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Numero do processo: 10380.723648/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DO RENDIMENTO COMO SENDO APOSENTADORIA.
Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia grave, a natureza dos rendimentos recebidos deve ser de aposentadoria. Não sendo constatado o recebimento de aposentadoria, ainda que portador de moléstia grave, o benefício não deve ser concedido, posto que ausente requisito legal essencial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. A Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto votou pelas conclusões.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DO RENDIMENTO COMO SENDO APOSENTADORIA. Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia grave, a natureza dos rendimentos recebidos deve ser de aposentadoria. Não sendo constatado o recebimento de aposentadoria, ainda que portador de moléstia grave, o benefício não deve ser concedido, posto que ausente requisito legal essencial. Recurso Voluntário Negado.
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MOLÉSTIA GRAVE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DO RENDIMENTO COMO SENDO APOSENTADORIA. Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia grave, a natureza dos rendimentos recebidos deve ser de aposentadoria. Não sendo constatado o recebimento de aposentadoria, ainda que portador de moléstia grave, o benefício não deve ser concedido, posto que ausente requisito legal essencial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 36 48 /2 01 3- 15 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. A Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto votou pelas conclusões. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10380.723648/201315 Acórdão n.º 2401004.347 S2C4T1 Fl. 83 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0954.671 (fls. 44/49), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), que julgou improcedente a impugnação (fl. 02/05) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DISPENSA DE EMENTA. Acórdão dispensado de ementa, conforme Portaria SRF nº .364, de 10 denovembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificação de Lançamento n° 2012/693635150246445 de fls. 26/29 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 2.506,27 referente a imposto sobre a renda de pessoa física suplementar. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 06/07) a fiscalização informa a glosa de R$ 24.182,32 correspondente à Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, nos seguintes termos: Para demonstrar que não incorreu em omissão de receita, por ser portador de moléstia grave, o contribuinte apresentou sua peça impugnatória (fls. 02/05), com os seguintes argumentos: a) Que o auditor fiscal desconsiderou o laudo emitido pelo médico particular que acompanha o paciente há mais de 20(vinte) anos e que atesta ser portador de moléstia grave b) Que no bojo do processo já constam diversos documentos hábeis a comprovar o acometimento de moléstia grave, entre eles, a comprovação de realização de cirurgia para tratar da doença de Parkinson. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 c) Apresenta Laudo Pericial nos moldes exigidos pela Secretaria da Receita Federal, bem como declaração emitida por serviço oficial, suprindo omissão indicada, e culminando com a regularidade dos procedimentos de declaração de imposto de renda. Para a DRJ/JFA (fls. 44/49) a impugnação foi considerada improcedente, repisando, em suma, os argumentos da autoridade fiscal, quais sejam: não constam nos autos documentos hábeis a demonstrar a condição do contribuinte de aposentado, reformado ou pensionista bem como sob sua condição de portador de moléstia grave. Intimado do acórdão da DRJ/JFA em 18/11/2014 (A.R. fl. 52), o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 55/64) em 24/11/2014, no qual alega, em síntese: a) Não ser razoável supor que o contribuinte era empregado da instituição BrasilPrev, considerando apenas informação constante em DIRF, eis que constam nos autos diversos documentos comprobatórios e que ora anexa, indicando que recebe seus benefícios de aposentadoria da entidade privada, que é a sua atividade fim; b) Destaca a preclusão e impertinência quanto ao questionamento de vínculo entre o Recorrente e a fonte pagadora, tendo em vista que o mérito reside na comprovação ou não do acometimento do contribuinte a moléstia grave, para o gozo das prerrogativas legais; c) Que desde o primeiro momento do processo de fiscalização deixou claro ser acometido da referida doença e fez constar diversos documentos comprobatórios que a comprovam. d) Ressalva a conduta de negativa de aceitabilidade de laudo particular emitidos pelo Dr. Francisco Cardoso, e do serviço médico oficial do município de TauáCe, Dr. José Ney Leal Petrola, sobre o argumento do último não ser servidor efetivo do Município; e) A fim de validar o vínculo, ressalta que o serviço público não se da somente mediante concurso, mas também através de contratação temporária e também direta na forma da Norma Operacional Básica do Sistema único de Saúde; f) Defende a busca pela verdade real por parte do julgador, princípio que norteia o procedimento administrativo tributário e as próprias decisões do Carf. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10380.723648/201315 Acórdão n.º 2401004.347 S2C4T1 Fl. 84 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Prevê o art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) Assim, dois são os requisitos para a isenção do imposto de renda: que o contribuinte perceba rendimentos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, e que haja a comprovação da moléstia grave. No caso dos presentes autos, conforme relatado anteriormente, o ora recorrente alegar ser portador do mal de Parkinson e pleiteia a isenção para os rendimentos da fonte pagadora BRASILPREV. Para a verificação da moléstia grave antes do período a que se pleiteia a isenção, qual seja, anocalendário 2008, o recorrente apresenta laudo médico particular, datado de abril de 2012 (fls. 6 e 7) que atestam que o mesmo é portador da "doença de Parkinson" (CID 10 G 20) desde fevereiro de 1994. Este laudo é elaborado pelo Dr. José Ney Petrola, CRM 2299, e emitido em papel timbrado da Secretaria Municipal de Tauá/CE. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Posteriormente, o contribuinte obteve Laudo Médico emitido pelo Ministério da Fazenda (fl. 39), por junta médica presidida pelo Dr. Francisco Nobre de Oliveira CRIM 2974, que reconhece ser o contribuinte portador de doença especificada em lei como "DOENÇA DE PARKINSON" e faz menção desta ser "a partir de 05/06/2014", justamente a data de elaboração do Parecer Médico. Assim, entendo que o conjunto probatório trazido ao processo administrativo é suficiente para fazer crer, sem dúvidas, que o contribuinte é portador da moléstia grave desde período anterior ao anocalendário em que se discute a isenção (2011). Quanto ao segundo requisito, referente justamente a natureza do rendimento percebido, se este tratase de aposentadoria ou pensão. A omissão de rendimento foi percebida e objeto de lançamento pela autoridade fiscal porque a fonte pagadora BRASILPREV SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A (CNPJ nº. 27.655.207/000131) informou em DIRF que o valor pago no montante de R$ 24.182,32 é tributável. Nestes termos, temse instaurada a controvérsia em saber a natureza desse pagamento e, assim, aplicar a isenção ou não caso possua a natureza de aposentadoria ou pensão. Ocorre que neste ponto específico, o contribuinte deixou de produzir quaisquer provas a respeito. Destacase que, aparentemente, tratase de prova de fácil apresentação e comprovação, bastando mostrar qual a relação jurídica entre o recorrente e a BRASILPREV SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A, para ser verificada a natureza do pagamento e, assim, aplicar ou não a isenção. Desse modo, por ausência de comprovação da natureza do pagamento, entendo que não cumprido um dos requisitos essenciais para a aplicação da isenção do art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000677/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃOS CARF. NULIDADE. FUNDAMENTOS. OBRIGATORIEDADE. VÍCIOS. CLASSIFICAÇÃO.
Nas decisões exaradas pelo CARF, é obrigatória a indicação precisa dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar (doutrinária ou jurisprudencialmente) tal nulidade em formal ou material.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. DETECÇÃO DE OFÍCIO.
Detectada, de ofício, contradição no acórdão embargado, durante a análise de omissão apontada pela embargante, deve o colegiado sobre ela manifestar-se, solucionando-a.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CANCELAMENTO NO MÉRITO. DUPLICIDADE DE ARGUMENTOS.
Havendo duplicidade de argumentos para o afastamento da autuação (cancelamento, no mérito, e detecção de vício insanável, ocasionando nulidade), deve, em obediência ao citado § 3o do artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, ser cancelada, no mérito, a autuação.
Numero da decisão: 3401-003.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados, por inexistência de omissão sobre tema a respeito do qual o colegiado deva se manifestar (classificação de vício ensejador de nulidade), e, ainda, em reconhecer, de ofício, contradição no acórdão, detectada na análise da omissão apontada, que deve ser solucionada, em face do § 3o do artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, com reconhecimento de que o acórdão embargado cancelou, no mérito, o lançamento. O Conselheiro Robson José Bayerl votou pelas conclusões. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃOS CARF. NULIDADE. FUNDAMENTOS. OBRIGATORIEDADE. VÍCIOS. CLASSIFICAÇÃO. Nas decisões exaradas pelo CARF, é obrigatória a indicação precisa dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar (doutrinária ou jurisprudencialmente) tal nulidade em formal ou material. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. DETECÇÃO DE OFÍCIO. Detectada, de ofício, contradição no acórdão embargado, durante a análise de omissão apontada pela embargante, deve o colegiado sobre ela manifestar-se, solucionando-a. LANÇAMENTO. NULIDADE. CANCELAMENTO NO MÉRITO. DUPLICIDADE DE ARGUMENTOS. Havendo duplicidade de argumentos para o afastamento da autuação (cancelamento, no mérito, e detecção de vício insanável, ocasionando nulidade), deve, em obediência ao citado § 3o do artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, ser cancelada, no mérito, a autuação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados, por inexistência de omissão sobre tema a respeito do qual o colegiado deva se manifestar (classificação de vício ensejador de nulidade), e, ainda, em reconhecer, de ofício, contradição no acórdão, detectada na análise da omissão apontada, que deve ser solucionada, em face do § 3o do artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, com reconhecimento de que o acórdão embargado cancelou, no mérito, o lançamento. O Conselheiro Robson José Bayerl votou pelas conclusões. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2216; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 434 1 433 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000677/200912 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401003.152 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria AIPIS/COFINS Embargante FAZENDA NACIONAL (DRJ SÃO PAULO I/SP) Interessado LOMMEL EMPREENDIMENTOS COMERCIAIS S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃOS CARF. NULIDADE. FUNDAMENTOS. OBRIGATORIEDADE. VÍCIOS. CLASSIFICAÇÃO. Nas decisões exaradas pelo CARF, é obrigatória a indicação precisa dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar (doutrinária ou jurisprudencialmente) tal nulidade em formal ou material. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. DETECÇÃO DE OFÍCIO. Detectada, de ofício, contradição no acórdão embargado, durante a análise de omissão apontada pela embargante, deve o colegiado sobre ela manifestarse, solucionandoa. LANÇAMENTO. NULIDADE. CANCELAMENTO NO MÉRITO. DUPLICIDADE DE ARGUMENTOS. Havendo duplicidade de argumentos para o afastamento da autuação (cancelamento, no mérito, e detecção de vício insanável, ocasionando nulidade), deve, em obediência ao citado § 3o do artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, ser cancelada, no mérito, a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração apresentados, por inexistência de omissão sobre tema a respeito do qual o colegiado deva se manifestar (classificação de vício ensejador de nulidade), e, ainda, em reconhecer, de ofício, contradição no acórdão, detectada na análise da omissão apontada, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 77 /2 00 9- 12 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 deve ser solucionada, em face do § 3o do artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, com reconhecimento de que o acórdão embargado cancelou, no mérito, o lançamento. O Conselheiro Robson José Bayerl votou pelas conclusões. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida (suplente). Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 417 a 423)1 opostos pela Fazenda, em relação ao Acórdão nº 3401002.336 (fls. 407 a 410), no qual, por unanimidade, foi negado provimento ao recurso de ofício interposto: "AUTO DE INFRAÇÃO. ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO. NULIDADE. É nulo o auto de infração cujo enquadramento legal está incorreto e não contém a norma legal infringida, vez que essa falha é vício insanável." (Acórdão nº 3401002.336, Rel. Cons. Jean Cleuter Simões Mendonça, unânime, sessão de 25.jul.2013) (grifo nosso) Alega a embargante que o acórdão incidiu em omissão "ao deixar de analisar com a profundidade necessária a efetiva existência de prejuízo para o contribuinte, especialmente tendo em conta a robusta e contundente impugnação por ele apresentada", juntando jurisprudência do CARF. Requer ainda a embargante que fique "expresso o tipo de vício que supostamente maculou o lançamento (se material ou formal), bem como para que se pronuncie adequadamente acerca do prejuízo sofrido pelo contribuinte" (a Fazenda entende que a nulidade foi por vício formal, à luz da doutrina de Leandro Paulsen, e de julgados do CARF). Os embargos foram admitidos (com ressalvas) pelo despacho de fls. 429 a 431, e o processo foi a mim sorteado para inclusão em pauta de julgamento e apreciação pelo colegiado, no mérito. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 435DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000677/200912 Acórdão n.º 3401003.152 S3C4T1 Fl. 435 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de fls. 429 a 431, passase diretamente à análise das omissões objetivamente apontadas. Importante destacar que no exame de admissibilidade não se estava a verificar efetivamente se houve omissões, mas se estas haviam sido objetivamente apontadas. Relevante ainda informar que com o novo RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, mais precisamente com seu art. 65, § 8º, passou a existir expressa previsão de sustentação oral pelas partes no julgamento de embargos de declaração. Como relatado, os embargos foram admitidos com ressalvas. Isso porque um dos argumentos para os quais se suscitou omissão (aprofundamento do debate a respeito da efetiva verificação da nulidade, discutindo quais os prejuízos à parte), conforme corretamente destacou o conselheiro designado para o exame de admissibilidade, não é atacável por embargos, por constituir rediscussão de mérito, sendo o remédio apropriado o recurso especial. Acordando com tal pressuposto, seguimos na análise da única omissão apontada objetivamente, a respeito da classificação do vício que ensejou a nulidade da autuação. Sobre tal omissão, entendeu o conselheiro designado para o exame de admissibilidade que "há omissão no julgado acerca da modalidade de nulidade atribuída, representando este tema um aspecto prático importante, consistente na possibilidade de aplicação da prerrogativa inserta no art. 173, II do Código Tributário Nacional, devendo constar tal informação na decisão e, com isso, evitar o cerceamento de defesa da Fazenda". Temos sustentado posicionamento diverso, bem esclarecido no julgamento de embargos semelhantes, no Acórdão no 3403003.139, sempre com acolhida unânime da turma: "A preocupação da Fazenda Nacional nitidamente se refere à aplicação do art. 173, II do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.” Assim, deseja, na prática, saber a Fazenda saber se seria possível a lavratura de outra autuação para exigência dos montantes afastados pela DRJ. A Fazenda indica em seu arrazoado uma sugestão de classificação dos vícios (em formais e materiais) proposta por Fl. 436DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Leandro Paulsen, sendo os formais os atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário, e os materiais os relativos à validade e à incidência da Lei. (...) Contudo, entendo que descabe ao CARF manifestarse sobre o tema, na linha do que já vem decidindo unanimemente esta turma: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECISÃO PELA NULIDADE. FUNDAMENTOS. CLASSIFICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Nas decisões exaradas pelo CARF, é obrigatória a indicação precisa dos fundamentos que eventualmente apontem para nulidade processual, obrigatoriedade esta que não se estende a classificar (doutrinária ou jurisprudencialmente) tal nulidade em formal ou material.” (Acórdão no 3403002.512, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.set.2013) Vejase que o que se busca em sede de embargos declaratórios é uma antecipação de mérito em relação à legitimidade (afastandose a decadência) de uma segunda autuação, ainda inexistente. Entendo não incumbir a esta corte manifestarse sobre tal matéria, seja porque anteciparia (ao menos parcialmente) mérito em relação a processo diverso, que terá que seguir seu curso administrativo sem opiniões pré concebidas, seja porque a decisão embargada indicou precisamente seus fundamentos, não havendo a omissão ou obscuridade ensejadora de embargos, nos termos do art. 65 do RICARF". (grifo nosso) Ou seja, além de não haver nenhuma obrigação de classificação dos vícios na legislação de regência (classificação essa, digase, doutrinária ou jurisprudencial, porque não há critério normativo explícito para a distinção), a manifestação deste colegiado em relação ao tema é, a nosso ver, absolutamente inócua, porque não vincula a apreciação das autoridades que julgarão eventual nova autuação sobre o tema sobre possível decadência. Em outras palavras, de nada adianta este colegiado reconhecer como formal eventual vício, levando a fiscalização a lavrar nova autuação, se os órgãos julgadores que analisarão tal autuação entenderem que o vício é material. A única utilidade de tal classificação, como se destacou no exame de admissibilidade, é procedimental, facilitando a evidenciação das providências a serem tomadas pela unidade local. E, em nome de tal facilitação, até estaríamos dispostos a seguir adiante em relação ao entendimento externado, classificando o vício, com a plena consciência de que poderíamos, caso entendêssemos como formal o vício, ensejar uma falsa expectativa à unidade local, que lavraria nova autuação que poderia ser afastada ainda na instância de piso, se esta discordasse de nossa classificação. Mas, para empreender tal análise, necessitamos de algo mais do que a sintética proposta de classificação de Leandro Paulsen, apresentada pela Fazenda, de fácil assimilação, mas de difícil aplicação ao caso concreto. Entendemos que um grande passo foi dado na uniformização dos critérios a serem considerados na classificação dos vícios no lançamento tributário com obra recentemente publicada, fruto da dissertação de mestrado do Fl. 437DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000677/200912 Acórdão n.º 3401003.152 S3C4T1 Fl. 436 5 conselheiro deste CARF Luís Eduardo Garrossino Barbieri, na qual são estabelecidos pressupostos teóricos de classificação dos vícios, seguidos de visão pragmática (Capítulo 6), com exemplos de julgamentos do STJ e do CARF.2 E, na citada obra, tenho dois indicadores claros de que o vício detectado no presente processo seria de ordem material. O primeiro é de que, no caso, é impossível lavrarse nova autuação sem investigação adicional, visto que a própria sistemática adotada terá que ser revista (para apuração não cumulativa, com base nas leis de regência, no 10.637/2002 e no 10.833/2003), e "o vício formal não admite investigações adicionais" (conforme entendimento endossado unanimemente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão no 9202 002.731). O segundo, fruto de incrível e improvável coincidência, é que o autor da referida obra usa exatamente o acórdão embargado que estamos a discutir (Acórdão nº 3401002.336) como um dos exemplos da corrente que o considera vício material, à fl. 246. De qualquer modo, no presente caso não será necessário aprofundar conclusivamente o estudo destinado a identificar de qual vício se está a tratar, pois a demanda da Fazenda pela classificação do vício nos fez empreender leitura detalhada do acórdão embargado, fazendonos visualizar situação mais grave, e que seria inegavelmente ensejadora de embargos: a contradição entre a conclusão do voto e a ementa do acórdão embargado. A DRJ não anula a autuação por vício. Simplesmente cancela o lançamento, no mérito, como se percebe da conclusão do julgamento (fls. 392/393): "38. Portanto, se tencionava resguardar o crédito tributário da decadência, em vez de tentar adequar os lançamentos a uma sentença ainda não transitada em julgado, como afirma no termo anexo às fls. 121/126 do Volume 1, a autoridade fiscal deveria têlos realizado de acordo com a legislação em vigor à época, ou seja, pelo regime da nãocumulatividade instituído pelas leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003. Até porque a referida sentença, além de não ter produzido coisa julgada, visto que a reformou em parte a instância superior, se limitava a tratar da base de cálculo, sem entrar na questão do regime de apuração aplicável à empresa. 39. Assim, estando ambos os lançamentos em total desconformidade com a legislação de regência, é necessário, em homenagem ao princípio da legalidade, cancelálos integralmente." CONCLUSÃO 40. À vista do exposto, voto por julgar procedente a impugnação, e cancelar integralmente o crédito tributário lançado. 41. Reitero que a exoneração do crédito tributário em apreço só será definitiva após o julgamento do recurso de ofício ora interposto." (grifo nosso) 2 BARBIERI, Luís Eduardo Garrossino. Lançamento tributário: vícios e seus efeitos. Critérios para diferenciar os vícios formais dos vícios materiais. Novas Edições Acadêmicas, 2015. Disponível em: https://www.nea edicoes.com/catalog/details/store/us/book/9783639848373/lan%C3%A7amentotribut%C3%A1rio: v%C3%ADcioseseusefeitos?search=Abuso%20sexual%20em%20crian%C3%A7a. Acesso em 08.fev.2015. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 O CARF, por sua vez, anula o lançamento por vício, mas ao mesmo tempo diz confirmar o julgamento da DRJ, na íntegra, em flagrante contradição, como se atesta na conclusão do voto do relator (fls. 409/410): "Verificando o auto de infração, notase que os lançamentos tiveram como enquadramento legal os arts. 1o e 3o, da Lei Complementar nº 7/70, e os arts. 3o, 10, 22 e 51, do Decreto no 4.524/02. Ocorre que o acórdão do Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente foi bem claro ao determinar que se aplicaria a Lei Complementar no 7/70 e 70/91 somente até os adventos das Medidas Provisórias no 66/2002 e 135/2003, convertidas, posteriormente e respectivamente, nas Lei no 10.637/02 e 10.833/03, (...) O período lançado é posterior ao advento das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, de modo que é indevido o lançamento com enquadramento legal na Lei Complementar nº 7/70, por expressa determinação judicial, bem como é indevido o enquadramento legal com base no Decreto nº 4.524/02, vez que essa norma regulamenta a cobrança e fiscalização do PIS e da COFINS apurados na forma das Leis Complementares nº 7/70 e 70/91. No presente caso, o erro no enquadramento legal deixou o auto de infração nulo porque, além de fundamentado em norma que não se aplica ao caso, deixou de apontar a legislação aplicável ao caso, de modo que está em desacordo com o art. 10, inciso IV, do Decreto 70.235/72, que determina que o auto de infração deve conter a disposição infringida. Esse vício é insanável, porque corrigir o enquadramento legal seria inovar a fundamentação jurídica, o que gera o cerceamento de defesa. Portanto, devese manter o acórdão da DRJ em sua integralidade para cancelar o auto de infração. Ex positis, nego provimento ao Recurso de Ofício interposto, para manter o acórdão da DRJ em sua integralidade." (grifo nosso) A conclusão externada no voto, assim, apresenta indiscutível contradição, atacável por embargos de declaração, sequer cogitados nos autos em relação ao tema. No entanto, tendo o colegiado verificado a contradição, não há como esquivarse de analisála, ainda que de ofício, em nome da verdade material. Entendeu o CARF que a decisão de piso, que cancelava, no mérito, a autuação, era correta? Ou entendeu o CARF que havia nulidade na ausência de indicação da disposição legal infringida e da pena aplicável (inciso IV do art. 10 do Decreto no 70.235/1972)?3 A nosso ver, o julgador entendeu ambas as coisas. Mas foi contraditório na forma de externar a conclusão, pois o mesmo Decreto no 70.235/1972, em seu art. 59, § 3o, estabelece que se puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a 3 Não se está aqui a discutir se a ausência das informações referidas no inciso IV do art. 10 é ensejadora de nulidade. Isso porque a matéria já foi assim decidida pela turma, não sendo atacável pela via de embargos de declaração. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000677/200912 Acórdão n.º 3401003.152 S3C4T1 Fl. 437 7 nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Assim, diante da contradição detectada, há que se esclarecer qual o posicionamento adotado no acórdão embargado. E, havendo duplicidade de argumentos para o afastamento da autuação (concordância integral com a DRJ, ocasionando cancelamento, no mérito, e detecção de vício insanável, ocasionando nulidade), deve, em obediência ao citado § 3o do artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, ser cancelada, no mérito, a autuação. E, diante de tal evidenciação, a ausência de classificação do vício, que a Fazenda entendia como omissão, revelase ainda mais insignificante no presente processo, visto que o que houve, de fato, foi o cancelamento, no mérito, da autuação (que guardaria, reconheçase, indiscutível relação com o vício material). Pelo exposto, voto por rejeitar os embargos apresentados, por inexistência de omissão sobre tema a respeito do qual o colegiado deva se manifestar (classificação de vício ensejador de nulidade), e, ainda, por reconhecer, de ofício, contradição no acórdão, detectada na análise da omissão apontada, que deve ser solucionada, em face do § 3o do artigo 59 do Decreto no 70.235/1972, com reconhecimento de que o acórdão embargado cancelou, no mérito, o lançamento. Rosaldo Trevisan Fl. 440DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 14033.003573/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1444; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 475 1 474 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14033.003573/200888 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.251 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de abril de 2016 Assunto Diligência Recorrente BRB BANCO DE BRASÍLIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, VALCIR GASSEN, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 33 .0 03 57 3/ 20 08 -8 8 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3301000.251 S3C3T1 Fl. 476 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão de fls. 377/382 dos autos: Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Brasília que não conheceu a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que haveria identidade entre a matéria objeto de litígio e a de ação judicial. Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto o relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Per/Dcomp (fls. 1 a 17), relacionados na Tabela 1 do relatório do despacho decisório, nos quais a empresa acima identificada compensou crédito reconhecido por sentença judicial com débitos de IRRF, Cofins e Pis no valor total de R$ 10.950.467,53. No despacho decisório (fls. 56 a 60), a autoridade fiscal competente homologou parcialmente as declarações de compensação, porque o saldo remanescente (R$ 1.290.815,01) do quantum (R$ 11.499.393,77) do crédito apurado no processo n° 14033000196/200825 não foi suficiente para liquidar o total dos 4 débitos confessados. A contribuinte tomou ciência da decisão proferida no despacho decisório, acima citado, 2/04/2009 (AR — fl. 61v). Inconformada em 21/05/2009 apresentou a manifesta inconformidade (fls; 62 á 75), na qual transcreve os fatos; discorre sobre a abrangência da decisão judicial transitada em julgado e sobre o processo de habilitação do crédito na Receita Federal; faz quadros demonstrativos e, em resumo, apresenta os seguintes argumentos de defesa: é detentor de decisão judicial, transitada em julgado, que reconheceu seu direito à compensação de indébito tributário relativo aos valores de PIS/PASE indevidamente recolhidos no período de 10 anos anteriores ao ajuizamento da ação judicial, ou seja, a partir de setembro de 1986 com tributos administrados pela Receita Federal; amparado pela decisão judicial transitada em julgado, requereu, em 28/12/06, a habilitação do valor (R$ 52.168.664,04) total do crédito atualizado, à época, conforme anexo (Doc. 3). Apesar da clareza da sentença judicial, a Receita Federal entendeu, consoante Despacho Decisório EQAJUD/DICAT/DRF/BSA n° 58, de 29/05/07, que os pagamentos indevidos alcançados pela decisão judicial foram somente os efetuados a partir de julho de 1988; em 11/05/07, respondendo a Termo de Intimação Fiscal, demonstrou, reafirmou e esclareceu ao Fisco a amplitude do seu direito creditório, de agosto/1986, pois a decisão final reconheceu que o prazo prescricional deveria ser de 10 anos, contados a partir do ajuizamento da ação, que ocorreu em setembro/1996. No entanto, ignorando a clareza da sentença judicial, esse órgão, usurpando o papel do judiciário, aplicou seu entendimento ao caso e, displicentemente, julgou que os pagamentos indevidos ocorreram apenas a partir de Fl. 476DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3301000.251 S3C3T1 Fl. 477 3 julho de 1988, deferindo apenas parcialmente a habilitação, no valor de R$ 44.8,41.111,52; diante dos desrespeitados à decisão proferida pelo STF, acobertada pelo manto da coisa julgada, inclusive para fina de ação rescisória, não lhe restou outra alternativa a não ser buscar seu direito novamente junto ao judiciário, ao impetrar, em 03/09/2007, o Mandado de Segurança 2007.34.00.0308022, com pedido de liminar, visando habilitação do crédito relativo ao período de setembro de 1986 a junho de 1988 que, ilegalmente, foi negada administrativamente por essa Receita Federal; com a denegação da liminar pleiteada, interpôs o Agravo de Instrumento n° 2007 01 00 0449551 acolhido pelo TRF, em julgamento realizado em 07/12/2007 (doc 4). Nessa decisão, assim se manifestou o Juizado Federal: "Nem mesmo a Súmula 121/STJ pode ser invocada como óbice à pretensão do agravante, pois, o que se busca é o direito de habilitação, perante a Receita Federal, de crédito já transitado em julgado, cujos limites temporais foram ali definidos "; Nesse contexto, resta evidente a legitimidade do direito à habilitação dos valores indevidamente recolhidos desde setembro de 1986 até junho de 1988, tal como assegurado pela decisão transitada em julgado no Recurso Especial n. 495.980." Ante o exposto, dou provimento ao agravo de instrumento para reconhecer ao agravante o direito a habilitação nos termos em que requerida no item 3.1." é cristalino o equivoco da Receita Federal ao, ultrapassar seu papel querer delimitar o seu direito adquirido por meio de sentença proferido no RE e, além disso, confirmado pelo Acórdão do TRF no AGI. Por fim, o crédito total solicitado em dezembro de 2006 deverá set habilitado, porque é objeto de ação judicial transitada em julgado, não cabendo a essa autarquia nenhum juízo de mérito, mas apenas proceder ao seu fiel cumprimento; ademais, nos cálculos.realizados pela. Receita Federal, os recolhimentos de PIS/PASEP efetuados cm 31/08/1988 e 30/09/1988, referentes aos períodos de apuração de julho e agosto de 1988, não foram acatados; as guias de recolhimentos foram devidamente entregues, em 10/03/2007, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n°. 141/2008 (Doc 5). Analisandose os documentos, é possível constatar que estão devidamente autenticados pelo Banco do Brasil e que foram recolhidos nas respectivas datas de Vencimento; não cabe ônus ao contribuinte se os valores não foram localizados por essa Receita, uma vez que o recolhimento está documentalmente comprovado. Em respeito ao principio da verdade material, as guias Apresentadas devem ser obrigatoriamente reconhecidas pelo Fisco, conforme reiterada jurisprudência do Conselho de Contribuintes; assim, os recolhimentos de Cr$ 27.108.275,29 e Cr$ 19.116.537,67, procedidos em 31/08/1988 e 30/09/1988, devem ser considerados na determinação do valor do crédito de recolhimentos indevidos de PIS/PASEP efetuados por ela; constatou que foi incluído, no calculo do PISRepique devido, o adicional de IRPJ, o que reduziu o crédito a compensar a seu faVor. Ocorre que a lei que instituiu o PIS e que deverá ser aplicada ao caso em tela é a LC n° 07/70, especialmente o disposto pelo art. 3', "a", e §1°, que determina como sendo base de cálculo do PIS o valor devido a titulo de Imposto de Renda, deduzidos os incentivos fiscais previstos na legislação. Sobre esta base de cálculo deverá ser aplicada a alíquota de 5%; em face do disposto na LC no 7/70, a inclusão do Adicional de Imposto de Renda, para efeitos de se obter a base de calculo do Pis) é devida, pois ela estabelece que a base de cálculo do PIS seria o Imposto de Renda devido. A época da promulgação da LC n° 7/70, a Fl. 477DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3301000.251 S3C3T1 Fl. 478 4 legislação do IR não contemplava a figura do adicional, que só veio a partir do exercício financeiro de 1980, através do DecretoLei n° 1.704/79, assim, o IR apurado pela alíquota adicional não deve ser considerado para efeitos do cálculo do PISRepique; ademais, em 1987, a Receita Federal se pronunciou sobre a matéria, por meio de indagações formuladas ao "Plantão Fiscal", publicadas em obra intitulada "Perguntas e Respostas Imposto de Renda Pessoa Jurídica 1987" o disposto acima corrobora o seu entendimento, e, tendo partido da própria Receita Federal, não pode ela proceder em contrário. Portanto, o IRPJ calculado alíquota adicional não faz parte da base de cálculo do PISRepique. Assim, no cálculo efetuado por esse Fisco, o valor do IRPJ calculado à alíquota adicional constou indevidamente na base de calculo da contribuição nos exercícios de 1993 e .1994, o que, imerecidamente, reduziu o valor do crédito compensável pelo contribuinte; Por derradeiro, discorre sobre a base de calculo correta nos exercícios de 1988 a 1990; índices; conversão (0Th, BTN ou UF1R) e sobre o valor correto do crédito a compensar e no pedido requer o seguinte: a) esse órgão. cumpra o determinado em sentença judicial transitada em julgado, habilitando‘ o valor total dos recolhimentos indevidos. de PIS/PASEP realizados, no período de agosto de 1986 a abril de 1994, conforme já solicitado em 28/12/2006 (processo 10166.012225/200680) ; b) sejam corrigidas as inconsistências existentes no cálculo do crédito ao qual tem direito, conforme apontado nesta manifestação de inconformidade e que seja acolhida a Planilha 1 (Doc,6) como demonstrativo correto do crédito passível de compensação; c) as DCOMP 10017.69110 101008.1.3:546287 e 39111 57400.201008.1.3.540066 sejam homologadas, haja' vista a suficiência do crédito utilizado para a compensação dos débitos, consoante demonstrado; d) seja cancelada a cobrança dos débitos considerados não compensados e os encargos dela decorrentes, visto que se mostram indevidos, porquanto existem os créditos para as compensações efetuadas pelo contribuinte, conforme relatado e documentado A DRJ em Brasília não conheceu a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: Restituição de indébito Concomitância do processo judicial com o administrativo. A propositura de ação judicial antes, concomitante ou posteriormente autuação, afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre a matéria objeto da mesma pretensão. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho basicamente repetindo as razões da manifestação de inconformidade e acrescentando que jamais lhe fora dado a a oportunidade de se insurgir contra o reconhecimento apenas parcial do crédito pleiteado nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825. É o relatório. Conselheira Andréa Medrado Darzé. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3301000.251 S3C3T1 Fl. 479 5 Ato contínuo, nesta mesma decisão de fls. 377/382 dos autos, a então Relatora, Conselheira Andréa Medrado Darzé, entendeu por converter o julgamento do processo em diligência, com base nos seguintes fundamentos: Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente alega que teria um crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, proferida nos autos do processo judicial n° 1996.34.00.185786, o qual não teria sido integralmente reconhecido pela autoridade administrativa, o que representaria ofensa à coisa julgada. A autoridade recorrida entendeu que a manifestação de inconformidade não deveria ser conhecida, com base nos seguintes argumentos: No processo administrativo fiscal n° 14033.000196/200825, a autoridade fiscal competente, com base na sentença judicial transitada em julgado apurou quantum do crédito a favor da contribuinte no valor de R$ 11.499.393,77. Desse valor, R$ 10.208.578,76 foi utilizado para liquidar débitos confessados nas Dcomp homologadas naquele processo, restando saldo remanescente de R$ 1.290.815,01, compensado com os débitos confessados nas Dcomp analisadas neste processo, homologadas parcialmente. Assim, com o crédito que a contribuinte pretende discutir neste processo foi analisado nos autos do processo administrativo fiscal n° 14033.000196/200825, não cabe, aqui nos autos deste processo administrativo fiscal a discussão ou rediscussão da matéria lá examinada ou de qualquer outra pertinente a apuração daquele credito. Ao tomar conhecimento daquela decisão, à época oportuna, a interessada deveria ter se manifestado a respeito e não agora, após a definitividade da decisão proferida naquele processo de apuração do quantum do crédito compensado. Ademais, o crédito relativo ao período (set/1986 a jun/1988) pleiteado pelo sujeito passivo teve sua discussão deslocada para o Poder Judiciário, nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0308022, o que, caracteriza a renúncia tácita à via administrativa, e, por conseguinte, impede o exame da matéria pelos órgãos judicantes da administração. . Nesse sentido deve ser observado o disposto no artigo 26 da Portaria MF 258 de 2001, que estabelece: (...) a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. Vale esclarecer que a autoridade julgadora trouxe ao presente processo apenas cópia da decisão proferida nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825, no qual há o reconhecimento de crédito a favor da contribuinte no valor de R$ 11.499.393,77 e a homologação total das declarações de compensação daquele processo. O ora Recorrente, por outro lado, sustenta o seguinte: Ademais, quando da cientificação ao contribuinte do Despacho emitido para o processo n° 14033.000196/200825 (Doc. 5) —ao contrário do que ocorreu no 14033.000196/200825 sequer houve menção a possibilidade e prazo para refutar o 16583.59275.100908.1.3.545774 e 09762.52438. 180908. 1.3.547408, bem como o valor integral de uma DCOMP homologada parcialmente 10017.69110.1010. 08.1.3. 546287. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3301000.251 S3C3T1 Fl. 480 6 Até mesmo neste ponto há equívocos. Postas estas razões por ambas as partes, verifico que a documentação trazida aos autos não é suficiente para formar a convicção de que foi efetivamente oportunizado ao contribuinte o direito de se insurgir contra a decisão que reconheceu apenas parcialmente o crédito pleiteado. Com efeito, independentemente de terem sido integralmente homologadas as compensações declaradas no processo administrativo n° 14033.000196/200825, entendo que, como parte do crédito pleiteado não foi reconhecida, teria o contribuinte que ser intimado, abrindolhe oportunidade para a apresentação de recurso voluntário, sob pena de nulidade do processo ou, no mínimo, de se ter que reconhecer que não houve decisão final sobre o crédito e que, por conta disso, eventualmente poderá ser discutido em outra sede, como a presente. Da mesma forma, não se tem notícia nesses autos do desfecho do processo judicial nº 2007.34.00.0308022, o que nos impede de decidir com segurança se a decisão recorrida andou bem ao reconhecer a concomitância ou se na verdade, em face do estágio do processo, deveria ter cumprido o comando exarado pelo Poder Judiciário em caráter definitivo, como alegado pelo contribuinte em seu recurso. Neste contexto, verificando as deficiências de instrução do processo acima identificadas e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que traga aos autos (i) cópia da intimação do acórdão proferido pela DRF nos autos do processo administrativo n° 14033.000196/200825, do comprovante do seu recebimento pelo contribuinte e, ainda, em havendo intimação, se foi certificado nos autos o transcurso do prazo para apresentar manifestação de inconformidade, sem qualquer atuação por parte do contribuinte e, igualmente, (ii) certifique se o processo judicial nº 2007.34.00.0308022 transitou em julgado, bem como traga a estes autos cópia das decisões de primeira instancia, do TRF e eventualmente do STJ proferidas neste processo. Em atendimento à diligência indicada no item (i) acima, foram juntados as autos: (a) despacho decisório constante do processo nº 14033.000196/200825 (fls. 387/404 dos autos); (b) comunicado encaminhado ao BRB dando ciência do teor do deferido despacho (fl. 405 dos autos); (c) AR atestando o recebimento por parte do contribuinte (fl. 406 dos autos). De outro norte, em atendimento à diligência constante do item (ii) supra, o contribuinte anexou aos autos cópia do processo nº 2007.34.00.0308022 (fl. 409 e seguintes). É o que havia de relevante para relatar. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 14033.003573/200888 Resolução nº 3301000.251 S3C3T1 Fl. 481 7 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, em atendimento à diligência indicada no item (i) acima, foram juntados as autos: (a) despacho decisório constante do processo nº 14033.000196/200825 (fls. 387/404 dos autos); (b) comunicado encaminhado ao BRB dando ciência do teor do deferido despacho (fl. 405 dos autos); (c) AR atestando o recebimento por parte do contribuinte (fl. 406 dos autos). Percebese, contudo, que não foi atendida a parte final da diligência solicitada, no sentido de identificar "se foi certificado nos autos o transcurso do prazo para apresentar manifestação de inconformidade, sem qualquer atuação por parte do contribuinte". Ocorre que, como destacou a então Relatora quando da conversão do julgamento em diligência, tal esclarecimento seria essencial para fins de se identificar se "foi efetivamente oportunizado ao contribuinte o direito de se insurgir contra a decisão que reconheceu apenas parcialmente o crédito pleiteado". Logo, apenas a juntada do AR aos presentes autos, sem a informação sobre o desfecho do caso (certificação sobre o transcurso do prazo para se manifestar, ou mesmo a apresentação de eventual manifestação e os atos decisórios subsequentes), não atende ao fim da diligência requerida, imprescindível à solução da presente demanda. Verificase, portanto, que o presente processo não se encontra devidamente instruído para fins de julgamento. Sendo assim, tendo em vista que tal diligência, anteriormente solicitada pela Conselheira Andrèa Medrado Darzé, não foi adequadamente atendida, e, no intuito de evitar quaisquer dúvidas adicionais, voto no sentido de que o presente julgamento seja convertido novamente em diligência para fins de que seja juntado aos presentes autos cópia integral do Processo Administrativo n° 14033.000196/200825. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 26/05/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10183.723840/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL.
Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizar-se quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento.
TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA.IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para fruição do tratamento fiscal previsto nos arts. 7º e 8° da Lei nº 9.532/1997 nos casos em que ocorre transferência do ágio pago pela adquirente para outra empresa que será posteriormente extinta por incorporação reversa.
INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL.
Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço a terceiros.
Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a sucessão de operações societárias sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica de mesmo grupo, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real e da contribuição social.
ÁGIO INTERNO. MULTA QUALIFICADA (150%). CABIMENTO.
Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, cabe a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante.
MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI 11.488/2007. PROCEDÊNCIA.
Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, ao serem glosadas despesas tidas por indedutíveis, as bases de cálculo mensais foram recalculadas pelo Fisco, evidenciando-se a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais. A sanção é aplicável pelo descumprimento do dever legal de antecipar o tributo. Procedente a multa exigida isoladamente, lançada com fundamento no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007.
CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE.
É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano calendário, por caracterizarem penalidades distintas.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO
A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição.
NULIDADE DA DECISÃO. INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA.
Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter o lançamento não configura alteração do fundamento do lançamento, o que só ocorreria se a decisão tivesse concordado com os argumentos de defesa e usasse outro argumento para manter o lançamento.
ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real, e o disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, o preconizado pelos artigos 22, 23, 25 e 33 do Decreto-Lei nº 1.598/77 deixam claro que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2010, 2011
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
O vínculo societário (investidora/investida), incontroverso, entre a pessoa jurídica apontada como responsável tributária e aquela outra tida como contribuinte é insuficiente, por si só, para a caracterização do interesse comum, para fins de imputação de responsabilidade tributária nos termos do art. 124, I, do CTN. De igual modo, esse dispositivo legal não serve para a imputação de responsabilidade tributária pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, para o que seria requerido diferente enquadramento legal, além do que a responsabilização recairia não sobre a pessoa jurídica, mas sobre aqueles administradores que teriam praticado tais atos.
Numero da decisão: 1301-002.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, ficando vencidos: os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator), quanto à exclusão da responsabilidade tributária da pessoa jurídica ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A (designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha); o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, relativamente à multa qualificada e à incidência dos juros de mora sobre a referida multa; e o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, no que tange às demais matérias. o Conselheiro Waldir Veiga Rocha, relativamente à matéria principal, acompanhou o relator pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizar-se quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA.IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para fruição do tratamento fiscal previsto nos arts. 7º e 8° da Lei nº 9.532/1997 nos casos em que ocorre transferência do ágio pago pela adquirente para outra empresa que será posteriormente extinta por incorporação reversa. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço a terceiros. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a sucessão de operações societárias sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica de mesmo grupo, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real e da contribuição social. ÁGIO INTERNO. MULTA QUALIFICADA (150%). CABIMENTO. Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, cabe a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI 11.488/2007. PROCEDÊNCIA. Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, ao serem glosadas despesas tidas por indedutíveis, as bases de cálculo mensais foram recalculadas pelo Fisco, evidenciando-se a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais. A sanção é aplicável pelo descumprimento do dever legal de antecipar o tributo. Procedente a multa exigida isoladamente, lançada com fundamento no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano calendário, por caracterizarem penalidades distintas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição. NULIDADE DA DECISÃO. INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter o lançamento não configura alteração do fundamento do lançamento, o que só ocorreria se a decisão tivesse concordado com os argumentos de defesa e usasse outro argumento para manter o lançamento. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real, e o disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, o preconizado pelos artigos 22, 23, 25 e 33 do Decreto-Lei nº 1.598/77 deixam claro que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2010, 2011 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. O vínculo societário (investidora/investida), incontroverso, entre a pessoa jurídica apontada como responsável tributária e aquela outra tida como contribuinte é insuficiente, por si só, para a caracterização do interesse comum, para fins de imputação de responsabilidade tributária nos termos do art. 124, I, do CTN. De igual modo, esse dispositivo legal não serve para a imputação de responsabilidade tributária pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, para o que seria requerido diferente enquadramento legal, além do que a responsabilização recairia não sobre a pessoa jurídica, mas sobre aqueles administradores que teriam praticado tais atos.
