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Numero do processo: 11522.000216/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
VIOLAÇÃO AO SIGILO BANCÁRIO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
PRESUNÇÃO LEGAL - OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal - juris tantum - os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS E COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS.
A não comprovação da origem dos depósitos bancários, pelo contribuinte, não enseja a presunção de que os montantes eram relativos à atividade essencial da empresa, de sorte que o PIS e a COFINS devem ser autuados pela regra geral da hipótese, sem a possibilidade de enquadramento em regimes especiais ou reduzidos de tributação não demonstrados pela interessada.
MULTA DE OFÍCIO.
O descumprimento da obrigação tributária impõe a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, conforme previsto no artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96.
EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTO REFLEXO - CSLL.
Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1201-001.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para acolher a preliminar de decadência do PIS/Cofins relativamente aos fatos geradores ocorridos nos meses janeiro e fevereiro de 2004. Vencidos a Relatora e os Conselheiros Luis Fabiano e João Figueiredo, que davam parcial provimento em maior extensão para afastar integralmente as exigências do PIS/Cofins. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Caparroz.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Relatora
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thome, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, por motivo justificado, o Conselheiro Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. 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A não comprovação da origem dos depósitos bancários, pelo contribuinte, não enseja a presunção de que os montantes eram relativos à atividade essencial da empresa, de sorte que o PIS e a COFINS devem ser autuados pela regra geral da hipótese, sem a possibilidade de enquadramento em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 02 16 /2 00 9- 49 Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 3 2 regimes especiais ou reduzidos de tributação não demonstrados pela interessada. MULTA DE OFÍCIO. O descumprimento da obrigação tributária impõe a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, conforme previsto no artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO REFLEXO CSLL. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para acolher a preliminar de decadência do PIS/Cofins relativamente aos fatos geradores ocorridos nos meses janeiro e fevereiro de 2004. Vencidos a Relatora e os Conselheiros Luis Fabiano e João Figueiredo, que davam parcial provimento em maior extensão para afastar integralmente as exigências do PIS/Cofins. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Caparroz. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Relatora (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thome, Roberto Caparroz de Almeida, Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 4 3 João Carlos de Figueiredo Neto e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, por motivo justificado, o Conselheiro Ronaldo Apelbaum. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.305/306) que transcrevo a seguir: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 217236, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e Contribuição para o Programa de Integração SocialPIS, ano(s)calendário 2004, com crédito total apurado no valor de R$ 697.628,73, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 27/02/2009. Também integra os Autos de Infração o Relatório de Fiscalização de folhas 237239. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Omissão de receitas, caracteriza por depósitos bancários de origem não comprovada. Extraíse ainda dos autos que: 1. O contribuinte fora optante da sistemática do SIMPLES para o período em referência; 2. Foi autuado por omissão de receita no anocalendário 2003. Do que resultou o processo 11522.001298/200898; 3. Em decorrência da omissão de receita no anocalendário 2003, foi excluído do SIMPLES, com efeitos a partir do ano calendário 2004, por haver superado o limite da receita concebível para esta sistemática de apuração dos tributos. Do que resultou no processo n° 10293.720120/200806; 4. Intimado, não apresentou os Livros Diários e Razão, nem os comprovantes da origem dos créditos bancários; 5. Em razão da falta de apresentação dos livros comerciais teve seu lucro arbitrado; 6. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício de 75 %. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 05/03/2009 (fls. 242) e apresentou sua impugnação em 02/04/2009 (fls. 246 292), na qual alegou em síntese que: 1. O lançamento é nulo por cerceamento do direito de defesa vez que não esclarece suficientemente o conteúdo e o alcance da imputação, nem apresenta a necessária tipificação; Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 5 4 2. Não houve comprovação da existência de operações mercantis não escrituradas, que justificassem a omissão de receita; 3. Ao pautar a presunção com base na movimentação financeira, a autoridade lançadora desconsiderou as transferências entre contas do mesmo titular, empréstimos, estornos de depósitos e outras tantas circunstâncias que desnaturam o conceito de renda tributável; 4. Os créditos bancários não comprovados representam apenas mera presunção da omissão de receita, não podendo caracterizar esta última sem a necessária comprovação da renda consumida, do acréscimo patrimonial ou do nexo de casualidade entre o depósito e a omissão; 5. O arbitramento do lucro é improcedente porque, sendo optante do SIMPLES, não estava obrigada a escriturar os Livros Diário e Razão; 6. Para fins de arbitramento, a Autoridade Lançadora deveria ter observado as disposições do art. 284, §1°, do RIR/99, que é mais favorável ao sujeito passivo; 7. O arbitramento do lucro só é possível nas hipóteses de comprovada omissão de receita ou de insuficiência ou falta de declaração do lucro; 8. Os custos e despesas da recorrente não foram deduzidos da receita apurada. O que anula, por vício de ordem material, ó lançamento; 9. Por ser optante dò SIMPLES, o lançamento deveria observar as alíquotas desta sistemática de apuração; 10. O lançamento deveria observar os recolhimentos já efetuados pela sistemática do SIMPLES; 11. O arbitramento do lucro também é improcedente vez que a contabilidade do sujeito passivo não foi desconsiderada pela fiscalização; 12. Na hipótese de desconsideração da contabilidade, os dados nela contidos não poderiam ser utilizados no lançamento; 13. O lucro obtido a partir do arbitramento admite prova em contrário; 14. A fiscalização também poderia ter utilizado o lucro presumido; 15. O lucro poderia ter sido totalmente extraído da contabilidade do sujeito passivo; 16. O PIS e a COFINS incidem sobre o faturamento e não sobre a receita bruta. Pelo que, pede perícia para apurar a base de cálculo destas contribuições; Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 6 5 17. O ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Razão por que pede perícia para finas de apurar o valor daquele imposto que integrou a base destas contribuições; 18. A multa aplicada tem caráter de confisco e ofende a capacidade contributiva do contribuinte; 19. A multa deveria ser reduzida à 2%, na forma determinada pelo Código de Defesa do Consumidor; 20. Os juros de mora calculados com base na taxa SELIC são inconstitucionais, visto que esta não foi criada por lei ordinária, mas simplesmente teve seu uso estabelecido por meio de lei; 21. Requer prova pericial para corroborar suas alegações. Anexei as folhas 298303, que tratam dos recolhimentos efetuados pela recorrente sob a sistemática do SIMPLES. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Belém/PA) julgou procedente em parte a impugnação e manteve o crédito tributário parcialmente, deduzido dos valores pagos a título de SIMPLES, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0123.302, de 21 de outubro de 2011, cientificado ao contribuinte em 18/01/2012, conforme o Aviso de Recebimento (AR). O mencionado acórdão está assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 Ementa: CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. As garantias do contraditório e da ampla defesa somente se manifestam com a instauração da fase litigiosa, ressalvados os procedimentos fiscais para os quais lei assim exija. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento, e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do direito ao contraditório e da a ampla defesa. PRESUNÇÃO JÚRIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal júris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. ESCRITURAÇÃO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES se sujeita à observância Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 7 6 da escrituração dos livros comerciais obrigatórios à apuração do Lucro Real Trimestral, a partir do efeitos da exclusão. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ATO VINCULADO. O arbitramento do lucro do contribuinte, nas hipóteses de que fala o art. 47 da Lei n° 8.981/95, é ato vinculado da administração tributária, devendo ser fielmente seguida pela autoridade administrativa, mormente quando do exercício do lançamento tributário, sob pena de responsabilidade funcional. ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DO LIVRO CAIXA. O arbitramento do lucro é medida necessária quando o contribuinte, sob intimação, não apresenta os livros exigidos para apuração do lucro real ou presumido, conforme o caso. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. A realização de diligência/perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o P I S / PASEP Anocalendário: 2004 Ementa: FATO GERADOR. A contribuição para o PIS, devida pelas pessoas jurídicas de direito privado, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim compreendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS integra a base de cálculo a ser tributada pelas contribuições do PIS, inexistindo previsão legal para sua exclusão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 Ementa: FATO GERADOR. à COFINS, devida pelas pessoas jurídicas de direito privado, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim compreendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 8 7 BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS integra a base de cálculo a ser tributada pelas Cofins, inexistindo previsão legal para sua exclusão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificada da mencionada decisão em 18/01/2012, a contribuinte protocolizou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 16/02/2012. A recorrente diz que a decisão de primeiro grau deve ser reformada pelos seguintes motivos, em síntese: PRELIMINAR A ILEGAL VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO que, o Auditor Fiscal de Rendas, sem justificável motivo, determinou a quebra do sigilo bancário da Recorrente sem o devido amparo legal ou judicial; que, a quebra do sigilo bancário não está entre as hipóteses do regime especial permitido pelo art. 33 da Lei n° 9.430/96; que, a própria Constituição Federal garante a inviolabilidade do sigilo bancário, nos termos do art. 5o, inciso X; que, a Lei Complementar n°. 105/2001, a qual dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras bem determina que o mesmo apenas é permitido quando for o mesmo indispensável. No presente caso, não restou demonstrada a indispensabilidade da quebra do sigilo bancário, conforme disposição legal; MÉRITO 1. A ALEGADA OMISSÃO DE RECEITAS a presunção legal de omissão de receitas (art. 40 da Lei n° 9.430/96) só é autorizada se partir de uma comprovada falta de escrituração de pagamentos/recebimentos pela pessoa jurídica, o que não é o caso; que, o depósito bancário, mesmo após o advento da Lei n° 9.430/96, não se constitui, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. Isto porque, a posse de numerário alheio, como por exemplo, descaracteriza a respectiva presunção de disponibilidade econômica; que, pela dicção do art. 110, do CTN, a presunção contida no art. 42, da Lei n° 9.430/96 não pode alterar o conceito de renda ou de provento para neles incluir depósitos bancários. 2 A ILEGALIDADE DA COBRANÇA DO PIS/COFINS Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 9 8 que, a Recorrente, cadastrada no CNAE 46.35402 (Comércio atacadista de cerveja, chope e refrigerante), é distribuidora exclusiva de bebidas da marca Schincariol, estando sujeita ao PIS/COFINS monofásico; que a atividade exercida pela Recorrente está sujeita à alíquota de 0% de referidas contribuições, conforme artigos 49 e 50 da Lei nº 10.833/2003. 3 A MULTA CONFISCATÓRIA que a multa, em percentual de 75% (setenta e cinco por cento), afeta o direito de propriedade quando excede de eventual vantagem que poderia ser obtida em função do inadimplemento à época da obrigação; que, a Recorrente, estabelecida com atividade comercial, jamais consegue obter, nos negócio que realiza, margem de lucro que supere 10% (dez por cento) do negócio jurídico envolvido e, por esta razão, entende ser fora de razoabilidade e proporcionalidade a aplicação de multa na ordem de 75% do valor do débito; que, se procedente fosse a exigibilidade do crédito tributário em comento, seria inafastável a redução da multa moratória para, no máximo 2%, do valor originário do débito. Finalmente, a Recorrente requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário para o cancelamento total dos Autos de Infração, "haja vista que não foi demonstrado o nexo de causalidade entre o "aumento patrimonial" oriundo dos depósitos bancários e a obrigação tributária". Ou que, sendo outro o entendimento desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, requer que seja cancelada a exigência tributária relativamente ao PIS/Cofins, haja vista que a atividade exercida pela Recorrente está sujeita à alíquota de 0% de referidas contribuições. Caso necessário, requer seja o feito convertido em diligência, para que se verifique a veracidade da situação apresentada. Ainda alternativamente, requer a redução da multa moratória para, no máximo 2%, do valor originário do débito. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo. Dele tomo conhecimento. De início registrase que o procedimento fiscal e lançamentos tributários tratados nos presentes autos referemse ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativos ao ano calendário de 2004. O Relatório de Fiscalização (fl.237) informa que "Para o anocalendário 2003, foi apurada receita bruta de R$ 2.706.736,51, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração objeto do processo administrativo fiscal 11522.001298/200868 (ciência em 17/06/2008 fls. 132 a 134), além de acarretar a exclusão da empresa do Sistema SIMPLES, assunto objeto do processo 10293720.120/200806 (fls. 135 a 136), em função de ter Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 10 9 superado o limite de receita no anocalendário de 2003, após lavratura deste Auto de Infração". A constituição do crédito tributário, tratado nos presentes autos, referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ e o lançamento reflexo da CSLL se deu com base no lucro arbitrado. No Relatório Fiscal (fls.237/238), parte integrante dos autos de infração, o autuante esclarece as circunstâncias ocasionadas pelo contribuinte que fundamentaram o arbitramento do lucro, verbis: Em 05/11/2008, o contribuinte foi intimado a apresentar Livros Diário e Razão (lucro real) em função da exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) a partir de janeiro de 2004. Foi intimado, também, para apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovem a origem de todos os créditos bancários constantes na Tabela 2008110301, em anexo (fls. 137 a 172). O contribuinte pediu prorrogação de prazo para atender a intimação em 28/11/2008 (fl. 173). Foi reintimado para apresentar os livros fiscais e a explicação sobre origem da movimentação financeira em 11/12/2008 (fls. 175 e 176) e 22/01/2009 (fls. 178 a 213). Em 26/12/2008 (fl. 177) e em 16/02/2009 (fl. 216), apresentou alegação de impossibilidade de apresentar os livros Diário e Razão, porque era optante pelo SIMPLES, que não possuía obrigatoriedade de efetuar estas escriturações e que seria inviável a produção retroativa de tais livros. Ainda, informa que os demais documentos solicitados seriam apresentados em momento oportuno. Solicita mais prazo para apresentar demais explicações. (...) O contribuinte solicitou prazo diversas vezes que foram concedidos. Porém, até o momento, não apresentou documentos hábeis e idôneos que atendam às nossas solicitações. Também, não efetuou a devida escrituração contábil das movimentações financeiras. O contribuinte não atendeu à solicitação de apresentação das cópias dos extratos bancários, tendo sido necessária a quebra do sigilo bancário através da RMF. Quanto à solicitação de individualização das operações, o Fisco entende que a Tabela 2008110301 (fls. 179 a 212) mostra claramente e de forma individualizada as operações a serem justificadas pelo contribuinte ... Apenas na peça recursal o contribuinte se insurge contra o fato de haver o autuante requisitado as informações bancárias, alegando que não houve justificável motivo que permitisse ao Auditor Fiscal a quebra do sigilo bancário da Recorrente sem o devido amparo legal ou judicial. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 11 10 Argúi que, a quebra do sigilo bancário não está entre as hipóteses do regime especial permitido pelo art. 33 da Lei n° 9.430/96 e que, a própria Constituição Federal garante a inviolabilidade do sigilo bancário, nos termos do art. 5o, inciso X. Aduz que, a Lei Complementar n° 105/2001, a qual dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras bem determina que o mesmo apenas é permitido quando for indispensável. E que, no presente caso, não restou demonstrada a indispensabilidade da quebra do sigilo bancário. Na impugnação (fls.246/292) a pessoa jurídica autuada em nada se reporta sobre o sigilo bancário, de modo que o assunto trazido à baila pela Recorrente somente na fase recursal deve ser considerada como matéria não impugnada a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, temse como precluso o direito de o contribuinte apresentar, em fase recursal, matéria não contestada na impugnação, em vista do disposto no art. 16, I, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, respeitando se o princípio processual da dupla jurisdição. Destarte, e, para que não se alegue supressão de instância na fase recursal, não se conhece da mencionada matéria por não ter sido expressamente contestada na impugnação apresentada em sede de primeira instância. Consta dos Autos de Infração e do Relatório de Fiscalização que a apuração dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins) decorrem de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Na peça recursal, a Recorrente não questiona objetivamente o arbitramento do lucro como o fez na impugnação, todavia questiona a apurada omissão de receitas de forma presumida. A Recorrente alega que a presunção legal de omissão de receitas (art. 40 da Lei n° 9.430/96) só é autorizada se partir de uma comprovada falta de escrituração de pagamentos/recebimentos pela pessoa jurídica, o que não é o caso. O artigo 40 da Lei nº 9.430/96, assim dispõe: Art.40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. (Grifei) A Recorrente alude à situação distinta dos presentes autos. A autuação não decorre da hipótese (presunção) descrita no mencionado artigo 40 (omissão de receita caracterizada pela falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica) e sim, da presunção de omissão de receitas prescrita no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Conforme esclarecido acima a empresa autuada é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 12 11 Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como se vê, a partir da Lei nº 9.430/96, comporta a tributação por presunção de omissão de receitas caracterizada por depósitos mantidos junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. É o caso dos autos. A Recorrente alega que, o depósito bancário, mesmo após o advento da Lei n° 9.430/96, não se constitui, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. Isto porque, a posse de numerário alheio, como por exemplo, descaracteriza a respectiva presunção de disponibilidade econômica. E que, pela dicção do art. 110, do CTN, a presunção contida no art. 42, da Lei n° 9.430/96 não pode alterar o conceito de renda ou de provento para neles incluir depósitos bancários. É preciso salientar que a Lei nº 9.430/96 permite à autoridade fiscal perquirir junto ao contribuinte qual a origem daqueles depósitos ou investimentos existentes em suas contas bancárias sendo que a ausência da comprovação de sua origem faz presumir tratarse de omissão de receitas próprias da atividade da pessoa jurídica. As receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica. Ressaltese de plano, que aqui não cabe a necessidade de comprovação por parte do Fisco. Os enunciados das súmulas abaixo são esclarecedores, portanto desnecessária outra explicação sobre o assunto, vejamos: Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada Súmula CARF Nº 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. Intimado o contribuinte a comprovar a origem dos recursos utilizados em relação aos valores creditados nas contas bancárias em comento e, na ausência de tal Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 13 12 comprovação foram os mesmos valores tributados como receita omitida, em consonância com o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. A tributação dessa receita, por sua vez, encontra abrigo e visibilidade na mencionada lei tributária que estabeleceu uma presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do tributo correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Concluise, por conseguinte, que a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo júris tantum (relativa). A empresa autuada, para descaracterizar a presunção de omissão de receitas, por depósitos bancários, deveria produzir a prova que se lhe impunha, fato de que não se desincumbiu. Desse modo, não se pode afastar a omissão de receita, eis que não restou comprovada a origem dos valores que foram depositados ou creditados nas contas bancária da Recorrente ou que possuem origem nas receitas declaradas. Os valores mensais dos créditos não comprovados foram objeto de lançamento de ofício, pois ficou caracterizada a omissão de receita à qual não há contestação cabal. Nessa realidade erigida pelo legislador à condição de presunção legal, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda e reflexos não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, isoladamente considerada, mas sim pela falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados. Ou seja, há uma correlação lógica estabelecida pelo legislador entre o fato conhecido (ser beneficiado com um depósito bancário sem demonstração de sua origem) e o fato desconhecido (auferir rendimentos), e é esta correlação que dá fundamento à presunção legal em comento, de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos omitidos. Tratase, na hipótese, de indícios que conduzem à presunção juris tantum de omissão de receita, com fulcro no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, tendo em vista que não fora oportunizado à fiscalização detectar a real proveniência dos recursos depositados em conta corrente da empresa. Portanto, caberia ao contribuinte apresentar justificativas válidas com documentação hábil e idônea para os ingressos ocorridos em suas contas correntes. Durante o procedimento fiscal o contribuinte foi reintimado algumas vezes, tudo no sentido de possibilitar ao mesmo a oportunidade de esclarecer suas operações e de comprovar a origem dos valores depositados/creditados em suas contas bancárias. No entanto, nenhum documento que pudesse comprovar a origem dos valores foi apresentado. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 14 13 Assim, à mingua de comprovação, mantémse a omissão de receitas com base nos valores apurados e descritos pela fiscalização como depósitos bancário sem origem dos recursos. Gizse que, diante da impossibilidade de calcular, por meras suposições, o lucro que poderia ser obtido, com a adição da receita omitida à declarada (e daí determinar a renda que serviria de base de cálculo para o IRPJ), o art. 532 do Regulamento do Imposto de Renda estipulou que a suposta renda corresponde ao valor resultante da aplicação dos mesmos percentuais aplicáveis para o cálculo da estimativa mensal e do lucro presumido (no caso de indústria, 8%), acrescidos de 20% que resulta em 9,6%. No tocante à exigência do PIS e da Cofins, a Recorrente em sede recursal alega que há ilegalidade na cobrança desses tributos, pois, cadastrada no CNAE 46.35402 (Comércio atacadista de cerveja, chope e refrigerante), é distribuidora exclusiva de bebidas da marca Schincariol, estando sujeita ao PIS/Cofins monofásico, portanto, a atividade por ela exercida está sujeita à alíquota 0 (zero) de referidas contribuições, conforme artigos 49 e 50 da Lei nº 10.833/2003. Para melhor entender o assunto transcrevo os mencionados dispositivos legais. Lei 10.833/2003 (...) Art.49. A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nas posições 22.01, 22.02, 22.03 (cerveja de malte) e no código 2106.90.10 Ex 02 (preparações compostas, não alcoólicas, para elaboração de bebida refrigerante), todos da TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002, serão calculadas sobre a receita bruta decorrente da venda desses produtos, respectivamente, com a aplicação das alíquotas de 2,5%(dois inteiros e cinco décimos por cento) e 11,9%(onze inteiros e nove décimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide art. 42 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) § 1º O disposto neste artigo, relativamente aos produtos classificados nos códigos 22.01 e 22.02 da TIPI, alcança, exclusivamente,água, refrigerante e cerveja sem álcool. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide art. 42 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) § 2º A pessoa jurídica produtora por encomenda dos produtos mencionados neste artigo será responsável solidária com a encomendante no pagamento das contribuições devidas conforme o estabelecido neste artigo.(Vide art. 42 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) Art. 50. Ficam reduzidas a 0 (zero)as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS em relação às receitas auferidas na venda:(Vide art. 42 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 15 14 I dos produtos relacionados no art. 49, por comerciantes atacadistas e varejistas, exceto as pessoas jurídicas a que se refere o art. 2º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996;(Vide art. 42 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) ... Como se vê, as receitas obtidas na venda das bebidas citadas no art. 49 da Lei 10.833, de 2003 (água, refrigerante, cerveja de malte e cerveja sem álcool), estão sujeitas a regime de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, com previsão de alíquotas diferenciadas na forma monofásica/concentrada (2,5% e 11,9%) para os fabricantes e importadores, reduzindose a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda desses produtos pelos comerciantes atacadistas e varejistas. Conforme destacado no auto de infração, o IRPJ e a CSLL foram apurados com base no lucro arbitrado – Regime Cumulativo (no qual está previsto o sistema monofásico), regido pela Lei n° 9.718/98, pelo que se depreende do artigo 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Portanto, a pessoa jurídica com apuração do imposto de renda pelo sistema do lucro arbitrado enquadrase obrigatoriamente no regime cumulativo. Sobre o sistema de tributação monofásica, consta do "perguntas e respostas/2007 " 080 da Receita Federal, o seguinte esclarecimento: "O sistema de tributação monofásica não se confunde com os regimes de apuração cumulativa e não cumulativa das contribuições. O enquadramento de uma pessoa jurídica e de suas receitas, que se dedique à venda de produtos sujeitos à tributação monofásica, ao regime de apuração cumulativa ou nãocumulativa segue as mesmas regras de enquadramento a que se sujeitam pessoas jurídicas que não comercializem produtos monofásicos." É dizer que, os produtos que não estiverem sujeitos ao regime monofásico, estarão sujeitos a incidência do PIS e COFINS normalmente, observada a regra da cumulatividade, aplicando as alíquotas de 0,65% (PIS) e 3% (Cofins). O regime monofásico consiste na atribuição da responsabilidade tributária ao fabricante ou importador de certos produtos (ditos monofásicos) de recolher o PIS e a Cofins a uma alíquota diferenciada e majorada, de modo a contemplar a carga tributária incidente sobre toda a cadeia produtiva e, por outro lado, a fixação de alíquota zero de PIS e Cofins sobre a receita auferida com a venda daqueles produtos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Portanto, é preciso verificar se o produto a ser vendido participa da cadeia do regime monofásico. Sobre as receitas da Recorrente, adotouse como fundamento no presente voto que, a Lei nº 9.430/96 permite à autoridade fiscal perquirir junto ao contribuinte qual a origem daqueles depósitos ou investimentos existentes em suas contas bancárias sendo que a ausência da comprovação de sua origem faz presumir tratarse de omissão de receitas próprias da atividade da pessoa jurídica. E que, as receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 16 15 Consta da Ficha 02 Dados Cadastrais PJSI/2005, SIMPLES, fl.256, vol.08 (AnexoI), que a pessoa jurídica possui Código da Atividade Econômica (CNAEFiscal): 51.36 5/02 Comércio atacadista de cerveja, chope e refrigerante. Não consta dos autos que tal atividade econômica cadastrada e declarada pela Recorrente tenha sido refutada pelo Fisco. Como se depreende dos autos, a recorrente é pessoa comerciante atacadista de bebidas produtos sujeitos a tributação monofásica, tributada pelo lucro arbitrado, e, ainda que o PIS e a Cofins submetamse ao regime de apuração cumulativa, enquadramse no artigo 49 da Lei 10.833/03. Nesse diapasão, temse por presunção, como receita bruta da pessoa jurídica, que as receitas omitidas decorrem do Comércio atacadista de cerveja, chope e refrigerante e como tal subsumemse às regras contidas nos artigos 49 e 50 da Lei 10.833, de 2003, razão pela qual devem ser afastadas as exigências relativas ao PIS e a Cofins tendo em vista que a legislação reduziu a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda desses produtos pelos comerciantes atacadistas e varejistas. Enfim, as receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita bruta própria da atividade da pessoa jurídica. Assim, configurada a omissão de receita por presunção legal, a autoridade tributária deverá computar o montante omitido para a determinação da base de cálculo do IRPJ e das Contribuições Sociais (CSLL, PIS e Cofins), todavia, ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins em decorrência da presunção de que as receitas foram auferidas na venda de produtos (bebidas) relacionados no artigo 49 da Lei nº 10.833/2003, por comerciante atacadista e varejista, considerados, por presunção, como receita bruta própria da atividade da pessoa jurídica. Sobre a multa lançada de ofício de 75%, a Recorrente alega que o referido percentual afeta o direito de propriedade quando excede de eventual vantagem que poderia ser obtida em função do inadimplemento à época da obrigação. Argúi que sua atividade comercial, jamais consegue obter, nos negócios que realiza, margem de lucro que supere 10% (dez por cento) do negócio jurídico envolvido e, por esta razão, entende ser fora de razoabilidade e proporcionalidade a aplicação de multa na ordem de 75% do valor do débito. E que, se procedente fosse a exigibilidade do crédito tributário em comento, seria inafastável a redução da multa moratória para, no máximo 2%, do valor originário do débito. A discussão da natureza da confiscatoriedade das multas é matéria reservada ao poder judiciário, portanto não submetida ao crivo do julgamento no âmbito administrativo em razão da falta de competência para decidir sobre a constitucionalidade da lei que a instituiu, cabendo a este colegiado verificar tãosó a aplicação da aludida penalidade diante dos fatos descritos no auto de infração em comento. A multa de ofício lançada, foi aplicada no percentual de 75%, com escora no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 que não deixa margem a qualquer discricionariedade da autoridade administrativa ao assim determinar, verbis: Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 17 16 Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) Desse modo, constatado o descumprimento da obrigação tributária configurado pela falta de recolhimento do IRPJ e CSLL, e, procedido o lançamento de ofício, impõese a aplicação da multa de 75% nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, acima transcrita. Com efeito, a multa de ofício decorre de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. Decorrendo a exigência da CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para afastar as exigências do PIS e da Cofins. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Voto Vencedor Apesar dos bem construídos argumentos da I. Relatora, vislumbro solução diversa para o caso sob análise, mas apenas em relação ao PIS e à COFINS. O voto vencido, apenas neste ponto, entendeu que na hipótese de arbitramento do lucro presumese que as receitas omitidas decorrem da atividade própria da pessoa jurídica, que seria o comércio atacadista de cerveja, chope e refrigerantes. Na esteira desse raciocínio, reconhecendo que a legislação específica reduziu as alíquotas do PIS e da COFINS de determinadas bebidas para 0%, concluiu a I. Relatora pelo afastamento dos respectivos lançamentos, nos seguintes termos: Enfim, as receitas omitidas apuradas com fundamento na presunção legal instituída pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, baseada nos depósitos bancários com recursos de origem não comprovada, são considerados, por presunção, como receita Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 18 17 bruta própria da atividade da pessoa jurídica. Assim, configurada a omissão de receita por presunção legal, a autoridade tributária deverá computar o montante omitido para a determinação da base de cálculo do IRPJ e das Contribuições Sociais (CSLL, PIS e Cofins), todavia, ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins em decorrência da presunção de que as receitas foram auferidas na venda de produtos (bebidas) relacionados no artigo 49 da Lei nº 10.833/2003, por comerciante atacadista e varejista, considerados, por presunção, como receita bruta própria da atividade da pessoa jurídica. Em sentido diverso, entendo que a hipótese de arbitramento do lucro pela não comprovação da origem dos depósitos bancários, como observado nos autos, não permite a presunção de que os montantes eram relativos à atividade essencial da empresa. A base legal para os lançamentos é o artigo 42 da Lei n. 9.430/96, que confere presunção de omissão de receita aos depósitos cuja origem não seja comprovada pelo titular, nos seguintes termos: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). A presunção contida no artigo 42 tem o condão de inverter o ônus da prova, normalmente a cargo do Fisco, nas hipóteses em que o Contribuinte omite os valores depositados em conta de sua titularidade. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11522.000216/200949 Acórdão n.º 1201001.430 S1C2T1 Fl. 19 18 Nesses casos, a lei determina que compete ao interessado fazer prova da origem de tais recursos, até então desconhecidos. A prova exigida deve ser hábil e idônea, ou seja, suficiente e conclusiva em relação aos fatos que originaram os respectivos depósitos ou transferências. A não comprovação pelo interessado ou a apresentação de documentos frágeis ou insuficientes materializa, no campo jurídico, a presunção, e torna de rigor o lançamento do montante detectado. Por óbvio que cabe à autoridade fiscal intimar, averiguar e determinar a apresentação dos documentos que considera necessários para a comprovação dos depósitos. E isso efetivamente ocorreu no caso dos autos. Contudo, como o ônus da prova é da empresa, não me parece adequada a solução de lhe conferir outra presunção, no sentido de que os depósitos seriam relativos à sua atividade precípua. Entendo que inexiste permissivo legal nesse sentido, de sorte que a ausência de comprovação enseja a tributação integral dos valores omitidos, sem enquadramento em regimes especiais ou de tributação reduzida, circunstância que teria de ser demonstrada pela interessada e não o foi. Até porque a ausência de comprovação não nos permite presumir que os depósitos se referem à atividade típica da empresa e, ainda que assim fosse, também não se saberia a quais tipos de bebidas poderiam se referir, para fins de enquadramento na redução prevista em lei, de sorte que a omissão e consequente não comprovação da origem exige a tributação, a título de PIS e COFINS, pela regra geral. Descabe, portanto, o argumento formulado pela Recorrente, relativo ao enquadramento do PIS e da COFINS na hipótese de alíquota zero. Entretanto, observase que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 05 de março de 2009, de forma que deve ser reconhecida a decadência em relação aos lançamentos de janeiro e fevereiro de 2004, relativos ao PIS e à COFINS, posto que o regime de apuração dessas contribuições é mensal, nos termos do artigo 74 do Decreto n. 4.524/2002: Art. 74. O período de apuração do PIS/Pasep e da Cofins é mensal (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 2º, e Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º). Ante o exposto, conduzo meu voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para reconhecer a decadência do PIS/Cofins relativamente aos fatos geradores ocorridos nos meses janeiro e fevereiro de 2004. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Redator designado Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/ 07/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10314.725608/2014-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE - APURAÇÃO.
Para efeitos de interpretação, o valor referente às indenizações
correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º do art. 9º da Lei n. 9.718/98 entende-se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de
saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA INTERPRETATIVA - APLICAÇÃO RETROATIVA.
A lei expressamente interpretativa aplica-se a ato ou fato pretérito, em qualquer caso. Artigo 106 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3302-003.242
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE - APURAÇÃO. Para efeitos de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º do art. 9º da Lei n. 9.718/98 entende-se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA INTERPRETATIVA - APLICAÇÃO RETROATIVA. A lei expressamente interpretativa aplica-se a ato ou fato pretérito, em qualquer caso. Artigo 106 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. RICARDO PAULO ROSA - Presidente. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 03 14 .7 25 60 8/ 20 14 -7 4 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária junho de 2016 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL SUL AMÉRICA SERVIÇOS DE SAÚDE S.A. SUL AMÉRICA SERVIÇOS DE SAÚDE S.A. AA Fl. 594DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 LENISA PRADO- Relatora. EDITADO EM: 04/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Paulo Guilherme Dérouledé, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares Araújo de Paes Souza, José Luiz Feistauer, Walker Araújo e Lenisa Prado. Relatório Trata-se de recurso de ofício submetido a este Colegiado em virtude de o crédito tributário exonerado pelo acórdão recorrido1 ser superior ao limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria MF n. 03, de 03 de janeiro de 2008. A questão tem início na exigência PIS/PASEP e COFINS, lavrados em auto de infração referentes a fatos geradores ocorridos no período de 01/2010 a 12/2010, importando na cobrança de R$ 7.051.211,92 e R$ 32.544.055,02 respectivamente. A instância de origem julgou procedente a impugnação da contribuinte, exonerando o crédito tributário exigido, em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE - APURAÇÃO. Para efeitos de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º do art. 9º da Lei n. 9.718/98 entende-se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS. Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE - APURAÇÃO. 1 Acórdão n.12-070.768, prolatado em 03/12/2014 pela Delegacia de Julgamentos da Receita Federal no Rio de Janeiro (RJ). Fl. 595DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.725608/2014-74 Acórdão n.º 3302-003.242 S3-C3T2 Fl. 595 3 Para efeitos de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º do art. 9º da Lei n. 9.718/98 entende-se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA INTERPRETATIVA - APLICAÇÃO RETROATIVA. A lei expressamente interpretativa aplica-se a ato ou fato pretérito, em qualquer caso. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado É o relatório. Voto Conselheira Lenisa Prado, A instância de origem cancelou a exigência fiscal ao analisar as seguintes constatações insertas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 578/579): "Os valores utilizados como DEDUÇÃO da BASE DE CÁLCULO DO PIS e COFINS, intitulados de 'Indenizações Efetivamente Pagas', referem-se na realidade, aos pagamentos por SERVIÇOS PRESTADOS aos INTEGRANTES de sua rede credenciada, prestadores de serviços médicos, hospitalares e laboratoriais, diretamente fornecidos aos beneficiários de seus planos de saúde vendidos. A clareza dessa afirmação se verifica inclusive, no arquivo magnético em formativo 'PDF', apresentado pelo contribuinte em 05/06/2014, denominado 'Indenizações Efetivamente Pagas.pdf', demonstra claramente que os valores pagos no total de R$ 510.034.479,36, referem-se EXCLUSIVAMENTE a pagamentos por SERVIÇOS PRESTADOS pelos INTEGRANTES sua REDE CREDENCIADA, ou seja, MÉDICOS, LABORATÓRIOS, HOSPITAIS e CONVENIADOS, no atendimento direto aos beneficiários dos planos de saúde vendidos. O contribuinte indica que efetua as DEDUÇÕES baseado nos Incisos I, II e III , § 9º do Artigo 3º da Lei n. 9.718/98. A interpretação do disposto no Inciso III do § 9º do Artigo 3º da Lei n. 9.718 de 1998, com redação dada pela Medida Provisória n. 2.158-35, de 2001, é no sentido de que às Operadoras de Plano de Saúde , NÃO É PERMITIDO DEDUZIREM DA BASE de Cálculo do PIS e da COFINS as DESPESAS e Fl. 596DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 CUSTOS OPERACIONAIS provenientes dos dispêndios com atendimentos médicos, hospitalares e laboratoriais utilizados por seus beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área da saúde, uma vez que a incidência das referidas contribuições se dá sobre o FATURAMENTO mensal e não sobre o RESULTADO. As Operadoras de Plano de Saúde NÃO PODEM deduzir da Base de Cálculo das Contribuições de PIS e COFINS, os pagamentos aos Conveniados pelos Serviços médicos prestados por força do convênio firmado entre eles e a operadora do plano de saúde. Está equivocada a interpretação feita pelo contribuinte quando efetua a DEDUÇÃO da Base de Cálculo do PIS e COFINS, pois a permissão legal para essas deduções é apenas e tão somente para os casos de transferência de responsabilidades, corresponsabilidade cedida e contra prestação pecuniária ". Diante das informações acima transcritas, os julgadores de primeira instância concluíram que: "A Lei n. 12.873 de 24/10/2013 interpretou o disposto no inciso III do § 9 º da Lei n. 9.718/98 esclarecendo que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos abrange todo os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida, tanto os custos de beneficiários da própria operadora como os de beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Em conseqüência, os valores excluídos pela autuada e glosados pela Fiscalização, a este título, são efetivamente passíveis de dedução da base de cálculo do PIS e da COFINS. (...) Dessa forma, a interpretação trazida pela nova norma se aplica também aos períodos de apuração anteriores à sua publicação, caso dos presentes autos, que incluem os PA01/2010 A 12/2010. Pelo exposto, é forçoso concluir-se pela correção da exclusão efetuada pela autuada, objeto da glosa em análise, sendo, portanto, improcedente a tributação de tais valores". Ao julgar Recurso Especial interposto pelo Contribuinte2, a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais considerou que a interpretação a ser conferida ao § 9ºA da Lei n. 9.718/1998, com a redação promovida pela Lei n. 12.873/2014, afasta da base de cálculo do PIS e da COFINS das operadoras de planos de saúde os valores decorrentes dos custos próprios, sejam eles diretos (pagos diretamente aos seus conveniados) ou indiretos (pagos a outras operadoras que prestaram serviços a seu associados). O acórdão mencionado recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS. Período de apuração: 01/07/1999 a 31/10/1999, 01/01/2002 a 31/12/2003 2 Acórdão n. 9303-003.295, oriundo do julgamento realizado em 24/03/2015 sobre o Recurso Especial interposto pela UNIMED BH Cooperativa de Trabalho Médico Ltda nos autos do Processo n. 10680.007677/2004-52. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.725608/2014-74 Acórdão n.º 3302-003.242 S3-C3T2 Fl. 596 5 COOPERATIVAS. UNIMED. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. LEI N. 9.718/98, ART. 3º, §§ 9º, 9º-A e 9º-B. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. O valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III, do § 9º. da Lei 9.718/98, é o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. Recurso parcialmente provido. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Por tudo que foi demonstrado, entendo que a decisão proferida pela instância de origem encontra amparo na novel legislação e em precedente deste Conselho, motivo pelo qual deve ser mantida integralmente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Lenisa Prado - Relatora Fl. 598DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 16327.721547/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. REQUISITOS LEGAIS COMPROVADOS PARCIALMENTE. DEDUÇÃO DEVIDA.
A dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos está condicionada ao atendimento dos requisitos legais previstos no art. 9° da Lei n° 9.430/1996, além da comprovação documental inequívoca da sua ocorrência. A comprovação constante nos autos que comprove o atendimento de tais requisitos deve ser considerada e acatada, por se tratar de matéria probatória e em razão do principio da busca da Verdade Material.
POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DE IMPOSTO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE DESPESAS. JUROS E MULTA DE MORA. CABIMENTO
A inexatidão quanto ao período-base de escrituração de despesas que implique ou postergação do pagamento do imposto enseja a cobrança de multa e de juros de mora.
POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DE IMPOSTO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL.
Havendo a postergação de tributos, os pagamentos devem ser imputados proporcionalmente às parcelas que compõem o crédito tributário (principal, juros e multa), sendo exigível eventual saldo devedor resultante.
MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO (SUCESSÃO). RESPONSABILIDADE DA INCORPORADORA (SUCESSORA).
A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como pela multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se ao lançamento da CSLL o decidido em relação ao IRPJ, quando compartilha com este a mesma matéria fática, e, também, por inexistir razão jurídica para decidir de forma diversa
Numero da decisão: 1402-002.201
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução com perdas no montante de R$ 20.819.133,18, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Gilberto Baptista, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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REQUISITOS LEGAIS COMPROVADOS PARCIALMENTE. DEDUÇÃO DEVIDA. A dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos está condicionada ao atendimento dos requisitos legais previstos no art. 9° da Lei n° 9.430/1996, além da comprovação documental inequívoca da sua ocorrência. A comprovação constante nos autos que comprove o atendimento de tais requisitos deve ser considerada e acatada, por se tratar de matéria probatória e em razão do principio da busca da Verdade Material. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DE IMPOSTO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE DESPESAS. JUROS E MULTA DE MORA. CABIMENTO A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de despesas que implique ou postergação do pagamento do imposto enseja a cobrança de multa e de juros de mora. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DE IMPOSTO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. Havendo a postergação de tributos, os pagamentos devem ser imputados proporcionalmente às parcelas que compõem o crédito tributário (principal, juros e multa), sendo exigível eventual saldo devedor resultante. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO (SUCESSÃO). RESPONSABILIDADE DA INCORPORADORA (SUCESSORA). A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como pela multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 15 47 /2 01 2- 41 Fl. 6987DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento da CSLL o decidido em relação ao IRPJ, quando compartilha com este a mesma matéria fática, e, também, por inexistir razão jurídica para decidir de forma diversa Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução com perdas no montante de R$ 20.819.133,18, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto Presidente. Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Gilberto Baptista, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 6988DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721547/201241 Acórdão n.º 1402002.201 S1C4T2 Fl. 6.988 3 Relatório Trata o presente processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 13.879.269,19, e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 4.418.148,77, lavrados contra o interessado acima qualificado, pela Deinf São Paulo de Janeiro, referente ao anocalendário de 2007. Sobre os valores lançados incidiu multa de ofício de 75% e juros de mora. A infração apurada foi a exclusão indevida de perdas no recebimento de créditos na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 4.169/4.177) foram narrados os seguintes fatos. Na demonstração do lucro real do anocalendário de 2007, o Banco ABN Amro excluiu o montante de R$ 566.826.254,99 de perdas em operações de créditos que segundo o LALUR é composto por: (a) Perdas em operações de crédito Banco Real : R$ 297.447.574,96. (b) Perdas em operações de crédito CRCI : R$ 5.975.257,86 (c) Perdas em operações de crédito Cartões : R$ 2.358.046,35 (d) Perdas em operações de crédito ABN Consumer : R$ 261.045.375,82 Quanto à entrega dos documentos comprobatórios das perdas selecionadas acima, o Banco ABN Amro deixou de atender adequadamente, pelo menos na fase fiscalizatória, a entrega dos documentos relativos aos contratos das operações de crédito e às medidas judiciais impetradas o que refletiu no alto índice de exclusão indevida em razão de documentos não apresentados ou, apresentados parcialmente, insuficientes para análise fiscal. Posto isso, a fiscalização analisou as informações e os documentos entregues pelo Banco ABN Amro que sustentam a dedutibilidade das perdas em operações de crédito excluídas na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social, no anocalendário de 2007, de acordo com as regras de dedutibilidade previstas no art. 9° da Lei n° 9.430/96. Assim, nos Anexos I, II, III e IV (fls. 4.178/4.180) a fiscalização relacionou todas as perdas em operações de crédito não dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social, no anocalendário de 2007, por não se enquadrarem nas regras de dedutibilidade previstas no art. 9° da Lei n° 9.430/96. Para cada uma das perdas relacionadas nesses Anexos, a fiscalização indicou o motivo pelo qual não pode ser deduzida, dentre os seguintes: (1) Não foram apresentados os documentos solicitados ou, apresentados parcialmente, são insuficientes para averiguar a dedutibilidade das perdas (art. 9°e §§ da Lei 9.430/96); Fl. 6989DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 (2) Tratase de contrato de operação de crédito com garantia e, portanto, a perda é dedutível após dois anos de seu vencimento; neste caso, não foi respeitado o prazo de dois anos (art. 9° , § 1° , inciso III, Lei 9.430/96); (3) Não foram comprovados os procedimentos judiciais iniciais e mantidos para o recebimento do crédito; as medidas judiciais apresentadas são de iniciativa do devedor, como a ação revisional de contrato (art. 9° , § 1° , incisos II, "c", III e IV, Lei 9.430/96); (4) O devedor se encontra em situação de falência, concordata ou recuperação judicial; neste caso não foram comprovados os procedimentos judiciais necessários ao recebimento do crédito, bem como o demonstrativo dos valores comprometidos que seriam pagos pelo devedor (art. 9° , §§ 1° , inciso I e IV, 4° e 5° , Lei 9.430/96); (5) O procedimento judicial para o recebimento do crédito foi iniciado em 2008 (art. 9° e §§ da Lei 9.430/96); (6) O procedimento judicial para o recebimento do crédito foi iniciado em 2009 (art. 9° e §§ da Lei 9.430/96). No demonstrativo de fl. 4.174 do Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização fez constar os valores extraídos dos Anexos referente às perdas não dedutíveis, em 2007, com a indicação daquelas dedutíveis em 2008 e 2009, as quais cabem o critério da postergação do pagamento do imposto cujos valores estão demonstrados no Auto de Infração. O valor da infração relativa à exclusão indevida, no anocalendário de 2007, de perdas em operações de crédito que não atenderam as regras de dedutibilidade, é de R$ 65.156.878,99, cujo valor está sendo objeto de auto de infração do IRPJ e da CSLL. Inconformado, o interessado apresentou impugnação, em 24/01/2013 (fls. 4.200/4.225), requerendo o cancelamento integral dos autos de infração lavrados, alegando, em síntese, o seguinte: . que as despesas referentes às perdas no recebimento de crédito são absolutamente operacionais e, portanto, dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do artigo 299 do Decreto n° 3.000/99. . que, nos termos do artigo 299 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), despesas operacionais são aquelas necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. . que as despesas com perdas no recebimento de créditos questionadas no presente processo administrativo estão intrinsecamente relacionadas com suas atividades, e, nesse sentido, possuem, inegavelmente, natureza de despesas operacionais, que são plenamente dedutíveis para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. . que as perdas no recebimento de créditos são perfeitamente aceitáveis frente ao desenvolvimento de atividades de uma instituição financeira, de modo que se pode afirmar que as despesas em comento não devem submeterse ao tratamento conferido pelo artigo 9° da Lei n° 9.430/1996, e sim à regra geral de dedutibilidade prevista no artigo 299 do RIR/99; cita acórdãos dos Egrégios Conselho de Contribuintes e do CARF. . que, ainda que haja regra específica que regule as perdas no recebimento de crédito das pessoas jurídicas em geral, de fato, para as instituições financeiras, nada seria mais apropriado do que considerar como despesa dedutível, pelo artigo 299 do RIR/99, as perdas no Fl. 6990DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721547/201241 Acórdão n.º 1402002.201 S1C4T2 Fl. 6.989 5 recebimento de créditos, uma vez que é fato não controverso nos autos que os valores glosados referem se às perdas verificadas pelo Impugnante na consecução de suas atividades sociais. . que cumpriu os requisitos objetivos do art. 9° da Lei n° 9.430/1996, tendo elaborado planilha e juntado, de forma exemplificativa, documentos à peça impugnatória para comprovação. . que, ainda que se admita a ocorrência de antecipação de despesas (o que não ocorreu, tendo em vista que não está obrigada a seguir os critérios previstos na Lei n° 9.430/96), é certo que mesmo nessa hipótese os cálculos utilizados pela Fiscalização para a apuração do imposto postergado estão equivocados. . que o cálculo equivocado da Fiscalização resultou na cobrança de valores a título de principal em montantes superiores às diferenças não recolhidas ou, em outros termos, na cobrança de parte dos tributos já pagos. . que, em razão do equívoco cometido pela Fiscalização, no presente caso estão sendo exigidos, sem previsão legal, (i) taxa de juros Selic de dezembro de 2012 (49,42%) calculada sobre parte dos tributos pagos em 2008 e 2009, (ii) multa de ofício de 75% sobre a mesma parcela de tributos, nos montantes de R$ 795.199,01 e R$ 477.119,40 (diferenças entre R$ 3.205.149,57 e R$ 2.409.950,56 IRPJ e R$ 1.923.089,74 e R$ 1.445.970,34 CSLL), que já haviam sido pagas em 2008 e 2009, antes do início da fiscalização. . que o procedimento correto para cálculo da postergação, nos termos dos artigos 222 e 230 do RIR/99, seria o seguinte: (i) calcular o IRPJ e a CSLL supostamente incidentes sobre as bases de cálculo de R$ 10.924.528,41, R$ 521.497,18 e R$ 1.374.572,73; (ii) subtrair dos tributos apurados os montantes de R$ 2.731.132,10, R$ 130.374,29, R$ 343.643,18 (IRPJ) e R$ 1.638.679,26, R$ 78.224,57 e R$ 206.185,91 (CSLL), que já haviam sido pagos; (iii) exigir juros isolados de 11,89%, 15,61% e 21,39% sobre os valores pagos de forma postergada; e, (iv) calcular multa de ofício de 75% e juros de 49,42% apenas sobre as diferenças de tributos que não foram recolhidas. . que não há dúvidas de que o cálculo elaborado pela Fiscalização no presente caso é equivocado e ilegal e, portanto, não se pode olvidar que os autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados padecem de iliquidez e incerteza e deverão ser integralmente cancelados; cita ementas do E. CARF. . que não é cabível a cobrança de multa de ofício nem de multa de mora nos casos de pagamento postergado, em razão da aplicação do instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN; cita ementa do E. CARF. . que, mesmo que não se aplicasse o instituto da denúncia espontânea ao presente caso (o que se alega ad argumentandum), também não seria devida a cobrança de multa, em razão da inexistência de previsão legal para sua cobrança. . que, de acordo com a redação do § 2° do artigo 273 do RIR/99, poderseia entender que na postergação de imposto seria devida a multa de mora. Contudo, a cobrança da multa de mora não encontra respaldo em dispositivo legal, pois na redação do § 7° do art. 6° do Decretolei n° 1.598/77, existe apenas a previsão para a cobrança da correção monetária e os juros de mora. . que não há previsão legal para a adição de despesa considerada indedutível à base de cálculo da CSLL. Fl. 6991DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 . que, muito embora a CSLL seja, assim como o IRPJ, tributo incidente sobre o lucro dos contribuintes, certo é que para ela existem normas específicas que tratam das adições e exclusões ao lucro líquido para fins de determinação de sua base de cálculo, as quais, nem sempre, são as mesmas aplicáveis ao IRPJ. . que, pela análise do artigo 2° da Lei n° 7.689/88, verificase que a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, ajustado pelas exclusões e adições previstas nas alíneas 1, 2, 3 (revogado) e 4, sendo que a única adição permitida ao resultado do exercício,para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, está prevista na alínea 4, qual seja: a adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido. . que não há, portanto, previsão legal na legislação que regulamenta a CSLL, para a adição, ao lucro líquido, de qualquer despesa considerada indedutível, tal como as despesas operacionais que foram indevidamente glosadas pela Fiscalização; cita ementas do E. Conselho de Contribuintes. . que o que existe de comum entre os tributos IRPJ e CSLL não é nada mais do que as mesmas regras de apuração e pagamento. . que o Impugnante não pode ser responsabilizado pela multa de ofício imposta, pois os supostos fatos infracionais foram praticados pela empresa sucedida Banco ABN AMRO REAL S/A. . que, da análise do art. 132 do CTN, notase, com clareza hialina, que o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão. Com relação às multas, devese averiguar o momento em que tal penalidade foi constituída, para então atribuirse ou não a responsabilidade ao incorporador. . que a multa fiscal somente será transferida ao sucessor se ela tiver sido lançada antes do ato sucessório; cita ementas do E. Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais e decisões do Supremo Tribunal Federal. . que, no caso em questão, a multa foi lançada em 28 de dezembro de 2012, enquanto que a incorporação do Banco ABN AMRO REAL S/A pelo Impugnante deuse no dia 29 de agosto de 2008; que não há que se manter a cobrança da multa punitiva. . que, mesmo que fosse aceita a possibilidade das multas lançadas posteriormente à sucessão fossem impostas à incorporadora, o que se admite apenas a título argumentativo, o fato é que mesmo assim tal imputação não poderia ocorrer, em decorrência do caráter personalíssimos das multas. . que somente poderiam ser imputadas as multas lançadas por meio do presente auto de infração acaso as respectivas infrações tivessem sido cometidas por empresas incorporadas cujos administradores fossem os mesmos que os seus ou, ao menos, que as incorporadas pertencessem ao seu grupo econômico, como informa a Súmula CARF n° 47, publicada no Diário Oficial da União em 09.12.2010 (Portaria n° 49, de 01.12.2010). . que o Banco ABN AMRO Real S/A foi incorporado pelo Banco Santander Brasil S/A, instituições financeiras distintas e pertencentes a diferentes grupos econômicos, com administrações completamente distintas e independentes. . que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. . que o artigo 13 da Lei n° 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, remete ao artigo 84 da Lei n° 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de Fl. 6992DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721547/201241 Acórdão n.º 1402002.201 S1C4T2 Fl. 6.990 7 tais acréscimos apenas sobre tributos; cita ementas do E. Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. . que a multa tem natureza de sanção, que é aplicada em decorrência do descumprimento de uma obrigação (principal ou acessória), estando, portanto, expressamente excluída do conceito de tributo indicado no artigo 3° do Código Tributário Nacional. . que § 1° do artigo 113 do Código Tributário Nacional, ao diferenciar "tributo" de "penalidade pecuniária", ratifica o que ora se demonstra, deixando claro que as duas figuras não se confundem. . que a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5°, II, e 37 da Constituição Federal. Em 20/02/2013, o interessado efetuou um aditamento à impugnação (fls. 4.961/4.962), na qual requer a juntada de documentos adicionais (anexos) que comprovam, de forma exemplificativa, em relação às perdas elencadas no anexo IV do auto de infração "perdas consumer", o efetivo cumprimento dos requisitos de admissibilidade das perdas no recebimento de crédito incorridas no anobase de 2007. Submetido a julgamento na DRJ, a impugnação foi julgada improcedente, cuja ementa restou assim consignada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DESCARACTERIZAÇÃO DO TRATAMENTO DE DESPESAS OPERACIONAIS. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. CRITÉRIO DA ESPECIALIDADE. O disciplinamento estabelecido pelo art. 9°, da Lei n° 9.430/96, assume um caráter de norma especial, em relação às normas gerais de dedução de despesas existentes no Direito Tributário. Sendo assim, utilizandose do critério da especialidade para solucionar o conflito aparente de normas, concluise que, à matéria de perdas no recebimento de créditos, são aplicáveis as normas específicas do art. 9° da Lei n° 9.430/96, e não as normas gerais do art. 299 do RIR/99. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUÇÃO INDEVIDA. A dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos está condicionada ao atendimento dos requisitos legais previstos no art. 9° da Lei n° 9.430/1996, além da comprovação documental inequívoca da sua ocorrência. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DE IMPOSTO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE DESPESAS. JUROS E MULTA DE MORA. CABIMENTO A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de despesas que implique ou postergação do pagamento do imposto enseja a cobrança de multa e de juros de mora. Fl. 6993DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DE IMPOSTO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. Havendo a postergação de tributos, os pagamentos devem ser imputados proporcionalmente às parcelas que compõem o crédito tributário (principal, juros e multa), sendo exigível eventual saldo devedor resultante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CSLL. Aplicase ao lançamento da CSLL o decidido em relação ao IRPJ, quando compartilha com este a mesma matéria fática, e, também, por inexistir razão jurídica para decidir de forma diversa. MULTA DE OFÍCIO MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO (SUCESSÃO). RESPONSABILIDADE DA INCORPORADORA (SUCESSORA). A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como pela multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária. JUROS DE MORA JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Desta decisão o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando basicamente os mesmos argumentos de defesa manejados na impugnação e trazendo mais documentos comprobatórios de seu direito. É o relatório. Voto O recurso do contribuinte é tempestivo e sua representação é regular, motivo pelo qual dele conheço. A autuação fiscal baseouse em 06 (seis) "motivos" para glosar as despesas deduzidas pelo contribuinte, já apresentados no relatório acima. Os motivos são todos DE FATO, ou seja, são todos relacionados às provas que o contribuinte deixou de apresentar para comprovar o atendimento dos requisitos legais para o reconhecimento da despesa. O contribuinte juntou documentação comprobatória de seu direito em sede de impugnação e de recurso voluntário. Neste voto relaciono todas as provas apresentadas tanto em primeira quanto em segunda instancia em seis planilhas. Cada "motivo" corresponderá a Fl. 6994DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721547/201241 Acórdão n.º 1402002.201 S1C4T2 Fl. 6.991 9 um Anexo, que passa a ser parte integrante deste voto, sendo que os "motivos 5 e 6" fazem parte de um único anexo. Além disso, há um último Anexo ao voto que trata especificamente das despesas que o contribuinte alega terem passado 05 anos de sua constituição, e portanto, estarem automaticamente passiveis de dedução. MOTIVO 1 (anexo 1 do voto) Não foram apresentados os documentos solicitados ou, apresentados parcialmente, são insuficientes para averiguar a dedutibilidade das perdas (art. 9°e §§ da Lei 9.430/96); MOTIVO 2 (anexo 2 do voto) Tratase de contrato de operação de crédito com garantia e, portanto, a perda é dedutível após dois anos de seu vencimento; neste caso, não foi respeitado o prazo de dois anos (art. 9° , § 1° , inciso III, Lei 9.430/96); MOTIVO 3 (anexo 3 do voto) Não foram comprovados os procedimentos judiciais iniciais e mantidos para o recebimento do crédito; as medidas judiciais apresentadas são de iniciativa do devedor, como a ação revisional de contrato (art. 9° , § 1° , incisos II, "c", III e IV, Lei 9.430/96); MOTIVO 4 (anexo 4 do voto) O devedor se encontra em situação de falência, concordata ou recuperação judicial; neste caso não foram comprovados os procedimentos judiciais necessários ao recebimento do crédito, bem como o demonstrativo dos valores comprometidos que seriam pagos pelo devedor (art. 9° , §§ 1° , inciso I e IV, 4° e 5° , Lei 9.430/96) MOTIVO 5 (anexo 5 do voto) O procedimento judicial para o recebimento do crédito foi iniciado em 2008 (art. 9° e §§ da Lei 9.430/96); MOTIVO 6 (anexo 5 do voto) O procedimento judicial para o recebimento do crédito foi iniciado em 2009 (art. 9° e §§ da Lei 9.430/96). Em todos os anexos acima mencionados, consta a letra "S" para as despesas que o contribuinte logrou comprovar com a documentação apresentada, e com a letra "N" aquelas despesas que, segundo meu entendimento, não há documentação suficiente para comprovar sua aptidão para serem passíveis de dedução. O resultado de tal verificação documental trazida posteriormente à autuação fiscal e até mesmo à decisão de primeira instância aos autos pelo contribuinte resulta no seguinte resultado: Total geral ‐Planilhas motivos I a 6 37.449.699,07 Fl. 6995DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 Total documentos aceitos como despesa dedutível ‐ Planilhas motivos 1 a 6 20.819.133,18 Total documentos não aceitos como despesa dedutível ‐ Planlhas motivos 1 a 6 16.630.565,89 Quanto aos créditos não cobrados há mais de 05 (cinco) anos, entendo que, ao contrário dos argumentos do contribuinte, que as despesas pelo simples fato de terem ultrapassado os 05 anos de sua constituição (inadimplência/vencimento da dívida) não têm o condão de tornaremse dedutíveis. A razão da recusa é que, não havendo cobrança efetiva (administrativa/judicial) no curso de cinco anos, não é forçoso presumir que houve liberalidade do credor no sentido de perdoar (mesmo que tacitamente) a dívida, pois por cinco anos não a cobrou. Por isso, pode ser que alguma das despesas relacionadas no anexo 6 tenham sido consideradas dedutíveis, mas não pelo mero decurso dos 05 anos, mas pelo fato de eventualmente terem sido cobradas efetivamente e o contribuinte ter apresentado documentação hábil para tanto, conforme os demais anexos ao voto. [DESPESAS SUPERIORES A 05 ANOS (anexo 6 do voto)] O contribuinte questionou também em sede preliminar a sistemática da apuração linear da multa, ao invés da proporcional, utilizada no auto de infração. De plano, rechaço o argumento desenvolvido pelo contribuinte em seu recurso, e para tanto, e por oportuno, transcrevo as razoes do voto do relator da DRJ nos itens "da apuração do imposto postergado" e da correspondente "multa de mora", o qual acompanho, in verbis: "Da apuração do imposto postergado O interessado alega que os cálculos utilizados pela Fiscalização para a apuração do imposto postergado estariam equivocados. Afirma que o cálculo equivocado da Fiscalização teria resultado na cobrança de valores a título de principal em montantes superiores às diferenças não recolhidas ou, em outros termos, na cobrança de parte dos tributos já pagos. Defende que, em razão do equívoco cometido pela Fiscalização, no presente caso estariam sendo exigidos, sem previsão legal, (i) taxa de juros Selic de dezembro de 2012 (49,42%) calculada sobre parte dos tributos pagos em 2008 e 2009, (ii) multa de ofício de 75% sobre a mesma parcela de tributos, nos montantes de R$ 795.199,01 e R$ 477.119,40 (diferenças entre R$ 3.205.149,57 e R$ 2.409.950,56 IRPJ e R$ 1.923.089,74 e R$ 1.445.970,34 CSLL), que já haviam sido pagas em 2008 e 2009, antes do início da fiscalização. Entende que o procedimento correto para cálculo da postergação, nos termos dos artigos 222 e 230 do RIR/99, seria o seguinte: (i) calcular o IRPJ e a CSLL supostamente incidentes sobre as bases de cálculo de R$ 10.924.528,41, R$ 521.497,18 e R$ 1.374.572,73; (ii) subtrair dos tributos apurados os montantes de R$ 2.731.132,10, R$ 130.374,29, R$ 343.643,18 (IRPJ) e R$ 1.638.679,26, R$ 78.224,57 e R$ 206.185,91 (CSLL), que já haviam sido pagos; (iii) exigir juros isolados de 11,89%, 15,61% e 21,39% sobre os valores pagos de forma postergada; e, (iv) calcular multa de ofício de 75% e juros de 49,42% apenas sobre as diferenças de tributos que não foram recolhidas. Fl. 6996DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721547/201241 Acórdão n.º 1402002.201 S1C4T2 Fl. 6.992 11 Assevera que não haveria dúvidas de que o cálculo elaborado pela Fiscalização no presente caso seria equivocado e ilegal, e, portanto, não se poderia olvidar que os autos de infração de IRPJ e de CSLL lavrados padeceriam de iliquidez e incerteza e deveriam ser integralmente cancelados. De início, cabe esclarecer que se houvesse algum erro de cálculo na autuação, o mesmo seria passível de ajuste e não de cancelamento como defende o interessado. Todavia, analisando os autos, verificase que não há qualquer erro no cálculo da postergação efetuado pela fiscalização, senão vejamos. As argumentações do interessado vão na direção da aplicação do método comumente chamado de "sistema de amortização linear", o qual, em apertada síntese, não há imputação proporcional do pagamento efetuado. Isto porque o pagamento com atraso do valor principal amortizaria o próprio principal, cobrandose multa e juros isolados (o interessado, in casu, entende ainda que não deveria incidir multa de mora, em razão do art. 138 do CTN, mas apenas juros de mora). Contudo, não há previsão legal para a aplicação desse sistema de amortização linear, mormente após a nova redação do art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996, dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, que deixou de contemplar a hipótese de lançamento de multa isolada no caso de pagamento de tributo em atraso desacompanhado da multa moratória. Impende registrar que o DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, estipulou a regra geral a ser aplicada para os casos de inobservância do regime de competência: "Art. 6° Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (...) § 4°. Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5 ° . A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento do imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 6°. O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4o. Fl. 6997DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 § 7°. O disposto nos §§ 4o e 6o não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência." (grifei) No presente caso, o interessado contabilizou em 2007 perdas em operações de crédito, as quais somente seriam dedutíveis em 2008 e 2009. Ou seja, antecipou despesas. Tais valores reduziram indevidamente o lucro líquido do anocalendário de 2007. Logo, em relação ao tributo que deixou de ser apurado e recolhido em 2007, incidem juros e multa de mora, haja vista o disposto no art. 61 da Lei n° 9.430/1996, abaixo reproduzido: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1 o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3 ° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Portanto, face ao dispositivo supracitado, devem ser acrescidos juros e Multa de mora ao tributo devido em 2007 (em razão da antecipação de despesas), visto que os pagamentos foram efetuados somente nos períodosbase de 2008 e 2009, ou seja, após o vencimento. Ainda de acordo com o §6° do art. 6° do Decretolei n° 1.598/1977, o lançamento de diferença de imposto, com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, deve ser feito pelo valor líquido, ou seja, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do §4° desse mesmo artigo. Em razão da incidência dos acréscimos moratórios (multa de mora e juros de mora), os valores pagos pelo interessado foram insuficientes para quitar integralmente o débito de 2007. Há que se ressaltar que o art. 163 do CTN não fixou regra de precedência entre tributo, multa e juros (parcelas que compõem determinado débito da contribuinte para com a Fazenda), podendose inferir que o CTN lhes deu idêntico tratamento, no que se refere à imputação de pagamentos. Tal entendimento é ratificado pelo art. 167 do mesmo diploma legal, que estabelece que a restituição do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias. A partir de uma interpretação conjunta desses dispositivos, concluise que a imputação proporcional dos pagamentos encontra fundamento no CTN, visto que, somente se pode falar em obrigatória proporcionalidade entre as parcelas que compõem o indébito tributário se houver também obrigatória proporcionalidade na imputação do pagamento sobre as parcelas que compõem o débito tributário. O entendimento acima exposto está em consonância com a Nota Cosit n° 106, de 20 de abril de 2004, conforme se verifica no trecho a seguir reproduzido: Fl. 6998DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721547/201241 Acórdão n.º 1402002.201 S1C4T2 Fl. 6.993 13 Nota Cosit n° 106/2004: " (...) 5.Isto posto, cumpre desde logo asseverar que o regramento da imputação de pagamentos a débitos tributários deve ser inicialmente buscado na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), norma que prevê o pagamento como forma de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso I) e que regula esse instituto em seus arts. 157 a 169, os quais correspondem às Seções II e III do Capítulo IV do Título III do Livro Segundo do aludido Código. 6.Mediante leitura dos aludidos dispositivos legais, verificase que o CTN não aborda diretamente a questão da imputação do pagamento efetuado pelo sujeito passivo entre as parcelas que compõem o débito tributário (principal, multa e juros moratórios). 7.Em seu art. 163, o CTN apenas determina que a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, na hipótese da existência simultânea de dois ou mais débitos do sujeito passivo, in verbis: 'Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; III na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV na ordem decrescente dos montantes.' 8.Uma vez que o art. 163 do CTN não fixou regra de precedência entre tributo, multa (de mora ou de ofício) e juros moratórios parcelas em que se decompõe determinado débito do contribuinte para com a Fazenda , poderseia desde logo inferir, a contrario sensu, que o CTN teria dado idêntico tratamento, no que se refere à imputação de pagamentos, entre referidas exações. 9.Tal entendimento é então ratificado pelo 167 do CTN, que estabelece que a restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, "na mesma proporção", dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, in verbis: 'Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. (...)' 10.A partir de uma interpretação conjunta dos arts. 163 e 167 do CTN, chegase à conclusão de que referido Diploma Legal não só estabelece, na imputação de pagamentos pela autoridade administrativa, a inexistência de precessão entre tributo, multa e juros moratórios, como também veda ao próprio sujeito passivo estabelecer precedência de pagamento entre as parcelas que compõem um mesmo débito tributário, ou seja, veda ao Fl. 6999DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 sujeito passivo imputar seu pagamento apenas a uma das parcelas que compõem o débito tributário. 10.1 É que somente se pode falar em obrigatória proporcionalidade entre as parcelas que compõem o indébito tributário se houver obrigatória proporcionalidade na imputação do pagamento sobre as parcelas que compõem o débito tributário. 10.2 Não fosse assim, como seria possível atender à proporcionalidade determinada pelo art. 167 do CTN se o contribuinte que devesse R$100,00 de tributo, R$20,00 de multa moratória e R$10,00 de juros moratórios efetuasse o pagamento de R$80,00 a título de tributo, R$50,00 a título de multa moratória e R$10,00 a título de juros moratórios, ou efetuasse o pagamento de R$150,00 a título de tributo, R$10,00 a título de multa moratória e R$5,00 a título de juros moratórios? Qual seria a proporcionalidade a ser observada, na restituição, entre tributo, juros moratórios e penalidade pecuniária? (...) 14.Conforme já mencionado, é o CTN que, ao dispor sobre a repetição do indébito tributário, indiretamente determina a proporcionalização do pagamento efetuado pelo sujeito passivo entre as parcelas do débito por ele pago(...)" Neste mesmo sentido, citase trecho CONCLUSÃO do PARECER/PGFN/CDA N° 1.936/2005: "26 Ante o exposto, tendo em vista que a adoção do "sistema de amortização linear" não encontra respaldo na legislação citada, que o "sistema de amortização proporcional é o único admitido pelo Código Tributário Nacional, que a própria Secretaria da Receita Federal (Nota Cosit n° 106, de 20 de abril de 2004) já se pronunciou nesse sentido e que os créditos tributários submetidos ao método da amortização linear carecem de liquidez e certeza..." (grifei) Com este mesmo entendimento, citamse trechos do PARECER PGFN CAT N° 74/2012: 143. Chamavase linear essa forma de imputação porque levava em conta o preenchimento, efetuado pelo próprio contribuinte, das linhas do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) com que ele pagava, a destempo, o débito tributário. 144. Podese ver a associação entre a imputação linear e a formatação original do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, mediante o seguinte exemplo: pagando o contribuinte, em MAI 2012, a quantia de 10.000 reais, correspondente ao valor do débito tributário devido na data de vencimento (MAI 2009) sem incluir, portanto, o valor da multa de mora , e escrevendo, naturalmente, 10.000 reais na linha do DARF correspondente ao principal, não se fazia, àquela época, nenhuma imputação a título de multa de mora, ou seja, consideravase imputado o pagamento exclusivamente ao principal, lançandose a multa de ofício, de 75% (ou 150%, se houvesse fraude), sobre os 10.000 reais. 145. Tal procedimento não era insta dizêlo com todas as letras condizente com os ditames do artigo 163 do CTN, porque representava simples acatamento de pretendida imputação feita pelo próprio contribuinte, tendo a imputação linear, de resto, sido objeto de expresso rechaço por este órgão jurídico no Parecer PGFN/CDA/N° 1936/2005, acima referido, com conclusão no sentido da obrigatoriedade de observância da imputação proporcional (ainda que, como já dito, se tenha trilhado ali caminho interpretativo diverso daquele que aqui utilizamos). Fl. 7000DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721547/201241 Acórdão n.º 1402002.201 S1C4T2 Fl. 6.994 15 146. Eis, então, que, por força do artigo 14 da já referida Lei n° 11.488, de 2007, veio a se modificar radicalmente esse regime. 147. Com a nova redação que se seu deu ao artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, restou suprimida, do inciso I do caput do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a expressão "pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória". Desse modo, tal hipótese (que é a versada na consulta) deixou de ensejar a aplicação da prefalada multa de ofício (de 75% ou de 150%, conforme o caso), sendo, outrossim, revogado o inciso II do § 1° do mesmo artigo 44, que ordenava, como já apontamos, a cobrança de forma isolada dessa multa. 148. Confirase a nova dicção do artigo 44, no trecho que interessa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica; § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado) II (revogado) [...]. 149. Com isso, passou ser plenamente aplicável a imputação proporcional na hipótese aqui versada, representando, assim, o novo regime importante avanço legislativo no cumprimento dos ditames do artigo 163 do CTN. 150. Eis porque tem razão a SRFB ao afirmar, em sua consulta, que a alteração promovida no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, pela Lei n° 11.488, de 2007, veio viabilizar a imputação proporcional de pagamento na hipótese nela versada — deixandose de lado a chamada "imputação linear". (grifei) Portanto, pelo exposto, deve ser aplicado o "sistema de imputação proporcional", como fez a fiscalização, e não o "sistema de amortização linear", como pretende o interessado. Fl. 7001DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 In casu, restou caracterizada, após a imputação proporcional do pagamento postergado, a falta de recolhimento do saldo devedor objeto do lançamento de ofício, com a aplicação da multa de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996, com redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007)" Observese, mais uma vez, que a nova redação do art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996 deixou de contemplar a hipótese de lançamento de multa isolada no caso de pagamento de tributo em atraso desacompanhado da multa moratória. No caso presente, os pagamentos postergados efetuados pelo interessado em 2008 e 2009 não abrangeram o valor total do débito em 2007, não restando à fiscalização alternativa senão a de se valer da imputação proporcional para ajustar tais valores aos dispositivos da lei, distribuindo a quantia paga proporcionalmente entre o tributo, a multa moratória e os juros moratórios, e formalizando de ofício a exigência do tributo remanescente. A respeito da matéria, trazse à colação, em contraponto aos acórdãos mencionados na impugnação, decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 16327.004099/200246 Recurso n° 148.714 Especial do Procurador Acórdão n° 9101 00.426 12 Turma Sessão de 03 de novembro de 2009 Matéria IRPJ E OUTRO (...) Assunto: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Anocalendário: 1998 1 FALTA DE ADIÇÃO DE PERDAS NA REAVALIAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. As perdas de bens do ativo permanente só podiam ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL quando da realização do bem. Até lá, o procedimento correto deveria ser a constituição de uma provisão para perdas, a qual, ao teor do art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95, são indedutíveis. As disposições da SUSEP não podem se sobrepor à legislação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO TRIBUTO. Acatase a alegação de postergação do pagamento do tributo quando o sujeito passivo demonstra que levou à tributação a base de cálculo objeto do lançamento de oficio e recolheu o tributo em períodos posteriores. O efeito desse reconhecimento dáse pelo ajuste nos valores lançados, no sentido de se deduzir do tributo lançado, aquele que foi efetivamente pago a posteriori, adotandose, para tanto, o método da imputação proporcional (destacouse). É de se notar, portanto, pelos demonstrativos de IRPJ e de CSLL dos autos de infração, que a autoridade fiscal observou de forma escorreita a norma legal, não havendo erro na apuração do tributo postergado. Da multa de mora O interessado entende que não seria cabível a cobrança de multa de ofício nem de multa de mora nos casos de pagamento postergado, em razão da aplicação do instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. Defende que, mesmo que não se aplicasse o instituto da denúncia espontânea ao presente caso (o que se alega ad argumentandum), também não seria devida a cobrança de multa, em razão da inexistência de previsão legal para sua cobrança. Fl. 7002DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721547/201241 Acórdão n.