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Numero do processo: 10680.902609/2015-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 29/02/2012 DCTF. PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 09 /2 01 5- 51 Fl. 250DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2362, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 591.219,08. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de IRPJ a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10680.902609/201551 Acórdão n.º 1301003.533 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 05/06/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 252DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10680.902609/201551 Acórdão n.º 1301003.533 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007604/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador:26/10/2006
RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE.
Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.233
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador:26/10/2006 RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
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ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 76 04 /2 01 0- 47 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11128.007604/201047 Acórdão n.º 3302006.233 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento da restituição relativa a PIS/Pasep importação e Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação posteriormente retificada, por falta de apresentação de documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro recolhido indevidamente, consoante o art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Segundo a Fiscalização, o referido crédito tributário recolhido quando do registro da DI poderia ter sido compensado pelo importador, nos termos da legislação de regência, independentemente de autorização da Receita Federal RFB. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que o crédito apurado não podia ser objeto de compensação por ser devido no registro de Declaração de Importação, conforme o artigo 74, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, tratandose de uma exceção legal que não proporcionava segurança jurídica para se requerer a compensação sem prévia concordância do Fisco, tendo em vista o entendimento da Fiscalização quanto à necessidade de comprovação da assunção econômica do encargo. Segundo o então Manifestante, não havendo previsão legal de transferência do encargo financeiro, bem como existindo lei que previa o importador como contribuinte, não era cabível a alegação do Auditor Fiscal de que seria devida a comprovação de assunção do encargo financeiro do tributo recolhido. Ainda segundo ele, mesmo que se entendesse válida a discussão acerca da assunção do encargo financeiro, essa só se justificaria em relação ao montante pago referente à mercadoria desembaraçada, inexistindo fato gerador de PIS/Pasep e Cofins relativos a uma importação não ocorrida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07033.514, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentandose também na necessidade de prova de assunção do encargo financeiro dos tributos, com apresentação de documentos, informações e lançamentos contábeis que demonstrassem de forma inequívoca o efetivo suporte desse encargo. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11128.007604/201047 Acórdão n.º 3302006.233 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.205, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11128.000042/201191, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.205): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperioso destacar que a solução do litígio envolve apenas a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, inexistindo discussão sobre as fatos que geraram o pagamento indevido ou a maior, é o que se extrai do despacho decisório de fls. 5153 e da decisão recorrida, a saber: Despacho decisório Os pleitos referemse a importação de mercadoria a granel onde foi constatada falta em relação às quantidades manifestadas, conforme os Laudos Periciais em anexo aos processos supracitados. Todas as DIs foram objeto de retificação após o desembaraço. Cópias dos respectivos pedidos de retificação (PCI) estão anexadas aos processos. As retificações acima referidas, tendo em vista apuração de falta de mercadoria, demonstram que houve pagamento a maior dos tributos em questão, conforme valores discriminados na relação acima. Ocorre que não foi acostada aos processos acima relacionados documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, consoante o Art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Por outro lado, o crédito tributário referente ao PIS e COFINS recolhido quando do registro da DI poderá ser utilizado pelo importador, conforme a legislação que rege os tributos em questão. Este procedimento independe de autorização da RFB. Tendo em vista o acima exposto, proponho o indeferimento dos pedidos de restituição do PIS e COFINS referentes aos processos acima discriminados. Decisão recorrida Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.007604/201047 Acórdão n.º 3302006.233 S3C3T2 Fl. 5 4 Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. E o ônus dessa demonstração não cabe ao Fisco. Os sistemas contábeis e respectivos planos de contas são de livre escolha das empresas e, no caso de pedido que envolva a prova prevista no artigo 166 do CTN, devem os requerentes fazer as devidas e satisfatórias demonstrações à vista de suas opções contábeis. E tais demonstrações, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas. Se a interessada, em sua escrituração fiscal, utilizou, em seu favor, de crédito correspondente ao valor de que agora pretende verse ressarcida, referente a PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, resta impossibilitado o deferimento de seu pedido, em decorrência do duplo aproveitamento de um só crédito de tributo. No presente caso, não há comprovação de que o requisito da norma esteja perfeitamente atendido. Ou seja, não se discute a ocorrência de fatos que ensejaram o pagamento indevido ou maior, mas tão e somente a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, previsto no artigo 166, do CTN, outrora utilizado pela fiscalização para indeferir o pedido de Restituição da Recorrente. A respeito disso, verificase que a decisão recorrida manteve o despacho decisório nos seguintes termos: Em primeiro lugar, cumpre mencionar que a restrição legal imposta à solicitação de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro, encontrase prevista no art. 166 do Código Tributário Nacional CTN, nos seguintes termos: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” No mesmo sentido dispõe a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu art. 6º, nos seguintes termos: “Art. 6º A restituição de quantia recolhida a título de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11128.007604/201047 Acórdão n.º 3302006.233 S3C3T2 Fl. 6 5 caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Das disposições legais transcritas surge o entendimento de que essas alcançam apenas aqueles tributos que comportam a transferência de seu ônus financeiro a terceiros, mediante o registro contábil em conta corrente de débitos e créditos; aqueles cujo contribuinte de fato é o consumidor final, jamais o contribuinte de direito que, embora onerado pelo dever de pagar, não pode, pela própria concepção jurídica desses tributos, suportar economicamente seus encargos. É entendimento que somente os indébitos tributários relacionados a tributos indiretos é que são alcançados pelas disposições contidas no art. 166 do CTN. Assim, o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação são regidos pela nãocumulatividade, estando incluídos no rol dos tributos indiretos, conforme dispõe o art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. Estas contribuições possuem natureza jurídica que comporta a transferência do respectivo encargo financeiro. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005 ) 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11128.007604/201047 Acórdão n.º 3302006.233 S3C3T2 Fl. 7 6 O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. Contudo, entendo que a decisão recorrida merece reforma, posto que os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro, sendo que o sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Essa questão inclusive foi analisada nos autos do PA nº 10909.005708/200842 (acórdão nº 3302004.439), que contou com a participação deste relator, a saber: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/09/2005 a 06/09/2005 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO DA MERCADORIA IMPORTADA POR CONTA E ORDEM ANTES DO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. LEGITIMIDADE ATIVA DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por não comportar a transferência do encargo financeiro, o importador tem legitimidade ativa para pleitear a restituição dos valores indevidos da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação pagos no âmbito da operação de importação por conta e ordem simulada, em que as mercadorias importadas foram objeto de pena de perdimento antes do desembarco aduaneiro e da transferência ao real adquirente. Embargos Rejeitados. Direito Creditório Reconhecido. Neste cenário, deve ser reconhecido o crédito apurado pela Recorrente referente ao PIS/Pasepimportação e a Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recuso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito apurado referente ao PIS/Pasep importação e à Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. (assinado digitalmente) Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11128.007604/201047 Acórdão n.º 3302006.233 S3C3T2 Fl. 8 7 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001018/2001-11
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002
CSLL. DECADÊNCIA. -
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Numero da decisão: 9900-000.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 23/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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Nome do relator: Valmir Sandri
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 CSLL. DECADÊNCIA. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 23/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 10 18 /2 00 1- 11 Fl. 449DF CARF MF 2 . Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 393 e segs.), com fundamento no arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, em face do Acórdão n° CSRF/015.958, que negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1997 EMENTA: DECADÊNCIA Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qu ̈inqu ̈enal de decadência para a constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4 o do CTN. Precedentes da CSRF. Recurso especial provido. Nos fundamentos do voto vencedor, o redator designado sustenta: "O tema em referência não comporta divagações, em vista da edição da Súmula Vinculante de n. 08 pelo C. Supremo Tribunal Federal [que reconhece, com efeitos erga omnes, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91] e da remansosa jurisprudência deste Colegiado sobre o tema [segundo a qual se reconhece a decadência do direito de o Fisco constituir créditos de tributos sujeitos a lançamento por homorlogação referentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 5 (cinco) anos contados da ciência do respectivo lançamento (CTN, artigo 150, § 4˚ ) , independentemente de ter sido realizado (ou não) o pagamento antecipado do tributo)]". Em breve síntese, a recorrente se insurge contra a referida decisão, por entender que contrariou a adequada análise dos dispositivos constantes do art. 150, § 4˚, e art. 173, I, ambos do CTN, tendo em vista que, nas hipóteses de total ausência de recolhimento do tributo sujeito a lançamento por homologação, o início da contagem do prazo decadencial deverá ser postergado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o referido lançamento poderia ser efetuado. Em despacho a fls. 410, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitiu o Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por entender que atendia aos pressupostos de recorribilidade. Cientificada do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, conforme informação a fls. 414, a contribuinte não apresentou contrarrazões. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10855.001018/200111 Acórdão n.º 9900000.504 CSRFPL Fl. 416 3 Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. O recurso extraordinário da Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Inicialmente alerto que a questão posta em julgamento reside unicamente em analisar a preliminar de decadência do lançamento da CSLL dos fatos geradores de janeiro a março de 1996, a qual foi reconhecida pelo acórdão recorrido, por entender aplicável, na espécie, o art. 150, §4˚, do CTN. Todavia, a questão relativa ao dies a quo da contagem do prazo decadencial dos tributos lançados por homologação encontrase, hoje, pacificada, no âmbito judicial e administrativo, em razão da decisão do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, se não vejamos o teor de parte da ementa do Acórdão do RESP n° 973733 / SC, in verbis: “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, Fl. 451DF CARF MF 4 "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, para que incida a regra do art. 150, § 4˚, do CTN, há que se perquirir se houve pagamento ou declaração prévia do débito. Ao se compulsar os autos, mais especificamente a fichas 11 dos meses de janeiro, fevereiro e março da DIPJ 1997 (doc. a fls. 100 a 102) verificase que a contribuinte apurou prejuízo contábil e base de cálculo negativa da CSLL nesses três meses. Todas as linhas que poderiam indicar antecipação de pagamento. Concluo assim que não houve antecipação de CSLL relativa aos fatos geradores dos três primeiros meses de 1996. Como não houve antecipação de pagamento da CSLL, há que se aplicar, ao caso, a regra de decadência do art. 173, I, do CTN. Assim, para os fatos geradores dos três meses de 1996, o lançamento poderia ocorrer no próprio ano de 1996, logo, o dies a quo do prazo decadencial passa a ser 01/01/1997 e, consequentemente, o dies ad quem, 31/12/2001, razão pela há que se afastar a preliminar de decadência do lançamento em tela, já que a ciência da contribuinte se deu em 10/04/2001. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, para afastar a decadência dos lançamentos da CSLL do período de apuração de 2001 e, por isso, retornar os autos à Primeria Turma da CSRF, para prosseguir no julgamento do mérito. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10855.001018/200111 Acórdão n.º 9900000.504 CSRFPL Fl. 417 5 . Fl. 453DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.910156/2012-57
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/04/2012
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
EDITADO EM: 08/02/2019
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 20/04/2012 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator. EDITADO EM: 08/02/2019 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2012 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator. EDITADO EM: 08/02/2019 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 01 56 /2 01 2- 57 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13896.910156/201257 Acórdão n.º 3003000.081 S3C0T3 Fl. 241 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 00102.76943.300412.1.3.041088 com aproveitamento de suposto pagamento a maior do PIS no valor de R$ 9.718,65, referente ao período de apuração (PA) de jul/09. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que é prestadora de serviços no ramo de engenharia, tendo como tomadora o Grupo Petrobrás, acumulando créditos com as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades exercidas. Aduz que a sistemática nãocumulativa da COFINS e do PIS pretendeu desonerar a cadeia produtiva, ao permitir que sejam descontados créditos referentes às aquisições, efetuadas no mês, de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, conforme dispõe o artigo 3º da Lei 10.833/03. Para comprovar a regularidade dos créditos, anexa o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais retificador, Declaração de Débitos e Créditos retificada e Pedido de Compensação – Per/Dcomp. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu decisão, acórdão nº. 09 47.511, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA, DEVIDAMENTE ESCRITURADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13896.910156/201257 Acórdão n.º 3003000.081 S3C0T3 Fl. 242 3 não há que se falar em pagamento indevido. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a retificação dos valores dos tributos devidos constantes de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, argumentando, em síntese: 1 que a compensação se deu com créditos existentes, demonstrados pela retificação dos DACON´s; 2 que houve apenas erro material nas informações em DCTF, fato que pode ser comprovado pelas informações apresentadas nos DACON´s, devendose observar o princípio da verdade material; 3 que a natureza do crédito pleiteado está comprovada em "todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes" que trouxe aos autos com o recurso voluntário. A recorrente aduz, ainda, que "todos os documentos contábeis e fiscais poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13896.910156/201257 Acórdão n.º 3003000.081 S3C0T3 Fl. 243 4 A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No presente caso o contribuinte transmitiu a DCOMP descrita no relatório acima e indicou a existência de crédito em razão de pagamento a maior. A auditoria fiscal ao analisar a DCOMP transmitida, verificou que não havia o saldo pretendido, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, diante desse fato foi publicado o Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. Importa observar que a retificação da DCOMP foi em data posterior ao despacho decisório. Tal procedimento foi validado pelo Parecer Normativo COSIT Nº 2, de 28 de agosto de 20151, contudo, a produção da prova relacionada a essa retificação deve ser realizada de forma minuciosa, como veremos no decorrer deste voto. A impugnação sustentou erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito informado foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de contribuição social a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação, infirmando as declarações originais. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração contábilfiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a contribuição devida era realmente menor do que o valor constante nas declarações originais. 1 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13896.910156/201257 Acórdão n.º 3003000.081 S3C0T3 Fl. 244 5 Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalou a decisão a quo, para que os dados declarados em DACON fossem tidos como corretos, infirmando aqueles informados em DCTF e demonstrando a certeza e liquidez do crédito a compensar, deveria a recorrente ter apresentado documentos que corroborassem a apuração do tributo declarado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos originalmente apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13896.910156/201257 Acórdão n.º 3003000.081 S3C0T3 Fl. 245 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material, conforme bem evocado no Recurso Voluntário, e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação os quais podem representar, de certo modo, uma forma de contrapor as razões consignadas na decisão recorrida, aplicandose, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.235/722. Compulsando os documentos apresentados, observase que apesar de ter trazido aos autos diversas notas fiscais, a recorrente deixou de apresentar escrituração contábilfiscal e demonstrativos de apuração a fim de justificar a retificação do DACON e DCTF e assim não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábil seria indispensável para um convencimento. No caso dos autos, ocorreu simples juntada de notas fiscais avulsas, desacompanhadas de escrituração contábilfiscal e de esclarecimentos analíticos para demonstrar seu eventual impacto na apuração do tributo devido. A recorrente deveria ter apresentado descrição minuciosa da apuração da contribuição social, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova do direito creditório alegado: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido. Modernamente defendese a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito3, assim leciona: Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequências do próprio raciocínio do homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 3 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13896.910156/201257 Acórdão n.º 3003000.081 S3C0T3 Fl. 246 7 aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda4: São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, nós, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Ocorre que, das notas fiscais acostadas não se pode presumir a causa do que deu consequência a retificação, fato que prejudica o acolhimento dos fundamentos recursais. Ainda sobre a importância das provas na retificação da DCTF o Parecer Normativo COSIT Nº. 2 de 2015 assim resolve: 1 Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação?Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação.(grifei) Em seu recurso, a recorrente aduz que "disponibiliza todos os documentos contábeis e fiscais", os quais "poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa", sendo conveniente dizer que do mesmo modo os poderia ter juntado aos autos no momento oportuno, mas não o fez, ocorrendo a preclusão. Por fim, no tocante ao pedido de sustentação oral, deduzido no recurso voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): 4 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13896.910156/201257 Acórdão n.º 3003000.081 S3C0T3 Fl. 247 8 Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Márcio Robson Costa Relator Fl. 247DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910834/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2000
COFINS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESTITUIÇÃO Recorrente BRADESCO SA CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 08 34 /2 01 1- 43 Fl. 149DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de Cofins, com origem no mês de junho de 2000. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 30/06/2000, no valor de R$ 84.439,22, transmitido através do PER/Dcomp nº 19592.11031.241106.1.6.044110. A Deinf São Paulo indeferiu o pedido por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 36, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 16/01/2012 (fl. 87), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/13, em 14/02/2012, para alegar que antes do pleito ser indeferido, o contribuinte deveria ter sido intimado a prestar esclarecimentos, já que o Pedido de Restituição seria referente à parcela referente ao alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, implementada pela Lei nº 9.718/98 e considerada inconstitucional pelo STF. Afirmou que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins nos Recursos Extraordinários nº 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840. Alegou que seria corretora de títulos e valores mobiliários, e que o PIS e a Cofins incidiriam sobre suas principais receitas, ligadas ao seu objeto social e que seriam receitas de serviços prestadas a terceiros, como receitas de comissões de corretagem e administração de fundos de investimento. Argumentou que as receitas decorrentes de operações com recursos próprios, quando não haveria intermediação financeira, estariam excluídas do conceito de prestação de serviços. Defendeu que o conceito de faturamento não seria alterado em função do objeto social da empresa e que o STF teria reconhecido que o PIS e a Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento, entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e de serviços. Argumentou que não haveria qualquer identidade entre tal conceito de faturamento e sua atividade principal. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.910834/201143 Acórdão n.º 3201004.399 S3C2T1 Fl. 150 3 Ressaltou que qualquer empresa auferiria receitas financeiras em função do fluxo de caixa. Afirmou que a questão estaria sendo apreciada pelo STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 609.096 e que por tal motivo, o presente processo também deveria ser sobrestado, conforme os arts. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Concluiu, para requerer a procedência da manifestação de inconformidade e a reforma do despacho decisório, com o conseqüente deferimento do Pedido de Restituição. É o relatório. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1463.863, de 23/01/2015 (fls. 97 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2000 SOCIEDADE CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITA BRUTA. RECEITA OPERACIONAL. O conceito de receita bruta sujeita à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins compreende a receita de venda de mercadorias e da prestação de serviços, incluídas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da sociedade corretora de valores mobiliários. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Como o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Fl. 151DF CARF MF 4 Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado em momento anterior para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada a restituição por ausência de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento de processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 169 e ss., por meio do qual alega, em síntese, que devia ter sido intimada para apresentar esclarecimentos e documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784, de 1999) e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. No mérito, traz as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou e teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, apurada em junho de 2002, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Em sua primeira peça de defesa, alega que devia ter sido intimada a apresentar esclarecimentos e documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784, de 1999), e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. Com efeito, sabese que a só falta de retificação da DCTF, notadamente quando feita após a prolação do Despacho Decisório, não obsta o reconhecimento crédito, desde que venha acompanhada de informações e/ou documentos necessários à comprovação do valor reclamado. Não há, todavia, a necessidade da intimação prévia, quando a repartição fiscal já detém as informações necessárias à apreciação do pedido. Aplicável aqui, por analogia, a Súmula CARF nº 46, segundo a qual "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos Fl. 152DF CARF MF Processo nº 16327.910834/201143 Acórdão n.º 3201004.399 S3C2T1 Fl. 151 5 suficientes à constituição do crédito tributário". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vejam que o § 4º do art. 3º da Instrução Normativa IN RFB nº 900, de 2008, citado pela Recorrente em seus recursos, referese aos documentos mencionados no parágrafo anterior, que trata, especificamente, de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o qual deverá apresentar à RFB o instrumento que respalda a sua representação: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 3º Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá apresentar à RFB procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida, termo de tutela ou curatela ou, quando for o caso, alvará ou decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. § 4º Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3º serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. (g.n.) Tratase de situação específica, não extensível a todos os casos. No mérito, vemos que a Recorrente, uma corretora de títulos e valores mobiliários (CTVM), pretende dar tratamento tributário diverso a suas receitas, conforme trabalhe com recursos próprios ou de terceiros. Argumenta que, como típica prestadora de serviços, não presta serviços a ninguém quando aplica recursos seus, de modo que a receita daí decorrente não pode ser tributada pelo PIS/Cofins. No passado, chegamos a adotar posição semelhante, mas hoje, depois de melhor meditar sobre o tema, colocamonos entre os que defendem que, na sistemática cumulativa (aqui aplicável!), a receita bruta de vendas de mercadorias e da prestação de Fl. 153DF CARF MF 6 serviços – o faturamento, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 – corresponde àquela originária da atividade típica da empresa. A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da Fl. 154DF CARF MF Processo nº 16327.910834/201143 Acórdão n.º 3201004.399 S3C2T1 Fl. 152 7 empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Fl. 155DF CARF MF 8 Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Tribunal Fl. 156DF CARF MF Processo nº 16327.910834/201143 Acórdão n.º 3201004.399 S3C2T1 Fl. 153 9 Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito Fl. 157DF CARF MF 10 constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, ao contrário, não contenha operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, enfrentando a mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.910834/201143 Acórdão n.º 3201004.399 S3C2T1 Fl. 154 11 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tãosomente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, referese, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, Fl. 159DF CARF MF 12 com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, E DJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕESFINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem quase exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento ou receita operacional dos bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.910834/201143 Acórdão n.º 3201004.399 S3C2T1 Fl. 155 13 são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). No caso em exame, porém, a Recorrente também aufere receitas decorrentes da aplicação de seus próprios recursos, daí defender que, nesta hipótese, não haveria prestação de serviços. Bem, se há ou não prestação de serviços, isso nos parece de nenhuma importância para o deslinde da questão, visto que, na acepção que vimos de dar, o faturamento de uma instituição financeira, como uma corretora de títulos e valores mobiliários, corresponde a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, pouco importando se derivou da aplicação de recursos próprios ou de terceiros. Nesse contexto, não podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, de forma a viabilizar a restituição pretendida, as receitas a que se refere a Recorrente. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitila válida apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 161DF CARF MF 14 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.910834/201143 Acórdão n.º 3201004.399 S3C2T1 Fl. 156 15 Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Possuo muitos entendimentos convergentes com o do nobre colega relator e Presidente desta Turma de julgamento, mas neste caso em concreto, venho por meio desta declaração de voto apresentar entendimento divergente com relação à inclusão das receitas provenientes das aplicações de recursos próprios na base de cálculo das contribuições. A presente lide administrativa fiscal encontrase em situação semelhante à julgada no Acórdão de n.