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Numero do processo: 10980.013109/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A legislação tributária estabelece os documentos hábeis para comprovação das despesas
médicas, e indica os elementos que deve conter. Restabelecese
as despesas médicas comprovadas por documentos que atendem às exigências legais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.545
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$6.631,05.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A legislação tributária estabelece os documentos hábeis para comprovação das despesas médicas, e indica os elementos que deve conter. Restabelecese as despesas médicas comprovadas por documentos que atendem às exigências legais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$6.631,05. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0632.041, proferido pela 4ª Turma da DRJ Curitiba (fl. 32), que, por unanimidade de votos, considerou procedente a parte impugnada da notificação de lançamento às fls. 03/05. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 04 e 04verso a fiscalização apurou dedução indevida a titulo de despesas médicas no montante de R$10.737,36 e dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 800,00. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual, além de restrita às hipóteses previstas em lei, está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo desembolso dos recursos e dos serviços contratados. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO DEFINITIVO. Considerase como nãoimpugnada a matéria da autuação com a qual o contribuinte expressamente concorda, motivo pelo qual tornase definitivo o lançamento efetuado referente a matéria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF, à fl. 47, o recorrente pede a reconsideração dos valores glosados da Sra. Eliane Maria Moreira Hauer, Plano de Saúde — Extra Club — VIP — Sul América, no valor de R$6.631,05 e R$61,80, cujo pagamento das despesas médico hospitalares e odontológicas foi determinado no processo de separação judicial, conforme documentos juntados. Requer também seja restabelecida o valor de R$1.050,00 da Clínica Ortodôntica Eros Petrelli SC, tendo em vista que a falha foi da Clínica, que não informou o tratamento do dependente Juliano Maia Hauer. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Conforme já assentado neste Colegiado, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitamse a pagamentos especificados e comprovados, conforme dispõe o artigo 80 do RIR/99: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10980.013109/200830 Acórdão n.º 2101001.545 S2C1T1 Fl. 72 3 psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n2 9.250, de 1995, art. 82, inciso 11, alínea "a"). §1º O disposto neste artigo (Lei n2 9.250, de 1995, art. 82, §22): 1 aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Pais, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. §2°Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. §3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. §4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. §5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial. ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei n°9.250, de 1995, art. 8º, §3º). Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, determina que: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Grifos Acrescidos. Do exame das peças processuais, verificase que o documento à fl. 03 comprova a despesa com o plano de saúde, em nome de Eliane Maria Moreira Hauer, única beneficiária participante da apólice 77854. Este documento informa expressamente a despesa efetivamente paga à Sul América Seguro Saúde S/A, CNPJ nº 86.878.4691000143, no montante de R$6.631,05, em favor da alimentanda/pensionista Eliane Maria Moreira Hauer, sendo, portanto, dedutível da DIRPF do anocalendário de 2005, por força da homologação por sentença (fl. 68) do pedido de separação judicial às fls. 60/66, que dispõe no item 5.2: Pagará o cônjuge varão, igualmente, todas as despesas que eventualmente tiverem os filhos e a esposa com assistência odontológica ou médicohospitalar. Os demais documentos trazidos aos autos (certidões às fls. 10/11, mandado à fl. 58 e ratificação do pedido de separação à fl. 67) robustecem o conjunto probatório favorável às alegações do sujeito passivo. Sobre a vigência de referido acordo até o anocalendário de que trata o lançamento em exame, aventado somente na decisão recorrida, penso que tal ônus deve recair sobre quem o aproveita. É ônus do contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito. Ao fisco cabe provar os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos desse direito. Em relação às despesas médicas de R$61,80 e R$1.050,00, não foram apresentados elementos de prova para dar suporte à dedução pleiteada e suprir a falha apontada no lançamento e decisão de primeiro grau. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$6.631,05. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10314.013544/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Período de apuração: 04/01/2006 a 20/09/2006
OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR.
A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de
operações de comércio exterior de terceiros acobertando os reais
intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez
por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser
inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais).
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Embora as infrações imputadas sejam anteriores à edição da Lei
nº.11.488/2007, aplica-se o artigo 33, retroativamente, em face
do disposto no artigo 106, II, "c", do Código Tributário
Nacional, posto que à época das importações vigorava a penalidade
de 100% do valor da operação em substituição à pena de perdimento.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3201-000.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim fará declaração de voto.
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 04/01/2006 a 20/09/2006 OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros acobertando os reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Embora as infrações imputadas sejam anteriores à edição da Lei nº.11.488/2007, aplica-se o artigo 33, retroativamente, em face do disposto no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, posto que à época das importações vigorava a penalidade de 100% do valor da operação em substituição à pena de perdimento. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros acobertando os reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Embora as infrações imputadas sejam anteriores à edição da Lei nº.11.488/2007, aplicase o artigo 33, retroativamente, em face do disposto no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, posto que à época das importações vigorava a penalidade de 100% do valor da operação em substituição à pena de perdimento. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim fará declaração de voto. [assinado digitalmente] Fl. 864DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente. [assinado digitalmente] Judith do Amaral Marcondes Armando Relatora [assinado digitalmente] NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 07/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Daniel Mariz Gudiño, Adriene Miranda, Luciano Lopes de Almeida Moraes, ausente justificadamento o Conselheiro Marcelo Nogueira. Relatório A interessada foi autuada em face da infração capitulada no artigo 727 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº. 6.759/2009), o qual retrata o art. 33 da Lei nº11.488, de 15 de junho de 2007, em razão de haver cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, ficando sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Consta que em 2006, apesar de não declarar em qualquer momento outra empresa como adquirente nos documentos de importação, direcionou 29,57% do valor importado para as empresas COMBEK, LUX, MM, POLOKIN E YIDA. Constatouse que: as datas das notas fiscais que dão suporte as supostas vendas coincidem ou são muito próximas às das respectivas notas de entrada, demonstrando que as mercadorias não permaneceram no estoque da recorrente. a recorrente teve prejuízo nas operações comerciais com essas empresas da ordem de 4,91%. as mercadorias foram enviadas diretamente do Porto do Rio de Janeiro para o endereço das clientes. os livros contábeis não se coadunam com a movimentação bancária, podendo ser identificadas entradas de valor relativas a cobranças em datas muito próximas às de liquidações de contratos de câmbio. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 2 3 A interessada apresentou impugnação de fls. 46 a 57, alegando, em síntese, que: os fatos não se relacionam com as normas de sanção. não há lei que impeça os seus atos, principalmente no período da presente fiscalização. as normas citadas e utilizadas para o lançamento são posteriores aos fatos da acusação. a retroatividade das normas é possível para beneficiar o contribuinte. caso não seja anulado o auto, o valor real é de R$ 32.567,05. A DRJ apreciou os fatos e concluiu que o processo administrativo fiscal foi respeitado e com direito ao contraditório necessário. Manteve o auto de infração. Salientou que os motivos que animam o importador a executar a atividade de importação pertencem a sua esfera privada mas, para os fins da fiscalização aduaneira, devem ser perquiridos. Especialmente se apresentam as características desta operações que analisamos. Dentre as diversas motivações para as operações de importação, é curial destacar a atividade mercantil — buscase no mercado externo mercadorias que são demandadas pelo mercado nacional, pelo que a empresa efetua sua importação visando à revenda ou à industrialização e posterior revenda. Portanto, em suma, o importador é, via de regra, empresa que adquire mercadorias no exterior a fim de comercializálas no mercado interno, com o lucro ou remuneração do capital compatíveis com as expectativas do mercado para cada setor econômico. Enfim tece um pequeno comentário sobre as modalidades de importação. Percebese acima que o adquirente é a mesma pessoa que, no caso geral, figura como importador. Portanto, tratase a importação por conta e ordem de terceiro de intermediação efetuada por empresa especializada no comércio exterior, contratada pelo adquirente, que é o real comprador — e destinatário — das mercadorias (Medida Provisória n 2.158 35/2001, artigo 80, e Instrução Normativa SRF n 2 225/2002, artigos 12 a 42). Do exposto, fica claro que a importação por conta e ordem é um serviço prestado pelo importador (empresa responsável pela promoção do despacho aduaneiro de importação, mediante o registro da declaração de importação em seu nome) ao adquirente (empresa destinatária e real comprador das mercadorias), sendo que o importador se sujeita a requisitos específicos. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Destacase, também, que a responsabilidade pelo recolhimento dos tributos aduaneiros é do importador, no registro da declaração de importação, mas que os tributos internos — aqueles incidentes em qualquer comercialização de mercadorias, sejam estrangeiras ou nacionais, no mercado interno — são da responsabilidade do adquirente, ao revendêlas. Outrossim, o adquirente é contribuinte do imposto sobre produtos industrializados, incidente sobre a revenda da mercadoria importada no mercado interno, por equiparação a estabelecimento industrial, conforme artigo 79 da Medida Provisória n2 2.158 35/2001 combinado com o artigo 22 , inciso II, da Lei n 2 4.502/1964: Por outro lado, também deve ser examinada com cuidado a participação no negócio de compra e venda de intermediários que, embora presentes no negócio, não substituem os legítimos comprador e vendedor. Nesse sentido, destacase que na hipótese de a operação tratar se de importação para revenda a encomendante predeterminado, objeto dos artigos 11 a 14 da Lei n2 11.281, de 20/02/2006, o encomendante é, de fato, o comprador final. Essa observação encontra relevância em face da grande proximidade entre os conceitos de importação por conta e ordem e importação por encomenda, as quais podem ser utilizadas, por exemplo, para escamotear a vinculação entre comprador e vendedor, a fim de evitar a incidência das disposições do artigo 1 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT/1994, também chamado de Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), promulgado juntamente com o Acordo Constitutivo da OMC (Decreto n2 1.355/1994), no tocante à aceitabilidade do método do valor de transação. A importação na modalidade "revenda a encomendante predeterminado" deve observar os requisitos da Instrução Normativa SRF n2 634, de 24/03/2006, dos quais se destaca a necessidade de habilitação de importador e encomendante perante a Receita Federal, consistindo na vinculação prévia entre as pessoas jurídicas para a realização das operações contratadas. Outrossim, na hipótese de os recursos financeiros empregados serem fornecidos pelo encomendante, a operação presumese "por conta e ordem" do encomendante — artigo l2, parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n 634/2006 combinado com o artigo 11, Lei n 2 11.281/2006 e com o artigo 27 da Lei n 2 10.637/2002. Assim, a partir de 2006, com a edição da lei 11.281, a importação por conta e ordem de terceiro, que originalmente albergava tanto o caso de o adquirente fornecer os recursos empregados na operação, quanto o caso de tais recursos serem oriundos do importador, foi dividida em duas modalidades distintas: a importação por conta e ordem, propriamente dita, em que os recursos provêm de terceiro, e a importação por encomenda, na qual o importador entra no negócio com recursos próprios. A interposição fraudulenta. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 3 5 No segundo semestre de 2002 foram editados atos normativos destinados a tipificar a infração de "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", punível com a pena de perdimento das mercadorias (DecretoLei n 1.455/1976, com redação dada pela Medida Provisória n2 66/2002, convertida na Lei n2 10.637/2002), bem como instituir e desenvolver um programa de fiscalização específico — Instrução Normativa SRF n2 228/2002 — sem prejuízo da atuação ex officio das unidades da SRF de despacho aduaneiro ou de fiscalização aduaneira pósdesembaraço. Observase que a infração, doravante chamada tão somente de "interposição fraudulenta", inclusive já mencionada no texto da Instrução Normativa SRF n2 225/2002, caracterizase pela ocultação do verdadeiro importador de mercadorias estrangeiras, conforme definição constante do DecretoLei n2 1.455/1976 (artigo 23, inciso V e § 22 , com redação dada pela Lei n 2 10.637/2002). Outrossim, o artigo 27 da Lei n2 10.637/2002 dispõe que "a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste". Ou seja, a utilização de empresas interpostas para a realização de importações destinadas a terceiros passou a ser conduta punida com a pena de perdimento das mercadorias importadas, bem como a ocultação decorre da não informação do responsável pela operação, terceiro a quem se destinam mercadorias e que pode fornecer, ou não, os recursos empregados. Segundo Aurélio Buarque de Holanda, interposição de pessoa representa a "simulação que consiste em ocultar o verdadeiro interessado num ato jurídico, fazendo aparecer um terceiro em seu lugar". Não obstante essa modalidade de simulação, na forma mais grosseira, estar normalmente ligada a empresas cujo quadro societário seria formado por "laranjas", como se denominam esses sócios que muitas vezes desconhecem sua condição de "empresários" ou até mesmo já faleceram, essa não é a única hipótese em que a mesma se configura. Podese entender que essa modalidade de simulação se configura quando uma pessoa, física ou jurídica, apresentase como responsável por uma operação que não realizou, se interpondo entre determinada parte (no caso a aduana) e outra (no caso, o verdadeiro adquirente responsável pela promoção da entrada da mercadoria no território nacional). Recordese, no propósito de entender a definição acima, que o importador é obrigado a consignar na declaração de importação o número de inscrição da empresa adquirente (real comprador ou responsável pela operação) no CNPJ, consoante (i) a Medida Fl. 868DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Provisória n2 2.15835/2001, artigo 80, e Instrução Normativa SRF n2 225/2002, artigo 3*, para o caso de importação por conta e ordem de terceiro, e (ii) a Lei n2 11.281/2006, artigo 11, e Instrução Normativa SRF n2 634/2006, artigo 32 , para a importação para revenda a encomendante predeterminado. Outrossim, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior presumem a interposição fraudulenta, ex vi do Decreto Lei n 1.455/1976, artigo 23, § 2°. O exame dos dispositivos legais citados acima revela que: (i) a importação por conta e ordem de terceiro é "presumida" se realizada mediante utilização de recursos de terceiro (Lei n 10.637/2002, artigo 27); e (ii) também é "presumida" a interposição fraudulenta se não comprovada a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior (DecretoLei n 2 1.455/1976, artigo 23, § 22). indubitavelmente, tratase de importação por conta e ordem de terceiro. Porém, o exposto aplicase à importação por conta de terceiro em sentido amplo, gênero que, a partir de 2006, dividese em duas espécies, conforme tratado no tópico anterior: a importação por conta de terceiro propriamente dita (i) e a importação para revenda a encomendante predeterminado (ii). Do caráter extrafiscal da infração e do direito aduaneiro. A princípio, podese argumentar que a tipificação da infração de interposição fraudulenta seja desnecessária, posto que se os direitos aduaneiros incidentes na importação forem pagos, o Erário não estará prejudicado. Engano. Evidentemente, a ocultação do verdadeiro adquirente de mercadorias estrangeiras é atividade meio que protege outras bastante lucrativas e compensadoras. Assim, enumeramse alguns possíveis objetivos almejados pelos infratores: (i) em caso de lançamento de crédito tributário decorrente de conferência ou de revisão aduaneira, o patrimônio do verdadeiro importador é protegido da execução fiscal; (ii) crimes como a contrafação, o contrabando ,óu o descaminho são imputados ao importador ostensivo, não ao verdadeiro promotor da importação, cuja identidade é ocultada; (iii) após o desembaraço aduaneiro as mercadorias são introduzidas no mercado interno à margem da legalidade e, conseqüentemente, sem a emissão de notas fiscais e o recolhimento dos tributos internos (IPI, ICMS, PIS, COFINS, imposto de renda etc.); (iv) o adquirente perde a condição de contribuinte do IPI por equiparação a estabelecimento industrial; (v) lavagem de dinheiro. Compete destacar que o tipo em tela visa à punição da ocultação do real adquirente e o meio empregado para essa ocultação é a prestação de informações inverídicas à Receita Federal, no Fl. 869DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 4 7 registro da declaração de importação, acompanhada, ou não, do fornecimento de recursos financeiros por parte do adquirente, que não declara qualquer relação jurídica com o importador ou com a operação de importação. Ou seja, a despeito de o adquirente das mercadorias ser o responsável pela negociação comercial com o exportador e a ele se destinarem mercadorias importadas, não figura na declaração de importação nem como importador, nem como adquirente das mercadorias, importadas por sua conta e ordem ou por encomenda (após a lei 11.281/06). Destarte, a caracterização da infração não requer a indicação de qual o beneficio auferido pelo adquirente ocultado, mas apenas a demonstração de que houve a interposição fraudulenta. Observase que a caracterização da importação por conta e ordem de terceiro ou por encomenda não decorre apenas da obediência por parte do importador e do terceiro aos requisitos das Instruções Normativas SRF n 225/2002 e 634/2006, que pode ser definida como caracterização formal, mas também da realidade material, qual seja, da presença de simulação, em que o importador declara ser também o real comprador ou responsável pela operação (adquirente), sem observância das normas estampadas nas instruções normativas 225/2002 ou 634/2006. No caso de a importação ser materialmente destinada a terceiro, fato ocultado à fiscalização aduaneira, mediante a prestação de informação falsa na declaração de importação, configurase a infração punível com a pena de perdimento das mercadorias, com base no DecretoLei