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Numero do processo: 10680.904633/2016-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.522
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 46 33 /2 01 6- 14 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.904633/201614 Acórdão n.º 3201003.522 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06057.499, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.904633/201614 Acórdão n.º 3201003.522 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002455/2001-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
Ementa:
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. COMPROVAÇÃO. Tendo o contribuinte logrado êxito em comprovar por meio de documentação hábil os recolhimentos efetuados que não haviam sido considerados na composição do saldo negativo, há de se reconhecer o direito credito pleiteado.
Numero da decisão: 1301-002.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional de R$ 119.453,42. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Milene de Araújo Macedo e José Eduardo Dornelas Souza. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado).
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 Ementa: PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. COMPROVAÇÃO. Tendo o contribuinte logrado êxito em comprovar por meio de documentação hábil os recolhimentos efetuados que não haviam sido considerados na composição do saldo negativo, há de se reconhecer o direito credito pleiteado.
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SALDO NEGATIVO. COMPROVAÇÃO. Tendo o contribuinte logrado êxito em comprovar por meio de documentação hábil os recolhimentos efetuados que não haviam sido considerados na composição do saldo negativo, há de se reconhecer o direito credito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional de R$ 119.453,42. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Milene de Araújo Macedo e José Eduardo Dornelas Souza. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 24 55 /2 00 1- 46 Fl. 2077DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de pedidos de restituição, com declarações de compensação que visam o reconhecimento do direito creditório oriundo de saldos negativos de IRPJ apurados nos anoscalendário de 2000 e 2001, e débitos de PIS e COFINS referentes a períodos de apuração de meses dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002. Apenso aos autos, encontrase o processo n° 10120.002455/200146, objeto das compensações de saldo negativo de IRPJ e CSLL, apurados na DIPJ, referentes aos exercícios de 2001 e 2002, sendo reconhecido parcialmente o direito creditório ao referido período, conforme despacho decisório às fls. 03/51 dos autos apensados. Nos termos do Despacho Decisório de fls. 1796/1797, o pedido de restituição foi parcialmente deferido, reconhecendo a favor da Recorrente o montante de R$ 1.819.647,95, referentes aos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados nas DIPJs apresentadas, conforme disposição a seguir: Após o reconhecimento parcial, foram homologadas as compensações efetuadas pela contribuinte até o limite do crédito acima. dos valor de R$ 3.558.713,17 pleiteados Contra essa decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada parcialmente procedente pela 4° Turma da DRJ/BSB, para Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Acórdão n.º 1301002.861 S1C3T1 Fl. 2.078 3 reconhecer a homologação tácita da compensação efetuada pela contribuinte, referente aos período de apuração de 01/2001 a 08/2001, mantendose a cobrança dos débitos de PIS e COFINS referentes aos períodos da apuração de 10/2002 a 11/2002, conforme despacho de fls. 1938/1939, itens 09 e 10. Em sede de Recurso de Voluntário, a Recorrente alega em síntese que: (a) os saldos negativos de IRPJ e CSLL foram apurados a partir de 1993, originados de: (i) quitação de estimativas mensais dos referidos tributos em montantes superiores aos devidos no encerramento do anocalendário; e (ii) por deduções de valores retidos de IRRF sobre aplicações financeiras. Dessa maneira a redução das estimativas mensais pelo agente fiscal do anocalendário 1993 acabou por impactar nos anoscalendário subseqüentes. Assim, os PER/DCOMPs apresentados pela Recorrente nos anos de 2001 e 2002, deveriam ser alçados pelo decadência. (b) a glosa referente as retenções é descabida, pois o procedimento fiscal adotado foi equivocado quanto a verificação dos valores das estimativas mensais IRPJ e CSLL declarados, obtendo um número inferior ao do contribuinte. Nesse ponto, a Recorrente aponta que juntou aos autos 5 guias de recolhimento de estimativas referente ao anocalendário de 1993, que confrontadas com os valores informados na DIPJ (fl.s 1381) resulta no mesmo valor declarado. Requer, ao final, que este Colegiado homologue as compensações declaradas pela Recorrente. Este colegiado, por meio do resolução nº 1301000.411, proferiu decisão, no sentido de converter o julgamento em diligência para que sejam os autos remetidos à equipe competente para a análise da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, bem como se manifeste sobre o que se segue: 1) apurar o valor do crédito compensável declarado à título de retenções na fonte informados pelas fontes pagadoras, a ser confirmado no SIEFDirf; 2) confirmar a validade e a existência dos créditos de IRRF informado na DIPJ R$ 252.198,31 para o anocalendário de 1997 e R$ 208.144, 97 para o anocalendário de 1998; 3) analisar as guias apensadas pela Recorrente 05 guias de recolhimento de estimativas, relativamente ao anocalendário de 1993, podendo ser confrontadas com os valores informados na corresponde DIPJ, conforme fl. 1.381 dos autos; 4) caso se entenda que os documentos acostados pela Recorrente não sejam suficientes para a elaboração do relatório conclusivo, que seja intimada a Recorrente para comprovar o valor pleiteado no tocante as retenções efetuadas. Em solicitação a diligência requerida, foi lavrado o Relatório de Diligência Fiscal. A Recorrente apresentou sua manifestação, em resposta ao Relatório Fiscal. Fl. 2079DF CARF MF 4 Concluída a diligência e apresentada a manifestação, os autos retornaram a este Colegiado para prosseguimento do feito. Eis a síntese do necessário. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Cuidase de pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ e CSLL, apurados em DIPJ, nos anoscalendário de 2001 e 2002 seguido de Declaração de Compensações (DCOMP) a serem compensadas com débitos de PIS/COFINS períodos de apuração de meses dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002. Como visto, a decisão reconheceu parte das DCOMPs no tocante aos débitos tacitamente homologados, no período de janeiro a agosto de 2001, bem como manteve a cobrança de PIS e COFINS do período de outubro e novembro de 2002, sob o argumento de insuficiência do saldo e pela inocorrência da homologação tácita. Passamos as razões de decidir. Da decadência quanto à retificação de saldos apurados em períodos já homologados tacitamente. A Recorrente alega que o agente fiscal apontou que os saldos utilizados teriam se originado de apurações efetuadas desde o anocalendário de 1993, pois antes desse período só havia saldo devedor de IRPJ e CSLL. Isso porque no anocalendário de 1993 foi verificada uma inconsistência na quitação das estimativas mensais, resultando em uma redução nos valores declarados na respectiva DIPJ, o que ocasionou em sucessivas reduções do saldos de IRPJ e CSLL apurados nos anoscalendário de 1993 a 2001. Assim alega que o ajuste realizado pelo agente fiscal de 260.349,49 para 54.107,84 UFIRs (tabela abaixo) foi materialmente incorreto, tendo em vista a comprovação do valor recolhido a titulo das estimativas de IRPJ e CSLL em montante maior que o reconhecido no Despacho Decisório. Ademais, afirma que se os pedidos de restituição/compensação foram protocolizados em 2001 e 2002 , o que faz crer que se remetem à créditos apurados nos últimos Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Acórdão n.º 1301002.861 S1C3T1 Fl. 2.079 5 5 anos, embora os saldos de IRPJ e CSLL terem sido parcialmente influenciados por créditos de períodos anteriores. Dessa maneira, conclui que o fisco deveria ter considerado tacitamente homologados os créditos adotados até 1997, pois estes já estariam alcançados pela decadência. A decisão da DRJ entendeu que a homologação tácita da compensação declarada ocorre após o decurso de 5 anos da data de entrega da DCOMP. No entanto, ressalva que a Administração Pública tem cinco anos para rever seus atos, nos termos do art. 54 da Lei 9.784/1999. Nesse ponto, argumenta que as retenções na fonte que compuseram os saldos negativos pleiteados (fls. 1800/1830) foram parcialmente reconhecidas, isto é, as retenções não validadas não estavam respaldadas por comprovante de retenção emitido em nome da Recorrente como fonte pagadora, conforme excerto a seguir: (1) os confirmados pelo sistema SIEFDirf, nos casos em que o valor confirmado pelo sistema é inferior ao informado no PER, já que a contribuinte não conseguiu comprovar este último valor por meio de comprovantes hábeis de retenção solicitados; (2) os informados na Dcomp, nos casos em que o valor deste é inferior ao confirmado pelo SiefDIRF, já que foi escolha da contribuinte solicitar este valor no PER, mesmo que pudesse pedir valor maior de retenção na fonte. Nesse sentido, ressaltou que o procedimento adotado pelo agente fiscal no Despacho Decisório foi amparado pela legislação, in verbis: Decreto 3000/1999 Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). Fl. 2081DF CARF MF 6 § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Dessa maneira, concluiu que apenas o valores retidos comprovados e aprovados pela Receita Federal do Brasil poderiam ser compensados e sujeitos a decadência. É importante esclarecer que esse entendimento está em consonância com a jurisprudência desta Turma: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação (...) (ACÓRDÃO 1301001.300) (...) SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação ou compensação direta (DCTF), devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito.(ACÓRDÃO 1301001.703) Por tais razões, entendo ser irretocável a decisão da DRJ no que tange à decadência dos saldos apurados até 1997. Da comprovação do crédito Conforme Despacho Decisório, verificase que foi levantado retenções em valores superiores aos informados, conforme sistema de controle da Receita Federal (fls. 1600/1608), totalizando um valor de R$ 346.514,26. Nesse sentido, sinaliza que o valor declarado à título de "imposto pago incidente sobre ganhos no mercado de renda variável" foi de R$ 181.632,89, no entanto, a Recorrente teria informado que a compensação de IRRF sobre operações financeiras havia sido de RS 161.682,33. Assim, a fiscalização acabou por considerar como crédito compensável apenas o menor valor. A Recorrente entende que a conduta do agente fiscal é condenável, pois ainda que não fosse apresentada a documentação que suporta o crédito, o agente fiscal teria que levar em consideração quando do levantamento do crédito. Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Acórdão n.º 1301002.861 S1C3T1 Fl. 2.080 7 Com efeito, afirma que o direito ao crédito decorre do recolhimento antecipado do tributo, embora seja feito pelo responsável, quem efetivamente suporta o tributo é o contribuinte de fato, e não o cumprimento da obrigação acessória. Adiante, ressalta que a exigência ainda persistiria, caso o Fisco não tivesse condições de verificar a efetividade das retenções. Ainda assim, informa que todos os dados constam no sistema interno do Fisco, conduzidas pela DIRF. Conclui, que houve uma presunção do Fisco, sem ter ao menos aprofundado a ação fiscal para apurar se as informações prestadas estariam incorretas ou até mesmo realizando qualquer diligência a respeito. Informa que a Recorrente apensou 05 guias de recolhimento de estimativas, relativamente ao anocalendário de 1993, podendo ser confrontados com os informados na corresponde DIPJ, conforme fl. 1381 dos autos. Desse modo, a Recorrente requer seja reconhecidas as estimativas, com base na documentação carreada aos autos. Neste ponto, impende destacar que a autoridade fiscal cumpriu o que determina a lei quanto à utilização do imposto retido na fonte como antecipação do devido na declaração, ou seja, a empresa deve possuir e apresentar comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras em seu nome, in verbis: Decreto 3000/1999 Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano calendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (Decreto Lei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º Fl. 2083DF CARF MF 8 do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). (Grifos) Destarte, da leitura dos dispositivos acima se verifica que somente os valores informados pelas fontes pagadoras ou comprovados serão considerados como imposto retido na fonte. Dessa forma, ficou consignando nos que não restou comprovada nos autos a efetividade das retenções informadas na DIRF para comprovação do direito creditório aqui pleiteado. Assim, este Colegiado no sentido de se buscar a verdade material e se certificar que de fato o contribuinte obteve rendimentos de retenção na fonte do IRRF, converteu o julgamento em diligência para que estes autos retornassem à Delegacia de origem para análise da certeza e liquidez do direito creditório, bem como se manifestasse sobre a questões discriminadas Com base nesse pedido, foi realizada a diligência, a qual foi devidamente efetuada pela autoridade competente, sendo lavrado o respectivo Relatório de Diligência Fiscal. Passemos a análise das respostas do agente fiscal com a correspondente manifestação da Recorrente de forma individualizada, por item solicitado: 1) apurar o valor do crédito compensável declarado à título de retenções na fonte informados pelas fontes pagadoras, a ser confirmado no SIEFDirf; Nesse item, o agente fiscal colacionou a tabela abaixou, demonstrando a existência/não existência das deduções a título de IRRF informados pelas fontes pagadoras no período de apuração em análise, que foram comprovados pelo Sistema DIRF ou por comprovantes de retenção emitido pela fonte pagadora. Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Acórdão n.º 1301002.861 S1C3T1 Fl. 2.081 9 Com base no levantamento apurado na tabela acima, a Recorrente praticamente não apresentou nenhum comprovante de retenção de renda emitido pela fonte pagadora, nos termos do art. 943 do RIR/99 no período entre o anocalendário de 1993 a 2001, exceto no valor de R$ 17,26, relativo ao ano calendário de 1997. Todavia, a despeito dessa ausência dos comprovantes de IRRF exigidos nos termos legais, o agente fiscal considerou, em substituição dos mesmos, como documentos comprobatórios os dados constantes dos controles da Receita Federal (Sistema DIRF) e/ou o oferecimento à tributação das receitas correspondentes aos IRRF, com preferência deste sobre aquele, por ser requisito de ordem contábil que melhor espelha a verdade material para o fisco, e ainda os demais documentos apresentados pelo próprio contribuinte, em resposta aos Termos de Intimação, conforme se pode inferir dos dados inseridos na coluna “Valor em UFIRS do IRRF confirmado no Sistema DIRF e/ou oferecimento à tributação das receitas correspondentes” , no quadro demonstrativo acima. No que cinge a informação de que a instituições financeiras declararam haver efetuado retenções na fonte (indicando a Recorrente como beneficiária) no importe de R$ 346.514,36, este valor foi superior ao declarado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte. A fiscalização apesar de reconhecer, alega não haver nos autos comprovantes de IRRF e nem prova de que as receitas correspondentes teriam sido oferecidas à tributação. Por tal razão, manteve o crédito tributário de 161.682,33, em detrimento do informado pelas fontes pagadoras de R$ 346.514,26, conforme argumentos a seguir: Fl. 2085DF CARF MF 10 Tal preponderância do oferecimento à tributação das receitas correspondente aos IRRF no valor de R$ 161.682,33 sobre as retenções na fonte constante nos sistemas de controle da Receita Federal (Sistema DIRF) no valor de R$ 346.514,26, a título de exemplo, ocorreu no período de apuração do Exercício 2000, Tal preponderância do oferecimento à tributação das receitas correspondente aos IRRF no valor de R$ 161.682,33 sobre as retenções na fonte constante nos sistemas de controle da Receita Federal (Sistema DIRF) no valor de R$ 346.514,26, a título de exemplo, ocorreu no período de apuração do Exercício 2000, Ano calendário 1999, conforme se verifica pelo Quadro demonstrativo acima, e conforme fundamentado na folha 1776 numerada manualmente do Despacho Decisório nº 272/2005. Destaquese que a atividade tributária dos agentes da Receita Federal é plenamente vinculada (art. 3º CTN), portanto, vedada de atuar de forma “extrapetita”, agindo de acordo om o princípio da instância, quando provocado, e conforme o pedido formulado pelo próprio contribuinte. Assim, se o contribuinte declarou na Ficha 13A (fls. 1453). dedução de “Imposto Pago Incidente sobre Ganhos no Mercado de Renda Variável” no valor de R$ 181.632,89, o agente fiscal devese ater a esses valores tributários, que é a essência do seu pedido, declarados pelo maior interessado, que no caso em questão, é o próprio contribuinte, e que se pressupõe, claramente, era esse o objeto da tributação por ele pretendido. Ainda que o pedido tenha sido posteriormente postulado, em caráter extemporâneo, pelo contribuinte, em sede de recurso voluntário, não pode o agente fiscal extrapolar seus limites legais e, a seu livre arbítrio, conceder indevidamente um crédito maior de R$ 346.514,26, sem respaldo em comprovantes de IRRF e sem provas do respectivo oferecimento à tributação das receitas correspondentes (§2º do artigo 943 do RIR/1999, art. 2º, § 4º, da |Lei 9.430/9 6 c/c Súmula CARF nº 80) ; ainda mais, considerando que, na espécie, apesar de regularmente intimado, o contribuinte sequer trouxe ao processo quaisquer documentos que fizessem prova de seu crédito de IRRF nesse valor de R$ 181.632,89 (fls. 1776/1777). Enganase o contribuinte, portanto, quando afirma que a fiscalização acabou por considerar como crédito compensável apenas o menor valor de R$ 161.682,33, tendo em vista que este foi o valor da retenção de IRRF que resultou como oferecimento à tributação das receitas correspondentes, mais consentâneo com a verdade material, que prevalece dentro outros critérios formais previstos na legislação de regência retro, conforme se infere do seguinte trecho da análise fundamentada, às fls. 1777, do Despacho Decisório nº 272/2005, abaixo transcrito: “Destarte, há que se considerar como valor retido, passível de compensação, somente o montante de R$ 161.682,33, atestado pela interessada às fls. 457, presumindose que tal informação foi por ela colhida de sua escrita contábil, onde, por óbvio, entendese que estariam registradas as receitas correspondentes a este valor. (grifo nosso) Portanto, efetuase a glosa do valor de R$ 19.950,56 = (R$181.632,89 – R$ 161.682,33.” Assim, a recomposição dos valores da ficha 13A, da DIPJ/2000 permaneceu inalterada, conforme Despacho Decisório 272/2005. A Recorrente se insurge alegando que o revisor agiu com presunção ao se limitar ao dizer que as receitas que deram origem a retenção não foram ofertadas à tributação. Além disso, o fiscal informou que é defeso agir de modo extra petita, pois o próprio contribuinte, na ficha 13A informou crédito inferior ao pleiteado. Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Acórdão n.º 1301002.861 S1C3T1 Fl. 2.082 11 Assim, a autoridade fiscal, manteve o crédito tributário de R$ 161.682,33, apurado pela fiscalização, em detrimento daquele informado pelas fontes pagadoras e existente no sistema da Receita Federal do Brasil, no importe de R$ 346.514,26 A Recorrente se defende alegando que o fisco utilizase da condenável política de dois pesos e duas medidas, haja vista que atua extra petita para glosas parte do saldo negativo informado pela contribuinte, mas, em contrapartida, deixa de reconhecer a existência de valores que influenciariam favoravelmente ao sujeito passivo, o montante desse mesmo saldo negativo. Diante do sumariado, é de se concluir que, no presente caso, o crédito de IRRF que deve ser reconhecido em favor da Recorrente, é aquele constante do sistema da Receita Federal do Brasil (R$ 346.514,26), a despeito daquele outro a que se ateve a fiscalização (R$ 161.682,33) que, inclusive, é inferior ao constante da Ficha 13A da DIPJ apresentada no período correspondente (R$ 181.632,89). Pois bem, entendo que deve prevalecer o entendimento do agente revisor, uma vez que não restou comprovada a alegação da Recorrente. Nesse sentido a atividade probatória é fundamental à convicção daqueles que não participaram do procedimento de ofício, configurandose imperiosa para a inteligibilidade dos motivos de fato e de direito que embasaram a exigência fiscal, bem como para a análise do conteúdo do Auto de Infração. A exigência do crédito tributário deve ser sempre pautada em elementos probatórios sólidos para fins de comprovação do ilícito. Dessa forma, ao Fisco incumbe apresentar os elementos probatórios que comprovem a ocorrência do fato gerador, bem como o não cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte. No mais, não cabe a este Colegiado corrigir eventuais erros praticados pela Autoridade Autuante, razão pela qual não acolho o pleito da Recorrente. 2) confirmar a validade e a existência dos créditos de IRRF informado na DIPJ R$ 252.198,31 para o anocalendário de 1997 e R$ 208.144, 97 para o anocalendário de 1998; Nesse item, o agente revisor revelou a impossibilidade de se confirmar a validade a existentes dos créditos integrais em referência, tendo em vista de que houve apenas confirmação parcial dos referidos créditos de IRRF, conforme justifica a seguir: Essa confirmação apenas parcial dos créditos de IRRF, prendese ao fato de que houve redução dos mesmos, conforme fundamentação contida no Despacho Decisório nº 272/2005, devidamente comprovada com base nos próprios documentos apresentados pela interessada e juntados aos autos, em resposta ao Termo de Intimação nº 032/2003 de 15/03/2004 (fls. 442/443) e Termo de Intimação complementar sob o número 102/2004 de 25/06/2004 (fl.454/455). Diante disso, permanece inalterada a alteração realizada dos referidos créditos na composição dos Saldos Negativos de IRPJ, dos anoscalendário 1997 e 1998, conforme fundamentado às folhas numeradas manualmente de nºs . 1771/1773 e 1773/1775 do Despacho Decisório nº 272/2005, dos presentes autos: Fl. 2087DF CARF MF 12 A título complementar, cumpre ainda mencionar que as reduções dos créditos de IRRF acima pertinentes aos anoscalendário 1997 e 1998 estão respaldadas de acordo com a legislação vigente à época dos fatos em vasto trabalho de pesquisa documentada e comprovada nos sistemas DIRF da SRF efetuado pelo Auditor Fiscal Josemar Pereira da Silva, Matrícula 25.867, conforme pode ser verificado pelas seguintes folhas numeradas manualmente no referido Parecer nº 272/2005 e nos autos: (fls. 1415/1427). (fls. 1415/1427), (fls. 1483/1484), (fls. 1501/1505), (fl.1716), (fl.1714), (fl. 1720), (fl.1414), (fl.722/723), (fl.456/457), (fls. 1585/1591), e (fls. 1429/1434, (fls.230/231), (fl.1484). Com base no exposto acima, o agente revisor concluiu que permanecem irretocáveis, sem qualquer modificação, as recomposições das Fichas 08, da DIRPJ/98 e da DIRPJ/99, conforme fls. 1773/1775 dos autos. Concordo com a exposição realizada do agente fiscal, não havendo reparos a serem feitos. 3) analisar as guias apensadas pela Recorrente 05 guias de recolhimento de estimativas, relativamente ao anocalendário de 1993, podendo ser confrontadas com os valores informados na corresponde DIPJ, conforme fl. 1381 dos autos; Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Acórdão n.º 1301002.861 S1C3T1 Fl. 2.083 13 O agente fiscal informa que, com referência ao pedido de diligência do item 3 acima, pertinente ao Exercício de 1994, AnoCalendário de 1993, o contribuinte havia alegado no seu Recurso Voluntário no subitem 2.2.15, à fl. 1989, o seguinte: “2.2.15. É importante mencionar, a propósito do tema, que a Recorrente apensou, por ocasião da apresentação do seu manifesto de inconformidade, 05 guias de recolhimento de estimativas, relativamente ao anocalendário de 1993, sendo que três delas não constavam da Receita Federal do Brasil como pagas, quais sejam: a de 37.682,36 UFIRs, recolhida em setembro de 1993, a de 40.439,95 UFIRs, recolhida em outubro de 1993, e a de 41.331,11 UFIRs, recolhida em dezembro de 1993. Com base nisso, o agente revisor esclareceu que: Das 05 guias de recolhimento de estimativas a que se refere o subitem 2.2.15 acima retro, salientese que apenas 02 guias de recolhimentos (DARF)s apresentadas pelo contribuinte e juntados aos autos às fls. 1866 e 1867, conforme DOC 04 e DOC 05, foram corretamente preenchidas nos campos 14 como débitos de IRPJ – Estimativa e nos campos 04 com respectivo código correto de receita 2362, correspondentes aos períodos de apuração de junho/93, no valor de 1.408.820.607,68 equivalente a 33.324,84 UFIRS, e de agosto/93 no valor de 2.802.914,40 equivalente a 37.532,33 UFIRS. Por essa razão, essas duas antecipações de pagamentos de estimativa de IRPJ, de 33.324,84 UFIRS (junho/93) e 37.532,32 UFIRS (agosto/93), constantes das guias de recolhimento preenchidas com o código correto 2362 foram reconhecidas pelos controles eletrônicos da Receita Federal e, assim, relacionados no quadro de pagamentos de estimativas, que totalizaram o montante de 229.604,04 UFIRS, conforme demonstrado na tabela às fls. 1764. Este valor integrou a composição do Saldo Negativo de IRPJ, Exercício 1994, Anocalendário 1993, cujo saldo credor resultou no valor final de (54.107,84) UFIRS, conforme Quadro demonstrativo às fl. 1764 do Despacho Decisório nº 272/2005. De outro lado, as 03 guias de recolhimento de estimativas restantes, realmente não constavam da Receita Federal do Brasil como pagas a de 37.682,36 UFIRs, recolhida em setembro de 1993, a de 40.439,95 UFIRs, recolhida em outubro de 1993, e a de 41.331,11 UFIRs, recolhida em dezembro de 1993, pelo simples fato de que o contribuinte cometeu erro material de preenchimento ao colocar nos respectivos DARFs código de receita equivocado de 2430 (IRPJ DECLARAÇÃO DE AJUSTE), em vez do código correto de 2362 (IRPJ – ESTIMATIVA MENSAL). O referido equívoco do contribuinte, acima caracterizado como erro material de preenchimento, totalizando o montante de UFIRS 119.453,42 (cento e dezenove mil, quatrocentos e cinquenta e três UFIRS e quarenta e dois centavos de UFIRS), não incluído na composição do Saldo Negativo de IRPJ, Exercício de 1994, Ano calendário 1993, pode ser demonstrado pelas próprias cópias de guias de recolhimento, DARFs, , conforme (DOCS. 6, 7 e 8), juntados extemporaneamente aos autos às fls. 1868/1870, onde se verifica no campo 14 desses DARFs que, embora a interessada tenha declarado IRPJ – Estimativa, inseriu erroneamente 2430 como código de receita, em vez do código correto 2362. Fl. 2089DF CARF MF 14 O sistema da Receita Federal não reconheceu o código incorreto 2430 posto pelo contribuinte, razão pela qual não constou do extrato eletrônico do sistema SINAL01, como pagamento das estimativas mensais de IRPJ (código de receita 2362), às fls. 1483, nem do quadro de pagamentos exposto às fls. 1764 do Despacho Decisório elaborado pelo AuditorFiscal daquela época. Mas, considerando que os referidos pagamentos foram efetivamente realizados, conforme comprovam as referidas guias de recolhimento acima mencionadas, ainda que não apresentadas na época própria quando o contribuinte foi intimado, porém, apresentadas de forma posterior e extemporânea, por ocasião da apresentação do seu manifesto de inconformidade, não obstante com o referido código incorreto 2430, mas, com a menção correta de IRPJ – Estimativa no campo 04 dos referidos DARFs, fruto de erro material de preenchimento, conforme demonstra o extrato do Sistema SiefDocumento Arrecadação (fls. 2037), os mesmos serão considerados para efeito de retificação, nos termos do art. 149, IV, da Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional). Em decorrência dessa retificação, a composição do Saldo Negativo de IRPJ, do referido Exercício de 1994, Anocalendário 1993, mencionado na folha 1744 do Despacho Decisório nº 272/2005, deve ser alterado de R$ 54.107,84 (cinquenta e quatro mil, cento e sete reais e oitenta e quatro centavos) para R$ 173.561,26 (cento e setenta e três mil, quinhentos e sessenta e um reais e vinte e seis centavos), em conformidade com os quadros demonstrativos abaixo: Concluise, portanto, que o agente fiscal reconheceu as 3 guias de recolhimento que não haviam sido consideradas na composição do saldo negativo de IRPJ do Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 10120.002455/200146 Acórdão n.º 1301002.861 S1C3T1 Fl. 2.084 15 anocalendário de 1993, integrandoas na composição do saldo negativo em referência, de forma a alterar o saldo de () R$ 54.107,84 para () R$ 173.561,26. Assim, gerou um direito creditório em favor da Recorrente no valor de R$ 119.453,42., estando de acordo a Recorrente. Desse modo, acato a diligência fiscal no sentido de que devem permanecer inalterados os direitos creditórios relativos a IRPJ e CSLL relacionados no Despacho Decisório (fls. 1758/1797), com exceção ao saldo negativo referente ao anolendário de 1993, cuja deve ser alterado de () R$ 54.107,84 para () R$ 173.561,26. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recursos Voluntário para, no mérito, darhe parcial provimento para reconhecer o direito creditório de R$ 119.453,42 no que tange a alteração da composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1993 de () R$ 54.107,84 para () R$ 173.561,26, nos termos do relatório fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 2091DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13627.000637/2008-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do Fato Gerador: 01/01/2009
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO FUNDAMENTADO NA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS SEM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DAS PENDÊNCIAS QUE IMPUSERAM O AFASTAMENTO DA SISTEMÁTICA ESPECIAL. NULIDADE.
É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Súmula CARF n.º 22.
Recurso Voluntário Provido
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.218
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: 00962070432 - CPF não encontrado.
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EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO FUNDAMENTADO NA EXISTÊNCIA DE DÉBITOS SEM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DAS PENDÊNCIAS QUE IMPUSERAM O AFASTAMENTO DA SISTEMÁTICA ESPECIAL. NULIDADE. É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Súmula CARF n.º 22. Recurso Voluntário Provido Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 7. 00 06 37 /2 00 8- 46 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13627.000637/200846 Acórdão n.º 1002000.218 S1C0T2 Fl. 55 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 46/47) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 35/37), proferida em sessão de 18/12/2008, consubstanciada no Acórdão n.º 0922.021, da 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (DRJ/JFA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação (efl. 2) que pretendia desconstituir o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/GVS n.º 257993, de 2008 (efl. 3), que excluiu a contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, com efeitos a partir de 1.º de janeiro de 2009, aplicouse o art. 17, inciso V, da Lei Complementar n.º 123, de 2006, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO Há que ser mantida a exclusão da empresa do Simples Nacional, quando não for carreado aos autos documentação hábil e idônea que comprove não estar em débito com a Fazenda Pública Federal. Solicitação Indeferida O ADE/DRF DRF/GVS n.º 257993, de 2008 (efl. 3), sumariou, em síntese, que a contribuinte estava excluída do Simples Nacional em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, relacionados no item "Pessoa Jurídica", assunto "Simples Nacional", do Sitio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, no endereço eletrônico <www.receita.fazenda.gov.br>, aplicandose o disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar n.º 123, de 2006, e na alínea "d" do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007. No mesmo ato foi informado que poderia se tornar sem efeitos a exclusão, caso a totalidade dos débitos fossem regularizados no prazo de trinta dias. Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte acima identificada, em razão da sua exclusão do Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo nº 257.993 da DRF/GVS/MG, fls. 02, emitido "em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13627.000637/200846 Acórdão n.º 1002000.218 S1C0T2 Fl. 56 3 exigibilidade não suspensa, relacionados no item 'Pessoa Jurídica', assunto 'Simples Nacional', no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de julho de 2006, e na alínea 'd' do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso II do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007", com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009. A contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, fls. 01, afirma, em síntese e entre outros aspectos, não ter nenhuma pendência, conforme documentos que junta, que possui todas as certidões: Estado, Município, INSS e Receita Federal, que estão anexadas em um processo de compensação. Faz carrear, ainda, aos autos, xerox da constituição de empresa individual e alterações, do pedido de compensação, certidão negativa do Estado e Município, Declaração de IRPJ, e valore de tributos pagos. Foram juntados aos autos os extratos, fls. 29 a 31, e Resultado da Consulta, fls. 32, ao se tentar a obtenção de Certidão Negativa de débitos relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União. A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, no entanto a tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, a qual, em suma, ponderou que a contribuinte não comprovou sua regularidade junto à PGFN, inclusive deixando de apresentar CND ou Certidão Positiva com efeitos de Negativa, imprescindível para caracterização da resolução de todas as pendências da empresa junto àquele órgão, bem como ressaltando que os documentos colacionados nos autos pelo julgador de piso (efls. 26/27, 32/34) demonstram que a empresa possui débitos, objetos de cobrança, que impedem a emissão da devida Certidão Negativa. No recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, a recorrente, preliminarmente, requereu a manutenção no Simples por entender que suas atividades são perfeitamente adequadas ao regime especial. A chamada matéria "preliminar", na verdade, é mérito e assim será tratada. No mérito, ponderou que os volumes de seus negócios recomendam, urgentemente, o enquadramento no Simples, não podendo suportar outros encargos. Disse que providenciou com que a GFIP referente às competências 04/2004, 06//2004 e 08/2004 fossem transmitidas eletronicamente em 13/01/2008. Informa que, referente ao INSS, apresenta cópia de certidão negativa. Referente aos débitos de COFINS no valor de R$273,00, competência 04/2004, e R$405,00, competência 02/2004, e ainda a multa referente à DCTF, no valor de R$500,00, diz que serão recolhidas até 30/01/2009. Argumenta que as multas geradas pelos processos ns.º 13627.000.568/200790 e 13627.000.567/200745, impostas pelo Conselho de Contribuintes Federal, serão objeto de recurso, uma vez que tais multas foram impostas pelo desenquadramento da empresa do Simples Nacional. Junta outras certidões. Ao final, requer a reinclusão no Simples. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13627.000637/200846 Acórdão n.º 1002000.218 S1C0T2 Fl. 57 4 Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (efls. 44, 45 e 46 – ciência do acórdão em 07/01/2008 e protocolo do recurso em 26/01/2008), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, apesar de tratar de exclusão do Simples, por existência de débito com exigibilidade não suspensa, o crédito tributário não é exigido nestes autos, bem como não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito para fins de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6.º, § 1.º, do Anexo II, do RICARF. Penso que a referência ao crédito tributário é indireta não decorre da própria exclusão do Simples. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Mérito No mérito, assiste razão a recorrente. Isto porque, o ADE não indicou quais débitos estariam sem a exigibilidade suspensa e, neste caso, o Egrégio CARF já possui entendimento sumular compreendendo que o ADE é nulo de pleno direito, vejase: Súmula CARF nº 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Este enunciado teve por paradigmas os Acórdãos ns.º 30331479, de 17/06/2004, 30331882, de 24/02/2005, 30131763, de 14/04/2005, 30131917, de 17/06/2005, e 30132.120, de 13/09/2005. A ideia central deste entendimento é evitar o cerceamento de defesa da contribuinte. Percebase que sem a indicação de quais débitos estariam irregulares, alertando o sujeito passivo para sua possível definitiva exclusão do Simples, tornase árduo Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13627.000637/200846 Acórdão n.º 1002000.218 S1C0T2 Fl. 58 5 para o administrado corrigir a sua falta, vez que terá dificuldades de perceber quais pontos precisa focar para sua regularização. Aliás, nestes autos, vêse, por ocasião do recurso voluntário, que a contribuinte adotou algumas medidas para sua regularização, mas o fato é que não está claro se foram suficientes, já que o ADE não lista os pontos que geraram a sua lavratura. O ADE é omisso e, desta forma, a Súmula CARF n.º 22 rege perfeitamente a situação. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela reforma do julgamento da DRJ. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.721183/2015-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 27/12/2011
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos casos em que há pagamento, ainda que parcial, o direito da fazenda pública constituir o crédito tributário relativo ao IPI extingue-se em cinco anos a contar do fato gerador. Fundamento na aplicação conjunta do Art. 62 do Ricarf, do entendimento firmado no REsp 973.733/SC e Art. 150, §4.º do Código Tributário Nacional.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN se a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária.
APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS DESONERADOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. CONCOMITÂNCIA.
Em lides administrativas fiscais provenientes de autos de infração que possuem o mesmo objeto e, a causa de pedir do contribuinte for a mesma que a presente em ação judicial, havendo decisão judicial, definitiva ou não, que reconhece o direito do contribuinte, verifica-se ter ocorrido o fenômeno da concomitância. Diante de concomitância, mesmo se solucionada a lide no Poder Judiciário, a administração fiscal não deve decidir sobre a matéria, para evitar decisões conflitantes e o acionamento duplo da máquina estatal. Súmula CARF n.º 01.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES.
Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como kit ou concentrado para refrigerantes constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses kits deverá ser classificado no código próprio da TIPI.
Numero da decisão: 3201-003.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer em parte o Recurso Voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento. Por unanimidade de votos aplicou-se a decadência aos fatos geradores ocorridos até a data de 15/04/2010. Por maioria de votos não se conheceu do recurso quanto as isenções da ZFM, em razão da concomitância. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que não reconheciam a concomitância e davam provimento ao recurso quanto a ZFM. Por maioria de votos não se conheceu da matéria referente a isenção da Amazônia Ocidental. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Por voto de qualidade foi negado provimento quanto a classificação de mercadorias. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que davam provimento ao recurso quanto a classificação e Tatiana Josefovicz Belisário, que não conhecia do recurso quanto a classificação. Designado para o voto vencedor quanto a isenção da Amazônia Ocidental e a classificação de mercadorias o Conselheiro Winderley Morais Pereira.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Redator Designado.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 27/12/2011 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que há pagamento, ainda que parcial, o direito da fazenda pública constituir o crédito tributário relativo ao IPI extingue-se em cinco anos a contar do fato gerador. Fundamento na aplicação conjunta do Art. 62 do Ricarf, do entendimento firmado no REsp 973.733/SC e Art. 150, §4.º do Código Tributário Nacional. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN se a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS DESONERADOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. CONCOMITÂNCIA. Em lides administrativas fiscais provenientes de autos de infração que possuem o mesmo objeto e, a causa de pedir do contribuinte for a mesma que a presente em ação judicial, havendo decisão judicial, definitiva ou não, que reconhece o direito do contribuinte, verifica-se ter ocorrido o fenômeno da concomitância. Diante de concomitância, mesmo se solucionada a lide no Poder Judiciário, a administração fiscal não deve decidir sobre a matéria, para evitar decisões conflitantes e o acionamento duplo da máquina estatal. Súmula CARF n.º 01. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como kit ou concentrado para refrigerantes constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses kits deverá ser classificado no código próprio da TIPI.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer em parte o Recurso Voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento. Por unanimidade de votos aplicou-se a decadência aos fatos geradores ocorridos até a data de 15/04/2010. Por maioria de votos não se conheceu do recurso quanto as isenções da ZFM, em razão da concomitância. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que não reconheciam a concomitância e davam provimento ao recurso quanto a ZFM. Por maioria de votos não se conheceu da matéria referente a isenção da Amazônia Ocidental. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Por voto de qualidade foi negado provimento quanto a classificação de mercadorias. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que davam provimento ao recurso quanto a classificação e Tatiana Josefovicz Belisário, que não conhecia do recurso quanto a classificação. Designado para o voto vencedor quanto a isenção da Amazônia Ocidental e a classificação de mercadorias o Conselheiro Winderley Morais Pereira. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto e Redator Designado. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 27/12/2011 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que há pagamento, ainda que parcial, o direito da fazenda pública constituir o crédito tributário relativo ao IPI extinguese em cinco anos a contar do fato gerador. Fundamento na aplicação conjunta do Art. 62 do Ricarf, do entendimento firmado no REsp 973.733/SC e Art. 150, §4.º do Código Tributário Nacional. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN se a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS DESONERADOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. CONCOMITÂNCIA. Em lides administrativas fiscais provenientes de autos de infração que possuem o mesmo objeto e, a causa de pedir do contribuinte for a mesma que a presente em ação judicial, havendo decisão judicial, definitiva ou não, que reconhece o direito do contribuinte, verificase ter ocorrido o fenômeno da concomitância. Diante de concomitância, mesmo se solucionada a lide no Poder Judiciário, a administração fiscal não deve decidir sobre a matéria, para evitar decisões conflitantes e o acionamento duplo da máquina estatal. Súmula CARF n.º 01. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 11 83 /2 01 5- 98 Fl. 13217DF CARF MF 2 Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constituise de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer em parte o Recurso Voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento. Por unanimidade de votos aplicouse a decadência aos fatos geradores ocorridos até a data de 15/04/2010. Por maioria de votos não se conheceu do recurso quanto as isenções da ZFM, em razão da concomitância. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que não reconheciam a concomitância e davam provimento ao recurso quanto a ZFM. Por maioria de votos não se conheceu da matéria referente a isenção da Amazônia Ocidental. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Por voto de qualidade foi negado provimento quanto a classificação de mercadorias. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que davam provimento ao recurso quanto a classificação e Tatiana Josefovicz Belisário, que não conhecia do recurso quanto a classificação. Designado para o voto vencedor quanto a isenção da Amazônia Ocidental e a classificação de mercadorias o Conselheiro Winderley Morais Pereira. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto e Redator Designado. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 12861 em face do Acórdão de primeira instância da DRJ/RS de fls. 12809 que negou provimento para a impugnação de fls. 12180, mantendo o Auto de Infração de IPI e Relatório Fiscal de fls 12137 e 12005, por suposto erro na classificação de refrigerantes e, alternativamente, em razão do suposto erro na alíquota, aproveitamento de crédito de forma indevida. Fl. 13218DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201003.462 S3C2T1 Fl. 3 3 Como de costume, transcrevese o relatório desta decisão de primeira instância para a demonstração e acompanhamento dos fatos do presente procedimento administrativo: “Tratase de auto de infração lavrado por autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP para exigir o montante de R$ 60.901.517,19, à data da autuação, relativo a Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI – e respectivos juros de mora e multa de ofício de que trata o art. 80, caput, da Lei n° 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei n° 11.488/2007. As infrações apontadas foram a utilização de saldo credor de período anterior considerado indevido e o aproveitamento de crédito incentivado indevido, pelos motivos expostos no Relatório Fiscal que integra o auto de infração, a seguir sintetizado. No início do Relatório Fiscal o autuante aponta que a autuada é integrante do denominado “Sistema CocaCola Brasil”, tendo como principal fornecedora a empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, CNPJ 61.454.393/0001 06, situada na Zona Franca de Manaus – ZFM, também integrante do "Sistema CocaCola Brasil”, e que produz kits para refrigerantes, cuja entrada originou a maior parte dos créditos de IPI escriturados pela fiscalizada. A empresa Sorocaba Refrescos já foi submetida à ação fiscal anterior, que resultou em lançamento de ofício objeto do processo administrativo 10855.721827/201114, relativo a períodos de apuração entre outubro de 2005 a março de 2010. Nesse procedimento foi reconstituída a escrita fiscal, baseada na glosa de créditos indevidos, lançados no Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI. Foi efetuada ação fiscal junto à referida fornecedora, com base em MPF Nacional, tendo por objeto a análise do direito de aproveitamento de créditos do IPI por parte dos adquirentes, integrantes do Sistema CocaCola Brasil, localizados em todo território nacional. A referida ação fiscal está sintetizada nos itens 2.2 a 2.27.4 do Relatório Fiscal e resultou na apuração de irregularidades quanto à classificação fiscal dos produtos, e na lavratura de auto de infração objeto do processo 11080.732960/201410, contra a fornecedora RECOFARMA, do qual foram extraídos diversos documentos que constam no presente processo, como por exemplo laudos periciais, fotografias, relatório da ação fiscal, entre outros. No curso da fiscalização, a empresa autuada defendeu que os concentrados estariam beneficiados por duas isenções previstas na legislação do IPI, a saber: art. 69, II do Decreto nº 4.544, de 2002 (Regulamento do IPI – RIPI/2002) e art. 81, inc. II do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), cuja base legal é o art. 9º do DecretoLei 288/1967, por serem produzidos na Zona Franca de Manaus (ZFM) e art. 82, III do RIPI/2002 e art. 95, III, do RIPI/2010, que tem base legal no art. 6º do DecretoLei 1.435/1975, porque além de produzidos na ZFM teriam sido Fl. 13219DF CARF MF 4 elaborados com matériaprima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental. No seu entendimento, quanto ao aproveitamento de créditos decorrente das aquisições isentas com base no art. 81, inc. II do RIPI/2010 estaria legitimada pela necessidade de observância compulsória, pela Administração, da coisa julgada formada no julgamento do Recurso Extraordinário n° 212.484RS, que beneficiou outra empresa do Sistema Coca Cola (Vonpar Refrescos S.A), bem como do Mandado de Segurança Coletivo (MSC) n° 91.00477834, interposto pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (AFBCC), dentre os quais se inclui. Os argumentos da fiscalizada não foram aceitos, conforme fundamentação exposta no item 3.15 do Relatório Fiscal. No item 4.1 e seguintes a fiscalização aponta, em síntese, que a classificação dos kits para refrigerantes, como se fossem um produto único, é incorreta, devendo seus componentes ser classificados separadamente, do que resulta a inexistência de valor a ser aproveitado. A maior parte desses componentes, inclusive aqueles que contem ingrediente fundamental no aroma e/ou sabor da bebida, devem ser classificados no código NCM 2106.90.10 (“Preparação do tipo utilizado para elaboração de bebidas”), tributado à alíquota zero. Foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal, com glosa dos créditos considerados indevidos, bem como a importância de R$ 9.239.220,11, mantido em abril de 2010 a título de saldo credor de período anterior, o que não foi aceito, uma vez que a reconstituição da escrita fiscal procedida na ação fiscal precedente resultou em saldo devedor ao final do período imediatamente anterior (março/2010). Os demonstrativos pertinentes integram o auto de infração. IMPUGNAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, assinada por procurador habilitado e acompanhada de documentos. Aponta, em preliminar, a decadência do direito da Fazenda Pública efetivar o lançamento relativo a fatos geradores ocorridos na 1ª quinzena de abril de 2010, tendo em vista o disposto no art. 150, § 4º do CTN, combinado com o art. 124 do RIPI/2002. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO Alega que o auto de infração teria violado o art. 146 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), alterando retroativamente o critério jurídico já adotado em lançamento anterior, quando a fiscalização teria aceitado a classificação fiscal adotada pela empresa, estando tal autuação fundamentada unicamente na falta de reconhecimento do direito ao crédito com base na coisa julgada formada no MSC n° 91.00477834 impetrado pela AFBCC. Alega que, à vista do disposto no art. 146 do CTN, o novo critério jurídico só poderia alcançar fatos geradores ocorridos a partir da lavratura do auto de infração contra a RECOFARMA (22/12/2014), quando a fiscalização questionou a classificação até então adotada por aquela fornecedora, sendo esse posicionamento coerente com o entendimento da 1ª Seção do Fl. 13220DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201003.462 S3C2T1 Fl. 4 5 Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp n° 1.130.545RJ, relator Ministro Luiz Fux, DJe de 22.02.2011, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos, cuja ementa transcreve parcialmente. DO DIREITO AO CRÉDITO RELATIVO À AQUISIÇÃO DE CONCENTRADOS ISENTOS/ DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES Defende a competência da SUFRAMA para conceder os benefícios previstos no art. 9º do DecretoLei n° 288/1967 e no art. 6º do DL n° 1.435/1975, bem como determinar e administrar questões inerentes aos referidos benefícios, conforme se depreende dos arts. 1º, inc. VI, e 4º, inc. I, “c”, ambos do Anexo I, do Decreto n° 7.139, de 29/03/2010, que transcreve, e dos dispositivos da Resolução do CAS n° 202, de 17/05/2006, vigente quando foi aprovado o projeto industrial da RECOFARMA, o que, por si só, justificaria que este órgão determine a classificação fiscal do produto incentivado, que embasa o cálculo do crédito. Aponta que classificação fiscal adotada decorreria da definição feita na Resolução do CAS n° 298/2007 e do Parecer Técnico n° 224/2007, que a integra, atos que gozam de presunção de legitimidade, veracidade e legalidade, e conformamse ao ordenamento jurídico. Aponta acórdãos da CSRF que decidiram pela falta de competência do Fisco para desconsiderar atos da SUFRAMA e conclui que eventual discordância deve ser analisada por aquela entidade, para que venha alterar a definição do produto beneficiado pela isenção. O não reconhecimento dos efeitos dos referidos atos, sem instauração de processo administrativo de cassação, com a participação de todas as partes interessadas, violaria o devido processo legal com evidente cerceamento do direito de defesa, nos termos da Lei n° 9.784/1999, arts. 2º, X, 3º, II, III, 38 e 44. Quanto aos aspectos técnicos da classificação, argumenta que a legislação não exige que a preparação já esteja pronta para uso e que a classificação prevista especificamente para os concentrados para refrigerantes seria no Ex 01 ou 02 da posição 2106.90.10 da TIPI/2006, variando apenas em função do grau de diluição. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), ao esclarecer a posição 2106, deixam claro que as preparações compostas para fabricação de refrigerantes não precisariam estar prontas para uso pelo destinatário, de um modo geral, estando equivocada a interpretação restritiva dada pelo Fisco. Também argumenta que o fato de o item XI da Nota Explicativa da Regra 3b), excluir os produtos destinados à fabricação de bebidas do campo de aplicação desta Regra decorreria da existência de classificação fiscal específica para os concentrados para refrigerantes, qual seja, o código 2106.90.10, Ex 01 e 02 da TIPI/2006. Sustenta, ainda, que os produtos devem ser classificados simplesmente pela aplicação da Regra Geral 1 de Interpretação, Fl. 13221DF CARF MF 6 ou seja, diretamente de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, devendose considerar que o fatos de serem transportados em formato de kits não desnaturaria sua característica de produto único e que a própria definição constante do texto dessa posição pressupõe que o concentrado seria formado de diversas partes. Resumindo, a definição dada pela empresa e pela própria SUFRAMA aos concentrados para refrigerantes estaria de acordo com a NESH e com as regras de classificação fiscal. DO DIREITO AO CRÉDITO COM BASE NA ISENÇÃO DO ART. 82, III DO RIPI/2002 E ART. 95, INC. III, DO RIPI/2010 (base legal: art. 6º do DecretoLei 1.435/1975) Discorda da conclusão de que a fornecedora RECOFARMA não teria direito ao benefício pela falta de utilização direta de matériasprimas agrícolas extrativas vegetais na fabricação dos concentrados, tendo em vista que os insumos seriam industrializados Considera que, para a SUFRAMA conceder ou renovar o beneficio seria suficiente a utilização indireta de matériaprima agrícola regional na fabricação dos concentrados, enquanto para a RFB a utilização deve ser direta. Diante desta divergência, o Fisco deveria dirigirse à própria SUFRAMA, que pode cancelar a concessão do benefício, na forma do art. 54 da Resolução do CAS n° 203/2012, o que até hoje não ocorreu. Os atos administrativos daquele órgão continuam em vigor, não podendo ser desconsiderados pela RFB, conforme entendimento assentado pela CSRF, em acórdãos que cita. E mais, o termo matériaprima compreenderia produtos industrializados com e/ou a partir de matériaprima regional, como, por exemplo, o corante caramelo, fabricado a partir de canadeaçúcar. Finalizando, cita decisões da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, em que foram parte outros fabricantes de produtos CocaCola, nos quais foi reconhecido o beneficio previsto no art. 6º do DecretoLei n° 1.435/1975: EXISTÊNCIA DE COISA JULGADA COLETIVA Invoca existência de coisa julgada no âmbito do MSC n° 91.00477834, impetrado pela AFBCC, em 14.08.1991, com o objetivo de evitar que seus associados fossem compelidos a estornar o crédito