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Numero do processo: 19515.005604/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento ou o Termo de Responsabilidade tributária, descabe a alegação de nulidade.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
SALDO DE IRPJ A PAGAR. DEDUÇÃO DE IRRF GLOSADA PELA FISCALIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DAS RETENÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA SOFRIDAS NO EXTERIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO.
A dedução do imposto de renda pago no exterior sobre lucros disponibilizados em nome de empresa brasileira detentora de participação societária condiciona-se ao regular oferecimento destes lucros à tributação no Brasil, bem como à comprovação da regular incidência do imposto de renda no exterior. Nesse contexto, apesar de erros de preenchimento em campos da DIPJ 2005, quando as condições constantes do Art. 26 da Lei n.° 9.249/95 foram comprovadas através de diligência, a alegação de erro apontada pelo contribuinte deve ser aceita.
COMPENSAÇÃO DAS ESTIMATIVAS DE IRPJ COM ALEGADOS SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ APURADOS EM ANOS-CALENDÁRIO ANTERIORES. ENCONTROS DE CONTAS SUPOSTAMENTE REALIZADOS EM 2004. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCOMP. DESCABIMENTO DA CONSIDERAÇÃO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E NO AJUSTE ANUAL.
As compensações realizadas a partir de 01/10/2002 restam condicionadas à ¡ regular apresentação da Declaração de Compensação - DCOMP. Destarte, se o contribuinte alega que empreendeu diversas compensações no curso do ano-calendário de 2004, mas não entregou regularmente as competentes DCOMP, resta descabido considerá-las, vez que descumprido requisito indispensável legalmente estatuído.
REGRAS SOBRE COMPENSAÇÃO
A compensação é uma prerrogativa deferida ao contribuinte; no entanto, este deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer o seu direito.
ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF nº 105.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (SÚMULA CARF nº 105).
Numero da decisão: 1401-001.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL para exonerar da autuação o valor de R$ 1.709.169,47 (IR RETIDO NO EXTERIOR), conforme resultado de diligência; bem assim cancelar as multas isoladas de 2004, com base na Súmula.
.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento ou o Termo de Responsabilidade tributária, descabe a alegação de nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 SALDO DE IRPJ A PAGAR. DEDUÇÃO DE IRRF GLOSADA PELA FISCALIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DAS RETENÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA SOFRIDAS NO EXTERIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. A dedução do imposto de renda pago no exterior sobre lucros disponibilizados em nome de empresa brasileira detentora de participação societária condicionase ao regular oferecimento destes lucros à tributação no Brasil, bem como à comprovação da regular incidência do imposto de renda no exterior. Nesse contexto, apesar de erros de preenchimento em campos da DIPJ 2005, quando as condições constantes do Art. 26 da Lei n.° 9.249/95 foram comprovadas através de diligência, a alegação de erro apontada pelo contribuinte deve ser aceita. COMPENSAÇÃO DAS ESTIMATIVAS DE IRPJ COM ALEGADOS SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ APURADOS EM ANOSCALENDÁRIO ANTERIORES. ENCONTROS DE CONTAS SUPOSTAMENTE REALIZADOS EM 2004. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCOMP. DESCABIMENTO DA CONSIDERAÇÃO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E NO AJUSTE ANUAL. As compensações realizadas a partir de 01/10/2002 restam condicionadas à ¡ regular apresentação da Declaração de Compensação DCOMP. Destarte, se o contribuinte alega que empreendeu diversas compensações no curso do anocalendário de 2004, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 56 04 /2 00 8- 36 Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 68 2 mas não entregou regularmente as competentes DCOMP, resta descabido considerá las, vez que descumprido requisito indispensável legalmente estatuído. REGRAS SOBRE COMPENSAÇÃO A compensação é uma prerrogativa deferida ao contribuinte; no entanto, este deve observar os procedimentos fixados pela Administração Tributária a fim de fazer valer o seu direito. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF nº 105. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (SÚMULA CARF nº 105). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL para exonerar da autuação o valor de R$ 1.709.169,47 (IR RETIDO NO EXTERIOR), conforme resultado de diligência; bem assim cancelar as multas isoladas de 2004, com base na Súmula. . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo I. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: DO PROCEDIMENTO FISCAL 1. Trata o presente processo de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ relativo à glosa de dedução de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF inserta na respectiva DIPJ, reduzindo tal importe aos valores efetivamente comprovados, bem como de multa isolada sobre a falta de recolhimento das estimativas de IRPJ no curso do anocalendário de 2004. No lançamento em foco foram constituídos os seguintes créditos tributários: IRPJ R$ 9.578.992,73 JUROS DE MORA R$ 4.689.874,84 MULTA PROPORCIONAL R$ 7.184.244,54 MULTA ISOLADA R$ 4.789.496,38 TOTAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO R$ 26.242.608,49 2. Nos termos expostos nos Termos de Verificação Fiscal (fls. 108/111 e 115/117), o lançamento em foco decorreu dos seguintes fatos apurados no curso do procedimento fiscal: 2.1. O contribuinte em comento foi intimado a apresentar os comprovantes de pagamento do IRPJ no valor de R$ 129.287.997,78 (cento e vinte e nove milhões, duzentos e oitenta e sete mil, novecentos e noventa e sete Reais e setenta e oito centavos), constante da Ficha 12A, Linha 10 do anocalendário de 2004. Em resposta, foram apresentados DARF totalizando a importância de R$ 121.091.743,42 (cento e vinte e um milhões, noventa e mil, setecentos e quarenta e três Reais e quarenta e dois centavos). Ademais, também foram apresentados alguns comprovantes de retenções na fonte sobre aplicações financeiras e dividendos recebidos do exterior, nos valores de R$ 8.741.881,75 (oito milhões, setecentos e quarenta e um mil, oitocentos e oitenta e um Reais e setenta e cinco centavos) e R$ 1.319.864,71 (um milhão, trezentos e dezenove mil, oitocentos e sessenta e quatro Reais e setenta e um centavos), alegando que sobre os dividendos da Molson Inc. situada no Canadá, foram entregues apenas as cópias dos contratos de fechamento de câmbio, pois ainda não localizaram os informes emitidos pela fonte. 2.2. Em decorrência da situação exposta no parágrafo precedente, a fiscalização intimou a empresa a apresentar os comprovantes de retenção do IRRF da empresa Molson Coors, relembrando que é condição para compensação o cumprimento dos requisitos estabelecidos no artigo 26 da Lei n°. 9.249/95 e no artigo 14 da Instrução Normativa SRF n°. 213, de 07/10/2002. 2.3. O contribuinte não apresentou a comprovação das aventadas retenções na fonte da empresa Molson Coors, e, desta feita, as mesmas não foram consideradas. Ademais, com base nos comprovantes de retenção apresentados pela empresa, a fiscalização empreendeu a competente pesquisa Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 70 4 nos sistemas informatizados da Receita Federal, sendo recalculado o imposto de renda retido sobre aplicações financeiras, conforme demonstrativo exposto às fls. 112. Destarte, o resultado deste trabalho residiu no lançamento de ofício das compensações efetuadas relativas ao IRPJ devido em face da ausência de comprovação integral das retenções na fonte. 2.4. A fiscalização apurou, ainda, que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento das antecipações mensais de IRPJ, apuradas com base em balanços / balancetes elaborados para fins de suspensão ou redução, tendo em vista a compensação a maior de IRRF sobre aplicações financeiras. Entretanto, conforme mencionado no parágrafo precedente, as referidas retenções foram insuficientes para fazer face aos dispêndios em foco, ensejando o lançamento da multa isolada incidente sobre as antecipações mensais de IRPJ inadimplidas. 3. Em decorrência de todo o acima exposto, foi lavrado, em 17/05/2006, o seguinte auto de infração relativo ao IRPJ e à multa isolada mencionada no item 2.4 supra: 3.1 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, com fundamento nos arts. 213, inciso III, e 943, §2°, ambos do RIR/99; art. 14 da Instrução Normativa SRF n°. 213, de 2002; art. 55 da Lei n°. 7.450/85; arts. 11, §3° e 26, §2°, ambos da Lei n°. 9.249/95; arts. 2o, §4°, 15 e 16, §2°, todos da Lei n°. 9.430/96; arts. 142, parágrafo único, 147, §2° e 149, inciso II, todos do CTN; 3.2. Multa Isolada pela Falta de Recolhimento do IRPJ sobre Base de Cálculo Estimada, com fundamento nos arts. 222 e 843, ambos do RIR/99, c/c art. 44, §1°, inciso IV, da Lei n°. 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n°. 351/07, c/c art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN; arts. 142, parágrafo único, 147, §2° e 149, inciso II, todos do CTN. DA IMPUGNAÇÃO 4. Cientificado do auto de infração em 18/09/2008 (fls. 124), o contribuinte apresentou, em 17/10/2008, a impugnação de fls. 161/172, aduzindo, em síntese, que: 4.1. Na DIPJ relativa ao períodobase de 2004, a Impugnante teria informado que compensou parte do IRPJ devido por estimativa com (i) créditos de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras e (ii) créditos de imposto retido sobre dividendos a ela pagos por empresa residente no exterior, no valor total de R$ 10.061.746,46 (dez milhões, sessenta e um mil, setecentos e quarenta e seis Reais e quarenta e seis centavos). Ademais, durante o procedimento de fiscalização a Defendente teria esclarecido que grande parte dos referidos créditos teria origem em períodos anteriores, com a apresentação dos respectivos comprovantes. 4.2. A partir dos demonstrativos anexos ao auto de infração, verificase que a fiscalização entendeu que o crédito oriundo de períodos anteriores já teria sido integralmente utilizado pela Impugnante na quitação do IRPJ devido em 2003, no importe de R$ 2.070.164,91 (dois milhões, setenta mil, cento e sessenta e quatro Reais e noventa e um centavos). Além disso, a fiscalização também desconsiderou o crédito decorrente de pagamentos efetuados no exterior, vez que não teria sido devidamente comprovado, em razão dos comprovantes de pagamento nãoatenderem aos requisitos estabelecidos pela Lei n°. 9.249, de 26/12/95. 4.3. Entretanto, o crédito de IRPJ utilizado pela Impugnante em 2004 seria facilmente comprovado pela documentação anexa à defesa, nos termos abaixo explicitados. 4.3.1. Em 17/07/2002, a Impugnante teria incorporado a Hocabra S/A. Na apuração de encerramento do IRPJ desta empresa incorporada, teria sido apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 3.409.749,08 (três milhões, quatrocentos e nove mil, setecentos e quarenta e nove Reais e oito centavos). Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 71 5 4.3.2. Computado o saldo negativo de IRPJ mencionado acima, a Defendente teria apurado, no encerramento do anocalendário de 2002, saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 4.991.555,91 (quatro milhões, novecentos e noventa e um mil, quinhentos e cinqüenta e cinco Reais e noventa e um centavos). Ressaltase que, no curso do anocalendário de 2002, a Impugnante teria percebido dividendos da empresa Molson Inc, com sede no Canadá, no valor de CAD 778.587,80, equivalente a R$ 3.971.089,20 (três milhões, novecentos e setenta e um mil, oitenta e nove Reais e vinte centavos), com retenção de IRF no Canadá à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), no montante de R$ 992.772,30 (novecentos e noventa e dois mil, setecentos e setenta e dois Reais e trinta centavos). 4.3.2.1. Frisase que a maior parte da receita correspondente aos dividendos percebidos do exterior, mencionados no parágrafo anterior, teria sido reconhecida no anocalendário de 2002. Contudo, o IRF sobre ela incidente teria sido, por equívoco da Impugnante, integralmente informado na DIPJ 2004, quando reconhecida a parcela restante da receita, no importe de R$ 992.772,30 (novecentos e noventa e dois mil, setecentos e setenta e dois Reais e trinta centavos). Não obstante, em razão de a legislação tributária dispor que o IRF deve ser apropriado ao períodobase em que a receita é tributada, a Defendente teria reconhecido, no anocalendário de 2002, apenas parcela do IRF incidente sobre os dividendos recebidos da Molson proporcionais à receita lá reconhecida (R$ 744.579,23 setecentos e quarenta e quatro mil, quinhentos e setenta e nove Reais e vinte e três centavos), com o competente estorno desse valor no períodobase de 2003. 4.3.3. Considerando a retificação relembrada acima, a Impugnante teria apurado saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2003 no importe de R$ 665.217,42 (seiscentos e sessenta e cinco mil, duzentos e dezessete Reais e quarenta e dois centavos) que, somado ao saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2002, devidamente atualizado para o encerramento do ano de 2003, totalizou a importância de R$ 6.712.986,55 (seis milhões, setecentos e doze mil, novecentos e oitenta e seis Reais e cinqüenta e cinco centavos). 4.3.4. Em 2004, a Defendente teria utilizado parte do crédito existente em 31/12/2003, atualizado até 31/12/2004, para quitar o IRPJ daquele períodobase, como segue: 2004 NESLIP IRF DE 2004 IR EXTERIOR IRPJ COMPENSADO DIFERENÇA A COMPENSAR Jan/2004 62.811,33 592.151,19 429.986,16 (224.976,36) Fev/2004 0,00 0,00 0,00 0,00 Mar/2004 103.497,47 0,00 8.007.523,78 7.679.049,95 Abr/2004 0,00 592.072,53 592.072,53 0,00 Mai/2004 18.892,63 0,00 0,00 (18.892,63) Jun/2004 0,00 0,00 0,00 (18.892,63) Jul/2004 0,00 524.945,75 673.073,59 129.235,21 Ago/2004 109.776,42 0,00 0,00 (109.776,42) Set/2004 108.046,44 0,00 0,00 (217.822,86) Out/2004 53.419,14 0,00 77.701,60 ,(193.540,40) Nov/2004 0,00 0,00 0,00 (193.540,40) Dez/2004 26.310,30 0,00 281.388,80 61.538,10 TOTAL 482.753,73 1.709,169,47 10.061.746,46 ■ 2004 NESLIP CRÉDITOS DÉBITOS SALDO IRF retido por HSBC em 2004 código 3426 (ficha 53 da DIPJ) 207.640,92 207.640,92 IRF retido por ING Bank N.V. em 2004 código 3426 (ficha 43 da DIPJ) 174.023,73 381.664,65 IRF retido por Banco Alfa em 2004 código 3426 (ficha 43 da DIPJ) 101.089,08 482.753,73 Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 72 6 Imposto de renda pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganho de capital 1.709.169,47 2.191.923,20 2004 NESLIP CRÉDITOS DÉBITOS SALDO IRPJ estimado efetivamente pago 121.111.203,31 123.303.126,51 IRPJ estimado quitado com saldo negativo existente em 31.12.2003 atualizado até mar/04 (3,75%) 6.963.380,95 130.266.507,46 IRPJ apurado em 31.12.2004 (ficha 12A da DIPJ) 131.153.489,88 (886.982,42) Insuficiência de recolhimento IRPJ 886.982,42 4.3.4.1. Deste modo, entende a Defendente que, após as compensações efetuadas, teria sido apurada a insuficiência de recolhimento de IRPJ no valor de R$ 886.982,42 (oitocentos e oitenta e seis mil, novecentos e oitenta e dois Reais e quarenta e dois centavos). Ademais, a Impugnante concorda que esta importância é efetivamente devida e aduz que efetuou a competente quitação no prazo legal da impugnação por intermédio da DCOMP eletrônica acostada aos autos (fls. 475/480). 4.4. No tocante ao imposto pago no exterior, a Defendente frisa que o mesmo referirseia ao recebimento de dividendos pagos pela Molson, sociedade com sede no Canadá, sendo apresentados os seguintes elementos de prova: documentos comprobatórios das retenções emitidos pelo fisco canadense (Canada Customs and Revenue Agency), no formulário NR4 Statements of Amounts Paid or Credit to Nonresidents of Canada", devidamente reconhecidos pelo Consulado da embaixada Brasileira em Toronto e traduzido para o português (doe. 6 fls. 436/467). Adicionalmente, a Defendente acosta aos autos opinião legal emitida pelo escritório de advocacia canadense David Ward, Phillips & Vineberg LLP, atestando que o formulário NR4 seria o documento adequado, de acordo com a legislação canadense, para comprovar a retenção do imposto sobre rendimentos pagos a nãoresidentes (doc. 7fls. 464/473). 4.5. As multa isoladas aplicadas não mereceriam prosperar, vez que as estimativas de IRPJ em comento teriam sido regularmente quitadas. Entretanto, mesmo que se considerasse que tais antecipações obrigatórias não teriam sido adimplidas oportunamente, entende o Defendente que a fiscalização não poderia impor conjuntamente a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre os valores pagos e a multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) incidente sobre a mesma importância, vez que tal conduta caracteriza bis in idem. Ressaltase que a exigência da multa isolada em testilha só seria cabível quando há o recolhimento do IRPJ apurado no encerramento do períodobase, mas não o da antecipação do IRPJ devida por estimativa, conforme reconheceriam a Câmara Superior de Recursos Fiscais e o Primeiro Conselho de Contribuintes nos acórdãos transcritos na peça defensiva. 4.5.1. Ademais, a imposição de multa isolada na hipótese de nãocumprimento de obrigação principal ofenderia a norma veiculada no art. 97, inciso V, combinado com o art. 113, ambos do CTN, que somente autoriza a cobrança de multa isolada na hipótese de descumprimento de obrigação acessória, conforme já reconheceu o Primeiro Conselho de Contribuintes nos arestos relembrados na impugnação. De resto, o lançamento da multa isolada não obedeceu à regra contida no art. 9o do Decreto n°. 70.235/72, que determina que as multas isoladas aplicadas em razão de insuficiência de antecipações de IRPJ e CSL devem ser lançadas em auto de infração específico, o que acarretaria a nulidade da presente autuação, na esteira do entendimento exarado no Acórdão 101 94.355. 4.6. O pedido é pelo cancelamento da parte litigiosa da autuação, sendo pleiteado, em caráter subsidiário, a exclusão das multas isoladas lançadas. A DRJ MANTEVE em PARTE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 73 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. As hipóteses de nulidade são as arroladas no artigo 59, do Decreto n°. 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, especialmente quando o contribuinte demonstra entender perfeitamente a autuação, não se vislumbrando qualquer óbice ao regular exercício 'do direito de defesa. SALDO DE IRPJ A PAGAR. DEDUÇÃO DE IRRF GLOSADA PELA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DEDUTIBILIDADE DAS RETENÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA SUPOSTAMENTE SOFRIDAS NO EXTERIOR. A dedução do imposto de renda pago no exterior sobre lucros disponibilizados em nome de empresa brasileira detentora de participação societária condicionase ao regular oferecimento destes lucros à tributação no Brasil, bem como à comprovação da regular incidência do imposto de renda no exterior. COMPENSAÇÃO DAS ESTIMATIVAS DE IRPJ COM ALEGADOS SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ APURADOS EM ANOSCALENDÁRIO ANTERIORES. ENCONTROS DE CONTAS SUPOSTAMENTE REALIZADOS EM 2004. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCOMP. DESCABIMENTO DA CONSIDERAÇÃO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E NO AJUSTE ANUAL. As compensações realizadas a partir de 01/10/2002 restam condicionadas à ¡ regular apresentação da Declaração de Compensação DCOMP. Destarte, se o contribuinte alega que empreendeu diversas compensações no curso do anocalendário de 2004, mas não entregou regularmente as competentes DCOMP, resta descabido considerá las, vez que descumprido requisito indispensável legalmente estatuído. RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS DE IRPJ DEDUZIDOS PELA FISCALIZAÇÃO NA APURAÇÃO DO SALDO DO IRPJ A PAGAR. COMPROVAÇÃO DE VALORES PAGOS DESONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO. RECALCULO DO SALDO DO IRPJ A PAGAR. Evidenciado que o contribuinte recolheu estimativas de IRPJ em patamar superior ao considerado pela fiscalização, é imperiosa a retificação da autuação, com a competente dedução da integralidade das importâncias recolhidas. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÕES DISTINTAS. PENALIDADES. APLICAÇÃO CUMULATIVA. INOCORRÊNCIA. Inexiste aplicação cumulativa de penalidades quando lançada multa isolada decorrente de falta de pagamento do imposto por estimativa e multa de ofício incidente sobre a ausência de recolhimento do imposto apurado no ajuste anual, já que se tratam de infrações distintas. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e acrescentando em complemento: que no julgamento de um lançamento fiscal, a autoridade julgadora deve restringir a sua análise aos fatos e fundamentos constantes do auto de infração; não pode ela decidir pela procedência da autuação com base em fatos e fundamentos que não foram antes invocados pela fiscalização. Faltalhe competência para agravar, modificar ou aperfeiçoar o lançamento. Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 74 8 Sendo assim, considerando que o auto de infração foi lavrado, exclusivamente, por não ter a Recorrente comprovado os créditos (i) resultantes de IRF recolhido sobre suas aplicações financeiras e (ii) de IR pago no exterior, não poderia a autoridade julgadora, uma vez comprovada a existência de tais créditos, ter decidido pela manutenção da autuação em razão de uma suposta não apresentação de outros documentos (e.g. DCOMP) e/ou comprovação do atendimento de outros requisitos (e.g. oferecimento à tributação, no Brasil, dos rendimentos tributados no exterior), que não foram suscitados pela fiscalização. Em relação ao não preenchimento das fichas que indicariam o tipo de participação societária afirma o percentual de participação na Molson era abaixo de 7%, portanto, menor do que 10%, e assim, a participação no exterior na Molson não se enquadraria como controlada, nem coligada e muito menos filial ou sucursal e que o método de avaliação pela empresa Molson era o método do “custo de aquisição” e não pelo método da equivalência patrimonial. A esse mesmo respeito ainda acrescenta: “De acordo com declaração emitida pela CIBC Mellon Trust Company (agente custodiante das ações da MOLSON), em 20.09.2002 (DOC. 01), a RECORRENTE adquiriu 7.785.858 ações representativas do capital social da MOLSON (Class A Shares). Em 23.04.2004, a RECORRENTE alienou uma parcela desse investimento, o tendo liquidado definitivamente em 12.07.2004. Ao comparar (a) a participação detida pela RECORRENTE e (b) o capital social da MOLSON no período correspondente (conforme divulgado nos Relatórios Anuais de 2003 e 2004 DOC. 02 e DOC. 03), podese constatar que o investimento da RECORRENTE não chegou a representar nem mesmo 7% do capital da empresa investida. A decisão de piso não atentou para esse fato, tendo em vista que a maior parte dos dispositivos legais por ela citados trata especificamente da tributação de lucros auferidos por filial, sucursal, controlada ou coligada no exterior. Por outro lado, reconhece que, na Linha 6 da Ficha 9A de sua DIPJ 2005, deveria ter sido informado o valor dos dividendos recebidos da MOLSON, o que, por um equívoco, deixou de ser feito; esse equivoco, contudo, não teve qualquer efeito relevante, razão pela qual rejeita a conclusão a que chegou a decisão de piso no item 5.5(ii), segundo a qual o nãopreenchimento da referida linha teria implicado na não inclusão do valor dos dividendos no cômputo de seu lucro real e na conseqüente perda do direito ao creditamento do respectivo imposto pago no exterior. E nesse contexto continua a Recorrente tentado esclarecer essa questão, alegando que cometeu um equívoco de preencher o oferecimento à tributação dessa participação societária no exterior na ficha errada. Ao invés de preencher a Linha 6 da Ficha 94, preencheu a linha 26 da Ficha 6A (Resultado positivo em participações societárias), no valor de R$ 7.461.968,43. A inclusão dos valores referentes aos dividendos pagos pela MOLSON (R$ 7.461.968,43) na Linha 26 da Ficha 6A (Demonstração de Resultado) da DIPJ 2005 e a não exclusão desses mesmos valores na Ficha 9A (Demonstração do Lucro Real) evidencia que tais rendimentos foram oferecidos à tributação, uma vez que, por um lado, foram os mesmos considerados na apuração do lucro líquido, e, por outro, não foram excluídos na apuração do lucro real Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 75 9 Em relação à assertiva da DRJ que considerou que não havia informações sobre as datas dos efetivos pagamentos dos dividendos pela Molson, a Recorrente traz documentação que supostamente resolveria essa questão: quanto à falta de informações sobre as datas dos efetivos pagamentos dos dividendos pela MOLSON apontada pela DRJ, a RECORRENTE informa, para não haver dúvida com relação à quantificação em Reais do crédito do imposto de renda pago no Canadá, que os dividendos em questão foram pagos à RECORRENTE nas datas de 25.07.2002 (DOC. 05), 22.10.2002 (DOC. 06), 22.01.2003 (DOC. 07), 03.04.2003 (DOC. 08), 08.07.2003 (DOC. 09), 22.10.2003 (DOC. 10), 06.01.2004 (DOC. 11), 14.04.2004 (DOC. 12), 16.07.2004 (DOC. 13) e 27.10.2004 (DOC. 14), conforme evidenciado nos respectivos contratos de câmbio. O processo foi baixado em diligência. através da Resolução nº 1401000.164, de 08/08/12, desta Turma. O Relatório Fiscal delimitado pela Resolução veio com resultado favorável à Recorrente e foi encaminhado para ciência do interessado sem que o mesmo tenha apresentado manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 76 10 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade Alega, em síntese, que a lavratura dos autos de infração implicou cerceamento do direito de defesa, vez que houve inovação do lançamento. É que a decisão de primeira instância teria suscitado razões de decidir que extrapolaram as que fundamentaram o auto de infração. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Examinadose o Auto de Infração, não se constata nenhum vício de forma, tendo sido observadas as prescrições contidas no Decreto n° 70.235, de 1972. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato, enquadramento legal e a sua subsunção à norma, tratarseia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. Outrossim, também não houve inovação por parte da DRJ, matéria a ser enfrentada junto com as razões de mérito a seguir. Assim, rejeito as preliminar de nulidade suscitada. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 77 11 MÉRITO Tratase de auto de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ relativo à glosa parcial da dedução inserta na DIPJ 2005 do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, reduzindo tal importe aos valores efetivamente comprovados, bem como de multa isolada sobre a falta de recolhimento das estimativas de IRPJ no curso do anocalendário de 2004. No caso concreto, a Recorrente indicou na DIPJ 2005 (Ficha 12A Linha 12), a compensação de imposto pago no exterior no valor de R$ 1.865.492,10. Já em sua impugnação, conforme apontado pela DRJ, alegou a tal título um valor um pouco diferente: R$ 1.709.169,47, conforme se demonstra através da tabela abaixo cujos dados foram extraídos de sua defesa: IRPJ EXTINTO NO CURSO DO ANOCALENDÁRIO DE 2004 IRRF Aplicações Financeiras no Brasil R$482.753,73 Imposto de renda pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganho de capital R$ 1.709.169,47 IRPJ estimado efetivamente pago R$ 121.111.203,31 IRPJ estimado quitado com saldo negativo existente em 31.12.2003 atualizado até mar/04 (3,75%) R$ 6.963.380,95 Total IRPJ extinto no curso do anocalendário 2004 R$ 130.266.507,46 IRPJ DEVIDO EM FACE DO ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO DE 2004 IRPJ apurado em 31.12.2004 (ficha 12A da DIPJ) R$ 131.153.489,88 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO IRPJ Insuficiência de recolhimento IRPJ (quitado mediante DCOMP) R$ 886.982,42 A fiscalização, por sua vez fez as seguintes glosas: FISCALIZAÇÃO IMPUGNANTE Imposto de renda pago no exterior R$ 0,00 R$ 1.709.169,47 IRPJ estimado quitado com saldo negativo existente em 31.12.2003 atualizado até mar/04 (3,75%) R$ 0,00 R$ 6.963.380,95 IRPJ estimado efetivamente pago R$ 121.091.743,42 R$ 121.111.203,31 No caso, a DRJ já deu provimento parcial ao recurso, em relação ao IRPJ estimado efetivamente pago, considerando como o correto o valor indicado pelo contribuinte de R$ 121.111.203,31. A controvérsia, então, cingese a dois pontos abaixo: Imposto de renda pago no exterior R$ 0,00 R$ 1.709.169,47 IRPJ estimado quitado com saldo negativo existente em 31.12.2003 atualizado até mar/04 (3,75%) R$ 0,00 R$ 6.963.380,95 Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 78 12 O primeiro motivo da lide, então, gira em torno da comprovação de alegados impostos de renda pagos/retidos no exterior em face de dividendos supostamente recebidos da empresa Molson Inc., que foram deduzidos na DIPJ 2005 e glosados pelo fiscal. Imposto de Renda pago no exterior – compensação Segue abaixo a legislação ligada ao contexto em referência: Art. 1º. Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário, em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º. Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: (...) b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. c) na hipótese de contratação de operações de mútuo, se a mutuante, coligada ou controlada, possuir lucros ou reservas de lucros;(Incluída pela Lei no 9.959, de 2000) d) na hipótese de adiantamento de recursos, efetuado pela coligada ou controlada, por conta de venda futura, cuja liquidação, pela remessa do bem ou serviço vendido, ocorra em prazo superior ao ciclo de produção do bem ou serviço. (Incluída pela Lei no 9.959, de 2000) § 2º. Para efeito do disposto na alínea b do parágrafo anterior, considerase: creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior”.(grifei) Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 79 13 O regime de tributação em bases universais foi concebido com o escopo de corrigir as desigualdades entre contribuintes semelhantes que o anterior sistema de tributação territorial gerava, não alcançando pela tributação os lucros auferidos no exterior por coligadas, controladas, filiais ou coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Nesse passo, para implementar tal regime veio a tona o art. 25 da Lei nº 9.249/95, in verbis: Lei n° 9.249/95 Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: I os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais; § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 80 14 I os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do períodobase da pessoa jurídica; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º. Isso que dizer que antes da publicação da Lei nº 9.249/95, os resultados auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil poderiam ser excluídos da apuração da base de cálculo do imposto de renda e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro – CSLL. O artigo 25 da Lei 9.249/95 mudou completamente esse estado de coisas, ao determinar o cômputo, na apuração do lucro real, dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por pessoa jurídica em qualquer operação praticada no exterior. O art. 1° da Lei n°. 9.532, de 10/12/1997 veio aclarar a vagueza trazida pelo termo muito genérico na figura do que seriam “lucros realizados” do art. 25 da Lei 9.249/95, ou seja, deixou mais claro o momento efetivo do reconhecimento destes lucros no Brasil. Editouse depois a Medida Provisória n°. 2.15835, de 24/08/2001, que permanece em vigor em face da norma veiculada no art. 2° da Emenda Constitucional n°. 32, de 11/09/2001. No caso regulouse novamente o momento de efetiva tributação no Brasil dos lucros auferidos por empresas coligadas e controladas por empresa brasileira no exterior, criando a partir de 2002, a chamada “distribuição ficta”: Art.74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 81 15 Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor." Nesse mesmo contexto, o art. 26 da Lei n°. 9.249/95, que é o preceptivo mais ligado ao caso concreto, permite a compensação do imposto incidente no exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital tributados no Brasil, nos seguintes termos: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. Lei nº 9.43096: Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; II Omissis § 1º Omissis. § 2º Para efeito da compensação de imposto pago no exterior, a pessoa jurídica: I com relação aos lucros, deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, exceto na hipótese do inciso II do caput deste artigo; II fica dispensada da obrigação a que se refere o § 2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, quando comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. (...) Os dispositivos legais acima foram consolidados no art. 395 do RIR/99: Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 82 16 Art. 395. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente, computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços (Lei n 9.249, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 15). (...) §2° Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no pais em que for devido o imposto (Lei n 9.249, de 1995, art. 26, §22). (...) §4° Para efeito da compensação do imposto referido neste artigo, com relação aos lucros, a pessoa jurídica deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, exceto na hipótese do inciso II do §10 do art. 394 (Lei n° 9.430, de 1996, art. 16, §2º inciso I) §5° Fica dispensada da obrigação de que trata o §2 deste artigo a pessoa jurídica que comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado (Lei nº 9.430, de 1996, art. 16, §2S, inciso II). (...) Como se vê, o ordenamento jurídico permite, sim, a compensação do imposto incidente sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior com o imposto de renda apurado no Brasil. Ora, se a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, por meio da nova sistemática legal de tributação (princípio da universalidade) deve consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária, para fins de tributação no Brasil, nada mais coerente do que permitir a compensação do tributo pago sobre o montante já tributado no exterior. Porém, condiciona esta compensação a vários requisitos que devem ser obedecidos de forma cumulativa. Isso quer dizer que o descumprimento apenas de um dos requisitos já é suficiente para que tal compensação seja obstaculizada. Eis abaixo as condições exigidas por Lei: O oferecimento daqueles rendimentos, lucros e ganhos de capital auferidos no exterior à tributação no regime do lucro real (art. 26, caput da Lei nº 9.249/95). efetiva apuração do lucro em país estrangeiro (art. 16, inciso II, § 2º da Lei nº 9.430/96). Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (§2° do art. 26 da Lei n°. 9.249/95). Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 83 17 No caso concreto, como já se colocou retro, a Recorrente indicou na DIPJ 2005 (Ficha 12A Linha 12), a compensação de imposto pago no exterior no valor de R$ 1.865.492,10. Já em sua impugnação, conforme apontado pela DRJ, alegou a tal título um valor um pouco diferente: R$ 1.709.169,47, tendo a fiscalização glosado referido valor. A DRJ negou provimento em primeiro lugar porque o primeiro requisito (oferecimento daqueles rendimentos, lucros e ganhos de capital auferidos no exterior à tributação no regime do lucro real) não se teria realizado com sucesso. Se é permitido abater o imposto pago no exterior, a base de cálculo que gerou esse pagamento de imposto também deve compor a base total de ajustes no cálculo do IRPJ no Brasil em uma clara semelhança com o que acontece com as antecipações do IRPJ na forma de retenção e o ajuste final do imposto. É uma condição justa e lógica, mas sobretudo é uma condição legal que deve ser respeitada e, segundo a DRJ, não o foi. Sem sombra de dúvidas tal informação deveria constar nas Linhas 05 e 06 da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real (LR) da DIPJ 2005 (fls.207), mas encontramse zeradas, não tendo sido infirmada pela Recorrente. Vejamos como são claras as instruções do Manual de preenchimento das DIPJ a esse respeito: Linha 09A/05 Lucros Disponibilizados no Exterior Indicar, nesta linha, os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil no curso do anocalendário (Lei n 9.532, de 1997, art. 1°, § 1º; Lei n9.959, de 27 de janeiro de 2000, art. 3º; MP nº 1.99115, de 2000, art. 35 e reedições; MP ns 2.15834, de 2001, art. 74). Em caso de apuração trimestral do imposto, tais lucros devem ser informados na coluna relativa ao 42 trimestre. Linha 09A/06 Exterior Rendimentos e Ganhos de Capital Auferidos no Exterior Indicar, nesta linha, os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, os quais devem ser considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem (IN SRF n 213, de 07 de outubro de 2002, art. 1º, § 7º). Nesse ponto, em seu Recurso a Recorrente alega que houve inovação do fiscal. Nada mais equivocado. Em primeiro lugar, porque se existem várias condições para o aproveitamento de uma determinada prerrogativa e cada uma delas é independente da outra, basta para o autuante apontar uma dessas condições que não foi cumprida para dar azo ao lançamento. Isso não quer dizer que o contribuinte bastaria provar a satisfação dessa em fase recursal para se isentar de provar as demais condições. E foi isso que aconteceu. Se o contribuinte, em uma prejudicial, não consegue nem provar que pagou IR no exterior, não haveria porque o fiscal avançar e perquirir a respeito do oferecimento à tributação do rendimento que deu origem àquele recolhimento. De toda sorte, o fiscal ainda descreveu todas as condições que eram necessárias para o atendimento, inclusive o oferecimento à tributação. Eis os Termos de Constatação Fiscal: Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 84 18 O contribuinte acima identificado foi intimado em 13 de maio de 2008, para apresentar no prazo de 05 (cinco) dias úteis, os comprovantes de pagamentos do IRPJ no valor de R$ 129.287.997,78, constante da ficha 12 A, linha 10 do ano calendário de 2004. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal apresentou os DARFS dos pagamentos totalizado à importância de R$ 121.091.743,42 e comprovantes de retenções na fonte sobre aplicações financeiras e dividendos recebidos do exterior, nos valores de R$ 8.741.881,75 e R$ 1.319.864,71, alegando que sobre os dividendos recebidos da Molson Inc. situada no Canadá, estavam entregando cópia dos contratos de fechamento de cambio, pois ainda não localizaram os informes emitidos pela fonte. Diante deste fato, lavramos o Termo de Intimação, Constatação e Reintimacão Fiscal em 08 de julho de 2008, intimando o contribuinte para no prazo Máximo de 05 (cinco) dias úteis, para apresentar os comprovantes de retenção do IR fonte da empresa Molson Coors, sendo condição para compensação o disposto no artigo 26 da Lei n. 9.249/95 e artigo 14 da IN SRF 213 de 07/10/2002. "(...) Cabe salientar que os valores retidos referentes aos dividendos recebidos da Molson não foram considerados, pois não foram atendidos os requisitos estabelecidos pela Lei nº 9.249/05. (...) Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido, o imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real (artigo 231, inciso III do RIR/99; artigo 2o, § 4o da Lei n° 9.430, de 1996). O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora (artigo 943, parágrafo 2° do RIR/99; art. 55 da Lei n° 7.450, de 1985). A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (artigo 26, § 2o da Lei n° 9.249/95; artigos 15, 16, § 2o da Lei n° 9.430/96). Outrossim, nem mesmo as informações básicas necessárias para aferir a existência de participação societária no exterior foram preenchidas deixando o quadro geral mais nebuloso ainda. É que no caso dos contribuintes possuírem participação societária no exterior, deveria ter sido preenchida especificamente as Fichas 43 Participações no Exterior e 44 Participações no Exterior Resultado do Período de Apuração e isso definitivamente não aconteceu (fls. 09/82). Outrossim, conforme apontado também pela DRJ, “restou prejudicada a identificação do método de avaliação do investimento em comento, pois não restou evidenciado se a Molson Inc é controlada ou coligada da Impugnante, e sequer se o referido investimento é relevante.” Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 85 19 Porém, contra esse ponto a Recorrente em fase recursal traz informações esclarecedoras. No caso alegou que por ter um percentual de participação na Molson da ordem de 7%, portanto, menor do que 10%, e assim, a participação no exterior na Molson não se enquadraria como controlada, nem coligada e muito menos filial ou sucursal e que o método de avaliação pela empresa Molson era o método do “custo de aquisição” e não pelo método da equivalência patrimonial: E nesse contexto continua a Recorrente tentado esclarecer essa questão, alegando que cometeu um equívoco de preencher o oferecimento à tributação dessa participação societária no exterior na ficha errada. Ao invés de preencher a Linha 6 da Ficha 94, preencheu a linha 26 da Ficha 6A (Resultado positivo em participações societárias), no valor de R$ 7.461.968,43: 5.18. Por outro lado, a RECORRENTE reconhece que, na Linha 6 da Ficha 9A de sua DIPJ 2005, deveria ter sido informado o valor dos dividendos recebidos da MOLSON, o que, por um equívoco, deixou de ser feito; esse equivoco, contudo, não teve qualquer efeito relevante, razão pela qual a RECORRENTE categoricamente rejeita a conclusão a que chegou a DECISÃO no item 5.5(ii), acima, segundo a qual o nãopreenchimento da referida linha teria implicado na não inclusão do valor dos dividendos no cômputo de seu lucro real e na conseqüente perda do direito ao creditamento do respectivo imposto pago no exterior. 5.19. Com efeito, a inclusão dos valores referentes aos dividendos pagos pela MOLSON na Linha 26 da Ficha 6A (Demonstração de Resultado) da DIPJ 2005 e a nãoexclusão desses mesmos valores na Ficha 9A (Demonstração do Lucro Real) evidencia que tais rendimentos foram oferecidos à tributação, uma vez que, por um lado, foram os mesmos considerados na apuração do lucro líquido da RECORRENTE, e, por outro, não foram excluídos na apuração do lucro real, conforme se demonstrará a seguir. (...) 5.21. Como se vê, na Linha 26 da Ficha 6A devem ser declarados, dentre outros valores, os lucros e dividendos de participações societárias avaliadas pelo custo de aquisição, exatamente como era o caso dos investimentos da RECORRENTE na MOLSON. 5.22. Em cumprimento ao disposto acima, a RECORRENTE declarou, na Linha 26 da Ficha 6A de sua DIPJ 2005, os dividendos recebidos da MOLSON no anocalendário 2004, no valor de R$ 7.461.968,43 (DOC. 05 da IMPUGNAÇÃO). Conforme demonstram os lançamentos contábeis efetuados no livro razão da RECORRENTE (conta 423200. Receita de Dividendos DOC. 04) , o valor em questão é composto exclusivamente pelo valor bruto dos dividendos pagos pela MOLSON em 2004 (i.e., valor líquido acrescidos do imposto de renda recolhido no Canadá). Por conseguinte, os dividendos em questão foram efetivamente incluídos na apuração do lucro líquido da RECORRENTE. Em relação à assertiva da DRJ que considerou que não havia informações sobre as datas dos efetivos pagamentos dos dividendos pela Molson, a Recorrente traz documentação que supostamente resolveria essa questão: 5.32. Por fim, quanto à falta de informações sobre as datas dos efetivos pagamentos dos dividendos pela MOLSON , a RECORRENTE informa, para não haver dúvida com relação à quantificação em Reais do crédito do imposto de renda Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 86 20 pago no Canadá, que os dividendos em questão foram pagos à RECORRENTE nas datas de 25.07.2002 (DOC. 05), 22.10.2002 (DOC. 06), 22.01.2003 (DOC. 07), 03.04.2003 (DOC. 08), 08.07.2003 (DOC. 09), 22.10.2003 (DOC. 10), 06.01.2004 (DOC. 11), 14.04.2004 (DOC. 12), 16.07.2004 (DOC. 13) e 27.10.2004 (DOC. 14), conforme evidenciado nos respectivos contratos de câmbio. Dessa forma, em função do reforço das provas de defesa e do respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, o feito foi baixado em diligência para que a fiscalização investigasse melhor e esclarecesse a veracidade da assertiva de que a Recorrente se equivocara no preenchimento da linha 06 da Ficha 9 A, declarando na Linha 26 da Ficha 6A de sua DIPJ 2005, os dividendos recebidos da MOLSON no anocalendário 2004, no valor de R$ 7.461.968,43 (DOC. 05 da IMPUGNAÇÃO), bem assim Investigasse isso em consonância com os lançamentos contábeis efetuados no livro razão da RECORRENTE (conta 423200. Receita de Dividendos DOC. 04). Eis abaixo a conclusão do relatório de diligência fiscal: (...) 22. Analisando os documentos apresentados em atendimentos às intimações expedidas no decorrer desta diligência e aos demais documentos constantes do processo sob exame com relação aos dividendos pagos pela Molson, sociedade com sede no Canadá, tais como documentos juntados ao recurso interposto fls. 561 a 789 do processo: documentos comprobatórios das retenções emitidos pelo fisco canadense (Canada Customs and Revenue Agency), no formulário NR4 Statements of Amounts Paid or Credit to Nonresidents of Canada", devidamente reconhecidos pelo Consulado da embaixada Brasileira em Toronto e traduzido para o português (doc. 6 fls. 436/467), ilustrada com a opinião legal emitida pelo escritório de advocacia canadense David Ward, Phillips & Vineberg LLP, atestando que o formulário NR4 seria o documento adequado, de acordo com a legislação canadense, para comprovar a retenção do imposto sobre rendimentos pagos a não residentes (doc. 7 fls.464/473), juntamente com os contratos de câmbio que mostram as datas destes recebimentos em 2004 , quais sejam: 06.01.2004 (DOC. 11), 14.04.2004 (DOC. 12), 16.07.2004 (DOC. 13) e 27.10.2004 (DOC. 14) fls. 778 a 789, podese verificar que no decorrer de 2 004 houve o recebimento de valor bruto de US$ 2.566.558,85 (R$ 7.462.230,11) , e retenção de US$ 641.639,71 (R$ 1.865.557,53), conforme a seguir sintetizado na planilha por mim elaborada: US$ US$ R$ CONTRA TO US$ CALCULO DO CALCULO CALCULO DO R$ CAMBIO VALOR VALOR DO R$ VALOR VALOR CALCULO DA 2004 LÍQUIDO BRUTO IRFONTE LÍQUIDO BRUTO IRFONTE 06/01/04 622 . 443,44 829. 924,59 207.481,15 1.776.453,58 2 .368 .604,77 592.151,19 14/04/04 613.546,66 818.062,21 204.515,55 1.776.217,58 2 .368.290,11 592.072,53 16/07/04 524.770,83 699. 694,44 174.923,61 1.574.837,26 2.099.783,01 524.945,75 27/10/04 164.158,21 218 . 877,61 54 . 719,40 469.164,16 625 . 552,21 156.388,05 TOTAL 1.924.919,14 2.566.558,85 641.639,71 5.596.672,58 7.462.230,11 1.865.557,53 Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 87 21 23. Cumpre observar que o valor glosado pela fiscalização e ora sob exame é o valor de R$ 1.709.169,47, relativamente ao IRFONTE constante dos documentos denominados pela empresa de "DOC 11", "DOC 12" e "DOC 13" fls. 778 a 787; 24. Ao haver a inclusão dos valores referentes aos dividendos pagos pela MOLSON (R$ 7.461.968,43) na Linha 26 da Ficha 6A (Demonstração de Resultado) da DIPJ 2005 e a não exclusão desses mesmos valores na Ficha 9A (Demonstração do Lucro Real) verificase que tais rendimentos foram oferecidos à tributação, uma vez que, por um lado, foram os mesmos considerados na apuração do lucro líquido, e, por outro, não foram excluídos na apuração do lucro real. CONCLUSÕES FINAIS Primeiramente esclareço que a glosa de R$ 6.963.380,90 não fez parte da análise desta diligência, pois a mesma limitouse ao exame da matéria constante da solicitação de fls.832. A conta contábil 423200 RECEITA DE DIVIDENDOS, extraída do RAZÃO digital AC 2004, relativa aos dividendos pagos pela MOLSON, onde se encontra registrada a contabilização da receita de R$ 7.461.968,43, foi planilhada e seguirá anexa ao presente. Considerando que as argumentações e provas documentais juntadas pelo contribuinte em decorrência desta diligência, bem como os demais documentos anteriormente juntados ao presente processo administrativo, entendemos que apesar de erros de preenchimento em campos da DIPJ 2005, as condições constantes do Art. 26 da Lei n.° 9.249/95 foram comprovadas e a alegação do contribuinte deve ser aceita, ficando demonstrado que os dividendos pagos pela MOLSON no anocalendário 2004, no valor de R$ 7.461.968,43 (que foi declarado na Linha 26 da Ficha 6A de sua DIPJ 2005) foi considerado na apuração do lucro real e desta forma, o valor compensado relativo ao imposto pago no exterior de R$ 1.709.169,47 , glosado na autuação, deve ser desprezado na apuração de novo cálculo do crédito tributário devido após diligência desta fiscalização, conforme quadro abaixo: MANTIDO POR DRJ (R$) EXONERADO NA DILIGÊNCIA (R$) MANTIDO (R$) após DILIGÊNCIA IRPJ 8.672.550,42 1.709.169,47 6.963.380,95 Portanto, uma vez provado em diligência que as condições constantes do Art. 26 da Lei n.° 9.249/95 foram satisfeitas, DOU provimento a este item da autuação. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 88 22 IRPJ estimado quitado com saldo negativo em 31.12.2003 A Recorrente alega em defesa que teria utilizado os saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 2003 para quitar as estimativas mensais de IRPJ devidas no curso do anocalendário de 2004. Nesse sentido, a fiscalização fez também a glosa abaixo: FISCALIZAÇÃO IMPUGNANTE IRPJ estimado quitado com saldo negativo existente em 31.12.2003 atualizado até mar/04 (3,75%) R$ 0,00 R$ 6.963.380,95 Ou seja, a fiscalização entendeu que os referidos saldos que suportariam essas compensações já teriam sido integralmente utilizados pela Recorrente na quitação do IR devido de 2002. A Recorrente em sua defesa, por sua vez, contesta a assertiva acima alegando que se trata de um erro de informação no saldo negativo de uma empresa sua que foi incorporada e que precisaria ser aproveitado. Afora esse fato da insuficiência de saldo constatado pelo Fiscal, há uma prejudicial relevante que por si só joga uma pá de cal no pleito da Recorrente. É o que se passa a demonstrar. Com é sabido a compensação tributária tem rito próprio e precisa ser aferida a liquidez e certeza dos créditos. Não consta do processo que a recorrente tenha tomado as providências legais para fazer esse mister antes de iniciado o procedimento de ofício. Se diz que compensou, então, deveria ter apresentado Declaração de Compensação no caso de débitos apurados em DIPJ a partir de 2002 a fim de efetivar as compensações com o novo regime de compensações atualmente em vigor, não cabendo mais a mera demonstração de compensação na contabilidade, pois essa sistemática não é mais vigente, tendo sido revogada tacitamente. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, em seu art. 49, instituiu a declaração de compensação (Dcomp) e deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, para estabelecer que, a partir de 1º de outubro de 2002 (art. 68), a compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação e será “efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos”: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 89 23 informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (...) § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (grifei) Como se vê, a declaração de compensação é uma prerrogativa da recorrente e que não foi utilizada, não cabendo ao fiscal fazêlo de ofício. Não se olvide, ainda, que, no lançamento dito por homologação, a compensação apresenta três pressupostos indispensáveis: Primeiramente, o contribuinte deve possuir um crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública; em segundo lugar, a compensação há de ser escriturada, de sorte que reste cristalizada sua ocorrência; e, por fim, o Fisco somente poderá homologar tal ato do contribuinte se tomar conhecimento de sua atividade, ou em outras palavras, incumbe ao contribuinte comunicar ao Fisco a atividade por ele levada a efeito, de forma que reste exteriorizada sua pretensão, possibilitando a fiscalização de seu procedimento. Sendo assim, não estando comprovada nos autos, por meio de documentação adequada, a alegada compensação, não pode ser esta aceita como argumento de defesa, como aliás é pacífica a jurisprudência: “COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO. Não é cabível a alegação de compensação sem comprovação do procedimento e como defesa em auto de infração. Recurso negado.” Acórdão 20176411 Da mesma forma, contrapondose ao entendimento do autuado, a jurisprudência do CARF impõe óbice à efetivação da compensação, mesmo se tratando de tributos da mesma espécie, quando esta for efetuada a partir de outubro de 2002 e não instrumentalizada através de Dcomp: ACÓRDÃO 20180287 – Data da Sessão: 22/05/2007 COFINS. CRÉDITOS DE IPI. COMPENSAÇÃO ESCRITURAL. IMPOSSIBILIDADE. A compensação entre créditos e débitos de tributos de diferentes espécies era efetuada, anteriormente à criação da Declaração de Compensação, à vista de pedido do sujeito passivo e, após, por meio da apresentação de Declaração de Compensação. Estando fora desses limites, a compensação escritural não tem efeito de extinção dos créditos tributários. ACÓRDÃO 20178161 – Data da Sessão: 26/01/2005 NORMAS PROCESSUAIS. PIS. COMPENSAÇÃO. MESMO TRIBUTO. DESNECESSIDADE DE PEDIDO. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. Anteriormente à criação da declaração de compensação, a compensação entre tributos da mesma espécie e destinação constitucional (PIS com PIS) era efetuada pelo próprio sujeito passivo, em sua escrituração, no âmbito do lançamento por homologação. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 90 24 Não consta no processo que tenha sido encaminhada à RFB, conforme consulta efetuada pela DRJ nos Sistemas de Informática da SRFB, a citada declaração relativa à compensação do IRPJ do AC de 2004 com o saldo negativo de períodos anteriores (2002 e 2003). Conforme colocado pela DRJ a esse mesmo respeito: Frisese que a única DCOMP localizada nos sistemas da RFB com crédito referente a saldo negativo de IRPJ reside na Declaração de Compensação acostada aos autos pelo próprio contribuinte (fls. 475 a 480 e 488), entregue para quitar as parcelas incontroversas da presente autuação. Como se viu, o contribuinte fez a suposta compensação à margem de todos os instrumentos declaratórios existentes, inclusive à margem também da contabilidade. Resta apenas o rastro da sua intenção, em função de um saldo que ficou disponível nem ao menos coincidente em sua inteireza com o valor a ser compensado. Isso quer dizer que na prática não houve compensação alguma. Não se pode então é admitir que se “reserve” um saldo qualquer de crédito, sem registro algum seja contábil, seja fiscal, e se fique no aguardo de uma autuação ou fiscalização para então se alegar que determinado débito foi coberto por uma suposta compensação. Aceitar tal situação é dar um verdadeiro “cheque em branco” para o contribuinte se utilizar de um mesmo crédito para inúmeras situações, pois controle algum há. O bom registro do crédito,no caso concreto, não diz nada e não vem o caso, pois esse seria em tese o interesse de qualquer contribuinte dentro da lógica mencionada nesse voto, eis porque se rejeita também o pedido de diligência a esse respeito. O bom registro e documentação da compensação é que é o relevante, e é o que convém à Receita se preocupar. E esse registro não houve. Outrossim, cai também por terra o seu argumento de que a decisão de piso inovou ao aventar a necessidade da existência da Dcomp, uma vez que foi a Recorrente que traz como argumento de defesa que fez a compensação com supostos créditos de saldos negativos de anos anteriores. Logo, ela tem que provar antes de tudo a formalização da compensação para daí, só depois, provar a existência de saldo. De outra banda, o fiscal também não cometeu nenhum desacerto. Ora, se existem várias condições para o aproveitamento de uma determinada prerrogativa e cada uma delas é independente da outra, basta para o autuante apontar uma dessas condições que não foi cumprida para dar azo ao lançamento. Isso não quer dizer que o contribuinte bastaria provar a satisfação de uma em fase recursal para se isentar de provar as demais condições, se acaso existirem. Portanto, mantenho esse item da autuação. MULTA ISOLADA – ESTIMATIVAS NÃO PAGAS Da aplicabilidade da Súmula CARF nº 105 A recorrente pleiteia o cancelamento da multa isolada de 50% apurada em face de falta de recolhimento da estimativa do tributo devido, feito sob argumento de impossibilidade de cumulação com a multa de ofício de 75%. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.005604/200836 Acórdão n.º 1401001.620 S1C4T1 Fl. 91 25 Ressalvo o meu entendimento que sempre foi pela manutenção das multas isoladas, porém o modifico em função de regramento vinculante superveniente (Súmula CARF n; 105), que possui o seguinte teor: Súmula CARF n. 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Porém, cabe salientar que a asserção contida na súmula só é válido para os anoscalendários anteriores a 2007, pois com fundamento em dispositivo legal (no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) que foi posteriormente modificado pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07, bem assim que haja imposto devido e não apuração de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, como também é o caso. Como o caso que se cuida referese ao anocalendário de 2004, há, portanto, que se aplicar a súmula ao caso concreto. Portanto, cancelo as multas isoladas sobre as estimativas não pagas. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso: I) para exonerar da autuação o valor de R$ 1.709.169,47, conforme resultado de diligência; e II) Cancelar as multas isoladas por estimativas não pagas no anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 15/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10830.720119/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 01/11/2001, 31/08/2005
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE. PRAZO. CINCO ANOS. LEI COMPLEMENTAR 118/2005.
O prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, para os pedidos apresentados após 09/06/2005, data de decurso da vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS.
Por ausência de previsão legal, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS, descabendo a sua exclusão.
Numero da decisão: 3401-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira e Waltamir Barreiros, quanto à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
ROBSON JOSE BAYERL - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
ROSALDO TREVISAN - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros Da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso De Almeida. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: Relator
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2024; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 123 1 122 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.720119/200768 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.164 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2016 Matéria COFINS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente SUPERMERCADO SERV BEM HORTOLANDIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 01/11/2001, 31/08/2005 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE. PRAZO. CINCO ANOS. LEI COMPLEMENTAR 118/2005. O prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, para os pedidos apresentados após 09/06/2005, data de decurso da vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Por ausência de previsão legal, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS, descabendo a sua exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge d'Oliveira e Waltamir Barreiros, quanto à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROBSON JOSE BAYERL Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 19 /2 00 7- 68 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 ROSALDO TREVISAN Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl (Presidente), Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros Da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso De Almeida. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Discutese nesses autos Pedido de Restituição / Declaração de Compensação de valores recolhidos a maior ou indevidamente a titulo de COFINS, no montante de R$ 24.108,06, para o período de novembro/2001 a agosto/2005, com fundamento na exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS. Na decisão de fls. 65 e seguintes, o Serviço de Orientação e Análise Tributária ("SEORT") da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP não homologou a compensação pretendida, com base em 3 (três) fundamentos, como se verifica da ementa do julgado, abaixo transcrita: "Assunto: COFINS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Período de apuração: CRÉDITO — NOVEMBRO DE 2001 A AGOSTO DE 2005. DÉBITO — NOVEMBRO DE 2005 A MARÇO DE 2006. Ementa: COFINS. BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO DA PARCELA RELATIVA AO ICMS. A base de cálculo da Cofins é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, entendendose esta como a totalidade das receitas obtidas, independentemente do tipo de atividade desenvolvida. Incluso neste conceito o valor do ICMS. Somente as parcelas legalmente autorizadas é que podem ser excluídas da base de cálculo desta contribuição federal, não estando enquadrada nessa situação a parcela relativa ao ICMS. Entendimento consoante às atuais e inequívocas jurisprudências administrativa e judicial. ILEGITIMIDADE. Tem direito de pleitear restituição/compensação o sujeito passivo que efetivamente suporta o ônus econômico da exação, ou quem esteja autorizado expressamente por aquele. DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPETIÇÃO DO INDÉBITO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS". Importante ainda relatar que, nessa decisão, em decorrência do procedimento adotado pelo contribuinte, a SEORT fixou duas premissas para a análise do pleito: (i) apenas Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 124 3 parte das compensações apresentadas pelo contribuinte poderiam ser conhecidas e apreciadas; e (ii) deveriam ser consideradas como data de protocolo das declarações os dias 16/02/2007 e 27/07/2007. A seguir, os motivos de tal entendimento: "6.2. Todas as declarações de compensação apresentadas eletronicamente, vide fls. 1/5 e 27/39, foram geradas mediante uso indevido do programa gerador de pedidos eletrônicos de restituição/ressarcimento e declarações de compensação (PGD). Pretendeu a pessoa jurídica interessada utilizar o crédito a que entende fazer jus (como já destacado, supostos pagamentos a maior da Cofins em virtude da inclusão do valor do ICMS em sua base de cálculo) mediante a criação de um pagamento fictício, que totalizaria todas as diferenças reclamadas (entre os períodos de apuração de novembro de 2001 a agosto de 2005). Completamente equivocado o procedimento adotado, sem nenhum respaldo junto às normas legais e infralegais que regem a matéria, mormente a IN SRF n° 600/05. Uma simples leitura deste ato administrativo e das instruções de preenchimento do PGD é suficiente para que se chegue à conclusão de que somente em casos de pagamentos indevidos ou a maior efetivamente recolhidos, ou seja, reais, é que se pode utilizar o módulo "pagamento indevido ou a maior" do PGD, e sempre um documento, no caso uma declaração de compensação, por Dart reclamado. Obviamente, deveria a contribuinte ter utilizado os formulários de que trata o art. 76 da citada IN, formalizando processo administrativo (posteriormente poderia apresentar declarações de compensação eletronicamente, consignando como origem do crédito o processo formalizado), como feito por alguns outros sujeitos passivos, que embarcaram na mesma tese creditória aqui utilizada (como se verá adiante, atualmente descabida, por diversos motivos) mediante a apresentação de pedidos de restituição, ao contrario da interessada, que preferiu apresentar declarações de compensação; e 6.3. Considerando o esposado no subitem precedente, as cinco declarações de compensação apresentadas eletronicamente, fls. 1/5 e 28/39, serão consideradas como não declaradas, haja vista, como discorrido, a impropriedade na utiliza PGD. Assim, consideramse corretamente formuladas e aptas a produzir os efeitos que lhe são próprios as declarações de compensação apresentadas às fls. 2 (a de fl. 43 é idêntica), data de protocolização 16/02/2007, fl. 6, e 44/47, data de protocolização 27/07/2007, fl. 40, sendo, dessa forma, as que serão alvo da presente análise. Ressaltese que essas abrangem todos os débitos objeto das compensações consideradas não declaradas". Contra essa decisão, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 75 e seguintes, na qual alegou: a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS; a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários até a decisão definitiva na esfera administrativa; a extinção dos créditos tributários pela compensação tributária; e que o prazo para pleitear a restituição seria de 10 (dez) anos e não de 5 (cinco), como restou decidido pela SEORT. Ao final, pediu o deferimento de todas as compensações apresentadas. Nesse ponto, importante observar que, apesar de o contribuinte ter pedido o deferimento de todas as compensações apresentadas, não trouxe nenhum motivo para que as Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 demais compensações fossem consideradas. Além disso, quanto ao prazo para pleitear a restituição, limitou sua exposição à defesa do prazo de 10 (dez) anos, não fazendo qualquer oposição às datas de protocolo fixadas pela SEORT. Com isso, percebese que o contencioso se instaurou, segundo as premissas acima mencionadas fixadas pela SEORT. Na sessão de 28/01/2008, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP) decidiu, por unanimidade de votos, não reconhecer o direito creditório em litígio e não homologar a compensação com manutenção integral dos débitos, conforme decisão de fls. 95 e seguintes, cuja ementa transcrevo a seguir. "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/11/2001 a 31/08/2005 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. ICMS. BASE DE CALCULO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Cofins. Compensação não Homologada". A terceira limitação à restituição/compensação apontada pela SEORT, quanto à legitimidade da contribuinte para realização do pedido, foi superada pela Delegacia, nos termos a seguir: "No que tange à questão da legitimidade para pedir a repetição de indébitos referentes a PIS e Cofins, ao contrário do que entendeu o despacho da DRF, essas contribuições não são tributos que comportem, por sua natureza, transferência jurídica do respectivo encargo financeiro". Após ser cientificado dessa decisão em 04/04/2008, conforme AR de fls. 105, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18/04/2008 (fls. 106), no qual renovou os argumentos expostos na Manifestação de Inconformidade. O recurso voluntário foi distribuído à 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, porém, seu julgamento foi sobrestado, por força do artigo 62A, parágrafo 1º, do então vigente Regimento Interno1, pois duas das três matérias a serem decididas, inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da PIS e da COFINS e prazo para restituição de tributos, estavam pendentes de decisão nos Tribunais Superiores. Segundo o relator, "tendo em vista a existência de liminar em Ação Direta de Constitucionalidade que determina o sobrestamento dos julgamentos que versem sobre a aplicação do art. 3º, parágrafo 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98 bem como, a inexistência de trânsito em julgado do RE nº 566.621, com repercussão geral, mencionado acima, voto pelo SOBRESTAMENTO do 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesm matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 125 5 feito até que seja proferida decisão definitiva das matérias abordadas pelo presente processo administrativo fiscal". A outra matéria trazida se refere à suspensão da exigibilidade do crédito tributário e foi tratada pelo relator da seguinte forma: "Encontrase pacífico na jurisprudência judicial e administrativa que a interposição de recurso administrativo tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário conforme a redação do art. 151, III, do Código Tributário Nacional: (...) Desta forma, recebidos os apelos apresentados pela ora Recorrente, encontram se os débitos objetos do presente processo, por força de lei, com sua exigibilidade suspensa". Com a revogação do dispositivo que previa o sobrestamento de feitos pela Portaria MF 343/2015, que aprovou o Regimento atualmente em vigor, após nova distribuição para minha relatoria, ocorrida na sessão do dia 17/03/2016, coloco o processo em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Em seu recurso, a Recorrente pede o reconhecimento da extinção dos créditos tributários pela compensação tributária, defendendo que o prazo para pleitear a restituição seria de 10 (dez) anos e não de 5 (cinco) e que seria inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS. Ainda, argumenta que os créditos tributários deveriam ficar com exigibilidade suspensa até a decisão final administrativa. Quanto a suspensão da exigibilidade, a questão já havia sido apreciada de forma favorável à Recorrente na decisão recorrida, nos seguintes termos: "cabe dizer que o requerimento da impugnante acerca da suspensão da exigibilidade dos débitos de sua responsabilidade — que são objeto do presente pleito compensatório — é desnecessário, já que tal efeito decorre de expressa disposição legal, independentemente de manifestação desta instância administrativa". De qualquer maneira, para que não restem dúvidas, corroboro o já exposto na Resolução nº 3803000.133, exarada nesses autos, no sentido de reconhecer que "recebidos os apelos apresentados pela ora Recorrente, encontramse os débitos objetos do presente Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 processo, por força de lei, com sua exigibilidade suspensa", em conformidade com o artigo 151, inciso III, do CTN2 e com o artigo 74, parágrafo 11º, da Lei nº 9.430/19963. No que se refere ao prazo para pleitear a restituição, a decisão recorrida entendeu aplicável o prazo de 5 (cinco) anos, com base no artigo 168, inciso I, do CTN4, e artigo 3º da Lei Complementar nº 118/20055. De outro lado, a Recorrente defende a aplicação de um prazo de 10 (dez) anos, pela soma do prazo de homologação previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN6, com o prazo previsto no artigo 168, inciso I, do CTN, pois, na sua visão, "só após o transcurso de tal evento (05 anos para homologação expressa ou tácita) é que devese entender extinto o crédito tributário, e assim, a partir desta extinção dada à devida homologação, iniciase contagem do prazo prescricional para o contribuinte exigir a sua restituição". Como mencionado na Resolução exarada nesses autos, a questão já foi decidida no Recurso Extraordinário 566.621, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, em que foi reconhecida a repercussão geral da matéria. Essa decisão, que transitou em julgado no dia 17/11/2012, foi assim ementada: "DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei 2 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; 3 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 4 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; 5 Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. 6 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 126 7 nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido".(grifos nossos) (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO) Como se verifica, o entendimento firmado pelo STF é que a aplicação de um prazo reduzido e novo só poderia ocorrer após o decurso da vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, apenas para as ações propostas após 09/06/2005, sob pena de ofensa ao princípio da segurança jurídica, corolário da proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça, pois a referida Lei não tem caráter interpretativo, tendo, na realidade, inovado no ordenamento jurídico. Assim, no presente caso, levandose em consideração que os pedidos de restituição/compensação foram apresentados em 16/02/2007 e 27/07/2007, portanto, após o início de vigência da Lei Complementar nº 118/2005, é aplicável o prazo de 5 (cinco) anos, não sendo passíveis de restituição os valores pagos antes de 16/02/2002, informados na declaração apresentada em 16/02/2007, e antes de 27/02/2002, informados na declaração de compensação apresentada em 27/07/2007. O último ponto a ser analisado diz respeito à inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da COFINS. Na decisão recorrida, entendeuse pela possibilidade de incluir esse imposto estadual, pelas seguintes razões: "Com efeito, a Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, determinou que a base de cálculo do PIS e da Cofins seria o faturamento, correspondente à Fl. 129DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 receita bruta da pessoa jurídica, entendida esta como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada. No § 2° do art. 2° desse diploma legal, ficou estabelecido que se excluiriam da base de cálculo das citadas contribuições o IPI e o ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. De igual modo, também nas Leis nº 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, que instituíram a sistemática da nãocumulatividade na apuração do PIS e da Cofins, a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada. Observese que ao permitir a exclusão apenas do ICMSSubstituição, a legislação deixa claro, contrario sensu, que o ICMS devido pela interessada compõe a base de cálculo da Cofins". Além disso, a decisão recorrida informa ter conhecimento do Recurso Extraordinário n° 240.7852, no bojo do qual se debatia a matéria no e. Supremo Tribunal Federal, entretanto, rejeita qualquer influência de tal decisão no julgamento, pois, aos seus olhos, (i) "como a votação não foi encerrada, ainda não há decisão"; (ii) "não sendo a contribuinte parte no citado RE, mesmo se houvesse decisão, ela não poderia ser fundamento para o pedido de restituição que ora se aprecia"; e (iii) "quando o STF fixa entendimento pela inconstitucionalidade via controle difuso, os servidores da administração devem reorientar suas atuações somente após a publicação da Resolução do Senado Federal a que se refere o art. 52, inciso X, da Constituição Federal, nos termos do art. 1, § 2°, do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997". A Recorrente, por sua vez, alega que "a Lei 9.718/98 foi clara ao estabelecer em seu a art. 3°, parágrafo 2º, inciso I, que o faturamento é a receita bruta, e que da receita bruta se excluem para fins de base de calculo da COFINS, o imposto de Circulação de Mercadorias e sobre prestações de Serviços de Transportes Interestadual e Intermunicipal e de Comunicaçao ICMS". O motivo apontado na Resolução exarada nesses autos para o sobrestamento do julgamento foi a existência de liminar na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 18, determinando o sobrestamento dos julgamentos que versassem sobre a aplicação do art. 3º, parágrafo 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. Abaixo, coloco ementa da decisão que deferiu a medida cautelar em referência: "EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal".(ADC 18 MC, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Tribunal Pleno, julgado em 13/08/2008) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 127 9 Impende destacar que, nos termos do artigo 21, parágrafo único, da Lei nº 9.868/19997, a medida cautelar era válida pelo prazo de 180 dias, a contar da data de publicação da ata de julgamento, sob pena de perda de sua eficácia. Ocorreu que essa medida cautelar ainda foi prorrogada por 3 (três) vezes, sendo a última delas deferida por decisão publicada em 18/06/2010, sem que tivesse ocorrido o julgamento de mérito até o momento. Dessa maneira, verificase que a cautelar perdeu eficácia, pelo menos, desde o final de dezembro de 2010. Além disso, a medida cautelar deferida excluiu expressamente os processos em andamento no STF. Com isso, importante mencionar que o Plenário do STF já decidiu a questão de forma favorável aos contribuintes, por maioria de votos, em sede de controle difuso. Isso ocorreu no julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, que foi assim ementado: "TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento". (RE 240785, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 08/10/2014) Conforme se verifica no sítio eletrônico do STF, essa decisão transitou em julgado no dia 23/02/2015, tornandose, portanto, definitiva. Há ainda no STF o RE nº 574.706, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia, em que houve o reconhecimento da repercussão geral, mas ainda não foi julgado. Em suma, no STF, a questão da inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é ou foi objeto, pelo menos, de três processos: (i) Recurso Extraordinário nº 240.785, já julgado definitivamente em sede de controle difuso pelo Plenário, que entendeu pela exclusão do ICMS da base de cálculo; (ii) ADC nº 18, pendente de julgamento da questão em sede de controle abstrato; e (iii) Recurso Extraordinário nº 574.706, em que foi reconhecida a repercussão geral e também está pendente de julgamento e deverá ser julgado em conjunto com a ADC nº 18, tendo em vista o deferimento de pedido nesse sentido em 01/08/2013 pela relatora. A respeito da base de cálculo do PIS e da COFINS, a Lei nº 9.718/1998 dispõe que: 7 Art. 21. O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido de medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente na determinação de que os juízes e os Tribunais suspendam o julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo objeto da ação até seu julgamento definitivo. Parágrafo único. Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário Oficial da União a parte dispositiva da decisão, no prazo de dez dias, devendo o Tribunal proceder ao julgamento da ação no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de perda de sua eficácia. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 "Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: Ias vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; [redação anterior à Lei nº 12.973/2014] I as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimento pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita bruta; IV as receitas de que trata o inciso IV do caput do art. 187 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível; e VI a receita reconhecida pela construção, recuperação, ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja contrapartida seja ativo intangível representativo de direito de exploração, no caso de contratos de concessão de serviços públicos". Portanto, a base de cálculo da PIS e da COFINS será calculada pelo faturamento da pessoa jurídica, que compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598/1977, in verbis: "Art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Fl. 132DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 128 11 § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)" No mesmo sentido, as Leis que instituíram a PIS e a COFINS nãocumulativa (Leis nº 10.637/2002 e n° 10.833/2003) determinam que a base de cálculo desses tributos é o "total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil". É de se notar que a redação vigente à época do pedido de restituição excluía expressamente da base de cálculo, no artigo 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/1999, o IPI e o ICMS da substituição tributária. Nesse quadro normativo, a decisão recorrida entendeu que "ao permitir a exclusão apenas do ICMSSubstituição, a legislação deixa claro, contrario sensu, que o ICMS devido pela interessada compõe a base de cálculo da Cofins". Contudo, pareceme que a melhor forma de enfrentar a questão não é a partir da análise do que foi expressamente excluído ou não pela legislação, mas sim a partir do conceito de faturamento, à luz do ordenamento jurídico como um todo, nele incluindose o conceito constitucional de faturamento, previsto no artigo 195, inciso I, da Carta da República, como fez o Ministro Marco Aurélio, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785: "As expressões utilizadas no inciso I do artigo 195 em comento hão de ser tomadas no sentido técnico consagrado pela doutrina e jurisprudencialmente. Por isso mesmo, esta Corte glosou a possibilidade de incidência da contribuição, na redação primitiva da Carta, sobre o que pago àqueles que não mantinham vínculo empregatício com a empresa, emprestando, assim, ao vocábulo “salários”, o sentido técnicojurídico, ou seja, de remuneração feita com base no contrato de trabalho – Recurso Extraordinário nº 128.5192/DF. Jamais imaginouse ter a referência à folha de salários como a apanhar, por exemplo, os acessórios, os encargos ditos trabalhistas resultantes do pagamento efetuado. Óptica diversa não pode ser emprestada ao preceito constitucional, revelador da incidência sobre o faturamento. Este decorre, em si, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por tal motivo, o que percebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviços. A base de cálculo da Cofins não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrá lo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Fl. 133DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 Federação. No caso dos autos, muito embora com a transferência do ônus para o contribuinte, terseá, a prevalecer o que decidido, a incidência da Cofins sobre o ICMS, ou seja, a incidência de contribuição sobre imposto, quando a própria Lei Complementar nº 70/91, fiel à dicção constitucional, afastou a possibilidade de incluirse, na base de incidência da Cofins, o valor devido a título de IPI. Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea “b” do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. Cumpre ter presente a advertência do ministro Luiz Gallotti, em voto proferido no Recurso Extraordinário nº 71.758: “se a lei pudesse chamar de compra e venda o que não é compra, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição” RTJ 66/165. Conforme salientado pela melhor doutrina, “a Cofins só pode incidir sobre o faturamento que, conforme visto, é o somatório dos valores das operações negociais realizadas”. A contrário sensu, qualquer valor diverso deste não pode ser inserido na base de cálculo da Cofins. Há de se atentar para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional mostrese fiel, no emprego de institutos, de expressões e de vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, tendo em vista o que assentado pela doutrina e pela jurisprudência. Por isso mesmo, o artigo 110 do Código Tributário Nacional conta com regra que, para mim, surge simplesmente pedagógica, com sentido didático, a revelar que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios para definir ou limitar competências tributárias". (grifos nossos) É importante destacar que, ao entender pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS nesse julgado, o STF não declarou a inconstitucionalidade de nenhum dispositivo legal, pelo contrário, a partir do conceito constitucional de faturamento (artigo 195, inciso I, da Carta da República), deu aos dispositivos infraconstitucionais a interpretação que lhe parece mais adequada, reafirmando, assim a própria constitucionalidade de tais dispositivos. Nesse sentido, oportuno citar trecho do acórdão em questão: (...) O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES Senhora Presidente, na verdade, lembrome que participei desse intenso debate, mas nunca tive dúvida de que, tal como a questão se colocara época, o tema era, sim, constitucional. Na verdade, a minha divergência com o Ministro Cezar Peluso e os que o seguiram dizia respeito à compreensão do conceito no contexto geral e dos precedentes, inclusive, que se desenvolveram a partir da própria ADC n° 1. Entendo até que estamos diante daquilo que a doutrina e a teoria do direito chama de garantia de perfil institucional. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 129 13 Claro que podemos ter um debate, dependendo da singularidade, de perfil infraconstitucional. Mas, no caso específico, o que está em jogo é o próprio conceito. Porque podemos estar a discutir conceito de faturamento, conceito de propriedade, conceito de casamento ou de renda, e neste caso é evidente que a discussão se põe como discussão constitucional. Tanto é que temos tantos debates irrelevantes na alçada do Superior Tribunal de Justiça sobre o mesmo tema. Por quê? Claro que podemos ter detalhamentos outros, ou má ou boa aplicação da lei, mas, aqui, a indagação que se faz é sobre a substância do próprio conceito: se o legislador teria, ou não, extrapolado ao regular um determinado instituto. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Ministro, Vossa Excelência me permite? O artigo 2°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91 não versa a inclusão ou a exclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. O SENHOR MINISTRO SEPULVEDA PERTENCE Sim, é uma interpretação a contrario. Mas para mim o problema é irrelevante, porque não é preciso declarar a inconstitucionalidade da lei para dizermos que a inclusão do ICMS na sua própria base de cálculo é inconstitucional. O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) Exatamente". (grifos nossos) Dessa maneira, a aplicação do entendimento pela exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, no presente caso, não é limitado pela Súmula CARF nº 02, que afirma "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária", pois não se está aqui declarando a inconstitucionalidade de nenhuma lei, mas simplesmente extraindo do texto da Lei nº 9.718/1998 a norma que parece mais adequada. Por outro lado, ainda que se entenda de forma diversa, no sentido de que, para se reconhecer a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS e da COFINS, devese necessariamente declarar a inconstitucionalidade de dispositivo da lei federal, seja o artigo 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/1999, vigente até a edição da Lei nº 12.973/2014, seja o § 5º do DecretoLei no 1.598/1977, da mesma forma é possível a aplicação do entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785 nas decisões proferidas por esse colegiado, com fundamento no artigo 62, caput, § 1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF em vigor8, levandose em conta que a decisão foi proferida pelo Plenário do STF e já é definitiva. Por fim, impende notar também que o reconhecimento do direito creditório fundado na exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS não encontra óbice nas 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 14 normas regulamentares expedidas pela RFB para tratar de compensação, como o artigo 41, § 3º, inciso I, e, da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que prevê: "Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o crédito que: (...) e) não se refira a tributos administrados pela RFB; ou f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: 1. tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2. tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3. tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou 4. seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal;" Isso pelo mesmo motivo já exposto acima: não se trata de declaração de inconstitucionalidade de nenhuma Lei. Além disso, ainda que fosse, no caso concreto, a regulamentação vigente à época do pedido de restituição/compensação não previa tal tipo de limitação, como se verifica do artigo 26, da Instrução Normativa SRF nº 600/20059. 9 Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o débito apurado no momento do registro da DI; II o débito que já tenha sido encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; III o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela SRF; IV o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; V o débito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional com crédito de terceiro; VI o débito e o crédito que não se refiram aos tributos e contribuições administrados pela SRF; VII o saldo a restituir apurado na DIRPF; VIII o crédito que não seja passível de restituição ou de ressarcimento; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 130 15 Ante o exposto, concluo que: (i) o ICMS não deve compor a base de cálculo da COFINS, de modo que os pagamentos realizados pela Recorrente considerando tais parcelas na base de cálculo da COFINS são "pagamentos indevidos" passíveis de restituição/compensação; (ii) é aplicável o prazo de 5 (cinco) anos, não sendo passíveis de restituição os valores pagos antes de 16/02/2002, informados na declaração apresentada em 16/02/2007, e antes de 27/02/2002, informados na declaração de compensação apresentada em 27/07/2007. Dessa maneira, considerando as conclusões acima e que o quantum de crédito não chegou a ser apreciado no decorrer do processo, proponho a conversão do julgamento em diligência à unidade administrativa de jurisdição, para que se verifique e quantifique o valor a ser restituído/compensado, excluindo os valores atingidos pela prescrição. É como voto. AUGUSTO FIEL JORGE ' OLIVEIRA Relator IX o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional reconhecido por decisão judicial que ainda não tenha transitado em julgado; X o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; XI o valor informado pelo sujeito passivo em Declaração de Compensação apresentada à SRF, a título de crédito para com a Fazenda Nacional, que não tenha sido reconhecido pela autoridade competente da SRF, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e XII outras hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 16 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Manifesto, por meio do presente, divergência em relação ao posicionamento externado pelo relator no que se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, destacando que a Lei que regula a matéria (no regime cumulativo, que é o tratado nos autos) é a de nº 9.718/1998, que dispõe em seus artigos 2º e 3º: "Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: Ias vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; [redação anterior à Lei nº 12.973/2014] I as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimento pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita bruta; IV as receitas de que trata o inciso IV do caput do art. 187 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível; e VI a receita reconhecida pela construção, recuperação, ampliação ou melhoramento da infraestrutura, cuja contrapartida seja ativo intangível representativo de direito de exploração, no caso de contratos de concessão de serviços públicos". (grifos nossos) Os textos normativos apresentam a base de cálculo no artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, a partir do conceito de faturamento do artigo 1º. E no § 2ª do artigo 3º são relacionadas as exclusões, entre as quais não se encontra menção ao ICMS pago (apesar de haver menção expressa de exclusão do ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário na redação vigente à época dos fatos geradores). Assim, por ausência de previsão legal, descabe a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. E nenhuma decisão judicial de Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10830.720119/200768 Acórdão n.º 3401003.164 S3C4T1 Fl. 131 17 caráter não definitivo, e fora das hipóteses estabelecidas no art. 26A do Decreto no 70.235/1972, ou no artigo 62 do Regimento Interno deste CARF, pode contrapor tal carência de previsão legal. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, em relação a tal matéria. ROSALDO TREVISAN Redator Designado Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24 /05/2016 por AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 13819.723038/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação.
Comprovados os requisitos, restabelece-se a dedução.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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GLOSA. O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação. Comprovados os requisitos, restabelecese a dedução. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 30 38 /2 01 3- 12 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13819.723038/201312 Acórdão n.º 2402004.978 S2C4T2 Fl. 59 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão de primeira instância, proferida por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou a impugnação procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação. Restabelecese a dedução na parte comprovada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 21ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE em PARTE a impugnação nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), em síntese, o lançamento referese às seguintes questões: "Glosa de valores, indevidamente deduzidos a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. ... Em razão do recibo do pagamento apresentado pela contribuinte estar em desacordo com as normas legais da Receita Federal do Brasil Parágrafo 1º e 3º do artigo nº 80 do RIR foi efetuada glosa de dedução de despesa declarada, do profissional JOÃO RAFAEL SALEMME, como também a glosa parcial da dedução indevida de despesas médicas por falta declarada a BAETA NEVES CENTRO MÉDICO E ACUPUNTURA LTDA." Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos nos autos. Em 24/09/2013 foi dada ciência a recorrente do lançamento, conforme termo da autoridade preparadora e aviso de recebimento (AR). Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, em 22/10/2013, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em Fl. 60DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 síntese, que pleiteia o cancelamento do débito fiscal, pois alega que a documentação juntada comprovaria seu direito a dedução pleiteada. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando a impugnação procedente em parte, mantendo somente o valor referente ao profissional João Rafael Salemme. A recorrente foi intimada da decisão em 26/02/2014, conforme Aviso de Recebimento (AR). Inconformado com a decisão, a contribuinte, em 24/03/2014, apresentou recurso voluntário, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Não se conforma com a exigência; 2. Efetivamente realizou as despesas médicas, conforme documentos apresentados; 3. Quando informada que o recibo da despesa estava incompleto, apresentou novo recibo com todos dados solicitados; 4. O profissional prestador do serviço também foi convocado pela Receita Federal e apresentou relação com todos clientes que lhe prestaram serviço; 5. O recibo foi declarado inválido por não ter carimbo; 6. Anexa cópia do recibo, devidamente carimbado; 7. Pelo exposto, requer o cancelamento do lançamento. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13819.723038/201312 Acórdão n.º 2402004.978 S2C4T2 Fl. 60 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto ao mérito, cabe destacar, para nossa análise, os limites do litígio. Como afirmado, de forma literal, na NL, o lançamento foi elaborado pelas seguintes razões: "Glosa de valores, indevidamente deduzidos a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. ... Em razão do recibo do pagamento apresentado pela contribuinte estar em desacordo com as normas legais da Receita Federal do Brasil Parágrafo 1º e 3º do artigo nº 80 do RIR foi efetuada glosa de dedução de despesa declarada, do profissional JOÃO RAFAEL SALEMME, como também a glosa parcial da dedução indevida de despesas médicas por falta declarada a BAETA NEVES CENTRO MÉDICO E ACUPUNTURA LTDA." Portanto, as razões do Fisco para a lavratura do lançamento foram, somente: 1. Falta de comprovação da Despesa Médica ou falta de previsão legal para sua dedução; e 2. Recibo de pagamento apresentado em desacordo com os Parágrafo 1º e 3º do artigo nº 80 do RIR. Decreto 3.000/1999 (RIR): Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 62DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. ... § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. A contribuinte, desde a fase anterior ao lançamento, vem buscando apresentar documento para comprovar a despesa. Já a DRJ mantém o lançamento com os seguintes fundamentos: "Da análise das provas apresentadas (Despesas Médicas) O documento de fl.10 (R$16.000,00 – João Rafael Salemme) não pode ser aceito para fins de comprovação do direito a dedução declarada, pois não atende ao requisito do inc. II, §2º do art.8º da Lei nº 9.250/95. A alternativa legal ao recibo incompleto, nos termos da legislação citada, é a comprovação do pagamento através de cheque nominativo; conforme já expresso pela fiscalização ao citar o artigo 80 do RIR. O já citado documento, o documento de fl.11, e os demais elementos trazidos aos autos não fazem prova do efetivo pagamento da despesa informada (art. 8º, II, “a” da Lei nº 9.250/95), desenvolvendose o argumento mais à frente. Mantémse a glosa. Da força probante dos recibos. A Lei nº 9.250/95, no §2°, III, art. 8° informa que a possibilidade de dedução prevista na alínea ‘a’ do inciso II limitase a pagamentos comprovados e, logo a seguir, enumera os requisitos formais dos quais os recibos devem ser revestidos. Esta norma, no entanto, não dá aos comprovantes, ainda que presentes todas estas formalidades, valor probante absoluto. A apresentação de recibos com nome e endereço do emitente tem potencialidade probatória relativa. Neste sentido o § 3°, do art.11, do Decreto Lei nº 5.844/43: “(DecretoLei nº 5.844/43) Art.11. § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.”(grifei) Fl. 63DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13819.723038/201312 Acórdão n.º 2402004.978 S2C4T2 Fl. 61 7 É de se ter em conta, ao examinar esta questão, que a comprovação de despesas médicas, odontológicas, etc. por meio de recibos é muito frágil. A apresentação destes documentos, em muitos casos, deve servir apenas como ponto de partida para a comprovação das despesas declaradas, não sendo a autoridade fiscal obrigada a se satisfazer apenas com eles. Observase que a prova definitiva e incontestável da despesa médica é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) e de documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras). A apresentação de recibos, por si só não tem esta capacidade. O contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica, odontológica, etc, não envolve apenas ele e o profissional de saúde, mas também ao Fisco caso haja intenção de se beneficiar desta dedução na declaração de rendimentos. E, por isso, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço. Observase que o pagamento em dinheiro/moeda corrente serve muito bem para quitar um débito, mas comproválo, ainda mais junto a terceiros, pode se tornar tarefa árdua. Recibos englobados. Ademais observase que os recibos são englobados. Cabe esclarecer que os recibos devem ser emitidos no momento em que há a transferência do numerário, além do que, o profissional beneficiário está obrigado à apuração do recolhimento mensal obrigatório carnê leão e por isso são irregulares os recibos emitidos que englobem pagamentos em outros meses. Do ônus da prova. É regra geral no direito que o ônus da prova cabe a quem alega. Entretanto, a lei pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O artigo 11, §3º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificálas, deslocando para ele o ônus da prova. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o impugnante a obrigação da comprovação e justificação das deduções, e não o fazendo, implica no não cabimento das deduções. E, ainda o ônus de provar implica em trazer elementos que não deixem margem à dúvida. Da apreciação da prova e outros aspectos. É oportuno salientar que a autoridade julgadora pode, no que tange à análise das provas, formar livremente a sua convicção, a teor dos artigos. 131 e 332 do Código de Processo Civil e do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Observarse que impugnação redigida em termos genéricos, sem o desenvolvimento do tema ou desacompanhada de indícios de prova, não cria questão a ser tratada em sede de julgamento administrativo. Observase que a documentação do presente processo foi disponibilizada em formato digitalizado para o relator destes autos e que todas as referências “às folhas” são feitas conforme a numeração digital. CONCLUSÃO Isto posto, voto no sentido de considerar PROCEDENTE em PARTE a impugnação pelas razões de fato e de direito analisadas, como a seguir se demonstra:" Pela leitura dos termos da decisão verificamos que novos, diversos e vários fundamentos legais e argumentos foram trazidos à acusação pela DRJ, o que é totalmente incabível. Devese respeitar o devido processo legal, em que o acusado conhece, de forma clara e certa, na acusação (NL), os motivos e fundamentos em que se baseia. Essa conclusão vai ao encontro de acórdão do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de despesas médicas por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa. DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presumese, à míngua de indícios em sentido contrário, ser ele o beneficiário da prestação do serviço. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. FALTA DE INDICAÇÃO DOS BENEFICIÁRIOS. Quando o pagamento de despesas médicas é efetuado a plano de saúde, necessário ser esclarecido quais são os respectivos beneficiários. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para Fl. 65DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13819.723038/201312 Acórdão n.º 2402004.978 S2C4T2 Fl. 62 9 restabelecer as deduções de despesas médicas correspondentes aos pagamentos efetuados às profissionais Adriana Freitas Huet Bacellar, R$ 850,00 (oitocentos e cinqüenta reais) e Patrícia Freitas Bacellar, R$ 8.000,00 (oito mil reais), nos termos do voto do relator. (Processo: 3749.000668/201035, Acórdão: 2802003.088, Relator: Ronnie Soares Anderson). ... ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS POR FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA APRESENTAR DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. DOCUMENTOS APRESENTADOS E NÃO ANALISADOS. AUTORIDADE JULGADORA. NÃO INOVAÇÃO NO LANÇAMENTO. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO DOS VALORES ALUSIVOS AOS DOCUMENTOS NÃO ANALISADOS PELA AUTORIDADE FISCAL. No lançamento decorrente de glosa de despesas médicas por falta de atendimento à intimação para apresentar documentação comprobatória, constatado pela autoridade julgadora que documentos foram apresentados, porém não analisados pela autoridade fiscal, não compete à autoridade julgadora inovar no lançamento e sim excluir do lançamento a glosa dos valores alusivos aos documentos apresentados e não analisados pela autoridade fiscal. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer R$960,00 (novecentos e sessenta reais) a título de despesas médicas, nos termos do voto do relator. (Processo: 10166.007707/200873, Acórdão: 2802003.306, Relator: Jorge Cláudio Duarte Cardoso). Portanto, vamos analisar os autos de acordo com os termos da acusação. A autoridade fiscal pode desconsiderar recibos apresentados, solicitando outras formas de comprovação da despesa, mas para isso deve demonstrar de forma mínima o motivo da desconsideração do recibo, a fim, inclusive, de que seja dada ao contribuinte a chance de trazer aos autos comprovação de que a despesa foi efetuada, inclusive para respeitar a ampla defesa. Em momento algum a acusação define o recibo, ratificado por declaração do profissional que prestou o serviço, como inidôneo. Afirma, somente, que este não cumpriu os requisitos dos §§ 1º e 3º, do Art 80, do Decreto 3.000/1999. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Ora, na análise do recibo e da declaração do profissional que o emitiu já apresentados desde a impugnação encontramos todos os requisitos determinados pela legislação. Assim não há motivos para a glosa e deve ser dado provimento ao recurso da contribuinte. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em dar provimento ao recurso da contribuinte, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.724208/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
LANÇAMENTO. NOTIFICAÇÃO QUE NÃO EXPÕE OS MOTIVOS ENSEJADORES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. OFENSA AO ART. 142 DO CTN. Tendo em vista que a notificação de lançamento não trouxe elementos suficientes a demonstrar a ocorrência do fato gerador,ou mesmo a clara descrição dos fatos que ensejaram a sua formalização, é de ser reconhecida a ofensa ao disposto no art. 142 do CTN.
