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Numero do processo: 15374.928039/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2002
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.736
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/09/2002 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 80 39 /2 00 9- 69 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 15374.928039/200969 Acórdão n.º 3201002.736 S3C2T1 Fl. 3 2 ABW FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido, sem, contudo, trazer aos autos qualquer elemento probatório do crédito pleiteado, como a escrita fiscal ou notas fiscais. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1332.522. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 15374.928039/200969 Acórdão n.º 3201002.736 S3C2T1 Fl. 4 3 O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 74DF CARF MF Processo nº 15374.928039/200969 Acórdão n.º 3201002.736 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, neste processo, não houve preclusão de matéria, situação que ocorreu no paradigma, dado que a recorrente já havia informado na Manifestação de Inconformidade que a origem do direito creditório alegado era a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Todavia, da mesma forma que no caso do paradigma, nos presentes autos a contribuinte não demonstrou, "documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova", o que, por si só, impede o reconhecimento do direito creditório em litígio. Dessa forma, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.725565/2015-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO.
Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto.
IRPF. DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÕES PARA ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.
É permitida a dedução dos valores pagos à entidade de previdência complementar cujo ônus tenha sido do participante, e em beneficio deste ou de seu dependente; e a de que tenha havido recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios
DEDUÇÃO. VALORES APLICADOS EM INCENTIVOS CULTURAIS
É permitida a dedução dos valores doados desde que o projeto cultural esteja previamente aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC) e o doador ou patrocinador obedeça, para suas doações ou patrocínios, o período para a captação de recursos definido pelas portarias de homologação do MinC" .
Numero da decisão: 2202-003.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto. IRPF. DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÕES PARA ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. É permitida a dedução dos valores pagos à entidade de previdência complementar cujo ônus tenha sido do participante, e em beneficio deste ou de seu dependente; e a de que tenha havido recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios DEDUÇÃO. VALORES APLICADOS EM INCENTIVOS CULTURAIS É permitida a dedução dos valores doados desde que o projeto cultural esteja previamente aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC) e o doador ou patrocinador obedeça, para suas doações ou patrocínios, o período para a captação de recursos definido pelas portarias de homologação do MinC" .
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto. IRPF. DEDUÇÕES. CONTRIBUIÇÕES PARA ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. É permitida a dedução dos valores pagos à entidade de previdência complementar cujo ônus tenha sido do participante, e em beneficio deste ou de seu dependente; e a de que tenha havido recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios DEDUÇÃO. VALORES APLICADOS EM INCENTIVOS CULTURAIS É permitida a dedução dos valores doados desde que o projeto cultural esteja previamente aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC) e o doador ou patrocinador obedeça, para suas doações ou patrocínios, o período para a captação de recursos definido pelas portarias de homologação do MinC" . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 55 65 /2 01 5- 61 Fl. 109DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA): Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física, acostado às fls. 08/14, relativo ao Exercício de 2012, ano calendário 2011, no montante de R$ 2.791,35, a ser acrescido de juros de mora e multa de ofício. 2. O lançamento decorreu em face da apuração das seguintes infrações: a) Dedução indevida de previdência oficial (R$ 7.283,67). b) Dedução indevida de Incentivo (R$ 788,35). 3. Cientificado da Notificação de Lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, fl. 02, anexando os documentos de fls. 08/19. Adicionou que: Infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA OFICIAL Valor da infração: R$ 7.283,67. Estou questionando o valor de R$ 7.283,67. Foi cometido erro no preenchimento da declaração de ajuste anual. O valor deve ser considerado como dedução de outra natureza. Dedução pretendida: O valor total da dedução indevida glosado de fato não se refere a Previdência Oficial, mas desconto de previdência privada aos aposentados do antigo BNH, conforme descrito em email encaminhado pelo setor responsável da Caixa Econômica Federal (Anexo a). Do valor total deduzido (R$ 7.283,67): Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11080.725565/201561 Acórdão n.º 2202003.953 S2C2T2 Fl. 110 3 1) R$ 4.546,84 referemse aos descontos regulares em 2011 sobre os rendimentos de aposentadoria da contribuinte, conforme demonstrado no Anexo b; 2) R$ 2.736,83 referemse aos descontos de previdência privada sobre rendimentos mensais de auxílio alimentação do período de dezembro de 1998 a dezembro de 2009 (133 meses) recebidos em 2011 em decorrência de ação judicial movida pela contribuinte contra a CEF, conforme demonstrado no Anexo c. Infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE INCENTIVO Valor da infração: R$ 788,35. Estou questionando o valor de R$ 788,35. O valor contestado corresponde a doação ou patrocínio efetuado diretamente a programas, projetos ou ações culturais enquadrados nos objetivos do PRONAC e foi respeitado o limite de 6% do imposto devido apurado na declaração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) negou provimento à Impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 MECENATO O proponente deve apresentar uma proposta cultural ao Ministério da Cultura (MinC) e, caso seja aprovada, é autorizado a captar recursos junto a pessoas físicas pagadoras de Imposto de Renda (IR). Cientificada (AR fls. 86) a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 88/91, no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação, bem como requer, em fase recursal, a juntada dos seguintes documentos: a) Comunicado Mecenato Recibo nº 01/2011 nº PRONAC 046629, de 28/12/2011, com o respectivo comprovante de transferência bancária (fls. 92/93); b) Cópia da Seção 1 do Diário Oficial da União de 02/08/2011, na qual consta a publicação da Portaria nº 431, de 1º de agosto de 2011, "que prorroga o prazo de captação de recursos dos projetos culturais, relacionados nos anexos I e II à esta Portaria, para os quais os proponentes ficam autorizados a captar recursos, mediante doações ou patrocínios, na forma prevista, respectivamente, no §1º do artigo 18 e no artigo 26 da Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991, alterada pela Lei nº 9.874, de 23 de novembro de 1999. c) Informe de rendimentos da Caixa Econômica Federal (fls. 98) d) Documentos Processo Judicial nº 013400059.2000.5.04.0014 ; É o Relatório Fl. 111DF CARF MF 4 Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço; 1) DA POSSIBILIDADE DE JUNTADA DE PROVAS EM FASE RECURSAL Antes de analisarmos o Recurso Voluntário, é imprescindível que seja analisada a possibilidade de juntada de provas em fase recursal. Isso porque, conforme mencionado na decisão recorrida, as questões suscitadas pelo Impugnante, ora Recorrente, são eminentemente fáticas. Vale dizer, trata o presente lançamento de glosas efetuadas em razão da ausência de documentação necessária |à dedução das despesas glosadas. O Recurso Voluntário do contribuinte teve como objetivo, fundamentalmente, a trazer aos autos a mencionada documentação. O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado que se aplica aos processos administrativos, têm admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11080.725565/201561 Acórdão n.º 2202003.953 S2C2T2 Fl. 111 5 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014) Em face do exposto, aceito os documentos juntados pelo contribuinte em fase recursal. Admitida essa premissa (juntada de documentos em fase recursal) passaremos analisar, individualmente, as glosas efetuadas. 2) MÉRITO 2.1) DAS DEDUÇÕES ÀS CONTRIBUIÇÕES PARA ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. De acordo com a decisão recorrida, não poderiam ser admitidas as deduções das contribuições às entidades de previdência complementar, uma vez que "não ficou comprovado que a contribuição paga cumpre com as condições legais, quais sejam, a de que as destinamse a custear benefícios complementares, assemelhados aos da previdência oficial, cujo ônus tenha sido do participante, e em beneficio deste ou de seu dependente; e a de que tenha havido recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios " A comprovação de que se destinam a custear benefícios complementares é feita pelo documento de fls. 97 (Informação prestada pela CEF) Quanto ao ônus ter sido da contribuinte, o Informe de Rendimentos da Caixa Econômica Federal (fls. 98) bem como os documentos da ação judicial (fls. 99/105) demonstram claramente ter havido desconto no valor total de R$ 7.283,67 nos proventos creditados ao longo do anobase 2011. Desse valor total, cabe ressaltar que R$ 4.546,84 referemse aos descontos regulares em 2011 sobre os rendimentos de aposentadoria da contribuinte, enquanto R$ 2.736,83 referemse aos descontos de previdência privada sobre rendimentos mensais de auxílioalimentação do período de dezembro de 1998 a dezembro de 2009 (133 meses) recebidos em 2011 em decorrência de ação judicial movida pela contribuinte contra a CEF Sendo assim, entendo satisfatoriamente comprovadas as deduções realizadas. Fl. 113DF CARF MF 6 2.2) DEDUÇÃO DOS VALORES APLICADOS EM INCENTIVOS CULTURAIS De acordo com a decisão recorrida, não poderia ser admitida as deduções dos valores doados para incentivo à cultura, uma vez que "não ficou comprovado que a contribuição paga cumpre com as condições legais, quais sejam, a de que o projeto cultural esteja previamente aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC); o doador ou patrocinador obedeça, para suas doações ou patrocínios, o período para a captação de recursos definido pelas portarias de homologação do MinC" . Nesse ponto, além Comunicado Mecenato – Recibo nº 01/2011 – PRONAC 046629, de 28/12/2011, com o respectivo comprovante de transferência bancária na mesma data, a Recorrente juntou Diário Oficial da União de 02/08/2011, na qual consta a publicação da Portaria nº 431, de 1º de agosto de 2011, “que prorroga o prazo de captação de recursos dos projetos culturais, relacionados nos anexos I e II à esta Portaria, para os quais os proponentes ficam autorizados a captar recursos, mediante doações ou patrocínios, na forma prevista, respectivamente, no § 1º do artigo 18 e no artigo 26 da Lei n.º 8.313, de 23 de dezembro de 1991, alterada pela Lei n.º 9.874, de 23 de novembro de 1999”. No Anexo I dessa Portaria consta o projeto para o qual a contribuinte efetuou a doação, restando comprovada a legitimidade da dedução do incentivo. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901116/2013-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 11 16 /2 01 3- 60 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901116/201360 Acórdão n.º 1302002.270 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901116/201360 Acórdão n.º 1302002.270 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901116/201360 Acórdão n.º 1302002.270 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.008088/2009-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. GLOSAS.
Constatada a impossibilidade legal de dedução de pagamentos a título de despesas médicas, bem como a falta de esclarecimentos, por parte da Contribuinte, acerca da efetiva prestação dos serviços, restabelece-se a glosa levada a cabo pela fiscalização.
Numero da decisão: 9202-005.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa das despesas com o Laboratório Frischmann Aisengart Ltda. (fl. 24), a Clínica Sorridente (fl. 31) e o profissional Soetsu Otomu (fls. 33/34), vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), que lhe negou provimento, e o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deu provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Julgamento iniciado na sessão de 22/02/2017 e concluído em 30/03/2017.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício)
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. GLOSAS. Constatada a impossibilidade legal de dedução de pagamentos a título de despesas médicas, bem como a falta de esclarecimentos, por parte da Contribuinte, acerca da efetiva prestação dos serviços, restabelece-se a glosa levada a cabo pela fiscalização.
