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Numero do processo: 15563.720236/2017-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
LANÇAMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL
O arbitramento do lucro é uma medida extrema e excepcional, só aplicável quando não há possibilidade de se apurar o imposto por outro regime de tributação. Assim, quando estão presentes nos autos, desde a auditoria fiscal, documentos que permitam apurar o imposto pelos regimes tradicionais mostra-se incorreta a utilização do arbitramento do lucro, devendo ser considerado para o lançamento efetuado o regime de tributação adotado pelo contribuinte, no caso, o Lucro Real.
ERRO DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE DE CORREÇÃO EM INSTÂNCIA RECURSAL.
Como não é possível corrigir em sede de Recurso Voluntário e de Ofício a forma da tributação escolhida pelo Auditor Fiscal para lavrar o Auto de Infração, de lucro arbitrado para lucro real (erro de direito), sob pena de se incorrer em ofensa ao artigo 146 e inciso IV do artigo 149, ambos do CTN, deve ser cancelado o Auto de Infração.
Numero da decisão: 1402-004.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Luciano Bernart, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013 LANÇAMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL O arbitramento do lucro é uma medida extrema e excepcional, só aplicável quando não há possibilidade de se apurar o imposto por outro regime de tributação. Assim, quando estão presentes nos autos, desde a auditoria fiscal, documentos que permitam apurar o imposto pelos regimes tradicionais mostrase incorreta a utilização do arbitramento do lucro, devendo ser considerado para o lançamento efetuado o regime de tributação adotado pelo contribuinte, no caso, o Lucro Real. ERRO DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE DE CORREÇÃO EM INSTÂNCIA RECURSAL. Como não é possível corrigir em sede de Recurso Voluntário e de Ofício a forma da tributação escolhida pelo Auditor Fiscal para lavrar o Auto de Infração, de lucro arbitrado para lucro real (erro de direito), sob pena de se incorrer em ofensa ao artigo 146 e inciso IV do artigo 149, ambos do CTN, deve ser cancelado o Auto de Infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 36 /2 01 7- 14 Fl. 6605DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.606 2 (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Luciano Bernart, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 6606DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.607 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão que julgou improcedente a impugnação da Recorrente e de seus coobrigados responsáveis solidários, conforme muito bem explanado no relatório do v. acórdão recorrido. Antes de colacionar o relatório do v. acórdão recorrido, apresentarei um resumo. Tratase de auto de infração que glosou despesas e custos redutores do lucro real e da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS/COFINS, que segundo a fiscalização foram geradas por meio de compras simuladas de mercadorias e matériaprima com empresas consideradas noteiras. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls 4578/4635) e os Autos de Infração, a Recorrente, que tem por objeto social o comércio de ferro, aço, plástico, produtos metalúrgicos etc, simulava comprar mercadorias e/ou matériasprimas de várias outras empresas que atuavam como pseudofornecedoras (GRANMETAL, POLIMETAL e METAIS BANDEIRANTES), as chamadas "noteiras", que, inexistindo de fato, proporcionavam a geração fictícia de custos e despesas redutores do lucro real e da base de cálculo das contribuições nãocumulativas. Também a Recorrente atuava no mesmo grupo econômico de outras empresas (SPARTACO, IPANEMA, VENEZA, ATURIA, VISCONTE, entre outras), para, ao final, beneficiar pessoas físicas e jurídicas da família RIPANI, conforme procura demonstrar a Fiscalização. Assim, entendeu o Auditor Fiscal que ocorreu simulação absoluta subjetiva (utilização de interpostas pessoas inexistentes de fato) e objetiva (registro de operações comerciais fictícias) e de fraude fiscal (pois a simulação gerou custos e despesas que foram utilizados para reduzir indevidamente o lucro real e as bases de cálculos da Cofins e do PIS/Pasep nãocumulativos), acrescida da falta de colaboração dos interessados em esclarecer a origem dos recebimentos, quando claramente poderiam fazêlo, tudo isso revela a existência de um grupo de pessoas conluiadas em ilaquear o Fisco, a fim de se locupletarem dos tributos sonegados pelas pessoas físicas ou jurídicas autuadas como contribuinte ou responsáveis. Fl. 6607DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.608 4 Segundo a fiscalização, devido ao tipo de infração constatada e os custos e despesas glosados comprometerem a avaliação do lucro tributável, precisou arbitrar o lucro nos termo do artigo 530, inciso II e o artigo 532, ambos do RIR/99. A receita tributável para o arbitramento foi encontrada pela fiscalização através das notas fiscais emitidas e recebidas pela Recorrente no ano de 2013, extraídas do sistema SPED. A Fiscalização encontrou a receita a ser arbitrada por meio da soma do valores das Notas Fiscais de Vendas (Demonstrativo de Notas Fiscais de Vendas), subtraindo o valor das notas fiscais de vendas devolvidas (Demonstrativo de Notas Fiscais de Devolução). A partir dos demonstrativos mencionados, foi composta a receita ajustada em conformidade com o quadro indicado na fl. 43 do TVF. Em seguida, após ter encontrado a receita, aplicou o coeficiente sobre a base de cálculo encontrada nos termos dos artigos 224, 518, 519, 532 e 537 do RIR/99 e os artigos 15, caput, 16, 20 e 24, caput e § 2º, da Lei nº. 9.249/95 c/c os artigos 27, I, 28 e 29, I, da Lei nº. 9.430/96. (ou seja 9,6% para o IRPJ e 12% para a CSLL). Também foi tributada pelo PIS e COFINS sobre a receita encontrada pela fiscalização. Ou seja, para o cálculo dos valores devidos do PIS e de COFINS, aplicamse as respectivas alíquotas cumulativas de 0,65% e 3% sobre as receitas mensais encontradas, nos Fl. 6608DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.609 5 termos do art. 24, § 2º, da Lei nº. 9.249/95, posto que, em razão do arbitramento do lucro, afastouse o regime da nãocumulatividade. Ademais, foi imposta responsabilidade solidárias para as pessoas físicas e jurídicas abaixo indicadas, com fundamento nos artigos 121, 124 e 135, caput, II e III, do Código Tributário Nacional (CTN), as seguintes pessoas físicas e jurídicas, multa qualificada e multa agravada de 225%. A responsabilidade do Sr. Carlos Roberto dos Santos foi imputada nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, por ser sócioadministrador da Recorrente. A responsabilidade do restante das pessoas físicas e jurídicas foi imputada nos termos do artigo 124, inciso I do CTN devido a constatação da fiscalização de grupo econômico e confusão patrimonial, com existência de sócios em comum nas empresas indicadas. CARLOS ROBERTO DOS SANTOS 645.695.60806 ARIOVALDO RIPANI 486.273.56815 RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI 255.747.81808 WALDEMAR RIPANI JUNIOR 164.233.75879 ELIZABETH RIPANI 072.127.00851 MAURO RIPANI 053.733.02830 IPANEMA COMERCIAL EXPORTADORA E IMPORTADORA EIRELI 61.087.482/000153 SPARTACO INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA 07.192.303/000100 VENEZA EMPREENDIMENTOS PARTICIPACOES E ADMINISTRACAO DE BENS LTDA 55.373.542/000100 ATURIA INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA EPP 11.127.868/000173 VISCONTE INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS EIRELI EPP 14.683.819/000105 Das pessoas jurídicas e físicas acima indicadas, além da Recorrente, foram consideraras tempestivas apenas as impugnações do Carlos Roberto, Veneza Empreendimentos, Waldemar Ripani Júnior, Elizabeth Ripani e Mauro Ripani. A empresa Ipanema não apresentou impugnação e as demais, o Sr. Ariovaldo, o Sr. Rapahel, a Spartaco, a Aturia e a Visconte foram consideradas intempestivas. De resto, adoto o relatório do v. acórdão para melhor explicar os fatos. Tratase de impugnação a lançamentos tributários do Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ (fls 4754/4773), da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL (fls 4774/4793), da Contribuição para o PIS/Pasep (fls 4807/4820), Fl. 6609DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.610 6 da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls 4794/4806), com fatos geradores ocorridos no ano 2013, levantados sob o regime do lucro arbitrado e perfazendo o crédito tributário no montante de R$ 97.113.532,61, já computados os juros moratórios e a multa de ofício qualificada e agravada (225%). Foram notificados como responsáveis solidários pelo crédito tributário, com fundamento nos artigos 121, 124 e 135, caput, II e III, do Código Tributário Nacional (CTN), as seguintes pessoas físicas ou jurídicas: [...] De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls 4578/4635) e os Autos de Infração, o contribuinte, que tem por objeto social o comércio de ferro, aço, plástico, produtos metalúrgicos etc, simulava comprar mercadorias e/ou matériasprimas de várias outras empresas que atuavam como pseudofornecedoras (GRANMETAL, POLIMETAL e METAIS BANDEIRANTES), as chamadas "noteiras", que, inexistindo de fato, proporcionavam a geração fictícia de custos e despesas redutores do lucro real e da base de cálculo das contribuições nãocumulativas; atuava no mesmo grupo econômico de outras empresas (SPARTACO, IPANEMA, VENEZA, ATURIA, VISCONTE, entre outras), para, ao final, beneficiar pessoas físicas e jurídicas da família RIPANI, conforme procura demonstrar a Fiscalização. FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO Da constituição, domicílio e administração da sociedade A sociedade foi constituída em 29.01.2003, sob a forma de sociedade limitada, com o objeto social "comércio de metais ferrosos e não ferrosos em geral; importação e exportação de metais, produtos de forjarias, fundição, sucatas, fios e plásticos em geral". O contrato social consolidado em 05.03.2003 declara sua sede na Rua Teodoro de Beaurepaire, n° 34, Vila Dom Pedro I, São Paulo (SP), com filial na Rua Felix Busso Asseburg, n° 20, sala 39, Centro, Itajaí (SC), e registra como sócios VALDIR RIBEIRO SARMENTO, CPF 943.103.94868, e CARLOS ROBERTO DOS SANTOS, CPF 645.695.60806, este com poderes exclusivos para administrar a sociedade. Conforme Alteração Contratual registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 15.09.2014, a fiscalizada transferiu sua sede do Estado de São Paulo para o atual endereço, na Estrada da Guarita, n° 219, São Benedito, Nova Iguaçu (RJ). Do início da fiscalização A fiscalização principiou no referido endereço em 21.12.2015, não tendo sido, porém, localizada a empresa no endereço cadastral informado à Receita Federal do Brasil (RFB). Frustrada a entrega do Termo de Início de Fiscalização, o seguimento da ação fiscal foi efetuado através de Edital, tendo sido a fiscalizada e seu sócioadministrador intimado em Fl. 6610DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.611 7 05.01.2016 a prestar esclarecimentos e a apresentar livros e documentos. Além disso, foram notificados do termo de início pela via postal o sócioadministrador e os estabelecimentos filiais. Da inaptidão da inscrição no CNPJ Não tendo sido localizada no endereço informado no CNPJ, foi declarada a inaptidão da sua inscrição no CNPJ, conforme Ato Declaratório Executivo n° 66/2016, publicado no DOU em 19.07.2016, resultado do processo administrativo 15563.720079/201668. Das Informações Relativas às Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) Em 05.01.2016, 20.04.2016, 30.06.2016, 08.09.2016, 21.11.2016, 05.04.2017, 17.06.2017, 31.07.2017 e 27.09.2017, a fiscalizada e seu sócioadministrador foram novamente intimados a apresentar os mesmos elementos solicitados anteriormente, deixando, contudo, de fazêlo. A Fiscalização obteve junto ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) arquivos digitais relativos às Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) emitidas e destinadas à fiscalizada no ano de 2013. A partir do exame das informações contidas nas NFe destinadas à fiscalizada, identificaramse os três maiores fornecedores, por volume de vendas, correspondentes a 86,52% do volume total, os quais se encontram no quadro abaixo: CNPJ (8 dígitos) NOME Valor dos Itens Menos Desconto NFe (R$) 16.501.435/000150 POLIMETAL COMERCIO DE METAIS LTDA 285.662.434,98 15.520.289/000147 GRANDMETAL COMERCIO DE METAIS E RESINAS LTDA. 131.073.957,22 17.057.814/000165 METAIS BANDEIRANTES COMERCIO EM GERAL LTDA 108.907.500,36 Diligências foram iniciadas em relação a essas empresas, inicialmente por via postal; mas, sem qualquer resposta dos diligenciados, a autoridade fiscal se dirigiu ao domicílio de cada qual, onde deveriam funcionar as empresas, tendo sido constatado, porém, que nenhuma delas se encontrava estabelecida no endereço informado à RFB, conforme Termo de Constatação lavrado. A fim de investigar a regularidade das operações das diligenciadas, bem assim o cumprimento de suas obrigações junto ao Fisco, foram efetuadas pesquisas nos sistemas disponíveis à RFB, cujas considerações encontramse relatadas abaixo: Fl. 6611DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.612 8 POLIMETAL COMÉRCIO DE METAIS LTDA CNPJ Segundo consta do cadastrado a pessoa jurídica foi aberta em 17/07/2012 (07/2012), na forma de Sociedade Empresária Limitada, tendo como atividade econômica na data da consulta o CNAE 4687703 (Comércio atacadista de resíduos e sucatas metálicos). A última composição societária disponível aponta como sócios MANOEL DE SOUZA (sócio administrador), CPF 858.900.00527, e ARNALDO LUIS GOMES DA SILVA, CPF 170.009.15811. A inscrição no CNPJ está ATIVA. O sócioadministrador Manoel de Souza foi intimado a prestar esclarecimentos, mas não se manifestou. O sócio Arnaldo Luis Gomes da Silva não foi localizado no endereço constante do CPF. DIMOF Apesar de ter emitido notas fiscais eletrônicas relativas a operações de venda em valores expressivos (em 2013, no total de R$ 288.552.732,59), a empresa não possui registro de movimentação financeira, conforme consulta na base de dados da RFB alimentada por DIMOF. DIPJ e DCTF A empresa está omissa em relação à entrega de declarações à Receita Federal, notadamente a DIPJ e a DCTF, desde sua constituição. SPED Contábil Não há registro no Sistema Público de Escrituração Digital SPED de entrega da escrituração contábil. SINAL Não há registro de arrecadação tributária nos sistemas de controle da RFB, desde a constituição da empresa. CCORGFIP A empresa nunca apresentou GFIP (consulta até a competência maio/2017). DIRPF Não há registro de DIRPF entregue pelo sócio administrador MANOEL DE SOUZA, CPF 858.900.00527, o que é indício de que o mesmo possui perfil econômicofiscal incompatível com o porte da empresa, que movimenta milhões de reais em mercadorias vendidas, conforme dados constantes de NFe. Em relação ao sócioadministrador ARNALDO LUIS GOMES DA SILVA, CPF 17 0.009.15811, conforme informações declaradas em DIRPF, seu perfil econômicofiscal também é incompatível com o porte da empresa, visto que informou como Bens e Direitos apenas o valor de R$ 5.000,00, relativo ao "CAPITAL DA SUA FIRMA INDIVIDUAL: ARNALDO LUIS GOMES DA SILVA FRANCA ME CNPJ/MF: 0 0.23 3.115/00 0126". CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) Em relação ao sócio ARNALDO LUIS GOMES DA SILVA, há informação de vínculo empregatício, como empregado, com remuneração Fl. 6612DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.613 9 inferior a R$ 2.000,00, corroborando o perfil econômicofiscal incompatível com o porte da empresa. Inscrição Estadual e SINTEGRA De acordo com consulta à Inscrição Estadual, a empresa está com sua situação cadastral enquadrada como "IMPEDIDO", estando sua inscrição estadual (n° 79.713.929) desativada de ofício desde 30/07/2012. Outrossim, em consulta ao Sintegra, constatouse que seu cadastro está na situação "NÃO HABILITADO", desde de 30/07/2012, data também da concessão da inscrição, o que indica que a empresa nunca esteve apta a comercializar produtos ou realizar operações com incidência de ICMS no estado do Rio de Janeiro. INTERNET Em pesquisa ao Google, não encontramos site da empresa. BAIXA DA INSCRIÇÃO NO CNPJ As informações colhidas levam à conclusão de que a empresa diligenciada nunca operou desenvolvendo as atividades econômicas descritas no CNPJ, tendo sido constituída tão somente para funcionar como "noteira", emitindo documentos fiscais representativos de operações fictícias, sendo, portanto, inexistente de fato desde sua inscrição no cadastro. Em vista disso, foi providenciada, através do processo administrativo n° 15563.720117/201761, a baixa da inscrição dessa pessoa jurídica no CNPJ, conforme Instrução Normativa RFB n° 1.634, de 06 de maio de 2016, tornandose inidôneos os documentos emitidos, na forma do art. 47, §3°, IV, da mesma IN, desde sua abertura, ou seja, 17.07.2012. GRANDMETAL COMERCIO DE METAIS E RESINAS LTDA CNPJ Segundo consta do cadastrado, a pessoa jurídica foi aberta em 17/04/2012 (05/2012), na forma de Sociedade Empresária Limitada, tendo como atividade econômica na data da consulta o CNAE 24 4 9199 (Metalurgia de outros metais nãoferrosos e suas ligas não especificados anteriormente). A última composição societária disponível aponta como sócios ANTONIO DOS SANTOS MIRANDA (sócioadministrador), CPF 418.738.66704, e HELMUT KOTSCHY, CPF 031.648.537 34. A inscrição no CNPJ foi declarada INAPTA, na data de 28/08/2015. Ao ser intimado