do IPI incidente sobre as aquisições de matéria prima isenta (concentrado), de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, e utilizada na industrialização dos seus produtos, cujas saídas são sujeitas ao IPI. No seu entendimento, mesmo não estando localizada na jurisdição do 2º Tribunal Regional Federal, esta decisão ampararia a empresa, em virtude do entendimento expresso no julgamento dos REsp nº 1.117.887SP e nº 1.295.383BA, e em especial, do REsp n° 1.243.887PR, relatado pelo Ministro Luis Felipe Salomão, julgado à sistemática de recursos repetitivos, nos termos do art. 543C do CPC, no qual a Corte Especial do STJ decidiu que a limitação prevista no art. 2°A da Lei 9.494/1997, introduzido pela MP n° 1.7981/1999, somente é aplicável às ações coletivas ajuizadas após a sua entrada em vigor (11/02/1999). Sustenta que a autoridade administrativa também deve aplicar esse julgado ao Fl. 13222DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201003.462 S3C2T1 Fl. 5 7 presente caso, nos termos do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF. Registra que o concentrado fabricado pela RECOFARMA foi tratado como sendo produto único no citado MSC n° 91.00477834 e, assim, em respeito à coisa julgada, a autoridade não poderia considerálo um "produto inacabado". DO DIREITO AO CRÉDITO COM BASE NA ISENÇÃO DO 69, II do RIPI/2002 e ART. 81, INC. II, DO RIPI/2010 (Base Legal: art. 9º do DecretoLei 288/1967) APLICABILIDADE do RE n° 212.484RS O concentrado adquirido pela impugnante é isento com base no citado dispositivo, por ser oriundo da Zona Franca de Manaus e utilizado na fabricação de produtos (refrigerantes) sujeitos ao IPI; isenção também concedida pela Resolução do CAS n° 298/2007. O STF, em sessão plenária, no julgamento do RE n° 212.484RS, de que foi redator para acórdão o Ministro Nelson Jobim, firmou o entendimento de que em tais aquisições, é assegurado o direito ao crédito do IPI à alíquota de 27%, conforme Voto que transcreve, em parte. O mesmo entendimento foi mantido pelo STF no julgamento dos REs 353.657 e n° 370.682, em que foi analisada a questão do direito a créditos relativos à aquisição de insumos sujeitos à aliquota zero ou não tributados. Invoca também o julgamento do RE n° 566.819RS, no qual o Plenário do STF esclareceu que para hipóteses de aquisições da ZFM ainda prevaleceria o entendimento adotado no julgamento do RE 212.484RS. O mesmo posicionamento também teria sido adotado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, no julgamento do RE n° 590.809, conforme gravação que transcreve em parte (fl. 5217). Além disso, no RE n° 592.891SP, o STF reconheceu a existência de repercussão geral da questão concernente ao direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos beneficiados por isenção subjetiva, ou seja, oriundos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus: Assim, até que este seja julgado, permaneceria hígido o entendimento do RE n° 212.484RS. Por consequência, continuaria válida a decisão do CARF que seguia esse entendimento, objeto do Acórdão CSRF n° 0202.357, cuja ementa transcreve parcialmente APLICAÇÃO DO ART. 11 DA LEI 9.779/1999 Sustenta que, a partir da edição do art. 11 da Lei 9.779/1999, teria passado a existir o direito ao crédito do imposto relativo à aquisição de qualquer matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização, sem estar condicionado ao pagamento do IPI na operação anterior, conforme já teria sinalizado o STF, no julgamento da proposta de Súmula Vinculante n° 26. DA IDONEIDADE DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR RECOFARMA E DA BOA FÉ DA IMPUGNANTE Defende que as informações contidas nas notas fiscais emitidas por RECOFARMA permitem concluir que a classificação fiscal nelas adotada está correta, e que atendem o disposto nos arts. 62, 48 e Fl. 13223DF CARF MF 8 53 da Lei 4.502/1964, sendo documentos idôneos, com validade fiscal, e, assim, a impugnante, na qualidade de adquirente de boafé, ao utilizar referidos créditos não estaria cometendo infração, eis que teria direito a eles. Invoca o entendimento expresso pelo STJ (com relação ao ICMS), consolidado no enunciado da Súmula n° 509, publicada no Diário da Justiça Eletrônico de 31/03/2014. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO E IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Alega que a à época dos fatos geradores, a jurisprudência administrativa reconhecia o direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos, utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI, em observância ao entendimento do STF no julgamento do RE 212.4842. Por essa razão, defende a exclusão da multa de ofício, à vista do disposto no art. 76, II, “a”, da Lei 4.502/1964, tal como ocorrido no Acórdão nº 220200.142, de 03/06/2009, que transcreve em parte. Também contesta a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio porque implicaria numa indireta majoração da própria penalidade, não se podendo falar em mora na exigência de multa, à vista do disposto no art. 16 do Decretolei 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei 2.331/1987. Ademais, o artigos 59 da Lei 8.383/1991 e art. 61 da Lei 9.430/1996), também não prevêem essa cobrança. Invoca jurisprudência administrativa do CARF. É o relatório." Esta decisão de primeira instância da DRJ/RS foi publicada com a seguinte Ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 27/12/2011 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos de falta de pagamento, o direito da fazenda pública constituir o crédito tributário relativo ao IPI extinguese em cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art. 146 do CTN se a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. O provimento jurisdicional abrange o objeto da demanda judicial, vale dizer, o conteúdo do pedido da petição, e seu Fl. 13224DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201003.462 S3C2T1 Fl. 6 9 alcance restringese aos associados da impetrante domiciliados no âmbito da competência territorial do órgão prolator. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO. A aquisição de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus, não legitima aproveitamento de créditos de IPI. GLOSA DE CRÉDITOS. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO QUE INSTITUI INCENTIVO FISCAL A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS NA AMAZÔNIA OCIDENTAL. É indevido o aproveitamento de créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos isentos feitas a estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, mas que não tenham sido elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS PARA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTES. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constituise de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deverá ser classificado no código próprio da TIPI. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa sobre lançamento de ofício consiste em débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e, por isso, é legítima a incidência de juros de mora sobre o respectivo valor, a partir do vencimento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Em resumo, o Recurso Voluntário reforçou as argumentações da impugnação e solicitou a aplicação do Art 112 do Código Tributário Nacional, que prevê a possibilidade da interpretação dos fatos e fundamentos legais serem realizadas de forma mais favorável ao contribuinte, diante dúvida na ocorrência da infração. Em fls. 13055, o nobre Procurador Pedro Cestari apresentou as Contra Razões em nome da União e reforçou todos os pontos do lançamento. O processo digitalizado foi distribuído, encaminhado a este Conselheiro e pautado em acordo com o regimento interno deste Conselho. Fl. 13225DF CARF MF 10 Ao analisar os autos, esta Turma de julgamento decidiu por converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: "Conforme Relatório Fiscal de fls 12137, as vendas da Recofarma para o contribuinte também foram autuadas e compõem os mesmos fatos do lançamento presente no processo administrativo fiscal de n.º 11080.732960/201410, com ingresso no CARF por Recurso Voluntário, ainda sem julgamento. A conexão dos processos é importante, visto que os fatos são os mesmos e a operação é a mesma, assim como a Recofarma foi quem primeiro classificou o produto na NCM 2106.90.10. Este processo conexo possui o lançamento que corresponde à própria operação de venda dos concentrados de refrigerante da Recofarma à Sorocaba Refrescos, objeto de ambas as autuações. Inclusive, no relatório fiscal deste processo da Sorocaba Refrescos, foram transcritas e copiadas as razões do processo que contém a autuação da Recofarma, na reclassificação do concentrado. Diante do exposto, com fundamento no 1Art. 6.º, §1.º, I, do RICARF, votase para que o julgamento seja convertido em diligência para que: o processo de n.º 11080.732960/201410 seja distribuído para este Conselheiro relator." O processo conexo foi distribuído para a conexão e os autos foram pautados novamente, restando cumprida a diligência. Relatório proferido. Voto Vencido Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os tempestivos Recursos Voluntários devem ser conhecidos. DA DECADÊNCIA. Verificase nos autos que a razão acompanha o contribuinte ao alegar a decadência dos períodos anteriores a 15/04/10, visto que fora cientificada do AI somente em 15/04/15. Fl. 13226DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201003.462 S3C2T1 Fl. 7 11 Além de estar aparente nos autos, o contribuinte alegou e comprovou que apurou débitos e créditos na escrita fiscal dentro do período lançado, logo, em virtude do que determinou o julgamento (em sede de recurso repetitivo e obrigatório à este Conselho conforme Art. 62 do Ricarf) do REsp 973.733/SC, é adequada a aplicação do Art. 150, §4.º do CTN, que definiu o termo inicial de contagem da decadência como o fato gerador. Merece provimento a alegação de decadência. Assim, o período anterior a 15/04/10 deve ser considerado como decaído e excluído do lançamento. DAS PRELIMINARES. O contribuinte alega alteração de critério jurídico em razão de já ter sido autuado, anteriormente, pelos mesmos fatos, conforme Acórdão Carf de n.º 3402002.932, processo administrativo fiscal de n.º 10855.721827/201114. Contudo, em que pese a previsão do Art. 146 do CTN, não é o caso de alteração de critério jurídico, porque a fiscalização lavrou novo auto de infração sobre outro período, com fundamentos próprios e não propriamente novos fundamentos, de modo que não restou configurada a alteração de critério jurídico. O contribuinte também alegou que a competência na classificação dos refrigerantes, neste caso, é somente da SUFRAMA Superintendência da Zona Franca de Manaus, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços MDIC, e não da Receita Federal. Porém, ainda que a SUFRAMA tenha competência para administrar, identificar e autorizar os produtos sob seu regime, a razão não acompanha o contribuinte, porque a Receita Federal possui competência para expor seu entendimento com relação à classificação fiscal de produtos, assim como possui o direito/dever de realizar o lançamento, nos moldes do Art 142 do CTN. Assim, as preliminares não merecem provimento. DA AÇÃO JUDICIAL EM FAVOR DO CONTRIBUINTE. Conforme alegado pelo contribuinte, este possui decisão judicial a seu favor, em âmbito de Mandado de Segurança coletivo. Conforme fls. 8464 deste autos, contribuinte é parte do MS Coletivo e integrante da Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola AFBCC (Doc 06 da Impugnação), logo, possui o direito de usufruir do resultado da decisão final, transitada em julgado (fls. 12570), conforme print screen de fls 178 dos autos, exposto a seguir: Fl. 13227DF CARF MF 12 Mesmo ciente desta informação, a fiscalização alegou em seu lançamento que o contribuinte não possui o direito reconhecido na ação judicial acima mencionada, em razão de decisão proferida em sede de Agravo de Instrumento de n.º 2004.02.01.0132984. Nesta decisão de fls. 8705, 8708 e 8742, o Supremo Tribunal Federal teria pretendido limitar o efeito da decisão favorável ao contribuinte, para ser somente aplicada na região territorial do TRF da 2.ª região, território estranho ao do contribuinte, conforme print screen de fls. 8752 a seguir: Fl. 13228DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201003.462 S3C2T1 Fl. 8 13 Ao analisar toda a questão discutida no Poder Judiciário, verificase que o Supremo Tribunal Federal, de uma forma não muito usual, reconheceu o trânsito em julgado na decisão proferida no âmbito do Mandado de Segurança Coletivo (favorável ao contribiunte), negou provimento ao Agravo de Instrumento apresentado pela União, mas no corpo do voto Fl. 13229DF CARF MF 14 acaba por limitar o efeito daquela decisão favorável, já transitada em julgado, que já havia configurado coisa julgada. A situação judicial do contribuinte é sui generis, visto que possui duas decisões judiciais, que criaram norma concreta com relação ao seu direito ao crédito de IPI nos casos de aquisição de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus. Diante de sua complexidade, a coisa julgada é matéria de estudo em qualquer ordenamento jurídico, de extensa doutrina e desafio extremo. Poderiase concluir que posterior decisão, em âmbito de agravo de instrumento, poderia reformar um direito adquirido? Conforme voto da notável Conselheira Thais de Laurenttis, no julgamento do mencionado caso, Acórdão n.º 3402002.932, prevalece neste Conselho a aplicação da decisão transitada em julgado (MS coletivo) em detrimento da decisão constante no Agravo de Instrumento, conforme trechos extraídos de sua declaração de voto, in verbis: "Sobre o Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, entende o Contribuinte que possui coisa julgada em seu favor, à medida que esta ação foi impetrada pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de Cocacola (AFBCC), como substituta processual de seus associados. A seu turno a Fazenda Pública alega que a coisa julgada não beneficia o Contribuinte. Isto porque a ação foi manejada no Rio de Janeiro, tendo sido elencada como autoridade coatora o Delegado da Receita Federal daquela jurisdição. Assim, a coisa julgada ali formada não alcançaria o Contribuinte, cujo domicílio fiscal está sob a jurisdição do Delegado da Receita Federal de outro estado brasileiro, responsável pela lavratura do auto de infração ora sob análise. A discussão acerca dos efeitos do julgamento do citado Mandado de Segurança Coletivo com relação às empresas associadas à AFBCC não é nova no CARF. Em julgamentos de casos semelhantes, este Conselho vem afastando a autoridade da coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, cuja decisão favorável aos contribuintes transitou em julgado em 02/12/1999, depois de negado o Agravo de Instrumento interposto no bojo do Recurso Extraordinário manejado pela União (e.g. Processo n. 10950.000026/201052, Acórdão n. 3403003.323, de 15 de outubro de 2014; e Processo n. 15956.720043/201316, Acórdão n. 3403003.491, de 27 de janeiro de 2015). Pautam este entendimento no fato de o Supremo Tribunal Federal (“STF”), quando da análise da Reclamação 7.7781/ SP (apresentada por Associado da AFBCC), julgada em 30/04/2014, ter decidido pela restrição territorial dos efeitos do Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834 à jurisdição do órgão prolator, vale dizer, o Rio de Janeiro. Vejase a ementa da Reclamação: "Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança Fl. 13230DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201003.462 S3C2T1 Fl. 9 15 coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifei)" Destaco abaixo trecho do voto do Ministro Relator, Gilmar Mendes Ferreira, no qual encontramos a razão que levou ao julgamento neste sentido: "Ocorre que o art. 2ºA da Lei 9.494 aduz expressamente que “ a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator”. Assim, o limite da territorialidade pretende demarcar a área de produção dos efeitos da sentença, tomando em consideração o território dentro do qual o juiz tem competência para processamento e julgamento dos feitos. (grifei)" Todavia, ouso, com a devida vênia, discordar do julgamento proferido pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, razão pela qual entendo que esta decisão não merece guarida do CARF. Efetivamente, o julgamento da Reclamação n. 7.7781/ SP recaiu em uma “vala comum” a qual não pertence, culminando em decisão totalmente dissociada do direito processual aplicável aos mandados de segurança coletivos de matéria tributária, bem como do caso concreto levado à apreciação do STF, e que agora merece uma análise mais cuidadosa deste Conselho. Neste sentido, vale salientar que, em consulta sobre o andamento processual da Reclamação n. 7.778 (apresentada por Companhia de Bebidas Ipiranga, associada que fora substituída pela AFBCC no Mandado de segurança Coletivo n. 91.00477834) no sítio eletrônico do STF, constatase que foram opostos embargos de declaração ainda pendentes de julgamento. Assim, a decisão ainda não é final. (...) Por conseguinte, entendo que não resta outro caminho a este Conselho se não reconhecer o direito do Contribuinte, nos exatos moldes da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, que garantiu o direito comum a todos os membros da Associação ao creditamento de IPI, e que agora deve ser viabilizado." Fl. 13231DF CARF MF 16 Firme nesta mesma posição de que prevalece a aplicação da decisão transitada em julgado (MS coletivo) em detrimento da decisão constante no Agravo de Instrumento, um outro ponto a favor do contribuinte deve ser considerado. Conforme apontado em fls. 13130, em pedido do contribuinte, o STF proferiu nova decisão no julgamento do RE n.