º 3201003.264, precedente desta Turma de julgamento. Em razão desta equivalência temática, deve possuir a mesma conclusão: a não inclusão da receitas provenientes das aplicações de recursos próprios na base de cálculo das contribuições. Em razão dos exposto, transcrevo as razões de decidir e fundamentos legais do mencionado precedente: "Ou seja, foi exposto o entendimento de que a receita de venda de serviços, de acordo com o conceito de "faturamento" aceito no Supremo Tribunal Federal STF, em relação aos bancos deve abranger as receitas financeiras decorrentes das atividades desenvolvidas no mercado financeiro, por configurarem serviços financeiros. Esta é uma conclusão que não trata das receitas financeiras resultantes de aplicações com recursos próprios, porque esta se trata de uma exceção lógica direta da conclusão das decisões, uma vez que não pode ser considerada "receita operacional", como pode ser verificado em trecho do próprio Estatuto do Banco em fls 296 dos autos, transcrito em print screen a seguir: O objeto social registrado no Estatuto do Banco é o trabalho financeiro por meio de carteiras operacionais autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, atividade que não se assemelha à aplicação de recursos próprios para a obtenção de receitas financeiras. O conceito de "carteiras autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil", está diretamente ligado ao objetivo de promover o desenvolvimento sócioeconômico e não à obtenção de receitas financeiras da aplicação de recursos próprios. Fl. 163DF CARF MF 16 O objeto social do banco está somente ligado à prestação dos serviços à sociedade como um todo, e não à aplicação de recursos próprios. Não há nada expresso neste sentido. No mundo fático, empresas ou instituições que são criadas somente para a obtenção de receitas financeiras decorrentes de aplicações de recursos próprios, não são empresas usuais (se é que existem), visto que não seria possível uma empresa obter recursos próprios, sem possuir uma outra atividade que gere receitas, decorrentes de alguma atividade de prestação de serviços, de comércio ou de indústria. Desse modo, toda empresa ou instituição que aplica recursos próprios e aufere receita financeira decorrente disto, necessariamente irá possuir uma outra atividade que gere receita, seja decorrente da prestação de serviços, da comercialização ou industrialização. De forma lógica, nenhuma empresa ou instituição, seja um banco ou não, tem a obrigação e sequer a necessidade de prever em seu objeto social a seguinte atividade: aplicação de recursos próprios para obtenção de receitas financeiras. Realidade societária que permite concluir que nenhuma receita financeira decorrente da aplicação de recursos próprios pode ser caracterizada como uma receita operacional. Porque, de operacional, nada tem esta atividade. Logo, por força das atribuições concedidas aos Conselheiros deste nobre Conselho, é importante reconhecer a omissão e obscuridade assim como é importante analisar se estas poderiam reformar o decidido ou não, cabendo aos Conselheiros exporem suas convicções sobre a concessão ou não dos efeitos infringentes. Antes mesmo de expor se haverá a necessidade de conceder efeitos infringentes, mister se faz colocar os fatos e fundamentos que levam à convicção de que receitas financeiras resultantes de aplicações com recursos próprios deveriam ser excluídas da base de cálculo da COFINS por não se tratarem de "receitas operacionais". Por se tratar de "receita financeira" resultante de aplicações com recursos próprios, o contribuinte estaria exercendo o mesmo direito concedido às instituições não financeiras e demais contribuintes, sem distinção: o direito de excluir da base de cálculo do COFINS as "receitas financeiras". O STF é claro em permitir esta exclusão da base de cálculo conforme julgamento do RE 548.422 AgR / RJ do STF, no seu parágrafo sexto: "6. As passagens em destaque revelam uma distinção conceitual sutil, mas que pode ser expressiva quanto aos reflexos. Um exemplo disso é a receita proveniente de aplicações financeiras. Caso fosse adotada a definição proposta pela instância ordinária, incidiria a Cofins sobre tal verba. Por outro lado, adotado o conceito até então vigente na jurisprudência do Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.910834/201143 Acórdão n.º 3201004.399 S3C2T1 Fl. 157 17 Supremo Tribunal Federal, parcela de tal natureza seria, em tese, excluída da base econômica da contribuição." A única hipótese que permitiu que as autoridades administrativas admitissem que as instituições financeiras não podem excluir da base de cálculo as "receitas financeiras", é a de que instituições financeiras prestam serviços financeiros e esta seria uma hipótese clara de base de cálculo para incidência de COFINS de acordo com o conceito de "faturamento" aceito pelo Supremo Tribunal Federal STF (faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços). Vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Tal premissa utilizada pelas r. autoridades administrativas que negaram o direito creditório para o contribuinte logicamente não se aplicam às "receitas financeiras" resultante de aplicações com recursos próprios, pois estas são "receitas financeiras" que qualquer pessoa jurídica ou física pode obter se aplicar seus recursos próprios e este direito está expressamente garantido pelo RE 548.422 AgR / RJ do STF mencionado acima. Sobre as "receitas financeiras" operacionais das instituições financeiras ficou claro o entendimento das decisões a quo, inclusive expresso que estão incluídas na base de cálculo da COFINS aquelas "receitas financeiras" provenientes das aplicações com recursos de terceiros, de clientes. São as situações em que o banco aufere "receita financeira" ao realizar o serviços de empréstimo bancário, pois os clientes pagam os juros e para estas situações as instituições financeiras cobram tarifas e portanto se trata de uma prestação de serviço. Uma "receita financeira" operacional, resultante de uma prestação de serviço. Mas quais são os recursos próprios das instituições financeiras? O embargante deixa claro quais são em seu recurso voluntário, são aqueles recursos constantes do Patrimônio Líquidos Obrigatório, conforme disposições constantes no Acordo de Basiléia e originalmente na Resolução do Banco Central do Brasil BACEN n.º 2.099/94. O contribuinte alega que para a aplicação dos recursos próprios não há cobrança de tarifas, não há recursos de terceiros ou qualquer relação de consumo, para fins do Código de Defesa do Consumidor. Este recursos próprios são aplicados, investidos e geram "receitas financeiras" não operacionais. Em análise da Resolução 2.099/94, vigente a época e portanto aplicável ao caso, conforme Anexo II, verificase que há um limite mínimo deste patrimônio líquido, um capital realizado de sete milhões de reais, à época. Fl. 165DF CARF MF 18 Acontece que ao verificar a fórmula de cálculo deste Patrimônio Líquido na própria Resolução, é possível verificar que este é 0,08 % do APR, sendo APR = resultado de aplicações do ativo circulante mais resultados de aplicações do ativo permanente. Portanto, para que seja concedido efeito infringente aos Embargos, com o objetivo de reconhecer direito creditório, é importante que fique claro que, do ativo circulante, serão considerados como recursos próprios somente o dinheiro em caixa que não seja de origem de terceiros, que não tenha conexão com serviços prestados ou tarifas cobradas pela instituição financeira. Em adição, por "receitas financeiras" de aplicações de recursos próprios entendese serem aquelas receitas resultantes das aplicações dos recursos próprios do Patrimônio Líquido (com as exceções acima e nos moldes da Tabela do Anexo IV da Resolução BACEN 2.099/94 ) e aquelas receitas resultantes das aplicações do Lucro Líquido da instituição financeira. Por fim, durante esta sessão, a Turma sugeriu que ficasse claro que, em razão de todos o exposto, inclusive no relatório, foi possível verificar que não há concomitância ou coisa julgada em âmbito judicial (Mandado de Segurança nº 2007.85.00.0058359, fls. 493/499), visto que o objeto de discussão não é a incidência da Cofins sobre as receitas advindas das aplicações de recursos próprios, assim como não ficou definido no âmbito judicial quais seriam as receitas operacionais ou não para as instituições financeiras. Da mesma forma, esta Turma de julgamento sugeriu que fosse citado como precedente recente a decisão proferida no âmbito da Câmara Superio de Recursos Fiscais, Acórdão CSRF 9303005051. CONCLUSÃO. Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 165 do CTN e em observação ao decidido no M.S. 2007.85.00.0058359 e decisões do STF, votase para que os Embargos de Declaração sejam ACOLHIDOS e PROVIDOS para sanar a obscuridade constante nas decisões a quo sobre a exclusão das "receitas financeiras" decorrentes de aplicações de recursos próprios da base de cálculo da COFINS e conseqüentemente reformar parcialmente o Acórdão 3403003.413 – 4.ª Câmara / 3.ª Turma Ordinária, proferido em 12 de Novembro de 2014, considerando também os fundamentos do Acórdão 3403003.375, para que seja reconhecido o direito creditório do contribuinte relativo aos pagamentos indevidos resultantes de base de cálculo declarada inconstitucional, excluídas desde já da base de cálculo do COFINS as "receitas financeiras" de aplicações de recursos próprios. Voto proferido. (assinatura digital) Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16327.910834/201143 Acórdão n.º 3201004.399 S3C2T1 Fl. 158 19 Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima." No mesmo sentido, com respaldo de precedente da CSRF, é importante transcrever a declaração de voto proferida pelo ex Presidente Substituto desta Turma, o nobre colega e conselheiro Winderley Morais Pereira: "Conselheiro Winderley Morais Pereira A presente declaração esclarece a posição por mim adotado no julgamento do presente processo, que decidiu por afastar a incidência das contribuições sobre as receitas financeiras próprias da Recorrente, acompanhando a posição adotada pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 9303005.051, que foi assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros." Neste caminho transcrevo a seguir o voto vencedor do Conselheiro Charles de Mayer Castro, que adotei como fundamentação para prolatar o meu voto no presente julgado. "Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator Com a devida vênia, discordo do il. Relator. Com efeito, entendemos que a razão está com o relator do voto vencido, o Conselheiro Rosaldo Trevisan. O que temos aqui é uma ação judicial em que se reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo preconizado no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, afastando, de conseguinte, a incidência da Cofins sobre as Fl. 167DF CARF MF 20 “receitas financeiras”. Contudo, conforme nele brilhantemente exposto, não há, nas decisões judiciais nela prolatadas, qualquer pronunciamento a respeito do que venham a ser, afinal, as tais “receitas financeiras” para uma instituição financeira – mesma natureza da Recorrente. Reconhecida, no bojo da ação judicial transitada em julgado, a inconstitucionalidade do alargamento, a Cofins passou a incidir apenas sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços e da venda de mercadorias – as chamadas "receitas operacionais" –, que inequivocamente incluem, no caso das instituições financeiras, as receitas decorrentes da intermediação financeira, ainda que assim contabilizada. A Cofins não incide, porém, sobre aquelas receitas cuja origem é a aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros, as quais, conforme destacou o relator do voto vencido, a própria fiscalização entendeu como receita financeira, não como receita operacional, como também lá ressaltado. Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial, também para excluir a glosa de crédito em relação às receitas provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros." Winderley Morais Pereira Assim, para fins de liquidação do que deve ser excluído da base de cálculo, basta que a Receita Federal observe a Resolução Bacen vigente à época das apurações e determine, em analogia, o que foi determinado no mencionado precedente: "...por "receitas financeiras" de aplicações de recursos próprios entendese serem aquelas receitas resultantes das aplicações dos recursos próprios do Patrimônio Líquido (com as exceções acima e nos moldes da Tabela do Anexo IV da Resolução BACEN 2.099/94 ) e aquelas receitas resultantes das aplicações do Lucro Líquido da instituição financeira." Esta lide possui uma especificidade ainda mais favorável ao contribuinte, o fato de que, apesar de ser instituição bancária, não possui como atividade principal os depósitos e aplicações, porque faz basicamente a corretagem. Assim, se não aplica receitas de terceiros como atividade principal, as receitas financeiras decorrentes das aplicações de recursos próprios não são receitas operacionais. Diante do exposto, votase para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para também excluir da base de cálculo das contribuições as receitas financeiras provenientes das aplicações de recursos próprios. Declaração de voto proferida. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000930/2009-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS.
Afinando-se ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9303-007.798
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMOS DIVERSOS. Recorrentes INDÚSTRIA CARBONÍFERA RIO DESERTO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os valores relativos a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, considerando tais itens serem essenciais à atividade do sujeito passivo. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar lhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 30 /2 00 9- 16 Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 3 2 bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o acórdão nº 3803003.879, que deu provimento parcial ao recurso voluntário. Após ser integrado por acórdão que acolheu, em parte, os embargos de declaração interpostos por Conselheiro, restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Insumo dedutível para efeito de Cofins não cumulativa é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social. E quando o cumprimento das obrigações ambientais impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, gere despesas, estas devem ser consideradas insumo. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao conceito de insumo aplicável para fins de tomada de créditos das contribuições não cumulativas. Dentre outros argumentos, defende que, para dos créditos em foco, a legislação estabelece que se incluem no conceito de insumo, além das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração alegando contradição e obscuridade quanto ao pronunciamento acerca dos concretos e corretos itens passíveis de aproveitamento do crédito. Todavia, seus embargos foram rejeitados. Contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda foram apresentados pelo sujeito passivo. Em síntese, o contribuinte defende que não se deve considerar, para fins de creditamento do PIS e da Cofins não cumulativos, os conceitos de insumos aplicáveis à apuração de créditos do IPI e do ICMS. O sujeito passivo também interpôs Recurso Especial ao qual foi dado seguimento. Foi admitida a rediscussão da questão relativa ao conceito de insumo aplicável para o reconhecimento do direito de créditos das contribuições não cumulativas. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Especial do sujeito passivo. Alega, essencialmente, que não há como se admitir a adoção da legislação do IRPJ para se conceituar insumo para fins de constituição de créditos de PIS e Cofins não cumulativos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.785, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 11516.000925/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.785): "Depreendendose da análise dos recursos interpostos pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que em relação às matérias trazidas foram comprovadas as divergências, conforme preceitua o art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com os exames constantes dos Despachos de Admissibilidade. Em vista do exposto, conheço os recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois, em fevereiro de 2018, o STJ, em sede de recurso repetitivo, ao apreciar o REsp 1.221.170, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 5 4 Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Definiu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que a descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 6 5 Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, era de se constatar que o entendimento predominante considerava o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de Fl. 628DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 7 6 insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Fl. 629DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 8 7 Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): Fl. 630DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 9 8 “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 10 9 Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados Fl. 632DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 11 10 IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Fl. 633DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 12 11 Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, o STJ, que apreciou, em sede de repetitivo, o REsp1.221.170 – trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Ademais, importante trazer ainda a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." Tal Nota contempla em seus itens 41 a 43: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Sendo assim, fica firmado pela PGFN o seguinte conceito de insumos: Fl. 634DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 13 12 “Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.” Após superada a conceituação de insumos para fins de constituição de crédito de PIS e Cofins, passo a analisar os itens trazidos pelo sujeito passivo que, por sua vez, tem como atividade a exploração e produção do carvão mineral. Para tanto, importante recordar o voto constante do acórdão recorrido: “[...] Não é possível reconhecer o direito creditório em relação às despesas com o transporte de funcionários, fornecimento de água, leite, pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, refeição, vigilância, limpeza, encadernação, controle e prevenção de pneumoconiose, fornecer equipamento de proteção individual etc, pois estas despesas não podem ser consideradas insumo para efeito de creditamento, ainda que o Acordo Coletivo de Trabalho tenha obrigado a empresa a fornecer, equipamento de proteção aos funcionários, aquisição de caixas de papelão, bem como o fornecimento de água e leite aos seus funcionários. Por certo que estes 2 (dois) últimos produtos, dentre outros, não apresentam nenhuma relação com o processo produtivo de uma mina de extração de carvão mineral e por isso agiu bem a fiscalização em glosálos. [...] A mesma sorte ocorre em relação às despesas resultantes das aquisições com correias transportadoras, os cabos elétricos e mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão e aquisição de caixas de papelão, pois penso que aqui falhou a interessada ao não ter demonstrado se estes produtos foram efetivamente aplicados na atividade de extração mineral. Ainda não deve ser concedido crédito em relação as despesas com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, uma vez que as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, não provam que estes serviços tenham sido realizados em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Cumpre ainda observar que embora a empresa tenha juntado aos autos as notas fiscais anexas às fls. 498/499 do PAF n.º 13963.000565/200573, referentes a serviços de conserto de motor, por outro lado não há provas de que estes serviços tenham sido realizado em equipamentos relacionados com o processo produtivo da empresa, ainda mais quando estas notas fiscais não são coincidentes com nenhuma das notas fiscais glosas e citadas na planilha elaborada pelo agente fazendário. Quanto às despesas com aquisições de explosivos e cursos em relação aos mesmos, penso que estas despesas estão relacionadas com o processo produtivo. Entretanto, o contribuinte não instruiu os autos com notas fiscais de aquisição e nem mesmo contratos de prestação de serviços em relação aos cursos de operacionalização destes explosivos, razão pela qual não demonstrando o seu direito não há fundamento para o reconhecimento dos créditos neste particular. O mesmo digase em relação às despesas com embalagens e etiquetas.” Fl. 635DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 14 13 Após breve recordação, considerando que o acórdão de recurso voluntário não trouxe especificamente os diversos itens constantes do recurso voluntário, ainda que tenha sido apreciado pelo colegiado a quo ao adotar o termo “etc.” no voto recorrido, passarei a analisar os diversos itens questionados em recurso voluntário, com exceção daqueles que o contribuinte logrou êxito no acórdão recorrido (custos relacionados às obrigações ambientais e aos custos de serviços de terraplanagem e destinação final de resíduos, monitoramento do ar e serviços necessários para a recuperação do meio ambiente): 1. Despesas com o transporte de funcionários em trajetos específicos, por não conseguir identificar se referia a trajeto interno (na produção) ou externo (do domicílio do trabalhador para a produção), entendo que não há como reconhecer o crédito das contribuições; 2. Fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches, entendo serem itens passíveis de geração de crédito das contribuições, vez que, pela atividade do contribuinte, o trabalho em minas de carvão traz uma particularidade crítica na movimentação dos trabalhadores – inclusive para sair desse ambiente à procura de estabelecimentos de comércio alimentar e, adotando o teste de subtração da Nota PGFN, entendo que tal item é essencial para a sua atividade; 3. Exames e tratamentos médicos e assistência ao trabalhador acidentado, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições, pois não entendo que há como se vincular direta ou indiretamente à produção do carvão, por exemplo; 4. Uniformes e Equipamentos de Proteção Individual, entendo que tais custos geram o direito ao crédito das contribuições, inclusive por ser obrigatório nessa atividade. Recordo que essa turma já apreciou esse item – o que peço licença para transcrever parte das ementas dos seguintes acórdãos: · Acórdão 9303006.222 – Conselheiro Demes Brito “[...] COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. UNIFORME/VESTUÁRIO. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. LUBRIFICANTES E COMBUSTÍVEIS. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS uniforme, vestuário, equipamento de proteção individual, combustíveis e lubrificantes.[...]” · Acórdão 9303005.526 – Charles Mayer de Castro Souza “[...] No caso julgado, são exemplos de insumos: a) os materiais de segurança ou proteção individual, tais como: avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas; b) materiais de uso geral: arruela, mangueira, rodinho, chave allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, Fl. 636DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 15 14 parafuso allen, parafuso bucha, parafuso sextavado, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado e tubo PVC [...]” · Acórdão 9303005.912 – Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas “[...] PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acatase os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. [...]” 5. Controle e Prevenção de Pneumoconiose, tal como os custos com exames e tratamentos médicos, ainda que necessários, não há como se reconhecer o direito ao crédito das contribuições; 6. Auditorias de certificação de qualidade e de procedimento como as ISO, ainda que necessários, não há como se gerar crédito pois não vinculada diretamente ou indiretamente à produção do carvão; 7. Caixas de Papelão e Sacos BIG Bag, entendo que geram direito ao crédito, pois essenciais para o acondicionamento do carvão produzido; ademais as etiquetas decorrem de exigência obrigatória, por se tratar de produtos perigosos; 8. Correias de Transporte, entendo ser essencial à atividade na exploração da mina, o que entendo ser gerador de crédito; 9. Gastos com explosivos e cursos técnicos relativos à operação da mina, entendo serem essenciais à sua atividade de exploração, bem como o curso atrelado a esses gastos, para se prevenir a segurança; 10. Sondagens, entendo que serem geradores de crédito, pois essencial à sua atividade; 11. Pintura de banheiro, material de limpeza, material de escritório, vigilância, limpeza, encadernação, entendo que não há como se reconhecer o crédito, vez que são meros custos administrativos. Quanto à limpeza, não há comprovação da vinculação à sua atividade fim; 12. Custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão, entendo que tais itens são essenciais à sua atividade. Em vista do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto aos itens trazidos em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, importante recordar o voto do acórdão recorrido: Fl. 637DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 16 15 “[...] Assim, considerando a planilha anexa aos autos em que estão relacionados os serviços e produtos glosados pela fiscalização, ou seja, excluídos do creditamento da contribuição, reconheço do pleito do contribuinte em relação todas as despesas ocorridas em razão das prestações de serviços vinculados ao meio ambiente, dado que estas despesas somente ocorreram em função das imposições decorrentes do Acordo Judicial de Conduta e dos Termos de Ajuste de Conduta celebrados com Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e FÁTMA. Assim, partindo da planilha elaborada pelo agente fazendário, concedo créditos em relação às aquisições de serviços e produtos mencionados na tabela abaixo, por compreender que estes são essenciais para o processo produtivo da empresa e ainda por estas despesas terem decorrido de imposição do Poder Público: [...] Logo, compreendo que deve ser reconhecido o direito aos créditos pleiteados para todas as despesas relacionadas de alguma forma com a recuperação do meio ambiente, ainda que não estejam relacionadas na planilha elaborada pela repartição de origem, uma vez que esses serviços são essenciais ao funcionamento da empresa, ou seja: risco ambiental, recuperação ambiental, auditorias ambiental, terraplanagem para recuperação ambiental, prestação de serviços com o objetivo de obtenção da Licença Ambiental Prévia, prestação de serviços de monitoramento do ar na área de influência das minas, serviços de acompanhamento das etapas de elaboração de diagnóstico ambiental, serviços de estudos hidrológicos, locação de máquinas e equipamentos para aterro com o intuito de recuperação ambiental, de ensaio técnico, serviços de elaboração de Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente (FIA/RIMA), prestação de serviços de diagnóstico ambiental nas áreas impactadas pela mineração por meio de avaliação da flora e fauna visando a avaliação da reabilitação de áreas degradadas, prestação de serviços de geomecânica e avaliação dos parâmetros de qualidade das camadas que foram o teto e o piso da mina, prestação de serviços de dimencionamento de pilares de minas, prestação de serviços planialtimétricos, anteprojeto de recuperação de área ambiental e drenagem, serviços de coleta de resíduos sólidos. Ainda assiste razão ao contribuinte quando requer os créditos em relação a depreciação dos bens do ativo imobilizado, principalmente quando o fiscal nada comenda a respeito, bem mesmo o julgador de primeiro grau, uma vez que os contribuintes sujeitos a incidência não cumulativa do PIS/COFINS, em relação aos bens adquiridos, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação, nos termos da legislação aplicável. Assim, podem gerar direito a estes créditos as depreciações das empilhadeiras, bombas hidráulicas, motores etc, desde que registrados no ativo imobilizado.[...]” Em relação aos itens descritos no voto do acórdão recorrido, manifesto minha concordância, pois entendo que todos são essenciais à atividade do sujeito passivo, o que, fazendo o teste de subtração, impossível a operacionalização de sua atividade. Em vista do exposto, voto por: · Dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo; Fl. 638DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 17 16 · Negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional." (...) Transcrevese, a seguir, o voto vencedor do acórdão paradigma, que tratou do direito de crédito quanto ao fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina: "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo parcialmente de suas conclusões quanto aos itens que são possíveis de creditamento à luz do novo conceito de insumos introduzidos pela decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pós industriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, como bem esclareceu a relatora em seu voto, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A própria Fazenda Nacional, editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, a partir desta sessão de julgamento, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado pela relatora e também pela citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos Fl. 639DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 18 17 mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) Fl. 640DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 19 18 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Portanto, partindo dessas premissas é que iremos analisar, em cada caso, o direito ao crédito de PIS e Cofins de que tratam o inc. II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Passemos então à análise dos itens específicos do presente processo, dos quais discordamos da ilustre relatora. No caso específico nossa discordância é em relação a fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Apesar de tanto a relatora quanto eu estarmos em sintonia em relação ao conceito de insumos trazidos pela decisão do STJ, não tenho a mesma conclusão que ela que tais itens possam ser considerados insumos e serem relevantes e pertinentes para a atividade produtiva exercida pelo contribuinte. Com a devida venia, não considero que sejam itens, cuja subtração possa obstar a atividade produtiva do contribuinte. Não há como considerálos como insumos da atividade produtiva do contribuinte. Veja como dispõe a legislação do PIS e da Cofins quanto à possibilidade de creditamento: Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) Creio que a atenta leitura do dispositivo legal é suficiente para afastar o crédito da nãocumulatividade em relação a itens estranhos ao processo produtivo do contribuinte. Portanto, deixo de acompanhar a relatora em relação aos itens: fornecimento de água potável, leite, marmitas, lanches e cursos técnicos relativos à operação da mina. Em conclusão, nego o aproveitamento de créditos da nãocumulatividade de PIS/Cofins sobre esses itens." Fl. 641DF CARF MF Processo nº 11516.000930/200916 Acórdão n.º 9303007.798 CSRFT3 Fl. 20 19 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Recurso Especial do Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer o direito ao crédito referente a uniformes e equipamentos de proteção individual, caixas de papelão e sacos big bag, correias de transporte, gastos com explosivos, sondagens e custos com a manutenção de empilhadeiras, bombas hidráulicas, material rodante, esteiras, motores, cabos elétricos, mangueiras, iluminação/energização, ligação com as máquinas e equipamentos, suprimento da água em alta pressão. O colegiado também conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 642DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720596/2016-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO.
Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS -ADMINISTRADORES
São responsáveis pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, os sócios-administradores que comprovadamente atuaram na prática das infrações tributárias apuradas, tendo como conseqüência o esvaziamento do patrimônio da empresa.
RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. COMPROVAÇÃO. UNIVERSALIDADE DOS BENS. INOCORRÊNCIA.
A falta de comprovação da aquisição, requisito necessário para imputação da responsabilidade solidária por sucessão, implica na exclusão do imputado do pólo passivo da obrigação tributária.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO.
A comprovação de existência de grupo econômico, embora possa ser apta a gerar efeitos nas esferas societária e trabalhista, por exemplo; não pode, isoladamente, gerar efeitos na seara tributária tendo em vista a necessidade de adequação ao tipo legal que, neste caso, determina a existência de interesse comum.
MULTA DE OFÍCIO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
DILIGÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS. DESNECESSIDADE.
Deve ser indeferido o pedido de diligência quando desacompanhado dos quesitos que devem ser verificados, e quando constantes nos autos documentos suficientes para o julgamento.
INTIMAÇÃO. ENDEREÇO DO ADVOGADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.
Numero da decisão: 1302-003.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e às solicitações de realização de diligências e de intimação pessoal da advogada, e, no mérito, quanto à imputação da responsabilidade solidária: a) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de Dunbar Serviços de Segurança - Eireli (atual denominação de Alphagama Segurança e Vigilância Ltda) e em negar provimento ao recurso de Simone Alexandra Barbieri Pompeu; b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de Agape Construção Naval Eireli e Ambiental Bio Service Ltda EPP; vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli (relatora), Carlos César Candal Moreira Filho e Rogério Aparecido Gil; e c) em negar provimento ao recurso voluntário de Alexandre Oliver Gaspar Pompeu, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; e, ainda quanto ao mérito, por unanimidade de votos em negar provimento aos recursos quanto à aplicação da multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor, na parte em que a relatora restou vencida, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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SOLIDARIEDADE. Recorrente ATLÂNTICO SUL SEGURANÇA E VIGILÂNCIA EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS ADMINISTRADORES São responsáveis pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, os sóciosadministradores que comprovadamente atuaram na prática das infrações tributárias apuradas, tendo como conseqüência o esvaziamento do patrimônio da empresa. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. COMPROVAÇÃO. UNIVERSALIDADE DOS BENS. INOCORRÊNCIA. A falta de comprovação da aquisição, requisito necessário para imputação da responsabilidade solidária por sucessão, implica na exclusão do imputado do pólo passivo da obrigação tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 96 /2 01 6- 61 Fl. 3902DF CARF MF 2 A comprovação de existência de grupo econômico, embora possa ser apta a gerar efeitos nas esferas societária e trabalhista, por exemplo; não pode, isoladamente, gerar efeitos na seara tributária tendo em vista a necessidade de adequação ao tipo legal que, neste caso, determina a existência de interesse comum. MULTA DE OFÍCIO. OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 DILIGÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de diligência quando desacompanhado dos quesitos que devem ser verificados, e quando constantes nos autos documentos suficientes para o julgamento. INTIMAÇÃO. ENDEREÇO DO ADVOGADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e às solicitações de realização de diligências e de intimação pessoal da advogada, e, no mérito, quanto à imputação da responsabilidade solidária: a) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de Dunbar Serviços de Segurança Eireli (atual denominação de Alphagama Segurança e Vigilância Ltda) e em negar provimento ao recurso de Simone Alexandra Barbieri Pompeu; b) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de Agape Construção Naval Eireli e Ambiental Bio Service Ltda EPP; vencidos os conselheiros Maria Lúcia Miceli (relatora), Carlos César Candal Moreira Filho e Rogério Aparecido Gil; e c) em negar provimento ao recurso voluntário de Alexandre Oliver Gaspar Pompeu, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; e, ainda quanto ao mérito, por unanimidade de votos em negar provimento aos recursos quanto à aplicação da multa qualificada. Designado para redigir o voto vencedor, na parte em que a relatora restou vencida, o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa Redator Designado. Fl. 3903DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.903 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Trata o presente processo de exigência fiscal formulada contra a recorrente acima identificada, para cobrança dos seguintes créditos tributários relativos ao anocalendário de 2012, todos acrescidos de multa de ofício no percentual de 75% e de juros de mora. Tributo Valor IRPJ R$ 14.339.873,51 CSLL R$ 5.170.994,46 DO LANÇAMENTO O lançamento decorre da glosa das seguintes despesas: CONTA CONTÁBIL DATA VALOR R$ 92201740000000006 Desp. Administrativas 31/01/2012 1.551.960,36 92201740000000006 Desp. Administrativas 29/02/2012 1.770.954,36 92201740000000006 Desp. Administrativas 31/03/2012 1.678.025,47 92201740000000006 Desp. Administrativas 30/04/2012 1.840.555,36 92201740000000006 Desp. Administrativas 31/05/2012 1.950.302,44 92201740000000006 Desp. Administrativas 30/06/2012 2.890.102,36 5.1.1.01.0041 Desp. Administrativas 31/07/2012 6.048.356,32 5.1.1.01.0041 Desp. Administrativas 31/08/2012 6.608.055,50 5.1.1.01.0041 Desp. Administrativas 30/09/2012 7.970.729,35 5.1.1.01.0041 Desp. Administrativas 31/10/2012 5.285.824,23 5.1.1.01.0041 Desp. Administrativas 30/11/2012 9.257.256,96 5.1.1.01.0041 Desp. Administrativas 31/12/2012 10.603.371,53 MATÉRIA TRIBUTÁVEL Total 57.455.494,24 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização foi programada em razão da insuficiência de declaração e recolhimento de IRPJ e CSLL, em que pese vários pagamentos declarados em DIRF de várias empresas. A Escrituração Contábil Digital (ECD) foi entregue e analisada, a partir da qual se verificou que: Fl. 3904DF CARF MF 4 a) o sistema DIRF havia registrado uma receita de R$ 102 milhões pagos pelos clientes, e na DIPJ/2013 as receitas estavam zeradas; as receitas contabilizadas na Escrituração Contábil Digital totalizavam R$ 108 milhões. b) ainda com base na ECD, constatouse que a fiscalizada teria apurado prejuízo nos quatro trimestres. c) analisando as despesas, verificouse lançamentos mensais de despesas administrativas que somavam R$ 57 milhões cujo histórico é "conforme documentos". Intimada a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, foi tomada declaração a termo do contador, responsável pelo preenchimento da DIPJ/2013, que ele não possuía nenhum documento. A fiscalização tomou ciência da falência da autuada por uma nova anotação da Ficha cadastral da JUCESP, registrada após o início da ação fiscal. Assim, o administrador da massa falida, na pessoa física de Sr. Ricardo Hasson Sayeg CPF. 092.817.28800, e na pessoa jurídica, a empresa ProBrasil Serviços de Recuperação de Empresas Eireli CNPJ. 15.324.876/000160, foram também intimados a comprovar as despesas. O administrador da massa falida compareceu à repartição e informou que, resumidamente, a contadora Edna Fibla seria a responsável da escrituração dos livros obrigatórios, sendo solicitado prorrogação de prazo para atendimento à intimação. Também foi apresentada uma petição da sócia Simone Alexandra Barbieri Pompeu, acusando o recebimento da intimação via administrador da massa falida onde foi instada a comprovar as despesas. Solicitou que fosse acolhido um "pendrive" que conteria os Livros Diário de 2011 e 2012, e conteria também esclarecimentos sobre a razão pela qual estes livros não estariam ainda registrados na JUCESP. Na petição, ainda argumentou que havia algumas inconsistências nos lançamentos contábeis, que teria procedido à retificação de tais livros, reconhecendo que o SPED não teria sido retificado. A sócia foi cientificada pela fiscalização de que, após consulta aos arquivos SPED, foi constatado que não havia nenhuma retificação de SPED passível de autenticação pela JUCESP. Ainda, consultando os arquivos da JUCESP, não constaria nenhum documento protocolado em 2014. Assim, foi intimada a verificar junto àquele órgão o arquivamento do requerimento para retificar o SPED, a autenticação da contabilidade retificada e apresentar o laudo, antes mencionado pela própria sócia, que justificaria a retificação. Essa intimação não foi atendida, levando a fiscalização à conclusão de que a retificação da contabilidade não foi encontrada e sequer está pendente de certificação junto à JUCESP. A sócia teria usado o argumento da retificação para não comprovar as despesas administrativas contabilizadas e constantes no sistema SPED válido nos sistemas. DA SUJEIÇÃO PASSIVA Foi constatado que a única sócia da fiscalizada, Simone Alexandra Barbieri Pompeu, juntamente com seu marido, transferiu cerca de 18 milhões para suas pessoas físicas e para suas empresas em 2012 e, no ano seguinte, solicitou sua auto falência. Ela, seu marido Alexandre Oliver Gaspar Pompeu e suas empresas, Agape Construção Naval EIRELI e Ambiental Bio Service LTDA EPP, constituem um grupo econômico que acabou com o patrimônio da empresa autuada e deixou seus empregados sem mesmo as verbas rescisórias decorrentes das demissões e sequer deu baixa em suas carteiras de trabalho. Há indício de que a empresa Alphagama Vigilância e Segurança EIRELI seja sua sucessora, pois absorveu seus Fl. 3905DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.904 5 empregados, continuando com os mesmos contratos de prestação da falida sob a aparência de novas licitações. A seguir estão listados os responsáveis solidários, e os fundamentos legais: 1) Simone Alexandra Barbieri Pompeu, CPF. 153.132.83855 => A sócia da falida realizou transferências a si própria pessoa física, seu marido, sua filha, sua outra empresa, para um estaleiro do seu marido, claramente estranhas às atividades mencionadas no seu objeto social. Devidamente intimada não explicou os pagamentos. Os pagamentos feitos a ela somaram R$ 640.435,11, num ano que antecede o pedido de auto falência. => O artigo 135, inciso III do CTN estabelece responsabilidade subsidiária para terceiros que administram empresa no período em que ocorre a infração ou para terceiros que dissipam irregularmente o patrimônio da empresa devedora do Fisco. Tratase de prática de ato ilícito, com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Também é caso de enquadramento no artigo 124, inciso I do CTN, já que é possível identificar o interesse comum na situação que constitua o fato gerador, considerando as seguintes circunstâncias: • Sócios de fato de pessoa jurídica sócios não contemplados no contrato social (CTN, art. 124) • Sociedade de fato (sociedade em comum não personificada) – Configurase sociedade de fato quando não estão constituídas formalmente. As pessoas físicas componentes da sociedade respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais (CTN, art 124, inciso I, combinado com Lei nº 10.406/02 CC/2002, art. 986 e 990) • Unidade familiar – Configura responsabilidade solidária a apuração conjunta de rendimentos tributáveis. Igualmente para os casos de rendimentos de bens comuns no regime de comunhão de bens ainda que a apuração seja separada. • Grupos Econômicos de Direito e de Fato – Podem configurar um grupo econômico de fato as empresas que têm aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, são interdependentes; quando há confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores, abuso de forma entre as empresas integrantes do agrupamento; pessoas jurídicas que são sócias de fato de sociedade formalmente constituída. Nestes termos, são responsáveis solidários com base no artigo 124, inciso I do CTN: 2) Alexandre Oliver Gaspar Pompeu, CPF. 165.149.76808 => Alexandre é marido e também sócio de fato da falida. Segundo seu depoimento ao administrador da massa falida, afirmou que não seria proprietário da falida, mas eventualmente prestava consultoria no aspecto da participação de certames licitatórios. É titular da Atlântica Boats Estaleiro, atualmente Apape Construção Naval EIRELI, CNPJ. 10.350.228/000165. Fl. 3906DF CARF MF 6 => Constatouse que Alexandre assinava, junto com a sócia, empréstimos junto aos bancos. Além disso, a falida transferiu para a pessoa física do marido o montante de R$ 780.426,62, sem qualquer explicação, em que pese intimada. => Alexandre e Simone constituem uma unidade familiar como também uma sociedade de fato (sociedade em comum não personificada). As pessoas físicas componentes da sociedade respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais (CTN, art. 124, inciso I, c/c Lei nº 10.406/02, artigo 986 e 990). 3) Apage Construção Naval Eireli, CNPJ. 10.350.228/000165 4) Ambiental Bio Service Ltda EPP, CNPJ. 05.834.995/000100 => Os Grupos Econômicos podem ser de direito ou de fato, podendo se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle x subordinação). Se caracteriza a formação de grupo econômico de fato através de análise fática que tornou possível a constatação de combinação de recursos e/ou esforços para a consecução de objetivos comuns. => No caso, Simone Alexandra Barbieri Pompeu, Alexandre Oliver Gaspar Pompeu, sua filha Gabrielle Loraine Barbieri Pompeu e suas empresas constituem um grupo econômico. => Houve a transferência financeira sem causa de R$ 11,5 milhões para a empresa Agape Construção Naval Eireli, estaleiro do Alexandre Oliver Gaspar Pompeu e de R$ 174 mil para a empresa da sócia da autuada, a Ambiental Bio Service Ltda EPP. 5) Alphagama Segurança e Vigilância Ltda, CNPJ 13.649.411/000154 => Esta empresa foi colocada no pólo passivo desta fiscalização, pois há indícios que seria a sucessora da falida. Esta convicção decorre de vários indícios, principalmente da diligência realizada pelo administrador da massa falida junto a vários empregados, os quais informaram que quase 90% dos empregados da falida foram transferidos para a Alphagama ou foram contratados pela Alphagama no curso do contrato de trabalho com a falida. Atestam que alguns dos contratos perdidos pela falida foram assumidos pela Alphagama. Alguns empregados mantiveram dois contratos de trabalho e que quando a falida perdeu o contrato com as ETEC (Escolas Técnicas) e FATEC (Faculdades Técnicas), a Alphagama assumiu o compromisso. => Constatouse transferência bancárias da fiscalizada para a Alphagama no valor de R$ 224 mil. Também foi encontrado, entre os bens da Agape Construção Naval Eireli, empresa do marido da sócia da falida, uma lancha com o nome Alphagama II, que sugere haver mais negócios entre a Alphagama e as empresas do grupo. => Relacionaramse os empregados da falida em janeiro de 2014 e os empregados da Alphagama depois da falência (outubro/2014), tomando por base o mês de janeiro de 2015. Constatouse que 707 empregados constantes da primeira relação constavam como empregados da Alphagama em janeiro de 2015, confirmandose o que foi dito nos depoimentos dos exempregados da Atlântico Sul – uma grande parte dos empregados da falida foi para a Alphagama, além do fato que ela continuou com os mesmos clientes da falida. => Enquadramento Legal: artigo 124, inciso I e artigo 133, ambos do CTN Fl. 3907DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.905 7 Apresentaram impugnação os responsáveis solidários DUNBAR Serviços de Segurança – EIRELI (nome atual da Alphagama Segurança e Vigilância Ltda), AGAPE Construção Naval EIRELI, AMBIENTAL BIO SERVICE LTDA – EPP, Alexandre Oliver Gaspar Pompeu e Simone Alexandra Barbieri Pompeu. Ainda em decorrência desta ação fiscal, as transferências bancárias acima mencionadas, juntamente com outros pagamentos detectados, totalizando R$ 18 milhões, foram objeto de autuação para constituição do crédito tributário de IRRF, com fundamento no artigo 61, §1º da Lei nº 8.981/95, no processo administrativo nº 19515.720.595/201617, com multa de ofício qualificada de 150%, e inclusão dos responsáveis tributários. Em sessão do dia 20 de julho de 2017, a 5ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO prolatou Acórdão nº 1678.761, julgando improcedentes as impugnações, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DESPESAS ESCRITURADAS NA CONTABILIDADE. NECESSIDADE DE LASTRO EM DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. FORÇA PROBANTE. A escrituração somente faz prova a favor do contribuinte quando respaldada em documentos hábeis e idôneos. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO COM BASE NO RIR/99. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Embora seja aprovado mediante decreto, o Regulamento do Imposto de Renda se trata de uma consolidação das leis tributárias disposta de maneira sistematizada. Assim, todas as disposições do referido regulamento repousam em artigos de lei devidamente citados em seu texto, de modo que o princípio da legalidade mantémse absolutamente preservado. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. PRESTADORA DE SERVIÇOS. SUCESSÃO POR AQUISIÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO E CONTINUAÇÃO DO NEGÓCIO. ART. 133 DO CTN. O conjunto de tributos em relação aos quais vai haver sucessão abrange o imposto sobre a renda, quando fique demonstrado que o objeto de alienação, de fato, correspondeu ao que dá conformação substancial à identidade da pessoa jurídica, ou seja, se tratar de aquisição da totalidade da empresa ou de parte que corresponda à sua essência, vale dizer, de parte que lhe dê identidade. No caso, a expressão “continuar a respectiva exploração” deverá ser interpretada em relação à atividade da empresa, considerada pelo conjunto das prestações de serviços Fl. 3908DF CARF MF 8 adquiridas, de forma a prevalecer sobre a análise isolada por serviço prestado, dado que o imposto de renda, em essência, têm natureza vinculada à atividade da pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA DA SUCESSORA POR INFRAÇÃO COMETIDA PELA SUCEDIDA. A responsabilidade tributária da empresa sucessora abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que o fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Nada obstante os art. 132 e 133 do CTN apenas refiramse aos tributos devidos pelo sucedido até a data do ato, a responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do o art. 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 MULTA DE OFÍCIO. PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O exame de alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade é de exclusiva competência do Poder Judiciário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE QUESITOS. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligências, diante da ausência de formulação de quesitos. JUNTADA DE ARGUMENTOS E PROVAS. PRECLUSÃO. Fl. 3909DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.906 9 Os argumentos e a prova documental serão apresentados na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Na fase do contencioso administrativo, as intimações são feitas no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. A seguir, tabela com a ciência da decisão de primeiro grau, e a data da apresentação do recurso voluntário: Recorrente Ciência Recurso fls. dos autos Atlântico Sul Segurança e Vigilância EIRELI 22/08/2017 Não apresentou Simone Alexandra Barbieri Pompeu 22/08/2017 15/09/2017 3530/3727 Alexandre Oliver Gaspar Pompeu 29/08/2017 27/09/2017 3765/3814 Agape Construção Naval Eireli 29/08/2017 27/09/2017 3818/3859 Ambiental Bio Service Ltda EPP 17/08/2017 15/09/2017 3461/3504 Dunbar Serviços de Segurança EIRELI 31/07/2017 29/08/2017 3237/3342 Os recursos voluntários trouxeram as seguintes alegações: => Simone Alexandra Barbieri Pompeu: AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA RECORRENTE EM RAZÃO DA NÃO CONFIGURAÇÃO DE RESPONSABILIDADE PASSIVA COM BASE NO ART. 135 DO CTN o Termo de Sujeição Passiva foi contraditório quanto à natureza da responsabilidade tributária disposta no artigo 135 do CTN, pois inicia reconhecendo seu caráter subsidiário, mas aplica no caso como solidária. a decisão recorrida houve por bem manter a responsabilidade, mudando, no entanto, sua fundamentação para incluir o artigo 124, inciso II do CTN, e argumentar que a responsabilidade seria solidária, fato que viola o direito à ampla defesa. há dois tipos de responsabilidade, a solidária e a subsidiária, devendose tomar cautela na aplicação do artigo 135 do CTN, que determina tratarse de responsabilidade pessoal. a única responsabilidade a ser atribuída com base no artigo 135 do CTN é a pessoal e subsidiária, tendo como pressuposto a ocorrência de atos ilícitos, por excesso de poderes ou infração à lei, contrato ou estatuto, atos decorrem de conduta dolosa ou culposa, devendo ser comprovada pela fiscalização. o simples fato de a recorrente ter sido a administradora da empresa Atlântico Sul Segurança e Vigilância Eireli no período em que apurada a suposta infração autuada não justifica a imputação de responsabilidade passiva com base no artigo 135 do CTN. Fl. 3910DF CARF MF 10 para que a recorrente pudesse ser responsabilizada pelo pagamento do suposto débito cobrado, a autoridade fiscal precisaria ter comprovado que a recorrente, dolosa ou culposamente, teria praticado atos ilícitos, por excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto, sendo a comprovação por meio de provas diretas do ilícito, não bastando meros indícios e suposições. a autuação está baseada na suposição de que as despesas lançadas como administrativas não o seriam de fato, apenas porque talvez os pagamentos não estariam relacionados com a atividade da empresas, além de se basearem em contabilidade que estava equivocada e estava sendo substituída. é inadmissível falarse em dolo ou máfé ou mesmo em uma suposta conduta culposa por má gestão por parte da recorrente, que fez tudo para ver retificada a escrituração contábil equivocada. cita doutrina e jurisprudência de que é imprescindível a comprovação por parte do auditor fiscal de prática de ato com máfé, dolo, excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto, não seria possível a comprovação da conduta dolosa, pois a recorrente havia protocolado, antes do início da ação fiscal, pedido junto a JUCESP de retificação da escrituração para os anoscalendário de 2011 e 2012. o auditor fiscal decidiu por desconsiderar os livros fiscais retificados, apresentados em pendrive, e prosseguir em sua fiscalização com base nos livros fiscais antigos, que não tinham a qualidade que a sócia entendia adequada. a decisão recorrida afirmou que a retificação não existia, uma vez que não foi comprovado seu registro junto a JUCESP, sendo este fato culpa exclusiva daquele órgão; ademais, o pendrive seria prova da retificação dos livros e foi completamente ignorada. a responsabilidade dos sócios, por ser subsidiária, só ocorre quando há a desconsideração da responsabilidade jurídica, em razão de cometimento de ato ilícito, nos termos do artigo 135 do CTN, sendo única exceção, conforme Súmula nº 435 do STJ, quando ocorre a dissolução irregular da empresa, fato que não ocorreu no presente caso, e sim a decretação da falência, de forma lícita. DAS VIOLAÇÕES CONSTITUCIONAIS ACARRETADAS PELO EXÍGUO PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE DEFESA E PELA FALTA DE APRECIAÇÃO DO PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS APÓS O PROTOCOLO DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA houve violação aos seus direitos à Isonomia Processual, à Proporcionalidade, ao devido Processo Legal, ao Contraditório e à ampla defesa, tendo em vista o exíguo prazo de 30 (trinta) dias para elaborar sua defesa, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, diante da fiscalização que teve longa duração de 16 meses, e que trouxe elementos que exigiriam análise complexa, além da busca, separação e juntada de um vasto número de documentos. deverseia conceder um prazo maior para apresentação da defesa, ou ao menos a decisão recorrida ter apreciado e deferido o pedido de juntada posterior. Fl. 3911DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.907 11 não obstante a falta de apreciação do pedido de juntada posterior, juntamse documentos comprobatórios ao presente recurso voluntário, nos termos da hipótese autorizativa do artigo 16, § 4º do Decreto n] 70.235/72. requer que seja dado provimento, a fim de reconhecer as ofensas incorridas aos citados princípios, e para permitir, no mínimo, a juntada de documentos posteriormente ao protocolo da impugnação. DA NULIDADE ABSOLUTA EM RAZÃO DA AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVOS DE LEI OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE houve violação ao Princípio da Legalidade, pois a fundamentação foi única e exclusivamente nos dispositivos do RIR/99, e também no artigo 3º da Lei nº 9.249/95, mas que trata apenas da alíquota para cobrança do IRPJ. sendo o RIR/99 um Decreto, obviamente não era suficiente a sua indicação para que a recorrente soubesse o que é ou não devido a título de imposto e multa, devendo constar no bojo do auto de infração os dispositivos legais que embasam a cobrança. a ausência de fundamentação violou o direito à ampla defesa e ao contraditório por não saber em quais dispositivos legais teria se pautado a Receita Federal para apontar a ocorrência da infração e fixar o montante em que seria devido, o que afronta o artigo 50 da Lei nº 9.784/1999 e o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. o auto de infração deve ser cancelado por ofensa ao Princípio da Legalidade, com a sua conseqüente nulidade. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO — VÍCIO MATERIAL NA SUA MOTIVAÇÃO o auto de infração padece de vício em sua motivação pelo fato de ter descrito como ato infracional as despesas não comprovadas e pela afirmação de que a recorrente, sócia da empresa Atlântico Sul, não teria cumprido à intimação para prestar esclarecimentos justificativas que não condizem com a realidade dos acontecimentos. foi decretada a falência da autuada, de modo que a pessoa jurídica não mais existe, sendo o atual representante legal o administrador judicial. a recorrente prestou os devidos esclarecimentos, informando que já havia protocolado junto a JUCESP o pedido de retificação do SPED, nos quais os lançamentos mencionados no Termo de Intimação Fiscal foram alterados, com a apresentação de pendrive com livros retificados. é um absurdo a decisão recorrida manter a autuação que teve como fundamento a falta de registro dos livros retificados junto à JUCESP. a autoridade fiscal deixou de analisar os livros contábeis apresentados por "pendrive", ensejando a lavratura do auto de infração com base em suporte fático equivocado, de modo que é nítida a sua nulidade por vício em seu motivo. Fl. 3912DF CARF MF 12 é obrigação da autoridade julgadora analisar os livros retificados, reiterando que a ausência do registro dos livros na JUCESP seria mero formalismo. caos não reconhecida a nulidade, que seja determinada baixa do processo em diligência para que o procedimento seja completamente refeito. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO — VÍCIO MATERIAL NO SEU OBJETO a tributação sobre a totalidade dos valores glosados das despesas se reveste com característica de penalidade. a autoridade fiscal deveria ter arbitrado o lucro, já que lavrou o auto de infração em virtude de supostas inconsistências na escrituração contábil e suposta ausência de suporte documental, entendendo por glosar diversas despesas, cobrando IRPJ e CSLL sobre a totalidade de tais valores, sem proceder à correta apuração da base de cálculo. a decisão recorrida deixou de atentar para o fato de que a autoridade fiscal não poderia ter arbitrado o lucro com base na totalidade das despesas, contrariando o artigo 47 da Lei nº 8.981/95. o erro na determinação da base de cálculo do tributo torna os valores indevidos, irreais e exorbitantes, de modo a contaminar o lançamento com vício insanável de ilegalidade, e o torna nulo de pleno direito, uma vez que padece de liquidez e certeza. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA AO RESPONSÁVEL a decisão recorrida não tratou da alegação de impossibilidade de ser aplicada a multa ao responsável tributário, cabendo a anulação do acórdão. a responsabilidade do artigo 135, inciso III do CTN depende da ocorrência dos requisitos previstos no seu caput. a multa deve ser exigida daquele que descumpriu a norma, no presente caso, a recorrente seria mera responsável, de modo que exigirlhe o tributo que é devido por outro já lhe penaliza suficientemente. o fato de a recorrente não configurar o contribuinte no caso, não pode ser duplamente penalizada com o pagamento do tributo e a multa punitiva tendo em vista que não realizou a suposta conduta delituosa. assim, o presente recurso voluntário deve ser provido para anular a acórdão que foi completamente omissa a este aspecto ou, no mínimo, reformar a fim de cancelar a aplicação de multa contra a recorrente. DA EXCLUSÃO DAS MULTAS EM RAZÃO DA BOAFÉ E DO PRINCÍPIO DA EQUIDADE — AUSÊNCIA DE CULPA a recorrente agiu de boafé, pelo fato de ter protocolado pedido de retificação do SPED antes da ação fiscal, bem como ausência de dolo, motivo pelo qual deve ser determinada a exclusão da multa aplicada, em nome do Princípio da Equidade, da Igualdade e da BoaFé. Fl. 3913DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.908 13 DA INADEQUADA APLICAÇÃO DA MULTA OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE é evidente a inconstitucionalidade da multa aplicada, ainda mais, no percentual pretendido, tendo em vista a sua desproporcionalidade e irrazoabilidade que, desde logo, a caracterizam, ao aniquilar o direito à propriedade, ao exercício do trabalho/atividade econômica e afetar a dignidade da pessoa humana, na medida em que a exigência do tributo já penalizaria sobremaneira a ora recorrente. a decisão recorrida deve ser reformada, para anular o auto de infração ou, no mínimo, reduzir de forma drástica a multa aplicada, em virtude da patente ofensa ao Princípio da Proporcionalidade e da Razoabilidade. DA INCONST1TUCIONALIDADE DA COBRANÇA DE MULTA COM CARÁTER CONFISCATÓRIO a decisão recorrida deve ser reformada, tendo em vista que manteve a multa aplicada em patamar que viola, de forma patente, os Princípios Constitucionais da Capacidade Contributiva (art. 145, § 1°, CF) e da Vedação ao Confisco (art. 150, IV, CF), de modo que tal multa deve ser anulada por esse E. Conselho ou, no mínimo, reduzida profunda e drasticamente, razão pela qual deve ser provido o presente Recurso Voluntário. DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL BAIXA DOS AUTOS EM DILIGÊNCIA requer que sejam deferidos os pedidos para baixa do processo em diligência e produção de prova pericial, até para que a recorrente possa exercer devidamente seu direito de defesa, comprovando todas as suas alegações, por meio de análise técnica embasada na documentação contábil e financeira retificada. DO DEVER DE APRECIAÇÃO DAS ALEGAÇÕES DE CUNHO CONSTITUCIONAL EM SEDE ADMINISTRATIVA como pode ser observado nos tópicos acima, as alegações de violação aos Princípios da lsonomia Processual, do Devido Processo Legal, do Contraditório e da Ampla Defesa, da Equidade, da Proporcionalidade, da Razoabilidade, da Vedação ao Confisco e da Capacidade Contributiva, deixaram de ser apreciadas pela Decisão Administrativa de 1ª Instância, sob o argumento de que não caberia ao I. Julgador administrativo realizar análise sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação pátria vigente, sendo de sua competência somente a sua aplicação. cita doutrina e jurisprudência, concluindo que todas as alegações devem ser apreciadas em julgamento, em especial aquelas de cunho constitucional, sob pena de o julgamento ser declarado nulo. => Alexandre Oliver Gaspar Pompeu: AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA RECORRENTE EM RAZÃO DA NÃO INCIDÊNCIA DO ART. 124, INCISO I DO CTN Fl. 3914DF CARF MF 14 a decisão não deve prevalecer, uma vez que completamente ausentes os elementos necessários para a configuração da responsabilidade com base no art. 124, inciso I do CTN, tendo em vista a inexistência de sociedade de fato por parte do recorrente relativamente à empresa Atlântico Sul. ainda que se fosse comprovada a sociedade de fato, não seria suficiente para imputação de responsabilidade tributária ao Recorrente com base no citado dispositivo. o recorrente e a Sra. Simone não constituem, e jamais constituíram, sociedade de fato no âmbito empresarial da empresa Atlântico Sul, que era gerida exclusivamente pela Sra. Simone, enquanto que o recorrente possui sua própria empresa (Ágape Construção Naval Eireli, e gere seus próprios negócios. o recorrente assinou empréstimos nos bancos junto à sua esposa, relativos à empresa falida, somente em razão do vínculo matrimonial, sendo uma prática corrente no mercado financeiro que o cônjuge do beneficiário ou do avalista também assine o contrato, já que em caso de seu descumprimento, parte do patrimônio do recorrente poderia ser prejudicado. a decisão recorrida concluiu que, da simples assinatura em contrato de empréstimo, a recorrente cuidaria da movimentação bancária da empresa falida, conclusão esta sem qualquer fundamento. quanto às transferências bancárias feita da empresa falida ao recorrente, a decisão recorrida foi contraditória, pois embora tenha afirmado que não teriam sido esclarecidos exatamente os serviços prestados, reconheceu, em outro trecho, que foram serviços de consultoria quanto aos certames licitatórios voltados à atividade de segurança, dos quais a Atlântico Sul participava, fato que não configura qualquer demonstração de uma suposta atividade como sócio administrador da empresa falida. a recorrente esclarece contrato de consultoria se deu de forma verbal, tendo em vista que a sócia da empresa falida e o recorrente são marido e mulher, de modo que imperava entre eles a confiança entre as partes. a única contribuição que o recorrente já realizou em relação à empresa falida de sua esposa foi relativa aos serviços de consultoria que a ela prestou, reiterandose, contudo, que tal contribuição se deu na forma da prestação de serviços remunerados, tendo em vista a ausência de participação do recorrente como sócio ou qualquer outra figura dentro da empresa de sua esposa. é inacreditável e inadmissível alegação feita por parte da autoridade fiscal e mantida pela decisão recorrida, no sentido de imputar responsabilidade passiva ao Recorrente "por entender" que a sua esposa, Sra. Simone, não seria dotada de "recursos intelectuais" suficientes para gerir uma empresa do porte da empresa falida, é, além de extremamente ofensiva, sexista e absolutamente inconstitucional, um verdadeiro absurdo do ponto de vista jurídico. reitera que não houve qualquer tipo de sociedade de fato entre o recorrente e sua esposa, e, ainda que tivesse existido, a autoridade fiscal deveria comprovar consistentemente tal alegação, o que não o fez, tendo em vista que os fundamentos utilizados consistiram em mera suposições desprovidas de qualquer suporte fático e técnico especializado. Fl. 3915DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.909 15 a responsabilidade solidária na unidade familiar está adstrita à apuração conjunta de rendimentos tributáveis, mas, como já demonstrado, o recorrente e sua esposa não apuram rendimentos tributáveis juntos, com a mesma atividade ou com a mesma empresa, fato que não justifica imputar a responsabilidade solidária ao recorrente. considerando o artigo 128 do CTN, a única interpretação possível a ser dada ao art. 124 do CTN, é que sua aplicação se dá nos casos em que o mesmo fato gerador é realizado conjuntamente por mais de uma pessoa, ou seja, havendo mais de uma pessoa enquadrada na definição de contribuinte (art. 121, parágrafo único, inciso I). a interpretação defendida pela decisão recorrida quanto à expressão "interesse comum", para fins de imputação da responsabilidade prevista no art. 124, inciso I, do CTN, foi totalmente equivocada e dissonante do restante do ordenamento jurídico, pois esta implica que as pessoas solidariamente vinculadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. para que o art. 124, inciso I, do CTN pudesse ter sido aplicado ao recorrente, ele precisaria ter participado da ocorrência do fato gerador da obrigação, o que não ocorreu no caso, e sequer foi comprovado pelo Fisco, que se limitou a apontar indícios e suposições. não houve comprovação do enquadramento da recorrente em uma das hipóteses para imputação da responsabilidade prevista no artigo 135 do CTN, ainda seja demonstrado que seria sócio de fato da empresa. a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN é derivada do descumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte e seu pressuposto de fato é a ocorrência de atos ilícitos, por excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto, atos estes que somente ocorrem por meio da figura do dolo ou da culpa, sendo imprescindível, para a atribuição de tal responsabilidade, a comprovação pela autoridade fiscal da ocorrência dos referidos requisitos. concluise que o recorrente não podia ter sido apontado para responder pelo débito cobrado no Auto de Infração combatido, uma vez que não se enquadra no art. 124, inciso I, do CTN, já que nunca foi sócio de fato da empresa falida, não constituiu sociedade de fato com sua esposa e não possui vínculo com o fato gerador que gerou a presente autuação; sendo que mesmo que tivesse sido sócio de fato da empresa falida, o que se admite apenas para fins de argumentação, ainda assim, não poderia responder pelo débito, tendo em vista que não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas pelo art. 135 do CTN. => as recorrentes Agape Construção Naval EIRELI, Ambiental Bio Service LTDA EPP e Dunbar Serviços de Segurança EIRELI (atual nome da Alphagama Vigilância e Segurança EIRELI) apresentaram as mesmas alegações acerca da responsabilidade tributária acerca do 124, inciso I do CTN, a seguir: DA EVIDENTE AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA RECORRENTE DA NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 124, INCISO I DO CTN. Fl. 3916DF CARF MF 16 as hipóteses de responsabilidade solidária são aquelas que estão expressamente elencadas nos artigos 128 a 138 do CTN, sendo que nenhuma delas indica responsabilidade solidária de membros de um mesmo grupo econômico. inexiste norma legal definindo o que seria um grupo econômico, de modo que a atribuição da responsabilidade solidária pretendida pelo Fisco é totalmente impraticável. o Termo de Sujeição Passiva afirma que as recorrentes e a empresa autuada originalmente faria parte de grupo econômico, sendo que disso decorreria a responsabilidade tributária, mas esta imputação não possui sustentação legal. a mera afirmação de que existiria um grupo econômico não é suficiente para criar qualquer tipo de obrigação tributária, sendo que não há na legislação do que seria grupo econômico. os argumentos do Fisco para justificar a causa do entendimento de que as empresas recorrentes seriam integrantes do mesmo grupo econômico da Atlântico Sul são completamente rasos. no caso da recorrente ÁGAPE a imputação decorre do simples fato de a recorrente ser pertencente ao marido da sócia da empresa Atlântico Sul, ou seja, a recorrente e a empresa falida sequer possuem o mesmo quadro societário. o vínculo matrimonial entre os sócios da empresa falida e da recorrente ÁGAPE não seria suficiente para responsabilizar solidariamente a recorrente. no caso da recorrente AMBIENTAL, o fato de a recorrente e a empresa Atlântico Sul terem possuído a mesma sócia não seria suficiente para imputar a responsabilidade tributária. a recorrente AMBIENTAL e a Atlântico Sul possuem personalidades jurídicas próprias, ainda que tenham mesmo sócio, e tal coincidência não configura hipótese legal de responsabilidade tributária passiva. no caso da recorrente DUNBAR, a imputação decorre de supostos "indícios" e não em fatos e motivos comprovados, sendo que o ônus seria da fiscalização de fazer a prova do quanto alegado tenha. quanto à transferência de empregados da empresa falida à empresa recorrente DUNBAR, é imperioso esclarecer que, com base em depoimentos de três pessoas que foram empregados da empresa falida, a decisão recorrida afirmou que 90% dos empregados da empresa falida foram contratados pela recorrente DUNBAR; entretanto, de acordo com os documentos acostados aos autos durante a ação fiscal, o percentual seria de 24%. um dos depoentes nunca foi empregado da recorrente DUNBAR, enquanto que os outros dois foram admitidos em 01/12/2013, antes mesmo de ter sido apresentado pedido de falência pela empresa Atlântico Sul, em outubro de 2014. logo, não foi a falência da empresa autuada que ocasionou a contratação dos referidos empregados, como seria o caso de uma operação de sucessão pela recorrente DUNBAR. Fl. 3917DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.910 17 esclarece que o próprio Sindicato promove, nos casos de dissolução de contratos de uma empresa e tomada dos contratos por outra empresa, a preferência de admissão dos empregados da empresa anterior, já vinculados à execução do contrato, pela nova empresa contratante, sendo prática comum no mercado para empresas de segurança e vigilância. no depoimento, em momento algum foi afirmado pelos dois funcionários que teriam deixado de prestar serviços para a empresa falida, mas sim que mantiveram dois contratos de trabalhos simultâneos, não havendo que se falar em transferência destes para a recorrente DUNBAR. o fato de terem trabalhado com a mesma atividade e que alguns dos contratos da empresa falida serem, atualmente, exercidos pela empresa Recorrente DUNBAR, após o devido procedimento licitatório, constituem muito mais fatores comprobatórios da concorrência que havia entre essas empresas, do que supostos e meros indícios de que teria havido entre elas vínculo de grupo econômico e de que a recorrente DUNBAR teria sucedido a empresa falida. ainda que a recorrente DUNBAR tivesse contratado empregados demitidos da Atlântico Sul, sem baixa da carteira, esse fator não poderia configurar indício de grupo econômico, mas que a recorrente teria se deparado com essa disponibilidade de pessoas já treinadas e teria aproveitado a oportunidade de fácil e vantajosa contratação. afirma não houve transferência de contratos da empresa falida à recorrente DUNBAR, esclarecendo que ambas "dividiam" os mesmos clientes na execução de seus serviços, mas não porque formariam grupo econômico, mas porque eram concorrentes. depois da falência Atlântico Sul, a recorrente disputou e ganhou o exercício da execução dos contratos, mas por sucessão, mas sim por ter se sobressaído com o menor preço, dentre os concorrentes que restaram. os contratos firmados pela recorrente somente foram celebrados depois da realização de procedimentos licitatórios, dos quais a recorrente restou vencedora. com relação à lancha denominada "Alphagama II"encontrada entre os bens da empresa do marido da sócia, a recorrente nada tem a ver com a empresa falida, muito menos com o nome escolhido para denominar bem da empresa do marido da sócia, sendo insuficiente para demonstrar suposto vínculo com a Atlântica Sul ou com grupo econômico, e imputar a responsabilidade tributária. a recorrente DUNBAR e a empresa falida sequer possuíam sócios em comum. inevitável a constatação de que a inclusão e a manutenção das recorrentes ao pólo passivo da obrigação tributária se baseiam em ato administrativo puro e simples, sem base legal mínima, em afronta direta ao Princípio da Legalidade Estrita (art. 150, inciso I, da CF), e pior, ato administrativo também plenamente nulo porque sem motivação. ainda que as recorrentes e a empresa falida estivessem no mesmo grupo econômico, o STJ já pacificou entendimento de que o fato de haver pessoas jurídicas nessa situação não enseja responsabilidade solidária. Fl. 3918DF CARF MF 18 as transferências bancárias supostamente sem causa feitas pela Atlântico Sul às recorrentes, também utilizadas como fundamento para justificar a alegação de formação de grupo econômico, não sustentam a referida atribuição de responsabilidade. a recorrente