º 1402002.201 S1C4T2 Fl. 6.995 17 Argumenta que, de acordo com a redação do § 2° do artigo 273 do RIR/99, poderseia entender que na postergação de imposto seria devida a multa de mora. Contudo, a cobrança da multa de mora não encontraria respaldo em dispositivo legal, pois na redação do § 7° do art. 6° do Decretolei n° 1.598/77, existiria apenas a previsão para a cobrança da correção monetária e os juros de mora. Tais alegações não têm fundamento. O § 2° do art. 273 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/1999) é taxativo, e de observância obrigatória por este julgador, verbis: " Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei n 1.598, de 1977, art. 6°, §5°): Ia postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou IIa redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. §10 lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no §2°do art. 247 (DecretoLei n 1.598, de 1977, art. 6, §6°). §2—O disposto no parágrafo anterior e no §2 do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei n 1.598, de 1977, art. 6, §7, e DecretoLei n1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16)." (grifei) Portanto, há previsão legal para a cobrança de multa de mora no caso de postergação de pagamento tributo. Quanto à alegação do interessado, de que não caberia a aplicação de multa de mora, pois estaria albergado pelo instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, cabe esclarecer o seguinte. O artigo 138 do CTN, que introduziu o instituto da denúncia espontânea no âmbito das obrigações tributárias, obsta, apenas, a imposição da multa punitiva, a saber, a multa de ofício, no recolhimento intempestivo do tributo, sob a condição, porém, de o interessado proceder ao pagamento do principal acrescido dos encargos moratórios e antes de qualquer procedimento administrativo. Notese que o referido dispositivo está inserido na Seção IV 'Responsabilidade por infrações' do Código Tributário Nacional (CTN) e deve ser interpretado sistematicamente com os demais dispositivos legais desta Seção e do CTN. A multa de mora não tem caráter de punição, mas de indenização pelo atraso no pagamento, dispensandose o lançamento para sua exigibilidade. A multa moratória devida, em face do atraso, não pode ser afastada em razão de denúncia espontânea. Não se pode confundir pagamento Fl. 7003DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 atrasado com denúncia espontânea. O art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência no art. 134, parágrafo único. O Parecer Normativo CST n° 61, de 26/10/1979, no item 4.3, expõe o entendimento da Administração a respeito do tema: "A multa de natureza compensatória destinase, diversamente, não a afligir o infrator, mas a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no pagamento do que lhe era devido. É penalidade de caráter civil, posto que comparável à indenização prevista no direito civil. Em decorrência disso, nem a própria denúncia espontânea é capaz de excluir a responsabilidade por esses acréscimos, via de regra chamados moratórios". (grifei) Admitir a denúncia espontânea para afastar o ônus do atraso, como pretende o interessado, significa negar a obrigatoriedade do adimplemento da obrigação de fazer ou não fazer, isto porque a sanção decorrente poderia ser afastada a qualquer tempo a partir da realização daquela ação originalmente com prazo certo. Assim, a melhor prática fiscal pelo interessado passaria a ser a seguinte: efetuar o pagamento quando melhor lhe aprouvesse, sendo, em princípio, irrelevante o marco temporal legal, porque a quitação depois do prazo seria denúncia espontânea e afastaria a multa, única conseqüência indenizatória da intempestividade, posto que os juros destinamse tão somente a recompor o valor devido. Tal raciocínio não pode prevalecer. Portanto, por todo o exposto, nos pagamentos intempestivos as multas moratórias são sempre devidas, com ou sem denúncia espontânea, porquanto fixadas em lei (art. 61, §§ 1° e 2°, da Lei n° 9.430/1996)." Entendo também que houve correta atribuição de responsabilidade do recorrente em virtude da operações advindas do ABN AMRO. Assim concluiu, corretamente, o voto condutor da decisão de primeira instancia: O interessado alega que não poderia ser responsabilizado pela multa de ofício imposta, pois os supostos fatos infracionais foram praticados pela empresa sucedida Banco ABN AMRO REAL S/A. Entende que, da análise do art. 132 do CTN, notase que o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão. Com relação às multas, deverseia averiguar o momento em que tal penalidade foi constituída, para então atribuirse ou não a responsabilidade ao incorporador. Defende que a multa fiscal somente poderia ser transferida ao sucessor se ela tivesse sido lançada antes do ato sucessório, o que não foi o caso. Pontua que, mesmo que fosse aceita a possibilidade das multas lançadas posteriormente à sucessão fossem impostas à incorporadora, o que se admite apenas a título argumentativo, o fato é que mesmo assim tal imputação não poderia ocorrer, em decorrência do caráter personalíssimos das multas. Assevera que somente poderiam ser imputadas as multas, acaso as respectivas infrações tivessem sido cometidas por empresas incorporadas, cujos administradores fossem os mesmos que os seus, o que não é o caso, ou, ao menos, que as incorporadas pertencessem ao seu grupo econômico, como informa a Súmula CARF n° 47, o que não. De início, cabe esclarecer que a Súmula CARF n° 47 ("cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades Fl. 7004DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721547/201241 Acórdão n.º 1402002.201 S1C4T2 Fl. 6.996 19 estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico") não é aplicável ao caso em concreto, já que as sociedades envolvidas não estavam sobre controle comum e nem pertenciam ao mesmo grupo econômico. Devese esclarecer que, o fato de a referida Súmula ter previsto a aplicação de multa de ofício à sucessora em determinada situação fática, não quer dizer que em outras situações verificadas a multa não deva ser aplicada. Entendo que a Súmula não deve ser interpretada a contrario sensu, como pretende o interessado. Na interpretação do interessado, se a Súmula previu uma hipótese de incidência, todas as demais, a contrario sensu, estão excluídas. Não me parece seja a melhor interpretação. Com a devida venia, entendo que a Súmula CARF n° 47 só deva ser invocada se ocorridas as hipóteses nela tipificadas; caso contrário, a referida Súmula simplesmente não é aplicável. No presente caso, como as sociedades não estavam sob controle comum e nem pertenciam ao mesmo grupo econômico, não é caso de incidência da referida Súmula. Determina o artigo 132, do CTN: "Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.". O fato de o art. 132 atribuir ao sucessor (incorporadora) a responsabilidade pelo pagamento do tributo devido pela sucedida (incorporada) não implica dispensa do pagamento da multa, uma vez que tal benefício deve estar expresso em lei. Em outras palavras, a isenção deveria ser literal, como determina o art. 111, II, do CTN, o que não ocorre. Ademais, o art. 132 está inserido na Seção que trata da responsabilidade dos sucessores inaugurado pelo artigo 129 do referido diploma legal, abaixo transcrito: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. O artigo 129 do CTN expressamente declara que os sucessores respondem não somente pelos créditos tributários (o que inclui a multa), definitivamente constituídos na data da sucessão, mas também pelos créditos tributários em curso de constituição na mesma data. Além disso, o referido dispositivo também declara os sucessores responsáveis pelos créditos tributários cuja constituição se iniciou posteriormente à data da sucessão, desde que relativos a fatos geradores das obrigações surgidas até a referida data. Claro está, portanto, que os sucessores respondem pelos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram anteriormente à data da sucessão, estejam eles constituídos, em constituição ou aptos a serem constituídos. In casu, os fatos geradores ocorreram no anocalendário de 2007, antes, portanto, do evento sucessório. Neste diapasão, o interessado deve responder pela multa de ofício. Fl. 7005DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 20 Além disto, deve ser registrado que, na atual legislação tributária federal a multa de lançamento de ofício de 75% corresponde à denominada responsabilidade objetiva, conforme se extrai do artigo 44, da Lei n°. 9.430 de 1996, com alterações posteriores. Tal responsabilidade independe de dolo ou culpa do agente, não tem, pois, o caráter subjetivo (personalíssimo) atinente à multa de 150%, do parágrafo 1°., do mesmo artigo. O sucessor responde, pois, pelo crédito tributário atinente à responsabilidade objetiva, diferentemente da responsabilidade por dolo ou culpa que é de índole pessoal, de caráter personalíssimo, não podendo passar do agente infrator, salvo se a multa qualificada foi aplicada antes do evento sucessório ou, se lançada após o evento, o sucessor é ou era integrante do mesmo grupo econômico. Juros sobre Multa se Ofício A respeito do tema, curvome ao entendimento mais recente, consagrado pela Câmara Superior de Recursos Ficais deste Conselho, e refletido no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner, in verbis: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável Fl. 7006DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721547/201241 Acórdão n.º 1402002.201 S1C4T2 Fl. 6.997 21 (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). Fl. 7007DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 22 §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são Fl. 7008DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721547/201241 Acórdão n.º 1402002.201 S1C4T2 Fl. 6.998 23 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No mesmo sentido, aliás, tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Por esta razão, afasto a alegação da recorrente de que não haveria incidência de juros sobre a multa de ofício, ressaltando que tal fato não decorre da autuação, mas decorrerá do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. Por todo acima exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução com perdas no montante de R$ 20.819.133,18, resultantes da soma de valores identificados nos anexos 1 a 5 deste voto, com o signo "S". É o voto. Fl. 7009DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO ANEXO 1 DOCUMENTOS APRESENTADOS-NA IMPUGNAÇÃO Processos judiciais vinculados DOCUMENTOS ANEXOS AO RECURSO Devedor Valor Motivo Doctos Anexos à Presente Impugnação (I) Petição requerendo o desarquivamento dos autos (I) Petição requerendo o desarquivamento dos autos N (ii) Extrato LY (ii) Extrato LY (I) Madado de Citação (I) Madado de Citação (ii) Inicial da Execução (ii) Inicial da execução S (III)Extrato TJ evidenciando que ação perdurou até 12/2012 (IV)Petição requerendo a expedição de Certidão objeto e pé (I)Inicial da Ação de Execução (nº 58/07), ajuizada em 16/02/2007, que (I)Inicial da Ação de execução (nº 58/07), ajuizada em 16/02/2007, que comprova o procedimento judicial necessário ao recebimento do crédito comprova o procedimento judicial necessário ao recebimento do crédito (II)Extrato de movimentação processual S (III)Petição requerendo a expedição de Certidão de Inteiro Teor (I)Extrato do TJ. Ação de Execução (I)Extrato do TJ. Ação de Execução N (II) Extrato LY (II) Extrato LY (i) Extrato LY de controle de recuperação de créditos. N FRIGORIFICO SUPREMO 688.157,41 1 (I)"Instrumento Particuplar de Confissão de Dívida com Convenção sobre Modalidade de Pagamento e Outras Avenças", o qual evidencia a origem da dívida (nº dos contratos), o valor da dívida atualizado até agosto/ 2011(R$4.116.045,46), o desconto concedido (I)"Instrumento Particuplar de Confissão de Dívida com Convenção sobre Modalidade de Pagamento e Outras Avenças", o qual evidencia a origem da dívida (nº dos contratos), o valor da dívida atualizado até agosto/ 2011(R$4.116.045,46), o desconto concedido (II)Extrato de movimentação processual N (III)Petição requerendoo desarquivamento para vistas fora do cartório (I)Cópia da Objeção de Executividade(Execução nº2001998015279-3) (II)Petição requerendo o desarquivamento N Apenso nº0018348- 40.2010.815.2001(200.2010.018.348-8) (III)Extrato de movimentação porcessual (I)Extrato do sistema interno do Banco (I)Extrato do sistema interno do Banco (II) Extrato do Tribunal de Justiça que comprova o procedimento judicial necessário ao recebimento do crédito, (II) Extrato Tribunal de Justiça que comprova o procedimento judicial necessário ao recebimento do crédito, (III)Guia de Recolhimento para expedição de Certidão de Objeto e Pé N 3.577.639,42 DINOR-DIST E AT TERRA SANTA DIS 1.915.394,23 1 RODOVIÁRIO BUCK 1.272.879,32 1 1 1 2001-COLÉGIO E CURSOS PREPARATÓRIOS 640.397,68 ALGODOEIRA PAUL 887.112,86 1 ALTRONIC S/A EQ 725.445,23 Cópia da Objeção de Executividade(Execução nº 2001998015279-3) FRIGORIFICO IGUATEMI 602.314,88 1 Ação de execução de titulo extrajudicial nº001.1995.066639-5(Recife-PE) Execução nº 0033953- 73.2006.8.07.0001(2006.01.1.096503-0)(Brasilia) Execução por quantia certa contra devedor solvente com Garantia Real nº0004226- 93.2007.8.26.0037(00299/2007)distribuida por dependência ao processo de nº58/2007(Araraquara- SP) Execução de titulo extrajudicial nº0000137- 701997.8.17.1090(Paulista-PE) folhas 5238 a 5240 folhas 5241 à 5246 Procedimento Ordinario nº 0094384- 03.2001.8.13.0027(Betim-MG) 1 Execução fiscal nº0015279- 20.1998.815.2001(200.1998.015.279-3)(João Pessoa- PB) Ação Monitória nº0028341- 57.2005.8.26.0100(583.00.2005.028341)(Foro Central-SP)Agravo de instrumento nº 0142391- 27.2013.8.26.0000 F l. 7010 D F C A R F M F Im presso em 12/07/2016 por R E C E IT A F E D E R A L - P A R A U S O D O S IS T E M A CÓPIA D ocum ento assinado digitalm ente conform e M P nº 2.200-2 de 24/08/2001 A utenticado digitalm ente em 30/06/2016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 30/06/2 016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 11/07/2016 por LE O N A R D O D E A N D R A D E C O U T O (I)Extrato LY - sem menção do valor discutido (I)Extrato LY (II)Petição requerendo o desarquivamento para expedição de Certidão de Objeto e Pé N (III)Extrato de movimentação porcessual (I) Contrato de Empréstimo nº17.649663.1, celebrado em 29/12/1999, no valor de R$ 500.000,00 (I) Contrato de Empréstimo nº17.649663.1, celebrado em 29/12/1999, no valor de R$ 500.000,00 (II)Inicial da Ação de Execução (II)Inicial da Ação de Execução S (III) Extrato LY - sem menção do valor (III) Extrato LY (IV)Guia de Recolhimento para expedição de Certidão de Objeto e Pé (I)Ação de execução (inicial) ajuizada em 30/04/02 (I)Ação de execução (inicial) ajuizada em 30/04/02 S (II) Extrato do Tribunal de Justiça que comprova que o procedimento judicial foi mantido (II) Extrato do Tribunal de Justiça que comprova que o procedimento judicial foi mantido (I)Extrato do TJ. Ação de Execução (I)Extrato do TJ. Ação de Execução (II)Extrato LY (II)Petição Requerendo desarquivamento para expedição de Certidão de Inteiro Teor N (II)Extrato LY (I)Extrato LY (I)Extrato LV (II)Extrato de movimentação processual (III)Petição requerendo o desarquivamento dos autos para expedição de Certidão de Objeto e Pè N (I)Extrato LY (I)Extrato LY (II)Extrato movimentação processual (III)Certidão de Inteiro Teor comprovando a continuidade do processo S (I)Parecer de irrecuperabilidade, preparado pelo Banco. Crédito garantido por penhor (I)Parecer de irrecuperabilidade, preparado pelo Banco. Crédito garantido pelo penhor (II)Cópia da inicial da execução (II)Cópia da inicial da execução S (III) Cópia do comprovante de penhora online e sentença informando que o valor penhora demonstrou-se insuficiente para a quitação da dívida(de 08/04/2009) (III) Cópia do comprovante de penhora online e sentença informando que o valor penhora demonstrou-se insuficiente para a quitação da dívida(de 08/04/2009) (IV)Petição requerendo o desarquivamento para expedição de Certidão de Objeto e Pé (V)Extrato de movimentação processual (I)Extrato LY (I)Extrato LY (II)Petições informando pagamento de GRERJ N (III)Extrato de movimentação processual (I)Inicial da execução ajuizado em 2007 Ação de execução nº0126333- 50.2007.8.26.0002(002.07.126333-8)(Santo Amaro- SP) (I)Inicial da execução ajuizado em 2007 S (II)Extrato LY (II)Extrato LY (III)Extrato de movimentação processual MATADOURO E FRIGORÍFICO ACREUNA 539.865,26 1 DISTRIBUIDORA PAULISTA DE PAPEL 554.362,96 1 ECCOSS DISTRIBUIDORA DE MEDICAMENTOS LTDA 354.262,39 1 IND CERAMICA VITÓRIA 336.790,23 1 ORBALATO INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO LTDA 454.587,20 1 DISTRIBUIDORA DE MEDICAMENTOS CAMPOS LTDA 386.372,87 1 LOSUN SERVICES 870.487,77 1 QUALIDADE COMÉRCIO IMPORT E EXPORT. 1.199.524,68 1 ACIR JOAQUIM DA COSTA 1.047.767,55 1 Execução de Titulo Extrajudicial nº0185230- 68.2002.8.26.0577(577.02.185230-9)(São José dos Campos-SP) Execução nº0149958-48.2006.8.19.0001(Rio de Janeiro-RJ) Ação Monitória nº0094330- 10.2005.8.26.0100(583.00.2005.094330-0)(Forum central-SP) Execução de Titulo Extrajudicial nº2000.02915167(Goiania-GO) Execução por Titulo Extrajudicial nº única 4184- 40.2005.811.0002 (nº 163/2005) (Varzea Grande- MT) Falência 0539832-77.2000.8.26.0100(Foro central- SP) Execução nº 0000101- 80.1997.8.17.1590(243.1997.000101-0)(Vitoria de Santo Antão-PE) Execução por Titulo Extrajudicial nº0121992- 42.2005.8.12.0001(001.05.121992-2)(Campo Grande-MS) F l. 7011 D F C A R F M F Im presso em 12/07/2016 por R E C E IT A F E D E R A L - P A R A U S O D O S IS T E M A CÓPIA D ocum ento assinado digitalm ente conform e M P nº 2.200-2 de 24/08/2001 A utenticado digitalm ente em 30/06/2016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 30/06/2 016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 11/07/2016 por LE O N A R D O D E A N D R A D E C O U T O (I)Cópia dos Embargos do Devedor (I)Cópia de Embargos do Devedor (II)Petição requerendo a Certidão de Objeto e Pé (III)Certidão de Objeto e Pè S (I)Petição requerendo o desarquivamento dos autos (I)Petição requerendo o desarquivamento dos autos para expedição de Certidão de Inteiro Teor N (II)Extrato LY (II)Extrato LY (I)Petição requerendo a posse de veículos apreendidos e a conversão da ação de busca e apreensão em ação de depósito. (I)Petição requerendo a posse de veículos apreendidos e a conversão da ação de busca e apreensão em ação de depósito. N (II)Extrato LY (II)Extrato LY (III)Extratos de movimentações procecessuais (IV)Guia de Recolhimento para expedição da Certidão de Objeto e Pé da Execução Fiscal (I)Extrato LY (I)Extrato LY (II)Extrato de movimentação processual (III)Requerimento de Certidão de Objeto e Pé (IV)Certidão de Interiro Teor informando que os autos em 12/08/2013 estão conclusos.Desta forma evidencia-se a manutenção do processo. S (I)Extrato LY (I)Extrato LY (II)Extrato de movimentação processual (III)Petição requerendo o desarquivamento dos autos para expedição de Certidão de Objeto e Pé N (I)Petição requerendo o desarquivamento dos autos (I)Petição requerendo o desarquivamento dos autos (II)Extrato LY (II)Extrato LY (III)Extrato de movimentações processuais (IV)Petição requerendovistas fora do cartório N (V)Guia de recolhimento para expedição de Certidão de Objeo e Pé (I)Inicial da execução incompleta (I)Inicial da execução incompleta N (II)Extrato movimentação processual (III)Certidão de Inteiro Teor comprovando a continuidade processual (I)Inicial da execução ajuizada em 2007 (I)Inicial da execução ajuizada em 2007 S (II)Extrato LY (II)Extrato LY (i)Petição requerendo vista dos autos (i)Petição requerendo vista dos autos (II)Extrato LY (II)Extrato LY N (III)Petição requerendo a expedição de Certidão de Objeto e Pé (IV)Extrato movimentação processual (i)Inicial da Ação Monitória (i)Inicial da Ação Monitória S (II)Extrato LY (II)Extrato LY (III)Extrato de movimentação processual (IV)Petição requerendo o desarquivamento dos autos para expedição de Certidão de Objeto e Pé (i)Petição requerendo desarquivamento dos autos (i)Petição requerendo desarquivamento dos autosAção de Busca e Apreensão com Pedido de Liminar nº 0000362- Execução de Titulo Extrajudicial nº0126667- 86.2004.8.26.0100(583.00.2004.126667)Ação de Cobrança nº 0116813- 68.2004.8.26.0100(583.00.2004.116813)(Foro Central - SP) Ação de Execução de Titulo Executivo Extrafiscal nº 0046489-06.2007.8.17.0001(001.2007.046489- 9)(Recife-PE) Ação de Execução por Quantia certa contra devedor solvente nº0104100- 38.2007.8.26.0009(009.07.104100-8)(Vila Prudente- SP) Execução de Titulo Extrajudicial nº 0024452- 59.2003.8.14.0301(Blém-PA) Ação Monitória nº 0203600- 95.2007.8.26.0100(583.00.2007.203600)(Foro Central-SP) Execução nº 0022349- 07.2003.8.04.0001(001.03.022349-1)(Manaus- AM)Apelação nº00212349- 07.2003.8.04.0001(001.03.022349-1) Ação Monitoria nº3069749- 08.2004.8.13.0024(002404306974-9)(Belo Horizonte- MG) MORO S/A CONSTRUÇÕES CIVIS 683.921,77 1 COSFARMA PROD C 623.911,88 1 COMERCIAL LNW T 529.204,15 1 FRUTIFORT AGRICOLA 654.074,93 1 ENGETEL TELECOM 643.448,89 1 1 ROSCAPLAS COMER 519.252,50 1 TAPAJOS TIMBER 515.315,25 1 Execução por Titulo Extrajudicial nº 339/2003 distribuida sob o nº 6644/2003(Curitiba-PR) FRIBAI FRIGORIF 523.803,08 1 NORTELIT INDUST 520.029,01 AGROASTRAL COME 478.871,47 1 Ação de Execução de Titulo Extrajudicial nº001.1997.027221-0(Recife-PE) Ação de Busca e Apreenção nº0870562- 87.2003.8.13.0024(Belo Horizonte-MG)Execução Fiscal nº0811362-23.2001.8.13.0024(002401081136- 2)(Belo Horizeonte-MG) F l. 7012 D F C A R F M F Im presso em 12/07/2016 por R E C E IT A F E D E R A L - P A R A U S O D O S IS T E M A CÓPIA D ocum ento assinado digitalm ente conform e M P nº 2.200-2 de 24/08/2001 A utenticado digitalm ente em 30/06/2016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 30/06/2 016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 11/07/2016 por LE O N A R D O D E A N D R A D E C O U T O (II)Extrato LY (II)Extrato LY N (III)Extrato de movimentação processual (I)Extrato LY (I)Extrato LY (II)Extrato de movimentação processual (III)Certidão de Objeto e Pé S (I)Sentença desfavorável ao Banco (I)Sentença desfavorável ao Banco (II)Extratos de movimentações processuais N (III)Guia de Recolhimento para expedição de Certidão de Objeto e Pé (I)Inicial da Execução ajuizada por Banco Sudameris (I)Inicial da Execução ajuizada por Banco Sudameris S (II)Extrato LY (II)Extrato LY (III)Certidão de Objeto e Pé (IV)Extrato de movimentação processual (I)Extrato LY (I)Extrato LY (II)Extrato de movimentação processual N (III)Guia de Recolhimento para expedição de Certidão de Objeto e Pé (I)Extrato financeiro do Banco (I)Extrato financeiro do Banco (II)Inicial da ação de execução (II)Inicial da ação de execução S (III)Extrato de movimentação processual (IV)Petição requerendo o desarquivamento para expedição de Certidão de Inteiro Teor (I)Petição de Habilitação de Crédito na ação de recuperação judicial que comprovam o procedimento judicial necessário ao recebimento do crédito S (II)Guia de recolhimento para expedição de Certidão de Objeto e Pé (III)Extrato de movimentação processual (I)Petição de Habilitação de Crédito -(II)Ata de Assembleia de credores (I)Petição de Habilitação de Crédito -(II)Ata de Assembleia de credores S (III)Inicial da execução-(IV)Extrato do TJ demonstrando que a ação permaneceu até 10/2012 (III)Inicial da execução-(IV)Extrato do TJ demonstrando que a ação permaneceu até 10/2012 (V)Instrumento de confissão de dívida-(VI)Planilha de atualização do crédito (V)Instrumento de confissão de divida-(VI)Planilha de atualização de crédito (VI)Planilha de atualização de crédito (VII)cópia integral dos autos (VIII)Guia de Recolhimento para Expedição de Certidão de Objeto e Pé (I)Relatório Sintético de Receperação Judicial Guia do Diário Oficial com sentença concedendo a recuperação judicial, elaborada internamente (I)Relatório Sintético de Recuperação Judicial Guia do Diário Oficial com sentença concedendo a recuperação judicial (II)Extrato LY (II)Extrato LY N (III)Sentença concedendo o plano de recuperação judicial (III)Sentença concedendo o plano de recuperação judicial (I)Alterações contratuais da Master Oil, demonstrando alteração da denomição social para Jacarandá Petroleo Ltda (I)Alterações contratuais da Master Oil, demonstrando alteração da denomição social para Jacarandá Petroleo Ltda (II)Inicial de execução (II)Inicial da execução S (III)Extrato LY (III)Extrato LY nº 0000362- 59.2004.8.26.0358(358.01.2004.000362)(nºde ordem 1.022/2004)Mirassol-SP) Ação de Busca e Apreensão com Pedido de Liminar nº2514-10.2006.811.0041(nº de ordem 3673/2008)(Cuiabá-MT) Recuperação Judicial nº0017875- 03.2005.8.26.0068(068.01.2005.017875)(Barueri)Fal ência nº0024795- 90.2005.8.26.0068(068.01.2005.024795)(Barueri) Ação de Execução de Titulo Extrajudicial nº0003238- 23.2005.8.02.0001(001.05.003238-1)(Maceio- AL)Transito em julgado art.267 inciso.II e/ ou III Execução de Titulo Extrajudicial nº0060024- 83.2003.8.26.0100(583.00.2003.060024) Ação de Execução nº 0104232- 79.2008.8.26.0100(583.00.2008.104232)(Foro Central Cível-SP Recuperação Judicial nº0008891- 28.2006.8.26.0510(510.01.2006.008891\)nº de ordem 879/06(Foro Central Cível-SP)Concedida a Recuperação Judicial, porém por falta de pagamento do crédito foi decretada falência Ação de Execução de Titulo Extrajudicial nº0025576- 16.2005.8.26.0100(583.00.2005.025576)(Foror João Mendes-SP)-julgada extinta pelo art 794, inciso I Recuperação Judicial nº 0158588-58.2007.8.26.0100 (Foror Central Cível-SP) Execução de Titulo Extrajudicial nº INDUSTRIA DE MÓVEIS 3D 440.941,96 1 FREEWAY TRANSPO 387.358,19 1 LADAL PLASTICOS 359.581,56 1 ESTORIL COMERCI 378.243,33 1 PLASCO INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA 380.464,46 1 IND E COM MARQUES LTDA 374.961,64 1 1 1 SUPERMERCADO GONÇALVES PIRES MASTER OIL PETRÓLEO LTDA(JACARANDA 334.256,44 PRIMAPLAS DO BRASIL IND.E COMERCIO 363.410,36 1 Petição de Habilitação de Crédito na ação de recuperação judicial que comprovam o procedimento judicial necessário ao recebimento do crédito ROCAPLAST COMER 336.780,66 F l. 7013 D F C A R F M F Im presso em 12/07/2016 por R E C E IT A F E D E R A L - P A R A U S O D O S IS T E M A CÓPIA D ocum ento assinado digitalm ente conform e M P nº 2.200-2 de 24/08/2001 A utenticado digitalm ente em 30/06/2016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 30/06/2 016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 11/07/2016 por LE O N A R D O D E A N D R A D E C O U T O (IV)Petição requerendo a expedição de Certidão de Objeto e Pé (I)Ação de nulidade ajuizada pela proprietária dos imóveis dados como garantia ao crédito (I)Ação de nulidade ajuizada pela prorietária dos imóveis dados como garantia ao crédito S (II)Extrato LY (II)Extrato LY (III)Extrato de movimentação processual (I)Ação Monitória (inicial) (I)Ação Monitória S (II)Extrato LY (II)Extrato LY (III)Extrato de movimentação processual (IV)Petição requerendo o desarquivamento, bem como a expedição de Certidão de Objeto e Pé (I)Inicial da Execução (I)Inicial da Execução S (II)Extrato LY (II)Extrato LY (III)Extrato de movimentação processual (IV)Guia de Recolhimento para expedição de Certidão de Objeto e Pé (V)Certidão de Inteiro Teor comprovando a continuidade do processo (I)Inicial da Execução (I)Inicial da Execução S (II)Extrato LY (II)Extrato LY (III)Extrato de movimentação processual (I)Inicial da Execução (I)Inicial da Execução S (II)Extrato LY (II)Extrato LY (III)Extrato de movimentação processual (IV)Petição requerendo a expedição de Certidão de Objeto e Pé Total... 26.879.831,45 Total documentos aceitos (S) 12.499.498,39 Total documentos não aceitos (N) 14.380.333,06 Total... 26.879.831,45 Ação Monitoria em Fase de Execução nº0013278- 51.2006.8.26.0554(554.01.2006.013278)(Santo André-SP)Incidente Processual nº0054403- 28.2008.8.26.0554(Santo André-SP) Execução por Titulo Executivo Extrajudicial nº0034317-54.2006.8.26.0506(1157/2006) (Ribeirão Preto-SP) 35.467/2006(Curitiba-PR)Ação Monitória nº0002461- 73.2005.8.16.0025 Ação de Execução de Titulo Extrajudicial nº0063276- 62.1997.8.17.0001(001.1997.063276-3)(Recige-PE)1 STA TRANSPORTES 311.001,50 1 LTDA(JACARANDA PETROLEO LTDA) 320.607,41 1 Execução por Quantia Certa Contra Devedor Solvente n° 0020604-752007.8.26.0506(755/2007) (Ribeirão Preto-SP) Ação Monitória n° 0003718- 15.2011.8.26.0650(650.01.201.003718) (Valinhos- SP)SUPRE MAIS PROD 220.272,77 1 REFAMA COMERCIO 310.668,81 1 COM DE FARMACOS 295.500,68 1 PESCARIA A REPUB.DOS CAMARÕES 320.586,81 F l. 7014 D F C A R F M F Im presso em 12/07/2016 por R E C E IT A F E D E R A L - P A R A U S O D O S IS T E M A CÓPIA D ocum ento assinado digitalm ente conform e M P nº 2.200-2 de 24/08/2001 A utenticado digitalm ente em 30/06/2016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 30/06/2 016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 11/07/2016 por LE O N A R D O D E A N D R A D E C O U T O Fl. 7015DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Devedor Valor Motivo Doctos Anexos à Presente Impugnação Processos judiciais vinculados DOCUMENTOS ANEXOS AO RECURSO (I)Extrato de controle LY de controle de recuperação de créditos N (I)Extrato de controle LY de controle de recuperação de créditos N (I)Petição de desarquivamento (I)Petição de desarquivamento (II)Extrato de controle LY de controle interno de recuperação de créditos (II)Extrato LY de controle interno de recuperação de crédito (III)Extrato de Movimentação processua N (I)Petição solicitando a conversão da ação de busca e apreensão em execução (II)Contrato de empréstimos e aditivos (III)Inicial de ação de busca e apreenção S (IV)Planilha de atulização de crédito (V)Extrato LY (VI)Extrato do TJ evidenciando a continuidade de ação até 10/2012 (I)Extrato de controle LY de controle de recuperação de créditos N Total.... 1.723.036,37 Total documentos aceitos (S) 302.631,00 Total documentos não aceitos (N) 1.420.405,37 Total... 1.723.036,37 ERILINE TELECOM 312.819,42 2 Ação Monitória nº0004059-92.2004.8.26.0001 (Santana-SP) DPS ROLAMENTOS 256.844,75 2 KMK LOCAÇÂO DE 302.631,00 2 ANEXO 2 BONITO AGRICOLA 536.400,42 2 FRIGORIFICO IBERICO 314.340,78 2 F l. 7016 D F C A R F M F Im presso em 12/07/2016 por R E C E IT A F E D E R A L - P A R A U S O D O S IS T E M A CÓPIA D ocum ento assinado digitalm ente conform e M P nº 2.200-2 de 24/08/2001 A utenticado digitalm ente em 30/06/2016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 30/06/2 016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 11/07/2016 por LE O N A R D O D E A N D R A D E C O U T O Devedor Valor Motivo Doctos Anexos à Presente Impugnação Processos judiciais vinculados DOCUMENTOS ANEXOS AO RECURSO (I)Inicial da Execução (I)Inicial da Execução S (II)Inicial da habilitação de crédito (II)Inicial da habilitação de crédito (III)Cópia da petição de desarquivamento da execução, para expedição da certidão de inteiro teor (IV)Extrato de movimentação processual (I)Ação de execução hipotecaria, ajuizada em 22/02/06, que evidencia a origem dos créditos(cedulas rurais hipotecaria) (I)Ação de execução hipotecaria, ajuizada em 22/02/06, que evidencia a origem dos créditos(cedulas rurais hipotecaria) S (II)Cédulas hipotecárias e planilha demonstrativa do débito contratual atualizado até 04/11/2005 (II)Cédulas hipotecárias e planilha demonstrativa do débito contratual atualizado até 04/11/2005 (III)Extrato de movimentação processual que evidencia que o procedimento judicial foi mantido Total.... 1.417.417,18 Total documentos aceitos (S) 1.417.417,18 Total documentos não aceitos (N) - Total... 1.417.417,18 Falência nº0009680- 97.2003.8.26.0068(068.01.2003.009680()(Barueri- SP) Ação de execução de titulo extrajudicial nº405.01.2003.036322-0(Osasco-SP) Ação de Execução hipotecaria nº 2006.00549792(Itumbiara-Goias) ANEXO 3 EMBRASA 880.801,55 3 WALLACE SERAFIM ANA VIEIRA WAGNER SERAFIM 536.615,63 3 F l. 7017 D F C A R F M F Im presso em 12/07/2016 por R E C E IT A F E D E R A L - P A R A U S O D O S IS T E M A CÓPIA D ocum ento assinado digitalm ente conform e M P nº 2.200-2 de 24/08/2001 A utenticado digitalm ente em 30/06/2016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 30/06/2 016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 11/07/2016 por LE O N A R D O D E A N D R A D E C O U T O ANEXO 4 Devedor Valor Motivo Processos judiciais vinculados DOCUMENTOS ANEXOS AO RECURSO (I)Ação de execução de titlo extrajudicial(inicial)ajuizada em julho/1997. S (II)Habilitação de crédito (III)Extratos de movimentações processuais (IV)Petição requerendo a expedição de certidão de objeto e pé (I)Petição de habilitação de crédito perante credores S (II)extrato de movimentação processual (I)Petição de habilitação de crédito perante os credores S (II)Contrato de abertura de crédito (III)Table nde atualização do crédito e extrato demonstrativo dos pagamentos realizados (IV)Extrato de movimentação processual (V)Guia de recolhimento para expedição da certidão de objeto e pé (I)Petição solicitando desarquivamento dos autos N (II)Extrato do tribunal de justiça comprovando a manutenção do processo judicial (III)Extrato LY (I)Petição de habilitação de crédito. Crédito com garantia em nota promissória S (II)Inicial da execução (III)Petição requerendo a expedição de certidão de objeto e pé (IV)Extrato de movimentação processual que evidecia a manutenção do processo (I)Petição de habilitação de crédito, que foi julgada procedente em 2010.Crédito com garantia em nota promissóra. S (II)Contrato de empréstimo (III)Extrato movimentação processual (IV)Petição de desarquivamento dos autos (I)Comprovante de quitação do acordo em 03/03/2012 (II)Contrato de empréstimo (III)Troca e mails esclarescendo o valor a ser pago pelo deveddor (IV)Inicial de execução S (V)Extrato LY (VI)Certidão de objeto e pé da ação de execução que comprova que o procedimento judicial doi amntido (VII)Certidão de objeto e pé da recuperação judicial da empresa (VIII)Ilegivel (I)Inicial da ação monitória S (II)Sentença publica em 25/08/2009 reconhecendo a insolvencia do credor (III)Extrato LY (IV)Extrato de movimentação processual que evidencia a manutenção do processo (V)Petição do desarquivamento dos autos (I)Extrato de movimentação processual (II)Guia de recolhimento para desarquivamento do process. N Total.... 4.576.017,79 Total documentos aceitos (S) 3.746.190,33 Total documentos não aceitos (N) 829.827,46 Total... 4.576.017,79 51 BRASIL TELECOMUNICAÇ ÕES 331.626,01 4 Recuperação Judicial nº 0060702- 51.2006.8.26.0114(114.01.2006.060702)(Campinas- SP) EMBRAS PRODUTOS SIDERURGICOS LTDA 484.772,91 4 Execção por titulo extrajudicial nº0010740- 19.1997.8.19066(19997.546.010385-6(Ponta Redonda-RJ) NOVADATA SISTEM 1.458.453,79 4 Recuperação judicial nº0009434- 73.2006.8.05.0103(Ilheus-BA) FMG COMERCIO MONTAGEM MANUTENÇÃO LTDA 546.495,11 4 Ação de execução de titulo extrajudicial nº0001671- 51-2006.8.26.0292 (292.01.2006.001671-7) Ação de execução de titulo extrajudicial nº0000.293- 60.2006.8.26.0292 (292.01.2006.000293-6) Ação de execução de titulo extrajudicial nº0001672- 36.2006.8.26.0292 (292.01.2006.002672-0) Ação de execução de titulo extrajudicial nº000295- 30.2006.8.26.0292 (292.01.2006.000295-1) 372.814,32 4 Ação de execução por quantia certa devedor solvente nº0016402- 43.2007.8.26.0510(510.01.2007.016402-0) (Tio Claro-SP) Recuperação juridical nº0009153- 41.2007.8.26.0510 (Rio Claro-SP) MARBEL RC COMÉRCIO IMP E EXPORT. (SUBSTITUIDO POR V10 LOGISTICA E TRANSPORTE) TINTAS COLOR HD 455.063,46 4 Falencia nº0013062- 85.2007.8.26.0609(609.01.207.01362) (Taboão de Serra-SP) Ação de execução por quantia certa contra devedor solvente nº0009097-02.2007.8.26.0609 (609.01.2007.009097) (Taboão da Serra-SP) TAURUS ELETRO M 449.102,91 4 Falencia nº0002778-14.2001.8.26.0161(Diadema- SP) Habilitação de crédito nº161.01.20001.002778-0 (nº de ordem 515/2001) CONFECÇÕES PIPO 194.356,93 4 Ação monitória nº0198341-22.2007.198341)(Foro Central-SP) GRAFICA BENFICA 283.332,35 4 Falencia nº 0029455-52.2006.8.26.0405 (405.01.2006.029455) (Osaco-SP) Fl. 7018DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Devedor Valor Motivo Processos judiciais vinculados DOCUMENTOS ANEXOS AO RECURSO (I) Ação Monitoria- Créidto garantido por duplicatas. Empresa decretou falencia S (II)Petição requerendo a suspensão da ação monitória, tendo em vista que a 4ª Vara Civil da comarca de São Caetano do Sul decretou a falência da empresa (III)Extrato LY (IV)Pedido de certidão de inteiro teor (I)Ação de execução ajuizada em 03/2005 S (II)Extrato de movimentação processual que evidencia que o procedimento judicial foi mantido (I)Inicial de execução de titulo extrajudicial, ajuizada em 31/05/2006 (Valor da divida em contrato R$ 553.400,00 (II)Extrato LY (III)Certidão de inteiro teor informando que os autos da ação de execução de titulo extrajudicial esta suspenso nos termos do ar 791, III (por não ter bens penhoraveis) S (IV)Guia de recolhimento para expedição de certidão de inteiro teor Total.... 2.853.396,28 Total documentos aceitos (S) 2.853.396,28 Total documentos não aceitos (N) - Total... 2.853.396,28 COMPENSADOS IRMÃOS ROSSONI 675.294,40 6 Ação de execução de titulo extrajudicial nº0000291- 74.2006.8.16.0161 (Sengés-PR) ANEXO 5 PROGRESSO PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 701.716,30 5 Ação monitória nº 0000166-45.2007.8.26.0565 (565.01.2007.0001666) SãoCaetano do Sul-SP) EZS INDÚSTRIA E 1.476.385,58 5 Ação de execução por quantia certa contra devedores solventes com garantia hipotecária nº 0001641-44.2005.8.26.0003 (003.05.001641-8) (Foro regional de Jabaquara-SP) Agravo de instrumento nº0050269-92.2013.8.26.0000 Agravo de instrumento nº0139343-31.2011.8.26.0000 F l. 7019 D F C A R F M F Im presso em 12/07/2016 por R E C E IT A F E D E R A L - P A R A U S O D O S IS T E M A CÓPIA D ocum ento assinado digitalm ente conform e M P nº 2.200-2 de 24/08/2001 A utenticado digitalm ente em 30/06/2016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 30/06/2 016 por D E M E T R IU S N IC H E LE M A C E I, A ssinado digitalm ente em 11/07/2016 por LE O N A R D O D E A N D R A D E C O U T O ANEXO 6 Identificação Cliente Valor perda-R$ Motivo-pl contr Motivo-pl TVF DINOR-DIS E AT 3.577.639,42 1 NELSON FUMAGALI 1.102.875,68 1 ALGODOEIRA PAULISTA 887.112,86 1 TERMO TECNICAL 857.281,98 1 ALTONIC S/A EQ 725.445,23 1 FRIGORIFICO SUP 668.157,41 1 2001-COLEGIO E 640.397,68 1 B.OLIVEIRA 635.260,80 1 MATADOURO E FRI 539.865,26 1 EMBRAS PRODUTOS 484.772,91 4 ORBOLATO-PROJ 454.587,20 1 FRANNEL DISTRIB 445.259,26 4 TROPICAL TRANSP 439.251,46 1 FERRUSA CONT E 428.751,26 1 PLANVES VIGILAN 369.881,65 1 ECCOS DISTR 354.262,39 1 ICV IND CERAMI 336.790,23 1 MORO S/A CONSTR 683.921,77 1 FRUTIFORT AGRIC 654.074,93 1 ENGETEL TELECOM 643.448,89 1 COSFARMA PROD C 623.911,88 1 TAURUS ELETRO M 449.102,91 4 IND E COM MARQU 374.961,64 1 CAMPINA GRANDE 355.625,91 1 HOSPITAL E MATERN 326.617,30 3 PESCARIA REPUB 320.586,81 1 17.379.844,72 Copiado fl 5259 Fl. 7020DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 30/06/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10280.721793/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 31/10/2009 a 28/02/2010