º 612.043/PR, em sede de repercussão geral, determinando que o limite territorial somente pode ser aplicado em casos de rito ordinário e, não sendo o Mandado de Segurança Coletivo uma medida judicial de rito ordinário, neste caso em concreto prevalece esta decisão do STF, que, segundo o Art. 62 do RICARF, é de aplicação obrigatória a este conselho. Assim, neste caso em concreto, permanece válida a decisão que reconheceu o direito de crédito na aquisição de insumos desonerados, provenientes da Zona Franca de Manaus. Com a clareza e segurança de que a decisão favorável ao contribuinte deve ser aplicada e, solucionada esta questão, para evitar o conflito de decisões entre a administração fiscal e o Poder Judiciário, não é necessário discutir novamente esta questão do creditamento de IPI na aquisição de insumos desonerados da ZFM dentro deste processo administrativo fiscal. Pelo exposto e, nesta mesma linha de preservar a hierárquia entre os poderes Executivo e Legislativo, em lides administrativas fiscais provenientes de autos de infração que possuem o mesmo objeto e, a causa de pedir do contribuinte for a mesma que a presente em ação judicial, havendo decisão judicial, definitiva ou não, que reconhece o direito do contribuinte, verificase inúmeros precedentes deste Conselho que reconheceram o fenômeno da concomitância. Diante de concomitância, mesmo se solucionada a lide no Poder Judiciário, a administração fiscal não deve decidir sobre a matéria, para evitar decisões conflitantes e o acionamento duplo da máquina estatal. Este é o entendimento apresentado na Súmula CARF n.º 01. Portanto, sem prejuízo de que em outras situações este Conselho deva, sim, mandar aplicar a coisa julgada expressamente e dar ou negar provimento aos recursos, verifica se neste caso em concreto que há a concomitância, no que diz respeito ao direito ao crédito de IPI dos insumos desonerados, adquiridos por este contribuinte, para a fabricação de refrigerantes. Assim, deve ser aplicada a Súmula n.º 01 deste Conselho, transcrita a seguir: "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Por fim, a lide deste procedimento administrativo fiscal limitase à discussão das demais matérias, como a reclassificação dos concentrados para a fabricação de refrigerantes adquiridos da RECOFARMA. Fl. 13232DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201003.462 S3C2T1 Fl. 10 17 DO MÉRITO. Considerando as diversas argumentações do contribuinte, em que pese haver a concomitância na questão discutida no tópico acima e, sem qualquer prejuízo à decisão favorável ao contribuinte, exponho uma breve análise técnica sobre a legislação e as diversas decisões proferidas no âmbito do STF. Nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, não deveria haver direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação ao princípio da não cumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 do CTN, art. 25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. A nãocumulatividade voltase à quantificação tributária nas várias etapas de processo produtivo plurifásico, com a finalidade de evitar que a última etapa da cadeia (venda ao consumidor final) seja onerada pelo que se agregou em cada fase anterior. Assim, se não houver recolhimento de IPI na operação precedente, não há que se falar em creditamento. Se a entrada de matériaprima for não tributada (alíquota zero, isenção ou nãoincidência), então não haverá direito a crédito escritural correspondente à entrada. Além disso, a Súmula CARF n° 18 prescreve que a aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Entendo que a alíquota zero e a isenção têm a mesma repercussão de não gerarem recolhimento na entrada, o que veda o creditamento, como acima já se defendeu. Logo, sem decisão judicial favorável e, pela simples aplicação da legislação vigente, não haveria como permitir os créditos. Considerando os diversos precedentes proferidos no âmbito do STF, a situação já seria diferente, visto que não há posição específica sobre a questão do creditamento do IPI na aquisição de insumos desonerados provenientes da Zona Franca de Manaus. Posteriormente ao julgamento do RE nº 212.484, citado pela Recorrente, o STF, nos RE nº 370.682SC e nº 353.657PR, decidiram de modo contrário à sua pretensão: "Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido.RE 370.682SC, DJ 19/12/2007. E IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observa se o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. Fl. 13233DF CARF MF 18 IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO. EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. RE 353.657PR, DJ 07/03/2008." Em seguida, o STF, no julgamento do RE nº 566.819, sem tratar dos insumos da Zona Franca de Manaus, alinhou a negativa da possibilidade de creditamento em relação a insumo adquirido sob qualquer regime de desoneração, assentando que insumo isento não dá direito a crédito de IPI: "IPI. CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI. CRÉDITO. INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI CRÉDITO. DIFERENÇA. INSUMO. ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. RE 566.819, DJ 10022011." Em que pese a existência destas decisões anteriores, é preciso considerar que somente com o julgamento do RE nº 592.891, em repercussão geral, que será decidido, de forma específica, a questão do créditamento do IPI nas aquisições desoneradas provenientes da ZFM. Não há qualquer vinculabilidade, neste caso, das decisões proferidas no âmbito do STF. Isto significa que não há posicionamento final do STF sobre a questão específica do creditamento do IPI na aquisição de insumos desonerados da Zona Franca de Manaus. Mas cumpri salientar que o caso destes autos também envolve aquisições provenientes da Amazônia Ocidental (DecretoLei n° 291/67, art.1º, §4º), que é a área abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre e Territórios de Rondônia e Roraima. Visto que o creditamento de IPI nas aquisições provenientes da Amazônia Ocidental não são objeto de discussão no Poder Judiciário, nesta matéria não há concomitância, portanto, deve ser considerada na presente lide administrativa fiscal. Em que pese o entendimento excessivamente restrito apresentado pela fiscalização, não há dúvida de que os produtos adquiridos pela Recorrente são aqueles definidos no art. 6º, do DecretoLei nº 1.435/75: “matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional”. Entendido isto, devese considerar a aplicação do disposto nos art. 174 a 176 do RIPI/2002, acompanhado do Art. 82, assim como dos Art. 95 e 237 do RIPI/10, a seguir: "Dos Créditos como Incentivo Incentivos à ADENE e ADA Art. 174. Será convertido em crédito do imposto o incentivo atribuído ao programa de alimentação do trabalhador nas áreas da ADENE e ADA, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 6.542, Fl. 13234DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201003.462 S3C2T1 Fl. 11 19 de 28 de junho de 1978, atendidas as instruções expedidas pelo Secretário da Receita Federal (Lei nº 6.542, de 1978, arts. 2º e 3º e Medidas Provisórias nºs 2.156 e 2.157, de 2001). Aquisição da Amazônia Ocidental Art. 175. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º). Outros Incentivos Art. 176. É admitido o crédito do imposto relativo às MP, PI e ME adquiridos para emprego na industrialização de produtos destinados à exportação para o exterior, saídos com imunidade (Decretolei nº 491, de 1969, art. 5º, e Lei nº 8.402, de 1992, art. 1º, inciso II). Art. 177. É admitido o crédito do imposto relativo às MP, PI e ME adquiridos para emprego na industrialização de produtos saídos com suspensão do imposto e que posteriormente serão destinados à exportação nos casos dos incisos IV e V do art. 42 (Decretolei nº 491, de 1969, art. 5º, e Lei nº 8.402, de 1992, arts. 1º, inciso II, e 3º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 1º). Da Amazônia Ocidental Isenção Art. 82. São isentos do imposto: III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 34). § 1º Quanto a veículos nacionais beneficiados com a isenção referida no inciso I, a transformação dos mesmos em automóvel de passageiros, dentro de três anos de sua fabricação importará na perda do benefício e sujeitará o seu proprietário ao recolhimento do imposto que deixou de ser pago, independentemente das penalidades cabíveis. § 2º Os Ministros da Fazenda e do Planejamento, Orçamento e Gestão fixarão periodicamente, em portaria interministerial, a pauta das mercadorias a serem comercializadas com a isenção prevista no inciso II, levando em conta a capacidade de produção das unidades industriais localizadas na Amazônia Ocidental (Decretolei nº 356, de 1968, art. 2º, parágrafo único, e Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 3º). Fl. 13235DF CARF MF 20 (...) RIPI 2010 Da Amazônia Ocidental Isenção Art.95. São isentos do imposto IIIos produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das Posições 22.03 a 22.06, dos Códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01)da TIPI(DecretoLei nº 1.435, de 1975, art. 6º,eDecretoLei no1.593, de 1977, art. 34). Dos Créditos como Incentivo Aquisição da Amazônia Ocidental Art.237.Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção doinciso III do art. 95, desde que para emprego como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto(DecretoLei no1.435, de 1975, art. 6o, § 1o). O mesmo é previsto no Decreto 1435/75, no Art 6.º, in verbis: Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo§ 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. Logo, com fundamento na Resolução CAS de n.º 298/07 e Parecer Técnico 224/07 (fls 13019) e Ofício de fls. 13130, é possível verificar que o contribuinte aproveitou crédito sob a segurança jurídica resultante de previsões legais dos créditos concedidos na Amazônia Ocidental, visto que utiliza matéria prima agrícola, conforme aprovação do PPB de com extrato agrícola, como cana de açúcar e guaraná. É sabido que, conforme Relatório Fiscal de fls. 12005, no período de 04/10 a 12/11, o contribuinte fabricou refrigerante, dentro do sistema cocacola Brasil. Adquire insumos da Recofarma para fabricar refrigerantes da posição 22.02 da TIPI e aproveita créditos de IPI nas aquisições da Recofarma. Estes insumos adquiridos são identificados pelo contribuinte como concentrados de refrigerante e o contribuinte recebe estes insumos já classificados na NCM 2106.90.10, de acordo com as NFs de venda da RECOFARMA para o contribuinte em fls. 12674. A fiscalização, por sua vez, alega em síntese que não se trata de um concentrado, que é um produto intermediário e não um concentrado, visto que este deveria ser um produto pronto. Fl. 13236DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201003.462 S3C2T1 Fl. 12 21 Também alega que a coca cola zero nunca chega a diluir 10 vezes conforme exposto na NCM utilizada pelo contribuinte. Assim, em fls. 12047, apresenta uma tabela com todas as reclassificações. Apesar de mencionado pela fiscalização, não estão nos autos o laudo do Instituto Falcão Bauer e não há nenhum laudo ou perícia que permita concluir de forma técnica se as reclassificações da fiscalização estão corretas ou não. Segue em comparação a NCM 2106.90.10, do contribuinte e, em seguida, as NCMs da fiscalização, a seguir: (...) Veja que, em alguns casos, a própria reclassifição reconhece a aplicação da NCM utilizada pelo contribuinte, talvez nos Ex tarifários, mas sem apontar em qual Ex tarifário e para qual produto. Ainda que a fiscalização tivesse apontado, de forma individualizada, em qual Ex Tarifário cada produto corresponderia, não haveria infração ou o erro em classificar os concentrados no caput ou nos Ex Tarifários, visto que a posição e o texto são os mesmos, conforme trecho das posições reproduzidos a seguir: "TIPI 2106.90.10 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de Fl. 13237DF CARF MF 22 diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. NCMM EXEX Descrição IPI 2106.90.10 Ex 01 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado 20 2106.90.10 Ex 02 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capítulo 22, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado 4 2106.90.10 Preparações do tipo utilizado para elaboração de bebidas 0 Aliás, como é de conhecimento geral, os Ex Tarifários possuem o fim social de desoneração, por redução temporária de alíquota, conforme pode ser verificado na doutrina brasileira, arcabouço legislativo e, inclusive, no próprio site do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços: "Ataualizado em: 08/01/2018 O regime de ExTarifário consiste na redução temporária da alíquota do imposto de importação de bens de capital (BK), de informática e telecomunicação (BIT), assim grafados na Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC), quando não houver a produção nacional equivalente. Atualmente, o Conselho de Ministros da CAMEX tem promovido a redução a 0% (zero), ao amparo do ExTarifário. Sem a aplicação do regime, as importações de BK têm incidência de 14% de Imposto de Importação e, as de BIT, 16%. Ou seja, o regime de Extarifário promove a atração de investimentos no País, uma vez que desonera os aportes direcionados a empreendimentos produtivos.A importância desse regime consiste em três pontos fundamentais: Viabiliza aumento de investimentos em bens de capital (BK) e de informática e telecomunicação (BIT) que não possuam produção equivalente no Brasil; Possibilita aumento da inovação por parte de empresas de diferentes segmentos da economia, com a incorporação de novas tecnologias inexistentes no Brasil, com reflexos na produtividade e competitividade do setor produtivo. Produz um efeito multiplicador de emprego e renda sobre segmentos diferenciados da economia nacional. A concessão do regime é dada por meio deResolução CAMEX nº 66/2014da Câmara de Comércio Exterior (Camex), após análise, pelo Comitê de Análise de ExTarifários (CAEx), dos pareceres elaborados pela SDCI." Não há nos autos sequer os textos das posições apontadas como corretas pela fiscalização. Sendo os produtos reclassificados, estes mencionados acima, além deste quadro, não houve nenhuma prova ou sequer individualização por parte da fiscalização na re classificação fiscal. Fl. 13238DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201003.462 S3C2T1 Fl. 13 23 Não basta afirmar que a classificação utilizada pelo contribuinte é equivocada para a desmerecer, a fiscalização deve explicar e comprovar, de forma individualizada e de acordo com o texto das posições e regras gerais de classificação, qual a razão de considerar as outras posições como corretas. Não foi comprovado que o produto não é uma preparação composta; que é bebida alcoólica; que não se caracteriza como extrato concentrado ou sabor concentrado; que não é própria para elaboração de bebida da posição 22.02 e que não tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. Ao contrário, tudo indica que é uma preparação composta, que não é bebida alcoólica, que pode ser extrato ou sabor concentrado, que é própria para elaboração da bebida da posição 22.02 e que tem capacidade superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. Há uma clara ausência de fundamentação legal e de descrição a respeito das reclassificações. Além disto, não faz sentido concluir que um concentrado, do que quer que seja, é um produto pronto para uso. O conceito de concentrado, por si, é algo que deve ser diluído em água ou qualquer outra substância. Em adição, se a SUFRAMA autorizou a operação, visto que não há nenhuma prova de descumprimento dos requisitos de aproveitamento dos créditos permitidos pela SUFRAMA, tal atividade é protegida pelo Art. 179 do CTN, in verbis: "Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão." E, ao seu favor, o contribuinte apresentou provas e verossimilhança suficiente para comprovar que a reclassificação apresentada pela fiscalização não deveria prosperar, uma vez que é impossível transportar, vender, industrializar ou comercializar os concentrados de refrigerante em uma única solução, mistura, um vez que o produto sofre deterioração e reações químicas que inviabilizam a qualidade de seu produto e toda a sua atividade industrial. Assim, faz sentido que os concentrados de refrigerantes sejam transportados em kits, condição formal que em nada altera a sua condição material, essencial, de ser um concentrado para refrigerantes. Ficou demonstrado que não há qualquer interesse da indústria em comercializar nenhum dos componentes do kit de forma separada, de modo que, resta evidente que o produto comercializado não é nenhum dos componentes do kit de forma separada, mas sim o concentrado. Todas a escrita fiscal e documentos das operações demonstram fielmente esta condição mercadológica. Fl. 13239DF CARF MF 24 E para enfraquecer o lançamento, é condição determinada no Art. 16 do RIPI/10, que toda a classificação deve seguir as Regras Gerais para Interpretação do SIstema Harmonizado e às Notas Explicativas: "TÍTULO III DA CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS Art.15.Os produtos estão distribuídos na TIPI por Seções, Capítulos, Subcapítulos, Posições, Subposições, Itens e Subitens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). Art.16.Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para InterpretaçãoRGI, Regras Gerais Complementares RGC e Notas ComplementaresNC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSULNCM, integrantes do seu texto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). Art.17.As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de MercadoriasNESH, do Conselho de Cooperação Aduaneira na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, e suas alterações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das Posições e Subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, Posições e de Subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10)." Premissa básica e antecedente que não foi seguida pela fiscalização, que sequer divulgou os textos das posições em que pretendeu reclassificar os concentrados. E, ainda mais grave, não seguiu a obrigação de aplicar as Regras Gerais de forma escalonada, conforme texto oficial das Notas Explicativas exposto a seguir: "NOTA EXPLICATIVA I) A Nomenclatura apresenta, sob uma forma sistemá tica, as mercadorias que são objeto de comércio internacional. Estas mercadorias estão agrupadas em Seções, Capítulos e Subcapítulos que receberam títulos tão concisos quanto possível, ind icando a categoria ou o tipo de produtos que se encontram ali classificados. Em muitos casos, porém, foi materialmente impossível, em virtude da diversidade e da quantidade de mercadorias, englobá las ou enumerálas completamente nos títulos daqueles agrupamentos. II) A Regra 1 começa, portanto, por determinar que os títulos “têm apenas valor indicativo”. Deste fato não resulta nenhuma consequência jurídica quan to à classificação. III) A segunda parte da Regra prevê que a classifi cação seja determinada: a) De acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e b) Quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das refer idas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. IV) A disposição III) a) é suficientemente clara e numerosas mercadorias podem classificarse na Nomenclatura sem que seja Fl. 13240DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201003.462 S3C2T1 Fl. 14 25 necessário recorrer às ou tras Regras Gerais Interpretativas (por exemplo, os cavalos vivos (posição 01.01), as prepa rações e artigos farmacêuticos especificados pela Nota 4 do Capítulo 30 (posição 30.06)). V) Na disposição III) b): a) A frase “desde que não sejam contrárias aos text os das referidas posições e Notas”, destinase a precisar, sem deixar dúvidas, que os dizeres das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo prevalecem, para a determinação da classif icação, sobre qualquer outra consideração. Por exemplo, no Capítulo 31, as Notas estabelecem q ue certas posições apenas englobam determinadas mercadorias. Consequentemente, o alcance dessas posições não pode ser ampliado para englobar mercadorias que, de outra forma, aí se incluiriam por aplicação da Regra 2 b). " Assim, sem saber quais os textos das "novas" posições, como poderia a fiscalização reclassificar sem, primeiro, analisar se os textos das posições correspondem ao produto comercializado ou não? Não poderia. Por fim, conforme Relatório Fiscal de fls 12137, as vendas da Recofarma para o contribuinte também teriam sido autuadas e, de acordo com a fiscalização, comporiam os mesmo fatos do lançamento existente no processo administrativo fiscal de n.