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DESPESAS MÉDICAS. GLOSAS. Constatada a impossibilidade legal de dedução de pagamentos a título de despesas médicas, bem como a falta de esclarecimentos, por parte da Contribuinte, acerca da efetiva prestação dos serviços, restabelecese a glosa levada a cabo pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa das despesas com o Laboratório Frischmann Aisengart Ltda. (fl. 24), a Clínica Sorridente (fl. 31) e o profissional Soetsu Otomu (fls. 33/34), vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), que lhe negou provimento, e o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe deu provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. Julgamento iniciado na sessão de 22/02/2017 e concluído em 30/03/2017. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 80 88 /2 00 9- 67 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10935.008088/200967 Acórdão n.º 9202005.324 CSRFT2 Fl. 509 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) Relatório Tratase de lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF lavrado em razão da glosa de despesas médicas comprovadas mediante apresentação recibos e declarações supostamente firmados pelos prestadores dos serviços. A Turma deu provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas nos valores de R$ 2.899,30, R$7.620,00 e R$6.634,00, relativas aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, respectivamente, e reconhecer a insubsistência do auto de infração ao fundamento de que os recibos e declarações, por si só, comprovam o pagamento de despesas médicas.: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 2004, 2005, 2006 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95. A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso parcialmente provido. A Fazenda Nacional apresentou Recurso de Divergência, sob os seguintes argumentos: Na espécie, conforme já salientado, o acórdão recorrido considerou legítima a dedução de despesas médicas comprovadas somente mediante a apresentação de recibos e declarações. Diferentemente, os acórdãos paradigmas dispõem que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10935.008088/200967 Acórdão n.º 9202005.324 CSRFT2 Fl. 510 3 efetividade da prestação dos serviços e dos correspondentes pagamentos, sendo insuficiente a apresentação de simples recibos/declarações por parte do contribuinte, conforme se vê pela transcrição das respectivas ementas1: “Nº Recurso 895547 Número do Processo 11080.723071/201038 Órgão Julgador Primeira Câmara/Segunda Seção de Julgamento Contribuinte LUIZ HENRIQUE BIONDI Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Recurso oluntário Negado POR UNANIMIDADE Data da Sessão 27/10/2011 Relator(a) GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Nº Acórdão 2102001.632 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. HIPÓTESES QUE PERMITEM A EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO OU DA EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. OCORRÊNCIA NO CASO EM DEBATE. MANUTENÇÃO DAS DESPESAS GLOSADAS. Como tenho tido oportunidade de asseverar em julgados anteriores (Acórdãos nºs 2102001.351, 2102001.356 e 2102001.366, sessão de 09 de junho de 2011; Acórdão nº 210201.055, sessão de 09 de fevereiro de 2011; Acórdão nº 210200.824, sessão de 20 de agosto de 2010; acórdão nº 210200.697, sessão de 18 de junho de 2010), entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos; houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pago em espécie; ou houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Recurso negado”. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10935.008088/200967 Acórdão n.º 9202005.324 CSRFT2 Fl. 511 4 “Nº Recurso 885213 Número do Processo 13837.001408/200873 Órgão Julgador Primeira Turma/Primeira Câmara/Segunda Seção de Julgamento Contribuinte YARA MARIA MARTINS NICOLAU MILAN Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Recurso Voluntário Provido em Parte POR VOTO DE QUALIDADE Data da Sessão 24/08/2011 Relator(a) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Nº Acórdão 2101001.264 Decisão: pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesa médica, no valor de R$ 1.240,00. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage, que davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos para redigir do voto vencedor. Ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2004. Ementa: DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Hipótese em que a apresentação tãosomente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada, sendo restabelecida a despesa para a qual foi apresentada prova adicional. Recurso Voluntário Provido em Parte.” O contribuinte foi intimado e não se manifestou. É o relatório. Voto Vencido Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10935.008088/200967 Acórdão n.º 9202005.324 CSRFT2 Fl. 512 5 Conselheira Patrícia da Silva Relatora O recurso atende seus requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço. Entendo que o decisium da turma a quo deva prevalecer por seus próprios e irrepreensíveis fundamentos, verbis: Como se observa, o litígio gira em torno da necessidade da comprovação do efetivo pagamento de despesas médicas, em que a autoridade fiscal considerou insuficientes os recibos apresentados pelo contribuinte, sem vinculação com o pagamento. A DRJ Curitiba manteve o lançamento por entender ser válida a exigência da comprovação do pagamento quando os valores deduzidos a título de despesas médicas forem considerados relevantes. Destacase do acórdão de fls. 127/134, o seguinte: “Valor probante dos recibos — Exigência de maior comprovação: Embora não se possa dizer que os recibos são materialmente falsos, não é desarrazoada a exigência de mais documentos para comprovação das despesas médicas informadas pela contribuinte. Isto porque os simples recibos emitidos por prestadores de serviços não são prova cabal da efetiva ocorrência de despesas médicas. A declaração contida em um recibo não pode ser considerada como verdade absoluta, pois é possível que os fatos nele descritos não correspondam à realidade. (...) Assim, tendo em vista as peculiaridades de cada caso e visando à adequada defesa do interesse público envolvido na apuração do valor correto da obrigação tributária, a autoridade fiscal pode e deve exigir a apresentação de outros documentos, a fim de verificar se os pagamentos deduzidos pelo contribuinte realmente ocorreram. (...) No caso ora analisado, entendo que a autoridade fiscal agiu corretamente ao exigir maior comprovação a respeito das despesas médicas deduzidas pela contribuinte autuada, pois o montante declarado é muito expressivo. Com efeito, o valor dos gastos médicos declarados pela interessada alcançou o montante de R$ 3.956,12 no ano calendário de 2004, R$ 8.803,12 no ano calendário de 2005 e R$ 11.818,92 no ano calendário de 2006, sendo inegável que se trata de despesas consideráveis. A expressividade das despesas declaradas impõe maior alerta à autoridade fiscal, tornando necessária uma apreciação mais acurada dos fatos, evitando a possibilidade de dedução de Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10935.008088/200967 Acórdão n.º 9202005.324 CSRFT2 Fl. 513 6 despesas inexistentes. E razoável esperar que despesas de maior vulto — tais como as declaradas pela contribuinte notificada — sejam acompanhadas de prova mais robusta, sendo insuficiente a mera apresentação de recibos ou declarações.” Nesse aspecto, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados e que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas. Apenas na hipótese de ausência dos recibos na forma determinada pela Lei nº 9.250/95, ou em havendo fortes indícios de que a documentação apresentada seria inidônea, estaria a autoridade lançadora autorizada a exigir a prova do efetivo pagamento. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Nesse aspecto, notese que a própria DRJ chegou a analisar e validar a documentação apresentada pelo contribuinte, considerandoa apta a suportar a comprovação da realização dos serviços: “Em relação às declarações e fichas de tratamento de saúde anexadas à impugnação, firmadas pelos profissionais Antonio Alberto Carniatto (fls. 110), Fernando Milani (fls. 111), Cristiane Blanco (fls. 116 a 118), Hissao Iwakura (fls. 119120), Andrey Zacardi (fls. 121 a 123), e pelos hospitais São Lucas de Assis Chateaubriand Ltda (fls. 124) e Nossa Senhora Aparecida (fls. 125), entendo que tais documentos poderiam até servir como elemento de prova da ocorrência de prestação de serviços, pois trazem informações relativas a problemas de saúde e tratamentos enfrentados pela contribuinte, mas não se prestam à comprovação do efetivo pagamento dos valores deduzidos, haja vista que não contêm nenhuma informação relativa à forma de pagamento que possa acrescentar algo ao conteúdo dos recibos inicialmente apresentados. A autuada alega que seus extratos bancários apontam saques em dinheiro e pagamentos em cheque que demonstrariam os pagamentos realizados. Contudo, observo que se trata de alegação genérica, pois em nenhum momento a interessada especifica quais seriam os saques e cheques que justificariam as despesas informadas em sua declaração de ajuste, e muito menos indica correlação entre os lançamentos dos extratos e os recibos apresentados. Em relação às despesas referentes ao Hospital São Lucas de Assis Chateaubriand, concordo com a contribuinte no ponto em que afirma não ser essencial a apresentação de nota fiscal, mas ainda assim considero que a glosa deve ser mantida, pois da mesma forma que ocorreu em relação às demais despesas, não Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10935.008088/200967 Acórdão n.º 9202005.324 CSRFT2 Fl. 514 7 houve a comprovação do efetivo desembolso do valor constante do recibo apresentado. Da mesma forma, quanto à despesa relacionada com o Hospital Nossa Senhora Aparecida, entendo que não é relevante a coincidência ou não com a data do recibo do médico anestesista Luiz Carlos Derenusson, haja vista que o efetivo desembolso dessa despesa também não foi comprovado pela contribuinte. Portanto, em face da falta de apresentação de documentos que demonstrem a efetiva ocorrência dos pagamentos correspondentes As despesas médicas declaradas, entendo que devem ser mantidas as glosas efetuadas pela autoridade lançadora.” Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e a ele negar provimento mantendo a decisão a quo que manteve a dedução de despesas médicas nos valores de R$2.899,30, R$7.620,00 e R$6.634,00, relativas aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, respectivamente. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10935.008088/200967 Acórdão n.º 9202005.324 CSRFT2 Fl. 515 8 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do voto da Ilustre Conselheira Relatora, tendo em vista que algumas das despesas médicas por ela aceitas não podem ser acatadas, conforme será esclarecido a seguir. Quanto ao pagamento efetuado ao Laboratório Frischmann Aisengart Ltda., no valor de R$ 44,30 (anocalendário de 2004, fls. 24), ele é relativo à aquisição de vacinas, portanto tratase de aquisição de medicamento, que somente pode ser deduzido da base de cálculo do imposto de renda quando integrante de conta hospitalar, portanto não há como acatar tal despesa. Relativamente aos recibos em favor do profissional Soetsu Otomo, nos totais de R$ 3.750,00 (anocalendário de 2005) e R$ 3.474,00 (anocalendário de 2006), às fls. 33/34, tratase de terapia oriental, sobre a qual não existe previsão legal para dedução. Ademais, o endereço do profissional é de São Paulo, informando a Contribuinte que ele vinha de lá para prestarlhe o serviço relativo a duas ou mais sessões por mês. Ora, a cidade de São Paulo fica a quase 900 quilômetros de Assis Chateaubriand/SP, onde reside a Contribuinte, o que efetivamente causa estranheza em relação a tal rotina. Além disso, o profissional não está registrado no CREFITO de São Paulo, que é o órgão da classe de fisioterapeutas daquele estado, além de, no carimbo de assinatura do profissional, constar "professor", e nos recibos constar inscrição no "CCM", sem que conste conselho profissional com esta sigla. Assim, tais despesas não podem ser acatadas. No que tange aos recibos em favor da Clínica Sorridente, datados de 1º/07/2004 e no total de R$ 1.240 (anocalendário de 2004, fl. 31), tratase de serviços odontológicos que teriam sido prestados à mesma pessoa, na mesma data, por três profissionais diferentes (Andrey Zacardi, Octacilio Salles e Gilson Makyama), o que efetivamente causa estranheza e precisaria ser explicado. Entretanto, não houve qualquer esclarecimento por parte da Contribuinte, de sorte que não há como aceitar tais despesas. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento parcial para restabelecer a glosa das despesas efetuadas com o Laboratório Frischmann Aisengart Ltda. (fl. 24), a Clínica Sorridente (fl. 31) e o profissional Soetsu Otomu (fls. 33/34), conforme especificado no presente voto. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10935.008088/200967 Acórdão n.º 9202005.324 CSRFT2 Fl. 516 9 Fl. 210DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000308/2008-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/03/2008
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ATENDER NECESSIDADE ESPECÍFICA DO CONTRATANTE NÃO SE CONFUNDE COM A CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS
Não se confunde com cessão de direitos autorais a prestação de serviços na forma de aulas, instruções ou palestras sob encomenda e com a finalidade de comercialização no mercado pelo contratante.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. FORMA DIRETA OU UTILIDADE. AUSÊNCIA.