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO PARA A EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Nos limites do processo administrativo para a cobrança de crédito tributário não cabe a realização de pedido de restituição, que possui processualística própria para sua análise.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelamento da exigência fiscal e, com relação ao pedido de restituição, negar provimento ao pleito. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que negava provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ERRO MATERIAL Recorrente INAJA GUEDES BARROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 LANÇAMENTO. NOTIFICAÇÃO QUE NÃO EXPÕE OS MOTIVOS ENSEJADORES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. OFENSA AO ART. 142 DO CTN. Tendo em vista que a notificação de lançamento não trouxe elementos suficientes a demonstrar a ocorrência do fato gerador,ou mesmo a clara descrição dos fatos que ensejaram a sua formalização, é de ser reconhecida a ofensa ao disposto no art. 142 do CTN. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO PARA A EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Nos limites do processo administrativo para a cobrança de crédito tributário não cabe a realização de pedido de restituição, que possui processualística própria para sua análise. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 42 08 /2 01 2- 41 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelamento da exigência fiscal e, com relação ao pedido de restituição, negar provimento ao pleito. Vencido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que negava provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, João Victor Ribeiro Aldinucci, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10830.724208/201241 Acórdão n.º 2402005.209 S2C4T2 Fl. 247 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por INAJA GUEDES BARROS, em face de acórdão que entendeu por manter integralmente notificação de lançamento lavrada pela restituição indevida de imposto de renda, em decorrência do processamento de DIPF retificadora, através da qual o contribuinte, informando ser portador de doença maligna, requereu a restituição de valores indevidamente pagos aos cofres públicos em exercícios anteriores. Consta dos autos que o recorrente foi “diagnosticado como portador de neoplasia maligna de próstata em 04/2005, tendo se submetido à intervenção de radioterapia na tentativa de estancar a doença e como não obteve a cura completa pleiteou a isenção de IR somente no final de 2011, conforme portaria lavrada pelo Procurador Geral da Justiça do Estado de São Paulo, publicada no D.O E. de 13/01/2012 (anexa), tendo a partir de 01/2012 obtido o benefício da isenção com efeito retroativo, razão pela qual apresentou declaração retificadora para pleitear a devolução dos valores relativos à diferença entre o imposto pago e o restituído no exercício de 2008, anocalendário de 2007.” Com referida retificação, pretendia ter como restituídos os valores de impostos indevidamente pagos em referido exercício. Todavia, ao efetuar tal retificação, em sua impugnação, o contribuinte informou que “ao transmitir a sua declaração retificadora para requalificar os rendimentos como isentos, por evidente equívoco, cometeu erro formal ao suprimir da ficha Rendimentos Tributáveis todas as informações das fontes pagadoras (Ministério Público do Estado de São Paulo e Governo do Estado de São Paulo), inclusive a informação referente ao IRRF, nos respectivos valores de R$ 54.017,97 e R$ 16.697,29, totalizando o valor constante da declaração original de R$ 70.715,26”, o que gerou um valor de imposto a restituir de apenas R$ 6,58. Assim, diante das novas informações apresentadas na retificadora, fora lavrada a notificação objeto do presente processo para exigir do recorrente a diferença entre o imposto que lhe fora restituído por ocasião da apresentação da declaração original (R$ 19.342,83) e o efetivo imposto a restituir em decorrência das novas informações constantes na declaração retificadora (R$ 6,58). A DRJ, entendeu por afastar o pleito formulado, entendendo ser intempestiva a impugnação apresentada, mas mesmo assim manifestouse sobre o alegado erro material cometido, apontando que a declaração retificadora substituiu integralmente a original diante das informações prestadas pela recorrente, não cabendo àquela turma julgadora reconhecer direito à nova retificação. Fora então, interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta a contribuinte: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 1. que deve ser reconhecida a ocorrência do alegado erro material na supressão das informações do imposto retido na fonte, em observância ao princípio da busca da verdade material; 2. que além de nada dever ao fisco, tem direito à restituição do imposto retido na fonte em razão da demonstração de que era portador de moléstia grave à época das retenções efetuadas. 3. é equivocado o entendimento no sentido de que o mero erro de fato pode impor obstáculo a restituição de imposto indevidamente recolhido aos cofres públicos; 4. a administração tributária tem o poderdever de revisar de ofício o lançamento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária; 5. por fim, aduz ser possível o deferimento da restituição pleiteada em decorrência do reconhecimento do erro material cometido, seja pela DRJ, seja por este Conselho; Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10830.724208/201241 Acórdão n.º 2402005.209 S2C4T2 Fl. 248 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINAR Quanto às preliminares, há questão a ser analisada. Conforme determina o Código Tributário Nacional (CTN), o lançamento deve trazer aos autos informações que possibilitem que os sujeitos passivos compreendam os motivos da exação. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Pois bem, para deixarmos claro nosso ponto de vista, transcreveremos, integral e novamente, os motivos que constam na NL (lançamento), para a efetivação da exigência: "Em decorrência do processamento da Declaração Retificadora de Ajuste Anula do Imposto sobre s Renda da Pessoas Física, fica o contribuinte acima identificado, com base no § 2º do art. 147 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, nos arts. 835, §§ 1º e 2º , e 839 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 19999 Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), e nos arts. 9º , caput, 11 e 23, do Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972, notificado a recolher no prazo de 30 (trinta) dias, contado do recebimento desta notificação, a importância de R$ 19.336,25, correspondente à restituição recebida indevidamente, que deverá ser acrescida de juros de mora, conforme demonstrado acima. Para o pagamento, o contribuinte deverá preencher o Documento de Arrecadação de Receitas Federai (Darf) no Fl. 160DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 código de receita 1054, período de apuração 31/12/2010 e.data de vencimento 29/04/2011 Os valores do principal (campo 07), juros (campo 09) e do total (campo 10) no Darf correspondeu respectivamente, aos valores das linhas C, D e E do Demonstrativo do Crédito Tributário Apurado apresentado nesta notificação, calculados para pagamento ate o último dia' útil de 05/2013. Fica dispensado o pagamento da restituição indevida a devolver caso o seu valor , acrescido de juros de mora, seja inferior a R$ 10,00 (art.68 da Lei no9.430/96). Caso não concorde com o presente lançamento o contribuinte poderá impugnálo no prazo de 30 (trinta) dias, contado do recebimento desta notificação, em petição dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de sua jurisdição, nos termos do disposto nos artigos 14 a 16 do Decreto no 70.235, de 1972). DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL" Da leitura integral da acusação, só conseguimos a informação sobre sua origem, restituição recebida indevidamente, mas: 1. Recebida indevidamente por quê? 2. Quando e como ocorreu o fato gerador? 3. Qual a matéria tributável? 4. Como se chegou ao cálculo do montante do tributo devido? Em um Estado Democrático de Direito todo acusado tem direito de que sua acusação seja clara e certa, e que siga o que determinam as disposições legais. Construir decisão pelo que o acusado traz aos autos, assim como inovar na acusação, é desrespeitar, totalmente, regras mínimas do devido processo legal. Somase a esse grave equívoco a supressão de instância que o acusado, sujeito passivo, tem, que é a decisão da DRJ, para ter seus pleitos analisados e decididos. Se a acusação fosse certa e clara, com as informações trazidas pela DRJ, o recurso à DRJ teria os mesmos argumentos e provas? Não sabemos e não há como saber, pois não foi o que ocorreu, mas que deveria ter ocorrido. O contribuinte, procurador de justiça, vem alegando, desde o início do procedimento, que a cobrança é indevida, que sua restituição foi correta e que não há lógica em apresentar anos depois declaração retificadora com valor menor. No mínimo, pela razoabilidade dos argumentos e pela busca da verdade material, as pesquisas e diligências para checar as informações deveriam ter sido efetuadas. Assim, como a fiscalização não demonstrou o motivo do lançamento que acarretou a conceituação da restituição como indevida, na origem, entendo que, neste ponto, deve ser dado provimento ao recurso do sujeito passivo. Ademais, o pedido de restituição de valores indevidamente retidos não pode ser analisado por este Eg. Conselho, a uma por não entender cabalmente comprovada a Fl. 161DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10830.724208/201241 Acórdão n.º 2402005.209 S2C4T2 Fl. 249 7 ocorrência de erro material, a duas, por se tratar de matéria que não comporta discussão na via do presente processo, devendo ser objeto de pedido em separado. A propósito, trago à baila posição sobre o assunto adotada por este Eg. Conselho, conforme se verifica do acórdão n. 2801003.969, a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 ALTERAÇÃO DA DIRPF. RETIFICAÇÃO. LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. Poderá o contribuinte, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos cometidos e solicitando a revisão pela autoridade competente. Estando demonstrados os erros cometidos em pretensa declaração retificadora, deve a mesma ser desconsiderada e cancelada a infração apurada a partir dela. LIMITES DA LIDE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Recurso Voluntário Provido. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a exigência fiscal, indeferindo, no mais, o pedido de restituição pleiteado. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/0 5/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 15586.001637/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 66; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1188; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001637/200901 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.416 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 06 de abril de 2016 Assunto Diligência Recorrente ADM DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 01 63 7/ 20 09 -0 1 Fl. 18398DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente processo retorna depois da realização de diligências determinadas pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento nos termos das Resoluções nº 1101000.077 e 1101000.152. Da Resolução nº 1101000.077 colhese o seguinte relato das ocorrências até então verificadas nos autos: ADM DO BRASIL, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 29/12/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 797.002.605,17. O procedimento fiscal foi motivado por demanda externa requisitória do Ministério Público Federal, objeto do Ofício 1890/2008PR/ES/GAB/LFM, de 14/05/2008, reportandose ao Ofício Decic/Gabin nº 2007/229, de 03/08/2007, no qual a autuada foi citada como uma das empresas que, no período de 2003 a 2004, efetuaram remessas ao exterior em pagamento de margem de garantia em Bolsa de Mercadorias no Exterior (hedge), de valores muito relevantes e aparentemente incompatíveis com os volumes de suas operações comerciais, mesmo para empresas de seu porte. Especificamente em relação a ela, constou do referido ofício o que segue: d) O significativo incremento observado nas remessas de hedge em todo o País no 2° e 3° T/2004 (fl. 1078) se deu em razão de apenas 11 operações em nome da ADM do Brasil, correspondentes a US$ 269,3 milhões em 05/2004 e US$ 236 milhões em 07/2004. Esses valores são equivalentes respectivamente a 82% e 73% do total do País em cada trimestre. O total de remessas líquidas naquele titulo da empresa em 2004 (entradas de US$ 70,5 milhões menos saídas de US$ 555,9 milhões), no total de US$ 485,4 milhões, correspondeu a 56% do total do País, e a 38% do total de suas exportações no mesmo ano (fls. 1081/2). [...] Tais informações foram encaminhadas ao Presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, em cumprimento ao disposto no artigo 2°, § 6° da Lei Complementar 105, de 11.1.2001, e no artigo 11 do Decreto 2.799, de 08.10.1998, tendo em conta que elas poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613, de 3.3.1998. Posteriormente, a Procuradoria da República no Espírito Santo encaminhou aquele documento à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, requisitando procedimento fiscal para instrução do procedimento investigatório lá em curso. Inicialmente, em 18/05/2009, intimouse a contribuinte a apresentar, além de documentação fiscal em geral: 03 — Documentação comprobatória das operações de remessa de recursos ao exterior sob a forma de operações de Hedge, durante o anocalendário de 2004; 04 — Contratos e demais documentos apresentados ao Banco Central para o registro das operações de remessa de Hedge no ano de 2004; 05 — Registros das operações de remessa de Hedge durante o ano de 2004, contabilizados nos Livros DIÁRIO e RAZÃO; 06 — Demonstrativo das operações comerciais protegidas pelas remessas de Hedge durante o ano de 2004; 07 Contabilização das remessas de Hedge ao final do anocalendário 2004; Fl. 18399DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 4 3 08 — Demonstrativo das variações monetárias ativas e passivas, referentes ao ano calendário 2004; 09 — Apresentar documentação comprobatória do retorno ao Brasil dos recursos remetidos ao exterior sob a forma de Hedge no ano de 2004; Possivelmente pretendendo atender ao exigido, a contribuinte, depois de pedir e lhe ser concedida prorrogação de prazo, apresentou os elementos de fls. 16/822, por ela assim identificados: 02 — Documentação comprobatória das operações de remessa de recursos ao exterior sob a forma de operações de remessa de Hedge, durante o ano de 2004; 03 — Registro na contabilidade das operações de remessa de Hedge durante o ano de 2004; 04 — Demonstrativo das operações comerciais protegidas pelas remessas de Hedge durante o ano de 2004; 05 — Demonstrativo de variações cambiais ativas e passivas referentes As operações de Hedge no ano de 2004; Com relação ao item 04 acima especificamente, cumpre esclarecer que o volume de documentos que comprovam o lastro da operação de Hedge é enorme, envolvendo Kardex de estoques de silos e fábricas. Neste sentido, disponibilizamos um exemplo desta documentação para fins explicativos e análise, permanecendo à inteira disposição para disponibilizar qualquer documentação suplementar, bem como para fornecer os esclarecimentos suplementares que V. Sa. entenda necessários sobre esse e qualquer outro ponto [...] A referida documentação consiste em: cópias de 18 (dezoito) contratos de câmbio em favor de ADM TRADING COMPANY, ADM INVESTOR SERVICES INC ou ARCHER DANIELS MIDLAND CO., mas todos declarando como operação SERV DIVOUTOP BOLSA MERC EXTLUCR/PREJ REALIZAD (fls. 16/88); resumo dos contratos de hedge e conversão para reais (R$) para fins de contabilização, no qual estão individualizadas operações, agrupadas mensalmente, que indicam o produto objeto do contrato, o valor líquido da operação e o valor da perda/ganho em US$, a taxa de conversão e os valores correspondentes em reais, que, somados, equivaleriam aos valores contabilizados, com a apuração de pequenas diferenças mensais. Tais diferenças, ao final de 2004, representam R$ 881.518,26, do total contabilizado de R$ 885.841.836,15 (fls. 89/97); relatório por contas (matriz e filiais) e fechamentos dos contratos de câmbio com as respectivas perdas/ganhos, em língua estrangeira, aparentemente demonstrando as operações mensalmente realizadas por Archer Daniels Midland Company, em 2004. No primeiro subtotal do relatório de janeiro/2004, são comparados os montantes de 23,956,037.50 e 24,174,250.00, este último identificado, em anotação manuscrita, como valor p/recompra. A diferença entre eles, de 219,212.50 é identificada, também de forma manuscrita, como valor perda/ganho (fls. 98/678); transcrição dos registros no Razão da conta nº 128116501 ADM DECATUR EXERC FUTUROS, sob diversos históricos, indicando registros de juros, variação cambial e comissões, e especialmente de operações denominadas FUTUROS CLOSED e HEDGE CHICAGO. O saldo inicial indicado é negativo, no valor de R$ 40.501.120,44, mas segundo informação manuscrita estaria incorreto, pois deveria ser, também, negativo, no valor de R$ 530.905.477,68. O saldo final indicado é negativo, no valor de R$ 476.705.840,19, após lançamentos a débito de R$ 2.769.028.066,62, e a crédito de R$ 2.257.821.105,99. Seguemse, ainda, registros nas contas nº 423130 CONTR.FUT.ENCERRADOSHEDGE e 423130501/502 AJUSTE P. HEDGE Fl. 18400DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 5 4 CONTR. FUT. FECH, que juntamente com a anterior evidenciam lançamentos a débito de R$ 4.202.856.551,44 e a crédito de R$ 2.799.852.490,36 (fls. 679/708); posição dos contratos de originação de grãos, apontando mensalmente, para o “produto: soja”, montantes de inventário, que somados a compras em aberto, e reduzidos por vendas “em aberto MI”, “a fixar” e vendas “em aberto ME”, resultam em posição líquida, que é comparada com “posição Chicago” e evidencia valor denominado exposição, que oscila entre valores positivos e negativos. Acompanham esta consolidação outros demonstrativos em língua estrangeira, dos quais possivelmente foram extraídas as parcelas do demonstrativo inicial, relativamente ao mês de junho/2004, pois ali estão destacadas quantidades vinculadas a diferentes portos/entrepostos, correspondentes às apontadas sob as rubricas antes citadas, para determinação do resultado exposição; (fls. 709/713); posição de contratos de processamento, expressa em demonstrativos em língua estrangeira, os quais iniciam com um consolidado de resultados mensais de janeiro/2004 a março/2005 relativamente a outros produtos, acompanhados por demonstrativos semelhantes individualizados por portos/entrepostos. Tais planilhas apresentam evoluções por 15 (quinze) meses, em 12 (doze) conjuntos de documentos que se iniciam em cada um dos meses de 2004 (fls. 714/811); demonstrativo das variações cambiais ativas e passivas referentes às operações de hedge no ano de 2004, individualizando operações possivelmente liquidadas em uma mesma data, nas quais foi comparado o valor atualizado segundo a taxa fech com o valor atualizado segundo a taxa pag/rec, de forma a determinar o resultado de variação cambial, individual e total (fls. 812/822). No Termo de Verificação de Infração, a autoridade fiscal assim se manifesta acerca destes documentos: Após análise dos documentos apresentados, verificamos que os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte, porém os referidos documentos não comprovam a efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de commodities, ou seja, não demonstram a transferência dos recursos da ADM em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. Em 05/07/2009, a autoridade lançadora exigiu outros elementos: 01 — Documentação comprobatória das coberturas das margens dos contratos futuros solicitadas pela Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancárias, contratos, etc.) relativo ao anocalendário de 2004 (ADM EUA); 02 — Contrato(s) relativo(s) ao adiantamento financeiro para cobertura das margens dos contratos futuros, entre a ADM do Brasil e a ADM Holdings LCC (ADMEUA), relativo(s) ao ano 2004; 03 — Detalhamento das seguintes contas e respectiva contabilidade do anocalendário 2004: a) Juros Ativos (R$ 480.249.592,51); b) Juros Passivos (R$ 402.340.524,96) e; c) Outras Despesas Financeiras (R$ 82.605.598,21); 04 — Demonstrativo de Cálculo dos Juros e da Variação Cambial escriturados na conta 128116 501 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS do Livro Razão; Após pedir e lhe ser concedida prorrogação de prazo para atendimento a esta intimação, a contribuinte esclareceu que: 01 — Com relação ao item 01 do Termo de Início de Diligência em referência [...], em cumprimento ao requisitado por V. Sa., apresentamos cópias dos comprovantes de transferência bancária (denominados "swifts" conforme linguagem bancaria) — (doc. 3), os quais comprovam a transferência dos recursos financeiros baseados nas posições Fl. 18401DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 6 5 contratuais da Intimada, resultantes das ordens eletrônicas inseridas em sistema de compras e vendas de posições contratuais de lotespadrão as quais estão devidamente demonstradas nos extratos, mensais de transações do ano de 2004 já entregue a V. Sas. por ocasião do atendimento ao Termo de Inicio de Diligência n° 251/2009. Além disso, cumpre esclarecer que as obrigações relativas as posições financeiras da Intimada com relação aos seus contratos de hedge são cobertas pela Archer Daniels Midland Company, principal empresa do grupo ADM no mundo, sediada na cidade de Decatur, Estado de Illinois, nos Estados Unidos da América e que, em última instância, detém todas as demais companhias do organograma societário. 02 — No que tange o item 02 do Termo de Início de Diligência em referência [...], esclarecemos que, conforme explicado no item 01 da presente manifestação, a Archer Daniels Midland Company e a Intimada convencionaram que a cobertura das posições financeiras da Intimada é feita pela Archer Daniels Midland Company. O que ocorre é que, com base nos extratos mensais de transações de hedge, a Intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente), fazendo a liquidação financeira das operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo. Tal fato pode ser comprovado através da análise da Contabilidade da Intimada e dos documentos apresentados. 03 — Sobre o item 03 do Termo de Inicio de Diligência em referência [...], cumprenos esclarecer que, conforme já discutido com V. Sa. em contato telefônico, os valores dos itens "a" e "b" acima (a saber, "Juros Ativos" e "Juros Passivos"), referemse a Variações Cambiais Ativas e Variações Cambiais Passivas, respectivamente. Sendo assim, conforme entendimento telefônico mantido com V.Sa e dado o imenso volume de documentos que suportam os valores acima., disponibilizamos em anexo o razão contábil das contas (doc. 4) nas quais estes valores foram registrados pela Intimada para que, a vosso critério, seja feita uma seleção dos valores dos quais V.Sa. deseja verificar o detalhamento. Assim, tal como previamente combinado com V.Sa., uma vez nos sejam informados estes valores, providenciaremos a sua respectiva documentação suporte especifica. 04 — Com relação ao item 04 do Termo de Inicio de Diligência em referência [...], apresentamos planilhas suporte (doc. 5) para o cálculo dos juros e da variação cambial desta conta, conforme requisitado. Os mencionados "swifts” estão juntados às fls. 830/856, redigidos em língua estrangeira. Na seqüência, consta o referido demonstrativo de cálculo dos juros e da variação cambial escriturados na conta 128116501, em sua maior parte em língua estrangeira, mas aparentemente detalhando a composição mensal da conta 15703 e os efeitos da variação da taxa de câmbio entre o mês anterior e o mês atual (fls. 857/860), acompanhado de um outro demonstrativo que faz referência à conta 15702. Disse a autoridade fiscal ao elaborar o Termo de Verificação de Infração: Considerando que os novos documentos apresentados pelo contribuinte também não comprovam a efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de hedge, assim como deixou de apresentar o contrato de adiantamento financeiro para pagamento das margens de garantia, emitimos o Termo de intimação Fiscal n° 295/2009, datado de 03/08/2009 [...] Em 07/08/2009 a contribuinte é cientificada de duas intimações, que exigem a apresentação de: 01 — Documentação comprobatória dos pagamentos das margens de garantia na Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancarias, contratos, etc.) relativos ao ano calendário de 2004, efetuados pela Archer Daniel Midland Company para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, em nome da ADM do Brasil Ltda; Fl. 18402DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 7 6 02 — Contrato(s) relativo(s) ao adiantamento financeiro para pagamento das margens de garantia dos contratos futuros, entre a Archer Daniel Midland Company e a ADM do Brasil, para acerto posterior, relativo(s) ao ano 2004;, [...] 01 — Documentação relativa às compras dos contratos futuros de soja e derivados na Bolsa de Mercadoria & Futuros de Chicago, relativos ao anocalendário de 2004, efetuados pela Archer Daniel Midland Company (em nome da ADM do Brasil Ltda) ou pela ADM do Brasil Ltda; 02 — Extratos da BM&F Chicago com as negociações (compras, vendas e depósitos de margens de garantia) dos contratos futuros em nome da ADM do Brasil, ano calendário 2004. Esclareceu a fiscalizada que: A liquidação das posições financeiras começa com a empresa que faz o papel de membro de compensação com a qual o Grupo ADM trabalha. Esta empresa é a ADM Investor Services, a qual determina os valores de margem positiva ou negativa relativos aos contratos de hedge para todas as empresas do Grupo ADM. Tal cálculo faz parte dos serviços de compensação e corretagem que a ADM Investor Services presta para todos os seus clientes, incluindo tanto empresas do Grupo ADM, como terceiros. Aqui, fazse importante entender a característica e o papel desempenhado por esta empresa. A ADM Investor Services é um membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago (Chicago Mercantile Exchange — CME), da Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT) e de outras bolsas de valores pelo mundo. O papel da ADM Investor Services é similar ao papel de um membro de compensação na BM&FBovespa. Esta designação é importante porque, como um membro de compensação de uma Bolsa, esta é uma entidade financeira altamente regulada, sujeita a regulamentação e supervisão da Commodities Futures Exchange Commission — CFTC — que é um órgão regulador no que tange as Bolsas de Mercadorias e Futuros (commodities) nos Estados Unidos da América e, neste sentido, precisa ser autorizada e licenciada a operar, bem como precisa observar as normas e regulamentações das Bolsas nas quais opera. Tal regulamentação e supervisão é, de uma maneira geral, mais extensa que as que se aplicariam a uma corretora. Isto porque, a exemplo do que ocorre no Brasil com as instituições financeiras que atuam como membros de compensação na BM&FBovespa, como um membro de compensação, a ADM Investor Services mantém contas com corretoras e investidores em commodities, assegura que as transações são executadas e liquidadas de acordo com as regras da Bolsa, calcula e liquida as margens de garantia e emite reportes para pessoas físicas e jurídicas das quais ela mantém conta. Os membros de compensação são plenamente responsáveis pela liquidação das obrigações decorrentes de todas e quaisquer operações a eles atribuídas, bem como pelo recebimento, autenticidade e legitimidade de todos os ativos, garantias e valores a tais operações. Assim, a responsabilidade da ADM Investor Services é de liquidar as operações de todos os seus clientes (sendo que mais de oitenta por cento deles são terceiros que não entidades do grupo ADM) e reportar para a Bolsa. A ADM Investor Services reporta operações de mercado, já que possui um sistema integrado com a Bolsa em tempo real, e paga comissões para a Bolsa com relação às operações de seus clientes. Neste sentido, membros de compensação como a ADM Investor Services são encarregados pela Bolsa com a qual operam, da responsabilidade de executar e assegurar o cumprimento das regras da Bolsa e da CFTC para suas contas, especificamente com relação aos limites impostos, requerimentos de margem de cobertura, garantias, dentre outros. As instruções de pagamento da/para a Archer Daniels Midland Company ou da/para a ADM Investor Services são baseadas nos extratos das operações de hedge já entregues a V. Sa. na resposta ao Termo de Inicio de Diligência n. 251/2009, os quais são a prova Fl. 18403DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 8 7 das posições contratuais para cada conta e das requisições de margem de cobertura a elas atreladas. As operações detalhadas nestes extratos são rigorosamente controlados e conferidos pela ADM Investor Services como parte de sua função de membro de compensação, pela Archer Daniels Midland Company e, obviamente, pela Intimada como parte de sua conferência para contabilização de suas operações e resultados de hedge, especificamente para garantir que os contratos de hedge estejam registrados corretamente e que se refiram aos ativos pelos quais as operações de hedge da Intimada estejam lastreados. Os resultados nos extratos das operações acima mencionados são emitidos pela ADM Investor Services a fim de reportar todos os ganhos ou perdas nos contratos de hedge. Importante mencionar que as margens de cobertura iniciais para cada contrato são determinadas pela Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT). Tal determinação é aplicada pela ADM Investor Services para cada conta por ela gerenciada, a fim de calcular as margens de cobertura relacionadas a cada um dos contratos de hedge de seus clientes, de maneira similar ao que ocorre no Brasil com a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa). Importante ressaltar que, assim como na BM&FBovespa no Brasil, é raro que investidores negociem diretamente na Bolsa e, desta forma, não fazem ou recebem pagamentos diretamente da Bolsa e sim por meio das entidades participantes ou dos membros de compensação. Consequentemente, os documentos comprobatórios pedidos por V. Sa. com relação aos pagamentos da Archer Daniels Midland Company para a Bolsa não existem. Quaisquer dos pagamentos relacionados com as operações de hedge contratadas, bem como as obrigações financeiras a elas relacionadas são determinados pelo membro de compensação e com ele devem ser adimplidos. No caso do Grupo ADM, este membro de compensação é a ADM Investor Services. Assim, os pagamentos são, em última instância, feitos para a ADM Investor Services, a qual, por sua vez, interage financeiramente com a Bolsa no seu papel de membro de compensação. Tal resposta foi acompanhada de documentos em língua estrangeira, um deles relacionando várias instituições sob o título Clearing Firms, entre elas a ADM Investor Services Inc., e outro que aparenta referirse a um cadastro desta mesma empresa (fls. 869/871). Seguese, então, reprodução parcial do Regulamento da Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações de Derivativos BM&F (fls. 873/891) e de material produzido por ABIOVE – Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, denominado Soja Verde para um Mercado Maduro, divido nos capítulos: o sucesso da expansão de uma cultura, avanços tecnológicos e comerciais, eliminando riscos e responsabilidade das partes nos “contratos de soja verde” (fls. 892/897). Às fls. 898/927 consta Relatório Anual 2004, concernente às operações e resultados da autuada, seguido do Relatório Anual 2008 (fls. 928/943). Na seqüência, constam cópias de publicações do The Wall Street Journal datadas de dezembro de 2004, e reproduções de informações extraídas da Internet no sítio www.cbot.com./cbot/pub/page (Chicago Board of Trade) aparentemente ao final de cada mês de 2004 (fls. 944/999). A análise da autoridade fiscal acerca destes elementos foi assim expressa no Termo de Verificação de Infração: Considerando que o contribuinte informou em sua resposta aos Termos de Intimação Fiscal n° 295/2009 e 296/2009, que "Quaisquer dos pagamentos relacionados com as operações de hedge contratadas, bem como as obrigações financeiras a elas relacionadas são determinados pelo membro de compensação e com ele deve adimplidos. No caso do Grupo ADM, este membro de compensação é a ADM Investor Services, emitimos o Termo de Intimação Fiscal n° 303/2009 [...] Seguese nova intimação, lavrada em 25/08/2009, exigindo documentação semelhante às anteriormente lavradas, mas agora citando a operadora ADM Investor Services, e não mais a Archer Daniel Midland Company: Fl. 18404DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 9 8 1. Documentação comprobatória dos pagamentos das margens de garantia na Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancárias, contratos, etc.) relativos ao ano calendário de 2004, efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, em nome da ADM do Brasil Ltda; 2. Documentação relativa às compras dos contratos futuros de soja e derivados na Bolsa de Mercadoria & Futuros de Chicago, relativos ao anocalendário de 2004, efetuados pela ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil Ltda; 3. Extratos da BM&F Chicago com as negociações (compras, vendas e depósitos de margens de garantia) dos contratos futuros em nome da ADM Investor Services ou ADM do Brasil, ano calendário 2004. Em resposta, disse a contribuinte: [...] vem à presença de V. Sa., em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal em referência, informar que, com relação aos itens 1, 2 e 3 do referido Termo, apresenta correspondência elaborada pelo CME Group (o qual envolve a Bolsa de Valores de Chicago (Chicago Mercantile Exchange — CME), a Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (Chicago Board of Trade — CBOT) e a Bolsa de Mercadorias e Futuros de Nova Iorque (New York Mercantile Exchange — NYMEX)), a qual: i) esclarece que a Bolsa de Chicago (CME) não entrega nenhum tipo de extrato ou outro documento informativo diretamente aos titulares das contas gerenciadas pela ADM Investor Services, Inc. (sendo que isso é responsabilidade da própria ADM Investor Services, Inc. na sua função de membro de compensação), atestando a posição de membro de compensação ("clearing member) licenciado e qualificado da ADM Investor Sevices, Inc.; e; ii) atesta que a Bolsa de Chicago (CME) não recebe e não efetua pagamentos diretamente aos titulares de contas gerenciadas pela ADM Investor Services, Inc., referentes às transações efetuadas pela ADM Investor Services, Inc. por conta e ordem destes titulares. Neste sentido, portanto, a Intimada apresenta os documentos abaixo relacionados a fim de comprovar os pagamentos/recebimentos efetuados pela ADM Investor Services, Inc. para a Bolsa de Chicago (CM E). Importante mencionar que, dado o imenso volume de documentos que suportam tais transações financeiras diariamente, a Intimada apresentará um conjunto de documentos exemplificativo da operação, o qual é composto por: 1) Extratos de dois dias úteis em sequência (a saber, 16/12/2004 e 17/12/2004), os quais contêm um sumário de todas as transações efetuadas pelas contas gerenciadas pela ADM Investor Services, Inc (os quais por sua vez incluem as contas da ADM do Brasil); 2) Extrato com o cálculo da variação de margem, emitido pela Bolsa de Chicago (CME), o qual contém o valor a ser pago ou recebido decorrente da variação de um dia para o outro; 3) Comprovantes das transferências bancárias feitas da Bolsa de Chicago (CME) e outras bolsas para a ADM Investor Services, relativas aos valores de variação de margem. A Intimada esclarece que permanece à disposição de V. Sas. para o fornecimento de documentos relativos a quaisquer outras datas que sejam de interesse deste Órgão. Além disso, tendo em vista o volume de documentos, a Intimada requer uma reunião com V. Sas. a fim de explicar a relação entre os documentos. Às fls. 1009/1010 consta documento em língua estrangeira, em papel timbrado de CME Group, acompanhado de tradução juramentada que expressa termos semelhantes aos reproduzidos na resposta da contribuinte à intimação. Na seqüência, estão os demonstrativos de operações de 16 e 17/12/2004, referidos também na resposta (fls. 1011/1023). Fl. 18405DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 10 9 O documento de fl. 1024 referese a um pedido de prorrogação de prazo que teria sido concedido em nossa última reunião. Seguese, então, demonstrativo denominado Pagamentos efetuados pela ADM Investor Services, Inc. para Bolsa de Chicago (Chicago Mercantile Exchange) relativos às operações do Grupo ADM no ano de 2004, acompanhado de documentos individualizados para cada pagamento (fls. 1025/1483). Há, ainda, documentos que aparentam ser print de telas de sistema mantido por Chicago Board of Trade, com informações em diferentes datas de 2004 (fls. 1484/1495). Assevera a autoridade fiscal, no Termo de Verificação de Infração, que estes elementos foram apresentados em complemento ao Termo de Intimação Fiscal anterior. Na seqüência, depois de solicitar em 07/12/2009 livros fiscais e demonstrações financeiras da autuada (fl. 1498/1499), juntados às fls. 1500/1604, o agente fiscal também anexou os elementos de fls. 1605/1937, que demonstram fluxograma de pagamentos – Grupo ADM, indicação da autuada em 5o lugar no ranking de desempenho de exportadores brasileiros em publicação não identificada, resumo da movimentação financeira das operações de hedge no dia 17122004, seguido de documentos em língua estrangeira que teriam sido emitidos por ADM TRADING COMPANY e aparentam se reportar a operações de 16/12/2004 e 17/12/2004, semelhantes a alguns apresentados no conjunto de elementos que integram as fls. 98/678, intercalados com outros que teriam sido emitidos por ADM Company . Disse a autoridade fiscal no Termo de Verificação de Infração que estes documentos foram entregues pela contribuinte quando de seu comparecimento à DRF em 17/12/2009, com o intuito de explicar mais detalhadamente as operações de hedge efetuadas. Em 11/12/2009 a autoridade lançadora intimou a contribuinte a apresentar Relatório com a discriminação da Conta 128116 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS, informando a totalização dos valores que são transferidos para Resultado do Exercício e quais valores seguem para as contas patrimoniais. Exigiu que o relatório fosse separado por Contratos Fechados Hedge; Variação Cambial; Juros s/ execução de futuros; Comissões e; Outros (fl. 1938). A resposta da contribuinte indica: Valores em R$ DESCRIÇÃO DÉBITO/(CRÉDITO) CONTRAPARTIDA SALDO INICIAL (530.905.477,68) N/A RESULTADOS CONTRATOS FECHADOS (885.075.593,48) 423130 VARIAÇÃO CAMBIAL (90.893.868,32) 744100524 JUROS (11.237.721,23) 709400 CORRETAGEM E COMISSÃO (1.547.712,38) 405170 OUTROS (56,42) 124746501/616075 PAGAMENTOS/RECEBIMENTOS 1.505.961.912,45 BANCOS SALDO FINAL (13.698.517,05) Às fls. 1940/2019 consta demonstrativo aparentemente elaborado pela autoridade lançadora, que reproduz lançamentos do Razão da conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS, bem como da conta Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech., e demonstra a transferência de valores para o resultado do exercício, no valor total de R$ 380.940.696,59 a crédito e de R$ 1.266.737.797,04, resultando em saldo devedor do resultado – dez/2004 no valor de R$ 885.797.100,45. Após reprodução da DIPJ e das DCTF do anocalendário 2004, seguese o Termo de Verificação de Infração, no qual a autoridade lançadora conclui que o contribuinte não comprovou a aplicação dos recursos enviados ao exterior para pagamento das coberturas das margens dos contratos de hedge, de modo que foram glosados os custos e despesas referentes a estas operações. Fl. 18406DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 11 10 A autoridade lançadora, ante a possibilidade aventada pelo Banco Central do Brasil de que as operações da autuada poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613/98, e tendo em conta os contratos de câmbio por ela apresentados – os quais, considerando entradas e saídas de recursos, resultaram em remessas líquidas de US$ 485.402.679,44, ou R$ 1.505.663.764,05, em 2004 –, constatou o que segue: • A ADM do Brasil enviou recursos para o exterior, sendo que parte para a ADM Company (empresa principal do grupo ADM Remessas de R$ 724.163.604,31) e parte para a ADM Investor Services (empresa de investimentos do grupo ADM Remessas de R$ 781.500.159,74). Conforme detalhado acima verificamos que somente 51,90 % dos recursos remetidos ao exterior são destinados diretamente à empresa de Investimentos do grupo, ADM Investor Services, sendo 48,10 % dos recursos enviados a ADM Company (empresa holding do grupo ADM); • Considerando que a empresa remetente dos recursos (ADM do Brasil), as empresas recebedoras dos recursos (ADM Company e ADM Investor Services) e a empresa que aplica os recursos nas Bolsas de Mercadorias (ADM Investor Services) são todas do grupo ADM, somado ao fato da não existência de contratos comerciais sobre adiantamento de margens de garantia entre estas empresas, nos remete a facilidade para manipulação de operações, relatórios e contabilidade das mesmas; • O contribuinte criou em sua escrituração a conta 128116501 ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que utiliza como uma conta corrente entre a ADM do Brasil e a ADM Company (ADM DECATUR), para acompanhamento do saldo devedor/credor da ADM do Brasil com a ADM Company, visto que a ADM Company adianta recursos para pagamento de margens de garantia para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (fls. 679/708). O contribuinte informou que "com base nos extratos mensais de transações de hedge, a intimada contabiliza os montantes a pagar ou a receber (dependendo se houve perda ou ganho em suas operações de hedge, respectivamente), fazendo a liquidação financeira das operações conforme o melhor gerenciamento de caixa do grupo" (fls. 679/708 e 828); • O contribuinte entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados (Contratos de Cambio, Relatório por contas dos fechamentos dos contratos de cambio com as respectivas perdas/ganhos, Livro Razão Conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS Contabilidade dos adiantamentos das margens pela ADM Company e remessas de recursos, Posição dos Contratos de Originação de Grãos, Posição de Contratos de Processamento Cálculo de Exposições, Comprovantes de transferência bancária Swifts, Relatórios informando que a ADM Investor Services é membro de compensação da Bolsa de Valores de Chicago, Regulamento da Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações BM&F, Livreto da ABIOVE Soja Verde para um Mercado Maduro, Relatório Anual 2004 ADM Company O Vinculo Essencial, Relatório Anual 2008 ADM Company Vital para o Mundo, Cotações de Soja e derivados The Wall Street Journal, Chicago Board of Trade Soja e Derivados, Extrato com o calculo da variação de margem emitido pela Bolsa de Chicago, Relatório dos Pagamentos Efetuados pela ADM Investor Services Inc. para a Bolsa de Chicago e respectivas transferências, e Relatórios diários dos preços dos contratos futuros) porém nenhum destes documentos comprova a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de Hedge alegada pelo contribuinte, isto é, nenhum deles apresenta a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago; • O relatório dos pagamentos efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Chicago e seus respectivos comprovantes de transferência de recursos, referemse conta NSEG CLR PB 905 ADM Investor Services (fls. 1025/1483), isto é, não identifica de que grupo de empresas ou empresa se refere à transferência, de forma que entendemos que estas transferências de margem se referem a todas as contas administradas pela ADM Investor Services, inclusive de terceiros que correspondem a mais de 80% de suas operações (conforme resposta do contribuinte aos termos 295 e 296/2009 fls. 867); Fl. 18407DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 12 11 • Abaixo apresentamos um quadro comparativo do faturamento, deposito de margens e índices sobre a ADM Investor Services, ADM Company (matriz EUA) e ADM do Brasil: ADM Investor Services ADM Company ADM do Brasil Faturamento (US$ Mil) 36.151.394,00 1.962.367,00 Depósito de Margens (US$ Mil) 2.266.122,70 453.224,54 485.402,68 Índice % (Dep. Marg./Fatur.) 1,25% 24,73% Obs: 1) O faturamento da ADM Company foi retirado do Relatório Anual 2004 — O Vinculo Essencial (fls. 899); 2) A Receita Bruta (consideramos o faturamento) da ADM do Brasil foi de R$ 5.739.728.506,82, conforme valores declarados em Balancete e DIPJ (fls. xx/xx), isto equivale a US$ 1.962.367.433,70, considerando o dólar médio anual de 2,9249 (fonte BCBDEPEC); 3) O deposito de Margens da ADM Investor Services foi retirado do relatório "Pagamentos efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Chicago ano 2004". (fls. 1025/1030); 4) O Deposito de Margens da ADM Company foi considerado 20% do Deposito de Margens da ADM Investor Services (mais de 80% são das operações são de terceiros, conforme resposta do contribuinte aos termos 295 e 296/2009 — fls. 867); 5) O Deposito de Margens da ADM do Brasil foi considerado o somatório liquido das remessas/recebimentos de divisas enviados/recebidos pela ADM do Brasil ao exterior no ano de 2004, em virtude da cobertura de margens de contratos futuros de hedge (fls. 17/89). • Conforme observamos no quadro acima, o contribuinte (ADM do Brasil), informa que remeteu ao exterior sob forma de contratos futuros de hedge, 24,73% do seu faturamento, enquanto que a ADM Company, empresa holding que atua no mesmo ramo de atividade, aplica apenas 1,25% do faturamento de suas empresas para cobertura de margens de garantia de hedge. Analisando os índices, verificamos uma grande divergência, corroborando para o entendimento de que não houve de fato a aplicação dos recursos nas operações de hedge alegadas pelo contribuinte. • Durante análise da escrituração eletrônica da empresa ADM do Brasil, verificamos que a conta 128116 ADM DECATUR EXEC FUTUROS, onde estão escrituradas a "contacorrente" entre a ADM do Brasil e ADM Company (operações de adiantamento de Hedge) e operações de remessas/recebimentos de câmbio relativos ao Hedge, inicia o ano de 2004 com um saldo credor de R$ 530.905.477,65 (Hedge relativos aos anos anteriores), restando um saldo credor final de R$ 13.698.517,05 (anos posteriores). Diante destes dados, podemos concluir que a diferença entre os saldos, no valor de R$ 517.206.960,60, não se refere ao ano calendário de 2004, não sendo apurados no resultado deste exercício (fls. 1940/1994); • A ADM do Brasil escritura em seus livros as operações de hedge de contratos futuros como Custo de Mercadorias Vendidas (vide Livro Razão conta "423130 Ajuste Hedge Contr. Fut. Fech." fls. 1995/2019) e a variação cambial, os juros e as comissões como despesas (entendemos como despesas acessórias as operações de Hedge). Estes custos e despesas serão glosados pois não houve sua efetiva comprovação, e conseqüentemente será levantada nova base de calculo (Lucro Real) para apuração do Imposto de Renda e Contribuição Social. A autoridade lançadora também fez ponderações específicas quanto à determinação dos valores lançados: 4. INFRAÇÕES APURADAS OMISSÃO DE RECEITAS 4.1 GLOSA DE CUSTOS Verificamos na contabilidade eletrônica da empresa que os valores informados como pagamentos de margens de garantia de contratos futuros de Hedge fechados foram Fl. 18408DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 13 12 contabilizados na conta "423130 Ajuste Hedge Contratos Futuros Fechados", levada como Custo da Mercadoria Vendida no encerramento do exercício. Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, estes custos serão glosados e será refeita a apuração do resultado do exercício. O valor apurado como Custo de Mercadoria Vendida, relativo ao Hedge informado, é de R$ 885.797.100,45 (oitocentos e oitenta e cinco milhões e setecentos e noventa e sete mil, cem reais e quarenta e cinco centavos), conforme Livro Razão, conta 423130 e balancete as fls. 1530 e 1995/2019. A glosa de custos tem sua fundamentação legal nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292, 300 e 396 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 4.2 — GLOSA DE DESPESAS As despesas acessórias com as operações de Hedge (variação cambial, juros e comissões), contabilizadas na conta "128116501 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS", foram utilizadas como deduções na demonstração do resultado do exercício. Considerando a falta de comprovação da transferência de recursos em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, isto é, que os pagamentos das margens de garantia dos contratos futuros de hedge fechados não foram comprovados (principal), concluise que as despesas acessórias (juros, variação cambial e comissões relativas a estas operações) também não foram comprovadas, de forma que estas despesas serão glosadas e será refeita a apuração do resultado do exercício. O valor apurado como despesas acessórias com atividades de Hedge foi de R$ 102.659.703,00 (cento e dois milhões, seiscentos e cinqüenta e nove mil, setecentos e três reais), calculado da seguinte: Histórico Valor Remessas de Divisas ao Exterior Hedge — Vide Constatações 1.505.663.764,05 () Saldo Inicial da Conta 128116501 — ADM DECATUR 530.905.477,65 (+) Saldo Final da Conta 128116501 ADM DECATUR 13.698.517,05 () Custos da Operação de Hedge — Conta 423130— item 4.1 do Termo 885.797.100,45 Total de Despesas Acessórias (variação cambial, juros e comissões) 102.659.703,00 Obs: 1) Vide cálculos apresentados pelo contribuinte (fls. 1939) que serviram como base, pois são valores bem próximos aos utilizados e utilizam a mesma regra de calculo. 2) Utilizamos os valores declarados nos documentos entregues, livros fiscais e balancete (fls. 17/89, 1530, 1940/1994 e 1995/2019). A glosa de despesas tem sua fundamentação legal nos artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 300 e 396, do RIR/99.do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). 5. FORMA DE TRIBUTAÇÃO, ALÍQUOTAS E BASE DE CALCULO. No caso em questão, o contribuinte submetese às regras de apuração do IRPJ e da CSL pelas regras do LUCRO REAL conforme sua declaração de IRPJ (fls. 2020/2079). Conforme verificado no Demonstrativo do Resultado e Ajustes do Lucro Liquido (DIPJ e LALUR— fls. 2020/2079 e 1552/1599), verificamos que após as receitas e custos escriturados pelo contribuinte, o mesmo obteve Lucro Real ao final do exercício, Lucro este que após as glosas efetuadas pela fiscalização mencionadas no decorrer do relatório, será recalculado conforme abaixo demonstrado: Fl. 18409DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 14 13 Demonstração do Resultado Discriminação Valor apurado pelo contribuinte Valor Apurado pela fiscalização (após glosas) Receita Liquida da Atividade 5.527.847.817,83 5.527.847.817,83 () Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos (1) 5.327.012.457,69 4.441.215.357,24 Lucro Bruto 200.835.360,14 1.086.632.460,59 () Despesas / (+) Receitas Operacionais (2) 242.285.581,20 139.625.878,20 Lucro Operacional 41.450.221,06 947.006.582,39 (+) Receitas / () Despesas Não Operacionais 174.563,51 174.563,51 Resultado do Período 41.275.657,55 947.181.145,90 (+) Adições / () Exclusões (3) 207.804.771,90 207.804.771,90 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos 166.529.114,35 1.154.985.917,80 () Compensação de Prejuízos 49.958.734,30 49.958.734,30 Lucro Real/Prejuízo Fiscal 116.570.380,04 1.105.027.183,49 Obs: (1) Os custos das mercadorias relativos aos contratos de hedge fechados, no valor de R$ 885.797.100,45, foram glosados pela fiscalização; (2) As despesas da variação cambial realizada, juros e comissões, relativas aos contratos de Hedge fechados, no valor de R$ 102.659.703,00, foram glosadas pela fiscalização; (3) As despesas de variação cambial não alteram as adições/exclusões, pois já foram realizadas quando do fechamento dos contratos de hedge; Cientificada do lançamento em 29/12/2009, a contribuinte apresentou impugnação estruturada sob os seguintes tópicos: · CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES SOBRE A IMPUGNANTE · NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DA NÃO OBSERVÂNCIA DA POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DOS TRIBUTOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR · NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DA OBRIGATORIEDADE DE O D. AGENTE FISCAL CONSIDERAR AS ANTECIPAÇÕES DE IRPJ E CSLL REALIZADAS NO DECORRER DO ANO CALENDÁRIO · NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CONTA DA INSUBSISTÊNCIA DA AUTUAÇÃO FISCAL – FALTA DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL · NULIDADE DE PARTE DA AUTUAÇÃO FISCAL PELA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS PARA A DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM JUROS E COMISSÕES, BEM COMO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS INCORRIDAS PELA IMPUGNANTE – NECESSIDADE, NORMALIDADE E USUALIDADE · DO MÉRITO o 1 – DAS OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS PELA IMPUGNANTE § – DA INCONGRUÊNCIA DOS DADOS DO BACEN Fl. 18410DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 15 14 § – DO QUADRO COMPARATIVO ELABORADO PELO D. AGENTE FISCAL § – DA INSUBSISTÊNCIA DO OBJETO DA AUTUAÇÃO § – DAS OPERAÇÕES DE HEDGE PRATICADAS PELA IMPUGNANTE o 2 – DA DEDUÇÃO DE DESPESAS USUAIS E NECESSÁRIAS o 3 – AD ARGUMENTANDUM – DA DEDUTIBILIDADE DAS PERDAS AUFERIDAS EM OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR, AINDA QUE NÃO FOSSEM CONSIDERADAS OPERAÇÕES REALIZADAS EM BOLSA o 4 – DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · A arguição de nulidade do lançamento não deve prosperar, porque não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade dos lançamentos realizados pelo Fisco, uma vez que foram realizados nos moldes estabelecidos pelo Código Tributário Nacional, não se configurando qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco, ao artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972. Os Autos de Infração foram lavrados por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, além do que a descrição dos fatos e as provas juntadas ao processo permitem esclarecer a causa das autuações, bem como toda a sistemática aplicável à constituição dos créditos tributários e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pela interessada na peça impugnatória permite concluir que o motivo das autuações foi compreendido, tanto que contestado. · Quanto às alegações da não observância do procedimento previsto no Parecer Normativo nº 02/1996 no tocante à postergação de pagamentos, da ausência de dedução dos recolhimentos efetuados pela interessada a titulo de antecipações no anocalendário de 2004 na apuração da base tributável e de equívocos cometidos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos esclareceu que elas seriam oportunamente abordadas, visto se tratarem de questão de mérito, não ensejando, deste modo, nulidade dos referidos lançamentos. · No mérito, embora reconhecendo que a interessada entregou uma enorme gama de documentos com o objetivo de comprovar a aplicação dos recursos em operações de hedge dos contratos futuros de soja e derivados, observou que as glosas foram promovidas porque entendeu a fiscalização que nenhum deles comprovou a efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de hedge alegada, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. E, tratandose de matéria de prova, invocou o disposto nos art. 251, parágrafo único, 264 e 396, todos do RIR/99, no sentido de que os resultados líquidos de operações de cobertura em Bolsa no Exterior realizados diretamente pela empresa brasileira devem ser comprovadas por documentação hábil e idônea (incluindo a demonstração de que foram realizadas pela empresa brasileira). · Declarou impertinentes as alegações relativas à dedutibilidade dos referidos custos tendo em vista a necessidade, usualidade e normalidade dos mesmos bem como das alegações relativas à dedutibilidade das perdas auferidas em operações de hedge realizadas no exterior, ainda que não fossem Fl. 18411DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 16 15 consideradas operações realizadas em Bolsa, e afastou a aplicação do Parecer Normativo n° 2/96 uma vez que não foi verificada inobservância de regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas. · Centrandose na lide propriamente dita, asseverou que a interessada não logrou comprovar, nem durante o procedimento de fiscalização, nem na impugnação, momento propício para contraditar, com documentos hábeis e idôneos, a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago, e declarou válida a glosa promovida. · Desmereceu a afirmação de que "não é possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela impugnante a Bolsa de Chicago", pois, em se tratando de custos, que têm o condão de reduzir o lucro liquido do exercício e, conseqüentemente, o crédito tributário devido, é seu o ônus de provar a sua existência. Citou doutrina neste sentido. · Quanto à afirmação de que as operações estariam devidamente registradas na contabilidade, salientou que a credibilidade dos assentamentos contábeis não se operacionaliza pelo simples fato de têlos apenas na conformidade da técnica mas, também, se funda nos Princípios e Convenções que norteiam a Ciência Contábil, especialmente os da Continuidade, Oportunidade, Competência e da Consistência, o que exige disponibilização da documentação hábil, idônea que resguarda a escrituração. Citou jurisprudência administrativa neste sentido e frisou o fato de o procedimento fiscal ter decorrido de demanda externa requisitória solicitada pelo Ministério Público Federal e Banco Central do Brasil, muito embora a infração tenha decorrido da falta de atendimento às intimações e reintimações feitas à empresa para que prestasse esclarecimentos acerca das remessas de divisas ao exterior em pagamento a cobertura de margens de contratos futuros de soja e seus derivados, solicitada pela Bolsa de Mercadorias de Chicago, em virtude das operações de hedge de commodities agrícolas. · Quanto aos contratos de câmbio apresentados, destacou que não obstante a afirmação de que a contacorrente indicada para crédito nos contratos de câmbio (fl. 17/89) ser a mesma, temse como destinatários dos recursos a ADM Company e ADM Investor Services, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal. Registrou que inconsistências no quadro elaborado pela Fiscalização não maculam o lançamento. · E, quanto aos valores relativos à variação cambial, juros e comissões, ratificase correta a glosa dos mesmos, pois, como não restaram comprovados os pagamentos de margens de garantia de contratos futuros de hedge fechados, as despesas acessórias também não estão confirmadas, devendo receber necessariamente o mesmo tratamento tributário. Frisou tratarse de interpretação sistemática das normas jurídicas disciplinadoras da dedutibilidade das despesas para efeitos fiscais. · Declarou insuficientes as tabelas acostadas aos autos na impugnação intituladas Doc. 10a, Doc. 10b e Doc. 10c elaboradas pela própria interessada, sem a apresentação de sua escrituração fiscal/contábil (inclusive livro LALUR) e dos documentos pertinentes, para prova da alegada adição de parte das variações cambiais glosadas. · Quanto à apuração dos tributos lançados, tendo em conta o que informado pela contribuinte em DIPJ, e o demonstrativo apresentado pela Fiscalização, assevera que foi efetuado recalculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da Fl. 18412DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 17 16 CSLL relativos ao anocalendário de 2004, sendo considerados como valor tributável somente a infração no valor de R$ 988.456.803,45, que corresponde à diferença entre os valores apurados pela fiscalização e os valores informados pela interessada em sua DIPJ. Acrescentou que não houve erro no cálculo do limite do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL utilizados, pois segundo informações do Sistema SAPLI/RFB (Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — fl. 2681/2685) e do Sistema SACS/RFB (Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL — fl. 2686/2687) e na DIPJ 2009/2008 (fl. 2735), os saldos existentes em 2004 foram integralmente utilizados em períodos subseqüentes. · Ainda, observou