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Numero do processo: 13802.001154/91-18
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 1995
Ementa: ITR - Estando o imóvel discutido, comprovadamente sob a égide de outro tributo, com normas inerentes, descabe, no caso, exigência fiscal. Recurso provido.
Numero da decisão: 203-02259
Nome do relator: MARIA THEREZA VASCONCELLOS DE ALMEIDA
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SELMA HORTA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso. Ausentes os Conselheiros Mauro Wasilewski e Sebastião Borges Taquary. Sala das Sessões, em 21 de junho de 1995 .... Osv,I (o Jõsé . - ouza Presidente 44 lhírjzaCtscPniéeL ‘jdeW2da - / / " , Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ricardo Leite Rodrigues, Sérgio Afanasieff, Tiberany Ferraz dos Santos e Celso Angelo Lisboa Gallucci. 1 (363 MINISTÉRIO DA FAZENDA... • ‘s, ,:s4 • k SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo n° : 13802.001154/91-18 Acórdão n° : 203-02.259 Recurso n° : 97.765 Recorrente : SELMA HORTA RELATÓRIO A contribuinte identificada nos autos através da Impugnação de fls. 01/05, defende-se da cobrança do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, incidente sobre o imóvel denominado "LT 1 e 2 Qd. 02 Jd. José Luiz", localizada em São Paulo, com demais especificações expressas na Notificação de fls. 02. A exigência fiscal, refere-se ao exercício de 1991, lançada em nome de Luiz Antônio Jardim. Para fundamentar a impugnação interposta, alega a interessada que o referido senhor já é falecido, sendo que o imóvel já faz parte da zona urbana do Município de São Paulo e já teria sido alienada em favor de Cirilo Alexandrino Amorim. Ás fls. 07/08 a fiscalização através de expediente anexado, intima a interessada a comprovar as alegações trazidas, mediante comprovação documental. Sem manifestação da impugnante, decidiu o julgador singular nos termos expressos às fls. 10/11, resumidos na seguinte ementa: "ITR/91 - Alegação de lançamento indevido, em razão do imóvel pertencer a zona urbana do município e ter sido vendido; falta de provas; INDEFERIDA". Não se conformando com o entendimento a quo interpôs a requerente, Recurso de fls. 13, onde de forma sucinta, argumenta que os lotes não mais lhe pertencem, sendo tributados pela Prefeitura deste 1985. Junta a Documentação de fls. 14/15, em suporte a afirmativa feita. É o relatório. 2 36 (t, MINISTÉRIO DA FAZENDA\‘5 4 ,;,:? SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13802.001154/91-18 Acórdão n° : 203-02.259 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA MARIA THEREZA . VASCONCELLOS DE ALMEIDA O Recurso trazido pela interessada, foi manifestado de forma simples, de próprio punho, manuscrito. No entanto, cumprindo as formalidades processuais, logrou do mesmo modo a ora recorrente, comprovar as afirmativas anteriormente esboçadas, permitindo que, no mérito, se entenda ser sua reclamação de todo procedente. Com efeito, as informações trazidas na peça recursal sobre a propriedade discutida, dão conta de que referido imóvel não só não pertence mais à requerente como, também, sujeita-se a tributo outro, que não o ITR, objeto da discussão nos autos. Os Documentos de fls. 14/15, emitidos pela Prefeitura do Município de São Paulo, através da Secretaria de Finanças, atestam o lançamento e o pagamento do IPTU, sobre os lotes questionados, em nome de Cirilo Alexadrino de Amorim. Creio que a documentação aludida, inclusive, atende e preenche os requisitos considerados indispensáveis pela própria fiscalização. _ Assim, diante do exposto, conheço do Recurso e no mérito, considero assistir razão à apelante. Sala das Sessões, em 21 de junho de 1995 dA THEREZA VASCONCELL DE ALMEIDA ,..111-40 3
score : 1.0
Numero do processo: 13805.001155/90-24
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 1995
Ementa: ITR - CONTRIBUINTE - É o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, nos termos do artigo 31 do CTN. Recurso negado.
Numero da decisão: 203-02142
Nome do relator: TIBERANY FERRAZ DOS SANTOS
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PUBLIOADO NO D. 15":".U. 1./C .-to MINISTÉRIO DA FAZENDA 1 C --- RR rica t . SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13805.001155/90-24 Sessão de : 27 de abril de 1995 Acórdão n° : 203-02.142 Recurso n° : 97.159 Recorrente : ALFREDO ROGÉRIO Recorrida : DRF em Santa Ifigénia - SP ITR - CONTRIBUINTE - É o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, nos termos do artigo 31 do CTN. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ALFREDO ROGÉRIO. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausentes os Conselheiros Ricardo Leite Rodrigues e Mauro Wasilewslci Sala das Sessões, em 27 de abril de 1995 -14r • •rce- . P sidente I Tibe y erraz anto Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Thereza Vasconcellos de Almeida, Sérgio Afanasieff, Sebastião Borges Taquary e Armando Zurita Leão (Suplente). sms 1 „ MINISTÉRIO DA FAZENDA J SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ‘ 414FJ" fr Processo n° : 13805.001155/90-24 Acórdão n° : 203-02.142 Recurso n° : 97.159 Recorrente : ALFREDO ROGÉRIO RELATÓRIO O contribuinte acima identificado foi notificado (fls. 05) a pagar o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR 190, e demais tributos, referente ao imóvel rural denominado Sitio Coruruquara, de sua propriedade, localizado no Município de Santana do Pamaíba/SP, com área total de 19,6 ha. O interessado vem, através de seu preposto, às fls. 02/04, impugnar o feito, alegando em síntese: a) o imóvel foi invadido e apossado pela Construtora Amanic Ltda., que o transformou em irregular loteamento sob a denominação de Terras de São Nicolau"; b) em conseqüência, está a referida área de terras sub-judice e desfigurada como área rural, para loteamento urbano, ficando os proprietários impossibilitados de tornarem-na produtiva; c) relativamente ao assunto, existem diversos processos tramitando pela 28° Vara Cível do Foro Central de São Paulo - SP; d) a referida área vem sendo lançada como imóvel urbano em nome da Construtora Amanic Ltda. ou de seus compradores de lotes, face as fraudes por ela praticadas com referência a cadastramento para efeito de impostos; e) solicitou, ao final, o cancelamento da presente notificação, em razão do elevado valor cobrado, para que o mesmo seja compatível com o valor anteriormente cobrado, em nova notificação. O INCRA informou às fls. 37: 1 - ficam obrigados a prestar declaração de cadastro todos os proprietários ou similares, de imóveis rurais que sejam ou possam ser destinados à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal ou agro-industrial (art. 2° da Lei 5.868/72); 2 - o cadastro deve permanecer até que se comprove a anulação dos títulos de Domínio ou a decisão judicial, bem como o valor lançado deve ser quitado; 3 - por esses motivos, indeferiu o pleito. MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSEUI0 DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13805.001155/90-24 Acórdão n° : 203-02.142 A autoridade singular decidiu pela procedência do lançamento, assim ementando sua decisão: "ITR - Havendo litígio quanto à posse do imóvel, permanece como contribuinte aquele em nome do qual está cadastrado junto ao INCRA o referido imóvel. IMPUGNAÇÃO INDEFERIDA. Irresignado, o requerente interpôs Recurso de fls. 45/48, alegando em síntese: a) os titulares de domínio do referido imóvel haviam compromissado a venda e. transferência do mesmo à Adilson Dias da Silva, que, sem pagar o preço da transação, transferiu seu direito de compromissado comprador a Nicolau Nuncio Vigorito, que, por sua vez, o transferiu para sua empresa Construtora Amaine Ltda. que o incorporou às terras do recorrente, objeto daquela transação não quitada, pois os dois últimos também não honraram o compromisso do Sr. Adilson Silva; b) o imóvel em apreço foi incorporado a outras terras que o Sr. Nicolau e sua empresa alegaram haver adquirido, e realizaram o irregular loteamento urbano denominado "Terras de São Nicolau", cujos lotes passaram a comercializar, estando os mesmos cadastrados pela Prefeitura de Barueri como terrenos localizados dentro do perímetro urbano do município. Face o exposto, entende que e absolutamente indevido qualquer tributo lançado como Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural sobre o imóvel em questão, pois o mesmo vem sendo tributado como imóvel urbano, o que certamente incorreria em bitributação. Solicitou, ao final, o provimento do recurso e o cancelamento da notificação. É o relatório. 3 . n :" • MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 13805.001155/90-24 Acórdão n° : 203-02.142 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR TIBERANY FERRAZ DOS SANTOS Recurso em prazo, dele conheço. Inicialmente afasto a alegação de que no caso estava ocorrendo bitributação, face à concomitante exigência do I.T. Urbano, não somente porque incomprovada tal alegação, mas principalmente porque contraria a prova dos autos, quais sejam: a própria Notificação de fls. 2 e a Certidão de fls. 37. No mais, merece prosperar a bem lançada decisão proferida pelo d. Julgador de Primeira Instância Administrativa, vez que os documentos trazidos pela própria recorrente comprovam o litígio pendente sobre o imóvel, sem comprovar, contudo, a perda do domínio, nem mesmo da posse em sua integralidade, sobre o imóvel objeto do lançamento fiscal, art. 31 do CTN. De outro lado, eventual retificação quanto à titularidade ou destinação do imóvel, deveria ter sido comunicada, tempestivamente, ao órgão lançador até a data do recebimento da notificação de lançamento do ITR ao exercício a que se referir, consoante os termos do § P do art. 147 do C'fN. Por estes fundamentos, nego provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 27 de abril de 1995 L k I elk Y FE • Ini.DOS S cor OS 4 • -•
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720087/2018-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2013
CONTENCIOSO FISCAL. INOVAÇÃO.
Não se conhece do recurso voluntário quando este, de forma exclusiva, tratar de temas estranhos ao contencioso fiscal instaurado pela impugnação ao lançamento.
