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Numero do processo: 10925.000820/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. AGROINDÚSTRIA. HIGIENE. PROTEÇÃO AO TRABALHADOR. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, nos termos delimitados pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, assim considerados aqueles que integram o custo de produção e que não são passíveis de ativação obrigatória (art. 301 do RIR/99).
Tratando-se de agroindústria que produz alimentos, há o direito ao creditamento em relação aos bens adquiridos para proteção ao trabalhador e para higiene.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA.
O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação da alíquota de 60% ou a 35% sobre o valor das mencionadas aquisições, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013.
Aplica-se retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-003.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, para reconhecer o crédito presumido em conformidade com a interpretação trazida pelo §10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, aplicando-se as alíquotas em função dos bens produzidos, e não dos insumos adquiridos antes efetuado pela fiscalização, em relação às aquisições da recorrente; b) por maioria de votos, para reconhecer o direito creditório como insumo correspondente aos seguintes bens e serviços, inclusive os itens incluídos no estoque de abertura: i) avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas, sob a rubrica "Material de Segurança"; ii) desinfetante, detergente e vassoura, sob a rubrica "Conservação e Limpeza"; iii) caixas de papelão, sob a rubrica "Material de Embalagens e Etiquetas"; e iv) lavagem de uniforme, sob a rubrica "Outros Itens". Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que negou provimento nesta parte. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido de participar do julgamento.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Assinatura Digital
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. AGROINDÚSTRIA. HIGIENE. PROTEÇÃO AO TRABALHADOR. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, nos termos delimitados pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, assim considerados aqueles que integram o custo de produção e que não são passíveis de ativação obrigatória (art. 301 do RIR/99). Tratandose de agroindústria que produz alimentos, há o direito ao creditamento em relação aos bens adquiridos para proteção ao trabalhador e para higiene. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. INTERPRETAÇÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. O montante do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é determinado mediante aplicação da alíquota de 60% ou a 35% sobre o valor das mencionadas aquisições, em função da natureza do ‘produto’ a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo nele aplicado, nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 08 20 /2 00 7- 16 Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 termos da interpretação trazida pelo artigo 8°, §10 da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n° 12.865/2013. Aplicase retroativamente ao caso concreto sob julgamento, nos termos do art. 106, I do CTN, a norma legal expressamente interpretativa. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, para reconhecer o crédito presumido em conformidade com a interpretação trazida pelo §10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, aplicandose as alíquotas em função dos bens produzidos, e não dos insumos adquiridos antes efetuado pela fiscalização, em relação às aquisições da recorrente; b) por maioria de votos, para reconhecer o direito creditório como insumo correspondente aos seguintes bens e serviços, inclusive os itens incluídos no estoque de abertura: i) avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas, sob a rubrica "Material de Segurança"; ii) desinfetante, detergente e vassoura, sob a rubrica "Conservação e Limpeza"; iii) caixas de papelão, sob a rubrica "Material de Embalagens e Etiquetas"; e iv) lavagem de uniforme, sob a rubrica "Outros Itens". Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que negou provimento nesta parte. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido de participar do julgamento. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente. Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente processo trata de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Cofins, cumulado com declaração de compensação, tendo como saldo disponível para ressarcimento o valor de R$ 5.717.687,85, referente a créditos da Cofins não cumulativa, decorrentes de operações no mercado externo do 2° trimestre de 2005. Submetido o pedido à apreciação da repartição de origem, reconheceuse parcialmente o direito creditório pleiteado, não tendo sido acatados os créditos relativos a: (i) mercadorias para revenda adquiridas de pessoas físicas, (ii) aquisições de bens e serviços não enquadrados com insumos, (iii) gastos com transporte de produtos entre filiais, classificados pela cooperativa como despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda (iv) crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais, (v) crédito presumido relativo a estoque de abertura e (vi) créditos a descontar na importação. Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10925.000820/200716 Acórdão n.º 3402003.097 S3C4T2 Fl. 1.740 3 Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese: a) em relação à glosa dos créditos referentes a mercadorias para revenda, adquiridas de pessoas físicas, houve equívoco na apropriação dos créditos; b) a necessidade de reconhecimento do crédito presumido relativo às aquisições de animais para reprodução; c) na decisão recorrida, considerouse o conceito de insumo de forma restrita, sendo que, de acordo com o art. 3° da Lei n° 10.833/2004, todas as aquisições de bens e serviços utilizados diretamente na fabricação de produtos destinados à venda gerariam direito ao crédito; d) em relação às peças de reposição de máquinas e equipamentos, existiria direito à compensação baseado na similaridade com os créditos decorrentes de depreciação de máquinas, combustíveis e lubrificantes e energia consumida, sendo anexado solução de consulta; e) em relação às aquisições de caixas de papelão e etiquetas, seria equivocada a afirmação de que esses materiais teriam sido utilizados no acondicionamento para transporte, pois o material utilizado nas embalagens teria por finalidade garantir a proteção adequada ao produto para minimizar a contaminação, prevenir danos e acomodar o rótulo; f) no que tange às aquisições de material de segurança, produtos de conservação e limpeza e bens destinados à manutenção predial, tratarseia de insumos, sendo que, no caso de equipamentos de proteção individual, eles seriam obrigatórios nos termos da NR 6 e 8; g) quanto à aquisição de ovos incubáveis, não se teria remuneração de serviço prestado por pessoa física; h) adota o modelo de produção de agroindústria integrado ou verticalizado, em que, por meio de contrato de parceria, fornece ao produtor rural lotes de matrizes poedeiras e ou reprodutores de suínos, lotes de pinto de um a dois dias de vida, assim como leitões, sendo que a parcela pertencente ao parceiro produtor, após apurada a sua participação no lote, normalmente é vendida para a empresa. A parcela recebida pelo parceiro produtor corresponde à sua quota no lote de ovos produzidos para incubação, que foi vendida a empresa, não se tratando de remuneração paga à pessoa física e sim de compra e venda de ovos para incubação. i) o frete incidente sobre as transferências de uma unidade produtora para outra unidade produtora deve ser considerado insumo de produção; j) na granja de aves são produzidos ovos, que é um produto semiacabado para o incubatório. No incubatório são produzidos pintos de um dia que é um produto semiacabado para o produtor. No estabelecimento do produtor são produzidas aves terminadas que é um produto semiacabado para o abatedor. E o processo se encerra apenas no estabelecimento industrializador, de onde sai o produto acabado para o estabelecimento comercial; k) em relação aos dispêndios com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa, para fins de comercialização, é possível o creditamento; Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 l) tanto os créditos ordinários com o os presumidos se vinculariam à forma dos créditos estabelecida pelo art. 3° das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, sendo passíveis de compensação com outros tributos, ou de ressarcimento em espécie; m) desrespeito da norma constitucional que veda a incidência das contribuições sobre as receitas de exportação; n) o crédito presumido do PIS e da Cofins constitui forma de subvenção, espécie de estímulo financeiro, para reduzi ro impacto tributário existente sobre a produção. o) no tocante às aquisições de milho inteiro e quebrado, deverseia, de igual modo, ser reconhecido o direito ao crédito presumido tendo por base o percentual de 60%, em razão de que tais insumos são destinados à alimentação de aves e suínos; p) nos termos expostos pelo Ministro José Delgado no RESP n° 1.005.598/RS, o crédito da Cofins não cumulativo deve ser calculado com base na alíquota utilizada para quantificar o débito da Cofins, isto é, 7,6%, enquanto àquelas aquisições feitas anteriormente ao período sob análise, deve ser apropriado o crédito de 3%, em consonância com o que dispunha a legislação da Cofins cumulativa. A DRJ Florianóplis/SC julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não cumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores, aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO. Despesas efetuadas com o fornecimento equipamentos de proteção aos empregados, adquiridos de outras pessoas jurídicas ou fornecido pela própria empresa, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10925.000820/200716 Acórdão n.º 3402003.097 S3C4T2 Fl. 1.741 5 o PIS/Pasep e da Cofins, por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados, consumidos ou daqueles que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida no processo de fabricação ou na produção de bens destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM PEÇAS DIVERSAS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. As peças para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser aproveitados como dedução da própria contribuição devida em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue o seu ressarcimento. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. As alíquotas para o cálculo do crédito presumido sobre o estoque existente em 31 de julho de 2004 são de 0,65% para a Contribuição para o PIS/PASEP e de 3% para a Cofins. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide atualização monetária sobre créditos de COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP objeto de ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada dessa decisão em 02/08/2010, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/08/2010, alegando, em síntese: A) AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA: De fato, a recorrente adquiriu suínos reprodutores de pessoas físicas, tendo, equivocadamente, apropriado crédito ordinário de PIS e COFINS, no percentual de 9,25%. Todavia, as aquisições de mencionados bens (suínos reprodutores), não se destinam a revenda e sim para a reprodução de animais, conforme provam os documentos acostados, gerando, nos termos do art. 8° da Lei n° 10.925/04, o crédito presumido do PIS e da Cofins. Assim, devese reconhecer o direito ao crédito presumido sobre as referidas aquisições. B) BENS E SERVIÇOS NÃO ENQUADRÁVEIS COMO INSUMOS: Insurgese a recorrente em face da interpretação restrita do conceito de insumos da decisão recorrida, contestando algumas glosas em caráter específico. C) DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA A simples análise do contido no conhecimento de frete demonstra o equívoco da autoridade fiscal em desconsiderar os fretes sobre vendas, merecendo, portanto reforma a decisão recorrida, para determinar a inclusão dos mesmos na base de cálculo do crédito. De outro vértice, ainda que se tratasse de frete entre estabelecimentos da mesma empresa, tratarseia de etapa essencial à atividade econômica da pessoa jurídica, em razão da adoção do sistema verticalizado de produção, que vai desde a produção de ovos e leitões, passando pelo abate e a industrialização dos produtos derivados de aves e suínos até a comercialização dos produtos finais. Assim, o frete entre estabelecimentos produtores da mesma empresa, deve receber o tratamento de insumo de produção. De outro vértice, no que se refere aos dispêndios com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, para fins de comercialização, como, por exemplo, frete sobre a transferência de produtos acabados do estabelecimento industrial para a filial comercial, de igual modo é permitido o aproveitamento do crédito. Por fim, parece não haver dúvidas de que os valores relativos aos fretes sobre as transferências de um estabelecimento para outro, para fins de comercialização ou armazenagem, compõem o custo efetivo da mercadoria, ainda que para fins contábeis existam regras próprias para a sua contabilização. Portanto, merece reforma a r. decisão recorrida que negou a totalidade do direito ao crédito sobre os fretes, sejam eles sobre a venda efetiva de mercadorias, seja sobre as transferências entre estabelecimentos da mesma empresa para fins de comercialização e ou até mesmo de produção. D) CRÉDITO PRESUMIDO — ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS: Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10925.000820/200716 Acórdão n.º 3402003.097 S3C4T2 Fl. 1.742 7 Tanto os créditos ordinários como os presumidos vinculamse à forma dos créditos estabelecida pelo artigo 3º de ambas as leis, e por isso mesmo passível de compensação com outros tributos administrados pela SRF, ou de ressarcimento em espécie. O crédito presumido hoje delineado pelo artigo 8° da Lei n° 10.925/2004 vinculase igualmente ao inciso" do artigo 3° daquelas leis (10.833/2003 e 10.637/2002), por isso passível de compensação ou ressarcimento, além das próprias IN/SRF disporem sobre estas possibilidades a todos os "custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior", onde, a toda evidência, os créditos presumidos que se objetiva recuperar representam nada mais do que um custo que onerou os bens adquiridos como insumos utilizados na fabricação dos produtos exportados. De outro lado, o crédito presumido do PIS e da COFINS, constitui uma forma de subvenção, que é definida pelo artigo 12, § 3°, da Lei 4.320, de 17 de março de 1964. Assim, o crédito presumido do PIS e da COFINS constitui espécie de estímulo financeiro, para reduzir o impacto tributário existente sobre a produção. A previsão de que o aproveitamento da subvenção pode ser efetuado via compensação não dispensa o particular de formalizar o seu direito mediante a apresentação de requerimento de ressarcimento à autoridade competente. Observado esse procedimento, o particular poderá efetuar a autocompensação, devidamente formalizada por meio da declaração de compensação, ou formular pedido de compensação, que será efetuada, portanto, pela autoridade administrativa competente. Por derradeiro, a norma prevê o pagamento (restituição) como forma de ressarcimento. Embora não esteja prevista expressamente no texto do artigo 8° da Lei n° 10.925/04, há que se reconhecer esta forma em relação ao crédito presumido do PIS/COFINS não cumulativos. Portanto, merece reforma decisão recorrida que negou o ressarcimento do crédito presumido na proporção da receita de exportação. Merece reforma também a decisão recorrida no que se refere à aplicação do percentual de 35% sobre os insumos adquiridos como milho, milho quebrado, suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate. É equivocada, essa decisão, no mínimo, em relação às aquisições de suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate. Nos termos do contido no art. 8° da Lei n° 10.925/04, em relação às aquisições de suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate, o percentual estabelecido é de 60% sobre o valor da aquisição, tendo por base a alíquota de 7,6%. A simples leitura da norma evidencia com clareza solar o direito ao crédito presumido no percentual de 60% sobre o valor das aquisições, pois a recorrente produz as mercadorias de origem animal, destinadas a alimentação humana, classificadas na Tipi na posição 02. Isto é incontestável. A própria manifestação dos órgãos fazendários reconhece o crédito, consoante a seguinte se verifica na SOLUÇÃO CONSULTA N° 39, de 27 de abril de 2006, aplicável ao caso presente, mutatis mutandis. Assim, não pode prosperar a decisão que limitou o crédito presumido no percentual de 35% sobre as aquisições de mercadorias de origem animal (posição 02 da Tipi), destinadas a alimentação humana. Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 No que se refere ao crédito presumido sobre as aquisições de milho inteiro e quebrado, deve, de igual modo, ser reconhecido o direito ao crédito presumido tendo por base o percentual de 60%, em razão de que tais insumos são destinados à alimentação de aves e suínos. E) CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO ESTOQUE DE ABERTURA Em relação aos itens que teriam sido incluídos no estoque e que não se enquadrariam como insumo, reiterase as razões do inconformismo declinadas no tópico denominado BENS E SERVIÇOS NÃO ENQUADRÁVEIS COMO INSUMOS, acima, como se aqui transcritas estivessem, por tratar da mesma matéria, já que tanto lá quanto aqui os itens não reconhecidos como insumos, são os mesmos. No que diz respeito ao percentual de crédito presumido sobre o estoque de abertura, qual seja, de 7,6% sobre o valor do estoque existente em 31/07/04 como julga correto a recorrente ou de apenas 3%, como julga a r. decisão recorrida, com a devida vênia, merece reforma a r. decisão recorrida, pois eivada de equívocos. Após 01/02/04, data da vigência da Lei n° 10.833/03, o crédito da COFINS não cumulativa deverá ser calculado com base na alíquota utilizada para quantificar o débito da COF1NS, isto é, 7,60% enquanto àquelas aquisições feitas anteriormente ao período acima, deve ser apropriado o crédito de 3%, em consonância com o que dispunha a legislação da COFINS cumulativa. F) CRÉDITOS A DESCONTAR — COFINS PAGA: A r. decisão recorrida glosou valores, em razão de que requerente importou bens através do regime aduaneiro DRAWBACK, com suspensão da COFINS, tendo, entretanto, apropriado crédito, contrariando disposição contida na Lei n° 10.865/04, art. 15, §1°, que autoriza a apropriação do crédito apenas quanto aos valores efetivamente pagos, o que não seria o caso de importações amparadas pelo DRAWBACK. Entretanto, a divergência entre os valores solicitados e os reconhecidos pela autoridade fiscal, reside noutra situação de fato. Nos meses de janeiro a março de 2005, a recorrente, por motivo ignorado, deixou de incluir no pedido de ressarcimento, a totalidade das DI's registradas no referido período. A totalidade das DI's, por ocasião da apreciação do pedido de ressarcimento referido, também não foram computadas pela autoridade fiscal. Prova o alegado o decisório acostado, referente ao 1° trimestre de 2005. Assim, devese incluir no cálculo os valores correspondentes às DI's não lançadas no período, uma vez que não foram computadas nos meses do registro das mesmas, não fora objeto de pedido de ressarcimento nos meses referidos, bem assim não tratam de importações suspensas do tributo. Mediante o Acórdão nº 380302.058, de 07 de outubro de 2011, a 3ª Turma Especial não conheceu do recurso, por se tratar de valor superior ao limite de alçada das turmas especiais do CARF. Neste Colegiado, o julgamento foi convertido em diligência, mediante a Resolução nº 3402000.485, de 25 de outubro de 2012, para que a Unidade de Origem esclarecesse as seguintes questões: Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10925.000820/200716 Acórdão n.º 3402003.097 S3C4T2 Fl. 1.743 9 a) Os materiais de limpeza foram utilizados na área fabril da sociedade? b) Os serviços de pintura e de construção civil foram realizados no estabelecimento fabril? A compra de argamassa, calcáreo, tintas, tomadas, torneiras e de concreto usinado foram para o estabelecimento fabril? A autoridade fiscal, por intermédio da INFORMAÇÃO FISCAL SAORT 20120314 CCV, esclareceu que: (...) Em relação ao primeiro questionamento, a interessada esclarece, em síntese, que os gastos com manutenção e materiais de limpeza foram utilizados na área produtiva das unidades industriais, tratandose de gastos necessários para o controle sanitário dos alimentos, vizando inclusive a segurança e qualidade dos mesmos, evitando o descarte do produto devido a contaminação. A contribuinte limitouse a relacionar algumas notas fiscais relativas a aquisição de vassouras, detergente e desinfetante (fls.978 a 1177), sem fazer referência a qualquer outro produto ou serviço. Relativamente aos detergentes e desinfetantes e/ou preparados para lavagem classificados na posição NBM (3402.9090), inobstante a interessada alegue que tenham sido utilizados no estabelecimento fabril, nas amostragem de Notas fiscais enviadas foram destinados as instalações rurais granja situada na estr. Chapecó/Guatambu. Km.1 — linha Tomazzelli — Neste sentido, encontramse as Notas Fiscais abaixo relacionadas: (...) Relativamente a manutenção predial e os serviços de pintura e de construção civil, assevera a interessada que foram realizados no estabelecimento fabril. Todavia, pela pequena amostragem trazida pela reclamante tal fato não se confirma por inteiro. De acordo com o contido nas Notas fiscais abaixo relacionadas, os materiais ou serviços relativos à construção civil foram efetuados na granja, estabelecimento não industrial, localizados no interior do município de Chapecó — Estrada Geral Chapecci/Guatambu. Km.1, Linha Tomazelli. Devendose tratar, portanto de reformas ampliações de instalações rurais. (...) No entanto, ainda que aplicados nos estabelecimentos industriais este fato por si não implica no reconhecimento de que os valores aplicados dão direito ao crédito de Pis e Cofins não cumulativo. Com efeito, em se tratando de serviços de pintura em instalações conforme descrito nas notas ficais que descrevem estes serviços, implicam em reforma e ampliações até porque tem previsão de serem consumos em mais de doze meses, fato que implica em imobilização para futura depreciação. Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 Na mesma toada, estaria a aquisição de concreto usinado, argamassa, azulejo, cimento, areia, utilizados na edificação de instalações ou melhorias e reformas, portanto despesa ativável, de acordo com os manuais da técnica contábil e fiscal. Também, devem ser ativados os gastos com: joelho soldável, tubo ABB soldável, joelho soldável, bucha, sifão, por caracterizarem gastos com reformas ou ampliações. As obras em imóvel quando realizadas com aquisição de materiais, que pela sua natureza afastam a hipótese de simples reparo, implicam sua imobilização, sendo irrelevante o valor de cada unidade se o bem adquirido, na prestação de sua utilidade, deixar de conservar sua individualidade. Neste sentido, os dispêndios retro mencionados deixam de ser contabilizados como despesas para caracterizarem imobilização de patrimônio, passando a gerar crédito para dedução do Pis, à medida que venha a ser efetuada a depreciação futura. (...) Por fim, esclarece que o produto "calcáreo" teria sido utilizado como condimento na fabricação de ração para aves e suínos. No entanto, tais insumos, descritos nas notas fiscais de fls.1336 a 1421, estão taxados a aliquota zero. Com efeito, o "calcáreo moído" da posição NBM 2521.00.00 (CASTINAS; PEDRAS CALCARIAS UTILIZADAS NA FABRICAÇÃO DE CAL OU DE CIMENTO — Nota explicativa da posição 2521 da NBM), classificase como "corretivo de solo", estando contemplado, portando nas disposições do art. 1 9, inciso IV da Lei nº 10925/2004 e por esta razão também não dão direito a crédito das contribuições Pis e Cofins—.não cumulativo. (...) A interessada manifestouse em face da diligência, nos seguintes termos: (...) No que diz respeito as aquisições de materiais para manutenção predial, tais como a argamassa, o calcário, as tintas, tomadas, torneiras e concreto usinado, foram de fato aplicados em estabelecimentos industriais, comprovados pela alocação de referidos gastos nos centros de custos específicos dos estabelecimentos fabris (vide documentos fiscais e contábeis anexados no atendimento da Intimação SAORT20120335 CCV); vale ressaltar que estes gastos são indispensáveis para a conservação e manutenção das instalações e desta forma não impactam em aumento da vida útil dos bens. Pode ser dito o mesmo em relação aos itens de consumo industrial e serviços relacionados a limpeza e manutenção cível das instalações industriais, são todos aplicados aos custos: lavagem e desinfecção das instalações, das máquinas e equipamentos industriais, lavanderia industrial (lavagem dos uniformes utilizados pelos trabalhadores que atuam no processo produtivo). Foram contabilizados na conta de estoques, em centros de custos específicos. E para demonstrar a natureza dos gastos no atendimento da Intimação SAORT20120389CCV, Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10925.000820/200716 Acórdão n.º 3402003.097 S3C4T2 Fl. 1.744 11 por amostragem juntouse notas fiscais de serviços e produtos utilizados no processo produtivo. De outro lado, não procede a informação de que diversas notas fiscais foram destinadas a granja tomazzelli e não para o estabelecimento industrial. As notas fiscais relacionadas comprovam que foram destinadas ao estabelecimento industrial, conforme CNPJ. Além disso, o endereço constante nas mesmas, de fato, há equivoco, pois consta o mesmo endereço da implantação da unidade industrial, que na época, era apenas uma estrada que ligava Chapecó a Guatambu, na linha Tomazzelli, mas que hoje é um bairro. Portanto, não se pode presumir que um simples equívoco no endereço seja prova cabal de que o insumo foi destinado a outro estabelecimento. Assim, tendo a autoridade fiscal respondido aos questionamentos de forma subjetiva, não merecem prosperar as alegações ali lançadas, devendo o E. Conselho, atentar para as informações prestadas pela ora intimada, as quais foram protocoladas em 06/11/2013. (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. A) AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA: Sobre a possibilidade de se reconhecer o crédito presumido nas aquisições, de pessoas físicas, de suínos reprodutores, cujos créditos básicos foram glosados, entendeu o julgador de primeira instância que não se poderia "incluir os valores glosados como crédito presumido de atividades agroindustriais, pois é condição para o creditamento que o contribuinte informe no Dacon todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições", nos termos do art. 21 a 23 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004: Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica domiciliado no exterior, com pagamento em moeda conversível, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, que não puderem ser deduzidos na forma do inciso I do § 1° do art. 5° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso I do § 1° do art. 6° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 vincendos, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. Art. 22. Poderão ser objeto de ressarcimento os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o art. 21 que, ao final de um trimestre do ano civil, remanescerem na escrita contábil da pessoa jurídica após efetuadas as deduções e compensações cabíveis. § 1° O ressarcimento de que trata o caput será requerido à SRF, conforme o caso, mediante o formulário Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, constante do Anexo II, ou do formulário Pedido de Ressarcimento de Créditos da Cofins, constante do Anexo III. § 2° Os créditos a que se refere o art. 21 somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF após a entrega pela pessoa jurídica do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) do trimestrecalendário de apuração. Art. 23. O crédito presumido de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins, correspondente ao estoque de abertura de que trata o art. 11 da Lei n 2 10.637, de 2002, e o art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003, poderá ser utilizado na forma prevista nos arts. 21 e 22, observado o percentual entre o valor das receitas previstas no art. 21 e o somatório destas receitas com as decorrentes de vendas e de prestação de serviços sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa. (grifo nosso). Sobre essa restrição ao ressarcimento do crédito presumido prevista na legislação tributária, a recorrente nada mencionou, nada trazendo aos autos de elemento modificativo ou extintivo a essa parte da decisão recorrida, a qual deve, então, ser mantida, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art. 42, parágrafo único do Decreto nº 70.235/72. No sentido de que o pedido de reconhecimento de crédito básico não pode ser transformado em pleito relativo ao crédito presumido, especialmente, quando não informado no Dacon, foi decidido no processo nº 10925.000822/200705 em face da própria recorrente: Acórdão nº 340101.716 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de fevereiro de 2012 Recorrente: COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE Relator: Odassi Guerzoni Filho Relator ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIAS. INDICAÇÃO NO DACON. A postulação de créditos originados de aquisições de insumos junto a pessoas físicas não pode ser convolada em pedido de reconhecimento do crédito presumido da contribuição que é facultado às agroindústrias, mormente se não foi feita a correta indicação no Dacon. (...) Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10925.000820/200716 Acórdão n.º 3402003.097 S3C4T2 Fl. 1.745 13 B) BENS E SERVIÇOS NÃO ENQUADRÁVEIS COMO INSUMOS: Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656 (julgado em 28/11/2013, Relator Rosaldo Trevisan), cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (...) A tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 integrarem o custo de produção, esse critério oferece maior segurança jurídica tanto ao Fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este Colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. No caso concreto, as glosas da fiscalização foram assim descritas no TERMO DE VERIFICAÇÃO E ENCERRAMENTO DA ANÁLISE FISCAL: a) Material de uso geral: Arruela, mangueira, rodinho, chave Allen, chave boca, chave fenda, lâmpadas, parafuso Allen, parafuso bucha, parati.sext, porca inox, retentor, rolamento, tubo galvanizado, tubo PVC, e etc; b) Material de Embalagens e Etiquetas: caixas de papelão e etiquetas de uso interno. Em diligência a empresa, no dia 08 de dezembro de 2008, verificouse que as embalagens apresentadas como cx's, são utilizadas no acondicionamento para transportes das mercadorias. c) Peças de reposição e serviços gerais: Peças para máquinas e equipamentos, peça de manutenção, peças e serviços torno, serviço de conserto de equipamento, serviço de lavação de roupas, serviço de locação de guindaste, serviço de manutenção máquinas, serviço em peças, serviço instalação de equipamento, e etc; d) Material de Segurança: Avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, meia, protetor auricular, protetor facial, compras de botas sete léguas, e etc; 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10925.000820/200716 Acórdão n.º 3402003.097 S3C4T2 Fl. 1.746 15 e) Conservação e limpeza: Desinfetante, detergente, vassouras, serviço de ajardinamento e limpeza, serviço de conserto de bens móveis, serviço de lavanderia e etc. f) Manutenção predial: argamassa, calcáreo, tintas, tomadas, torneira, compra de concreto usinado, serviço de pintura, serviço construção civil, e etc; g) Ovos incubáveis: serviços adquiridos de Pessoas Físicas, em desacordo com a legislação, conforme item 2.1.2; h) Outros itens: Lavagem de uniforme, cimento, conserto de lava jato, pintura, e etc; Cabe aqui analisar, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, apenas aquelas glosas que foram objeto de contestação específica pela recorrente, em conformidade com o conceito de insumo adotado neste Voto. Argumenta a recorrente que gerariam direito ao crédito as peças de reposição destinadas a troca de elementos das máquinas que se desgastam no processo industrial, ainda que não venham integrar o produto final. Conforme já esclarecido, este Colegiado não adota o entendimento de que insumo para creditamento do PIS/Cofins seguiria a legislação do IPI, mas de que seriam todos os bens e serviços utilizados que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente. No entanto, a recorrente não trouxe aos autos maiores detalhes acerca das referidas peças de reposição, nem tampouco a comprovação de que elas integrariam alguma máquina ou equipamento essencial ao seu processo produtivo. Pelo que a glosa correspondente a peças de reposição deve ser mantida. Prossegue a recorrente no sentido de que o mesmo raciocínio seria válido em relação aos demais insumos, como por exemplo, o avental plástico, bota de borracha, camisa, camiseta impermeável, calça proteção, desinfetante, creme protetor microbiológico, detergentes, lenha de eucalipto, luva, óleos lubrificantes, papel toalha, peças para máquinas, protetor auricular, correias industriais, desinfetantes, detergentes, vassouras, serviço de ajardinamento e limpeza, serviço de bens móveis, que a despeito de não comporem o produto final (como é também o caso energia elétrica), se desgastam ou são consumidos no processo produtivo. Com relação aos equipamentos de proteção individual, necessários à proteção do trabalhador, consideroos essenciais ao processo produtivo, sendo cabível direito creditório correspondente. No caso concreto, à mingua de provas adicionais, a cargo da recorrente, do enquadramento dos bens no conceito de insumo exposto neste Voto, utilizando se o senso comum para produtos desta natureza, devem ser revertidas as glosas relativas às aquisições dos seguintes itens sob a rubrica de "Material de segurança": avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas. Relativamente aos materiais de higiene, também utilizandose o senso comum para uma agroindústria que produz alimentos, devem ser revertidas as glosas relativas às aquisições dos seguintes itens de "Conservação e Limpeza": desinfetante, detergente e Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 16 vassoura, eis que tais bens são essenciais e/ou obrigatórios na atividade produtiva (rural ou industrial) da recorrente e, portanto, são passíveis de creditamento das contribuições. Nesse mesmo sentido já foi decidido para a recorrente em outro processo, mediante o Acórdão nº 3401002.675, de 24 de julho de 2014, conforme trecho do Voto do Relator JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA abaixo: (...) 1.3.5 Conservação e limpeza Nesse item, foi glosado o seguinte: desinfetante, detergente, vassouras, serviços de ajardinamento e limpeza, serviço de conserto de bens móveis, serviço de lavanderia etc. Considerando que a atividade da Recorrente envolve a produção de alimentos, é intuitivo que a higiene do local seja essencial, pois, se não fosse assim, certamente a linha de produção seria lacrada na primeira fiscalização dos órgãos competentes. Desse modo, seguindo a linha da essencialidade e considerando a atividade da empresa, in casu, deve ser reconhecido o direito creditório em relação à aquisição de material para limpeza: desinfetante, detergente e vassoura. Por outro lado, não vejo essencialidade no tocante aos serviços de ajardinamento, serviço de conserto de bens móveis e lavanderia, de modo que devem ser canceladas somente as glosas referentes à aquisição de desinfetante, detergente e vassoura. (...) Com relação ao material de embalagem, entendo que pode ser considerado como insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas desde que não seja um bem ativável, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. Nesse sentido, já foi decidido por esta 3ª Seção, conforme demonstra abaixo parte do Voto Vencedor da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão nº 3302001.858 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (...) Após análise dos autos constato que o único item possível para o crédito do PIS e COFINS não cumulativo tratase da embalagem para transporte. Em relação a este item, ouso divergir do parecer apresentado pelo ilustre Conselheiro Relator. Pareceme claro que a embalagem de transporte é UTILIZADO no processo produtivo (isso porque entendo que a produção alcança até este momento, apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda), é INDISPENSÁVEL e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está RELACIONADO à atividade da Recorrente. (...) Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10925.000820/200716 Acórdão n.º 3402003.097 S3C4T2 Fl. 1.747 17 Assim, entendo que devem ser excluídas as glosas de relativas às caixas de papelão utilizadas como embalagens, sob a rubrica "Material de Embalagens e Etiquetas". De outra parte, diante da ausência de provas sobre a forma de utilização das "etiquetas de uso interno", o creditamento correspondente não pode ser concedido. Com relação à "Manutenção predial", não se vislumbra possibilidade de creditamento em face da ausência de comprovação, a cargo da recorrente, de essencialidade na sua atividade produtiva. As despesas de manutenção de imóvel, seja em unidade fabril ou administrativa, em sentido geral, salvo comprovação em contrário, são alheias à atividade de produção de alimentos. Acerca dos "Ovos Incubáveis", glosados por se tratarem de "serviços adquiridos de Pessoas Físicas, em desacordo com a legislação", alega a recorrente que não se trataria de serviços prestados por pessoa física, mas de aquisição de ovos do Matrizeiro, da parcela de 12% que lhe cabe do total de ovos produzidos2, razão pela qual faria jus ao crédito presumido da agroindústria na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Esclarece que adotou um modelo de produção verticalizado, pelo qual fornece ao produtor rural matrizes poedeiras, bem como assistência técnica, ração e medicamentos necessários, para o produtor rural cuidar dessas matrizes até a fase anterior à incubação dos ovos. Nesse modelo de integração, a pessoa física participa com as instalações, água, luz, mãodeobra para alimentação e manutenção do lote de animais recebidos e, como pagamento, recebe uma parcela do que foi produzido (no caso, os ovos incubáveis), essa parcela normalmente é vendida para a própria empresa. Verificase que realmente a compra pela contribuinte de ovos incubáveis do Matrizeiro está prevista no contrato de parceria, de forma que, somente para os casos específicos de aquisição, comprovada nos autos pela contribuinte, dos ovos incubáveis, haveria, em tese, o direito de apropriação de crédito presumido calculado com base nessas aquisições, na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. No entanto, conforme se explanará mais adiante, o crédito presumido somente poderia ser utilizado para dedução e não para ressarcimento. Além do que, o pedido original da contribuinte havia sido do crédito básico, legitimamente glosado pela fiscalização, não se podendo, em sede de recurso voluntário, considerar a inovação do pedido original, sem a apresentação obrigatória de requerimento por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Assim, entendo que devem ser mantidas as glosas de crédito básico relativas a ovos incubáveis e indeferido o pedido de ressarcimento do crédito presumido correspondente. 2 INSTRUMENTO PARTICULAR DE PARCERIA PARA FORNECIMENTO DE OVOS PARA INCUBAÇÃO CLAUSULA QUINTA Efetivada a produção dos ovos pelo MATRIZEIRO, comprometese este em disponibilizar, diariamente, à PARCEIRA o volume total de ovos produzidos a esta pertencente, ou seja, 88% (oitenta e oito por çento) da produção, devidamente, classificados de acordo com orientação do departamento técnico da segunda, bem como, a totalidade das aves em produção no dia do descarte do lote; PARÁGRAFO PRIMEIRO Em relação ao percentual de 12% (doze por cento) dos ovos produzidos, de propriedade do MATRIZEIRO, comprometese este em dar à PARCEIRA preferência na sua compra, cujas condições serão dispostas em documento especifico; Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 18 Relativamente às aquisições de "Outros itens" glosadas (Lavagem de uniforme, cimento, conserto de lava jato, pintura, etc.), por se tratar de indústria de alimentos, na qual a higiene é imprescindível, verificase que o serviço de "lavagem de uniforme" é essencial à atividade produtiva da recorrente. Desta forma, neste tópico, entendo que ser revertidas as seguintes glosas, em face do enquadramento no conceito de insumo adotado neste Voto, para conferir o direito ao creditamento da contribuição não cumulativa relativamente aos seguintes bens e serviços: i) avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, protetor auricular, protetor facial e botas sete léguas, sob a rubrica "Material de Segurança"; ii) desinfetante, detergente e vassoura, sob a rubrica "Conservação e Limpeza"; iii) caixas de papelão, sob a rubrica "Material de Embalagens e Etiquetas"; e iv) lavagem de uniforme, sob a rubrica "Outros Itens". Com relação aos demais itens, as glosas correspondentes devem ser mantidas, por ausência de prova de enquadramento no conceito de insumo adotado neste Voto ou por falta de contestação específica, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72. C) DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA Conforme consta no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal, as glosas sobre fretes foram assim motivadas: 2.2.3. Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda O inciso IX do artigo 3°. da Lei n° 10.833/2003, autoriza o creditamento sobre armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, incorridos no mês, que assim dispõe: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor; Entretanto, conforme memória de cálculo apresentada pela requerente, as notas fiscais que compõem a despesas de frete de vendas, na verdade, tratase de gastos com transporte de produtos nas transferência entre filiais (ProduçãoVendas), portanto, não integram a "operação de venda". Na verdade, tratase de despesas operacionais que não geram direito ao crédito PIS/COFINS nãocumulativo por falta de expressa previsão legal. A partir dessa definição, aplicável às despesas que não podem ser classificadas como de armazenagem e/ou frete na operação de venda, não ensejando, portanto, direito a crédito, impondose desta forma a glosa. O total subtraído, por esse critério, do valor da linha 07 das fichas 4 e 6 da DACON, e que se refere às notas fiscais de entradas, conforme Anexo III, foi, no trimestre, de R$ Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10925.000820/200716 Acórdão n.º 3402003.097 S3C4T2 Fl. 1.748 19 9.362.626,73 (Nove milhões trezentos e sessenta e dois mil seiscentos e vinte e seis reais e setenta e três centavos). (...) O julgador de primeira instância manteve as glosas de frete por ausência de previsão legal, esclarecendo que a manifestante, que tinha o ônus da prova do seu direito, não vinculou os documentos acostados às glosas de fretes da fiscalização: Em relação às alegações do sujeito passivo referentes à natureza dos fretes contratados, saliento a posição adotada em relação ao ônus probatório em processos de compensação, restituição e ressarcimento, esclarecida no item 1.1 deste voto. O contribuinte, no caso em tela, limitouse a anexar uma variedade de documentos, a título exemplificativo, argumentando que se referem a fretes de vendas a clientes, fretes entre o estabelecimento produtor para outro estabelecimento produtor da mesma empresa e frete entre estabelecimento de produtor para estabelecimento comercial, sem vincular qualquer destes documentos com as glosas efetuadas pela autoridade fiscal. Como já explicitado, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Na realidade, resta claro que o requerente entende que quaisquer despesas com fretes, sejam fretes de produtos acabados destinados a venda, sejam entre seus estabelecimentos, concedem direito a crédito, pois as considera insumos da produção. E procedeu com apuração de seus créditos da forma que entende. A recorrente, no recurso voluntário, não se pronunciou sobre a ausência de provas para a comprovação do seu direito mencionada na decisão recorrida. Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 20 No que concerne ao serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento das contribuições não cumulativas i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3o, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como sobre despesas com iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Assim, neste caso concreto, somente se vislumbraria o creditamento dos fretes entre os estabelecimentos da recorrente (item "iv" acima) se fossem de insumos ou produtos inacabados, mas não há nos autos elementos que conduzam a esse entendimento, pelo contrário, tratamse de fretes de produtos acabados ("FRETE SOBRE BENS PARA REVENDA"), sobre os quais a contribuinte pretendia o creditamento como uma etapa da operação de venda (item "ii" acima). O transporte de produto acabado entre os estabelecimentos da recorrente ou até determinado ponto para comercialização ou exportação, depois de concluído o processo produtivo, que não se refere ao frete na operação de venda (transporte do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente) não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas de creditamento acima mencionadas. Nesse sentido, já foi decidido no Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012. No caso, tratase de serviço anterior ao frete na operação de venda, que o viabiliza, podendo ser caracterizado como uma despesa com vendas, para a qual não há previsão legal de creditamento. D) CRÉDITO PRESUMIDO — ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS: Requer a recorrente a reforma da decisão recorrida que negou o ressarcimento do crédito presumido na proporção da receita de exportação, vez que, a seu ver, tanto os créditos ordinários como os presumidos vincularseiam à forma dos créditos estabelecida pelo artigo 3º de ambas as leis, e, por isso mesmo, seriam passíveis de compensação com outros tributos administrados pela SRF, ou de ressarcimento em espécie. No entanto, não há qualquer reforma a se fazer na decisão recorrida na parte em que entendeu incabível o ressarcimento ou compensação com outros débitos da recorrente do crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. O crédito presumido da agroindústria estava previsto originariamente nos §§ 10 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, portanto, no caso de exportação, gozava nessa época do benefício da tríplice forma de aproveitamento. Ocorre que o crédito presumido previsto nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 foi expressamente revogado a partir de agosto de 2004 pelo art. 16, I, "a" e “b”, da Lei nº 10.925/2004, passando a constar dos arts. 8º e 15 dessa mesma lei. De forma que, por opção do legislador ordinário, passouse a restringir o aproveitamento do crédito presumido da Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10925.000820/200716 Acórdão n.º 3402003.097 S3C4T2 Fl. 1.749 21 agroindústria apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, nos termos do art. 8° da lei n° 10.925/2004, ou seja, decorrentes de atividades agroindustriais, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. [grifos da Relatora] Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, cuja ementa segue abaixo, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições": 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2006.72.00.0078654/SC Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 22 RELATORA : Juíza VÂNIA HACK DE ALMEIDA EMENTA: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ARTS. 8º E 15 DA LEI N.º 10.925/04. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO. NORMAS INFRALEGAIS. 1. Os artigos 17 da Lei n.º 11.033/2004 e 16 da Lei n.º 11.116/2005 tratam de saldos credores do PIS e da COFINS apurados na forma do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, de créditos gerados a partir da sistemática da não cumulatividade e inerentes a ela, calculados em relação aos bens e serviços descritos nos seus incisos, não alcançando os créditos previstos nos artigos 8º e 15 da Lei n.º 10.925/2004. 2. As próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes crédito o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições. 3. Tanto os artigos 1º e 2º do Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 15/2005 como o § 6º do artigo 3º da Instrução Normativa SRF n.º 636/2006 (substituído pelo art. 5º da IN SRF n.º 660/06), ao vedarem expressamente outra forma de devolução do montante do crédito presumido apurado, vieram somente a esclarecer aquilo que a lei já trazia em seu conteúdo. Assim, tais dispositivos infralegais possuem cunho meramente interpretativo, de modo que não "inovaram", desbordando de sua competência regulamentar. O Superior Tribunal de Justiça também já manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerandose, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10925.000820/200716 Acórdão n.º 3402003.097 S3C4T2 Fl. 1.750 23 independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Nessa linha também foi decidido no Acórdão nº 340101.716– 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 15 de fevereiro de 2012, conforme trecho do Voto do Relator Odassi Guerzoni Filho abaixo: (...) Com a devida vênia, não partilho do mesmo entendimento da Recorrente, haja vista a clareza do dispositivo que passou a tratar do crédito presumido do PIS/Pasep e da Cofins, qual seja o artigo 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, segundo o qual, “As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...], destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, adquiridos de pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física.” (grifei) Ora, a menção que referido dispositivo legal faz ao artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 tem como único objetivo o de identificar os produtos adquiridos que podem gerar o direito ao crédito presumido e não o de estender a este o mesmo direito de aproveitamento [ressarcimento e compensação] que está contemplado, ressaltese, de forma taxativa, nas hipóteses constantes dos incisos do referido artigo 3o. Nem me valerei aqui das regras específicas trazidas pelas instruções normativas que regem os procedimentos de compensação e de ressarcimento, e tampouco discorrerei sobre o argumento de que o crédito presumido seria uma subvenção financeira, porquanto vislumbro na argumentação da Recorrente mero inconformismo com a forma com que o legislador tratou a matéria. Assim, consoante consta de forma clara no art. 8º da Lei nº 10.925 de 23 de julho de 2004, o crédito presumido somente pode ser deduzido da contribuição eventualmente devida, e não ser aproveitado via ressarcimento e/ou compensação. (...) Neste tópico, insurgese também a recorrente em face da aplicação do percentual de 35% sobre os insumos adquiridos como milho, milho quebrado, suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate. Segundo entende, seria equivocada, essa decisão, no mínimo, em relação às aquisições de suíno padrão, leitões para terminação e aves para abate, Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 24 vez que, nos termos do art. 8° da Lei n° 10.925/04, o percentual estabelecido é de 60% sobre o valor da aquisição, tendo por base a alíquota de 7,6%. Com razão a recorrente, pois o §10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, acrescentado pela Lei nº 12.865/2013, publicada em 10/10/2013, trouxe norma para interpretação do §3º, I desse artigo: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei no11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013) [grifos da Relatora] De forma que, o novo dispositivo da Lei adota o entendimento de que os percentuais de crédito presumido previstos no art. 8° da lei n° 10.925/2004 devem ser aplicados em função dos produtos elaborados, e, como se trata de norma expressamente interpretativa, aplicase retroativamente ao presente caso concreto, nos termos do art. 106, I do CTN. Nessa linha, após a publicação da Lei nº 12.865/2013, que acrescentou a referida norma interpretativa, esta 3ª Seção de Julgamento do CARF tem adotado o entendimento nela expresso, conforme ementas abaixo transcritas: Acórdão nº 3202001.451 2ª Câmara/2ª Turma Relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES Data da Sessão: 27/01/2015 Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10925.000820/200716 Acórdão n.º 3402003.097 S3C4T2 Fl. 1.751 25 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/12/2006 a 31/10/2009 Ementa: (...) INSUMO. BOI VIVO E LENHA. FRIGORÍFICO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 12.865/2013. ART. 106, I, DO CTN. APLICAÇÃO RETROATIVA. A aquisição de boi vivo (NCM 01.02) e de lenha (NCM 44.01), utilizados como insumos de mercadoria classificada no Capítulo 2, se sujeita a alíquota do crédito presumido, prevista no inciso I, art. 8º, § 3º, da Lei nº 10.925/2004, com redação dada pela Lei nº 12.865/2013, aplicável retroativamente, por força do art. 106, I, do CTN. (...) Acórdão nº 3202001.457 2ª Câmara/2ª Turma Relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JÚNIOR Data da Sessão: 27/01/2015 Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2009 Ementa: (...) CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO. O crédito presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do ‘produto’a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo, nos termos do artigo 8°, § 10, da Lei n° 10.925/2004, com redação dada pela Lei n°12.865/2013. Assim, entendo que o crédito presumido de Cofins não cumulativa a que a recorrente faz jus deverá ser recalculado pela fiscalização em relação às referidas aquisições, aplicandose as alíquotas em função dos bens produzidos, e não dos insumos adquiridos, em conformidade com a interpretação trazida pelo §10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. E) CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO ESTOQUE DE ABERTURA Em relação aos itens que teriam sido incluídos no estoque e que não se enquadrariam como insumo, reitera a recorrente as razões do inconformismo declinadas no tópico denominado BENS E SERVIÇOS NÃO ENQUADRÁVEIS COMO INSUMOS, razão pela qual a reversão das glosas efetuadas neste Voto devem também ser aplicáveis para os mesmos itens do estoque de abertura. Relativamente ao percentual de crédito presumido sobre o estoque de abertura, entende a recorrente que seria de 7,6% sobre o valor do estoque existente em 31/07/04, ao invés de apenas 3%, como julgou a decisão recorrida. Argumenta que, após vigência da Lei n° 10.833/03 (01/02/04), o crédito da COFINS não cumulativa deveria ser calculado com base na alíquota utilizada para quantificar o débito da COF1NS (7,60%) Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 26 enquanto àquelas aquisições feitas anteriormente ao período acima, deveria ser apropriado o crédito de 3%, em consonância com o que dispunha a legislação da COFINS cumulativa. No entanto, a pretensão da recorrente não encontra amparo legal. O §1° do artigo 12 da Lei 10.833/2003 prevê, expressamente, que a alíquota do crédito presumido da Cofins sobre o estoque de abertura é de 3%, como entenderam a fiscalização e a decisão recorrida: Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. (...) Não é demais lembrar que ao julgador administrativo cabe prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob argumento de inconstitucionalidade, conforme dispõe o artigo 26A do Decreto 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). F) CRÉDITOS A DESCONTAR — COFINS PAGA: Conforme disposto no art. 15, §1º da Lei nº 10.865/2004, não há previsão para o creditamento de importações amparadas sob o regime aduaneiro de drawback: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dosarts. 2oe3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1odesta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(Produção de efeitos)(Regulamento) I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 10925.000820/200716 Acórdão n.º 3402003.097 S3C4T2 Fl. 1.752 27 V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. [redação original] V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1oO direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. [grifos desta Relatora] (...) Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1oa 3oe 5oa 10 do art. 8odesta Lei poderão descontar crédito, para fins de determinação da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: [redação original] Alega a recorrente que teria deixado de incluir no pedido de ressarcimento a totalidade das declarações de importação (DI´s) registradas no período, razão pela qual requer a inclusão no cálculo dos valores correspondentes, uma vez que não foram computadas nos meses do registro das mesmas, não foram objeto de pedido de ressarcimento nos meses referidos, bem assim não tratam de importações suspensas do tributo. Em relação a esse pedido da contribuinte, o julgador de primeira instância o indeferiu tendo em vista que não poderia aquele órgão julgador, "em julgamento de despacho decisório, incluir novos créditos por requerimento do contribuinte, pois é condição para a concessão de créditos que o requerimento seja efetuado por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP)". A recorrente, em seu recurso voluntário, não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo dessa restrição ao seu direito mencionada na decisão recorrida, a qual deve, então, ser mantida, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e do art. 42, parágrafo único do Decreto nº 70.235/72. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer parcialmente o direito creditório sob litígio e homologar as compensações correspondentes nessa proporção, na seguinte forma: a) Reconhecer o crédito presumido em conformidade com a interpretação trazida pelo §10 do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, aplicandose as alíquotas em função dos bens produzidos, e não dos insumos adquiridos antes efetuado pela fiscalização, em relação às aquisições da recorrente. b) Reconhecer o direito creditório como insumo correspondente aos seguintes bens e serviços, inclusive os itens que incluídos do estoque de abertura: i) avental, bota, botina, capacete, creme protetor, máscaras, protetor auricular, protetor facial e botas Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 28 sete léguas, sob a rubrica "Material de Segurança"; ii) desinfetante, detergente e vassoura, sob a rubrica "Conservação e Limpeza"; iii) caixas de papelão, sob a rubrica "Material de Embalagens e Etiquetas"; e iv) lavagem de uniforme, sob a rubrica "Outros Itens". É como voto. Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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Numero do processo: 12448.732088/2014-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
ASSUNTO: LANÇAMENTOS DECORRENTES DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE POR JULGAMENTO COM QUÓRUM MÍNIMO NA DRJ.
