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Numero do processo: 10320.003110/2002-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 MULTAS ISOLADAS. BALANCETES IMPRESTÁVEIS PARA SUSPENDER/REDUZIR OS RECOLHIMENTOS MENSAIS DE ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO COM BASE NA RECEITA BRUTA E ACRÉSCIMOS. Ao optar pela apuração anual do lucro real, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, os balancetes apresentados não atendiam aos requisitos legais para suspender ou reduzir os pagamentos mensais, especialmente quanto aos períodos de apuração. Consubstanciou-se, assim, a insuficiência de recolhimento das estimativas com base na receita bruta e acréscimos, para o que a sanção cabível é a aplicação das multas isoladas.
Numero da decisão: 1301-000.593
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso voluntário da contribuinte, vencidos o Conselheiro Relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e os Conselheiros Valmir Sandri e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 MULTAS ISOLADAS. BALANCETES IMPRESTÁVEIS PARA SUSPENDER/REDUZIR OS RECOLHIMENTOS MENSAIS DE ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO COM BASE NA RECEITA BRUTA E ACRÉSCIMOS. Ao optar pela apuração anual do lucro real, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, os balancetes apresentados não atendiam aos requisitos legais para suspender ou reduzir os pagamentos mensais, especialmente quanto aos períodos de apuração. Consubstanciouse, assim, a insuficiência de recolhimento das estimativas com base na receita bruta e acréscimos, para o que a sanção cabível é a aplicação das multas isoladas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, vencidos o Conselheiro Relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e os Conselheiros Valmir Sandri e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Fl. 1042DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assin ado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003110/200234 Acórdão n.º 130100.593 S1C3T1 Fl. 1.034 2 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ de Fortaleza/CE. Depreendese do presente processo que contra a recorrente foram lavrados Autos de Infração para formalização e exigência de Multa Isolada por falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 05 – 14), e de Multa Isolada por falta de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 15 – 24), a descrição dos fatos e enquadramentos legais está disposta no bojo dos autos de infração e decorreram, substancialmente, da verificação de diferenças entre os valores escriturados e os efetivamente declarados, assentando a Fiscalização que das tais diferenças entre os valores declarados e os valores escriturados, gerouse falta de pagamento ou pagamento a menor do IRPJ e CSLL, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos, e/ou Balanços de suspensão ou redução, conforme demonstrado nas planilhas de folhas 25 a 36, 43 a 48 e folhas 49 a 50. Devidamente notificada da autuação (fls. 05 – 15) o contribuinte apresentou impugnação (fls. 433 – 559), alegando em síntese que não optou pela forma de tributação com cálculo mensal por Estimativa, a despeito de haver indicado nas DIPJs a opção pelo pagamento com base na Receita Bruta e Acréscimos, por mero erro formal e administrativo tendo optado pelo procedimento de apuração e pagamento com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução e desta forma, recolheu o IRPJ/CSLL devidos, teceu outros tantos argumentos, tendentes a infirmar a autuação, opôsse ao patamar da multa. A autoridade julgadora de primeira instância administrativa, converteu o feito em diligência, conforme a Resolução DRJ/FOR 224 (fls. 615 – 622), a fim de que a DRF procedesse às devidas diligências no sentido de esclarecer se a recorrente realmente apresentara os Balancetes de suspensão/redução à época da data fixada, para que não prevalecessem alegações de cerceamento do direito de defesa. Foi apresentado relatório de diligência fiscal (fls. 963 – 966), dando conta de que balancetes analisados não foram transcritos no Diário na época devida e que todos, exceto os do ano de 1998, não teriam seu período de apuração conforme definido na legislação vigente e, portanto, todos os balancetes não serviriam para suspender ou reduzir o valor do imposto ou da contribuição, por não atenderem o disposto pela legislação de regência. A 3ª Turma da DRJ de Fortaleza, nos termos do acórdão e voto folhas 958 a 979, manteve a exigência da multa isolada afastando os argumentos da recorrente. Fl. 1043DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assin ado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003110/200234 Acórdão n.º 130100.593 S1C3T1 Fl. 1.035 3 Devidamente notificada da decisão desfavorável (fl. 989), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 992 – 1011), reiterando seus argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator O recurso é tempestivo e reúne os requisitos formais, admitoo para julgamento. Depreendese da leitura do presente processo que a matéria tratada se relaciona unicamente à lavratura de auto de infração para exigência de multa isolada ante o não recolhimento (insuficiência) das bases estimadas de IRPJ e CSLL relacionadas aos anos calendário 1997 a 2002. Abstraindo o argumento da recorrente de que teria apresentado nos respectivos períodos balancetes de suspensão/redução e, portanto, seriam indevidas as multas isoladas pelo não pagamento das bases estimadas, merece ser reformada a decisão recorrida. Justificase a improcedência da exigência de multa isolada pelo não recolhimento das estimavas mensais, na medida em se observa que o auto de infração foi fundamentado no que dispunha o artigo 44, paragrafo 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 e esse dispositivo, consoante farta jurisprudência administrativa desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, continha em sua redação original o objetivo precípuo de compelir o sujeito passivo ao recolhimento mensal de antecipações do provável imposto/contribuição que seria eventualmente devido ao final do ano calendário. Ficou pacificado nesse Colegiado que o dever de antecipar (materialidade da autuação aqui versada) é inerente a existência da obrigação aferida ao final de determinado período e em razão disso, a penalidade deveria ser exigida somente durante o ano calendário em curso, porquanto com a apuração dos tributos (in casu IRPJ e CSLL) efetivamente devidos ao final do ano calendário (leiase 31/12), não há falar em base imponível para penalizar a falta de antecipação mensal. Nessa ordem das idéias, o encerramento do ano calendário objeto das antecipações traz consigo nova e eventual base imponível, lastreada no tributo efetivamente devido, de sorte que somente haverá espaço para penalizar o contribuinte que não efetue o pagamento no vencimento, não sendo mais cabível a concomitante aplicação de multa isolada e multa de mora sob pena de incorrerse em dupla penalização por um mesmo fato. Observese nesse sentido a oportuna e esclarecedora ementa formulada por ocasião do julgamento do processo 10140.003005/200213 pela Câmara Superior desse CARF: (...) CSLL. MULTA ISOLADA. Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de Fl. 1044DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assin ado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003110/200234 Acórdão n.º 130100.593 S1C3T1 Fl. 1.036 4 ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real (...) Temse na espécie, portanto, que o auto de infração constituiu multa isolada após o encerramento dos apontados anos calendário, portanto, quando já apurada a base de cálculo efetivamente devida, tornandose despiciendo perquirir que se de fato a recorrente antecipou ou não as bases estimadas, tornando inaplicável a multa isolada e impondose reformar a decisão recorrida para julgar insubsistente o auto de infração. Assim, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 29 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Voto Vencedor Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa no que toca ao mérito do lançamento, ou seja, às multas exigidas isoladamente. Embora a matéria seja polêmica, comportando interpretações divergentes, o entendimento do Colegiado foi de que a obrigação de recolher as estimativas não se confunde com a apuração do tributo ao final do período de apuração. É o que se extrai dos dispositivos legais aplicáveis, abaixo transcritos: Lei nº 8.981/1995: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. Fl. 1045DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assin ado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003110/200234 Acórdão n.º 130100.593 S1C3T1 Fl. 1.037 5 § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Lei nº 9.430/1996: Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2oA parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o Fl. 1046DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assin ado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003110/200234 Acórdão n.º 130100.593 S1C3T1 Fl. 1.038 6 disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art.28.Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. A regra é a da apuração trimestral do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Se o contribuinte opta pela apuração anual, deve se submeter às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente à obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. Para que possa suspender ou reduzir esses recolhimentos, a lei impõe a elaboração de balanços ou balancetes de suspensão ou redução do imposto. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual e pela suspensão/redução do imposto com base em balancetes, deixam de efetuar o recolhimento ou o fazem a menor, a sanção é aquela estabelecida pelo inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, em sua redação à época dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa Fl. 1047DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assin ado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003110/200234 Acórdão n.º 130100.593 S1C3T1 Fl. 1.039 7 para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; [...] Esse artigo teve sua redação alterada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e o percentual aplicável passou a ser de 50%, conforme o inciso II, alínea “b”. Eis a redação atual do art. 44 da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] No caso em tela, a diligência fiscal determinada pelo julgador de primeira instância constatou que os balancetes não foram transcritos no Diário na época devida e que todos, exceto os do ano de 1998, não teriam seu período de apuração conforme definido na legislação vigente e, portanto, não serviriam para suspender ou reduzir o valor do imposto ou da contribuição, por não atenderem o disposto pela legislação de regência. Deve, então, a contribuinte se sujeitar à penalidade que lhe é exigida mediante este processo. Para fins da multa isolada, deve ser considerado o montante apurado mensalmente em face da receita bruta e acréscimos ou em cada balanço/balancete de suspensão/redução, e a sanção é aplicável diante do descumprimento do dever de antecipar o tributo, nos montantes determinados em lei. Pelo exposto, a decisão do colegiado é por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1048DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 01/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/08/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assin ado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 15586.720186/2014-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
RECEITA FINANCEIRA. FUNDAP
Quando as empresas comerciais exportadoras e importadoras agem por conta e ordem de terceiros como consignatárias, para fins de obter os benefícios do Fundap, deve-se considerar receita financeira aquela objeto de remuneração pelos serviços prestados.
Numero da decisão: 1301-002.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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FUNDAP Quando as empresas comerciais exportadoras e importadoras agem por conta e ordem de terceiros como consignatárias, para fins de obter os benefícios do Fundap, devese considerar receita financeira aquela objeto de remuneração pelos serviços prestados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 01 86 /2 01 4- 64 Fl. 842DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Relatório Versa o presente processo sobre os Autos de Infração de fls. 546567, relativos ao IRPJ e CSLL, anoscalendário 2009, 2010 e 2011, com crédito total apurado no valor de R$ 174.502.430,42, incluindo o principal, a multa de ofício (75%) e os juros de mora, atualizados até 04/2014. De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na seguinte infração: Omissão de receita financeira. Para justificar a exação a autoridade lançadora assevera: O contribuinte obteve receita financeira, decorrente do resgate antecipado, e com deságio, do financiamento de longo prazo do ICMS, concedido pelo sistema Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias – FUNDAP; Esta receita financeira foi contabilizada pelo contribuinte mediante lançamentos a crédito na conta 0003502016 – DESÁGIO FINANFUNDAP; O contribuinte, que atua como importador por conta e ordem de terceiros, repassou parcialmente o benefício financeiro do sistema FUNDAP para seu cliente, mediante a apresentação de nota de crédito; A operação foi acordada meio de contrato que previa o repasse de 90% sobre a receita financeira oriunda dos leilões do FUNDAP; Tais repasses foram considerados pelo contribuinte como despesa financeira, mediante lançamentos a débito na mesma conta 0003502016 – DESÁGIO FINAN FUNDAP; As despesas financeiras consideradas pelo contribuinte, relativas aos repasses parciais do benefício do FUNDAP não se enquadram no conceito de despesas operacionais, suscetíveis de dedutibilidade na determinação do lucro real (art. 299, RIR/99); As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias (art. 123, CTN); Mediante os repasses parciais do benefício financeiro, o contribuinte, contrariando o CTN, modificou o sujeito passivo em relação à receita financeira auferida, ou seja, transferiu parte da receita para outra empresa, imputando a esta o dever de registrála e assim apurar os tributos devidos; O somatório dos repasses parciais ao final de cada período fiscalizado (2009, 2010 e 2011) correspondem aos valores de receita financeira que deixaram de compor a receita financeira total obtida com os deságios do financiamento FUNDAP, caracterizando assim a omissão de receita financeira na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Fl. 843DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 15586.720186/201464 Acórdão n.º 1301002.006 S1C3T1 Fl. 12 3 O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 30/04/2014 (fls. 570) e apresentou sua impugnação em 02/06/2014 (fls. 574594), na qual alegou em síntese que: Faz parte de um grupo econômico no qual a sociedade controladora é a ArcelorMittal Brasil S.A. (Grupo ArcelorMittal); Foi criada com a finalidade de atuar como comercial importadora e exportadora dentro do grupo empresarial, e como tal usufruir de benefício fiscal do FUNDAP; No período autuado, firmou contrato de prestação de serviços com as coligadas ArcelorMittal Brasil e Sol Coqueria, relativos a importação por conta e ordem, regulamentada pelos arts. 12, 86 a 88 da IN SRF n° 247/2002; O desenho, representado na Figura 1, ilustra a função da Impugnante de mera intermediária da operação; os recursos adiantados pelas reais adquirentes, inclusive o ICMS; o financiamento perante o BANDES e os ganhos (redução de passivo) nos leilões realizados pelo BANDES; Não há qualquer vedação para o repasse perpetrado pela recorrente; O objetivo do FUNDAP foi o de promover o incremento das importações e exportações através do porto de Vitória. Como se trata de uma importação por conta e ordem, todos os valores inerentes à importação são desembolsados pelo importador. Assim, caso a importadora retivesse consigo todo o benefício auferido o Porto de Vitória deixa de ser interessante do ponto de vista tributário, passando a concorrer com os demais segundo critérios de mercado; O repasse é nuclear ao negócio jurídico firmado, pois estabelece o preço da negociação e dos serviços prestados pela Impugnante, sem o que não haveria negócio jurídico e a CST Comércio Exterior estaria fadada à inexistência; Se o Sistema FUNDAP reduz o custo de importação com o financiamento do ICMS, nada mais lógico que esta redução de custo seja repassada aos reais adquirentes; Despesas dedutíveis são aquelas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora e usuais no tipo de operações da empresa, não havendo restrições predeterminadas relacionadas à especificidade das despesas na qual cada pessoa jurídica possa vir a incorrer; A finalidade maior da dedutibilidade das despesas é fazer com que o IRPJ incida efetivamente sobre o acréscimo patrimonial e não sobre todo e qualquer ingresso auferido pela pessoa jurídica; A despesa, referente ao repasse, pode gerar dedutibilidade na impugnante, mas aumenta o lucro tributável nas adquirentes; O repasse nada mais é do que uma devolução parcial dos valores já adiantados pela adquirente na importação por conta e ordem; Na "importação por conta e ordem" a importadora promove em seu nome o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra pessoa física ou jurídica Fl. 844DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 que, por sua vez, é a responsável financeira dos tributos da importação; como no Sistema FUNDAP há uma geração da receita financeira para a Importadora, que na verdade advém de recurso da adquirente, as partes vincularam em contrato o repasse de 90% sobre a receita financeira oriunda dos leilões do FUNDAP, restando os outros 10% como remuneração pelos serviços prestados pela Impugnante; O repasse é comum às empresas fundapeanas. A exemplo, a CISA TRADING S/A, conforme informações obtidas em seu site, trabalha com “custo zero” na prestação do serviço; Não há qualquer vedação legal ao repasse realizado, portanto aqui cabe apenas a análise da pertinência e veracidade. A veracidade não foi questionada pelo fisco, razão pela qual não há necessidade de comprovação. A pertinência é uma realidade de mercado das fundapeanas, sendo coerente com o sistema de importação por conta e ordem de terceiros. Inexiste previsão legal para incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, conforme jurisprudência da 2ª Câmara do CARF (Acórdão nº 1202001.018, de 10/9/2013); A DRJ em Belém (PA) apreciando a lide, julgou improcedente a impugnação (Acórdão 0131.432, de 23/02/2015), tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresentase regular a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. RECEITAS FINANCEIRAS. As variações monetárias negativas das obrigações do contribuinte, em função de coeficientes aplicáveis por disposição contratual serão consideradas como receitas financeiras. CONTRATO PARTICULAR. SUJEIÇÃO PASSIVA. INALTERABILIDADE. As partes particulares são livres para pactuar aquilo que melhor lhes prouver, mas o acordo não pode modificar pode afetar o princípio da entidade, nem alterar a definição legal de sujeito passivo estabelecida pela legislação tributária. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase à Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. É o relatório. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 15586.720186/201464 Acórdão n.º 1301002.006 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como visto do relatório o cerne do litígio diz respeito à possibilidade de repasse da receita financeira, decorrente do deságio na liquidação do financiamento do FUNDAP, por parte de empresa que presta serviço de importação por conta e ordem de terceiros. A peça recursal segue a mesma linha de argumentação da inicial (impugnação), insistindo que a fiscalização ao efetuar a glosa dos valores autuados, não analisou efetivamente o negócio jurídico praticado e as obrigações legais e contratuais nele existentes, nem tampouco analisou a realidade do mercado em que se encontra, tendo em vista o fato que atua como mera intermediária da operação de importação de mercadorias por conta e ordem. Aduz, mais, a recorrente: Em análise da impugnação a DRJ entendeu por manter o lançamento ao argumento de que o repasse, embora pactuado pelas partes, não representa uma perda econômica atrelada à manutenção da fonte produtora, nem necessária à atividade da empresa. Tratase, em sua essência, de simples partilha da receita da Recorrente (...) Como já demonstrou a Recorrente, não se trata de mero rateio de receita financeira como concluiu o acórdão recorrido, não se trata de liberalidade da Recorrente. Os negócios jurídicos analisados são típicos e previstos na legislação, ou seja, a receita que a Recorrente repassa aos contratantes é uma obrigação pré existente e típica da importação por conta e ordem. O repasse somente não ocorre na sua integralidade porque, segundo prática de mercado, a Recorrente retém parte como remuneração do serviço prestado, mediante contrato exigido pela RFB através de Instrução Normativa. O valor repassado aos contratantes nada mais é do que o reembolso de parte do valor de ICMS que foi adiantado pelo real adquirente para o pagamento dos tributos incidentes no momento da importação da mercadoria. Após historiar sobre sua estrutura empresarial na qual a sociedade controladora é a ArcelorMittal Brasil S.A, a peça de defesa em relação ao mérito aduz, que o objeto da controvérsia reside no fato de que, conforme disposição contratual, o desconto obtido pela Recorrente nos Leilões do FUNDAP é parcialmente retido e o restante é reembolsado para os reais adquirentes do produto importado, na proporção das importações que realizaram. Finaliza explicando contabilmente que, por força contratual lícita, a importadora por conta e ordem retém o equivalente a 10% do valor restituído, e estes 10% configuram como receita financeira garantindo a remuneração do serviço prestado. Pois bem. A Recorrente, empresa com sede no Estado do Espirito Santo, participante do Sistema FUNDAP, é uma trading company que, além de suas operações por conta própria, executa, também, operações de importação por conta e ordem de terceiros. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 No caso em exame, cumpre destacar que a Recorrente, em todas as operações questionadas estribase no CONTRATO DE IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS, os quais demonstram, suas obrigações, quais sejam, nacionalizar e entregar as mercadorias importadas aos encomendantes, sem qualquer negociação dos produtos. Importa reproduzir sua cláusula primeira: 1.1 Constitui objeto do "Contrato" a efetivação de operações de importação de mercadorias, e do respectivo despacho aduaneiro, pelo "IMPORTADOR", POR CONTA E ORDEM DO "ADQUIRENTE", nos termos e condições a seguir descritos: 1.2 Tendo o "ADQUIRENTE" interesse em importar mercadorias e/ou produtos produzidos no exterior, manterá contatos com os fornecedores de tais produtos, ajustando, diretamente, com os mesmos, o preço em moeda estrangeira, a forma de pagamento e todas as demais condições para efetivação de sua compra e definição da data de embarque, concordando, desde já, em figurar na fatura comercial emitida pelo EXPORTADOR como tal: "ADQUIRENTE" (buyer); 1.3 O "IMPORTADOR", que se encontra cadastrado no sistema Fundap, junto ao Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo S/A BANDES, e perante os órgãos competentes, tendo, portanto, amparo legal para, respeitadas normas e regulamentos vigentes, realizar operações de importação e nacionalização de mercadorias, por conta e ordem do "ADQUIRENTE", concorda em figurar na fatura comercial como "IMPORTADOR" (importer); O SITE DA RECEITA FEDERAL ESCLARECE OS CONTORNOS DE UMA IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM: A importação por conta e ordem de terceiro é um serviço prestado por uma empresa, a importadora, a qual promove, em seu nome, o Despacho Aduaneiro de Importação de mercadorias adquiridas por outra empresa a adquirente em razão de contrato previamente firmado, que pode compreender ainda a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial (art. 1º da IN SRF nº 225/2002 e art. 12, § 1°, I, da IN SRF nº 247/2002). Assim, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o importador de fato é a adquirente, a mandante da importação, aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional; embora, nesse caso, o faça por via de interposta pessoa a importadora por conta e ordem, que é uma mera mandatária da adquirente. Dessa forma, mesmo que a importadora por conta e ordem efetue os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, antecipados ou não, não se caracteriza uma operação por sua conta própria, mas, sim, entre o exportador estrangeiro e a empresa adquirente, pois dela se originam os recursos financeiros. Compulsando os autos do presente processo, ficou cabalmente comprovado que os contratos, notas e faturas claramente indicam que o contratante é o verdadeiro adquirente da mercadoria. A Recorrente, no caso, por ser mera intermediária, não aufere receita decorrente da venda interna ao encomendante, restando como remuneração pelos serviços prestados, apenas e tão somente os benefícios financeiros oriundos do programa FUNDAP. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 15586.720186/201464 Acórdão n.º 1301002.006 S1C3T1 Fl. 14 7 Para isso, mister diferenciar o conceito de "entrada" e "receita", diversos e com efetiva relevância para o deslinde da questão. As entradas são valores que, embora transitando graficamente pela contabilidade das prestadoras, não integram seu patrimônio e, por consequência, são elementos incapazes de exprimir traços de sua capacidade contributiva. As receitas, ao contrário, correspondem ao benefício efetivamente resultante do exercício da atividade profissional, passando a integrar o patrimônio de quem a recebe. São exteriorizadoras de sua capacidade contributiva. As verbas identificadas como taxa de agenciamento, preço de serviços e similares, são inegavelmente receitas, já aquelas relativas ao valor pago por força das importações por conta e ordem, são meras entradas. Além disso, a Nota COSIT 163/2001 — em resposta a CONSULTA da Secretaria da Fazenda do Espirito Santo em prol das operações FUNDAP, chancelada a posteriori, em sua essência, pelo Parecer PGFN/CAT 1316/01, as quais, frisese, são anteriores à edição da MP 215835/01, esclarecem, de forma peremptória, que a nota fiscal de transferência emitida numa operação por conta e ordem de terceiros não é faturamento. Por conseqüência, não constituem base imponível do PIS e da COFINS, nem tampouco constituem receita por não se configurar venda. A contabilização por parte da recorrente como receita financeira do valor total decorrente do resgate antecipado, e com deságio, do financiamento de longo prazo do ICMS, concedido pelo sistema Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias – FUNDAP; para depois repassar parcialmente o benefício financeiro do sistema FUNDAP para seu cliente, mediante a apresentação de nota de crédito, considerando contabilmente uma despesa, talvez não seja, na técnica contábil, a melhor solução; mas, mesmo assim, não se pode dizer, nesse caso, que ocorreu um ganho (receita) no valor total da operação por desconsiderar a despesa como operacional e dedutível. O fato é que de imediato devese registrar que não há impedimento legal a essa prática nos leilões dos contratos de financiamento relativos ao FUNDAP. Pelo exposto, por entender que deve haver a segregação das receitas auferidas pela recorrente dos valores entrados, por força das operações realizadas por conta e ordem de terceiros, segregação esta que restou clara na instrução do presente feito, voto por DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 848DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 8 Fl. 849DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 13971.723602/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PARCELA NÃO SUJEITA À INCIDÊNCIA. AFASTAMENTO. Comprovando o sujeito passivo que a parcela tributada não se sujeita à incidência do IRPF, deve-se afastar a omissão de rendimentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente ADEMIR MANOEL GONÇALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PARCELA NÃO SUJEITA À INCIDÊNCIA. AFASTAMENTO. Comprovando o sujeito passivo que a parcela tributada não se sujeita à incidência do IRPF, devese afastar a omissão de rendimentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Natanael Vieira dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 36 02 /2 01 4- 15 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir a notificação de IRPF que compõe o presente processo. Os principais aspectos envolvidos no PAF até a apresentação do recurso podem ser visualizados no relatório da decisão de primeira instância: "Conforme descrição dos fatos o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido constatada omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica em decorrência de processo judicial trabalhista, no valor de R$45.177,17. Na impugnação apresentada, às fls. 2/3 e 9/23, o contribuinte alega, em síntese: • que os rendimentos que foram considerados como omitidos são verbas não tributáveis, como pode se depreender das sentenças anexadas, pois todas as receitas obtidas através das ações contra a União/Fazenda Nacional são devoluções de imposto de renda cobrados indevidamente do impugnante. A Receita Federal equivocase ao autuar o impugnante, posto que o motivo da ação judicial contra a União/Fazenda Nacional foi a busca do valor devido a título de imposto pago indevidamente e não decorrente de ação trabalhista, como consta na notificação de lançamento. • que o Banco do Brasil informou à Receita Federal que o contribuinte tinha IRRF de R$9.371,82, proveniente de imposto cobrado indevidamente no processo 5757/00 TRT, e que registrou também este valor como rendimento tributável, valor este omitido na declaração original, por não ser do conhecimento do contribuinte, já que ele tinha certeza de que o valor não é tributável; • que a retenção dos 3% quando do recebimento dos valores, ocorreu de forma equivocada tanto pela Caixa Econômica quanto pelo Banco do Brasil, devendo tais valores serem restituídos, por ocasião da aceitação por parte da Receita Federal do Brasil RFB, da declaração retificadora, não havendo mais qualquer ajuste a ser feito em relação às supostas diferenças exigidas pela RFB; • requer que seja considerada válida a declaração retificadora e que lhe seja devolvida a primeira parcela do IRPF, no valor de R$1.148,80, de um total de três, paga em 30/04/2013, calculado na declaração original." A Turma da DRJ, por unanimidade de votos, decidiu dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a isenção do IRPF para dois pagamentos, todavia, manteve a infração Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13971.723602/201415 Acórdão n.º 2402005.302 S2C4T2 Fl. 201 3 de omissão de rendimento para um dos valores recebidos do Banco do Brasil. Vale a pena transcrever excerto do voto condutor do acórdão de primeira instância: "O contribuinte comprova, com os documentos anexados aos autos que os valores de R$22.729,06 (depositado na Caixa Econômica Federal) e R$9.371,82 (depositado no Banco do Brasil S.A.) recebidos no anocalendário 2012 em decorrência de decisões judiciais são isentos do IRPF, entretanto o valor de R$13.076,29 (depositado no Banco do Brasil S.A.), que o contribuinte alega ser decorrente da apelação cível nº 2003.72.05.003295 8/SC, não resta comprovado pelos documentos trazidos aos autos ser referente à sentença que deu provimento à referida apelação (fls. 28/36), pois desta não consta o valor a que se refere a isenção ali reconhecida. Assim, mantémse como rendimentos omissos o montante de R$13.076,29." Com essa fundamentação deuse provimento parcial à defesa, exonerando o crédito exigido e reconhecendo direito à restituição de R$ 2.341,42. Cientificado da decisão em 31/03/2015, fl. 117, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso em 27/04/2015, fls. 137/142, acompanhado dos documentos de fls. 143/196, no qual, após pedir prioridade na análise do processo e mencionar os fatos processuais relevantes apresentou, em síntese, as alegações abaixo. Afirma que há provas insofismáveis de que o valor de R$ 13.076,29 (depositado no Banco do Brasil) foi pago ao recorrente em decorrência da Apelação Cível n.° 2003.72.05.0032958/SC. Afirma que com o trânsito em julgado da referida apelação cível ingressou com a Ação de Execução de Sentença n.° 500550798.2012.4.04.7205, a qual teve como fundamento o título executivo reconhecido nos autos da apelação, o que pode ser comprovado pelo extrato completo da ação de execução. Deste procedimento, em 02/10/2012 foi expedida Requisição de Pequeno Valor RPV, de cujos dados não deixam dúvida que teve origem na Apelação Cível n.° 2003.72.05.0032958/SC. Chama atenção que o valor em questão foi reconhecido como imune pela Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, que declarou a inexigibilidade do imposto de renda retido na fonte referente aos resgates de contribuições de entidade de previdência privada pagas entre janeiro de 1989 e dezembro de 1995. Transcreve a ementa do julgado do TRF4. Por fim, pede o reconhecimento de que o valor de R$ 13.079,26, recebido pelo recorrente, teve origem na Apelação Cível n.° 2003.72.05.0032958/SC. Foram juntadas as peças do processo de execução. Sem contrarrazões, os autos vieram a julgamento. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme relatado, o recurso voluntário foi interposto no prazo legal. Assim, por terem sido atendidos os demais requisitos normativos, deve ser conhecido o recurso. Mérito O mérito da contenda resumese em verificar se o valor de R$13.076,29, recebido pelo recorrente do Banco do Brasil, que a DRJ entendeu não haver comprovação de estar relacionado à Apelação Cível n.° 2003.72.05.0032958/SC, efetivamente está vinculada a esta ação que tramitou no TRF1. Para mim, o contribuinte trouxe prova inequívoca desta vinculação, ao juntar as peças da Ação de Execução de Sentença n.° 500550798.2012.4.04.7205. Vejamos. Dentre os documentos juntados RPV de fls. 144, que faz menção ao processo executivo mencionado. O valor ali constante é de R$ 13.033,87 depositado em 09/2012. Acato o argumento do recorrente de que a diferença para R$13.076,29 decorreu da correção monetária do dia da expedição da RPV para a data do levantamento do valor. A capa do processo de execução, fl. 145, faz menção à Apelação Cível n.° 2003.72.05.0032958/SC, cujo Acórdão do TRF5 transitado em julgado carregou a seguinte ementa: Comprovado então que o rendimento que a DRJ entendeu ser tributável de fato decorreu da Apelação Cível mencionada no recurso, cujo objeto era o reconhecimento da não incidência de IRPF sobre contribuições a fundo de previdência privada. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13971.723602/201415 Acórdão n.º 2402005.302 S2C4T2 Fl. 202 5 Devese, portanto, afastar integralmente a omissão de rendimentos apontada na notificação. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 11128.003651/99-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/04/1999
MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES
A multa prevista no art. 526, inciso II, do RA /85 somente poderia ser aplicada às hipóteses em que a legislação preveja a necessidade do licenciamento não automático, já que eventual sanção pelo descumprimento de uma obrigação somente ocorre quando houver obrigação a cumprir.
No caso vertente, é de se trazer que o sujeito passivo providenciou à época a licença de importação que entendia cabível quando da classificação da mercadoria na posição TEC 8426.49.00 EX 002 como guindastes rodoferroviários. O que, por conseguinte, se à época da importação a mercadoria classificada pela autoridade fazendária estava sujeita ao licenciamento automático, não há que se falar em sanção sobre não cumprimento de uma obrigação, eis que não existe tal obrigação.
