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Numero do processo: 10218.720147/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
IMÓVEL RURAL SUPOSTAMENTE LOCALIZADO EM TERRA INDÍGENA DEMARCADA.
O fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município (CTN, art. 29). Se assim é, o ITR não incide sobre área rural cujo acesso foi interditado ao seu proprietário ou possuidor por ato do Poder Público tributante, para fins de demarcação de reserva indígena. Hipótese em que não houve a comprovação, nos termos requeridos em diligência fiscal, de que o imóvel rural encontra-se incrustado em terra indígena demarcada.
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. REQUISITOS.
A exclusão das áreas de reserva legal ou de preservação permanente da base de cálculo do ITR reclama o atendimento de requisitos de duas ordens: substanciais e formais.
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE ADA. NECESSIDADE.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental - ADA no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR. A ausência do Ato Declaratório Ambiental, requisito formal necessário à concessão do benefício fiscal, obsta a exclusão de tais áreas da base de cálculo do imposto.
RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE.
Toda a compreensão da tributação territorial rural deve ser feita à luz do princípio da defesa do meio ambiente, sendo certo que o direito tributário, mormente quando consubstanciado em tributos de acentuado caráter extrafiscal, caso do ITR, pode e deve ser utilizado como instrumento de atuação do Estado na economia e na proteção ambiental. A isenção do ITR apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com reserva legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da reserva legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Inteligência daquilo que foi decidido nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013 pelo STJ.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-003.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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O fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município (CTN, art. 29). Se assim é, o ITR não incide sobre área rural cujo acesso foi interditado ao seu proprietário ou possuidor por ato do Poder Público tributante, para fins de demarcação de reserva indígena. Hipótese em que não houve a comprovação, nos termos requeridos em diligência fiscal, de que o imóvel rural encontrase incrustado em terra indígena demarcada. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. REQUISITOS. A exclusão das áreas de reserva legal ou de preservação permanente da base de cálculo do ITR reclama o atendimento de requisitos de duas ordens: substanciais e formais. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE ADA. NECESSIDADE. A partir do exercício de 2001 é indispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental ADA no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR. A ausência do Ato Declaratório Ambiental, requisito formal necessário à concessão do benefício fiscal, obsta a exclusão de tais áreas da base de cálculo do imposto. RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO. NECESSIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 01 47 /2 00 7- 11 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720147/200711 Acórdão n.º 2201003.024 S2C2T1 Fl. 129 2 Toda a compreensão da tributação territorial rural deve ser feita à luz do princípio da defesa do meio ambiente, sendo certo que o direito tributário, mormente quando consubstanciado em tributos de acentuado caráter extrafiscal, caso do ITR, pode e deve ser utilizado como instrumento de atuação do Estado na economia e na proteção ambiental. A isenção do ITR apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com reserva legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da reserva legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Inteligência daquilo que foi decidido nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013 pelo STJ. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 81.784,74, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 3 deste processo digital, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente e da área de reserva legal no imóvel rural, motivo pelo qual o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT foi alterado, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, acostado aos autos à fl. 4. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720147/200711 Acórdão n.º 2201003.024 S2C2T1 Fl. 130 3 Acrescenta a Autoridade lançadora, ainda, que, após ser regularmente intimado, o contribuinte não comprovou, por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o Valor da Terra Nua VTN declarado. Por esta razão, o VTN foi arbitrado tendo como base nas informações do Sistema de Preços da Terra – SIPT da RFB. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 37/45, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exigese que essas áreas, informadas na DITR/2004 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. DA ÁREA INDÍGENA. Para gozar da imunidade tributária constitucionalmente prevista, a pretendida área de preservação permanente deveria, também, estar comprovadamente localizada em área indígena, demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, até a data do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2004 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/03/2012 (fl. 51), o Interessado interpôs, em 11/04/2012, o recurso de fls. 52/75, acompanhado dos documentos de fls. 76/86. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Inexigibilidade de Ato Declaratório Ambiental e inexistência de capacidade contributiva decorrente da limitação legal ao uso da propriedade em razão da reserva legal de 80% na Amazônia Tanto a NL quanto o acórdão recorrido lastrearam o lançamento e sua manutenção na exigência de ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de utilização limitada, mas tal exigência afronta direta e abertamente os termos do § 7° e da alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei n° 9.393/1996. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720147/200711 Acórdão n.º 2201003.024 S2C2T1 Fl. 131 4 Por outro lado, a RFB não provou que a declaração do Recorrente não é verdadeira, conforme exige o § 7º para imputarlhe responsabilidade e refutar a sua declaração, pois se limitou a exigir o Ato Declaratório ao arrepio da Lei nº 9.393/1996. O Ato Declaratório Ambiental não é exigível no caso de Reserva Legal, tanto em razão da expressa dispensa pelo § 7º do art. 10 da Lei 9.393/1996, quanto pelo fato de que a alínea “a” não faz referência a qualquer ato administrativo, ao contrário das hipóteses de áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (alínea “b” do inciso II do § 1º do art. 10) ou comprovadamente imprestáveis, declaradas de interesse ecológico (alínea “c”), para as quais há clara exigência de ato administrativo reconhecendo o interesse ecológico e a imprestabilidade. A introdução do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393/1996 teve apenas o objetivo de esclarecer a inexigibilidade do ato declaratório ambiental prévio para excluirse da tributação pelo ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente, o que já decorria com clareza das alíneas “a” do inciso II do § 1° do art. 10. A expressão utilizada na Lei (caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira), significa: cabe ao fisco provar a falsidade da declaração do contribuinte. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, estabelece que “Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior” (art. 924). A NL e o acórdão que indeferiu a impugnação tomaram como premissa que a não tributação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada seria espécie de isenção, "benefício fiscal", a merecer interpretação literal, quando, em verdade, tratase de hipótese de não incidência, posto presente limitação administrativoambiental de base legal, a qual impede a plena utilização econômica da parcela de 80% dos imóveis rurais incluídos na Amazônia Legal, nos termos do inciso I do art. 16 da Lei n° 4.771/1965 (e parágrafos). Em decorrência, a tributação pelo Estado sobre áreas que a própria legislação estatal impede o proprietário de exercer em plenitude seu domínio, para obtenção de utilidade econômica, sobre ser um absurdo lógico, uma afronta ao senso comum, representa afronta aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da não utilização de tributo com efeito confiscatório. Menciona jurisprudência do STJ sobre a inexigibilidade do ADA e cita manifestações doutrinárias acerca do ônus probatório em processos administrativos. Área indígena Os julgadores da instância de piso incorreram em equívoco ao entender que área indígena só pode ser compreendida como tal após "demarcada, criada e homologada por meio de Decreto Presidencial, em data anterior a do fato gerador do imposto". Desde 06 de novembro de 1991 a FUNAI, nos processos FUNAI/BSB/948/86 e FUNAI/BSB/115/89, com referência à área indígena APYTEREWA, por despacho do Sr. Presidente da FUNAI (DESPACHO nº 39, 06 de dezembro de 1991, publicado no Diário Oficial da União, em 10.12.91), aprovou a delimitação da área indígena e remeteu o processo de demarcação ao Ministério da Justiça (anexo 01). Fl. 131DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720147/200711 Acórdão n.º 2201003.024 S2C2T1 Fl. 132 5 O Sr. Ministro de Estado de Justiça, através da Portaria nº 267, publicada no Diário Oficial de 29 de maio de 1992, declarou como de posse permanente indígena, para efeito de demarcação, a área indígena APYTEREWA, determinando que a FUNAI promovesse a demarcação e proibindo o ingresso, o trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não índios dentro do perímetro a ser demarcado (anexo 02). O Sr. Ministro da Justiça, através da Portaria nº 1192, de 31 de dezembro de 2001, publicada no Diário Oficial em 04 de janeiro de 2002, considerando que a terra indígena APYTEREWA ficou identificada nos termos do § 1º do art. 231 da Constituição Federal e inciso 1 do art. 17 da Lei 6.001/1973, como sendo tradicionalmente ocupada pelo grupo APYTEREWA, declarou como de posse permanente a área indígena APYTEREWA, com superfície de aproximadamente 773.000 ha (anexo 03). A Portaria 2581, 21 de setembro de 2004, declarou de posse permanente a área de 773.000 ha (anexo 04). Em Decreto de 19 de abril de 2007, o Sr. Presidente da República homologou a demarcação administrativa promovida pela FUNAI da terra destinada à posse permanente do grupo indígena denominado APYTEREWA (anexo 05). Não restam dúvidas de que a área em apreço estava, à época, ocupada por indígenas, sendo, portanto, inalienável e não possível de posse. O imóvel LOTE 52 está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, descrito no memorial constante do Decreto de 19 de abril de 2007 que homologou a demarcação (anexo nº 04) e a planta do LOTE 54 (anexo 06). Pedidos Ao final, requer a total procedência do recurso voluntário, face à inexigibilidade do ITR, como também a anulação da cobrança consubstanciada na notificação constante do presente processo. Diligência Por meio da Resolução nº 2801000.312, da extinta 1ª Turma Especial, o julgamento foi convertido em diligência a fim de que o Recorrente comprovasse, exclusivamente com a apresentação de documento fornecido pelo órgão regional da FUNAI no Estado do Pará, em papel timbrado da Fundação, que a área total do imóvel objeto de tributação está inserida nos limites da terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA), devendo constar do documento a identificação do proprietário e a área do imóvel. Após ser intimado (fl. 96), o Interessado se manifestou às fls. 98/100 e juntou aos autos os documentos de fls. 101/111. Em sua manifestação, aduz, em síntese, que: Que não existe, atualmente, órgão regional da FUNAI no Estado do Pará. Que as emissões dos documentos denominados Atestado Administrativo e Declaração de Reconhecimento de Limites, que se referem à localização de imóvel particular em relação a terras indígenas, serão processadas de acordo com as normas estabelecidas na Instrução Normativa FUNAI nº 3, de 20 de abril de 2012. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720147/200711 Acórdão n.º 2201003.024 S2C2T1 Fl. 133 6 No sentido de comprovar que o imóvel objeto de tributação encontrase localizado na área indígena APYTEREWA, anexa memorial descritivo, cálculo analítico de área, azimutes, lados, coordenadas, UTM e geográficas, bem como levantamento planimétrico, elaborados pela empresa Norte Engenharia. Ao final, requer seja admitida como prova de que o imóvel encontrase situado na área indígena APYTEREWA os documentos elaborados pela empresa Norte Engenharia. Alternativamente, que seja estabelecido novo prazo de 45 dias para o atendimento das normas estabelecidas na IN FUNAI nº 3/2012, porquanto o prazo de 15 dias é insuficiente para tal mister. Nova diligência Tendo em vista que os documentos juntados pelo Interessado não atenderam ao objeto da diligência fiscal, aliado ao fato de que a Instrução Normativa FUNAI nº 3/2012 revelou a existência de um procedimento para emissão de documentos referentes à localização de imóvel rural particular em relação a terras indígenas, cujas regras, aparentemente, não eram possíveis de atendimento no prazo de 15 dias, a extinta 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento entendeu por bem converter novamente o julgamento em diligência (fls. 116/121), a fim de que a DRF de origem intimasse o Interessado a comprovar, no prazo de 45 dias, que o Lote 52 da Fazenda Tucumanzeira, situado às margens do Rio Pacajá, está localizado na terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA), mediante a apresentação de documento fornecido pela FUNAI, seja pelo órgão central (Brasília), seja pela coordenação regional que jurisdiciona o imóvel do contribuinte no Estado do Pará. Após ser intimado (fls. 123 e 125), o Recorrente não se manifestou. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. Imóvel supostamente localizado em área indígena O que importa, preliminarmente, é saber se o imóvel rural do contribuinte (Lote 52 da Fazenda Tucumanzeira) está localizado nos limites da terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA), conforme alegado pelo Recorrente. Isto porque o fato gerador do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município (CTN, art. 29). Se assim é, o ITR não incide, penso eu, sobre área rural cujo acesso foi interditado ao seu proprietário ou possuidor por ato do Poder Público tributante, para fins de demarcação de reserva indígena. Em outras palavras: não ocorre o fato gerador de ITR para imóvel situado em terra indígena demarcada, haja vista que, nestes casos, a propriedade não é mais suscetível à Fl. 133DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720147/200711 Acórdão n.º 2201003.024 S2C2T1 Fl. 134 7 ocupação, ao domínio ou à posse, por força do disposto no art. 231, § 6º, da Constituição Federal, cujo teor assim soa: DOS ÍNDIOS Art. 231. (...) § 6º São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé. Bem por isso é que o julgamento foi convertido em diligência, por duas vezes (fls. 82/86 e fls. 108/113), a fim de que o Recorrente comprovasse, exclusivamente com a apresentação de documento fornecido pela FUNAI (seja pelo órgão central em Brasília, seja pela coordenação regional que jurisdiciona o imóvel do contribuinte no Estado do Pará), que a área total do imóvel objeto de tributação está inserida nos limites da terra indígena demarcada (Terra Indígena APYTEREWA). Em nenhuma das duas oportunidades o Interessado se desincumbiu do ônus que lhe foi atribuído. Embora tenha apresentado memorial descritivo, cálculo analítico de área, levantamento planimétrico e um desenho com a suposta localização do imóvel, elaborados por empresa privada, (fls. 108/111), não esclareceu a desarmonia entre a sua alegação de que o imóvel LOTE 52 está situado à margem esquerda do Rio Bacajá, conforme descrição constante do Decreto de 19 de abril de 2007, que homologou a demarcação, e o endereço do imóvel em questão constante de sua Declaração do ITR (margens do Rio Pacajá), de modo que deve ser refutada a alegação de que o imóvel objeto de tributação encontrase incrustado na terra indígena demarcada. Alteração do VTN declarado Registro, por oportuno, que o Recorrente não se insurgiu contra a alteração do VTN declarado, o que evidencia concordância tácita com o valor arbitrado pelo Fisco. Acrescento, ademais, que a possibilidade de modificação do valor arbitrado está condicionada, em regra, à apresentação de elementos de convicção embasados em Laudo Técnico, elaborado de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, laudo este que não foi apresentado pelo Recorrente. Glosa da área de preservação permanente e da área de reserva legal A exclusão das áreas de reserva legal ou de preservação permanente da base de cálculo do ITR reclama, a meu ver, o atendimento de requisitos de duas ordens: requisitos substanciais e requisitos formais. Os requisitos substanciais das áreas de preservação permanente encontravam se elencados nos arts. 2º (APP por efeito da lei) e 3º (APP por ato declaratório) da revogada Lei nº 4.771 (Código Florestal), de 15 de setembro de 1965. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720147/200711 Acórdão n.º 2201003.024 S2C2T1 Fl. 135 8 Os requisitos substanciais das APP são de dois tipos: aqueles ligados à topografia das florestas (art. 2º) e aqueles ligados à destinação das florestas (art. 3º). Ambos têm a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas. Ilustrativamente, menciono situações de “APP por efeito da lei” em que a presença do requisito substancial (ligado à topografia), por se só, já qualifica a área como de preservação permanente: a) florestas e demais formas de vegetação natural situadas ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais (art. 2º, “b”) ou situadas no topo de morros, montes, montanhas e serras (art. 2º, “d”). Exemplificativamente, cito situações de “APP por ato declaratório” em que a presença do requisito substancial (ligado à destinação das florestas), aliada à presença de um requisito formal (declaração por ato do Poder Público), já qualifica a área como de preservação permanente: a) florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a fixar dunas (art. 3º, “b”) e destinadas a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção (art. 3º, “f”). A qualificação advinda do atendimento dos requisitos mencionados, no entanto, não possibilita a exclusão automática das APP da base tributável do ITR, como se verá adiante. Os requisitos substanciais das áreas de reserva legal encontravamse elencados no inciso III do § 2º do art. 1º da revogada Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 1º. (...) §2º Para os efeitos deste Código, entendese por: (...) III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas;(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Assim, se uma área se subsume aos ditames do inciso III do § 2º do art. 1º do revogado Código Florestal (localização e destinação), qualificase como área de reserva legal, sob o ponto de vista substancial, sem que, no entanto, possibilite, de forma automática, sua exclusão da base tributável do ITR. A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro competente, sempre foi, em meu entendimento, requisito formal necessário para que uma área de reserva legal ARL fosse excluída da base de cálculo do ITR, a teor de uma interpretação conjugada do artigo 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/1996 e §§ 2º e 8º do art. 16 da revogada Lei nº 4.771/1965, assim descritos: Lei nº 9.393/1996 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720147/200711 Acórdão n.º 2201003.024 S2C2T1 Fl. 136 9 Art. 10. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II as área tributável, a área total do imóvel, menos áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas naLei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Lei nº 4.771/1965 Art. 16. (...) §8oA área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Embora a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ sobre o tema fosse vacilante até pouco tempo atrás, a imprescindibilidade da averbação da ARL, para fins de fruição da isenção prevista no art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/1996, foi confirmada nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgado em 28/08/2013. O STJ, no referido julgamento, pacificou o entendimento de que a averbação da área de reserva legal é dever que incumbe diretamente ao proprietário do imóvel, não fazendo sentido que este se valha da isenção legal quando em mora com o cumprimento de tal dever. O ITR caracterizase como tributo extrafiscal, que tem por finalidade desestimular a existência de latifúndios improdutivos e de incentivar práticas de uso racional dos recursos naturais e de preservação do meio ambiente. A tributação por esse imposto revestese de mais um instrumento dedicado à fiscalização das atividades potencialmente nocivas ao meio ambiente. Assim, inexistindo o registro, que tem por objetivo a identificação da área destinada à reserva legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, consequentemente, de direito à isenção tributária correspondente. Ressalto, ainda, por relevante, que a controvérsia não diz respeito à necessidade, ou não, de prévia comprovação da reserva legal por ocasião da apresentação da declaração do ITR (§ 7º do art. 10 da Lei 9.393/96), mas, sim, à própria caracterização da referida área para os fins tributários almejados. Tal como ocorre com qualquer outro tributo sujeito a lançamento por homologação, o contribuinte jamais junta prova do que pode ser glosado. No imposto de renda, por exemplo, o sujeito passivo que alega ter tido despesas médicas não precisa anexar à declaração de ajuste anual os comprovantes de despesas. Existe uma diferença entre a existência do fato jurígeno e sua prova. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720147/200711 Acórdão n.º 2201003.024 S2C2T1 Fl. 137 10 Quanto ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, o § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938/1981, na redação dada pela Lei nº 10.165/2000, espancou qualquer dúvida sobre sua obrigatoriedade para fruição do benefício fiscal, ao eleger tal ato como requisito formal necessário à exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base tributável do ITR. Oportuna é a transcrição do dispositivo mencionado: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere ocaputdeste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) A norma do § 1º poderia ser lida, sem qualquer alteração de seu conteúdo, da seguinte forma: a utilização do ADA, para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental da base tributável do ITR, dentre elas as APP e as ARL, é obrigatória. Registro, ademais, que interpretação contrario sensu da Súmula CARF nº 41 permite concluir que, a partir do exercício de 2000, a apresentação do ADA é imprescindível à fruição do benefício fiscal de exclusão da APP e da RL da base tributável do ITR. Confira: Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Ora, se a não apresentação do ADA não pode motivar o lançamento de ofício para fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, por óbvio que, após o referido limite temporal, o lançamento pode ser efetuado em virtude da não apresentação do mencionado documento. No caso concreto, não houve a apresentação de ADA, não houve comprovação de averbação da reserva legal e não houve comprovação da existência de APP (seja por efeito de lei, seja por ato declaratório). Logo, o Recorrente não faz jus à exclusão de APP e de ARL da base tributável do ITR. Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 137DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720147/200711 Acórdão n.º 2201003.024 S2C2T1 Fl. 138 11 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 18/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 11080.732210/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
OBSCURIDADE. São acolhidos sem efeitos infringentes os embargos para esclarecer aspectos que, embora abordados no voto condutor do julgado, demandavam melhor estruturação argumentativa em face das razões de defesa apresentadas em recurso voluntário.
Numero da decisão: 1302-001.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER os embargos e, por voto de qualidade, ACOLHÊ-LOS sem efeitos infringentes, divergindo os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix que rejeitavam os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. São acolhidos sem efeitos infringentes os embargos para esclarecer aspectos que, embora abordados no voto condutor do julgado, demandavam melhor estruturação argumentativa em face das razões de defesa apresentadas em recurso voluntário.