n 1.455/1976, artigo 23, incisos IV e V, combinado com o Decretp^Lei n 37/1966, artigo 105, inciso VI. E se a mercadoria importada, passível de ser objeto da pena de perdimento prevista no decretolei 1.455/1976, houver sido consumida ou não for localizada, a pena de perdimento aplicável convertese em pena de multa. Noutras palavras, a pena aplicável em abstrato para as infrações capituladas no artigo 23 do decretolei 1.455/1976 deixa de ser o perdimento e passa a ser a multa. Em face das características da infração em apreço, que prescinde da demonstração de benefício auferido pelos infratores, notase o marcante caráter extrafiscal que, outrossim, informa o próprio direito aduaneiro. Não se deve confundir o direito aduaneiro com o tributário, na sua porção regulatória dos tributos sobre o comércio exterior, posto que as relações jurídicas compreendidas no primeiro são de natureza administrativa, e, no que tange aos impostos, marcadas pela extrafiscalidade. Da sujeição passiva. Sobre a sujeição passiva tributária, dispõe o Código Tributário Nacional que: Fl. 870DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. " "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem." Ou seja, a pessoa obrigada ao pagamento de penalidade pecuniária é considerada sujeito passivo de obrigação principal. Chamase "contribuinte" aquele que possua "relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador". A leitura do artigo 121 implica a conclusão de que para o CTN o "infrator" é também "contribuinte", se possuir "relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador". Além disso, sendo diversos os coautores da infração sujeita a pena pecuniária, são todos responsáveis solidários, por possuírem interesse jurídico comum no ilícito que dá azo à penalidade pecuniária (obrigação principal), nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. Em complemento às disposições do Código Tributário Nacional, o DecretoLei n2 37/1966 definiu especificamente a responsabilidade pelas infrações aduaneiras: "Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1 O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2 Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Fl. 871DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 5 9 II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veiculo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria; V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. " (grifei) Nos termos do decretolei 37/1966, comete infração toda a pessoa física ou jurídica que, por ação ou omissão, voluntária ou involuntária, não observe norma estabelecida no decretolei, em seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Segundo tais normas é, portanto, imputável a infração em tela a importador e adquirente da mercadoria importada, pois ambos atuam conjuntamente. Nesse sentido já decidiu o Terceiro Conselho de Contribuintes (acórdão 30238170, de 8/11/2006): "IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS. CARACTERIZAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. Nos termos da legislação de regência, considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo da obrigação tributária,/m operações de importação (realizadas por conta e ordem de terceiros), infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou houverem sido consumidas. (...) RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Responde pelas infrações, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." Com efeito, há elementos no processo que demonstram que a operação foi realizada por conta e ordem dos reais adquirentes, informação que foi omitida nas declarações apresentadas e que não se encontravam estampadas nos Fl. 872DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 documentos apresentados no despacho de importação, que informavam como adquirente pessoa jurídica diversa daquela que efetivamente realizou o negócio. A fiscalização apurou para o ano de 2006 que a interessada, apesar de não declarar em qualquer momento outra empresa como adquirente nos documentos de importação, direcionou 29,57% do valor importado para as empresas COMBEK, LUX, MM, POLOKIN E YIDA, que as datas das notas fiscais coincidem ou são muito próximas às das respectivas notas de entrada, demonstrando que as mercadorias não permaneceram no estoque da interessada. Além disso, o percentual de lucro da interessada foi de 0,06% sem considerar o valor referente ao Adicional de Frete para a Renovação da Marinha Mercante (caso considerado seria prejuízo de 4,91%. Não bastasse, as mercadorias foram enviadas diretamente do Porto do Rio de Janeiro para o endereço das clientes. E ainda que os livros contáveis não se coadunam com a movimentação bancária, podendo ser identificadas entradas de valor relativas a cobranças em datas muito próximas às de liquidações de contratos de câmbio. No presente, são diversos elementos de prova. Não pode a interessada negar que ocultava os reais adquirentes das importações de mercadorias. Podemos concluir que houve ocultação dos reais adquirentes na medida em que a interessada recebia pelas importações antecipadamente, promovendoas para terceiros, não sendo as mercadorias adquiridas efetivamente pela interessada. O artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 trouxe nova disciplina a respeito da infração em comento: "Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996." Segundo esse dispositivo, foi criada penalidade nos casos de interposição fraudulenta: multa de 10% do valor da operação, aplicada ao importador ou exportador ostensivo (o interveniente em cujo nome é realizada a importação ou a exportação). A infração tipificada no artigo 33 supra — cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários — corresponde, materialmente, à tipificação da interposição fraudulenta, prevista no artigo 23, inciso V, do DecretoLei n 1.455/1976: Fl. 873DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 6 11 "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros". A importação destinada a terceiro oculto, real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento ou sua conversão em multa, aplicável a esse terceiro (decretolei 1.455/1976, artigo 23, V) e ao interveniente ostensivo, aquele em cujo nome é realizada a operação (aquele que "cede o nome"), é aplicável a multa de 10% do valor da operação (lei 11.488/2007, artigo 33, caput). " Quanto ao parágrafo único dó artigo 33 — "À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n 2 9.430, de 27 de dezembro de 1996" —, tratase de norma explicativa destinada a afastar a imputação de inidoneidade da empresa que meramente "cede o nome". Por outro lado, se além de "ceder o nome", a empresa importadora ou exportadora não comprovar a origem do capital empregado no comércio exterior, resta presumida sua inidoneidade, a ensejar a inaptidão de sua inscrição no CNPJ, por força da presunção estampada no parágrafo l 2 do artigo 81 da Lei n 2 9.430/1996. A fim de corroborar o entendimento supra, fazse mister observar que o discutido artigo 33 decorre do Projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória 351/2007 (PLV 13/2007), de autoria do Deputado Federal Odair Cunha, apresentado em 25/4/2007. Consta do discurso do deputado (disponível em http://www.camara.gov.br/internet/sitaqweb/discursodireto.asp?n uSessao=084.1.53.O) a seguinte referência ao texto do artigo 33, originalmente o artigo 35 do projeto de lei: "Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros. " É evidente que a intenção do parlamentar com a inclusão desse artigo foi a de "adequar" a multa aplicável no caso da cessão de nome e, por outro lado, "adequar" também as hipóteses legais para a inaptidão de inscrição no CNPJ. Em função dos presentes argumentos, refutase a tese de que o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 tenha substituído a pena de inaptidão da inscrição no CNPJ pela multa de 10%, aplicável à empresa que cede o nome, cumulativa à imputabilidade, em co autoria, da pena de perdimento, ou de sua conversão em multa, pois isto, em primeiro lugar, configuraria reprovável "bis in idem", vedado tanto pela ordem constitucional quanto pela lei aduaneira (DecretoLei n 2 37/1966). Fl. 874DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 Em segundo lugar, tal interpretação ensejaria a conclusão íncorreta, de que a pena de inaptidão da inscrição no CNPJ seria decorrente da mera interposição de pessoa, ao passo que esse fato, tão somente, jamais foi contemplado pelo tipo infracional. Conforme visto acima, a pena da inaptidão destina se a sancionar a empresa inidônea, a qual, no caso das operações de comércio exterior, é assim presumida apenas na hipótese de não comprovação da origem do capital empregado. O artigo 33 da lei 11.488 retrata infração específica de "interposição", imputável apenas ao importador/exportador ostensivo, de sorte que este é parte ilegítima para sofrer a imputação da infração de "interposição" prevista no DecretoLei n 2 1.455/1976. O auto de infração versa sobre importações realizadas no período de 2006. Embora as infrações imputadas sejam anteriores à edição da Lei nº 11.488/2007, aplicase o artigo 33 retroativamente, em face do disposto no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." Quanto à alegação de que o valor real é de R$ 32.567,05, não se aplica tendo em vista que o art. 33 da Lei 11488 prevê o valor mínimo de R$ 5.000,00 por operação acobertada, o que perfaz o valor constante do auto de infração. O art. 112 do Código Tributário Nacional não se aplica em benefício da interessada por não haver dúvida quanto ao fato imputado. Voto pela procedência do lançamento. Encaminhese à repartição de origem para ciência do sujeito passivo e demais providências cabíveis. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário da decisão trasladada acima, no qual aduz, em apertada síntese, o que segue: O texto da lei é claro: Lei ne11.488/07 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, Fl. 875DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 7 13 para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), {grifamos) Não existe no texto da lei "POR OPERAÇÃO ACOBERTADA", mas sim, "do valor da operação acobertada". Há, portanto, erro na interpretação dos fatos e da aplicabilidade da norma. Logo, se devido, a base de cálculo da autuação é de R$ R$ 325.670,50, ou seja, o valor a recolher é no valor de R$ 32.567,05 (TRINTA E DOIS MIL, QUINHENTOS E SESSENTA E SETE REAIS E CINCO CENTAVOS). Se há falha no texto da lei, não cabe ao d. auditor fiscal interpretar de forma menos benéfico ao autuado. Importante frisar, que a empresa Recorrente, no caso em tela, é acusada de ceder o nome, em nenhum momento, foi questionada a sua capacidade financeira, consequentemente não se coloca em dúvida a origem dos recursos e a sua disponibilidade para operar no comércio exterior. Logo, a Recorrente não é alcançada pelas hipóteses definidas no artigo 81 da Lei n° 9.430/96 com as posteriores alterações, nem é alcançada pela Lei n° 11.488/07. Portanto, inaplicável a retroatividade, que por sua peculiaridade, é menos benéfica. Não há norma que obrigue a aplicação de uma margem mínima de lucro Entrega direito aos clientes, se na presunção fiscal a RFB questiona a margem de lucro, por quais razões uma economia de custos no transporte é questionável? Para aumentar o prejuízo? Não há vedação legal. Pagamentos próximos aos fechamentos de câmbio. Não há vedação legal. É o relatório. Voto Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando Fl. 876DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 Aprecio o recurso voluntário interposto em nome de K&K comercial importadora e exportadora de calçados, em boa forma. Passo ao mérito. Inicio minha considerações com a lição do ilustre professor Heleno Taveira Torres (Direito tributário e direito privado: autonomia privada simulação elusão tributária. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, p. 3089), citada, com oportunidade no voto condutor a quo: ' "Todo negócio simulado é, na sua estrutura, um negócio perfeito. É possível que venhamos a identificar um vício de função sobre o comportamento dos sujeitos, não obstante sua correção lógica. Nesse diapasão, entendia Betti que a simulação consistiria numa discrepância entre a causa típica do negócio aparente e a intenção prática perseguida in concreto. Assim, podese perfeitamente encontrar funções ilícitas no exercício de autonomia privada, numa flagrante incompatibilidade com a causa. Partindo de tal formulação, baseada na divergência de causas, e ajeitandoa segundo uma visão normativista, temos que a presença de duas normas jurídicas, postas pelas partes, com causas que se anulam no seu propósito negocial (simulação relativa), ou mesmo a formulação de um negócio sem causa (simulação absoluta) prestamse perfeitamente como medida para a definição do que se pretende atribuir para o conceito de simulação. Assim, a relação simulatória regese por duas normas jurídicas distintas, a que cria o negócio simulado (i) e aquela que estabelece o pacto simulatório' (ii), variando segundo a modalidade de composição do ato simulado." Verificando as condições fáticas das operações entre 4 de janeiro de 2006 e 20 de setembro de 2006, envolvendo as empresas mencionadas, uma dessas salta a vista de qualquer observador, afeto ou não ao mundo dos negócios: foram realizadas com prejuízos ao importador. Por si só tal fato já me permite presumir que há interesse de outro nessas operações ou não perdurariam por tanto tempo, por razoes econômicas. De fato, não há vedação legal para operações comerciais com prejuízo. Não é de se esperar que a lei ou outro ato normativo venha tratar de situações absolutamente esdrúxulas e anormais no âmbito do comércio. A autoridade autuante não definiu como infração operar no comércio exterior com prejuízo, mas dentro de uma lógica comercial aceitável, indicou como indício de operação irregular tal fato e associandoo com os demais a seguir apontados concluiu pela existência de um importador real que estaria de fato acobertado nas operações de importação. Robustecem a conclusão de que houve interposição de pessoa de forma fraudulenta o fato apontado pela fiscalização de que as datas das notas fiscais que dão suporte as supostas vendas – notas fiscais de saída do estabelecimento importador coincidem ou são muito próximas às das respectivas notas de entrada nos estabelecimentos compradores, demonstrando que as mercadorias não permaneceram no estoque da recorrente, minimamente enquanto estivessem sendo entabulados negócios no mercado interno. Novamente, erra o Recorrente que pretende entender que o fato apenado teria sido transitar a mercadoria diretamente do armazém de despacho de importação para as Fl. 877DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 8 15 empresas ocultadas ou fazer tal transferência de mercadoria em data muito próxima do desembaraço. Essa não é uma presunção, mas constatação da fiscalização, vez que as mercadorias foram enviadas diretamente do Porto do Rio de Janeiro para o endereço das clientes. Por último, os livros contábeis das empresa K&K não se coadunam com a movimentação bancária, podendo ser identificadas entradas de valor relativas a cobranças em datas muito próximas às de liquidações de contratos de câmbio. Não posso também deixar de considerar as informações sobre as vinculações do grupo WW , entre cujas empresas estão as envolvidas nas operações comerciais que deram origem a este auto de infração. Sem dúvida os negócios familiares podem se desenvolver ao abrigo da lei, não havendo na opinião desta relatora, qualquer necessário espírito espúrio unicamente pelo fato de serem sócios irmãos, cunhados e amigos próximos os operadores das empresas que se criam a partir de interesses compartilhados. Entretanto, o funcionamento desses grupos negociais, se realizados legalmente, obedecem estritamente os ditames legais, valendose tão só das oportunidades de mercado, como por exemplo as relacionadas com representações comerciais, ganho relacionado ao tamanho econômico e financeiro do grupo, planejamento operacional e logístico, planejamento tributário e financeiro. No presente caso estamos diante de omissão de informação comercial obrigatória, o nome do real comprador das mercadorias, fato que deixa as operações marcadas por ilegalidade óbvia, sancionável, como foi, na forma prevista. Para melhor esclarecimento do ocorrido, julgo interessante transcrever partes da motivação do auto de infração, ao meu sentir, muito bem argumentado: Inicialmente, importa reproduzir os fatos que motivaram a instauração da presente ação fiscal. Por intermédio do PAF 10711.000247/200748, a Alfândega do Porto do Rio de Janeiro apontou, em 2007, indícios de ocultação da origem dos recursos utilizados nas operações da empresa K&K, representando a esta Inspetoria para verificação da conveniência de fiscalização de seus estabelecimentos (fls. 34 do Anexo I). O interesse na análise das operações da K&K pela Alfândega decorreu dos seguintes fatos: a) o registro da marca das mercadorias importadas pela K&K (Luxcel) foi realizado, no Brasil, pela W & W COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (W&W), em 2004 (fl. 38 do Anexo I), e esta cedeu, sem qualquer ônus, os direitos da marca àquela empresa, conforme contrato juntado aos autos (fls. 5153), o qual foi firmado no curso da referida investigação; b) a K&K realizava as importações e repassava as mercadorias a outras empresas, cujos sócios se identificam com os da própria Fl. 878DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 16 cessionária dos direitos da marca (W&W). A relação de empresas com as quais a K&K mantinha relações no período, bem como as vinculações entre seus quadros societários, procuradores e endereços, seguem ilustradas no ponto 3 deste Relatório; c) da análise dessas transações efetuadas pela K&K no período, não foi verificado lucro, ou seja, as vendas, quando computados os tributos e as respectivas despesa acessórias, geravam prejuízo à empresa conforme detalhado no ponto 5 deste Relatório. Em decorrência disso, foi realizado procedimento visando à verificação de interposição fraudulenta nos moldes da Instrução Normativa SRF n° 228/02, ao término do qual foi proposta a inaptidão do CNPJ da empresa por meio do PAF 10314.006023/2007 22 (fls. 261276 do Anexo II), haja vista não ter sido comprovada a fonte de recursos aplicados nas transações de comércio exterior. Em grau de recurso administrativo, a empresa obteve a reversão da inaptidão ao comprovar sua capacidade econômica para a execução das operações (fls. 357361 do mesmo Anexo). Nesse sentido, opinouse fosse averiguada a ocorrência de ocultação do real adquirente mediante cessão de nome da K&K aos seus clientes conforme disposto na Lei 11.488/07. Diante do exposto, foi aberto, nesta Inspetoria, o Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD) n° 08155002010 008705, de 06/08/10, a fim de buscar os elementos necessários para verificação da cessão do nome da K&K nas operações de comércio exterior no exercício de 2006. Com base nesse MPF, em 18/08/10, foi realizada diligência no endereço da empresa cadastrado nos sistemas da Receita Federal do Brasil, a qual restou frustrada por não haver, no local, pessoa para receber a intimação. Por conseguinte, foi enviado, na mesma data via correio, o Termo de Início de Ação Fiscal n° 162/10 para o endereço da sede da K&K e os dos sócios, intimandoos a apresentar os documentos necessários à realização do procedimento fiscal, cujo representante da empresa compareceu nesta IRF para a entrega dos documentos solicitados. A fim de obter informações acerca das atividades da K&K, em 30 de agosto, foram intimadas, via postal, ainda, as empresas mencionadas na alínea "a" do item 3 deste Relatório, obtendose o respectivo aviso de recebimento de todas à exceção da empresa YIDA COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. A documentação solicitada foi entregue pelo contador (em comum) das empresas. Em 10 de setembro, o procurador da empresa compareceu nesta Inspetoria a fim de solicitar prorrogação de prazo por mais trinta dias para apresentação da documentação, a qual foi deferida. Da análise de tal documentação, em conjunto com a entregue em decorrência dos Termos de Intimação Fiscal (TIF) realizadas no curso dos PAF's supramencionados (a exemplo, TIF's de fls. 80 Fl. 879DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 9 17 81 e 172173 do Anexo I e fls. 56 do Anexo II), que restou em guarda desta Inspetoria, foi possível concluir o seguinte: 3. DOS INTERVENIENTES De forma a identificar a interligação entre a K&K, a cessionária (W&W) e as empresas com as quais aquela comercializava as mercadorias importadas, foram analisados os documentos e sistemas supramencionados, observandose o seguinte: a) há confusão de sócios e procuradores da cessionária e das principais empresas adquirentes das mercadorias importadas pela K&K, conforme segue enumerado no quadro abaixo com base nas informações do PAF 10711.000247/200748 (Anexo I): Empresa Sócios Procuradores Folha(s) W&W (cessionária)* (06.001.831/000164) Lu Jinglin (1) Lu Feng (3) 7 e 54 Wu Hefang(2) Wang Shengyao (4) Wang Ronggen (5) Tang Xuezhen (6) COMBEK COMÉRCIO DE ARMARINHOS LTDA. (07.405.477/000104) COMBEK Yu Haiwu 140 Wang Ensheng – irmão de (4) LUX COMÉRCIO DE PAPELARIA LTDA. (07.468.534/000196) LUX Wang Shengyao (4) 135 e 150 Wu Hefang (2) Lu Jinglin (sócia desde 11/07) (1 informação obtida no sistema CNPJ)** MM BOLSAS E ACESSÓRIOS LTDA. (07.457.298/000102) MM Wang Ronggen (5) 141 Tang Xuezhen (6) POLOKIN COMÉRCIO IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA. (05.078.470/000191) – sócios cônjuges POLOKIN Wang Shengyao (4) 137e151 Fl. 880DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 18 Lu Feng*** (3) YIDA COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (03.682.394/000101) YIDA Wang Ronggen (5) 142 e 148 Tang Xuezhen (6) * a W&W celebrou contrato de cessão dos direitos da marca Luxcel com a K&K, no curso da fiscalização realizada pela Alfândega do Porto do Rio de Janeiro, sem qualquer ônus a esta (fis. 5153 do Anexo I). ** constante do Anexo IV deste Relatório. *** filha de (2) f l . 