Numero da decisão: 9303-004.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Erika Costa Camargo Autran, Robson José Bayerl (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen (suplente convocado).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 20/04/1999 MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES A multa prevista no art. 526, inciso II, do RA /85 somente poderia ser aplicada às hipóteses em que a legislação preveja a necessidade do licenciamento não automático, já que eventual sanção pelo descumprimento de uma obrigação somente ocorre quando houver obrigação a cumprir. No caso vertente, é de se trazer que o sujeito passivo providenciou à época a licença de importação que entendia cabível quando da classificação da mercadoria na posição TEC 8426.49.00 EX 002 como guindastes rodoferroviários. O que, por conseguinte, se à época da importação a mercadoria classificada pela autoridade fazendária estava sujeita ao licenciamento automático, não há que se falar em sanção sobre não cumprimento de uma obrigação, eis que não existe tal obrigação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Erika Costa Camargo Autran, Robson José Bayerl (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen (suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1902; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 846 1 845 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11128.003651/9936 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.198 – 3ª Turma Sessão de 7 de julho de 2016 Matéria II Recorrente LIBRA LINHAS BRASILEIRAS DE NAVEGAÇÃO S/A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/04/1999 MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES A multa prevista no art. 526, inciso II, do RA /85 somente poderia ser aplicada às hipóteses em que a legislação preveja a necessidade do licenciamento não automático, já que eventual sanção pelo descumprimento de uma obrigação somente ocorre quando houver obrigação a cumprir. No caso vertente, é de se trazer que o sujeito passivo providenciou à época a licença de importação que entendia cabível quando da classificação da mercadoria na posição TEC 8426.49.00 EX 002 como guindastes rodoferroviários. O que, por conseguinte, se à época da importação a mercadoria classificada pela autoridade fazendária estava sujeita ao licenciamento automático, não há que se falar em sanção sobre não cumprimento de uma obrigação, eis que não existe tal obrigação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 36 51 /9 9- 36 Fl. 847DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio Cesar Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Erika Costa Camargo Autran, Robson José Bayerl (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen (suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo contra o acórdão 30134.528 que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso, consignando acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO —II Data do fato gerador: 20/04/1999 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO."EX" TARIFÁRIO. APLICAÇÃO. Os "ex" tarifários estabelecidos para reduzir o Imposto de Importação têm aplicação restrita aos bens expressamente discriminados no ato ministerial e decorrem de prévio exame da Administração Pública, mormente do de similaridade, com o objetivo de proteger a indústria nacional, descabendo a interpretação extensiva de forma a beneficiar bens não especificados no ato ministerial e cujas características e finalidades sejam completamente distintas das que foram contempladas. Pórticos de descarga móvel sobre trilhos destinados ao descarregamento de contêneres ou cargas em geral, de navios, não gozam do benefício de redução tarifária estabelecido pela Portaria MF nº 202/98 para guindaste rodoferroviário no ex002 do código NCM 8426.49.00, que visou beneficiar a importação de carregador/escavadeira que reúne em uma só máquina o desempenho de carregador e guindaste, para movimentação de trilhos, dormentes e cargas em geral, e de retroescavadeira, para abertura e limpeza de valetas, desguamecimento de lastro, dragagem e outras aplicações através da utilização de acessórios opcionais. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.003651/9936 Acórdão n.º 9303004.198 CSRFT3 Fl. 847 3 MULTAS As multas de oficio por declaração inexata e por infração administrativa ao controle das importações só se beneficiam da orientação benigna estabelecida nos ADN Cosit nº 10/97 e 12/97 no caso de a mercadoria ter sido corretamente descrita. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC. 0 exame da ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas da legislação tributária falece as instancias administrativas, visto ser atribuição exclusiva do Poder Judiciário. RECURSO DESPROVIDO” Insatisfeito, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, requerendo que sejam acolhidos os presentes embargos, inclusive com efeito modificativo a fim de que sejam sanadas as omissões apontadas e reconhecida a insubsistência do lançamento efetuado ou, quando menos a insubsistência da exigência de juros sobre a multa de ofício aplicada. Alegou omissão relativamente às duas matérias, quais sejam, em síntese, que: · Não constaram do voto vencedor os motivos pelos quais não se acolheu a nulidade do lançamento declarada pelos votos vencidos; § Houve equívoco quanto à origem dos documentos anexados às fls. 142/148 dos autos. O sujeito passivo, posteriormente, apresentou desistência parcial à fl. 674, esclarecendo não ser objeto da presente desistência o lançamento da multa por suposta infração administrativa ao controle das importações aplicada com fundamento no artigo 526, II do Regulamento Aduaneiro (Decreto 91.030/85). Apreciados os Embargos, foi emitido Acórdão nº 3202000.072, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, acolheu em parte os embargos, e nesta parte, negou provimento ao recurso voluntário, consignando acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Fl. 849DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Data do fato gerador: 20/04/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os embargos de declaração têm como finalidade a correção de falhas existentes nos acórdãos, quando for demonstrada contradição entre os argumentos e a conclusão ou entre as partes dispositivas e as decisões ou ementas, ou ainda obscuridade nas conclusões do acórdão ou constatação de que a decisão foi omissa no tocante às alegações do recurso, não se prestando para a rediscussão sobre a matéria objeto de lide. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício após o seu vencimento, a partir de 1o/1/97, está prevista nos arts. 43 e 61, § 3o, da Lei 9.430/96. A multa de ofício tem prazo para pagamento de 30 dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo, ficando sujeita aos juros moratórios se não houver pagamento nesse prazo. Embargos acolhidos em parte para, nessa parte, negar provimento ao recurso voluntário, de forma a rerratificar o Acórdão no 30134.528.” Para melhor elucidar os pontos de discussão, importante trazer o voto constante do acórdão consignado: [...] Os embargos têm como fundamento a existência de omissões no Acórdão, pelos motivos expostos pela embargante. Atendidos os pressupostos de admissibilidade, conheço dos embargos. De observarse, preliminarmente, que o motivo concludente da validade do lançamento, mesmo entendendose que se trata de pórticos de descarga, conforme laudo técnico, foi que o fato de que a lide não envolve classificação tarifária, e sim, o não enquadramento da mercadoria no ex 002 da Portaria MF no 202/98, que previa redução tarifária para 5% de alíquota de Imposto de Importação. A classificação adotada pela contribuinte não foi repelida pelo Fisco, que questionou apenas o uso indevido de um ex tarifário para a classificação adotada pela contribuinte, razão pela qual aceitou aquela utilizada no despacho de importação, mesmo porque todos os equipamentos da posição 8426 tinham a mesma alíquota de imposto. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.003651/9936 Acórdão n.º 9303004.198 CSRFT3 Fl. 848 5 Destarte, o acórdão foi claro ao justificar e explicitar, de forma metódica e como argumento essencial, que os bens importados não preenchiam as condições estabelecidas pelo ex tarifário para o gozo da redução prevista na Portaria Ministerial. Aliás, conforme inclusive admitido pela embargante, a matéria já foi objeto de debates por ocasião do julgamento, sendo descabidos, por falta de previsão legal, embargos de declaração para contrapor ou apresentar fundamentos de discordância em relação ao entendimento de outros Conselheiros a respeito da matéria. Quanto ao segundo tópico, verifico tratarse de pretensa alegação de equívoco e que diz respeito à matéria superada, visto que já foi devida e minuciosamente examinada e justificada, e em relação à qual não cabe discussão em sede de embargos por não ter ocorrido omissão, contrariedade ou obscuridade, cumprindo ressaltar que o quesito “f” a que se apega a embargante também esteve entre os argumentos que justificaram o desprovimento do recurso voluntário. De mais, ainda que viesse a se caracterizar a ocorrência de equívoco, não se trataria de hipótese de embargos, por não estar tal recurso previsto para situações de equívocos, matéria típica de erro de direito. A última questão respeita à alegação de omissão no Acórdão quanto à matéria pertinente à cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, em relação à qual a embargante alega falta de fundamentação legal. Em relação a essa matéria vejo que, efetivamente, houve omissão no Acórdão, visto que o recurso voluntário abordava especificamente esse ponto (fls. 229/234). Por essa razão entendo devam ser acolhidos em parte os embargos, para que haja a devida apreciação. Por ocasião do recurso voluntário, a contribuinte alegou que a Portaria MF nº 370/88 que dispõe sobre a exigência de juros sobre multa não tem suporte legal, visto ter se baseado nas disposições dos §§ 4o e 9o do art. 5o do Decretolei no 1.704/79, do art. 16 do Decretolei no 2.323/87, do art. 6o do Decretolei nº 2.331/87, do art. 11 do Decretolei no 2.470/88, do art. 2o do Decretolei nº 2.477/88 e dos arts. 2º e 3º da Lei no 7.683/88, que não autorizam o cálculo de juros sobre o valor das multas. Aduziu também que o art. 59 da Lei nº 8.383/91 determina que os Fl. 851DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 juros de mora devem ser calculados apenas sobre o valor do tributo ou contribuição, devidamente corrigido. E acrescenta que da mesma forma dispõe o art. 61 da Lei no 9.430/96, entendendo que os débitos, exceto as multas, estão sujeitos aos juros moratórios. A base legal contida no Auto de Infração para a exigência dos juros de mora foi o art. 61 da Lei nº 9.430/96, não estando, pois, em discussão, por estranha aos autos, a legislação anterior pertinente a acréscimos legais citada pela recorrente. A questão não comporta maiores discussões. Vêse que a exigência de juros moratórios sobre débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, nesses incluídas as multas, é matéria já prevista em lei antes da vigência do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Com efeito, o § 5º do art. 84 da Lei no 8.981/95 já estabelecia que, verbis: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1o de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...) § 5º Em relação aos débitos referidos no art. 5o desta Lei incidirão, a partir de 1º de janeiro de 1995, juros de mora de um por cento ao mês calendário ou fração.”(destaquei) O art. 5º a que se refere essa norma tinha a seguinte redação, verbis: “Art. 5º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores ocorrerem até 31 de dezembro de 1994, inclusive os que foram objeto de parcelamento, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para Real com base no valor desta fixado para o trimestre do pagamento.” (destaquei) Como visto acima, o caput do art. 84 da Lei nº 8.981/95 estabeleceu a exigência de juros de mora apenas sobre os tributos e contribuições não Fl. 852DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.003651/9936 Acórdão n.º 9303004.198 CSRFT3 Fl. 849 7 pagos nos prazos previstos, relativamente a fatos geradores que viessem a ocorrer a partir de 1º/1/95. No entanto, o § 5º desse mesmo artigo determinou a cobrança dos juros de mora a partir de 1º/1/95, no percentual de 1% ao mês calendário ou fração sobre débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional – aqui compreendidas as multas – para os fatos geradores ocorridos até 31/12/94. Para esses mesmos fatos geradores sobreveio o art. 30 da Lei no 10.522/2002 (decorrente da Medida Provisória no 1.62131/98), que determinou a incidência de juros moratórios equivalentes à taxa Selic a partir de 1o/1/97, quando não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31/8/951. Para os fatos geradores ocorridos nos exercícios de 1995 e 1996 não houve previsão legal para a cobrança dos juros moratórios sobre multas de ofício. Nesse período, os juros de mora incidem somente sobre os tributos e contribuições pagos a destempo. A exigência dos juros sobre multas veio a ser consagrada definitivamente com a superveniência do art. 61 da Lei no 9.430/96, que estabeleceu, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1o de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Destaquei) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Esse dispositivo de lei foi abrangente ao dispor sobre a exigência de juros de mora sobre os débitos para com a União, diferentemente do que previa a lei anterior, que estabelecia a exigência dos juros moratórios sobre os tributos e contribuições. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 E ao se referir sobre a cobrança desses acréscimos sobre os débitos para com a União, a norma estabeleceu a obrigatoriedade da exigência desses gravames sobre quaisquer débitos, do que decorre, por óbvio, a sua exigência sobre multas de ofício. Dispondo sobre a matéria o Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto nº 4.543/2002) foi taxativo em seu art. 663 ao destacar a exigência dos juros moratórios sobre as multas de ofício (ratificado no art. 748 do vigente Regulamento Aduaneiro – Decreto no 6.759/2009), verbis: “Art. 663. Os débitos, inclusive as multas de ofício, decorrentes dos tributos e contribuições de que trata este Decreto, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1o de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de juros de mora, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento (Lei no 9.430, de 1996, arts. 5º, § 3º e 61, § 3º). Parágrafo único. Aplicamse, a partir de 1o de janeiro de 1997, os juros de mora calculados na forma do caput, aos débitos de qualquer natureza, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, e que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, inclusive os 1 “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...) Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” inscritos em Dívida Ativa da União (Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, art. 30).” Fl. 854DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.003651/9936 Acórdão n.º 9303004.198 CSRFT3 Fl. 850 9 De outra parte, a exigência de juros sobre crédito tributário correspondente a multa isolada está expressamente prevista no parágrafo único do art. 43 da Lei no 9.430/96. A legislação é clara e inequívoca quanto à existência de normas legais que estabelecem a exigência dos juros moratórios sobre as multas componentes de débitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de 1o/1/97 e a fatos geradores ocorridos até 31/12/94, estes nos termos ali indicados. E tal entendimento está estribado no princípio da razoabilidade preconizado pelo art. 2º da Lei no 9.784/99 e em regras básicas de relacionamento da União com os contribuintes, visto que: a um, em obediência ao disposto no art. 167 do CTN, nas restituições de tributos cabem juros de mora inclusive sobre as multas pagas indevidamente; e a dois, para evitar o locupletamento ilícito decorrente da falta de pagamento de juros moratórios durante o decurso do processo fiscal administrativo. Ao final, cumpre ressaltar que a matéria já foi objeto do Parecer MFSRF/Cosit/Coope/Senog no 28, de 2/4/98, que concluiu exatamente no sentido de que desde 1º/1/97 as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial Selic, desde que estejam associadas: a) a fatos geradores ocorridos a partir de 1º/1/97 e b) a fatos geradores que tenham ocorrido até 31/12/94, se não tiverem sido objeto de pedido de parcelamento até 31/8/95. Por isso que, em tendo o fato gerador de que trata este processo ocorrido em 20/4/99, data do registro da correspondente declaração de importação, as multas decorrentes dessa importação estão sujeitas aos juros moratórios previstos na legislação citada. Diante de todo o exposto, acolho em parte os embargos para, em relação à parte acolhida, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, esclarecendo que o presente recurso se refere exclusivamente à multa do controle administrativo das Fl. 855DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 importações prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro de 1985 – não abrangida pela renúncia manifestada em 21.12.09 e não incluída no parcelamento da Lei 11.941/09. Conforme Despacho de fls. 835 a 838, o recurso especial foi admitido em sua integralidade quanto às duas divergências suscitadas pelo sujeito passivo, quais sejam: · Que a mera descrição inexata do bem importado não consubstancia infração ao controle aduaneiro; · A multa do art. 526, inciso II, do RA/85 não se aplica à importação não amparada por licença de importação A Fazenda Nacional, então, apresentou Contrarrazões às fls. 840 a 844, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, mantendose incólume a r. decisão recorrida. Alega, entre outros, que: · O acórdão recorrido afirmou expressamente que a mercadoria descrita é completamente diversa da mercadoria que foi efetivamente introduzida no território nacional. · O sujeito passivo, desconsiderando a regra geral de Direito Tributário de que as disposições que dispensam o cumprimento da obrigação tributária devem ser interpretadas restritivamente, pretende fazer valer o seu entendimento no sentido de que a descrição e classificação incorreta da mercadoria introduzida no território nacional não é suficiente para atrair a incidência da multa de ofício por declaração inexata, bem como a ausência de licença de importação não gera a aplicação da multa do art. 526, II, do RA/85 conforme afirmou o acórdão recorrido: “São claras e inequívocas as diferenças entre pórticos de descarga e guindastes rodoferroviários”, razão pela qual não pode “ser oferecido o abrandamento na parte tributáriapenal estabelecido no referido ato normativo.” É o relatório. Voto Fl. 856DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.003651/9936 Acórdão n.º 9303004.198 CSRFT3 Fl. 851 11 Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Depreendendose da análise do Recurso interposto pelo sujeito passivo, entendo que o recurso deva ser conhecido em sua integralidade – o que concordo com a manifestação constante do Despacho de Admissibilidade. No que tange à discussão acerca da multa administrativa quando da descrição inexata do bem importado, vêse que o acórdão recorrido consignou decisão pela manutenção da multa por infração administrativa ao controle das importações, manifestando que a mercadoria não foi corretamente descrita nos documentos que embasaram a declaração de importação, não aplicando ao caso a orientação benigna tratada no ADN Cosit 12/97. Enquanto, o acórdão paradigma apontado pelo sujeito passivo adotou o entendimento de que o fato de a mercadoria ter sido descrita incorretamente, por si só, não implicaria a aplicaria da multa em comento. E, quanto à discussão acerca da aplicação ou não da multa prevista no art. 526, inciso II, do RA/85 à importação não amparada por licença de importação, constatase que o acórdão recorrido decidiu manter a aplicação da referida multa. Enquanto, os acórdãos apontados como paradigmas, em sentido contrário, manifestaram que a multa não deveria ser aplicada nos casos de falta de licença de importação. Ventiladas tais considerações, passo a analisar as matérias postas. Quanto à discussão envolvendo a multa administrativa quando da descrição inexata do bem importado, vêse que a multa prevista no art. 526, inciso II, do RA /85 somente poderia ser aplicadas às hipóteses em que a legislação preveja a necessidade do licenciamento não automático, já que eventual sanção pelo descumprimento de uma obrigação somente ocorre quando houver obrigação a cumprir. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 Para melhor elucidar, ressurgindo ao caso vertente, é de se trazer que o sujeito passivo providenciou à época a licença de importação que entendia cabível quando da classificação da mercadoria na posição TEC 8426.49.00 EX 002 como guindastes rodoferroviários. Tal classificação observou o item VII do Anexo I do Comunicado SECEX 37/97 que, por sua vez, dispunha que se sujeitavam ao licenciamento não automático as “Importações com redução a zero da alíquota do Imposto de Importação decorrente de extarifário.” Sendo assim, o sujeito passivo considerou, com base na sua classificação fiscal, que tais mercadorias estavam sujeitos ao licenciamento automático, tendo em vista que não constava do Anexo II do Comunicado SECEX 37/97 – no qual eram relacionados “os produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais de licenciamento automático, bem como os produtos sujeitos a licenciamento não automático, a mercadoria descrita na posição 8426 – pórticos ou guindastes – posição objeto da classificação observada pelo sujeito passivo. Não obstante, depreendendose da leitura dos autos do processo, é de se destacar que a autoridade lançadora entendeu que a mercadoria importada não se enquadrava como extarifário, sem atentar que o licenciamento ocorria de forma automática. Vêse que se à época da importação a mercadoria classificada pela autoridade fazendária estava sujeita ao licenciamento automático, não há que se falar em sanção sobre não cumprimento de uma obrigação, eis que não existe tal obrigação. Ademais, é de se considerar que a mera desclassificação da mercadoria importada não se sujeita a licenciamento não automático – o que há de se afastar a aplicação da multa. Quanto à discussão acerca da aplicação da multa à importação não amparada por licença de importação, cabe trazer que o sujeito passivo efetuou a Fl. 858DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11128.003651/9936 Acórdão n.º 9303004.198 CSRFT3 Fl. 852 13 importação das mercadorias classificadas na posição TEC 8426.49.00 EX 002 como guindastes rodoferroviários ao amparo de licença de importação automática, fato que não é objeto de controvérsia, já que de acordo com o item VIII do Anexo I do Comunicado SECEX 37/97 sujeitavamse ao licenciamento não automático as “importações com redução a zero da alíquota do Imposto de Importação decorrente de extarifário”. Tendo a decisão recorrida entendido que tais mercadorias seriam pórticos de descarga, considerou “que não foi providenciado o licenciamento específico para a importação dos pórticos de descarga, sujeitandose o importador à multa prevista no art. 526, inciso II, do RA/85, tendo, por esta razão, concluído não ter a importação sido amparada por licença de importação específica. Traz o art. 526, inciso II, do RA/85: “Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: [...] II – importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria. [...] § 1º Será considerada como tendo sido realizada sem guia de importação ou documento equivalente a importação cujo embarque da mercadoria tenha sido efetuado quando decorridos mais de quarenta (40) dias do prazo de validade desses documentos. [...]” Por esse dispositivo, vêse que seria considerado como tendo sido realizado sem guia de importação ou documento equivalente quando o embarque da mercadoria tenha sido efetuado após decorridos mais de 40 dias do prazo de validade desses documentos. O que não é o caso. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 14 Ademais, quanto à eventual presunção equivocada que o caso em comento se configuraria como infração cambial, cabe trazer que tal discussão ficou prejudicada por conta das argumentações já apresentadas. Sendo assim, é de se afastar a multa prevista no art. 526, II, do RA/85 (Decretolei 37, de 1966, artigo 169, I, “b”, alterado pelo artigo 2º da Lei nº 6.562, de 1978) para o caso em comento. Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 860DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 28/07/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10580.721524/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/05/2013
MÉRITO DA AUTUAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
Estando devidamente circunstanciados no lançamento fiscal os fundamentos de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade, devendo ser as questões relacionadas à valoração das provas e aos fundamentos jurídicos analisadas quando do exame do mérito das razões recursais.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. NÃO CABIMENTO.