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OBSCURIDADE. São acolhidos sem efeitos infringentes os embargos para esclarecer aspectos que, embora abordados no voto condutor do julgado, demandavam melhor estruturação argumentativa em face das razões de defesa apresentadas em recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER os embargos e, por voto de qualidade, ACOLHÊLOS sem efeitos infringentes, divergindo os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Talita Pimenta Félix que rejeitavam os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 22 10 /2 01 1- 03 Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Na sessão plenária de 25 de março de 2015, a 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho julgou recurso voluntário interposto nestes autos, assim relatado no Acórdão nº 130201.710: PEDRASUL CONSTRUTORA S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1038.159, de 26/04/2012, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Os fundamentos da autuação e as razões de impugnação foram minuciosamente descritos no relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, que reproduzo a seguir: Contra o contribuinte foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 1609/1616) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 1617/1623), exigindo um total de crédito tributário de R$ 325.445,84. Segundo o Relatório da Ação fiscal (fls. 1624/1654), a autuação decorre de ganho de capital obtido na alienação de participação societária que o contribuinte detinha junto a Univias Participações S/A, utilizandose de operações simuladas em conluio com outros interessados. Em janeiro de 1998, foram constituídas as pessoas jurídicas Metrovias, Convias e Sulvias, tendo como objeto social a exploração, sob o regime de concessão, dos complexos rodoviários denominados pólos Metropolitano, Caxias do Sul e Lajeado, conforme o seguinte quadro societário: Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 4 3 Em 29/12/2004, a Pedrasul, a Construtora Sultepa e a BGPAR, transferiram para CP Construções e Participações Ltda., em aumento de capital, parte das ações que detinham na Metrovias, na Convias e na Sulvias. Dos sócios originais das concessionárias, apenas a Castilho não transferiu ações para a CP, mantendo inalterada sua participação diretas nas referidas concessionárias. Até setembro de 2006, a estrutura de controle das concessionárias permaneceu da seguinte forma: Observase que a Pedrasul transferiu para a CP 24% das ações da Convias e manteve uma participação direta de 2,47% naquela concessionária. A autuação trata da alienação desta participação na Convias, que se deu através da Univias, conforme procedimento que será descrito na sequência. Em 15/09/2006, foi efetuada uma cisão parcial da CP, que resultou na saída da sócia Monte Bérico e na redução da participação da Construtora Sultepa. A Monte Bérico se retirou da CP recebendo ações da Metrovias, da Convias e da Sulvias, que foram transferidas diretamente para a TBPAR, controlada pela Monte Bérico (99,99%). A Construtora Sultepa reduziu a participação na CP (apesar de ter aumentado em termos percentuais, pela saída da Monte Bérico), recebendo ações da Sulvias e da Metrovias, que foram transferidas diretamente para a Sultepa Construções e Comércio. Em consequência, a estrutura de controle das concessionárias ficou a seguinte: Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 5 4 A cisão da CP Construções e Participações Ltda. foi a primeira etapa de uma sequência de atos objetivando a alienação do controle das concessionárias para a Robina Empreendimentos e Participações Ltda. A saída da Monte Bérico do quadro societário da CP ocorreu porque o grupo Toniolo Busnello não tinha a intenção de se desfazer de sua participação nas concessionárias. Assim, saiu da CP e voltou a ter participação direta nas três concessionárias, através da TBPAR, permitindo que os sócios remanescentes (grupo Sultepa e Brasília Guaíba) alienassem para a Robina suas participações nas concessionárias. A Castilho Engenharia também alienou sua participação nas concessionárias para a Robina, mas não o fez através da CP. A etapa seguinte foi a utilização da Univias Participações S/A, que havia sido constituída em 11/04/2006 sob a denominação de EDSR19 Participações e Empreendimentos Imobiliários S/A, com capital de R$ 1.000,00. A EDSR19 era uma típica empresa de gaveta, criada por Eduardo Duarte, atualmente responsável por mais de duzentas empresas perante a Receita Federal, muitas denominadas com números e já envolvidas em outras fraudes. A EDSR19 teve sua denominação alterada para Univias Participações S/A em 18/09/2006, quando ingressaram na sociedade a Pedrasul, a BGPAR, a Castilho e a CP. A Pedrasul recebeu 4 ações com valor total de R$ 4,00. Em 10/06/2006 ocorreu um aumento de capital na Univias, integralizado pelos quatro sócios através da conferência pelo valor contábil de ações das concessionárias, resultando na seguinte estrutura: Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 6 5 Em 10/10/2006 foram realizadas quatro assembléias da Univias, em cada uma delas subscreveram capital a Pedrasul, BGPAR, Castilho e CP, no valor de R$ 1.000,00 e reserva de capital (ágio na emissão de ações) de R$ 66.689.036,74 (fls. 938/940). Na contabilidade da Pedrasul os investimentos nas concessionárias foram substituídos pelo investimento na Univias (fls. 06 e 108). Em 11/10/2006 a Univias emitiu bônus de subscrição (fls. 876), conferindo ao titular desses bônus o direito de subscrever 80.000.800 ações ao preço total de R$ 20.618.627,53. O prêmio a ser pago à Univias pela subscrição do bônus foi estabelecido em R$ 118.322.660,47. Na mesma assembléia, os acionistas renunciaram ao direito de preferência para subscrição do bônus e aprovaram que a subscrição fosse efetuada pela Robina. De acordo com o Boletim de Subscrição de 11/10/2006, o bônus foi pago pela Robina da seguinte forma: R$ 17.400.391,24 no ato, em moeda corrente nacional, e R$ 100.922.269,22 por duas notas promissórias de R$ 50.461.134,61, com vencimento em 26/02/2007, emitidas por Empate Engenharia e Comércio Ltda. e Heber Participações Ltda., controladores da Robina. As notas promissórias foram resgatadas antecipadamente, em 16/11/2006. Os valores recebidos pela Univias referentes à subscrição do bônus foram repassados aos sócios CP, BGPAR, Castilho e Pedrasul, por conta de mútuo. A Pedrasul recebeu R$ 450.412,32, em 11/10, 16/10 e 17/10/2006. Esse procedimento todo foi a primeira etapa da venda, apesar de não ter sido formalmente tratada pelos alienantes como venda de ações, mas sim dissimulada sob suposta reorganização societária (emissão de bônus, pagamento de bônus pela Robina e repasse dos valores recebidos pela Univias aos sócios, através de mútuo, para quitação com futuro resgate de ações). Em 16/11/2006 foi celebrado um contrato de compra e venda entre Robina e os sócios da Univias, relativo a 18,622% das ações da Univias, divididos proporcionalmente à participação de cada um dos sócios (BGPAR 0,63%), pelo valor total de R$ 35.212.734,80. À Pedrasul coube uma parcela de R$ 133.104,14, transferidos pela Robina em 16/11/2006. A Pedrasul contabilizou a operação a crédito de investimentos (Univias) e a débito Baixas de Investimentos, ou seja, baixou o custo total registrado na conta investimentos na Univias, quando na verdade estava alienando 18,62% da participação. Essa foi a segunda etapa da venda que resultou nos autos de infração. Depois dessa venda, o quadro societário da Univias ficou da seguinte forma: Em 28/12/2006 foi efetuada uma redução de capital na CP, com o cancelamento de 6.895.914 ações dos sócios BGPAR, Pedrasul e Construtora Sultepa, que receberam em troca 3.362.020 ações da Univias. A Pedrasul recebeu 364.703 ações preferenciais da Univias. Com redução de capital na CP o quadro societário da Univias ficou o seguinte: Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 7 6 Em 28/03/2007 foi efetuado um resgate parcial de 64.759.233 ações da Univias, quando as sócias CP, Castilho, BGPAR e Pedrasul receberam um total de R$ 119.064.979,27, proporcionalmente ao número de ações resgatadas. Na Univias o resgate foi efetuado à conta reserva de capital e a contrapartida foi a baixa do mútuo que havia sido concedido aos acionistas anteriormente (fls. 989). À Pedrasul coube o valor de R$ 450.412,32, contabilizado a débito de mútuo com partes relacionadas no passivo exigível à longo prazo e a crédito de investimentos na Univias (fls. 07 e 121). Esse valor foi tratado indevidamente como mútuo, quitado com resgate posterior de ações em março de 2007. recebeu, ainda, em novembro de 2006, R$ 133.104,14 pela venda direta à Robina de 18,62%, através de verdadeiro contrato de compra e venda. O custo total de aquisição do investimento na Univias era apenas R$ 14.386,72, e somente uma parcela desse custo deveria ter sido atribuído à venda, proporcionalmente à quantidade de ações alienadas. Mas não foi isso que a Pedrasul fez, baixou todo o custo na venda de 18,62% das ações e depois lançou a equivalência patrimonial para dar suporte à baixa no resgate de ações em março de 2007. Depois dessa operação, o quadro societário da Univias ficou da seguinte forma: Na mesma data, 28/03/07, foi realizada uma assembléia na CP para aprovar a distribuição de dividendos, no valor de r$ 65.920.611,00, e a redução de capital no montante de R$ 34.414.602,00 (fls. 460). Na Pedrasul a contabilização do recebimento dos dividendos e da redução do capital se deu contra o mútuo com a CP no passivo (fls. 122/123), no total de R$ 10.876.550,87. Em 05/06/2007 ocorreu nova redução de capital na Univias, acarretando a saída da BGPAR e da CP, e a redução da participação da Castilho e da Pedrasul (fls. 890). Na mesma data a Robina subscreveu 80.800.800 ações por R$ 22.565.618,44, exercendo o direito de subscrição pelo qual havia pagado anteriormente o bônus. Os recursos provenientes da subscrição das ações pela Robina foram utilizados para o resgate de ações. À BGPAR coube uma parcela de R$ 85.295,00 (0,3779%). Juntamente com esse valor, a Pedrasul recebeu a parcela que lhe cabia pela participação indireta na Univias através da CP, contabilizados parte a crédito de mútuo da CP e o restante, R$ 80.718,73, a crédito de receita (fls. 08 e 124). Não houve baixa na conta de investimento da Univias. Essa foi a terceira etapa da venda. Fl. 2433DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 8 7 Depois dessa operação a Robina passou a deter 95% do capital da Univias, conforme abaixo: Nessa data (05/06/2007) a Robina segregou um ágio de R$ 114.020.009,66, que, somado ao ágio de R$ 494.448,54 contabilizado anteriormente quando da aquisição de 18,62% das ações, resultou num total de R$ 114.514.458,20 (fls. 1307). Esse ágio foi transferido para a univias em 01/12/2008 (fls. 1089), quando da incorporação da Robina, e repassado para as concessionárias Metrovias, Sulvias e Convias em 02/12/2008, pela cisão total da Univias (fls. 1090). Nas concessionárias passou a ser dedutível por força do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997. Com isso, concluise que o suposto planejamento, na verdade tratouse de uma simulação, cuidou de evitar o ganho de capital para os alienantes, mas preservou o ágio dedutível para os adquirentes. Posteriormente, outros atos complementaram a operação de aquisição do controle das concessionárias pela Robina. Ainda, em 05/06/2007, a Robina adquiriu as ações que a Construtora Sultepa e a Sultepa Construções detinham diretamente na Sulvias e na Metrovias (fls. 1558). Em 01/12/2008 a Univias incorporou a Robina, e a CIBE, que detinha 100% da Robina, recebeu as ações da Univias que eram de titularidade da Robina. Em 02/12/2008 a Univias foi extinta por cisão total, sendo seu acervo vertido para as concessionárias Sulvias, Convias e Metrovias. Em troca de sua participação na sociedade extinta, os sócios da Univias receberam ações das concessionárias, que passaram a ser controladas diretamente pela CIBE (71,94% da Metrovias; 71,72% da Convias e 72,03% da Sulvias). O grupo Toniolo Busnello, através da TBPAR e da Monte Bérico, manteve a participação direta de 24,50% em cada uma das concessionárias. O restante das ações das concessionárias ficou com pessoas físicas e jurídicas vinculadas aos antigos sócios minoritários da Univias. Em abril de 2009 ocorreu a transferência das ações desses minoritários para a CIBE. O quadro societário ficou da seguinte forma: Fl. 2434DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 9 8 Em razão dos fatos acima descritos, o autuante afirma que a posição final do quadro societário das concessionárias demonstra a saída dos grupos Sultepa, Brasília Guaíba e Castilho, substituídos pela CIBE. Os dois primeiros utilizaram a CP e a Univias para reduzir indevidamente o ganho de capital auferido na operação. A operação, embora revestida de aparente legalidade formal, se trata de uma simulação, que não pode produzir os efeitos tributários desejados pelos contribuintes. A sequência de atos praticados, por si só evidencia um descompasso entre a real intenção do negócio e o aspecto formal conferido à operação. A utilização do bônus de subscrição como mero recurso para a majoração do custo do investimento detido pela Pedrasul na Univias, seguido da imediata alienação da participação, parte através de verdadeiro contrato de compra e venda de ações e parte através de resgate de ações, caracteriza uma distorção daquele instrumento do direito societário. Para o autuante, a simulação tornase irrefutável diante do documento “Acordo de Investimentos e Outros Pactos” de 27/09/2006 (fls. 528/572), firmado previamente entre os adquirentes e os alienantes da participação societária objeto da negociação. Em tal documento fica evidente que nunca houve, por parte dos alienantes, a intenção de admitir um novo sócio (ou “investidor”, como foi denominada a Robina no acordo), mas sim se retirar da Univias e, indiretamente, alienar a participação societária detida nas concessionárias. O Acordo de Investimentos expõe de tal forma a simulação, que o documento foi sonegado da Receita Federal por todos os envolvidos na operação, que, intimados, informaram não ter localizado o documento em seus arquivos. Somente depois de tomarem conhecimento de que a Receita Federal poderia obter o documento diretamente no CADE, a Metrovias entregou o referido documento, ainda que sem os diversos anexos nele referidos, alegando não dispor dos documentos e que os mesmos não constavam no processo do CADE. No “Acordo de Investimentos” a operação foi previamente detalhada, garantindo às partes o efeito final desejado, qual seja, a alienação das ações sem ganho de capital para os alienantes e com ágio para o adquirente. O detalhamento da operação, que foi dividida em três etapas, denominadas “primeiro préfechamento”, “segundo préfechamento” e “fechamento”, descreve as condições do negócio, desde os procedimentos junto à Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul, DAER/RS, BNDES, a realização das assembléias, a emissão de bônus de subscrição e o repasse dos recursos como mútuo, acompanhamento pela Robina dos negócios das concessionárias, possibilidade de rescisão do contrato caso a operação não fosse aprovada pelo DAER, contratos de compra de ações, enfim, todos os passos que culminaram com a extinção da Univias e com o controle acionário das concessionárias pela CIBE. A capitalização inexistiu de fato. Basta comparar o patrimônio da Univias em 10/10/2006, imediatamente anterior à subscrição do bônus, representado unicamente pelos investimentos junto às concessionárias, e o patrimônio depois da conclusão da operação, em 30/06/2007, representado pelos mesmos investimentos. A Univias emitiu o bônus, mas os recursos foram pagos diretamente aos sócios, sob a forma de um mútuo simulado, cuja liquidação, através de resgate de ações, já estava previamente acordada. O ganho foi dos sócios e não da Univias. A classificação como reserva de capital do valor recebido a título de alienação do bônus de subscrição e, ato contínuo, resgatar ações a débito dessa mesma conta, mostra que a intenção não era receber aquele valor como verdadeiro prêmio de emissão e mantêlo como recurso à disposição da Univias, mas sim repassálo de imediato aos sócios, por se tratar de produto de alienação das ações. A distorção da utilização da figura do bônus fica evidente também diante da redução de capital que já estava previamente definida no acordo de investimentos. Foi emitido um bônus vinculado à emissão de ações para uma suposta capitalização, quando, na verdade, o resultado final previsto era a manutenção aproximada do número de ações e a entrega do produto da pseudocapitalização para os sócios. Fl. 2435DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 10 9 No momento da emissão do bônus, o capital da Univias era representado por 100.001.000 de ações, com previsão de emissão de mais 80.000.800 ações, a serem subscritas pela Robina, o que totalizaria 180.001.800 ações. Isso nunca ocorreu, porque quando a Robina subscreveu as 80.000.800 ações em 05/06/2007, já haviam sido resgatadas pelos antigos sócios 76.187.332 ações (parte em 28/03/2007 e parte na própria assembléia de 05/06/07). Ao final, o capital da Univias restou representado por 103.814.468 ações, muito próximo das 100.001.000 ações originais, ainda que distribuído de forma diversa entre ações ordinárias e preferenciais. O investimento da Pedrasul na Univias deveria, a princípio, estar avaliado pelo custo de aquisição, por não se enquadrar nos conceitos de coligada ou controlada, definidos no art. 384 do RIR/99, pois a Pedrasul em momento algum deteve 10% ou mais do capital da Univias, ainda que fosse considerada sua participação indireta através da CP. Mesmo que se enquadrasse nas hipóteses de avaliação baseada no patrimônio líquido, a equivalência realizada em 31/12/2006 seria indevida, por se fundamentar em operação simulada ocorrida na Univias, que utilizou de forma distorcida o bônus de subscrição, previsto nos arts. 75 a 79 da Lei nº 6.404, de 1976. Os fatos acima descritos revelam que a verdadeira intenção da Pedrasul sempre foi alienar para a Robina sua participação direta na Univias, e, por consequência, sua participação indireta nas concessionárias. A vontade formalmente externada não é verdadeira, oculta, de forma deliberada, a real intenção das partes, caracterizada por simulação no art. 167 do Código Civil, cujo efeitos tributários não devem prevalecer, mas sim os efeitos tributários dos atos que se buscou dissimular, qual seja, a alienação da participação societária com ganho de capital sujeito à tributação na forma dos arts. 418 e 426 do RIR/99. O crédito tributário foi lançado com a multa de 150%, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 1660 a 1697, alegando, preliminarmente, que os autos de infração são nulos por incompetência das autoridades fiscais autuantes, adstritos à DRF Porto Alegre, pois o primeiro Termo de Intimação Fiscal que deu início à fiscalização (na oportunidade, em face da Convias), acarretando na formalização da exigência, foi lavrado em Caxias do Sul. E, segundo o art. 38, § 4º, do Decreto nº 7.574, de 2011, a formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Além disso, o evento que trouxe o suposto fato gerador do tributo ocorreu perante a Univias, que, por sua vez, foi submetida à fiscalização da DEFIS, em São Paulo, por ser este o local do seu domicílio fiscal. Assim, sob qualquer ângulo, é inquestionável a incompetência das autoridades fiscais de Porto Alegre para efetuar o lançamento; seja porque não foram os primeiros que obtiveram conhecimento da operação societária; seja porque não pertencem ao domicílio fiscal onde ocorreu o fato desconsiderado para fins de tributação. No mérito, alega que a fiscalização parece mergulhar em uma teoria conspiratória, da qual fazem parte, também, os demais subscritores do Acordo de Investimentos e as entidades da Administração Pública, como o BNDES, o DAER/RS, o CADE, a AGERGS, todos atuando em conluio com o único objetivo de lesar o Fisco. Entretanto, esqueceu a fiscalização de investigar a fundo o contexto político e econômico que permeava a admissão da Robina como nova investidora do Consórcio Univias é esse contexto que comprova, de forma inequívoca, a existência de propósito negocial para a realização da operação, que na época o contexto político e econômico, relacionado à exploração de concessões rodoviárias no Brasil e, em especial, no Estado do Rio Grande do Sul, era necessário o ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como partilhasse os riscos atrelados ao empreendimento. Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 11 10 Mais. A fiscalização desconsiderou que todos os atos listados no Acordo de Investimentos foram realmente praticados e que as empresas envolvidas submeteramse aos efeitos desses atos (inclusive fiscais), com efetiva vivência das operações praticadas e a assunção dos riscos e efeitos típicos desses negócios. Desconsiderou ainda todos os elementos (adotados pelo próprio Conselho de Contribuintes e pela doutrina) que indicam a validade das operações que geram economia fiscal, quais sejam: (a) adequado intervalo temporal entre as operações; (b) a independência das partes envolvidas; (c) existência de várias condições suspensivas que pendiam para o ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos. Não tendo sido a operação de captação de recursos simulada, improcedente é o argumento da fiscalização no sentido de que o investimento da Pedrasul na Univias deveria estar avaliado pelo custo de aquisição, pois na época, a Construtora Sultepa S/A, companhia aberta, era proprietária de ações da Pedrasul representativas de mais de 99% do seu capital. As companhias, portanto, detinham, direta e indiretamente, mais de 30% do capital social da Univias Participações S/A, o que justifica a avaliação do investimento pelo método da equivalência patrimonial. No ano de 2004 foi constituída a CP Construções e Participações Ltda., com vistas a atuar em um importante projeto licitado em 1997, relacionado à exploração do Complexo Rodoviário Metropolitano que, devido a problemas judiciais entre os participantes da licitação, teve retardada a homologação, adjudicação e o início da execução dos contratos. Depois de inúmeras tentativas frustradas de acordo, as concessionárias continuavam a pleitear a execução do Termo Aditivo para reequilíbrio econômico financeiro, sob pena de inviabilização da continuidade da execução dos contratos. Em janeiro de 2006 foram rerratificadas as cláusulas do Termo Aditivo celebrado entre as partes, op que demandaria, necessariamente, a captação de recursos no mercado para atendimento às novas exigências dele constantes. Paralelamente, depois de um ano de extensos debates, o Governo Federal decidiu realizar investimentos com recursos públicos, não levando adiante a contratação com o Consórcio Metropolo. Para as concessionárias, a continuidade da execução dos contratos, mediante a celebração do Termo Aditivo, estava condicionada a aportes substanciais de capita, pois não dispunham de todos os recursos. Por outro lado, o contexto político das concessões de rodovias, ao longo de 2005, dava indícios do lançamento da 2ª etapa do Programa Federal de Concessões, que poderia alavancar, novamente, os negócios da companhia. Em 07 de junho de 2005 foi aprovado o lançamento das licitações relativas à 2ª etapa do Programa Federal de Licitações, mostrandose ainda mais necessária a associação com um grupo economicamente forte, que injetaria recursos na Univias e viabilizaria o desenvolvimento de novos negócios. Assim, em setembro de 2006, ocorreu a formalização do Acordo de Investimentos, que previa o ingresso na Robina como investidora e a emissão de bônus de subscrição como forma de captação dos recursos necessários para a continuidade dos contratos de concessão. Em 2007, a 2ª etapa do Programa Federal de Concessões foi lançado, mas mostrouse de grande frustração para as concessionárias, pois outro grupo ganhou a disputa de 5 dos 9 lotes disputados. Isso mudou totalmente a estrutura de capitais desses negócios, que exigia agora ter o capital aberto. O grupo Univias perdeu escala, pois a estrutura de capitais mudou radicalmente, tornando inviável a sua participação em outras concorrências – ficaram pequenas demais para o negócio. Isso resultou no desinteresse pelo negócio de concessões, culminando na saída da CP e da própria impugnante do Consórcio Univias. A realização completa da reestruturação societária empreendida, de cunho de reorganização empresarial, levou quase um ano, o que demonstra que os atos Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 12 11 praticados não eram meros atos formais, desprovidos de qualquer substrato econômico ou motivação negocial. O lapso temporal do procedimento é elemento que indica a validade da reestruturação executada como um instrumento legítimo para os fins almejados, a captação de novo investidor para a exploração do Consórcio univias. Outro elemento que indica a validade da reestruturação executada é a desvinculação existente, não apenas entre as partes que subscreveram o Acordo de Investimento, como também as entidades pertencentes à Administração Pública (como o BNDES, DAER/RS, CADE e AGERGS). Em cada uma das três etapas do Acordo de Investimentos existiam condições suspensivas que pendiam para o ingresso do novo sócio, conforme a própria fiscalização relacionou. Além disso, havia a possibilidade de rescisão do Acordo, caso não fosse autorizada pelo DAER a transferência do controle das concessionárias para a Univias e, posteriormente, a transferência do controle da Univias e das concessionárias para a Robina, conforme itens 5.2.2 e 5.3.2 do acordo. Quanto à multa, alega que inexiste fraude e conluio na operação, o que torna impossível a sua qualificação, pois o elemento essencial da conduta, que enseja a aplicação de multa qualificada, a tentativa dolosa de ocultar o fato gerador ou seus elementos, de enganar o Fisco, não se faz presente no caso. Quanto o contribuinte pratica o negócio lícito e feito às claras, não poderá ser aplicada multa qualificada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que é reservada às situações em que o sujeito passivo, mediante a prática de fraude ou sonegação, condutas ilícitas, busca ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador ou de algum de seus elementos, de modo a impedir que a Administração Tributária tome conhecimento dos mesmos. Todas as operações das quais tomou parte eram lícitas e foram devidamente escrituradas; o Acordo de Investimentos foi divulgado em Comunicado ao Mercado pela Construtora Sultepa S/A; além disso, o Acordo de Investimentos encontravase registrado no CADE; o Acordo de Investimentos, ao contrário do entendimento do Fisco, revela verdadeiramente que o objetivo da operação era receber um novo investidor; embora o Acordo de Investimentos não tenha sido localizado, todos os documentos societários e contratuais nele mencionados, solicitados pela fiscalização foram devidamente apresentados; não houve qualquer prejuízo à fiscalização, uma vez que a mesma teve acesso ao Acordo de Investimentos através da Metrovias. Por fim, não há como se cogitar de conluio na operação para execução da fraude alegada pela fiscalização, tendo em vista que a outra parte signatária do Acordo de Investimentos (a Metrovias, na qualidade de sucessora da Robina), também estava sujeita à ação fiscal, tendo a fiscalização sido encerrada sem o questionamento de qualquer aspecto atinente à legitimidade da operação, conforme documentos em anexo, que, ressaltese, é a mesma para ambas as partes. Por fim, requer que seja acolhida a preliminar de nulidade e, no mérito, sejam julgados improcedentes os lançamentos, ou, ao menos, seja excluída das autuações a multa qualificada. O contribuinte apresentou para provar suas alegações os documentos de folhas 1723 a 2131. A 1ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1038.159, de 26/04/2012 (fls. 2139/2158), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 IRPJ/CSLL NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL AUTUANTE. INOCORRÊNCIA A competência territorial do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é nacional. Informações colhidas em procedimentos fiscais podem ser compartilhadas entre as Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 13 12 diversas unidades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, independentemente da sua jurisdição territorial. No caso dos autos, os fatos que deram origem ao lançamento foram identificados em jurisdição diversa da jurisdição do contribuinte, entretanto, foi a autoridade administrativa de sua jurisdição que primeiro tomou conhecimento da infração (não tributação do ganho de capital) e efetuou o lançamento. IRPJ/CSLL SIMULAÇÃO As declarações de vontade de mera aparência, reveladoras da prática de ato simulado, uma vez afastadas, fazem emergir os atos que se buscou dissimular. A alienação de participação societária utilizandose de artifícios que, ao final, resultaram em redução do ganho de capital obtido na operação, deve ser desconsiderada, recompondose as bases de cálculo desconsiderandose os fatos dissimulados. IRPJ/CSLL MULTA AGRAVADA É cabível o agravamento da multa de lançamento de ofício nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo visando o escamoteamento da base de cálculo tributável. Ciente da decisão de primeira instância por meio eletrônico em 29/05/2012, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo à fl. 2164, a contribuinte apresentou voluntário em 21/06/2012 conforme carimbo de recepção à folha 2165. A peça recursal se encontra às fls. 2165/2205. Após sintetizar os fatos, sob sua ótica, a recorrente discorre contra o procedimento fiscal e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Acrescenta que: A argumentação da fiscalização, baseada em meras suposições e presunções, tem por objetivo desconsiderar a sequência de atos – ressaltese, revestidos de legalidade e condizentes com a real intenção das partes envolvidas – por meio da alegação de simulação, não obstante a reorganização societária empreendida: Apresentasse notável propósito negocial, conforme restará cabalmente demonstrado a seguir, o que se depreende ainda pela verificação (a) de adequado intervalo temporal entre as operações realizadas; (b) da independência das partes envolvidas na operação; (c) da existência de várias condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos para admissão do novo investidor; Tenha ocorrido tal como descrita pela Recorrente, que, agindo de boafé, reportou em seus livros contábeis e fiscais todos os atos executados, bem como autorizou a divulgação pública das bases para realização do negócio, por meio da comunicação ao mercado feita pela Construtora Sultepa S/A (sócia da Univias), acerca da realização do Acordo de Investimentos para admissão de novo investidor e arquivamento desse documento no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). [...] A simulação ora alegada é baseada em meras suposições e presunções, não comprovadas. [...] Com isso, muitas das vezes o Fisco acaba por violar o comando inserto no art. 110 do CTN, o que, definitivamente, não deixou de ocorrer no caso concreto, na medida em que admite a legalidade da operação sob a égide do direito societário e administrativo, mas, ao mesmo tempo, a repudia sob o ponto de vista fiscal [...] [ou seja] a validade da operação sob o aspecto tributário [...]. Nunca é demais repetir que se o Fisco não atender ao seu duplo ônus de prova, se não demonstrar a qualificação jurídica pertinente ou se houver um insuperável empate (...), o critério de decisão do caso deve ser o de prestigiar a liberdade de o contribuinte organizar seus negócios [...]. Ora, a fiscalização deve estar munida de elementos suficientes para, com precisão, afirmar que a conduta do contribuinte encontrase eivada em vícios [fraude e concluio]. Nesse contexto, partindo da premissa de ser ônus da Administração a precisa demonstração das circunstâncias fáticas que circulam o objeto da autuação, vale Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 14 13 ressaltar que não há, no caso em tela, elementos suficientes para manutenção do presente Auto de Infração.[...] Cumpre ressaltar que as consequências decorrentes do agravamento da penalidade não se limitam ao seu caráter financeiro, já que, nesses casos, exigese da autoridade fazendária a elaboração de representação fiscal para fins penais ao Ministério Público, com a consequente abertura de processo criminal contra o contribuinte. Logo, é mandatório que a imposição de multa qualificada pelo Fisco decorra de uma análise minuciosa dos elementos caracterizadores da sonegação, fraude ou conluio (fatos que ensejam tal qualificação) o que não ocorreu no caso em tela [...]. Apesar de todo o exposto, a 1ª Turma da DRJ/POA entendeu por bem manter o lançamento operado nos autos, e assim, julgar improcedente a Impugnação, com base nos mesmos argumentos utilizados no Relatório Fiscal do Auto de Infração Assim, resta inconteste a robusta prova documental carreada à Impugnação, assim como incontroversos os fatos notórios que traduzem, por exemplo, o contexto histórico e político da exploração das concessões no Rio Grande do Sul à época dos fatos, de modo a evidenciar o real propósito negocial da operação societária tratada nos autos. [...] Considerações Preliminares [...] A relação Fisco e contribuinte é norteada pelo principio da boafé, o que impede a presunção, a priori, de que a atuação do contribuinte que resulte em economia fiscal é ilegítima, desleal e tem por propósito lesar o Fisco [...] Além da infundada alegação de simulação, associada à tentativa de qualificação da multa mediante a caracterização de fraude e conluio na operação, a autoridade fiscal tenta "demonizar" as partes envolvidas na reestruturação societária analisada, ao insinuar que a Univias Participações S/A estaria inserida em operações de fraudes e lesões ao Erário [...]. Diante do exposto, resta inequívoca a tentativa da autoridade fiscal de desmoralizar as empresas que participaram da reestruturação societária analisada inclusive a Recorrente, ao vincular a Univias a empresas de fachada, comprovadamente utilizadas como veículos para lesão ao Erário, com o objetivo de deslegitimar a reestruturação societária executada. Direito – Razões de Improcedência do Lançamento Inexistência de Simulação no Caso em Tela [...] O Auto de Infração ora guerreado foi lavrado para cobrança do IRPJ e CSLL incidentes sobre ganho de capital supostamente auferido na alienação de ações da Univias. De acordo com o entendimento da fiscalização, o suposto ganho não foi tributado em razão de majoração indevida do custo de aquisição do investimento, pela contabilização de equivalência patrimonial que teria decorrido da sequência de atos, no entendimento do Fisco, "simulados, que buscaram conferir à operação uma aparência (falsa) de reorganização societária". A alegação de simulação pela fiscalização está fundamentada aos seguintes argumentos: " A utilização do bônus de subscrição como recurso para a majoração do custo do investimento detido pela Pedrasul na Univias, por equivalência registrada em 31/12/06, seguido de resgate de ações em 28/03/07, caracteriza uma distorção daquele instrumento de direito societário". " A simulação se torna irrefutável diante do Acordo de Investimentos e Outros Pactos, firmado previamente entre os adquirentes e os alienantes da participação societária objeto da negociação. Nunca houve, por parte dos alienantes, a intenção de admitir um novo sócio (ou investidor, como foi denominada a Robina no acordo), mas sim de se retirar da Univias e, indiretamente, alienar sua participação nas concessionárias". " A Univias emitiu o bônus, mas os recursos foram pagos diretamente aos sócios, sob a forma de um mútuo simulado, cuja liquidação, através de resgate de ações, já estava previamente acordada. (...) A distorção na utilização da figura do bônus fica evidente Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 15 14 também diante da redução de capital que já estava previamente definida no acordo de investimentos". Em síntese, nos dizeres do próprio Fisco, "tratase, portanto, de uma sequência de atos simulados, envolvendo a distorção da figura do bônus de subscrição (instrumento que deveria estar associado a uma verdadeira capitalização), seguida da utilização indevida de equivalência patrimonial e de mútuo fictício, tudo previamente descrito em pseudo acordo de investimentos". [...] A fiscalização desconsidera que os atos listados no Acordo de Investimentos foram realmente praticados e que as empresas envolvidas submeteramse aos efeitos destes atos (inclusive fiscais), com efetiva vivência das operações praticadas e a assunção dos riscos e efeitos típicos destes negócios. Nessa linha de raciocínio, cabe ressaltar que: Todos os atos societários e contratuais mencionados no Acordo foram efetivamente executados e arquivados perante as Juntas Comerciais competentes; O bônus de subscrição, que é um instrumento previsto na legislação societária para captação de recursos por companhias, foi efetivamente emitido e o preço pela sua emissão e exercício foi devidamente pago pela Robina. A operação apresentava riscos inerentes e usuais ao tipo de negócio executado a admissão de um novo investidor. Por exemplo, antes do fechamento da operação, foi rescindido o Contrato de Empreitada entre as concessionárias e o Consórcio Construtor Sul, por exigência da nova investidora (primeiro préfechamento). Isso comprova que os controladores da Univias inclusive a Recorrente estavam dispostos a correr o risco de rescindir um contrato em vigor, por exigência da investidora, com o objetivo de dar seguimento à operação o que demonstra a efetiva vivência das operações praticadas. Logo, não se verifica, no caso em tela, os elementos que caracterizam a simulação prevista no art. 167 do Código Civil. De acordo com essa norma, haverá simulação nos negócios jurídicos quando (i) aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; (ii) contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira ou (iii) os instrumentos particulares forem antedatados ou pósdatados. Nenhuma dessas hipóteses foi verificada na operação analisada como um todo, tampouco no que diz respeito ao mútuo concedido aos sócios, pois estes, diferentemente do que dispõe a norma do citado art. 167, foram de fato quem receberam o valor do empréstimo, na data em que registrado, e diante de uma necessidade momentânea, já que haviam investido muito naquela empresa, e, posteriormente, o quitaram quando de suas retiradas da sociedade. O que nos leva à única conclusão plausível: de que a alegação de simulação que fundamenta a autuação não merece prosperar. [...] Não tendo sido a operação de captação de recursos simulada, improcedente é o argumento da fiscalização no sentido de que o investimento da Pedrasul na Univias deveria estar avaliado pelo custo de aquisição, ao mencionar que "a Pedrasul em momento algum deteve 10% ou mais do capital da Univias, ainda que considerada sua participação indireta através da CP" [...]. Vale mencionar que, ao contrário do que alega a fiscalização, a Recorrente respondeu, em 07/12/2011, [...] o questionamento acerca da utilização do Método de Equivalência Patrimonial para registro do investimento na Univias, nos seguintes termos: "na época, a Construtora Sultepa S/A, companhia aberta, era proprietária de ações da Pedrasul Construtora S/A representativas de mais de 99% do seu capital social. As companhias, portanto, detinham, direta e indiretamente, mais de 30% do capital social da Univias Participações S/A, o que justifica a avaliação do investimento pelo método de equivalência patrimonial." Logo, resta inequívoca a obrigatoriedade de registro do investimento, pela Recorrente, das ações que detinha na Univias, pelo método de equivalência patrimonial. A fiscalização desconsidera ainda a presença, no caso vertente, de todos os elementos [...] que indicam a validade das operações que geram economia fiscal, quais sejam: (a) o adequado intervalo temporal entre as operações realizadas; (b) a independência das Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 16 15 partes envolvidas na operação; (c) a existência de várias condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos para admissão do novo investidor. [...] Propósito Negocial [...] Ocorre que, no caso em tela, havia motivação extratributária para realização da operação. Dado o contexto político e econômico da época, relacionado à exploração de concessões rodoviárias no Brasil e no Estado do Rio Grande do Sul, era necessário o ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como compartilhasse os riscos atrelados ao empreendimento. [...] Contexto Histórico e Político Relacionado à Exploração de Concessões no Brasil e Rio Grande do Sul [...] Com a promulgação da Lei nº 9.277, em maio de 1996 [...], criouse a possibilidade de Estados, Municípios e Distrito Federal solicitarem a delegação de trechos de rodovias federais para incluílos em seus Programas de Concessão de Rodovias, mediante a celebração de Convênios com a União. [...] O modelo gaúcho baseouse na licitação de polos, que consistiam em pontos centrais para os quais convergiam pelo menos três rodovias com cobrança de pedágio, consolidando um subsidio cruzado, em que as rodovias com menor volume de tráfego eram mantidas, também, por aquelas que apresentam volumes maiores. A tarifa foi determinada pelo poder público, e o vencedor da licitação foi quem ofereceu a maior rede de rodovias a ser atendida no polo. Assim, conforme mencionado anteriormente, em 1998 foram licitados 08 (oito) polos pelo Estado do Rio Grande do Sul, cabendo a Convias, Sulvias e Metrovias aqueles listados a seguir: [Esclarece que] parte das rodovias eram federais e tiveram sua administração delegada ao Estado do Rio Grande do Sul em decorrência de convênio firmado com a União, que poderia ser denunciado a qualquer tempo. No ano de 2004 foi constituída a CP Construções e Participações Ltda. (doravante "CP") pela Recorrente, BGPAR S/A e Construtora Sultepa, com vistas a atuar em um importante projeto licitado em 1997, relacionado à exploração do Complexo Rodoviário Metropolitano vencido pelo Consórcio Metropolo (composto pela CCR Companhia de Concessões e Rodovias e as empresas gaúchas Brasília Guaíba, Sultepa e Toniolo Busnello), mas que, devido a problemas judiciais entre os participantes da licitação, teve retardada a sua homologação, adjudicação e o início da execução dos contratos. [...] Assim, em setembro de 2006, ocorreu a formalização do Acordo de Investimentos, que previa o ingresso da Robina como investidora e a emissão de bônus de subscrição como forma de captação dos recursos necessários para continuidade dos contratos de concessão. [...] Em 2007, a 2ª etapa do referido Programa Federal de Concessões foi lançado, [...] e a OHL – Grupo Espanhol ganhou 05 dos 09 lotes disputados [...]. Isso mudou totalmente a estrutura de capitais para realização desses negócios. [...] O Grupo Univias perdeu escala [...] tornando inviável a sua participação em outras concorrências [...]. Isso Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 17 16 resultou no desinteresse pelo negócio de concessões, culminando na saída da CP e da própria Recorrente do Consórcio Univias. Lapso Temporal Razoável entre as Operações Realizadas O elemento temporal costuma definirse, na prática, como uma das circunstâncias que confirmam o propósito negociai de uma transação. [...] A reestruturação societária empreendida tinha verdadeiro cunho de reorganização empresarial, com o objetivo de captação de recursos no mercado, que dependiam da aprovação de terceiros. Nesse contexto, percebese que a realização completa da operação levou quase um ano, o que demonstra que os atos praticados não eram meros atos formais, desprovidos de qualquer substrato econômico ou motivação negocial. Assim, a existência de lapso temporal razoável entre as operações realizadas denota a substância econômica dos atos executados, que não se realizaram meramente sob o aspecto formal. Tratase, por conseguinte, de elemento que indica a validade da reestruturação executada como um instrumento legítimo para os fins almejados (captação de novo investidor para a exploração do Consórcio Univias). Independência das Partes Envolvidas na Operação A independência das partes, como requisito que indica a validade das operações que resultam em economia fiscal, está relacionada à investigação das operações ditas "em casa": que não geram quaisquer efeitos econômicos perante terceiros e têm por único objetivo gerar algum benefício fiscal. No caso em tela, resta inequívoco que, não apenas as partes que.subscreveram o Acordo de Investimentos eram independentes, como também as entidades pertencentes à Administração Pública [...]. Assim, a independência das partes envolvidas na operação denota a substância econômica dos atos executados, que não se realizaram meramente sob o aspecto formal. Mais um elemento a qualificar a reestruturação executada como um instrumento legitimo para os fins almejados (captação de novo investidor para a exploração do Consórcio Univias). Condições Suspensivas para Realização da Operação Conforme se depreende da análise do Acordo de Investimentos, a operação foi dividida em três etapas, denominadas: "primeiro préfechamento", "segundo préfechamento" e "fechamento". Em cada uma dessas etapas, existiam condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, relacionadas pela própria fiscalização [...]. Tudo isso demonstra que a operação não pode ser qualificada como alienação de investimento, como pretendem as autoridades fazendárias. Observe que, na linha de raciocínio desenvolvida pela fiscalização, a subscrição da totalidade do bônus pela Robina, parte em moeda corrente (R$17.182.189,61), parte em nota promissória (R$99.656.699,74), corresponderia, na verdade, à aquisição de participação societária e pagamento do preço, o que vai de encontro à possibilidade de rescisão do Acordo [...]