF abordam as ações da saúde como sendo de assistência social, indo ao encontro da imunidade concedida pelo § 7 0, do art.. 195 da CF; O fato de não exercer suas atividades sob a forma exclusivamente gratuita, não interfere em seu caráter de instituição de assistência social, haja vista o entendimento dos julgados transcritos às fls. 73/76, dentre os quais, inclusive, foi apontado o julgamento da Secretaria da Receita Federal para caso idêntico, constante dos autos n° 10920000529/2002- 75; Por fim, requer, no caso de não ser reconhecida a imunidade, a reforma da decisão quanto a isenção da COFINS estabelecida pela IX 70/91. O presente processo foi baixado em diligência, às fis, 79/80, para que a contribuinte fosse intimada a comprovar, mediante documentação hábil expedida pelo INSS, que atende cumulativamente todos os requisitos determinados no artigo 55 da Lei n° 8,212 de 1991. Em atendimento ao referido pedido de diligência, a contribuinte foi intimada, a fl. 81, com ciência em 20/0.3/2006 (AR, ti. 82), para apresentar, no prazo de 10 dias contados da ciência, cópia do documento expedido pelo INSS, nos termos da legislação retrocitada, devidamente autenticado e em vigência. Tal solicitação, no entanto, conforme consta da informação de fl. 83, não foi atendida," 3 Imperioso esclarecer que às fis. 79/80, em que se requereu a mencionada diligência, consta opinião da Secretaria da Receita Federal no sentido de que a imunidade constitucional, por determinação da própria Constituição, está vinculada às condições para fruição da isenção (artigo 6, inciso III, da LC n°70/81 e artigo 55, da Lei n" 8,212/91) e que a Recorrente teria que comprovar o cumprimento destas exigências para pleitear o beneficio. Esta solicitação que não fbi atendida pela Recorrente. Após analisar os documentos acostados aos autos, a Terceira Turma da Delegacia de Julgamento de Curitiba/PR proferiu o acórdão d. 06-11.523, fls. 84/88, por meio do qual manteve o indeferimento da solicitação, a saber: "Assunto- Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins- Período de apuração: 01/04/1997 a 31/01/1999 Ementa, ASSOCIAÇÃO D.E ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO COFINS' Uma entidade, somente será caracterizada como beneficente de assistência social e, portanto, com direito à isenção da COFINS, quando preencher os requisitos determinados pela legislação de regência. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS, O julgador da esfera administrativa deve limitar-se a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformámos relativos à sua validade ou constitucionalidade Basicamente, a decisão administrativa indeferiu o pleito em razão de a Recorrente não ter comprovado que atendia às exigências legais, Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as alegações trazidas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fabiola Cassi ano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Dos termos relatados, percebo que o cerne da questão é o direito da Recorrente à restituição do PIS e da Cotins recolhidos em seu entender indevidamente em virtude de usufruir o beneficio da imunidade. A questão já foi por mim analisada em casos anteriores e entendo estar com razão a Recorrente no que se refere .ao gozo da imunidade e à impossibilidade de restrição de seu beneficio pela aplicação da Lei n" 8212/91. É que o Supremo Tribunal Federal, em seu órgão Pleno, já afastou as limitações da citada lei para o reconhecimento da imunidade de entidades beneficentes vinculadas à saúde e à educação. 4 Processo n" I 0980.008889/2002-19 S3-C3T2 Acórdão n " 3302-W602 Fl 3 Para melhor compreensão cito voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Fernando Lobo D'Eça, no julgamento do Recurso IV L26.481. Na oportunidade acompanhei o conselheiro, que restou vencido por entender pela total procedência dos argumentos trazidos no mérito do recurso, a saber: "Pedi vista destes autos para melhor me inteirar da matéria em debate que versa sobre a incidência da COFINS sobre as atividades exercidas sobre entidade sem fins lucrativos que explora serviços de educação, onde a Recorrente foi acusada de falta de recolhimento da COFINS em razão de suposta "ausência de comprovação dos requisitos necessários para que faça jus ao benefício fiscal de isenção/imunidade da COF1NS" (ef TVF às fls. .22). Bem examinando-os, impetro vênia ao ínclito Relator para divergir de seu brilhante voto pelas razões que passo a expor. Inicialmente anoto ser assente na . jurisprudência deste Conselho que "a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a consfitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo", salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado (d: Ac. do STF- Pleno na Reclamação n" 1.770-RN, rd Min. Celso de Mello, publ. In RTI 187/468; cf. Ac do STF-Pleno na Reclamação n" 952, rel. Min Celso de Mello publ. in RT118.3/486). Nessa ordem de idéias, verifica-se que na interpretação do § do art. 195 da CF/88, ao proclamar a inconstitucionalidade da exigência da contribuição previdenciária sobre a quota patronal de entidade beneficente educacional, a Suprema Corte definitivamente assentou que "A cláusula inscrita no art. 195, §7, da Carta Política - não obstante referir-se impropriamente à isenção de contribuição para seguridade social -, contemplou as entidades beneficentes de assistência social com o favor constitucional da imunidade tributária, desde que por elas preenchidos os requisitos fixados em lei (Roque Antonio Carrazza, Curso de Direito Constitucional Tributário p. 349 nota de rodapé n 144, 5a ed., 1993, Milheiros, José Eduardo Soares de Meio, Contribuições Sociais no Sistema Tributário, pp 171-175, 1995, Milheiros; Sacha Calmon Navarro Coélho, Comentários à Constituição de 1988— Sistema Tributário, pp. 41-4.2, item n' 2.2, 4' ecl., 1992, Forense; Wagner Baleia, Seguridade Social na Constituição de /988, p 71, 1989, RT, v g.). Convém salientar que esse magistério doutrinário reflete-se na própria jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal, que fá identificou, na cláusula inscrita no art. 195, § da Carta Política, a existência de tona típica garantia de imunidade estabelecido em favor das entidades beneficentes de assistência social (RT1 1.37/96.5, Rel, Min Moreira Alves). (.3 O fato irrecusável é que a norma constitucional em questão, em tema de tributação concernente às contribuições destinadas à seguridade social, reveste-se de eficácia subordinante de toda atividade estatal, vinculando não só os atos de produção normativa, mas também condicionando as próprias deliberaçõe,s administrativas do Poder Público, em ordem a pré-excluir a possibilidade de imposição estatal dessa particular modalidade de exação tributária. Esse privilégio de ordem constitucional justifica-se, plenamente, pelo elevado interesse de natureza pública que qualifica os relevantes serviços prestados à coletividade pelas entidades beneficentes- de assistência social (Manoel Gonçalves Ferreira Filho, Comentários à Constituição Brasileira de 1988, vol 4/54, 1995, Saraiva) A análise da norma inscrita no art. 195, 7, da Constituição permite concha,- que a garantia constitucional da imunidade pertinente à contribuição para a .seguridade social só pode validamente sofrer limitações normativas, quando definidas estas em sede legal, como requisitos nece.s.sários ao gozo da especial prerrogativa de caráter jurídico:financeiro em questão Sendo assim, tratando-se de imunidade - que decorre, em função de sua natureza mesma, do próprio texto constitucional -, revela- se evidente a absoluta impossibilidade jurídica de a autoridade executiva, mediante deliberação de índole administrativa, restringir a eficácia do preceito inscrito no ali 195, § 7', da Carta Política, para, em . função de exegese que claramente distorce a Ideologia da prerrogativa fundamental em referência, negar, à ora recorrente, o beneficio que lhe é assegurado no mais elevado plano normativo." (cf. Ac. da I" 'Turma do STF no RMS na 22.192-DF, rel. Min. Celso de Mello, publ. in DJU de 19/12/96, pág. .51.802 e ia RTJ 186/900) Da mesma forma, depois de reconhecer o "cunho nitidamente social de nossa Constituição", que por isso "adotou o conceito mais lato de assistência social", a Suprema Corte também já assentou que a imunidade prevista no art 195, §7" da CF/88 "se estende às entidades que prestam assistência social no campo da saúde e da educação" (cl. Ac do STF-Pleno na MC em ADI]: na 2.546, mel Min. Ellen Gracie, publ. il7RTI 184/947; no mesmo sentido Ac. do STF — Pleno na ADIn MC na 2.028-5-DF, em sessão de 11/11/99, Rel. Min. Moreira Alves, publ in DJU de 16/06/00, pág 30), sendo certo que tudo "o que diga respeito aos lindes da imunidade, (...), quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, .ficou reservado à lei complementar"(c1 Ac do STF — Pleno na ADI'? n 1.802-3, rei Min. Sepúlveda Pertence, publ no DJU de 13/02/04 e In RDDT vol. 103/199). Finahnente, verifica-se que na interpretação dos dispositivos da legislação infroconstitucional, que regulamentou os requisitos da imunidade constitucional das entidades de assistência social sem fins lucrativos, a Suprema Corte suspendeu a eficácia dos arts. Ia (na parte em que alterou a redação do art. 55, inc III da Lei n' 8.212/91 e acrescentou-lhes os §§ .3', 4' e .5"), 4", 5' e 7" da Lei na 9.732/98 (ef Ac. do STF — Pleno na ADI)? MC n" 2.028-5-DF, em sessão de 11/11/99, Rei Min. Moreira Alves, 6 Processo n" 0980 008889/2002-1 9 S3-C3T2 Acórdão n " 3302-00„602 1:1 4 publ. in DAI de 16/06/00, pág 30), bem como dos art. 12, §§ 1' e 22, alínea ‘r, caput e 14 da Lei n' 9.532/97 ('cf. Ac. do STF — Pleno na ADI') n" 1.802-3-DF, em sessão de 27/08/98, Rel. Min. Sepálveda Pertence, pitbl in DJU de 1.3/0.2/04), por desvirtuarem "o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social" e limitarem indevidamente "a própria extensão da imunidade" constitucional. Como é curial e . já assentou a Suprema Corte: o "Supremo Tribunal Federal dispõe de competência para exercer, (,.), o poder geral de cautela de que se acham investidos todos os órgãos judiciários, independentemente de expressa previsão constitucional. A prática da .jurisdição catador, nesse contexto, acha-se essenciahnente vocacionada a conferir tutela efetiva e garantia plena ao resultado que deverá emanar da decisão .final a ser proferida no processo objetivo de controle abstrato ). O provimento cautelar deferido, pelo Supremo Tribunal Federal, além de produzir . eficácia "erga 011111eS", reveste-se de efeito vinculante, relativamente ao Poder Executivo e aos demais órgãos do Poder Judiciário. (,), A eficácia vinculante, que qualifica tal decisão - precisamente por derivai- do vínculo subordinante que lhe é inerente -, legitima o uso da reclamação, se e quando a integridade e a autoridade desse julgamento forem desrespeitadas "'c/ Ac. do STF Pleno na ADC-MC n 8-DF, em sessão de 1.3/10/99, Rel. Min. CELSO DE MELLO publ. in DJU de 04/04/0.3, pág 38 e in EMENT vol, 02105-01, pág. 001) Ante a suspensão da eficácia dos arts. I, 4 2, 5" e 72 da Lei n" 9 732/98 pela Suprema Corte, desde logo verifica-se que carecem de embasamento legal as exigências de comprovação de oferta ou efetiva prestação gratuita de serviços de educação a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência ou a quem deles necessitar, reclamadas tanto pela d. Fiscalização como pelo ínclito Relator, não havendo como exigi-las da Recorrente como requisito para .fazer jus à imunidade, eis que como é curial e exigem os Princípios da Legalidade Tributária e da Tipicidade cerrada, a obrigação tributária acessória somente .surge com a ocorrência do fato gerador previsto em lei ( arts 113, §§ .22 e 32, e 11.5 do CTN), o que obviamente pressupõe a plena eficácia desta última, no caso inocorrente. Nesse sentido tem reiteradamente proclamado a Jurisprudência do E. STJ que: "o ato administrativo, no Estado Democrático de Direito, está subordinado ao princípio da legalidade (CF/88, art. II, 37, capta, 84, IV), o que equivale assentai- que a Administração só pode atuar de acordo com o que a lei determina.. Desta sorte, ao expedir um ato que tem por .finalidade regulamentar a lei (decreto, regulamento, instrução, portaria, etc ), não pode a Administração inovar na ordem jurídica, impondo obrigações ou limitações a direitos de terceiros. ( ) Consoante a melhor doutrina, 'é livre de qualquer dúvida ou entredúvida que, entre nós, por força dos arts. 5, 11, 84, IV, e 37 da Constituição, só por lei se regula liberdade e propriedade; só por lei se impõem obrigações de fazer ou não fazer. Vale dizer. restrição alguma se impõem à liberdade ou à v)\ 7 propriedade pode ser imposta se não estiver previamente delineado, configurada e estabelecida em alguma lei, e só para cumprir dispositivos legais é que o Executivo pode expedir decretos e regulamentos. ' (Celso Antônio Bandeira de Mello Curso de Direito Administrativo. São Paulo, Milheiros Editores, 2002, págs. 306/331)" (cf Ac da 1" Turma do STI no REsp .584.798-PE', Reg n 2003/0157195-7, em sessão de 04/11/04, Rel. Min, LUIZ FUX, publ. in DAI de 06/12/2004 p 20.5) Delimitadas as questões constitucionais já assentadas pela Suprema Corte, constata-se que ao regulamentam a incidência das contribuições sociais do PIS e da Co fins. os arts. 13 e 14 da Medida Provisória n' 2,158-35 de 24/08/01 (DOU 27/08/01 - antiga MP n' L858-6/99), desoneraram as atividades das instituições de educação beneliciái ias da imunidade constitucional, nos seguintes termos 'Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base ndfblha de salários, à aliquota de uni por cento, pelas seguintes entidades • ) III - instituições de educação e de assistência social a que se refere o art .12 da Lei n' 9.532, de 10 de dezembro de 1997,. ( "Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1'de fevereiro de 1999, são isentas da COF1NS as receitas: ) X- relativas às atividades próprias das entidades a que se refere O art 13. §1 São isentas da contribuição paia o PIS/PASLP as receitas referidas nos incisos Ia IX do 'capta' O Decreto n" 4.524, de 17 de dezembro de 2002, reproduziu a desoneração das atividades das referidas associações civis nos amis. 9' e 46 dispondo que: "Art. 9" São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre filha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória /12 2:158-35 de 2001, art. 13) ( III - instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art 12 da Lei n' 9 532, de 1997, ( .)" "Art. 46, As entidades relacionadas no ar!. 9' deste Decreto (Constituição Federal art 195, § r, e Medida Provisória it2. 2.158-35, de 2001, art. 13, ar! 14, inciso X, e art. 1 7): I - não contribuem para o P1S/Pasep incidente sobre o (aturamento . e 11- ã isentas da Cofins com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. 8 1 L- 9 Processo n" 10980.008889/2002-19 S3-C3T2 Acórdão o " 3302-00.602 F1 5 )"Por seu turno ao estabelecer objetivamente os requisitos necessários para o gozo da imunidade, os §§ 2' e 3' do art. 12 da Lei al L) 9 532/97 expressamente dispõem que. "Art. 1.2. Para efeito do disposto no ar I. 150, inciso VI, alínea da Constituição, considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos ) § 2' Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer . forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (Vide Lei IP 10,637, de .2002) b) aplicar integrahnente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; nzanter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão, d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) (vigência suspensa); g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, faisão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o &acionamento das entidades a que se refere este artigo. .sç32 Considera-se entidade sem fins lucrativos a que não apresente supea ávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei IP 9.718, de 1998)" Dos preceitos expostos resulta claro que a imunidade (impropriamente denominada de isenção) de PIS e COFINS foi concedida "intuitu personae" às "instituições de educação" que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem .fins lucrativos'', assim consideradas as que destinem seu "resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais" e as que atendam àqueles requisitos. previstos na lei (cl ai] 12, § 2, alíneas "a" a "h" e § 3 da Lei n' 9.532/97), donde cumpre desde logo identificar as pessoas às quais a mesma se dirige Nesse particular, inicialmente releva notar que é unânime na Doutrina (4. Ives Gandra da Silva Martins in RDDT vol. 37 págs. 97/117) a opinião de que, traduzindo uma exceção aos princípios da generalidade, da igualdade e da unilbrmidade da tributação, a exoneração tributária assegurada às "instituições de educação" somente se justifica sob o primordial "interesse público" existente na sua atividade e nos serviços educacionais por elas desinteressadamente prestados à coletividade, serviços estes que, por corresponderem ao atendimento de um "direito social" a todos assegurado pela Constituição (arts 6" e 205 da CF/88), o Estado tem o dever de prestar e de estimular (arts. 205, 208 e 217 da CF/88), e que se viesse a prestar com as mesmas amplitude e eficiência, ou a subvencionar na mesma medida, como deveria, incorreria em custos financeiros certamente superiores ao valor da tributação inibida Portanto, a outorga constitucional de imunidade tributária prescrita no art. .19.5, §7' da CF/88 e deferida às instituições de educação, não consubstancia nenhuma "renúncia fiscal", ato de "graça" ou "favor" do Estado em relação àquelas instituições (c1 Ives Gandra da Silva Martins in RDDT vol 37 págs 100), mas muito ao revés, se assenta em dupla fundamentação, pois se de um lado contempla um especifico interesse econômico do próprio Estado, por aliviá-lo parcial ou integralmente dos encargos financeiros da prestação de serviços que lhe são cometidos pela Constituição, de outro lado, inspira-se no mesmo fandamento inspirado,- da "imunidade recíproca" prescrita na alínea "a" do inc. 1 do art 150 da CF Ruy Barbosa Nogueira in "Imunidades contra impostos na Constituição anterior e sua disciplina na Constituição de 1988", Co-edição IBDT/ Resenha tributária, 1990, pág 92), posto que uma como a outra, visam fundamentalmente a tutelar o interesse publico existente na prestação desinteressada, à coletividade, de serviços que são próprios da .função estatal, ainda quando indiretamente prestados por entidades de Direito Privado, em _substituição ou complementação à atividade estatal no mesmo setor Nessa ordem de idéias, a rigor, a própria expressão "instituição sem . fins lucrativos" utilizada pela Lei é redundante, pois há muito já se pacificaram a Doutrina e a Jurisprudência, no sentido de que o conceito de "instituição" é reservado unicamente àquelas entidades essencialmente "no profit", que desinteressadamente prestam à coletividade os serviços de utilidade ou interesse públicos que ao Estado cumpre prover e estimular, na sua )(Unção institucional de tutelar os direitos individuais e sociais assegurados pela Constituição Nessa linha, a Suprema Corte já assentou (cf. RIU 38/182, 57/274, 101/769, 111/694), que a cláusula "no profit" não traduz uma proibição ou exclusão ao exercício de qualquer atividade econômica ou financeira pela associação, mas sim a condição de que essas 11 Processo n" 10980 008889/2002-19 S3-C3T2 Acórdão o " 3302-00,602 Fl 6 atividades sejam exercidas como instrumentos à consecução de suas finalidades institucionais de interesse público, condição esta cidó adimplemento é, à final, aferido pela comprovação, em cada caso concreto, da integral aplicação no Pais e nas aludidas _finalidades, de todos os resultados líquidos de todas as atividades exercidas Acolhendo estes preceitos de inegável jwidicidade há muito consolidados pela Melhor Doutrina e pela Jurisprudência da Suprema Corte, verifica-se que o critério legal objetivamente estabelecido para a conceituação de uma "instituição de educação" como imune de impostos e contribuições (ef art.14, incs 1 e II do CTN, art. 12, § 2, alíneas "b" e § da Lei n" 9 .5.32/97), vincula-se fundamentalmente, a par da atividade especifica de atuação (educação), à aplicação, gestão e destinação final (e não à produção) dos recursos ,financeiros por ela obtidos no desempenho de suas atividades, ou seja, vincula-se às cinco condições legalmente estabelecidas para o gozo da imunidade e consubstanciadas nas obrigações cumulativas de. • a) aplicação .final e integral dos recursos ,financeiros da entidade no país e em prol de suas finalidades institucionais não lucrativas e de interesse público, b) não distribuição qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas a titulo de lucro ou participação no seu resultado c) "não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados",. d) "conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial", documento.s estes capazes de assegurar a exatidão de suas contas, e; e) "apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal". Estes requisitas e critérios especificamente instituídos pela lei para conferir o direito à imunidade constitucional das instituições de educação sem .fins lucrativos (cf art.14, incs.. 1 e 11 do CTN,. art. 1.2, § .2', alíneas "b" e ,sç 3' da Lei n" 9.532/97), obviamente não se confundem com os requisitos legais previstos no art. 55 da Lei 8.21.2/91 que, sem .fazer qualquer referência explícita à Constituição, apenas instituiu e regulamentou os requisitos da isenção do antigo Finsocial e da CSSLL„ o que os exclui adredemente do universo jurídico da regulamentação da imunidade deferida às instituições de educação sem fins lucrativo, eidó requisitos, embora definidos pela Lei Complementar e pela legislação especifica do PIS e da COF1NS (cf.: arts. 13, inc III e 14, Mc, X e § I" da MP 21 58-35 de 24/08/01, antiga MP 1 858-6/99 c/c §§ .2" e 3" do art. 12 da Lei IP 9.532/97), como é curial, são de índole constitucional e, COMO há muito já ensinava Cooley, como regra elementar de interpretação, "quando a Constituição define as circunstâncias sob as quais um direito pode ser exercido, („), a especificação é uma proibição implícita contra qualquer interferência legislativa para acrescer a condição ( .) a outros casos" (c1 Thomas f& j Falflola Cassiálitó Kerarnidas. L.1.' kuv Cooley, jn "Constitucional .Limitations" Edição Little Bro 119 7 and Company, Boston, 1927 - vol 1, pág 139) Assim, seja porque os dispositivos isencionais do antigo Finsocial e da CSSLL somente comportam interpretação literal (art. 111, inc II do CTN) não comportando interpretação extensiva ou analógica, seja ainda em face da tipicidade de institutos de .Direito Tributário que não se confundem (imunidade e isenção), são inexigíveis- e, consequentemente desinfluentes, para o gozo da imunidade das instituições de educação sem ,fins lucrativos, as exigências instituídas para o gozo da isenção do antigo Finsocial e da CSSIL, previstas no art. 55 da Lei n" 8212/91 e consubstanciadas nas obrigações de que referidas instituições: a) sejam reconhecidas COMO de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou b) sejam portadoras do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fOrnecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos, c ,) sejam portadoras do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, d) promovam a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores-, idosos, excepcionais ou pessoas ementes; e e) promovam, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência." Após o exposto resta claro meu posicionamento no sentido de que a Recorrente tem direito à restituição dos valores recolhidos a titulo de Cotins, independente da Lei n 8,212/91, Todavia, tal interpretação não alcança o PIS. É que, conforme constato da decisão da DRF, o valor recolhido de PIS o foi nos termos da MP n 2..158, 1% sobre a folha de salário, verbis,. "No caso do PIS a restituição .1bi parcial porque a fiscalização entendeu ser devido o PIS na modalidade fui/ia de salários, tendo recalculado o valor e compensado o crédito (fls. 41)." Tal entendimento não é conflitante com o raciocínio desenvolvido, pois, neste caso, em um primeiro momento, entendo que a restituição do PIS somente seria possível pelo afastamento da MP n' 2.158, que é inconstitucional, Todavia, tal declaração ainda não foi proferida pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal e é defesa a esta tribunal administrativo, razão pela qual deverá ser discutida judicialmente, se for do interesse da Recorrente. Ante o exposto, CONHEÇO do presente recurso para o fim de DAR PARCIAL PROVIMENTO, deferindo a restituição dos valores recolhidos a titulo de COFINS. É corno voto. Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, Redator Designado 12 [3 PI ouesso n" 10980.008889/2002-19 83-C3T2 Acórdão n." 3302-00.602 Fl 7 A questão levantada nos presentes autos gira, primeiramente, em torno da incidência da contribuição sobre as receitas decorrentes da prestação de serviço, de entidade que, em principio, deveria satisfazer os requisitos exigidos pela Lei n°8.212, de 1991, art. 55. Considerou-se que a base de cálculo foi ampliada pela Lei n°9718, de 1998, de forma que as receitas das entidades sem fins lucrativos passaram, em tese, a ser tributadas pela Cofins, Com o objetivo de afastar a incidência, a Medida Provisória n" 1.858-6 (atual MP 2.158-35, de 2001), de 29 de julho de 1999, teria isentado da Cofins as receitas de atividades próprias das instituições de educação e de assistência social e instituições de caráter filantrópico. No caso, ocorrem duas situações distintas que devem ser analisadas. Primeiramente, há a isenção prevista na MP n 2..158-35, de 2001, art.. 14, X, que diz respeito às entidades relacionadas no art, 13: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na .fblha de SaláriOS, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I - templos de qualquer culto; II - partidos políticos, III - instituições de educação e de assistência social a que se refere o ar! 12 da Lei n' 9.532, de 10 de dezembro de 1997, IV - instituições de caráter . filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refire o art. 1.5 da Lei n' 9.532, de 1997; J7_ .sindicatos, federações e confederações,- VI - serviços .sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII - conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII - .fimdações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidos pelo Poder Público; IX - condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais,- e X - a Organização das Cooperativas Brasileiras - OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no ar!. 10.5 e seu ,sç l' da Lei n' 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Outra situação é a da imunidade prevista no art, 195, § 7', da Constituição Federal: - São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência .social que atendam às exigências estabelecidas em ki. A disposição, na realidade, caracteriza urna imunidade subjetiva, já que a regra de não incidência está prevista no texto constitucional, Dispõe o no art. 150, VI, c, da Constituição: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguivdas contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.. - instituir impostos sobre. c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas . fundações, das entidades sindicais . dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei, A jurisprudência do Supremo 'Tribunal Federal firmou-se no sentido de que as limitações do art. 150, VI, não se aplicam às contribuições sociais, urna vez que especificamente tratam de impostos'. Ademais, sendo a Cotins contribuição incidente sobre o faturamento, não está abrangida por essa imunidade, que se refere apenas ao patrimônio, renda e serviços das entidades de assistência social, Portanto, para que seja imune à incidência da Cotins, a entidade deve ser de assistência social, nos termos do art. 195, § 7', da Constituição e atender aos requisitos previstos em lei.: No tocante à imunidade, a Lei n' 8,212, de 1991, encarregou-se de dispor sobre as exigências, para sua fruição. A isenção a que se refere a MP n9- 2.158-35, de 2001, art. 14, aplica-se às instituições de educação e de assistência social (art. 12 da Lei ri' 9,532, de 10 de dezembro de 1997) e às instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações (art, 15 da Lei na 9.532, de 1997). Dispõem os mencionados artigos: Ari 12. Para efeito do disposto no art 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1 2 e 2r da Aipi , 2 189-49, de 2001) ( ) EMENTA: - Imunidade tributaria. Contribuições para o financiamento da seguridade social. Sua natureza jurídica. - Sendo as contribuições para o F INSOCIAL modalidade de tributo que não se enquadra na de imposto, segundo o entendimento desta Corte em face do sistema tributário da atual Constituição, não estão elas abrangidas pela imunidade tributaria prevista no artigo 150, VI, "d", dessa Carta Magna, porquanto tal imunidade só diz respeito a impostos. Dessa orientação divergiu o acórdão recorrido Recurso extraordinário conhecido e provido. (RE 141715 / PE Relator(a): Min MOREIRA ALVES. Publicação: DI DATA-25-08-1995 PP-26031 EMENT VOL-01797-05 PP-00838.) 14 Processo n" 10980.008889/2002-19 S3-C3T2 Acôrdr'io n " 3302-00,602 Fl 8 Art. 15. Consideram-se isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e cientifico e as associações civis- que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucra//vos. Ç ,.1 A isenção a que se refere este artigo aplica-se, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa Jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subsequente. Portanto, o art.. 12 definiu o que seriam as instituições de educação e as entidades de assistência social, para efeito da imunidade do art. 150, VI, c, da CF, enquanto que o art. 15 estabeleceu uma isenção para as entidades filantrópicas sem fins lucrativos. A MP n0 2.158-35, de 2001, portanto, estendeu a isenção da Cofins às entidades relacionadas nos arts. 12 (imunes do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro) e 15 (isentas do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro) da Lei n u 9,532, de 1997, sem distinguir as entidades beneficentes de assistência social abrangidas pela imunidade do art.. 195, § 7', da CF. Portanto, as entidades beneficentes de assistência social, que satisfaçam as exigências legais (art. 55 da Lei nu 8.212, de 1991) são imunes das contribuições sociais. Já as instituições de assistência social, que satisfaçam as exigências legais (art. 12 da Lei n u 9,5.32, de 1997) são isentas da Cofins, somente em relação às receitas próprias da atividade, ainda que não se enquadrem nas condições de imunidade Há que se observar ainda que o disposto no art. 17 da MP n u 2.158-35, de 2001, referiu-se às entidades beneficentes de assistência social: Au t 17. Aplicam-se às entidades filantrópicas e beneficentes- de assistência social, para deito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na foi una do ali 13 e de go:o da isenção da COF1NS, o disposto no rni. 55 da Lei n°- 8..212, de 1991. O acima citado art. 17 referiu-se à isenção própria, prevista no art. 14, que diz respeito às instituições de assistência social. Essa interpretação é possível, pelo fato de o mencionado art. 17 referir-se tanto a entidades beneficentes de assistência social (imunes), como a instituições filantrópicas, que não são, em principio, imunes à Cotins. Como diz que ambas as espécies de instituição devem satisfazei- os requisitos do art. 55, poder-se-ia concluir que o artigo refere-se à isenção do art. 14 da MP (isenção própria). Ter-se-ia que a MP n. 2.1258-35, de 2001, apenas teria instituído isenção própria para as entidades beneficentes de assistência social, que satisfizessem os requisitos do art. 55 da Lei n.. 8.212, de 1991. Nesse contexto, é preciso primeiramente saber se a recorrente é "entidade beneficente de assistência social" ou meramente "instituição de assistência social" ou ainda "instituição de caráter filantrópico". W( 15 A instituição de assistência social, nos termos da Lei n. 9.532, de 1997, deve prestar "os serviços para os quais houver sido instituída" e os colocar "à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos". Já a entidade beneficente de assistência social, além dessas condições, deve ainda satisfazer os outros requisitos do art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991.. Antes da Lei n. 9.732, de 1998, deveria ser reconhecida como de utilidade pública federal ou estadual (ou municipal), portar o certificado de filantropia do CNAS, promover a assistência social beneficente, não remunerar os diretores e aplicar o resultado operacional na manutenção de seus objetivos. Com a Lei ri. 9.732, de 1998, passou a ser exigida a condição de prestar gratuitamente seus serviços. A entidade que não satisfaça um ou mais dos requisitos da Lei n. 8.212, de 1997, deixaria de usufruir da imunidade, podendo, no entanto, usufruir da isenção sobre as receitas próprias de suas atividades. Segundo o que consta dos autos, a Interessada não demonstrou a satisfação dos requisitos legais, contbrme já apontado no relatório e na decisão de primeira instância. Embora as questões relacionadas à obrigatoriedade da g,ratuidade na prestação de serviços tenham sido submetidas ao exame do Supremo Tribunal Federal em duas ações diretas de inconstitucionalidades, restam ainda as demais condições da Lei ri 8..212, de 1991, conforme se verá a seguir. Em relação às disposições da Lei n' 9.732, de 1998, que alteraram o art. 55 da Lei n' 8.212, de 1991, foram apresentadas as ADI 11 25 2028 e 2036 ao Supremo Tribunal Federal, que se manifestou da seguinte forma, no julgamento da medida cautelar na ADI nu '70982: EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade Art. 1", na parte em que alterou a redação do artigo 55, 111, da Lei 8 212/91 e acrescentou-lhe os §.§' .3", 4" e .5", e dos artigos 4", 5" e 7", todos da Lei 9 732, de 11 de dezembro de 1998 - Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais- lato de assistência social - e que é admitido pela Constituição - é o que parece deva ser adotado para a caracterização da assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social da Carta Magna. - De há muito se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que só é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a "lei" para estabelecer principio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar - No caso, o artigo 195, .5ç' 7", da Carta Magna, com relação a matéria específica (as exigências a que ekvern atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade ai prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei Portanto, em .face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária - É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, embora o 7" do artigo 195 só se refira a "lei" sem qualificá-la C:01110 complementar e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, 2 Relator: Min Moreira Alves. Publicação: 0.1 DATA-16-06-2000 PP-00031 EMENT VOL-01995-0 I PP-00150 16 17 &i\ Processo n" 10980 008889/2002-19 S3-C3 T2 Acórdão n " .3302-00402 FT 9 VI, "c", da Carta Magna -, essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no artigo 146, II ("Cabe à lei complementar: - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar"), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa. - A essa fundamentação jurídica, em si mesma, não se pode negar relevância, embora, no caso, se acolhida, e, em conseqüência, suspensa provisoriamente a eficácia dos dispositivos impugnados, voltará a vigorar a redação originária do artigo 5.5 da Lei 8.212/91, que, também por ser lei ordinária, não poderia regular essa limitação constitucional ao poder de tributar, e que, apesar disso, não .foi atacada, subsidiariamente, como inconstitucional nesta ação direta, o que levaria ao não-conhecimento desta para se possibilitar que outra pudesse ser proposta sem essa deficiência. - Em se tratando, porém, de pedido de liminar, e sendo igualmente relevante a tese contrária - a de que, no que diz respeito a requisitos a ser observados por entidades para que possam gozar da imunidade, as dispositivos específicos, ao exigirem apenas lei, constituem exceção ao princípio geral -, não inc parece que a primeira, na tocante à relevância, se sobreponha à segunda de tal modo que permita a concessão da liminar que não poderia dar-se por não ter sido atacado também o artigo 55 da Lei 8,212/91 que voltaria a vigorar integralmente em sua redação originária, deficiência essa da inicial que levaria, de pronto, ao não-conhecimento da presente ação direta. Entendo que, em casos como o presente, eia que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade farinai, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancá-la com o seu não-conhecimento, questão CIO exame será remetido pura o momento do julgamento .final do feito. - Embora relevante a tese de que, não obstante o ,sç 7" do artigo 19.5 só se refira a "lei", sendo a imunidade unia limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitas a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorar-se- ia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. - É relevante afundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados - o que não poderia ser feito sequer por lei complementar - estabeleceram requisitas que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "pericultun in mora", Referendou-se o despacho que concedeu a liminar, na ADIN 2028, para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta, ficando prejudicada a requerida na ADIN 2036 A decisão do STF foi a seguinte3: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, referendou a concessão da medida liminar para suspendei . , até a decisão . final da ação direta, a eficácia do art. 1", na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei n" 8.212, de 24/7/1991, e acrescentou-lhe os§ 3", 4" e 5, bem como dos arts 4', 5" e 7", da Lei n" 9.7,32, de 11/12/1998 Votou o Presidente. Ausente, justtficadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 11. 11 .99 Também reproduz-se, para maior esclarecimento, a paste final do voto do Ministro Moreira Alves: ) Com efeito, a Constituição, ao conceder imunidade às entidades beneficentes de assistência social, o fez para que fossem a União, os Estados, o Distrito Federal e os .Municipios auxiliados nesse terreno de assistência aos carentes por entidades que também dispusessem de recursos para tal atendimento gratuito, estabelecendo que a lei determinaria as exigências necessárias para que se estabelecessem os requisitos necessários para que as entidades pudessem ser consideradas beneficentes de assistência social. É evidente que tais entidades, para serem beneficentes, teriam de ser _filantrópicas (por isso, o inciso II do artigo .55 da Lei 8 212/91, que continua em vigor, exige que a entidade "seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos'), mas não exclusivamente filantrópica, até porque as que o são não o são para o gozo de benefícios fiscais, e esse beneficio concedido pelo § 70 do artigo 195 não o . foi para estimular a criação de entidades exclusivamente filantrópicas, mas, sim, das que, também sendo filantrópicas sem o serem integralmente, atendessem às exigências legais para que se impedisse que qualquer entidade, que praticasse atos de assistência filantrópica a carentes, gozasse da imunidade, que é total, de contribuição para a seguridade social, ainda que não fosse reconhecida como de utilidade pública, seus dirigentes tivessem remuneração ou vantagens, ou se destinassem elas a fins lucrativos Aliás, são essas entidades — que, por não serem exchrsivamente filantrópicas, têm melhores condições de atendimento aos carentes a quem o prestam — que devem ter sua criação estimulada para o auxílio ao Estado nesse setor, máxime em época em que, como a atual, são escassas as doações para a manutenção das que se dedicam exclusivamente à filantropia De outra parte, no tocante às entidades sem fins lucrativos educacionais e de prestação de serviços de saúde que não pratiquem de forma exclusiva e gratuita atendimento a pessoas carentes, a própria extensão da imunidade fmi restringida, pois só gozarão desta "na proporção do valor das vagas cedidas 3 Sítio do STF na Internet: <Intp://www.stf gov.br/Turisprudenciant/imageml .asp?classe =AD1%2DMC&_processo=2028&tipo=221&ORIG E M=II&cod classe= 555&ministro=0&reinonta= 1&disco=22&pagina=149&contador=1&ementa=1995& tipo_cole cao=EMEN71 ARIO> Acesso em 25/05/2005. 