Numero da decisão: 2201-006.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por este tratar, exclusivamente, de tema estranho ao litígio administrativo instaurado com a impugnação ao lançamento.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2013 CONTENCIOSO FISCAL. INOVAÇÃO. Não se conhece do recurso voluntário quando este, de forma exclusiva, tratar de temas estranhos ao contencioso fiscal instaurado pela impugnação ao lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por este tratar, exclusivamente, de tema estranho ao litígio administrativo instaurado com a impugnação ao lançamento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-03-18T21:07:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-03-18T21:07:48Z; Last-Modified: 2020-03-18T21:07:48Z; dcterms:modified: 2020-03-18T21:07:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-03-18T21:07:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-03-18T21:07:48Z; meta:save-date: 2020-03-18T21:07:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-03-18T21:07:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-03-18T21:07:48Z; created: 2020-03-18T21:07:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2020-03-18T21:07:48Z; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-03-18T21:07:48Z | Conteúdo => S2-C 2T1 Ministério da Economia CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10970.720087/2018-59 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201-006.260 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de março de 2020 Recorrente MARCELO NOVAIS FRANCO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2013 CONTENCIOSO FISCAL. INOVAÇÃO. Não se conhece do recurso voluntário quando este, de forma exclusiva, tratar de temas estranhos ao contencioso fiscal instaurado pela impugnação ao lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por este tratar, exclusivamente, de tema estranho ao litígio administrativo instaurado com a impugnação ao lançamento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão 11-61.061, exarado pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE, fl. 46 a 51, que analisou a impugnação apresentada contra Auto de Infração referente Multa por Falta na Entrega de Declaração de rendimentos no exercício de 2017. O Auto de Infração consta de fl. 2 a 4 e sua descrição dos fatos e enquadramento legal assim dispõe: PESSOAS FÍSICAS INFRAÇÃO: FALTA/ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO (COM IMPOSTO DEVIDO) Multa por falta de entrega da Declaração-IRPF relativa ao ano-calendário de 2013. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 87 /2 01 8- 59 Fl. 80DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-006.260 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720087/2018-59 O valor da multa aplicada (20% sobre o imposto devido) tem origem no Auto de Infração (processo de n° 10970-720.086/2018-12) lavrado contra o contribuinte aqui identificado, por omissão de rendimentos caracterizados por depósitos e/ou créditos de origem não comprovada, bem como por omissão de rendimentos da atividade rural, com imposto devido montante de RS 263.735,85, cujo enquadramento legal, fato gerador e valor da multa transcrevemos abaixo: Falo Gerador Multa 30/04/2014 52.747,17 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 30/04/2014 e 30/04/2014: "Art 88, inciso I, § 1 o . alínea '"a"", da Lei n°8.981/95 c/c art. 27 da Lei n°9.532/97" "Ait 964, inciso I, alínea ""a"', § 2 o , inciso I e § 5 o , do RIR/99" Cientificado do lançamento em 11 de maio de 2018, conforme AR de fl. 13, o contribuinte formalizou impugnação (fl. 35/36) em que fez um breve relato da celeuma fiscal e de situação pessoal de saúde, submetendo ao julgador de 1ª Instância apenas o seguinte pleito: À vista de todo exposto, solicito o cancelamento da Multa Regulamentar referente ao Auto de Infração do Imposto sobre a renda da Pessoa Física proveniente do processo 10970-720.086/2018-12,uma vez que já está sendo penalizado por meioda multa de oficio exigida no referido processo. No julgamento da impugnação, acordaram os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, em razão das conclusões sintetizadas na Ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2014 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO. O contribuinte que desempenha atividade rural e teve receita bruta em valor superior a R$ 128.308,50, em 2013, ou quem pretenda compensar, no ano calendário 2013 ou posteriores, prejuízos de anos-calendário anteriores ou no próprio ano- calendário de 2013 é obrigado a apresentar Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física. A falta da apresentação ou a apresentação fora do prazo da DIRPF enseja o lançamento de multa de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, limitada a 20% do imposto devido, respeitado o valor mínimo de R$ 165,74. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente do Acórdão da DRJ em 27 de novembro de 2018, conforme Termo de fl. 57, ainda inconformado, a contribuinte juntou o Recurso Voluntário de fl. 61 a 68, em 11 de janeiro de 2019, no qual apresentou as razões que entende justificar a reforma das conclusões do julgador de 1ª Instância, as quais serão detalhadas no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 81DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-006.260 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720087/2018-59 Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Após breve síntese dos fatos, o contribuinte adentra efetivamente nas razões de seu recurso, inicialmente apontando a necessidade da decisão recorrida em face da base de cálculo utilizada de maneira equivocada para arbitramento da multa ora exigida. Afirma que o valor apurado no presente processo decorre de tributo apurado como devido nos autos do processo 10970.720086/2018-12, em que a fiscalização ressaltou que é evidente que a atividade econômica desenvolvida pelo fiscalizado é exclusivamente rural. Por esta razão, os rendimentos tributáveis deveriam ter sido apurados tendo como base de cálculo o percentual de 20% da receita auferida. Sustenta que, a despeito da conclusão sobre a natureza de sua atividade, deixou de aplicar o mesmo percentual de 20% sobre o valor de R$ 598.694,02. Lastreado em tal alegação, requer a defesa a reforma da decisão recorrida, para que seja aplicada a base de cálculo correta para definição do valor devido a título de multa por ausência de declaração, ou seja, deve-se, inicialmente, ajustar o tributo lançado no processo 10970.720086/2018-12 considerando todo o valor considerado omitido como sendo oriundo da atividade rural e a este aplicando-se o percentual para arbitramento do rendimento tributável de 20%.. Resumidos os argumentos da defesa, constata-se que o contribuinte se limita a pleitear que a presente autuação sofra os reflexos das alterações que entende devidas no processo 10970.720086/2018-12, o qual está sendo submetido a julgamento por esta Turma na mesma sessão de julgamento do presente, tendo em vista reunião dos processos por vinculação, conforme despacho de fl. 75/76. Portanto, o pleito não chega a constituir um litígio fiscal, já que e natural que eventual alteração do tributo devido apurado no processo principal ocasione o recálculo da multa controlada no presente, sendo dever da unidade responsável pela administração do tributo promover tal ajuste. Por outro lado, há de se reconhecer que tais argumentos não foram objeto da impugnação, onde apenas se pleiteou o cancelamento da exigência em razão do autuado já ter sido penalizado com multa de ofício no processo principal. Sobre o tema, importante destacar o que prevê o Decreto 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; Fl. 82DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-006.260 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10970.720087/2018-59 c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Desta forma, são consideradas não impugnadas e não devem ser conhecidas, as matérias que não tenham siso expressamente contestadas na impugnação, por falta de competência deste Conselho para avaliar questões que estejam fora da lide instaurada pela impugnação ao lançamento. Neste sentido, tendo em vista a inovação nas razões recursais e, ainda, considerando a inexistência de litígio, voto por não conhecer do recurso voluntário, do que resulta a definitividade da decisão de 1ª Instância administrativa. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, não conheço do recurso voluntário por este tratar, exclusivamente, de tema estranho ao litígio administrativo instaurado com a impugnação ao lançamento. Fica ressalvada a necessidade da unidade responsável pela administração do tributo, se for o caso, recalcular a exigência em comento ajustando-a a eventual alteração do tributo devido no processo 10970.720086/2018-12 ocorrida no seu curso regular. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16327.909257/2012-28
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO DAS RAZÕES DE DECIDIR ADOTADAS PELA DRJ.
As razões recursais precisam conter os pontos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito que tenham sido objeto de fundamento da decisão recorrida, resultando a ausência de referidos pontos na manutenção das razões de decidir adotadas pela DRJ.
Numero da decisão: 1002-001.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Dayan da Luz Barros Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: THIAGO DAYAN DA LUZ BARROS
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO DAS RAZÕES DE DECIDIR ADOTADAS PELA DRJ. As razões recursais precisam conter os pontos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito que tenham sido objeto de fundamento da decisão recorrida, resultando a ausência de referidos pontos na manutenção das razões de decidir adotadas pela DRJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros.
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AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO DAS RAZÕES DE DECIDIR ADOTADAS PELA DRJ. As razões recursais precisam conter os pontos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito que tenham sido objeto de fundamento da decisão recorrida, resultando a ausência de referidos pontos na manutenção das razões de decidir adotadas pela DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo o relatório produzido no Acórdão nº 12-71.653 da 5ª Turma da DRJ/RJ1, de 08/01/2015 (fls. 117 a 121): O presente processo versa sobre a Dcomp nº 32382.63689.2410811.1.3.6142.(Vide Nota nº 1 CARF) Segundo o que consta na Dcomp (fl.97)(Vide Nota nº 2 CARF), o crédito original na data da transmissão, no valor de R$ 33.275,03 se refere a pagamento indevido ou a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 92 57 /2 01 2- 28 Fl. 377DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-001.066 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.909257/2012-28 maior de IRRF (cód. 5706). O pagamento, no valor de R$ 540.000,00 foi efetuado através de DARF, sendo realizado em 03/02/2011 (fl.99). No Despacho Decisório (fl.90)(Vide Nota nº 3 do CARF), consta a não homologação da Dcomp, sob alegação de que foi localizado o pagamento de R$ 540.000,00, mas este foi utilizado integralmente para quitação de débitos do contribuinte referente ao cód.5706 - PA 01/2011- R$ 540.000,00. A interessada se insurgiu, em 16/01/2013, contra o disposto no Despacho Decisório, através da manifestação de inconformidade (fl.2 e 3), do qual tomou ciência em 17/12/2013 (fl. 112), apresentando os argumentos que se seguem: Em 31/01/2011 o Banco provisionou, para pagamento de Juros sobre o Capital Próprio, o valor de RS 3.700.000,00 e em 03/02/2011 recolheu, com base nesta provisão, a título de imposto de renda retido na fonte - IRRF o valor de RS 555.000,00 da seguinte forma: O fato descrito acima se repetiu em 28/02/2011 com valores idênticos conforme cópia dos DARF. O banco possui investidores domiciliados no exterior e por ter adotado a prática de recolher os impostos antecipadamente, ou seja, considera o fato gerador a provisão e não o pagamento como determina a legislação. Desta forma o banco não tem informação precisa dos investidores domiciliados no exterior no momento deste recolhimento, cujas ações estão custodiadas no Banco Itaú S/A e utiliza uma proporcionalidade histórica para calcular o valor a ser recolhido no código 9453. No caso, os pagamentos de Juros sobre o Capital Próprio, efetuados anteriormente foram de 1,75% do total pago, para residentes e domiciliados no exterior. Além deste fato, o Banco também não tinha, nesta data, informações corretas dos titulares das ações negociadas em bolsa que são isentos. Em 23/05/2011 o Conselho de Administração do Banco deliberou em Ata (anexo 03) o pagamento dos Juros sobre o Capital Próprio até o dia 22/07/2011 tendo como base os detentores de ações em 23/05/2011. O Banco Itaú, com base na Ata de Reunião do Conselho de Administração - ARCA e no Aviso aos Acionistas de 23/05/2011 (anexo 04), providenciou o pagamento deste Juros sobre o Capital Próprio em 07/06/2011, calculando os valores pagos aos Residentes no País e aos Residentes e Domiciliados no exterior informando o Banco SOFISA dos valores efetivamente pagos e o imposto de renda retido na fonte conforme comunicado (anexo05). Diante desta nova e precisa informação o Banco constata o valor do IRRF devido e constitui um crédito tributário a ser compensado utilizando-se dos Pedidos de Compensação eletrônico, de acordo com o cálculo efetuado na planilha anexa ( anexos 06a e 06b). Por erro de fato o contribuinte não efetuou a retificação do valor declarado na DCTF de janeiro de 2011 onde consignou o último recolhimento de IRRF s/Juros de Capital Próprio e tomando ciência deste despacho decisório procedeu a retificadora anexa (anexo 07). *NOTA nº 1 CARF: A numeração correta da DCOMP é a de nº 3842.90895.141011.1.3.1840 (fl. 102), relativa ao presente processo de crédito nº 16327.909257.2012-28 conforme informado no Despacho Decisório de fl. 88. Fl. 378DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-001.066 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.909257/2012-28 * NOTA nº 2 CARF: houve equívoco na indicação da página da DCOMP, já que a mesma está situada na fl. 102, e não na fl. 97 conforme indicado; *NOTA nº 3 CARF: houve equívoco na indicação da página do Despacho Decisório, já que o Despacho Decisório relativo à referida DCOMP nº 3842.90895.141011.1.3.1840 está situado na fl. 88, e não na fl. 90 conforme indicado. A DRJ/RJ1 julgou improcedente o pedido da empresa recorrente, por entender que os documentos apresentados não seriam válidos (não se encontram assinados) e, além de inválidas, não demonstram benefício à contribuinte por não demonstrarem informações convergentes (fls. 120 a 121). A empresa contribuinte, por sua vez, interpôs Recurso Voluntário (fls. 130 a 133), sem alegação de fatos novos nem inclusão de novos elementos de prova, mesmo tendo sido advertida de que os documentos anteriormente apresentados se demonstravam inválidos e inconsistentes, tendo se limitado referido Recurso a transcrever o art. 74 da Lei Federal nº 9.430/1996 e a indicar que “em sendo possível, juntaria maiores elementos de comprovação de tal cenário”. Apesar de nada argumentar, contrapor ou apresentar meios adicionais de prova, face aos fundamentos do Acórdão recorrido, a empresa contribuinte requer, ao final de seu Recurso Voluntário, o seguinte: “A vista de todo o exposto, demonstrada a Improcedência do r. acórdão, a Recorrente espera que seja acolhido o presente recurso voluntário para o fim de ser: a) considerado tempestivo o presente recurso; b) julgado procedente a compensação declarada no Per/Dcomp n° 32382.63689.240811.1.3.04-6142; c) retificada de oficio da DCTF onde não constou a abertura do crédito oriundo do pagamento indevido a maior de IRRF- Juros sobre capital próprio- código de receita 5706, período de apuração 01-10/2011; e d) ser deferido o cancelamento do débito fiscal invocado no r. acórdão.” A própria Recorrente, em seu Recurso, também se equivocou na indicação da numeração da DCOMP objeto do presente processo, já que se trata exclusivamente da DCOMP nº 3842.90895.141011.1.3.1840, não abrangendo, portanto, a DCOMP de nº 32382.63689.240811.1.3.04-6142. Ressalte-se que, embora o cerne da questão consista em se analisar crédito decorrente de eventual pagamento a maior de IRRF no período de 01/2011 (Despacho Decisório, fl. 88), a empresa contribuinte indica como período de apuração “01-10/2011”. É o relatório. Fl. 379DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-001.066 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.909257/2012-28 Voto Conselheiro Thiago Dayan da Luz Barros, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 2º e do art. 23-B do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), atualizada pela Portaria MF n.