. Assim, a existência de condições suspensivas para realização da operação e previsão de rescisão contratual,caso não observadas as condições precedentes, revela a verdadeira natureza jurídica do Acordo de Investimentos: um instrumento que permitia, mediante o cumprimento de certos requisitos, o ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como compartilhasse os riscos atrelados ao empreendimento. Inexistência de Fraude e Conluio na Operação: Impossibilidade de Qualificação da Multa [...] Fl. 2443DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 18 17 A essência comum à fraude, sonegação e conluio, que ensejam a aplicação de multa qualificada,é a tentativa dolosa de ocultar o fato gerador ou seus elementos, de enganar o Fisco. [...] Podese dizer que quando o contribuinte praticar negócio licito e feito às claras poderá ser aplicada multa qualificada prevista no parágrafo primeiro do art. 44 da Lei 9.430/96, que é reservada às situações em que o sujeito passivo, mediante a prática de fraude ou sonegação, condutas ilícitas, busca ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador ou de algum de seus elementos, de modo a impedir que a Administração Tributária tome conhecimento dos mesmos. Diante de todos os argumentos aduzidos acima, ao contrário do que alega a fiscalização, não há como se cogitar de fraude na operação: A uma, pois, de fato, todas as operações das quais a Recorrente tomou parte eram licitas e foram devidamente escrituradas nos documentos, livros e declarações fiscais obrigatórios. Logo, não houve qualquer intenção dolosa da Recorrente em ocultar os efeitos fiscais decorrentes das operações executadas, uma vez que tais efeitos foram reconhecidos em sua contabilidade e reportados ao Fisco nas Declarações pertinentes; A duas, pois além de terem sido devidamente contabilizadas e reportadas nas Declarações Fiscais, o Acordo de Investimentos foi divulgado em Comunicado ao Mercado pela Construtora Sultepa S/A (companhia de capital aberto), em 28 de setembro de 2006, por exigência regulamentar da CVM. Tal Comunicado, além de ter sido publicado em jornais de grande circulação à época, encontrase disponível no site da BOVESPA [...]. A três, pois, além de ter se tornado público através do Comunicado ao Mercado feito pela Sultepa, o Acordo de Investimentos encontravase registrado no CADE, bastando um simples requerimento por parte da fiscalização para disponibilização desse documento por aquele órgão. A quatro, pois, ao contrário do que entende o Fisco, o Acordo de Investimentos supostamente "sonegado" revela verdadeiramente que o objetivo da operação consistia em receber um novo "investidor" (como foi denominada a Robina no Acordo) e não alienar as ações. Isso se comprova (i) pela existência de diversas condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio, o que demonstra que a operação não se qualificava como alienação de investimento, mas sim de verdadeira captação de recursos condicionada ao cumprimento de certos requisitos para admissão do novo investidor, conforme demonstrado anteriormente; (ii) pela participação de entidades da Administração Pública, tais como o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Departamento Autônomo de Estradas e Rodagens do Rio Grande do Sul (DAER/RS), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (AGERGS) , que deveriam concordar com a admissão do novo investidor, sob pena do desfazimento do negócio o que, por si só, já serviria como indício de legitimidade da operação. Assim, o Acordo de Investimentos não expõe a simulação como quer fazer crer o Fisco, mas corrobora que a reestruturação societária engendrada para admissão do novo sócio era legitima e válida; A cinco, pois, embora o Acordo de Investimentos não tenha sido localizado pela Recorrente, todos os documentos societários e contratuais nele mencionados, solicitados pela fiscalização, foram devidamente apresentados o que afasta qualquer insinuação da fiscalização no sentido de que houve a tentativa de ocultação dos fatos por parte da Recorrente. Ademais, vale lembrar que o Acordo de Investimentos não é um documento de guarda obrigatória por parte das suas signatárias, ao contrário dos documentos societários e contratuais que dão forma aos atos nele descritos os quais servem como base para os lançamentos contábeis e reportes nas Declarações fiscais pertinentes, e que foram devidamente apresentados à fiscalização. Nessa linha de raciocínio, não se pode perder de vista que a obrigatoriedade de prestar informações à fiscalização se limita à apresentação dos livros fiscais e documentos previstos em normas legais o que impede o Fisco de aplicar qualquer sanção ao contribuinte por não ter prestado as informações que lhe foram requeridas e que extrapolaram a legalidade. Em última análise, os pedidos de esclarecimentos que extrapolam a Fl. 2444DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 19 18 legalidade, exigindo informações e documentos que não aqueles exigidos por lei, são claras tentativas de inverter o ônus da prova no processo administrativo fiscal o que é repudiado [...]. A seis, pois não houve qualquer prejuízo à fiscalização, uma vez que a mesma teve acesso ao Acordo de Investimentos através da Metrovias, conforme mencionado em seu próprio Relatório Fiscal, [...]. Por fim, não há como se cogitar de conluio na operação, para execução da fraude alegada pela fiscalização. Essa é a única conclusão possível para o caso em tela, tendo em vista que a outra parte signatária do Acordo de Investimentos Metrovias (na qualidade de sucessora da Robina), também estava sujeita à ação fiscal, tendo sido a fiscalização encerrada sem o questionamento de qualquer aspecto atinente à legitimidade da operação (que, ressaltese, é a mesma, para ambas as partes) [...]. Assim, não há como se entender que uma mesma operação é válida e legítima para uma parte (no caso, a Metrovias, na qualidade de sucessora da Robina e Univias), mas inválida e fraudulenta, celebrada em conluio para a outra parte (no caso, a Recorrente). A acolhida dessa alegação representaria violação frontal ao princípio da confiança legítima que rege as relações entre Fisco e contribuinte, por frustrar a legítima expectativa da Recorrente de ver reconhecida a legitimidade da operação ora analisada, já reconhecida pelo Fisco em oportunidade anterior, ao encerrar a fiscalização da Metrovias sem questionar esse aspecto da operação. Conclusão Diante de tais considerações, temse que a autuação guerreada pautouse, única e exclusivamente, em um suposto abuso de direito, eis que toda a operação societária tida como "simulada" encontrase em absoluta conformidade com os ditames legais. Nesse aspecto, aduz o acórdão recorrido que "o direito ao planejamento tributário não pode ser absoluto, há que haver uma conformação entre a existência do direito e o modo como se exerceu esse direito, sob pena de incorrerse em abuso de direito" (fl. 2155). E, exatamente sobre o mesmo tema, expôs com precisão esse E. Conselho administrativo: "Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio, ao menos até os dias atuais. O lançamento é vinculado à lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. A recorrente apresenta sua interpretação da legislação pertinente, indica princípios constitucionais que teriam sido violados e colaciona doutrina e jurisprudência em favor de seu entendimento. E conclui como segue: Por todo o exposto, [...] requer a Recorrente: (i) [...]; ii) seja integralmente acolhido e provido o presente Recurso Voluntário, para que o lançamento em questão seja definitivamente cancelado em razão da sua evidente improcedência, com o consequente arquivamento do feito; (iii) ou, caso assim não entenda esse E. CARF, ao menos, seja excluída da autuação a multa qualificada no patamar de 150% (cento e cinquenta por cento), em razão de a Recorrente não ter concorrido em qualquer das hipóteses para sua imposição. Caso ainda remanesçam dúvidas acerca do direito evidenciado nos autos pela Recorrente, requer a conversão do julgamento em diligência para produção da competente prova pericial. [...] É o Relatório. Fl. 2445DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 20 19 O Colegiado embargado acordou, por maioria, em conhecer do recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Alberto Pinto e Hélio Araújo, para, no mérito, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Hélio Araújo e Márcio Frizzo. O acórdão em tela foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2007 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE ATIVOS. OPERAÇÃO “CASASEPARA”. SIMULAÇÃO. Deve ser mantida a exigência, ao restar comprovado que as complexas operações societárias levadas a efeito pela interessada nunca objetivaram a admissão de novo sócio ou investidor, mas sim a alienação de participações societárias. A existência de prévio contrato escrito entre as partes, em que são detalhados todos os passos e valores envolvidos nas operações, reforça tal conclusão. Irrelevante o lapso temporal entre o início e o final das operações ter sido superior a um ano, se todas as etapas estavam previamente acordadas entre as partes. O descompasso entre a vontade aparente e a vontade real conduz à conclusão de simulação. O ganho de capital na alienação foi artificialmente reduzido, com a igualmente artificial majoração do custo de aquisição. O lançamento deve, assim, ser mantido. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. É cabível a qualificação da multa de lançamento de ofício nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo ao praticar atos simulados, com o objetivo de ocultar da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador tributário. Pedrasul Construtora S/A apresentou embargos admitidos nos termos de despacho de fls. 2422/2423, a seguir transcrito: Os autos seguiram para a Unidade de origem que lavrou a intimação de fls. 2385/2388, cientificada à contribuinte em 18/05/2015 (fl. 2390/2391). Em 25/05/2015 a contribuinte opôs embargos, tempestivamente, nos quais afirma que o acórdão embargado padeceria de omissões e obscuridades, a saber: (i) obscuridade quanto às motivações extrafiscais das operações em virtude das dificuldades financeiras agravadas pelo desequilibro econômicofinanceiro dos contratos de concessão; (ii) omissão quanto à licitude do bônus de subscrição diante da impossibilidade de alienação direta das participações; (iii) omissão e obscuridade ao definir a operação como "casa e separa"; A exigência em debate recaiu sobre o ganho de capital obtido na alienação de participação societária que a contribuinte detinha junto a Univias Participações S/A. Observase no recurso voluntário referências às motivações extrafiscais das operações e à licitude do bônus de subscrição, aspectos que, embora possam ter sido suplantados pelas razões determinantes para a manutenção da exigência, apresentadas no voto condutor do julgado, não foram expressamente assim considerados. Também não se identifica, no voto condutor do julgado, referências às condições suspensivas, alegadas em recurso voluntário, e que, no entender da embargante, poderiam prejudicar a caracterização da operação como "casa e separa". Frente ao exposto, neste juízo de cognição sumária, restam caracterizadas as omissões e obscuridades apontadas pela embargante, razão pela qual, com Fl. 2446DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 21 20 fundamento no art. 65, §2o, e no art. 49, §5º, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, são ADMITIDOS os embargos de declaração opostos pela recorrente, com sua consequente inclusão em lotes para sorteio, na medida em que o Conselheiro Redator não mais integra o Colegiado embargado. Observese, ainda, que nesta mesma data estão sendo admitidos embargos de declaração opostos por BGPar S/A e CP Construções e Participações Ltda, nos autos dos processos administrativos nº 11080.731774/201111 e 11080.730002/201161, os quais, por decorrerem das mesmas operações aqui tratadas, revelam conexão na forma do art. 6º, §1º, inciso I, do Anexo II do RICARF, autorizando a distribuição conjunta ao mesmo Conselheiro Relator. Esclareçase que, como o Conselheiro Relator não mais integra o Colegiado embargado, os autos foram atribuídos por meio de sorteio a esta Conselheira, na forma do art. 49, §5º do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 2447DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 22 21 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Os embargos foram opostos tempestivamente, e a embargante demonstrou aspectos que revelavam omissões e obscuridades que demandavam saneamento, nos termos expostos no despacho de admissibilidade. Por tais razões, os embargos são CONHECIDOS. Passase, assim, ao exame das alegações da embargante. Obscuridade quanto às motivações extrafiscais das operações em virtude das dificuldades financeiras agravadas pelo desequilibro econômicofinanceiro dos contratos de concessão (Tema 1) e Omissão quanto à licitude do bônus de subscrição diante da impossibilidade de alienação direta das participações (Tema 2) A embargante aduz que o voto vencedor do acórdão embargado, ao afirmar que os ditos atos simulados teriam majorado indevidamente o custo de aquisição do investimento, findando por "ocultar" o suposto ganho de capital ocorrido", desconsidera circunstâncias de extrema relevância para o deslinde do feito e o correto entendimento das operações realizadas, quais sejam, as dificuldades financeiras agravadas pelo desequilíbrio econômicofinanceiro dos contratos de concessão. Relatando as ocorrências que evidenciariam a instabilidade política no Estado do Rio Grande do Sul acerca da concessão de serviços públicos, especificamente rodovias, a demandar maciços investimentos das concessionárias, a embargante assevera que ela e suas sócias não tinham mais capacidade financeira para, sozinhas, realizar estes novos investimentos, e destaca ser sua a obrigação de preservar a qualificação econômicofinanceira apresentada por ocasião do certame público, sob pena de caducidade da concessão, na forma da legislação de regência. Como tal caducidade causaria prejuízos ainda maiores à Embargante, constitui motivo que explica a necessidade da reestruturação ocorrida. Assim, ante a decisão da embargante e das demais empresas que compunham a UNIVIAS de sair do ramo de concessões públicas rodoviárias, promoveuse estudo para decidir qual a melhor estrutura societária para alienar os investimentos realizados, ou trazer um novo investidor à UNIVIAS, com o intuito de fazer frente aos novos investimentos demandados e avaliar o endividamento das empresas. Considerando que a transferência da concessão ou mesmo do controle acionário da concessionária sem a autorização do Poder Concedente é causa de caducidade da própria concessão, necessária seria autorização expressa do Poder Concedente (DAER) bem como de demais órgãos públicos, tais como BNDES (credor) e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), a inviabilizar a simples e pura alienação de sua participação nas concessões públicas, sendo que, de outro lado, a UNIVIAS e a Embargante necessitavam urgentemente de novos recursos para a manutenção de sua qualificação econômico financeira. Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 23 22 Daí a contratação do Banco Pactual S/A e do escritório de advocacia Barbosa, Mussnich & Aragão Advogados, para estudo das hipóteses viáveis, sendo certo que tais pareceres, em momento algum, foram confrontados pelo voto vencedor do acórdão embargado. Concluindo pela inviabilidade da contratação de empréstimos bancários e da abertura de capital em Bolsa de Valores, restou como única alternativa a imediata entrada de um novo investidor, que para ser promovida sem a alienação das ações antes da anuência do BNDES e do DAER, foi promovida por meio do bônus de subscrição. A embargante acrescenta que: Nesse modelo, por um lado garantese o ingresso imediato de investimentos necessários à consecução do objeto dos contratos administrativos sem qualquer aumento do passivo da UNIVIAS e seus acionistas, assegurando, assim, a qualificação econômicofinanceira exigida. Por outro, concede a segurança ao novo investidor, durante o período necessário à obtenção das autorizações exigidas para alienar parte das concessionárias. Com base nisso, o novo investidor interessado no negócio desenvolvido pela UNIVIAS firmou, em setembro de 2006, com a própria UNIVIAS e as empresas que dela participavam, o Acordo de Investimentos devidamente registrado no CADE. Depois de discorrer sobre a licitude do bônus de subscrição, a embargante destaca a necessidade de o Colegiado fundamentar (i) os motivos pelos quais entende que poderia ter sido realizada a operação de alienação da participação societária de forma direta; (ii) os motivos pelos quais entende que as operações seriam simuladas dado que a operação realizada foi a maneira de evitar a caducidade das concessões. Volvendo os olhos para o recurso voluntário, observase no tópico "IV.I.I Propósito Negocial" a abordagem acerca das ocorrências que evidenciariam a instabilidade política no Estado do Rio Grande do Sul acerca da concessão de serviços públicos, especificamente rodovias. Já com referência às alternativas consideradas para superar o fato de que a embargante e suas sócias não tinham mais capacidade financeira para, sozinhas, realizar os novos investimentos demandados pela concessão por elas detida, outra foi a abordagem em recurso voluntário. De fato, a recorrente firmou, apenas, a necessidade do ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como compartilhasse os riscos atrelados ao empreendimento, e isso para justificar a previsão contratual de retirada dos demais sócios da UNIVIAS, apesar de acrescentar que o ingresso de novo sócio alavancaria as companhias em outros negócios a serem desenvolvidos, especialmente frente ao possível lançamento da 2ª Etapa do Programa Federal de Concessões, dado que a associação com um grupo economicamente forte injetaria recursos na Companhia e viabilizaria o desenvolvimento de novos negócios. Neste momento, a recorrente não abordou a necessidade de prévia autorização dos órgãos reguladores para transferência da concessão. Há apenas uma menção ao fato de que a reorganização empresaria dependia da aprovação de terceiros, sendo que as justificativas de propósito negocial são finalizadas com a observação de que as vitórias do Grupo Espanho OHL no referido programa de concessões decorreu do baixo custo de obtenção de recursos pelo lançamento de papéis ou Bolsa de Valores, gerando perda de escala para o Grupo UNIVIAS e motivando a saída da contribuinte do referido consórcio. Somente mais à frente, ao tratar das condições suspensivas do negócio, a recorrente fez referência à necessidade de aprovação dos órgãos reguladores. Já com referência à escolha do bônus de subscrição como meio para Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 24 23 imediata injeção de capital no empreendimento, a recorrente apenas o descreveu como instrumento previsto na legislação societária para captação de recursos por companhias, e afirmou que ele foi efetivamente emitido e o preço pela sua emissão e exercício foi devidamente pago pela Robina, sem enfrentar a acusação fiscal, reproduzida pela própria recorrente, de que tais recursos foram pagos diretamente aos sócios, sob a forma de um mútuo simulado, cuja liquidação, através de resgate de ações, já estava previamente acordada. Feitos tais esclarecimentos, vêse que o voto condutor do acórdão embargado, embora em abordagem que se prestava a demonstrar que o caso presente se alinhava àqueles que este Conselho classificou como "casasepara", acabou por demonstrar que tais justificativas não alteravam a conclusão de haver simulação para evitar a tributação sobre ganho de capital, evidenciando a partir da análise do Acordo de Investimentos que: 1) a intenção das autuadas sempre foi alienar a participação societária; 2) a autorização dos órgãos reguladores seria indispensável em qualquer forma negocial; 3) o bônus de subscrição não se prestou ao incremento do empreendimento porque repassado diretamente aos sócios da UNIVIAS por conta de mútuo; e 4) a rescisão do contrato somente foi prevista em caso de não autorização dos órgãos reguladores, vinculandose os pactuantes irrevogavelmente nas demais hipóteses. Para maior clareza, transcrevese as razões assim expostas no voto condutor do julgado: No caso sob análise, o Acordo de Investimentos e Outros Pactos (fls. 492/536) evidencia exatamente isso. A intenção de admitir um novo sócio ou investidor (supostamente a Robina) nunca esteve presente, e a intenção desde o início era alienar a participação societária que os envolvidos detinham junto às concessionárias. O acórdão recorrido bem enfatizou aspectos do negócio que evidenciam seus efeitos financeiros, com a imediata transferência dos recursos aportados pela Robina aos alienantes, confirase o seguinte excerto (fls. 2099): Esse aspecto fica mais claro quando se verifica que na mesma assembléia em que se aprovou a emissão de bônus de subscrição também houve a renúncia do direito de subscrição pelos acionistas e a aprovação da subscrição do bônus pela Robina. E, também, quando se verifica que os valores recebidos pela Univias, referentes à subscrição do bônus, foram repassados imediatamente aos sócios CP, BGPAR, Castilho e Pedrasul, por conta de mútuo, que posteriormente foi quitado mediante resgate de ações, com lançamento contábil à débito de mútuo e à crédito de investimentos. Outro aspecto de profunda relevância a demonstrar que nunca houve, de fato, um “novo investidor” é a constatação de que, quando a Robina subscreveu as ações, já havia ocorrido redução de ações na Univias, de tal forma que o número de ações ficou quase inalterado (100 milhões contra 103 milhões, vide descrição detalhada à fl. 1610/1611). Alegam as recorrentes que, ao contrário de outras situações caracterizadas como “casasepara”, neste caso teria havido o transcurso de um lapso temporal significativo, superior a um ano. No entanto, tal lapso temporal, aqui, se torna irrelevante, visto que todos os passos estavam previamente pactuados entre as partes, até mesmo quanto a valores. Também deve ser refutada a afirmação de que não seria possível a alienação direta, mediante compra e venda, pela necessidade de autorização expressa dos órgãos concedentes. É verdade que tal autorização era indispensável para a alienação das Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 25 24 participações societárias, mas não é menos verdade que também o foi dentro da complexa operação engendrada pelas alienantes, aqui discutida. Confirase, por exemplo, no Acordo de Investimentos e Outros Pactos (fls. 492/536), os itens 5.2 (b); 5.2.1 (f); e 5.3 (b). Acrescentese a essa observação que a hipotética ausência das indispensáveis autorizações dos órgãos reguladores seria a única situação capaz de desobrigar os pactuantes e levar à rescisão do contrato (item 5.2.2). De outra sorte, os pactuantes estavam irevogavel e irretratavelmente obrigados (item 5.1) a prosseguir nas etapas contratadas. Resta, pois, demonstrada que a autorização dos órgãos reguladores seria indispensável, como o foi, qualquer que fosse a forma negocial adotada. Assim, afastada qualquer motivação extrafiscal, remanesce tão somente a motivação de redução ou supressão dos tributos devidos na alienação da participação societária. (negrejouse) Acrescentese que, nestes termos, a menção ao fato de a redução de ações ter ocorrido previamente à subscrição de ações é apenas um complemento ao destaque, anterior, de que o valor correspondente à subscrição do bônus foi repassado imediatamente às sócias da UNIVIAS, hábil a infirmar a alegação, reiterada pela embargante, de que esta operação permitiu a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro das concessões. Frente a tal abordagem, o presente voto é no sentido de ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes, apenas para sanar a obscuridade vislumbrada na abordagem acima, a qual, apesar de centrada na caracterização da operação como "casasepara", demonstrou que as dificuldades financeiras destacadas pela embargante e o aporte de capital mediante bônus de subscrição não alteram a conclusão de que houve simulação e a recorrente pretendia, apenas, alienar seu investimento, sendo os recursos aportados pela adquirente destinados aos sócios da UNIVIAS, e não aplicados no empreendimento. Omissão e obscuridade ao definir a operação como "casa e separa" (Tema 3) A embargante aduz que, ao definir a operação in casu como operação de Casa e Separa", o voto vencedor foi omisso quanto ao fato de que as condições no presente caso eram suspensivas, e não resolutivas como os típicos casos de "Casa e Separa". Acrescenta que o voto vencedor do acórdão também foi obscuro quanto à alternativa jurídica mais simples e direta, uma vez que, como já afirmado acima, não levou em consideração a impossibilidade imposta pelo Contrato Administrativo ao qual a Embargante estava vinculada, que impossibilitava absolutamente a venda direta, hipótese esta totalmente peculiar e diversa de todos os casos de "Casa e Separa". A embargante estrutura seus questionamentos a partir das premissas de que os planejamentos denominados "casa e separa" se valem de empresa veículo com vida efêmera, com a fixação de cláusulas resolutivas que não levariam a quaisquer penalidades se não implementadas, sempre presente a possibilidade de ser adotada uma alternativa mais simples por não envolver órgãos públicos, nem agentes financeiros. Confrontando estas circunstâncias com as características do presente caso, conclui que inexiste qualquer semelhança com os demais casos analisados por este Conselho. Defende, assim, que deveria constar do voto condutor em detalhes porque reputou a operação realizada nos autos como uma operação de "Casa e Separa", abordando cada um dos critérios apontados pela Embargante (apontados acima), e não deixando de analisar as condições em que as operações ocorreram e a alternativa jurídica mais simples e direta. Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 26 25 Inicialmente cumpre observar que o voto condutor do acórdão embargado claramente expõe as premissas que caracterizariam a dita operação "casasepara": Ao analisar as operações como um todo, o Colegiado concluiu estar diante de situação que a doutrina e outros julgamentos deste CARF têm denominado “casa separa”. Tal é o contexto, quando o possuidor de determinado ativo (no caso concreto, participações societárias) resolve dele se desfazer. No entanto, em vez de alienálo em simples operação de compra e venda, com a apuração de ganho de capital, engendra complexas alterações societárias com entrada de novo sócio com recursos financeiros e posterior retirada de sócio, de tal forma que o resultado final é que o “novo sócio”, que havia ingressado na sociedade com recursos financeiros, nela permanece com o ativo (objeto da alienação) e o “antigo sócio”, até então dono do ativo, se retira da sociedade com recursos financeiros. O ativo muda de mãos, também os recursos financeiros, tal e qual se daria em operação de compra e venda, mas aqui sem a apuração de ganho de capital. O apelido “casasepara” vem da constatação de que nunca houve qualquer intenção de constituir uma sociedade, sendo certo que os “sócios” já sabiam de antemão que nunca haveriam de explorar um negócio de forma conjunta e que à entrada de um sucederia inevitavelmente a saída do outro. Logo, se a embargante entende que as demais premissas aventadas são determinantes para a conclusão de que houve ganho de capital tributável, cumprelhe demonstrar a divergência mediante veículo próprio, qual seja, recurso especial dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais. De outro lado, constatase que, em recurso voluntário, a interessada destacou que a validade das operações que geram economia fiscal seria evidenciada, dentre outros aspectos, pela existência de várias condições suspensivas que pendiam para ingresso do novo sócio. Relatou tais condições, reconhecidas pela Fiscalização (aprovação pelo DAER/RS, comunicação ao BNDES sobre a transferência do controle das concessionárias, encaminhamento ao BNDES e agentes financeiros de pedido de aprovação para tal transferência de controle, obtenção da autorização do BNDES e dos agentes financeiros para a transferência do controle), e ressaltou a possibilidade de rescisão do acordo caso não obtida a autorização ou não implementadas as demais condições. Discordou, assim, da caracterização de uma alienação frente à possibilidade de rescisão do acordo, e reafirmou sua função: permitir o ingresso de novo investidor para exploração do Consórcio Univias, que aportasse os recursos necessários para a continuidade da execução dos projetos, bem como compartilhasse os riscos atrelados ao empreendimento. Tais argumentos foram assim enfrentados no voto condutor do julgado: Também deve ser refutada a afirmação de que não seria possível a alienação direta, mediante compra e venda, pela necessidade de autorização expressa dos órgãos concedentes. É verdade que tal autorização era indispensável para a alienação das participações societárias, mas não é menos verdade que também o foi dentro da complexa operação engendrada pelas alienantes, aqui discutida. Confirase, por exemplo, no Acordo de Investimentos e Outros Pactos (fls. 492/536), os itens 5.2 (b); 5.2.1 (f); e 5.3 (b). Acrescentese a essa observação que a hipotética ausência das indispensáveis autorizações dos órgãos reguladores seria a única situação capaz de desobrigar os pactuantes e levar à rescisão do contrato (item 5.2.2). De outra sorte, os pactuantes estavam irrevogável e irretratavelmente obrigados (item 5.1) a prosseguir nas etapas contratadas. Fl. 2452DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11080.732210/201103 Acórdão n.º 1302001.839 S1C3T2 Fl. 27 26 Nestes termos, embora não se referindo expressamente às condições suspensivas aventadas pela recorrente, o Conselheiro Redator teve em conta seus efeitos e não os considerou suficientes para afastar a existência, na hipótese, de uma operação "casasepara". Em verdade, tais condições suspensivas apresentamse como diferencial nesta operação em comparação com outras já apreciadas neste Conselho, mas apenas porque a alienação do investimento dependia das prévias autorizações antes referidas para que o adquirente. Consequência deste diferencial, porém, foi apenas a distribuição da apuração do ganho de capital nos anoscalendário 2006 e 2007, em conformidade com a entrega de recursos pela adquirente, dependente do implemento das condições antes referidas, apesar de no presente caso não ter sido apurada diferença a tributar em 2007, em razão dos demais valores reconhecidos pela autuada. Até porque, ainda que pendentes condições suspensivas, os valores recebidos pela Univias, referentes à subscrição do bônus, foram repassados imediatamente aos sócios CP, BGPAR, Castilho e Pedrasul, por conta de mútuo, que posteriormente foi quitado mediante resgate de ações, com lançamento contábil à débito de mútuo e à crédito de investimentos, como bem destacado no voto condutor do julgado. Por tais razões, o presente voto é no sentido de ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes, apenas para sanar a obscuridade vislumbrada na abordagem acima, evidenciado que o voto condutor do julgado teve em conta os efeitos das condições suspensivas, mas não os considerou suficiente para afastar a existência, na hipótese, de uma operação "casasepara". Estas as razões para, ao final, CONHECER e ACOLHER os embargos, mas sem efeitos infringentes. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10855.001521/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1994
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando o acórdão paradigma, longe de demonstrar o alegado dissídio interpretativo quanto à exigência de laudo de avaliação, encontra-se em total sintonia com o acórdão recorrido. Com efeito, a situação retratada no acórdão recorrido constitui a hipótese expressamente ressalvada no paradigma como aquela em que é requerida a apresentação de laudo de avaliação, nos termos da Súmula CARF nº 23.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9202-003.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora
(Assinado digitalmente)
Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora designada
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1994 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando o acórdão paradigma, longe de demonstrar o alegado dissídio interpretativo quanto à exigência de laudo de avaliação, encontrase em total sintonia com o acórdão recorrido. Com efeito, a situação retratada no acórdão recorrido constitui a hipótese expressamente ressalvada no paradigma como aquela em que é requerida a apresentação de laudo de avaliação, nos termos da Súmula CARF nº 23. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 15 21 /2 00 7- 61 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA CO STA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digi talmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.001521/200761 Acórdão n.º 9202003.949 CSRFT2 Fl. 509 2 (Assinado digitalmente) Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora designada EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Contra o Contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança do Imposto sobre a Propriedade 'Territorial Rural (ITR), exercício de 1994. Entre os assuntos abordados no processo, discutese a base de cálculo utilizada no lançamento. De acordo com o lançamento embasado na DITR originalmente apresentada pelo Contribuinte, o VTN atribuído a propriedade foi de R$ 1.683.706,17, que, excluindose 10,0 ha de área de Interesse Ecológico, gerou como Valor da Terra Nua Tributado o montante de R$ 1.531.196,54 (fl. 23). Alegando ter cometido erro, contribuinte requereu a revisão do valor inicialmente apresentado juntado para tanto Laudo Técnico que atribui ao imóvel em questão o valor de R$ 648.480,00, correspondentes à 751.515,15 UFIR (base janeiro 97), excluindo área isenta, o valor tributado deveria ter sido 683.443,13 UFIR. (fls. 129). O VTN Mínimo fixado pela autoridade competente para a área em questão era de 3.244,64 UFIR por Hectare (Fls. 147), perfazendo para o imóvel um total de 325.761,86 UFIR. Para melhor compreensão da demanda transcreve os esclarecimentos feitos pelo Relator do acórdão recorrido. Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração referente a Imposto sobre a Propriedade 'Territorial Rural (ITR), exercício de 1994, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 23.037,46, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Brumado" (nome correto Fazenda Tiete IV), localizado no município de ITU, SP. Inicialmente cabe destacar que o lançamento ora combatido se refere ao pagamento de ITR relativo ao exercício de 1994. O primeiro lançamento foi realizado em 1997 e originou o processo administrativo nº 13806.002984/9539, onde o contribuinte apresentou impugnação em que basicamente demonstra que havia cometido erro no preenchimento de sua declaração no que tange ao valor da propriedade, requerendo Fl. 701DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA CO STA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digi talmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.001521/200761 Acórdão n.º 9202003.949 CSRFT2 Fl. 510 3 desta forma revisão no calculo do imposto devido baseandose em Laudo de Avaliação Técnica. A autoridade julgadora de 1ª instância acolheu os argumentos expostos na Impugnação no sentido de recalcular o imposto devido, entretanto, o contribuinte ainda se demonstrou inconformado, apresentando Recurso Voluntário, por considerar que o mencionado cálculo ainda se encontrava equivocado por não utilizar a alíquota devida. A C. Segunda Turma do Terceiro Conselho de Contribuintes, proferiu decisão anulando o referido lançamento por detectar vício formal na respectiva Notificação de Lançamento (falta de assinatura do agente fiscalizador). Diante desta decisão, a Secretaria de Receita Federal acabou emitindo nova Notificação de Lançamento, da qual a contribuinte apresentou nova impugnação, gerando o presente processo administrativo, onde alegou em síntese que: I) o novo lançamento não havia sanado os vícios formais apontados na decisão proferida pelo E. Conselho de Contribuintes; II) A alíquota de 1,40%, prevista na Medida Provisória nº 399/93 não poderia ser aplicada no cálculo do imposto devido, e III) por fim, deveria ser tomada como base de cálculo a área retificada na ocasião do pedido de revisão anteriormente deferido. A 1ª Turma da DRJCampo Grande/MS, por meio do acórdão de fls. 226/235, conheceu a impugnação como tempestiva. Os fundamentos dessa decisão de primeira instância estão consubstanciados na seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1994 ILEGALIDADE INCONSTITUCIONALIDADE Em processo administrativo é defeso apreciar arguição de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade dos Atos Públicos por tratarse de matéria reservada ao Poder Judiciário. VALOR DA TERRA NUA VTN O lançamento que tenha sua origem em valores oriundos de pesquisa nacional de preços da terra publicados em atos normativos nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação forem oferecidos elementos de convicção embasados em Laudo Técnico elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ato base questionado. ÁREA PRODUTIVA ALÍQUOTA DE CÁLCULO LEGALIDADE Fl. 702DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA CO STA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digi talmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.001521/200761 Acórdão n.º 9202003.949 CSRFT2 Fl. 511 4 Se o Grau de Utilização da Terra GUT for inferir a 30,0% a alíquota aplicável é a máxima, a qual é duplicada no ano seguinte se a propriedade apresentar mesmo GUT, porém tal duplicação se aplica somente a partir do próximo ano de vigência da lei que assim estabeleceu." Contra a decisão de Primeira Instância (fls. 226) dando procedência parcial do lançamento, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 258/279) alegando preliminar de nulidade do auto haja vista o descumprimento de requisitos formais para lançamento do crédito: ausência de demonstração detalhada do cálculo do tributo cobrado e citação genérica dos dispositivos legais aplicados ao caso. No mérito defende a aplicação da base de cálculo baseada no laudo juntado e conforme já havia sido reconhecido pela decisão proferida no primeiro processo administrativo o qual foi anulado. O acórdão recorrido (fls. 306), constatando que o laudo de avaliação não preenche os requisitos técnicos sequer se reporta ao VTN de 1994 aplicou a Súmula 23 do CARF, negando provimento do Recurso do Contribuinte. Recurso Especial juntado as fls. 321, que com base no acórdão paradigma nº CSRF 0304.017 requer a reforma da decisão para afastar a Súmula 23, pois o Laudo de Avaliação apresentado pela Recorrente não tinha o objetivo de retificar o Valor da Terra Nua mínimo que fora fixado pela Autoridade Competente, mas meramente o Valor da Terra Nua declarado equivocadamente. Subsidiariamente, requer seja conhecido e provido o recurso anulando a decisão recorrida e devolvendo os autos a origem para que possam ser devidamente analisados os demais argumentos de mérito empreendidos pela Recorrente. Em contrarrazões a Fazenda Nacional entende pela aplicação da Sumula 23 e requer a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA CO STA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digi talmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.001521/200761 Acórdão n.º 9202003.949 CSRFT2 Fl. 512 5 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Relatora A discussão trazida à Câmara Superior para análise se restringe em definir se a Súmula 23 do CARF, a qual exige que o laudo cumpra os requisitos técnicos da ABNT, se estende aos pedidos de revisão de valores de terra nua em que o valor final declarado pelo contribuinte permanecer superior ao VTN mínimo fixado em ato normativo. O acórdão recorrido, aplicou a referida súmula, externando seu entendimento de que para revisão do Valor da Terra Nua, ainda que em valor superior ao mínimo fixado pela Autoridade, seria necessária a apresentação de laudo técnico, emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas. O Recorrente nos trouxe como acórdão paradigma o de nº 0304.017, cuja decisão possui a seguinte ementa quanto a parte recorrida: RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL — NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO FORMAL, SUSCITADA DE OFÍCIO PELO RELATOR — IMPOSSIBILIDADE — REFORMATIO IN PEJUS PRÉ QUESTIONAMENTO. Por força do princípio da proibição do reformatio in pejus, apenas o contribuinte interessado poderia ter suscitado a nulidade do lançamento, por vicio formal, mediante interposição de recurso adequado. ITR — VALOR DA TERRA NUA — DITR — ERRO NO PREENCHIMENTO Constatado erro na informação prestada na DITR, supervalorizando, sem justificativas, o imóvel objeto da tributação, deve a autoridade administrativa promover a correção necessária, ajustando o valor tributável ao VTN adequado. A apresentação de laudo técnico circunstanciado, nos ternos do art. 3°, § 4º , da Lei n° 8.847/94, é exigível apenas para a redução do VTN a nível inferior ao mínimo estabelecido em norma legal. Aplicado, no caso, o VTN ainda superior ao mínimo fixado para o município de localização do imóvel. Preliminar de nulidade rejeitada. Recurso especial negado. Portanto ao realizarmos o cotejo das decisões em questão vislumbramos entendimentos diferentes proferidos em situações análogas. Pelos fatos envolvidos no processo, em ambos os casos buscase a revisão do valor da terra nua tributável declarado pelo contribuinte para fins de fixação da base de cálculo Fl. 704DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA CO STA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digi talmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.001521/200761 Acórdão n.º 9202003.949 CSRFT2 Fl. 513 6 para o recolhimento do ITR. Para o colegiado a quo seria necessária a apresentação de laudo técnico enquanto que para o acórdão paradigma tal exigência somente se aplicaria no caso de revisão que resultasse em adoção de valor abaixo do VTN mínimo vigente à época. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo contribuinte. Vencida no conhecimento, deixo de analisar o mérito. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 705DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA CO STA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digi talmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.001521/200761 Acórdão n.º 9202003.949 CSRFT2 Fl. 514 7 Voto Vencedor Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO Redatora designada Tratase de exigência de ITR do exercício de 1994, por meio da Notificação de Lançamento de fls. 03, emitida em 1995. Cientificada da notificação, a Contribuinte apresentou impugnação, solicitando unicamente a retificação do VTN Valor da Terra Nua declarado, alegando erro quando da informação do valor total do imóvel, o que foi acatado pela DRJ (processo nº 13805.002984/9539), com base na Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT nº 01, de 1995, conforme ementa e voto a seguir reproduzidos (fls. 152 a 154). Ementa "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1994. Ementa: VTN Tributado Retificase o VTN tributado face a apresentação de Laudo de Avaliação de acordo com a Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT nº 01/95." Voto "Para alteração dos itens referentes ao cálculo do Valo da Terra Nua na DITR, relativos a 31 de dezembro do ano anterior, declarados pelo próprio contribuinte, é necessária a comprovação através de: avaliação efetuada por perito (Engenheiro Civil, Engenheiro Agrônomo, Engenheiro Florestal ou Corretor de Imóveis devidamente habilitados); b) avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas municipais ou estaduais; c)outro documento que tenha servido para aferir os valores em questão, como, por exemplo, anúncios em jornais, revistas, folhetos de publicação geral, que tenham divulgado aqueles valores. Tal exigência encontrase disciplinada na Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT nº 01/95, em seus anexos VIII e XIX, situação 12.6, que integra a legislação tributária federal. O documento de fls. 46 atende à previsão acima citada da Norma de Execução 01/95 e estabelece para o Valor da Terra Nua declarado o montante de 751.515,15 UFIR, modificando portanto o valor a pagar a título de ITR e contribuição ao CNA conforme minuta de cálculo de fls. 67. Desta forma, retificase o Valor da Terra Nua declarado, nos termos do artigo 146, inciso I, da Lei nº 5.172, de 15/10/1966 (CTN)" (grifei) Desta decisão consta o seguinte quadro: Fl. 706DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA CO STA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digi talmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.001521/200761 Acórdão n.º 9202003.949 CSRFT2 Fl. 515 8 Valor total exigido ......... 23.037,45 UFIRs .... R$ 24.514,15 Valor total exonerado..... 12.716,23 UFIRs .... R$ 13.531,34 Valor total mantido ........ 10.321,22 UFIRs .... R$ 10.982,81 Assim, a questão do VTN foi tratada pela DRJ de acordo com o que fora efetivamente solicitado: retificação de um valor declarado erroneamente pelo Contribuinte, o que nada tinha a ver com revisão de VTNm Valor da Terra Nua Mínimo. Ao ser cientificada do novo cálculo, efetuado em função da decisão da DRJ, a Contribuinte insurgiuse novamente, interpondo Recurso Voluntário, desta feita, dentre outras reivindicações, contra a alíquota aplicada, de 1,40%, entendendo que o correto seria 0,70%. Entretanto, o antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 30235.522, de 16/04/2003, anulou o lançamento, por vício formal, conforme a seguinte ementa: "PROCESSUAL LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO NULIDADE. É nula, por vicio formal, a Notificação de Lançamento emitida sem assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado a emitila e a indicação de seu cargo ou função e do número de matricula, em descumprimento As disposições do art. 11, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais." ACOLHIDA A PRELIMINAR DE NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO, POR MAIORIA." Em 2007, foi emitida nova Notificação de Lançamento, cientificandose a Contribuinte que, inconformada, apresentou impugnação, alegando, em síntese (fls. 23, 26 e 46 a 64): nulidade do lançamento; erro na alíquota, que seria de 0,70% e não de 1,40%; desconsideração da retificação do VTN, que havia sido levada a cabo pela primeira decisão da DRJ. Em 1º/02/2007, foi julgada a impugnação, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1994 Ilegalidade/Inconstitucionalidade Em processo administrativo é defeso apreciar argüições de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade dos Atos Públicos, por tratarse de matéria reservada ao Poder Judiciário. Valor da Terra Nua VTN O lançamento que tenha sua origem em valores oriundos de pesquisa nacional de preços da terra, publicados em atos normativos nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA CO STA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digi talmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.001521/200761 Acórdão n.