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Numero do processo: 13971.003406/2010-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, entendeu-se por converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, por unanimidade de votos, entendeu-se por converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro.
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(assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 03 40 6/ 20 10 -9 9 Fl. 886DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.248 S3C3T1 Fl. 887 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão de fls. 516/576 dos autos, cujo teor abaixo se transcreve: Trata o presente processo de Auto de Infração, no valor de R$ 15.604.125,75, acrescido de juros de mora e multa proporcional, relativo à insuficiência de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos períodos de apuração de janeiro, fevereiro, junho e dezembro de 2005. Conforme o Termo de Verificação da Infração, em relação ao período 01/2005 a 06/2005, a constatação da infração deuse durante a análise fiscal dos processos de números 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, relativos à análise de Declarações de Compensação – DCOMP do sujeito passivo, no período de janeiro a junho de 2005, feita a partir dos arquivos digitais, demonstrativos e documentos fiscais entregues pelo sujeito passivo no âmbito daqueles processos de análise do direito creditório de Cofins/PIS/Pasep. O Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 14/43) identifica as glosas dos créditos dos dois primeiros trimestres, as quais implicaram em insuficiências nos descontos de créditos informados no Dacon. A insuficiência de contribuições de dezembro foi verificada após a apuração dos créditos e sua utilização em desconto constante do Dacon do 4º. trimestre de 2005, transmitido em 20/07/2009. Na seqüência, a autoridade fiscalizadora expõe a planilha dos créditos apurados após a análise do direito creditório, com os créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às receitas no mercado interno e de exportação, antes dos descontos e compensações. No item “Desconto de Créditos e Apuração da Insuficiência”, consta: a apuração em janeiro e fevereiro (planilha), após os descontos de créditos efetuados pelo sujeito passivo contidos no Dacon transmitido em 08/07/2010, considerando os créditos apurados pela fiscalização; os saldos de créditos de novembro e dezembro de 2004 estão de acordo com o apurado no processo nº. 13971.000132/200519 (Cofins 4º. trimestre/2004) após as compensações (processo apensado ao presente, com o devido relatório fiscal); o saldo de março (mercado externo) foi utilizado em compensação e pedido de ressarcimento, conforme Parecer Saort nº. 059/2010 do processo nº. 13971.001036/200598; a apuração da insuficiência em junho foi feita a partir dos créditos apurados pela fiscalização em abril e maio, do crédito apurado pela contribuinte em junho, e com a sua utilização em desconto constante do Dacon do 2º. trimestre de 2005, transmitido em 08/07/2010 (planilha no item 12 – fl. 12 do relatório fiscal); os saldos de créditos de abril e maio (mercado externo) foram utilizados em compensação, conforme Parecer Saort nº. 060/2010, relativo ao processo nº. 13971.001475/200509 para o saldo de crédito de setembro utilizado no 4º. trimestre (R$ 8.868.850,86) foram considerados os dados constantes do Dacon do Fl. 887DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.248 S3C3T1 Fl. 888 3 3º. trimestre de 2005, transmitido em 20/07/2009 (planilha do item 13 do relatório fiscal à fl. 12); a insuficiência em dezembro foi apurada após a utilização dos créditos em desconto, constante do Dacon do 4º. trimestre de 2005, transmitido em 20/07/2009 (planilha); No item “Da Infração Verificada”, a autoridade fiscalizadora traz uma planilha com as insuficiências apuradas nos respectivos meses. Constam em anexo do termo: DVD contendo o Relatório de Auditoria Fiscal com a discriminação das glosas e seus demonstrativos, bem como as intimações fiscais realizadas no âmbito dos processos nº. 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509; e o Relatório de Auditoria Fiscal referente à análise dos créditos da Cofins do 1º. e do 2º. trimestres de 2005. Ressalta o fisco que as glosas constantes deste Auto de Infração são as mesmas constantes no Relatório de Auditoria Fiscal (Anexo I) dos processos de nº. 13971.001036/200598 e nº.13971.001475/200509, referentes à análise de compensações e pedidos de ressarcimento da COFINS no 1º. e 2º. trimestres de 2005, motivo pelo qual esses processos foram apensados para análise e exame de mérito conjunto. Constam apensados, ainda, os processos nº. 13971.000132/2005 19 e nº. 13971.001375/200493, cujas compensações, objeto de análise fiscal, foram homologadas. Às fls. 14/43, consta o Relatório de Auditoria Fiscal dos processos 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509. A contribuinte impugna o lançamento, alegando, preliminarmente, a decadência do crédito tributário exigido e reportase ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos do CTN. Aduz que o Auto de Infração foi recebido em 18/08/2010, com a exigência da Cofins e consectários legais, referente aos fatos geradores de janeiro (vencimento em 15/02/2005), fevereiro (vencimento em 15/03/2005) e junho (vencimento em 15/07/2005). No item seguinte de sua defesa “Da Observação do Efeito Suspensivo – Desconsideração do saldo credor do período anterior – Não objeto de fiscalização do período – Processos Reflexivos”, a contribuinte alega, em síntese, que, face às glosas levadas a efeito na análise das declarações de compensação, objeto de verificação em outros procedimentos fiscais, o saldo credor relativo a períodos anteriores a junho de 2005 não poderia ser desconsiderado para fins de apuração do efetivo valor devido, visto que os processos de ressarcimento, de compensação e de auto de infração dos períodos anteriores foram impugnados e se encontram em fase de processo administrativo, o que suspenderia a exigência do crédito tributário, conforme previsão do art. 151, III, do CTN. Quanto à exigência referente ao mês de dezembro de 2005, alega que não está suportada nem mesmo pela análise do pedido de ressarcimento, tampouco das DCOMP correspondentes, mas simplesmente pelo reflexo das análises de períodos anteriores, cujas glosas alteraram o resultado dos saldos de créditos apurados. Sustenta que os demais processos envolvendo a Cofins, e que refletem no presente auto de infração estão sendo discutidos nos processos 13971.001375/2004 93 (1º. trimestre 2004); 13971.001080/200417 (2º. trimestre de 2004); Fl. 888DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.248 S3C3T1 Fl. 889 4 13971.001568/200444 (Cofins julho/2004), 13971.005306/200963 (Cofins agosto e setembro de 2004); 13971.000132/200519 (Cofins do 4º. trimestre de 2004); que somente poderiam ser cobrados ou exigidos quando do trânsito em julgado na fase administrativa, motivo pelo qual deveria ser anulada a cobrança exarada; e que, ainda que assim não fosse, caberia a suspensão do presente feito face o caráter reflexivo com àqueles mencionados processos. Sob o tópico “III – Do Direito”, a contribuinte se reporta ao relatório fiscal da infração, ao tópico ‘Da Infração Verificada’, onde consta que os processos 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509 devem ser juntados por apensação para análise e exame de mérito conjunto. Desta forma, alega ser desnecessário repetir os argumentos jurídicos que suportam as manifestações de inconformidade, face à necessária apensação. Aduz, ainda, que tal pretensão também se aplica aos processos de nº. 13971.001475/200509 (DCOMP – crédito de Cofins 2º. trimestre de 2005) e 13971.000132/200519 (DCOMP – crédito de Cofins – 4º. trimestre de 2004), o qual, por terem por homologadas totalmente a compensação pretendida, não permitiu a apresentação de qualquer manifestação de inconformidade. Reitera e ratifica os argumentos expendidos nas Manifestações de Inconformidade nos processos nº. 13971.001036/200598 e 13971.001474/200556, de forma que se apliquem integralmente a análise dos efeitos das glosas levadas a efeito quanto aos créditos apurados naquele processo, que as matérias envolvidas são exatamente as mesmas, e que, quanto ao Processo nº. 13971.001475/200509, as provas documentais são equivalentes. Por fim, requer que se acolha as preliminares argüidas e, caso superadas, no mérito, que se cancele o Auto de Infração, reconhecendo o direito creditório pleiteado. Constam anexados aos autos (conforme despacho de fl. 103 – dig) cópias das Manifestações de Inconformidade/impugnação dos processos n°. 13971.001036/200598 (1º. trimestre 2005), 13971.001475/200509 (2° trimestre 2005), 13971.001375/200493 (1° trimestre de 2004), 13971.001080/200417 (2°.trimestre de 2004), 13971.001568/200444 (Cofins julho/2004), 13971.005306/200963 (Cofins agosto e setembro/2004). Consta na Informação Fiscal (em 19/10/2010) de fls. 359/ss (dig) a sugestão da apensação dos processos nºs. 13971.001375/200493, 13971.000132/200519, 13971.001036/200598, 13971.001475/200509, bem como um histórico dos créditos da Cofins nãocumulativa do 1º. trimestre de 2004 ao 4º trimestre de 2005, evidenciando os valores requeridos em Dacon, as glosas fiscais destes períodos, os valores utilizados em descontos das contribuições, os valores homologados ou não, as insuficiências e a vinculação entre os saldos transferidos para os períodos seguintes. Em 30/06/2011, foi proferido o Acórdão 0725.044 (fls. 370/ssdig) emanado da 4ª. Turma da DRJ/FNS, o qual restou anulado pelo Acórdão nº. 3301.002.104 – 3ª. Câmara/1ª. Turma Ordinária (fls. 464/ssdig), retornando o processo para que nova decisão seja proferida. Desta feita, houve o encaminhamento de diligência à DRF/Blumenau/SC, a qual foi atendida , conforme Informação Fiscal de fls. 494/ssdig. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.248 S3C3T1 Fl. 890 5 Houve reabertura de prazo para a impugnante, a qual não mais se manifestou. É o relatório. Ao reanalisar o caso, face à nulidade da primeira decisão (fls. 370 e seguintes) proferida pela DRJ em Florianópolis, esta mesma Delegacia concluiu em sessão realizada no dia 24/04/2015 pela procedência em parte do pleito do contribuinte (vide decisão de fls. 516/576 dos autos), acolhendo a preliminar de decadência tão somente quanto ao mês de janeiro de 01/2005, e acolhendo parcialmente os argumentos de mérito, determinando a redução dos valores lançados conforme tabela a seguir reproduzida: MÊS DE PARA Janeiro/2005 4.166.396,87 0,00 Fevereiro/2005 2.084.149,48 2.084.149,48 Junho/2005 3.550.171,44 3.546.982,72 Dezembro/2005 5.803.407,96 5.803.407,96 Os fundamentos constantes do voto proferido pela Relatora Marisa Soares Mondadori podem ser assim resumidos: (i) quanto à preliminar de decadência, entendeu que o parágrafo 4º do art. 150 do CTN seria aplicável tão somente no que concerne ao mês de janeiro de 2005, face à existência de pagamento antecipado no referido mês (vide comprovante juntado no pedido de restituição Processo 13971.005210/200903, apenso à presente demanda). Quanto às demais competências, entendeu que seria aplicável a regra disposta no art. 173, inciso I, do CTN, pelo que afastou o argumento de decadência em tais meses. (ii) no mérito, entendeu que o valor lançado deveria ser reduzido para os valores indicados na planilha acima, em razão das decisões proferidas nos autos dos processos nº 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, cujos fundamentos adotou como razão de decidir. Assim procedeu visto que o presente lançamento se originou da constatação efetuada pela DRF/Blumenau/SC, em sede de tais Declarações de Compensação, de que o contribuinte não detinha créditos em montante suficiente para cobrir a íntegra dos descontos efetuados em relação aos débitos de COFINS do respectivo período de apuração. Ou seja, de um mesmo procedimento de ofício, resultou a necessidade da prática de dois atos administrativos distintos: o despacho decisório, para fins de formalizar o deferimento parcial das compensação, e o auto de infração (objeto do presente processo), para fins de formalizar a exigência do crédito tributário da COFINS que restou inadimplido. O acórdão da referida decisão, portanto, restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO. GLOSA DE CRÉDITO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento de contribuição não cumulativa, decorrente da glosa de créditos utilizados para desconto da contribuição, constitui infração que autoriza a lavratura de auto de infração para a formalização do crédito tributário. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.248 S3C3T1 Fl. 891 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. DECADÊNCIA. PRAZO. A decadência do direito de constituir o crédito tributário ocorre em cinco contados do fato gerador, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, desde que tenha havido antecipação do pagamento, na forma do caput do art. 150 do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Insatisfeito com o teor desta última decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 02/06/2015 (fls. 645 e seguintes dos autos), por meio do qual alega, resumidamente, que deveria ter sido: (i) reconhecida a decadência não apenas quanto ao mês de janeiro de 2005, como também quanto aos meses de fevereiro e junho de 2005, visto que o parágrafo 4º do art. 150 do CTN seria aplicável também quanto a tais competências, em razão da compensação/desconto do crédito em face dos débitos apurados, apto a extinguir o crédito tributário nos moldes do art. 156, II, do CTN. Destacou que tais compensações encontramse comprovadas por intermédio das DACONs e DCTFs anexadas ao processo; (ii) aplicado o caráter reflexivo e, no mérito, cancelada a exigência decorrente da suposta e indevida insuficiência de crédito; (iii) determinada a suspensão da tramitação da presente demanda, até a decisão final de todos os processos envolvendo os pedidos de ressarcimento/compensação realizados. O processo, então, foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para fins de análise tanto do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, quanto do recurso de ofício. É o que havia de relevante para relatar. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.248 S3C3T1 Fl. 892 7 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões No caso dos autos, é cabível Recurso de Ofício, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 2º da Portaria MF nº 03/2008. O Recurso Voluntário, por seu turno, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passase, então, à análise dos referidos recursos. I. DO RECURSO VOLUNTÁRIO QUESTÃO PREJUDICIAL. Encontramse apensados à presente demanda os seguintes processos administrativos: 1. Processo nº 13971.000132/200519; 2. Processo nº 13971.001375/200493; 3. Processo nº 13971.005210/200903; 4. Processo nº 13971.001036/200598; 5. Processo nº 13971.001475/200509. Quanto aos três primeiros processos acima indicados (Processo nº 13971.000132/200519, Processo nº 13971.001375/200493 e Processo nº 13971.000132/2005 19), entendo que a qualidade de apensados está correta. Isso porque, da análise dos referidos autos constatase que o contencioso administrativo tributário já teve fim em tais casos, não havendo recurso a ser apreciado. Ou seja, tais processos encontramse apensados à presente demanda não para que sejam analisados e julgados, mas apenas para fins de subsidiar a análise do presente processo. De outro norte, no que tange aos Processos nº 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, verificase que o encaminhamento de tais processos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na qualidade de apensados se deu equivocadamente. Isso porque, quando um processo é distribuído na qualidade de apensado, não possui andamento próprio, vindo a ter fim quando do julgamento do seu processo principal. Há, contudo, que se fazer uma distinção entre os processos apensados e os processos vinculados. Quando determinado processo encontrase apensado, a decisão proferida no processo principal será aplicada automaticamente para o processo apensado, sem que neste seja proferida uma decisão própria. Quando os processos são vinculados, embora os processos sejam julgados em conjunto, cada um deles possui andamento e decisões próprias. Ao analisar o presente caso, constatase de pronto que, para que se chegue a um desfecho quanto à esta demanda em que se exige as diferenças apuradas pela fiscalização em razão dos indeferimentos dos pedidos de compensação/ressarcimento , há de ser observado um pressuposto indispensável: a análise quanto à correção de tais indeferimentos. Ou seja, sem que tais pedidos de ressarcimento/compensação sejam julgados, não há como se aferir se as diferenças exigidas na presente demanda estão corretas. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.248 S3C3T1 Fl. 893 8 Forçoso reconhecer, portanto, que no presente caso a ordem dos fatores altera o resultado. Tanto é assim que na própria decisão de primeira instância administrativa proferida pela DRJ em Florianópolis, a Relatora fez questão de destacar que o Auto de Infração estava sendo julgado após a decisão proferida nos autos dos pedidos de compensação/ressarcimento nº 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, tendo inclusive adotado as decisões proferidas nos referidos processos como razão de decidir. Em outras palavras, sem que reste sedimentado que tal pressuposto de fato ocorreu (que a compensação/ressarcimento realizada pelo contribuinte foi indevida), não há como se verificar se são procedente as diferenças apuradas no presente auto de infração. No caso em deslinde, apesar da correlação existente entre o auto de infração em questão e os pedidos de ressarcimento/compensação realizados, que leva à necessária análise conjunta dos mesmos, cada um dos processos deveria possuir andamento e decisão próprias. Até porque, consoante analisado acima, a decisão a ser proferida na presente demanda (cobrança de diferenças de COFINS em razão de indeferimento dos pedidos de ressarcimento/compensação apresentados pelo contribuinte) apenas se sustenta na medida em que já tenha havido um desfecho quanto aos pedidos de ressarcimento/compensação. Constatase, portanto, que os referidos processos de compensação/ressarcimento deveriam ter sido distribuídos a este Conselho para que sejam analisados separadamente, e não na qualidade de apensados, até por representarem pressuposto indispensável à análise do auto de infração lavrado. Nesse contexto, entendo que não há como se julgar a presente demanda sem que tenha havido um desfecho nos autos dos Processos de compensação/ressarcimento acima indicados, sob pena de se macular os direitos constitucionais do contribuinte ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Sem que tenha havido um desfecho quanto ao pressuposto necessário à verificação das diferenças apuradas, não há como a imposição de tais diferenças ser validada por este Conselho. Por fim, registra o contribuinte que o auto de infração em tela foi lavrado não apenas em decorrência dos Processos nº 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, como também do Processo nº 13971.001474/200556, pelo que o desfecho deste último processo também seria essencial à solução da presente contenda. Constato, então, que procede o argumento do contribuinte. Consoante se extrai do termo de verificação da infração de fl. 10 dos autos, bem como do termo de fl. 258, a constatação da infração deuse durante a análise fiscal dos Processos nº 13971.001036/2005 98, 13971.001475/200509 e Processo nº 13971.001474/200556. Logo, o desfecho deste último caso também se apresenta relevante ao deslinde desta demanda. Sendo assim, na hipótese de este Conselho ainda não ter proferido decisão quanto ao referido processo, deverá ser determinada a sua vinculação ao presente processo, para que também seja julgado em conjunto. Já tendo havido decisão quanto a este último processo, que seja juntado aos presentes autos a sua cópia integral, para análise de eventuais efeitos ao julgamento do auto de infração em relevo. Entendo, pois, que, por uma questão de ordem, deverá ser convertido o presente julgamento em diligência, para fins de determinar: (i) que os processos de compensação/ressarcimento nº 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509 sejam Fl. 893DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13971.003406/201099 Resolução nº 3301000.248 S3C3T1 Fl. 894 9 saneados, no sentido de retirar dos mesmos a qualidade de apensados, determinandose a distribuição dos mesmos perante este Conselho, para que tenham andamento e julgamento próprios; (ii) determinar a vinculação de tais processos ao presente processo, para que sejam julgados em conjunto; (iii) determinar também a vinculação do Processo nº 13971.001474/200556 à presente demanda, para que também seja julgado em conjunto (caso ainda não tenha sido apreciado por este CARF), ou a juntada de cópia integral daqueles autos, para análise dos seus efeitos (na hipótese em que este Conselho já tenha proferido decisão no referido processo). II. DO RECURSO DE OFÍCIO ANÁLISE PREJUDICADA. Em razão da necessária conversão em diligência acima apontada, resta prejudicada a análise do Recurso de Ofício, cuja análise deverá ser realizada quando do julgamento desta demanda a ser posteriormente realizado. Da conclusão Por todo o exposto, entendo por converter o presente julgamento em diligência no intuito de que a Secretaria da Câmara tome as seguintes providências: (i) realize o saneamento dos processos de compensação/ressarcimento nº 13971.001036/200598 e 13971.001475/200509, no sentido de retirar dos mesmos a qualidade de apensados, determinandose a distribuição destes perante este Conselho, para que tenham andamento e julgamento próprios; (ii) vincule tais processos ao presente processo, para que sejam julgados em conjunto; (iii) vincule também o Processo nº 13971.001474/200556 à presente demanda, para que também seja julgado em conjunto (caso ainda não tenha sido apreciado por este CARF), ou a juntada de cópia integral daqueles autos, para a análise de seus efeitos (na hipótese em que este Conselho já tenha proferido decisão no referido processo). Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 894DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 24/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 15586.001870/2008-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO INEXISTÊNCIA.
A omissão do colegiado sobre determinado aspecto do litigio dá azo a embargos de declaração. Porém, quando a omissão não existe, ha de ser rejeitado os embargos declaratórios.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Numero da decisão: 3402-003.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios do contribuinte.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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A OMISSÃO DO COLEGIADO SOBRE DETERMINADO ASPECTO DO LITIGIO DÁ AZO A EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PORÉM, QUANDO A OMISSÃO NÃO EXISTE, HA DE SER REJEITADO OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios do contribuinte. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 18 70 /2 00 8- 03 Fl. 699DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Relatório Em despacho de admissibilidade de Embargos de Declaração o presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção em despacho S/Nº de 04 de dezembro de 2015, assim, despachou: “A empresa em epígrafe opôs embargos de declaração (fls. 658/668) contra o Acórdão no 3101 00941 (fls. 626 a 635), de 11/11/2011, por suposta omissão/contradição desse decisum. O acórdão embargado possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder à venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art.100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE A embargante alega que houve omissão no referido acórdão porque este, ao examinar os insumos que não foram admitidos como matériaprima ou produto intermediário, "ignorou completamente as explicações técnicas trazidas pela embargante, as quais demonstraram que, por serem, tais insumos indispensáveis ao processo industrial, não poderiam ter sido desconsideradas para fins da Fl. 700DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 3402003.054 S3C4T2 Fl. 3 3 determinação da base de cálculo de IPI". Conclui nesse ponto que "ao deixar de considerar tais explicações técnicas em suas razões de decidir, a C. Turma incorreu em omissão em relação a ponto relevante para o deslinde da controvérsia ora discutida". Em sequência, aponta que a decisão incorreu em omissão, pois, em resumo, a fiscalização teria considerado no cálculo de receita operacional bruta todas as receitas por ela auferidas, incluindose aquelas relativas à comercialização de produtos não industrializados e prestação de serviços. Afirma que o acórdão "também incorreu em omissão na medida em que deixou injustificadamente de analisálos". Por fim, aponta omissão no aresto embargado por não ter acatado seu pedido de atualização de seu crédito presumido com base na taxa SELIC. Alfim, pede que sejam acolhidos os embargos para o fim de que: I os itens constantes no Demonstrativo de Excluídos do Conceito de MP, PI e ME sejam incluídos no cálculo do crédito presumido; II na apuração da Receita Operacional Bruta, excluase o valor relativo a vendas de mercadorias, prestação de serviços e outras receitas que não fazem parte do produtos industrializados; e III o valor do crédito presumido seja atualizado monetariamente, com base na taxa SELIC calculada desde a data de protocolo do pedido de ressarcimento. São esses os fatos. Os embargos de declaração podem ser interpostos nas hipóteses previstas no artigo 65, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2009, que assim dispõe: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Como se dessume do pedido dos embargos, em relação ao primeiro item relatado, o que realmente pretende a embargante é modificar o mérito do acórdão, postulando efeitos infringentes àqueles. Quanto à apontada omissão no r. acórdão, de que não teria levado em conta as explicações técnicas da empresa para definir quais insumos poderiam ter seu valor de compra computado no cálculo do crédito presumido, o relator (no item de seu voto "Dos insumos inadmitidos como matériaprima ou produto intermediário") fundamentou seu voto de acordo com sua convicção e de forma articulada, inclusive arrimandose na decisão da DRJ. Assim, não há omissão neste item por ele simplesmente não ter feito menção a alguma explicação técnica da empresa, pois estas não o vinculam. Assim, rejeito os embargos nesse ponto. Quanto à questão do cálculo da receita bruta operacional, de fato, a então recorrente no item IIe da peça recursal (fls. 598) alega, em suma, o seguinte: Fl. 701DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 "Ou seja, as receitas que devem ser consideradas para apuração do referido percentual serão as receitas de exportação, que devem ser as receitas dos bens industrializados e exportados, versus todas as receitas de produtos vendidos no mercado interno e externo (exportados) industrializados pelo produtor/exportador. Assim, para efeito da apuração do percentual referente à receita de exportação versus receita operacional bruta (ROB), não se deve incluir as outras receitas que não fazem parte da produção, tais como as receitas de vendas de mercadorias, prestação de serviços entre outras. Portanto, ao elaborar o cálculo do crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e COFINS, devese considerar somente as matérias primas, material Intermediário e material de embalagem vinculados aos produtos exportados." E sobre tal ponto a decisão foi omissa. Igualmente omissa a r. decisão quanto ao pedido de aplicação da taxa SELIC, embora tenha a relatora feito menção a ele no relatório. Com essas considerações, admito os embargos de declaração, diante das omissões constatadas na decisão embargada. Em consequência, determino à Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro (conselheira relatora, que ainda integra a 3ª Seção) a indicação para pauta de julgamento dos embargos de declaração apresentados, a fim de que enfrente os pontos omissos (item IIe e IIf) da peça recursal (fls. 563/603), submetendo sua decisão ao plenário da turma. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção” É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, Conheço dos Embargos de Declaração, porque tempestivos e atendidos ao demais requisitos para sua admissibilidade, tal como o despacho s/nº citado no relatório acima. Conforme o despacho relatado do Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção a de ser enfrentado os supostos pontos omissos (item IIe e IIf) da peça recursal (fls. 563/603) do contribuinte. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 15586.001870/200803 Acórdão n.º 3402003.054 S3C4T2 Fl. 4 5 O referido item IIe tratou da apuração do valor da receita operacional bruta e o despacho de admissibilidade dos embargos destacou as seguintes conclusões do contribuinte em seu Recurso Voluntário: "Ou seja, as receitas que devem ser consideradas para apuração do referido percentual serão as receitas de exportação, que devem ser as receitas dos bens industrializados e exportados, versus todas as receitas de produtos vendidos no mercado interno e externo (exportados) industrializados pelo produtor/exportador. Assim, para efeito da apuração do percentual referente à receita de exportação versus receita operacional bruta (ROB), não se deve incluir as outras receitas que não fazem parte da produção, tais como as receitas de vendas de mercadorias, prestação de serviços entre outras. Portanto, ao elaborar o cálculo do crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e COFINS, devese considerar somente as matérias primas, material Intermediário e material de embalagem vinculados aos produtos exportados." Não obstante, não tenha especificamente o acórdão embargado nominado essa apuração do valor da receita operacional bruta, entendo não ter havido omissão no trato da matéria, pois, quanto aos produtos classificados na TIPI como NT esses quando referiremse a produtos industrializados devem compor a Receita de exportação. O mesmo ocorreu na apuração dos créditos, em relação as aquisições de pessoas físicas, já que quanto as aquisições de cooperativas esses créditos já haviam sido reconhecidos pela decisão da primeira instância. Também, o fato é que o julgamento desse processo na segunda instância administrativa não se esgotou com o acórdão embargado, porque, o voto condutor do acordão recorrido terminou por determinar: “Diante do todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO determinando afastar a exclusão na receita bruta de exportação, os produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI, por estar afastados do campo de tributação, mas, não afastados do fato gerador do IPI; afastar a glosa dos créditos referentes a aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoa físicas e determinar o retorno do processo ao órgão julgador de primeira instância para análise dos demais pressupostos a garantir o crédito pleiteado.” Assim, o acórdão recorrido tratou do valor da receita operacional bruta com a determinação do afastamento da exclusão dos produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI, devolvendo o processo ao órgão julgador de primeira instância para análise dos demais pressupostos, no caso, se o acórdão embargado determinou afastar o que foi excluído, agora com a inclusão, o órgão julgador deverá analisar e julgar os demais aspecto, no caso específico se trata de produto industrializado e exportado e não apenas de produto classificado como NT na TIPI. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 6 Assim, no retorno do processo ao CARF o contribuinte terá novamente o direito de defesa e recorrer se os cálculos estiverem errados ou em desacordo com estabelecido na legislação vigente. Quanto a segunda omissão apontada no acórdão embargado, pelas mesmas razões acima exposta quanto a conclusão do voto condutor, que não reconheço a suposta omissão quanto a aplicação da taxa SELIC. E a explicação é a seguinte: a aplicação ou não da taxa SELIC no pedido de ressarcimento desde essa ou aquela data é decisão de comando de execução de julgado final. A decisão embargada foi de provimento parcial condicionado ao retorno ao órgão de julgamento de primeira instância para uma nova análise e julgamento, logo, nesse novo julgamento se não for determinado a aplicação da taxa SELIC, essa será pelo julgamento em segunda instância administrativa, com direito a defesa em forma de recurso. Embora seja defeso a interposição de embargos de declaração a acórdãos, conforme e por pessoas previstas no Regimento do CARF, é bom lembrar que o mesmo tem o objetivo de combater eventuais omissões, contradições ou obscuridades da decisão do colegiado. Portanto, o acórdão atacado nos presentes Embargos para ter sido viciado pela omissão deve ter adotado premissas intimas inconciliáveis, justificando seu saneamento. Também, se contém o vício da omissão, lembrando que o acórdão aqui combatido é a decisão de um colegiado, deve ter se abstido de apreciar as questões de fato e de direito suscitadas ou não pelas partes, embora o contraditório legitime o resultado obtido, desde que se configure pertinência com os elementos do processo. Assim, não vejo presente no acórdão combatido e no voto condutor da decisão do então colegiado a ocorrência das omissões apontadas, nas circunstâncias em que se deu a decisão do colegiado, ou seja, não foi uma decisão total e definitiva. Isto posto, voto por rejeitar os embargos declaratórios do contribuinte, por inexistência das omissões apontada na decisão embargada. Conselheira VALDETE APARECIDA, MARINHEIRO Fl. 704DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 11968.001192/2009-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 13/04/2009 a 28/06/2009
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 13/04/2009 a 28/06/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 13/04/2009 a 28/06/2009 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 13/04/2009 a 28/06/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 11 92 /2 00 9- 14 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 9303003.807 CSRFT3 Fl. 193 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.874, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 9303003.807 CSRFT3 Fl. 194 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 194DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 9303003.807 CSRFT3 Fl. 195 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 9303003.807 CSRFT3 Fl. 196 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 196DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 9303003.807 CSRFT3 Fl. 197 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 197DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 9303003.807 CSRFT3 Fl. 198 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 198DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 9303003.807 CSRFT3 Fl. 199 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.001192/200914 Acórdão n.º 9303003.807 CSRFT3 Fl. 200 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 200DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11829.720008/2013-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 27/05/2012
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento. Caso a mercadoria tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida, esta infração é punida com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/05/2012
SIMULAÇÃO.
A simulação se caracteriza pela divergência entre o ato aparente - realização formal - e o ato que se quer materializar - oculto. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas formalmente, pois materialmente o ato praticado é outro. Portanto, para fins de caracterizar, ou não, simulação, é irrelevante terem as partes verdadeiramente manifestadas publicamente vontade de formalizar determinados atos por natureza lícitos, pois tal fato em nada influi sobre o cerne da definição de simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade. Para que não se configure simulação, é necessário mais que isso, é necessário que as partes queiram praticar esses atos não apenas formalmente, mas também materialmente.
RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Restando configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, os efeitos tributários devem ser determinados conforme os atos efetivamente ocorreram.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/05/2012
VERDADE MATERIAL. MEIOS DE PROVAS.
Por se tratar de a simulação de divergência entre realidade e subjetividade, é difícil, quando não impossível, comprová-la diretamente, pelo que se admite que seja provada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive indícios e presunções.