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ÁGIO. TRANSFERÊNCIA Recorrente ALLAMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA.IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para fruição do tratamento fiscal previsto nos arts. 7º e 8° da Lei nº 9.532/1997 nos casos em que ocorre transferência do ágio pago pela adquirente para outra empresa que será posteriormente extinta por incorporação reversa. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Inadmissível a formação de ágio por meio de operações internas, sem a intervenção de partes independentes e sem o pagamento de preço a terceiros. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a sucessão de operações societárias sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica de mesmo grupo, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real e da contribuição social. ÁGIO INTERNO. MULTA QUALIFICADA (150%). CABIMENTO. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 38 40 /2 01 3- 20 Fl. 3141DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.142 2 Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, cabe a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI 11.488/2007. PROCEDÊNCIA. Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, ao serem glosadas despesas tidas por indedutíveis, as bases de cálculo mensais foram recalculadas pelo Fisco, evidenciandose a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais. A sanção é aplicável pelo descumprimento do dever legal de antecipar o tributo. Procedente a multa exigida isoladamente, lançada com fundamento no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano calendário, por caracterizarem penalidades distintas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição. NULIDADE DA DECISÃO. INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter o lançamento não configura alteração do fundamento do lançamento, o que só ocorreria se a decisão tivesse concordado com os argumentos de defesa e usasse outro argumento para manter o lançamento. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real, e o disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, o preconizado pelos artigos 22, 23, 25 e 33 do DecretoLei nº 1.598/77 deixam claro que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência Fl. 3142DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.143 3 patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010, 2011 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. O vínculo societário (investidora/investida), incontroverso, entre a pessoa jurídica apontada como responsável tributária e aquela outra tida como contribuinte é insuficiente, por si só, para a caracterização do interesse comum, para fins de imputação de responsabilidade tributária nos termos do art. 124, I, do CTN. De igual modo, esse dispositivo legal não serve para a imputação de responsabilidade tributária pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, para o que seria requerido diferente enquadramento legal, além do que a responsabilização recairia não sobre a pessoa jurídica, mas sobre aqueles administradores que teriam praticado tais atos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, ficando vencidos: os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas (Relator), quanto à exclusão da responsabilidade tributária da pessoa jurídica ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A (designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha); o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, relativamente à multa qualificada e à incidência dos juros de mora sobre a referida multa; e o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, no que tange às demais matérias. o Conselheiro Waldir Veiga Rocha, relativamente à matéria principal, acompanhou o relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 3143DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.144 4 Relatório Em procedimento de fiscalização, a empresa em referência foi autuada e notificada a recolher crédito tributário de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 15.957.249,86, incluindo acréscimos legais (fls. 2). O contribuinte foi cientificado em 24/9/2013 (fls. 2.259). A fiscalização apurou os seguintes fatos e infrações (fls. 29/51): I. Histórico societário da empresa · 6/10/1988 constituída com a denominação social de FERRONORTE S/A FERROVIAS NORTE BRASIL(doravante FERRONORTE). · 14/07/1998 – aprovado o Protocolo de Incorporações de Ações e Justificação, firmado em 10/04/1998, que tem por objeto a incorporação de todas as ações da FERRONORTE pela FERROPASA FERRONORTE PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ n° 02.457.269/000127 (denominação social alterada em 05/04/2002 para BRASIL FERROVIAS S/A), constituída em 11/02/1998, convertendo a Companhia em sua subsidiária integral. · 15/12/1998 – a FERRONORTE deixou de ser subsidiária integral da FERROPASA FERRONORTE PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ n° 02.457.269/000127 (BRASIL FERROVIAS S/A), que passou a ser sua controladora, proprietária de, no mínimo, 96% (noventa e seis por cento) das ações representativas do capital social da companhia. · 28/12/2007 – passa a ser controlada pela empresa NOVA BRASIL FERROVIAS S/A, CNPJ n° 09.371.732/000162, originada da cisão parcial da BRASIL FERROVIAS S/A em 28/12/2007. · 3/11/2008 a denominação social da companhia foi alterada para ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S.A. · 15/10/2009 a NOVA BRASIL FERROVIAS S/A, CNPJ n° 09.371.732/000162, então subsidiária integral da MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n° 09.085.491/000195, foi incorporada por esta, que passou a ser a controladora direta da companhia. · 11/02/2010 aprovada a incorporação pela companhia da parcela cindida do patrimônio da MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n° 09.085.491/000195, cujo capital pertencia integralmente à ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, CNPJ n° 02.387.241/000160, (haja vista que a outra sócia, a empresa ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA PARTICIPAÇÕES LTDA, lhe cedeu, em 30/12/2009, a única quota de capital de que era possuidora). III. Origem do ágio Fl. 3144DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.145 5 · Em 16/6/2006, a AMERICA LATINA LOGÍSTICA S/A (ALL LOGÍSTICA) adquire a Brasil Ferrovias S/A (BF) e a Novoeste (NO), em operação de incorporação de ações na qual essas empresas passaram a ser suas subsidiárias integrais. · O ágio total registrado na aquisição foi de R$ 2.496.807.000,00 (fls. 39). · Não houve nenhuma inversão financeira (pagamento em espécie) pela incorporação das ações, ocorrendo, pois, mera substituição de ações, recebendo os acionistas das empresas convertidas em subsidiárias integrais, novas ações de emissão da ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, CNPJ n° 02.387.241/000160. IV. Da transferência do ágio · A amortização do ágio em comento, sob o ponto de vista fiscal, não seria vantajosa para a holding ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, CNPJ n° 02.387.241/000160, já que suas despesas e receitas advêm, via de regra, de equivalência patrimonial, que são neutras tributariamente. · Em 3/12/2007, a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, CNPJ n° 02.387.241/000160 (ALL) juntamente com a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ n° 07.749.207/000102 (ALL Participações), adquiriram a empresa J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA e integralizaram o capital social (ainda apenas subscrito), em moeda corrente, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), proporcionalmente à participação de cada uma, qual seja, 499 quotas da ALL e 1 quota da ALL Participações (quota esta posteriormente cedida para a ALL). · Na mesma data da aquisição, resolveram aumentar o capital social de R$ 500.00 (quinhentos reais) para R$ 2.512.083.580.00 (dois bilhões, quinhentos e doze milhões, oitenta e três mil, quinhentos e oitenta reais), aumento subscrito e integralizado pela ALL, mediante a conferência dos seguintes bens: b1) totalidade das ações ordinárias e preferenciais da BRASIL FERROVIAS S/A, CNPJ n° 02.457.269/000127; b2) totalidade das ações ordinárias e preferenciais da NOVOESTE BRASIL S/A, CNPJ n° 07.593.583/000150. · Em 28/12/2007, após a cisão parcial da BRASIL FERROVIAS, a FERRONORTE, passou a ser controlada pela NOVA BRASIL FERROVIAS. · Segundo a impugnante a cisão foi efetuada para separar a parte do investimento que não pertencia ao Grupo LAIF, acionista minoritário que ingressou com ação judicial com a ALL Logística. · Em 25/07/2008, a J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n° 09.085.491/000191, incorporou, a valor patrimonial contábil, as empresas BRASIL FERROVIAS S.A., CNPJ n° 02.457.269/000127, NOVOESTE BRASIL S.A., CNPJ n° 07.593.583/000150 e NOVA FERROBAN S/A, CNPJ n° 04.004.203/000107. · Em 29/10/2008, as denominações sociais das companhias foram alteradas, passando de Ferrovias Bandeirantes S/A (FERROBAN S/A) para ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA PAULISTA S/A; de Ferrovia Novoeste S/A (NOVOESTE S/A) para ALLAMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA OESTE S/A e de Ferronorte S/A Ferrovias Fl. 3145DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.146 6 Norte Brasil (FERRONORTE S/A) para ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A. · Em 5/11/2009, a MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA (nova denominação social da J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA) incorporou a NOVA BRASIL FERROVIAS S/A, CNPJ n° 09.371.732/000162, com patrimônio líquido contábil de R$ 169.502.379,49 (cento e sessenta e nove milhões, quinhentos e dois mil, trezentos e setenta e nove reais e quarenta e nove centavos), igual ao investimento detido pela Incorporadora, cujo capital social permaneceu, pois, inalterado. · Em 30/11/2009, encerrando a operação, foi aprovada a cisão total da empresa MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA, sendo vertidas as parcelas de seu patrimônio líquido cindido (valor contábil) para a ALL Malha Oeste, ALL Malha Paulista e ALL Malha Norte. No caso específico da ALL Malha Norte, o acervo líquido incorporado no valor de R$ 395.405.821,85 (trezentos e noventa e cinco milhões, quatrocentos e cinco mil, oitocentos e vinte e um reais e oitenta e cinco centavos), correspondeu exclusivamente à participação que a cindida detinha em seu capital social, motivo porque não houve aumento do mesmo. · Assim, com a cisão total da Multimodal, o valor integral do ágio existente foi transferido para cada sociedade controlada, cabendo à ALL Malha Norte o montante de R$ 2.050.356.234,91 (dois bilhões, cinqüenta milhões, trezentos e cinqüenta e seis mil, duzentos e trinta e quatro reais e noventa e um centavos). · A transferência do ágio da ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICAS/A, CNPJ n° 02.387.241/000160, para a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A,CNPJ n° 24.962.466/000136, com passagem pela empresa MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA,CNPJ n° 09.085.491/000191, é totalmente descabida e inaceitável, pois tal operação somente seria possível em caso de fusão, cisão ou incorporação, com a conseqüente extinção das empresas fusionadas, cindidas ou incorporadas, o que não ocorreu no caso presente, O ágio em comento foi transferido em uma operação de aumento de capital, realizado pela ALL América Latina Logística S/A,na empresa Multimodal Participações Ltda (então denominada J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS EPARTICIPAÇÕES LTDA). · Ainda que fosse lícito o aproveitamento do ágio pela fiscalizada, tal operação não poderia ter sido engendrada porquanto a empresa MULTIMODAL PARTICIPAÇÕESLTDA, malgrado ter sido formalmente constituída de acordo com a legislação vigente, não possuiu nenhum propósito negocial, tendo sido criada tão somente com o propósito de possibilitar a dedução indevida das despesas com a amortização do ágio gerado na operação de incorporação das ações da Brasil Ferrovias S/A e da Novo Oeste Brasil S/A pela AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. · A Multimodal foi constituída em 15/08/2007, sob a denominação social anterior de J.P.E.S.P.E EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, com sede na Rua Pamplona n° 818, 9° andar, conjunto 92, bairro Jardim Paulista. CEP 01.405001, São Paulo SP, e tendo como sócias as Sras. Adriana Vechies Salvini, CPF n° 270.566.92800, e Linéia Mathias, CPF n° 253.989.21835, ambas advogadas com inscrição na OAB/SP sob números 218549 e 212026. Fl. 3146DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.147 7 · Quatro meses depois, as sócias pessoas físicas retiramse da sociedade e ingressam como novas sócias as empresas ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A e a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA PARTICIPAÇÕES LTDA, aumentando o capital da então J.P.E.S.P.E EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA para o elevado montante de R$ 2.512.083.580.00 (dois bilhões, quinhentos e doze milhões, oitenta e três mil, quinhentos e oitenta reais), o qual foi totalmente subscrito e integralizado pela primeira, mediante a totalidade das ações ordinárias e preferenciais representativas do capital social da Brasil Ferrovias S/A., e da Novoeste Brasil S/A. Tal fato já começa a evidenciar a artificialidade e a falta propósito negocial da Multimodal. · Não parece nada razoável a uma empresa cujo objeto social é ser uma holding, participando de outras sociedades, subscrever um capital social tão ínfimo para a finalidade a que se destina. E como se não bastasse ainda não o integraliza. Curioso é que a integralização se deu somente quando da entrada das sócias ALL AMERICA LATINA LOGÍSTICA S/A e a ALLAMÉRICA LATINA LOGÍSTICA PARTICIPAÇÕES LTDA, reais interessadas na criação da Multimodal. · Desde a sua criação até a entrada das pessoas jurídicas em tela na sociedade, a Multimodal permaneceu inativa, consoante pode atestar a DIPJ exercício 2008, ano calendário 2007. Não houve registro de qualquer despesa operacional, relacionada às suas atividades. Neste mesmo diapasão, nos anos seguintes, 2008 e 2009, já com o novo quadro societário, até a sua cisão total, não constam, nas respectivas DIPJs, registros de despesas comuns à qualquer empresa que de fato esteja operando no mercado, tais como: aluguel da sala comercial onde teria funcionado a empresa; remuneração de empregados, encargos sociais; propaganda e publicidade, etc. · Reforça a tese de que a Multimodal nunca de fato existiu, o fato de a referida empresa ter apresentado, desde a sua criação até a sua cisão total, uma única Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social GFIP, na competência 09/2007, informando a ausência de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Ainda que tenha sido uma holding, nem sequer um único funcionário (uma secretária, por exemplo) laborou na empresa durante toda a sua existência ? · Em que pese a fiscalizada ter asseverado que a Multimodal foi adquirida com o fito de exercer a gestão de várias empresas do Grupo ALL, não parece razoável que tenha executado essa missão sem o necessário suporte técnico, operacional, administrativo e de recursos humanos, o que, necessariamente, geraria despesas de cunho operacional. · No que tange à movimentação financeira da Multimodal, conforme dados extraídos da DIMOF Declaração Informações sobre Movimentação Financeira e dos extratos bancários apresentados pelo sujeito passivo, constatamos que durante o ano de 2007, período em que figuravam como sócias da sociedade as Sras Linéia Mathias e Adriana Vechies, a mesma, na prática, não existiu. Mais um fato que reforça o argumento de que a Multimodal foi, de forma premeditada, criada artificialmente para servir aos anseios do Grupo ALL e de que as sócias em tela, de fato, não possuíram nenhuma aspiração em seu objeto social. · Também nessa toada, no ano de 2008, em dezembro (justamente no mês em que houve o ingresso da ALL América Latina Logística S/A na sociedade), cumpre destacar que ocorreu, na citada conta bancária da empresa, uma única movimentação financeira no montante de R$ 60.000.000,00 (sessenta milhões de reais). Fl. 3147DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.148 8 · Cabe ressaltar, ainda, que tendo em vista o disposto no inciso II, do artigo 3º, da Instrução Normativa RFB n° 787/2007, as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, a partir de 01/01/2009, passaram a ser obrigadas a apresentar escrituração contábil digital ECD através do SPED. Consultando a DIPJ, anocalendário 2009, da fiscalizada, verificamos que esta é optante pela referida forma de tributação. No entanto, no SPED, a ECD não se encontra autenticada pelo competente órgão de registro. Ou seja, a Multimodal, no referido período, não possui escrita contábil regular. · O sujeito passivo deixou de comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a suposta gestão, pela Multimodal de operações de logística ferroviária, quer seja na área de transporte ferroviário de cargas, quer seja nas áreas de desenvolvimento de tecnologia ferroviária, e de equipamentos ferroviários na ALL MALHA NORTE, ALL MALHA PAULISTA, ALL MALHA OESTE, ALL CENTRO OESTE, ALL EQUIPAMENTOS, ALL TECNOLOGIA e FERRONORTE LOCADORA DE VAGÕES. Limitouse a apresentar o contrato social e suas alterações (primeira e segunda), laudo de avaliação contábil do patrimônio líquido e demonstrações contábeis, documentos estes que, tão somente, são insuficientes para a comprovação da efetiva gestão pela Multimodal das operações de logística ferroviária. Uma empresa que tem como missão executar supostas atividades de gestão de logística deveria possuir documentos pertinentes à esta atividade administrativa, tais como: relatórios gerenciais, projetos, indicadores de desempenho, inventários de materiais, planos de metas, etc. · As Sra Linéia Mathias e Adriana Vechies Salvini foram ou são responsáveis legais por 68 (sessenta e oito) e 83 (oitenta e três) empresas, respectivamente, dentre as quais se inclui a Multimodal, conforme comprovam os relatórios extraídos do sistema "CNPJ" que seguem anexos ao presente processo. Todas estas pessoas jurídicas têm em comum as seguintes características: em quase a sua totalidade, as pessoas físicas em comento figuram como sócias das empresas criadas por um curto espaço de tempo, geralmente em prazo inferior a um ano contado da data do ato constitutivo, transferindo a propriedade das empresas criadas para outras pessoas físicas e/ou jurídicas; várias das empresas sob enfoque foram constituídas no mesmo dia, possuindo números do CNPJ sequenciais; em regra, as razões sociais correspondem a uma seqüência inicial de seis letras, sendo as três primeiras variando aleatoriamente e as três últimas correspondendo às letras "S.P.E"; praticamente todas as empresas que tiveram como sócias as Sras Linéia Mathias e Adriana Vechies Salvini possuem ou, o que é mais comum, tiveram sede exatamente no mesmo endereço constante do ato constitutivo da Multimodal, qual seja Rua Pamplona n° 818, 9° andar, conjunto 92. bairro Jardim Paulista. CEP 01.405001. São Paulo SP. · No que concerne especificamente ao endereço dos sócios a ser informado nos atos constitutivos das sociedades limitadas, cabe pontuar o disposto no Manual de Atos de Registro do referido tipo societário, aprovado pala Instrução Normativa n° 98/2003, do Departamento Nacional de Registro do Comércio DNRC, que estabelece que, em se tratando de sócio pessoa física, o endereço que obrigatoriamente deve constar no preâmbulo do contrato social é o residencial, o que não ocorreu no ato constitutivo da Multimodal. Foi informado no contrato social, como endereço das sócias, o mesmo logradouro da sede da empresa já citado anteriormente, o qual também consta como endereço sede de dezenas de outras empresas similares. Além disso, consultando as Declarações do Imposto dobre a Renda da Pessoa Física DIRPF das antigas sócias da Multimodal, referentes ao ano calendário 2007, constatamos que os endereços informados nestas são diferentes do verificado no ato constitutivo em tela. Fl. 3148DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.149 9 · O Modus operandi é basicamente o mesmo: pessoas físicas constituem empresas, geralmente com objeto social de "holdings", sem nenhum propósito negocial próprio, que são, em curto lapso temporal, adquiridas por outras pessoas, físicas e/ou jurídicas a fim de atender unicamente aos interesses dessas últimas, como por exemplo, a redução da carga fiscal mediante operações de reorganização societária. A criação das referidas sociedades "casca" já é premeditado, pois estas só possuem razão de ser após a transferência de suas propriedades para as reais interessadas. · É de causar espécie a enorme quantidade de empresas, com as mesmas peculiaridades, em nome das citadas advogadas, denota a existência de uma verdadeira 'indústria" e um comércio de "empresas de prateleira' que só existem no "papel", não existindo de fato e servindo tão somente a satisfazer aos interesses dos novos sócios adquirentes. · O fato de a Multimodal ter sido constituída pelas mesmas sócias pessoas físicas e ter tido, por ocasião da sua criação, a mesma sede das dezenas de empresas em debate demonstra com clareza solar que a mesma só existiu formalmente. Já foi criada com o objetivo de ser, em curto espaço de tempo, transferida para as novas sócias pessoas jurídicas. Até a retirada das Sras Linéia Mathias e Adriana Vechies Salvini da sociedade, ficou apenas "esperando" o vultoso aporte de capital por parte ALL AMERICA LATINA LOGÍSTICA S/A. a fim de unicamente atender aos interesses do Grupo ALL. · Por todo o exposto, foi exaustivamente demonstrado que a Multimodal não possuiu propósito negocial, tendo sido criada para servir de passagem para que o ágio, resultante incorporação das ações da Brasil Ferrovias S/A e da Novo Oeste Brasil S/A pela ALL AMERICA LATINA LOGÍSTICA S/A, chegasse ao patrimônio da fiscalizada e das outras empresas cindendas, de modo a permitir que os lucros destas fossem confrontados com a despesa dedutível decorrente da amortização do ágio. O objetivo, portanto, da criação da empresa em comento foi unicamente que a mesma funcionasse como "empresaveículo" para que o ágio chegasse ao patrimônio da sociedade operativa, reduzindo a sua carga tributária, através de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL da citada despesa. Ademais, ocorreu um mau uso da personalidade jurídica da Multimodal para atingir um objetivo que não tem afinidade com a função institucional das sociedades empresárias, que é a exploração da atividade econômica. · A Multimodal Participações Ltda não possuía investimento adquirido com ágio na Fiscalizada, posto que, conforme demonstrado acima, este originouse da transferência indevida, em operação de aumento de capital, o que certifica que a amortização efetuada não se enquadra no dispositivo legal retro colacionado. · A empresa ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, com o propósito de eximirse do pagamento do IRPJ e da CSLL, utilizou mecanismo tendente a burlar a Fazenda Pública, utilizandose dolosamente de uma "empresaveículo", sem propósito negocial e inexistente de fato, criada com o único objetivo de possibilitar o transporte do ágio, a fim de que a fiscalizada pudesse deduzir as correspondentes despesas de amortização da base de cálculo dos referidos tributos. · Com efeito, tal operação engendrada pelas empresas do Grupo ALL materializa a conduta fraudulenta, prevista no artigo 72 da Lei n° 4.502/1964, na medida em foi uma ação dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal do IRPJ e da CSLL relativo aos anos de 2009 e 2010. Fl. 3149DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.150 10 A empresa apresentou impugnação (fls. 2.282/2420), alegando em síntese que: a) O ágio como elemento contábil e societário surgiu para a MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES em 03/12/2007. Não poderia o Sr. Agente Fiscal questionar a legalidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, que surgiu, repitase, em 2007, eis que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre o fato que propiciou o surgimento do ágio em 2007 e a ciência, pela Impugnante, dos autos de infração em questão (24/09/2013). b) Com base em jurisprudência administrativa pacífica não se pode duvidar que ocorreu a decadência do direito do Fisco de questionar a legalidade dos atos societários que originaram o ágio em 2007, e, conseqüentemente, o direito ao seu aproveitamento, ainda que em momento subsequente. c) As alterações societárias adotadas pela Impugnante e por seu Grupo, deramse de forma lícita e adequada para atingir seu objetivo final, qual seja: (i) viabilizar a administração de forma eficiente dos negócios da Brasil Ferrovias S/A e Novoeste S/A, em razão da complexidade operacional e societária decorrentes da aquisição dessas companhias, bem como (ii) a implementação do transporte multimodal (o que será demonstrado de forma mais aprofundada adiante). d) Todas as operações societárias que acarretaram no aproveitamento do ágio pela Impugnante foram praticadas de forma legal e com o conhecimento dos órgãos competentes, motivo pelo qual não há como prevalecer a afirmação da Fiscalização de que tal estruturação envolve empresa veículo, sem propósito negocial, devendo, portanto, ser desconsideradas. e) As operações de transporte de carga seriam concentradas no operador multimodalidade (no caso a companhia Multimodal Participações Ltda.), a quem caberia a função essencial de integrar os diversos tipos de transportes utilizados, até a chegada da mercadoria a seu destinatário final. Nessa medida, caberia a esse operador a contratação do transporte rodoviário (na origem, no destino ou em qualquer outro momento que se fizesse necessário), dos serviços de armazém geral, do transporte ferroviário e de outras atividades meio/fim necessárias para a consecução do transporte da maneira mais rápida, eficiente e competitiva. f) A criação da Multimodal Participações e a posterior cisão e versão do ágio para as suas controladas é apenas um capítulo da história do Grupo ALL e sua tentativa frustrada de implantação do transporte multimodal. O filme visto como um todo revela que a estrutura societária criada tinha sim propósito negocial, de modo que o aproveitamento do ágio pela Impugnante foi mera decorrência do insucesso do modelo multimodal pretendido, motivo pelo qual não merecem prosperar as autuações em questão. g) O Sr. Fiscal autuante tenta imputar responsabilidades ao Grupo ALL de questões ocorridas antes da sua entrada na sociedade em questão. Tais elementos não eram de seu conhecimento. E mais, não há qualquer indicio que relacione a ALL a criação desse suposto esquema de empresas de prateleira descrito no TVF. h) Tais alegações são totalmente impertinentes e não tem qualquer relevância para o deslinde do caso concreto. Isso porque, o que é relevante para o exame do propósito negocial são os fatos ocorridos após a aquisição da J.P.E.S.P.E. Participações pelo Grupo ALL Fl. 3150DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.151 11 e não antes disso (como foi dito o Grupo ALL não integrava esta sociedade quando da sua origem). i) Outras alegações feitas no Termo de Verificação Fiscal demonstram que o trabalho da fiscalização foi totalmente superficial e focouse em questões sem qualquer relevância para o objeto da autuação fiscal. Ora, qual é a relevância em saber que os antigos proprietários da J.P.E.S.P.E. Participações (a qual, repitase, encontravase inativa como reconheceu a própria fiscalização), possuíam outras empresas no mesmo endereço se, conforme constatou o próprio Sr. Fiscal, o endereço foi alterado pela sua nova controladora? j) Todos os elementos que supostamente comprovariam a artificialidade da J.P.E.S.P.E. Participações, bem como a suposta ausência de propósito negocial, são relacionados a fatos anteriores ao seu ingresso no Grupo ALL e, portanto, não são hábeis a fazer qualquer prova do que a fiscalização quer alegar. k) O histórico das operações societárias descrito no tópico anterior revela que a criação da MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES é justificável por si só, em razão da complexidade operacional e societária das companhias adquiridas pelo Grupo ALL, uma vez que a aquisição se deu com a instauração de uma briga societária Grupo LAIF (acionista minoritário na Brasil Ferrovias), que se recusava a alienar as suas participações societárias, contrariando a intenção do Grupo ALL de consolidar seu investimento. l) Nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei n° 9.611/98, há necessidade de um "Operador de Transporte Multimodal", o qual será o único responsável pela gestão do transporte desde a origem até o destino. Assim, não resta qualquer dúvida de que para que fosse possível a implementação do transporte multimodal era necessário, por imposição legal, a utilização de empresa dedicada a operação do