a prestar esclarecimentos, o Sr. Helmut Kotschy informou 'que não tem condições de esclarecer os itens elencados no Termo de Intimação..., uma vez que além de não conhecer, nem tampouco participar das sociedades GRANDMETAL COMÉRCIO DE METAIS E RESINAS LTDA, e CARMAX COMERCIAL LTDA,... há muito vem sendo vítima de profissionais inescrupulosos que vêm se utilizando da sua documentação pessoal para a prática de crimes desta natureza'. A fim de fazer prova do alegado, juntou Registro de Ocorrência Policial e Termo de Declaração prestada à autoridade policial. Ao ser intimado a prestar esclarecimentos, o Sr. Antonio dos Santos Miranda informou que "por meio de fraude a empresa Fl. 6613DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.614 10 GRANDMETAL COMÉRCIO DE METAIS E RESINAS LTDA foi constituída com meu nome e CPF, por pessoas desconhecidas, que no dia 20.03.2013 tomei conhecimento da fraude, e na mesma data apresentei uma NOTÍCIA CRIME NA 52 a DP,.. . e os Peritos constataram que o documento original na JUCERJA, onde contém a assinatura São Falsas... de posse do LAUDO DE EXAME GRAFOTÉCNICO dei ciência à JUCERJA...". A fim de fazer prova do alegado, juntou Laudo de Exame Grafotécnico, Requerimento na JUCERJA, Notícia Crime e Ato Declaratório Executivo. DIMOF Apesar de ter emitido notas fiscais eletrônicas relativas a operações de venda em valores expressivos (em 2013, no total de R$ 132.661.411,81), a empresa não possui registro de movimentação financeira, conforme consulta na base de dados da RFB alimentada por DIMOF. DIPJ e DCTF A empresa está omissa em relação à entrega de declarações à Receita Federal, notadamente a DIPJ e a DCTF, desde sua constituição. SPED Contábil Não há registro no Sistema Público de Escrituração Digital SPED de entrega da escrituração contábil. SINAL. Não há registro de arrecadação tributária nos sistemas de controle da RFB, desde a constituição a empresa. CCORGFIP A empresa nunca apresentou GFIP (consulta até a competência maio/2017). Inscrição Estadual e SINTEGRA De acordo com consulta à Inscrição Estadual, a empresa está com sua situação cadastral enquadrada como "IMPEDIDO", estando sua inscrição estadual (n° 79.728.160) desativada de ofício desde 15/08/2012. Também, em consulta ao Sintegra, constatouse que seu cadastro está na situação "NÃO HABILITADO", desde de 15/08/2012, data também da concessão da inscrição, o que indica que a empresa nunca esteve apta a comercializar produtos ou realizar operações com incidência de ICMS no Estado do Rio de Janeiro. INTERNET Em pesquisa ao Google, não encontramos site da empresa. INAPTIDÃO DA INSCRIÇÃO NO CNPJ No curso de procedimento fiscal anterior, declarouse inapta a sua inscrição no CNPJ, por não ter sido localizada no endereço informado à RFB, conforme providências constantes do processo administrativo 18470.721877/201551. No processo administrativo 10872.720298/201638, foram tornados inidôneas, para todos os efeitos tributários, as notas fiscais emitidas pela diligenciada durante os anoscalendários de 2012 e 2013, conforme Ato Declaratório Executivo n° 33, de 09/09/2016. BAIXA DA INSCRIÇÃO NO CNPJ As informações colhidas levam à conclusão de que a empresa diligenciada nunca operou desenvolvendo as atividades econômicas descritas no CNPJ, Fl. 6614DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.615 11 tendo sido constituída tão somente para funcionar como "noteira", emitindo documentos fiscais representativos de operações fictícias, sendo, portanto, inexistente de fato desde sua inscrição no cadastro. Em vista disso, foi providenciada, através do processo administrativo n° 15563.720115/201772, a baixa da inscrição dessa pessoa jurídica no CNPJ, conforme Instrução Normativa RFB n° 1.634, de 06 de maio de 2016, tornandose tornando inidôneos os documentos emitidos, na forma do art. 47, §3°, IV, da mesma IN, desde sua abertura, ou seja, 17/04/2012. METAIS BANDEIRANTES COMÉRCIO EM GERAL LTDA CNPJ Segundo consta do cadastrado a pessoa jurídica foi aberta em 10/10/2012 (10/2012), na forma de Sociedade Empresária Limitada, tendo como atividade econômica na data da consulta o CNAE 24 4 9199 (Metalurgia de outros metais nãoferrosos e suas ligas não especificados anteriormente). A última composição societária disponível aponta como sócios EVERALDO DE OLIVEIRA (sócioadministrador), CPF 151.411.46820, e ANA MARGARITA PUJOL ROCHA, CPF 831.168.26749 (sócioadministradora). A inscrição no CNPJ está ATIVA. O sócio Everaldo de Oliveira, apesar de intimado, não se manifestou. A Sra. ANA MARGARITA PUJOL ROCHA prestou declarações dizendo, dentre outras afirmações, não ser sócia da empresa, que seus documentos foram furtados em 1995, que não conhece a empresa CARMAX COMERCIAL LTDA, COMERCIO EM GERAL LTDA, nem seus sócios. A fim de fazer prova do alegado, juntou Registro de Ocorrência Policial. DIMOF Apesar de ter emitido notas fiscais eletrônicas relativas a operações de venda em valores expressivos (em 2013, no total de R$ 109.773.891,77), a empresa não possui registro de movimentação financeira, conforme consulta na base de dados da RFB alimentada por DIMOF. DIPJ e DCTF A empresa está omissa em relação à entrega de declarações à Receita Federal, notadamente a DIPJ e a DCTF, desde sua constituição. SPED Contábil Não há registro no Sistema Público de Escrituração Digital SPED de entrega da escrituração contábil. SINAL Não há registro de arrecadação tributária nos sistemas de controle da RFB, desde a constituição a empresa. CCORGFIP A empresa nunca apresentou GFIP (consulta até a competência maio/2017). DIRPF Não há registro de DIRPF entregue pelo sócio administrador EVERALDO DE OLIVEIRA, CPF 151. 411.468 20, o que é indício de que o mesmo possui perfil econômico Fl. 6615DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.616 12 fiscal incompatível com o porte da empresa, que movimenta milhões de reais em mercadorias vendidas, conforme dados constantes de NFe. CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais) Em relação ao sócio EVERALDO DE OLIVEIRA, há informação de vínculo empregatício, como empregado, até 22/06/2012, com remuneração inferior a R$ 1.000,00, corroborando o perfil econômicofiscal incompatível com o porte da empresa. Inscrição Estadual e SINTEGRA De acordo com consulta à Inscrição Estadual, a empresa está com sua situação cadastral enquadrada como "IMPEDIDO", estando sua inscrição estadual (n° 79.797.286) desativada de ofício desde 12/11/2012. Outrossim, em consulta ao Sintegra, constatouse que seu cadastro está na situação "NÃO HABILITADO", desde de 12/11/2012, data também da concessão da inscrição, o que indica que a empresa nunca esteve apta a comercializar produtos ou realizar operações com incidência de ICMS no estado do Rio de Janeiro. INTERNET Em pesquisa ao Google, não encontramos site da empresa. BAIXA DA INSCRIÇÃO NO CNPJ As informações colhidas levam à conclusão de que a empresa diligenciada nunca operou desenvolvendo as atividades econômicas descritas no CNPJ, tendo sido constituída tão somente para funcionar como "noteira", emitindo documentos fiscais representativos de operações fictícias, sendo, portanto, inexistente de fato desde sua inscrição no cadastro. Em vista disso, foi providenciada, através do processo administrativo n° 15563.720116/201717, a baixa da inscrição dessa pessoa jurídica no CNPJ, conforme Instrução Normativa RFB n° 1.634, de 06 de maio de 2016, tornandose tornando inidôneos os documentos emitidos, na forma do art. 47, §3°, IV, da mesma IN, desde sua abertura, ou seja, 10/10/2012. Da contabilização de compras fictícias A Fiscalização verificou que as compras efetuadas junto aos fornecedores da fiscalizada foram contabilizadas a débito da conta de resultado "4.1.1.01.0001 COMPRA DE MATERIAIS DE REVENDA", tendo como contrapartida a conta do passivo "2.1.1.01.0001 FORNECEDORES DIVERSOS", no total de R$ 635.689.263,75, sendo que R$ 525.436.311,36 constituem compras junto às referidas empresas, representando 82,6561%. Por sua vez, do total de lançamentos a débito da conta "2.1.1.01.0001 FORNECEDORES DIVERSOS", no importe de R$ 269.031.383,45, apenas R$ 2.000.000,00 referemse a pagamentos efetuados à GRANDMETAL, R$ 1.300.000,00 à METAIS BANDEIRANTES e nenhum valor à POLIMETAL. Com base nessa disparidade, a autoridade fiscal concluiu que não ter havido pagamento, o que corrobora o entendimento de que houve o registro de operações meramente fictícias. Fl. 6616DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.617 13 Em vista disso, a autoridade fiscal assevera ter havido simulação de compras de mercadorias e/ou insumos de pseudofornecedores que não possuíam existência de fato, as chamadas empresas "noteiras", emissoras de notas fiscais representativas de operações simuladas, para reduzir ou suprimir impostos e contribuições de forma artificiosa, inflando custos e utilizando créditos fictícios para desconto/compensação de impostos/contribuições nãocumulativos. Observa, também, que o mesmo procedimento fraudulento já havia sido identificado em procedimento fiscal anterior, que deu origem ao processo administrativo 10932.720088/201515. Na ocasião, foram identificadas como "noteiras" as seguintes empresas: NOME CNPJ BLACK METAIS COMERCIO DE METAIS LTDA 13.121.820/000183 M & G COMERCIO DE METAIS FERROSOS LTDA 12.447.776/000133 MALOX COMERCIO DE METAIS LTDA 12.060.773/000142 DOGMA INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA 11.131.981/000122 NEWSMETAL COMERCIO DE METAIS E RESINAS LTDA 12.985.232/000125 STILL INDUSTRIA E COMERCIO DE ALUMINIO E METAIS LTDA 11.3 51.734/000131 Da movimentação financeira (Carmax) Segundo a Fiscalização, presentes pressupostos legais para se acessar a movimentação bancária do autuado por intermédio de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), foram obtidos os extratos bancários junto ao Banco Bradesco S/A e Itaú Unibanco S/A, à luz dos quais se passaram a conhecer os destinatários dos recursos sacados das contas da fiscalizada. Os dados cadastrais das contas, os cartões de assinatura e os cheques emitidos revelaram que o sócioadministrador CARLOS ROBERTO DOS SANTOS era quem movimentava as contas, assinando os cheques. A autoridade fiscal estampou vultosa movimentação nas contas do autuado, da ordem de R$ 349.554.488,81, a crédito, e R$ 349.476.077,80, a débito. Os cheques emitidos e efetivamente debitados das contas em valor igual ou superior a R$ 10.000,00 totalizaram R$ 235.234.373,27. Desse montante, a expressiva quantia de R$ 147.155.766,38 foi sacada em favor de BLACK METAIS COMERCIO DE METAIS LTDA (CNPJ 13.121.820/000183), através de 181 cheques nominais à empresa, mais 2 cheques nominais a Carmax cujos valores foram depositados em conta da empresa, o que representa 42,52% do total dos valores debitados (148.605.766,38/349.476.077,80): Fl. 6617DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.618 14 Beneficiário Cheque Valor Total Qt.Operações BLACK METAIS 148.605.766,38 183 SPARTACO IND. COM. METAIS LTDA. 8.018.561,25 39 IPANEMA COML. IMP. EXP. LTDA. 8 161.891,83 18 Total Geral 164.786.219,46 240 Das verificações relativas a BLACK METAIS COMÉRCIO DE METAIS LTDA Em contrapartida, a autoridade fiscal verificou inexistir no SPED/NFe documentos fiscais emitidos pela Black Metais cujo destinatário fosse a Carmax. Também não se registraram lançamentos contábeis da fiscalizada relativos a compras junto à Black Metais. Dessa forma, erigiuse forte indício de que a pessoa jurídica servira para ocultar os reais beneficiários das operações da fiscalizada. Outros elementos adiante relatados reforçam essa conclusão, na visão da Fiscalização. Em diligência efetuada em 17.09.2014 na Black Metais, no endereço situado à Avenida Elísio Cordeiro de Siqueira, 1179, Jardim Santo Elias, São Paulo (SP), constante do CNPJ, constatouse que no local havia uma loja de móveis, concluindo se que essa empresa inexistia de fato no referido local e que flagrantes irregularidades fiscais descritas no Relatório de Diligência indicam se tratar de mera empresa de fachada. Em consulta realizada nos documentos arquivados na Junta Comercial de São Paulo JUCESP, apurouse que o Sr. FÁBIO ANDRADE DE LIMA, um dos sócios administradores da empresa Black Metais, propôs ação judicial em face da JUCESP para anulação do contrato social que constituíra a aludida pessoa jurídica, sob a alegação de nunca a ter aberto. Por sentença transitada em julgado em 11.10.2016, julgouse parcialmente procedente o pedido para anular o ato administrativo de constituição da pessoa jurídica, com efeitos ex nunc. A Junta Comercial deu cumprimento à decisão judicial, com registro no cadastro da empresa. Portanto, assim como se dera em relação ao ano de 2011, em que a Black Metais fora identificada como "noteira" no processo administrativo 10932.720088/201515 (atualmente no Carf), essa empresa não passou de interposta pessoa em relação à Carmax. Tendo em vista que a empresa não foi localizada e sua constituição foi anulada, requisitouse a movimentação financeira da Black Metais em conta existente no Banco Bradesco S/A. Os documentos apresentados em resposta à RMF, em particular os dados cadastrais, cartões de assinatura e cheques emitidos, mostram o sócio de nome FÁBIO ANDRADE DE LIMA como quem aparentemente movimentava a conta, assinando os cheques. No entanto, como já relatado, o Sr. Fl. 6618DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.619 15 FÁBIO ajuizou ação judicial para anulação do contrato social da BLACK METAIS, sob a alegação de nunca a ter aberto. Analisando os extratos, identificouse vultosa movimentação financeira, da ordem de R$ 151.453.217,27, a débito, e R$ 151.297.767,64, a crédito. Do total dos créditos, R$ 148.439.966,38 (98,11%) representam recursos com origem na Carmax, explicitamente identificada no extrato bancário. As fitasdetalhe do caixa relativas a cheques nominais à própria Black Metais trouxeram informações acerca dos reais beneficiários dos valores sacados, através de depósito em conta corrente. Chamaram a atenção da autoridade fiscal os beneficiários relacionados no quadro abaixo, juntamente com os valores envolvidos: Beneficiário Depósito/Cheque Valor Total (R$) ARIOVALDO RIPANI 706.141,88 ATURIA INDUSTRA E COMERCIO DE METAIS LTDA EPP 360.000.00 ELIZABETH RIPANI 66.000.00 MAURO RIPANI 56.000.00 RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI 300.000.00 SPARTACO INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA 2.877.278.60 VENEZA EMPREEIND. PARTICIPACOES E ADM. DE BENS LTDA 905.000.00 VISCONTE INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS EIRELI EPP 49.016.256.00 WALDEMAR RIPANI JUNIOR 178.000.00 Total Geral 54.464.676.48 Dos resultados da ação fiscal anterior (processo administrativo 10932.720088/201515) A autoridade fiscal traz a notícia de que a Carmax fora autuada em 2015 em relação a fatos geradores de 2010 e 2011, tendo sido constatada prática fraudulenta semelhante à aqui imputada. Tratase do processo administrativo 10932.720088/201515, que tramita no contencioso administrativo, estando atualmente aguardando julgamento do recurso voluntário no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Naquela autuação, a fiscalizada “simulava comprar mercadorias e/ou matériasprimas de várias outras empresas que atuavam como pseudofornecedoras, as chamadas "noteiras", que não possuíam existência de fato, conforme Fl. 6619DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.620 16 comprovado por esta Delegacia e pelo trabalho do Escritório de Pesquisa e de Investigação da 7ª Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, através de diligências in loco”. Registrouse ainda que “no rastreamento de recursos da empresa CARMAX, movimentado principalmente através da Agência 0559 SP/USP Radial Leste do Banco Bradesco S/A, constatouse que vários cheques favoreciam pessoas vinculadas à família RIPANI, entre eles, ARIOVALDO RIPANI”. “As atividades empresariais ocultas da família RIPANI atingiram um grau elevado de sofisticação, que, além das interposições de pessoas no quadro societário da CARMAX, visando ao não atingimento dos nomes dos reais beneficiários (os RIPANI), com o objetivo de manter os transportes das mercadorias sob controle e no anonimato, constituíram a empresa ALCANTARA MACHADO TRANSPORTES EIRELLI ME, CNPJ 11.272. 163/000140, ... , cujos sócios no período de 22/10/2009 a 14/11/2013 eram ARIOVALDO RIPANI CPF 486. 273 . 56815 e RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI CPF 255. 74 7. 