Numero da decisão: 3201-002.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 27/05/2012 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento. Caso a mercadoria tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida, esta infração é punida com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/05/2012 SIMULAÇÃO. A simulação se caracteriza pela divergência entre o ato aparente - realização formal - e o ato que se quer materializar - oculto. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas formalmente, pois materialmente o ato praticado é outro. Portanto, para fins de caracterizar, ou não, simulação, é irrelevante terem as partes verdadeiramente manifestadas publicamente vontade de formalizar determinados atos por natureza lícitos, pois tal fato em nada influi sobre o cerne da definição de simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade. Para que não se configure simulação, é necessário mais que isso, é necessário que as partes queiram praticar esses atos não apenas formalmente, mas também materialmente. RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Restando configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, os efeitos tributários devem ser determinados conforme os atos efetivamente ocorreram. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 27/05/2012 VERDADE MATERIAL. MEIOS DE PROVAS. Por se tratar de a simulação de divergência entre realidade e subjetividade, é difícil, quando não impossível, comprová-la diretamente, pelo que se admite que seja provada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive indícios e presunções.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo
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PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento. Caso a mercadoria tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida, esta infração é punida com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/05/2012 SIMULAÇÃO. A simulação se caracteriza pela divergência entre o ato aparente realização formal e o ato que se quer materializar oculto. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas formalmente, pois materialmente o ato praticado é outro. Portanto, para fins de caracterizar, ou não, simulação, é irrelevante terem as partes verdadeiramente manifestadas publicamente vontade de formalizar determinados atos por natureza lícitos, pois tal fato em nada influi sobre o cerne da definição de simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade. Para que não se configure simulação, é necessário mais que isso, é necessário que as partes queiram praticar esses atos não apenas formalmente, mas também materialmente. RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE. DESCARACTERIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 08 /2 01 3- 00 Fl. 952DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 953 2 Restando configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, os efeitos tributários devem ser determinados conforme os atos efetivamente ocorreram. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/05/2012 VERDADE MATERIAL. MEIOS DE PROVAS. Por se tratar de a simulação de divergência entre realidade e subjetividade, é difícil, quando não impossível, comprovála diretamente, pelo que se admite que seja provada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive indícios e presunções. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$5.724.400,00 referente à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, prevista no § 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 41 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010. Contra a empresa NEWBURY ENTERPRISE LTD e o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL, ora impugnantes, já devidamente qualificados nos autos, no Termo de Verificação Fiscal – TVF e na Descrição dos fatos, foi lavrado Auto de Infração por AFRFB em exercício na Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos (SP), em sede do procedimento especial de fiscalização aduaneira do cumprimento das Fl. 953DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 954 3 condições exigidas para a admissão no país de aeronave ao amparo dos benefícios fiscais previstos no Decreto nº 97.464/89. As infrações foram apuradas na utilização de aeronave executiva estrangeira de prefixo N 5 RF, marca RAYTHEON, modelo B 300, número de série FL 423, ano de fabricação 2008, aeronave esta selecionada como alvo da Operação Pouso Forçado. A Operação Pouso Forçado, que contou com a integração da Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público foi deflagrada em 20/06/2012. Nesta data a aeronave N 5 RF não estava em território nacional e por tal motivo não foi apreendida. Diante das irregularidades investigadas na Operação Pouso Forçado e dos fortes indícios de que a NEWBURY ENTERPRISE LTD e o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL praticavam tais irregularidades, utilizandose indevidamente a aeronave estrangeira N 5 RF em território nacional, sem o pagamento dos devidos tributos, foi aberto Procedimento Especial, nos termos da Instrução Normativa nº 1.169/11 e dado ciência ao interessado. Registrese que foi decretado o sequestro judicial da aeronave em cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão 09/2012. A Fiscalização apontou que a aeronave em causa vinha sendo utilizada em nome da empresa estrangeira NEWBURY ENTERPRISE LTD e entrava em território nacional irregularmente através de Termo de entrada de Admissão Temporária TEAT com suspensão total de tributos. Apurou a Fiscalização que a aeronave servia aos interesses do brasileiro residente, o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL, também dono da empresa estrangeira NEWBURY ENTERPRISE. A ação fiscal partiu de informações enviadas pela ANAC e extraídas do sistema SIAVANAC, com base em relatórios de vôo com todas as origens e destinos da aeronave N 5 RF no período de agosto de 2008 a setembro de 2011, que identificaram indícios de irregularidades na utilização do regime de admissão de aeronaves no país mediante TEAT, ao amparo dos benefícios fiscais previstos no Decreto nº 97.464/89. Conforme informado em resposta ao Termo de Intimação de folhas 545, a aeronave N 5 RF é de copropriedade da NEWBURY ENTERPRISE LTD e do banco WELLS FARGO BANK NORTHWEST, por meio de acordo fiduciário (trust agreement – ferramenta reconhecida na legislação norte americana) celebrado entre a partes em junho de 2009, pelo qual o outorgante (trustor) transfere a propriedade legal do bem a um terceiro (owner trustee). De acordo com o contrato de operação da aeronave, o WELLS FARGO BANK NORTHWEST concedeu a operadora NEWBURY ENTERPRISE LTD, por tempo indeterminado, o direito exclusivo de posse, uso e operação da aeronave. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 955 4 A Fiscalização verificou que a aeronave em questão operava a maior parte do tempo dentro do território nacional, realizando esporádicas saídas ao exterior para retornar em poucos dias (às vezes no mesmo dia). Da análise do total de vôos do período de agosto de 2008 a setembro de 2011, temos que aeronave permaneceu, em média, 91% do tempo em território nacional. Percebese que a aeronave opera a maior parte do tempo dentro do território nacional servindo os interesses de brasileiros residentes, contrariando o regime de benefícios fiscais previsto no Decreto nº 97.464/89 e na Instrução Normativa SRF nº 285/2003, que prevêem a sua fruição apenas para breve permanência e a serviço de estrangeiro não residente no País. Para ser utilizada na maior parte do tempo no Brasil, a aeronave deveria ter entrado no País sujeitandose ao regime de importação comum com o recolhimento de todos os tributos devidos em uma importação normal, o que não ocorreu. Aduz a Fiscalização que as entradas da aeronave N 5 RF em território nacional não se deram para as finalidades declaradas à aduana nos respectivos TEATs, aduzindo que a aeronave transportou brasileiros residentes, para fins particulares, concluindo que são inidôneas as informações prestadas. Houve, deste modo, desvio de finalidade da Admissão Temporária Realizadas as investigações, mediante a coleta de diversos documentos e informações de interesse fiscal, bem como tendo sido intimadas pessoas envolvidas, direta ou indiretamente relacionadas com as fiscalizadas, ora impugnantes, a Fiscalização relatou vários fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração em causa, dentre os quais, destacamse os seguintes fatos que comprovariam a simulação da operação e a ocultação do real interessado, o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL: A aeronave N 5 RF foi comprada da empresa Plane Source International LLC pela NEWBURY em 30/06/2008. Em 26/12/12 a NEWBURY vendeu a aeronave à empresa Wetzel. A aeronave foi comprada pela NEWBURY e simultaneamente realizado o contrato de Trust e de Operação da aeronave com o banco Wells Fargo. A aeronave estava, na realidade, sendo utilizada para viagens particulares de férias/turismo do Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL, seus entes familiares e amigos, tendo como destino pontos turísticos em épocas de feriados. A aeronave adentrou o País como mercadoria e não como veículo de transporte em trânsito no território brasileiro. Antes mesmo de realizar a primeira entrada no País da aeronave N 955 SL, já havia sido firmado um contrato de hangaragem com empresa situada no aeroporto de Jundiaí (fls. 628). Ou seja, desde o início, a intenção era de permanecer no Fl. 955DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 956 5 Brasil indefinidamente, utilizandose do artifício doloso da renovação dos TEATs, mediante declaração falsa às autoridades aduaneiras. Verificouse a prática reiterada de utilização indevida do Regime Especial de Admissão Temporária automática prevista no inciso VIII do art. 5º da IN SRF nº 285/2003 e no Decreto no. 97.464/1989, mediante artifício doloso, qual seja a solicitação de emissão de AVANACs (Autorização de Pouso e Permanência no país, concedida pela ANAC), STADs (Solicitação de Lavratura de Termo de Entrada e Admissão Temporária) e TEATs em nome de empresa estrangeira, a NEWBURY ENTERPRISE LTD, que não utiliza a aeronave no interesse de suas operações. Foram solicitadas e concedidas diversas autorizações de sobrevoo, evidenciando que a aeronave permaneceu, desde a primeira entrada no território nacional, em agosto de 2008, em trânsito no País de forma irregular, tendo sido apresentados vários documentos falsos para fins de despacho na modalidade de Admissão Temporária. A Fiscalização apurou que a empresa NEWBURY ENTERPRISE LTD, criada nos Estados Unidos, não existe de fato. Não tem telefone, não possui sede, não remunera seu dono, não apresenta qualquer documento contábil, não tem funcionários. O endereço da empresa NEWBURY ENTERPRISE é informado como o endereço pessoal do Sr José Paulo, evidenciando que a NEWBURY ENTERPRISE tratase de uma “empresa de caixa postal”. A NEWBURY ENTERPRISE é uma empresa criada nas ilhas Cayman, país de tributação favorecida. Não possui filiais em outro país, o que poderia justificar algumas de suas viagens. Em consulta à Declaração de Imposto de Renda do Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL, foi confirmado que é o único dono da empresa NEWBURY e seu diretor e detém ações da empresa NEWBURY ENTERPRISE, ''suposta'' operadora da aeronave, no valor de R$ 542.144,05. O Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL não recebe rendimentos da empresa NEWBURY ENTERPRISE, reside no Rio de Janeiro e tem negócios em São Paulo, locais onde a aeronave permanece a maior parte do tempo e possui um aeródromo particular em sua fazendo Novo Rumo Naviraí – MS, onde foram constatados 29 voos da aeronave N 5 RF. Mesmo assim não denotou a intenção de utilização da aeronave no Brasil para fins particulares, e sim para fins negociais da empresa NEWBURY ENTERPRISE, que não comprovou sua existência de fato e seu interesse negocial no Brasil. Apesar das intimações, a empresa não apresentou nenhum extrato de conta corrente, onde seria possível verificar se a NEWBURY realmente realiza transações comerciais e se os pagamentos e recebimentos da compra e venda da aeronave N 5 RF, foram realizadas efetivamente pela NEWBURY. O intimado ainda não comprovou a integralização do capital social. Apenas Fl. 956DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 957 6 informou que constava na Declaração do Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL. Cumpre ressaltar que anteriormente à compra da aeronave N 5 RF, o capital social da NEWBURY era irrisório, totalizando R$ 290,66. Nas datas próximas à compra da aeronave o capital foi aumentado para R$ 542.141,05, comprovando assim que o Sr José Paulo enviou recursos para a compra da aeronave. Não foi possível rastrear todo o recurso usado na compra da aeronave, uma vez que a NEWBURY se localiza em paraíso fiscal nas Ilhas Cayman e o intimado se negou a apresentar a movimentação bancária. Intimado a informar se o Sr José Paulo, ou se empresa, brasileira ou estrangeira, da qual ele é dono, recebeu os U$ 2.700.000,00 referentes a venda da aeronave, ignorou o questionamento. Verificouse mediante consulta à Declaração de Imposto de Renda dos Srs. FABIO PEREIRA VIEIRA, SANDRO SILVA SALES e FERNANDO JOSE VALEZI LUIS FERREIRA, pilotos da aeronave N 5 RF, que eles são brasileiros residentes e contratados pelo Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL para pilotar a aeronave N 955 SL. O fato dos pilotos também serem brasileiros residentes, não receberem rendimentos da NEWBURY ENTERPRISE e serem pilotos particulares do Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL, novamente comprova a real intenção de utilização da aeronave no Brasil. O beneficiário do seguro da aeronave N 955 SL, o real interessado oculto, é o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL. Também na apólice do seguro (fls. 512 a 536) comprovase que o real dono da aeronave, usuário, beneficiário e custeador da aeronave é o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL. Chama a atenção o campo da apólice “Utilização”, onde foi informado que o transporte é de pessoa física não remunerado. Novamente comprovase que a utilização da aeronave não se daria pela empresa estrangeira NEWBURY e sim pelo brasileiro residente e beneficiário de seguro o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL. A Mapfre informou em resposta à intimação que o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL é o responsável pelo pagamento do seguro. Da forma que foram apresentados os TEATs, GDECs e AVANACs e diante de todos os fatos expostos e comprovados no presente procedimento, concluiuse que houve omissão da informação do verdadeiro responsável, pois o proprietário da aeronave é o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL, brasileiro residente no País, consubstanciando simulação de negócio jurídico. Ocorreu ocultação junto às autoridades brasileiras, quando do ingresso da aeronave, relativa ao real interessado, o Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL. Não ocorre, como informado nos documentos apresentados, o transporte de diretores ou representantes da empresa estrangeira NEWBURY ENTERPRISE LTD que é declarada Fl. 957DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 958 7 como operadora da aeronave, mas de pessoa física de nacionalidade brasileira que efetivamente faz uso da aeronave, para fins particulares. Deste modo, estes documentos são eivados de falsidade ideológica ao apresentar informação inverídica ao Fisco. A Fiscalização informou que tendo incidido nas hipóteses previstas no art. 105, incisos VI, VII e XI do DecretoLei nº 37/66; no art. 23, inciso V e § 1o do Decretolei no 1.455/76; regulamentados pelo art. 689, incisos VI, VII, XI e XXII do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro – RA), todas tipificadas como Dano ao Erário, a aeronave N 5 RF, estaria sujeita a pena de perdimento. Porém, antes que fosse apreendida, a aeronave foi vendida, impossibilitando, assim, a aplicação da pena de perdimento. Assim, aplicouse o disposto no § 3 do art 23 do DecretoLei 1455/76, disciplinado pelo § 1 o do art 689 do Regulamento Aduaneiro, e a pena de perdimento da aeronave foi convertida em multa equivalente ao valor da mercadoria. A interessada NEWBURY ENTERPRISE LTD e o interessado JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL apresentaram impugnação única de folhas nº 683 a 716, alegando que: o despacho do Juízo da 3ª Vara determinou a busca e apreensão da aeronave que não foi executado uma vez que a mencionada aeronave, cumprindo o prazo concedido pela fiscalização aduaneira no TEAT nº 0910600/0089/2012 que autorizava sua permanência em território brasileiro de 26/05/2012 a 07/06/2012, saiu regularmente no dia 07/06/2012. E foi vendida em 26/12/2012. há nulidade pois o auto de infração não contém a descrição dos fatos que constituem a conduta infracional ou a indicação dos dispositivos legais infringidos. A infração que teria dado ensejo à aplicação da pena de perdimento e o seu enquadramento legal não são citados no auto de infração. há nulidade do auto de infração pois foi lavrado contra pessoa diversa do proprietário da aeronave. É o Wells Fargo Bank, que sequer foi intimado, o proprietário da aeronave cujo beneficiário e operador é a pessoa jurídica estrangeira NEWBURY ENTERPRISE LTD. A estrutura de trust para registro de aeronaves com prefixo norteamericano por cidadãos estrangeiros aos Estados Unidos é extremamente comum. Esta estrutura é escolhida por motivos alheios à questão tributária brasileira. O registro norteamericano oferece condições comerciais e de segurança bem mais favoráveis à operação e revenda das aeronaves. as aeronaves somente podem sofrer manutenção em oficinas homologadas pelas agências reguladoras dos países onde são registrados. Os Estados Unidos tem a maior quantidade de centros de serviços homologados ao redor do mundo. O Brasil sequer possui oficinas de manutenção e reparo homologadas em todos os continentes. Alguns aparelhos básicos de navegação e Fl. 958DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 959 8 segurança também não foram homologados para utilização em aeronaves registradas no Brasil. foi desconsiderada a personalidade jurídica da NEWBURY e as alegações de que é inexistente são inconsistentes. Os negócios realizados (compra e venda da aeronave) e os contratos firmados com terceiros confirmam sua existência jurídica. A NEWBURY tem seus atos registrados em cartório e já foi titular de outra aeronave com matrícula brasileira. há situações específicas de pessoa física e jurídica que teriam se utilizado de estruturas com fins de economia de impostos. inexiste limite máximo de permanência de aeronave de prefixo estrangeiro em admissão temporária com suspensão total de tributos. Não existe restrição à renovação por múltiplos períodos e depende apenas da discricionariedade da própria autoridade aduaneira. O Brasil voluntariamente não adotou o “Anexo C” da Convenção de Istambul, que prevê o prazo máximo de 6 meses em cada período de doze meses para admissão temporária. Incabível, portanto, impor limitação que não foi incorporada ao ordenamento jurídico pátrio. a autoridade fiscal argumenta que a utilização do regime de admissão temporária com suspensão total de pagamentos de tributos está condicionada a finalidades específicas que não estão previstas em lei. Em consequência das condicionantes adicionais que considera sem qualquer embasamento legal, cria novo tipo infracional não previsto em lei. O intuito da norma é apenas permitir que aeronaves estrangeiras adentrem no território nacional em voos não remunerados, sem qualquer vinculação aos passageiros a bordo e à finalidade do voo. A IN SRF no. 285/2003 jamais poderia restringir as hipóteses do Decreto no. 97.464/1989 que regulamentam o Tratado da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI). o preenchimento de TEAT se deu de modo equivocado em muitas situações, mas se trata de simples erro e não de falsidade. O equívoco não deu direito a qualquer vantagem indevida. O erro de preenchimento poderia ensejar o estabelecimento de multa de 1% sobre o valor aduaneiro da aeronave (artigo 711 do Regulamento Aduaneiro), mas jamais o perdimento do bem. Também seria possível reduzir a multa em 50%, caso a empresa efetuasse o pagamento de seu valor em 30 dias, a contar da data de notificação do lançamento, conforme artigo 723 do Regulamento Aduaneiro. a argumentação da autoridade fiscal de que o ingresso de aeronave por grandes períodos a serviço de brasileiro residente no Brasil caracteriza importação definitiva não possui suporte fático e jurídico, mormente porque toda a conduta da NEWBURY e do autuado encontrase de acordo com os dispositivos legais que regem a matéria. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 960 9 a mudança de postura dos agentes fiscais ofende os princípios da boafé e segurança jurídica. A decretação de perdimento da aeronave encontra óbice no artigo 100 do CTN, o qual determina que os atos administrativos e as práticas reiteradamente adotadas pela Administração Tributária são normas complementares e afastam a aplicação de penalidades. É inaceitável que o Estado por meio de órgãos próprios permita a entrada e a permanência da aeronave no país e que após um desses órgãos pretenda desfazer todos os atos anteriores e invadir indevidamente o patrimonio do autuado. Tal conduta é totalmente desproporcional, e viola o princípio da razoabilidade. não houve fraude, ocultação, ardil ou artificio doloso. Os pedidos de sobrevoo e de TEATs foram instruidos com documentação contendo a identidade de todos os participantes e concedidos pela autoridade fiscal. os precedentes jurisprudenciais mencionados pela autoridade fiscal se referem às hipóteses diferentes do caso apurado nos autos, não há decisões jurisprudenciais desfavoráveis à conduta do autuado. Requer que seja tornado insubsistente o auto de infração. Sobreveio decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 27/05/2012 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento. Caso a mercadoria tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida, esta infração é punida com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação. LEGITIMIDADE PASSIVA NA INFRAÇÃO. Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E NÃO CONFISCO. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 961 10 Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculada e obrigatória. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente sustenta a nulidade do auto de infração devido a existência de erros de fato e de direito na descrição da infração e na capitulação legal da infração e da penalidade. Em que pese o alegado, verificase que o auto de infração foi formalizado com a devida descrição da infração praticada pela contribuinte, bem como com os dispositivos legais que teriam sido infringidos. Constatase ainda que os fatos que ensejaram na autuação encontramse descritos em extenso arrazoado. O lançamento fiscal, portanto, mostrase adequado em sua forma, razão pela qual indeferese o pedido de nulidade. Ingressandose na análise do mérito, esclarecese que a autuação decorre de procedimento de investigação denominado Operação Pouso Forçado, por meio da qual foram constatadas irregularidades praticadas pela empresa NEWBURY ENTERPRISE LTD e pelo Sr. JOSE PAULO FERRAZ DO AMARAL, caracterizadas pela utilização indevida da aeronave estrangeira N 5 RF em território nacional, admitida ao amparo dos benefícios fiscais previstos no Decreto nº 97.464/89 e, portanto, sem o recolhimento dos tributos devidos A Fiscalização concluiu que houve fraude e simulação para ocultar o real proprietário e iludir a fiscalização através da utilização de artifícios dolosos como a constituição de empresas “laranjas” no exterior, contratos de Trust e apresentação de documentação inidônea. A aeronave desta forma, estaria sujeita a pena de perdimento devido aos documentos terem sido falsificados e por restar caracterizado o dano ao Erário. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 962 11 A recorrente, por seu turno, concentra seus argumentos na premissa de regularidade do procedimento de admissão temporária da aeronave, com a consequente ilegalidade da aplicação da multa decorrente da conversão da pena de perdimento. Pois bem, para a solução da lide mostrase necessário antes o esclarecimento de alguns conceitos. A primeira distinção a ser feita referese aos termos elisão e evasão fiscal. De forma sucinta, podemos conceituar elisão fiscal como sendo a economia lícita de tributos. Já por evasão fiscal entendese a diminuição da carga tributária alcançada pela prática de sonegação, fraude ou simulação, vedadas pelo nosso ordenamento jurídico. A autoridade fiscal afirma que a recorrente teria importado irregularmente bem submetido de forma simulada a regime de admissão temporária. De Plácido e Silva conceitua simulação como “o artifício ou o fingimento na prática ou na execução de um ato, ou contrato, com a intenção de enganar ou de mostrar o irreal como verdadeiro, ou lhe dando aparência que não possui (...) No sentido jurídico, sem fugir ao sentido normal, é o ato jurídico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade. Na simulação, pois, visam sempre os simuladores a fins ocultos para engano e prejuízo de terceiros” (Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Ed. Forense, 1990). Luciano Amaro complementa que “a simulação seria reconhecida pela falta de correspondência entre o negócio que as partes realmente estão praticando e aquele que elas formalizam.” (Amaro, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 13ª Ed. Ed Saraiva, 2007, p. 231) Simulação corresponde, portanto, a realização de atos ou negócios jurídicos através de forma prescrita ou não defesa em lei, mas de modo que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. O ato existe apenas aparentemente; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. A autoridade fiscal, ao verificar que o sujeito passivo utilizouse de simulação para esquivarse do pagamento de tributo, tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo como os fatos efetivamente ocorreram, em detrimento daquela verdade jurídica aparente. Esta afirmação encontrase em consonância com o atual estágio de evolução do pensamento jurídico. Já se encontra ultrapassada a fase da idolatria à Lei, e isto não apenas em relação aos ramos clássicos do Direito; o Direito Tributário também acompanhou esta passagem da jurisprudência dos conceitos para a jurisprudência dos valores. Segundo a hermenêutica contemporânea, ao fatos jurídicos tributários não devem ser interpretados apenas sob a ótica das formas jurídicas permitidas, mas sim também sob a perspectiva de sua utilização concreta, à luz dos valores básicos de igualdade, da solidariedade e da justiça. Ponderase a liberdade com a isonomia e a capacidade contributiva. Marco Aurélio Greco, com lucidez, ressalta que esta transformação acompanha a mudança ocorrida em nossa realidade política, social e fática: Por outro lado, a liberdade absoluta do contribuinte levou a uma infinidade de estruturas negociais e reestruturações societárias Fl. 962DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 963 12 que, com propriedade, foram consideradas meramente “de papel”. A prevalência da forma levou, da perspectiva da legalidade, à veiculação de praticamente quaisquer conteúdos desde que através de lei em sentido formal; e da perspectiva da liberdade de autoorganização ao surgimento de “montagens jurídicas” sem qualquer substância econômica, empresarial ou extratributária. Enquanto o modelo formal de abordagem do fenômeno tributário era levado à sua quintessência e privilegiava a forma – e não apenas esta, pois chegava até mesmo à idolatria da linguagem em que esta se apresentava – a realidade política, social e fática mudava profundamente. A Constituição de 1988 assumiu o perfil de uma Constituição da Sociedade Civil, diversamente da Carta de 1967 que possuía o feitio de uma Constituição do Estadoaparato (GRECO, 2005). Esta mudança se espraia por todo seu texto a começar pelo artigo 1º que afirma categoricamente ser o Brasil um Estado Democrático de Direito e não apenas um Estado de Direito e seu art. 3º, I coloca a construção de uma sociedade livre, justa e solidária como objetivo fundamental da República. Isto implica colocar a variável social ao lado e no mesmo plano da individual e abre espaço para se reconhecer a solidariedade social como fundamento último da tributação (GRECO, 2005). [...] Por outro lado, a sociedade passou a ver nos direitos fundamentais e na eficácia jurídica das normas que os prevêem um canal relevante de reconhecimento e atendimento das demandas sociais. Por fim, criouse a consciência de que a criatividade deve ser prestigiada, mas é importante reagir contra a mera esperteza de quem quer levar vantagem como se o indivíduo vivesse isolado, tendo o mundo submetido à sua disposição ou predação. (Greco, Marco Aurélio, artigo “Crise do Formalismo do Direito Tributário”, publicado na Revista da PGFN nº 01) Caracterizado que a forma jurídica adotada não reflete o fato concreto, o Fisco encontrase autorizado “a determinar os efeitos tributários decorrentes do negócio realmente realizado, no lugar daqueles que seriam produzidos pelo negócio retratado na forma simulada pelas partes” (Amaro, Luciano, ob. cit., p. 233/234). Assim, quando verificado que o contribuinte, com o único objetivo de não recolher tributos, adota formas jurídicas anormais, insólitas ou inadequadas, as mesmas podem ser desconsideradas, exigindose os tributos que seriam devidos não fosse a forma jurídica anormal adotada. Tal procedimento se encontra fundamentado no artigo 149, inciso VII do CTN, que permite à fiscalização tributária, com respeito à ampla defesa e ao contraditório, através de procedimentos administrativos, efetuar o lançamento de ofício requalificando os atos e negócios praticados, desde que comprove a existência do dolo, da fraude ou da simulação. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 964 13 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Uma questão a ser dirimida é a de se saber se houve, no procedimento fiscal, comprovação material da infração e, para tanto, algumas considerações acerca de direito probatório, ou mais especificamente sobre como se chega à comprovação material de um dado fato, são necessárias. Na busca pela verdade material – princípio este informador do processo administrativo fiscal –, a comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só, ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Não há, em sede de processo administrativo, uma hierarquização préestabelecida dos meios de prova, sendo perfeitamente regular o estabelecimento da convicção a partir do cotejamento de elementos de variada ordem, desde que estejam estes, por óbvio, devidamente juntados ao processo. É a consagração da chamada prova indiciária, de largo uso no direito. A comprovação fática do ilícito raramente é passível de ser produzida por uma prova única, isolada; aliás, só seria possível, praticamente, a partir de uma confissão expressa do infrator, coisa que, como facilmente se infere, dificilmente se terá, por mais evidentes que sejam os fatos. O uso de indícios não pode ser confundido com a utilização de presunções legais. Diferem a presunção e o indício pela circunstância de que àquele o direito atribui, isoladamente, o vigor de um verdadeiro conformador de uma outra situação de fato que a lei presume, por uma aferição probabilística que ocorra no mais das vezes. Já o indício não tem esta estatura legal, uma vez que a ele, isoladamente, pouca eficácia probatória é dada, ganhando ele relevo apenas quando, olhado conjuntamente com outros indícios, transfere a convicção de que apenas um resultado fático seria verossímil. Fazse necessário ainda lembrar que no direito administrativo tributário é permitido, em princípio, todo meio de prova, uma vez que não há limitação expressa, ressaltando que predominam a prova documental, a pericial e a indiciária. Pois é exatamente a associação da primeira com a última que se permite concluir a respeito da correção e validade do lançamento. Desta forma, as provas indiretas – indícios e presunções simples – podem ser instrumentos coadjuvantes do convencimento da autoridade julgadora quando da apreciação do conjunto probatório do processo administrativo tributário. As presunções legais ou absolutas independem de prova, assim como a ficção jurídica. As presunções relativas admitem prova em contrário. As presunções simples devem reunir requisitos de absoluta lógica, coerência e certeza para lastrear a conclusão da prova da ocorrência do fato gerador de tributo. Alberto Xavier, em “Do lançamento. Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário”, Ed. Forense, 2ª ed., 1998, pág. 133, ao tratar das presunções e da verdade material, assim se pronuncia: Fl. 964DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 965 14 A questão está em saber se os métodos probatórios indiciários, aí aonde são autorizados a intervir, são, em si mesmo, compatíveis com o princípio da verdade material. Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração Fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou a prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema da prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substituta) prevista na lei: só que a verdade material se obtém de modo direto e nos quadros de um modo indireto, fazendo intervir ilações, presunções e juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade. Por fim, em se tratando especificamente da verificação da presença de simulação, os atos praticados pelos contribuintes precisam ser analisados em conjunto, não sendo suficiente a constatação da validade formal do ato visto de forma isolada dos demais. Analisase o filme e não apenas a foto. Feitas estas considerações, podese voltar ao caso concreto que aqui se tem, analisandose os fatos trazidos pelas partes. A fiscalização, com o objetivo de comprovar que os procedimentos de admissão temporária foram realizados de forma simulada, carreou aos autos por um amplo conjunto probatório. Inicialmente, busca a fiscalização demonstrar o não funcionamento de fato da NEWBURY ENTERPRISE, empresa que teria sido criada apenas para operar a aeronave, permitindo assim sua entrada irregular em território nacional e ocultando o verdadeiro interessado em toda a operação, o Sr José Paulo. Estes são os fatos devidamente comprovados: a empresa NEWBURY ENTERPRISE LTD, proprietária formal da aeronave, foi criada nas ilhas Cayman, país de tributação favorecida; a empresa NEWBURY ENTERPRISE LTD não possui sede nem telefone; a empresa NEWBURY ENTERPRISE LTD nunca contratou funcionários; a empresa NEWBURY ENTERPRISE LTD não apresentou qualquer prova do seu efetivo funcionamento, não possuindo escrituração contábil; Fl. 965DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 966 15 anteriormente à compra da aeronave N 5 RF, o capital social da NEWBURY era irrisório, totalizando R$ 290,66. Nas datas próximas à compra da aeronave o capital foi aumentado para R$ 542.141,05; a empresa NEWBURY ENTERPRISE LTD possui como único proprietário o Sr José Paulo Ferraz do Amaral, brasileiro residente domiciliado no Brasil; a empresa NEWBURY ENTERPRISE LTD nunca remunerou seu proprietário; em diversos atos, a empresa NEWBURY ENTERPRISE LTD informa como endereço o endereço pessoal do Sr José Paulo; os pilotos e copiloto da aeronave N 5 RF são brasileiros residentes, não percebendo rendimentos oriundos do exterior. Recebem seus rendimentos diretamente do Sr José Paulo Ferraz do Amaral, pessoa física, conforme demonstra os dados de suas DIRPF, abaixo colecionados: Sr Fábio Pereira Vieira Sr Sandro Silva o beneficiário do seguro da aeronave N 5 RF é o Sr José Paulo Ferraz do Amaral, pessoa física; a apólice de seguro apresenta por principal região de cobertura a região sudeste, e o perímetro de cobertura, o território brasileiro: Fl. 966DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 967 16 o contrato de hangaragem entre a empresa NEWBURY ENTERPRISE e o hangar, foi celebrado em nome do proprietário, o Sr. José Paulo Ferraz do Amaral, pessoa física, responsável por todos os gastos e operação da aeronave. Outro ponto destacado pela fiscalização referese ao uso da aeronave. A fiscalização sustenta que a sua utilização demonstraria um desvio de finalidade; ao invés de servir aos interesses negociais da empresa NEWBURY ENTERPRISE, era utilizada para fins particulares do Sr José Paulo Ferraz do Amaral. Tal assertiva tem por base os seguintes fatos constatados: a aeronave apresenta base fixa em Jundiaí; o Sr José Paulo Ferraz do Amaral reside no Rio e tem negócios em São Paulo, local onde a aeronave permanece a maior parte do tempo, possui um aeródromo particular na Fazenda Novo Rumo, de propriedade do Sr José Paulo Ferraz do Amaral, para onde foram constatados 29 voos da aeronave N 5 RF; relatório de voos da aeronave emitido pela ANAC, referente ao período de Agosto de 2008 a Setembro de 2011, demonstrou que, em 1062 dias de operação, a aeronave permaneceu 971 dias, 91% do tempo operando em território nacional; abaixo, informase o total de dias que aeronave permaneceu em cada destino dentro do país: 1. Campo de Marte – São Paulo – SP – 247 dias 2. Santos Dumont – Rio de Janeiro – RJ – 162 dias 3. Jacarepaguá – Rio de Janeiro – RJ – 99 dias 4. Congonhas – São Paulo – SP – 92 dias Fl. 967DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 968 17 5. Angra dos Reis – RJ – 81 dias 6. Guarulhos – SP – 65 dias 7. Viracopos – Campinas – SP – 65 dias 8. Jundiaí – SP – 57 dias 9. Londrina – PR – 51 dias em que pese os documentos que embasam as entradas e saídas da aeronave do território nacional – TEAT e AVANAC – indicarem como motivação da entrada, a realização de viagem de diretor ou representante de sociedade ou firma, ou viagem de turismo ou negócio quando o proprietário da aeronave for pessoa física e nela viajar, em realidade a aeronave sempre transportou brasileiros residentes, para fins particulares; citase, como exemplo, viagens de turismo em feriados, com crianças a bordo; foram realizados diversos voos sem passageiros na aeronave, apenas presentes os pilotos Fabio Pereira e Sandro Silva. Neste voos, realizados para país vizinho, a Argentina, eram renovados os TEAT antes de vencer os 60 dias da autorização para permanência em território nacional; a tabela abaixo consolida as entradas e saídas do território nacional: Fl. 968DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 969 18 Em sendo estes os fatos trazidos aos autos, não resta dúvidas acerca da presença de simulação nas operações de admissão temporária formalizadas pela recorrente. A empresa NEWBURY ENTERPRISE não funciona de fato, tratandose apenas de empresa de fachada. Foi utilizada para gerir a aeronave e permitir sua entrada irregular no território nacional, por meio do instituto da admissão temporária e sem o recolhimento dos tributos devidos pela importação do bem. Este procedimento ainda propiciou a ocultação do verdadeiro interessado na operação, o Sr José Paulo Ferraz do Amaral. Como consequência, mostrase correta a afirmação da autoridade fiscal de que os TEAT e AVANAC apresentados para fins de despacho na modalidade Admissão Temporária ao amparo do Decreto nº 97.464/1989 eram ideologicamente falsos. Estes documentos trazem como proprietário da aeronave a empresa NEWBURY ENTERPRISE, que se verificou tratar de empresa de fachada, e indicam motivos de entrada que não correspondem aos efetivos deslocamentos, o que os caracteriza como inidôneos. As sucessivas admissões temporárias da aeronave, que acabou ficando no Brasil por 971 dos 1062 dias que esteve em efetiva operação, destoam da finalidade contemplada no Decreto nº 97.464/1989. Ressaltese, ainda, que os critérios para admissão temporária legalmente estabelecidos (artigos 75 e 76 do Decretolei nº 37/1966) não abarcam brasileiros residentes, mas somente estrangeiros e, excepcionalmente, brasileiros domiciliados ou residentes no exterior e que ingressem no País a título temporário: Art. 75. Poderá ser concedida, na forma e condições do regulamento, suspensão dos tributos que incidam sobre a Fl. 969DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 970 19 importação de bens que devam permanecer no país durante prazo fixado. § 1º A aplicação do regime de admissão temporária ficará sujeita ao cumprimento das seguintes condições básicas: I garantia de tributos e gravames devidos, mediante depósito ou termo de responsabilidade; II utilização dos bens dentro do prazo da concessão e exclusivamente nos fins previstos; III identificação dos bens. § 2º A admissão temporária de automóveis, motocicletas e outros veículos será concedida na forma deste artigo ou de atos internacionais subscritos pelo Governo brasileiro e, no caso de aeronave, na conformidade, ainda, de normas fixadas pelo Ministério da Aeronáutica. § 3º A disposição do parágrafo anterior somente se aplica aos bens de pessoa que entrar no país em caráter temporário. [...] Art. 76. O Departamento de Rendas Aduaneiras poderá disciplinar, com a adoção das cautelas que forem necessárias a entrada dos bens a que se refere o § 2o do artigo anterior, quando importados por brasileiro domiciliado ou residente no exterior, que entre no país em viagem temporária.” (grifo nosso) Do exposto, resta claro inexistir permissivo legal para um brasileiro residente admitir temporariamente uma aeronave estrangeira para uso próprio, a lazer, no país. Se um brasileiro desejar ter uma aeronave para uso próprio no país, ele deve importála em definitivo (importação comum), ou admitir temporariamente para utilização econômica (no caso de ser um prestador de serviço de transporte aéreo). Em suma, as hipóteses do Decreto no 97.464/1989 não abarcam o transporte de brasileiros residentes no país. Admitir que o Decreto nº 97.464/1989 se aplica a brasileiros que desejem trazer ao país aeronaves estrangeiras, sem pagamento de tributos, para utilizarem em seu lazer equivale, na prática, ao absurdo reconhecimento de que existe uma alternativa à importação definitiva de tais aeronaves, sem os inconvenientes da definitividade (pagamentos de tributos, sujeição a controles de autoridades aeroportuárias etc.). Não nos parece que tenha sido essa a solução buscada no Decreto nº 97.464/1989, ou em qualquer convenção internacional que trate da matéria, sempre focadas no “livre trânsito”. Constatase ainda que o procedimento adotado pelo Sr José Paulo Ferraz do Amaral configura evidente dano ao erário, haja vista que os responsáveis pela operação deixaram de recolher aos cofres públicos todos os tributos que incidiriam em uma operação de importação comum. Os tributos não recolhidos encontramse descritos abaixo, conforme exposto no relatório fiscal: Fl. 970DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 971 20 Valor da Aeronave: US$ 2.750.000,00 Taxa do Dólar (27/05/2012): 2,0816 Valor Aduaneiro: R$ 5.724.400,00 NCM: 8802.30.39 II: 0% IPI: 10% Tributos Federais sonegados: R$ 572.440,00 ICMS: 4% Tributos Estaduais sonegados: R$ 251.873,00 Tais condutas sujeitam a aeronave em comento a pena de perdimento, tanto por ter se caracterizado o dano ao Erário previsto no artigo 23, inciso V e § 1º do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002, quanto por ter sido falsificado documento, conforme artigo 105, incisos VI, VII e XI do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Abaixo, transcrevese os dispositivos citados: Decretolei nº 1.455/1976 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. [...] § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. Decretolei nº 37/1966. Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; VII nas condições do inciso anterior possuída a qualquer título ou para qualquer fim; [...] Fl. 971DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 972 21 XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; Verificase ainda que ao longo da operação Pouso Forçado, antes que a aeronave fosse apreendida, ela foi vendida, impossibilitando, assim, a aplicação da pena de perdimento. Assim sendo, enquadrase a situação a hipótese prevista no parágrafo 3º do mesmo artigo 23, do Decretolei nº 1.455/1976, nos seguintes termos, que determina a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria: Art. 23. [...] § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 ) Quanto à alegação de ilegitimidade passiva em relação ao Sr. José Paulo Ferraz do Amaral, conforme cabalmente comprovado nos autos, o mesmo é o proprietário de fato da aeronave, sendo o verdadeiro responsável pela sua introdução no País. Legítima, portanto, sua inclusão no pólo passivo principal da presente autuação. Por fim, no tocante a possibilidade de ser aplicada pena de perdimento à aeronave estrangeira que, após concessão de admissão temporária, se encontrava continuamente no Brasil, reproduzse acórdão proferido pela Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que, por unanimidade, em 22/09/2003 (Acórdão publicado no DJ em 22/11/1993), referendou a legalidade do procedimento administrativo: TRIBUTARIO. PENA DE PERDIMENTO. APLICAÇÃO ADMINISTRATIVA. INEXISTENCIA DE INCOMPATIBILIDADE COM A NOVA CONSTITUIÇÃO. AERONAVE. AUTORIZAÇÃO DE SOBREVOO. 1. A pena de perdimento de bens, em procedimento administrativo (Dec. n. 91.030, de 1985, art. 514, inc. x; Dec.lei n. 1.455, de 1976, art. 23, parágrafo único), não fere a nova ordem constitucional, exigindose, apenas, a obediência ao devido processo legal. 2. A autorização de sobrevoo não implica regularidade de importação (Dec. n. 97.464, de 20.01.89, art. 8). 3. Apelação provida. Remessa prejudicada. (TRF 1ª Região. AMS 91.01.062620/DF, 3ª Turma, relator Juiz Lindoval Marques de Brito, j. 20/09/1993, DJ 22/11/1993) Fl. 972DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 973 22 A jurisprudência administrativa também caminha no mesmo sentido, como demonstra o recente acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento do CARF, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 01/05/2012 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. AERONAVE. OCULTAÇÃO. RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. SIMULAÇÃO. A admissão temporária é, dentro do gênero importação, uma das espécies de operação. No caso de ocultação de responsável pela operação (importação temporária de aeronave), mediante simulação, cabível a aplicação da pena de perdimento, e sua eventual substituição por multa nas hipóteses previstas no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. DISCIPLINA LEGAL. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. A responsabilidade por infrações aduaneiras é disciplinada pelo art. 95 do DecretoLei no 37/1966. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. DEVER DE DEMONSTRAÇÃO INDIVIDUALIZADA. Quando há diversos sujeitos passivos na autuação, entendese que é dever do autuante, ao arrolálos sob tal condição, individualizar as condutas que ensejaram a aplicação das penalidades, explicando quais as atitudes de tais sujeitos que concorreram, por exemplo, para a prática das infrações detectadas. (Ac. 3401003.092, relator Rosaldo Trevisan, sessão de 23/02/2016) Fl. 973DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 11829.720008/201300 Acórdão n.º 3201002.197 S3C2T1 Fl. 974 23 Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 974DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10166.723118/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Albert Rabêlo Limoeiro, OAB/DF nº 21.718.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente VIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pelo contribuinte, o advogado Albert Rabêlo Limoeiro, OAB/DF nº 21.718. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 23 11 8/ 20 10 -5 1 Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.723118/201051 Resolução nº 2202000.665 S2C2T2 Fl. 2.479 2 O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.315.7533, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da retribuição/honorários/rendimentos pagos, devidos ou creditados aos trabalhadores da categoria de contribuintes individuais, parte descontada do trabalhador, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 24 a 50, com período de apuração de 01/2006 a 11/2008, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 52. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 20/12/2010, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 577 a 599; 602 a 645, recebida, em 18/01/2011, acompanhada dos documentos, de fls. 646 a 799; 802 a 999; 1.002 a 1.199; 1.202 a 1.399; 1.402 a 1.599; 1.602 a 1.615. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 1.617. A DRJ/BSB pelo Despacho nº 16 – 5ª Turma , datado de, 15/05/2013, fls. 1.630 a 1.633, baixou os autos em diligência. A diligência foi atendida pela Informação Fiscal – IF, de fls. 2.210 a 2.222, numeração digital. O contribuinte manifestouse em razão da diligência, conforme petição, de fls. 2.225 a 2.230, acompanhada dos documentos, de fls. 2.231 a 2.242. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0357.151 5ª, Turma da DRJ/BSB, em 19/11/2013, fls. 2.244 a 2.267. A impugnação foi considerada procedente em parte tendo sido a alíquota reduzida de 20% para 11%, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado – DADR, de fls. 2.285 a 2.298. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 21/02/2014, conforme AR, de fls. 2.301. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 2.303, recebida, em 21/03/2014, com razões recursais acostadas, as fls. 2.304 a 2.394, acompanhado dos documentos, de fls. 2.393 a 2.474. Preliminares. · que durante a fiscalização foi emitido apenas um MPF – F não havendo a cientificação da recorrente dos MPF – C, sendo que as prorrogações foram tácitas como assevera a própria DRJ, havendo afronta ao principio Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.723118/201051 Resolução nº 2202000.665 S2C2T2 Fl. 2.480 3 da publicidade, devendo o auto ser anulado, pois arrimado em MPF vencido, quando do lançamento; A tese referente a prova indiciária não será sumariada e analisada, nem no tópico específico e nem nas citações em outros tópicos, o que se explicará no voto. · que o fisco promoveu o lançamento desconsiderando as provas juntadas no curso do procedimento, o que implica em afastamento da verdade material, devendo o fisco analisar os fatos jurídicos tributários, pois apesar das informações e comprovações sobre as operações da empresa, não tomou conhecimento delas ou examinouas de forma inadequada, arbitrária e desmedida, não podendo o fisco basearse em presunções, uma vez que fundado apenas em depoimentos, não havendo previsão legal para exigência da contribuição, exclusivamente, por aferição indireta, entendendo o CARF por anular o lançamento por vício formal, quando há erro ou ausência na fundamentação legal; · que o fisco desconsiderou todos os documentos ao constituir novas bases de cálculo, pois o fisco tributou “Venda Direta Via”, bem como venda realizadas por terceiras empresas contratadas, não havendo que se falar em retenção, sendo assim os autos ilíquidos, incerto e ilegal, não podendo ser tributado o que não é fato gerador, o que torna nulo o auto; · que o lançamento deve ser claro, preciso, líquido e certo, devendo o fisco atender ao motivação, da Lei 9.784/99, devendo o lançamento basearse em provas e não na presunção do agente fiscal de que todas as vendas foram realizadas por empregados da recorrente, sendo que o lançamento foi realizado sobre comissões pagas pelo compradores e pela VIA, ignorando o fisco que a empresa pode vender seu próprios imóveis, sem a participação do corretor; · que em matéria de contribuição previdenciária o arbitramento está previsto no artigo 33, § 4º, da Lei 8.212/91, mas esse trata de cessão de mão de obra nas construções, não havendo critério para o arbitramento, devendo o auto ser cancelado por falta flagrante de prova para sua constituição; · que a recorrente é parte ilegítima para figurar no polo passivo da exação, pois as contribuições estão sendo exigidas sobre o pagamento de comissões feitas a corretores de imóveis que operam com outras empresas, sendo que essas possuem relação societária com a recorrente, sendo aquelas que devem promover a contribuição, não cabendo promover a exigência da recorrente em razão da solidariedade, pois nos autos o caso é de subsidiariedade, desconsiderando o fisco os negócios jurídicos da recorrente com as empresas contratadas para a venda dos imóveis, restando comprovada a ilegitimidade passiva da recorrente; A alegação de decadência apesar de ter sido feita apenas em segundo grau será sumariada e analisada por ser questão de ordem pública. Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.723118/201051 Resolução nº 2202000.665 S2C2T2 Fl. 2.481 4 · que ocorreu decadência, ainda, que parcial, pois o crédito lança contribuições de janeiro/2006 a 11/2008 e a materialidade do lançamento só se aperfeiçoou em 24/07/2013, assim sendo deve ser reconhecida a decadência pelo artigo 150, § 4º; Mérito. · que ocorreu erro material insanável no lançamento, pois aplicada alíquota incorreta havendo alteração no critério jurídico, reconhecendo o CARF a nulidade do lançamento nesses casos; · que a exigência da contribuição social previdenciária, nos termos da legislação, advém da necessária retributividade da remuneração por serviços prestados e com habitualidade; · que os pagamentos feitos aos corretores não constituem fato gerador da contribuição social previdenciária, pois recai sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados da Previdência Social e não sendo o trabalhador segurado, não cabe a exação, devido ao princípio da legalidade, estando certo que os corretores não prestam serviços a recorrente, não se enquadram nas categorias de segurados e assim descabe a contribuição, não havendo prova nos autos da ocorrência de tais pagamentos o que foi reconhecido pela DRJ; · que os pagamentos efetuados não se conformam com a base de cálculo da contribuição, pois não guardam relação com remuneração do contrato de trabalho ou com prestação de serviços, não possuindo retributividade e habitualidade, não prestando o corretor de imóveis serviços a construtora ou a empreendedora, pois esse apenas aproxima as pessoas interessadas no negócio comprador e vendedor, sendo aquele mero mediador, não incidindo a contribuição sobre ato de comércio, sendo ilegal a tributação exigida; · que não pode ser imputada a recorrente responsabilidade solidária, bem como o fisco não verificou se as contribuições foram recolhidas pelos reais contribuintes, sendo indevida tal exigência, que pode estar sendo feita em duplicidade; · que a taxa SELIC não pode ser usada para fins tributários, não podendo prosperar o lançamento; · que os diretores não podem figurar no polo passivo da exação como consta da relação CoResponsáveis, sendolhes atribuída ilegalmente responsabilidade solidária, estando a responsabilidade pessoal associada a conduta dolosa o que não ocorreu no caso dos autos; · que a multa aplicada revestisse de natureza confiscatória, o que implica em violação a princípio constitucional, uma vez que aplicada em percentual de setenta e cinco por cento; Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.723118/201051 Resolução nº 2202000.665 S2C2T2 Fl. 2.482 5 · que é ilegal a cobrança de juros sobre a multa, pois a legislação só admite a aplicação de juros sobre os tributos e contribuições sociais, não se podendo confundir tributos e multa, pois essa última é sanção, devendo ser expurgada a SELIC sobre a multa de ofício lançada; · Dos pedidos e requerimentos: a) julgamento conjunto destes autos com os demais autos lançados na mesma ação fiscal Processos: 10166.723117/201014; 10166.723119/201003; 10166.723121/2010 74; 10166.723122/201019; 10166.723123/201063; 10166.723124/201016; b) requer que as preliminares sejam acolhidas, com a reforma parcial do acórdão guerreado; c) ou, ainda, o acolhimento da razões de mérito, com a reforma parcial do acórdão recorrido, julgando o lançamento improcedente seja em preliminar ou em mérito, extinguindose o crédito tributário e arquivandose o presente processo administrativo; d) requerendo, também, a exclusão do diretores do polo passivo da autuação. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 2.475. O autos foram remetidos ao CARF, fls. 2.475. O presente PAF foi sorteado e distribuído a esse conselheiro, em 06/11/2014, lote 05, conforme, fls. 2.476. É o Relatório. Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.723118/201051 Resolução nº 2202000.665 S2C2T2 Fl. 2.483 6 O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Na assentada de 08/03/2016 os autos foram incluídos em pauta de julgamento, inicialmente, meu voto se determinava pela negativa de provimento ao recurso. Todavia, no curso das discussões em plenário a turma entendeu que a alteração da alíquota da contribuição de 20% para 11% em relação aos contribuintes individuais acarretava em alteração dos critérios jurídicos do lançamento e assim esse só se perfazia, em 24/07/2013, conforme consta, as fls. 2.226, manifestação do contribuinte em decorrência da diligência. Porém, o presente crédito não cita a ocorrência de pagamento e o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF, de fls. 569 e 570, não registra a análise de Guia de Pagamento do Previdência Social GPS e nem consta do crédito o Relatório de Documentos Apresentados RDA. Dessa forma, entendi por genuflectirme a deliberação da turma e concordar com a conversão do julgamento em diligência, para que seja verificado e certificado nos autos a ocorrência de pagamento para as competências lançadas, incorporando ao mesmo extrato do Conta Corrente da empresa para demonstrar a ocorrência de pagamento. Assim sendo, converto o julgamento em diligência para que as providências abaixo listadas sejam tomadas: I verificar a ocorrência de pagamento para as competências 01/2006 a 11/2008; II juntar aos autos extrato do conta corrente da empresa ou documento equivalente que comprove a efetiva realização dos recolhimentos, independentemente, de qual rubrica tenha sido recolhida; III cientificar o contribuinte dessa diligência e seu resultado, abrindoselhe prazo de trinta dias para manifestação; IV tão logo vencido o prazo, tenha ou não o contribuinte se manifestado, devolver aos autos ao CARF para a finalização do julgamento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10166.723118/201051 Resolução nº 2202000.665 S2C2T2 Fl. 2.484 7 Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10120.728007/2011-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1101-000.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em SOBRESTAR o processo para que se aguarde a decisão definitiva do processo de IRPJ/CSLL, nº10120.728006/2011-01, em razão de tratar-se de lançamento reflexo, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Integrou o Colegiado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do voto do relator.
[assinado digitalmente]
Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente
[assinado digitalmente]
Antônio Lisboa Cardoso, Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em SOBRESTAR o processo para que se aguarde a decisão definitiva do processo de IRPJ/CSLL, nº10120.728006/201101, em razão de tratarse de lançamento reflexo, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Integrou o Colegiado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso, Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Relatório Adoto o relatório da Resolução nº 3402002340 de fls. 4768/4776, prolatada na sessão de 26/02/2014, pelo i. Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior, ao declinar da competência por se tratarse de processo reflexo por esta colenda Primeira Seção, in verbis: Versa este processo de Auto de Infração no valor originário de R$7.736.496,16 (sete milhões, setecentos e trinta e seis mil, quatrocentos e noventa e seis reais e dezesseis RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 28 00 7/ 20 11 -4 8 Fl. 4778DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.779 2 centavos), decorrente de falta/insuficiência de recolhimento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e de contribuição ao PIS, na modalidade não cumulativa, relativos aos períodos de outubro à dezembro de 2006 e de janeiro à novembro de 2007, apurados por meio de ação fiscal realizada junto à empresa, onde se constatou, conforme documentos fiscais de fls. 4.519/4.541, as irregularidades que deram origem ao lançamento. O sujeito passivo, em sua impugnação, sustenta, em apertada síntese, que é entidade civil sem fins lucrativos que goza de isenção das referidas contribuições, nos termos do art. 15, da Lei nº 9.532/97, mesmo desempenhando atividades que envolvem desporto profissional e não profissional de Clube de Futebol. Além disso, ainda que não fosse isenta, teria direito à isenção quanto a receitas posteriores a setembro de 2006, suscitando também vícios quanto à composição da base de cálculo objeto do lançamento. Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), houve por bem em considerar improcedente a impugnação apresentada, proferindo o Acórdão nº. 0347.436, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006, 2007 ENTIDADES DE PRÁTICA DESPORTIVA ENVOLVIDAS EM COMPETIÇÕES DE ATLETAS PROFISSIONAIS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Para fins de exigência da Cofins, é permitido ao Fisco proceder a descaracterização de "associação civil sem fins lucrativos", a partir de 17/07/2000, data da expiração do prazo da transformação societária, concedido às entidades de prática desportiva envolvidas em competições de atletas profissionais (arts. 18, inciso III, 27 e 94 da Lei no 9.615, de 1998, com as modificações introduzidas pelas Leis no 9.940, de 1999, e 9.981, de 2000). OBRIGATORIEDADE DE SE CONSTITUÍREM EM SOCIEDADE EMPRESÁRIA. A entidade de prática desportiva envolvida em competições de atletas profissionais que não se constituir regularmente em sociedade comercial fica impedida, por expressa disposição legal, dentre outros, de gozar de qualquer benefício fiscal em âmbito federal (art. 27, § 6º, da Lei nº 9.615, de 24/03/1998, com a redação da MP no 79, de 27/11/2002). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006, 2007 ENTIDADES DE PRÁTICA DESPORTIVA ENVOLVIDAS EM COMPETIÇÕES DE ATLETAS PROFISSIONAIS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Para fins de exigência da contribuição para o PIS, é permitido ao Fisco proceder a descaracterização de "associação civil sem fins lucrativos", a partir de 17/07/2000, data da expiração do prazo da transformação societária, concedido às entidades de prática desportiva envolvidas em competições de atletas profissionais (arts. 18, inciso III, 27 e 94 da Lei no 9.615, de 1998, com as modificações introduzidas pelas Leis no 9.940, de 1999, e 9.981, de 2000). Fl. 4779DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.780 3 OBRIGATORIEDADE DE SE CONSTITUÍREM EM SOCIEDADE EMPRESÁRIA. A entidade de prática desportiva envolvida em competições de atletas profissionais que não se constituir regularmente em sociedade comercial fica impedida, por expressa disposição legal, dentre outros, de gozar de qualquer benefício fiscal em âmbito federal (art. 27, § 6º, da Lei nº 9.615, de 24/03/1998, com a redação da MP no 79, de 27/11/2002). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, ressaltando os seguintes pontos a seguir transcritos: (...) Cabe ainda observar que, exatamente por não estar constituído num dos tipos de sociedade empresária regulados nos arts. 1. 039 a 1.092 da Lei nº 10.406, de 10/01/2002 – Código Civil, o GOIÁS ESPORTE CLUBE também não pode se beneficiar da isenção temporária, criada especificamente para os clubes de futebol profissional, tratada pelo art. 13 da Lei nº 11.345, de 14/09/2006, nos seguintes moldes: Art. 13. Fica assegurado, por 5 (cinco) anos contados a partir da publicação desta Lei, o regime de que tratam o art. 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e os arts. 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, às entidades desportivas da modalidade futebol cujas atividades profissionais sejam administradas por pessoa jurídica regularmente constituída, segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil. (Vide Medida Provisória nº 358, de 2007). Dessa maneira, resta ao GOIÁS ESPORTE CLUBE, formalmente constituído como associação civil, a sujeição ordinária, continuada e não episódica, à plena tributação a que se submetem as pessoas jurídicas em geral, não albergadas pelo benefício da imunidade ou da isenção previstas, respectivamente, nos arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1998. II – CONTESTAÇÃO ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS – ISENÇÃO IRPJ/CSLL O impugnante é entidade de prática desportiva sem fins lucrativos, nos termos do artigo 16, da Lei nº 9.615/98, constituída no dia 06.04.1943, tendo dentre seus objetivos sociais o fomento do desporto profissional e não profissional. Em 06.05.1968, por força da Lei nº 6.880/1968, o Goiás Esporte Clube foi reconhecido como sendo de utilidade pública, em decorrência da intensa atividade social que desenvolve por meio do incentivo à prática desportiva pela população carente, mais várias modalidades, nas diversas categorias de base que possui. São vários anos de serviços prestados à comunidade carente. (...) E, na condição de associação civil sem fins lucrativos, o Goiás Esporte Clube não está sujeito à “plena tributação a que se submetem as pessoas jurídicas em geral”. O Goiás Fl. 4780DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.781 4 Esporte Clube goza de plena isenção tributária conferida por força de lei, restando ilegal a autuação que ora contesta. O Goiás Esporte Club e sempre apresentou as suas respectivas DIPJ como entidade favorecida pela isenção tratada pelo artigo 15, da Lei nº 9.532/97, exatamente por ser uma entidade de prática desportiva legalmente constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, conforme dispõe o artigo 217, da Constituição Federal, c/c artigo 53, e seguintes do Código Civil, e com o artigo 16, da Lei 9.615, de 24.03.1998, e suas alterações posteriores. Todos os recursos angariados com as atividades desenvolvidas pelo impugnante, bem como seu patrimônio, são voltados exclusivamente para o fomento ao esporte, o que pode ser comprovado inclusive pelo tombamento da única área que adquiriu, como forma de preservar a finalidade do espaço destinado ao esporte. O Goiás Esporte Clube cumpre fielmente o que determina a legislação que disciplina a constituição das associações civis sem fins lucrativos, ou seja, jamais fez distribuição de resultado entre seus associados e sempre aplicou integralmente os seus recursos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais. Pelo Auto de Infração impugnado foi suscitado o dispositivo constitucional que trata da diferenciação entre o desporto profissional e o não profissional. (...) Não obstante toda a argumentação suscitada nesta peça, invocase ainda a aplicação do artigo 13, da Lei 11.345/2006, verbis: Artigo. 13 – Fica assegurado, por 5 (cinco) anos contados a partir da publicação desta Lei, o regime de que tratam o art. 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 2001, às entidades desportivas da modalidade futebol cujas atividades profissionais sejam administradas por pessoa jurídica regulamente constituída, segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil. De acordo com o referido dispositivo legal, todas as entidades de prática desportiva que atuam na modalidade futebol profissional, independentemente da forma em que se constituíram, goza dos benefícios concedidos pelo artigo 15, da Lei 9.532/97. Vale ressaltar que tal dispositivo legal encontrase em plena vigência pelo menos até o dia 14.09.2011. Assim, se o propósito legislador estendeu o benefício do artigo 15, da Lei 9.532/97, inclusive às entidades de prática desportiva que atuam na modalidade futebol profissional constituídas sob a forma de sociedade empresária, nos termos dos artigos 1.039 a 1.092 do Código Civil, resta indene de dúvida que aquelas constituídas sob a modalidade de associações civis sem fins lucrativos gozam plenamente da referida isenção tributária. 2 – INCONSISTÊNCIAS APURADAS NO AUTO DE INFRAÇÃO Em que pese a tese de isenção do IRPJ e CSLL, passaremos a apontar as inconsistências apuradas no Auto de Infração em epígrafe. (...) Fl. 4781DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.782 5 2.5 – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO A autoridade fiscal não procedeu à compensação de prejuízo, nos trimestres em que foi apurado lucro. III – PEDIDO Do exposto, e com supedâneo nas razões de fato e de direito aduzidas, requer seja reformada a sentença, para que seja considerado o Auto de Infração IMPROCEDENTE, e caso não seja acatada a tese da isenção do IRPJ e CSLL, seja procedido os ajustes apontados nos itens 2.1 a 2.4, aos quais deve proceder, DILIGÊNCIA para confirmação dos valores anotados, bem como seja procedido a dedução de prejuízo na forma apontada no item 2.5. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições de admissibilidade devendo o mesmo ser conhecido. Trata o presente processo em pauta sobre a isenção das Contribuições para o PIS e COFINS das entidades civis ditas sem fins lucrativos, mais especificamente envolvendo as atividades relativas a clubes de futebol que dedicamse à organização de atividades desportivas, mantendo Clubes de Futebol e correlatas práticas profissionais e não profissionais. Conforme mencionado no voto condutor da própria Instancia de Julgamento a quo, “as questões de direito discutidas nestes autos são idênticas” às discutidas nos autos do PAF 10120.728006/201101, em cuja isenção ou imunidade do sujeito passivo ao pagamento do IRPJ e CSSL decorrerá diretamente na isenção, ou não, das contribuições aqui discutidas. Neste sentido transcrevese parte do voto do Ilustre Relator do v. voto condutor, Manoel Antonio Gadelha Dias: “Registro que, muito embora os presentes autos tratem de exigência da Cofins e da contribuição para o PIS, abordarei, preliminarmente, em face das razões de defesa apresentadas pelo impugnante, a incidência do IRPJ e da CSLL nas entidades de prática profissional da modalidade de futebol. Isso porque, quanto às questões de direito, a impugnação apresentada pelo Goiás Esporte Clube nos presentes autos é idêntica àquela apresentada nos autos do processo de exigência de IRPJ e CSLL, que já foi, inclusive, objeto de julgamento desta Turma, em sessão de 17/02/2012, por meio do Acórdão 03047.199.” As exigências trazidas pelo auto de infração ora sob análise são oriundas de fiscalização efetuada no sujeito passivo em razão das declarações prestadas em suas DIPJ’s dos anoscalendário 2006 e 2007 – nas quais a contribuinte se declarava imune do pagamento de IRPJ e CSLL com base na previsão contida no art. 15 da Lei 9.532/97, observase que em decorrência de expressa previsão Regimental está confirmada a competência desta Seção de Julgamento, a teor do Anexo II, do RICARF (Art. 2º, IV): Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: Fl. 4782DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.783 6 I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES Nacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Assim sendo, por expressa previsão do regimento Interno deste Conselho, entendo que a competência para a análise deste processo deve ser atribuída à esta colenda Primeira Seção de Julgamento, consoante dispositivos já citados. E neste mesmo sentido já decidiu este Colegiado: “[...]LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL PIS COFINS Em se tratando de exigência fundamentada na irregularidade apurada em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos conseqüentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.” (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.357 em 17.10.2007) “[...]LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Tratandose de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos novos a ensejar decisão diversa, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula.” (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.751 Em 29.05.2008) Logo, verificase de plano que a matéria de fundo, suspensão da isenção dos tributos federais da Recorrente, é objeto do processo 10120.728006/201101, aqui chamado de principal, que também contempla dos autos de infração do IRPJ e CSLL, cujo recurso voluntário foi julgado na 4a. Turma da 2a. Câmara desta Seção em 5/2/2013 (Acórdão 1402 001.311), cuja ementa e voto abaixo transcrevo: “(...) Fl. 4783DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.784 7 ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. DIREITO À ISENÇÃO DO IRPJ E CSLL. As associações civis sem fins lucrativos inclusive clubes de futebol que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam tiveram, pelo art. 18 da Lei nº 9.532, de 1997, assegurada a isenção em face do IRPJ e CSLL. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” (...) Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. (...) Peço vênia para transcrever os fundamentos do ilustre julgador de 1a. instância Wanaldir Aparecido Maia, no acórdão 0635.665 da 1a. DRJ Curitiba/PR, proferido no processo 10980.725900/201191 2. DA ISENÇÃO EM FACE DO IRPJ E DA CSLL A questão principal a ser dirimida nestes autos consiste na definição de ser ou não a pessoa jurídica impugnante isenta do pagamento do IRPJ e CSLL. Registro que nenhuma dúvida a respeito existia até a edição da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, cujo art. 18 revogou a isenção das entidades que se dediquem às atividades de prática desportiva, de caráter profissional, ressalvando, contudo, a continuidade do benefício para as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. Temse, portanto, que o questionamento posto diz respeito ao alcance da isenção que persistiu, com ênfase para a identificação de seus beneficiários. Mirando o caso concreto, descarto, de plano, que a impugnante tenha caráter filantrópico ou científico. Também não me persuado de que tenha caráter cultural ou recreativo, dada a notória inexistência de instalações adequadas para a recreação de seus associados, tais como piscinas, parques, bosques, quadras esportivas, áreas de lazer, churrasqueiras, salas de teatros ou cinema, pinacoteca, bibliotecas, etc. Resta, portanto, apenas o enquadramento da impugnante na condição de associação civil que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, que foi aduzida pela impugnante às fls. 884, verbis: “De outro lado, para as entidades que não constituíram sociedade empresária – como é o caso do clube ora impugnante – não faz sentido falar em isenção temporária, isso pela elementar circunstância de que não perderam seu caráter de associativismo civil ‘que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinem, sem fins lucrativos’ nos termos do art. 15, da Lei 9.532/1997.” (Grifei. O sublinhado consta do original). Fl. 4784DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.785 8 Esse enquadramento foi rejeitado com veemência pelo autuante (fls. 1617), verbis: “Poderiase argumentar que o sujeito passivo enquadrase nas ‘associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos’, mas ficaria difícil sustentar tal argumentação, uma vez que o sujeito passivo não presta nenhum tipo de serviço. O art. 1º de seu Estatuto traz: ‘O CORITIBA FOOT BALL CLUB, fundado em 12 de outubro de 1909, é uma entidade de prática desportiva, sem fins lucrativos, visando o desenvolvimento da educação física e a promoção de atividades cívicas, sociais, filantrópicas e culturais, tendo o futebol como base’. Não há nenhuma menção de prestação de serviços entre os objetivos da entidade, mesmo porque isso não ocorre na prática. Nos termos da legislação do IRPJ, nenhum serviço é prestado pelo sujeito passivo.” (Grifei). Com respeito ao fundamento utilizado pelo autuante, chamo a atenção para dois questionamentos recorrentes quando se debate o possível enquadramento dos clubes de futebol na condição de associação civil tratada no art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997. O primeiro, enfatizado pelo autuante, diz respeito à efetividade da prestação de serviços pelos clubes de futebol. A tese, em síntese, é que os clubes não prestam serviços. O segundo diz respeito ao preenchimento do requisito de “colocação dos serviços à disposição do grupo de pessoas a que se destinam”. O argumento é que os serviços deveriam ser ofertados apenas aos associados do clube. Com respeito ao primeiro questionamento expressamente formulado pelo autuante temse que o associado que paga sua anuidade e compra ingressos, assim como o simples torcedor que também paga para frequentar os estádios, não doam seu dinheiro ao clube ou Federação. Pelo contrário, adquirem algo em troca – que não pode ser classificado como produto. Inferese, portanto, que se trata mesmo de um serviço, quiçá comparável ao serviço que uma sala de cinema presta ao espectador pagante. Ademais, o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.615, de 24/03/1998 (Lei Pelé), expressamente equipara o espectador pagante, por qualquer meio, de espetáculo ou evento desportivo, ao consumidor, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.078, de 11/09/1990 (Código de Defesa do Consumidor), que, por sua vez, conceitua o consumidor como sendo o usuário de produto ou serviço. Logo, sabendo que de produto não se trata, forçoso é reconhecer que se trata mesmo de prestação de serviços. Ademais, os estudiosos da administração consideram que os clubes efetivamente prestam serviços aos torcedores. Em artigo publicado por Carlos Alberto Pereira e outros na página http://www.congressousp.fipecafi.org/artigos42004/336.pdf, colhese o seguinte excerto, com grifos acrescidos: “Entretanto, cabe ressaltar que ocorreram mudanças significativas no ambiente esportivo, o que contribuiu para elaboração do modelo de gestão dos clubes ingLeses conforme relatam LEOCINI & SILVA (2000, p 4), ‘no final da década de 80, o problema da violência dos torcedores ingleses (os chamados hooligans) nos estádios de futebol deu origem a uma investigação profunda sobre suas causas. Tal investigação culminou com a publicação de um relatório chamado Taylor Report que, presumidamente, obrigava os clubes a investirem na melhoria das condições dos serviços prestados aos torcedores, ou seja, das condições dos seus estádios de futebol’. Da tese de mestrado profissionalizante em engenharia pela UFRGS de Fernando Luís Trein, intitulada “Qualidade dos Serviços Oferecidos e Prestados em um Estádio de Futebol em Dias de Jogos: Um Estudo de Caso”, disponível em Fl. 4785DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.786 9 http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/4690/000503376.pdf?sequence=1, colhemse os seguintes excertos: 1º) “Assim como foi desenvolvido o método SrvQual, um instrumento de avaliação da qualidade dos serviços elaborado por Berry, Parasuraman e Zeithaml (1988) e que estabelecia as cinco dimensões da qualidade dos serviços – confiabilidade, sensibilidade, segurança, empatia e tangíveis, McDonald et al, (1995) desenvolveram um método de avaliação de serviços prestados em eventos esportivos chamada TeamQual. O método é um instrumento de avaliação da qualidade dos serviços em eventos esportivos e foi aplicado, inicialmente, em todas as franquias da Associação NorteAmericana de Basquete (NBA), com os compradores de ingressos antecipados. o TeamQual teve, como referência, os mesmos conceitos utilizados na avaliação de serviços do método Servqual. Posteriormente, foi elaborada por Theodorakis e Kambitsis, (1998), citados por Theodorakis et al (2001), a ferramenta SportServ também com o objetivo de avaliar a qualidade dos serviços em eventos esportivos.” 