Não há nulidade na decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento quando verificado quórum mínimo de 03 julgadores, ainda que a turma não esteja composta pela integralidade de seus 05 ou 07 membros, em conformidade com a Portaria SRF n. 341/2011.
Intempestividade da impugnação.
Ainda que se possa discutir a amplitude de medida liminar que impede a lavratura de atos decorrentes da suspensão da imunidade tributária, se incluiria lançamentos tendentes à prevenção de decadência, sem prejuizo possibilidade de se levar à questão ao respectivo juízo, para que se recorra no âmbito admnistrativo é preciso a interposição da competente impugnação administrativa, observado o prazo próprio, sob pena de intempestividade e não conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 1302-001.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à tempestividade da impugnação e NEGAR CONHECIMENTO ao recurso relativamente aos demais temas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado..
(documento assinado digitalmente)
DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Rogério Aparecido Gil, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Daniele Souto Rodrigues Amadio (Relatora), Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 ASSUNTO: LANÇAMENTOS DECORRENTES DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE POR JULGAMENTO COM QUÓRUM MÍNIMO NA DRJ. Não há nulidade na decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento quando verificado quórum mínimo de 03 julgadores, ainda que a turma não esteja composta pela integralidade de seus 05 ou 07 membros, em conformidade com a Portaria SRF n. 341/2011. Intempestividade da impugnação. Ainda que se possa discutir a amplitude de medida liminar que impede a lavratura de atos decorrentes da suspensão da imunidade tributária, se incluiria lançamentos tendentes à prevenção de decadência, sem prejuizo possibilidade de se levar à questão ao respectivo juízo, para que se recorra no âmbito admnistrativo é preciso a interposição da competente impugnação administrativa, observado o prazo próprio, sob pena de intempestividade e não conhecimento do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à tempestividade da impugnação e NEGAR CONHECIMENTO ao recurso relativamente aos demais temas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.. (documento assinado digitalmente) DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO - Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Rogério Aparecido Gil, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Daniele Souto Rodrigues Amadio (Relatora), Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix.
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Intempestividade da impugnação. Recorrente INSTITUTO DE PROFESSORES PUBLICOS E PARTICULARES e OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ASSUNTO: LANÇAMENTOS DECORRENTES DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE POR JULGAMENTO COM QUÓRUM MÍNIMO NA DRJ. Não há nulidade na decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento quando verificado quórum mínimo de 03 julgadores, ainda que a turma não esteja composta pela integralidade de seus 05 ou 07 membros, em conformidade com a Portaria SRF n. 341/2011. Intempestividade da impugnação. Ainda que se possa discutir a amplitude de medida liminar que impede a lavratura de atos decorrentes da suspensão da imunidade tributária, se incluiria lançamentos tendentes à prevenção de decadência, sem prejuizo possibilidade de se levar à questão ao respectivo juízo, para que se recorra no âmbito admnistrativo é preciso a interposição da competente impugnação administrativa, observado o prazo próprio, sob pena de intempestividade e não conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade da decisão de 1ª instância, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à tempestividade da impugnação e NEGAR CONHECIMENTO ao recurso relativamente aos demais temas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 20 88 /2 01 4- 66 Fl. 2697DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 3 2 DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Rogério Aparecido Gil, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Daniele Souto Rodrigues Amadio (Relatora), Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix. Fl. 2698DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório INSTITUTO DE PROFESSORES PUBLICOS E PARTICULARES, ROBERTO FRANCISCO MARCHESINI E JOÃO BATISTA DE MORAIS JÚNIOR, já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, que, por unanimidade de votos, decidiu não conhecer as impugnações apresentadas em face de Autos de Infração lavrados para a prevenção de decadência de créditos de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, em função da suspensão da imunidade da referida instituição (Ato Declaratório Executivo n. 235, de 13.08.2014), porque consideradas intempestivas, não obstante a existência de medida liminar que impedisse atos administrativos decorrentes do respectivo ato declaratório de suspensão. Sinteticamente, tratamse de procedimentos fiscais instaurados com o intuito de avaliar a regularidade do INSTITUTO DE PROFESSORES PUBLICOS E PARTICULARES, para o usufruto da imunidade tributária, assim descritos, aproveitandose o relatório elaborado pelo acórdão recorrido: Tratase do Termo de Verificação FiscalTVF, de 01.12.2014, às e fls.1.319/1.389 (e também às efls.1.157/1.227) e dos seguintes Autos de Infração, emitidos em 10.12.2014, em nome do interessado e dos Senhores João Batista de Morais Junior e Roberto Franciso Marchesini (efls.1.390), e relativos a fatos geradores do anocalendário de 2010, e lavrados pela DRF/RJO I: Tributo Principal Juros Multa 75% Total efls. Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ 7.150.81 6,92 2.904.15 3,42 5.363.11 2,69 15.418.08 3,03 1.390/1 .406 Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL 2.152.44 5,07 874.164, 53 1.614.33 3,82 4.640.943, 42 1.407/1 .421 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social 2.242.13 0,29 927.119, 02 1.681.59 7,73 4.850.847, 04 1.422/1 .430 Contribuição para o Pis/Pasep 485.794, 91 200.875, 79 364.346, 19 1.051.016, 89 1.431/1 .439 Total 25.960.89 0,38 2 No Auto de Infração de IRPJ, o arbitramento conta descrito assim (e fls.1.393): Fl. 2699DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 5 4 3 A descrição das infrações e do enquadramento legal consta assim (e fls.1.395): a) Termo de Verificação FiscalTVF 4 No TVF, lêse: a) na Declaração de Informações EconômicoFiscaisDIPJ do anocalendário de 2010, o interessado se declarou imune de IRPJ e desobrigado da apuração de CSLL; b) na DIPJ, as origens somam R$ 40.175.746,74 (R$ 325.147,90, de contribuições de associados ou sindicalizados; R$ 39.300.917,96, de receitas de bens ou de prestação de serviços; e R$ 549.680,88, de outras receitas); as aplicações, R$ 38.959.351,56 (R$ 25.735.289,59, a título de ordenados, gratificações e outros pagamentos; R$ 743.676,09, a título de impostos, taxas e contribuições; e R$ 12.480.385,88, a título de outras despesas); o superávit informado é de R$ 1.216.395,18; c) de acordo com o estatuto, o interessado Instituto de Professores Públicos e Particulares, doravante IPPP – é instituição sem fins lucrativos, de apoio à educação e à cultura “e, por conseguinte, enquadrado no disposto no artigo 150, item VI, letra “c”, da Constituição Federal Brasileira”; é constituído, em todo o território nacional, por número Fl. 2700DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 6 5 ilimitado de associados e, pelo Decreto no 155, de 30 de dezembro de 1936, foi considerado de utilidade pública; d) conforme endereço na internet, o IPPP atua no desenvolvimento de projetos personalizados, para instituições públicas e particulares, nas áreas de treinamento, consultoria, informática e projetos, compreendendo “projetos na área pública”, cursos e palestras, concursos públicos, soluções em gestão, envolvendo desde a pesquisa qualitativa e a avaliação de desempenho, à elaboração de projetos de inovações e treinamentos de lideranças internas, atividades para as quais possui corpo técnico especializado; Enquadramento legal: art.3o, da Lei no 9.249/1995; art.42, da Lei no 9.430, de 1996, c/c art. 537, do RIR/1999. Enquadramento legal: art.3o, da Lei no 9.249/1995; art. 532, do RIR/1999. e) em 11.07.2012, início do procedimento, o interessado foi intimado a apresentar livros, escrituração, balancetes, estatuto, rol de dirigentes, e composição de “Outras Despesas” e “Receitas de Vendas”; f) intimado, em 27.09.2012 e em 30.11.2012 , o interessado apresentou resposta parcial, “deixando de prestar vários esclarecimentos acerca de lançamentos de despesas e receitas efetuadas em seus livros contábeis”; g) em 30.11.2012, o IPPP foi intimado a apresentar uma série de contratos e a prestar vários esclarecimentos acerca de lançamentos contábeis de despesas e receitas, encaminhando, em 15.01.2013, resposta parcial; em 25.01.2013, o IPPP encaminhou cópias de notas fiscais de serviços, porém o termo de reintimação continuou sem pleno atendimento; h) em 28.01.2013, foi lavrado termo de constatação e verificação, indicando que “o interessado, a princípio, não faz jus ao regime de imunidade tributária”; após, foi emitido o Mandado de Procedimento FiscalMPF no 07.1.08.002013007381; i) em 02.04.2013, foi lavrado Termo de Início de Fiscalização, relativamente ao anocalendário de 2010; o interessado foi intimado (e reintimado) a apresentar extratos bancários; j) não obtido êxito para apresentação de extratos bancários, foi solicitada a emissão de Requisições de Movimentação FinanceiraRMF; k) em 18.06.2013 e em 05.07.2013, o interessado foi intimado a apresentar notas fiscais, contratos e documentação relativa aos lançamentos; o interessado não apresentou cópia dos contratos de 19 (dezenove) usuários (enumerados às efls.1.333/1.334); Fl. 2701DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 7 6 l) em relação à conta caixamatriz, “o interessado comprovou apenas o lançamento do dia 07.12.2010, no valor de R$ 11.393,41, deixando de apresentar os valores mais significativos (R$ 5.951.300,32 e R$ 2.935.129,30)”, e, também, os demais lançamentos a crédito da conta caixa, lançados no mês de dezembro de 2010 (enumerados às e fls.1.334/1.335); m) o IPPP não apresentou documentação relativa à intimação de 07.08.2013, que lhe solicitou rol de dirigentes, folhas de pagamento e, “documentação legal e idônea” das contas nos 52327 (despesas diversas), 52344 (despesas com indenização), 51424 (outras despesas) e 50750 (remuneração serviços prestados com vínculo empregatício); n) dentro do prazo legal, o IPPP não apresentou os documentos exigidos em 03.09.2013 (termo de constatação e intimação), referentes a lançamentos contábeis e a contratos de serviços; nem os exigidos no termo de 05.09.2013: documentação de origens de recursos em conta bancária, e identificação da causa e dos beneficiários de pagamentos; o) dentro do prazo legal, o IPPP não apresentou os elementos exigidos no termo de 06.09.2013: documentação comprobatória da causa e dos pagamentos efetuados ao Diretor Financeiro João Batista de Morais Junior e ao Presidente Roberto Francisco Marchesini; nem no termo de 07.10.2013, concernente ao relatório de atividades do Projeto Inclusão Digital, à escrituração de contas correntes bancárias (rol às efls.1.337) e a registros contábeis das rubricas Contribuições de Associados ou Sindicalizados (R$ 325.147,90) e Outros Recursos (R$ 325.147,90). 5 Segundo o TVF, para fazer jus ao benefício da imunidade constitucional, a instituição de educação e cultura, além de participar ativa e diretamente do processo educacional, este último deve ser “colocado ao alcance da população de um modo geral, sem restrições de acessibilidade”. 6 No TVF, lêse que, da análise do estatuto e dos contratos apresentados, verifica se que o interessado não é instituição de ensino, e exerce atividades econômicas incompatíveis com o regime de imunidade e isenção tributária, prestando serviços diversos para não associados”, desenvolvendo atividades tipicamente empresariais, “caracterizando desvio dos objetivos essenciais de entidade que goza de benefício de imunidade”: 7 O TVF enumera (efls.1.343/1.345), exemplificativamente, 7 (sete) contratos firmados pelo interessado, cujas atividades são apontadas como incompatíveis com a imunidade tributária, registrando, ainda, que: a) “nenhuma nota fiscal apresentada faz referência a serviço educacional prestado à população em geral, pelo contrário, se referem a serviços empresariais em geral”; b) “constatase, pela análise das notas fiscais, que se trata de recursos provenientes de prática de atividade econômica incompatível com a atividadefim da instituição”. 8 Segundo o TVF, a usualidade de registros contábeis de natureza mercantil comercial demonstra que o interessado pratica, preponderantemente, atos de natureza mercantil comercial, descumprindo o art.9o, alínea “c”, da Lei no 5.172, de 1966, combinado com o art.170 do RIR1999, bem como, que o seu estatuto estabelece vasta lista de atividades empresariais, caracterizando desvio dos objetivos essenciais. Fl. 2702DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 8 7 9 Nos termos do TVF, a falta de: a) atendimento a intimações para apresentação de documentos hábeis e idôneos; b) apresentação de extratos bancários; c) justificativas acerca da não escrituração de contas correntes; d) comprovação de origens de recursos, de remuneração de dirigentes e de pagamentos a estes efetuados; e, o exercício de atividades empresariais comerciais permitem “inferir que a instituição, ao não manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades, pode ter suspensa a sua imunidade”, (...) tratandose de “situação reveladora de descumprimento às normas incondicionais da imunidade”. 10 O TVF afirma que, além de não se enquadrar como instituição de educação, o interessado não observa os requisitos legais para o gozo da imunidade, abaixo sublinhados: a) não remuneração de dirigentes: foram constatados diversos pagamentos efetuados ao Diretor Financeiro João Batista de Moraes Júnior e ao Presidente, Roberto Francisco Marchesini, sendo que o interessado não atendeu à solicitação da fiscalização para justificar tais pagamentos; b) escrituração completa de receitas e despesas, em livros revestidos de formalidades que assegurem a respectiva exatidão: 15 (quinze) contas bancárias (listadas no TVF) foram mantidas à margem da contabilidade; o montante dos ingressos em contas bancárias, subtraídas as transferências entre contas, foi de R$ 70.013.174,68, enquanto que o valor da origem de recursos informado em DIPJ é R$ 40.175.746,74; a receita escriturada foi de R$ 39.626.063,66, existindo “indícios de origens de recursos não comprovados”; c) conservação, por cinco anos, de documentos comprobatórios da origem de receitas e da efetivação de despesas: a não apresentação de extratos bancários, a não comprovação de registros na conta caixa e em diversas despesas; a não comprovação de origens de recursos e de despesas são fatos que revelam a inobservância deste requisito legal; d) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais: não foi possível verificar se o interessado aplicou seus recursos integralmente na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais, porque: i) as receitas auferidas pelo interessado não são derivadas de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades recebidas de associados ou mantenedores; ii) “em nenhum momento, o sujeito Fl. 2703DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 9 8 passivo comprovou que prestou serviços para os quais foi instituído ou os colocou à disposição da população em geral”; iii) o interessado não escriturou diversas contas correntes bancárias. 11 Concluindo (com base na “análise de estatuto, contratos apresentados, notas fiscais e site da empresa”) que “o interessado não é instituição de ensino, não pode optar pelo regime de imunidade tributária e exerce atividades econômicas incompatíveis com a imunidade e a isenção tributária”, a fiscalização lavrou, em 03.05.2014, Notificação Fiscal para fins de suspensão de imunidade, relativamente ao IRPJ do anocalendário de 2010 (e fls.944/988): 12 Tendo tomado ciência da Notificação Fiscal, em 20.05.2014 (efls.989), o interessado apresentou Alegações (efls.990/997), julgadas improcedentes pelo Parecer Conclusivo GabDiort/Despacho Decisório DRF RJO I, de 13.08.2014 (efls.1.021/1.026), que determinou a expedição do Ato Declaratório Executivo DRF RJ I no 235, de 13.08.2014 (e fls.1.027/1.030 atos “de cujo conteúdo o IPPP foi cientificado”, e “dos quais o mesmo recebeu cópia”, juntamente com intimação para promover a apuração do lucro real , contra qual o interessado afirmou ter apresentado impugnação (efls.1.351): 13 Segundo o TVF, agora em sede de ação fiscal, intimado, em 06.10.2014, a comprovar a origem de depósitos efetuados em contas bancárias não escrituradas, bem como a comprovar o beneficiário e a operação/causa dos lançamentos a débito de tais contas, o interessado requereu a juntada de documentos e planilhas, informando que “praticamente a totalidade dos lançamentos a débitos se refere à emissão de cheques administrativos nominativos ao próprio contribuinte, para fins de pagamento de salários, tributos e outras despesas”. 14 O interessado, dentro do prazo legal, não atendeu à intimação de 22.10.2014 (que lhe esclareceu que, diante da suspensão da imunidade, estava sujeito às regras comuns de apuração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, e que, não tendo exercido a opção pelo lucro presumido, a forma de tributação seria a do lucro real), que lhe solicitou a apresentação de demonstrativos trimestrais de custos, despesas e resultado, e dos demonstrativos do lucro Fl. 2704DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 10 9 real e do cálculo do IRPJ/CSLL, correspondentes às fichas da DIPJs; em 12.11.2014, foi lavrado Termo de Constatação e Intimação, sob pena de arbitramento. 15 A análise da contabilidade apresentada, segundo a fiscalização, não permitiu a apuração do lucro real, porque o interessado, além de não comprovar as contas correntes bancárias mantidas nas instituições financeiras RealSantander e Banco do Brasil, mantendo à margem da contabilidade contas correntes nas duas citadas instituições, não comprovou despesas contabilizadas (dentre elas, R$ 5.951.300,00 e R$ 2.935.300,00). 16 Diante da falta de apresentação de: extratos bancários; documentos probatórios de registros contábeis na conta Caixa; de justificativa sobre a nãoescrituração das contas correntes mantidas em banco; prova das origens dos recursos ingressados nas contas correntes bancárias; dos demonstrativos trimestrais de custos, despesas, resultado e da demonstração do lucro real e do cálculo do IR; e dos demonstrativos trimestrais da CSLL, a fiscalização concluiu pela imprestabilidade da escrituração contábilfiscal do interessado para fins de determinação do lucro real, “enquadrandose, portanto, nas hipóteses do arbitramento do lucro, consoante o disposto no art. 530, I, II e III, do Decreto no 3.000, de 1999”. 17 O lucro arbitrado foi obtido pela aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento), acrescido de 20%, sobre a receita conhecida (informada em DIPJ e identificada na contabilidade), base, também, para as exigências de CSLL, PIS e COFINS (efls.1.358): Fl. 2705DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 11 10 18 Tendo sido constatada, ainda, a existência de depósitos bancários de origem não comprovada por documentação hábil e idônea, o interessado foi autuado por omissão de receitas (art.42 da Lei no 9.430, de 1996), quantificada conforme quadro abaixo reproduzido (e fls.1.362): 19 Da análise da documentação apresentada, o TVF registra que: a) com relação ao demonstrativo que o interessado apresentou, contendo informações sobre cheques (acerca dos quais, porque ou “foram utilizados para pagamento de boletos ou retornaram para conta corrente em 2014”, o autuante indaga: “se foram utilizados para pagamento de despesas operacionais, por que os valores retornaram anos depois para a conta da Instituição?”), o interessado não apresentou documentação hábil e idônea, comprobatória de tais operações; b) o interessado não comprovou, com documentação hábil e idônea, os lançamentos contábeis com histórico de “Depósito de Cheque Adm/Pagamento de Salários e Benefícios”; c) os documentos apresentados em 24.10.2014, que, segundo o interessado, esclareceriam “a origem e o destino dos valores movimentados em suas contas correntes”, referemse a pagamentos efetuados em 2009 e em 2010, e utilizam contas mantidas à margem da escrituração. Fl. 2706DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 12 11 20 Na alínea “c”, do item IX do TVF, intitulada “Operação sem Causa – Falta de Recolhimento do IRRF” (efls.1.363/1.366), lêse: a) “a exigência está fundada em lançamentos na conta Caixa no 10003 e “nos extratos bancários mantidos à margem da contabilidade e que foram obtidos a partir da emissão de RMF”; b) “foi adotado o critério por amostragem – valor igual ou maior que R$ 5.000,00, em relação aos valores que saíram das contas mantidas na Instituição Banco Real/Santander”; c) as autuações foram baseadas no razão contábil da conta caixa no 10003, Caixa matriz, e nos extratos do Banco Real; d) a falta de apresentação dos documentos probatórios dos registros contábeis da conta Caixa impediu o Fisco de identificar as operações e os beneficiários do rendimentos; e) os pagamentos sem causa e sem identificação do beneficiário, que motivaram a autuação de IRRF, foram identificados tão somente a partir de informações fornecidas pelo banco Real/Santander; f) “não identificamos na contabilidade digital o registro de qualquer pagamento efetuado”; Fl. 2707DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 13 12 g) “o contribuinte não escriturou as contas correntes bancárias mantidas no Banco RealSantander (Ag.0848) nos 1709453; 271150; 5710129; 6706847; e 9710385, e nem atendeu à intimação para justificar tal procedimento; h) da análise da documentação que o interessado apresentou às intimações para comprovar operações, causa e beneficiários dos lançamentos bancários não contabilizados, resulta que tais lançamentos não foram comprovados por documentação hábil e idônea; i) do confronto entre os documentos apresentados, e o “demonstrativo de valores a serem comprovados a operação, causa, beneficiário”, “não logramos identificar lançamentos coincidentes em valor e data”; toda a documentação apresentada até a presente data não comprova a operação, causa e os beneficiários das operações de saídas de recursos. 21 Diante de tais fatos, considerando que o interessado não apresentou documentação legal e idônea, comprovando as operações efetuadas, nem lhes identificou os beneficiários, a fiscalização, com fulcro no art.61, da Lei no 8.981, de 1985 e no art.674, do RIR/1999, lavrou, além dos Autos de infração enumerados no item 1, Auto de Infração de IRRF (capeado em processo distinto deste). 22 Nos Autos de Infração lavrados (nosso item 1), consta, expressamente, a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos, por força da liminar concedida no processo judicial no 2.014.51.01.0146103 – 15a Vara Federal, art.151, incisos II e IV, do CTN (efls.1.390): 23 Às efls.1.440/1.444 e efls.1.445/1.449, constam os Termos de Sujeição Passiva Solidária, lavrados em nome de João Batista de Morais Júnior e de Roberto Francisco Marchesini, emitidos em 29.11.2014 (os ditos termos já haviam sido juntados aos autos, às e fls.1.290/1.299). 