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Numero do processo: 10980.940170/2011-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/06/2002
REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO.
Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.
Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal.
A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos (relatora) e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos (relatora). Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/06/2002 REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO. Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema. Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal. A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 94 01 70 /2 01 1- 57 Fl. 65DF CARF MF 2 Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos (relatora) e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos (relatora). Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 0647.485, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, mantendo as razões contidas no Despacho Decisório (Nº de Rastreamento: 15078616) para indeferir o direito creditório pleiteado de R$ 3.685,01, relativo ao pagamento de PIS/PASEP (Código 8109) e, por conseguinte, não homologar a compensação declarada no Per/Dcomp nº 42925.07362.301106.1.2.040602. Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata o processo de Despacho Decisório (rastreamento nº 15078616) emitido pela DRF Curitiba, em 03/01/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 42925.07362.301106.1.2.040602, devido à inexistência Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.940170/201157 Acórdão n.º 3402006.257 S3C4T2 Fl. 66 3 do crédito pleiteado de R$ 3.685,01, relativo ao pagamento de PIS/PASEP (Código 8109), do período de 31/05/2002, efetuado em 14/06/2002, por estar totalmente utilizado na extinção de débito da contribuinte. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Ou seja, somente poderia ser reconhecido como base de cálculo da contribuição a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Reprisa que o PIS e a Cofins só pode incidir sobre o faturamento que representa, unicamente, o somatório dos valores das operações negociadas e que o ICMS não é receita da empresa e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. A Contribuinte recebeu a Intimação na forma eletrônica em data de 24/06/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 52. O Recurso Voluntário e documentos de fls. 54 a 62 foi interposto através de protocolo físico em data de 14/07/2015, pelo qual a Contribuinte pede para que seja homologado o pedido de restituição, o que faz com os seguintes argumentos: i) Pleiteou administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de PIS e/ou COFINS em razão da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o qual foi indeferido, sob alegação de inexistência de crédito; ii) O ICMS não integra o faturamento (receita bruta) da empresa, piis tratase de receita do Erário Estadual (artigo 155, inciso II da Constituição Federal), sendo, portanto, inconstitucional a inclusão do referido imosto na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; iii) O Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS; iv) O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral da matéria no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, motivo pelo qual deve o julgamento ser sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte. A Recorrente instruiu o recurso com os documentos de fls. 58 a 68, referente ao Relatório de Cálculo sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, demonstrando que o tributo estadual integrou a base de cálculo da contribuição no período de maio de 2002. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora Pressupostos legais de admissibilidade Fl. 67DF CARF MF 4 Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 1. Preliminarmente. Necessário sobrestamento do processo 1.1. A Recorrente pede para que seja homologado o pedido de restituição de valores recolhidos indevidamente a título de PIS/PASEP em razão da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o qual foi indeferido, sob alegação de inexistência de crédito, fundamentando pela repercussão geral conferida ao RE nº 574.706 do Supremo Tribunal Federal. A Delegacia da Receita Federal de Curitiba/PR não homologou o pedido de restituição por considerar que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição daqueles informados no PER/DCOMP nº 42925.07362.301106.1.2.040602. A DRJ/CTA concluiu por manter o despacho decisório (Rastreamento nº 15078616) com a seguinte observação: "... Tratandose de questão judicial da qual a contribuinte não seja parte, a atribuição dos julgadores está limitada a observar apenas as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional, atendendo ainda a determinação do Secretário da Receita Federal. É de se ressaltar contudo que, na situação em análise, não foram comprovadas as condições descritas no citado decreto para a sua aplicação, afinal, as decisões mencionadas foram proferidas apenas em relação a casos específicos envolvendo, também, partes específicas (que não a contribuinte)." Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, em sede de repercussão geral1, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, conforme Ementa abaixo colacionada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas 1 TEMA 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 24/04/2008, DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231910 PP02174 ) Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.940170/201157 Acórdão n.º 3402006.257 S3C4T2 Fl. 67 5 saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) Após a publicação do acórdão do RE nº 574.706/PR em 02/10/2017, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs Embargos Declaratórios requerendo a modulação temporal dos efeitos da decisão, dentre outras matérias pendentes, os quais aguardam análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal2. Considerando a repercussão geral sobre a matéria objeto do presente recurso e, como não há previsão no Regimento Interno deste Tribunal Administrativo ou no Decreto nº 70.235/72, aplicase, subsidiariamente, o artigo 15 do Código de Processo Civil3, estendendo aos processos administrativos de caráter tributário o sobrestamento previsto pelo artigo 1.035, §54 do mesmo Diploma Legal. Consignase ainda que, com o trânsito em julgado e reconhecimento da inconstitucionalidade pelo STF ainda na pendência de julgamento definitivo do presente recurso administrativo, fatalmente deverá ser aplicado o artigo 62, parágrafo 2º5 do RICARF, 2 http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=2585258 3 Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. 4 Art. 1.035. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário quando a questão constitucional nele versada não tiver repercussão geral, nos termos deste artigo. § 5o Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional. 5 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos Fl. 69DF CARF MF 6 tornando prejudicado o resultado desta decisão, nos termos propostos na análise quanto ao mérito. Por tais razões, preliminarmente voto pelo sobrestamento do feito até julgamento final do Recurso Extraordinário nº 574.706 (Tema 69) do Supremo Tribunal Federal. 2. Mérito. Considerando o posicionamento deste Colegiado, afastando por voto de qualidade a preliminar de sobrestamento deste feito, passo ao mérito objeto do recurso em análise: 2.1. Como já tratado preliminarmente, a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário nº 574.706, conforme Ementa já transcrita. Reiterase que o v. Acórdão do STF foi publicado em 02/10/2017, com interposição de Embargos de Declaração pela douta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, o qual encontrase pendente de julgamento. Neste caso, igualmente pela sistemática do artigo 15 do Código de Processo Civil6, é possível concluir pela incidência dos efeitos do acórdão paradigma do STF a partir de sua publicação, nos moldes previstos pelo artigo 1040 do mesmo Diploma Legal7. Outrossim, estando o acórdão do RE n° 574.706 RG desprovido de causa suspensiva, não há óbice à incidência do artigo 62, Parágrafo 2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais8. Oportuno destacar que em Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, a COORDENAÇÃOGERAL DE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 6 Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. 7 Art. 1.040. Publicado o acórdão paradigma: I o presidente ou o vicepresidente do tribunal de origem negará seguimento aos recursos especiais ou extraordinários sobrestados na origem, se o acórdão recorrido coincidir com a orientação do tribunal superior; II o órgão que proferiu o acórdão recorrido, na origem, reexaminará o processo de competência originária, a remessa necessária ou o recurso anteriormente julgado, se o acórdão recorrido contrariar a orientação do tribunal superior; III os processos suspensos em primeiro e segundo graus de jurisdição retomarão o curso para julgamento e aplicação da tese firmada pelo tribunal superior; 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.940170/201157 Acórdão n.º 3402006.257 S3C4T2 Fl. 68 7 E JUDICIAL (COCAJ) considerou a aplicação da decisão proferida no Recurso Extraordinário em questão, o que fez com o objetivo de esclarecer sobre o procedimento a ser adotado para cumprimento da decisão do STF. Sem tecer juízo de valor sobre a regra adotada através desta Solução de Consulta, impera transcrever a justificativa utilizada pela própria Receita Federal para imediata aplicação do julgado: "13. A legislação aplicável a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, no regime cumulativo (Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998) e no regime não cumulativo (Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, respectivamente), define os elementos constitutivos da base de calculo das referidas contribuições, na qual se incluem, nas duas modalidades de incidência, os tributos sobre ela (a receita mensal) incidentes, conforme insculpido no art. 12 do Decreto Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, abaixo transcrito: (...) 14. Todavia, o Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, finalizado em 15.3.2017, e submetido ao rito de repercussão geral, conforme definido no Art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (antigo Código de Processo Civil), sob a relatoria da ministra Carmen Lucia, definiu que o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 15. Após a publicação do acórdão do RE no 574.706/PR em 2.10.2017, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão em foco, em 19.10.2017, nos quais requereu a modulação temporal dos efeitos da decisão e a definição de outras questões pendentes. Fica aqui o registro de que, ate a presente data da edição desta solução de consulta interna, os referidos embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional aguardam sua analise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. 16. Em paralelo, deve ser consignado que nas matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral reconhecida, como e o caso tratado na presente consulta interna, a Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, em seu art. 19, estabelece todo um rito próprio a ser observado, para fins de vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil a decisão desfavorável. Conforme estatuído na referida lei, a vinculação automática da Secretaria da Receita Federal do Brasil ao entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, no tocante a constituição de credito tributário e as decisões administrativas sobre a matéria julgada pelo Supremo Tribunal Federal, só se formaliza apos a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Razão de que, ate o presente momento, a Secretaria da Receita Federal do Brasil não editou parecer normativo delimitando a extensão e o alcance do julgado em referencia pelo Supremo Tribunal Fl. 71DF CARF MF 8 Federal, o qual definiu nova tese de ajuste na base de calculo das referidas contribuições sociais. 17. Todavia, em face da profusão de decisões judiciais transitadas em julgado, na esteira do precedente do Supremo Tribunal Federal e com fundamento na tese nele firmada de que trata a presente consulta, urge disciplinar a aplicação, a operacionalidade, o alcance e efeitos da decisão dessa Corte, no sentido não só de nortear os sujeitos ativo (Secretaria da Receita Federal do Brasil) e passivo (Contribuinte) da relação jurídico tributária das referidas contribuições sociais, como também de fornecer toda uma fundamentação estruturada e normativa para fins de subsidiar os cálculos relativos a matéria em lide, no plano do contencioso judicial e administrativo." Consignase, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo de acordo com o julgado no RE 574.706, a exemplo do AgInt no AREsp 282.685/CE9. Neste mesmo sentido vem sendo considerada a decisão do STF por este Tribunal Administrativo, a exemplo do Acórdão nº 3201004.12410, proferido pela 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção. Portanto, concluo que deve ser aplicado o entendimento do STF em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 574.706, com a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS/PASEP, objeto do recurso em análise. 2.2. Por outro lado, a DRJ igualmente considerou que, embora a contribuinte afirme a existência de pagamento indevido, não faz prova do alegado crédito, passível para comprovar a necessária liquidez e certeza. Para tanto, o Eminente Julgador a quo invocou o artigo 333 do Código de Processo Civil de 1973, que prevê o ônus do autor de fazer prova do fato constitutivo de seu direito, 9 "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto,independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido." (AgInt no AREsp 282.685/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 27/02/2018) 10 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/09/2001 PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.940170/201157 Acórdão n.º 3402006.257 S3C4T2 Fl. 69 9 Com efeito, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados, apresentando comprovação que possa ao menos demonstrar o direito creditório perseguido. Da análise dos autos, verifico que além da discussão sobre o julgamento do Recurso Extraordinário n.º 574.706 em 15/03/2017, definindo o mérito por incidência do artigo 62A do RICARF, acima já tratado, a Recorrente instruiu o Recurso Voluntário com o Relatório de Cálculo, demonstrando que o ICMS integrou a base de cálculo do PIS no período de maio de 2002. 2.3. Portanto, considero que deve ser aplicada a busca pela verdade material para que a Unidade de Origem apure o valor do crédito invocado e demonstrado pela Recorrente, nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal, excluindo o ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. Dispositivo Ante o exposto, conheço dou provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório da Contribuinte para que a Unidade de Origem analise o PERD/COMP nº 42925.07362.301106.1.2.040602, apurando o quantum nos moldes definidos pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento do Recurso Extraordinário n.º 574.706. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Voto Vencedor Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada Na sessão de julgamento, divergi do Voto da Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando esse posicionamento vencedor, razão pela qual apresento abaixo meus fundamentos de decidir. Preliminar de sobrestamento: Entendo que não cabe o sobrestamento do processo até aguardar decisão definitiva sob repercussão geral, pelos mesmos argumentos deduzidos em meu Voto no processo nº 16327.720780/201631, abaixo transcrito: Processo nº 16327.720780/201631 Recurso nº Voluntário Fl. 73DF CARF MF 10 Acórdão nº 3402005.854– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 (...) Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada Na sessão de julgamento do presente processo, divergi parcialmente do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, relativamente à proposta de sobrestamento do presente processo até haja ulterior e definitiva decisão no RE nº 609.096, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando o meu posicionamento vencedor pelo voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir. Embora na doutrina e na jurisprudência já se utilizasse o direito processual civil como fonte subsidiária do processo administrativo fiscal, o Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 15, inovando em relação ao CPC anterior, trouxe determinação expressa de que: "Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente". Esta Redatora teve a oportunidade de analisar a aplicação do CPC no processo administrativo fiscal em monografia acerca do tema11, na linha de entendimento parcialmente transcrita abaixo: (...) Há um regime jurídico aplicável especialmente ao subsistema processual administrativo fiscal federal, composto pelas normas processuais e princípios contidos, utilizandose da linguagem de James Marins12, nos seguintes quadrantes: constitucional (especialmente o art. 5º, LV e LXXVIII da CF), complementar geral (CTN), ordinário geral do processo administrativo federal (Lei nº 9.784/99) e ordinário federal (Decreto nº 70.235/72), bem como num quadrante infralegal, integrado por um regulamento (Decreto nº 7.574/2011), regimentos internos dos órgãos julgadores (especialmente o Regimento Interno do Carf) e outros atos normativos que veiculem regras processuais. (...) No subsistema processual administrativo fiscal, a Lei nº 9.784/99 tem a função de lei geral do processo administrativo fiscal federal, em cujas normas o intérprete deve se valer na ausência de normas específicas no Decreto nº 70.235/72, antes de, eventualmente, se socorrer de normas de outros subsistemas processuais. (...) A determinação do conteúdo e alcance do art. 15 do CPC envolve a matéria atinente às lacunas e às antinomias, que são defeitos formais do sistema de normas, que devem ser corrigidos em face da unidade e coerência da ordem jurídica. A antinomia jurídica é o conflito entre normas, ou seja, a incompatibilidade que ocorre na aplicação de duas normas vigentes. (...) (...) A lacuna é a incompletude insatisfatória dentro do ordenamento. Sua existência é expressamente reconhecida no ordenamento brasileiro pelo art. 4º da LInDB, que também dispõe sobre a forma de sua colmatação, nestes termos: "Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito". Na integração por analogia, partese da solução prevista em lei para outro caso concreto, concluindose pela validade dessa regra para outro caso semelhante, para o qual inexiste previsão legal. (...) (...) 11 PAULA, Maria Aparecida Martins de. Aplicação do Código de Processo Civil no Processo Administrativo fiscal. Monografia (Especialização em Direito Processual Civil) Faculdade Damásio. São Paulo. 2018. 12 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro: administrativo e judicial. 11. ed. rev. e atual. São Paulo, RT, 2018, p. 111. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.940170/201157 Acórdão n.º 3402006.257 S3C4T2 Fl. 70 11 Na proposição antecedente da norma do art. 15 do CPC (hipótese), assim considerada a descrição de um possível evento no mundo social, está a identificação da lacuna no caso concreto; e no consequente da norma está o prescritor de conduta ao juiz ou julgador acerca da forma que tal lacuna deverá ser colmatada. Essa descrição é coerente com o fato de que a lacuna deve ser identificada e colmatada para cada caso concreto, com a criação da norma jurídica individual pelo juiz ou pelo julgador administrativo. Portanto, o que está o art. 15 do CPC a determinar é que o método de integração a ser utilizado para colmatar a lacuna é a analogia, de forma que, a um caso concreto não regulado integral ou parcialmente no subsistema processual especial será aplicada uma norma do Código de Processo Civil, prevista para uma situação distinta mas semelhante ao caso não contemplado. Verificase, na doutrina e na jurisprudência, a tentativa de utilização de uma interpretação literal do art. 15 do CPC, de cabimento da aplicação subsidiária ou supletiva do CPC em todas as situações de ausências ou incompletudes das normas processuais especiais, o que não se coaduna com o melhor direito. Vale dizer que só haverá lacuna no subsistema processual especial quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória de acordo com as diretrizes adotadas por esse subsistema processual. É certo que haverá omissões propositais nas normas do processo administrativo, decorrentes da própria vontade do legislador ordinário de não incorporar determinados institutos processuais civis em nome de princípios e de outras regras tutelados para o subsistema processual especial, tais como a informalidade e a celeridade. (...) Como dito, no subsistema especial do processo administrativo fiscal só haverá uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador pela analogia, com a aplicação do instituto do CPC, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.13 Dessa forma, no que interessa ao presente caso, não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto processual do CPC para o PAF. Aliás, o fato de ter sido revogada disposição anterior do Regimento Interno do Carf que determinava o sobrestamento14, está a revelar que tal omissão no atual Regimento não é indesejável ou insatisfatória para o subsistema processual especial na esfera do CARF. 13 Como esclarece Tercio Sampaio Ferraz Júnior, a lacuna é uma "incompletude insatisfatória dentro da totalidade jurídica", ou seja, é algo incompleto dentro de um limite e, além disso, é também insatisfatório, no sentido de que exprime uma falta ou insuficiência que não deveria ocorrer. FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Introdução ao estudo do direito: técnica, decisão, dominação. 2. ed.São Paulo: Atlas, 1994, p. 218. 14 PORTARIA Nº 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 atualmente revogada Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 75DF CARF MF 12 Não se pode também olvidar que a vinculação com algumas modalidades de acórdãos e enunciados de súmulas judiciais dáse de forma diversa para a Administração Pública e para os juízes e tribunais. Não se pode impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública, como bem explicam Oliveira, Souza e Barbosa15: Essa norma constitucional evidencia o intuito do constituinte de atribuir eficácia vinculante para a Administração Pública apenas a algumas decisões do STF (proferidas após reiteradas decisões e mediante aprovação de no mínimo dois terços dos seus membros) e em determinadas circunstâncias (quando haja controvérsias interpretativas que acarretem grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica). Somamse à hipótese das súmulas vinculantes também (art. 103A da CF) as decisões proferidas pelo STF em controle concentrado de constitucionalidade, que, por força do art. 102, §2°, da CF, também são vinculantes para a Administração Pública. Por expressa opção do constituinte, as demais decisões proferidas pelo Poder Judiciário não irradiam qualquer eficácia vinculante para a Administração Pública.(...) (...) Contudo, não se nega a possibilidade de as leis especiais que regem os processos administrativos preverem tal vinculação. É o que se observa, por exemplo, do art. 62 do Regimento Interno do CARF, que adiciona às hipóteses constitucionais a necessidade de observância dos recursos repetitivos do STJ e do STF. (...) No entanto, diante da omissão do texto constitucional, tratase de medida que se encontra no âmbito da política legislativa de cada entre tributante, não podendo o intérprete conferir tamanha abrangência ao art. 927, a ponto de impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública. Inclusive, no âmbito da própria União, a questão de vinculação aos recursos repetitivos ou proferidos sob repercussão geral dáse de maneira diferente entre o CARF16 e a própria Receita Federal17, eis que, para o CARF, basta que a decisão (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) 15 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de; SOUZA, Henrique Coutinho de; BARBOSA, Marcos Engel Vieira. O Processo Tributário e o Código de Processo Civil/2015. In: MACHADO, Hugo de Brito (Org.). O processo tributário e o Código de Processo Civil/2015. São Paulo: Malheiros, 2017, p. 352394. 16 Art. 62, §2º do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, na alteração dada pela Portaria MF nº 152/2016. 17 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.940170/201157 Acórdão n.º 3402006.257 S3C4T2 Fl. 71 13 judicial de mérito seja definitiva, enquanto para a Receita Federal a vinculação só existe após a manifestação da PGFN. Com efeito, no caso do CARF, se a vinculação do seu julgador só ocorre após o trânsito em julgado das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/73 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, antes disso o processo deve ter seu seguimento normal, não havendo que se falar em sobrestamento para aguardar a decisão definitiva de mérito do STF ou STJ, mesmo porque, para a Administração Pública, prevalece a constitucionalidade e a legitimidade de todas as leis vigentes enquanto tais atributos não sejam afastados pelo órgão competente. Melhor dizendo, a vinculação dos julgadores do CARF é unicamente à decisão definitiva de mérito de tais processos judiciais, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente, em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade da Administração Pública e da presunção de constitucionalidade das leis. O disposto no art. 1035, §5º do CPC, no sentido de que o relator no Supremo Tribunal Federal, após reconhecida a repercussão geral, determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes que versem sobre a questão e tramitem no território nacional restringese aos processos judiciais, que têm caráter jurisdicional e para os quais há todo um procedimento específico regulado no CPC em face do sobrestamento. Em síntese, embora tenha havido a opção da Administração Pública no âmbito do CARF por vincular seus acórdãos às decisões definitivas de mérito em temas sob repercussão geral, conforme determinado em seu Regimento Interno, não há nele atualmente nenhuma determinação restringindo as condutas dos julgadores até que sobrevenha o julgamento definitivo da questão pelo STF, razão pela qual o procedimento em relação a esses processos é idêntico ao dos demais processos para os quais não há questão controversa envolvendo processos sob repercussão geral. Esse posicionamento tem prevalecido na jurisprudência do CARF, conforme demonstram as ementas abaixo: Acórdão nº 2301005.156 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Relator: João Maurício Vital (...) REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 77DF CARF MF 14 O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. (...) Acórdão nº 3401003.636 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Relator: Rosaldo Trevisan (...) REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. (...) Assim, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento do presente processo. (...) Dessa forma, também no presente processo há de ser rejeitada ao proposta de sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do tema sob repercussão geral. ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins: Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/7718 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de 18 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10980.940170/201157 Acórdão n.º 3402006.257 S3C4T2 Fl. 72 15 transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR19, sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado 19 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 79DF CARF MF 16 em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM inclui se na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10980.940170/201157 Acórdão n.º 3402006.257 S3C4T2 Fl. 73 17 FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: (...) 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Fl. 81DF CARF MF 18 Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 13007.000006/2003-10
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração- 21/12/2002 a 31/12/2002
DCOMP. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A.
É indevida a compensação de débito com base em decisão judicial que não autorizou o exercício deste direito antes do seu trânsito em julgado.
DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO
PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
DESNECESSIDADE.
A DCOMP apresentada a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP nº 135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, constitui confissão de dívida.
A DCTF constitui confissão de dívida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida.
O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n 2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada com base nas DCTF.
Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP nº 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de.
inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ.
CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA.
TAXA SELIC
A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua
exigibilidade. Art. 61 da Lei n2 9.430/96.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n 2 3, do 22 CC).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.105
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, rejeitar a preliminar.
Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. No mérito, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar e Domingos de Sá Filho.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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(: 1.1:. .'. • ...4 .A. . CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13007.000006/2003-10 Recurso n° 156.075 Voluntário Acórdão n° 2101-00.105 — 1 11 Câmara / 1 2 Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria DCOMP Recorrente BRASKEM S/A (SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO DE OPP QUÍMICA S/A) Recorrida DRJ em Porto Alegre - RS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração- 21/12/2002 a 31/12/2002 DCOMP. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADA. INCIDÊNCIA DO ART. 170-A. É indevida a compensação de débito com base em decisão judicial que não autorizou o exercício deste direito antes do seu trânsito em julgado. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE. MP 2.158-35/2001, ART. 90. DERROGAÇÃO PARCIAL. LEI N2 10.833/2003, ART. 18. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. A DCOMP apresentada a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP n2 135/2003, que incluiu o § 62 no art. 74 da Lei n2 9.430/1996, constitui confissão de dívida. A DCTF constitui confissão de dívida da totalidade do débito declarado, independentemente de este estar ou não vinculado à compensação, seja ela certa ou indevida. O lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados em DCTF só foi obrigatório na vigência do art. 90 da MP n 2 2.158-35/2001, isto é, de 27/08/2001 a 30/10/2003. Com a derrogação parcial deste dispositivo, pelo art. 18 da Lei n2 10.833/2003, a cobrança destes débitos voltou a ser efetuada . com base nas DCTF... Os débitos confessados em DCTF, mesmo na vigência do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001, podem ser exigidos pelo Fisco, inclusive por meio de --. inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Precedentes do STJ. CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA. TAXA SELIC.J • o • Processo n°13007.000006/2003-10 S2-CITI Acórdão n.• 2101-00.105 Fl. 537 A multa de mora é devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n 2 9.430/96. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais (Súmula n 2 3, do 22 CC). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da I' CÂMARA / l' TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. No mérito, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso acerca da matéria em discussão concomitante com a apresentada ao Poder Judiciário. E, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Gustavo Kelly Alencar e Domingos de Sá F . • -441 .44 - • 1 ARCOS CANDI O st - -41( phisr A *NI* n MER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa e Antonio Carlos Atulim. Relatório Trata este processo de Declaração de Compensação apresentada pela OPP QUÍMICA S/A em 10/01/2003, para quitação de débito de IPI, relativo ao período de apuração de 21/12/2002 a 31/12/2002, com crédito presumido de IPI calculado sobre insumos desonerados do imposto, adquiridos no período de 21/12/2002 a 31/12/2002, cujo direito estaria amparado em decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n2 2000.71.00.018617-3/RS. O MS foi impetrado em 06/07/2000 pelas empresas OPP PETROQUÍMICA S/A e OPP POLIETILENOS S/A e o direito declarado pelo TRF da 42 Região alcançou os créditos decorrentes dos insumos utilizados na produção nos últimos dez anos, ou seja, no período de 06/07/1990 a 06/07/2000. In 4. 2 Processo n° 13007.00000612003-10 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.105 Fl. 538 • A DRF em Porto Alegre - RS não homologou a compensação efetuada pela contribuinte, com fundamento no art. 170-A da Lei n 2 5.172/66 - Código Tributário Nacional (CTN), porque a decisão judicial que daria amparo à utilização dos referidos créditos ainda não havia transitado em julgado. Consta do despacho decisório que a decisão judicial autoriza apenas o creditamento do IPI na escrita fiscal da empresa, para compensação com débitos do próprio IPI, e ainda assim, apenas em relação aos insumos adquiridos nos últimos dez anos, não tendo autorizado a compensação dos créditos passados com outros tributos administrados pela RFB antes do trânsito em julgado da respectiva sentença e nem a utilização de créditos posteriores à data de impetração do mandado de segurança. Irresignada, a BRASKEM S/A, que incorporou a OPP QUÍMICA S/A, a qual, por sua vez, sucedera as impetrantes do mandado de segurança, apresentou manifestação de inconformidade, na qual, após requerer a suspensão da exigibilidade do débito compensado, apresenta as suas razões de defesa, que podem ser assim sintetizadas: - a Receita Federal, ao interpretar a sentença como tendo garantido o direito de aproveitamento, apenas, dos créditos anteriores à impetração do mandado de segurança, incorreu em erro tanto fático quanto jurídico. Erro fático, por inexistir nos autos qualquer negativa do direito em questão, quer na sentença, quer no acórdão do TRF da 4* Região; e erro jurídico, por tal interpretação contrariar a própria natureza do mandado de segurança, que tem por escopo a urgente proteção de direito legítimo do administrado, afastando do mundo jurídico o ato que lhe impede de exercê-lo momentaneamente e no futuro. Ao fundar-se nesta premissa, a decisão estaria viciada de nulidade. Quanto aos efeitos do mandado de segurança e sua natureza, traz à colação ensinamentos da doutrina e precedentes jurisprudenciais; - a existência de decisão transitada em julgado materialmente a seu favor impossibilita a cobrança do crédito tributário, porque a Fazenda Nacional interpôs agravo regimental, recorrendo apenas parcialmente da decisão monocrática do STF, que não conheceu de seu recurso extraordinário, não atacando o mérito integral das decisões favoráveis à empresa, limitando-se a rediscutir o direito ao crédito na aquisição de insumos não-tributados (NT), a incidência de correção monetária e a definição da alíquota aplicável na apuração dos créditos objeto da lide. Em razão disso, entende que o direito ao creditamento relativo aos insumos isentos ou sujeitos à alíquota zero já é matéria decidida, não sendo mais passível de reforma. Reforça seu entendimento através da exposição de ensinamentos doutrinários e em disposições legais sobre a coisa julgada; - a aplicação do art. 170-A do CTN, acrescido pela Lei Complementar n2 104/2001, aplica-se exclusivamente às ações judiciais impetradas a partir de 10 de janeiro de 2001, data em que entrou em vigor o referido dispositivo, não atingindo o mandado de segurança por ela impetrado, que é anterior. Este entendimento está de acordo com a jurisprudência do STJ, conforme julgados que apresenta; - obsta, igualmente, a incidência do art. 170-A do CTN sobre o caso em foco, ,s o fato de este dispositivo ter surgido quando já existia decisão judicial, cujo teor não pode ser modificado por norma superveniente. Entender de outra forma implicaria em outorgar eficácia retroativa a essa norma, em desacordo com o sistema jurídico pátrio, que consagra o princípio da irretroatividade normativa, admitindo-a em hipóteses pontuais, como a das leis meramente interpretativas, que não é o caso. Apresenta excerto doutrinário nesse sentido; 3il; Processo n° 13007.00000612003-10 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.105 Fl. 539 • - a autoridade administrativa não pode modificar a decisão judicial ou agregar comandos nela não contidos, já que inexiste na sentença previsão de aplicação do art. 170-A do CTN, conforme disposições dos arts. 468 e 469 do CPC e posicionamentos da doutrina que traz à colação; - somente o competente recurso à autoridade de superior grau hierárquico, no caso, o TRF da 4a Região, poderia desconstituir, reformar ou anular a decisão de 1 instância, poder este vedado à via administrativa; - a execução provisória da sentença que conceder o mandado não comporta recurso com efeito suspensivo, conforme jurisprudência do STJ e doutrina que cita, realçando que a pretensão da Fazenda Nacional, de suspender a compensação imediata dos créditos, foi duplamente denegada nos recursos por ela interpostos; - os pareceres lavrados, a seu pedido, pelos professores Arruda Alvim, Eduardo Arruda Alvim, Ovídio Baptista e Roque Antônio Carrazza ratificam seu entendimento sobre a matéria em discussão, reconhecendo a autorização para imediata compensação dos créditos, a não aplicação do art. 170-A do CTN ao caso e a ocorrência do trânsito em julgado material; - o direito de aproveitamento dos créditos sobre os insumos desonerados decorre do principio constitucional da não-cumulatividade, que emerge do §, 3° do art. 153 da CF/88. A não permissão do direito ao crédito decorrente da aquisição de insumos isentos, não- tributados ou tributados à aliquota zero desnaturaria a exoneração tributária intentada, pois na saída do produto tributado ao qual se incorporam, a exação incidiria sobre o valor dos ditos insumos, anulando-a. Ampara seus argumentos nas lições de diversos doutrinadores pátrios e cita a posição do STF, dizendo que está pacificada naquela corte jurisprudência que reconhece o direito ao crédito em relação aos insumos isentos e sujeitos à aliquota zero. Tal orientação do pretório excelso deve ser seguida pela SRF, por força do disposto no art. 1° do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, cujo teor transcreve. Pugna, ainda, pelo expurgo da multa de mora e dos juros de mora, reafirmando que todas as decisões proferidas no processo judicial, garantindo o seu direito ao aproveitamento dos créditos pleiteados, não foram objeto de reforma, encontrando-se em pleno vigor até a presente data. Assim, por estar amparada em provimento judicial, aduz que não poderia ser considerada em mora, reproduzindo dispositivos do Código Civil e excertos doutrinários a respeito desse instituto. Afirma, ainda, que a sentença suspendeu a exigibilidade dos tributos na mesma medida em que reconheceu o direito aos créditos do IPI, reproduzindo o caput e § 2° do art. 63 da Lei n° 9.430/96 e citando jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STF. Por fim, pede o acolhimento da manifestação de inconformidade, a reforma do despacho decisório e o cancelamento das cartas de cobrança. A DRJ em Porto Alegre — RS manteve a não-homologação da compensação e a cobrança dos débitos indevidamente compensados, em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 21/12/2002 a 31/12/2002 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. 4 , .• Processo n° 13007.000006/2003-10 S2-C ITI Acórdão n.° 2101-00.105 Fl. 540 _ • MANDADO DE SEGURANÇA. DENEGAÇÃO. Denegada a• segurança quanto ao aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de matérias-primas isentas, não-tributadas ou sujeitas à aliquota zero, posteriormente ao ajuizamento da ação, não há provimento judicial para sua utilização. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ TRÁNSITO EM JULGADO A compensação como forma de extinção do crédito tributário exige que os créditos apurados pelo sujeito passivo gozem de certeza e liquidez. Em se tratando de créditos decorrentes de ação judicial, há necessidade do trânsito em julgado e da liquidação da decisão que os reconheceu. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. A exigência da multa de mora e dos juros moratórias decorre de expressa disposição legal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica a renúncia da discussão na esfera administrativa, tornando-se nela definitiva. Solicitação Indeferida". No recurso voluntário, a empresa repisa as mesmas razões de defesa, acrescentando que houve equívoco do órgão julgador de primeiro grau, porque, mesmo estando vinculado ao Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional que reconhecera o direito às compensações, ignorou-o por completo. Ao final, requer a reforma do acórdão recorrido, para o fim de homologar as compensações, cancelando-se, por conseguinte, as cartas de cobrança dos débitos compensados. Com relação ao último pedido, a empresa argüiu perante este Colegiado, após a apresentação do recurso voluntário, como questão de ordem pública, que a cobrança intentada pela DRF é indevida, porque as declarações de compensação apresentadas antes de 31/10/2003 não constituíam confissão de dívida, a teor do disposto na Lei n 9 10.833, de 2003. No presente caso, acrescenta, também não houve confissão da dívida nas DCTF, porque nelas os débitos foram quitados por compensação, não sendo declarado qualquer valor a título de saldo a pagar. Defende que nestas declarações só o saldo a pagar constitui confissão de dívida, de modo que o Fisco, se quisesse cobrar os referidos débitos, deveria ter providenciado o competente lançamento de oficio. Sem este, conclui que a compensação deve ser homologada e os débitos extintos, tendo em vista que já se operou a decadência quanto à possibilidade de lavratura do auto de infração. É o relatório.ji j .#... e '5 Processo n° 13007.000006/2003-10 S2 -CITI Acórdão n.° 2101-00.105 Fl. 541 - Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. Antes de adentrar na análise de mérito, convém esclarecer que a ora recorrente, BRASKEM S/A, desde 31/03/2003, é sucessora por incorporação, da OPP QUÍMICA S/A, que é a impetrante OPP POLIETILENOS S/A sob nova denominação, a qual, antes de ser incorporada, assumira como sucessora a outra impetrante, a OPP PETROQUÍMICA S/A. Além da alegação de que o parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional lhe teria sido favorável, as questões em litígio, necessárias e suficientes para a formação do convencimento deste julgador, são as seguintes: (1) existência de decisão transitada em julgado materialmente, favorável à recorrente; (2) erro da Receita Federal ao afirmar que o pedido teria sido negado para o futuro; (3) inaplicabilidade do art. 170-A do CTN ao presente caso; (4) impossibilidade de exigência de multa de mora e dos juros de mora, uma vez que a conduta da recorrente teria sido pautada em expressa determinação judicial e inconstitucionalidade da cobrança de juros com base na taxa Selic; e (5) necessidade de lançamento dos débitos indevidamente compensados para viabilizar a sua cobrança administrativa ou judicial. 1 — Da inexistência de trânsito em julgado material da sentença As empresas sucedidas pela recorrente requereram ao judiciário, em 06/07/2000, o direito de aproveitamento do IPI apurado com base nas alíquotas de saída, relativamente às entradas dos últimos dez anos e posteriores ao ajuizamento da ação, para compensação com débitos de IPI e outros tributos administrados pela SRF. Pediram também que a SRF fosse obstada de autuá-las pelo aproveitamento dos referidos créditos e de negar- lhes CND, bem como que os créditos fossem atualizados monetariamente, com a inclusão dos expurgos inflacionários. A liminar foi indeferida e o direito reconhecido por sentença, proferida em 23/10/2000 e juntada aos autos, foi o de aproveitamento dos créditos dos últimos cinco anos, para abatimento do IPI devido pelas saídas de seus produtos tributados, atualizados monetariamente pela Ufir até 31/12/1995 e pela taxa Seli c a partir de janeiro de 1996. As impetrantes apelaram do prazo decadencial, do indeferimento do direito de compensação com outros tributos e da não obstrução dos atos fiscalizatórios da SRF. A Fazenda Nacional apelou requerendo o recebimento do recurso com efeito suspensivo e a cassação da segurança concedida por afronta à Constituição, como já defender na contestação. O Tribunal Regional Federal da 44 Região, em decisão prolatada em 21/03/2002 e juntada aos autos, deu provimento parcial às apelações, declarando o direito ao creditamento do IPI relativo aos insumos utilizados na produção nos dez anos anteriores 6Jid Processo n° 13007.000006/2003-10 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.105 Fl. 542 ao ajuizamento, com correção monetária integral, conforme precedentes do tribunal,• aplicando-se, a partir de 1 2/01/1996, unicamente a taxa Selic. A Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com recurso extraordinário, o qual, inicialmente, teve o seu seguimento negado por decisão monocrática, depois tomada insubsistente pela Primeira Turma do STF, conforme demonstra a decisão publicada no DJE em 07/02/2008, verbis: "Decisão: Por maioria de votos, a Turma deu provimento ao agravo regimental no recurso extraordinário para que o extraordinário tenha regular seqüência, declarando insubsistente o ato atacado mediante o agravo: vencidos os Ministros Sydney Sanches, que o desprovia e o Ministro Carlos Britto, que lhe dava parcial provimento em sentido diverso. Não participou, justificadamente, deste julgamento a Ministra Cármen Lúcia. l a. Turma, 11.12.2007." No recurso extraordinário (RE n 2 363.777), a União requer seja declarado inviável o creditamento de IPI sobre os insumos de aliquota zero e os não-tributados, bem como seja vetada a correção monetária dos créditos escriturais de IPI. O referido recurso ainda não foi apreciado pelo STF, porém o Egrégio Tribunal deve decidi-lo na mesma linha de suas últimas decisões, sintetizada na ementa do RE n2 370.682, julgado em 25/06/2007, assim redigida: "Recurso extraordinário. Tributário. 2. II'!. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à aliquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da não-cumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero." (grifos acrescidos) A Procuradoria da Fazenda Nacional, ao analisar a alegação de que teria ocorrido o trânsito em julgado material, concluiu que teria ocorrido o fenômeno em favor do Fisco e não da empresa, com relação aos insumos adquiridos depois da impetração do mandado de segurança e quanto ao pedido de compensação com tributos de outra natureza. Neste contexto, só se poderia falar em coisa julgada material em favor das impetrantes com relação à aquisição de insumos isentos, adquiridos nos dez anos anteriores à impetração, fato que não tem qualquer implicação no caso tratado nos presente autos, pois há informação de que as impetrantes não se utilizavam de insumos isentos. Portanto, resta incontroverso que a sentença proferida em primeira instância, que foi parcialmente reformulada pelo TRF da 42 Região, ao contrário do que defende a recorrente, encontra-se ainda sem trânsito em julgado, quer formal, quer material, no que pertine aos créditos decorrentes de insumos de aliquota zero e não-tributados. 2 — Da inexistência de erro de interpretação na decisão recorrida Na primeira parte dispositiva da sentença, o juiz disse, taxativamente: "concedo parcialmente a segurança requerida, para o efeito de reconhecer às impetrantes o direito de aproveitar os valores de 7 J(1 Processo n° 13007.00000612003-10 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.105 Fl. 543 • aquisição de matérias primas isentas, não-tributadas, ou tributadas com alíquota zero de 1P1 como abatimento do valor de venda dos produtos que elaboram, para apuração do referido tributo." (destaquei) e, na segunda parte, declarou: "O aproveitamento mencionado fica limitado às operações de aquisição de insumos efetivadas dentro dos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, e sobre eles será computada correção monetária segundo a variação da UF1R, até 31/12/1995, e dai até o efetivo aproveitamento segundo o 4°, do art. 39, da L 9.250/1995." Não há outro aproveitamento mencionado, senão aquele constante da primeira parte do dispositivo, não havendo como "interpretar" a sentença de outra forma. Se houve inconfonnismo, se a sentença foi parcial, deveria a interessada apelar do resultado que lhe foi desfavorável. Não houve, pois, interpretação errônea da decisão judicial por parte da autoridade fiscal, e nem pelo órgão julgador de primeira instância, quanto ao fato de o direito reconhecido por sentença, após a decisão do TRF, estar limitado ao creditamento no livro Registro de Apuração do IPI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, pelas saídas dos produtos fabricados pelas impetrantes. 3 - Da limitação à compensação imposta pelo art. 170-A do CTN Se a decisão judicial só autorizou o creditamento no livro Registro de Apuração do IPI, para abatimento dos débitos deste mesmo imposto, qualquer outra forma de compensação dos referidos créditos submete-se às normas que regem a compensação administrativa, ou seja, às Instruções Normativas SRF n2s 21/77, 33/99 e 210/2002. As normas citadas não autorizam a compensação de créditos decorrentes de decisão judicial, antes do seu trânsito em julgado, sendo patente a incidência, no caso, da limitação imposta pelo art. 170-A do CTN, verbis: "Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judiciat(Artigo incluído pela Lcp n°104, de 10.I.2001)" Não resta dúvida de que a compensação dos créditos fictos de IPI, sob outra forma que não a do creditamento no livro de apuração, para abatimento dos débitos do próprio imposto, não encontra qualquer respaldo legal ou judicial. Conseqüentemente, não merece qualquer reparo a decisão recorrida, quando decidiu pela não-homologação das compensações dos créditos fictos com débitos do próprio IPI, intentadas fora do livro de apuração, via DCTF ou Dcomp. 4 — Dos consectários legais: multa de mora e juros Selic A cobrança de multa de mora e juros de mora encontra amparo legal no art. 61 da Lei n2 9.430/96, que assim estabelece, verbis: Processo n° 13007.000006/2003-10 52-CIT1 Acórdão n.°2101-00.105 Fl. 544 "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1" de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3" Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3" do art. 5 0, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." A multa de mora não depende da análise de elemento subjetivo para ser aplicada, ou seja, não importa se o atraso ou falta de pagamento se deu por culpa ou por força maior. Ocorrendo o vencimento do débito sem que haja o pagamento, incide a multa moratória. A legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa Selic é matéria pacificada no âmbito deste Segundo Conselho de Contribuintes, assim como também o é o entendimento de que ao julgador administrativo não compete apreciar a alegação de inconstitucionalidade de disposição legal. Estas matérias foram, inclusive, sumuladas pelo Segundo Conselho de Contribuintes, sendo bastante, para rebater as alegações da recorrente, a transcrição dos enunciados das Súmulas n2s 2 e 3, que têm o seguinte teor: "Súmula n2 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." "Súmula n2 3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais." Portanto, o débito indevidamente compensado deve ser exigido com os consectários legais, expressamente previstos em lei. 5 - Da alegação de que os débitos não podem ser cobrados sem lançamento de ofício Alega a recorrente que os débitos compensados não podem ser cobrados por falta de lançamento de oficio, uma vez que a DCOMP tratada neste processo não constitui confissão de divida, porque apresentada antes da vigência da MP n° 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003.Alega, também, que a confissão de divida não se operou nas DCTF, nas quais não foi declarado qualquer valor a titulo de saldo a pagar. Embora estas alegações só tenham sido levantadas após a apresentação do recurso voluntário, entendo que as mesmas devem ser admitidas e apreciadas pelo Colegiado, por se tratar de questões de ordem pública. Com efeito, se admitidas as teses da contribuinte, o crédito tributário, mesmo que indevidamente compensado, só poderá ser cobrado por meio de eji 9 Processo n°13007.000006/2003-10 S2-C1T1 Acórdão n.• 2101-00.105 Fl. 545 • auto de infração, restando indevida a expedição das cartas de cobrança impugnadas pela empresa, tanto na manifestação de inconformidade como no recurso voluntário. Passando à análise destas questões, anota-se, primeiramente, que as declarações de compensação — Dcomp constituem confissão de divida, apta a permitir a cobrança dos débitos indevidamente compensados, conforme disposto nos §§ 62 a 82 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, verbis: " § 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°." No entanto, como esses parágrafos só foram inseridos no art. 74 da Lei n2 9.430/96 pela Medida Provisória n2 135, que foi editada em 30 de outubro de 2003, as suas disposições só se aplicam a partir da publicação desta norma, que se deu em 31/10/2003. Isto porque, sendo a "confissão de dívida" um gravame que a lei nova imputou às Declarações de Compensação, esse atributo não alcança os fatos passados, pois os arts. 105 e 106 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n2 5.172/66), que regulamentam a aplicação da lei tributária no tempo, proíbem esta retroação. Desta forma, o crédito tributário em discussão não pode ser exigido com fundamento na declaração de compensação, pois ela não constituiu a confissão de dívida dos débitos indevidamente compensados, já que apresentada em 31/03/2003, antes do surgimento do § 62 do art. 74 da Lei n2 9.430/96, supratranscrito. No que se refere às DCTF, não há dúvida de que os débitos objeto da compensação não-homologada foram informados neste tipo de declaração. Também não há dúvida, aliás, não é motivo de discussão, o fato de que estas declarações constituem confissão de divida. O motivo da discussão está no valor alcançado pela confissão: se é a totalidade do débito declarado ou apenas o saldo a pagar, depois da dedução dos valores pagos e/ou compensados pela contribuinte. Antes de adentrar na análise desta questão, é preciso esclarecer que ao preencher a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, a contribuinte é obrigada a informar, além do débito apurado em cada fato gerador, como efetuou ou está efetuando a sua quitação. Assim, ao referido débito são vinculados créditos, que podem advir de pagamento por DARF, de compensação de pagamento indevido ou a maior feito em período anterior, de outras compensações, autorizadas judicialmente ou não, de pedido de parcelamento, ou de suspensão da exigibilidade por outros motivos. LÁ. 10 Processo n° 13007.00000612003-10 S2-CIT1 Acórdão n.°2101-00.105 El. 546 Só depois de deduzidos todos os créditos vinculados é que se informa o saldo a pagar, que se espera seja sempre zero, pois o prazo de entrega tempestiva da DCTF ocorre após o encerramento do prazo de quitação dos tributos nela declarados, e o contribuinte deve recolher os seus tributos na data de vencimento prescrita por lei. Se não o fizer, informa o por quê do seu procedimento na DCTF, preenchendo as linhas correspondentes aos tipos de créditos vinculados citados no parágrafo anterior. Entende a recorrente que a confissão de divida realizada em DCTF alcança somente o valor declarado como saldo a pagar, o que tomaria totalmente inócua as disposições do art. 52 e §§ 1 2 e 22 do Decreto-Lei n2 2.124, del 3/06/1984, verbis: - "Art. 5° O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1 0 O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2' Não pago no prazo estabelecido pela legislação, o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da muita de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em divida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2" do artigo 7" do Decreto-lei n" 2.065, de 26 de outubro de 1983." Parece que não há necessidade de grande exercício interpretativo para deduzir que o objetivo do legislador foi eliminar a necessidade de lançamento do crédito tributário declarado pelo contribuinte. E crédito tributário é o total do débito apurado e não o saldo a pagar, advindo de um acertamento da dívida informado pelo contribuinte, para evitar futuras cobranças indevidas por parte do Fisco. Ademais, o saldo a pagar é o resultado de uma simples conta de somar, cujas parcelas são o débito declarado e o total dos créditos vinculados (utilizados para a sua quitação). Se um dos créditos vinculados for glosado, por indevido ou não confirmado, o resultado da conta será alterado, repercutindo num valor maior do saldo a pagar. Assim, quando o Fisco glosa um valor compensado pelo contribuinte, nada mais faz do que aumentar o valor do saldo a pagar em igual montante. Mas esta correção do saldo a pagar só interessa para se identificar a parcela remanescente do débito confessado pelo contribuinte, que deve ser objeto de cobrança administrativa e até judicial, se for o caso. A Secretaria da Receita Federal do Brasil sempre entendeu que a confissão alcança todo o débito declarado, conforme se infere da leitura atenta do art. 1 2 e parágrafo único da Instrução Normativa n2 77, de 24/07/1998, na redação que lhe foi dada pela Instrução Normativa n2 14, de 14/02/2000, verbis: "An. l a Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União.j Processo n° 13007.000006/2003-10 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.105 Fl. 547 • Parágrafo único. Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF n".s 21, de 10 de março de 19971 alterada pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Divida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento." • Veja-se que a instrução normativa não fala, em momento algum, que a confissão alcança apenas o saldo a pagar. O qde se diz é que o saldo a pagar é, em princípio (capta do artigo), o que deve ser cobrado pelo Fisco. A norma do Fisco não trata de confissão de dívida mas de cobrança dos débitos declarados em DCTF, sem a necessidade de lançamento de oficio, inclusive no tocante à parte do débito indevidamente compensado, quando se deve ajustar o saldo a pagar declarado (parágrafo primeiro). O capta do art. 1 2 da IN SRF n2 77/98 determina a cobrança imediata do saldo a pagar, pois contra esta exigência não há contraditório: o contribuinte declara e o Fisco aceita. Se declarou errado o saldo a pagar, o contribuinte pode retificar a DCTF mas nunca impugnar o valor espontaneamente declarado. O parágrafo único, a seu turno, trata da cobrança da parcela do débito decorrente de compensação indevida, determinando que o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa deste débito, seja feito somente após decorridos trinta dias da ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento. Assim, a Receita Federal, antes de efetuar a cobrança dos débitos indevidamente compensados, garante o exercício da ampla defesa ao contribuinte, só remetendo o débito para inscrição em dívida ativa trinta dias após a ciência da decisão definitiva que manteve o indeferimento da compensação na via administrativa. Não é diferente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que, em reiteradas ocasiões, tem decidido que a declaração do débito em DCTF dispensa a necessidade de lançamento de oficio e permite a cobrança, tanto administrativa como judicial dos débitos declarados. Eis duas de suas decisões mais recentes acerca da matéria, sendo recorrente a Fazenda Nacional: 1) RECURSO ESPECIAL N° 999.020 - PR (2007/0248760-5). RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA. DJe de 21/05/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DE VIDAMEN TE. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. 1. É pacifico na jurisprudência desta Corte que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de procederá constituição formal do crédito tributário. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento. je 12 Processo n° 13007.000006/2003-10 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.105 Fl. 548 • também é pacífico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em dívida ativa com posterior ajuizamento da execução fiscal. 3. Inexiste crédito tributário devidamente constituído enquanto não finalizado o necessário procedimento administrativo que possibilite ao contribuinte exercer a mais ampla defesa, sendo vedado ao Fisco recusar o fornecimento de certidão de regularidade fiscal se outros créditos não existirem. 4. Recurso especial não provido." 2) RECURSO ESPECIAL N° 842.444 - PR (2006/0087836-5). Relator: MINISTRA ELIANA CALMON. DJe 07/10/2008. Ementa: "TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO - DECLARAÇÃO NÃO RECUSADA FORMALMENTE - INEXISTÊNCIA DE DÉBITO - CERTIDÃO NEGATIVA OU POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA - CONCESSÃO - POSSIBILIDADE - PRECEDENTES DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. I. Com relação à possibilidade de expedição de certidão negativa ou positiva com efeito de negativa de débitoS tributários em regime de compensação afiguram-se possíveis as seguintes situações: a) declarada, via documento especifico (DCTF, GIA, GFIP e congêneres), a divida tributária, prescindível o lançamento formal porque já constituído o crédito, sendo inviável a expedição de certidão negativa ou positiva com efeitos daquela; b) declarada a compensação por intermédio de instrumento especifico, até que lhe seja negada a homologação, inexiste débito (condição resolutória), sendo devida a certidão negativa; c) negada a compensação, mas pendente de apreciação na esfera administrativa (fase processual anterior à inscrição em dívida ativa), existe débito, mas em estado latente, inexigível, razão pela qual é devida a certidão positiva com efeito de negativa, após a vigência da Lei 10.833/03; d) inscritos em dívida ativa os créditos indevidamente compensados, nega-se a certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa. 2. Hipótese dos autos prevista na letra "b", na medida em que a declaração do contribuinte não foi recusada, nem este cientificado formalmente da recusa, de modo que inexiste débito tributário a autorizar a negativa da expedição da certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do C77V. 3. Recurso especial não provido." ("Á 13 Processo n° 13007.000006/2003-10 S2.CITI Acérdão n." 2101-00.105 Fl. 549 • Em ambos os casos, a Fazenda Nacional reclamou, no recurso especial, que as decisões recorridas, prolatadas pelo TRF da 4 Região, ofendera ao art. 5 0, § 1°, do Decreto- lei n2 2.124/84, que prescreve que a declaração do contribuinte constitui o crédito tributário, tornando dispensável a formação do processo administrativo de acertamento da dívida • tributária. O TRF entendera que sem o lançamento de oficio o contribuinte não teria garantido o direito de defesa contra a glosa da compensação, como demonstra a ementa da decisão relativa ao segundo caso acima referido: "CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS. DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. 1. A compensação tributária, declarada em DCTF, acarreta a extinção do crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação, na forma dos arts. 156, inc. II, do Código • Tributário Nacional e 74, yç 2", da Lei 9.430/96. 2. Na hipótese de discordância quanto à compensação levada a efeito pelo contribuinte, cumpre ao Fisco instaurar o competente procedimento administrativo tendente à apuração de eventuais irregularidades. Inexistindo nos autos notícia acerca do mencionado procedimento, mostra-se ilegítima a recusa do Fisco no fornecimento de CND em favor da impetrante. 3. Apelação e remessa oficial improvidas." Ao contrário do TRF4, o STJ concluiu que a declaração em DCTF constitui a confissão de dívida do débito integral e, caso haja glosa de compensação indicada neste instrumento, há que se garantir ao contribuinte o contraditório em todas as fases de defesa administrativa, sem o que o débito cuja compensação não havia sido admitida não estaria definitivamente constituído. No caso da recorrente, foi-lhe garantido o direito à ampla defesa por meio da apresentação da manifestação de inconformidade contra a glosa da compensação, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Contra a decisão da DRJ foi-lhe garantido o direito ao recurso voluntário ora em julgamento. Assim, é certo que ao final da discussão administrativa, o débito em questão estará definitivamente constituído e o Fisco e a Fazenda Nacional estarão aptas a efetuar a sua cobrança, tanto administrativa quanto judicialmente. Outro ponto da defesa, levantado pela recorrente, funda-se no art. 90 da Medida Provisória n2 2.158-35/2001, que teria obrigado o Fisco a efetuar o lançamento em situações como a presente, nos seguintes termos: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão da exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" jj 14 Processo n°13007.000006/2003-10 S2-CITI Acórdão n.°2101-00.105 Fl. 550 Este regramento, no entanto, prevaleceu somente até a edição da MP n 2 135, de 30/10/2003, convertida na Lei n2 10.833, de 29/12/2003, em cujo art. 18 assim se dispôs, verbis: "Art.18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n" 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 12 Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 62 a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 22 A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no ,sç 2" do art. 44 da Lei n" 9.430, de 1996, conforme o caso. 1-1" O art. 18 supratranscrito restringiu o lançamento previsto no art. 90 às raras hipóteses nele elencadas, e ainda assim, apenas da multa isolada. O art. 18 da Lei n2 10.833/2003 foi alterado por dispositivos legais supervenientes, porém, na essência, manteve- se a previsão de lançamento, unicamente, da multa isolada. Durante o curto espaço de tempo em que o art. 90 teve eficácia total, isto é, ainda não havia sido derrogado parcialmente, o Fisco efetuou vários lançamentos de oficio de débitos indevidamente compensados em DCTF ou Dcomp. Estes lançamentos, se efetuados até 30/10/2003, não devem ser cancelados, pois tinham amparo legal para ser efetuados. No entanto, a sua existência não desfaz a confissão dos débitos feita nas DCTF. Porém, havendo lançamento de oficio, o Fisco deve efetuar a cobrança dos débitos com base neste instrumento e não nas DCTF. A partir de 31/10/2003, com a edição do art. 18 da MP n 2 135/2003, depois convertida na Lei n2 10.833/2003, o lançamento, mesmo no caso de declarações apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal. O art. 18 da Lei n 2 10.833/2003 veio registrar em lei o entendimento de que o débito declarado em DCTF prescinde de lançamento para a sua cobrança. A mesma lei, no seu art. 17, ao inserir os §§ 9 a 11 no art. 74 da Lei n 2 9.430/96, também registrou o entendimento já existente, de que se deveria garantir ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, nos casos em que a compensação não fosse admitida pelo Fisco. Eis o teor destes dispositivos legais, verbis: "§ 9g É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7‘1, apresentar manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação. (Incluído pela Lei n" 10.833, de 29.12.2003) Lk‘ 15 Processo n° 13007.000006120034 0 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.105 Fl. 551 • sç 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei n°10.833, de 29.12.2003) § 11. A manzfestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 92 e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto ti' 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei if 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei n" 10.833, de 29.12.2003)" De tudo o que se viu até aqui, há de se concluir que a DCTF nunca deixou de constituir a confissão de divida da integralidade dos débitos declarados. No caso de glosa de compensação, no entanto, como vem decidindo o STJ e já previa a Receita Federal na Instrução Normativa ns! 77/98, deve ser garantido ao contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa administrativa. Por fim, observa-se que o procedimento de fiscalização está disciplinado em leis processuais. Como parte indissociável deste procedimento, o lançamento previsto no art. 142 do CTN está regulado pelos arts. 9° a 11 do Decreto n° 70.235/72, que é uma lei processual. Sendo assim, ao procedimento de lançamento aplica-se a lei posterior que tiver instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, a teor do que dispõe do § 1° do art. 144 do CTN, verbis: " Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § I" Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros." (destaquei) Certamente, o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que dispensou a necessidade de lançamento, no caso de débitos declarados em DCTF, enquadra-se entre as normas citadas neste dispositivo legal, sendo de aplicação obrigatória pela fiscalização. Desta forma, em situações como a presente, não há fundamento legal para a lavratura de auto de infração. Conseqüentemente, não há qualquer vício de nulidade nas cartas expedidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, para a cobrança dos débitos cuja comPensação não foi homologada. No entanto, a cobrança, seja ela administrativa ou judicial, só poderá ter seguimento quando a decisão administrativa que mantiver a não-homologação da compensação ), tomar-se definitiva, ou seja, quando se concretizar uma das condições estipuladas pelo art. 42 do Decreto n°70.235/72. J. 16 Processo n° 13007.00000612003-10 S2-CITI Acórdão C2101-00.105 Fl. 552 6— Das demais alegações do recurso voluntário Alega a recorrente que o direito de aproveitamento dos créditos fictos seria decorrência lógica do princípio constitucional da não-cumulatividade. Mas este é exatamente o fundamento jurídico em que se apóia o mandado de segurança impetrado pelas empresas OPP POLIETILENOS S/A e OPP PETROQUÍMICA S/A. A opção pela discussão na via judicial obsta a apreciação da mesma matéria na via administrativa, consoante a Súmula n2 1 deste Segundo Conselho, redigida nos seguintes termos: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo." De nada adianta, portanto, a alegação da recorrente de que o mérito do direito ao crédito de IP I é decorrência lógica do princípio da não-cumulatividade, conforme já decidiu o STF, porque esta matéria não será objeto de apreciação por parte deste Colegiado. Pugna a recorrente pelo acolhimento dos pareceres emitidos por professores e doutrinadores de escol, como suporte à sua defesa. No entanto, nada do que neles se contém é capaz de ilidir as conclusões a que se chegou no presente voto. Também não assiste razão à recorrente quando aduz que a Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional teria reconhecido o seu direito de realizar as compensações, até porque, após a vigência da Lei Complementar n2 104/2001, que introduziu o art. 170-A no CTN, o art. 12 da Lei n2 1.533/51, que rege o mandado de segurança, não mais prevalece em matéria tributária. Conclusão Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. a. Sal. das : sões, em 07 de maio de 2009. ti 14 ER 17 Page 1 _0059500.PDF Page 1 _0059600.PDF Page 1 _0059700.PDF Page 1 _0059800.PDF Page 1 _0059900.PDF Page 1 _0060000.PDF Page 1 _0060100.PDF Page 1 _0060200.PDF Page 1 _0060300.PDF Page 1 _0060400.PDF Page 1 _0060500.PDF Page 1 _0060600.PDF Page 1 _0060700.PDF Page 1 _0060800.PDF Page 1 _0060900.PDF Page 1 _0061000.PDF Page 1
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Numero do processo: 13873.720174/2015-50
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTE DE AÇÃO TRABALHISTA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
A apresentação de documentação idônea elide o lançamento.
Numero da decisão: 2001-001.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. A apresentação de documentação idônea elide o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, lançamento de omissão de rendimentos, RRA, e glosa de imposto retido na fonte. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 72 01 74 /2 01 5- 50 Fl. 116DF CARF MF 2 tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: Exercício: 2014 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTE DE AÇÃO TRABALHISTA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELA TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL COM OS DEMAIS RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DA BASE DE CÁLCULO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IR. Constatada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de ação judicial sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário respectivo. Tendo o contribuinte oferecido previamente a tributação em sua Declaração de Ajuste parte dos rendimentos recebidos acumuladamente juntamente com os demais rendimentos auferidos no período, conforme opção contemplada no §5º do artigo 12A da Lei 7.713/88, mantémse a sistemática de tributação adotada (tributação no ajuste anual). A despesa com honorários advocatícios é dedutível dos rendimentos recebidos em decorrência de ação judicial somente quando devidamente comprovada através de documentação hábil e idônea. Não restando comprovada mediante documentação hábil e idônea a retenção informada na Declaração de Ajuste, fica mantida a glosa de dedução indevida de imposto retido na fonte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O acórdão de impugnação relatou assim a matéria: De acordo com o contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 51/52, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento das seguintes imputações contra o contribuinte na notificação em exame: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica decorrente de Ação Trabalhista – R$ 18.124,03. Na complementação da Descrição dos Fatos, informa a autoridade lançadora que o contribuinte atendeu a intimação fiscal de n.º 2014/346966649853289, mas não apresentou todos os documentos solicitados referente ao processo n.º 0172500 29.1998. O total de rendimentos auferidos foi de R$ 45.310,06. Compensação Indevida de IR na Fonte – R$ 16.926,06. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13873.720174/201550 Acórdão n.º 2001001.073 S2C0T1 Fl. 3 3 Na complementação da Descrição dos Fatos, informa a autoridade lançadora que o contribuinte não apresentou DARF do recolhimento, tampouco consta DIRF transmitida à esta Secretaria pelo Banco do Brasil ou pela extinta Rede Ferroviária Federal, vinculada ao CPF do contribuinte. E no voto: Inferese dos autos que a autoridade lançadora procedeu ao lançamento para inclusão de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte referente a reclamatória trabalhista por este movida contra a Rede Ferroviária Federal S/A, para percepção de diferenças salariais, no valor omitido de R$ 18.124,03, assim como para a cobrança de imposto de renda retido na fonte não comprovado no montante de R$ 16.926,06. Observo, inicialmente, que o impugnante não contesta em momento algum o fato de ter recebido rendimentos da reclamada no exercício, limitandose a pleitear o cancelamento das infrações contra ele imputadas assim como a restituição do imposto de renda retido devidamente corrigido, conforme cópias dos documentos do processo judicial, anexos a defesa. Declaração de Ajuste o contribuinte informou ter pago ao Sr. Carlos Alberto Branco, CPF 06.084.95807, honorários advocatícios no montante de R$ 18.124,02. Do dispositivo supramencionado, inferese que os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte, devidamente comprovados mediante apresentação de documentação hábil e idônea (recibo ou nota fiscal, conforme o caso), são dedutíveis da base de cálculo dos rendimentos tributáveis. No caso concreto, não foi apresentada documentação que comprovasse ter a omissão de rendimentos lançada justificativa no pagamento de honorários advocatícios informado na Declaração de Ajuste, motivo pelo qual, mantémse a infração conforme realizada. No tocante à infração de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 16.926,06, sobre o assunto dispõe a Lei nº 9.250/1995, em seu artigo 12, inciso V, que poderá ser deduzido do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual o imposto retido na fonte correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo. Neste sentido, é necessário que o contribuinte faça prova da efetiva retenção do imposto de renda na fonte, ou seja, deve restar demonstrado que o rendimento pago sofreu o desconto do imposto de renda na fonte. Fl. 118DF CARF MF 4 Registrese que a prova da retenção constitui ônus exclusivo do contribuinte e condição sine qua non para a compensação do imposto na declaração de ajuste anual. Para rendimentos auferidos em reclamatória trabalhista é imprescindível a apresentação de cópia do alvará judicial determinando a retenção e recolhimento do imposto de renda devido assim como de ofício da instituição bancária informando ao juízo ter cumprido a determinação, permitindo, desta forma, a confirmação do valor retido devidamente atualizado ou a existência de DIRF enviada pela fonte pagadora dos rendimentos com o valor de imposto retido na fonte glosado pela autoridade lançadora. Não consta dos sistemas informatizados desta Secretaria DIRF da fonte pagadora Rede Ferroviária Federal S/A em nome do notificado com rendimentos auferidos por intermédio do Poder Judiciário. Também não foi apresentada toda a documentação necessária mencionada alhures. Mantémse o lançamento de compensação indevida de IRPF da forma como realizado. Consta no recurso: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13873.720174/201550 Acórdão n.º 2001001.073 S2C0T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de matéria de prova, relativa a lançamento de omissão de rendimentos, RRA, e glosa de imposto retido na fonte, assim resumida na ementa do acórdão de impugnação: A despesa com honorários advocatícios é dedutível dos rendimentos recebidos em decorrência de ação judicial somente quando devidamente comprovada através de documentação hábil e idônea. Não restando comprovada mediante documentação hábil e idônea a retenção informada na Declaração de Ajuste, fica mantida a glosa de dedução indevida de imposto retido na fonte. O contribuinte comprovou retenção na fonte e pagamento de honorários, fls 103 e seguintes, documentos que satisfazem a motivação para o lançamento. Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 120DF CARF MF 6 É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.906137/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96.
PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.
As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-005.050
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 61 37 /2 01 2- 20 Fl. 413DF CARF MF Processo nº 16682.906137/201220 Acórdão n.º 3201005.050 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente, de Declarações de Compensação transmitidas pelo Sistema PER/DCOMP, que não foram integralmente homologadas em face da glosa de créditos realizada pela RFB, conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Inconformado com o não reconhecimento integral do crédito pleiteado, o Interessado apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 14059.012. Devidamente cientificada desta decisão, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde alega, em síntese que: (i) o presente processo administrativo tem por objeto a declaração de compensação de crédito de COFINS, relativo a pagamento indevido ou a maior, com débitos de outros tributos; (ii) reavaliou os critérios por ela adotados para apuração de seus créditos de COFINS, tendo constatado que, por um lapso, havia deixado de aproveitar determinados créditos, mais especificamente, relacionados às despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (iii) efetuou a reapuração da contribuição por ela devida com o aproveitamento dos referidos créditos, o que resultou na ausência de débito dessa contribuição na competência; (iv) procedeu à retificação do DACON e da DCTF, de modo que, em tais declarações, para a competência, passou a constar a inexistência de qualquer débito de COFINS; (v) tendo havido a redução do débito de COFINS na competência, o pagamento realizado pela Recorrente tornouse indevido ou a maior, correspondendo a crédito a ser por ela utilizado na quitação de outros tributos; (vi) apresentou, então, Declarações de Compensação (DCOMP), nas quais pretendia a utilização do crédito de COFINS relativo a pagamento indevido ou a maior, para quitação de tributos; Fl. 414DF CARF MF Processo nº 16682.906137/201220 Acórdão n.º 3201005.050 S3C2T1 Fl. 4 3 (vii) as autoridades administrativas passaram a analisar os créditos apurados pela Recorrente, os quais foram deduzidos na apuração dessa contribuição e concluíram que a recorrente não faria jus a uma parcela dos créditos; (viii) por essa razão, as autoridades administrativas refizeram a apuração da contribuição, tendo apurado um suposto débito, enquanto a Recorrente não declarou qualquer débito dessa contribuição em tal competência em DCTF; (ix) sem que houvesse a constituição desse débito, as autoridades administrativas pretenderam alocar uma parte do valor pago, por meio de DARF, para quitação do débito por elas apurado. (x) realizouse um "encontro de contas" entre o débito apurado pelas autoridades administrativas e não constituído pela recorrente com o valor por ela pago através de DARF; (xi) como consequência do aproveitamento dessa parcela do montante indevidamente pago por meio do DARF, as autoridades administrativas entenderam que a Recorrente não faria jus à integralidade do direito creditório pleiteado como pagamento indevido ou a maior nas DCOMP's, resultando no reconhecimento de apenas uma parte desse crédito e na homologação parcial das DCOMP's apresentadas; (xii) não se pode admitir que a autoridade administrativa possa efetuar revisão no âmbito de um processo de compensação e pretenda, por meio de um "encontro de contas" utilizar o crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior) para quitação de um débito que não foi sequer constituído, seja pela Recorrente, que não o declarou, seja pela autoridade administrativa, que não lavrou o auto de infração; (xiii) havendo discordância da base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição devida no mês, é dever da autoridade fiscal promover o respectivo lançamento, não lhe sendo permitido, em substituição a este, promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação; (xiv) caso as autoridades administrativas, em processos de compensação, verifiquem a existência de eventuais débitos de PIS/COFINS, devem proceder a formalização de eventual exigência tributária, por meio de lançamento formal, não cabendo a mera glosa de créditos pleiteados pelo contribuinte por meio de "encontro de contas"; (xv) tendo sido incorreto o procedimento adotado, o qual resultou em indevido não reconhecimento da integralidade do direito creditório pleiteado, é evidente que deve ser reformada a decisão, para que tal crédito seja totalmente reconhecido e como consequência haja a homologação integral das DCOMP's; (xvi) o mérito da discussão referese à possibilidade ou não de aproveitamento dos créditos em questão, na medida em que, caso esses créditos tivessem sido aceitos, a apuração de tal competência, conforme realizada, estaria correta e, consequentemente, o crédito relativo a pagamento indevido ou a maior teria sido reconhecido integralmente; Fl. 415DF CARF MF Processo nº 16682.906137/201220 Acórdão n.º 3201005.050 S3C2T1 Fl. 5 4 (xvii) não merece prevalecer o entendimento acerca da impossibilidade de apuração de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (xviii) a Solução de Consulta COSIT nº 64, de 19 de maio de 2016 já reconheceu que as receitas de venda de produtos sujeitos à tributação concentrada incluemse no regime de apuração nãocumulativa e, consequentemente, há a possibilidade de apuração de créditos sobre os custos, encargos ou despesas vinculados a receitas auferidas pela revendedora dos produtos; (xix) que possui precedente do CARF em seu favor, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF; e (xx) não há dúvida de que o art. 3º, inc. IX das Leis nº's 10.637/2002 e 10.833/2003, permite o aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete relativo à operação de venda dos produtos adquiridos para revenda, sujeitos ao regime monofásico. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.031, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.906116/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.031): "Para melhor compreensão do caso, passase a análise individual das matérias, conforme posto na peça recursal. (i) Da insubsistência do procedimento adotado pela Autoridade Fiscal e da necessidade de constituição do débito apurado e da impossibilidade de confissão de dívida de débitos apurados pela Autoridade Fiscal e não declarados pela Recorrente No presente tópico entendo que não assiste razão aos argumentos tecidos pela Recorrente. Preceitua o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, in verbis: Fl. 416DF CARF MF Processo nº 16682.906137/201220 Acórdão n.º 3201005.050 S3C2T1 Fl. 6 5 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013). (....) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)." As declarações de compensação em análise foram transmitidas após 31/10/2003, constituindo, portanto, confissão de dívida, conforme texto legal antes reproduzido. Nessa situação, é dispensada a constituição do crédito tributário confessado por meio de lançamento de ofício. Este tem sido o entendimento uníssono deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Vejamos: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 (...) DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DCOMP. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da Declaração de Compensação. Recurso voluntário negado." (Processo nº 10120.911740/201121; Acórdão nº 3402004.318; Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz; sessão de 25/07/2017) "CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2011 EMPRESA DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA. PIS CUMULATIVO. As empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e Fl. 417DF CARF MF Processo nº 16682.906137/201220 Acórdão n.º 3201005.050 S3C2T1 Fl. 7 6 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA PRESCINDE DE LANÇAMENTO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Havendo não homologação da compensação, o débito confessado é motivo de cobrança e não de lançamento." (Processo nº 12448.726715/201268; Acórdão nº 3302004.908; Relatora Lenisa Rodrigues Prado; sessão de 26/10/2017) "Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2003 a 30/11/2003 DCOMP. CONFISSÃO. INEXISTENCIA DECADÊNCIA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, portanto, incabível a alegação de decadência do valor cobrado." (Processo nº 10730.008171/200851; Acórdão nº 3402 006.001; Relator Conselheiro Rodrigo MIneiro Fernandes; sessão de 29/11/2018) No mesmo sentido tem trilhado o Poder Judiciário: "Embargos à execução fiscal. declaração de compensação. PRESCRIÇÃO. honorários de sucumbência. 1. A entrega da DCOMP constitui definitivamente o crédito tributário, dispensado o lançamento dos créditos não compensados. (...)" (TRF4, AC 500113637.2016.4.04.7016, SEGUNDA TURMA, Relator RÔMULO PIZZOLATTI, juntado aos autos em 05/12/2017) Salientese, ainda, que o CARF tem o posicionamento de que o lançamento é indevido quando o débito é declarado em DCOMP, conforme decisões a seguir transcritas: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2006, 30/11/2006 DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. COBRANÇA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. LANÇAMENTO INDEVIDO. Débito declarados em declaração de compensação DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização, são considerados como confessados e não devem ser objeto de Fl. 418DF CARF MF Processo nº 16682.906137/201220 Acórdão n.º 3201005.050 S3C2T1 Fl. 8 7 lançamento de ofício pela Autoridade Fiscal, ainda mais quando já se encontram em análise e exigência em procedimento próprio.A declaração do Sujeito Passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo improcedente o lançamento dos referidos valores por parte do Fisco." (Processo nº 19515.007790/200848; Acórdão nº 9303 003.897; Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; sessão de 19/05/2016) Diante do exposto, não é de se prover o recurso por tais argumentos. (ii) Do aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre fretes relativos à operação de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico Tem razão a Recorrente. Com relação ao tema, é de se consignar que a Recorrente no processo nº 16682.720005/201393, obteve decisões favoráveis no âmbito do CARF, tanto em sede de Recurso Voluntário, quanto em Recurso Especial, cuja transcrição das ementas é necessária, in verbis: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Crédito Tributário Exonerado. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão nº 3402002.520; Relator Conselheiro João Carlos Cassuli Junior; sessão de 15/10/2014) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 419DF CARF MF Processo nº 16682.906137/201220 Acórdão n.º 3201005.050 S3C2T1 Fl. 9 8 Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003." (Acórdão nº 9303 004.311; Relatora Conselheira Érika Costa Camargos Autran; sessão de 15/09/2016) A matéria possui outros precedentes no CARF, conforme a seguir consignados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Também para as mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência da COFINS não cumulativa, há Fl. 420DF CARF MF Processo nº 16682.906137/201220 Acórdão n.º 3201005.050 S3C2T1 Fl. 10 9 o direito de descontar créditos relativos às despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, da Lei n°. 10.833/2003." (Processo nº 10480.725293/201109; Acórdão nº Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; 9303006.219; sessão de 24/01/2018) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido." (Processo nº 10882.720554/201082; Acórdão nº 3302004.605; Relator Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator designado Conselheiro Walker Araújo; sessão de 26/07/2017) Assim, em relação a tal tópico em razão de a própria Recorrente possuir precedentes em seu favor e este ser o entendimento prevalente do CARF é de se prover o Recurso Voluntário interposto. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 421DF CARF MF Processo nº 16682.906137/201220 Acórdão n.º 3201005.050 S3C2T1 Fl. 11 10 Fl. 422DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.725241/2015-30
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/08/2011
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. Conduta tipificada pela artigo 107, inc. IV, alínea "e" do Decreto-lei n° 37/66, com nova redação dada pela Lei n° 10.833/03 e 22 da IN 800 RFB de 2007.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO SE APLICA
O caso não se enquadra nos requisitos da denúncia espontânea, tendo em vista que a prestação da informação ocorreu após o prazo regulamentar estipulado pela IN 800/2007.
OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO SÃO DE COMPETÊNCIA DO CARF SE PRONUNCIAR.
SÚMULA Nº. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3003-000.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 24/08/2011 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. Conduta tipificada pela artigo 107, inc. IV, alínea "e" do Decreto-lei n° 37/66, com nova redação dada pela Lei n° 10.833/03 e 22 da IN 800 RFB de 2007. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO SE APLICA O caso não se enquadra nos requisitos da denúncia espontânea, tendo em vista que a prestação da informação ocorreu após o prazo regulamentar estipulado pela IN 800/2007. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO SÃO DE COMPETÊNCIA DO CARF SE PRONUNCIAR. SÚMULA Nº. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/08/2011 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. Conduta tipificada pela artigo 107, inc. IV, alínea "e" do Decretolei n° 37/66, com nova redação dada pela Lei n° 10.833/03 e 22 da IN 800 RFB de 2007. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO SE APLICA O caso não se enquadra nos requisitos da denúncia espontânea, tendo em vista que a prestação da informação ocorreu após o prazo regulamentar estipulado pela IN 800/2007. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO SÃO DE COMPETÊNCIA DO CARF SE PRONUNCIAR. SÚMULA Nº. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 52 41 /2 01 5- 30 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11128.725241/201530 Acórdão n.º 3003000.162 S3C0T3 Fl. 238 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães. Relatório Por bem relatar os fatos reproduzo o relatório do acórdão da DRJ. Trata o presente processo de auto de infração com exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada no valor de R$ 5.000,00 (fl.02). Fundamento Legal (fl.21): Art. 15, 17, 26, 32, parágrafo único, 31, 32, 33, 37 a 45, 54, 55, 56, 57, 60 e 61 do Decreto nº 6.759/09. Art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei nº 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, regulamentado pelo art. 728, inciso IV, alínea “e” do Decreto nº 6.759/09. Segundo a fiscalização, a agente de navegação LOGWIN AIR + OCEAN BRAZIL LOGISTICA E DESPACHO LTDA., CNPJ Nº45541539000196, concluiu a desconsolidação relativa ao conhecimento eletrônico (MHBL) 151105150707589 de forma intempestiva em 24/08/2011 09:30 com o registro extemporâneo do conhecimento eletrônico agregado 151105151976508 151105151985337. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) SUDU6900077, pelo Navio M/V RIO BLANCO, em sua viagem 132S, com atracação registrada em 26/08/2011 03:54. Para o caso concreto em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referência em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. Destaquese ainda que o Conhecimento Eletrônico (CE) MHBL 151105150707589 foi incluído em 22/08/2011 18:17, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado. Por ter violado o prazo estabelecido pela IN/SRF nº 800 de 2007, em seu art. 22, a fiscalização lançou a multa do art. 107, IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/66, no valor de R$ 5.000,00. Alega a fiscalização a não aplicação do instituto da denúncia espontânea. Intimada do Auto de Infração em 02/02/2016 (fl. 39), a interessada apresentou impugnação e documentos em 24/02/2016, juntados às fls. 42/60, alegando em síntese: O presente auto de infração não poderia assim ter sido lavrado, e, ainda, exigido o cumprimento da penalidade do impugnante, nos termo da decisão judicial, devendo este ser tido como nulo e Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11128.725241/201530 Acórdão n.º 3003000.162 S3C0T3 Fl. 239 3 ineficaz, pela manifesta ilegalidade do ato de lavratura praticado, devendo o mesmo cancelado, ou suspenso os efeitos da exigibilidade decorrentes de tal, nos termos da referida decisão judicial (processo n.º 000523886.2015.4.03.6100 em trâmite perante a 14ª Vara Federal de São Paulo); Tendo sido apresentadas as informações sobre as cargas transportadas, por meio do Conhecimento Eletrônico máster (MBL) n.º 151.105.150.113.875 e do Conhecimento Eletrônico submaster (MHBL) n.º 151.105.150.707.589, associados ao Manifesto Eletrônico n.º 151.150.178.1920, todos os prazos exigidos pela fiscalização aduaneira foram cumpridos; A responsabilidade por infrações praticadas no âmbito aduaneiro não é objetiva, como defende a autoridade fiscal erroneamente, mas sim por culpa presumida; Deve essa nobre Delegacia da Receita Federal de Julgamento aceitar o fato de que a responsabilidade atribuída à Impugnante foi excluída pela denúncia espontânea da infração, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional e artigo 102, §1º e § 2º, do DecretoLei 37/1966; Verificase a desproporcionalidade entre a infração praticada e a penalidade imposta, não sendo razoável que o simples atraso na desconsolidação de determinado Conhecimento Eletrônico acarrete a imposição de tão pesada penalidade, especialmente pelo fato de não ter sofrido o erário qualquer prejuízo; Requer a Impugnante sua notificação da data e horário em que a sessão de julgamento de sua Impugnação será realizada para nela comparecer, a fim de sustentar oralmente as razões de fato e de direito que justificam a improcedência do auto de infração em discussão, garantindose assim seu direito ao exercício da ampla defesa, albergado no artigo 2º, caput, da Lei n.º 9.784/1.999, além de garantir a legalidade e lisura do julgamento. A autuada, quando da apresentação da peça de impugnação, alegou que a multa em questão não pode ser aplicada em razão da decisão proferida na Ação Coletiva n° 0005238 , da 14ª Vara Cível Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, na qual figura como ré a União, interposta pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC), que deferiu parcialmente a antecipação da tutela “....para determina que a Ré se abstenha de exigir das associadas da Autora as penalidades em discussão nestes autos, independentemente do depósito judicial, sempre que as empresas tenham prestado ou retificado as informações no exercício de seu legítimo direito de denúncia espontânea, nos termos do artigo 102 do Decretolei 37/66.”, respectivas fls. 48 e 49 dos autos. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11128.725241/201530 Acórdão n.º 3003000.162 S3C0T3 Fl. 240 4 Nos termos dessa decisão judicial, entende a defesa que o cumprimento extemporâneo da obrigação acessória afasta a sua responsabilidade, em razão dos efeitos jurídicos da denúncia espontânea, todavia, a interessada não apresentou nenhuma prova de que integra o pólo ativo da referida Ação Coletiva. Assim sendo, foi proposto a conversão do julgamento em diligência, nos termos do que estabelece o artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, para permitir que a fiscalização intime a empresa autuada para apresentar: 1. A cópia integral da petição inicial da Ação Coletiva n° 0005238 86.2015.4.03.6100, que tramita pela 14ª Vara Cível Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, interposta pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC), de modo que seja possível verificar a eventual existência de concomitância entre os processos administrativo e judicial; 2. Todos os elementos de prova que possam atestar a sua condição de associada da Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC) quando da impetração da referida Ação Coletiva. Em resposta à diligência, a unidade de jurisdição da contribuinte anexou as peças judiciais objeto de análise deste processo (fls.117/168). A impugnação foi julgada pelo acórdão nº. 1674.273 22ª Turma da DRJ/SPO, que negou provimento ao recurso nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/08/2011 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO INTEMPESTIVO DE CARGA. MULTA. O registro intempestivo do conhecimento de carga na chegada de veículo ao território nacional tipifica a multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. Inconformada a empresa autuada apresentou Recurso Voluntário alegando que cumpriu a obrigação acessória, que ao caso se aplica a denúncia espontânea e que o valor da pena é desproporcional. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11128.725241/201530 Acórdão n.º 3003000.162 S3C0T3 Fl. 241 5 Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. Inicialmente cumpre deixar consignado que o acórdão recorrido abordou as matérias impugnadas, decidindo por não acolher os argumentos. O auto de infração menciona que a dinâmica dos fatos se deram da seguinte forma: Segundo a fiscalização, a agente de navegação LOGWIN AIR + OCEAN BRAZIL LOGISTICA E DESPACHO LTDA., CNPJ Nº45541539000196, concluiu a desconsolidação relativa ao conhecimento eletrônico (MHBL) 151105150707589 de forma intempestiva em 24/08/2011 09:30 com o registro extemporâneo do conhecimento eletrônico agregado 151105151976508 151105151985337. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no(s) container(es) SUDU6900077, pelo Navio M/V RIO BLANCO, em sua viagem 132S, com atracação registrada em 26/08/2011 03:54. Tais alegações não foram objeto de impugnação por parte da recorrente, bem como não há nos autos qualquer prova contrária aos fatos narrados. A impugnação, bem como o Recurso Voluntário tem como objetivo enfrentar apenas matéria de direito. Nesse cenário os fatos não impugnados são entendidos como incontroversos e, portanto, verdadeiros. Assim, cabe ao presente voto tratar apenas das questões de direito. Da denúncia espontânea A impugnante requereu a aplicação da denúncia espontânea, para excluir a multa que lhe foi aplicada. Sustenta que prestou as informações antes do procedimento fiscalizatório, razão pela qual entende que tem direito à aplicação do referido instituto, tendo em vista o disposto no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 12.350/2010, in verbis: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Ressaltase que a Lei nº 12.350/2010 estendeu a aplicação da denúncia espontânea às penalidades de natureza administrativa, mas são excluiu, nem poderia excluir, a necessidade de serem atendidos os pressupostos de admissibilidade próprios desse instituto: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11128.725241/201530 Acórdão n.º 3003000.162 S3C0T3 Fl. 242 6 tempestividade e eficácia da denúncia. Esses pressupostos foram estabelecidos no art. 138 do Código Tributário Nacional, a seguir reproduzido, dispositivo que fundamenta as demais normas pertinentes a essa matéria. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (Destaques na reprodução.) A tempestividade está delineada no parágrafo único do art. 138 do CTN. Pressupõe que a administração ainda não tenha tomado nenhuma atitude em relação à irregularidade objeto da denúncia. Destacase que a lei é clara ao definir que o início de qualquer procedimento administrativo relacionado com a infração, e não apenas de fiscalização, exclui a espontaneidade do infrator. Já eficácia se assemelha à conhecida figura do arrependimento eficaz, no âmbito do direito penal. Ou seja, se a infração causou algum prejuízo, ele deve ser revertido, para que a responsabilidade do agente possa ser excluída. No presente caso não foi atendido nenhum dos mencionados pressupostos, posto que, conforme já relatado anteriormente, é fato que houve registro das informações fora do prazo legal. A denúncia não atendeu ao requisito da tempestividade. Antes de ela ser apresentada já havia sido implementado procedimento administrativo relacionado com a infração. Tratase da formalização da “entrada do veículo procedente do exterior” que, nos termos do Regulamento Aduaneiro, exclui a espontaneidade por “infração imputável do transportador”. A formalização da entrada do veículo no País se dá com a emissão do termo de entrada, em conformidade com o disposto nos artigos 31 e 32 do Regulamento Aduaneiro atual, que correspondem aos artigos 30 e 31 do Regulamento Aduaneiro anterior, a seguir reproduzidos. Tratase de procedimento administrativo diretamente relacionado com a infração sob exame, pois deve ser realizado depois das informações exigidas serem prestadas, conforme se pode constatar: Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. [...] Art. 31. Após a prestação das informações de que trata o art. 30, e a efetiva chegada do veículo ao País, será emitido o respectivo termo de entrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. (Destacouse.) Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11128.725241/201530 Acórdão n.º 3003000.162 S3C0T3 Fl. 243 7 A título de informação, observase que o registro de Declaração de Trânsito Aduaneira (DTA) ou de Declaração de Importação também afasta a aplicação da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 612, § 1º, I, do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (o qual corresponde ao art. 683, § 1º, I, do Regulamento Aduaneiro atual), a seguir reproduzido. É que qualquer um desses registros configura o início do despacho aduaneiro, conforme disposto no art. 35 da IN SRF nº 248/20021 e no art. 15 da IN SRF nº 680/20062, que é procedimento administrativo relacionado com a infração. Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada [...]: I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou [...] (Destaque na reprodução.) A falta das informações exigidas em tempo hábil prejudica de forma irreversível o alcance dos objetivos básicos da norma que criou a obrigação em foco. Tanto a racionalização dos procedimentos a cargo da Aduana como a agilidade do despacho aduaneiro ficariam comprometidas, e certamente o dano causado não seria suprimido pela prestação ou correção da informação após o prazo fixado. Ademais, tratandose de obrigação acessória autônoma de natureza formal, vinculada a prazo certo, a inobservância do prazo estabelecido, por si só, consuma a infração, não havendo como reverter o prejuízo causado. Dessa forma, não há como a denúncia referente a esse tipo de obrigação ser considerada eficaz. Em decorrência dessa circunstância é que a jurisprudência consolidou entendimento quanto ao descabimento da denúncia espontânea. O assunto já foi consolidado por meio da súmula Carf n.º 126. Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Nesse sentido, entendo por descabida as alegações recursais. Da alegada desproporcionalidade entre o valor da multa e o valor do tributo. 1 8 Art. 35. O registro da declaração de trânsito aduaneiro no sistema caracteriza o início do despacho de trânsito aduaneiro e o fim da espontaneidade do beneficiário relativamente às informações prestadas. 2 9 Art. 15. O registro da DI caracteriza o início do despacho aduaneiro de importação, e somente será efetivado: [...] V se não for constatada qualquer irregularidade impeditiva do registro. § 1º Entendese por irregularidade impeditiva do registro da declaração aquela decorrente da omissão de dado obrigatório ou o seu fornecimento com erro, bem assim a que decorra de impossibilidade legal absoluta. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11128.725241/201530 Acórdão n.º 3003000.162 S3C0T3 Fl. 244 8 As alegações de inconstitucionalidade ou de ofensa a princípios constitucionais não podem ser conhecidas por este colegiado, em razão da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Alega o recorrente que a legislação utilizada pela fiscalização como apoio para aplicação da multa é inconstitucional, desproporcional e confiscatória. Ocorre que já foi fruto de reiteradas decisão a incompetência do CARF em se pronunciar sobre eventuais inconstitucionalidades arguidas. Esse posicionamento encontra amparo na impossibilidade de órgão administrativo do executivo, interferir no papel a ser desempenhado pelo judiciário. Isto porque se a multa foi imposta pelo poder legislativo, por meio de Decreto Lei legalmente aprovado, não cabe a este órgão apreciar a sua proporcionalidade e adequação, cabe apenas aplicála. Eventuais argumentações de inconstitucionalidade de norma possuem meios próprios de impugnação, sendo plenamente possível que o recorrente lance mão dessas possibilidades, direcionando o seu inconformismo ao órgão competente. Para melhor convencimento, vejamos como outras turmas tratam a matéria: Número do Processo 11128.000219/201079 Nº Acórdão 3302006.099 Ementa(s) Assunto: Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador: 09/12/2009 [...] INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF.[...] Assim, as alegações concernentes à ilegalidade de dispositivos legais por ofensa ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade, às limitações constitucionais ao poder de tributar e, por óbvio, concernentes à possibilidade de análise de inconstitucionalidade no âmbito administrativo não serão acolhidas. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a multa pelos fundamentos acima expostos. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11128.725241/201530 Acórdão n.º 3003000.162 S3C0T3 Fl. 245 9 É o meu entendimento Márcio Robson Costa Relator Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000669/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. ADMINISTRADOR.
A falta de comprovação da origem ou da efetiva entrega à pessoa jurídica dos recursos aplicados em suprimento de numerário realizado por administrador da empresa autoriza o lançamento de ofício das parcelas correspondentes por presunção legal de omissão de receitas.
DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITA.
Por presunção legal contida na Lei n° 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita.
PIS. COFINS. DESPESA COM TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. INDEDUTIBILIDADE PELO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Somente a despesa efetivamente reconhecida no correspondente no calendário poderá ser levada ao resultado do exercício. Os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa por força de impugnação não podem ser deduzidos para fins de apuração do lucro real.
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.
Caracteriza omissão de receitas a apuração de saldo credor de caixa, decorrente de sua reconstituição por meio da apuração de registro contábil de cheques, lançados a débito de referida conta e a crédito de conta representativa de obrigação (Bancos, Cheques a Compensar), caracterizando suprimentos fictícios.
RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO DE VALOR INFERIOR AO LIMITE VIGENTE. NÃO CONHECIMENTO
O curso de ofício interposto em virtude de exoneração de crédito tributário em valor superior à R$1.000.000,00 (art. 34, inciso I do Decreto n° 70.235/1972, com a nova redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532, de 10/12/1997, e de acordo com o art. 1º da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n.° 3, de 03/01/2008), não deve ser conhecido, face ao limite atual de R$2.500.000,00 estabelecido pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017.
