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Sessão de 19 de março de 19 f34. ACORDÃO N° Ç.S I.:T./P .-.0 1 .16 9 , Recurso n° RP/303-0.816 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido TERCEIRA CÃMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITDPASSIW: CIA DE NAVEGAÇÃO LLOYD BRASILEIRO REP/ AGÊNCIA MARÍTIMA LAURITS LACHMANN FALTA OU EXTRAVIO DE MERCADORIA MAN [FESTA DA: parágrafo único do art. 19 do Dciet5 -lei n9 37/66. Na determinação do vdlor do Imposto de Importação devido, para e- feito de conversão da taxa de cambio (d6- lar fiscal) e aplicação de aliquotas tari fárias, toma-se como referencia a data er71 que se positivou a falta ou extravio da mercadoria(art. 23, parágrafo único, do re- ferido Decreto-lei). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: , ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis - cais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para que seja a- plicada a taxa de câmbio e aliquotas vigentes na data a que se refere o documento de ff.-, 17. Vencidos os Cons. Enila Leite de Freitas Chagas e /-1''. 1Newton Paranh91 / 1 Sala das S is- (DF), em 19 de março de 1984. AMAPOR 00 '''''4'''0 ' RNÃN EZ - PRESIDENTE C/24tt 'âfLTON P SÁ Dtk ", - RELATOR ' , A - PROCURADOR DAG/0 TINHO_FLdgrg----------- _ FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA; JOSÉ FAÇANHA MAMEDE, SEBASTIÃO RODRIGUES CA- BRAL e EDWALDO REIS DA SILVA. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0711/007.767/81-64 RECURSO N9: RP/303-0 . 816 ACÓRDÃO N9: CSRF/03-01.169 RECORRENTE N9: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: CIA DE NAVEGAÇÃO LLOYD BRASILEIRO REP/ AGÊNCIA MARÍ TIMA LAURITS LACHMANN S/A RELATÓRIO Trata-se de recurso especial do ilustre Procurador da Fazenda Nacional junto à 3a. Câmara do 39 Conselho de Contribuintes fa- ce ao decidido no Acórdão n9 303-23.086, daquela Câmara, assim emen tado: "Falta de mercadoria apurada em conferencia fi nal de manifesto. As aliquotas e taxas de cá--m bio são as vigentes na data da entrada da me—r cadoria no território nacional". As razões do recorrente são, em síntese, as seguin- tes: a) que o simples fato de a autoridade aduaneira re- ceber, à chegada do navio, toda a documentação refe rente à carga, não a torna apta a tomar conhecimento de eventual falta na descarga, visto que tal conhe- cimento depende de um procedimento administrativo tendente a verificar se a falta efetivamente ocor- reu; b) que tal procedimento e a conferencia final do ma nifesto, de que cogita o Decreto 63.431, de 16 de tubro de 1968 (art. 25); c) que, consoante o § único do art. 19 do DL 37/66 e a licão DMF - DF/19 C-C - Se ra:- 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0711/007.767/81-64 2. Acórdão n9 CSRF/03-01.169 Aliomar Baleeiro, sobre a matéria, os elementos que compõem a essência do fato gerador da obrigação tri- butária, nos casos de falta de mercadoria na descar- ga, são: (a) ter sido ela importada e (b) ter sido a purada a sua falta; d) que, no caso, houve, por aplicação dos termos do art. 147 do CTN, um procedimento administrativo de apuração da falta, da qual a autoridade tomou conhe- cimento, apOs a confirmação da sua ocorrência, pelo interessado; e) que, em conseqüência, devera ser acolhida por es- ta Cãmara Superior, a interpretação dos Conselheiros vencidos, que adotaram como data de referencia para calculo do tributo aquela em que se efetivou a apura ção da falta, com sua confirmação in concreto, nao sendo admissivel a fixação dessa data no dia em que houve a descarga nem no em que a autoridade fiscal solicitou ao contribuinte a confirmação Aocorrência. / Não houve contra-razões do contribuinte É o relat -orlo. ) /V; , SERVIÇO POBLICO FEDERAL Processo n9 0711/007.767/81-64 3. Acórdão n9 CSRF/03-01.169 VOTO Conselheiro HAMILTONpE SÁ DANTAS, Relator Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já tem en- tendimento firmado sobre o assunto, através de vários acórdãos, den_ tre os quais podem citar-se os de n9s RP/302-0.077, RP/302-0.230 e RP/302-0.233. Da fundamentação dos respectivos votos, constantes dos citados acórdãos, destaco o seguinte: "No caso dos presentes autos, todavia, distinguem-se os momentos previstos em lei (art. 23, paragráfo (mi- co do referido Decreto-lei n9 37/66) para efeito de fixação dos valores combiais-fiscais (taxa de "dolar" e aliquotas "ad-valorem"): o do conhecimento da fal ta e o da sua apuração. Um se antepOe ao outro por - lapso de tempo superior a 1 (um) mês, o que nos leva a admitir a possibilidade da vigência, no momento precèdente, de valores diversos para a taxa de con- versão cambial e as próprias aliquOtas aplicáveis. "In-casu", o "conhecimento" da falta ou extravio dos volumes pela autoridade fiscal somente se positivou em 12.10.78, após desfeitas, por declaração formal do próprio responsável, as esperanças quanto à des- carga dos não descarregados". No presente caso, tambem são submetidas à considera- ção deste colegiado três datas, entre as quais se dividiu a Câmara recorrida quanto à determinação de qual delas seria a do conhecimen to da falta pela autoridade aduaneira. A primeira, do voto vencedor, seria a do despacho da mercadoria. Quanto a esta, são inúmeras as decisOes não só do 39 Conselho de Contribuintes, como também desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que não pode ela servir de marco para oconhecimento da falta pela autoridade aduanei_ ra. Esse conhecimento, como o ressalta o recorrente, tem o seu mo- /2 mento fixado na lei - e a conferência final do manifesto (art. 25 tiP 22( ,, / : SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0711/007.767/81-64 4. Acórdão n9 CSRF/03-0.169 Decreto 63.431/68). A esse respeito, convem aditar recente decisão do egrégio Tribunal Federal de Recursos, expressa através do Acór- dão resultante da Apelação Civel n9 80.576-RJ, publicado no Diário da Justiça de 6.10.83 (pág. 15.320), ementado nos seguintes termos: "Tributário. Importação. Falta de mercadoria. Confe- rência de Manifesto. Decreto-lei n9 37, de 1.966, ar tigo 19, parágrafo único e artigo 23, parágrafo úni- co. Súmula n9 4 - TFR. I - Mercadoria que consta ter sido importada e cuja falta vem a ser apurada pela autoridade aduaneira.D. L. 37/66, art. 19, parágrafo único. O fato gerador, no caso, só se aperfeiçoa na data em que a autoridade aduaneira apurar a falta ou dela tiver conhecimento. D.L. 37/66, art. 23, parágrafo único. II- Recurso desprovido." (decisão unânime da 4a. Tur- ma do TFR, relator o Sr. Ministro Carlos Mário Vello - so). Transcrevo, do voto então prolatado pelo ilustre Mi- nistro, o seguinte: "No caso, conjugada a Súmula n9 4, desta Egrégia Cor te, com o que está disposto no parágrafo único doar-E. 19 e parágrafo 'único do art. 23, do D.L. 37 de 1.966, força e concluir, como o fez a sentença, que o fato gerador só se aperfeiçoa com a ciência e apuração da falta". Seguindo a mesma diretriz, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais tem entendido que só com a conferência final do ma nifesto e, por conseguinte, com o conhecimento da falta pela autori- dade fiscal, se aperfeiçoa o fato gerador da obrigação, sendo, as- sim, a data do conhecimento da falta aquela que servirá de base pa- ra aplicação da taxa cambial. Quanto a esse ponto, há duas opiniões divergentes na Câmara recorrida: a dos que entendem que tal data é a da representa ção de fls. 1, em que o fiscal, que procede à conferência final do manifesto, solicita ã autoridade aduaneira a quem se subordina, in- time o contribuinte e responsável a confirmar a ocorrência da falta " cuja noticia consta dos documentos, a outra, que considera data b „o< QC:;/-2 É-V SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0711/007.767/81-64 5. Acórdão n9 CSRF/03-01.169 se para aplicação da taxa cambial aquela em que o contribuinte con- firma, por escrito, a ocorrência da falta. Esta Câmara Superior tem optado pela segunda hipótese, baseada na simples constatação de que, ao inquirir o responsável so bre a ocorrência da falta, a autoridade aduaneira não tem, obviamen te, a certeza de sua consumação. Assim, o conhecimento insofismável da falta, só se con_ suma, no entender deste colegiado (pela maioria de seus membros), quando o contribuinte confirma a falta, pois, ate então, havia so- mente a presunção de sua ocorrência. Filiado a esta linha de raciocínio, voto, como já o fiz em ocasiões anteriores, por dar provimento ao recurso especial, pa- ra declarar que a data base para cálculo do tributo á a constante do documento de fls.17, que se identifica como a em que o cioptribuin te confirmou a ocorrência da falta de volumes na descarg0 Brasília, DF, em 19 de março de 1984. .,")- ..- , 77- (- -,- 1 "-1. 1/71-T- , H Á ' , LTON DE SÃ DAN - RELATOR ----------_-- , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Dado provimento ao recurso especial impetrado pela Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos , de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. , ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais,por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, : nos , 1 termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julga- , do. Vencidos os Conselheiros Victor Luis de Salles Freire, Walde- ,, van Alves de Oliveira e Sebastião Rodrigues Cabral, que negavam pro vimento ao recurso. , = a d-s Sessões, em 18 de outubro de 1994 MAR - PRESIDENTE 04/ , i ill/ , CAke 1,0 ROD • I --: EUBER - RELATOR À, '7 1VISTO EM LUIZ FEMANDOO:r PAD MMUES - PROCURADOR DA FAZEN _ SESSÃO DE: DA NACIONAL 1 - _ , Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: Carlós Emanuel dos Santos Paiva, Leila Maria Scherrer Leitão, Miguel Rendy (Suplente Convocado), Verinaldo Henrique da Silva, Afonso Celso Mattos Lourenço, José Carlos Guimarães, Wil- frido Augusto Marques, Rafael Garcia Calderon Barranco, DICIer ' de Assunçãi, Manoel Antonio Gadelha Dias e Luiz Alberto Cava Ma- , ceira. r;, 01 /C ,,, , , ,_ - , , '*IiÁtk 4~1fr SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N° 10783/0.01.112/89-21 , RECURSO N9 : RP/105-0.213 : ACORDAO N2: CSRF/01-01.797 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL . Sujeito Passivo: ARACRUZ FLORESTAL S/A ., , I RELATÓRIO I , Inconformada com o decidido no AcOrdão no 105-5.108, de 22.11.90, fls. 106/110, a FAZENDA NACIONAL recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 111/112, objetivando res _ tabelecer a-exigência sobre determinadas parcelas. Trata-se de exigência de contribuição ao PIS/REPT I __ QUE, relativa aos exercícios financeiros de 1986 e 1988, decorren- te do lançamento de imposto de renda pessoa jurídica, em virtude de ter sido constatada redução indevida da base de cálculo do tributo, : processo n9 10783/0.01.114/89-56, também objeto de recurso especi- 1 al à Cãmara Superior de Recursos Fiscais, : A Câmara recorrida, por maioria de votos, venci - dos os Conselheiros José do Nascimento Dias e Mariam Seif, deu pro vimento parcial ao recurso para excluir da tributação parcelas pro porcionais àquelas excluídas no processo matriz. i : A Procuradoria da Fazenda Nacional pede provimen- i to ao seu recurso, evocando o princípio da decorrência. Argumenta' que a decisão que for prolatada no processo matriz, aproveitará,in tegralmente, o presente. 1w -,P 1 1 i _ i SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10783/001.112/89-21 3. Acórdão n9 CSRF/01-01.797 O recurso especial foi admitido, por tempestivo, se_ gundo despacho do ilustre Presidente da Egrégia Quinta Câmara des_ te Conselho, fls. 113. Regularmente cientificada da interposiçâo do recur- so especial, fls. 114, a contribuinte, tempestivamente, ofertou as contra-razões de fls. 115/116, também evocando o princípio da de- corrência e as contra-razões apresentadas no processo matriz. Espera seja negado provimento ap recurso da Fazenda Nacional, mantendo-se íntegro o aresto recorrido. 