81808” . Anota a Fiscalização, ainda, que “os recursos retornavam aos ‘caixas’ da organização em forma de depósitos e/ou transferências bancárias advindos dessas empresas inidôneas, simulando operações comerciais que jamais existiram, tanto pela própria inexistência dessas empresas, tanto pela própria mecânica fraudulenta das operações que simulavam a quitação de títulos, quando em verdade os recursos favoreciam os reais beneficiários”. Foram identificados vários pagamentos a ARIOVALDO RIPANI e a outras empresas ligadas à família RIPANI, nos anos de 2010 e 2011, a saber: ARIOVALDO RIPANI, CPF 486.273.56815 R$ 892.930,69 SUBA FOMENTO MERCANTIL LTDA, CNPJ 09.061.934/000108 R$ 3.479.377,01 IPANEMA COMERCIAL EXP E IMP LTDA, CNPJ 61.087.482/000153 R$ 1.738.557,36 VENEZA EMP PARTICIP E ADM DE BENS LTDA, CNPJ 55.373.542/000100 R$ 286.000,00 ATURIA IND. E COM. DE METAIS LTDA, CNPJ 11.127.868/000173 R$ 51.824.992,02 SPARTACO IND E COM DE METAIS LTDA, CNPJ 07.192.303/000100 R$ 43.884.284,70 Da formação de grupo econômico com outras empresas A autoridade fiscal relaciona diversas empresas que comporiam com a autuada um mesmo grupo econômico, por diversas razões: compartilhamento do mesmo endereço, empresas pertencentes ao mesmo grupo de pessoas, existência de confusão patrimonial, revelada pela concessão de empréstimos entre si, sem qualquer Fl. 6620DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.621 17 comprovação formal (entre ARIOVALDO RIPANI, RAPHAEL RIPANI e SPARTACO; entre ELIZABETH RIPANI, MAURO RIPANI, RAPHAEL RIPANI, VENEZA e SPARTACO), idêntico perfil de atividade (CARMAX, METALTUBOS, SUPERLIGAS), presença no quadro societário de pessoa que não possui perfil econômicofiscal compatível com o porte das empresas (ARTUR SANTOS DA PAIXÃO, sócio das empresas SUPERLIGAS; RUBENS MORRONE, sócio também da SUPERLIGAS, da METALTUBOS e da PIRANI), beneficiários dos recursos receberam procuração com amplos poderes para gerir negócios das diversas sociedades (ARIOVALDO RIPANI era o procurador da empresas SUPERLIGAS, IPANEMA, PIRANI, METALTUBOS). A existência do grupo econômico foi reconhecida por decisão judicial exarada no Processo de Execução Fiscal nº 0058812.46.2003.4.03.6182, que tramitou na 9ª Vara da Justiça Federal de São Paulo. Em vista disso, a autoridade fiscal assevera que ao menos as seguintes empresas integraram o mesmo grupo econômico: NOME CNPJ METALTUBOS COMÉRCIO DE METAIS LTDA 54.242.805/000170 SUPERLIGAS METAIS E LIGAS LTDA 57.916.587/000109 SPARTACO IND E COM DE METAIS LTDA 07.192.303/000100 PIRANI IND. COM. DE METAIS LTDA 46.929.212/000159 IPANEMA COMERCIAL EXP E IMP LTDA 61.087.482/000153 SUBA FOMENTO MERCANTIL LTDA 09.061.934/000108 VENEZA EMP PARTICIP E ADM DE BENS LTDA 55.373.542/000100 ATURIA IND. E COM. DE METAIS LTDA 11.127.868/000173 ALCANTARA MACHADO TRANSPORTES EIRELLI –ME 11.272.163/000140 VISCONTE INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS EIRELI – EPP 14.683.819/000105 Dos Reais Beneficiários das Operações Fraudulentas A Fiscalização concluiu que o autuado operara, no ano 2013, do mesmo modo fraudulento que nos anos de 2010 e 2011, sendo que desta feita fazendo uso também de outras entidades, com ou sem existência de fato, que atuaram como “noteiras’ e/ou serviram para ocultar os reais beneficiários das operações, como Fl. 6621DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.622 18 a BLACK METAIS COMERCIO DE METAIS LTDA. Esta última, afirma, fora identificada como ‘noteira” em relação ao ano de 2011. Já no ano de 2013 não emitiu NFe, mas por sua conta bancária transitaram vultosas somas com origem em contas bancárias da fiscalizada CARMAX. Exatamente para o 2013 foram identificadas como beneficiárias de recursos provenientes diretamente da fiscalizada as seguintes empresas do grupo econômico: a) IPANEMA COMERCIAL EXP E IMP LTDA, CNPJ 61.087.482/000153 R$ 8.161.891,83 b) SPARTACO IND E COM DE METAIS LTDA, CNPJ 07.192.303/000100 R$ 8.018.561,25 54. Outrossim, foram identificadas como beneficiários indiretos de recursos da fiscalizada, que transitaram por conta bancária da empresa BLACK METAIS, as seguintes empresas e pessoas físicas: a) ARIOVALDO RIPANI, CPF 486.273.56815 R$ 706.141,88; b) ATURIA IND. E COM. DE METAIS LTDA, CNPJ 11.127.868/000173 R$ 360.000,00; c) ELIZABETH RIPANI, CPF 072.127.00851 R$ 66.000,00; d) MAURO RIPANI, CPF 053.733.02830 R$ 56.000,00; e) RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI, CPF 255.747.81808 R$ 300.000,00; f) SPARTACO IND E COM DE METAIS LTDA, CNPJ 07.192.303/000100 R$ 2.877.278,60; g) VENEZA EMP PARTICIP E ADM DE BENS LTDA, CNPJ 55.373.542/000100 R$ 905.000,00; h) VISCONTE IND. E COM. DE METAIS EIRELI EPP, CNPJ 14.683.819/000105 R$ 49.016.256,00; i) WALDEMAR RIPANI JÚNIOR, CPF 164.233.75879 R$ 178.000,00 55. Os beneficiários acima identificados foram intimados pela Fiscalização, diretamente ou através de seus representante legais, a fim de esclarecerem as relações fáticas e jurídicas mantidas com as empresas, bem como a que título receberam delas valores identificados em transações bancárias. Em resposta, uns declararam não possuir elementos nos “arquivos pessoais” para atender à solicitação, outros sustentaram desconhecer o recebimento de valores de dada empresa. Fl. 6622DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.623 19 Em vista disso, concluiu a Fiscalização: 59. Vêse, pois, que os intimados ou apresentaram respostas insipientes ou simplesmente mantiveramse silentes. Notadamente, quando instados a esclarecerem a que título receberam da empresa BLACK METAIS valores depositados no Banco Bradesco, os intimados ARIOVALDO RIPANI, RAPHAEL EDUARDO SILVEIRA RIPANI, ELIZABETH RIPANI, MAURO RIPANI, WALDEMAR RIPANI JÚNIOR, ATURIA IND. E COM., VIS CONTE IND. E COM., SPARTACO IND. E COM. e VENEZA EMPREENDIMENTOS disseram não lembrar do referido crédito, situação improvável visto que os depósitos em conta corrente dos beneficiários eram efetuados com regularidade e em valores expressivos. 60. No caso de ARIOVALDO, RAPHAEL e WALDEMAR, além da frequência, os depósitos, em sua maioria, foram feitos em valor determinado, que se repetia (obs. depósito no valor de R$ 20.000,00). No caso de ELIZABETH e MAURO, os frequentes depósitos foram feitos, em sua maioria, no valor de R$ 7.000,00. 61. Todos os citados personagens (pessoas físicas e jurídicas), beneficiários de recursos financeiros da fiscalizada, estiveram envolvidos direta ou indiretamente com as operações da organização, ou fazendo parte do grupo econômico ou administrando empresa dele integrante, consoante já demonstrado anteriormente. 62. Tendo lhes sido dada a oportunidade para esclarecimentos, através de intimação, mantiveramse silentes ou não apresentaram justificativas convincentes. 63. Considerando que comprovadamente receberam, sem justificativa plausível, recursos provenientes da fiscalizada, ainda que por intermédio da BLACK METAIS, concluise serem todos corresponsáveis pelas operações fraudulentas, a saber: ATURIA IND. E COM. DE METAIS LTDA, SPARTACO IND E COM DE METAIS LTDA, VENEZA EMP PARTICIP E ADM DE BENS LTDA, VIS CONTE IND. E COM. DE METAIS EI RELI EPP, IPANEMA COMERCIAL EXP E IMP LTDA, ARIOVALDO RIPANI (procurador de diversas empresas do grupo e, no ano fiscalizado, sócioadministrador das empresas SUBA FOMENTO MERCANTIL LTDA E ALCANTARA MACHADO TRANSPORTES EIRELLI ME) , RAP HA EL EDUARDO SILVEIRA RIPANI (procurador de ARIOVALDO RIPANI e, no ano fiscalizado, sócioadministrador das empresas SUBA FOMENTO MERCANTIL LTDA e ALCANTARA MACHADO TRANSPORTES EIRELLI ME), WALDEMAR RIPANI JÚNIOR (sócioadministrador da VENEZA, empresa com sede no mesmo endereço da filial da fiscalizada com CNPJ 05.504.647/0002 55), ELIZABETH RIPANI (sócioadministrador da VENEZA) e MAURO RIPANI (sócioadministrador da VENEZA) . Do arbitramento do lucro Fl. 6623DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.624 20 O contribuinte, originalmente submetido à sistemática do lucro real trimestral, teve seu lucro tributável arbitrado pela autoridade fiscal com base no art. 530, II, do RIR/99, segundo o qual se aplica o arbitramento no caso de a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real. Na espécie, sustenta a Fiscalização restar comprovado que a contabilidade não espelhava a realidade das operações comerciais (registro de compras fictícias) e bancárias realizadas pela empresa, sendo, portanto, imprestável para a apuração do lucro real, visto que não registra grande parte das transações realizadas pela empresa e/ou que não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas. A base de cálculo foi determinada pela aplicação do percentual de 9,6% sobre o montante das receitas documentadas em NFe emitidas pela fiscalizada e existente na base do SPED, tendo sido descontadas as NFe de devoluções, conforme demonstrativo abaixo: A contribuições do PIS/Pasep e da Cofins foram a apuradas sob o regime da cumulatividade, já que não se lhe aplica o regime oposto, por força do inciso II do art. 8º da Lei nº 10.637/2002 e no inciso II do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Cientificados da pretensão fiscal pela via editalícia em 05.01.2018 (fls 4888/4889) e em 26.01.2017 (fls 4869/4870), o contribuinte apresentou impugnatória em 20.02.2018 (fls 5363/5405), aduzindo questões preliminares e de mérito com vistas a infirmar os autos de infração. Fl. 6624DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.625 21 Em seguida, foi proferido v. acórdão recorrido julgando improcedente a impugnação, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 INTIMAÇÃO POR EDITAL. NULIDADE. É nula a intimação por edital intentada sem o pressuposto do insucesso das demais formas de intimação. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece da impugnação apresentada intempestivamente. PEDIDO DE PERÍCIA. REALIZAÇÃO PRESCINDÍVEL. Há que se denegar o pedido de realização de procedimento pericial quando se encontrarem presentes nos autos elementos suficientes à adequada instrução probatória e à formação da livre convicção fundamentada da autoridade julgadora, o que bem demonstra ser prescindível a sua realização. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. PEDIDO DE DESCONSIDERAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO. ART. 83 DA LEI 9.430/96. PEDIDO NÃOCONHECIDO. Não compete a esta instância administrativa qualquer ingerência no trâmite da representação, que, sendo peça destinada ao Ministério Público, de regra, acompanha incólume o desenrolar da lide tributária até a decisão final no processo administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013 GLOSA DE VALORES DE COMPRA PRÓXIMOS DAQUELES REGISTRADOS NA DIPJ. CONTABILIDADE IMPRESTÁVEL. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. A lei, ao prever o arbitramento do lucro, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Verificado que a contabilidade registra transações que não existiram no mundo real, o que resultou em glosas próximas da totalidade das compras registradas na DIPJ, não há como se quantificar o Custo de Mercadorias Vendidas (CMV), o que torna a contabilidade imprestável para a apuração pelo lucro real, impondose, por conseguinte, o arbitramento dos lucros para fins Fl. 6625DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.626 22 de apuração do IRPJ e da CSLL em cada um dos períodos de apuração lançados. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2013 MULTA DE OFÍCIO. SIMULAÇÃO. QUALIFICAÇÃO. Qualificase a multa de ofício quando restar comprovada a prática simulatória que tenha por objetivo reduzir ou excluir tributo. MULTA DE OFÍCIO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. AGRAVAMENTO. O agravamento da multa pela não apresentação dos arquivos e sistemas digitais, conforme hipótese prevista no inciso II, § 2º, do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, deve ser aplicado em um contexto de recusa deliberada de atendimento às intimações, com claro intuito de impedir ou prejudicar, de forma essencial, a constituição do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO FEITA POR EDITAL. CARACTERIZAÇÃO. A circunstância das intimações, não atendidas pelo sujeito passivo, terem sido feitas mediante edital não afasta a possibilidade do agravamento da penalidade, uma vez feitas (as intimações) em conformidade com as normas que regulam o procedimento fiscal, pois aquelas produzem os mesmos efeitos das intimações pessoais ou por via postal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE JURÍDICO COMUM. COMPROVAÇÃO. São solidariamente obrigadas ao pagamento do crédito tributário lançado contra o contribuinte as demais pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico ou ainda as que tenham participado das práticas ilícitas apuradas, desde que comprovado o interesse jurídico comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. Comprovada a existência de atos praticados com infração de lei, é correto atribuir aos administradores, de direito ou de fato, tanto da empresa autuada como de outras do mesmo grupo econômico, que tenham atuado em conjunto na realização de tais práticas ilícitas, responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado de ofício, durante o período em que detinham poder de gerência. Fl. 6626DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.627 23 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2013 PIS/PASEP. COFINS. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA PELO LUCRO ARBITRADO. SUJEIÇÃO COMPULSÓRIA AO REGIME CUMULATIVO. A legislação das contribuições é expressa ao determinar que a pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado sujeitase compulsoriamente ao regime cumulativo. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Recorrente interpôs Recuso Voluntário, repisando os mesmos argumentos da impugnação e posteriormente apresenta recurso complementar informando que o Fisco Paulista proferiu decisão cancelando autuação entendendo que a Carmax existia de fato no ano de 2013. Os coobrigados também interpuseram Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 6627DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.628 24 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O recurso da empresa autuada é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos na legislação pertinente, motivo pelo qual, o admito. Do arbitramento do lucro real: Primeiramente, insta ressaltar que esta C. Turma já analisou processo análogo, que glosou os custos e despesas dos anos de 2010 e 2011, com a mesma empresa Recorrente, com a mesma matéria e documentos contábeis. Tratase do processo administrativo 10932.720088/201515, onde este Colegiado decidiu reformar decisão proferida pela DRJ, em sede de Recurso de Ofício, por entender que seria possível apurar o lucro real com os documentos constantes nos autos. Ou seja, a DRJ havia cancelado a infração por entender que seria necessário o arbitramento do lucro e esta C. Turma, em sede de Recurso de Ofício, ao analisar os documentos constantes nos autos e os que deram base a atuação entendeu que era possível a apurar o lucro real, conforme foram lavrados os autos de Infração objetos daquele processo de final 201515, reformando o julgado "a quo". Vejamos a ementa e o voto vencedor do v. acórdão proferido por esta C. Turma nos autos do processo 10932.720088/201515. Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 LANÇAMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL Deve ser considerado para os lançamentos efetuados o regime de tributação adotado pelo contribuinte, no caso, o Lucro Real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 Fl. 6628DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.629 25 COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. LUCRO REAL. O regime da não cumulatividade da COFINS e PIS deve ser aplicado para os contribuintes tributados pelo imposto de renda com base no lucro real. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010,2011 APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO. NINGUÉM PODE BENEFICIARSE DA PRÓPRIA TORPEZA. Não pode o contribuinte aproveitarse da conduta, em desacordo com as normas legais, de simular a compra de mercadorias de outras empresas "noteiras". Segue o votovencedor: O i. relator, no seu voto, por considerar que a fiscalização equivocouse na apuração e lavratura dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, a vista dos elementos presentes nos autos e no voto da DRJ/POA, concluiu no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, mantendo exonerados a totalidade dos créditos tributários constituídos. Contudo, no entender do colegiado discordase do i. relator, decidindose, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício para reformar a decisão recorrida e restabelecer os lançamentos efetuados. A fim de esclarecer a conclusão da decisão de 1º Instância, reproduzse o seguinte trecho do voto condutor do Acórdão da DRJ/POA: "A contribuinte apurou seus resultados, no período autuado, pelo lucro real. A apuração nessa sistemática exige a escrituração de todas as receitas, resultados operacionais e não operacionais, de todos os custos e despesas da empresa, bem como sua regular contabilização e comprovação. A apuração do lucro real é precedida da apuração do lucro líquido, que, ajustado por critérios definidos na lei fiscal, vai redundar no lucro a ser tributado. É o previsto no art. 247 do RIR/99: Art.247.Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 6º). §1ºA determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, §1º). [...] Fl. 6629DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.630 26 O lucro líquido do períodobase, por seu turno, é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial, de acordo com o art. 248 do RIR/99. Por fim, conforme estabelecem os artigos 277 e 278 do RIR/99, o lucro operacional decorre do lucro bruto, o qual corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. Com esses dispositivos em mente, é inadmissível supor a tributação com base num lucro real no qual não estão computados os custos dos negócios que geraram a receita e, entre eles, o custo das mercadorias vendidas." (grifo nosso). Não merece prosperar o entendimento do Acórdão da DRJ/POA, ou seja, que "é inadmissível supor a tributação com base num lucro real no qual não estão computados os custos dos negócios que geraram a receita e, entre eles, o custo das mercadorias vendidas", pois no caso concreto, comprovouse que a contribuinte simulou a compra de mercadorias de empresas "noteiras", conforme detalhado a seguir. A contribuinte foi constituída sob a interposição fraudulenta de pessoas físicas, além disso, simulava comprar mercadorias de outras empresas "noteiras". A empresa transacionou fictamente com empresas inexistentes, totalizando mais de R$ 185 milhões em 2010 e mais de R$ 196 milhões em 2011, em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta. Transcrevese a seguir os trechos do Termo de Verificação de Infração que afirmam estes fatos: 1.8. A empresa CARMAX, constituída sob a interposição fraudulenta dessas pessoas físicas, movimentou em instituições financeiras recursos que juntos perfizeram o montante de R$ 609.515.988,45 no período de 2008 a 2011. 