Numero da decisão: 1302-003.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rogério Aparecido Gil (relator) e Carmen Ferreira Saraiva que davam provimento ao recurso quanto a dedução do Pis e da Cofins da base de cálculo do IRPJ/CSLL e, por unanimidade de votos, em não conhecer recurso de oficio. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães Fonseca - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO RECURSO Recorrentes FERRUCCI & CIA. LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. ADMINISTRADOR. A falta de comprovação da origem ou da efetiva entrega à pessoa jurídica dos recursos aplicados em suprimento de numerário realizado por administrador da empresa autoriza o lançamento de ofício das parcelas correspondentes por presunção legal de omissão de receitas. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITA. Por presunção legal contida na Lei n° 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. PIS. COFINS. DESPESA COM TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. INDEDUTIBILIDADE PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. Somente a despesa efetivamente reconhecida no correspondente no calendário poderá ser levada ao resultado do exercício. Os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa por força de impugnação não podem ser deduzidos para fins de apuração do lucro real. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracteriza omissão de receitas a apuração de saldo credor de caixa, decorrente de sua reconstituição por meio da apuração de registro contábil de cheques, lançados a débito de referida conta e a crédito de conta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 06 69 /2 00 7- 13 Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.225 2 representativa de obrigação (Bancos, Cheques a Compensar), caracterizando suprimentos fictícios. RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO DE VALOR INFERIOR AO LIMITE VIGENTE. NÃO CONHECIMENTO O curso de ofício interposto em virtude de exoneração de crédito tributário em valor superior à R$1.000.000,00 (art. 34, inciso I do Decreto n° 70.235/1972, com a nova redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532, de 10/12/1997, e de acordo com o art. 1º da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n.° 3, de 03/01/2008), não deve ser conhecido, face ao limite atual de R$2.500.000,00 estabelecido pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rogério Aparecido Gil (relator) e Carmen Ferreira Saraiva que davam provimento ao recurso quanto a dedução do Pis e da Cofins da base de cálculo do IRPJ/CSLL e, por unanimidade de votos, em não conhecer recurso de oficio. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães Fonseca Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1421.609, de 25/11/2008, da 5ª Turma da DRJ de São Paulo que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, registrandose a seguinte ementa: OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. ADMINISTRADOR. Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.226 3 A falta de comprovação da origem ou da efetiva entrega à pessoa jurídica dos recursos aplicados em suprimento de numerário realizado por administrador da empresa autoriza o lançamento de ofício das parcelas correspondentes por presunção legal de omissão de receitas. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. OMISSÃO DE RECEITA. Por presunção legal contida na Lei n° 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada a relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, ao PIS e à Cofins. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracteriza omissão de receitas a apuração de saldo credor de caixa, decorrente de sua reconstituição por meio da apuração de registro contábil de cheques, lançados a débito de referida conta e a crédito de conta representativa de obrigação (Bancos, Cheques a Compensar), caracterizando suprimentos fictícios. Lançamento procedente em parte. Houve Recurso de Ofício, face à seguinte exoneração: R$1.345.987,46, incluídos IRPJ, R$ 357.500,01, multa qualificada, R$ 536.250,01; PIS, R$ 9.295.00, multa qualificada de R$ 13.942,47; COFINS, R$42.900,00, multa qualificada de R$64.349,97; e CSLL de R$ 128.700,00, multa qualificada de RS 193.050,00. Após o encerramento da fiscalização, em relação ao sócio da recorrente, Alberto Ferruci, CPF 074.856.62872 (13/08/2007), iniciouse a fiscalização da recorrente, empresa Ferrucci & Cia. Ltda. A autuação referese a (i) glosa de prejuízos fiscais compensados indevidamente e (ii) omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa, suprimento de numerário sem origem ou efetividade de entrega e (iii) depósitos bancários não contabilizados, destacandose o seguinte detalhamento apresentado pela recorrente: O crédito tributário constituído a título de omissão de receitas, referese a: a) saldo credor de caixa em diferentes meses do ano fiscalizado, totalizando R$4.802.423,70, em 29/11/2002; b) suprimento de numerário, efetuado por Alberto Ferrucci em 29/11/2002, não comprovada a origem e a efetiva entrega do valor de R$ 1.430.000,00; c) depósitos bancários não contabilizados, apurados nos meses de fevereiro, julho, agosto e dezembro de 2002, no total de R$ 344.888,56; Tais conclusões refletiram na compensação de prejuízos fiscais, servindo de suporte ao lançamento para os anos calendário de 2003 e 2004, efetuados sob o título seguinte: Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.227 4 a) prejuízos fiscais compensados indevidamente, da ordem de R$233.263,73, em 31/12/2003; e R$ 103.955,68, em 31/12/2004. A exigência principal, formulada a título de IRPJ serviu de motivação aos lançamentos decorrentes pertinentes a CSLL, COFINS e PIS. À vista do contexto do caso, passamos aos fundamentos em conclusões da fiscalização e respectivos pontos reformados e mantidos pela DRJ. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 42/58) registra os seguintes fatos e fundamentos relevantes para o julgamento do caso: O procedimento fiscal em relação a Alberto Ferruci originouse da Representação Fiscal nº 1722/05 EEF PORT. 463 de 30/04/2004 Caso BHSC Beacon Hill Service Corporation (fls. 173/198), combinado com os elementos de fls. 201/274. Identificouse movimentação financeira no exterior, em nome de ALBERTO FERRUCCIO AV. JOÃO SANZOVO, 255 JAÚ SP BRASIL, em 23/10/2002, no valor de US$ 320.000,00 (TREZENTOS E VINTE MIL DÓLARES AMERICANOS), por meio da conta CHELLO Número: 530098709. O contribuinte informou desconhecer tal operação financeira com o exterior, negandose ter feito tal operação. Informou que, a grafia do seu sobrenome era FERRUCCI e não FERRUCCIO. Diante do valor significativo da operação financeira, acionouse o Ministério Público Federal Procuradoria da República no Município de Jaú (SP). O contribuinte foi inquirido, em 17/11/2006, conforme o Termo de Declarações, encaminhado a esta DRF/BAURU, em 23/11/2006. Declarou desconhecer a operação com o exterior (fls. 155/160). No intuito de verificarse o vínculo entre a operação financeira dos US$ 320.000,00 e Alberto Ferrucci, consultouse o Dossiê Integrado e identificouse expressiva movimentação financeira, por meio das retenções de CPMF, anocalendário 2002, no total de R$ 4.151.498,05, razão pela qual estendeuse a verificação fiscal sobre a movimentação financeira do contribuinte, culminando após todo o procedimento de verificação e análise, encerrado em 18/09/2007, com a apuração de crédito tributário, objeto de exigência, lavrada em nome dos herdeiros (Proc. 15889 000.370/200751), tendo em vista que Alberto Ferrucci faleceu, em 12 de abril de 2007 e o inventário concluído, conforme a escritura de inventário e partilha do espólio de Alberto Ferrucci, acompanhada da escritura de sobrepartilha dos bens deixados pelo espólio de Alberto Ferrucci. Durante as verificações no procedimento fiscal da pessoa física, não foi detectado, nos diversos documentos/extratos bancários analisados, nenhum crédito ou débito, coincidentes em datas e valores, mesmo aproximado, com a importância convertida para reais, dos US$ 320.000,00, objeto da Representação Fiscal n° 1722/05 EEF Port. 463, de 30/04/2004 Caso: BHSC Beacon Hill Service Corporation (fls. 181/198). Por outro lado, verificouse um crédito, no valor de R$ 15.000,00, na movimentação financeira da pessoa física, transferido da conta n° 49.7932 Agência 00604 (Jaú/SP) Bradesco. da empresa Ferrucci & Cia. Ltda., em 30/01/2002 (161 e 162), que motivava a sua verificação, em diligência, na escrituração da pessoa jurídica. Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.228 5 Diligencia na pessoa jurídica Ferrucci & Cia. Ltda. (MPF Diligência n° 08103002007004692, de 09/08/2007) (anocalendário 2002) Ainda, durante a análise dos documentos apresentados pela pessoa física, objeto das verificações das movimentações financeiras, observouse, também, que foi recolhido em 01/10/2002, pela pessoa jurídica Ferrucci & Cia Ltda. CNPJ 50.753.912/0001 02, Guia de Depósito Judicial (fl. 56). à Ordem da Justiça Federal, junto à Caixa Económica Federal, em favor da 1a Vara de Jaú/SP, o valor de R$1.430.000.00, a título de sinal de arrematação dos bens constantes do Processo Judicial 2000.61.1700.34101, em favor da pessoa física (Item 43 da DIRPF/2003 Alberto Ferrucci CPF: 074.856.62872), o que fez com que se procedesse à verificação nos Livros Contábeis da Pessoa Jurídica, da respectiva contabilização dessa operação, mediante diligência, conforme Termo de Intimação Fiscal, de 09/08/2007 (fls. 55/57), em que, pela verificação do Livro Razão de outubro/2002, os respectivos lançamentos contábeis, no dia 01/10/2002, a crédito da conta 111.02.0000036 (Bancos c/ Movimento/Banco Do Brasil S/A) e a débito da conta 113.06.0006129 (Empréstimos a Receber/Empréstimos a Terceiros), demonstraram que tal operação havia sido escriturada como um empréstimo efetuado entre a pessoa jurídica e a pessoa física (Alberto Ferrucci), por meio de saque, pelo cheque do Banco do Brasil n° 227.552 (Livro Razão fls. 16 / 299 outubro Vol. 1). Observouse, ainda, que no mesmo dia 01/10/2002, havia um lançamento a débito da conta 111.02.0000036 (Bancos c/ Movimento/Banco do Brasil S/A), no valor de R$ 1.315.511,02 (Livro Razão fls. 16 outubro Vol. 1), decorrente de Adiantamento de Contrato de Câmbio e como contrapartida a conta 211.12.0001508 (Adiantamento Exportação Banco do Brasil S/A), no mesmo valor (Livro Razão fls. 448 outubro Vol. 2). A liquidação do empréstimo, no valor de R$ 1.430.000.00, ocorreu contabilmente. em 29/11/2002. a débito da conta 111.01.0000012 (Caixa) e a crédito da conta 113.06.0006129 (Empréstimos a Receber/Empréstimos a Terceiros), conforme registros à fl. 07 do Livro Razão novembro Vol. 1 2002 /fl. 336 do Livro Razão novembro Vol. 2 2002. Do Início do Procedimento Fiscal na Pessoa Jurídica (MPF Fiscalização n° 08103002007004919, de 15/08/2007) (anocalendário 2002) Diante da operação de empréstimo e sua forma de liquidação, bem como do adiantamento de contrato de câmbio, incontinenti, abriuse o procedimento fiscal na pessoa jurídica, conforme o Termo de Início de Fiscalização, de 15/08/2007 (fls. 58/60), intimandose a empresa para apresentar no prazo de 20 (vinte) dias, os seguintes livros/documentos, referentes ao anocalendário de 2002: LIVROS: DIÁRIO, RAZÃO e de PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS; LIVROS DE REGISTROS: ENTRADAS, SAÍDAS, APURAÇÃO DO ICMS e APURAÇÃO DO IPI; Contratos Sociais: Constituição e suas alterações; Documentação comprobatória do lançamento registrado a débito da conta "BANCOS C/ MOVIMENTOS" "Banco do Brasil S/A", com o histórico "ADIANTAMENTO CONTR. CÂMBIO", no valor de R$ 1.315.511,02; Documentação comprobatória da liquidação do empréstimo, pelo Sr. ALBERTO FERRUCCI, registrado às fls. 07 do RAZÃO ANALÍTICO NOVEMBRO VOL. Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.229 6 I 2002, em 29/11/2002, a débito da conta "CAIXA" e a crédito da conta n° 113.06.0006129, no valor de R$ 1.430.000,00; Extrato do Banco do Brasil e do Banco Bradesco, com os registros de todas as operações, no dia 31/10/2002." Da PréAnálise dos Documentos Apresentados O contribuinte apresentou os elementos, objetos dos itens 1, 2, 3, 4 e 6, acima descritos, permanecendose, no entanto, em silêncio, quanto à documentação comprobatória da liquidação do empréstimo, no valor de R$ 1.430.000,00, pelo Sr. Alberto Ferrucci, descrito no item 5. Os documentos relativos ao adiantamento do contrato de câmbio ("CONTRATO DE CÂMBIO DE COMPRA TIPO 01 EXPORTAÇÃO N° 02/011804 DE 30/09/2002"), no valor de R$ 1.315.511,02 (fls. 61/70), objetos do item 4 do Termo de Início de Fiscalização, de 15/08/2007, acima discriminado, demonstram a veracidade da operação com o Banco do Brasil, que lastrearam parcialmente o pagamento da Guia de Depósito Judicial valor de R$1.430.000,00, junto à Caixa Econômica Federal. Em uma préanálise, por amostragem, no Livro Razão (meses de outubro e novembro de 2002) verificouse lançamentos de valores expressivos, a débito da conta 111.01.0000012 "CAIXA" (ATIVO) e a crédito das contas 212.02.0001510 CHEQUES A COMPENSAR/BANCO BRADESCO e 212.02.0001521 CHEQUES A COMPENSAR/BANCO DO BRASIL (PASSIVO) e viceversa, razão pela qual expediuse o TERMO DE INTIMAÇÃO E DE RETENÇÃO DE LIVROS, de d03/09/2007 (fls. 83 e 84), para apresentar, no prazo de 10 dias, o seguinte: 1. "Documentação comprobatória da liquidação do empréstimo, pelo Sr. ALBERTO FERRUCCI, registrado às fls. 07 do RAZÃO ANALÍTICO NOVEMBRO VOL. I 2002, em 29/11/2002, a débito da conta "CAIXA" e a crédito da conta n° 113.06.0006129, no valor de R$ 1.430.000,00; 2. extrato com os registros das operações realizadas junto ao Banco do Brasil S/A no anocalendario de 2002 na conta n° 3.2050, mantida junto a agência n° 33693; 3. extrato com os registros das operações realizadas junto ao Banco Bradesco S/A no ano calendário de 2002 na conta n° 108901, mantida junto a agência n° 00604; 4. extrato com os registros das operações realizadas junto ao Banco Bradesco S/A no ano calendário de 2002 na conta n° 497932, mantida junto a agência Jaú (604); 5. documentação comprobatória das operações registradas às folhas do livro razão abaixo indicadas, por meio dos seguintes lançamentos contábeis: 29/11/2002 razão novembro/2002 fls. 464 "D 212.02.0001510 CHEQUES A COMPENSAR Banco Bradesco C 111.01.0000012 CAIXA" "TRANSF. CHEQUES A COMPENSAR" Total R$ 200.250,00 29/11/2002 razão novembro/2002 fls. 465 Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.230 7 "D 212.02.0001521 CHEQUES A COMPENSAR Banco do Brasil C 111.01.0000012CAIXA" "TRANSF. CHEQUES E COMPENSAR" Total R$ 1.229.750,00 31/10/2002 razão outubro 2002 fls. 448 e 449 "D 111.02.0000024 BANCOS Cl MOVIMENTO Banco Bradesco" C 7212.02.0001510 CHEQUES E A COMPENSAR Banco Bradesco / "TRANSF. CHEQUES A COMPENSAR" Total R$ 150.000,00 311/10/2002 livro razão outubro 2002 fls. 16 "D 111.01.0000012 CAIXA C 111.02.0000024 BANCOS C/ MOVIMENTO Banco Bradesco" "SUPRIMENTO CX" Total R$ 150.000,00.". O contribuinte atendeu a intimação solicitada (fls. 85/87), nos seguintes termos: "1 A liquidação do empréstimo pelo Sr. Alberto Ferrucci, conforme contrato de mútuo de R$ 1.430.000,00, foi efetuado por "caixa" sendo o comprovante o lançamento contábil. 2 Extratos da conta n° 32050 (Anexo) 3 Extratos da conta n° 108901 (Anexo) 4 Extratos da conta n° 497932 (Anexo) 5 A documentação solicitada no item 5 (cinco) são os próprios lançamentos contábeis". Em complementação aos elementos fornecidos, o contribuinte apresentou também, em "CD", o arquivo magnético da contabilidade 2002. Da Análise de Toda a Documentação Apresentada Da Analise dos Contratos Sociais da Empresa Analisandose todos os contratos sociais da empresa, desde a constituição, em 04/02/1967, e suas alterações, até 31/12/1994, verificase que o sócio ALBERTO FERRUCCI assinava também ALBERTO FERRUCCIO, inclusive com o reconhecimento dessa firma em Cartório da cidade de Jaú/SP (fls. 88/124). O sócio ALBERTO FERRUCCI, que também assinava ALBERTO FERRUCCIO, deixou o quadro social da empresa, de direito, pela alteração efetuada em 28/04/1999 (fls. 130/141), mas que, de fato, continuava na administração financeira da empresa FERRUCCI & CIA. LTDA., de acordo com o seu depoimento no MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO MUNICÍPIO DE JAÚ/SP (fls. 155/160). Do Depoimento do Sr. Alberto ferrucci. Junto ao Ministério Público Federal Procuradoria da República no Município de Jaú/SP Pelo depoimento do Sr ALBERTO FERRUCCI, tomado a termo (TERMO DE DECLARAÇÕES), em 17/11/2006, às 10:05 h, pelo Procurador da República Pr. MARCOS SALATI, do MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.231 8 DA REPUBLICA NO MUNICÍPIO DE JAU / SP. na presença do seu Advogado (acompanhante) Pr. RANOLFO ALVES e do Técnico Administrativo FABIANO TSUNEO GOTO (155/160), sobressai os seguintes pontos de suas declarações: "que desconheço a transação do envio de US$ 320.000 (trezentos mil dólares) no ano calendário de 2002 na conta CHELLO NÚMERO 530098709; que a fábrica FERRUCCI CIA. LTDA. Situase na avenida João Sanzovo n° 255; que faz mais de 5 anos que a fábrica opera neste endereço; que nunca enviei dólares ao exterior; que nesta época, os rendimentos da fábrica de calçado feminino não seria suficiente para o envio de US$320.000 ao exterior; que não conheço a empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION; que nunca viajei a Nova York; que me mantenho na administração da empresa até os dias atuais; que, em 2002, além de mim, administravam na área de produção o meu filho José Carlos Ferrucci, na parte comercial Paulo Eduardo Ferrucci; que na parte financeira sempre fui eu quem administrou a empresa; que não conheço o banco CHASE de Nova York; que no período de 2002 houve certa exportação para Nova York através de carta de crédito, mas em pequena quantidade; que quando assino os documentos relativos à empresa, costumo lêlos, mesmo que sejam entregues pelos meus filhos; que não sei informar se alguma exportação feita constou o meu nome como ALBERTO FERRUCCIO; que tenho irmãos com o sobrenome FERRUCCIO, vez que seria o nome de origem na Itália; que não sei informar se alguma exportação constou como crédito no endereço situado no "Credit Name: 226 e 54TH STREET SUITE 701 NEW YORK NY 100223703", constantes às fís. 56; que reitero que não sei informar nada sobre este endereço; (...) que acredito que toda situação foi gerada por meu nome ter sido indevidamente utilizado por terceiro, sem eu saber; (...)". Do Aval do "Contrato de Câmbio de Compra Tipo 01 Exportação", junto ao Banco do Brasil (fls. 61/83) Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.232 9 Em garantia à operação do adiantamento do contrato de câmbio (fls. 64/70), junto ao Banco do Brasil, foi emitida pela empresa uma nota promissória em moeda estrangeira e avalizada por Alberto Ferrucci (fl. 67). o que prova que o Sr. ALBERTO FERRUCCI que também assinava ALBERTO FERRUCCIO, não só por suas declarações na Procuradoria da República no Município de Jaú/SP, ainda continuava na administração da empresa. Por amostragem, verificase, também, pela transferência de numerário, sem motivo específico, da empresa FERRUCCI & CIA. LTDA. (CONTA CORRENTE N° 497932 AGÊNCIA 00604 BANCO BRADESCO JAÚ/SP), em 30/01/02. no valor de R$ 15.000.00 para a conta corrente particular n° 401552 Agência 00604 do Sr Alberto Ferrucci, que o mesmo continuava, conforme suas declarações, pacificamente, na administração financeira da empresa (fls. 161 e 162). Corroborase, ainda, com a sua função de administrador financeiro, o fato de ter recebido rendimentos durante o anocalendário de 2002 e ter sido pago, com dinheiro da empresa, o valor de R$1.430.000,00, a título de sinal de arrematação dos bens constantes do PROCESSO JUDICIAL N°: 2000.61.1700.34101, em favor da pessoa física, conforme item 43 da DIRPF/2003 / AC 2002 ALBERTO FERRUCCI CPF: 074.856.62872 (fls. 56 e 163/169), na condição de pseudo empréstimo. Do Repatriamento dos US$320.000,00, através da empresa Beacon Hill Service Corporation, onde o Sr. Alberto Ferrucci/Alberto Ferruccio figura como ordenante (fls. 173/274) Em face do Sr. Alberto Ferrucci assinar também Alberto Ferruccio, de acordo com os contratos sociais da empresa Ferrucci & Cia. Ltda., e diante da sua condição de administrador financeiro da mesma, pelos fatos acima expostos, intimouse a contribuinte, de acordo com o Termo de Intimação Fiscal, de 18/10/2007, para no prazo de 5 (cinco) dias a (FLS. 170/172): "Apresentar os registros contábeis devidamente formalizados nos Livros: Diário e Razão, referentes à movimentação financeira, em 23/10/2002, coincidente em datas e valores, no valor total de US$ 320.000.00 (trezentos e vinte mil dólares americanos), no anocalendário de 2002. conforme o extrato da CONTA CHELLO NÚMERO 530098709. em anexo, ordenada por ALBERTO FERRUCCI/ALBERTO FERRUCCIO, bem como a origem de tais recursos. As transações, acima, foram obtidas conforme Decisão Judicial, de 29 de abril de 2004. da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba PR. no Caso: BHSC BEACON HILL SERVICE CORPORATION, de acordo com os documentos abaixo discriminados: a. Laudo Pericial Federal do INSTITUTO NACIONAL DE CRIMINALÍSTICA, do DEPARTAMENTO DE POLÍCIA FEDERAL, de 20/04/2004 (LAUDO N° 1032/04 INC), elaborado para cada conta / subconta onde foram localizadas as aludidas transações; b. Relação / transcrição das operações, em que o exsócio ALBERTO FERRUCCI, que também assinava ALBERTO FERRUCCIO / ALBERTO FERRUCCIO (conforme os contratos sociais da empresa), e ainda, atuante na administração da empresa, principalmente na parte financeira, aparece como Ordenante de divisas, através das contas / subcontas mantidas / administradas no Banco Chase de Nova York, por BHSC BEACON HILL SERVICE Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.233 10 CORPORATION, independente de documentação em papel, onde o endereço do cliente, constante do extrato: AV. JOÃO SANZOVO. N° 255 JAU SP BRASIL, é o endereco da empresa FERRUCCI & CIA. LTDA. Por outro lado, o Sr. ALBERTO FERRUCCI, em suas declarações no MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO MUNICÍPIO DE JAÚ/SP, conforme o TERMO DE DECLARAÇÕES, de 17/11/2006. em nosso poder, declarou entre outros pontos, os seguintes: i. que se mantinha na administração da empresa até os dias atuais; ii. que, em 2002, além dele, administravam na área de produção o seu filho José Carlos Ferrucci, na parte comercial Paulo Eduardo Ferrucci; iii. que na parte financeira sempre foi ele quem administrou a empresa. Portanto, os esclarecimentos não prestados ou prestados de forma insuficiente, pelo contribuinte, implicará LANÇAMENTO DE OFÍCIO, de acordo com a legislação de regência, bem como a formalização da devida REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS ao SR. DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM BAURU/SP, em virtude da prática, em tese, de crimes contra a ordem tributária. Todos os documentos serão disponibilizados no PROCESSO ADMINISTRATIVO DE DETERMINAÇÃO E EXIGÊNCIA, uma vez que se tratam de "INFORMAÇÕES PROTEGIDAS POR SIGILO FISCAL". Em resposta, recebida na SAFIS/DRF/BAURU, em 29/10/2007 (fls. 275/298), a empresa FERRUCCI & CIA. LTDA., manifestouse nos seguintes termos: a. "Que não existe em sua contabilidade qualquer registro referente a movimentação financeira assinalada no item 1 do Termo de Intimação Fiscal em resposta. Por isso, deixa de apresentar cópias dos lançamentos contábeis correspondentes; b. Que, desconhece aquele valor, bem como sua origem e destinação, não podendo, assim, oferecer qualquer informação a respeito; c. Que, o Sr. Alberto Ferrucci, falecido em 12/04/2007, deixou de participar da sociedade na data da 20a Alteração Contratual, registrada na JUCESP em 23/07/1999 (cópia anexa). A partir de então não mais exerceu qualquer cargo ou função na sociedade, não tendo poderes para agir em seu nome, ou representála na prática de qualquer operação ou ato de gestão, seja administrativo, financeiro ou qualquer outro; d. Relativamente às declarações por ele prestadas junto ao Ministério Público Federal, em 17/11/2006, esta sociedade desconhece o teor das mesmas, as circunstâncias que as envolveram, bem como sua motivação e propósitos.". Tendo em vista que foi pago o Lance Judicial de Arrematação, em prol da pessoa física Alberto Ferrucci, no valor de R$ 1.430.000,00, com dinheiro da empresa (fl. 56), a título de empréstimo, objeto do Adiantamento do Contrato de Câmbio com o Banco do Brasil, efetuado em 30/09/2002 (fls. 61/69), no valor de R$ 1.315.511,02, disponível na conta corrente, em 01/10/2002 (fls. 70/76), mediante o compromisso de liquidação, até 30/12/2002, onde o Sr. Alberto Ferrucci foi o avalista da operação (fl. 67), necessário se fez a ordem de repatriamento, em 23/10/2002, por intermediação da empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION, do dinheiro existente no exterior, no valor de US$ 320.000,00 (trezentos e vinte mil Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.234 11 dólares americanos), possivelmente oriundo de saldos financeiros de exportações efetuadas, visando à recomposição do seu capital de giro, em face do pagamento, com recursos da empresa, dos bens objeto de arrematação na pessoa física, no valor de R$ 1.430.000,00, ocorrido em 01/10/2002. Logo, a liquidação contábil do empréstimo, em 29/11/2002, no valor de R$ 1.430.000,00, pelo Sr. Alberto Ferrucci, sem o embasamento dos respectivos documentos, hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, demonstram a veracidade do repatriamento dos US$320.000,00, em 23/10/2002, através da empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION Conta CHELLO Numero 530098709, de acordo com o LAUDO n° 1032/04, do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, c/c o RELATÓRIO TÉCNICO (fls. 248/274), especialmente pela Análise da Dinâmica dos Recursos (fls. 271 e 272), já que o Sr. ALBERTO FERRUCCI, que também assinava ALBERTO FERRUCCIO, figura como ordenante e o endereço AV. JOÃO SANZOVO. 