134 e responsável pela pagina da internet da YIDA (fl. 152 do Anexo I). b) os endereços informados para as empresas, de acordo com as informações do PAF 10711.000247/200748 (Anexo I), todos na cidade de São Paulo, se identificam ou se assemelham conforme enumeração a seguir: Empresa Endereço da empresa Folha(s) K & K (importadora) Rua Diamante Preto, 865 (1) 95 e 170 Endereço da filial: Rua Diamante Preto, 841 (2) 170 W & W (cessionária) Rua Luis Pinto, 160, Vila Carrão (3) 47 Filial: Rua Julio Parigot, 860 (4) 47 Endereço antigo: Rua Diamante Preto, 841 (2) 54 LUX Rua Julio Parigot, 880 vizinho ao (4) 150 MM Rua Julio Parigot, 860 (4) informação obtida no sistema CNPJ* POLOKIN Rua Julio Parigot, 842 vizinho ao (4) 151 YIDA Rua Forte do Rio Branco, 140 148 Endereços antigos: Rua Julio Parigot, 826 vizinho ao (4) e Rua Luis Pinto, 160 (3) 148 * constante do Anexo IV deste Relatório. c) os endereços informados para os sócios, de acordo com as informações do PAF 10711.000247/200748 (Anexo I), também se igualam ou se aproximam conforme enumeração a seguir (todos nesta capital): Fl. 881DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 10 19 Empresa Sócios Endereço particular dos sócios Folha(s) K & K (importadora) Yi Yixin Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 141, bl. D (1) 146 Zou Aiying Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 141, bl. D (1) 170 W & W (cessionária) Lu Jinglin Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 221, bl. D (2 ) 145 Wu Hefang COMFJEK Yu Haiwu Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 141, bl. D (1) 144 Wang Ensheng Rua Vilela, 709, ap. 175 (3) 139 LUX Wang Shengyao Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 221, bl. D (2) 138 Wu Hefang Lu Jinglin (sócia desde 11/07) Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 221, bl. D (2) 145 Empresa Sócios Endereço particular dos sócios Folha(s) MM Wang Ronggen Rua Vilela, 709, ap. 177 vizinho ao (3) 143 Tang Xuezhen POLOKIN Wang Shengyao Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 221, bl. D (2) 138 Lu Feng** Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 221, bl. D (2) 136 YIDA Wang Ronggen Rua Vilela, 709, ap. 177 vizinho ao (3) 143 Tang Xuezhen Fl. 882DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 20 Diante do exposto, inferese o alto grau de conexão entre as empresas intervenientes nas operações. Em suma, verificase que o quadro societário e os endereços (tanto das empresas, quanto dos sócios) das clientes da K&K coincidem com os da cessionária W&W. o que demonstra a interligação entre as empresas conforme se demonstrará na seqüência. Nesse mesmo sentido, foram observadas, ainda, conexões entre a K&K e as empresas Fluxo Comércio de Calçados Ltda. (CNPJ 06.993.077/000196) e Kelo Comercial Ltda. (CNPJ 05.363.321/000174), cujo sócio coincidente das duas últimas (sr. Chen Jian, conforme informação obtida nos sistemas dessa Receita Anexo IV) era procurador da K&K (PAF 10711.000247/200748 , fl. 170 do Anexo I). Relativamente às notas fiscais de saída da K&K para tais estabelecimentos, não se verificou, contudo, uma relação direta das mercadorias ali discriminadas com as das Dls registradas. Todavia, no que tange à sua contabilização, inúmeras notas deixaram de ser escrituradas na K&K, o que sugere a sonegação dos tributos internos cabíveis nas operações. Em face disso, será feita representação à Delegacia de Fiscalização desta Receita Federal que jurisdiciona a empresa para as providências cabíveis. ..................................................................................................... 6. DA PENALIDADE E ENQUADRAMENTO LEGAL De acordo com o relatado, para as importações realizadas pela K&K para a cadeia de empresas da W&W, configurase a infração de cessão de nome para a realização de importações no interesse de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários conforme previsto no art. 33 da Lei n° 11.488/07 que segue: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cabe ressaltar que o novo Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/09, esclareceu o significado da expressão "valor da operação" em seu art. 727 (g.n.): Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei n° 11.488, de 2007, art. 33, caput). Fl. 883DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 11 21 §1° A multa de que trata o caput não poderá ser Inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei n° 11.488, de 2007, art. 33, caput). §2° Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. §3° A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. No art. 2o do DecretoLei n° 37/66 (com redação dada pelo DecretoLei n°2.472/88), temse a definição da base de cálculo do imposto de importação (g.n.): Art. 2o A base de cálculo do imposto [de importação] é: (...) II quando a alíquota for "ad valorem", o valor aduaneiro apurado segundo as normas do art. 7o do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT. E o Decreto n° 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro/02) assim determinou (g.n.): Art. 76. Toda mercadoria submetida a despacho de importação está sujeita ao controle do correspondente valor aduaneiro. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput consiste na verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado pelo importador com as regras estabelecidas no Acordo de Valoração Aduaneira. Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo n° 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto n° 1.355, de 1994): I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II. Em face do disposto acima, entendo pela aplicação da multa relativa à cessão de nome nas importações destinadas à cadeia de empresas da W&W. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 22 Identificada a infração, a penalidade, as operações envolvidas e os devidos enquadramentos legais, é necessário demonstrar e apurar o valor do crédito tributário envolvido nas situações de irregularidade apresentadas. Com esse fim, segue, na tabela abaixo, a relação de Dl's e os respectivos demonstrativos de cálculo que serviram de base para a apuração da multa em questão (de acordo com os valores extraídos do sistema DW Aduaneiro), a qual totaliza R$95.000,00: Voltando a Heleno Torres, com citação do qual iniciei minha argumentação, estou convencida de que se trata de operação de importação onde o pacto e o negócio simulado permitiu o exercício de transação à margem dos ditames legais, ainda que perfeito e primário o negócio privado. Ao encobrir os verdadeiros donos do capital, e as associações negociais feitas ficaram protegidas da fiscalização tributaria as empresas do grupo W&W, por motivos que não são de interesse nesta lide. Quanto ao cálculo da multa, entendo que andou corretamente a administração tributária que estabeleceu 10% do valor de cada operação conforme estabelece a norma de regência. Por todo exposto, faço meus os termos do voto a quo, e nego provimento ao recurso interposto. [assinado digitalmente] Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando Relatora. Declaração de Voto Mércia Helena Trajano D’Amorim Com todo respeito, quero fazer o devido registro e considerações, tendo em vista, discordar de parte de texto da decisão de primeira instância, quando precisamente dispõe, nos termos: “A infração tipificada no artigo 33 supra — cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários — corresponde, materialmente, à tipificação da interposição fraudulenta, prevista no artigo 23, inciso V, do DecretoLei n 1.455/1976: "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros". Entendo que a infração considerada como dano ao Erário está disposta no artigo 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, in verbis: Fl. 885DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 12 23 “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.” (negritei) A pena prevista para a infração é o perdimento das mercadorias importadas, conforme parágrafo 1º do mesmo artigo, assim descrito: “§ 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.” Tendo em vista que as mercadorias importadas não são localizadas, por terem sido consumidas ou revendidas, exigese a multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, conforme determinado no parágrafo 3º do mesmo artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, nos seguintes termos: “§ 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.” Ainda, tendo em vista incapacidade financeira, verificandose que os pagamentos dos custos das importações são realizados com recursos financeiros de terceiros, sem os quais a interessada não poderia cumprir com suas obrigações de importadora. Assim, a fiscalização observa a presunção legal da caracterização de interposição fraudulenta de terceiros, tendo por fundamento a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações, como disposto no § 2º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, in verbis: “§ 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.” (negritei) Pois bem, a alegação de que a penalidade pela infração que em tese teria cometido é aquela prevista na Lei nº 11.488/2007, pois a interposição fraudulenta presumida pela fiscalização devido à não comprovação da origem dos recursos empregados no comércio exterior, significa a cessão do nome a terceiros, que, conforme a norma legal citada, tem como penalidade uma multa de 10% do valor da mercadoria, é interpretação equivocada. O artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, prescreve: “Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com Fl. 886DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 24 vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” (negritei) Por sua vez. O artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, estabelece: “Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. § 2o Para fins do disposto no § 1o, a comprovação da origem de recursos provenientes do exterior darseá mediante, cumulativamente: I prova do regular fechamento da operação de câmbio, inclusive com a identificação da instituição financeira no exterior encarregada da remessa dos recursos para o País; II identificação do remetente dos recursos, assim entendido como a pessoa física ou jurídica titular dos recursos remetidos. § 3o No caso de o remetente referido no inciso II do § 2o ser pessoa jurídica deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. § 4o O disposto nos §§ 2o e 3o aplicase, também, na hipótese de que trata o § 2o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976.” (negritei) O parágrafo único do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, já transcrito, dispõe que, para o caso previsto no caput do artigo, qual seja, a exigência da multa de 10 % do valor da operação acobertada da pessoa jurídica pela irregular cessão do nome em operações de comércio exterior, não se aplica o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, que, determina a declaração de inaptidão nos casos de não comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Observase que antes da edição da Lei nº 11.488/2007, nos casos em que não se comprovasse a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se fosse o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, haveria que se declarar a pessoa Fl. 887DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 13 25 jurídica inapta. Essa previsão incluía, inclusive, a hipótese do § 2º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, como disposto no § 4º do artigo 81 da Lei nº 9.430/1996. Com a edição da Lei nº 11.488/2007, em razão do contido no parágrafo único de seu artigo 33, não mais se aplica o disposto no artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, ou seja, não mais se declara inapta a pessoa jurídica naquelas situações que especifica. A Lei nº 11.488/2007 trouxe nova previsão relativamente à penalidade de caráter administrativo, para não mais se declarar a infratora inapta e sim, dela exigir multa equivalente a dez por cento do valor da operação acobertada. A multa capitulada no § 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, por sua vez, é exigida quando as mercadorias sujeitas à pena de perdimento, prevista em seu § 1º, em virtude da caracterização de dano ao Erário, não mais estão disponíveis, por não serem localizadas ou terem sido consumidas. Insisto, o dano ao erário será punido com a pena de perdimento das mercadorias que, no entanto, convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. A pena pecuniária prevista no art. 33 da Lei n° Lei n° 11.488, de 2007 veio apenas substituir a pena nãopecuniária de declaração de inaptidão e não a pena de perdimento. De se notar que a pena de perdimento tem natureza diversa da declaração de inaptidão antes prevista. Enquanto aquela tem como objeto a pessoa jurídica, esta é de controle aduaneiro, incidindo sobre as mercadorias importadas em situação irregular, portanto perfeitamente aplicáveis simultaneamente. A Lei nº 11.488/2007, ao mesmo tempo em que determinou a não aplicação da inaptidão à pessoa jurídica infratora, previu a exigência de multa pecuniária. Essa substituição de penalidade em nada altera sua natureza e, portanto, fica mantida a possibilidade de sua exigência simultânea com a pena de perdimento, que, notese, não foi revogada em nenhum momento, ainda que essa pena tenha sido convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Verificase, portanto, que o parágrafo único do art. 33 da Lei 11.488/07 podese compreender que a penalidade de 10% do valor aduaneiro, aplicada à pessoa que ceder seu nome para acobertar os reais intervenientes nas operações aduaneiras, foi instituída para substituir a pena não pecuniária de inaptidão do CNPJ, que antes era aplicável por força do art. 81 da Lei n.º 9.430/96 c/c art. 34, III e 41, III, da IN SRF n.º 568/2005. Mércia Helena Trajano D’Amorim Fl. 888DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10820.001486/99-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543-C.
Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata
a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas bem como a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164)
Numero da decisão: 9303-001.817
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso especial do contribuinte e em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas bem como a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do contribuinte e em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 12/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann Fl. 780DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Insurgemse Fazenda Nacional e contribuinte contra decisão proferida pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que, analisando o direito ao incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, definiu que sua base de cálculo não engloba o valor das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas nem de itens que não correspondam às definições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem presentes na legislação do IPI, em especial no Parecer Normativo CST nº 65/79. Portanto, as glosas efetuadas pela DRF foram integralmente mantidas pela Câmara recorrida. O recurso voluntário apenas foi provido quanto à pretendida adição de juros, calculados com base na taxa Selic; ela foi, por maioria, acolhida, para incidir sobre as parcelas já aceitas pela DRF e apenas a partir da data de protocolização do pedido administrativo. A inconformidade do contribuinte, calcada em comprovada divergência jurisprudencial administrativa, disse respeito apenas ao primeiro tópico, isto é, à possibilidade de inclusão dos valores relativos a aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem efetuadas a pessoas físicas. Por sua vez, a Fazenda Nacional, com base no permissivo contemplado à época no art. 5º, inciso I do Regimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Portaria MF nº 55/1998, contesta a aplicação da taxa selic aos valores deferidos, esgrimindo, basicamente, os mesmos argumentos que constaram do voto vencido para provar a contrariedade à lei. Ambos os recursos foram admitidos pela Presidência da Quarta Câmara do CARF, cabendo registrar que, antes, a empresa opusera embargos de declaração os quais não haviam sido admitidos. Há contrarazões de ambas as partes. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Os requisitos de admissibilidade foram cumpridos por ambos os recursos, como bem demonstrado nos despachos exarados pela Presidência da Câmara recorrida, merecendo apreciação por este colegiado. Ambas as matérias neles controvertidas não comportam maiores delongas por parte desta Câmara Superior em razão da inclusão, em seu regimento, do art. 62A, que impôs a reprodução das decisões do Superior Tribunal de Justiça que tenham sido proferidas já na sistemática do art. 543C. Assim foi feito em relação às duas questões sob análise no julgamento do RE 993.164, o qual, em cumprimento da norma regimental, reproduzo a seguir a fim de dar provimento ao recurso do contribuinte e negar ao da Fazenda. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E Fl. 781DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10820.001486/9934 Acórdão n.º 9303001.817 CSRFT3 Fl. 2 3 EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial Fl. 782DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato Fl. 783DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10820.001486/9934 Acórdão n.º 9303001.817 CSRFT3 Fl. 3 5 normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Comprovado que a a obstaculização da Fazenda pública ao recebimento pelo contribuinte de parte dos valores pleiteados decorreu de ato normativo tido por ilegal pelo e. Superior Tribunal de Justiça, cabível, por aplicação obrigatória do entendimento do mesmo Tribunal, a adição de juros ainda que calculados com base na taxa Selic utilizada aqui como “índice de atualização monetária”. Voto, assim, pelo provimento do recurso especial do contribuinte e pelo não provimento do recurso da Fazenda Nacional. É o voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 784DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Fl. 785DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10940.720197/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR
Exercício: 2006
AQUISIÇÃO DE BEM IMÓVEL. DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. REGISTRO ATIVO.
Nos termos do Código Civil, enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua como dono do imóvel.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA LEGAL DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). INEXISTÊNCIA.
IMPOSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA LEGAL DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) E AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL.
INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendo-se,
também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel.
VTN. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO. SUBAVALIAÇÃO. FALTA DE DOCUMENTOS PARA SUPORTE AOS DADOS DECLARADOS. ARBITRAMENTO.
Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados.