1.9. A empresa CARMAX simulava comprar mercadorias e/ou matériasprimas de várias outras empresas que atuavam como pseudofornecedoras, as chamadas "noteiras", que não possuíam existência de fato, conforme comprovado por esta Delegacia e pelo trabalho do Escritório de Pesquisa e de Investigação da 7a Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, através de diligências "in loco", a serem mostrados ao longo desse Termo. Nessa acepção fática, a CARMAX transacionou fictamente com empresas inexistentes, totalizando mais de R$ 185 milhões em 2010 e mais de R$ 196 milhões em 2011, em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta. 1.10. Pela análise da Contabilidade de 2010, a CARMAX transacionou um valor de R$ 185.187.709,84 em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta, em um total no valor de R$ 243.123.621,39 em notas fiscais, o que significa que 76% de todas as suas compras foram consideradas fictas (COMPRAS Fl. 6630DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.631 27 DE MERCADORIAS EM 2010), conforme mostrado em sua Contabilidade apresentada via SPED. 1.11. Pela análise da Contabilidade de 2011, a CARMAX transacionou um valor de R$ 196.965.543,62 em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta, em um total no valor de R$ 259.575.283,67 em notas fiscais, o que significa que 75% de todas as suas compras foram consideradas fictas (COMPRAS DE MERCADORIAS EM 2011), conforme mostrado em sua Contabilidade apresentada via SPED. Descrevese a seguir o trecho do Termo de Verificação de Infração que descrevese o "modus operandi" da contribuinte: 7.1. A CARMAX simulou em sua contabilidade operações comerciais que não existiam, sendo que estas representavam meras simulações com o objetivo de aumentar o passivo da conta de fornecedores, através de valores que não representavam reais operações mercantis. Tal fato é corroborado tanto pela própria inexistência da maioria das empresas fornecedoras, tanto pela própria mecânica das operações mercantis fictas. 7.2. Durante os andamentos dos trabalhos, constatamos que, dentre alguns de seus fornecedores, constavam empresas com registros no relatório produzido pela DRF Nova Iguaçu/RJ. 7.3. Nas diligências realizadas nessas empresas, constatamos que as mesmas apresentam "inexistências de fato" e servem para a produção de notas fiscais para o acobertamento da saída de recursos financeiros, com finalidades distintas de operações comerciais de compra e venda. Tais transações comerciais são meras simulações. 7.4. A simulação consistia na emissão de um determinado cheque para o pagamento de um título comercial de uma fornecedora inexistente que, contabilizado em sua escrita fiscal, transparecia aos olhos dos Fiscos Estadual e Federal a efetiva realização da transação comercial que representava. O rastreamento dos recursos em nível de contacorrente bancária demonstrava a improcedência do lançamento, já que os recursos, em verdade, eram direcionados a terceiras pessoas, fisicas e jurídicas, totalmente estranhas às operações que representavam, tudo isso obviamente à margem da escrita contábil e fiscal. 7.5. Em que pese a inexistência de fato dessas empresas, que atuavam na condição de pseudofornecedoras da contribuinte CARMAX, as mesmas eram movimentadas mediante interposição de pessoas, já que os respectivos quadros sociais de direito eram compostos por pessoas cujo patrimônio declarado não apresentava representatividade econômica, conforme demonstram as declarações de Imposto de Renda Pessoa Física das mesmas. Verificase que a contribuinte pretendese beneficiar do Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) na determinação do Lucro Fl. 6631DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.632 28 Líquido, que servirá de ponto de partida para obtenção do Lucro Real, aproveitandose da conduta, em desacordo com as normas legais, de simular a comprar mercadorias de outras empresas "noteiras". Com base nesse argumento, concluise no Acórdão de 1ª Instância que é inadmissível supor a tributação com base num lucro real no qual não estão computados os custos dos negócios que geraram a receita e, entre eles, o custo das mercadorias vendidas. Não merece prosperar as alegações da contribuinte e o entendimento do Acórdão da DRJ/POA, pelas seguintes razões: primeiramente, não há custo de mercadorias em operações de compra que foram simuladas e, em segundo lugar, aplicase ao presente caso o princípio nemo auditur propriam turpitudinem allegans, ou, em outras palavras, ninguém pode se beneficiar da própria torpeza. Este princípio, de aplicabilidade geral em qualquer área do Direito, referese a questões de que nenhuma pessoa pode fazer algo incorreto e/ou desacordo com as normas legais e depois alegar tal conduta em proveito próprio. Não há que se aproveitar a alegação da contribuinte de que deve ser aproveitados os custos das mercadorias em operações comprovadamente simuladas, conduta esta em desacordo com as normas legais. Quanto ao regime de tributação, constatase que a contribuinte apresentou sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ dos anoscalendário de 2008 a 2011, sendo adotada a forma de tributação LUCRO REAL, com apuração trimestral do Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1RPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (DIPJ2010; DIPJ2011). Apresentou ainda o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — DACON dos anoscalendário de 2008 a 2011, sendo adotado o regime não cumulativo de apuração das contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Tendo sido afastadas as alegações de que"é inadmissível supor a tributação com base num lucro real no qual não estão computados os custos dos negócios que geraram a receita e, entre eles, o custo das mercadorias vendidas", deve ser considerado para os lançamentos efetuados o regime de tributação adotado pela contribuinte, isto é o LUCRO REAL, e consequentemente o regime não cumulativo de apuração das contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Ressaltase, ainda, que o arbitramento do lucro é uma medida extrema, só aplicável quando não há possibilidade de apurar o imposto por outro regime de tributação, portanto mostrase correto a utilização da apuração pelo Lucro Real no Fl. 6632DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.633 29 lançamento das infrações, tendo em vista que este regime foi o adotado pela contribuinte. Pois bem. Utilizando os mesmo fundamento da DRJ na decisão de primeira instância no processo análogo acima indicado, a fiscalização também decidiu arbitrar o lucro neste Auto de Infração, por entender que devido a infração cometida por meio da simulação e da fraude praticada pela Recorrente, não poderia confiar nos registros contábeis fornecidos pela autuada (ou seja toda a contabilidade estaria fraudada e inutilizada) e, por isso, não teria como saber de forma precisa o montante do estoque inicial para calcular o Custo da Mercadoria Vendida CVM que deveria integrar ao lucro liquido e posteriormente a receita exigida. Devido a tal impossibilidade de encontrar o CVM a fiscalização decidiu arbitrar o lucro ao invés de apenas glosar os custos e despesas gerados pelos documentos inidôneos emitidos para acobertar as operações de compra de mercadorias consideradas simuladas. Também da mesma forma do processo acima indicado, ou até mais completo, constam dos autos, a DIPJ/2014 indicando a tributação pelo lucro real trimestral, a DCTF de janeiro de 2013, Livro Razão completo do ano 2013, Demonstrativos de notas fiscais de Vendas, Demonstrativo de notas fiscais de compras e Demonstrativo de notas fiscais de devolução das mercadorias vendidas, documentos estes que serviram para formular a autuação. Consta ainda no Termo de Verificação Fiscal, que através do sistema SPED a fiscalização teve acesso a toda contabilidade da empresa Recorrente, ou seja, teve acesso tanto ao ECD, quanto a EFD (fl. 7 do TVF), bem como através de RMF obteve acesso a toda movimentação bancária do ano de 2013. Vejam, de acordo com os documentos acima indicados, o contribuinte entregou por meio do SPED todo documentação contábil e fiscal, sendo que a fiscalização tinha condições de determinar e apurar o lucro real e identificar a efetiva movimentação financeira e bancária, devendo ser afastada as regras do arbitramento previstas no artigo 509 do RIR/99. Sendo assim, devido a extrema semelhança entre os dois processos, bem como os documentos acostados aos autos, ao que me parece, a fiscalização tinha condições de apurar o lucro real da empresa e glosar as despesas e custos que foram gerados em operações fictícias de compra de mercadoria, eis que obteve acesso a contabilidade completa, livro razão, todas as notas fiscais emitidas relativas as compra, as venda e as de devolução de mercadorias, podendo chegar a receita tributável sem a necessidade de arbitrar o lucro. Ademais, entendo não ser correto o fundamento da fiscalização para arbitrar o lucro, no sentido de que não consegue chegar ao valor do custo da mercadoria vendida (CVM), eis que não existe tal custo em operações de compra simulada e também não deve ser incluído no cálculo da despesa glosada. Vejam, não estamos falando de infração de omissão de receita ou falta de pagamento de imposto, mas de glosa de despesa e custos originados em operações de compra de mercadorias, onde o montante que deve ser exigido deve ser exatamente o da despesa ou Fl. 6633DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.634 30 custo indevido que reduziu a base de cálculo do imposto a pagar. Sendo assim, não verifico a necessidade de se apurar o lucro pelo arbitramento eis que no caso dos autos o valor a ser autuado deve ser o somatório das despesas e custos indevidos gerados nas compras simuladas. O fato de a fiscalização desconsiderar a contabilidade da Recorrente e entender que por tal motivo não poderia chegar ao montante exato do estoque inicial para calcular o custo da mercadoria vendida não interfere no valor das despesas e custos indevidos glosados, que podem ser apurados com base nos valores dos documentos (notas fiscais) emitidos para acobertar as operações fictícias. Assim, entendo não ser necessário saber o valor do custo da mercadoria vendida para se apurar os custos e despesas indevidos que foram glosados, bem como entendo que a fiscalização teria condições para apurar o lucro real, sendo desnecessário o arbitramento do lucro. E, se não era necessário apurar o IRPJ e a CSLL pela sistemática do arbitramento do lucro, eis que é medida extrema, utilizada apenas em hipóteses excepcionais, podendo a fiscalização apurar o lucro real, o PIS e a COFINS decorrentes deveriam ser calculadas pela sistemática do regime nãocumulativo, o que não ocorreu no caso concreto. Desta forma, como não é possível alterar a forma da tributação escolhida pelo Auditor Fiscal para lavrar o Auto de Infração de lucro arbitrado para lucro real (erro de direito), sob pena de se incorrer em ofensa ao artigo 146 e 149 do CTN, entendo que os Autos de Infração devem ser cancelados. Vejamos a ementa do v. acórdão 9101003.157, proferido pela C. Câmara Superior da Primeira Seção de Julgamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 NULIDADE. DECISÃO ADMINISTRATIVA QUE MODIFICA CRITÉRIO DO LANÇAMENTO DE IRPJ. CTN, ART. 146. ERRO DE DIREITO. CTN, ART. 149, IV. DECRETO 70.235/1972, ART. 59, II, §3º. A decisão da DRJ que altera o regime de apuração do IRPJ, de lucro real para lucro presumido, é nula, por ofensa ao artigo 146, do Código Tributário Nacional. O erro de direito não é passível de correção por julgadores administrativos, em observância ao artigo 149, IV, do Código Tributário Nacional. O artigo 59, §2º, do Decreto nº 70.235/1972, autoriza seja superada a nulidade do lançamento tributário quando a autoridade julgadora “puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo”. Não há previsão legal para superação da nulidade para prolação de decisão desfavorável ao sujeito passivo. Fl. 6634DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 15563.720236/201714 Acórdão n.º 1402004.587 S1C4T2 Fl. 6.635 31 Conclusão: Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recuso Voluntário e dou provimento para cancelar os Autos de Infração. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 6635DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10950.904858/2009-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1001-000.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta verifique, em seus sistemas de controle, se há pagamento disponível no valor principal de R$ 1.216,32, de código 8053, para o período de apuração do terceiro decêndio de março de 2006, e se o débito confessado no período, de R$ 895,10, foi alterado por eventuais DCTF retificadoras.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, José Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta verifique, em seus sistemas de controle, se há pagamento disponível no valor principal de R$ 1.216,32, de código 8053, para o período de apuração do terceiro decêndio de março de 2006, e se o débito confessado no período, de R$ 895,10, foi alterado por eventuais DCTF retificadoras. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Machado Millan - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, José Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. Relatório O presente processo trata de declaração de compensação (DCOMP às fls. 02 a 06) que utiliza como crédito pagamento a maior de IRRF, código 8053, efetuado em 05/04/2006, no valor de R$ 321,22 (crédito utilizado R$ 79,01). Transcrevo, abaixo, o relatório da decisão de primeira instância, que resume o litígio: Por meio da Declaração de Compensação – Dcomp de nº 14846.70722.300606.1.3.04-4018 (fls. 2 a 6), apresentada em 30 de junho de 2006, o interessado compensou crédito próprio relativo a pagamento indevido de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF no valor de R$ 79,01 com débito também próprio administrado por esta Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Em Despacho Decisório proferido em 22 de junho de 2009 (fl. 34), do qual o contribuinte foi cientificado no dia 2 de julho daquele mesmo ano (fl. 37), a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF em Maringá/PR não homologou a compensação, uma vez que o pagamento informado já havia sido utilizado para a quitação de outros débitos do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .9 04 85 8/ 20 09 -1 4 Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1001-000.284 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10950.904858/2009-14 Inconformado, o interessado apresentou, em 3 de agosto de 2009, a manifestação de inconformidade de fls. 8 a 12, à qual juntou os documentos de fls. 13 a 32. Preliminar. Suspensão de exigibilidade. Nesse documento, inicialmente, solicita que o débito em cobrança permaneça com sua exigibilidade suspensa em virtude da apresentação da manifestação de inconformidade. Nesse sentido, cita o art. 66 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, e o art. 151 do Código Tributário Nacional – CTN, além de jurisprudência administrativa. Duplicidade. Erro de preenchimento. Na sequência, alega que efetuou recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF em duplicidade para o mesmo período, a primeira vez em 10/03/2006 e a segunda em 31/03/2006, motivo pelo qual transmitiu Dcomp visando compensar esse valor com débitos seus relativos ao mesmo imposto. Também informa que errou ao preencher sua Dcomp, o que ocorreu ao prestar as informações relativas aos campos Crédito Original na Data da Transmissão e Saldo do Crédito Original. Daí, alega que tal equívoco não deveria obstar seu crédito nem seu direito de compensação desses valores, já que o erro material não pode estar à frente do direto de compensar valores pagos em duplicidade. Pelo que expôs, requer a reforma da decisão proferida pela DRF Maringá, solicitando também a suspensão da exigibilidade do débito até que ocorra o julgamento definitivo deste processo, pedindo ainda que não seja emitido auto de infração ou exigida multa de mora, tendo em vista já estar o débito declarado. Por fim, pede que não seja aplicada multa isolada punitiva, posto que o crédito tributário ainda se encontra em análise. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR, no Acórdão às fls. 48 a 51 do presente processo (Acórdão 06-33.903, de 06/10/2011 – relatório acima), julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Período de apuração: 21/03/2006 a 31/03/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP PREENCHIDA CORRETAMENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Uma vez inexistente o direito creditório declarado e, por sua vez, não comprovada a ocorrência de erro no preenchimento da Dcomp, deve ser mantida a decisão original. No voto, a decisão ponderou que o interessado alega que apesar de ter informado como crédito um DARF de IRRF, vencido em 05/04/2006, no valor de R$ 321,22, sua compensação utilizou, na verdade, o DARF de IRRF, vencido em 15/03/2006, no valor de R$ 225,22. Observa que, contudo, uma observação atenta do procedimento realizado pelo contribuinte demonstra que, de fato, o DARF utilizado na compensação foi aquele no valor de R$ 321,22: Entretanto, uma observação atenta do procedimento realizado pelo contribuinte demonstra que, de fato, o Darf utilizado na compensação foi aquele no valor de R$ 321,22, ao contrário do afirmado na manifestação de inconformidade. Isso porque, Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1001-000.284 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10950.904858/2009-14 realizando-se os cálculos de compensação desse suposto crédito com os débitos a ele vinculados (fls. 41 a 43), verifica-se que o resultado mostra total compatibilidade entre crédito e débitos, enquanto a compensação realizada com o Darf no valor de R$ 225,22 resulta em enorme discrepância, representada por falta de crédito para a quase totalidade de um dos débitos compensados (fls. 45 a 47). Portanto, não resta qualquer dúvida de que o interessado buscou, na verdade, declarar a compensação que realizou com o Darf de IRRF, vencido em 05/04/2006, no valor de R$ 321,22, não havendo qualquer erro na indicação do direito creditório na Dcomp apresentada. Argumentou que, por isso, admitir a utilização de crédito diferente do original, sem comprovação de erro no preenchimento da DCOMP, significaria aceitar a alteração do crédito indicado, o que era contrário à legislação sobre o assunto, que veda qualquer alteração na DCOMP após o Despacho Decisório. Argumentou ainda que, diferentemente do informado na manifestação de inconformidade, os DARF citados não se referem ao mesmo período de apuração. Sendo de valores distintos, nada nos autos permite concluir que são relativos ao mesmo fato gerador e que houve duplicidade de recolhimento. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/11/2011 (intimação com ciência pessoal, à fl. 54), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 20/12/2011 (recurso às fls. 57 a 65, carimbo aposto à primeira folha). A ele anexa a DCTF do 1º Semestre de 2006 (fl. 75 a 135), na qual constam os débitos de código 8053 do semestre (fls. 100 a 115), mostrando débito, no mês de março, apenas no terceiro decêndio, no valor de R$ 895,10 (fl. 106), indicando pagamento no valor principal de R$ 1.216,32. Defende que, assim, os DARF de 10/03 e 31/03/2006, nos valores de R$ 225,22 e 321,22 constituem pagamentos em duplicidade. Argumenta, contra o entendimento da decisão de primeira instância, que como a DCTF declarou o débito do terceiro decêndio de março de 2006 em valor já quitado por outro DARF, não há dúvida de que o pagamento em questão (R$ 321,22) resta disponível para a compensação pleiteada. Além disso alega, novamente, erro no preenchimento da DCOMP. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora. O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972 e Decreto nº 7.574/2011, que regulam o processo administrativo-fiscal (PAF). Dele conheço. Conforme relatório, o contribuinte alega que o DARF de valor R$ 321,22, referente ao terceiro decêndio de março de 2006 (fl. 31), de código 8053, constitui pagamento em duplicidade. Isso porque haveria outro DARF, no valor principal de R$ 1.216,32, também referente ao período de apuração de 31/03/2006, também pago em R$ 05/04/2006, no mesmo Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1001-000.284 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10950.904858/2009-14 código 8053, informado em DCTF como destinado a quitar o débito do período, de R$ 895,10 (fl. 106). A DCTF em questão, às fls. 75 a 135, original, foi apresentada em 05/10/2006, bem antes do Despacho Decisório, de 22/06/2009 (fl. 34). Então, a princípio, toma-se como correto o valor ali confessado. Já o suposto pagamento de R$ 1.216,32 não consta no processo. E, conforme Despacho Decisório à fl. 34 e tela de sistema da Receita Federal à fl. 47, o pagamento utilizado para quitar o débito confessado no período, de R$ 895,10, foi o de R$ 321,22, e não outro no valor de R$ 1.216,32. Assim, para saber se há crédito, é necessário confirmar a existência e disponibilidade do outro pagamento alegado, no valor de R$ 1.216,32. É necessário checar, ainda, se houve DCTF retificadora alterando o débito confessado para o período de apuração de 31/03/2006. Por isso, voto por converter o julgamento em diligência à unidade de origem para que esta verifique, em seus sistemas de controle, se existe pagamento no valor principal de R$ 1.216,32, de código 8053, para o período de apuração do terceiro decêndio de março de 2006, e se tal pagamento encontra-se disponível. Além disso, para que verifique se o débito confessado no período, de R$ 895,10, foi alterado por eventuais DCTF retificadoras, anexando tais DCTF. A unidade de origem deverá elaborar relatório fiscal conclusivo sobre as apurações e cientificar o sujeito passivo do resultado da diligência realizada, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (documento assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10108.001636/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2008
MULTA POR QUANTIFICAÇÃO INCORRETA DA MERCADORIA NA UNIDADE DE MEDIDA ESTATÍSTICA.
A quantificação incorreta da mercadoria na unidade de medida estabelecida pela SRF, prevista no art. 84, II, da Medida Provisória no 2.158-35/2001, estabelecida para permitir ao fisco o eficaz controle de preço operações de comércio exterior, implica a cominação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria quantificada incorretamente, devendo ser exigido o valor mínimo de R$ 500,00 quando do cálculo resultar valor inferior.
Numero da decisão: 3401-007.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Presidente substituta
(documento assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Luís Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Mara Cristina Sifuentes (Presidente Substituta).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 MULTA POR QUANTIFICAÇÃO INCORRETA DA MERCADORIA NA UNIDADE DE MEDIDA ESTATÍSTICA. A quantificação incorreta da mercadoria na unidade de medida estabelecida pela SRF, prevista no art. 84, II, da Medida Provisória no 2.158-35/2001, estabelecida para permitir ao fisco o eficaz controle de preço operações de comércio exterior, implica a cominação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria quantificada incorretamente, devendo ser exigido o valor mínimo de R$ 500,00 quando do cálculo resultar valor inferior.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Presidente substituta (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Luís Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Mara Cristina Sifuentes (Presidente Substituta).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-04-16T14:06:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-04-16T14:06:43Z; Last-Modified: 2020-04-16T14:06:43Z; dcterms:modified: 2020-04-16T14:06:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-04-16T14:06:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-04-16T14:06:43Z; meta:save-date: 2020-04-16T14:06:43Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-04-16T14:06:43Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-04-16T14:06:43Z; created: 2020-04-16T14:06:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2020-04-16T14:06:43Z; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-04-16T14:06:43Z | Conteúdo => S3-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10108.001636/2008-90 Recurso Voluntário Acórdão nº 3401-007.454 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2020 Recorrente GERDAU AÇOS LONGOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 MULTA POR QUANTIFICAÇÃO INCORRETA DA MERCADORIA NA UNIDADE DE MEDIDA ESTATÍSTICA. A quantificação incorreta da mercadoria na unidade de medida estabelecida pela SRF, prevista no art. 84, II, da Medida Provisória no 2.158-35/2001, estabelecida para permitir ao fisco o eficaz controle de preço operações de comércio exterior, implica a cominação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria quantificada incorretamente, devendo ser exigido o valor mínimo de R$ 500,00 quando do cálculo resultar valor inferior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Presidente substituta (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Luís Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias, João Paulo Mendes Neto e Mara Cristina Sifuentes (Presidente Substituta). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interpostos em face do r. Acórdão nº 11- 055.312, proferido pela 10ª Turma da DRJ/SPO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 10 8. 00 16 36 /2 00 8- 90 Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10108.001636/2008-90 O processo foi pautado para julgamento em 23 de julho de 2015, sob minha relatoria. Adoto o relatório aposto ao acórdão da Resolução nº 3401-001.175, complementando-o ao final: O presente processo trata de auto de infração contra a GERDAU AÇOS LONGOS S/A, doravante denominada GERDAU, lavrado por Auditor-Fiscal em exercício na Inspetoria de Corumbá, mediante o qual é exigido do contribuinte acima identificado o crédito tributário no valor total de R$ 3.184,79 (três mil, cento e oitenta e quatro reais e setenta e nove centavos), referente a multa de 1% do valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal, prevista no art. 84, inciso II, da Medida Provisória nº2.158-35/01. Nos termos do relatório fiscal e seus anexos, destacamos os seguintes fatos e fundamentos jurídicos: 1. Em 03/12/2008, identificou-se durante o despacho aduaneiro da Declaração de Exportação DDE nº 2081395523/8 que no campo referente à quantidade de medida estatística foi informado no Siscomex para NCM 7216.22.00 a quantidade em tonelada, quando o correto seria informar em kilograma líquido. 2. "O Siscomex é um sistema cuja base de dados é compartilhada entre vários órgãos, e a informação lá inserida será analisada pelos demais órgãos governamentais levando em consideração que os dados estão em acordo com a medida estatística relativa a NCM da mercadoria exportada." 3. "Quando a empresa declara a QTDE na UNID. MEDIDA NCM de 126,63 ao invés 126.636,00 distorce 1.000 vezes os dados que serão utilizados por outras instituições nas análises de conjuntura relativas às exportações do país." 4. Desta forma, aplicou a fiscalização a multa de 1% do valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal, prevista no art. 84, inciso II, da Medida Provisória nº2.158-35/01. Ciente em 15/12/2008, o interessado apresentou impugnação em 14/01/2009, fls. 41/45, alegando, em síntese: os documentos de exportação seguiu as orientações contidas nos próprios documentos, considerando o Registro de Exportação e Conhecimento de Embarque, em que fica evidente a quantidade exportada de 126.636,00 kg, e não 126,636 toneladas. ente, o peso correto da mercadoria exportada é de 126.636,00 kg (cento e vinte e seis mil, seiscentos e trinta e seis quilos), o que corresponde, também, a 126 t (cento de vinte e seis toneladas), sendo esse o peso que deveria ser considerado nos documentos da exportação em questão. desse vulto comprometeria o atendimento de outros clientes nos mercados interno e externo. forme se verifica do Registro de Exportação nº 08/1435915-001. digitação, o que não é raro acontecer, principalmente, no dia a dia de quem Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10108.001636/2008-90 opera máquinas e equipamentos eletrônicos na emissão de documentos em atendimento ao Siscomex. Que não houve prejuízo ao erário, tampouco qualquer indício de dolo ou má-fé por parte do impugnante. Infração. Em sessão de 16/03/2017, foi proferido o Acórdão DRJ nº 11-055.312, proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), , que decidiu, por votação unânime, por unanimidade, julgar IMPROCEDENTE a impugnação apresentada, com MANUTENÇÃO do crédito tributário lançado., nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ANO CALENDÁRIO: 2008 MULTA POR QUANTIFICAÇÃO INCORRETA DA MERCADORIA NA UNIDADE DE MEDIDA ESTATÍSTICA A quantificação incorreta da mercadoria na unidade de medida estabelecida pela SRF, prevista no art. 84, II, da Medida Provisória no 2.158-35/2001, estabelecida para permitir ao fisco o eficaz controle de preço operações de comércio exterior, implica a cominação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria quantificada incorretamente, devendo ser exigido o valor mínimo de R$ 500,00 quando do cálculo resultar valor inferior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. A recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando seus fundamentos aduzidos na Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator. 1. O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. 2. Em que pese o inconformismo da Recorrente, a r. decisão recorrida não merece reforma. Isto porque o processo administrativo limita a cognoscibilidade dos julgadores aos limites da Lei. Nessa linha, preenchidas as hipóteses prescritas em lei, deve ser aplicada a multa: Essas alegações iniciais não prosperam, pois em nenhum momento foi imputado à autuada o erro de informar exportação de volume superior ao efetivamente realizado. Fica claro na fl.5 do processo que o peso da mercadoria exportada é de 126.636,00 kg (cento e vinte e seis mil, seiscentos e trinta e seis quilos), correspondendo também a 126,636 t (cento de vinte e seis toneladas, seiscentos e trinta e seis quilos). Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-007.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10108.001636/2008-90 Ocorre que existem dois campos distintos na Declaração de Despacho de Exportação (DDE): Quantidade na unidade de medida comercializada (QTDE. NA UNID. MEDIDA COMERC) e Quantidade na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal (QTDE. NA MEDIDA NCM), conforme é possível se observar do extrato da DDE à fl.19. O campo da unidade de medida comercializada é de livre preenchimento, baseado em negociação realizada na operação de venda comercial, e deve estar de acordo com a nota fiscal de venda do produto. Os campos "Unidade" e "Quantidade" de uma nota fiscal indicam, respectivamente, a unidade de medida na qual foi expressa uma determinada mercadoria e a quantidade da mesma mercadoria (produto) naquela unidade de medida. A "Unidade Medida Estatística" é aquela definida como padrão pela Secretaria da Receita Federal, para fins de controle fiscal da mercadoria e para efeito de valoração aduaneira e aprimoramento dos elementos estatísticos de comércio exterior, padronizando as operações para utilização dos dados por demais órgãos conveniados. A "Unidade Medida Estatística" pode ser igual ou não à "Unidade" presente na Nota Fiscal que instruiu a Declaração de Exportação. A "Quantidade na Unidade Medida Estatística" representa a quantidade da mercadoria expressa na unidade estatística. A informação correta da "Quantidade na Unidade Medida Estatística" é de responsabilidade do declarante e para expressá-la deve-se fazer a conversão através de cálculo específico para cada mercadoria. Note-se que uma mesma mercadoria pode ter diferentes conversões devido a especificidades próprias, como gramatura, densidade, forma de apresentação, etc. Portanto, nesse campo, o Siscomex não aceita que o importador coloque a unidade de medida que negociou ou entende ser a correta. É preciso fazer a conversão e informar a "Quantidade na Unidade Medida Estatística" determinada por NCM. Para a NCM 7216.22.00 a quantidade de medida estatística determinada foi o kilograma líquido. Ainda que a negociação tenha sido em toneladas (ou expressa em qualquer outra unidade como metro quadrado, unitário, etc.), neste campo o exportador deveria ter convertido a quantidade a fim de informá-la da forma exigida. A não observância desta obrigatoriedade enseja na aplicação da multa prevista na MP nº 2158-35/2001, abaixo transcrita (grifo meu). MP 2158-35/2001 [...] Art. 84. Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (Vide) I - classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II - quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-007.454 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10108.001636/2008-90 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Alega ainda a contribuinte que os demais dados foram prestados de forma regular, conforme se verifica do Registro de Exportação nº 08/1435915-001. E que o objeto da penalidade não pode prosperar, por se tratar de erro comum de digitação, sem qualquer indício de dolo ou má-fé por parte do impugnante e sem prejuízo ao erário. Em que pese o argumento do defendente, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo, portanto, objetiva, nos termos do artigo 136 do Código Tributário Nacional, o qual define ainda em seu art. 122. sujeito passivo da obrigação acessória como a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. A GERDAU estava obrigada a processar o despacho de exportação no Siscomex, prestando as informações exigidas, entre as quais a correta quantificação na "Unidade Medida Estatística", que é a conversão através de cálculo específico da unidade expressa na nota fiscal. No caso concreto, para NCM 7216.22.00, o correto seria informar a quantidade da mercadoria em kilograma líquido no campo "Unidade Medida Estatística". Ainda que as demais informações tenham sido prestadas corretamente, houve a tipificação legal prevista no art. 84, inciso II, da Medida Provisória nº2.158-35/01. Em sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, correta está a autuação fiscal. 3. Por tais motivos, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso da Voluntário. 4. É como voto. (documento assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10166.003304/2008-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS INFORMADOS EM DERC.