255 JAÚ SP BRASIL, é o próprio endereço da empresa, caracterizando, assim, omissão de receitas, equivalentes à sua conversão em reais, por parte da empresa, em virtude da sua não escrituração contábil, na conformidade dos artigos: 248. 249. inciso II. 251. parágrafo único. 279. 280. 282. 287 e 288. do Decreto n° 3.000. dc de marco de 1999 (RIR/99), c/c o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Da Liquidação Contábil do Empréstimo, em 29/11/2002. no valor de R$ 1.430.000.00. pelo Sr. Alberto ferrucci Por outro lado, por tudo o que foi dito e demonstrado no item 7. e subitens 7.1 a 7.3/ 7.3.1 .e 7.3.2, deste Termo de Verificação e de Constatação Fiscal, verificase que, no diaadia, o Sr. ALBERTO FERRUCCI / ALBERTO FERRUCCIO detinha a administração financeira da empresa FERRUCCI & CIA LTDA. empresa essa de natureza familiar, da qual ele foi o seu emérito fundador e responsável direto pelo seu desenvolvimento industrial na cidade de Jaú/SP. Considerando que a resposta dada, em 19/09/2007, pela empresa (fl. 85) aos Termos de Intimações Fiscais, de 15/08/2007 (item 5), e de 03/09/2007 (item 1), de acordo com o seu item 1, transcrito abaixo: "1 A liquidação do empréstimo pelo Sr. Alberto Ferrucci, conforme contrato de mútuo de R$ 1.430.000,00, foi efetuado por "caixa" sendo o comprovante o lançamento contábil"; sem o acostamento dos respectivos documentos comprobatórios da origem e da efetiva entrega do numerário, demonstram a natureza fictícia de sua liquidação. Logo, a não comprovação da efetiva entrega do dinheiro, na liquidação contábil do empréstimo, no valor de R$ 1.430.000,00, em 29/11/2002 (fls. 299/306), com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, caracteriza a presunção de omissão de receitas, pelo suprimento de caixa, na conformidade artigo 282 do RIR/99, uma vez que os registros contábeis devidamente formalizados nos Livros são meios de prova, mas, no entanto, não são suficientes. A omissão de receitas se torna inquestionável, com a ordem do SR. ALBERTO FERRUCCI, que também assinava ALBERTO FERRUCCIO, no repatriamento dos US$ 320.000.00 (trezentos e vinte mil dólares americanos), em 23/10/2002. sem a sua respectiva contabilização, cuja conversão em reais, para fins de determinação da base de cálculo, de acordo com a INSRF N° 041, de 19 de abril de 1999. nos casos de transferência do e para o exterior, será apurada com base na cotação de venda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio ou, se maior, da operação de câmbio em siffixada pelo Banco Central do Brasil. Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.235 12 Portanto, com fulcro na cotação diária de venda do dólar americano (3,87040), fornecida pelo BANCO CENTRAL DO BRASIL (fls. 30} ), temos o valor convertido em reais, pela cotação do dia da operação de câmbio em si, por ser o menor valor: (US$320.000,00 X 3,87040 = R$ 1.238.528,00) Pelo exposto, concluise que o valor repatriado, em 23/10/2002, dos US$ 320.000,00, equivalentes a R$ 1.238.528,00, pela conversão supra, está contido na liquidação contábil do empréstimo, em 29/11/2002, dos R$ 1.430.000,00, configurando, assim, omissão de receitas, com fundamento no art. 282, c/c os artigos 247, 248, 249. inciso II, 251. parágrafo único, 279, 280. 287. 288 e 849. do Decreto n° 3.000. de 26 de março de 1999 (RIR/99), c/c o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Da Análise da Conta Corrente n° 49.7932 agência 00604 Bradesco, à luz da Escrituração Contábil Ano Calendário de 2002 Analisandose a conta corrente n° 49.7932 Agência 00604 BANCO BRADESCO JAÚ/SP, em nome da empresa FERRUCCI & CIA. LTDA. (fls.329/455), referente ao anocalendário de 2002, em comparação com a escrituração no Livro Razão, verificase que os respectivos créditos bancários não estão escriturados e, nem tampouco, que os saldos da conta "CAIXA" englobam o montante creditado, o que configura omissão de receitas, na conformidade dos artigos 247. 248. 249. inciso II. 251, parágrafo único. 279. 280. 281. inciso I. 287. 288 e 849, do Decreto n° 3.000. de 26 de março de 1999 (RIR/99) c/c o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Efetuandose a consolidação mensal do DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS NÃO CONTABILIZADOS (fls. 308/328 ), temos o seguinte demonstrativo: 12.2 A jurisprudência administrativa assim tem se pautado: "DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Caracteriza hipótese de omissão de receitas o fato de a empresa possuir dinheiro em banco sem a devida escrituração do mesmo, caso não comprove que a origem desse numerário é a receita regularmente contabilizada e que os saldos da conta Caixa, ou semelhante, englobam o montante em depósito (Ac. 1º CC 1050.342/83 Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 22/84, pág. 522).". Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.236 13 "DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Na hipótese de existência de depósitos bancários não escriturados, se a empresa não provar, mediante razoável correlacionamento individualizado, que sua origem é a escrita regularmente contabilizada e que os saldos de caixa englobam os montantes em depósito, tornase correta a ação fiscal que adiciona à receita bruta contabilizada os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada (Ac. 1o CC 1050.481/83 Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 33/84, pág. 885).". ("in" Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, republicado em17 de junho de 1999 2005ALBERTO TEBECHRANI E OUTROSVolume I, pág. 874). Da Análise dos Registros da Conta Caixa 111.01.0000012 (Razão Analítico AnoCalendário de 2002) Analisandose os registros das contas "CAIXA", "CHEQUES A COMPENSAR" e "BANCOS C/ MOVIMENTO", no LIVRO RAZÃO ANALÍTICO ANO CALENDÁRIO DE 2002, verificouse que em vários registros o contribuinte efetuou os seguintes lançamentos: 1) DEBITA BANCOS C/ MOVIMENTO (CONTA DE ATIVO) CREDITA CHEQUES A COMPENSAR (CONTA DE PASSIVO) 2) DEBITA CAIXA (CONTA DE ATIVO) CREDITA BANCOS C/ MOVIMENTO (CONTA ATIVO) Ocorre que, analisando os respectivos extratos bancários do anocalendário de 2002, das contas correntes contabilizadas n°: 10.8901 Agência 00604 BANCO BRADESCO (fls. 556/587); e 3.2050 Agência 00272 BANCO DO BRASIL (fls. 588/718), verificase que não existem nas aludidas contas os respectivos créditos, bem como os respectivos débitos. Com isso, na prática, efetuavase um aumento do saldo na conta "BANCOS C/ MOVIMENTO" (sem igual correspondência nos respectivos extratos bancários), contra igual aumento da conta "CHEQUES A COMPENSAR", para posterior suprimento da conta "CAIXA". Nesse sentido, identificouse no Livro Razão Anocalendário de 2002, na conta "CAIXA", os valores lançados a débito da mesma e a crédito da conta "BANCOS", onde são inexistentes os saques nos extratos bancários (fls. 457/458) caracterizando se, assim, a prática de suprimentos fictícios. Eis o ponto em que a DRJ exonerou parte do crédito tributário. Nesse Ponto, o acórdão recorrido verificou o seguinte: No que diz respeito às alegações da impugnante no sentido de que a autoridade fiscal deveria levar em conta o valor correspondente ao registro contábil do pagamento do empréstimo tomado pelo senhor Alberto, na apuração do saldo credor de caixa passível de tributação, há que se observar que embora a autoridade fiscal tivesse registrado no auto de infração (fl. 08) que tal valor não fora retirado da recomposição da conta "Caixa", verificase que na obtenção do maior saldo de caixa apurado no mês de novembro/2002 (R$4.802.423,70) não houve a dedução de R$1.430.000,00 a que se referiu dita autoridade. Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.237 14 Dessa forma, deve ser recomposto o saldo de novembro/2002, com a utilização do valor de R$3.372.423,70 como maior saldo de caixa. Conseqüentemente a base de cálculo respectiva deve ser deduzida da mesma quantia, restando saldo tributável de R$408.327,78 para o mês de novembro/2002. Assim, o demonstrativo consolidado descrito na fl. 50 passa a ser o seguinte: Data Maior saldo credor caixa Base de cálculo 24/jan/2002 115.054,07 115.054,07 28/fev/2002 120.574,33 5.520,26 28/mar/2002 456.326,85 335.752,52 26/abr/2002 1.206.809,90 750.483,05 27/mai/2002 1.733.336,28 526.526,38 10/iun/2002 1.829.422,78 96.086,50 /jul/2002 0,00 0,00 ago/2002 0,00 0,00 30/set/2002 2.100.686,46 271.263,68 28/out/2002 2.964.095,92 863.409,46 29/nov/2002 3.372.423,70 408.327,78 TOTAL 0 3.372.423,70 Dessa forma, a DRJ refez o quadro do TVF (fl. 54), referente aos registros da conta "CAIXA" (fls. 456/555), observandose as exclusões realizadas pela fiscalização (registros sem os correspondentes saques nos extratos bancários). Esses maiores saldos credores de caixa (anocalendário de 2002) e respectivas bases de cálculo foram considerados pela fiscalização, como omissão de receitas, objeto de tributação, com base no art. 281. inciso I. c/c os 249, inciso II, 251 e parágrafo único. 279 e 288 do Decreto n° 3.000. de 26 de marco de 1999 (RIR/99). Registrouse que, a não contabilização dos respectivos créditos existentes na conta corrente n° 49.7932 Agência 00604 BANCO BRADESCO JAÚ/SP, em nome da empresa FERRUCCI & CIA. LTDA., explica, parcialmente, os mencionados Saldos Credores de Caixa. Seguindo o relato dos registros do TVF, temse: Dos Diversos Tipos de Fraude à luz da Legislação Tributaria (...) a contribuinte praticou as seguintes irregularidades: a) repatriamento, de forma clandestina, dos US$ 320.000,00, em 23/10/2002 (Representação Fiscal n° 1722/05 EEF Port. 463, de 30/04/2004 Caso: BHSC Beacon Hill Service Corporation, por ordem do Sr. ALBERTO FERRUCCI, que também assinava ALBERTO FERRUCCIO; b) Movimentação da conta bancária n° 49.7932 Agência 00604 BANCO BRADESCO JAÚ/SP, em nome da empresa FERRUCCI & CIA. LTDA., sem a respectiva escrituração contábil; c) Aumento do saldo na conta "BANCOS C/ MOVIMENTO", sem igual correspondência nos extratos fornecidos pelas Instituições Financeiras; contra igual aumento da conta "CHEQUES A COMPENSAR", para o posterior suprimento da conta "CAIXA", camuflando com essa prática os SALDOS CREDORES DE CAIXA; Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.238 15 d) Liquidação contábil, em 29/11/2002, do pseudo empréstimo, efetuado ao patriarca, Sr. ALBERTO FERRUCCI, no valor de R$ 1.430.000,00, sem a respectiva documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, referentes à origem e entrega do numerário; e) Decorrentemente, das irregularidades, acima expostas, produziu um Prejuízo Fiscal, da ordem de R$ 1.407.736,66 (Ficha 09A Demonstração do Lucro Real), e uma Base de Cálculo Negativa da CSLL, de R$ 1.407.976,46 (Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) DIPJ/2003 (fls. 730/740); a multa aplicável, no caso, é a multa qualificada para todos os tipos de infrações praticadas, ou seja, de 150%, prevista no artigo 957, inciso II, c/c o seu parágrafo único, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), c/c o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 (art. 44, inciso I, §1°, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 15/06/2007). A DRJ ratificou o entendimento da fiscalização e manteve a qualificação da multa. Dos lançamentos correspondentes aos anoscalendário de 2003 e 2004 Em relação a esse tópico a DRJ apresentou as seguintes conclusões: No que se refere aos lançamentos de IRPJ e CSLL que decorreram da receita considerada omitida (R$ 6.577.312,26) e absorveu o prejuízo fiscal declarado de R$1.407.736,66, conquanto tenha sido considerada a exclusão de R$ 1.430.000,00 da receita omitida, a importância retificada situase na faixa de R$5.147.312,26, suficiente, portanto, para absorver o resultado negativo, bem assim os prejuízos a partir de 1991 (R$ 36.591,84) além do saldo da base de cálculo negativa de períodos anteriores (CSLL), de R$ 46.395,98. Procedese à elaboração de formulários de alteração do prejuízo fiscal (FAPLI) e da base de cálculo negativa da contribuição social (FACS), correspondentes ao ano calendário de 2002, considerandose como receita o valor de R$ 5.147.312,26, neste ato acostado sob fls. 1077/1078. Dos demais tributos lançados (CSLL, Cofins e PIS) Sendo a impugnação dos demais tributos lançados a mesma utilizada para contestar a imposição do IRPJ e ante a íntima relação de causa e efeito, voto por considerar procedente em parte o lançamento de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), para excluir do total lançado a importância adiante enumerada, conforme descrito no quadro adiante. Pelo exposto voto por considerar procedente em parte os lançamento para excluir do crédito lançado os valores abaixo descritos, considerando a dedução de R$1.430.000,00 do saldo credor de caixa (apurado em 29/11/2002): Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.239 16 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Conheço do recurso voluntário, à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento aos demais requisitos de admissibilidade. Preliminar de Nulidade A recorrente reapresenta a preliminar de nulidade do auto de infração, com base nos seguintes argumentos: a) na formalização do lançamento a ação fiscal violou os princípios da legalidade e segurança jurídicas. b) é imprecisa a descrição dos fatos e contraditória sua motivação e fundamentação; c) a sequência de contradições e indefinições lançadas no Termo Fiscal afasta a possibilidade de se estabelecer os contornos para a matéria de fato, prejudicando o encadeamento lógico capaz de revelar a natureza da infração denunciada; d) a tributação de omissão de receitas fundamentada na apuração de saldos credores de caixa, suprimentos de numerário e mesmo conta bancária não contabilizada, encontrase eivada de imprecisões e inseguranças, obstruindo o exercício do amplo direito de defesa; e) a ação fiscal confunde extrato do que pode ser um documento de remessa de recursos para o exterior, efetuada em 23/10/2002, no valor de US$320.000,00, onde figura como ordenante o Sr. Alberto Ferrucci, com o repatriamento do mesmo valor, pretensamente promovido na mesma data pela empresa Recorrente, com o objetivo de recompor seu capital de giro, afetado pelo empréstimo de R$1.430.000,00, concedido aquela pessoa física em 01/10/2002; Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.240 17 f) exige registros contábeis da entrada financeira desse dinheiro existente no exterior, g) após atribuir ao Sr. Alberto Ferrucci a administração financeira da Recorrente, da qual este se desligara através da 20ª Alteração Contratual datada de 28/04/1999 (registrada em 23/07/1999), a fiscalização afirma "a natureza fictícia da liquidação do empréstimo a ele concedido". h) ao mesmo tempo em que considera fictícia a liquidação do empréstimo em 29/11/2002, assegura estar contida em sua liquidação o repatriamento da importância de US$320.000,00, equivalente a R$1.238.528,00, promovido pela empresa em 23/10/2002, mesma data do documento em que figura como ordenante o Sr. Alberto Ferrucci que, repitase, desde 1999, encontravase afastado da empresa; i) a Turma Julgadora recusase a analisar as contradições apontadas, e ignorando os ditames do art. 142 do CTN e inciso III, do art. 10, do Decreto n°. 70.235/72, prefere afirmar que a Impugnação denota perfeito conhecimento da matéria e "apresentase com substanciosa consistência, forrada de argumentos sólidos e logicamente estruturados "; j) em razão da legalidade e da tipicidade cerrada, o lançamento de ofício exige precisão e clareza, não podendo valerse de sua própria dúvida. Analisandose os argumentos preliminares, não há como acolher a pretensão da recorrente, sem adentrar nas questões de mérito. A alegada violação aos princípios da legalidade e da segurança jurídicas dificilmente se demonstra em preliminares, sem que se analise as provas respectivas. Também não há como considerar imprecisa, indefinida, insegura ou contraditória a motivação e a fundamentação consignada pela fiscalização, sem a devida dilação probatória. Não se verifica a alegada violação ao direito de defesa. Como concluir a respeito de erros na fiscalização, relativos à omissão de receitas, sem a detida análise da escrita contábil e fiscal da recorrente. Da mesma, forma para se formar a convicção de que a fiscalização teria se confundido, em relação ao repatriamento de U$320.000,00 é necessário o aprofundamento do estudo. Com base em tais fundamentos, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração. Do Mérito A vinculação do Sr. Alberto Ferrucci à Recorrente A fiscalização registrou a constatação dos seguintes fatos envolvendo Alberto Ferrucci (falecido em 12/04/2007): a) a recorrente obteve Adiantamento de Contrato de Câmbio em instituição financeira, efetuado em 30/09/2002 (fls. 61 a 69), no valor de R$1.315.511,02, disponível na conta corrente da recorrente, em 01/10/2002, onde o Sr. Alberto Ferrucci foi o avalista da operação (fl. 67); Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.241 18 b) o valor obtido foi repassado a Alberto Ferrucci, a título de empréstimo; c) Alberto Ferrucci utilizou o valor para efetuar depósito judicial (processo com decisão em seu favor, como pessoa física); d) Alberto Ferrucci ordenou repatriamento de U$320.000,00, em 23/10/2002, por intermediação da empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION; O valor, convertido em reais (R$1.328.000,00), foi creditado na conta da recorrente, em 23/10/2002; e) Alberto Ferrucci, em depoimento na Polícia Federal, afirmou que sempre foi o administrador das finanças da recorrente. Com base em tais apurações, a DRJ manteve as conclusões da fiscalização de que, Alberto Ferruci, sempre foi administrador da recorrente, ainda que de fato, após a referida 20ª alteração de contrato social. A recorrente sustenta que, embora tenha sido um dos seus fundadores e responsável direto pelo seu desenvolvimento, encontravase desligado da empresa, desde 1999, conforme teria comprovado, por meio da 20ª Alteração Contratual juntada à Impugnação. Salienta que, a partir daí, não exerceu cargo algum ou função na empresa, não tendo poderes para representála, o que seria atestado por declaração firmada pelo Banco do Brasil S.A., Agência de Jaú/SP. Todas as funções administrativas, inclusive financeiras, teriam sido assumidas por seus quatro filhos, que passaram a ser os únicos sócios desde a citada 20a Alteração Contratual. Alega que a fiscalização teria ignorado suas informações e que, a declaração de Alberto Ferrucci perante o Ministério Público Federal (MPF), não seriam suficientes considerálo administrador de fato da recorrente. Diz que, nem mesmo o aval de Alberto Ferrucci não o vincularia à recorrente. Conforme inicialmente relatado, os procedimentos de fiscalização iniciaram se na pessoa física (Alberto Ferrucci). Posteriormente, face às constatações, iniciouse fiscalização também da pessoa jurídica (recorrente). Observase que, as conclusões quanto à omissão de receita e suprimento de numerário, relativas à ordem repatriamento de U$320.000,00 (R$1.328.000,00 creditados à recorrente), envolvem diretamente, Alberto Ferrucci. Os argumentos apresentados pela recorrente de que, Alberto Ferrucci estava afastado da empresa, desde a 20a. Alteração do Contrato Social, não correspondem, portanto, aos fatos demonstrados nos autos pela fiscalização. Sendo assim, voto por rejeitar a alegação que pretende desvincular da recorrente os referidos atos praticados por Alberto Ferrucci. Do Saldo Credor de Caixa A recorrente alega que, na apreciação para a exigência relativa a saldo credor de caixa, o Acórdão recorrido, apesar de exonerar de tributação R$ 1.430.000,00 (redução do Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.242 19 saldo credor de R$ 4.802.423,70 para R$ 3.372.423,70), não teria observado informações relevantesapresentadas na impugnação Destacamse as seguintes razões, a respeito: a) a ausência de documentação probatória das operações registradas não seria impedimento ao exame dos respectivos lançamentos contábeis efetuados em determinada conta, principalmente pelo fato de fiscalização envolvia os valores registrados em tais contas; b) a falta de análise dos registros constantes de tais contas retiraria a segurança e a precisão na apuração de saldo credor, o que estaria violando o princípio da verdade material; c) ao expurgar os débitos da conta Caixa na recomposição efetuada, a fiscalização incluiu valores que não correspondem a Suprimentos, estando vinculados a créditos efetuados na mesma data na conta Bancos. Seriam lançamentos que se anulariam, isto é, são estornados, se não na mesma data, em dias posteriores. Tal fato poderia ser constatado pelos registros do Razão Analítico da conta Cheques a Compensar, se analisada conjuntamente com a conta Caixa; d) a ação fiscal teria excluído ingressos na conta Caixa correspondentes a valores oriundos do recebimento de duplicatas, como é o caso dos lançamentos de 01 de abril a 27 de maio de 2002. Tais entradas não constituem suprimentos; e) mas não teria excluído lançamentos a crédito de Caixa, efetuados no dia 29 de novembro de 2002, tendo como contrapartida a conta Cheques a Compensar, constantes de fls. 88/89 do Demonstrativo de Recomposição de Saldos de Caixa (fls. 456/555). O número de cada documento mencionado no histórico dos lançamentos contábeis a crédito de Caixa, seria o mesmo consignado nos débitos excluídos pela fiscalização no período de 15/03/2002 a 10/05/2002 e 31/10/2002, o que evidenciaria o estorno daqueles lançamentos; f) os créditos efetuados na conta Caixa, em 29/11/2002, estão vinculados aos débitos impugnados pela ação fiscal, nos meses de março a maio e outubro de 2002. A soma desses créditos, iniciandose pelo lançamento de R$ 7.000,00 (fls. 88 do Demonstrativo e 546 do Processo) e culminando com dois de R$ 25.000,00 cada um (fls. 89 do Demonstrativo e 547 do Processo), corresponde exatamente aos dois lançamentos, sendo um de R$ 200.250,00 e outro de R$ 1.229.250,00, mencionados às fls. 4 do Termo de Verificação Fiscal. g) a relação de débitos excluídos da conta Caixa, elaborada pela fiscalização (fls. 457/458), mencionando o número do documento a que corresponde cada importância, possibilitaria vincular os créditos efetuados em 29/11/2002, e como tal computados pela ação fiscal, aos débitos por ela excluídos no período, março a maio e outubro. h) em recomposição de saldos, a auditoria deveria observar a vinculação identificada no histórico dos próprios lançamentos, o que no presente caso remete aos créditos e aos débitos a que correspondem. Mesmo porque, segundo ela própria, não considerou os dois lançamentos acima", isto é, o débito de "Caixa" e créditos de "Cheques a Compensar". i) para demonstrar as contradições e equívocos ocorridos na apuração dos valores tributados a título de Saldo Credor de Caixa, a Recorrente colacionou à peça inaugural nova recomposição da conta auditada (doc. 07, totalizando 121 folhas). Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.243 20 j) a omissão do julgado não cessou no desprezo a tais argumentos. Também ignorou arguição concernente a descaracterização do saldo de caixa apurado nas demonstrações financeiras correspondentes encerramento do ano calendário de 2002 (devedor em R$ 102.253,34). k) nos termos do alegado, a desclassificação do saldo constante daquelas demonstrações importa o comprometimento dos valores que conduziram àquela equação patrimonial, fato que aliado à acusação de movimentação bancária não contabilizada desacredita os resultados apurados, ensejando o arbitramento de lucros. l) a 5ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, não só teria analisado dos documentos que instruíram a impugnação; O Acórdão recorrido ressalta que, a conclusão da recorrente merece reparos, uma vez que não eram somente as contas por ela relacionadas (Bancos c/movimento, Cheques a compensar e Caixa) que eram utilizadas nas operações objeto da autuação. Assim, a DRJ apresenta as seguintes observações: De fato, qualquer ingresso de recursos (aqui entendido como origem) transita a débito das contas Caixa ou Bancos e tem como contrapartida (aqui entendida aplicação) conta de resultado; outra hipótese é a de assunção de dívidas (por empréstimo, por exemplo), em que o crédito sensibiliza conta de passivo, representativa de obrigação e o débito acrescese à conta de disponibilidades, aqui entendido a conta Caixa ou Bancos conta movimento. A conta Cheques a compensar, conforme a própria interessada consignou, representa responsabilidade da empresa e tem natureza credora. Eventuais lançamentos que por ela transitam, nos termos em que a contribuinte alegou em sua impugnação (fl. 811), têm a função apenas de sensibilizar a conta Caixa, sem que exista efetivo ingresso de recursos, conforme salientou a autoridade fiscal no termo de verificação. Por tal motivo é que os lançamentos do dia 29/11/2002, no total de R$1.430.000,00 foram levados em conta na apuração do saldo credor (fl. 542), representativo da omissão de receita objeto do lançamento fiscal. Se os lançamentos da conta Cheques a Compensar não foram examinados, conforme alega a impugnante (fl. 812), tal fato deveuse à sua própria atitude que, em resposta à intimação fiscal respondera que "a documentação solicitada no item cinco são os próprios lançamentos contábeis" (fl. 43), atitude característica de quem pretende cercear a atividade fiscal. Ademais, se houvesse qualquer fato concreto não suscitado durante o processo fiscalizatório que devesse ser esclarecido, a oportunidade para fazêlo materializou se na fase impugnatória. Entretanto a autuada limitouse a tecer alegações destituídas de fundamento fático e conjunto probatório bastantes a dar guarida a seus argumentos. À vista das razões da recorrente e da DRJ, analisamos os respectivos registros do TVF e verificamos que, em realidade, a conclusão da fiscalização a respeito, diz respeito ao fato de que não foi possível conciliar os valores transitados pelas contas caixa e conta movimento bancos. A conclusão da DRF foi no sentido de que a recorrente, mediante débitos na conta caixa e créditos na conta movimento bancos, provocava artificialmente as referidas necessidades de caixa para que, posteriormente, os valores recebidos configurassem Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.244 21 suprimento de caixa, ao invés de considerálos receitas novas passíveis de oferecimento à tributação. Daí a conclusão da DRF quanto à omissão de receita. Nesse sentido, os registros em rubricas contábeis, sem o necessário suporte documental, no caso os respectivos lançamentos em extratos de movimentação de contas bancárias, impedem o acolhimento das razões da recorrente. Nesse sentido, por não haver movimentação nos respectivos extratos, fornecidos pelas instituições financeiras em que eram mantidas as contas bancárias, coincidente com as escritas contábeis da recorrente (e esse fato foi devidamente registrado pela fiscalização e analisado pela DRJ), não há fundamento para a reforma do Acórdão recorrido. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, neste ponto. Do Suprimento de Numerário O Acórdão recorrido ratificou as conclusões da fiscalização, quanto à caracterização de omissão de receita, relativa a suprimento de numerário, em conformidade com as disposições do art. 282 do RIR/99, vigente à época. Considerou que os U$320.000,00 repatriados por ordem de Alberto Ferrucci a crédito da recorrente (23/10/2002), equivalentes a R$1.238.528,00, constituem omissão de receita pela recorrente, com base em presunção legal. A recorrente defende que esse valor já seria de titularidade da recorrente, tanto que foi repatriado a crédito de sua conta bancária. Não seria suprimento de caixa, pois Alberto Ferrucci não teria comprovado a efetiva entrega do valor e a respectiva origem. Alega que, o fato de o ordenante do repatriamento dos U$320.000,00 ser o Sr. Alberto Ferruci, não estaria demonstrando que o valor teria sido internalizado na recorrente para recompor o saldo de caixa anteriormente utilizado para pagamento de lance para arrematação de bens em processo judicial concluído em favor de Alberto Ferrucci. Salienta, ainda, que se o valor repatriado fosse decorrente de vendas anteriores, o fato gerador relativo a tal receita já teria sido objeto de tributação, em função dos registros em suas escritas contábeis e fiscais. Nessa linha, vejamse as seguintes razões da recorrente: A Turma Julgadora (...) desvirtua as afirmações fiscais considerandoas "possível hipótese de fato ocorrido, que justificaria eventual internação de recursos e foi utilizado em um contexto em que poderia explicar seu ingresso. " As expressões utilizadas pelo servidor autuante são incisivas e não comportam distorções. Os recursos tidos por advindos do exterior eram de titularidade da pessoa jurídica e não estavam contabilizados, fato repetido em diversas passagens do Termo Fiscal, constituindo, portanto, omissão de receitas já ocorrida anteriormente ao registro contábil da liquidação do empréstimo de R$1.430.000,00. Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.245 22 Esse o aspecto nuclear da exação, onde a própria fiscalização afirma categoricamente que o valor repatriado pela pessoa jurídica em 23/10/2002, correspondentes a R$1.238.528,00 está contido na liquidação contábil do empréstimo. Segundo as ilações fiscais, o repatriamento teria por objetivo recompor o capital de giro, afetado pelo empréstimo concedido. Se verdadeira, inverossímil que o lançamento só tenha ocorrido em 23/11/2002. Essa a presunção efetivamente esposada pelo Fisco, como evidenciam os já transcritos itens 10 e 11 da peça explicativa, e não aquela pretendida pela douta Turma Julgadora. Desnecessário repisar os termos da Impugnação oferecida e ora ratificada. Naquela peça arguiuse a ausência de provas capazes de demonstrar o repatriamento de recursos e quem o teria promovido. Se resultantes de saldos financeiros de exportações efetuadas, não reconhecidos contabilmente, o fato gerador da obrigação tributária no caso omissão de receitas teria ocorrido por ocasião daqueles eventos, e não em outra data. Nessa situação incide erro na determinação no aspecto temporal do fato gerador. Se o Sr. Alberto Ferrucci, que figura como ordenante de remessa, pretensamente efetuada na mesma data em que teria ocorrido seu repatriamento, agiu em nome da empresa, ainda que destituído de poderes para tanto, os recursos já pertenciam a ela, e essa hipótese não está contemplada pela presunção estabelecida no art. 282 do RIR/99. Embora os julgadores tentem mascarar, os fatos se apresentam com a descrição de um evento e a tributação de outro. Por outro lado, já na Impugnação interposta e em outras abordagens do presente recurso foram suscitadas a ausência de provas materiais capazes de vincular o Sr. Alberto Ferrucci com a administração da empresa. Diante disso, não seria aplicável a presunção do art. 282 do RIR/99, mesmo se a ação fiscal não tivesse imputado à pessoa jurídica o mencionado repatriamento de recursos, e atribuído ao Sr. Alberto Ferrucci, pessoa física, a titularidade e o procedimento de internação daqueles valores, o que se admite apenas por amor ao debate. Na apreciação do litígio não se cogitou do desligamento do Sr. Alberto Ferrucci em 28/04/1999 e seu falecimento em 12/04/2007, quando ainda se encontrava em andamento o procedimento fiscal contra ele instaurado processo n° 15.889 000370/200751 e não havia ocorrido o início de qualquer fiscalização junto a Recorrente. No caso de suprimentos de numerário, cabe ao supridor apresentar comprovação da origem externa dos recursos, obrigação personalíssima, intransferível a terceiros. E, o Sr. Alberto Ferrucci, além de não pertencer ao quadro societário e não estar investido em funções administrativas, pressupostos indispensáveis à caracterização da presunção, faleceu em 12/04/2007, não tendo como promover qualquer explicação ou comprovação. Mesmo assim, foram oferecidas, juntamente com a Impugnação, 127 notas fiscais (doe. 09) a refletir o ingresso de rendimentos expressivos decorrentes da exploração Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.246 23 agropastoril por ele exercida, cujos valores somam R$ 1.213.370,52 e R$ 1.435.995,60 em outubro e novembro de 2002. Tais ingressos foram examinados e legitimados pelo mesmo servidor autuante na fiscalização da pessoa física, que resultou no processo administrativo acima mencionado. Configuram, portanto, provas materiais definitivas do auferimento de recursos suficientes para justificar o pagamento do empréstimo, caso a fiscalização não o tivesse atribuído à própria pessoa jurídica. Dada a constatação, em ação fiscal especificamente direcionada à pessoa física, cujo relato encontrase no processo já mencionado (proc. n° 15.889000370/200751), não assiste à Turma Julgadora pretender nova comprovação do referido ingresso ou da indisponibilidade financeira. Como se verifica, a exação fiscal afigurase completamente nula por vício material, e mesmo se assim não fosse, não atende o permissivo legal em que se fundamenta. À vista de tais razões da recorrente, vejamse os seguinte trechos do TVF: "10. Tendo em vista que foi pago Lance Judicial de Arrematação, em prol da pessoa física, Alberto Ferrucci, no valor de R$ 1.430.000,00, com dinheiro da empresa (fls. 56), a título de empréstimo, objeto do Adiantamento do Contrato de Câmbio com o Banco do Brasil, efetuado em 30/09/2002 (fls. 61 a 69), no valor de R$1.315.511,02, disponível na conta corrente da recorrente, em 01/10/2002, em que o Sr. Alberto Ferrucci foi o avalista da operação (fl. 67), necessário se fez a ordem de repatriamento, em 23/10/2002, por intermediação da empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION, do dinheiro existente no exterior no valor de US$ 320.000,00, possivelmente oriundo de saldos financeiros de exportações efetuadas, visando à recomposição do seu capital de giro, em face do pagamento com recursos da empresa dos bens objeto de arrematação da pessoa física, no valor de R$ 1.430.000,00, ocorrido em 01/10/2002. Logo, a liquidação contábil do empréstimo, em 29/11/2002, no valor de R$1.430.000,00, pelo Sr. Alberto Ferrucci, sem o embasamento dos respectivos documentos, hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, demonstram a veracidade do repatriamento dos US$ 320.000,00 em 23/10/2002 (...), já que o Sr. ALBERTO FERRUCCI, que também assinava ALBERTO FERRUCCIO, figura como ordenante e o endereço AV. JOÃO SANZOVO, 255 JAÚ SP BRASIL, é o próprio endereço da empresa, caracterizando, assim, omissão de receitas, equivalentes a sua conversão em reais, por parte da empresa, em virtude de sua não escrituração contábil, na conformidade dos artigos: 247, 248, 249, inciso II, 251, parágrafo único, 279, 280, 282, 287 e 288 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99,) c/c o art. 42 da Lei n° 9.430/96. " "11.2 Logo, a não comprovação da efetiva entrega do dinheiro, na liquidação contábil do empréstimo, no valor de R$ 1.430.000,00, em 29/11/2002 (fls. 299/306), com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, caracteriza a presunção de omissão de receitas, pelo suprimento de caixa, em conformidade com o art. 282 do RIR/99. Os registros contábeis devidamente formalizados nos Livros são meios de prova, mas não são suficientes. A omissão de receitas se torna inquestionável , com a ordem do Sr. ALBERTO FERRUCCI, que também assinava ALBERTO FERRUCCIO, no repatriamento dos US$ 320.000,00, em 23/10/2002, sem a sua respectiva contabilização, cuja conversão em reais para fins de determinação da base de cálculo... " Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.247 24 "11.3 Pelo exposto, concluise que o valor repatriado em 23/10/2002, dos US$ 320.000,00, equivalentes a R$ 1.238.528,00, pela conversão supra está contido na liquidação contábil do empréstimo em 29/11/2002, dos R$ 1.430.000,00, configurando, assim, omissão de receita.; com fundamento no art. 282, c/c os artigos 247, 248, 249, inciso II, 25/ parágrafo único, 279, 280, 287, 288 e 849, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), c/c o art. 42 da Lei n° 9.430/96." Observase, portanto, que não foi possível à recorrente demonstrar que o crédito de R$1.238.528,00 (repatriamento de U$320.000,00 ordenado pelo administrador financeiro, de fato, Sr. Alberto Ferrucci), não se constitui omissão de receita por suprimento de caixa. Vejamse as seguintes conclusões do Acórdão recorrido: No caso presente, não se cuidou de aplicar presunção de que o ingresso decorreria de receitas de exportação. Se fosse receita decorrente de exportações, não haveria o que tributar pelo simples fato de que já estaria consignado em seus livros fiscais. O ponto central diz respeito ao alegado pagamento do empréstimo feito ao senhor Alberto que teria transitado pela conta caixa (portanto, ingresso de recursos), sem a efetiva comprovação de sua origem. De fato resultaram inócuas as reiteradas intimações endereçadas à contribuinte no sentido de justificar a origem dos recursos respectivos, que obtiveram a lacônica resposta de que os próprios lançamentos contábeis justificavam o pagamento. A legislação é clara. Não só a efetividade da entrega necessita comprovação. É imperioso que a origem dos recursos seja demonstrada. Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tribuária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à emp resa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (Decretolei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 3o, e Decretolei n° 1.648, de \8 de dezembro de 1978, art. Io, inciso II). Logo, é premissa básica para o exame da questão que ora se apresenta que a comprovação da origem dos recursos seja feita de maneira cumulativa e indissociável com a efetividade da entrega correspondente, mediante documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores. Neste sentido, deve o contribuinte municiarse dos documentos necessários ao atendimento da exigência, a fim de escapar de resguardarse de eventual indagação. Portanto, é lícito à autoridade fiscal perquirir acerca da origem e efetividade da entrega de numerário destinado a suprimento de caixa, considerando, por força de presunção legal, o valor não comprovado na forma exigida pela legislação comentada como omissão de receitas. Conquanto a atividade rural exercida pelo senhor Alberto tivesse apresentado receita suficiente para suportar o pagamento do empréstimo, o que, em tese, poderia justificar a origem dos recursos, frisese que não restou comprovada efetividade do ingresso da importância correspondente, tampouco a disponibilidade financeira para suportar o encargo. Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.248 25 Além da efetividade e comprovação da entrega, reclama a legislação que haja entre o fornecedor dos recursos e a empresa vínculo consubstanciado nas figuras de administrador, sócio ou acionista controlador. No caso presente, o senhor Alberto formalmente desligouse da empresa, conforme dá conta a alteração contratual. Embora à época da ocorrência dos fatos não detivesse o caráter de sócio, restou sobejamente demonstrada sua condição de administrador, a despeito do esforço que a impugnante despende em contestar tal circunstância. De fato, o próprio senhor Alberto declarou com todas as letras que exercia a administração da empresa; foi além: asseverou que a área financeira estava sob sua responsabilidade; informou o endereço da contribuinte como seu endereço de correspondência. E o fez com o assessoramento técnico do causídico Dr. Ranolfo Alves, presente ao ato (fls. 155/158). Assim, verificase que o referido valor repatriado, creditado à recorrente por ordem do administrador financeiro de fato, Alberto Ferruci, não contabilizado pela recorrente, configurase omissão de receita por suprimento de caixa. Dessa forma, não há como acolher a pretensão da recorrente quanto à exclusão dos R$1.430.000,00 da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, também neste ponto. Da Análise da Conta nº 49.7932 O Acórdão recorrido registrou que a recorrente impugnou a sistemática utilizada pela fiscalização, quanto à apuração de crédito tributário a partir de presunções baseadas em depósitos bancários, sem considerar os cheques emitidos cujos pagamentos foram lançados como saídas no livro Caixa, além de considerar como entradas de caixa o valor correspondente aos cheques emitidos. Registrouse que o lançamento referese a créditos efetuados na conta de depósitos bancários (depósitos e transferências) que não foram lançados na contabilidade da recorrente. Os respectivos valores (ingressos) não foram oferecidos à tributação. Por esse motivo, foram considerados receita omitida. Nos termos do TVF, a exigência tributária referese a créditos efetuados em conta de depósitos, cuja origem não foi comprovada. Concluiuse, com base nas disposições da Lei n° 9.430/1996, art. 42, tratarse de receita ou rendimentos omitidos. Dessa forma, não há como reformar o entendimento de que a comprovação dos depósitos em conta bancária em nome da recorrente, em relação aos quais não houve comprovação da origem dos recursos, caracterizam omissão de receita. Dessa forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário, também neste ponto. Da dedução do PIS e da COFINS na Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL A recorrente registra que foilhe negado tal pedido de dedução, pelo fato de que encontravase suspensa a exigibilidade dos valores apurados pela fiscalização de PIS e Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.249 26 COFINS e, por isso, não poderiam ser deduzidos das bases do IRPJ e CSLL, em conformidade com o art. 151, inciso III, do CTN, e art. 344, § l° do RIR/99, vigente à época. Diverge sustentando que, no caso, se houver a confirmação das exações relativas ao IRPJ e a CSLL, também serão exigidas as contribuições (PIS e COFINS). Sendo assim, não haveria como negarlhe tal dedutibilidade. Ressalta, ainda, que haverá de ser levada em conta a incidência mensal dessas contribuições, o que repercute no reconhecimento do instituto decadencial até o fato gerador ocorrido no mês de novembro de 2007, uma vez afastado o agravamento ilegal da multa de ofício. Nessa linha, transcreveu as seguintes ementas de Acórdãos do CARF: "DEDUTIBILIDADE DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS IMPUGNADOS Tratandose de lançamento em que a base de cálculo do IRPJ seja a mesma das contribuições para o PIS e COFINS, e que não haja outros motivos para impugnação alem dos alegados para o lançamento principal, há que se deduzir na apuração do IRPJ e da CSLL, o valor correspondente às citadas contribuições, calculadas em decorrência, sobre a mesma base e os respectivos juros de mora." (Acórdão n° 10515.769, DOU de 09/04/2008) "IRPJ LANÇAMENTO DE OFÍCIO DEDUÇÃO DE TRIBUTOS LANÇADOS Correta a dedução de tributos, normalmente dedutíveis, no lançamento ex officio de outros tributos exigidos correlatamente, pois a natureza da obrigação não se desnatura por ser oriunda de ato de exigência do próprio fisco, sob pena de se tributar parcela não correspondente à base de cálculo. " (Acórdãos n° CSRF/0105.256, Sessão de 14/06/2005 e CSRF/01 05.368, Sessão de 06/12/2005) Considerando as conclusões do voto, retro apresentadas, e à vista dos fundamentos apresentados pela recorrente, cumpre acolher suas razões por ser devida, neste caso, a dedutibilidade das despesas de PIS e COFINS nas bases do IRPJ e CSLL, por ocasião dos cálculos para a cobrança dos valores devidos. Dessa forma, voto por dar provimento ao recurso voluntário, neste ponto. Da Multa Qualificada e da Decadência Sobre a qualificação da multa de ofício de 75% para 150%, vale relembrar os trechos do TVF já reproduzidos no relatório, retro: Dos Diversos Tipos de Fraude à luz da Legislação Tributaria (...) a contribuinte praticou as seguintes irregularidades: a) repatriamento, de forma clandestina, dos US$ 320.000,00, em 23/10/2002 (Representação Fiscal n° 1722/05 EEF Port. 463, de 30/04/2004 Caso: BHSC Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.250 27 Beacon Hill Service Corporation, por ordem do Sr. ALBERTO FERRUCCI, que também assinava ALBERTO FERRUCCIO; b) movimentação da conta bancária n° 49.7932 Agência 00604 BANCO BRADESCO JAÚ/SP, em nome da empresa FERRUCCI & CIA. LTDA., sem a respectiva escrituração contábil; c) aumento do saldo na conta "BANCOS C/ MOVIMENTO", sem igual correspondência nos extratos fornecidos pelas Instituições Financeiras; contra igual aumento da conta "CHEQUES A COMPENSAR", para o posterior suprimento da conta "CAIXA", camuflando com essa prática os SALDOS CREDORES DE CAIXA; d) liquidação contábil, em 29/11/2002, do pseudo empréstimo, efetuado ao patriarca, Sr. ALBERTO FERRUCCI, no valor de R$ 1.430.000,00, sem a respectiva documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, referentes à origem e entrega do numerário; e) em decorrência de tais irregularidades, a recorrente produziu Prejuízo Fiscal, da ordem de R$ 1.407.736,66 (Ficha 09A Demonstração do Lucro Real), e uma Base de Cálculo Negativa da CSLL, de R$ 1.407.976,46 (Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) DIPJ/2003 (fls. 730/740); a multa aplicável, no caso, é a multa qualificada para todos os tipos de infrações praticadas, ou seja, de 150%, prevista no artigo 957, inciso II, c/c o seu parágrafo único, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) [vigente à época, atual Dec. 9.580/2018] c/c o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 (art. 44, inciso I, §1°, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 15/06/2007). A DRJ ratificou o entendimento da fiscalização e manteve a qualificação da multa. A recorrente sustenta que a ausência de escrita contábil, ainda que de forma reiterada e a não apresentação de documentos que importem omissão de receita, em si, não podem ser considerados como caracterizadores da qualificação da multa de ofício. Defendese dizendo que não houve sonegação, fraude ou concluiu. Analisandose os fatos constatados pela fiscalização, destacamse aqueles em que a recorrente fraudou sua contabilidade para aumentar seu saldo devedor na conta caixa em contrapartida de sua conta bancos ou conta movimento, já que não havia as respectivas saídas em sua conta bancária. Também sobressai a fraude consignada na referida representação fiscal Caso BHSC Beacon Hill Service Corporation, em que houve repatriamento de valor de forma irregular. A forma fictícia como que a recorrente tentou fazer prevalecer que teria havido a liquidação contábil do empréstimo de R$1.430.000,00 ao Sr. Alberto Ferrucci, também configura fraude para não oferecer à tributação o referido ingresso. Dessa forma e com base nos fundamentos legais indicados no TVF (art. 72, CTN, art. 256, RIR/99, vigente à época), entendo que cumpre manter a qualificação da multa. Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.251 28 Assim sendo, fica afastada a alegada decadência dos créditos tributários de PIS e COFINS, referentes a novembro/2002. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, também nestes dois pontos (multa qualificada e decadência). Recurso de Ofício O DRJ interpôs recurso de ofício, em virtude de exoneração de crédito tributário em valor superior à R$1.000.000,00 (art. 34, inciso I do Decreto n° 70.235/1972, com a nova redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532, de 10/12/1997, e de acordo com o art. 1º da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n.° 3, de 03/01/2008): Valores exonerados: R$1.345.987,46, incluídos IRPJ, R$357.500,01, multa qualificada, R$536.250,01; PIS, R$9.295.00, multa qualificada de R$13.942,47; COFINS, R$42.900,00, multa qualificada de R$64.349,97; e CSLL, R$ 128.700,00, multa qualificada de RS 193.050,00. Todavia, o recurso de ofício não deve ser conhecido, pois o valor exonerado não extrapola o limite fixado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02;2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Voto Vencedor Gustavo Guimarães Fonseca Redator designado Com a devida vênia ao D. Relator mas ouso discordar de sua decisão, exclusivamente, em relação ao pleito concernente à dedução da base de cálculo do IR e da CSLL das parcelas apuradas neste feito a título de PIS e COFINS. Isto porque semelhante pretensão esbarra, diretamente, na vedação constante do art. 41, § 1º, da Lei 8.981/95, cujo teor é claro a não mais poder, digase: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1° O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. E não nos sensibilizam os argumentos do recorrente de que, acaso mantidos, na íntegra, os lançamentos ora polemizados, os créditos afeitos às duas contribuições lhe serão Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 15889.000669/200713 Acórdão n.º 1302003.346 S1C3T2 Fl. 1.252 29 exigidos sem que os mesmos componham a base de cálculo do IR da CSLL, também cobrados no feito. Tal como se dessume do caput do art. 41, acima transcrito, a dedução de tributos e contribuições do lucro real segue a regra de competência; isto significa dizer que, uma vez mantido o lançamento e transitado em julgado eventual decisão que assim se pronunciou, os valores porventura pagos/exigidos do contribuinte poderão ser objeto de dedução, contudo, somente no período de apuração em que a causa da suspensão de sua exigibilidade deixar de existir. Em outras palavras, a recorrente poderá sim deduzir as parcelas aqui apuradas a título de PIS e COFINS; só não poderá fazêlo em relação ao IRPJ e a CSLL aqui apurados, podendo assim proceder, outrossim, ao longo do período de apuração em que as ditas contribuições passarem a ser exigíveis. Diante do exposto, voto por negar, neste ponto, provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães Fonseca Fl. 1252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10600.720106/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2010
IRRF SOBRE ARRENDAMENTO DE AERONAVES. REMUNERAÇÃO DE RESIDENTES NO EXTERIOR. ALÍQUOTA ZERO.
O arrendamento de aeronaves de trata o inciso I do artigo 1º da Lei nº 9.481/1997 não esta limitado às operações enquadradas na Lei nº 6.099/1974 - Arrendamento Mercantil. A redução a zero da alíquota do IRRF está condicionada apenas à autorização das autoridades competentes bem como que o beneficiário do rendimento não esteja domiciliado em pais com tributação favorecida.
Numero da decisão: 2301-005.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
João Mauricio Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Mauricio Vital (Presidente), Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2010 IRRF SOBRE ARRENDAMENTO DE AERONAVES. REMUNERAÇÃO DE RESIDENTES NO EXTERIOR. ALÍQUOTA ZERO. O arrendamento de aeronaves de trata o inciso I do artigo 1º da Lei nº 9.481/1997 não esta limitado às operações enquadradas na Lei nº 6.099/1974 - Arrendamento Mercantil. A redução a zero da alíquota do IRRF está condicionada apenas à autorização das autoridades competentes bem como que o beneficiário do rendimento não esteja domiciliado em pais com tributação favorecida.