O salário de contribuição pode ser pago de duas formas, diretamente em pecúnia ou na forma de alguma utilidade efetiva e de imediata fruição. A potencial e presumida utilidade decorrente de alguma vantagem oferecida ao beneficiário ainda não é suficiente para caracterizá-lo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do Recurso Voluntário e dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente, Flávio Zanetti de Oliveira, OAB/PR 19.116.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 30/03/2008 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ATENDER NECESSIDADE ESPECÍFICA DO CONTRATANTE NÃO SE CONFUNDE COM A CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS Não se confunde com cessão de direitos autorais a prestação de serviços na forma de aulas, instruções ou palestras sob encomenda e com a finalidade de comercialização no mercado pelo contratante. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. FORMA DIRETA OU UTILIDADE. AUSÊNCIA. O salário de contribuição pode ser pago de duas formas, diretamente em pecúnia ou na forma de alguma utilidade efetiva e de imediata fruição. A potencial e presumida utilidade decorrente de alguma vantagem oferecida ao beneficiário ainda não é suficiente para caracterizá-lo. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do Recurso Voluntário e dar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente, Flávio Zanetti de Oliveira, OAB/PR 19.116. Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS.
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CONEXÃO COM OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Recorrente DTCOM DIRECT TO COMPANY S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/03/2008 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ATENDER NECESSIDADE ESPECÍFICA DO CONTRATANTE NÃO SE CONFUNDE COM A CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS Não se confunde com cessão de direitos autorais a prestação de serviços na forma de aulas, instruções ou palestras sob encomenda e com a finalidade de comercialização no mercado pelo contratante. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. FORMA DIRETA OU UTILIDADE. AUSÊNCIA. O salário de contribuição pode ser pago de duas formas, diretamente em pecúnia ou na forma de alguma utilidade efetiva e de imediata fruição. A potencial e presumida utilidade decorrente de alguma vantagem oferecida ao beneficiário ainda não é suficiente para caracterizálo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do Recurso Voluntário e darlhe provimento, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente, Flávio Zanetti de Oliveira, OAB/PR 19.116. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 03 08 /2 00 8- 69 Fl. 151DF CARF MF 2 Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 12268.000308/200869 Acórdão n.º 2301004.958 S2C3T1 Fl. 149 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a autuação fiscal com ciência em 27/06/2008 que decorre do descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Foram considerados fatos geradores de contribuição previdenciária os valores pagos pelos serviços prestados por pessoas físicas contribuintes individuais que celebraram com o recorrente contrato de cessão de direitos autorais. A decisão recorrida excluiu a parte relativa a glosa de compensação. Seguem transcrições do relatório fiscal, fls. 15, e do acórdão recorrido: A empresa deixou de declarar ou declarou a menor nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP os seguintes fatos geradores de contribuições previdenciárias: 1. Pagamentos em espécie sob forma de bens e serviços a pessoas físicas que prestaramlhe serviços no período de O3/2003 a 02/20007 (descontínuo) em gravações de audiovisuais de suas obras intelectuais. De acordo com o contrato,o serviço prestado é pago em espécie sob a forma de permuta por bens e/ou serviços . Os contratos discriminam os valores em reais correspondentes aos bens/serviços recebido pelos contra prestação dos serviços. 2. A empresa declarou em GFIP valores a compensar aos quais não fazia jus nas competências 11/2006,12/2006,01 a 04/2007. Os valores declarados no campo de Retenção Sobre Nota Fiscal Fatura da GFIP não constam das notas fiscais de serviços emitidas pela empresa nas competências citadas e também não foram recolhidos em GPS em nome da empresa. ... ASSUNTO: OBRIGAÇOES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/03/2008 GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS. GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇOES. INFRAÇAO. Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, da Lei 8.212/91, a empresa entregar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores das contribuições destinadas à seguridade social. Fl. 153DF CARF MF 4 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO 11%. DIREITO À COMPENSAÇAO. Comprovada a prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, e o direito da empresa prestadora de serviços à compensação dos respectivos valores retidos, deve ser retificada a multa aplicada no auto de infração lavrado por entrega de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. GRAVAÇAO EM AUDIVISUAIS. PRESTAÇAO DE SERVIÇOS. DECLARAÇAO DOS VALORES EM GFIP. Não configura cessão de direitos autorais mas sim prestação de serviços a gravação em audiovisuais de cursos, palestras, conferências, incidindo sobre a remuneração contratada as contribuições previdenciárias previstas na Lei 8.212, de 1991 e acarretando a obrigação da empresa tomadora desse serviço de declarar tal remuneração em GFIP. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não se prestam para exame em sede administrativa alegações acerca de inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas plenamente vigentes. MULTA MAIS BENIGNA. A Medida Provisória 449, de 2008, convertida na Lei 11.941, de 2009, alterou o cálculo da multa aplicada por entrega de GFIP com omissão de fatos geradores. Tal alteração atrai para o caso a aplicação do art. 106, II, “c” do CTN, devendo subsistir a penalidade pecuniária que for mais benigna para o autuado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... O sujeito passivo acima identificado foi autuado pela Auditoria Fiscal da Receita Federal do Brasil, tendolhe sido aplicada a multa no valor de R$ 173.919,38, por ter efetuado a entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP do período de março/2003 a abril/2007 com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações pagas aos segurados que lhe prestaram serviços no período. ... Efetivamente o presente processo tem relação com o Auto de Infração de Obrigação Principal 37.161.6204, porquanto naquele processo exigese o recolhimento das contribuições decorrente dos mesmos fatos geradores abordados em ambos os processo. O julgamento daquele processo afetará obviamente a decisão que vier a ser proferida neste. Todavia, isto não acarreta a Fl. 154DF CARF MF Processo nº 12268.000308/200869 Acórdão n.º 2301004.958 S2C3T1 Fl. 150 5 necessidade de sobrestamento deste auto de infração, uma vez que o julgamento de ambos será feito numa única sessão. Contra a parte do lançamento mantida pela decisão recorrida, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: No prazo regulamentar o autuado impugna o lançamento para alegar que a presente autuação guarda relação com o auto de infração n° 37.161.6204 PAF 12268.000319/200849, que persegue o cumprimento da obrigação principal (recolhimento das contribuições não declaradas em GFIP). O resultado da análise daquele AI alcançará diretamente o presente auto de infração, na medida em que não subsistindo a obrigação principal, não haveria como impor ao impugnante a multa aqui aplicada. Assim, o presente feito deve ser sobrestado até o julgamento daquele AI. Na hipótese de prevalecer a exigência fiscal, a multa de 100% aplicada neste auto de infração se mostraria desproporcional com a infração tida por cometida, o que evidenciaria o seu caráter confiscatório. Ao prever sanções tributárias, o legislador deve atender aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, devendo essas sanções serem proporcionais ao ilícito praticado. Caso contrário serão consideradas inconstitucionais. A multa ofenderia o direito de propriedade e da capacidade contributiva. Por isto espera que seja desconstituído o AI, cancelandose a penalidade. Aditamento à impugnação. Em face das diligências efetuadas no Auto de Infração 37.161.6204, com abertura, naquele processo, de prazo para manifestação, veio o contribuinte aditar a sua impugnação original ao presente AI, para alegar que o Auditor Fiscal reconhece em parte os argumentos de defesa da Impugnante quanto às compensações glosadas, confirmando a existência de direito creditório do sujeito passivo. O resultado da diligência fiscal determinada naquele processo administrativo produz efeitos no presente. Dessa forma, a requerente se vale dos argumentos apresentados naquele AI para reafirmar a insubsistência da penalidade que lhe foi imputada, porque, não subsistindo a obrigação principal, não haveria como se impor à impugnante a multa decorrente do descumprimento dos deveres instrumentais. Na hipótese de ser mantida a penalidade, com fundamento no art. 106, II, “c” do CTN, requer a redução da multa ao patamar fixado pelo art. 32A da Lei 8.212, de 1991, prevista na Lei 11.941, de 2009, por ser a nova penalidade mais benigna. Fl. 155DF CARF MF 6 É o Relatório. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 12268.000308/200869 Acórdão n.º 2301004.958 S2C3T1 Fl. 151 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 157DF CARF MF 8 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade. Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Mérito No mérito, conforme reconhecido pelo recorrente e pelo acórdão recorrido, o presente processo é conexo com o processo nº 12268.000319/200849. Assim, o mesmo entendimento aqui se reproduz. Contrato de cessão de direitos autorais A controvérsia em questão versa sobre o enquadramento da situação em exame no conceito de cessão de direito autoral sobre obras intelectuais, tal como previsto no artigo 7° da Lei 9.610, de 1998: Art. 7° São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: I os textos de obras literárias, artísticas ou cientificas; II as conferências, alocuções, sermões e outras obras da mesma natureza; ... Isso porque não incide contribuição previdenciária sobre a remuneração pela cessão dos direitos autorais: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... Fl. 158DF CARF MF Processo nº 12268.000308/200869 Acórdão n.º 2301004.958 S2C3T1 Fl. 152 9 v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; Examinando os contratos juntados aos autos, especialmente os anexos I e II, verifico que para todos os serviços é fixado um valor de contraprestação na forma de divulgação dos trabalhos do contratado, marketing junto a potenciais clientes que também poderiam contratar os serviços do contratado: O preço de R$ 5.000,00, cinco mil reais indicado na cláusula 3.* do contrato será pago pela Dtcom Direct to Company S.A o Autor conforme as regras estabelecidas neste anexo. 1. A Dtcom Direct to Company S.A produzirá o comercial no modelo padrão com os parceiros de conteúdo (logomarca e apresentação de um roteiro de 30" definido pelo Autor) e transmitirá nos seus canais, (durante 06 meses, 108 inserções mensais de 30" segundos cada), veiculadas em programas com assuntos ligados à mesma área de atuação do Autor, nos horários entre 8:00 e 23:00h, em dias de semana. 2. Além do previsto no item 2, a Dtcom Direct to Company S.A editará 1 (uma) fita VHS ou um DVD do curso gravado pelo Autor, o qual poderá reproduzila após a transmissão do curso no canal Dtcom Direct to Company S.A, a suas próprias expensas. . 