A subavaliação materializa-se pela constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.785
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli que dava provimento.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. REGISTRO ATIVO. Nos termos do Código Civil, enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua como dono do imóvel. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA LEGAL DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA LEGAL DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) E AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel. VTN. INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DECLARAÇÃO. SUBAVALIAÇÃO. FALTA DE DOCUMENTOS PARA SUPORTE AOS DADOS DECLARADOS. ARBITRAMENTO. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Cabe ao fisco verificar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo na declaração do tributo, sendo que os meios utilizados para tal aferição devem ser aqueles determinados pela lei, no sentido de que o declarante, quando solicitado, apresente os documentos de suporte aos dados declarados. A subavaliação materializase pela constatação de diferença considerável entre o VTN declarado pelo sujeito passivo e aquele veiculado na tabela SIPT para as terras da área em que se encontra o imóvel rural, não necessitando o fisco de outros meios de prova que o autorize o arbitramento do VTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli que dava provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atílio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10940.720197/200804 Acórdão n.º 2102.01.785 S2C1T2 Fl. 79 3 Relatório Contra o contribuinte já qualificado nestes autos foi lavrada a Notificação de Lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR), exercício 2006 (fls. 6/10), em decorrência da glosa das áreas declaradas como preservação permanente e reserva legal e, ainda, da subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel rural “Fazenda Silveria”, localizada em Boa Vistinha Porteiros, município de TibagiPR, apurandose o imposto suplementar de R$ 367.296,43 (trezentos e sessenta e sete mil, duzentos e noventa e seis reais e quarenta e três centavos), acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação alegando que, apesar de ter adquirido a propriedade, registrada no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Tibagi, sob matrícula nº 5.958, em agosto de 1999, em momento algum tomou posse do imóvel, pois as coordenadas, segundo um profissional contratado, coincidem com os limites de outra propriedade. Ainda, que buscou, sem sucesso, anular o negócio e que entregou a DITR apenas para regularizar a situação tributária referente ao imóvel, mas, tendo em vista a matrícula ser fria, não teria como estimar as áreas de plantações, reservas, benfeitorias ou o VTN. A impugnação foi julgada improcedente pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/CGE, uma vez que o contribuinte adquiriu a propriedade do imóvel e que vem apresentando normalmente as DITR em seu nome, não havendo comprovação das alegações e, além disso, não adotou nenhuma providência para o cancelamento do registro do imóvel ou desativação da inscrição no Incra. Cientificado da decisão, por aviso de recebimento (fls. 44/45), em 18 de junho de 2011, o recorrente interpôs recurso no dia 16 do mês subsequente (fls. 46/76), alegando que: a) não existe o imóvel rural denominado Fazenda Boa Vistinha e Potreiros, com 666,00 alqueires, adquirida do Sr. José Carlos de Carvalho, que foi sei procurador no negócio; b) inobstante a data da negociação (2 de agosto de 1999), em momento algum tomou posse ou teve domínio do imóvel e sequer tem conhecimento de sua localização; c) pelas coordenadas, segundo um profissional contratado, a área se encontra localizada em um plantio de pinus de propriedade da empresa Klabim; d) procurou anular o negócio, bem como recuperar o valor pago a título de sinal, sem, no entanto, conseguir qualquer sucesso; e) foi surpreendido por sindicância administrativojudicial na Vara de Registros Públicos da Comarca de Tibagi/PR, visando cancelar várias matrículas de origem duvidosa, entre as quais a do presente imóvel, que foi bloqueada por indícios de fraude; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 f) apresentou a DIAC por orientação do seu contador apenas para regularizar a situação tributária perante o Fisco Federal e não ficar impedido de emitir certidões negativas de débitos e outros documentos; g) como a propriedade nunca existiu, inexiste fato imponível de ITR; h) não há como calcular o VTN, pois é impossível saber as áreas cultivadas, de pastagem, de florestas plantadas, de benfeitorias etc.; i) não tomou nenhuma providência porque aguardava o resultado de sindicâncias e procedimentos administrativos que visavam a anulação de essa e outras matrículas; e j) é necessário um prazo de, no mínimo, 90 dias para a produção de prova da inexistência de localização do imóvel. O requerente anexou aos autos os seguintes documentos: a) certidão expedida pela Vara Cível de TibagiPR, em 14 de julho de 2010, informando a existência do Processo Administrativo Judicial nº 504/2007 para apurar a origem fraudulenta de diversas matrículas de imóveis, entre elas a de nº 5.958, que tem o recorrente como titular (fl. 56); b) citação ao requente, expedida em 23 de janeiro de 2008, para oferecer contestação no procedimento administrativo judicial nº 504/2007, instaurado pelo Juiz Corregedor do Foro Extrajudicial c) Portaria nº 21/2007, de 21 de dezembro de 2007, que instaurou o Procedimento AdministrativoJudicial visando o cancelamento das matriculas irregulares (fls. 58/60); e d) relatório da sindicância – determinada pela Portaria 4/2006, de 21 de dezembro de 2006 – contra a titular do Registro de Imóveis da Comarca de Tibagi/PR, emitido pelo JuizCorregedor em 5 de outubro de 2007, citando o bloqueio das matrículas suspeitas e, por falta de competência legal para presidir os procedimentos, remetendo os autos para apreciação da CorregedoriaGeral da Justiça do Estado do Paraná (fl. 61/71). Intimado pela DRF Ponta Grossa, o contribuinte anexou, às folhas 74/76, a procuração e a cópia do documento do seu procurador para comprovar a assinatura no recurso voluntário. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10940.720197/200804 Acórdão n.º 2102.01.785 S2C1T2 Fl. 80 5 Voto O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Na autuação fiscal foram glosadas as áreas declaradas como preservação permanente e de reserva legal e reavaliada a terra nua com base nos valores constantes do SIPT. De acordo com o art. 4º da lei 9.393/1996, o “contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título.” O requerente, apesar de ter apresentado a Declaração do ITR para os exercícios 2003, 2004, 2005 e 2006, conforme consta no Termo de Intimação Fiscal nº N° 09104/00003/2008 (fls. 1/3), alega que a propriedade registrada sob número 5.958 (fls. 24/25) não existe e em momento algum o teve a posse ou o domínio do imóvel e, portanto, sequer sabe a localização do imóvel. Entretanto, o contribuinte não adotou medidas para o cancelamento da matrícula do imóvel e, apesar da solicitação de 90 dias de prazo, não anexou provas suficientes para demonstrar a inexistência da propriedade. Mesmo argumentando, na impugnação e no recurso voluntário, que contratou um profissional para identificar a localização das coordenadas e que procurou anular o negócio, os documentos juntados aos autos apenas informam a existência de uma sindicância, inconclusa, iniciada pelo Poder Judiciário do Estado do Paraná no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca da Tibagi/PR. Quanto à propriedade do bem, assim dispõe a Lei nº 10.406/2002 (Código Civil), na “Seção II – Da aquisição pelo registro do título”: Art. 1.245. Transferese entre vivos a propriedade mediante o registro do titulo translativo no Registro de Imóveis. § lº Enquanto não se registrar o titulo translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. 2º Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. Art. 1.246. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o titulo ao oficial do registro, e este o prenotar no protocolo. Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. Parágrafo único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boafé ou do titulo do terceiro adquirente. O contribuinte alega que não tomou nenhuma providência porque aguardava o resultado da sindicância e dos procedimentos administrativos que visavam a anulação dessa e de outras matrículas. Porém, entre a data da compra e a citação anexada ao processo, emitida em 2008 pela Comarca de Tibagi/PR, se passaram oito anos. Os demais documentos presentes Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 aos autos (relatório da sindicância determinada pela Portaria 4/2006, de 21 de dezembro de 2006, Portaria nº 21/2007 e Processo Administrativo Judicial nº 504/2007) também são posteriores a entrega da declaração. Assim, não procedem os argumentos quanto à falta de providências para cancelar a escritura ou o registro ou, ainda, entrar com ação contra o vendedor, pois, apenas em novembro de 2008, quando foi intimado para apresentar os documentos do ITR, é que passou a alegar a possível anulação da matrícula por fraude. Em decorrência disso, entendese que o contribuinte é o titular do imóvel. Diante disso, passase a analisar as glosas efetuadas na DIAT referentes às áreas de preservação permanente e de reserva legal e à subavaliação do VTN. Preservação Permanente No que diz respeito redução do valor do ITR a pagar, a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, a obrigatoriedade de apresentação do ADA passou a ter expressa disposição legal. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000). [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000). Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de preservação permanente e reserva legal. O requerente não apresentou o ADA ou qualquer outro documento que comprovasse a área de 930,0 hectares declarada como preservação permanente. Assim, não foram cumpridos os requisitos necessários para a concessão da isenção, de tal forma que o lançamento deve prosperar nos termos em que foi consubstanciado no Auto de Infração. Reserva legal O contribuinte também não comprovou a isenção da área de 630,0 hectares, declarada a titulo de reserva legal. Para a reserva legal, a lei determina sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. O disposto foi inserido no § 8°, do artigo 16 da Lei n° 4.771, de 15/09/1965 (Código Florestal), pelo art. 1º da Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: [...] Fl. 86DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10940.720197/200804 Acórdão n.º 2102.01.785 S2C1T2 Fl. 81 7 § 8º A área de reserva local deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. A averbação da área de reserva legal é obrigatória. O seu registro deve estar amparado em demonstrativo da área do imóvel enquadrada nessa situação e de termo de responsabilidade assinado perante o órgão ambiental. Valor da Terra Nua A requerente não apresentou laudo de avaliação do imóvel ou qualquer outro documento para contestar o VTN. Apenas alega que a Receita Federal não teria como efetuar o levantamento de preços mínimos de terra nua, pois a terra inexiste. Em sua declaração registrou o valor da terra nua por R$ 13.500,00 e apurou R$ 10,00 de imposto devido. Nos termos do § 2° do artigo 8º da Lei n° 9.393, de 1996, o VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir a declaração do ITR, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. O VTN declarado será submetido à apreciação da RFB, que verificando subavaliação, com arrimo nas informações veiculadas pela tabela do Sistema de Preços de Terras (SIPT), procederá a correção do valor declarado. Essa orientação está respaldada no mandamento do artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996. A informação pode ser contradita com a apresentação de laudo técnico de avaliação em que reste comprovado existir na propriedade características peculiares que a distingam das demais da região, à vista do qual a autoridade administrativa poderá rever o VTN que fora atribuído ao imóvel rural. Porém, a recorrente não apresentou laudo de avaliação. Insurgese contra a forma de apuração sem trazer um valor plausível para contrapor a cobrança. Assim, não havendo laudo com os levantamentos necessários à apuração do valor da terra nua e constatandose que é irrisório o valor registrado na declaração de ITR, devese manter o valor lançado com base no preço médio apurado SIPT para o Município de Tibagi. Pelo exposto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (ASSINATURA DIGITAL) Francisco Marconi de Oliveira Relator. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 16327.001263/2005-14
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2007
Ementa: RENÚNCIA Á VIA ADMINISTRATIVA- MANDADO DE SEGURANÇA – EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO – LANÇAMENTO EX OFFICIO POSTERIOR – INOCORRÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA – APRECIAÇÃO – POSSIBILIDADE – O exercício exclusivo da função jurisdicional do Estado através do Poder Judiciário impede que uma mesma questão seja discutida, simultaneamente, na via administrativa e na via judicial. O ingresso na via judicial para discutir determinada matéria implica abrir mão de fazê-lo pela via administrativa. O fundamento para o não conhecimento da matéria na instância administrativa consiste em obstaculizar a ocorrência de conflitos entre as decisões, o não ocorre quando o processo judicial tenha sido julgado extinto sem apreciação de mérito, por não possibilitar decisões conflitantes.
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS – ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS – DEDUTIBILIDADE –Não tratando, a situação fática, de perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, conforme previsto no art. 9º da Lei 9.430/96, não há que se falar em esgotamento das possibilidades e meios de cobrança. Os abatimentos concedidos ao devedor na liquidação de operações de crédito classificam-se como despesas operacionais e são dedutíveis do lucro operacional.
Numero da decisão: 101-96.433
Decisão: ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Sandra Maria Faroni
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O ingresso na via judicial para discutir determinada matéria implica abrir mão de fazê-lo pela via administrativa. O fundamento para o não conhecimento da matéria na instância administrativa consiste em obstaculizar a ocorrência de conflitos entre as decisões, o não ocorre quando o processo judicial tenha sido julgado extinto sem apreciação de mérito, por não possibilitar decisões conflitantes. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS — ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS — DEDUTIBILIDADE —Não tratando, a situação fática, de perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, conforme previsto no art. 9° da Lei 9.430/96, não há que se falar em esgotamento das possibilidades e meios de cobrança. Os abatimentos concedidos ao devedor na liquidação de operações de crédito classificam-se como despesas operacionais e são dedutíveis do lucro operacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Unibanco- União de Bancos Brasileiros S/A. )12 • , ' . . Processo n° 16327.001263/2005-14 Acórdão n° 101-96.433 ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO J SÉ P GA DE SOUZA PRESIDENTE SANDRA MARIA FARONI RELATORA FORMALIZADO EM: 110 DEZ 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros JOSÉ RICARDO DA SILVA, PAULO ROBERTO CORTEZ, VALMIR SANDRI, CAIO MARCOS CÂNDIDO, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. 2 ; •e. . Processo n° 16327.001263/2005-14 Acórdão n° 101-96.433 Recurso n°. : 153.726 Recorrente : Unibanco- União de Bancos Brasileiros S/A RELATÓRIO Cuida-se de recurso voluntário interposto pela empresa Unibanco- União de Bancos Brasileiros S/A em face da decisão da 88 Turma de Julgamento da DRJ São Paulo- SP1, que julgou inteiramente procedentes os lançamentos consubstanciados em autos de infração lavrados para formalizar exigências de IRPJ e CSLL relativas aos anos-calendário de 2000, 2001 e 2002, cientificados ao contribuinte em 09/08/2005. A irregularidade apontada pela fiscalização é a dedução antecipada das perdas no recebimento de créditos, e se refere às perdas efetivas nos anos- calendário de 2000, 2001 e 2002, resultando na redução indevida do lucro liquido, em razão da desistência formalizada nos autos do MS n° 2003.61.00.028517-3, conforme descrito no termo de verificação. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 103 a 106, o autuante assim descreve os fatos: (1-) Fulcrado no entendimento de que as perdas efetivas no recebimento de créditos devessem ser apropriadas como despesas operacionais tão logo se tornassem definitivas, em razão de sua imprescindibilidade para a determinação da renda ou lucro, o contribuinte fiscalizado impetrou o Mandado de Segurança n° 2003.61.00.028517-3 perante a 26 a Vara Cível da Justiça Federal da Seção Judiciária do Estado de São Paulo, objetivando a dedução antecipada, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos citados AC's, dos valores relacionados às perdas no recebimento de créditos, sem a observância das condições e prazos estabelecidos nos arts. 90 e 14 da Lei n° 9.430/96; (2-) Notificado pelo MM Juiz da 268 Vara Cível a prestar as informações relacionadas ao "mandamus", o Senhor Delegado da Delegacia Especial das Instituições Financeiras — DEINF, sustentou os princípios norleadores da legislação tributária, concluindo pela denegação do Mandado de Segurança em razão das impropriedades constantes na pretensão do contribuinte fiscalizado; (3-) A medida liminar intentada foi negada em 23.10.2003, tendo tal Decisão sido objeto de interposição de Agravo de Instrumento junto ao TRF, pelo qual foi negado o efeito suspensivo pleiteado relativamente à Decisão proferida em 1 a Instância; (4-) Em 25.06.2004 foi publicada a Sentença proferida pelo MM Juiz da 268 Cível da Justiça Federal, na qual foi homologada a desistência requerida pelo 3 (----" r . • • t- ' •• • Processo n° 16327.001263/2005-14 Acórdão n° 101-96.433 contribuinte-fiscalizado, ocasião em que foi julgado extinto o Processo sem apreciação do mérito; (5-) Submetida à análise a documentação que integra o Processo Administrativo-Judicial n° 16327.00345212003-51, constatei que o contribuinte fiscalizado sustentou categoricamente na exordial que na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL referentes aos anos-calendário de 1998 a 2002, "...deixou de adicionar os valores das perdas relativas àqueles anos, conforme declarações anexas..." (6-) Nos exames procedidos nas DIPJ's dos Anos-Calendário de 2000, 2001 e 2002, em cotejo com os dados constantes nas composições dos valores consignados na Linha 29 — Outras Despesas Operacionais, da Ficha 068 — Despesas Operacionais, os montantes de R$ 9.313.350.45 no AC/2000, R$ 15.224.709,51 no AC/2001, e R$ 25.668.165,27 no AC/2002, correspondem às perdas definitivas no recebimento de créditos não tributados pelo IRPJ e CSLL com base na medida judicial interposta; (7-) Com o procedimento adotado, o fiscalizado reduziu indevidamente nos referidos anos-calendário as bases de cálculo tanto do Imposto de Renda pessoa Jurídica — IRPJ quanto da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, em desacordo com o que dispõe o art. 9° da Lei n° 9.430/96: (.•.) (8-) Por oportuno registre-se que o marco temporal definido de uma presunção legal de perda efetiva de crédito dar-se-á no prazo de 5 (cinco) anos, razão pela qual foi afastado o instituto da postergação previsto no art. 273 do RIR/99. Em impugnação tempestiva a interessada argüiu a nulidade do auto de infração por ausência dos requisitos legais. No seu entender, as investigações foram superficiais, e o Agente Fiscal não analisou qualquer documentação, livros e registros contábeis acerca da conta autuada, a fim de buscar a verdade real, tendo utilizado forma presumida para determinar a matéria tributável e calcular o montante do imposto devido, ou seja, o Fisco não demonstrou, como previsto em lei, a ocorrência dos fatos geradores do IRPJ e CSLL, fato que ofende flagrantemente o disposto no art. 142 do CTN. Argúi, ainda, a nulidade da autuação por ter sido violado o critério da postergação previsto na legislação tributária (art. 6° do Decreto-Lei n° 1.598/77 e do Parecer Normativo n° 02/96). Argumenta que "O entendimento fiscal está irremediavelmente equivocado, uma vez que a fiscalização deveria realizar a verificação dos resultados de todos os exercícios futuros, estes encerrados, de modo a apurar o momento em que foi recolhido o IRPJ em decorrência do suposto registro antecipado de despesas/perdas no recebimento de créditos". 