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REMUNERAÇÃO DE RESIDENTES NO EXTERIOR. ALÍQUOTA ZERO. O arrendamento de aeronaves de trata o inciso I do artigo 1º da Lei nº 9.481/1997 não esta limitado às operações enquadradas na Lei nº 6.099/1974 Arrendamento Mercantil. A redução a zero da alíquota do IRRF está condicionada apenas à autorização das autoridades competentes bem como que o beneficiário do rendimento não esteja domiciliado em pais com tributação favorecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Mauricio Vital (Presidente), Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 60 0. 72 01 06 /2 01 5- 11 Fl. 11182DF CARF MF 2 Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado,pois, de acordo com a fiscalização, teria cometido infração por falta de retenção do imposto de renda incidente sobre o arrendamento de aeronaves de residentes ou domiciliados no exterior e efetuado dedução indevida de despesas de aluguel. De acordo com a fiscalização os arrendamentos de aeronaves efetuados pela autuada não se enquadraria na hipótese de redução a zero da alíquota do imposto de renda na fonte prevista no inciso V do art. 1º da Lei 9.481/97, nos termos do art. 16 da Lei 11.371/2006. Afirma ainda que, ao efetuar a contratação de aeronaves por meio do arrendamento mercantil financeiro em função de seus financiadores externos, conforme admitido pela fiscalizada em sua resposta, e consequentemente visando atender a seus próprios interesses e conveniências, mas impedida de usufruir no Brasil da isenção prevista no art. 16 da Lei 11.371/2006, que trata do inciso V do art. 1º da Lei 9.481/97, por não se tratar de empresa de transporte aéreo público regular de passageiros ou de cargas, a fiscalizada implantou um Planejamento Tributário Abusivo. Com relação as despesas de aluguel pagas à JAA IMOBILIÁRIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, afirma que esta empresa pertencente ao grupo econômico da fiscalizada, LÍDER TÁXI AÉREO, o que levou à conclusão de que a intermediação operacionalizada pela JAA, empresa tributada pelo Lucro Presumido, tinha o único propósito de aumentar irregularmente as despesas da LÍDER TÁXI AÉREO, tributada pelo Lucro Real, visandose assim a redução irregular de sua base tributável e, por consequência, sua carga tributária, os recursos repassados por esta última a título de pagamentos de alugueis de sua própria sede deverão ser glosados da base de cálculo na apuração de seu lucro real. Diante de tais argumentos qualificou os arrendamentos tidos como simples pela autuada para a modalidade arrendamento mercantil financeiro e foram lavrados autos para constituir créditos tributários a título de IRRF, IRPJ e CSLL com acréscimo da multa de ofício qualificada e dos juros de mora; Inconformada com a autuação, a empresa apresentou impugnação (fls. 7748 a 7865) onde especificamente ao auto de infração de IRRF entendeu que a acusação fiscal da autoridade administrativa partiu da (equivocada) premissa de que a existência de pessoas jurídicas controladas no exterior pela Impugnante para o arrendamento/subarrendamento de aeronaves simplesmente não teria propósito negocial, desprezando solenemente todas as informações e documentos apresentados no curso da fiscalização, e evidenciando desconhecer por completo as estruturas de arrendamento/subarrendamento adotadas pelas empresas (brasileiras e estrangeiras) do específico, regulado e altamente fiscalizado setor aéreo, e inclusive recomendadas pelos financiadores internacionais em função dos níveis de garantia exigidos. Entendeu que, ao requalificar os arrendamentos simples para a modalidade de arrendamento mercantil financeiro, e considerar a integralidade dos valores das remessas para o exterior como base de cálculo do IRRF exigido, a autoridade administrativa desprezou a Fl. 11183DF CARF MF Processo nº 10600.720106/201511 Acórdão n.º 2301005.839 S2C3T1 Fl. 11.174 3 existência de aeronaves não atreladas a quaisquer arrendamentos mercantis financeiros no exterior e, ainda,não observou o disposto no artigo 86 da Lei n° 9.430/96 e no artigo 6°da Instrução Normativa SRF n° 252/2002, que determina a exclusão da base de cálculo do IRRF da parcela remetida ao exterior que corresponderia à amortização da aeronave arrendada, o que corrobora, por mais este motivo, a manifesta insubsistência do lançamento tributário. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou improcedente a autuação através do Acórdão 1674.905 5ª Turma da DRJ/SPO, com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2010 Ementa: INCONSISTÊNCIAS NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Restando evidenciado que a data de ocorrência do fato gerador, a descrição dos fatos, a motivação do lançamento segundo o entendimento fiscal, os cálculos e o enquadramento legal; foram detalhados de forma clara e precisa no Termo de Verificação Fiscal e seus Anexos para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de improcedência do auto de infração. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano calendário: 2010 Ementa: ARRENDAMENTO DE AERONAVES. REMUNERAÇÃO DE RESIDENTES NO EXTERIOR. ALÍQUOTA ZERO. O arrendamento de aeronaves de trata o inciso I do artigo 1º da Lei nº 9.481/1997 não esta limitado às operações enquadradas na Lei nº 6.099/1974 – Arrendamento Mercantil. A redução a zero da alíquota do IRRF está condicionada apenas à autorização das autoridades competentes bem como que o beneficiário do rendimento não esteja domiciliado em pais com tributação favorecida. PARAÍSO FISCAL. O Uruguai e a Holanda não constam da relação dos países que não tributam a renda ou que a tributam à alíquota inferior a 20%. Apenas as empresas constituídas no Uruguai sob a forma de Sociedades Financeiras de Inversão (Safis) e as constituídas no Reino dos Países Baixos (Holanda)sob a forma de holding company, constam da relação, como beneficiarias de regimes fiscais privilegiados. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 Ementa: DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. ALUGUEL DE IMÓVEL PAGO A SÓCIO.. Fl. 11184DF CARF MF 4 Desde que necessária às atividades da empresa, a despesa com aluguel de imóvel de propriedade do sócio, está limitada ao preço ou valor de mercado. A falta de comprovação de que o aluguel pago ao sócio superou o valor de mercado, impõe o cancelamento do lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em virtude do valor exonerado os autos foram submetidos à apreciação deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 através do presente Recurso de Ofício. Foi anexado aos autos um documento intitulado subsídio fiscal reiterando os termos da autuação. É o relatório Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Recurso tempestivo e presentes os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Embora a mesma autuação fiscal tenha lavrado autos de infração relativos a supostos créditos incidentes sobre Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 48 a 53) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 60 a 63), trataremos aqui somente do levantamento efetuado sobre Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (fls. 27 a 31), que é o objeto da presente autuação. Entendeu a fiscalização que os arrendamentos efetuados pela autuada, tratavamse de arrendamento mercantil financeiro, logo, deveriam sofrer a incidência de tributo relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF. Assim como a decisão de primeira instância, não vejo como correta a autuação: Para descaracterizar o arrendamento mercantil operacional, deveria a autoridade fiscal comprovar a incorporação ao patrimônio do contribuinte, das aeronaves mencionadas em seu relatório. Caso contrário, o contrato firmado entre a autuada e as empresas a elas ligadas deve ser tido como arrendamento simples de aeronaves. A Lei 9.481/1997 reduziu a zero a alíquota de IRRF nos seguintes casos: Lei nº 9.481/1997 Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados Fl. 11185DF CARF MF Processo nº 10600.720106/201511 Acórdão n.º 2301005.839 S2C3T1 Fl. 11.175 5 no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei 9.532, de 10/12/97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (...) V valores correspondentes aos pagamentos de contraprestação de arrendamento mercantil de bens de capital, celebrados com entidades mercantis de bens de capital, celebrados com entidades domiciliadas no exterior; Essa também é a interpretação extraída da IN SRF nº 252/2002 art. 2º FRETES, AFRETAMENTOS, ALUGUÉIS OU ARRENDAMENTO DE EMBARCAÇÕES OU AERONAVES, ALUGUEL DE CONTAINERS, SOBRESTADIA E DEMAIS SERVIÇOS DE INSTALAÇÕES PORTUÁRIAS. Art. 2º Sujeitamse ao imposto de renda na fonte, à alíquota zero, os rendimentos recebidos de fontes situadas no Brasil, por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, na hipótese de pagamento, crédito, emprego, entrega ou remessa de receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias. Conforme se depreende dos autos, estes dispositivos foram devidamente respeitados apela autuada. Aliás, este foi justamente o entendimento da decisão de primeira instância. Este dispositivo foi inclusive mantido em novas pela Receita Federal. A Instrução Normativa RFB nº 1.455/2014 DOU 1 de 07.03.2014, estabeleceu que os rendimentos pagos, creditados, empregados, entregues ou remetidos a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior por fontes situadas no Brasil estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda, exclusivamente na fonte, devendo ser observado, entre outras providências, que sujeitamse: a) à alíquota zero: a.1) os rendimentos recebidos de fontes situadas no Brasil, por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, na hipótese de pagamento, crédito, emprego, entrega ou remessa de receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de Fl. 11186DF CARF MF 6 contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; Ao contrário do que entendeu a fiscalização não vislumbro que a contratação de arrendamento mercantil financeiro no exterior pelas pessoas jurídicas controladas e posterior subarrendamento simples das mesmas aeronaves para a autuada não afronta a legislação de regência e, ainda, não há fundamento para descaracterizar a atuação das pessoas jurídicas controladas no exterior no arrendamento de aeronaves. Como ficou demonstrado em sua peça de defesa e corroborado pela decisão guerreada, o procedimento adotado pela autuada segue estrutura semelhante às adotadas por outras companhias aéreas setor e, ainda, são desenvolvidas para atender as recomendações dos próprios financiadores estrangeiros, inclusive como forma de segregar o risco financeiro do negócio do risco operacional, garantindo maior eficiência na retomada de aeronaves na hipótese de inadimplemento do arrendamento mercantil financeiro no exterior. Esta era inclusive a recomendação passada a autuada no que diz respeito à estrutura de arrendamento de aeronaves pelos consultores jurídicos do principal financiador das operações. As controladas no exterior pela autuada são pessoas jurídicas regularmente constituídas e que têm por atividade empresarial a aquisição e o arrendamento (compra e aluguel) de aeronaves, e não estão localizadas em países com tributação favorecida e possui sim riscos à autuada. No mais, entendo que a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo, devendo ser mantida em sua integralidade pelos fatos e argumentos ali contidos, bem como pela fundamentação jurídica apresentada. Com relação ao documento denominado subsídio fiscal, este não traz nenhum elemento novo capaz de modificar a decisão de primeira instância. Ante ao Exposto, Voto no sentido de Conhecer o Recurso de Ofício para Negarlhe Provimento. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 11187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720830/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE.
Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora.
Numero da decisão: 2301-005.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora.
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DINHEIRO EM ESPÉCIE. Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Mauricio Vital (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 226 a 235) de Imposto de Renda de Pessoa Física, em razão de omissão de rendimentos apurada por variação patrimonial a descoberto, relativo ao exercício de 2007, anocalendário de 2006. O autuado impugnou o lançamento (efls. 240 a 245) alegando, em síntese: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 08 30 /2 01 0- 61 Fl. 407DF CARF MF 2 a) em face do princípio da verdade material, as declarações apresentadas devem ser consideradas como origem dos recursos movimentados; b) não foram consideradas as seguintes operações e informações: b.1) saldo em moeda corrente em 31/12/2005, declarado, no valor de R$ 850.000,00 b.2) saldo em aplicação financeira do Banco do Brasil, em 31/12/2005. no valor de R$ 148.663,12; b.3) valores das alienações de imóveis em junho, outubro e novembro. A DRJ/Belém apreciou a impugnação e a considerou procedente em parte, nos seguintes termos: Ora, este o novo panorama, qual seja, o da carência no demonstrativo de variação patrimonial de recursos nos valores de R$ 150.676,72 (R$ 148.663,12 + R$ 2.013,60), R$ 155.000,00, R$ 130.000,00 e R$ 200.000,00, respectivamente relativos aos meses de janeiro, junho, outubro e novembro de 2006, e ainda o da adoção do mês de novembro como o da aquisição do imóvel localizado na Av. Constelação, quando o correto seria o de dezembro de 2006, passa o fluxo de caixa a apresentar acréscimo patrimonial a descoberto somente nos meses de fevereiro, maio e julho, nos correspondentes valores de R$ 43.543,75, R$ 29.365,44 e R$ 775.277,17, o que resulta na redução do imposto através do lançamento fiscal apurado, de R$ 502.035,52, para o valor de R$ 234.096,48. Foi interposto recurso voluntário (efls. 302 a 306) em que o recorrente repisa a alegação de que os R$ 850.000,00 declarados em espécie em 31/12/2005 devem ser considerados fonte de recursos para efeito de levantamento da variação patrimonial. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. Conheço do recurso, que é tempestivo. A única questão ainda na lide é o aproveitamento, como origem, para efeito de cálculo dos acréscimos patrimoniais, do dinheiro em espécie, no valor de 850.000,00, que o recorrente informou possuir em sua Declaração de Bens (efl. 224). Acerca da matéria, invoco, como minhas razões de decidir, o que consta do Acórdão nº 9202007.220, de 26 de setembro de 2018, no qual a Câmara Superior de Recursos Fiscais, unanimemente, adotou o entendimento de que os valores em espécie declarados no exercício anterior devem ser considerados como origem de recursos para efeito de acréscimo patrimonial, desde que o Fisco não tenha feito prova em contrário da existência do numerário: Quanto ao mérito, a matéria cingese à definição da possibilidade ou não de se admitir como origem, na apuração de Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10283.720830/201061 Acórdão n.º 2301005.830 S2C3T1 Fl. 408 3 acréscimo patrimonial a descoberto, de valores declarados como disponibilidade em espécie na declaração de bens do exercício anterior, independentemente de prova da efetividade dessa disponibilidade. Penso que sim. Ao elaborar a declaração de rendimentos os contribuinte devem declaram o seu patrimônio, na forma de bens e direitos, créditos, etc, o que inclui a disponibilidade financeira, em moeda nacional ou estrangeira. Ao se apurar acréscimo patrimonial se compara a magnitude do patrimônio havido em um exercício com o do outro e esse cotejo deve incluir todo o patrimônio, seja em bens, em direitos ou em dinheiro em espécie. Este entra como aplicação no exercício em que declarado e como origem, se declarado no exercício anterior. A exigência de prova da efetividade da disponibilidade financeira, mormente tratandose de exercícios referentes a anos anteriores, se constitui, a meu juízo, em exigência descabida, pois não há outro meio de comprovar a existência de dinheiro em espécie que não a apresentação do próprio dinheiro, e isso não é mais possível quando este não está mais disponível. Por outro lado, quando o contribuinte declara a disponibilidade de dinheiro em espécie poderá ser confrontado pelo Fisco com a demonstração de que não obteve rendimentos suficientes para ter tais disponibilidades. Nessas condições, caberia o Fisco, para infirmar a declaração do Contribuinte, demonstrar que o contribuinte não teria lastro financeiro para ter essas disponibilidades. Ora, a Fiscalização não fez prova de que os recursos informados na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte do exercício anterior não existiam. Aquela declaração foi apresentada tempestivamente e o Fisco a ela tinha acesso no curso do procedimento fiscal; portanto, tinha o poder de estender o período fiscalizado para diligenciar no sentido de confirmar, se fosse o caso, os valores contidos na declaração do contribuinte do ano anterior ao que se verificou o acréscimo patrimonial. Se o dinheiro não existia, cabia ao Fisco provar sua inexistência, ou pelo menos comprovar que não havia qualquer origem a justificar o numerário. Entendo, pois, que o Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial (efl. 200) deverá ser reconstituído, considerandose as origens e aplicações admitidas na impugnação e que constam do acórdão recorrido e, ainda, o valor de R$ 850.000,00 como origem em 01/01/2006. Após os ajustes, em havendo saldo remanescente de omissão de receita caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, devese prosseguir na cobrança dos valores residuais de imposto de renda. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. João Maurício Vital Relator Fl. 409DF CARF MF 4 Fl. 410DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729999/2016-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento, para que se aguarde e anexe aos autos a decisão administrativa irreformável no processo 13819.904876/2012-04.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento, para que se aguarde e anexe aos autos a decisão administrativa irreformável no processo 13819.904876/2012-04. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento, para que se aguarde e anexe aos autos a decisão administrativa irreformável no processo 13819.904876/201204. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 63 e seguintes) contra decisão da 3ª Turma da DRJ/BEL, que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, exarado pela DRF/São Bernardo do Campo, em 03.11.2016, referente à RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 29 99 9/ 20 16 -1 1 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11080.729999/201611 Resolução nº 3401001.801 S3C4T1 Fl. 83 2 Notificação de Lançamento (fl. 02), emitida para cobrança de multa isolada decorrente de compensação não declarada. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 02 e seguintes) de R$ 16.963.590,45 (dezesseis milhões, novecentos e sessenta e três mil, quinhentos e noventa reais e quarenta e cinco centavos), a título de multa isolada decorrente de compensação não declarada (§ 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996), objeto do processo 13819.904876/2012 04. Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 06.12.2016 (fl.07), e interpôs impugnação, em 28.12.2016 (fls. 09 e seguintes ), alegando, em síntese, o seguinte: a) “Bis in idem” na cobrança da presente multa isolada juntamente com a multa de mora incidente sobre os débitos cuja compensação não foi homologada; b) Que a intenção do legislador ao incluir os § 15 a 17 na Lei nº 9.430, de 1996, penalizar especificamente o pedido de restituição, estendendose para os casos de compensação não homologada. Assim, o ato punível seria o “pedido”. c) Falta de razoabilidade e proporcionalidade da sanção; d) Violação a direitos e garantias fundamentais, não podendo a pessoa jurídica se impedida ou constrangida a não peticionar para fazer valer seu direito a reconhecimento; Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 0134.185 (fls 51 e seguintes), exarado pela 3ª Turma da DRJ/BEL, em 09.05.2017, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 03.07.2017 (fl.60 ), através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2016 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. Será aplicada multa isolada de cinquenta por cento sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, quando o percentual será de 150%. MULTA NÃO HOMOLOGAÇÃO X MULTA DE MORA Incabível a alegação de que descaberia a cobrança da multa aplicada em virtude da não homologação de compensação juntamente com a multa de mora incidente sobre os débitos extintos após o prazo, uma vez que são sanções com fatos geradores distintos e com previsão expressa na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11080.729999/201611 Resolução nº 3401001.801 S3C4T1 Fl. 84 3 Dessa decisão, importante destacar que o voto prescreveu que, "nos termos do § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deverá o presente processo ser apensado ao de nº 13819.904876/201204, onde está sendo discutida a compensação, que se encontra aguardando distribuição no CARF." Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que admito seu conhecimento. Da Sugestão de Sobrestamento Conforme se verifica da leitura do relatório, tratase de lançamento de multa regulamentar pela não homologação de compensação objeto de análise do PTA 13819.904876/201204, cujos autos, a despeito de expressa determinação do acórdão recorrido, em vista à prejudicialidade da matéria, não foram apensados àquele processo. Com isso, o PTA 13819.904876/201204 seguiu seu curso processual distinto do presente, vindo a ser proferido o Acórdão 3301004.696, pela 1ª turma, da 3ª Câmara, dessa Seção, em maio de 2018. Contudo, tendo em vista que foi interposto Recurso Especial de Divergência, em 28.11.2018, ainda não houve decisão terminativa no âmbito administrativo. Dessa feita, sugiro que seja sobrestado o julgamento, para que se aguarde e anexe aos autos a decisão administrativa irreformável no processo 13819.904876/201204. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.723885/2017-03
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE
Podem ser deduzidos na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia, se restar comprovado que os pagamentos efetuados decorrem de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que atendam aos requisitos para dedutibilidade dos valores pagos.
Restando demonstrado que a pensão decorre de determinação judicial ficam atendidos os requisitos para dedutibilidade dos valores pagos, devendo ser afastada a glosa efetuada e, consequentemente, restabelecida a dedução.
Numero da decisão: 2003-000.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente
(assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IRPF. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE Podem ser deduzidos na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia, se restar comprovado que os pagamentos efetuados decorrem de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que atendam aos requisitos para dedutibilidade dos valores pagos. Restando demonstrado que a pensão decorre de determinação judicial ficam atendidos os requisitos para dedutibilidade dos valores pagos, devendo ser afastada a glosa efetuada e, consequentemente, restabelecida a dedução.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente (assinado digitalmente) Wilderson Botto Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
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DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE Podem ser deduzidos na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia, se restar comprovado que os pagamentos efetuados decorrem de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que atendam aos requisitos para dedutibilidade dos valores pagos. Restando demonstrado que a pensão decorre de determinação judicial ficam atendidos os requisitos para dedutibilidade dos valores pagos, devendo ser afastada a glosa efetuada e, consequentemente, restabelecida a dedução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente (assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 38 85 /2 01 7- 03 Fl. 154DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 103/151) contra o acórdão nº 1060.753 da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA (fls. 91/93), que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte em face da lavratura da notificação de lançamento (fls. 82/85) objeto do presente feito. A decisão de primeira instância assim contextualizou a notificação de lançamento e os fatos envolvidos (fls. 92): O interessado acima qualificado recebeu a notificação de lançamento, exigindo o imposto suplementar de R$ 11.705,10, relativo ao anocalendário 2014, em virtude da apuração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal (fls. 06 e seguintes). A notificação de lançamento assim traz a Descrição dos Fatos e o Enquadramento Legal (fls. 83): Glosa do valor de R$ 42.564,00, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou falta de previsão legal para sua dedução. R$ 42.564,00 – Não apresentou documentos relativos à pensão alimentícia solicitados na intimação (decisão judicial ou acordo homologado judicialmente) Enquadramento legal: Art. 8º, inciso II, da Lei nº 9.250/95; atrs. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001, atrs. 73, 78 e 83, inciso II do Decreto nº 3.000/99 RIR/99. Cientificada, a contribuinte, por procurador devidamente constituído (fls. 5) apresentou impugnação tempestiva (fls. 2/27), contestando a glosa da pensão alimentícia, juntando, dentre outros, (i) cópia da petição de acordo judicial de 08/04/2008 e do aditivo ao acordo, de 05/01/2009, celebrados nos autos da Ação de Alimentos nº 2008.01.0045009, que tramitou na 12ª Vara de Família do Rio de Janeiro/RJ (fls. 11/15), e (ii) extratos de conta corrente (fls. 16/27), visando comprovar os pagamentos realizados. A impugnação foi julgada improcedente, sob o fundamento de que a contribuinte não comprovou a homologação do acordo e do aditivo celebrados, e que os extratos bancários apresentados se mostraram insuficientes para comprovar os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia, porquanto continham apenas a indicação de lançamentos com histórico “DOC” sem a identificação do favorecido dos aludidos depósitos (fls. 91/93). Fl. 155DF CARF MF Processo nº 12448.723885/201703 Acórdão n.º 2003000.032 S2C0T3 Fl. 155 3 A contribuinte, intimada por AR da decisão proferida (20/03/2018) (fls. 99/100), apresentou (em 18/04/0218) Recurso Voluntário (fs. 103/151), insurgindose contra as glosas operadas, pedindo a revisão da decisão recorrida. Instruiu a peça recursal com novos extratos bancários (fls. 115/138) e peças processuais copiadas da ação judicial autenticadas em cartório (fls. 139/151). Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. MÉRITO Da glosa da despesa com pensão alimentícia: O Recorrente deduziu em sua Declaração de Ajuste Anual o valor de R$ 42.564,00 relativo a despesas com pensão alimentícia pagas a seus netos Rafael de Albuquerque Maranhão Burd e Ana Carolina de Albuquerque Maranhão Burd, por força de acordo judicial celebrado nos autos de Ação de Alimentos nº 2008.01.0045009, que tramitou na 12ª Vara de Família do Rio de Janeiro/RJ. A DRJ/POA, por sua vez entendeu que a dedução foi indevida, diante da ausência de homologação judicial do acordo celebrado, bem como por insuficiência de provas, não restou demonstrado os pagamentos, afastando a dedutibilidade dos valores declarados. Temse, portanto, que a controvérsia gira em torno da falta de comprovação dos requisitos legais motivadores do benefício fiscal da dedução do imposto de renda, uma vez que os documentos outrora apresentados não se mostraram suficientemente hábeis ao convencimento fiscal. Pois bem. Compulsando os autos, constato que a Recorrente instruiu a peça recursal com cópia da decisão judicial homologatória do acordo celebrado nos autos da Ação de Alimentos nº 2008.001.0045009, proferida em audiência de ratificação realizada em 19/06/2008 (fls. 151), suprindo assim a condição legal para dedução da pensão declarada. Quanto aos pagamentos, do cotejo dos extratos bancários juntados (fls. 115/138), há indicação de que os valores debitados mensalmente na conta da Recorrente no Banco do Brasil, agência 32549, mediante “Emissão de DOC”, foram depositados no Banco Itaú, agência nº 8163, na conta nº 21.4664, de titularidade de Maria da Penha C A Maranhão (avó materna dos alimentandos), responsável por receber os valores ajustados, conforme previsto no acordo homologado. Fl. 156DF CARF MF 4 Ademais, dos extratos bancários podese claramente constatar a total correspondência de valores, datas de transferências e discriminação da origem do crédito no histórico de lançamento da conta recebedora os alimentos, conforme, aliás, previsto no acordo homologado (fls. 143/146). Portanto resta comprovado que as transferências originadas no Banco do Brasil e destinadas ao Banco Itaú, referemse a pagamentos de pensão alimentícia realizados pela Recorrente a seus netos, tendo sido regularmente recebidos pela avó materna dos alimentados, Maria da Penha Cotrim de Albuquerque Maranhão. Com efeito, me convenço que os documentos juntados se consubstanciam na complementação de elementos indiciários (prova mínima ou início de prova), muitos deles inclusive carreados outrora, em sede de impugnação, indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória, calhando aqui privilegiar o princípio da verdade material. Por fim, cabe salientar que os documentos ora juntados, a nosso sentir, tiveram por escopo único e precípuo contrapor os fundamentos contidos na decisão recorrida, sobretudo pela necessidade de complementação da documentação anteriormente apresentada que, no entender da DRJ/POA, não foi suficiente competente a comprovar o direito a dedução. Assim, restando atendidos os requisitos para dedutibilidade dos valores pagos de pensão alimentícia, nos termos da legislação de regência, afasto a glosa efetuada. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe, para restabelecer integralmente a dedução com pensão alimentícia no valor de R$ 42.564,00, da base de cálculo do imposto de renda, anocalendário 2014, exercício 2015. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 157DF CARF MF
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