São isentos os rendimentos informados por Órgão da Administração Pública Federal, em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), para o Contribuinte ou seus dependentes.
Numero da decisão: 2001-002.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Luis Ulrich Pinto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO
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São isentos os rendimentos informados por Órgão da Administração Pública Federal, em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), para o Contribuinte ou seus dependentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura Relatório Trata-se de notificação de lançamento lavrada em 05/11/07, por meio da qual exige-se do ora recorrente o valor de R$ 8.197,60 a título de IRPF suplementar, exercício 2005, ano-calendário 2004, acrescido de multa de ofício e demais consectários legais diante das seguintes infrações: - omissão de rendimentos recebido do exterior, no valor de R$ 28.537,46, recebidos do Organismo Internacional (UNESCO-0RG.DAS NACOES UNIDAS P/ EDUCACAO, CIEICIA E CULTURA). - dedução indevida com dependentes, no valor de R$ 1.272,00, no qual a filha Larissa Cristina Abreu Machado apresentou Declaração em separado. Devidamente notificado do lançamento, o Recorrente apresentou impugnação, alegando em síntese: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 33 04 /2 00 8- 55 Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-002.081 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.003304/2008-55 a) inicialmente, explica que os rendimentos foram auferidos pelo cônjuge, a Sr" Clarice de Fátima Abreu Barros; b) explica que, visando à agilização e à maior integração com a comunidade alvo, a ONU contrata profissionais nacionais dos Paises Membros. Tais profissionais podem ser contratados como servidores das equipes-base, com vínculo laboral permanente, ou como prestadores de serviços autônomos, remunerados por tarefa ou hora trabalhada. Os servidores das equipes-base, como o impugnante, têm seus rendimentos pagos com recursos da ONU e estão sujeitos às normas e aos procedimentos estabelecidos pela Organização. Na situação dos autos, explica que a esposa é servidora do quadro da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU, no qual exerce função específica; c) defende a supremacia dos tratados internacionais em relação à legislação interna, por força do disposto no art. 5º, § 2º da CF/88 e nos arts. 96 e 98 do CTN, e a aplicação das Convenções indistintamente aos funcionários estrangeiros ou nacionais dos Organismos Internacionais; d) a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n° 27.784, de 1950, dispõe na Seção 18 que os funcionários da ONU serão isentos de qualquer imposto sobre salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas, entendimento confirmado pelo Decreto n° 52.288, de 1963, artigo 6° da 19º Seção; e) as relações entre o Brasil e o Organismo Interacional são reguladas pelo Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, aprovada pelo Decreto n° 59.308, de 1966. O Acordo não estabelece distinções entre os diversos servidores do Organismo Interacional, estendendo os benefícios nele previstos para peritos, agentes e funcionários; f) assevera que o direito à isenção é garantido pelo art. 22, II do RIR/1999, que tem como base legal o art. 5° da Lei n° 4.506, de 1964 e o art. 30 da Lei n° 7.713, de 1988; g) aborda o disciplinamento da matéria por atos internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. As orientações emanadas pela RFB, por meio de Pareceres CST e no Manual “Perguntas e Respostas” são no sentido de que somente os rendimentos decorrentes de prestação de serviços remunerados por hora são tributados pelo IR. Cita especificamente os Pareceres CST n°s. 717, de 1979 e 03, 1996; h) entende não ser necessária, para gozar da isenção, que os funcionários sejam do quadro efetivo do Organismo, mas, de qualquer jeito, assegura que possui vínculo labora com a UNESCO/ONU. A relação jurídica celebrada implica na existência de vínculo jurídico-laboral, porquanto presentes os requisitos que caracterizam a existência de contrato de trabalho, tais como subordinação hierárquica, dependência econômica e a habitualidade da prestação dos serviços; i) ressalta, ainda, algumas características específicas do contrato celebrado com a UNESCO/ONU. Como funcionária do Organismo, aufere salário e está sujeita às normas contratuais específicas, diversas da lei trabalhista brasileira e previdenciária; Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-002.081 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.003304/2008-55 j) transcreve doutrina pátria a respeito do tema subordinação hierárquica nas relações de trabalho; k) conclui que, à vista das leis vigentes e das orientações emanadas da RFB, inclusive a publicação denominada “Perguntas e Respostas”, o impugnante se incluiria na categoria de funcionários do Organismo; l) desqualifica a obrigação de seu nome constar em lista prevista na IN SRF n° 208, de 2002, pois as normas que preveem a isenção não podem ser afrontadas por obrigações acessórias constantes de instruções normativas; m) segundo alega, há diversos precedentes jurisprudenciais do Conselho de Contribuintes favoráveis em casos análogos ao seu; O Recorrente instruiu a sua impugnação com os documentos de fls. 31 a 42 e 50 a 52. Na ocasião do julgamento da impugnação apresentada pelo ora Recorrente, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Brasília (DF) proferiu o acórdão nº 03- 27.951- 3ª Turma da DRJ/BSA, julgando improcedente a impugnação, por entender que: a) omissão de rendimentos recebido do exterior: - a contribuinte não se enquadra na categoria dos funcionárias do Organismo que gozam da isenção de Imposto de Renda sobre os vencimentos recebidos, pela simples razão de não ser funcionária e sim técnica contratada, de acordo com as normas legais vigentes e as provas dos autos. É o que dispõe o art. 5º da lei 4.506/64, reproduzido no art. 22 do RIR/1999, assim como a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas, adotada em 21/11/1946, por ocasião da Assembleia Geral das Nações Unidas, e recepcionada pelo direito pátrio, por meio do Decreto 52.288, de 24/07/1963, que a promulgou; - a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas que rege o tema, nada estabelece sobre qual deva ser o domicílio da pessoa beneficiária da isenção, mas exige que seja ela funcionária das Agências Especializadas e que conste na lista elaborada pela Agência, sujeita à comunicação ao Secretário Geral da ONU periodicamente, aos Governos dos Estados Membros. - para os técnicos que prestam serviços às Agências Especializadas, sem vínculo empregatício, nada foi disposto na Convenção a respeito de isenção de impostos; -por fim, cite-se a publicação denominada “Imposto de Renda Pessoa Física Perguntas e Respostas - 2005”, editada pela Receita Federal, que esclarece acerca do tratamento tributário dos rendimentos auferidos pelos servidores do PNUD e das Agências Especializadas da ONU (Perguntas n°s. 137 e 138), as quais confirmam que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos recebidos de Organismos Interacionais é privilégio concedido exclusivamente aos funcionários; - os rendimentos recebidos pelo contribuinte da UNESCO/ONU, decorrente da prestação de serviços contratuais, não gozam de isenção do Imposto de Renda por falta de previsão legal, e estão sujeitos à tributação mensal sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão) no mês do recolhimento, sem prejuízo do ajuste anual; b) dedução indevida com dependentes: Fl. 108DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-002.081 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.003304/2008-55 - não impugnado. Desta forma, conforme previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, mantém-se a glosa. Inconformado com o v. acórdão nº 03-27.951- 3ª Turma da DRJ/BSA, o Recorrente interpôs recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, reafirmando as alegações já antes aduzidas em sua impugnação. Voto Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator. Conheço do recurso voluntário, tendo em vista a sua tempestividade. Desta forma, passo a analisar os argumentos expostos pela Recorrente em sua peça recursal: Haja vista a decisão proferida pelo STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos 543-C do Código de Processo Civil de 1973, entendeu que a isenção ora debatida se estende aos peritos e técnicos que prestem serviços no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, tal decisum deve ser aplicado ao caso. Observe-se: EMENTA TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RENDIMENTOS RECEBIDOS POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS AO PNUD. ISENÇÃO. MULTA. SÚMULA 98/STJ. 1. O Acordo Básico de Assistência Técnica firmado entre o Brasil, a ONU e algumas de suas Agências, aprovado pelo Decreto Legislativo 11/66 e promulgado pelo Decreto 59.308/66, assumiu, no direito interno, a natureza e a hierarquia de lei ordinária de caráter especial, aplicável às situações nele definidas. Tal Acordo atribuiu, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas, os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50. 2. O autor prestou serviços de assistência técnica especializada, na condição de Técnico Especialista, ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, de quem recebia a correspondente contraprestação. Assim, os valores recebidos nessa condição estão abrangidos pela cláusula isentiva de que trata o inciso II do art. 23, do RIR/94, reproduzida no art. 22, II, do RIR/99. 3. Nos termos da Súmula 98/STJ, embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório. 4. Recurso especial provido. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.159.379 - DF (2009/0194481-9)- RELATOR : MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI - Brasília, 08 de junho de 2011). Outrossim, nos termos em que dispõe o art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho- RICARF as decisões proferidas pelos Tribunais Superiores sob a sistemática de recursos repetitivo, como o que se seguiu, são de observância obrigatória pelo CARF. Fl. 109DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-002.081 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.003304/2008-55 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Deste modo, o entendimento a ser seguido por este conselho não pode ser outro senão aquele que reconhece o direito à isenção dos rendimentos recebidos pela Recorrente de organismo internacional, nos termos do julgado do Superior Tribunal de Justiça. Neste mesmo sentido, estabelece a Solução de Consulta COSIT nº 36/2019, que: DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS PAGOS A CONSULTORES POR ORGANISMOS INTERNACIONAIS - DERC. RESPONSABILIDADE. Nas contratações de consultores técnicos efetuadas pelos Organismos Internacionais, no âmbito de acordos e instrumentos congêneres de cooperação técnica, celebrados com a Administração Pública Federal, nos termos do Decreto nº 5.151, de 22 de julho de 2004, cabe ao órgão ou à entidade executora nacional informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio da Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), os valores pagos a esses consultores, a qualquer título, de forma discriminada por natureza e beneficiário. Note-se que, no caso em referência, consta da própria Notificação de lançamento que os rendimentos tidos como omitidos referem-se a valores informados por órgão da Administração Pública Federal, em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), para o titular ou dependentes, não havendo que se falar, portanto, em rendimento tributável, tendo em vista que, nos termos da legislação aplicável, estes valores são isentos. Diante do exposto, conheço do recurso e, no mérito, dou-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16592.724752/2015-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NECESSIDADE DA INTIMAÇÃO PRÉVIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49.
Numero da decisão: 2002-003.662
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13807.729285/2015-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NECESSIDADE DA INTIMAÇÃO PRÉVIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Súmula CARF nº 49. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13807.729285/2015-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 59 2. 72 47 52 /2 01 5- 71 Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-003.662 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16592.724752/2015-71 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 2002-003.619, de 17 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo sobre lançamento no qual é exigido do sujeito passivo acima identificada crédito tributário de multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP. O enquadramento legal foi o art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação alegando, em síntese, o que se segue: ocorrência de denúncia espontânea, princípios, necessidade da notificação. Ciente do julgamento primeiro, o contribuinte ingressou com recurso voluntário, nos mesmos termos e alegações de sua impugnação, que em síntese apontam: Ilegalidade da Multa; Notificação prévia; Princípios; Denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-003.619, de 17 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Da ilegalidade das multas. A sanção, é um elemento que geralmente acompanha a norma jurídica, ou seja trata-se de elemento estabelecido de antemão (princípio da legalidade da pena), o que significa que não fica a mercê do arbítrio do poder público. Como pontifica Gusmão, “só podem ser aplicadas as sanções previstas em lei: além delas, o juiz não tem escolha”. A penalidade aplicada tem estribo na legislação de regência, ademais este Órgão de julgamento não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, inteligência da Súmula CARF n° 2. Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-003.662 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16592.724752/2015-71 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à necessidade da notificação prévia para a aplicação da multa, a matéria já se encontra pacificada na Súmula n° 46 deste Colendo CARF: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Quanto aos princípios. Em linhas gerais os princípios representam os alicerces, as vigas mestres sobre os quais se ergue o “edifício jurídico”; violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma, segundo o Mestre Bandeira de Mello. Determina o art. 5°, II, da Carta Política de 88: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”, trata-se aqui, do Princípio da Legalidade ou da supremacia da lei escrita, apanágio do Estado Democrático de Direito, que foi severamente aplicado ao caso concreto, deixando os demais princípios vazios. Relativamente à denúncia espontânea, este instituto, também já foi discutido amplamente, ensejando a Súmula CARF n° 49, que reproduzo como razão de decidir. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, no mérito, nega-se provimento. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001281/2011-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. NÃO CABE DIREITO.
A simples engorda de animais, que consiste em serviço prestado por pessoa física a pessoa jurídica, não concede o direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial, uma vez que não se constitui em aquisição de bens, conforme exigido pela legislação, mas, sim, em prestação de serviço.
Numero da decisão: 9303-008.085
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Pôssas
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. NÃO CABE DIREITO. A simples engorda de animais, que consiste em serviço prestado por pessoa física a pessoa jurídica, não concede o direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial, uma vez que não se constitui em aquisição de bens, conforme exigido pela legislação, mas, sim, em prestação de serviço.