2º) “O futebol é uma forma de entretenimento e, como tal, deve ser considerada a qualidade dos vários serviços que compõem a realização de jogos. Os torcedores devem ser considerados como clientes ou consumidores pelos clubes, com expectativas que podem ser satisfeitas ou não ao longo do período de duração dos jogos ou além deles. A satisfação das expectativas dos torcedores através dos serviços prestados contribuirá para que eles retornem nos jogos seguintes.” Com respeito ao segundo questionamento, voltado ao que se poderia entender por colocar os serviços “à disposição do grupo de pessoas a que se destinam”, também não me parece adequado o entendimento de que a colocação dos serviços deveria estar restrita ao grupo de associados. No caso de uma universidade ou hospital constituídos sob a forma de associação sem fins lucrativos, carece de lógica o entendimento de que, para gozar da isenção, os serviços de saúde ou de educação devam ser ofertados apenas aos próprios sócios da instituição. Não faz sentido entender que uma universidade, para conservar a isenção, deva prestar serviços de educação apenas a seus associados. Da mesma forma, não é lógico entender que um hospital, sob pena de perder a isenção, somente poderá cobrar pelos serviços de assistência à saúde prestados aos próprios associados. Não me persuado de que esse tenha sido o objetivo da norma legal. Transpondo o raciocínio para as associações que exploram o desporto profissional, notadamente os clubes de futebol, não enxergo lógica na idéia de que, para fazerem jus à isenção, deveriam prestar serviços apenas a seus associados – e não ao público em geral. Com efeito, seria necessário conceber uma realidade em que o time só jogasse consigo mesmo, em partidas assistidas apenas por seus associados e jamais sequer transmitidas pela TV, por exemplo. Isso porque, sempre que jogasse com outros times, necessariamente haveria a colocação de serviços para pessoas estranhas ao seu quadro social. Entendo, portanto, ser inerente à prática desportiva, de caráter profissional, que os serviços não sejam disponibilizados apenas aos associados, e sim à coletividade em geral. Outro ponto ao qual se apega o autuante consiste no fato de a lei nº 9.615, de 1998 (Lei Pelé), no parágrafo único do seu art. 2º, haver declarado expressamente que a Fl. 4786DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.787 10 exploração e a gestão do desporto profissional constituem exercício de atividade econômica. O raciocínio é que não seria compatível o exercício de atividade econômica por associação sem fins lucrativos. Também nesse ponto considero que a fiscalização está equivocada. A propósito, transcrevo excerto de artigo publicado, ainda no mês de fevereiro de 2003 imediatamente após a vigência do novo Código Civil, portanto por José Fernando Latorre e outros no endereço http://www.abong.org.br/novosite/download/novo_codigo.doc, verbis: “Definição de associações A alteração que mais chamou a atenção das organizações da sociedade civil diz respeito ao conceito de associação – antes definido pela doutrina e jurisprudência por falta de previsão legal específica. Como expusemos, o Novo Código Civil introduz uma definição legal expressa para as associações em seu art. 53, transcrito a seguir: ‘Art. 53. Constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos.’ Esta definição, ao adotar a expressão ‘fins não econômicos’, causou muita preocupação para as associações, especialmente aquelas que têm atividades econômicas (isto é, comercialização de bens ou serviços) como uma fonte de recursos. Há receio de tais organizações serem consideradas sociedades em virtude dessas atividades, o que lhes traria conseqüências graves: teriam descaracterizado seu formato associativo e perderiam, entre outros, o direito a seus benefícios fiscais (imunidades, isenções e incentivos). O receio é compartilhado tanto por pequenas organizações de base quanto grandes instituições privadas (do porte de hospitais e universidades). É preciso, no entanto, distinguir entre ‘fins’ e ‘atividades’. Não há impedimento para uma organização sem fins econômicos desenvolver atividades econômicas para geração de renda, desde que não partilhe os resultados decorrentes entre os associados, mas sim, os destine integralmente à consecução de seu objetivo social. Esta condição é o que distingue as associações das sociedades, conforme a previsão expressa dos artigos 53 e 981 do Novo Código Civil, acima reproduzidos. Apontamos que este entendimento é corroborado pelas disposições dos já citados Regulamento do Imposto de Renda e Lei das OSCIPs, segundo os quais todos os resultados deverão ser integralmente destinados à manutenção e ao desenvolvimento dos objetivos sociais da organização. Desta maneira, fica vedada qualquer partilha de resultados, mas não há proibição para a realização de atividades econômicas – o que vale também para as fundações.” (Sublinhei. Os grifos constam do original). Comungo o entendimento de que não se pode confundir finalidade com atividade, conceitos presentes, simultaneamente, no artigo 981 do Código Civil, que define sociedade, verbis: “Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha entre si, dos resultados.” Como se vê, na sociedade os sócios exploram uma atividade econômica com fins de obtenção e partilha de lucros (resultados). Assim, o que verdadeiramente diferencia uma sociedade de uma associação civil é a possibilidade de os sócios dividirem – ou não – o resultado da atividade explorada, e não a natureza da atividade exercida. Nas palavras de Maria Helena Diniz, “não perde a categoria de associação mesmo que realize negócios para manter ou aumentar o seu patrimônio, sem, contudo, proporcionar ganhos aos associados”. Fl. 4787DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.788 11 Impende registrar que o § 3º do art. 13 da Lei nº 9.532, com a redação atribuída pela Lei nº 9.718, de 1998, veicula o seguinte conceito de entidade sem fins lucrativos: “§ 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.” (Grifei). No caso presente, não consta – e a fiscalização sequer alegou – que a impugnante distribua seus eventuais resultados positivos, em vez de aplicálos, integralmente, na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. De qualquer forma, caso tal fato – que não está previsto nos estatutos aconteça, a entidade perderá a isenção por descumprimento dos requisitos previstos nas alíneas “a” e “b” do artigo 12 da Lei nº 9.532, de 1997, que, respectivamente, vedam a remuneração de dirigentes por serviços prestados e determinam a aplicação integral dos recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Mas isso, advirto, perde uma isenção que possui, após a cabal comprovação da ocorrência, e em procedimento específico. Chamo a atenção para o disposto no art. 48 do Decretolei nº 3.199, de 14 de abril de 1941, primeiro diploma a estabelecer as bases de organização dos desportos neste País, verbis: “Art. 48. A entidade desportiva exerce uma função de caráter patriótico. É proibido a organização e funcionamento de entidade desportiva, de que resulte lucro para os que nela empreguem capitais sob qualquer forma.” Como visto, já naqueles idos quedou inequivocamente explicitado que o critério de definição para a entidade lucrativa – ou não – seria a circunstância de resultar lucro para os que nela empregaram os capitais. Inadequada, portanto, a interpretação fiscal de que o simples fato de a exploração do desporto profissional– por disposição legal expressa constituir exercício de atividade econômica, seria suficiente para transmudar o caráter de uma entidade que o explore, passando de ‘sem fins lucrativos’ para ‘com fins lucrativos’. Volto os olhos para o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997, e infiro que a fiscalização foi induzida a erro pela sua – talvez infeliz – redação: “associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos.” Concluo que a expressão “sem fins lucrativos” é um atributo das “associações civis” ali mencionadas. Contudo, infiro que a fiscalização está a interpretar que é um atributo dos serviços colocados à disposição do grupo de pessoas a que se destinam. Nessa ótica, somente estariam abrangidos pela isenção serviços prestados sem fins lucrativos (sem retorno financeiro), o que não me parece ser o caso. Essa interpretação não me parece razoável, porquanto o legislador, no aludido parágrafo único do art. 18 da Lei nº 9.532, de 1997, garantiu a isenção para a entidade que, em tese, simultaneamente (a) exercesse a prática desportiva, de caráter profissional e (b) fosse associação civil que prestasse os serviços para os quais tenha sido instituída e os colocasse à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. Em face de tal preceito, entendo que o legislador necessariamente compatibilizou a condição de entidade sem fins lucrativos com o exercício de prática desportiva, de caráter profissional, que é atividade econômica. Não me parece lógico, portanto, admitir que o simples exercício de atividade econômica tenha o condão de descaracterizar a condição de sem fins lucrativos, para fins da isenção do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997. Se assim não for, qual o sentido da norma? Fl. 4788DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.789 12 Acrescento que o aludido artigo 15 da Lei nº 9.532, de 1997, objetivou revogar a isenção não apenas da atividade de prática desportiva, mas também das seguintes atividades – todas econômicas: a) educacionais; b) de assistência à saúde; e c) de administração de planos de saúde. Ora, qual a razão de o Poder Executivo intentar revogar a isenção para tais atividades? Teria a pretensão de cobrar IRPJ das entidades beneficentes e filantrópicas quando estas estivessem a prestar assistência gratuita? Penso que não. Entendo que foi pelo fato de constituírem atividades econômicas, exercidas no propósito inequívoco de auferirem resultados positivos para as entidades. Faria sentido revogar a isenção da atividade educacional ou de assistência à saúde prestada gratuitamente, ao público em geral ou mesmo apenas ao universo de associados? Concebo a hipótese de uma associação civil (universidade ou hospital) que, mediante cobrança, preste os serviços para os quais houver sido instituída (educação ou assistência à saúde, respectivamente) e os coloque à disposição do grupo de pessoas a que se destinam (universo de estudantes, indistintamente, e população em geral) sem fins lucrativos (a associação da hipótese não está condenada a ser deficitária; poderá ter resultados positivos, mas não os distribui aos associados, e nem remunera seus dirigentes pelos serviços prestados). Pois bem. Penso que a hipotética associação civil estará exercendo uma atividade que, inequivocamente, poderá ser classificada como econômica (ainda que não exista lei veiculando tal conceituação). Entretanto, penso que o parágrafo único do art. 18 da Lei nº 9.532 somente fará algum sentido caso seja interpretado no sentido de que, malgrado se trate de exploração econômica, não inviabiliza a fruição do benefício fiscal pela associação que preencha os requisitos do art. 15 da mesma Lei. Registro, a propósito, que a Lei nº 9.532, de 10/12/1997, é fruto da conversão da Medida Provisória nº 1.602, de 14/11/1997, cujo artigo 18 previa pura e simplesmente o fim da isenção sem qualquer ressalva para as entidades dedicadas à prática das atividades nele relacionadas, dentre as quais, a prática desportiva, de caráter profissional. Não previa, portanto, a continuidade da isenção. Ora, até pela sua condição de seres políticos, nossos legisladores são pessoas experientes, com conhecimento da realidade social deste País, em alguns casos, mais profundos que os dos técnicos do Poder Executivo. Logo, quando acrescentaram àquele artigo o parágrafo único, garantindo a fruição de isenção por entidades que se enquadrassem nas condições do artigo 15, com certeza tinham em mente algum propósito. Haveria de existir na realidade fenomênica possibilidade de efetivo gozo desse benefício, o que jamais ocorreria caso se entenda que o benefício alcança apenas uma entidade filantrópica, por exemplo, quando esta colocar serviços à disposição dos interessados, a título gratuito. Nesse caso, com certeza não terá qualquer ganho; não auferirá renda. Então, qual o benefício da isenção do imposto de renda? É lógico supor que o legislador deu determinado benefício a quem dele não precisa? Penso que não. Em meu sentir, é pressuposto para a isenção do IRPJ e da CSLL que o beneficiário explore alguma atividade econômica que lhe propicie ganhos, ou seja, que haja lucro. Penso que esse foi o comando traçado pelo legislador e que deverá ser respeitado, ainda que, individualmente, consideremos equivocado. Voltando ao caso concreto, não considero plausível que tenham pretendido garantir a isenção apenas aos pouquíssimos clubes que, além de constituírem autênticas associações recreativas, também se dediquem ao desporto profissional. Estou firmemente convencido de que o objetivo não foi esse. Pelo contrário, penso que o propósito foi conceder a isenção aos clubes (times) em geral, não constituídos como empresas, observadas as normas gerais aplicáveis ao gozo e manutenção das isenções. Fl. 4789DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.790 13 A propósito, é relevante destacar que, neste caso concreto, a autuada é um clube superavitário, pelo menos o foi no período em que ocorreu o lançamento. Contudo, essa condição não é representativa do universo dos clubes do País, mormente aqueles de pequeno porte e sem respaldo de grandes grupos econômicos, tradição e torcida. É possível supor que o legislador tenha levado em consideração todo o conjunto de clubes do País, e não apenas aqueles eventualmente superavitários. É relevante registrar, ainda, que o autuante também utilizou como base de seu entendimento o § 13 do art. 27 da Lei Pelé, transcrito às fls. 17, verbis: “Art. 27. [...]§ 13. Para os fins de fiscalização e controle do disposto nesta Lei, as atividades profissionais das entidades de prática desportiva, das entidades de administração de desporto e das ligas desportivas, independentemente da forma jurídica como estas estejam constituídas, equiparamse às das sociedades emprestarias, notadamente para efeitos tributários, fiscais, previdenciários, financeiros, contábeis e administrativos.” O autuante argumenta que esse parágrafo “deixa claro que as atividades profissionais das entidades de prática desportivas equiparamse às das sociedades empresárias para efeitos tributários e fiscais, ou seja, descaracterizase a condição de associação civil sem fins lucrativos e aplicase a tributação como se fosse uma empresa.” Com respeito a esse ponto, observo que o parágrafo equipara as atividades profissionais das entidades – independente da forma de sua constituição às atividades das sociedades empresárias. Contudo, há uma ressalva fundamental que não foi devidamente enfatizada pelo autuante. Tratase da estipulação de que essa equiparação existe para os fins de fiscalização e controle do disposto naquela lei (lei Pelé) – e não em outras leis, mormente de cunho tributário. Considero oportuna a menção à Lei Pelé. Penso, contudo, que a análise sistemática desse diploma leva a conclusão oposta àquela extraída pelo autuante, como passo a discorrer. Relembro, em primeiro lugar, que o art. 18 da Lei nº 8.672, de 06/07/1993 (Lei Zico), ao disciplinar a prática desportiva profissional, estatuía, verbis: “Art. 18. Atletas, entidades de prática desportiva e entidades de administração do desporto são livres para organizar a atividade profissional de sua modalidade, respeitados os termos desta lei.” (Grifei). Contudo, a mesma lei veiculou o seguinte permissivo: “Art. 11. É facultado às entidades de prática e às entidades federais de administração de modalidade profissional, manter a gestão de suas atividades sob a responsabilidade de sociedade com fins lucrativos, desde que adotada uma das seguintes formas: I transformarse em sociedade comercial com finalidade desportiva; II constituir sociedade comercial com finalidade desportiva, controlando a maioria de seu capital com direito a voto; III contratar sociedade comercial para gerir suas atividades desportivas. Parágrafo único. As entidades a que se refere este artigo não poderão utilizar seus bens patrimoniais, desportivos ou sociais para integralizar sua parcela de capital ou Fl. 4790DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.791 14 oferecêlos como garantia, salvo com a concordância da maioria absoluta na assembléia geral dos associados e na conformidade dos respectivos estatutos.” (Grifei). A Lei Pelé (Nº 9.615, de 1998), intentou alterar radicalmente a exploração da atividade desportiva, como se vê na redação original do seu artigo 27, verbis: “Art. 27. As atividades relacionadas a competições de atletas profissionais são privativas de: I sociedades civis de fins econômicos; II sociedades comerciais admitidas na legislação em vigor; III entidades de prática desportiva que constituírem sociedade comercial para administração das atividades de que trata este artigo. Parágrafo único. As entidades de que tratam os incisos I, II e III que infringirem qualquer dispositivo desta Lei terão suas atividades suspensas, enquanto perdurar a violação.” (Grifei). Contudo, a mesma lei concedeu o prazo de dois anos para implemento das alterações, verbis: “Art. 94. As entidades desportivas praticantes ou participantes de competições de atletas profissionais terão o prazo de dois anos para se adaptar ao disposto no art. 27.”‘ (Grifei). Na sequência, ainda no ano de 2000, por força da Lei nº 9.981, de 14/07/2000, o art. 27 da Lei Pelé passou a ostentar a seguinte redação: “Art. 27. É facultado à entidade de prática desportiva participante de competições profissionais: I transformarse em sociedade civil de fins econômicos; II transformarse em sociedade comercial; III constituir ou contratar sociedade comercial para administrar suas atividades profissionais.” (Grifei). Por derradeiro, por força da redação da Lei nº 10.672, de 15/05/2003, aludido artigo recebeu sua redação atual, verbis: “Art. 27. As entidades de prática desportiva participantes de competições profissionais e as entidades de administração de desporto ou ligas em que se organizarem, independentemente da forma jurídica adotada, sujeitam os bens particulares de seus dirigentes ao disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, além das sanções e responsabilidades previstas no caput do art. 1.017 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, na hipótese de aplicarem créditos ou bens sociais da entidade desportiva em proveito próprio ou de terceiros.” (Grifei). Como visto, o Poder Legislativo, no exercício de sua competência legal, chegou a traçar o preceito objetivo de que a atividade relacionada a competições de atletas profissionais era privativa de sociedades comerciais. Contudo, o mesmo legislador, também no exercício de sua competência legal, resolveu extirpar tal preceito do texto legal, deixando claro que o comando veiculado no art. 27 não tem natureza tributária, e que seu objetivo é atribuir responsabilidades aos administradores, sujeitando seus bens Fl. 4791DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.792 15 particulares, caso estes apliquem créditos ou bens da entidade desportiva em proveito próprio ou de terceiros. Não consigo extrair conseqüências tributárias desse art. 27, principalmente porque, como antecipado, o aludido § 13º, ao qual se apegou o autuante, limita seu sentido aos fins de fiscalização e controle do disposto na própria lei Pelé, e não em leis tributárias. Por isso, em face da ressalva expressa, não me persuado de que a norma possa ser livremente utilizada para outros fins, que não a fiscalização e controle do disposto na própria lei, mormente para revogar isenção concedida por dispositivo legal de natureza tributária. Além do mais, conforme visto, em sua redação original, o caput do art. 27 da Lei Pelé dispôs expressamente que as atividades relacionadas a competições de atletas profissionais eram privativas de sociedades civis de fins econômicos, sociedades comerciais e entidades de prática desportiva que constituírem sociedade comercial para administração de tais atividades. Contudo, pouco tempo depois, a mesma lei foi alterada para tornar facultativa a transformação em tais sociedades, podendo as entidades adotarem qualquer natureza jurídica que lhes for compatível. Em assim sendo, soa forçada a equiparação feita pela fiscalização, utilizando interpretação oblíqua do parágrafo 13º, no propósito de restaurar um sentido que o caput abandonara mais de dez anos antes. Prosseguindo na análise, mas mudando o enfoque, registro que constatei que a Administração Tributária, em três oportunidades distintas, manifestou o entendimento de que as entidades de prática desportiva não gozam de isenção do IRPJ, conforme Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT Nº 14, de 28/02/2002, Solução de Consulta SRRF/10ª RF/DISIT Nº 78, de 14/08/2002 e Solução de Consulta nº 249, de 16/10/2006, da 6ª Região Fiscal. Contudo, em todas elas a Administração tomou por consistente – sem qualquer análise, questionamento ou fundamentação – a premissa de que as entidades desportivas não são associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido constituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. Em outras palavras, todas as soluções de consulta passaram ao largo do ponto aqui considerado fundamental, assumindo como verdadeiro o entendimento contrário àquele aqui perquirido. Em assim sendo, não tendo enfrentado tal questão, desservem como parâmetro para seu deslinde. A propósito, registro que, em pesquisa que realizei nos sistemas eletrônicos da RFB, relativa ao período em que já vigia a Lei nº 9.532, de 1997, não logrei encontrar decisões proferidas em lançamentos feitos em decorrência do mesmo entendimento esposado pelo autuante. É possível que existam e não tenham sido impugnados, ou que o tenham sido e ainda não tenham sido julgados. As únicas decisões que encontrei referemse a lançamentos lavrados com base em prévia suspensão da isenção.... Em todos esses processos a Administração partiu do pressuposto de que as entidades se habilitavam ao gozo da isenção mas, por ocorrências específicas, suspendeu o benefício, como se vê nos excertos dos julgados, com grifos acrescidos: 1) Excertos dos Relatórios dos Acórdãos nº 7.246, 7.247 e 7.248: “2. Analisando os fins e objetivos da Federação, expressos em seu Estatuto Social, e tendo em conta o disposto no art. 15 da Lei nº 9.532/97, que classifica como isentas as associações civis que prestem serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins Fl. 4792DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.793 16 lucrativos, a autoridade lançadora concluiu que a Entidade não atendeu, no ano calendário 1998, aos requisitos para gozo da isenção fiscal disciplinada nos artigos 12 a 15 da Lei 9.532/97.” 2) Excerto do Relatório do Acórdão nº 6.872: “2. Analisando os fins e objetivos sociais da pessoa jurídica interessada, expressos em seu estatuto social, e tendo em conta o disposto no art. 15 da Lei nº 9.532/1997, que define como isentas as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, condicionando a isenção à satisfação dos requisitos fixados no art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e", e § 3°, e nos arts. 13, 14 e 15, todos da Lei nº 9.532/1997, a autoridade fiscal constatou o não cumprimento de alguns destes requisitos legais para o gozo do benefício da isenção, tal como explicitado no relatório acostado aos autos deste processo e resumido abaixo (fls. 02/17 do processo 19515.000956/200471 e 2/18 do processo 19515.000957/200416)” 3) Excerto do Relatório do Acórdão nº 15.876: Em foco atos administrativos levados a efeito pela Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto/SP tendentes à suspensão da isenção tributária da interessada, no rito preconizado pelo artigo 32 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim recomendado pelo artigo 14 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, bem como, à exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), e ainda, à imputação de responsabilidade solidária a pessoas com interesse comum na situação que constitui os fatos geradores dos tributos. A suspensão da isenção tributária operouse com a edição do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 58, de 04 de dezembro de 2006, cuja ciência à autuada se deu por remessa postal, conforme “aviso de recebimentoAR” de fl. 430, e publicação na Seção 1 do Diário Oficial da União do dia seguinte, o qual delimitou seus efeitos aos anos calendário de 2000 e 2001, fl. 961. Referido ato tem por lastro a Notificação Fiscal lavrada em 10 de outubro de 2006, encartada às fls. 407/415, que imputou a inobservância dos requisitos de sustentação da isenção previstos no artigo 15 da lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, uma vez que detectadas as seguintes irregularidades,(...)” 4) Excerto do Voto do Acórdão nº 6.476: “Alega a requerente que está amparada por isenção tributária, prevista no art. 159 do RIR/94, e que a exigência somente poderia ser constituída após ato declaratório que suspendesse tal isenção, e, nessa linha de argumentação, apenas a autuação do ano calendário de 1998 seria válida, em face da suspensão de isenção que, por sua vez, está em fase de julgamento (processo nº 19515.003848/200370). Ocorre que a presente exigência incide sobre rendimentos de aplicações mantidas no exterior, junto à Livingstone e BSI Geneve, no período de 1998 a 2001, e a isenção tributária não abrange tais rendimentos, em função dos dispositivos legais transcritos pela fiscalização, no Termo de Verificação, a saber (fls. 161 a 163):” No mesmo sentido são os Acórdãos exarados no PAF nº 19515.000956/200471 (Recurso Voluntário nº 156.214, Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) e no PAF nº 18471.000461/200352 (Recurso Voluntário nº 142.979, Fl. 4793DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.794 17 Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Em ambos houve a prévia suspensão da isenção, procedimento convalidado pelo CARF. Também é relevante destacar que constou da EM Interministerial nº 23/2007/MF/ME/TEM/MPS/MinC – disponível na página http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20072010/2007/Exm/EMI23MFME MTEMPSMINC.htm, e também por min anexada a estes autos que encaminhou proposta de Medida Provisória, o expresso reconhecimento, por parte dos Srs. Ministros da Fazenda, do Esporte, do Trabalho e Emprego, da Previdência Social e da Cultura, de que as entidades desportivas em geral são beneficiárias da isenção, verbis: “14. Por último, sugerese, ainda a revogação do art. 13, o qual assegura, pelo prazo de cinco anos, a isenção do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) de que trata o art. 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, à sociedade empresarial desportiva que tenha como atividade a exploração e a gestão de desporto profissional na modalidade futebol, estabelecendo, em seu parágrafo único, que esta isenção é incondicionada, ou seja, não está sujeita ao preenchimento dos requisitos previstos na Lei nº 9.532, de 1997, e, como tal, não está sujeita à suspensão desse benefício. 15.Ao contrário do que se propala, esse dispositivo restringe o benefício fiscal hoje existente para as entidades desportivas em geral, ao limitar em cinco anos o (sic) sua aplicação para aquelas "cujas atividades profissionais sejam administradas por pessoa jurídica regularmente constituída", haja vista que a isenção prevista no art. 15 da Lei no 9.532, de 1997, aplicase às entidades sem fins lucrativos pela finalidade ou objeto, sem fixar qualquer prazo para seu gozo. Em outras palavras, a referida norma não traz nenhuma vantagem à profissionalização na gestão da modalidade futebol, ao contrário, limita em cinco anos o benefício já existente para aquelas entidades que contratarem empresas para gerir suas atividades profissionais, o que o torna incoerente com o objetivo perseguido pela Lei.” (Grifei). Concluindo, registro ser incompreensível para o cidadão que sofre desconto substancial de imposto de renda em seus proventos e para o empresário que arca com elevada carga tributária que os clubes dedicados à prática desportiva profissional – com ênfase para o futebol, que se tornou um negócio bilionário – estejam albergados por isenção em face do IRPJ e da CSLL. Como cidadão, partilho essa perplexidade, que beira a indignação, e penso que a isenção constitui privilégio injustificado. Contudo, o fato é que este País é uma democracia onde o tributo é cobrado mediante atividade plenamente vinculada (art. 3º do CTN) à legislação de regência. E a realidade que tenho diante dos olhos é que nossos legisladores não têm correspondido aos esforços que o Poder Executivo tem encetado no sentido de: 1) no campo tributário, extinguir pura e simplesmente a isenção da atividade desportiva profissional; e 2) no campo institucional, profissionalizar a administração das entidades dedicadas à prática desportiva. Em face dessa realidade, e à luz da legislação atual, não vejo como negar que a impugnante se amolda ao conceito de associação civil sem fins lucrativos que preste os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, habilitandose, assim, ao gozo da isenção prevista no art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997, por força do parágrafo único do art. 18 da mesma lei. Isenção essa que poderá, em face de fatos concretos, ser suspensa pela Autoridade Tributária, o que, ressalto, não ocorreu nestes autos. (...) Fl. 4794DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.795 18 Em síntese: o contribuinte faz jus a isenção de que trata o art. 15 da Lei 9.532/1997, que dispõe: Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2º, alíneas "a" a "e" e § 3º e dos arts. 13 e 14. Resta, ainda, analisar o atendimento aos requisitos previstos nos arts. 12 e 13 da citada Lei nº 9.532/1997. Isso porque, em face do disposto no § 3º do art. 15 acima transcrito, temos que as entidades isentas do IRPJ e CSLL também devem observar os requisitos aplicáveis às entidades imunes, previstos no art. 12 (§ 2º, alíneas “a” a “e”e § 3º) e art.13 da referida Lei. Para maior clareza, transcrevo os dispositivos legais: Art. 12. (....) §2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; [...]§3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anoscalendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na Fl. 4795DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.796 19 determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. No caso em apreço, as autoridades fiscais em momento algum afirmaram que a contribuinte tenha descumprido algum desses requisitos. A análise cuidadosa dos elementos constantes dos autos, com destaque para os balanços patrimoniais, também não revela nenhum indício de que a contribuinte cometido desvio de finalidade, ou tenha remunerado, por qualquer forma, seus dirigentes ou, ainda, tenha deixado de escriturar alguma parte de suas receitas ou despesas. Em face dessa realidade, e à luz da legislação atual, não vejo como negar que a impugnante se amolda ao conceito de associação civil sem fins lucrativos que preste os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, habilitandose, assim, ao gozo da isenção prevista no art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997, por força do parágrafo único do art. 18 da mesma lei. Isenção essa que poderá, em face de fatos concretos, ser suspensa pela Autoridade Tributária, o que, ressalto, não ocorreu nestes autos. Frisese: inexiste nos autos qualquer acusação, prova ou indício de inobservância dos requisitos previstos nos arts. 12 e 13 da Lei nº 9.532/97. Portanto a contribuinte pode, em relação aos anocalendário atuados, usufruir da isenção de IRPJ e CSSL, prevista no art. 15 da Lei 9.532/1997. Por fim, registro que a 1a. Turma desta Câmara apreciou o recurso de oficio interposto no aludido processo 10980.725900/201191 e, por unanimidade de votos, negou provimento, confirmando a decisão, consoante acórdão 140100.838 de 8/8/2012, assim ementado: CLUBES DE FUTEBOL CONSTITUÍDOS SOB A FORMA DE ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. DIREITO À ISENÇÃO DO IRPJ E CSLL. As associações civis sem fins lucrativos inclusive clubes de futebol que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam tiveram, pelo art. 18 da Lei nº 9.532, de 1997, assegurada a isenção em face do IRPJ e CSLL. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a isenção tributária da recorrente e cancelar as exigências. (...)”Entendo, assim que os fundamentos acima transcritos exauriram o litígio quanto a impropriedade da suspensão do benefício tributário da entidade sem fins lucrativos “Goias Esporte Clube”, pelo que as razões de decidir dessa decisão podem ser perfeitamente adotados neste voto, conforme disposto no art. 50, Lei nº 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF(verbis): Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de Fl. 4796DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10120.728007/201148 Resolução nº 1101000.151 S1C1T1 Fl. 4.797 20 anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. (Grifei). Frisese que este Conselho julgou no mesmo sentido diversos outros processos da mesma natureza (suspensão das isenções de clubes de futebol), a exemplo do acórdão 1101 001.188, desta Turma, publicado em 25/11/2014 (Coritiba Football Club), que recebeu a seguinte ementa: “EXIGÊNCIAS REFLEXAS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. DESCARACTERIZAÇÃO DE ISENÇÃO DO IRPJ E CSLL. IMPROCEDÊNCIA DECLARADA EM DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. Frente à decisão de que as associações civis sem fins lucrativos, inclusive clubes de futebol profissional, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam tiveram, tem assegurada a isenção em face do IRPJ e CSLL, nos termos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997, as exigências reflexas de contribuições sobre receitas operacionais são canceladas quando inexiste outra motivação, na acusação fiscal, a sustentálas.” Por fim, restabelecida a isenção tributária da Recorrente, resta cancelar as exigências do PIS e Cofins aqui tratadas, por se tratar de tributos incidentes sobre receitas isentas da entidade. Entretanto, conforme bem informado pelo doutor Procurador da Fazenda Nacional, o recurso acima mencionado, relativamente ao IRPJ/CSLL, objeto do Acórdão nº1402001.311, julgado pela 4ª Turma da 2ª Câmara, em 05/02/2013, ainda não se encontra definitivamente decidido, estando pendente de embargos e/ou recurso especial, ensejando o sobrestamento do processo. Em face do exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do processo para que se aguarde a decisão definitiva do processo 10120.728006/201101 (Acórdão 1402 001.311), quando então o presente recurso será novamente incluído em pauta para prosseguimento do julgamento. Sala das Sessões, em 5 de fevereiro de 2015 [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 4797DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O