3. Finalmente, a Dtcom Direct to Company S.A realizará para o Autor: a) divulgação do autor na grade de programação da Dtcom Direct to Company S.A; b) inserção de vinhetas com logomarca durante cada programa de autoria da instituição; c) A Dtcom Direct to Company S.A exibirá na Internet propaganda do autor, permitindo link direto para o seu endereço eletrônico, apresentadas no site Dtcom para todos os seus usuários, durante 12 meses todo 0 período de 24 horas/dia. No anexo I são discriminados os detalhes da produção a ser realizada pelo contratado: Estrutura da aula (teleaula) O professor deverá fornecer um esquema, um desenho, ou uma descrição que represente a hierarquia das idéias que serão abordadas teleaula. Deve ficar claro quais serão as idéias principais, as idéias secundárias e assim por diante. A estrutura deve demonstrar a linha de raciocínio utilizada pelo professor para concluir os temas abordados. Conteúdos a serem abordados nos blocos (teleaula) Uma aula corresponde a 48 min divididos em 3 blocos de dezesseis minutos. Os professores deverão mencionar, da mesma forma, o que será abordado em cada um destes blocos. Fl. 159DF CARF MF 10 Ex: Bloco 1 tópicos e assuntos abordados Bloco 2 tópicos e assuntos abordados Bloco 3 tópicos e assuntos abordados e fechamento do curso. Carga Horária: 2 horasaula Finalidade do Curso O professor deverá explicar o que se pretende com o curso de uma forma geral. Lembrando que o objetivo deve ser razoável e condizente com o conteúdo do curso. Deve ficar claro se o curso irá informar, capacitar, demonstrar etc. Apresentar; analisar e discutir as inovações introduzidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal e seus reflexos no âmbito da Administração Pública, de modo que os servidores. ao final do curso, possam conhecer e interpretar a lei para entender sua relevância e, por conseqüência, evitar as falhas passíveis de punição. Objetivos Específicos O professor deverá informar claramente o que se espera dos alunos na elaboração dos objetivos específicos. O conteúdo de suas aulas deve estar de acordo com estes objetivos que se pretende atingir. Os objetivos específicos devem responder a seguinte frase: ao final desta aula, os alunos deverão ser capazes de ter conhecimento básico do assunto e até mesmo aprofundar os conhecimentos já existentes. Prérequisitos Informar se são necessários alguns prerequisitos para participar mais eficazmente do curso. Mencionar quais säo e se possível, fornecer fontes onde os alunos possam buscar maiores informações. Preferencialmente indicado para os Gestores e Servidores Públicos do Município, cujas atribuições tenham afinidade com o tema. Referencial teórico principal e complementar O professor deverá indicar em quais referenciais teóricos está embasada sua aula, para que o professor tutor e eventualmente, o desenvolvedor de conteúdo, possam trabalhar melhor o conteúdo na web. Livro: Lei de Responsabilidade Fiscal para os Municipios. São Paulo: Atlas, 2004 Legislação divulgada no site: wvvw.tesouro.fazenda.gov.br Material complementar e de apoio O professor deverá indicar sites, artigos, resenhas, entre outros para constar como indicação de material complementar aos alunos. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 12268.000308/200869 Acórdão n.º 2301004.958 S2C3T1 Fl. 153 11 Livro: Lei de Responsabilidade Fiscal para os Municipios. São Paulo: Atlas. 2004 Legislação divulgada no site: www.tesouro.fazenda.gov.br Como se pode constatar, não se trata de uma produção intelectual livre, uma manifestação da capacidade de criação do autor. Na verdade, o que temos no presente caso é uma produção intelectual, isso não se nega, mas na forma de prestação de um serviço sob encomenda a fim de que o contratante, ora recorrente, disponha de um produto a ser comercializado, principalmente a empresas interessadas em promoverem desenvolvimento corporativo de seus funcionários. Assim, tenho para mim não se tratar de uma cessão de direito autoral, mas uma prestação de serviço; contudo, no caso, não identifico na forma de contraprestação uma remuneração propriamente dita, seja na forma direta ou in natura. Vêse que o contratado, pela prestação de serviços, somente vem auferir um direito de divulgação de seu nome, logotipo e outros meios de marketing pessoal que, de fato, potencializam novas contratações. Quanto mais notoriedade melhor para o profissional que está no mercado para comercialização de seus trabalhos. Assim, o que vejo no presente caso é que a contraprestação por parte do recorrente termina nesse ponto: contribuir para a notoriedade do profissional, mas com isso ainda se configura um benefício concreto, tangível, uma utilidade a ser usufruída pelo contratado. De acordo com a Lei nº 8.212/91, o salário de contribuição pode ser pago de duas formas, diretamente em pecúnia ou na forma de alguma utilidade. Nenhum dos dois está presente. A potencial e presumida utilidade ainda não configura salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Em síntese, tratase de prestação de serviço e não de cessão de direitos autorais; porém, ausente a remuneração, seja direta ou na forma de utilidade. Fl. 161DF CARF MF 12 Por tudo, voto pelo provimento ao recurso voluntário para excluir a parte da multa relativa a suposta cessão de direito autoral. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 162DF CARF MF Processo nº 12268.000308/200869 Acórdão n.º 2301004.958 S2C3T1 Fl. 154 13 Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.000101/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/10/2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração.
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO.
Entende-se por salário-de-contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO.
O valor relativo a plano educacional, apenas não integra o salário de contribuição, quando visa à educação básica e cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa e se disponível à totalidade dos empregados e dirigentes.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE.
O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se trantando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
Numero da decisão: 2401-004.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores relativos ao plano educacional.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2008 a 31/10/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Entende-se por salário-de-contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. O valor relativo a plano educacional, apenas não integra o salário de contribuição, quando visa à educação básica e cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa e se disponível à totalidade dos empregados e dirigentes. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se trantando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade.
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Recorrente AUTO VIAÇAO TRIANGULO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 31/10/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Entendese por saláriodecontribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. O valor relativo a plano educacional, apenas não integra o salário de contribuição, quando visa à educação básica e cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa e se disponível à totalidade dos empregados e dirigentes. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se trantando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 01 01 /2 01 0- 47 Fl. 186DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores relativos ao plano educacional. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10970.000101/201047 Acórdão n.º 2401004.955 S2C4T1 Fl. 187 3 Relatório Tratase de Auto de Infração AI lavrado contra a empresa em epígrafe, referente a contribuição social destinada a terceiros Salário Educação, Incra, Sest, Senat e Sebrae, incidente sobre a remuneração paga a empregados, não declarada em GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 25/28), são fatos geradores do presente lançamento: · Levantamento C2 Capacitação Profissional a apuração ocorreu através de lançamentos contábeis e com os recibos de mensalidades pagas a escolas universitárias. O benefício não foi oferecido a todos os empregados, mas apenas aos funcionários que ocupavam cargos de chefia, no período de 03/08 a 10/08. · Levantamento R2 Remuneração fopag apurado pela diferença entre valores constantes das folhas de pagamento e os declarados em GFIP, nas competências 09/08 e 10/08. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, na qual alega nulidade do MPF, que sobre os valores pagos a título de reembolso de mensalidade de curso superior não incide contribuição previdenciária, que corrigiu a falta e transmitiu as GFIPs integrais e que são inconstitucionais as contribuições para o Sebrae e Incra. Foi proferido o Acórdão 0930.558 5ª Turma da DRJ/JFA, fls. 135/152, com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. NÃO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. TERCEIROS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. DESPESAS COM EDUCAÇÃO E CAPACITAÇÃO. CURSO SUPERIOR. REEMBOLSO DE MENSALIDADES. SEBRAE. INCRA. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. FORO PRÓPRIO. Não há como declarar nulidade, quer material quer formal, do lançamento tributário que atende aos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, formalizado por autoridade legalmente competente e nos termos do Decreto n° 70.23 5/72. Constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas na Lei n° 8.212/91, não declaradas na forma do seu art. 32, será lavrado o respectivo auto de infração. Fl. 188DF CARF MF 4 Entendese por saláriodecontribuição para o empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Para que os valores que a empresa despende na educação e capacitação de seus funcionários não integrem o salário de contribuição, deve ser observado que estes valores não sejam pagos em substituição à parcela salarial, que sejam extensivos a todos os empregados e dirigentes da empresa e que digam respeito somente a despesas com educação, que estejam amparadas pela legislação. As empresas obrigadas ao recolhimento das contribuições devidas a entidades SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT, também estão obrigadas ao recolhimento da contribuição destinada ao SEBRAE. São devidas as contribuições sociais a terceiros, entre elas a devida ao INCRA, cuja legislação foi recepcionada pelo artigo 240 da Constituição Federal de 1988, sem distinção entre os empregadores urbanos e rurais. A Administração Pública está sujeita ao princípio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Não é possível, em sede administrativa, afastarse a aplicação de lei, decreto ou ato normativo em vigor. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 9/11/10 (Aviso de Recebimento AR de fl. 154), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 7/12/10, fls. 158/180, que contém os mesmos argumentos da defesa, em síntese: Alega nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF e diz demonstrar as irregularidades. Disserta sobre a matéria. No mérito, diz que o reembolso de mensalidades de curso superior feito pela Recorrente a seus empregados, não integra o salário de contribuição, uma vez que não se trata de remuneração pelos serviços prestados por estes. O fato de tal benefício ter sido pago a apenas alguns empregados, não retira a sua natureza indenizatória, pois referida verba foi paga para o trabalho e não pelo trabalho. Alega serem ilegais e inconstitucionais as contribuições para o Sebrae e Incra. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10970.000101/201047 Acórdão n.º 2401004.955 S2C4T1 Fl. 188 5 Requer seja dado provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 190DF CARF MF 6 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINAR NULIDADE DO MPF O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, o que implica dizer que eventuais irregularidades no texto, prorrogações ou seu vencimento não constituem, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Estando o contribuinte regulamente intimado do procedimento fiscal e com a espontaneidade suspensa, não há que se falar em vício de forma se foram seguidas as disposições legais pertinentes ao lançamento e à lavratura do auto de infração, contidas no art. 142 da Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional – e no art. 10 do Decreto 70.235/72. Assim, tendo o auditor fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais demonstra o entendimento do CARF, conforme se vê no Acórdão 9202003.956 – 2ª Turma, de 22/4/16, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. Logo, irrelevantes os argumentos sobre irregularidades ou vencimento do MPF. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10970.000101/201047 Acórdão n.