MULTA. SICOBE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, quando deixe de defini-lo como infração. Não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de anormalidade de funcionamento do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), a multa correspondente deve ser cancelada.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3402-003.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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SICOBE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, quando deixe de definilo como infração. Não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de anormalidade de funcionamento do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), a multa correspondente deve ser cancelada. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antônio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 17 93 /2 01 0- 39 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.721793/201039 Acórdão n.º 3402003.026 S3C4T2 Fl. 163 2 Relatório Por bem descrever os fatos e com a devida concisão, adoto o relatório da decisão recorrida, vazado nos seguintes termos: Trata o presente processo de lançamento de multa isolada referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, decorrente de prática prejudicial ao normal funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas – Sicobe, no valor de R$ 21.197.750,23. A autoridade fiscal, em seu relatório de fiscalização, descreve que: “(...) o procedimento fiscal (...) foi decorrente do apurado (...) em informação enviada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) pela Casa da Moeda do Brasil (...). A referida comunicação relata a interrupção, a partir de 14 de outubro de 2009, da manutenção preventiva/corretiva no Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE) em funcionamento nas dependências do contribuinte. A motivação foi a ausência do ressarcimento à CMB, de que trata o art. 11 da IN RFB nº 869/08, referente ao meses de julho e agosto de 2009 (...). Sucede que, desde o efetivo funcionamento do SICOBE, o sujeito passivo deixou de efetuar o ressarcimento à CMB (...). (...) Neste contexto, em atenção aos ditames da IN RFB nº 869/08, (...) a autoridade fiscal fixou prazo (10 dias) para fins de regularização do ressarcimento à CMB (...). Em 07/05/10, petição do sujeito passivo solicitou a reativação do SICOBE (em anexo), em face dos ressarcimentos em atraso terem sido pagos na integralidade, em 30/03/10, anexando cópias dos DARF’s correspondentes aos meses de julho a novembro de 2009, períodos em que o SICOBE ficou em funcionamento (tela do SICOBE GERENCIAL em anexo). Neste ponto, uma vez expostos os fatos, resta indubitável que a falta do ressarcimento levaria a CMB a interromper os procedimentos de manutenção preventiva/corretiva no SICOBE e, em último caso, ao seu desligamento, tendo este último sido efetivado em novembro/2009. (...) Tal circunstância não escapou de regulamentação pela RFB (...), sendo a conduta do sujeito passivo punível nos termos da legislação retrocitada, a cada período de apuração do IPI, enquanto perdurar a irregularidade por ação/omissão caracterizada como prejudicial ao normal funcionamento do SICOBE (...). Fl. 163DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.721793/201039 Acórdão n.º 3402003.026 S3C4T2 Fl. 164 3 (...) No que tange ao cálculo da multa (100% do valor comercial da mercadoria produzida), a autoridade fiscal procedeu à elaboração de planilha demonstrativa (em anexo), a qual contém informações extraídas da documentação entregue pelo sujeito passivo (...), referentes à produção compreendida de outubro/2009 a fevereiro/2010. Estes últimos correspondem aos períodos de apuração do IPI (mensal) abrangidos pela infração, com termo inicial contado a partir da comunicação da CMB (14/10/09) à RFB acerca da interrupção da manutenção preventiva/corretiva no SICOBE, e termo final no mês anterior ao da regularização do ressarcimento.” Cientificada em 06/10/2010, a contribuinte apresentou, em 05.11.2010, impugnação na qual alega: a) A multa isolada difere do tributo por jamais ser este o que aquela sempre é: sanção por ato ilícito, penalidade pecuniária pelo descumprimento de dever legal. No caso, a penalidade remete a suposto descumprimento de obrigação acessória, nada referindo quanto a evasão fiscal, pelo que se conclui inexistir esta. Para que se aplique a multa, imprescindível o comportamento contrário à lei, ilícito, do sujeito passivo da obrigação acessória. No caso, o próprio auto reconhece que a impugnante atendeu integralmente o objeto do TIPF, em 09/08/2010; que disponibilizou informações que levaram à fácil determinação de seu volume de produção nos meses de outubro de 2009 a janeiro de 2010; e que pagou integralmente, antes do lançamento, os valores correspondentes ao ressarcimento das atividades da CMB, no âmbito do SICOBE. Além do comportamento de boafé e lealdade, já se observou que inexistiu, em decorrência do atraso momentâneo no pagamento dos ressarcimentos, qualquer evasão de tributos devidos. Este conjunto de elementos demonstra, à saciedade, inexistir justa causa para aplicação de penalidade ao impugnante. Refere doutrina e jurisprudência. b) A lei formal, aprovada pelo Legislativo, é condição indispensável para a instituição de penalidades pecuniárias (multas), a exemplo da que se pretende cobrar do impugnante. Mas é preciso notar que a Lei nº 11.488/07 previu multa de 100% do valor comercial da mercadoria produzida apenas quando, a partir do 10º dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos respectivos não tiverem sido instalados em virtude de impedimento criado pelo fabricante ou quando este não efetuar o controle de volume de produção, hipóteses às quais não se enquadra o impugnante. Por isso, caberia no máximo multa proporcional ao fato imponível, no patamar de R$ 10.000,00. Cita doutrina. c) A obrigação tributária acessória não existe como um fim em si mesma, muito menos para atingir objetivos fiscais. Se durante curto espaço de tempo deixou de proceder ao ressarcimento da CMB, não pode ser acusado de ação ou omissão contrários ao dever de colaborar com a fiscalização, pois na verdade se viu impossibilitado de fazêlo, por conta de dificuldades financeiras Fl. 164DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.721793/201039 Acórdão n.º 3402003.026 S3C4T2 Fl. 165 4 que enfrentou. Injusta, por desproporcional, a penalidade que se quer lhe impor, mesmo porque o descumprimento foi meramente de obrigação acessória, sem reflexos na arrecadação do tributo devido ou mesmo na prestação das informações necessárias à tributação. Cita doutrina. d) A multa aplicada, além de indevida e desproporcional, é excessiva, chegando ao confisco, constitucionalmente vedado, uma vez que a totalidade das riquezas que produziu no período foi reduzida a nada. A intensidade da pena é ainda mais sentida, e injustificável, quando se constata levar em conta não o ganho, o lucro, mas a produção mesmo, anulandoa. Cita doutrina e jurisprudência. e) Requereu, por fim, o acolhimento da impugnação, afastando se a exigência fiscal ou, alternativamente, reduzindoa para patamares de razoabilidade e proporcionalidade. Sobreveio acórdão exarado pela 3ª Turma da DRJ/BEL (fls. 111/118) em 24/11/2011, julgando improcedente a impugnação. Contra essa decisão foi interposto o presente Voluntário (fls. 123/138), no qual, em suma, a recorrente repisa os argumentos expendidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Como é consabido, o agente administrativo e também o julgador do CARF ou da DRJ não podem se furtar a cumprir a lei, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Nesse sentido também dispõe a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, não se toma conhecimento das alegações da recorrente de inconstitucionalidade da multa em face da lesão ao princípio do não confisco. Não obstante isso, verificase a existência de questão de ordem pública que pode ser apreciada pelo julgador independentemente de alegação das partes, qual seja, a retroatividade benigna. Posteriormente à decisão recorrida, a Lei nº 13.097/2015 revogou o art. 58T da Lei nº 10.833/2003, o qual dispunha sobre as obrigações acessórias de instalar equipamentos contadores de produção para empresas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A dessa Lei, como a recorrente, bem como determinava a aplicação da multa prevista no art. 30 da Lei n°11.488/2007, em caso de irregularidade quanto a essa obrigação acessória: LEI Nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015 DOU de 20.1.2015 Art. 169. Ficam revogados: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.721793/201039 Acórdão n.º 3402003.026 S3C4T2 Fl. 166 5 (...) III a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subsequente ao da publicação desta Lei: (...) b) os incisos VII a IX do § 1o do art. 2o, e os arts. 51, 53, 54 e 58 A a 58V da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; (...) [negrito desta Relatora] Assim, atualmente o dispositivo que fundamentou a autuação encontrase revogado pelo art. 169, III, "b" da Lei nº 13.097/2015. Dessa forma, não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de anormalidade de funcionamento do Sicobe para a recorrente, em conformidade ao disposto no art. 106, II, "a" e "b" do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito, a multa sob análise deve ser cancelada: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse mesmo sentido foi decidido pelo Tribunal Regional da 1ª Região, conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. MANDADO DE SEGURANÇA. "OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA". SICOBE. REVOGAÇÃO. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. 1. A "obrigação acessória" objeto deste MS (Sistema de Controle de Bebidas/Sicobe) foi revogada pelo art. 169/III, alínea "b", da Lei 13.097/2015. Esse fato superveniente deve ser levado em consideração (CPC, art. 462). 2. "A revogação de obrigação acessória imposta ao contribuinte constitui exceção à regra da irretroatividade da lei mais benéfica, nos estritos termos do art. 106, II, b, do Código Tributário Nacional, observada, naturalmente, a inexistência de fraude associada ao não recolhimento do tributo" (REsp 1.349.667DF, r. Ministro Og Fernandes, 2ª Turma do STJ em 14/10/2014). 3. Agravo regimental da União desprovido. (AMS 005021165.2011.4.01.3500/GO, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL NOVÉLY VILANOVA, OITAVA TURMA, eDJF1 p.5243 de 20/11/2015) Fl. 166DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.721793/201039 Acórdão n.º 3402003.026 S3C4T2 Fl. 167 6 Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para exonerar a exigência tributária. Jorge Olmiro Lock Freire relator. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16643.000121/2010-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
CIDE. BASE DE CÁLCULO.
A contribuição incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações contraídas, sendo considerada líquida a quantia enviada ao exterior.
Sujeita-se, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, na apuração da CIDE deve-se considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. A Conselheira Tatiana Midori Migiyama apresentará declaração de voto
Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente.
Demes Brito- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez.
Nome do relator: DEMES BRITO
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BASE DE CÁLCULO. A contribuição incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações contraídas, sendo considerada líquida a quantia enviada ao exterior. Sujeitase, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, na apuração da CIDE devese considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. A Conselheira Tatiana Midori Migiyama apresentará declaração de voto Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 21 /2 01 0- 14 Fl. 828DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres,Tatiana Midori Miyiana, Demes Brito Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas, Érika Costa Camargos, Júlio César Alves Ramos, Vanessa Cecconello e Maria Teresa Martínez. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra ao acórdão nº 3403003.22, proferido pela 4ª Câmara/3ª Turma da 3º Seção, julgado em 16 de setembro de 2014, que deu provimento ao Recurso da Contribuinte, determinando a exclusão do lançamento de crédito em decorrência do reajustamento da base de cálculo da CIDE/IRFF, referente aos anos de 2005 a 2008, conforme se verifica da sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Ano calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 REAJUSTAMENTO. BASE DE CÁLCULO. CIDE. A Lei nº 10.168/2000 e tampouco o decreto que a regulamentou cogitaram do reajustamento da base de cálculo da CIDE por meio da adição de um valor que corresponde à outra espécie tributária, no caso IRRF. Assim, independente de quem assuma o ônus financeiro pelo recolhimento do IRRF, a contribuição instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168/00 incide sobre o valor da remuneração pactuada em contrato, sendo incabível incluir ou excluir de sua base de cálculo o IRRF incidente sobre o mesmo fato. Razão pela qual cabe excluir do lançamento o crédito tributário apurado em decorrência do reajustamento da base de cálculo da CIDE. Recurso Voluntário Provido. Por bem, reproduzo trecho do relatório do acórdão a quo, com a descrição inicial do litígio: Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão que manteve na integra o crédito tributário sobre remessa de valores ao exterior a título de remuneração de serviços prestados por falta de recolhimento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE relativo aos anos calendários: 2005, 2006, 2007, 2008, com reajustamento da base de cálculo. A discussão gira em torno do reajustamento da base de cálculo por não ter sido retida. Nos moldes IRF quando a fonte pagadora assume o ônus do tributo. A contribuinte impetrou dois mandados de segurança, no processo nº 2004.61.00.0038629 discute a constitucionalidade da CIDE, obtendo sentença concessiva da segurança. Nos autos do processo nº 2004.61.00.0003615, busca afastar retenção do IRF sobre os valores pagos à empresa canadense Nestlé Globo Inc., alegando vedação imposta pela Convenção Brasil Canadá para evitar a dupla tributação. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16643.000121/201014 Acórdão n.º 9303004.142 CSRFT3 Fl. 829 3 Em razão de provimento judicial favorável nos autos da ação mandamental nº 2004.61.00.0038629 onde discute a constitucionalidade da CIDE du ensejo à exigência do crédito tributário com intuito de prevenir decadência, motivo pelo qual teria sido constituído com exigibilidade suspensa. O pleito dos autos de nº 2004.6.1.00.0038629 de desfecho favorável, comose extraí do relatório fiscal: "(...) julgo PROCEDENTE o pedido formulado na inicial e, em conseqüência, CONCEDO a segurança para desobrigar a impetrante NESTLÉ BRASIL LTDA do recolhimento da contribuição interventiva prevista nas Leis 10.168/2000 e 10.332/2001, incidente sobre a remessa de numerário ao exterior para a empresa NESTLÉ GLOBE INC, a título de pagamento dos serviços em causa prestados, conforme previsão no contrato firmado entre as partes (...)”. Consta também do Termo de Verificação Fiscal que as remessas são decorrentes do contrato pactuado entre a Recorrente com a Nestlé Globe, Inc., empresa constituída no Canadá, com sede em North York,Ontário, o "Contrato de Prestação de Serviços", cujo objeto é a prestação de serviços com vistas à padronização dados, mediante a introdução de uma arquitetura de processos comerciais e de uma infraestrutura de sistema de informações padronizadas a que se convencionou chamar de "Programa GLOBE" , bem como o fornecimento de serviço de suporte contínuo após essa padronização. Ciente do lançamento sobrevém à impugnação rechaçando: “ (a) é inexigível o reajustamento da base de cálculo da CIDE por absoluta falta de fundamentação legal, uma vez que a Lei n° 10.168/00, que instituiu a referida contribuição e que constitui norma legal autônoma, nada dispôs a respeito de tal exigência; (b) a própria Superintendência Regional da Receita Federal SRRF da 6a Região Fiscal (SRRF/68 RF) em sede de solução de consulta, já reconheceu que a CIDE instituída pela Lei n° 10.168/00 "é encargo da pessoa jurídica remetente e incide sobre a base de cálculo SEM reajustamento", ao contrário do que ocorre no IRF quando a fonte pagadora assumir o ônus do tributo; (c) caso proferido decisão em desconformidade à orientação expressa da SRRF/6a RF, do que a rigor sequer se poderia cogitar, quando menos não poderiam ser exigidos da Impugnante juros de mora, nos termos do art. 100, parágrafo único do CTN; e d) em qualquer hipótese, não poderiam ser exigidos juros com base na taxa Selic, imprestável para tanto Vistos, relatados e discutidos os presentes autos”. do reajustamento da base de cálculo da CIDE por falta de base legal; b) A CIDE incide sobre o valor pago ou remetido a título de remuneração decorrente dos serviços técnicos prestados pela Nestlé Globe Inc sem reajustamento da base de cálculo; Fl. 830DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO 4 c) Alega nulidade do auto de infração, justificado em erro na determinaçãoda base de cálculo do tributo; d) Impossibilidade de exigência de juros quando do procedimento nos termos do art. 100 e parágrafo único do CTN, por praticas reiteradas e) Da imprestabilidade da SELIC para efeitos de cômputo dos juros de mora. É o relatório.; A decisão recorrida rechaçou os argumentos trazidos em impugnação, mantendo o entendimento da autuação de que a fonte pagadora dos rendimentos ao não reter assume o ônus do imposto de renda na fonte, segundo a sua interpretação, a legislação considera tal parcela parte integrante do rendimento pago ou credito em conformidade com a legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Irresignado interpõe o Recurso, sustentando a mesma tese da impugnação, em síntese". A Fazenda Nacional, em seu recurso, aponta divergência jurisprudencial por meio dos acórdãos paradigmas nºs 3301001.683 e 3102002.141, pugna pela procedência do lançamento, requerendo inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE sobre remessas de valores remetidas ao exterior por serviços prestados. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarazões. É o relatório. Voto Demes Brito Conselheiro Relator i) Da Admissibilidade O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade a esta instância. Dele conheço. Pelo Termo de Verificação Fiscal de fls. 371/377, observase que a Contribuinte impetrou, perante a Justiça Federal de São Paulo, Mandado de Segurança nº 2004.61.00.0038629, com mesmo objeto do processo administrativo, por meio do qual buscou o reconhecimento judicial da não incidência da CIDE remessa sobre os pagamentos realizados à Nestlé Globe Inc. Em decisão proferida pela Primeira Instância, foi lhe concedida a segurança. A Fazenda Nacional apresentou apelação contra esta decisão. No Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em dezembro de 2010, deuse provimento parcial ao referido recurso, decidindose por afastar a exigência da CIDE a partir de 1/01/2006, com fundamento nos arts. 20 e 21 da Lei nº11.452/2007. A mencionada decisão transitou em julgado. Assim, não há de se falar em concomitância, considerando que a lide cravada se refere a exigência da CIDE e tampouco obrigação de reter o IRRF Portanto, a matéria submetida a julgamento a esta Câmara Superior diz respeito a inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE sobre remessas de valores remetidas ao exterior por serviços prestados. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16643.000121/201014 Acórdão n.º 9303004.142 CSRFT3 Fl. 830 5 ii) Objeto da lide/Mérito Trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito em relação à Contribuinte em epígrafe da qual resultou Lançamento, consubstanciado no "Auto de Infração" de fls. 362/367, da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE no que tange a períodos de apuração dos anoscalendário de 2005 a 2008. A discussão cingese ao reajustamento da base de cálculo da CIDE, bem como, da obrigação do recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF sobre os valores remetidos ao exterior. A turma julgadora a quo em apertada votação deu provimento ao recurso voluntário da Contribuinte para, no mérito, determinar a exclusão do lançamento do crédito tributário apurado em decorrência do reajustamento da base de cálculo da CIDE, não obstante, não concordo com tal entendimento. Vejamos: Superada questões amiúdes, passase adiante na análise da divergência posta a esta Câmara Superior, observando que o cerne do litígio consiste na correta determinação da base de cálculo da CIDE Remessa incidente sobre os pagamentos efetuados a domiciliados no exterior, quando a fonte pagadora assume o ônus do pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. Para melhor nitidez, convém transcrever o art. 2° da Lei n.° 10.168, de 29/12/2000, com a redação dada pelo art. 6º da Lei n.° 10.332/01: Art. 2. Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1° Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei n" 11.452, de 2007) § 2° A partir de 1° de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o capul deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem,creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, q/quaiqyer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação dada pela Lei n° 10.332, de 19.12.2001) (...) Fl. 832DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO 6 Nos termos do §3o do artigo acima transcrito, a base de cálculo da contribuição é o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido ao residente no exterior em virtude das obrigações decorrentes de contratos que tenham por objeto, dentre outros, a prestação de serviços técnicos e a assistência administrativa. O ponto é, o que vem a ser realmente esse valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido ao exterior, nos casos em que o ônus do IRRF é assumido pela fonte pagadora? Para dirimir a essa questão, se faz necessário analisar a natureza da despesa representada pelo IRRF assumido pela fonte pagadora dos rendimentos, a qual é trazida pelo art. 344, § 3o , do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto 3000/1999; Texto Republicado no D.O.U. de 17.6.99), aplicado subsidiariamente a CIDE. Vejamos: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei n 8.981, de 1995, art. 41). (...) § 3 A dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do imposto (Lei n 8.981, de 1995, art. 41, § 3). (...) Com efeito, o referido dispositivo, indica quando a fonte pagadora dos rendimentos assume o ônus do imposto de renda na fonte, a legislação considera tal parcela parte integrante do rendimento pago ou creditado. Ou seja, se o contribuinte do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ paga remuneração, por exemplo, por serviços técnicos prestados e toma para si o ônus do imposto de renda na fonte, o valor deste passa a integrar aquela remuneração, tanto que a fonte pagadora pode deduzilo na apuração do seu próprio Imposto de Renda. Destarte, uma vez que a legislação considera o imposto assumido pela fonte pagadora como despesa de mesma natureza dos rendimentos efetivamente pagos ou creditados, no caso, remetidos ao exterior, temse que a base de cálculo dá ÇIDI rendimento enviado ao exterior considerado líquido acrescido do imposto de renda na fonte assumido pela fonte pagadora. E não poderia ser diferente, pois o IRRF nasce do rendimento, tratase o IRRF de um imposto sobre a renda. Portanto, o valor correspondente ao IRRF está entranhado no rendimento total e dele faz parte. O artigo 725 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, leva a conclusão, quando a fonte pagadora toma para si o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue é considerada líquida. Vejamos: "Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei n° 4.154, de 1962, art. 5o, e Lei n°8.981, de 1995, art. 63, § 2o). " Fl. 833DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16643.000121/201014 Acórdão n.º 9303004.142 CSRFT3 Fl. 831 7 Os dispositivos estabelecem que a importância remetida ao exterior é considerada líquida, enquanto o rendimento total, ou seja, o valor da operação, o valor do contrato de prestação de serviços, por exemplo, que será contabilizado como despesa dedutível pelo contribuinte, será o valor remetido ao exterior mais o imposto retido na fonte, fazendose necessário, pois, o reajustamento do rendimento. Logo, a inclusão no montante tributado pela CIDE dos valores retidos a título de imposto de renda é conseqüência da base de cálculo prevista no art. 2o , § 3o , da Lei n.° 10.168/2000. Tal assertiva é convalidada pelo art. 3o da mesma Lei n.° 10.168/2000: Art. 3 Compete à Secretaria da Receita Federal a administração e a fiscalização da contribuição de que trata esta Lei. Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeitase às normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, previstas no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis. Sem embargo, a contribuição (CIDE) sujeitase, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, mais uma vez na apuração da CIDE igualmente devese considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue. Como a Contribuinte guerreia que se mantenha a decisão da turma baixa pelo reajustamento da base de cálculo da CIDE, convém verificar mais didaticamente se de fato há esse reajustamento. Para tanto, trago a declaração de voto do Ilustre Ex. CONSELHEIRO DOS CONTRIBUINTES Luiz Rogério Sawaya Batista, que discorda de todos os fundamentos utilizados pelo Relator do presente processo. Destaco: DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, "Ouso discordar do Emitente Relator. E o faço utilizando simples raciocínio matemático e lógico, com todo o respeito ao voto lançado. Isso porque, objetivamente, não há que se falar em aplicação cronológica da Lei no tempo, mas sim de se analisar com vagar como se dá a tributação do Imposto de Renda na Fonte e da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. Primeiro que tudo, há que se fixar a premissa singela de que o Imposto de Renda, como o seu próprio nome está a dizer, incide sobre a renda, o rendimento e/ou o provento de qualquer natureza. O Imposto sobre a Renda na Fonte incide, pois, no presente caso, sobre a renda percebida pelo não residente. Portanto, o contribuinte do Imposto de Renda na Fonte é o não residente, que aufere rendimento/renda decorrente de fonte pagadora situada no País Fl. 834DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO 8 (e, conforme a corrente adotada, que tenha fonte de produção no País, discussão esta que não pertence à presente Declaração de Voto). Pois bem, a legislação, ciente da dificuldade prática de se cobrar o Imposto de Renda do não residente, contribuinte deste Imposto, ressalto, previu o Imposto de Renda na Fonte, determinando que a fonte pagadora seja a responsável, na imensa maioria dos casos, pela retenção e pelo pagamento do Imposto ao Erário. Ora, e qual a noção mais básica acerca do responsável tributário. Sim. O Responsável tributário, designado como tal expressamente pela Lei, não sobre o ônus econômico do tributo, cabendolhe apenas a responsabilidade legal de reter, quando do pagamento, crédito, entrega, remessa ou emprego, do valor a pagar ao não residente, contribuinte, o Imposto de Renda na Fonte incidente e recolhêlo ao Fisco. Num exemplo matemático, assumindose uma alíquota de 15% do Imposto de Renda na Fonte e um contrato entre fonte pagadora brasileira e o não residente com valor de serviço de R$ 10.000,00, temse, pois, que o Imposto de Renda na Fonte a ser retido e recolhido pela fonte será de R$ 1.500,00, ao passo que o contribuinte, que auferiu renda de R$ 10.000,00, irá receber a quantia líquida de R$ 8.500,00. E qual seria o valor suportado pelo responsável tributário. Nenhum! O responsável tributário não sofre o ônus econômico do Imposto.Nesse patamar, fazse necessário apenas um parêntese para observar que com a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico a situação é completamente distinta, pois ainda que seu fato gerador, na realidade, seu aspecto temporal, seja idêntico ao Imposto de Renda na Fonte — pagamento, remessa, crédito, entrega e/ou emprego — nos contratos por ela abrangidos, o contribuinte, aquele que sofre o ônus econômico do tributo, é a pessoa jurídica brasileira, não guardando o não residente nenhuma relação com o Erário brasileiro. Dessa forma, no exemplo acima, tendo em vista que o valor contratado, a remuneração estabelecida entre as partes era de R$ 10.000,00, tendo em vista a aplicação da alíquota de 10% da CIDE, o valor a ser recolhido pela pessoa jurídica brasileira, contribuinte, é de exatamente R$ 1.000,00 aos cofres públicos. Verificase, pois, que são dois tributos totalmente distintos, com contribuintes diferentes, que possuem em comum apenas o aspecto temporal, pois tanto a CIDE como o IR Fonte devem ser pagos no momento do pagamento, remessa, crédito, entrega e/ou emprego, conforme estabelecem as respectivas legislações. Por vezes, dependendo da negociação entre o contratante brasileiro e o não residente, por exigência comercia expressa do não residente, as partes estabelecem que o encargo econômico do Imposto de Renda na Fonte será totalmente suportado pela pessoa jurídica brasileira. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16643.000121/201014 Acórdão n.º 9303004.142 CSRFT3 Fl. 832 9 A legislação do Imposto de Renda na Fonte prevê tal possibilidade, inclusive na hipótese em que a fonte pagadora falhar em não reter e recolher o tributo, sendo relevante mencionar que tal convenção privada não tem o condão de alterar a natureza do tributo nem seus elementos essenciais, o que significa dizer, em outras palavras, que o contribuinte do Imposto de Renda na Fonte continuará sendo o não residente. Porém, nesse caso, obviamente, há uma alteração na condição comercial da negociação, pois uma vez que o não residente exige receber a quantia o preço contratado livre do Imposto de Renda na Fonte, significa, utilizando o exemplo acima, que ele não deseja receber R$ 8.500,00 líquido, mas sim R$ 10.000,00, livre de Imposto. Ora, não há mágica e sequer aplicação cronológica da Lei, mera neblina diante de situação tão clara, pois nesse caso, na realidade, a pessoa jurídica brasileira concordou, ao aceitar a referida cláusula, em pagar não R$ 10.000,00 ao não residente, mas sim R$ 11.764,71, que é justamente o valor com o denominado cálculo por dentro do Imposto de Renda na Fonte, também denominado “gross up”. Ou seja, a empresa brasileira toma os R$ 10.000,00 e divide a referida quantia por 85% (ou por 0,85) — que é justamente 100% 15% ou 1 – 0,85 — para incluir o Imposto de Renda na Fonte no preço, de modo que quando ela multiplicar os R$ 11.764,71 por 15%, a quantia resultante de R$ 1.764,71, após subtraída, seja exatamente os R$ 10.000,00 líquidos a serem recebidos pelo não residente. Portanto, a pessoa jurídica brasileira concordou em pagar R$ 11.764,71 na contratação ao assumir o encargo econômico do Imposto, que é simplesmente incluído no preço, não alterando o fato de que o não residente continua sendo o contribuinte do Imposto, podendo, inclusive, se aproveitar, caso haja Tratado para Evitar a Dupla Tributação de seu país com o Brasil, se aproveitar dos R$ 1.764,71 pago por ele aqui no Brasil a título de Imposto de Renda na Fonte. E sobre essa nova quantia de R$ 11.764,71, que é justamente o valor do contrato entre as partes, que irá incidir a CIDE, pois assim como na contratação de R$ 10.000,00, essa é a base de cálculo estipulada pelas partes. Dessa forma, por essas razões não tenho como concordar com o Relator, motivo pelo qual nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luiz Rogério Sawaya Batista" Com isso, não há dúvidas da incidência do IRRF nas remessas em questão e, por conseqüência, também não há que ser discutir a inclusão do valor daquele imposto da base de cálculo da CIDE. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO 10 Para fins de liquidação deste julgado, observar o mandado de segurança nº 2004.61.00.0038629. É como voto é como penso. Demes Brito Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama No que tange à base de cálculo da CIDE quando há assunção do ônus do IRF pelo tomador do serviço de residente ou domiciliado no exterior, peço vênia ao ilustre Conselheiro Demes para manifestar meu entendimento, ainda que no caso vertente tenha conhecimento de que o sujeito passivo, conforme explanado em sustentação oral, obteve decisão transitada em julgado afastando a cobrança do IRRF incidente sobre os eventos de remessa em discussão. O que, por conseguinte, no procedimento de levantamento do crédito tributário, perderseia o objeto tal discussão. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a base de cálculo da CIDE. Importante trazer, a priori, que a CIDE é uma contribuição que tem como sujeito passivo o tomador do serviço, e não o prestador de serviço residente no exterior, conforme os seguintes dispositivos da Lei 10.168/00 (Grifos meus): “Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Decreto nº 6.233, de 2007) (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16643.000121/201014 Acórdão n.º 9303004.142 CSRFT3 Fl. 833 11 § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2º A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) [...]” Ou seja, é diferente do IRF incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior, pois, nesse caso (CIDE), o contribuinte é o próprio prestador do serviço não residente. Ora, o próprio beneficiário da importância a ser recebida é o sujeito passivo. Tanto é assim que, em geral, após a recepção da “Invoice” pelo tomador do serviço, o tomador quando da liquidação do câmbio para pagamento ao não residente pela prestação de serviço, deve apresentar DARF à Instituição Financeira autorizada a fechar o câmbio comprovando que reteve e recolheu 15% de IRRF sobre tal remessa direcionado ao prestador. Não obstante às situações corriqueiras, vêse que, eventualmente, por questões comerciais e, por conseguinte, contratuais, pode ser firmado “Agreement" entre o tomador do serviço e prestador de serviço não residente, prevendo a assunção do ônus do IRF devido pelo prestador ao tomador. Mas, em ambos os casos, o sujeito passivo continua claramente sendo o não residente. Tanto é assim, que na DIRF do tomador do serviço, deve constar o CNPJ e a NIF – Número de Identificação Fiscal do prestador de serviço não residente. Eis a IN SRF 1587/2015, que dispõe sobre a DIRF: Fl. 838DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO 12 “Art. 22. Na hipótese prevista no § 2º do art. 2º, a Dirf 2016 deverá conter as seguintes informações sobre os beneficiários residentes e domiciliados no exterior: I Número de Identificação Fiscal (NIF) fornecido pelo órgão de administração tributária no exterior; II indicador de pessoa física ou jurídica; III número de inscrição no CPF ou no CNPJ, quando houver; IV nome da pessoa física ou nome empresarial da pessoa jurídica beneficiária do rendimento; V endereço completo (rua, avenida, número, complemento, bairro, cidade, região administrativa, estado, província etc); VI país de residência fiscal; VII natureza da relação entre a fonte pagadora no País e o beneficiário no exterior, conforme Tabela constante do Anexo II desta Instrução Normativa; VIII relativamente aos rendimentos: a) código de receita; b) data de pagamento, remessa, crédito, emprego ou entrega; [...] Parágrafo único. O NIF será dispensado nos casos em que o país do beneficiário residente ou domiciliado no exterior não o exija ou nos casos em que, de acordo com as regras do órgão de administração tributária no exterior, o beneficiário do rendimento, remessa, pagamento, crédito, ou outras receitas, estiver dispensado desse número.” Continuando, temse que, quando, por questões comerciais, o tomador, responsável tributário por reter e recolher o IRF, assume o ônus do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, deve observar para o cálculo do IRF, a base de cálculo descrita no art. 725 do RIR/99, in verbis (Grifos Meus): “Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a Fl. 839DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16643.000121/201014 Acórdão n.º 9303004.142 CSRFT3 Fl. 834 13 que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei nº 4.154, de 1962, art. 5º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 63, § 2º).” Sendo assim, caso haja previsão contratual de assunção do ônus do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, o tomador deve “grossapar” o IRF – com o intuito de o beneficiário efetivamente receber o valor contratado sem os efeitos fiscais impostos pela autoridade fazendária do país do tomador. Não é demais ressaltar que o art. 725 do RIR/99 é plenamente aplicável para a hipótese de o tomador do serviço assumir o ônus do IRRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO, pois, por óbvio, abarcou essa hipótese ao expressar literalmente o termo “ônus do imposto DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO”. No que tange à CIDE, nos termos da Lei 10.168/00, vêse que o contribuinte/sujeito passivo não é o prestador de serviço não residente, mas sim o tomador do serviço. O que faz todo o sentido ser assim, vez que essa contribuição foi instituída com a pretensão de se estimular o desenvolvimento tecnológico e produtivo brasileiro. E para que haja tal estímulo deverseia imputar um “ônus financeiro” às pessoas jurídicas residentes no país que deixassem de contratar um residente para tomar serviço de um não residente, vez que, agindo dessa forma, desestimularia o setor produtivo no país desviando o “investimento” (recurso) ao exterior. Sendo assim, resta claro que o sujeito passivo da contribuição é o tomador de serviço – ou seja, que A CONTRIBUIÇÃO É DEVIDA PELO TOMADOR, e não pelo beneficiário do recurso (remuneração pela prestação do serviço), tal como ocorre com o IRRF. O que, a rigor, é de se afastar a aplicação do art. 725 do RIR/99 no cálculo de apuração da CIDE. Notase que faz todo o sentido aplicar o art. 725 do RIR/99 para a base de cálculo do IRRF, tendo em vista que se trata de tributo sujeito a retenção na fonte devido pelo beneficiário do recurso objeto da incidência desse imposto. E que, portanto, seria passível, por questões comerciais, de ter o ônus financeiro do imposto assumido pelo despendedor do referido recurso a ser remetido. O que, aplicar tal dispositivo à CIDE, extrapolaria matematicamente, economicamente, contabilmente e juridicamente a base de cálculo dessa contribuição, vez ser uma contribuição devida efetivamente pelo tomador do serviço prestado. E não se trata de contribuição a ser retida na fonte. A Cide não oneraria o prestador – o que, por óbvio, não há Fl. 840DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO 14 que se falar em assunção desse ônus, pois não é devido pelo beneficiário da remuneração, mas sim por seu despendedor. Para melhor elucidar, importante trazer ainda à baila o art. 2º, § 3º, da Lei 10.168/00, in verbis (Grifos meus): “Art. 2º................................................... [...] § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. [...]” Nos termos do dispositivo, vêse claro que a base de cálculo da CIDE é a remuneração dos serviços prestados – remuneração essa prevista no contrato. Ora, quando é firmado um “Agreement" entre o tomador e prestador, há uma clausula específica de remuneração – que traz um valor mensurável de remuneração e outra cláusula, no caso de se optar pelo “grossup”, de “disposições gerais” que traz expressamente a assunção pelo tomador do serviço do IRF DEVIDO PELO BENEFICIÁRIO da remuneração. Sendo assim, ainda que haja previsão contratual determinado o “grossup” do IRF devido pelo beneficiário, a remuneração não se altera com tal disposição e, por conseguinte, a BASE DE CÁLCULO da contribuição. Não se altera a remuneração, em respeito à literalidade da Lei e aos termos contratuais (declaração de vontade das partes). A base de cálculo da CIDE não deve ser “reajustado”, pois sua base de cálculo é simplesmente a remuneração do prestador. Ora, reajustar a base de cálculo da CIDE, seria extrapolar as normas que regem sua instituição. E nem há previsão legal para tanto. E caso, por equívoco, se pretenda aplicar o art. 725 do RIR/99 por analogia, importante trazer os dizeres do art. 97 do CTN, in verbis (Grifos meus): “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Fl. 841DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO Processo nº 16643.000121/201014 Acórdão n.º 9303004.142 CSRFT3 Fl. 835 15 III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.” Considerando o enunciado, temse que aplicar por analogia o art. 725 do RIR/99 feriria gravemente o art. 97 do CTN, vez que aumentaria o valor da contribuição, bem como extrapolaria a base de cálculo definida pela própria Lei 10.168/00 – que DEFINIU A BASE DE CÁLCULO COMO SENDO A REMUNERAÇÃO PELA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. E, ainda, caso se entenda que a legislação pertinente ao IR poderia ser aplicada subsidiariamente à CIDE, invocando o art. 3º, parágrafo único da Lei 10.168/01, in verbis: “Art. 3º Compete à Secretaria da Receita Federal a administração e a fiscalização da contribuição de que trata esta Lei. Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeitase às normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, previstas no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis.” Fl. 842DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO 16 Não há que se aplicar ainda assim o art. 725 do RIR/99, pois o parágrafo único do art. 3º traz sua aplicação da legislação do IR apenas quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis. Em respeito à ciência do direito, a aplicação subsidiaria “no que couber” só pode dar em matéria na qual a Lei 10.168/00 for omissa, o que não ocorre quanto à base de cálculo da CIDE, fixada no § 3º do art. 2º dessa lei. A omissão existe quando houver apenas lacunas normativas – o que não ocorreu na legislação da CIDE, pois o legislador quando da feitura da Lei 10.168/00 trouxe claramente que a base de cálculo da CIDE é a remuneração pela prestação do serviço. Em vista de todo o exposto, entendo que não há que se falar em “grossapar” o IRRF na base de cálculo da CIDE. O que, por conseguinte, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. Tatiana Midori Migiyama Fl. 843DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por CARL OS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinad o digitalmente em 16/06/2016 por DEMES BRITO