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Numero do processo: 11829.000006/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Fizeram sustentação oral, pela Recorrente, a advogada Simone Ranieri Arantes, OAB/SP nº 164505, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Fizeram sustentação oral, pela Recorrente, a advogada Simone Ranieri Arantes, OAB/SP nº 164505, e, pela Fazenda Nacional, o Procurador Miquerlam Chaves Cavalcante. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 18 29 .0 00 00 6/ 20 09 -1 4 Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.690 S3C2T1 Fl. 1.282 2 Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em função do descumprimento dos compromissos assumidos em relação às mercadorias importadas ao amparo do RECOF (Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado), abrangendo Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação, COFINS e PIS/PASEP, tudo conforme tabela abaixo, no valor total de R$ 6.164.968,96 (seis milhões, cento e sessenta e quatro mil, novecentos e sessenta e oito reais e noventa e seis centavos). Tabela à fl. 1083 Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Basicamente, contribuinte entende que o regime foi adequadamente extinto, mas auditor entende que não. As exportações foram feitas, porém através de uma empresa comercial exportadora (exportação indireta) . O auditor acha que só cabe extinção do regime com exportação direta. Em fiscalização de tributos incidentes sobre o comércio exterior levada a efeito no contribuinte acima identificado, para fins de verificação da destinação de bens admitidos no Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (RECOF), constatou se, conforme afirma a autoridade fiscal no Termo de Verificação, o descumprimento do regime em decorrência da adoção de providência extintiva não prevista na regulamentação (venda a empresa comercial exportadora, com fins específicos de exportação). O Auto de Infração referese às Declarações de Importação registradas no ano 2004, compreendendo saídas realizadas à Comercial Exportadora SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MERCADO MÓVEL BRASIL LTDA., CNPJ: 06.964.587/000135. Foram coletados dados indicando que a MOTOROLA realizou vendas / transferências de mercadorias admitidas no regime especial (RECOF) à empresa comercial exportadora SIMM SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA MERCADO MÓVEL BRASIL LTDA., CNPJ: 06.964.587/000135, com fins específicos de exportação, considerando essa saída como forma extintiva do RECOF. O contribuinte entendeu que vendas realizadas no mercado interno a empresa comercial exportadora, é forma ou modalidade de extinção do regime especial. Alegou ter por base dispositivos da legislação tributária e aduaneira que permitem concluir que tais operações se equiparam a exportação, com consonância com a própria definição do RECOF contida no art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 417/2004, que estabelece que o regime especial em comento "permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.690 S3C2T1 Fl. 1.283 3 do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou ao mercado interno". Entende o contribuinte que: "Neste sentido e levandose em conta a própria redação do dispositivo legal que define o RECOF, uma venda a comercial exportadora com o fim específico de exportação nada mais é que uma operação cuja finalidade exclusiva é destinar um produto à exportação, tal qual previsto na norma regulamentadora do RECOF". Com fundamento no entendimento acima, a baixa dos insumos admitidos no RECOF foram efetivadas em decorrência da emissão das notas fiscais de saída relativas às vendas realizadas à empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, não havendo, por conseqüência, o recolhimento de tributos incidentes nas importações e que estavam suspensos em vista da aplicação do regime especial. Tratouse a venda como equivalente à exportação, para fins de extinção do RECOF. A autoridade fiscal não concordou com a tese de que venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação é uma das providências para extinção do regime, pelas razões expostas em seu Relatório Fiscal (parte integrante do Auto de Infração). Podem ser assim resumidas as razões da autuação: 01) A enumeração do art. 31 da IN SRF n° 417/2004 (e das demais instruções normativas) não é exemplificativa e sim taxativa, pois a palavra "uma" tem a função de restringir as hipóteses aceitas para fins de extinção do regime àquelas expressamente referidas; 02) Por sua vez, a exportação a que se refere o inciso I do mesmo art. 31 da IN SRF n° 417/2004 é a direta, isto é, aquela realizada pelo próprio beneficiário, na medida em que toda a estruturação do 'RECOF foi pensada não contemplando a participação de empresa comercial exportadora e de trading company na operacionalizaç'ão do regime, salvo, quanto a esta última natureza de empresa, \ para fins de cômputo do compromisso de exportação que todo beneficiário deve cumprir (IN SRF n°417/2004, art. 6°, § 4°, inciso II): 03) Reafirmando a assertiva contida no item precedente, observase que a legislação tributária e aduaneira, quando prevê a participação de empresa Comercial exportadora ou de trading company em qualquer situação específica, expressa e explicitamente referese a esse tipo de empresa, estabelecendo a extensão e os efeitos pretendidos bom essa participação, fato não existente na normatização do RECOF; 04) O RECOF é um regime aduaneiro especial isencional (a suspensão dos tributos incidentes na importação configurase como uma isenção condicional); nesse sentido, a interpretação dos dispositivos que normatizam e regulamentam o regime deve ser realizada com observância do ditame contido no art. 111 do CTN; sob tal orientação, inaceitável a exportação indireta como meio extintivo do regime em questão, pelo simples fato da norma não contemplar tal hipótese. Ciente do teor do Auto de Infração em análise em 06/03/2009 (ciência pessoal fls. 03 45 83 e 117), e inconformada com o mesmo, o impugnante apresentou seu arrazoado de defesa, tempestivamente, às fls. 212/221. Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.690 S3C2T1 Fl. 1.284 4 Seus principais argumentos podem ser assim resumidos: 01) Que, de acordo com as condições onerosas do RECOF, a suspensão dos tributos devidos na importação tornase definitiva quando a mercadoria é exportada, seja no estado em que foi importada, seja compondo novo produto, resultante dá incorporação das mercadorias nacionais ou importadas pelo regime. Apenas nos casos em que as mercadorias são destinadas ao mercado interno ou permanecem no regime até esgotar o prazo do RECOF que os tributos suspensos por ocasião da importação deverão ser pagos com os devidos acréscimos legais, conforme dispõe o art. 37 da IN RFB n° 757/2007. 2) Que a grande maioria das exportações da impugnante é efetuada diretamente. Uma pequena parte dessas exportações passou a ser realizada por meio de empresas comerciais exportadoras, sendo que tais exportações tem o seguinte tratamento: as mercadorias são vendidas com o fim específico de exportação e são efetivamente exportadas dentro dos prazos de permanência dos produtos no regime, o que gera o cumprimento, com êxito, de todas às condições onerosas do RECOF. Quando a impugnante verifica que algum produto admitido no RECOF não foi utilizado no processo produtivo dentro do prazo do regime, ela recolhe todos os tributos devidos na importação. 03) O objeto do Auto de Infração ora impugnado foi justamente as exportações efetivadas por meio de empresas comerciais exportadoras, por ter a autoridade fiscal partido de premissas totalmente equivocadas e que inclusive desvirtuam por completo a finalidade do RECOF. 4) O presente lançamento foi lavrado considerando situações hipotéticas que , em tese, poderiam ter acontecido, mas que a própria autoridade fiscal declara que não ocorreram. Embora Uma das modalidades inequívocas de extinção do RECOF seja a exportação, o Sr. Fiscal sustenta que a exportação indireta (uma das modalidades de exportação) não seria hipótese de extinção do RECOF, já que , nela, a exportação efetiva poderia não vir a ocorrer (mesmo tendo ficado comprovado que, na prática, todas as exportações ocorreram, e dentro do prazo de permanência das mercadorias importadas no regime). 5) Que a exportação indireta, via empresa comercial exportadora, tanto é modalidade de extinção do RECOF prevista em normas legais, que o art. 6° da Instrução Normativa SRF n° 417/04, em seu parágrafo 4°, inciso II (bem como no mesmo artigo, parágrafo e inciso da IN SRF n° 757/2007), dispõe que: "Para os efeitos de comprovação do cumprimento dos compromissos de exportação assumidos poderão ser computados os valores das vendas: II realizadas a empresa comercial exportadora (...)". 6) Que no art. 31 da Instrução Normativa SRF n° 417/04, ao listar as providências que implicam na extinção do RECOF, o legislador colocou no inciso I a EXPORTAÇÃO, sem especificar se estava se referindo à exportação direta ou indireta. Porém, no artigo 6° da mesma norma, já deixara claro que a venda de mercadorias para empresa comercial exportadora poderia ser aceita para comprovação do adimplemento do regime. Portanto, a Instrução Normativa acata a exportação indireta como espécie do gênero "exportação", para fins de extinção do regime. 7) Que, da mesma forma que na exportação direta, as vendas para Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.690 S3C2T1 Fl. 1.285 5 comerciais exportadoras precisam vir acompanhadas, após a saída da mercadoria Com o fim especifico da exportação, da prova de que a mesma efetivou a transposição de fronteira. Se comprovado ter a mercadoria transposto a fronteira dentro do prazo do RECOF, não há que se falar em pagamento dos tributos suspensos, por total falta de previsão legal. 8) Que, de acordo com os artigos 37 e 38 da Instrução Normativa SRF n° 417/04, o recolhimento dos tributos deve ocorrer em apenas duas hipóteses: (i) destinação das mercadorias para o mercado interno; ou (ii) extinção do regime pelo decurso de prazo, sem que a mercadoria tenha sido exportada, reexportada, .destruída ou transferida para outro beneficiário. No caso concreto não se concretizou nenhuma das hipóteses de recolhimento dos tributos suspensos quando da admissão das mercadorias no regime, pelo qu pleiteia o cancelamento da autuação." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve parcialmente a exigência fiscal, exonerando o crédito tributário referente às exportações efetuadas pela empresa comercial exportadora SIMM Soluções Inteligentes para Mercado Móvel Brasil Ltda. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 23/04/2004 a 30/12/2004 RECOF. EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. Para fins de comprovação de cumprimento dos compromissos de exportação assumidos no RECOF, podem ser computadas as vendas realizadas a empresa comercial exportadora instituída nos termos do Decretolei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972 (exportações indiretas). As saídas de produtos industrializados efetuadas para empresas que atuem no comércio exterior, mas que não se enquadrem nas condições estabelecidas nesse diploma legal, não podem ser computadas para efeito de comprovação do adimplemento do regime, conforme disposto na Instrução Normativa.SRF n° 417/2004, em seu art. 6°, parágrafo 4°, inciso II. Cabível a cobrança dos tributos / contribuições suspensos, além dos juros de mora e multa de ofício, quando descumpridas as condições e os requisitos exigidos pela legislação de regência, relativos ao regime especial de Entreposto Sob Controle Informatizado RECOF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação. A Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara ao analisar o recurso voluntário, resolveu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.690 S3C2T1 Fl. 1.286 6 realizase a verificação da efetiva exportação, relativamente às operações que foram abrangidas pela autuação que deu ensejo ao presente contencioso administrativo. Realizada a diligência, foi elaborado relatório fiscal de diligência, concluindo pela impossibilidade da realização da diligência, nos termos determinados pela resolução (fls. 1174 a 1214). Cientificadas da diligência, a Recorrente se manifestou às fls. 1217 a 1264 e a Procuradoria da Fazenda Nacional veio aos autos e apresentou contrarrazões (fls. 1275 a 1277). O conselheiro Relator original do Processo deixou este Conselho, sendo realizado novo sorteio, o processo foi a mim distribuído para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O presente processo possui vinculação com outros 3 (três) processos que tratam da mesma matéria referente à glosa de exportações realizadas pela Recorrente para a comprovação do RECOF. Os processos 10830.720140/200925 e 10830.720227/200901 foram objeto de resolução na Segunda Turma ordinária da Terceira Câmara de relatoria do Conselheiro Ricardo Rosa, quando foi decidido pela conversão do julgamento em diligência. Por concordar plenamente com a posição adotada por aquele relator nos processos 10830.720140/200925 e 10830.720227/200901, entendo que o presente processo também deverá ser objeto de diligência nos mesmos termos definidos pela Resolução da Segunda Turma Ordinária. Transcrevo a seguir o voto condutor da Resolução 3302000.512 da Segunda Turma proferida no Processo Administrativo nº 10830.720140/200925, que peço vênia para incluir no meu voto. O Relatório Fiscal, do Serviço de Fiscalização Aduaneira, às folhas 876 e seguintes, deixa claro que, tendo em vista as inúmeras razões apontadas pela Autoridade Fiscal, a diligência não seria atendida. Observese como, por derradeiro, manifesta a Autoridade imbuída da função de prestar os esclarecimentos requeridos por este Colegiado. Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.690 S3C2T1 Fl. 1.287 7 "Por todo o exposto, e especificamente nos itens III.3 e IV.10 a IV.15, informamos que não foi realizada a verificação da fidedignidade, confiabilidade e consistência de cada uma das operações ocorridas com as mercadorias das 5.314 adições abrangidas pela autuação que deu ensejo ao presente contencioso administrativo." Antes de mais nada, entendo que seja necessário fixar certos limites de atuação, que devem, necessariamente, regrar a conduta dos agentes envolvidos no impasse criado pela decisão tomada na Unidade Preparadora de não atender a diligência determinada por este Tribunal Administrativo. Refirome a todo o conjunto de argumentos apresentados pela Autoridade diligenciada como fundamentação para o não atendimento da diligência, que, notadamente, adentram ao mérito do litígio. Como ninguém desconhece, compete a este Conselho, em julgamento de segunda instância administrativa, tomar a decisão sobre a procedência do crédito tributário constituído no auto de infração, à luz do entendimento que cada Conselheiro forma a respeito das circunstâncias fáticas e jurídicas apresentados no processo. Se será ou não admitida a comprovação das exportações com base nas vendas realizadas às comerciais exportadoras, se será necessário verificar a totalidade das operações ou será aceita a verificação por amostragem são questões que dizem respeito apenas a esta Turma de Julgamento. É absolutamente impertinente que qualquer outra instância faça ilações a respeito das fontes de convicção que irão nortear a decisão tomada por este Colegiado. E não será demais lembrar que os integrantes deste Conselho não estão obrigados a observar os atos normativos expedidos no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão ainda maior para que o entendimento firmado pela Turma seja, muitas vezes, divergente do entendimento que teve o AuditorFiscal e a própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento sobre a lide, na medida em que ambos estejam obrigados a aplicar o disposto nas Instruções Normativas e demais atos normativos aos quais estão vinculados. Por conta disso, deixo de fazer qualquer manifestação acerca do entendimento expresso pela Autoridade diligenciada a respeito do mérito do litígio e passo a examinar a única questão que realmente tem relevância nessa fase processual, que diz respeito à viabilidade técnica da realização dos exames requeridos por este Conselho. Antes disso, contudo, me sinto no dever de fazer uma breve consideração a respeito do que afirmou a Autoridade diligenciada no sentido de que o atendimento à diligência, por demandar um esforço adicional, constituiria caso de improbidade administrativa. A seguir o texto. (...)Aqui fica claro que qualquer análise a ser desenvolvida com os dados apresentados pela recorrente para o ano de 2005, vai gerar um esforço adicional, envolvendo de forma ilegal recursos humanos e materiais, sujeitando os envolvidos ao enquadramento por Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.690 S3C2T1 Fl. 1.288 8 improbidade administrativa, na Lei 8.429/92, artigo 10º, incisos VII e IX, e na Lei 8.112 artigos 116, 121 a 126A, com a conseqüente repercussão penal. Tal análise, se levada a cabo contrariaria também o princípio constitucional da eficiência, mencionado no caput do artigo 37 da CF/98. Data maxima venia, necessário dizer que, se assim fosse, toda a conversão de julgamento em diligência seria caso de improbidade administrativa, pois a diligência, em qualquer hipótese, demandará um trabalho adicional. No caso concreto, o que se fez foi, justamente, inverter o ônus da prova, determinando que o contribuinte colocasse à disposição do Fisco os elementos capazes de atestar o observância do prazo de exportação, retirando qualquer encargo da Fiscalização Federal, se não o de apertar um botão e atestar que a exportação ocorreu dentro do prazo. Esclarecido isso, depreendese do Relatório de Diligência, que a Autoridade Fiscal relatou um entrave de natureza objetiva no atendimento ao que foi solicitado na Resolução, nos seguintes termos. "2. Avaliar a qualidade das informações apresentadas quanto a fidedignidade, confiabilidade e consistência significa confrontar, para uma determinada mercadoria constante de uma adição de uma declaração de importação, DI, cada operação sofrida por essa mercadoria com os registros dessas mesmas operações nos sistemas de controle da RFB, tais como Siscomex Importação, Siscomex Exportação e RECOFSYS. Implica também em quantificar sua participação na composição do produto final, de forma a verificar a coerência das quantidades com aquelas constantes da MATRIZ INSUMO PRODUTO. Dos dados fornecidos pela Motorola identificamos nove etapas a serem confrontadas: 1) participação da mercadoria na matriz insumo/produto e registro no RECOFSYS, 2) Declaração de Importação DI e entrada no estabelecimento industrial (Nota Fiscal de Entrada), 3) saída do estabelecimento industrial (Nota Fiscal de Venda da Motorola para a ECE SIMM), 4) Fatura Comercial (Invoice) do exportador (SIMM), 5) Nota Fiscal de Exportação (ECE SIMM), 6) Memorando de Exportação, 7) Conhecimento de Transporte Internacional de Exportação (AWB), 8) RE Registro de Exportação e 9) DDE Declaração de Exportação com a averbação do embarque e dados do vôo. (...) 5. Para avaliar o tempo exigido por essa verificação, considerando todos os quatro processos, aplicamos a metodologia descrita no item III.2, para uma única mercadoria, da adição 001 da DI 05/00003275, desde sua importação até a efetiva exportação pela ECE SIMM. O tempo exigido para essa verificação, foi de aproximadamente 20 minutos, o que multiplicado pelos 201.690 registros totalizaria cerca de 67.230 horas, ou seja, 8.404 dias úteis correspondendo a aproximadamente de 32 anos de dedicação exclusiva, se efetivada por um único servidor." O que não consigo compreender é como a simples verificação do cumprimento do prazo de exportação das mercadorias pode demandar tanto trabalho. Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.690 S3C2T1 Fl. 1.289 9 Como se sabe, as informações processadas no Sistema próprio do RECOF devem estar sempre disponíveis à Fiscalização, de forma automática, gerando, sem dificuldades, diversos relatórios que se prestam à comprovação do cumprimento dos requisitos do Regime. Pois bem, não é sobre fidedignidade de toda essa gama de informações que este Colegiado pretende obter informação, mas exclusivamente em relação àquelas que se deram fora do RECOFSYS, ou seja, o cumprimento do prazo das exportação das mercadorias vendidas para as empresas comerciais exportadoras. Tudo que aconteceu até esse momento não é objeto do Auto de Infração e, por isso, não está compreendido dentro dos limites da vertente lide. Aliás, que se diga que o fundamento da autuação passa justamente pela aceitação de todas as informações processadas no Sistema até a venda à comercial exportadora, razão pela qual não há que se levantar qualquer suspeita sobre sua exatidão. Tal como determinado na diligência anterior, o contribuinte deveria, no prazo de trinta dias, esclarecer as razões das imprecisões identificadas e organizar a exposição dos dados de forma didática, remissiva, quantificada em subtotais, de tal sorte que fosse viável interpretálos e atestar a efetiva exportação das mercadorias dentro do prazo. O que se pretendia com isso, era que a Fiscalização pudesse, tal como pode quando opera o RECOFSYS, verificar, a partir de um simples apertar de botão, se a exportação do bem produzido com determinado insumo se deu dentro do prazo fixado pelo Regime. Uma vez que não haja litígio em torno de todo que se passou até a venda da mercadoria à comercial exportadora, é apenas necessário saber se a exportação correspondente a essa venda observou o prazo de exportação fixado pelo Regime. Junto à Manifestação a respeito da diligência, a Recorrente anexa um Laudo subscrito pela PricewaterhouseCopers e pelo contador Nelson Alves de Oliveira, com a seguinte conclusão. "Em relação ao Auto de Infração nº 10830.720227/200901, foram analisadas 9.385 (nove mil trezentos e oitenta e cinco) Declarações de Importação e adições, as quais indicam a importação de 1.218 (mil duzentos e dezoito) diferentes tipos de componentes. Desse montante, constatamos que algumas unidades de 23 (vinte e três) componentes, foram exportadas em período superior a 1 (um) ano, conforme indicado no anexo a esse memorando." Das duas uma. Ou essa informação é assustadoramente irresponsável ou, então, não é "tão impossível" proceder ao exame determinado por meio da Resolução 3102000.183. Finalmente, convém lembrar como a relação da instância julgadora com a unidade de preparo é disciplinada pelo Decreto nº 7.574/11, que regulamenta, entre outros, o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, in verbis. "Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.690 S3C2T1 Fl. 1.290 10 desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1º). § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1º). § 2o Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei no8.748, de 1993, art. 1º). § 3o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. (grifos meus) Em 05 de fevereiro de 2016, o contribuinte apresentou petição perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, na qual faz apontamentos a respeito da matéria versada na lide e do resultado da diligência demandada por este Colegiado. Ao final, apresenta quesitos que pretende sejam respondidos pela Fiscalização Federal. No estado em que o litígio se encontra, creio que seja prudente submeter à Unidade de Preparo os questionamentos veiculados na petição protocolada pela Parte. São os seguintes. 1 a partir das notas fiscais de venda da Recorrente para a comercial exportadora com o fim específico de exportação e com base na documentação de exportação da comercial exportadora (documentação apresentada nos autos do processo administrativo pela Recorrente), adotandose as rotinas especificadas a partir do número 3 do item II.2 do Relatório de Diligência, podese constatar que houve a efetiva exportação dos bens vendidos pela Recorrente à Comercial Exportadora? 2 Caso a resposta ao quesito anterior seja positiva, ou seja, caso tenham os bens sido efetivamente exportados pela Comercial Exportadora, fazendo uma comparação entre a data do registro das Declarações de Importação relacionadas no auto de infração e a data da averbação da exportação constante do Registro de Exportação (transposição de fronteira) com exceção dos casos ressalvados no anexo ao Laudo da Auditoria Independente (em que houve prazo superior) essas exportações ocorreram dentro do prazo de 1 ano previsto no RECOF? 3 Desconsiderando os casos identificados no Laudo da Auditoria de Independente, por quaisquer critérios de amostragem a Fiscalização encontrou algum outro caso em que as exportações foram realizadas pela SIMM após o decurso do prazo de um ano das datas das DIs? VOTO pela nova conversão do julgamento em diligência para que a Fiscalização se manifeste a respeito do cumprimento ou não do prazo Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11829.000006/200914 Resolução nº 3201000.690 S3C2T1 Fl. 1.291 11 das exportações realizadas pelas Comerciais Exportadoras e responda aos quesitos apresentados pelo contribuinte. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) a partir das notas fiscais de venda da Recorrente para a comercial exportadora com o fim específico de exportação e com base na documentação de exportação da comercial exportadora (documentação apresentada nos autos do processo administrativo pela Recorrente), adotandose as rotinas especificadas a partir do número 3 do item II.2 do Relatório de Diligência, podese constatar que houve a efetiva exportação dos bens vendidos pela Recorrente à Comercial Exportadora? b) Caso a resposta ao quesito anterior seja positiva, ou seja, caso tenham os bens sido efetivamente exportados pela Comercial Exportadora, fazendo uma comparação entre a data do registro das Declarações de Importação relacionadas no auto de infração e a data da averbação da exportação constante do Registro de Exportação (transposição de fronteira) com exceção dos casos ressalvados no anexo ao Laudo da Auditoria Independente (em que houve prazo superior) essas exportações ocorreram dentro do prazo de 1 ano previsto no RECOF? c) Desconsiderando os casos identificados no Laudo da Auditoria de Independente, por quaisquer critérios de amostragem a Fiscalização encontrou algum outro caso em que as exportações foram realizadas pela SIMM após o decurso do prazo de um ano das datas das DIs? Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 11610.000102/2003-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 07/01/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste norma legal determinando a homologação tácita do pedido de restituição de indébito tributário no prazo de 5 anos. O artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento.
Numero da decisão: 3402-003.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal determinando a homologação tácita do pedido de restituição de indébito tributário no prazo de 5 anos. O artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de pedidos de restituição ou ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 01 02 /2 00 3- 14 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 7/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 2 Relatório Tratase de pedido de restituição (fls 3 – 11), datado de 07/01/2003, pelo qual o Contribuinte pleiteia o reconhecimento créditos tributários visando compensação com débitos da pessoa jurídica. O Contribuinte descreve em seu pedido ter efetuado recolhimento de montantes indevidos a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), referente ao período de apuração compreendido entre 07/05/1992 e 10/03/1997, tendo em vista a isenção estabelecida no artigo 6º, inciso II da Lei Complementar n. 70/1991, destinada às sociedades civis de profissão regulamentada. À época da apresentação do pedido, o valor objeto de pedido de restituição perfazia o montante de R$ 915.273,46. Em 12/06/2008 o Contribuinte apresentou pedido de homologação da restituição requerida (fls 98 103), haja vista o transcurso de cinco anos desde a data do protocolo de seu pedido inicial, alegando que a Administração tributária possui como prazo o período de 5 anos para a homologação das compensações efetuadas pelos contribuintes (artigo 74. §5º da Lei n. 9.430/96 e artigo 29, §2º da IN 600/2005). Sobreveio em 09/04/2010 despacho decisório de fls 109 a 113, indeferindo a restituição que fora pleiteada, sob o argumento de que a sistemática opcional de tributação posta no DecretoLei n. 2.397/87, bem como a isenção do artigo 6º, inciso II da LC 70/91, prevaleceram somente até o advento da Lei n. 9.430/96, a qual em seu artigo 88, inciso XIV, revogou os artigos 10 e 20 do Decretolei n. 2.397/87, afastando o regime especial de tributação dessas sociedades. Especificamente o artigo 56 da Lei n. 9.430/96 teria revogado a isenção da COFINS. Ademais, afirmouse que o direito à repetição do indébito encontravase decaído, por ter sido feito o pedido posteriormente ao prazo de 5 anos estabelecido pelo artigo 168 do Código Tributário Nacional (CTN). Por fim, salientouse que não há que se falar em homologação tácita, a teor do artigo 91 da IN 900/2008. Diante deste contexto, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls 116 a 132), na qual assevera que a revogação da isenção da COFINS das sociedades civis de profissão regulamentada por lei ordinária, ato normativo de hierarquia inferior àquele que a instituiu (lei complementar), é inconstitucional. Ainda, destaca que inexiste decadência do seu direito, uma vez que o artigo 3º da Lei Complementar n. 118/2005 não era vigente à época do pedido de restituição/compensação, devendo ao ser caso ser aplicada a conhecida tese do cinco mais cinco para a contagem do referido prazo para repetição do indébito tributário. Finalmente, reafirma a ocorrência de homologação tácita do seu pedido, por terem se passado cinco anos desde a entrega da declaração de compensação, sem qualquer manifestação por parte do Fisco, a qual somente aconteceu em abril de 2010. Requer, então, seja declarada a homologação tácita das compensações/restituições em apreço e, subsidiariamente, a análise do mérito e reconhecimento do direito ao crédito requerido. As declarações de compensação encontramse em fls 153 e seguintes: i) PERD/COMP n. 06444.00920.221205.1.7.040409, transmitida em 22/12/2005, apresentando como crédito justamente o valor de R$ 915.273,46 (objeto de pedido de restituição datado de 07/01/2003), a compensar débito de R$ 82.860,00; ii) PERD/COMP 06361.57572.271205.1.3.041470, com data de Transmissão de 27/12/2005, apresentando como crédito os mesmos R$ 915.273,46 e como débito o montante de R$ 30.389,00. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 7/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 11610.000102/200314 Acórdão n.º 3402003.136 S3C4T2 Fl. 112 3 Já em 19/04/2011 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo julgou a manifestação de inconformidade, tendo sido proferido acórdão (fls 162 a 176) cuja ementa segue a seguir colacionada: Irresignado, o Contribuinte interpôs, em 22/06/2011, recurso voluntário (fls 180 a 202) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), reafirmando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. Posteriormente foi trazida notícia aos autos de que o Contribuinte impetrara mandado de segurança com pedido de medida liminar, a qual foi deferida, determinando que o CARF julgasse o feito no prazo de 30 dias. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 10/06/2011, conforme AR de fls. 178 e apresentou em 22/06/2011 o recurso voluntário de fls. 679/723, conforme artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, então dele tomo conhecimento. Passo à análise dos argumentos apresentados pela Recorrente. Inicialmente, destaco que a decisão da DRJ merece reforma no que tange ao prazo decadencial da Recorrente para o pleito de restituição do indébito tributário. É preciso lembrar que a questão do prazo para a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação passou por uma reviravolta jurisprudencial. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 7/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 4 Inicialmente a posição que prevalecia no STJ era a interpretação redacional do artigo 156, inciso VII, do CTN, segundo a qual somente com a homologação é que se daria a extinção do crédito tributário e, portanto, o início do computo do prazo para a repetição de indébito do artigo 168. Dessa forma, somandose o prazo de cinco anos para a homologação, com mais cinco anos para a repetição, o contribuinte detinha prazo de dez anos para pleitear a restituição de tributos. Tratase da conhecida tese dos cinco mais cinco. Contudo, com o advento da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005 (LC 118/2005), afirmando que, para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de (artigo 150, § 1º), o Superior Tribunal de Justiça reviu a matéria. Em seus novos julgamentos, decidiu que não obstante tal Lei se auto intitular interpretativa, evidentemente inovou a ordem jurídica tributária, alterando por completo o entendimento solidificado pelo STJ sobre o prazo para a repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação (tese dos cinco mais cinco). Assim, foi deliberado que, a partir da edição da LC 118/2005, passaram a existir dois regimes jurídicos distintos: i) os recolhimentos indevidos feitos a partir da sua entrada em vigor (9 de junho de 2005) passaram a ter como prazo para sua restituição cinco anos contados a partir do instante em que é feito o pagamento antecipado; ii) já os pagamentos indevidos que ocorreram anteriormente à vigência da LC 118/05 permanecem sob a disciplina que imperava à época, vale dizer, que a contagem do prazo de cinco anos para a restituição só se inicia a partir da homologação, expressa ou tácita, feita pelo Fisco. Nesse sentido, destaco o Recurso Especial 982.985, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 10 jun. 2008. Pois bem. No presente caso o pedido de restituição dos montantes indevidamente pagos a título de COFINS ocorreu em 07/01/2003, ou seja, anteriormente à vigência da LC 118/2005. Por conseguinte, aplicase a este ato do contribuinte o prazo decadência de dez anos, nos moldes traçados pela jurisprudência do STJ. Assim, tendo em vista que tal pedido busca créditos relativos ao período compreendido entre 07/05/1992 e 10/03/1997, concluise que tão somente parte do período encontrase decaído: aquele anterior à data de 07/01/1993. Quanto ao mérito, é cediço que não assiste razão à Recorrente, haja vista que o STF, no RE nº 377.4573, avaliou o questionamento sobre a validade da revogação promovida pelo artigo 56 da Lei 9430/96 da isenção prevista no artigo 6º, II da LC 70/91. Havia um cenário de estabilidade para os contribuintes (Súmula do STJ a seu favor, manifestações do STF afirmando que a matéria não era tema constitucional, de modo que não havia precedentes expressos em sentido contrário). Porém, tudo foi alterado no referido julgamento pelo Pretório Excelso, no qual foi desprovido o recurso do contribuinte e o pedido de modulação de efeitos foi negado. Destaco a seguir o conteúdo da ementa do julgado: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos Fl. 285DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 7/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 11610.000102/200314 Acórdão n.º 3402003.136 S3C4T2 Fl. 113 5 concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. Contudo, a necessidade de observância do prazo para que a Administração Tributária negue o pedido de restituição e de compensação do contribuinte deve ser analisada, pois seria capaz de convalidar o pleito da Recorrente, mesmo se o mérito não a favoreça. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Entretanto, tal regra não se aplica ao caso da Recorrente com relação ao pedido de restituição de fls 3 – 11, datado de 07/01/2003, justamente por se tratar de pedido de restituição, e não de compensação. Sobre a diferenciação desses institutos para fins da homologação tácita da conduta dos contribuintes, destaco as precisas palavras da Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel no Acórdão nº 3801004.94 (Processo nº 10280.003317/200222): Quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo Fl. 286DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 7/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 6 devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Contudo, essa linha de raciocínio não pode ser utilizada nos casos de pedido de restituição, como pretendeu o Recorrente. O pedido de restituição não pode ser confundido com o pedido de compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. Por isso a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento (quando não atrelado a um pedido de compensação), e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. É sabido que os contribuintes vêm sofrendo prejuízos financeiros e danos morais decorrentes da morosidade da Administração Tributária Federal em proferir decisões sobre os requerimentos apresentados perante as repartições fiscais de sua circunscrição. Contudo, o Princípio Constitucional da razoável duração do procedimento administrativo, nos termos do artigo 5o , inciso LXXVIII da Carta Magna de 1.988, não pode ser aplicado como se regra fosse. Deve, sim, nortear o agente administrativo e todos os seus atos, mas não há, ainda, na legislação vigente, nenhuma norma que o obrigue a efetuar a análise de um pedido de restituição no prazo de 2, 3 ou 5 anos, por exemplo, sob pena de seu acatamento sem maiores delongas. Por conseguinte, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos (os interesses de todos nós, cidadãos), nada o impede de, quase seis anos após o pedido de restituição formulado pela Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4o ., do CTN, como defende o Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. Concluise assim ser necessário o não reconhecimento da homologação tácita in casu, haja vista que somente o pedido de restituição foi entregue em 07/01/2003. Os PERD/COMPS, estes sim sujeitos ao prazo de 5 anos para homologação tácita, são de 22/12/2005 e 27/12/2005, enquanto que a ciência do despacho decisório negando o direito pleiteado ocorreu em 28/04/2010, não tendo sido ultrapassado o prazo de 5 anos previsto pela legislação tributária como limite para a resposta da Administração Tributária ao pleito dos contribuintes. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto por negar provimento do recurso voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 287DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 7/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 11610.000102/200314 Acórdão n.º 3402003.136 S3C4T2 Fl. 114 7 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 7/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
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Numero do processo: 11543.000992/2003-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. Esteve presente ao julgamento o Dr. Samuel Vigiano da Conceição, OAB/SP 337.341.