4 fr 1"• Processo n° 16327.001263/2005-14 Acórdão n° 101-96.433 Quanto ao mérito, assevera que os valores de R$ 9.313.350,45, para o ano-calendário de 2.000, R$ 15.224.709,51, no ano-calendário de 2001, e por fim, R$ 25.668.265,27, para o ano-calendário de 2002 são constituídos integralmente de perdas/descontos concedidos na renegociação de dívidas conforme registros na conta 81.9.99.00.66546 — Perdas na Renegociação de Dividas, os quais tratam simplesmente de despesas operacionais das instituições financeiras dedutiveis de imediato para efeito de IRPJ e CSL. Acrescenta que tais valores representam as perdas no período, e não créditos, ou seja, embora registrados como recebíveis, por existência de risco maior no recebimento foram renegociados, e a diferença efetivamente perdida. Argumenta que as perdas na renegociação de créditos, perdas parciais, com origem em descontos e abatimentos sobre dívidas, em geral possuem diversas origens, como, desconto concedido em encerramento de conta corrente desconto concedido em liquidação de contrato, estorno de iuros e desconto concedido em renenociação de dívidas, todos os casos fazem parte das operações da Impugnante, afetas às Instituições Financeiras. Alega que essas renegociações são feitas, como sabido, para evitar um prejuízo maior, posto que sempre há risco de incorrer em perda total do crédito, esgotados todos os meios para cobrança, os devedores são chamados a renegociar, com abatimentos na dívida, para tornar a liquidação atrativa ao Inadimplente. Assevera que a simples demonstração do não recebimento das quantias é fato suficiente a justificar a não incidência de tributos, por ausência de materialidade/indisponibilidade financeira, portanto, inexistindo fato gerador — hipótese de incidência. Tendo em vista a necessidade de análise, para busca da verdade material por parte do Fisco, e uma vez que o grande volume de documentação inviabilize a imediata juntada ao processo administrativo, requer a produção de prova pericial, com o fim de comprovar os fatos trazidos com a defesa. Afirma que o procedimento de glosa de perdas, originadas por perdas definitivas, viola flagrantemente o principio da capacidade contributiva, previsto no art. 145, § 1°, da Constituição Federal, já que o Fisco cobra tributos sobre fatos geradores que não existem, uma vez que os créditos registrados não foram e nunca 5 • Processo n° 16327.001263/2005-14 Acórdão n° 101-96.433 serão recebidos, por serem descontos/ abatimentos efetivamente concedidos em renegociação de dívidas. Contesta a hipótese de liberalidade, levantada pelo Agente Fiscal, afirmando que as Instituições Financeiras não possuem interesse de qualquer natureza em oferecer descontos, perdoar parcialmente dividas, aduzindo que a liberalidade não se presume. Afirma que, para que o valor das perdas definitivas e efetivas possa compor a base de cálculo dos tributos, deveria ser demonstrada pelo Fisco a disponibilidade financeira dos valores, e de que abriu mão dos mesmos, por simples liberalidade. Contesta a multa de ofício por entender que inexiste fato gerador para as exações, e também porque estaria descaracterizada qualquer infração tributária que possa ensejar a aplicação da multa de ofício, nos termos da Lei 9.430/96, art. 44, inciso I (subsunção do fato à norma). Insurge-se, ainda, com a aplicação da taxa Selic para os juros de mora. Finaliza requerendo a realização de perícia, indicando seu perito e formulando quesitos. A 8' Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo julgou procedente o lançamento, em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2000, 31/12/2001, 31/12/2002 Ementa: PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. OBJETOS. A propositura de ações judiciais resulta em renúncia à discussão na via administrativa das matérias levadas à apreciação do Poder Judiciário. Deve ser conhecida a impugnação quando são distintos os objetos do processo judicial e do processo administrativo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. A simples alegação desprovida de elementos convincentes de prova, quanto à alegada ocorrência 6 /17 , . Processo n° 16327.001263/2005-14 Acórdão n° 101-96.433 de tributação indevida, impõe o indeferimento do pleito. IRPJ. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DEDUÇÃO. Na determinação do lucro real, a dedutibilidade, como despesa, de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica requer a observância das condições impostas pela legislação tributária. IRPJ. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO. A ausência de prova quanto à condição para deduzir como despesa, em períodos subseqüentes, a perda com recebimento de crédito, nos termos da legislação de regência, impede que seja utilizado o critério da postergação. MULTA DE OFÍCIO.Decorre do cumprimento à Lei, através da atividade vinculada e obrigatória do lançamento, a imputação de multa de oficio sobre créditos apurados de oficio, sendo incabível a exclusão da mesma, exceto nos casos legalmente previstos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referente ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos ao lançamento reflexo, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas, quando não tiverem sido oferecidos argumentos específicos para se contraporem a ele. Ciente da decisão em 12 de junho de 2006, a interessada ingressou com recurso em 12 de julho seguinte. Na peça recursal inicia por registrar que a decisão se equivocou ao se referir à realização de diligência, quando mencionou que a postulante deveria juntar, a título exemplificativo, documentos comprobatórios de que ao menos parte dos créditos não recebidos atenderia aos requisitos para a dedução, permitida pelo art. 9° da Lei 9.430/96, ainda que em exercícios posteriores, até a data da autuação. Afirma que jamais sustentou que os valores relativos às perdas deduzidas atendiam às condições do referido dispositivo legal, sendo, ao contrário, perdas definitivas. Diz que a fiscalização e a decisão recorrida expressamente aceitam os valores declarados como correspondentes às suas perdas definitivas e, a rigor, 7 Processo n° 16327.001263/2005-14 Acórdão n° 101-96.433 sequer haveria necessidade de produção de prova, tratando-se de discussão unicamente de direito. Não obstante, e por zelo, requereu a diligência dada a impossibilidade de produzir o levantamento no prazo para impugnação, mas o fez desde então, e em homenagem ao princípio da verdade material, requer a juntada de planilhas demonstrativas da composição dos valores deduzidos, acompanhadas de toda a documentação pertinente, de modo a afastar dúvidas de que se trata de perdas efetivamente definitivas. Salienta que, como o auto de infração não está fundamentado em qualquer questionamento quanto à definitividade ou não das perdas deduzidas (matéria de fato), posto que esta documentação sequer foi examinada pela fiscalização, eventual questionamento relativo à documentação ora anexada só poderia ser feito por novo auto de infração. Quanto ao mérito, alega inexistência de renúncia à discussão na via administrativa. Pondera que o entendimento da Súmula n° 1 do Conselho de Contribuintes tem por objetivo afastar a possibilidade de conflito entre decisões proferidas nas esferas administrativa e judicial do mérito, não se aplicando ao presente caso, em que o processo judicial foi extinto sem julgamento de mérito, tendo a extinção ocorrido mais de um ano antes da lavratura do auto de infração, e ainda em primeira instância, sem que fosse prolatada decisão de mérito. Reafirma que o valor deduzido como despesas é composto integralmente de perdas definitivas, dedutiveis de imediato para efeito de IRPJ e CSLL. Menciona acórdão desta Câmara que decidiu matéria idêntica, contesta a atribuição de caráter de liberalidade aos descontos concedidos. Faz referência a julgados do Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário que reconhecem tratar- se de despesas operacionais dedutíveis. Contesta a utilização da Selic para fins de juros de mora e a incidência de juros sobre a multa de ofício. É o relatório. r 8 Processo n° 16327.001263/2005-14 Acórdão n° 101-96.433 VOTO Conselheira SANDRA MARIA FARONI, Relatora O recurso tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Conforme restou claro do Termo de Verificação Fiscal, o lançamento em litígio se originou da desistência, por parte do contribuinte, de ação judicial em que pleiteava a apropriação das perdas no recebimento de créditos, como despesas operacionais, tão logo se tornassem definitivas. A autoridade fiscal registrou ter constatado que o contribuinte, na exordial, sustentou categoricamente que na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL referentes aos anos-calendário de 1998 a 2002, "...deixou de adicionar os valores das perdas relativas àqueles anos, conforme declarações anexas..." Examinando apenas as DIPJ's dos Anos-Calendário de 2000, 2001 e 2002, em cotejo com os dados constantes nas composições dos valores consignados na Linha 29 — Outras Despesas Operacionais, da Ficha 06B — Despesas Operacionais, verificou que os montantes de R$ 9.313.350,45 no AC/2000, R$ 15.224.709,51 no AC/2001, e R$ 25.668.165,27 no AC/2002, correspondem às perdas definitivas no recebimento de créditos não tributados pelo IRPJ e CSLL com base na medida judicial interposta, glosou as despesas e lavrou os autos de infração litigados. A primeira questão levantada no recurso se refere à inexistência de renúncia à instância administrativa. Sua apreciação é prejudicial à análise do mérito propriamente dito. A decisão de primeira instância não tomou conhecimento dos argumentos apresentados pela impugnante com o propósito de afastar a aplicação dos artigos 9° a 14 da Lei n° 9.430/1996, por terem sido levados ao crivo do Poder Judiciário. Considerou superada a discussão no âmbito administrativo, ainda que o processo judicial tenha sido extinto sem julgamento do mérito, como ocorre no presente caso (fls. 101/102), a teor do que determina o Ato Declaratório Normativo n° 03, de 14/02/1996, cuja alínea "e" determina ser irrelevante, na espécie, que o 9 tPbt • Processo n° 16327.001263/2005-14 Acórdão n° 101-96.433 processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art.267. do CPC). Não obstante, esse não é o entendimento deste Conselho. Conforme tenho sempre me manifestado, o não conhecimento na instância administrativa de matéria submetida ao Poder Judiciário decorre do nosso sistema constitucional, que atribui ao Poder Judiciário o monopólio da jurisdição. Nesse sentido, cabe exclusivamente ao Poder Judiciário decidir definitivamente, e com obrigatoriedade de observação de suas decisões, sobre qualquer matéria. É claro que isso não exclui a possibilidade de auto- composição das partes interessadas, sem demandar a intervenção do Poder Judiciário (a prestação jurisdicional é direito, e não um dever do cidadão). Mas, uma vez submetida a matéria ao Poder Judiciário, só ao Poder Judiciário cabe sobre ela decidir. O sistema, em razão de prever o exercício exclusivo da função jurisdicional do Estado através do Poder Judiciário, não comporta que uma mesma questão seja discutida, simultaneamente, na via administrativa e na via judicial. Prevalece sempre o que for decidido na Justiça, e prosseguir com o processo administrativo é despender inutilmente tempo e recursos , o que viola os princípios da moralidade e da economicidade, que devem informar a administração pública. Conseqüentemente, o ingresso na via judicial para discutir determinada matéria implica abrir mão de fazê-lo pela via administrativa. O fundamento para o não conhecimento da matéria na instância administrativa consiste em obstaculizar a ocorrência de conflitos entre as decisões. A propósito Alberto Xavier, em sua magistral obra "Do Lançamento- Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário "- Forense- 1999, ensina : O que o direito brasileiro veda é o exercício cumulativo dos meios administrativos e jurisdicionais de impugnação : como a opção por uns ou outros não é excludente, a impugnação administrativa pode ser prévia ou posterior ao processo judicial, mas não pode ser simultânea. O principio da não cumulação opera sempre em beneficio do processo judicial : a propositura de processo judicial determina "ex lege" a extinção do processo administrativo; ao invés, a propositura de impugnação administrativa na pendência de processo judicial conduz à declaração de inadmissibilidade daquela impugnação, salvo ato de desistência expressa do processo judicial pelo particular.' (negrito acrescentado) Ocorre que, no caso presente, não há riscos de decisões conflitantes, pois inexistente a concomitância. O mandado de gurança impetrado pela 10 1., Processo n° 16327.001263/2005-14 Acórdão n° 101-96.433 recorrente foi julgado extinto sem julgamento de mérito por força de desistência da parte autora. Como o auto de infração foi lavrado após a extinção do feito, já não havia, naquele momento, qualquer impedimento relativo a concomitância. Não há como ocorrer o conflito, eis que o Poder Judiciário não emitiu juizo de mérito. Nessas circunstâncias, não se configura a renúncia à instância administrativa. Ultrapassada a prejudicial, passo à análise do mérito. O auto de infração entendeu que a dedução das perdas no recebimento de créditos foi feita em desacordo com o art. 9° da Lei 9.430/96. Todavia, esse artigo não se aplica às perdas definitivas, relativas a créditos para os quais o credor já deu quitação ao devedor. Trata, o artigo, de presunção legal de perda efetiva, e o próprio autor do procedimento assim o reconhece, ao declarar, no item (8) do Termo de Verificação, que "o marco temporal definidor de uma presunção legal de perda dar-se-á no prazo de 5 (cinco) anos, ..." Sobre a dedutibilidade dos descontos concedidos, assim me manifestei no voto condutor do Acórdão 101-95.469, de 26 de abril de 2006, do interesse do mesmo contribuinte: " O julgador de primeira instância analisou-os e considerou que alguns deles representam descontos que, pela sua magnitude, caracterizam-se como liberalidade, e os demais não apresentam elementos necessários para se verificar o atendimento aos requisitos previstos na legislação de regência. Assim, manteve a glosa ao fundamento de que, para serem dedutíveis, as perdas não poderiam caracterizar liberalidade, e deveriam atender as condições previstas na Lei 8.981/95 e na Lei 9.430/96. Quanto à questão da liberalidade, peço vénia para discordar do ilustre Relator. É notório que, para as instituições financeiras, em negociações com os clientes para possibilitar o recebimento dos créditos, a concessão de descontos, mesmo expressivos, não representa liberalidade, caracterizando-se como despesa necessária, usual e normal. O segundo fundamento da decisão para manter a glosa também não prospera. Antes da vigência da Lei 9.430/96 a sistemática consistia em constituir uma provisão baseada em estimativas levando em consideração o estoque de créditos, e deduzir o respectivo valor. Ou seja, a dedução era feita antes que ocorresse qualquer perda. Sobrevindo a perda, o lançamento não era em conta de resultado, uma vez que para tanto fora constituída provisão, e apenas quando esgotada a provisão a diferença era levada a resultado. Essa sistemática mudou com a Lei 9.430/96, que vedou a constituição da provisão, e as perdas (definitivas ou provisórias) passaram a ser contabilizadas diretamente como conta de resultado. As disposições dos §§ 8° e 9° do artigo 43 da Lei 8.981/95 e do art. 90 da Lei 9.430/96 dizem respeito a perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, ou para os quais tenham sido esgotados os meios legais de cobrança. Não se compreendem, ai, os créditos já liquidados (perdas definitivas). De fato, o § 7° do artigo 43 da Lei 8.981/95 determina que os prejuízos realizados no recebimento de créditos serão obrigatoriamente debitados à provisão e o eventual excesso verificado será debitado a despesas operacionais. Portanto, não há qualquer condição para a dedução das perdas definitivas. Apenas, eram elas 11 Processo n° 16327.001263/2005-14 Acórdão n° 101-96.433 debitadas à provisão antecipadamente constituída para suportá-las, sendo debitadas a despesas em caso de a provisão ser insuficiente para suportá-las. O parágrafo 8° do art. 43 permitia o débito de perdas provisórias, isto é, de créditos vencidos há um ou dois anos (conforme o valor), mas para os quais o credor não deu quitação ao devedor. Da mesma forma, o § 1° do art. 9° da Lei 9.430196 trata das condições para dedução de perdas não definitivas, mas que em certas circunstâncias relacionadas com a existência de garantia e o tempo decorrido desde o vencimento, já podem ser consideradas perdas." Naquele voto fiz referência a julgado da Sétima Câmara deste Conselho Acórdão 107-6.506, de 17 de dezembro de 2001, em que o colegiado, analisando a mesma questão (sob a égide da Lei 8.981/95), entendeu, por unanimidade, que os abatimentos concedidos ao devedor na liquidação de operações de crédito classificam-se como despesas operacionais e são dedutiveis do lucro operacional. No voto condutor daquele acórdão, o ilustre Relator, Dr. Paulo Roberto Cortez, tece as seguintes considerações: "A autoridade fiscal procedeu a glosa parcial das despesas registradas sob o título de perdas com operações de crédito, por considerar que as deduções não dizem respeito com o disposto na legislação pertinente (art. 43 da Lei n° 8.981/95), tendo consignado que os valores registrados tratam-se de atos de mera liberalidade da Recorrente em decorrência de não se valer de todos os meios legais para o recebimento integral junto aos respectivos devedores. Por seu turno, o julgador de primeira instância decidiu pela manutenção do presente item sob os seguintes fundamentos: "Provisão não se confunde com despesa. A primeira, que se registra em uma conta redutora de ativo, visa a fazer frente a futuros contratempos, resguardando a empresa, enquanto que a despesa é o lançamento, em conta de resultado, da contrapartida necessária à formação da provisão. ( ) Ressalte-se novamente que a despesa é a contrapartida da formação da provisão, porém, somente será dedutivel a parcela que se utilizou para levar o saldo da provisão existente no início do período ao limite máximo determinado pela lei fiscal. Além desse montante, toda a despesa lançada em contrapartida à constituição da provisão será indedutívet ( Nos termos do § 7° do art. 43 da Lei n° 8.981/95, os prejuízos realizados no recebimento de créditos serão obrigatoriamente debitados à provisão para créditos de liquidação duvidosa e o eventual excesso verificado será debitado a despesas operacionais. Por outro lado, o débito dos prejuízos a que se refere esse parágrafo somente poderá ser efetuado quando atendidas as condições estabelecidas nos §§ 8°, 9° e 10°. Note-se que a condição para a dedutibilidade dos prejuízos debitados em prazos inferiores, conforme o caso, aos estabelecidos no parágrafo 8°, é o esgotamento dos recursos de cobrança." Tenho, entretanto, que não se configura, no caso, a hipótese de incidência da norma, ou seja, não se trata de aplicação da provisão para créditos de liquidação duvidosa, pois, nesse caso, existe uma dúvida quanto ao posterior recebimento dos créditos, sendo que a lei civil possibilita ao credor a cobrança total 12 là/ , .8i • ji . , • -b . . 1 Processo n° 16327.001263/2005-14 Acórdão n° 101-96.433 dos seus haveres e, a lei fiscal exige que se esgote todos os meios de cobrança para possibilitar a dedutibilidade das perdas. Porém, temos na presente situação fática, um acerto efetuado entre a Recorrente (credor) e clientes (devedores), no qual o primeiro, com o intuito de liquidação definitiva de contratos de empréstimos, reduziu uma parcela do montante dos seus créditos junto a determinados clientes, tornando definitiva a perda ocorrida, Impossibilitando, assim, a cobrança futura da parcela perdoada. Deve-se ressaltar ainda que, no valor total dos créditos registrados pela Recorrente, além da importância originária do empréstimo, encontrava-se incluída a parcela de atualização monetária e de juros, a qual, depreende-se que foi reconhecida como receita pela Recorrente. Dessa forma, o desconto concedido pela pessoa jurídica transforma-se em um ajuste entre as contas de receitas reconhecidas pelo regime de competência, decorrente dos empréstimos concedidos aos clientes, e a parcela reduzida do crédito recebido, a qual foi registrada como despesa. Ou seja, para a liquidação dos contratos, foi concedido uma redução no saldo devedor, extinguindo definitivamente a dívida, evitando assim, a demora no recebimento e o litígio para a execução. Não consta dos autos que o contribuinte tenha procedido de forma diversa, ou seja, que não tenha reconhecido suas receitas pelo regime de competência, aí sim, haveria uma irregularidade fiscal passível de lançamento de oficio. Pode-se concluir, sem sombra de dúvidas, que as provisões autorizadas pela legislação, referem-se a possíveis perdas estimadas, futuras, ou seja, ainda não Incorridas, mas que poderão ocorrer, conforme estabelecido no artigo 43 da Lei n° 8.981195, com as restrições ali previstas. No caso em tela, constatamos a ocorrência de perdas efetivas, concretas e definitivamente incorridas, podendo comparar, a grosso modo, com a perda ocorrida no setor produtivo de uma indústria ou a quebra verificada com mercadorias perecíveis em uma empresa comercial. Entendo que a perda glosada não se trata de mera liberalidade pois, como se depreende dos autos, houve a prática negociai lícita no sentido de evitar maiores prejuízos, tendo as perdas ocorridas em razão do acerto final para o recebimento dos haveres. É claro que o lançamento de ofício seria cabível caso se apurasse alguma irregularidade nos atos negociais, como, por exemplo, a falta de registro dos recebimentos ou dos juros incorridos, mas este não é o caso em questão. O que foi questionado pelo Fisco situa-se na dedutibilidade ou não dos descontos concedidos aos clientes para o acerto final dos empréstimos concedidos o que, como visto acima, deve ser considerado como despesa operacional dedutível da base tributável.' Tendo em conta não constar dos autos acusação no sentido de que as despesas contabilizadas não se caracterizavam como definitivas, mas ao contrário, a própria autoridade fiscal, no Termo de Constatação, faz referência a perdas efetivas no recebimento de créditos (...) apropriadas como despesas operacionais tão logo se tornassem definitivas, dou provimento ao recurso. Sala das Sessões, DF, em 08 de novembro de 2007 Az,- SANDRA MARIA FARONI 13 Page 1 _0006800.PDF Page 1 _0006900.PDF Page 1 _0007000.PDF Page 1 _0007100.PDF Page 1 _0007200.PDF Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007400.PDF Page 1 _0007500.PDF Page 1 _0007600.PDF Page 1 _0007700.PDF Page 1 _0007800.PDF Page 1 _0007900.PDF Page 1
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Numero do processo: 19647.012869/2005-42
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2006
Ementa: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS – DECLARAÇÃO DO PRESTADOR - Uma vez que a glosa de valor declarado a título de dedução de dedução de despesas médicas foi feita em base de indícios de que os serviços consignados nos recibos apresentados não foram, de fato, executados, de se acatar como prova para declaração firmada pelo prestador no sentido de que o foram, pelos valores declarados, ainda mais quando tais despesas se afiguram ínfimas frente aos totais dos rendimentos, e há ausência de procedimento administrativo para expedição de Súmula que declare a documentação tributariamente ineficaz.
Recurso provido.