18 19 Processo n" 10980 008889/2002-19 S3-C3T2 Ac do o 3302-00.,602 F I 10 integral e gratuitamente a carentes, e do valor cio atendimento à saúde de caráter assistencial", o que implica dizer que a imunidade para a qual a Constituição não estabelece limitação em sua extensão o é por lei. .5. Também ocorre, para a concessão da liminar, o requisito do "periculum ia mora", tendo em vista a circunstchicia de que inúmeras entidades deixarão de ser consideradas como entidades beneficentes de prestação de serviços de saúde e de educação, com danos irreparáveis para a coletividade carente que vem sendo atendida por elas. 6. Em . face do exposto, e pelas razões expostas, voto no sentido de ser referendado o despacho do eminente Ministro Marco Aurélio que concedeu a liminar requerida, concessão esta que, por aproveitar à requerida na ADIN 2.036, torna prejudicada a pedida nesta Foram, portanto, duas as alegações fundamentais trazidas ao exame do STF nas citadas ADI: 1) inconstitucionalidade formal da Lei n 9.7.32, de 1998, por não se tratar de lei complementar, e 2) inconstitucionalidade material, por ter a lei limitado o conceito de assistência social, como definido pela Constituição. A redação alterada do art„ 55 da Lei if 8.212, de 1991, é a seguinte: Art. 5.5. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. .22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente; (Vide Lei 17(2 9.429, de .26.12 1996) - seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II - seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópico.s, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei ir" 9.4.29, de 26 12.1996) III - promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei n' 9.732, de 11.12.98) IV - não percebam seus diretores, conselheiros, sécias, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficio.s a qualquer título; V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n' 9..528, de 10.12.97) § I' Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro 20 Social-INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido À isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade juridica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3 Para os fins deste artigo, entende-se por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Inch:ido pela Lei n' 9132, de 1L12.98) § 4 O Instituto Nacional do Seguro Social - INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Inchtido pela Lei lé 9.732, de 11.12.9N § 5Considera-se também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efe.tiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei n' 9.732, de .1.1.12.98) §6 (Vide Medida Provisória n' 2.187-13, de 24.8 2001) Os dispositivos em negrito foram suspensos pela medida cautelar, inclusive o § 5, que exigia, para as entidades que prestassem serviços de saúde, a prestação de no mínimo 60% ao Sistema Único de Saúde — SUS. A vedação anterior do inciso III era a seguinte: III - promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; No acórdão ri° 201-77.157, votei com a divergência, manifestada em declaração de voto da Eminente Conselheira Adriana Gomes Régo.. A divergência assentou-se na descaracterização, como assistência social, de prestação de serviços não gratuitos, conforme demonstra a reprodução abaixo da declaração de voto: É de se observam .. que, não obstante a recorrente possuir certificado de filantropia, o mesma não significa dizer que se trata de entidade beneficente de assistência social, pois a assistência social envolve, como a própria Constituição consagra, a universalidade do serviço ("a quem dela precisar") e a gratuidade do mesmo ("independentemente de contribuição à seguridade ,social"), de forma que se a empresa cobra pelo serviço prestado, não se pode falar em assistência social, e, por conseguinte, tais receitas devem ser tributadas. Essa questão está explicitada no inciso III e no § 3' cio art.. 55 da Lei if 8,212, de 1991, com a redação dada pela Lei n-Q 9.732, de 1998, dispositivos esses que fbram suspensos pela medida cautelar concedida pelo Supremo Tribunal Federal. A questão tem os seguintes contornos: as disposições do art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991, determinam que somente se caracterizam como de assistência social as entidades que prestem serviços gratuitos; foram suspensas pelo STF, em razão de ter entendido que o conceito de assistência social contida na Constituição é mais amplo (conteúdo material); Processo n" 10980 008889/2002-19 Aduar) n " 3302-0(L602 S3-C31-2 Fl 11 a questão formal, de que somente lei complementar poderia ter instituído as limitações, embora considerada tese relevante, não determinou a concessão da medida cautelar4. Reproduzo parte do voto do Ministro-relator, que evidencia o afirmado (http:// www, stf. gov. br/ Jurisprudencia /It /frame, asp? classe —ADI- MC&processo=2028&.origem=IT&cod_classe-555): Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancá-la com o seu não-conhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito Nas restrições implementadas pela nova lei está a questão da obrigatoriedade da prestação de serviços gratuito, para que a entidade seja imune à Cofins. Portanto, a decisão do STF eliminou virtualmente as distinções que poderiam ser feitas, relativamente às duas situações analisadas, no que tange à gratuidade dos serviços (instituição de assistência social, isenta da Cofins, relativamente às receitas de atividades próprias; entidade beneficente de assistência social, imune à Cofins), permanecendo apenas os demais requisitos exigidos pela Lei n° 8.212, de 1991, que, de toda forma, não são preenchidos pela recorrente, ao menos para parte do período objeto do pedido de restituição. Vale reforçar a informação que o STF entendeu que a Lei n° 9.732, de 1998, seriam inconstitucionais apenas no aspecto material, por restringir o conceito de assistência social previsto na Constituição. Nesse contexto, considerou o Tribunal que a inconstitucionalidade formal (por se tratar de lei ordinária) não poderia ser declarada por dois motivos: 1) a tese de que lei ordinária poderia tratar da matéria é tão relevante quanto à tese contrária (e, acrescente-se, encontra respaldo no próprio STF); 2) se se declarasse a ineonstitucionalidade formal da Lei n 9 9.732, de 1998, passariam a viger as disposições anteriores da Lei n 0 8,212, de 1991, que é também lei ordinária e não foi impugnada nas ADI. De toda forma, conclui-se que o raciocínio adotado pelo Tribunal, ainda que seja "obter dictum", revela que a Lei n° 8,212, de 1991, é a lei que regulamenta o art.. 195, § da Constituição. Não sendo satisfeitas tais disposições, não há que se reconhecer o direito à imunidade. Além disso, a questão de mérito relativa à gratuidade e demais alterações promovidas pela Lei n° 9„7.32, de 1998, está em discussão no Supremo Tribunal Federal, a quem caberá a última palavra. Mas, no que tange ao presente processo, importa saber se a suspensão tem efeitos ex-tunc ou ex-n une e quais são exatamente as consequências da suspensão da eficácia, 1 22 À primeira vista, a questão tem semelhanças com a chamada renúncia às instâncias administrativas.. Entretanto, a semelhança não é suficiente para caracterizar a renúncia Primeiramente, por que a ação direta de inconstitucionalidade - ADI não é ação condenatória e, portanto, não obriga a União a restituir nada. Ademais, o objeto da ação é a lei, de forma que é ação abstrata, e os autores são apenas aqueles constitucionalmente legitimados, de fbrma que não se pode atribuir à recorrente o ato de renuncia. Veja-se que a tese que considera haver, na ADI e ADC, substituição processual genérica é muito controvertida, de forma que não se pode atribuir aos contribuintes a condição de autores substituídos da ação. Além disso, trata-se de questão que versa sobre inconstitucionalidade de lei. Em principio, é defeso ao Cari; à vista da disposição do art. 62 de seu Regimento Interno (anexo II da Portaria MF if 256, de 2009), afastar a aplicação da lei, sob a alegação de inconstitucionalidade, conforme demonstra a reprodução do dispositivo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar- de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionandade Parágralb único. O disposto no capa! não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo - 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de • a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na fina dos arts 18 e 19 da Lei n° 10522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993 O dispositivo é claro ao dizer que, no tocante às ações diretas, deve haver declaração de inconstitucional idade definitivamente reconhecida por decisão publicada. Entretanto, a Portaria foi omissa no tocante a questão da suspensão da eficácia de lei.. Já o Decreto IV 2.346, de 1997, que regulamentou a disposição da Lei n' 9.430, de 1996, art. 77, e serviu de embasamento ao citado art. 62, passou a tratar da matéria de forma limitada, com as alterações do Decreto n, 3..001, de 1999, em seu art. 1"-A: Art. 1-A Concedida cautelar emir ação dir .eta de incon.stitucionalidade contra lei ou ato normativo federal, .ficará também suspensa a aplicação dos atos normativos Processo n" 10980 008889/2002-19 Ar:rir-cirro n "3302-00,.602 S3-C312 F-1 12 regulamentadores da disposição questionada. (Artigo incluído pelo Decreto n 3 001, de 26 3.1999) Parágrafo único Na hipótese do capa relativamente a matéria tributária, aplica-se o disposto no art. 1.51, inciso IV, da Lei na .5.172, de 25 de outubro de 1966, às normas regulamentares e complementares. (Parágralb incluído pelo Decreto n" 3..001, de 26..3 1999) A referência do parágrafo único é a hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário prevista no CTN: Art, 1.51 Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Observe-se que a referência do citado parágrafo único é "às normas regulamentares e complementares" e não à norma legal suspensa. Portanto, o efeito da suspensão do crédito tributário não decorre da suspensão da norma legal, mas da suspensão das normas regulamentares e complementares, à vista do disposto no caput do art. laA do Decreto n°2346, de 1997, com a redação dada pelo Decreto ri' .3.001, de 1999. Claro está que o Decreto não equiparou a suspensão da eficácia da lei por medida cautelar concedida em ADI pelo Supremo Tribunal Federal à concessão de medida liminar em mandado de segurança. Assim, é elementar que a referida suspensão tem efeitos muito mais abrangentes do que o de suspender o crédito tributário. Trata-se de impossibilidade de aplicação da lei cuja eficácia tenha sido suspensa, Martins5: A respeito da questão, leciona Alexandre de Moraes, citando Ives Gandra O art. 102, I, p, da Constituição Federal prevê a possibilidade de solicitação de medida cautela,- nas ações diretas de inconstitucionalidade, necessitando, porém, de comprovação de perigo de lesão irreparável, uma vez tratar-se de exceção ao princípio seguindo o qual os atos normativos são presumidamente constitucionais. Como salienta Ives Gandra Martins, por "ser da natureza dessa medida garantir os efeitos definitivos cla ação — visto que no processo cautelar garante a liminar a utilidade do provimento decorrente de prestação lurisdicional principal, ao contrário da liminar em mandado de segurança, que garante o próprio direito lesado ou ameaçado — tem o STF entendido desde a Representação 1.391/CE que os efeitos da liminar são ex nunc e não ex tune.- O que tem decidido a Suprema Corte, nas liminares concedidas contra o Poder Público no processo cautelar de ações diretas, é que a 5 DIREITO Constitucional, 7' Ed. Sào Paulo, Atlas, 2000, Ps. 589-90, liminar suspende a eficácia e a vigência da 'mima, mas não desconstitui ainda as relações jurídicas constituídas e completadas. Em outras palavras, as relações jurídicas já constituídas, à luz de um direito tido por constitucional, não serão desconstituídos por . força da medida liminar-, mas apenas pela decisão definitiva ou pela discussão em sede de controle difitso". (3: MA.RTINS, hes Gancha. Repertório 10B de jurisprudência, n 8/95, p 150,-144, abr 199.5.) Dessa maneira, a eficácia da liminar nas ações diretas de inconstitucionalidade, que suspende a vigência da lei ou do ato normativo arguido como inconstitucional, opera com eleitos ex num, ou seja não retroativos, portanto, a partir do momento em que o Supremo Tribunal Federal a defere, sendo incabível realização de ato com base na norma suspensa (4. Cf "Deferida liminar . pelo STF determinando a suspensão ex nunc da eficácia do § 2" do ai!. 276 da Lei n. 10.098/94, ./hz-se incabível a realização de ato pela Administração com base na norma suspensa" IST:1 — 5" T. RMS n. 7.724-0/RS .Re! Min. Edson Vidigal, Diário de Justiça, Seção 1, 18 ago 1997, Ementário STj 19/1461).Excepcionalmente, porém, desde que demonstrada a conveniência e declarando expressamente, o Supremo Tribunal Federal concede medidas liminares com efeitos retroativos (ex tunc)(./. STF — Pleno — Adin 11 1.801-7/PE — medida liminar — Rei Min Mauricio Corrêa, Diário de Justiça, Seção L 18 mar 1998, capa; STF — Pleno — Adin n. 1 592-3/DF — medida liminar Rel M111. Moreira Alves, Diário de Justiça, Seção 1, 17 abr 1998) Esse entendimento pacificado do STF fin . formalizado pela Lei n. 9.868/99, que no § I", de seu ar! 11, estabelece que a medida cautelar, dotada de eficácia contras todos, será concedida com efeitos ex nunc, salvo se o Tribunal entende,' que deva conceder-lhe eficácia retroativa. De fato, determina a Lei d . 9..868, de 1999: Art 11 Concedida a medida caldeira, o Supremo Tribunal Federal . fará publicar- em seção especial do Diário Oficial da União e do Diário ria Justiça da União a parte dispositiva ria decisão, no prazo de dez dias, devendo solicitar as informações à autoridade da qual tiver emanado o ato, observando-se, no que couber, o procedimento estabelecido na Seção 1 deste Capítulo § 1" A medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com eleito ex nunc, salvo se o 15-ibunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa )ç • 2 A concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação anterior acaso existente, salvo expressa manifestação em sentido contrário No caso dos autos, a referida medida liminar foi publicada em 2 de agosto de 1999 (a publicação de 16 de junho de 2000 disse respeito ao referendo do pleno), conforme informado no sistema de acompanhamento processual do STF (http:// www ,stf govvbr/ processos/ processo.asp? PROCESSO=2028 &CLASSE=ADI-MC&ORIGEM—JUR &RECURSO-0 &TIP JULGAMENTO=M): 24 Processo n" 10980 008889/2002-19 S3-C3T2 Acórdão n." 3302-00A02 ri 13 Não restam dúvidas de que as disposições legais em análise (da Lei n' de 1998) deveriam ser aplicadas até 1" de agosto de 1999. A partir daí, conforme disposição do citado § 2, passaram a ser aplicadas as disposições da redação original da Lei ne 8.212, de 1991. Ademais, depois dessa data, ficou vedada a prática de qualquer ato administrativo com base nas disposições com eficácia suspensa. Dessa forma, até l' de agosto de 1999 ainda são exigidas as condições da Lei n' 9.7.32, de 1998. Ressalte-se que as alterações legislativas promovidas pela Lei n' 9..732, de 1998, tiveram vigência a partir de abril de 1999, conforme seu art. 5 Q, abaixo reproduzido: .Art. O disposto no art. 55 da Lei n' 8,212, de 1991, na sua nova redação, e no art. 4' desta Lei terá aplicação a partir da competência abril de 1999. No tocante aos períodos anteriores a abril de 1999, vigiam as disposições originais da Lei ng 8,212, de 1991. No tocante a esses períodos, se o STF suspendeu exatamente as disposições legais que exigiam, para a fruição da imunidade, a prestação de serviços gratuitos, então é óbvio que, anteriormente à vigência das alterações legais, não havia tais restrições. Somente se aplicavam as disposições da redação original do art. 55. Essa questão supera a própria matéria discutida no STF, pois há uma alteração legislativa instituindo novas condições para a fruição da imunidade. Dessa forma, é lógico que, anteriormente às alterações da Lei if 9.732, de 1998, não havia tais exigências, especialmente a relativa à prestação de serviços gratuitos. Portanto, para o caso dos autos, até entrada em vigor da Lei n' 9,732, de 1998, e a partir de 2 de agosto de 1999, é aplicável o art. 55 da Lei ne 8„212, de 1991, em sua redação original. Ao período intermediário, aplicam-se também as exigências adicionais da Lei IV 9.732, de 1998, Em ambos os casos, a Interessada não demonstrou satisfazer as exigências legais, conforme ressaltado no acórdão de primeira instância, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário da Interessada, Jós,é AnterdB-Fi-ancisco 25
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000259/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/07/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.018
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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E OUTRO Recorrida DRJ-SÀO PAULO 11/SP • ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1998 a 31/07/1998 • CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos tennos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fimdamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 40 ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. LUAS SAMPAIOSAMPAIO FREIRE - Presidente .14111111, St.h. annia0 RYCADO H IRIQUE MAGALHÂES DE OLIVEIRA—Relatorç‘tiii Participaram, do presente .ulg• -nto, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de z• Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. • 2 Processo n° 16095.000259/2007-63 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.018 Fl. 235 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VE1CULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCL1 RIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. • O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vincidante n" 08, disciplinando a matéria. In • CaSti, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § tr ou 173, do Cl?!). É o relatório. 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2° Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE FUJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. lSala das Sessõe . i 24 de fevereiro de 2010 ia .010~1.n RYCARDO HE Í. QUE AGALHAES DE OLIVEIRA - Relator Ç. Í 4 ; nn MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ;IV,:i QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 16095.000259/2007-63 Recurso n°: 163.012 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria • Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) • Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda , Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.018 Brasília, de arço de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: 1 Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10167.001312/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
EMPRESAS PÚBLICAS. CONTRATAÇÃO DE EXECUÇÃO DE OBRA POR EMPREITADA TOTAL. SOLIDARIEDADE PELO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
As empresas públicas não respondem solidariamente pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal com as prestadoras de serviço que executem obra de construção civil pelo regime de empreitada total.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.290
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 EMPRESAS PÚBLICAS. CONTRATAÇÃO DE EXECUÇÃO DE OBRA POR EMPREITADA TOTAL. SOLIDARIEDADE PELO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. As empresas públicas não respondem solidariamente pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal com as prestadoras de serviço que executem obra de construção civil pelo regime de empreitada total. Recurso Voluntário Provido.