que não foi considerada a dedução do valor de R$ 240.000,00 quando do cálculo do adicional de 10%, pois esse somente pode ser utilizado uma única vez. E, relativamente às antecipações de IRPJ e CSLL declaradas na DIPJ 2005/2004, constatou que seus valores foram utilizados para quitar o valor de IRPJ devido declarado de R$ 29.118.595,02 e o saldo negativo apurado no valor de R$ 108.620.949,89 foi objeto de diversas DCOMP, conforme Relatório do Sistema PER/DCOMP/SIEF/RFB (fl. 2688/2689); o mesmo ocorrendo com as antecipações de CSLL. · Afastou a aplicação da Solução de Consulta Interna n° 23, de 21 de dezembro de 2006, vez que foi lançada, como já visto, a diferença entre os tributos apurados após as glosas e os declarados. · Por fim, declarou válida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/11/2010 (fl. 2765), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 08/12/2010 (fls. 2768/2848), acompanhado dos documentos de fls. (2847/2876), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Antes, porém, descreve o papel da recorrente em seu ramo de atividade, destacando que o grupo do qual faz parte (Archer Daniels Midland, com sede em Decatur, Estado de Illinois, EUA) ser líder mundial no desenvolvimento responsável e sustentável da agricultar e bionergia, atuando desde 1923 e contando com mais de 28.000 colaboradores em 60 países. A subsidiária no Brasil, por sua vez, é responsável pela comercialização de mais de 9 milhões de toneladas de sementes de oleaginosas, milho e trigo por ano, contando com 73 filiais e 3.000 funcionários, movimentando mais de 65% do total de soja produzido no Brasil, juntamente com outras três empresas (Bunge, Cargil e Dreyfus), processando 3,5 milhões de toneladas de soja por meio de suas quatro fábricas no Brasil, e atuando, também, nos ramos de fabricação e comercialização de fertilizantes, biodiesel e álcool extraído de canadeaçúcar. Reputa necessárias estas considerações para demonstrar o volume de commodities regularmente negociado pelo Grupo ADM, inclusive a Recorrente, bem como a necessidade de uma estrutura dedicada para operar o grande volume de operações de hedge. Reitera a arguição de nulidade do lançamento porque (a) não foi observado o procedimento previsto no artigo 273 do Regulamento do Imposto sobre a Renda de 1999, no tocante à postergação de pagamentos; (b) na apuração da base tributável, não se procedeu à dedução dos recolhimentos efetuados pela Recorrente a titulo de antecipação no anocalendário de 2004, em conformidade com Solução de Consulta Interna n° 23/06; e (c) foram cometidos diversos outros equívocos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos. Fl. 18413DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 18 17 Afirma a ocorrência de postergação em razão da tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil (art. 25 da Lei nº 9.249/95 e art. 21 da Medida Provisória nº 1.858/99), relativamente à qual inexiste qualquer restrição à compensação de prejuízos ou perdas em operações realizadas no exterior com lucros lá auferidos, como bem expressa o art. 7o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 633/2006, em consonância com o art. 76, §§ 4o e 5o da Lei nº 8.981/95. Em conseqüência, os resultados líquidos negativos apurados em operações realizadas no exterior, que não se enquadrem como operações de cobertura (hedge) realizadas diretamente em bolsa de valores, poderão ser utilizados para absorção de resultados líquidos positivos apurados em exercícios subseqüentes. Entende que ofende o conceito de renda e lucro não se permitir a utlização de prejuízos e perdas apuradas em operações realizadas no exterior em determinado anocalendário para a absorção de resultados líquidos positivos apurados em exercícios posteriores, motivo pelo qual é inadmissível a exigência de tributos sobre a glosa de R$ 885.797.100,45, uma vez que esse valor, ou ao menos parte dele, já foi oferecido à tributação, já no anocalendário seguinte. Nos termos do art. 273 do RIR/99, quando o contribuinte computar na apuração do lucro real uma dedução que apenas poderia ocorrer em períodobase futuro, aplicase a regra relativa à postergação do pagamento. Nulo é o lançamento em razão de erro no critério jurídico adotado, pois, nesses casos, o lançamento de eventual diferença deve ser feito pelo valor liquido, compensandose o valor do pagamento realizado em outro exercício ao que o contribuinte tinha direito. Cita jurisprudência administrativa neste sentido. Frisa que o lançamento foi formalizado porque no entendimento do D. Agente Fiscal, e que foi mantido pela decisão da DRJ/RJ, tal resultado negativo não poderia ter sido deduzido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2004, mas apenas e tão somente utilizado na absorção de resultado positivo apurado no ano calendário subseqüente (2005). Indica o documento nº 2, juntado à impugnação, como prova de que no anocalendário subseqüente (2005), embora a Recorrente tenha apurado resultado positivo em operações realizadas no exterior, ela não mais possuía nenhum resultado liquido negativo apurado em período anterior, de forma que não houve qualquer redução dos resultados positivos apurados no ano de 2005, bem como traz quadros comparativos, em seu recurso, para demonstrar os efeitos do pagamento postergado alegado. Reportase aos documentos nº 3 e 4, juntados à impugnação, que provariam os pagamentos efetuados em 2005, e reafirma a aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 2/96. Esclarece que o erro no critério jurídico utilizado pela autoridade lançadora enseja a nulidade do lançamento, ao contrário de um simples erro de fato. No que tange à nulidade decorrente da desconsideração das antecipações realizadas no anocalendário 2004, destaca que a constituição da obrigação tributária somente pode ser feita em estrita conformidade com o que está disposto em lei, e esta prescreve que as antecipações devem ser deduzidas ao final do período de apuração correspondente, para fins de determinação do tributo devido. Afirma novamente que há erro de direito, ou erro no critério jurídico utilizado, pois a autoridade lançadora deixou de observar o que determina a lei para fins de apuração do quantum debeatur de IRPJ e CSLL na sistemática do lucro real anual. Demonstra que, admitindo as antecipações de 2004, o IRPJ devido seria reduzido de R$ 247.114.200,86 para R$ 80.097.506,33, e a CSLL de R$ 88.961.112,31 para R$ 28.637.099,64. Especifica a forma de quitação das estimativas apontadas para aquele anocalendário, e conclui que o lançamento carece de elemento essencial, qual seja, seu motivo. Opõese à cogitação de que a compensação das antecipações de IRPJ e de CSLL realizadas no decorrer do anocalendário com os tributos apurados no final do período Fl. 18414DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 19 18 seriam mera faculdade conferida aos contribuintes, invocando o entendimento firmado na Solução de Consulta Interna COSIT nº 23/2006 e discordando da interpretação que lhe foi dada na decisão recorrida. Defende que naquele ato determinouse, para toda e qualquer constituição de ofício de IRPJ e CSLL, a dedução das retenções na fonte ou antecipações referentes às receitas compreendidas na apuração, entendimento também refletido no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 58/94 e em acórdãos administrativos que cita. Alerta que a manutenção da autuação fiscal, com redução, apenas, do montante exigido por meio da dedução de estimativas, consiste alteração no critério jurídico do lançamento, e é vedado pelo art. 146 do CTN. Por fim, no que tange à nulidade decorrente da falta de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, aduz que o lançamento exige prévio levantamento e o exame completo de toda a documentação relativa à apuração do IRPJ e da CSLL, ao passo que a autoridade lançadora optou por proceder ao lançamento com base tão somente nos valores dos custos e despesas por eles glosados, sem apurar efetivamente o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Claro está nos autos de infração que os valores exigidos correspondem exatamente à aplicação do percentual de 34% (25% de IRPJ e 9% de CSLL) sobre os custos e despesas glosados, desconsiderando as antecipações, o limite de isenção do adicional do IRPJ e a possibilidade de maior compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, ante o incremento das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Discorda da argumentação da autoridade julgadora de 1a instância quanto à indisponibilidade das antecipações, já utilizadas em compensação, reafirmando o dever da autoridade fiscal de recalcular todo o lucro real e toda a base de cálculo da CSLL da Recorrente. Da mesma forma reportase à impossibilidade de compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas aventada na decisão recorrida, acrescentando que caso fosse o necessário, deveria a Fiscalização, posteriormente, autuar a Recorrente nos anoscalendário de 2005 e 2006 para a cobrança de IRPJ e CSLL devidos em razão da inexistência de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL. Ressalta, por fim, que não pode esse Egrégio Conselho, tampouco a autoridade lançadora, realizar o cálculo correto dos tributos lavrados, a pretexto de corrigir o lançamento fiscal. Caso assim proceda, estará realizando a atividade de lançamento, o que é vedado pela legislação vigente. Cita jurisprudência administrativa neste sentido e conclui pedindo que seja declarada a nulidade dos autos de infração. Ainda argüindo a nulidade do lançamento, mas agora apenas no que tange à glosa de juros, comissões e variações cambiais, discorda da conclusão fiscal de que tais despesas seriam acessórias às despesas de hedge e, portanto, indedutíveis, sem qualquer análise da aplicação da regra de dedutibilidade cabível. Cita o art. 299 do RIR/99 e o Parecer Normativo CST nº 32/81 para expressar o seu entendimento sobre o que é uma despesa necessária e usual, concluindo depois que só seria possível glosar a dedutibilidade de tais despesas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da Recorrente, caso a Fiscalização comprovasse que elas não preenchem os requisitos previstos no artigo 299 do RIR/99, o que todavia, não foi feito. Assevera que as operações e as margens de cobertura foram verificadas e atestadas pela própria Fiscalização, e a alegação de não terem sido efetuadas em bolsa não afeta a dedutibilidade dos demais encargos, especialmente em relação às variações cambiais que são despesas incorridas no País. Como eram necessárias as operações de cobertura, lícita é a dedução dos juros, comissões e variações cambiais. Especialmente em relação às variações cambiais, destaca que a fiscalização valeuse apenas da “acessoriedade” das despesas para a glosa, sem ter em conta o momentum da liquidação das operações de hedge praticadas, em consonância com o regime de Fl. 18415DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 20 19 caixa imposto pelo art. 30 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, para tributação destes valores. Acrescenta que adicionou ao lucro real e à base de cálculo da CSLL o montante de R$ 38.561.164,02 do total de variações cambiais glosadas pela Fiscalização. Finaliza seu pedido de declaração de nulidade do lançamento aduzindo: Ora, se uma simples indagação à Recorrente no curso do processo de fiscalização ou, então, breve folheada no Livro de Apuração do Lucro Real seria suficiente para afastar a tributação das despesas com juros, comissões e variações cambiais incorridas pela Recorrente, não se pode afirmar, com consciência tranquila, que houve observância ao art. 142 do CTN e aos bons princípios da administração publica. Pretende, também, a declaração de nulidade da decisão recorrida, uma vez que deixou de apreciar todas as razões de defesa suscitadas pela Recorrente. Relaciona os tópicos de sua defesa, aduz que os julgadores de 1a instância limitaramse a se manifestar, vagamente, sobre alguns pontos levantados na impugnação, e aponta, a título de exemplo, que ante a longa argumentação acerca da nulidade do auto de infração em razão da não observância da postergação do pagamento dos tributos decorrentes de operações de hedge realizadas no exterior, a autoridade julgadora não se manifestou acerca dos argumentos ventilados na defesa, tais como aplicabilidade do artigo 273 do RIR no presente caso, ocorrência de erro material, dentre outros. No mérito, desde o início de sua defesa questiona a exigência de extrato emitido pela Bolsa de Chicago acerca de operações de hedge ali efetuada em nome da Recorrente, pois referido documento não existe e não pode ser obtido dada a sistemática de funcionamento daquela instituição. Destaca a apresentação de farta e robusta documentação plenamente hábil a comprovar que suas operações de hedge foram contratadas em bolsa no exterior, por ela assim resumidos: • Extratos das operações de hedge efetuadas. pela Recorrente, que contém todas as informações das operações efetuadas (fls. 98 a 678); • Razão contábil da conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS mantida pela Recorrente, que atesta as movimentações das operações de hedge efetuadas (fls. 679 a 708); • Contratos de câmbio comprobatórios das remessas e recebimentos relativas As operações de hedge da Recorrente (fls. 16 a 89); • Relatório dos pagamentos efetuados pela ADM Financeira para a Bolsa de Chicago e respectivas transferências (fls. 1017 a 1030); • Extrato diário com o cálculo da variação de margem emitido pela Bolsa de Chicago (fls. 1025 a 1483); Ademais, como a autoridade fiscal reconheceu que "os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte", claro está que o lançamento somente foi lavrado em razão da suposta falta de apresentação do já mencionado extrato emitido pela Bolsa de Chicago. Assevera que as operações de hedge representam verdadeiro imperativo às atividades desenvolvidas pela Recorrente, representando despesas absolutamente usuais e necessárias à consecução de seus objetivos sociais. Mais à frente, acrescenta que as bolsas de mercadorias no Brasil não são capazes de absorver e conferir liquidez às transações realizadas pelo Grupo ADM, dado o volume das atividades comerciais – e por conseqüência, de operações de hedge – realizadas pela Recorrente. Transcreve artigo publicado na Revista Economia e Agronegócio atestando que a BM&F não possuía a liquidez necessária para garantir aos agentes de mercado de soja a efetividade buscada para seus instrumentos de hedge, havendo inclusive o risco dos agentes locais não serem capazes de fechar suas posições. Fl. 18416DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 21 20 Exemplifica que realizou cerca de 139.000 contratos de hedge, dos quais apenas 2% poderiam ser absorvidos pela BM&F. Daí a imperatividade da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, e a submissão da recorrente às normas regulatórias desta entidade e das autoridades competentes dos Estados Unidos da América. Descreve o fluxo operacional de suas atividades, consistentes em realizar negócios de compra com entrega física futura de soja com os produtores rurais ou exportadores ao redor do mundo e fechar contratos de venda dessa natureza com seus clientes locais ou internacionais, de forma que as operações de hedge destinamse a reduzir os riscos das flutuações dos preços de soja entre a data da compra e/ou venda da soja e o seu recebimento e/ou entrega física. Especifica que: 163. Para efetuar as operações de hedge, as subsidiárias do Grupo ADM ao redor do mundo inserem os dados de suas respectivas operações comerciais em um único sistema de computador, o qual é administrado pela ADM Trading Company ("ADM Trading"). Ao inserir os dados no referido sistema, as subsidiárias do Grupo ADM submetem à ADM Trading as correspondentes ordens de hedge ("Ordem"), que nada mais são do que as posições contrárias àquelas contratadas fisicamente com os produtores rurais ou cliente das empresas do Grupo ADM. Na colocação da Ordem, são informados o número da conta de controle da subsidiária, o tipo e quantidade de mercadoria a ser coberta pelo hedge, o tipo de operação (compra ou venda) e a data de opção da mercadoria na Bolsa de Chicago. 164. Cada Ordem configura um contrato, o que implica a obrigação de compra ou venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos na Ordem, na data de entrega ali prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago. [...] 166. Em resumo, as Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading, que centraliza e consolida as Ordens de todas as subsidiárias e, na sequência, transfere essas exposições a ADM Financeira, entidade financeira que executa tais Ordens junto à Bolsa de Chicago. [...] 168. A centralização das Ordens de todas as subsidiárias, efetivada pelo sistema da ADM Trading, importa dizer, dentre outros fatores, decorre da necessidade de melhor cumprir as regras do Grupo CME, controlador da Bolsa de Chicago e do órgão regulador norteamericano (i.e., the Commodity Futures Trading Commission ("CFTC")). Essas regras, como ditas anteriormente, não são aplicáveis a qualquer entidade que busque realizar operações de hedge na Bolsa de Chicago, mas apenas as empresas do porte do Grupo ADM, que operam volume imenso de transações e possuem inúmeras subsidiárias que precisam, ao mesmo tempo, ter acesso a Bolsa de Chicago. 169. A fim de comprovar o que consta no parágrafo anterior, a Recorrente anexa ao presente recuo carta preparada pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, exdiretor jurídico e exvicepresidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 03). Passando à exposição do fluxo de pagamentos de suas atividades, a recorrente inicialmente destaca que a ADM Financeira é um membro de compensação qualificado do Grupo CME [que integra as Bolsas de Valores e de Mercadorias e Futuros de Chicago e de New Yokr], o que a autoriza a atuar junto as bolsas de valores e mercadorias e futuros do Grupo CME, em nome do Grupo ADM e de outros clientes (terceiros não relacionados) na qualidade de instituição financeira, acrescentando que sua atividade é altamente regulada, dado atuar nas maiores Bolsas de mercadorias e futuros do mundo e influenciar nos investimentos realizados por milhões de investidores ao redor do mundo. Aponta, ainda, declaração à fl. 1010 que confirma a atuação da ADM Financeira como membro da Câmara de Compensação da Chicago Mercantile Exchange (CME). Fl. 18417DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 22 21 Frisa, ainda, na referida declaração, o fato de a Bolsa de Chicago não emitir extratos diretamente ao Grupo ADM, a evidenciar que a falta de apresentação de tal documento, portanto, não decorre de um descuido, desídia ou falha por parte da Recorrente em "conservar em ordem, documentos e papéis que se refiram a atos e operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial", como consignado na ementa da r. decisão recorrida, já que se trata de documento inexistente cuja obtenção é impossível! Acrescenta que a liquidação das operações intermediadas pela ADM Financeira é feita mediante pagamentos centralizados e consolidados à Bolsa de Chicago, estando parcialmente correta a afirmação fiscal acerca destes pagamentos globais, com exceção de que as transferências à Bolsa de Chicago, por determinação das normas dos órgãos regulatórios norteamericanos, são feitas em dois grupos, para manter os recursos recebidos de seus clientes separadamente daqueles de titularidade das empresas do Grupo ADM. Esclarece, assim, que a conta NSEC CLR PB 905 – ADM Investor Services consolida somente operações do Grupo ADM liquidadas pela ADM financeira. Asseverando que os recursos necessários para os pagamentos à Bolsa de Chicago são adiantados à ADM Financeira pela ADM Co., descreve o fluxo de pagamentos nos seguintes termos: • Diariamente, a ADM Financeira realiza dois grupos de pagamentos das margens contratadas naquele dia, um grupo se refere às transações do Grupo ADM e outro relativo às operações de seus demais clientes. • A entrega dos recursos para o pagamento efetuado pela ADM Financeira à Bolsa de Chicago é realizado pela ADM Co., gerenciadora de caixa do Grupo ADM. • A ADM Co., por seu turno, é ressarcida dos pagamentos à ADM Financeira pelas subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. • Vale notar que os hedges executados podem gerar ganhos ou perdas às subsidiárias do Grupo ADM, razão pela qual a ADM Co. pode receber ou realizar pagamentos em relação a cada uma das subsidiárias do Grupo ADM, dentre elas a Recorrente. Assim, na medida em que o mecanismo de contratação e liquidação das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago envolve a centralização e consolidação do fluxo de pagamentos na ADM Financeira, impossível era a prova requerida pela Fiscalização. Acrescenta que a atuação da ADM Company é normal, pois seria praticamente impossível a realização de remessas internacionais diárias para a cobertura das margens à ADM Financeira, realizandose adiantamentos e promovendose reembolsos mediante contacorrente dentro do mesmo grupo econômico. Mais a frente reafirma que a contacorrente indicada nos contratos de câmbio é sempre da ADM Company, embora a ADM Financeira também tenha sido indicada, pela Fiscalização, como destinatária dos recursos. Conclui, diante deste contexto, que os documentos apresentados pela Recorrente ao longo do processo de fiscalização que atestam as remessas efetuadas à ADM Co. a titulo de ressarcimento das margens cobertas por tal entidade para a ADM Financeira (fls. 17/89), bem como os comprovantes dos pagamentos efetuados pela ADM Financeira à Bolsa de Chicago (fls. 1025/1043) são prova suficiente da realização das operações de hedge junto à Bolsa de Chicago. E aduz: 201. Adicionalmente, muito embora não seja possível fazer a demonstração dos pagamentos feitos pela Recorrente diretamente a Bolsa de Chicago em razão da regulação vigente nos Estados Unidos, é possível que se realize o confronto dos resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge e se verifique que estes oscilam exatamente conforme as variações dos preços das mercadorias "hedgeadas" na Bolsa de Chicago. Este, fato, ressaltese, foi expressamente reconhecido pelo D. Agente Fiscal. Ora, quer parecer à Recorrente que tal evidência Fl. 18418DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 23 22 constitui prova mais do que suficiente de que as operações foram realizadas em bolsa, o que as tornam dedutíveis tanto para fins de apuração do IRPJ, quanto para fins de apuração da CSLL. Sobre esse aspecto, no entanto, silenciou a r. decisão recorrida. Aborda, também, a incongruência dos dados do BACEN, inicialmente mencionando que a decisão recorrida preferiu silenciar sobre estes argumentos, aduzindo que eles não se prestaram como fundamento da autuação. Procura esclarecer as afirmações contidas no Ofício (incremento de remessas e desproporção do montante de remessas), reportandose a uma forte pressão sobre os preços internacionais da soja, verificada no início de 2004, e à demanda crescente do produto por parte da China, o que enseja um incremento nas suas receitas de vendas de produto, mas também acarreta perdas equivalentes nos contratos de hedge, dada a assunção de obrigações substancialmente opostas. Ante as maiores perdas, maiores foram as remessas constatadas pelo BACEN, mas também maior foi o faturamento em razão do aumento dos preços de venda, e por conseguinte, a base de cálculo dos tributos devidos pela recorrente. Quanto à constatação fiscal de que em 2004 foram realizadas remessas relativas a contratos de hedge liquidados em anos anteriores, aduz que: 215. Em planilha que seguiu anexa à impugnação apresentada, a Recorrente corrigiu as distorções das informações consignadas no Termo de Verificação Fiscal, já que pretendeu comparar valores das remessas realizadas pela Recorrente no ano de 2004 (fluxos de pagamento) com os registros contábeis das operações escriturados na conta 128116 ADM DECATUR EXEC FUTUROS, que seguem o regime de competência. Do total dos recursos remetidos ao exterior pela Recorrente em 2004, US$ 220.829.592,65 se referiam a perdas incorridas em contratos de hedge liquidados em anos anteriores (2001 a 2003). 216. Dado o grande volume de operações de hedge realizadas pela Recorrente, a liquidação financeira individualizada ou até mesmo diária de tais contratos via contrato de câmbio mostrase praticamente impossível (em 2004 a Recorrente fechou aproximadamente 139.000 contratos de hedge, o que dá uma média diária por dia útil de 579,16 operações). Por essa razão, e considerando que os fluxos financeiros da Recorrente são geridos pela ADM Co., optase por liquidar, periodicamente, parte ou totalmente as posições financeiras com aquela empresa. Exatamente isso foi o que aconteceu em 2004. Acrescenta que as informações do BACEN são imprecisas, pois ali não se informa o universo de operações adotado para as inferências feitas. Conclui, assim, que não há como o D. Agente Fiscal ou o BACEN afirmarem que as operações contratadas pela Recorrente são incompatíveis com as suas atividades. Questiona, também, o quadro comparativo entre faturamento de depósito de margens elaborado pela Fiscalização, asseverando que: 1) o valor apontado como a totalidade das margens cobertas pela ADM Company está incorreto, pois já representa os pagamentos efetuados pela ADM Financeira em prol da ADM Company; 2) o faturamento da ADM Company referese ao ano fiscal que vai de 01/07/2003 a 30/06/2004, distinto da base de comparação; 3) o pagamento efetuado à ADM Financeira envolve todas as subsidiárias do Grupo e não pode ser comparado apenas com os resultados da recorrente; 4) a utilização, pela Fiscalização, da taxa média do dólar em 2004 causa distorções em razão do faturamento ter sido convertido, pela contribuinte, mensalmente em razão da taxa vigente. Reiterando o controle ao qual é submetida a ADM Financeira, repudia a afirmação fiscal de facilidade para manipulação de operações, relatórios e contabilidades, incompatível com o reconhecimento, pela própria Fiscalização, de que a contribuinte apresentou cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de hedge, e com a clareza dos documentos apresentados para demonstrar a efetividade das operações realizadas em bolsa. Fl. 18419DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 24 23 Reprisa o conteúdo dos documentos apresentados à autoridade lançadora durante o procedimento fiscal, destaca novamente a compatibilidade destas informações com os demais elementos apresentados à Fiscalização, como por ela reconhecido, e novamente manifesta sua inconformidade com a exigência de documento que não lhe é possível apresentar, sem que uma análise mais aprofundada de suas atividades fosse feita. Ressalta a relevância da exigência e o risco que ela causa à continuidade das atividades da recorrente, e pede a improcedência do lançamento. Ainda, porque representativos de despesas usuais e necessárias, defende a dedutibilidade dos resultados de operações de cobertura de riscos realizadas em outros mercados de futuro no exterior, além de bolsas, desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional, nos termos do art. 396, §1o do RIR/99 e da Resolução CMN nº 2.012/93. Desde que se trate de operações de hedge vinculadas a operações reais e efetivas de revenda de soja e que sigam rigorosamente os parâmetros de mercado, como no caso presente, tais despesas deverão ser consideradas operacionais e dedutíveis independentemente se realizadas em bolsa ou fora dele. Descreve os três grandes conjuntos de transações que realiza (compra, hedge e revenda), esclarecendo que na primeira fase de compra, em regra no 2o semestre de cada ano, podem ocorrer adiantamentos ou financiamentos de produtores, verificando se a entrega da soja somente a partir do 2o trimestre do ano seguinte, a exigir precauções quanto às variações de preço até que o produto seja recebido e possa ser revendido, o que compele a recorrente a se valer do instrumento de hedge. Reportase a doutrina esclarecendo que o hedge nada mais é que a aquisição de contratos em posição inversa aos contratos já firmados pela sociedade, e acrescenta que num contexto em que os preços dos produtos que comercializa oscilam ao sabor do mercado, deixar de realizar operações de hedge certamente evidenciaria que a Recorrente é mal gerida ou possui grande atividade especulativa. Citando as causas de variação de preços no mercado que atua, conclui que o hedge é usual e necessário às atividades da Recorrente. Constrói exemplo numérico para aclarar tais afirmações, e destaca que a soja, principal produto agropecuário negociado pela Recorrente, no ano de 2004, foi o segundo produto agropecuário brasileiro cujo preço apresentou maior volatilidade. E complementa: 253. Dentro desse mecanismo, mesmo que o preço de mercado da soja suba quando da data de sua colheita e revenda, o valor que a Recorrente receber a mais do seu cliente no mercado externo será remetido ao exterior por força do hedge. De outro lado, caso o valor de mercado caia e, por conseqüência, o cliente externo da soja física pague menos à Recorrente, o hedge propiciará um resultado positivo equivalente ao valor pactuado no contrato e o valor de mercado para essa época. 254. Ao minimizar seus riscos pela contratação das operações de hedge, a Recorrente pode se concentrar em suas atividades principais: a compra, estocagem, distribuição, processamento e revenda de soja. Traça a hipótese de incidência do IRPJ a partir da Constituição Federal para concluir que em decorrência da premissa basilar e irredutível de que apenas podem ser submetidos ao IRPJ (e também CSLL) os acréscimos patrimoniais efetivos, os resultados das operações de hedge contratadas pela Recorrente não podem ser avaliados isoladamente das operações comerciais que pretendem cobrir e, destarte, tributados da forma efetuada pelo D. Agente Fiscal. Novamente menciona que a adição dos prejuízos decorrentes de operações de hedge decorre da suposição de que tais operações não teriam sido praticadas em bolsa. Apresenta mais exemplos numéricos dos resultados que seriam auferidos em caso de valor de mercado superior ou inferior ao preço de compra contratado, para concluir que impedir a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações de hedge significaria Fl. 18420DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 25 24 tributar os ganhos realizados nas operações comerciais da recorrente sem considerar os custos incorridos para a sua consecução, isto é, aqueles decorrentes das operações de hedge. Reportase a jurisprudência administrativa contrária a este tipo de entendimento, em situações semelhantes como no caso de despesas de juros incorridos em empréstimos repassados a outras empresas do mesmo grupo econômico. Discorda da interpretação que, a partir do disposto no art. 396 do RIR/99, considera indedutíveis os pagamentos das operações de cobertura não realizadas em bolsas, pois tal implicaria reconhecer que aquela norma visa a locupletar o fisco de forma injustificada, na medida em que seriam tributadas as receitas de venda das mercadorias, mas não seria aceito um importante custo incorrido para que essas mesmas receitas fossem auferidas. Subsidiariamente invoca a aplicação do art. 71 da Lei nº 9.430/96, que em seu entendimento houve por bem estender as demais operações realizadas em mercados de liquidação futura fora de Bolsa (balcão) o mesmo tratamento tributário conferido a tais operações realizadas em Bolsa, dentre as quais se incluem as operações de cobertura. E, considerando o disposto nos arts. 17 e 28 daquela mesma lei, admitido está o cômputo na determinação do lucro real, e da base de cálculo da CSLL, dos resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em Bolsas no exterior. Antecipa sua oposição à alegação de que o referido dispositivo legal (art. 71), ao assegurar a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações realizadas em mercado de liquidação futura fora de Bolsa, não teria explicitado que tal regra também seria aplicável às operações realizadas no exterior. Segundo Elide Palma Bifano e Luciana Aguiar32 [32 "Anotações sobre Operações Internacionais com a Finalidade de Cobertura ("Hedge"), in "Revista de Direito Tributário Internacional nº 10", ed. Quartier Latin, p. 180.], "á época da edição da L 9.430/96, vigorava o art. 63 da L 8.383/91, que, expressamente, autorizava esse tratamento. Esse fundamento de aplicação de tal regime vigorou até a edição da L 11.033/04, quando o art. 63, em referência, foi revogado. A partir de então, o art. 71 da L 9.430/96 passa a ser aplicado, também, a operações no exterior, com as alterações introduzidas pela L 10.833/03, em seu artigo 48, em seu §2°, autorizando o reconhecimento de perdas nas operações registradas nos termos da legislação vigente". Finaliza defendendo a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, pois os juros decorrem da utilização do capital alheio, no caso o tributo, ao passo que a multa é pena pecuniária pelo inadimplemento de obrigação. Se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. Defende que não há previsão legal para incidência de juros sobre a multa, pois a expressão débitos do §3o do art. 61 da Lei nº 9.430/96 diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento, interpretação confirmada em razão do que expresso no art. 43 da mesma lei. Reportase a julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes, e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, este editado em 09/11/2010, que adotam o entendimento por ela defendido. Ao final, requer, ainda, o procedimento de diligência, na hipótese desse procedimento ser tido como necessário para o esclarecimento de qualquer dúvida acerca dos documentos juntados ao presente processo administrativo, bem como protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, bem como pela oportuna sustentação oral de suas razões de defesa. Em 22/02/2011 os autos do presente processo foram encaminhados em CARF, e em 21/10/2011 foram distribuídos, mediante sorteio, a esta Relatora. Contudo, em 16/03/2012 a recorrente peticionou nos autos, requerendo a juntada de novos Fl. 18421DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 26 25 elementos aos autos (fls. 3365/3375), especialmente os seguintes estudos e pareceres jurídicos: · Análises em relação aos melhores princípios e práticas de mercado que possibilitassem ao Grupo ADM efetuar operações de hedge na Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago (“Bolsa de Chicago”), promovidas por Professor Steven Thel, I. Maurice Wormser Professor de Direito da Universidade de Fordham em Nova Iorque, em que leciona sobre contratos, lei corporativa e regulamento de valores mobiliários; · Análise das operações de Hedge efetuadas pela Requerente no exterior à luz do art. 396 do RIR/99, expressa em parecer do Professor Marco Aurélio Greco; · Estudo dos vícios materiais que acarretam a nulidade dos autos de infração, proferido pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi; · Relatório da KPMG acerca da contabilização das operações e a conformidade dos Preços Praticados, com referência a Anexos numerados de 1 a 30, não juntados à petição; Digitalizada apenas a referida petição em 28/03/2012 (os estudos e pareceres acima mencionados acompanharam cópia desta petição apresentada a esta Relatora, mas não foram digitalizados no Eprocesso), os autos seguiram em 29/03/2012 para vistas da Procuradoria da Fazenda Nacional, que em 31/05/2012 devolveu os autos informando que apresentaria memoriais oportunamente e que realizaria sustentação oral por ocasião do julgamento (fl. 3376/3378). Os autos foram novamente distribuídos a esta Relatora em 12/06/2012, juntamente com os autos do processo administrativo nº 15586.001638/201081, que trata de exigência conexa, relativa ao anocalendário 2006. Em 10/08/2012 foi concluída a digitalização dos demais documentos apresentados pela recorrente em 16/03/2012, estruturados em 30 (trinta) anexos, os quais passaram a integrar as fls. 3379/7301 destes autos. Identificadas falhas na digitalização, esta Relatora requereu sua regularização em 03/10/2012, recebendo em 06/11/2012 os elementos faltantes. Em 06/12/2012 a recorrente apresentou a esta Relatora petição protocolizada no CARF naquela data, requerendo a juntada de Relatório de Comprovação do Hedge em Operações Futuros Realizadas pela Companhia no AnoBase de 2004, emitido pela empresa de auditoria KPMG, bem como de Relatório de Auditoria Independente das Operações de Futuro e Opções de Commodities Realizadas pela Companhia, emitido pela empresa de auditoria Ernst & Young, acerca das controvérsias objeto de lançamento nestes autos. Além disso, na mesma data, requereu a juntada de parecer emitido pelo Professor Ary Oswaldo Mattos Filho, acerca da interpretação do art. 17 da Lei nº 9.430/96 em razão da forma de operação das Bolsas. O relatório da Ernst & Young, acompanhado de diversos demonstrativos (todos em língua estrangeira), o relatório da KPMG e o parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho foram anexados à petição antes referida. Por ocasião de sua apresentação, a recorrente mencionou a existência de documentos que lhes dariam suporte, os quais seriam apresentados no CARF. Consulta ao Eprocesso evidenciou que a referida petição e os documentos que a instruíram ainda não haviam sido digitalizados até janeiro/2013, bem como que não havia registro da apresentação de outros elementos. Em 12/09/2012, a Assessoria Técnica e Jurídica do CARF (ASTEJ) respondera a Ofício da Procuradoria da República no Espírito Santo, informando que solicitaria prioridade na tramitação do presente processo administrativo. Em 28/11/2012 o mesmo órgão requereu cópias do auto de infração e das decisões já proferidas nestes autos, as quais foram fornecidas pela Presidência desta 1a Seção em 11/12/2012, acompanhadas da Fl. 18422DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 27 26 informação de que o presente processo seria incluído em pauta na sessão seguinte, em fevereiro de 2013. O litígio não foi apreciado na reunião de julgamento de fevereiro/2013 em razão de pedido de adiamento apresentado pela recorrente. Ao final de fevereiro/2013, foram digitalizados 17 (dezessete) volumes de anexos a estes autos, cuja juntada definitiva ainda não foi promovida no Eprocesso em razão de o processo encontrarse pautado para julgamento. Referidos documentos estão intitulados Laudo KPMG – Relatório de comprovação do hedge em operações de futuros realizadas pela Companhia no anobase de 2004 e reúnem Anexos entre os números 1 e 33, evidenciando tratarse dos documentos de suporte do documento apresentado a esta Relatora em 06/12/2012, sob o título Relatório de Comprovação do Hedge em Operações Futuros Realizadas pela Companhia no AnoBase de 2004, emitido pela empresa de auditoria KPMG. Os documentos apresentados ao final de fevereiro/2013 foram anexados às fls. 7631/12285. Além deles, foram juntados aos autos digitalizados a tradução juramentada do Parecer elaborado por Ernst & Young (fls. 12288/12481), bem como os relatórios e o parecer apresentados a esta Conselheira em 06/12/2012 (fls. 12484/12645). Na sessão de julgamento de 10 de julho de 2013, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara decidiu: 1) por voto de qualidade, REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento por falta de compensação de prejuízos fiscais anteriores e de dedução de antecipações do próprio período, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento vinculada ao cálculo do adicional; 3) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento decorrente dos efeitos da postergação; 4) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento de glosa de juros, comissões e variações cambiais; 5) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 6) por maioria de votos, CONVERTER EM DILIGÊNCIA o julgamento, divergindo os Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário. Esta Conselheira expôs suas razões para rejeitar as preliminares deduzidas na defesa; observou que o art. 396 do RIR/99 admite a dedução de perdas em operações de cobertura (hedge), desde que realizadas diretamente em bolsas do exterior; demonstrou que o procedimento fiscal permitiu à contribuinte provar que assim procedeu, mas as discrepâncias constatadas nos elementos apresentados, somados a outros indícios, ensejou a glosa das perdas escrituradas; admitiu que a interposição de outras empresas do grupo ADM para realização de operações junto à Bolsa de Chicago não as desnaturaria como promovidas diretamente em bolsa; cogitou da prova das operações de hedge mediante demonstração de sua contratação com membro credenciado da Bolsa de Chicago; evidenciou que os elementos apresentados à Fiscalização não asseguravam que os recursos remetidos ao exterior destinaramse às operações de hedge, porque consolidadas diversas operações, a demandar seu exame individualizado, além de sua vinculação à contratação de cobertura efetiva em bolsa no exterior e correspondente pagamento; e discorreu sobre o conteúdo das provas juntadas depois do recurso voluntário, destinadas a demonstrar o fluxo operacional e financeiro das atividades questionadas pela Fiscalização, ressaltando que referências à ADM Trading como hedge center somente surgiram em impugnação. Considerando tais circunstâncias, esta Conselheira concluiu que as provas apresentadas pela recorrente demonstravam seu empenho em reunir elementos para convencer este órgão julgador da legitimidade de seus registros contábeis. Observou que ideal seria que Fl. 18423DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 28 27 dossiês diários fossem mantidos para demonstração da equivalência entre os registros contábeis e as operações da empresa junto ao mencionado Sistema VAX. Mas os elementos trazidos pela recorrente são evidências fortes de que estes registros existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities. Apenas que, a precariedade da guarda documental destas demonstrações não permitiu que a empresa as apresentasse à Fiscalização e convencesse a autoridade lançadora da regularidade de seus registros contábeis. Em conseqüência, já seria necessária a conversão do julgamento em diligência para confirmação do conteúdo dos relatórios apresentados pela defesa. Todavia, a demonstração da atuação da ADM Trading como hedge center suscitou dúvidas acerca da dedutibilidade de perdas em razão de operações de hedge que não teriam sido contratadas em Bolsa, em razão de impedimentos legais, razão pela qual o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade lançadora: · Sob a premissa inicial de que todas as operações contabilizadas como sendo de hedge seriam necessárias e dedutíveis: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pela contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e quantificando sua repercussão no crédito tributário lançado; · Sob a premissa final de que somente as operações de hedge realizadas em bolsa ensejam perdas dedutíveis, promova as verificações acima requeridas, mas identifique as perdas correspondentes a operações de hedge efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, sem antes terem sido compensadas com posições opostas apresentadas no mesmo período por outra empresa do Grupo ADM. A recorrente embargou a resolução porque a decisão ali expressa induz à conclusão de que, no presente caso, a diligência teria mero caráter de apuração do quantum supostamente devido, tendo a questão de mérito sido já assentada e decidida entre os Ilmos. Conselheiros, exceção feita à manifestação dos Ilmos. Conselheiros Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva, que davam provimento ao recurso voluntário (fls. 12663/12668). No despacho de fls. 12730/12735 restou demonstrado que inexistiria qualquer contradição ou obscuridade a ser sanada: a decisão do Colegiado limitouse a determinar a remessa dos autos à origem para coletar informações que se entenderam imprescindíveis à solução do litígio, sem que qualquer decisão quanto ao mérito da controvérsia tenha sido proferida, como diz a embargante. A decisão em forma de resolução, nos termos do Regimento Interno do CARF, posterga para momento futuro o pronunciamento acerca do recurso, inclusive no que tange a questões preliminares ou prejudiciais antes já examinadas. No mais, observouse que não houve omissão acerca de declaração de voto da Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, dado que não houve manifestação da Conselheira neste sentido. Fl. 18424DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 29 28 A autoridade fiscal encarregada da diligência exigiu a apresentação de memórias de cálculos das perdas em operações de hedge promovidas pela recorrente, bem como demonstração das operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, e aquelas compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo ADM (fl. 12739/12740). Inicialmente apenas o primeiro demonstrativo foi entregue, seguindose pedido de explicação detalhada da memória de cálculo apresentada, bem como das demais a serem fornecidas após prorrogação de prazo concedida à intimada (fls. 12774/12775). A contribuinte prestou os esclarecimentos requeridos (fls. 12776/12903) e assim consolidou os valores das perdas resultantes de operações efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago (item 2 da intimação) e compensadas com posições opostas de outras empresas do grupo (item 3 da intimação): A autoridade fiscal exigiu o detalhamento mensal das perdas (fls. 12904/12905) e em resposta a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 12908/12926. Às fls. 12927/17998 constam os documentos apresentados no curso da diligência. Novos esclarecimentos foram solicitados em razão de divergências constatadas entre os elementos apresentados pela contribuinte (fls. 17999/18001), sendo prestadas as informações de fls. 18002/18013. A diligência foi concluída com a lavratura do termo de fls. 18014/18027, no qual a autoridade fiscal apresenta constatações acerca das informações prestadas pela contribuinte, elaborando quadros demonstrativos das discrepâncias entre os valores declarados como Ganhos/Perdas (Hedge) com soja e seus derivados comercializados pela ADM do Brasil em comparação com os Ganhos/Perdas (Hedge) de soja e seus derivados comercializados pela ADM Company, bem como das discrepâncias entre os valores informados como aplicados em hedge na BM&F Chicago em comparação com os valores totais das perdas com Hedge da ADM do Brasil, e ao final apresentando as seguintes respostas aos quesitos consignados na Resolução: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais solicitou as seguintes informações: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações com commodities; 2 ) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; e 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e qualificando sua repercussão no crédito tributário lançado; • Em resposta à solicitação do CARF, informamos: 1. Ficou constatado, em tese, que a empresa ADM Trading utilizavase do sistema VAX que obedecia a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, realizando Fl. 18425DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 30 29 compensações com posições opostas, de modo a calcular e assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2. Quanto à validade dos critérios das auditorias adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência, a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pelo contribuinte, esta fiscalização informa que é inviável e temerário emitir um parecer, visto que só seria possível formar convicção diante de uma auditoria independente, isto é, não contratada e paga pelo contribuinte. 3. Considerando as informações prestadas pelo contribuinte, apresentamos abaixo as divergências apuradas, identificando as perdas que restaram sem comprovação, e suas respectivas repercussões no crédito tributário lançado: RECALCULO DAS INFRAÇÕES APURADAS CONFORME VALORES INFORMADOS PELO CONTRIBUINTE Apresentamos abaixo os valores informados pelo contribuinte dos valores aplicados em hedge na BM&F Chicago, após compensadas as posições opostas pelo sistema VAX. Informamos ainda as demais despesas acessórias (variação cambial, juros e comissões) retirados dos processos de auto de infração n° 15586.001637/200901 e 15586.001638/201081: VALOR 2004 VALOR 2006 VALOR 2007 RESULTADOS DE HEDGE INFORMADOS NA CONTABILIDADE GLOSAS DE CUSTOS E DESPESAS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO 988.456.803,45 55.151.492,45 294.716.460,55 RESULTADOS DO HEDGE APLICADOS EM BOLSA RELATÓRIOS DO CONTRIBUINTE 307.889.579,00 35.700.691,00 160.554.919,00 TOTAL DAS GLOSAS CONSIDERANDO INFORMAÇÕES DO CONTRIBUINTE 680.567.224,45 19.450.801,45 134.161.541,55 RECOMPOSIÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADO [...] Cientificada, a contribuinte manifestouse às fls. 18031/18043, reiterando as justificativas antes apresentadas, observando que atendeu prontamente a todas as solicitações que lhe foram dirigidas durante a diligência, participando inclusive de diversas reuniões presenciais e por conferência telefônica para apresentar explicações sobre os documentos e sanar dúvidas do agente fiscal, e apresentando milhares de páginas de documentos contendo todos os detalhes das operações de hedge contratadas no exterior. Aduziu que a reintimação fiscal lavrada no curso da diligência decorreu de falha no processamento das respostas tempestivamente apresentadas, e disse que os trabalhos realizados pelo agente fiscal em nada contradizem o que vinha sendo sustentado pela Recorrente, atestando desde a colocação das Ordens no Sistema VAX, suas conciliações periódicas e compensações com posições opostas do Grupo ADM, até a efetiva transferência das Ordens para a Bolsa de Chicago. Discordou das comparações feitas pela Fiscalização entre os ganhos/perdas da Recorrente e os ganhos/perdas da ADM Company, pois não existe padrão numérico esperado para as comparações selecionadas, dado que suas atividades são influenciadas por inúmeras variáveis que citou e demonstrou por meio de exemplos práticos. Na seqüência, reportandose às respostas aos quesitos da diligência, firmou o entendimento de que as conclusões fiscais confirmaram o que vem sendo sustentado pela Recorrente nos presentes autos, de modo que os argumentos de defesa não são abalados nem mesmo pelas suposições lançadas pela Fl. 18426DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 31 30 Fiscalização quanto ao fato de os auditores independentes terem sido contratados pela Recorrente, mormente tendo em conta que todas as informações por eles utilizadas foram apresentadas à Fiscalização, sem que qualquer vício tenha sido apontado, seja nas premissas adotadas, nos procedimentos realizados ou nas conclusões alcançadas. Abordou as normas que regem as atividades de auditoria independente para reafirmar desarrazoadas as suspeitas lançadas pelo agente fiscal, e concluiu: 36. Portanto, diante das robustas provas apresentadas pela Recorrente nos presentes autos, seja pelos laudos elaborados pelos auditores independentes, seja pelos inúmeros documentos que os sustentam, jamais poderia o agente fiscal pretender desqualificálos sob a simples alegação de que os auditores foram contratados pela Recorrente. Restando abalados quaisquer dos elementos que sustentam o Auto de Infração por provas carreadas aos autos pelo contribuinte, incumbe ao Fisco efetivamente comprovar as suas alegações, por meio da adequada contestação técnica, até mesmo porque a diligência seria o momento adequado para tanto. 37. Dessa forma, na medida em que (i) as Ordens colocadas pela Recorrente foram reconhecidas pela própria autoridade fiscal como relativas a operações de hedge que atenderam aos parâmetros da Bolsa de Chicago já desde o Termo de Verificação fiscal e que (ii), conforme atestado pelo Termo de Encerramento de Diligência, se demonstrou que as operações foram realizadas em ambiente de bolsa por meio do Sistema VAX e sempre estiveram sob o controle do órgão regulador norteamericano, sendo parte consolidada com Ordens contrárias de outras empresas do Grupo ADM e parte contratada junto à Bolsa de Chicago, o atendimento da regra do artigo 396 do RIR é patente. 