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Numero do processo: 15504.722446/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
NORMAS PROCEDIMENTAIS. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA INTIMAÇÃO CONTRIBUINTE PARA MANIFESTAÇÃO ACERCA DE ATOS PROCESSUAIS/DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE.
É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento aos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação.
Ao contribuinte é assegurado o direito de manifestar-se acerca de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativo fiscal, que possam interferir diretamente na apreciação da legalidade/regularidade do lançamento.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2401-004.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, tendo em vista não se ter dado ciência ao contribuinte do resultado da diligência à fl. 78.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Miriam Denise Xavier Lazarini, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA INTIMAÇÃO CONTRIBUINTE PARA MANIFESTAÇÃO ACERCA DE ATOS PROCESSUAIS/DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento aos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação. Ao contribuinte é assegurado o direito de manifestarse acerca de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativo fiscal, que possam interferir diretamente na apreciação da legalidade/regularidade do lançamento. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 24 46 /2 01 1- 56 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/05/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, tendo em vista não se ter dado ciência ao contribuinte do resultado da diligência à fl. 78. Maria Cleci Coti Martins Presidente Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Miriam Denise Xavier Lazarini, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/05/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15504.722446/201156 Acórdão n.º 2401004.333 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório DALMIR DE JESUS, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão nº 0236.833/2011, às fls. 81/89, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício e da compensação indevida de IRRF, em relação ao exercício 2007, conforme peça inaugural do feito, às fls. 09/14, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 26/07/2011, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Com mais especificidade, no decorrer da ação fiscal, constatouse omissão de rendimentos recebidos da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais e compensação indevida de IRRF, posto que a junta médica do órgão, se manifestou pelo não acatamento do pedido de isenção, razão do lançamento fiscal e sua manutenção pela primeira instância. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à fl. 98/106, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, suscita que é portador de moléstia grave, motivo pelo qual tem direito a isenção do imposto de renda sobre os rendimentos provenientes de aposentadoria. Explicita que inicialmente é portador de espondiloartrose anquilosante, atestado por laudo médico fornecido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e pela Secretaria de Estado de Segurança Pública, ambos oficiais. Entrementes, assevera que os laudos oficiais, atestam de forma inequívoca ser a moléstia enquadrada em lei, pois mesmo constando CID distinta da transcrição da doença, deve ser observado o Parecer CST/SIPR n° 960/89. Insurgese contra a exigência da decisão de primeira instância, sustentando não ser necessário a juntada de exames de radiografia, sangue, entre outros, no entanto para corroborar com seus argumentos, junta ao processo radiografias e relatórios médicos especializados, confirmando o laudo oficial. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/05/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário da contribuinte e passo à análise das alegações recursais. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pelo contribuinte durante todo processo administrativo fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos vício processual sanável, ocorrido no decorrer do PAF, o qual precisa ser saneado, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, com o fito de se restabelecer a garantia do devido processo legal. Com efeito, ainda que o contribuinte não tenha suscitado em suas razões recursais, do exame dos elementos que instruem o processo concluise que a fiscalização e, bem a assim, a autoridade julgadora de primeira instância, cercearam o direito de defesa do recorrente, senão vejamos. Consoante se positiva da análise dos autos, após a apresentação da defesa do contribuinte, o julgador recorrido achou por bem baixar o processo em diligência para que a junta médica do NUSAP emitisse parecer de acordo com as razões e documentos colacionados aos autos naquela oportunidade, conforme Diligência Fiscal, às fls. 72/74. Em atendimento à diligência requerida pela autoridade julgadora, a ilustre junta da NUSAP elaborou Parecer Médico, à fls. 78, rechaçando as alegações suscitadas pelo contribuinte, em defesa da manutenção da autuação por não considerar apto a isenção. Ocorre que, ao arrepio do princípio do devido processo legal, mais precisamente da ampla defesa, o contribuinte não foi intimado para manifestarse a respeito do resultado da diligência, ferindolhe, assim, seu sagrado direito a ampla defesa, inscrito no artigo 5º, inciso LV, da CF, in verbis: “Art. 5º. [...] LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;” A corroborar este entendimento a Lei nº 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seus artigos 26 e 28, assim preceitua: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/05/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15504.722446/201156 Acórdão n.º 2401004.333 S2C4T1 Fl. 4 5 “Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência da decisão ou a efetivação de diligências. Art. 28. Devem ser objeto de intimações os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições ao exercício de direito e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” Na mesma linha de raciocínio, para não deixar dúvidas quanto à nulidade da decisão de primeira instância, o artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, estabelece o seguinte: Art. 59. São nulos: [...] II – os despachos e decisões proferidos por autoridades incompetentes ou com preterição do direito de defesa;” (grifamos) Por sua vez, a doutrina pátria não discrepa deste entendimento, senão vejamos: “ Especificamente, no processo administrativo fiscal, há previsão para a observância do contraditório e da ampla defesa, já que a Lei nº 9.784/99, e seu artigo 2º, inciso X, prescreve “[...]”. Também o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes determina, em seu artigo 18, § 7º, a abertura de vista à parte contrária no caso de apresentação de esclarecimentos ou documentos pela outra parte. [...] Assim, se, na fase de instrução, são trazidos, aos autos, dados ou documentos colhidos externamente, sem conhecimento do contribuinte, a este deve ser concedido o prazo do citado art. 44 para manifestação. De igual forma, se o julgamento é convertido em diligência ou perícia, seja a requerimento da parte, seja por determinação de ofício da autoridade julgadora, com vistas a contemplar a instrução do processo, é cogente a oitiva das partes (interessado e Procurador da Fazenda Nacional) após encerrada a instrução.” (NEDER, Marcos Vinícius / LÓPEZ, Maria Teresa Martinez – Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado – São Paulo: Dialética, 2002 – pág. 41) Igualmente, a jurisprudência administrativa é mansa e pacífica nesse sentido, conforme faz certo o julgado do antigo Conselho de Contribuintes, com sua ementa abaixo transcrita: “Normas Processuais – Ofensa aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa – Nulidade. Manifestando Fl. 140DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/05/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 se o autuante após a impugnação, deve ser dada ciência dessa manifestação ao contribuinte, com abertura de prazo para sobre ela se manifestar, em atenção aos princípios do contraditório e da ampla defesa. [...] Processo que se anula a partir da manifestação fiscal posterior à impugnação, exclusive.” (1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10193.294 – D.O.U. de 12/03/2001) No mesmo sentido, é mansa a jurisprudência do CARF, vejamos: "Assunto: Contribuições Sociais PrevidenciáriasPeríodo de apuração: 01/06/1995 a 31/10/2002PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NORMAS PROCEDIMENTAIS PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE PARA MANIFESTAÇÃO ACERCA DE ATOS PROCESSUAIS/DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE.É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento aos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação.Ao contribuinte é assegurado o direito de manifestarse acerca de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativofiscal previdenciário, que possam interferir diretamente na apreciação da legalidade/regularidade do lançamento.Decisão Recorrida Nula". (3° Turma Ordinária da 4° Câmara da 2° Seção do CARF, Acórdão n° 2403002 967 11 de março de 2015.) Na hipótese vertente, com mais razão a exigência da intimação do contribuinte para manifestação acerca do resultado da diligência requerida pela autoridade julgadora se faz presente na medida em que, posteriormente à apresentação da impugnação, submetido o processo ao exame da junta médica fiscal, esta trouxe aos autos novas razões de fato e de direito em defesa a manutenção do crédito originalmente lançado. Imperioso ressaltar que o Parecer Médico Pericial foi no sentido contrário ao que pugnou o contribuinte, face às razões e documentos ofertados pelo próprio em sua defesa inaugural, impondo a este o conhecimento dessas novas alegações que ratificaram a exigência fiscal em comento, tendo em vista seu sagrado direito a ampla defesa, o qual garante o recorrente manifestarse a respeito de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativo que possa atingirlhe em seu patrimônio. Assim, tratandose, como de fato se trata, de diligência, deve o contribuinte tomar conhecimento de seu resultado para se manifestar a respeito, se assim achar por bem, sobretudo quando inexiste na legislação de regência a figura do processual das “contrarrazões de impugnação”, não podendo o julgador inovar o que a legislação não contempla, ou mesmo ampliála de maneira a acobertar novos atos processuais. Nessa esteira de entendimento, deixando o julgador recorrido de intimar/cientificar o contribuinte do resultado da diligência requerida, para devida manifestação, após a apresentação de sua impugnação e antes de proferida a decisão, incorreu em cerceamento do direito de defesa do autuado, em total afronta ao princípio do devido processo legal, o que enseja a nulidade da decisão recorrida, bem como de todos os atos subseqüentes, devendo o presente processo ser remetido à origem para intimar o notificado das Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/05/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 15504.722446/201156 Acórdão n.º 2401004.333 S2C4T1 Fl. 5 7 razões da fiscalização consubstanciadas no Parecer Médico, às fls. 77/78, para que seja proferida nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância na boa e devida forma. Por todo o exposto, estando a Decisão recorrida em dissonância com os dispositivos constitucionais/legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/05/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 16643.000300/2010-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. AJUSTE. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-002.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte por unanimidade de votos, e, no mérito, em negar provimento por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. AJUSTE. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a arguição de ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte por unanimidade de votos, e, no mérito, em negar provimento por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 00 /2 01 0- 43 Fl. 4517DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.517 2 (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório da decisão recorrida (destaques do original): SIEMENS LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 10571066, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, ano(s)calendário 2005, com crédito total apurado no valor de R$ 30.522.754,27, incluindo o principal, a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 29/10/2010. Também integra os Autos de Infração o Termo de Constatação Fiscal de folhas 10331053. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): Falta de adição ao lucro líquido, da parcela de custos de bens importados que excede ao preço parâmetro de transferência. Sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício de 75 %. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 17/11/2010 (fls. 1060 e 1065) e apresentou sua impugnação em 16/12/2010 (fls. 10771107), na qual alegou em síntese que: Do erro na determinação do valor do ajuste Efetuou um ajuste relativo ao preço de transferência no valor de R$ 6.015.507,94, conforme DIPJ 2006, anocalendário 2005, que, no entanto, foi desconsiderado pela fiscalização; Da ilegalidade e inaplicabilidade da IN SRF 243/2002 A maior parte dos ajustes empreendidos de ofício diz respeito à metodologia de cálculo do PRL60, apurada pela fiscalização Fl. 4518DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.518 3 segundo as diretrizes da IN SRF nº 243/2002, e pelo contribuinte, segundo a IN 32/2001; Todavia, a IN SRF nº 243/2002 estabeleceu uma nova forma de cálculo do PRL60 não prevista na lei regulamentada (9.430/96), violando o princípio da estrita legalidade; Desta feita, tendo em vista a ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, esta norma deve ser afastada, e o Auto de Infração, cancelado; A própria RFB reconheceu a ilegalidade da IN SRF 243/2002, ao não declarar seu caráter interpretativo, estendendo a fatos pretéritos; A ilegalidade apontada ficou clara pela exposição de motivos da MP nº 478/2009, que tentou, entre outras coisas, alterar o art. 18 da Lei nº 9.430/96, a fim de suportar, em termos jurídicos, a sistemática de cálculo da IN 243/02; A incompatibilidade entre a IN 243/02 e a Lei nº 9.430/96 já possui jurisprudência judicial, conforme sentença do Juízo da 9ª Vara Federal Cível da Justiça Federal, exarada no Processo 2003.61.00.0061258, e acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, exarado no Processo nº 2007.61.00.0340487/ SP; Da inobservância dos tratados firmados Grande parte das importações dizem respeito ao comércio com países com os quais o Brasil firmou tratado para evitar a dupla tributação (Decretos Legislativos nºs 85/72 e 92/75); Esses tratados prevalecem sobre as normas de Direito Tributário, nos termos do art. 98 do CTN, de forma que os Estado Contratantes somente podem tributar fatos que não estiverem protegidos pelos tratados; Nos termos dos acordos firmados ente o Brasil e Alemanha e Brasil e China, é vedado o ajuste de preço de transferência sobre transações efetuadas em condições de um mercado normal aberto, ou seja, que não respeitem o princípio do arm’s lenght; Os ajustes propostos pela IN 243/2002 estão vedados pelo referidos acordos binacionais; Os acordos firmados não se interpretam segundo as legislação dos Estados Contratantes, mas segundo as regras consolidadas pela Convenção de Viena, incorporada ao Direito Brasileiro, através do Decreto nº 496/2009; No caso concreto, como a fiscalização não comprovou que os preços e métodos adotados pela Impugnante estariam em desacordo com o princípio do arm’s lenght, o lançamento é improcedente; Da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício Eventual cobrança de juros de mora sobre a multa aplicada é ilegal, eis que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 somente admite acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições. Nesse sentido as jurisprudências administrativas às folhas 1105; Da juntada de novos documentos Fl. 4519DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.519 4 Por fim, protesta pela juntada posterior de novos documentos. A decisão recorrida está assim ementada: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas em casos concretos não se constituem em normas gerais. Inaplicável, portanto, a extensão de seus efeitos, de forma genérica, a outros casos. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As autoridades julgadoras de 1ª instância não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa expedida por autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES ESPONTÂNEOS. Os ajustes de preço de transferência efetuados espontaneamente pela pessoa jurídica devem ser considerados no lançamento, na medida que possuam o mesmo objeto do ajuste de ofício. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS. Não há contradição entre as disposições da Lei nº 9.430/96 e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm’s length. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresentase regular a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. CSLL. Aplicase à CSLL, no que couber, o que foi decido ao lançamento matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Nos fundamentos da decisão recorrida, destacamse os seguintes excertos: Da apreciação de ilegalidade da Instrução Normativa A recorrente alega a ilegalidade da IN SRF 243/2002, utilizada pela autoridade lançadora para fundamentar o lançamento, mormente no que diz respeito à sistemática de cálculo do PRL60 estabelecida pelo mesmo expediente normativo. A alegação não pode ter seu mérito apreciado nesta instância do contencioso administrativo fiscal. As Instruções Normativas são atos normativos expedidos por autoridades administrativas, complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, que visam regulamentar ou implementar o que já está previsto. (...) Do valor do ajuste Fl. 4520DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.520 5 A recorrente aduz que efetuou um ajuste de preço de transferência, no valor de R$ 6.015.507,94, conforme DIPJ 2006, anocalendário 2005, que foi desconsiderado pela fiscalização. Para que o valor do ajuste espontâneo de preço de transferência seja considerado no ajuste de ofício, mister que haja correspondência entre as operações ajustadas (item comercializado e espécie de operação). Do contrário, estaríamos compensando ajustes entre operações diversas. No caso concreto, a recorrente solicita a consideração da integralidade dos ajustes espontâneos de preço de transferência. Parece que a recorrente tenta induzir o julgador a erro pois, ao fazer a exigência, faz querer crer que a integralidade dos ajustes espontâneos estaria relacionada às mesmas operações ajustadas pelo fisco. O que, como se verá a seguir, não é verdade. A fiscalização levou as operações de 485 itens importados ao ajuste de preço de transferência (fls. 10411051), ao tempo que a quantidade de itens importados passíveis de controle do preço de transferência foi da ordem de 1.623 itens, sendo que, deste total, apenas 181 itens foram ajustados espontaneamente pelo sujeito passivo (ver Relação dos itens de materiais importados com cálculo de ajuste, CD à fl. 1073, fornecido pela recorrente). De efeito, é possível que certa quantidade de itens importados e ajustados pelo sujeito passivo não possua correspondência aos itens levados ao ajuste pela fiscalização. A fiscalização assevera que, dentre os 485 itens selecionados para ajuste de preço de transferência na importação (Tabela 3 do Termo de Constatação Fiscal, fls. 10421051), 5 itens foram ajustados, espontaneamente pelo sujeito passivo (Tabela 4 do Termo de Constatação Fiscal, fl. 1052). Tais ajustes que foram considerados no lançamento estão sintetizados na Tabela 1 abaixo. (...) A recorrente, por sua vez, não identifica quais itens levados ao ajuste por ambas as partes, deixaram de ser considerados pela fiscalização. O ônus da prova acabe a quem ela aproveita. A recorrente solicita a consideração de todos seus ajustes, mas não comprova o equivoco da fiscalização. Quer dizer, não demonstra quais operações ajustadas pelo fisco houveram sido ajustadas espontaneamente, ainda que parcialmente. O fato, per si, seria suficiente para afastar a tese do sujeito passivo. Entretanto, em nome do princípio da oficialidade e da verdade material, que norteiam o Processo Administrativo Fiscal, buscarseá investigar a ocorrência do erro suscitado pelo sujeito passivo. Os ajustes efetuados espontaneamente pelo sujeito passivo foram indicados na planilha Relação dos itens de materiais importados com cálculo de ajuste (CD à fl. 1073). Os ajustes efetuados pela fiscalização são aqueles indicados na Tabela 3 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 10421051). Fl. 4521DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.521 6 Mediante confronto entre as duas tabelas (planilhas), verificase que somente os itens relacionados na Tabela 2, abaixo, tiveram a dedutibilidade de seu custo de importação ajustado por ambas as partes, dos quais apenas aqueles relacionados na Tabela 3, a seguir, não foram considerados no momento do lançamento. (...) De efeito, deve ser deduzido da base do lançamento o valor de R$ 175.051,79, correspondente aos ajustes de custos itens efetuados espontaneamente pelo sujeito passivo, indicados na Tabela 3, que não foram considerados pela fiscalização no momento do lançamento. (...) Dos acordos internacionais para evitar a bitributação A recorrente alega que, ao não comprovar, no caso concreto, a ofensa ao princípio do arm’s lenght, o lançamento desrespeita os acordos internacionais para evitar a bitributação firmados entre o Brasil e China e Brasil e Alemanha (Decretos Legislativos 92/75 e 85/92). (...) O dispositivo cuida da possibilidade de tributação dos preços praticados, entre vinculadas, em dissonância com o princípio do arm’s lenght. De efeito, os Estados Contratantes acordaram a faculdade de tributar a parcela do lucro que deixa de ser auferido nas operações transnacionais entre empresas vinculadas sediadas nos seus domínios territoriais, em razão da prática de preços favorecidos. Ocorre que o referido dispositivo não definiu, nem limitou, as metodologias de controle dos preços favorecidos, usualmente, denominadas “preço de transferência”. Apenas, repito, possibilitou a tributação dos preços favorecidos nas operações comerciais entre os Estados Contratantes. Em síntese, o Acordo não dispôs sobre a utilização de métodos de preço de transferência. No Estado brasileiro, o controle e a tributação dos preços de transferência se encontram delineados nos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430/96. Tais dispositivos, à época dos fatos geradores, eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF nº 243/2002, com as alterações promovidas pelas Instruções Normativas SRF 321/2003 e 382/2003. Tratase de hipóteses fáticas, delimitadas pelo legislador nacional, que presumem a evasão de divisas através de operações com condições especiais entre vinculadas. Com efeito, os artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430/96 não colidem com a referida Convenção. (...) Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido quanto às parcelas mantidas, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento (verbis): (...) II Do Direito Fl. 4522DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.522 7 II.1 Do Mérito Apuração do PRL 60 de acordo com a fórmula prevista na Lei nº 9.430/96 ilegalidade da IN 243 II.1.1 Comparação entre as sistemáticas para o PRL 60 (...) II.1.2 Do reconhecimento da ilegalidade da IN 243 pela Receita Federal do Brasil (...) II.1.3 Precedentes sobre a incompatibilidade entre Lei 9.430 e IN 243 (...) II.1.4 Dos Tratados firmados entre o Brasil e os paises de onde a Recorrente importa os produtos que foram objeto de ajuste (...) II.1.5 Do dever do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de afastar a aplicação da IN n° 243/02 para aplicar a Lei nº 9.430/96 (...) II.2 Da ilegalidade da eventual incidência de juros SELIC sobre a parcela da multa (...) III Do Pedido Em vista de todo o exposto, dada a precariedade do lançamento, requer a Recorrente que o mesmo seja cancelado. Por derradeiro, protesta, ainda, a Recorrente pela juntada posterior de quaisquer documentos que possam comprovar tudo o quanto foi alegado no presente Recurso. (...) A Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF proferiu o Acórdão nº 1402001.209, de 11 de setembro de 2012, cujas ementa e decisão transcrevo, respectivamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA . AJUSTES DA DIPJ. Os ajustes de preços de transferência devem ser apurados produto a produto, de modo que, dos ajustes recalculados pela fiscalização, devem ser deduzidos apenas os ajustes da DIPJ relativos a esses itens, e não a totalidade constante da DIPJ, apurandose eventual diferença tributável, relativa a apenas esses itens. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. OPÇÃO PELO MÉTODO. Após o início do procedimento fiscal, não cabe mais ao contribuinte alterar o método utilizado na DIPJ para Fl. 4523DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.523 8 determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira apresentam declaração de voto. Inconformado, o contribuinte apresenta recurso especial por divergência, reiterando os argumentos de sua impugnação. O recurso foi admitido, em parte, pelo presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, nos seguintes termos: Com fundamento nas razões acima expendidas, dou seguimento em parte ao presente recurso especial do Sujeito Passivo, a saber: I) existe a divergência jurisprudencial indicada em relação ao seguinte item: 1) Da adoção da sistemática da Lei 9.430 para cálculo do preço parâmetro com base no método PRL 60% Ilegalidade da IN 243. II) não existe a divergência jurisprudencial indicada em relação ao seguinte item: 2) Da apresentação pelo Contribuinte das planilhas e documentos que suportam a opção pelo método que lhe é mais favorável e o método PIC. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pleiteando a manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Fl. 4524DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.524 9 Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator O recurso é tempestivo, entendo que a divergência restou comprovada e, por isso, conheço do especial. A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à legalidade ou não das disposições contidas na Instrução Normativa SRF nº 243/2002, no que se refere, mais especificamente, ao denominado método PRL 60. Na realidade, o cálculo proposto pela IN SRF nº 243/2002, veio corrigir uma imprecisão metodológica no cálculo anteriormente previsto na Instrução Normativa que a antecedeu (IN SRF nº 32/2001, que teve curta vigência), que, porém, não a invalidava do ponto de vista legal. Vejase, para comprovação do afirmado, a tabela abaixo: INS. ESTRANG. INS. NACIONAL VALOR TOTAL PREÇO DE REVENDA (1) 100 Desc. incond. concedidos (2) 5 Imp. e contr. s/ vendas (2) 30 Com. e corretagens (2) 0 PREÇO LÍQ. REVENDA [(1) – (2)] = (3) 65 Valor dos insumos (4) 60 30 90 (Pr. líq. revenda – ins. nac.) [(3) – (4)] = (5) 35 Margem de lucro [60% x (5)] = (6) 21 PREÇO PARÂMETRO [(3) (6)] = (7) 44 Nesse primeiro cálculo, o preço líquido de revenda, de R$ 65,00 que obviamente abrange tanto o insumo estrangeiro quanto o insumo nacional , é deduzido do valor de custo do insumo nacional (R$ 30,00), resultando em R$ 35,00, sobre o qual se calcula a margem de lucro de 60%, encontrandose R$ 21,00. Após isso, o preço parâmetro do insumo estrangeiro é apurado pela dedução dessa margem de lucro, de R$ 21,00, do preço líquido de revenda de R$ 65,00 que obviamente abrange tanto o insumo estrangeiro quanto o nacional , resultando em R$ 44,00. Ou seja, incluiuse, indevidamente, o preço líquido de revenda do insumo nacional, tanto para efeito de se calcular a margem de lucro de 60% (esta, tomandose como base o preço líquido de revenda de R$ 65,00 que obviamente abrange tanto o insumo estrangeiro quanto o nacional com a dedução do valor de custo do insumo nacional, de R$ 30,00), quanto, posteriormente, para se calcular o preço parâmetro do insumo estrangeiro (este, tomandose como base aquele mesmo preço líquido de revenda, de R$ 65,00 que obviamente abrange tanto o insumo estrangeiro quanto o nacional com a dedução da margem de lucro, de R$ 21,00). Vejase, agora, esta outra tabela, também construída a partir dos mesmos dados: Fl. 4525DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.525 10 INS. ESTRANG. INS. NACIONAL VALOR TOTAL PREÇO DE REVENDA (1) 66,66666667 33,33333333 100 Desc. incond. concedidos (2) 3,333333333 1,666666667 5 Imp. e contr. s/ vendas (2) 20 10 30 Com. e corretagens (2) 0 0 0 PREÇO LÍQ. REVENDA [(1) – (2)] = (3) 43,33333333 21,66666667 65 Valor dos insumos (4) 60 30 90 Percentuais dos insumos (5)% 66,66666667 33,33333333 100 Margem de lucro [60% x (3)] = (6) 26 PREÇO PARÂMETRO [(3) – (6)] = (7) 17,33333333 Com a proporcionalização devidamente procedida pela IN SRF nº 243, de 2002, temse que, tanto a margem de lucro de 60%, quando o preço parâmetro que se referem, ambos, ao insumo estrangeiro , estão calculados sobre o valor de R$ 43,33, que é o preço líquido de revenda, de R$ 65,00 que obviamente abrange tanto o insumo estrangeiro quanto o nacional , devidamente escoimado do preço líquido de revenda do insumo nacional, de R$ 21,67, em tamanho destacado na tabela. Outro não foi o objetivo da Lei, ao dispor que a margem de lucro de 60% é “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção” (grifei). Ora, o “valor agregado no País” corresponde, iniludivelmente, em última análise, à participação do insumo nacional na formação do preço de revenda. Afinal de contas, o que interessa, na realidade, é o valor efetivo do bem importado, obtido por meio do expurgo de todos os acréscimos a ele imputados no País. Vejase que a metodologia do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), universalmente utilizada, indica que se deve ter como base o preço de revenda do bem importado, para se calcular o preço parâmetro, pois é a margem de lucro (de operações entre partes não relacionadas) que é tida como parâmetro para servir de comparação, mas se houver outros custos ou riscos (que corresponde ao valor agregado), isto deve ser considerado devidamente e segregado. Portanto, quando o bem importado sofre agregação de valor, transformandose num outro produto, o valor agregado deve ser diminuído ou deduzido do valor de venda do produto para se encontrar o valor de venda individual do bem importado, sobre o qual se aplica uma margem de lucro para se encontrar o valor que se deseja comparar com o custo do bem importado, conforme estipula a metodologia da IN 243/2002 que, porém, usa margens fixas ao invés de usar margens de lucro comparadas, como é caso do Manual da OCDE. Esta metodologia é corroborada no Manual de Preços de Transferência para Países em Desenvolvimento da ONU que, inclusive, traz especificamente a metodologia brasileira, com as margens fixas para o PRL.1 De lembrar que, embora o Brasil não seja membro da OCDE, é membro da ONU. Vejase que, se os outros custos não forem devidamente isolados no cálculo do preço parâmetro, podese chegar a números absurdos (e esta segregação é feita por meio da proporcionalização do custo). 1 A metodologia brasileira de margens fixas para o método PLR está às paginas 359 a 366 (Cap. 10.1), do Manual de Preços de Transferência para Países em Desenvolvimento da ONU, disponível em http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Fl. 4526DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.526 11 Ora, como vimos acima, valor agregado é aquilo que, mensurado economicamente, é adicionado a um bem existente (custo adicionado). O método de Preço de Revenda menos Lucro (PRL) deve ter como base o preço de revenda do bem importado pois é a margem de lucro que é tida como parâmetro para servir de comparação. Se o bem importado teve valor agregado no país transformandoo num outro produto, tal valor deve ser diminuído ou deduzido do valor de venda do produto, para se encontrar o valor de venda individual do bem importado, o que é feito pela proporcionalização de sua participação no custo do bem, sobre o qual se aplica uma margem de lucro (no caso definida em lei ordinária) para se encontrar o valor que se deseja comparar com o custo do bem importado. Pelo exposto até aqui, todos os argumentos da recorrente para inquinar de ilegalidade a IN SRF 243/2002 não se sustentaram sob uma análise interpretativa. Mas há mais argumentos. Pela lógica dos Preços de Transferência, o Método de Preço de Revenda menos Lucro (PRL) deve ter por base o preço de revenda do bem importado, o qual sofreu agregação de valor no país, para então, sobre este preço de revenda expurgado do valor agregado no país, aplicarse a margem de preço de revenda legal de 60% para se encontrar o preço parâmetro do custo do bem importado. Corrigindo a distorção inicialmente implementada com a edição da IN 32/2001, a metodologia veiculada no § 11 do art. 12 da IN SRF nº 243/2002 não mais determinou a incidência da margem de lucro de 60% sobre o preço líquido de venda do produto acabado, mas sobre a parcela desse valor que corresponde ao bem importado, i.e., a chamada “participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido”, o que viabiliza a apuração do preçoparâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância com o objetivo do método PRL 60 e a finalidade do controle dos preços de transferência. Ou seja, o método de Preço de Revenda menos Lucro deve ter como base o preço de revenda do bem importado, pois é a margem de lucro que é tida como parâmetro para servir de comparação. Portanto, quando o bem importado sofre agregação de valor, transformandoo num outro produto, o valor agregado deve ser diminuído ou deduzido do valor de venda do produto para se encontrar o valor de venda individual do bem importado, sobre o qual se aplica uma margem de lucro (no caso definida em lei ordinária) para se encontrar o valor que se deseja comparar com o custo do bem importado. Nesse mesmo sentido, a decisão recorrida assim se expressou (efls. 4.056, 4.058 e 4.059, destaques do original): Cumpre salientar, por outro lado, que o Método PRL 60 tem o escopo de apurar o preço parâmetro do insumo importado aplicado na produção, ou seja, a parcela do preço de revenda do bem produzido que corresponde ao insumo importado. Para atingir esse objetivo, é necessário retirar todas as parcelas que foram agregadas ao bem importado na produção da mercadoria, vale dizer, o valor agregado no País deve ser expurgado para possibilitar a apuração do preço parâmetro do bem importado. Inferese, portanto, que, para concretizar a finalidade do art. 18 da Lei nº 9.430/96, a fórmula de cálculo do Método PRL 60 deve ser capaz de isolar o bem importado na apuração do preço parâmetro, respeitando a margem de lucro de sessenta por cento, como pressuposto pela Lei nº 9.430/96. Fl. 4527DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.527 12 [...]