Antonio Carlos Atulim Presidente.
Valdete Aparecida Marinheiro - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. Esteve presente ao julgamento o Dr. Samuel Vigiano da Conceição, OAB/SP 337.341. Antonio Carlos Atulim – Presidente. Valdete Aparecida Marinheiro Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Complementando o relatório já constante dos autos, esse processo já esteve em julgamento nesse Conselho – CARF em sessão da extinta 1ª Turma da 1ª Câmara dessa Terceira Seção, em 07 de abril de 2011 e por unanimidade de votos foi convertido o julgamento do recurso voluntário do contribuinte em diligência, Resolução nº 3101000.140, nos termos do voto do então Conselheiro Corintho Oliveira Machado, nos seguintes termos: "Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 00 99 2/ 20 03 -1 3 Fl. 757DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 11543.000992/200313 Resolução nº 3402000.793 S3C4T2 Fl. 3 2 O decisum recorrido tratou o tópico referente à ausência de comprovação de exportações no SISCOMEX da seguinte maneira: Consta à fl. 338 do presente processo o “Demonstrativo das Exportações Não Aceitas” e abaixo estão relacionadas as notas fiscais apresentadas pela contribuinte, juntamente com a manifestação de inconformidade (fls. 508/511), no intuito de demonstrar que foi correta a inclusão das respectivas vendas à receita de exportação. São precisamente notas fiscais para as quais não houve comprovação de envio para o recinto alfandegado ou embarque. Segundo o art. 1º, parágrafo único, da Lei nº 9.363, de 1996, a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Estendese o benefício, inclusive, nos casos de venda à empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor/vendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. (parágrafo único do art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 29/11/1972). Os fundamentos para a caracterização da receita de exportação vêm da conjugação dos arts. 1º, parágrafo único, da Lei nº 9.363, de 1996, e 1º, parágrafo único, do Decretolei nº 1.248, de 1972. Sendo assim, na apuração receita de exportação, os auditores fiscais buscaram, por intermédio das notas fiscais, CFOP 6.16, concorrentemente com a escrituração da contribuinte, avaliar a concretude das exportações indiretas que compuseram o montante Fl. 758DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 11543.000992/200313 Resolução nº 3402000.793 S3C4T2 Fl. 4 3 informado pela contribuinte. Nesse mister, não obtiveram sucesso no tocante às seguintes notas fiscais: 1) 1.684, CFOP 7.17 (fl. 508): não há o direito à inclusão entre as receitas de exportação para fins de cálculo do crédito presumido, uma vez que duas situações se encaixam no referido CFOP. A primeira diz respeito às vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para industrialização ou comercialização, armazenadas em depósito fechado, armazém geral ou outro, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento sem que haja retorno ao estabelecimento depositante. A segunda, à venda de mercadorias importadas, cuja saída ocorra do recinto alfandegado ou da repartição alfandegária onde se processou o desembaraço aduaneiro, com destino ao estabelecimento do comprador, sem transitar pelo estabelecimento do importador. Nos termos do art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, nem a simples revenda confere o direito de crédito, nem a saída de produtos fabricados que não sejam diretamente remetidos para recinto alfandegado ou para embarque; 2) 2.574, CFOP 5.99 (fl. 509), representa remessa para depósito, sem que se tenha documentação comprobatória de que tal remessa se dê em razão de exportação futura. Mantida a glosa sobre a receita de exportação. 3) 202.954 (CFOP 6.16, fl. 510) e 113.254 (CFOP 6.16, fl. 511) são simples apresentações de cópias de notas fiscais de exportações indiretas desacompanhadas de documentação que pudessem, de fato, comprovar a exportação dos produtos nelas consignados, quais sejam: nota fiscal da comercial exportadora; conhecimento de transporte. Mantida a glosa da receita na computação da receita de exportação. O recurso voluntário, por seu turno, diz o seguinte: Merece reforma o v. acórdão também neste ponto, que desconsidera para cálculo do Crédito Presumido do IPI as exportações da ora Recorrente, simplesmente pelo fato de não restar comprovado a remessa das mercadorias para recinto alfandegado ou embarque. Porém, tais alegações não procedem, tendo em vista que as exportações realizadas pela Recorrente encontramse devidamente registradas no SISCOMEX e BACEN, conforme restou demonstrado na Manifestação de Inconformidade, o que por si só, já são suficientes para comprovar a efetiva exportação dos produtos consignados nas NFs correspondentes. (...) Observase, portanto, que os números das Declarações de Despacho de Exportação e dos Registros de Exportação bastam para que sejam devidamente comprovadas as exportações tratadas neste Processo Administrativo. Dessa forma, não há motivo para ser excluída da base de cálculo do crédito presumido do IPI, uma vez que a alegação de que estas exportações pendem de comprovação no sistema não procede. Ao meu sentir, nenhuma das partes está colaborando de forma escorreita para a melhor apreciação da matéria controversa. Notase que as glosas das notas fiscais ocorreram em virtude apenas da CFOP aposta nessas; não houve descompasso das notas fiscais com as respectivas Declarações de Despacho de Exportação ou com os Registros de Exportação apontados pela recorrente, também não se sabe Fl. 759DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 11543.000992/200313 Resolução nº 3402000.793 S3C4T2 Fl. 5 4 nada acerca das obrigações acessórias instituídas pelas Portarias do Ministério da Fazenda para a fruição do benefício em tela: i) demonstrativo referente à fruição do benefício no trimestre encerrado, por parte da empresa produtora e exportadora (no qual deve figurar relação das notas fiscais relativas às vendas a empresa comercial exportadora, com indicação do nome da destinatária e de seu número de inscrição no CGCMF, do valor da nota fiscal e da data de sua emissão); ii) demonstrativo correspondente às exportações efetuadas nos trimestres encerrado, por parte da empresa comercial exportadora que houver adquirido mercadorias de empresa industrial, com o fim específico de exportação (no qual deve figurar dentre outras informações o nome da empresa produtora vendedora e o número de sua inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC; o número, a data de emissão e o valor das notas fiscais de venda emitidas pela empresa produtora vendedora; as datas de embarque e os números dos despachos correspondentes à cada nota fiscal referida anteriormente). Diante desse quadro, concluo ser necessário aprofundar o exame da matéria atinente à ausência de comprovação de exportações no SISCOMEX, e voto pela conversão deste julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente providencie o seguinte: 1) verifique a existência, de fato, das Declarações de Despacho de Exportação e dos Registros de Operações de Exportação que devem corresponder às notas fiscais relacionadas na tabela do início deste voto; 2) se existentes os documentos apontados no item 1, supra, verificar se os produtos indicados nas notas fiscais correspondem aos produtos relacionados nos documentos apontados como comprovantes de exportação, notadamente no que diz com suas descrições, classificações fiscais, quantidades, valores, CFOP, etc; 3) se houver discrepância entre os produtos indicados nas notas fiscais e os produtos relacionados nos documentos, intimar a recorrente e as empresas comerciais exportadoras para trazer aos autos os demonstrativos instituídos pelas Portarias do Ministério da Fazenda para a fruição do benefício, acompanhados das notas fiscais, das Declarações de Despacho de Exportação e dos despachos correspondentes à cada nota fiscal; 4) elaborar Relatório Fiscal conclusivo e sucinto que contenha quadro pormenorizado, por nota fiscal, acerca da comprovação das exportações por parte da recorrente, acompanhado dos documentos encontrados. Após a juntada do Relatório Fiscal aos autos, dêse ciência desse à recorrente, em prestígio da ampla defesa e do contraditório, para manifestarse, querendo, no prazo de trinta dias. Fluido o prazo acima, com ou sem manifestação, devolvamse os autos a esta Turma para julgamento. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 11543.000992/200313 Resolução nº 3402000.793 S3C4T2 Fl. 6 5 Sala das Sessões, em 07 de abril de 2011. (...)" Em fls. 661 a DRF diligente, elaborou termo de intimação a recorrente para prestar algumas informações e está tomou ciência em 08/02/2013 conforme fls. 662 e em fls. 663 a mesma, também, respondeu pedindo dilatação de prazo para atendimento para 20 dias dado ao tamanho das operações realizadas pela mesma pelo mundo. Em fls. 691 a 698 consta o relatório fiscal, que pela sua extensão deixo de transcrevêlo aqui nesse relatório e peço permissão para lêlo em sessão, para maior compreensão do presente caso. Em fls. 699 consta o Comunicado Equipe 2/SECAT/DRF/VIT Nº 74, de 28/03/2013 a interessada Recorrente do Relatório fiscal e estabelecido o prazo de 30 dias para manifestação. Na sequência, há cópia do AR datado de entrega em 09/04/2013 e tempestivamente em 09/05/2013 foi manifestado pela Recorrente, nos seguintes termos: “(...) Ocorre que, data máxima vênia, o I. Fiscal não pode ter a diligência como concluída, pois vejamos: No termo de conclusão da diligência o I. Auditor Fiscal que “as DDE informadas pelo contribuinte, elas se referem a produtos com descrição idêntica as constantes acabou por responder de forma lacônica os itens “a” “b” e “c”, afirmando, em suma, que os DDE e RE informados efetivamente existem. Que as vendas foram indiretas, que em geral, as notas possuem a mesma descrição, quantidade e classificação fiscal. Que diferente de produtos eletrônicos, que tem código de barras, não se tem como afirmar que os produtos comercializados foram efetivamente exportados para o mercado internacional, já que à época que Receita Federal não normatizou a forma de apresentação dessas informações até o advento da PERD/Dcomp. Visando ainda atender disposto no item “d”, o I. Auditor Fiscal discorre quanto a legislação sobre a fruição do benefício fiscal, afirmando que somente a Receita Federal poderia controlar a efetiva exportação das mercadorias, já que navios, aviões, e automóveis são plenamente controlados pela Receita Federal, que o envio do produto deve se dar para local com controle alfandegário. Que este é o raciocínio que pode ser usado para as declarações a que estão obrigadas a apresentar as empresas comerciais exportadoras, e reiterou que a Receita Federal NUNCA normatizou a forma de apresentação de informações até o advento da PERD/Dcomp. Ocorre que os autos foram baixados em diligência para apurar justamente a comprovação da regular exportação dos produtos constantes nas notas fiscais, sendo que consta expressamente na determinação de diligência, que a empresa fiscalizada e a comercial exportadora fossem intimadas para apresentar os documentos cabíveis, o que não foi feito pelo I. Auditor Fiscal, que entendeu que não caberia a intimação da comercial exportadora, face ao decurso do tempo. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 11543.000992/200313 Resolução nº 3402000.793 S3C4T2 Fl. 7 6 Ora, a intimação da comercial exportadora é de suma importância para comprovar as quantidades e as exportações. O I. Auditor fiscal, ao supor que as comerciais exportadoras não possuem os documentos necessários, acaba por mitigar o direito de ampla defesa da Contribuinte, o que não pode ser admitido. A Administração não fazer este tipo de suposição. Cumpre neste interim destacar que foi possível ao contribuinte localizar todas as notas fiscais pendentes, sendo que as notas 202.294 (RE 02/127217600177 – Navio Kotor) e 113.954 (docs. Anexos) já foram apresentados nos autos quanto da manifestação de inconformidade, e a 2574 que segue anexa, comprova de forma enfática a exportação do produto através do Navio Stone Topaz, no porto de Paranaguá/PR através do RE 02/1364235 – RV 0200422235. Diante do exposto, requer a continuidade da diligência, com a intimação das comerciais exportadoras a trazer aos autos os demonstrativos instituídos pelas Portarias do Ministério da Fazenda para fruição do benefício, acompanhados das notas fiscais, das Declarações de Despacho de Exportação e dos despachos correspondentes à cada no fiscal, nos termos da diligência determinada por esta I. Terceira Seção de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, resguardandose assim o princípio da verdade material e ampla defesa. Por fim, reitera os termos do Recurso Voluntário interposto, para que seja o mesmo provido para reformar o v. acórdão recorrido, julgando procedente o pedido de ressarcimento/compensação inicialmente feito pela Contribuinte, por medida de justiça! (...)” É o relatório. Voto Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, relatora. O Recurso Voluntário já foi considerado tempestivo e dele foi tomado conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Evidentemente que quando um julgador entende não estar em condições de julgar o processo e convence o colegiado a respeito, tendo em vista a busca da verdade material, que no processo administrativo tributário é essencial, não o faz à toa e para tanto propõe converter o julgamento em diligência, como nesse processo foi feito. O então Conselheiro relator da referida Resolução já havia sentido que: “... nenhuma das partes estava colaborando de forma escorreita para a melhor apreciação da matéria controversa. Notase que as glosas das notas fiscais ocorreram em virtude apenas da CFOP aposta nessas: não houve descompasso das notas fiscais com as respectivas Declarações de Despacho de Exportação ou com os Registros de Exportação apontados pela Recorrente, também não se sabe nada acerca das obrigações acessórias instituídas pelas Portarias do Ministério da Fazenda para a fruição do benefício em tela; ...”, razão pela qual aquele colegiado, do qual estava participando converteu o julgamento em diligência. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 11543.000992/200313 Resolução nº 3402000.793 S3C4T2 Fl. 8 7 Ocorre, que a diligência foi realizada, mas não de forma satisfatória pela fiscalização. Assim, tem razão a recorrente em sua última manifestação: “a diligência não foi concluída” e digo mais, não foi conclusiva. Efetivamente, no termo de conclusão da diligência foi afirmado que as ‘ DDE informadas pelo contribuinte, elas se referem a produtos com descrição idêntica as constantes ... ‘ acabou por responder de forma lacônica os itens “a” “b” e “c”, afirmando, em suma, que os DDE e RE informados efetivamente existem. Que as vendas foram indiretas, que em geral, as notas possuem a mesma descrição, quantidade e classificação fiscal. Que diferente de produtos eletrônicos, que tem código de barras, não se tem como afirmar que os produtos comercializados foram efetivamente exportados para o mercado internacional, já que à época que Receita Federal não normatizou a forma de apresentação dessas informações até o advento da PERD/Dcomp. Também, concordo com a Recorrente, que o relatório de diligência informa que no item “d”, o I. Auditor Fiscal discorre quanto a legislação sobre a fruição do benefício fiscal, afirmando que somente a Receita Federal poderia controlar a efetiva exportação das mercadorias, já que navios, aviões, e automóveis são plenamente controlados pela Receita Federal, que o envio do produto deve se dar para local com controle alfandegário. Que este é o raciocínio que pode ser usado para as declarações a que estão obrigadas a apresentar as empresas comerciais exportadoras, e reiterou que a Receita Federal NUNCA normatizou a forma de apresentação de informações até o advento da PERD/Dcomp. Porém, a diligência foi sim para apurar justamente a comprovação da regular exportação dos produtos constantes nas notas fiscais e que a Recorrente não tem o poder de intimar outras empresas a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos como a Receita Federal. Assim, consta expressamente na determinação de diligência, que a empresa fiscalizada e a comercial exportadora fossem intimadas para apresentar os documentos cabíveis, o que não foi feito. Com tudo isso, considero não concluída a determinação do colegiado e, portanto, voto no sentido de converter o julgamento novamente em diligência para conclusão nos mesmos termos da diligência anterior, acrescentando a análise dos documentos juntados pela Recorrente em sua manifestação e inclusão na conclusão da diligência. Finalmente, concluída a diligência intime novamente a Recorrente para se manifestar no prazo de 30 dias. Manifestando ou não a partir desse prazo retorne os autos a esse conselho para julgamento. Valdete Aparecida Marinheiro. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 26 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 10660.722567/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Não demonstrado, de forma adequada e suficiente, o enquadramento da contribuinte nas situações que, nos termos da lei, ensejariam a adoção do arbitramento como forma de apuração do lucro, cumpre cancelar o lançamento assim efetuado.
LANÇAMENTOS REFLEXOS
Aplica-se aos lançamentos reflexos, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova.
Numero da decisão: 1201-001.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e em dar provimento ao recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Recorrentes EMPRESA DE TRANSPORTES COUTINHO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. Não demonstrado, de forma adequada e suficiente, o enquadramento da contribuinte nas situações que, nos termos da lei, ensejariam a adoção do arbitramento como forma de apuração do lucro, cumpre cancelar o lançamento assim efetuado. LANÇAMENTOS REFLEXOS Aplicase aos lançamentos reflexos, no que couber, o disposto em relação ao IRPJ exigido de ofício com base na mesma matéria fática e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e em dar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 25 67 /2 01 2- 62 Fl. 8624DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos por EMPRESA DE TRANSPORTES COUTINHO LTDA e pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA (Juiz de ForaMG) contra acórdão de sua própria lavra, por meio do qual foi dado parcial provimento à impugnação apresentada. O acórdão recorrido, de nº 09053.834, possui a seguinte ementa: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008, 2009 ILEGALIDADE A autoridade administrativa não possui competência material para apreciar ilegalidade de lei ou ato normativo do poder público. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR O terceiro que for administrador e cometer ato ilícito no exercício da gerência da sociedade empresária responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo pagamento do crédito tributário, sendo sua responsabilidade autônoma da obrigação da contribuinte quanto ao nascimento, à natureza e à cobrança, mas subordinada quanto à existência, validade e eficácia. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008, 2009 LANÇAMENTO NULIDADE INOCORRÊNCIA Cumpridos os requisitos previstos no Decreto nº 70235/1972 para a lavratura do auto de infração e observados os procedimentos previstos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em nulidade do lançamento. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Deve ser indeferido o pedido de realização de perícia assim considerado processualmente, vez que, materialmente, a controvérsia não demandou exame técnico especializado e o fisco desincumbiuse do ônus de comprovar os fatos geradores. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS Fl. 8625DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 4 3 Mantémse o lançamento quando caracterizada a omissão de receita da atividade operacional, em razão de recebimentos de prestação de serviços de transportes não escriturados, sem que a contribuinte tenha provada a improcedência dessa presunção relativa. No entanto, não há que se mantêlo, quando não comprovada a procedência da mesma presunção relativa. LUCRO ARBITRADO Cabível o arbitramento do lucro quando a contribuinte, obrigada à apresentação do lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, quando, ao final, sua escrituração for imprestável para determinar o lucro real, e quando ela deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA APLICABILIDADE No caso de evidente intuito de fraude aplicase a multa de cento cinquenta por cento, calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. LANÇAMENTOS REFLEXOS Uma vez que os lançamentos de Pis, Cofins e CSLL decorreram dos mesmos elementos prova que nortearam o do IRPJ, evidenciase o caráter reflexivo, impondose a eles, mudando o que deve ser mudado, o mesmo veredicto firmado em face do lançamento principal.” O caso foi assim relatado pela instância a quo: “Pelos Autos de Infração (AI) de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis (fls. 233) foram constituídos os créditos tributários de R$ 7.796.808,22, R$ 4.761.338,90, R$ 4.959.728,05 e R$ 1.074.607,75, respectivamente, abarcando valores principais, juros de mora e multa de ofício de 150%. Como mote dos lançamentos, a omissão de receita de atividade cujos valores encontramse nas seguintes rubricas que compuseram a RELAÇÃO DA RECEITA BRUTA APURADA PELA FISCALIZAÇÃO, abaixo resumida, fls. 125162, obtida a partir das tabelas nela referenciadas contidas no Termo de Verificação Fiscal – TVF de fls. 77193, particularmente, às fls. 125162; valores em R$: Em tempo: Fl. 8626DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 5 4 TABELA 1: RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS DE SÁIDAS ICMS TABELA 2: RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS DE SÁIDAS ISS TABELA 3+4+5: RELAÇÃO DE CONTRATOS COM ÓRGÃOS PÚBLICOS {as duas primeiras relativas à Prefeitura Municipal de Varginha (PMV) e a última relativa à Prefeitura Municipal de Cambuquira (PMC)} As razões dos lançamentos são assim descritas resumidamente no TVF que complementa os AIs: I PRELIMINAR [...] A empresa [...] optou pela apuração de sua tributação nos anoscalendário de 2008 e 2009, pelo lucro real. No anocalendário de 2008 [...] informou na sua DIPJ, receita bruta declarada igual a zero e também, apresentou a sua DCTF completamente zerada. No anocalendário de 2008, de forma escandalosa, ainda utilizou créditos de PIS e COFINS, para compensar esses mesmos tributos referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007. Não obstante, no anocalendário de 2009, a empresa não apresentou nenhum recolhimento, entregou a DCTF zerada e não apresentou nenhuma Perdcomp. [...] Em não sendo possível determinar a consistência fiscal, de acordo com a escrituração apresentada pelo contribuinte, e dada algumas oportunidades para a apresentação da mesma, sem obter o êxito, não restou outra opção ao órgão fiscalizador, a não ser optar pelo arbitramento. O seu contador/procurador, ainda declarou, conforme Termo de Declaração, que a empresa não apresentava elementos suficientes para elaboração completa dos arquivos digitais. [...] o próprio contador, o Sr Cleber Massafera, consignou que: "parei de elaborar a contabilidade da empresa pelo motivo de não haver transparência nos atos empresariais [...]." A fiscalização utilizou, para o reconhecimento da apuração do lucro arbitrado, as notas fiscais, contratos de licitação e uma vasta documentação, apresentada pelos órgãos públicos licitantes, a fim de determinar e apurar a receita devida e dos recursos recebidos no caixa, também confirmado pelo seu sócio gerente, através do Termo de Depoimento. [...] III DO NECESSÁRIO ARBITRAMENTO DA BASE DE CALCULO DO IRPJ E DA CSLL [...] [...] oportuno apresentarmos os fatos que a nosso ver se subsumem a hipótese prevista na legislação de regência que ensejam o arbitramento do Lucro da empresa (art 530 I, IIb e III do RIR/99), ao menos de forma sintética. [...] Vejamos, abaixo, a síntese do apurado no curso dessa fiscalização: [...] Fl. 8627DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 6 5 1 O contribuinte, foi selecionado para fiscalização no ano calendário de 2008 e 2009 em face da existência de indícios de insuficiência de declaração e recolhimento de PIS e COFINS, tendo em vista a empresa não apresentou recolhimentos de tributos em 2008 e 2009, conforme o sistema SINAL da RFB. Não obstante, não há débitos declarados em DCTF [...] e a DACON [...] só foi entregue em relação ao anocalendário de 2008. No que tange ao ano calendário de 2009 há apenas as declarações referentes ao 2° semestre. 2 – [...] foi lavrado em 16/02/2012, o Termo de Início de Procedimento Fiscal [...] compelido o contribuinte a apresentar [...] os arquivos magnéticos do Sintegra [...] referentes aos anos calendário fiscalizados e os livros: Diário, Razão, Registro de Saída e Entrada, Lalur, Livro Registro de Serviços Prestados Livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Ocorrências, Livro Registro de Duplicatas, Balanço Patrimonial e Balancetes e cópias autenticadas dos contratos sociais com as suas devidas alterações. 3 Findo o prazo [...] o contribuinte protocolizou o pedido de prorrogação de prazo, por mais 20 (vinte) dias, sendo plenamente deferido [...]. 4 No dia 09 de março de 2012, o contribuinte, através do seu sócio e do seu atual contador, disponibilizaram, a essa fiscalização os seguintes documentos: Livro Razão n° 35 Ano:2008 Livro Diário n° 35 Ano:2008 Livro Diário n°36 Ano: 2009 Alteração contratual consolidada n° 42 e 43 5 No dia 26 de março de 2012, o contribuinte protocolizou novamente um novo pedido de prorrogação de prazo, por mais 20 (vinte) dias, sendo deferido pela fiscalização [...]. 6 No dia 30 de março de 2012, o contribuinte foi novamente cientificado, de forma pessoal, através do Termo de Intimação Fiscal n° 0001, arguindo os mesmos elementos do termo de início de fiscalização. 7 No dia 03 de abril de 2012, foram retidas todas as notas fiscais de saída e de entrada referentes aos anoscalendário de 2008 e 2009, bem como os arquivos digitais referentes ao anocalendário de 2009. 8 No dia 25 de abril de 2012, a fiscalização cientificou a Prefeitura Municipal de VarginhaMG [...] do termo de intimação fiscal, solicitando, a cópia de todos os contratos que [...] realizou junto a empresa Transportes Coutinho Ltda [...]. 9 No dia 09 de maio de 2012, a Prefeitura Municipal de Varginha disponibilizou todos os contratos [...], apresentando os aditivos correspondentes a cada contrato. 10 No dia 10 de maio de 2012, o contribuinte, foi intimado através do termo de intimação fiscal n° 0003 [...] a apresentar a comprovação, do recebimento dos recursos na ordem de R$ 33.204.431,28 [...] e a justificativa dessa ausência nas declarações devidas a RFB. Fl. 8628DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 7 6 11 Não atendendo integralmente os elementos solicitados no termo anterior, a fiscalização promoveu o termo de intimação fiscal n° 0004, [...] solicitando os seguintes elementos: [...] 12 – Não tendo o contribuinte prestado o integral atendimento ao órgão fiscalizador sobre os elementos anteriormente solicitados, e, com o absoluto prejuízo na apresentada escrita contábil, foi lavrado, na data de 06 de julho de 2012, o termo de reintimação fiscal n° 0001, solicitando os mesmos elementos anteriormente demandados. 13 Não havendo, sequer, nenhuma manifestação por parte do contribuinte, procedemos na solicitação de comparecimento do contribuinte à repartição para a prestação dos fatos devidos. [...] 14 No dia 17 de julho de 2012, houve a devolução de todas as notas fiscais de prestação de serviços e de circulação de mercadorias e serviços, bem como a confissão e confirmação de todos os valores tabulados pelo órgão fiscalizador. Ainda, assim, houve a confissão do atual contador e procurador da empresa, consignando que: [...] 15 — No dia 25 ;de julho de 2012, houve, através,do termo de depoimento prestado pelo sócio, a seguinte ,declaração abaixo: [...] 16 No dia 26 de julho de/2012, o contribuinte manifestou sobre a impossibilidade de apresentar os arquivos digitais e, em consequência, os livros obrigatórios, prejudicando no todo, a contabilidade, da empresa, pois os livros apresentados não respaldavam as documentações antes apresentadas; 17 No dia 15 de outubro de 2012 [...] o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários das contas correntes, poupança, e de aplicação da empresa, bem como, a cópia de todos os processos licitatórios constando a comprovação da liquidação/pagamentos. 18 Não atendendo integralmente os elementos solicitados no termo anterior, a fiscalização promoveu o termo de reintimação fiscal, sendo o contribuinte cientificado pessoalmente, solicitando os mesmos elementos argüidos anteriormente. 19 Não restando nenhuma outra forma de atendimento na prestação das informações bancárias, a fiscalização formalizou o pedido de RMF [...] às instituições em que o contribuinte possuía conta no período fiscalizado. 20 Ainda assim, no dia 10 de janeiro de 2013, a fiscalização procedeu na elaboração do termo de Reintimação Fiscal n° 0002, solicitando todos os elementos arguidos nos termos anteriores; 21 O mesmo, no dia 16 de janeiro de 2013, através de seu procurador, disponibilizou todos os elementos arguidos no termo de reintimação fiscal. Fl. 8629DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 8 7 22 Com base nas informações prestadas pelos bancos, através, das respostas referentes às Requisições de Movimentação Financeira, procedemos na elaboração do termo de intimação Fiscal n° 0006, no intuito de comprovar os pagamentos efetuados com a respectiva documentação. 23 No dia 15 de fevereiro de 2013, o contribuinte foi cientificado, [...] se manifestando, no dia 12 de março de 2013, promovendo, a juntada dos documentos solicitados no termo de intimação fiscal n° 0006. 24 No dia 06 de março de 2013, o contador Cleber Massafera Pereira [...]prestou depoimento, alegando, dentre outras coisas, que: [...] 26 Foi ainda dado ao contribuinte um prazo de 20 (vinte) dias, para que se procedesse na elaboração da escrita contábil, sob prejuízo de incorrer na apuração do lucro arbitrado [...]. [...] (original contém negritos e sublinhas) Às fls. 1.5061.508, Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS) em face de JOSÉ ALBERTO COUTINHO, sócio administrador nos períodos objetos dos lançamentos. Às fls. 2.6262.690, única peça impugnatória a qual serviu à contribuinte representada pelo mesmo JOSÉ ALBERTO COUTINHO ali qualificado como seu sócio responsável, bem como àquele senhor na qualidade de sujeito passivo solidário, conforme bem delineado em seu preâmbulo. Aquela impugnação comum alicerçase em posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais emanados do Poder Judiciário e como pontos de discordância fundamentais aqueles contidos nos excertos abaixo, em alusão ao TVF: [...] DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO [...] c) No dia 09/03/2012 foram entregues os livros Diários de 2008 e 2009; Razão de 2008; alterações contratuais consolidadas números 42 e 43. d) Em 26/03/2012 foi solicitada nova prorrogação de prazo por vinte dias, novamente deferida pela fiscalização, que ainda assim reintimou a empresa em 30/03/2012 e, em 03/04/2012, reteve todas as notas fiscais de saída e entrada dos anos de 2008 e 2009, bem como os arquivos digitais referentes a 2009, dessa forma atropelando e prejudicando o atendimento de seu próprio Termo de Início de Procedimento Fiscal; [...] f) No dia 10/05/2012 a empresa foi intimada a comprovar recursos na ordem de R$ 33.204.431,28 que teriam sido recebidos da Prefeitura Municipal de Varginha em dezembro de 2008. Fl. 8630DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 9 8 g) Em 30/05/2012 a empresa foi reintimada a apresentar o Razão do ano de 2009 e a comprovar o recebimento de recursos da Prefeitura Municipal de Varginha, já se referindo à hipótese de arbitramento do lucro, na ausência da comprovação dos recebimentos. h) Apresentado o Razão do ano de 2009, a fiscalização voltou a intimar a empresa a comprovar o recebimento de recursos da Prefeitura Municipal de Varginha, sem observar que os recebimentos ocorriam mediante o fornecimento da nota fiscal de serviços, e que todos os talonarios de notas fiscais de saída haviam sido retidos pela fiscalização, impedindo o cumprimento das sucessivas intimações enviadas à empresa. i) Finalmente, em 17/07/2012 foram devolvidos os talonários à empresa, coagindose o seu procurador a prestar depoimento de que "todos os valores tabulados pelo órgão fiscalizador, através das planilhas, em anexo a esse termo, retratam fidedignamente, todas as notas fiscais de prestação de serviços, bem como, as notas fiscais de saída e os contratos de licitação com os órgãos públicos, nos anos calendário de 2008 e 2009." l) Em 15/10/2012, em Termo de Intimação que recebeu número 005, a fiscalização solicitou a apresentação dos extratos bancários, para em seguida novamente atropelar a empresa enviando aos bancos o pedido de RMF [...]