24 Segundo o Termo de Sujeição Passiva Solidária, o Sr. João Batista de Morais Júnior praticou atos com excesso de poderes ou infração de lei (efls.1.440/1.443), restando caracterizada a sua sujeição passiva, nos termos do art.124, inciso I, e art.135, inciso III, da Lei no 5.172, de 1966, em face das seguintes condutas, que comprovam “o elemento subjetivo do ilícito fiscal”: a) o Sr. João Batista de Morais Júnior, na qualidade de Diretor Financeiro do IPPP, detém poderes de gestão e representação, sendo que o estatuto (art.21, letras “c” e “d”) lhe conferiu poderes, dentre outros, para assinar cheques, efetuar todos os pagamentos e arrecadar receitas; Fl. 2708DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 14 13 b) conforme ficha cadastral do Banco do Brasil, o Sr. João Batista de Morais Júnior detinha, entre outras, as atribuições de abrir contas, autorizar cobranças, requisitar cheques e autorizar débito, tendo sido responsável, junto com o Presidente do IPPP, por todas as operações das contas correntes no Banco do Brasil, mantidas à margem da contabilidade; c) podemos concluir que as contas correntes mantidas pelo IPPP no Banco do Brasil e no Banco RealSantander, mantidas à margem da contabilidade, eram administradas e geridas pelo Sr. João Batista de Morais Júnior e pelo Presidente do IPPP, “fato este que culminou na falta de escrituração de receitas”; d) o Sr. João Batista de Morais Júnior recebeu, das contas correntes bancárias mantidas à margem da contabilidade, valores aproximados de R$ 320.000,00, “sem justificar a essa fiscalização a causa dos pagamentos realizados pelo IPPP”; e) “além disso, do exame dos contratos apresentados, constatouse a ocorrência de caráter contraprestacional direto pelos serviços prestados, havendo, inclusive, sanções pela inexecução ou atraso injustificado na execução dos contratos”; f) constatouse “a ocorrência de caráter contraprestacional direto pelos serviços prestados, havendo, inclusive, sanções pela inexecução ou atraso injustificado na execução dos contratos”. 25 Segundo o Termo de Sujeição Passiva Solidária, o Sr. Roberto Francisco Marchesini praticou atos com excesso de poderes ou infração de lei (efls.1.445/1.450), restando caracterizada a sua sujeição passiva, nos termos do art.124, inciso I, e art.135, inciso III, da Lei no 5.172, de 1966, em face das seguintes condutas, que comprovam “o elemento subjetivo do ilícito fiscal”: a) o Sr. Roberto Francisco Marchesini, na qualidade de Presidente do IPPP, detém poderes de gestão e representação, sendo que, segundo o estatuto (art.18), são suas atribuições, dentre outras: tomar conhecimento, mensalmente, da escrituração dos departamentos do balancete da Diretoria Financeira; autorizar despesas do funcionamento do IPPP; rubricar livros e documentos; assinar, em conjunto, cheques, documentos e demais contratos que importem responsabilidade do IPPP; b) conforme ficha cadastral do Banco do Brasil, o Sr. Roberto Francisco Marchesini detinha, entre outras, as atribuições de abrir contas, autorizar cobranças, requisitar cheques e autorizar débito, tendo sido responsável, junto com o diretor financeiro, por todas as operações das contas correntes no Banco do Brasil, mantidas à margem da contabilidade; c) podemos concluir que as contas correntes mantidas pelo IPPP no Banco do Brasil e no Banco RealSantander, mantidas à margem da contabilidade, eram administradas e geridas pelo Sr. Roberto Francisco Marchesini e por João Batista de Morais Júnior, “fato este que culminou na falta de escrituração de receitas”; d) o Sr. Roberto Francisco Marchesini recebeu, das contas correntes bancárias mantidas à margem da contabilidade, valores aproximados de R$ 9.583,00,“sem justificar a essa fiscalização as causas dos pagamentos realizados pelo IPPP”; Fl. 2709DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 15 14 e) do exame dos contratos assinados pelo Sr. Roberto Francisco Marchesini “verificouse que desenvolve atividades tipicamente empresariais, caracterizando desvio dos objetivos essenciais da entidade, que goza de benefício de imunidade”; f) “além disso, do exame dos contratos apresentados, constatouse a ocorrência de caráter contraprestacional direto pelos serviços prestados, havendo, inclusive, sanções pela inexecução ou atraso injustificado na execução dos contratos”. 26 Após juntar os documentos de efls.1.453/1.708, concernentes à ação fiscal, a autoridade lavrou, em 10.12.2014, em nome do interessado (efls.1.709/1.710), do Sr. Roberto Francisco Marchesini (efls.1.713/1.715) e do Sr. João Batista de Morais Júnior (e fls.1.718/1.720), Termo de Ciência de Lançamento (s) e Encerramento Total do Procedimento Fiscal. 27 Segundo o sobredito Termo, os lançamentos dos créditos tributários foram, na forma do art. 960 do RIR/1999, efetuados para prevenir a decadência (efls.1.709): 28 Dos Autos de Infração e anexos: a) o interessado tomou ciência em 16.12.2014 (Aviso de Recebimento JG 70327362 5 BR, às efls.1.711/1.712); b) o Sr.Roberto Francisco Marchesini, em 16.12.2014 (Aviso de Recebimento JG 70327364 8 BR, às efls.1.716/1.717); c) o Sr. João Batista de Morais Júnior, em 15.12.2014 (Aviso de Recebimento JG 70327363 4 BR, às efls.1.721/1.722). b) processo judicial referido no item 22 29 Às efls.1.300/1.306, foi juntada petição em Mandado de Segurança (processo 001461013.2014.4.02.5101), de 18.11.2014, recebida pelo Poder Judiciário em 19.11.2014. 30 Na dita ação judicial, o interessado requereu “medida liminar para que a Impetrante seja coibida de praticar qualquer ato decorrente da expedição do Ato Declaratório Fl. 2710DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 16 15 Executivo DRF RJO I no 235, de 2014”, “o qual foi embasado por meio de despacho decisório cujo Impetrante não foi intimado”. Requereu, também, que fosse “reconhecido o direito líquido e certo do Impetrante com relação à ilegalidade de todos os atos decorrentes do despacho decisório que julgou improcedentes as alegações apresentadas, inclusive, ao próprio Ato Declaratório Executivo”. 31 Foi juntada, também, a decisão de 02.12.2014, da 15a Vara Federal (e fls.1.310/1.311), que deferiu liminar, determinando que “a Impetrada se abstenha, por ora, de praticar qualquer ato decorrente do Ato Declaratório Executivo DRF RJ I no 235/14, assegurando ao impetrante o direito à ampla defesa e ao contraditório em relação ao Despacho Decisório que indeferiu seu recurso (fls.117).” 32 Diante de tal fato, a autoridade fiscal emitiu Termos de Procedimento Fiscal, de 10.12.2014 (efls.1.312, 1.315 e 1.316), tornando sem efeito os Autos de Infração que haviam sido lavrados em 03.12.2014 (efls.1.228/1.299): 33 Do sobredito termo, o Senhor João Batista de Morais Júnior tomou ciência em 10.12.2014 (efls.1.315). O interessado e o Senhor Roberto Francisco Marchesini, em 11.12.2014 (efls.1.313 e 1.317). 34 Foram, então, em 10.12.2014, emitidos os Autos de Infração a que se referem os itens 1/28 do Relatório. c) Petições do interessado 35 Contra os Autos de Infração lavrados em 10.12.2014 (nosso item 1), o interessado apresentou, em 04.02.2015, as seguintes petições: Auto de Infração Folhas Documentos anexados COFINS 1.731/1.750 1.751/1.873 IRPJ 1.876/1.893 1.894/2.018 CSLL 2.022/2.039 2.040/2.164 Fl. 2711DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 17 16 PIS 2.168/2.185 2.186/2.310 Obs: Nas quatro petições, as alegações são as mesmas. c1) da Tempestividade 36 O interessado diz que “comparece espontaneamente para ofertar o presente recurso” (...), apenas para “acautelar seus direitos”, porque, uma vez deferida liminar em sede de Mandado de Segurança (001461013.2014.4.02.51012014.51.01.0146103, em trâmite na 15a Vara Federal), a lavratura do Auto de Infração “está, até a presente data, obstada pela vigência de decisão liminar proferida pelo M.M.Juízo da 15a Vara FederalRJ”. 37 Aponta que o auto de infração foi lavrado em “flagrante descumprimento à ordem judicial, restando clara a sua nulidade”. Afirma que, por estar abrigado por decisão judicial em plena vigência, “não há que se falar em qualquer prazo ou ônus para o Impugnante, prestigiandose os princípios da boafé e da confiança legítima”. 38 Sustenta que “há determinação judicial expressa determinando a abstenção, por parte da Receita Federal, à prática de qualquer ato, em especial lavratura de Auto de Infração”. “Qualquer ato implica dizer lavratura de auto de infração”. 39 Alega que “o caso sub judice é específico”, por se tratar de Auto de Infração que aplicou cominações contra entidade que goza de imunidade tributária, estando o procedimento fiscal eivado de vícios que violaram o devido processo legal, o contraditório e o amplo direito de defesa. 40 Aduz que “é razoável afirmarse que o Juiz não pode vedar a atividade da Administração Tributária, de forma indiscriminada, mas pode vedar determinada atividade, especialmente identificada como ameaça, ou lesão a direito do contribuinte”; não pode impedir a fiscalização ou a lavratura de autos de infração genericamente, mas pode e deve, em situações específicas, em liminar ou em sentença, vedar a lavratura de auto de infração que repute indevido”. 41 Sustenta que, “existindo determinação judicial determinando a abstenção por parte da Receita Federal, da prática de qualquer ato, em especial, lavratura de auto de infração, concluise que o auto de infração lavrado, mesmo com exigibilidade suspensa, não tem o condão de criar ônus e deveres ao Impugnante, como, por exemplo, contagem do prazo para sua impugnação. 42 Afirma que “o fato de a exigibilidade do crédito constituído pelo mencionado auto de infração estar suspensa não convalida sua evidente ilegalidade”. 43 Diz que o crédito não deveria ter sido constituído, por ser “decorrente do Ato Declaratório Executivo DRF RJ I no 235/14, verdadeiro antecedente lógico e necessário para a lavratura dos Autos de Infração, conforme previsto na decisão liminar, restando evidente, portanto, a ilegalidade do lançamento aqui rechaçado”. “Pugna pela sua tempestividade e, consequentemente, anulação dos mesmos”. c2) alegações de cerceamento do direito de defesa O interessado alega que: Fl. 2712DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 18 17 a) o lançamento deve ser julgado insubsistente, uma vez que está enquadrado como instituição de educação, em conformidade com as normas constitucionais e infraconstitucionais, por “observância absoluta de todos os requisitos legais”; b) surpreendentemente, em flagrante violação a dispositivo legal, o requerimento da prova pericial foi, em sede de alegações à Notificação Fiscal, indeferido, “sob a absurda fundamentação de que a prova já teria sido realizada no âmbito administrativo” (...), “tratandose, portanto, de típica hipótese de cerceamento de defesa”; c) o Parecer Conclusivo GabDiort, que deu suporte à publicação do Ato Declaratório Executivo DRF RJ I, no 235, de 2014, “não examinou as alegações apresentadas, refutandoas de forma genérica, ao afirmar que o Impugnante não possui os requisitos previstos na legislação para considerála instituição de educação”; d) a prova pericial indeferida tinha justamente a finalidade de comprovar que o Impugnante atende aos requisitos legais; e) a perícia comprovaria que: a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) mantém escrituração completa de receitas e despesas; c) conserva em boa ordem os documentos que comprovam a origem de receitas e a efetivação de despesas; d) aplica integralmente seus recursos na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos sociais; f) o Auto de Infração é ilegal, por decorrer de ato declaratório eivado de vício insanável de legalidade, em razão do flagrante cerceamento de defesa e em razão da imprescindível necessidade de realização da prova pericial, contábil e financeira, que comprovam o cumprimento dos requisitos que suportam a imunidade tributária. c3) alegações de enquadramento como instituição de educação 45 O interessado sustenta que preenche todos os requisitos da lei para o gozo da imunidade, “o que torna ilegal a constituição do crédito tributário impugnado”. 46 Afirma que, na condição de associação civil sem fins lucrativos, de utilidade pública reconhecida em decreto e em lei (Decreto no 155, de 30 de dezembro de 1936 e pela Lei no 185, de 1978), tem por objetivo as atividades educacionais e culturais vinculadas à pesquisa, ao ensino e ao desenvolvimento institucional, em prol do interesse público. 47 Alega que, no contexto de cooperação entre a esfera pública e a privada, “fica evidente que o Impugnante atua em parceria com o Estado como agente colaborador capaz de desenvolver e implementar sistemas operativos, com vistas a concretizar as diretrizes educacionais almejadas pelo texto constitucional”, conforme os exemplos que enumera: a) com relação ao contrato com a Fundação Oswaldo Cruz (processo 25384.000578/200976), para a prestação de serviços especializados e treinamentos para a manutenção predial, visando melhoria na qualidade do desenvolvimento das atividades do Instituto Fernando Figueira, afirma que a Fundação é entidade pública criada e mantida pela União, cujo objetivo é a promoção da saúde e o desenvolvimento social, gerando e difundindo conhecimento científico e tecnológico, razão por que “resta evidente que o escopo atende aos parâmetros constitucionais, uma vez que se busca a qualificação para o trabalho”; Fl. 2713DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 19 18 b) com relação ao contrato com a Fundação Oswaldo Cruz (processo 25384.000341/200995), para a prestação de serviços especializados e treinamentos, para dar suporte ao serviço de farmácia no sistema de distribuição de medicamentos por dose unitária, de forma contínua, nas dependências do Instituto Figueira, afirma que se trata de serviço educacional relacionado à qualificação do trabalho para o exercício da cidadania, cuja prestação é realizada através de associados da Impugnante, isto é, professores e especialistas em educação, devidamente habilitados; funcionários técnicoadministrativos das Secretarias de Estado de Educação ou de outros órgãos federais, estaduais ou municipais da área de educação; e intelectuais que tenham publicado obras, reconhecidamente, de interesse educacional; c) com relação ao contrato de prestação de serviços com o Fluminense Football Club, de assessoria na elaboração do projeto de restauração histórica do clube, aprovado pelo IPHAN, diz que se trata de serviço cultural relacionado à defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro, uma vez que a sede foi tombada pelo Poder Público competente. 48 Sustenta que todas as atividades que desenvolve dispõem de caráter educacional e/ou cultural, visando promover o interesse público, e, ainda, que a finalidade educacional e cultural “deve ser entendida conforme os parâmetros estabelecidos pelo texto constitucional”. c4) alegações relativas ao arbitramento 49 Com relação ao arbitramento, o interessado afirma que: a) na “absurda hipótese” de não ser reconhecido o cumprimento dos requisitos legais para a imunidade tributária, “o crédito deveria ser apurado pelo lucro real, visto que todos os documentos hábeis a apurar o Lucro Real foram apresentados, sendo eles, inclusive, fidedignos”; b) “cabe destacar que o impugnante juntou aos autos do Mandado de Procedimento FiscalMPF 4 (quatro) caixas com documentos hábeis a apurar o crédito com base no lucro real”; c) “apresentou todos os documentos que esclarecem a origem e o destino dos valores movimentados em suas contas correntes”; d) “não há subsunção do fato à norma, que justifique a hipótese de arbitramento do lucro, nos termos do artigo 530, do Decreto no 3.000, de 1999”. c5) dos pedidos 50 O interessado requer a “realização de prova pericial contábil para ser apurada a exação supostamente devida, com base no lucro real, uma vez que a apuração do lucro na forma arbitrada configura flagrante excesso de exação”. Pede, ainda: a) o reconhecimento da nulidade do Auto de Infração, uma vez que o lançamento configura flagrante descumprimento à decisão liminar proferida nos autos do Mandado de Segurança; Fl. 2714DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 20 19 b) sejam julgados insubsistentes os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em decorrência do vício insanável de legalidade (cerceamento de defesa, em face de não atendimento do pedido de prova pericial contábil e financeira); c) sejam julgados insubsistentes os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, “visto que o Impugnante se enquadra como instituição de educação, de acordo com as normas constitucionais e infraconstitucionais, por absoluta observância de todos os requisitos legais”. d) Petição de Roberto Francisco Marchesini 51 Em petição às efls 2.320/2.324, recebida em 24.02.2015, Roberto Francisco Marchesini, diz que “comparece espontaneamente para ofertar o presente recurso” (...), apenas para “acautelar seus direitos”, porque, uma vez deferida liminar em sede de Mandado de Segurança (001461013.2014.4.02.51012014.51.01.0146103, em trâmite na 15a Vara Federal), a lavratura do Auto de Infração “está, até a presente data, obstada pela vigência de decisão liminar proferida pelo M.M.Juízo da 15a Vara FederalRJ”. 52 Afirma que o auto de infração foi lavrado em “flagrante descumprimento à decisão judicial”, em total afronta ao comando ilegal emitido pelo Juízo da 15a Vara Federal do Rio de Janeiro, uma vez que os créditos constituídos foram apurados através de ilegal processo administrativo, que culminou na expedição do referido Ato Declaratório. 53 Alega que “não há que se falar em qualquer prazo ou ônus para o Impugnante impugnar o Auto de Infração enquanto vigente a decisão judicial, e que, mesmo lavrado com a exigibilidade suspensa, não tem o condão de criar ônus e deveres ao Impugnante, como, por exemplo, contagem de prazo para a sua impugnação”. 54 Alega que, considerando que há literal violação de determinação judicial, por força da qual se encontram suspensos todos os atos e prazos decorrentes da ilegal lavratura dos autos de infração, apresenta a impugnação ad cautelam, pugnando pela sua tempestividade, e consequentemente, pelo seu provimento (...), ressaltando que “a referida decisão liminar também abrange o prazo para protocolo da presente impugnação, pois caso não se entenda dessa forma, há eminente risco de serem proferidas decisões conflitantes”. 55 Sustenta que, sem prejuízo da discussão relativa à ilegalidade, não merece ser enquadrado como responsável tributário, “pela ausência de direito de defesa no processo administrativo que embasa o lançamento ora impugnado”. 56 Alega, ainda, que: a) o ilícito do qual decorre responsabilidade pessoal tributária tem de ser apurado administrativamente, oportunizandose o direito de defesa já na esfera administrativa, sendo certo que em nenhum momento o ora Impugnante foi intimado para apresentar qualquer defesa ou esclarecimento; b) para viabilizar a responsabilidade do Impugnante é indispensável que o mesmo seja previamente intimado para apresentar sua defesa; c) nos autos do processo, verificada a responsabilidade do Impugnante, deveria ter sido lavrado Termo de Verificação Fiscal e de Responsabilidade Tributária, Fl. 2715DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 21 20 apontando que foi constatada a prática de ilícitos que têm por consequência a sua responsabilização pessoal pelos tributos devidos pela IPPP; d) “o que pode constituir infração é a causa do não pagamento, jamais este próprio feito tomado isoladamente”, sendo preciso verificar as causas dessa suposta inadimplência, para ver se, entre elas, estariam fatos caracterizados como “excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social ou a estatuto”; e) “o impugnante não foi, em nenhuma oportunidade, intimado a apresentar qualquer defesa ou mesmo esclarecimento, não havendo, ainda, Termo de Verificação Fiscal e de Responsabilidade Tributária”. 57 Encerra, requerendo “sua exclusão como responsável tributário do Auto de Infração impugnado, haja vista a ausência de Termo Fiscal de Verificação Fiscal e de Responsabilidade Tributária apto a comprovar fatos como excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social ou a estatuto”. e) Petição de João Batista de Morais Júnior 58 Em petição às efls 2.343/2.349, recebida em 24.02.2015, João Batista de Morais Júnior diz que “comparece espontaneamente para ofertar o presente recurso” (...), apenas para “acautelar seus direitos”, porque, uma vez deferida liminar em sede de Mandado de Segurança (001461013.2014.4.02.51012014.51.01.0146103, em trâmite na 15a Vara Federal), a lavratura do Auto de Infração “está, até a presente data, obstada pela vigência de decisão liminar proferida pelo M.M.Juízo da 15a Vara FederalRJ”. 59 Afirma que o auto de infração foi lavrado em “flagrante descumprimento à decisão judicial”, em total afronta ao comando ilegal emitido pelo Juízo da 15a Vara Federal do Rio de Janeiro, uma vez que os créditos constituídos foram apurados através de ilegal processo administrativo, que culminou na expedição do referido Ato Declaratório. 60 Alega que “não há que se falar em qualquer prazo ou ônus para o Impugnante impugnar o Auto de Infração enquanto vigente a decisão judicial, e que, mesmo lavrado com a exigibilidade suspensa, não tem o condão de criar ônus e deveres ao Impugnante, como, por exemplo, contagem de prazo para a sua impugnação. 61 Alega que, considerando que há literal violação de determinação judicial, por força da qual se encontram suspensos todos os atos e prazos decorrentes da ilegal lavratura dos autos de infração, apresenta a impugnação ad cautelam, pugnando pela sua tempestividade, e consequentemente, pelo seu provimento (...). Ressalta que “a referida decisão liminar também abrange o prazo para protocolo da presente impugnação, pois caso não se entenda dessa forma, há eminente risco de serem proferidas decisões conflitantes”. 62 Sustenta que, sem prejuízo da discussão relativa à ilegalidade, não merece ser enquadrado como responsável tributário, “pela ausência de direito de defesa no processo administrativo que embasa o lançamento ora impugnado”. 63 Alega, ainda, que: a) o ilícito do qual decorre responsabilidade pessoal tributária tem de ser apurado administrativamente, oportunizandose o direito de defesa já na esfera administrativa, Fl. 2716DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 22 21 sendo certo que em nenhum momento o ora Impugnante foi intimado para apresentar qualquer defesa ou esclarecimento; b) para viabilizar a responsabilidade do Impugnante é indispensável que o mesmo seja previamente intimado para apresentar sua defesa; c) nos autos do processo, verificada a responsabilidade do Impugnante, deveria ter sido lavrado Termo de Verificação Fiscal e de Responsabilidade Tributária, apontando que foi constatada a prática de ilícitos que têm por consequência a sua responsabilização pessoal pelos tributos devidos pela IPPP; d) “o que pode constituir infração é a causa do não pagamento, jamais este próprio feito tomado isoladamente”, sendo preciso verificar as causas dessa suposta inadimplência, para ver se, entre elas, estariam fatos caracterizados como “excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social ou a estatuto”; e) o impugnante não foi, em nenhuma oportunidade, intimado a apresentar qualquer defesa ou mesmo esclarecimento, não havendo, ainda, Termo de Verificação Fiscal e de Responsabilidade Tributária. 