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CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. NÃO CABE DIREITO. A simples engorda de animais, que consiste em serviço prestado por pessoa física a pessoa jurídica, não concede o direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial, uma vez que não se constitui em aquisição de bens, conforme exigido pela legislação, mas, sim, em prestação de serviço. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte, admitido pelo despacho do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, contra o Acórdão 3301004.029, de 31/08/2017, assim ementado na parte que interessa ao deslinde da controvérsia recursal: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 12 81 /2 01 1- 91 Fl. 2146DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.19558.WJRA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.001281/201191 Acórdão n.º 9303008.085 CSRFT3 Fl. 3 2 Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. NÃO CABE DIREITO. Não há direito à apuração do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, que somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços. Se o criador não tem o direito de usar, gozar, dispor da coisa; posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvê los a quem lhe entregou; inclusive a sua, assim chamada, quota parte; por força do contrato de parceria; não são há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria; mas sim em prestação de serviço; não sendo portanto cabendo portanto crédito presumido a agroindústria. E mais, não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador com relação a sua quotaparte dos demais animais, como dizer que com relação a um animal produz e aos outros presta serviço. ... Recurso Voluntário Negado Entende a recorrente, em síntese, que o entendimento prevalente é o do aresto paradigma (3403002.413), no sentido de que deva ser reconhecido que nos contratos de integração agrícola a aquisição da quotaparte do produtor rural pela empresa agroindustrial, se qualifica como aquisição de bens de pessoas físicas utilizados como insumos na produção de bens destinados a alimentação humana, com direito, portanto, ao crédito presumido das contribuições da Cofins e do PIS. Alega que a operação realizada tem natureza de produção de bens da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria, e não de prestação de serviços, entendimento vazado no recorrido. Acresce que "nos contratos de parceria avícola/suinícola o objeto do contrato é a criação de frangos/suínos para o abate. A agroindústria (parceiraoutorgante) se obriga ao fornecimento de pintos e suínos para cria, recria, medicamentos, ração, assistência técnica e transporte, e o produtor rural (parceirooutorgado) se obriga ao alojamento em estrutura própria (aviário) e ao desenvolvimento desses animais até chegarem ao ponto ideal de abate, arcando com as despesas trabalhistas e previdenciárias da contratação de funcionários, energia elétrica, manutenção, etc.". Em resumo, entende que nos contratos de parceria avícola/suinícola a natureza jurídica da quotaparte do produtor rural é a produção de bens próprios e não a prestação de serviços, que não é uma operação dissociada, o que, em consequência, lhe daria direito ao crédito presumido a que alude o art. 8º da Lei 10.925/2004, na aquisição da quota parte dos produtores nos contratos de parceria rural. Em contrarrazões, a Fazenda Nacional alega que o referido crédito presumido só pode ser apurado sobre a aquisição de bens, e que aquisição dos pintos/filhotes tratase de pagamento por prestação de serviço e não por aquisição de bens, como exige a lei. Alfim, postula que seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte. É o relatório. Fl. 2147DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.19558.WJRA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.001281/201191 Acórdão n.º 9303008.085 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.069, de 20/02/2019, proferido no julgamento do processo 10935.000742/201117, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.069): "Conheço do recurso nos termos em que processado. A quaestio posta ao nosso conhecimento cingese a definirmos se a entrega dos animais no sistema de integração entre a recorrente e os produtores rurais caracterizase como aquisição de bens, ou, como em todas decisões nestes autos, tratase, em verdade, de prestação de serviço caracterizada pela contratação de produtores rurais pessoas físicas para promoverem o serviço de engorda de frangos e suínos, o que não lhe daria direito ao crédito presumido a que se refere o caput do art. 8º da Lei 10.925/2004 (com a redação dada pela Lei 11.051/2004), já que o mesmo somente pode ser calculado sobre o valor de bens adquiridos e não sobre serviços. A recorrente é cooperativa de produção agropecuária atuando em vasto seguimento agroindustrial, comercial e prestação de serviços a seus cooperados, passando pela criação de aves e suínos em sistema integrado, abatedouros e processamento das carnes derivadas, aquisição, beneficiamento e comercialização de cereais, fabricação de rações (utilizando como base os cereais adquiridos de seus associados e outros resíduos do beneficiamento de grãos), exportação, comercialização de insumos agrícolas, produtos veterinários, armazenagens, prestação de serviços fitossanitários e transportes, que são alguns exemplos dentre as atividades mantidas pela entidade, traduzindo o objetivo social constante de seus atos constitutivos, descrito como: “A prestação de serviços a seus cooperados para promover, no interesse comum, com base na colaboração mutua a que eles se obrigam, o seu desenvolvimento sócio econômico, de proveito comum, dentre as atividades econômicas florestal, agrícola, avícola, pecuária, comercial e industrial, e a prestação de serviços de transporte de cargas em geral, na mais ampla e abrangente forma de administração, assistência técnica e comercio, visando atender as suas necessidades e as de seus associados”. O direito de apuração e apropriação do crédito presumido em análise está previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o Fl. 2148DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.19558.WJRA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.001281/201191 Acórdão n.º 9303008.085 CSRFT3 Fl. 5 4 PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I ... II ... III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.” (grifamos) Basicamente as mercadorias produzidas pela empresa, e destinadas a alimentação humana e posteriormente exportadas1, e que geram possibilidade de utilização do credito presumido em condição privilegiada, ou seja, para fins de ressarcimento, são carnes (seus cortes) e miudezas comestíveis de frangos, suínos e ainda óleo de soja. Dentre as aquisições com apropriação de crédito presumido da agroindústria, vinculada à exportação, foram verificadas as informações prestadas pela recorrente nas fichas e linhas próprias de apuração dos créditos do DACON (Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais), donde resultaram as glosas específicas e/ou inconsistências conforme detalhamento constante dos demonstrativos de resumo mensal das glosas. No item “Crédito presumido de origem animal”, a recorrente aponta créditos pela entrada de frangos e suínos, porém a auditoria fiscal entendeu que tais operações não se qualificam como compra efetiva, sendo na realidade o pagamento pelos serviços prestados (mão de obra) de seus associados na criação das aves e animais. Tal conclusão advém da logística empregada no sistema de integração ou parceria adotado pela cooperativa e respectivos contratos firmados com seus associados, conforme algumas cópias exemplificativas juntadas às fls. 895/909 (para frangos) e fls. 910/921 (para suínos). Nos contratos de parceria fica evidente que as aves e animais já são de propriedade da cooperativa, apenas sendo remetidos às propriedades rurais dos associados para a contraprestação de serviços na sua criação e posterior devolução, devendo o parceiro, em resumo, seguir rígido sistema de manejo pré estabelecido, adotar na alimentação exclusivamente a ração e medicamentos fornecidos pela contratante e ao final do prazo estabelecido, devolver o lote completo de animais ou aves, recebendo como pagamento por seus serviços o resultado de um índice que mede o êxito de seu trabalho (IEP – Índice de Eficiência Produtiva). Para subsidiar tal conclusão, destacamos alguns fatos que traduzem por si o entendimento de que não há compra de mercadoria, mas pagamento de prestação de serviços: 1 A cooperativa não paga diretamente em espécie o resultado do trabalho do associado medido pelo IEP, usa o artifício de entregar simbolicamente seu equivalente valor em produto (aves/suínos), mas, com uma cláusula de fidelidade nos contratos, obriga o parceiro a vender exclusivamente para a própria cooperativa, ou seja, faz uma operação triangular para ocultar o pagamento a título de serviços prestados, substituindo pelo imediato pagamento de uma suposta compra de produtos, que, documentalmente, já é de sua propriedade; 1 Classificadas nos códigos NCM 0207.14.00 e 02.10.99.00, dentro do Capítulo 2, carnes e miudezas comestíveis das aves da posição 01.05; 0203.29.00 Carnes congeladas de suínos, e 1507.10.00 óleo de soja degomado bruto. Fl. 2149DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.19558.WJRA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.001281/201191 Acórdão n.º 9303008.085 CSRFT3 Fl. 6 5 2 Sem entrar na seara tributária com o reflexo de tal procedimento equivocado, o fato é que representa uma distorção da realidade, onde o parceiro é investido na qualidade de proprietário das aves/suínos de forma virtual e apenas por alguns segundos, tempo suficiente para a emissão da nota fiscal de compra, instrumento que na prática retrata o pagamento por seus serviços; 3 Ao término da criação, o transporte integral do lote de aves/suínos, da propriedade rural até o frigorífico é realizado pela Coopavel, para garantir que não haja desvio da produção. Somente no abate o parceiro/produtor rural tomará conhecimento do valor de seus serviços prestados, ocasião em que para recebêlo aceita a emissão de uma nota fiscal simulando a venda de parte do lote, que não é seu, pois apenas detém a posse precária e não a propriedade; 4 - Os contratos de parceria caracterizam o criador como fiel depositário das aves ou suínos; 5 - Se os próprios contratos de parcerias definem que o criador receberá pelas suas tarefas/trabalhos para cada lote que concluir a criação, um valor pecuniário, logo, considerando não pertencer ao criador a propriedade dos animais e aves, ração e medicamentos utilizados no trato, é impróprio que este possa vender à cooperativa parte do lote (que não é seu), para mascarar o pagamento dos serviços prestados, dandolhe a versão de “aquisição de mercadorias”; Para confirmação desta estratégia, transcrevemos a seguir alguns trechos básicos constantes em seus contratos de parceria juntados ao processo: “A COOPAVEL fornecerá os seguintes insumos ao CRIADOR , para que este viabilize a criação de frangos: os pintainhos necessários, os medicamentos, a ração, assistência técnica, transporte das aves da propriedade para o frigorífico” (Clausula segunda – Parceria avícola) “A retenção de frangos pelo CRIADOR em índice superior ao permitido (para alimentação), caracterizará o furto, respondendo o mesmo penal e civilmente pelo ato praticado.” (grifamos Clausula segunda, § 2º) “O CRIADOR promoverá o desenvolvimento dos frangos em aviários de sua propriedade, ... , correndo as suas expensas as despesas com ... mão de obra, funcionários, trabalhistas e previdenciária.” (Clausula Terceira) “O CRIADOR é o único e exclusivo responsável pela apanha e carregamento dos frangos nos caminhões da COOPAVEL ...” (Clausula Terceira, § 1º) “Os frangos serão criados até a idade de 35 a 60 dias, contada a partir do recebimento pelo CRIADOR dos pintinhos, ...” (Clausula Quarta) “O CRIADOR, por cada lote criado, receberá pecuniariamente o valor apurado através da aplicação da tabela referente ao Índice de Eficiência Produtiva – IEP,...” Grifamos (Clausula Quinta) “O CRIADOR por este instrumento constituise fiel depositário das aves postas em seu poder pela COOPAVEL, para que efetue a criação objeto deste instrumento, ..., responderá pelas penas de depositário infiel, nos termos da lei, especialmente se der causa ao desaparecimento de frangos ...” Grifamos (Clausula Décima Segunda) “O CRIADOR se obriga ainda a não criar na propriedade onde está construído o aviário quaisquer tipos de aves, sejam silvestres, ornamentais, domésticas, ou para consumo próprio” (Clausula Nona) – Também Fl. 2150DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.19558.WJRA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.001281/201191 Acórdão n.º 9303008.085 CSRFT3 Fl. 7 6 comprovando por tal restrição que é impossível o parceiro possuir outras aves de sua propriedade para vender à cooperativa. Os contratos de parceria de suinocultura seguem a mesma rotina acima descrita, sob mesmas condições contratuais. Portanto, caem por terra as alegações de que a autoridade está qualificando as operações como prestação de serviços para efeito da apuração do crédito presumido e como produção própria para efeito da incidência da contribuição para o Funrural (art. 168 da INRFB nº 971, de 2009), uma vez que existe comprovação, inequívoca, de que os parceiros/criadores prestam somente serviço de engorda de animais à cooperativa. Em consequência, correta a interpretação do Fisco que se trata, in casu, da contratação de produtores rurais (pessoas físicas) para promoverem o serviço de engorda de frangos e suínos, o que não se subsume à previsão legal do crédito presumido expressa no caput do art. 8º da Lei n.º 10.925, de 2004, com a redação pela Lei n.º 11.051, de 2004, já que tal crédito somente pode ser calculado sobre o valor de bens e não de serviços. Assim, sem reparos à r. decisão, a qual deve ser mantida. CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte e negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado conheceu do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2151DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0520.19558.WJRA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por VILMA SANTOS DA GRACA em 14/03/2019 11:06:00. Documento autenticado digitalmente por VILMA SANTOS DA GRACA em 14/03/2019. Documento assinado digitalmente por: RODRIGO DA COSTA POSSAS em 21/03/2019. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 14/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP14.0520.19558.WJRA Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 5082149C46CC563BB98961DDB16A2C10C8C8A0A4C906B5DF1D6D0376548AA4E3 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10935.001281/2011-91. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16327.913732/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3401-001.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para quantificar o valor da Cofins devida no período de apuração respectivo, após seja dado prazo não inferior a 30 dias para manifestação das partes e, ao final, retornem este autos ao CARF para prosseguir o julgamento.
(documento assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes Presidente Substituta
(documento assinado digitalmente)
João Paulo Mendes Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes (presidente substituta), Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias e João Paulo Mendes Neto.
Nome do relator: JOAO PAULO MENDES NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para quantificar o valor da Cofins devida no período de apuração respectivo, após seja dado prazo não inferior a 30 dias para manifestação das partes e, ao final, retornem este autos ao CARF para prosseguir o julgamento. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Presidente Substituta (documento assinado digitalmente) João Paulo Mendes Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes (presidente substituta), Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias e João Paulo Mendes Neto.
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para quantificar o valor da Cofins devida no período de apuração respectivo, após seja dado prazo não inferior a 30 dias para manifestação das partes e, ao final, retornem este autos ao CARF para prosseguir o julgamento. (documento assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes – Presidente Substituta (documento assinado digitalmente) João Paulo Mendes Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes (presidente substituta), Lázaro Antonio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Luis Felipe de Barros Reche (suplente convocado), Fernanda Vieira Kotzias e João Paulo Mendes Neto. Relatório Diante da precisa síntese realizada pelo voto condutor na DRJ de origem quanto ao relatório dos fatos, reproduz-se na íntegra aquele: 1. Trata o presente processo de – RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 13 73 2/ 20 09 -6 5 Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3401-001.969 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.913732/2009-65 2. Apreciando o pedi Contribui 2.1. A ut – documentos pessoais dos outorgados representan DACON (fls. 26) e, como fizera recolhimento a maior, prov homo 03553.46066.200808.1.3.04-7858.. Em seguida, a DRJ decidiu, à unanimidade, em julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade com fundamento no fato de a parte autora ter deixado de apresentar provas cabais sobre seu direito creditório e, além disso, ter ocorrido preclusão do seu direito de juntar documentos hábeis para comprovação do fato constitutivo de seu direito. Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3401-001.969 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.913732/2009-65 Transcreve-se trecho da fundamentação elaborada pela DRJ de origem: 6.3. Portanto, resta claro que o Despacho D 6.4.Nos termos argumentados, uma v – 6. deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pont apresentada É o relatório Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3401-001.969 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.913732/2009-65 Voto Conselheiro João Paulo Mendes Neto, Relator. O Recurso Voluntário foi interposto de forma tempestiva e cumpre com os demais requisitos formais, razão pela qual dele tomo conhecimento. A decisão colegiada desafiada por este Recurso Voluntário só poderia ter o condão deste Conselho Administrativo reforma-la caso a sociedade empresária resolvesse, mesmo que em sede de Recurso Voluntário a razão de fato que levou até a improcedência da Manifestação de Conformidade, qual seja: inexistência de prova nos autos que indique a existência do direito creditório. A DRJ de São Paulo I foi clara ao expor a ratio decidendi que se valeu para chegar a conclusão que se chegou, ao mencionar que não tendo a sociedade anônima apresentado documento contemporâneo aos fatos geradores apto a fazer prova em seu favor, a mera indicação de recolhimento com base em Provisão de Prêmio Não Ganho supostamente a maior não gera, por si só, o direito creditório alegado. Diante da exatidão da premissa adotada pela lógica argumentativa da autoridade administrativa de São Paulo, este Recurso Voluntário só estaria habilitado a ensejar a reforma do acórdão se impugnasse os exatos termos da premissa assumida, o que não foi feito. Em que pese o DARF em questão apontar para o pagamento de R$697.591,02 para COFINS (31.06.2008) e o contribuinte alegar que devia, na verdade, R$624.653,68, o mesmo deixou de se desincumbir do ônus de provar que o recolhimento deveria ter sido este e não aquele. Caso houvesse prova nos autos prova de DCTF retificadora em momento anterior ao proferimento do despacho decisório inicial, poderia se falar em anulação da decisão, tendo em vista que por força do artigo 9º, §1º da IN SRF 1.599/15, a DCTF retificadora possui a mesma natureza jurídica da declaração apresentada originariamente e, na hipótese, o despacho teria se pautado em razões equivocadas. Entretanto, conforme foi considerado pela própria DRJ de origem, a sociedade empresária não indicou provas de que o recolhimento foi, de fato, indevido. Mesmo que houvesse DCTF retificadora em momento posterior ao contencioso administrativo, ainda caberia a parte recorrente apresentar documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a existência de fato constitutivo do direito creditório alegado. A sociedade empresária chega a mencionar no Recurso Voluntário: Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3401-001.969 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.913732/2009-65 Todavia, com base em todas as razões anteriormente expostas, entendo necessário baixar o referido processo em diligência para que a unidade preparada possa quantificar o valor da Cofins devida no período em questão, concedendo prazo não inferior a 30 (trinta) dias para manifestação das partes e, ao final, retornem estes autos ao CARF para prosseguir o julgamento. (assinado digitalmente) João Paulo Mendes Neto - Relator Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15374.920657/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. SÚMULA 91 DO CARF. APLICAÇÃO DO PRAZO DECENAL.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 1201-003.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário no sentido de que os autos retornem à unidade de origem para que seja prolatado novo despacho decisório, analisando-se o mérito do pedido de restituição, retomando novo rito processual.