sistema em comento (no caso a empresa MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES), a qual ficaria responsável pela coleta e entrega da mercadoria até o destinatário final. m) A multimodalidade no transporte de cargas existia apenas no contexto operacional, ou seja, do ponto de vista documental não houve evolução, obrigando o operador multimodal a manter várias estruturas separadas para a emissão dos documentos fiscais nas diversas modalidades de transporte a serem executadas. n) Como não aconteceu o avanço que se esperava na documentação do transporte multimodal de cargas, a estrutura que se pensava para a operacionalização eficaz do transporte começou a não fazer sentido. o) Desta forma, a ALL repensou seu formato operacional, mantendo as operações ferroviárias centralizadas em cada uma das concessionárias de transporte – inclusive, na sequência, a própria operação de transporte rodoviário deixou de ser uma opção para o complemento do transporte ferroviário e a empresa acabou optando por integrar a sua operação rodoviária a outros grupos especializados no setor, mantendo o seu foco operacional apenas no transporte ferroviário de cargas. p) Em razão disso, foi eliminada da estrutura societária criada para viabilizar o transporte multimodal (nos termos da Lei n° 9.611/98), por meio da cisão total Multimodal Participações e versão de seu patrimônio nas companhias ALL MALHA OESTE, ALL MALHA PAULISTA e ALL MALHA NORTE (ora Impugnante). Fl. 3151DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.152 12 q) A frustração do plano de atuação do Grupo ALL no sistema de transporte multimodalidade justifica a ausência de funcionários na Holding (apontada pelo fiscal como elemento de que a MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES nunca teria existido de fato). Isso porque, no momento em que se encontrava o projeto em questão, os próprios sócios conseguiam absorver diretamente as necessidades operacionais da empresa. r) A cisão em questão implicou na redução de custos para a ALL, conforme se pode verificar na nota explicativa 31.3, das suas demonstrações financeiras. s) A teoria do propósito negocial sequer seria aplicável ao presente caso concreto, pois se trata da simples aplicação dos artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/97, verdadeiras normas indutoras do comportamento dos contribuintes (hipótese legal expressa para casos como o presente). t) Admitindose os pressupostos dessa doutrina mais restrita (o que se faz apenas a título argumentativo), ainda assim encontramse presentes o motivo, a finalidade e congruência dos atos em cada uma das operações realizadas pelo Grupo ALL, pelo que não se pode admitir o entendimento do Sr. Agente Fiscal. u) Todos os atos praticados tiveram por motivo: a aquisição de sociedades no segmento de transporte ferroviário (Brasil Ferrovias S/A e Novoeste S/A) e expansão das suas atividades operacionais. v) A finalidade da operação foi: criar uma estrutura operacional que permitisse contemplar os interesses societários do Grupo ALL e possibilitar a gestão dos negócios no sistema de transporte multimodal. w) Todos os atos societários praticados inseremse congruentemente, neste contexto da aquisição de empresas e implementação da operação do transporte de carga multimodal, sendo que o motivo e a finalidade dos negócios jurídicos não foram predominantemente tributários. x) O último limite ao "planejamento tributário" consiste na análise da operação no contexto empresarial e na verificação de sua coerência com as estratégias e os planos futuros do empreendimento como um todo. Este último limite, contudo, não é aceito sequer por Marco Aurélio Greco, pois entende que este modelo "não está consolidado na experiência brasileira”. De qualquer forma, apesar de sua inaplicabilidade no nosso ordenamento jurídico, ressaltese que as operações ocorridas encontramse claramente inseridas no planejamento estratégico do Grupo ALL. y) O Grupo ALL possuía um planejamento estratégico claro e definido. Seu objetivo era realizar o transporte de carga integrando as malhas rodoviária e ferroviária, em sistema denominado "Transporte Multimodal de Cargas". Para tanto, como já foi demonstrado nos tópicos anteriores da presente impugnação, fezse necessário a concentração da operação em questão em uma empresa responsável pela operação do transporte multimodal (arts. 2° e 3° da Lei 9.611/98). A empresa escolhida para essa função foi justamente a J.P.E.S.P.E., a qual teve a sua razão social alterada para MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES. z) Mesmo após a adição de mais um limite à aplicação da doutrina e jurisprudência mais restritas, a presente operação seria válida, uma vez que (i) está demonstrada claramente a congruência entre o motivo e a finalidade da operação pretendida Fl. 3152DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.153 13 pelo Grupo ALL, que não era predominantemente tributária (gerar economia fiscal); e (ii) as operações realizadas inseremse evidentemente no contexto do planejamento estratégico do Grupo ALL. aa) O E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem consistentemente rejeitando as constantes tentativas das Autoridades Fiscais de atribuir às empresas veículo a característica de abuso, aceitando a existência de tais sociedades nas estruturações societárias que envolvam aproveitamento do ágio, desde que da utilização destas não resulte uma economia tributária que, de outra forma, não seria devida. São diversos os casos já julgados pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos quais se entendeu que a utilização de empresas holding ("empresas veículo") não é motivo para tornar inválida a amortização fiscal do ágio. bb) No presente caso é possível se distinguir dois fatos jurídicos distintos e autônomos de aquisição das ações da Brasil Ferrovias S/A e da Novoeste Brasil S/A: (i) FATO JURÍDICO 1; aquisição, pela ALL América Latina Logística, das ações de Brasil Ferrovias S/A e Novoeste S/A em operação de incorporação de ações , pelo valor de R$ 2.512.083.080,00 (custo de aquisição); (ii) FATO JURÍDICO 2: aquisição, pela Multimodal Participações Ltda., das ações de Brasil Ferrovias S/A e Novoeste S/A, por meio da conferência em integralização de capital pela ALL América Latina Logística no valor de R$ 2.512.083.080,00 (custo de aquisição na conferência de ações). cc) No presente caso, foi feita uma conferência de bens em integralização de capital. Os bens conferidos em integralização foram as ações que a ALL possuía de Brasil Ferrovias e Novoeste. A questão controversa que se coloca é: qual o valor desse bem a ser conferido em integralização de capital? dd) Do ponto de vista da legislação societária, verificase que não há qualquer restrição à integralização da participação societária por seu valor avaliado em dinheiro. ee) O valor conferido às ações no ato de integralização de capital correspondia ao valor efetivamente pago pela ALL pelas ações adquiridas de Brasil Ferrovias e Novoeste junto a terceiros. Nesse sentido, do ponto de vista econômico, este era o único valor a ser atribuído às ações na integralização de capital, sob pena de se gerar perdas de capital para a ALL. ff) A legislação fiscal admite a integralização de capital pelo valor de custo de aquisição ou de mercado, nos moldes em que descrito anteriormente. Com efeito, tendo em vista que a integralização de capital é uma hipótese de alienação do investimento, ela deverá produzir os correspondentes efeitos fiscais, conforme seja utilizado um critério ou outro (custo de aquisição ou mercado que no presente caso é o mesmo). gg) O aproveitamento fiscal do ágio, como ocorre no presente caso, representa a mera fruição de um tratamento fiscal previsto em lei (artigo 386 do RIR/99) e não planejamento tributário. Tratase de uma operação societária, que possui todos os requisitos legais, motivação econômica e coerência das estruturas adotadas com a finalidade pretendida. hh) Como se pode verificar dos lançamentos contábeis da Impugnante (cópia do RAZÃO contábil doc. 10), durante o ano de 2010 foram realizados os registros das despesas de amortização do ágio. Ocorre que também foram realizados registros das receitas de Fl. 3153DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.154 14 reversões da PROVISÃO CVM 319349, motivo pelo qual o efeito fiscal nas demonstrações contábeis foi nulo (considerando esses lançamentos em conjunto). ii) Conforme se verifica das informações constantes do LALUR da Impugnante (doc. 11), o efeito fiscal verificado foi de apenas R$ 16.150.469,51 uma vez que foi apenas este valor excluído para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. jj) Como se pode perceber dos autos de infração lavrados contra a Impugnante, o Sr. Agente Fiscal, ao realizar o lançamento de ofício, efetuou a tributação do valor de R$ 19.505.387,96, o que não corresponde ao valor excluído no LALUR pela Impugnante. kk) Deve esta E. Turma Julgadora, em observância ao princípio da verdade material, sanar o equívoco cometido pelo Sr. Agente Fiscal, determinando a exclusão das bases do IRPJ e da CSLL do valor de R$ 3.354.918,45 lançado a maior. ll) Destaquese, portanto, a fragilidade das alegações dos Srs. Agentes Fiscais no que tange à aplicação da multa agravada. Isto porque, pretendem imputar uma conduta criminosa à Impugnante sem nenhuma comprovação ou demonstração dos atos praticados, mencionando apenas a suposta existência de empresas veículo e a suposta ausência de propósito negocial (fatos não tipificados como crime no ordenamento jurídico brasileiro). mm) Pela simples leitura do Termo de Verificação de Infração, notase que não foi feita qualquer prova da suposta conduta ilícita praticada pela Impugnante, motivo suficiente ao cancelamento da penalidade agravada. Apesar da ausência de provas indispensáveis à tipificação dos fatos e à manutenção da multa agravada restará demonstrada, a seguir, a ausência de conduta típica pela Impugnante e a impossibilidade de manutenção da multa agravada lançada. nn) Quem age com intuito de fraude realiza operações proibidas, não as escritura em seus registros comerciais e fiscais e, quando fiscalizado, não entrega a documentação solicitada, procurando sob todas as formas ocultar essas operações. E mais, adultera documentos, se utiliza de documentos calçados e paralelos, pessoas inexistentes ou "laranjas" e de documentos falsos e inidôneos. oo) A Impugnante prestou informações e forneceu documentos à Fiscalização, sem retardar, impedir, atrapalhar, nem confundir o trabalho fiscal; todos os atos societários foram devidamente registrados e arquivados nas respectivas Juntas Comercias e ainda, a Impugnante sempre diligenciou da melhor forma possível para conferir a maior transparência nas informações referentes à operação, tendo em vista tratarse de uma companhia de capital aberto com ações negociadas no Novo Mercado. pp) Não restou comprovada qualquer prática dolosa pela Impugnante, não houve fraude ou sonegação, fatores necessários à imposição da multa agravada, razão pela qual deve essa E. Turma Julgadora cancelar os lançamentos correspondentes à aplicação do percentual de 150% incidente sobre os valores glosados decorrentes da amortização do ágio. qq) Na realidade, o legislador ao determinar a base de cálculo da CSLL de forma exaustiva (numerus clausus), fixando, taxativa e individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis (artigo 2º e §§, da Lei n° 7.689/88 citado, inclusive, pelo Sr. Agente Fiscal), não Fl. 3154DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.155 15 elencou, como hipótese de adição ao lucro líquido, o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. rr) Tendo em vista que o ordenamento foi silente quanto à adição da parcela do ágio ao lucro líquido, não cabe à Autoridade Fiscal exigir o que a lei não exige. De fato, o tributo só pode ser exigido quando ocorrer a efetiva subsunção do fato à norma tributária e, somente assim, poderia se falar em ocorrência do fato jurídico tributário. ss) Uma eventual despesa que tenha integrado o lucro líquido somente será considerada indedutível da base de cálculo da CSLL caso haja previsão expressa em lei para este tributo o que não ocorre para o caso específico. tt) Mesmo que se considere a amortização fiscal do ágio indedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ no presente caso, o que se admite apenas a título argumentativo, é possível concluir que o lançamento de CSLL, objeto do presente processo administrativo, não possui fundamento legal, ou seja, afronta um dos mais importantes princípios norteadores do Direito Tributário, qual seja o Princípio da Legalidade, motivo que enseja o cancelamento do auto de infração em comento. uu) A multa isolada, prevista atualmente no inciso II, alínea "b" do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, com a redação conferida pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/07, diferentemente do que entendeu a Autoridade Fiscal, somente pode ser exigida caso o Fisco verifique a falta de recolhimento dos tributos, ou recolhimento insuficiente, com base em estimativas mensais, antes do término do anobase. vv) Como os autos de infração, objeto do presente processo, foram lavrados após o encerramento dos anosbase de 2009 e 2010, eventuais insuficiências de recolhimento do IRPJ e da CSLL não mais poderão ser punidas pela exigência da multa isolada, conforme já decidiu reiteradas vezes o antigo Conselho de Contribuintes. ww) Analisandose os autos de infração lavrados, verificase que há cobrança cumulativa da multa isolada com a multa de ofício, sobre os mesmos valores supostamente devidos a título de IRPJ e da CSLL, o que não pode ser admitido. xx) Devese frisar que se trata, no presente caso, de dupla incidência sobre a mesma materialidade, uma vez que os valores adicionados pela Fiscalização nas bases mensais, para cálculo da multa isolada pela suposta falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e de CSLL, foram os mesmos incluídos no cálculo do ajuste anual para a cobrança da multa de ofício sobre os valores supostamente não recolhidos desses tributos. yy) A impossibilidade da cumulação de multas em debate já é assunto com posicionamento pacífico no Conselho Administrativo de Recurso Fiscais. Nesse sentido, citese o entendimento manifestado, por unanimidade de votos, no Acórdão n° 140100.021, proferido pela Primeira Turma Ordinária, da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento. zz) No Termo de Verificação Fiscal há um tópico destinado exclusivamente à indicação "DAS PESSOAS LIGADAS AOS FATOS". No referido tópico, são listados nomes de diretores de empresas do Grupo ALL, sem tecer quaisquer comentários acerca dos motivos que levaram a fiscalização a elaborar tal listagem ou dos critérios utilizados para a escolha das pessoas que estão ali arroladas. Fl. 3155DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.156 16 aaa) Tendo em vista que não foi apresentado por parte da fiscalização qualquer elemento de fato e de direito que tenha levado a elaboração da listagem em questão, o ato administrativo em questão é ilegítimo. bbb) Nessa medida, cabe a esta Turma Julgadora manifestarse acerca da ilegitimidade do ato administrativo em questão, bem como determinar a invalidade da listagem "DAS PESSOAS LIGADAS AOS FATOS", a qual, como foi demonstrado, fez parte indevidamente do Termo de Verificação Fiscal que acompanhou os autos de infração lavrados contra a Impugnante. ccc) Demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5o, II, e 37 da Constituição Federal. O responsável solidário ALL – América Latina Logística S/A também apresentou impugnação, nos seguintes termos: a) Ratifica os argumentos apresentados na impugnação apresentada por ALL Malha Norte. b) O Sr. Agente Fiscal não traz qualquer fundamentação fática que demonstre os motivos que levaram a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária. c) A imputação de responsabilidade solidária à ora Impugnante criou dever (de pagar tributo caso a obrigação não venha a ser cumprida pelo devedor principal) e impôs sanção (de adimplir a multa se esta não for paga pelo contribuinte). Por isso, o Termo de Sujeição Passiva Solidária deveria conter não só o dispositivo legal que suportaria a suposta responsabilidade solidária da Impugnante, como também os fatos que levaram à Fiscalização por assim concluir. d) Nem se alegue que a menção feita ao Termo de Verificação Fiscal supriria tal deficiência. Isso porque, como será visto no próximo tópico, no aludido Termo não há nem sequer uma palavra que leve a conclusão de que a Impugnante teria interesse comum na situação que constitui o fato gerador. e) Por isso, aplicandose as premissas acima firmadas ao presente caso, é de rigor o reconhecimento da nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária, já que sua motivação está deficientemente fundamentada. f) Em um primeiro momento poderseia entender que, no presente caso, estamos diante de uma situação exatamente como as descritas nos trechos acima, isto é, pessoas jurídicas que, por suas relações societárias, estariam, supostamente, no mesmo polo da relação jurídicotributária, e possuiriam um interesse comum que poderia dar azo à responsabilização solidária. g) No entanto, devese notar que eventuais vínculos societários entre a contribuinte autuada (ALL Malha Norte) e a Impugnante não são indicadores necessários e suficientes de que existe um interesse comum entre elas, para fins de aplicação do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Fl. 3156DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.157 17 h) O mero e eventual interesse fático de uma determinada parte não é suficiente para caracterizar o interesse comum previsto no artigo 124,1, do Código Tributário Nacional para fins de adoção do instituto da responsabilidade solidária. i) Devese diferenciar o interesse simplesmente convergente do interesse comum, que é aquele que se consubstancia quando as partes envolvidas estão situadas no mesmo polo de uma relação jurídica de direito privado, a qual é fato gerador da obrigação tributária. j) As empresas de um mesmo grupo econômico não terão, necessariamente, interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal. k) Caso se admita a ideia de que todo aquele que possui algum interesse de fato na situação que constitui fato gerador da obrigação principal deve ser solidariamente responsabilizado, chegarseia ao absurdo de responsabilizar tributariamente os empregados de todas as empresas do grupo econômico, bem como seus credores. l) É certo que as empresas que possuem vínculos societários, embora tenham como interesse convergente na obtenção do lucro pelo grupo como um todo, não possuem o chamado interesse comum para fins de responsabilização solidária nos termos do artigo 124,1, do Código Tributário Nacional. m) No caso concreto, para que restasse caracterizado o interesse comum da Impugnante, necessário seria que fosse efetivamente demonstrado pela fiscalização que o benefício advindo da amortização fiscal do ágio ora em discussão fosse aproveitado também por ela. O Sr. Fiscal autuante não anexou aos autos qualquer prova nesse sentido e tampouco fez qualquer menção a fatos que levassem a essa conclusão. Assim, não há que se falar em interesse comum no presente caso! n) A Impugnante não tem qualquer relação de interesse jurídico no que diz respeito ao fato gerador do IRPJ e da CSLL devidos pela ALL Malha Norte. Por essa razão, ainda que se entenda que a amortização fiscal do ágio na ALL Malha Norte não foi legítima o que apenas se admite a título argumentativo fato é que a Impugnante não possuía qualquer interesse em tal amortização/dedução, pelo simples fato de não fazer parte da relação jurídico tributária relativa ao IRPJ e à CSLL de que a ALL Malha Norte é contribuinte. A DRJ/SÃO PAULO I, decidiu a matéria consubstanciada no acórdão 16 58.108, de 22/05/2014, julgando improcedente a impugnação apresentada, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 FATOS CONTABILIZADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. Fl. 3157DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.158 18 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA.IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para fruição do tratamento fiscal previsto nos arts. 7º e 8° da Lei nº 9.532/1997 nos casos em que ocorre transferência do ágio pago pela adquirente para outra empresa que será posteriormente extinta por incorporação reversa. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a sucessão de operações societárias sem qualquer finalidade negocial que resulte em incorporação de pessoa jurídica em cuja contabilidade constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, com utilização de empresa veículo, unicamente para criar de modo artificial as condições para aproveitamento da amortização do ágio como dedução na apuração do lucro real e da contribuição social. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido é cabível a imposição da multa qualificada. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.CABIMENTO. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/96. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora são devidos sobre os tributos e a multa de ofício desde o seu lançamento. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. Fl. 3158DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.159 19 A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção da exigência fiscal decorrente dos mesmos fatos. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do ato administrativo quando o sujeito passivo exerce plenamente o seu direito de defesa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONFIGURAÇÃO. São solidariamente obrigados as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Os recursos voluntários interpostos pela empresa autuada (All América Latina Malha Norte) e pela responsável tributária solidária (All América Latina Logística S/A), são tempestivos e assentes em lei. Deles conheço. Como visto do relatório trata o presente processo administrativo de autos de infração lavrados para a cobrança do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica ("IRPJ") e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ("CSLL"), relativos aos anosbase de 2009 e 2010, cumulados com juros de mora e multas qualificada e isolada pela suposta falta de recolhimento de estimativas mensais, no valor total de R$ 15.957.249,86. Extraise do Termo de Verificação Fiscal ("TVF"), que acompanhou os aludidos autos de infração, que a Recorrente amortizou indevidamente o ágio pago na aquisição das companhias Brasil Ferrovias S/A ("BF") e Novoeste Brasil S/A ("NO"), em razão da ausência de razões econômicas ou negociais para a criação da "empresa veículo" Multimodal Participações Ltda. ("MULTIMODAL") utilizada unicamente para a transferência do ágio da ALL América Latina Logística para as companhias operacionais ALL América Latina Logística Malha Paulista, ALL América Latina Logística Malha Oeste e ALL América Latina Logística Malha Norte (ora Recorrente). As peças recursais, em síntese, ratificam as argumentações iniciais (impugnação), nos seguintes tópicos: A ALL AMÉRICA LATINA MALHA NORTE DAS PRELIMINARES 1) "Preclusão"/Decadência da Possibilidade do FISCO Questionar a Legalidade dos Atos Societários que Deram Origem ao Ágio. 2) Da Iliquidez e Incerteza do Crédito Tributário. Necessidade de Reforma da Decisão e Consequente Cancelamento da Integralidade das Autuações. Erro na Apuração da Base Fl. 3159DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.160 20 de Cálculo do IRPJ e da CSLL Quando da Glosa dos Valores Correspondestes às Despesas com Amortização do Ágio no AnoBase 2010. 3) Do Segundo Erro Verificado Desconsideração dos Efeitos da Redução da Base de Cálculo do IRPJ em Razão do Benefício Fiscal da SUDAM. 4) Da Nulidade Do Acórdão da DRJ. Inovação Quanto ao Fundamento do Auto de Infração. DO DIREITO 5) Da Efetiva Operação Realizada. Aquisição de Participações Societárias com Ágio entre Partes Independentes. 6) Demonstração do Propósito Negocial para a Concentração da Gestão do Sistema de Transporte Multimodalidade na Holding MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES (Antiga J.P.E.S.P.E. Empreendimentos e Participações). 7) Da Teoria do Propósito Negocial. Aplicabilidade às Operações Praticadas. Motivo, Finalidade e Congruência. Coerência com o Planejamento Estratégico do Empreendimento Econômico Liberdade Individual dos Contribuintes. 8) "Ad Argumentandum" — Validade da Suposta Empresa Veículo. 9) Da Legitimidade da Aquisição do Investimento com ágio pela ALL LOGÍSITCA e Posterior Aproveitamento da sua Dedutibilidade Fiscal Pela Recorrente. 10) Da Inexistência de Fraude, Sonegação ou Conluio Impossibilidade de Aplicação da Multa Agravada. 11) AdArgumentandum Da Inexistência de Previsão Legal Para a Adição, à Base de Cálculo da CSLL, da Despesa com a Amortização de Ágio Considerada Indedutível pela Fiscalização. 12) Da Impossibilidade da Cobrança da Multa Isolada em Razão da Falta de Recolhimento do IRPJ e da CSLL por Estimativa. 13) Da Impertinência da Indicação de Pessoas Supostamente Ligadas aos Fatos Falta de Motivação do Ato Administrativo. 14) Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa Passo a análise. Como preliminar, inicialmente, a recorrente insurgese contra a decisão da Turma Julgadora a quo que decidiu no sentido de que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial seria contado a partir do início da sua amortização (ano calendário 2009) e não quando da apuração do ágio (ano calendário 2007). Com relação a decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.161 21 apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da sua amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. Assim, o prazo decadencial deve ter como referência o período de apuração onde tenha ocorrido a amortização/dedução. No caso sob exame, a amortização iniciouse no ano calendário de 2009, como a ciência dos autos deuse em 24/09/2013, rejeito a preliminar da decadência conforme suscitada. Ainda em preliminar alega a ora recorrente iliquidez e incerteza do crédito tributário, aduzindo que os erros cometidos pela Autoridade Fiscal lançadora comprometeram, em substância, a constituição do crédito tributário, não estando as Autoridades Julgadoras autorizadas a promover alteração da base de cálculo, por entender que tal providência representaria inovação ao lançamento original. Neste ponto, como bem assinalado no voto condutor recorrido, a fiscalização constituiu o crédito tributário sobre o valor total das amortizações de ágio registradas na contabilidade, conta do Razão 4142109 (fls. 2705), no montante de R$ 19.505.387,96. Sendo que a recorrente excluiu no LALUR a título de realização da provisão de ágio (conta 1310349 4142109) o valor de R$ 16.150.469,51. A recorrente alega que o correto teria sido glosar a exclusão efetuada no LALUR.. Da leitura dos autos constatase que a diferença no valor de R$ 3.354.918,45 apurada pela fiscalização diante dos registros no livro LALUR restou assim assinalada no Relatório Fiscal integrante do auto de infração: "Em razão de ter sido comprovada, pelos motivos já relatados, a indedutibilidade fiscal das despesas com a amortização de ágio do sujeito passivo, as exclusões destas, efetuadas nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL, relativas aos exercícios de 2009 e 2010, foram glosadas pela fiscalização. Em razão de incongruências constante no Livro de Apuração do Lucro Real/LALUR do ano calendário de 2010, posto que a conta 1310349 4142109 "Exclusão realização provisão ágio" passou de R$ 18.159.515,50 em 10/2010 para R$ 14.804.597,05 em 11/2010, sendo que os valores acumulados mensalmente, foram considerados, nesse ano, o total das amortizações registradas na contabilidade, como segue: VALOR NA CONTABILIDADE EXCLUSÕES NO LALUR AC/2009 R$ 1.240.490,06 AC/2009 R$ 1.240.490,06 AC/2010 R$ 19.505.387,96 AC/2010 R$ 16.150.469,51 A peça recursal traz aos autos simples cópia da conta Razão 1310348 referente à Provisão/Ágio CVM319 no valor de R$ 16.150.469,51, e conta Razão 1310346 referente à Amortização do Ágio, no mesmo valor. O fato é que, constatase do Livro LALUR (Parte A), ano calendário 2010, lançamentos "Exclusões Realização Provisão Ágio Conta 1310349 4142109" com saldos acumulados em janeiro/R$ 1.815.951,55; fevereiro/R$ 3.631.903,10; março/R$ 5.447.854,65; abril a setembro/R$ 7.623.904,91; outubro/R$ 18.159.515,50 (total acumulado) e, no mês de Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.162 22 novembro valor total reduzido para o valor de R$ 14.804.597,05 (R$ 18.159.515,50 R$ 14.804.597,05 = R$ 3.354.918,45 diferença não justificada). Portanto, concluise, quanto às diferenças na apuração das bases de cálculo a recorrente não trouxe aos autos novos elementos além daqueles apresentados quando da impugnação e já considerados pela decisão recorrida, ou seja, o valor considerado como exclusão indevida referente a amortização de ágio é o registrado na contabilidade no montante de R$.19.505.387,96. O lançamento, nessa parte, não merece reparos. Outro ponto de discórdia, trazido na peça recursal, diz respeito a alegação por parte da ora recorrente de um segundo erro, qual seja, "Desconsideração dos Efeitos da Redução da Base de Cálculo do IRPJ em Razão do Benefício Fiscal da SUDAM". Matéria esta não trazida aos autos na impugnação apresentada, portanto, resta incontroversa no âmbito administrativo, pois, não há que se conhecer, somente em grau recursal, matéria não discutida em primeira instância, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição. Em última preliminar a defesa invoca a nulidade do Acórdão alegando que a DRJ teria inovado em questões que não foram abordadas pela fiscalização. Transcrevo, a seguir, fragmento do seu entendimento. "Porém, como se pode perceber da leitura do acórdão recorrido, fica claro que os Ilmos. Julgadores só não reconheceram a existência de propósito negocial na inserção da empresa MULTIMODAL nos quadros societários do Grupo ALL, pois não seria possível que aquela sociedade exercesse a gerência do sistema de transporte multímodalidade, por ser uma holding pura (fls. 31 do acórdão). Contudo, esse elemento jamais foi considerado pela fiscalização, a qual, como foi demonstrado na impugnação, já tinha ciência de que a MULTIMODAL tinha sido constituída para ser a operadora do sistema de multímodalidade. Dessa forma, deve a autoridade julgadora solucionar a lide com base nos argumentos que lhe foram submetidos pelas partes, sendolhe vedado apresentar novos fundamentos para justificar a providência adotada pelo agente enunciador do lançamento. Assim uma vez constituído o crédito tributário baseado em determinado critério jurídico, cabe à autoridade julgadora, apenas a declaração da total improcedência do lançamento ou da sua procedência." Constatase, claramente, que a argumentação da decisão recorrida não alterou o fundamento do auto de infração. A fiscalização glosou a exclusão ao fundamento, entre outros, pela ausência de propósito negocial da empresa Multimodal, descrevendo no Relatório Fiscal o seguinte: O Modus Operandi é basicamente o mesmo: pessoas físicas constituem empresas, geralmente com o objeto social de "holdings", sem nenhum propósito negocial próprio, que são, em curto lapso temporal, adquiridas por outras pessoas, físicas e/ou jurídicas a fim de atender unicamente aos interesses dessas últimas, como por exemplo, a redução da carga fiscal mediante operações de reorganização societária. A criação das referidas sociedades "casca" já é premeditado, pois estas só possuem razão de ser após a transferência de suas propriedades para as reais interessadas. Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.163 23 Da leitura dos autos, vêse que o lançamento deixa claro que a indedutibilidade do ágio decorre da circunstância de que as operações societárias que lhe deram origem não envolverem uma despesa prévia, tornandoo sem lastro. A autoridade julgadora de primeira instância manifestouse na mesma linha, ainda que usando outras palavras. Assim, não houve alteração do fundamento do lançamento. Isto posto, também, rejeito a preliminar de nulidade da decisão suscitada. Superadas as argüições preliminares, passase à apreciação do mérito. Inicialmente, de se recordar que a acusação fiscal no presente processo, em síntese, está relacionado ao entendimento da Administração Tributária que as operações questionadas foram realizadas com a utilização de empresa veículo e sem qualquer fundamento econômico ou propósito negocial, cujo único intuito era transferir o ágio da ALL América Latina Logística para a Recorrente (Malha Norte). A interessada/recorrente apresenta extensa peça de defesa historiando a questão do ágio nos aspectos contábeis e principalmente fiscais, inclusive no que se refere aos requisitos para a dedutibilidade que, sustenta, foram todos por ela cumpridos. Sustenta, inicialmente, que houve "Efetiva Operação com Aquisição de Participações Societárias com Ágio entre Partes Independentes". Aduz, neste ponto, em síntese que: "Portanto, a criação da Multimodal Participações e a posterior cisão e versão do ágio para as suas controladas é apenas um capítulo da história do Grupo ALL e sua tentativa frustrada de implantação do transporte multimodal. O filme visto como um todo revela que a estrutura societária criada tinha sim propósito negocial, de modo que o aproveitamento do ágio pela Recorrente foi mera decorrência do insucesso do modelo multimodal pretendido, motivo pelo qual não merecem prosperar as autuações em questão, devendo ser reformado o acórdão ora recorrido." E, mais: "Resta claro que todos os elementos que supostamente comprovariam a artificialidade da J.P.E.S.P.E. Participações, bem como a suposta ausência de propósito negocial, são relacionados a fatos anteriores ao seu ingresso no Grupo ALL e, portanto, não são hábeis a fazer qualquer prova do que a fiscalização quer alegar." A autoridade fiscal relata os seguintes fatos, que em resumo, peço licença para reprisálos: ORIGEM DO ÁGIO O ágio sob enfoque teve origem em operação de reorganização societária efetivada em 2006, consubstanciada na incorporação da totalidade das ações emitidas pela empresa BRASIL FERROVIAS S.A., CNPJ 02.457.269/000150 bem como da sua subsidiária integral a NOVOESTE BRASIL S.A, pela ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, CNPJ 02.387.241/000160, fundamentado, conforme disposto no Fato Relevante conjunto datado de 31/05/2006, em razão dos valores Fl. 3163DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.164 24 econômicos das ações objeto da incorporação, serem superiores aos respectivos valores de patrimônio líquido contábil. TRANSFERÊNCIA DO ÁGIO A amortização do ágio em comento, sob o ponto de vista fiscal, não seria vantajosa para a holding ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, CNPJ n° 02.387.241/000160, já que suas despesas e receitas advêm, via de regra, de equivalência patrimonial, que são neutras tributariamente. Assim, foram executados os procedimentos a seguir arrolados, para efetuar a transferência do ágio para as empresas operacionais: a) Em 03/12/2007, a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, CNPJ n° 02.387.241/000160 (ALL), juntamente com a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n° 07.749.207/000102 (ALL Participações), adquiriram a empresa J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA e integralizaram o capital social (ainda apenas subscrito), em moeda corrente, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais); 499 quotas da ALL e 01 quota da ALL Participações (quota esta posteriormente cedida para a ALL); b) Na mesma data da aquisição, resolveram aumentar o capital social de R$ 500,00 (Quinhentos reais) para R$ 2.512.083.580,00 (dois bilhões, quinhentos e doze milhões, oitenta e três mil, quinhentos e oitenta reais), aumento subscrito e integralizado pela ALL, mediante a conferência da totalidade das ações da BRASIL FERROVIAS S/A, e NOVOESTE BRASIL S/A. c) 25/07/2008, a J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ n° 09.085.491/000191, incorporou, a valor patrimonial contábil, as empresas BRASIL FERROVIAS S.A., CNPJ n° 02.457.269/000127, NOVOESTE BRASIL S.A., CNPJ n° 07.593.583/000150 e NOVA FERROBAN S/A, CNPJ n° 04.004.203/000107. d) Em 29/10/2008, as denominações sociais das companhias foram alteradas, passando de Ferrovias Bandeirantes S/A (FERROBAN S/A) para ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA PAULISTA S/A; de Ferrovia Novoeste S/A (NOVOESTE S/A) para ALLAMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA OESTE S/A e de Ferronorte S/A Ferrovias Norte Brasil (FERRONORTE S/A) para ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A e) Em 5/11/2009, a MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA (nova denominação social da J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA) incorporou a NOVA BRASIL FERROVIAS S/A, CNPJ n° 09.371.732/000162, com patrimônio líquido contábil de R$ 169.502.379,49 (cento e sessenta e nove milhões, quinhentos e dois mil, trezentos e setenta e nove reais e quarenta e nove centavos), igual ao investimento detido pela Incorporadora, cujo capital social permaneceu, pois, inalterado. f) Em 30/11/2009, encerrando a operação, foi aprovada a cisão total da empresa MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA, sendo vertidas as parcelas de seu patrimônio líquido cindido (valor contábil) para a ALL Malha Oeste, ALL Malha Paulista e ALL Malha Norte. No caso específico da ALL Malha Norte, o acervo líquido incorporado no valor de R$ 395.405.821,85 (trezentos e noventa e cinco milhões, quatrocentos e cinco mil, oitocentos e vinte e um reais e oitenta e cinco centavos), correspondeu exclusivamente à participação que a cindida detinha em seu capital social, motivo porque não houve aumento do mesmo. Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.165 25 Assim, com a cisão total da Multimodal, o valor integral do ágio existente foi transferido para cada sociedade controlada, cabendo à ALL Malha Norte o montante de R$ 2.050.356.234,91 (dois bilhões, cinqüenta milhões, trezentos e cinqüenta e seis mil, duzentos e trinta e quatro reais e noventa e um centavos). A transferência do ágio da ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICAS/A, CNPJ n° 02.387.241/000160, para a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A,CNPJ n° 24.962.466/000136, com passagem pela empresa MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA,CNPJ n° 09.085.491/000191, é totalmente descabida e inaceitável, pois tal operação somente seria possível em caso de fusão, cisão ou incorporação, com a conseqüente extinção das empresas fusionadas, cindidas ou incorporadas, o que não ocorreu no caso presente, O ágio em comento foi transferido em uma operação de aumento de capital, realizado pela ALL América Latina Logística S/A,na empresa Multimodal Participações Ltda (então denominada J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA). Ainda que fosse lícito o aproveitamento do ágio pela fiscalizada, tal operação não poderia ter sido engendrada porquanto a empresa MULTIMODAL PARTICIPAÇÕES LTDA malgrado ter sido formalmente constituída de acordo com a legislação vigente, não possuiu nenhum propósito negocial, tendo sido criada tão somente com o propósito de possibilitar a dedução indevida das despesas com a amortização do ágio gerado na operação de incorporação das ações da Brasil Ferrovias S/A e da Novo Oeste Brasil S/A pela AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Como visto, resta claro, que no caso dos autos, a adquirente da Brasil Ferrovias e da Novoeste foi a ALL – Logística e não a Multimodal Participações, ao passo que foi esta última, e não a ALL Logística, quem absorveu o patrimônio das empresas adquiridas. Aqui, por pertinente, convém salientar em breve resumo os contornos que envolveram a criação da empresa Multimodal Participações Ltda (descritos no relatório). Criada em 15/08/2007, sob a denominação social de J.P.E.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA), como sócias as advogadas Sras. Adriana Vechies Salvini e Linéia Mathias, com sede na Rua Pamplona, 818 9o. andar e com capital social de R$ 500,00 (a integralizar). Essas mesmas pessoas físicas (sócias) constam como responsáveis legais por 68 CNPJs (Adriana) e 83 CNPJs (Linéia), tendo como séde o mesmo endereço (Rua Pamplona, 818). Ressaltese, que quatro meses após a constituição da sociedade as sócias retiramse da mesma cedendo lugar para novas sócias as empresas ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A e a ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA PARTICIPAÇÕES LTDA, aumentando o capital da então J.P.E.S.P.E EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA para o elevado montante de R$ 2.512.083.580.00 (dois bilhões, quinhentos e doze milhões, oitenta e três mil, quinhentos e oitenta reais), o qual foi totalmente subscrito e integralizado pela primeira, mediante a totalidade das ações ordinárias e preferenciais representativas do capital social da Brasil Ferrovias S/A., e da Novoeste Brasil S/A. Tal fato já começa a evidenciar a artificialidade e a falta propósito negocial da Multimodal. Ou seja, o Modus operandi é basicamente o mesmo: pessoas físicas constituem empresas, geralmente com objeto social de "holdings", sem nenhum propósito negocial próprio, que são, em curto lapso temporal, adquiridas por outras pessoas, físicas e/ou jurídicas a fim de atender unicamente aos interesses dessas últimas, como por exemplo, a redução da carga fiscal mediante operações de reorganização societária. A criação das referidas Fl. 3165DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.166 26 sociedades "casca" já é premeditado, pois estas só possuem razão de ser após a transferência de suas propriedades para as reais interessadas, observese que não foi apresentado nenhum documento provando qualquer atividade operacional destas empresas. Enfim, da argumentação fiscal cabe destacar, inicialmente, as referências à finalidade da Lei n° 9.532/1997, e a interpretação de nela existir a imposição de que a incorporação resulte na extinção do investimento adquirido com ágio, para que sua amortização gere efeitos imediatos na apuração do lucro tributável. A recorrente, de seu lado, também aborda os objetivos da Lei n° 9.532/97 afirmando "que as alterações societárias adotadas pela Recorrente e por seu Grupo, deramse de forma lícita e adequada para atingir seu objetivo final, qual seja: (i) viabilizar a administração de forma eficiente dos negócios da Brasil Ferrovias S/A e Novoeste S/A, em razão da complexidade operacional e societária decorrentes da aquisição dessas companhias, bem como (ii) a implementação do transporte multimodal (o que será demonstrado de forma mais aprofundada adiante). Para tanto, traça um breve histórico que vai desde a origem da Recorrente, passando pela aquisição de sua controladora (Brasil Ferrovias) pelo Grupo ALL com ágio, a simplificação da estrutura societária do grupo visando a implantação do transporte multimodalidade e a cisão total da operadora multimodalidade, após a tentativa frustrada da implantação do referido sistema de entrega integrado (com o consequente aporte de parte do ágio na Recorrente), no que entende, restar demonstrado o propósito negocial das operações empreendidas e sua coerência com o planejamento estratégico. Consabido que na sistemática vigente (Lei n° 9.532/97, arts. 7 ° e 8°), a amortização do ágio realizada pela investidora permanece indedutível na apuração do lucro real, e somente gera efeitos na alienação ou liquidação do investimento. Já a amortização do ágio realizada após a extinção do investimento não precisa ser adicionada ao lucro real, desde que o ágio esteja fundamentado em rentabilidade futura e a amortização observe o limite temporal mínimo estabelecido pela legislação. Diante deste contexto, defende a Fiscalização (ver relatório) que deve ser observada a finalidade do instituto da incorporação como forma de agregação de empresas, com conseqüente confusão patrimonial do investimento para que a amortização do ágio gere efeitos na apuração do lucro tributável. Relativamente sobre a matéria "transferência do ágio" assim concluiu o I. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, no voto condutor do Acórdão n° 130200.834, de 14 de março de 2014: Apreciando, contudo, os fatos e a legislação a eles aplicada, inclinome a acolher a tese expendida pela autoridade fiscal no sentido de que não encontram presentes circunstâncias capazes de autorizar a amortização do ágio em questão. Com efeito, considerado o disposto no caput do art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), abaixo transcrito, descabe falar em apropriação de ágio por parte da CAMARGO CORREA CIMENTOS, a fiscalizada, quando resta indiscutível que quem incorreu no suposto sobrepreço foi a pessoa jurídica CAMARGO CORRÊA S/A e que a transferência das participações, dela para a fiscalizada, se deu em razão de aumento de capital e quitação de divida. Art. 385. 0 contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 20): Fl. 3166DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.167 27 Alinhome, aqui, ao entendimento esposado na peça de autuação no sentido de que o disposto no inciso III do art. 386 do RIR/99 (abaixo reproduzido) não pode ser interpretado de forma dissociada da norma estampada no caput do art. 385 do referido ato regulamentar, ou seja, o dever de segregar o custo de aquisição, no caso de avaliação de investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido, obviamente é de quem incorreu em tal custo, e a faculdade de amortizar o ágio antes segregado não é deferida a outro senão àquele que adquiriu a participação societária com sobrepreço. Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei no 9.532, de 1997, art. 7°, e Lei n° 9.718, de 1998, art. 10): ... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2° do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; ... Registro que a única transferência de ágio albergada pela legislação em vigor, condenada, digase de passagem, por robusta doutrina, é a prevista no inciso II do parágrafo 6° do art. 386 do RIR/99, que em nada se assemelha à situação sob exame. Considerado o relato feito pela autoridade autuante, parece que a própria empresa CAMARGO CORRÊA S/A tinha conhecimento da impossibilidade, face a ausência de previsão legal, da transferência do ágio em questão, eis que, ao aportar as ações das empresas GABY 1, GABY 2 e GABY 3 na subscrição de capital feita na fiscalizada, o fez pelo valor "cheio", ou seja, pela soma não segregada de valor de patrimônio liquido e ágio. Apesar de concordar com a decisão de primeiro grau no sentido de que não restam configurados nos autos circunstancias que indiquem a constituição de "empresa veículo" no âmbito de um planejamento tributário, rejeito o argumento ali esposado de que a legislação fiscal não proíbe que a controladora repasse o controle de empresas adquirida com ágio efetivamente pago, à sua controlada, pelo valor total pago. Não se trata, como parece crer a Turma Julgadora de primeiro grau, de vedação ao repasse de controle de empresas, mas, sim, de ausência de lei autorizadora de transferência de ágio por meio de subscrição de aumento de capital e de quitação de divida. Evidenciase, portanto, que a amortização é ilícita porque não há previsão legal para fruição do tratamento fiscal previsto nos arts. 7º e 8° da Lei nº 9.532/1997 nos casos em que ocorre transferência do ágio pago pela adquirente para outra empresa que será posteriormente extinta por incorporação reversa. Ou seja, inexistindo extinção do investimento mediante real reestruturação societária entre investida e investidora não há que se falar em amortização do ágio, não se Fl. 3167DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.168 28 admitindo sua transferência para terceiros para que usufruam de tais despesas. No caso em concreto, o elemento fundamental para que o ágio pudesse ser amortizado, de fato nunca aconteceu, qual seja, que investida e investidora passassem a ser uma única pessoa jurídica. No que se refere ao propósito negocial e aos fundamentos econômicos da operação, devese salientar que não foram contestados em relação às razões finalísticas apresentadas para a formalização do negócio, mas sim nos aspectos intermediários que implicaram na criação do ágio interno concretizado exclusivamente pela presença, como sujeitos, de sociedades sob controle comum, direto ou indireto. Em outras palavras, o que se rejeita é a utilização de um artifício contábil que propicia a constituição de um suposto ágio, posteriormente amortizado com efeitos no resultado tributável da pessoa jurídica. Neste caso, alinhome aos que entendem que para ser considerada despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a aquisição de uma participação societária deve ter como origem, concomitantemente, um propósito negocial, compreendido este como a razão negocial para adquirir um investimento por valor superior ao custo original, bem como um efetivo substrato econômico, decorrente da aquisição de negócio comutativo entre partes independentes, com dispêndio de recursos e previsão de ganho. É o que decorre da lei. Acrescento, ainda: fato é que os contribuintes podem adotar a forma jurídica que lhes parecer mais adequada aos seus negócios, desde que não seja ilícita, proibida ou vedada por lei, como reiteradamente de modo manso e já pacificado vem decidindo esse Egrégio Colegiado. Por outro lado, não se pode deixar de reconhecer que é dever das autoridades fiscais coibir práticas de utilização do ordenamento jurídico por meio de estratagemas, de forma artificiais, que causem prejuízo ao Erário Público, como no caso em apreço acima relatado, cujo encadeamento lógico de fatos convergente levam a formar convicção do acerto do trabalho fiscal. Assim, entendo que as razões de defesa não são hábeis a contestar o lançamento, motivo pelo qual conduzo meu voto no sentido manter a glosa da dedução das amortizações. MULTA QUALIFICADA A rigor, os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal para qualificar a multa aplicada nos termos previstos no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, podem ser extraídos dos fragmentos abaixo transcritos, retirados do Relatório Fiscal. "A empresa ALL América Latina Logística S/A, com o propósito de eximirse do pagamento do IRPJ e da CSLL, utilizou mecanismo tendente a burlar a Fazenda Pública, utilizandose dolosamente de uma "empresa veículo", sem propósito negocial e inexistente de fato, criada com o único objetivo de possibilitar o transporte do ágio, a fim de que a fiscalizada pudesse deduzir as correspondentes despesas de amortização da base de cálculos dos referidos tributos. Outrossim, consoante demonstrado alhures, ainda que existisse propósito negocial na Multimodal, o ágio gerado na incorporação de ações da Brasil Ferrovias Fl. 3168DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.169 29 e da Novo Oeste Brasil pela ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA não poderia sequer ter sido transferido para a "empresa veículo" em tela. Com efeito, tal operação engendrada pelas empresas do Grupo ALL materializa a conduta fraudulenta, prevista no artigo 72 da Lei n° 4.502/1964, na medida em foi uma ação dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal do IRPJ e da CSLL relativo aos anos de 2009 e 2010.” Observase, pois, diante dos fatos retratados, não restar dúvidas de que a fiscalizada agiu intencionalmente (dolosamente) no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, das suas condições pessoais, afetando, assim, as obrigações tributárias principais. No caso vertente, a meu ver, a qualificação da penalidade é ínsita à própria infração imputada (art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 72 da Lei 4.502/1964), vez que a irregularidade apontada encontra seu maior suporte no artificialismo da reorganização societária empreendida. Sou, pois, pela manutenção da multa aplicada de 150%. CSLL Na peça recursal, observo que a contribuinte sustentou que, no caso de amortização de ágio, inexiste previsão legal que permita a adição da referida despesa na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, transcrevo o seguinte excerto da sua afirmação: "Na realidade, o legislador ao determinar a base de cálculo da CSLL de forma exaustiva (numerus clausus), fixando, taxativa e individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis (artigo 2º e §§, da Lei n° 7.689/88 citado, inclusive, pelo Sr. Agente Fiscal), não elencou, como hipótese de adição ao lucro líquido, o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial." Creio que o argumento é digno de reparo. Não se trata de falta de autorização para adição, mas, sim, de ausência de previsão legal para amortização. Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real e o disposto nos artigos 7o. e 8o. da Lei 9.532, de 1997, o preconizado pelos artigos 22, 23, 25 e 33 do DecretoLei nº 1.598/77, deixam claro que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Em outras palavras, uma vez demonstrado que nenhuma parcela daquele ágio existe materialmente, negase qualquer vantagem tributária ao sujeito passivo, de modo que nenhuma repercussão poderia existir na apuração do lucro contábil. Pertinente, portanto, a glosa das exclusões não previstas na legislação da CSLL, e da redução do lucro tributável por despesa atribuída a ágio, mas que não reveste as características necessárias para ser assim classificada. Fl. 3169DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.170 30 Diante do exposto sou, também, por negar provimento ao recurso voluntário relativamente a este item. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA E JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Com relação a multa isolada por insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre as estimativas mensais (prevista inciso II, alínea “b” do art. 44 da Lei nº 9.430/1996) entende a contribuinte que "somente pode ser exigida caso o fisco verifique a falta de recolhimento dos tributos, ou recolhimento insuficiente, antes do término do ano base", e segundo" e, com relação a concomitância aduz que "não pode haver, sobre a mesma base, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade". No presente caso, afasto a aplicação da súmula CARF nº 105, vez que o lançamento tributário não teve por suporte o inciso IV do parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Explico: Para fatos geradores anteriores a MP 351/2007 (22/01/2007), convertida na Lei nº 11.488/2007 aplicase a Súmula CARF nº 105 (improcedência da multa). Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. O alcance da Súmula, no entanto, é limitado às exigências formalizadas anteriormente às alterações legislativas introduzidas pela Lei nº 11/488/2007. Tal constatação decorre do fato de que o enquadramento legal citado expressamente no texto da Súmula (art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) que deixou de existir a partir de 22/01/2007. Nessa data, como já dito, foi publicada no DOU (edição extra) e entrou em vigor a Medida Provisória nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007. O art. 14 da Lei (já em vigor desde a MP) assim dispunha: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 3170DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.171 31 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Assim, alterados o percentual aplicável (de 75% para 50%) e também a base de incidência (antes, a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, após, o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado), tenho que inexiste Súmula CARF aplicável às faltas/insuficiências no recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL ocorridas após 22/01/2007, pelo que os Conselheiros estão livres para votar de acordo com suas convicções. Com efeito, no caso em tela, embora a autoridade autuante tenha indicado, no enquadramento legal os arts. 222 e 843 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/99, além de ter feito menção expressa à alteração promovida pela Medida Provisória nº 351/07 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007), no Relatório Fiscal, parte integrante das peças acusatórias, assinalou: "De acordo com o item II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, por estar a contribuinte obrigada ao Lucro Real Anual, sujeita, pois, aos recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, ao excluir as indedutíveis amortizações de ágio da incidência destes recolhimentos, fica o sujeito passivo sancionado com a multa isolada de 50% (cinquenta por cento), aplicada sobre o valor do pagamento mensal não efetuado, calculada conforme demonstrativo anexo." Fl. 3171DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.172 32 Neste passo, com o devido respeito, equivocase a contribuinte/recorrente, pois, no caso, tratase de penalidade imposta aos contribuintes que, optando pela apuração anual do lucro real, deixem de recolher estimativas ao longo do ano calendário. Sua aplicação é cabível durante e depois de encerrado o anocalendário, na medida em que não se confunde com o crédito tributário devido no ajuste anual, sendo irrelevante, inclusive, se o ajuste anual se mostra inferior à soma das estimativas devidas mensalmente. Constatado o descumprimento daquela obrigação acessória, é devida a penalidade aqui exigida, não se verificando cumulação com a multa de oficio, devida em razão da falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual. O contribuinte que deixa de recolher a estimativa está descumprindo norma específica quanto ao regime de antecipação, prevendo a lei punição para tal ato – multa isolada. Aquele que deixa de pagar o imposto devido ao final do período de apuração também descumpre norma específica, o dever de recolher a obrigação principal, para o qual a lei prevê a multa de ofício (75%) que será exigida juntamente com o valor do imposto não recolhido. Notese, nesse ponto, que a multa de ofício somente será devida caso exista imposto a pagar por ocasião do Ajuste Anual. Por outro lado, a multa isolada será devida ainda que, ao final do período, não reste imposto a recolher, já que a infração da qual resulta essa multa consiste, simplesmente, no descumprimento da sistemática de pagamento por estimativa do IRPJ e CSLL, não possuindo qualquer relação com o pagamento em si do imposto. É o que se extrai do art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 (atual redação contida no inciso II, alínea “b”), segundo o qual a multa isolada será devida ainda que o contribuinte tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Neste tópico argumenta, ainda, a ora recorrente a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício face a ausência de previsão legal para essa exigência. Sobre esse tema a jurisprudência tem sido muito controvertida. Confrontemos, pois, a legislação com o fato concreto. Tratase de multa por lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2009 e 2010. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se, a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Para uma melhor compreensão da matéria, vejamos o que diz os dispositivos legais acerca das multas e dos juros de mora, incidentes sobre os créditos tributários não pagos nos respectivos vencimentos. Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Fl. 3172DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.173 33 Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela Fl. 3173DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.174 34 União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, se depreende claramente que os legisladores definiram inicialmente como base de incidência de juros de mora, tributos e contribuições e, posteriormente, débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União. Logo, em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, no crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. A própria dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício e, neste caso, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo, sujeitase aos juros de mora com base na taxa SELIC. Portanto, nos termos da legislação transcrita, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Da Impertinência da Indicação de Pessoas Supostamente Ligadas aos Fatos Falta de Motivação do Ato Administrativo. Fl. 3174DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.175 35 Por último a recorrente requer a invalidade das listagem "DAS PESSOAS LIGADAS AOS FATOS" que consta do Relatório Fiscal, sob o argumento que a mesma não foi devidamente fundamentada. Como bem assinalado no voto condutor ora recorrido a autoridade fiscal cumprindo o poder/dever que lhe é estatuído pela legislação de regência (art. 149 do CTN e art. 9o. do PAF), instruiu os autos de infração com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de provas indispensáveis à comprovação das hipóteses de ilicitudes detectadas. Ademais, consta do processo Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado, tão somente, com relação ao sujeito passivo ALL América Latina Logística S/A., nos termos do disposto no art. 124, I do CTN, o qual a seguir passamos a análise. B ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A DA AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA Neste tópico releva reproduzir os seguintes trechos do voto recorrido: Alega a impugnante que a fiscalização não traz qualquer fundamentação fática que demonstre os motivos que levaram a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária. No termo de sujeição passiva de fls. 56/57 a fiscalização enquadrou a empresa ALL – América Latina Logística S/A, como responsável solidária, nos termos do art. 124, inciso I, do CTN: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” Contrariamente ao que alega a impugnante, há vários elementos de prova colhidos pela fiscalização, e expostos no relatório fiscal, que sustentam a aplicação do art. 124, I. Ao longo do relatório fiscal, a empresa ALL – América Latina Logística S/A foi citada várias vezes, restando claro o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador, como se depreende dos trechos abaixo reproduzidos: “Com efeito, o fato de a Multimodal ter sido constituída pelas mesmas sócias pessoas físicas e ter tido, por ocasião da sua criação, a mesma sede das dezenas de empresas em debate demonstra com clareza solar que à mesma só existiu formalmente. Já foi criada com o objetivo de ser, em curto espaço de tempo, TRANSFERIDA PARA as novas sócias pessoas jurídicas. ATÉ A RETIRADA das Sras Linéia Mathias e Adriana Vechies Salvini da sociedade, ficou apenas "esperando" o vultuoso aporte de capital por parte ALL AMERICA LATINA LOGÍSTICA S/A. a fim de unicamente atender aos INTERESSES DO Grupo ALL. Por todo o exposto, foi exaustivamente demonstrado que a Multimodal não possuiu propósito negocial, tendo sido criada para servir de passagem para que o ÁGIO, resultante incorporação das ações da Brasil Ferrovias S/A e da Novo Oeste Brasil S/A pela ALL AMERICA LATINA LOGÍSTICA S/A, chegasse ao patrimônio da fiscalizada e das outras empresas cindendas, de modo a permitir que os lucros destas fossem confrontados com a despesa dedutível decorrente da amortização do ágio. O objetivo, portanto, da criação da empresa em comento foi unicamente que a Fl. 3175DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.176 36 mesma funcionasse como "empresaveículo" para que o ágio chegasse ao patrimônio da sociedade operativa, reduzindo a sua carga tributária, ATRAVÉS de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL da citada despesa. Ademais, ocorreu um mau uso da personalidade jurídica da Multimodal para atingir um objetivo que não tem afinidade com a função institucional das sociedades empresárias, que é a exploração da atividade econômica. (...) A empresa ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, com o propósito de eximirse do pagamento do IRPJ e da CSLL, utilizou mecanismo tendente a burlar o Fazenda Pública, utilizandose dolosamente de uma "empresaveículo" sem propósito negocial e inexistente de fato, criada com o único objetivo de possibilitar o transporte do ágio, a fim de que a fiscalizada pudesse deduzir as correspondentes despesas de amortização da base de cálculo dos referidos tributos.” Nenhuma dúvida existe, ao meu ver, de que esses dois sujeitos passivos criaram e operaram o "planejamento tributário" (aspecto jurídico) visando como alhures restou comprovado a criação artificial de despesas de amortização de ágio e, do qual foram os únicos verdadeiros beneficiários (interesse comum). Improcede, por fim, as alegações dos recorrentes de que não restou comprovada, no presente caso, a existência de interesse comum que justificasse a aplicação do artigo 124, I, do CTN. Conforme se constata da transcrição do Relatório Fiscal que instrui os lançamentos, a sujeição passiva decorre de longa investigação da origem e do Modus Operandi que envolveram as operações societárias entre as duas empresas (fiscalizada e o sujeito passivo solidário). E em assim sendo, não há que se falar em nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária, devendo ser mantida a responsabilidade que lhes foi atribuída. Verificado que o norte para caracterização do contribuinte é a sua relação direta e pessoal com o fato gerador, devese mencionar que o artigo 124 do CTN, dispõe em seu inciso I, que o são solidariamente responsáveis as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Podese dizer que a figura da solidariedade não se afasta daquela contida no Código Civil, Livro I, Título I, Capítulo VI, “Das Obrigações Solidárias”, ou seja, há solidariedade quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com um direito, ou obrigado, à dívida toda. Sendo assim, caso se tenha pluralidade de pessoas que tenham interesse na situação que constitua o fato gerador (regra do 124, I) e todas tenham mantido relação direta e pessoal com tal situação, apresentase possibilidade de solidarização. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 3176DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.177 37 Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, exclusivamente no que diz respeito à responsabilidade tributária imputada à pessoa jurídica ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A. Passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o Colegiado. Inicialmente, de se verificar em que termos foi configurada, pelo Fisco, a responsabilidade da empresa ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A. O Termo de Sujeição Passiva Solidária (fl. 56) traz o seguinte: Conforme descrito no relatório fiscal dos autos de infração formalizados nos autos do processo administrativo nº 10183723.840/201320, lavrados, em 17/09/2013, em decorrência do procedimento fiscal executado contra o sujeito passivo acima identificado, ficou caracterizada a sujeição pasiva solidária da empresa ALL – AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, nos termos do disposto no art, 124, inciso I, da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional). O fundamento legal, portanto, foi o art. 124, inciso I, do CTN, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal Causa estranheza o fato de que o Relatório Fiscal (fls. 29/51), referido acima, não traga qualquer consideração específica quanto à responsabilidade tributária. O documento se limita à descrição das operações societárias e do crédito tributário apurado no procedimento fiscal. Essa estranheza não passou desapercebida ao sujeito passivo solidário, que registrou a reclamação em sua impugnação (fls. 2282/2294). Não obstante, o acórdão recorrido superou as razões de defesa (fl. 2822), nos seguintes termos: No mérito, a questão central a ser analisada é se os elementos probatórios constantes dos autos são suficientes para configurar o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador. Afirma a impugnante que além dos vínculos societários entre a contribuinte autuada (ALL Malha Norte) e a ALL Logística, é indispensável que se tenha em conta que o mero e eventual interesse fático de uma determinada parte não é suficiente para caracterizar o interesse comum. Contrariamente ao alegado pela impugnante, a fiscalização não fundamentou a aplicação do art. 124 apenas nos vínculos societários existentes entre as duas empresas. Fl. 3177DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.178 38 Pelo contrário, os elementos trazidos aos autos demonstram a participação ativa da ALL Logística nas operações que criaram artificialmente a situação prevista nos arts. 7º e 8º. Esta participação fica muita clara quando verificamos que os diretores da empresa Multimodal são também diretores da ALL Logística, ou seja, reforçam a ideia de sinergia entre a ALL Malha Norte, que deduziu a despesa de ágio, e a ALL Logística, que planejou e executou os negócios jurídicos necessários para que a autuada atingisse seus objetivos. Sem a participação da ALL Logística não teria sido possível a amortização de ágio na ALL Malha Norte. A meu ver, os elementos fáticos constantes dos autos são suficientes para demonstrar o interesse comum nos termos do art. 124, I, do CTN, sendo evidente que aquele que pratica conjuntamente os atos necessários para atingir determinado objetivo, tem interesse na redução indevida da montante do tributo a ser recolhido. A matéria retornou à discussão em sede de recurso voluntário (fls. 2840/2856). Pois bem. Considero que a decisão de primeira instância buscou suprir algo que ficou apenas subentendido por ocasião do lançamento, ou seja, quais seriam os elementos fáticos e de direito a caracterizar o “interesse comum” a que se refere a norma. No entender da julgador a quo, haveria dois fundamentos distintos. O primeiro deles seriam os vínculos societários existentes entre as duas pessoas jurídicas (ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A e ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A). A primeira, sujeito passivo direto (na qualidade de contribuinte) da obrigação tributária, aquela que amortizou o ágio discutido nos autos e se beneficiou com a redução das bases tributáveis. A segunda, apontada como sujeito passivo por responsabilidade, sócia majoritária da primeira. O vínculo societário é incontroverso nos autos. No entanto, pouco se discutiu sobre os efeitos de tal vínculo. Com efeito, tenho que a condição de sócia, por si só, seria (e é) insuficiente para caracterizar o interesse comum, a ponto de atrair a imputação de responsabilidade tributária. É certo que o sócio tem interesse nos lucros da sociedade investida, mas se fosse esse o interesse comum entre investidor e investida, todo e qualquer sócio seria, sempre, responsável pelos tributos devidos pela investida. Penso não ser essa a melhor interpretação do texto legal. Esse interesse comum, então, deve ser buscado na forma tradicionalmente encontrada nas obras sobre o assunto, nas situações em que o fato gerador tributário é praticado conjuntamente por mais de uma pessoa, física ou jurídica. Nessa linha de raciocínio, as pessoas que conjuntamente praticam o fato gerador tributário são todas contribuintes (sujeito passivo direto), e a dicção do art. 124, I, não serviria para imputar ou atrair responsabilidade, mas tão somente para estabelecer a solidariedade entre aqueles que, já por força do art. 121, I, integram o polo passivo da obrigação jurídicotributária. Em outra linha de interpretação, também encontrada por vezes entre os muitos casos concretos trazidos à apreciação deste CARF, o interesse comum se evidencia diante da verdadeira confusão patrimonial entre as várias pessoas (físicas ou jurídicas) envolvidas, a tal ponto que se torna impossível distinguir o benefício auferido com a supressão do pagamento de tributos do benefício financeiro auferido diretamente por sócios e administradores. Fl. 3178DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.179 39 Quanto a este primeiro fundamento, não vislumbro no caso concreto nenhuma das duas situações anteriormente delineadas. O fato gerador tributário objeto dos autos foi praticado pela contribuinte ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A. Foi essa pessoa jurídica que amortizou o ágio e se beneficiou da redução dos tributos por ela própria devidos. E não há registro nos autos nada que evidencie confusão patrimonial entre as duas pessoas jurídicas. Em assim sendo, o primeiro fundamento (vínculos societários), tido isoladamente, é insuficiente para caracterizar a responsabilidade tributária. O segundo fundamento invocado pela Turma Julgadora em primeira instância seria a “participação ativa da ALL Logística nas operações que criaram artificialmente a situação prevista nos arts. 7º e 8º”. Essa participação ativa de uma pessoa jurídica, por certo, há de ser compreendida como os atos praticados por seus dirigentes e administradores, aliás, dirigentes e administradores de ambas as empresas. E não se esqueça, por relevante, que tais atos foram inquinados de dolosos e contrários à lei, com o único intuito de reduzir artificialmente o montante dos tributos devidos pela ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA NORTE S/A. Mas, observese: aqui a base legal para a imputação de responsabilidade seria distinta. Não o interesse comum de que trata o art. 124, I, mas os atos praticados por administradores com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos1, de que trata o art. 135, III, também do CTN. Além disto, a responsabilidade não recairia sobre a sócia pessoa jurídica ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, mas sim sobre as pessoas físicas dos administradores (de uma ou outra empresa) que teriam praticado tais atos. Não foi esta, entretanto, a linha adotada pelo Fisco. O corolário dessas constatações é de que o segundo fundamento (participação ativa nas operações) invocado pelo julgador de primeira instância para manter a responsabilidade tributária também se mostra inadequado. Em assim sendo, é de se reconhecer que assiste razão à recorrente ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A, ao reclamar que não restou comprovada, no presente caso, a existência de interesse comum que justifique a aplicação do art. 124, inciso I, do CTN. Por todo o exposto, em conclusão, a decisão do Colegiado, por maioria de votos, foi no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para afastar a responsabilidade tributária imputada à pessoa jurídica ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA S/A. Em todos os demais aspectos, a decisão se deu conforme o voto do ilustre Relator. (assinado digitalmente) 1 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 3179DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10183.723840/201320 Acórdão n.º 1301002.019 S1C3T1 Fl. 3.180 40 Waldir Veiga Rocha Fl. 3180DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 19515.003333/2004-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.700
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter o julgamento em diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO- Relator
Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter o julgamento em diligência. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto RELATÓRIO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Em ação fiscal apurouse, conforme termos de verificação fiscal às fls. 96/97, diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago para o tributo/períodos acima referidos, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração (fls. 98114) e os termos, demonstrativos e documentos a ele integrados. O crédito tributário lançado, composto pelas contribuições, multas proporcionais juros de mora, calculados em 13/12/2004, perfazem o total de R$ 1.023.135,66. Enquadramento legal da Cofins (fl. 113): o art. 2° da Lei Complementar n° 70/91; art. 77, III, do Decretolei n° 5.844/43; art. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 33 3/ 20 04 -5 1 Fl. 797DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.003333/200451 Resolução nº 3201000.700 S3C2T1 Fl. 798 2 149 da Lei n° 5.172/66; art. 1° da Lei Complementar n° 70/91; arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições; arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n°4.524/02. A ciência do auto ocorreu em 17/12/2004. Em 18/01/2005 a empresa impugna as exigências de Cofins (fls. 116117), anexando documentos (fls. 118166), e alega, em síntese: no período compreendido entre agosto e dezembro de 1999, a base de cálculo para a apuração considerou erroneamente como faturamento montantes recebidos a título de rateio de despesas; não se configura como ingresso de receita o recebimento do rateio de despesa, já que se trata de uma mera recuperação de um crédito referente a uma despesa já reconhecida e suportada pela sociedade; conseqüentemente, a simples contabilização do saldo credor no resultado não se configura como base tributável, pois que não há a entrada efetiva de receita, mas sim, tratase de mero ajuste contábil; os Princípios Fundamentais da Contabilidade determinam que toda e qualquer despesa, independentemente da empresa que a suporte, seja contabilizada na empresa geradora da mesma; assim, a melhor técnica contábil dispõe que as despesas suportadas por entidades diferentes daquelas que a geram sejam reembolsadas pelo valor contábil das mesmas, não se considerando tal reembolso como auferimento de novas receitas; legítima a prática do rateio de despesas administrativas não se considerando o ingresso destes montantes como receita ou faturamento ou receita. A empresa impugna expressamente os valores de: R$ 76.918,23 (setenta e seis mil, novecentos e dezoito reais e vinte e três centavos) do Processo Fiscal e Auto de Infração em apreço, relativo ao principal, multa e juros referentes à não inclusão dos montantes recebidos a título de rateio de despesas no período de agosto a dezembro de 1999, posto que a base de cálculo de tal tributo foi indevidamente acrescida dos montantes recebidos a título de rateio de despesas de outras empresas do grupo; R$ 94.075,98 (noventa e quatro mil, setenta e cinco reais e noventa e oito centavos), referentes ao alegado não recolhimento da COFINS (acrescido de multa e juros) dos meses de fevereiro e março de 2002, posto que requerida a sua compensação mediante Pedidos de Compensação protocolados perante a SRF nas datas de 15.03.2002 e 11.04.2002 (diz juntar cópias); R$ 336.342,24 (trezentos e trinta e seis mil, trezentos e quarenta e dois reais e vinte e quatro centavos), referentes à alegada falta de pagamento da COFINS (acrescido de multa e juros) do período compreendido entre março e setembro de 2004, dado que os valores da COFINS do período foram integralmente recolhidos, através de Fl. 798DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.003333/200451 Resolução nº 3201000.700 S3C2T1 Fl. 799 3 retenção nas notas fiscais (artigo 30 da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Requer a desconsideração do valor total de R$ 507.336,45 (quinhentos e sete mil, trezentos e trinta e seis reais e quarenta e cinco centavos) cancelandose o crédito tributário constituído a favor da Receita Federal, abstendose da imposição de encargos moratórios relativos aos valores impugnados. Informa a Impugnante que a diferença entre os valores constantes do Processo Fiscal e do Auto de Infração em referência e o valor ora impugnado, no total de R$ 428.574,00 (quatrocentos e vinte e oito mil, quinhentos e setenta e quatro reais), valor este considerando o desconto do valor da multa aplicada e corrigido até o mês de dezembro de 2004, foi recolhida na data de 14 de janeiro de 2005, por Documentos de Arrecadação da Receita Federal — DARF's. Houve pagamentos dos períodos de apuração de 01/99 a 07/2001, 01/2002, 05 002, 140 e 11/2002, 03 a 07/2003, 11/2003, e com isso a lide restou reduzida aos períodos de agosto a dezembro 2001, fevereiro e março de 2002 e fevereiro a setembro de 2004. Sobreveio decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo I/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontram se consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL • Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/10/2002 a 30/11/2002, 01/03/2003 a 31/07/2003, 01/11/2003 a 30/11/2003, 01/02/2004 a 30/09/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. CANCELAMENTO.IMPOSSIBILIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em cancelamento ou anulação do Auto de Infração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/02/2004 a 30/09/2004 BASE DE CÁLCULO, RATEIO. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. INCLUSÃO. (01/08/2001 a 31/12/2001). A base de cálculo da contribuição corresponde à totalidade da receita auferida, integrandoa o valor contabilizado como recuperação de despesa, pois: o recebimento de valores custeados por uma das empresas do grupo e depois rateadas com as demais, pela gestão administrativa operacional de contratos destas, representa receita de serviços; as exclusões legisladas não abarcam o recebimento ou recuperação de despesa mediante rateio. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.003333/200451 Resolução nº 3201000.700 S3C2T1 Fl. 800 4 LANÇAMENTO DE OFÍCIO E PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA.(01/02/2002 a 31/03/2002). A existência, em nome da interessada, de processo administrativo relativo a pedido de restituição e de compensação, ainda que pendente de análise e decisão, não impede o lançamento de ofício, pela autoridade fiscal, de débitos não declarados espontaneamente (art. 142 do CTN). RETENÇÕES. NÃO COMPROVAÇÃO.(01/02/2004 a 30/09/2004). As retenções se materializam, por excelência, nos recolhimentos em Darfs realizados pelas fontes pagadoras. A legislação também dispõe sobre emissão de comprovantes de retenção. Não comprovando as retenções não há como acatar seu argumento. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. A 2ª Turma Ordinária da 2ª câmara da 3ª Seção de julgamento do CARF decidiu pela conversão do julgamento em diligência, para que fossem analisados os documentos acostados aos autos, relativos ao período de fevereiro a setembro de 2004, e que fosse verificado se as referidas retenções foram efetuadas, como alega a recorrente. A Unidade de Origem apresentou duas manifestações acerca da diligência realizada, uma datada de 27/06/2012 (fl 700), que foi cientificada ao sujeito passivo, porém sem a concessão de prazo para este se manifestar, e outra datada de 17/08/2015, da qual a recorrente não foi intimada. É o relatório. VOTO O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente afirma que durante os meses de fevereiro e março de 2002 realizou a compensação dos montantes devidos a título de Cofins com os créditos de IRRF cuja restituição é pleiteada nos autos do Processo Administrativo n°. 11831.001800/200251, e que durante os meses de fevereiro a setembro de 2004 realizou a compensação do montante devido de PIS e Cofins com os valores retidos na fonte a título de antecipação das quantias devidas destas mesmas contribuições, nos termos do artigo 30, da Lei n°10.833/2003. No que tange ao processo administrativo n° 11831.001800/200251, após a análise dos autos restaram dúvidas acerca sua vinculação aos débitos exigidos neste processo. Desta forma, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que a unidade de origem: a) informe se os débitos compensados por meio do processo n° 11831.001800/200251 encontramse constituídos no auto de infração ora em julgamento, ou possuem alguma vinculação com este; Fl. 800DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 19515.003333/200451 Resolução nº 3201000.700 S3C2T1 Fl. 801 5 b) esclareça se o processo n° 11831.001800/200251 já possui decisão administrativa definitiva, bem como qual a influência desta eventual decisão neste auto de infração. No tocante às alegadas retenções do tributo na fonte, a unidade de origem, por meio de procedimento de diligência fiscal, apresentou relatório em que confirme a existência de valores retidos na fonte a título de Cofins. Não foi esclarecida, contudo, a vinculação destes recolhimentos ao presente lançamento se estes recolhimentos foram observados no momento da lavratura do auto de infração, e se estes recolhimentos resultam na necessidade de retificação do crédito constituído. Desta forma, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que a unidade de origem: c) informe se os valores retidos na fonte, já confirmados em procedimento de diligência fiscal, foram observados no momento da lavratura do auto de infração, e se a confirmação destes recolhimentos resulta na necessidade de retificação do crédito constituído; Tendo em vista que não foi concedido prazo a recorrente para manifestação acerca dos novos elementos trazidos ao processo, deve a unidade de origem, após a conclusão deste procedimento de diligência: d) intimar a recorrente acerca de todos os documentos anexados ao presente processo posteriormente a apresentação do recurso voluntário, incluídos os relacionados ao procedimento de diligência anterior, bem como o resultado da presente diligência, ofertando o prazo de 30 dias para manifestarse. É como voto. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto relator Fl. 801DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 16/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10865.903911/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e redator ad hoc da formalização da Resolução