. m) Em fato da maior importância ao deslinde do presente contencioso, nos itens de números 20 e 21, na folha do TVF que recebeu número 19, a fiscalização afirma que tendo apresentado, em 10/01/2013, Termo de Reintimação número 002, solicitando todos os elementos argüidos nos termos anteriores, foi atendida em 16/01/2013 pela apresentação de todos os elementos solicitados. n) Em 15/02/2012, através do Termo de Intimação Fiscal número 0006, foi apresentada uma relação de pagamentos efetuados pela fiscalizada, apurados nas informações prestadas pelos bancos em resposta ao REM enviado, a serem comprovados, manifestandose a empresa, em 12/03/2012 com a juntada dos documentos solicitados, reunidos em 24 pastas, sendo 12 relativas ao ano de 2008 e 12 relativas ao ano de 2009. o) No dia 06/03/2013 o contador Cleber Massafera Pereira prestou depoimento alegando que teria parado de elaborar a contabilidade da empresa em razão da suposta existência de atos praticados com abuso de gerência ou excesso de poder por parte do Sr José Alberto Coutinho, sem no entanto, citar quais seriam os atos praticados, ou apresentar qualquer prova que pudesse respaldar sua alegação. p) No dia 28/03/2013 a fiscalização deu ciência do Termo de Constatação Fiscal número 0001 alegando que os documentos apresentados em resposta ao Termo de Intimação número 006 não comprovaram nenhuma saída de recursos, o que demonstraria a imprestabilidade dos livros e da documentação à qual o contribuinte estava obrigado, dandose o exíguo prazo de 20 dias para a elaboração de nova escrita contábil que pudesse satisfazer as exigências da fiscalização, novamente sob pena do arbitramento do lucro da empresa. q) Ao final do processo consta ainda o Termo de Ciência e Recusa de Dilatação de Prazos onde a fiscalização indefere o requerimento da empresa, datado de 18/04/2013 solicitando maior prazo o refazimento de sua escrita contábil. r) Depois de encerrada a fiscalização, com data de 08/05/2013 foi lavrado Termo de Devolução de Documentos onde consta a devolução dos Livros Diário e Fl. 8631DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 10 9 Razão dos anos de 2008 e 2009, contrato social e alterações, notas fiscais de serviços e Livro de Registro de Serviços Prestados, o que comprova cabalmente que a fiscalização dispunha de todos os elementos necessários ao desenvolvimento da auditoria fiscal. [...] DA QUEBRA DO SIGILO FISCAL [...] [...] a forma como se processou à quebra do sigilo fiscal da empresa configurase como uma importante razão de nulidade [...]. Não há informação alguma de que o acesso a tais informações foi precedida de autorização judicial [...]. [...] DO ERRO NA APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO [...] [...] a fiscalização tentou legitimar suas planilhas tomando a termo depoimento do procurador da empresa, coagindoo a confirmar os valores tabulados nas mesmas. Registrese aqui a impossibilidade de darse qualquer valor legal ao documento produzido pelo fisco naquela circunstância, sem que se desse ao depoente tempo e oportunidade para um exame detalhado do que realmente constava das planilhas. Ao tomar ciência dos Autos de Infração integrantes do presente processo, a empresa pode confrontar detalhadamente as planilhas elaboradas pelo fisco com seus registros fiscais e contábeis, bem como com os talonarios de notas fiscais, ficando evidente o grave erro cometido pela auditoria fiscal ao registrar nas planilhas citadas no item” c” acima, com data de 22/12/2008, receita no valor de R$ 33.204.431,28. No decorrer da auditoria fiscal, a empresa foi intimada a apresentar a cópia do contrato firmado com o órgão publico (Prefeitura Municipal de Varginha) e comprovar o recebimento dos recursos, nos seguintes termos: "V.Sa. disponibilizou a essa fiscalização, através do livro Razão, anocalendário 2008, nas fls. 165, recebimento de recursos na ordem de R$ 33.204.431,28 [...] registrados em 22 de dezembro de 2008, oriundos da Prefeitura Municipal de Varginha MG".(gn). A intimação era de tal modo absurda em relação ao que de fato constava do lançamento contábil realizado a fls. 165 do Razão do ano de 2008, e dos contratos entregues ao exame da fiscalização, que causou grande perplexidade, a qual somente aumentou com a constatação de que o fiscal autuante havia incluído tal valor dentre as bases de cálculo que apurou. Com a finalidade de dirimir o erro da fiscalização, a impugnante faz juntada aos autos (DOC 01) de listagens fornecidas pela Prefeitura Municipal de Varginha relacionando todos os pagamentos relativos aos anos de 2008 e 2009, dos quais a impugnante foi beneficiária, com as cópias de todas as notas fiscais de prestação de Fl. 8632DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 11 10 serviços emitidas contra o órgão público, indispensáveis ao recebimento dos valores devidos. [...] não existe o registro do pagamento de recursos na ordem de R$ 33.204.431,28, na data de 22/12/2008, ou em qualquer outra data. Da análise das notas fiscais de prestação de serviços juntadas constatase que as mesmas citam como justificativa dos respectivos recebimentos os contratos firmados com a Prefeitura Municipal de Varginha que receberam os números 198/2007, 222/2007 e 167/2008, anexados aos autos por cópia (DOC 02). O contrato número 167/2008, que trata de exploração do serviço público de transporte coletivo urbano rural de passageiros no município de Varginha/MG mediante concessão a título oneroso, emitido de acordo com as condições estipuladas no Edital de Licitação número 104/2008 e Concorrência Pública número 005/2008, teve vigência a partir de 02/07/2008, com concessão pelo prazo de dez anos, e recebeu o Aditivo número 188/2008, com data de 22/12/2008, onde consta: "Dáse ao presente contrato o valor estimado de R$ 39.064.036,80 (trinta e nove milhões, sessenta e quatro mil, trinta e seis reais e oitenta centavos)." Portanto, o valor estimado do contrato será efetivamente recebido no prazo de dez anos, com pagamentos mensais mediante a emissão da competente nota fiscal de prestação de serviços, o que pode ser constatado nas diversas notas fiscais ora anexadas onde o recebimento está justificado pela citação do contrato 167/2008. Para terminar, vejase o que de fato consta do lançamento a fls. 165 e 272 do Razão e fls. 459 do Diário do ano de 2008, bem como de fls. do balanço patrimonial do ano de 2008, ora anexadas por cópia devidamente autenticada (DOC 03). Fezse um lançamento a débito da conta do Ativo Clientes Prefeitura Municipal de Varginha (1201030001), e a crédito de Receitas de Exercícios Futuros Fretamento (2301010001), na data de 22/12/2008, pelo valor de R$ 33.204.431,28, com histórico conforme contrato. Os saldos das contas citadas também podem ser conferidos no Balanço Patrimonial anexado. O lançamento efetuado é absolutamente correto, destinado ao registro de receita futura a ser auferida na execução do contrato, registrado na escrituração contábil na data em que o mesmo foi aditivado com o valor estimado a receber nos próximos dez anos. [...] É indispensável entender que todas as receitas oriundas de órgãos públicos foram recebidas mediante a apresentação da competente nota fiscal de prestação de serviços, consoante ficou comprovado pela juntada das notas fiscais respectivas aos relatórios de pagamentos efetuados emitidos pela Prefeitura Municipal de Varginha. Portanto, é improcedente o registro feito pelo fisco, dando a entender que tais valores não teriam sido comprovados durante o procedimento de fiscalização, tendo sido incluídos com base nas informações prestadas diretamente à fiscalização pelas prefeituras. Os talonarios de notas fiscais e respectivos livros fiscais foram retidos pela fiscalização e neles constavam todas as informações relativas aos valores faturados e recebidos de órgãos públicos, devidamente contabilizados nos livros fiscais e contábeis da fiscalizada. DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Fl. 8633DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 12 11 [...] [...] o contribuinte apresenta escrituração contábil e fiscal ancorada em uma documentação fiscal correta, idônea, regular [...]. [...] o arbitramento é regra de exceção [...]. [...] A fiscalização teve amplo acesso aos Livros Razão e Diário com a escrituração contábil dos anoscalendário de 2008 e 2009, constando dos Diários os Balanços Patrimoniais e Demonstrativos de Resultado, Livros de Registro de Serviços Prestados e todos os talonarios de notas fiscais de prestação de serviços, bem como a 15 (quinze) volumes de documentos referentes ao procedimento licitatório junto à Prefeitura Municipal de Varginha/MG, uma importante fonte de receita da empresa, fato comprovado de maneira conclusiva pelo Termo de Devolução de Documentos emitido após o encerramento da fiscalização. São anexados aos autos (DOC 04) cópias autenticadas dos balanços patrimoniais e respectivos Demonstrativos de Resultado, juntamente com cópia dos termos de abertura e encerramento dos Diários de 2008 e 2009. [...] [...] transparece [...] que os livros contábeis (Diário e Razão) não foram, de fato, examinados seriamente pela fiscalização. Não há nenhuma descrição circunstanciando de forma exaustiva e criteriosa os vícios insanáveis que teriam sido observados na escrituração e que pudessem justificar sua desclassificação, medida indispensável à adoção do lucro arbitrado como forma de apuração do resultado tributável. [...] Somente duas razões de decidir são citadas, quais sejam: a) a confirmação pela empresa da impossibilidade técnica de gerar os arquivos digitais nos formatos exigidos pela fiscalização; b) a suposta falta de comprovação adequada dos pagamentos extraídos dos extratos bancários e relacionados em planilha anexa ao Termo de Intimação número 0006 integrante dos autos. Obviamente, a impossibilidade de geração dos arquivos digitais no formato exigido pela fiscalização, por si só, não é justificativa suficiente para o arbitramento do lucro da empresa, mormente se os livros contábeis respectivos fora entregues à fiscalização. Na planilha anexa ao Termo de Intimação número 006 constam, em 89 páginas, cerca de três mil e quinhentos (3.500) itens relativos a pagamentos que deveriam ser comprovados pela fiscalizada, com documentos que proporcionassem a indicação do beneficiário e a causa de cada um. Quanto à comprovação dos pagamentos selecionados pela fiscalização, a empresa disponibilizou os seus arquivos com os documentos necessários à comprovação dos pagamentos efetuados nos anoscalendário de 2008 e 2009, consistindo em 24 pastas, sendo 12 pastas relativas ao ano de 2008 e 12 pastas relativas ao ano de 2009, conforme consta expressamente dos autos, estando tudo regularmente contabilizado em seus livros. Caberia à fiscalização buscar dentre os documentos apresentados aqueles que comprovariam os pagamentos selecionados nas planilhas anexas ao Termo de Fl. 8634DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 13 12 Intimação 0006. Entretanto, toda a documentação foi imediatamente devolvida à empresa, sem exame, porque os documentos não estavam organizados na mesma ordem em que os pagamentos foram citados na planilha da fiscalização. E a devolução sem exame da documentação apresentada pela empresa acarretou graves danos, como o arbitramento do lucro, uma vez que a fiscalização decidiu pela imprestabilidade da escrita contábil, e a exigência de IRRF que se fez no processo administrativo 10660720943/201365. Para dirimir de forma cabal a dúvida de que os pagamentos não tinham comprovação, a impugnante está anexando aos autos planilha (DOC 01) onde está explicitada a comprovação da grande maioria dos pagamentos listados na planilha da fiscalização, dispostos em rigorosa ordem cronológica, identificandose o beneficiário e a causa do pagamento, acompanhada de uma amostragem dos documentos comprobatórios, todos retirados dos arquivos originalmente apresentados à fiscalização. Entende a impugnante que a juntada desses documentos é elemento suficiente à imediata desconstituição do arbitramento levado a efeito pela fiscalização. O grande volume de documentos necessários à comprovação integral dos cerca de três mil e quinhentos itens que constam da planilha enviada pela fiscalização impossibilita a juntada ao processo de todos os documentos envolvidos, optandose pela anexação, por cópia, de uma amostragem desses documentos, assinalados em cor vermelha nas planilhas da empresa ora apresentadas. Os originais da totalidade dos documentos permanecem na empresa à disposição do fisco, caso os Ilustres Julgadores entendam necessária a realização de diligência através da qual os mesmos venham a ser auditados. [...] a impugnante solicita alguma tolerância no sentido de permitir o aditamento da presente impugnação, no prazo máximo de noventa (90) dias, com a complementação da comprovação que se pretende e com arquivo eletrônico onde serão digitalizados todos os documentos envolvidos, de forma a facilitar a realização das diligências que os Ilustres Julgadores decidirem determinar. [...] a critério dos Ilustres Julgadores, surge a necessidade do envio dos autos em forma de diligência [...]. [...] De forma a atender os requisitos previstos no dispositivo legal acima transcrito, a impugnante nomeia seu representante o Sr. Sergio da Silva Carvalho, contador, com endereço na Rua Bolívia, 220 Vila Pinto Varginha/MG, formulando os seguintes quesitos: [...] [...] não existem razões válidas para o arbitramento do lucro [...], foi adotado como uma medida claramente punitiva, face ao injustificado entendimento de que estaria ocorrendo embaraço à fiscalização, o que é absolutamente inadmissível face à legislação, doutrina e jurisprudência cabíveis. [...] a última medida adotada pela fiscalização foi intimar a fiscalizada a refazer sua contabilidade de forma a possibilitar a emissão dos arquivos digitais com os formatos solicitados, entretanto, disponibilizando para tanto o prazo exíguo de 20 dias. Muito embora a fiscalizada tenha mostrado intenção de refazer sua contabilidade, a fiscalização indeferiu sua solicitação de dilação do prazo, mesmo Fl. 8635DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 14 13 sabendo da impossibilidade prática de refazerse a contabilidade de dois anos em apenas 20 dias. Ou seja, havia a intenção clara de fazer uma solicitação impossível de ser cumprida, gerando mais um fato que pudesse justificar o arbitramento do lucro. [...] DA MULTA QUALIFICADA [...] Para aplicação dessa penalidade é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que reste configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo, isso porque o evidente intuito de fraude somente se configura nas situações em que fica demonstrado o emprego de meios ardilosos para subtrair do fisco o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. [...] DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA [...] [...] embora a solidariedade seja caracterizada pelo interesse comum na situação que constitua o fato gerador, esta não pode se estender para toda e qualquer situação, principalmente, quando estamos a tratar de responsabilidade tributária, considerada, inclusive, de natureza sancionatória. [...] DO ARROLAMENTO DE BENS [...] DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS [...] (original contém negritos e sublinhas) Às fls. 2.7252.728, Despacho nº 36 – 2ª Turma da DRJ/JFA, visando à diligência, teve por mote as considerações desse relator atinentes ao ponto de discordância intitulado ERROS NA APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO. Às fls. 8.4318.464, aditamento da impugnação, apresentada tão somente em nome da contribuinte, por intermédio do signatário PAULO EDILBERTO COUTINHO, sócio cotista admitido no quadro societário da contribuinte em 18/04/2012, conforme a alteração contratual nº ali 44 anexa, registrado na Jucemg em 17/08/2012; excertos abaixo: [...] é indispensável [...] que fique registrada a indignação da interessada com a forma incorreta como o Auditor Fiscal [...] conduziu a tomada de depoimento dos servidores municipais acima citados (em expressa alusão aos Srs. Lupércio Narciso Vieira e Eder Jerônimo da Silva), ao deixar de juntar aos autos os Fl. 8636DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 15 14 comprovantes de pagamentos relativos aos contratos firmados com a prefeitura (em expressa alusão à PMV) apresentados pelos servidores ao Auditor Fiscal. Os comprovantes de pagamento apresentados por estes servidores municipais, devidamente autenticados por eles, são agora juntados ao processo, demonstrando que os valores efetivamente recebidos pela interessada da Prefeitura Municipal de Varginha/MG podem ser totalizadas por anocalendário da forma como segue: [...] (tratase de uma planilha) Portanto, fica cabalmente comprovado que não ocorreu o pagamento de R$ 33.204.431,28 na data de 22/12/2008 [...]. É o Relatório” Ao analisar a impugnação, a DRJ afastou as preliminares, indeferiu o pedido de realização de perícia, e, no mérito, em síntese, reduziu substancialmente os valores das infrações relativas aos quartos trimestres de 2008 e 2009, nos seguintes termos: “Pelo exposto, a RELAÇÃO DA RECEITA BRUTA APURADA PELA FISCALIZAÇÃO, de fls. 125162, retratada no início do Relatório, deverá ser reformada para: a) relativamente ao 4º trimestre/2008, que não sejam considerados os pagamentos efetuados à PMV naquele montante de R$ 3.461.002,31, vez que ali também estão contemplados àquele título valores anteriores a este trimestre, mas tão somente o montante de R$ 954.178,59 por ser exclusivo àquele trimestre. Manter o lançamento de valores que, na espécie, não sejam afetos exclusivamente ao 4º trim/2008, mas nos meses daquele trimestre, seria inovação e fazêlo assemelhase a agravamento sem prévia revisão de lançamento; b) relativamente ao 4º trimestre/2009, que não seja considerado nos DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO dos respectivos AIs o montante de R$ 10.350.193,92 (linha "TOTAL") correspondente aos totais de todos os trimestres/2009, mas apenas o montante de R$ 2.503.409,21 (coluna "TOTAL DE RECEITA OMITIDA") relativo que é daquele trimestre. Ainda no que tange ao 4º trimestre/2009, não há que se considerar naquela RELAÇÃO o montante de R$ 4.744.459,39 como receita omitida, vez que esse montante suplanta o total apurado pelo próprio fisco (R$ 2.503.409,21). Aqui também, mudando o que deve ser mudado, fazêlo assemelhase a agravamento sem prévia revisão de lançamento. Senão vejamos o novo perfil da RELAÇÃO DA RECEITA BRUTA APURADA PELA FISCALIZAÇÃO, ora reformada, no que é pertinente: (...)” Para melhor clareza, com relação aos valores das infrações lançadas (para fins de IRPJ, CSLL, PIS, e COFINS) que foram cancelados pela DRJ, elaborei a tabela abaixo: Fl. 8637DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 16 15 Devidamente cientificados da referida decisão, em 13/10/2014 (fls. 8563) e em 14/11/2014 (fls. 8568), respectivamente, o contribuinte e o responsável tributário interpuseram, tempestivamente, o recurso voluntário (em 10/11/2014, fls. 8609 e seguintes), no qual, em linhas gerais, reprisam os argumentos apresentados na impugnação, quanto aos seguintes pontos: (i) nulidade em face da quebra de sigilo bancário; (ii) inexistência de embaraço à fiscalização; (iii) inexistência de motivação para o arbitramento, tendo em vista a existência e apresentação ao fisco da escrituração, e a inexistência de demonstração de sua imprestabilidade para a apuração do lucro real; (iv) inexistência de conduta ou intenção dolosa a justificar a aplicação da multa qualificada; (v) inexistência de interesse comum ou de atuação com excesso de poderes ou infração à lei ou estatuto, aptos a justificar a responsabilização do sócio. Finalizam requerendo o cancelamento integral dos lançamentos efetuados. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, o contribuinte requer a nulidade do feito em razão da quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. Neste aspecto, não lhe assiste razão. Em primeiro lugar, registrese que, no caso concreto sequer se trata de lançamento de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. O lançamento aqui discutido diz respeito ao arbitramento de ofício dos lucros, tomandose por receita conhecida aquela apurada pelo fisco a partir do levantamento das notas fiscais emitidas pela fiscalizada e das respostas obtidas junto a terceiros seus clientes (órgãos públicos). Fl. 8638DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 17 16 Do quanto se extrai dos autos, os extratos bancários aparentemente foram utilizados para fins de intimação com relação à comprovação da causa de determinados pagamentos efetuados pela fiscalizada, sendo esta matéria objeto de discussão em outro processo administrativo, no qual se debate a incidência ou não do imposto de renda na fonte. Nada obstante, a questão acaba por imbricarse no presente lançamento, pois uma das razões apontadas pela fiscalização para o arbitramento diz respeito à alegada imprestabilidade da escrituração da contribuinte também porque não teriam sido comprovadas pelo contribuinte, com os documentos apresentados, nenhuma saída de recursos. De todo modo, cumpre registrar, portanto, ser perfeitamente legal a obtenção dos extratos bancários diretamente das instituições financeiras, independentemente de autorização judicial. Neste aspecto, releva observar que a Lei Complementar 105/2001 expressamente revogou o art. 38, da Lei n° 4.595, de 1964 (sobre o qual erigiuse a jurisprudência anterior, no sentido de que somente por meio de autorização judicial poderia a administração tributária obter acesso às informações bancárias dos contribuintes), e estabeleceu os procedimentos administrativos concernentes à requisição, acesso e uso daquelas informações, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, independentemente de ordem judicial. A jurisprudência do CARF é uníssona a este respeito, conforme se verifica nos precedentes a seguir colacionados: Acórdão 10195.488, relatora Sandra Faroni, sessão de 27 de abril de 2006: SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO. É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial (art. 6o da Lei Complementar 105/2001). Acórdão 10323.632, relator Antonio Bezerra Neto, sessão de 17 de dezembro de 2008: QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A teor do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. Acórdão 10517.212, relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, sessão de 17 de setembro de 2008: REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA SIGILO BANCÁRIO E SIGILO FISCAL Desatendidas as intimações e reintimações da fiscalização para Fl. 8639DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 18 17 apresentação dos extratos de movimentação bancário do contribuinte, podem esses ser diretamente requisitados à Instituição Financeira, sem que isto implique em quebra de sigilo bancário, nos termo da Lei complementar n°. 105/2001. As informações albergadas pelo sigilo bancário objeto de fiscalização sujeitamse, igualmente, ao sigilo fiscal. Acórdão 10809.692, relator Irineu Bianchi, sessão de 14 de agosto de 2008: SIGILO BANCÁRIO As informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. Acórdão CSRF/0400.456, relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, sessão de 13 de dezembro de 2006: SIGILO BANCÁRIO Os agentes do Físico podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. Nestes termos, e considerandose ainda o quanto disposto na Súmula CARF no 2, no sentido de falecer competência ao julgador administrativo para apreciar alegações de inconstitucionalidade de lei, é de ser rejeitado o argumento de suposta ilicitude das provas e de nulidade do lançamento efetuado por este motivo. Adentrando ao mérito, cumpre analisar o arbitramento levado a efeito. O arbitramento dos lucros tem expressa previsão legal no art. 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ora consolidado no art. 530 do RIR/99, com a seguinte redação: "Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; Fl. 8640DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 19 18 V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário." Nos autos de infração que instruem o processo encontrase a seguinte justificativa para o arbitramento: "Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro.Real, em virtude dos erros, inconsistência é impossibilidade da manutenção dos livros da forma em que se encontra. Os demais elementos estão contidos no Termo de Verificação Fiscal, em anexo à este auto de infração." Embora a descrição acima conduza à inferência de que o arbitramento estaria alicerçado nos incisos I (impossibilidade da manutenção dos livros) e II (imprestabilidade para a determinação do Lucro.Real em decorrência de vícios, erros ou deficiências), os autos de infração mencionam apenas o inciso II. Já o Termo de Verificação Fiscal, por sua vez, menciona os incisos I, II, e III, aduzindo, com relação a este último inciso, que o contribuinte teria deixado de apresentar à autoridade tributária documentos de sua escrituração comercial e fiscal. No Termo de Verificação Fiscal, os fatos que ensejariam o enquadramento da situação nos incisos citados encontramse entremeados com transcrições de diversos dispositivos legais, nem todos os quais apresentam pertinência direta com a questão do arbitramento, bem assim com extensas descrições do desenrolar do procedimento fiscal, boa parte das quais já foi aqui ao norte transcrita (relatório da decisão recorrida), falhando o fisco em demonstrar, com a devida vênia, de uma forma simples, direta e objetiva, quais foram os problemas que efetivamente levaram ao arbitramento levado a efeito. A fiscalização faz referências a "todo um contexto que não deixa à fiscalização outra alternativa", e passa a partir de então a apresentar diversas circunstâncias, dando a entender, salvo melhor juízo, que todas as observações ali registradas seriam motivo para que o lucro fosse arbitrado. Por exemplo, logo no início da exposição fiscal acerca dos "fatos que a nosso ver se subsumem a hipótese prevista na legislação de regência que ensejam o arbitramento do Lucro da empresa", já no primeiro parágrafo (TVF, fls. 86 dos autos) a fiscalização tece comentários acerca da falta de declaração de débitos em DCTF e DACON, e da falta de recolhimento de tributos, circunstâncias as quais, muito embora produzam efeitos com relação ao lançamento de ofício, não se constituem, sob qualquer ótica, em fatos que dêem ensejo ao arbitramento. Prosseguindo em seu relato, afirma a fiscalização no parágrafo 2 que a contribuinte foi intimada, por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, a apresentar, dentre outros elementos, os seguintes: "os arquivos magnéticos do Sintegra (Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com .Mercadorias e Serviços), referentes aos Fl. 8641DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 20 19 anoscalendário fiscalizados e os. livros: Diário, Razão, Registro de Saída e Entrada, Lalur, Livro Registro de Serviços Prestados, Livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Ocorrências, Livro Registro .de Duplicatas, Balanço Patrimonial e Balancetes e cópias autenticadas dos contratos sociais com as suas devidas alterações." Após registrar a concessão de prazo adicional de vinte dias ao contribuinte (parágrafo 3), informa o fisco que o contribuinte apresentara os seguintes elementos (parágrafo 4): Livro Razão n° 35 Ano:2008 Livro Diário n° 35 Ano:2008 Livro Diário n°36 Ano: 2009 Alteração contratual consolidada n° 42 e 43 Mais adiante, no parágrafo 11, registra a autoridade fiscal que o contribuinte, "não atendendo integralmente os elementos solicitados no termo anterior", levou a fiscalização a lavrar o Termo de Intimação Fiscal n° 0004, "solicitando os seguintes elementos: 1. Livro Razão 2009. (...)". De se destacar que o "termo anterior", a que se refere a autoridade fiscal, é o Termo de Intimação Fiscal n° 0003, de 10 de maio de 2012, conforme especificado no parágrafo 10, o qual nada tem a ver com a apresentação (ou falta de apresentação) do Livro Razão de 2009 (fls. 273). Nenhuma menção posterior é feita, nas 48 páginas do relatório fiscal, quer ao Livro Razão de 2009, quer a qualquer dos demais elementos citados no Termo de Início de Procedimento Fiscal, dando a entender que, presumivelmente, os mesmos não teriam sido apresentados (à exceção dos arquivos digitais referentes ao anocalendário de 2009, a respeito dos quais o TVF expressamente menciona, no parágrafo 7, que foram retidos — logo, foram apresentados). Sabendose que a falta de apresentação do Livro Razão de 2009 também seria causa de arbitramento do lucro naquele ano, por força do inciso VI do art. 530 do RIR/99 acima transcrito, é significativo que a fiscalização não tenha incluído ou sequer mencionado o referido inciso, quer nos autos de infração lavrados, quer no Termo de Verificação Fiscal. Para esclarecer a questão, pedese vênia para transcrever aqui, novamente, o seguinte parágrafo da impugnação da contribuinte, reiterado em sede de recurso: "Depois de encerrada a fiscalização, com data de 08/05/2013 foi lavrado Termo de Devolução de Documentos onde consta a devolução dos Livros Diário e Razão dos anos de 2008 e 2009, contrato social e alterações, notas fiscais de serviços e Livro de Registro de Serviços Prestados, o que comprova cabalmente que a fiscalização dispunha de todos os elementos necessários ao desenvolvimento da auditoria fiscal." De fato, às fls. 1528 dos autos, consta o Termo de Devolução de Documentos exatamente nos termos em que referido pela contribuinte. Portanto, não há dúvidas de que o Livro Razão de 2009, assim como o Livro de Registro de Serviços Prestados, foi apresentado ao fisco. Considerandose este comprovado fato com relação ao Livro Razão de 2009, aliado à ausência, no relatório da fiscalização, de uma efetiva acusação de falta de apresentação de qualquer outro dos demais livros mencionados no Termo de Início de Procedimento Fiscal, Fl. 8642DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 21 20 é lícito (e lógico) concluir que todos tenham sido apresentados à fiscalização. Reforça esta presunção o fato de a fiscalização, ao transcrever o art. 530, inciso III, do RIR/99, após a parte em que o dispositivo menciona a hipótese de o contribuinte "deixar de apresentar à autoridade tributária", ter negritado e sublinhado a expressão "documentos da escrituração comercial e fiscal", deixando em caracteres normais a expressão "os livros" (fls. 85). Neste contexto, devese ter por afastada qualquer inferência de que pudesse estar o arbitramento embasado na falta de apresentação de livros comerciais e fiscais de escrituração obrigatória, tornando sem sentido a manifestação da decisão recorrida acerca de uma "tenaz determinação da contribuinte de não apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal" (fls. 8544). Conforme dito, a falta de apresentação de livros sequer faz parte, ao menos de forma clara, da acusação fiscal. Já quanto à apresentação de documentos, conforme adiante se verá, a fiscalização apurou toda a receita da contribuinte, que submeteu ao arbitramento, justamente tendo por base os documentos apresentados pela própria fiscalizada, o que também descaracteriza a afirmação da decisão recorrida neste aspecto. Com relação aos Balanços Patrimoniais e Demonstrações do Resultado do Exercício, o contribuinte esclarece em suas peças de defesa que estes constam dos Diários apresentados ao fisco. E, de fato, às fls. 2523 e seguintes, e fls. 2338 e seguintes, respectivamente, encontramse cópias parciais dos livros Diários, contendo as referidas demonstrações financeiras dos anos de 2008 e 2009. Tendo sido apresentados ao fisco todos os livros da escrituração comercial e fiscal, assim como as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal, resta ainda analisar a hipótese de estes elementos se revelarem imprestáveis para a identificação da efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou então para a determinação do lucro real. Em que pese tenha a fiscalização tido acesso a toda a movimentação bancária da fiscalizada, por força das Requisições de Informação Sobre Movimentação Financeira (RMF) emitidas, não há qualquer alegação no sentido de que a escrituração da contribuinte não refletisse adequadamente a movimentação bancária contida nos extratos. Tanto é assim que a autuação sequer se deu com base em depósitos bancários de origem não comprovada, mas sim com base na apuração da receita com base nas notas fiscais emitidas (obtidas junto à própria fiscalizada) bem como em informações obtidas junto a terceiros clientes da fiscalizada (órgãos públicos), circunstância esta que reforça a presunção no sentido de que a escrituração contábil da fiscalizada continha/contenha a movimentação bancária. Ao analisar a derradeira hipótese para a manutenção do arbitramento, qual seja, a