38. Conforme já exposto nos presentes autos, sob a perspectiva do Fisco brasileiro, o que importa é que o eventual resultado negativo da operação de hedge seja fruto da assunção efetiva do risco das operações de bolsa e que tal resultado negativo esteja sujeito ao controle do órgão regulador estrangeiro, de maneira que o Fisco Brasileiro tenha o conforto de que os valores reconhecidos pela empresa brasileira não foram artificialmente inflados por meio de negociações entre particulares no exterior. Isto é, a exigência do art. 396 do RIR visa a evitar que prejuízos fictícios sejam deduzidos pelas empresas brasileiras da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Essa exigência, no entanto, não pode ser vista de maneira dissociada das regras que delineiam a materialidade do IRPJ e da CSLL, nem pode a autoridade fiscal extrapolar o conteúdo das normas que regulam a incidência desses tributos. Ainda, reportandose ao Parecer do Professor Marco Aurélio Greco, disse que o conteúdo das Ordens realizadas pela Recorrente para compra ou venda da commodity é incontroverso nestes autos, centrandose a discordância no modo de execução dessas Ordens, sujeita às regras estrangeiras. Discorreu sobre tais regras, citando o parecer do Professor Ary Oswaldo Mattos Filho, e finalizou defendendo que as Ordens colocadas junto à ADM Trading, repassadas à ADM Financeira e então colocadas junto à Bolsa de Chicago certamente atendem a todos conceitos que extraiu da legislação brasileira, razão pela qual entendeu improcedente a exigência. No voto condutor da Resolução nº 1101000.152 observouse que o resultado da diligência demandava esclarecimentos, conforme assim exposto: Antes de adentrar ao reexame das preliminares e à apreciação do mérito, observase que, caso se conclua pela indedutibilidade, ainda que em parte, das perdas resultantes de operações de hedge, não será possível finalizar a apreciação das demais matérias autuadas. Fl. 18427DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 32 31 Isto porque, na realização da diligência requerida por este Colegiado, a autoridade fiscal entendeu inviável e temerário confirmar a validade dos critérios das auditorias contratadas, mas intimou a contribuinte a demonstrar os valores mensais das perdas correspondentes às operações de hedge contratadas junto à Bolsa de Chicago e compensadas com as posições opostas de outras empresas do grupo ADM, e a contribuinte assim detalhou esta apuração: Para segregar as perdas relativas às operações de hedge que foram consolidadas pela ADM Trading das perdas relativas àquelas que foram executadas junto à Bolsa de Chicago conforme determinado pelos Termos de Diligência Fiscal, a ADM do Brasil partiu do banco de dados que consolida todos os Relatórios R3838101 e que engloba todas as transações das contas da ADM do Brasil e realizou o seu confronto com todas as transações da ADM Trading executadas junto à Bolsa de Chicago (“Extrato 5032”). Dessa forma, considerando a sistemática de liquidação das operações descrita acima, a parti desse confronto concluise que as perdas decorrentes de transações de um mesmo produto, mês de Entrega e preço em determinado dia, constantes de ambos os documentos (Relatório R3838101 e Extrato 5032) foram negociadas junto à Bolsa de Chicago. A partir das perdas totais nas operações de compra e venda da ADM Brasil, identificou se o volume de contratos e o valor das compras e das vendas pelos preços destes contratos para identificação das perdas das operações da ADM do Brasil na Bolsa de Chicago. A partir destes critérios, a contribuinte informou que, em 2004, as perdas de hedge da ADM do Brasil representaram R$ 1.192.913.054,00, sendo que as perdas das operações de hedge realizadas em bolsa totalizaram R$ 307.889.579,00, e as perdas das operações de hedge compensadas o montante de R$ 885.023.475,00. A autoridade fiscal encarregada da diligência admitiu que, em tese, a empresa ADM Trading utilizavase do sistema VAX que obedecia a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, realizando compensações com posições opostas, de modo a calcular e assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities, mas afirmou impossível auditálo, visto que os valores aplicados em hedge na BM&F Chicago são realizados pelo Grupo ADM, não sendo separados por empresas. Consignou, ainda, que a contribuinte não apresentou os valores e documentos relativos às transferências financeiras para a BM&F Chicago referentes a aplicações em hedge, o que impossibilitou a elaboração de comparativos em relação ao valor informado pelo contribuinte como aplicado na BM&F Chicago pela ADM do Brasil. De outro lado, elaborou tais comparativos confrontando ganhos/perdas com soja e seus derivados registrados por ADM do Brasil e ADM Company, apurando que os resultados desta corresponderiam a 65% dos resultados daquela. Comparou também as perdas totais da recorrente com as perdas resultantes de hedge junto à Bolsa de Chicago, observando que estas representam 25,8% daquelas. E reportouse à divergência já constatada, por esta Conselheira, nos relatórios das auditorias, que poderia ser justificada pela consolidação que não reporta à ADM Investor Services as operações contrárias praticadas pelo Grupo (fl. 7357). A abordagem assim desenvolvida no Termo de Encerramento de Diligência não expressa qualquer objeção à dedutibilidade da parcela de R$ 307.889.579,00, indicada pela contribuinte como correspondente a perdas em operações de hedge junto à Bolsa de Chicago. Ao contrário, a autoridade fiscal encerra a exigência recompondo a apuração do lucro tributável excluindo aquela parcela das glosas aqui promovidas. Assim, é razoável concluir que as discrepâncias acima mencionadas apenas se prestaram a reforçar que parte das perdas contabilizadas pela contribuinte, de fato, não foram contratadas junto a bolsa no exterior, assim como que os registros da contribuinte seriam confiáveis para se admitir a dedução da R$ 307.889.579,00, ainda que sem a apresentação dos documentos de transferências financeiras para a Bolsa de Fl. 18428DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 33 32 Chicago, visto que a ausência destes somente teria impedido a Fiscalização de elaborar comparativos semelhantes aos anteriormente citados. Mas, retomando a acusação fiscal, vêse que a autoridade lançadora glosou perdas no valor de R$ 885.797.100,45, equivalentes à transferência, para o resultado do exercício, de parcelas a crédito de R$ 380.940.696,59 e a débito de R$ 1.266.737.797,04, a partir da conta 128116 — ADM DECATUR EXEC FUTUROS. A diferença entre estes montantes teria ensejado indevida redução do resultado do período. De outro lado, a contribuinte informara que a conta em referência recebeu registros referentes a: Valores em R$ DESCRIÇÃO DÉBITO/(CRÉDITO) CONTRAPARTIDA SALDO INICIAL (530.905.477,68) N/A RESULTADOS CONTRATOS FECHADOS (885.075.593,48) 423130 VARIAÇÃO CAMBIAL (90.893.868,32) 744100524 JUROS (11.237.721,23) 709400 CORRETAGEM E COMISSÃO (1.547.712,38) 405170 OUTROS (56,42) 124746501/616075 PAGAMENTOS/RECEBIMENTOS 1.505.961.912,45 BANCOS SALDO FINAL (13.698.517,05) A partir destes registros, a autoridade fiscal concluiu que as variações cambiais, juros e comissões ali registrados, no total de R$ 102.659.703,00, também teriam reduzido indevidamente o lucro tributável, porque decorrentes das operações de hedge não comprovadas durante o procedimento fiscal. Ocorre que ao recompor a exigência a partir das constatações reunidas em diligência, a autoridade fiscal excluiu de seus cálculos parte da glosa de perdas e a totalidade das despesas com variação cambial e juros, sem justificar porque assim procedeu. Assim, é necessário que os autos retornem à origem para que a autoridade fiscal justifique as alterações assim promovidas na base tributável, disto cientificando a contribuinte para eventual manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução dos autos a este Conselho. Manifestandose às fls. 18100/18107, a autoridade fiscal encarregada da diligência relatou os esclarecimentos prestados acerca da segregação das perdas, reiterou as discrepâncias verificadas nas análises comparativas e destacou as divergências originalmente apontadas na Resolução nº 1101000.077, bem como a falta de apresentação dos valores e documentos relativos às transferências financeiras para a BM&F Chicago, referentes a aplicações em hedge, e concluiu que: · As auditorias realizadas pelas empresas contratadas (Ernest Young e KPMG) ficam no mínimo comprometidas na sua essência, pois seu cliente era o próprio contribuinte. Fl. 18429DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 34 33 · Considerando a impossibilidade de auditoria no Sistema VAX, que realiza as compensações de ganhos e perdas de hedge das diversas empresas do grupo ADM, por auditoria independente ou pela própria Secretaria da Receita Federal, e visto que os valores aplicados em hedge na BM&F Chicago são realizados pelo Grupo ADM, não sendo separados por empresas, entendemos não ser possível dar um parecer conclusivo sobre os valores informados pelo contribuinte. · Diante do exposto, no entendimento desta fiscalização, não restam devidamente comprovados documentalmente os valores informados pelo contribuinte como aplicações de hedge realizados pela ADM do Brasil na BM&F Chicago. Reproduzindo as respostas aos quesitos formulados na primeira diligência, a autoridade fiscal esclareceu que, em seu entendimento, não restam comprovadas as aplicações em hedge informados pelo contribuinte, mas apresentou os cálculos da Recomposição das Demonstrações de Resultado levandose em consideração as informações prestadas pelo contribuinte, porém não aceitas por esta fiscalização, com o objetivo único de proporcionar novo cálculo para um eventual julgamento do CARF a favor do contribuinte. Ao final, apresentou o seguinte quadro de recomposição do lucro tributável considerando na glosa de outras despesas o reflexo proporcional da glosa de custos que a contribuinte pretendeu comprovar: Cientificada em 19/06/2015, a contribuinte apresentou petição observando que não fora cientificada da Resolução nº 1101000.152, e posteriormente, em 21/07/2015, manifestou sua inconformidade com o resultado da diligência, afirmando que os trabalhos realizados reforçam de forma cabal a regularidade dos procedimentos por ela adotados, e, depois do resumo dos fatos sob análise, das conclusões da primeira diligência, e de sua manifestação acerca daquele resultado, abordou o resultado da segunda diligência, inicialmente destacando que o escopo da diligência estampado na Resolução nº 1101000.152 não refletiria as discussões do Colegiado pois parte dos Conselheiros entendera pelo prosseguimento do Fl. 18430DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 35 34 julgamento diante do flagrante esvaziamento da diligência em razão da superficialidade dos trabalhos fiscais. Na sequência, discorreu sobre a inadequação do critério de proporcionalização adotado para manutenção parcial da glosa de outras despesas, asseverando que apresentou os elementos necessários para dedutibilidade de todas as perdas em operações de hedge e que a dedutibilidade dos juros e variações cambiais deveria ter sido apreciada segundo os requisitos expressos no art. 299 do RIR/99. De toda sorte, apresentou questionamentos específicos aos valores considerados no cálculo proporcional elaborado pela Fiscalização, bem como apontou vários outros erros na recomposição do lucro tributável apresentada no relatório de diligência, apresentando quadros reajustados em substituição àqueles elaborados pela autoridade fiscal encarregada da diligência. Finaliza asseverando que os esclarecimentos almejados pelo Colegiado original não foram atendidos de forma satisfatória, destacando seu empenho em esclarecer os fatos e requerendo a determinação de perícia no caso presente com o objetivo de que os esclarecimentos inicialmente almejados por este colegiado com a realização da diligência sejam efetivamente apresentados por profissional com independência e a qualificação necessárias. Invocando o art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72 e o princípio da verdade material, indica perito e formula quesitos para o desenvolvimento de tais trabalhos. Os autos retornaram a este Conselho em 23/07/2015, mas frente à alegação da contribuinte de que não fora cientificada da Resolução nº 1101000.152, promoveuse sua devolução à origem para tal providência (fl. 18246), efetivada em 07/10/2015. Na sequência, a contribuinte apresentou petição ratificando a manifestação antes apresentada (fl. 18253/18317). Em 01/03/2016 a contribuinte peticionou nos autos requerendo a retirada do presente processo de pauta a fim de que se aguarde o retorno do Processo nº 15586.001638/201081, para que ambos sejam julgados em conjunto, conforme vinham sendo conduzidos até então, evitandose, assim, eventuais decisões conflitantes, em observância aos princípios da segurança jurídica, economia e celeridade processual. O processo nº 15586.001638/201081 havia retornado a este Conselho com o cumprimento, apenas, do primeiro item da diligência ali determinada, coincidente com aquele formulado nestes autos. O segundo item, concernente à confirmação da existência de prejuízos e bases negativas acumulados antes dos períodos autuados naqueles autos, não foi abordado pela autoridade fiscal encarregada da diligência, razão pela qual os autos foram restituídos à origem, para complementação das providências requeridas. Na sessão de julgamento de 06/04/2016 foi esclarecido ao patrono da recorrente que a retirada de pauta não se justificava porque a existência de conexão permitia, apenas, a distribuição do processo para o mesmo Conselheiro, na forma do art. 6º, §1º, inciso I e §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Observou se, ainda, que esta Conselheira, na condição de Presidente do Colegiado, consignaria em despacho o indeferimento cientificado à recorrente em sessão. Fl. 18431DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 36 35 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Nos termos do art. 63, §5º do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, submetese novamente ao Colegiado o exame das questões preliminares apreciadas por ocasião da conversão do julgamento em diligência. A recorrente pretende a declaração de nulidade da decisão recorrida, asseverando que os julgadores de 1a instância limitaramse a se manifestar, vagamente, sobre alguns pontos levantados na impugnação, e observando que, ante a longa argumentação acerca da nulidade do auto de infração em razão da não observância da postergação do pagamento dos tributos decorrentes de operações de hedge realizadas no exterior, a autoridade julgadora não se manifestou acerca dos argumentos ventilados na defesa, tais como aplicabilidade do artigo 273 do RIR no presente caso, ocorrência de erro material, dentre outros. A decisão recorrida afastou, de plano, as argüições de nulidade presentes na impugnação por vislumbrar, ali, apenas aspectos de mérito a serem apreciados. Declarou, assim, a validade formal do lançamento e, na seqüência, apreciando seu mérito, firmou que o debate dos autos era matéria de prova, o que por si só já afasta a alegação de postergação. Na seqüência, admitindo a necessidade da prova exigida pela Fiscalização, convalidou a glosa promovida, inclusive das despesas consideradas acessórias. No mais, apreciou todos os argumentos da recorrente acerca da liquidação do crédito tributário lançado, de modo que sua defesa foi integralmente apreciada, devendo ser REJEITADA a arguição de nulidade da decisão recorrida. A recorrente argúi a nulidade do lançamento porque (a) não foi observado o procedimento previsto no artigo 273 do Regulamento do Imposto sobre a Renda de 1999, no tocante à postergação de pagamentos; (b) na apuração da base tributável, não se procedeu à dedução dos recolhimentos efetuados pela Recorrente a titulo de antecipação no ano calendário de 2004, em conformidade com Solução de Consulta Interna n° 23/06; e (c) foram cometidos diversos outros equívocos pelo D. Agente Fiscal na apuração dos tributos supostamente devidos. A nulidade dos atos administrativos de lançamento é regida pelo Decreto nº 70.235/72 que, em seu art. 59, inciso I, prevê a hipótese de lavratura por pessoa incompetente, e em seu art. 10 traça os requisitos essenciais para a formalização do auto de infração. Tais dispositivos legais alinhamse ao art. 142 do CTN que também estabelece a formalização do lançamento por autoridade administrativa competente e exige, para sua validade, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo. Diante deste contexto, inexiste nulidade quando a autoridade lançadora deixa de deduzir, da base tributável, prejuízos e bases negativas acumulados em períodos anteriores, na medida em que esta compensação é uma faculdade do sujeito passivo, nos termos do que dispõe a Lei nº 9.065/95: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na Fl. 18432DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 37 36 legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. (negrejouse) Inadmissível impor ao Fisco a averiguação de prejuízos e bases negativas acumulados em períodos anteriores com vistas a promover, de ofício, a redução do lucro real ou da base de cálculo da CSLL apurados em razão das infrações constatadas, vinculando tais parcelas a uma exigência ainda passível de discussão no âmbito administrativo e impedindo o sujeito passivo de dispor destes valores para redução das bases tributáveis que reconhece devidas. Da mesma forma, não é possível assim proceder, consumindo saldos de prejuízos e bases negativas em lançamento e caracterizando, como nova infração, a utilização futura destes saldos, em momento no qual o sujeito passivo desconhecia os questionamentos que a Administração Tributária poderia produzir em relação a sua apuração original. É certo, como diz o Professor Eurico Marcos Diniz de Santi no parecer fornecido à autuada, que a regra de compensação dos prejuízos fiscais integra o conjunto de regras denominado “regra de apuração”. Todavia, nos termos em que estabelecida na lei antes transcrita, esta compensação é um direito conferido ao sujeito passivo, que assim necessariamente integra a apuração por ele promovida, em observância ao art. 150 do CTN. A revisão deste procedimento pelo Fisco não impõe à autoridade lançadora o dever de integrar a vontade do sujeito passivo e promover compensação superior àquela por ele definida, eventualmente desconstituindo a livre decisão deste interessado de fazer uso daqueles saldos em outro período de apuração. Como direito do sujeito passivo, esta compensação pode ser invocada em seus recursos administrativos, e desde que provada a disponibilidade, naquele momento, de saldos de prejuízos fiscais e bases negativas passíveis de utilização. Desta forma, tal argumentação passa a ter contornos de mérito, e não se mostra suficiente para ensejar a declaração de nulidade do lançamento. Também não há falar em nulidade quando a autoridade lançadora deixa de considerar, na determinação do tributo a ser exigido, recolhimentos ou antecipações promovidos pelo sujeito passivo. Embora seja discutível a natureza da dedução das antecipações invocadas pela contribuinte, assim como o procedimento a ser adotado em face do sujeito passivo que já se valeu de eventual saldo negativo daí resultante para compensação de outros débitos, não é possível afirmar, como pretende a recorrente, que a desconsideração destes aspectos represente a ausência de elemento essencial ao lançamento tributário. Fl. 18433DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 38 37 A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, nos termos do art. 142 do CTN, estão presentes quando a autoridade lançadora identifica a infração e recompõe a base tributável, determinando o tributo devido e promovendo o lançamento da parcela superior àquela inicialmente calculada pelo sujeito passivo. As deduções de recolhimentos e antecipações, a partir deste ponto, representam a extinção do crédito tributário, e a existência de parcela que surte tal efeito em relação ao valor exigido reveste a natureza de fato extintivo do direito do Fisco, que deve ser alegado pelo sujeito passivo em seus recursos administrativos, desencadeando a discussão acerca de sua admissibilidade para redução do valor lançado. Ressaltese que, no presente caso, a autoridade lançadora observou a opção da contribuinte pela apuração anual do lucro real, e por conseqüência da base de cálculo da CSLL, reconstituindo esta apuração para determinar o efeito da infração constatada, consoante determina o art. 24 da Lei nº 9.249/95. Logo, não há erro de direito na apuração do crédito tributário, podendo existir, apenas, erro de fato, se provada a existência de antecipações ou recolhimento que deveriam ter reduzido os tributos devidos para fins de exigência. Quanto à alegada burla ao prazo decadencial para confirmação de elementos determinantes do crédito tributário, ou alteração do critério jurídico do lançamento mediante admissibilidade daquelas deduções, tratamse, também, de aspectos materiais a serem considerados no momento da apreciação da prova destas antecipações e recolhimentos pelo sujeito passivo, e não em âmbito preliminar de validade do lançamento. De fato, estando as antecipações e recolhimentos declarados, caberá ao julgador decidir se esta prova é suficiente ou se outros questionamentos podem ser feitos acerca dos fatos extintivos do crédito tributário alegados pelo autuado. Acrescentese que, uma vez instaurada a fase litigiosa do procedimento fiscal, cabe à autoridade julgadora analisar a procedência ou não do lançamento fiscal, mediante apreciação das alegações de defesa apresentadas pelos interessados, inclusive quanto à exatidão dos cálculos da exigência fiscal, cujo exame constitui matéria de mérito. A mudança do critério jurídico, nos termos do art. 146 do CTN, somente ocorreria quando a autoridade julgadora, ao analisar um lançamento completo e acabado, refaz sua materialidade e sua fundamentação. Eventual correção dos cálculos da exigência não acarreta qualquer alteração do critério jurídico, se mantida a motivação da glosa originalmente promovida e a forma de apuração (lucro real anual) adotada pela autoridade lançadora. Não fosse assim, e os julgamentos administrativos sempre resultariam em procedência ou improcedência do lançamento, e nunca em procedência parcial. Com referência à arguição de nulidade em razão da desconsideração de parcela isenta para cálculo do adicional de IRPJ, tratase de argumentação inclusive suprimida dos recursos administrativos apresentados no lançamento subseqüente formalizado nos autos do processo administrativo nº 15586.001638/201081, e isto possivelmente porque não possuía base material, na medida em que a referida parcela isenta já havia sido consumida pelo sujeito passivo em sua apuração original, como bem observou a autoridade julgadora de 1a instância. De fato, na medida em que a contribuinte havia declarado lucro real, no anocalendário 2004, no montante de R$ 116.570.380,05, a parcela de R$ 240.000,00 já havia sido deduzida para determinação do adicional declarado de R$ 11.633.038,01 (fl. 2022/verso). Fl. 18434DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 39 38 Passando à apreciação da nulidade do lançamento em razão da inobservância dos efeitos da postergação, tratase também de arguição suprimida nos recursos administrativos apresentados no lançamento subseqüente formalizado nos autos do processo administrativo nº 15586.001638/201081. E, embora sua ocorrência pudesse representar insuficiente apuração da matéria tributável, a ensejar a improcedência total da exigência, ou mesmo sua nulidade para alguns intérpretes, o fato é que a recorrente não logrou demonstrar qual a razão de a glosa de perdas com hedge no exterior aqui veiculada repercutir em períodos de apuração subseqüentes. Reportandose ao art. 25 da Lei nº 9.249/95, ao art. 21 da Medida Provisória nº 1.858/99, ao art. 7o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 633/2006 e ao art. 76, §§ 4o e 5o da Lei nº 8.981/95, a recorrente defendeu a inexistência de qualquer restrição à compensação de prejuízos ou perdas em operações realizadas no exterior com lucros lá auferidos. Em conseqüência, os valores aqui glosados porque não admitidos como resultantes de operações de cobertura (hedge) realizadas diretamente em bolsa de valores, poderiam ser utilizados para absorção de resultados líquidos positivos apurados em exercícios subseqüentes. Ocorre que o art. 25 da Lei nº 9.249/95, assim como o art. 21 da Medida Provisória nº 1.858/99 tratam da tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, de modo que a possibilidade de compensação de prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas naquele artigo com resultados auferidos no exterior, implícita no §5o do art. 25 da Lei nº 9.249/95 depende, necessariamente, da existência de prejuízos e perdas no exterior, aspecto não comprovado pela fiscalizada e motivador do lançamento. Assim, caso a pretensão da recorrente seja defender a possibilidade da compensação de perdas decorrentes de operações de hedge no exterior com ganhos decorrentes de operações desta mesma natureza, o fato em discussão, aqui, é a prova da existência daquelas perdas, e não simplesmente o momento de sua dedutibilidade. O disposto na Instrução Normativa SRF nº 633/2006 também não socorre a autuada em sua argumentação de postergação. O art. 7o, depois de reproduzir em seu inciso I a autorização de cômputo, no lucro tributável, de resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações de cobertura (hedge) no exterior, firma em seu inciso II que os prejuízos e perdas decorrentes das demais operações realizadas no exterior somente poderão ser deduzidos até o limite dos ganhos auferidos no exterior, não podendo ser compensados com lucros e ganhos auferidos no Brasil. Assim, também aqui a dedução de prejuízos com ganhos auferidos no exterior necessariamente depende da prova daqueles prejuízos, inexistindo qualquer irregularidade na tributação futura dos ganhos se esta prova inexistir. Por fim, o mencionado art. 76 da Lei nº 8.981/95 trata, em seus §§ 4o e 5o, da dedução de perdas em razão de aplicações financeiras de renda fixa ou variável, permitindo, em algumas hipóteses, que ela seja feita até o limite dos ganhos auferidos em operações semelhantes. Logo, tal dispositivo nenhum elemento novo traz para alterar as conclusões até aqui expressadas. Imprópria, assim, a afirmação da recorrente de que a presente autuação teria impedido a utlização de prejuízos e perdas apuradas em operações realizadas no exterior em determinado anocalendário para a absorção de resultados líquidos positivos apurados em exercícios posteriores. O motivo da glosa da parcela de R$ 885.797.100,45 é a ausência de comprovação de que este valor decorra de operações de hedge realizadas no exterior, inexistindo qualquer acusação no sentido de que resultado negativo não poderia ter sido deduzido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2004, mas apenas e Fl. 18435DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 40 39 tão somente utilizado na absorção de resultado positivo apurado no anocalendário subseqüente (2005). Por fim, quanto à nulidade do lançamento relativamente à glosa de juros, comissões e variações cambiais, os argumentos da recorrente também se vinculam ao mérito da exigência, pois discorda da “acessoriedade” firmada pela Fiscalização, e entende que a glosa somente teria lugar se não observado o art. 299 do RIR/99. A autoridade lançadora expressou os motivos para a glosa realizada, e se eles são, eventualmente, insuficientes ou inadequados para a manutenção da exigência, isto resultará na improcedência do lançamento, e não na declaração de sua nulidade. O mesmo se diga acerca da eventual adição de variações cambiais em razão da opção pelo regime de caixa para sua dedutibilidade. Por tais razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR as argüições de nulidade do lançamento. Adentrando ao mérito, vêse que a discussão, nestes autos, prendese à qualidade da prova que deve ser produzida pelo sujeito passivo para fins de dedução de perdas na forma do caput do art. 396 do RIR/99: Art. 396. Serão computados na determinação do lucro real os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em bolsas no exterior (Lei nº 9.430, de 1996, art. 17). § 1º O disposto neste artigo aplicase, também, às operações de cobertura de riscos realizadas em outros mercados de futuros, no exterior, além de bolsas, desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional e que sejam observadas as normas e condições por ele estabelecidas (Lei nº 8.383, de 1991, art. 63). § 2º No caso de operações que não se caracterizem como de cobertura, para efeito de apuração do lucro real, os lucros obtidos serão computados e os prejuízos não serão dedutíveis. A partir do exame dos documentos e dos esclarecimentos apresentados pela contribuinte em razão do termo inicial de fiscalização, a autoridade lançadora reconheceu que os relatórios apresentam cálculos corretos dos valores das margens dos contratos futuros das operações de Hedge alegadas pelo contribuinte, mas ressalvou que os referidos documentos não comprovam a efetiva aplicação dos recursos remetidos ao exterior para cobertura das margens dos contratos futuros de commodities, ou seja, não demonstram a transferência dos recursos da ADM em nome da ADM do Brasil para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. Em conseqüência, por meio das intimações lavradas de 05/07/2009 a 25/08/2009, a Fiscalização buscou prova de que a contribuinte havia, de fato, realizado operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, mediante demonstração do fluxo financeiro necessário para tanto em favor daquela entidade. Questionou, dentre outros aspectos, a existência de contrato de adiantamento financeiro para pagamento das margens de garantia, ante a alegação de que ADM Company, sediada nos EUA, promovera tais pagamentos. Ao final, os esclarecimentos prestados pela contribuinte não foram suficientes para o convencimento do fiscal autuante que, em razão: 1) da possibilidade aventada pelo Banco Central do Brasil de que as operações da autuada poderiam configurar, em tese, indícios de cometimento de crime tipificado na Lei 9.613/98; 2) do volume de remessas em favor de Fl. 18436DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 41 40 outras empresas do grupo (ADM Company e ADM Investor Services), 3) da inexistência de contratos entre as empresas, e 4) do registro das operações apenas em conta corrente contábil, concluiu que não havia prova da efetiva aplicação dos recursos transferidos ao exterior pela ADM do Brasil na operação de Hedge alegada pelo contribuinte, isto é, nenhum deles apresenta a transferência de recursos da ADM Investor Services, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Mercadorias & Futuros de Chicago. A contribuinte apresentara relatório dos pagamentos efetuados pela ADM Investor Services para a Bolsa de Chicago e seus respectivos comprovantes de transferência de recursos, mas o fiscal autuante não conseguiu determinar a que empresas se refeririam estas transferências. Ainda, a partir do volume de operações da ADM Investor Services e dos depósitos de margens que teriam sido feitos pela ADM Company e pela ADM Brasil, a autoridade lançadora também vislumbrou indícios de que boa parte dos valores remetidos ao exterior pela ADM Brasil não teriam sido aplicados para cobertura de margens de garantia de hedge. Diante deste contexto, releva inicialmente refutar a afirmação da recorrente de que a Fiscalização pautou suas requisições em providências impossíveis, de modo a justificar o lançamento na inexistência de comprovantes de pagamento, em nome da ADM do Brasil, para a Bolsa de Chicago. A Fiscalização permitiu à contribuinte demonstrar o fluxo financeiro de recursos em favor da Bolsa de Chicago, de modo a evidenciar que, mesmo com a atuação de intermediários, havia pagamentos à Bolsa de Chicago correspondentes às perdas contabilizadas. Todavia, os elementos apresentados revelaram discrepâncias significativas, que somadas a outros indícios, justificaram a glosa promovida. Logo, a prova necessária para desconstituição da exigência consiste na demonstração segura de que as perdas contabilizadas decorrem de operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, o que se faz, na ausência de documento emitido por parte daquela entidade, mediante a demonstração do fluxo financeiro correspondente em seu favor. Feita esta ressalva, passase à apreciação dos demais argumentos da recorrente. Nos termos do art. 396 do RIR/99, o lucro real somente pode ser afetado por perdas decorrentes de operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura se a empresa brasileira promover estas operações diretamente em bolsas no exterior. A recorrente se empenha em demonstrar que as operações de hedge foram realizadas na Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago, mediante um complexo fluxo de operações que envolvia também outra empresa do grupo (ADM Trading), em razão das restrições da legislação estrangeira aplicável à ADM Investor Services e às que com ela operam, ao final liquidando financeiramente as operações de hedge com a intervenção da holding do grupo, ADM Company. Primeiramente cumpre definir se o art. 396 do RIR/99, ao exigir que a empresa brasileira realize as operações de hedge diretamente em bolsas no exterior, pretende firmar a indedutibilidade das perdas em operações nas quais atuam intermediários, como os aqui apontados pela contribuinte: ADM Trading, ADM Investor Services ou Financeira e ADM Company. Em caso positivo, a glosa das perdas deveria ser mantida, pois a própria autuada reconhece que não realizou, e nem poderia realizar, tais operações diretamente na Bolsa de Chicago. Todavia, esta não parece ser a melhor interpretação da norma. Ao exigir a realização das operações diretamente em bolsas no exterior, a lei fixa que a cobertura seja dada Fl. 18437DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 42 41 por uma bolsa no exterior, com a efetividade e a transparência que estas instituições conferem às operações nelas realizadas, em razão da regulação a que se sujeitam. A necessidade, usualidade e normalidade de despesas desta espécie seriam demonstradas pela prática mais segura e impessoal de garantia contra oscilações de preços: a cobertura mediante a realização da operação inversa à contratada pela empresa com seus clientes ou fornecedores, em Bolsa de Mercadorias e Futuros. Assim, compartilhase aqui da interpretação exteriorizada no parecer concedido à recorrente pelo Professor Marco Aurélio Greco, nos seguintes termos: Da perspectiva brasileira, a razão fundamental dessa previsão é a mesma que embasa a quase totalidade das regras que disciplinam o funcionamento das bolsas em geral: pretendese impedir a manipulação de resultados. No caso tributário, buscase bloquear a geração de prejuízos fictícios redutores da base de cálculo de imposto sobre a renda e da contribuição social sobre o lucro. O motivo do preceito é o de assegurar que o eventual resultado negativo seja fruto da assunção efetiva do risco inerente às operações no mercado de bolsa, pois, nesse ambiente, o resultado se apresenta confiável em função da minuciosa e rigorosa regulação a que as operações estão sujeitas. Ou seja, a lei assegura ser dedutível o prejuízo que resultar de operação cercada de confiabilidade e submetida à regulação rigorosa, inerentes ao funcionamento da bolsa e não o prejuízo fruto de mera negociação entre particulares fora desse manto de controle. A contratação destas operações de cobertura em Bolsa, por sua vez, devem ser realizadas segundo as normas da instituição, de modo que, se para tanto for necessária a intervenção de um corretor, a operação ainda assim será realizada diretamente em Bolsa, porque feita por um terceiro em nome ou por ordem do interessado. A recorrente demonstra que a Bolsa de Chicago somente admite operações por membros credenciados, mas estabelece controles da origem das demandas feitas a estes operadores, de modo a assegurar a estabilidade do mercado. Extraise do parecer concedido pelo Professor Steven Scott Thel – apresentado em língua estrangeira e vertido em língua portuguesa por tradutor juramentado –, os seguintes esclarecimentos: Nos Estados Unidos, os mercados de futuros de commodity são negociados nos mercados de câmbio organizados como a CBOT [Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago] que devem registrarse na CFTC federal [Comissão de Negociação de Mercadorias Futuras, órgão fiscalizador federal dos Estados Unidos] como mercados de contrato designados. Comerciantes que efetuam operações para clientes nos mercados geralmente devem registrarse como operadores da bolsa. A negociação de mercados e futuros de commodity é intensamente regulada sob um estatuto federal dos Estados Unidos, a Commodity Exchance Act [Lei sobre o Mercado de Commodities]. Conforme a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou em uma de suas decisões mais importantes no campo, “a Commodity Exchance Act foi adequadamente caracterizada como ‘uma estrutura reguladora inclusive para supervisionar os mercados de futuros voláteis e complexos de negócios futuros privados’”1[1 Merrill Lynch, Pierce, Fenner & Smith v. Curran, 456 EUA 353, 35556 (1982) (citação omitida, citação H.R. Rep. Nº 93.975, at 1 (1974))]. As bolsas de futuros de commodities são intensamente reguladas e são exigidas a supervisionar seus mercados, executar suas próprias regras e prevenir a manipulação. Semelhantemente, Fl. 18438DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 43 42 a Commodity Excchange Act e regulamentos de implementação exigem que os negociantes de comissão de mercados futuros, como a ADM IS [ADM Investor Services], registremse na CFTC pela Associação Nacional de Mercados de Futuros. Os corretores comissionados de mercados futuros devem realizar e manter registros extensos com respeito às suas próprias transações e posições bem como as de seus clientes. Eles devem produzir relatórios periódicos de situação financeira. Eles são responsáveis por informar todas as posições relatáveis de seus clientes. Eles devem segregar os fundos e propriedade do cliente, e seus controles de fundos e propriedade de cliente são intensamente regulados. Eles estão sujeitos a vários regulamentos que visam proteger os clientes e os mercados, incluindo regras que lhes exigem dar prioridade a pedidos de cliente. A ADM [ArcherDanielsMidland Compant] e a ADM Trading também estão sujeitas a regulamentação das bolsas e da CFTC. A ADM, como a ADM IS, é membro da CBOT e outras bolsas, e está adequadamente sujeita a extensa regulamentação. Conforme indicado acima, as regulamentações de mercado governam todos os aspectos das atividades do mercado de seus membros. A ADM Trading é membro de bolsa para propósitos de execução das regras da CBOT como afiliada de membros ADM e ADM IS e pode ser disciplinada diretamente pela bolsa.2 Na nota de rodapé nº 2, acima indicada, o Professor Steven Scott Thel remete a consulta à CBOT Regra 400 e complementa: O Conselho adotou Regras, e periodicamente adota emendas e complementos a tais Regras, para promover um mercado livre e aberto na Bolsa, manter a administração apropriada dos negócios e fornecer proteção para o público em seus procedimentos com a Bolsa e seus Membros. O Conselho criou comitês para os quais delegou responsabilidade pela investigação, audiência e imposição de multas para violações de Regulamentos de Mercado. O Conselho também delegou responsabilidade para a investigação e imposição de multas para violações de Regulamentos de Mercado para a Equipe de Bolsa conforme estabelecido nos Regulamentos. A delegação de tal responsabilidade e autoridade de nenhuma maneira limitará a autoridade do Conselho com respeito a todas as violações de Regulamento. Para propósitos do Capítulo 4, o termo “Membro” significará: 1) membros e membros de compensação da Bolsa; incluindo membros aposentados com privilégios de acesso ao pregão e indivíduos e entidades descritas na Regra 106; 2) pessoas associadas (“PAs”) e afiliadas de membros de compensação e empresas membros da Bolsa; 3) corretores de introdução garantidos de membros de compensação e empresas membros de Bolsa e seus PÁS; 4) titulares de licença de mercado/negociação e qualquer pessoa ou entidade que recebeu privilégios de negociação cruzados; 5) funcionários, representantes autorizados, contratados, e agentes de quaisquer das pessoas ou entidades anteriores, com respeito a atividades relacionadas à Bolsa de tais indivíduos; 6) empresas regulares; 7) indivíduos e entidades que concordaram via assinatura escrita ou eletrônica em obedecer aos Regulamentos da Bolsa; 8) membros de CME e outros indivíduos com acesso aos pregões combinados CBOT e CME. Considerase que os membros sabem, consentem e estão ligados por todos os Regulamentos de Mercado. Os exmembros estarão sujeitos à jurisdição contínua da Bolsa, incluindo, entre outros, a aplicação da Regra 432.L., com respeito a qualquer conduta que aconteceu enquanto membro. Prosseguindo, complementa o Professor Steven Scott Thel: Além do regulamento como membros de mercado, o grupo de empresas ADM está sujeito a extensivos requisitos de manutenção de registros e relatório sob as regras da CFTC como participantes significativos no mercado. Pessoas que controlam certo nível de posições de mercados de futuros (uma posição relatável) em uma bolsa devem Fl. 18439DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 44 43 manter livros e registros apropriados demonstrando todos os detalhes relativos às posições e transações de commodity nas bolsas. Os titulares de posições relatáveis também devem manter registros demonstrando todos os detalhes de suas participações em mercados externos e também com relação a “todas as posições e transações no mercado à vista, seus produtos e subprodutos e todas as atividades comerciais que o comerciante faz uso do hedge”3[3 Consulte 17C.F.R. §18.05]. Todos esses registros devem ser disponibilizados à CFTC mediante seu pedido. Além de informar mensalmente as posições de mercado à vista, a ADM deve informar a CFTC sobre os tipos de mercados futuros em que negocia, os tipos de negócios envolvidos e as identidades de suas afiliadas que são ativas nos mercados de futuros. Além disso, diariamente a ADM IS apresenta à CFTC relatórios de grande comerciante e as negociações que mostram todas as posições nas contas operacionais da ADM sobre liminares especificados que são realizados na ADM IS. A ADM também é registrada na Chicago Mercantile Exchange (doravante denominada “CME”) para uma isenção de limites de posição de hedge. Para assegurar e manter aquela isenção, a ADM deve demonstrar que suas posições e atividade são apropriadas às suas necessidades de administração de risco, devem cumprir regulamentações de mercado e iniciar e liquidar posições de uma maneira ordeira. O nível de escrutínio aumenta significativamente quando um mês de opção particular muda para o período de entrega, e a CFTC e a bolsa insistem que a expiração de contrato esteja em ordem, e que a realização ou recebimento da entrega estejam de acordo com as economias de mercado sólidas. Estas informações estão alinhadas àquelas prestadas pela contribuinte durante o procedimento fiscal, em especial no documento de fls. 866/868, embora ali não se destaque a possibilidade de os órgãos federais norteamericanos fiscalizarem e exigirem declarações da ADM Company. De toda sorte, o fato é que para operar junto à Bolsa de Chicago, a ADM Investor Services se registrou na Comissão de Negociação de Mercadorias Futuras – CFTC, órgão fiscalizador federal dos Estados Unidos, submetendose a controle de suas transações e de seus clientes mediante relatórios periódicos. Seus clientes, especialmente o grupo do qual faz parte a autuada, controlador de um volume significativo de posições de mercados de futuro, também se sujeitam a fiscalização e controle dos órgãos federais e da Bolsa, devendo manter registros específicos e prestar informações àquelas entidades. De outro lado, embora tais entidades possam exigir das empresas do grupo ADM as informações que se fizerem necessárias para assegurar a regularidade de suas operações, declaração do Presidente da CME Group, vertida em língua portuguesa por tradutor juramentado, e apresentada à Fiscalização (fl. 1010), nega a existência do fluxo inverso de informações, qual seja, a demonstração, pela Bolsa de Chicago, das operações realizadas pelo grupo ADM: Com base em sua solicitação, confirmamos que a ADM Investor Services, Inc. (ADMIS) é um membro da compensação da Camara de Compensação da Chicago Mercantile Exchange (CME) e tem sido um membro da compensação de boa reputação desde 1968 até o ano atual. Esclarecemos também que a CME não oferece extratos ou quaisquer outros documentos informativos diretamente aos titulares das contas de ADMIS em relação a quaisquer transações registradas por esses titulares. Esses extratos são de responsabilidade da ADMIS conforme seu papel como um membro da compensação da CME. Fl. 18440DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 45 44 Acrescentamos ainda que a CME não recebe nem realiza pagamentos diretamente de/para os titular das contas para transações registradas pelo ADMIS em seus nomes ou para suas contas. Em tais circunstâncias, a validade dos fatos narrados somente poderia ser questionada mediante demonstração de vícios, não sendo possível presumir a máfé da contribuinte em simular prova em seu favor. Assim, o fato de inexistir documento que comprove a transferência de recursos em nome da autuada, para Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago, não pode representar obstáculo à dedução pretendida. É admissível a prova mediante demonstração da contratação das operações de cobertura com membro credenciado da Bolsa de Chicago. É importante acrescentar, neste ponto, que em memoriais complementares apresentados pela recorrente após a exposição do presente voto na reunião de julgamento de março/2013, a recorrente anota que parece contraditório que a Conselheira Relatora, num primeiro momento, manifeste a concordância com os procedimentos adotados pela Recorrente para a realização das operações na Bolsa de Chicago, e, num segundo momento faça as exigências que serão a seguir expostas. Assim, releva frisar que a argumentação até aqui exposta enseja a conclusão, apenas, de que: 1) as operações são consideradas como realizadas diretamente em Bolsa, ainda que feitas por um terceiro em nome ou por ordem do interessado, e 2) a inexistência de documento que comprove a transferência de recursos em nome da autuada, para Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago, não pode representar obstáculo à dedução pretendida. Ou seja, somente estão afastados os óbices formais que poderiam dispensar a comprovação das operações realizadas, e ensejar a manutenção da exigência. Prosseguese, assim, na abordagem da prova necessária para a dedutibilidade dos valores aqui glosados. Neste sentido, a fiscalizada, em atendimento ao termo de início de fiscalização, apresentou instruções de pagamento da/para a Archer Daniels Midland Company ou da/para a ADM Investor Services, baseadas em extratos das operações de hedge. Contudo, o exame dos elementos apresentados pela contribuinte conduz à mesma conclusão da autoridade lançadora: não é possível assegurar que os recursos remetidos ao exterior destinaramse efetivamente à cobertura das margens dos contratos futuros de hedge. De fato, as remessas ao exterior (contratos de câmbio às fls. 18/89 e swifts às fls. 831/856) são decompostas nos demonstrativos de fls. 812/822, que apontam a origem dos ganhos/perdas liquidados nas datas das remessas. Estes ganhos/perdas, por sua vez, são detalhados por contas representativas de diferentes produtos (fls. 99/678) e resultam em um valor líquido de ganho ou perda por conta (fls. 91/97), registrado contabilmente sob histórico CLOSED ou FUTUROS CLOSED na conta contábil ADM DECATUR EXEC FUTUROS (conta nº 128116501), representativa das obrigações da contribuinte com sua controladora ADM Company (fls. 679/708). A soma mensal destes ganhos/perdas, embora com algumas variações, aparentam ser aquelas posteriormente remetidas ao exterior. A título de exemplo, é possível traçar o percurso do que seria a perda com o produto soja controlado na conta 6370, relativamente ao mês de janeiro/2004. O relatório de fls. 99/126 detalha as operações que resultariam em perda de US$ 6.407.150,00, equivalente a R$ 18.642.787,44, contabilizado na conta ADM DECATUR EXEC FUTUROS (nº 128116501) à fl. 680, e integrado ao demonstrativo de fl. 91 para apuração da perda líquida total, em janeiro/2004, de R$ 37.478.526,70 (US$ 12.743.897,00). Esta perda líquida de janeiro/2004 está apresentada no demonstrativo de fl. 814, por seu valor original e atualizado de R$ Fl. 18441DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 46 45 40.077.007,29, como integrante da remessa de R$ 304.313.183,09, promovida em 28/05/2004. Tal remessa, equivalente a US$ 96.767.103,50 está apontada no contrato de câmbio às fls. 30/33 e no swift de fls. 845/846. Como se vê, a conexão das remessas ao exterior com a perda originalmente apurada é feita mediante demonstrativos que consolidam diversas operações, a exigir a verificação de todas estas para se confirmar a conexão alegada. Demais disso, a apuração da perda é feita por meio do relatório de operações sujeitas a variação de preço, a exigir, também, a confirmação de todas estas operações para admissibilidade da perda alegada, e de que corresponderia a operação de cobertura, e não operação exposta. Por fim, nenhum destes elementos evidenciam que a operação de cobertura foi realizada em bolsa, e apenas indicam que a ADM Company poderia ter sido ressarcida pelas operações de cobertura que ensejariam tais perdas. Os demais documentos apresentados em conjunto com os acima referidos (posição dos contratos de originação de grãos às fls. 709/713 e posição de contratos de processamento às fls. 714/811) não auxiliam na sua compreensão, na medida em que, além de redigidos em língua estrangeira, apenas refletem consolidações de quantidades possivelmente negociadas, ao passo que os demais relatórios dão ênfase às variações de preço, em especial os demonstrativos de fls. 98/678, sem trazer totalização das quantidades que estariam associadas a estas variações. No mais, a contribuinte não logrou apresentar qualquer outro documento, durante o procedimento fiscal, que pudesse afastar estas dúvidas. Em resposta às demais intimações da Fiscalização, sempre no sentido de que fosse comprovado o pagamento das alegadas perdas em operações de hedge junto à Bolsa de Chicago, a contribuinte concentrouse em demonstrar a forma de operação da referida Bolsa. Assim procedeu, inclusive, na resposta à intimação de 25/08/2009, quando buscou exemplificar as operações da ADM Investor Services, na medida em que não distinguiu operações próprias, mas sim transações globais daquela empresa que incluem contas da ADM Brasil. Também globais foram as informações juntadas às fls. 1025/1483, que se reportam a Pagamentos efetuados pela ADM Investor Services, Inc. para Bolsa de Chicago (Chicago Mercantile Exchange) relativos às operações do Grupo ADM no ano de 2004, mas somente demonstram o que possivelmente seriam as transferências bancárias em favor da Bolsa de Chicago, sem qualquer esclarecimento acerca da composição dos pagamentos. Ainda, ao apresentar planilhas suporte (doc. 5) para o cálculo dos juros e da variação cambial da conta contábil 128116501 (fls. 857/861), a contribuinte informou valores devidos em razão de operações de futuros fechadas nos meses de 2004 incompatíveis com a transcrição dos extratos CBOT (hedge) de fls. 91/97, que dariam suporte às perdas contabilizadas, como antes demonstrado. Em janeiro/2004, por exemplo, o que parece ser a dívida da empresa brasileira em razão das operações do mês, tem seu valor acrescido por possíveis perdas no valor, aparentemente em dólares americanos, de 6.336.747,00, ao passo que a perda líquida contabilizada naquele mês foi de R$ 37.478.526,69, equivalente a US$ 12.743.897,00 (ao dólar de R$ 2,9409, informado naquele mesmo demonstrativo), conforme fl. 91. Recordese que, como também demonstrado, a perda líquida de R$ 37.478.526,69 integra o valor remetido ao exterior em 28/05/2004. Ressaltese, ainda, que não se trata de exigir a realização de remessas internacionais diárias para a cobertura das margens à ADM Financeira, mas sim que as Fl. 18442DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 47 46 remessas se refiram a pagamentos que a ADM Company efetivamente teria de realizar em nome da ADM Brasil, em favor da ADM Investor Services, por conta da cobertura de margens em operações de hedge contratadas junto à Bolsa de Chicago. Irrelevante, desta forma, se o confronto dos resultados auferidos pela Recorrente com as suas operações de hedge permite verificar que estes oscilam exatamente conforme as variações dos preços das mercadorias "hedgeadas" na Bolsa de Chicago, como diz a recorrente, reportandose a reconhecimento expresso neste sentido pela Fiscalização. É indispensável a comprovação documental de que a operação de hedge foi efetivamente realizada em Bolsa, como também exigiu a Fiscalização, sem a qual subsiste a dúvida de qual mecanismo foi utilizado pela empresa, voluntariamente ou por restrição de legislação estrangeira, para evitar prejuízos com a variação do preço das commodities com as quais opera. Somente com a apresentação das petições após o recurso voluntário a contribuinte agregou elementos que se prestaram a demonstrar, efetivamente, o fluxo operacional e financeiro das atividades questionadas pela Fiscalização. Antes, porém, cabe observar que apenas na impugnação a contribuinte passou a mencionar a atuação da ADM Trading em seu fluxo operacional, assim esclarecendo: · De forma geral, as subsidiárias do Grupo ADM no mundo fecham negócios de compra com entrega física futura de soja com os produtores rurais ou exportadores ao redor do mundo, bem como contratos de venda dessa natureza com seus clientes locais ou internacionais. A fim de reduzir os riscos das flutuações dos preços de mercado recorrem, necessariamente, às operações de hedge. Dessa forma, submetem as ordens (compras e vendas de mercadorias em mercado futuro) de hedge, concomitantemente à realização de suas operações comerciais de compra e exportação de soja, em sistema de computador, o qual é administrado pela ADM Trading Company ("ADM Trading"), subsidiária da ADM CO. ("Ordem"). Na colocação da Ordem, são informados o número da conta de controle da subsidiária, o tipo e quantidade de mercadoria a ser coberta pelo hedge, o tipo de operação (compra ou venda) e a data de opção da mercadoria na Bolsa de Chicago. · Cada Ordem configura um contrato, o que implica a obrigação de compra/venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos na Ordem, na data de entrega ali prevista, avaliada conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago; e · As Ordens são inseridas no sistema administrado pela ADM Trading, o qual as consolida e as submete para a ADM Financeira, entidade financeira do Grupo ADM, a qual executa tais Ordens junto à Bolsa de Chicago. Até então, a contribuinte limitarase a dizer que a ADM Investor Services (Financeira) concentrava as operações de cobertura para o Grupo ADM, e que a liquidação financeira destas operações era centralizada pela ADM Company (vide fluxogravam à fl. 1605). Havia referências à ADM Trading nas remessas feitas pela autuada, bem como esta denominação figurava no cabeçalho de alguns relatórios, mas nada constou nos autos acerca de sua atuação como mediadora das necessidades do Grupo ADM antes da contratação das operações de cobertura pela ADM Investor Services. Aliás, a respeito do fato de a ADM Company nem sempre figurar nos contratos de câmbio relativos às remessas questionadas pela Fiscalização, disse a recorrente, em suas defesas, que a contacorrente indicada nos contratos Fl. 18443DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 48 47 de câmbio é sempre da ADM Company, o que desmerece até mesmo as referências à ADM Trading naqueles documentos. Diz a recorrente que a atuação da ADM Trading decorre da necessidade de melhor cumprir as regras do Grupo CME, controlador da Bolsa de Chicago e do órgão regulador norteamericano (i.e., the Commodity Futures Trading Commission ("CFTC"), aplicáveis a empresas do porte do Grupo ADM, que operam volume imenso de transações e possuem inúmeras subsidiárias que precisam, ao mesmo tempo, ter acesso a Bolsa de Chicago. Reportase a carta preparada pelos Srs. Scott E. Early e Kathryn M. Trkla, exdiretor jurídico e exvicepresidente da Bolsa de Chicago, respectivamente (doc. 03), mas referido documento está redigido em língua estrangeira e desacompanhado de tradução juramentada, ou mesmo livre (fls. 2858/2860). De toda sorte, a matéria é também tratada no parecer do Professor Steven Scott Thel, aqui já mencionado, do qual extraise: Um propósito primário do regulamento de mercado de negociação de futuros nos Estados Unidos, talvez o propósito primário, é prevenir a manipulação pelos participantes do mercado. Para esta finalidade, as leis proíbem várias práticas de negociação. Uma destas é a transação fictícia. A Commodity Exchange Act torna ilícito “para qualquer pessoa participar de uma transação que... for, do caráter de, ou geralmente for conhecida do comércio como uma ‘transação fictícia.’”4[4 Consulte a Commodity Exchange Act § 4c(a)(2), 7 U.S.C. §6 c(a)(2) (...)]. A Lei de Mercados de Capitais e Commodities dos Estados Unidos há muito tempo proibiu transações fictícias, em que uma pessoa ou grupo efetua pedidos para comprar e vender substancialmente a mesma quantidade de um valor mobiliário ou commodity em substancialmente o mesmo tempo e preço.5 [5 Consulte também a Lei de Mercado de Capitais §9(a)(1), 15 U.S.C §78i(a)(1)]. As transações fictícias são proibidas por várias razões. Na medida em que o comerciante não assumir risco econômico – desde que as negociações sejam compensadas – as transações fictícias são consideradas inerentemente enganosas e os preços nos quais acontecem são considerados falsos. Transações fictícias também criam uma impressão enganosa de volume de negócio que pode, por sua vez, mudar preços de mercado. A hostilidade reguladora para transações fictícias foi resumida durante os debates sobre a promultação da Commodity Exchange Act: “Todos que estiverem familiarizados com os mercados sabem exatamente co que é uma ‘transação fictícia’. É uma pura, não adulterada fraude.”6 [6 80 Cong. Rec. 7905 06 (26 de maio de 1936) declaração do Senador Smith]. A Commodity Exchange Act não define o termo “transação fictícia”. Falando em termos gerais, uma transação fictícia é a execução de uma compra e venda que se compensam. Um tratado principal explica: “O termo transação fictícia não está definido na [Commodity Exchange] Act ou nos Regulamentos... mas geralmente tem sido interpretado como a compra e venda do mesmo contrato de futuros de commodity para o mesmo contratante sob o qual ambos os lados da negociação ‘se desgastam’ e, em efeito prático, o contratante não ganha propriedade de qualquer novo contrato.”7 [7 2Phillip McBride Johnson & Tomas Lee Hazen, Regulamento de Derivativas §3.10 [8] em 775 (2004); consulte também Charles R.P. Pouncy, The Scienter Requirement and Wash Trading in Commodity Futures, the Knowledge Lost in Knowing, 16 Cardozo L. Rev. 1625, 1625 (1995) (“negociação fictícia, que é proibida pela seção 4c da Commodity Exchange Act. ... consiste na compra e venda simultânea do mesmo número de contratos de futuros no mesmo preço ou preço semelhante.”). Como caso criminal freqüentemente citado explica, “As decisões administrativas fornecem uma definição consistente para o termo ‘transação fictícia’ [As acusações na denúncia] indicam que os mesmos indivíduos compraram e venderam os mesmos contratos de Fl. 18444DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 49 48 futuros nas mesmas quantidades pelo mesmo preço. Isso é tradicionalmente o tipo de conduta associado ao termo ‘transação fictícia.’”8 [8 Estados Unidos v. Siegel, 472 F. Supp. 440, 443 (N.D. III. 1979), consulte também Wilson v. CFTC, 322 F.3d 555, 559 (8o Cir. 2003) (...)] Um comerciante que efetua compensação de compra e venda de um determinado contrato futuro de commodity pode argumentar que suas negociações não constituem uma transação fictícia porque ele não negociou com intenção inadequada. Enquanto os tribunais e administradores considerarem que aquela intenção inadequada é um elemento de delito, não fica claro qual a intenção é requerida. A confusão sobre o requisito intenção pode surgir porque em ações contra corretores agindo para clientes, não fica sempre claro quanto os corretores sabiam dos planos de seus clientes.9 [9 Consulte, por exemplo, Wilson v. CFTC, 322 F.d 555 (8o Cir. 2003)]. Em casos contra um cliente, a CFTC sustentou que a questão é se o cliente, quando negociou, planejou as negociações correspondentes para eliminar o risco de preço. 10 [10 In re San Diego Gas x Elec. Co., [Atual] Comm. Fut. L. Rep. (CCH) 31.549, 2010 WL 1638992 (CFTC 22 de abril de 2010)]. Sob esse padrão, negociações simétricas podem ser suficientes apenas para estabelecer ilegalidade.11 [11 Consulte Elliott v. CFTC, 202 F.3d 926 (7o Cir. 2000) ...]. Em todo caso, fica claro que as transações fictícias são ilícitas mesmo se não forem realizadas com intenção de manipulação e mesmo se forem para propósitos legítimos.12 [12 Consulte In re San Diego Gas x Elec. Co., [Atual] Comm. Fut. L. Rep. (CCH) 31.549, 2010 WL 1638992 (CFTC 22 de abril de 2010); consulte também In re Elliott , [1997199 Pasta de Transferência] Comm. Fut. L. Rep. 27.243 (CFTC 3 de fevereiro de 1998) ...] Daí a conclusão do referido parecerista, no sentido de que, se a ADM e suas subsidiárias efetuassem todas as suas compras e vendas de futuros de commodity diretamente com bolsas de mercadorias (em vez de primeiro consolidar internamente as negociações) elas enfrentariam um risco significativo de violar a proibição de transações fictícias, de modo que restalhe claro que o mecanismo que a ADM e suas afiliadas utilizam para consolidar suas negociações foi projetado exatamente para evitar esta possibilidade. Acrescenta que, mesmo se a ADM e suas afiliadas estivessem dispostas a arriscar a violação da proibição de transação fictícia, arriscariam violar os limites de posição se inserissem todas as suas operações diretamente na bolsa. Como já antes dito, o Grupo ADM deteria a referida isenção de limites mas, no entender do Professor Steven Scott Thell, como esta isenção é concedida pela CFTC com base na boafé, se o grupo elevasse exponencialmente suas posições, levantaria a questão se essas posições seriam consideradas de boa fé com a finalidade de determinar limites de posição, e exceder os limites de especulação é uma violação séria. Citando caso semelhante já apreciado pelos Tribunais, o parecerista conclui que o caso demonstra que a ADM e suas afiliadas não podem evitar as proscrições da Commodity Exchange Act discutindo que são entidades separadas. Inferese, de todo o exposto, que operações de cobertura exigidas em razão de contratações da ADM no Brasil não poderiam ser promovidas na Bolsa de Chicago caso outra empresa do Grupo ADM necessitasse de cobertura para contratação oposta por ela realizada em outro país. Assim, a empresa brasileira definiria sua exposição e ordenaria a contratação da operação de cobertura, apurando os posteriores ganhos ou perdas em razão desta solicitação. Mas a ADM Trading, atuando como o que se denominou hedge center, faria o cruzamento destas contratações antes de definir quais coberturas poderiam ser promovidas junto à Bolsa de Chicago, possivelmente deixando de realizar aquelas compensadas com exposições opostas, apresentadas por outra empresa do Grupo. Fl. 18445DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 50 49 Surge, assim, um segundo aspecto a ser apreciado acerca do alcance do art. 396 do RIR/99: a dedutibilidade de perdas em razão de operações de hedge que seriam necessárias, mas não são contratadas em Bolsa, em razão de impedimentos legais. O tema foi submetido à apreciação do Professor Marco Aurélio Greco, cujo parecer destinouse a responder, dentre outras, às seguintes questões: 1) Em sua opinião, a utilização do hedge center pelo Grupo ADM, a fim de evitar a prática de wash sales, conforme determinado pela legislação norte americana, deve ser observada na aplicação da norma contida no artigo 17 da Lei nº 9.430/96? 2) Poderia o aplicador da norma contida no aludido artigo 17, condicionar a dedutibilidade de um custo/despesa à prática, pela ADM do Brasil, de ato tido por ilícito pela legislação norteamericana (wash sales)? 3) Em sua opinião, utilização de um hedge center pela ADM do Brasil, visando a evitar a prática de wash sales, violaria a regra do artigo 17 da Lei nº 9.430/96? Nesse sentido, podese afirmar que a utilização de hedge center está abrangida pela expressa “bolsa no exterior” utilizada pelo legislador no aludido dispositivo legal? 