. Como visto, o Método PRL 60 tem o objetivo de apurar o preço parâmetro do bem importado aplicado na produção local, considerado por si só. Em caráter ilustrativo, na importação de um escapamento aplicado na produção local de um automóvel, o PRL 60 busca apurar o preço parâmetro do escapamento, e não do automóvel como um todo, ou seja, é necessário expurgar os valores agregados ao escapamento na produção do automóvel (i.e., o “valor agregado no País”), no intuito de calcular o preço parâmetro do bem importado. Também a Fazenda Nacional, em contrarrazões, bem comentou essa questão (efls. 4.464): Considerando que a finalidade do método PRL60 consiste na mensuração do preçoparâmetro da matériaprima importada, visando evitar seu superdimensionamento, a sua sistemática de cálculo deve ser fundamentada no valor de revenda do insumo importado, e não no valor total do bem produzido. Significa dizer que, para a materialização da mens legis em sua exata medida, o termo “Preço de Revenda” deve ser compreendido como a fração ideal que o insumo importado representa no preço de revenda do produto final. Insta observar, ainda, que as interpretações sistemática, lógica e finalística, aqui empregadas, prevalecem sobre eventuais interpretações gramatical e histórica que se pretenda empreender, com o fito de inquinar de ilegal a IN SRF nº 243/2002. Por fim, cumpre mencionar que o mesmo Tribunal Regional Federal da Terceira Região, que teve um de seus julgados dos idos de 2010 alardeado pela recorrente, já alterou o seu entendimento a respeito, desde 2011, conforme Apelação Cível nº 0028594 62.2005.4.03.6100/SP, de 2 de outubro de 2014, que menciona diversos outros precedentes no mesmo sentido: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. LEIS 9.430/1996 E 9.959/2000. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/2002. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60. PREÇO PARÂMETRO. VALOR AGREGADO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO E IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. LEGALIDADE. AGRAVO RETIDO. FALTA DE REITERAÇÃO. 1. Não se conhece do agravo retido, não reiterado na forma do artigo 523, CPC. 2. A IN 243/2002 foi editada na vigência da Lei 9.959/2000, que alterou a redação da Lei 9.430/1996, para distinguir a hipótese de revenda do próprio direito ou bem, tratada no item 2, da hipótese de revenda de direito ou bem com valor agregado em razão de processo produtivo realizado no país, tratada no item 1, ambos da alínea d do inciso II do artigo 18 da lei. 3. O cálculo do preço de transferência, pelo Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, no caso de direitos, bens ou serviços, oriundos do exterior e adquiridos de pessoa jurídica Fl. 4528DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.528 13 vinculada, passou, na vigência da Lei 9.959/2000, a considerar a margem de lucro de 60% "sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção" (artigo 18, II, "d", 1). 4. A adoção, na técnica legal, do critério do valor agregado objetivou conferir adequada eficácia ao modelo de controle de preços de transferência, em cumprimento às obrigações assumidas pelo Brasil na Convenção Modelo da OCDE, evitando distorções e, particularmente, redução da carga fiscal diante da insuficiência das normas originariamente contidas na Lei 9.430/1996 e refletidas na IN/SRF 32/2001. 5. Com efeito, o cálculo do preço de transferência a partir da margem de lucro sobre o preço de revenda é eficaz, no atingimento da finalidade legal e convencional, quando se trate de importação de bens, direitos ou serviços finais para revenda interna, não, porém, no caso de importação de matériasprimas, insumos, bens, serviços ou direitos que não são objeto de revenda direta, mas são incorporados em processo produtivo de industrialização, resultando em distintos bens, direitos ou serviços, agregando valor ao produto final, com participações variáveis na formação do preço de revenda, que devem ser apuradas para que seja alcançado corretamente o preço de transferência, de que trata a legislação federal. 6. Assim, a IN 243/2002, ao tratar, nos §§ 10 e 11 do artigo 12, do Método do Preço de Revenda Menos Lucro , para bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção, com exclusão do valor agregado e da margem de lucro de 60%, para tanto com a apuração da participação de tais bens, serviços ou direitos no custo e preço de revenda do produto final industrializado no país, não inovou nem violou o artigo 18, II, d, item 1, da Lei 9.430/1996 com a redação dada pela Lei 9.959/2000. 7. Contrariamente ao postulado na inicial, o que se verificou foi a necessária e adequada explicitação, pela instrução normativa impugnada, do conteúdo legal para permitir a sua aplicação, considerando que o conceito legal de valor agregado, conducente ao conceito normativo de preço parâmetro, leva à necessidade de apurar a sua formação por decomposição dos respectivos fatores, abrangendo bens, serviços e direitos importados, sujeitos à análise do valor da respectiva participação proporcional ou ponderada no preço final do produto. 8. O artigo 18, II, da Lei 9.430/1996, alterada pela Lei 9.959/2000, prevê que o preço de transferência, no caso de bens e direitos importados para a aplicação no processo produtivo, calculado pelo método de preço de revenda menos lucros PRL 60, é a média aritmética dos preços de revenda de bens ou direitos, apurada mediante a exclusão dos descontos incondicionados, tributos, comissões, corretagens e margem de lucro de 60%, esta calculada sobre o preço de revenda depois de deduzidos os custos de produção citados e ainda o valor Fl. 4529DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.529 14 agregado calculado a partir do valor de participação proporcional de cada bem, serviço ou direito importado na formação do preço final, conforme previsto em lei e detalhado na instrução normativa. 9. O preço de transferência, assim apurado e não de outra forma como pretendido neste feito, é que pode ser deduzido na determinação do lucro real para efeito de cálculo do IRPJ/CSL. Há que se considerar, assim, a ponderação ou participação dos bens, serviços ou direitos, importados da empresa vinculada, no preço final do produto acabado, conforme planilha de custos de produção, mas sem deixar de considerar os preços livres do mercado concorrencial, ou seja os praticados para produtos idênticos ou similares entre empresas independentes. A aplicação do método de cálculo com base no valor do bem, serviço ou direito em si, sujeito à livre fixação de preço entre as partes vinculadas, geraria distorção no valor agregado, majorando indevidamente o custo de produção a ser deduzido na determinação do lucro real e, portanto, reduzindo ilegalmente a base de cálculo do IRPJ/CSL. 10. Para dar eficácia ao método de cálculo do preço de revenda menos lucro, previsto na Lei 9.430/1996 alterada pela Lei 9.959/2000, é que foi editada a IN/SRF 243/2002, em substituição à IN/SRF 32/2001, não se tratando, pois, de ato normativo inovador ou ilegal, mas de explicitação de regras concretas para a execução do conteúdo normativo abstrato e genérico da lei, prejudicando, pois, a alegação de violação ao princípio da legalidade. 11. Precedentes. Inclusive, a sentença citada pela recorrente, em sua impugnação (Juízo da 9ª Vara Federal Cível da Justiça Federal, exarada no Processo nº 2003.61.00.0061258), foi objeto de reforma pelo mesmo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, sob a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCROPRL60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática Fl. 4530DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.530 15 pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, Fl. 4531DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.531 16 destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's lenght), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegiado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº , julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 0017381 30.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. Referida Instrução Normativa encontrase em perfeita consonância com os comandos emanados da regramatriz, os quais já se prenunciavam na Medida Provisória nº 215835, de 24/08/2001, editada originalmente sob o nº 1.807, em 28/01/99, ao reportarse ao método da equivalência patrimonial, e mesmo, anteriormente, na Lei nº 6.404/76, quando alude às demonstrações financeiras da sociedade, motivo pelo qual também não se há falar ter a mencionada IN/SRF nº 243/2002 ofendido a princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade, da anterioridade e da irretroatividade. [...]. 10. Sentença recorrida reformada. Apelação e remessa oficial providas. (TRF3 AMS: 6125 SP 2003.61.00.0061258, Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL MAIRAN MAIA, Data de Julgamento: 25/08/2011, SEXTA TURMA) Ainda, em recentíssima decisão, aquele mesmo Tribunal Regional Federal da Terceira Região expendeu o seguinte entendimento (Agravo Legal em Apelação Cível nº 002983651.2008.4.03.6100/SP, de 18 de março de 2016, publicado em 31 de março de 2016): 1. O Preço de Transferência, em suma, é o valor definido para registrar as operações de venda ou transferência de bens, serviços ou propriedade intangível entre partes vinculadas, cujo controle é obtido mediante a comparação com preços praticados pelo mercado, por partes individuadas, em negócios semelhantes. Esse processo, do qual o Brasil adotou as regras, deriva das disposições da Convenção Modelo Fiscal da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Fl. 4532DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.532 17 Econômico) e pretende, dentre outros aspectos, consolidar a tributação igualitária das operações entre as empresas vinculadas, impedindo a manipulação de transações a fim de diminuir os encargos fiscais e, por consequência, preservando as operações similares praticadas pelas empresas independentes e a concorrência, inibindo a perda de receitas pelo Fisco. Encontrase abrigado na Lei nº 9.430/1996 e denominase Arm's length principle (Princípio da Neutralidade ou do Preço sem Interferência ou, ainda, Princípio dos Preços Independentes Comparados). No caso de empresas vinculadas, objetiva coibir tanto a dupla tributação como a ocorrência de evasão fiscal, determinandose uma margem de lucro sobre o valor do preço líquido de revenda da mercadoria ou insumo importado. 2. A sistemática prevista pela Lei nº 9.430/96, posteriormente modificada pela Lei nº 9.959/2000, e as INs/SRF nºs. 32/2001 e 243/2002, busca, em última análise, corrigir distorção em relação à margem de lucro, a qual, segundo o ordenamento jurídico modificado, resultaria da aplicação do percentual de 60% sobre os preços de venda do bem produzido. Com a modificação introduzida, passouse a considerar, para a apuração do preço parâmetro, a participação dos bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção, tanto no preço de venda do produto, quanto no custo total do bem acabado, já com valor agregado no país, o qual, juntamente com a margem de lucro de 60%, são eliminados na apuração do preço parâmetro, segundo a metodologia prevista no art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, da mencionada IN/SRF nº 243/2002, a qual regulamentou a Lei nº 9.430/1996, com a redação veiculada pela Lei nº 9.959/2000. 3. O cálculo do preço de transferência, pelo Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL passou, na vigência da Lei nº 9.959/2000, a considerar a margem de lucro de 60% "sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção" (artigo 18, II, "d", 1). A adoção, na técnica legal, do critério do valor agregado objetivou conferir adequada eficácia ao modelo de controle de preços de transferência, em cumprimento às obrigações internacionais assumidas pelo Brasil na Convenção Modelo da OCDE, evitando distorções e, particularmente, redução da carga fiscal diante da insuficiência das normas originariamente contidas na Lei nº 9.430/1996 e refletidas na IN/SRF nº 32/2001. 4. Com efeito, o cálculo do preço de transferência a partir da margem de lucro sobre o preço de revenda é eficaz no sentido de atingir a finalidade legal nos casos de importação para revenda interna, não, porém, no caso de importação de insumos que não são objeto de revenda direta, mas são incorporados em processo produtivo de industrialização, resultando em distintos bens, direitos ou serviços, agregando valor ao produto final, com participações variáveis na formação do preço de revenda, que devem ser apuradas para que seja alcançado corretamente o preço de transferência, de que trata a legislação federal. Fl. 4533DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.533 18 5. Assim, nesse aspecto, a IN nº 243/2002 não violou o artigo 18, II, "d", item 1, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, ao tratar, nos §§ 10 e 11 do artigo 12, do Método do Preço de Revenda Menos Lucro, para bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção, com exclusão do valor agregado e da margem de lucro de 60%, para tanto com a apuração da participação de tais bens, serviços ou direitos no custo e preço de revenda do produto final industrializado no país. O conceito legal de valor agregado, que conduz ao conceito normativo de preço parâmetro, leva à necessidade de apurar a sua formação por decomposição dos respectivos fatores, abrangendo bens, serviços e direitos importados, sujeitos à análise do valor da respectiva participação proporcional ou ponderada no preço final do bem. O art. 18, II, da supracitada legislação prevê que o preço de transferência, no caso de bens e direitos importados para a aplicação no processo produtivo, calculado pelo método de preço de revenda menos lucros PRL 60, é a média aritmética dos preços de revenda de bens ou direitos, apurada mediante a exclusão dos descontos incondicionados, tributos, comissões, corretagens e margem de lucro de 60%, esta calculada sobre o preço de revenda depois de deduzidos os custos de produção citados e ainda o valor agregado calculado a partir do valor de participação proporcional de cada bem, serviço ou direito importado na formação do preço final, conforme previsto em lei e detalhado na instrução normativa. O preço de transferência assim apurado é que pode ser deduzido na determinação do lucro real para efeito de cálculo do IRPJ/CSL. Há que se considerar, assim, a ponderação ou participação dos bens, serviços ou direitos, importados da empresa vinculada, no preço final do produto acabado, conforme planilha de custos de produção, mas sem deixar de considerar os preços livres do mercado, praticados para produtos idênticos ou similares entre empresas independentes. 6. A aplicação do método de cálculo com base no valor do bem, serviço ou direito em si, sujeito à livre fixação de preço entre as partes vinculadas, geraria distorção no valor agregado, majorando indevidamente o custo de produção a ser deduzido na determinação do lucro real e, portanto, reduzindo ilegalmente a base de cálculo do IRPJ/CSL. Para dar eficácia ao método de cálculo do preço de revenda menos lucro, previsto na Lei nº 9.430/1996 alterada pela Lei nº 9.959/2000, é que foi editada a IN/SRF nº 243/2002, em substituição à IN/SRF 32/2001, não se tratando, pois, de ato normativo inovador ou ilegal, mas de explicitação de regras concretas para a execução do conteúdo normativo abstrato e genérico da lei, prejudicando, pois, a alegação de violação ao princípio da legalidade. Como podemos constatar, descabe a arguição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro do bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço líquido de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do Fl. 4534DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.534 19 preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. Isto posto, NEGO provimento ao recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 4535DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.535 20 Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto Na reunião de maio de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto por SIEMENS ELETROELETRONICA LTDA. (doravante “SIEMENS”, “contribuinte” ou “recorrente”), em que é parte a Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrida”), no processo n. 16643.000300/201043. Em tal recurso, a recorrente requer a reforma do acórdão n. 1402001.209 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela r. 2a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O acórdão recorrido, proferido pela Turma a quo, que por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, restou assim ementado (fls. 4.047 e seg. do e processo): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA . AJUSTES DA DIPJ. Os ajustes de preços de transferência devem ser apurados produto a produto, de modo que dos ajustes recalculados pela fiscalização devem ser deduzidos apenas os ajustes da DIPJ relativos a esses itens e não a totalidade constante da DIPJ apurandose eventual diferença tributável, relativa a apenas esses itens. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. OPÇÃO PELO MÉTODO. Após o início do procedimento fiscal, não cabe mais ao contribuinte alterar o método utilizado na DIPJ para determinação dos ajustes decorrentes da legislação dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. No julgamento do recurso especial interposto, a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter o acórdão da Turma a quo, subsistindo a cobrança do tributo, multa e juros lançados no AIIM. Nesta declaração de voto, permissa vênia, apresento os fundamentos que me fizeram votar pelo provimento do recurso especial interposto pela contribuinte, por compreender que a cobrança tributária em questão ofende as normas que tutelam a matéria, tendo em vista que a fórmula indicada pela IN 243/2002 descumpre com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. Tais fundamentos serão organizados do seguinte modo: 1. A evolução da legislação do método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). Fl. 4536DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.536 21 2. As fórmulas adotadas em cada etapa da evolução legislativa para o cálculo do PRL60. 3. O extravasamento das funções da IN 243/2002, em cotejo às fontes formais do Direito tributário, perpassando por pontos pertinentes como: a impossibilidade da outorga de discricionariedade à administração para o preenchimento de regras legais e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00; a (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. 4. Conclusões finais quanto ao caso em análise. 1. A evolução legislativa do método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). A legislação brasileira dos preços de transferência deve ser observada por pessoas jurídicas nacionais que realizem operações com pessoas jurídicas vinculadas residentes no exterior. Suas normas encontram fundamento especialmente nos princípios da igualdade e da capacidade contributiva, de forma a estabelecer, por meio de fórmulas prédeterminadas pelo legislador ordinário, um preço que seria praticado por partes independentes (“preço parâmetro” ou “preço arm’s length”), de tal forma que operações realizadas entre partes vinculadas que destoem desse padrão, sejam tributadas como se houvessem praticado o preço parâmetro. Assim, por exemplo, se em uma operação de importação entre partes vinculadas o importador brasileiro realizar o pagamento de $25,00 por um bem cujo preço parâmetro seja de $10,00, a legislação dos preços transferência determinará um ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL, de forma a se adicionar a parcela excedente ($15,00) e, assim, acrescer a base tributável e consequentemente aumentar o montante dos tributos devidos. O preço parâmetro, nesse exemplo, corresponde ao limite da dedutibilidade do custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada. Por meio do controle dos preços de transferência, o sistema jurídico não procura majorar o percentual de tributos cobrados da sociedade, mas simplesmente garantir, nas operações internacionais, tratamento tributário isonômico, de forma que, independente de relações societárias mantidas entre as partes, todos que se encontrem em situação semelhante tenham a sua capacidade contributiva tributada de forma equivalente. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. Entre os referidos métodos, interessa ao recurso especial em julgamento o Preço de Revenda menos Lucro (PRL). Em sua redação original, o art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, previa apenas a margem de lucro de 20% para o cálculo do preço parâmetro conforme o método PRL (doravante “PRL20”): Fl. 4537DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.537 22 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; Em 1999, por meio da Medida Provisória nº 2.0134, convertida na Lei n. 9.959/2000, foi introduzida alteração na alínea “d” desse dispositivo, que passou a dispor quanto à possibilidade da adoção da margem de lucro de 60% para o cálculo do método PRL dos preços de transferência (PRL60), com especial destaque à parte em negrito: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. Na sequência, foi editada pela Secretaria da Receita Federal (doravante “SRF”) a IN 113/2000, que dispunha “sobre as hipóteses de utilização do Método do Preço de Revenda menos Lucro”. Em 2001, foi editada a IN 32, que incorporou os enunciados da IN Fl. 4538DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.538 23 113/2000 ao indicar a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do PRL 60, com especial destaque à parte em negrito: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens; b) sessenta por cento, na hipótese de bens importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do parágrafo anterior, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: Fl. 4539DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.539 24 I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, Pis/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação de pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere o inciso IV, alínea "a" do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que não haja agregação de valor no País ao custo dos bens , serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. Em 2002, embora não tenha sido realizada nenhuma reforma por meio de Lei, a IN 243 tornou público que a SRF conduziria uma ampla mudança na metodologia de cálculo do PRL60, com o abandono das fórmulas anteriormente adotadas na IN 113/2000 e na IN 32/2001. Esse é o cerne do recurso especial em análise. Os enunciados da IN 243/2002 relativos à matéria seguem transcritos, com destaque à parte em negrito: MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; Fl. 4540DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.540 25 II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da Fl. 4541DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.541 26 nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Em 2012, por sua vez, por meio da Medida Provisória nº 563, convertida na Lei n. 12.715/2012, foram introduzidas amplas alterações na Lei n. 9.430/96, contemplando todo o inciso II desse dispositivo e tornandoo mais apto a fundar a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60. Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: Fl. 4542DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.542 27 (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e 1. (revogado); 2. (revogado); e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e (…) É evidente a distinção dos textos adotados, de um lado, pela IN 243/2002, e de outro lado, pela IN 32/2001 e especialmente pela Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. O quadro a seguir compara os dispositivos mais dessas três fontes do Direito mais relevantes à solução do presente caso concreto: FONTE PRIMÁRIA: Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000 FONTE SECUNDÁRIA: IN 32/2001 FONTE SECUNDÁRIA: IN 243/2002 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor Fl. 4543DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.543 28 diminuídos: (...) d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: (...) V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. As diferenças textuais em questão são relevantes para a solução do recurso especial em análise, conforme tópicos abaixo. 2. As fórmulas adotadas em cada etapa dessa evolução legislativa para o cálculo do PRL 60. O inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96, conforme a sua redação mantida entre 2000 e 2012 por força da Lei n. 9.959/2000, prescrevia de forma imediata a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do preço parâmetro, para fins de possíveis ajustes no cálculo do IRPJ e da CSL: PP = PR – L L = 60% (PR − VA) Em que: PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Considerando o conhecido valor líquido da operação de revenda (PR) e a margem de lucro (L) apurada conforme a fórmula legal, determinase o preço parâmetro (PP), que será o valor limite para que o correspondente bem, serviço ou direito importado de parte vinculada seja dedutível da base de cálculo do IRPJ ou da CSL. Notese que cada um desses fatores possui uma função determinante na fórmula prescrita no art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, o que evidencia a decisão consciente do legislador ordinário ao enunciar a Lei n. 9.959/2000, sendo relevante destacar que: quanto maior o valor agregado no Brasil (“VA”), menor será “L” (lucro). Como o lucro deverá ser subtraído do preço de revenda (“PR”) para a composição preço parâmetro (“PP”), quanto menor “L”, maior será “PP”. E , quanto maior “L” e, portanto, o lucro tributável, menor será o “PP”. para a composição de “L”, o percentual de 60%, adotado pelo legislador ordinário para o cálculo do PLR, deveria ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do Fl. 4544DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.544 29 bem ao qual tenha sido agregado o insumo importado e sujeito ao controle dos preços de transferência. Nesse seguir, quanto maior for o preço parâmetro (“PP”), mais liberdade terá o contribuinte para negociar com a empresa fornecedora (relacionada) sem o controle da administração tributária dos preços de transferência. Quanto maior for “PP”, menor serão as chances do contribuinte necessitar realizar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL para adicionar parcelas dos custos de bens, serviços e direitos que, por ultrapassar o preço parâmetro, passam a ser indedutíveis. Essa fórmula foi acatada pela administração fiscal tanto na IN 113/2000 quanto na IN 32/2001, (vide tópico “1”, acima) e encontrou justificativas por diferentes perspectivas, a saber: Equilíbrio. A adoção de uma margem de lucro de elevada, de 60%, seria balanceada pela subtração do valor agregado no Brasil dessa base; Indução positiva. O legislador ordinário teria aliado o controle de preços de transferência com medidas indutoras de comportamento e de incentivo à produção nacional, de forma que: quanto maior for a agregação de valor no Brasil, maior será o preçoparâmetro e, consequentemente, menor será o ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. A referida fórmula estabelecida pela Lei n. 9.959/2000 foi submetida a críticas, em especial por não considerar a proporção do insumo importado de parte vinculada aplicada ao bem produzido no Brasil. Como se evidenciou no tópico “1”, acima, o legislador ordinário apenas realizou uma reforma legal para incorporar essa “melhoria” em 2012, com a edição da Lei n. 12.715. Por sua vez, em 2002, a IN 243 indicou a necessidade da adoção de uma outra fórmula para o cálculo do PRL60, diferente daquela que até então se compreendia a correta decorrência da Lei n. 9.959/2000. Tornouse notório o “Estudo comparativo dos normativos da legislação brasileira para o cálculo do preço parâmetro de bem importado usado em produção”, elaborado por VLADIMIR BELITSKY, “Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel, Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, USP”. O referido estudo abstrai a seguinte fórmula da IN 243/2002: PP =VDBI * 100% * PR – L60% * VDBI * 100% * PR) VDBI + VA VDBI + VA Em que: VDBI à valor declarado do bem importado PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Fl. 4545DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.545 30 Como se pode observar, a fórmula indicada pela IN 243/2002 alterou fatores na fórmula abstraída dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e pela IN 32/2001. Supõese que a intenção da SRF seria possibilitar a verificação da proporcionalidade do insumo importado agregado à produção nacional, pois isso não teria sido contemplado pelo legislador. A partir da publicação da IN 243/2002, sem que nenhuma alteração legal tenha sido realizada, a PFN também passou a sustentar que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitaria a construção de uma segunda fórmula, diversa daquela que até então seria de aceitação geral: PP = PR − L − VA L = 60% PR A fórmula da IN 243/2002, conforme alegado, expressaria com maior clareza e, ainda, imprimiria melhorias a essa segunda fórmula que supostamente seria possível abstrair do texto do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Conforme a fórmula que se abstrai imediatamente da Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000, na linha do que indicava a IN n. 32/2001, o percentual de 60% deve ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual o insumo importado tenha sido agregado. Já a “segunda fórmula”, que supostamente fundamentaria a IN 243/2002, estabeleceria que a margem de lucro de 60% deveria incidir apenas sobre a parte do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem, serviço ou direito importados: o percentual legal em questão seria aplicável tão somente sobre a parcela do preço líquido de venda proporcional ao custo do bem importado. Conforme o citado estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 4. O cálculo de PP segundo a fórmula da IN 243 pode ser visto como um procedimento de duas etapas consecutivas, sendo que: (i) a primeira etapa baseiase, plena e exclusivamente, no princípio da proporcionalidade em participação ao lucro; e (ii) a segunda baseiase, plena e exclusivamente, no postulado de que a margem de lucro em cima de bem importado é de 60%”. O quadro a seguir procura sistematizar algumas características das normas, a fim de evidenciar a diferença entre elas: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL60 ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Analítico da fórmula para o cálculo da “margem de lucro” 60% sobre o valor integral do preço líquido de venda diminuído do valor agregado no Brasil. 60% apenas da parcela do preço líquido de venda do produto proporcional à participação dos bens, serviços ou direitos importados. Analítico da fórmula para o cálculo do “preço parâmetro” Totalidade do valor líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Fl. 4546DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.546 31 Um exemplo poderá tornar mais clara a distinção entre essas duas fórmulas. Para tanto, considerese que um determinado produto, produzido no Brasil a partir de insumos nacionais e outros importados de partes vinculadas, seja vendido por R$ 100,00 (ou seja, PR = 100,00) e que o valor agregado no Brasil seja de R$ 50,00 (ou seja, VA = 50,00). Aplicandose as duas fórmulas, chegaremos a resultados muito distintos: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL 60: ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Aplicação das fórmulas ao exemplo proposto: L = 60% (100,00 – 50,00) PP = 100,00 – 30,00 L = 60% * 100,00 PP = 100,00 – 60,00 – 50,00 RESULTADO 70,00 10,00 A função de tais fórmulas é determinar se deverá ser realizado ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Se o custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada for superior aos valores em questão, a parcela excedente deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSL, pois não seria considerada dedutível. O exemplo demonstra que as referidas fórmulas conduzem a preços parâmetro muito distintos, de forma as operações consideradas arm’s length, conforme a primeira fórmula, seriam aquelas praticadas até o limite de “R$ 70,00”, enquanto que, para a segunda fórmula, possivelmente todas as importações estariam sujeitas a ajustes, pois o valor resultante como “PP” seria negativo, qual seja, “ R$ 10,00”, como se o importador pudesse, em condições de mercado, deixar de pagar pelos bens, serviços ou direitos e, ainda, receber troco. A doutrina há tempos denuncia essa divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, como se observa da análise de LUÍS EDUARDO SCHOUERI2, em obra de referência sobre o tema dos preços de transferência: “7.8.2.2. A diferença pode ser explicada pelos seguintes motivos: Cálculo da ‘margem de lucro’: a divergência dos resultados da Lei n. 9.959/00 e da IN n. 243/02 decorre, em parte, porque a Lei, ao prescrever a fórmula de cálculo da ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% incida sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país. Já a Instrução Normativa, para o cálculo da mesma ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% seja calculado apenas sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados, atingindo um resultado invariavelmente menor. Atua assim a IN n. 243/02 de forma inovadora e em flagrante excesso à Lei. Cálculo do ‘preçoparâmetro’: a expressão ‘preçoparâmetro’ é utilizada na legislação dos preços de transferência para denominar o preço obtido através do cálculo de um dos métodos 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 169. Fl. 4547DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.547 32 prescritos e com o qual se deverá comparar o preço efetivamente praticado entre as partes relacionadas, na transação denominada ‘controlada’. O ‘preçoparâmetro’ é obtido de forma diversa na Lei n. 9.959/00 e na IN n. 243/02. Enquanto na Lei o limite do preço é estabelecido tomandose por base a totalidade do preço líquido de venda, a Instrução Normativa pretende que o limite seja estabelecido a partir, apenas, do percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda, o que claramente acaba por restringir o resultado almejado pelo legislador.” Do mesmo modo, as evidentes distinções em relação a essas fórmulas foram bem sintetizadas por LUCIANA ROSANOVA GALHARDO e ANA CAROLINA MONGUILOD3, in verbis: “(i) enquanto a Lei n. 9.959/00 estabelece o cálculo da margem de lucro de 60% sobre o valor do preço líquido de venda, diminuindose o valor agregado, a IN 243/02 determinou a incidência da margem de 60% sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem importado; e (ii) enquanto a Lei determina que o preçoparâmetro corresponde à diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de 60%, a IN 243/02 estabeleceu que corresponde à diferença entre o valor da participação do bem importado no preço de venda do bem produzido e a margem de lucro de 60%. Assim, o preço parâmetro calculado sob a sistemática da IN 243/02 será menor, resultando em maior risco de ajustes nos lucros tributáveis da empresa brasileira, tendo em vista o provável excesso de preço pago no exterior”. Restando evidenciado que a IN 243/02 veicula fórmula diversa, supostamente vocacionada a “melhor” tratar do problema da proporcionalidade do insumo utilizado na produção do produto nacional, surge a questão crucial do presente recurso especial: a referida Instrução Normativa possui legitimidade para tanto e agiu nos lindes de sua competência regulamentar? É o que será analisado no tópico seguinte do deste voto. 3. As fontes formais do Direito tributário e o extravasamento das funções da IN 243/2002. O tema das fontes é fundamental ao Direito tributário pátrio. Nosso ordenamento apresenta peculiar complexidade estabelecida pela Constituição Federal, com elevado número de espécies normativas, cada qual com uma função própria, vocacionadas à impressão juridicidade, eficiência, segurança jurídica, inteligibilidade, coesão, coerência e completude ao sistema jurídico. Sob uma perspectiva formalística4, as referidas espécies normativas podem ser organizadas em fontes primárias5 e fontes secundárias6 do Direito tributário. 3 GALHARDO, Luciana Rosanova; MONGUILOD, Ana Carolina. A ilegalidade do mecanismo de aplicação do método PRL sob a IN 243/02, in Manual dos Preços de Transferência – celebração dos 10 anos de vigência da lei. São Paulo : MP, 2007, p. 241. 4 As fontes do Direito tributário podem também ser observada por uma perspectiva material, a qual não contribui imediatamente para o tema em análise. 5 Em especial: Constituição Federal, Lei Complementar, Lei Ordinária, Medida Provisória, Tratados Internacionais, Decreto legislativo, Decreto (casos especiais), Convênio, Resolução. 6 Em especial: Decreto regulamentar; Instruções Normativas; Portarias; Normas complementares. Fl. 4548DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.548 33 A Lei n. 9.430/96 é fonte primária do Direito tributário. Em face do princípio da reserva legal, o legislador ordinário possui competência privativa para estabelecer o método de cálculo do preço parâmetro para possíveis ajustes à base de cálculo do IRPJ e da CSL, adotando como diretriz fundamental a tributação da renda conforme o acréscimo patrimonial. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá influenciar na composição da base de cálculo desses tributos, com potencial de redução dos custos dedutíveis na apuração do acréscimo patrimonial tributável, tratase de matéria sob a competência privativa do legislador ordinário. É o que se depreende da Constituição Federal, art. 150, I, e do Código Tributário Nacional, art. 97. A IN 243/2002, por sua vez, é fonte secundária do Direito Tributário, cuja função subalterna é de aclarar ou atribuir maior operacionalidade à norma prescrita pela Lei n. 9.430/96, que é a fonte primária. Notese que nenhuma das partes discorda da função limitada e secundária das Instruções Normativas: essa é uma questão de direito incontroversa nesse processo administrativo. A questão que realmente desafia antagônicas posições neste processo administrativo é saber se a IN 243/02 extravasou os limites da Lei n. 9.430/96, descumprindo a sua função e restando despida de validade. De um lado, a administração fiscal atualmente argumenta que do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, seria possível abstrair ao mesmo tempo duas diferentes fórmulas, ainda que estas possam conduzir a resultados muito diferentes: a primeira fórmula seria aquela admitida pela IN 32/2001 e, a segunda, que supostamente daria fundamento à IN 243/2002. De outro lado, o contribuinte argumenta que apenas a fórmula indicada pela IN 32/2001 seria compatível com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. Assim, nenhuma das partes discorda que as normas prescritas pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, comportam a fórmula indicada pela IN 32/2001 para o cálculo do preço parâmetro apurado pelo método PRL60. A discordância se dá apenas em relação à fórmula prevista pela IN 243/2002, que é diferente. A discordância em questão exige o enfrentamento das seguintes questões: O legislador ordinário poderia outorgar à administração fiscal a escolha de uma entre diversas fórmulas para o cumprimento do método PRL60 de controle de preços de transferência? Se a resposta à questão precedente for positiva, o legislador ordinário efetivamente conferiu à administração fiscal tal outorga na vigência da Lei n. 9.430/96 com as alterações que lhe foram introduzidas com a Lei n. 9.959/2000? Se a resposta à questão precedente for positiva, a IN 243/2001 teria ou não adotado uma das possíveis fórmulas matemáticas comportadas pelos enunciados prescritivos do 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00? 