64 Encerra, requerendo “sua exclusão como responsável tributário do Auto de Infração impugnado, haja vista a ausência de Termo Fiscal de Verificação Fiscal e de Responsabilidade Tributária apto a comprovar fatos como excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social ou a estatuto”. (…) Após relato notadamente detalhado, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, por unanimidade de votos, decidiu não conhecer as impugnações apresentadas em face de Autos de Infração lavrados para a prevenção de decadência, em função da suspensão da imunidade da referida instituição, porque consideradas intempestivas, não obstante a existência de medida liminar que impedisse atos administrativos decorrentes do respectivo ato declaratório de suspensão, aplicandose o Ato Declaratório NormativoADN n. 15/ 1996, da Cosit, que assim dispõe: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art.151, inciso III do Código Tributário Nacional Lei n.o 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto n.o 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1.o da Lei n.o 8.748, de 9 de dezembro de 1993, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (grifos nossos) Considerando que o Ato Declaratório ExecutivoADE n. 235/2014 foi mantido no processo n. 12448.729.074/20146, aplicouse o inciso II, do § 6o, do art.32, da Lei no 9.430/1996, e também se pontuou que, efetivada a suspensão da imunidade, compete à Fl. 2717DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 23 22 fiscalização o lançamento dos créditos tributários decorrentes para a prevenção de decadência, de modo que a vigência de medida judicial não suspenderia, diferiria, ou afetaria o curso do processo fiscal, mas apenas ipediria atos de natureza executório. Insurgindose contra a decisão da DRJ, que se limitou à análise da tempestividade, os Recorrentes apresentaram tempestivamente seus Recursos Voluntários, aduzindo, em síntese: a) Inicialmente, relata suposta confusão nos procedimentos fiscais, sobretudo quanto à indicação da natureza do tributo fiscalizado; b) Ao tartar da impugnação, defende a não criação, diante da existência de medida liminar, de deveres ou prazo para a apresentação desta defesa, independentemente da presença de lançamento para a prevenção de decadência; c) Cerceamento de defesa pela não apreciação da manifestação de inconformidade com relação ao ato de suspensão da imunidade; d) Vícios nos lançamentos uma vez que os novos lançamentos teriam sido realizados com fundamentos nos primeiros MPF`s; e) Nulidade da decisão da DRJ, porque a turma estaria composta por 4 (quarto) membros, quando deveria possuir presentes 5 (cinco) deles; f) Origem identificadas das transacões bancárias; g) Inversão do ônus da prova; h) Erro na utilização do arbitramento do lucro; Ao final, verificandose os pedidos deduzidos, não se vê pleito quanto ao reconhecimento da tempestividade das impugnações, mas se trata da impossibilidade do lançamento para prevenção da decadência. Após os recurso voluntários, foram juntado aos autos pedidos de suspensão do curso do processo e retirada de pauta, primeiramente, para que se aguardasse o julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Processo n. 12448729.074/201465 (atualmente na DRJ/RJ aguardando remessa para o Tribunal), em que supostamente deixará de existir a suspensão da imunidade tributária aplicada à Recorrente, nas suas palavras, assim como em função do falecimento de um dos responsáveis tributaries, para regularização processual. É o relatório. Voto Conselheira DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Considerando a tempestividade dos presentes recursos e regularidade da representação processual, conheçoos, passando a analisar as razões então deduzidas. Fl. 2718DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 24 23 Anteriormente a verificações de mérito, é imprescindível que se analise duas questões preliminares com relação à decisão recorrida. A primeira delas referese à nulidade suscitada pela Recorrente quanto à inexistência de quórum na Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, quando proferida a mencionada decisão, que contava com quatro julgadores no lugar de cinco membros. A esse respeito, entendese que o artigo 2o. da Portaria SRF n. 341/2011, que trata do funcionamento dessas delegacias, ao determinar que sejam constituídas por “Turmas Ordinárias e Especiais de julgamento, cada uma delas integrada por 5 (cinco) julgadores, podendo funcionar com até 7 (sete) julgadores, titulares ou pro tempore", se refere à composição destes órgão julgadores, não significando a menção a esse número de membros fixação de quórum mínimo de julgamento. Nesse sentido, considerase possível o funcionamento da turma de julgamento sem sua composição integral de 05 membros, ou até 07 integrantes, desde que respeitado o quórum mínimo de 3 (três) julgadores, como confirmado pela disposição do parágrafo 6o. do artigo 4o. da mesma Portaria SRF n. 341/2011, trasncrita a seguir: “O Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento pode designer julgador ad hoc para participar de sessão específica em Turma de julgamento, visando a garantir o quórum mínimo de 3 (três) julgadores para a realização de sessão.” Assim sendo, uma vez presentes 3 membros do colegiado no julgamento que originou a decisão recorrida, como ao fim reconhecido pela própria Recorrente, ainda que não composta a turma pela integralidade se seus membros, não resta configurada nulidade. Ultrapassado esse ponto, passase então à outra questão prejudicial à análise de mérito objeto do presente Recurso Voluntário, que deve ser enfrentada de plano: a intempestividade das impugnações administrativas apresentadas e reconhecidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro. Objetivamente, na oportunidade, diante de lançamentos para a prevenção de decadência em razão da suspensão da imunidade tributária pelo Ato Declaratório Executivo n. 235/2014, não foram interpostas impugnações no prazo de 30 dias determinado pela legislação que trata do processo admnistrativo fiscal, mas apenas em momento posterior, com a justificativa de apenas se acautelarem os Recorrentes, apesar de mostrarse essa atitude desnecessária, já que possuíam medida liminar que os asseguravam contra qualquer ato decorrente da referida suspensão da imunidade tributária. De fato, se entende possível discussão acerca da amplitude da ordem judicial e questionamento quanto ao seu possível descumprimento, inclusive com eventual provocação do juízo competente. Ocorre que, por outro turno, também se compreende que, não obstante isso, ao menos no âmbito admnistrativo, a impugnação representa o meio hábil de que dispõe o contribuinte para insurgirse contra a questão e o que, certamente, demanda a observância do prazo legal próprio. Assim sendo, considerando que as impugnações foram interpostas fora do prazo de 30 dias previsto em lei para a sua interposição, revelamse intempestivas, deixandose de se conhecer as demais matérias suscitadas. Assim sendo, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, Fl. 2719DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 12448.732088/201466 Acórdão n.º 1302001.801 S1C3T2 Fl. 25 24 (documento assinado digitalmente) DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Fl. 2720DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/04/2 016 por DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10916.000016/2011-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 18/07/2006 a 07/01/2007
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 18/07/2006 a 07/01/2007
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 18/07/2006 a 07/01/2007 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 18/07/2006 a 07/01/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 18/07/2006 a 07/01/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 91 6. 00 00 16 /2 01 1- 14 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.000016/201114 Acórdão n.º 9303003.801 CSRFT3 Fl. 251 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.259, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.000016/201114 Acórdão n.º 9303003.801 CSRFT3 Fl. 252 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 252DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.000016/201114 Acórdão n.º 9303003.801 CSRFT3 Fl. 253 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.000016/201114 Acórdão n.º 9303003.801 CSRFT3 Fl. 254 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 254DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.000016/201114 Acórdão n.º 9303003.801 CSRFT3 Fl. 255 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.000016/201114 Acórdão n.º 9303003.801 CSRFT3 Fl. 256 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 256DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.000016/201114 Acórdão n.º 9303003.801 CSRFT3 Fl. 257 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10916.000016/201114 Acórdão n.º 9303003.801 CSRFT3 Fl. 258 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 258DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10880.000559/98-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1988 a 28/02/1996
Ementa.
EXECUÇÃO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. RITO. LEI N.º 9.784/99.
As controvérsias eventualmente surgidas na fase de execução do acórdão transitado em julgado devem ser primeiramente analisadas pela autoridade administrativa do domicílio fiscal do contribuinte, prosseguindo-se, a partir daí, em conformidade com o rito estabelecido na Lei n.º 9.784/99.
ERROR IN PROCEDENDO. NULIDADE DA DECISÃO.
Diz-se que há error in procedendo quando o julgador desrespeita norma de procedimento provocando gravame à parte, vício esse, portanto de natureza formal. Esta norma de procedimento é aquela determinada pelo ordenamento jurídico como um todo. Não é preciso que o julgador viole texto expresso de lei para caracterizar-se o erro no procedimento, basta que descumpra a regra jurídica aplicável ao caso concreto. Em síntese, o error in procedendo é marcado pela existência de vício na estrutura, na construção do ato jurídico consubstanciado na decisão jurisdicional, o que justifica a cassação, ou seja, a invalidação do decisum.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9303-003.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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DE PROD. DE CANADEAÇÚCAR E ÁLCOOL DO ESTADO DE SAO PAULO ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1988 a 28/02/1996 Ementa. EXECUÇÃO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. RITO. LEI N.º 9.784/99. As controvérsias eventualmente surgidas na fase de execução do acórdão transitado em julgado devem ser primeiramente analisadas pela autoridade administrativa do domicílio fiscal do contribuinte, prosseguindose, a partir daí, em conformidade com o rito estabelecido na Lei n.º 9.784/99. ERROR IN PROCEDENDO. NULIDADE DA DECISÃO. Dizse que há error in procedendo quando o julgador desrespeita norma de procedimento provocando gravame à parte, vício esse, portanto de natureza formal. Esta norma de procedimento é aquela determinada pelo ordenamento jurídico como um todo. Não é preciso que o julgador viole texto expresso de lei para caracterizarse o erro no procedimento, basta que descumpra a regra jurídica aplicável ao caso concreto. Em síntese, o error in procedendo é marcado pela existência de vício na estrutura, na construção do ato jurídico consubstanciado na decisão jurisdicional, o que justifica a cassação, ou seja, a invalidação do decisum. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 05 59 /9 8- 94 Fl. 3111DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial por contrariedade à lei ou a evidência da prova, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 220100.027, de 03 de março de 2009, da Primeira Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1988 a 28/02/1996 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS FINANCEIROS/DÉBITOS FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO Na homologação tácita de compensação de débitos fiscais declarados, mediante Dcomp, são levados em conta todos os créditos financeiros declarados, ou seja, aqueles atingidos pela decadência do direito de o sujeito passivo os repetir/compensar e os não atingidos, sendo que a dedução de débitos cujas compensações ocorreram de forma tácita fica limitada ao excedente dos débitos compensados tacitamente em relação ao montante dos créditos financeiros prescritos. Recurso voluntário provido parcialmente. O recurso teve seguimento nos termos do despacho de fls. 3084/3086. Em sua peça recursal, a Fazenda Pública reclama que o Colegiado julgou novamente a lide que já havia sido apreciada e que estava em fase de execução. Nos dizeres da recorrente: (...) ao julgar novamente o assunto contido e decidido anteriormente no Acórdão nº 20310.725, datado de 26/01/2006, agora na fase de execução deste, haveria contrariedade à coisa julgada material na esfera administrativa e teria ocorrido ofensa ao Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, aos arts. 468; 471 e 473 do CPC; ao art. 5º, XXXVI, da CF e ao Fl. 3112DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.000559/9894 Acórdão n.º 9303003.534 CSRFT3 Fl. 423 3 art. 63 e § 2º da Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (...) O recurso teve seguimento nos termos do despacho de fls. 3084/3086. O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 3096/3106. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. O processo trata de pedido de restituição cumulado com declarações de compensação. O pedido foi analisado e denegado parcialmente pela Delegacia da Receita Federal (DRF). O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada procedente em parte pela Delegacia de Julgamento (DRJ). O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, o qual julgado pela Terceira Câmara do antigo 2º Conselho de Contribuinte. Não foi apresentado recurso especial. Portanto, a lide se petrificou no âmbito administrativo. Os autos retornaram à (DRF) de Origem para a execução do Acórdão. A DRF apresentou o valor a ser restituídos e as declarações de compensações que foram homologadas, nos termos do Acórdão definitivamente julgado. Acontece que o sujeito passivo não se conformou com os cálculos da DRF e apresentou uma manifestação de inconformidade, a qual foi julgada pela DRJ. Mais uma vez, descontente com a decisão da DRJ, protocolou recurso voluntário, que foi apreciado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF. O recurso foi provido em parte. A PGFN propôs recurso especial de contrariedade a lei, onde afirma que a lide já foi julgada e não poderia ser reapreciada sob pena de triturar o princípio da segurança jurídica. Após essa breve viagem pelos fatos jurídicos contidos nos autos, resta evidente que a questão central da lide se refere a definição do rito a ser seguido nos casos de descontentamento com a execução de acórdão com decisão definitiva. Sobre esse tema, coaduno com o entendimento do voto condutor do Acórdão nº 3202001.130, de 25 de março de 2014, da lavra do conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, que peço vênia para reproduzilo, verbis: Em que pese existirem divergências, é, com efeito, firme neste Colegiado Administrativo o entendimento de que as questões surgidas por ocasião da execução do acórdão devem ser dirimidas seguindo o rito processual estabelecido na Lei n.º 9.784, de 1999 (Lei do Processo Administrativo Federal), não sendo, portanto, de reiniciar a discussão frente à DRJ e, se for o caso, posteriormente a este Colegiado. Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 À guisa de exemplo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO ADMINISTRATIVO TRANSITADO EM JULGADO. COMPETÊNCIA. Tendo em vista que já houve o trânsito em julgado do processo administrativo, os pedidos formulados e que sejam concernentes à fase de execução e cobrança do julgado devem ser analisadas, primeiramente, pela autoridade fiscal do domicílio do contribuinte. Recurso Voluntário não Conhecido. (Acórdão CARF n.º 2402003.195, de 20/11/2012). Esse é o entendimento que adotamos. Todavia, cabe ressaltar que, nos casos em que existem dúvidas quanto ao recurso que deve ser apresentado, tem o Poder Judiciário entendido aplicar, em apreço ao princípio da instrumentalidade das formas, o princípio da fungibilidade recursal, tratando o recurso errado como se correto fosse. O item 2 da ementa a seguir reafirma, de outro modo, os requisitos por meio dos quais se entende possível aplicálo: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL CONTRA ACÓRDÃO. RECURSO INCABÍVEL. ERRO GROSSEIRO. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. FALHA QUE SE REPETE EM SUCESSIVOS RECURSOS. 1. Na forma dos artigos 545 do Código de Processo Civil e 258 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, somente é cabível agravo regimental contra decisão monocrática, sendo manifestamente inadmissível sua interposição contra acórdão. 2. Não incide o princípio da fungibilidade em caso de ausência de qualquer dos requisitos a que se subordina, quais sejam: a) dúvida objetiva sobre qual o recurso cabível; b) inexistência de erro grosseiro; c) que o recurso inadequado tenha sido interposto no prazo do que deveria ter sido apresentado. 3. Agravo regimental não conhecido, com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor corrigido da causa, na forma do art. 557, § 2º, do CPC.( STJ, AgRg no AgRg no AgRg no AREsp 390989 / SP AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2013/02893413, DJe 11/12/2013). A nosso sentir, é justo o que ocorre no presente caso, uma vez que a própria RFB consolidou o entendimento de que inexiste preclusão administrativa na análise de despacho decisório de não homologação da DCOMP quando visa a auferir o valor correto do crédito pleiteado pelo contribuinte. É como prevê a Solução de Consulta Interna – SCI Cosit n.º 18, de 3 de agosto de 2012, assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.000559/9894 Acórdão n.º 9303003.534 CSRFT3 Fl. 424 5 COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO OU REEMBOLSO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INDEFERIMENTO. RECURSO AO CARF. EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO PELA DRF. CÁLCULO DE VALORES. CONTROVÉRSIA. FATO NOVO. Na execução de acórdão do CARF observamse, rigorosamente, os limites materiais estabelecidos por este, inclusive quanto aos valores reivindicados pelo contribuinte, se sobre eles o Colegiado já houver se manifestado e declarado objetivamente no julgado. Se no ato de execução do acórdão pela DRF houver discordância do contribuinte quanto aos valores apurados, e sobre os quais o Carf não tenha se manifestado, devolvemse os autos do processo às mesmas instâncias julgadoras, a fim de ser julgada a controvérsia quanto aos valores, sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972. A controvérsia constitui fato novo que se materializa na forma de impugnação (manifestação de inconformidade) e recurso, com efeito suspensivo, previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, admissíveis a partir da ciência da decisão da DRF quanto aos valores objeto da execução. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 151, III; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, §11 do artigo 74; e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 66. (g.n). Ora, malgrado elaborada após a decisão proferida pela instância a quo, a existência da referida SCI – que, como cediço, não vincula este Colegiado – finda por caracterizar a dúvida objetiva de que fala o aresto do STJ, uma vez que surgida no seio da própria Administração Pública. Assim, entendo que os autos devem retornar à unidade de origem (DRF), para que tome a manifestação de inconformidade aviada pela interessada como se de recurso hierárquico tratasse e prossiga na análise da irresignação em conformidade com o rito estabelecido na Lei n.º 9.784, de 1999. Nesta perspectiva, entendo que não cabe o rito do Decreto nº 70.235/72 para eventuais discussões acerca da execução dos julgados administrativos e sim o rito previsto na Lei nº 9.784/99. Cravada essa premissa, nos resta analisar o que acontece com as decisões proferidas sem observância do rito adequado. Cada rito define as autoridades competentes para a análise de eventuais recursos. No rito do Decreto nº 70.235/72, cabe a DRJ julgar em primeira instância e ao CARF em segunda instância. Já no rito da Lei nº 9.784/99, o recurso é dirigido à autoridade que proferiu a decisão. Caso não haja reconsideração, será encaminhado à autoridade superior. Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 No caso dos autos, o recurso deveria ser encaminhado ao Delegado da DRF de origem e, caso ele não reconsiderasse, ao superintendente. Não foi o que aconteceu. O recurso foi encaminhado à DRJ e ao CARF. Portanto, é de fácil dedução que as decisões da DRJ e do CARF, no âmbito deste processo, foram proferidas por autoridades incompetentes. Na minha visão, proferir decisão sobre matéria que não está sob sua competência é caso de error in procedendo, senão vejamos: Parto pela autorizada lição do Professor JOSÉ AFONSO DA SILVA: A distinção fundamental está em que o juiz erra in procedendo, quando viola uma norma de direito processual, destinada a indicarlhe o modo de regular a sua conduta e a das partes durante o processo. Ensina o Professor AMÂNCIO FERREIRA: A decisão é errada por padecer de error in procedendo, quando se infringe qualquer norma processual disciplinadora dos diversos atos processuais que integram o procedimento. Plácido e Silva assim define: (...) error in procedendo com sendo erro no processar, ou erro de processo, que consiste na aplicação de regra de direito processual diferente da que deveria incidir, ou na nãoaplicação da regra incidente, por dolo processual, malícia, ignorância, desídia, ou interpretação errônea. Segundo pacificada doutrina, o error in procedendo consiste no defeito de forma que contamina a decisão enquanto ato jurídico, tornandoa inválida. O error in procedendo é marcado pela existência de vício na estrutura, na construção do ato jurídico consubstanciado na decisão jurisdicional, o que justifica a cassação, ou seja, a invalidação do decisum. Para Alexandre Freitas Câmara: (...) o error in procedendo está sempre ligado ao descumprimento de uma norma de natureza processual, e consiste em vício formal da decisão, que acarreta sua nulidade. Nesta hipótese, o objeto do recurso não será a reforma da decisão recorrida, mas sua invalidação. Em síntese, o error in procedendo consiste em vício de forma, em defeito estrutural, de construção do pronunciamento jurisdicional que deve ser resolvido com a nulidade do decisum que o contém. Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Pública para anular o Acórdão nº 1617.193, de 20/05/2008, da DRJ São Paulo I, e todos os atos produzidos a partir daquela decisão, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que seja processado o recurso hierárquico estabelecido na Lei nº 9.784/99 Sala das Sessões, em 16/03/2016 Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.000559/9894 Acórdão n.º 9303003.534 CSRFT3 Fl. 425 7 Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720404/2011-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO.
Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), visto a norma interpretativa - § 9-A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
Numero da decisão: 9303-004.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Leonardo Cavalcante Sá de Gusmão, OAB-RJ 127082, escritório Gaia, Silva, Gaed e Associados.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Erika Costa Camargo Autran, Robson José Bayerl (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen (suplente convocado).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), visto a norma interpretativa - § 9-A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Leonardo Cavalcante Sá de Gusmão, OAB-RJ 127082, escritório Gaia, Silva, Gaed e Associados. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Erika Costa Camargo Autran, Robson José Bayerl (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen (suplente convocado).
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DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), visto a norma interpretativa § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 04 04 /2 01 1- 92 Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Leonardo Cavalcante Sá de Gusmão, OABRJ 127082, escritório Gaia, Silva, Gaed e Associados. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Erika Costa Camargo Autran, Robson José Bayerl (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen (suplente convocado). Relatório Tratamse de Recursos Especial apresentados pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3403002.466, da 3º Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir na dedução prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98 não só os pagamentos efetuados por eventos realizados em associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzido dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade. O Colegiado consignou acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006, 2007, 2008 COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS. A partir do advento do art. 23, I e II “a”, da Medida Provisória nº 1.858 6, de 29/06/1999 e reedições até a MP nº 2.15835/ 2001 as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência das contribuições ao PIS e à Cofins. Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16682.720404/201192 Acórdão n.º 9303004.184 CSRFT3 Fl. 2.207 3 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. A dedução prevista no art. 3º, § 9º, III da Lei nº 9.718/98 alcança não só não só os pagamentos efetuados por eventos realizados em associados de outras operadoras, mas também os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzido dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido e manter o lançamento em sua integralidade. Alega a Fazenda Nacional, entre outros, que os pagamentos efetuados à rede credenciada e aos médicos cooperados, não podem ser deduzidos da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois o art. 3º, § 9º, inciso III, da Lei 9.718/98 não contempla custos e despesas relativos aos eventos com os associados da operadora autuada, mas sim com associados de outras operadoras. Ou seja, no que tange às exclusões contidas no art. 3º, § 9º, da Lei 9.718/98, constata que o citado parágrafo permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam determinados valores da base de cálculo do PIS e da COFINS, além das exclusões gerais previstas nos incisos I, II e IV do § 2º do art. 3º da mesma Lei, que diz respeito ao valor das indenizações correspondentes a eventos1 ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. O apelo fazendário foi admitido nos termos do despacho nº 3400156 de fls. 1782 a 1785. O sujeito passivo apresentou Recurso Especial, de modo a reformar parcialmente o supracitado acórdão recorrido, a fim de que: · Haja a aplicação retroativa do art. 19 da Lei 12.873/13 ao art. 3º, § 9º, inciso III, da Lei 9.718/98, devendo ser determinada a exclusão dos custos incorridos pelo sujeito passivo com a sua rede própria e todos os valores recebidos por ela a título de transferência de responsabilidade; Fl. 2208DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 · Sejam excluídas as receitas financeiras e patrimoniais da base de cálculo do sujeito passivo por expressa disposição do art. 62A, § 1º, do RICARF. O apelo do sujeito passivo não foi admitido em sua integralidade em relação às duas matérias questionadas, conforme Despachos de fls. 2167 a 2175 e de fls. 2176 a 2177: · Aplicação retroativa do artigo 19, da Lei 12.873/13, na determinação da base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep; · Aplicação de entendimento firmado pelo STF pela inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, para afastar a incidência da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep sobre receitas financeiras e patrimoniais. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. A priori, cabe lembrar que o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo não foi admitido. O que passo a analisar somente o Recurso interposto pela Fazenda Nacional. Depreendendose da análise do Recurso interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade é de se conhecêlo, considerando ser tempestivo e por atender aos demais requisitos de admissibilidade, vez que o confronto das decisões comprova a divergência. No acórdão recorrido foi autorizada a dedução, da base de cálculo das contribuições, nos termos do art. 3º, § 9º, inciso III, da 9.718/98, dos pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), deduzido dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade. Fl. 2209DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16682.720404/201192 Acórdão n.º 9303004.184 CSRFT3 Fl. 2.208 5 Em sentido contrário, no paradigma, adotouse o entendimento de que o citado dispositivo legal autoriza, tãosomente, a dedução dos gastos realizados pelas operadoras de saúde com os seus conveniados para indenizálos dos custos com atendimentos a clientes de outras operadoras, deduzidos dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade. Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide – qual seja, sobre a dedução da base de cálculo das contribuições, nos termos do art. 3º, § 9º, inciso III, da 9.718/98, dos pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), considerando que a fiscalização já havia aceitado a título de dedução, os valores efetivamente pagos por eventos realizados em associados de outras operadoras, já deduzidos dos valores recebidos a título de transferência de responsabilidade. O entendimento da Fazenda Nacional lastreouse somente no art. 3º, § 9º, inciso III, da Lei 9.718/98: “Art. 3º....................... § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades.” Não obstante, a MP 619/13, convertida na Lei 12.873/2013, o § 9A ao art. 3º da Lei 9.718/98, in verbis (Grifos meus): Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 “Art. 19. A Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 3º. .........………………….................................... ...................................................................................…..... § 9ºA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. ...................................................................................” (NR) Com tal dispositivo, houve esclarecimento normativo de que, para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Eis que, tais custos assistenciais compreendem despesas com hospitais, exames laboratoriais, honorários médicos, dentre outros, vêse claro que devemse excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins os pagamentos efetuados à rede credenciada e ao SUS (não congêneres), visto a norma interpretativa § 9A do art. 3ª da Lei 9.718/98 trazida pelo art. 19 da Lei 12.873/2013, esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos compreende o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 16682.720404/201192 Acórdão n.º 9303004.184 CSRFT3 Fl. 2.209 7 É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000922/2009-28
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008
AUXÍLIO EDUCAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA.
O auxílio ou bolsa educação direcionada aos funcionários da empresa, vinculada a sua atividade, não caracterizam remuneração, logo não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária.
ALUGUÉIS. SALÁRIO IN NATURA. HABITUALIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Havendo habitualidade no recebimento de ajuda de custo para aluguel, essa parcela deve integrar o salário de contribuição, com a devida incidência de contribuição previdenciária. Precedentes do Conselho de Contribuintes e Superior Tribunal de Justiça.
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Numero da decisão: 2803-003.057
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: a) cancelar lançamento e respectivos créditos com base nos Levantamentos "BOL Auxílio Instrução Superior"; b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008 AUXÍLIO EDUCAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. O auxílio ou bolsa educação direcionada aos funcionários da empresa, vinculada a sua atividade, não caracterizam remuneração, logo não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. ALUGUÉIS. SALÁRIO IN NATURA. HABITUALIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Havendo habitualidade no recebimento de ajuda de custo para aluguel, essa parcela deve integrar o salário de contribuição, com a devida incidência de contribuição previdenciária. Precedentes do Conselho de Contribuintes e Superior Tribunal de Justiça. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: a) cancelar lançamento e respectivos créditos com base nos Levantamentos "BOL Auxílio Instrução Superior"; b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.000922/200928 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2803003.057 – 3ª Turma Especial Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente CIA HEMMER INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/10/2008 AUXÍLIO EDUCAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. O auxílio ou bolsa educação direcionada aos funcionários da empresa, vinculada a sua atividade, não caracterizam remuneração, logo não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. ALUGUÉIS. SALÁRIO IN NATURA. HABITUALIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Havendo habitualidade no recebimento de ajuda de custo para aluguel, essa parcela deve integrar o salário de contribuição, com a devida incidência de contribuição previdenciária. Precedentes do Conselho de Contribuintes e Superior Tribunal de Justiça. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 09 22 /2 00 9- 28 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: a) cancelar lançamento e respectivos créditos com base nos Levantamentos "BOL Auxílio Instrução Superior"; b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.000922/200928 Acórdão n.º 2803003.057 S2TE03 Fl. 3 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase de Recurso Voluntário que manteve o Auto de Infração de Obrigação Principal, DEBCAD nº 37.204.6525,, a ciência em 20/03/2009 (fls. 02). Conforme o relatório fiscal, 36/37, refere se ao lançamento das contribuições devidas à Outras Entidades e Fundos (“terceiros”) sobre a remuneração especificada nos levantamentos abaixo, considerada como base de cálculo paga aos segurados empregados que prestaram serviços à autuada. Período do lançamento do crédito: 03/2004 até 10/2008.Citas e parte do relatório: Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: 3.1 Levantamento "BOL Auxílio Instrução Superior" remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados como bolsa de estudo de nível superior (relação nominal anexa), contabilizado na rubrica "Auxílio Instrução" no período de 03/2004 a 10/2008. Tais valores foram extraídos dos livros Diário/Razão, que não foram considerados na base de cálculo nesse período nem declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social). A legislação diz: "que os gastos relativos a educação superior (graduação e pósgraduação) de que trata o Capítulo IV, Lei n° 9.394, de 1996, integram o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária, por se tratar de valor pago a "qualquer título", conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991" (Ver também Cap. III da Lei 11.741/2008). Fl. 171DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 3.2 Levantamento "ALU Aluguel e Condomínio" valores contabilizados no período 04/2007 a 10/2008 como pagamento de aluguel e condomínio de apto no Ed. Spazzio da Vinci para benefício do segurado Christian Henrique Luef, cujo montante não foi considerado como base de cálculo nesse período nem declarados em GFIP (relação anexa).Considerado salários indiretos, conforme lei 8.212/91 art. 28, inc. I.O lançamento foi apurado com base nos documentos fornecidos pela contribuinte. O Recurso Voluntário alega ser improcedente o lançamento em razão dos seguintes motivos, resumidamente: nulidade do auto de infração por vício formal, por comporem no relatório “Fundamentos Legais do Débito” dispositivos não aplicáveis à lavratura, criando prejuízos de compreensão do ato; que os valores referentes a auxílio instrução superior e ressarcimento de despesas com aluguel e condomínio não têm natureza remuneratória, abusividade das multas e vedação ao confisco, e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.000922/200928 Acórdão n.º 2803003.057 S2TE03 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Quanto à preliminar de nulidade da lavratura, por falta de clareza do Relatório “Fundamentos Legais do Débito”, causado em razão de ter algo como um “exagero” de indicações de dispositivos legais, o que aferia a clareza da motivação do ato de lançamento, entendo que não há vício formal, em face dos artigos 33 a 37, ou 9º do Dec. 70235, ou do art. 142, do CTN, ou art. 37 da CF/1988. Isso porque, o vício efetivamente ocorreria caso houvesse ausência de indicações dos dispositivos legais que deram base ao ato de lançamento, dificultando a defesa. Acrescenta se, considerando que a motivação do ato administrativo encontra se justamente na demonstração do fenômeno da subsunção da norma, em que a autoridade explicita claramente, não somente os dispositivos legais, mas toda a formação fática e jurídica da norma individual e concreta. No caso, isso é plenamente demonstrado no Relatório Fiscal, tanto que permitiu a plena defesa e contraditório por parte da Recorrente, não havendo vícios causadores de prejuízos, como prescreve o art. 59, do Dec. 70235. Portanto, não acolhe se as preliminares de cerceamento de defesa e nulidade por vício formal do auto de infração. III – Quanto aos créditos tributários constituídos com base no levantamento de valores pagos pela recorrente aos seus empregados a título de auxílio instrução superior, o lançamento simplesmente aplicou a norma de incidência tributária por entender que não se trata de curso de capacitação ou aprimoramento profissional, em sua interpretação do art. 28, §9º, t, da Lei n. 8.212/1991. Em momento algum descaracterizou a finalidade de tais valores. Esta turma especial, bem como o CARF/MF, com base de reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, entende que a natureza desse tipo de auxílio pago pelas empresas aos seus empregados, que possibilite que os mesmos possam cursar o ensino superior é claro em entender que o disposto da norma extraída do art. 28, §9º, t, aplica se excluindo se a incidência da norma de exação. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Vai se além, o acima entendimento é de que não se trata sequer de verba remuneratória (pagamento pelo trabalho), mas verba indenizatória, ou investimento propriamente dito, pois é um pagamento para melhoria da execução dos trabalhos prestados (pagamento para o trabalho). E qualquer curso superior, mesmo que aparentemente não vinculado à atividade fim da empresa, representa em claro aumento de produtividade do trabalhador e de suas funções cognitivas. Ora, tais verbas estão fora do conceito de remuneração dos arts. 22, I e 28, I, da Lei n. 8.212/1991, logo, entendo que não se trata de aplicação da norma isentiva, mas sim de um caso de não incidência. Como já alertado, o entendimento é o mesmo do Superior Tribunal de Justiça de forma pacífica, a ponto da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no o art. 2º, inciso I, da Portaria n. 294/2010, declara que deixará de recorrer das decisões desfavoráveis na matéria, conforme o item 35 e informa as bases de tal decisão: Contribuição Previdenciária. Valores despendidos a título de bolsa de estudo dos empregados. Não incidência. Os valores despendidos pelo empregador com a educação do empregado não podem ser considerados como salário 'in natura', pois não retribuem o trabalho efetivo, não integrando a remuneração. Trata se de investimento da empresa na qualificação de seus empregados. Assim, não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária. Precedentes: RESP 479056/SC, RESP 1079978/PR, RESP 916208/ES, RESP 729901/MG, RESP 784887/SC, RESP 1079978/PR, RESP 676627/PR. Como esse é o único motivo que fundamenta esse tipo de lançamento, e o mesmo é inválido, o ato de constituição torna se insubsistente. Assim, entendo que os créditos tributários com base no Levantamento “BOL – Auxílio Instrução Superior” deve ser cancelado e excluídos do lançamento. III – O presente caso tem como objeto a interpretação se os valores pagos pela Recorrente de aluguel e condomínio de imóvel para servir de moradia a um de seus funcionários pode ser ou não considerado remuneração e, por conseqüência, excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias (art. 28, I, § 9º, m, da Lei n. 8.212/1991). Conforme a jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, o elemento cabal para exclusão dos valores pagos a título de aluguel é a habitualidade ou a eventualidade do pagamento. “Havendo habitualidade no recebimento de ajuda de custo para aluguel, essa parcela deve integrar o salário de contribuição, com a devida incidência de contribuição previdenciária.” (RESP 200200665800, DENISE ARRUDA, STJ PRIMEIRA TURMA, 22/09/2008; no mesmo sentido o Acórdão n. 20600577, 6ª Cam. Do 2º Conselho de Contribuintes, Rel. Cons. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, julg. 12/03/2008). Isso quer dizer que para o julgamento do recurso será necessário analisar as provas trazidos nos autos. Em que pese a alegação do contribuinte que o funcionário em questão seja o aluguel tem natureza de agregar aos estudos do funcionário beneficiado, para fins de frenquentar o Curso de Engenharia de Alimentos, por tempo determinado. Contudo, não traz nenhum documento referente a tal alegação pelo período do curso e da lavratura, para devida produção probatória como oportuniza art. 16, do Dec. 70.235/1992. V – Quanto às alegações de inconstitucionalidade da multa aplicada e aplicação da Taxa Selic, o CARF/MF não pode aprecia a ilegalidade ou inconstitucionalidade Fl. 174DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.000922/200928 Acórdão n.º 2803003.057 S2TE03 Fl. 5 7 para afastar tais imposições legais. Indiferentemente da opinião pessoal do Relator ou dos demais conselheiros, é vedado aos Conselheiros do CARF MF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob o argumento de inconstitucionalidade/ilegalidade do tributo que está previsto em lei, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. O que não ocorre no presente processo. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {2} § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2}o que no caso em nada foi apresentado ou se configura nos autos Logo, nesses pontos, não é possível acolher as razões da recorrente. V – Contudo, entendo que a fiscalização aplicou a sanção de forma equivocada. Em análise ao art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, a multa aplicada ao caso é escalonada de acordo com a fase do processo de constituição e cobrança das contribuições previdenciárias, iniciando com 4% a 100%. Os patamares superiores à 75% somente eram aplicáveis após o ajuizamento de ação de execução fiscal. Ou seja, em fase administrativa, a aplicação mais favorável é a da redação do art. 35, , da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008. Note seque os créditos Fl. 175DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 são inclusive anteriores à publicação da MP n 449, de 04.12.2008, Assim, entendimento contrário, será uma afronta à irretroatividade da aplicação da lei, salvo se mais benéfica,(art. 104, III, c;c 106, I, do CTN) bem como negar vigência à necessidade de interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 112, do CTN), pois o ato omissivo de não pagamento de contribuições que não foram devidamente declaradas ocorreu antes do lançamento. Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.11031109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 32A cumulada com a multa do art. 35, com a redação anterior, como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Ao presente lançamento, deve se atentar que houve a não declaração de fatos geradores em GFIP, assim seria aplicada a multa de ofício caso a infração tivesse ocorrido ao tempo da nova legislação (art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008), logo a mesma deve ser sempre comprada com a aplicada a época dos fatos considerando a sua fase processual da constituição do crédito até a sua cobrança. Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art.. 35A da Lei n. 8.21211991 combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13971.000922/200928 Acórdão n.º 2803003.057 S2TE03 Fl. 6 9 VI – Conclusão Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e, no mérito, para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, reformando o julgamento anterior e o lançamento no sentido de: a) cancelar lançamento e respectivos créditos com base nos Levantamentos “BOL – Auxílio Instrução Superior”; b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao contribuinte. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 177DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10580.724210/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2007
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL.
Não é possível a compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa.