4) Nesse cenário, é correto afirmar que as operações efetuadas pela ADM do Brasil foram diretamente em bolsa no exterior? O Professor Marco Aurélio Greco inicialmente aborda, em seu parecer, o problema representado pelo fato de, uma pessoa, numa mesma operação, comparecer em Bolsa como comprador e vendedor, assim observando: Neste caso, desde reunidos outros elementos, pode configurarse aquilo que, no jargão do mercado, é conhecido como operação “Zé com Zé”, pois a mesma pessoa estará nas duas pontas da operação e isto pode ser o instrumento para o cometimento de uma infração, por interferir na formação de preços, volumes, demanda, etc. Nas palavras de ILENE PATRÍCIA DE NORONHA, dentre os principais tipos de irregularidades que podem vir a ser cometidos no mercado bursátil brasileiro, incluem se as “operações conhecidas pela denominação Zé com Zé” da qual essa Autora dá um exemplo: “Para induzir os participantes do mercado à compra, a empresa "B" começa a COMPRAR E VENDER, em Bolsa, PARA SI MESMA, as ações de emissão da companhia "A", operações essas conhecidas como "Zé com Zé", de forma a dar a falsa aparência de que o papel era bastante negociado e que tinha preço atrativo. Portanto, criação de condições de demanda, oferta e preço, porque tudo era falso.”14 [14 No seu texto, “Poder de polícia da CVM”, disponível em http://www.cjf.jus.br/revista/seriecadernos/VOL158.htm, acessado em 13.10.2011. Grifei, realcei e coloquei em maiúsculas] E prossegue acentuando o caráter de “meio hábil” de que elas podem se revestir: “As operações "Zé com Zé" configuram criação de condições artificiais de demanda, oferta e preço, pois nelas tudo é falso, fictício, tratandose de operações simuladas, que geram o MEIO PARA manipular o mercado induzindo seus participantes a comprar ações. E não se pode deixar de lembrar que todo o conjunto consiste numa fraude.”15 [15 Op. loc. cit., grifei, realcei e coloquei em maiúsculas] [...] Fl. 18446DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 51 50 Destacando que comprar e vender para si mesmo determinado valor mobiliário é um meio hábil para manipular o mercado, o Professor Marco Aurélio Greco define, a partir do item 5 de seu parecer, o que significa realizar “diretamente” a operação em Bolsa, asseverando que o requisito expresso no art. 396 do RIR/99 consiste na emissão pela empresa brasileira de uma ordem de venda ou de compra a ser executada NA bolsa no exterior, ordem esta que se submeterá à disciplina normativa estrangeira que regula o funcionamento da bolsa em questão, pois é ela que irá determinar o meio e o modo de executar essa ordem de compra ou de venda, assim como é a disciplina da bolsa que imporá restrições e limites à sua execução. A partir daí, sob o pressuposto de que a ADM Services visualiza todas as ordens da Consulente destinadas a serem executadas na Bolsa de Chicago, conclui o professor que se estaria diante de atuação direta em bolsa. Recordando, porém, que as operações “Zé com Zé” (ou wash sale) são interpretadas como meios hábeis para manipular o mercado, e que o simples fato de uma pessoa jurídica pertencente a um Grupo que possui outras empresas em que também emitem ordens a serem executadas na mesma bolsa, já é, em si mesmo, o meio hábil para a prática de uma infração punível, assevera que consolidar as ordens de todas as integrantes do Grupo é uma exigência que resulta da proibição mencionada e das circunstâncias de ser um Grupo. Deste modo: ... tão logo emitida a ordem pela Consulente, ela já se encontra alcançada pela legislação que regula o funcionamento da bolsa e deve seguir seus ditames. Portanto, daí por diante, a compra ou a venda estará sendo realizada no âmbito e segundo as regras pertinentes àquela bolsa. Defende que a finalidade e a função da norma brasileira é assegurar o adequado tratamento tributário às operações realizadas pelas empresas brasileiras resultantes da sua inserção numa economia globalizada, não se podendo olvidar que a lei estrangeira impõe realizar uma compensação de ordens das diversas empresas no âmbito do grupo para que a ordem final seja o saldo dessa prévia confrontação. Acrescenta que ainda que se enxergue apenas o resultado consolidado, mesmo assim a ordem emitida pela Consulente dele faz parte, de modo que, se em determinado momento não existir qualquer outra ordem de empresa do Grupo, esta será a ordem executada na Bolsa. Nas palavras do Professor Marco Aurélio Greco: Sublinhese que o “saldo” apurado no âmbito do hedging center do Grupo que consolida as ordens é fruto de cada um das ordens individuais emitidas, portanto comunga da sua natureza. Diante disso, minha conclusão é que, neste caso, a subsidiária brasileira está realizando operações diretamente na bolsa no exterior, pois emitiu ordens para serem nela executadas e o fato de a legislação de regência impor este modo de executar a ordem para assegurar a plena legalidade da sua conduta não lhe retira o caráter de determinar uma operação a ser realizada na bolsa. Sua interpretação, portanto, é no sentido de que a lei brasileira não poderia condicionar a dedutibilidade à prática de uma operação ilícita em outro País, de modo que a utilização de um hedge center não representa violação ao art. 17 da Lei nº 9.430/96 (matriz legal do caput do art. 396 do RIR/99), mas sim sua exata aplicação ao enxergar o seu uso como necessário para a realização de operações em bolsa. Fl. 18447DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 52 51 Inicialmente cumpre observar que, mesmo admitindose esta argumentação, necessária seria a comprovação de que as ordens foram, de fato, enviadas à ADM Trading, a qual, depois de realizar as compensações impostas pela legislação estrangeira, solicitou à ADM Investor Services a operação de hedge correspondente ao saldo líquido. E isto porque, como antes destacado, não há evidências de que a atuação intermediária da ADM Trading tenha sido reportada à Fiscalização, mas somente alegada em defesa administrativa. Ademais, embora não seja exigível, da contribuinte, um extrato de suas aplicações emitido pela Bolsa de Chicago, houve falhas por parte da recorrente no cumprimento de seu dever de conservar em ordem, documentos e papéis que se refiram a atos e operações que modifiquem ou possam vir a modificar a sua situação patrimonial. De fato, seus registros contábeis deveriam estar suportados por controles internos diários de suas posições e de suas ordens enviadas à ADM Trading, bem como de sua confrontação permanente com as variações de mercado a que se sujeitavam suas operações de hedge, não bastando, para tanto, a existência de sistemas informatizados que agregassem estes dados. Neste sentido, não só durante o procedimento fiscal, como também em sua primeira manifestação complementar ao recurso voluntário (petição de 16/03/2012), a contribuinte buscou demonstrar a compatibilidade de seus registros contábeis com os preços praticados nas operações de hedge no exterior, mediante a apresentação de estudos realizados por KPMG Advisors Ltda, no que foi denominado 1a fase dos serviços previstos. Este exame, embora necessário e relevante, exigiria complementação acerca da confirmação de que as operações foram efetivamente realizadas, aspecto não abordado nos primeiros elementos apresentados, já digitalizados e integrados aos autos como Anexos 1 a 30 daquela petição. De fato, nesta 1a fase dos serviços, inicialmente a contratada atestou que a contribuinte utilizou corretamente suas contas contábeis para registro de operações de derivativos financeiros, conforme sistemática por ela descrita no documento de fls. 3782/3784 (Anexo 8), gerando contrapartidas em resultado de R$ 884.814.749,14, diferindo em R$ 982.351,31 do valor lançado em conta de resultado apurado pela Fiscalização (R$ 885.797.100,45). Para tanto, a contratada se valeu da acusação fiscal (Anexo 1, fl. 3379/3408) e do balancete de verificação de 2004 (Anexo 2, fl. 3409/3506), confrontando seus resultados com os registros em lotes contábeis de lançamentos (Anexos 3 e 4, fls. 3507/3669), registros na conta 128116501 (Anexo 5 e 6, fls. 3670/3682), e registros dos Livros Diário e Razão de 2003 e 2004 (Anexo 7, fls. 3683/3781). Na seqüência, tendo em conta documentos semelhantes aos de fls. 96/678, aqui denominados extratos disponibilizados emitidos pela Archer Daniels Midland Company (Anexo 9, fls. 3785/4211), e a informação de que as contas de hedge na bolsa de mercadoria e futuro (trading accounts) numeradas 6302, 6311, 6312, 6313,6321, 6331, 6341, 6361, e 6370, foram aquelas utilizadas pela ADM do Brasil Ltda durante o ano calendário de 2004 (Anexo 10, fl. 4212), a contratada fez a conciliação das informações do “Anexo 9” com os resultados mensais contabilizados consolidados no “Anexo 6” (fls. 3681/3682), demonstrandoa no “Anexo 11” (fl. 4213/4217), o qual também reuniu a conciliação dos resultados mensais obtidos em operações com opções, aferidos a partir do “Anexo 12” (fls. 4218/4330), na medida em que estes resultados tiveram como contrapartida a mesma conta de resultado (423130 “Ajuste P. Hedge Contr. Fut. Enc.”). As conversões de dólares para reais foram demonstradas no “Anexo 13” (fl. 4331/4332) e as taxas utilizadas no “Anexo 14” (fls. 4333/4345). O resultado de operações com futuros foi de R$ 891.111.833,32, que reduzido pelos ganhos com opções de R$ 4.462.247,99, totalizou R$ 886.649.585,33, apresentando variação de R$ Fl. 18448DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 53 52 1.834.836,19 (0,21%) em relação aos valores contabilizados. A tributação do ganho das operações com opções foi demonstrada no “Anexo 30” (fls. 7059/7301). A partir daí, a contratada demonstrou a compatibilidade das informações do “Anexo 9” – origem da contabilização de perdas aqui questionadas – com as oscilações de preço da Bolsa de Chicago, assim atestando: A partir dos extratos disponibilizados pela Companhia (anexo 9) [fls. 3785/4211] e das informações constantes do sítio eletrônico da Bloomberg (anexo 15) [fls. 4346/6590], confrontamos os preços (price) de cada posição de compra e venda de todas as operações de futuro de soja, óleo de soja e farelo de soja, realizadas pela ADM do Brasil no período compreendido entre 1° de janeiro a 31 de dezembro de 2004, com os preços das operações de futuros das referidas commodities praticados na Bolsa de Mercadorias e Futuros de Chicago (CBOT), para o mesmo período. Para a conversão dos valores dos extratos em dólar para reais, nos valemos das taxas de conversão de dólar para real demonstradas nos controles extracontábil (anexo 13)[fl. 4331/4332]. Essas operações, expurgados os contratos de boardcrush e rollover, corresponderam à negociação de 914.484 contratos (de um total de 983.836 contratos 92,95%) e resultaram em uma perda da ordem de R$ 835.804.754,20 (de um total de R$ 891.111.833,32 93,79%).[Anexo 16, à fl. 6591, demonstra a correlação mensal entre o resultado total e a quantidade de contratos] Do confronto efetuado, constatamos que os preços praticados em 633.416 contratos de futuros (64,38% do total de contratos), que corresponderam a uma perda de R$ 708.316.097,73 (79,49% do total da perda), estavam entre o mínimo e o máximo dos preços dos contratos negociados na CBOT naquela mesma data em que firmados os contratos de futuros e em relação ao mesmo tipo de operação, conforme informações do sítio da Bloomberg. Entendase como o mesmo tipo de operação aquele em que o produto (soja, óleo de soja e farelo de soja) e o termo/vencimento são iguais. Para os 281.068 contratos de futuros restantes (28,57% do total de contratos), que corresponderam a uma perda de R$ 127.488.656,47 (14,31% do total da perda), verificamos que os preços praticados pela ADM do Brasil, muito embora não estivessem entre o preço mínimo e o máximo dos contratos negociados na CBOT, foram em grande parte satisfatoriamente esclarecidos e justificados pela Companhia. [Os esclarecimentos evidenciariam que as operações foram praticadas antes do início do pregão da bolsa, adotavam parâmetros de dias próximos ou vinculados a contratação prévia, foram estornados, ou apresentavam outras particularidades. Documentos acerca destas ocorrências integram os Anexos 17 a 22, fls. 6590/6643]. A contratada esclarece nos anexos 26 a 28 (fl. 7052/7056) as características das operações de “rolagem” (rollover) – decorrente de alteração nas datas de entrega física ou de esmagamento –, e no “Anexo 29” (fl. 7058) das operações de “board crush” – decorrente da venda interna da divisão Originação (grãos) para a divisão Esmagamento, com uma nova data de entrega de óleo ou farelo. Nos “Anexo 25” e “Anexo 25.1” (fls. 6975/6978) demonstra que apenas 36,71% dos contratos atrelados às operações de rolagem o valor dos spreads apresentouse dentro dos limites esperados. No “Anexo 28” (fl. 7057) apresenta o resultado da análise das operações de “board crush”, observando que o preço praticado em uma das oposições não estava dentro dos limites esperados. Com estes elementos, a contribuinte apenas evidencia o método adotado para contabilização das operações de hedge, mas ainda não demonstra a efetividade das operações. Em especial, não estabelece correlação entre os extratos disponibilizados emitidos pela Archer Fl. 18449DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 54 53 Daniels Midland Company (Anexo 9, fls. 3785/4211), e as operações de hedge realizadas junto à Bolsa de Chicago. Somente na petição apresentada em 06/12/2012 (fls. 12484/12597) a recorrente traz elementos que poderiam dar suporte às suas alegações acerca do fluxo operacional das operações de hedge aqui questionadas. Menciona que as empresas do Grupo ADM inserem os dados de suas respectivas operações comerciais em um único sistema de computador denominado Sistema VAX, o qual é administrado pela ADM Trading Compay (“ADM Trading”), submetendo a esta as correspondentes ordens de hedge, que nada mais são do que as posições contrárias àquelas contratadas fisicamente com os produtos rurais ou clientes das empresas do Grupo ADM. Diz que cada ordem de hedge configura um contrato, o que implica a obrigação de compra ou venda do tipo e quantidade de mercadoria estabelecidos nessa ordem, na data de entrega ali prevista, conforme precificação de mercado listada na Bolsa de Chicago. E neste sentido apresenta relatório do fluxo operacional no Brasil, elaborado por KPMG Tax Advisors Ltda (Relatório da comprovação do hedge em operações de futuros realizadas pela companhia no anobase de 2004, fls. 7365/12285), bem como relatório do fluxo operacional no exterior, elaborado por Ernst & Young LLP (Relatório de auditoria independente das operações de futuro e opções de commodities realizadas pela companhia, fls. 12288/12481), este último juntado apenas em língua estrangeira, mas com tradução juramentada já produzida, e apresentada por cópia a esta Relatora depois da apresentação deste voto na reunião de julgamento de março/2013. O relatório elaborado por KPMG Tax Advisors Ltda busca evidenciar a operacionalização do hedge localmente, bem como a demonstrar que as operações de futuros realizadas pela Companhia, no anocalendário de 2004, tiveram por finalidade proteger suas operações de compra e venda de soja em grão, óleo e farelo de soja contra as oscilações de preço dessas commodities (objetivo de hedge), de modo a estabelecer a correspondência inversa entre os saldos mensais no mercado físico (estoque + compras – vendas) e os saldos mensais no mercado futuro (compras – vendas) das referidas commodities em quantidade, no decorrer do anocalendário de 2004. Quanto à operacionalização do hedge, a contratada descreve a atuação dos setores da companhia responsáveis pela compra e venda das mercadorias, bem como pelo seu processamento, os quais demandam o setor comercial para realização de operações inversas no mercado de futuro a fim de proteger suas posições, no mercado físico, contra as oscilações de preço (hedge). As ordens de hedge são inseridas no sistema VAX de propriedade da Archer Daniels Midland Company, responsável pelo registro e controle das operações de futuros da companhia, o qual é usado no Brasil, meramente, para inserção das ordens de hedge à ADM Trading. Há confrontos diários entre a posição líquida em aberto no mercado físico e no mercado futuro, e diferenças são ajustadas mediante novas ordens de hedge, ou suscitam operações de “rolagem” ou de “board cruch” (semanal). Ao final do mês, há nova conciliação das posições existentes no mercado físico e futuro, podendo ser verificadas diferenças especialmente em razão de ocorrências ligadas ao estoque físico, ou de ordens não efetivadas em função de encerramento do expediente ou fechamento do pregão. O demonstrativo abaixo exemplifica as análises feitas pela KPMG acerca da operacionalização da compra da soja em grão até a realização do hedge. Outros fluxogramas foram produzidos para as operações de venda de soja em grão, realocação da soja em grão da Fl. 18450DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 55 54 Divisão de Originação para a Divisão de Processamento, compra de farelo e óleo de soja, venda de farelo e óleo de soja. Fl. 18451DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 56 55 Para demonstrar que as operações de futuros realizadas pela Companhia, no anocalendário de 2004, tiveram por finalidade proteger suas operações de compra e venda de soja em grão, óleo e farelo de soja contra as oscilações de preço dessas commodities (objetivo de hedge), a contratada apurou o saldo líquido de compras/vendas em aberto ao final de cada mês a partir de planilhas e de controles de estoque, e testou por amostragem estas informações. De outro lado, extraiu do sistema VAX a informação dos saldos líquidos ao final de cada mês, confrontandoos com o saldo físico convertido em lotes negociáveis, apurando divergências, mas constatando que na maior parte dos meses a posição no mercado futuro era oposta à posição no mercado físico. Ao final, considerando as justificativas apresentadas pela contribuinte, apresentou gráficos por commodity para evidenciar que as posições no mercado futuro tendem a seguir inversamente as posições no mercado físico. Reproduzse, a título de exemplo, o gráfico referente às operações com soja em grão: Ao final, a contratada reproduz conciliação semelhante à antes feita entre o “Anexo 9” (extratos disponibilizados emitidos pela Archer Daniels Midland Company, fls. Fl. 18452DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 57 56 3785/4211) e os resultados mensais contabilizados consolidados no “Anexo 6” (fls. 3681/3682), mas agora reportandose a informações do Sistema VAX, do qual possivelmente originamse os extratos antes juntados no “Anexo 9”. O relatório elaborado por KPMG Tax Advisors Ltda faz referência a outros Anexos, numerados de 1 a 33 e organizados em 17 (dezessete) volumes. Quanto ao relatório elaborado por Ernst & Young LLP, aduz a recorrente em sua petição de 06/12/2012 que as planilhas que o seguem resultam de aprofundada auditoria do fluxo operacional no exterior das suas operações de hedge, especificamente para atestar, numericamente (contratos e valores), o referido fluxo. Esclarece que os demonstrativos que acompanham a petição apresentam a reconciliação da consolidação dos contratos de hedge do Grupo ADM, a transferência destas informações da ADM Trading para a ADM Financeira e a sua liquidação junto à Bolsa de Chicago. O exame dos referidos demonstrativos coincide com algumas informações aqui já expostas, a título de exemplo, relativamente ao registro de perda em janeiro/2004 com o produto soja controlado na conta 6370. Segundo o relatório de fls. 99/126, estas operações teriam resultado em perda de US$ 6.407.150,00, a qual integraria a perda líquida total, em janeiro/2004, de R$ 37.478.526,70 (US$ 12.743.897,00), conforme demonstrativo de fl. 91 e relatório das remessas ao exterior à fl. 814. Estes mesmos valores foram demonstrados pela Ernst & Young LLP em planilhas que detalham as operações da conta 6370 e sua consolidação com as demais contas utilizadas pela empresa brasileira, formuladas a partir de registros da ADM Trading (Schedule III, campos em verde e lilás). Segundo esclarecimentos contidos na tradução juramentada do relatório elaborado por Ernst & Young LLP (apresentado a esta Relatora após a exposição deste voto na reunião de julgamento de março/2013), referido demonstrativo, ali denominado Anexo III – Reconciliação das Demonstrações da ADMIS, das Demonstrações de Negociação da ADM e dos Resultados de Hedge da ADM do Brasil no Razão Geral dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2004, 2006 e 2007, apresenta em sua primeira parte a origem das informações financeiras presentes nas contas de Nível D, expondo os resultados realizados em contratos finalizados. Todavia, há divergências quando comparadas estas informações com os registros da ADM Investor Services, os quais apontam a perda de US$ 14.312.725, em razão de operações fechadas em janeiro/2004 (Schedule III, campos em amarelo). Neste mesmo sentido, a planilha que consolida mensalmente as perdas em razão das contas operadas pela empresa brasileira, totaliza em US$ 14.320.470,50 este valor para janeiro/2004, o qual é integrado por perda de US$ 5.187.464,00 decorrente da conta 6370 (Schedule II). Esta última planilha (Schedule II) – nomeada Anexo II – Resumo dos valores de Liquidação Líquidos no Encerramento do Mês por Conta de Nível D dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2004, 2006 e 2007, na tradução juramentada antes referida – também evidencia que as perdas realizadas em janeiro/2004, quando somadas às perdas não realizadas da empresa brasileira no valor de US$ 153.834.408,50, totalizam US$ 168.154.879,00, que confrontados com ganhos decorrentes de contas “D” não operadas pela empresa brasileira, no montante de US$ 255.214.015,85, resultam no ganho acumulado de US$ 87.059.136,85, até janeiro/2004. Este valor é conciliado com o resultado apurado nas contas “A” em janeiro/2004 (US$ 87.071.544,58) na planilha denominada Schedule I (nomeada Anexo I – Reconciliação dos Valores de Liquidação Líquidos no Encerramento do Mês entre as Contas de Nível D e Nível A dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2004, 2006 e 2007). Fl. 18453DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 58 57 Como se vê, os Anexos I e II fazem referência a valores de liquidação líquidos, ao passo que o Anexo III trata de resultados realizados em contratos finalizados. Assim, eventualmente a diferença entre as perdas US$ 6.407.150,00 e US$ 5.187.464,00, relativamente ao produto soja, na conta 6370, em janeiro/2004 pode se esclarecida pela consolidação que não reporta à ADM Investor Services as operações contrárias praticadas pelo Grupo. Este aspecto, porém, precisa ser melhor investigado. Para além disso, convém notar que a recorrente reportase a análises da empresa contratada acerca do fluxo operacional após a consolidação de operações pela ADM Trading, acerca das quais não havia evidências nos demonstrativos juntados à petição de 06/12/2012. Especificamente diz a recorrente: 26. Pois bem, após a consolidação dos contratos de hedge do Grupo ADM, inclusive da Requerente, a ADM Trading transfere à ADM Financeira todas as exposições em aberto, não consolidadas nesse procedimento. As exposições em aberto dão surgimento às contas de liquidação “A” (“Contas de Nível A”): nº 5000, nº 5031, nº 5032, nº 5033, nº 5034, nº 5035, e nº 5036. As “Contas de Nível A” agrupam todas as exposições em aberto e as Bolsas de Valores de liquidação. Assim, no caso concreto, pela natureza das operações físicas realizadas pela Requerente (compra e venda de soja, farelo de soja e óleo de soja), as exportações não consolidadas foram liquidadas através da Conta de Nível A , nº 5032 (conta correspondente às operações realizadas na Bolsa de Chicago). 27. Portanto, o Relatório da EY reconciliou e atestou o procedimento de consolidação, realizado dentro dos parâmetros da Bolsa de Chicago, bem como da transferência das posições em aberto da ADM Trading para a ADM Financeira, e a sua liquidação, junto à Bolsa de Chicago, mediante o respectivo fluxo de caixa entre a ADM Financeira e a Bolsa de Chicago. Esta última demonstração acerca do fluxo de caixa entre a ADM Investor Services e a Bolsa de Chicago aparenta corresponder à planilha denominada Schedule IV (nomeada Anexo IV – Reconciliação entre a Variação no Patrimônio Líquido Total e o Caixa Pago nas Transações Cambiais nos exercícios findos em 31 de dezembro de 2004, 2006 e 2007, na tradução juramentada antes referida), apresentada com as informações do fluxo nos dias de dezembro de 2004. No mais, aparentemente não foram juntados, à petição de 06/12/2012 os demonstrativos que evidenciaram as exposições efetivamente levadas à Bolsa de Chicago. Por fim, na tradução juramentada antes mencionada, há referência, também, ao Anexo V – Resumo dos Valores de Liquidação Líquidos do Encerramento do Mês da Conta de Nível A, o qual apontaria, em 31 de dezembro de 2004, 2006 e 2007 que o valor de liquidação líquido da conta de Nível A no mês findo está de acordo com o Valor de Mercado da Conta total, conforme indicado no Anexo I. Antes da sessão da qual resultou a primeira conversão do julgamento em diligência, a interessada apresentou memoriais elaborados em 27/02/2013 que aparentemente abordam referido fluxo. A partir de exemplos referentes à conta de nível D nº 6321, a contribuinte busca demonstrar a consolidação das operações advindas desta sua planta operacional (Fábrica de Campo Grande/MS) em outubro/2004, das quais resultam as exposições que ensejam o registro contábil das operações de hedge, agrupadas em conta de nível A na ADM Trading. Para tanto, junta exemplo das seguintes demonstrações: 1) relatório de operações inseridas no Sistema referente à Conta de Nível D no 6321, relativo ao período de Fl. 18454DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 59 58 outubro de 2004; 2) relatório emitido pela ADM Trading para o período de outubro de 2004, que refletiria as mesmas operações; 3) relatório emitido pela ADM Financeira com agrupamento dos contratos colocados no Sistema; 4) planilhas da ADM Financeira nas quais constariam os montantes liquidados a partir da conciliação de todas as Contas de Nível D, bem como os montantes liquidados a partir da conciliação de todas as Contas de Nível A; 5) relatório da ADM Financeira que indicaria as exposições não consolidadas agrupadas por meio da Conta de Nível A no 5032, a serem colocadas na Bolsa de Chicago. Todavia, são elementos correspondentes a apenas uma espécie de registro de um dos meses autuados. Em recente exame dos autos, não foi localizada a solicitação, pela contribuinte, de juntada deste memorial aos autos. Registrese, por oportuno, que o parecer elaborado pelo Professor Ary Oswaldo Mattos Filho, apresentado com a petição de 06/12/2012 (fls. 12600/12645), ao fazer menção à atuação da ADM Investor Services como membro de compensação, parece cogitar que referida instituição promoveria a compensação, também, para com terceiros clientes sem qualquer vínculo com a ADM IS, talvez considerando que haja liquidações externas ao pregão da CBOT, promovidas pela ADM Investor Services, entre ordens de hedge do Grupo ADM com ordens de hedge de terceiros. Todavia, não há alegação da contribuinte, nem qualquer outra evidência nos elementos por ela apresentados, naquele sentido. Assim, supõese que as posições líquidas, após a consolidação feita pela ADM Trading, são comunicadas à ADM Investor Services que necessariamente as apresenta à Bolsa de Chicago, sendo este o fluxo que a recorrente pretende provar por meio dos elementos apresentados. De toda sorte, as alegações da recorrente foram suficientes para demonstrar seu empenho em reunir elementos para convencer esta Relatora da legitimidade de seus registros contábeis. Ideal seria que dossiês diários fossem mantidos para demonstração da equivalência entre os registros contábeis e as operações da empresa junto ao mencionado Sistema VAX. Mas os elementos trazidos pela recorrente são evidências fortes de que estes registros existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities. Apenas que, a precariedade da guarda documental destas demonstrações não permitiu que a empresa as apresentasse à Fiscalização e convencesse a autoridade lançadora da regularidade de seus registros contábeis. Este cenário evidenciou ser justificável a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade lançadora confirmasse a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pela contribuinte, apontando divergências que deste exame resultassem e quantificando sua repercussão no crédito tributário lançado. Antes, porém, observouse que a alegada compensação de ordens das diversas empresas no âmbito do grupo poderia ser interpretada, também, como evidência da desnecessidade da operação de hedge, na medida em que a cobertura é dada por outra operação comercial do próprio grupo. O exemplo construído no parecer exarado pelo Professor Marco Aurélio Greco deixava transparecer este aspecto: Realmente, se, por hipótese, a ADM do Brasil vender soja para o Japão e der uma ordem de compra31 [31 Ordem inversa à operação física emitida com a finalidade de cobertura (hedge).] a ser executada na Bolsa de Chicago, a ADM do Japão que está importando soja, poderá estar, ao mesmo tempo, emitindo uma ordem de venda a ser executada na mesma Bolsa. Fl. 18455DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 60 59 Se o objetivo das normas estrangeiras é assegurar uma livre e verdadeira formação de preço junto ao mercado comprador e vendedor de contratos futuros, e esta condição é necessária para tornar dedutíveis as perdas de hedge na forma do art. 17 da Lei nº 9.430/96 (matriz legal do caput do art. 396 do RIR/99), como diz o Professor Ary Oswaldo Mattos Filho em seu parecer, a vedação à prática de operações opostas e simultâneas por um mesmo grupo empresarial pode ser perfeitamente interpretada como restrição a uma prática desnecessária, que pode prejudicar a livre e verdadeira formação de preços. A prática descrita pela recorrente, em verdade, afirma a existência de uma operação de cobertura junto à Bolsa de Chicago que não foi formalizada, e assim enseja o reconhecimento contábil de um resultado decorrente de uma operação que efetivamente não existiu. Assim, não basta reputar como método aceitável para admissibilidade de perdas em hedge aquele que demonstre em tempo real a formação de preço, e que permita que as compras e vendas sejam liquidadas por valores praticados livremente pelo mercado secundário, como dito pelo Professor Ary Oswaldo Mattos Filho em seu parecer. É necessário que a cobertura resulte de uma operação realizada em bolsa para que tenha efetividade, não bastando que ela adote os parâmetros daquele mercado regulado. Vejase, ainda, que a prática da recorrente permite a remessa de valores a título de pagamento de margens que não eram devidas à Bolsa de Chicago, mas sim a outra empresa do Grupo ADM. Este aspecto, inclusive, poderia justificar as disparidades apontadas pela Fiscalização, acerca da representatividade dos depósitos totais de margens remetidos ao exterior pela autuada, quando comparado com seu faturamento (24,73%), que destoa do percentual de 1,25%, inferido a partir dos depósitos de margens promovidos pela ADM Investor Services em favor de todo o Grupo ADM, considerando o faturamento global deste. É certo que a recorrente contesta as premissas destas inferências, especialmente o período ao qual se refere faturamento global do Grupo e a utilização do dólar médio para conversões. Contudo, no mais, os depósitos de margem promovidos pela ADM Investor Services em 2004, e a informação de que 80% de suas operações corresponderiam a terceiros estranhos ao Grupo ADM, são informações apresentadas pela contribuinte à Fiscalização. Ademais, são apenas inferências, que somente ganham relevo ante os demais fatos não esclarecidos adequadamente pela contribuinte. Irrelevante, assim, se a bolsa de mercadorias brasileira não tem capacidade para acolher os negócios da recorrente, estando ela obrigada a recorrer à Bolsa de Chicago e submeterse às suas regras. O fato de as leis estrangeiras visualizarem as empresas do Grupo ADM como um ente único, e impedirlhes de requerer cobertura para operações simultâneas e opostas, autoriza a interpretação de que a hedge é desnecessária e, por conseqüência, sua perda, indedutível nos termos do art. 396, caput, do RIR/99. Observese que, ao contrário do que diz a recorrente em memorial complementar formulado após a apresentação deste voto na reunião de julgamento de março/2013, não se trata, aqui, de questionar a natureza de proteção das operações de hedge, mas sim de apurar como esta proteção se efetivou dentro do grupo empresarial, e se houve a necessidade, e conseqüente efetivação de hedge em Bolsa. Há evidências de proteção contra oscilações de preços mediante contratação de operações físicas opostas por outras empresas do grupo, as quais não podem ser interpretadas como operações de hedge em bolsa. Fl. 18456DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 61 60 Recordese, ainda, que nada neste sentido teria sido argüido durante a Fiscalização, na medida em que a contribuinte, ao longo do procedimento fiscal, asseverou que as perdas deduzidas decorreriam de operações de hedge contratadas em Bolsa, e não logrou provar este fato. Ademais, não apontou em seus esclarecimentos a atuação da ADM Trading, de modo a suscitar dúvida na Fiscalização acerca deste outro aspecto subsidiário, mas que passa a ser determinante para aferição da dedutibilidade a partir do momento em que se busca trazer aos autos a prova das operações realizadas. Assim, tais aspectos não representam a abertura de uma nova discussão, mas sim considerações acerca da prova necessária para dedutibilidade dos valores contabilizados. A recorrente também invoca, subsidiariamente, a aplicação do §1o do art. 396 do RIR/99 ou do art. 71 da Lei nº 9.430/96, com vistas a legitimar perdas decorrentes de operações de hedge realizadas fora de Bolsa. O § 1o do art. 396 do RIR/99 reflete o cenário legal anterior à alteração introduzida pelo art. 17 da Lei nº 9.430/96, base legal do caput daquele artigo regimental. O referido §1o tem fundamento no art. 63 da Lei nº 8.383/91 que, reportandose ao art. 6o do Decretolei nº 2.397/87, assim dispunham até o final de 2004 (art. 24 da Lei nº 11.033/2004 revogou o art. 63 da Lei nº 8.383/91 a partir de 01/01/2005): Decretolei nº 2.397, de 1987: Art. 6° Serão computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica os resultados líquidos obtidos em operações de cobertura realizadas nos mercados de futuros, em bolsas no exterior, iniciadas a partir de 1° de janeiro de 1988. 1° No caso de operações que não se caracterizem como de cobertura, para efeito de apuração do lucro real os lucros obtidos serão computados e os prejuízos não serão dedutíveis. 2° O Poder Executivo expedirá instruções para a apuração do resultado líquido, sobre a movimentação de divisas relacionadas com essas operações, e outras que se fizerem necessárias à execução do disposto neste artigo. Lei nº 8.383, de 1991 Art. 63. O tratamento tributário previsto no art. 6° do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987, aplicase, também, às operações de cobertura de riscos realizadas em outros mercados de futuros, no exterior, além de bolsas, desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional e desde que sejam observadas as normas e condições por ele estabelecidas. Segundo a recorrente, a Resolução CMN nº 2.012/93 autorizaria a dedução de perdas desde que se trate de operações de hedge vinculadas a operações reais e efetivas de revenda de soja e que sigam rigorosamente os parâmetros de mercado. Referida Resolução, revogada a partir de 19/09/2005 pela Resolução CMN nº 3.312/2005, assim dispunha: Art. 1º. Permitir que as entidades do setor privado realizem, no exterior, com instituições financeiras ou em bolsas, operações destinadas a proteção ("hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional. Parágrafo 1º. As operações de que se trata pautarseão pelos parâmetros vigentes no mercado internacional, podendo o Banco Central do Brasil, a seu exclusivo critério, exigir compensação cambial suficiente para elidir os efeitos das operações que se mostrarem dissonantes do objetivo previsto ou celebradas fora daqueles parâmetros, sem prejuízo da aplicação das sanções porventura cabíveis. Fl. 18457DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 62 61 Parágrafo 2º. As operações que se vinculem a direitos e obrigações registradas, ou sujeitas a registro, no Banco Central do Brasil/Departamento De Capitais Estrangeiros (FIRCE) estarão igualmente sujeitas a registro, o qual poderá ser efetuado após a respectiva contratação. [...] Art. 3º. Observado o disposto no art. 1º, parágrafo 1º, desta resolução, fica reduzido em 100% (cem por cento) o valor do imposto de renda que incida sobre remessas ao exterior, desde que, comprovadamente, se caracterizem como necessárias, usuais e normais, inclusive quanto ao seu valor, à realização da cobertura de riscos de variações, no mercado internacional, de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, e/ou delas decorram, obedecida a regulamentação pertinente. Art. 4º. Fica delegada competência ao Banco Central do Brasil para adotar as medidas e baixar as normas necessárias à execução do disposto nesta resolução. Art. 5º. Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. 6º. Ficam revogadas as resoluções nºs 272, de 17.12.73, 1.203, de 30.10.86, e 1.921, de 30.04.92. (negrejouse) Como se vê, as operações de hedge cogitadas na Resolução CMN nº 2.012/93 seriam aquelas realizadas junto a instituições financeiras, circunstância aqui não verificada. Imprópria, assim, a alegação da recorrente. Quanto ao art. 71 da Lei nº 9.430/96, há que se ter em conta sua redação na forma da Lei nº 10.833/2003: Art.71. Sem prejuízo do disposto no art. 74 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, os ganhos auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, nas demais operações realizadas em mercados de liquidação futura, fora de bolsa, serão tributados de acordo com as normas aplicáveis aos ganhos líquidos auferidos em operações de natureza semelhante realizadas em bolsa. §1º Não se aplica aos ganhos auferidos nas operações de que trata este artigo o disposto no §1º do art. 81 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 2o Somente será admitido o reconhecimento de perdas nas operações registradas nos termos da legislação vigente. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (negrejouse) Assim, não bastasse a oposição que a recorrente se antecipa a questionar – de que o referido dispositivo legal (art. 71), ao assegurar a dedutibilidade das perdas auferidas nas operações realizadas em mercado de liquidação futura fora de Bolsa, não teria explicitado que tal regra também seria aplicável às operações realizadas no exterior –, bem como o fato de o referido dispositivo legal apenas se prestar a equivaler a tributação de ganhos auferidos dentro ou fora da bolsa, vêse que, de toda sorte, somente seriam dedutíveis perdas nas operações registradas nos termos da legislação vigente, quais sejam, operações em bolsa ou em instituições financeiras como antes exposto. Foram estas as razões expostas na Resolução nº 1101000.077 para concluir pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade lançadora: · Sob a premissa inicial de que todas as operações contabilizadas como sendo de hedge seriam necessárias e dedutíveis: 1) analise os elementos trazidos pela recorrente como evidências de que os registros junto ao mencionado Sistema VAX existiam e obedeciam a um fluxo operacional sujeito a Fl. 18458DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 63 62 conciliações periódicas, de modo a assegurar a cobertura de suas operações físicas com commodities; 2) informe a validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pela contribuinte, ou apure esta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes; 3) aponte divergências que deste exame resultem, identificando as perdas que restarem sem comprovação, e quantificando sua repercussão no crédito tributário lançado; · Sob a premissa final de que somente as operações de hedge realizadas em bolsa ensejam perdas dedutíveis, promova as verificações acima requeridas, mas identifique as perdas correspondentes a operações de hedge efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, sem antes terem sido compensadas com posições opostas apresentadas no mesmo período por outra empresa do Grupo ADM. A partir do primeiro resultado apresentado para a diligência assim requerida esta Relatora entendeu que a autoridade lançadora havia concordado com parte da dedução dos valores glosados. Porém, formulados outros questionamentos acerca das glosas acessórias por meio da Resolução nº 1101000.152, o auditor responsável afirmou discordar integralmente dos valores deduzidos. Tais esclarecimentos, em conjunto, evidenciam que a autoridade fiscal encarregada da diligência não logrou êxito em alcançar a origem dos valores glosados, apesar de a contribuinte ter respondido às intimações que lhe foram dirigidas no curso da diligência. Observase que na execução inicial da diligência, a autoridade fiscal exigiu memórias de cálculo das perdas compensadas e efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, bem como posterior explicação detalhada da forma de apuração dos valores apontados nos demonstrativos, além de relatórios mensais das perdas, inicialmente fazendo referência aos relatórios de auditoria apresentados antes da conversão do julgamento em diligência, e depois exigindo que os demonstrativos tomassem como base os registros no Sistema VAX. A resposta de fls. 12915/12916 foi acompanhada de documentos juntados às fls. 13176/17998 e, examinandoos, o auditor responsável questionou as divergências constatadas entre as memórias de cálculo iniciais e os demonstrativos posteriormente apresentados, destacando estas ocorrências no Termo de Encerramento de Diligência, no qual também: 1) apontou a falta de apresentação dos valores e documentos relativos às transferências financeiras para a BM&F Chicago; 2) questionou a imparcialidade das auditorias contratadas; 3) afirmou a impossibilidade de auditoria no Sistema VAX por auditoria independente ou pela Receita Federal; 4) destacou que os valores aplicados em hedge na BM&F Chicago são realizados pelo Grupo ADM, não sendo separados por empresas, a inviabilizar um parecer conclusivo sobre os valores informados pelo contribuinte. Concluiu, assim, que não restavam comprovados documentalmente os valores informados pela contribuinte. Contudo, tais obstáculos não são suficientes para imputar à contribuinte a incapacidade de provar a origem dos valores glosados. Inicialmente com referência à falta de apresentação dos valores e documentos relativos às transferências financeiras para a BM&F Chicago, observase que tal exigência constou, de fato, na intimação de fl. 12904 e na reintimação de fl. 12906, nas quais a autoridade acrescentou, ao final do item referente ao valores mensais das perdas correspondentes às operações de hedge efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, a necessidade de apresentação dos respectivos documentos de transferência financeira para a Fl. 18459DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 64 63 Bolsa de Chicago. Ocorre que, depois de pedir prorrogação de prazo, a contribuinte respondeu à intimação mencionando que o fazia em atendimento às solicitações complementares ao Termo de Reintimação Fiscal em referência, formuladas verbalmente em reunião realizada em 08/04/2014. Na sequência, a intimação de fls. 17999 somente pede esclarecimentos acerca das diferenças identificadas nos demonstrativos apresentados durante a diligência, e nada menciona sobre os documentos de transferência que não teriam sido entregues. Por sua vez, na manifestação de inconformidade apresentada contra o segundo relatório de diligência, a contribuinte consignou que: 41. Neste tópico específico convém esclarecer que à época da diligência (em atendimento à Resolução nº 1101000.077), o agente fiscal solicitou documentos que comprovassem a transferência de recursos à Bolsa de Chicago: foram solicitados os comprovantes dos pagamentos de margem efetuados junto a Bolsa de Chicago. [...] 43. Nesse processo, os comprovantes dos pagamentos de margens foram apresentados aos agentes fiscais por ocasião do processo fiscalizatório do ano de 2004. Ou seja, os comprovantes solicitados em atendimento à Resolução nº 1101000.077 já constam dos autos do Processo nº 15586.001637/200901. Portanto, em momento alguma a Requerente deixou de atender o agente fiscal. 44. Ainda, com relação ao processo nº 15586.001638/201081, referente aos anos de 2006 e 2007, não abarcado pela Resolução nº 1101000.077 (e tampouco pela Resolução nº 1101000.152), cumpre esclarecer que os comprovantes de pagamento de margem não foram solicitados por ocasião do processo fiscalizatório e, portanto, não constam dos respectivos autos. 45. O agente fiscal somente solicitou tais documentos no decorrer da primeira diligência (i.e. decorrente da Resolução nº 1101000.077). 46. Ocorre que a apresentação de tais documentos demandaria um tempo significativo da Requerente: (i) em função do enorme volume de documentos; e (ii) em função da logística, já que tais documentos são mantidos nos EUA. Esse fato foi levado ao conhecimento do agente fiscal, o qual optou por não renovar a solicitação pela apresentação de tais comprovantes. 47. Portanto, evidente que a Requerente não mediu esforços no atendimento das solicitações dos agentes fiscais, seja no processo fiscalizatório, seja nas diligências. De fato, na intimação de fls. 823/824 (efls. 431/432) a autoridade lançadora exigiu documentação comprobatória das coberturas das margens dos contratos futuros solicitadas pela Bolsa de Chicago (depósitos ou transferências bancárias, contratos, etc.) relativo ao anocalendário de 2004 (ADMEUA) e, em resposta (fls. 827/829, efls. 435/437), a contribuinte informou apresentar cópias dos comprovantes de transferência bancária (denominados "swifts" conforme linguagem bancaria) — (doc. 3), os quais comprovam a transferência dos recursos financeiros baseados nas posições contratuais da Intimada, resultantes das ordens eletrônicas inseridas em sistema de compras e vendas de posições contratuais de lotespadrão as quais estão devidamente demonstradas nos extratos, mensais de transações do ano de 2004 já entregue a V. Sas. por ocasião do atendimento ao Termo de Inicio de Diligência n° 251/2009. Os mencionados "swifts", por sua vez, estão capeados como "doc. 3" às fls. 830/857 (efls. 438/464). Quanto ao fato de os valores aplicados em hedge na BM&F Chicago serem realizados pelo Grupo ADM, não sendo separados por empresas, observase na resposta Fl. 18460DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 65 64 apresentada às fls. 12776/12780 que a segregação foi promovida mediante o critério assim descrito pela contribuinte: Em observância da legislação regulatória dos Estados Unidos da América, o Grupo ADM consolida todas as operações de hedge das suas subsidiárias ao redor do mundo. Essa consolidação é realizada pela ADM Trading, que transfere à ADM Financeira (corretora de valores) as operações de hedge que não foram contrapostas com operações do Grupo ADM, para que sejam executadas junto à Bolsa de Chicago. Para segregar as perdas relativas às operações de hedge que foram consolidadas pela ADM Trading das perdas relativas àquelas que foram executadas junto à Bolsa de Chicago, conforme determinado pelos Termos de Diligência Fiscal, a ADM do Brasil partiu do banco do dados que consolida todos os Relatórios R3838101 e que engloba todas as transações das contas da ADM do Brasil e realizou o seu confronto com todas as transações da ADM Trading executadas junto à Bolsa de Chicago ("Extrato 5032")2. Dessa forma, considerando a sistemática de liquidação das operações descrita acima, a partir desse confronto concluise que as perdas decorrentes de transações de mesmo produto, Mês de Entrega e preço em determinado dia, constantes de ambos os documentos (Relatório R383810 e Extrato 5032) foram negociadas junto à Bolsa de Chicago. Referido critério não foi confrontado pela Fiscalização e, do ponto de vista lógico, apresentase razoável, pois para negarlhe validade seria necessário, por exemplo, demonstrar que dentre as posições compensadas, aquela que remanesceu dependente de cobertura não corresponderia à posição posta pela empresa brasileira, mas sim a outra posição idêntica apresentada por empresa do grupo situada em outro país, que da aplicação do critério adotado resultou compensada com outra posição oposta. Ainda, quanto à confiabilidade dos relatórios produzidos nas auditorias contratadas pela contribuinte, cabe destacar que na Resolução nº 1101000.077 requereuse informação acerca da validade dos critérios de auditoria adotados pelas empresas contratadas, e por conseqüência a admissibilidade de seus relatórios para demonstração da regularidade dos valores contabilizados pela contribuinte ou, então, a apuração desta regularidade por outros meios que entender e justificar suficientes, especialmente porque está evidente o volume significativo de operações realizadas pela contribuinte e os múltiplos registros contábeis decorrentes da cobertura rotineiramente praticada, sujeita a variações periódicas. Assim, se a autoridade fiscal não vislumbra nos trabalhos realizados pelas auditorias contratadas nada que possa ser aproveitado para otimizar a confirmação das operações alegadas, cumprelhe exigir da contribuinte os relatórios individualizados das operações junto ao sistema VAX para confronto com as perdas e ganhos contabilizados no período autuado, bem como para identificação das operações que foram compensadas e das que receberam cobertura em Bolsa, ensejando variações que integraram os valores pagos à Bolsa. Acrescentese que a autoridade fiscal afirma a impossibilidade de auditoria do Sistema VAX mas, como observa a contribuinte à fl. 18188, não dá qualquer explicação minimamente razoável acerca da natureza dessa impossibilidade, permitindose vislumbrar a possibilidade de relatórios serem gerados sob declaração de sua veracidade pelo sujeito passivo, além da vinculação de seus registros às contratações de compra e venda futura que a contribuinte certamente documentou em suas relações com terceiros, viabilizando conferências, ainda que por amostragem, dos registros eletrônicos das posições opostas objeto de hedge. Recordese, ainda, que o Decreto nº 8.506, de 2015, permite a troca de informações entre Brasil e Estados Unidos da América, de forma Fl. 18461DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 66 65 que a intervenção de entidades situadas naquele Estado estrangeiro não pode ser óbice às investigações. Por fim, a autoridade fiscal também produziu análises comparativas entre os valores totais apresentados nos demonstrativos elaborados pela contribuinte no curso da diligência fiscal, as quais poderiam, apenas, resultar no desprezo, pela autoridade fiscal, das consolidações promovidas pela contribuinte, sem dispensarlhe da análise dos relatórios de operações e da produção de suas próprias consolidações. Desnecessário, assim, abordar os questionamentos formulados pela contribuinte para demonstrar que não existe padrão numérico esperado para as comparações selecionadas em razão das inúmeras variáveis que influenciam suas atividades. Observese, ainda, que no voto condutor da Resolução nº 1101000.152 foram exigidos esclarecimentos acerca da repercussão atribuída pela autoridade fiscal à glosa de variações monetárias, juros e comissões. E, em sua segunda manifestação, a autoridade fiscal recompôs os cálculos para proporcionalizar o valor destes acessórios à comprovação do principal alegada pela contribuinte. Frente a tais circunstâncias, importa esclarecer que tal cálculo proporcional somente poderia ser admitido se devidamente justificada a impossibilidade de se estabelecer a correlação direta entre os acessórios glosados e as perdas que eventualmente venham a ser comprovadas. Esclareçase, também, que o requerimento de perícia apresentado na manifestação de fls. 18180/18241 não merece deferimento, na medida em que a interessada não apresentou quesitos que demandem conhecimento técnico distinto daquele detido pela autoridade fiscal. As análises propostas têm em conta o fluxo operacional do qual resultou os registros no sistema VAX para cobertura das operações físicas com commodities, bem como a apuração das perdas decorrentes de operações de hedge efetivamente contratadas junto à Bolsa de Chicago, bem como das correspondentes despesas com variações cambiais e juros. De outro lado, nada impede a contribuinte de requerer aos peritos indicados a produção de laudos técnicos acerca dos quesitos abaixo colocados para apuração pela autoridade fiscal, ou mesmo constituílos como seus representantes legais para se manifestarem durante a continuidade da diligência. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de novamente CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente apure a regularidade dos valores contabilizados, ainda que por amostragem devidamente justificada, mediante: 1) identificação das operações que demandaram cobertura no período fiscalizado; 2) avaliação do fluxo operacional para concretização das operações de hedge em Bolsa de modo a confirmar se as perdas registradas guardam correspondência com a variação de preços ali verificadas; 3) seleção, dentre as perdas vinculadas às operações de hedge demandadas pela contribuinte, das que resultam de operações de hedge efetivamente levadas à Bolsa, identificadas a partir dos relatórios que detalham as transferências financeiras devidas e pagas à instituição com a qual foram contratadas as operações de hedge; 4) quantificação do valor das perdas decorrentes do total de operações de hedge ordenadas pela contribuinte e do valor das perdas vinculadas a operações efetivamente levadas à Bolsa; e 5) definição da repercussão desta classificação de perdas nos registros acessórios de variação cambial, comissões e juros. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a Fl. 18462DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.001637/200901 Resolução nº 1302000.416 S1C3T2 Fl. 67 66 interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 18463DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 15889.000125/2007-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/01/2002 a 31/12/2006
IPI. DECADÊNCIA.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Se configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato gerador.
Se inexistir a antecipação do pagamento e a declaração de débito, aplica-se a regra do art. 173, I, do CTN, contando- se o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado - Precedente do STJ RESP 973.733.
Numero da decisão: 9303-003.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/01/2002 a 31/12/2006 IPI. DECADÊNCIA. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Se configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato gerador. Se inexistir a antecipação do pagamento e a declaração de débito, aplica-se a regra do art. 173, I, do CTN, contando- se o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado - Precedente do STJ RESP 973.733.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1864; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.360 1 1.359 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15889.000125/200743 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.843 – 3ª Turma Sessão de 28 de abril de 2016 Matéria IPI Recorrente COPERSUCAR COOPERATIVA DE PRODUTORES DE CANA, AÇÚCAR E ÁLCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2002 a 31/12/2006 IPI. DECADÊNCIA. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Se configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operandose em cinco anos, contados da data do fato gerador. Se inexistir a antecipação do pagamento e a declaração de débito, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, contando se o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Precedente do STJ RESP 973.733. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso especial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 25 /2 00 7- 43 Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 20181.566, da 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso da seguinte forma: · Pelo voto de qualidade, para reconhecer a decadência dos seguintes períodos: o 3º decêndio de janeiro de 2002; os 2º e 3º decêndios de fevereiro de 2002; o 1º decêndio de março de 2002; os 1º, 2º e 3º decêndios de abril de 2002; e o 1º decêndio de maio de 2002. · Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às demais matérias. O Colegiado, assim, consignou acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2002 a 31/12/2006 IPI. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao IPI decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 42, c/c o art. 116, I, do RIPI/98 (art. 129, I, do RIPI/2002), caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou arts. 173, I, c/c o art. 116, II, do RIPI/98 (art. 129, II, do RIPI12002), em caso contrário. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 15889.000125/200743 Acórdão n.º 9303003.843 CSRFT3 Fl. 1.361 3 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. 0 direito de aproveitar o crédito presumido, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É devido o lançamento, multa de oficio e juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento/compensação de imposto. Recurso voluntário provido em parte.” Não obstante a decisão acordada pelo Colegiado, importante trazer parte do voto do relator, que contempla a particularidade do caso concreto (Grifos meus): “[...] Inicialmente, analisase a eventual ocorrência de decadência. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário regese pelo art. 150, § 4 2, ou pelo art. 173, I, ambos do CTN, consoante, respectivamente, ter havido pagamento antecipado ou não. Conforme consta o Termo de Verificação Fiscal, a fl. 34, "não houve nenhum recolhimento de imposto (IPI), no período considerado de 01/01/2002 a 31/12/2006...". Assim, tendo em vista que a ciência do auto de infração ocorreu em 15/05/2007 e houve pagamento antecipado para determinados períodos, conforme livro Registro de Apuração de IPI as fls. 161 a 198, encontravamse decaídos a época do lançamento, com fulcro no art. 150, § 42, do CTN, c/c o art. 116, I, do RIPI/98 (art. 129, I, do RIPI12002), os seguintes períodos de apuração: o 3º decêndio de janeiro de 2002; os 2º e 3º decêndios de fevereiro de 2002; o 1º decêndio de março de 2002; os 1º, 2º e 3º decêndios de abril de 2002; e o 1º decêndio de maio de 2002 [...]” Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, requerendo o cancelamento da exigência fiscal, insurgindo com duas controvérsias: Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 · A primeira – quanto à aplicação do prazo decadencial para constituição do crédito tributário de acordo com o art. 150, §4º do CTN; · A segunda – quanto à impossibilidade de inovação no julgamento proferido pelo colegiado a quo, alegando que a turma proferiu o Acórdão no 20181.566, com base no voto vencedor do Ilustre Relator, mantendo a exigência fiscal correspondente, sob a alegação de que a recorrente deixou de observar normas procedimentais (obrigações acessórias) e o Auto de Infração foi lavrado com base no fundamento único de que o sujeito passivo não teria direito ao credito presumido do IPI, por não revestir a condição de produtora e exportadora do açúcar que exporta. O apelo do sujeito passivo, nos termos dos Despachos de fls. 1323/1328 e de fls. 1329/1330, apreciados pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção e Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, respectivamente, admitiu a primeira controvérsia e negou seguimento da segunda, considerando, nessa última que os acórdãos apresentados como paradigmas não se prestaram para a configuração do dissídio jurisprudencial. A Fazenda Nacional tomou conhecimento dos Despachos de Admissibilidade e de Reexame de Admissibilidade, apresentando Contrarrazões às fls. 1337/1343, requerendo que seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo para manter a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN, ou caso assim não entenda, reconhecer a decadência somente para aqueles tributos apurados até fevereiro de 2002. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. O recurso especial interposto pelo sujeito passivo é tempestivo e deve ser conhecido na parte já considerada em Despachos de Admissibilidade e de Reexame de Admissibilidade, vez que atende aos demais requisitos de Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 15889.000125/200743 Acórdão n.º 9303003.843 CSRFT3 Fl. 1.362 5 admissibilidade e a divergência apontada foi descrita adequadamente no presente recurso. O que, por conseguinte, concordo com os termos da análise feita pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. As contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional também devem ser consideradas, pois tempestivas. Passadas tais considerações, vêse que o cerne da lide se encontra na aplicação do prazo decadencial de a autoridade fazendária lançar o tributo. Quanto ao termo inicial de contagem do prazo fatal para a constituição do crédito tributário, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, temse que tal matéria encontrase pacificada com o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, apreciado na sistemática de recursos repetitivos: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); I Nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). Vêse, então, que essa discussão não poderia mais ser apreciada no CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RESP 973.733. Destarte, se o STJ decidiu que o pagamento antecipado ou declaração de débito são relevantes para caracterizar o lançamento por homologação, importante discorrer se no presente caso ocorreu efetivamente o pagamento ou a declaração do tributo em discussão. Ressurgindome aos autos, temse que, no caso vertente, o sujeito passivo tomou ciência da autuação em 15.05.2007, referente ao IPI dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 01/01/2002 a 31/12/2006. Não obstante, quanto a existência de pagamento antecipado ou não do referido tributo no período em referência, considerando o entendimento da maioria desse Colegiado, proveitoso trazer parte do voto do acórdão recorrido, eis que o relator bem fez essa análise: “[...] Inicialmente, analisase a eventual ocorrência de decadência. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário regese pelo art. 150, § 4 2, ou pelo art. 173, I, ambos do CTN, consoante, respectivamente, ter havido pagamento antecipado ou não. Conforme consta o Termo de Verificação Fiscal, a fl. 34, "não houve nenhum recolhimento de imposto (IPI), no período considerado de 01/01/2002 a 31/12/2006...". Assim, tendo em vista que a ciência do auto de infração ocorreu em 15/05/2007 e houve pagamento antecipado para determinados períodos, conforme livro Registro de Apuração de IPI as fls. 161 a 198, encontravamse decaídos a época do lançamento, com fulcro no art. 150, § 42, do CTN, c/c o art. 116, I, do RIPI198 (art. 129, I, do RIPI12002), os seguintes períodos de apuração: o 3º decêndio de janeiro de 2002; os 2ºe 3º decêndios de fevereiro de 2002; o 1º decêndio de março de 2002; os 1º, 2º e 3º decêndios de abril de 2002; e o 1º decêndio de maio de 2002. [...]” Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 15889.000125/200743 Acórdão n.º 9303003.843 CSRFT3 Fl. 1.363 7 Aplicandose o regramento do § 4° do art. 150 1 do CTN e considerando os pagamentos de determinados períodos, atesto apenas a decadência aventada aos períodos já referendados no acórdão recorrido, não estendendo a possibilidade de se aplicar esse dispositivo – que não o art. 173, inciso I, do CTN àqueles períodos em que não ocorreu o pagamento. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. É como voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 18043.720066/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
SIMPLES NACIONAL. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO PARCELADO. PAGO NO PRAZO LEGAL. PEDIDO DE PROCESSAMENTO MANUAL DO PARCELAMENTO. REGULARIDADE COMPROVADA
É devido o deferimento do pedido de opção pelo Simples Nacional ao contribuinte que quita parcela de débito previdenciários até o último dia útil de janeiro do ano em que requereu a opção.