º 329/2017, considerando-se ainda tratar-se de análise de crédito de pagamento indevido ou a maior de IRRF (apuração em 02/2011). Observo ainda que o recurso é tempestivo (interposto em 24/03/2015, vide atesto de recebimento pela RFB na fl. 307, face à intimação eletrônica com ciência pela empresa contribuinte em 20/02/2015, consoante Termo de Ciência, fl. 130), e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Acerca da análise de mérito, constatou-se que a empresa contribuinte não indicou nenhum ponto controvertido, seja ele fático-probatório ou pautado em fundamentação jurídica capaz de refutar os argumentos da DRJ. A DRJ pautou sua decisão no fato de que os documentos apresentados pela contribuinte se demonstraram inválidos (sem assinaturas) e também com informações que não demonstravam o crédito pleiteado pela contribuinte. A Recorrente não refutou qualquer fundamento contido no julgamento da DRJ, em prejuízo à dialeticidade. Em nenhum momento do recurso voluntário o recorrente adentra nos argumentos utilizados pela decisão recorrida que julgou pela improcedência de sua manifestação de inconformidade, a fim de atacar, seja por error in procedendo, seja por error in iudicando, onde estaria o equívoco no julgamento proferido pela decisão de piso, contexto esse que enseja a impossibilidade de conhecimento do presente recurso Fl. 380DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-001.066 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.909257/2012-28 voluntário, não remanescendo qualquer ponto controvertido a ser objeto de reanálise por parte do CARF. Acerca da menção do Recorrente, no sentido de que “em sendo possível, juntaria maiores elementos de comprovação de tal cenário”, necessário indicar que a empresa contribuinte já promoveu todos os meios de prova que entendeu capazes de demonstrar o seu alegado crédito, restando, portanto, devidamente atendidos os princípios da ampla defesa e do contraditório, sendo inaplicável a apresentação de elementos de prova neste momento do processo ou mesmo qualquer diligência, estando preclusa, portanto, a possibilidade de produção de provas neste momento processual, especialmente pela consideração de que contribuinte não conseguiu demonstrar, no curso do presente processo, a certeza e liquidez do crédito pretendido, mesmo tendo tempo hábil para a construção de sua defesa e apresentação dos meios de prova necessários, considerando-se o disposto no Decreto Federal nº 70.235/1972, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Verificou-se, ainda, que a Recorrente não demonstrou qualquer impedimento relacionado à apresentação de prova que entendesse cabível, nem demonstrou a apresentação de prova nova (relativa a fato ou direito superveniente), nem apresentou novas provas destinadas a contrapor razões posteriormente trazidas ao autos, não se aplicando, portanto, as exceções previstas nas alíneas do §4º, do art. 16, do Decreto Federal nº 70.235/1972. Diante da ausência de ponto(s) controvertido(s) que tenham sido suscitado(s) pela empresa Recorrente, adoto, como razões de decidir os fundamentos utilizados pela DRJ. Dispositivo Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 381DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-001.066 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.909257/2012-28 (documento assinado digitalmente) Thiago Dayan da Luz Barros Fl. 382DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10840.723763/2015-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega.
AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 46.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 2002-003.096
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13603.722580/2015-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13603.722580/2015-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 37 63 /2 01 5- 89 Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-003.096 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.723763/2015-89 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-003.084, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário contendo os argumentos a seguir sintetizados. - Suscita a nulidade do presente processo uma vez que não foi assegurado o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. - Afirma que não foi intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar a declaração, como determina o art. 32-A da Lei nº 8.212/91. - Aponta a ocorrência de denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Alega a modificação do critério jurídico do lançamento e a impossibilidade de se exigir tributo e multa de forma retroativa. - Defende que, conforme jurisprudência do CARF, as multas por falta de entrega de GFIP à Previdência devem seguir o rito previsto na Lei nº 11.941/09 ainda que os fatos a que se refiram sejam anteriores à vigência da norma. É o relatório. Voto Conselheiro Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Relatora. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-003.084, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Impõe-se observar incialmente que o lançamento foi constituído por autoridade competente e preenche todas as exigências formais previstas Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-003.096 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.723763/2015-89 na legislação de regência. O sujeito passivo, a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicada foram corretamente identificados no Auto de Infração, não havendo vício que enseje a sua nulidade. Cumpre ressaltar que somente a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72, não havendo cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando lhe é dada a oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos para tentar afastar a tributação contestada. Quanto à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o previsto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O disposto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação somente será realizada se for necessária, ou seja, se a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Importante salientar que a ausência de intimação prévia não causou prejuízo e não impediu o exercício do direito de defesa do interessado, uma vez que este apresentou Impugnação e Recurso Voluntário demonstrando ter pleno conhecimento das infrações que lhe foram imputadas. Sobre a ocorrência de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações tendo em vista o disposto na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Da mesma forma, não há que se falar em modificação do critério jurídico adotado no lançamento. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei nº 8.212/91 pela Lei nº 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Cabe ressaltar nesse ponto que a multa aplicada no caso em tela é justamente a prevista no art.32-A da Lei nº 8.212/91 e não a indicada em seu art. 35-A como sugere o recorrente. Vale mencionar, por fim, que a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Além disso, segundo o art. 142 do mesmo diploma legal, a atividade administrativa de lançamento é Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-003.096 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.723763/2015-89 vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicabilidade ou não das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13851.720647/2017-39
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2012
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega.
PRECLUSÃO.
É vedado ao contribuinte inovar na postulação recursal para incluir alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 2002-003.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. PRECLUSÃO. É vedado ao contribuinte inovar na postulação recursal para incluir alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-03-04T19:54:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-03-04T19:54:57Z; Last-Modified: 2020-03-04T19:54:57Z; dcterms:modified: 2020-03-04T19:54:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-03-04T19:54:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-03-04T19:54:57Z; meta:save-date: 2020-03-04T19:54:57Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-03-04T19:54:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-03-04T19:54:57Z; created: 2020-03-04T19:54:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2020-03-04T19:54:57Z; pdf:charsPerPage: 1571; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-03-04T19:54:57Z | Conteúdo => S2-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13851.720647/2017-39 Recurso Voluntário Acórdão nº 2002-003.783 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2020 Recorrente ASSOCIAÇÃO SÃO BENTO DE ENSINO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. PRECLUSÃO. É vedado ao contribuinte inovar na postulação recursal para incluir alegações que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 06 47 /2 01 7- 39 Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-003.783 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13851.720647/2017-39 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de Auto de Infração (e-fls. 48) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP referente ao ano calendário 2012. A contribuinte apresentou Impugnação (e-fls. 02/04, 13/15), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (e-fls. 54/58): Cientificado do lançamento, o interessado apresenta impugnação alegando, em síntese, o que se segue: falta de intimação prévia, a ocorrência de denúncia espontânea, alteração de critério jurídico, preliminar de nulidade, citou jurisprudência. A Impugnação foi julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ/BHE. Cientificada do acórdão de primeira instância em 18/05/2018 (e-fls. 64), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 14/06/2018 (e-fls. 65/83) contendo os argumentos a seguir sintetizados. - Aduz que a Receita Federal nunca emitiu multas por atraso em entrega de GFIP e que o Sistema SEFIP sempre apresentou falhas no recebimento dos arquivos. - Alega a ocorrência de denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP. - Sustenta que não houve intimação prévia do contribuinte para prestar esclarecimentos ou apresentar a GFIP no prazo legal como determina o art. 32-A da Lei 8.212/91. - Entende que a demora do Fisco em realizar o lançamento da multa torna a exigência ilegítima, ocorrendo a homologação tácita da apresentação extemporânea da declaração. - Afirma que entregou a GFIP original dentro do prazo legal e que esta não foi considerada pela autoridade fiscalizadora. - Expõe que a obrigação principal foi cumprida com a apuração do tributo e seu respectivo pagamento e que, por conseguinte, a obrigação acessória alcançou seu objetivo de forma eficaz. - Discorre sobre os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e defende que a multa cobrada é inconstitucional, já que possui caráter confiscatório. - Suscita a possibilidade de redução da multa de modo a adequá-la aos parâmetros resultantes da proporcionalidade e do não confisco. Apresenta jurisprudência sobre o tema. - Alega que faz jus à redução prevista no art. 38-B da Lei Complementar 123/2006. Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-003.783 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13851.720647/2017-39 Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Impõe-se observar, inicialmente, que as questões não suscitadas em sede de Impugnação não serão apreciadas por este Colegiado haja vista a ocorrência de preclusão. Extrai-se dos arts. 16 e 17 do Decreto 70.235/72 que a Impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, considerando-se não impugnadas as matérias que não forrem expressamente contestadas pelo contribuinte. Dessa forma, não é permitido inovar na postulação recursal para incluir razões diversas daquelas anteriormente ventiladas. Relativamente à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o disposto na Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Cabe esclarecer que o previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação prévia somente será realizada quando for necessária, ou seja, quando a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Sobre a ocorrência de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações tendo em vista o que estabelece a Súmula CARF n° 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). No que concerne à infração apurada, equivoca-se a recorrente ao entender que esta poderia ser afastada em razão do pagamento integral do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento, ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 89DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-003.783 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13851.720647/2017-39 Fl. 90DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10580.720206/2014-33
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA PAGA. DEDUÇÃO. SOMENTE SE DECORRENTE DE SENTENÇA JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE.
Não é possível a dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia, por mera liberalidade do pagador, que não estejam pautados pelas normas do direito de família e/ou não sejam decorrentes de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2001-001.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as deduções a título de pagamento de pensão alimentícia a Rosângela Drummont de Souza e Eduardo Drummont de Souza, e para manter a glosa sobre a dedução a título de pagamento de pensão alimentícia a Bruna Drummont de Souza.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura, André Luis Ulrich Pinto e Fabiana Okchstein Kelbert.