º 2401004.955 S2C4T1 Fl. 189 7 MÉRITO PLANO EDUCACIONAL Para o segurado do RGPS, qualquer parcela destinada a retribuir o seu trabalho integra o salário de contribuição, conforme Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Entretanto, a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, exclui algumas rubricas da base de incidência das contribuições previdenciárias, contudo para que tais rubricas sejam excluídas, elas devem estar previstas no citado dispositivo legal e devem ser pagas dentro dos ditames da lei. O art. 28, § 9º, prevê hipóteses de não incidência de contribuições sociais sobre os valores pagos relativos a plano educacional, na redação vigente à época dos fatos geradores: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de novembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; [...] Vêse, portanto, que tais hipóteses de renúncia fiscal não são absolutas, mas sim condicionadas pelo próprio dispositivo legal que as prevê. O valor que a empresa despende na educação de seus funcionários é um benefício que somente não integra o saláriodecontribuição, se observados os seguintes requisitos: Fl. 192DF CARF MF 8 · visem a educação básica ou cursos de capacitação profissionais vinculados à atividade desenvolvida pela empresa; · os valores não sejam pagos em substituição à parcela salarial; · sejam extensivos a todos os empregados e dirigentes da empresa. No presente caso, conforme relatado, o plano educacional não foi oferecido à todos os empregados e dirigentes. Logo, não se verifica o requisito essencial para que a verba paga não seja considerada saláriodecontribuição: extensão a todos os empregados e dirigentes da empresa. Nestas condições, a conclusão não pode ser outra, senão a de que os gastos relativos a educação integram o saláriodecontribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária, por se tratar de valor pago a “qualquer título”, conforme previsto no inciso I do artigo 28 da Lei 8.212/91. Logo, correto o procedimento fiscal que apurou as contribuições sociais incidentes sobre os valores pagos a título de auxílioeducação, devendo ser mantido o lançamento. CONTRIBUIÇÕES PARA SEBRAE E INCRA Quanto aos questionamentos sobre as contribuições para outras entidades e fundos (Incra e Sebrae), não cabe à autoridade administrativa considerálos indevidos sobre o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade. A validade ou não da Lei, em face da suposta ofensa a princípio de ordem constitucional, escapa ao exame da administração, pois se a lei é demasiadamente severa, gerando injustiça, cabe ao Poder Legislativo fazer a sua revisão, ou ao Poder Judiciário declarar a ilegitimidade de um texto legal em face da Constituição, quando o preceito nele inserido se mostre evidentemente em desconformidade com a Lei Maior. Nesse sentido, a inconstitucionalidade ou ilegalidade de uma lei não se discute na esfera administrativa. À fiscalização da RFB não assiste o direito de questionar a lei, tão somente, zelar pelo seu cumprimento, sendo o lançamento fiscal um procedimento legal a que a autoridade fiscal está vinculada. Ademais, o Decreto 70.235/72, dispõe que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, irrelevantes os argumentos sobre a impossibilidade de cobrança de contribuições os terceiros Incra e Sebrae. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10970.000101/201047 Acórdão n.º 2401004.955 S2C4T1 Fl. 190 9 CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.721092/2015-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior. Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Alberto Pinto Souza Junior. Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 10 .7 21 09 2/ 20 15 -8 1 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10410.721092/201581 Resolução nº 1302000.491 S1C3T2 Fl. 216 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1672.333, proferido pela 10ª Turma da DRJ São Paulo/SP, em 28/04/2016, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, conforme consubstanciado na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2011, 30/09/2011, 31/12/2011 ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. O lançamento impugnado trata de diferenças de IRPJ e CSLL relativas ao 2º, 3º e 4º trimestres do ano 2011, apurados em procedimento fiscal de Revisão de Declarações no qual foram detectadas inconsistência entre os valores declarados de “IRPJ A PAGAR”, e “CSLL A PAGAR” declarados na DIPJ, correspondentes ao ano calendário 2011, em batimento com os valores recolhidos e/ou declarados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. Na sua impugnação, a contribuinte, ora recorrente, sustentou que as divergências constatadas decorrem de erros no preenchimento da DIPJ, conforme descrito no acórdão recorrido, verbis: A impugnante alega que os valores declarados nas DCTF são os valores corretos dos débitos. Acrescenta que as divergências identificadas pela fiscalização decorrem de erros no preenchimento da DIPJ 2012. Ressalta que a obrigatoriedade do Regime Tributário de Transição – RTT impôs o preenchimento de fichas da DIPJ referentes aos critérios contábeis vigentes em 31/12/2007. Alega que, por erro, deixou de preencher a ficha 04D (Custo dos Bens e Serviços Vendidos – Critérios em 31/12/2007 – PJ em Geral) relativa ao 2º, 3º e 4º trimestres de 2011, o que acarretou erro na informação constante da linha 02 (Ajuste do Regime Tributário de Transição – RTT) das fichas 09A (Demonstração do Lucro Real – PJ em Geral) e 17 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) da DIPJ 2012. Alega que apurou o custo das mercadorias vendidas pelo custo médio, conforme previsto no art. 295 do RIR/99, não tendo havido modificação no critério de reconhecimento desses custos com a edição das Leis nº 11.638/2007 e nº 11.941/2009. A autoridade julgadora de primeiro grau rejeitou a impugnação por entender que o contribuinte deveria ter acostado aos autos, junto com a peça impugnatória, sua escrituração contábil e fiscal para comprovar o erro alegado. Cientificada em 09/05/2016 (fls. 131), a interessada apresentou recurso voluntário em 17/05/2016 (fls. 132), no qual alega, verbis: Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10410.721092/201581 Resolução nº 1302000.491 S1C3T2 Fl. 217 3 IOS FATOS [...] 2. A empresa, ao receber o auto de infração, iniciaramse (sic) as diligências e verificações de tais valores, verificando sua Contabilidade, DIPJ e DCTF; 3. Ao verificar sua DIPJ (recibo de entrega 11.85.30.97.6616 e declaração em anexo), percebeu um ERRO no preenchimento, que levaram a origem do referido auto de infração, nos seguintes campos, conforme discriminado abaixo: 3.1 Na página 44/72 da declaração, ficha 09A, linha 02 "Ajuste do Regime Tributário de Transição RTT", no valor de R$ 8.639.418, 00 (oito milhões, seiscentos e trinta e nove mil, quatrocentos e dezoito reais); 3.2 Na página 46/72 da declaração, ficha 09A, linha 02 "Ajuste do Regime Tributário de Transição RTT", no valor de R$ 9.598.634,02 (nove milhões, quinhentos e noventa e oito mil, seiscentos e trinta e quatro reais); 3.3 Na página 48/72 da declaração, ficha 09A, linha 02 "Ajuste do Regime Tributário de Transição RTT", no valor de R$ 12.384.824,55 (doze milhões, trezentos e oitenta e quatro reais e cinquenta e cinco centavos); 3.4 Na página 54/72 da declaração, ficha 17, linha 02 "Ajuste do Regime Tributário de Transição RTT", no valor de R$ 8.639.418, 00 (oito milhões, seiscentos e trinta e nove mil, quatrocentos e dezoito reais); 3.5 Na página 56/72 da declaração, ficha 17, linha 02 "Ajuste do Regime Tributário de Transição RTT", no valor de R$ 9.598.634,02 (nove milhões, quinhentos e noventa e oito mil, seiscentos e trinta e quatro reais); 3.6 Na página 58/72 da declaração, ficha 17, linha 02 "Ajuste do Regime Tributário de Transição RTT", no valor de R$ 12.384.824,55 (doze milhões, trezentos e oitenta e quatro reais e cinquenta e cinco centavos); Todos estes valores preenchidos erroneamente, conforme demonstrado acima, se deram porque não foram declarados os critérios de contabilização em 31/12/2007 (ficha 04D, pág. 13/72; ficha 04D, pág. 15/72; ficha 04D, pág. 17/12). Ou seja, não foram copiados os valores para estas fichas. Com isto, não foram anulados os efeitos dos ajustes de RTT; Desta feita, o lucro real dos períodos mencionados ficaram superavaliado, gerando valores também superavaliados na CSLL e no IRPJ desses trimestres; Esses elementos citados nos itens 1 a 6 foram expostos no termo inicial de impugnação de lançamento. Posteriormente denegado o pedido pela falta de documentos provantes da alegação de impugnação feita pelo contribuinte; II O DIREITO 1. O contribuinte de fato não apresentou as provas documentais que fundamentam o conteúdo da DIPJ, na peça de impugnação gerado pelo processo 10410 721.092/201581, porque o mesmo é obrigado ao envio do SPED ECD (escrituração contábil digital) e pelo FCont. Sendo essas obrigações entregues ao fiscosobnúmeros:4A.D7.4D.D7.5A.46.4B.38.F9.F0.3E.00. 36.CA.F3.E9.17.1C.B8.8D 5 e 1F.98.B2.D4.C5.D0.9E.DC.0B.4F.5E.C1 .28.B6.D1.5A.25E3.16.264, respectivamente. Por este motivo, o contribuinte não anexou provas documentais, uma Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10410.721092/201581 Resolução nº 1302000.491 S1C3T2 Fl. 218 4 vez que, essas declarações são enviadas pelo programa gerador do SPED via internet, substituindo os livros contábeis em papéis, diário, razão e balanço patrimonial; 2. De qualquer modo, o contribuinte está salvando e anexando em mídia digital (CD) os arquivos para que sejam reproduzidos o seu conteúdo, de forma a provar que realmente existiu um erro no preenchimento da DIPJ, conforme já mencionado. E somente descoberto, por parte do contribuinte, quando a Receita Federal fez a cobrança de valores embasados no cruzamento de dados entre a DIPJ e DCTF; III A CONCLUSÃO A vista de todo exposto, espera ver conhecido e provido seu recurso a esse Conselho Administrativo no sentido de que seja reformada a decisão do Acórdão 16 72.333 Da 10a Turma da DRJ/SPO, de forma que sejam analisadas as provas necessárias para que seja julgado de forma procedente as alegações feitas nestes termos pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10410.721092/201581 Resolução nº 1302000.491 S1C3T2 Fl. 219 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Analisando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A recorrente alega que as divergências encontradas pela fiscalização no cotejo dos valores informados na sua DIPJ e DCTFs, decorre de erro de fato no preenchimento da DIPJ. A decisão recorrida rejeitou a impugnação apresentada, fundamentandose na ausência de apresentação da escrituração contábil e fiscal que comprovasse o erro de fato alegado. Em seu recurso voluntário, a recorrente justifica que "de fato não apresentou as provas documentais que fundamentam o conteúdo da DIPJ, [...] porque o mesmo é obrigado ao envio do SPED ECD (escrituração contábil digital) e pelo FCont [...] pelo programa gerador do SPED via internet, substituindo os livros contábeis em papéis, diário, razão e balanço patrimonial;" A recorrente anexou às fls. 208/209, junto com o recurso voluntário, os recibos de entrega da Escrituração de Controle Fiscal Contábil de Transição FCONT (Original) e de Livro Digital, respectivamente. Em que pese, tais comprovantes não tenham sido apresentados na impugnação, entendo que não podem deixar de ser conhecidos, uma vez que se trata de mera comprovação de que o Fisco dispunha o tempo todo dos elementos necessários para apurar as inconsistências identificadas na declaração do sujeito passivo, não dependendo da sua apresentação, conforme fora intimado no curso da ação fiscal. Com efeito, a IN. RFB 787, de 19/11/2007 (então vigente), que instituiu a Escrituração Contábil Digital ECD estabeleceu no seu art. 6º que a apresentação da ECD supre a obrigatoriedade de apresentação de livros contábeis e fiscal prevista na IN.SRF nº 86/2001, verbis: Art. 6º A apresentação dos livros digitais, nos termos desta Instrução Normativa, supre, em relação aos arquivos correspondentes, a exigência contida na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, e na Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 20 de junho de 2006. Desta feita, impõese a apreciação da autoridade fiscal da unidade preparadora, dos argumentos da recorrente, em face da escrituração contábil digital e do FCONT, com vistas a verificar se efetivamente ocorreu o alegado erro de fato no preenchimento da DIPJ pela contribuinte. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10410.721092/201581 Resolução nº 1302000.491 S1C3T2 Fl. 220 6 Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, devendo os presentes autos retornar à unidade de origem para que a autoridade preparadora: a) Designe autoridade fiscal competente para examinar se: a.1) em face dos valores declarados pelo contribuinte em sua ECD e FCONT, é possível confirmar o erro de fato no preenchimento das Fichas 09A e 17 da DIPJ, com a não consideração dos critérios de apuração dos custos dos produtos/serviços vendidos informados na Ficha 04D da DIPJ apresentada pela recorrente; a.2) apresentar relatório conclusivo do exame dos elementos contidos nas referidas escriturações digitais em face dos valores informados na DIPJ, informando se subsistem as diferenças identificadas no procedimento fiscal entre os valores informados pelo contribuinte em sua DIPJ e DCTF; a.3) Dar ciência à interessada do Relatório de Diligências, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação. Após esgotado o prazo para a manifestação da interessada, os autos devem retornar a este colegiado para a apreciação do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.900346/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
Ausência de Questão Fática a Ser Esclarecida. Erro de Direito no Preenchimento de Declaração. Descabimento de Diligência.