1. A multa isolada de 150% prevista no art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, é inaplicável quando a autoridade fiscal não comprova a existência de falsidade.
2. A falsidade difere do simples erro, pois ela pressupõe a existência de má-fé por parte do sujeito passivo.
3. A autoridade administrativa tem o dever de comprovar a existência de má-fé, a qual não se presume no Direito brasileiro.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto qualidade, dar provimento parcial do recurso voluntário para excluir somente a multa isolada de 150%. Vencidos os Conselheiros Ronnie Soares Anderson (Relator), Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado e Marcelo Malagoli da Silva, que negavam provimento ao recurso voluntário. Redator Designado para apresentar o voto vencedor o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/05/2013 MÉRITO DA AUTUAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Estando devidamente circunstanciados no lançamento fiscal os fundamentos de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade, devendo ser as questões relacionadas à valoração das provas e aos fundamentos jurídicos analisadas quando do exame do mérito das razões recursais. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. NÃO CABIMENTO. 1. A multa isolada de 150% prevista no art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, é inaplicável quando a autoridade fiscal não comprova a existência de falsidade. 2. A falsidade difere do simples erro, pois ela pressupõe a existência de má-fé por parte do sujeito passivo. 3. A autoridade administrativa tem o dever de comprovar a existência de má-fé, a qual não se presume no Direito brasileiro. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/05/2013 MÉRITO DA AUTUAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Estando devidamente circunstanciados no lançamento fiscal os fundamentos de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade, devendo ser as questões relacionadas à valoração das provas e aos fundamentos jurídicos analisadas quando do exame do mérito das razões recursais. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. NÃO CABIMENTO. 1. A multa isolada de 150% prevista no art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, é inaplicável quando a autoridade fiscal não comprova a existência de falsidade. 2. A falsidade difere do simples erro, pois ela pressupõe a existência de máfé por parte do sujeito passivo. 3. A autoridade administrativa tem o dever de comprovar a existência de má fé, a qual não se presume no Direito brasileiro. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. Aplicase a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 15 24 /2 01 4- 11 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI , Assinado digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por voto qualidade, dar provimento parcial do recurso voluntário para excluir somente a multa isolada de 150%. Vencidos os Conselheiros Ronnie Soares Anderson (Relator), Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado e Marcelo Malagoli da Silva, que negavam provimento ao recurso voluntário. Redator Designado para apresentar o voto vencedor o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator João Victor Ribeiro Aldinucci – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI , Assinado digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.721524/201411 Acórdão n.º 2402005.347 S2C4T2 Fl. 3.602 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, que julgou procedente autos de infração (fls. 3/40) relativos à glosa de compensação de contribuições previdenciárias e respectiva multa isolada, e a diferenças encontradas na apuração das contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão de riscos ambientais (GILRAT).. O relatório da instância a quo bem descreve os termos do lançamento, motivo pelo qual peço a devida vênia para reproduzilo, na sua essência (fls. 237/246): Trata este processo dos Autos de Infração nos 51.058.8760, 51.058.8778 e 51.058.8786, abaixo especificados: AI nº 51.058.8778 Tratase de glosas de compensações indevidas, atinentes ao período de 01/2011 a 12/2012, incluindo a competência treze, totalizando o valor R$ 10.444.463,26, já acrescido de multa de mora de 20% e de juros de mora. AI nº 51.058.8760 Cuida de multa isolada aplicada em virtude de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo quanto aos créditos informados, calculada à taxa de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado, atinente às competências 05/2011 a 05/2013, no importe de R$ 11.333.237,38. AI nº 51.058.8786 Tratase de auto de infração referente a diferenças encontradas na apuração das contribuições previdenciárias relativas à parcela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), concernentes ao período de 01/2011 a 12/2012, incluindo a competência treze, no valor de R$ 246.426,77, já acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora. Do Relatório Fiscal Relata a autoridade lançadora que, em relação às compensações realizadas, a empresa esclareceu à fiscalização que diante do recolhimento indevido de contribuição previdenciária incidente sobre algumas rubricas, o SINDUSCON Sindicato da Industria de Construção Civil ajuizou alguns Mandados de Segurança, 1952897.2010.4,01.3300, na 8ª Vara Federal, pleiteando a declaração da inexigibilidade das verbas discutidas, bem como que o fisco federal se abstivesse de promover retaliações ao exercício do direto à compensação, previsto no art. 66 da Lei n° 8.383/91 c/c art. 74 da Lei n° 9.430/96, os quais beneficiaram a empresa requerente. No entanto, de acordo com a fiscalização, analisando a documentação apresentada, foi observado que no relatório da Apelação/Reexame necessário do Mandado de Segurança 16949.792010.4.01.3300, consta que a compensação Fl. 293DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI , Assinado digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 somente poderia ser efetivada após o trânsito em julgado da decisão, conforme disposição contida no art. 170A do CTN. Além do processo acima citado, a empresa apresentou mais dois processos, que daria a mesma o direito à realização da compensação. Seriam os Processos nos 15.86072.2011.4.01.3400 e 249693.2012.8.06.0145/0, que versa sobre compra de créditos referentes a títulos da divida externa brasileira, emitidos pela Prefeitura do Distrito Federal, em 1904. Neste processo, o contribuinte teve liminar favorável, porém, em seguida, este acabou sendo extinto sem julgamento do mérito. Quanto à diferença relativa à alíquota SAT, explica o fiscal que a empresa teve seu FAP estabelecido para o ano de 2011 em 1,1831% e o valor do RAT (CNAE FISCAL 2539001) em 3%, portanto o percentual do RAT ajustado ficou estabelecido em 3,549. Já no ano de 2012, o FAP foi de 1,1232 e o RAT, de 3%, logo o valor do RAT ajustado resultou 3,369. No entanto, da analise das GFIPs, constantes dos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil GFIPWEB, observouse que o contribuinte informou, no campo “RAT”, a alíquota FAP de 1%, quando o correto para este período seria a alíquota de 1,1831, para o ano de 2011, e 1.1232, para 2012. Informa que foram formalizados os Termos de Sujeição Passiva Solidária nos 01 e 02, com base no artigo 135, III, do CTN, atribuindo responsabilidade solidária aos sóciosadministradores Raimundo Cesar Santos, Ivana Claudia da Mota Pires, e Daniel Brito de Carvalho. A contribuinte impugnou o lançamento (fls. 189/232), porém a decisão de primeiro grau não acolheu a postulação (fls. 237/246), consubstanciando seu entendimento na ementa de acórdão: DECLARAÇÃO COM FALSIDADE. COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA E COMPENSAÇÃO EM DESACORDO COM DECISÃO JUDICIAL. CARACTERIZAÇÃO. Configurase declaração com falsidade aquela realizada em GFIP de crédito que ainda está sendo discutido judicialmente, bem como aquele objeto de decisão judicial exarada no sentido de sua inexistência. DECISÕES DE TRIBUNAIS SUPERIORES SOB O RITO DE RECURSOS COM REPERCUSSÃO GERAL E RECURSOS REPETITIVOS. IMPRESCINDÍVEL O PRONUNCIAMENTO DA PGFN. As decisões de Tribunais superiores sob o rito de recursos com repercussão geral e recursos repetitivos somente vinculam as DRJ se for emitido Parecer da PGFN determinando a observância de julgado no âmbito do julgamento administrativo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ATOS COM INFRAÇÃO À LEI. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei os gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. EQUIDADE. INEXISTÊNCIA DE LACUNA NA LEGISLAÇÃO. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI , Assinado digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.721524/201411 Acórdão n.º 2402005.347 S2C4T2 Fl. 3.603 5 A equidade é um instrumento para integração da legislação tributária, e, como tal, exige a existência de lacuna na legislação. No caso da multa isolada de 150% sobre a compensação indevida, não há lacuna na lei que torne necessária a sua aplicação. ARGUIÇÕES ACERCA DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS OU ATOS NORMATIVOS. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ. As DRJ não são competentes para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. A contribuinte interpôs recurso voluntário em 26/9/2014 (fls. 251/274), arguindo, em síntese: que efetuou recolhimentos "das contribuições normais e de parcelamentos efetuados e amortizados", conforme demonstrativos e extratos que anexa, não sendo então justa a aplicação de multa por falsidade de declaração, ainda mais quando tenha efeito confiscatório tendo em vista ter ocorrido mera inadimplência; que deve ser decretada a nulidade do lançamento, por inexistir prova da materialidade da infração, havendo sido as compensações em foco autorizadas pelo judiciário, impondose a conversão do julgamento em diligência para confronto com os processos judiciais; houve cerceamento de defesa do contribuinte ao não ter sido atendido, pela DRJ, o pedido de envio do processo à PGFN para manifestação da Portaria PGFN/RFB nº 1/14; que a fiscalização não considerou parcelamentos e retenções efetuadas, e que no mandado de segurança coletivo foi apurado um pagamento a maior de R$ 6.695.089,37, independentemente de outros processos dos quais já faz parte. Ao final, demanda a nulidade do lançamento, o julgamento conjunto dos autos de infração, a conversão do julgamento em diligência e sua intimação para efetuar sustentação oral. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI , Assinado digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Vencido Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, cabe frisar que a contribuinte não redige uma simples linha como fundamentação, tampouco verte pedido específico, ao contrário do acontecido quando da impugnação, voltado contra o AI nº 51.058.8786 (referente a diferenças encontradas na apuração das contribuições previdenciárias relativas à parcela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT)), motivo pelo qual restam os termos dessa autuação incontroversos. Também vale de plano esclarecer que a realização de sustentação oral é direito da parte, nos termos dos arts. 58 e 59 do Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 543/2015), bastando, para tanto comparecer na sessão de julgamento. Essa informação é divulgada conforme § 1º do art. 55 do mencionado regimento, o qual não contempla previsão de intimação pessoal do contribuinte. De outra banda, necessário registrar que a contribuinte, apesar de arguir a nulidade da autuação, traz argumentos concernentes, precipuamente, ao mérito da causa, tais como a existência de decisões judiciais a amparar seu procedimento e a inexistência de compensação indevida, portanto, serão tais razões analisadas como questão de fundo do litígio. Anotese que os autos de infração estão devidamente formalizados, estando claramente discriminadas as razões de fato e de direito que os fundamentaram, conforme se depreende da sua leitura, às fls. 3/54. Tampouco demonstra a contribuinte qualquer prejuízo concreto decorrente do não atendimento ao pleito, formulado em impugnação, de envio do presente processo à PGFN, sob a alegada necessidade de se observar a Portaria PGFN/RFB nº 1/14. Tal norma, aliás, não tem pertinência no particular, pois trata de procedimentos internos àqueles órgãos, tendo em vista decisões dos tribunais superiores. Não se vislumbra assim, qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, sem qualquer dano ao direito de defesa da contribuinte, a qual recorre de seus termos evidenciando pleno conhecimento das exigências que lhe são imputadas. No tocante ao tema de fundo, temse que de acordo com o relatado, a recorrente, devidamente intimada a trazer os documentos que deram origens aos créditos compensados na GFIP e a memória de cálculo das compensações efetuadas, alegou têlas realizado com base em ações judiciais, que teriam reconhecido seus créditos. Duas dessas ações judiciais, as de nº 1586075.2011.4.01.3400 e de nº 2496 93.2012.8.06.0145 versaram sobre compra de apólices de dívida pública, quedando extintas sem resolução de mérito, consoante assevera a instância a quo, antes mesmo do início da Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI , Assinado digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.721524/201411 Acórdão n.º 2402005.347 S2C4T2 Fl. 3.604 7 fiscalização em 4/2/2014 (fls. 44/45), fato não contestado pela contribuinte. Assim, eventuais compensações realizadas com esteio em decisões tomadas nesses processos, deveriam ter sido, por óbvio, escopo de retificação nas respectivas GFIP. Não por acaso, a autuada foca seu arrazoado no mandado de segurança coletivo nº 1952897.20104.01.3300 impetrado pelo Sinduscon junto à 8ª Vara Federal do Estado da Bahia, cuja sentença datada de 28/2/2011 concedeu o direito de seus associados, dentre os quais a autuada, a não recolherem a contribuição previdenciária sobre determinadas rubricas, tais como aviso prévio e férias indenizadas. Foilhe então assegurado o direito de compensar as verbas indevidamente pagas a tais título, "o que somente será efetivado após o trânsito em julgado desta sentença, por força do 170A CTN" (fl. 125). Examinandose os termos do relatório e voto constante no julgamento do apelação e reexame necessário desse mandamus (fls. 124/144), verificase que foi à ocasião pleiteado o direito à compensação "com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, vencidos ou vincendos, sem qualquer restrição" (fls. 130). Contudo, no dispositivo do acórdão, consta ter sido dado parcial provimento, "para declarar que a compensação será efetivada com débitos próprios ou vincendos", não sendo retirada a restrição destacada pelo juízo de primeiro grau, quanto à observância da regra do art. 170A do CTN. Importa mencionar que o efeito substitutivo conferido processualmente à decisão de segunda instância limitase às questões controvertidas que foram objeto do pedido de reforma e assim dirimidas nesse julgamento, tanto mais quando se trata de matéria envolvendo a aplicação direta de expressa disposição de lei complementar. Não se pronunciando em sentido diverso, temse inequívoco que permaneceu, no aresto do Tribunal Regional Federal da 1º Região, incólume o mandamento sentencial pela necessidade de se aguardar o trânsito em julgado da decisão. Notese que a compensação de contribuições previdenciárias regrada pelo art. 89 da Lei nº 8.212/91 submetese aos termos dispostos no art. 170 e no precitado art. 170 A do CTN, normas que disciplinam, de uma maneira geral, a compensação na esfera do direito tributário, forma de extinção do crédito tributário: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Logo, cabe ao pretenso credor provar a existência de créditos líquidos e certos a serem compensados, como já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, no REsp 98.899/SC, DJe de 29/10/1996: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. FINSOCIAL COM O CONFINS. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS AUTORIZATIVOS. LEI 8.383/91. ART. 170 DO CTN. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI , Assinado digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 A Lei no 8.383/91 não revogou normas consignadas no Código Tributário Nacional (art. 170), que é Lei Complementar e dispõe acerca dos pressupostos necessários a autorizar o instituto da compensação. Hipótese expressa na legislação (art. 156 do CTN) de extinção do crédito tributário, a compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza. Líquidos e certos, na definição legal (para justificarem a compensação), são os créditos tributários expressamente declarados pelo Fisco e os reconhecidos, como tais, por sentença judicial com trânsito em julgado. A liquidez e certeza do crédito é pressuposto indesjungível da compensação, tal qual como concebida na legislação pertinente e devem ser provados pelo credor, sendo inválido, para tal fim, a confissão ficta da Fazenda respectiva. A jurisprudência se firmou no sentido de que a compensação da contribuição para o FINSOCIAL paga indevidamente depende do reconhecimento judicial da inconstitucionalidade em cada caso concreto, desservindo de título para esse fim os precedentes judiciais que, incidentalmente, deixaram de aplicar o art. 92 da Lei no 7.689/88. Recurso provido. Decisão unânime. (grifei) Com efeito, se a incidência tributária que daria suporte aos créditos está sob litígio judicial, não restando assente por essa via a existência dos cogitados créditos contra a Fazenda Pública, não há falar em sua certeza ou liquidez, para fins de respaldar o encontro de contas com débitos tributários. Oportuno frisar, ainda, que uma vez que a contribuinte optou por discutir a existência dos indigitados créditos na esfera judicial, no âmbito administrativo ficou obstado o exame desse tema, a teor da Súmula CARF nº 2, restando a exigência de observância dos termos das decisões exaradas naquela esfera, o que inclui a verificação da conformidade da atuação da contribuinte com tais decisões. E, na espécie, atentando o procedimento da referida contra o determinado no comando sentencial, escorreita a glosa da compensação levada a efeito pela fiscalização. A controvérsia remanescente referese à aplicação da multa isolada no percentual de 150%, prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, verbis: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI , Assinado digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.721524/201411 Acórdão n.