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CONTRATAÇÃO DE EXECUÇÃO DE OBRA POR EMPREITADA TOTAL. SOLIDARIEDADE PELO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. As empresas públicas não respondem solidariamente pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal com as prestadoras de serviço que executem obra de construção civil pelo regime de empreitada total. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório O lançamento em questão diz respeito à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º 37.059.3634, na qual é apurada a contribuição dos segurados e da empresa para a Seguridade Social, incluindo aquela destinada ao financiamento dos benefícios acidentários, apuradas em razão da responsabilidade solidária da notificada (contratante) pelo cumprimento da obrigação principal decorrente da execução de obra de construção civil por empreitada global. O crédito, com data de consolidação em 11/12/2006, assumiu o montante de R$ 43. 037,85 (quarenta e três mil, trinta e sete reais e oitenta e cinco centavos). De acordo com o relato do Fisco, fls. 23/29, constituem fatos geradores desta notificação as remunerações pagas aos segurados empregados da Empresa Quattor Engenharia S/C LTDA, apuradas em notas fiscais de serviços referentes à execução de obras de construção civil. Acrescentase que a presente NFLD foi lavrada com o objetivo de substituir a NFLD n.º. 35.564.2816, anulada pela 4.ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, no Acórdão 943/2005. Afirmase que a empresa notificada, mesmo intimada, não apresentou a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária, tendo exibido apenas cópias das notas fiscais e de um contrato de prestação de serviços. O Fisco informa também que a empresa prestadora, na defesa contra a NFLD substituída, apresentou guias de recolhimentos, as quais não foram consideradas, por não se referirem especificamente à obra de construção civil, estando vinculadas ao CNPJ da empresa. Asseverase ainda que o único contrato apresentado não contempla o fornecimento de material e que as notas fiscais mencionam apenas a prestação de serviços. Por esse motivo, a base de cálculo foi aferida indiretamente aplicandose o percentual de quarenta por cento sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviço. Foram acostadas cópias das notas fiscais, as quais indicam tratarse de execução por empreitada global, não sujeitas à retenção previdenciária, bem como do contrato de prestação de serviços exibido pela notificada. A ECT, cientificada do lançamento em 12/12/2006, apresentou impugnação, fls. 64/85, na qual, em síntese, alegou que: a) inexiste o débito lançado, posto que as guias colacionadas comprovam a quitação das contribuições pela empresa prestadora; b) não tendo a prestadora colocado trabalhadores a sua disposição para a realização de serviços contínuos, também não há o que se falar em solidariedade; c) a fiscalização inovou ao constituir este novo débito, já que se utilizou de período diverso do consignado na NFLD n° 35.564.2816; por conseguinte, valeuse de suposto fato gerador estranho àquele anteriormente lançado; Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10167.001312/200776 Acórdão n.º 240102.290 S2C4T1 Fl. 1.245 3 d) na ocasião do Débito n° 35.564.2816, parte da exação já se encontrava prescrita. Porém, agora, diante da nova NFLD (n° 37.059.3634), toda a cobrança está fulminada pela prescrição; e) a perda do direito do Fisco de efetuar o lançamento em razão do decurso de tempo deve ser regulado pelas normas do CTN; f) devem ser excluídos os diretores da condição de responsáveis pela dívida; g) a NFLD tem caráter confiscatório. Ao final, requereu: a) a declaração de nulidade ou o reconhecimento da improcedência da NFLD; b) caso assim não se entenda, que sejam abatidos os valores recolhidos, conforme provas acostadas; c) a produção de novas provas e a cientificação de qualquer ato do prestador de serviço que importe em alteração no lançamento. Cientificada do lançamento em 21/12/2006, a empresa Quattor Engenharia não se manifestou. A DRJ em Brasília resolveu converter o julgamento em diligência, fls. 212/214, para que o Fisco se pronunciasse sobre qual o regime de execução da obra e se a prestadora ostentava a condição de empresa construtora. Consta da Informação Fiscal de fl. 232 que os Correios confirmaram que o contrato foi executado por empreitada total e que, em pesquisa efetuada no CREA, ficou constatado que a empresa prestadora enquadrase como construtora. As empresas tomadora e prestadora se manifestaram sobre o teor da Informação Fiscal, apenas no sentido de confirmar as informações ali contidas e reiterar os termos da impugnação ofertada. A DRJ em Brasília declarou o lançamento procedente em parte, fls. 251/261, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 0 1 / 1 2 / 1 9 9 9 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos. CORESPONSÁVEIS. Correto é o procedimento fiscal que arrolou os diretores e presidentes da empresa pública como coresponsáveis pelo crédito tributário, em conformidade com o art. 42, da Lei 8.212/91. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Arguições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. Provada a oportunidade concedida à defendente para elidirse da responsabilidade solidária, não há que impingir ao Instituto a obrigação de demonstrar previamente que o crédito tributário não fora pago pelos demais responsáveis solidários. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTO. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. Há inversão do ônus da prova quando não houve a apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização, passíveis de elidir a responsabilidade solidária. O órgão de primeira instância afastou a tese da prescrição, defendendo a aplicação do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991, eximiuse de analisar as alegações de inconstitucionalidade, considerou que o Fisco pode constituir o crédito diretamente no tomador dos serviços, que os Correios, por ser empresa pública, não é albergado pela exclusão da responsabilidade solidária prevista no art. 184 da Instrução Normativa n.º 03/2005, que a documentação juntada não é hábil a comprovar a quitação das contribuições lançadas e que os acréscimos legais foram aplicados de acordo com a legislação de regência, não sendo procedente a alegação de confisco. A DRJ excluiu do crédito a competência 12/1999, uma vez que o período da NFLD substituída é de 01/2000 a 12/2001. Inconformada, a empresa notificada interpôs recurso voluntário, fls. 267/286, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) os exdiretores e expresidentes da ECT não podem ser responsabilizados pela dívida constante da NFLD, por serem empregados de empresa pública; b) o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias deve ser regulado pelas normas do CTN; c) não há quaisquer responsabilidade da Administração Pública por encargos previdenciários das empresas contratadas, por força do § 1.º do art. 71 da Lei n.º 8.666/1993; d) a responsabilidade do tomador dos serviços somente surge quando o crédito está definitivamente constituído, não podendo aparecer em fiscalização que não seja desencadeada no contribuinte responsável pela ocorrência do fato gerador, no caso a empresa prestadora; e) não se pode impor à contratante o ônus de provar que a sua contratada recolheu os tributos; f) com a nova redação do art. 31 da Lei n.º 8.212/1991 o contratante deixou de figurar como responsável solidário e passou a condição de substituto tributário; Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10167.001312/200776 Acórdão n.º 240102.290 S2C4T1 Fl. 1.246 5 g) há o risco de se cobrar a contribuição em duplicidade, caso não se fiscalize antes o prestador de serviço; h) os acréscimos legais foram aplicados em índices muito superiores aos legalmente autorizados, assumindo caráter de confisco; Ao final, pugna pela improcedência da NFLD ou o abatimento dos valores recolhidos. Essa Turma de Julgamento resolveu baixar o processo em diligência, fls. 302/303, para que a empresa prestadora fosse cientificada da decisão de primeira instância e para que se informasse acerca das datas de ciência do lançamento original pelas duas empresas envolvidas. A empresa Quattor Engenharia também interpôs recurso voluntário, fls. 317 e seguintes, arguindo, em síntese, que: a) a contagem do prazo decadencial deve ser efetuada conforme a Súmula Vinculante n.º 08; b) foi cientificada da NFLD somente em 21/12/2006, por isso a totalidade das contribuições lançadas encontrase fulminada pela decadência; c) a NFLD substituída circunscreviase ao período de 05/1995 a 12/1998, portanto, a Auditoria inovou no período da NFLD substitutiva, por isso deve ser decretada a sua nulidade; d) as guias colacionadas comprovam que foram quitadas as contribuições decorrentes da prestação de serviços pela totalidade dos seus trabalhadores, assim, logicamente estão incluídos aqueles que laboraram na obra de ECT, estando, assim, comprovada a quitação das contribuições lançadas; e) caso não se entenda pelo cancelamento do crédito, que sejam compensados os valores recolhidos. Ao final, requereu o cancelamento da NFLD ou a compensação dos valores recolhidos. É relatório. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Inicialmente cabe destacar que consultando o sítio do Conselho de Recursos da Previdência Social, pude verificar que o Acórdão n.º 943/2005, datado de 23/05/2005, anulou a NFLD n.º 35.564.2816 por vício formal, caracterizado pela ausência de citação pelo Fisco da fundamentação legal autorizativa da aferição indireta. Consta dos autos, fl. 249, que a ciência do crédito anulado deuse em 30/05/2003, tendo sido cientificadas ambas as empresas, conforme se verifica em excerto do relatório do acórdão do CRPS: “Ressaltase que a empresa prestadora de serviços foi cientificada da existência do presente lançamento, bem como da decisão proferida pela Gerência Executiva do Distrito Federal, mas não interpôs recurso administrativo.” Feitas essas considerações passemos a análise da arguição de decadência. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10167.001312/200776 Acórdão n.º 240102.290 S2C4T1 Fl. 1.247 7 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições ou para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Feitas essas considerações, devo inicialmente verificar o transcurso do prazo decadencial para o lançamento originariamente efetuado, qual seja a NFLD n.º 35.564.2816. O período do crédito é 01/2000 a 12/2001, portanto, considerandose a aplicação do § 4.º do art. 150 do CTN, haja vista haverem guias de recolhimento para a prestadora, a competência inicial (01/2000) poderia ser lançada até o mês de janeiro de 2005. Assim, não há o que ser falar em decadência, uma vez que a ciência do lançamento deuse ainda no ano de 2003. Para a NFLD lavrada em substituição, o prazo decadencial é contado pela regra do inciso II do art. 173 do CTN. Considerandose que a nulificação do lançamento original, por vício formal, deuse em 23/05/2005, o mesmo poderia ser constituído até o dia 22/05/2010, não havendo, assim, também que se cogitar do transcurso do prazo decadencial para a NFLD de que ora se cuida. A responsabilidade solidária da ECT Ao contrário do que afirmou a ECT em seu recurso, a alteração do art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, pela Lei n.º 9.711/1998, não provocou mudança na sistemática da responsabilidade solidária para os serviços de construção civil executados por empreitada total. Na verdade, tais serviços não são considerados cessão de mãodeobra pela legislação previdenciária, por força do VI do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 combinado com o art. 220, “caput “ e § 1.º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, nos seguintes termos: Lei n.º 8.212/1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (...) Regulamento da Previdência Social Art.220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. §1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. (...) Assim, embora, admitase a retenção das contribuições, a mesma é facultativa, tendo permanecido inalterado o dispositivo que prevê a responsabilidade solidária do proprietário da obra para com o construtor quanto o recolhimento das contribuições relativas aos trabalhadores envolvidos na execução contratual. Diante de tal situação vêse que o dispositivo aplicável ao presente caso é o inciso VI do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 e não o art. 31 da mesma Lei como afirma a empresa autuada. Este se aplica aos casos de contratação de serviço por cessão de mãodeobra, que é o caso de serviços de construção civil em que a contratada não assume integralmente a responsabilidade pela obra. Devese ponderar, todavia, se por força do art. 71 da Lei n. 8.666/1993, restaria afastada a responsabilidade solidária da ECT pelos débitos da sua contratada relativos à execução contratual sob enfoque. Vejamos o dispositivo: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. § 1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10167.001312/200776 Acórdão n.º 240102.290 S2C4T1 Fl. 1.248 9 execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) A abrangência do termo “Administração Pública” constante no § 1.º do art. 1. da Lei n. 8.666/93 levame ao entendimento de que a responsabilidade solidária decorrente do inciso VI do art. 30 da Lei n. 8.212/1991 não se estende também às empresas públicas, que é o caso da empresa autuada. Vejamos o que diz a Lei das Licitações: Art.1o Esta Lei estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Parágrafo único. Subordinamse ao regime desta Lei, além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Assim, tendose em conta que à Administração Pública somente se aplica a responsabilidade solidária decorrente da execução dos contratos referidos no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, não deve prosperar o presente lançamento, posto que fundamentado na responsabilidade solidária existente entre a ECT e a sua prestadora de serviço, por força do inciso VI do art. 30 da mesma Lei. Diante dessas considerações, devo declarar improcedente o crédito fiscal consubstanciado na presente NFLD. Conclusão Assim, voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13986.000093/2001-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Anocalendário:
1997
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O lançamento contém todos os requisitos legais para sua plena
validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, de modo a proporcionar ao autuado seu regular exercício do direito de defesa. Hipótese em que o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas
de forma meticulosa.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MÉDICO FORA DO ÂMBITO DE UMA SOCIEDADE CIVIL. É tributada como rendimento de pessoa física a remuneração por serviços prestados de natureza pessoal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.325
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para determinar a compensação dos tributos federais recolhidos na pessoa jurídica.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O lançamento contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, de modo a proporcionar ao autuado seu regular exercício do direito de defesa. Hipótese em que o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MÉDICO FORA DO ÂMBITO DE UMA SOCIEDADE CIVIL. É tributada como rendimento de pessoa física a remuneração por serviços prestados de natureza pessoal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para determinar a compensação dos tributos federais recolhidos na pessoa jurídica. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0710.877, proferido pela 3ª Turma da DRJ Florianópolis (fl. 68), que julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Por meio do auto de infração de fls. 17 a 21 exigese a quantia de R$19.293,50, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, com incidência de multa de oficio de 75% e juros de mora, relativo ao anocalendário 1997, decorrente da seguinte infração: • Rendimentos recebidos da atividade de médico, indevidamente equiparado à pessoa jurídica (Clínica Médica Dr. Josué de Carvalho S/C Ltda.), no valor total anual de R$77.174,00 (conforme informações trimestrais contidas na declaração da própria Clínica). Enquadramento legal: RIR199, art. 150, § 2°, inciso I. Na peça de impugnação o interessado contesta o lançamento com base nos seguintes argumentos: • O lançamento seria nulo, pois não conteria fundamentação ou motivação. No entendimento do interessado a indicação feita pela autoridade lançadora de que a autuação decorre do recebimento de rendimentos da atividade de médico, "indevidamente equiparado à pessoa jurídica", não seria correta. Diz também que não foram declinadas as razões que conduziram à desconsideração da personalidade jurídica da Clinica Médica Dr. Josué de Carvalho Ltda. e a tributar os valores recebidos por essa na pessoa física do impugnante. O interessado prossegue nessa linha, fazendo menção ao art. 142 do Código Tributário Nacional, ao art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e a decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes, e assevera: Assim, o auto de infração é nulo, porque pretere formalidades essenciais à validade do ato, além de prejudicar o direito de defesa do contribuinte que se vê obrigado a deduzir defesa ampla e genérica, sem ter como aferir do quê realmente deve se defender. • Não seria possível a desconsideração da pessoa jurídica legalmente constituída. Fazendo referência aos arts. 146 e 147 do RIR199, o interessado assevera: Fl. 120DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 13986.000093/200167 Acórdão n.º 210101.325 S2C1T1 Fl. 108 3 A simples leitura dos dois artigos supra transcritos deixa claro que o auto de infração parte de premissa equivocada. Primeiro, porque não se tratava de uma empresa individual, como pressupõe a fiscalização quando fundamentou sua pretensão no art. 150, § 2°, inciso I do RIR/99. Segundo, porque Clínica Médica Dr. Josué de Carvalho S/C Ltda. é uma pessoa jurídica devidamente constituída, registrada na Junta Comercial, bem como no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNP'J sob n° 00.088.254/000103, possuindo inclusive funcionários como comprovam os documentos em anexo. • Não há impedimento para a formação de sociedade entre marido e mulher, nem quanto à falta de qualificação técnica desta: Nem tampouco, se alegue impossibilidade da constituição da sociedade pelo fato da sócia Gláucia Covolo de Carvalho não ser médica. O Conselho Regional de Medicina não veda a constituição de tal sociedade, exige apenas a existência de um médico diretor técnico, que é o responsável pelo estabelecimento de saúde. Nem se vê qualquer exigência pela Lei Tributária ou Civil. O fato do Impugnante ser o médico diretor técnico e responsável pela prestação dos serviços inerente a sua qualificação técnica, não impede a constituição da sociedade denominada Clínica Médica Dr. Josué de Carvalho Ltda. • Argumenta ser ilegal o § 2° e seus incisos, do art. 150, do RIR/99, por ser incompatível com o sistema tributário atual. • Possibilidade de tributação pelo Lucro Presumido. Informa que a pessoa jurídica já mencionada tributou suas receitas pelo Lucro Presumido, conforme comprova a DIPJ que acompanha a impugnação. A opção por essa forma de tributação tinha amparo legal. As normas legais que regularam a tributação das pessoas jurídicas com base no Lucro Presumido, desde o advento da Lei n° 8.541, de 23/12/92, sempre deixaram bem clara a possibilidade de opção para as empresas em que prepondera o exercício pessoal do profissional legalmente habilitado, como é o caso de médicos, dentistas, advogados, psicólogos, engenheiros e outros. Confirase: "Art. 14. 