Numero da decisão: 2201-003.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
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AUSÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. DEPÓSITO JUDICIAL. Não é possível a compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 42 10 /2 00 9- 11 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 27/07/2009, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2007, anocalendário 2006, decorrente da compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 15.499,25 referente à fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Constou da referida notificação que de acordo com informações da Fonte Pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil o imposto retido na fonte no valor de R$ 15.499,25 foi depositado em juízo, não podendo ser objeto de restituição através de Declaração de Ajuste Anual. Inconformada com a notificação apresentada, a contribuinte protocolizou impugnação, fl. 2, 26 e 42, alegando isenção do pagamento do imposto de renda referentes aos proventos de aposentadoria por ser portador de moléstia grave especificada em lei, conforme laudo médico de fl. 43. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) na declaração de ajuste anual retificadora, de 26/05/2009 (fls. 17/20), o contribuinte deixou em branco (zerado) o campo “rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica” e transferiu os rendimentos pagos pela Previ para o campo “rendimentos isentos e nãotributáveis – proventos de aposentadoria por moléstia grave”, mantendo o imposto de renda retido na fonte de R$ 15.499,25; b) os documentos anexados à impugnação comprovam um dos requisitos para a isenção: proventos de aposentadoria (fl. 9). Quanto ao segundo requisito, condição pessoal de portador de moléstia grave, o documento apresentado (fl. 43) – relatório emitido por médico servidor público federal em receituário do Complexo Hospitalar Universitário Professor Edgar Santos – não atende às exigências legais de laudo pericial emitido por serviço médico federal, caso do órgão emissor, autarquia federal, posto que, a Portaria da Secretaria de Recursos Humanos (SRH) nº 797, de 22/03/2010, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, institui o Manual de Perícia Oficial em Saúde do Servidor Público Federal, a ser adotado como referência nos procedimentos periciais em saúde na Administração Pública Federal. Nele está estabelecido que a avaliação para isenção de imposto de renda compete à junta oficial em saúde ou a perito oficial em saúde, obrigatoriamente, designado em documento legal, o que não restou comprovado; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.724210/200911 Acórdão n.º 2201003.131 S2C2T1 Fl. 134 3 c) registrase ainda que informações na Dirf da fonte pagadora, Previ (fl. 44) indicam rendimentos tributáveis com exigibilidade suspensa, de R$ 88.280,13, aos quais correspondem imposto de renda retido na fonte, de R$ 15.499,25; d) a declaração da Anabb (fl. 27) relata que a ação ordinária de 2001, com antecipação de tutela deferida para que o imposto de renda incidente sobre o complemento de aposentadoria fosse depositado em juízo, teve o mérito julgado improcedente em, e, após o trânsito em julgado, iniciouse a execução sob nº 200334000424186, já encerrada, em favor da Fazenda Nacional, mas os extratos destas duas ações (fls. 28/35) não corroboram as declarações da Anabb, e, o contribuinte não anexou à impugnação qualquer decisão judicial que identifique a destinação do IRRF depositado judicialmente, relativo ao ano calendário de 2006. Ressaltase que a ação de conhecimento de 2001, encerrouse em 2003 (julgamento do mérito) e a de execução, de 2003, também já encerrada, em 2005, não justificam depósitos judiciais posteriores a 2003; e) o lançamento fiscal está de acordo com o contexto do questionamento judicial, pois o que está sendo exigido do contribuinte é a devolução do imposto não recolhido aos cofres públicos e que foi restituído indevidamente. Observase que a integralidade do IRRF declarado pelo contribuinte, no montante de R$ 15.499,25, foi depositada em juízo, portanto, não estava disponível para que fosse restituída. Qualquer restituição deste valor somente seria cabível se a União fosse vitoriosa na citada ação judicial, e somente a partir do momento em que o depósito judicial fosse convertido em renda da União. Caso contrário, ocorreria uma restituição em duplicidade ao contribuinte, pois ele já teria recebido uma restituição no valor de R$ 6.673,12, e quando obtivesse êxito na ação judicial, receberia a integridade do valor IRRF depositado judicialmente, no montante de R$ 15.499,25. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte aduz, em síntese, que: a) em cumprimento da determinação judicial, a fonte pagadora passou a realizar o depósito do IRRF perante a Caixa Econômica Federal na conta judicial n.º 975.635.0202.4406, procedimento que foi realizado desde o anocalendário 2001 até o anocalendário 2009,inclusive no anocalendário controvertido (2006), como pode ser observado no informe de Rendimento do recorrente, bem como no próprio acórdão objeto do presente recurso; b) em sua declaração de IRPF do exercício de 2007, o recorrente fez constar o valor que havia sido retido na fonte pela entidade pagadora, sendo que a RFB a processou e deferiu a restituição do IRPF recolhido a maior; c) após realizada a restituição, em 2009, a SRFB emitiu Notificação de Lançamento sob o argumento de que tal Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 restituição teria sido indevida, em razão de o valor do IRRF depositado em juízo não ter sido até então convertido em renda em favor da União; d) o processo judicial proposto pelo contribuinte findouse em 05/12/2003 (consulta processual doc 2), momento no qual teve início o processo de execução de sentença proposto pela União (vide consulta processual doc 3) que veio a encerrar em 10/02/2006; e) caberia a União prestar a informação relativa ao recebimento dos valores, uma vez que a execução da sentença relativa ao processo em que os depósitos judiciais foram realizados foi promovida pela própria União; f) caso o montante não tenha sido efetivamente devolvido aos cofres públicos por omissão ou mora, tal situação jamais poderia ser imputada ao contribuinte; g) nulidade da notificação de lançamento por vício formal decorrente da ausência de enquadramento legal correlacionado com a descrição dos fatos; h) embora a ação ordinária e sua execução tenham findado, respectivamente, em 2003 e 2006, nada impede que os depósitos judiciais tenham continuado a ocorrer, como efetivamente o foram; i) os depósitos realizados pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, perpetuaramse mesmo após o final do processo, provavelmente, em razão de a fonte pagadora, que não foi parte no processo judicial, não ter sido informada do término da ação, o que deveria ter sido determinado pelo juiz da causa ou mesmo solicitado pela PGFN na condição de representante da União, maio interessada no recebimento do valor correspondente ao IRRF; j) a realização dos depósitos judiciais estavam amparados por decisão de juiz competente para determinálos e não contaram com qualquer participação por parte do contribuinte; k) em que pese o coerente requisito da necessidade de a União ter sido vitoriosa na ação judicial, o mesmo não pode ser dito do requisito do depósito já ter sido convertido em renda, pois ocorrido o trânsito em julgado de sentença favorável para a União, o levantamento do valor depositado dependia exclusivamente da Procuradoria da Fazenda Nacional; l) o simples fato de a União ter promovido a execução de sentença já é suficiente para se aduzir que a mesma consagrou se vitoriosa no processo de origem, afastando a ilação da SRJ no sentido de que se o contribuinte obtivesse êxito na ação judicial, poderia obter a restituição em duplicidade; m) o contribuinte não fez prova de que a sentença foi favorável à União, porque, em razão dos vícios da notificação, desconhecia o teor das imputações que estavam lhe sendo feitas; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.724210/200911 Acórdão n.º 2201003.131 S2C2T1 Fl. 135 5 n) o contribuinte não conseguiu obter a cópia dos autos do processo judicial, devido ao arquivamento e aos problemas estruturais da Seção de Arquivo e de Depósito Judicial; o) no que se refere à conversão do valor depositado em renda, ainda que o mesmo não tenha ocorrido integralmente, isto se deu pela simples inércia da fazenda Nacional que, de posse de título executivo favorável a si não procedeu com a conversão do valor depositado em renda; p) considerando que a ação ordinária transitou em julgado em 05 de agosto de 2003 (doc 05), todos os depósitos judiciais que o sucederam eram por direito da União, podendo ser, a qualquer tempo levantados; q) o comportamento do contribuinte encontra guarida na IN n.º 1.216/2011, que constitui norma complementar à legislação tributária, cuja observância afasta a exigência de qualquer montante a título de multa e juros de mora; r) requer o contribuinte a conversão do julgamento em diligência para que seja oficiada a PGFN para que preste informações acerca dos processos judiciais de n.º 2001.34.00.0025136 e 2003.34.00.0124186 (Seção Judiciária de Brasília) informando sobre o conteúdo da sentença e sobre a conversão em renda dos valores depositados em favor da União e da existência de saldo remanescente passível de conversão complementar; s) requer também o recorrente que seja solicitada à PGFN que oficie a CEF no sentido de obter o saldo disponível da conta bancária dos depósitos judiciais, os quais permanecem pendentes de transferência para a conta da União, em decorrência da decisão transitada em julgado; t) demanda o contribuinte pela possibilidade de realizar a juntada de novos documentos como forma de fazer prevalecer o princípio do contraditório e da ampla defesa. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Da ausência de nulidade da notificação de lançamento Aduz o recorrente a nulidade da notificação de lançamento por vício formal decorrente da ausência de enquadramento legal correlacionado com a descrição dos fatos. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Tal vício suscitado, ainda fosse identificado, não seria capaz de ensejar a nulidade do auto de infração, pois, conforme consta dos autos, o contribuinte efetivamente se defendeu com base no objeto da notificação, que foi a compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 15.499,25 depositado em juízo. O artigo 59 do Decreto 70.235/1972 assim dispõe sobre as nulidades: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O mesmo Decreto, em seu art. 60, esclarece que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". Assim, ao contrário do sustentado pelo contribuinte, não houve cerceamento do direito de defesa, o que pode ser claramente observado em todas as fases do presente processo, e, ainda que eventualmente estivesse imprecisa a fundamentação legal, não restou demonstrado prejuízo ao contribuinte. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade. Da compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte Conforme relatado, em 27/07/2009, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2007, anocalendário 2006, decorrente da compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 15.499,25 referente à fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, tendo em vista que o citado valor foi depositado em juízo, não podendo ser objeto de restituição através de Declaração de Ajuste Anual. O contribuinte, em suas razões recursais, tece argumentações considerando que o processo judicial no qual figura com autor findouse em 05/12/2003 (processo n.º 2001.34.00.0025136, em trâmite na Seção Judiciária do Distrito Federal) e o processo de execução de sentença proposto pela União encerrouse em 10/02/2006 (processo n.º 2003.34.00.0124186). Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.724210/200911 Acórdão n.º 2201003.131 S2C2T1 Fl. 136 7 Desse modo, aduz o recorrente que, devido ao trânsito em julgado da ação no ano de 2003, todos os depósitos judiciais que o sucederam eram por direito da União, podendo ser, a qualquer tempo levantados. Ademais, tendo em vista que o contribuinte não logrou êxito ao solicitar a cópia do processo judicial, em razão da suposta indisponibilidade para cópia no setor de arquivos, pugnou pela conversão em diligência para que seja oficiada a PGFN a prestar informações acerca dos processos judiciais em comento informando sobre o conteúdo da sentença; sobre a conversão em renda dos valores depositados em favor da União; e a existência de saldo remanescente passível de conversão complementar. Pleiteou também o recorrente a determinação à PGFN que oficie à CEF no sentido de obter o saldo disponível da conta bancária dos depósitos judiciais, os quais permanecem pendentes de transferência para a conta da União; bem como que seja aberta a possibilidade de realização da juntada de novos documentos como forma de fazer prevalecer o princípio do contraditório e da ampla defesa. Em consulta aos documentos anexados pelo recorrente, fls. 119 e 120, verificase que o saldo de depósitos referentes inclusive ao anocalendário em questão (2006) ainda encontravamse em conta judicial em 23/01/2013, ou seja, não haviam sido convertidos em renda para União, quando da realização do pedido de compensação. Além disso, em consulta realizada no sítio do Tribunal Regional Federal da 1º Região, foi possível identificar que a baixa ocorrida nas duas ações (ordinária e de execução) nos respectivos anos de 2003 e 2006 foram canceladas, sendo retomado o andamento processual, o que corrobora o fato de que os valores depositados em juízo não estavam disponíveis para a União, no período em que foi realizada a compensação, conforme andamento processual abaixo: a) Processo n.º 2001.34.00.0025136 Procedimento Ordinário Movimentação Data Cod Descrição Complemento 12/04/2016 12:42:35 123 BAIXA REMETIDOS PARA EXECUCAO SENTENCA ATUALIZAÇÃO DE MOVIMENTAÇÃOALTERAÇÃO DE CLASSE PARA CUMPRIMENTO DE SENTENÇA PROCESSO 20030424186 FLS630V NO DIA 05122003 20/10/2015 15:32:26 210 PETICAO OFICIO DOCUMENTO JUNTADOO 15/09/2015 13:39:38 204 OFICIO EXPEDIDO 17/08/2015 15:37:02 204 OFICIO ORDENADA EXPEDICAO 17/08/2015 15:36:56 154 DEVOLVIDOS C DESPACHO 10/08/2015 15:23:33 137 CONCLUSOS PARA DESPACHO 10/08/2015 15:23:17 124 BAIXA CANCELADA RESTAURADA MOVIMENTACAO Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Data Cod Descrição Complemento PROCESSUAL 05/12/2003 10:58:59 123 BAIXA REMETIDOS PARA EXECUCAO SENTENCA b) Processo n.º 2003.34.00.0424186 Cumprimento de Sentença Movimentação Data Cod Descrição Complemento 15/04/2016 14:41:14 204 OFICIO ORDENADA EXPEDICAO 15/04/2016 14:41:08 154 DEVOLVIDOS C DESPACHO 13/04/2016 17:09:07 137 CONCLUSOS PARA DESPACHO 06/08/2015 14:22:08 210 PETICAO OFICIO DOCUMENTO JUNTADOO PETIÇÃO REITERA PEDIDO DE FLS 704 06/08/2015 14:12:27 218 RECEBIDOS EM SECRETARIA SEM PETIÇÃO 30/07/2015 12:45:31 126 CARGA RETIRADOS ADVOGADO REU RETIRADOS PELO FUNC UBIRAJARA EVANGELISTA DE AVILA RG 932315 SSPDF ADVGDF00002787 IVO EVANGELISTA DE AVILA TELEFONE3226980085501512 DATA DEVOLUÇÃO03082015 QTDE FOLHAS709 29/07/2015 11:55:02 185 INTIMACAO NOTIFICACAO VISTA ORDENADA REU OUTROS 29/07/2015 11:54:56 179 INTIMACAO NOTIFICACAO PELA IMPRENSA PUBLICADO DESPACHO 03/07/2015 17:28:00 178 INTIMACAO NOTIFICACAO PELA IMPRENSA PUBLICACAO REMETIDA IMPRENSA DESPACHO PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 290715 28/05/2015 15:04:06 176 INTIMACAO NOTIFICACAO PELA IMPRENSA ORDENADA PUBLICACAO DESPACHO 28/05/2015 15:03:46 154 DEVOLVIDOS C DESPACHO 26/05/2015 16:25:27 137 CONCLUSOS PARA DESPACHO 18/03/2015 13:10:48 210 PETICAO OFICIO DOCUMENTO JUNTADOO 18/03/2015 12:38:58 218 RECEBIDOS EM SECRETARIA 18/03/2015 12:38:53 124 BAIXA CANCELADA RESTAURADA MOVIMENTACAO PROCESSUAL Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.724210/200911 Acórdão n.º 2201003.131 S2C2T1 Fl. 137 9 Data Cod Descrição Complemento 10/02/2006 11:16:27 123 BAIXA ARQUIVADOS Portanto, verificase que o trânsito em julgado da decisão, com baixa definitiva do processo n.º 2001.34.00.0025136 Procedimento Ordinário, ocorreu apenas em 12/04/2016, ocasião na qual foi remetido para a execução de sentença. Dessa forma, não se faz necessária a conversão em diligência pleiteada pelo contribuinte, tendo em vista que foram identificados todos os elementos necessários para o deslinde do litígio. Nesse contexto, tendo em vista a motivação da glosa, as alegações do contribuinte, bem como o disposto no art. 74 da Lei 9.430/96 (Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão), deve ser mantida a glosa referente à compensação indevida, pois, quanto realizada a compensação, a ação judicial ainda encontravase em trâmite e os depósitos não haviam sido convertidos em renda para a União. Assim, diante da impossibilidade de compensação de valores que se encontrem sub judice e com exigibilidade suspensa, não assiste razão ao recorrente. Dos juros e da multa aplicados Sustenta o recorrente a sua fiel observância da legislação tributária sendo indevida a aplicação de juros e de multa. Não obstante as alegações acerca dos juros e da multa, conforme restou demonstrado anteriormente, houve de fato a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, o que enseja a correspondente aplicação de juros e multas nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei n.º 9.430/96, art. 18 da Lei n.º 10.833/2003. Assim, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 141DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10820.002091/2002-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1998
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE CONTA-CORRENTE EM NOME DE INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE CONFIGURADO. Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação
de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas (Súmula 34 do CARF).
Recurso Especial Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-001.683
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Jorge Celso Freire da Silva
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA QUALIFICADA. UTILIZAÇÃO DE CONTACORRENTE EM NOME DE INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE CONFIGURADO. Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas (Súmula 34 do CARF). Recurso Especial Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 20 91 /2 00 2- 98 Fl. 872DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10820.002091/200298 Acórdão n.º 9101001.683 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório A empresa DUPLA COMÉRCIO DE VEÍCULOS ARAÇATUBA LTDA, cientificada do Acórdão 10515.598, proferido na sessão de 15/06/2007 da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apresentou RECURSO ESPECIAL À CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CSRF, com fulcro no artigo 7o, inciso II do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente à época da aludida decisão. O Recurso Especial, protocolado em 7/11/2007, às fls. 775790, teve seguimento conforme Despacho 105430/2008 (fl. 856), assim redigido (verbis): “(...) Argumenta a recorrente, que a decisão proferida pela Câmara diverge de outras decisões de Conselho em relação à aplicação da multa qualificada. Diz o recorrente que a Câmara ao manter a multa qualificada no caso de omissão de receitas por presunção legal contida no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, divergiu da decisão contida nos acórdãos 10322.285, 10807.875 que entenderam de forma distinta e reduziram a multa qualificada. Fez juntar aos autos cópia integral primeiro acórdão. Dificilmente a questão da multa qualificada propicia a divergência jurisprudencial, pois normalmente depende das provas contidas nos autos. Ocorre que no presente caso realmente há uma questão de direito que independe de provas a ser solucionada pela CSRF, pois tanto no acórdão recorrido como no paradigma cuja integra fora juntada, houve tributação com base na presunção legal contida no artigo 42 da Lei n° 9.430/92, em que a conta era movimentada por interpostas pessoas, ou seja, a situação fática é semelhante à do acórdão recorrido. Ou seja, as Câmaras diante da mesma presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários em nome de interpostas pessoa decidiram de forma distinta, pois o recorrido manteve a multa qualificada enquanto que o paradigma a afastou. (...)” (Grifei). Cientificado, o Procurador da Fazenda Nacional apresentou contrarazões ao recurso fls. 860 à 866. Os autos foram encaminhados à CSRF e o processo distribuído, a este Relator. É o breve relatório. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10820.002091/200298 Acórdão n.º 9101001.683 CSRFT1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva Relator. O Recurso Especial do Contribuinte atende aos pressupostos Regimentais, vigentes a época da sua interposição, logo deve ser admitido e apreciado. Insurgese o Recorrente contra o 'acórdão proferido pela Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, em síntese, entendeu cabível a aplicação de multa qualificada, no percentual de 150%, mesmo se tratando de exigência em face de omissão de receitas apurada a partir de presunção legal. O acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte por considerar que restou constatado o dolo por meio de utilização de conta bancária de terceira pessoa para movimentação financeira da empresa como forma de se furtar ao recolhimento de tributos, justificando a aplicação da multa qualificada. O contribuinte sustenta que não restou comprovado nos autos os indícios de fraude que fundamentam a aplicação de multa qualificada. Vejamos a ementa e os fundamentos do acórdão recorrido quanto a matéria em litígio: Ementa: “MULTA QUALIFICADA. 150% Constatado o dolo por meio da utilização de conta bancária de terceira pessoa para movimentação financeira da empresa como forma de furtar ao recolhimento de tributos, cabível a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%". Fundamentos (fl. 785): "Quanto à multa agravada entendo tenha sido uma providencia justa da.. DRJ Ribeirão Preto, em determinar o agravamento, pois tendo ficado comprovado a interposição de terceira pessoa, aliada com as negativas da empresa em aceitar a conta como de sua responsabilidade o que torna mais evidente o dolo, fica claramente evidenciado o intuito de fraude." Por sua vez no acórdão paradigma, 10322.285, a multa qualificada foi afastada, por se tratar de exigência calcada exclusivamente na presunção legal, conforme resumido na ementa abaixo transcrito (fl. 803): Ementa: “MULTA QUALIFICADA CABIMENTO PRESUNÇÃO LEGAL A presunção legal, contida no artigo 42 da Lei 9.430/96, onde se apóia o presente lançamento, não convive com aplicação da multa agravada, uma vez que essa última demanda a prova inequívoca do dolo específico.” Nos fundamentos deste acórdão paradigma, verificase que a qualificação da multa foi afastada pelos seguintes fundamentos (fls. 816 e seguintes): Fl. 874DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10820.002091/200298 Acórdão n.º 9101001.683 CSRFT1 Fl. 5 4 “(...) A decisão recorrida, a seu turro, manteve o agravamento da multa por entender que ‘... a multa de oficio aplicada é correta, pois, a utilização de conta bancária para receber depósitos e a emissão de cheques de pessoa não pertencente à evidencia a intenção de sonegar tributos.’ (...) Inicialmente, é importante notar que não restou configurado, nos atos, o intuito doloso de reduzir o montante do imposto devido, através da prática de não 1 incluir nos registros I contábeis as receitas obtidas pela atividade, com a conseqüente 1 i alteração da base tributável, tendo como resultado a redução do Valor devido a titulo de imposto de renda. De outro lado, a presente autuação está fundada em presunção legal, fulcrada no artigo 42, da Lei 9.430/96, sendo certo que a fiscalização não se, aprofundou em suas investigações, no sentido de trazer para os autos a informações outras a respeito das circunstâncias reais que envolveram a omissão de receitas do anocalendário de 1997. Em tais condições, como não restou provado o dolo especifico e como o agravamento da multa não pode conviver com o lançamento fundado em presunção legal, encaminho o voto no sentido de dar provimento ao recurso para reduzir a multa agravada ao seu patamar normal de 75%. (...)” Pois bem. A qualificação da multa de oficio é autorizada pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 que em seu parágrafo 1o. estabelece que “o percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de ;1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Verificase, pois, que a multa qualificada incide no caso de evidente intuito de fraude, que está definido nos artigos 71 a 73 da Lei n.° 4.502/64. Dentre os ilícitos dispostos nos artigos acima mencionados, o que se aplica ao presente caso é a sonegação, prevista no art. 71 da Lei n.° 4.502/64, verbis: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”. Ora, não há a menor dúvida de que o contribuinte, ao movimentar seus recursos financeiros mediante conta bancário de titularidade de interposta pessoa, deixando de registrar tais operações em sua contabilidade, bem como nas Declarações de IRPJ, buscou impedir ou retardar o conhecimento desses fatos pela autoridade tributaria, caracterizando o Fl. 875DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10820.002091/200298 Acórdão n.º 9101001.683 CSRFT1 Fl. 6 5 evidente intuito doloso. Tal fato restou provado I nos autos, e, salientese, foi confirmado no acórdão proferido. E mais: No âmbito deste Conselho, é pacífico o entendimento de que a interposição de pessoas com o intuito de ocultar a movimentação de recursos sujeitos à tributação caracteriza conduta dolosa e enseja a aplicação da multa no percentual de 150%, nos termos da legislação vigente. A matéria foi objeto do enunciado nº 34 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovada pela Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 34 Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas.” Destarte, à luz dos fartos elementos probatórios constantes dos autos, concluise que restou comprovada a conduta dolosa da contribuinte suficiente para ensejar a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 876DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/ 10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000055/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo acórdão de primeira instância que enfrenta a matéria contida na Impugnação.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROVA DA ORIGEM. NOTAS FISCAIS.
As notas fiscais comprovam as origens dos depósitos, mesmo não havendo perfeita harmonia entre valores e datas entre tais notas e os depósitos efetuados. Assim, devem ser excluídas do lançamentos as parcelas correspondentes a origens de recursos comprovadas por meio de documentação hábil.
Numero da decisão: 2201-002.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$19.300,00, vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto e relator) e Carlos Alberto Mees Stringari, que negavam provimento ao recurso. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto e Relator.
Assinado Digitalmente
Carlos César Quadros Pierre Redator designado.
EDITADO EM: 07/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 Ementa: PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que enfrenta a matéria contida na Impugnação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROVA DA ORIGEM. NOTAS FISCAIS. As notas fiscais comprovam as origens dos depósitos, mesmo não havendo perfeita harmonia entre valores e datas entre tais notas e os depósitos efetuados. Assim, devem ser excluídas do lançamentos as parcelas correspondentes a origens de recursos comprovadas por meio de documentação hábil.