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO
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DEDUÇÃO. SOMENTE SE DECORRENTE DE SENTENÇA JUDICIAL OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. Não é possível a dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia, por mera liberalidade do pagador, que não estejam pautados pelas normas do direito de família e/ou não sejam decorrentes de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer as deduções a título de pagamento de pensão alimentícia a Rosângela Drummont de Souza e Eduardo Drummont de Souza, e para manter a glosa sobre a dedução a título de pagamento de pensão alimentícia a Bruna Drummont de Souza. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Honório Albuquerque de Brito, Marcelo Rocha Paura, André Luis Ulrich Pinto e Fabiana Okchstein Kelbert. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2012, ano-calendário de 2011, em que foram apuradas as seguintes infrações, a juízo da autoridade lançadora: - dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 65.334,60, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Conforme se extrai do acórdão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ (fl. 53 e segs.), o contribuinte apresentou impugnação à qual alegou, em síntese, Em suma, protesta pela AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 02 06 /2 01 4- 33 Fl. 92DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-001.986 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.720206/2014-33 dedutibilidade da pensão alimentícia declarada, ao argumento de ter sido estipulada em Termo de Acordo na Audiência de Ação de Oferta de Alimentos, ocorrida em 12/05/2006, devidamente homologada por sentença judicial, seguindo os ditames do art. 24 da lei nº 5.478/1968. Assevera que o dever de pagar alimentos, ao teor da referida norma, não está condicionado à dissolução da sociedade conjugal, bastando que o alimentante deixe a residência comum. Transcrito do voto do acórdão nº 12-102.707 da 19ª turma da DRJ/RJO : “Com efeito, a motivação dada pela autoridade lançadora para negar o direito à dedução da despesa com pensão alimentícia, no que diz respeito à suposta ausência da dissolução da sociedade conjugal, não merece prosperar. Ocorre que o dever de pagar alimentos, segundo as normas do direito de família, em se tratando de sociedade conjugal, não está condicionada à sua dissolução. O art. 24 da Lei nº 5.478, de 1968, que trata da oferta de alimentos, prevê esse dever pelo simples fato do abandono da residência comum, verbis: (...) Não obstante, o lançamento tem fundamento, ainda, na falta de comprovação e de previsão legal, o que permite avaliar, de forma ampla, a dedutibilidade das pensões alimentícias supostamente pagas pelo sujeito passivo. Observo que o acordo judicial teve fundamento no dever de pagar alimentos pelo responsável pelo sustento da família, que venha a abandonar o lar. Nesse aspecto, cumpre observar que tal dever não subsiste indefinidamente, mormente no que diz respeito aos filhos. (...) Portanto, após a maioridade, a presunção da necessidade se torna relativa, ficando condicionada à comprovação de que os filhos não possuem bens suficientes nem têm condições de prover, pelo seu trabalho, a própria subsistência. Essencial, portanto, que haja a prova cabal de sua real necessidade. (...) Nesse mesmo sentido, o art. 35, inciso III, § 1º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece como parâmetro, para fins de dependência de filho menor, a idade de 21 anos (antiga maioridade civil conforme Código Civil de 1916), que pode se estender até 24 anos, se os filhos ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. E, ainda, em qualquer idade, nos casos de comprovada incapacidade física ou mental para o trabalho. (...) Assim, tratando-se de filho menor, a dedutibilidade deve ser absoluta; contudo, atingida a maioridade, tal dedutibilidade passa a ser relativa, exigindo a prova da necessidade do alimentado. (...) Assim, forçoso concluir que o suposto pagamento de pensão, porventura feito em benefício dos filhos, que monta em R$ 43.556,40, ocorreu por mera liberalidade do impugnante e não em face das normas do direito de família, nos termos do prescrito no art. 8º, inciso II, “f” da Lei nº 9.250, de 1995, de modo que não são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. 32. Quanto à pensão alimentícia paga em relação ao cônjuge, do qual o sujeito passivo alega estar separado de fato, não obstante essa argumento possa ser aceito, Fl. 93DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-001.986 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.720206/2014-33 caberia ao sujeito passivo provar o efetivo pagamento, mormente em se tratando de valores elevados. Nesse aspecto, a defesa limitou-se a apresentar recibo genérico à fl. 29, na qual a beneficiária da pensão fornece quitação genérica, quanto aos valores supostamente recebidos ao longo do ano-calendário de 2011, sem que haja sequer a especificação das datas dos respectivos pagamentos. É oportuno citar que o interessado é Funcionário da Caixa Econômica Federal, de modo que recebe seu salário em conta bancária, de modo que poderia, facilmente, comprovar os pagamentos efetuados em benefício da alimentando, o que deixou de fazer.” A turma julgadora da DRJ concluiu então pela improcedência da impugnação, para manter o crédito tributário lançado. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de fl. 68 e segs. onde alega, em síntese, que a DRJ confirmou a legalidade da Ação de Oferta de Alimentos, e que: - quanto a Rosângela Drummont de Souza, esposa de quem já estava separado de fato, ficou estabelecido a emissão de um recibo anual de quitação das obrigações pagas, a alimentanda submeteu à Receita Federal os rendimentos recebidos, a recusa da aceitação do simples recibo não está de acordo com a motivação do lançamento; - quanto a seu filho Eduardo Drummont de Souza, menor de 24 anos á época dos fatos, junta aos autos declaração da instituição de ensino superior UNIFASS confirmando a regularidade de sua matrícula no curso de Direito em 2011; - quanto a sua filha Bruna Drummont de Souza, maior de idade á época dos fatos, a mesma não teria condições de prover o próprio sustento e de seu filho menor, e o acordo firmado na justiça não estabeleceu prazo final ou idade máxima para sua cessação. Solicita o cancelamento do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito - Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço e passo à sua análise. Pensão alimentícia Conforme já relatado, a autoridade lançadora glosou a dedução feita pelo contribuinte em sua DIRPF dos pagamentos a título de pensão judiciária que tiveram como beneficiários sua esposa (à época separados de fato) e seus dois filhos já maiores de idade no período fiscalizado, no valor de R$ 21.778,20 para cada alimentando, totalizando R$ 65.334,60 no ano de 2011. Dispõe o art. o art.78 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): Pensão Alimentícia Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-001.986 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.720206/2014-33 normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). (grifei) § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). O contribuinte trouxe aos autos cópia de petição inicial em Ação de Oferta de Alimentos transcorrida na 2ª Vara de Família da Comarca de Salvador (fl. 16 e segs) e Termo de Audiência de 12/05/2006 (fl. 20) que a homologa, de onde se extrai ter sido à época estabelecido o pagamento pelo recorrente de pensão alimentícia à sua esposa, de quem estaria separado de fato, e aos seus dois filhos, em valores iguais. Após a análise da impugnação apresentada, a turma julgadora da instância de piso decidiu por manter integralmente o lançamento sob o fundamento de que, em relação à esposa do impugnante, o recibo apresentado não seria hábil a comprovar o efetivo pagamento dos valores alegados, e em relação aos dois filhos maiores, os pagamentos ocorreram por mera liberalidade, e não em razão das normas do direito de família. Alimentanda Rosângela Drummont de Souza, esposa do recorrente O contribuinte apresentou recibo emitido por sua esposa (fl 29), por meio do qual a beneficiária confirma o recebimento do valor de R$ 21.778,20 no ano de 2011, pagos pelo recorrente, em decorrência do acordo judicial firmado. Negar que o referido documento possa ser suficiente para comprovar o efetivo pagamento dos valores seria considerar um verdadeiro conluio entre o recorrente e seu cônjuge com o fito de lesar o Fisco e ainda descumprir o acordo homologado na justiça, o que não seria razoável de se imaginar, tendo em vista os elementos disponíveis nos autos. Assim sendo, entendo que deve ser acatado o recibo apresentado para restabelecer a dedução de R$ 21.778,20 pagos a Rosângela Drummont de Souza a título de pensão alimentícia. Alimentando Eduardo Drummont de Souza, filho do recorrente O contribuinte apresentou declaração da UNIFASS – Sistema de Ensino Ltda (fl. 87), que confirma os pagamentos feitos por ele em 2011 referentes ao curso Bacharelado em Direito para seu filho, à época com 23 anos. Desta forma, atendeu à condição para manutenção da dependência, para fins da tributação do imposto de renda, de filhos até 24 anos de idade, conforme art. 77 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art4ii. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art4ii. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art8§3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#art80 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#art81 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art8§3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art8§3 Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-001.986 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.720206/2014-33 Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): (...) III - a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). (grifei) (...) Como bem esclareceu a turma da DRJ em seu acórdão, as regras para dedução de dependente na DIRPF, contidas no art. 77 do RIR/99, também observam os ditames do Direito de Família. Tem-se então que os pagamentos feitos ao filho atendem aos requisitos de observância das normas do direito de família, bem como se deram em decorrência de acordo homologado judicialmente. Assim sendo, entendo que deve ser restabelecida a dedução de R$ 21.778,20 pagos a Eduardo Drummont de Souza a título de pensão alimentícia. Alimentanda Bruna Drummont de Souza, filha do recorrente Para justificar a dedução da base de cálculo do imposto de renda dos valores pagos a título de pensão à sua filha maior de 21 anos no ano de 2011, o recorrente alega que as regras do direito de família não determinam o marco final do pagamento da pensão e nem estabelecem critério etário para sua exoneração. Trata-se o IRPF apurado na declaração de ajuste anual de um dos tributos para os quais ocorre o denominado lançamento por homologação, vale dizer, aquele em que o sujeito passivo tem o dever de apurar, declarar e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. O pagamento assim antecipado extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Cabe nesse caso ao contribuinte apurar os rendimentos tributáveis e, caso queira, deduzir as despesas da natureza e nos limites que a lei lhe faculta, para então estabelecer a base de cálculo do imposto. Como regra, não são dedutíveis da base de cálculo do IRPF as despesas gerais do contribuinte, quer sejam necessárias, indispensáveis ou meramente úteis, como aluguel do imóvel em que reside, alimentação, lazer, pagamento de aulas de idiomas estrangeiros, e uma infinidade de outras. As despesas dedutíveis são, em verdade, exceções que o legislador entendeu por conceder, atendidos determinados limites e condições. Com relação aos pagamentos feitos a título de pensão alimentícia, tem-se do art. 78 do RIR/99 acima transcrito que para que possam ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda na DIRPF, os mesmos devem ocorrer em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Neste ponto, necessário se faz reportarmos à Constituição Federal e ao Código Civil, para esclarecer as condições de dedutibilidade da pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família. Seguem textos legais com grifos nossos: Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art4iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#art4§3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#art4§3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#art5p http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art35 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#art77§1iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm#art77§1v http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art35§1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art35§1 Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-001.986 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.720206/2014-33 Da Constituição Federal: Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade. Do Código Civil (Lei nº 10.406/2002): Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: I - fidelidade recíproca; II - vida em comum, no domicílio conjugal; III - mútua assistência; IV - sustento, guarda e educação dos filhos; V - respeito e consideração mútuos. [...] Art. 1.590. As disposições relativas à guarda e prestação de alimentos aos filhos menores estendem-se aos maiores incapazes. [...] Art. 1.630. Os filhos estão sujeitos ao poder familiar, enquanto menores. [...] Art. 1.635. Extingue-se o poder familiar: I - pela morte dos pais ou do filho; II - pela emancipação, nos termos do art. 5o, parágrafo único; III - pela maioridade; IV - pela adoção; V - por decisão judicial, na forma do artigo 1.638. [...] Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1o Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2o Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê-los, sem desfalque do necessário ao seu sustento. Art. 1.696. O direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau, uns em falta de outros. [...] Art. 1.701. A pessoa obrigada a suprir alimentos poderá pensionar o alimentando, ou dar-lhe hospedagem e sustento, sem prejuízo do dever de prestar o necessário à sua educação, quando menor. Repise-se em particular o que preceitua de forma mais explícita o art. 1.695 do Código Civil no sentido de que são devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença. Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-001.986 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.720206/2014-33 E é em relação à necessidade da beneficiária, a filha do contribuinte Bruna Drummont de Souza, que o caso em concreto se desvincula das normas do Direito de Família. Na plenitude de sua vida adulta, a beneficiária tinha em tese total capacidade para suprir seu próprio sustento, a menos que se encontrasse em situação de incapacidade para o trabalho, o que não é arguido e não consta dos autos. Não se trata aqui de questionar a legítima e louvável atitude de um pai no sentido de procurar prover a seus filhos, em que idade for, a melhor condição de vida possível. É sabido, também, que a continuidade de pagamentos de pensão, sem que se verifique a efetiva necessidade do alimentando, em muitas vezes se dá por conveniência das partes envolvidas, inclusive por razões fiscais/tributárias. No caso em comento, o que importa é o objetivo e comprovado atendimento às condições para a dedução da pensão paga, conforme estipuladas no art. 78 do RIR/99, o que não se deu. O contribuinte descreve a situação financeira da filha, avaliando-a do seu ponto de vista, o que não é suficiente para comprovar a necessidade do pagamento e assim justificar a dedução. Uma vez atingida a maioridade da alimentanda, poderia o alimentante ter requerido o cancelamento da pensão. Se não o fez, os pagamentos se seguiram por mera liberalidade do recorrente. Assim sendo, os pagamentos de pensão alimentícia para Bruna Drummont de Souza não cumprem as condições impostas pelo art. 78 do RIR/99, transcrito no início deste voto, para que possam ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda na DIRPF, quais sejam, pagos em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente Entendo então que deve ser mantida a glosa imposta pelo Fisco sobre a dedução a título de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 21.778,20, referentes à alimentanda Bruna Drummont de Souza. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conforme acima descrito, para restabelecer as deduções a título de pagamento de pensão alimentícia a Rosângela Drummont de Souza e Eduardo Drummont de Souza, e consequentemente exonerar o crédito tributário lançado correspondente, e para manter a glosa sobre a dedução a título de pagamento de pensão alimentícia a Bruna Drummont de Souza, e consequentemente manter o crédito tributário correspondente.. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13674.720332/2015-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-002.931