6'11)1. É o relatório. / ) ._.. SERVICO PÚBLICO FEDERAL Processo rí9 10783/001.112/89-21 4. Acórdão n9 CSRF/01-01.797 VOTO Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER - Relator; Presentes os pressupostos legais de admissibilidade estatuídos no Decreto n9 83.304/79, o recurso especial deve ser co nhecido. A exigência discutida neste Processo deriva de , ou- tro lançamento efetuado contra a empresa, processo n9 10783/001114/ /89-57, objeto do recurso especial n9 RP/105-0.212. Esta Cãmara Superior, ao julgar o referido recurso especial deu-lhe provimento para restabelecer a tributação sobre as importâncias de Cz$ 149.228,28 e Cz$ 917.643,26, nos exercícios financeiros de 1985 e 1986, respectivamente, segundo Acórdão n9 CSRF/01-1.634, de 24.03.94. Como se trata de lançamento decorrente, o dedidido no processo matriz repercute neste processo, face à . íntima relação de causa e efeito existente entre eles. Por estas razOes, voto no sentido de dar provimento ao/ecurso especial interposto pela Fazenda Nacional para reformaro Acórdão n9 105-5.108, reajustando-se a exigência da contribuição ao PIS/REPIQUE em consonância com o decidido no processo matriz, atra vês do Acórdão n9 CSRF/01-1.634. Bra•ília-DF., em 18 de outubro de 1994. C Á FÁ h a RODR G Ep — RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Toma-se como referen cia para cálculo do tributo devido a títul-o- de indenização, pelo responsável ( conversão - da taxa de cambio e aplicação de alíquotas ta rifarias), a data da apuração da falta. Não 5. r plicação do Ato Declarateirio n9 0800-125/75 7 da S.R.R.F. na 8a. Região, a fatos geradores ocorridos ap6s sua automática derrogação pelo item IV do Parecer Normativo C.S.T. n9 56/77, de efeito "ex-tunc", por se tratar de norma ! interpretativa da legislação tributária, de hierarquia superior. ACRÉSCIMO DE VOLUMES AO MANIFESTO: legalidade - da aplicação da multa fixa prevista no art. 107, inc. VI, do Decreto-lei n9 37/66 ( com a nova redação do art. 59 do Decreto-lei n9 ./ 751/69), em seu valor atualizado anualmente pela autoridade competente, por força de pre- visão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Camara Superior de Recursos Fis- cais, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial. Venci- dos os Cons. Randolfo Henrique de /Souza Neto, Enila Leite de Freitas Chagas e Wilfrido Augusto Marquej v. , , ,.:, ,,,,4. . M SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N.9 0845/055.237/80 ° RECURSO rsi.°, RP/303-0.323 : ACÓRDÃO N1. 0 , CSRFI03-0.451 . . RErnRRENTE: FAZENDA NACIONAL - Recorrida: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: NAUTILUS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA , RELATÓRIO ,, ., EM ato de conferência final de manifesto do navio " I- r - TAITE " , aportado em Santos a 22/04/ 1976, apurou a fiscali_ zação aduaneira "faltas" e "acréscimos" de mercadorias importadas, sendo responsabilizada pelas ocorrências a,empresa transportadora, da qual se exige a devida indenização do valor do Imposto de Impor _ . tação correspondente ás "faltas" ou "extravios", e respectiva pe- nalidade prevista no art. 106, inciso II, alínea "d", do Decreto- -lei n9 37, de 18.r1.66, além da multa fixa do art. 107, inciso VI, do mesmo Decreto-lei (na redação dada pelo art. 59 do Decreto- -lei n9 751/69), por "volume acrescido" ao manifesto. _...- , A responsabilizada discorda da autoridade aduaneira quanto ao cálculo e determinação do valor do tributo devido pelas "faltas", que entende deva ter por base a taxa de conversão cam- bial (dólar fiscal) e alíquotas tarifárias em vigor à época da im- portação, pretendendo, ainda, seja aplicada aos "acréscimos" a Pe- E nalidade fixa, mas em seu valor também vigorante naquela data. - A douta 3a. Câmara do Egrégio 39 Conselho de Contribuin_ tes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso da transporta ! dora, confo e se vê do Acórdão "n9 20.145, de 24/03/ 1981 ( fls. 30/34). ,e 541( , D M F - RJ/1.° C - C - Secgrat - 1600/7 3. Processo n9 0845/055.237/80 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9-CSRF/03-0.451 Dessa decisão recorre, com guarda de prazo, o Sr. Procu 1 — : rador da Fazenda Nacional junto àquele órgão. Em suas razões de ,1 fls.36/54, que leio na integra em plenário (lés ), invoca as deci- sOes desta Câmara Superior consubstanciadas em reiterados acór- dãos, considerando como data de referencia para cálculo do tribu- to, na espécie, a data da representação prevista no art. 25, § 19, do Decreto n9 63.431/68, que regulamenta a matéria, para susten- tar, ao final, que a apuração das faltas só ocorreu com a aludida conferencia de manifesto, somente aí estand8 a Fazenda Nacional ha 1. — : bilitada a quantificar a obrigação tributária e a qualificar o su- jeito passivo, nos termos do parágrafo único ao art. 23 do Decreto ! -lei n9 37/66. Quanto 'aos "acréscimos", entende o ilustre recorren ! — ! te deva ser restabelecida a aludida multa isolada, por volume, is- ! to porque sua aplicação em valor atualizado corresponde à correção 1 monetária instituída pela Lei n9 4.357/64, alem de ter amparo nos arts. 105, do C.T.N.; e 110, do citado Decreto-lei n9 37/66. A interessada não ofereceu contra-razõe-P 2 o relatc5rio. P// , . . , , L i . . 4. . Processo n9 0845/055.237/80 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9-CSRF/03-0.451 , VOTO Conselheiro EDWALDO REIS DA SILVA, Relator: Em numerosas e reiteradas decisões, esta Câmara Supe- rior já firmou o entendimento de que, na hipótese de serem conheci _ das e apuradas, no ato formal e regulamentar de "conferencia final de manifesto", faltas e acréscimos de mercadoriaque constar como . tendo sido importada (parágrafo único ao art. 19 do Decreto-lei n9 . 37/66), é de ser tomada como referência, para cálculo e determina- ° 0.'o do valor do tributo devido, a data da aludida conferência, a- través da qual são apuradas tais ocorrências (parágrafo único - ao art. 23 do mesmo Decreto-lei). . A "conferência final de manifesto" . é um dos procedimen- tos legais de apuração de faltas e/ou acréscimos de mercadoria es- . trangeira importada, infrações ou irregularidades essas quase sem- j pre de responsabilidade do transportador, que fica assim obrigado a indenizar a Fazenda Nacional pelos tributo ^s não recolhidos, na condição de responsável legal. É atividade fiscal de rotina, pre- vista no art. 39, § 19, do Decreto-lei n9 37/66, e regulamentada pelo Decreto n9 63.431/68, precisamente com a finalidade de apurar irregularidades havidas nas descargas. Nesta Egrégia Câmara Superior e no Colendo 39 Conselho -.-- de Contribuintes é pacífico o entendimento da plena compatibilida- de do art. 23 do Decreto-lei n9 37/66 com o art. 19 do Código Tri- butário Nacional, pertinentes ao fato gerador do Imposto de Impor- tação, este último reproduzido pelo art. 19, "caput", do Decreto- -lei n9 37/66. Também o Egrégio Tribunal Federal de Recursos, em . memorável sessão plenária de 10.08.78, já fixou em definitivo sua posição nesse sentido, no julgamento de "Incidente de Uniformiza- L_ ção de Jurisprudência" na Ap. em M.S. n9 79.950-SP (v. Revista "RT Informa", n9 233/234) ),/ / . , - _ 5. Processo n9 0845/055.237/80 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão n9-CSRF/03-0.451 Tal é, aliás, a posição de há muito adotada pela Segun- da Cãmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, órgão titular da competência regimental de julgamento da matéria, em numerosas deci sOes, na verdade não unanimes, face à fixação de ponto de vista dos nobres Conselheiros que ali representam os contribuintes, pela não aplicação, ao caso, da disposição especifica do parágrafo úni- co ao aludido art. 23. No presente processo, entretanto, surgiu um fato novo ou seja o de que, quando da chegada do navio ao porto de Santos já estava ali em vigor o Ato Declaratório n9 0800-125, de 06/06/ 75, da S.R.R.F. na 8a. Região Fiscal, ato esse que criou, na D.R.F. em Santos, o Setor de Controle de Manifestos e implantou ' nesse serviço, o processamento eletrônico de dados, e que - alega- -se - não teria sido observado, no caso, pela autoridade fiscal- Dispunha o item 6.2 do citado Ato DeclaratOrio: "6.2 - Para efeito de cálculo do 'que deva ser cobrado na conferência final de manifestos o FTF encarregado de sua ! execução basear-se-á nos valores constantes das DeclaraçOes de Importação e na pró-forma prevista neste item". Estabeleceuainda referido Ato DeciaratOrio, em seu item 9: "9. O presente ato entrará em vigor na data de sua pu- blicação e abrangerá as Di referentes a navios entrados no ! porto de Santos a partir do dia 23 de junho de 1975, inclusi— ve". Ora, relativamente aos fatos geradores (apuraçOes faltas) ocorridos durante a vigência daquele Ato DeclaratOrio, a D.I. "pró-forma" seria, por força do estabelecido em seu item 6.2, a maneira de dar a conhecer à autoridade fiscal as faltas porventu ra ocorridas. Mas, no caso em exame, a autoridade administrativa só veio a apurar as faltas por ocasião da rotineira conferência fi nal de manifesto do navio transportador, iniciada com a Representa ção de fls. 3, ou seja, quando já não mais vigorava por inteiro o questionado Ato DeclaratOrio n9 0800-125/75, derrogado que fora, nessa parte, por critério interpretativo diverso, adotado pelo ór- gão normativo de hierarquia superior, com jurisdição em todo o teradi/. /1v- ' 6. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/055.237/80 Acórdão n9-CSRF/03-0.451 ritOrio nacional - a Coordenação do Sistema de Tributação da SRF, através do seu Parecer Normativo n9 56/77, de 24.08.77 (D.O. de 1 31.08.77), de inegãvel efeito "ex-tunc", por se tratar de norma de caráter interpretativo da disposição do parágrafo único ao art. 23 do Decreto-lei n9 37/66, da mesma forma que o era a regra adotada pelo questionado Ato Declaratório n9 0800-125, em seu item 6.2, su - pratranscrito. Assim, no caso "sub judice", não posso concordar com o argumento central que serviu de respaldo à decisão da douta Cãmara recorrida - o de que "o fato geradOr remonta à época do estabeleci- mento de controles pela administração aduaneira, pelos quais toma conhecimento dos fatos imputáveis". Isto porque é fora de dúvida que a falta em questão Só foi apurada pela repartição aduaneira (primeira das alternativas do parOgrafo único ao citado art. 23 ) no ato formal da aludida conferência, ocasião em que se lavrou a Representação de fls. 3, como previsto no art. 25 do Decreto n9 63.431/68, que regulamenta a espécie, e que, em seu §. 39, prevê a hipótese de nada ser apurado e conseqüente arquivamento do manifes to. A taxa de conversão (dólar fiscal) e as alíquotas tarifOrias a -- plicOveis, para efeito de cálculo da indenização tributaria previs- , ta no art. 60 e seu parágrafo único do Decreto-lei n9 37/66, hão de ser as vigorantes nessa ocasião, por força do disposto no cita- do art. 23, parágrafo único, do mesmo diploma legal, conforme o en tendimento firmado por esta Cãmara Superior. Com relação ã multa fixa, por volume acrescido ao mani- festo, prevista no art. 107, inc. VI, do Decreto-lei n9 37/66 (com a nova redação do art. 59 do Decreto-lei n9 751/69), entendo-a bem e legalmente aplicada, através do lançamento efetuado pelo auto de infração e notificação fiscal de fl. 1-v, eis que, na ocasião, seu valor já se achava atualizado monetariamente por ato administrati- vo que, de acordo com a lei, estabeleceu os novos valores desse ti po de multa (fixada em cruzeiros), destinados a vigorar durante o exercício de 1980. Isto posto, dou provimento ao recurso especial, . par. - que, no cálculo do tributo devido, se tomem por base os valores /, f v.v. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES - Divergência no nome do fa - bricante da mercadoria, sendo, no entanto, mantidas suas demais características. Ina plicável a penalidade proposta. Vistos, relatados e discutidos os presentes au- tos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Especi al. Vencidos os Conselheiros EDWALDO REIS DA SILVA (Relator), A- MADOR OUTERELO FERNANDEZ e PAULO DE ALMEIDA. De...ignadoRelatorpa ra o Acórdão o Conselheiro LUIZ CARLOS NOGUEI., Sala das Se,44sZe-JDF), em 19 de*-evembro de 1981. i, AMADO)OU Idl 'ii, r ANDE Z - PRESIDENTE ' ff. " _...0000000'r.