Não havendo questão de fato a ser esclarecida, descabe a realização de diligência. O erro cometido pela interessada no preenchimento da declaração é erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência no curso do contencioso.
Compensação. Alegado Pagamento Indevido de Estimativa. Direito Creditório Inexistente. Não Homologação.
A própria interessada admite que o direito creditório apontado como pagamento indevido de estimativa, na verdade, não o era. Em tais condições, o alegado direito creditório se revela inexistente, o que conduz à não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1301-002.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR proposta do relator para conversão em diligência. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto; e (ii) por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ERRO DE DIREITO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. DESCABIMENTO DE DILIGÊNCIA. Não havendo questão de fato a ser esclarecida, descabe a realização de diligência. O erro cometido pela interessada no preenchimento da declaração é erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência no curso do contencioso. COMPENSAÇÃO. ALEGADO PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A própria interessada admite que o direito creditório apontado como pagamento indevido de estimativa, na verdade, não o era. Em tais condições, o alegado direito creditório se revela inexistente, o que conduz à não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR proposta do relator para conversão em diligência. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto; e (ii) por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 46 /2 00 8- 59 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10865.900346/200859 Acórdão n.º 1301002.229 S1C3T1 Fl. 190 2 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1429.595, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RPO, na sessão de 11 de junho de 2010, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, rejeitála, não reconhecendo o direito creditório. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório proferido por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLLestimativa, código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 08/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10865.900346/200859 Acórdão n.º 1301002.229 S1C3T1 Fl. 191 3 que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia às autoridades fiscais diligenciar junto à. empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao principio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que "a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário"; Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulado o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. É o relatório Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, com documentos que supostamente validam seu direito creditório e requerendo sejam conhecidas as provas juntadas, em atendimento ao princípio da busca da verdade real, provas que alega comprovarem a existência de saldo negativo passível de recuperação; que houve um erro de forma em seu pedido, não podendo restar frustrado seu direito líquido e certo ao indébito e; que já foi atingido pela decadência o saldo negativo apurado no anocalendário de 2001, não podendo ser este alterado. Na verificação de regularidade do recurso proposto e ao tomar conhecimento da informação fiscal de existência de processos do mesmo contribuinte com a mesma causa de Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10865.900346/200859 Acórdão n.º 1301002.229 S1C3T1 Fl. 192 4 pedir, solicitei a distribuição dos nove processos, entre os quais o presente, por conexão, independentemente de sorteio, para que os recursos pudessem ser analisados conjuntamente, conforme art. 6, § 1º, I, cumulado com os § 2º e 3º deste mesmo artigo, todos do Anexo II do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sendo tal requisição deferida pelo Presidente da 1ª da Seção, Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4o do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material, para a consecução dos fins processuais No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Dessa forma, as novas provas são admitidas e serão analisadas. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10865.900346/200859 Acórdão n.º 1301002.229 S1C3T1 Fl. 193 5 DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Em sede preliminar, sustenta o interessado a impossibilidade de revisão do saldo negativo apurado no anocalendário de 2001, diante do transcurso do prazo qüinqüenal, afirmando ter ocorrido homologação tácita em 2007, ocasião em que extinguiuse o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150 § 4º do Código Tributário Nacional. Pois bem. Em primeiro lugar cabe esclarecer que a lide não diz respeito ao prazo decadencial para se proceder ao lançamento, mas da análise da compensação realizada pelo contribuinte. Nesses termos, estarseia tratando de algo de outra natureza: aferição da liquidez e certeza do pleito creditório de interesse da interessada e não simplesmente de lançamento. Assim, não se pode concluir a partir daí que o órgão administrativo em pedidos que envolvem restituições deva simplesmente “homologar” o saldo negativo de CSLL, e proceder à compensação sem aferir a certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam. Nesse sentido, embora o Fisco não possa mais exigir eventuais diferenças.ou débitos, relativos a fatos acontecidos, atingidos pelo prazo decadencial, por haver decorrido o prazo legal para tanto, por outro lado, a Autoridade Fiscal pode e deve verificar a origem, o valor e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte. Logo, não há razão em se afirmar, como o fez o contribuinte, que no ano de 2007 o saldo negativo de CSL não era mais passível de análise. Por outro lado, devese verificar se ocorreu a chamada homologação tácita do débito declarado pelo contribuinte por Per/Dcomp, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996. De acordo com este disposto legal, começa a fluir o prazo qüinqüenal para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, na data da entrega da respectiva declaração de compensação, sendo considerado tacitamente homologado o débito (ou crédito tributário) após o decurso do prazo de cinco anos. Confirase a redação do citado dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). No caso em tela, tendo sido apresentada a DComp retificadora na data de 08/03/2004, deslocase o citado prazo a quo para a data da entrega dessa DComp retificadora. Nesse sentido, dispõe o art. 91 da Instrução Normativa RFB 1300/2012, ainda vigente, a seguir transcrito: Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10865.900346/200859 Acórdão n.º 1301002.229 S1C3T1 Fl. 194 6 Art. 91. Admitida a retificação da Declaração de Compensação o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 44 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Assim, fica demonstrado que, no caso em tela, não houve nem mesmo homologação tácita da compensação declarada, pois na data que ocorreu o despacho decisório (em 24/04/2008), ainda não havia se consumado o citado prazo qüinqüenal de homologação tácita do procedimento compensatório. Com base nessas considerações, rejeitase a presente alegação de decadência. DA PRELIMINAR DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ e DCOMP, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações, de modo que a exigência prevista no artigo 170A do CTN, no que se refere à exigência de certeza e liquidez do direito creditório apresentado, não seja desnaturado para impedir a apreciação material do pleito formulado pelo contribuinte. Entendo não ser legítimo afastarse uma declaração de compensação ao fundamento puramente formal de que não se teria correspondência entre os saldos negativos indicados em distintos documentos, na hipótese de ser apontado equivocadamente a origem do crédito, considerando "pagamento indevido" de estimativa mensal, quando na verdade o direito creditório resulta de saldo negativo formado pelo somatório destas mesmas estimativas, exclusivamente. Não há como negarlhe o direito ao crédito, enquanto que o valor foi efetivamente pago em excesso, e por isso entendo haver maior relevância neste fato do que nos procedimentos formais de restituição, ressarcimento e compensação dirigidos pela Receita Federal do Brasil. No caso concreto, ao analisar conjuntamente as provas produzidas, não tenho dúvida de que não ocorreu pagamento a maior das estimativas de CSLL, ocorrendo, em tese, saldo negativo de CSLL no período. Se por um lado, a recorrente confundiu esses conceitos, por outro deixou inequívoco que sua intenção era mesma aproveitar crédito decorrente do referido saldo negativo formado pelo conjunto das estimativas. Convergente a este entendimento, o Colegiado que primeiro analisou o processo nº 10865.900336200813, que motivou o despacho de conexão, resolveu converter os autos em diligência, esclarecendo, naquela oportunidade, inclusive, suas razões pelas quais desconsidera o erro formal de o contribuinte indicar nos PER/DCOMP como crédito os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. De acordo com a resolução anterior, se o método de solicitar a restituição, o ressarcimento e a compensação se mostrou inadequado sob a ótica formal, o processo administrativo fiscal é que deve acertar o procedimento guiandose pelo princípio matriz, da busca pela verdade real. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10865.900346/200859 Acórdão n.º 1301002.229 S1C3T1 Fl. 195 7 Porém, esta diligência não se realizou, em face da informação fiscal da existência de outros processos desse mesmo contribuinte que objetivam a utilização de crédito oriundo de saldo negativo de CSLL, no mesmo anocalendário, propondo sejam analisados conjuntamente, além de noticiar que esta foi a solução dada nos processos relativos ao IRPJ deste mesmo ano, onde o relator daqueles processos solicitou que lhe fossem distribuídos tais processos por conexão Foi exatamente por esta razão, foi requisitada a distribuição do presente processo a este relator, em conformidade com o despacho de conexão anteriormente mencionado e deferido pelo Presidente da 1ª Seção. Sendo assim, entendo que deve ser permitido retificar a Per/Dcomp, por ser patente o erro no seu preenchimento, configurado em divergência perceptível entre o Per/Dcomp apresentado e o que queria ser apresentado, revelado, como já se disse, no próprio contexto em que foi feita a declaração. Assim, inclinome pela realização de uma diligência específica para que sejam adotadas as seguintes providências pela Fiscalização: a) Transmutar a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 2001; b) Intimar o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide, inclusive a exibir a sua contabilidade, no que interessar, viabilizando a análise do mérito do pedido; c) Prosseguir na validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP; d) Após as verificações acima, verificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o sistema pertinente da Receita Federal do Brasil. e) A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. f) Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. DO MÉRITO Ultrapassadas as preliminares acima mencionadas, em especial, o encaminhamento de conversão do julgamento em diligência, impõese, de acordo com as regras regimentais, analisar o mérito da lide, no estado em que se encontra os autos. No caso em tela, a compensação formalizada em Dcomp não foi homologada porque indicava como crédito contra a Fazenda um valor que efetivamente não revestia essa condição. O pagamento apontado como indevido, na verdade, não o era, fato este admitido pela Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10865.900346/200859 Acórdão n.º 1301002.229 S1C3T1 Fl. 196 8 própria recorrente. Tratavase, segundo seu recurso, de recolhimento de estimativas que formavam o saldo negativo, apurado no final do anocalendário 2001. Ocorre que a Dcomp., na forma em que apresentada, não informa que se trata de saldo negativo: o código de receita informado na Dcomp é o código do pagamento por estimativa; o período de apuração indicado também é o da estimativa. Portanto, de acordo com o documento, o crédito mencionado é pagamento feito por estimativa, e não o saldo negativo. Embora ter alegado erro, o fato é que a recorrente não apresentou uma outra declaração de compensação, utilizandose do saldo negativo mencionado para compensar seus débitos. Ao invés, preferiu a correção de sua declaração através deste Processo Administrativo Fiscal. Porém, para atingir seu êxito dentro do presente processo, necessário seria a correção de sua declaração, através de proposta de diligência, oportunidade em que seria intimado a apresentar suas informações ou retificações. Porém, como se viu, em face do indeferimento pelo Colegiado da proposta de conversão do julgamento em diligência, tal oportunidade não ocorreu, restando, unicamente, a retificação da declaração no âmbito extraprocessual, na forma da legislação em vigor, mas não o fez. Assim, a pretensão deduzida no recurso voluntário deve ser indeferida. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior, Redator Designado O exame da preliminar que propõe a conversão do julgamento em diligência se confunde com o próprio exame do mérito. Na proposta, o ilustre Conselheiro relator afirma estar convencido de que, no caso concreto, não ocorreu mesmo pagamento indevido de estimativa. O crédito seria saldo negativo apurado no final do período. A requerente teria apenas confundido crédito de saldo negativo com as estimativas que o compõem. Aqui está o problema: o erro cometido pela contribuinte não consiste em mera imprecisão material ou em simples erro de preenchimento da declaração. É erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência. Para sanar o problema seria necessário refazer integralmente a declaração de compensação, o que já não se admite nesta fase. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10865.900346/200859 Acórdão n.º 1301002.229 S1C3T1 Fl. 197 9 A diligência seria cabível apenas se houve alguma questão de fato a ser esclarecida, mas não há. Os fatos são incontroversos. A contribuinte indicou como crédito o valor recolhido como estimativa, afirmando tratarse de pagamento indevido. O direito creditório, todavia, tinha origem em saldo credor apurado no final do período base. A matéria não é nova. Esta turma, em outra oportunidade, já teve chance de se manifestar sobre problema idêntico. Nessa ocasião, prevaleceu entendimento no sentido de rejeitar a diligência e negar provimento ao recurso. Estes foram os fundamentos que então embasaram a decisão deste Colegiado: A inserção, no campo destinado ao crédito, de valor inexistente inviabiliza a própria Dcomp, sobretudo quando a essa incorreção se somam erros quanto à natureza do crédito, à data do pagamento, ao período de apuração, e ao código da receita. A correção de todos esses dados, como quer a recorrente, implicaria elaborar nova Dcomp, procedimento que não se permite a este órgão julgador, nem ao Delegado da Receita Federal. O erro, frisese, é admitido pela própria recorrente. É fato incontroverso. Porém, ao contrário do que ela sustenta, não se trata de mero erro material ou de forma. É erro de conteúdo ou substancial. Quando se examinam os dados informados na Dcomp, percebese claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. Portanto, não socorre a recorrente, no caso em exame, o princípio da verdade material. Cabe ressaltar que o indeferimento do direito creditório relativamente ao pagamento por estimativa não impedia que a recorrente, mediante apresentação de outra declaração de compensação, utilizasse o saldo negativo para compensar outros débitos, sem qualquer prejuízo a seu eventual direito creditório. Todavia, admitir que, no caso concreto, houve mero erro formal, reconhecendo direito creditório quanto ao pagamento por estimativa (como quer a recorrente), implica fragilizar o controle da Administração relativamente a tais valores, pois abre espaço para que sejam compensados, concomitantemente, tanto o saldo negativo, quanto os pagamentos por estimativa que o compõem, cada qual em Dcomps diferentes. Importa ressaltar que a Lei nº 9.430/1996, ao disciplinar a compensação, conferiu ao contribuinte verdadeiro direito potestativo, já que o exercício do direito, mesmo interferindo na esfera jurídica de outrem (no caso, o Fisco), depende apenas da vontade e da decisão do contribuinte. Nos termos da legislação em vigor, havendo pagamento indevido a título de tributo, pertence ao contribuinte decidir se vai fazer a compensação, definir em que momento ela será feita, e finalmente escolher quais os débitos serão compensados. A matéria está toda ela na esfera de discricionariedade do contribuinte, não cabendo ao Fisco interferir em nenhum desses três aspectos. Por outro lado, a compensação, que é formalizada unilateralmente mediante a mera entrega de uma declaração (Dcomp), produz imediato efeito extintivo do crédito tributário compensado, restando, nessa hipótese, ao Fisco verificar no prazo de cinco anos a regularidade da compensação, sob pena de homologação tácita, com o que tanto a compensação, quanto a extinção do crédito tributário se tornam definitivas. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10865.900346/200859 Acórdão n.º 1301002.229 S1C3T1 Fl. 198 10 A amplitude desse poder, entretanto, cobra responsabilidades do contribuinte, que tem de suportar as consequências da demora em formalizar a compensação e as consequências de realizála de forma incorreta. No caso em exame, a contribuinte formalizou a compensação, indicando como crédito um valor que não revestia essa condição. Poderia ter apresentado nova declaração, mas não o fez. Assim, a pretensão deduzida no recurso voluntário, diante da falta de amparo legal, deve ser indeferida. Com esses fundamentos, voto por rejeitar a preliminar. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15471.000251/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 2202-003.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 02 51 /2 00 8- 81 Fl. 105DF CARF MF 2 Reproduzo o relatório da Resolução nº 220200.250, de 20/06/2012, dessa Turma Ordinária, , que descreveu os fatos ocorridos até aquele momento. 1 Notificação de Lançamento Em revisão à Declaração de Ajuste Anual (fls. 2327), a autoridade administrativa lançou Imposto de Renda com base em omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas no anocalendário de 2004. O montante omitido seria de R$ 16.454,63, relativos a pagamentos realizados ao recorrente pela Fundação SISTEL de Seguridade Social, apurados em DIRF apresentada pela fonte pagadora, tendo sido compensado de ofício o valor de R$ 563,75 constante neste documento referente ao IRRF. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 2.301,86, incluídos multa de ofício de 75% e juros de mora. O contribuinte procurou modificar o lançamento através de SRL – Solicitação de Revisão de Lançamento, que foi indeferida. O contribuinte foi notificado do resultado da SRL em 29/01/2008. 2 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação tempestiva (fl. 3) esgrimindo os seguintes argumentos: a) possui decisão do STJ que reconhece a isenção dos valores recebidos a título de aposentadoria complementar da Fundação SISTEL de Seguridade Social, no limite dos valores pagos entre 1988 e 1999, vez que sobre estes já incidiu imposto de renda à época do recolhimento da previdência; b) na pendência da discussão quanto aos limites da isenção concedida pelo STJ, a Fundação SISTEL tem depositado os valores devidos a título de IRRF judicialmente, suspendendo a exigibilidade desses valores. O recorrente anexou à impugnação os seguintes documentos: registro de movimentações do processo no STJ (fl. 04); certidão de julgamento e acórdão do processo (fls. 510); cópia de oficio à SISTEL para que passasse a efetuar depósito judicial do IR incidente sobre as parcelas de aposentadoria, além de determinar a citação da União para se pronunciar (fl. 11); e comprovante de rendimentos recebidos (fl. 12). 3 Acórdão de Impugnação A 3ª Turma da DRJ/RJ2 acordou, por unanimidade, por não conhecer a impugnação (fls. 6061). Os fundamentos foram os seguintes: a) conforme dispõe o artigo 1º, § 2º, do DecretoLei nº 1.737/79, e o artigo 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80, a propositura pelo contribuinte de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, Fl. 106DF CARF MF Processo nº 15471.000251/200881 Acórdão n.º 2202003.879 S2C2T2 Fl. 106 3 importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto; b) a não incidência do IR sobre os valores pagos a título de previdência complementar já foi discutida em ação judicial (Ação Ordinária nº 2003.51.01.0125886) transitada em julgado, na qual o impugnante obteve êxito, mas com limitações de valor que levaram inclusive a SISTEL a depositar o valor referente a IRRF em conta judicial, enquanto os limites estariam sendo apurados; c) evidenciase que há confusão entre o objeto dos dois processos, significando renúncia da via administrativa. 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 04/04/11, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 5456) em 14/04/11, repisando os argumentos da impugnação. Em anexo ao recurso, foram juntados Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, certificando a existência de débitos relativos a tributos administrados pela SRFB com a exigibilidade suspensa (fl. 69), informações cadastrais (fl 70) e débitos na conta corrente (fl. 71) Na sessão de 20/06/2012, essa Turma Ordinária resolveu converter o julgamento em diligência, pois, segundo o Relator, caso o presente processo fosse julgado, o crédito poderia ser inscrito em dívida ativa, uma vez que sua exigibilidade não estaria suspensa, já que somente houve depósito parcial do valor devido, porém havia indícios de que a quantia não seria devida em função da decisão judicial. Foram solicitadas as seguintes providências: Envio de ofício MM. Juízo da 29ª Vara Federal do Rio de Janeiro solicitando: a) que o mesmo informe se os valores considerados isentos pela decisão judicial cobrem o IRPF incidente sobre rendimentos de aposentadoria recebidos em 2004, conforme isenção reconhecida no processo nº 001258865.2003.4.02.5101; b) que, tão logo seja definida a situação do processo judicial, seja remetida resposta a este Conselho, para que se prossiga ao julgamento do presente recurso levando em consideração as conclusões do processo judicial. A Agência da Receita Federal do Brasil em Barra do Piraí (RJ), em atendimento à Resolução, encaminhou dois ofícios à Juíza de Direito da 29ª Vara Federal do Rio de Janeiro, porém não obteve resposta. o Processo foi, então, devolvido ao CARF. Tendo em vista que o Relator não mais integra o CARF, o processo foi sorteado para minha relatoria, na sessão de 19/01/207. Fl. 107DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Alega o Recorrente que possui decisão do STJ reconhecendo a isenção dos valores recebidos a título de aposentadoria complementar da Fundação SISTEL de Seguridade Social, no limite dos valores pagos entre 1988 e 1999, vez que sobre estes já incidiu imposto de renda à época do recolhimento da previdência. Informa que, na pendência da discussão quanto aos limites da isenção concedida pelo STJ, a Fundação SISTEL tem depositado os valores devidos a título de IRRF judicialmente, suspendendo a exigibilidade desses valores. A diligência efetuada pela repartição de origem não obteve resultado, pois a Vara Federal não enviou resposta. No entanto, entendo que as providências requeridas não são necessárias para o deslinde da questão, pois se trata de concomitância com ação judicial. Tendo a discussão desse processo sido submetida à apreciação do Poder Judiciário, conforme documentos anexados aos autos (fls. 8/16), entendo que esta instância administrativa está impedida de examinála, conforme já decidiu a DRJ (fls. 65/67). É o caso de se aplicar a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O contribuinte não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e administrativo. Em havendo coincidência de objetos nos dois processos, é de se afastar a competência dos órgãos administrativos para se pronunciarem sobre a questão. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou seja, desistência de eventual recurso interposto. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por concomitância com ação judicial. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 108DF CARF MF Processo nº 15471.000251/200881 Acórdão n.º 2202003.879 S2C2T2 Fl. 107 5 Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.001272/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
COMPETÊNCIA DA 1ª SEÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 2º, IV, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF é da 1ª Seção a competência para julgar recursos que versem sobre demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Declinada a competência para a 1ª Seção de Julgamento do CARF
Numero da decisão: 3202-001.376
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência para julgamento do recurso voluntário à 1ª Seção de Julgamento.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Substituto
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 COMPETÊNCIA DA 1ª SEÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 2º, IV, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF é da 1ª Seção a competência para julgar recursos que versem sobre demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Declinada a competência para a 1ª Seção de Julgamento do CARF
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência para julgamento do recurso voluntário à 1ª Seção de Julgamento. Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Substituto Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Rodrigo Cardozo Miranda.