º 9202003.949 CSRFT2 Fl. 516 9 Área Improdutiva Alíquota de Cálculo Legalidade Se o Grau de Utilização da Terra GUT for inferior a 30,0%, a alíquota de cálculo aplicável é a máxima, a qual é duplicada no ano seguinte se a propriedade apresentar o mesmo GUT, porém, tal duplicação se aplica, somente, a partir do próximo ano da vigência da lei que assim estabeleceu. Lançamento Procedente em Parte" Assim, a impugnação foi considerada procedente em parte, mantendose o VTN e alterandose a alíquota para 0,70%. No que tange ao VTN, o acórdão da DRJ assim se pronunciou: "24. De acordo com o lançamento, embasado na DITR apresentada, o VTN atribuído a propriedade foi de 1.683.706,17 UFIR (unidade fiscal de referencia), fl. 23, que, excluindose 10,0ha de área de Interesse Ecológico, corresponde a 1.531.196,54 UFIR de VTN tributado, já que, conforme a declaração, além dessa área isenta não existe na propriedade nenhum item a ser excluído, confirmado, inclusive, na impugnação, quando se afirma que não há a utilização da área aproveitável. Convertendose esse valor em real e aplicandose a alíquota respectiva apurouse o crédito tributário no valor total de R$ 23.037,46, já considerando a improdutividade da propriedade, assunto que mais adiante será melhor tratado. 25. Por outro lado, na hipótese de o contribuinte não concordar com o valor lançado, a Administração abriulhe a possibilidade de rever essa valoração por meio de laudo técnico, emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado. A principio, a lei de regência, como preconiza o artigo 148, do CTN, e os artigos 29 e 30, do Decreto no 70.235/1972, e alterações posteriores, concede a autoridade administrativa essa possibilidade. Tanto é que o § 4º, do artigo 3°, da referida lei n° 8.847/1994, veio corroborar esse entendimento: "§ 4° A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo VTNm, que vier a ser questionado pelo contribuinte." 26. Fazse necessário, então, a revisão daqueles valores pela autoridade julgadora de primeira instância, quando a reclamação tem como suporte o Laudo Técnico, que veio exatamente para suprir falha, porventura existente, na apuração dos valores da terra nua, que embora elaborado por entidades especializadas e de grande conceito, trouxeram valores genéricos para os municípios dos Estados. 27. Criouse o Laudo Técnico para detalhar as condições de localização, padrão de terras e serviços públicos disponíveis para a propriedade em apreço e, assim, atribuirlhe justo valor e Fl. 708DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA CO STA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digi talmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.001521/200761 Acórdão n.º 9202003.949 CSRFT2 Fl. 517 10 atender, desta forma, ao contido no artigo 3°, § 2°, da lei n° 8.847/1994. 28. Assim sendo, o VTN só poderá ser revisto pela autoridade administrativa mediante a apresentação do laudo técnico, que é a prova hábil para impugnar a base de cálculo do lançamento, acompanhado de cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia CREA, e que demonstre o atendimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, através da explicitação dos métodos avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram ã convicção do valor atribuído ao imóvel e dos bens nele incorporados. 29. A interessa apresentou laudo técnico, cuja cópia consta da fl. 129. O original desse documento havia sido apresentado no processo em apenso a este e um dos questionamentos da impugnação é a não consideração do mesmo no novo lançamento. 30. Para esta questão é importante reiterar que o lançamento em foco não tem vínculo com o anteriormente anulado. Sua análise, bem como da impugnação, independe da análise do processo anterior. 31. Apesar de na decisão anterior o laudo em tela tenha sido considerado, o mesmo não atende aos requisitos mínimos das normas técnicas da ABNT. Embora esteja com o nome "Laudo Técnico", esse documento tratase de mera declaração de valor, pois, como consta do mesmo, o profissional apenas declarou o valor por hectare da propriedade, porém, não explicitou os métodos de avaliação, não apontou e nem comprovou as fontes de pesquisa e nem informou a que data corresponde os valores declarados, entendendose que se trata do valor em 07/07/1997, dia da assinatura dessa declaração, e não 1°/01/1994, data da ocorrência do fato gerador. Assim, o mesmo é referente a exercício diverso ao do lançamento e, desta forma, mesmo que o laudo houvesse atendido aos demais requisitos da norma técnica, a comparação de valores entre exercícios diversos, por si só, não é suficiente nem tem base legal para permitir qualquer alteração do lançamento. Em cada exercício a realidade circunstancial é diferente, o lançamento do imposto, conseqüentemente, de acordo com o CTN, deve ser compatível com a realidade da época em que se está tributando. Mesmo porque, os fatores que influenciam na valoração do imóvel são diversos e dinâmicos, sujeitos a variações constantes, que somente com uma verificação local e temporal seria possível constatar a realidade da situação, tais como: melhoramento ou estragos de estradas, eletricidade, telefonia etc., que podem aumentar ou diminuir o VTN. Tudo isso sem mencionar a situação econômica ou inflacionária de cada período. (...) 32. Desta forma, o laudo apresentado não é eficaz para modificar o VTN considerado no lançamento." Fl. 709DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA CO STA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digi talmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.001521/200761 Acórdão n.º 9202003.949 CSRFT2 Fl. 518 11 A leitura dos trechos acima não deixa dúvidas acerca do lapso cometido no julgamento, tendo em vista que um pedido de retificação de VTN declarado espontaneamente, porém com erro, pelo Contribuinte, situação que é tratada na Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT nº 01, de 1995, foi tomado como pretensão de revisão de VTN Mínimo arbitrado pelo Fisco, o que efetivamente só é possível por meio de Laudo Técnico, com todos os seus requisitos. Cientificada do acórdão da DRJ, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, a nulidade do lançamento e a impossibilidade de recusa de alteração do VTN, cujo respectivo laudo havia sido acatado pela DRJ quando do julgamento do primeiro lançamento. Nesse passo, a peça de defesa não especifica o lapso cometido pela DRJ, tampouco enfatiza a natureza de seu pedido inicial, limitandose a alegar nulidade do lançamento, a defender a peça apresentada como sendo efetivamente um laudo apto, e a solicitar produção de prova. Em sessão plenária de 17/03/2011, foi prolatado o Acórdão nº 280101.470 (fls. 356 a 362), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1994 VICIO FORMAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO As hipóteses de nulidade dos atos praticados no processo administrativo tributário estão previstas no art. 59, do Decreto 70.235/72. Assim, só se cogita da declaração de nulidade do lançamento quando este for praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Estando clara e evidente a competência da pessoa, e das oportunidades deferidas à parte para exercer o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do julgamento VALOR DA TERRA NUA. SÚMULA CARF Nº 23 A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado." A ementa acima, registrando a aplicação da Súmula CARF nº 23, já torna claro o lapso novamente cometido, no sentido de que tratarseia de pedido de revisão de VTNm Valor da Terra Nua Mínimo, quando na verdade tratavase de pedido de retificação de VTN declarado espontaneamente pela Contribuinte. No entender desta Conselheira, o engano Fl. 710DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA CO STA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digi talmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.001521/200761 Acórdão n.º 9202003.949 CSRFT2 Fl. 519 12 decorreu, em grande parte, da forma como a Contribuinte abordou a questão no Recurso Voluntário, não especificando com clareza o objetivo do pedido inicial. O lapso cometido no acórdão recorrido fica ainda mais claro logo no início do voto vencedor, que assim registra: "Com a devida vênia do nobre Relator, Conselheiro Julio Cézar da Fonseca Furtado, tenho opinião diversa quanto à possibilidade de se acatar o Laudo de Avaliação Técnica como hábil a permitir a revisão do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado." Com efeito, o arbitramento do VTN, que ocorria quando o Contribuinte declarava VTN inferior ao mínimo, somente poderia ser revisto por meio de laudo com todos os requisitos, conforme especifica a Súmula CARF nº 23. Entretanto, não se tratava de revisão de VTN Mínimo, e sim de correção de VTN declarado erroneamente pela Contribuinte. Nesse contexto, em que ocorreu um claro erro por parte do Colegiado, o remédio processual cabível seria a oposição de Embargos de Declaração. Entretanto a Contribuinte, ao invés disso, interpôs Recurso Especial, indicando como paradigma o Acórdão nº CSRF/0304.017, que efetivamente trata de pedido de retificação de VTN declarado a maior. Confirase a respectiva ementa: "(...) ITR VALOR DA TERRA NUA DITR ERRO NO PREENCHIMENTO Constatado erro na informação prestada na DITR, supervalorizando, sem justificativas, o imóvel objeto da tributação, deve a autoridade administrativa promover a correção necessária, ajustando o valor tributável ao VTN adequado. A apresentação de laudo técnico circunstanciado, nos ternos do art. 3º, § 4°, da Lei n° 8.847/94, é exigível apenas para a redução do VTN a nível inferior ao mínimo estabelecido em norma legal. Aplicado, no caso, o VTN ainda superior ao mínimo fixado para o município de localização do imóvel." (grifei) Assim, embora o paradigma trate efetivamente de caso de retificação de VTN declarado a maior, quando cotejado com o recorrido, não resta demonstrada a alegada divergência, eis que este último tratou o caso como pedido de revisão de VTN Mínimo arbitrado. Com efeito, quando a Contribuinte coteja o paradigma com "o caso dos autos", não há dúvida de que tratase da mesma situação. Entretanto, quando o cotejo do paradigma é com o acórdão recorrido e este é o cotejo apto a demonstrar a divergência surge o descompasso. Confirase: Acórdão recorrido Acórdão paradigma Critério adotado: a redução de valor do Valor da Terra Nua declarado dependeria de laudo com critérios técnicos legalmente estabelecidos, independentemente do Valor da Terra Nua Mínimo. Critério adotado: a redução de valor do Valor da Terra Nua declarado não dependeria de laudo com critérios técnicos legalmente estabelecidos, a menos que fosse inferior ao Valor da Terra Nua Mínimo. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA CO STA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digi talmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10855.001521/200761 Acórdão n.º 9202003.949 CSRFT2 Fl. 520 13 De plano verificase o descompasso do cotejo. Ora, no caso do acórdão recorrido não se tratou de "Valor da Terra Nua declarado" e sim do "Valor da Terra Nua arbitrado", o que faz toda a diferença: o primeiro caso não requer que a prova seja unicamente um laudo (Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT nº 01, de 19950; já o segundo caso requer laudo, com todos os requisitos (Súmula CARF nº 23, de 2006). Aliás, quando proferido o paradigma, em 2004, a citada súmula sequer existia no mundo jurídico, portanto ela nunca poderia ser por ele aplicada. Mas a razão da não aplicação não é esta impossibilidade factual, mas sim o fato de não ser caso de revisão de VTN Mínimo. Tanto é assim que o próprio paradigma faz a ressalva, na própria ementa: "A apresentação de laudo técnico circunstanciado, nos termos do art. 3º, § 4°, da Lei n° 8.847/94, é exigível apenas para a redução do VTN a nível inferior ao mínimo estabelecido em norma legal. Aplicado, no caso, o VTN ainda superior ao mínimo fixado para o município de localização do imóvel." Nesse passo, longe de caracterizar divergência, o paradigma encontrase em total sintonia com o recorrido, que tratou o pedido como se este visasse a revisão de VTN Mínimo, por isso aplicou a súmula exigindo o laudo, exatamente nos termos da ressalva do paradigma. Confirase mais uma vez o recorrido: "Com a devida vênia do nobre Relator, Conselheiro Julio Cézar da Fonseca Furtado, tenho opinião diversa quanto à possibilidade de se acatar o Laudo de Avaliação Técnica como hábil a permitir a revisão do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado. Acerca da matéria, deve ser observado o entendimento pacifico deste Conselho, objeto da Súmula CARF n° 23, a saber: A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas." Diante do exposto, entendo que não restou demonstrada a alegada divergência, razão pela qual não conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Fl. 712DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA CO STA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digi talmente em 20/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10907.000115/2010-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2008 a 01/06/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.659
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2008 a 01/06/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1959; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3 Fl. 486 1 485 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10907.000115/201024 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.659 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 01/06/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 01 15 /2 01 0- 24 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 9303003.659 CSRF‐T3 Fl. 487 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3403003.249. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 487DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 9303003.659 CSRF‐T3 Fl. 488 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 488DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 9303003.659 CSRF‐T3 Fl. 489 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 9303003.659 CSRF‐T3 Fl. 490 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 490DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 9303003.659 CSRF‐T3 Fl. 491 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 491DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 9303003.659 CSRF‐T3 Fl. 492 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 9303003.659 CSRF‐T3 Fl. 493 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 493DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 9303003.659 CSRF‐T3 Fl. 494 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 9303003.659 CSRF‐T3 Fl. 495 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 495DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 9303003.659 CSRF‐T3 Fl. 496 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 496DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10907.000115/201024 Acórdão n.º 9303003.659 CSRF‐T3 Fl. 497 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 497DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13766.721118/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. APOSENTADORIA. NÃO COMPROVAÇÃO.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial. Inteligência do art. 30 da Lei 9.250/1995 e da Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios".
Não restando comprovado que o contribuinte recebia os rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria ou pensão, tais rendimentos não são isentos do imposto de renda. Inteligência dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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APOSENTADORIA. NÃO COMPROVAÇÃO. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial. Inteligência do art. 30 da Lei 9.250/1995 e da Súmula CARF nº 63: "para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios". Não restando comprovado que o contribuinte recebia os rendimentos decorrentes de proventos de aposentadoria ou pensão, tais rendimentos não são isentos do imposto de renda. Inteligência dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 72 11 18 /2 01 2- 15 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13766.721118/201215 Acórdão n.º 2402005.190 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 16/19, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2008, anocalendário de 2007, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. Por descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 46/50, reproduzido a seguir: “Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrada a presente Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2007, exercício 2008, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 6.984,84, sendo R$ 3.201,56 referentes ao imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 2.401,17 à multa de ofício e R$ 1.382,11 aos juros de mora (calculados até 29/06/2012). 2. No anexo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” é informado que, confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pela fonte pagadora em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva no valor de R$ 57.178,70. Na apuração do imposto devido foi compensado Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 676,20. DA IMPUGNAÇÃO 3. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02 através da qual alegou, em síntese, que está apresentando, por meio de cópias reprográficas autenticadas em cartório, os documentos solicitados pelo eminente Auditor Fiscal, quais sejam: Laudo Médico Pericial proferido pela Junta Médica Pericial do IPAJM e Diário Oficial do Estado do Espírito Santo que defere permanentemente a isenção de imposto de renda pessoa física sobre os rendimentos auferidos pelo requerente.” A decisão de primeira instância (fls. 46/50) julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apurados pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 08/05/2014 (fls. 53), o interessado interpôs, em 29/05/2014, o recurso de fls. 54/57. Nas razões recursais aduz, em síntese, que os rendimentos percebidos da aposentadoria são isentos do imposto de renda em razão de ser portadora de moléstia grave (degeneração macular equivalente à cegueira CID H54.0). Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. DA ISENÇÃO IMPOSTO DE RENDA E APOSENTADORIA A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988, com a redação dada pelas Leis 8.541/1992, e 11.052/2004, nos seguintes termos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Nesse passo, o art. 30 da Lei 9.250/1995 passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13766.721118/201215 Acórdão n.º 2402005.190 S2C4T2 Fl. 4 5 § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Extraíse desses textos legais dois requisitos cumulativos para que o beneficiário faça jus à isenção do imposto de renda, a saber: 1. os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão ou complementação de aposentadoria; e 2. a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (art. 30, caput, da Lei 9.250/1995). Nos termos da peça recursal, a controvérsia cingese apenas à comprovação de ser o Recorrente portador de moléstia grave e receber proventos de aposentadoria, assim definidos nos termos da lei. O Recorrente carreou ao recurso ora examinado documentos que apontam ser portador de cegueira (CID H 54.0), somente a partir de 19 de agosto de 2008, conforme laudo oficial emitido pelo Governo do Estado do Espírito Santo Instituto de Previdência dos Servidores (fls. 55/56). Nesse passo, o Fisco constatou que o Recorrente não recebeu proventos de aposentadoria para o ano de ocorrência do fato gerador, anocalendário 2007, sendo que a fonte pagadora “Tribunal de Justiça do Espírito Santo” informou ter efetuado pagamentos em favor do contribuinte a título de “rendimentos do trabalho assalariado” até o mês de abril de 2010, e a partir de maio de 2010 foram informados pagamentos a título de “Pensão, Aposentadoria ou Reforma por Moléstia Grave, conforme delineamento registrado na decisão de primeira instância nos seguintes termos: “6.6 Em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB foi possível constatar que: 6.6.1 A fonte pagadora “Tribunal de Justiça do Espírito Santo” informou haver pago ao contribuinte no ano de 2007 a título de “Rendimentos do Trabalho Assalariado” a importância de R$ 57.178,70. 6.6.2 Até o exercício 2007 (anocalendário 2006) o contribuinte sempre declarou os rendimentos recebidos do “Tribunal de Justiça do Espírito Santo” como tributáveis. Ao elaborar sua DIRPF do exercício 2008 (anocalendário 2007), Declaração entregue em 11/03/2008, declarou como rendimentos tributáveis recebidos da referida fonte pagadora a importância de R$ 57.178,70. Posteriormente, em 25/06/2012, apresentou Declaração Retificadora, através da qual informou que o rendimento de R$ 57.178,70 recebido do “Tribunal de Justiça do Espírito Santo” seria isento. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 6.6.3 A fonte pagadora “Tribunal de Justiça do Espírito Santo” informou ter efetuado pagamentos em favor do contribuinte a título de “rendimentos do trabalho assalariado” até o mês de abril de 2010. A partir de maio de 2010 foram informados pagamentos a título de “Pensão, Aposentadoria ou Reforma por Moléstia Grave”. (fls. 46/50) Dentro desse contexto fático, cumpre esclarecer que não há nos autos qualquer documento capaz de comprovar que os rendimentos recebidos do “Tribunal de Justiça do Espírito Santo”, anocalendário 2007, foram decorrentes de proventos de aposentadoria. Dessa forma, não há como reconhecer a isenção pretendida pelo Recorrente. Nesse sentido, temse a Súmula CARF nº 63, aprovada pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscais em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (g.n.) Esse enunciado sumular é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado por força do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Assim, é forçoso afirmar que o Recorrente não preenche os requisitos para o gozo da isenção do imposto de renda prevista nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988, mantendose os valores apurados pelo Fisco. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720691/2014-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/04/2010, 30/07/2010
MULTA ISOLADA. RESSARCIMENTO INDEVIDO.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
A superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento obriga o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO PROVIMENTO.