º 11080.732960/201410, com ingresso no CARF por Recurso Voluntário, ainda sem julgamento. De forma clara, é possível verificar que este lançamento utilizou o lançamento do processo conexo, inclusive com cópia do próprio relatório fiscal, para descrever a infração tributária. Confira este trecho do relatório utilizado pela DRJ/RS: "Foi efetuada ação fiscal junto à referida fornecedora, com base em MPF Nacional, tendo por objeto a análise do direito de aproveitamento de créditos do IPI por parte dos adquirentes, integrantes do Sistema CocaCola Brasil, localizados em todo território nacional. A referida ação fiscal está sintetizada nos itens 2.2 a 2.27.4 do Relatório Fiscal e resultou na apuração de irregularidades quanto à classificação fiscal dos produtos, e na lavratura de auto de infração objeto do processo 11080.732960/201410, contra a fornecedora RECOFARMA, do qual foram extraídos diversos documentos que constam no presente processo, como por exemplo laudos periciais, fotografias, relatório da ação fiscal, entre outros." Da mesma forma, confira este trecho do "Relatório Fiscal" de fls. 12008 a reproduzido em print screen a seguir, com a cópia do outro relatório: Fl. 13241DF CARF MF 26 O "Relatório Fiscal" segue esse formato até chegar ao seu final, oportunidade em que a fiscalização simplesmente "remendou" a escrita fiscal do contribuinte com os fatos do outro processo, como em uma colcha de retalhos. Ao analisar os autos do processo conexo (que foi distribuído para atender à conexão), verificouse que as operações daqueles autos (data do fato gerador: 31/12/2013) são posteriores às operações do presente processo (01/04/2010 a 27/12/2011), de modo que, não existe amparo fático entre um processo e outro. Não existe a conexão apontada. A operação de compra e venda dos concentrados de refrigerantes que está apontada na escrita fiscal do contribuinte não é a mesma operação de compra e venda apontada no processo conexo. Como aceitar um relatório da fiscalização que está presente em outro lançamento, de outro contribuinte, que não possui conexão com os autos? Não houve fiscalização das operações da Sorocaba Refrescos! A conseqüência de um lançamento sem substância própria, é a total ausência de relação dos fatos com a norma, ausência de descrição e fundamentação da infração tributária no presente processo administrativo fiscal. Fl. 13242DF CARF MF Processo nº 10855.721183/201598 Acórdão n.º 3201003.462 S3C2T1 Fl. 15 27 Estes fatos que somamse à ausência de laudo neste processo, ausência do texto das posições indicadas pela fiscalização, ausência da subsunção dos fatos e características dos produtos às Regras Gerais da NESH e às posições apontadas. É igualmente importante mencionar que a Câmara Superior desta Terceira Seção anulou por vício material um lançamento de classificação fiscal que continha os mesmos defeitos deste, conforme pode ser verificado no Acórdão CSRF 9303005.501. E por fim, mas não menos importante, não haveria nenhuma novidade em seguir esta linha de entendimento para a presente Turma de julgamento, visto que cancelou inúmeros lançamentos em razão de defeito na reclassificação por parte da fiscalização, conforme pode ser verificado no Acórdãos 3201003.039, 3201002.253 e 3402003.448. Diante de todo o exposto, dentro dos fundamentos já expostos, votase para DAR PROVIMENTO na parte conhecida do Recurso Voluntário, para que todo lançamento seja cancelado, inclusive as multa e juros. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Voto Vencedor Conselheiro Winderley Morais Pereira, Redator Designado. Em que pese o extenso e bem elaborado voto do i. Relator, a Turma concordou em parte com a posição, decidindo por maioria de seus membros, por manter a reclassificação fiscal realizada pela Receita Federal e não conhecer do recurso quanto a discussão do benefício fiscal aplicado a Amazônia Ocidental. Diante da divergência parcial, fui designado para redigir o voto quanto a posição que restou vencedora. O Relator votou por afastar a reclassificação promovida pela Fiscalização, por entender que não existia nos autos a justificativa e motivação para alteração das classificação realizada pela Recorrente, tampouco a juntada de laudo pericial. Divirjo da posição adotada pelo I. Relator. No Relatório fiscal elaborado pela Fiscalização, constam às folhas 57 a 78, descrição minuciosa do trabalho realizado pela fiscalização e os fundamentos e motivação que levaram a reclassificação fiscal realizada pela Receita Federal. Quanto ao laudo técnico, consta do Anexo 2 do mesmo relatório fiscal, laudo elaborado pelo Laboratório Falcão Bauer, que confirma o entendimento da Receita Federal quanto a classificação dos produtos. Ainda a convalidar o trabalho fiscal é apresentado fluxograma da processo produtivo da Recorrente e outras informações que fundamentam a reclassificação fiscal de mercadoria. Assim, estando plenamente motivado e fundamentada, e ainda, com Laudo Técnico emitido por laboratório reconhecido nacionalmente, não se pode falar em ausência de provas e motivação. Fl. 13243DF CARF MF 28 Quanto a possibilidade de utilização dos benefícios fiscais previstos para a Amazônica Ocidental. Entendo, que para está matéria também não se pode conhecer do recurso. A maioria da turma decidiu pela existência de ação judicial discutindo a aplicação dos benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus. Assim, caso seja analisado a matéria referente a Amazônia Ocidental, a turma estaria enfrentando matéria ligada diretamente ao mérito da presente lide, que já está submetida ao Poder Judiciário, pois se enfrentado a turma teria que se manifestar sobre a aplicação do benefício fiscal referente a Amazônia Ocidental em substituição ou de forma concomitante ao benefício fiscal previsto para a Zona Franca de Manaus. O que implicaria em adentrar a matéria que vai ser dirimida pelo Poder Judiciário, Assim, a turma entendeu por não conhecer da matéria referente ao pedido de aplicação subsidiária do benefício previsto para a Amazônia Ocidental. Diante do exposto, voto por manter a reclassificação realizada pela Auditoria Fiscal e não conhecer do recurso quanto a aplicação do benefício fiscal previsto para a Amazônia Ocidental. Winderley Morais Pereira Fl. 13244DF CARF MF
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Numero do processo: 15578.720182/2016-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2013,2014
COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
O lançamento efetuado e mantido administrativamente pela autoridade fiscal, que contesta o crédito indicado pelo sujeito passivo na declaração de compensação, é suficiente para negar a existência do direito creditório, por ausência da liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1402-003.196
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. O lançamento efetuado e mantido administrativamente pela autoridade fiscal, que contesta o crédito indicado pelo sujeito passivo na declaração de compensação, é suficiente para negar a existência do direito creditório, por ausência da liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 72 01 82 /2 01 6- 47 Fl. 405DF CARF MF 2 Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 15578.720182/201647 Acórdão n.º 1402003.196 S1C4T2 Fl. 406 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a manifestação de inconformidade da agora recorrente. Da autuação: Tratase o presente de um litígio referente a uma não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP, conforme fundamentado no Parecer Seort nº 1.104/2016 (fls. 159/162) e Despacho Decisório (fl. 163). Envolve a análise do suposto crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do anocalendário de 2011, no montante de R$ R$ 69.198.011,67, e utilizado nas seguintes Dcomps: 02575.85279.220714.1.3.029542 03103.68031.230414.1.3.023409 10033.23947.080714.1.7.020310 13065.89063.080714.1.7.025050 26244.44929.190514.1.7.023268 28179.83398.210513.1.3.021622 32824.63494.190514.1.7.025549 36742.21663.190514.1.7.028003 41734.79890.190514.1.7.025130 O saldo negativo de IRPJ constante como crédito pleiteado nas Dcomps acima especificadas é composto por retenções na fonte, pagamentos de estimativas mensais e compensações de estimativas mensais, conforme tabela abaixo: Contudo, conforme transcrição dos elementos que justificam supracitado parecer que fundamentam a não homologação do crédito pleiteado, relatado na decisão a quo abaixo: Para justificar o parecer, a autoridade fiscal da unidade de origem assevera, em síntese, que: Fl. 407DF CARF MF 4 · . O período em comento foi objeto de ação fiscal, conforme Relatório de Fiscalização anexado às fls. 49140; · Pelos ajustes ocorridos na ação fiscal, o Lucro Real saltou de R$ 547.447.722,64 para R$ 1.009.182.745,82. Com efeito, o IRPJ e adicional apurados passaram para R$ 252.271.686,46; · Na apuração do direito creditório foram utilizados integralmente os valores informados na DIPJ a título de pagamento e compensação de estimativas; · Em relação às retenções na fonte, foram considerados na apuração os valores declarados pelas fontes pagadoras nas DIRF; · Desse modo, apurouse, ao final do anocalendário 2011, não um saldo negativo, mas um saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 46.248.386,12. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: O sujeito passivo foi intimado da decisão, em 20/06/2016 (fl. 167 e 169), e apresentou sua Manifestação de Inconformidade, em 20/07/2016 (fls. 170), na qual alegou em síntese que: · A decisão é nula pelo fato do lançamento que alterou a base de cálculo do IRPJ ter sido objeto de impugnação, carecendo portanto de definitividade; · Deve ser reconhecida a prejudicialidade da impugnação em relação a este processo, conforme art. 265, IV, “a” e “b”, do Código Processo Civil; · Apenas com o trânsito em julgado do processo administrativo que aprecia o lançamento é que a situação jurídica se constitui definitivamente, nos termos do art. 116, II, do CTN; · Devese aguardar o desfecho daquele processo, sob pena de ofender o art. 151, III, do CTN; · Requer a suspensão do processo e/ou a conversão do julgamento em diligência, até que seja proferida decisão final (com trânsito em julgado) nos autos do Processo Administrativo n° 15586.720494/201571; Fl. 408DF CARF MF Processo nº 15578.720182/201647 Acórdão n.º 1402003.196 S1C4T2 Fl. 407 5 · As despesas constituídas e contabilizadas, bem como a composição primitiva da base de cálculo do IRPJ, são regulares. Pelo que, repetiu os argumentos apresentados na impugnação ao lançamento objeto do processo 15586.720494/201571. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem NEGAR integralmente a manifestação de inconformidade da recorrente, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2013,2014 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem nulidade da decisão enquanto ato administrativo. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. As disposições do Código de Processo Civil têm aplicação subsidiária no processo administrativo fiscal, neste não se impondo quando houver previsões legislativas específicas. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. O lançamento efetuado pela autoridade fiscal, que contesta o crédito indicado pelo sujeito passivo na declaração de compensação, ainda que em grau de recurso, é suficiente para negar a existência do direito creditório, por ausência da liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: não ocorreram os pressupostos inerente à nulidade de ato que compõe o processo fiscal, no seu art. 59 do Decreto nº 70.235/1972; não cabe o pedido de suspensão e bem e nem o de conversão do processo em diligência, pois a matéria que deu azo à presente não homologação da Dcomp já foi julgada Fl. 409DF CARF MF 6 na primeira instância administrativa (processo nº 15586.720494/201571), estando com sua exigibilidade suspensa. Contudo, a modificação da base de cálculo do imposto, por sua vez, embora desprovida de definitividade, maculou de incerteza o crédito suscitado pelo sujeito passivo neste processo, acarretando a ausência de liquidez e certeza determinado pelo art. 170 do CTN; no que tange à alteração da base de cálculo do IRPJ, estão em discussão no processo nº 15586.720494/201571. que em decisão de primeiro grau houve deferimento parcial, no sentido de reduzir a multa qualificada e afastar, parcialmente, a responsabilidade solidária, mantendose o imposto apurado ao final do período do lançamento. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 19/05/2017, a recorrente apresentou recurso voluntário em 14/06/2017, repisando praticamente os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: insurgese acusando o parecer Seort nº 1.104/2016 e respectivo Despacho Decisório como nulos, pois há pendência de julgamento de recurso voluntário nos autos do processo administrativo nº 15586.720494/201571, que azo ao presente processo. Ambos atos do presente processo foram precipitados e arbitrários, pois ainda foi julgado em definitivo o processo 15586.720494/201571, pelo que espera para reforma da glosa de despesas ocorrida. Ademais, se assim não entendido, o presente processo deve permanecer suspenso até a decisão final das questões prejudiciais; a glosa efetuada no processo nº 15586.720494/201571 é insubsistente, o que acarretará a impossibilidade de recomposição da base de cálculo do IRPJ/2011 que embasa o parecer e despacho decisório ora recorridos. Ratifica toda a argumentação sobre o mérito da glosa apresentado na manifestação de inconformidade, e tece uma análise da matéria na sua peça recursal presente. É o relatório. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 15578.720182/201647 Acórdão n.º 1402003.196 S1C4T2 Fl. 408 7 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso foi apresentado tempestivamente, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço. Da síntese dos fatos: O caso acima relatado versa sobre a não homologação das compensações declaradas pela contribuinte, pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. O direito creditório pleiteado, saldo negativo de IRPJ, não subsistiria, ficando na condição de IRPJ a pagar, em decorrência de glosa de despesas efetuadas através do auto de infração que consta no processo nº 15586.720494/201571. Na sua manifestação de inconformidade, a recorrente pugnou preliminarmente pela nulidade do Parecer e consequente Despacho Decisório, por terem sidos proferidos de forma precipitada, antes do trânsito em julgado do processo nº 15586.720494/201571. No mérito, sustenta que não procedem as glosas efetuadas no retromencionado processo, que ensejou o presente. Na decisão a quo, entendeuse que não houve nulidade, e que o mérito deve e já estava sendo julgado no processo nº 15586.720494/201571, foro competente para tanto. Procedem o Parecer e consequente Despacho Decisório do presente processo, pois no momento que houve autuação fiscal do direito creditório pleiteado, afastase a liquidez e certeza determinadas pelo art. 170 do CTN. No seu recurso voluntário, a recorrente ataca a decisão recorrida, se manifestando nos mesmos argumentos da sua peça impugnatória, sem nada relevante acrescentar. Da situação do processo administrativo nº 15586.720494/201571 Antes de adentrar no mérito da peça recursal, cabe uma análise da situação atual do processo administrativo nº 15586.720494/201571, referente a autuação fiscal de glosa de despesas, que ao mudar a situação, aumentando, de apuração de lucro e IRPJ a pagar da recorrente, motivou o não reconhecimento do direito creditório de saldo negativo de IRPJ pleiteado nas PER/DCOMPs do presente processo administrativo. No processo administrativo nº 15586.720494/201571, a recorrente apresentou recurso voluntário em outubro de 2017. Contudo, poucos dias depois, apresentou Fl. 411DF CARF MF 8 desistência integral do recurso voluntário apresentado, para aderir ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT) promovido pela Lei nº 13.496/2017. Com este feito, renunciou a qualquer discussão envolvendo os créditos tributários objeto do processo administrativo nº 15586.720494/201571. Conforme já relatado anteriormente no relatório que antecede o presente voto, a decisão de primeiro grau do processo em comento foi sentido de reduzir a multa qualificada e afastar, parcialmente, a responsabilidade solidária, mantendose o imposto, integralmente, apurado ao final do período do lançamento. Ou seja, no que tange a reapuração do tributo devido de IRPJ, que refletiria no que está sendo objeto de discussão no presente processo, que envolve o direito creditório pleiteado e denegado em PER/DCOMPs, já há definitividade decidida em âmbito administrativo. Em decorrência, os valores ora em análise como crédito pleiteado pela recorrente já se encontram na condição de confirmados no processo do qual depende 15586.720494/201571. Das alegações suscitadas na peça recursal Das alegações da recorrente de nulidade A recorrente insurgese, acusando o parecer Seort nº 1.104/2016 e respectivo Despacho Decisório como nulos, pois há pendência de julgamento de recurso voluntário nos autos do processo administrativo nº 15586.720494/201571, que deu azo ao presente processo. No seu entender, ambos atos do presente processo foram precipitados e arbitrários, pois ainda foi julgado em definitivo o processo 15586.720494/201571, pelo que espera para reforma da glosa de despesas ocorrida. Ademais, se assim não entendido, o presente processo deve permanecer suspenso até a decisão final das questões prejudiciais. Contudo, como já exposto anteriormente no presente voto, na situação atual do presente processo administrativo nº 15586.720494/201571, já transitou em definitivo na esfera administrativa, dada a desistência da recorrente do seu recurso voluntário nele. A parte que ainda vai ser discutida, que seria a multa qualificada e responsabilidade solidária exonerada na decisão de primeiro grau administrativo não interfere em nada na reapuração dos valores devidos de IRPJ e que serviram de fundamento para o Parecer Seort nº 1.104/2016 e respectivo Despacho Decisório do presente processo administrativo. Destarte, os pleitos de nulidade, que não há nenhuma justificativa para acatamento independente da situação atual do processo 15586.720494/201571, e de suspensão, este sim, que poderia se caracterizar se se mantivesse a discussão no outro processo, estando, contudo, prejudicado. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO à preliminar de nulidade suscitada. quanto às alegações de glosa efetuada no processo 15586.720494/201571 Fl. 412DF CARF MF Processo nº 15578.720182/201647 Acórdão n.º 1402003.196 S1C4T2 Fl. 409 9 Alega a recorrente, na sua peça recursal, que a glosa efetuada no processo nº 15586.720494/201571 é insubsistente, o que acarretará a impossibilidade de recomposição da base de cálculo do IRPJ/2011 que embasa o parecer e despacho decisório ora recorridos. Ratifica toda a argumentação sobre o mérito da glosa apresentado na manifestação de inconformidade, e tece uma análise da matéria na sua peça recursal presente. Conforme já salientado anteriormente, o presente processo não é o foro para discutir a matéria envolvida no processo administrativo nº 15586.720494/201571. Claro que há uma dependência do que for decidido neste processo, mas aqui se trata de questões inerentes ao saldo negativo de IRPJ pleiteado como direito creditório em PER/DCOMPs apresentados, e até o decidido no outro processo, poderia se arguir, e provavelmente assim seria decidido, pelo sobrestamento do presente. Contudo, esta tônica argumentativa fica prejudicada pela desistência do recurso voluntário no processo administrativo nº 15586.720494/201571, prevalecendo o que foi decidido na instância de primeiro grau administrativo, no tocante à parte mantida da autuação fiscal. E o decidido no julgamento de primeiro grau administrativo do processo nº 15586.720494/201571 foi no sentido de manter a posição utilizada no Parecer Seort nº 1.104/2016 e respectivo Despacho Decisório, que deram suporte a não homologação do presente processo, que foi integralmente mantido na decisão a quo. Desta forma, confirmados os valores que embasaram o Parecer Seort nº 1.104/2016 e respectivo Despacho Decisório, fica confirmada a sua procedência. Destarte, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário no tocante a esta parte. Conclusão: Voto por conhecer, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO , na sua integralidade, ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 413DF CARF MF 10 Fl. 414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904627/2016-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.516
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 46 27 /2 01 6- 59 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.904627/201659 Acórdão n.º 3201003.516 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06057.493, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.904627/201659 Acórdão n.º 3201003.516 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.971102/2016-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem relatar o processo até aqui, adoto o relatório da DRJ/SPO, a seguir transcrito: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 71 10 2/ 20 16 -7 2 Fl. 3626DF CARF MF Processo nº 10880.971102/201672 Resolução nº 1302000.573 S1C3T2 Fl. 3.627 2 Fl. 3627DF CARF MF Processo nº 10880.971102/201672 Resolução nº 1302000.573 S1C3T2 Fl. 3.628 3 Fl. 3628DF CARF MF Processo nº 10880.971102/201672 Resolução nº 1302000.573 S1C3T2 Fl. 3.629 4 Fl. 3629DF CARF MF Processo nº 10880.971102/201672 Resolução nº 1302000.573 S1C3T2 Fl. 3.630 5 Fl. 3630DF CARF MF Processo nº 10880.971102/201672 Resolução nº 1302000.573 S1C3T2 Fl. 3.631 6 Fl. 3631DF CARF MF Processo nº 10880.971102/201672 Resolução nº 1302000.573 S1C3T2 Fl. 3.632 7 Fl. 3632DF CARF MF Processo nº 10880.971102/201672 Resolução nº 1302000.573 S1C3T2 Fl. 3.633 8 Fl. 3633DF CARF MF Processo nº 10880.971102/201672 Resolução nº 1302000.573 S1C3T2 Fl. 3.634 9 Fl. 3634DF CARF MF Processo nº 10880.971102/201672 Resolução nº 1302000.573 S1C3T2 Fl. 3.635 10 Após a análise da Manifestação de Inconformidade, os membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, como denota o Acórdão n.º 1677.019 a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 IRPJ. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO. A compensação tem como pressuposto de validade crédito líquido e certo em favor do sujeito passivo, cabendo a ele o ônus da prova. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão retro, a interessada interpôs Recurso Voluntário para apreciação por este Conselho reiterando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade, destacandose a seguinte alegação: Há relação de prejudicialidade entre a presente demanda e o processo em que se discute a homologação da compensação da antecipação mensal, o que reclamaria a suspensão do processo para aguardar a decisão a ser proferida naquele outro. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do presente Recurso. Conforme delimitado pela Turma Julgadora, o não reconhecimento do saldo negativo de IRPJ, do anocalendário 2012, teve como uma das causas a não confirmação de parcelas que compõem o crédito de saldo negativo, de R$ 290.637.585,18, pleiteado na declaração de compensação com o demonstrativo do crédito (PER/DCOMP nº 20927.08284.291013.1.7.022490). Fl. 3635DF CARF MF Processo nº 10880.971102/201672 Resolução nº 1302000.573 S1C3T2 Fl. 3.636 11 A existência dos requisitos de validade das parcelas não confirmadas, as quais originaram a glosa em exame neste processo está sendo discutida através dos processos n.ºs 10880.933735/201682 e 10880.933736/201627. Como os processos mencionados, até o presente momento, não transitaram em julgado no âmbito administrativo, de modo que não é possível obterse certeza quanto à validade da glosa procedida. Diante do exposto, conforme preceitua o art. 6, inciso II, do ANEXO II do RICARF, solicito que sejam distribuídos por conexão a este relator os processos n.ºs 10880.933735/201682 e 10880.933736/201627 27 afim de que possam ser analisados de forma conjunta com os presentes autos. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 3636DF CARF MF
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Numero do processo: 18050.007602/2009-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA - ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL.
Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria.
IRPF. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. NATUREZA SALARIAL.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN.
Numero da decisão: 9202-006.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IRPF. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. NATUREZA SALARIAL. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 76 02 /2 00 9- 12 Fl. 292DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora designada Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 280201.687, proferido pela 2ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 126.585,44, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Contribuinte apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 83/88, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 89/129. A 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 93/139, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, e afastar o IR dos juros moratórios exigidos. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS MAGISTRADOS DO ESTADO DA BAHIA. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 18050.007602/200912 Acórdão n.º 9202006.402 CSRFT2 Fl. 10 3 As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza remuneratória e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. JUROS MORATÓRIOS. NÃO INCIDÊNCIA DE IR. RECURSO REPETITIVO. Por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 142/144, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, alegando omissão e obscuridade em relação a ementa e a fundamentação, os quais foram inadmitidos, às fls. 146 e ss. À fl. 165, a Fazenda Nacional informou não haver interesse em interpor recurso. Intimado, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 172/197. Preliminarmente, requereu o sobrestamento do feito, conforme o art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, em virtude de o Supremo Tribunal Federal ter reconhecido a repercussão geral de matéria exaustivamente abordada e prequestionada nos autos dos Recursos Extraordinários de nº 614232 e 614406. No mérito, alegou divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. Violação à Súmula 02 do CARF e ao art. 62 do Regimento Interno – Afastamento de Legislação Tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal. Alegou o Contribuinte em nenhum momento ter suscitado a inconstitucionalidade de lei. Arguiu que a irresignação consistiu, efetivamente, em não ser observada pela Fiscalização autuante a existência de Lei válida, que se encontra dotada de eficácia plena, pois até hoje não foi formalmente declarada qualquer inconstitucionalidade sobre a mesma. Apresentou acórdão paradigma em contrariedade ao acórdão recorrido e observou que em ambos os casos os Recorrentes não suscitaram ou requereram a declaração de inconstitucionalidade por parte do Conselho de Contribuintes. Entretanto, o acórdão recorrido afastou aplicação de Lei válida e eficaz por incompatibilidade com artigo da Carta Magna, ao passo que o acórdão paradigma deixou de apreciar a incompatibilidade suscitada em virtude de sua incompatibilidade. 2. Imprestabilidade da Base de Cálculo na forma em que se encontra – Lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção. Após longa Fl. 294DF CARF MF 4 argumentação, o Recorrente observou que, para efeito de admissibilidade e para comprovar que este ilustre Conselho vem anulando autuações que tenha “erro de construção do lançamento”, trouxe o paradigma, no qual buscou demonstrar que, no caso em exame, o lançamento foi revisado após ter sido constituído e notificado o Contribuinte, ao passo que no paradigma a conclusão foi no sentido de nulidade justamente pela existência de erro na construção do lançamento. 3. URV – Parcelas de Natureza Indenizatória. Divergindo do acórdão recorrido, os paradigmas, em caso idêntico, concluíram pelo caráter indenizatório da parcela percebida a título de URV. 4. Ilegitimidade da União Federal para figurar no pólo ativo da relação jurídicotributária. Às fls. 268/275, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso apenas em relação à terceira divergência arguida: “URV – Parcelas de Natureza Indenizatória”. Inclusive, restou prejudicada a preliminar, uma vez que os §§ 1º e 2º do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 (RICARF), que previam tal providência, foram revogados pela Portaria MF nº 545, de 18/11/2013. O recurso também foi submetido à Presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 276 e ss., que manteve o despacho exarado pelo Presidente da Câmara. Do Despacho de Exame de Admissibilidade, o Contribuinte foi intimado, conforme fls. 280. Às fls. 283/288, à Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, sem preliminar alegada requereu, em síntese, a manutenção do acórdão por seus próprios e jurídicos fundamentos em relação à matéria recorrida. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 18050.007602/200912 Acórdão n.º 9202006.402 CSRFT2 Fl. 11 5 Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 126.585,44, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à definição da natureza da verba URV. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias (como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta Fl. 296DF CARF MF 6 indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada, pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 18050.007602/200912 Acórdão n.º 9202006.402 CSRFT2 Fl. 12 7 A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas Fl. 298DF CARF MF 8 podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por Fl. 299DF CARF MF Processo nº 18050.007602/200912 Acórdão n.º 9202006.402 CSRFT2 Fl. 13 9 exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Fl. 300DF CARF MF 10 Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 18050.007602/200912 Acórdão n.º 9202006.402 CSRFT2 Fl. 14 11 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Peço licença a ilustre conselheira Ana Paula Fernandes para divergir do seu entendimento em relação a natureza salarial dos rendimentos recebidos acumuladamente à título de URV. Do Mérito Em face do RE e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão no Recurso Especial do Contribuinte, ao caráter indenizatório dos rendimentos relativos as diferenças de URV recebidos pelos membros do Magistratura da Bahia. Competência para legislar sobre IR Primeiramente, conforme descrito no acórdão a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, consignaria o caráter indenizatório dos rendimentos, todavia, entendo que a competência para legislar sobre imposto de renda é da União, conforme disposto no art. 153, IV, da CF/88. Dessa forma, fazse necessário realizar a análise da natureza jurídica dos valores recebidos, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] III renda e proventos de qualquer natureza; [...[ § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; Neste ponto, convém diferenciar a natureza salarial que se subssume ao citado dispositivo face a configuração de nítido acréscimo patrimonial das verbas com natureza indenizatórias, cujo fundamento para exclusão configurase como a reparação por um dano sofrido, ou mesmo as verbas legalmente descritas como indenizatórias. Nessa linha de raciocínio, entendo que a referida lei estadual não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência da devida correção salarial decorrentes de alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo sujeito passivo, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Fl. 302DF CARF MF 12 Concluindo, em relação a este item, entendo incabível tomar como absoluta para exclusão da incidência do IR, lei de outro ente da federação, no caso, o Estado da Bahia, face a competência instituída pelo texto constitucional. Incidência de IR sobre valores de diferenças de URV Quanto ao mérito, é sabido que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais decorrentes da conversão da remuneração dos servidores beneficiados, quando da implantação do Plano Real. Em função disso, constatase que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao longo dos anos subsequentes. Nesse sentido, podemos concluir que o objetivo de ações judiciais sob esse fundamento ou mesmo da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, da Bahia (que apenas reconheceu esse direito) foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago, ou seja, diferença de salários. Considerando o nítido caráter salarial diferenças pagas a posteriori, penso que a verba trazida à discussão encontrase sujeita à incidência do IR, conforme dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nesse sentido, estamos diante de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Frente as considerações acima, resta claro estar correta a interpretação adotada pelo julgador da turma a quo para definir a natureza das diferenças de URV. Segundo o acórdão recorrido quanto ao mérito, destaca que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Entendeu, o ilustre julgador, que verbas recebidas visam recompor parte do salário e, neste sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o artigo 43 do CTN. Partindo dessa premissa. entendo, que não há como igualar as situações dos membros do Ministério Público Federal e Magistratura Federal com os pertencentes aos quadros do Estado da Bahia, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 18050.007602/200912 Acórdão n.º 9202006.402 CSRFT2 Fl. 15 13 Com efeito, o Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente, implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF/88 e o art. 176 do CTN. Dessa forma, assim como exposto pelo julgador a quo caso adotasse o mesmo tratamento tributário, alterando a natureza dos pagamentos, estaria sim, se valendo da analogia para definir fato gerador e base de cálculo de imposto sob a competência da União. A Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002 conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). No mesmo sentido, a PGFN, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e MP Federal, respeitando a interpretação do STF. Salientese que a referida resolução do STF, dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. Conforme transcrito acima, a própria redação da Resolução dá tratamento diferenciado as verbas, já que excluiu do valor integrante do abono, as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) Em mesmo sentido, manifestase o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. Fl. 304DF CARF MF 14 No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Por fim, para reforçar a tese aqui exposta , ou seja, caráter salarial das verbas pagas à título de URV, já se pronunciou este conselho em outras ocasiões acerca do tema, ao qual cito julgados que corroboram com o encaminhamento aqui formulado: ACÓRDÃO 9202003.659 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 9202.003.585 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 2201002.491 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 305DF CARF MF Processo nº 18050.007602/200912 Acórdão n.