Numero da decisão: 106-16.043
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a Integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: José Carlos da Matta Rivitti
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Uma vez que a glosa de valor declarado a titulo de dedução de dedução de despesas médicas foi feita em base de indícios de que os serviços consignados nos recibos apresentados não foram, de fato, executados, de se acatar como prova para declaração firmada pelo prestador no sentido de que o foram, pelos valores declarados, ainda mais quando tais despesas se afiguram ínfimas frente aos totais dos rendimentos, e há ausência de procedimento administrativo para expedição de Súmula que declare a documentação tributariamente ineficaz. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por HAROLDO RENATO PINA MOREIRA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passa • a Inteirar o presente julgado. JOSE R : aii r. _ R : -EN PRESID yd, J • fCA tról1/2 - DA M • A -I I RE • TOR FORMALIZADO EM: '0 5 MAR 20Cil - Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGENIA MENDES DE BRITO, LUIZ ANTONIO DE PAULA, ROBERTA DE AZEREDO FERRERA PAGETTI, ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA, ISABEL APARECIDA STUANI (suplente convocada) e GONÇALO BONET ALLAGE. mfrna ..„...* *A t MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 19647.012869/2005-42 Acórdão n° : 106-16.043 Recurso n° : 152.491 Recorrente : HAROLDO RENATO PINA MOREIRA RELATÓRIO Contra Haroldo Renato Pina Moreira foi lavrado Auto de Infração (fls. 02 a 11) em 21.12.05, por meio do qual foi exigido crédito tributário, concernente ao ano- calendário de 2000 a 2003, decorrente de dedução indevida de despesas médicas, no valor total de R$ 7.887,16, incluindo-se juros e a multa de ofício de 150%. Do procedimento administrativo verifica-se que, em 21.05.04, houve início de investigação contra a Sra. Sandra Lins, com o objetivo de apurar possível omissão de rendimentos recebidos de pessoa física sujeitos ao camê — leão, em decorrência da prestação de serviços de psicologia. Havia suspeita da emissão de recibos inidôneos fornecidos a diversas pessoas físicas, reforçada por ter sido verificado que sua movimentação financeira seria incompatível com os rendimentos oriundos da emissão de recibos, além da incoerência entre sua situação patrimonial e o suposto recebimento dos valores por serviços prestados as pessoas físicas, dentre elas, o Sr. Haroldo, que havia lançado em 2000, R$ 1.500,00, em 2001, R$ 2500,00, em 2002, R$ 3500,00 e, por fim, em 2003, R$2000,00. Cientificado do Auto de Infração em 27.12.05 (fls. 126), o ora Recorrente apresentou impugnação em 25.01.06 (fls. 128 a 154), na qual aduz, em síntese, que: a) o outrora impugnante, considera superficial a investigação fiscal, por isso estaria impedida a constituição do crédito tributário por padecer de liquidez e certeza o lançamento fiscal em questão; b) no caso em análise, verifica-se que a inidoneidade do recibo foi declarada em razão de conduta perpetrada pela Sra. Sandra Lins de Souza, uma vez que forneceu recibos a um grande número de contribuintes, não podendo o ora impugnante ser penalizado em decorrência de terceiros; 2 • • k" MINISTÉRIO DA FAZENDA : 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 19647.012869/2005-42 Acórdão n° : 106-16.043 c) afirma que realmente efetivou o pagamento dos valores deduzidos, assim como os serviços médicos foram realmente realizados, comprovados através da declaração da Sra. Sandra Lins Souza, na qual confirma à fiscalização haver prestado serviços de acompanhamento psicoterapéutico ao ora impugnante e à sua filha Marcela Brennand Moreira. d) os valores, por ele deduzidos em suas DIRPFs correspondem aos estipulados pelo Conselho Regional de Psicologia, não caracterizados como indícios de fraude, como foi apontado no relatório de encerramento da ação fiscal; e) refuta a argumentação da autuante de que inexiste comprovação dos pagamentos efetivados pelo contribuinte, pelo fato desse haver ocorrido em espécie e em moeda nacional, alegando que o pagamento é uma forma de extinção das obrigações; f) reclama o fato de as autoridades fiscais desconsiderarem as demonstrações de extrato bancário, uma vez que os valores e as datas não coincidem, essa exigência não possui respaldo legal , uma vez que em decorrência da vida moderna e quotidiana, não se retira dinheiro em espécie na quantidade exata e na mesma data do vencimento da conta a ser paga, por isso a divergência quanto aos valores e as datas; g) destaca que os recibos juntados nos autos sempre foram emitidos pela Sra. Sandra Uns Souza, o que não ocorreu com a maioria dos contribuintes autuados, que apresentaram recibos com caligrafias diversas, dando a entender que eles mesmos preenchiam, não tendo apenas o fito de deduzir os gastos médicos havidos; h) quanto a opção de realizar o tratamento psicoterapêutico na sua residência, se deveu ao fato de querer resolver a questão do relacionamento familiar, além de por um tempo ter tido episódios de depressão, bem como a reduzida carga horária da profissional que lhe prestava o serviço médico. i) alega também que o valor que deduz referente a despesa médica, é valor ínfimo diante dos seus rendimentos tributáveis, demonstrando absoluta ausência de intenção de fraudar o fisco; g 3 4"' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,;d•,1? SEXTA CÂMARA Processo n° 19647.012869/2005-42 Acórdão n° : 106-16.043 j) alega que em face da inexistência de documentos hábeis a ensejar a ocorrência das alegadas deduções indevidas, tomam-se totalmente improcedentes a cobrança do imposto supostamente devido e a aplicação de qualquer sanção; k) considera inaplicável a multa de oficio qualificada no percentual de 150%, uma vez que não houve descrição e comprovação razoável da ação ou omissão dolosa do contribuinte, bem como não seria correta a utilização da taxa SELIC, como indexador de débitos tributários. Pois viola as garantias fundamentais de segurança jurídica e da legalidade; I) finaliza, dizendo que ficou provado que o Auto de Infração não pode prosperar por encontrar-se obscuro, incerto e genérico, sem indicação de qualquer meio hábil, requerendo que seja declarada nulidade do lançamento com a suspensão do crédito tributário,sendo declarada improcedente no mérito, já que foi comprovada a prestação do serviço médico e o pagamento deduzido da base de cálculo do IRPF. Consta nos autos depósito judicial às fls. 155. Com efeito, a 1° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE houve por bem, no acórdão 14.967 (fls. 173 a 191), declarar o lançamento procedente em decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS INDÍCIOS DE NÃO PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSIGNADOS NOS RECIBOS. Deve ser mantida a glosa de valor declarado a título de dedução de dedução de despesas médicas quando existirem nos autos documentação contendo indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos apresentados não foram, de fato, executados e o contribuinte deixa de carrear aos autos a prova do pagamento ou da efetividade desses serviços. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo outrossim, livre a convicção do Julgador na apreciação das provas. 4 . . 3•"$, MINISTÉRIO DA FAZENDA b., . : ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -t ...sr (1„); ,;,. SEXTA CÂMARA Processo n° : 19647.012869/2005-42 Acórdão n° : 106-16.043 TAXA SELIC - Legítima a aplicação da taxa SEVO, para a cobrança dos juros de mora, a partir de 1° de abril de 1995 (art. 13, Lei n° 9.065/95). MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCA TÓRIO. As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestimulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes Infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiadas não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr.Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiadas não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente Cientificado da decisão em 04.05.06 (fls. 194), interpôs Recurso Voluntário em 30.05.06 (fls. 196 a 226), aduzindo os mesmos argumentos outrora consignados, reforçando ainda o pedido do cancelamento do débito fiscal reclamado, que o contribuinte ciente da improcedência do auto de infração, realizou inclusive, depósito administrativo como prova maior da certeza de seu direito. Arrolamento de bens e direitos às fls. 521 a 523. É o relatório. i s 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA ; 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES r>,, "Jfr SEXTA CÂMARAA-0 Processo n° : 19647.012869/2005-42 Acórdão n° : 106-16.043 VOTO Conselheiro JOSÉ CARLOS DA MATTA RIVITTI, Relator O Recurso é tempestivo e o requisito de admissibilidade de que trata o artigo 33, §2°, do Decreto n° 70.235/72 está devidamente preenchido, consoante se infere das fls. 155, devendo, portanto, o recurso ser conhecido. O litígio versa, basicamente, quanto às despesas médicas. Neste particular, prescreve o artigo 80 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99), in verbis: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n9 9.250, de 1995, art. EP, inciso II, alínea "a"). III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (..)" Portanto, numa análise adstrita à legalidade, depreende-se que as despesas médicas são dedutiveis desde que, no comprovante de pagamento, haja a indicação dos seguintes elementos: (1) nome do beneficiário; (ii) endereço e; (iii) numero de inscrição no CPF ou CNPJ. Na falta do comprovante de pagamento contendo os requisitos legais acima descritos, a lei faculta ao contribuinte a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. 6 -.4". h c- MINISTÉRIO DA FAZENDA '4IJ k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 19647.012869/2005-42 Acórdão n° : 106-16.043 Por esse motivo é que não mereceria acolhida a argumentação da autoridade lançadora, ratificada pelo órgão julgador de primeira instância, de que o contribuinte deveria comprovar a efetiva prestação de serviços e/ou efetivo desembolso das quantias declaradas que montam a R$ 9.500,00 em quatro anos-calendário, de 2000 a 2003. Ademais, instado a providenciar a documentação comprobatória das despesas médicas, o contribuinte trouxe aos Autos declaração da profissional Sandra Lins Souza «Is. 166), por meio da qual atesta que prestou serviços profissionais na pessoa do Recorrente e sua filha. No caso, os valores declarados, realmente, frente ao total de rendimentos auferidos pelo Recorrente, afiguram ínfimos, bem como passíveis de pagamento em numerário. De fato, a fiscalização, não sem base, procura justificar a tributação com base em indícios. Porém, na ausência de Súmula que declare a documentação tributariamente ineficaz, de se admitir declaração com firma reconhecida emitida pelo próprio prestador. Do todo exposto, voto pelo Provimento do Recurso Voluntário. É como voto. Sala das Se /fies - em 08 ezembro de 2006 4 JO ARLO •A • TT - IITTI 7 Page 1 _0050300.PDF Page 1 _0050400.PDF Page 1 _0050500.PDF Page 1 _0050600.PDF Page 1 _0050700.PDF Page 1 _0050800.PDF Page 1
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Numero do processo: 15374.005491/2001-01
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2003
Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTO - DECADÊNCIA - No caso de omissão de rendimentos, não se aplica o artigo 150, § 4º do CTN, mas sim o artigo 173, I do mesmo Código.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 106-13488
Decisão: : Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de decadência e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa relativa ao carnê leão.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Edison Carlos Fernandes
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Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ANTÔNIO PEDRO PINHEIRO STEINFELD. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de decadência e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa relativa ao camê-leão, nos termos do r latório e voto que passam a integrar o presente julgado. / JOSÉ RIB MAR :AF(ROLPENHA PRE 1111Frr OS - - ANDES e- FORMALIZADO EM: 10 °DEZ 20123 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRUTO, ROMEU BUENO DE CAMARGO, THAISA JANSEN PEREIRA, ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO, LUIZ ANTONIO DE PAULA e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. « MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 15374.00549112001-01 Acórdão n° : 106-13.488 Recurso n° : 133.698 Recorrente : ANTÔNIO PEDRO PINHEIRO STEINFELD RELATÓRIO Contra o Contribuinte em epígrafe foi lavrado auto de infração (fls. 68-79), datado de 19 de dezembro de 2001, no qual restou consignada a omissão de rendimentos de pessoa física, recebidos a título de pensão alimentícia, conforme acordo judicial. Além disso, pela falta de recolhimento do Camê-Leão foi aplicada a multa isolada. Inconformado, o Contribuinte apresentou sua Impugnação (fls. 87- 104), sustentando a decadência do direito de lançar do Fiscal, com referência ao ano-base de 1996, e contestando a dupla aplicação de multa (multa de ofício e multa isolada). A Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro — RJ (fls. 125-133) manteve o lançamento, alegando que, tendo em vista que o Contribuinte era omisso de Declaração, o prazo decadencial passa a correr a partir do exercício seguinte àquele que poderia ter ocorrido o lançamento. Quanto à multa isolada, argumenta que se trata de uma disposição legal que deve ser aplicada. Ainda inconformado, o Contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 149-170), reiterando os termos da peça impugnatória. /'1,É o Relatório. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 15374.005491/2001-01 Acórdão n° : 106-13.488 VOTO Conselheiro EDSON CARLOS FERNANDES, Relator Uma vez que tempestivo e presentes os demais requisitos de admissibilidade, inclusive a garantia recursal (fl. 171), tomo conhecimento do Recurso Voluntário. No que se refere à decadência, entendo, no que tenho o respaldo desta C. Sexta Câmara, que sendo o Recorrente omisso com relação à entrega da Declaração, o prazo decadencial acompanha o disposto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional — CTN (e não o artigo 150, § 4° do mesmo Código), isto é, começa a correr a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Para completar a análise do prazo decadência, além do lapso temporal e do termo de início, acima cuidados, há que ser identificada a natureza dos pagamentos mensais do Imposto de Renda das Pessoas Físicas — IRPF. De acordo com o disposto no artigo 109 do Regulamento do Imposto de Renda em vigor, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, que consolida a legislação referente à matéria, os pagamentos mensais têm a natureza de antecipação do imposto devido ao final do período, quando da elaboração e entrega da Declaração de Ajuste Anual. Sendo assim, o fato gerador do IRPF somente pode ser determinado ao final do período. No caso em tela, o prazo decadencial do ano-base de 1996 começou a fluir em 1° de janeiro de 1998, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito. Portanto, o direito de 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 15374.005491/2001-01 Acórdão n° : 106-13.488 constituição do crédito tributário por parte do Fisco decairia em 31 de dezembro de 2002, motivo pelo qual o auto de infração está perfeito, nesse aspecto. Entretanto, com relação à aplicação dúplice de multa (multa de oficio e multa isolada), minha posição reiterada, também acompanhado por esta C. Sexta Câmara, é no sentido de que há uma dupla incidência de penalidade, o que é vedado pela legislação tributária brasileira. Sendo assim, a multa isolada pelo não recolhimento do Camé-Leão deve ser afastada. Diante do exposto, julgo no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir a multa isolada. Sala d - - • em 09 de setembro de 2003. 4111.111W402".„_, -_ n_erssr,„..e"""reSllirrgellii~""t 1 RNANDES 4 Page 1 _0026200.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026400.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.001706/00-47
Turma: Primeira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IRPJ – LUCRO INFLACIONÁRIO – DECADÊNCIA – Não se aplica ao saldo de lucro inflacionário acumulado, o instituto da decadência, tendo em vista a inexistência de direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário sobre os valores cuja tributação foi diferida. Não pode porém, a fiscalização retroceder além do prazo decadencial para alterar apurações feitas pelo contribuinte sob o argumento de não atender à legislação, visto atentar ao princípio da segurança jurídica. A cada evento (apuração do lucro real), inicia-se a contagem decadencial em relação à parcela do lucro inflacionário diferido que deve ser reconhecida, seja a mínima, seja a relativa à realização do ativo, se maior.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/01-05.264
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos
termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: José Clóvis Alves
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ARREND. MERCANTIL Sessão de : 20 de setembro de 2005. Acórdão n° : CSRF/01-05.264 IRPJ — LUCRO INFLACIONÁRIO — DECADÊNCIA — Não se aplica ao saldo de lucro inflacionário acumulado, o instituto da decadência, tendo em vista a inexistência de direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário sobre os valores cuja tributação foi diferida. Não pode porém, a fiscalização retroceder além do prazo decadencial para alterar apurações feitas pelo contribuinte sob o argumento de não atender à legislação, visto atentar ao princípio da segurança jurídica. A cada evento (apuração do lucro real), inicia-se a contagem decadencial em relação à parcela do lucro inflacionário diferido que deve ser reconhecida, seja a mínima, seja a relativa à realização do ativo, se maior. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ., MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTENTE .,.,. \ , JO ÓVIS Ali/ES jELATOR / FORMALIZADO EM: 1 4 DEZ tillb Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, IRINEU BIANCHI (Substituto convocado), MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, DORIVAL PADOVAN, JOSÉ HENRIQUE LONGO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. Ausente justificadamente o Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO. ics Processo n° : 16327.001706/00-47 Acórdão n° : CSRF/01-05.264 Recurso : CSRF n° 101-128.887 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : AMÉRICA DO SUL LEASING S.A. ARREND. MERCANTIL RELATÓRIO Trata o presente de recurso especial de divergência interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional, contra o acórdão 101-93.943 de 17 de setembro de 2.002. Trata o presente processo da exigência de IRPJ, exercício de 1996 e 1997, empresa tributada pelo lucro real anual. A autoridade fiscalizadora detectou as seguintes infrações, constantes do auto de infração de fl. 03: 1. BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO INCORRETA DO LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. Valor apurado conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal que passa a fazer parte integrante deste Auto de Infração. Enquadramento legal: Lei 8.200/91, art. 1°; Decreto 332/91, art. 40, caput e par. 30, RIR194 art. 426, caput e § 30, Lei 9.065/95, art. 5°. 2. Falta de recolhimento do Imposto sobre o Lucro inflacionário acumulado até 31.12.96, conforme demonstração no Termo de Constatação, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Enquadramento legal: Lei 9.249/95, art. 6° e 7°, Lei 8.200/91, art. 1°; Decreto 332/91, art. 40, caput e § 3°, art. 426 do RIR194. O item I trata-se de percentual de realização do ativo que não é objeto desta lide em instância especial que trata apenas da decadência, cuja ocorrência reconheceu a Câmara recorrida. O ponto fulcral da questão está, segundo o TVF de folha 08, na não correção monetária do lucro inflacionário acumulado controlado na parte "h" do LALUR, pelo IPC/BTNF, conforme determinou a Lei n° 8.200/91 e Decreto 332/91 art. 38, inciso 2 Processo n° : 16327.001706/00-47 Acórdão n° : CSRF/01-05.264 II e § único. Por conseqüência não foi computada nos cálculos posteriores de realização do lucro inflacionário. A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do acórdão n.