___ 4,:, ,. kkan 0 -~^ fr , ammir aoww-_ LUIZ CARLO," 0$11~/./ Amã RELATOR ' ° 4Wit J. Pr o iff Afio f ,r till ADHEMILSO : ,TOS o r e , RVALHO - PROCURADOR DA FA/ Z ENDA NACIONAL. Partiaiparam, ainda, do presente iu gamento, os seguintes Conse- V.V. - ___ lheiros: HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, FRANCISCO MARTINS LEITE CAVAL CANTE, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Ausente por motivo justifica- do o Conselheiro RANDOLFO HENRIQUE DE SOUZA NETO. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0711/003.185/80 RECURSO N.° : RP/303-0 . 421 ACÓRDÃO N.° : CSRF/03-0 . 630 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL Recorrida: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S.A. RELATÓRIO Apreciando recurso voluntário interposto por Minerações Brasileiras Reunidas S/A., a Terceira Cãmara do Ter- ceiro COnselho de Contribuintes, pelo Acórdão 20780,de 23.06.81, (f is. 41/43), lhe deu provimento por maioria de votos, vencidc)o Conselheiro Benedito Onofre Evangelista. Os fundamentos do aresto vêm assim resumidos na respectiva ementa "verbis" "Fabricante diferente do indicado naG.I. Mesmo país de procedência e origem. Man tidas as demais características do pro- duto. Inexigência de tributos ou gra- vames cambiais. Inaplicável a multa pre vista no art. 169 do D.L. n9 37/66. Re curso provido." Dessa decisão recorre o ilustre Procurador da Fazenda Nacional junto àquela Câmara (f is. 45/48), sustentando que: "a multa aplicada foi em decorrência de descumprimento das normas de controle das importações criadas pela Lei n9 6562, de 18 de setembro de 1978, que deu nova redação ao art. 169 do De- creto-Lei n9-37/66." Acrescenta, ainda: "Assim, torna-se/4 leo. D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0 711/00 3 . 1 8 5 / 8 0 02. Acórdão n9 CSRF/03-0.630 necessário para que não venha a ser considerada como infração, que a interessada promova alteração na Guia de Importação, atra vês de aditivo para sanar eventuais divergências ocorridas após sua inscrição". A fim de melhor esclarecer aos Senhores Conselheiros, leio na integra,em plenário, o v. acórdão recorrido, bem COMDOS termos do recurso especial, para que fiquem fazendo parte inte- i r-'1 grante do presentecti É o relatá'o. e'7 , ___, , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0711/003.185/80 03. AcOrdão n9 CSRF/03-0.630 VOTO VENCEDOR DO CONSELHEIRO LUIZ CARLOS NOGUEIRA Versa o presente processo sobre divergência , constatada pela fiscalização, no tocante ao fabricante da mer- cadoria importada. Diversos são os casos que chegam a esta Câma- ra Superior, versando sobre a mesma matéria, os quais, dados à sua semelhança, têm sido negado provimento ao recurso especial, por se considerar que não constitui infração a ocorrência de p,e. quenas divergências, como a que ocorre no caso vertente, desde que não impliquem em diferença de valor, peso, quantidade,etc.. No caso em exame, a fiscalização não impugnou outros itens da Guia de Importação, tais como preço, peso,quan tidade, discriminação da mercadoria, item tarifário, procedên- cia, origem, etc., restringindo-se,tão-somente ao fabricante. Assim, guardando coe0hcia com meus votos an tenores, nego provimento ao recurso 6t) (1. Bras". ia, DF, em 19 d- novembro de 1981. ,,-- .._ -Ui\ 44 ' '-' ---=-2--1-1-----tur — lie n OGUEIRA - RELIM DESIGNADO ___ , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0711/003.185/80 041 Acórdão n9 CSRF/03-0.630 VOTO VENCIDO DO CONSELHEIRO EDWALDO REIS DA SILVA : A Lei n9 6.562, de 18.09.78, que deu nova reda_ _ çao ao art. 169 do Decreto-Lei n9 37, de 18.11.66, veio defi- nir de maneira mais objetiva e clara os diversos casos de ilí- citos que o novo diploma passou a denominar de "infrações admi nistrativas ao controle das importações", estabelecendo ainda penalidades proporcionais à gravidade da falta cometida. Com efeito, o art. 169 do Decreto-Lei n9 37/ /66 era de redação extremamente sintética, jà que procurava de_ finir e enquadrar todas as chamadas "infrações de natureza cam bial" em apenas dois itens, fato que, em alguns casos, dificul_ tava sobremaneira a sua interpretação e aplicação a casos con- cretos. A alteração introduzida pela citada Lei n9 6.562/78 teve, entre outros, o propósito claro e inequívoco de estabelecer una graduação lógica para as penalidade previstas, tornando-as tanto quanto possível proporcionais à gravidade das irregularidades cometidas. Assim, por exemplo, estão sujei - tos a pena mais pesada o sub e o superfaturamento, bem como a importação sem licença do órgão competente (100% do valor da mercadoria), enquanto outras irregularidades de natureza menos grave são apenadas com multas de graduação menor. Nos termos do art. 29, item III, da citada Lei n9 6.562/78, constitui infração administrativa ao controle das importações, "descumprir outros requisitos de controle da im - , portação, constantes ou não de Guia de Importação ou de documen to equivalente" e "não compreendidas nas alíneas anteriores". Ora, a indicação do fabricante da mercadoria a ser importada é, sem dúvida, um dos "requisitos de controle da importação", constante da Guia de Importação, requisito esse t / 7., _ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0711/003.185/80 05. Acórdão n9 CSRF/03-0.630 não compreendido nas alíneas "a", "b" e "c" do item III do art. 29, supratranscrito, mas inegavelmente abrangido pelo conteúdo de sua alínea "d", acima, sendo o seu descumprimento apenado com i multa de 20% do valor da mercadoria. Na redação anterior do art. 169, não seria fá- cil, em verdade, enquadrar tal irregularidade como "infração de natureza cambial". Mas a disposição da nova lei é clara : ape- nas não haverá infração, nos casos previstos no item III, acima, "se alterados pelo 'órgão competente os dados constantes da Guia de Importação ou de documento equivalente". Eis por que, embora não se vislumbre, na hipóte se dos autos, a prática de qualquer fraude cambial ou sonegação fiscal, força é reconhecer que o fato apontado e apurado está claramente previsto no texto da lei própria, como "infração ad- ministrativa ao controle das importações", independentemente da indagação de o mesmo ter ou não causado algum prejuízo à Fazen- da Pública ou impedido o controle do órgão competente para exe- cutar a política comercial e cambial do país. Isto porque,como ensina Aliomar Baleeiro ("Di - reito Tributário Brasileiro", 4a. Ed., pág. 436), ao comentar o art. 136 do C.T.N., "realizados em pequena intensidade ou não re alizados os efeitos do ato, como, por exemplo, o risco para o Erário ou a possibilidade de sonegação, a infração se reputa cai sumada pela ocorrência do pressuposto de fato da lei". Vale di zer: a responsabilidade pela infração ê objetiva, não se inda - gando da intenção do agente, nem da efetividade, natureza e ex- tensão dos efeitos do ato, salvo quando a lei determinar em con trário. E, como esclareceu proficientemente Fábio Fanucchi("Cur so de Direito Tributário Brasileiro", 4a. Ed., Vol. I, pág.259), "a lei poderá estipular que inexiste infração se e quando não se verificar prejuízo para a Fazenda Piáblica,com a omissão ou a prática do ato exigido ou vedado. Só quando façyisso de for- ma expressa, e que a infração está excluída". (17,W I 4 1/72 V.V. ___J .,-. , , , , 11 1 , Isto posto, dou provimento ao recurso especial. i: , -, Brasília, DF, em 19 de ,novembro de 1981. (7-'2 Ir of-,i -/' * ALDO REIS DA kVA - RELATOR . _ , . , , ,, , . ,,,, , , ,, 1 _ , • ,, ,, ,, , , . ,, , , , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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',•'- .‘,,r '; * . V1 Y.'3 P":. MINISTÉRIO DA FAZENDA .S.TS. Sessão de 29 de..seterobro. de 19 81... ACORDÃO N°7.C.SRE/03:7.0...558 Recurso n° RP/303-0 . 39.6 Recorrente FAZENDA NACIONAL • Recorrido TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo - AGÊNCIA MARÍTIMA SINARIUS S/A. FALTA OU EXTRAVIO DE MERCADORIA IMPORTA- DA: parágrafo único do art. 19 do Decreto -lei n9 37/66. Na hipôtese de ser conheci da e apurada a falta em ato de "conferên-T cia final de manifesto" (Decreto n9 63.431, de 16.10.68, art, 25) toma-se como refe- rencia para cálculo dos tributos devidos (conversão da moeda estrangeira e aplica- ção das aliquotas tarifárias) a data da a ludida conferencia. Atualização do valor pecuniário das penalidades fiscais (arts. 105 do C.T.N., 110 do Decreto-lei n9 37/66 e 99 da Lei n9 4 . 357/6 4) não constitui a- gravamento penal, devendo-se aplicar o va lor vigente à época do lançamento. Recurso Especial provido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis cais, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial. Venci — dos os Conselheiros Francisco Martins Le' e Cavalcante, Luiz Carlos No queira e Randolfo Henrique de Souza Neta (--) Sala das S-ssdes O ) . , •r de setembro de 1981. AMADOR e 1. MINOLW14 f rá, .t NDEZ PRESIDENTE „-------/ ..,„ 7 _ ,...... \. - "' à • e D = ' I' , RELATOR Tf I> ' 1 fl .7 :. , , : 1 • '-'1 ADHEmiLsow: , sTos 1) , CARVALHO ./ PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL/// , Participaram, ainda, do presente luláamento os seguintes Conselhei ros: HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, ED I ALDO REIS DA SILVA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. . . . , . i . , , .. , • ,. , 1, , . . , ,..._ , SERVIÇO PUBLICO FEDERAL pRocEssoW/0845/062.885/80 RECURSO N.°: RP/303-0 . 396 ACÓRDÃO N.°: CSRF/03-0 . 558 RECORRENTE: — FAZENDA NACIONAL RECORRIDA-TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo - AGÊNCIA MARÍTIMA SINARIUS S/A RELATÓRIO O aresto recorrido - Acórdão n9 20.202 (f is. 29/32), proferido no julgamento do Recurso n998.277, pela Terceira Câma ra do Terceiro Conselho de Contribuintes, baseou-se no seguinte voto vencedor: "Rejeito a preliminar de nulidade com base em decisaes desta Câmara, por ser irrelevante a junta da dos documentos no que se refere à decisão. A recorrente discute, em resumo, a base de cál culo do credito tributário exigido, defendendo a t -e- se de aplicação dos valores vigentes à poca do f-a- to gerador dos tributos, os quais deixaram de sei: recolhidos em virtude da ocorrência da falta. O Decreto n9 63.431/68 claro em seu art. 29, que repete as disposiçaes contidas no Código Tribu tário Nacional (art. 143 e 144) e no Decreto-lei n-(:)- 37/66 (art. 23 parágrafo único e 24). A questão da apuração da falta ou o seu conhecimento pela auto- ridade aduaneira em nada confunde a existência do fato gerador da obrigação, pois que a sua apuração é feita diante dos documentos de importação por o- casião da descarga das mercadorias. A autoridade to ma conhecimento da falta através do manifesto do navio, folhas de descarga do trans portador e docu- mentos relativos a faltas e avarias emitidos pela entidade portuária competente. O transportador, responsabilizado pela ocorrer' cia, deve recolher, segundo o que dispoe a lei, os tributos que deixaram de ser recolhidos pelo i — D M F - RJ/1.