º 2402005.347 S2C4T2 Fl. 3.605 9 § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Partilho do entendimento de que a falsidade referida na norma supra transcrita, sob um prisma não só jurídico, mas também lógicosistemático, pressupõe a existência de uma conduta dolosa, pois, caso contrário, o simples descompasso entre a realidade tal como posta nos autos e as compensações realizadas por um dado interessado já seria suscetível de justificar a imputação da multa isolada no elevado percentual de 150%, o que não seria razoável. E, com vistas a sancionar tal conduta, o art. 89 já prevê, em seu § 9º supra transcrito, a multa de mora. A respeito do tema, aliás, tenho por bastante oportunas e percucientes as palavras do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, proferidas no julgamento, em 12/4/2016, do Acórdão nº 9202003.929 da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): Esclarecida a diferença entre o lançamento em geral e o caso da compensação de contribuições previdenciárias, passo a apresentar como interpreto sistematicamente os conceitos de: (a) fraude/sonegação/conluio, (b) falsidade e (c) mero erro. Por sonegação/fraude/conluio, entendo, em linha com o disposto nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964, que é ação dolosa tendente a impedir o conhecimento do fato pela autoridade ou a alteração de suas características, com ou sem a participação de duas ou mais pessoas. Por falsidade, referida no art. 89 da Lei n° 8.212, de 1991, entendo a consciência do agente, de que a conduta praticada consiste em inserção de informação, na declaração de compensação, que não corresponda à verdade. Por fim, por mero erro escusável, temos a inserção de informações equivocadas na declaração, sem que esteja comprovada a consciência do agente acer ca do fato. Concluindo, no caso de erro não cabe a exigência da multa prevista no art. 89 Lei nº 8212, de 1991. Já no casos de falsidade e de fraude/sonegação/conluio, cabe a multa. Porém não é necessária a comprovação de fraude/sonegação/conluio, basta a comprovação da falsidade. No caso em tela, temse que o relatório fiscal circunstanciou adequadamente os fatos, demonstrando ter sido realizada compensação com créditos que não detinham os necessários atributos de liquidez e certeza, dado estarem eles submetidos à apreciação do poder judicante, ainda sem a prolação de decisão definitiva. Além disso, a contribuinte, a despeito de mandamento judicial, emanado em fev/2011, no sentido de que esse direito à compensação só poderia ser exercido respeitados os limites do referido art. 170A, não retificou as GFIP que traziam as compensações indevidamente realizadas, o que demonstra de maneira inequívoca sua intenção de ocultar do Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI , Assinado digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Fisco o conhecimento da não extinção das obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias em apreço. Assim sendo, temse que o desrespeito aos termos da legislação de regência, particularmente ao art. 170A do CTN, e a afronta à determinação judicial expressa no sentido de que o direito à compensação só poderia realizarse após o trânsito em julgado da decisão, constituemse em elementos robustos o suficiente para evidenciar a intencionalidade, ou seja, o dolo, inerente à conduta da recorrente de apresentar as declarações cuja falsidade ficou atestada. Escorreita, desse modo, a autuação com base no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. No que tange à alegação de que o fiscal não teria aproveitado as retenções e os parcelamentos, vale ressaltar que a mera colação de extratos de parcelamentos às fls. 269/272 todos eles rescindidos , em nada auxilia a mínima compreensão de que os débitos parcelados abarcavam os que foram objeto de compensação, o que seria, aliás, surpreendente, compensar e parcelar simultaneamente o mesmo tributo devido. No relativo às retenções, também cabia à recorrente demonstrar o seu direito, que, aliás, não foi feito. Além disso, pode ser verificado, pelas GFIPs acostadas às fls. 104/110, que foram glosadas tão somente as compensações realizadas, sem alterar as reduções relativas a retenções, conforme consignadas nas GFIPs apresentadas pela empresa. Portanto, percebese que as retenções informadas pela autuada foram alocadas pela fiscalização. E, quanto aos demais recolhimentos efetuados no período, igualmente não há vestígio de prova de que eles tenham alguma relação com os débitos indevidamente compensados. Quanto à arguição de que a fiscalização deveria ter reconhecido o direito à compensação de R$ 6.695.089,37, em vez de somente R$ 59.555,78, resta ela por terra, considerando, como já explicado, que tal reconhecimento está sob exame do Poder Judiciário, o qual condicionou a possibilidade de aproveitamento dos créditos postulados ao trânsito em julgado da decisão. Por fim, cabe esclarecer que a alegação do caráter confiscatório da multa não prospera, por ingressar tal argumento na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI , Assinado digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10580.721524/201411 Acórdão n.º 2402005.347 S2C4T2 Fl. 3.606 11 Voto Vencedor Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado O presente voto é relativo apenas à multa isolada de 150%. Nesse tocante, o ilustre Relator entendeu que a autoridade autuante teria comprovado a existência de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, de tal maneira que a sanção pecuniária deveria ser aplicada em dobro, ex vi do § 10 do art. 89 da Lei 8.212/1991: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...] § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Como se vê, a norma exige a existência de falsidade para a aplicação da multa isolada de 150%, entendendose por tal não apenas o mero descompasso entre a declaração e a realidade, mas sim a afirmação mentirosa feita de forma voluntária, consciente e dolosa. Expressandose de outra forma, a falsidade difere do simples erro, pois ela pressupõe a existência de máfé. E a máfé, como sabido, não se presume, vez que "inexiste no Direito qualquer princípio que erija a máfé em regra ou critério de interpretação. Pelo contrário, notadamente em matéria de penalizações, tenham o caráter que tiverem, é vedada presunção de tão desabusado teor"1. A fiscalização, portanto, tem o dever de provar a existência do elemento subjetivo dolo, mais propriamente a intenção de alterar, suprimir, esconder, ludibriar, etc. Noutro giro verbal, a autoridade administrativa deve comprovar a existência de máfé, a qual não se presume no Direito brasileiro. 1 MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Procedimento Tributário. Revista de Direito Tributário. 718. RT. P. 66. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI , Assinado digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 No caso concreto, entendese que os fatos narrados pelo agente fiscal (i compensação com créditos oriundos de decisão judicial não definitiva e ii decisão impedindo a compensação se não observados os ditames do art. 170A) não são suficientes para implicar falsidade. Mais ainda, vêse que os créditos declarados em GFIP não eram inexistentes, mas sim oriundos de ação judicial, ainda que pendentes de decisão definitiva. Destarte, a autoridade autuante deveria ter trazido à autuação outros elementos caracterizadores da existência de dolo. Nessa toada, vale destacar a seguinte decisão deste E. Conselho: COMPENSAÇÃO. GLOSA. Impõese a glosa dos valores indevidamente compensados, acrescida de multa de mora e juros de mora, quando ausente a comprovação pelo sujeito passivo da existência do seu direito creditório. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a imposição de multa isolada de 150% prevista no art. 89, § 10, da Lei nº 8.212, de 1991 quando a autoridade fiscal não demonstra, por meio da linguagem de provas, a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo. A omissão do sujeito passivo em justificar a origem do seu direito creditório, como só alegado pela acusação fiscal, é circunstância insuficiente para concluir pela falsidade das compensações efetuadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão 2401004.179, Rel. Cleberson Alex Friess, sessão de 18 de fevereiro de 2016) (destacouse) Diante do exposto, votase no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir a multa isolada de 150%. João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 08/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI , Assinado digitalmente em 06/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.730059/2013-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. MOLÉSTIA GRAVE RECONHECIDA. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de moléstia grave, desde novembro de 2006, deve ser reconhecida isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. MOLÉSTIA GRAVE RECONHECIDA. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de moléstia grave, desde novembro de 2006, deve ser reconhecida isenção. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 00 59 /2 01 3- 29 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ADOLPHO BAHIA MENDONÇA FILHO, em face de acórdão que manteve a integralidade da Notificação de Lançamento através da qual fora apurada inconsistência na declaração de renda Pessoa Física ano calendário 2010 do recorrente, pois este não fora considerado como portador de moléstia grave, nos termos da legislação do imposto de renda. O lançamento considerou tributáveis os rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, o que resultou na alteração do imposto a restituir declarado de R$ 21.159,36 para o imposto a restituir após alterações de R$ 2.863,37. Tendo sido já restituído o imposto no valor de R$ 2.863,37, a notificação resultou em saldo de imposto a pagar de R$ 137,40. Consta dos autos que o recorrente apresentou laudo médico oficial atestando ser portador de doença que permite a concessão do benefício que busca ser reconhecido em seu favor, fazendo jus à isenção a partir da data de emissão do laudo. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que diante das alegações constantes no acórdão de primeira instância, de que deveria ter retornado à Junta Médica do Estado da Bahia para nova avaliação e indicação do termo inicial da enfermidade, assim o fez e apresenta nos autos o novo laudo médico, data de 21/10/2013, indicando o início da enfermidade desde novembro de 2006; 2. que o novo laudo foi emitido pelo mesmo hospital do laudo anterior e pelo mesmo médico; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10580.730059/201329 Acórdão n.º 2402005.295 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Reitero que, no presente caso, a discussão resumese tão somente a avaliar se a condição do recorrente de isento ao pagamento do imposto de renda, em razão de ser portador de moléstia grave, está comprovada nos autos. Com relação ao tema, o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47, da Lei nº 8.541/92, preceitua o seguinte: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ......................................................................................................... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Ademais, prevê a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, que também dispôs sobre o tema da seguinte forma: “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 [...] 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Pois, bem, diante de tais preceitos legais, verifico que nada mais fez a recorrente do que trazer aos autos a prova que a DRJ disse seria hábil a comprovar o seu direito de isenção. De fato consta dos autos laudo médico, emitido pelo mesmo profissional do mesmo serviço serviço de saúde oficial, que subscreveu o laudo original, atestando que a moléstia grave teve como data de início 29/11/2006. A meu ver, então, restam cumpridos os requisitos para o reconhecimento da isenção. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 31/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 10680.013991/2006-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL. RERRATIFICAÇÃO. Não averiguada a contradição, porém restando comprovada a existência de omissão, na forma suscitada pelo Embargante, impõe-se o acolhimento dos embargos para rerratificar a decisão.
Embargos Parcialmente Acolhidos.
Numero da decisão: 9101-002.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Embargos conhecidos e acolhidos parcialmente sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator, por unanimidade de votos. Declarou-se impedida de participar do julgamento, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL. RERRATIFICAÇÃO. Não averiguada a contradição, porém restando comprovada a existência de omissão, na forma suscitada pelo Embargante, impõe-se o acolhimento dos embargos para rerratificar a decisão. Embargos Parcialmente Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Embargos conhecidos e acolhidos parcialmente sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator, por unanimidade de votos. Declarou-se impedida de participar do julgamento, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
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OMISSÃO. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL. RERRATIFICAÇÃO. Não averiguada a contradição, porém restando comprovada a existência de omissão, na forma suscitada pelo Embargante, impõese o acolhimento dos embargos para rerratificar a decisão. Embargos Parcialmente Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Embargos conhecidos e acolhidos parcialmente sem efeitos infringentes, nos termos do voto do Relator, por unanimidade de votos. Declarouse impedida de participar do julgamento, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 39 91 /2 00 6- 36 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO, ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN, em face do Acórdão nº 9101001.566, de 23/01/2013, em cuja ementa consta: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMO DE JUROS MORATÓRIOS EQUIVALENTES A TAXA SELIC TERMO INICIAL DE INCIDÊNCIA. Conforme § 4º, do artigo 39, da Lei n° 9.250, de 1995, a partir de 1° de janeiro de 1996 a compensação ou restituição de tributos será acrescida de juros equivalentes à taxa SELIC. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, recurso negado.” Notificada da referida decisão em 13/05/2015, a PGFN opôs embargos de declaração em 14/05/2015, suscitando omissão e contradição no Acórdão, nos seguintes termos: O r. acórdão negou provimento ao recurso especial, invocando a jurisprudência do e. STJ, verbis: “O Superior Tribunal de Justiça também firmou posição que não fere o instituto da Coisa Julgada a utilização da Taxa Selic em substituição aos juros de 1%, quando a sentença foi proferida anteriormente à vigência da Lei n° 9.250, de 1995, verbis:” Data maxima venia, o entendimento do r. acórdão contraria a jurisprudência fixada pelo e. STJ em sede de recurso especial repetitivo nº 1.136.733, cuja ementa diz: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL. SENTENÇA EXEQUENDA PROFERIDA APÓS A VIGÊNCIA DA LEI 9.250/95. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCLUSÃO DA TAXA SELIC NOS CÁLCULOS DA LIQUIDAÇÃO. OFENSA À COISA JULGADA. A fixação de percentual relativo aos juros moratórios, após a edição da Lei 9.250/95, em decisão que transitou em julgado, impede a inclusão da Taxa SELIC em fase de liquidação de sentença, sob pena de violação ao instituto da coisa julgada, porquanto a referida taxa engloba juros e correção monetária, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice de atualização. [...] (Precedentes: REsp 872.621/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/03/2010, DJe 30/03/2010; AgRg no AgRg no REsp 1109446/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/10/2009, DJe 13/10/2009; REsp 1057594/AL, Rel. Ministro TEORI ALBINO Fl. 334DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.013991/200636 Acórdão n.º 9101002.270 CSRFT1 Fl. 334 3 ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 29/06/2009; AgRg no REsp 993.990/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/05/2009, DJe 21/08/2009; AgRg no AgRg no REsp 937.448/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/03/2008, DJe 18/03/2008; REsp 933.905/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/11/2008, DJe 17/12/2008; EREsp 816.031/DF, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/12/2007, DJ 25/02/2008; EREsp 779266/DF, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/02/2007, DJ 05/03/2007) 2. In casu, a sentença trânsita em julgado (datada de 12/05/2006, consoante voto condutor, às fls. eSTJ 263) determinou, simultaneamente, a atualização monetária do indébito, com acréscimo de juros de mora de 1% ao mês, contados do trânsito em julgado, complementando que, em homenagem ao princípio da isonomia, os índices de atualização monetária deverão corresponder àqueles utilizados pela Fazenda Nacional para atualização de seus créditos". 4. O acórdão recorrido, a seu turno, determinou a exclusão dos juros moratórios, para correção do valor exequendo pela Taxa Selic, ao fundamento de que a sentença fora contraditória. 5. A interpretação da sentença, pelo Tribunal a quo, de forma a incluir fator de indexação nominável (Selic), afastando os juros de mora, implica afronta à coisa julgada, não obstante tenha sido determinada a atualização da condenação pelos mesmos índices da correção dos débitos tributários, quando em vigor a Lei 9.250/95. 6. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 7. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.