° 101-93.943, por maioria de votos, ACOLHEU a preliminar de decadência, para declarar extinto o direito da Fazenda Pública de formalizar o crédito tributário, vencido o relator e designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro KAZUKI SHIOBARA. O redator designado para elaborar o voto vencedor, faz quadro demonstrativo da parte "h" do LALUR e do SAPLI (FL. 252), para concluir que já em 1986 o SAPLI indicava um saldo menor que a parte "h" do LALUR, mas a partir de 1987, a diferença foi aumentando de ano para ano e, em 1993, a diferença destacou-se de forma considerável. Conclui que desde 1987 a administração fiscal tinha conhecimento da diferença de saldo do lucro inflacionário diferido e, embora esta diferença constitua declaração inexata, não foi objeto de lavratura de auto de infração por uma questão de política administrativa. Inconformado com a decisão O PFN apresentou tempestivamente o Recurso Especial, com base no artigo 7° § 1° do Regimento Interno da CSRF, argumentando em epítome o seguinte: O prazo decadencial só pode ser contado a partir de 1995, e 1996 pois o lançamento se refere a esses anos em virtude da não realização obrigatória do lucro inflacionário diferido pelo contribuinte. A decadência só pode ser contada a partir do momento que nasce o direito da Fazenda de realizar o lançamento. A retificação do lucro inflacionário diferido não equivale a um lançamento. Diz que a irregularidade que originou o auto de infração decorreu de equívoco cometido pelo Recorrido que no ano de 1993, quando não adicionou ao lucro inflacionário que poderia ser diferido naquele ano, o saldo de correção monetária referente à diferença IPC/BTNF. Os possíveis erros cometidos pelo contribuinte poderiam ter repercussão na apuração do lucro real apenas na data de sua realização, quando 3 Processo n° :16327.001706/00-47 Acórdão n° : RF/01-05.264 aquela parcela iria compor a base de cálculo do imposto de renda. Enquanto não houvesse reflexos dos equívocos na apuração do lucro inflacionário diferível no lucro real não haveria que se falar em dever da administração pública de promover a retificação dos procedimentos do contribuinte. As normas legais aplicáveis não estipulam a administração o dever de corrigir equívocos contábeis cometidos pelos contribuintes, mas, sim, de proceder ao lançamento quando esses equívocos no pagamento a menor de tributo; e isso só ocorreu quando resultaram em pagamento a menor de tributo. Diz que o lançamento obedeceu ao prazo tanto do artigo 150 § 40 como do artigo 173-Ido CTN. Se a administração tivesse que corrigir os equívocos qual seria o prazo para a retificação? E conclui que não há prazo para a autoridade retificar o lucro inflacionário diferível, mas sim um prazo para realização do lançamento. Traz jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Pede o deferimento e retorno dos autos à Câmara recorrida para análise do mérito. O Presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso especial de divergência apresentado pelo PFN conforme despacho de folha 270. Ciente do recurso especial, a empresa apresentou as contra-razões de folhas 278 a 287, argumentando que o Recurso Especial do procurador não deve ser provido pelo acerto da decisão recorrida uma vez que os fatos geradores que modificaram o lucro inflacionário ocorreram em 1990 e 1993 tendo como termo final para o fisco revê-los 1.995 e 1998. É o relatório. / 2 4 Processo n° : 16327.001706/00-47 Acórdão n° : CSRF/01-05.264 VOTO Conselheiro JOSÉ CLÓVIS ALVES, Relator. O recurso é tempestivo e teve seu seguimento deferido. Examinemos inicialmente quando cabe o recurso especial, para isso transcrevamos o artigo 32 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF 55 de 16 de março de 1998. Art. 32. Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais: I — de decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II — de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 1 0 No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. Como o Procurador interpôs recurso especial — RP — baseado no inciso I, passemos a analisar a admissibilidade.. O PFN apontou como contrariado o artigo 150 § 4° do CTN e fundamentou seu recurso pelo que o conheço por preencher o requisito contido no inciso I do RICO supra transcrito. O lucro inflacionário é o nome dado ao resultado da correção monetária quando credor. O legislador permitiu a dedução do saldo devedor de uma só vez, porém em relação ao saldo credor, que é tratado como receita, o legislador permitiu que o reconhecimento da referida receita se desse em períodos futuros. 2 5 Processo n° : 16327.001706100-47 Acórdão n° : CS RF/01-05.264 Ã época dos fatos geradores 1995 e 1996, vigorava a seguinte legislação. Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994 Art. 415 - O saldo credor da conta de correção monetária de que trata o inciso II do art. 396 será computado na determinação do lucro real, podendo o contribuinte optar pelo diferimento, com observância do disposto nesta Seção, da tributação do lucro inflacionário não realizado (Lei n° 7.799/89, art. 20). SUBSEÇÃO II - Lucro Inflacionário Art. 416 - Considera-se lucro inflacionário, em cada período-base, o saldo credor da conta de correção monetária ajustado pela diminuição das variações monetárias e das receitas e despesas financeiras computadas no lucro líquido do período-base (Lei n° 7.799/89, art. 21). Art. 417 - Em cada período-base considerar-se-á realizada parte do lucro inflacionário acumulado proporcional ao valor, realizado no mesmo período, dos bens e direitos do ativo sujeitos à correção monetária (Lei n° 7.799/89, art. 22). Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994 § 4° - A pessoa jurídica deverá considerar realizado, mensalmente, no mínimo, 1/240, quando o valor assim determinado resultar superior ao apurado de acordo com o § 1° deste artigo, do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (art. 424) (Lei n° 8.541/92, art. 30). § 5° - É facultado ao contribuinte considerar realizado valor de lucro inflacionário acumulado superior ao determinado na forma dos §§ 1 0 e 40 deste artigo (Lei n° 7.799/89, art. 23, parágrafo único). Art. 418 - A partir do período-base a iniciar em 10 de janeiro de 1995, a parcela de realização mensal do lucro inflacionário acumulado (§ 4°), será de, no mínimo, 1/120 (Lei n° 8.541/92, art. 32). 6 Processo n° : 16327.001706/00-47 Acórdão n° : CSRF/01-05.264 A postergação da realização do lucro inflacionário é uma faculdade concedida pelo legislador, se o contribuinte quiser pode reconhecer, para efeitos tributários, a totalidade desse lucro no próprio ano de sua apuração. O legislador estabeleceu percentuais mínimos de realização do lucro inflacionário, independentemente da realização, ou não do ativo, sobre esses percentuais, não os levando o contribuinte à tributação, deve a autoridade tributária realizar o lançamento de ofício, porém ele deve ser feito dentro do período decadencial contado do momento em que tal realização deveria ser considerada. Sobre essa parcela podemos falar em decadência, não porém sobre a parcela que legalmente o contribuinte poderia diferir, pois só podemos falar em perda de qualquer direito quando esse direito for exercitável. Na presente lide a infração na realidade está na não correção do saldo de lucro inflacionário acumulado na parte 13" do LALUR diferença IPC/BTNF conforme determinou a Lei n° 8.200/ e Decreto 332/91, conforme deixou claro o próprio fiscal autuante na folha 08 Termo de Verificação Fiscal. O Fisco, com vistas a determinar as bases de cálculos dos tributos exigidos, referentes aos anos de 1995 e 1996, retrocedeu ao ano de 1991 para promover o refazimento dos cálculos da atualização do lucro inflacionário/ saldo credor diferença IPC/BTNF. Ora conforme já exposto a fiscalização somente pode alterar cálculos relativos à correção monetária, quer seu resultado seja credor, quer seja devedor, dentro do período decadencial, salvo em relação a índices normais quando não se tratar de exceções como é o caso da correção monetária IPC/BTNF que foi boa para quem o resultado se mostrava devedor e ruim para quem se mostrava credor. O SAPLI é um instrumento valioso para mostrar o saldo de lucro inflacionário e sua realização ao longo do tempo pois, como já dissemos, em relação à parcela diferível a cada período de apuração não corre a decadência em virtude da impossibilidade da Fazenda Pública realizar o lançamento, pois a lei autoriza o diferimento, porém fora do qüinqüênio, o valor apurado pela empresa, quer conste quer não do SAPLI, não pode ser alterado. 7; , Processo n° : 16327.001706/00-47 Acórdão n° : CSRF/01-05.264 Considerando que a fiscalização alterou cálculos realizados pela empresa sobre os quais já tinha operado a decadência, ou seja o valor levantado pela contribuinte ainda que a fiscalização dele discordasse deveria ser mantido pelas, pois o parágrafo único do artigo 149 do CTN, somente autoriza o Fisco rever o lançamento anteriormente efetuado quando ainda não extinto o seu direito. Tal mandamento deve ser obedecido na sua plenitude, ou seja, o que está para trás, além dos 5 anos deve ser tido como verdadeiro pelo silêncio no decurso temporal previsto na legislação para o pronunciamento de uma das partes da relação jurídico tributária. Pensar ou agir de forma diversa quebraria a segurança jurídica que a lei concedeu às partes envolvidas. Mas não é só isso no presente caso, analisando os autos verifico que a empresa em janeiro de 1993 (LALUR fl. 74), utilizando a faculdade prevista no artigo 31 da Lei n° 8.541/92, realizou de uma só vez todo o estoque de lucro inflacionário, ou seja a partir daí poderia e deveria a fiscalização contestar o valor recolhido, muito embora em se tratando de um índice, determinado pela lei e que o contribuinte resistiu em cumprir, deveria a fiscalização que tinha essa informação via DIPJ, corrigir tal erro. A tese do PFN de que não há prazo para se auditar a formação do lucro inflacionário é absurda, levaria por exemplo ao caso em que a empresa deixasse de ativar determinado bem para fins de correção monetária e o lançasse direto como despesa, tal fato reflete no resultado da correção monetária, logo poderia a qualquer tempo a fiscalização ativar de ofício tal bem e modificar a correção monetária, ora tal hipótese não tem cabimento. Assim, conheço do recurso especial apresentado pelo PFN, no mérito voto no sentido de NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões - DF, em 20 de setembro de 2005. , 0 7C-Lf//:CSVIS ALVESi/J) c(j) 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.000585/2004-57
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2005
Ementa: DECADÊNCIA - A partir do ano-calendário de 1992, por força do disposto nos artigos 38 e 44 da Lei nº 8.383, de 1991, o IRPJ e a CSLL passaram a ser considerados tributos sujeitos ao lançamento na modalidade intitulada de homologação. Nesta modalidade, o início do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme dispõe o § 4º do artigo 150 do CTN. Apresentada a Declaração de Rendimentos - IRPJ relativa ao ano-calendário de 1999, de contribuinte submetida à tributação com base no lucro real trimestral, o Fisco poderia constituir crédito tributário da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido relativo ao 1º trimestre até o dia 31/03/2004.
CONCOMITÂNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL - A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente à autuação fiscal, caracteriza renúncia ao foro administrativo e inibe o pronunciamento da autoridade competente sobre o mérito de incidência tributária em litígio.
JUROS DE MORA - TAXA SELIC - Nos termos da jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, além de amparar-se em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário a que se nega provimento.
Numero da decisão: 103-22.174
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada pela contribuinte; acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao 1° trimestre de 1999; não tomar conhecimento das razões de recurso relativas às matérias submetidas ao crivo do Poder Judiciário e, no mérito NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Maurício Prado de Almeida
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ementa_s : DECADÊNCIA - A partir do ano-calendário de 1992, por força do disposto nos artigos 38 e 44 da Lei nº 8.383, de 1991, o IRPJ e a CSLL passaram a ser considerados tributos sujeitos ao lançamento na modalidade intitulada de homologação. Nesta modalidade, o início do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme dispõe o § 4º do artigo 150 do CTN. Apresentada a Declaração de Rendimentos - IRPJ relativa ao ano-calendário de 1999, de contribuinte submetida à tributação com base no lucro real trimestral, o Fisco poderia constituir crédito tributário da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido relativo ao 1º trimestre até o dia 31/03/2004. CONCOMITÂNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL - A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente à autuação fiscal, caracteriza renúncia ao foro administrativo e inibe o pronunciamento da autoridade competente sobre o mérito de incidência tributária em litígio. JUROS DE MORA - TAXA SELIC - Nos termos da jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, além de amparar-se em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário a que se nega provimento.
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TERCEI RA CÂMARA Processo n° : 16327.000585/2004-57 Recurso n° : 144.444 — VOLUNTÁRIO Matéria : CSLL — Ex(s): 2000 e 2001 Recorrentes : LIDERANÇA CAPITALIZAÇÃO S/A Recorrida : 8 TURMA/DRJ-SÃO PAULO-I/SP Sessão de : 10 de novembro de 2005 Acórdão n° : 103-22.174 DECADÊNCIA — A partir do ano-calendário de 1992, por força do disposto nos artigos 38 e 44 da Lei n°8.383, de 1991, o IRPJ e a CSLL passaram a ser considerados tributos sujeitos ao lançamento na modalidade intitulada de homologação. Nesta modalidade, o início do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme dispõe o § 4° do artigo 150 do CTN. Apresentada a Declaração de Rendimentos - IRPJ relativa ao ano-calendário de 1999, de contribuinte submetida à tributação com base no lucro real trimestral, o Fisco poderia constituir crédito tributário da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido relativo ao 1° trimestre até o dia 31/03/2004. CONCOMITÂNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL — A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente à autuação fiscal, caracteriza renúncia ao foro administrativo e inibe o pronunciamento da autoridade competente sobre o mérito de incidência tributária em litígio. JUROS DE MORA - TAXA SELIC — Nos termos da jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, além de amparar- se em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por LIDERANÇA CAPITALIZAÇÃO S/A, ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade suscitada pela contribuinte; acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao 1° trimestre de 1999; não tomar conhecimento das razões de recurso relativas às matérias submetidas ao crivo do Poder Judiciário e, no mérito, ( Mpa - 10/11/05 4 \ MINISTÉRIO DA FAZENDA te.h PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES No TERCEIRA CÂMARA - 'WS Processo n° : 16327.000585/2004-57 Acórdão n° : 103-22.174 NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. — -Á- e 71 • ROD" I NBER • RESIDENTE„--:- ..- MAURÍCI 03 P e"6".E ALMEIDA REL >4-?/,, 24 FEV FORMALIZADO EM: ."/ 20ü6 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, FLÁVIO FRANCO CORRÊA e OR LUÍS DE SALLES FREIRE. 1 Mpa - 10/11/05 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES- TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 16327.000585/2004-57 Acórdão n° : 103-22.174 Recurso n° : 144.444 Recorrente : LIDERANÇA CAPITALIZAÇÃO S/A. RELATÓRIO A EXIGÊNCIA FISCAL Em procedimento fiscal contra a empresa LIDERANÇA CAPITALIZAÇÃO S/A, com sede em São Paulo — SP, foi lavrado, em 30/04/2004, o auto de infração de fls. 124/12126, referente à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido — CSLL, no valor total de R$ 16.636.549,55. O referido valor inclui além de CSLL, juros de mora calculados até 31/03/2004. O aludido lançamento de ofício correspondente à CSLL originou-se, conforme descrição dos fatos do Auto de Infração de fls. 125/126, da falta de recolhimento da CSLL nos trimestres dos anos-calendário de 1999 e 2000, cuja exigibilidade se encontra suspensa por força da Decisão proferida nos Autos da Ação Ordinária com pedido de Tutela Antecipada e Medida Cautelar, em tramitação perante a 15' Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, fls. 119/120. A IMPUGNAÇÃO E O JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Inconformada com a referida exigência, a autuada apresentou, tempestivamente, a Impugnação e documentos de fls. 129/182. Referindo-se à Impugnação, dispõe o relatório do julgado de primeira instância: "4. Irresignada, a autuada, em 01.06.2004, protocolizou Impugnação (fls. 129/133), devidamente representada por seu procurador (documentos de fls. 144/145), onde alega, em síntese: 4.1. que ao recolher a CSLL pela alíquota aplicável às demais pessoas jurídicas não financeiras, a impugnante nãorcometeu nenhuma infração a ser punida, em face do princípio consti •i sonal da isonomia tributaria \mpa — 10/11/05 3 \ "A' g MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 16327.000585/2004-57 Acórdão n° : 103-22.174 e, portanto, caso não estivesse com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, V, do CTN, com as alterações da LC n° 104/2001, haveria de ser considerado improcedente o lançamento; 4.2. que a cobrança dos juros moratórios calculados com base na taxa SELIC é ilícita, em razão de seu caráter remuneratório e por não ter • sido criada por lei, o que ofende preceitos constitucionais; 4.3. os juros de mora, portanto, haveriam de ser calculados à taxa de 1% ao mês, nos termos do art. 161, § 1 0 , do CTN." Com a impugnação tempestiva, instaurou-se o litígio, o qual foi julgado em primeira instância pela 8a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo-I/SP, que prolatou a Decisão DRJ/SPOI n° 5.794, de 26/08/2004, fls. 185/191, cuja ementa dispõe: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura de ação judicial importa renúncia à discussão administrativa. Há de ser conhecida a impugnação, devendo o processo ter seu prosseguimento normal, tão-somente quanto à matéria que não foi levada a juízo. TAXA SELIC. Utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, que deve ser observada no lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Não cabe à instância administrativa apreciar a inconstitucionalidade ou a ilegalidade de normas da legislação tributária. Lançamento Procedente." As considerações que fundamentaram as conclusões da aludida Decisão são, em resumo, as seguintes: "5. Por interposta dentro do prazo legal (art. 15, do Decreto n° 70.235/72), é tempestiva a impugnação. 6. Inicialmente, há que se ponderar acerca da existência de concomitância entre o processo judicial e o administrativo. Conforme se extrai dos autos, a impugnante propôs ação judicial para recolher a CSLL com a mesma alíquota aplicável as demais empresas não financeiras. Além dessa questão, contudo, a impugnação versa sobre o cabimento da utilização da taxa SELIC. 6.1. Nesta questão, é de se observar que, consoante dispõem o artigo 1°, § 2°, do Decreto-lei n° 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/1980, a propositura, pelo contribuinte, de Mandado de Segurança, ação anulatória ou declaratN-ia de nulidade de crédito da mpa - 10/11/05 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA x • - . ..w PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -0'; TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 16327.000585/2004-57 Acórdão n° : 103-22.174 Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. 6.2. Nesse sentido, foi expedido o Ato Declaratório Normativo (ADN) n° 3/1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, esclarecendo que: "a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial - por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto". 6.3. Registre-se que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. 6.4. Por todos esses motivos, resta evidente que a propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional importa renúncia à discussão na via administrativa das matérias debatidas em juízo. 6.5. Todavia, quando não coincidentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, a discussão deve seguir normalmente, pois neste caso não há que se falar em renúncia à via administrativa. Este é o entendimento contido no mencionado ADN COSIT 03/96: "b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.);" 6.6. No caso em tela, fica evidente que a discussão acerca do cabimento da CSLL calculada pela aliquota isonômica não há que prosseguir na instância administrativa, pois a questão foi levada ao Poder Judiciário, importando renúncia do contribuinte à discussão administrativa, nos termos do ADN 3/96 acima referido. Não deve ser conhecida a impugnação, portanto, quanto a esta matéria. 6.7. Tal não ocorre, contudo, com a questão dos juros de mora, que não é matéria discutida na ação judicial intentada na esfera judicial. Destarte, há de ser conhecida a presente impugnação administrativa, e o processo ter prosseguimento normal, consoante destacado na letra b do ADN COSIT n° 03/96, relativamente ao cabimento da utilização da taxa SELIC. 7. O contribuinte se opõe à utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora, pois esta tem caráter remuneratório e desrespeita preceitos constitucionais. 7.1. Em relação aos juros moratórios, o CTN, em seu artigo 161, dispõe: "Art. 161 - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da apli f . :o de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. \ mpa - 10/11/05 5 k MINISTÉRIO DA FAZENDA, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ` n,4, • : TERCEI RA CÂMARA • Processo n° : 16327.000585/2004-57 Acórdão n° : 103-22.174 § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês." 7.2. Assim, os juros de mora serão devidos sempre que o principal for recolhido a destempo, seja qual for o motivo determinante da falta. 7.3. Na verdade, a fluência dos juros moratórios, a partir do vencimento dos tributos e contribuições, decorre de expressas disposições legais, sendo que o ato administrativo do lançamento apenas formaliza a pretensão da Fazenda Pública, acrescentando à obrigação tributária, surgida com a ocorrência do fato gerador, o atributo da exigibilidade. 7.4. Na forma da legislação em vigor, os juros de mora são devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança estiver suspensa por decisão administrativa ou judicial (Decreto-lei n.° 1.736/79, art. 5°), de sorte que a pretensão da interessada, ao alegar que os juros não incidem quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário, não pode prosperar. Além disso, a teor da norma contida no art. 161 do CTN (que tem status de lei complementar), os juros de mora são devidos mesmo quando os respectivos valores foram objeto de depósito judicial, não havendo como afastar a sua incidência com base em norma contida em lei ordinária. 7.5. Ressalte-se, contudo, que a exigência dos juros de mora com base na taxa SELIC está devidamente determinada em lei. De fato, o art. 84 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1985 dispõe: "Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: - juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna:" 7.6. Posteriormente, o art. 13 da Lei 9.065, de 20 de junho de 1995 veio estipular o seguinte: "Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n.° 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6° da Lei n.° 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n.° 8.981, de 1995, o art. 84, inciso 1, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n.