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flavio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente e redator ad hoc da formalização da Resolução Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flavio Franco Correa, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 03 91 1/ 20 08 -3 0 Fl. 806DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903911/200830 Resolução nº 1301000.325 S1C3T1 Fl. 806 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1433.107, às fls. 47 a 55: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJestimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 01/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que o despacho decisório recorrido conteria equívoco em relação aos valores expressos no quadro "Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PER/DCOMP", os quais não corresponderiam aos efetivamente declarados. Os valores do alegado crédito apropriados nos PER/DCOMP n.o s 28623.05598.250804.1.3.047067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707, seriam, respectivamente, R$ 1.959,26, R$ 17.649,06, R$ 27.748,53, R$ 15.394,36 e R$ 2.042,88, e não os valores que constam no despacho decisório; que haveria saldo suficiente para compensação do tributo informado em PER/DCOMP, conforme demonstrativo de compensação juntado aos autos, relativo ao montante do alegado direito creditório, de R$ 858.160,00. Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, "que nada é devido em relação à PER/DCOMP não homologada, improcedendo o valor constante no DARF encaminhado e vinculado ao Processo Administrativo em referência". Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Fl. 807DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903911/200830 Resolução nº 1301000.325 S1C3T1 Fl. 807 3 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/05/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/06/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS dispõe a legislação que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada; assim procedeu a Recorrente, tendo recolhido as estimativas mensais do imposto durante todo o anocalendário; todavia, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente (posto que sem uma apuração efetiva da receita bruta auferida) mas de boafé, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida (período de apuração: 01/2003), a qual, inclusive, se mostra em “valores exatos” (R$ 800.000,00), corroborando o alegado; outrossim, após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 162.507,06, o qual fora quitado da seguinte forma: · R$ 56.470,37 Darf recolhido em 30/05/2003, com multa e juros, totalizando R$ 70.390,31; · R$ 10.711,46 mediante compensação por meio do DComp 21298.07778.21050.31304.9740; · R$ 76.208,64 mediante compensação por meio do DComp 16895.65143.21050.31304.8488; · R$ 19.116,06 mediante compensação por meio do DComp 17482.92249.03110.31304.8560 (já homologada). Fl. 808DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903911/200830 Resolução nº 1301000.325 S1C3T1 Fl. 808 4 desta forma, se verifica que o valor integral da guia embatida não foi utilizado para a quitação da estimativa mensal de 31/01/2003, e este montante, portanto, corresponde ao crédito que a Recorrente possui junto a este órgão, tendo sido objeto de compensação com débitos do exercício de 2003 (o recurso traz uma tabela relacionando várias outras compensações realizadas a partir deste mesmo crédito); o Despacho Decisório apenas consignava insuficiência do crédito apontado, tendo a Recorrente demonstrado o equívoco dos números constantes no referido despacho, o que foi acatado pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto; contudo, a DRJ manteve a decisão de nãohomologação da compensação sob outro fundamento, extrapolando os limites da discussão a que lhe fora submetida e, conseqüentemente, sua esfera de competência, posto que o processo deveria ter retornado à Fiscalização para nova decisão quanto à homologação ou não da compensação declarada, devido ao fato da Autoridade Julgadora haver afastado o único óbice apontado pela Fiscalização; tal situação acarretou supressão de instância em face da Recorrente, posto que lhe foi cerceado seu direito à ampla defesa (apresentação de razões e juntada de documentos contábeis que se fizessem necessários, em virtude do novo fundamento utilizado), visto que sua Manifestação de Inconformidade não abrangeu a situação apontada no v. acórdão combatido, posto que esta era inexistente; em que pese o acima exposto e apenas para que não paire qualquer dúvida acerca da existência do crédito, destacase que o atual fundamento para a nãohomologação das compensações apenas apontaria um equívoco de interpretação quanto ao “Tipo do Crédito” a ser preenchido no Per/Dcomp, posto que ao invés de ter preenchido “Pagamento Indevido ou a Maior” defende que deveria a Recorrente ter escolhido a opção “Saldo Negativo do IRPJ” (anocalendário de 2003); todavia, o montante do crédito informado é legítimo, não podendo eventual equívoco quanto ao “tipo de crédito” informado ser óbice ao direito da Recorrente de ter ressarcido valores recolhidos indevidamente, a título de imposto sobre a renda, razão pela qual junta aos autos toda a documentação contábil pertinente à demonstração do Saldo Negativo do período, assim como demonstrou em planilha como fora utilizado aludido crédito; por derradeiro, se coloca à inteira disposição para o fornecimento de quaisquer outros documentos que se fizerem necessários, requerendo, desde já, se necessário, diligência fiscal para a apuração do alegado, sendo medida de justiça a homologação das compensações efetuadas; DA DECADÊNCIA conforme dito no item anterior, a Fiscalização não homologou as compensações declaradas sob o fundamento (ÚNICO) de que o crédito era insuficiente, posto que já utilizado para o pagamento de outros débitos, demonstrando o alegado com números equivocados e istorcidos do efetivamente declarado; em face desta situação, a Recorrente apresentou suas razões de defesa, demonstrando a incorreção do apontado pela Fiscalização e juntando documentos hábeis a comprovar a matéria objeto de discussão; Fl. 809DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903911/200830 Resolução nº 1301000.325 S1C3T1 Fl. 809 5 a incorreção foi ratificada pela 5ª Turma da Delegacia de Julgamento, a qual reconheceu o erro da Fiscalização, acatando as razões de defesa da ora Recorrente; contudo, para total surpresa da Recorrente, a DRJ decidiu não homologar as compensações por novo fundamento, apontando que o tipo do crédito informado não seria passível de ressarcimento; caberia à DRJ julgar a controvérsia instaurada e não substituir a Fiscalização para o fim de homologar ou não a compensação declarada, sob fundamento diverso do apontado; se o óbice apontado no v. acórdão fosse causa de nãohomologação pela Fiscalização, esta deveria ter consignado também este fundamento no r. Despacho Decisório, posto que seria devidamente conferido ao Contribuinte a oportunidade de apresentar todas as suas razões de defesa já na Manifestação de Inconformidade, assim como juntar os documentos contábeis necessários à comprovação do alegado. Entretanto, isto não ocorreu; tal fato foi apenas apontado no v. acórdão e, assim, o seu acatamento culminaria em verdadeira supressão de instância, posto que não seria possível contestar algo de que ainda não se tinha ciência; se a fiscalização não apontou o “Tipo do Crédito” como óbice à compensação, não poderia a autoridade julgadora fazêlo, pois esta matéria não era objeto de discussão, não tendo sequer sido conferida a oportunidade ao Contribuinte de insurgirse em face dela; aos nobres Julgadores caberia apenas afastar o óbice apontado pela Fiscalização e, assim, eventualmente e na mais otimista das hipóteses, retornar os autos à DRF para nova análise acerca da homologação ou não da compensação; outrossim, tendo sido afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. despacho decisório, bem como já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para que o Fisco pudesse, eventualmente, não homologar a compensação declarada por novo fundamento, é medida de justiça a reforma parcial do v. acórdão para o fim de afastar a decisão de não homologação sob fundamento diverso do apontado pela Fiscalização; DA COMPENSAÇÃO a compensação efetuada se encontra em perfeita sintonia com as normas legais vigentes, tendo ocorrido, eventualmente, apenas um equívoco quanto ao preenchimento do campo “tipo do crédito”; o não reconhecimento dos créditos decorrentes dos valores “pagos a maior” (estimativa), sob a rubrica de imposto sobre a “renda” ou contribuição social sobre o “lucro líquido”, o que se cogita por mera argumentação, caracterizaria tributação de fato que não corresponde ao conceito de renda, nem tampouco ao de lucro líquido; desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Recorrente, conforme demonstra a farta documentação contábil anexada à presente, seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional; Fl. 810DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903911/200830 Resolução nº 1301000.325 S1C3T1 Fl. 810 6 portanto, é medida de justiça o reconhecimento do crédito informado pela Recorrente na íntegra, sendo homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; DO PEDIDO dado o fato de a 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto haver afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. Despacho Decisório e já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para um eventual novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento, requer, respeitosamente, seja parcialmente reformado o v. acórdão, para o fim de afastar a “decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização”, considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; caso assim não entendam V. Sas., o que se cogita por mera argumentação, requer, respeitosamente, a análise da documentação contábil ora apresentada, a qual demonstra a existência do crédito informado, não podendo eventual equívoco quanto ao tipo do crédito ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito e, assim, ao final, seja julgada totalmente procedente o recurso interposto, homologandose as compensações declaradas em sua integralidade, por ser esta medida de justiça. Este é o Relatório. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903911/200830 Resolução nº 1301000.325 S1C3T1 Fl. 811 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães redator ad hoc. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada, na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de janeiro/2003, no valor total de R$ 858.160,00 (principal mais acréscimos). A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 858.160,00 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos da Contribuinte. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, demonstrando que os valores apropriados nestes outros PER/DCOMP eram diferentes daqueles informados no despacho decisório, e que estas outras compensações não teriam consumido todo o crédito, ao contrário do alegado pela Delegacia de origem. Ao examinar este e outros processos que tratam do mesmo direito creditório, a Delegacia de Julgamento (DRJ) observou que os valores dos débitos objeto dos outros PER/DCOMP eram diferentes (e bem menores) que aqueles mencionados pelo despacho decisório que não homologou a presente compensação e, superando esse óbice, deu prosseguimento ao exame do reivindicado direito creditório. Nesse contexto, a DRJ consignou que os “recolhimentos mensais por estimativa” a maior efetuados durante o anocalendário não seriam pagamentos passíveis de compensação, e que, assim, caberia examinar a eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo no período em questão. Contudo, diante do que havia nos autos, concluiu a DRJ que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, ao final do anocalendário, caso a contribuinte apure saldo negativo do tributo, resta então configurado o pagamento indevido ou a maior, este sim passível de restituição ou compensação, daí porque, inclusive, o marco inicial de contagem de decadência para repetição Fl. 812DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903911/200830 Resolução nº 1301000.325 S1C3T1 Fl. 812 8 ou para o lançamento se dá no último dia do exercício e não nas datas em que realizadas as antecipações. Certo, por outro lado, que a diferença de antecipação realizada a maior pode ser deduzida do imposto relativo aos períodos de apuração mensais subseqüentes ao longo do anocalendário em curso, mas assim se permite justamente porque envolvidas parcelas de antecipação da mesmo natureza, sem incidência de qualquer índice de correção. Mencionese, a respeito do tema, entendimento manifestado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão n.° 1.102, de 01 de setembro de 2010, proferido em face do Recurso Voluntário n.° 515.908, interposto contra decisão da 3a Turma de Julgamento da DRJ/Belo HorizonteMG, relator o conselheiro José Sérgio Gomes, cuja ementa assim dispõe: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDARIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, caracterizam meras antecipações do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro real anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de Iº de janeiro subsequente. Eventuais diferenças, a maior, de estimativas recolhidas podem ser compensadas com estimativas mensais devidas ao longo do ano calendário em curso, dada a mesma natureza de antecipação, não, porém, com qualquer outro tipo de dívida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido " Fl. 813DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903911/200830 Resolução nº 1301000.325 S1C3T1 Fl. 813 9 Por tudo isso, concluise que os "recolhimentos mensais por estimativa" a maior efetuados durante o anocalendário pela interessada não são pagamentos a maior passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN e no art. 74, parágrafo 3o , da Lei 9.430/96, vez que a lei permite a compensação de valor pago de tributo ou contribuição, quando este se referir à modalidade de extinção de obrigação tributária, o que não abrange o recolhimento por estimativa, por não significar extinção de obrigação tributária, mas tãosomente antecipação a ser computada, ao final do período, na apuração de eventual saldo negativo passível de repetição. No caso em questão, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto suposto crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJestimativa mensal, código de arrecadação 2362. Sendo o objeto do pedido incompatível com a legislação de regência, como acima demonstrado, há que se examinar a eventual apuração, pela contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão, que poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Em casos da espécie, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que os recolhimentos do imposto por estimativa e as retenções na fonte (IRRF) são considerados pela Lei como antecipações do imposto devido (IRPJ). E tal demonstração se dá em função dos valores declarados e efetivamente comprovados pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos, os pagamentos por estimativa mensal e os informes de retenção apenas elementos indicativos da apuração do tributo. No que se refere ao IRRF, somente poderá ser utilizado para a dedução do IR a pagar e, eventualmente, contribuir para a formação do saldo negativo de IRPJ, se atender ao previsto no art. 55 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, condicionandose o procedimento à apresentação dos respectivos comprovantes de retenção, bem como, cumulativamente, atender ao disposto no § 2o do art. 76 da Lei n° 8.981/95, o qual estabelece que a dedução do IR com o IRRF será permitida caso as receitas correlatas tenham sido oferecidos à tributação na forma de composição da base de cálculo do imposto, in verhis: Lei n° 7.450/1985 "Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos ". Lei n° 8.981/95 Fl. 814DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903911/200830 Resolução nº 1301000.325 S1C3T1 Fl. 814 10 "Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: I deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; (...) § 2o Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos produzidos a partir de Io de janeiro de 1995 integrarão o lucro real". Como corolário do exposto, esta 5a Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: Ia) a constatação dos pagamentos a título de estimativas mensais ou das retenções; 2a) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor do imposto devido e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pela postulante, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo de IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, regularmente transcritos no livro "Diário", principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte dever levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. Em suma, caberia à recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de IRPJ, no período em questão, especialmente por se tratar de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo T do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou tais elementos, limitandose às alegações acima referenciadas. As cópias de PER/DCOMP juntadas à impugnação, e o demonstrativo apresentado, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903911/200830 Resolução nº 1301000.325 S1C3T1 Fl. 815 11 Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. O primeiro ponto a esclarecer é que não mais subsiste o argumento contido na decisão recorrida defendendo restrições para restituição ou compensação de recolhimentos indevidos ou a maior a título de estimativas mensais. A matéria inclusive já foi sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, não há óbice para que a Contribuinte busque a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa. No caso concreto, não há dúvidas de que o crédito reivindicado corresponde a pagamento a maior de estimativa, e não a saldo negativo do período. Prova disso é que a Contribuinte começou a promover compensações com o referido crédito ainda no curso do próprio ano de 2003, antes mesmo da data para o ajuste anual (31/12/2003), conforme o PER/DCOMP objeto do processo 10865.903909/200861. Um segundo aspecto importante para a solução do presente processo é que as considerações contidas na decisão recorrida a respeito da comprovação do direito creditório valem tanto para indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa, quanto para indébito decorrente de apuração de saldo negativo no ajuste anual. As duas situações exigem a comprovação dos atributos de certeza e liquidez em relação ao indébito. Para o seu aproveitamento, ele precisa existir, ter o seu valor definido, e ainda estar disponível para a compensação. Inicialmente, a Delegacia de origem confirmou a existência do pagamento apresentado como origem do crédito, mas consignou que ele já havia sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos da Contribuinte, em razão da apresentação de outros PER/DCOMP. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento observou que os valores dos débitos objeto destes outros PER/DCOMP eram diferentes e bem menores que aqueles mencionados pelo despacho decisório que não homologou a presente compensação e, superando esse óbice, deu prosseguimento ao exame do reivindicado direito creditório. Admitindo, então, a possibilidade de restituição/compensação do indébito como saldo negativo, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez de seu direito creditório. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903911/200830 Resolução nº 1301000.325 S1C3T1 Fl. 816 12 No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Não há nem mesmo uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Foi essa dinâmica de produção de prova que orientou a evolução do presente processo, não obstante a decisão recorrida tenha defendido restrições preliminares quanto à compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de estimativa. No caminhar do processo, a Contribuinte foi se insurgindo contra os óbices apontados pela Administração Tributária, no que toca à existência e à disponibilidade de seu direito creditório. E essa formação gradativa da prova é comum aos processos de restituição/ compensação, não havendo que se falar em inovação nos fundamentos da negativa, nem na necessidade de elaboração de novo despacho decisório, nem em situação que poderia dar ensejo ao reconhecimento da homologação tácita da compensação, etc. Cabe é examinar os documentos que a Contribuinte juntou aos autos nessa fase recursal, em razão das considerações contidas na decisão recorrida sobre a necessidade de comprovação do indébito. Procurando comprovar a existência e a disponibilidade de seu direito creditório, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário: Demonstrativo de todas as compensações realizadas com o crédito ora examinado; DIPJ do anocalendário 2003; DCTF´s trimestrais referentes ao anocalendário 2003; cópia do Livro Diário contendo Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício e Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos no Período, referentes aos anos de 2003 a 2005; Demonstrativo da composição da receita bruta mensal abrangendo o período em questão; Lançamentos realizados na conta “1.1.34.1.1.234IRPJ2003DARF Rec Indevido”; Balancetes Analíticos de 2003; e LALUR de maio/2003 em diante. Pela ficha 11 da DIPJ, e também pela DCTF, o valor da estimativa de janeiro/2003 seria de R$ 162.507,07. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10865.903911/200830 Resolução nº 1301000.325 S1C3T1 Fl. 817 13 As estimativas foram apuradas com base na “receita bruta e acréscimos” até o mês de abril, e a partir do mês de maio a apuração das estimativas se deu mediante balancetes de suspensão/redução. De acordo ainda com a DIPJ, a Contribuinte apurou prejuízo em 2003, e todas as antecipações ao longo do ano, a título de recolhimento de estimativa (R$ 250.122,08) e de retenção de IR na fonte (R$ 193.631,24), converteramse em saldo negativo no montante de R$ 443.753,32. Esse saldo negativo englobou apenas o valor de R$ 162.507,07 como estimativa de janeiro. A indicação, portanto, é de que houve recolhimento a maior para a referida estimativa, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a sua disponibilidade para as várias compensações realizadas pela Contribuinte, nos termos da Súmula CARF nº 84. Contudo, a solução do presente processo demanda uma instrução complementar. Embora a indicação seja da existência e disponibilidade do alegado excedente referente à estimativa de janeiro/2003, há outras compensações que afetam este processo. A quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, está vinculada a outras compensações. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz da documentação contábil e fiscal da Contribuinte: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF nº 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães, redator ad hoc Fl. 818DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 23/0 6/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 19515.722918/2012-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010
DECADÊNCIA.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, I, do CTN), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, ou existe a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Ocorrendo a antecipação do pagamento e não comprovada a ocorrência de dolo, simulação ou fraude, conta-se o prazo na forma do artigo 150, § 4º, do CTN.
MULTA QUALIFICADA. 150%.
Incabível a aplicação de multa qualificada de 150% quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação.
INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. AUTUAÇÃO MANTIDA. REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.Consoante o disposto no artigo 62 § 2º do Regimento Interno do CARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo.
De acordo com a decisão do STJ no REsp 1.149.022, a denúncia espontânea somente resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente.
Em sentido contrário, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), não elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada, que não fora quitada à época da retificação da declaração, não se aplicando o artigo 138 do CTN.
Recurso de Ofício Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para manter a exigência fiscal dos valores discriminados no Auto de Infração, a partir do mês 12/2007 (inclusive), com aplicação de multa proporcional de 75%.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator
Participaram ainda do presente julgamento, os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, I, do CTN), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, ou existe a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Ocorrendo a antecipação do pagamento e não comprovada a ocorrência de dolo, simulação ou fraude, contase o prazo na forma do artigo 150, § 4º, do CTN. MULTA QUALIFICADA. 150%. Incabível a aplicação de multa qualificada de 150% quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. AUTUAÇÃO MANTIDA. REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.Consoante o disposto no artigo 62 § 2º do Regimento Interno do CARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo. De acordo com a decisão do STJ no REsp 1.149.022, a denúncia espontânea somente resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 29 18 /2 01 2- 83 Fl. 2145DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722918/201283 Acórdão n.º 2202003.455 S2C2T2 Fl. 2.146 2 Em sentido contrário, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), não elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada, que não fora quitada à época da retificação da declaração, não se aplicando o artigo 138 do CTN. Recurso de Ofício Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para manter a exigência fiscal dos valores discriminados no Auto de Infração, a partir do mês 12/2007 (inclusive), com aplicação de multa proporcional de 75%. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa –Presidente Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator Participaram ainda do presente julgamento, os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe (APEC Universidade de Guarulhos), no bojo destes autos, foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (fl. 367), no valor principal de R$ 10.928.931,89, com multa de ofício no percentual de 150% e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. O crédito tributário lançado encontrase resumido no demonstrativo de folha 04: Esclareceu o Auditor Fiscal, no seu Termo de Verificação Fiscal, na folha 373 e seguintes, que: 1 Naquele Termo relatamse tão somente as apurações relacionadas ao IRRF. 2 A ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE EDUCAÇÃO E CULTURA, fundada em 12 de outubro de 1969, na cidade de Guarulhos, Estado de São Paulo, é uma associação sem fins econômicos, na forma do artigo 53 do Código Civil, de caráter educativo e cultural, que tem por finalidade o ensino em seus vários graus, a pesquisa e a prestação de serviços correlatos como concursos públicos ou de seleção, conforme cópia de seu Estatuto. Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722918/201283 Acórdão n.º 2202003.455 S2C2T2 Fl. 2.147 3 3 Foram emitidos diversos termos de intimação fiscal, atendidos total ou parcialmente pela Entidade, com a apresentação de vários documentos e arquivos magnéticos. 4 PROCEDIMENTO FISCAL: Foram consultadas nos sistemas da Receita Federal do Brasil as informações e declarações em DIRF e DCTF entregues pela entidade, que foram cotejadas com as demais informações e livros entregues durante a fiscalização. O batimento DIRF x DCTF está apresentado no “Anexo III do TVF”; do qual se apuraram os valores do tributo IRRF informados nas DIRF mas omitidos nas declarações tributárias da DCTF. 5 Identificaramse DCTF entregues após o início da ação fiscal em 14/07/2011, com alterações nas declarações dos tributos devidos para os códigos da receita 0561 e 0588. Os débitos declarados nas DCTF pós 14/07/2011 foram indicados em termo próprio, com o apontamento que se tratam de valores lançados de ofício. Aconteceram as retificações extemporâneas das DCTF, mas sem quaisquer recolhimentos correspondentes. 6 A sonegação é agravada por se tratar de tributos que foram retidos das remunerações dos trabalhadores, se constituindo em crédito líquido e certo da Fazenda Nacional, que foram retidos indevidamente e não repassados aos cofres da União. A multa aplicada nos termos do Art. 35A, na redação dada pela MP 449/08, transformada na Lei 11.941/09, obedece o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Na situação concreta aqui tratada, a multa básica foi duplicada, passando de 75% para 150%. A multa de ofício calculada a partir dos indicadores citados produz os efeitos quanto a decadência tributária prevista no § 4º do Art. 150 do CTN, Lei 5.172/62, passando a valer o disposto no Inc. I do Art. 173 do Código Tributário. 7 A não aplicação dos resultados operacionais na própria entidade, citada em tópico anterior, exigência legal imposta às entidades beneficentes, traz implicação quanto ao destino das retenções dos tributos feitas sobre as remunerações dos trabalhadores e não recolhidas aos cofres públicos, visto que os recursos aplicados fora da entidade tiveram todas as origens, incluindo as retenções não repassadas. 8 Conforme processos 19515.722916/201294 e 19515.722917/201239, em todo o período analisado a entidade transferiu valores à empresa Novo Campo Administradora e Incorporadora S. A., CNPJ 05.811.789/000184, a titulo de prestações em compra de terreno no Bairro Goupuva e firmou contrato de prestação de serviço de administração financeira com a empresa ERAL EMPRESA RECUPERADORA DE ATIVOS LTDA., CNPJ: 08.273.919/000160, contratada esta que tinha no seu quadro societário pessoa que exerceu a dupla função de vicepresidente e Diretor Financeiro da APEC, escolhido em 04/08/2008, para complementar período, e reeleito em 27/04/2009 para o triênio seguinte, conforme constam das Atas de Assembléia Geral. As planilhas com as listagens mencionadas no TVF estão nas folhas 387 a 1950. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou Impugnação conforme folhas 2033 e seguintes. Alega, em resumo, que houve: cerceamento de defesa por ter sido notificada em endereço incorreto e pelo fato do processo só foi disponibilizado na internet nos dias 12/13 de janeiro de 2013; decadência parcial do direito de lançar, pelo Fisco; desconsideração indevida de DCTF entregues após o início de procedimento fiscal, mas que se referia inicialmente a contribuições previdenciárias, e não ao IRRF; descabida aplicação da Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722918/201283 Acórdão n.