° C - C - Secgr - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/062.885/80 2. Acórdão n9-CSRF/03-0.558 tador, não lhe cabendo pagar o tributo em valores superiores ao devido por ocasião do seu fato gera dor, em virtude de ter a autoridade deixado de pra ceder à conclusão ou termino da apuração iniciada por ocasião da descarga, quando jã conhecia os fa tos e a parte responsável pelas faltas ocorridas: O parágrafo único do art. 60, do Decreto-lei n9 37/66, e claro a este respeito quando determina a apuração das faltas segundo dispOe o regulamento (Decreto n9 63.431/68) e a indenização à Fazenda Nacional do valor dos tributos que deixaram de ser recolhidos. Dentro do mesmo entendimento deve estar o va- lor da multa aplicada pelo acréscimo de mercado- . rias. A posição que sustentamos ' e no sentido de que o fato gerador, ora em discussão, ocorre no momen to do despacho aduaneiro. A tese da defendent-e- traz em seu socorro o Ato DeclaratOrio n9 0800/ 125/75, que reforçou este nosso entendimento quan do constitui o sistema de controle sobre manifes- tos, tornando obrigatória a apresentação da DCI pró-forma, por ocasião do desembaraço aduaneiro, quando fossem constatadas faltas de mercadoria. A conferência final de manifesto passou, apartir da implantação do novo sistema, a tomar por base o documento do despacho aduaneiro para o estabeleci mento dos valores apurados. Assim, nos termos do Ato Declaratório n9 0800/ 125, de 06/06/75, do SRRF da sa Região Fiscal, não pode esta Câmara desconhecer que a ocorrência do fato gerador se deu na ocasião' do desembaraço a- duaneiro, quando a fiscalização tomou conhecimen- to das faltas e acréscimos ocorridos. Dou provimento ao recurso." O minucioso recurso do ilustre Procurador da Fa- zenda Nacional junto àquela Câmara (f is. 34/52) que leio na inte gra, pode, entretanto, ser resumido nas seguintes linhas mestras: 1) quanto à data de referência para exigência de tributos e res- pectiva base de cálculo, no caso de falta de mercadorias verifi- cada em conferência final de manifesto, e a da representação a que se refere o art. 25, § 19 do Decreto n9 63.431/68, que deve prevalecer, conforme já copiosa jurisprudência desta Câmara Supe ror, embora o ilustre recorrente manifeste sua preferência pes- soal pelo declarado na Orientação Normativa Interna n9 15, da Coordenação do Sistema de Tributação, fixando o marco temporal pa na aqueles efeitos na data em que o responsável for intimado a / 5 • \4 : , . . 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL 'Processo n9 0845/062.885/80 AcOrdão n9-CSRF/03-0.558 recolher o que for devido; 2) a Segunda Câmara do Terceiro Conse- lho de Contribuintes, ao julgar recursos abrangendo a mataria de . conferência final de manifesto, de sua competência originária,con_ sagrou o entendimento de que a alegação baseada em dispositivo do Ato Declaratório n9 800/125/75 (item 6.2) da Superintendência da 82' Região Fiscal não pode ser acolhida, por achar-se o mesmo der- rogado pelo item IV do Parecer Normativo n9 56/77 da Coordenação do Sistema .de Tributação, o qual se sobrepõe ao referido ato decla- ratório, de caráter administrativo limitado à DRF em Santos, en- quanto o último tem força interpretativa da legislação tributária, constituindo-se em norma complementar dela (art. 100 do Código Tri_ butário Nacional); 3) a antiga Instância Especial decidiu reitera_ damente que no caso de mercadorias estrangeiras faltantes na des carga respectiva, os tributos incidentes sejam calculados segun- do os indices vigorantes na data da conferência final do manifes to; 4) ademais, no caso em espacie, não consta que a importadora tenha tomado as providências firmadas no Ato DeclaratOrio 0850/125/ 75, nem de outra forma comunicado o fato à repartição, o que pode ria ter feito, na oportunidade, a transportadora, com base em seus registros de descarga; ' a falta foi somente conhecida, como nos de_ mais casos, no curso rotineiro da conferência final do manifesto, ' quando então procedeu-se a sua apuração. . • O ilustre Procurador faz, ainda, considerações so- bre o valor da penalidade do inciso VI do art. 59 do Decreto-lei n9 751/69 a ser exigido, entendendo deva ser o atualizadopelaPor_ tarja MF n9 39/79. . O douto procurador do Contencioso Administrativo o_ pinou pelo provimento do recurso especi-11, invocando os preceden tes reiterados desta Câmara Superior- -,- - 6/17 É o relatório. , - - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL 'Processo n9 0845/062.885/80 4. Acórdão n9 CSRF/03-0.558 VOTO Conselheiro PAULO DE ALMEIDA, Relator: O assunto do recurso especial já é tranqüilo nesta Câmara Superior, a partir do Acórdão n9 CSRF/03-0.003, como bem observou o douto Procurador do Contencioso Administrativo, no sen- tido de que a data de referência para a conversão da moeda estran- geira e cálculo dos tributos devidos, no caso de falta de mercado- rias manifestadas, e a da conferência final do manifesto - procedi mento administrativo previsto na legislação aduaneira especifica- mente para a apuração de faltas ou acréscimos de volumes constan- tes dos conhecimentos arrolados naquele documento, executado deli- berada e sistematicamente pelas repartiçOes interessadas, mediante rotinas adequadas. Inadmissivel, portanto, a pretensão de que a autori dade aduaneira toma conhecimento daquelas ocorrências pelo simples fato de que são anotadas na descarga do navio. Tais anotaç6es se- rão naturalmente levados em consideração, mas no momento oportuno, dentro das rotinas de serviços da repartição, guando os papéis dos navios são propositalmente examinados para os diversos controles fiscais necessários. A não ser, e claro, que, por qualquer outra forma,in clusive comunicação expressa do responsável, seja efetivamente le- vada ao conhecimento da autoridade competente a irregularidade cons tatada-o que, porem, não ocorreu no caso do processo, como salien- tado pelo ilustre Procurador recorrente, ao discutir asignifícação do Ato Declaratório n9 0800/125/75 da bRF em Santos. Quanto à penalidade do inciso VI do art. 59 do Decre to-lei n9 751/69, entendo que o valor a ser exigido é o atualizado pelo referido ato ministerial, por não se tratar de agravação mas de simples correção monetária de seu valor originário, o qual não implica pl majoração efetiva mas em nova tradução monetária do mes mo. f\ ,61f). \\, • Dou, assim,provimento ao recurso especial PKUL E EIDA - RÉ-LATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10680.011980/2006-11
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
À falta de indícios veementes de que a documentação apresentada pela contribuinte se configuraria inidônea, restabelece-se a dedução das despesas médicas consignadas na declaração de rendimentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-002.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do(a) redator(a) designado(a). Vencido o(s) Conselheiro(s) Dayse Fernandes Leite (relator). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jaci de Assis Júnior.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior Redator designado
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Durte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. À falta de indícios veementes de que a documentação apresentada pela contribuinte se configuraria inidônea, restabelece-se a dedução das despesas médicas consignadas na declaração de rendimentos. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do(a) redator(a) designado(a). Vencido o(s) Conselheiro(s) Dayse Fernandes Leite (relator). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jaci de Assis Júnior. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Redator designado Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Durte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
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COMPROVAÇÃO. À falta de indícios veementes de que a documentação apresentada pela contribuinte se configuraria inidônea, restabelecese a dedução das despesas médicas consignadas na declaração de rendimentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do(a) redator(a) designado(a). Vencido o(s) Conselheiro(s) Dayse Fernandes Leite (relator). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jaci de Assis Júnior. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior – Redator designado Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Durte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 19 80 /2 00 6- 11 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado d igitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra do lançamento por meio do qual exigese do recorrente, IRPF suplementar relativo ao ano calendário, 2002, em virtude glosa de dedução da base tributável para: deduções de despesas médicas (R$ 5.280,00). A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0223.472, de 25 de agosto de 2011, que se encontra às fls. 69/71, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IM POSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I RPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS Somente são dedutíveis os pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. e seja comprovada a efetiva prestação dos serviços médicos e a vinculação do pagamento ao serviço prestado, através de documentos que preenchem todos os requisitos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência de tal julgado se deu por via postal em 20/11/2009, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 74). 1. À vista da decisão, foi protocolizado, em 15/08/2011, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 135/148, no qual o pólo passivo, com vistas a obter a reforma do julgado, argumenta 1) Quanto a comprovação das falhas apontadas nos recibos apresentados, anexa copia da declaração da profissional prestadora de serviço, juntamente com os recibos originais que comprovam o efetivo pagamento das despesas glosadas. 2) Quanto a comprovação da efetividade do pagamento, não apresentou a copias dos cheques nominais e /ou extratos bancários com compatibilidade de datas e valores, pois em hipótese alguma a legislação o obriga a efetuar pagamentos de despesas proveniente de tratamento de saúde através de cheques, mesmo porque é esdrúxulo exigir que uma pessoa que esta com a saúde debilitada e precisando de assistência profissional e muitas vezes no momento da efetivação desta assistência por parte do profissional da área de saúde, esteja sentindo dores ou incômodos físicos e até mesmo psiquiátricos esteja obrigada a emitir cheques e ainda nomeialos. Não é o caso da impugnante pois os serviços médicos foram prestados ao seu filho dependente, mas vale o argumento e alegação apresentado, de forma geral sobre a atitude dos agentes do fisco exigirem o que a Lei não prescreve nem exige. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Fl. 105DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado d igitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.011980/200611 Acórdão n.º 2802002.227 S2TE02 Fl. 597 3 O recurso é tempestivo. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. O litígio em torno: R$ 5.280,00 referente à dedução a titulo de despesas médicas objeto dos recibos emitidos pelos seguintes profissionais, Roberta Reis Teixeira Registro que não consta dos autos que a autoridade lançadora tenha fundamentado a razão de ter considerado não comprovado o pagamento das despesas médicas, entretanto menciona a declaração de fls. 14 a 17, emitida pela profissional Roberta Reis Teixeira, afirmando não ter prestado serviços médicos ao contribuinte. Ressalto que, para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou Fl. 106DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado d igitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Entretanto, no que se refere à comprovação do efetivo pagamento, exponho meu posicionamento sobre o tema. A princípio, considero que os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas. Entretanto, também entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, principalmente quando: 1) as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; 2) o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos; 3) houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; Assim, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimálo a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço, na esteira do comando legal do §3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 1943. Destarte, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Neste caso concreto, cotejando a imputação constante do auto de infração, a impugnação, a peça recursal e os documentos trazidos aos autos, especificamente os recibos de fls. 10/13, verificase que foram emitido em desacordo com o Art. 8º, III da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995,ou seja, falta de endereço do prestador do serviço. Ademais, ao contrário do que alega a recorrente, às fls. 14 está uma declaração emitida por Sra. Roberta Reis Teixeira, não reconhecendo quaisquer serviços profissionais (próprios de psicóloga), por ela prestados a Sra. Leonor Ferron Campos. Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Voto Vencedor Conselheiro Jaci de Assis Junior, Redator designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto da ilustre Relatora, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa. A DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração registra que, fls. 04 (fls. 06 digital): Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado d igitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.011980/200611 Acórdão n.º 2802002.227 S2TE02 Fl. 598 5 001 DEDUÇÃO DA BASE DE CALCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Redução indevida da base de cálculo com despesas médicas, pleiteadas indevidamente. O contribuinte utilizou recibos médicos, tendo como beneficiário a Sra. Roberta Reis Teixeira no anocalendário de 2002 (R$5.280,00). O contribuinte foi intimado a apresentar os recibos originais dos serviços prestados pela profissional liberal, fls. 07 a 13. Entretanto, a profissional emitiu declaração, fls. 14 a 17, afirmando não ter prestado serviços médicos ao contribuinte. Assim sendo, procedemos à glosa dos valores informados na Declaração de Ajuste Anual do ano calendário de 2002 como supostos pagamentos efetuados a essa profissional. Em sua impugnação a contribuinte contrapõe tal declaração afirmando que, de acordo com os recibos apresentados no curso da fiscalização, fez uso dos serviços da Sra Roberta Reis Teixeira, uma vez que prestados ao seu filho, Fábio Ferron Campos, o qual é portador de distúrbio mental. Como prova da necessidade constante de assistência psicológica, junta também outros documentos que demonstram outros tratamentos por ele submetido. Examinando os onze recibos originais emitidos pela profissional Roberta Reis Teixeira, no valor individual de R$480,00, totalizando R$5.280,00, relativos ao tratamento psicoterápico do dependente Fábio Ferron Campos, a autoridade julgadora de primeira instância negou a validade formal dos mesmos ao argumento de que deles não constariam o endereço e o CPF da citada profissional. Depreendese, pois, que no julgamento de primeiro grau a questão que motivou a lavratura do auto de infração, anteriormente transcrita, ficou superada, em face dos recibos apresentados pela contribuinte. Por outro lado, tais recibos somente não foram acatados pela autoridade julgadora de primeira instância como comprovantes da dedução das despesas médicas, por faltarlhes o endereço e o CPF da profissional da área de saúde. Contudo, no caso concreto dos presentes autos, a não indicação desses dois requisitos formais não foi objeto de questionamento por parte da autoridade administrativa que constituiu lançamento, mormente os recibos a ela apresentados no curso do procedimento fiscal. Nesse sentido, conforme decisões proferidas reiteradas vezes por esta 2ª Turma Especial, não obstante seja louvável a preocupação do julgador de primeira instância, o devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defenderse unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração. Desta forma, não cabe ao julgador ocupar o papel da autoridade lançadora no sentido de comprovar a inidoneidade dos recibos não sendo lícito ao julgador ampliar a imputação fiscal e com isso aumentar as exigências comprobatórias ao contribuinte sem base legal. Em que pese esse esforço da autoridade julgadora de primeira instância em manter a exigência tributária, convém observar que concorre a favor da Recorrente o fato de sequer terem sido apontados nos autos indícios veementes de que a documentação apresentada pela contribuinte se configuraria inidônea. Nesse aspecto, ainda, convém observar que a indicação nos recibos apresentados pela contribuinte do endereço e do CPF do profissional da área de saúde objetivam propiciar dados que favoreçam a realização de eventuais diligências pela autoridade administrativa. Uma vez que dos autos constam notícia de que referida profissional foi intimada pelo Fisco a prestar esclarecimentos, no caso concreto, respectivos requisitos formais ficaram superados pela própria autoridade administrativa. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado d igitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Diante do exposto, a decisão do colegiado é por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado d igitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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P. 303-1.169 MA1'ÉRIA : MANIFESTO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : 3' CÂMARA DO 3° CC SESSÃO DE : 23 de outubro de 1995 SUJEITO PASSIVO: TRANSFORMADORES UNIÃO LTDA. ACÓRDÃO N°. : CSRF/03-2.321 Infração administrativa ao controle das importações. Emissão de Guia de Importação previamente ao Registro da DI, embora após o embarque da mercadoria no exterior e sua entrada em território Nacional. Documento válido para a importação. Não tipificada a infração prevista no inciso II do artigo 526 do Regulamento Aduaneiro. Recurso Especial a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. SON PEREIRA ROD Guz - PRESIDENTE ELIZABETH EMÍLIO MORAES CHIEREGA1'10 - RELATORA Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, FAUSTO DE FREIRAS E CASTRO NETO, UBALDO CAMPELO NETO, JOÃO HOLANDA COSTA e ROMEU BUENO DE CAMARGO. MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PROCESSO N°. : 10831/000.731/90.10 ACÓRDÃO N°. : C SRF/03 -2.321 RECUR.S O N°. : R.P. 303-1.169 RECORRENTE : FAZ~ NACIONAL SUJEITO PASSIVO : TRANSFORMADORES UNIÃO LTDA. RELATÓRIO Recorre a Fazenda Nacional da decisão proferida nos termos do Acórdão n° 303- 26.569, sessão de 110791, que desclassificou do inciso II para o inciso VI do art. 526 do RA, a multa aplicada sobre o importador, por considerar que, embora o embarque da mercadoria tenha ocorrido antes da emissão da Guia de Importação, a apresentação desta antes do desembaraço aduaneiro descaracteriza importação sem Guia. A recorrente esclarece que a fiscalização aduaneira tem reiteradamente aplicado a multa capitulada no inciso II do artigo 526 do Regulamento Aduaneiro nos casos de embarque de mercadoria antes da emissão da Guia de Importação, fazendo interpretação análoga ao direito penal, aplicando a regra do concurso formal, ou seja, pune-se apenas o delito mais grave. Salienta, ainda, que ao realizar importação sem guia, o contribuinte incorreu na infração do inciso II do artigo 526, embora, no processo de que se trata, ao apresentar a Guia antes do desembaraço, tenha também ficado sujeito à penalidade prevista no inciso VI do mesmo artigo. Destaca a recorrente, ademais, que embora apresentem o mesmo percentual, a multa do inciso VI tem a limitação do parágrafo 2', inc. II, do citado artigo 526, sendo, portanto, mais branda. 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Contudo, quando do registro da Declaração de Importação, data do fato gerador para efeito do cálculo do tributo em se tratando de mercadoria ingressada no país e despachada para consumo, este documento - GI - já tinha sido juntado ao despacho e exibido à fiscalização, mesmo obtido fora do prazo. Desta forma, é inquestionável a existência do mesmo. O art. 526, inc. II, do RA, tipifica a infração como "importar mercadoria do exterior sem Guia de Importação ou documento equivalente...". Desta forma, não há como se aplicar, na situação, a multa prevista no citado inciso. Saliente-se, ainda, que a própria importadora declarou que recolheria, através de DCI, a multa capitulada no inciso VI do mesmo artigo 526. Acolhendo integralmente as demais razões que embasam o Acárdâo n° 303-26.569, de 11.07 91, entendo que a V decisão da Egrégia 3° Câmara do Terceiro Conselheiro de Contribuintes deve ser mantida. 4 . MINISTÉRIO DA FAZENDA n' CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS _PISCAIS PROCESSO ND . 10831/000.731/90.10 ACÓRDÃO : CSPJ-703-2 321 Pelo exposto, voto pelo improvimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sess6es - DF, em 23 de outubro de 1995 ELIZABETH EMÍLIO MORAES CHIEREGAITO 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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MINISTÉRIO DA FAZENDA c.D.R Sessão de 26..de novembrO . de 19 9.0 ACORDAON° CSRF/01-01.048 Recurso n o RD/106-0.089 Recorrente ANTONIO PEREIRA NETO Recorrido SEXTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESTA ÇÃO DE SERVIÇOS - A emissão de recibo pela prestação de serviços, de forma isolada, visando a obtenção de emprés- timo bancário, embora constitua forte indício da ocorrência de omissão de rendimentos por parte cio seu emitente, não é suficiente para embasar a exigên cia fiscal a esse título, quando o au- tuante apresenta documentação revesti- da de elementos que infirmem o conteú- do do recibo. Recurso especial de divergência conhe- cido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ANTONIO PEREIRA NETO. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis cais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos ter- mos do relataria e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sesseis (DF), em 26 de novembro de 1990. URG _PÉREI • 4 - LOP - PRESIDENTE • - CARLOS WALBERTO , HAVES ;¡Aà' - RELATOR u è0 cc. C,teI J 7 CÉSAR GONVES CORREA - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei ros: JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, JOÃO BATISTA GRUGINSKI, WALDÉ VAN ALVES DE OLIVEIRA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, BENEDICTO ONOFRE É VANGELISTA, AQUILES RODRIGUES DE OLIVEIRA, LOURIERDES FIUZADOSSAFT TOS, MARIAM SEIF e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Ausente justificad-a- mente o Cons. LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. O') SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL. PROCESSO IV? 10840/002.011/86-76 RECURSO N9: RD/106-0.089_ ACÓRDÃO N9: CSRF/01-01 .048 RECORRENTE ANTONIO PEREIRA NETO RECORRIDA: SEXTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO _ _ Inconformado com a decisão de primeiro grau, que manteve o Auto de Infração lavrado em face da apuração de omissão de rendimentos classificáveis na cédula "D", relativos a prestação de serviços ao Sr. José Solino Masachs, recorreu o sujeito passivo para este Conselho, sustentando que, na realidade não houve o ingres so da quantia de Cr$ 30.000.000,00 mencionada no recibo por ele fir mado, pois o mesmo serviu, apenas, para possibilitar a liberação de empréstimo do citado Sr. José Salino, junto ao Banco Econômico S/A. A Egrégia Sexta Câmara, contra o voto do ilustre, Conselheiro Braz Januário Pinto, negou provimento ao apelo sob o fundamento de que a alegação, sem prova convincente, de que os ser- viços não foram prestados é inconcebivel, especialmente porque o re cibo correspondente fora utilizado para a obtenção de financiamento para os mesmos serviços. 