Numero da decisão: 1302-001.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 SIMPLES NACIONAL. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO PARCELADO. PAGO NO PRAZO LEGAL. PEDIDO DE PROCESSAMENTO MANUAL DO PARCELAMENTO. REGULARIDADE COMPROVADA É devido o deferimento do pedido de opção pelo Simples Nacional ao contribuinte que quita parcela de débito previdenciários até o último dia útil de janeiro do ano em que requereu a opção.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 SIMPLES NACIONAL. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO PARCELADO. PAGO NO PRAZO LEGAL. PEDIDO DE PROCESSAMENTO MANUAL DO PARCELAMENTO. REGULARIDADE COMPROVADA É devido o deferimento do pedido de opção pelo Simples Nacional ao contribuinte que quita parcela de débito previdenciários até o último dia útil de janeiro do ano em que requereu a opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente. (assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 04 3. 72 00 66 /2 01 3- 10 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 18043.720066/201310 Acórdão n.º 1302001.885 S1C3T2 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte face ao Acórdão nº 1652.875 da 1ª Turma da DRJ de São Paulo, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário:2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. SITUAÇÃO IMPEDIENTE. REGULARIZAÇÃO. PRAZO. O Contribuinte se sujeita ao indeferimento de sua opção pelo Simples Nacional caso não regularize eventual pendência impeditiva ao ingresso no regime favorecido até o final de janeiro do ano em que formaliza dita opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (fl.5), registrado em 13/02/2013, identificou a existência dos seguintes débitos previdenciários perante a SRFB, sem exigibilidade suspensa, nºs 363439196, 363439200, 364138360, 364138378, 365656674, 395768241, 395768250, 396516483, 402001591, 402055527 e 402055535, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Em 25/02/2013, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 02) na qual sustentou que foram regularizados os débitos dentro do prazo estabelecido, visando sua inclusão no Simples Nacional, cujos termos transcrevese: A empresa veio a ter pendências com a RFB por falta de pagamento dos impostos e, visando à regularização e também a sua inclusão no Simples Nacional, veio a quitar seus débitos dentro do prazo estabelecido. O prazo para regularização dos débitos é até o dia 31/01/2013 e, conforme comprovantes em anexo (DARFs e GPSs devidamente recolhidos), a empresa veio a regularizar suas pendências dentro do prazo legal. À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do termo de indeferimento, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, incluindoa no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional. Acordaram os julgadores da 1ª Turma da DRJ/SP1, em 21 de novembro de 2013º, Acórdão nº 1652.875 (fls.39/40), pelo indeferimento do pedido da recorrente, nos seguintes termos: O critério de decidir segue no §1ºA, inciso I, do art. 7º da Resolução nº 04, de 30 de maio de 2007, expedida pelo Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim incluindo pela Resolução CGSN nº56, de 23 de março de 2009, com valência a partir de 24/03/2009 (conforme art 9º dessa última): Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 18043.720066/201310 Acórdão n.º 1302001.885 S1C3T2 Fl. 4 3 Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º. A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3 º deste artigo e observado o disposto no §3º do art. 21. § 1ºA.Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) § 1ºB. O disposto no § 1ºA não se aplica às empresas em início de atividade. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) § 1ºC. Para os fins do disposto no inciso I do § 1ºA deste artigo, a ausência ou irregularidade na inscrição municipal ou estadual, quando exigível, também é considerada como pendência impeditiva à opção pelo Simples Nacional. (Incluído pela Resolução CGSN nº 64, de 17 de agosto de 2009) § 2º. No momento da opção, o contribuinte deverá prestar declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações previstas no art. 12, independentemente da verificação efetuada conforme disposto no art. 9º. § 3º. No caso de início de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: [...] Digase ainda – e mesmo que soe um truísmo – que o limite da presente contenda está materialmente vincado pelos exatos e precisos débitoscausa listados no Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional que ilustra os presentes autos, elementos que, enfim, conformaram o horizonte defensório do Contribuinte. Nada além, coisa alguma a mais, sob pena de inovação a cargo de agente, momento e meio impróprios. Bem, o caso não é de pessoa jurídica em início de atividade (vide, por exemplo, requerimento de empresário à fl. 03). D’outro lado, como visto, a opção de que se cuida foi formalizada em 08/01/2013, isto é, já e agora sob a égide do mencionado § 1ºA, inciso I, do art. 7º da Resolução CGSN nº 04, de 2007, assim incluído pela Resolução CGSN nº56, de 2009. Logo, na espécie, tinha o Contribuinte até o último dia útil de janeiro/2013 para regularizar a pendência contra ele sacada. No caso, o débito anotado no Termo de Indeferimento (fl. 05), qualificado como impeditivo ao ingresso no Simples Nacional, ao contrário do que pondera o Contribuinte, não se o pode ter por regularizado na data limite de que se cogita. De fato, consulta aos sistemas eletrônicos da RFB (documentos juntados) dá conta de que, pelo menos com respeito aos débitos identificados sob os nº 363439196, 363439200, 364138360, 364138378, 365656674, 365656674, 395768241, 395768250 e 396516483 encontramse eles na condição "EM COBRANÇA PELA P.G.F.N.", isso, considerandose a data mais recentemente ali anotada, desde Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 18043.720066/201310 Acórdão n.º 1302001.885 S1C3T2 Fl. 5 4 19/12/2011. Significa isso, em primeira linha, que o parcelamento a que se refere o Contribuinte não colheu o fruto de sua própria higidez nas instâncias competentes (âmbito da RFB e/ou PGFN). Observese que as Delegacias de Julgamento não têm, justamente, competência para dizer sobre parcelamento (seja de modo inaugural, seja de modo recursal; vide, a propósito, arts. 224, inciso XXV, 226, inciso XIV, 228, inciso XII, 229, § 3º, inciso V, 231, inciso VIII, vis a vis com o art. 233, todos do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, com a redação conferida pela Portaria MF nº 1.403, de 3 de outubro de 2013). De toda sorte, sobre o efeito d'uma tal irregularidade (que é aspecto de temporalidade, diverso do centro meritório mesmo do parcelamento, cuja apreciação de sua própria higidez é expressamente reservada a outras instâncias, interna ou externa corporis, mas que não às DRJ), assim se o pode estimar como retroativo à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores subsumidos à obrigação então parcelada. Essa é, pelo menos, uma orientação dedutível a partir das diferentes Leis que vieram regrar as mais diversas espécies de parcelamento, ao repisarem que ficam restabelecidos, "em relação ao montante não pago, os acréscimos legais na forma da legislação aplicável à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores" (vide, a propósito: art. 5, § 1º, da Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000 REFIS; art. 10, § 20º, da Lei nº 10.260, de 12 de julho de 2001 FIES; art. 12 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003 PAES; art. 7º, § 2º, da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006 PAEX; art. 39, § 12, inciso I, e art. 40, § 14, inciso I, ambos da Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013; não há negar, pois, um forte viés de retroação no que atina aos efeitos decorrentes d'um parcelamento inadimplido). Conclusão, o Contribuinte não venceu o óbice do art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006, até a data limite aqui referenciada. Isso considerado, o presente voto é pelo INDEFERIMENTO DO PEDIDO do Contribuinte. O Termo de Ciência do referido acórdão (fl. 42) apresenta a data de 16/12/2013. Todavia, não há nos autos comprovação sobre a data em que a recorrente teria recebido esse documento. De qualquer forma, interpôs recurso voluntário em 17/01/2014 (fls. 44/45), cujas razões transcrevese a seguir: O contribuinte acima descrito efetuou a opção para enquadramento no regime do Simples Nacional em Dezembro/2012, porém foram apostados alguns débitos. Tais que foram regularizados em seu prazo legal que seria até 31/01/2013. Mesmo com a regularização dos mesmos, o parcelamento dos débitos previdenciários (363439196, 363439200, 364138360, 364138378, 365656674, 395768241, 395788250 e 396516483) que ainda não havia sido consolidado (à época), por ser um parcelamento manual, a solicitação de opção foi indeferida. A empresa veio a ter pendências por falta pagamento, porém foram regularizadas dentro do prazo supracitado. E os parcelamentos estão sendo pagos regularmente desde então. O prazo foi respeitado e os débitos estão sendo quitados. Conforme consta nos comprovantes em anexo. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 18043.720066/201310 Acórdão n.º 1302001.885 S1C3T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Na forma acima, pelo fato de não haver nos autos evidência sobre a data em que a recorrente teria sido citada (o termo de ciência do acórdão recorrido foi datado de 16/12/2013, fl. 42, e o recurso voluntário foi protocolado em 17/01/2014, fl. 69), não há como se verificar a tempestividade do recurso. A recorrente regularmente representada. Em tais condições, conheço do recurso. Diante da relação de débitos previdenciários constante do citado Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional; dos documentos apresentados pela recorrente por ocasião de sua manifestação de inconformidade e juntamente com o recurso voluntário, com o objetivo de comprovar suas alegações de que regularizou os débitos previdenciários, até 31/01/2013; e considerando os termos e fundamentos do acórdão recorrido que concluiu que o parcelamento realizado pela recorrente não produziu os efeitos esperados quanto à suspensão da exigibilidade dos valores incluídos, verificase que a questão reside em analisar, detidamente, os comprovantes de parcelamento e pagamentos constantes dos autos, cotejando os com os referidos débitos listados no Termo de Indeferimento. Assim, o Termo de Indeferimento indica a existência dos seguintes débitos previdenciários não pagos até 31/01/2013 ou sem exigibilidade suspensa, nºs 363439196, 363439200, 364138360, 364138378, 365656674, 395768241, 395768250, 396516483, 402001591, 402055527 e 402055535, que em conformidade com as disposições do art. 17, inc. V, da Lei Complementar 123/2006, considerouos como impeditivos ao ingresso no Simples Nacional. A recorrente apresentou, anexo à manifestação de inconformidade, dois documentos que indicam que houve o parcelamento desses onze débitos: (a) à fl. 06, Requerimento de Parcelamento, de 21/12/2012, o qual registra que haviam sido parcelados manualmente, os oito primeiros débitos nºs 363439196, 363439200, 364138360, 36413837 8, 365656674, 395768241 e 395768250, 396516483, que totalizaram R$103.039,87; e (b) à fl. 11, Consulta Situação Fiscal, sem data de emissão, a qual registra que haviam sido parcelados manualmente, os três débitos remanescentes: nºs 402001591, 402055527 e 402055535. Além desses comprovantes de pedido de parcelamento, a recorrente juntou GPS (fls. 8, 9 e 12/20) que demonstram que as respectivas parcelas, vincendas até 31/01/2013, foram regularmente pagas. Ainda na análise dos comprovantes de pagamento, verificase, anexo ao recurso voluntário (17/01/2014), que a recorrente apresentou, em relação ao parcelamento (a), acima, regularmente pagas, as GPS vencidas após a data limite (31/01/2013) para ingresso no Simples Nacional, até o mês anterior à interposição do recurso voluntário (juntaramse as GPS pagas, ref. 02/2013 até 12/2013). Em relação ao parcelamento (b) a recorrente juntou documento emitido eletronicamente pela PGFN, em 17/01/2014, www.w3b9.sec.prevnet/divida/Gerenciador (fls. 66/68), o qual indica que aqueles três últimos débitos estavam baixados por liquidação. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 18043.720066/201310 Acórdão n.º 1302001.885 S1C3T2 Fl. 7 6 Sobre tais comprovantes, o acórdão recorrido concluiu que não teriam sido acolhidos os pedidos de parcelamento dos quais decorriam essas GPS pagas. Contrapondose a essa conclusão, a recorrente, em manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, frisou que os pedidos de parcelamento teriam de ser manualmente processados e que somente após tal providência, os débitos listados no Termo de Indeferimento em questão seriam devidamente baixados. Por todo o exposto, considerandose que a recorrente comprovou ter parcelado os onze débitos constantes do Termo de Indeferimento em questão, anteriormente à data limite para ingresso no Simples Nacional, 31/01/2013, e que as parcelas vencidas até tal data estavam devidamente quitadas, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 76DF CARF MF Impresso em 21/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 21/06/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
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Numero do processo: 15563.000409/2010-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES - AUSÊNCIA DE PEDIDO DE ISENÇÃO - DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO - SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS - NÃO CONHECIMENTO.
Para conhecimento do Recurso Especial faz-se necessário que os acórdãos paradigmas erijam-se de situações fáticas semelhantes, cuja interpretação da norma jurídica a elas aplicável tenha sido divergente entre as Turmas de Julgamento deste Conselho.
Tratando-se de situações fáticas distintas, não se pode concluir que há divergência da interpretação na Lei Tributária, mormente quando o elemento fático diferenciador das situações é fulcral para a interpretação da norma.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES - AUSÊNCIA DE PEDIDO DE ISENÇÃO - DIVERGÊNCIA DE INTERPRETAÇÃO - SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS - NÃO CONHECIMENTO. Para conhecimento do Recurso Especial faz-se necessário que os acórdãos paradigmas erijam-se de situações fáticas semelhantes, cuja interpretação da norma jurídica a elas aplicável tenha sido divergente entre as Turmas de Julgamento deste Conselho. Tratando-se de situações fáticas distintas, não se pode concluir que há divergência da interpretação na Lei Tributária, mormente quando o elemento fático diferenciador das situações é fulcral para a interpretação da norma. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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Para conhecimento do Recurso Especial fazse necessário que os acórdãos paradigmas erijamse de situações fáticas semelhantes, cuja interpretação da norma jurídica a elas aplicável tenha sido divergente entre as Turmas de Julgamento deste Conselho. Tratandose de situações fáticas distintas, não se pode concluir que há divergência da interpretação na Lei Tributária, mormente quando o elemento fático diferenciador das situações é fulcral para a interpretação da norma. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 04 09 /2 01 0- 16 Fl. 619DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 2 Acordam os membros do colegiado, , por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de contribuições sociais destinadas à outras Entidades e Fundos, no caso FNDE (contribuição social denominada salário educação) e INCRA (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico destinada ao INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados, nas competências 01/2007 a 13/2007. Conforme se apurou no procedimento fiscalizatório, o contribuinte em questão deixou de efetuar o recolhimento das contribuições, declarandose entidade beneficente de assistência social, isenta, nos termos do artigo 195, § 7º, da Constituição da República de 1988. Nos termos do artigo 55, da Lei 8.212/91, vigente à época, para ter direito a se valer da referida isenção o contribuinte deveria atender a diversos requisitos, que deveriam ser comprovados ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, mediante apresentação de requerimento de isenção. Sendo verificado o cumprimento de todos os requisitos, referido órgão expediria Ato Declaratório de Isenção, momento a partir do qual o contribuinte poderia exercer seu direito. Assim sendo, durante o procedimento fiscalizatório foi solicitada a apresentação do referido Ato Declaratório de Isenção ao contribuinte, que, por não o possuir, não apresentou. Nesse contexto, foi lavrado o Auto de Infração. No curso do regular processo administrativo houve impugnação pelo contribuinte, julgada totalmente improcedente pela DRJ. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15563.000409/201016 Acórdão n.º 9202003.867 CSRFT2 Fl. 620 3 Ato sequente, foi regularmente interposto Recurso Voluntário, discutindo os mesmos pontos tratados na Impugnação, dentre os quais a desnecessidade de prévio reconhecimento da isenção pelo INSS, tendo em vista a aplicação retroativa do artigo 29, da Lei 12.101/09, que revogou o artigo 55, da Lei 8.212/91 e deixou de fazer tal exigência. Para o contribuinte tratavase de um típico caso de aplicação da retroatividade benigna, prevista no artigo 106, II, "b", do CTN. Ao analisar o Recurso do Contribuinte a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste Tribunal a ele deu provimento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 IMUNIDADE. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. LEI N. 12.101/2009. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXCLUSÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ART. 106, II. B. Uma vez constatado que o ato administrativo que nega o gozo da imunidade pelo contribuinte em processo administrativo que fora lavrado e encerrado sob a égide de lei nova, que deixe de tratar determinado fato como contrário à qualquer exigência de ação ou omissão, in casu, obtenção de Decreto de Utilidade Pública Estadual ou Municipal, e ausente a alegação e prova de fraude,devese aplicar retroatividade o novo diploma benéfico, nos termos do art. 106, II, b combinado com o art. 112, I, ambos do CTN. Recurso Voluntário Provido Cientificada do acórdão em 11/10/2014, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs recurso especial em 22/10/2014 (data do despacho de fl. 575), o qual é considerado tempestivo. Para demonstrar o dissídio jurisprudencial a Fazenda Nacional colacionou os Acórdãos n.º 2302002.472, de 14/04/2013, n.º 2302.003.052, de 18/03/2014. A ementa do segundo paradigma apresentado mostra que a opção interpretativa ali adotada é a de que, para os fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da Lei n.º 12.101/2000, a entidade beneficente para usufruir da imunidade relativa às contribuições sociais deveria haver requerido ao órgão da Seguridade Social o ato declaratório, sem o qual são devidas as contribuições relativas à cota patronal, posto que não haveria como a norma em questão ser aplicada a fatos geradores ocorridos antes da sua vigência. Vejamos a parte da ementa que trata da questão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 (...) LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO RETROATIVA. DESNECESSIDADE DE SOLICITAÇÃO DE ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 4 A lei aplicável é aquela vigente à época da ocorrência dos fatos, em respeito às lições elementares da ciência do Direito e às disposições gerais do ordenamento jurídico, em especial arts. 1° e 2° da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro DecretoLei n° 4.657/42 e arts. 105 e 144 do CTN. No caso da Lei n° 12.101/2009, não há que se falar em aplicação da regra excepcional da retroatividade benigna insculpida no art. 106 do CTN, em especial quanto à desnecessidade de solicitação de ato declaratório para o gozo da isenção/imunidade. Em suas razões a União alega que da simples leitura do artigo 106, do CTN: "vêse que o inciso I não tem aplicação ao presente caso, pois não estamos diante de lei interpretativa. Também não estamos diante de norma que trata de definição de infração ou de cominação de penalidade, o que também afasta o inciso II da discussão. Ao que nos concerne, a Lei 12.101/09 estabelece novo procedimento a ser adotado para verificação do cumprimento das condições para a concessão do Certificado das Entidades Beneficentes de Assistência Social – CEBAS, assim como fixa os requisitos para o gozo da isenção das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/91." Intimado da decisão e do Recurso Especial da União, em 07/10/2015, em 21/10/2015 o contribuinte, tempestivamente, apresentou contra razões, alegando, em rebate às colocações da União, fundamentalmente: 1. Inadmissibilidade do Recurso da União, dada a ausência de similitude fática entre os acórdãos trazidos pela União e o caso em voga. No entender do contribuinte o acórdão apontado como divergente pela União tratase de caso em que o contribuinte não efetuou o requerimento da isenção ao INSS; enquanto que no presente caso, houve o dito requerimento de isenção, cujo processo administrativo apenas findouse após a publicação da Lei 12.101/2009, conforme assentado no acórdão recorrido; 2. A desnecessidade de prévio reconhecimento da isenção, dada a aplicação do princípio da retroatividade prevista no artigo 106, II, do CTN para o artigo 29, da Lei 12.101/2009; 3. Requereu o reconhecimento da inadmissibilidade ou que fosse improvido o Recurso da União. Alternativamente, caso fosse dado o provimento ao Recurso, que os autos retornem para que a Turma de Julgamento analise os outros argumentos trazidos em seu recurso, tendo em vista que eles não foram analisados quando da prolação da decisão ora objeto do Recurso da União. Isso posto, passo ao exame do caso. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra Relator Com relação à admissibilidade do Recurso da União, vejo que a situação jurídica versada no Acórdão Paradigma e no Acórdão recorrido se assemelham. Ambos tratam da aplicação ou não, da retroatividade de Lei prevista no artigo 106, do CTN, para o artigo 29, Fl. 622DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15563.000409/201016 Acórdão n.º 9202003.867 CSRFT2 Fl. 621 5 da Lei 12.101/2009, em relação à apresentação de ao requerimento de isenção das contribuições previdenciárias ao INSS. Contudo, as situações fáticas descritas nos paradigmas e aquela tratada nos presentes autos possuem relevante diferença que, se analisada pela turma que exarou as decisões paradigmas, não se pode garantir que a decisão seria, de fato, divergente. No recorrido, ainda no período de vigência do artigo 55, da Lei 8.212/91, houve pedido de imunidade pelo contribuinte, nos termos do § 1º, do referido artigo 55. Entretanto, apesar de indeferido o pedido, o trânsito em julgado do processo administrativo respectivo apenas ocorreu após à vigência da Lei 12.101/09, conforme se pode constatar da seguinte passagem do voto vencedor: Portanto, até o advento da Lei nº 12.101/2009, aqueles que não cumprissem os requisitos meramente formais dispostos nos incisos I e II do art. 55 da Lei nº 8.212/91, não poderiam ser enquadrados como entidades beneficentes, sofrendo, pois, o ônus da não fruição da imunidade tributária. Nos presentes autos o contribuinte apresentou pedido de gozo de imunidade à Secretaria da Receita Federal do Brasil, o qual foi indeferido, ante a não apresentação de Decreto de Declaração de Utilidade Pública Estadual ou Municipal, requisito da segunda parte do inciso I, do art. 55 da Lei 8.212/91. No entanto, o processo 35331.000241/200776, fls. 142 e seguintes, perdurou a discussão até momento posterior à vigência da Lei 12.101/2009, de 27 de novembro de 2009, conforme se percebe da sua movimentação disponível no COMPROT da Receita Federal, abaixo colacionado: Diante da indefinição jurídica quanto à imunidade, dado que o processo relativo ao pedido perdurou até o advento da nova Lei, que trouxe um afrouxamento das formalidades para o gozo da benesse, a Turma de Julgamento entendeu que, nesse caso, aplicavase a retroatividade da Lei Tributária, nos moldes do artigo 106, II, "b", do CTN, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 IMUNIDADE. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI 8.212/91. REVOGAÇÃO. LEI N. 12.101/2009. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXCLUSÃO. APLICAÇÃO RETROATIVA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ART. 106, II. B. Uma vez constatado que o ato administrativo que nega o gozo da imunidade pelo contribuinte em processo administrativo que fora lavrado e encerrado sob a égide de lei nova, que deixe de tratar determinado fato como contrário à qualquer exigência de ação ou omissão, in casu, obtenção de Decreto de Utilidade Pública Estadual ou Municipal, e ausente a alegação e prova de fraude,devesse aplicar retroatividade o novo diploma benéfico, nos termos do art. 106, II, b combinado com o art. 112, I, ambos do CTN. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 6 Já nos paradigmas apresentados pela União em seus recurso é possível detectar. claramente, que o fato de haver pedido de imunidade formulado, ainda na vigência da Lei 8.212/91, artigo 55, § 1º, não foi frontalmente enfrentado pelos julgadores, com o objetivo de confirmar ou não seu entendimento quanto à retroatividade da Lei 12.101/09. Vejam que no acórdão de nº 2302002.472 a ratio decidendi pautase exclusivamente na falta de solicitação da imunidade por parte do contribuinte. É o que se pode extrair das seguintes passagens do voto vencedor respectivo, abaixo transcritas: As provas constantes nos autos não contêm qualquer indício de prova material, o mínimo que seja, de que o Recorrente tenha formulado perante a autarquia previdenciária federal o indispensável requerimento de isenção a que alude o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Ao contrário: O próprio Recorrente admite que “no período fiscalizado atendeu a todos os requisitos da Lei nº 8.212/91, exceto o pedido de reconhecimento de isenção ao INSS, pedido esse agora não mais exigido pela lei nova”. (...) Por tais razões, em virtude da carência de requisito essencial previsto no §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, consistente no requerimento formal da isenção ora em realce ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, pugnamos pela improcedência das alegações veiculadas no Recurso Voluntário interposto pelo SODIPROM Centro de Formação de Aprendizes de Diadema. Já o caso tratado no Acórdão 2302003.052 é ainda mais dissonante no presente, haja vista que naquela situação houve um cancelamento formal do ato declaratório pelo INSS, tendo em vista a ausência de comprovação de requisito necessário para a fruição da benesse fiscal e, mesmo após o contribuinte se adequar novamente aos requisitos legais, não houve novo pedido de imunidade. Eis o que diz o voto condutor do referido acórdão: Tendo em vista que a recorrente teve sua isenção cancelada por Ato Cancelatório retroativo a 25/01/2002, em virtude de não ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, no período de 11/03/1999 a 10/03/2002, como retro demonstrado, concluise que somente voltaria a fazer jus ao benefício após o requerimento de novo gozo do benefício em questão, procedimento este obrigatório, conforme dispõem o art. 55, parágrafo 1º, da Lei 8.212/91 c/c art. 208 do Decreto 3.048/99. Nessa hipótese, a isenção, se concedida, geraria efeitos a partir do protocolo do pedido, conforme dispõem o § 1º do art. 55. da Lei 8.212/91 e o art. 208 do Decreto 3.048/99 Lei 8.212/91. (...) Sendo assim, mesmo a recorrente sendo detentora do certificado no período abrangido pelo lançamento (01/2008 a 12/2008), por não ter comprovado o cumprimento do requisito legal previsto no art. 55, parágrafo 1º, da Lei 8.212/91 c/c art. 208 do Decreto 3.048/99, o lançamento mostrase lídimo. Vejam que a falta de requerimento de nova isenção é o motivo que levou a Turma a decidir pela inaplicabilidade da imunidade. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15563.000409/201016 Acórdão n.º 9202003.867 CSRFT2 Fl. 622 7 Salientese que no entendimento da Turma em havendo nova solicitação de imunidade, os efeitos respectivos iniciariamse na data do protocolo do pedido. Pois bem. A meu ver, está claro que as situações fáticas analisadas nos acórdãos paradigmas se diferem da situação analisada pela Turma que exarou a decisão recorrida, sendo o ponto central da diferença fática processo de solicitação de imunidade pendente de julgamento quando da entrada em vigência da Lei 12.101/09 fundamental para o deslinde da questão. E tal ponto não foi analisado pela Turma que exarou as decisões ora trazidas como paradigmas. Em assim sendo, voto pelo não conhecimento do recurso da União. Gerson Macedo Guerra Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Divirjo do entendimento do ilustre relator, quanto ao não conhecimento do Recurso Especial da PGFN, uma vez que a matéria devolvido a esta CSRF é a seguinte: "cabimento retroativo da lei 12101/2009, que deixa de exigir o pedido de isenção constante do art. 55 da lei." A alegação de ausência de similitude fática não deve prosperar, já que a imputação de descumprimento legal descrita nas três situações (recorrido e paradigmas) consubstanciase no fato de inexistir ato declaratório de isenção emitido pelo INSS/SRP. Nos 3 casos identifcamos que dispositivo legal que fundamentou todos os lançamentos é o mesmo, qual seja, o art. 55, §1º da lei 8212/91, conforme descrito nos respectivos acórdãos. Vejamos trecho do acórdão recorrido Voto vencedor, que ora apreciamos quanto as razões que levaram a maioria do colegiado a dar provimento ao recurso do contribuinte: Da leitura do artigo, verificase que as “entidades beneficentes de assistência social” precisam atender às exigências estabelecidas em lei para serem imunes à contribuição previdenciária. Nesse diapasão, assim disciplinava a norma infralegal (art. 55 da Lei n. 8.212/91), vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 625DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 8 I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência;(Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). É possível constatar, da leitura dos dispositivos supra, que a benesse fiscal presentemente discutida cuida, em verdade, de imunidade tributária condicionada ao cumprimento dos requisitos estabelecidos no então art. 55, da Lei nº 8.212/91. Posteriormente, a Lei nº 12.101/2009 disciplinou os requisitos para a fruição da imunidade discutida, revogando o referido dispositivo, além de elencar nova relação de condições a serem cumpridas, excluindose desta, o reconhecimento como utilidade pública federal e estadual ou distrital e municipal. É o que se vê no art. 29 da novel lei, in verbis: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam, seus dirigentes estatutários, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; (Redação dada pela Lei nº 12.868, de 2013) II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de Fl. 626DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15563.000409/201016 Acórdão n.º 9202003.867 CSRFT2 Fl. 623 9 forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou Processo n patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. Vêse que o legislador retirou tais requisitos meramente formais e burocráticos que tanto dificultavam o gozo da benesse fiscal concedida constitucionalmente, para dispor tão somente de condições materiais que efetivamente caracterizam a beneficência e assistência social de determinada entidade. [...] Portanto, até o advento da Lei nº 12.101/2009, aqueles que não cumprissem os requisitos meramente formais dispostos nos incisos I e II do art. 55 da Lei nº 8.212/91, não poderiam ser enquadrados como entidades beneficentes, sofrendo, pois, o ônus da não fruição da imunidade tributária. Nos presentes autos o contribuinte apresentou pedido de gozo de imunidade à Secretaria da Receita Federal do Brasil, o qual foi indeferido, ante a não apresentação de Decreto de Declaração de Utilidade Pública Estadual ou Municipal, requisito da segunda parte do inciso I, do art. 55 da Lei 8.212/91. No entanto, o processo 35331.000241/200776, fls. 142 e seguintes, perdurou a discussão até momento posterior à vigência da Lei 12.101/2009, de 27 de novembro de 2009, conforme se percebe da sua movimentação disponível no COMPROT da Receita Federal, abaixo colacionado: Por tal razão, era dever da autoridade aplicar a nova disciplina para gozo da imunidade, em conformidade com expressa disposição do Código Tributário Nacional, princípio da retroatividade benigna, nos termos no art. 106, II, ‘b’, in verbis: [...] No caso concreto, a infração tributária fora caracterizada como o fato de o contribuinte ter se auto enquadrado no FPAS 639, o que afastava a incidência de contribuições previdenciárias, parte Fl. 627DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 10 patronal, em razão do disposto no art. 195, parágrafo 7º da CF/88, mesmo não preenchendo os requisitos do art. 55, I, da Lei 8.212/91, à época dos fatos geradores. Ao revogar o art. 55, a Lei 12.101/09 deixou de exigir o Decreto de Utilidade Pública Estadual ou Municipal, o que afasta, portanto, a falta do contribuinte, e, consequentemente, a caracterização da multa, principalmente pelo fato de o processo de isenção ter se findado sob a égide da lei nova, bem como o auto ter sido lavrado também posteriormente. Ante o exposto, entendo que a devese aplicar retroativamente a Lei 12.101/09, para deixar de definir como infração, o auto enquadramento como imune às contribuições, em razão de o fato que ensejaria a infração, ter deixado de existir. Por outro lado, ao contrário do que entendeu o ilustre relator, entendo que os acórdãos paradigmas e o recorrido versam, sim, sobre situações fáticas semelhantes, qual seja, em ambos os casos foram lançadas contribuições em que a fiscalização apontou o descumprimento do art. 55, §1º, sendo que foram apreciadas questões da lei 12.101/2009 e sua aplicabilidade retroativa aos processos no momento do julgamento. Não cabe aqui discutir os motivos ensejadores da inexistência do ato declaratório, seja porque inexistiu o pedido, seja porque foi indeferido, o que é fato nos três casos é que o FUNDAMENTO DO LANÇAMENTO É O MESMO, ART. 55, §1º DA LEI 8212/91, tendo os colegiados em relação ao descumpimento desse preceito legal, e a luz das novas regras introduzidas lei 12.101/2009, julgado se aplicaria ou não seus preceitos em relação aos fatos geradores anteriores. Observe que o acórdão recorrido foi lavrado em 07/11/2010, referente ao período de 01/2007 a 12/2007, cujo descumprimento apontado foi: Segundo o relatório fiscal, constituem fatos geradores das contribuições lançadas, as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais apurados nas GFIP e em folhas de pagamento, entretanto as contribuições patronais foram apuradas tendo em vista a empresa ter se auto enquadrado equivocadamente como entidade isenta, utilizandose na GFIP o código FPAS 639, apesar de ter seu pedido de isenção de contribuições sociais indeferido, conforme cópia do Ofício 0334/2007 – DRF/NIU/SECAT, de 30/11/2007. Já o primeiro paradigma apresentado Acórdão 230202.472, referente ao período de 30/01/2006 a 12/2007, podemos extrair, apenas para identificar a inexistência de similitude descrita pelo relator, os seguintes pontos: Diante de tal quadro normativo legal e constitucional, para que uma entidade seja sujeito de direito à isenção em realce, é indispensável que comprove ser entidade beneficente e de assistência social e que seja reconhecida formalmente como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, além de atender, cumulativamente, aos demais requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. Nessa prumada, não basta à entidade beneficente ser reconhecida pelos órgãos certificadores, nem mesmo ser detentora dos certificados de entidade beneficente de assistência social, para poder usufruir do direito à isenção em foco. De acordo com o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, fulgura como condição sine qua non que a entidade, atendendo a todos os requisitos elencados na lei, requeira o reconhecimento à isenção Fl. 628DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15563.000409/201016 Acórdão n.º 9202003.867 CSRFT2 Fl. 624 11 ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, o qual terá o prazo de 30 dias para despachar o pedido. As provas constantes nos autos não contêm qualquer indício de prova material, o mínimo que seja, de que o Recorrente tenha formulado perante a autarquia previdenciária federal o indispensável requerimento de isenção a que alude o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Ao contrário: O próprio Recorrente admite que “no período fiscalizado atendeu a todos os requisitos da Lei nº 8.212/91, exceto o pedido de reconhecimento de isenção ao INSS, pedido esse agora não mais exigido pela lei nova”. No caso em apreciação, o lançamento tributário houvese por formalizado em razão de a entidade recorrente não ter efetuado tempestivamente o recolhimento das contribuições previdenciárias por ela devidas, consoante exigência fiscal inscrita na Lei nº 8.212/91. Constatou o agente fiscal notificante que, mesmo sem ser titular do direito de isenção em realce, a entidade informava nas GFIP o código FPAS 639, que é específico para as Entidades Beneficentes de Assistência Social reconhecidas pela autarquia previdenciária, mediante Ato Declaratório, como detentoras do direito a isenção de contribuições previdenciárias. Noticiese que a carência do direito formal à isenção houvese por reconhecido pela própria Recorrente. Cabenos enfatizar que, por se tratar de hipótese de renúncia fiscal, há que se lhe emprestar interpretação restritiva, a teor das disposições plasmadas no art. 111, II do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Não podemos concordar com qualquer possibilidade de incidência, ao caso concreto, do preceito inscrito no §1º do art. 144 do CTN, conforme defendido pela Insigne Relatora, uma vez que o art. 29 da Lei nº 12.101/09 não instituiu qualquer novo critério de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, a justificar a incidência retroativa da Lei nº 12.101/2009. Código Tributário Nacional Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 12 §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. O citado art. 29, ao revés, instituiu, sim, dentro da nova ordem jurídica inaugurada pela aludida Lei nº 12.101/2009, os requisitos necessários exigidos das entidades beneficentes certificadas na forma do Capítulo II dessa lei para fazer jus à isenção do pagamento das contribuições sociais de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212/91, os quais passaram a ser de observância obrigatória a contar da efetiva vigência e eficácia da Lei nº 12.101/2009, em atenção à regra geral encartada no caput do art. 144 do CTN. Discordamos, igualmente, da interpretação dada pela Eminente Relatora ao dispositivo encapsulado no art. 44 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010, que regulamentou a Lei nº 12.101/09. Ao contrário da exegese concebida no voto condutor, entendo que o dispositivo insculpido no suso citado art. 44 expressamente inadmite a retroatividade da lei nova em tela, na medida em que determina que os Atos Cancelatórios e Pedidos de Isenção pendentes de julgamento retornem às competentes Delegacias da Receita Federal para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador, e não em conformidade com a lei nova, reconhecendo, assim, a primazia do princípio tempus regit actum. Decreto nº 7.237, de 20/07/2010 “Art. 44. Os pedidos de reconhecimento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato gerador. Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até a data de publicação da Lei nº 12.101, de 2009. Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.” Fl. 630DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15563.000409/201016 Acórdão n.º 9202003.867 CSRFT2 Fl. 625 13 Por tais razões, em virtude da carência de requisito essencial previsto no §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, consistente no requerimento formal da isenção ora em realce ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, pugnamos pela improcedência das alegações veiculadas no Recurso Voluntário interposto pelo SODIPROM Centro de Formação de Aprendizes de Diadema. Já o paradigma, 2302003.052, período de 01/2008 a 12/2008, fls. 894, também pautado na inexistência de ato declaratório, contudo argumentava a recorrente que seu processo do ato cancelatório não se encontrava definitivamente julgado, sendo pela decisão do colegiado incabível a retroatividade da lei 12.101/2009: Tendo em vista que a recorrente teve sua isenção cancelada por Ato Cancelatório retroativo a 25/01/2002, em virtude de não ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, no período de 11/03/1999 a 10/03/2002, como retro demonstrado, concluise que somente voltaria a fazer jus ao benefício após o requerimento de novo gozo do benefício em questão, procedimento este obrigatório, conforme dispõem o art. 55, parágrafo 1º, da Lei 8.212/91 c/c art. 208 do Decreto 3.048/99. Nessa hipótese, a isenção, se concedida, geraria efeitos a partir do protocolo do pedido, conforme dispõem o § 1º do art. 55. da Lei 8.212/91 e o art. 208 do Decreto 3.048/99 Lei 8.212/91. Tampouco assiste razão à recorrente quanto à tese de que o inciso II do art. 55, da Lei 8.212/91 deve ser aplicado na sua redação original, a qual estipulava que as entidades beneficentes deveriam ser portadora do Certificado ou do Registro de Entidades de Fins Filantrópicos, fornecido pelo CNAS, tendo em vista a liminar concedida pelo STF, na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.0285. Como sempre possuiu o Registro de Entidade Beneficentes de Assistência Social, não haveria a necessidade do Certificado de Entidade Beneficentes de Assistência Social. Conforme já decidido pela DRJ, a argumentação não tem cabimento, pois a liminar concedida pelo STF referese apenas ao inciso III e aos §§ 3º, 4º e 5º, do art. 55, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.732/98, bem como aos arts. 4º, 5º e 7º da própria Lei nº 9.732/98, de sorte que não houve qualquer manifestação do STF em relação ao inciso II, do art. 55 da Lei 8.212/91, que exige que a entidade seja portadora tanto do Certificado quanto do Registro de Entidade Beneficente de Assistência Social. Sendo assim, mesmo a recorrente sendo detentora do certificado no período abrangido pelo lançamento (01/2008 a 12/2008), por não ter comprovado o cumprimento do requisito legal previsto no art. 55, parágrafo 1º, da Lei 8.212/91 c/c art. 208 do Decreto 3.048/99, o lançamento mostrase lídimo. Ausência de Trânsito em julgado. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 14 Alega a recorrente que não houve trânsito em julgado do ato cancelatório de sua isenção, mesmo em se tratando de infração ao inciso II do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, tendo apresentado recurso que se encontra pendente de julgamento. Como já afirmado, a regulamentação do referido dispositivo legal foi feita por meio do Decreto nº 3.048/99, que no seu art. 206, § 8º, incisos I, II, III e IV previa o procedimento administrativo do cancelamento da isenção nas hipóteses de não cumprimento, pelas entidades beneficiadas, dos requisitos legais. Como já consignado na decisão de primeira instância, dispunha o § 9º do art. 206 que não cabia recurso da decisão que cancelava a isenção com fundamento nos incisos I, II e III do caput do art. 206 do Decreto 3.048/99. Isso porque os requisitos previstos nos incisos mencionados (correspondentes aos incisos I e II, do art. 55, da Lei nº 8.212/91) tratam de certidões e certificados emitidos por órgãos não vinculados ao Conselho de Recursos da Previdência Social (posteriormente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). No caso em questão, a isenção foi cancelada em virtude da ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, cuja emissão e renovação cabiam ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, restando aos órgãos de fiscalização do INSS e, posteriormente, da Receita Federal do Brasil, a verificação objetiva, nesta hipótese (requisito previsto no inciso II, do art. 55, da Lei 8.212/91), da existência ou não do CEBAS. Assim, ausente o certificado, o cancelamento da isenção impunhase, sem possibilidade de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme dispõe a legislação aplicável à matéria. Portanto, não houve falta de trânsito em julgado administrativo em relação ao processo de cancelamento de isenção, razão pela qual não há que se falar em cerceamento de defesa. Retroatividade Benigna. Lei n° 12.101/09. Alega a recorrente que deve ser aplicada a exceção ao princípio da irretroatividade das leis prevista no art. 106 do CTN, que dispõe ser possível a aplicação retroativa da lei, desde que nos mesmos contornos da retroatividade do Direito Penal. Isso porque a norma superveniente a ser aplicada é a Lei nº 12.101/09, que dispõe que basta tão somente a entidade certificada atender aos requisitos previstos no art. 29 do mesmo diploma legal para gozar da isenção prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, sendo certo que, no mínimo, desde o ano de 2003 é certificada e preenche os requisitos do citado art. 29. Ocorre que o pleito da recorrente não se enquadra em nenhuma das exceções previstas no art. 106 do CTN, razão pela qual concluise que a lei aplicável é aquela vigente à época da ocorrência dos fatos em respeito às lições elementares da ciência do Direito e às disposições gerais do ordenamento jurídico, em especial arts. 1° e 2° da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro – DecretoLei n° 4.657/42 e arts. 105 e 144 do CTN. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 15563.000409/201016 Acórdão n.º 9202003.867 CSRFT2 Fl. 626 15 Nesse ponto, entendo que a Procuradoria em seu recurso identificou correntemente a legislação aplicada de forma diversa, indicando paradigmas que se prestam a apreciação da matéria. Destacou os seguintes trechos dos paradigmas em seu recurso: Acórdão 230202.472 “Não podemos concordar com qualquer possibilidade de incidência, ao caso concreto, do preceito inscrito no §1º do art. 144 do CTN, conforme defendido pela Insigne Relatora, uma vez que o art. 29 da Lei nº 12.101/09 não instituiu qualquer novo critério de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, a justificar a incidência retroativa da Lei nº 12.101/2009. (...) O citado art. 29, ao revés, instituiu, sim, dentro da nova ordem jurídica inaugurada pela aludida Lei nº 12.101/2009, os requisitos necessários exigidos das entidades beneficentes certificadas na forma do Capítulo II dessa lei para fazer jus à isenção do pagamento das contribuições sociais de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212/91, os quais passaram a ser de observância obrigatória a contar da efetiva vigência e eficácia da Lei nº 12.101/2009, em atenção à regra geral encartada no caput do art. 144 do CTN.” Acórdão 230203.052 “Retroatividade Benigna. Lei n° 12.101/09. Alega a recorrente que deve ser aplicada a exceção ao princípio da irretroatividade das leis prevista no art. 106 do CTN, que dispõe ser possível a aplicação retroativa da lei, desde que nos mesmos contornos da retroatividade do Face ao exposto, considerando que o lançamento do acórdão recorrido, foi fundamentado na inexistência de ato declaratório de isenção, pressuposto descrito no §1º do art. 55 da lei 8212/91 e que a matéria devolvida a esta CSRF referese a retroatividade da lei 12.201/2009, entendo que restou demonstrada a divergência entre a aplicação da lei para os casos apresentados, razão pela qual encaminho por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 633DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 03/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/06/2016 por GERSON MACEDO GUERRA
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Numero do processo: 16561.000086/2006-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2003
NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal.
EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O resultado positivo da equivalência patrimonial na investidora, seja ou não decorrente da variação cambial no patrimônio da investida, não integra a apuração do lucro real por ausência de previsão em lei formal nesse sentido.
LUCROS NO EXTERIOR. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL.
Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.158-35, de 2001 (Súmula CARF nº 94).