(REsp 1136733/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/10/2010, DJe 26/10/2010) Portanto, smj, o entendimento do r. acórdão vai de encontro ao disposto no RICARF, art. 62A. PEDIDO Posto isso, a FAZENDA NACIONAL requer o conhecimento e provimento destes embargos declaratórios para ser sanada a contradição e a omissão acima indicadas. Cabe transcrever excertos do acórdão embargado: Como visto do relatório, o ponto nodal da presente discussão diz respeito tão somente no que se refere a utilização de juros equivalentes à taxa SELIC, a despeito de haver transito em julgado de decisão judicial determinando a aplicação de juros de 1%. Neste sentido, tenho que não assiste razão a Fazenda Nacional, pois a aplicação da Taxa Selic sobre valores a restituir ou a compensar está prevista em legislação editada posteriormente à decisão judicial. Assim, é um direito da recorrente, não podendo neste caso ser usada qualquer interpretação restritiva. A jurisprudência deste Tribunal Administrativo temse firmado no sentido de que a partir de 1º de janeiro de Fl. 335DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 1996, a restituição/compensação de valores será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou maior que o devido até o mês anterior da restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. [...] Com efeito, pelo disposto no § 4°, do artigo 39, da Lei n° 9.250, de 1995, a partir de 01 de janeiro de 1996 a restituição ou compensação de tributos deve ser acrescida da variação da Taxa Selic, [...]. A decisão judicial, abrangida pela Sentença n° 487/89 (fls. 15/17), ao decidir pela aplicação dos juros de mora de 1% seguiu a legislação de regência à época de sua publicação, 14/11/1989, não podendo, obviamente, se manifestar a respeito da Taxa Selic em substituição aos juros, que só foi prevista em Lei posteriormente editada, em 1995. [...] O Superior Tribunal de Justiça também firmou posição que não fere o instituto da Coisa Julgada a utilização da Taxa Selic em substituição aos juros de 1%, quando a sentença foi proferida anteriormente à vigência da Lei n° 9.250, de 1995 [...]. Além do mais, a legislação tributária de regência prevê atualização monetária e juros moratórios sobre débitos vencidos desde a data do vencimento do tributo, nada mais lógico e racional de que seja dada ao contribuinte idêntica prerrogativa por uma questão de justiça fiscal. Nessa linha de raciocínio, não há dúvidas de que se União deve devolver algum valor por ser indevido, este valor deverá ser restituído àquele que teve seu patrimônio desfalcado, acrescido dos juros SELIC. Feitas tais considerações, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por preencher os requisitos de admissibilidade e, no mérito, voto no sentido de negarlhe provimento. O Despacho de Admissibilidade de Embargos entendeu que a situação de contradição estava apontada objetivamente. No interior da própria decisão estaria caracterizado esse vício, ou seja, teria sido evidenciada a desconformidade interna da decisão jurisdicional que assim determina: A decisão judicial, abrangida pela Sentença n° 487/89 (fls. 15/17), ao decidir pela aplicação dos juros de mora de 1% seguiu a legislação de regência à época de sua publicação, 14/11/1989, não podendo, obviamente, se manifestar a respeito da Taxa Selic em substituição aos juros, que só foi prevista em Lei posteriormente editada, em 1995. [...] O Superior Tribunal de Justiça também firmou posição que não fere o instituto da Coisa Julgada a utilização da Taxa Selic em substituição aos juros de 1%, quando a sentença foi proferida anteriormente à vigência da Lei n° 9.250, de 1995 [...]. Segundo o Despacho, a situação de omissão também estaria apontada objetivamente. Teria havido falta da manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir dentro da legislação tributária. O presente processo foi a mim distribuído por sorteio, em sessão de julgamento realizada em 08/12/2105, nos termos do art. 49, § 5° do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, tendo em vista que o relator original não pertence mais ao colegiado. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10680.013991/200636 Acórdão n.º 9101002.270 CSRFT1 Fl. 335 5 Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator Os Embargos se mostram tempestivos e atendem aos pressupostos legais para seu seguimento, pelo que deles conheço. Passase a analisar a contradição alegada. Segundo alega a Embargante, a decisão contida no Acórdão nº 9101001.566, ao negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda, teria se fundado em jurisprudência do STJ no sentido de que não fere o instituto da coisa julgada a utilização da Taxa Selic em substituição aos juros de 1%, quando a sentença tiver sido proferida anteriormente à vigência da Lei n° 9.250, de 1995. Tal entendimento, no entanto, segundo a Fazenda Nacional, iria de encontro à jurisprudência fixada pelo STJ no julgamento do Recurso Especial Repetitivo nº 1.136.733, cuja ementa aqui se reproduz parcialmente, com destaques: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL. SENTENÇA EXEQUENDA PROFERIDA APÓS A VIGÊNCIA DA LEI 9.250/95. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. INCLUSÃO DA TAXA SELIC NOS CÁLCULOS DA LIQUIDAÇÃO. OFENSA À COISA JULGADA. 1. A fixação de percentual relativo aos juros moratórios, após a edição da Lei 9.250/95, em decisão que transitou em julgado, impede a inclusão da Taxa SELIC em fase de liquidação de sentença, sob pena de violação ao instituto da coisa julgada, porquanto a referida taxa engloba juros e correção monetária, não podendo ser cumulada com qualquer outro índice de atualização. [...] Assim, haveria também omissão, por não ter sido reproduzida a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, em desrespeito ao disposto no art. 62A do RICARF/2009 (art. 62, § 2º, do RICARF/2015). De fato, a decisão do STJ no Recurso Especial Repetitivo nº 1.136.733 deveria ter sido reproduzida pelos conselheiros no julgamento recurso. Neste ponto, portanto, assiste razão à Embargante. No entanto, contrapondose a jurisprudência aduzida no acórdão embargado àquela trazida pela Fazenda, entendo não haver a alegada contrariedade. Para tanto, repriso a seguir a primeira ementa citada na decisão ora embargada, com destaques: RECURSO ESPECIAL N° 1.107.821 SP (2008/02696268) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA TAXA SELIC – SENTENÇA ANTERIOR Á VIGÊNCIA DA LEI 9.250/95 INCLUSÃO POSSIBILIDADE. 1. As Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte pacificaram o entendimento no sentido de que, nos casos em que a sentença cognitiva tenha sido proferida após a entrada em vigor da Lei 9.250/95, determinando a incidência de juros moratórios no percentual de 1% ao Fl. 337DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 mês, e assim tendo transitado em julgado, a taxa SELIC não pode ser aplicada em sede de execução. 2. Diversamente, contudo, se a sentença foi proferida em período anterior à vigência da citada lei, é possível a inclusão da referida taxa nos cálculos de liquidação de sentença, sem que isso implique ofensa da coisa julgada. Precedentes. 3. Recurso especial provido, para determinar a incidência da taxa SELIC a partir de 01/01/96, sem cumulação com qualquer outro índice de correção monetária ou com os juros moratórios de que trata o art. 161 do CTN. AgRg no REsp 774.861/DF, ReL Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 15/03/2007 De pronto, verificase que o entendimento presente no item 1 da ementa acima está em total consonância com aquele exarado no Recurso Especial Repetitivo nº 1.136.733: se a decisão que fixou juros moratórios de 1% tiver transitado em julgado após a edição da Lei 9.250/95, não se pode utilizar a Taxa SELIC para correção dos valores, sob pena de violação ao instituto da coisa julgada. O item 2 acima, por sua vez, que traz entendimento alinhado ao adotado no acórdão embargado e que poderia estar contradizendo a decisão do Recurso Especial Repetitivo nº 1.136.733, na verdade nada mais faz do que validar a interpretação a contrariu sensu: se a sentença houver sido proferida em período anterior à vigência da citada Lei, é possível a inclusão da referida taxa nos cálculos de liquidação de sentença, sem que isso implique ofensa da coisa julgada. Sendo assim, a despeito da omissão já reconhecida, não se verifica a alegada contradição, pois tanto os acórdãos que fundamentaram a decisão embargada quanto a decisão do STJ no Recurso Especial Repetitivo nº 1.136.733 são aplicáveis, com as mesmas conclusões, ao caso concreto objeto deste processo. Dessa forma, tendo em vista que o indébito foi reconhecido em decisão com trânsito em julgado em 1989, data anterior, portanto, à vigência da Lei n° 9.250, de 1995, tornase perfeitamente aplicável a Taxa SELIC à sua correção, devendo ser mantida a decisão ora embargada. Portanto, voto por ACOLHER PARCIALMENTE os embargos, sem efeitos infringentes, rerratificando o Acórdão nº 9101001.566, para deixar claro que se aplica a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo artigo 543 C do Código de Processo Civil, em atendimento ao disposto no art. 62A do RICARF/2009 (art. 62, § 2º, do RICARF/2015), no sentido de aplicação da taxa Selic ao presente caso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 338DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720162/2014-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2009, 2010
IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA.
Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-003.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Thaís de Laurentiis Galkowicz apresentou declaração de voto.
assinado digitalmente
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2009, 2010 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Recurso Voluntário negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Thaís de Laurentiis Galkowicz apresentou declaração de voto. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim - Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1879; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 163 1 162 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15563.720162/201473 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.012 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria IPI AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CHEVRON BRASIL LUBIFICANTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2009, 2010 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Thaís de Laurentiis Galkowicz apresentou declaração de voto. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 01 62 /2 01 4- 73 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ 2 Relatório Versam os autos lançamento de ofício de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ 1.734.630,56 (incluído principal, multa de ofício 75% e juros de mora), em razão da glosa efetuada pelo Fisco em relação aos insumos aplicados em produtos industrializados fora do campo de incidência do IPI por ter notação NT na TIPI. Foram glosados os referidos créditos no montante de R$ 14.367.891,47 (fl. 27), e uma vez refeita a escrita, restaram os débitos listados à fl 23 (item 01 do auto de infração jun/2009 a set/2010), objeto de cobrança neste processo. Informa o Termo de Verificação Fiscal (TVC fls. 9/16) que o autuado tem por finalidade econômica a fabricação de outros produtos derivados de petróleo (praticamente de lubrificantes classificados nos códigos 2710.19.31 e 2710.19.32), exceto produtos de refino (CNAE Principal 1922599) e que o procedimento fiscal foi instaurado para verificação de créditos de IPI utilizados na compensação de débitos, através de PER/DCOMP (04/2009 a 09/2010), que abaixo relaciono. Intimado a "apresentar relação dos produtos elaborados e/ou comercializados contendo a denominação comercial, classificação fiscal, alíquota e valor do IPI, quantidade e valor de cada produto" (item 2 do ponto 7 do referido TVF), e a "apresentar relação dos insumos empregados na industrialização de cada um dos produtos elaborados e/ou comercializados contendo: denominação comercial, classificação fiscal, alíquota e valor do IPI, quantidade e valor de cada insumo e relação insumo/produto" (item 3 do ponto 7 do referido TVF), informa a fiscalização (ponto 7 do TVC) que "o representante da sociedade informou, verbalmente, não poder atender as exigências constantes nos itens 2 e 3 em função das respostas envolverem a apresentação de formulação de produtos". Após análise da legislação de regência, entendeu o Fisco que deveriam ser estornados, no RAIPI, "os créditos originários da aquisição de insumos, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT) e tributados imunes não destinados à exportação (ADI 05/2006)". Uma vez que a empresa não comprovou por meio de controle de estoque a quantidade efetiva de insumos aplicados em produtos tributados e não tributados e não propiciou meios para a fiscalização fazêlo, "foram efetuados cálculos para apuração proporcional dos créditos a serem desconsiderados e dos créditos passíveis de ressarcimento, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses indicados imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, na forma do art. 3º da IN/SRF 33/99". Informa a fiscalização que a partir das notasfiscais de saída obtidas no Sped e dos arquivos digitais fornecidos pelo contribuinte foi elaborado o Demonstrativo de Consolidação da Produção do Estabelecimento (fls. 17/19), no qual estão elencados, mês a mês, os valores das saídas/vendas de produtos industrializados do estabelecimento e as respectivas alíquotas constantes da TIPI vigente à época dos fatos geradores. Com base nos Fl. 165DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 15563.720162/201473 Acórdão n.º 3402003.012 S3C4T2 Fl. 164 3 valores desse Demonstrativo foram apurados os percentuais para o cálculo dos créditos passíveis de ressarcimento (produtos tributados) e dos créditos a serem desconsiderados (produtos NT), resultando no quadro Cálculo dos Percentuais de Saídas Tributadas e Não Tributadas (fl. 20). Então foi elaborado o Demonstrativo de Créditos e Débitos do IPI (fl. 21), no qual, a partir dos percentuais determinados e dos valores dos créditos e débitos escriturados no Livro RAIPI, foram apurados os saldos devedores do IPI e o montante dos créditos de ipi glosados. Na impugnação (fls. 58/78) ao lançamento, alega, em síntese, que o creditamento lhe é facultado com base no princípio da nãocumulatividade, a qual, a seu juízo, é "ampla e irrestrita". Demais disso, entende que por tais produtos serem imunes, a legislação lhe resguardaria o creditamento em relação aos insumos nele aplicados. O Acórdão 1455.854 (fls. 95/104), prolatado pela 12ª Turma da DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação, sendo tal decisão ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2009 a 30/09/2010 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NT. O direito ao crédito do IPI, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não corre quando os mesmos são não tributados (NT). IN SRF nº 33/99 IMUNIDADE ALCANCE. A imunidade prevista no art. 4º da Instrução Normativa nº 33/99 regula apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação, sobre eles recai o manto da imunidade tributária indicado no inciso III, §3º, do art.153 da Constituição Federal. Irresignada com a decisão a quo, a empresa interpôs o recurso voluntário de fls. 111/127, no qual, em suma: 1 Entende que o princípio da nãocumulatividade (art. 153, IV, 3º, II, da CF), conjugado com o art. 49 do CTN, por si só, "conduz a inequívoca conclusão de que o direito ao crédito do IPI é absoluto, amplo e irrestrito, não havendo nenhuma vedação constitucional à manutenção do crédito em caso de saída subsequente não tributada". Alega que a "vedação aos créditos de IPI no particular acaba por fazer incidir este imposto em uma das etapas do ciclo produtivo dos lubrificantes derivados de petróleo que, por força dos disposto no art. 155, § 3º, da Constituição, deveria estar imune à tributação". Por isso, crê que "a vedação ao crédito e o consequente estorno acaba por onerar o ciclo de produção dos derivados de petróleo no caso em particular, operações estas que não deveriam ser tributadas por força da imunidade tributária constitucional"; 2 Alega que o direito creditório que tem esteio na Constituição, está previsto no CTN e que já existia quando do advento da Lei 9.779/99, cujo art. 11 só veio Fl. 166DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ 4 ratificar o direito de apropriação do crédito de IPI na aquisição de insumos empregados na "industrialização de produtos não tributados lato sensu"; 3 Aduz que as hipóteses de incidência do IPI, nos termos do art. 51 do CTN, são importar, vender e arrematar produto industrializado, sendo que o conceito de industrialização, de acordo com o RIPI, caracterizase por qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo. Nesse sentido, consoante em seu contrato social, articula a recorrente que ela fabrica e importa produtos lubrificantes, pelo que não haveria dúvidas quanto à sua condição de industrial, sendo legítima a manutenção do crédito também por esse aspecto. Consigna que não foi por outra razão que a SRF exarou diversos precedentes, que colaciona, corroborando o entendimento de que o art. 11 da Lei 9.779/99 e o art. 4º da IN 33/99, eram aplicáveis, inclusive para saídas de produtos imunes. Dos atos que transcreve, emerge sua conclusão de que "as próprias autoridades fiscais vinham reconhecendo o direito à manutenção do crédito do IPI na saída de produtos não sujeitos ao imposto inclusive em decorrência da imunidade"; 4 Alega que o Ato Declaratório 05/2006 não tem nada de interpretativo, visto que altera orientação que vinha sendo adotada pela própria SRF, e que o mesmo "estabeleceu nítida e indevida exclusão não prevista na CF, no CTN, na Lei 9.799/99 e nem mesmo na IN SRF 33/99, tendo inovado a ordem jurídica. Assevera que com este ADI houve mudança de critério jurídico da administração. Diz que "desde 1999 o Fisco vinha se manifestando favoravelmente à manutenção de crédito de IPI nas aquisições de insumos destinados à industrialização de produtos não submetidos à tributação pelo IPI, a exemplo dos produtos imunes". É o relatório Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Preliminarmente, registrese que não há qualquer controvérsia envolvendo a liquidez dos valores glosados e o refazimento da escrita do IPI, que deram azo à cobrança deste imposto e a não homologação das compensações. O Fisco utilizou de rateio em função do contribuinte não disponibilizar o Livro Registro de Controle de Estoque. O núcleo da questão a ser solvida é se produtos classificados na TIPI com notação NT (Não Tributado), como aqueles objeto da lide, permitem creditamento dos valores de seus insumos. Em consequência, não entendo como prejudicial ao deslinde da quaestio saber se os produtos que a recorrente dá saída (óleos lubrificantes sem aditivos 2710.19.31 e óleos lubrificantes com aditivos 2710.19.32) são imunes ou não (uma vez que notados na TIPI como NT), pelo que não adentro nesse mérito, embora ao final, teça considerações. Sendo assim, o que resta a ser decidido é se produtos com notação na TIPI NT, imunes ou não, podem dar ensejo ao creditamento dos valores dos insumos neles aplicados. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 15563.720162/201473 Acórdão n.º 3402003.012 S3C4T2 Fl. 165 5 O art. 45 do mesmo Regimento ao elencar as hipóteses de perda de mandato dos Conselheiro, estatui em seu inciso VI uma delas: VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62 Portanto, se a matéria já tiver sido objeto de enunciado de Súmula CARF, descabe a discussão do mérito, mas de simples aplicação da mesma. A referida Súmula tem o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. A transcrita Súmula é clara, hialina, no sentido de que, independentemente de serem os produtos imunes, descabe crédito de valores de insumos que serão aplicados em produtos cuja notação seja NT. Assim, descabe, inclusive, a discussão se os produtos NT estejam no campo de incidência do IPI ou não porque os Conselheiros, que devem lealdade ao RICARF, deverão aplicar a Súmula de forma objetiva. E nela que fundo a conclusão deste voto. Contudo, teço alguns comentários a título de ilustração acerca do mérito. No que tange ao princípio da nãocumulatividade, por ser matéria de índole constitucional, descabe a este Colegiado decidir sobre seu mérito. Entretanto, certo que o próprio STF no REsp 398.365, dentre outros, julgado pelo Plenário em repercussão geral julgado em 27/08/2015, ao não admitir o creditamento de insumos não tributados, sujeitos à alíquota zero e isentos modulou os efeitos desse princípio. Só este fato já é suficiente para afastar a afirmação da recorrente "que o direito ao crédito do IPI é absoluto, amplo e irrestrito, não havendo nenhuma vedação constitucional à manutenção do crédito em caso de saída subsequente não tributada". Essa leitura, com a devida vênia, é velha é quer fazer renascer tese moribunda. Quanto à Lei 9.779/99, seu artigo 11, não faz menção à produtos imunes. Vejase: Art. 11 O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Salientese que esta legislação mudou radicalmente a sistemática do IPI, que tinha por fundamento a nãocumulatividade, consubstanciada na possibilidade de compensação do "que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores". Ou seja, os valores passíveis de creditamento somente era possível no que a doutrina veio chamar de créditos básicos, pois não havia que se falar em crédito quando este era zero, ou não havia incidência da norma impositiva (isenção). Contudo, notese, que esta norma inovadora, não fez Fl. 168DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ 6 menção a produtos imunes, que tem tratamento diverso. No caso do IPI, há imunidade especificamente em relação a ele, quando se tratar da imunidade objetiva, qual seja, produtos industrializados destinados ao exterior (art. 153, § 3º, III). O fato dessa novel Lei não se referir a insumos imunes, é esquecido pela recorrente. De outro turno, ao referirse ao IPI, a Carta estatui que: “Art. 21 (...) § 3º O imposto sobre produtos industrializados será seletivo em função da essencialidade dos produtos, e não cumulativo, abatendose, em cada operação, o montante cobrado nas anteriores”. Assim, dentro de cada período de apuração, dos valores do imposto registrados a débito, atinentes às saídas de produtos tributados do estabelecimento contribuinte, eram deduzidos os valores registrados a crédito (créditos básicos), decorrentes das operações de entradas de insumos tributados empregados na produção daqueles produtos saídos. Restando valor a crédito, era transferido para o período seguinte. Pois bem, até a edição da 9.779, o que tínhamos eram os referidos créditos básicos, antes referidos, e aqueles apelidados de incentivados. Estes eram, e são, créditos que fogem à natureza do IPI, mas que têm por escopo incentivo fiscal, como aqueles, v. g., da DL 411/99 (incentivo à política de exportação), dos produtos egressos da Amazônia ocidental (DL 1.435/75 (política de incentivo à economia e povoamento dessa região do Brasil), e tantos outros visando algum tipo de política governamental. A IN SRF 33/99, foi editada especificamente para regulamentar o art. 11 da Lei 9.779. A recorrente entende que essa IN ao fazer menção, em seu art. 4º, ao aproveitamento dos insumos, a que se refere a Lei, aplicados em produtos imunes, ipso facto, reconheceu que se referia a todo e qualquer produto industrializado imune. Não teceu a recorrente qualquer comentário quanto ao fato de que o art. 11 da Lei 9.779/99 não fazer menção a produtos imunes, desta feita apegandose à norma administrativa. Mas será que frente a este fato a Administração não extrapolou seu poder regulamentar? Certamente, não, e não poderia! Os créditos em relação a produtos imunes são aqueles que decorrem de lei específica do favor legal (benefício/incentivo fiscal), onde é criado, por mandamento legal strictu sensu, um crédito ficto de natureza incentivada ( a lei garante a manutenção e utilização dos créditos, mesmo que não haja cobrança do IPI na saída). Esse é o caso do DecretoLei 411/69 em relação a produtos industrializados exportados. Mas para isso, antes, o produto exportado deve ser industrializado. A esses casos que se aplica o art. 4º da IN 33/99. Vale dizer, a imunidade a que se refere o artigo 4º da IN SRF nº 33/99 é tão somente aquela relativa a produtos tributados (portanto, presentes no campo de incidência do IPI) destinados ao exterior (sobre os quais se aplica a imunidade constitucional em razão da destinação à exportação), cujo direito de manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem efetivamente utilizados na industrialização, como visto, é assegurado pelo art. 5º do DecretoLei nº 491, de 1969. Contudo, a mesma Normativa, disso se esqueceu de fazer referência a peça recursal, no § 3º do art. 2º, dispôs que "deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI, e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT)". Mas, em qualquer hipótese, a legislação lato sensu, sempre fez menção a produtos industrializados. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 15563.720162/201473 Acórdão n.º 3402003.012 S3C4T2 Fl. 166 7 Pois bem, justamente em função dessa leitura desvirtuada, a meu sentir, da recorrente é que veio a Receita Federal expedir ato no sentido de esclarecer esse eventual conflito entre o que dispôs o § 3º do art. 2º, a respeito do qual a recorrente silencia, e o artigo 4º da IN 33/99. Assim, para mais aclarar o já aclarado, a RF editou o ADI nº 5, de 17/04/2006, que prescreve: “Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior”. Ora, não houve mudança alguma de critério jurídico, como quer fazer crer a insurgente, pela Administração. Ao contrário, ela foi de toda coerente. O que houve foi distorção do entendimento da administração tributária para "fazer nascer" crédito indevido, e, como de costume, sair a compensarse com débitos indiscutíveis, pois certos e líquidos. Por fim, o fato é que em todos os casos aludidos sempre a legislação fez menção a produtos industrializados. E, indubitavelmente, os produtos com notação NT, independentemente de sua causa, estão fora do campo de incidência do IPI. Assim sendo, em relação a esses produtos, mesmo que por hipótese seu insumo sofra alguma modificação, como alegado, não incide a legislação do IPI. E uma vez não incidindo a legislação do IPI, não há, em consequência, direito a crédito algum. Disso decorre o mandamento a que se refere o citado no § 3º do art. 2º, ao estatuir que "deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI, e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT) E para que não mais pairasse discussão em torno do tema o art. 6º da Lei 10.451/2002, prescreveu o seguinte: Art. 6o O campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, observadas as Fl. 170DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ 8 disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não tributado). Diante do exposto, nos termos da Súmula CARF nº 20, nego provimento ao recurso. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Declaração de Voto Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz Em que pese o profundo respeito que tenho pelos ilustres conselheiros componentes da turma, tomo a liberdade para deles divergir. Primeiramente, ao contrário do teor do voto do Ilustre Relator, entendo não ser aplicável a Súmula 20 do CARF ao caso. Isto porque, a presente discussão não se restringe ao fato de os produtos da Recorrente estarem classificados na TIPI como NT, mas sim ao entendimento, expresso na acusação fiscal, de que os produtos da Recorrente não são derivados de petróleo (imunes) e que por isso adotase a notação NT. Tendo isso tem vista, é preciso lembrar que a vinculação da súmula aos precedentes que a motivaram é obrigatória, ou seja, são os fundamentos dos precedentes que suportam a aplicação da súmula. O artigo 489, §1º, do Novo CPC, já em vigor, impõe nulidade a decisão que aplicar ou deixar de aplicar súmula sem que demonstre a pertinência ou impertinência dos seus precedentes ao caso concreto: Art. 489 – (…) § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de Fl. 171DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 15563.720162/201473 Acórdão n.º 3402003.012 S3C4T2 Fl. 167 9 distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. (...) Vêse que o inciso V acima transcrito afirma que não corresponde a fundamentação a decisão que simplesmente invoca um precedente ou súmula sem demonstrar a sua pertinência com o caso concreto. Ou seja, não basta ao julgador citar o precedente ou enunciado sumular. É imprescindível a análise da correspondência da sua tese com o caso debatido em juízo. O inciso VI prevê que, para a refutação de um precedente alegado em uma demanda, é preciso a demonstração de que os pressupostos de fato e de direito não são os mesmos do caso concreto. Os dois incisos trabalham o fenômeno da “distinção” ou “distinguishing”. A “distinção” pode ser analisada com base em dois focos. O primeiro é o método de verificar os pressupostos de fato e de direito de um precedente ou súmula e a sua eventual correspondência com os do caso concreto. Já o segundo é o resultado ou conclusão pela aplicação ou pela distinção (daí o termo “distinguishing”)1. No presente processo, pareceme que há consenso dessa Turma de que são derivados de petróleo, ou seja, os lubrificantes industrializados pela interessada, objeto da presente autuação, enquadramse no conceito de derivados de petróleo, e são alcançados pela imunidade conferida pelo art. 155, § 3°, da Constituição Federal de 1988. A imunidade, como é consabido, é categoria jurídica que não se confunde com a figura jurídica da “não incidência”. Esta corresponde a ocorrência de fato nenhum ou de fato irrelevante juridicamente, face a norma tributária, ou seja, o fato não se encontra dentro daquele campo descrito como hipótese de incidência tributária (no caso do IPI, de produtos não industrializados, por exemplo). Já aquela consiste em fenômeno atrelado a norma constitucional que demarca competência tributária das pessoas políticas, vale dizer, é uma “competência negativa” (no IPI, apesar de estarmos diante de produto industrializado, como os derivados de petróleo, a Constituição Federal proíbe que seja expedida norma tributária para sua tributação) Tendo isto em vista, entendo que a demonstração de que os produtos são derivados de petróleo (imunes), per si, já implicaria na inaplicabilidade da Súmula n. 20, cujos precedentes que levaram à sua edição não tratam da questão dos produtos imunes. Assim, a notação NT das posições NCM 2710.1931 (óleo lubrificante sem aditivo) e 2710.1932 (óleo lubrificante com aditivo) decorrem, não pelo fato dos produtos fabricados pela Recorrente serem verdadeiramente não tributados, mas em decorrência da imunidade conferida pelo § 3° do art. 155 da CF. Em outro giro, existem duas espécies de produtos classificados sob a rubrica (NT) na TIPI: aqueles decorrentes da falta de hipótese de incidência (ex. ovo de galinha) e aqueles decorrentes de imunidade constitucional, onde há a hipótese de incidência do imposto. Nestes casos, a Constituição Federal prevê expressamente a sua desoneração por diversas razões, tais como o desenvolvimento de determinados setores do Estado, como ocorre com relação aos derivados de petróleo, e, portanto, os óleos produzidos pela Recorrente. 1 TUCCI, José Rogério Cruz e. Precedente Judicial como fonte do direito. São Paulo: RT, 2004, p. 174. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ 10 Quanto ao reconhecimento ao direito a créditos de IPI, decorrentes de aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na fabricação de produtos imunes, especialmente até a revogação do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) pelo Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), tenho que não há como deixar de reconhecer o direito da Recorrente. O Decreto 4.544/2002 expressava no § 2º do art. 195 que: “Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). (...) § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11).” (destaquei) Assim o Decreto prevê textualmente a manutenção do saldo credor, com base no art. 11 da Lei nº 9.779/1999, inclusive nas saídas de produtos imunes, sem qualquer distinção ou ressalva quanto à aplicação exclusiva aos produtos exportados. O artigo 11 da citada Lei expressa o seguinte: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Apesar do texto legal em si não expressar a manutenção do crédito para a imunidade, a possibilidade de utilização do saldo credor, na forma do art. 11 da Lei nº 9.779/99, foi posta na IN SRF 33/1999, que garantiu o direito ao saldo credor relativo às saídas de produtos isentos e/ou tributados à alíquota zero, pelo que, para os produtos não tributados, continuava em vigor as disposições do art. 25 da Lei nº 4.502/1964, que determinava o estorno do crédito. A referida IN assim se expressou: “Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (...) Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ Processo nº 15563.720162/201473 Acórdão n.º 3402003.012 S3C4T2 Fl. 168 11 § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). (...) Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999.” (grifei) A questão que se põe, a meu ver, é estabelecer o alcance do direito à luz do confronto entre os produtos não tributados e os produtos imunes. A vedação a que alude a IN SRF 33/1999, tocante aos produtos não tributados, se restringe àqueles que o são pela própria natureza, como os produtos em estado natural ou em bruto, isto é, aqueles que não se submetem a quaisquer das operações caracterizadoras da industrialização, cuja realização tem o condão de modificar a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoar para consumo, consistente na transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento, reacondicionamento, renovação ou recondicionamento. Os produtos imunes, por outro lado, geralmente se submetem a algumas destas operações, como é o caso do papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a energia elétrica, a gasolina, o óleo diesel e outros derivados de petróleo, que somente foram excluídos da tributação do IPI por opção do constituinte, que os recobriu com a imunidade, mas que, em sua gênese, são produtos que satisfazem àquele conceito de industrialização. Conforme dito, o § 2º do artigo 195 do Decreto 4.544 era expresso a estender a manutenção do saldo credor aos produtos imunes, somente após a sua revogação é que o vocábulo “imunes” foi suprimido e a norma passou a explicitar que os imunes referiamse aos da operação de exportação, nos termos do § 2º do art. 256 do RIPI 2010, Decreto nº 7.218/2010: Art. 256. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3o, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). (…) § 2o O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269, observadas as normas Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ 12 expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). (destaquei) Tenho, então, que não cabe ao intérprete, sob o pálio de aclarar o sentido, condicionar o alcance de normas expressas em reconhecer direitos ao contribuinte, onde elas próprias não o fizeram (art. 11 da Lei nº 9.779/99), haja vista que se a IN SRF 33/99 e, principalmente, o art. 195 do RIPI/02, pretendessem limitar a vantagem do ressarcimento do saldo credor dos produtos imunes àqueles destinados ao exterior teriam feito expressamente e não de forma implícita, de modo que a ilação mais consentânea com o espírito da norma é que a referência genérica aos produtos imunes abarca não só os exportados, como todos os demais, a exemplo do papel, da energia elétrica (no caso de sua produção por transformação) e dos derivados de petróleo. Em razão destas colocações, lembrese, é que entendo inaplicável ao processo o teor da súmula CARF nº 20, segundo a qual não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Thais de Laurentiis Galkowicz Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIR E, Assinado digitalmente em 08/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Numero do processo: 10935.720391/2012-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DA AÇÃO EM RAZÃO DE PEDIDO DE PARCELAMENTO. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Requerimento de desistência da ação apresentada por contribuinte em cumprimento às formalidades do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09. Hipótese em que deve-se declarar a definitividade do crédito tributário face à desistência do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-003.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para declarar a definitividade do lançamento em face da desistência do sujeito passivo.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
PATRICIA DA SILVA - Relatora.