3.1. A (im)possibilidade da outorga de discricionariedade à administração para o preenchimento de regras legais e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. O princípio da legalidade em matéria tributária não requer que todos e quaisquer elementos necessários à operacionalização de uma norma tributária estejam expressa e exaustivamente previstos em lei ordinária. A adoção de cláusulas gerais ou conceitos Fl. 4549DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.549 34 indeterminados não representa uma ofensa a priori a esse princípio, pois não se pode exigir do legislador ordinário o fechamento da totalidade dos conceitos7. Também não se pode afastar, a priori, a possibilidade de o legislador ordinário outorgar à administração fiscal dispor sobre elementos que favoreçam a aplicação da norma tributária, com procedimentos que lhe tornem mais operacionais, palatáveis e socialmente mais eficazes. No entanto, não pode o Poder Legislativo delegar ao Poder Executivo a competência para a seleção dos elementos componentes da hipótese de incidência ou do consequente normativo (obrigação tributária). A indelegabilidade da competência tributária, norma constitucional tão bem delineada na obra de ROQUE ANTONIO CARRAZZA8, impede que o legislador ordinário transfira à administração fiscal a eleição dos critérios componentes da base de cálculo do tributo ou de outros elementos atinentes à ocorrência do fato gerador do tributo, à sua quantificação ou à identificação do sujeito passivo. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá tutelar o controle dos preços de transferência e influenciar na composição do lucro real (IRPJ) e da base de cálculo da CSL, apenas a lei ordinária é competente para prescrever os seus termos. Aceita essa premissa, qualquer divergência de uma instrução normativa em relação à lei deverá ser resolvida com a vitória da lei, pois o legislador ordinário possui a competência privativa e indelegável de decidir sobre a matéria. Logo, diante de uma divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, esta última deveria ser aplicada sem questionamentos. Uma observação é necessária por dever de ofício: ainda que a assertiva do parágrafo anterior possa ser inconteste, caso o legislador ordinário descumpra o seu dever e delegue a sua competência à administração fiscal para a eleição dos elementos da base de cálculo do IRPJ e da CSL, em tese, os julgadores do CARF, por força regimental, poderiam vir a ser constrangidos ao acatamento dessa lei ordinária e ao cumprimento da norma infralegal, editada diretamente pelo fisco. Ocorre que o RICARF9 reserva ao Poder Judiciário reconhecer inconstitucionalidades. Ao aceitarse tal situação em tese, tornase imediatamente relevante ao julgador administrativo a análise do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para verificar se, no caso concreto, há em seus enunciados a decisão clara do legislador ordinário de outorgar à administração fiscal a escolha da fórmula inerente ao método PRL60. No entanto, não há outorga expressa do legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, para que a administração fiscal compusesse uma fórmula que “melhor” se prestasse ao controle dos preços de transferência. Pelo contrário, a referida fórmula foi expressamente prescrita pelo legislador ordinário no aludido dispositivo. Conforme evidenciado no tópico “2”, acima, o legislador ordinário conscientemente elegeu a função de cada um dos fatores componente da fórmula para o cálculo do PRL60, não deixando espaço de discricionariedade para a administração fiscal. As normas da Lei n. 9.430/96 que prescrevem a fórmula para o cálculo do PRL60 são autoaplicáveis, não tendo a sua eficácia condicionada a instruções normativas ou 7 Nesse sentido, vide: SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 290 e seg. 8 CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional. São Paulo : Ed. Malheiros, 2003, p. 425. “As competências tributárias são indelegáveis. Cada pessoa política recebeu da Constituição a sua, mas não a pode renunciar, nem delegar a terceiros. É livre, até, para deixar de exercitala; não lhe é dado, porém, permitir, mesmo que por meio de lei, que terceira pessoa a encampe.” 9 RICARF, art. 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” Fl. 4550DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.550 35 outros atos infralegais. Por consequência, a administração fiscal tem o dever observar a fórmula compreendida imediatamente da Lei n. 9.430/96 para o cálculo do PRL60. 3.1.1. A tese da pluralidade semântica da Lei 9.430/96 e do papel integrativo da IN 243/2002. Se não houve outorga expressa do legislador ordinário à SRF, o intérprete persistente poderia cogitar da adoção, pelo legislador ordinário, de termos dotados de indeterminação semântica que implicitamente conferiria à administração fiscal a prerrogativa de arquitetar uma nova forma de cálculo do PLR60. Naturalmente tal expediente poderia ser questionado mesmo no âmbito do CARF, pois coerentes argumentos poderiam colocar em dúvida uma delegação implícita de tal nível. Ainda assim, não me furto de expor essa investigação, pois o seu resultado corrobora com a conclusão do presente voto: os enunciados prescritivos da Lei n. 9.430/96 seriam eivados de dubiedade suficiente para comportar pluralidade de fórmulas matemáticas capazes de conduzir a resultados muito diferentes o método PRL60? Um único elemento de dúvida parece surgir dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações que lhe foram introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. Ocorre que o legislador ordinário acresceu ao artigo “o” a preposição “de”, no seguinte trecho abaixo sublinhado: “d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;” Ao que tudo indica, tal fator não altera a conclusão de que a fórmula que decorre imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, é aquela indicada pela IN 32/01. Tratase de mero erro de grafia do legislador, que não enseja pluralidade de sentidos quanto aos enunciados em questão. No entanto, a administração fiscal passou a suscitar que a preposição “de” teria o mérito de assegurar que a parcela do valor agregado fosse deduzida do próprio preço de venda e não da base de cálculo da margem de lucro. O passo seguinte a essa assunção seria a reestruturação do enunciado prescritivo, para “melhorálo” e tornálo compatível com a fórmula adotada pela IN 243/2002. Notese que o acatamento desse argumento, para a legitimação da IN 243/2001, demanda que o intérprete reordene a forma como as alíneas foram dispostas pelo legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9430/96, de modo a excluir a participação de parte do texto do item 1 da alínea “d” e, assim, “criar” uma nova alínea “e”, inexistente no texto aprovado pelo Congresso Nacional. Ou seja, para que a fórmula proposta pela IN 243/2001 pudesse ser suportada pela Lei n. 9.430/96 vigente à época dos fatos, o seu art. 18, II, deveria ser visualizado como se possuísse a seguinte redação: Fl. 4551DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.551 36 (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (…) e) do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; A referida tese não esconde a sua complexidade. Concluída essa reestruturação do texto da art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, ainda não se chegaria à fórmula da IN 243/2002, pois novas concessões ainda deveriam ser feitas para acomodar as inovações na fórmula indicada pela SRF. Nesse seguir, a IN 243/2002 não assumiria apenas a função que originalmente lhe seria rotineira, de imprimir maior operacionalidade, tornar palatável a sua compreensão aos agentes fiscais. Essa instrução normativa teria função mais sofisticada, de traduzir uma linguagem do legislador ordinário que a todos se apresenta como inteligível, de forma a expressar, de forma escorreita, a verdadeira mensagem que, embora de dificílima compreensão para a sociedade em geral, não teria passado desapercebida aos olhos da SRF. Tal como um oráculo, a IN 243/2002, então, conduz a um rearranjo do art. 18, II, da Lei n. 9430/96, com a reconstrução estrutural do texto legal e a adoção de novos fatores nas fórmulas “traduzidas” pela IN 243/2002. Em uma espiada muito brusca, o referido exercício pode aparentar tratarse de “interpretação” ou mesmo assumir o propósito de “integração”. Contudo, uma análise mais acurada evidencia que a IN 243/02 NÃO leva a cabo qualquer expediente de integração, mas realmente inova em matéria inserida no âmbito de competência privativa do legislador ordinário. O expediente da integração, tutelado pelo art. 108 do CTN, “pressupõe uma lacuna a ser preenchida, i.e., a falta de decisão do legislador acerca de determinada situação”10. No caso, não há verdadeira lacuna no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. O legislador ordinário efetivamente manifestou decisão consciente quanto à formula a ser adotada para o cálculo do PRL60. A IN 243/02, em verdade, veicula uma segunda fórmula, capaz de alcançar resultados diversos da primeira e, com isso, desviase do plano normativo. Notese que um mero fator textual (acréscimo da preposição “de” ao objeto “o”), não é suficiente para se cogitar que esteja presente uma atribuição do legislador à SRF para que arquitetasse uma fórmula “melhor” ou de qualquer outra forma “diversa” daquela que se pode construir imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É relevante repetir que a referida construção argumentativa, que supostamente daria suporte à IN 243/2002, conduz a uma fórmula muito distinta, com 10 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 675 e seg. Fl. 4552DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.552 37 resultados extremamente dispares. E apenas por essa disparidade em relação à lei já deve o ato infralegal em questão ser desconsiderado. Merece destaque o seguinte trecho, do acima referido estudo elaborado por VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “3. Quesito. A Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que a fórmula da Lei 9.430 é plurívoca e sugere que a IN 243 apenas decorre de uma das interpretações possíveis da Lei 9.430. Do ponto de vista da matemática, é possível afirmar que a IN 243 apenas interpreta a Lei 9.430? É possível deduzir a fórmula da IN 243 dos comandos contidos na Lei 9.430? Conforme já afirmamos na Constatação 3, não é verdade que a IN 243 é uma interpretação possível da Lei 9.430. Em sua defesa, a Fazenda Nacional emprega a fórmula em situações hipotéticas e dessas situações extrai conclusões genéricas. Essas conclusões são incorretas do ponto de vista matemático.” Na doutrina nacional, uma série de autores se opõe a essa (re)construção normativa. Nesse sentido, LUÍS EDUARDO SCHOUERI11 leciona, in verbis: “7.8.3.5.1. De imediato, devese notar que tal entendimento contrariaria a própria literalidade do método. Afinal, o legislador da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/00, não acrescentou um quarto método àqueles aceitos para a apuração dos preços de transferência. Ou seja: o artigo 18 da referida Lei continuou contemplando, em seus três incisos, apenas três métodos. Nesse sentido, o que se teve foi, apenas, um desdobramento de um mesmo método: o método denominado, pelo próprio legislador, ‘Preço de Revenda menos Lucro’. Assim, pressupõese, pela literalidade do método, que se apure o preçoparâmetro pela fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro’. Tivesse o legislador a intenção de modificar a fórmula, para passar a ser fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro menos valor agregado’, então no mínimo deveria ele, por coerência, deixar de chamar o método de ‘Preço de Revenda menos Lucro’.” Ainda que se considere possível abstrair mais do que uma fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, as seguintes constatações são suficientes para a desconsideração da fórmula indicada pela IN 243/2002: não há decisão expressa ou mesmo implícita do legislador ordinário para que a SRF procurasse arquitetar uma fórmula “melhor” do aquela que se compreende imediatamente do texto legal; a interpretação sustentada, que daria suporte à IN 243/2002, parte de uma construção argumentativa complexa, que por si só coloca em dúvida a sua correção; 11 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo: Dialética, 2006, p. 169. Fl. 4553DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.553 38 os limites da IN 243/2002 estão adstritos à regulamentação administrativa da aplicação do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para tornálo mais operacional, possibilitar uma mais palatável intelecção pelos agentes fiscais, esclarecer à sociedade interpretações específicas e, assim, dotar a norma legal de maior eficácia social. Qualquer previsão presente na IN 243/2002 que conduza ao incremento de ônus tributário, que não decorra da precedente decisão do legislador ordinário, devem ser desconsideradas. No subtópico seguinte, será analisada sob uma série de perspectivas a (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. 3.2. A (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. A fórmula indicada pela IN 243/2002, para o cálculo do método PRL60, é considerada por alguns como uma “melhoria” ao texto veiculado pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96: supostamente, terseia uma fórmula “melhor” para regular a aplicação da legislação de preços de transferência. Tais “melhorias”, no caso, converteriam os “preços de revenda menos lucro” (“PRL”) em “PRLVA” (preço de revenda menos lucro menos valor agregado). Ainda que se considere, por hipótese, que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, comporta mais do que uma fórmula matemática, seria preciso verificar se a IN 243/2002 teria adotado alguma destas (como sustenta a PFN) ou se teria extravasado os limites a que estaria adstrita (como sustenta o contribuinte). Os subtópicos seguintes apresentam fundamentos que conduzem à conclusão de que a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo dos preços de transferência é incompatível com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. 3.2.1. Incompatibilidades formais e a ofensa ao princípio da legalidade aferida por critérios objetivos. Não vem ao caso, nesse subtópico, saber se o comparativo de superioridade que adjetiva a fórmula indicada pela IN 243/02 seria “melhor” ou “pior”. Interessa, aqui, constatar que ambos os adjetivos comparativos pressupõem que a fórmula indicada pela IN 243/02 seja de algum modo ou grau diferente daquela estabelecida no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É por si só relevante ou mesmo decisivo ao julgador aferir que a fórmula indicada pela IN 243/2002 é “diferente” daquela veiculada no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Ocorre que a Instrução Normativa deveria assumir tão somente a função de tornar mais operacional a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitar uma mais palatável intelecção pelos agentes fiscais e dotar a norma legal de maior eficácia social. Diante do monopólio reservado ao legislador ordinário para a decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60, os pontos de distinção da IN 243/02 em relação à Lei 9.430/96 têm a validade fulminada de plano, reclamando desconsideração pelos aplicadores do Direito. Fl. 4554DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.554 39 Como se pôde observar no tópico “1”, acima, a Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, NÃO autoriza uma série de elementos constantes na IN 243/2001, em especial: a exclusão do valor agregado no Brasil no cálculo do preço parâmetro. Conforme decisão do legislador ordinário, o valor agregado no País deveria ser subtraído do preço líquido de venda apenas para o cálculo da margem de lucro; atribuirse relevância ao percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e participação dos bens importados no preço de venda do produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro. Não obstante, por meio da IN 243/2002, a SRF não só tomou a decisão de eleger como fator determinante o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido na composição da fórmula de cálculo do PRL60, como também estipulou qual seria esse percentual de participação. Merece destaque o seguinte trecho, do já referido estudo elaborado por VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 3. A IN não pode seguir como uma direta interpretação da Lei 9.430/96; é inevitável o acréscimo de alguns postulados, pressupostos ou comandos à lei para que desta possa ser derivada a IN 243. Do ponto de vista da lógica matemática, esta constatação é a consequência da combinação de dois fatos já provados acima: de um lado, sabemos (cf. Constatação 2) que a fórmula da IN 243 é diferente da da Lei 9.430/96; de outro lado, sabemos (cf. Constatação 1 e sua demonstração) que cada fórmula é expressão algébrica, única e fiel, do respectivo normativo. Logo, nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”. Como o tema em análise envolve fórmulas matemáticas, é contundente o parecer do referido Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel e Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Se os matemáticos derivam uma determinada fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, mas uma outra fórmula da IN 243/2002, bem como afirmam que, sob o ponto de vista matemático, “nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”, há evidência eloquente de que a Instrução Normativa divergiu da Lei, extravasando o seu âmbito de competência e infringindo a reserva legal. A IN 243/2001, como fonte secundária, teria a função de apenas atribuir maior operacionalidade, clareza e, assim, executar com fidelidade a fonte primária, que é a Lei 9.430/96. No entanto, a IN 243/2002 claramente nega eficácia à decisão do legislador ordinário, que supostamente não teria sido técnico o suficiente e dado ensejo a desequilíbrios. Correta ou não, cabe ao Poder Legislativo o monopólio da decisão sobre como será o controle dos preços de transferência no Direito tributário brasileiro. Antes de 1996, precisamente por decisão do legislador ordinário, sequer havia, no Brasil, qualquer controle sobre os preços de transferência. A ele, legislador ordinário, cabe tratar privativamente sobre a tema em discussão. Fl. 4555DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.555 40 Dessa forma, por obstaculizar que os agentes fiscais executem adequadamente a decisão do legislador ordinário, veiculada pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, a IN 243/2001 merece imediata repulsa. Como julgador administrativo, não afastar a aplicação da IN 243/2001 redundaria igualmente em negar eficácia à decisão enunciada pelo único agente competente para prescrever a fórmula de cálculo do PRL60, que é o legislador ordinário. Recusome a isso. Não se trata de saber qual das fórmulas é “melhor”: tratase de respeitar o monopólio da decisão detido pelo legislador ordinário. Esse entendimento encontra fundamento na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, como se observa desse trecho do conhecido voto do Min. ALIOMAR BALEEIRO, no RE 69784, in verbis: “A justiça é uma idéiaforça, no sentido de FOUILLÉ, mas varia no tempo e no espaço, senão de indivíduo. Fixao o legislador e o juiz há de aceitála como um autômato. Inúmeros Acórdãos do Supremo Tribunal Federal, declaram que lhe não é lícito corrigir a justiça intrínseca na lei, substituindose as escolhas do legislador.” A IN 243/2002 realmente violou o princípio da legalidade. Ao adotar fórmula diversa daquela prevista pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e extravasar a sua função secundária e meramente regulamentar, a IN 243/2002 majorou tributos com o cerceamento da dedutibilidade do custo de bens, direitos e serviços importados de partes relacionadas e aplicados à produção em território brasileiro. Como a função precípua da CSRF é uniformizar entendimentos divergentes adotados pelas Turmas Ordinárias do CARF, insta observar que há uma série de decisões deste Tribunal que também concluíram ser ilegal a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do método PLR60, como se observa das seguintes ementas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica na desistência de discutir essa matéria na esfera administrativa. Aplicação da Súmula CARF nº 1. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considera se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243, de 2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60%, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. Fl. 4556DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.556 41 (CARF, Acórdão 1202000.835, sessão de 07.08.2012) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LEI. NORMAS COMPLEMENTARES. As normas postas pelo executivo para operacionalizar ou interpretar lei devem estar dentro do que a lei propõe e ser com ela compatível. FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI N° 9.430. IN SRF N°32. IN SRF N°243. A IN SRF n° 32, de 2001, propõe fórmula idêntica a posta pela lei no 9.430, de 1996. A IN SRF n° 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não cogitadas pela lei. LANÇAMENTO. IN SRF N° 243. Os ajustes feitos com base na fórmula estabelecida na IN SRF n° 243, de 2002, que sejam maiores do que o determinado pela fórmula prevista na lei, não têm base legal e devem ser cancelados. (CARF, Acórdão 1101000.864, sessão de 07.03.2013) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (CARF, Acórdão 1201000.803, sessão de 07.05.2013) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2007 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÕES PROCEDENTES. Não é digna de reparo a decisão que, amparada por diligência fiscal efetuada pela própria autoridade autuante, acolhe argumento da contribuinte acerca da ocorrência de erro de fato no fornecimento de dados utilizados na determinação da matéria tributável, e, por meio de controles internos, apura que parte das exigências formalizadas já são objeto de outro feito administrativo, caracterizando, assim, duplicidade de lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ILEGALIDADE DA IN SRF 243/2002. Restando reconhecida a ilegalidade das disposições da IN SRF 243/2002, especificamente no que se refere aos critérios por ela indicados para a quantificação do preçoparâmetro e os conseqüentes ajustes na aplicação do método PRL60 (sobretudo antes da publicação da Lei Fl. 4557DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.557 42 12.715/2012), é de reconhecer, portanto, a completa invalidade do lançamento. (CARF, Acórdão 1301001.235, sessão de 13.06.2013) Nesse mesmo sentido, há substancial consenso doutrinário quanto ao extravasamento da IN 243/2001 na regulamentação do PLR6012. Citese, por exemplo, GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JR.13, in verbis: “Se compararmos as fórmulas acima, é possível verificar que a Instrução Normativa SRF 243/2002 reduziu consideravelmente o preço parâmetro que configura o limite de dedutibilidade para fins de IRPJ e CSLL, o que aumenta a base de cálculo das exações, sem qualquer fundamentação legal, ocasionando uma total incongruência com as disposições contidas na Lei n. 9.430/1996”. Por todos esses fundamentos já expostos, parece certo que a fórmula de cálculo do PRL60 indicada pela IN 243/2002 deve ser desconsiderada. 3.2.2. Incompatibilidades formais e o princípio da anterioridade em matéria tributária. Com o reforma de 2012, empreendida pela Lei n. 12.715 (dez anos após a edição da IN 243/2002), o legislador ordinário finalmente adotou enunciados que claramente prescrevem a adoção de uma fórmula diversa daquela adotada com a Lei n. 9.959/2000, mais apta a lidar com a proporção do insumo importado aplicado na produção nacional. Desse modo, somente após 10 anos da publicação da IN 243/2002 é possível identificar maior respaldo à fórmula então indicada pela SRF. Conforme dispõe a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional, alterações legislativas: Como regra, devem respeitar o princípio da irretroatividade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “a”); Como regra, devem respeitar o princípio da anterioridade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “b”); Excepcionalmente, podem ter eficácia retroativa “quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados” ou, ainda, quando forem benéficas ao contribuinte (CTN, art. 106). A Lei n. 12.715/2012 inaugurou uma nova sistemática de cálculo do método PLR, com a decisão consciente do legislador de inovar o regime até então vigente e com o assumido potencial de aumento da carga tributária. Diante desse cenário, a fórmula para o cálculo do PRL que se obtém da norma enunciada pelo legislador ordinário na Lei n. 12 Vide: GALHARDO, Luciana Rosanova; MONGUILOD, Ana Carolina. A ilegalidade do mecanismo de aplicação do método PRL sob a IN 243/02, in Manual dos Preços de Transferência – celebração dos 10 anos de vigência da lei. São Paulo: MP, 2007. 13 MOREIRA JR., Gilberto de Castro. Método do preço de revenda menos lucro no caso de agregação de valor no país. Confronto entre a Lei n. 9.430/1996 e a Instrução Normativa n. 243/2002, in Tributos e Preços de Transferência – 3o Volume. São Paulo: Dialética, 2009, p. 105. Fl. 4558DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.558 43 12.715/2012 deverá se submeter a dois corolários básicos do princípio da segurança jurídica: os princípios da anterioridade e da irretroatividade. O art. 78, da Lei n. 12.715/2012, expressamente resguardou a vigência da novel fórmula de cálculo do PLR para o dia 01.01.2013, fazendo referência específica à alteração que introduzira por meio seu art. 48 ao art. 18 da Lei n. 9.430/1996. É o que se observa textualmente na Lei n. 12.715/2012: Art. 48. Os arts. 12, 18, 19 e 22 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a vigorar com a seguinte redação: (…) Art. 78. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (…) § 1. Os arts. 48 e 50 entram em vigor em 1 de janeiro de 2013. Caso a Lei n. 12.715/2012 apenas confirmasse a norma introduzida pela Lei n. 9.959/2000, ratificando os método PLR60 até então vigente sem qualquer incrementar a obrigação tributária, então não seria necessário observar o princípio da anterioridade. Além disso, referida norma poderia ser considerada interpretativa, com efeitos retroativos. Mas não é o caso: por tratarse de decisão consciente do legislador ordinário em alterar a metodologia do PLR com potencial de aumentar o ônus tributário imposto à sociedade, a referida deve respeitar a anterioridade e não pode ser aplicada retroatividade. A exposição de motivos da MP n. 563/2012, que foi convertida na aludida Lei n. 12.715/12, demonstra com nitidez a decisão do legislador em alterar a norma até então vigente para o cálculo do PLR e adotar vacatio legis em respeito ao princípio da anterioridade, de aplicação obrigatória na hipótese de majoração do ônus de IRPJ e CSL: “56. A medida proposta também visa a aperfeiçoar a legislação aplicável ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no tocante a negócios transnacionais entre pessoas ligadas, visando a reduzir litígios tributários e a contemplar hipóteses e mecanismos não previstos quando da edição da norma, atualizandoa para o ambiente jurídico e de negócios atual. Destarte, a legislação relativa aos controles de preços de transferência aplicáveis a operações de importação, exportação ou de mútuo, empreendidas entre entidades vinculadas, ou entre entidades brasileiras e residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou ainda, que gozem de regimes fiscais privilegiados, restará atualizada e aperfeiçoada com as alterações propostas. (...) 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. (...) Fl. 4559DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.559 44 63. Como algumas das alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40 da Medida Provisória podem implicar em aumento do tributo, em atenção ao princípio da anterioridade, foi estabelecido que a produção de efeitos ocorreria em 2013. O art. 42 do Projeto Medida Provisória possibilita que a pessoa jurídica opte pela aplicação das disposições contidas nos arts. 38 e 40 na apuração das regras de preços de transferência relativas ao anocalendário de 2012. A opção implicará na obrigatoriedade de observância de todas as alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40.” Assim, se a Lei n. 12.715/2012 apresenta alguma eficácia interpretativa, seria a de esclarecer que a fórmula adotada pela IN 243/2002 par o cálculo do PLR60 não encontrava fundamento de validade na vigência do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, devendo ser mantida a incontroversa fórmula indicada pela IN 32/2001. No caso concreto sob julgamento, o período de apuração relevante é 2005, não sendo de forma alguma aplicáveis as normas da Lei n. 12.715/2012, o que atentaria contra o princípio da irretroatividade da lei tributária. Para o período relevante, é preciso reconhecer que a IN 243/2002 extravasou os limites a que estaria adstrita. É necessário aplicar diretamente a norma prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, tal como interpretada pela IN 32/2001, que restou incontroversa. 3.2.3. Incompatibilidades materiais e a ofensa ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva. Embora evidências matemáticas e demais constatações expostas nos subtópicos anteriores sejam suficientes para o afastamento da fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60, há ainda outras evidências jurídicas que justificam a desconsideração do ato infralegal. Há incompatibilidades materiais da IN 243/02 em face da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. A administração fiscal deve agir nos estritos limites normativos atinentes à matéria dos preços de transferência, respeitando os princípios e regras consagrados pelo legislador ordinário. E há, no caso da legislação dos preços de transferência, princípios e regras que não podem ser ignorados, especialmente pertinente à igualdade tributária e à capacidade contributiva. Nesse ponto, é importante fazer referência à seguinte passagem do estudo de LUÍS EDUARDO SCHOUERI14, que toca alguns dos elementos essenciais para a solução do recurso especial em análise, in verbis “1.3.9. É, pois, sob pena de caracterizar o arbítrio, que o legislador se vê obrigado a eleger princípios e, uma vez escolhidos, aplicálos conscientemente. 1.3.10. Especialmente em matéria tributária, surge como princípio parâmetro, escolhido pelo próprio constituinte, a capacidade contributiva. Nesse sentido, deve a tributação partir 14 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 1415. Fl. 4560DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.560 45 de uma comparação das capacidades econômicas dos potenciais contribuintes, exigindose tributo igual de contribuinte em equivalente situação. Por óbvio, tal princípio somente se concretiza quando é possível compararemse os contribuintes. 1.3.11. No caso de transações entre pessoas vinculadas, entretanto, as realidades econômicas comparadas são diversas, frustrandose qualquer comparação. 1.3.12. A diversidade acima apontada resulta da circunstância de as transações entre partes vinculadas não terem passado pelo mercado, como o fizeram as empresas independentes. 1.3.13. Assim, podese dizer que enquanto a moeda constante nas contas das empresas com transações controladas está expressa em unidades ‘reais de grupo’, empresas independentes têm seus resultados expressos em ‘reais de mercado’. 1.3.14. Nesta perspectiva, o papel da legislação de preços de transferência é apenas ‘converter’ valores expressos em ‘reais de grupo’ para ‘reais de mercado’, possibilitando, daí, uma efetiva comparação entre contribuintes com igual capacidade econômica. 1.3.15. Nesse sentido, verificase que a legislação de preços de transferência não distorce resultados da empresa. Apenas ‘converte’ para uma mesma unidade de referência (‘reais de mercado’) a mesma realidade expressa noutra unidade. 1.3.16. Nesse contexto, as disposições de controle de preços de transferência da Lei n. 9.430/96 somente se justificam caso corroborem essa conversão acima referida, o que se dá mediante a aplicação do princípio arm’s length, que será verificado mais profundamente nos capítulos posteriores. Vale dizer, caso a aplicação da lei ou de sua regulamentação em um caso concreto extrapole os limites dessa conversão, isso deverá ser considerado uma desobediência ao princípio constitucional da igualdade e da capacidade contributiva e, portanto, a aplicação nesse caso deverá ser corrigida ou até mesmo desconsiderada.” (negrito acrescido ao original) É fundamental para a matéria em análise, então, compreender que a legislação brasileira dos preços de transferência busca precisamente neutralizar a desigualdade nas operações entre partes vinculadas. Nos casos em que o método PLR60 seriam aplicáveis, a aludida norma se voltaria exclusivamente às operações de importação realizadas por empresas vinculadas e que, por meio de ajuste de preços de venda de bens, serviços ou direitos, apresentassem a potencialidade de transferir resultados ao exterior sem a correspondente tributação. Se era esse o objetivo do legislador ordinário, é de difícil aceitação que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 teria prescrito critérios de eliminação de desigualdades tão voláteis e indeterminados que possibilitassem à administração fiscal exigir ajustes a partir preços parâmetros compreendidos em um intervalo de “ R$10,00” a “R$ 70,00”. Ocorre que o princípio da igualdade vivificado pelo padrão arm’s length, pressupõe a eleição consciente, pelo legislador ordinário, de critérios de distinção aptos a tratar semelhantes de forma equivalente, com os ajustes que se façam necessários na base de cálculo Fl. 4561DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.561 46 do IRPJ e CSL para a corrigir diferenciações injustificadas. A tese de que, dos enunciados do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, seria possível abstrair duas fórmulas capazes de conduzir a preços parâmetros tão dispares (“10,00” ou “70,00”, por exemplo), conflita por si só com o princípio da igualdade, pois torna insustentável a sua concretização. Na verdade, o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, efetivamente elegeu expressamente os critérios de distinção que, conforme a sua decisão, seriam aptos para vivificar o princípio da igualdade e da capacidade contributiva. A “segunda fórmula” indicada pela IN 243/2002, então, enfraquece arbitrariamente o princípio da igualdade, pois nega eficácia jurídica aos critérios de distinção eleitos pelo legislador ordinário (art. 18, II, da Lei n. 9.430/96), a quem compete o monopólio da decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60. Nesse seguir, ao advogar que a Lei n. 9.430/96 teria concedido tamanha discricionariedade à administração, a PFN pode estar suscitando a ocorrência de delegação de competência tributária, o que é vedado pela Constituição Federal (art. 150) e pelo CTN (art. 97). Se a lei tivesse permitido a adoção de fórmulas que tão dispares, possivelmente a constitucionalidade de tal lei poderia inclusive vir a ser questionada perante o Poder Judiciário. 3.2.4. Incompatibilidades materiais e a falácia dos “fins” que justificariam os “meios”. O julgamento do presente recurso especial pode dar ensejo a um deslize no processo de concretização do Estado de Direito: relativizar o princípio da legalidade (meio), para que o Brasil conte com uma norma de preço de transferência supostamente “melhor” e vocacionada a aferir adequadamente os preços de mercado, inclusive com a consideração proporcional dos insumos importados de partes vinculadas (fins). Como já se constatou acima, esse argumento de que “os fins justificam os meios” esbarra no princípio da estrita legalidade em matéria tributária. No entanto, tendo em vista a importância do tema, não se pode deixar de investigar se os referidos “fins” apregoados para a legitimação da IN 243/2002 realmente teriam potencial de concretização. Sob a perspectiva matemática, o estudo desenvolvido pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, acima citado, apresentou as seguintes conclusões: “2. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a fórmula da IN 243 corrige defeitos da Lei 9.430. Essa afirmação é correta do ponto de vista da matemática? Não. Essa manobra é parecida com os argumentos desvendados no quesito anterior, mas ela precisa ser tratada separadamente pois a derivação de sua conclusão é mais complexa. Na essência do método, mostrase que a fórmula da Lei 9.430 apresenta falhas as quais são corrigidas na fórmula da IN 243. A inadequação deste método como argumento em prol da eficácia da IN 243 está na omissão do fato de que a fórmula definida por esse normativo possui falhas semelhantes às da fórmula da Lei 9.430.” Também merece destaque o seguinte trecho, colhido da citada “Constatação 5” do mesmo estudo, in verbis: Fl. 4562DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16643.000300/201043 Acórdão n.º 9101002.318 CSRFT1 Fl. 4.562 47 “(i) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP menor que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for de 60%; (ii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP igual ao valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for menor que 60%; (iii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP maior que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for maior que 60%;” Notese, ainda, a conclusão do mesmo matemático em relação a esse outro quesito que lhe foi apresentado, in verbis: “1. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a aplicação da IN 243 pode ser benéfica aos contribuintes. Essa afirmação tem sustentação matemática? A alegação da Fazenda Nacional de que ‘... a metodologia prevista na IN SRF n. 243/2002 pode ser considerada benéfica ao importador’ (...) está errada pois sabemos, conforme provado em minha Constatação 5, que a fórmula da IN 243 acarreta ajuste tributário e, consequentemente, tributação, toda vez que a lucratividade da produção for inferior a 60%. (...)” Conclui o matemático que “a fórmula da IN 243 falha em apurar o valor justo do Preço Parâmetro a partir de valores de produtos corretamente declarados pelo contribuinte quando a margem de lucro efetiva sobre o PLV for menor que 60%”. A evidência matemática, então, aclara que a fórmula indicada pela IN 243/2002 não soluciona problemas presentes na fórmula legal, imediatamente construída a partir do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. Além disso, como evidenciou o matemático, a fórmula da IN 243/2002 tem o potencial de agravar o ônus fiscal sobre o contribuinte. Assim, se a IN 243/02 apresenta outros vícios, inclusive formais, que justificam a sua desconsideração para a apuração do PRL60, também é possível observar vícios materiais que a tornam imprópria para o controle dos preços de transferência. 4. Conclusões. Por todo o exposto, há evidências mais do que suficientes para se afirmar que a fórmula indicada pela IN 243/2002 descumpre com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. Se há uma “segunda fórmula” alternativa àquela da IN 32/2001, que se adeque à moldura prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, não se trata da fórmula indicada pela IN 243/2002. Voto, assim, para que seja dado PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 4563DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assin ado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13819.900001/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
RESSARCIMENTO DO IPI. ART. 11 DA LEI 9.779/99. APLICÁVEL QUANDO HOUVER ATIVIDADE INDUSTRIAL
O ressarcimento do IPI aplica-se exclusivamente a contribuintes que pratiquem atividades industriais. Como o contribuinte compra e revende e é contribuinte por opção (inc. I do art. 11 do RIPI/2002), não tem direito a requerer o ressarcimento.