º 9202006.402 CSRFT2 Fl. 16 15 Exercício: 2005, 2006, 2007 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam Fl. 306DF CARF MF 16 ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de IR, sendo incabível acatar a argumentação de que a natureza salarial da referida verba seja alterada por legislação estadual, qual seja, a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, ou mesmo que Resolução nº 245 do STF lastreada em Lei federal com destinação específica possa ser aplicada por analogia a outros casos que não os expressamente nela descritos. Quanto a Necessidade de prévia declaração de Inconstitucionalidade da Lei Estadual. Quanto a argumentação de que necessário, antes de efetivar ao lançamento, ter declarada a inconstitucionalidade da lei Estadual, entendo não ser esse o melhor entendimento aplicável. Conforme acima esclarecido, a competência para legislar sobre IR recai sobre a União, não podendo ser alterada a natureza jurídica da verba para efeitos de definição do fato gerador. Contudo, não pode o agente fiscal entender ou mesmo questionar a constitucionalidade de lei Estadual, cujo ente Estadual possui competência para definir não apenas a natureza jurídica da verba, como a incidências sobre os tributos cuja competência para legislar esteja sob sua égide. Por exemplo, a definição da natureza jurídica para efeitos de definição da natureza tributos de contribuição previdenciária para regime próprio de previdência. Assim, ao fisco Federal compete apreciar se a verba recebida pelos Magistrados da Bahia, encontrase abarcada como fato gerador de IR, utilizandose dos fundamentos dessa legislação, para apuração do fato gerador, da natureza jurídica do pagamento e da base de cálculo e montante do tributos apuráveis. Dessa forma, afasto a argumentação de que necessário, primeiramente, declarar a constitucionalidade da legislação estadual. Quanto a incompetência do CARF para afastar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, previsto na súmula nº2 do CARF, entendo não ser essa a questão aplicável ao caso concreto. Realmente nos termos do art. 62 do CARF: "é vedado aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionlidade", todavia, a competência básica dos membros desse colegiado é identificar se o lançamento se amolda as Fl. 307DF CARF MF Processo nº 18050.007602/200912 Acórdão n.º 9202006.402 CSRFT2 Fl. 17 17 exigências legais e se os argumentos apontados pelo recorrente seriam suficientes para a desconstituição do lançamento. Bem, conforme foi apreciado acima, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar as contribuições, posto que os valores recebidos, pela análise da legislação aplicável ao caso concreto, quais sejam, CF/88, CTN e legislação do IR incorreto considerar os rendimentos como isentos ou não tributáveis. Assim, esse julgador em momento algum descumpri ou fere dispositivo regimental, pelo contrário, entendo que ao acatar os argumentos do recorrente pela aplicabilidade da legislação estadual e resolução 245/STF, aí sim, estaria afastando dispositivo legal. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 308DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.720822/2014-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2014
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF Nº 02.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Aplicação da Súmula Carf nº 02.
Numero da decisão: 1001-000.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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SÚMULA CARF Nº 02. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Aplicação da Súmula Carf nº 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 08 22 /2 01 4- 93 Fl. 33DF CARF MF Processo nº 13830.720822/201493 Acórdão n.º 1001000.441 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 28 a 31) interposto contra o Acórdão nº 0736.558, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (fls. 17 a 23), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. NÃO REGULARIZAÇÃO EM TEMPO HÁBIL. A regularização tempestiva das pendências indicadas no Termo de Indeferimento é condição sine qua non para o acesso ao regime de tributação do Simples Nacional. Não havendo a regularização em tempo hábil seja por pagamento, seja por parcelamento a pessoa jurídica deve, no anocalendário a que se refere o requerimento de opção, submeterse a outro regime de tributação que a legislação lhe faculte. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o presente processo de Impugnação ao Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional de fls. 13, registrado em 21 de fevereiro de 2014, em face de a interessada ter incorrido na seguinte situação impeditiva: Fl. 34DF CARF MF Processo nº 13830.720822/201493 Acórdão n.º 1001000.441 S1C0T1 Fl. 4 3 " Fl. 35DF CARF MF Processo nº 13830.720822/201493 Acórdão n.º 1001000.441 S1C0T1 Fl. 5 4 Da impugnação apresentada Irresignada a interessada apresenta impugnação onde alega: PRELIMINARMENTE, que o indeferimento deve ser declarado nulo, no seu entender, em razão da ausência de comprovação do débito apontado; e, no MÉRITO argumenta que a Lei Complementar nº 123, de 2006 concede “[...] tratamento diferenciado as Micro e Empresas de Pequeno Porte, buscando protegêlas da concorrência das empresas maiores, através de um sistema que em equidade. [sic] [...] e que, continua, “tal tratamento ‘diferenciado’ impõem [sic] que essas empresas, por seu porte, necessitam desse benefício para se manterem e assim auxiliarem no crescimento econômico do Brasil”; entende ser inconstitucional a exclusão de microempresas e empresas de pequeno porte do Simples Nacional pela falta de pagamento de tributos, pois, “não era este o espírito constitucional destinado para esse tipo de empreendimento, mas sim, dar a ele condições de desenvolver e crescer, cumprindo com sua função social.”; Ao final requer que seja incluída no Simples Nacional para o anocalendário de 2014." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sobre análise apenas reiterando os termos aventados em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 36DF CARF MF Processo nº 13830.720822/201493 Acórdão n.º 1001000.441 S1C0T1 Fl. 6 5 Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Em análise à argumentação trazida em sede de preliminar, de que seria inconstitucional a exclusão de microempresas e empresas de pequeno porte do Simples Nacional de se esclarecer que a apreciação da arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de legislação foge à alçada das autoridades administrativas de qualquer instância, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação de assuntos dessa natureza achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da validade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo deste poder. Tratase, na verdade, de entendimento há muito tempo consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, conforme ementas transcritas a seguir: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS – Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. LEGALIDADE DAS NORMAS FISCAIS – Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da legalidade das leis e normas administrativas (Ac. 1º CC 106 07.303, de 05/06/95). Neste sentido, é a seguinte súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A alegada ausência de comprovação do débito fiscal apontado é outro argumento trazido pela interessada pugnando pela nulidade do Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional. Razão não assiste à impugnante. Os procedimentos sobre o agendamento e opção pelo Simples Nacional são realizadas por intermédio do Portal do Simples Nacional, e lá estão todas as informações acessíveis aos optantes pelo regime simplificado. Portanto, rejeitase a preliminar suscitada. Quanto ao prazo de que dispõe a interessada para realizar a opção pelo Simples Nacional, o parágrafo 2º do artigo 16 da Lei Complementar nº 123/2006 assim dispõe: Art. 16 – A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 13830.720822/201493 Acórdão n.º 1001000.441 S1C0T1 Fl. 7 6 [...] § 2º – A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário de opção, ressalvado o disposto no parágrafo terceiro deste artigo. [...] O Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial na Resolução CGSN nº 94, de 29112011, cujo artigo 6º assim estabelece: Art. 6ºA opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16,caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5 º . (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2 º ) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16,caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; [...] De acordo com o Termo de Indeferimento, de fls. 3, a pendência que impediu o sujeito passivo de efetuar a opção pelo Simples Nacional, para o ano calendário 2014, foi a existência de débito não previdenciário com exigibilidade não suspensa. Sobre o tema, o artigo 17, inciso V da Lei Complementar nº 123, de 2006, assim estabelece: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...] A interessada operou pedido de parcelamento no âmbito da Lei nº 11.941, em 1592006, como se vê na tela de consulta do sistema de parcelamento, da RFB: Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13830.720822/201493 Acórdão n.º 1001000.441 S1C0T1 Fl. 8 7 No entanto em 6112009 o parcelamento foi rescindido sendo que a motivação foi inadimplência de 36 [trinta e seis] parcelas: Assim, diante do exposto, concluise que a Impugnante não solucionou a pendência impeditiva para a opção pelo regime simplificado, pelo que manifestome pela manutenção do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, para o anocalendário de 2014. É como voto. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13830.720822/201493 Acórdão n.º 1001000.441 S1C0T1 Fl. 9 8 Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15467.000909/2010-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-006.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 7. 00 09 09 /2 01 0- 38 Fl. 81DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. ), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao exercício 2006, anocalendário 2005, para exigência do seguinte crédito tributário: IRPF Suplementar – R$ 1.937,30; multa de ofício(passível de redução) – R$ 1.452,97; juros de mora (calculados até 31/03/2010) – R$ 849,89, totalizando um crédito tributário apurado no valor de R$ 4.240,16 (quatro mil, duzentos e quarenta reais, oitenta e nove centavos). O lançamento decorreu de procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual, tendo sido apurado omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica no valor de R$ 13.968,00. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 08/06/2017, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2202003.973 (fls. 48/56), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator) e Cecília Dutra Pillar, que entenderam por aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que Fl. 82DF CARF MF Processo nº 15467.000909/201038 Acórdão n.º 9202006.705 CSRFT2 Fl. 3 3 o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543B e 543C do CPC/1973. Art. 62, §2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 14/06/2016 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. O processo foi novamente encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 22/06/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs em 04/08/2017, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. 58/66). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 2ª Câmara, de 18/08/2017 ( fls. 69/74), em confronto com os acórdãos 9202003.695 e 9202004 131. · Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido a fim de seja mantida a autuação, determinando o colegiado o retorno dos autos à DRF apenas para a retificação contábil relativa à alíquota incidente sobre os rendimentos recebidos a destempo. · Argumenta que tal alteração não acarreta qualquer prejuízo ao contribuinte ou mácula ao lançamento, na medida em que impõe tão somente o recálculo do montante devido, sem majoração da exigência tributária. · Transcreve trecho do voto do acórdão 2802002.864, que segundo ela, muito bem esclarece a questão e acrescenta que inexiste irregularidade que fundamente o cancelamento do auto de infração, mostrandose adequada sua manutenção com a realização das retificações cabíveis. Cientificado do Acórdão nº 2202003.973, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 05/09/2017, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 69. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão Do Mérito Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a nulidade do lançamento, em consonância com a interpretação adotada pelo STJ no REsp Resp 1.118.429/SP, o qual firmou entendimento de que, no caso de recebimento acumulado no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, referese ao fato de o relator do acórdão da Câmara a quo descrever em seu voto, mesmo que implicitamente, que o fundamento da declaração de nulidade diz respeito a jurisprudência do STJ a quem compete promover a interpretação ultima da lei federal, já ter se posicionado pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei 7.713/88, o que enseja um erro de cunho material na apuração do montante devido, porém em momento algum, o relator, deixa de reconhecer a incidência do tributo, nem faz qualquer referência ao caráter salarial ou indenizatório da verba. Podemos chegar a essa conclusão ao lermos os termos do voto abaixo transcrito: Entretanto, essa é a sua interpretação, que não está assim expressa na decisão do STF. Considerando que a jurisprudência do STJ já havia se posicionado pela forma como deveria ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 e, posteriormente, o STF entendeu pela inconstitucionalidade do dispositivo, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da fórmula para apuração do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) e observo a determinação contida no Art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF, como fundamento para decidir. Discordo, portanto, da possibilidade de ser recalculado o tributo, aplicandose outro dispositivo legal, como se verificam, na jurisprudência deste CARF, decisões no seguinte sentido, no tocante a esta matéria: Acórdão 2201002.387– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Acordam os membros do colegiado, por Fl. 84DF CARF MF Processo nº 15467.000909/201038 Acórdão n.º 9202006.705 CSRFT2 Fl. 4 5 unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente a tabela progressiva vigente à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, nos termos do voto do relator. Transcrevo e destaco daquele Voto: Releva tratarse de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. Pois bem, a autuação levou em consideração o rendimento total recebido, de forma acumulada, sem separar o período de cada competência. Por essa razão é necessário provimento parcial ao recurso para o recalculo da autuação. Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não é possível, data maxima venia, "corrigir" ou "emendar" um lançamento onde se reconhece que houve erro na apuração do tributo, por aplicação equivocada de alíquotas indevidas sobre bases de cálculo acumuladas. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Porque, observando o processo tributário, forma é aquilo que existe para garantir às partes o exercício de seus direitos, como por exemplo a ampla defesa e o livre acesso ao judiciário. E, em ordem prática, suponhase que efetuada nova apuração e encaminhada a cobrança o sujeito passivo dela discorde. Como se darão a impugnação e recurso, nos termos das normas reguladoras do processo administrativo fiscal? Recomeça a fase litigiosa do procedimento? De forma análoga, se o Fisco identifica incorretamente o sujeito passivo, cobrando de Tício quando o contribuinte ou responsável é Mélvio, não se pode simplesmente alterar a ficha de identificação do Auto de Infração e exigir o tributo, agora Fl. 85DF CARF MF 6 corretamente, encaminhando a notificação de cobrança, após o julgamento de recurso daquele, a esse. É necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. Assim, a limitação do pedido, no caso, não impede que, em face da declaração de inconstitucionalidade, se mantenha o entendimento de que deva ser cancelado o lançamento, sem "recálculo" do tributo, nos termos aqui discorridos. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial. A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 48 e seguintes, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543B e 543C do CPC/1973. Art. 62, §2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Relator) e Cecília Dutra Pillar, que entenderam por aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor.Ou seja, o cerne da questão referese ao questionamento se as decisões reiteradas do STJ, como mencionado pelo relator do acórdão recorrido, que acabaram por ensejar julgamento no âmbito do STJ em sede de repetitivos e, posteriormente pelo STF que Fl. 86DF CARF MF Processo nº 15467.000909/201038 Acórdão n.º 9202006.705 CSRFT2 Fl. 5 7 declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral, seria capaz de eivar de vício material o lançamento? Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais, baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingese sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 12.530/2010. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Vale destacar que no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B Fl. 87DF CARF MF 8 do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta Fl. 88DF CARF MF Processo nº 15467.000909/201038 Acórdão n.º 9202006.705 CSRFT2 Fl. 6 9 altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável. Dessa forma, considerando os termos do acórdão proferido, bem como a delimitação da lide objeto deste Recurso Especial ser tão somente sobre a nulidade do lançamento, encaminho pelo provimento do Resp da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade, determinando o retorno dos autos à turma a quo para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 89DF CARF MF
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