EDITADO EM: 19/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DA AÇÃO EM RAZÃO DE PEDIDO DE PARCELAMENTO. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Requerimento de desistência da ação apresentada por contribuinte em cumprimento às formalidades do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09. Hipótese em que devese declarar a definitividade do crédito tributário face à desistência do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para declarar a definitividade do lançamento em face da desistência do sujeito passivo. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. PATRICIA DA SILVA Relatora. EDITADO EM: 19/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 03 91 /2 01 2- 37 Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA 2 Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2401003.072, prolatado em 19 de junho de 2013, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir dos lançamentos os levantamentos EI1, PF1 e PF2. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA – SUB ROGAÇÃO CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR A subrogação descrita nesta NFLD está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: O egrégio Supremo Tribunal Federal apontou pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar. Em função de a subrogação ter sido considerada inconstitucional pelo Pleno do STF referente à comercialização da produção rural, e considerando que o presente auto de infração referese à falta de recolhimento da contribuição para o SENAR pelo sujeito passivo, substituto tributário; não há como ser mantido o presente lançamento. Embora as contribuições para o SENAR não tenham sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário nº 363.852 face serem eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; devese destacar que transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991. Uma vez reconhecido que o art. 30, inciso IV é inconstitucional, em função da decisão plenária do STF, não cabe exigir do responsável tributário a contribuição destinada ao SENAR. SENAR INCIDÊNCIA SOBRE COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR – INAPLICABILIDADE DO INCISO I DO § 2º DO ART. 149 DA CF/88. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem por objetivo organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. As contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das suas modalidades (seja sobre a comercialização, seja sobre a FOPAG), diversamente do que constituem contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10935.720391/201237 Acórdão n.º 9202003.841 CSRFT2 Fl. 1.230 3 impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECEITA DECORRENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO. VENDA COMERCIAL EXPORTADORA. IMUNIDADE. A receita auferida com a venda de mercadorias à comercial exportadora é receita decorrente de exportação e, portanto, imune à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, nos termos do inciso I, §2º do art. 149 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Na origem, tratase de Autos de Infração que têm por objeto contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social parcela devida pela empresa na condição de agroindústria, bem como parcela devida pelo produtor rural, pessoa física, e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT e contribuições das exportações indiretas. A Impugnação apresentada pelo contribuinte junto à Delegacia Regional de Julgamento foi julgada totalmente improcedente, sendo mantido o lançamento tributário em sua integralidade. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário alegando: a) incompetência para o lançamento tributário; b) impossibilidade de classificar a contribuição SENAR como uma contribuição corporativa; c) equívoco interpretativo da nota COSIT nº 312 e da solução de Consulta DISIT 04 nº 49/2008; d) imunidade das receitas decorrentes de exportação e a contribuição ao SENAR; e) abrangência da imunidade à exportação direta e indireta; e, por fim, a inconstitucionalidade das contribuições incidentes sobre a receita bruta proveniente do empregador rural pessoa física subrogadas na pessoa jurídica adquirente de produto rural. Ao recurso foi dado parcial provimento para julgar improcedente a parte do Auto de Infração referente à inclusão das receitas oriundas dos produtos rurais pessoa física (levantamentos PF1 e PF2) e da exportação indireta, por intermédio de empresa comercial exportadora (levantamento EI1) A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando que o r. acórdão contrariou precedentes deste Conselho, especialmente os acórdãos nº 2402001.955 e vejamos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Período de apuração: 01/03/2003 a 31/05/2007. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA 4 correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR E SEGURADO ESPECIAL RESPONSABILIDADE ADQUIRENTE. A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. LEGISLAÇÃO POSTERIOR – MULTA MAIS FAVORÁVEL – APLICAÇÃO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 02/02/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea ʺaʺ do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10935.720391/201237 Acórdão n.º 9202003.841 CSRFT2 Fl. 1.231 5 GFIP. COOPERATIVA. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUB ROGAÇÃO. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, na condição de subrogadas nas obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial, são responsáveis pelo recolhimento das contribuições a que se refere o art. 25 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, e são responsáveis também pela informação em GFIP/SEFIP da receita da comercialização da produção no campo Comercialização da Produção Pessoa Física. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. São devidas à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMUNIDADE. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. A imunidade prevista no §2º do art. 149 da CF/88, relativa às receitas oriundas de operações de exportação, direcionase apenas às chamadas exportações diretas, situação em a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos sócios na Relação de coresponsáveis CORESP não tem o condão de inserilos no pólo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32ª DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA 6 O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Ao final, requereu a reforma do julgado para manter o lançamento tributário em sua integralidade. Após o exame de admissibilidade do Recurso da Fazenda, o contribuinte apresentou petição requerendo a desistência ao processo administrativo para fins de adesão ao REFIS. Com contrarrazões, vieram os autos para relatório e voto. É o relatório. Voto Conselheira Patricia da Silva O presente recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Em que pese o presente recurso cingirse à contribuição social previdenciária devida pelo produtor rural, há nos autos fatos relevantes que devem ser considerados. Após a realização do exame de admissibilidade do recurso apresentado pela Fazenda Nacional, o Contribuinte apresentou o pedido de desistência ao processo administrativo para aderir ao parcelamento REFIS, fazendoo nos seguintes termos: (...) Assim, a fim de lograr êxito na adesão ao parcelamento REFIS, esta recorrente vem manifestar desistência em relação à Impugnação e ao Recurso Voluntário objetos do presente recurso fiscal. De fato, o art. 14, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7/2013 é expresso ao fixar como critério formal para adesão ao parcelamento instituído a renúncia por parte do contribuinte a todo e qualquer direito que fundamente ações judiciais ou administrativas. Eis o teor do citado artigo: Art. 14. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos, de ações judiciais propostas ou de qualquer defesa em sede de execução fiscal e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e ações judiciais. Diante disto, não há mais litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado. Assim, devese declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes fixados no auto de infração. Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA Processo nº 10935.720391/201237 Acórdão n.º 9202003.841 CSRFT2 Fl. 1.232 7 Frisese que ao desistir da ação e aderir ao REFIS, o parcelamento do débito será realizado tendo por base os exatos valores apurados pelo Fisco quando do lançamento tributário. Diante do exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda para declarar a definitividade do crédito tributário como previsto no auto de infração originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado sujeito passivo. É como voto. Patricia da Silva Relatora Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 po r CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 19/03/2016 por PATRICIA DA SILVA
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Numero do processo: 15504.729993/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE NÃO COMPROVADA. SÚMULA Nº 63 DO CARF.
Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
O laudo deve ser válido para o período em questão.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-003.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ (relatora). Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
Assinado digitalmente.
Carlos Alberto Mees Stringari - Redator designado.
EDITADO EM: 01/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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MOLÉSTIA GRAVE NÃO COMPROVADA. SÚMULA Nº 63 DO CARF. Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O laudo deve ser válido para o período em questão. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ (relatora). Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 99 93 /2 01 4- 13 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por ANA CECILIA LUS TOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. Assinado digitalmente. Carlos Alberto Mees Stringari Redator designado. EDITADO EM: 01/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE E ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 27/10/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2013, anocalendário 2012, na qual foi constatada a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício no valor de 214.693,74 (duzentos e quatorze mil seiscentos e noventa e três reais e setenta e quatro centavos). Conforme consta da mencionada Notificação, o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou laudo médico oficial referente ao período autuado para fins de comprovação do direito à isenção. Irresignado, o contribuinte protocolizou a impugnação de fls. 02/03, acompanhada dos documentos de fls. 04/06, alegando, em síntese, que os valores dos rendimentos em questão eram isentos, por se tratarem de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portador de moléstia grave. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve o crédito tributário, em sua totalidade, com a seguintes considerações: a) o laudo de fls. 05, emitido em 29 de maio de 2014, pela Superintendência Central de Perícia Médica e Saúde Ocupacional da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, atesta que o contribuinte “é portador de patologia que se enquadra na Lei de Isenção de Imposto de Renda, no conceito de Neoplasia Maligna – CID C61 temporariamente por cinco anos, a partir de outubro de 2000"; b) às fls. 06, consta outro laudo emitido pelo mesmo Órgão, também em 29/05/2014, atestando que o contribuinte é portador Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por ANA CECILIA LUS TOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.729993/201413 Acórdão n.º 2201003.013 S2C2T1 Fl. 103 3 da moléstia Neoplasia Maligna – CID C44 temporariamente por dois anos, a partir de dezembro de 2006; c) o lançamento diz respeito aos rendimentos auferidos no ano calendário de 2012, período para o qual não restou comprovado, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, que o contribuinte era portador de moléstia grave. Assim, a DRJ entendeu que não foram cumpridos os requisitos necessários para que os rendimentos recebidos, no período autuado, fossem considerados como rendimentos isentos. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte alegou: a) o fato de a junta médica constatar a ausência de sintomas da doença pela provável cura não justifica a revogação do benefício à isenção, tendo em vista que a finalidade desse benefício é diminuir o sacrifício dos aposentados, conforme jurisprudência pacífica do STJ; b) o recorrente está sendo cobrado por um imposto que já foi pago. Na mesma oportunidade, o contribuinte efetuou a juntada dos documentos abaixo discriminados: 1. Cópia dos laudos médicos emitidos pela junta médica da SUPERINTENDÊNCIA CENTRAL DE PERÍCIA MÉDICA E SAÚDE OCUPACIONAL DA SECRETARIA DE ESTADO DE PLANEJAMENTO E GESTÃO DE MINAS GERAIS e pelo Professor Carlos Eduardo Corradi Fonseca, chefe do serviço do SENUR do Hospital das Clínicas da UFMG; 2. Cópia de várias decisões sobre a matéria em questão proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça; 3. Cópias dos comprovantes de arrecadação extraídos do ecac da Receita Federal do Brasil, referentes aos pagamentos do imposto pago nos exercícios de 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014, correspondentes aos anos calendários de 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013, respectivamente; 4. Cópia da carta de concessão de aposentadoria pelo INSS e Demonstrativo de pagamento de aposentadoria da Secretaria de Estado de Planejamento e gestão do Estado de Minas Gerais. Nesse contexto, o contribuinte requereu o cancelamento do débito fiscal e a devida restituição do imposto pago indevidamente. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por ANA CECILIA LUS TOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Voto Vencido Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de duas omissões de rendimentos tributáveis recebidos por pessoa jurídica indevidamente considerados isentos, em decorrência da não comprovação do acometimento de moléstia grave. Conforme relatado, o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou laudo médico oficial referente ao período autuado para fins de comprovação do direito à isenção, tendo apresentado dois laudos oficiais: um referente a outubro de 2000, com validade temporária de 5 anos; e outro referente a dezembro de 2006, com validade temporária de 2 anos. Dessa forma, para a DRJ, estavam acobertados pelo laudo os períodos compreendidos entre outubro de 2000 a outubro de 2005 e dezembro de 2006 a dezembro de 2008, não assistindo direito à isenção ao contribuinte no anocalendário de 2012. Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por ANA CECILIA LUS TOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.729993/201413 Acórdão n.º 2201003.013 S2C2T1 Fl. 104 5 Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Observase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Inexistindo dúvida acerca existência da natureza dos rendimentos auferidos, fazse necessário apreciar a questão relativa a identificação da moléstia grave, que foi a razão da autuação. Observase que o cerne da controvérsia em questão resumese à discussão acerca da possibilidade ou não de concessão da isenção com base em laudos médicos de períodos anteriores à autuação e que não compreendem especificamente ao período autuado, de modo a aferir se, mesmo quando constatada a moléstia grave (laudos referentes ao período de 2000 a 2005 e de 2006 a 2008), seria necessário novo laudo para atestar a persistência dos sintomas para a concessão da isenção. Cabe destacar que a moléstia em questão se refere à neoplasia maligna, sendo que os laudos médicos de fls. 5 e 6 expressamente delinearam o acometimento da doença pelo contribuinte e foram emitidos pela Secretaria do Estado de Planejamento e Gestão, conforme a legislação de regência. Acerca do marco temporal para a concessão da isenção, o Decreto 3.000/99 dispõe expressamente, em seu artigo 39, § 5º, inciso II, que as isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por ANA CECILIA LUS TOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Salientase que o mencionado Decreto indica a marco temporal inicial da concessão e não delineia questões relativas à situação de contemporaneidade dos sintomas e termo final para a concessão. Interpretandose sistematicamente as normas atinentes à matéria, extraise que, embora o § 1º do art. 30 da Lei nº 9.250/1995 tenha disposto sobre a fixação de prazo de validade do laudo pericial, apenas o fez para moléstias passíveis de controle, restando demonstrado nos autos, pelos dois laudos anexos, que, no presente caso, em razão da natureza da moléstia, não obstante haja um prazo de validade para o primeiro laudo, supervenientemente, a doença foi novamente detectada, de modo que não se faz possível verificar peremptoriamente a cura. Aliada a interpretação conjunta dos dispositivos citados, destacase o conteúdo dos incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, anteriormente citados, de onde se extraem apenas dois requisitos para a concessão da isenção e, uma vez cumpridos pela caracterização da existência de moléstia grave e natureza dos rendimentos auferidos, fazse imperiosa a concessão do benefício e a sua manutenção, independentemente da forma assintomática da doença. Ora, é de conhecimento popular que a pessoa, uma vez acometida de neoplasia maligna, necessita de constante acompanhamento médico para evitar surpresas com avanços rápidos da doença que, na medicina atual, ainda não goza de controle medicamentoso definitivo, podendo, a qualquer momento se manifestar novamente (recidiva). O Superior Tribunal de Justiça tem posicionamento pacífico sobre a desnecessidade da contemporaneidade dos sintomas para a concessão de isenção, conforme se extrai das ementas abaixo transcritas: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO COM BASE NO ART. 6º, XIV, DA LEI 7.713/1988. NEOPLASIA MALIGNA. DEMONSTRAÇÃO DA CONTEMPORANEIDADE DOS SINTOMAS. DESNECESSIDADE. 1. O entendimento jurisprudencial desta Primeira Seção é no sentido de que, após a concessão da isenção do Imposto de Renda sobre os proventos de aposentadoria ou reforma percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos art. 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88, o fato de a Junta Médica constatar a ausência de sintomas da doença pela provável cura não justifica a revogação do benefício isencional, tendo em vista que a finalidade desse benefício é diminuir o sacrifícios dos aposentados, aliviandoos dos encargos financeiros. Precedentes: REsp 1125064 / DF, Segunda Turma, rel. Ministra Eliana Calmon, DJe 14/04/2010; REsp 967693 / DF, Segunda Turma, rel. Min. Humberto Martins, DJ 18/09/2007; REsp 734541 / SP, Primeira Turma, rel. Ministro Luiz Fux, DJ 20/02/2006; MS 15261 / DF, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 22.09.2010. 2. Mandado de segurança concedido. (MS 21.706/DF, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2015, DJe 30/09/2015) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por ANA CECILIA LUS TOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.729993/201413 Acórdão n.º 2201003.013 S2C2T1 Fl. 105 7 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. NEOPLASIA MALIGNA. ISENÇÃO. CONTEMPORANEIDADE DOS SINTOMAS. DESNECESSIDADE. 1. Hipótese em que agrava o Ministério Público Federal de decisão que deu provimento ao recurso especial para reconhecer indevida a incidência do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria auferidos pelo autor. 2. A par de ser admitida a valoração da prova em sede especial, a jurisprudência desta Corte Superior não exige a demonstração de contemporaneidade dos sintomas ou a comprovação de recidiva da enfermidade para a manutenção da regra isencional. 3. "Há entendimento jurisprudencial desta Primeira Seção no sentido de que, após a concessão da isenção do Imposto de Renda sobre os proventos de aposentadoria ou reforma percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos art. 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88, o fato de a Junta Médica constatar a ausência de sintomas da doença pela provável cura não justifica a revogação do benefício isencional, tendo em vista que a finalidade desse benefício é diminuir o sacrifícios dos aposentados, aliviandoos dos encargos financeiros" (MS 15.261/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 5/10/2010). 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1403771/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/11/2014, DJe 10/12/2014) Conforme entendimento pacífico desta Corte Superior, o benefício em análise não é temporário, já que se trata de moléstia grave para a qual, mesmo diante de eventual diagnóstico de cura, ainda persistem gastos com exames, medicamentos e contínuos acompanhamentos. Observase que a finalidade da isenção conferida pela Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, é a de diminuir o sacrifícios dos aposentados, aliviandoos dos encargos financeiros, o que torna desnecessária a apresentação de novos laudos para a constatação da persistência dos sintomas da doença, uma vez identificada a moléstia, por meio de laudo médico oficial, consoante o disposto na Lei isentiva. Assim, considerando a apresentação de laudo oficial, bem como a natureza dos rendimentos recebidos, restam cumpridos os requisitos formais necessários ao reconhecimento da isenção, conforme o disposto no art. art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, bem como em consonância com o Enunciado de Súmula n.º 63 do CARF, abaixo transcrito: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por ANA CECILIA LUS TOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Observando a legislação de regência, bem como a mencionada súmula, tem se a seguinte jurisprudência desse Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2003 IRPF. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. Conforme se denota do teor da Súmula Vinculante nº 63, havendo laudo médico pericial, elaborado por peritos oficiais, reconhecendo a moléstia grave a decorrendo o provento de pensão ou aposentadoria, faz jus o contribuinte à isenção do Imposto sobre a Renda. Preliminar rejeitada e Recurso Provido. (CARF, 1ª Turma Especial, Acórdão n.º 2801002.428, de 15 de maio de 2012, Rel. Sandro Machado dos Reis.) Desse modo, em obediência ao disposto na legislação de regência, cumpridos os requisitos legais necessários à concessão da isenção, assiste razão ao contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Voto Vencedor Consta da Notificação que o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou laudo médico oficial referente ao período autuado para fins de comprovação do direito à isenção. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por ANA CECILIA LUS TOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.729993/201413 Acórdão n.º 2201003.013 S2C2T1 Fl. 106 9 O contribuinte alegou que os valores dos rendimentos em questão eram isentos, por se tratarem de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portador de moléstia grave. Os laudos médicos apresentados registram validade expirada para o ano calendário 2012, conforme abaixo: · o laudo de fls. 59, emitido em 29 de maio de 2014, pela Superintendência Central de Perícia Médica e Saúde Ocupacional da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, atesta que o contribuinte “é portador de patologia que se enquadra na Lei de Isenção de Imposto de Renda, no conceito de Neoplasia Maligna – CID C61 temporariamente por cinco anos, a partir de outubro de 2000"; · às fls. 58, consta outro laudo emitido pelo mesmo Órgão, também em 29/05/2014, atestando que o contribuinte é portador da moléstia Neoplasia Maligna – CID C44 temporariamente por dois anos, a partir de dezembro de 2006; Entendo que, para o período em questão, não restou comprovado, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, que o contribuinte era portador de moléstia grave, o que resulta em concordar com o lançamento e, no mérito, discordar do recurso. Quanto à alegação do recorrente que efetuou o pagamento do tributo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, observo que à folha 70 consta registro de recolhimento de R$ 10.565,56. A DRF de origem deve confirmar tal pagamento e, caso se refira ao tributo aqui tratado, alocálo ao débito. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por ANA CECILIA LUS TOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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