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que enfrenta a matéria contida na Impugnação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROVA DA ORIGEM. NOTAS FISCAIS. As notas fiscais comprovam as origens dos depósitos, mesmo não havendo perfeita harmonia entre valores e datas entre tais notas e os depósitos efetuados. Assim, devem ser excluídas do lançamentos as parcelas correspondentes a origens de recursos comprovadas por meio de documentação hábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$19.300,00, vencidos os Conselheiros Eduardo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 00 55 /2 00 9- 17 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE 2 Tadeu Farah (Presidente Substituto e relator) e Carlos Alberto Mees Stringari, que negavam provimento ao recurso. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto e Relator. Assinado Digitalmente Carlos César Quadros Pierre – Redator designado. EDITADO EM: 07/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/08, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.184.167,96, calculado até 30/01/2009. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Inconformado, o contribuinte impugnou o lançamento, conforme instrumento de fls. 195/216, em que depois de resumir os fatos, suscita preliminarmente nulidade do procedimento por irregularidade de representação, sustentando que o Auto de Infração não teria sido assinado pelo sujeito passivo, mas pela Sra. Jacy Nunes Cabral da Silva sem poderes específicos constituído por meio de instrumento público de mandato. Ainda em preliminar, suscita nulidade do feito mediante alegação de que o Mandado de Procedimento Fiscal teria expirado 10 de Maio de 2008, depois de decorridos 60 dias, sem que houvesse prorrogação o que somente ocorreu em 26 de agosto de 2008. Quanto ao mérito, alega que os depósitos bancários tiveram origem comprovada. Acrescenta ser complicado para uma pessoa física manter contabilidade detalhada de todos os valores Fl. 271DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 15983.000055/200917 Acórdão n.º 2201002.988 S2C2T1 Fl. 271 3 que circulam em conta corrente e que somente podem ser autuados os valores que constituíram renda para o contribuinte. Nesse sentido, sustenta que deveriam ter sido apresentados os motivos que levaram a não considerar a comprovação de origem apresentada pelo Impugnante. Alega ainda, que muitos depósitos tiveram a origem comprovada e teriam entrado e saído das contas, mas acabaram constando indevidamente do lançamento. Afirma que não houve acréscimo de renda e acrescenta que da análise dos extratos se verifica que seu saldo sempre ficou negativo. Sustenta que eram valores pertencentes exclusivamente a Guarujá Veículos Ltda. Prosseguindo seu arrazoado, alega que os depósitos em valores inferiores a R$ 12.000,00 devem ser excluídos do lançamento nos termos do artigo 849, parágrafo 2°, inciso II do RIR/99. Alega ainda que a multa de 75% sobre o imposto apurado é confiscatória e recorre à doutrina e jurisprudência que alarga o alcance da vedação do confisco inserida no artigo150, IV da Constituição Federal vigente. Em relação aos juros aplicados, sustenta que se a tributação ocorre mês a mês na forma do artigo 849, § 3º do RIR/99, os juros deveriam seguir a mesma regra para cálculo da mora e alega não ser possível verificar a correção do valor cobrado, pois não teria sido apresentada planilha demonstrativa aludindo assim a cerceamento de defesa. Finalizando suas alegações, pede o acolhimento das preliminares ou, que seja reconhecida a comprovação das receitas e ainda, alternativamente, a exclusão da multa de ofício e impugnação ao valor dos juros moratórios. Requer ainda a juntada de outros documentos de prova que se entenda necessários e que as intimações sejam endereçadas ao escritório dos procuradores nesta constituídos, no endereço indicado na impugnação. A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP2 julgou improcedente a Impugnação apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n.° 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE 4 Fica sujeito à multa de 75%, na forma do artigo 44, I da Lei 9430, nos casos do lançamento de ofício. Não configura confisco o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física que atendeu aos preceitos legalmente estabelecidos e exigiu tributo resultante da constatação de omissão de rendimentos, bem como impôs multa de ofício que apresentou como base de cálculo o correspondente imposto apurado. A vedação constitucional do artigo 150, IV, se aplica ao legislador na instituição de tributo e não à cominação de penalidade. JUROS MORATÓRIOS. Os juros de mora decorrem de expressa disposição legal e são calculados na forma do artigo 61 da Lei 9.430/96, exigíveis a partir do vencimento do prazo para apresentação da declaração de ajuste anual. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual os seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela, objeto da decisão. PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada com a impugnação, salvo nas hipóteses previstas em Lei. Art. 16 do Decreto 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 25/04/2011 (fl. 250pdf) e, em 24/05/2011, interpôs o recurso de fls. 252/262pdf, sustentando, exatamente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 2005. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar as preliminares suscitadas pelo recorrente. Quanto à alegação de que o Auto de Infração teria sido assinado por pessoa sem poderes de representação, verificase à fl. 183pdf que o recorrente nomeou a Sra. Jacy Fl. 273DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 15983.000055/200917 Acórdão n.º 2201002.988 S2C2T1 Fl. 272 5 Nunes Cabral da Silva, CPF 883.378.80830, como sua procuradora com poderes de especiais para representálo junto à Receita Federal do Brasil em Santos/SP. Ainda que não houvesse tal documento, não considero que houve ofensa ao direito de defesa do recorrente, já que a intimação, mesmo sendo feita sem observância das normas, será válida se houver a manifestação do contribuinte no prazo legal. Rejeitase, pois, a suscitada preliminar. No que tange à alegação de que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) teria expirado em 10/05/2008, constatase, por meio da consulta à página da Receita Federal do Brasil na internet (www.receita.fazenda.gov.br), que o referido documento teve o termo final (sem prorrogações) determinado em 27/06/2008 e, conforme bem pontuou o próprio contribuinte em seu apelo, o § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972 prevê a prorrogação do procedimento fiscal, consoante dispõe a Portaria RFB n° 11.371/2007. Não vislumbro, assim, também quanto a este aspecto nenhum vício no procedimento fiscal. No que toca à alegação de nulidade da decisão recorrida, em razão da não apreciação dos documentos juntados aos autos, constatase que o voto condutor do julgamento a quo enfrentou todas as questões suscitadas em sua Impugnação, inclusive quando consignou que “... não houve comprovação da origem dos recursos que transitaram nas suas contas bancárias, ao contrário, com esta impugnação, o contribuinte tãosomente trouxe os mesmos documentos já examinados pelo fiscal, acerca dos quais, há que se observar a existência de notas fiscais de venda de veículos cujo pagamento foi efetivado em favor da Concessionária Guarujá Veículos ...”. Com efeito, dos argumentos despendidos pelo recorrente, fica evidente que o seu descontentamento tem a ver com o conjunto probatório carreado aos autos que, na visão da fiscalização e/ou da autoridade recorrida, não foi suficiente para comprovar determinada situação. Se os fatos estão provados ou não, ou se efetivamente se ajustam ao modelo hipotético instituído pelo legislador, aí se verifica uma questão de mérito, o que ultrapassaria a preliminar suscitada. A bem da verdade, verificase que o lançamento pautouse nos elementos trazidos aos autos pela fiscalização, bem como naqueles acostados pelo contribuinte por ocasião da apresentação de seus argumentos. Ademais, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia que entender desnecessário. Sobre o indeferimento para apresentação de novas provas, impende esclarecer que a jurisprudência administrativa tem sido bastante rigorosa na impossibilidade de aceitação de prova apresentada de forma intempestiva quando a situação não está enquadrada em alguma das hipóteses previstas nos itens “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, consoante se observa das ementas transcritas: PAF É preclusa juntada de provas, laudos ou outros documentos pelo contribuinte em momento posterior à apresentação da peça impugnatória, ressalvadas as hipóteses de impossibilidade de fazêlo ou de força maior, que devem ser devidamente provadas. A competência para julgar a matéria em grau de recurso é do Segundo Conselho de Contribuintes. [3º Fl. 274DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE 6 Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 303 00.968 em 10.08.2004. Publicado no DOU em: 20.04.2005]. PAF PRODUÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL PRECLUSÃO. Na forma do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. [2º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 20215.803 em 15.09.2004. Publicado no DOU em: 11.08.2005]. O indeferimento fundamentado do pedido para apresentação de novas provas não acarreta a nulidade da decisão, já que tais procedimentos somente devem ser autorizados nas hipóteses previstas nos itens “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, desde que devidamente provadas. Portanto, não identifico na decisão prolatada pela autoridade julgadora a quo qualquer vício. No mérito, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. No que tange à argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam a presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional1, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Passando às questões pontuais de mérito, alega o suplicante que os valores movimentados em suas contas bancárias são procedentes da revenda de automóveis, conforme notas fiscais de venda da Concessionária Guarujá Veículos. Assevera ainda que “... os valores lançados na conta do recorrente não poderiam ser idênticos aos das notas fiscais porque parte 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 15983.000055/200917 Acórdão n.º 2201002.988 S2C2T1 Fl. 273 7 do pagamento normalmente ocorre com a dação de veiculo do comprador ou com financiamentos”. Pois bem, analisando detidamente a relação de fls. 108/111pdf, bem como as notas fiscais de fls. 112/149pdf, não foram encontrados nos extratos bancários do contribuinte nenhum depósito que combinasse em datas, valores, histórico etc, com os aludidos recebimentos pela venda de veículos. Com efeito, o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, expressamente dispõe, para efeito de determinação da receita omitida, que os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua origem comprovada de forma individual, com apresentação de documentos que demonstrem a sua origem, com indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, como já mencionado, recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando argumentar que são recursos de sua atividade comercial, mas, também, apresentar provas hábeis, idôneas e robustas. Nessa conformidade, embora alegue o suplicante que a TED, fl. 43, no valor de R$ 19.300,00, de Ismael do Carmo, referese à nota fiscal n° 146291 no valor de R$ 19.500,00, fl. 134, verificase que o contribuinte não apresentou qualquer documento adicional justificando a diferença entre o crédito em conta e a venda do veículo. Dessarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a exigência tributária em exame deve ser mantida. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado. Apesar do brilhante voto do Conselheiro Relator, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto a parte da questão de mérito. Conforme se verifica nos autos, o Ilustre Conselheiro Relator entendeu que restaria não comprovada a origem da TED, fl. 43, no valor de R$ 19.300,00, de Ismael do Carmo, referente à nota fiscal n° 146291 no valor de R$19.500,00, fl. 134, em virtude de falta de documentação adicional justificando a diferença entre o crédito em conta e a venda do veículo. Contudo, ouso discordar deste entendimento e penso que a origem de tal depósito restou comprovada ainda no decorrer do procedimento fiscal. É que, devidamente intimado, o Contribuinte Recorrente tratou de informar que a origem de tal depósito se referia a depósito de Ismael do Carmo, decorrente da nota fiscal n° 146291 no valor de R$19.500,00. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE 8 Nesse sentido, é de suma importância ressaltar o conceito de provas no âmbito do processo administrativo tributário. Com efeito, entendese como prova todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Não há, no processo administrativo tributário, disposições específicas quanto aos meios de prova admitidos, sendo de rigor, portanto, o uso subsidiário do Código de Processo Civil, que dispõe: "Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa." Da mera leitura deste dispositivo legal, depreendese que no curso de um processo todas as provas legais devem ser consideradas pelo julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. No presente caso, a documentação apresentada pelo contribuinte explica, no meu entendimento, o depósitos realizado. Já durante a fiscalização, o contribuinte apresentou a nota fiscal da venda do veículo, em valore, inclusive,um pouco superior ao do depósito. Contudo, a fiscalização, que, no meu entendimento deveria ter simplesmente autuado o contribuinte por omissão de rendimentos com base na nota fiscal apresentada, optou por autuar o contribuinte por omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários de origem não comprovada, desconsiderando a nota fiscal sob o argumento de que não havia perfeita compatibilidade entre datas e valores. Penso que tal procedimento não foi o correto; haja vista que as notas fiscais comprovam as origens dos depósitos, mesmo não havendo perfeita harmonia entre valores e datas entre tais notas e os depósitos efetuados. Deste modo, entendo como justificado o depósito bancário no valor de R$19.300,00. Razão pela qual não há que se falar, em relação a este depósito, em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, até porque o §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Portanto, cabe à autoridade lançadora implementar o disposto no §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e não a autoridade julgadora sob pena de fazer um novo lançamento. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso Razão pela qual não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, até porque o §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido Fl. 277DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 15983.000055/200917 Acórdão n.º 2201002.988 S2C2T1 Fl. 274 9 computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Portanto, cabe à autoridade lançadora implementar o disposto no §2º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e não a autoridade julgadora sob pena de fazer um novo lançamento. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$19.300,00. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 278DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 08/ 04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10580.726612/2009-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA.
Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora.
Precedentes do STF e do STJ.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCOMPATIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE PLENO DIREITO.
Não há previsão nem necessidade de conversão de multa de ofício em multa de mora em sede de julgamento de recurso o âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para exigência do valor devido, assim como não há previsão normativa para exclusão de multa de mora em sede de julgamento do lançamento. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que não ocorrer recolhimento de tributo no prazo devido.
Numero da decisão: 9202-004.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para afastar a exclusão da multa de mora, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.Votou pelas conclusões em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, GERSON MACEDO GUERRA.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para afastar a exclusão da multa de mora, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.Votou pelas conclusões em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, GERSON MACEDO GUERRA.
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VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores de natureza remuneratória, ainda que classificados como indenizatórios pela fonte pagadora. Precedentes do STF e do STJ. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado considerando o regime de competência. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCOMPATIBILIDADE. EXIGÊNCIA DE PLENO DIREITO. Não há previsão nem necessidade de conversão de multa de ofício em multa de mora em sede de julgamento de recurso o âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para exigência do valor devido, assim como não há previsão normativa para exclusão de multa de mora em sede de julgamento do lançamento. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que não ocorrer recolhimento de tributo no prazo devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 12 /2 00 9- 42 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726612/200942 Acórdão n.º 9202004.244 CSRFT2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para afastar a exclusão da multa de mora, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.Votou pelas conclusões em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, GERSON MACEDO GUERRA. Relatório Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios de 2005, 2006 e 2007, constituído por auto de infração (efls. 14 a 22), resultante da tributação de rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "URV", declarados como isentos. Na apuração do imposto devido, a autoridade lançadora observou o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 287, de 12 de fevereiro de 2009, para aplicar as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos. Adotou como procedimento de cálculo a submissão dos valores devidos mensalmente à alíquota máxima da tabela vigente no respectivo mês, dividindose o montante pelos três exercícios em que as verbas foram pagas (efl. 20). Fl. 357DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726612/200942 Acórdão n.º 9202004.244 CSRFT2 Fl. 4 3 A notificação de lançamento foi objeto de impugnação (efls. 25 a 59) apreciada pela 3ª Turma da DRJ/SDR que, por unanimidade, no termos do acórdão 1523.491 (efls. 64 a 70), julgoua improcedente e manteve integralmente o lançamento. O contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 73 a 110), no qual alegou, em síntese, que (i) a multa de ofício é indevida, porquanto o contribuinte declarou as verbas recebidas como isento em razão de lei estadual que assim as definia e de informações prestadas pela fonte pagadora, ; (ii) o cálculo do lançamento está incorreto, pois que a autoridade fiscal deveria ter apurado, mês a mês, os valores do IRPF em conjunto com os demais dados fiscais do contribuinte (rendimentos e deduções) e recomposto as respectivas declarações de ajuste anual dos períodos em que os rendimentos eram devidos (1994 a 2001), ao invés de considerar os anos em que as parcelas foram efetivamente pagas (2004 a 2006); (iii) não seria devido o IRPF sobre os juros recebidos, devendo essas parcelas ter sido excluídas da base de cálculo; (iv) não incide IRPF sobre as parcelas recebidas a título de conversão pela URV, que têm natureza indenizatória; (v) a União não possuiria legitimidade para a exigência do IRPF no caso por ser, o produto desse imposto incidente sobre rendimentos pagos pelos estados, pertencente ao próprios estados; (vi) teria sido inobservado o princípio constitucional da isonomia porque as parcelas recebidas a título de URV por magistrados federais seriam consideradas isentas. O colegiado, por unanimidade, deu provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, e afastar o IR dos juros moratórios (efls. 114 a 122). A Fazenda Nacional apresentou recurso especial (efls. 134 a 159), admitido pela presidente da câmara recorrida, em que apontou decisões divergentes do acórdão recorrido (acórdãos paradigma 2801002.742 e 2801002.684) que atribuem aos juros, no caso, caráter tributável. Também apresentou decisões divergentes (acórdãos paradigma 20178.432 e 20312.972) que restabelecem a multa de mora. Em contrarrazões (efls. 221 a 237), o contribuinte apela insiste na natureza não tributária dos juros e alega ser indevida a multa de mora, pois possui caráter sancionador. Pugna pela manutenção do acórdão recorrido. Contra o acórdão 2802.01.638, corroborado pelo acórdão 2802.001.913, que rejeitou embargos de declaração, o contribuinte apresentou recurso especial, visando rediscutir cinco assuntos: (i) violação à Súmula n° 2 do CARF e ao art. 62 de seu Regimento Interno, em face do afastamento de legislação tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal; (ii) ilegitimidade da União Federal para figurar no pólo ativo da relação jurídicotributária; (iii) imprestabilidade da base de cálculo na forma em que se encontra – lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção; (iv) “URV” – parcelas de natureza indenizatória; e (v) não incidência de juros de mora sobre o IR cobrado. Entretanto, A Sra. Presidente da 2a Câmara, em despacho de admissibilidade, somente deu seguimento ao item de letra (iv) “URV” – parcelas de natureza indenizatória. A decisão foi confirmada, em sede de reexame, pelo Sr. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em contrarrazões, a Fazenda Nacional pede que seja acatada sua tese esposada em recurso especial e, assim, seja negado provimento ao recurso do contribuinte. Subsidiariamente, requer a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Fl. 358DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726612/200942 Acórdão n.º 9202004.244 CSRFT2 Fl. 5 4 Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator I Recurso Especial do Contribuinte Inicialmente, é de se analisar o REsp do contribuinte, na matéria “URV” – parcelas de natureza indenizatória. Questão dessa natureza já foi trazida, em 03/03/2015, à 2ª Turma desta Câmara Superior, no acórdão 9202003.585. Naquela ocasião, acompanhei o voto do relator Alexandre Naoki Nishioka, entendendo tratarse de verba de natureza remuneratória, e por isso peço vênia para adotar aqui os mesmos argumentos como razão de decidir, assim transcrevendoos: (...) Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requereu o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo contribuinte, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726612/200942 Acórdão n.º 9202004.244 CSRFT2 Fl. 6 5 A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Assim, com base na argumentação exposta, por serem as diferenças de URV verbas remuneratórias, sobre elas pode incidir imposto de renda da pessoa física. Todavia, cumpre verificar o quantum devido. Entendo que o tributo devido deva ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que seriam devidas as diferenças recebidas. Sobre o tema, cabe referir a discussão travada no processo 11040.001165/200591, com voto vencedor da lavra do conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, cujos fundamentos, abaixo reproduzidos, acompanho. Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua Fl. 360DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726612/200942 Acórdão n.º 9202004.244 CSRFT2 Fl. 7 6 repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726612/200942 Acórdão n.º 9202004.244 CSRFT2 Fl. 8 7 Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, é de se conhecer do REsp do contribuinte na matéria admitida, e dar lhe provimento em parte, para determinar o recálculo do crédito tributário, considerando as tabelas vigentes à época em que os valores recebidos seriam devidos. II Recurso Especial da Fazenda Nacional O Recurso especial da Fazenda Nacional versa sobre dois assuntos: (i) a tributação da verba recebida pelo recorrente a título de Juros Moratórios e (ii) a conversão da multa de ofício em multa de mora. II.1 Sobre os Juros Moratórios Com relação à questão da tributação da verba recebida a título de juros moratórios, entendo que somente ficam fora do campo de tributação os juros devidos (i) no âmbito da extinção da relação de emprego ou (ii) decorrentes de verbas não tributáveis. No caso, não há que se falar em extinção da relação de emprego. Adicionalmente, como entendo que as verbas em questão têm natureza remuneratória, os correspondentes juros devem ser tributados. Tal tema foi recentemente enfrentado nessa 2ª Turma, em 10/03/2016, em acórdão de nº 9202003.872, com voto da lavra do e. relator Dr. Heitor de Souza Lima Junior, por mim acompanhado, e por isso adoto os argumentos lá utilizados, os quais peço vênia para abaixo reproduzir: ...creio que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, , a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 (ambas, assim, posteriores às decisões colacionadas pela recorrente) estabelece: (Grifos do original) REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA Fl. 362DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726612/200942 Acórdão n.º 9202004.244 CSRFT2 Fl. 9 8 CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. p/ acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Fl. 363DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726612/200942 Acórdão n.º 9202004.244 CSRFT2 Fl. 10 9 Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: a) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e b) se se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. No caso do presente processo, os pagamentos de diferenças não decorreram de ações trabalhistas como até mesmo o contribuinte afirmou em suas contrarrazões ao RE da Fazenda no contexto de despedida ou rescisão, pois houve pagamento direto pela fonte e decorrência da citada Lei Complementar nº 20/2003 do estado da Bahia. Já quanto à natureza indenizatória dos juros, pelo posicionamento adotado frente ao REsp do contribuinte, anteriormente analisado, não se está a tratar de verba principal isenta; logo, os juros que seguem ao principal pago também não o seriam. Pela análise acima, é de se conhecer do recurso para darlhe provimento, em relação a essa matéria. II.2 Sobre a conversão da multa de ofício em multa de mora No tocante à matéria recorrida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, substituição da multa de ofício lançada pela multa de mora, é necessário fazer referência à legislação que disciplina as multas. A multa de ofício está prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme a seguir reproduzido, na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... Da leitura do texto acima, reparase que não há previsão de lançamento de ofício de multa de mora. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726612/200942 Acórdão n.º 9202004.244 CSRFT2 Fl. 11 10 Contudo, a multa de mora está prevista no art. 61 do mesmo diploma legal, conforme a seguir reproduzido, também na parte que importa ao deslinde da questão em discussão: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. ... Da leitura do texto acima, reparase que a exigência de multa de mora não está condicionada a qualquer lançamento de ofício, sendo devida a multa de mora pela mera falta de recolhimento nos prazo previsto em legislação. Portanto, não há previsão nem necessidade de conversão de multa de ofício em multa de mora em sede de julgamento de recurso o âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para exigência do valor devido. A multa de mora, por expressa determinação legal, é exigível de pleno direito, sempre que houver recolhimento de tributo após o vencimento. Na verdade, a decisão a quo decidiu sobre tema que no entender deste conselheiro não tinha competência para discutir, a multa de mora, que é exigida de pleno direito, não compondo o lançamento. Ora, se não há previsão legal para constituição da multa de mora em sede de lançamento, também não há previsão para sua exclusão em sede de julgamento de lançamento. Dessa forma, pela impossibilidade jurídica da conversão das multas em sede de julgamento do lançamento tributário, é de se de dar provimento em parte ao Recurso da Fazenda Nacional, para afastar a exclusão da multa de mora, determinada pelo colegiado recorrido, devendo essa multa ser exigida de pleno direito em sede de cobrança / execução do crédito tributário, pela autoridade competente. III Conclusão Pelo exposto voto por conhecer e dar provimento em parte ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para restabelecer a tributação sobre a verba recebida a título de juros moratórios e afastar a exclusão da multa de mora, bem como conhecer e dar provimento em parte ao Recurso Especial do Contribuinte, para determinar o recálculo do crédito tributário devido, considerando o regime de competência. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 365DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726612/200942 Acórdão n.º 9202004.244 CSRFT2 Fl. 12 11 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726612/200942 Acórdão n.º 9202004.244 CSRFT2 Fl. 13 12 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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