° 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente." 7.7. Portanto, a utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora é cabível porque estipulada na legislação tributária. Diante desses dispositivos legais, não resta alternativa à Administração Tributária senão exigir juros de mora sobre tributos e contribuições não pagos nos prazos previstos na lei, e calculá-los com base na taxa SELIC. 7.8. A questão da constitucionalidade ou da observância dos princípios constitucionais constitui matéria qu ltrapassa os limites da mpa — I 0/1 1/0 5 6 ./1-• MINISTÉRIO DA FAZENDA 31 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES s, , -kf TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 16327.000585/2004-57 Acórdão n° :103-22.174 competência para julgamento na esfera administrativa, conforme posição manifestada no Parecer Normativo CST n.° 329/70, de modo que a alegação de que a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora seria inconstitucional não pode ser apreciada neste julgamento, bem como não há que se discutir o caráter remuneratório da taxa SELIC. Aos órgãos do Poder Executivo cabe apenas dar cumprimento à lei em vigor, como está sendo feito neste caso. 7.9. Por haver expressa previsão legal, não há como se acolher, ainda, a taxa de 1% ao mês pretendida pela impugnante para o cálculos dos juros moratórios. Conforme o § 1°, do art. 161, do CTN, já transcrito, este percentual apenas é aplicável quando a lei não dispuser de modo diverso, o que, como se viu, não é caso. 7.10. É de se concluir, portanto, que os juros de mora apurados pela fiscalização estão plenamente de acordo com a legislação de regência. O RECURSO VOLUNTÁRIO A contribuinte foi regularmente cientificada do julgamento de primeira instância, em 28/09/2004, conforme Aviso de Recebimento — A.R. de fls. 230. Insatisfeita com o referido julgado, que manteve todas as exigências, interpôs, em 23/10/2003, com fundamento no artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 1972, recurso voluntário a este Colegiado, conforme petição e documentos de fls. 231/290. Anexou, para fins de prosseguimento do Recurso, de acordo com os parágrafos 2° a 4° do artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo artigo 32 da Lei n° 10.522, de 2002, e a Instrução Normativa SRF n° 264, de 2002, "Relação de Bens e Direitos Para Arrolamento", fls. 231/232 e 249/250. A Delegacia Especial de Instituições Financeiras — DEINF da jurisdição da autuada, São Paulo-SP, através do despacho de fls. 307, após informar que o arrolamento de bens e direitos está de acordo com o art. 32, § 2°, da Lei n° 10.522, de 2002, fls. 291/292, e anexar documentos relativos às providências de averbação do arrolamento de bens e direitos junto ao 4° Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo-SP, fls. 293/306, encaminhou o presente processo ao Primeiro Conselho de Contribuintes, para julgamento \I 'à -A mpa - 10/11/05 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA 4.* Processo n° :16327.000585/2004-57 Acórdão n° :103-22.174 A autuada, no Recurso Voluntário, repete as alegações apresentadas na Impugnação, as quais encontram-se resumidas no Relatório do julgamento de primeira instância, fls. 188, e acrescenta, em síntese: Preliminar: Supressão de Instância Referindo-se ao mencionado no item 6.1 do julgado de primeira instância, de que "consoante dispõem o artigo 1°, § 2°, do Decreto-lei n° 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/1980, a propositura, pelo contribuinte, de Mandado de Segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto", aduz que não se valeu de quaisquer das ações judiciais ali mencionadas, pois não impetrou Mandato de Segurança, e nem propôs Ação Anulatória ou Declaratória de Nulidade de Crédito da Fazenda Nacional. A primeira ação consistiu em Medida Cautelar Inominada para fim de não ser penalizado o recolhimento da CSLL pela alíquota isonômica, e que pudesse compensar os valores recolhidos a maior a título de CSLL, nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91, com tributos da mesma espécie, intento obstado pela Instrução Normativa n° 21/97, que condicionava a compensação à prévia análise e aprovação por parte da Administração Tributária. A segunda ação consistiu em Ação Ordinária, com pedido de Tutela Antecipada, com o propósito de ser declarada a inconstitucionalidade de alíquota diferenciada, de valor percentual muito maior do que aquele aplicado às empresas em geral. Igualmente despropositado o chamamento do Ato Declaratório Normativo (ADN) n° 3/96, que, ao arrepio da legislação citada (DL 1737/79, art. 1°, § 2° e Lei n° 6.830/80, art. 38, § único), amplia a desistência da via administrativa para toda e qualquer ação judicial proposta contra a Fazenda. Requer seja anulada a decisão recorrida, devolvendo-se os autos à DRJ/São Paulo, para apreciar e decidir quanto ao aspecto material do lançamento, sob pena de caracterizar supressão de instância, em evidente cerceamento aos princípios do contraditório e do amplo direito de defesa. Mérito Por ser espécie do gênero tributo, as contribuições sociais subordinam- se, em regra, às mesmas prescrições estabelecidas para impostos e taxas, sendo vedado, pois, tratamento diferenciado em função das atividades exercidas. A recorrente exerce atividades ligadas à capitalização e, assim, equiparada por lei a instituição financeira, . -ndo por isso, e somente A mpa — 10/11/05 8 \\\, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES tiN1 • % P/ - TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 16327.000585/2004-57 Acórdão n° : 103-22.174 por isso, discriminada a recolher contribuição sobre o lucro líquido em percentuais muito superiores aos devidos pelas empresas em geral. Em razão do caráter retributivo da contribuição social e da vedação de se atribuir tratamento diferenciado em razão do objeto social, incabível a cobrança ora pretendida, como já reconhecido pelo Poder Judiciário, motivo pelo qual o lançamento questionado está com sua exigibilidade suspensa. Quanto ao entendimento do julgado de primeira instância, de que "os juros de mora serão devidos sempre que o principal for recolhido a destempo, seja qual for o motivo determinante da falta", alega que não foi cometida falta e nem houve descumprimento da lei. Que, todos os atos praticados pelo contribuinte estão sob o manto da tutela jurisdicional prestada pelo Estado. E, que, não se pode, pois, cogitar de estabelecer gravame financeiro para quem esteja amparado por decisão judicial. O art. 13 da Lei n° 9.065/95, citado no item 7.6 da Decisão da DRJ/SP, com o propósito de legitimar o uso da taxa SELIC, não é válido para elidir a necessária criação por lei, pois o dispositivo mencionado limita- se a determinar a sua aplicação. Nos termos do art. 192, § 3° da Constituição Federal, então vigente, os juros não poderão exceder a taxa de 12% (doze por cento) ao ano. É o relatório. I I % mp a — I O/ I 1/05 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA tí) PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES z!),„,"-n V- TERCEI RA CÂMARA Processo n° : 16327.00058512004-57 Acórdão n° : 103-22.174 VOTO Conselheiro MAURÍCIO PRADO DE ALMEIDA, Relator. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade. Houve arrolamento de bens à vista do que consta dos autos, fls. 231/232, 249/250 e 291/307. Conheço, portanto, do recurso. Consoante relatado, o lançamento de ofício de que trata o presente processo originou-se da falta de recolhimento da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido — CSLL nos anos-calendário de 1999 e 2000, cuja exigibilidade se encontra suspensa por força da Decisão proferida nos Autos da Ação Ordinária com pedido de Tutela Antecipada e Medida Cautelar, em tramitação perante a 15 Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo. PRELIMINAR DE NULIDADE Em relação às alegações apresentadas pela recorrente de cerceamento de defesa, entendo que as mesmas não procedem. Ratifico o disposto no item 3.6 do voto condutor do julgamento de primeira instância, de que, "no caso em tela, fica evidente que a discussão acerca do cabimento da CSLL calculada pela aliquota isonõmica não há que prosseguir na instância administrativa, pois a questão foi levada ao Poder Judiciário, importando renúncia do contribuinte à discussão administrativa". E, também, no item 3.3, de que, "a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais". Ademais disso, em relação à concfritância das discussões de processo administrativo e judicial, evidenciada no pr- .- e processo, aplica-se, a meu mpa - 10/11/05 10 `A" MINISTÉRIO DA FAZENDA . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 16327.000585/2004-57 Acórdão n° :103-22.174 ver, o entendimento desta Terceira Câmara e da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso nos Acórdãos 103-21.549, 01-04.630 e 01-04.059, cujas ementas transcrevo abaixo: Acórdão n° 103-21.549 "PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE — A submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, cuja exigibilidade fica condicionada à decisão definitiva do processo judicial". Acórdão CSRF/01-04.630 "CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL — Não se toma conhecimento da impugnação administrativa, no tocante a matéria submetida à apreciação do poder judiciário, seja o auto de infração lavrado antes ou após a interessada ter ingressado com ação judicial". Acórdão CSRF/01-04.059 "AÇÃO JUDICIAL - CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO - IMPOSSIBILIDADE — A semelhança da causa de pedir, expressada no fundamento jurídico da ação declaratória de inexistência de relação jurídico-tributária, ou mandado de segurança, com fundamento da exigência consubstanciada em lançamento de ofício, impede o prosseguimento do processo administrativo no tocante aos fundamentos idênticos, prevalecendo a solução do litígio através da via judicial provocada. Qualquer matéria distinta, entretanto, deve ser conhecida e apreciada". Diante do exposto, oriento o meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa suscitada pela recorrente. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Analisando os autos do presente processo, entendo ter ocorrido a decadência do direito do fisco de efetuar o lançamento aqui discutido, em relação ao primeiro trimestre do ano-calendário de 1999, conforme passarei a explanar. Sou favorável ao entendimento de que, com a edição da Lei 8.383, de 1991, tanto o Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IFfin uanto a Contribuição Social mpa - 10/11/05 11 .k MINISTÉRIO DA FAZENDA • :r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° : 16327.000585/2004-57 Acórdão n° : 103-22.174 Sobre o Lucro Líquido — CSLL passaram a caracterizar-se como lançamento por homologação, previsto no artigo 150 da Lei n° 5.172, de 1966 — Código Tributário Nacional. E, em conseqüência, passaram a ter o seu prazo decadencial regido pelo parágrafo 4° deste mesmo artigo. Consultando a jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, verifica-se que, a mesma não diverge do referido entendimento, a exemplo do que dispõem os Acórdãos n°s 01-04.347 e 01-04.582, cujas ementas transcrevo abaixo: Acórdão CSRF/01-04.347 "DECADÊNCIA - IRPJ — A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8.383/91, o IRPJ passou a ser tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do §4° do artigo 150 do CTN." Acórdão CSRF/01-04.582 "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO Ex.1995 - Ano Calendário 1994 - Preliminar de decadência — A Câmara Superior de Recursos Fiscais uniformizou jurisprudência no sentido de que, a partir da Lei 8383/91, o IRPJ e a CSLL sujeitam-se a lançamento por homologação. Assim sendo, o prazo para efeito da decadência é de cinco anos a contar do fato gerador." Conforme Declaração de Rendimentos — Imposto de Renda Pessoa Jurídica juntada aos autos, fls. 06/30, a contribuinte submeteu-se no ano-calendário de 1999 ao regime de tributação com base no lucro real trimestral. Assim, o fato gerador da CSLL em relação ao primeiro trimestre ocorreu em 31 de março de 1999, data do início da contagem do prazo decadencial. E, a ciência do Auto de Infração deu-se em 30/04/2004, fls. 124. Verificou-se, portanto, com base na mencionada jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a decadência do direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento de ofício aqui recorrido, em relação ao primeiro trimestre do ano- calendário de 1999. O fisco poderia ter constituído o ref • 1 'crédito tributário até o dia fi 1 Mpa — 10/11/05 12 liI ,.. MINISTÉRIO DA FAZENDA ,,,x-'1n ,=t4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES : ,',,k . -• ,* TERCEIRA CÂMARA Processo n° :16327.000585/2004-57 Acórdão n° : 103-22.174 31 de março de 2004, data resultante da contagem do prazo de cinco anos a partir do fato gerador — 31 de março de 1999. JUROS DE MORA Quanto às alegações apresentadas pela recorrente em relação aos juros de mora, concordo com o entendimento do julgado de primeira instância. Cumpre assinalar que a jurisprudência firmada pela Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais relativa à validade e aplicabilidade dos juros de mora com base na taxa referencial do SELIC está pacificada, a exemplo do que dispõe o Acórdão n° 02- 01.658, cuja ementa transcrevo abaixo: Acórdão CSRF/02-01.658 "JUROS DE MORA - TAXA SELIC - A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, além de amparar-se em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional." Ante todo o exposto, oriento o meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela contribuinte; acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário de CSLL relativo ao 1° trimestre de 1999, suscitada de ofício; não tomar conhecimento das razões de recurso relativas às matérias submetidas ao crivo do Poder Judiciário e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões - DF, 10 de novembro de 2005. ,---'5,--- r,irMAURFC, "D.: E ALMEIDA / , 1„.l ! i i ./ I mpa - 10/11/05 13 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1
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Numero do processo: 11474.000053/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 26/03/2007
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5° DA LEI N°
8.212/91 C/C ARTIGO 225, IV, §4° DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-deinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, § 5° da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 225, IV, °4 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999.: "informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei
9.528, de 10.12.97)".
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo é fato gerador de contribuição previdenciária.
LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL - PRINCÍPIO DA
RETROATIVIDADE BENIGNA - APLICAÇÃO
Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o principio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-000.623
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para, recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado 44,
I da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Marcelo Freitas de Souza Costa
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Inobservância do art. 32, IV, § 5° da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 225, IV, °4 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: "informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)". A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo é fato gerador de contribuição previdenciária. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA - APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o principio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. - Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n° 11474.000053/2007-55 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.623 Fl. 249 ACORDAM os membros da 4a Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para, recalcular o valor da mu .., se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado 44, I da Lei flQ 9.430, d- *$6, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente „7? ( MAR g if 'ITlDE SOUZA COSTA — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 • Processo n° 11474.00005312007-55 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.623 Fl. 250 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5° da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 225, IV, 040 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 13/18 a empresa deixou de informar em GFIP as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados à título de cartão de premiação da empresa INCENTIVE HOUSE e MARK UP no período compreendido entre 10/2003 a 06/2005. Inconformada com a Decisão de fls. 217/219 a empresa apresentou recurso à este conselho alegando em síntese: Que os pagamentos efetuados não constituem fato gerador de contribuições previdenciárias e, por isso, não estava obrigada a declarar tais valores em GFIP, não devendo subsistir a multa aplicada; Afirma que a multa a ser aplicada no presente caso é a que está prevista no art. 283 do RPS e não aquela imposta pela fiscalização sob pena de afronta ao princípio da legalidade. Por fim requer a improcedência a Autuação e no caso da manutenção, que seja recalculada a multa aplicada. Não foi apresentada contra razõ - É o relatório. 3 Processo n° 11474.00005312007-55 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.623 Fl. 251 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pesem os argumentos apresentados pela recorrente, não lhe confiro razão. Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio se consubstancia numa remuneração vinculada a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, etc. Caracteriza-se pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, integra a base de incidência da contribuição previdenciária. A questão da natureza remuneratária dos prêmios foram objeto de análise nos autos da notificação, cujo objeto foram as contribuições decorrentes dos prêmios pagos. No julgamento do recurso da citada notificação, no tocante ao mérito, o colegiado negou provimento ao mesmo, reconhecendo a procedência do lançamento das contribuições incidentes sobre os valore pagos por meio de cartões de incentivo fornecidos pelas empresas Incentive House S/A e MARK UP aos empregados da autuada. Portanto, restando procedente o lançamento de tais contribuições relativas à parte da empresa incidentes sobre os valores pagos a contribuintes individuais, necessária a inclusão de tais fatos geradores na GFIP. Dessa forma, entendo que a autuação deve prevalecer. Quanto ao inconformismo da recorrente pela multa aplicada, tecemos algumas análise. A multa foi calculada de acordo com o que dispõe o § 5° do art. 32 da Lei n° 8.212/1991, observados os limites estabelecidos no § 4° do mesmo artigo. A recorrente questiona o fato de não ter sido aplicado valor mínimo previsto no art. 283 do RPS, sendo que tal valor variou no tempo conforme diversas Portarias. De fato, os valores mínimos estabelecidos originariamente na lei foram, no decorrer do tempo, atualizados por meio de portarias. IIFl 4 Processo n° 11474.000053/2007-55 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.623 Fl. 252 Entretanto, o entendimento apresentado pela recorrente de que o valor devido seria o valor mínimo atualizado está equivocado. O §. 8° do art. 32 vigente à época da autuação estabelecia de forma precisa que no cálculo da multa, o valor mínimo a ser aplicado seria o vigente na data da lavratura do auto-de-infração. Entretanto, no que tange ao cálculo da multa, é necessário observar algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória n° 449/2008. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32-A, o qual dispõe o seguinte: "Art.32-A.0 contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: I- de dois por cento ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §Y; e II- de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §F-Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2' Observado o disposto no § .3, as multas serão reduzidas: I- à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; ou II- a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3' A multa mínima a ser aplicada será de: I- R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II- R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos". Entretanto, a MP 449/2008, também acrescentou o art. 35-A que dispõe o seguinte, 5 Processo n° 11474.000053/2007-55 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.623 Fl. 253 "Art. 35-A - Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996". O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de oficio, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. Assevere-se que todas as contribuintes decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da NFLD já mencionada e, a meu ver, tendo havido o lançamento de oficio, não se aplicaria o art. 32-A, sob pena de bis in idem. Considerando o principio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceram os valores de multa aplicados nos moldes art. 35, inciso II, alínea "c", revogado pela MP 449/2008, o qual prevê uma multa de quarenta por cento para o estágio atual do contencioso que é inferior ao percentual de setenta e cinco por cento estabelecido pela nova regra.. No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 50, da Lei n° 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4° do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: 1.Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5 0, observada a limitação imposta pelo § 4° do mesmo artigo, ou 2.Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, excluídos os valores de multa mantidos nas notificações, com o objetivo de se evitar o bis in idem_ Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta 6 Processo n° 11474.000053/2007-55 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.623 Fl. 254 Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para que seja verificado se, no presente caso, aplica-se a retroatividade benigna da lei superveniente mais favorável no que tange ao cálculo da multa remanescente, conforme art. 44, I da Lei 9430/96. 1 Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2009 - MAR I1likf A SOUZA COSTA - Relator 11' , 7
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