existência de vícios, erros ou deficiências que tornem a escrituração imprestável para determinar o lucro real, cumpre mais uma vez registrar que o Termo de Verificação Fiscal, neste aspecto, apresenta alegações vagas, imprecisas, e confusas. Senão vejamos. No parágrafo 11 do TVF, transcreve a fiscalização o quanto solicitado no Termo de Intimação Fiscal n° 0004: Fl. 8643DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 22 21 A julgar pelos termos utilizados pela autoridade fiscal, temse que o contribuinte "disponibilizou à fiscalização" os diversos contratos/aditivos ali mencionados, todos celebrados com a Prefeitura Municipal de Varginha, além do livro Razão de 2008, dando conta de supostos "recebimentos de recursos da ordem de" R$33.204.431,28, R$39.064.036,80, R$66.312.432,00, R$59.629:536,00, mas não há uma clara especificação de quando teriam ocorrido os supostos recebimentos, à exceção do primeiro valor mencionado, com relação ao qual é feita a seguinte obscura observação: "Pagamentos esses registrado em 22 de dezembro de 2008, oriundos da Prefeitura Municipal de Varginha MG." (sic) Fl. 8644DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 23 22 De fato, a redação do fisco revelase confusa e contraditória com a determinação contida no próprio referido termo de intimação para que a contribuinte apresentasse "a comprovação do recebimento dos recursos". Mais confusa ainda é a observação, também contida no mesmo termo, de que o fato de "a mesma" (em imprópria remissão a "recebimentos") estar escriturada indicaria omissão de receitas. Ademais, considerandose que somente o montante de R$33.204.431,28 foi incluído pela fiscalização entre os valores considerados como receita omitida, não se sabe o que teria acontecido com os demais valores mencionados nos diversos contratos celebrados com a Prefeitura Municipal de Varginha (R$39.064.036,80, R$66.312.432,00, R$59.629:536,00, e quais os motivos de sua não inclusão no auto de infração: (i) estariam eles escriturados, e por este motivo não seriam omissão de receita? (mas esta hipótese contrariaria o que foi feito com o montante de R$33.204.431,28, o qual, mesmo escriturado, foi considerado como omissão de receita); (ii) não estariam eles escriturados, e por este motivo não seriam omissão de receita? (hipótese ilógica e absurda); (iii) não teriam sido comprovados os recebimentos em questão, e por este motivo não constituiriam omissão de receita? (mas esta hipótese novamente contrariaria o que foi feito com o montante de R$33.204.431,28, pois este, apesar de não ter sido comprovado o seu recebimento em 22 de dezembro de 2008, conforme adiante se verá, foi considerado como receita omitida nesta data); (iv) teriam sido comprovados os recebimentos em questão, e por este motivo não constituiriam omissão de receita? (novamente, hipótese ilógica e absurda). Analisandose detidamente o Termo de Verificação Fiscal, verificase que os fator relevante para que a fiscalização considerasse como receita da fiscalizada os valores que adotou foi tão somente o fato de que teria havido "confissão extrajudicial", realizada pelo seu atual contador e procurador, no curso da fiscalização, consoante o seguinte excerto do TVF: "14 No dia 17 de julho de 2012, houve a devolução de todas as notas fiscais de prestação de serviços e de circulação de mercadorias e serviços, bem como a confissão e confirmação de todos os valores tabulados pelo órgão fiscalizador. Ainda, assim, houve a confissão do atual contador e procurador da empresa, consignando que: EU, SÉRGIO DA SILVA CARVALHO JÚNIOR, CPF 101.243.46642, COMO REPRESENTANTE E PROCURADOR DA EMPRESA DE TRANSPORTES COUTINHO LTDA, OUTORGADA PELO SENHOR JOSÉ ALBERTO COUTINHO, CPF 502.394.57668, SÓCIO DA EMPRESA TRANSPORTES COUTINHO LTDA, CNPJ 17.845.264/000149, ASSUMO QUE TODOS OS VALORES TABULADOS PELO ÓRGÃO FISCALIZADOR, ATRAVÉS DAS PLANILHAS, EM ANEXO A ESSE TERMO, RETRATAM, FIDEDIGNAMENTE, TODAS AS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, BEM COMO, AS NOTAS FISCAIS DE SAÍDA E OS CONTRATOS DE LICITAÇÃO COM OS ÓRGÃOS PÚBLICOS, NOS ANOS CALENDÁRIO DE 2008 E 2009. EM SENDO ASSIM, CONCORDO COM A DEVOLUÇÃO DE TODAS AS NOTAS FISCAIS DISPONIBILIZADAS A RFB, ESTANDO DE TOTAL ACORDO COM AS INFORMAÇÕES CONTIDAS NESSA PLANILHA." Com a devida vênia, o fato de o contribuinte, por meio do seu representante, assumir como corretos os valores das notas fiscais e dos contratos retratados nas planilhas elaboradas pelo fisco não significa, especificamente com relação ao ponto sobre o qual aqui se debate, que tenha havido qualquer reconhecimento (nem tácito nem expresso) acerca do efetivo Fl. 8645DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 24 23 recebimento, em 22/12/2008, do valor relativo ao contrato com a Prefeitura Municipal de Varginha, como, aparentemente, quer dar a entender o fisco. Em oposição às confusas alegações fiscais, o contribuinte, com objetividade, apresentou a sua defesa, nos seguintes termos: "Com a finalidade de dirimir o erro da fiscalização, a impugnante faz juntada aos autos (DOC 01) de listagens fornecidas pela Prefeitura Municipal de Varginha relacionando todos os pagamentos relativos aos anos de 2008 e 2009, dos quais a impugnante foi beneficiária, com as cópias de todas as notas fiscais de prestação de serviços emitidas contra o órgão público, indispensáveis ao recebimento dos valores devidos. Verificase imediatamente que não existe o registro do pagamento de recursos na ordem de R$ 33.204.431,28, na data de 22/12/2008, ou em qualquer outra data. Da análise das notas fiscais de prestação de serviços juntadas constatase que as mesmas citam como justificativa dos respectivos recebimentos os contratos firmados com a Prefeitura Municipal de Varginha que receberam os números 198/2007, 222/2007 e 167/2008, anexados aos autos por cópia (DOC 02). O contrato número 167/2008, que trata de exploração do serviço público de transporte coletivo urbano rural de passageiros no município de Varginha/MG mediante concessão a título oneroso, emitido de acordo com as condições estipuladas no Edital de Licitação número 104/2008 e Concorrência Pública número 005/2008, teve vigência a partir de 02/07/2008, com concessão pelo prazo de dez anos, e recebeu o Aditivo número 188/2008, com data de 22/12/2008, onde consta: "Dáse ao presente contrato o valor estimado de R$ 39.064.036,80 (trinta e nove milhões, sessenta e quatro mil, trinta e seis reais e oitenta centavos)". Portanto, o valor estimado do contrato será efetivamente recebido no prazo de dez anos, com pagamentos mensais mediante a emissão da competente nota fiscal de prestação de serviços, o que pode ser constatado nas diversas notas fiscais ora anexadas onde o recebimento está justificado pela citação do contrato 167/2008. Para terminar, vejase o que de fato consta do lançamento a fls. 165 e 272 do Razão e fls. 459 do Diário do ano de 2008, bem como de fls. do balanço patrimonial do ano de 2008, ora anexadas por cópia devidamente autenticada (DOC 03). Fezse um lançamento a débito da conta do Ativo "Clientes – Prefeitura Municipal de Varginha" (1201030001), e a crédito de "Receitas de Exercícios Futuros – Fretamento" (2301010001), na data de 22/12/2008, pelo valor de R$ 33.204.431,28, com histórico "conforme contrato". Os saldos das contas citadas também pode ser conferido no Balanço Patrimonial anexado. O lançamento efetuado é absolutamente correto, destinado ao registro de receita futura a ser auferida na execução do contrato, registrado na escrituração contábil na data em que o mesmo foi aditivado com o valor estimado a receber nos próximos dez anos." As alegações da empresa, ademais, encontramse adequadamente comprovadas, e em consonância com os mencionados documentos por ela acostados. A decisão recorrida, neste aspecto, embora reconheça que, com relação às contas contábeis envolvendo a Prefeitura Municipal de Varginha, houvesse o registro do Fl. 8646DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 25 24 montante de R$33.204.431,28 no ativo realizável a longo prazo, além do registro de mais R$3.867.800,00 no ativo circulante, em clara inovação ao feito, aduz que não "não restou comprovado que o "Fretamento" desse último valor (crédito na conta 2301010001, fl. 165 do Razão nº 35) é subconta de Receitas de Exercícios Futuros, até porque o seu plano de contas não foi apresentado, ainda que ela tenha sido instada a fazêlo no Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 165167), datado e cientificado em 16/02/2012." Afora o fato de tal observação (de que a referida conta 2301010001 poderia não ser uma subconta de Receitas de Exercícios Futuros) em nenhum momento ter sido feita pela fiscalização, há que ser vista ainda com reservas (em razão dos fatos já destacados por este relator ao norte) a afirmação da DRJ de que o plano de contas não teria sido apresentado. Que ele (plano de contas) não consta dos autos, isto é fato (ou, ao menos, não foi ele localizado por este relator nas 8623 páginas que atualmente compõe o processo), mas, que ele não tenha sido apresentado ao fisco, com a devida vênia, é algo do que não se pode ter certeza alguma. De qualquer sorte, a despeito de ressaltar a DRJ que os mencionados registros contábeis (de R$33.204.431,28 no ativo realizável a longo prazo, de R$3.867.800,00 no ativo circulante, e de R$33.204.431,28 em receitas de exercícios futuros), por motivos que em larga medida escapam à compreensão deste relator, "denotam o desapreço da contribuinte com sua escrituração", a decisão recorrida, de forma surpreendente, e, de fato, contraditória a todo o discurso que se colhe na exposição do voto proferido, acabou por determinar o cancelamento do lançamento com relação ao citado valor. De fato, o lançamento relativo ao quarto trimestre de 2008, que era de omissões de receitas de R$35.356.081,06, foi reduzido pela DRJ para R$2.649.902,74, ou seja, uma redução da ordem de R$32.706.178,32. Embora a DRJ não tenha feito uma demonstração completa e compreensiva de como chegou aos valores mantidos, com algum esforço da parte deste relator (considerando se ainda a também incompleta demonstração do fisco de como chegou aos valores lançados, e a existência de erros materiais constatados por este relator quanto à transcrição de valores entre as tabelas "1, 2, e 3+4+5", do TVF, que contém, respectivamente, as relações das notas fiscais de saídas – ICMS, das notas fiscais de saídas – ISS, e dos contratos com órgãos públicos, para a tabela de totalização dos valores a serem lançados por trimestre), é possível demonstrar que o valor mantido pela DRJ corresponde aos seguintes itens: Notas fiscais de saída – ICMS, nos valores de R$55.646,45 e R$193.302,20, nos meses de novembro e dezembro de 2008, respectivamente; Notas fiscais de saída – ISS nos valores de R$514.046,22, R$420.506,66, R$512.222,62, nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2008, respectivamente; mais o montante de R$954.178,59, que corresponde aos valores do contrato com a Prefeitura Municipal de Varginha comprovadamente recebidos no quarto trimestre de 2008, conforme fez a DRJ constar às fls. 8541, no item 'a', in fine, em excerto do voto já ao norte transcrito, relativo aos ajustes promovidos pela DRJ na base de cálculo. A soma de todos esses mencionados valores totaliza precisamente o montante de R$2.649.902,74 mantido pela DRJ. Fl. 8647DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 26 25 Neste contexto, com a devida vênia, se apresentam completamente desprovidos de qualquer lógica os argumentos da DRJ no sentido de que os registros contábeis levados a efeito pela contribuinte, com relação ao referido contrato com a Prefeitura Municipal de Varginha "conspirariam em desfavor do discurso passivo", conforme se colhe, por exemplo, nos seguintes excertos do voto da decisão recorrida, verbis: "1) referido registro contábil ocorreu em 22/12/2008, a débito da conta contábil 1201010001 (Prefeitura Municipal de Varginha) e a crédito na conta 2301010001 (Fretamento) à fl 165 do Razão nº 35. Explicitamente, à fl. 2.521 na qual encontrase o DOC 3 (CÓPIA AUTENTICADA DE FLS. 165 e 272 DO RAZÃO DE E FLS. 459 DO DIÁRIO DO ANO DE 2008), de fls. 2.5172.522. Já o lançamento à fl. 459 do Diário (fl 2.523), por coadunarse com aquele contido no Razão nº 35 (fl 2.521), também conspira a desfavor do discurso passivo; (...) Retomando, a conclusão contida naquele aditamento* de que "fica cabalmente comprovado que não ocorreu o pagamento de R$ 33.204.431,28 na data de 22/12/2008 [...]", tendo por base a planilha ali confeccionada, é vã tentativa de provar o incomprovado, dotada, inclusive, de preclusão lógica." *[NR: aditamento à impugnação] O que assoma, de todo o exposto, portanto, é que não houve de fato o recebimento de R$ 33.204.431,28 na data de 22/12/2008, conforme bem esclareceu o contribuinte, e, ademais, não restou comprovado por nenhum meio, nem em face das diligências levadas a efeito junto à Prefeitura Municipal de Varginha, nem em face da movimentação bancária da contribuinte, à qual, recordese, a fiscalização dispôs de amplo acesso. Tratandose de contratos de longo prazo com entidades governamentais, cediço que ao contribuinte é facultado o direito ao diferimento da receita na medida do seu recebimento (art. 409 do RIR/99, que dispõe que "o contribuinte poderá diferir a tributação do lucro até sua realização"). Neste contexto, apresentase justificada a escrituração em conta de resultados de exercícios futuros. Muito embora a DRJ sustente que o contribuinte deveria diferir a tributação do lucro (quando esta na verdade é uma faculdade do contribuinte), pelo menos reconheceu que os referidos contratos de fato se enquadrariam no regime do citado dispositivo, verbis: "Enfim, é bem verdade que, particularmente à Prefeitura Municipal de Varginha, tratouse de contratos de longo prazo com entidades governamentais, para os quais a contribuinte deveria legitimar o diferimento da respectiva receita, com observância do princípio contábil do emparelhamento dos custos com as receitas correspondentes (...)" Por todo o exposto é que, apesar a decisão recorrida apresentarse, neste aspecto, confusa, e de revelar inclusive a existência de uma aparente contradição entre a própria decisão e seus fundamentos, situação que poderia ensejar até mesmo a sua nulidade, fazendose uso do quanto contido no § 3º do art. 59 do Decreto 70.235/72 (PAF), em sendo possível decidir do mérito a favor do sujeito passivo, cumpre, neste quesito específico (redução Fl. 8648DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 27 26 dos valores das infrações lançadas no quarto trimestre de 2008), apenas negar provimento ao recurso de ofício. Aproveitando o ensejo em que se fala do recurso de ofício, o único outro ponto a que o mesmo diz respeito é relativo à redução dos valores das infrações lançadas no quarto trimestre de 2009, de R$10.350.193,92 para R$2.503.409,21. Neste aspecto, muito embora a DRJ não tenha declinado as razões para tal redução, é possível verificar que, no caso, se trata de crasso erro material perpetrado pelo fisco. Já aqui se mencionou acerca dos erros materiais na transposição dos valores demonstrados nas tabelas "1, 2, e 3+4+5", para a tabela de totalização dos valores a serem lançados. No caso do quarto trimestre de 2009, considerando os valores contidos nas referidas tabelas "1, 2, e 3+4+5", do TVF, terseia o seguinte valor de receita a ser lançado, considerando o somatório dos valores apresentados nessas tabelas para os meses de outubro, novembro e dezembro: R$149.397,88, referente às notas fiscais de saídas ICMS R$2.354.011,33, referente às notas fiscais de saídas ISS R$1.132.544,78, referente à Prefeitura Municipal de Varginha R$500,00, referente à Prefeitura Municipal de Cambuquira TOTAL = R$3.636.453,99 Nada obstante, a fiscalização registra como total do trimestre o montante de R$2.503.409,21, ao qual se chega somente (e com exatidão) se desconsiderados os valores referentes às duas mencionadas Prefeituras Municipais. Com isto, evidenciase (de modo exemplificativo, pois há ainda outros erros da espécie) a existência do mencionado erro material. Por fim, para coroar os desajustes da fiscalização neste aspecto, embora tenha concluído que a receita a ser tributada no quarto trimestre de 2009 seria de R$2.503.409,21, acabou por lançar o valor de R$10.350.193,92, que corresponde a nada mais, nada menos, que a soma dos valores relativos aos quatro trimestres de 2009, conforme demonstrado na referida tabela totalizadora, já impregnada esta pelos demais erros materiais mencionados. Resta evidente, portanto, que também no tocante a este quesito específico (redução dos valores das infrações lançadas no quarto trimestre de 2009), a providência correta a adotar é a de igualmente negar provimento ao recurso de ofício. A partir deste ponto, chegase à curiosa constatação de que os valores das receitas da fiscalizada apurados pela fiscalização, de posse de toda a sua escrituração e movimentação bancária, e com base nos valores das notas fiscais de saídas, e contratos com órgãos públicos, igualmente apresentados pela própria fiscalizada, uma vez depurados dos mencionados equívocos em que laborou o fisco, com relação aos últimos trimestres de cada ano, atingem o montante de R$6.536.615,58 em 2008 e de R$10.350.193,92 em 2009. Ora, tais valores são inferiores à receita reconhecida pela própria contribuinte na sua escrituração, que são de R$8.846.707,42 em 2008 e de R$12.608.206,10 em 2009! Fl. 8649DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 28 27 É neste contexto que, com a devida vênia, se entende assistir razão à contribuinte quando afirma no voluntário: "(...) de plano transparece claramente da análise dos procedimentos de fiscalização que os livros contábeis apresentados (Diário e Razão) não foram, de fato, examinados seriamente pela fiscalização, uma vez que não há nenhuma descrição circunstanciando de forma exaustiva e criteriosa os vícios insanáveis que teriam sido observados na escrituração e que pudessem justificar sua desclassificação, medida indispensável à adoção do lucro arbitrado (...)" De fato, o que se tem, no TVF, são apenas acusações vagas e imprecisas, tais como a seguinte (parágrafo 16, relativo à exposição fiscal acerca do "necessário arbitramento da base de calculo do IRPJ e da CSLL"): "16 No dia 26 de julho de/2012, o contribuinte manifestou sobre a impossibilidade de apresentar os arquivos digitais e, em consequência, os livros obrigatórios, prejudicando no todo, a contabilidade, da empresa, pois os livros apresentados não respaldavam as documentações antes apresentadas;" A declaração prestada pelo atual contador e procurador da empresa possui o seguinte teor (fls. 265): "Escritório de contabilidade Sergio da Silva Carvalho, Declara para fins de fiscalização da Empresa de Transportes Coutinho Ltda, CNPJ nº 17845264/000149, que não houve elementos SUFICIENTE, para elaboração completa do arquivo digital (CINCO) sendo assim faltando alguns elementos para que nosso sistema conseguisse realizar a perfeita geração dos arquivos nos seguintes anos 2008 e 2009," Ora, a mera impossibilidade de geração de arquivos digitais no formato exigido pela fiscalização, por si só, não é justificativa suficiente para o arbitramento do lucro da empresa, mormente no caso concreto, em que, conforme visto, todos os livros contábeis e fiscais foram apresentados ao fisco, bem como, ainda, foram também apresentados ao fisco todos os documentos com base nos quais foi apurada, pelo próprio fisco, a receita da fiscalizada. Conforme dito, seria necessário que o fisco demonstrasse, e comprovasse, objetivamente, a existência de vícios, erros ou deficiências que tornassem a escrituração imprestável para determinar o lucro real, e isto, com a devida vênia, não foi feito. Os únicos vícios que até aqui restaram demonstrados foram justamente aqueles em que incorreu o próprio fisco, já mencionados. Passase à análise do último e derradeiro motivo para o arbitramento, extraído a partir do parágrafo 25 da exposição fiscal acerca da questão, o qual possui a seguinte redação (sic): "25 No dia 28 de março de 2013, o sócio gerente, José Alberto Coutinho, cientificou, pessoalmente, o termo de constatação fiscal n° 0001, alegado por essa fiscalização que o conjunto de documentos que fora apresentado pelo contribuinte ao Órgão Fiscalizador, não respaldou, se quer, nenhuma comprovação da saída de recursos com a respectiva documentação. Ainda, ficou demonstrada a imprestabilidade dos livros fiscais, bem como a documentação e demonstrações na qual o contribuinte estava obrigado." Fl. 8650DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 29 28 Considerada a falta de clareza na exposição da questão, cumpre transcrever o teor do citado Termo de Constatação Fiscal n° 0001, para melhor compreender o que está sendo dito. Referido termo se encontra às fls. 377378, e possui a seguinte redação (sic): "No dia 15 de fevereiro de 2013, o contribuinte foi cientificado através do aviso de recebimento (AR), se manifestando, no dia 12 de março de 2013, promovendo a juntada dos documentos solicitados no termo de intimação fiscal nº 0006. Constatamos, após análise e verificação, por amostragem, que os documentos apresentados, resultaram na análise de que NENHUMA saída de recursos da conta Bancos é respaldada pela documentação apresentada. Em sendo assim, se confirma o sentimento protelatório e de total desorganização fiscal, na qual o contribuinte submete à esse Órgão no curso dessa fiscalização. Fica demonstrado, ainda, que a documentação disponibilizada pelo contribuinte ao Órgão Fiscalizador, tais como os livros contábeis, estão incompletos, prejudicando assim à apuração pelo regime de tributação optado. Em razão disso promovemos à devolução dos 24 volumes de documentos, referentes aos anoscalendário de 2008 e 2009, para que no prazo estabelecido neste, promova a elaboração da apuração de todos os livros fiscais. Reza o Art. 530 do Regulamento do Imposto de renda: (...)" Conforme antes afirmado, a princípio esta questão diria respeito apenas à exigência do imposto de renda na fonte, por pagamentos sem causa, a qual é objeto de outro processo administrativo, contudo, a fiscalização inseriu a questão no contexto dos presentes autos, na medida em que seria uma prova da imprestabilidade da escrituração. Para enfrentar a questão, com a devida vênia, novamente sirvome da objetividade da recorrente quanto à exposição do ponto: "Na planilha anexa ao Termo de Intimação número 006 constam, em 89 páginas, cerca de três mil e quinhentos (3.500) itens relativos a pagamentos que deveriam ser comprovados pela fiscalizada, com documentos que proporcionassem a indicação do beneficiário e a causa de cada um. Quanto à comprovação dos pagamentos selecionados pela fiscalização, a empresa disponibilizou os seus arquivos com os documentos necessários à comprovação dos pagamentos efetuados nos anoscalendário de 2008 e 2009, consistindo em 24 pastas, sendo 12 pastas relativas ao ano de 2008 e 12 pastas relativas ao ano de 2009, conforme consta expressamente dos autos, estando tudo regularmente contabilizado em seus livros. (...) toda a documentação foi imediatamente devolvida à empresa, sem exame, porque os documentos não estavam organizados na mesma ordem em que os pagamentos foram citados na planilha da fiscalização. (...) Para dirimir de forma cabal a dúvida de que os pagamentos não tinham comprovação, a impugnante está anexando aos autos planilha (DOC 01) onde está explicitada a comprovação da grande maioria dos pagamentos listados na planilha da Fl. 8651DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 30 29 fiscalização, dispostos em rigorosa ordem cronológica, identificandose o beneficiário e a causa do pagamento, acompanhada de uma amostragem dos documentos comprobatórios, todos retirados dos arquivos originalmente apresentados à fiscalização." O grande volume de documentos necessários à comprovação integral dos cerca de três mil e quinhentos itens que constam da planilha enviada pela fiscalização impossibilita a juntada ao processo de todos os documentos envolvidos, optandose pela anexação, por cópia, de uma amostragem desses documentos, assimilados em cor vermelha nas planilhas da empresa ora apresentadas. Os originais da totalidade dos documentos permanecem na empresa à disposição do fisco, caso os Ilustres Julgadores entendam necessária a realização de diligência através da qual os mesmos venham a ser auditados. Desde já, considerando o enorme volume itens a comprovar, a impugnante solicita alguma tolerância no sentido de permitir o aditamento da presente impugnação, no prazo máximo de noventa (90) dias, com a complementação da comprovação que se pretende e com arquivo eletrônico onde serão digitalizados todos os documentos envolvidos, de forma a facilitar a realização das diligências que os Ilustres Julgadores decidirem determinar. (...)" Nada obstante a manifestação da contribuinte acima exposta, a DRJ, neste aspecto, limitouse a, laconicamente, afirmar o seguinte: quanto à defesa de que os pagamentos selecionados pela fiscalização estariam comprovados nos documentos contidos nas "24 pastas, sendo 12 relativas ao ano de 2008 e 12 relativas ao ano de 2009”, esclareçase que a vultosa documentação apresentada, por si só, não habilitaria a comprovar o objeto contido no Termo de Intimação Fiscal nº 0006 datado em 14/02/2013 (fl. 272372), qual seja: “a saída de recursos, bem como os “pagamentos” e “entrega dos recursos”, operação e causa e beneficiário de cada operação”. Tudo isso considerandose que o tributo pertinente, IRRF, foi objeto de lançamento no processo 10660.720943/201365, embora tenha sido lugar comum no TVF;" Nenhuma menção, ou análise, sequer por amostragem, é feita com relação a qualquer um dos documentos acostados aos autos, quer com relação ao mencionado aditamento, o qual se encontra entre as fls. 2942 e 3188, quer com relação aos demais documentos e planilhas elaboradas pela contribuinte relativas à comprovação dos pagamentos efetuados, que se encontram entre as fls. 1541 e 2447. Diante de todos os elementos apresentados pela contribuinte à fiscalização e à autoridade julgadora a quo, não se afigura sob nenhuma ótica aceitável que se tome por correta a afirmação fiscal de que simplesmente "NENHUMA saída de recursos da conta Bancos é respaldada pela documentação apresentada". Significa dizer que a empresa só efetua pagamentos sem causa. Conclusão a qual chegou o fisco, registrese, de forma extremamente célere, conforme apontara a recorrente, ao afirmar que toda a documentação apresentada fora imediatamente devolvida à empresa. De fato, o próprio fisco registrou, no referido Termo de Constatação, lavrado em 28/03/2013, que o contribuinte trouxera os mencionados "24 volumes de documentos", em 12/03/2013. Fl. 8652DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 31 30 Com a devida vênia, dizer que a empresa não comprovou nenhuma saída da conta bancos é afirmação desprovida de qualquer senso de razoabilidade e coerência, dando azo a concluir, assim como o fez a recorrente, que de fato o fisco não fez análise alguma dos documentos apresentados. Entendo que caberia ao fisco demonstrar objetivamente, e de forma consistente, ao menos por amostragem embasada em suficientes e representativos exemplos, que não haveria correlação alguma entre determinados documentos apresentados e a escrituração mantida pela recorrente, mas isto em nenhum momento foi feito. Aliás, não consta da acusação fiscal nenhuma alegação no sentido de que qualquer um dos pagamentos efetuados não estivesse devidamente escriturado, circunstância esta que depõe fortemente contra a tese da imprestabilidade da escrituração da contribuinte. Vejase, ademais, que a fiscalização não procedeu a qualquer investigação no âmbito das despesas da fiscalizada. Não há uma intimação sequer a este respeito, nem qualquer acusação no sentido de que as despesas não estivessem comprovadas por documentos hábeis e idôneos. A acusação se deu apenas pela ótica dos pagamentos. Ora, ainda que a um pagamento sem causa, no mais das vezes, esteja atrelada uma despesa sem comprovação, toda a metodologia de investigação dessa irregularidade, a forma de constituição da acusação, e o próprio conjunto probatório são distintos. Basta lembrar que uma despesa pode ser considerada não comprovada independentemente de seu efetivo pagamento ou não. Assim, se todos os pagamentos estão devidamente escriturados, ou, ao menos, não consta nenhuma acusação em contrário, e tampouco nenhuma acusação ou sequer investigação foi conduzida no âmbito das despesas da fiscalizada, não há como afirmar e nem mesmo supor que a escrituração da contribuinte não representasse adequadamente as despesas por ela incorridas. Ao fim e ao cabo, portanto, temos um procedimento fiscal que, com relação às receitas da fiscalizada, incorreu em diversos erros na sua apuração, de sorte que os montantes afinal mantidos pela instâncias julgadoras se revelaram bem inferiores àqueles que a própria contribuinte reconhecera em sua escrituração, e que, no âmbito das despesas, simplesmente não conduziu qualquer efetiva investigação. Diante de tal cenário, o trabalho fiscal resta absolutamente inconsistente e carente de uma efetiva demonstração da imprestabilidade da escrituração da contribuinte, de sorte a não haver justificativas para a adoção do arbitramento como forma de apuração do lucro. Destaco que é possível chegarse a esta conclusão sem que se faça qualquer juízo de valor quanto à acusação relativa aos pagamentos tidos por sem causa, que são objeto de outro processo, conforme já mencionado, ou seja, esta conclusão independe da decisão que esta ou outra Turma de julgamento venha a tomar, se e quando vier a se defrontar com a análise do referido processo. Neste contexto, deixo de analisar os demais argumentos da fiscalizada, por não se revelarem necessários para a solução da lide. Assim, devem ser cancelados os lançamentos de IRPJ e de CSLL efetuados, em face de erro na forma de apuração adotada pelo fisco. Fl. 8653DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 32 31 A princípio, tal conclusão, por relação de causa e efeito, se propagaria também aos demais tributos aqui discutidos (PIS e COFINS). Contudo, há uma particularidade a mais a ser observada. Uma vez que as receitas da contribuinte, por serem precipuamente decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros (receitas as quais, nos termos da legislação, são submetidas à incidência das referidas contribuições em sua forma cumulativa, ou seja, a mesma forma de apuração a que são submetidas as receitas em geral das empresas sujeitas ao lucro arbitrado), poderia ser arguido, então, que haveria a possibilidade de manutenção dos lançamentos do PIS e da COFINS na forma em que efetuado. Ocorre que, para além de todos os erros de direito e erros materiais já aqui mencionados, a fiscalização incorreu em mais um erro, ao submeter as receitas da contribuinte, para o cálculo do PIS e da COFINS, à mesma periodicidade do IRPJ, ou seja, a apuração trimestral, quando, na verdade, a apuração dessas contribuições possui periodicidade mensal. Já manifestei o entendimento, em outros casos concretos, de que, sob certas circunstâncias, o lançamento dessas contribuições poderia subsistir parcialmente, apenas com relação aos últimos meses de cada trimestre, por se tratar de mero erro material (indevida inclusão, na base de cálculo do último mês, de valores que pertencem a outros meses). Contudo, diante do contexto da presente autuação, nem mesmo tal providência é possível. Isto porque não há, nem no Termo de Verificação Fiscal, nem nas tabelas que o acompanham, uma efetiva demonstração da apuração das receitas da contribuinte conforme a sua natureza, não sendo lícito presumir simplesmente que sejam todas oriundas da atividade que, nos termos da legislação, estaria sujeita à apuração daquelas contribuições na forma cumulativa. O contrato social da recorrente contém outros objetivos, que não exclusivamente o transporte coletivo de passageiros. Entendese, portanto, que qualquer tentativa de enquadramento dos lançamentos de PIS e de COFINS, na forma em que efetuados (sem a discriminação mensal e por atividade das receitas da contribuinte), em uma situação de regularidade perante a legislação tributária, ainda que parcial, constituiria patente inovação em relação à acusação fiscal. Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício, e dou provimento ao recurso voluntário, para cancelar os lançamentos efetuados, em face de erro substancial do fisco com relação ao critério jurídico adotado no lançamento (inadequada eleição da forma de apuração do lucro à qual submeteu o contribuinte fiscalizado). Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 8654DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10660.722567/201262 Acórdão n.º 1201001.400 S1C2T1 Fl. 33 32 Fl. 8655DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 12/ 04/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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