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AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente FRIGOXIN COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 COMPETÊNCIA DA 1ª SEÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 2º, IV, DO ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF é da 1ª Seção a competência para julgar recursos que versem sobre demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Declinada a competência para a 1ª Seção de Julgamento do CARF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declinar a competência para julgamento do recurso voluntário à 1ª Seção de Julgamento. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente Substituto Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Rodrigo Cardozo Miranda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 00 12 72 /2 00 7- 10 Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10218.001272/200710 Acórdão n.º 3202001.376 S3C2T2 Fl. 708 2 Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém: Versa o presente processo sobre auto de infração alusivo ao tributo Pis/Pasep 587596), no valor de R$ 9.791.244,84, já compreendendo o principal, a multa de oficio e juros de mora calculados até 30/11/2007, com ciência do sujeito passivo em 07/12/2007 (fl. 586). As supostas infrações foram relativas a falta/insuficiência de recolhimento da contribuição social ora em julgamento. Também aduz a sujeição passiva solidária, na qualidade de responsável, do Sr., Atílio Gusson, inscrito no CPF sob o n° 607.823.90900, conforme fls. 580585, cientificado mediante Edital n° 20/2007 em 11/12/2007 (fl. 598), depois de tentativa infrutífera de intimação via postal (fl. 597), na qual o agente postal informara a expressão "mudouse” relativamente ao sujeito passivo. Em pesquisa (fl. 659) realizada o sistema eletrônico CPF em 28/04/20008, o endereço do sujeito passivo continuava o mesmo utilizado na tentativa frustrada de intimação postal. 3. Em 08/01/2008, inconformado com o lançamento tributário, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 602622), alegando em suma: DA SUPOSTA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DOS Sócios E DA ALTERAÇÃO DO DOMICÍLIO FISCAL DA IMPUGNANTE a) Não há nos autos nenhum elemento que descaracterize a condição de sócio de Luís Menegon, sendo certo que sempre exerceu referida função, representando a empresa nas diversas situações. b) As alegações — de que o Sr. Atílio Gusson exerceria atividade executiva de relevante importância e ter atribuições que suplantariam as funções do cargo de gerente financeiro — não merecem prosperar, uma vez que os poderes a ele conferidos são normais de um gerente fmanceiro, tais como monitoramento contábil e financeiro, tesouraria, fechamentos contábeis, balanços, lucros e perdas, aumento da eficiência da organização, gerenciamento de fluxo de caixa, contas a pagar e a receber, processos administrativos, controle de custos de produção com vendas, controle de aplicações financeiras, etc. c) Além disso, não existe nenhum impedimento legal para que o gerente financeiro na qualidade de mandatário da empresa possa atuar como seu representante e desempenhar as funções ali atribuídas que, digase de passagem, em nada extrapolam suas atribuições no cargo ocupado. d) Ademais, vale mencionar que o Sr. Atílio foi admitido como gerente financeiro da impugnante em setembro de 2002 e percebia o salário mensal inicial de R$2.500,00 tendo atingido o montante de R$8.900,00 após quatro anos de trabalho. Em 1° de novembro de 2007, o Sr. Atílio foi demitido. e) No que diz respeito à desconsideração do domicílio fiscal do impugnante na cidade do Rio de janeiro, e na consideração da unidade industrial na cidade de Xinguara como matriz, também não merecem prosperar os argumentos fazendários, pois o artigo 127 do CTN só poderia ser invocado Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10218.001272/200710 Acórdão n.º 3202001.376 S3C2T2 Fl. 709 3 pelos agentes fiscais na hipótese de nãoeleição de domicílio fiscal por parte do contribuinte. f) Ao contrário do que argüiu o agente fiscal, na matriz do Rio de Janeiro funcionava um escritório administrativo e a contabilidade da empresa, sendo que não teve maiores atividades devido à imposição da barreira sanitária, que proibia a venda de carne sem osso do sul do Pará. g) Tanto isso é verdade que numa das respostas às intimações fiscais, o iinpugnante explicitou que precisaria de prazo para realizar a entrega de documentos, pois necessitaria organizar a ida da contadora para Xinguara. Somente com a descaracterização do domicílio fiscal no Rio de Janeiro foi que a empresa determinou a ida de sua contadora a Xinguara para poder atender as exigências fiscais. Portanto, ao contrário do que alegam as autoridades fiscais, não houve o escopo de dificultar sobremaneira a ação fiscalizadora e arrecadadora da administração tributária federal. DA DECADÊNCIA h) Conforme artigo 150, § 4°, do CTN a decadência ocorre em cinco anos a partir do fato gerador. i) Aduziu decisões administrativas e judiciais. j) Assim, decaíram os fatos jurídicos ocorridos entre 08/2002 a 11/2002. DA IMPROCEDÊNCIA DAS INFRAÇÕES APURADAS k) Como é possível verificar no termo de verificação fiscal, as autoridades fiscais tãosomente se limitaram a mencionar a suposta falta de recolhimento dos valores devidos a título de Cofins, sem apresentar nenhuma planilha explicativa dos valores supostamente devidos. 1) Em verdade, no auto de infração constam valores fechados de supostas infrações, apurados mês a mês, sem a menção detalhada da forma de apuração da provável infração, além de inexistirem planilhas que demonstrem a ocorrência de tal fato. Ora, tal omissão dificulta sobremaneira o direito de ampla defesa e exercício do contraditório por parte do impugnante, configurando no caso em tela um notório cerceamento de seu direito de defesa, pelo que deve ser declarada a nulidade da autuação. m) Aduziu o artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal. DO DESCABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA n) Não pode prosperar a multa de 150%, pois não há falar em simulação, tampouco em objetivo de fugir à tributação. o) Por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência da fraude (artigo 72 da Lei n° 4.502/1964), o elemento dolo que lhe é atinente desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. p) Tanto é verdade que é possível verificar no termo de verificação fiscal que o impugnante não criou quaisquer embaraços ao trabalho fiscal e, ademais, forneceu os documentos solicitados, segundo se depreende da seguinte passagem: "Registrese que, em razão de os referidos documentos, em momento anterior, já terem sido apresentados voluntariamente pela fiscalizada, tal requisição não teve o caráter de quebra de sigilo bancário administrativa ..." (fl. 15). q) Além de ter apresentado os documentos solicitados ao longo do trabalho fiscal, houve in casu um mero erro de escrituração contábil da empresa, que, Caso tivesse o alegado intuito de burlar o fisco jamais teria feito a Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10218.001272/200710 Acórdão n.º 3202001.376 S3C2T2 Fl. 710 4 escrituração correta no livro de registro de saídas e também não teria efetuado declaração junto à Fazenda estadual. r) Além disso, o efetivo intuito de fraude, para que seja aceito, há que ficar estreme de dúvida, indagação e/ou divergência. s) Na realidade, o pressuposto de que todas as operações teriam sido feitas tãosomente para lesar a Fazenda Nacional, além de não se mostrar razoável e proporcional, não se sustenta diante dos fatos, principalmente em face do comportamento regular da empresa nas suas operações. t) Ademais, não há, no caso vertente, elemento contundente, convincente e/ou excludente de outra circunstância, igualmente plausível, de que houve tão somente interesse de lesar o fisco. Não há prova alguma. Há em verdade, construções imaginárias, frutos de incrível poder criativo, mas provas, fatos e documentos de que as operações tenham efetivamente o intuito de burlar a Fazenda Pública, onde efetivamente não há. A decisão proferida pela DRJ de Belém foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRITATÁRIO, REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. O processo administrativo tributário tem com escopo decidir, na órbita administrativa, se houve ou não a ocorrência de fato gerador do imposto e 4so este tenha ocorrido, verificar se o lançamento esteve de acordo com a legislação aplicável. Logo, o legislador administrativo não deve se manifestar quanto ao processo de representação fiscal para fins penais, já que nele não há interesse tributário envolvido. MSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002, 2003 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. ELEIÇÃO DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ARTIFICIALIDADE. SONEGAÇÃO. A conduta do contribuinte em escolher do domicílio fiscal longínquo e artificial para burlar o fisco com vistas a retardar total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, justifica a qualificação da multa devido à hipótese descrita no artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64,como espécie de sonegação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. DEZ ANOS. O direito de o Fisco apurar e constitui suas contribuições sociais extinguese após dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. FATOS JURÍDICOS TRIBUTÁRIOS. DESCRIÇÃO. ELEMENTOS. A descrição da materialidade do fato, do quantum debeatur (base de cálculo e alíquota) e do período a que se refere, inclusive com planilhas demonstrativas, engloba os elementos obrigatórios do auto de infração e refuta a existência de cerceamento do direito de defesa. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10218.001272/200710 Acórdão n.º 3202001.376 S3C2T2 Fl. 711 5 Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs o presente recurso visando a reforma do decisório da DRJ, reiterando os argumentos e pedidos elaborados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O Recurso ora analisado é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. Compulsando os autos verifico no Termo de Verificação Fiscal que foram apuradas as seguintes infrações: a) Receitas não contabilizadas: Após confrontação entre os livros registro de saídas que retratam as informações contidas nas declarações de informações econômicofiscais (DIEF) entregues a SEFA/PA e os livros contábeis Diário e Razão, verificouse a suposta omissão de lançamentos de notas fiscais de saída na contabilidade da empresa; b) Omissão de receitas — depósitos bancários de origem não comprovada: após confrontação entre os valores constantes nos lançamentos contábeis das contas Bancos e aqueles constantes nos extratos bancários da fiscalizada, referentes aos recursos depositados em contascorrentes e de aplicação financeira, constatouse supostas divergências que foram consideradas presunção legal de omissão de receitas; c) Insuficiência de recolhimento e declaração — PIS e COFINS: Não escrituração e não recolhimento dos valores devidos a título de PIS e COFINS nos períodos de agosto de 2002 a dezembro de 2003; e d) Aplicação de multa qualificada de 150% (cento è cinqüenta por cento) sob alegação de evidente intuito de fraudar o Fisco. Foram lavrados autos de infração exigindo a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em razão da omissão de receitas e receitas não contabilizadas apontadas pela fiscalização. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10218.001272/200710 Acórdão n.º 3202001.376 S3C2T2 Fl. 712 6 Com efeito, nos termos do art. 2º, IV, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, a competência para análise da lide é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, senão vejamos: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ... Cabe, portanto à Primeira Seção de Julgamento deste Conselho apreciar o Recurso Voluntário em questão. Pelas considerações delineadas, VOTO POR DECLINAR A COMPETÊNCIA para apreciação e julgamento do presente feito à Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 733DF CARF MF
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