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 4. 72 03 32 /2 01 5- 18 Fl. 43DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.931 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13674.720332/2015-18 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário com os argumentos a seguir sintetizados. - Alega a ocorrência de denúncia espontânea, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Aduz que a multa em exame deveria observar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. - Sustenta que não houve intimação do contribuinte omisso, como determina expressamente o art. 32-A da Lei 8.212/91, nem tampouco a imposição da multa no momento do recebimento da GFIP em atraso ou nos anos seguintes, tendo o fisco efetuado o lançamento nos estertores da decadência tributária. - Entende que a suposta infração de natureza acessória alcançou seu objetivo de forma plena e eficaz ante o pagamento integral do tributo consignado na GFIP antes de qualquer iniciativa fiscal. - Expõe que, ainda que tenha obedecido à regra da competência legislativa e tenha respeitado o processo legislativo, a lei será inconstitucional se atentar contra o princípio da razoabilidade. - Suscita o caráter confiscatório da multa aplicada. - Afirma que houve violação ao art. 146 do CTN. - Ressalta que não houve prejuízo ao erário, considerando que os encargos foram devidamente recolhidos. - Assevera que as multas aplicadas contrariam a jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 44DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.931 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13674.720332/2015-18 Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação prévia somente será realizada quando for necessária, ou seja, quando a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Relativamente à alegação de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações haja vista o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto à infração apurada, equivoca-se o recorrente ao entender que a mesma poderia ser afastada em razão do pagamento integral do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. A exigência da penalidade independe de sua capacidade financeira ou da existência de danos causados à Fazenda Pública. Também não há que se falar em alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa e violação do art. 146 do Código Tributário Nacional - CTN. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei Fl. 45DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.931 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13674.720332/2015-18 8.212/91 pela Lei 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Vale lembrar que, segundo o art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicação das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Quanto aos questionamentos acerca da violação aos princípios constitucionais e do caráter confiscatório da multa, importa reproduzir o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe mencionar, por fim, que as decisões trazidas pelo recorrente somente vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 46DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10120.006818/2006-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.553
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Guilherme Barranco de Souza, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no Fl. 232DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Rafael Pandolfo e Guilherme Barranco de Souza, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10120.006818/200627 Acórdão n.º 220201.553 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Contra o contribuinte interessado foi lavrado, em 11.10.2006, o Auto de infração/anexos de fls. 01 e 37/43, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 9.427,27, a titulo de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2002, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 29.09.2006, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda São José" (NIRF 2.339.950 3), localizado no município de Caiapônia — GO. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de oficio e dos juros de mora constam às fls. 37/39 e 41. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna das DITR/2002 incidentes em malha valor (Formulários de fls. 35/36), iniciouse com a intimação de fls. 10, recepcionada em 22.8.2006 ("AR" de fls. 11), exigindose a apresentação dos seguintes documentos de prova, para comprovar dados informados na correspondente DITR/2002: • cópia da Certidão ou Matrícula atualizada do Cartório de Registro de Imóveis competente, • cópia do Ato Declaratório Ambiental — ADA do IBAMA/órgão conveniado, reconhecendo as áreas declaradas como sendo de preservação permanente e/ou de utilização limitada; e • outros documentos e esclarecimentos, por escrito, visando a elucidar os dados contidos na declaração de ITR (DITA). Em atendimento a intimação fiscal, foi apresentada, a correspondência de fls. 13/15, acompanhada dos documentos/extratos de fls. 16, 17, 18/21, 22/23, e 24/33. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2002 e da documentação apresentada pelo contribuinte, a fiscalização resolveu lavrar o auto de infração, glosando integralmente as áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, respectivamente, com 503,6 ha e 462,9 ha, com conseqüentes aumentos das áreas tributável e aproveitável do imóvel, do VTN tributável e da alíquota de cálculo, apurando imposto suplementar de R$ 3.850,70, conforme demonstrativo de fls. 40. Após tomar ciência do lançamento, em 23.10.2006 (às fls. 44), o contribuinte interessado, legalmente constituído (às fls. 99), protocolou, em 21.11.2006, a impugnação de fls. 85/98. Em síntese, alega e solicita que: • o impugnante faz breve relato da autuação; • afirma que a reserva legal foi averbada (462,9 ha) e a área de preservação permanente (503,6 ha), conforme consta no processo; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 • ressalta que não houve vistoria do imóvel para a verificação da existência das áreas ambientais e somente no caso de a vistoria demonstrar realidade diversa, poderia a autoridade desconsiderar as informações apresentadas; • a favor de sua tese cita o art. 14 da Lei n° 9.393/96 combinado com o art. 16 dessa lei; • insiste que não houve vistoria no local pela SRF ou pelo IBAMA e muito menos a celebração de convênio delegando essa atribuição da SRF para o IBAMA; • esclarece que a reserva legal e a área de preservação permanente são reais, conforme prova o Laudo Técnico Agronômico, impondo o cancelamento e nulidade do Auto de Infração; • alega, preliminarmente, a nulidade do auto de infração que não demonstra a infração cometida, faltando clareza na descrição dos erros que poderiam gerar a autuação, o que, impede o exercício da ampla defesa e do contraditório; • o fiscal embasa equivocadamente seus argumentos para aplicar a desconsideração das informações prestadas, exatamente no artigo que dispensa a pré comprovação da existência da reserva, conforme § 7°, do art. 3° da MP 2.16667/2001; O Auditor Fiscal não apresentou outras solicitações de documentos para demonstrar a existência da reserva legal, se limitando a focar o ADA como único meio de prova para as informações prestadas; • ressalta que o ADA foi entregue e sequer foi considerado; • pelo exposto, em preliminar, e tendo o impugnante demonstrado a veracidade das informações da DITR, inclusive a existência real da reserva legal e da área de preservação permanente, a entrega do ADA, o Laudo Técnico Agronômico, bem como a devida averbação, requer suas informações recepcionadas para a anulação do auto de infração e de todas as suas conseqüências, mantendo as informações declaradas na DITR; • inicia argumentação sobre o mérito, e cita o art. 4° e 5° da Lei n° 9.393/96 que definem as áreas para efeito de incidência do tributo e a exclusão delas para a aferição da VTN e cita, também, a favor de sua tese o art. 104 da Lei n° 8.171/91, o art. 11 da Lei n°9.393/96; • ressalta, ainda, que a Lei n° 4.771/65 (Código florestal), alterada pela Lei n° 7.803/89, determinando 20% da área do imóvel a título de reserva legal, causa confusão, em função das inúmeras alterações promovidas por meio de MP, estando atualmente regulada pela MP 2.16667/2001, o que deixa muitos estudiosos atônitos e também os cidadãos comuns e teria causado até o presente equívoco no Senhor Auditor Fiscal, que promove interpretações distante da letra da Lei, causando prejuízos e gastos desnecessários para o contribuinte; • afirma que, na lavratura do Auto de Infração, o agente público erroneamente classificou as áreas de reserva legal e de preservação permanente como sendo tributáveis, destoando da normalização vigente e produzindo vícios de nulidade impossíveis de prevalecerem; • o Fiscal lançou os referidos valores nas tabelas incluídas no corpo do Auto de Infração, desprovidas de qualquer detalhamento ou explanação a respeito das motivações; Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10120.006818/200627 Acórdão n.º 220201.553 S2C2T2 Fl. 3 5 • informa ser ciente da obrigatoriedade de área destinada à reserva legal, e que esta não poderia ser objeto de utilização, bem como o fato de sua existência e obrigação determinam sua demonstração e declaração à SRF; • volta a insistir que o Auditor Fiscal procedeu a lavratura do auto de infração de forma equivocada; • ressalta, também, que o caracteriza a área de reserva legal e área de preservação permanente não é o registro prévio do ADA junto ao IBAMA, que de per si não produz qualquer efeito ambiental, e o quê caracteriza a existência da destinação de área para reserva legal e a averbação desta no registro do Imóvel, é a submissão a Lei de utilizar somente com um plano de manejo sustentável, conforme se verifica no § 2°, do art. 16, da Lei 4.771/65 e cita tal parágrafo; • insiste que se houvesse fiscalização "in loco" por parte da SRF ou do IBAMA, como prevê a lei em caso de convênio autorizado, mas ainda não celebrado, poderia o Agente Arrecadador promover o lançamento de oficio, mas isso não ocorreu, fixando, o Fiscal, apenas no ADA, contrariando a lei e seus objetivos; • junta Laudo Técnico Agronômico demonstrando a existência efetiva da Reserva Legal bem como a averbação da citada reserva, como prova de sua existência; • a favor de sua tese cita Acórdão do Conselho de Contribuintes e cita, também, Acórdão do STJ proferido no RESP 581.429; • reafirma que o Auto de Infração não encontra fundamentos de fato e de direito que ratifiquem a sua existência, devendo ser consideradas improcedentes todas as autuações; • argumenta que, vencidas mesmo em hipótese, as alegações apresentadas, considera totalmente descabidas a multa de 75% do valor encontrado, tratandose de verdadeiro confisco que não deve ser mantido sob pena de contrariar as leis maiores, devendo por esta razão ser reduzido aos patamares de 2% para não perpetuar essa injustiça; • argumenta, ainda, que o fato de haver diferença de lançamento do valor atribuído ao imóvel rural se deve a simples adequação à realidade, não havendo qualquer prejuízo ao erário público, apenas a devida e correta adequação dos valores lançados; • isto posto, requer, caso ultrapassadas as preliminares, na análise do mérito, seja reconhecido que a declaração do ITR foi correta, determinando o cancelamento do presente Auto de Infração, em decorrência da improcedência do mesmo, julgandose procedente a presente impugnação, para anular o auto de infração; • na manutenção do referido auto, seja suspensa a multa, ou sua limitação aos patamares de 2%; • por fim, requer a ampla produção de provas em direito admitidas, com fim de demonstrar a argumentação produzida e não se manter a injustiça do referido auto de infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília – DRJ/BSA, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através do Fl. 236DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 Acórdão DRJ/BSA n° 0319. 984, de 27 de fevereiro de 2007 (fls. 143/155). Consubstanciado na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do auto de infração, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal PAF. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. DA MULTA LANÇADA (75,0%). Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração — ITR cabe exigilo juntamente com a multa lançada, aplicada aos demais tributos. Devidamente intimado o Recorrente apresenta tempestivamente recurso onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório Fl. 237DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10120.006818/200627 Acórdão n.º 220201.553 S2C2T2 Fl. 4 7 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e merece ser conhecido. Tratase de lançamento fiscal de ITR, exercício 2002, derivado de glosa de área utilização limitada e reserva legal pelo fato do recorrente não ter apresentado tempestivamente o ADA. A decisão recorrida, que confirmou o lançamento, apóiase na premissa de não foi apresentado ADA tempestivamente de imóveis a área objeto de glosa. A questão exige que se separe a análise da disciplina normativa que as áreas de preservação permanente e reserva legal recebem no âmbito do Direito Tributário daquela que recebem no contexto do Direito Ambiental. A Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, expressamente exclui da base de cálculo tributável do ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente (art. 10, § 1º, inciso II, letra “a”), ou seja, estas áreas constituem elementos redutores da base de cálculo tributável do ITR. A base de cálculo tributária é a própria exteriorização econômica do fato tributável. Por essa razão, a base de cálculo está submetida à reserva legal e aos rigores da legalidade tributária, contemplada constitucionalmente como uma das principais limitações constitucionais ao poder de tributar (art. 150, I, CF). O Código Tributário Nacional (art. 97, IV), de forma mais explícita, ratifica a necessidade de lei formal para a disciplina da base de cálculo tributável. Importante destacar que o Código Tributário Nacional (art. 97, § 1º) vincula os conceitos de majoração tributária (submetida à reserva legal) ao efeito “onerosidade”, produzido em decorrência de modificação da base de cálculo tributária. Vale dizer, qualquer alteração de base de cálculo que torne o tributo mais oneroso para o sujeito passivo submetese ao regime jurídico aplicável à majoração tributária, notadamente ‘a exigência de que seja veiculada por lei formal e atenda aos interstícios temporais previstos constitucionalmente (anterioridade geral, anterioridade nonagesimal) para cada espécie tributária. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º, lei 9.393/96). Fl. 238DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 A base de cálculo tributável é resultado de uma operação complexa que tem como ponto de partida o Valor da Terra Nua – VTN, o qual sofre o efeito de vários elementos redutores. Do valor do imóvel declarado pelo contribuinte (Valor da Terra Nua) devem ser excluídos (art. 10, § 1º, Lei 9.393/96) os valores relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas; florestas plantadas. Outro conceito importante na definição da base de cálculo tributável do ITR é o de “área tributável”, entendida como a área total do imóvel, excluídas, ou seja, devem ser considerados como elementos redutores: as áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nas áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; as áreas sob regime de servidão florestal ou ambiental; as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; e as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. Da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total, chegase ao Valor da Terra Nua tributável (VTNt), que á efetiva base de cálculo sobre a qual deve incidir a alíquota (variável) do ITR. Importante aferir, no entanto, o Grau de Utilização da terra, tarefa que exige a análise e determinação da “área aproveitável” e da “área efetivamente utilizada”. Considerase como “área aproveitável”, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias e os elementos redutores da área tributável, entre os quais se destacam as áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Por outro lado, entendese por “área efetivamente utilizada” a porção do imóvel que no ano anterior tenha sido plantada com produtos vegetais; servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; tenha sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; tenha servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola, ou tenha sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. O Grau de Utilização – GU do imóvel rural é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. A base de cálculo tributável do ITR é o Valor da Terra Nua tributável (VTNt), sobre a qual incidirão alíquotas variáveis dependendo da área total do imóvel e do Grau de Utilização da terra (art. 11, caput, Lei 9.393/96). Qualquer alteração nos elementos redutores da base de cálculo tributável poderá ensejar modificação no nível de onerosidade tributária, índice que pode refletir majoração tributária, a submeterse aos rigores da reserva legal, na forma do disposto na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10120.006818/200627 Acórdão n.º 220201.553 S2C2T2 Fl. 5 9 As áreas de preservação permanente e de reserva legal constituem, como visto, elementos redutores da “área tributável”, e por isso influenciam diretamente a base de cálculo tributável (Valor da Terra Nua tributável – VTNt), na medida em que esta é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total. A desconsideração de elementos redutores do valor da “área tributável”, tais como as áreas de preservação permanente e reserva legal, leva inexoravelmente ao aumento do número resultante da divisão entre área tributável e área total do imóvel, resultado que repercute aumentando o valor da Terra Nua Tributável (VTNt), base de cálculo do ITR. A rigor, a base de cálculo do ITR (VTNt) é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo índice resultante da divisão da área tributável pela área total do imóvel. O aumento de área tributável, decorrente, por exemplo, da desconsideração de elementos que o reduzem, como as áreas de preservação permanente e de reserva legal, conduz a um aumento na base de cálculo do ITR na medida em que aumenta o resultado da divisão da área tributável pela área total do imóvel. Ao disciplinar a base de cálculo do ITR, a Lei 9.393/96 não impôs qualquer condição para que as áreas de preservação permanente e de reserva legal fossem consideradas como elementos redutores da área tributável por este imposto. Ocorre que a IN/SRF 67/97, conferindo nova redação ao art. 10, § 4º da IN/SRF 43/97, estabeleceu que: Art. 10. § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR. Observado o seguinte: I as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nº 4.771, de 1965, II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. Como visto, o referido ato regulamentar criou três condições relativas aos elementos redutores da base de cálculo do ITR (áreas de preservação permanente e de reserva legal), a saber: Primeiro, as áreas de preservação permanente só poderão ser utilizadas para fins de apuração da base de cálculo do ITR após o protocolo, pelo interessado, de requerimento junto ao IBAMA solicitando a expedição de ato declaratório reconhecendo as características ambientais do imóvel. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 Segundo, as áreas de reserva legal deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel antes do pleito de expedição do ato declaratório junto ao IBAMA. Terceiro, o requerimento para expedição do ato declaratório deve ser protocolado junto ao IBAMA no prazo de até seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR. Segundo a dicção da citada Instrução Normativa, se não cumpridas as três condições por ela criadas, as áreas de preservação permanente e de reserva legal não poderão ser utilizadas pelo sujeito passivo como elementos redutores da base de cálculo do ITR. As referidas condições foram reproduzidas posteriormente pelo art. 17 da IN/SRF 73/2000 e da IN 60/2001 e constam do Decreto 4.382/2002 (art. 10, § 1º e 12, § 1º). Como resta claro, a lei tributária, ao definir o fato gerador do ITR, estabeleceu a sua base de cálculo sem condições. Atos regulamentares editados posteriormente, a pretexto de regular o tributo, na prática, tornaramno mais oneroso, na medida em que majoraram a sua base de cálculo, criando condições (antes inexistentes) para que esta pudesse ser apurada. O Código Tributário Nacional (art. 97, § 1º) é expresso ao equiparar à majoração do tributo, submetida à reserva de lei, qualquer modificação de sua base de cálculo, que resulte em tornálo mais oneroso”. No caso em concreto apesar do Recorrente não ter apresentado o ADA tempestivamente, apresentou laudo de avaliação, que demonstra que as áreas objeto de glosa existem, que no meu entender são suficientes para comprovar a possibilidade de exclusão do valor da base de cálculo do ITR. Neste sentido, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 241DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10120.006818/200627 Acórdão n.º 220201.553 S2C2T2 Fl. 6 11 Voto Vencedor Com a devida vênia do nobre relator da matéria, Conselheiro Pedro Anan Junior, permitome divergir quanto à exclusão da tributação a integralidade da área de preservação permanente e área de utilização limitada (reserva legal). Entende o nobre relator, que no caso em concreto, no que diz respeito às áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal), o recorrente preencheu os requisitos previstos na legislação de regência, em razão da apresentação de laudo técnico. Contudo, não posso acompanhar o raciocínio do nobre relator, já que discordo frontalmente no que diz respeito ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, exigência mútua para as áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal), além da exigência concomitante da averbação da área de reserva legal nos Cartórios de Registro, pelos motivos abaixo expostos. Não resta duvidas de que se confirmou o não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada tanto às áreas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural ou Imprestável para a atividade produtiva/Interesse Ecológico), quanto às áreas de preservação permanente, de que as áreas ambientais do imóvel, para fins de exclusão do ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento (do ADA). Como visto nos autos, a discussão principal de mérito diz respeito à área de preservação permanente e área de utilização limitada (reserva legal), e o nó da questão restringese a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental, que deve conter as informações de tais áreas e ter sido protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado, para fins de exclusão dessas áreas da tributação, bem como a exigência da averbação tempestiva da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis. Não há dúvidas que, a princípio, por trataremse de áreas não tributáveis, cabe destacar que as áreas assim declaradas estão sujeitas à comprovação para serem aceitas, de acordo com a situação em que se enquadrem: 1 — Reserva Legal — é necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente até a data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela MP n° 2.166, de 2001, art. 1°); 2— Reserva Legal do Patrimônio Natural — RPPN — protocolo do ADA no prazo legal; que as áreas sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual de meio ambiente, mediante requerimento do proprietário (Decreto n° 1.922, de 1996 e Lei nº 9.985, de 2000, art. . 21); que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 9.985, de 2000, art. 21; Decreto n° 4.382, de 2002, art. 13, parágrafo único); Fl. 242DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 3 — Interesse Ecológico protocolo do ADA no prazo legal; reconhecimento, em caráter especifico, para determinada área, de órgão competente federal ou estadual (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, II, "b" e "c"); 4 — Servidão Florestal — protocolo do ADA no prazo legal; que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela MP n° 2.16667, de 2001, art. 2°); 5 Para as áreas de Preservação Permanente, há a necessidade que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal ou reconhecimento da área através de Laudo Técnico, firmado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal acompanhado da ART (Anotação da Responsabilidade Técnica) e de acordo com as normas da ABNT. As áreas de Preservação Permanente são as descritas na Lei n° 4.771, de 1965, artigos 2° e 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989, artigo 1°. Assim, verificase que as duas exigências previstas para justificar a exclusão de tais áreas da incidência do ITR/2002, qualquer que sejam as suas reais dimensões, não foram providenciadas de forma tempestiva. Primeiro, confirmouse o não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada tanto às áreas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural ou Imprestável para a atividade produtiva/Interesse Ecológico), quanto as áreas de preservação permanente, de que as áreas ambientais do imóvel, para fins de exclusão do ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento. Segundo, no que tange, especificamente, à área de utilização limitada/reserva legal, além de não cumprida a exigência da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), constatouse, ainda, a falta de sua averbação à margem da matricula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (CRI) competente. No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da área total do imóvel, para determinar a área tributável, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sendo essas últimas compostas pela área de reserva legal, pelas áreas de reserva particular do patrimônio natural, e pelas áreas imprestáveis para a atividade produtiva, se declaradas de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual; Como é de notório conhecimento, o ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua Fl. 243DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10120.006818/200627 Acórdão n.º 220201.553 S2C2T2 Fl. 7 13 informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Destaquese que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Não tenho dúvidas, de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2002, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização, de forma tempestiva, do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, Fl. 244DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 14 de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Não obstante a pretensão do requerente de comprovar nos autos a efetiva existência da área de utilização limitada/reserva legal no imóvel (materialidade) por meio do documento “Laudo de Avaliação do Imóvel”, cabe ressaltar que essa comprovação, no meu entendimento, não é suficiente para que a lide seja decidida a seu favor, pois o que se busca nos autos é a comprovação do reconhecimento das referidas áreas mediante ato do IBAMA ou órgão delegado por convênio ou, no mínimo, a comprovação da protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Enfim, a solicitação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal glosadas pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter as glosas efetuadas pela fiscalização em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal. Para finalizar a redação do presente voto vencedor, cabe, ainda, tecer alguns comentários sobre a aplicação da penalidade e dos juros de mora lançados com base na taxa SELIC. Quanto à multa de lançamento de ofício mantida é de se dizer, que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235/72. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional CTN, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10120.006818/200627 Acórdão n.º 220201.553 S2C2T2 Fl. 8 15 Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Fl. 246DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 16 Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal. Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da Constituição Federal, não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da mesma constituição, que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício aplicada e dos juros moratórios com base na taxa SELIC. É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser Fl. 247DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10120.006818/200627 Acórdão n.º 220201.553 S2C2T2 Fl. 9 17 apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Assim, não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, estas matérias (inconstitucionalidade de leis e juros moratórios com base na taxa SELIC) já estão pacificadas no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicada no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4)”. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 248DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 18 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 09/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 10166.901861/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO CONTRA A FAZENDA NACIONAL. PAGAMENTO A MAIOR. ERRO DE FATO. DCTF RETIFICADORA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO INDEFERIDO.