01, O eminente Relator, Conselheiro Benedicto Onofre E vangelista, após tecer comentários sobre a documentação trazida pe- lo recorrente, consignou, verbis: DW-DU/12CC SERVIÇOPÚBLICOFEDERAL PROCESSO N9 10840/002.011/86-76 2. Acórdão n9-CSRF/01-01.048 "Inexiste, nos autos, prova eficaz é convidente con trária ã efetiva aquisição da disponibilidade eco- nômica ou jurídica dos rendimentos, cuja tributa- ção está sendo agora exigida. A Declaração de fls. 15 não pode ser considerada como válida, já que foi emitida, em 10/07/86, após o contribuinte ter tomado ciência da autuação, o que ocorreu em 19/06/86 (f is. 09) e sua apresenta- ção caracteriza, perfeitamente, que a providência correta não foi adotada oportunamente." Em razão de decisão judicial foi a matéria reapre- ciada pela Egrégia 6 Câmara como pedido reconsideração. O v. aresto, então relatado pelo ilustre Conselhei ro OsirisdeAzevedo Lopes Filho acha-se assim ementado: "IRPF - PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO - ACATAMENTO À DE CISÃO JUDICIAL - Impõe-se ã segunda instância ad= ministrativa tomar cónhecimento do pedido de recon sideração, cujo julgamento pelo órgão colegiadofOF determinado por sentença judicial. IRPF - IMPOSTO DE RENDA - RENDIMENTOS DACÊDULA "D" Tendo o fisco comprovado o recebimento derendimen- tos classificáveis na cédula "D", através recibo firmado pelo próprio contribuinte, com firma reco- nhecida, e que serviu de base a financimento obti- do pelo tomador do serviço, não é de ser admitir alegação de que tal operação não corresponde ã re- alidade. Reconsideração indeferida." O voto do eminente Relator está vazado nos seguin- tes termos: "A linha da defesa é. a de sustentar claramen- te a ocorrência de simulação, para elidir a prova do" constante do recibo de fls. 03, de que o reconside rante recebera a quantia de trinta milhões de cru= ' zeiros, no ano de 1983, por serviços por ele pres- tado. Assim, tal recibo teria sido utilizado pelo Sr. José Solino Masachs para obter financiamento, não para ele, mas uma terceira empresa. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10840/002.011/86-76 3. Acórdão n9-CSRF/01-01.048 As provas apresentadas efetivamente indicam que o Sr. Jose Solino Masachs transferiu recursos à empresa, e que esta amortizou o valor do finan- ciamento. ()que me parece incontestável é de que tais operações estão de fato sobejamente provadas. Todavia, elas não tem o condão de desfazer a prova da percepção dós rendimentos, firmada pelo próprio contribuinte. Em suma, o que o reconsiderante tentou reali zar foi demonstrar a impossibilidade do benefici -a-_ rio dos serviços de pagar por eles. Todavia, a prova foi insuficiente em tal as- pecto. Mostrou apenas que o financiamento benefi ciou a uma terceira empresa, evidenciando aind-ã- uma boa capacidade fincanceira do Sr. José Solino Masachs: paga ao prestador dos serviços e ainda tem recurso para emprestar a terceiro. Em face da hialina clareza da prova apresen- tada pelo Fisco, da percepção de rendimentos, pe- lo reconsiderante, classificáveis na cédula "D",, tomo conhecimento da reconsideração, por força da segurança concedida, para, no mérito, negar-lhe provimento." Inconformado, interpõe o sujeito passivo o oresen_ te recurso de divergência, trazendo acotejp,para demonstrar odis - sídio jurisprudencial, o Acórdão CSRF/01-0.796, do qual foi Re- lator o eminente Conselheiro Luiz Alberto Cava Maceira, e que se acha assim ementado: H IRIDJ - OMISSÃO DE RECEITA. A emissão de recibo por serviço de empreitada, de forma isolada, embora constitua indício de ocor- rência de omissão de receita, não é suficiente ã exigência fiscal a esse título, mormente, quando -."----"" o autuado apresenta documentação revestida de ele mentos que desconstituem a tributação face ã in- conveniente posição do Fisco." Para manter o julgado proferido pela Egrégia Pri- meira Câmara, relatado pelo ilustre Conselheiro José Eduardo Ran_ gel de AlckMin, consignou o voto que orientou a decisão desta Câmara, verbis: 4?' (''2' SERVIÇOPÚBLICOFEDERAL PROCESSO N9 10840/002.011/86-76 4. Acórdão n9-CSRF/01-01.048 "A semelhança do entendimento manifestado pe lo ilustre Conselheiro José Eduardo Rangel deAlc-1 min, Relator do Acórdão recorrido, entendo que -(5- Fisco não compilou elementos suficientes que pos- sibilitem firmar convicção da existência de omis são de receitas. A ação fiscal funda-se unicamente nos rédi- bos mencionados, que, isoladamente, não dispensam outros elementos para caracterização dó fato gera- dor, como, por exemplo: 1) prova de que as quan tias constantes dos mesmos foram efetivamente re- cebidas; 2) prova de realização dos serviços per- tinentes no período fiscal fiscalizado; 3) a de- claração contida nos recibos se mostra não consen tãnea dom a realidade dos fatos trazidos ã cola- ção. Por outro lado, a Recorrida apresentou prova negativa de que nenhum dos serviços em questão foi realizado no aludido período, fato este, que a fis calização poderia ter diligenciado no sentido d.e- apurar Se teria havido falsidade ou não em suas afirmações. A versão apresentada pelo contribuin- te de que os recibos foram utilizados para obten- ção de financiamentos conforme contratos acosta- dos aos autos, referendados pelos registros contã beis levados a efeito pelos tomadores dos recur- sos e pela alegada inexistência de repasse ã in- teressada, não foi contestada pelo Fisco, que, tam bém, poderia ter investigado na escrituração mer- cantil das partes envolvidas na aventada presta- ção de serviços, visando infirmar a prova documen tal assentada nos registros contábeis específico -s- constantes destes autos." Concluindo, consignou a mencionada peça que ora é apontada como paradigma para a solução do presente litígio: "Finalizando, salientamos de nossa apreciação dos • elementos contidos nos autos, não perceber "viola ção do princípio que a alegação da própria torpe- za não deve beneficiar o infrator", pois, aflora pertinência entre fatos relatados e a documenta- ção originária dos mencionados eventos, ao final, juntados por cópias devidamente autenticadas. Diante do exposto, considerando não ter sido lo- - grado a configuração de omissão dé receitas, voto negando provimento ao recurso." e-2 SERVIÇONBLICOFEDERAL PROCESSO N9 10840/002.011/86-76 5. Acórdão n9-CSRF/01-01.048 No corpo do apelo sustenta o inconformado a ilegiti midáde da exigência fiscal, tendo em vista que ficara provadoque não houve disponibilidade por parte do interessado, do valor men- cionado no recibo de prestação de mão-de-obra. Consoante o recorrente, embora reflita o recibo uma declaração de algUem no sentido de que recebeu uma determinadaquan_ tia, deve-se considerar que os fatos, na hipótese, demonstram o contrário. A certeza de que essa declaração não corresponde ã rea_ lidade - assevera o irresignado - ficou sobejamente comprovado, pois o recibo foi utilizado para a obtenção de empréstimo em fa- vor do Sr. Jose Solino Masachs junto ao Banco Económico e, imedia_ tamente, transferida a importância para a conta da emuresa Serra- na Papel e Celulose Ltda, da qual e sócio a mencionada pessoa. O despacho presidencial de fls.-161/4 admitiu o ape lo ao reconhecer a existência de divergência, assim concluindo: "Nessa conformidade, admito o recurso especial fun- dado em divergência de interpretação da legislação tributária, já que os valores constantes dos reci- bos foram considerados no presente caso, como efeti vamente auferidos e desconsiderados no caso dos A- córdãos parâmetros, inobstante ter sido apresentada, . / 7 pelos recorrente, a mesma argumentação de que os ser ,/ // viços não foram efetivamente prestados não tendo ol , corrido, em conseqüência, a aquisição da disponibi- lidade jurídica ou económica das quantias estipula- das a título de pagamento." Em suas contra- razões manifestou-se adouta Procura_ dona da Fazenda Nacional pelo não conhecimento do recurso, ale- gando que a hipótese dos autos não envolve divergência de inter- pretação da legislação tributária, mas apenas valoração da prova, o que vale dizer, matéria de prova. No caso de vir o apelo a ser conhecido, pleiteia a Fazenda Nacional o seu não provimento, sus- tentando que ã espécie aplica-,se o princípio geral de hermenêuti- ca, segundo o qual a ninguém é lícito alegar a própria torpeza, //A- SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10840/002.011/86-76 6. Acórdão n9-CSRF/01-01.048 aduzindo que afronta à lógica jurídica atribuir a existência a um fato - para determinado fim - e negar a existência desse mes- mo fato - para outro fim. É o relatório. /7"") SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10840/002.011/86-76 7. Acórdão n9-CSRF/01-01.048 VOTO_ Conselheiro CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS, relator. Como, de resto, já assinalou o r. despacho que ad- mitiu o presente apelo, reconheço, neste passo, a existência de divergência jurisprudencial entre o julgado recorrido e aquele prolatado por esta Câmara Superior em 28.04.88 e apontado comoparadima. Conheço, portanto, do recurso especial, cujasTazões acham-se a fls. 148/154. No mérito, entendo que o v. aresto ora atacado deve ser reformado. Na hipótese ficou sobejamente comprovado que o va- lor correspondente ao empréstimo obtido pelo Sr. José Solino Ma- sachs foi transferido para a conta corrente da Serrana Papel e Ce lulose Ltda, em 07 de janeiro de 1983, ou, seja, no dia seguinte àquele em que foi creditado na conta corrente pessoal do Sr. Jo- sé Solino, sócio da referida pessoa jurídica. Esta operação acha -se comprovada a fls. 17 e 18 dos autos. No contrato firmado pelo Sr. José Solina Masachscam o Banco Económico, eram avalistas as empresas Serrana Papel eCe- lulose Ltda e Fimo do Brasil Ltda, dos quais detinha a menciona- da pessoa considerável parcela do capital. social. r Por outro lado, os docuMentos de fls. 19, 75, 76,77, 80, 81, 82, 83, 84, 85 e 86 fazem prova de que o empréstimo foi saldado pela Serrana Papel e Celulose Ltda. A contabilidade des- sa empresa registra a entrada o valor líquido coincidente com aquele obtido pelo Sr. José Solina Masachs e o pagamento das par celas correspondentes ao Banco Económico S.A. 717 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10840/002.011/86-76 8. Acórdão n9-CSRF/01-01.048 Os elementos constantes dos autos indicam que, na realidade, o recibo firmado pelo ora recorrente, referente ãpres tação de mão-de-obra ao Sr. José Solina Masachs, não obstante te nha produzido efeito jurídico no que concerne â operação bandá- ria, não chega a se constituir em prova consistente da ocorrên- cia do aspecto material do fato gerador do imposto de renda, ou seja, a disponibilidade jurídica ou económica de renda ou proven tos de qualquer natureza. Não concordo, data venia, com a tese, segundo a qual, o recibo firmado pelo recorrente representa uma prova pró- -constituída que não admite a contra-prova. Entendo que é ele um elemento importante e capaz de levar a convicção do aplicador da norma no sentido de que houve a disponibilidade a que alude o art. 43 do Código Tributário Na- cional. Todavia, parece-me indubitável que possa ser oposto ao seu conteúdo prova que o destrua. O relevante, para que se concretize o fato tributá- vel é a aquisição da disponibilidade e não as formalidades que integram os meios de prova. Essa prova, a meu ver, não é absoluta, e isso fica evidenciado nos autos, pois todo o conjunto de documentos a ele acostados contraria a versão descrita no recibo. Se conluio ou artifício houve para a obtenção do empréstimo, tais irregularida des devém ser examinadas e se for o caso, até objeto de punição por parte das autoridades responsáveis pela fiscalização bancá ria, jamais servir como suporte fático para aplicação da lei que descreve a hipótese de incidência tributária. Filio-me, assim, ã tese adotada por esta Câmara e veiculada pelo Acórdão CSRF/01-0.796, do qual foi Relator o emi- nente Conselheiro Luiz Alberto Cava Maceira e aprovado Dor unani midade. SERVIÇOPUBLICOFEDERAL PROCESSO n9 10840/002.011/86-76 9. Acórdão n9-CSRF/01-01.048 Diante dessas considerações, conheço do recurso es- pecial de divergência e lhe dou provimento. Brasília - D.F., em 26 de novembro de 1990. 4 1) CARLOS WALBERTO CHAVEg-ROSAS - RELATOR kik Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.002599/2006-48
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula CARF nº 06).
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN).
Por força do art. 62-A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Preliminares rejeitadas
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-002.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 10 de maio de 2013.
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula CARF nº 06). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62-A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminares rejeitadas Recurso negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 10 de maio de 2013. Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado).