ÁGAPE , foi esclarecido em sede de impugnação que as transferências se refeririam ao pagamento de locação de diversos bens móveis, sendo que a decisão recorrida houve por bem afirmar que não houve comprovação das alegações, uma vez que os bens não foram especificados na escrituração fiscal da empresa falida e não foi juntado aos autos qualquer contrato locatício. como houve locação de mais de um tipo de bem móvel, seria natural que não fossem todos descritos na escrituração fiscal da empresa falida; ademais, a recorrente ÁGAPE não pode ser penalizada por suposto erro cometido pela empresa Atlântico Sul. a recorrente ÁGAPE logrou encontrar, após apresentação da defesa, o contrato firmado com a empresa Atlântico Sul de locação de bens móveis, relativos a veículos, guaritas e embarcações, documento juntado ao recurso voluntário. assim, restou comprovada a locação dos bens móveis, e justificadas as transferências bancárias para recorrente ÁGAPE. a recorrente AMBIENTAL, em sua defesa, esclareceu que as transferências bancárias se refeririam ao reembolso de empréstimos feito em nome da recorrente e destinados à Atlântico Sul, mas a decisão recorrida houve por bem afirmar que não houve comprovação das alegações, já que diversos documentos juntados faziam menção a uma empresa "Empreendimentos Comerciais". a "Empreendimentos Comerciais" é uma denominação antiga da recorrente AMBIENTAL, fato que poderia ter sido verificado pela própria Receita Federal, já que possui várias informações da recorrente. considerando os documentos acostados aos autos, e aqueles ora juntados no recurso voluntário, restou comprovada a realização dos empréstimos em nome da recorrente AMBIENTAL. por outro lado, não foi firmado contrato entre a empresa falida e a recorrente AMBIENTAL, no que tange à realização desses empréstimos, uma vez que se trata da mesma sócia, admitindose a celebração de contrato verbal. não cabe a alegação de que tais empréstimos constituiria um indício de grupo econômico, uma vez que a Sra. Simone tinha plena liberdade, como sócia majoritária das duas empresas e como empresária, de se utilizar do nome de uma delas para obter recursos para outra, não infringindo nenhuma lei. logo, restaram justificadas as transferências bancárias entre a empresa Atlântico Sul e a recorrente AMBIENTAL. ainda com relação à recorrente AMBIENTAL, consta no Termos de Sujeição Passiva que, para embasar a alegação de formação de grupo econômico, haveria uma suposta complementaridade das atividades exercidas pela recorrente em relação às atividades exercida pela Atlântico Sul. ocorre que a recorrente AMBIENTAL exercia serviços de apoio a edifícios, medição de consumo e gestão de recursos humanos, enquanto que a empresa falida exercia Fl. 3919DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.911 19 atividade de vigilância, não restando demonstrado em que nível tais atividades estariam atreladas para serem complementares uma a outra, o que demonstra a vagueza na fundamentação que embasa a autuação. ainda que fosse demonstrado que as atividades seriam complementares, ainda assim não haveria que se falar em responsabilidade passiva à recorrente AMBIENTAL, uma vez que tal conduta não enseja a incidência de nenhum tributo ou enquadramento a qualquer infração, sequer seria indicativo de grupo econômico. o Princípio da Capacidade Contributiva impõe que seja cobrado tributo de pessoa que tenha sua riqueza revelada pela ocorrência do fato imponível, o que não ocorreu no presente caso, já que as recorrentes não guardam relação com o fato gerador, bem como não revelou riqueza, sendo ofensa ao citado princípio. também violou o Princípio da Isonomia, pois o Fisco trata de forma idêntica, por meio da responsabilidade solidária, empresas que se encontram em situações diversas, e sequer possuem relação com os fatos jurídicos capitulados pela fiscalização. feitos os esclarecimentos sobre a alegação relativa à suposta formação de grupo econômico, afirma que não há incidência do artigo 124, inciso I do CTN. considerando o artigo 128 do CTN, a única interpretação possível a ser dada ao art. 124 do CTN, é que sua aplicação se dá nos casos em que o mesmo fato gerador é realizado conjuntamente por mais de uma pessoa, ou seja, havendo mais de uma pessoa enquadrada na definição de contribuinte (art. 121, parágrafo único, inciso I). é preciso cautela para interpretar a expressão "interesse comum", para fins de imputação da responsabilidade prevista no art. 124, inciso I, do CTN, pois esta implica que as pessoas solidariamente vinculadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. para que o art. 124, inciso I, do CTN pudesse ter sido aplicado às recorrentes, estas precisariam ter participado da ocorrência do fato gerador da obrigação, o que não ocorreu no caso, e, ainda que tivesse ocorrido, não foi comprovado pelo Fisco vínculo suficiente para caracterizar as recorrentes como devedoras solidárias. apenas os fatos de (1) a recorrente AMBIENTAL pertencer à sócia da empresa Atlântico Sul, (2) a recorrente ÁGAPE pertencer ao marido da citada sócia e (3) a recorrente DUNBAR ter obtido vantagens com o encerramento das atividades da empresa falida, não configuram motivos para responsabilizálas solidariamente pelo débito da empresa falida. os demais argumentos do fisco e da decisão recorrida são apenas especulações de que as transferências seriam para esvaziar o patrimônio da empresa falida e que haveria uma complementariedade nas atividades exercidas. o elemento essencial que justifica a atribuição de responsabilidade para terceiro é a existência de fraude, que deve ser cabalmente demonstrado pela Fiscalização, o que não foi feito no caso. Fl. 3920DF CARF MF 20 portanto, não há dúvidas quanto à nulidade absoluta do Termo de Sujeição Passiva Solidária, com base na suposta configuração de grupo econômico e na suposta incidência do art. 124, inciso I, do CTN, razão pela qual a decisão recorrida deve ser reformada, a fim de que se reconheça que a cobrança discutida deve ser cancelada, ao menos em face das recorrentes, uma vez que esta não pode ser considerada responsável tributária solidária na medida em que não realizou ou participou diretamente do fato gerador da autuação em comento, bem como não agiu com fraude ou má fé em momento algum, motivo pelo qual deve ser provido o presente recurso voluntário. => a recorrente Dunbar Serviços de Vigilância EIRELI também apresentou impugnação quanto aos seguinte tópicos: AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA RECORRENTE EM RAZÃO DA NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 133 DO CTN. com base no artigo 133 do CTN, os elementos autorizadores para sua incidência são: (i) aquisição, a qualquer título, de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional e (iii) continuidade da exploração da respectiva atividade comercial, mesmo que sob outra razão social. não houve qualquer tipo de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, o que já impediria a aplicação do artigo 133 do CTN. o estabelecimento comercial da empresa falida, no que tangia aos bens corpóreos, estava instalado no bairro de Santo Amaro (São Paulo SP), enquanto o estabelecimento comercial da recorrente, desde antes da alteração de seu nome, está instalado no Bairro de Santana (São Paulo SP), não tendo sido adquirido por ela qualquer tipo de maquinário, mercadoria, ou outro objeto material, da falida o fato de atuar no mesmo município da empresa falida não equivale à ocupar o mesmo endereço e, tampouco, equivale ao enquadramento na situação de "aquisição do fundo de comércio ou estabelecimento comercial", o que afasta a incidência do artigo 133 do CTN, que não pode ser interpretado extensivamente. também não adquiriu nenhum bem incorpóreo, ressaltando que nunca utilizou a razão social da empresa falida. quanto aos contratos de serviços e os empregados, sequer são considerados bens, não integrando o estabelecimento comercial, não sendo elementos autorizadores do enquadramento da recorrente como sucessora da empresa falida. ratifica as razões já apresentadas para afastar a alegação de formação de grupo econômico, no que concerne aos contratos com os clientes da empresa falida e da contratação dos empregados desta última, além das provas da sua participação em processo licitatórios, desconsiderados pela decisão recorrida. a transferência no valor de R$ 224.385,54, da empresa falida para a recorrente, decorre de remuneração pela cessão de mão de obra utilizada em uma situação específica, argumento não acatado pela decisão recorrida por falta de provas. justificou que não havia localizado as provas em função do curto prazo de 30 dias para apresentar a impugnação, mas que logrou êxito de forma a anexar aos autos o contrato de prestação celebrado entre ela e a empresa falida em setembro/2012, bem como os Fl. 3921DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.912 21 recibos do pagamento pelos serviços prestados, o que comprova as alegações quanto à transferência. ademais, essa transferência não poderia representar a aquisição do estabelecimento comercial, como entendeu a decisão recorrida, valor total de R$ 224.385,54 representou apenas o percentual aproximado de 24% de seu faturamento total anual de 2012, que foi de aproximadamente R$ 837.000,00, sendo impossível entender pela ocorrência de uma operação de sucessão, ainda mais tendo em vista o tamanho da empresa falida. o fato de explorar a mesma atividade não constitui, fora do contexto do artigo 133 do CTN, qualquer indício ou prova que a recorrente seria sucessora da empresa falida, servindo apenas para demonstrar a concorrência comercial que existia entre as duas empresas. diante de todo o exposto, concluise inadmissível a manutenção do enquadramento da recorrente como sucessora da empresa falida, com base no art. 133 do CTN, uma vez que os elementos autorizadores de tal enquadramento não se encontram presentes no caso, não podendo a recorrente ser responsabilizada pelo pagamento do débito exigido em face da empresa Atlântico Sul. DA INCONTESTÁVEL NULIDADE ABSOLUTA DA AUTUAÇÃO EM RAZÃO DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA RECORRENTE a recorrente não possui meios de exercer sua ampla defesa quanto ao lançamento uma vez que não tem acesso às informações contábeis da empresa falida, e o mérito da autuação está diretamente atrelado a tais informações. a decisão recorrida não acatou a alegação de nulidade, uma vez que teria ocorrido a sucessão, e que teria apresentado extenso arrazoado de defesa, acompanhado de documentos, o que reforçaria a tese de que não teria sido prejudicada no exercício de sua defesa. alega que teve acesso a todos os documentos constantes nos autos, e apresentou toda a defesa que lhe seria possível, com a juntada de todos os documentos que estavam à sua disposição, mas este fato não permitir concluir que teria logrado exercer a mais ampla defesa, alegando, na impugnação, que nada poderia refutar quanto a questões específicas sobre o mérito, pois era impossível obter informações contábeis referentes a outra empresa, ressaltando que não restou comprovada a suposta sucessão. é evidente que é impossível à recorrente refutar todo o mérito da autuação, tendo em vista que não tem acesso à contabilidade da empresa Atlântico Sul e, conseqüentemente, não possui meios para afastar determinados enquadramentos feitos pela fiscalização, o que ofende ao Princípio Constitucional do direito à Ampla Defesa, devendo ser reformada a decisão recorrida, para cancelar o auto de infração em face da recorrente. => a recorrente DUNBAR apresentou as mesmas alegações da sócia Simone, nos seguintes tópicos. Da impossibilidade aplicação da multa ao responsável Fl. 3922DF CARF MF 22 Da exclusão das multas em razão da boafé e do princípio da equidade ausência de culpa Da indubitável nulidade absoluta da autuação em razão da ausência de indicação de dispositivos de lei ofensa ao princípio da legalidade Da inadequada aplicação da multa ofensa aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade Da inconstitucionalidade da cobrança da multa com caráter confiscatório Do dever de apreciação das alegações de cunho constitucional em sede de administrativa. => Quanto ao mérito da autuação, os recorrentes ALEXANDRE, AGAPE E AMBIENTAL corroboram e ratificam as razões que foram apresentadas pela sócia da empresa Atlântico Sul, a Sra. Simone Alexandra Barbieri Pompeu. as violações aos Princípios da lsonomia Processual, da Proporcionalidade, do Devido Processo Legal, do Contraditório e da Ampla Defesa. a nulidade absoluta da Autuação em razão da ausência de indicação de dispositivos de lei quanto à cobrança do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e, consequentemente, da ofensa ao Princípio da Legalidade. a nulidade do Auto de Infração em razão de vício material na sua motivação. a nulidade do Auto de Infração em razão de vício material no seu objeto. a impossibilidade de aplicação de multa ao responsável tributário a exclusão da multa em razão dos Princípios da BoaFé e da Equidade a inadequada aplicação da multa em virtude de ofensa aos Princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade. as ofensas aos Princípios da Capacidade Contributiva e da Vedação ao Confisco em razão da aplicação de multa no percentual exacerbado de 75%. a necessidade de produção de prova pericial e de baixa dos autos em diligência. ao dever de apreciação das alegações de cunho constitucional em sede administrativa. Por fim, com exceção da recorrente Dunbar, os demais recorrentes requerem que as intimações sejam feitas, exclusivamente, em nome de RAQUEL ELITA ALVES PRETO, inscrita na OAB/SP sob o n° 108.004, com escritório na Rua da Consolação, n° 2697, 6° e 7° andares, no Município de São Paulo, Estado de São Paulo. É o relatório. Fl. 3923DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.913 23 Voto Vencido Conselheiro Maria Lucia Miceli Relatora. Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, deles eu conheço. É de se atentar que a empresa autuada não apresentou recurso voluntário, de modo que a primeira matéria a ser enfrentada é quanto à inclusão dos recorrentes no pólo passivo deste lançamento. Somente se mantida a responsabilidade de algum dos recorrentes que será possível conhecer das alegações atinentes ao lançamento. De acordo com o Termo de Sujeição Passiva Solidária, os fundamentos legais para imputação da responsabilidade solidária são os que seguem: Responsável Solidário Fundamento Legal Simone Alexandra Barbieri Pompeu artigo 135, inciso III do CTN Alexandre Oliver Gaspar Pompeu artigo 124, inciso I do CTN Apage Construção Naval Eireli artigo 124, inciso I do CTN Ambiental Bio Service Ltda EPP artigo 124, inciso I do CTN Dunbar Serviços de Segurança – EIRELI artigos 124, inciso I, e 133 do CTN Neste voto, as alegações de defesa estarão agrupadas por fundamento legal. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ARTIGO 135, INCISOS II E III DO CTN O auditor fiscal motivou a imputação da responsabilidade tributária a Simone Alexandra Barbieri Pompeu no fato de que a única sócia da autuada, juntamente com seu marido, acabou com o patrimônio da empresa, transferindo cerca de R$ 18 milhões para as suas pessoas físicas, incluindo a filha do casal, e para as suas empresas em 2012, e em seguida solicitou sua auto falência. Aduz que estas retiradas foram contabilizadas provavelmente como despesas administrativas que, com o histórico singelo de "conforme documentos", nunca foram comprovadas apesar de intimada. Ainda de acordo com auditor fiscal, o artigo 135, inciso III do CTN, estabelece responsabilidade solidária para terceiros que administraram a empresa no período em que ocorre a infração, ou para terceiros que dissipam irregularmente o patrimônio da empresa devedora do Fisco, como seria o caso da Simone Alexandra Barbieri Pompeu. Fl. 3924DF CARF MF 24 Por sua vez, a recorrente alega que o artigo 135 do CTN tem caráter pessoal e subsidiário. Afirma que não foi comprovada a prática de ato com máfé, dolo, excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto. A autuação relativa às despesas está baseada em contabilidade equivocada, e alega que teria protocolado junto a JUCESP pedido de retificação da escrituração antes do início da ação fiscal, o que torna impossível a comprovação de conduta dolosa. Além disso, alega que a decisão recorrida mudou a fundamentação da imputação da responsabilidade tributária, citando o artigo 124 do CTN. Passo a julgar. O artigo 135 do CTN dispõe que: Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A jurisprudência é no sentido de que o artigo 135, inciso III do CTN responsabiliza aqueles que estejam na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica e tãosomente quando pratiquem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Desse modo, apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito (mal gestão ou representação) e a conseqüência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. (RE 562.726/PR, j. 03/11/2010, sob a forma do artigo 543B do CPC). E quanto à natureza da responsabilidade, me filio ao entendimento de que seria solidária. Assim, a existência de responsabilidade do administrador não afeta a responsabilidade da pessoa jurídica, permanecendo ambos igualmente responsáveis pelo crédito tributário, sem benefício de ordem. Assim, nem haveria desoneração da pessoa jurídica em razão da responsabilidade do administrador, nem dependeria a responsabilidade deste do esgotamento do patrimônio da sociedade. Responderiam ambos, integral e solidariamente. Neste sentido, é a posição de Hugo de Brito Machado (Comentários ao Código Tributário Nacional. V. 2, São Paulo: Atlas, 2004, p. 572 e 594), que defende que o artigo 135 trata de solidariedade sem o benefício de ordem, não devendo ser excluído do pólo passivo o contribuinte : “Dizer que são pessoalmente responsáveis as pessoas que indica não quer dizer que a pessoa jurídica fica desobrigada. A presença do responsável, daquele a quem é atribuída a responsabilidade tributária nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, não exclui a presença do contribuinte.” Importante esclarecer que a decisão recorrida, para fundamentar que possui o mesmo entendimento da natureza solidária, houve por bem iniciar o voto citando os dispositivos que tratam da responsabilidade tributária, nos seguintes termos: Fl. 3925DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.914 25 Ainda, impõese aclarar a hipótese de responsabilidade tributária tratada nos arts. 124 e 135 do CTN: (...) Como visto, são solidárias, nos termos do art. 124, II, do CTN, as pessoas expressamente designadas por lei, sendo que o próprio Código Tributário (norma com status de lei complementar) atribui a responsabilidade pessoal pelo crédito tributário aos diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica, bem como aos mandatários, prepostos e empregados, quando resultante de atos praticados com excesso de poder, infração de lei, contrato social ou estatuto (art. 135, II e III), ou seja, mediante ato abusivo, assim considerado a conduta dolosa ou culposa praticada. (...) De se concluir, de todo exposto, que também a responsabilidade pessoal tratada no art. 135, II e III, do CTN é de natureza solidária, competindo aos diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica, seus mandatários ou prepostos, demonstrarem que não agiram com dolo, culpa, fraude ou excesso de poder, conforme precedentes que ensejaram a Súmula 435 do STJ. (...) Portanto, nada há de se reparar quanto à sujeição passiva solidária da Sra. Simone. É claro perceber que, diferente do que alega a recorrente, não houve alteração da fundamentação legal para imputação da responsabilidade tributária. O artigo 124 do CTN apenas foi citado, fazendo parte da análise dos dispositivos legais acerca desta matéria. Enfim, citada a legislação, vamos ao caso concreto. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização foi motivada pelo comparativo das receitas que teriam sido auferidas pela empresa, considerando as DIRF apresentadas, totalizando R$ 103 milhões, e a DIPJ/2013 transmitida com valores zerados. Foi requisitada cópia da Escrituração Contábil Digital, na qual constatouse que a empresa autuada, no anocalendário de 2012, obteve receitas no valor de R$ 108 milhões, mas apurou prejuízo em todos os trimestres. Da análise das despesas, foi constatado o montante de R$ 57 milhões de lançamentos contábeis com o histórico de "conforme documentos", sem qualquer comprovação. Paralelo a este fato, foram verificadas, nos extratos bancários, transferências para a sócia, para seu marido Alexandre Oliver Gaspar Pompeu, sua filha Gabrielle Loraine Barbieri Pompeu, e também para outras empresas pertencente ao casal, no montante de R$ 13 milhões, sem qualquer comprovação de sua causa durante a ação fiscal. Como bem apontou o auditor fiscal, estas transferências foram contabilizadas, provavelmente, como as despesas administrativas que foram glosadas. Para melhor entender essas transferências, faço um esquema entre as pessoas física e jurídicas envolvidas: Fl. 3926DF CARF MF 26 As despesas sem comprovação, junto com as transferências bancárias, demonstraram a intenção inequívoca de esvaziar o patrimônio da empresa autuada em benefício próprio, tornando a empresa insolvente, inclusive frente aos débitos relativos às verbas rescisórias, pedindo sua auto falência posteriormente. E, se não fosse do cotejo entre as informações prestadas pelas fontes pagadoras e a DIPJ/2013 apresentada, com valores zerados, nada disso seria do conhecimento da Administração Fazendária. Dos fatos acima apontados, não se sustenta a alegação de que não estaria comprovada a hipótese necessária para imputação da responsabilidade tributária com base no artigo 135 do CTN. E sequer o fato de ter pedido a retificação do SPED em data anterior ao início da ação fiscal não explica ou justifica as despesas sem qualquer comprovação no montante de R$ 57 milhões, e sequer as transferências as pessoas ligadas à recorrente. Também se equivoca a recorrente quando afirma que o lançamento foi baseado em escrituração equivocada, pois é no SPED Sistema Público de Escrituração Digital que obtém a base de dados oficial da contabilidade de uma empresa. Não há previsão legal para verificar a correta apuração dos tributos em uma contabilidade não chancelada pela Junta Comercial, como é o caso da JUCESP. Ainda com relação ao pedido de retificação do SPED, faço as seguintes observações. No requerimento para retificação do SPED, fls. 2710, protocolado em 10/10/2014, a justificativa apresentada seria a "impossibilidade de aproveitamento do material anteriormente enviado, o qual resultou em Demonstrações contábeis inconsistentes, conforme laudo anexo". No Laudo Técnico Contábil de 30 de outubro de 2013, fls. 2711/2712, consta que: Procedida à análise e reconciliação, com base na documentação que nos foi apresentada, foram detectadas inconsistências significativas, tais como: i) lançamentos contábeis sem o devido suporte de documentação fidedigna, ii) provisões contábeis em desconexão com o previsto nas normas contábeis e fiscais, iii) omissão de registros bancários, iv) omissão de baixa de títulos recebidos, v) omissão do registro de títulos negociados junto a instituições financeiras, vi) contabilização de valores de depreciação em desacordo com os padrões estabelecidos pela legislação aplicável, vii) provisões dos encargos relativos a folha de pagamento em discordância com a legislação trabalhista e previdenciária, viii) valores relativos a contabilizações de intangível em desacordo com as normas em vigor, entre outros. Fl. 3927DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.915 27 Das inconsistências, chamo atenção para a primeira, que seriam os lançamentos contábeis sem o devido suporte de documentação fidedigna, que, a princípio, poderia estar relacionada com o presente lançamento. Entretanto, essa inconsistência detectada não acarreta a invalidação da autuação, mas sim o reforça, já que é exatamente este o fundamento: ausência de comprovação dos lançamentos contábeis a título de despesas administrativas, no importe de R$ 57 milhões. Se laudo apontasse lançamentos contábeis inexistentes, caso se referissem às despesas aqui tratadas, caberia a retificação do resultado do exercício, com a alteração da base de cálculo dos tributos, majorandoa, logicamente. Neste contexto, Laudo Contábil não colabora com a defesa, pois está consignado a existência de lançamentos sem documentação fidedigna que os comprovasse. Ciente desta constatação desde 30 de outubro de 2013, a recorrente, única sócia da empresa falida, em nada laborou para reverter a situação, procedimento que reforça a conclusão de que a intenção seria de esvaziar o patrimônio, juntamente com os demais responsáveis tributários. Destaco, ainda, que o montante de despesas não comprovadas, de R$ 57 milhões, equivale a mais de 52% das receitas auferidas, de R$ 108 milhões. Pelo acima exposto, concluo que restou comprovado a hipótese de imputação da responsabilidade tributária previsto no artigo 135, inciso III do CTN, motivo pelo qual voto por não dar provimento ao recurso voluntário de Simone Alexandra Barbieri Pompeu, mantendoa no pólo passivo do lançamento. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ARTIGO 124, INCISO I DO CTN Tendo por base os Termos de Sujeição Passiva Solidária, responsabilidade tributária foi imputada, com base no artigo 124, inciso I do CTN, às pessoas física e jurídicas abaixo discriminadas: 1) Alexandre Oliver Gaspar Pompeu, CPF. 165.149.76808, pelos seguintes motivos: é marido de Simone e também de fato da falida; relata o auditor fiscal que a sócia da autuada, em depoimento ao administrador da massa falida, disse que teve uma infância e criação bem simples, e que seu marido orienta na participação em licitações e pregões públicos, prestando eventualmente consultoria à empresa. assinou junto com sócia empréstimos requeridos aos bancos em nome da empresa falida foi transferido para a pessoa física do marido o valor de R$ 780.426,62, sem qualquer explicação. o Sr. Alexandre e a Sra. Simone constituem uma unidade familiar como também uma sociedade de fato. 2) Agape Construção Naval Eireli, CNPJ. 10.350.228/000165. Fl. 3928DF CARF MF 28 seu único sócio é o Sr. Alexandre Oliver Gaspar Pompeu, e recebeu da empresa falida, durante o anocalendário de 2012, o valor de R$ 11.491.370,65, sem qualquer justificativa. 3) Ambiental Bio Service Ltda EPP, CNPJ. 05.834.995/000100 sua única sócia é a Sra. Simone Alexandra Barbieri Pompeu, e recebeu da empresa falida, durante o anocalendário de 2012, o valor de R$ 174.354,56, sem qualquer justificativa. No entendimento do auditor fiscal, estes responsáveis solidários, juntamente com a sócia, constituiriam um grupo econômico, possuindo interesse comum e coparticiparam no fato gerador da obrigação principal. As defesas dos recorrentes apresentam pontos em comum, afirmando que não existiria, na legislação, definição de grupo econômico, e sequer teria sido comprovado nos autos a sua existência. No que concerne à responsabilidade tributária prevista no artigo 124, inciso I do CTN, afirmam que sua aplicação depende da comprovação da participação dos recorrentes na ocorrência do fato gerador. No entanto, o auditor fiscal se limitou a apontar indícios e suposições. Passo a julgar. A defesa quer afastar a caracterização de grupo econômico alegando que não existiria uma definição legal. Entretanto, podemos encontrar a definição de grupo econômico na Lei das SA (Lei nº 6.404/76), como um conjunto de empresas que atua, sob controle e direção centralizado, objetivando concretizar seus negócios econômicos com maior êxito, dividindo riscos. É o interesse em comum de sucesso no empreendimento, no qual todos do grupo unem seus esforços e recursos para obtenção desta meta. No presente caso, tratase de um grupo econômico de fato, na qual duas empresas estão interligadas pelo fato dos sócios serem casados, cujo interesse comum que os unem é o esvaziamento do patrimônio da empresa autuada, por meio de diversas transferências de numerários para os integrantes deste grupo. Pelos fatos apontados nos autos, a empresa autuada, no anocalendário de 2012, obteve receitas no valor de R$ 108 milhões, mas apurou prejuízo em todos os trimestres. Da análise das despesas, foi constatado o montante de R$ 57 milhões de lançamentos contábeis com o histórico de "conforme documentos", sem qualquer comprovação. Paralelo a este fato, foram verificadas, nos extratos bancários, transferências para os integrantes do grupo econômico no montante de R$ 13 milhões, sem qualquer comprovação de sua causa durante a ação fiscal, e também em sede de impugnação. Como bem apontou o auditor fiscal, estas transferências foram contabilizadas, provavelmente, como as despesas administrativas que foram glosadas. Como já relatado, estas transferências bancárias foram objeto de autuação, que totalizaram R$ 18 milhões com a inclusão de outros valores transferidos sem comprovação, para constituição do crédito tributário de IRRF, com fundamento no artigo 61, §1º da Lei nº 8.981/95, no processo administrativo nº 19515.720.595/201617. Este lançamento foi com multa qualificada de 150%, e inclusão dos mesmos responsáveis tributários. E é neste contexto que se aplica a solidariedade prevista no artigo 124, inciso I do CTN, que impõe a demonstração do interesse comum no fato gerador para que a responsabilidade pelo crédito tributário seja imputada às pessoas, físicas ou jurídicas, que integram o grupo econômico. As despesas sem comprovação, junto com as transferências Fl. 3929DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.916 29 bancárias, demonstram que o grupo econômico tinha o intuito de esvaziar o patrimônio em benefício próprio, tornando a empresa insolvente, inclusive frente aos débitos relativos às verbas rescisórias, pedindo sua auto falência no ano seguinte. Já que o patrimônio foi transferido para os integrantes do grupo econômico, fazse necessário a inclusão dos mesmos no pólo passivo, em função do interesse jurídico já cabalmente demonstrado no fato gerador desta obrigação tributária, decorrente da glosa das despesas não comprovadas. Passo a análise dos demais argumentos específicos de cada recorrente. O recorrente Sr. Alexandre afirma que não existiria sociedade de fato, e que assinou os empréstimos somente em função do vínculo matrimonial. Quanto às transferências bancárias, estas são relativas aos serviços de consultoria prestados à empresa falida, fato que não configura atividade de sócio administrador. Não apresentou contratos para comprovar a prestação de serviços de consultoria, pois teria feito acordo verbal com sua esposa. E, ainda que considerado como sócio de fato, não se enquadraria nas hipóteses do artigo 135 do CTN. Compulsando os autos, comprovase que, no empréstimo tomado junto a Caixa Econômica Federal, o recorrente Alexandre assinou o contrato na condição de cônjuge do avalista, como é possível observar às fls. 1518. Entretanto, este é um único fato que, isolado, não descaracteriza o Sr. Alexandre como sócio de fato, e com interesse comum no fato gerador. É preciso analisar todos os elementos trazidos aos autos, que demonstram a atuação ativa do recorrente na administração da empresa. E isso passa necessariamente, pelo depoimento de sua esposa, sócia da empresa autuada, ao administrador da massa falida, que relata que teve uma infância e criação bem simples, e que o Sr. Alexandre teria expertise em projetos de vigilância e orienta na participação em licitações e pregões públicos. É neste contexto que o auditor fiscal ressalta, no Termo de Sujeição Passiva Solidária, que estamos tratando de uma empresa que teve 4.000 empregados e recebeu cerca de R$ 100 milhões em contratos com órgãos públicos, com a participação necessária em processo de licitações, para os quais devem ser observadas regras impostas pela legislação. Cumpre ainda observar que, até 05/07/2011, ano anterior ao da autuação, o Sr. Alexandre possuía procuração com plenos poderes discriminados a seguir, conforme documento às fls. 510/511: a) assinar, requerer, receber, alegar e promover o que necessário for nas repartições públicas, federais, estaduais, municipais, Companhias Administradoras de Consórcios, Planos de Saúde, Telefônicas e Seguradoras,—Tabeliães de Notas, Oficiais de Registro de Imóveis e Registro de Títulos e Documentos competentes, Companhias e Concessionárias de Energia Elétrica e de Água e Esgotos, Detran, Procon, Junta Comercial, Correios é Telégrafos, delegacias; b) comprar e vender mercadorias do ramo de negócio da outorgante, celebrar e rescindir contratos, efetuar pagamentos e recebimentos de modo geral, dar e aceitar recibos e quitações; c) abrir, movimentar e encerrar contas correntes e poupanças em Bancos em geral, inclusive Banco do Brasil S/A e Caixas Econômicas Federais e Estaduais e demais estabelecimentos de crédito, podendo para tanto, prestar declarações, cumprir exigências, assinar e apresentar papéis e (documentos necessários, pagar Fl. 3930DF CARF MF 30 taxas, fazer depósitos e retiradas, transferências, receber, emitir, sacar, descontar, endossar, protestar, aceitar e assinar cheques, ordens de pagamentos, duplicatas, notas promissórias e títulos de créditos em geral, assinar contratos de desconto de duplicatas, solicitar saldos, extratos, talão de cheques, fazer aplicações financeiras, bem como resgatálas; contrair empréstimos e financiamentos, assinando os contratos necessários, tratar de todos e quaisquer assuntos relacionados a cartões de crédito, promover cancelamentos, promover recadastramentos, retirar correspondência, cheques devolvidos, solicitar e retirar, cartão magnético, escolher senhas, renegociar e quitar dívidas em nome da outorgante, concordar ou não com cálculos e valores, receber e dar quitação e demais operações bancárias d) representála perante o Ministério da Fazenda, Receita Federal, tratando de quaisquer assuntos relacionados ao Imposto de Renda, preencher e assinar formulários; prestar declarações; fazer provas e cumprir exigências, juntar e desentranhar papéis e documentos, receber e dar quitação, receber, restituições para tanto endossando cheques e ordens de pagamento para depósitos, em conta corrente ou saque, efetuar pagamentos no todo ou em parcelas e demais atos correlatos; e) tratar de todos e quaisquer assuntos relacionados a admissão e demissão de funcionários, podendo para tanto, prestar declarações, cumprir exigências, assinar e apresentar papéis e documentos necessários, assinar e dar baixa em carteiras de trabalho, assinar homologação de rescisão de contrato de trabalho, representála perante o Ministério e Justiça do Trabalho, Sindicatos de Classe, Fórum e Juizado Especial Cível competentes, repartições públicas quer sejam Federais, Estaduais e Municipais, para junto aos mesmos tratar de todos os assuntos e interesses da outorgante, podendo para tanto, prestar declarações, cumprir exigências, assinar e apresentar papéis e documentos necessários, apresentar e desentranhar provas, requerer e receber papéis e documentos necessários, representála em audiências, alegar, concordar, discordar, requerer e promover o que necessário for, defender os direitos da outorgante; f) podendo ainda se necessário for, constituir e destituir advogados com os poderes da cláusula "adJudicia", em qualquer Juízo, Instância ou Tribunal, conferindolhe ainda poderes especiais para transigir, desistir, firmar compromissos e acordos: g) representála perante quaisquer repartições e empresas públicas quer sejam Federais, Estaduais e Municipais, Autarquias, Empresas Privadas e onde mais necessário for, para junto aos mesmos tratar de todos e quaisquer assuntos referente a licitações em nome da outorgante; podendo prestar e assinar declarações, cumprir exigências, assinar e apresentar papéis e documentos necessários, preencher formulários e requerimentos, participar de concorrências, assinar contratos de prestação de serviços, recorrer ou desistir de recursos, juntar e apresentar provas, assinar contratos, distratos, concordar ou não com termos, cláusulas, condições, cálculos e valores, receber e dar quitação, praticando enfim todos os atos necessários para o fiel desempenho deste mandato, inclusive substabelecer. Mas não é só. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, consta declaração tomada a termo do Sr. Noel Pereira de Jesus, contador responsável pelo preenchimento da DIPJ/2013, ano da autuação, o qual relatou que não possuía mais nenhum Fl. 3931DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.917 31 documento da empresa, que era uma empresa administrada pela sócia Simone, por seu marido Oliver, e por sua filha. Quanto às transferências bancárias em benefício próprio, no valor de R$ 780.426,62, alegar que teria feito acordo verbal com sua esposa não ajuda na defesa. Para terceiros, é necessária a prova do contrato, ou qualquer outro instrumento hábil que demonstre o acordo de prestação de serviços de consultoria, o que não ocorreu no presente caso. Além dessas transferências para sua própria pessoa física, a sua empresa Agape Construção Naval EIRELI recebeu em torno de R$ 11 milhões sem qualquer justificativa, transferência que foi possível em função da autuação ostensiva do Sr. Alexandre na administração da empresa falida. Por fim, a responsabilidade tributária foi imputada com base no artigo 124, inciso I do CTN, não havendo que analisar se teria ocorrido qualquer hipótese do artigo 135 do CTN. Mas, por amor ao debate, caso o enquadramento tivesse sido este, os mesmos motivos da manutenção da responsabilidade tributária da Sra. Simone, sócia de direito, também seriam cabíveis ao Sr. Alexandre. Por todo acima exposto, nego provimento quanto a esta matéria, mantendo a responsabilidade tributária do Sr. Alexandre Oliver Gaspar Pompeu. A recorrente Agape Construção Naval Eireli alega que a imputação decorreria do simples fato de pertencer ao marido da sócia, e esclarece que as transferências bancárias se referem ao pagamento de locação de diversos bens móveis. Não assiste razão à recorrente. A imputação da responsabilidade decorre de diversos fatos que comprovam que a recorrente fazia parte do grupo econômico que se beneficiou com o procedimento adotado para esvaziar o patrimônio da empresa falida. O fato de ser uma empresa EIRELI, na qual o único sócio Sr. Alexandre tem total poder de decisão, permitiu que a recorrente fosse utilizada neste esquema, se beneficiando com a transferência de R$ 11,5 milhões. A justificativa apresentada para essa transferência não restou comprovada, já que o único contrato de locação apresentado, às fls. 3.873/3.876, é genérico no objeto a ser locado bem como o valor a ser pago, mencionando em sua cláusula primeira que "O presente contrato tem por objeto a Locação de Bens como: veículos, motos, guaritas e embarcações". Já a cláusula sétima, que trata do Valor do Contrato, prevê que " Mensalmente, a "ATLANTICO SUL SEGURANÇA E VIGILÂNCIA" pagará à "AGAPE CONSTRUÇÃO NAVAL", o valor correspondente à locação de bens." . Vale transcrever trecho da decisão recorrida acerca dos documentos trazidos na impugnação: Documentos de fls.2875/2995: não há nenhum elemento que permita concluir se tratar de pagamento pela locação de bens móveis. Às fls.2875/2883, há cópias de livro razão, cujos históricos se limitam a informar débitos em conta corrente referente a transferências para a ÁGAPE, desacompanhados de documentos hábeis que confiram sustentação aos lançamentos contábeis. Há menção a débitos relativos à locação de veículos, Fl. 3932DF CARF MF 32 mas sem a especificação dos respectivos veículos, e nem a apresentação de recibos, notas fiscais, ou contratos locatícios. Às fls.2884/2995, há uma série de cheques e comprovantes de transferências bancárias, sem discriminar a que título se dariam tais movimentações, sendo que, às fls.2904, 2941 e 2967, há documentos que contradizem a alegação da impugnante, pois informam se tratar de empréstimos de capital de giro da empresa ÁGAPE, não guardando nenhuma correlação com a locação de bens móveis. Vale lembrar que o artigo 923 do RIR/99 dispõe que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. O contrato apresentado, elaborado pelas pessoas físicas que possuem o interesse de justificar as transferências para a recorrente no montante de R$ 11,5 milhões, não possui força probante suficiente para comprovação das alegações trazidas na defesa. Não há sequer comprovação Por todo acima exposto, nego provimento quanto a esta matéria, mantendo a responsabilidade tributária da empresa Agape e Construção Naval Eireli. A recorrente Ambiental Bio Service Ltda EPP alega que o fato de possuírem a mesma sócia não é suficiente para imputar a responsabilidade tributária, e que as transferências seriam reembolsos de empréstimos feito em nome da recorrente, mas destinados à empresa falida. Foi desnecessário qualquer contrato entre as partes, pois a sócia é a mesma, não havendo qualquer infração à lei. Não assiste razão à recorrente. A imputação da responsabilidade decorre de diversos fatos que comprovam que a recorrente fazia parte do grupo econômico que se beneficiou com o procedimento adotado para esvaziar o patrimônio da empresa falida. O fato de possuírem a mesma sócia Sra. Simone, que tem total poder de decisão, permitiu que a recorrente fosse utilizada neste esquema, se beneficiando com a transferência de R$ 174 mil. A justificativa apresentada para essa transferência não restou comprovada. Como possuem personalidades jurídicas distintas, a formalidade se faz necessária como prova perante terceiros, com a elaboração de contrato deixando claro que os empréstimos tomados por uma tem destino a outra empresa. Ainda com relação aos documentos apresentados em sede de impugnação, mais uma vez me reporto ao artigo 923 do RIR/99. A apresentação de cópias do Livro Razão, trazendo os lançamentos contábeis relativos a empréstimos junto com a empresa EMPREENDIMENTOS COMERCIAL S.A., antiga denominação da Ambiental, desacompanhada de documentos hábeis os comprovem, não possuem força probante. A recorrente apresentou planilhas elaboradas e as transferências bancárias, que, por si só, nada comprovam. Há apenas um documento, de fls. 3.134, comprova um empréstimo junto ao Banco BRADESCO, no valor de R$ 200.000,00, obtido em maio de 2012. Mas, da análise do Livro Razão, fls. 3.110/3.112, não houve empréstimo lançado a crédito na conta da empresa falida neste valor: Fl. 3933DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.918 33 Por todo acima exposto, nego provimento quanto a esta matéria, mantendo a responsabilidade tributária da empresa Ambiental Bio Service Ltda EPP. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ARTIGOS 124, INCISO I E 133 DO CTN DUNBAR SERVIÇOS DE SEGURANÇA EIRELI Tendo por base o Termo de Sujeição Passiva Solidária, a responsabilidade tributária foi imputada a empresa DUNBAR SERVIÇOS DE SEGURANÇA EIRELI, CNPJ. 13.649.411/000154, nova denominação da Alphagama Vigilância e Segurança EIRELI, com base nos artigos 124, inciso I, e 133, ambos do CTN, pelos seguintes motivos: => possui o mesmo objeto social da autuada; => há indícios de que seja a sucessora, tendo por base depoimentos de empregados da empresa falida, de que teriam trabalhado nas duas empresas, e que a recorrente Alphagama teria assumido os contratos perdidos, sob a aparência de novas licitações; => grande parte dos empregados da empresa falida foram contratados pela recorrente. => foi beneficiária de transferências bancárias da empresa falida no valor de R$ 224 mil, sem qualquer comprovação, afirmando que a recorrente faz parte do grupo econômico, com interesse comum no fato gerador da obrigação principal. A recorrente alega que não restou comprovada a hipótese prevista no artigo 124, inciso I do CTN, já que não fazia parte do grupo econômico, e não possuía qualquer vínculo com o fato gerador da obrigação. O fato de ter obtido vantagens com a falência da empresa autuada, ao assumir os contratos por meio de novas licitações, e contratar o mesmos empregados, não configura motivo para ser responsabilizada. Quanto à imputação nos termos do artigo 133 do CTN, não restou comprovado o requisito para sua aplicabilidade, já que não houve aquisição a qualquer título do estabelecimento comercial da empresa falida, situada no bairro de Santo Amaro (São Paulo SP), mantendo seu endereço no bairro de Santana (São Paulo SP). Ainda em sua defesa, aduz que a transferência no valor de R$ 224.385,54 decorre de remuneração pela cessão de mão de obra utilizada em uma situação específica, Fl. 3934DF CARF MF 34 trazendo o contrato de prestação celebrado entre ela e a empresa falida em setembro/2012, bem como os recibos do pagamento pelos serviços prestados, o que comprovaria suas alegações. Inicio a análise trazendo o caput do artigo 133 do CTN, que trata da imputação da responsabilidade tributária em razão de sucessão, verbis: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: Para que a responsabilidade por sucessão ocorra, é necessária a aquisição de fundo de comércio, ou estabelecimento comercial, a qualquer título. Diz a doutrina que fundo de comércio, ou estabelecimento comercial, deve ser entendido como a universalidade de bens, que podem ser corpóreos ou incorpóreos e que viabilizam a atividade empresarial, nos termos do artigo 1.142 do Código Civil. Além disso, deve também o alienante cessar a exploração do comércio para que a responsabilidade pelos tributos sejam do adquirente. Da análise dos fatos verificados no curso da ação fiscal, não vislumbro a comprovação do requisito principal para caracterizar a sucessão: a aquisição. Como a própria recorrente afirma, o fato de ela assumir os contratos que a empresa falida perdeu, bem como manter nos postos de trabalho aqueles empregados que já exerciam a função, não caracteriza a aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial. Como bem apontou a recorrente, é prática comum no mercado esta situação, sendo inclusive incentivado pelos Sindicatos, para que os empregados não sejam mais ainda prejudicados. Além disso, os depoimentos dos empregados podem ser interpretados como confirmação da defesa da recorrente. Ainda, em depoimento ao administrador da massa falida, a Sra. Edna Fibia, contadora da empresa autuada, afirmou que também é contadora da recorrente Dunbar, e que esta não é sucessora da falida. Do exposto, concluo que não é possível a aplicação do artigo 133 do CTN para imputar a responsabilidade tributária à recorrente, por não restar demonstrado a ocorrência de sucessão. Quanto à manutenção da responsabilidade tributária tendo por base o artigo 124, inciso I do CTN, também entendo que assiste razão à recorrente, pelos motivos a seguir. O grupo econômico aqui tratado foi caracterizado por existir uma relação entres os sócios, Simone e Alexandre, que são casados e com poder de comando entre as empresas envolvidas, Atlântico Sul, Agape e Ambiental, o que permite a atuação efetiva para esvaziar o patrimônio da empresa falida de forma a ficar insolvente perante as obrigações, sejam tributárias ou trabalhistas, demonstrando o interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores aqui tratados glosa de despesas sem qualquer comprovação, aliada às transferências bancárias sem causa. No caso da recorrente Dunbar, não consta nos autos que seu sócio Ricardo Antunes de Souza Medeiros teria qualquer relação com as pessoas físicas citadas, e sequer com a pessoa jurídicas pertencentes ao grupo econômico. A única relação possível de se afirmar seria a de concorrência com a empresa falida. Fl. 3935DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.919 35 Uma vez firmada minha convicção que a recorrente não faz parte do grupo econômico, deixo de analisar se os documentos acostados aos autos comprovam as transferências no valor de R$ 224.385,54, que são objeto de autuação com fundamento no artigo 61,§ 1º da Lei nº 8.981/95 (pagamento sem causa). Esta comprovação é ônus da autuada, que efetuou os pagamentos, naquele processo administrativo nº 19515.720.595/201617. Por todo acima exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário da recorrente DUNBAR SERVIÇOS DE SEGURANÇA EIRELI, excluindo do pólo passivo deste lançamento. Como houve a manutenção dos demais responsáveis solidários, passo a análise dos argumentos acerca da autuação. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE Inicio com as preliminares de nulidades em função de: 1) Das violações constitucionais pelo exíguo prazo para apresentação de defesa e falta de apreciação do pedido de juntada de documentos comprobatórios após o protocolo da a impugnação administrativa. O prazo para apresentação da impugnação está previsto no artigo 15 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Não há qualquer previsão de exceção quanto ao cumprimento deste prazo, devendo ser observado pelo recorrente, e por esta conselheira, conforme determina o artigo 62 do RICARF, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Quanto à falta de apreciação do pedido de juntada de documentos, se engana a recorrente, pois restou consignada na decisão recorrida a fundamentação para o indeferimento do pedido, conforme ementa já transcrita no relatório. 2) Da nulidade em razão da ausência de indicação de dispositivos de Lei, o que ofende ao Princípio da Legalidade, além de vício material na sua motivação e no seu objeto. A recorrente se engana ao afirmar que o lançamento seria nulo em razão da ausência de dispositivos legais. Isto porque o artigo 96 do Código Tributário Nacional define que a legislação tributária inclui os decretos que versem sobre tributos, como é o caso do Fl. 3936DF CARF MF 36 Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). Portanto, não houve violação ao Princípio da Legalidade no presente caso, cuja fundamentação foi única e exclusivamente nos dispositivos do RIR/99, e também no artigo 3º da Lei nº 9.249/95. Quanto ao vício material na motivação, é alegado que a autoridade fiscal deixou de analisar os livros contábeis apresentados no "pendrive" ensejando a lavratura do auto de infração com base em suporte fático equivocado, de modo que é nítida a sua nulidade por vício em seu motivo. Esta alegação não merece guarida. O SPED Sistema Público de Escrituração Digital foi instituído através do Decreto nº 6.022/2007, definido como o instrumento que unifica as atividades de recepção, validação, armazenamento e autenticação de livros e documentos que integram a escrituração contábil e fiscal dos empresários e das pessoas jurídicas, inclusive imunes ou isentas, mediante fluxo único, computadorizado, de informações (artigo 2º). Em resumo, o SPED é uma solução tecnológica que oficializa os arquivos digitais das escriturações fiscal e contábil dos sistemas empresariais dentro de um formato digital específico e padronizado. Portanto, o lançamento que decorre da análise dos dados constantes da escrituração contábil e fiscal obtida pelo SPED não padece de vício. Ainda, de acordo com o TVF, durante a ação fiscal, a sócia teria apresentado um requerimento junto à JUCESP visando retificar o SPED Contábil referente ao ano de 2012, no qual mencionaria um laudo. Este documento já foi analisado neste voto anteriormente, com a conclusão que não seria capaz de ilidir o presente auto de infração, e sim ratificar a sua motivação, já que restou consignado, no laudo, a existência de lançamentos contábeis sem lastro em documentos fidedignos que os comprovem. Com relação ao vício do objeto, é alegado erro na base de cálculo ao se tributar a totalidade dos valores glosados das despesas, se revestindo em penalidade e inobservando o artigo 47 da Lei nº 8.981/95, pois o lucro deveria ter sido arbitrado. O erro na determinação da base de cálculo do tributo torna os valores indevidos, irreais e exorbitantes, de modo a contaminar o lançamento com vício insanável de ilegalidade. As alegações quanto ao erro na base de cálculo são de mérito, não ensejando em nulidade, a serem analisados posteriormente. Até mesmo porque o arbitramento não teria cabimento, pois a escrituração foi devidamente obtida por meio do SPED. E a falta de comprovação das despesas não é hipótese de arbitramento do lucro, tendo por base o artigo 47 da Lei nº 8.981/95. Afastadas todas as alegações de preliminar de nulidade, cumpre ainda registrar que um auto de infração será considerado nulo se os procedimentos não estiverem dentro do previsto no artigo 142 do CTN, bem como no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. No presente caso, compulsando os autos, verificase que todos os requisitos estão atendidos, pois houve a verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível. Logo, voto por afastar a preliminar de nulidade. DA DILIGÊNCIA A defesa requer que sejam deferidos os pedidos para baixa do processo em diligência e produção de prova pericial, até para que a recorrente possa exercer devidamente Fl. 3937DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.920 37 seu direito de defesa, comprovando todas as suas alegações, por meio de análise técnica embasada na documentação contábil e financeira retificada. Conforme dispõe o artigo 16, IV do Decreto nº 70.235/72, o pedido de diligência deve vir acompanhado dos motivos que o justifique, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados. Verificase que tal rito não foi seguido, bem como se deve ressaltar que a realização de diligência não se presta para produção de provas cujo ônus é daquele que alega. Por fim, cabe destacar que os documentos constantes nos autos já são suficientes para a formação da convicção desta conselheira. Sendo assim, deve ser indeferida a diligência, por desnecessária, nos termos do disposto no art. 18 do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/1993. DA INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DA ADVOGADA. Os recorrentes requerem que as intimações sejam feitas em nome da advogada, Raquel Elita Alves Preto, no endereço de seu escritório. O pedido não pode ser acatado por inexistência de previsão legal, tendo por base o artigo 23, inciso II do Decreto nº 70.235/72, que assim determina: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Ademais, esta matéria foi matéria da Súmula nº 110 do CARF, abaixo transcrita, de modo que não é possível o seu deferimento: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo DA MULTA DE OFÍCIO e DO DEVER DE APRECIAÇÃO DAS ALEGAÇÕES DE CUNHO CONSTITUCIONAL No recurso voluntário, a recorrente contesta a multa de ofício trazendo várias alegações, que podem ser resumidas nos seguintes tópicos: 1) Impossibilidade de aplicação de multa ao responsável, pois não teria realizado conduta dolosa, e que a obrigação do pagamento do tributo já seria uma penalidade, e que pagar a multa de ofício seria uma dupla punição. Fl. 3938DF CARF MF 38 2) Exclusão da multa de ofício em razão da boafé, pois já teria protocolado pedido de retificação do SPED, devendo a multa ser excluída, em nome do Princípio da Equidade, da Igualdade e da BoaFé. 3) A multa de ofício é inadequada, pois ofende aos Princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade. 4) A multa de ofício é inconstitucional por possuir caráter confiscatório. Por quase todas tratarem de violação aos Princípios Constitucionais, a recorrente traz doutrina e jurisprudência afirmando que estas questões devem ser apreciadas na esfera administrativa. Ainda, especificamente quanto ao primeiro item, a defesa inicia alegando preliminar de nulidade da decisão recorrida, pois ela não teria tratado da alegação de impossibilidade de ser aplicada a multa ao responsável tributário. Não assiste razão à recorrente. Semelhante ao recurso voluntário, é de se notar que a impugnação é extensa, trazendo inúmeros argumentos, doutrina e jurisprudência acerca multa de ofício, requerendo sua exclusão ou sua redução. As alegações acerca da exclusão da multa de ofício foram assim resumidas e relatadas pelo julgador a quo: 22. Restou demonstrada a boafé e a ausência de dolo por parte das impugnantes, razão pela qual deve haver a exclusão da multa aplicada, ou ao menos a sua redução a patamares proporcionais e razoáveis, em nome do princípio da equidade, da proporcionalidade e da razoabilidade. Já no voto, a decisão recorrida tratou desta matéria, ainda que de forma sucinta, juntamente com outras que tratam de questões de contorno, afetas ao lançamento: Quanto às alegações de que (i) o prazo para defesa disposto no Decreto nº 70.235/72 violaria os princípios da isonomia processual, da proporcionalidade, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, (ii) a multa de ofício ofenderia os princípios da equidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva e da vedação do confisco, e (iii) a atribuição de responsabilidade tributária violaria os princípios da legalidade, capacidade contributiva e isonomia, cabe ressaltar que quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade, legalidade ou equidade das leis exorbitam a competência das autoridades administrativas, às quais cumpre aplicar as determinações da legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Não há que se falar, portanto, de nulidade da decisão recorrida. Ainda que de forma resumida, a exclusão da multa de ofício, seja em relação ao lançamento ou ao responsável tributário, foi analisada, e não aceita, tendo como fundamento o dever de observância das normas legais e complementares. Afasto, portanto, a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Fl. 3939DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.921 39 Quanto às demais alegações trazidas, nenhuma merece acolhida. Com relação à exclusão da multa de ofício para o responsável, o artigo 135 do CTN determina que a responsabilidade tributária é do pagamento do crédito tributário, que inclui o tributo, multa de ofício e juros de mora. Isto porque, a partir da leitura do Código Tributário Nacional, conclui se que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. Os artigos a seguir assim dispõem: “Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.”(negritamos) “Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta”. (grifei) Enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Cumpre salientar que não há regra de exceção nos casos de imputação da responsabilidade tributária, seja com fundamento no artigo 135 ou no artigo 124 do CTN. Portanto, por inexistência de previsão legal, não há como excluir a cobrança da multa do ofício do responsável, motivo pelo qual nego provimento ao recurso voluntário. Já com relação às alegações de que a cobrança da multa de ofício ofende os princípios constitucionais, tais como da equidade, proporcionalidade, razoabilidade, além de ser confiscatória, semelhante à decisão recorrida, este colegiado não é competente para apreciar estas matérias, devendo esta conselheira observar a Súmula CARF nº 2, que assim determina: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa de ofício. CONCLUSÃO Por todo acima exposto, voto por: Fl. 3940DF CARF MF 40 1) Rejeitar as preliminares de nulidade e às solicitações de diligências e de intimação pessoal da advogada. 2) No mérito, negar provimento aos recursos voluntários dos seguintes recorrentes: Simone Alexandra Barbieri Pompeu, Alexandre Oliver Gaspar Pompeu, Agape Construção Naval Eireli e Ambiental Bio Service Ltda EPP. 2) Dar provimento ao recurso voluntário de Alphagama Segurança e Vigilância Ltda (atual Dunbar Serviços de Segurança EIRELI) (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Fl. 3941DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.922 41 Voto Vencedor Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Redator designado. Em que pese o brilhantismo da decisão exarada pela Ilustre Relatora, peço vênia para discordar do seu entendimento em relação a responsabilidade solidária das empresas Agape Construção Naval Eireli e Ambiental Bio Service Ltda EPP. Vejamos os motivos: Segundo a Relatora os fatos ensejadores da manutenção da responsabilidade solidária são os seguintes: Agape O fato de ser uma empresa EIRELI, na qual o único sócio Sr. Alexandre tem total poder de decisão, permitiu que a recorrente fosse utilizada neste esquema, se beneficiando com a transferência de R$ 11,5 milhões. A justificativa apresentada para essa transferência não restou comprovada, já que o único contrato de locação apresentado, às fls. 3.873/3.876, é genérico no objeto a ser locado bem como o valor a ser pago, mencionando em sua cláusula primeira que "O presente contrato tem por objeto a Locação de Bens como: veículos, motos, guaritas e embarcações". Já a cláusula sétima, que trata do Valor do Contrato, prevê que " Mensalmente, a "ATLANTICO SUL SEGURANÇA E VIGILÂNCIA" pagará à "AGAPE CONSTRUÇÃO NAVAL", o valor correspondente à locação de bens." Vale transcrever trecho da decisão recorrida acerca dos documentos trazidos na impugnação: Documentos de fls.2875/2995: não há nenhum elemento que permita concluir se tratar de pagamento pela locação de bens móveis. Às fls.2875/2883, há cópias de livro razão, cujos históricos se limitam a informar débitos em conta corrente referente a transferências para a ÁGAPE, desacompanhados de documentos hábeis que confiram sustentação aos lançamentos contábeis. Há menção a débitos relativos à locação de veículos, mas sem a especificação dos respectivos veículos, e nem a apresentação de recibos, notas fiscais, ou contratos locatícios. Às fls.2884/2995, há uma série de cheques e comprovantes de transferências bancárias, sem discriminar a que título se dariam tais movimentações, sendo que, às fls.2904, 2941 e 2967, há documentos que contradizem a alegação da impugnante, pois informam se tratar de empréstimos de capital de giro da empresa ÁGAPE, não guardando nenhuma correlação com a locação de bens móveis. Vale lembrar que o artigo 923 do RIR/99 dispõe que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do Fl. 3942DF CARF MF 42 contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. O contrato apresentado, elaborado pelas pessoas físicas que possuem o interesse de justificar as transferências para a recorrente no montante de R$ 11,5 milhões, não possui força probante suficiente para comprovação das alegações trazidas na defesa. Não há sequer comprovação Ambiental A recorrente Ambiental Bio Service Ltda EPP alega que o fato de possuírem a mesma sócia não é suficiente para imputar a responsabilidade tributária, e que as transferências seriam reembolsos de empréstimos feito em nome da recorrente, mas destinados à empresa falida. Foi desnecessário qualquer contrato entre as partes, pois a sócia é a mesma, não havendo qualquer infração à lei. Não assiste razão à recorrente. A imputação da responsabilidade decorre de diversos fatos que comprovam que a recorrente fazia parte do grupo econômico que se beneficiou com o procedimento adotado para esvaziar o patrimônio da empresa falida. O fato de possuírem a mesma sócia Sra. Simone, que tem total poder de decisão, permitiu que a recorrente fosse utilizada neste esquema, se beneficiando com a transferência de R$ 174 mil. A justificativa apresentada para essa transferência não restou comprovada. Como possuem personalidades jurídicas distintas, a formalidade se faz necessária como prova perante terceiros, com a elaboração de contrato deixando claro que os empréstimos tomados por uma tem destino a outra empresa. Ainda com relação aos documentos apresentados em sede de impugnação, mais uma vez me reporto ao artigo 923 do RIR/99. A apresentação de cópias do Livro Razão, trazendo os lançamentos contábeis relativos a empréstimos junto com a empresa EMPREENDIMENTOS COMERCIAL S.A., antiga denominação da Ambiental, desacompanhada de documentos hábeis os comprovem, não possuem força probante. A recorrente apresentou planilhas elaboradas e as transferências bancárias, que, por si só, nada comprovam. Há apenas um documento, de fls. 3.134, comprova um empréstimo junto ao Banco BRADESCO, no valor de R$ 200.000,00, obtido em maio de 2012. Mas, da análise do Livro Razão, fls. 3.110/3.112, não houve empréstimo lançado a crédito na conta da empresa falida neste valor: Pois bem. Passemos a análise. Com relação à imputação de responsabilidade solidária capitulada no art. 124, I, do CTN efetuada pela fiscalização, passo a demonstrar minha divergência quanto ao entendimento da Relatora e da Turma Julgadora “a quo”, haja vista que, ratificando os termos da autuação, restou atribuída responsabilidade aos recorrentes acima elencados pelos seguintes fatos: “1) os únicos sócios das empresas eram Alexandre Oliver Gaspar Pompeu e Simone Fl. 3943DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.923 43 Alexandra Barbieri Pompeu; e, 2) e receberam da empresa falida, durante o anocalendário de 2012, o valor de R$ 174.354,56 e R$ 11,5 milhões , sem qualquer justificativa.” Relativamente à formação do grupo econômico, a autoridade fiscal apurou o seguinte: Os Grupos Econômicos podem ser de direito ou de fato, podendo se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle x subordinação). Se caracteriza a formação de grupo econômico de fato, através de análise fática que tornou possível a constatação de combinação de recursos e/ou esforços para a consecução de objetivos comuns. [...] No caso, Simone (sócia administradora da Atlântico Sul) e Alexandre (marido da sócia) e suas empresas constituem um grupo econômico. [...] Houve a transferência sem causa de 11,5 milhões para a empresa Agape, estaleiro do Alexandre. Devidamente intimada, nunca comprovou a motivação destas transferências. [...] Houve a transferência sem causa de 174 mil para a empresa da sócia Ambiental. Devidamente intimada, nunca comprovou a motivação destas transferências. [...] A única sócia da falida juntamente com o seu marido, qualificado acima retirou os recursos da empresa, transferiu cerca de 18 milhões para as pessoas físicas relacionadas, para as suas empresas, para empresas do marido, em 2012 e em seguida solicitou a sua auto falência. Ela, seu marido e suas empresas constituem um grupo econômico que acabou com o patrimônio da empresa e deixou os seus empregados sem mesmo as verbas rescisórias decorrentes de demissão e nem deu baixa em sua carteiras. Segundo a sócia, estima que tenha mais que mil reclamações trabalhistas. Suspeitase que a empresa Alphagama seja sua sucessora pois absorveu os seus empregados e continuou com os mesmos contratos de prestação de serviços da falida sob a aparência de novas licitações. Estas retiradas foram contabilizadas provavelmente como despesas administrativas que com o histórico singelo de “conforme documentos” nunca foram comprovadas apesar de devidamente intimada. [...] O embasamento legal para a responsabilidade dos demais responsáveis solidários que não a sócia, é o Art. 124, I do CTN. De acordo com esse inciso doartigo, comportam a solidariedade de fato, prevista no art. 124, I do CTN. Estabelece o vínculo de responsáveis solidários quando há pessoas que têm interesse comum e coparticipam no fato gerador da obrigação principal; Quanto a hipótese do inciso I (interesse comum – solidariedade de fato), podem ser vislumbradas responsabilidades solidárias nas seguintes