1.4 § 1° Nas seguintes atividades o percentual de que trata este artigo será de: c.1) prestação de serviços, cuja receita remunere essencialmente o exercício pessoal, por parte dos sócios, de profissões que dependam de habilitação profissional legalmente exigida; Em seguida transcreveu o art. 28 da Lei n° 8.981, de 20/01/1995, cujo item "c.1", de seu parágrafo primeiro, tem o mesmo texto transcrito acima. E afirma: Fl. 121DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 4 Com isso fica demonstrado que historicamente os serviços civis de profissionais legalmente habilitados, em que a receita por eles auferida remunera essencialmente o exercício pessoal da profissão, a partir de 1986, puderam ser tributados pelo Lucro Presumido, não podendo prosperar a pretensão fiscal. Também transcreveu o art. 15, § 1°, III, "a" da Lei n° 9.249, de 26/12/1995, que tem a seguinte redação: Art. 15º A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória n°252, de 15/06/2005) § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [..] trinta e dois por cento, para as atividades de: ( 'ide Medida Provisória n°232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Prossegue neste item demonstrando a forma de tributação de serviços médicolaboratoriais, e finaliza requerendo o cancelamento do auto de infração. Em seu apelo ao CARF (fls. 80/101) o contribuinte recapitula os fatos, comenta os termos da decisão recorrida, discute a legislação pertinente e transcreve doutrina e jurisprudência que entende ser aplicável ao caso em exame, pugnando, ao final, pelo cancelamento do crédito tributário em litígio. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo tosta Santos O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. Não se constata no Auto de Infração, às fls. 17/21, qualquer violação ao artigo 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, eis que a infração fiscal imputada ao sujeito passivo encontrase regularmente descrita, possibilitandoo elaborar substanciosa peça defensiva, onde demonstra amplo conhecimento da matéria de fato e de direito em litígio. Também não se verifica as hipóteses do artigo 59 do mesmo diploma legal, a conspurcar de nulidade o Auto de Infração. Vale frisar, ad argumentandum, que mesmo na hipótese suscitada pelo contribuinte em seu recurso, a egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, em casos semelhantes, já firmou o entendimento que o simples equívoco quanto ao dispositivo legal citado no auto de infração não leva a sua anulação, consoante se extrai do seguinte acórdão, ora trazido à baila: Fl. 122DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 13986.000093/200167 Acórdão n.º 210101.325 S2C1T1 Fl. 109 5 “NORMAS PROCESSUAIS CAPITULAÇÃO LEGAL NULIDADE INEXISTENTE. O estabelecimento autuado defendese dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo. IPI MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DECRÉDITO A mera falta de lançamento do imposto nas notas fiscais respectivas, é suporte fático suficiente para a aplicação da multa de lançamento de ofício, mesmo nos casos em que o período de apuração apresente saldo credor na escrita fiscal. Recurso especial provido.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Acórdão CSRF/0202.301, relator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, sessão de 25.04.2006) No mesmo diapasão, o entendimento manifestado sobre o tema pelo Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº 182.364 (DJU de 26.6.00, p. 207), é que o sistema preconiza para o reconhecimento da nulidade do ato processual a necessidade que se demonstre, de modo objetivo, os prejuízos conseqüentes, com influência no direito material e reflexo na decisão da causa. No mérito, a matéria não é nova neste Conselho, que vez por outra é instada a decidir em litígios decorrentes de lançamentos em que o fisco, diante de situações em que contribuintes constituem empresas através das quais realizam serviços de natureza pessoal, sujeitos à tributação das pessoas físicas. No cerne dessa questão está a dualidade de regimes tributários, muito própria do imposto de renda, que, assim como outros impostos, podem ter contribuintes pessoas físicas e pessoas jurídicas, mas que, no caso específico do imposto de renda, a tributação de uns e de outros são marcadas por diferenças profundas, estruturais, nos critérios de apuração dos elementos essenciais da relação obrigacional tributária, em especial da base tributável. Diferenças essas tão acentuadas no caso do imposto de renda, tão cristalizada que é essa fronteira entre o IRPF e o IRPJ que muitas vezes se trata um e outro quase como se fossem impostos distintos, que sabemos não ser o caso. Um primeiro ponto a se destacar é que no ordenamento jurídico tributário brasileiro não existe um imposto de renda das pessoas físicas e um imposto de renda das pessoas jurídicas, mas um único Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, cujo fato gerador está definido no art. 43 do CTN. Essa diferenciação entre os regimes tributários das pessoas físicas e o das pessoas jurídicas se dá, no nosso ordenamento jurídico tributário, inteiramente, no nível da legislação ordinária. Esse breve intróito, foi muito bem argumentado pelo ilustre Conselheiro Pedro Paulo da Silva Pereira Barbosa, a quem peço vênia para transcrever os abalizados fundamentos explanados no Acórdão de nº 10622.725, com os quais concordo, acerca da legislação pertinente a essa matéria: Um exame da legislação do Imposto de Renda, já desde o DecretoLei nº 5.844, de 1943, demonstra, com clareza, que esta tem, sistemática e coerentemente, feito essa distinção levando em conta, precisamente, propriedade ou posse do bem produtor da renda e a natureza da renda auferida. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 6 O DecretoLei nº 5.844, de 1943 já fazia claramente essa distinção, senão vejamos: Art. 1º As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil que tiverem renda liquida anual superior a vinte e quatro mil cruzeiros (Cr$ 24.000,00), apurada de acordo com este Decreto lei, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção de nacionalidade, sexo, idade, estado ou profissão. (Redação dada pelo DecretoLei nº 8.430, de 24.12.1945) Parágrafo único. São também contribuintes as que perceberem rendimentos de bens de que tenham a posse, como se lhes pertencessem, de acordo com a legislação em vigor. Art. 18 Constitui rendimento líquido, em cada cédula, a diferença entre o rendimento bruto e as deduções cedulares. Parágrafo único. Quando não for solicitada dedução ou quando esta não tiver cabimento, tomarseá como líquido o rendimento bruto declarado. Na cédula "D" eram classificados os rendimentos não compreendidos nas demais cédulas, aí incluindose os rendimentos de prestação de serviços, que por sua pertinência com a matéria ora em exame transcrevo a seguir o artigo correspondente do referido DecretoLei: Art. 6° Na cédula "D" serão classificados os rendimentos não compreendidos nas outras cédulas, tais como: a) honorários do livre exercício da profissão de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, contador e de outras que se lhes possam assemelhar. (Redação dada pela Lei nº 154, de 1947). b) proventos de profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais; c) remunerações dos agentes, representantes e outras pessoas que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria; d) emolumentos e custas dos serventuários de justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; e) corretagens e comissões dos corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos; f) lucros da exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetônicos, topográficos, terraplenagem, construções de alvenaria e outras congêneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções; g) ganhos da exploração de patentes e invenção, processos ou fórmulas de fabricação, quando o possuído auferir lucros sem as explorar diretamente (redação dada pela Lei nº 154, de 1947); h) (Suprimido pela Lei nº 154, de 1947). Já a tributação das pessoas jurídicas foi tratada do seguinte modo no Decreto Lei nº 5.844, de 1943: Fl. 124DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 13986.000093/200167 Acórdão n.º 210101.325 S2C1T1 Fl. 110 7 Art. 27 As pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no Brasil, que tiverem lucros apurados de acordo com este decreto lei, são contribuintes do imposto de renda, sejam quais forem os seus fins e nacionalidade. § 1° Ficam equiparadas às pessoas jurídicas, para efeito deste decretolei, as firmas individuais e os que praticarem, habitual e profissionalmente, em seu próprio nome, operações de natureza civil ou comercial com o fim especulativo de lucro. § 2° As disposições deste artigo aplicamse a todas as firmas e sociedades, registradas ou não. Notese que as atividades de natureza civil ou comercial praticadas com o fim especulativo de lucro, mesmo que por pessoas físicas e por firmas individuais, isto é, firmas ou sociedades, "registradas ou não", devem ser tributadas por contribuintes pessoas jurídicas; já os salários, honorários do livre exercício de profissões, proventos de ocupações ou prestação de serviços não comerciais, etc. devem ser tributados como rendimentos de pessoas físicas. Com isso, a legislação claramente adota, na distinção entre contribuintes pessoas físicas e contribuinte pessoas jurídicas, a natureza da renda. Isto é, os lucros, entendidos este como produto da atividade comercial e/ou especulativa, são tributados como imposto de renda de pessoas jurídicas; os rendimentos decorrentes do trabalho pessoal são tributados como rendimentos de pessoas físicas. Essa definição permanece até os dias de hoje. Está assim definida no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99: Art. 2º As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção na nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão (Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 43, e Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 4º). § 1º São também contribuintes as pessoas físicas que perceberem rendimentos de bens de que tenham a posse como se lhes pertencessem, de acordo com a legislação em vigor (Decreto nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 45). § 2º O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85 (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 2º)". Art. 146. São Contribuinte do imposto e terão seus lucros apurados de acordo com este Decreto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 27): I – as pessoas jurídicas (Capítulo I); II – as empresas individuais (Capítulo II); Fl. 125DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 8 § 1º As disposições deste artigo aplicamse a todas as firmas e sociedades, registradas ou não (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 27, § 2º). § 2º As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência do imposto aplicável às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 60). § 3º As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos aos exercício de profissões legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 55). § 4º As empresas públicas e as sociedades de economia mista, bem como suas subsidiárias, são contribuintes ns mesmas condições das demais pessoas jurídicas (CF. art. 173, § 1º, e Lei nº 6.264, de 18 de novembro de 1975, arts. 1º a 3º). § 5º As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitamse às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei nº 9.432, de 1997, art. 69). § 6º Sujeitamse à tributação aplicável as pessoas jurídicas o Fundo de Investimento Imobiliário nas condições previstas no§ 2º do art. 752 (Lei nº 9.779, de 1999, art. 2º). § 7º Salvo disposição em contrário, a expressão pessoa jurídica, quando empregada neste Decreto, compreende todos os contribuintes a que se refere este artigo. Art. 150. As empresas individuais, para efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: I – as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "a"); II – as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "b"). III – as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de térreos da Seção II deste Capítulo (Decretolei nº 1.831, de 23 de dezembro de 1974, arts. 1º e 3º, inciso III, e DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). § 2º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: Fl. 126DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 13986.000093/200167 Acórdão n.º 210101.325 S2C1T1 Fl. 111 9 I – médico, engenheiro, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "a", e Lei nº 4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º); II – profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "b"); III – agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "c"); IV – serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "d"); V – corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "e"); VI – exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetônicos, topográficos, terraplanagem, construções de alvenaria e outros congêneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "f"; VII – exploração de obras artísticas, didáticas, científicas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, salvo quando não explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "g"). Art. 219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 9.891, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorra de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei nº 7.450, de 1985, art. 51, Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II)." O Decretolei nº 2.397, de 1987 introduziu um regime especial de tributação para as sociedades civis de profissões legalmente regulamentadas, admitindo a apuração do resultado na pessoa jurídica, sem a incidência do imposto na pessoa jurídica, porém determinando a distribuição automática dos resultados, de acordo com a participação de cada sócio na sociedade, ao fim de cada período de apuração, com a incidência do imposto na pessoa física. A seguir transcrevo o próprio DecretoLei: Fl. 127DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 10 DecretoLei nº 2.397, de 1987 Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1989, não incidirá o Imposto de Renda das pessoas jurídicas sobre o lucro apurado, no encerramento de cada períodobase, pelas sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País. § 1° A apuração do lucro de cada períodobase será feita com observância das leis comerciais e fiscais, inclusive correção monetária das demonstrações financeiras, computandose: I as receitas e rendimentos pelos valores efetivamente recebidos no períodobase; II os custos e despesas operacionais pelos valores efetivamente pagos no períodobase; III as receitas, recebidas ou não, decorrentes da venda de bens do ativo permanente; IV o valor contábil dos bens do ativo permanentes baixados no curso do períodobase; V os encargos de depreciação e amortização correspondentes ao períodobase; VI as variações monetárias ativas e passivas correspondentes ao períodobase; VII o saldo da conta transitória de correção monetária, de que trata o art. 3°, II, do Decretolei n° 2.341, de 29 de junho de 1987. § 2° Às sociedades de que trata este artigo não se aplica o disposto no art. 6° do Decretolei n° 2.341, de 29 de junho de 1987. Art. 2° O lucro apurado (art. 1°) será considerado automaticamente distribuído aos sócios, na data de encerramento do períodobase, de acordo com a participação de cada um dos resultados da sociedade. 1° O lucro de que trata este artigo ficará sujeito à incidência do Imposto de Renda na fonte, como antecipação do devido na declaração da pessoa física, aplicandose a tabela de desconto do Imposto de Renda na fonte sobre rendimentos do trabalho assalariado, exceto quando já tiver sofrido a incidência durante o períodobase, na forma dos §§ 2° e 3º . 2° Os lucros, rendimentos ou quaisquer valores pagos, creditados ou entregues aos sócios, mesmo a título de empréstimo, antes do encerramento do períodobase, equiparam se a rendimentos distribuídos e ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda na fonte, na data do pagamento ou crédito, como antecipação do devido na declaração da pessoa física, calculado de conformidade com o disposto no parágrafo anterior. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 13986.000093/200167 Acórdão n.º 210101.325 S2C1T1 Fl. 112 11 3° O Imposto de Renda retido na fonte sobre receitas da sociedade de que trata o art. 1° poderá ser compensado com o que a sociedade tiver retido, de seus sócios, no pagamento de rendimentos ou lucros. Convém ressaltar, ainda, que a partir de janeiro de 1996, os lucros pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado passaram a não sofrer tributação, na fonte e na declaração e que, a partir da Lei nº 9.430, de 1996, as sociedades civis passaram a ter o mesmo regime de tributação das demais sociedades. Essa mudança legislativa foi introduzida pela Lei nº 9.249, de 1995, no seu artigo 10, caput, verbis: Art. 10 – Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do Imposto sobre a Renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo de Imposto sobre a Renda do Beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Já a Lei nº 9.430, de 1996 assim dispôs sobre a sociedades civis: Art. 55. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada de que trata o art. 1º do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, passam, em relação aos resultados auferidos a partir de 1º de janeiro de 1997, a ser tributadas pelo imposto de renda de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Notese que, com a combinação das regras do art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995 com o art. 55 da Lei nº 9.430, de 1995, a partir de 1º de janeiro de 1997, os resultados das sociedades civis de profissões legalmente regulamentadas passaram a ser tributados apenas nas pessoas jurídicas, assim como os resultados das demais pessoas jurídicas. Dessa análise, concluiu o eminente Conselheiro, que são contribuintes do imposto de renda como pessoas jurídicas as firmas individuais e as sociedades, inclusive as sociedades civis de profissões legalmente regulamentadas, registradas ou não, que obtiverem renda produzida pelo exercício de atividade civil ou comercial com o objetivo especulativo de lucro ou, no caso das sociedades civis, em decorrência do exercício regular da profissão regulamentada, sendo este, o lucro (real, presumido ou arbitrado) e não outro tipo de renda qualquer, a base de cálculo do imposto; são contribuintes pessoas físicas as pessoas naturais que aufiram rendimentos e proventos diversos, que não sejam produto do exercício regular de atividade comercial ou especulativa de lucro, como rendimentos do trabalho assalariado, exercício individual de profissão, prestação de serviços não comerciais, etc. Não se trata de aplicação de norma antielisiva, tendo em vista o procedimento do contribuinte de constituição de empresa para, em nome dela, realizar contrato de prestação de serviços, de natureza pessoal, não se caracteriza como elisão fiscal, pela simples razão de que não é lícito tal procedimento, o que afasta o requisito fundamental da elisão – a licitude da conduta. Analisando os artigos 146 a 150 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, concluise que as atividades exercidas por pessoas físicas, nas situações abaixo relacionadas, não se caracterizam como empresa, ainda que se Fl. 129DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 12 encontrem cadastradas no CNPJ, sob a forma individual ou Ltda. que tenham seus atos constitutivos registrados em Cartório ou Junta Comercial: (1) a pessoa física que, individualmente, exerça profissões ou explore atividades sem vínculo empregatício, prestando serviços profissionais, mesmo quando possua estabelecimento em que desenvolva suas atividades e empregue auxiliares, a exemplo de: médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; (2) a pessoa física que explore, individualmente, contratos de empreitada unicamente de mãodeobra, sem o concurso de profissionais qualificados ou especializados; (3) a pessoa física receptora de apostas da Loteria Esportiva e da Loteria de Números (Lotomania, Supersena, MegaSena etc) credenciada pela Caixa Econômica Federal, ainda que, para atender exigência do órgão credenciador, esteja registrada como pessoa jurídica, e desde que não explore, no mesmo local, outra atividade comercial; (4) representante comercial que exerça exclusivamente a mediação para a realização de negócios mercantis, como definido pelo art. 1º da Lei nº 4.886, de 1965, uma vez que não os tenha praticado por conta própria; (5) pessoa física que faz o serviço de transporte de carga ou de passageiros em veículo próprio ou locado, mesmo que ocorra a contratação de empregados, como ajudantes ou auxiliares. Como se observa, a legislação tributária nunca permitiu que as pessoas físicas que, individualmente, exerçam profissões ou explorem atividade de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas, tributassem seus rendimentos como se fossem pessoas jurídicas. Ora, não há dúvidas que os valores recebidos pelo suplicante são decorrentes de natureza eminentemente pessoal, ou seja, decorrem do fruto de seu desempenho pessoal. Da mesma forma, é sabido que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Entretanto, estas sociedades civis devem preencher determinadas condições, tais como: (a) a natureza de suas atividades e dos serviços prestados deve ser exclusivamente civil; (b) todos os sócios devem estar em condições legais de exercer a profissão regulamentada para a qual estiverem habilitados, ainda que diferentes entre si, desde que cada um desempenhe as atividades ou prestem os serviços privativos de suas profissões e esses objetivos estejam expressos no contrato social; (3) as receitas da sociedade devem provir da retribuição ao trabalho profissional dos sócios ou empregados igualmente qualificados; (4) as sociedades civis são aquelas em que todos os sócios estejam legalmente capacitados a atender às exigências dos serviços por elas prestados, etc. Com certeza não é o caso do contribuinte, já que a sociedade é formada por este e sua esposa, que nos Contratos Sociais juntado aos autos possui qualificada “do lar” (fl. 23) e “comerciante” (fl. 25). Ressaltese, por oportuno, que sob outras circunstâncias, não há qualquer impedimento para que os cônjuges constituam uma sociedade empresarial. Cumpre ainda acrescentar que no Livro de Registro de Empregados, à fl. 30, consta apenas o registro de uma recepcionista, o que evidencia tratarse especificamente do consultório médico do Dr. Josué Beyer de Carvalho, razão pela qual inaplicável a legislação do lucro presumido à espécie, pois aqui não se vislumbra uma sociedade de médicos, mas de atividade individual de médico, Fl. 130DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 13986.000093/200167 Acórdão n.º 210101.325 S2C1T1 Fl. 113 13 conforme descrito no Auto de Infração. Considerando que o autuado presta individualmente o serviço médico, sequer se poderia cogitar da possibilidade de tratarse de uma firma individual, por expressa vedação contida no artigo 150, § 2º, inciso I. Outra circunstância que denota o exercício individual da atividade de médico, em caráter personalíssimo, é que 100% do lucro distribuído pela “clínica” teve o autuado por beneficiário, conforme DIPJ à fl. 51, em dissonância com a sua “participação societária”, que é de 90% (fl. 52). Desta forma, não pode prevalecer o conceito de que seriam tributados como de pessoa jurídica todos os rendimentos que o contribuinte classificasse como tal, bastando para isso a existência de uma sociedade formal. Os rendimentos devem ser submetidos às normas de tributação relativas ao Imposto de Renda Pessoa Física, independendo a tributação da denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte e da forma de percepção das rendas, conforme dispõe o CTN. O legislador sempre foi inequívoco no sentido de que, em relação a salários e rendimentos produzidos pelo exercício de profissões e pela prestação de serviços de natureza não comercial, o contribuinte será a pessoa física que realiza pessoalmente o fato gerador. Neste sentido é a jurisprudência deste Conselho. A administração tributária, por sua vez, já se manifestou em diversas oportunidades a respeito desse assunto e numa delas, por meio do Parecer Normativo CST nº 38, de 24 de março de 1975 (DOU de 08.05.1975), ementou suas conclusões da seguinte forma: “Os rendimentos do trabalho percebidos por pessoa física em decorrência de atividade profissional não podem ser incluídos em declaração de pessoa jurídica, mesmo quando a pessoa física possua estabelecimento no qual desenvolve suas atividades e emprega auxiliares; a opção é incabível, por carência de direito.” Considerando que a legislação tributária, expressamente, define a forma de tributação para os rendimentos obtidos por profissionais no exercício individual de sua função, não pode remanescer dúvida de que os rendimentos obtidos pela contribuinte no exercício da atividade de médico devam ser tributados na declaração da pessoa física, sendo, por conseguinte, irrelevantes o registro no cadastro de pessoa jurídica, sob forma de empresa individual ou Ltda. O fato de se tratar de uma sociedade e não de firma individual em nada altera o entendimento dado pela fiscalização, já que a realização dos serviços somente pode ser exercida pelo sócio habilitado para tanto, tal como disposto no Contrato Social. Dessa maneira, não se pode negar que os valores percebidos são decorrentes da prestação pessoal e individual, decorrente do exercício da atividade médica. Nesse ponto, vale lembrar que a Lei nº 7.713, de 1988, é clara ao trazer em seu art. 3º, § 4º, que “a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte, por qualquer forma e a qualquer título”. Nessa linha de entendimento, o Código Tributário Nacional estabelece em seus artigos 114, 116 e 118, in verbis: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Fl. 131DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS 14 Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existente os seus efeitos: I – tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; (...) Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos; Tendo o fisco identificado que a contraprestação por essa atividade laboral foi paga a uma pessoa jurídica, nas condições relatadas acima, poderia e deveria requalificar os fatos para formalizar a exigência do imposto da pessoa física que, tendo relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, é o contribuinte, sujeito ao regime de tributação próprio das pessoas físicas. Não se trata aqui de desconsiderar a personalidade jurídica da Clínica Médica Josué Carvalho Ltda., mas tãosomente de requalificar os fatos, para a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, com faria, por exemplo, no caso de rendimentos de pessoa jurídica pago indevidamente a uma pessoa física, ou por convenção particular, os rendimentos devidos a uma pessoa fossem pagas a um terceiro. Ao exigir o imposto do verdadeiro sujeito passivo o Fisco não está de modo algum desconsiderando a personalidade jurídica pela aplicação de norma antielisiva. Devese considerar, entretanto, que se é lícito à autoridade administrativa requalificar os fatos para considerar como rendimentos das pessoas físicas os valores indevidamente declarados como receita da pessoa jurídica, deve, ao fazêlo, também considerar o tributo indevidamente pago pela pessoa jurídica. Nesse sentido são os Acórdãos 10418641 e 10614.244, dentre outros. Embora reconhecendo que a empresa da qual o autuado é sócio e sua pessoa física são entidades distintas, não se pode desconsiderar o fato de que, no exato instante em que a Fazenda Nacional afirma que os valores lançados como receitas da pessoa jurídica são rendimentos da pessoa física, está reconhecendo que os tributos recolhidos pela pessoa jurídica sobre essas mesmas receitas eram indevidos. Ou, de outra forma, reconhecendo que parte do tributo que a Fazenda deveria receber foi efetivamente pago, ainda que por outra entidade ou com outra denominação. Dirseá que a pessoa jurídica poderá pleitear a restituição do indébito como ressalta a decisão recorrida. Tal solução, entretanto, não é razoável. Primeiramente, porque afronta o princípio da celeridade e economia processuais; depois, porque entre uma e a outra opção opera uma grande diferença na base de cálculo da multa de ofício, em desfavor do contribuinte, caso não se proceda a compensação. Finalmente, porque imporia à empresa o ônus de, ao pleitear a restituição dos tributos e contribuições pagos, reconhecer que as receitas foram tributadas indevidamente na pessoa jurídica, contra suas próprias convicções, salvo se o pedido for formulado apenas após o trânsito em julgado na esfera administrativa e judicial, quando poderá sobrevir o término do prazo decadencial para pleitear a restituição, em prejuízo do contribuinte. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS Processo nº 13986.000093/200167 Acórdão n.º 210101.325 S2C1T1 Fl. 114 15 Notese, por fim, que a multa de ofício deve ser aplicada sobre a "totalidade ou diferença de tributo ou contribuição", conforme dicção do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Ora, no caso, de uma forma ou de outra, parte do imposto já foi pago e, portanto, a multa de ofício e os juros mora devem incidir apenas sobre a diferença, após a compensação dos tributos federais recolhidos no anocalendário de 1997 pela Clínica Médica Josué Carvalho Ltda,, CNPJ nº 00.088.254/000103, conforme DIPJ nos autos. Em face ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso, para determinar a compensação dos tributos federais recolhidos pela pessoa jurídica, com o crédito tributário objeto destes autos. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 133DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/1 1/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por JOSE RAIMUNDO TOS TA SANTOS
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Numero do processo: 10725.903029/2009-70
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do fato gerador: 30/06/2001
SERVIÇOS HOSPITALARES. PROMOÇÃO À SAÚDE.
Sujeitam-se a alíquota normal de 8% preconizada no art. 15, § 1º, inciso III, alínea “a” da Lei nº 9.250/95, os estabelecimentos hospitalares e clínicas médicas que prestam serviços de promoção à saúde, excetuadas as simples consultas médicas.
Numero da decisão: 1803-001.290
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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PROMOÇÃO À SAÚDE. Sujeitamse a alíquota normal de 8% preconizada no art. 15, § 1º, inciso III, alínea “a” da Lei nº 9.250/95, os estabelecimentos hospitalares e clínicas médicas que prestam serviços de promoção à saúde, excetuadas as simples consultas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório Fl. 63DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10725.903029/200970 Acórdão n.º 180301.290 S1TE03 Fl. 64 2 SONICS DIAGNÓSTICO POR IMAGEM LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face de despacho decisório eletrônico, por meio do qual não foi homologada compensação declarada pela interessada acima identificada na DCOMP retificadora de n° 42141.64010.240809.1.7.04 3013, indicando suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda —IRPJ, c6d 2089, no valor de R$ 6.961,45, do período de apuração (PA) 2° trimestre de 2001, para compensar débitos do PA 5ª semana de outubro de 2005, de imposto de renda retido na fonte IRRF, cod 0588, no valor de R$ 1.724,26 e IRRF, cod 1708, de R$ 47,84. 2. A compensação foi não homologada pela autoridade fazendária pelo Despacho Decisório n° 848590232, de 7/10/2009, sob o argumento de que, a partir das características do DARF discriminado na DCOMP acima identificada, o(s) pagamento(s) indicado(s) já teria(m) sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP 3. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade aos fls 1 e 2 alegando em síntese que: 3.1. o crédito pleiteado de pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco; 3.2. que o IRPJ supostamente devido pelo contribuinte no 2° trimestre de 2001 se constata pela DCTFretificadora entregue em 14/08/2009; 3.3 que a impugnante não apurou IRPJ a pagar em 30/06/2001, tendo realizado um pagamento indevido no valor de R$ 6.961,45, gerando por conseguinte o crédito de mesmo valor; 3.4. se conclui que o débito satisfeito com o valor pago que consta do DARF discriminado na DCOMP inexiste, pois o contribuinte nada devia a titulo de IRPJ no 2° trimestre de 2001, conforme DCTFretificadora; 3.5. de todo o exposto, requereu para ser recebida a manifestação de inconformidade, por sua tempestividade, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, e considerandoa procedente e reformando a decisão que não homologou a compensação. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10725.903029/200970 Acórdão n.º 180301.290 S1TE03 Fl. 65 3 A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão nº 1239.120, de 04 de agosto de 2011 (fls. 41/42v), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO RECONHECIDO. A falta de certeza e liquidez do crédito indicado na DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente • Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 30/08/2011, conforme ciência pessoal (fl. 56), apresentou o recurso voluntário em 08/09/2011 fls. 57/61, onde pugna pela existência do direito creditório conforme DCTF retificadora entregue em 14/08/2009 e com base no disposto na legislação tributária art. 15, § 1º, inc. III, alínea “a” da Lei nº 9.249/95. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com compensação (PER/DCOMP) indeferido por despacho eletrônico, por ausência do direito creditório. Alega a recorrente em síntese: a) A nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa; b) Que o indébito se refere a diferença de alíquota (8% e 32%) tendo em vista que exerce a atividade de serviços hospitalares, que estão abrangidos por alíquota específica; c) Que a DCTF retificadora apresentada, demonstra que a recorrente não deve imposto algum a título de IRPJ relativo ao 2º Trimestre de 2001, levando à conclusão de que todo o imposto recolhido em relação aquele período é indevido. Deixo de apreciar a preliminar de nulidade por pronunciar o mérito em favor da recorrente. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10725.903029/200970 Acórdão n.º 180301.290 S1TE03 Fl. 66 4 De fato, em que pese a deficiente instrução processual promovida pela recorrente no decorrer da marcha processual, constatase que quanto ao mérito assiste razão à interessada. Com efeito, a matéria comportou tormentosa discussão nos colegiados julgadores administrativos e judiciais, tendendo hora para uma corrente que se atinha à determinadas exigências de equipamentos e instalações hora apenas em relação ao serviços destinados à promoção da saúde. Prevaleceu a segunda tese sendo que o Superior Tribunal de Justiça prolatou acórdão submetido ao regime do Art. 543C do CPC, com a seguinte ementa: “DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que Fl. 66DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10725.903029/200970 Acórdão n.º 180301.290 S1TE03 Fl. 67 5 se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido.” RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES Nos embargos de declaração interpostos contra a decisão acima, foi deixado bem claro pelos Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça que são serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, excluídas as consultas médicas. Conforme a tela do CNPJ (fl. 10) constatase que a empresa tem por atividade a prestação de serviços de diagnóstico por imagem. Não há nos autos qualquer elemento que possa sugerir a existência de consultas médicas nas receitas auferidas pela recorrente, sendo portanto válida a conclusão de que todo seu faturamento no ano calendário 2001, faz jus à alíquota de 8% para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10725.903029/200970 Acórdão n.º 180301.290 S1TE03 Fl. 68 6 Afirma a recorrente que não tem imposto a pagar no 2º Trimestre de 2001 de acordo com a DCTF retificadora apresentada. Considerando, porém que tal declaração somente foi entregue em 14/08/2009 (fl. 21), fora, portanto do período decadencial de 05 (cinco) anos, não pode ser considerada para qualquer efeito, restando verificar a DIPJ do período para apurar o efetivo imposto devido. De acordo com a tela de sua DIPJ (fls. 39/40), é possível apurar o imposto devido ou a restituir no 2º Trimestre de 2001, considerando a confirmação do DARF recolhido em 31/07/2001 (fl. 20), e o IRRF não mais passível de verificação, conforme segue: DIPJ AC 2001 ENTREGUE CONSIDERADA PAGO A MAIOR RECEITA BRUTA 195.437,42 195.437,42 PERCENTUAL 32% 8% BASE CÁLCULO 62.539,97 15.634,99 ALÍQUOTA 15% 15% IRPJ DEVIDO 9.634,99 (*) 2.345,25 IRRF (2.673,54) (2.673,54) IRPJ A PAGAR 6.961,45 (328,29) 6.961,45 (*) inclui adicional de R$ 254,00 Destarte, considerando que com a alteração de percentual de 32% para 8% o imposto apurado é negativo, deve ser considerando integralmente como indébito o valor de R$ 6.961,45, constante do DARF recolhido em 31/07/2001. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido (R$ 6.961,45), atentandose, ainda, para a existência de outras compensações, objeto dos demais processos, que também utilizam o mesmo crédito ora reconhecido. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000261/2005-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
ITR - AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA.
A regra. expressa no artigo 17-0 da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do 1TR das Areas de preservação permanente e de utilização limitada. O ADA restringe-se a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental
acerca da existência de Areas de interesse ecológico.
Extrai-se do Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, em resposta à pergunta n° 40, que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaraiório, não sendo o único documento comprobatório da Area de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, que especifique e discrimine a Area de interesse ambiental. No caso, o laudo apresentado pelo contribuinte não está de acordo com tais requisitos.