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LOCAL DA LAVRATURA. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula CARF nº 06). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 99 /2 00 6- 48 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminares rejeitadas Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 10 de maio de 2013. Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Relatório ARMANDO MELLÃO NETO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSÃO PAULO/SP II (fls. 376) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 336/348, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2001, 2002 e 2003, no valor de R$ 1.867.872,95, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 4.600.732,80. As infrações que ensejaram o lançamento foram: 1) Omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica; 2) Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI; Fl. 428DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002599/200648 Acórdão n.º 2201002.084 S2C2T1 Fl. 3 3 3) Omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários sem coprovação de origem. Os fundamentos da autuação estão detalhadamente descritos no auto de infração e termo de verificação a ele anexo. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que a lavratura do Auto de Infração fora do domicílio do fiscalizado, tornase sem eficácia, sem validade jurídicoadministrativa, por desobediência ao Decreto nº 70.235, de 1972; que o Auditor Fiscal limitouse a lavrar o Termo de Início de Fiscalização por via postal e a lavrar Termo de Embaraço à Fiscalização por Edital, sem ter investigado o domicílio fiscal atualizado do Contribuinte; que somente tomou Conhecimento da fiscalização em 29/09/2006, quando recebeu o Termo de Intimação no seu endereço residencial, por via postal, para comprovar a origem e a tributação dos recursos creditados em 2001 e 2002 nas suas contas bancárias; que não atendeu ao que foi solicitado por motivo de força maior, pois a documentação solicitada estava retida pela Justiça Federal de São Paulo; que solicitou prorrogação de prazo por mais 20 dias, mas decorrido o prazo concedido, não foi possível atender a intimação, tendo em vista que o Juízo da 4ª Vara Criminal de São Paulo não liberou a documentação solicitada; que, surpreendentemente, o Sr. Auditor Fiscal lavrou o Auto de Infração, não proporcionando a mínima chance para que o Impugnante justificasse os depósitos bancários, desconsiderando que os documentos que proporcionariam as provas necessárias estão retidos pela 4ª Vara da Justiça Federal; que o auto de infração é nulo, por sua impropriedade, constatandose que durante o procedimento fiscal o Sr. Auditor Fiscal ignorou a Súmula n.° 182, do Tribunal Federal de Recursos, constituiu o crédito tributário baseado em mera presunção, cerceando o direito de defesa, cometendo excesso de exação, não demonstrando a existência de nexo causal entre os depósitos e a renda; que, apoiado no artigo 17 do Decreto n.° 70.235/72, solicita a a realização de diligências necessárias para que tenha a comprovação pretendida, em resguardo ao direito de ampla defesa; que, quanto ao mérito, o Auditor lavrou o Auto de Infração ao arrepio da Lei, fundado exclusivamente em suposições, presumindo que depósitos bancários representam omissões de receita; que o Fiscal poderia ter colocado à disposição do impugnante a documentação que tinha em seu poder, após o quê estabeleceria o marco inicial para proceder as diligências e investigações que reuniria os documentos necessários para a formação da convicção sobre os fatos; que a garantia do exercício do sagrado direito de defesa está na Constituição; que os levantamentos fiscais efetuados pelo fisco, que proporcionaram o lançamento de ofício, não guardam conformidade com o art. 142, do Código Tributário Nacional; que não há como prosperar a pretensão do fisco, seja pela inexistência de justa causa para o lançamento de ofício, seja pela impropriedade do ato formal, eivado de equívocos, cujos dispositivos impossibilitam o entendimento contidos nos autos; que houve vício formal na formação do ato administrativo por preterição do direito de defesa, tanto pela falta de concessão do prazo necessário para que o impugnado obtivesse a liberação dos documentos retidos pela Justiça Federal, como pela não disponibilização dos documentos em poder do Fisco. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJSÃO PAULO/SP II rejeitou a argüição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa e por excesso de exação. Observa que não ocorreram nenhuma das hipóteses referidas no Decreto nº 70.235, de 1972 passíveis de ensejarem o cerceamento do direito de defesa; que o lançamento foi levado a efeito por Fl. 429DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 autoridade competente e concedido ao contribuinte o mais amplo direito à defesa e ao contraditório, pela oportunidade de apresentar, tanto da fase de instrução do processo e em resposta às intimações que recebeu, quanto na fase de impugnação, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar ilidir as infrações apuradas pela fiscalização. Sobre a alegação de nulidade pelo fato de o auto de infração ter sido lavrado fora do domicílio fiscal do contribuinte, a DRJ também rejeitou a alegação. Sobre a alegação de cerceamento de direito de defesa pela falta de disponibilização de documentos na fase da fiscalização, a DRJ registra que, no processo administrativo o direito ao contraditório somente se inicia com a fase contenciosa do procedimento, após a ciência da autuação. Também observou a DRJ que nenhum dos documentos acostados aos autos é desconhecido do Contribuinte. Sobre o lançamento com base em depósitos bancários, a DRJ considerou regular o procedimento, ressaltando que o mesmo tem previsão legal expressa no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Finalmente,l a DRJ indeferiu o pedido de diligência por entender que o mesmo tem por objetivo a produção de prova que seria de sua responsabilidade, e ressaltou que, segundo o Decreto nº 70.235, de 1972, a diligencia deve ser determinada pela autoridade administrativa quando entender necessário o procedimento, devendo indeferir os pedidos de diligência quando entender desnecessário ou impraticável sua realização. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 28/04/2009 (fls. 398) e, em 27/05/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 401/425, que ora se examina, e no qual reiterou, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação, exceto quanto ao pedido de diligência, que não renova. Acrescenta argüição de decadência. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação. Inicialmente, sobre a preliminar de sobrestamento do recurso argüida pelo Conselheiro Guilherme Barrando de Souza, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, entendo que não se aplica ao caso a regra do art. 62A do RICARF. É que inexiste decisão definitiva sobre a matéria, submetida ao regime do artigo 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Isto, posto, passo a examinar as alegações da defesa. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002599/200648 Acórdão n.º 2201002.084 S2C2T1 Fl. 4 5 Sobre a referência feita pelo Recorrente à lavratura do auto de infração fora do domicílio fiscal do contribuinte, o fato não constitui irregularidade, conforme entendimento consagrado neste Conselheiro e consolidado na Súmula CARF nº 06 que tem o seguinte enunciado. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Não há, portanto, vício no procedimento fiscal e na autuação dele decorrente quanto a este aspecto. Sobre o alegado cerceamento de direito de defesa, o Contribuinte questiona vários pontos, dentre eles o fato de a autuação ter sido processada sem que lhe tenha sido concedido prazo adicional para apresentar os elementos comprobatórios, de não lhe ter sido disponibilizado documentos colididos durante a ação fiscal. Pois bem, como se vê, o Contribuinte aponta fatos verificados durante a ação fiscal. Ocorre que não se cogita de exercício do amplo direito de defesa na fase inquisitorial dom procedimento. Tratase de fase meramente investigativa, na qual a autoridade administrativa busca apurar os fatos para, ao final, definirse pela formalização ou não de exigência tributária. Somente com a autuação, quando o Contribuinte toma conhecimento das imputação, é que se abre a possibilidade do contraditório. E, neste caso, após a autuação, o Contribuinte teve amplo acesso ao processo e aos elementos que embasaram a exigência, podendo exercer, com desenvoltura, o direito de defenderse. Não vislumbro, portanto, o vício apontado. O Contribuinte também aponta o que chama de “excesso de exação”, o que não se sustenta, pois a autoridade fiscal nada mais fez do que lavrar um auto de infração com base nos elementos coligidos durante a ação fiscal, garantindo ao autuado, como se viu, a possibilidade de defenderse dessa mesma autuação. Também não vislumbro outro vício qualquer no procedimento fiscal ou na autuação dele decorrente que pudesse implicar na nulidade do auto de infração. Rejeito, portanto, as preliminares de nulidade. O Contribuinte também argúi a decadência, o que passo a apreciar. Registrese, inicialmente, que, tratandose de lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, o fato gerador ocorre no dia 31 de cada ano calendário, conforme entendimento consolidado na súmula CARF nº 38, que tem o seguinte enunciado: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Os fatos geradores referentes ao imposto apurado para os anos de 2001 e 2002 ocorrem, neste caso, respectivamente, em 31/12/2001 e 31/12/2002. Disto isto, passase à análise da decadência. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Esta questão também já está pacificada no âmbito deste Conselho que, por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, deve aderir á tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 432DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002599/200648 Acórdão n.º 2201002.084 S2C2T1 Fl. 5 7 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que houve pagamento antecipado, ainda que parcial, o termo inicial será contado do fato gerador, na forma do § 4º do art. 150 do CTN, a saber: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se co0mprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. E na hipótese de não haver antecipação do pagamento o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173 do CTN: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No caso dos autos, o Contribuinte antecipou pagamento de imposto em ambos os exercícios autuados. Portanto, em ambos os casos, o prazo decadencial constase da data do fato gerador. Assim procedendo, relativamente ao anocalendário de 2001, o lançamento poderia ser efetuado até 31/12/2006 e, relativamente, ao anocalendário de 2002, até 31/12/2007. E, conforme Aviso de Recebimento – AR às fls. 350, a ciência do auto de infração ocorreu em 28/11/2006, antes, portanto, do término do prazo decadencial. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Rejeito, assim, também a preliminar de decadência. Quanto ao mérito, o Contribuinte questiona a validade jurídica do lançamento com base em depósitos bancários. Pois bem, cuidase, na espécie, de lançamento com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei nº 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Fl. 434DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002599/200648 Acórdão n.º 2201002.084 S2C2T1 Fl. 6 9 Como assinala Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª Ed. – São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptionies júris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (júris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidas senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Assim, o lançamento que ora se examina baseouse em presunção juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. É perfeitamente regular a autuação, portanto, quanto a este aspecto. Não se trata de equiparar depósitos a renda, mas de se presumir esta a partir daqueles. Para ilidir esta presunção bastaria ao Contribuinte declinar as reais origens dos depósitos, apresentando elementos que permitam ao Fisco apurar eventuais incidências tributárias. Mas, no caso, embora afirmando, genericamente, que os recursos movimentados em sua conta procedem da atividade de pessoa jurídica da qual é sócio, o Contribuinte não apresenta um único elemento que vincule, efetivamente, os depósitos a tais origens; não apresenta nenhum documento que permita ao Fisco confirmar a alegada origem dos depósitos e, com a confirmação, se fosse o caso, apurar eventual base de cálculo do tributo. Não, o contribuinte limitase, vale repetir, a afirmar genericamente uma possível origem para os depósitos. E notese que o lançamento referese a depósitos feitos nos anos de 2001 e 2002, sendo que o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 já está em vigor deste 1996. Portanto, o Contribuinte não poderias sequer alegar surpresa com a intimação para comprovar as origens dos depósitos. Sobre a súmula TFR nº 182, invocada pelo Recorrente, a mesma não se aplica ao caso, pois reportase a uma realidade normativa totalmente diversa, anterior à edição do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que instituiu a presunção legal de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários sem comprovação de origem. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Sem a comprovação das origens dos depósitos, paira incólume a presunção de omissão de rendimentos. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de sobrestamento, arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza, rejeitar as preliminares arguidas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 436DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 00008.450532/12-80