Numero da decisão: 1402-002.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para i) excluir da tributação a matéria relativa à equivalência incidente sobre a variação positiva do patrimônio líquido de coligadas sediadas no exterior - infração 001 do auto de infração; ii) excluir da tributação as adições não computadas no lucro real, ano-calendário 2001 - infração 003 do auto de infração; iii) acatar parte dos pagamentos referentes aos fiscos dos Estados e ao fisco Federal, a título de imposto de renda nos anos-calendário de 2002 e 2003, conforme discriminado nas tabelas dos itens 4.1 e 4.2 deste voto; e; iv) considerar a repercussão do decidido quanto aos itens (i) e (ii) no lançamento da CSLL.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2003 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O resultado positivo da equivalência patrimonial na investidora, seja ou não decorrente da variação cambial no patrimônio da investida, não integra a apuração do lucro real por ausência de previsão em lei formal nesse sentido. LUCROS NO EXTERIOR. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL. Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.158-35, de 2001 (Súmula CARF nº 94).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002, 31/12/2003 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O resultado positivo da equivalência patrimonial na investidora, seja ou não decorrente da variação cambial no patrimônio da investida, não integra a apuração do lucro real por ausência de previsão em lei formal nesse sentido. LUCROS NO EXTERIOR. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL. Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001 (Súmula CARF nº 94). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para i) excluir da tributação a matéria relativa à equivalência incidente sobre a variação positiva do patrimônio líquido de coligadas sediadas no exterior infração 001 do auto de infração; ii) excluir da tributação as adições não computadas no lucro real, ano calendário 2001 infração 003 do auto de infração; iii) acatar parte dos pagamentos referentes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 86 /2 00 6- 59 Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.343 2 aos fiscos dos Estados e ao fisco Federal, a título de imposto de renda nos anoscalendário de 2002 e 2003, conforme discriminado nas tabelas dos itens 4.1 e 4.2 deste voto; e; iv) considerar a repercussão do decidido quanto aos itens (i) e (ii) no lançamento da CSLL. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.344 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de IRPJ e CSLL do qual o contribuinte tomou ciência em 27/12/2006, decorrente das seguintes alegações das Autoridades Fiscais: (i) não foi possível aceitar os documentos que comprovariam os pagamentos de parte do imposto de renda devido pelas subsidiárias da Recorrente nos Estados Unidos, uma vez que não se pôde ter certeza sobre os exatos valores pagos ao Fisco norteamericano; (ii) as adições efetuadas na apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, nos anoscalendário de 2002 e 2003, não refletem a totalidade dos lucros apurados pelas subsidiárias no exterior; (iii) não foi adicionado, às bases de cálculo do IRPJ e CSLL do período encerrado em 31/12/2002, a variação positiva no patrimônio líquido das subsidiárias no exterior. A fiscalização, em Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.002005 011310 e prorrogações (fls.1 e 650), constatou grande dificuldade em compatibilizar os demonstrativos apresentados pela empresa (fls. 193/201) com os comprovantes de tributos pagos no exterior. A ordenação desses documentos gerou a intimação de 05/10/2006, cuja resposta da contribuinte ocorreu através dos documentos apresentados às fls. 279, 341/349 e 342/510. Nada obstante, a fiscalização continuou afirmando a impossibilidade de se verificar, com exatidão, os valores efetivamente pagos pelas diversas coligadas da Recorrente no Exterior. Nessa esteira, nova intimação, em 16/11/2006, requereu que a contribuinte solicitasse, às autoridades tributárias dos países beneficiários, declaração arrolando os valores efetivamente recebidos a título de imposto de renda pessoa jurídica líquido, de incentivos fiscais e devoluções de pagamentos efetuados a maior nos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003, bem como eventuais recolhimentos de juros e multa, inclusive as datas em que ocorreram tais eventos. Conforme relatório da DRJ, a contribuinte respondeu em 18/12/2006, apresentando demonstrativos do New York State Department of Taxation and Finance (fls. 519/538) explicando que os impostos recolhidos se referem a "Franchise Tax", que a Fiscalização apurou tratarse de imposto exigido pelos estados americanos, diferente do "Income Tax" federal. Além disso, apresentou também extrato de contacorrente, em nome de coligadas da contribuinte, junto ao Internal Revenue Service (fls. 545/638) e relativo ao tributo incidente sobre as receitas respectivas. Esses valores não foram aceitos pela impossibilidade de certeza sobre os exatos valores pagos ao Fisco norteamericano, devido a grande quantidade de estornos e créditos em favor das coligadas norteamericanas, e também porque a legislação brasileira exige que os períodos de apuração, datas de pagamento/devoluções e valores respectivos estejam claramente indicados. Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.345 4 No mais, a contribuinte apresentou declaração do Fisco holandês, acompanhada de demonstrativos (fls. 539/544), confirmando pagamentos do imposto de renda corporativo lançado sobre a Cutrale Europe holding BV, que foi considerada válida para reduzir o IRPJ a pagar no Brasil sobre lucros corporativos, relativos aos períodos de apuração terminados em 2001, 2002, 2003, desde que pagos até 2003. Em vista do exposto, a Fiscalização reajustou o valor utilizado pela contribuinte para reduzir o IRPJ a pagar no Brasil nos anoscalendário de 2002 e 2003, considerando como válidos apenas os comprovantes que se enquadrassem nas exigências da legislação brasileira. No que diz respeito aos lucros auferidos no exterior, a Fiscalização verificou que a contribuinte nada adicionou, a esse título, aos períodos encerrados em 1999, 2000 e 2001 (fls. 006 a 008v). Já no que tange as adições às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em 2003, entendeu a fiscalização que essas não refletiram a totalidade dos lucros apurados nas coligadas externas, conforme foi verificado, confrontando as demonstrações dos períodos encerrados entre 1999 e 2003 (fls. 240/256) com os valores oferecidos à tributação (fls. 6/14), apresentados no Anexo ao Termo de Constatação (fls. 660). Esse demonstrativo foi feito considerando, como data de conversão da moeda, o final do exercício no Brasil, quando os lucros foram disponibilizados; ou seja, 31/12/2001, 31/12/2002 e 31/12/2003. Por fim, consta do Termo de Constatação e Encerramento de Fiscalização (fl. 651 e seguintes) que a contribuinte também deixou de adicionar às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, do período encerrado em 31/12/2002, a variação positiva ocorrida no patrimônio líquido das coligadas externas, demonstrada também no Anexo (fls. 660). Com efeito, o termo informa que a tributação das diferenças apuradas provocou a reversão em 2003 do saldo de prejuízos fiscais, tornando indevida a compensação realizada que foi, em conseqüência, objeto de glosa. A contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese: 1) cerceamento do direito de defesa, já que o Agente Fiscal não define de forma clara e objetiva os motivos que o levaram a concluir que a contribuinte agiu de forma indevida com relação à tributação dos lucros do exterior, bem como não enquadrou devidamente os procedimentos supostamente indevidos adotados pela contribuinte; 2) argumenta que o art. 14 da IN SRF n° 213/2002, descreve mecanismos para o cálculo da parcela do IR e que foram obedecidos pela empresa, não havendo razão de se afirmar que o IR compensado no Brasil excedeu o montante do imposto de renda e adicional devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros incluídos na apuração do lucro real, não cabendo a alegação do Auditor Fiscal que a impugnante compensou pagamentos do IR por estimativa e não definitivos da empresa americana. 3) alega que é possível comprovar os valores pagos a título de imposto de renda federal, no período de 1997 a 2003, pelas subsidiárias americanas, através dos extratos disponibilizados pelo IRS (Internal Revenue Service), os quais demonstram os valores de imposto de renda pagos nos Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.346 5 Estados Unidos e os respectivos períodos, além dos documentos já apresentados tanto à Fiscalização, como junto à impugnação. 4) alega que a tributação americana sobre os lucros não ocorre só a nível federal, acontecendo também nos estados, onde é exigido o imposto estadual sobre a renda, conforme determina a legislação do estado da Florida. O mesmo procedimento é feito, com pequenas variações, nos outros estados e municípios onde as subsidiárias da impugnante apresentaram lucro tributável, ou seja, Nova York e Nova Jersey, se enquadrando, portanto, no que dispõe a citada IN SRF n° 213/2002. 5) informa que, em virtude de a Fiscalização ter reclamado que alguns comprovantes estavam incompletos ou ilegíveis, está anexando novamente todos os comprovantes que embasaram o imposto pago no exterior, todos legalizados, consularizados e com tradução juramentada. 6) alega que compensou o IR pago no exterior relativos aos anos de 1997 e 1998, na apuração do imposto de 2002 pois, à época da apuração desse imposto, a empresa não auferiu lucro real positivo no Brasil. Dessa forma, o IR pago no exterior até 30/06/98 foi escriturado no LALUR, na parte B, para ser compensado nos anoscalendário subseqüentes conforme autorizava o art.13, § 15° da IN n° 38/96, substituído pelo art. 14, §15° da IN SRF n° 213/2002, devendo, portanto ser considerados na apuração do lucro real de 2002. 7) alega que disponibilizou a totalidade dos lucros obtidos no exterior, conforme demonstrativos de fls 194 e 201, já apresentados à Fiscalização, argumentando que o Auditor Fiscal não considerou os prejuízos apurados pelas subsidiárias americanas, no período de 01/01/1998 a 30/09/1999, no montante de R$ 7.661.898,12, para compensar o lucro apurado por essas mesas empresas no período de 01/10/1999 a 30/09/2002, compensação essa respaldada pela legislação fiscal brasileira no art. 4º da já citada IN SRF n° 213/2002. 8) reclama que a conversão dos lucros apurados pelas subsidiarias americanas foi feita pela taxa de câmbio para venda, em 31 de dezembro do ano em que os lucros foram apurados o que contraria o disposto no art. 25 , §4° da Lei n° 9.249/1995, que determina que seja feito pela taxa de câmbio para venda, do dia das demonstrações financeiras e que tenha sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. No caso das controladas americanas o exercício é encerrado em 30 de setembro de cada ano, como lhe é permitido pela legislação local. Assim, argumenta, que a taxa a ser utilizada deveria ser a de 30 de setembro de cada ano. 9) alega que não foi considerado pela Fiscalização, na composição dos lucros do exterior disponibilizados em 2002, para fins de tributação da CSLL, o valor de R$ 7.661.898,12, correspondente ao prejuízo apurado pelas subsidiárias americanas entre 01/07/1998 e 30/09/99. A adição desse valor, na apuração da CSLL foi efetuada na linha 18 outras adições, da ficha 17 da DIPJ 2003. O procedimento foi adotado em Fl. 2346DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.347 6 decorrência da legislação fiscal, através do art. 19 da MP 1.8586/99 (atual MP n° 2.15835/01) instituir a tributação dos lucros do exterior pela CSLL, a partir de 01/10/1999, não permitindo que os prejuízos, apurados até 30/09/99, fossem compensados com os lucros gerados em períodos subseqüentes. 10) Alega, ainda, que não há base legal para a exigência de tributação sobre a "variação positiva ocorrida no patrimônio líquido das coligadas externas" e cita jurisprudência. A decisão recorrida manteve o auto de infração, afastando as alegações de cerceamento do direito de defesa da contribuinte, já que o Termo de Constatação e Encerramento de Fiscalização (fls. 651/659), detalham, exaustivamente, os fatos ocorridos, as razões que motivaram o lançamento fiscal e as infrações cometidas, além de citar a legislação fiscal pertinente que embasa seus atos e apurações, havendo a contribuinte demonstrado entendimento perfeito sobre a matéria envolvida nos lançamentos realizados. Quanto à questão da data da taxa de câmbio de conversão em reais dos valores auferidos pelas coligadas em moeda estrangeira, argumenta o acórdão que, nos termos do art. 143 do CTN, a conversão para reais deve ser feita na data do fato gerador da obrigação tributária; ou seja, na data da disponibilização dos lucros auferidos no exterior. Tal situação não teria se modificado com a edição da MP n° 2.158/01, que mantém a tributação dos lucros na data da disponibilização dos lucros, apenas dispondo que os lucros auferidos a partir de 2002 são considerados disponibilizados na data do balanço levantado pela controlada (caput do art. 74), e os lucros acumulados até 31/12/2001 em 31/12/2002, podendo haver antecipação se disponibilizados antes dessa data (§ único do art. 74). Dessa forma, entendeu correta a conversão dos lucros auferidos pelas coligadas em 31 de dezembro do ano em que foram disponibilizados. O julgador de 1ª instância afirma, ainda, que não se confundem os termos "rendimento líquido ou lucro líquido" (net income) e "lucro ou lucro real" (profit), razão pela qual somente são passíveis de compensação os impostos efetivamente recolhidos incidentes sobre os lucros auferidos no exterior. Assim, não poderiam ser compensados impostos, estaduais ou não, de base de cálculo diversa do lucro apurado como se apurou o "Franchise Tax". Também não poderiam ser aceitos os extratos parciais apresentados pela empresa, relativos aos recolhimentos ao IRS, pois os mesmos não informariam o quanto foi realmente recolhido durante os exercícios fiscais considerados, frisandose ainda, que os extratos trazem vários estornos de recolhimentos e restituições, não sendo possível aferir o valor exato efetivamente recolhido. Quanto ao suposto imposto recolhido durante os anoscalendário de 1997 e 1998 e que a empresa usou para diminuir o imposto a ser recolhido em 2002, invocando o §15 do art. 14 da já citada IN SRF n° 213/2002 e que a empresa reclama não ter sido aceito pela Fiscalização, não colhe razão a contribuinte porque, como já visto, a empresa mistura recolhimentos de impostos diversos dos incidentes sobre lucros auferidos e não comprova de maneira organizada e clara os realmente recolhidos a esse título, não se podendo (fls. 732/771), por esse motivo, aceitar a dedução desses valores. Fl. 2347DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.348 7 Relativamente ao alegado prejuízo sofrido pelas subsidiárias no período de 01/07/1998 (sic) e 30/09/1999 e que não foi considerado pela Fiscalização, entende a decisão recorrida que a contribuinte limitouse a relatar como foi feita a suposta compensação de prejuízos que justificaria o oferecimento a menor dos lucros auferidos, durante nos anos calendário 2001/2002/2003, apresentando um valor de R$ 7.661.898,12 para os citados prejuízos, sem contudo, esclarecer a data em que o valor foi convertido para a moeda nacional. Destarte, não apresentou qualquer demonstrativo ou comprovação documental, que evidenciasse que valores foram compensados em cada anocalendário, com datas, valores, taxas de conversão de moeda etc, que permitisse aferir a correção dos procedimentos. Finalmente, o acórdão recorrido manteve a tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial, em virtude do exposto nos arts. 7º e 20 da IN SRF n° 213/2002, afirmando que a autoridade administrativa deve limitarse a aplicar o texto da norma legal, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário repisando todas os argumentos de sua peça impugnatória e acrescentando que: 1) os julgadores de primeiro grau não souberam analisar as informações contidas nos extratos apresentados, já que ditos extratos informam com absoluta clareza o lucro apurado pelas empresas americanas, o imposto devido e a forma como este imposto foi liquidado. 2) os valores de IR federal compensados no Brasil não incluíram juros, multa e valores pagos a maior. 3) não foram aproveitados, no Brasil, pagamentos de imposto sobre consumo realizados nos estados americanos onde as subsidiárias estão localizadas. Os impostos aproveitados, correspondem ao "State Tax", imposto sobre a renda. A fiscalização e a decisão recorrida entenderam equivocadamente esse ponto, uma vez que o documento apresentado pela Recorrente denominase "Florida Corporate Income/ Franchise and Emergency Excise Tax Return" e "Declaration/Installment of Florida Estimated Income, Franchise and/or Emergency Excise Tax for Taxable Year... ", podendo conter valores referentes a imposto sobre a renda (corporate income tax), imposto sobre direito de uso do nome (franchise tax) ou imposto sobre o consumo (excise tax). 4) a empresa subsidiária da Recorrente localizada na Flórida está sujeita ao imposto estadual sobre a renda, cuja regulação pode ser apreciada no Capítulo 220 do Código de Imposto de Renda de 2001 (Income Tax Code), o qual é parte integrante do Estatuto da Flórida. De acordo com a Parte II deste documento oficial do Departamento do Tesouro da Flórida, o imposto estadual incide sobre o ganho líquido (net income) do contribuinte auferido no anocalendário. O mesmo procedimento de cálculo é apresentado, com pequenas variações, nos outros estados e municípios onde as subsidiárias da Recorrente apresentaram lucro tributável; ou seja, New York e New Jersey. Fl. 2348DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.349 8 5) o art. 14, § 1° da IN 213/02 determina que considerase IR pago no país de domicílio da controlada o tributo que incida sobre lucros, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do pais de origem, não há motivos para as autoridades fiscais desconsiderarem a compensação dos valores pagos aos estados americanos a título de "State Tax". 6) a Relatora do acórdão recorrido afirma que o imposto recolhido nos Estados Unidos foi glosado pela Fiscalização por se tratar de Franchise Tax, o qual teria sido supostamente apurado com base em folha de pagamento, valor das ações da empresa ou sobre as vendas. Entretanto, tanto a Relatora com o agente Fiscal, não possuem base para tal afirmação, uma vez que os documentos apresentados pela Recorrente, durante a diligência fiscal, não suportam tal entendimento, conforme já exposto acima. 7) alega que, ao contrário do que diz a decisão a quo, também o "net income" deve ser entendido como lucro apurado nas demonstrações financeiras das subsidiárias, já que, além da legislação brasileira não dispor, não seria factível conhecer o lucro tributável da empresa no exterior correspondente ao nosso lucro real. 8) defende ser descabida a afirmação da Relatora de que não pôde aceitar a compensação do IR pago em 1997 e 1998 porque a empresa mistura recolhimentos de impostos diversos dos incidentes sobre os lucros auferidos e não comprova de maneira organizada e clara os realmente recolhidos a esse título. 9) entende como permitida a prova documental desde que o documento seja hábil e idôneo. 10) anexa os seguintes documentos: Doc. 01 Contrato Social, Doc. 02 Demonstrativo do Imposto de Renda pago nos EUA no período de 1999 a 2003, Doc. 03 Demonstrativo do Imposto de Renda pago nos EUA nos anos de 1997 e 1998, Doc. 04 Demonstrativo do lucro disponibilizado em 2002 e 2003 e Doc. 05 CD com cópia do recurso. Ato contínuo, em virtude da grande quantidade de documentos anexados aos autos pela contribuinte em sede de impugnação e recurso voluntário, o Relator José Clovis Alves do então 1º Conselho de Contribuintes, 5ª Câmara, converteu o julgamento em diligência. O Relatório Conclusivo da diligência (fls. 1309 e seguintes) expõe que: (...) (C) Elaboração de relatório conclusivo, sobre cada item da autuação, fazendo correlação com a documentação apresentada. IRPJ: C1) Rendimento de Participações Societárias — Equivalência Incidente sobre a Variação Positiva do PL de Coligadas Sediadas no Exterior. Análise: A IN SRF 213/2002 dispõe, em seu artigo 7° que a tributação do resultado positivo da Fl. 2349DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.350 9 equivalência patrimonial de investimento no exterior deve ser realizada independentemente de ser resultante de lucros apurados na investida ou decorrente de variação cambial (valor tributável = R$ 72.493.917,17, conforme demonstrado à fl. 656 do processo). C2) Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente — Saldos de Prejuízos Insuficientes. Valor tributável = R$ 2.971.085,11. Como visto anteriormente , trata se a item resultante da tributação dos valores referentes aos ACs anteriores a 2003, que teria provocado a reversão neste AC do saldo de prejuízos fiscais, tornando indevida a compensação realizada, a qual foi, em conseqüência, objeto de glosa, sendo esta última resultante dos outros itens analisados. C3) Adições não computadas no lucro real — Até 2001. Valor tributável = R$ 43.671.838,86. Não houve, em essência, elementos novos trazidos à luz do processo, pela recorrente, quanto a este item. C4) Adições não computadas no lucro .real — ACs 2002 e 2003. Valores tributáveis, respectivos aos ACs 2002 e 2003: R$ 331219,51 e R$ 9.284.902,90. Análise já realizada no item anterior. Não houve, em essência, elementos novos trazidos à luz do processo, pela recorrente, quanto a este item. C5) Deduções Indevidas de Retenções/Antecipações de Imposto não Comprovadas — Falta de Comprovação de Pagamento do Imposto no Exterior. Valores tributáveis respectivos aos ACs 2002 e 2003: R$ 12.567.924,92 e 9.460.433,56. Em virtude de todo o exposto, não houve, em essência, novos elementos trazidos à luz do processo, pela recorrente, quanto a este item. As conclusões apresentadas foram as mesmas para a CSLL. Em manifestação à respeito das conclusões expostas pela diligência, aduz a Recorrente, em suma, que: 1) a fiscalização optou novamente por não se debruçar sobre a documentação apresentada, limitandose a repetir a tese da DRF na autuação. 2) carece de base legal a tributação do resultado positivo da equivalência patrimonial. 3) a compensação dos prejuízos de 1998 e 1999 das subsidiárias do exterior com os lucros destas mesmas subsidiárias apurados em 2000/2001/2002 encontrase respaldada pelo art. 4° da IN nº. 213/03. 4) as adições computadas no lucro real referentes aos anoscalendário de 1997 e 1998 foram disponibilizadas e tributadas no Brasil em 31/12/98. A composição de referidos pagamentos está demonstrada no doc. 03, anexo ao recurso voluntário. A tributação de referidos lucros decorreu da constituição da Cutrale North America mediante a conferência, em 30/06/98, dos patrimônios líquidos da Cutrale Citrus e da Citrus Products, o que constituía hipótese de disponibilização na época, nos termos do art. 2° da IN nº. 38/96 e do art. 1° da Lei nº. 9.532/97. Tendo em vista que, à época da disponibilização dos lucros do exterior auferidos até 30/06/98, a manifestante não possuía lucro real positivo no Brasil, o IR pago no exterior não pôde ser compensado com o IR devido no Brasil. Fl. 2350DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.351 10 Desta forma, o IR pago no exterior até 30/06/98 foi escriturado na Parte B do LALUR, para ser compensado em anoscalendários subseqüentes. 5) em relação à conversão do lucro apurado em moeda estrangeira para Reais, sustenta o Sr. AuditorFiscal que a conversão, para reais, dos lucros apurados no exterior deve ser feita na data da disponibilização e tributação destes lucros no Brasil, nos termos da IN SRF nº. 38/96 e da Lei nº. 9.532/97, pois entende que com a edição de ambas, o §4° do art. 25 da Lei nº. 9.249/95 que dispõe que "serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada" fora revogado. Contudo, o §4° do art. 25 da Lei nº. 9.249/95 não foi expressamente revogado ou mesmo modificado após a edição da IN SRF nº. 38/96 e da Lei nº. 9.532/97. O entendimento da Receita Federal corrobora essa conclusão, haja vista que a própria IN SRF nº. 213/02, que foi publicada em 08/10/2002, manteve, em seu art. 6°, §3°, a mesma determinação do § 4° do art. 25 da Lei nº. 9.249/95. 6) quanto à afirmação de que não há comprovação dos valores utilizados nos cálculos da planilha de composição dos lucros disponibilizados em 2002 e 2003 (fl. 1291) pela contribuinte, esclarece que os lucros líquidos da subsidiária holandesa foram obtidos de suas demonstrações financeiras de 31 de dezembro de cada período (fls. 252/256) e, por sua vez, os lucros líquidos da subsidiária americana foram obtidos de suas demonstrações financeiras de 30 de setembro de cada período, as quais se encontram anexas às folhas 236, 241, 243, 245, 247 e 249 do processo. 7) independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do país de origem, não há motivos para as autoridades fiscais desconsiderarem a compensação dos valores pagos aos estados americanos a título de "State Tax". Por fim, por entender que a matéria necessitava de maiores esclarecimentos quanto às provas a serem apreciadas, este Relator propôs a conversão do julgamento em nova diligência nos termos a seguir transcritos. “[...] Entendo, tal qual a fiscalização, que não se pode confundir os termos "rendimento líquido ou lucro líquido" (net income) com "lucro ou lucro real" (profit). Somente são passíveis de compensação os impostos efetivamente recolhidos incidentes sobre os lucros auferidos no exterior. Dessa forma, há que se esclarecer, primeiramente, a natureza da base de cálculo dos tributos apurados e efetivamente pagos aos fiscos estaduais. Noutro ponto levantase a impossibilidade de reconhecer os supostos créditos, em favor da Recorrente, gerados com base em extratos parciais apresentados pela empresa, relativos aos recolhimentos ao fisco federal norte americano (IRS). Argumentase que tais extratos não informariam o real valor recolhido durante os exercícios fiscais considerados, trazendo, inclusive, vários estornos de recolhimentos e restituições que, ao fim, impossibilitariam aferir o exato valor efetivamente recolhido. Fl. 2351DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.352 11 Assim, tendo em vista que a documentação acostada (referenciada nas planilhas de fls. 1.322 a 1.338 – numeração eletrônica) não permite uma resposta conclusiva quanto a esses dois pontos, e em homenagem ao princípio da verdade material, converto o julgamento em diligência para que a fiscalização adote as providências a seguir elencadas, elaborando, ao final, relatório conclusivo sobre cada item. i) proceda a análise dos comprovantes referenciados nas aludidas planilhas, indicando a natureza da base de cálculo dos tributos apurados e efetivamente pagos aos fiscos estaduais em cada um desses comprovantes; ii) intime a recorrente a apresentar as declarações de rendimento (e não os extratos parciais) de suas coligadas junto ao IRS que permitam constatar a definitividade do crédito tributário efetivamente recolhido por elas ao tesouro dos Estados Unidos da América. Cientifique o contribuinte acerca da diligência e de seus resultados, facultandolhe se manifestar em trinta dias.” Aceita a proposta de conversão do julgamento em diligência, retornaram os autos à unidade de origem que, ao final elaborou relatório conclusivo da diligência (fls. 1.748 e seguintes) nos termos a seguir. Quanto ao item (i), conclui, que, na maioria dos pagamentos constantes das planilhas indicadas, não é possível avaliar a natureza da base de cálculo dos tributos apurados. Apresenta detalhamento nas planilhas transcritas a seguir. Planilhas de fls. 1322 a 1324 Relativas ao período encerrado em 30/09/1999: Data do Pagamento Contri buinte Valor em us$ Fls. (manual) Ente Denominação do Tributo Natureza da Base de Cálculo 18/06/1999 CNA 157,00 810 NYS Imposto sobre Empresas Não foram apresentados documentos. 18/06/1999 CNA 26,00 812 NYS Imposto sobre Empresas Não foram apresentados documentos. 02/07/1999 CNA 225,00 824 NYC Não consta do comprovante; Tradução ilegível fls. 825; Data divergente no comprovante 15/06/99 Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 21/09/1999 CNA 8,96 832 NYC Não consta do comprovante; Data divergente no comprovante 31/07/99 Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 13/07/1999 CCJ 3.000,00 826 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 22/03/1999 CP 27.000,00 796 NYS Imposto sobre Empresas Não foram apresentados documentos. 21/06/1999 CP 2.546,00 814 NYS Imposto sobre Empresas Não foram apresentados documentos. 21/06/1999 CP 10.500,00 816 NYS Imposto sobre Empresas Não foram apresentados documentos. 21/09/1999 CP 8.000,00 834 NYS Imposto sobre Empresas Não foram apresentados documentos. 21/09/1999 CP 438,11 834 NYS Não consta o comprovante; Comprovante desse valor à fl. 836 para pagamento à Receita Federal Fl. 2352DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.353 12 31/03/1999 CP 47.000,00 806 NJ Imposto de Renda Líquido Estimado Não foram apresentados documentos. 29/06/1999 CP 13.000,00 822 NJ Imposto de Renda Líquido Estimado Não foram apresentados documentos. 29/09/1999 CP 11.000,00 842 NJ Imposto de Renda Líquido Estimado Não foram apresentados documentos. 02/04/1999 CP 18.000,00 804 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 24/06/1999 CP 1.100,00 820 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 11/08/1999 CP 5.435,43 828 FL Não consta do comprovante; Data divergente no comprovante 14/07/99. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 29/09/1999 CP 3.000,00 844 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 06/10/1999 CP 5.000,00 878/879 FL Imposto estimado para o período de 30/09/2000 Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 28/10/1999 CP 14.762,25 846 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 24/03/1999 CP 30.000,00 802 NYC Imposto estimado. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 23/06/1999 CP 10.000,00 818 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 11/08/1999 CP 91,29 830 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 24/09/1999 CP 10.000,00 838 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 24/09/1999 CP 91,29 840 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 24/03/1999 CCJ 8.402,00 798 FL Não consta do comprovante; Imposto total devido na declaração US$ 7.656,00. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 01/04/1999 CCJ 18.000,00 808 FL Não consta do comprovante; Imposto total devido na declaração US$ 7.656,00. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. Planilhas de fls. 1.325 Relativas ao período encerrado em 30/09/2000: Data do Pagamento Contri buinte Valor em "us$ Fls. (manual) Ente Denominação do Tributo Natureza da Base de Cálculo 06/04/2000 CNA 19.000,00 866 NYC Imposto de Funcionamento Empresas Não foram apresentados documentos. 22/05/2000 CCJ 1.173,02 872 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 22/09/2000 CP 10.000,00 874/875 NJ Imposto Estimado Não foram apresentados documentos. Planilhas de fls. 1326 Relativas ao período encerrado em 30/09/2001 : Fl. 2353DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.354 13 Data do Pagamento Contri buinte Valor em us$ Fls. (manual) Ente Denominação do Tributo Natureza da Base de Cálculo 10/01/2001 CCJ 75.000,00 918 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 19/04/2001 CCJ 25.000,00 920 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 31/08/2001 CCJ 355.857,56 922 FL Não consta do comprovante; Imposto total devido na declaração US$ 163.519,0. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 15/06/2001 CP 2.709,00 924 NYC Imposto para Exercício de Atividade Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 04/01/2002 CP 25.000,00 939/941 NJ Imposto para Empresas, inclui taxa de balanço anual. Não foram apresentados documentos. 09/01/2002 CP 3.000,00 943/945 FL Imposto da Flórida — provisório. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. Planilhas de fls. 1.328 a 1.329 Relativas ao período encerrado em 30/09/2002: Data do Pagamento Contri buinte alor em us$ Fls. (man ual) Ente Denominação do Tributo Natureza da Base de Cálculo 17/12/2002 CCJ 7.656,00 1011/ 1013 FL Imposto de Empresas; O pagamento é referente ao período de 30/09/99; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 17/12/2002 CCJ 67.742,00 1015/ 1017 FL Imposto de Empresas; O pagamento é referente ao período de 30/09/97; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida. 17/12/2002 CCJ 97.168,00 1019/ 1021 FL Imposto de Empresas; O pagamento é referente ao período de 30/09/98; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida. 15/01/2002 CCJ 20.000,00 947 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 08/02/2002 CCJ 277.673,00 949 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 07/05/2002 CCJ 46.700,00 967 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 17/12/2002 CCJ 145.875,00 1025/ 1027 FL Imposto de Empresas; O pagamento é referente ao período de 30/09/2000; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 17/12/2002 CCJ 163.519,00 1029/ 1031 FL Imposto de Empresas; O pagamento é referente ao período de 30/09/2001 ; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 01/07/2002 CCJ 115.000,00 969 FL Imposto de Empresas. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 01/10/2002 CCJ 186.424,00 997/ 999 FL Imposto de Empresas; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da Fl. 2354DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.355 14 CNA. 26/07/2002 CP 12.042,00 981 NYS Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos. 19/12/2002 CP 1.170,00 1037 NYS Imposto de Empresas. Não foram apresentados documentos. 20/02/2002 CP , 25.000,00 951/ 953 FL Imposto de Renda / Funcionamento e Emergencial Combinado Estimado Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 03/04/200° CP 3.000,00 961 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 27/08/2002 CP 118,33 991 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 04/12/2002 CP 120,54 1005 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 19/12/2002 CP 1.750,00 1033 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. Planilhas de fls. 1330 a 1331 Relativas ao período encerrado em 30/09/2003: Data do Pagamento Contri buinte Valor em uss Fls. (man ual) Ente Denominação do Tributo Natureza da Base de Cálculo 30/06/2003 CNA 250,00 1045 NJ Não há comprovante na fl. 1045. 03/02/2003 CCJ 60.000,00 1075 FL Não consta do comprovante; Não consta o nome da empresa no comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 01/07/2003 CCJ 17.853,00 1099 FL Imposto de Empresas. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 02/10/2003 CCJ 675.000,00 1005 FL Não há o comprovante. Na fl. 1005, o comprovante é de US$ 120,54 da CP em NYC. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. 16/01/2003 CP 117.974,00 1069/ 1071 NJ Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos. 25/03/2003 CP 17.000,00 955 NJ Não consta do comprovante; O pagamento é de 25/03/2002. Não foram apresentados documentos. 14/01/2003 CP 12.000,00 1065 FL Imposto Funcionamento Sobretaxa. Não foram apresentados documentos. 11/02/2003 CP 10.000,00 1081/ 1083 FL Imposto de Renda / Funcionamento e Emergencial Combinado Estimado Não foram apresentados documentos. 24/06/2003 CP 150.000,00 1087 NJ Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos. 06/01/2003 CP 121,09 1059 NYC Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos para o período do pagamento. Planilhas de fls. 1333 Relativas ao período encerrado em 30/09/1997: Data do Pagamento Contri buinte Valor em uss Fls. (man uai) Ente Denominação do Tributo Natureza da Base de Cálculo 13/06/1997 CP 5.000,00 1131/ 1133 NJ Imposto estimado Não foram apresentados documentos. 15/09/1997 CP 39.000,00 1137 NJ Imposto estimado Não foram apresentados documentos. 08/12/1997 CP 10.000,00 1145 NJ Imposto estimado Não foram apresentados documentos. 15/09/1997 CP 12.000,00 1136 NYC Imposto Empresas Estimado; O comprovante é de pagamento ao ente NYS; O pagamento inclui sobretaxa MTA. — Fl. 2355DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.356 15 15/09/1997 CP 15.000,00 1139 NYC Imposto Estimado. Rendimento Líquido Tributável ou Capital Total Alocado aos Negócios e Investimentos mais o Capital Alocado da Subsidiária. 08/12/1997 CP 5.500,00 1143 NYC Imposto Estimado. Rendimento Líquido Tributável ou Capital Total Alocado aos Negócios e Investimentos mais o Capital Alocado da Subsidiária. Planilhas de fls. 1335 a 1337 Relativas ao período encenado em 30/09/1998: Data do Pagamento Contri buinte Valor em USS Fls. (man ual) Ente Denominação do Tributo Natureza da Base de Cálculo 13/03/1998 CP 15.162,00 1175 NYS Imposto Empresas Não foram apresentados documentos. 17/03/1998 CP 301.044,00 1173 NYS Não consta do comprovante; O comprovante é de pagamento à Receita Federal (IRS). 22/06/1998 CP 18.700,00 1185 NYS Imposto Empresas Estimado. Não foram apresentados documentos. 03/02/1998 CP 92,47 1171 NYS Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos. 21/12/1998 CP 11.291,00 767 NYS Imposto Empresas Não foram apresentados documentos. 30/06/1998 CP 4 37.000,00 1193 NJ Imposto estimado. Não foram apresentados documentos. 08/10/1998 CP 30.000,00 761 NJ Imposto de Renda. Não foram apresentados documentos. 28/12/1998 DP 21.297,00 775 NJ Impostos Empresas. Não foram apresentados documentos. 27/03/1 yy 8 CP 7.500,00 1177 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 25/06/1998 CP 2.900,00 1189 FL Imposto estimado. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 03/07/1998 CP 5.078,00 749 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 24/07/1998 CP 550,00 751 FL Consta como pagamento à "Seção de Relatórios Anuais". Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 24/09/1998 CP 10.799,00 755 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 28/09/1998 CP 15.000,00 757 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 28/12/1998 CP 5.000,00 773 FL Não consta do comprovante. Não foram apresentados documentos; A Declaração da Flórida do período é da CCJ. 30/03/1998 CP 9.358,00 1179 NYC Não consta do comprovante. Rendimento Líquido Tributável ou Capital Total Alocado aos Negócios e Investimentos mais o Capital Alocado da Subsidiária. 24/06/1998 CP 22.000,00 1187 NYC Imposto estimado. Rendimento Líquido Tributável ou Capital Total Alocado aos Negócios Fl. 2356DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.357 16 e Investimentos mais o Capital Alocado da Subsidiária. 21/09/1998 CP 14.000,00 753 NYC Não consta do comprovante. Rendimento Líquido Tributável ou Capital Total Alocado aos Negócios e Investimentos mais o Capital Alocado da Subsidiária. 02/11/1998 CP 346,86 763 NYC Imposto de Renda Empresas. Rendimento Líquido Tributável ou Capital Total Alocado aos Negócios e Investimentos mais o Capital Alocado da Subsidiária. 24/12/1998 CP J 12.996,00 769 NYC Imposto de Renda Empresas. Rendimento Líquido Tributável ou Capital Total Alocado aos Negócios e Investimentos mais o Capital Alocado da Subsidiária. 04/02/1998 CCJ 105.000,00 1169 FL Imposto Funcionamento / Sobretaxa; Imposto total devido na declaração US$ 97.168,00. Renda Líquida da Flórida. 18/071998 CCJ 6.850,00 1181 FL Esse valor consta no extrato como "cheque compensado". • 29/06/1998 CCJ 8.266,00 1191 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida. 01/10/1998 CCJ 7.000,00 759 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida. 09/11/1998 CCJ 2.238,47 765 FL No comprovante consta como "Depósito Imposto Federal". 28/12/1998 CCJ 5.500,00 771 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida. Legenda: Contribuintes: CNA Cutrale North América; CCJ Cutrale Citrus Juices; CP Citrus Products. Ente tributante: NYS Estado de Nova Iorque; NYC – Cidade de Nova Iorque; FL Estado da Flórida; NJ Estado de Nova Jersey Quanto ao item (ii), aduz que a contribuinte apresentou as "Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica dos Estados Unidos" (U.S. Corporation Income Tax Returri), no período de 01/10/1996 a 30/09/2003 (resumidas no quadro abaixo), todas sem tradução e sem consularização, sendo que as de 01/10/1996 a 30/09/1998 (fls. 1.663 a 1.694 e 1.710 a 1.713) correspondem à empresa Cutrale Citrus Juice Inc. e a partir de 01/10/1998 (fls. 1.722 a 1.741) correspondem à empresa Cutrale North América Inc. consolidada com as subsidiárias. Período Empresa Fls. (eprocesso) Rendimento Tributável (US$) Imposto total (US$) Pgtos Estimados e créditos (US$) Fl. 2357DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.358 17 19961997 CCJ 1689 1694 507.476,00 1.075.366,00 664.808,00 1997 1998 CCJ 17101713 5.356.727,00 587.343,00 75.778,00 1998 1999 CNA 1722 1730 4.265.162,00 228.296,00 468.863,00 19992000 CNA 1731 1738 0,00 1.160.987,00 2.590.567,00 20002001 CNA 1739 0,00 1.058.146,00 2.217.870,00 2001 2002 CNA 1740 15.844.668,00 3.408.250,00 3.275.928,00 2002 2003 CNA 1741 9.771.658,00 2.121.259,00 2.185.000,00 A Recorrente, por sua vez, manifestouse acerca da diligência (fls. 1.768 e seguintes) nos termos a seguir resumidos. Quanto ao imposto pago aos estados, aduz que, efetivamente, o imposto pago teve como base de cálculo o "rendimento líquido" e que tal materialidade parte da base federal do imposto de renda da pessoa jurídica. Quanto aos impostos federais recolhidos nos EUA, entende que o único problema apontado seria a ausência de versão para o português e consularização das declarações apresentadas na diligência. Argumenta que toda a documentação comprobatória dos recolhimentos, já juntada aos autos, veio acompanhada de tais formalidades e que, apenas no intuito de atender ao prazo concedido pela autoridade fiscal é que foram entregues as declarações adicionais em cópias dos originais. Conclui, quanto às declarações entregues ao fisco federal dos EUA, não haver dúvidas por parte dos diligenciantes de que os dados ali ilustrados foram compreendidos à plenitude, tanto que levaram à consignação, na página 14 do "Termo"', dos valores comprovadamente recolhidos ao IRS, "já considerando as alterações efetuadas em decorrência de auditorias da Receita Federal dos EUA”. Roga, acaso entendase imprescindível a juntada de tais versões, pela concessão de prazo para tanto, evitandose que aspecto formal adjacente possa prejudicar o ponto central em foco. Em 10/04/2014, fls. 1.809 e seguintes, solicita a digitalização e juntada da documentação pendente (traduções e consularizações das declarações de IR dos EUA). É o Relatório. Fl. 2358DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.359 18 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. 1. Da preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa Não vislumbro a preliminar de nulidade suscitada. Inicialmente, cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse). Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Ademais, o cerceamento de defesa se dá quando ocorre uma limitação na produção de provas do contribuinte nos autos do processo, prejudicando a parte em relação ao seu objetivo processual, o que verificase não ter ocorrido aqui. Como bem observado na decisão recorrida, o Termo de Constatação e Encerramento de Fiscalização (fls 651 a 659), detalha, exaustivamente, os fatos ocorridos, as razões que motivaram o lançamento fiscal e as infrações cometidas, além de citar a legislação fiscal pertinente que embasa seus atos e apurações. Mais ainda, reproduz aquele Termo, a partir do item 30, como foi feita a aplicação da lei, relacionando com a glosa efetuada nos procedimentos adotados pela contribuinte. Essa legislação foi novamente citada em cada um dos itens da Descrição dos Fatos nos Autos de Infração, além de constar também nos Demonstrativos de Cálculos (fls. 664 a 673). Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.360 19 Além disso, observase que, embora alegue cerceamento de defesa, a empresa demonstrou haver entendido perfeitamente do que o Auto de Infração tratava e o que foi tributado pois foi capaz de apresentar extensa defesa, rebatendo todos os pontos do lançamento fiscal, o que não teria sido possível se, como alega, tivesse sido impedida, pelo procedimento fiscal, de se defender apropriadamente. Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, uma vez que a Recorrente demonstrou entender perfeitamente os motivos da autuação e conseguiu produzir as provas de sua defesa. 2. Da tributação sobre o rendimento de participações societárias 2.1 Da equivalência incidente sobre a variação positiva do patrimônio líquido de coligadas sediadas no exterior infração 001 Quanto ao lançamento de IRPJ e CSLL sobre a variação cambial positiva ocorrida no patrimônio líquido das controladas para o anocalendário de 2002 (infração 001 do auto de infração, fls. 700 e seguintes), há que se consignar que este Colegiado tem posição assente quanto ao seu descabimento. Nesse sentido, sirvome, com a devida vênia, dos fundamentos apresentados no Acórdão nº 1402002.000, de 09/12/2015, da lavra do i.Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, na forma a seguir apresentada. "Ementa: EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O resultado positivo da equivalência patrimonial na investidora, seja ou não decorrente da variação cambial no patrimônio da investida, não integra a apuração do lucro real por ausência de previsão em lei formal nesse sentido. ... Fundamentos: A apropriação do resultado da equivalência patrimonial é normatizada nos seguintes dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei n° 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei n° 1.648, de 1978, art. 1°, inciso III): [...] Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (Decreto Lei n° 1.598, de 1977, art. 22). [...] Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.361 20 Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei n° 1.648, de 1978, art. 1°, inciso IV). § 1° Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 23, parágrafo único, e DecretoLei n° 1.648, de 1978, art. 1°, inciso IV). § 2° Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior pelo método da equivalência patrimonial continuarão a ter o tratamento previsto nesta Subseção, sem prejuízo do disposto no art. 394 (Lei n° 9.249, de 1995, art. 25, § 6°). Art. 394. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano (Lei n° 9.249, de 1995, art. 25). [...] § 9° Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1°, 5° e 6° (Lei n° 9.249, de 1995, art. 25, § 6°). [...] Percebese que as mudanças na sistemática de tributação dos lucros auferidos no exterior não afetou o resultado das avaliações de investimento pelo método da equivalência patrimonial que, portanto, continua fora da composição do lucro real. Importa ressaltar que inexiste lei formal para embasar a autuação. A partir do veto presidencial ao art. 46, da MP n° 135/03 e também com a revogação da art. 9°, da MP n° 232/04, restou à autoridade fiscal utilizar a Instrução Normativa SRF n° 213/02 como base para considerar tributável o resultado positivo da equivalência patrimonial. A Instrução Normativa tem por objeto, principalmente, esclarecer de que forma determinada lei será aplicada. Entretanto, não pode ampliar ou criar novas formas de aplicação que resultem em obrigação principal sem previsão na lei a ser regulada. Se o art. 23 do DecretoLei n° 1.598/77, com a redação que lhe foi dada pelo DecretoLei n° 1.648/78, estabelece que o ajuste por equivalência patrimonial não será computado na determinação do lucro real, tal previsão só pode ser alterada por lei formal. Ainda com relação à IN/SRF/213/02, partilho do entendimento manifestado em recente julgado nesta turma (Acórdão 1402001.569 Relator Fernando Brasil de Oliveira Pinto) pelo qual devese interpretar o enunciado da IN que determina a inclusão do resultado positivo de equivalência patrimonial em investimentos no Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.362 21 exterior na apuração do lucro líquido em conjunto com o art. 25, § 6°, da Lei n° 9.249, de 1995, ou seja, incluise tal resultado na apuração do lucro apurado em balanço, mas mantémse sua exclusão, se positivo, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Dou provimento ao recurso quanto a essa matéria. 3. Da tributação do lucro auferido no exterior A fiscalização apurou lucros auferidos no exterior para os anoscalendário 2001, 2002 e 2003, os argumentos de autuação se encontram no TVF às fls. 690/691, a seguir transcrito. 3.1 Da data de conversão do lucro apurado em moeda estrangeira É sabido que o imposto sobre a renda pago em país com o qual o Brasil tenha firmado acordo, tratado ou convenção internacional prevendo a compensação, ou naquele em que haja reciprocidade de tratamento, pode ser considerado como redução do imposto devido no Brasil desde que não seja compensado ou restituído no exterior e atenda aos demais requisitos da legislação Nacional. Nesse contexto, fazse mister decidir a questão acerca da data correta para conversão (para Reais) do lucro apurado em moeda estrangeira a ser tributado no Brasil. Conforme exposição na decisão a quo, a tributação dos lucros oriundos do exterior se deu, inicialmente, em virtude do §4º do art. 25 da Lei n° 9.249/95, que previa, como Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.363 22 fato gerador da obrigação tributária (art. 143 do CTN), o lucro apurado pelas controladas no exterior em suas demonstrações financeiras, e, conseqüentemente, a conversão para reais nessa data. Vejamos: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. Continua a decisão recorrida aduzindo que, com a edição da IN SRF n° 38/96, e, posteriormente, a Lei n° 9.532/97, o fato gerador passou a ser a disponibilização desse lucro, impondose a interpretação do §4° do art. 25 da Lei n° 9.249/95 à luz dessas novas regras. Essa situação não teria se modificado com a edição da MP nº 2.158/2001, que teria mantido a tributação dos lucros na data da sua disponibilização, apenas dispondo que os lucros auferidos a partir de 2002 seriam considerados disponibilizados na data do balanço levantado pela controlada (caput do artigo 74), e os lucros acumulados até 31/12/2001 em 31/12/2002, podendo haver antecipação se disponibilizados antes dessa data (§ único do artigo 74). Sendo assim, entendeuse na decisão recorrida que a conversão dos lucros apurados pelas subsidiárias a serem tributados no Brasil deveria ser feita pela taxa de câmbio para venda, em 31 de dezembro do ano em que esses lucros foram apurados e disponibilizados no Brasil pela subsidiária no exterior, ressalvada a hipótese de terem sido disponibilizados mediante pagamento ou crédito antes dessa data. Com efeito, entendo de forma diversa. A matéria é assente neste Carf, tendo sido, inclusive, objeto da súmula nº 94, que reproduzo. Súmula CARF nº 94: Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001. As subsidiárias americanas da recorrente encerram suas demonstrações financeiras (anexas às fls. 236, 241, 243, 245, 247 e 249) em 30 de setembro de cada ano, como lhe é permitido pela legislação local. Assim sendo, a taxa de câmbio a ser utilizada para conversão de referidas demonstrações de Dólares americanos para Reais, deve corresponder à taxa do dia 30 de setembro de cada período, uma vez que esta corresponde à data das demonstrações financeiras em que o lucro foi apurado. 3.2 Das adições não computadas no lucro real, anocalendário 2001 infração 003 Há que se considerar, de plano, que a fundamentação legal para o lançamento relativo ao anocalendário de 2001 tem por base o parágrafo único do art. 74 da MP 2.158/2001. Fl. 2363DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.364 23 Ocorre que, no julgamento da ADI nº. 2.588, o STF julgou procedente a ação direta para declarar a inconstitucionalidade daquele comando legal, naquilo em que determinava a tributação retroativa desses lucros. Eis os termos da ementa: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO DA NOVA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO TRIBUTO PARA A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS APURADA EM 2001. VIOLAÇÃO DAS REGRAS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANTERIORIDADE. MP 2.15835/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos lucros; 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.158 35/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida e julgada parcialmente procedente, para dar interpretação conforme ao art. 74 da MP 2.15835/2001, bem como para declarar a Fl. 2364DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.365 24 inconstitucionalidade da clausula de retroatividade prevista no art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001. (ADI 2588, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Relator(a) p/ Acórdão: Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, julgado em 10/04/2013) Há que se dar provimento ao recurso quanto a esse ponto. 3.3 Das adições não computadas no lucro real anocalendário 2002 e 2003 infração 004 Em relação as adições às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em 2002 e 2003, entendeu a fiscalização que essas não refletiram a totalidade dos lucros apurados nas coligadas externas, conforme verificado pelos autuantes, confrontando as demonstrações dos períodos encerrados entre 2002 e 2003 (fls. 240/256) com os valores oferecidos à tributação (fls. 6/14), apresentados no Anexo ao Termo de Constatação (fls. 660). A recorrente alega que a diferença de valores decorre da divergência quanto à data da conversão cambial dos lucros. Vejase o excerto dos argumentos de defesa quanto a esse ponto. 3. Adições não computadas na apuração do lucro real (2002 e 2003). Diferenças decorrentes da mudança da data utilizada para a apropriação dos lucros: balanço da controlada nos EUA ou da empresa no Brasil. Com relação aos anos de 2002 e 2003, em que os lucros nos exterior foram adicionados pela Recorrente ao cômputo da tributação no Brasil, as diferenças de valores (item “004” no Auto de Infração) decorrem da divergência quanto à data adequada para a conversão cambial dos lucros. Com efeito, conforme análise no item 3.1 acima, tem razão à recorrente quanto à data de conversão: 30 de setembro de 2002 e 2003. Entretanto, naquele período (2002 e 2003) a moeda norte americana sofria depreciação em relação ao Real. Nessa esteira, os argumentos da defesa não a socorrem. Muito ao contrário; recompondose o lucro apurado pela fiscalização, com conversão cambial em 30 de setembro, obtémse o seguinte: 30/09/2002 30/09/2003 taxa de câmbio (R$/US$) 3,8941 2,9226 lucro acumulado (US$) 24.031.859,00 37.565.387,41 lucro acumulado (R$) 93.582.462,13 109.788.601,24 De fato, os valores apurados para o lucro acumulado são maiores do que os calculados na autuação. Nego provimento ao recurso nesse ponto. 4. Da falta de comprovação de pagamento do imposto no exterior infração 005 Fl. 2365DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.366 25 Inicialmente, digase que, conforme o item 17 do auto de infração, o Auditor Fiscal justificou a impossibilidade de verificar com exatidão os valores efetivamente pagos pelas coligadas da Recorrente nos Estados Unidos pelas seguintes razões: (i) vários pagamentos apresentados referemse a pagamentos por estimativa e não pagamentos definitivos; (ii) na listagem fornecida pela Recorrente estão incluídos recolhimentos de imposto sobre consumo ("excise"), juros e multa; e (iii) vários comprovantes estão incompletos ou só parcialmente legíveis, o que impede a perfeita identificação do tributo pago e/ou o período a que se refere o pagamento. Nesse sentido, as diligências solicitadas por este Conselho foram justificadas em homenagem ao princípio da verdade material. Passo à análise da matéria. 4.1 Do imposto pago aos fiscos estaduais nos EUA Em tese, entendo assistir razão ao contribuinte quando afirma que pode deduzir o imposto sobre a renda pago no exterior. Isso porque, conforme dispõe art. 14 da IN SRF nº. 213/02, esse imposto pode ser compensado, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do país de origem. Vejase o teor da norma citada. Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. § 1º Para efeito de compensação, considerase imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada ou o relativo a rendimentos e ganhos de capital, o tributo que incida sobre lucros, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do país de origem. (...) § 7º O tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real. (...) § 13. A compensação dos tributos, na hipótese de cômputo de lucros, rendimentos ou ganhos de capital, auferidos no exterior, na determinação do lucro real, antes de seu pagamento no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, poderá ser efetuada, desde que os comprovantes de pagamento sejam colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal antes de encerrado o anocalendário correspondente. § 14. Em qualquer hipótese, a pessoa jurídica no Brasil deverá colocar os documentos comprobatórios do tributo compensado à Fl. 2366DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.367 26 disposição da Secretaria da Receita Federal, a partir de 1º de janeiro do ano subseqüente ao da compensação. Assim, ainda que o imposto sobre a renda seja pago aos Estados Norte Americanos e não ao Fisco Federal, sua compensação poderá ser realizada, desde que se trate, efetivamente, de imposto cuja natureza da base de cálculo seja a renda líquida. Nesse sentido, na espécie, o relatório conclusivo da diligência, fls. 1.748 e seguintes, arremata que na maioria dos pagamentos constantes das planilhas de fls. 1.322 a 1.338, relativos ao imposto pago aos Estados, não é possível avaliar a natureza da base de cálculo dos tributos apurados. Dessa forma, apenas os pagamentos em que se pode, efetivamente, avaliar com exatidão a natureza de sua base de cálculo como sendo de rendimento líquido tributável é que podem ser compensados. Assim, os pagamentos que se amoldam a esse critério, com base na diligência efetuada, são os relativos às datas listadas a seguir, ressalvando que o valor de pagamento a ser considerado para compensação deve ser o correspondente ao devido em cada declaração, a título de imposto, não considerado os montantes correspondentes a multa e juros. Planilhas de fls. 1.328 a 1.329 Relativas ao período encerrado em 30/09/2002: Data do Pagamento Contri buinte Valor em us$ Fls. (manu al) Ente Denominação do Tributo Natureza da Base de Cálculo 17/12/2002 CCJ 7.656,00 1011/ 1013 FL Imposto de Empresas; O pagamento é referente ao período de 30/09/99; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 17/12/2002 CCJ 67.742,00 1015/ 1017 FL Imposto de Empresas; O pagamento é referente ao período de 30/09/97; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida. 17/12/2002 CCJ 97.168,00 1019/ 1021 FL Imposto de Empresas; O pagamento é referente ao período de 30/09/98; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida. 15/01/2002 CCJ 20.000,00 947 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 08/02/2002 CCJ 277.673,00 949 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 07/05/2002 CCJ 46.700,00 967 FL Não consta do comprovante. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 17/12/2002 CCJ 145.875,00 1025/ 1027 FL Imposto de Empresas; O pagamento é referente ao período de 30/09/2000; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 17/12/2002 CCJ 163.519,00 1029/ 1031 FL Imposto de Empresas; O pagamento é referente ao período de 30/09/2001 ; Não consta o nome da empresa nos comprovantes. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 01/07/2002 CCJ 115.000,00 969 FL Imposto de Empresas. Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da CNA. 01/10/2002 CCJ 186.424,00 997/ 999 FL Imposto de Empresas; Não consta o nome da empresa nos Renda Líquida da Flórida; A Declaração Federal do período é da Fl. 2367DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.368 27 comprovantes. CNA. Planilhas de fis. 1.330 a 1.331 Relativas ao período encerrado em 30/09/2003 (não há pagamentos que atendam ao critério). Legenda: Contribuintes: CNA Cutrale North América; CCJ Cutrale Citrus Juices; CP Citrus Products. Ente tributante: NYS Estado de Nova Iorque; NYC – Cidade de Nova Iorque; FL Estado da Flórida; NJ Estado de Nova Jersey Pelo exposto nesse item, dou parcial provimento ao recurso para considerar comprovados os pagamentos efetuados aos fiscos estaduais conforme tabelas acima, ressalvando, como já mencionado, que o valor de pagamento a ser considerado para compensação deve ser o correspondente ao devido em cada declaração, a título de imposto, não considerado os montantes correspondentes a multa e juros. 4.2 Do imposto pago ao fisco federal dos EUA Quanto ao imposto pago diretamente ao fisco federal norteamericano, o resultado da diligência proposta na Resolução 140200.088, fls. 1.502/1.512, concluiu que a contribuinte apresentou as "Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica dos Estados Unidos" (U.S. Corporation Income Tax Return), no período de 01/10/1996 a 30/09/2003, mas todas sem tradução e sem consularização. Mesmo assim, os diligenciantes apresentaram as informações das declarações, resumidas no quadro abaixo, já considerando as alterações efetuadas em decorrência de auditorias da Receita Federal dos EUA: Período Empresa Fls. (eprocesso) Rendimento Tributável (USS) Imposto total (USS) Pagamentos Estimados e créditos (USS) 19961997 CCJ 1689 1694 507.476,00 1.075.366,00 664.808,00 1997 1998 CCJ 17101713 5.356.727,00 587.343,00 75.778,00 1998 1999 CNA 1722 1730 4.265.162,00 228.296,00 468.863,00 19992000 CNA 1731 1738 0,0 0 1.160.987,00 2.590.567,00 20002001 CNA 1739 0,0 0 1.058.146,00 2.217.870,00 2001 2002 CNA 1740 15.844.668,00 3.408.250,00 3.275.928,00 Fl. 2368DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.369 28 2002 2003 CNA 1741 9.771.658,00 2.121.259,00 2.185.000,00 A recorrente, por seu turno, solicitou a juntada da correspondente documentação traduzida e consularizada, requerendo, em 10/04/2014, fls. 1.809 e seguintes, a digitalização e juntada da documentação pendente. Entendendo que a documentação faltante, elencada pela recorrente em sua solicitação, é imprescindível para o julgamento seguro da lide, haja vista as conclusões apresentadas no quadroresumo acima serem todas baseadas em cópias das declarações de imposto de renda dos EUA, sem a garantia de sua autenticidade e a precisa versão para a língua pátria, elementos legalmente exigidos para o caso, esta Turma resolveu por nova diligência (Resolução de fls. 1.812/1.829) para que a unidade de origem digitalizasse, validasse, autenticasse e anexasse a documentação relacionada na solicitação de validação e autenticação de arquivos digitais (SVA) de fl. 1.810 Em resposta, foram anexados aos autos os documentos de fls. 1.832/2.337 dentre os quais, os que trazem a consularização e a tradução pública das informações acima, conforme tabela abaixo. Período Empresa Fls. (eprocesso) 19961997 CCJ 1.857 2.024 1997 1998 CCJ 1.837 1.856 1998 1999 CNA 2.025 2.077 19992000 CNA 2.081 2.121 20002001 CNA 2.122 2.127 2001 2002 CNA 2.128 2.133 2002 2003 CNA 2.134 2.143 Assim, há que se considerar que as informações apresentadas no quadro resumo acima têm suporte na consularização e tradução pública que lhes faltava. Dou provimento parcial ao recurso quanto a esse ponto, para considerar comprovados os pagamentos efetuados ao fisco federal relativos aos períodos remanescentes do lançamento, conforme quadroresumo abaixo. Período Empresa Fls. (eprocesso) Rendimento Tributável (USS) Imposto total (USS) Pagamentos Estimados e créditos (USS) 2001 2002 CNA 1740 15.844.668,00 3.408.250,00 3.275.928,00 2002 2003 CNA 1741 9.771.658,00 2.121.259,00 2.185.000,00 5. Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para i) excluir da tributação a matéria relativa à equivalência patrimonial infração 001 do auto de infração; ii) excluir da tributação as adições não computadas no lucro real, anocalendário 2001 infração 003 do auto de infração; iii) acatar parte dos pagamentos referentes aos fiscos dos Estados e ao fisco Federal, a título de imposto de renda dos anoscalendário 2002 e 2003, conforme discriminado nas tabelas dos itens 4.1 e 4.2 deste voto; e; iv) considerar a repercussão do decidido quanto aos itens (i) e (ii) no lançamento da CSLL. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Fl. 2369DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000086/200659 Acórdão n.º 1402002.111 S1C4T2 Fl. 2.370 29 Fl. 2370DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10715.007657/2009-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 03/07/2005 a 29/07/2005
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 03/07/2005 a 29/07/2005
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 03/07/2005 a 29/07/2005 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 03/07/2005 a 29/07/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2412; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 302 1 301 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10715.007657/200941 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.783 – 3ª Turma Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Denuncia espontânea multa por atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SOCIETE AIR FRANCE ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 03/07/2005 a 29/07/2005 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 03/07/2005 a 29/07/2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 76 57 /2 00 9- 41 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007657/200941 Acórdão n.º 9303003.783 CSRFT3 Fl. 303 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3803006.286, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007657/200941 Acórdão n.º 9303003.783 CSRFT3 Fl. 304 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 304DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007657/200941 Acórdão n.º 9303003.783 CSRFT3 Fl. 305 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007657/200941 Acórdão n.º 9303003.783 CSRFT3 Fl. 306 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007657/200941 Acórdão n.º 9303003.783 CSRFT3 Fl. 307 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 307DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007657/200941 Acórdão n.º 9303003.783 CSRFT3 Fl. 308 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 308DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007657/200941 Acórdão n.º 9303003.783 CSRFT3 Fl. 309 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.007657/200941 Acórdão n.º 9303003.783 CSRFT3 Fl. 310 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 310DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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