circunstâncias entre outras: • Sócios de fato de pessoa jurídica sócios não contemplados no contrato social (CTN, art.124) • Sociedade de fato (sociedade em comum não personificada) – Configurase Fl. 3944DF CARF MF 44 sociedade de fato quando não estão constituídas formalmente. As pessoas físicas componentes da sociedade respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais (CTN, art 124, inciso I, combinado com Lei nº 10.406/02 CC/2002, art. 986 e 990) • Unidade familiar – Configura responsabilidade solidária a apuração conjunta de rendimentos tributáveis. Igualmente para os casos de rendimentos de bens comuns no regime de comunhão de bens ainda que a apuração seja separada. • Grupos Econômicos de Direito e de Fato – Podem configurar um grupo econômico de fato as empresas que têm aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, são interdependentes; quando há confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores, abuso de forma entre as empresas integrantes do agrupamento; pessoas jurídicas que são sócias de fato de sociedade formalmente constituída. Ratificando as razões do lançamento fiscal, portanto, a Turma Julgadora “a quo” entendeu que o fato das empresas Agape e Ambiental terem recebido recursos da autuada sem nenhuma justificativa plausível e terem sócios em comum, é fato suficiente à caracterização do interesse comum inscrito no art. 124, I, CTN. Contudo, não se pode perder de vista que a caracterização do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária é condição imprescindível à configuração da responsabilidade solidária em corolário do disposto em lei, isto é, no art. 124, I, CTN. Isto porque, o direito tributário impõe à administração fiscal a obediência aos primados da tipicidade e estrita legalidade tributária, máxime no que tange à cobrança dos tributos. Ocorre que, só com a efetiva comprovação de fraude perpetrada pelos responsáveis solidários é que atrai a atribuição de responsabilidade tributária as empresas Agape Construção Naval Eireli e Ambiental Bio Service. Não há disposição legal que justifique a imputação do efeito tributário da “responsabilidade” ante a verificação da existência de movimentações bancárias não justificadas pela autuada e responsáveis solidários ou pelo fato de terem sócios em comum. Conforme orienta Paulo de Barros Carvalho (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17ª ed., São Paulo: Editora Saraiva, 2005, p.317), a expressão interesse comum, sendo vaga, “não é um roteiro seguro para a identificação do nexo que se estabelece entre os devedores da prestação tributária”, ou seja, para efeito da solidariedade deve prevalecer o critério de que duas ou mais pessoas estejam colocadas sob uma mesma hipótese de incidência tributária, como ocorre no caso do IPTU incidente sobre um mesmo imóvel, pertencente a várias pessoas.” Em outras palavras, não basta que haja um suposto interesse genérico, mas sim um interesse jurídico, no qual há direitos e deveres comuns entre as pessoas situadas em um mesmo lado da relação jurídica que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Logo, a solidariedade que se refere o inciso I, do art. 124, do CTN pressupõe que não haja bilateralidade no centro do fato jurídico tributário, ou seja, pressupõe que os partícipes do fato tributado não estejam em posições contrapostas, com objetivos antagônicos. Fl. 3945DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.924 45 Portanto, somente é possível sustentar a responsabilidade solidária por interesse comum (art. 124, I do CTN) nos lançamentos fiscais se a Autoridade Fiscal demonstrar que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seus resultados em caso de fraude, situação não evidenciada no presente caso. Nesse sentido é o entendimento do STJ (Resp. 884.845/SC). Vejamos a Ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃOFISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO.SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC.INOCORRÊNCIA. 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. 2. A Lei Complementar 116/03, definindo o sujeito passivo da regramatriz de incidência tributária do ISS, assim dispõe: "Art. 5º. Contribuinte é o prestador do serviço."6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da Fl. 3946DF CARF MF 46 relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). 11. In casu, verificase que o Banco Safra S/A não integra o pólo passivo da execução, tãosomente pela presunção de solidariedade decorrente do fato de pertencer ao mesmo grupo econômico da empresa Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil. Há que se considerar, necessariamente, que são pessoas jurídicas distintas e que referido banco não ostenta a condição de contribuinte, uma vez que a prestação de serviço decorrente de operações de leasing deuse entre o tomador e a empresa arrendadora. 12. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A. (Grifei) Como se pode observar, a análise da própria estrutura do CTN leva à conclusão de que a solidariedade prevista no artigo 124,I não é espécie de sujeição passiva tributária por responsabilidade indireta, pois o instituto encontra regulamentação em seção distinta e apartada do Capítulo V, que trata da sujeição passiva indireta (responsabilidade tributária). Segundo Misabel Derzi, “a solidariedade é simples forma de garantia, a mais ampla das fidejussórias”. Sendo assim, não pode a fiscalização, lançando mão da solidariedade por “interesse comum”, ampliar a sujeição passiva do tributo, sob pena de infringência frontal ao Princípio da Estrita Legalidade e ao Princípio da Tipicidade (delimitador dos aspectos estruturais da hipótese de incidência). Fl. 3947DF CARF MF Processo nº 19515.720596/201661 Acórdão n.º 1302003.217 S1C3T2 Fl. 3.925 47 Conclusão Ante o exposto, dou provimento aos recursos voluntários das empresas Agape Construção Naval Eireli e Ambiental Bio Service Ltda EPP para excluílos do polo passivo da presente obrigação tributária. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 3948DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.902892/2008-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO.
O pedido de restituição e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrafiva à data do envio do documento retificador.
Numero da decisão: 1103-000.414
Decisão: ACORDAM os membros da lª câmara / 3ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Eric Castro e Silva
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PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. O pedido de restituição e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrafiva à data do envio do documento retificador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da la câmara / 3' turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. ce em exercício da presidência ERIC CASTRO E SILVA - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mario Sérgio Fernandes Barroso, José Sergio Gomes, Gervasio Nicolau Recktevald, Hugo Correia Sotero e Marcos Shigueo Takata. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão que manteve o indeferimento da Declaração de Compensação formulado pelo Recorrente para compensar débitos de COFINS no valor originário de R$ 40.016,87 com saldo negativo da CSLL. A decisão recorrida, reiterando o despacho decisório, entendeu por não homologar a compensação em razão da não comprovação da existência do saldo negativo, haja vista não ter sido juntado aos autos DARF demonstrando o pagamento da estimativa que havia dado origem ao saldo credor da CSLL. Nesse sentido, assim foi fundamentada a decisão recorrida: "Apesar de ter alegado que pagou RS 83.200,64 a titulo de CSLL estimativa e que leria anexado os respectivos comprovantes (DARPA), não consta nos autos. qualquer DARF e no sistema de pagamentos du Receita Federal do Brasil (Sinal 05) somente constam pagamentos de CSLL estimativas relativos ao ano de 2003 (código 2484) no montante de R$ 40.617,42, conforme cópias das telas do sistema (fls. 37 e 38). Portanto, ao contrário do alegado pelo impugnante, não há saldo credor de ('SLL estimativa no ano-calendário de 2003, e, portanto, não podem ser efetuadas as compensações dos débitos infbrmaclos no seu PER/DCOMP" (fls. 38). Inconformado, vem o Recorrente no seu Recurso Voluntário alegar que o seu saldo credor seria, agora, oriundo de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2002, cujo pedido de reconhecimento do crédito foi protocolado posteriormente ao presente processo via PERD/COMP própria. Em outras palavras, o saldo credor a ser aqui compensado não mais seria o valor pago por estimativa em 2003, mediante DARF, como exposto na Manifestação de Inconformidade, o que nas razões recursais foi posto nos seguintes termos: "1. 0 Contribuinte apurou saldo negativo de CSLL no ano calendário 2002, no valor de RS 33.560,18, informação passível de verificação em sua DIPJ relativo ao referido ano base, cujas cópias do respectivo recibo de entrega e da ficha 17. 2. 0 saldo negativo apurado e demonstrado na forma supra descrita, fbi objeto de compensação com parte dos valores devidos a titulo de estimativa de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, sob o código 2484 referente aos meses de fevereiro a junho do ano calendário imediatamente posterior — ano calendário 2003 — cujas Declarações de Compensação foram devidamente submetidas a V. Sus., ainda que de forma extemporânea em 27/10/2006 (1..) (fls. 42). Com tais considerações, formula o Recorrente o seguinte pedido: "Por força de todo o exposto, respeitosamente requer a Recorrente a este Colendo Conselho de Contribuintes seja dado provimento ao presente Recurso pela absoluta legitimidade clo.s procedimentos adotados pela Recorrente, sendo declarada, por conseguinte, o reconhecimento do said° credor de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido no ano de 2003, bem como a compensação por este realizada, que Cei' 2 Processo 0 10580.902892/2008-11 SI-Cl T3 Acórdão n.° 1103-00.414 Fl. 2 efetuada, conforme demonstrado, de forma correta e em atendimento ao disposto na legislaoo de regência o relatório. Voto Conselheiro ERIC CASTRO E SILVA, Relator O recurso satisfaz os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Como relatado, a questão ora controvertida se restringe a comprovação do suposto crédito de CSLL a ser utilizado para compensar o débito de COFINS. No pedido inicial (fls. 18), o Recorrente indicou como seu crédito "saldo negativo do exercício de 2004", no valor de R$ 40.016,87. 0 mesmo foi afirmado pelo contribuinte quando da não homologação da compensação pelo despacho decisório, onde na sua Manifestação de Inconformidade explicitou que o seu crédito decorreria de pagamento a maior de "estimativas" no exercício de 2004, feito mediante DARF que estariam acostados aos autos. Neste sentido peço vênia para transcrever a fundamentação da Manifestação de Inconformidade, verbis: "Em sua Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, do ano calendário 2003, o contribuinte informou na Ficha 17 na linha 41 - valor pogo por estimativa da contribuição social sobre o lucro líquido - o valor de RS 83.200,64 (cópia dos darf 's anexo), sendo que a contribuição social devida no ano foi de RS 43.183,74, portanto restando crjdito a compensar de R$ 40.016,90" (lis. 01). Como a decisão recorrida verificou que não haviam DARFs juntados aos autos, nem constava nos sistemas da Administração Tributária recolhimento daquele período, o contribuinte agora no Recurso Voluntário alterou a origem do seu crédito, que seria, como já relatado, "saldo negativo de CSLL no ano calendário 2002", cujo pedido de ressarcimento seria objeto de nova PER/DCOMP, realizada em 27/10/2006. Assim, o que se percebe é que houve a alteração da fundamentação do pedido após a ocorrência do despacho decisório, o que não se aceita, nos termos do art. 77 da IN/SRF n. 900/2008 a seguir transcrito: Art. 77. 0 pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Pelo exposto, voto por julgar improcedente o presente Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida pelos seus exatos termos. como voto. Sala de Sessões, 23 de fevereiro de 2011. /144 ERIC CASTRO E S LVA - RELATOR. 4
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909120/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.650
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 09 12 0/ 20 11 -8 8 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10850.909120/201188 Resolução nº 3401001.650 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10850.909120/201188 Resolução nº 3401001.650 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901870/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO
Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la.
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR)
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS
Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-004.600
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la. PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2091; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.901870/201291 Recurso nº 1 Embargos Acórdão nº 3201004.600 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria EMBARGOS. OMISSÃO. Embargante SAMARCO MINERAÇÃO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para sanála. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 70 /2 01 2- 91 Fl. 2472DF CARF MF Processo nº 10680.901870/201291 Acórdão n.º 3201004.600 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Tratamse de tempestivos Embargos de Declaração opostos por Samarco Mineração S/A, em face do Acórdão nº 3201003.326, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, proferido em sessão de 31/01/2018, cuja Ementa abaixo se transcreve: "ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PRELIMINARES. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pelo ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório, devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 10680.901870/201291 Acórdão n.º 3201004.600 S3C2T1 Fl. 4 3 Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003." Alega a Embargante a ocorrência de omissão parcial pela não apreciação, em sua íntegra, quanto ao item da glosa "BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO", aduzindo ser necessária a análise dos demais produtos atingidos além dos combustíveis. A Embargante anexa aos autos as planilhas da fiscalização relativa a este tópico da glosa (doc. 04) onde está assinalada a listagem completa de produtos envolvidos na glosa fiscal, o que comprova que: a) além dos combustíveis, muitos outros produtos foram atingidos neste tópico e; b) o critério adotado pela fiscalização é, em todos os casos, exatamente o mesmo: produto sem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, deve ter seu crédito inadmitido. Defende a Embargante que tais produtos são absolutamente essenciais ao seu processo produtivo e todo o item deve ser excluído. Um dos itens mais evidentes são os lubrificantes, pois seguem os mesmos fundamentos e, portanto, deve seguir o mesmo caminho dos combustíveis. Prossegue, afirmando que tal fato é admitido pela própria Fiscalização (relatório fiscal), mas de forma contraditória, negou o direito ao crédito dos lubrificantes que não entram em contato direto com o produto. Entende a Embargante que merece ser reestabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a coerência da decisão embargada. Continua a Embargante, asseverando que a fiscalização glosou óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada” na Unidade de Germano. De novo, no âmbito do ICMS já se reconhece tais créditos há muito, inclusive é o entendimento da Receita Federal do Brasil, consubstanciado por meio das Soluções de Consulta 85/12 e 91/12, emitida pela SRRF da 10ª Região, devendo a decisão embargada reconhecer expressamente o direito ao creditamento. Traz a Embargante, alguns exemplos da planilha anexa, para clamar que a decisão recorrida abarque todos os produtos encartados em referido documento. Que devidamente abordou e comprovou a existência de diversos outros produtos glosados sob o tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS”, os quais infelizmente não podem ser destrinchados itemaitem no recurso, pois tratamse de milhares de produtos glosados. A premissa da fiscalização para o tópico indicado é uma só em quaisquer dos casos a serem analisados: glosar todos os produtos em que não verificado contato direto com o minério sob produção. Requer a Embargante o provimento dos Embargos de Declaração, para sanar a omissão apontada, atribuindo o efeito modificativo necessário, para esclarecer que o mesmo tratamento conferido aos Combustíveis e aos Serviços analisados no acórdão recorrido Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 10680.901870/201291 Acórdão n.º 3201004.600 S3C2T1 Fl. 5 4 (afastamento do critério restritivo de IPI e adoção da essencialidade), deverá ser empregado aos demais bens glosados no tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO”. Os embargos foram devidamente admitidos pelo Sr. Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, conforme a seguir: "A meu pensar, a omissão alegada reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos. Convém notar que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo." É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.590, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.590): Assiste razão ao pleito da Embargante. Realmente, a decisão embargada deixou de apreciar a íntegra dos produtos constantes no tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO”, tendo sido induzido ao lapso em razão do contido nas manifestações da Fiscalização e na decisão proferida em 1ª Instância. No caso, deve ser adotado, como defendido pela Embargante, o mesmo critério adotado na decisão embargada para os combustíveis. O anexo juntado pela Embargante, realmente, contém uma infinidade de produtos, sendo praticamente impossível sua análise individualizada. Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 10680.901870/201291 Acórdão n.º 3201004.600 S3C2T1 Fl. 6 5 Ao caso chamo atenção aos produtos especificamente mencionados pela Embargante, quais sejam, (i) lubrificantes e graxas e (ii) óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada”. Em relação a tais itens, é pacífica a jurisprudência da CARF. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. (...) COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. (...)" (Processo nº 11516.724153/201385; Acórdão nº 3301005.016; Relator Conselheiro Winderley Morais Pereira; sessão de 28/08/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo nº 10768.004787/201041; Acórdão nº 3302 005.927; Relator Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 25/09/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofin Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 10680.901870/201291 Acórdão n.º 3201004.600 S3C2T1 Fl. 7 6 desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). (...) NÃO CUMULATIVIDADE. ÓLEO DIESEL, LUBRIFICANTES E GRAXAS UTILIZADOS EM VEÍCULOS E MÁQUINAS NA FASE AGRÍCOLA. PRODUÇÃO DA CANA. DIREITO AO CREDITAMENTO. Dá direito a crédito a aquisição de graxas, lubrificantes e óleo diesel utilizados em maquinários e veículos empregados na fase agrícola da produção do açúcar e álcool." (Processo nº 10880.953116/201361; Acórdão nº 3201004.161; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 28/08/2018) Com relação aos demais produtos elencados no Anexo (doc. 4 Embargos de Declaração) juntado pela Embargante, entendo que lhe assiste razão, devendo a glosa ser revertida. A Fiscalização para glosar os créditos de tais produtos, adotou o critério de que tais itens não possuem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, ou seja, um conceito restritivo já afastado pela decisão embargada proferida por esse Colegiado. Imperioso esclarecer que por ocasião do recente julgamento do RESP nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo a Corte Superior assim se posicionou sobre a matéria: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10680.901870/201291 Acórdão n.º 3201004.600 S3C2T1 Fl. 8 7 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte." (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) No caso, tanto a Fiscalização quanto a decisão recorrida proferida pela DRJ foram, de certo modo, genéricas e não adentraram com minúcias ao caso concreto. Aqui importante trazer as ponderações proferidas pelo Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza no Acórdão nº 3201004.279, in verbis: "Não obstante ausente, nos autos, maiores detalhes sobre o que são as tais "ferramentas operacionais", a razão para o indeferimento, juntamente com o indeferimento dos materiais de manutenção, foi a de que não se enquadrariam no conceito de insumo. A Recorrente, porém, sustenta a sua utilização no processo produtivo, o que o só adjetivo que acompanha o termo "ferramentas" parece, com efeito, indicar. Assim, na falta de maiores detalhes, máxime por parte da fiscalização, entendemos que as ferramentas operacionais e os materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar e na destilaria de álcool devem ser considerados insumos para o efeito de creditamento do PIS/Cofins." (nosso destaque) Do aludido documento 4 (planilhas da fiscalização) anexado com os Embargos tem se inúmeros itens que, ao meu sentir, são insumos necessários e indispensáveis ao processo produtivo e se adequam ao decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (essencialidade ou relevância). A título ilustrativo transcrevo: Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 10680.901870/201291 Acórdão n.º 3201004.600 S3C2T1 Fl. 9 8 Dos embargos declaratórios, reproduzo os itens exemplificativos colacionados pela Embargante: Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 10680.901870/201291 Acórdão n.º 3201004.600 S3C2T1 Fl. 10 9 Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 10680.901870/201291 Acórdão n.º 3201004.600 S3C2T1 Fl. 11 10 Denotase, então, a plena aderência de tais insumos na complexa atividade produtiva desenvolvida pela Embargante. Diante do exposto, conheço dos Embargos de Declaração interpostos e voto por acolhêlos, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado conheceu e acolheu os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2481DF CARF MF
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