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ACORDÃON°-... .... ... .... • CSRF/03-0 292 Recurson° RP/303-0.120 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido TERCEIRA CÂMARA DO 39 CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: - S.A. MARTINELLI AGÊNCIA MARÍTIMA FALTA OU EXTRAVIO DE MERCADORIA IMPORTADA: parágrafo único do art. 19 do Decreto-lei n9 37/66. Na hipôtese de ser conhecida e apurada a falta em ato de "conferencia Li nal de manifesto" (Decreto n9 63.431, de 16.10.68, art. 25) toma-se como referen cia para cãlculo dos tributos devidos (wE versão da moeda estrangeira e aplicação ' das aliquotas tarifãrias) a data da aludi da conferencia. Atualização do valor pec-ii niãrio das penalidades fis-ais (arts. 10-5- / do C.T.N., 110 do Decreto-lei n9 37/66 e 99 da Lei n9 4.357/64) não constitui agra• vamento penal, devendo-se aplicar o valor vigente à época do lançamento. Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discu gos os presentes autos de recurso inteiposto pela FAZENDA NACIONAL:0 --, grçACORDAM os Membros da CrIã r ra Superior de Recursos Fis t cais, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial. Venci dos os Cons. Randolfo Henrique de/f euza Neto, Enila Leite de Freitas / Chagas e Wilfrido Augusto Marquei/ Sala das S-ss8e 01,(D^), em 22 de maio de 1981 ', ,/ e P' 'ff /„. AMADÕIVeu ' •''. - 1 F-E- 1is.157.T.w, _ - PRESIDENTE- 7 _ , , y- 44/ / -------- -- - - - - , PAULO DE Z.-.3_,1 - RELATO'. i r /g:di 1? „ ) ADHEMILSON 1:Ai 'TOS D /CA*VALHO - PROCURADOR DA FAZEN !D NACIONA-, ___. v.v. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhet ros: HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, EDWALDO REIS DA SILVA e SEBASTIÃO, RODRIGUES CABRAL. • • • 40,5 -~ ;~r--,. ~ ' SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0845/053.212/80, ,, - RECURSO Ni.°: - RP/303-0.120 -- ACÓRDÃO N.0 , - CSRF/03-0.292 , RECORRENTE: - FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: - S.A. MARTINELLI AGÊNCIA MARÍTIMA - _ .--• , RELATÓRIO -- " O aresto recorrido AcOrdão n9 19.960 proferido pe- la Terceira Câmara do Terceiro Conselho de COntribuintes, no julga- mento do Recurso n9 97.109 (fls. 28/32), baseou-se no seguinte voto - vencedor (f is 30/32): 'Discute-se neste processo a data da ocorrência do fato gerador e, conseqüentemente, a base de cal- culo do credito tributário. Pleiteia a recorrente que aquela seja a da importação e esta o d6lar fia- cal e allquotas . vigentes nessa época; enquanto a de- cisão recorrida defende a aplicação dos valores da data do lançamento, confoime consignados no auto de infração e notificação fiscal,. . ---. Trata-se de matéria controvertida na área admi- nistratiVa onde nem mesmo o Terceiro Conselho de - Contribuintes logrou entendimento unanime, manifes- tando-se, além das citadas, uma terceira posição: os valores corretos seriam os da data da conferência fi • nal de manifesto, entendida como tal representação fiscal em que o responsável é convidado a explicar i as faltas e acréscimos apurados. . Prende-se a questão a interpretação do art. 23 e parágrafo do Decreto-lei n9 37/66, ao determinar que, na hip6teSe do parágrafo único do art. 19 do mesmo diploma legal, a mercadoria ficará sujeita aos - tributos vigorantes na data em que a autoridade „a- duaneira apurar a falta ou dela tiver Conhecimento/'- f\ -i aro ,, '; (-__ --D M F - RJ/1° C-C - -Secgraf - 1600/ 15., SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0845/053.212/80 3. Acórdão n9 -CSRF/03-0. 292 Entende a autoridade singular, a partir do dis- positivo citado e atos, interpretativos, que o fato gerador do tributo ocorre quando se constitui o cre- dito tributário, isto e, na intimação do sujeito paà _ sivo prevista no art. 26 do Decreto n9 63.431/68. 'Entende a recorrente que por ocasião da des- carga, as autoridades aduaneiras tomam conhecimento da falta, pois estão de posse do manifesto do navio e seu rol de documentos, das folhas de descarga da transportadora, das comunicaçOes de avarias e faltas enviadas pela concerssionária da guarda e armazena- mento das mercadoria, elementos de registro e in- formativos que as tornam aptas a realizar o exame de apuração de faltas e acresciMos. O desfecho do processo pretende conduzir à con- vicção de que ,a autoridade aduaneira só tomou conhe- cimento da falta em 21/01/80,fls. 03, quando se niciou a conferência final do manifesto da carga do navio Arcistelland, entrado em 10/03/76 e que a relação de fls. 04 da Cia. Docas de Santos não prova que a - . ciência pá.a repartição aduaneira do fato punível te nha ocórrido anteriormente a qual embora datada de H 29 de març- o de 1976, : tenha servido de ponto de par- tida para a apúraçao de que trata a representação de ! Lis. cujos dados foram all transcritos literal- mente. Como o fato gerador do direito aduaneiro ocorre no registro da declaração de importação na reparti- ção competente e dado que faltas e acr6scimos de vo- lumes até pouco tempo não passavam por esse crivo quando da proposição do desembaraço das partidas re- manescentes, seria de sé considerar exigível do transportador responsável e obrigação tributária a partir do 459 dia do final da descarga, observada a • reserva do Decreto-lei n9 1.455/76, art. 17 § 29, o sistema dá relaçaes das Docas .ou outro da fiscali-.= zação revestisse o caráter de conhecimento legal pe- la autoridade alfandegária da situação irregular, a- pôs aquele prazo e dispusesse ela de condiç6es para apurá-las imediatamente. Vê-se que no caso em foco, a falta de informa- ção própria disponível e recuperável a qualquer mo- mento pela administração aduaneira, a meu ver, foi sanada pelo sistema institãido na Delegacia da Re- ceita Federal em Santos, através do Ato Déclaratório n9 0800-125, de 06/06/75, da Superintendência Regio- :nal da Receita Federal em São Paulo, o qual tornou - obrigatória a apresentação de DCI pró-forma _pelo importador no ato do desembaraço aduaneiro, quando então fossem constatadas faltas, devendo tal docu- mento ser encaminhado ao Setor de Controle de mani-' festo, para conhecimento da fiscalização e "instaur _ SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/053.212/80 4. Acórdão n9 -CSRF/03-0.292 ção de processo contra os responsáveis pelo extravio ou falta de volumes e mercadorias", com vistas à con ferêrcia final de manifesto, cuja execnão se basea- rá "nos valores constantes das declaraçoes de impor- tação e na pró-forma". Ao baixar tal ato, a administração se curvou solução de problema que afetava o desempenho de fun- ções fisco-tributárias e foi de encontro a interes- ses do contribuinte e responsáveis. A partir da ob- servância da norma baixada não poderiam mais conviver as administrações portuária e aduaneira indefinida- mente com problemas de controle de volumes, descar- regados ou não, à espera de tardia apuração de res- ponsabilidade, quase sempre beirando os cinco anos decadenciais. Trata-se agora de sistema de informação gerado pela própria fiscalização para agilizar a execução de outros controles pré-existentes, como o manifesto e seus conhecimentos de carga e outros papéis as in- formações de descarga, as comunicações de avarias e faltas etc. Tendo em vista que as faltas apuradas no auto de infração de fl. 1 se deram na vigência do ato de clarateirío n9 0800-125, de 06/06/75, da Superinten- dência Regional da Receita Federal na 8a. Região Fis cal, entendo que a administração aduaneira teve co- nhecimento delas por ocasião do desembaraço das par- tidas remanescentes, devendo ser procurado ai o mo- mento de incidência do fato gerador da obrigação tri butária e, "ipso facto", o valor, do dólar fiscal, as aliquotas e as penalidades vigentes nessa época. :A" vista do exposto, entendo suprida a exigência do art. 23, § único do Decreto-lei 37/66, e voto para dar provimento ao recurso." O acórdão está assim ementado: "Conferencia final de manifesto. O fato gerador re- monta à época do estabelecimento de controles pela administração aduaneira, pelos quais toma conheci- mento dos fatos imputáveis". O minucioso recurso do ilustre Procurador da Fazenda Nacional junto àquela Câmara (fls.34/52 ) que leio na íntegra, pode, - entretanto, ser resumido nas seguintes linhas mestras: 1) quanto data de referência 'para exigência de -tributos e respectiva base de cálculõ ,no ca/- , so de falta de mercadorias verificada em conferência final de mani SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/053.212/80 5. Acórdão n9 -CSRF/03-0. 292 festo, é a da representação a que se refere o art. 25, § 19 do De- creto n9 63.431/68, que deve prevalecer, conforme já copiosa ju- risprudência desta Câmara Superior, embora o ilustre recorrente ma- nifeste sua preferência pessoal pelo declarado na Orientação Norma- tiva Interna n9 15, da Coordenação do Sistema de Tributação, fixan- do o marco temporal para aqueles efeitos na data em que o responsá- vel for intimado a recolher o que for devido; 2) a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao julgar recursos abrangen- do a matéria de conferência final de manifesto, de sua competência originária, consagrou o entendimento de que a alegação baseada em dispositivo do Ato DeclaratOrio n9 800/125/75 (item 6.2) da Superin- tendência da 8a. Região Fiscal não pode ser acolhida, por achar-se o mesmo derrogado pelo item IV do Parecer Normativo n9 56/77 da Co- ordenação-doSistema de Tributação, o qual se sobrepõe ao referido ato declaratOrío, de caráter administrativo limitado à DRF em San- tos, enquanto o último tem força interpretativa da legislação tri- butária, constituindo-se em norma complementar dela (art. 100 do CO - digo Tributário Nacional); 3) a antiga Instância Especial decidiu reiteradamente que no caso de mercadorias estrangeiras faltantes na descarga respectiva, os tributos incidentes sejam calculados segun- do os índices vigorantes na data da conferência final do manifesto; 4) ademais, no caso em espécie, não consta que a importadora tenha tomado as providências firmadas no Abo Deciaratório 0850/125/75, nem de outra forma comunicado o fato à repartição, o que poderia ter feito, na oportunidade, a transportadora, com base em seus re- gistros de descarga; a falta foi somente conhecida, como nos demais7 casos, no curso rotineiro da conferência final do manifesto, quan- do então procedeu-se a sua apuração. O ilustre Procurador faz, ainda, consideração so- bre o valor daPenaLidade do inciw:VI do art-59 do Decreto-lei n9 751/ 69 a ser exigido, entendendo deva ser o atualizado pela Portaria MF n9 39/79. O douto procurador do Contencioso Administrativo o- pinou pelo provimento do recurso especial, invocando os precedentes reiterados des Câmara Superior,\ o relatOrio. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0845/053.212/80 6. Acórdão n9 -CSRF/03-0.292 . VOTO Conselheiro PAULO DE ALMEIDA, Relator: O assunto do recurso especial já é tranqüilo nesta Cãmara Superior, a partir do Acórdão n9 CSRF/03-0.003, como bem observou o douto Procurador do Contencioso Administrativo, no sen- tido de que a data de referência para a conversão da moeda estran- geira e cálculo dos tributos devidos, no caso de falta de mercado- rias manifestadas, e a da conferência final do manifesto - pro- cedimento administrativo previsto na legislação aduaneira especifi- camente para a apuração de faltas ou acréscimos de volumes constan- tes dos conhecimentos arrolados naquele documento, executado deli- berada e sistematicamente pelas repartiçaes interessadas, mediante rotinas adequadas. Inadmissível, portanto, a pretensão de que a autori- dade aduaneira toma conhecimento daquelas ocorrências pelo simples fato de que são anotadas na descarga do navio. Tais anotaçSes se- rão naturalmente levados em consideração, mas no momento oportuno, dentro das rotinas de serviços da repartição, quando os papeis dos navios são propositalmente examinados para os diversos controles fiscais necessários. A não ser, é claro, que, por qualquer outra forma, — inclusive comunicação expressa do responsável, seja efetivamente le'— vada ao conhecimento da autoridade competente a irregularidade cons— tatada-oque, porem, não ocorreu no caso do processo, como salien- tado pelo ilustre Procurador recorrente, ao discutir a significação do Ato DeclaratOrio n9 0800/125/75 da DRF em Santos. Quanto ã penalidade do inciso VI do art. 59 do De- creto-lei n9 751/69, entendo que o valor a ser exigido é o atualiza— do pelo referido ato ministerial , por não se tratar de agrava- - ção mas de simples correção monetária de seu valor or iginário, o >''(e qual não implica 'm majoração efetiva mas em nova tradução monetá- ria do mesmo. ‘\ X \ \i v.v. . Dou; assira,__provirOnto a -C- 'recurso especial:- L. O gEr -ALMEIDA - RELATOR •-• Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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