ART. 11 DA LEI N° 9.779/99. VIOLAÇÃO DO DIREITO À PROPRIEDADE. INCONSTITUCIONALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de dispositivo legal, nos termos da Súmula CARF n° 2.
Recurso Voluntário Negado
Direito creditório Não reconhecido
Numero da decisão: 3301-003.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL - Presidente.
MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, VALCIR GASSEN, JOSÉ HENRIQUE MAURI, LIZIANE ANGELOTTI MEIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ART. 11 DA LEI 9.779/99. APLICÁVEL QUANDO HOUVER ATIVIDADE INDUSTRIAL O ressarcimento do IPI aplicase exclusivamente a contribuintes que pratiquem atividades industriais. Como o contribuinte compra e revende e é contribuinte por opção (inc. I do art. 11 do RIPI/2002), não tem direito a requerer o ressarcimento. ART. 11 DA LEI N° 9.779/99. VIOLAÇÃO DO DIREITO À PROPRIEDADE. INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de dispositivo legal, nos termos da Súmula CARF n° 2. Recurso Voluntário Negado Direito creditório Não reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Presidente. MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 00 01 /2 00 9- 20 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900001/200920 Acórdão n.º 3301003.040 S3C3T1 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, VALCIR GASSEN, JOSÉ HENRIQUE MAURI, LIZIANE ANGELOTTI MEIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900001/200920 Acórdão n.º 3301003.040 S3C3T1 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Manifestação de Inconformidade contra indeferimento de Pedido de Ressarcimento (fl. 5) de saldo credor do IPI pertencente a uma filial da empresa. O Pedido de Ressarcimento foi acompanhado de Declaração de Compensação, cujo débito é da mesma espécie tributária (fl. 35). Conforme o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 232/235) que propõe o indeferimento e foi referendado por meio de Despacho Decisório, a filial detentora do crédito não é estabelecimento industrial, mas equiparado por opção, nos termos do art. 11, I, do RIPI/2002, porque simplesmente operava na aquisição e revenda de chapas de aço. O Relatório destaca que a filial, já extinta, tinha como objeto “o comércio de bobinas de aço que não sofriam nenhum processo de industrialização, visto que eram apenas revendidas", segundo informado pela empresa, e que o exame das Notas Fiscais de Entrada demonstra se tratar de aquisições de chapas de aço adquiridas da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), depois revendidas. Diante dessa atividade, a AuditoraFiscal responsável pelo Relatório considera que o ressarcimento requerido não se enquadra no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Também informa que a filial não procedia ao destaque do IPI nas saídas para a Resil Minas Indústria e Comércio Ltda, alegando suspensão baseada no art. 29, § 1º, I, “a”, da Lei nº 10.637/2002. Para a AuditoraFiscal tal suspensão é indevida, já que restrita às saídas promovidas por estabelecimento industrial. Menciona o art. 111, I, do CTN, e considera que a suspensão não beneficia a filial, por ser estabelecimento equiparado a industrial por opção e não realizar nenhum tipo de operação de industrialização. Por fim, noticia que em face das saídas sem destaque do IPI, a escrita fiscal foi reconstituída, levandose em conta os débitos do Imposto (em vez da suspensão), e que foi lavrado, em processo à parte, de nº 10976.000266/200975, Auto de Infração (com cópia neste, juntamente com o Termo de Verificação Fiscal respectivo) para exigência da multa prevista no art. 80, I, da Lei nº 4.502/64 (sem exigência de IPI porque a reconstituição apresentou saldos credores). Na Manifestação de Inconformidade, tempestiva, a contribuinte inicialmente destaca que as chapas de aço eram tributadas, enquanto as vendas à Resil, não; em razão do diferimento previsto no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, foi gerado o crédito de IPI. Em seguida contesta o Despacho Decisório, afirmando não poder prosperar tal decisão, sob pena de ofensa ao princípio da nãocumulatividade que rege o IPI e ao art. 11 do RIPI/2002. Para o contribuinte referido artigo equipara, para todos os efeitos legais, a Suplicante a estabelecimento industrial. Afirma não existir na legislação nada que limite o alcance da equiparação por opção e argúi que, “ao contrário do que aduz o Despacho Decisório, a interpretação literal prelecionada pelo art. 111, inciso I do CTN conduz à conclusão segundo a Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900001/200920 Acórdão n.º 3301003.040 S3C3T1 Fl. 13 4 qual, no caso presente, o estabelecimento equiparado a industrial faz jus à suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei n° 10.637/02, uma vez que não existe qualquer menção normativa que o exclua.” (fl. 247) Assinala haver incoerência da União Federal, no que “aceita” a equiparação da filial a industrial quando é para cobrar o IPI, e transcreve o item do Parecer Normativo CST Nº 367/71 (na peça de inconformidade está escrito, erroneamente, 376, mas o correto é 367), segundo o qual a equiparação do importador se dá “de forma ampla (‘para todos os efeitos desta lei’)”referência à Lei nº 4.502, de 1964. Também menciona o Acórdão nº 20311.516, de 08/11/2006, do Segundo Conselho de Contribuintes. Mais adiante, buscando apoio na doutrina e jurisprudência que menciona, tece considerações sobre o princípio da nãocumulatividade, quando ressalta que, na entrada, o aço adquirido é tributado, mas, na saída, não, em face da suspensão; sobre o direito à restituição de tributos indevidamente pagos; e sobre o enriquecimento sem causa, princípio que quer ver observado sob pena de ofensa ao direito de propriedade estatuído no art. 5º, XXII, da Constituição Federal. Antes de finalizar, trata da vinculação deste processo com o do Auto de Infração, observando que “o crédito utilizado para a compensação que foi glosada nos presentes autos não foi considerado em referida reconstituição de escrita fiscal, conforme se comprova com cópia dos Livros Registro de Apuração”, requerendo sejam os presentes autos apensados ao processo nº 10976.000266/200975 e garantido à Suplicante o direito de ver computado na reconstituição da escrita fiscal o crédito objeto da compensação realizada nos presentes autos. Ao final requer seja deferido o direito à “restituição”, homologandose as compensações realizadas. É o relatório." Com a devida vênia, cumpre retificar uma informação contida no relatório acima transcrito. O processo, por meio do qual foi cobrada, exclusivamente, multa por IPI não lançado em notas fiscais (os créditos foram suficientes para absorver os débitos apurados pela fiscalização) era o de n° 10976.000266/200925 e não 10976.000266/200975. Neste último, houve lançamento de ofício de IPI, motivo pelo qual o contribuinte, na manifestação de inconformidade, pleiteou a apensação do presente processo ao de n° 10976.000266/200975, para que, na hipótese de o ressarcimento não ser admitido, que os créditos correspondentes sejam abatidos do IPI lançado de ofício. A DRJ no Recife (PE) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade e proferiu o Acórdão n° 1143.953, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 SUSPENSÃO. ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. SAÍDA DE ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. SIMPLES REVENDA. INAPLICABILIDADE DO BENEFÍCIO. O benefício estabelecido pelo art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, que suspende o IPI nas saídas de matériasprimas, os produtos Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900001/200920 Acórdão n.º 3301003.040 S3C3T1 Fl. 14 5 intermediários e materiais de embalagem, não se aplica na simples revenda por estabelecimento equiparado a industrial, exceto quando a equiparação é de empresa comercial atacadista que adquire produtos resultantes da industrialização por encomenda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Processo Administrativo Fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em que repetiu os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900001/200920 Acórdão n.º 3301003.040 S3C3T1 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A Recorrente apresentou a PER n° 15966.30789.150405.1.1.011825, no montante de R$ 248.164,71, com o objetivo de obter ressarcimento de saldo credor de IPI, acumulado ao fim do 3° trimestre do anocalendário de 2004. Foi acompanhada da DCOMP n° 28102.20230.200405.1.3.011052, para compensação daquele valor com tributo da mesma espécie. O pleito foi objeto do Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 232 a 236), que instruiu Despacho Decisório (fls. 237 e 238), o qual indeferiu o pedido. A fiscalização alegou que o contribuinte não tem direito ao ressarcimento previsto no art. 11 da Lei n° 9.779/99, porque não realiza qualquer processo industrial, porém apenas adquire chapas de aço para revenda. É equiparado a industrial por opção (inc. I do art. 11 do Decreto n° 4.544/2002 RIPI/2002). Apesar de não ser o fundamento do indeferimento do pedido de ressarcimento, no Relatório Fiscal também é abordado o fato de o contribuinte acumular créditos, em razão de promover saídas com suspensão do IPI, fundada na alínea "a" do inc. I do § 1° do art. 29 da Lei n° 10.637/02. Classificaram o procedimento como incorreto, posto que o benefício fiscal da suspensão abrangeria exclusivamente saídas promovidas por estabelecimento industrial o contribuinte era equiparado a industrial. E indicaram que foi objeto da lavratura de auto de infração, em outro processo (n° 10976.000266/200925), em que foi lançado, exclusivamente, multa sobre o IPI não lançado em notas fiscais (inc. I do art. 80 da Lei n° 4.502/64). Não houve lançamento de principal de IPI, pois os saldos credores eram suficientes para liquidar os débitos. No recurso voluntário, foram trazidos os argumentos contidos na manifestação de inconformidade, assim titulados: "a) Dos efeitos da equiparação da Recorrente a estabelecimento industrial" "b) Do atendimento ao princípio da nãocumulatividade" "c) Do direito à restituição de tributos indevidamente pagos" "d) Do enriquecimento sem causa" "e) Da vinculação do presente caso ao processo n° 10976.000266/200975" Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900001/200920 Acórdão n.º 3301003.040 S3C3T1 Fl. 16 7 Em razão de sua natureza, iniciarei pelo último tópico e, em seguida, retomo a ordem em que se apresentam no recurso voluntário. "E) DA VINCULAÇÃO DO PRESENTE CASO AO PROCESSO N° 10976.000266/200975" A Recorrente requer apensação, pois o presente processo e o em epígrafe tratam de matérias conexas. Na hipótese de não ser acatado o pedido de ressarcimento, requer que os créditos sejam computados na reconstituição da escrita fiscal que foi realizada no processo n° 10976.000266/200975. O processo n° 10976.000266/200975 trata da lavratura auto de infração (fls 209 a 220), em decorrência de saídas indevidamente cursadas com a suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei n° 10.637/02. A fiscalização reconstituiu a escrita fiscal do período de outubro de 2004 a setembro de 2005 e cobrou o IPI relativo aos períodos em que não havia créditos suficientes para absorver os débitos levantados e, quando ocorreu o inverso, somente multa, por falta de lançamento do tributo nas notas fiscais. Na hipótese de esta turma negar provimento ao recurso voluntário, os créditos que a Recorrente estornou, por ocasião do encaminhamento do PER/DCOMP, realmente poderiam ser utilizados para abater o IPI lançado de ofício, em sede do citado processo n° 10976.000266/200975. Contudo, até a conclusão do presente voto, por meio de visita ao sítio virtual do CARF, verifiquei que o mesmo ainda não havia sido encaminhado para este colegiado. Portanto, neste momento, sequer sabemos se o processo já foi julgado em primeira instância e, naturalmente, se o crédito tributário foi mantido. Diante disto, voto por negar o pedido de apensação. Caso a que será proferida no processo em comento e a decisão da DRJ relativa ao processo n° 10976.000266/200975 não lhe sejam favoráveis, quando da interposição do recurso voluntário ao CARF, a Recorrente poderá pleitear que os créditos eventualmente não ressarcidos no presente processo sejam abatidos do IPI lançado de ofício. "A) DOS EFEITOS DA EQUIPARAÇÃO DA RECORRENTE A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL" Na qualidade de equiparada a industrial, sustenta a Recorrente que as saídas de produtos gozavam da suspensão prevista no art. 29 da Lei n° 10.637/02. Aduz que "o instituto jurídico da equiparação representa outorga integral do tratamento jurídico de uma pessoa a outra, de modo que, ao equiparar determinados estabelecimentos a industriais, a legislação os igualou para todos os efeitos legais tributários". Assim, é legítimo o acúmulo de créditos e o pedido de ressarcimento. No presente processo, não se discute o direito à fruição do benefício fiscal da suspensão do IPI incidente sobre as vendas da Recorrente. E tampouco a legitimidade do Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900001/200920 Acórdão n.º 3301003.040 S3C3T1 Fl. 17 8 acúmulo de créditos. Nesta contenda, não há que se abordar estes temas, os quais, com efeito, são objeto do já citado processo n° 10976.000266/200975. Tratase, porém, de concluir quanto à possibilidade de a Recorrente pleitear o ressarcimento do IPI, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99, o que será analisado nos tópicos seguintes. Assim sendo, declino de analisar a adequação do tratamento fiscal dispensado pela Recorrente às vendas, em razão de não ser o fundamento pelo qual o pedido de ressarcimento em discussão foi indeferido. "B) DO ATENDIMENTO AO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE" De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 232 a 236), que instruiu o Despacho Decisório (fls. 237 e 238), o pedido de ressarcimento foi negado, porque o estabelecimento que acumulou os créditos de IPI era mero revendedor de chapas de aço e equiparado a industrial por opção, nos termos do inc. I do art. 11 do RIPI/02 (em vigor no 3° trimestre de 2004). Como não realizava processo industrial, não fazia jus ao ressarcimento previsto no art. 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99. A Recorrente, por seu turno, alega que as saídas que promoveu eram beneficiadas com suspensão, o que resultou em acúmulo de crédito. E que o princípio da não cumulatividade somente será atendido, caso lhe seja garantido o direito à restituição. Transcrevo os dispositivos legais adotados pela autuante e outros que julgo imprescindíveis à conclusão da questão, com as redações então vigentes: Lei n° 9.779/99 "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." Lei n° 9.430/96 "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900001/200920 Acórdão n.º 3301003.040 S3C3T1 Fl. 18 9 II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. (. . .) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." RIPI/02 "Estabelecimentos Equiparados a Industrial Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: (. . .) IV os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso III, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 33ª); (. . .) Equiparados a Industrial por Opção Art. 11. Equiparamse a estabelecimento industrial, por opção (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): I os estabelecimentos comerciais que derem saída a bens de produção, para estabelecimentos industriais ou revendedores; e II as cooperativas, constituídas nos termos da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que se dedicarem a venda em comum de bens de produção, recebidos de seus associados para comercialização. (. . .) Bens de Produção Art. 519. Consideramse bens de produção (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª): I as matériasprimas; II os produtos intermediários, inclusive os que, embora não integrando o produto final, sejam consumidos ou utilizados no processo industrial; III os produtos destinados a embalagem e acondicionamento; IV as ferramentas, empregadas no processo industrial, exceto as manuais; e V as máquinas, instrumentos, aparelhos e equipamentos, inclusive suas peças, partes e outros componentes, que se destinem a emprego no processo industrial." Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900001/200920 Acórdão n.º 3301003.040 S3C3T1 Fl. 19 10 IN SRF n° 33/99 "Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI Art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999 Art. 4° O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1° de janeiro de 1999." (grifos nossos) O art. 11 da Lei n° 9.779/99 dispõe que os contribuintes que adquirem MP, PI e ME e aplicam em processo industrial podem requerer ressarcimento de créditos acumulados de IPI. O art. 4 ° da IN SRF n° 33/99, que regulamentou o art. 11 da Lei n° 9.779/99, admitiu, expressamente, que também jaz jus ao aludido ressarcimento o estabelecimento equiparado a industrial, que adquire MP, PI e ME. E esta referência cabe àquele contribuinte, compulsoriamente equiparado a industrial (inc. IV do art. 9° do RIPI/02), que adquire insumos e os envia para estabelecimento do mesmo titular ou terceiro para industrialização, sob encomenda. A Recorrente, todavia, não se enquadra em nenhuma das duas hipóteses (executante ou encomendante de processo industrial). É equiparada a industrial por opção, operando, exclusivamente, com revenda de bens de produção. É fato que há uma imperfeição na lei. O art. 11 da Lei n° 9.779/99 deveria admitir o ressarcimento em qualquer circunstância em que houvesse acúmulo lícito de créditos de IPI. Não obstante, não podemos acatar o pleito, pois estaríamos decidindo de forma frontalmente contrária à lei de regência. Por fim, ao contrário do que aduz a Recorrente, não vejo afronta alguma ao princípio da nãocumulatividade. Não lhe foi negado o direito ao registro do crédito e tampouco à compensação com eventuais débitos de IPI derivados de saídas tributadas. Há de se destacar, inclusive, que, no primeiro tópico analisado, tratamos de pleito de apensação, cujo objeto era o de ver tais créditos compensados com os apurados pelo Fisco no processo n° 10976.000266/200975 Portanto, nego provimento à alegação contida neste tópico. "C) DO DIREITO À RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS INDEVIDAMENTE PAGOS" Em defesa de seu pleito, a Recorrente citou o art. 165 do Código tributário Nacional (Lei n° 5.172/66 CTN), que trata do direito à restituição de tributo pago a maior ou indevidamente a saber: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900001/200920 Acórdão n.º 3301003.040 S3C3T1 Fl. 20 11 qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória." Não obstante o fato de que a Recorrente ter pago o IPI incidente sobre os produtos adquiridos para revenda, entendo que o fato de não ter podido compensálo com saídas tributadas não qualifica aquele pagamento como indevido ou a maior, sendo, portanto, a ele inaplicável o art. 165 do CTN. Assim, nego provimento à alegação de que há o direito ao ressarcimento, por ter havido pagamento indevido ou a maior. "D) DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA" A Recorrente reputa o indeferimento do pedido de ressarcimento "flagrante ofensa ao Princípio do Direito da Propriedade, previsto no inc. XXII do art. 5 da Constituição Federal". Em outras palavras, se é correta a interpretação da autuante acerca do art. 11 da Lei n° 9.779/99, este é inconstitucional. De acordo com a Súmula CARF n° 2, este colegiado "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Portanto, nego provimento às alegações. CONCLUSÃO Nego provimento ao recurso voluntário, inadmitindo o pleito de ressarcimento de créditos acumulados de IPI. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 491DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL Processo nº 13819.900001/200920 Acórdão n.º 3301003.040 S3C3T1 Fl. 21 12 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente e m 04/08/2016 por MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA M ARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 11080.726314/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Mantém-se a exigência quando os documentos acostados aos autos não são suficientes para afastar a caracterização de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica.
DEDUÇÃO. DESPESAS MEDICAS. DEPENDENTE.
Apenas será restabelecida a dedução de pagamentos de despesas médicas de terceiros quando o contribuinte provar a relação de dependência, e que realizou tais pagamentos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-003.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Mantém-se a exigência quando os documentos acostados aos autos não são suficientes para afastar a caracterização de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. DEDUÇÃO. DESPESAS MEDICAS. DEPENDENTE. Apenas será restabelecida a dedução de pagamentos de despesas médicas de terceiros quando o contribuinte provar a relação de dependência, e que realizou tais pagamentos. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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Mantémse a exigência quando os documentos acostados aos autos não são suficientes para afastar a caracterização de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. DEDUÇÃO. DESPESAS MEDICAS. DEPENDENTE. Apenas será restabelecida a dedução de pagamentos de despesas médicas de terceiros quando o contribuinte provar a relação de dependência, e que realizou tais pagamentos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 63 14 /2 01 1- 71 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.726314/201171 Acórdão n.º 2201003.248 S2C2T1 Fl. 119 2 (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/POA (Fls. 100), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Mediante Notificação de Lançamento e Demonstrativos de fls. 6(47) a 11(52), exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento da importância no valor de R$ 114.365,06, calculados até 30/06/2011, referente ao exercício de 2008, ano calendário de 2007, em virtude da constatação de infringência a dispositivos legais, descrita a seguir. 1. A autoridade lançadora detectou Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 176.087,16, tendo sido considerado o IRRF de R$ 5.282,61. Enquadramento Legal: Arts. 1º a 3º e §§, 8º e 9º da Lei nº 7.713/1988; arts. 1º a 3º da Lei nº 8.134/1990; arts. 5º, 6º e 33 da Lei nº 9.250/1995; arts. 1º e 15 da Lei nº 10.451/2002; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53 e 841, inciso II do Decreto nº 3.000/1999 – RIR/1999, fl. 08(49); 2. Detectou Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$ 24.169,48. Enquadramento Legal: Art. 8º, inciso II, alínea “a”, e §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.250/1995; arts. 73, 80 e 841, inciso II do Decreto 3.000/1999 – RIR/1999 e arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001, fl. 09(50); 3. Detectou, ainda, Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 5.282,61. Enquadramento Legal: Art. 12, inciso V, da Lei nº 9.250/1995; arts. 7º, §§ 1º e 2º, 87, inciso IV, § 2º, e 841, inciso II do Decreto nº 3.000/1999 – RIR/1999, fl. 10(51). O contribuinte apresentou impugnação de fl. 3(44), alegando, referente à Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, que o valor corresponde à retenção de imposto de renda sobre rendimentos recebidos em virtude de ação judicial. Sobre a Dedução Indevida de Despesas Médicas, informa que o valor de R$ 16.520,00 referese a suas próprias despesas médicas e de seu cônjuge. Quanto à Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, contesta que não houve omissão de rendimentos, pois não foi recebido rendimento algum dessa fonte pagadora, que tratase apenas da instituição financeira. Tendo o processo se enquadrado no art. 6ºA da INRFB nº 958/2009 (fl. 45 (86) e 50(91)), com a redação dada pelo art. 1º Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.726314/201171 Acórdão n.º 2201003.248 S2C2T1 Fl. 120 3 da INRFB n° 1.061/2010, a Delegacia de origem recebeu o processo para análise e exarou o Despacho Decisório DRF/POA nº 577/2012 (fl. 52 (93)), aprovando o Termo Circunstanciado de fls. 49 (90) a 51 (92), que concluiu pela manutenção parcial do lançamento, da qual resulta um imposto a pagar de R$ 4.647,29,extratos SIEF fls. 54(95) e 55(96). O contribuinte não se manifestou sobre o Despacho Decisório. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA –. Submetemse ao ajuste anual os rendimentos recebidos de pessoa jurídica que não sejam isentos ou de tributação exclusiva, observadas as deduções permitidas em lei e a compensação do imposto de renda retido na fonte, efetivamente comprovado. Cientificado em 24/01/2013 (Fls. 106), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 25/02/2013 (fls. 108 a 111), argumentando em síntese: (...) Como se disse anteriormente, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando no que diz respeito à Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica não ter havido qualquer omissão de rendimentos, pois não recebeu qualquer rendimento da pretensa fonte pagadora CEF (Caixa Econômica Federal) uma vez que o rendimento em questão foi recebido em processo judicial, processo n° 062/1.04.00002879, pago pelo Instituto Nacional de Seguro Social, subtraídos os honorários advocatícios de seu procurador no referido feito. Portanto, insiste o recorrente que os rendimentos informados são decorrentes de ação judicial movida pelo recorrente contra o INSS e estão demonstrados pela DIRF emitida pela Caixa Econômica Federal, declarados com o abatimento de honorários advocatícios e custas judiciais. Por outro lado, no que diz respeito à Dedução de Despesas Médicas, o recorrente reitera que os valores dizem respeito à despesas realizadas por ele recorrente e sua esposa. Tal prova é apresentada nos autos através de diversos recibos de despesas médicas, inclusive despesas pertinentes à sua esposa que, não obstante não ter sido incluída como sua dependente na DIRF de 2008, o que por lapso ocorreu, é sua dependente de fato e de direito. (...) É o Relatório. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.726314/201171 Acórdão n.º 2201003.248 S2C2T1 Fl. 121 4 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, resta em litígio a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 280,74, e a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 16.618,48. Entendeu a DRJ em manter o crédito tributário remanescente tendo em vista que o contribuinte não apresentou novas provas, nem se manifestou contra o Despacho Decisório (fls. 93). Em relação a omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica: O contribuinte, em seu Recurso, afirma não ter havido qualquer omissão de rendimentos, pois não recebeu qualquer rendimento da fonte pagadora CEF (Caixa Econômica Federal) uma vez que o rendimento em questão foi recebido em processo judicial, processo n° 062/1.04.00002879, pago pelo Instituto Nacional de Seguro Social, subtraídos os honorários advocatícios de seu procurador no referido feito. Ocorre que a própria DRFB de origem, em revisão de ofício do lançamento, já analisou tal argumento, reduzindo o lançamento, quanto a esta omissão, para o valor de R$280,74; in verbis: Os rendimentos são decorrentes de ação judicial movida contra o INSS e estão demonstrados em Dirf emitida pela Caixa Econômica Federal, CNPJ 00.360.305/000104 (fl. 89). O contribuinte os declarou, já com o abatimento dos honorários advocatícios e das custas judiciais, como se recebidos do INSS, CNPJ 29.979.036/000140 (fls. 87 e 89). O recibo dos honorários advocatícios pagos, no valor de R$ 35.217,43, estão anexados à fl. 57. Os depósitos das custas judiciais, R$ 12,66 e R$ 268,08, foram devolvidos ao contribuinte, conforme Alvarás de Levantamentos às fls. 55 e 56, não podendo ser deduzidos dos rendimentos recebidos, como foram. Considerando a troca de CNPJ, ao declarar os rendimentos, e a dedução indevida das custas judiciais, verificase uma omissão de rendimentos de R$ 280,74.(pág. 91 e 92 dos autos) Como se observa, os valores mantidos na omissão se referem aos depósitos das custas judiciais que foram devolvidas ao contribuinte e que, portanto, não poderiam ser deduzidas. Em seu recurso o contribuinte não combate tal fato, se limitando a reproduzir a argumentação da impugnação. Razões pelas quais entendo que deve ser mantida a omissão de rendimentos. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.726314/201171 Acórdão n.º 2201003.248 S2C2T1 Fl. 122 5 Em relação a dedução indevida de despesas médicas: Afirma o contribuinte, em seu Recurso, que os valores dizem respeito à despesas realizadas por ele e sua esposa e que prova nos autos através de diversos recibos de despesas médicas, inclusive despesas pertinentes à sua esposa. Aduz ainda que, não obstante não ter sido incluída como sua dependente na DIRF de 2008, o que por lapso ocorreu, é sua dependente de fato e de direito. Ocorre que a própria DRFB de origem, em revisão de ofício do lançamento, já analisou tal argumento, reduzindo o lançamento, quanto a dedução de despesa médica, para o valor de R$16.618,48; in verbis: O contribuinte apresentou recibos diversos de despesas médicas (fls. 58 a 75), inclusive despesas pertinentes a sua esposa (fls. 70 a 75), a qual não foi incluída como dependente em sua DIRPF 2008, e , portanto, não pode ter suas despesas deduzidas. O total comprovado, através da documentação apresentada, foi de R$ 7.551,00 (fls. 58 a 69) . Mantémse a glosa de R$ 16.618,48. (doc. págs. 91 e 92) Como se observa, os valores mantidos na glosa das despesas médicas se referem aos gastos com a esposa do contribuinte, que não consta na relação de dependentes do mesmo. Quanto a glosa da despesa médica, a legislação de regência do Imposto sobre a Renda afirma que somente podem ser deduzidas as despesas relativas ao próprio contribuinte e aos seus dependentes; in verbis: Lei n° 9.250, de 1995 Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: 1 (..) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2° O disposto na alínea a do inciso II: I(...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.726314/201171 Acórdão n.º 2201003.248 S2C2T1 Fl. 123 6 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; É de se observar que a esposa do Recorrente não foi incluída como dependente em sua DIRPF 2008 (fls. 78 a 83). Razão pela qual não há como considerar o cônjuge como dependente do contribuinte, ainda que ele seja economicamente dependente do interessado, como consta de suas alegações. Deste modo, entendo que cabe manter referida glosa. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 04/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 06/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10865.900163/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatar-se nova decisão suprindo a omissão, observando-se o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição.
Numero da decisão: 1302-001.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à Primeira Instância de Julgamento para apreciar todas as razões meritórias veiculadas na manifestação de inconformidade, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatarse nova decisão suprindo a omissão, observandose o disposto no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à Primeira Instância de Julgamento para apreciar todas as razões meritórias veiculadas na manifestação de inconformidade, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 01 63 /2 01 1- 39 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 2 Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1445.228/13 exarado pela Sexta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, efls. 100 a 103, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) objetos destes autos. A turma julgadora declinou o exame de mérito das questões suscitadas pela contribuinte na manifestação de inconformidade (efls. 27 a 39) por entender que estava pretendendo rediscutir matéria já aventada em outro processo administrativo fiscal, a saber, concernente à admissibilidade da compensação da estimativa mensal de CSLL, relativa a abril de 2005, fato que influenciaria no Saldo Negativo de CSLL, relativo ao anocalendário de 2005, crédito pleiteado neste processo. Assim restou ementado o aresto recorrido: MATÉRIA EXAMINADA EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Tratandose de matéria objeto de lide consubstanciada em processo administrativo próprio e já submetida ao crivo do órgão competente na instância administrativa, temse por já regularmente exercido o direito à discussão administrativa da contribuinte, pelo que descabe reprisar, nessa instância, discussão de idêntico teor. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ocorre que, a contribuinte argumenta em sede desta instância que a decisão recorrida não enfrentou toda a argumentação contestatória, pois admitiu na manifestação de inconformidade que a compensação da estimativa de abril de 2005 foi considerada não declarada e procedeu ao seu pagamento, por intermédio de adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, bem como enfatiza que o valor da referida estimativa também foi devidamente informado em DCTF, razões pelas quais entende que este valor deve compor o Saldo Negativo do tributo e o crédito pleiteado no Per/Dcomp dos autos ser deferido, bem como homologada a compensação requerida. Alega que fez prova da inclusão do referido valor no parcelamento já deferido pela autoridade a quo e que a matéria sequer foi mencionada no acórdão recorrido. O Recurso Voluntário foi acostado às efls. 112 e ss, tempestivamente1. Na data da sessão de julgamento, fez sustentação oral pela recorrente, Dra. Isabella Bariani Tralli, OAB nº 198.772/SP. É relatório. Passo ao voto. 1 AR: 19/11/13, efls. 111; Recurso : 19/12/13, efls. 112 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10865.900163/201139 Acórdão n.º 1302001.939 S1C3T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Antes de adentrarse à questão meritória do presente litígio, cumpre analisar, em preliminar, eventual cerceamento de defesa sofrido pela recorrente consoante alega, por não terem sido apreciadas as razões de defesas suscitadas na manifestação de inconformidade de e fls. 27 a 39. Da análise da referida manifestação, verificase: "[...] 4. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA DÉBITO DE ESTIMATIVA INSERIDO NO PARCELAMENTO DA LEI N° 11.941/2009 [...] Como o débito foi inscrito em Dívida Ativa da União e, portanto, estava sendo controlado pela PGFN, a Impugnante formalizou sua adesão à referida modalidade de parcelamento e vem efetuando o pagamento das parcelas mínimas exigidas para manutenção da opção, até que seja efetuada a consolidação do parcelamento, nos termos exigidos pela Lei 11.941/2009, conforme comprovam os Recibos em anexo (Doc. 13). Em atual consulta ao sítio da Receita Federal do Brasil, a Impugnante constatou que o débito em comento já se encontra na relação de "Débitos Parceláveis" da PGFN (Doc. 14), o que demonstra efetivamente que o débito já foi indicado pela Impugnante para compor o mencionado parcelamento, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 02, de 03.02.2011. [...] Sendo assim, considerando que o débito está sendo parcelado, e, consequentemente, está com a exigibilidade suspensa, não poderia a d. DRF Limeira efetuar a exclusão do valor em comento do saldo negativo da CSLL apurada pela Impugnante ao final do anocalendário de 2005. Ao contrário, a estimativa que anteriormente havia sido compensada, agora está sendo parcelada pela Impugnante e, estando o débito com a exigibilidade suspensa, indevida a sua desconsideração na composição do saldo negativo de CSLL apurado ao final do anocalendário 2005, que deve ser imediatamente restablecido a fim de que se reconheça a integralidade do saldo negativo apurado pela Impugnante em sua DIPJ/2006 e, consequentemente, sejam integralmente homologadas as compensações declaradas neste processo. 5. DA LEGITIMIDADE DO SALDO NEGATIVO DE CSLL APURADO PELA IMPUGNANTE AO FINAL DO ANOCALENDÁRIO 2005 Como é sabido, na composição do saldo negativo da CSLL devem ser consideradas (i) as estimativas pagas durante o anocalendário; (ii) as estimativas Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO 4 compensadas, (iii) o IR retido na fonte e outras antecipações permitidas pela legislação. No caso ora analisado, a Impugnante corretamente utilizou na composição do saldo negativo da CSLL, as estimativas pagas durante o anocalendário (R$ 236.111,28); as estimativas compensadas (R$ 298.572,36) e o IR retido na fonte pelas fontes pagadoras (R$ 1.426,91). [...] Todavia, a estimativa compensada pela Impugnante não pode simplesmente ser desconsiderada pela RFB como foi feito no despacho decisório impugnado, visto que a estimativa que anteriormente havia sido compensada pela Impugnante (DCOMP não declarada), agora está inserida no Parcelamento de que trata a Lei 11.941/2009, ccmo atestam os documentos ora anexados. Portanto, tratase de débito que está com a exigibilidade suspensa e não pode ser ignorado na composição do saldo negativo da CSLL. Nesse contexto, imperioso concluir que o saldo negativo da CSLL apurado pela empresa é legítimo e, portanto, passível de compensação com débitos próprios relativos a outros tributos administrados pela RFB, nos termos do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, razão pela qual o despacho decisório ora refutado deve ser prontamente cancelado para que seja restabelecida a indevida glosa feita pela RFB, e, como conseqüência, sejam homologadas integralmente as compensações declaradas pela Impugnante." (grifos não pertencem ao original) Verificase, dos autos, no Acórdão nº 1445.228/13, que a Turma Julgadora de Primeira Instância passou ao largo desta matéria, entendendo que não deveria ser enfrentada: As demais questões aventadas pela interessada estão superadas pela comprovação da inexistência da aventada compensação da parcela da estimativa do período de apuração de abril de 2005. Discordo frontalmente desta conclusão. O fato e o direito argumentados pela contribuinte em manifestação de inconformidade e neste recurso voluntário são razões diversas daquelas apreciadas na decisão recorrida e constitui outra premissa da contestação oferecida e deve ser apreciado em seu mérito, podendo inclusive, se acatadas, dar fim ao litígio instaurado. Dispõe o Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), em seus artigos 31 e 59, inciso II: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 59. São nulos: [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO Processo nº 10865.900163/201139 Acórdão n.º 1302001.939 S1C3T2 Fl. 4 5 (grifos não pertencem ao original) Destarte, em observância aos princípios do contraditório e ampla defesa e, em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição, os autos devem retornar à Turma Julgadora de Primeira Instância para que se manifeste sobre todas as razões de contestação veiculadas pela recorrente na defesa interposta. Voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância para proferir nova decisão. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 143DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 14/07/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por LUIZ TADE U MATOSINHO MACHADO
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