1TR. AREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A Area de reserva legal somente sera considerada como tal, para efeito de exclusão da Area tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente aveibada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.174
Decisão: Acordam os Membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso em relação à área de preservação permanente. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Caio Marcos Candido, Julio César Vieira Gomes, Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso em relação à Área de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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A regra . expressa no artigo 17-0 da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do 1TR das Areas de preservação permanente e de utilização limitada. O ADA restringe-se a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de Areas de interesse ecológico. Extrai-se do Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, em resposta à pergunta n° 40, que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaraiório, não sendo o único documento comprobatório da Area de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, que especifique e discrimine a Area de interesse ambiental. No caso, o laudo apresentado pelo contribuinte não está de acordo com tais requisitos. 1TR. AREA DE RESERVA LEGAL.. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A Area de reserva legal somente sera considerada como tal, para efeito de exclusão da Area tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente aveibada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. t Allage — Rei rtor Gonç ifrocesso no 13116.000261/2005-97 CSRF- 1 2 cõrdão n." 9202-01.174 Fl 2 Acordam os Membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provirnento ao recurso em relação à área de preservação permanente. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Caio Marcos Candid°, Julio César Vieira Gomes, Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto. Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso em relação A. Area de reserva legal.. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage (Relator), Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoftimann. Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor. Carlos Alberto Fr i as Bane o Presidente Elias Sam lo Freire Redator-Designado EDITADO EM: 7 DEZ 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candid°, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Arruda Coelho Rinior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. ocesso e 131 6 000261/2005-97 CSRF-T2 Ac6rdzio n ° 9202-01,174 Fl. 3 Relatório Em face de Orlando Vicente Antônio Taurisano foi lavrado o auto de infração de fls. 02-08, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2002, em razão da glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de reserva legal, pela ausência de apresentação tempestiva do Ato Declaratário Ambiental — ADA e de averbação da área de utilização limitada à margem da matricula do imóvel, bem como pela majoração do VTN, relativamente ao imóvel denominado Fazendas Reunidas do Planalto, situado no município de Sao João D 'Aliança (GO). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 06): Area de preservação permanente: Não comp-mug-to da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, conforme art. 17-0 da Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pela Lei n° 10.16.5, de 27 de dezembro de 2000, em data anterior à estipulada no art. 9°, § 3°, inciso I da Instração Normativa 256/02, sendo desconsiderado o valor declarado; Area de utilização limitada: Não apresentação de documentação probatória da reserva em cartório de registro de imóveis, margem da matricula do imóvel, conforme art. 10, § 1°, inciso letra 'a' da Lei 9393/96, e ails. 16, § 8° e 44-A da Lei 4771/65 (redação dada pelo art. I° da MP 2166-67 de .25/08/2001), em data anterior ã do fato gerador do ITR (01/01/2000), coriforme art. 12 § 1° do Decreto 4,382/02, e não comprovação da solicitação de emissão do Ala Declai atói iv Ambiental junto ao IBAMA, conforme art. 17-0, § 1° da Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pela Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000, em data anterior ã estipulada no art, 9°, §3°, inciso I da Instrução Normativa 256/02, sendo desconsiderado o valor declarado; Valoração da Terra Nua; Não apresentação do Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais, conforme NBR 14653 da ABNT, sendo, conforme art. 14 § 1° da Lei 9393/96, substituído o Valor da Terra Nua por Hectare Declarado pelo Valor da Terra Nua por Hectare constante no SIFT (Sistema de Preps de Terms da Secretaria da Receita Federal» As áreas de preservação permanente e de utilização limitada foram reduzidas de 6.205,2 ha para 0,0 ha e de 4.404,8 ha para 0,0 ha, respectivamente (fls. 02). A 1" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia (DF) considerou o lançamento procedente (fls. 107-124). 3 Processo e 13116.000261/2005-97 CSRF-12 AcOrdao n ° 9202-01.174 H 4 Por sua vez, a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão no 303-34.879, que se encontra As fls. 206-238, cuja ementa e a seguinte: Assunto • Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício 2002 .Ementa: NORMAS GERAIS DE TRIBLUAÇÃO O lançamento tributário se subordina aos princípios da motivação e da lega lidada As glosas de areas declaradas como de preserva cão permanente, ou de reserva legal, devem ser . fundamentadas na Lei. No PAF é absolutamente nulo o lançamento maculado com ilegalidade da exigência fiscal. Entretanto, em face do disposto no § 30 do art, 59 do Decreto n° 70 235/72 deixa-se de declarar a nulidade percebida, que o flér•ito ha de set decidido em favor da recorrente. ITR/2002. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Na vigência da Lei 9.393/960 contribuinte do ITR esta obrigado a apurar e a promover o pagamento do tributo subordinando o lançamento ti posterior homologação da SRF. É do sujeito passivo o ônus. da prova de suas declarações, enquanto não consumada a homologação, e o Laudo Técnico apresentado constitui prova aceitável quanto existência da area de preservação permanente declarada Sobre essa area, conforme definida no Código Florestal, efetivamente existente, não ha incidência do tributo, Carece de fundamento legal a glosa da area de preservação permanente quando motivada unicamente na falta de apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) do IBAMA, sendo de se acatar, no caso, a informa cão prodUzida em laudo técnico subscrito pm- profissional competente para identificar e quantificar a area de preservação permanente nos termos descritos no art, 20 da Lei 4371764, assumindo o contribuinte e também o técnico que subscreveu o laudo, responsabilidade solidária pela ir?fol inação prestada perante o fisco. No caso concreto uma das partes na presente lide, o contribuinte, trouxe aos autos suas provas, a outra pai te, a administração tributária, nada trouxe como prova contraria ao declarado e sustentado no laudo técnico apresentado. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE ÁREA DE RESERVA LEGAL. No caso concreto, em nenhum momento o fisco pretendeu contestar a existência da area de reserva legal declarada, parecendo pretender uma inviável preferência à forma em detrimento da matéria substancial, infringindo os pu incipios da legalidade e da verdade material A isenção incondicional de tributação que recai sobre a area de reserva legal não representa beneficio oferecido ao sujeito passivo do 1TR, antes representa uma conseqüência da restrição de uso imposta por noi ma cogente, determinada imperativamente pela lei voltada à proteção ambiental. A obrigação de manter sob uso restrito a área definida legalmente como area sob reserva legal tem como contrapartida o direito difuso e coletivo da sociedade brasileira 4 ocesso n" 13116 000261/2005-97 CSRF-T2 Ac6a15o Y 9202-01.174 Fl. 5 preservação anrbiental, e não um mero direito uWetivo do sujeito passivo. Liga-se diretamente tsr função ambiental da propriedade consagrada em nossa Constituição. A norma isencional neste caso milita para a tutela de direito fundamental de terceira geração, não tendo rigorosamente nada a ver corn o interesse arrecadatário do governo federal. A averbagão margem da matricula do imóvel prevista na Lei 4.771/65 não tern por finalidade constituir direito, Tal providência nem sequer representa obrigação geral, posto que não atinge aos numerosas casos de posse. Mesmo havendo proprietário formal, Mas estando o imóvel soh posse de outrem com animas domini, este posseiro mesmo não sendo titular do direito de propriedade, nem estando a seu alcance realizar qualquer averba cão junto matricula do imóvel, segundo a dicção do Código Florestal tambénz ele está obrigado à restrição de uso que a Lei Mil:0e sobre a tirea de reserva legal, devendo apresentar perante o órgão ambiental competente o Termo de Ajustamento de Conduta previsto no referido diploma legal, mas sem dúvida sobre a reserva legal existente sob sua posse também não incide o IT]?, isenção incondicional pelos motivos antes expostos. Recurso Voluntário Provido A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro (Relator), que negou provimento e Tarásio Campeio Borges, que deu provimento parcial para excluir a imputação relativa a Area de preservação permanente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Zenaldo Loibman. Intimada do acórdão em 25/04/2008 (fls. 239), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso 1, do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial as fls. 243-256, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Dois pontos são objetos deste apelo: (1) exigência do ADA para comprovação das Areas de preservação permanente; e (ii) averbação da Area de reserva legal; b) Quanto a exigência de ADA e de averbação da reserva legal, a decisão fere o art. 10, § 1°, inciso II, "a" da Lei n° 9.39.3/96 c/c art.. 17 da Instrução Normativa SRF n° 60/01; c) Da análise das alegações e da documentação apresentadas pelo contribuinte, corn a finalidade de justificar as Areas de utilização limitada (imprestáveis), confirma-se o não cumprimento das exigências da protocolização do Ato Declaratório Ambiental — ADA, emitido pelo IBAMA ou órgão conveniado; d) A exclusão das areas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR está prevista na alínea "a", inciso II, § 1°, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96; 5 Proce5so n" 13116 000261/2005-97 CSRF-T2 Acórdiio n.* 9202-01.174 Fl 6 e) Assim, para efeito da exclusão das Areas de preservação permanente da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal especifica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, a teor do que dispõe a IN/SRF no 60/01; f É inteiramente equivocado o entendimento no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA, em virtude do disposto no § 7 0 do art, 10 da Lei n°9.393/1996, incluído pelo art, 3 0 da Medida Provisória no 2.166-67, de 24/08/2001; g) A literalidade do texto dispensa maiores comentários. 0 que não é exigido do declarante é a previa comprovação das informações prestadas. Assim, o contribuinte preenche os dados relativos As areas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo; 11) A exigência do ADA encontra-se consagrada na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17-0, § 1°, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 11.165/2000. De fato, esse diploma reitera os termos da Instrução Normativa n° 43/97 no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das Areas de preservação permanente e de utilização limitada, com vista A redução da incidência do ITR; i) No caso concreto, o contribuinte não solicitou o ADA; j) A Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, disciplinou o instituto da reserva legal e consagrou a exigência de sua averbação ou registro A margem da inscrição da matricula do imóvel, vedada "a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou desmembramento da área" (Art, 16 § 2°); k) Assim como acontece coin as Areas de preservação permanente, as áreas de reserva legal foram instituídas corn a finalidade de atender aos princípios da função social da propriedade e da proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado; 1) A luz desses princípios, o Código Florestal vem sofrendo, desde a sua edição, inúmeras alterações, por meio de leis e medidas provisórias, que demonstram a dificuldade dos legisladores em conciliar os interesses dos diversos atores interessados na questão, principalmente porque lid uma preocupação constante de todos os setores em se preservar as áreas de interesse ambiental, criando, para tanto, instrumentos legais; in) Exatamente por isso, a fim de flexibilizar as exigências legais relativas as Areas de reserva legal e atender aos anseios do setor produtivo rural, 6 Pr ocesso n° 13116 000261/2005-97 CSRF-T2 n 9202-01.174 Fl 7 assim corno delimitar a função da reserva legal corno verdadeira area de conservação da biodiversidade, é que a averbação A margem da matricula do imóvel se fez necessária; n) A finalidade da averbação da reserva legal na matricula do imóvel é a de lhe dar publicidade, para que futuros adquirentes saibam identificar onde está localizada, seus limites e confrontações, Mais ainda, visa a imputar aos proprietários a• responsabilidade de preservar tais areas, já que o interesse na manutenção das mesmas é público; o) Urna vez definidos pela lei a area de reserva legal, os limites para sua exploração, e, finalmente, a obrigatoriedade de se averbar A margem da matricula do imóvel, o legislador, buscando contrabalançar os interesses de toda a sociedade, permitiu que os proprietários de tais areas, em contrapartida a tantas obrigações, tivessem algum tipo de beneficio, que consiste na possibilidade de exclusão, da incidência do ITR, das áreas caracterizadas corno de reserva legal (art. 10, II da Lei 9393/96; p) Areas de reserva legal são, portanto, aquelas definidas pelo citado Código Florestal em seu artigo 16, e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas "existir" no mundo &tic°, mas devem "existir" também no mundo jurídico quando averbadas na matricula do imóvel; q) O art. 16 da Lei no 4,771/65 dispõe, dentre outros aspectos, sobre a obrigatoriedade da averbação para que as areas de reserva legal sejam definitivamente delimitadas e protegidas; r) A inexistência do compromisso público de preservar as areas, assim como o compromisso extemporâneo não podem ter o condão de dispensar o tributo anterior à respectiva anotação.. Caso assim o fosse, estaria prejudicada a medida de incentivo à conservação do meio ambiente, pois o proprietário da terra usaria o beneficio da exclusão de tais areas na apuração do 1TR e .0 Poder Público não teria qualquer garantia quanto A responsabilidade pela preservação; s) Tanto pela ausência de ADA tempestivo, corno pela ausência de averbação (no caso da reserva legal), merecem ser mantidas as glosas efetivadas pela fiscalização das áreas de preservação permanente e de reserva legal; t) Requer seja conhecido e provido o recurso para se restabelecer a decisão de primeira instância. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 192 (fis. 258-260), o contribuinte foi intimado e apresentou contrarrazões As Ils, 275-291, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão de segunda instância, destacando que, embora após a ocorrência do fato gerador, houve a averbação da Area de reserva legal. o Relatório, 7 Processo n° 13116 000261/2005-97 CSRF-I2 AcOrdEio n 9202 -0(174 Fl 8 Voto Vencido Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, considerando improcedente a exigência fiscal. Ressalto, novamente, que a glosa de Areas informadas na D1TR/2002 corno sendo de preservação permanente e de reserva legal foi promovida pela ausência de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA e de averbação da Area de utilização limitada A margem da matricula do imóvel. A recorrente insurgiu-se contra a exclusão da base de calculo do ITR das Areas de preservação permanente e de reserva legal, suscitando que só faz jus a este beneficio o contribuinte que tiver apresentado tempestivamente o ADA e promovido a averbação da Area de utilização limitada A margem da matricula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, o que não ocorre no caso em tela. Eis as matérias em litígio. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393196 tem a seguinte redação: Art. 10 A apuração e o pagamento do IT!? serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1°, Para os. efeitos de apuração do ITR, considerar-se-6.. - TITN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a) Construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias, c) pastagem cultivadas e melhoradas; d) ,florestas plantadas; II - circa tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7.803, de 18 de julho de 1989; Processo n° 13116.000261/2005-97 CSR -T2 Acórdiio n.° 9202 -01.174 Fl 9 Portanto, de acordo corn tal regra, as Leas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. As chamadas areas de preservação permanente e de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelos artigos 2°, 3° e 16 do Código Florestal, atualmente corn a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.166-67/2001, da seguinte forma: Art 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, ar florestas e demais .formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura minima será: 1 - de .30 (trinta) metros para os cursor d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura, 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturals ou artificiais, C.) 17C1S nascentes, ainda que inter mitentes e nor chamados "Oros d'água", qualquer que seja a sua situação topognifica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 4.5°, equivalente a 100% na linha de maior declive; I) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas. as compreendidas nos pei imetros. urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observar-se-6 o 9 Processo n° 13116 000261/2005-97 CSRF-T2 Acórclilo n 9202-01.174 F1 10 disposto nos respectivos pianos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art 3 `! Consideram-se, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terms, b) a fixar as dunas; c) aformar faixas de proteção ao longo de t odovias- e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares,- e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor cientifico ou histórico, D a asilar exemplares- da fauna ou flora ameaçados de exibição; g) a mantel- o ambiente necessário à vida das populações silvicolas; 11) a assegurar condições de bem-estar § 1 0 . A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só sera admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou in ter esse social. § 2" As .flor estas que integram o Patrimônio Indígena ,ficam sujei. tas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Art 16. As florestas e outras ,formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a titulo de reserver legal, no mínimo, I - oitenta por cento, na propriedade rural situada em area de ,floresta localizada na Amazônia Legal; - trinta e cinco por cento, na propriedade nwal situada eni área de cerrado localizada na Amazónia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra area, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 75 deste artigo, III - vinte por canto, na propriedade rural situada em area de ‘ floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas denials regiões do Pais, e e 10 Processo n 0 13116 000261/2005-97 CSRF-T2 Ac6r n." 9202-01.174 Fl 11 IV - vinte por cento, na propriedade mral ern (ilea de campos gerais localizada em qualquer região do Pais. § 1°. 0 percentual de reserva legal na propriedade situada em área de .floresta e cerrado será definido considerando separadamente Os indices contidos nos incisos I e .II. deste artigo. § 2 0. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com principias e critérios técnicos e cientificas estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3 2 deste artigo, sem prejuízo das denials legislações especificas. § 3°. Para cumprimento, da manutengão ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar; podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos par espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas, § 4 0. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a fungdo social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I - o piano de bacia hidrográfica; II - o plano diretor municipal; III - o Z011eallielliO ecológico-econômico; IV - outras' calegolias de zoneamento ambiental, e V - a proximidade coin outra Reserva Legal, Area de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida ,sç 5°. 0 Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico - ZEE e pelo Zoneamento Agricola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá,. I - reduzir, para fins de recomposição, a reserve legal, na Amazônia Legal, para at cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Areas de Preservação Permanente, os ecátonos, os sítios e ecossistema.s especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos, e - II - ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta poi• cento dos indices previstos neste Código, em todo o território7;ii) nacional. Processo no 13116.000261/2005-97 CSRF-T 2 AcOrdiio o ° 9202-01.174 F. 1 12 § 6°. Sera admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas ti vegetação nativa existente em circa de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas divas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: 1 - oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II - cinqfienta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do Pais; e III - vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso Ido § 2do ai t. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § § 8°. A circa de reser va legal deve ser averbada a margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alter ação de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da área, coin as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserve legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. .§ 10. Na posse, a reserva legal é assegurada poi Termo de Ajustamento de Conduta, firmed° pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com forge de titulo executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicando-se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código par a a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserve legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos . Estas são as previsões do Código Florestal a respeito dos temas em discussão. Inicio a análise do recurso pela área de preservação permanente, cuja glosa decorre da falta de apresentação tempestiva do ADA . Em momento anterior à alteração promovida no artigo 17-0 da Lei IV 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam a obrigação relativa h. apresentação do ADA. A ausência de amparo legal para a exigência do ADA, quanto a fatos ocorridos até o exercício 2000, deu origem ao Enunciado CARF n° 41, que tem o eguinte 12 Prncesso n" 13116000261/2005-97 CSRF-T2 Ac6rdilo n 9202-01.174 Fl 13 conteúdo: "A não apresentagão do Ato Declaratário Ambiental (ADA) emitido pelo MAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de gild() relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000". No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2002. A Súmula, então, é inaplicável à espécie. Para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, inclusive, o artigo 17-0 da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17-0 Os proprietaries rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sabre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao LEMMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n." 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de .2000) • 1"-A. A Taxa de Vistoria a que se refere a caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de .2000) § 1" A utilização do ADA paw efeito de redução do valor a pagar do 1TR é obrigatória (Redação dada pela Lei n°10 165, de 2000) Embora este texto pareça demonstrar que a legislação é taxativa ao exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do 1TR das areas de preservação permanente e de utilização limitada, sob minha ótica, não se pode olvidar que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao lbama ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali prestadas – restringe-se a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de Areas que tern algum interesse ecológico. Segundo penso, com o advento de tal regra, o ADA apresentado tempestivamente tern a função de inverter o Onus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega, Caso não ocorra a entrega tempestiva do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando A. fruição da redução da base de cálculo do 1TR. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, o próprio "Manual de Perguntas e Respostas" editado pelo IBAMA, em resposta pergunta n° 40 ("Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?"), estabelece a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos: • Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da enti ega do mesiao; • Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural corno Area de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; • Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Areas de Interesse Ambiental (Area de Preservação Permanente; Area de Reserva 13 Processo n" 13116 000261/2005-97 CS1217-1C2 Acórao n ° 9202-01.174 Fl 14 Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Area de Declarado Interesse. Ecológico; Area de Servidão Florestal ou Ambiental; Areas Cobertas por Floresta Nativa; Areas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); • • Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo 6. Area de interesse ambiental; • Certidão do lbama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Areas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; • Certidão de registro ou cópia da matricula do imóvel com averbação da Area de Reserva Legal; • Termo de Responsabilidade de Averbação . da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); • • Declaração de interesse ecológico de Area imprestável, bem como, de Areas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual — Ato do Poder Público — para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver tuna área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental fedei al ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico • Certidão de registro ou cópia da matricula do imóvel com averbação da Area de ServidãoFlorestal; • Portaria do Ibama de reconhecimento da Area de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Portanto, a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da Area de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, que especifique e discrimine a Area de interesse ambiental. No caso em apreço, o prazo para apresentação do ADA, de acordo com a regra veiculada pela Instrução Normativa SRF no 187/2002, expirou em 31/03/2003, enquanto o requerimento solicitando o competente Ato Declaratório Ambiental ocorreu apenas em 01/03/2004 (fls. 86). Com o objetivo de comprovar a existência da área de preservação permanente informada na D1TR/2002, o contribuinte trouxe aos autos o laudo de Ils. 94-102, elaborado por engenheiro florestal, com ART. No entanto, segundo penso, a Area de preservação permanente, embora discriminada, não está especificada, conforme se verifica da seguinte passagem do referido laudo (fls. 97): Da Área de Preservação Permanente: Efetuados os trabalhos de campo de acordo com a Legislação e após os cálculos a partir destes dados levantados chegou-se ao valor correspondente el soma das Áreas de Preservação Permanente ocorridas no imóvel 14 Processo n" 131 16 000261/2005-97 CSI2f-T2 AcOrdrio n." 9202 -01.174 Fl 15 Área de Preservação Permanente 06..205,29 ha Sob minha ótica, esta descrição genérica, sem especificar a composição da área de preservação permanente, não permite acolher tal laudo como prova da Lea declarada pelo contribuinte e glosada pela fiscalização. Assim sendo e considerando a apresentação intempestiva do ADA, entendo que, nessa parte, o recurso da Fazenda Nacional merece prosperar, pois o lançamento é procedente quanto â glosa da area de preservação permanente. Por outro lado, penso que a decisão de segunda instância deve ser confirmada quanto à área de reserva legal ou de utilização limitada. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de regiStro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no .âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que inexistia o dever de averbar a área de reserva legal A margem da matricula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Camara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel 6, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR, Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis n' s 9,393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado . Atualmente, a infringencia a tal mandamento, inclusive, dá ensejo à aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008 O ITR é tributo de natureza eminentemente extra-fiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito alem do direito tributário, ir garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juizo, o beneficio tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal s6 pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação arnbiental. E, no caso, penso que o lançamento não pode prosperar com relação à di -ea de reserva legal, pois o contribuinte atendeu a todas as exigências legais, na medida em que, embora após a ocorrência do fato gerador ) que se deu em 01/01/2002, promoveu a respectiva averbação da Area, conforme asseverado pela decisão de primeira instância, As -fls. 123: No presente caso, o requerente comprovou nos autos a ambagclo, em 09 de maio de 2,002, a margem da matricula do imóvel, de unta circa de utilização limitada/reserva legal de 4.404,89 ha, conforme cópia da Certidão de lis. 25/29, do Cartório do I° Oficio de Notas, Registro de Móveis, Títulos e IS Processo n" 13116 000261/2005-97 CSRF-T2 Acárdao n " 9202-01.174 Fl lo Documentos, Protestos, Pessoas Juridicas e seus Anexos da Comarca de Alto Paraíso — GO, porém, a providacia foi intempestiva pale o exercício em questão. Ademais, de acordo com os documentos de fls. 25 e 87-93, o autuado firmou, em 31/01/2002, com a autoridade florestal da Agência Goiana de Meio Ambiente e Recursos Naturais, o Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal, relativamente a uma Area de 4,404,89 hectares, Destaco que o Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal é urna das formas de comprovação da existência da Area, conforme Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, acima destacado, sendo que, , no caso em apreço, tal compromisso foi firmado no mês da ocorrência do fato gerador, ou -seja, em 01/2002, Devo ressaltar, por fim, que, sob minha ótica, a averbação da Area de utilização limitada pode se dar em momento posterior A ocorrência do fato gerador. Conforme asseverou o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso voluntário n° 342A55, "...havendo uma area de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou termos do poder público, mesmo coin averbação posterior ao /ato gerador, não me parece razoável arrostar o beneficio tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em n exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da area total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributaria nem o Código Florestal definem a data de averbagiio, como condicionante à isenção do IT!?." Considerando o Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal firmado no próprio mês do fato gerador e a averbação da Area de reserva legal, ainda que em momento posterior A ocorrência do fato gerador, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada quanto a este ponto, pois tal conjunto probatório supre a apresentação intempestiva do ADA. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer o lançamento corn relação A Area de preservação permanente. 460 Gonçalo ion- Allage 16 Processo n° 13116 000261/2005-97 CSRF-T2 AcOrdao n°9202-01.174 FL 17 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado De feito, divirjo do ilustre conselheiro relator tãosomente no diz respeito exigência da averbação da Lea de reserva legal para fins de isenção do UR. Para o deslinde da questão vale repassar as normas legais regedoras da isenção de ITR incidente sobre a Area de reserva legal e, conseqüentemente, do próprio conceito de área de reserva legal. O art. 10, § 1', inciso 11, que trata da área tributável do imóvel para fins de 1TR, exclui da incidência do imposto a Areas de preservação pennanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10. § 1"Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á. II - área tributável, a circa total do imóvel, menos as áreas a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 17" 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989,' Por seu turno, a Lei n" Lei IV 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei IV 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), passou a prever a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16, As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restriçães. § 2"A reserva legal, assim entendida a área de , no min imo, .20% (vinte por cento) c/c cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, devei c'r ser averbada ir margem cia inscrição c/c matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n°7.80.3 de 18 7.1989) Atualmente, a exigência da averbação da área de reserva legal no registro de imóveis encontra respaldo legal no art. 16, § 80 da Lei IV Lei n" 4.771, de 15 de s mbro de 1965, com redação dada pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001, in verbis: 17 Proccsso n' 13 1 1 0 .00026 1 /2005-97 CSR-t2 AcórcIlio n° 9202-01.174 Fl I §cVA area de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alter ação de sua destinação, nos casos de ti ansmissão, a qualquer titulo, ele desmentbi cimento ou de retificação da area, com as exceções previstas neste Código. ('Incluído pela Medida Provisória n°2. 166-67, de 2001) No meu entender a averbação da Area de reserva legal à margem da inscrição de matricula do imóvel no registio de imóveis competente é condição para que a referida Area seja, efetivamente, considerada como Area de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança n" 22.688/PB) é explicito no sentido de que determinada Area somente pode ser considerada como Area de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis, assim ementado: EMENTA: Mandado de segurança Desaproptiação de imóvel rural parer .fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segui ança que se rejeita - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da (ire(1 de reserva legal anteriormente it vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96.(GRIFEI) Mandado de segui onça indeferido. Por relevante, transcrevo excerto voto vista do Ministro SepAlveda Pertence proferido no julgado do Mandado de Segurança acima ementado, em que afitma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art 16 da lei n0 4.771/1965 não existe reserva legal: A questão, portanto, é saber a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal (leveller ser excluida da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua odutividade (...) A reservei legal não é ulna absuação matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cum!), indo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos prop, ieteirios s6 estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria ulna diminuição do tamanho da reserva, proporcional diminuição do tamanho do imóvel, corn o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de 18 Processo n" 13116 000261/2005-97 CSRF-T2 Ac6rcrn-o n " 9202-01.174 Fl 19 transmissão a qualquer titulo ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve Estou assim em que, sem a averba çdo determinada pelo §2" do art. 16 da lei n" 4.771/1965 niio existe reserva legal. (GRIFEI) Portanto, a averbação nb registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da area de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte , pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria Lea de reserva legal. Precedente do ST.1 neste sentido: PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL VIOLAÇÃO DO ART 535 DO CPC. WO OCORRENCIA. 1TR BASE DE CALCULO EXCLUSÃO DA AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATORIO DO MAMA INCLUSÃO DA AREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÉNCIA DE A VERBAÇÃO I Não viola o art. .535 do (PC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suliciente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. 0 art. 2" do Código Florestal prevê que as areas de preservação permanente assim o Sao por imples disposição legal, independente de qualquer ato do Poder Execativo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, ha-óbice legal a incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente, sendo inexigível a prévia comprovação da averbação destas na manicula do imóvel ou a existência de ato declamatório do 1BAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003), 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram Cl Primeira Seção desta Corte firmou-se no sentido de que "o Imposto Territorial Rural - ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos terms da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de area de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório .Ambieinal do IBAMA" (REsp 66.5 I23/PR, Segunda Turma, Rel. Mill. Elicma Calmon, DJ de 5.2.2007) 4. Ao contrario da circa de preserva cão permanente, para a área de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averba cão na matricula do imóvel. Tal exigência se fa: necessaria para comprovar a área de preservação destinada eserva legal. Assim, somente coin a ,averbagão da area de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber; com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a pio/ação do art 16, 8", do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em (REsp 1125632 / PR, PRIMEIRA TURMA, Relator: Ministro BENEDITO GONÇALVES, Me 31/08/2009) 19 Processo ti 0 13116 000261/2005-97 CSI217-1 2 Accird5o n.° 9202-01.174 Fl 20 Destarte, a area de reserva legal somente sera considerada como tal, para efeito de exclusão da area tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente ern data anterior a ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Po to o o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, Elias Sampaio Freire 20
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Numero do processo: 11020.720097/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Crédito Presumido de IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI. FISCALIZAÇÃO.
INCONSISTÊNCIAS APURADAS
A falta de saneamento, pelo requerente, das inconsistências verificadas pela
fiscalização no cálculo do crédito presumido do IPI impede o reconhecimento
do benefício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.414
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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FISCALIZAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS APURADAS A falta de saneamento, pelo requerente, das inconsistências verificadas pela fiscalização no cálculo do crédito presumido do IPI impede o reconhecimento do benefício. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto – Relator (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 05/01/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Helio Eduardo de Paiva Araújo, Fabíola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Fl. 297DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.720097/200903 Acórdão n.º 330201.414 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Adotase o relatório do acórdão da 3ª Turma de Julgamento da DRJPORTO ALEGRE/RS: “O estabelecimento industrial acima identificado solicitou o ressarcimento do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e a Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 20001, no valor de R$ 37.314,19, conforme Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 02292.08777.180705.1.1.019351, impresso nas fls. 7, 8 e 10. O pleito foi objeto de verificação fiscal, conforme relatório das fls. 240 a 255 (vol II, que culminou com a propositura do indeferimento integral do crédito presumido solicitado, por diversas inconsistências no cálculo do benefício, não sanadas pelo requerente, embora tenha sido instado a fazêlo, em mais de nove meses de fiscalização. Segue a síntese dos fundamentos apresentados pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul (DRF/CXL). Em primeiro lugar, foi verificada a inclusão indevida de gastos com energia elétrica, supostamente utilizada no processo industrial, apurados com base em rateio em função da carga instalada, o que está em desacordo com o critério estabelecido pelo § 1 do art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 420, de 10 de maio de 2004 (percentual obtido pela relação entre o custo de produção e o somatório dos custos e despesa operacionais do estabelecimento industrial). A fiscalização alerta que essa irregularidade, isoladamente considerada, não impediria o cálculo do benefício que remanescesse da glosa, o que não acontece com outras irregularidades adiante mencionadas. Na sequencia, a fiscalização aduz que o interessado apurou indevidamente crédito presumido em relação a aquisições de produtos que não se enquadram nos conceitos de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), em face do disposto no art. 164 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI) de 2002, complementado pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Nesse caso, isoladamente considerada, essa irregularidade também não impediria o cálculo do benefício que remanescesse da glosa. Adiante, a verificação fiscal refere que o interessado elaborou cálculos sumários para apurar o benefício, distorcendo o incentivo reivindicado, situação que, outra vez, isoladamente considerada, não impediria o cálculo do crédito presumido que favorecesse o requerente. Em seguida, o AFRFB menciona que houve inclusão indevida, na determinação do benefício, de mercadorias adquiridas para revenda, sob códigos fiscais de operações e prestações (CFOPs) de aquisição de insumos para industrialização, o que conflita com o disposto no art. 1º da Lei 9363/96. O interessado tentou, sem sucesso, expurgar as aquisições de produtos para revenda, do total de aquisições Fl. 298DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.720097/200903 Acórdão n.º 330201.414 S3C3T2 Fl. 3 3 que efetivamente dessem direito ao benefício, inconsistência, que, por subsistir, impede o reconhecimento do crédito presumido. Por último, a fiscalização constatou que os relatórios de estoques apresentados pelo interessado, supostamente com base no método obrigatório conhecido por “o primeiro que entra é o primeiro que sai” (Peps), apresentam inconsistências não sanadas no curso da verificação fiscal. Sobretudo, não ficou evidente qual método de avaliação teria sido utilizado, sendo que deveria ter sido empregado o método Peps, por força do disposto no § 8º do art. 3º da IN SRF nº 23 de 13 de março de 1997, no art. 14 da IN SRF nº 69 de 6 de agosto de 2001, art. 14 da IN SRF nº 315 de 3 de abril de 2003, e art. 14 da IN SRF nº 420 de 10 de maio de 2004, fato que, em suma, torna os referidos relatórios imprestáveis para apuração do crédito presumido do IPI. A fiscalização ressalta que as inconsistências antes mencionadas foram comunicadas ao requerente, com pedido de correção, sendo que, embora tenha havido iniciativa tendente a sanear algumas inconsistências, o saneamento não ocorreu. Em alguns casos, o requerente limitouse a negar as inconsistências. Em seguida, foi proferido Despacho Decisório da fl. 255 (vol II), que indeferiu o pedido de ressarcimento. Em 2 de fevereiro de 2010, o interessado tomou ciência do relatório fiscal e do Despacho Decisório antes mencionados, conforme Notificação DRF/CXL/Sort nº 26 de 27 de janeiro de 2010, e respectivo Aviso de Recebimento (AR), das fls. 257 e 258 (vol II), e manifestou inconformidade, tempestivamente, em 3 de março de 2010, pelo arrazoado das fls. 259/263 (vol II), firmado por advogado, credenciado pela procuração e pelas cópias de documentos de identificação das fls. 264 e 265 (vol II). Os motivos da inconformidade seguem sintetizados. O interessado discorre sobre aspectos da teoria das normas jurídica e sobre implicações dessa teoria na feitura e na revisão dos lançamentos para constituição de crédito tributário, dizendo que, na hipótese de haver inconsistências nas informações prestadoras pelo sujeito passivo, cabe ao fisco, nos termos dos art. 142 e seguintes da Lei nº 5172, de 25 de outubro de 1996, Código Tributário Nacional (CTN), determinar a matéria tributável e calcular o montante do crédito, e não simplesmente indeferir o pedido de ressarcimento do crédito presumido, ao argumento de que há inconsistências no cálculo. Assevera que informou o valor da receita de exportação e todos os dados decorrentes, o valor das compras, o estoque, a relação entre as receitas dos mercados externo e interno, quantificou o valor do crédito, que são aos elementos para apurar o valor que lhe é devido. Segue dizendo que, se alguns dos elementos, antes mencionados contivessem alguma inconsistência, deveria o fisco, motivadamente, expurgar a informação inconsistente, efetuando nova apuração com os elementos presentes nos autos, sem esquecer de quantificar o crédito, a partir de tais elementos, e não simplesmente indeferir o pedido. Se fosse correta a decisão da autoridade fiscal, seria preciso admitir que o requerente não realizou exportações e que não adquiriu MP, PI e ME, o que é informado pelos documentos existentes nestes autos. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.720097/200903 Acórdão n.º 330201.414 S3C3T2 Fl. 4 4 Adiante, cita e transcreve a ementa do Acórdão CSRF/0201.157, de 14 de novembro de 2002, da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscal, no sentido de que a base de cálculo do crédito presumido é determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de MP, PI e ME referidos no art. 1º da Lei nº 9363/96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, acrescentando que a lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. Por último o requerente pede reforma do despacho decisório contestado, para que seja reconhecido o alegado direito ao crédito presumido do IPI.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordaram os Membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada em 09/05/2011, irresignada a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 06/06/2011. É o Relatório. Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Créditos Presumidos de IPI. Inconsistências verificadas pela fiscalização no cálculo do crédito presumido de IPI Alega a Recorrente que teria o direito ao ressarcimento dos créditospresumidos de IPI, no período compreendido entre 01/04/2005 a 30/06/2005. Não assiste razão à recorrente. Primeiramente há que se esclarecer que o recorrente é obrigado a comprovar a efetividade dos créditos presumidos de IPI a que tem direito, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar o crédito requerido. Na condução do processo há que se ter em conta o processo de fixação formal da prova, no qual o julgador se atém à análise dos meios de prova definidos em lei, à valoração e admissibilidade das provas apresentadas, para formar o seu livre convencimento para decidir. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.720097/200903 Acórdão n.º 330201.414 S3C3T2 Fl. 5 5 Compulsandose os autos do processo, verificase que o contribuinte não logrou êxito em comprovar os itens objeto de creditamento. Nesse sentido, porém, imprescindível afirmar que de per si a ausência de provas não teria o condão de invalidar a totalidade do crédito pleiteado, sendo possível às autoridades fiscais glosar tais valores e homologar os créditos parcialmente. Contudo, efetivamente a contribuinte não logrou adequadamente demonstrar a sua movimentação de estoques. Sem essa certeza de natureza eminentemente contábil, impossível à fiscalização confiar na escrita comercial e na escrita fiscal da contribuinte que lhe desse elementos suficientes e necessários para homologar qualquer crédito. Nesse mister, ainda assim seria possível à contribuinte apresentar provas acerca da aquisição dos insumos sobre os quais pleiteava seus créditos, mas não foi isso que ocorreu. Isso posto, em se tratando de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito aos créditos presumidos de IPI. Apesar das diversas oportunidades de que dispôs, em nenhum momento o contribuinte se esforçou neste sentido, restando inconsistente seu pedido de creditamento. Tanto assim, que seus argumentos de defesa sempre estiveram restritos a questões de direito, nunca de prova ou de fatos concretos. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer o recurso e, no mérito negarlhe provimento. É como voto, Sala das Sessões em 26 de Janeiro de 2012 Gileno Gurjão Barreto (Assinado Digitalmente) Fl. 301DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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