(documento assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Melo Carneiro - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro, Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: BARBARA MELO CARNEIRO
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. SÚMULA 91 DO CARF. APLICAÇÃO DO PRAZO DECENAL. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário no sentido de que os autos retornem à unidade de origem para que seja prolatado novo despacho decisório, analisando-se o mérito do pedido de restituição, retomando novo rito processual. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Melo Carneiro - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro, Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Trata-se os autos de Declarações de Compensação (DComp), de nºs 17833.17986.231104.1.3.02-8821 e 18612.87631.241104.1.3.02-9107, transmitidas por PRN Assessoria de Postos de Combustíveis em 23/11/2004 e 24/11/2004, respectivamente, visando a compensação de crédito de saldo negativo do exercício de 1999 com débitos próprios (e-fls. 04/13). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 06 57 /2 00 8- 80 Fl. 148DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.676 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.920657/2008-80 A autoridade administrativa, no despacho decisório de análise das DComps (e-fl. 14), não homologou as compensações sob o seguinte fundamento: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatou-se que na data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito, já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Data de apuração do saldo negativo: 31/12/1998 Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo do crédito: 23/11/2004 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$132.352,94. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO, a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 18612.87631.241104.1.3.02-9107 e 1833.17966.231104.1.3.02-8821. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 01/12/2008 (e-fls 15/18), julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) (e-fls. 68/75), que entendeu pela decadência do direito creditório da Manifestante, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO N A FONTE - IRRF Ano- calendário: 2004 CRÉDITOS DE IRRF SOBRE RENDIMENTOS DE COMISSÕES E CORRETAGENS PAGAS A PESSOA JURÍDICA. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O imposto retido na fonte sobre rendimentos de comissões e corretagens pagas a pessoa jurídica constituem antecipação do IRPJ devido, não podendo ser compensados diretamente com outros tributos. Somente após o encerramento do período de apuração, e na hipótese de vir a ser apurado saldo negativo do imposto de renda, é que o contribuinte pode, eventualmente, ter um direito líquido e certo de IRPJ passível de utilização para fins de restituição ou compensação com outros débitos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS D E DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 RETIFICAÇÃO DA DCOMP. INEXATIDÃO MATERIAL.ANTERIORIDADE À DECISÃO ADMINISTRATIVA. A legislação tributária estabelece, entre outras restrições, que a retificação de DCOMP somente pode ser efetuada pelo sujeito passivo na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, e desde que a declaração ainda se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Constatada a ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCOMP, e já havendo decisão proferida pela autoridade administrativa competente, cabe à Delegacia de Julgamento a sua correção de ofício ou a pedido do sujeito passivo. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição/compensação de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da extinção do crédito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. APURAÇÃO ANUAL. PRAZO. Tratando-se de apuração anual, o prazo para solicitar a restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da apuração do referido saldo negativo. Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.676 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.920657/2008-80 Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Contra o acórdão acima, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (e-fls. 96/101), alegando, em síntese, que (i) realizou a venda do Posto Rio Niterói Ltda para a Shell do Brasil S/A, no dia 04/11/1999, tendo sido retido na fonte, à título de IR, o valor de R$132.352,94; (ii) no mesmo mês de novembro realizou diversas despesas, restando devido, ao final do trimestre, a título de IRPJ, apenas a quantia de R$68.943,25; (iii) que, por equívoco, a declarou em sua DIPJ apenas o imposto a pagar, não declarando o IRRF; (iv) em razão disso, a efetuou a compensação do crédito que possuía com o débito que consistia em parte do IRPJ apurado em novembro de 1999. (vi) Subsidiariamente, a Recorrente requer que o crédito de R$50.439,27, reconhecido no acórdão da DRJ (e-fl. 74), seja considerado para abater o saldo do débito cuja compensação não restou homologada. É o relatório. Voto Conselheira Bárbara Melo Carneiro, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo, conforme comprovante de rastreamento dos Correios à e-fl. 137, e atende os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. O despacho decisório de análise das Declarações de Compensação entendeu “que na data de transmissão do PER/Dcomp com demonstrativo de crédito, já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo.”. Isso, porque as DComps transmitidas em 23/11/2004 e 24/11/2004 diziam respeito à saldo negativo de IRPJ do ano- calendário de 1998. O contribuinte, por sua vez, sustenta que, na realidade, o crédito de saldo negativo requerido refere-se ao ano-calendário de 1999, tendo cometido erro no preenchimento das DComps. Com relação ao mérito do crédito, o Recorrente argumenta que, também por erro, deixou de incluir na DIPJ de 2000 (ano-calendário de 1999) o IRRF pela Shell do Brasil S/A, no valor de R$132.352,94, todavia acostou aos autos o comprovante de recolhimento (Darf) datado de 04/11/1999. Cinge a controvérsia dos autos, inicialmente, em verificar o prazo prescricional para pleitear o direito de compensar o crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ do ano- calendário de 1998. Isso, sem considerar a possibilidade de ocorrência de erro no preenchimento das Dcomps, conforme sustenta o Recorrente. Pois bem. Ao contrário do que dispõem o despacho decisório e o acórdão recorrido, aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (IRPJ), à época da transmissão Fl. 150DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.676 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.920657/2008-80 das Dcomps ora analisadas, aplicava-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto nos artigos 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; À época, a jurisprudência pátria, em especial o Superior Tribunal de Justiça, resolveu por bem denominar a contagem como “cinco mais cinco”, tendo em vista que a extinção do direito à repetição do indébito ou compensação se daria 05 (cinco) anos após o prazo de 05 (cinco) anos para homologação tácita do crédito tributário. Com a publicação da Lei Complementar nº 118 em 09 de fevereiro de 2005, tal prazo foi alterado para 05 (cinco) anos contados do fato gerador: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Embora tenha se autodeclarado como “interpretativo”, o dispositivo da LC nº 118/05 modificou a regra contida no CTN, alterando o prazo prescricional para tributos sujeitos a lançamento por homologação de 10 (dez) anos para 05 (cinco) anos, contados do fato gerador. O Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, afastou o caráter interpretativo do dispositivo e declarou que a nova regra para contagem de prazo prescricional apenas poderia ser considerada após vacatio legis da LC 118/05, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto- proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.676 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.920657/2008-80 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando-se, no mais, a eficácia da norma, permite-se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543- B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621/RS. Relª Min. Ellen Gracie. DJe: 10/10/2011). No caso, verifica-se que o contribuinte transmitiu as Declarações de Compensação de nºs 17833.17986.231104.1.3.02-8821 (e-fls. 09/13) e 18612.87631.241104.1.3.02-9107 (e-fls. 04/08) nos dias 23/11/2004 e 24/11/2004, antes mesmo da vigência da LC 118/05, e dentro do prazo decenal para a compensação do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1998. Esse entendimento foi, inclusive, objeto de Súmula Vinculante por parte deste Eg. Conselho: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Nesse sentido é vasta a jurisprudência do Carf: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 DIREITO CREDITÓRIO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO / RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. SÚMULA Nº 91, CARF. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. CRÉDITO. REQUISITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. NECESSIDADE DE ANÁLISE PELA UNIDADE DE ORIGEM. A compensação de débitos tributários só pode ser efetuada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. No caso, superada a premissa da prescrição, o mérito quanto a existência do direito creditório deve ser analisada pela unidade de origem. (Acórdão nº 1001-001.589. 1ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária. Sessão de 16 de janeiro de 2020). Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-003.676 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.920657/2008-80 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. AFASTAMENTO. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente até 08/06/2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/ decadencial de 10 (dez) anos, contados da extinção do crédito tributário. (Acórdão nº 1003-001.278. 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária. Sessão de 17 de janeiro de 2020). Verifica-se, portanto, que o despacho decisório em análise pautou-se em regra prescricional que sequer era vigente à época do crédito de saldo negativo, bem como da data de transmissão das DComps, razão pela qual não deve prevalecer. Ademais, o despacho não apresentou qualquer outro fundamento para afastar a compensação dos débitos com o crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1998. Com base no exposto, tendo em vista o indeferimento do direito creditório em razão apenas argumento analisado acima, voto no sentido de que os autos retornem à unidade de origem para que seja prolatado novo despacho decisório, analisando-se o mérito do pedido de restituição, retomando novo rito processual. É como voto. (documento assinado digitalmente) Bárbara Melo Carneiro Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10120.730634/2015-72
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 2002-003.285
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 16592.725200/2015-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SÚMULA CARF Nº 148. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 16592.725200/2015-81, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 73 06 34 /2 01 5- 72 Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-003.285 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.730634/2015-72 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-003.284, de 17 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de auto de infração – AI (e-fls.) lavrado pela entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social - GFIP fora do prazo fixado na legislação. Tal autuação gerou lançamento de multa correspondente a 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, conforme “Comprovante de Declaração das Contribuições a Recolher à Previdência Social e a Outras Entidades e Fundos por FPAS”, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212/91. A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, que, por unanimidade, foi julgada improcedente pela DRJ. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às e-fls. no qual alega, em síntese que: o instituto denúncia espontânea deve ser aplicado ao caso; decadência do crédito tributário; inconstitucionalidade e abusividade da multa aplicada e ofensa a princípios constitucionais; alteração do critério jurídico na aplicação do artigo 146 do CTN. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-003.285 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.730634/2015-72 Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-003.284, de 17 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Conforme os autos, trata o presente processo de auto de infração – AI (e- fls.) lavrado pela entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social - GFIP fora do prazo fixado na legislação. Da decadência Em relação a decadência, ressalta-se que nos casos de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário é aquele previsto no artigo 173, I, do CTN. Ainda, conforme a Súmula CARF n° 148: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Assim, não há que se falar em decadência no presente processo. Do cumprimento da obrigação acessória – entrega da GFIP O Código Tributário Nacional (CTN - Lei nº 5.172/66) diferencia, expressamente, a obrigação tributária principal da obrigação tributária acessória. Aquela, decorre do dever de transferir montante pecuniário aos cofres públicos, quitar tributo, conceito este trazido no artigo 3º do diploma legal: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Fl. 66DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-003.285 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.730634/2015-72 Mais a frente, o artigo 113 do CTN não deixa qualquer dúvida quanto a natureza jurídica distinta das obrigações: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A obrigação acessória, como retro mencionado, decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas impostas ao contribuinte em prol de auxiliar o Fisco no recolhimento de tributos, por exemplo, manter livros fiscais, envio de informações, dentre outras. Assim, além de distintas, ambas as obrigações são autônomas. Mesmo que o contribuinte quite seu débito tributário com o Fisco, não fica desobrigado a apresentação da obrigação acessória, no caso em tela, a Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social – GFIP. O CTN ainda reforça a diferença de ambas as obrigações quando da delimitação do fato gerador: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Como sanção ao não cumprimento da obrigação acessória in casu, o artigo 32-A, da Lei nº 8.212/91, prevê a incidência de multa sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas, como se vê: Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte Fl. 67DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm#art48 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-003.285 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.730634/2015-72 por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Da denúncia espontânea Quanto a alegação da aplicação do instituto da denúncia espontânea no presente caso, deixo de formular considerações mais delongadas haja vista o conteúdo da Súmula CARF n° 49, cujo efeito é vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Como já colacionado no voto, pelo exposto no artigo 32-A, II da Lei nº 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas. Ainda, não há que se falar em violação ao artigo 146 do CTN, vez que, o artigo 142 do mesmo diploma legal prevê que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Das alegações de inconstitucionalidade Quanto às alegações acerca da violação aos princípios constitucionais e do caráter confiscatório da multa, aplica-se o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para afastar a preliminar suscitada e, no mérito, negar-lhe provimento. Conclusão Fl. 68DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-003.285 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.730634/2015-72 Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 69DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10820.900605/2014-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1001-000.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja anexada aos autos cópia integral da DIPJ 2009, relativa ao ano-calendário 2008, ativa e, se houver, da(s) retificada(s), bem como para cientificar a contribuinte e intimá-la, no prazo de 30 dias, a apresentar as manifestações adicionais que entender convenientes, conforme art. 35, § único, do Decreto nº 7.574/2011.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja anexada aos autos cópia integral da DIPJ 2009, relativa ao ano-calendário 2008, ativa e, se houver, da(s) retificada(s), bem como para cientificar a contribuinte e intimá-la, no prazo de 30 dias, a apresentar as manifestações adicionais que entender convenientes, conforme art. 35, § único, do Decreto nº 7.574/2011. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-05-11T18:53:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-05-11T18:53:16Z; Last-Modified: 2020-05-11T18:53:16Z; dcterms:modified: 2020-05-11T18:53:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-05-11T18:53:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-05-11T18:53:16Z; meta:save-date: 2020-05-11T18:53:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-05-11T18:53:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-05-11T18:53:16Z; created: 2020-05-11T18:53:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2020-05-11T18:53:16Z; pdf:charsPerPage: 1563; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-05-11T18:53:16Z | Conteúdo => 0 S1-TE01 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10820.900605/2014-14 Recurso Voluntário Resolução nº 1001-000.322 – 1ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Sessão de 07 de maio de 2020 Assunto DCOMP Recorrente ARALL ARAÇATUBA REPRESENTAÇÕES, ALIMENTAÇÃO E LIMPEZA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que seja anexada aos autos cópia integral da DIPJ 2009, relativa ao ano-calendário 2008, ativa e, se houver, da(s) retificada(s), bem como para cientificar a contribuinte e intimá-la, no prazo de 30 dias, a apresentar as manifestações adicionais que entender convenientes, conforme art. 35, § único, do Decreto nº 7.574/2011. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 152/156) que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório às folhas 130/134, que indeferiu o PER 21229.88927.081009.1.6.03-3004 e não homologou a compensação constante da DCOMP 40515.28548.231209.1.3.03-8462, de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 20 .9 00 60 5/ 20 14 -1 4 Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1001-000.322 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10820.900605/2014-14 crédito correspondente a saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2008 informado no montante de R$ 4.343,46 e reconhecido no valor de R$ 0,00, tendo em vista a não confirmação das retenções de CSLL com código de receita 5952 efetuadas pelas fontes pagadoras CNPJ nº 43.763.192/0001-09 (R$ 1.402,64) e 60.409.075/0029-53 (R$ 6.557,21). Em sua manifestação de inconformidade (folha 02/04), a contribuinte apresentou, em síntese, as alegações a seguir transcritas do relatório do acórdão a quo, instruídas com o extrato parcial de DIPJ às folhas 13/15 e as notas fiscais às folhas 16/127: a) alega que improcede a diferença de R$ 7.959,85 apurada pela autoridade fiscal porquanto: . o valor de R$ 24.724,71 informado na linha 72 (CSLL retida por PJ Direito Privado) da ficha 17 coincide exatamente com a soma da CSLL retida de R$ 24.724,71 da ficha 54 (Demonstrativo do Imposto de Renda, CSLL e Contribuições Previdenciárias retida na Fonte); . a fiscalização considerada não confirmado o montante de R$ 7.959,85 de retenções da fontes pagadoras CNPJ 43.763.192/0001-09 e 60.409.075/0029-53, que deveriam ter sido informadas à RFB na DIRF; . junta cópia de todas as notas fiscais emitidas para os CNPJ’s 43.763.192/0001-09 (retenções no valor total de R$ 1.402,64) e 60.409.075/0029-53 (retenções de 6.557,21). b) Conclui que restou comprovado o saldo negativo de R$ 4.343,46 de CSLL informado na linha 76 da Ficha 17. No acórdão a quo, mediante consulta da DIRF 2004, foi confirmada a retenção de R$ 6.278,09 de CSLL da fonte pagadora CNPJ 60.409.075/0001-52, tendo sido reconhecido direito creditório de R$ 2.661,70 de saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2008 (saldo de R$ 3.616,39 de CSLL a pagar apurado pela DRF/Araçatuba deduzido da retenção de CSLL de R$ 6.278,09) e determinada a homologação da compensação declarada nos autos, até o limite do crédito reconhecido. Ciência do acórdão DRJ em 11/03/2016 (folha 158). Recurso voluntário apresentado em 07/04/2016 (folha 159). A recorrente, às folhas 159/160, em síntese do necessário reitera seus argumentos anteriores e, apresenta, para comprovação, os documentos às folhas 161/162. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1001-000.322 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10820.900605/2014-14 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. O comprovante anual de retenção de CSLL, Cofins e PIS/PASEP, à folha 161, a seguir reproduzido, referente à fonte pagadora Nestlé Brasil Ltda, CNPJ 60.409.075/0001-52, informa rendimentos no montante de R$ 671.170,60 e retenção de código 5952 (4,65%) no valor de R$ 29.193,11, o que corresponde a retenção de CSLL (1%) no valor de R$ 6.278,09, o exato valor constante da DIRF e já confirmado no acórdão recorrido: O comprovante anual de retenção de CSLL, Cofins e PIS/PASEP, à folha 162, a seguir reproduzido, referente à fonte pagadora Chade & Cia Ltda, CNPJ 43.763.192/0001-09, informa rendimentos no montante de R$ 132.234,00 e retenção de código 5952 (4,65%) no valor de R$ 6.148,91, o que corresponde a retenção de CSLL (1%) no valor de R$ 1.322,35: Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1001-000.322 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10820.900605/2014-14 Resta saber se os rendimentos informados nos mencionados comprovantes foram regularmente oferecidos à tributação, para que a respectiva retenção possa ser deduzida do resultado do período, conforme determina a Súmula CARF nº 80: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja anexada aos autos cópia integral da DIPJ 2009, relativa ao ano-calendário 2008, ativa e, se houver, da(s) retificada(s), bem como para cientificar a contribuinte e intimá-la, no prazo de 30 dias, a apresentar as manifestações adicionais que entender convenientes, conforme art. 35, § único, do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital
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