Para supressão ou redução de imposto a pagar (confessado em DCTF- original), mediante DCTF (retificadora), existindo resistência do Fisco em processo de compensação tributária, a legislação tributária estabelece necessidade do contribuinte fazer a comprovação do alegado erro de fato, mediante juntada de cópia da escrituração contábil, com documentos de suporte dos registros contábeis, demonstrando onde estaria o alegado erro de fato (CTN, art. 147, § 1º e art. 923 do RIR/99).
Declarações elaboradas de forma unilateral, inclusive DCTF (retificadora), reduzindo débito confessado na DCTF (original), por si só, não comprovam alegado crédito contra a Fazenda Nacional, exige-se comprovação do alegado erro de fato, mediante juntada da escrituração contábil e documentos de suporte de onde foram extraídos os dados e assim justificar a apresentação da DCTF (retificadora) e permitir análise da formação do alegado crédito e aferição da sua liquidez e certeza (art. 170 do CTN).
O ônus probatório do fato constitutivo do alegado direito creditório é do contribuinte, conforme art. 373, I, do CPC/2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal. E o momento da produção da prova, conforme estatuem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 é por ocasião da apresentação das razões de defesa na instância a quo e admitida a complementação de provas, na instância recursal, por ocasião da apresentação do recurso voluntário.
Não comprovada a formação do crédito pleiteado, sua liquidez e certeza, indefere-se o alegado crédito e não se homologa a compensação tributária.
PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas documentais que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal.
A perícia técnico-contábil se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos.
Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.
A diligência fiscal, perícia técnico-contábil, não têm o condão de substituir a parte recorrente na sua atividade de produção de prova.
É ônus do contribuinte comprovar o fato constitutivo do alegado direito creditório contra a Fazenda Nacional (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16 e CPC - Lei nº 13.105/2015, art. 373, I).
Considera-se inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal.
Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, por ter caráter procrastinatório da exigência do crédito tributário pela Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 1401-004.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO CONTRA A FAZENDA NACIONAL. PAGAMENTO A MAIOR. ERRO DE FATO. DCTF RETIFICADORA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO INDEFERIDO. Para supressão ou redução de imposto a pagar (confessado em DCTF- original), mediante DCTF (retificadora), existindo resistência do Fisco em processo de compensação tributária, a legislação tributária estabelece necessidade do contribuinte fazer a comprovação do alegado erro de fato, mediante juntada de cópia da escrituração contábil, com documentos de suporte dos registros contábeis, demonstrando onde estaria o alegado erro de fato (CTN, art. 147, § 1º e art. 923 do RIR/99). Declarações elaboradas de forma unilateral, inclusive DCTF (retificadora), reduzindo débito confessado na DCTF (original), por si só, não comprovam alegado crédito contra a Fazenda Nacional, exige-se comprovação do alegado erro de fato, mediante juntada da escrituração contábil e documentos de suporte de onde foram extraídos os dados e assim justificar a apresentação da DCTF (retificadora) e permitir análise da formação do alegado crédito e aferição da sua liquidez e certeza (art. 170 do CTN). O ônus probatório do fato constitutivo do alegado direito creditório é do contribuinte, conforme art. 373, I, do CPC/2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal. E o momento da produção da prova, conforme estatuem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 é por ocasião da apresentação das razões de defesa na instância a quo e admitida a complementação de provas, na instância recursal, por ocasião da apresentação do recurso voluntário. Não comprovada a formação do crédito pleiteado, sua liquidez e certeza, indefere-se o alegado crédito e não se homologa a compensação tributária. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas documentais que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal. A perícia técnico-contábil se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. A diligência fiscal, perícia técnico-contábil, não têm o condão de substituir a parte recorrente na sua atividade de produção de prova. É ônus do contribuinte comprovar o fato constitutivo do alegado direito creditório contra a Fazenda Nacional (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16 e CPC - Lei nº 13.105/2015, art. 373, I). Considera-se inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, por ter caráter procrastinatório da exigência do crédito tributário pela Fazenda Nacional.
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DIREITO CREDITÓRIO CONTRA A FAZENDA NACIONAL. PAGAMENTO A MAIOR. ERRO DE FATO. DCTF RETIFICADORA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO INDEFERIDO. Para supressão ou redução de imposto a pagar (confessado em DCTF original), mediante DCTF (retificadora), existindo resistência do Fisco em processo de compensação tributária, a legislação tributária estabelece necessidade do contribuinte fazer a comprovação do alegado erro de fato, mediante juntada de cópia da escrituração contábil, com documentos de suporte dos registros contábeis, demonstrando onde estaria o alegado erro de fato (CTN, art. 147, § 1º e art. 923 do RIR/99). Declarações elaboradas de forma unilateral, inclusive DCTF (retificadora), reduzindo débito confessado na DCTF (original), por si só, não comprovam alegado crédito contra a Fazenda Nacional, exigese comprovação do alegado erro de fato, mediante juntada da escrituração contábil e documentos de suporte de onde foram extraídos os dados e assim justificar a apresentação da DCTF (retificadora) e permitir análise da formação do alegado crédito e aferição da sua liquidez e certeza (art. 170 do CTN). O ônus probatório do fato constitutivo do alegado direito creditório é do contribuinte, conforme art. 373, I, do CPC/2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal. E o momento da produção da prova, conforme estatuem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 é por ocasião da apresentação das razões de defesa na instância a quo e admitida a complementação de provas, na instância recursal, por ocasião da apresentação do recurso voluntário. Não comprovada a formação do crédito pleiteado, sua liquidez e certeza, indeferese o alegado crédito e não se homologa a compensação tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 18 61 /2 00 8- 33 Fl. 225DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 221 2 PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas documentais que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal. A perícia técnicocontábil se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Por se tratar de prova especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento. A diligência fiscal, perícia técnicocontábil, não têm o condão de substituir a parte recorrente na sua atividade de produção de prova. É ônus do contribuinte comprovar o fato constitutivo do alegado direito creditório contra a Fazenda Nacional (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16 e CPC Lei nº 13.105/2015, art. 373, I). Considerase inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência ou perícia considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, por ter caráter procrastinatório da exigência do crédito tributário pela Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Fl. 226DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 222 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Nelso Kichel, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Fl. 227DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 223 4 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 189/196) em face do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/Brasília (efls. 179/185) que julgou Manifestação de Inconformidade improcedente ao não reconhecer o crédito pleiteado. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 13/04/2004, mediante programa gerador PER/DCOMP, a contribuinte transmitiu eletronicamente a DCOMP nº 22991.98175.130404.1.3.046205, informando compensação tributária, sob condição resolutória (efls. 05/09), onde consta: a) débito (confessado): IRRF, valor R$ 2.571,02. (...) (...) b) crédito (utilizado): R$ 2.571,02 (original). (...) Fl. 228DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 224 5 (...) (...) que, em 24/04/2008, a DRF/Brasília não homologou a compensação tributária por inexistência do crédito pleiteado, totalmente utilizado, consumido pelo débito do próprio período de apuração (inexistência de crédito disponível), conforme Despacho Decisório eletrônico (efl.14), cuja fundamentação transcrevo excerto, in verbis: (...) Fl. 229DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 225 6 (...) que consta dos autos cópia do comprovante de arrecadação, de 10/03/2004, no valor R$ 1.672.671,09 (efl. 15). Ciente desse despacho decisório em 05/05/2008 (efl. 58), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/06/2008 por via postal ( efls. 02/04, 68, 78 e 97), argumentando que o valor do crédito pleiteado decorre de pagamento em duplicidade de IRRF, cujo excerto das razões de defesa transcrevo, nessa parte: ( ...) Fl. 230DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 226 7 (...) que consta dos autos cópia da DCTF (retificadora) 1º Trimestre/2004, transmitida em 27/05/2008, portanto após ciência do despacho decisório (efl. 18/21): . (...) Fl. 231DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 227 8 (...) Na sessão de 20/12/2013, a 2ª Turma da DRJ/Brasília julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o crédito pleiteado, conforme Acórdão (e fls. 179/185), cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 ANULAÇÃO DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROLATAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Anulada a decisão de primeiro grau que considerou, indevidamente, intempestiva a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, proferese nova decisão, com o exame do mérito da irresignação do interessado, em cumprimento à decisão do órgão Colegiado ad quem. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO EM DUPLICIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo o sujeito passivo, em sua manifestação de inconformidade, apresentado prova documental que desse Fl. 232DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 228 9 respaldo à informação alterada na DCTF retifícadora, e, (...), indeferese a compensação pleiteada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Obs: (i) A primeira decisão da 2ª Turma da DRJ/Brasília, de 12/11/2010, não conheceu da manifestação de inconformidade por apresentação intempestiva (efls. 105/108). (ii) Na sequência, a 2ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, em face de Recurso Voluntário, anulou a decisão a quo, pois a manifestação de inconformidade fora apresentada tempestivamente, conforme Acórdão nº 2802002.111 2ª Turma Especial, sessão de 19/02/2013 (efls. 168/172). (iii) Os autos do processo retornaram à primeira instância de julgamento para nova decisão pela 2ª Turma da DRJ/Brasília Ciente desse decisum em 21/01/2014 (efls. 187/188), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 19/02/2014 ( efls. 189/196), cujas razões, no que pertinente, transcrevo excertos, in verbis: (...) (...) Fl. 233DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 229 10 (...) (...) (...) Fl. 234DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 230 11 (...) Obs: (i) A recorrente ainda alegou que, em relação ao débito confessado na DCOMP objeto dos autos, inadvertidamente, calculou acréscimo de R$ 25,71, porém esse valor seria indevido, pois a DCOMP foi transmitida antes do vencimento do débito e que, destarte, não teria esse acréscimo. (ii) A contribuinte, por ocasião da apresentação das razões do recurso, juntou aos autos cópia balancete mensal março 2004 (passivo), relatório de controle contábil resgate de poupança, Plano 22 TELEMAR PREV (efls. 198/202). É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 231 12 Voto Conselheiro Nelso Kichel Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. Tratase de processo de compensação tributária. Na compensação tributária objeto dos autos a contribuinte reclama crédito de IRRF, valor R$ 2.571,02 (original), o qual utilizou, sob condição resolutória, para quitação do débito confessado na DCOMP. A contribuinte alegou que o crédito pleiteado seria decorrente de pagamento do IRRF em duplicidade: a) que, primeiramente, teria pago referido valor do IRRF R$ 2.571,02 (1º cota), em 10/03/2004, código de receita 3223, período de apuração 06/03/2004, conforme Comprovante Arrecadação do IRRF (DARF), valor R$ 1.672.671,09, código de receita 3223, PA 06/03/2004, vencimento 10/03/2004, data de arrecadação 10/03/2004; b) que essa operação que implicou pagamento do IRRF reclamado, R$ 2,571,02 (1ª cota), não teria ocorrido o fato gerador, porém o pagamento do IRRF ocorreu. A contribuinte argumenta que o resgate do benefício pelo Sr. Andrei Winograd incorreu, em 02/03/2004 (Plano 22 Telemar Prev); c) que o resgate do benefício deuse apenas em 29/03/2004, e o IRRF, código de receita 3223, teria sido pago, novamente, em 02/04/2004, R$ 2.571,02 (1ª cota de 59 cotas). Juntou Demonstrativo de Cálculo de Resgate de Reserva parcelas (efls. 12/13). A DRF/Brasília (unidade local da RFB), conforme despacho decisório (eletrônico), não homologou a compensação, pela inexistência do crédito pleiteado. Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte pugnando pela reforma do despacho decisório. Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 232 13 A DRJ/Brasília (órgão de julgamento da RFB), também, indeferiu o alegado crédito, pois a contribuinte não fez prova do alegado pagamento em duplicidade, não juntou cópia da escrituração contábil e respectivos documentos de suporte. Nesta instância recursal ordinária, nas razões do recurso, a recorrente juntou aos autos cópia de balancete mensal março 2004 (passivo), relatório de controle contábil resgate de poupança, Plano 22 TELEMAR PREV (efls. 198/202). Ademais, argumentou que, em caso de dúvida acerca da existência do crédito pleiteado, que seja o julgamento convertido em diligência. Identificados os pontos controvertidos, passo a enfrentálos. ALEGAÇÃO DE ERRO DE FATO. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE. DIREITO CREDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS PROBATÓRIO. REJEIÇÃO DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA FISCAL A recorrente, nas razões de defesa, desde a primeira instância de julgamento, argumentou que teria efetuado pagamento em duplicidade da 1ª cota do Plano de Benefício 22 Telemar Prev, beneficiário Sr. ANDREI WINOGRAD. Primeiro, pagou o IRRF de R$ 2.571,02, em 10/03/2004, resgate 1ª cota. Entretanto, o citado resgate não teria ocorrido em 02/03/2004 (estava programado mas não ocorreu o resgate nessa data). Já o pagamento do citado IRRF ocorreu. O resgate da 1ª cota do benefício ocorreu apenas em 29/03/2004, mas houve pagamento do IRRF, novamente, sobre essa 1ª cota, agora em 02/04/2004. A recorrente juntou aos autos: a) cópia de Demonstrativo de Cálculo de Resgate de Reserva parcelas (efls. 12/13). b) cópia balancete mensal março 2004 (passivo dados globais), relatório de controle contábil resgate de poupança, Plano 22 TELEMAR PREV (efls. 198/202). Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 233 14 Diversamente do alegado pela recorrente, os documentos juntados aos autos, nesta instância recursal, também não comprovam pagamento em duplicidade do IRRF, pois faltou juntar cópia da escrituração contábil/fiscal, e respectivos documentos de suporte dos registros contábeis. Em relação ao comprovante de pagamento de R$ 1.672.671,09, código de receita 3223, PA 06/03/2004, vencimento 10/03/2004, data de arrecadação 10/03/2004, não há sequer demonstrativo analítico de quais débitos do IRRF foram englobados, computados e pagos, quanto a esse PA, no referido montante. Quanto ao alegado 2º pagamento do IRRF sequer foi juntada cópia do comprovante de recolhimento. A matéria já foi enfrentada, adequadamente, pelo voto condutor da decisão recorrida cuja fundamentação adoto como razão de decidir e que transcrevo, no que pertinente (efls. 150/, in verbis: (...) O exame dos documentos anexados pela interessada por ocasião de sua petição complementar permite as seguintes constatações: (1) A DCTF Retificadora foi transmitida em 27/05/2008 (fls. 16/21), portanto, após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, o que se deu em 05/05/2008 (fl. 58); (2) O Demonstrativo de Cálculo de Resgate de Reserva de fls. 12/13, do participante Andrei Winograd, dá conta de pagamento do benefício de forma parcelada, constando como data de requerimento 25/03/2004 e data de pagamento 29/03/2004. (3) Além dos documentos citados nos itens 1 e 2 acima, foram anexados, ainda, (a) uma tela do SISPREV (fl. 10), na qual constam informações sobre o pagamento do aludido benefício, com indicação de retenção de imposto de renda de R$ 2.571,02; e (b) um documento denominado Consulta – Títulos do Fornecedor, no qual consta como valor do título a mesma importância de R$ 2.571,02, e data de vencimento 12/04/2004. À toda evidência os documentos anexados pela suplicante não se prestam para demonstrar as duas principais alegações constantes de sua petição complementar, quais sejam: (1) o imposto de renda, no montante, R$ 2.571,02, relativo ao suposto resgate foi recolhido à União Federal no dia 06 de março de 2004; e (2) como o resgate do participante Andrei Winograd só foi pago em 29 de março de 2004, foi novamente recolhido o imposto de renda no mesmo montante. Os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo soam verossímeis, não obstante não foram apresentadas provas cabais de que os fatos efetivamente ocorreram como afirmou a suplicante. Fl. 238DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 234 15 Nos presentes autos não constam cópias de contas da escrita contábil e fiscal da interessada ou outros documentos hábeis (demonstrativo analítico das parcelas de IRRF que compõem cada DARF em questão) a comprovar a ocorrência do alegado recolhimento em duplicidade de IRRF, de maneira a convencer o julgador administrativo de que realmente ocorreu o erro invocado no preenchimento da DCTF primitiva. Vale ressaltar que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5.° do Decretolei nº 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da SRF e RFB que dispõem sobre a DCTF). Nesse contexto, eventual retificação dos valores antes nela informados deve ter por fundamento os dados da escrita contábil e fiscal do contribuinte. Caberia ao sujeito passivo, por ocasião de sua manifestação de inconformidade, apresentar as provas pertinentes, consoante disciplina o art 16 do Decreto nº 70.335, de 1972, c/c o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, (...). Já o art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina os elementos que devem compor a peça de impugnação, inclusive a apresentação de provas,(...). Portanto, no caso sob exame, não tendo o sujeito passivo, em sua manifestação de inconformidade, apresentado prova documental que desse respaldo à informação alterada na DCTF retifícadora, e em consquência, confirmasse a ocorrência do alegado recolhimento em duplicidade de IRRF, é de se manter o despacho decisório guerreado. (...) Como demonstrado, na primeira instância de julgamento a contribuinte não comprovou o alegado erro de fato que teria implicado pagamento em duplicidade da 1ª cota do benefício (resgate) pelo Sr. Andrei Winograd. A DCTF (retificadora) foi apresentada após ciência do despacho decisório. Ou seja: A contribuinte tomou ciência do despacho decisório eletrônico em 05/05/2008 (efl. 58). Já a DCTF (retificadora) foi transmitida eletronicamente em 27/05/2008 1º trimestre/2004 (efls. 18/21). Obs: A contribuinte suprimiu o débito confessado na DCTF original/1º trimestre/2004, mediante DCTF (retificadora) e teria computado referido débito, confessado, na DCTF do 2º trimestre/2004. Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 235 16 Para supressão ou redução de imposto a pagar (confessado em DCTF original), mediante DCTF (retificadora), existindo resistência do Fisco em processo de compensação tributária, a legislação tributária estabelece necessidade do contribuinte fazer a comprovação do alegado erro de fato, mediante juntada de cópia da escrituração contábil, com documentos de suporte dos registros contábeis, demonstrando onde estaria o alegado erro de fato (CTN, art. 147, § 1º). Declarações elaboradas de forma unilateral, inclusive DCTF (retificadora), reduzindo débito confessado na DCTF (original), por si só, não comprovam alegado crédito contra a Fazenda Nacional, exigese comprovação do alegado erro de fato, mediante juntada da escrituração contábil e documentos de suporte de onde foram extraídos os dados e assim justificar a apresentação da DCTF (retificadora) e permitir análise da formação do alegado crédito e aferição da sua liquidez e certeza (art. 170 do CTN). O art. 923 do RIR/99 estatui que a escrituração contábil, mantida com observância da legislação de regência, faz prova dos fatos nela registrados, in verbis: Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). No caso, a contribuinte não juntou cópia do livro Diário Geral e do livro Razão Auxiliar. Como já demonstrado pela análise dos elementos de prova juntados autos pela recorrente, não restou comprovado o alegado erro de fato, ou seja, não restou comprovado o alegado pagamento em duplicidade da 1ª cota do benefício (resgate) atinente ao Sr. Andrei Winograd. Em decorrência, não restou comprovado o crédito pleiteado, pois o contribuinte não comprovou a formação do alegado crédito, não sendo possível aferir a certeza e liquidez (art. 170 do CTN). No caso, o ônus probatório do fato constitutivo do alegado direito creditório contra a Fazenda Nacional é da recorrente, conforme art. 373, I, do CPC/2015, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal. E o momento da produção da provação, conforme estatuem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 é por ocasião da apresentação das razões de defesa na instância a quo e admitida a complementação de provas, na instância recursal, por ocasião da apresentação do recurso voluntário. A contribuinte, como já dito antes, juntou cópia balancete mensal março 2004 (passivo dados globais), relatório de controle contábil resgate de poupança, Plano 22 TELEMAR PREV (efls. 198/202). Fl. 240DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 236 17 Ou seja, apenas comprovou o resgate, porém não comprovou o pagamento em duplicidade do IRRF. Em relação ao comprovante de pagamento de R$ 1.672.671,09, código de receita 3223, PA 06/03/2004, vencimento 10/03/2004, data de arrecadação 10/03/2004, não há sequer demonstrativo analítico de quais débitos do IRRF foram pagos (que compuseram esse PA). Quanto ao alegado 2º pagamento do IRRF sequer foi juntada cópia do comprovante de recolhimento. Também não foi demonstrado demonstrativo analítico. Destarte, nos autos não há registro contábil de pagamento do IRRF em duplicidade da 1ª cota do benefício (resgate) atinente ao Sr. Andrei Winograd. Como já dito, a contribuinte não juntou cópia da escrituração contábil, no caso livro Diário Geral e livro Razão Auxiliar quanto ao período de apuração objeto do alegado direito creditório. Não cabe pedido de realização de diligência para juntar provas documentais da escrituração contábil da recorrente, pois as provas, caso existissem, a contribuinte já teria juntado aos autos e se existentes, e não fez a juntada, a diligência não se presta para substituir a parte na sua atividade de produção de prova, mormente, como no caso, cujo ônus probatório do fato constitutivo do direito creditório alegado contra a Fazenda Nacional é da recorrente. Assim, o pedido de diligência é procrastinatório da exigência do débito confessado e não quitado. Além disso, é inadmissível o pedido genérico de diligência, quando formulado em desacordo com inciso IV do art. 16 do Decreto nº 700.235/72, sendo considerado não formulado (§ 1º do art. 16 do citado diploma legal). O contribuinte não comprovou existência de força maior para a não juntada de provas documentais aos autos que pudessem comprovar o alegado erro de fato/pagamento em duplicidade. Pelas razões expostas, indeferese o pedido genérico de realização de diligência fiscal. Nesse sentido, ou seja, pela rejeição da diligência são também os precedentes jurisprudenciais deste CARF que, a título ilustrativo, transcrevo ementas de acórdãos: NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR.. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. De conformidade com o artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2°, do artigo 38, da Lei n° 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão n° 20601.462, sessão de 09/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de Fl. 241DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 237 18 diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão n° 10249.407, sessão de 06/11/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A admissibilidade de diligência ou perícia, por não se constituir em direito do autuado, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como tal dispensar quando entender desnecessárias ao deslinde da questão. Ademais, temse como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. (Acórdão n° 19300.018, sessão de 13/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.(Acórdão n° 10515.978, sessão de 20/07/2006). DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o mesmo poderia trazêlas aos autos, se de fato existissem. (Acórdão n° 10248.141, de 25/01/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido pedido de diligencia quando prescindível, a teor do art. 18 do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão n° 20180.294, sessão de 23/05/2007). PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, apenas circunscrita à matéria contábil e aos argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador.(Acórdão n° 10222.937, sessão de 28/03/2007). DILIGÊNCIA E PERÍCIA. NEGATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a realização de diligência ou perícia para responder a quesitos de natureza legal, cujo conhecimento seja elementar ou que se refiram a prova passível de produção unilateral pelo contribuinte.(Ac. 330201.280, sessão de 09/11/2011, Relator José Antonio Francisco). PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendêlas necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto Fl. 242DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10166.901861/200833 Acórdão n.º 1401004.152 S1C4T1 Fl. 238 19 configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.(Ac. n° 1802001.006, sessão de 17/10/2011). ASSUNTO: PERÍCIA/DILIGÊNCIA PRESCINDIBILIDADE A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos (Acórdão CSRF 10705.810, Relatora Karem Jureidini Dias). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2009,2010,2011.DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência ou perícias só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador.(Acórdão n° 1402 003.1294 Câmara/2a Turma Ordinária, sessão de 15/05/2018, Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator). Assim, indefiro o pedido de realização de diligência fiscal e não reconheço o alegado direito creditório. Por tudo que foi exposto, voto para indeferir o pedido de realização de diligência fiscal e, no mérito propriamente dito, negar provimento ao recurso voluntário, É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 243DF CARF MF Documento nato-digital
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