Numero da decisão: 3402-002.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento do recurso de ofício.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/04/2010, 30/07/2010 MULTA ISOLADA. RESSARCIMENTO INDEVIDO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento obriga o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO PROVIMENTO.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento do recurso de ofício. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720691/201483 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3402002.998 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria MULTA ISOLADA Recorrente RIO DE JANEIRO REFRESCOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/04/2010, 30/07/2010 MULTA ISOLADA. RESSARCIMENTO INDEVIDO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento obriga o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO PROVIMENTO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento do recurso de ofício. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 06 91 /2 01 4- 83 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 Relatório O presente processo está muito bem relatado em Relatório de fls. 02 dos autos emanados da decisão DRJ/RPO, por meio do voto da relatora Marcela Cheffer Bianchini nos seguintes termos: “MÉRITO Eximome de enfrentar com maiores minudências as razões de defesa opostas pela impugnante, visto que, por outras razões, que a seguir serão expostas, sua contestação merece provimento. O fato é que a multa a que se refere o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, foi revogada, conforme consta da Medida Provisória nº 656, de 2014 abaixo: MEDIDA PROVISÓRIA Nº 656, DE 7 DE OUTUBRO DE 2014 Art. 56. Ficam revogados: I Imediatamente, os arts. 44 a 53 da Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964, o art. 28 da Lei nº 10.150, de 21 de dezembro de 2000, e os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e (grifouse) ..... Ou seja, a conduta infracionária descrita nos autos não encontra mais tipificação legal. Sendo assim, é de se aplicar a retroatividade benigna prevista no Código Tributário Nacional (CTN), art. 106, II, a: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ............................ II Tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; (grifouse) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento obriga o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada. Desta forma, a par dos argumentos da impugnação, entendo que o lançamento da multa isolada deva ser cancelado, ressalvando à Fazenda Nacional o direito de exigir o montante que deixou de ser compensado em decorrência da redução do direito ao crédito pretendido. Pelo exposto, voto pela procedência da impugnação. ” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1455.754 de fls. 1 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/04/2010, 30/07/2010, 28/10/2010, 27/01/2011 MULTA ISOLADA. RESSARCIMENTO INDEVIDO. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 16682.720691/201483 Acórdão n.º 3402002.998 S3C4T2 Fl. 3 3 RETROATIVIDADE BENIGNA. A superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento obriga o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada. Impugnação Procedente Crédito Tributário exonerado. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O presente Recurso de Oficio foi submetido à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. Conforme o relatado o presente processo originouse do lançamento de multa isolada no montante de R$ 21.717.888,77 decorrente de indeferimento (total ou parcial) de pedidos de ressarcimento efetuados por meio de PER/DCOMP nº 31318.93699.270410.1.1.01 900.06774.10438.300710.1.1.010659, 08111.57972.28.10.10.1.1.1.6751 e 03389.49407.270111.1.1.011098, conforme disciplinado pelo § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996. A decisão de fls. 1 a 3 é impecável e deve ser mantida, assim, como poderá ser lida em sessão se necessário. Assim, como nos presentes autos, a decisão recorrida aborda a questão de uma forma absolutamente pertinente aos autos é que entendo que não mereça reparos. Isto Posto, nego provimento ao Recurso de Ofício para mantêla em sua totalidade. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 301DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13955.000363/2002-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996
PIS - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
As decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal, por força do Art. 62 do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5 anos). A partir de 9 de junho de 2005, com a vigência do art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento efetuado.
Embargos Providos.
Numero da decisão: 9303-003.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996 PIS - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO. As decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal, por força do Art. 62 do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5 anos). A partir de 9 de junho de 2005, com a vigência do art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento efetuado. Embargos Providos.
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PRAZO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO. As decisões definitivas de mérito do Supremo Tribunal Federal, por força do Art. 62 do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5 anos). A partir de 9 de junho de 2005, com a vigência do art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento efetuado. Embargos Providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos de declaração, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 5. 00 03 63 /2 00 2- 88 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13955.000363/200288 Acórdão n.º 9303003.444 CSRFT3 Fl. 290 2 Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fl. 281), diante da decisão consubstanciada no Acórdão n° 0203.339 (fls. 275277), de 1º de julho de 2008, proferida pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O acórdão ficou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1995 a 30/11/1998 ADIN n° 1.417. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. Em decorrência da inconstitucionalidade declarada na ADIN n° 1.417, são passiveis de repetição, em tese, os valores do PIS pagos indevidamente relativos aos fatos geradores ocorridos no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta os presentes embargos de declaração aduzindo a existência de omissão em referido julgado, que teria deixado de se pronunciar a respeito do art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005. A admissibilidade se deu por intermédio do Despacho n° 123, de 22 de julho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator Diante da tempestividade e do atendimento dos requisitos de admissibilidade, conheço dos embargos de declaração. Requer a Procuradoria da Fazenda Nacional que seja sanada a omissão no Acórdão 0203.339 no que diz respeito à apreciação do art. 3° da Lei Complementar 118/2005, questão suscitada quando da interposição de seu Recurso Especial. Em análise do Recurso Especial (fls. 250255) percebese o pedido resumidamente nestes termos: “(...) O cerne da questão que se discute no presente feito é saber qual o termo inicial para a contagem do prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição do PIS. O douto acórdão Fl. 290DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13955.000363/200288 Acórdão n.º 9303003.444 CSRFT3 Fl. 291 3 recorrido considerou que o termo inicial para tal contagem é a data da publicação da declaração de inconstitucionalidade do art. 15, da Medida Provisória n° 1.212, de 1995. Pelo exame dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, todavia, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. (...) Há que se chamar a atenção, sobre o tema, para a edição da Lei Complementar n° 118, que trouxe novas luzes ao prazo de restituição ou compensação, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação (...)” E assim requer: “Face ao exposto, requer a Fazenda Nacional seja dado provimento ao presente recurso, para reformar o r. acórdão recorrido, restabelecendose o prazo de cinco anos de restituição e/ou compensação para o PIS a partir de recolhimento, consagrado pela primeira instância administrativa, propiciando, nesses termos, a necessária segurança jurídica (...)”. Entendo que no Acórdão 0203.339, mais especificamente no voto do Conselheiro relator, tratou do “cerne da questão” de se saber qual o termo inicial para a contagem do prazo que a contribuinte possui para pleitear a restituição do PIS, e que se pode perceber in verbis: “(...)Sendo certo que o pedido de restituição objeto destes autos fundamentase em declaração de inconstitucionalidade de disposição legal, no tocante ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial para repetição, filiome a jurisprudência atual desta Turma, no sentido de entender que o dies a quo da contagem do prazo decadencial é a data da declaração de inconstitucionalidade, pois é somente a partir dela que o pagamento, antes legalmente válido, tornase indevido. (grifou se). A tese de que seriam passíveis de repetição apenas os pagamentos efetuados nos últimos cinco anos até a decretação da inconstitucionalidade é fundamentada no principio da segurança jurídica. Entretanto, tal tese prestigia a segurança de uma das partes da relação jurídica em detrimento da outra, resguardando precipuamente as finanças do Estado para desprezar a presunção de constitucionalidade das leis, embora essa presunção seja imanente segurança de todas as relações jurídicas e não só das relações entre os particulares e o Estado (…)”. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13955.000363/200288 Acórdão n.º 9303003.444 CSRFT3 Fl. 292 4 Assim, entendo que não se desconsiderou análise do “conteúdo” do art. 3° da Lei Complementar 118/2005, pois restou claro para os Conselheiros, por unanimidade, entender que o termo inicial é da declaração de inconstitucionalidade. Em resumo, a Procuradoria da Fazenda em sede de Recurso Especial requereu a reforma do julgado da Segunda Câmara do Segundo Conselho, que julgou procedente o pedido da contribuinte, para restabelecer a decisão de primeira instância, a qual estabelecera que o termo inicial para a repetição do indébito seria a extinção do crédito pelo pagamento. A Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial. Diante de tal decisão ingressou com os embargos de declaração. Em suma, a matéria objeto dos julgamentos, do recurso especial e dos embargos de declaração cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição do indébito tributário. Considero adequado o entendimento de que o termo inicial para repetir o indébito tributário é a data da extinção do crédito pelo pagamento, conforme previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional, com a interpretação dada pelo art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005. Ocorre que foi preponderante o entendimento no Superior Tribunal de Justiça da tese dos 5 anos para homologar e mais 5 anos para requerer a repetição do indébito. Com a decisão do Supremo Tribunal Federal no RE 566.621 RS fixouse de forma definitiva o seguinte: I) nas ações de restituição propostas até 08/06/2005, entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/2005, aplicase o prazo de dez anos (tese dos 5 anos para homologar e mais 5 anos para repetir – tese preponderante no Superior Tribunal de Justiça) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (o termo inicial); II) nas ações de restituição propostas a partir de 09/06/2005 o termo inicial do prazo para repetição do indébito é a data da extinção do crédito pelo pagamento. No caso sob exame, os fatos geradores ocorreram no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 e o pedido de repetição foi protocolado em 06/12/2002. Com essas considerações e diante do fixado pelo STF, voto no sentido de que são passíveis de repetição em relação ao recolhimento indevido da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS – relativo aos fatos geradores ocorridos no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996. Com isso acolho os embargos apenas para sanar a omissão sem conferir a eles efeitos modificativos. Valcir Gassen Fl. 292DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13955.000363/200288 Acórdão n.º 9303003.444 CSRFT3 Fl. 293 5 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por VALCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por VA LCIR GASSEN, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10469.901775/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO.
Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do RIR/2005, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RESTITUIÇÃO. PROVA. INEXISTÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Para que seja deferida a restituição com base no recálculo do imposto de renda pessoa física (regime de competência, em substituição ao regime de caixa), o sujeito passivo deve comprovar: (i) se os valores são de anos-calendários pretéritos; (ii) se foram pagos de forma acumulada; (iii) quais anos a que se referem os rendimentos, a fim de que sejam aferidas as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido efetivamente pagos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do RIR/2005, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RESTITUIÇÃO. PROVA. INEXISTÊNCIA. INDEFERIMENTO. Para que seja deferida a restituição com base no recálculo do imposto de renda pessoa física (regime de competência, em substituição ao regime de caixa), o sujeito passivo deve comprovar: (i) se os valores são de anos-calendários pretéritos; (ii) se foram pagos de forma acumulada; (iii) quais anos a que se referem os rendimentos, a fim de que sejam aferidas as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido efetivamente pagos. Recurso Voluntário Negado.
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ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. Para fazer jus à isenção do IRPF, o contribuinte deve demonstrar, cumulativamente, que os proventos são oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e que é portador de uma das moléstias graves arroladas no art. 39, inc. XXXIII, do RIR/2005, de conformidade com laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RESTITUIÇÃO. PROVA. INEXISTÊNCIA. INDEFERIMENTO. Para que seja deferida a restituição com base no recálculo do imposto de renda pessoa física (regime de competência, em substituição ao regime de caixa), o sujeito passivo deve comprovar: (i) se os valores são de anos calendários pretéritos; (ii) se foram pagos de forma acumulada; (iii) quais anos a que se referem os rendimentos, a fim de que sejam aferidas as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido efetivamente pagos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 17 75 /2 01 2- 01 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10469.901775/201201 Acórdão n.º 2402005.362 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da DRJ/REC, cuja ementa e resultado são os seguintes: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF VALORES RECEBIDOS JUDICIALMENTE. VERBAS SALARIAIS No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. AJUSTE ANUAL. Devem compor a base de cálculo do imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual todos os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte no curso do anocalendário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição tributo pago desde que comprovado o pagamento indevido ou maior que o devido. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Por expressa determinação legal, as intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Assunto: Processo Administrativo Fiscal JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS. A extensão dos efeitos da jurisprudência judicial no âmbito da Secretaria da Receita Federal possui como pressuposto sua previsão do Decreto no 70.235/1972, que elenca as hipóteses de afastamento das normas legais MP no 2.2002 de 24/08/2001 vigentes. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 88DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Assim, foi reconhecido em parte o direito creditório sobre o pedido de restituição de IRPF, exercício 2009, anocalendário 2008, no valor de R$ 1.133,96, do total de R$21.040,27 solicitado. A decisão da DRJ se sustenta basicamente nos seguintes fundamentos: a) verificase que consta apenas cópia da DIRPF/2009, anocalendário 2008, na qual foi apurado imposto a pagar. De conformidade com o Sistema da Receita Federal, Portal IRPF, o contribuinte não apresentou a DIRPF/2009 retificadora. Assim sendo, não poderia ter formulado o pedido de restituição de IR apurado em sua declaração de ajuste anual. Por este motivo foi indeferido o pedido de restituição; b) ficou comprovado nos autos ser o contribuinte portador de doença especificada em lei, reconhecendose a isenção dos proventos de aposentadoria. Verificase do demonstrativo que das fontes pagadoras informadas apenas a Subdiretoria de Pagamento de Pessoal foi proventos de aposentadoria. Portanto, será excluída da tributação. Os demais rendimentos, sejam decorrentes do trabalho assalariado ou da prestação de serviços não podem ser considerados isentos; c) o contribuinte foi reformado por limite de idade em março de 1991. Entretanto, a partir de 01/01/2007, foi constatado ser o contribuinte portador de moléstia grave, a partir de então seus proventos de aposentadoria estão isentos do imposto de renda; d) a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente era regida, na época do fato gerador objeto da presente lide, anocalendário de 2008, pelo art. 12 da Lei nº 7.713/1988; e) o artigo 12A da Lei nº 7.713/1998 somente é aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º/01/2010, como previsto na Lei nº 12.350/2010, de modo que não se aplica a fatos geradores ocorridos em 2007, em vista da regra do art. 144 do CTN, segundo a qual o lançamento reporta se à data da ocorrência do fato imponível e regese pela lei então vigente; O contribuinte foi intimado da decisão em 11/07/2013 (fl. 58) e interpôs recurso voluntário em 01/08/2013, alegando em síntese que: f) não obstante já ser, no anocalendário de 2008, portador de neoplasia maligna de próstata, bem como ter declarado na DIRPF ser aposentado em razão de tal condição, recolheu indevidamente o IR no valor de R$21.040,27; g) o referido IR foi calculado sobre proventos e vencimentos decorrentes de decisão judicial recebidos em razão do cargo militar que exercia e nele foi conduzido, por força da neoplasia maligna, à inatividade; h) por ser portador de moléstia grave é isento do pagamento de imposto de renda, devendo ser restituído R$ 21.040,27, indevidamente recolhido, corrigido pela taxa SELIC, desde a data do seu pagamento em 27/04/2009; Fl. 89DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10469.901775/201201 Acórdão n.º 2402005.362 S2C4T2 Fl. 4 5 i) inexiste lei determinando a obrigação de condicionar o pedido de restituição do tributo pago a maior ao fato primeiro do contribuinte fazer declaração retificadora. O pedido de retificação é uma opção do contribuinte; j) as quantias recebidas pelo Banco do Brasil foram todas recebidas a título de proventos pagos ao contribuinte, registradas na DIRPF (fls. 80 a 83); k) inaplicável, ao caso em julgamento, o fundamento do acórdão recorrido de que a legislação vigente à época dos fatos determinava a incidência da tributação sobre a pessoa física sob o regime de caixa, pelo que o imposto deve incidir no mês em que houver a disponibilidade ou econômica da renda; l) pouco importa o regime adotado, se o de caixa ou de competência; o que deve ser acatado é o princípio maior de que o contribuinte é portador de neoplasia maligna e, portanto, por força de lei e do entendimento jurisprudencial, está isento do imposto de renda; É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Do pedido de restituição Verificase que o recorrente formulou seu pedido de restituição mediante PER/DCOMP. Muito embora a DRJ tenha afirmado que o recorrente deveria ter apresentado declaração retificadora, ela deferiu em parte o direito creditório, no valor de R$1.133,96, do total de R$21.040,27 solicitado. Em sendo assim, e até sob pena de eventual reformatio in pejus, não é cabível reanalisar a forma de se requerer a restituição (declaração retificadora vs. PER/DCOMP). 3 Da isenção por portadores de moléstia grave A isenção do imposto de renda pessoa física sobre os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portadores de moléstia grave tem fundamento no art. 39, incs. XXXI e XXXIII, do RIR/1999. Para o gozo da isenção, o § 4º do citado artigo determina que a moléstia grave deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Vejase: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10469.901775/201201 Acórdão n.º 2402005.362 S2C4T2 Fl. 5 7 doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). Portanto, para fazer jus à isenção, o contribuinte deve cumprir determinados requisitos, tais como: (i) ser portador de uma das moléstias arroladas no inc. XXXIII; (ii) receber proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, visto que a regra isentiva não se aplica a outros rendimentos porventura tributáveis; (iii) ter laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. De conformidade com o § 5º, a isenção se aplica aos rendimentos recebidos a partir (i) do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; (ii) do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta foi contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; ou (iii) da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Portanto, e de conformidade com a regra do § 5º, importa a data em que foram recebidos os rendimentos, conclusão esta reforçada pelo art. 6º, § 4º, inc. II, da IN RFB 1500/2014 (que revogou a IN RFB 15/2001, sem alteração do conteúdo do texto), segundo o qual a isenção é aplicável "aos rendimentos recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave, desde que correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, ainda que se refiram a período anterior à data em que foi contraída a moléstia grave" (destacouse). Vejase: RIR/1999: art. 39. [...] § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. IN RFB 1500/2014: Art. 6º São isentos ou não se sujeitam ao imposto sobre a renda, os seguintes rendimentos originários pagos por previdências: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 § 4º As isenções a que se referem os incisos II e III do caput, desde que reconhecidas por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, aplicamse: II aos rendimentos recebidos acumuladamente por portador de moléstia grave, desde que correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, ainda que se refiram a período anterior à data em que foi contraída a moléstia grave; No caso in concreto, muito embora o recorrente tenha comprovado ser portador de moléstia grave definida na legislação vigente, como reconhecido pela própria decisão recorrida, ele não se dignou de trazer aos autos documento hábil e idôneo que pudesse comprovar que os demais rendimentos recebidos, sobre os quais o pedido de restituição foi apurado, sejam efetivamente oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão. O recorrente não informou e muito menos comprovou a natureza dos rendimentos pagos pela Caixa Econômica Federal. Ainda, não obstante tenha comprovado que o rendimento recebido do Banco do Brasil decorreu de ação movida perante a Justiça Federal (fl. 71), limitouse a informar que o valor teve origem na decisão judicial em razão do cargo militar que exercia e que nele foi conduzido à inatividade, por força da neoplasia maligna. Entretanto, não fez prova mediante apresentação de petição e decisão extraídas do processo a fim de comprovar a matéria em lide e a natureza do rendimento. Logo, a decisão da DRJ não deve ser reformada neste ponto. No âmbito deste Conselho, essa questão tem sido decidida da seguinte forma: ISENÇÃO. RENDIMENTOS PROVENIENTES DA APOSENTADORIA PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção dos portadores de moléstia grave deve ser comprovado nos autos que os rendimentos são proventos de aposentadoria, pensão ou reforma e a existência da moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988 deve ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios que identifique a data de início da doença. [...] (Número do Processo 10166.721421/201108, Recurso Voluntário, Data da Sessão 11/02/2015, Relator(a) GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Acórdão nº 2201 002.683) (destacouse) 4 Rendimentos recebidos acumuladamente RRA A falta de apresentação dos documentos relativos à ação judicial também impede as seguintes análises: (i) se os valores são de anoscalendários pretéritos; (ii) se foram pagos de forma acumulada; (iii) utilização de critérios objetivos para, caso se entendesse pela aplicação do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, calcular o imposto e a restituição de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido efetivamente pagos. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10469.901775/201201 Acórdão n.º 2402005.362 S2C4T2 Fl. 6 9 Mesmo após a DRJ ter mencionado esse aspecto, o recorrente mantevese inerte, impedindo que este Conselho possa mensurar os dados essenciais para deferir a restituição pleiteada. 5 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 8/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 12326.005717/2010-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DIRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringe-se a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º).
Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DA DRJ. ATO MOTIVADO. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. FASES. PROCEDIMENTO.
"Procedimento é sinônimo de rito do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo (Theodoro Junior, Humberto in Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303). O procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador.
Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o julgador de 1ª instância apresenta um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A base de cálculo do imposto, no ano calendário, poderá ser deduzida das despesas relativas aos pagamentos efetuados a médicos, dentistas, psicólogos e outros profissionais da saúde, porém restringese a pagamentos efetuados pelo contribuinte, especificados e comprovados, nos termos da legislação pertinente (Lei nº 9.250, de 1995, artigo 8º). Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DA DRJ. ATO MOTIVADO. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. FASES. PROCEDIMENTO. "Procedimento é sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo” (Theodoro Junior, Humberto in Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303). O procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Se o julgador de 1ª instância apresenta um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 57 17 /2 01 0- 34 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12326.005717/201034 Acórdão n.º 2202003.334 S2C2T2 Fl. 68 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 40), complementandoo ao final: Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 26/31) em nome da contribuinte em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2008 (fls. 34/39), em que foi constatada a dedução indevida de despesas médicas no valor total declarado a esse título, de R$26.351,31, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 28/29, sendo: R$ 51,31 relativos ao Comando do Exército, pela falta de apresentação de comprovantes; e R$ 26.300,00, por falta de identificação do paciente, assim compostos: R$12.000,00 relativos à profissional Cristiane Vieira de Oliveira; R$5.800,00 relativos à profissional Flavia Marques Tostes; R$3.500,00 relativos à profissional Amanda de Souza Pereira; e R$5.000,00 relativos ao profissional Juan Francisco Roca Vargas. Dessa constatação, resultou a alteração de imposto a pagar declarado de R$3.881,51 para saldo de imposto a pagar apurado de R$11.128,12, originando um imposto suplementar deR$7.246,61 (fl. 30), mais os acréscimos legais. Tendo tomado ciência da alteração, por via postal, em 23/07/2010 (fl. 21),a notificada apresentou impugnação (fls. 03/04), tempestivamente, em 18/08/2010, por sua Procuradora, devidamente constituída pelo instrumento de fl. 08, alegando, em Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12326.005717/201034 Acórdão n.º 2202003.334 S2C2T2 Fl. 69 3 resumo, que em todos os recibos apresentados consta a identificação da paciente, que é ela própria. Acrescenta estar anexando à impugnação cópia das declarações de Imposto de Renda de Cristiane Vieira de Oliveira, Flavia Marques Tostes e Juan Francisco Roca Vargas, em que pode ser confirmado o serviço a ela prestado, com a informação de seu CPF, além do Comprovante do Comando do Exército, e informa que em relação à profissional Amanda de Souza Pereira já teria apresentado os recibos. No mais, requer prioridade na análise de sua impugnação, com base na previsão contida no art. 71 da Lei nº 10.471/2003. À fl. 07, junta Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte emitido pelo Ministério da Defesa – Exército Brasileiro, referente ao ano calendário de 2007, em seu nome, como beneficiária de pensão. Junta ainda, de fls. 11 a 19, DIRPF’s do exercício 2008, ano calendário 2007, dos profissionais abaixo relacionados: Juan Francisco Roca Vargas, entregue à RFB em 30/04/2008 – fls. 11/13; Cristiane Vieira de Oliveira, entregue à RFB em 18/04/2008 – fls. 14/16; Flavia Marques Tostes, entregue à RFB em 16/04/2008 – fls. 17/19. Ao analisar a manifestação da contribuinte, o Julgador recorrido dispôs, em resumo, que o Comprovante de Rendimentos de fl. 07 comprova as despesas médicas, odontológicas e hospitalares no valor de R$51,31 (Comando do Exército). Quanto às demais despesas declaradas a título de despesas médicas, destacou que foram glosadas, conforme explicitado pela autoridade fiscal à fl.29, por falta de identificação do paciente. O fato de seus valores terem sido declarados como recebidos da Sra. Herme Madyanna Costa da Silva Novaes, pelos profissionais não faz prova de que a beneficiária de seus serviços tenha sido a impugnante, motivo por que se mantém a glosa desses valores. Em relação, à profissional Amanda de Souza Pereira, a contribuinte nada trouxe para comprovar que teria sido a beneficiária dos serviços prestados pela mesma. Assim, deuse a decisão de 1ª instância para considerar procedente em pequena parte a impugnação (R$ 51,31), mantendose o restante. Cientificada dessa decisão em 31/10/2012 (AR na folha 47), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/10/2012, com protocolo na folha 50. Em sede de recurso, diz que anexa declarações dos profissionais emitentes dos recibos, a fim de comprovar que ela própria foi a beneficiária dos serviços médicos. Os documentos estão nas folhas 58 a 61. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12326.005717/201034 Acórdão n.º 2202003.334 S2C2T2 Fl. 70 4 O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Na Notificação de Lançamento cuja cópia está na folha 27/29, o Auditor Fiscal consignou que a glosa das despesas que chegam a esta instância recursal (considerando que a despesa com o Comando do Exército já foi restabelecida pela DRJ), era motivada por não haver nos recibos a identificação do paciente. ("todos sem identificação do paciente"). Entendese, portanto, que os recibos foram apresentados. DecretoLei nº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). "Procedimento é sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo” (Theodoro Junior, Humberto in Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303). O procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Todo ato administrativo deve ser motivado. A motivação é a justificativa do ato. O motivo alegado é elemento que vincula o ato administrativo. Na Impugnação, a contribuinte apresenta cópia das declarações de imposto de Renda de Cristiane Vieira de Oliveira, Flavia Marques Tostes e Juan Francisco Roca Vargas, em que pode ser confirmado o pagamento do serviço, uma vez que os profissionais declararam os valores, informando seu nome e CPF (fls. 12, 15 e 18). Faltou apenas a de Amanda de Souza Pereira. A DRJ disse que tais documentos apenas comprovavam o recebimento dos valores pagos pela contribuinte aos profissionais, mas não quem fora o beneficiário dos serviços. Em relação à Amanda de Souza Pereira, disse que nenhum documento fora apresentado. Não se questionou, portanto, o efetivo pagamento nem a prestação dos serviços, mas sim quem fora o beneficiário dos mesmos. Após as indicações da DRJ, juntamente com seu recurso, o Recorrente apresenta novos documentos que merecem ser considerados, haja vista o disposto na alínea "c", § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como em observância ao princípio da verdade material. Em sede de recurso, a contribuinte apresenta, a fim de complementar as informações, declarações emitidas pelos quatro profissionais, todos afirmando ter sido ela própria a beneficiária dos serviços. (Juan fl. 58, Cristiane fl. 59, Flávia fl. 60 e Amanda, fl. 61). Se o problema nos recibos era a falta de indicação do beneficiário do tratamento, além de entender que a documentação complementar acostada aos autos, como as Fl. 70DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 12326.005717/201034 Acórdão n.º 2202003.334 S2C2T2 Fl. 71 5 declarações de rendimentos dos profissionais e as declarações complementares apresentadas por eles suprem a exigência, citese a Solução de Consulta Interna (SCI) da Coordenação Geral de Tributação Cosit nº 23, de 30 de agosto de 2013: Solução de Consulta Interna nº 23 Cosit Data 30 de agosto de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.(sublinhei) Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer despesas médicas no importe de R$ 26.300,00, no ano de 2007. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 71DF CARF MF Impresso em 19/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13560.000126/2006-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-002.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado).
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: Carlos César Quadros Pierre
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado). Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado). Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcio de Lacerda Martins, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Eduardo Tadeu Farah, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 56 0. 00 01 26 /2 00 6- 84 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13560.000126/200684 Acórdão n.º 2201002.826 S2C2T1 Fl. 553 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/SDR (Fls. 71), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O interessado contesta o auto de infração do imposto de renda do exercício 2002, anocalendário 2001, lavrado para majorar os rendimentos tributáveis recebidos através de ação trabalhista, e para reduzir deduções diversas. De acordo com cálculos da fiscalização, dos rendimentos recebidos na ação judicial (R$ 114.167,13) foi deduzido, como não tributável, o FGTS de R$ 10.035,60 (v. fls. 54/55). O impugnante argumenta, em síntese, que as verbas pagas incluíram parcelas isentas, desconsideradas pela autoridade lançadora. Tratase de indenização de antiguidade, prevista para os nãooptantes pelo FGTS, paga na rescisão do contrato de trabalho sem justa causa. Esta verba constava da peça inicial da reclamatória trabalhista e fora contemplada expressamente na sentença da Junta de Conciliação (fls. 21/25), que determinara que a diferença salarial de horas extras se estenderia às repercussões pleiteadas na inicial. A planilha de cálculo que instruiu o pagamento discrimina, com valores de 1995, a indenização de antiguidade como R$ 5.478,66, e o seu reflexo na rescisão contratual com sendo R$ 21.910,00. O FGTS com a multa de 40% corresponderia a R$ 4.790,00. Estas parcelas somam R$ 32.178,66. Com as atualizações, este valor atingiu R$ 72.396,09 na data do pagamento das verbas. As certidões emitidas pelo setor de cálculo da Justiça do Trabalho confirmam a correção das planilhas de cálculo e a natureza não tributável da indenização de antiguidade. Não contesta as glosas de deduções. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/SDR entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: INDENIZAÇÕES NÃO GARANTIDAS EM LEI. Somente são isentas do imposto de renda as indenizações pagas nos limites garantidos pela lei trabalhista. Pelo que se verifica às Fls. 126, o Recorrente deve ter sido Cientificado em 03/03/2008, vindo a interpor Recurso Voluntário em 01/04/2008 (fls. 127 a 136), argumentando em síntese: (...) Fl. 150DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13560.000126/200684 Acórdão n.º 2201002.826 S2C2T1 Fl. 554 3 Pretende a Egrégia Turma recorrida, que diferença de INDENIZAÇÃO DE ANTIGUIDADE, paga a empregado portador de Estabilidade no emprego, antes da vigência da Constituição Federal de 05 de outubro de 1933, que instituiu o Regime obrigatório do FGTS, seja tributada, para fins de incidência de Imposto de Renda. (...) Ora, diante da inteligência dos dispositivos legais e doutrinários, acima transcritos., não resta duvida que o recorrente, por contar com VINTE E CINCO anos de tempo de serviço anterior á entrada em vigor da Constituição Federal de 1988, tinha, como teve, direito a uma Indenização de Antiguidade EM DOBRO. (...) Considerando o tempo de serviço de 25 anos em dobro, teríamos 50 meses vezes a média, i.é, 50 x 2.205,65 que atingia o valor de R$110.282,50 (cento e dez mil, duzentos e oitenta e de*s reais e sessenta e cinco centavos). Calculando o percentual de 757., que foi o estabelecido para o acordo, a indenização devida, em dezembro de 1995, seria de R$82.711,87. Como no termo de rescisão de fls.20, só foi incluída a importância de R$75.674,22, já naquela época, restava uma diference de R$7.037,65 (sete mil, trinta es sete reais e sessenta e cinco centavos). (...) Assim, o valor da indenização de Antiguidade jamais poderia ser o valor, erroneamente, tomado pela Turma Julgadora, conforme analise de Voto ali inserido que só considerou a mesma da forma simples e mg r.) em dobro. (...) Como se observa, não se tratava de INDENIZAÇÃO SUPLEMENTAR, como pretendeu a Turma julgadora, mas de DIFERENÇA DE INDENIZAÇÃO DE ANTIGUIDADE, pela integração das horas extras, deferidas na Sentença e mantidas no Acórdão do Tribunal. (...) Assim, todas estas parcelas acima identificadas, por serem de natureza indenizatória, não sofrem incidência de Imposto de Renda, nem de INSS. A Certidão fornecida pelo Setor de Cálculos da Vara do Trabalho de Jequié, que se encontra na Pág.98, não se trata de meras certidões que não provam os argumentos da parte. O calculista da Vara do Trabalho tem fé de Oficio e seus Cálculos, espelham a sentença que homologa os Cálculos da Parte e a sentença homologatória não atacada por AGRAVO DE Fl. 151DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13560.000126/200684 Acórdão n.º 2201002.826 S2C2T1 Fl. 555 4 PETIÇÃO, como no caso, faz Coisa Julgada, tornadose, portanto, imutável. (...) Em 16 de Abril de 2013, (Fls. 144 a 146) aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1ª Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, com base no disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria. Encerrado o sobrestamento, o processo voltou à pauta de julgamento, sendo distribuído a este conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, resta em litígio apenas a parte do lançamento relativa aos rendimentos recebidos acumuladamente, em razão de ação trabalhista intentada contra a COELBACompanhia de Eletricidade do Estado da Bahia, no valor de R$ 114.167,13. Também observo que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Processo: REsp 1118429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226 Relator: Ministro Herman Benjamin (1132) ÓRGÃO JULGADOR: S1 – PRIMEIRA SEÇÃO Data do julgamento: 24/03/2010 Data da Publicação/Fonte: DJe 14/05/2010 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13560.000126/200684 Acórdão n.º 2201002.826 S2C2T1 Fl. 556 5 Ementa TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça: "A Seção, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon, Luiz Fux, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, a Sra. Ministra Denise Arruda. Notas: Julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ. Tal entendimento é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por oportuno, esclareço que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeras recentes decisões, tem entendido que o recurso repetitivo se aplica, inclusive quando o rendimento acumulado é oriundo de ação trabalhista; conforme se verifica neste julgado: Data da Publicação12/02/2014 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13560.000126/200684 Acórdão n.º 2201002.826 S2C2T1 Fl. 557 6 AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 465.580 SE (2014/00135374) RELATOR : MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : MARCOS ANTONIO MOURA SALES ADVOGADOS : WILLIAM DE OLIVEIRA CRUZ ANTÔNIO JOSÉ LIMA JÚNIOR DECISÃO Tratase de agravo interposto de decisão que não admitiu recurso especial manifestado pela FAZENDA NACIONAL, com base no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado (fl. 117e): TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. VERBA TRABALHISTA RECEBIDA JUDICIALMENTE DE FORMA ACUMULADA. INCIDÊNCIA EM CADA COMPETÊNCIA. O STJ pacificou o entendimento segundo o qual "(...) quando o pagamento dos benefícios previdenciários é feito de forma acumulada e com atraso, a incidência do Imposto de Renda deve ter como parâmetro o valor mensal do benefício, e não o montante integral creditado extemporaneamente, além de observar as tabelas e as alíquotas vigentes à época em que deveriam ter sido pagos. Precedente do STJ, em sede de recursos repetitivos (STJ. 1ª Seção. Rel. Min. Herman Benjamin. Resp 1118429. DJ, 14/05/10). "Não se pode prejudicar o contribuinte que, em virtude do atraso do empregador, recebeu um valor acumulado, quando deveria ter percebido mensalmente os valores devidos. Destarte, as alíquotas a incidirem no tributo devem levar em conta as parcelas mensais que deveriam ser pagas, e não o valor cumulado." (TRF 5ª Região. 2ª Turma. APELREEX 15694. DJ, 31/03/11). Remessa oficial e apelação da Fazenda Nacional improvidas. Opostos embargos de declaração (fls. 121/122e), foram rejeitados (fls. 124/129e). Nas razões do especial, sustenta a agravante, em resumo, que "A aplicação da alíquota oriunda da tabela do imposto de renda na fonte sobre rendimentos recebidos cumulativamente em um mesmo mês não significa alteração de alíquota, muito menos por Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13560.000126/200684 Acórdão n.º 2201002.826 S2C2T1 Fl. 558 7 meio de artifício, mas da tributação pura e simples dos rendimentos efetivamente recebidos em determinado mês, aplicandose o princípio constitucional da progressividade para o imposto sobre a renda" (fl. 136e). Pugna pela reforma do julgado. Sem contra razões e inadmitido o recurso especial na origem (fls. 146/147e), fora interposto o presente agravo. Decido. Inicialmente, verifico que a parte recorrente não indicou, nas razões de seu recurso especial, qual dispositivo de lei teria sido violado pelo acórdão recorrido. Assim, nos termos da jurisprudência pacífica deste Tribunal, a indicação de violação genérica a lei federal, sem particularização precisa dos dispositivos violados, implica deficiência de fundamentação do recurso especial, atraindo a incidência da Súmula 284/STF. Neste sentido: AgRg no AG 586.236/RJ, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Sexta Turma, DJ 1º/7/05. Ainda que assim não fosse, quanto ao mérito, o recurso não merece acolhimento, uma vez que a pretensão recursal está em desconformidade com a jurisprudência desta Corte, formalizada, inclusive, sob a sistemática do julgamento dos recursos repetitivos. Sobre o tema. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (Resp 1.118.429/SP, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Primeira Seção DJe 14/5/10) TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA – BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO PAGO EM ATRASO REGIME DE COMPETÊNCIA – RESP 1.118.429/SP JULGADO SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC – REPERCUSSÃO GERAL SOBRESTAMENTO DO FEITO IMPOSSIBILIDADE RESERVA DE PLENÁRIO INAPLICABILIDADE. 1. Nos termos da jurisprudência da Primeira Seção desta Corte, a incidência do imposto de renda sobre o pagamento de Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13560.000126/200684 Acórdão n.º 2201002.826 S2C2T1 Fl. 559 8 benefício previdenciário pago a destempo e acumuladamente, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, considerandose a renda auferida mês a mês pelo segurado. (REsp 1.118.429/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. O reconhecimento de repercussão geral em recurso extraordinário não implica direito ao sobrestamento de recursos no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes. 3. "Decidida a questão jurídica sob o enfoque da legislação federal, sem qualquer juízo de incompatibilidade vertical com a Constituição Federal, é inaplicável a regra da reserva de plenário prevista no art. 97 da Carta Magna." (AgRg no REsp 1.313.077/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe 13/06/2013) 4. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no AREsp 269.125/RS, Rel. Min. SÉRGIO KUKINA, Primeira Turma, DJe 19/8/13) Incide, pois, o verbete sumular 83/STJ, aplicável, também, aos recursos interpostos pela alínea a do permissivo constitucional. Ante o exposto, conheço do agravo para negarlhe provimento. Intimemse. Brasília (DF), 10 de fevereiro de 2014. MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA Relator Ainda, no Resp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Relator Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à forma de apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. Transcrevo do Voto: (...) O artigo 12 da Lei 7.713/88 dispõe que o imposto de renda é devido na competência em que ocorre o acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN), ou seja, quando o respectivo valor se tornar disponível para o contribuinte. Prevê o citado dispositivo: "Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." O dispositivo citado não fixa a forma de cálculo, mas apenas o elemento temporal da incidência. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, como Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13560.000126/200684 Acórdão n.º 2201002.826 S2C2T1 Fl. 560 9 dispõe o art. 12 da Lei 7.713/88, mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Nesse sentido, há inúmeros precedentes de ambas as Turmas de Direito Público, como se observa das seguintes ementas(...) (sublinhei) Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUAD ROS PIERRE, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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