º 2202003.455 S2C2T2 Fl. 2.148 4 multa agravada pois havia entregue regularmente as DIRF's; menção a certas operações serem impeditivas do gozo da imunidade tributária mas que nenhuma relação tem com o imposto de renda retido na fonte e não merecem comentários. Anexa documentos: consulta ao eprocesso (fl. 2056); extrato DIRF (fl. 2062); dentre outros. A impugnação do contribuinte foi analisada pela DRJ I, no Rio de Janeiro/RJ, que, sumariamente, determinou o retorno dos autos à origem para fosse reaberto o prazo de trinta dias ao Impugnante, que alegara cerceamento de defesa em função do atraso na formalização do processo digital (fl. 2072). Em 26 de agosto de 2013 é apresentada nova manifestação, sem que seja aditada nenhuma nova razão àquelas anteriormente apresentadas. Em Acórdão, a 2ª Turma da DRJ/RJ1, em resumo, assim dispôs acerca das manifestações do contribuinte: a) Considerou superada a preliminar de cerceamento de defesa em face das providências acima relatadas; b) Por força dos Mandados de Procedimento Fiscal MPF sucessivos e das disposições sobre o instituto da denúncia espontânea (fl. 2092), entendeu que os valores declarados nas DCTF retificadoras apresentadas antes de 01/03/2012 deveriam ser considerados pela fiscalização na apuração do quantum supostamente devido. Em consulta aos sistemas da RFB, às fls. 2.082/2.087, verificase que, com exceção da DCTF retificadora relativa ao mês de dezembro de 2010, transmitida em 26/03/2013, as demais DCTF retificadoras relativas ao período fiscalizado foram apresentadas até 01/02/2012. Portanto, há de se retificar o lançamento de ofício para a exclusão dos valores já declarados em DCTF. Elaborou quadro conforme fl. 2093. c) Considerou improcedente a multa de 150% exigida, devendo ser aplicada a multa de 75% prevista no inciso I do art.44, da Lei nº 9.430, de 1996. d) Afastada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quanto a decadência, entendeu que o início do prazo ocorre na data do fato gerador (art.150, § 4º do CTN). Em sendo assim, concluise que se encontram decaídos os fatos geradores ocorridos até 30/11/2007. Assim, deuse provimento parcial à impugnação para considerar devido o IRRF no valor de R$ 606.276,92, acrescido de multa de ofício de 75% e de encargos moratórios. O Contribuinte tomou conhecimento do teor do Acórdão acima relatado na data 23/12/2013, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme despacho da folha 2102. Houve a apresentação de recurso de ofício pela Autoridade Julgadora de 1ª instância. Não consta a apresentação de recurso voluntário pelo contribuinte. Após a distribuição a este relator, foram apresentados memoriais, que foram anexados aos autos (fl. 2136 e ss.). Ressaltase ali as disposições do Acórdão da DRJ e pedese que o recurso de ofício seja considerado improcedente. Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722918/201283 Acórdão n.º 2202003.455 S2C2T2 Fl. 2.149 5 É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. Não existe recurso voluntário nestes autos, apenas recurso de ofício, interposto pelo Presidente da 2ª Turma da DRJ 1/RJ e, atendidas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Como estabeleceu o Julgador de 1ª instância, a preliminar de nulidade da autuação por cerceamento de defesa foi superada com a determinação para a reabertura do prazo de impugnação e o próprio contribuinte não mais se manifestou acerca do tema. MULTA QUALIFICADA E DECADÊNCIA. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, este CARF tem se posicionado na esteira do Recurso Especial nº 973.733/SC, (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722918/201283 Acórdão n.º 2202003.455 S2C2T2 Fl. 2.150 6 ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).(sublinhei) Chegase então, à seguinte regra: quando constatado pagamento antecipado do tributo e não havendo a constatação de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase a partir da data de ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4º do CTN. Citese: Acórdão 9202003.755 – 2ª Turma DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase do fato gerador, quando constatado o pagamento antecipado do tributo (artigo 150, § 4º, do CTN). A Fiscalização contou o prazo na forma do artigo 173, I, do CTN, sob a alegação de que estavam demonstrados o dolo e a fraude para reduzir a carga tributária, inclusive promovendo a qualificação da multa, para 150%, na forma do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. A DRJ entendeu diferentemente, assim se manifestando: No caso em lide, a autoridade autuante justificou a imposição da multa de ofício de 150% mencionando que: (1) a retenção do imposto de renda na fonte sem o respectivo recolhimento constitui em tese crime contra a ordem tributária; (2) os valores retidos não foram declarados em DCTF em diversos períodos de apuração; e (3) houve falta de atendimento aos requisitos legais para o enquadramento do interessado como entidade beneficente, pois, conforme detalhado nos processos 19515.722916/201294 e 19515.722917/201239, teria transferido recursos para outras empresas. (...) O lançamento decorreu do fato de o interessado ter efetuado a retenção do IRF, declarado o débito em DIRF mas não efetuou o recolhimento. Ora, o interessado não ocultou da autoridade fazendária o fato que permitiu a exigência do imposto em lançamento de ofício. Ademais, inexiste comprovação de que entre os valores supostamente transferidos a outra empresa estão incluídos os valores retidos e não recolhidos aos cofres públicos. 35. Assim, como não restou comprovada a sonegação ou a fraude tributária na forma definida na Lei nº 4.502/64, não há como prosperar a aplicação da multa qualificada. Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722918/201283 Acórdão n.º 2202003.455 S2C2T2 Fl. 2.151 7 36. Ressaltese que muito embora a ação de apropriação indébita do tributo se caracterize um crime contra ordem tributária (art. 2º, §2º, Lei nº 8.137/90), a hipótese, per si, não foi contemplada pela legislação tributária como circunstância qualificadora da multa de ofício. Concordo, neste ponto, com o Julgamento recorrido, entendendo não estar demonstrada fraude nem dolo, destacando que o lançamento foi feito a partir do cruzamento de informações prestadas em declarações do próprio contribuinte, como destacado no "procedimento" descrito no relatório. O simples fato de terse constatado a insuficiência de declaração em diversos períodos repetidos também não enseja a qualificação, conforme já decidido na jurisprudência deste CARF: Acórdão 9101001.962 MULTA QUALIFICADA REQUISITO. OBRIGATORIEDADE. Para a qualificação da multa de ofício, de 75% (setenta e cinco por cento) para 150% (cento e cinquenta por cento), é obrigatória a demonstração de comprovação do dolo, não bastando à alegação de reiteração de conduta.(sublinhei) Assim, afastase a qualificação da multa, conforme já decidido pela 1ª instância. Foram efetuados lançamentos relativos a períodos compreendidos entre 01/2007 e 12/2010. O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 19 de dezembro de 2012, conforme AR na folha 2.029. Como conseqüência direta, não demonstrada a ocorrência das qualificadoras e verificado que o contribuinte efetuara recolhimentos antecipados do tributo devido, conforme planilhas elaboradas pelo próprio Auditor Fiscal, anexas a seu Termo de Verificação Fiscal (fl. 1946), e registrado no Acórdão recorrido, a contagem do prazo decadencial deve mesmo ser feita a partir do fato gerador e concordo, também neste ponto, com as disposições da DRJ, que transcrevo: Verificase que o interessado tomou ciência do lançamento em 19/12/2012, e uma vez comprovado o recolhimento de IRRF, pela regra contida no art. 150, §4º, do CTN, os fatos geradores ocorridos até 30/11/2007 estariam alcançados pela decadência. (...) Afastado o dolo, o início do prazo da decadência ocorre na data do fato gerador (art.150, § 4º do CTN). Em sendo assim, conclui se que se encontram decaídos os fatos geradores ocorridos até 30/11/2007. Portanto, nego provimento ao recurso de ofício no que diz respeito à qualificação da multa e a decadência. MÉRITO Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722918/201283 Acórdão n.º 2202003.455 S2C2T2 Fl. 2.152 8 Considerando que foram efetuados neste mesmo contribuinte e em períodos análogos lançamentos referentes às contribuições sociais previstas no artigo 195 da CF/88, o Auditor Fiscal mencionou em seu Termo de Verificação Fiscal questões relativas ao descumprimento de requisitos para gozo de imunidade tributária (processos 19515.722916/201294 e 19515.722917/201239), conforme relatado. O contribuinte, na Impugnação, disse que essas menções eram descabidas à vista do tributo que aqui se discute, o imposto de renda retido na fonte, onde ele é apenas responsável tributário. Está correto. Vejamos na jurisprudência deste CARF: Acórdão 2801003.542 IMUNIDADE CONSTITUCIONAL DAS ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL BENESSE QUE AFASTA DA TRIBUTAÇÃO AS EXAÇÕES EM QUE A ENTIDADE FIGURE COMO CONTRIBUINTE NOS CASOS PREVISTOS NA CONSTITUIÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS PELAS ENTIDADES FILANTRÓPICAS FONTE PAGADORA RETENÇÃO DE IRRF INCIDÊNCIA DAS NORMAS TRIBUTÁRIAS QUE AGRAVAM O PATRIMÔNIO DOS BENEFICIÁRIOS DOS RENDIMENTOS A imunidade constitucional das entidades filantrópicas alberga o sujeito passivo na condição de contribuinte, jamais na condição de responsável tributário, quando a entidade funciona como fonte pagadora, efetuando as retenções do IRRF e recolhendoo aos cofres públicos. Assim, absolutamente desarrazoada a pretensão de se albergar na imunidade constitucional para afastar o imposto de renda retido em nome dos beneficiários dos rendimentos, estes que são os contribuintes de fato e direito, que suportaram o ônus do imposto, e não a fonte pagadora. Assim deveria declarar e recolher aos cofres públicos o Imposto de Renda Retido na Fonte referente a quem lhe prestou serviço e não se fala em imunidade tributária. DA ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DE DCTF. Disse a DRJ: Nos termos do art. 7º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas (§ 1º do mesmo artigo). Os atos praticados são válidos pelo prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogados, sucessivamente, por igual período com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos (§2º, idem). Observou, entretanto, que o procedimento fiscal teve início acobertado por um Mandado de Procedimento Fiscal que se referia apenas às contribuições previdenciárias, emitido em 04 de julho de 2011. Somente em 26 de outubro de 2011, foi incluído o tributo IRRF. Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722918/201283 Acórdão n.º 2202003.455 S2C2T2 Fl. 2.153 9 A inclusão do IRRF no procedimento fiscal foi comunicada ao contribuinte em 30 de dezembro de 2011 (fls. 22 e 24), mediante Termo Fiscal com AR. Depois disso, somente em 24 de fevereiro de 2012 foi lavrado novo Termo de Prosseguimento, porém a ciência ao interessado ocorreu em 01/03/2012. Vejamos: Em 26/10/2011, foi procedida a alteração no MPF para a inclusão da fiscalização do IRRF para o período de 01/2007 a 12/2010 (fl.02). O interessado somente foi cientificado da alteração em 30/12/2011, data da ciência do termo lavrado em 24/11/2011 (fl.24). Novo termo de prosseguimento de ação fiscal foi lavrado em 24/02/2012, porém a ciência ao interessado ocorreu em 01/03/2012 (fl.27). Verificase, portanto, que entre um ato e outro decorreram mais de 60 dias. Considerou então a DRJ que passaramse mais de 60 dias até que a Autoridade Fiscal se manifestasse novamente e, portanto, o contribuinte, nesse período, recuperara a espontaneidade, com efeitos retroativos, podendo, como fez, apresentar DCTF retificadoras que deveriam ter sido consideradas pela Autoridade Fiscal, no lançamento. Vejamos: Em sendo assim, os valores declarados nas DCTF retificadoras apresentadas antes de 01/03/2012 deveriam ser considerados pela fiscalização na apuração do quantum supostamente devido. Citou a seguinte Solução de Consulta Interna da Coordenação Geral de Tributação Cosit, da Receita Federal: Solução de consulta interna nº 15, de 20/5/2005, elaborada pela CoordenaçãoGeral de Tributação – Cosit, da Secretaria da Receita Federal, in verbis: “ASSUNTO : Denúncia Espontânea. Recuperação da espontaneidade com o decurso de prazo de sessenta dias. EMENTA : a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. O pagamento do tributo deve ser acrescido de juros e multa de mora. Assim, entendeu a DRJ que todos os valores declarados em DCTF até 01/03/2012 e não apenas aquelas transmitidas anteriormente a 14/07/2011 deveriam ser considerados, excluindoos do Auto de Infração. Diferentemente, então, do que havia registrado o Auditor Fiscal (fl. 380): Para os procedimentos necessários foi considerada a data de 14/07/2001, ciência no Termo de Início do Procedimento Fiscal, como a de exclusão da espontaneidade na correção das irregularidades tributárias, na forma do comandado no § único do Art. 138 do CTN, Lei 5.172/66; O entendimento exposto é também objeto da Súmula CARF nº 75: Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722918/201283 Acórdão n.º 2202003.455 S2C2T2 Fl. 2.154 10 A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Mas é preciso estudar o instituto da denúncia espontânea, nos termos do que está disposto no artigo 138 do CTN. Isso porque registrou o Auditor Fiscal em seu termo de verificação, na folha 382, que: Aconteceram as retificações extemporâneas das DCTF, mas, como observado no Anexo IV, sem quaisquer recolhimentos correspondentes;(destaquei) O anexo IV mencionado é uma tabela comparativa que está na folha 1.949, onde buscou o Auditor evidenciar que mesmo tendo sido entregues DCTF após o início do procedimento fiscal, o contribuinte não efetuou qualquer recolhimento do IRRF ali declarado. Diz o artigo 138, caput, do CTN; A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração.(destaquei) Há muito já decidiu o STJ que: "A simples confissão de dívida não configura denúncia espontânea. Deve a declaração do débito ser acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa..."(STJ, 2ª T., REsp 147.927/RS, DJU 11.05.98)(sublinhei) A "denúncia espontânea" é aquela acompanhada do pagamento do tributo devido, conforme declarado. Ensina Leandro Paulsen que: Na medida em que a responsabilidade por infrações resta afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservase a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo á inadimplência. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 15ª ed. Livraria do Advogado. Porto Alegre : 2013. p. 1022) Mesmo a declaração com pedido de parcelamento, conforme menciona o mesmo Paulsen, não implica na incidência do artigo 138 do CTN, pois não equivale a pagamento, e não afasta a multa, conforme "a posição do STJ, firmada pela Primeira Seção em junho de 2002, quando do julgamento do REsp 378.795/GO e do REsp nº 284.189/SP, e mantida desde então por unanimidade tanto na 1ª como na 2ª Turmas." (Op. cit. p. 1023) Portanto, a alegação da DRJ de que "nos termos da legislação de vigência, a DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito nela declarado e portanto há de se retificar o lançamento de ofício para a exclusão dos valores já declarados em DCTF...", não deve prevalecer. Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722918/201283 Acórdão n.º 2202003.455 S2C2T2 Fl. 2.155 11 Notese que para que seja aplicado o instituto da denúncia espontânea sempre será necessária a "confissão de dívida". Não consigo imaginar uma denúncia espontânea sem a confissão da dívida. Mas, mesmo assim, o artigo 138 do CTN é expresso em determinar: "acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora". Observo que segundo "a legislação de vigência" também o pedido de parcelamento constituise em confissão irretratável da dívida, mas mesmo ele, segundo o STJ, não configura denúncia espontânea, nos termos do CTN. No caso, o contribuinte, após o início do procedimento fiscal, entregou DCTF retificadoras, mas sem pagar o tributo. Mais adiante, o Auditor deixou que se passassem mais de 60 dias sem emanar qualquer ato ou termo de continuidade do procedimento e, conforme os entendimentos expostos pela DRJ e aqui já citados, o contribuinte recupera a espontaneidade, desde o início. Mas que espontaneidade é essa? Espontaneidade para declarar já havia feito e pagar o tributo sem a incidência de qualquer penalidade, seja de ofício, seja de mora, conforme jurisprudência do STJ. No caso, não o fez. E, conforme registrado no Termo de Verificação e nas planilhas de apuração, não havia feito até o encerramento da fiscalização. Portanto, entendo que não se aplica ao caso a espontaneidade prevista no Código Tributário, uma vez que as declarações (DCTF) que de fato são tratadas como "confissão de dívida" vieram, porém, desacompanhadas do pagamento, que no caso era devido. Tivesse confessado e pago o tributo, aí sim, passandose mais de 60 dias sem qualquer ato ou termo de continuidade da fiscalização, aquelas declarações, acompanhadas dos respectivos pagamentos, deveriam ser consideradas e o contribuinte estaria livre da aplicação de qualquer penalidade, seja de ofício, seja de mora, produzindo essa condição de espontaneidade efeitos extunc. Vejamos a jurisprudência deste Conselho: Acórdão 2202003.259 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de março de 2016 ALTERAÇÃO DO PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE PRAZO FIXADO POR LEI. A MERA DECLARAÇÃO DO TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, SEM O SEU PAGAMENTO NO CONFIGURA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INTELIGÊNCIA DA LEI TRIBUTÁRIA, ACOMPANHADA PELA JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. SELIC. APLICAÇÃO NO CAMPO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. DETERMINAÇÃO LEGAL RECONHECIDA PELAS CORTES SUPERIORES. ESTÁ FORA DA ÁREA DE ATUAÇÃO DO CARF AS QUESTÕES SOBRE AS PEÇAS DE INFORMAÇÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL MPF. Acórdão 9303002.626 CSRF 3ª Turma, Sessão de 12 de novembro de 2013 PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURADA. MULTA DE MORA AFASTADA. ARTIGO 62 A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722918/201283 Acórdão n.º 2202003.455 S2C2T2 Fl. 2.156 12 DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. Consoante o disposto no artigo 62 A do Regimento Interno do CARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do CPC). De acordo com a decisão do STJ REsp 1.149.022, a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente.(destaquei) Por fim, é de se transcrever o citado REsp 1.149.022 do STJ (Relator Min. Luiz Fux, Primeira Seção, Dje 24/06/2010), cuja observância é obrigatória neste julgamento, conforme disposições regimentais supracitadas: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.722918/201283 Acórdão n.º 2202003.455 S2C2T2 Fl. 2.157 13 Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. Em sentido contrário, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), não elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada, que não fora quitada à época da retificação da declaração, não se aplicando o artigo 138 do CTN. Assim sendo, dou provimento ao recurso de ofício na parte que entendeu pela consideração de todas as DCTF retificadoras apresentadas pelo contribuinte até 01/03/2012. CONCLUSÃO Ante o todo acima exposto, entendo que deve ser reformada a decisão da DRJ na parte que entendeu por cancelar parcialmente o lançamento para considerar as DCTF retificadoras apresentadas até 01/03/2012, e deve ser a mesma confirmada na parte que entendeu ser incabível a aplicação da multa qualificada e, consequentemente, pela decadência dos fatos geradores ocorridos até 30/11/2007. Enfim, VOTO por dar provimento parcial ao recurso de ofício para permanecerem em exigência os valores discriminados no Auto de Infração (folha 358 e seguintes), a partir do mês 12/2007 (inclusive), com aplicação de multa proporcional de 75%, observandose o indicado no Termo de Verificação Fiscal, itens 4.12 e 4.13 (folha 381). Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13854.720038/2013-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria nº 256/2009).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-003.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ser adimplidos. Vencidos os Conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos César Quadros Pierre, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Presidente).
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Redator designado.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria nº 256/2009). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ser adimplidos. Vencidos os Conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos César Quadros Pierre, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Presidente). Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Redator designado. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 72 00 38 /2 01 3- 26 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13854.720038/201326 Acórdão n.º 2201003.232 S2C2T1 Fl. 122 2 Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 15ª Turma da DRJ/SP1 (Fls. 106), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Do lançamento Contra a contribuinte acima identificada foi emitida a notificação de lançamento de fls. 84/87, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas, anocalendário 2008, por meio da qual se apurou a omissão de rendimentos tributáveis recebidos da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 62.052,58, com IRRF de R$ 1.861,58. Da impugnação Cientificada do lançamento em 08/02/2013 (fl. 89), a contribuinte apresentou, em 27/02/2013, a impugnação de fls. 2/3, acompanhada dos documentos de fls. 4/83, abaixo resumida. A impugnante considerou isentos os rendimentos, por se tratar de revisão de aposentadoria e por ter mais de 65 anos. Esses rendimentos decorreram de processo de aposentadoria que, por desídia do INSS, perdurou por anos, até que fosse concedido o benefício. Dessa forma, não é correta a tributação do valor recebido de forma acumulada, pois, caso fosse analisada a renda mensalmente, a impugnante estaria isenta do recolhimento do imposto de renda. Passo adiante, 15ª Turma da DRJ/SP1 entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. APOSENTADORIA. CONTRIBUINTE COM 65 ANOS OU MAIS. Os rendimentos de aposentadoria recebidos acumuladamente no anocalendário 2008, em decorrência de ação judicial movida contra o INSS, são tributados na fonte no mês de seu recebimento e sujeitamse ao ajuste anual, não podendo o contribuinte maior de 65 anos usufruir de isenção em valor mensal superior ao limite previsto em lei. Cientificada em 23/08/2013 (Fls. 116), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 13/09/2013 (fls. 117), argumentando: (...) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13854.720038/201326 Acórdão n.º 2201003.232 S2C2T1 Fl. 123 3 A recorrente recebeu, por meio de ação judicial, que perdurou por anos e anos, em uma única parcela diferenças decorrente de pagamentos a menor, ocorrido durante vários anos, que se efetuados nas épocas apropriadas, seriam isentos por não chegarem ao mínimo tributável. E, agora, se vê diante de uma dívida que, considerando a situação atual da recorrente não tem a menor condição de adimplila. Isto é uma total inversão de valores, que visa penalizar o pensionista que deixou de receber rendimentos nas épocas apropriadas por erro de sua fonte pagadora. Evidente injustiça, pois, o imposto devido deveria ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos, o que certamente traria um cenário totalmente diferente e a recorrente deixaria de ser uma "devedora" do Fisco. Por fim, clamase por Justiça, pois, estamos cada vez mais desfigurados de nossa condição de cidadãos e transformados em meros contribuintes. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, resta em litígio apenas a parte do lançamento relativa aos rendimentos recebidos acumuladamente do INSS, no valor de R$ 60.679,77. A contribuinte alega em seu Recurso Voluntário a aplicação errônea do regime de caixa. Observo que, realmente, a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Processo: REsp 1118429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13854.720038/201326 Acórdão n.º 2201003.232 S2C2T1 Fl. 124 4 Relator: Ministro Herman Benjamin (1132) ÓRGÃO JULGADOR: S1 – PRIMEIRA SEÇÃO Data do julgamento: 24/03/2010 Data da Publicação/Fonte: DJe 14/05/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça: "A Seção, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon, Luiz Fux, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, a Sra. Ministra Denise Arruda. Notas: Julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ. Tal entendimento é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13854.720038/201326 Acórdão n.º 2201003.232 S2C2T1 Fl. 125 5 Por oportuno, esclareço que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeras recentes decisões, tem entendido que o recurso repetitivo se aplica, inclusive quando o rendimento acumulado é oriundo de ação trabalhista; conforme se verifica neste julgado: Data da Publicação12/02/2014 AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 465.580 SE (2014/00135374) RELATOR : MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : MARCOS ANTONIO MOURA SALES ADVOGADOS : WILLIAM DE OLIVEIRA CRUZ ANTÔNIO JOSÉ LIMA JÚNIOR DECISÃO Tratase de agravo interposto de decisão que não admitiu recurso especial manifestado pela FAZENDA NACIONAL, com base no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região assim ementado (fl. 117e): TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. VERBA TRABALHISTA RECEBIDA JUDICIALMENTE DE FORMA ACUMULADA. INCIDÊNCIA EM CADA COMPETÊNCIA. O STJ pacificou o entendimento segundo o qual "(...) quando o pagamento dos benefícios previdenciários é feito de forma acumulada e com atraso, a incidência do Imposto de Renda deve ter como parâmetro o valor mensal do benefício, e não o montante integral creditado extemporaneamente, além de observar as tabelas e as alíquotas vigentes à época em que deveriam ter sido pagos. Precedente do STJ, em sede de recursos repetitivos (STJ. 1ª Seção. Rel. Min. Herman Benjamin. Resp 1118429. DJ, 14/05/10). "Não se pode prejudicar o contribuinte que, em virtude do atraso do empregador, recebeu um valor acumulado, quando deveria ter percebido mensalmente os valores devidos. Destarte, as alíquotas a incidirem no tributo devem levar em conta as parcelas mensais que deveriam ser pagas, e não o valor cumulado." (TRF 5ª Região. 2ª Turma. APELREEX 15694. DJ, 31/03/11). Remessa oficial e apelação da Fazenda Nacional improvidas. Opostos embargos de declaração (fls. 121/122e), foram Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13854.720038/201326 Acórdão n.º 2201003.232 S2C2T1 Fl. 126 6 rejeitados (fls. 124/129e). Nas razões do especial, sustenta a agravante, em resumo, que "A aplicação da alíquota oriunda da tabela do imposto de renda na fonte sobre rendimentos recebidos cumulativamente em um mesmo mês não significa alteração de alíquota, muito menos por meio de artifício, mas da tributação pura e simples dos rendimentos efetivamente recebidos em determinado mês, aplicandose o princípio constitucional da progressividade para o imposto sobre a renda" (fl. 136e). Pugna pela reforma do julgado. Sem contra razões e inadmitido o recurso especial na origem (fls. 146/147e), fora interposto o presente agravo. Decido. Inicialmente, verifico que a parte recorrente não indicou, nas razões de seu recurso especial, qual dispositivo de lei teria sido violado pelo acórdão recorrido. Assim, nos termos da jurisprudência pacífica deste Tribunal, a indicação de violação genérica a lei federal, sem particularização precisa dos dispositivos violados, implica deficiência de fundamentação do recurso especial, atraindo a incidência da Súmula 284/STF. Neste sentido: AgRg no AG 586.236/RJ, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Sexta Turma, DJ 1º/7/05. Ainda que assim não fosse, quanto ao mérito, o recurso não merece acolhimento, uma vez que a pretensão recursal está em desconformidade com a jurisprudência desta Corte, formalizada, inclusive, sob a sistemática do julgamento dos recursos repetitivos. Sobre o tema. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (Resp 1.118.429/SP, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Primeira Seção DJe 14/5/10) TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA – BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO PAGO EM ATRASO REGIME DE COMPETÊNCIA – RESP 1.118.429/SP JULGADO Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13854.720038/201326 Acórdão n.º 2201003.232 S2C2T1 Fl. 127 7 SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC – REPERCUSSÃO GERAL SOBRESTAMENTO DO FEITO IMPOSSIBILIDADE RESERVA DE PLENÁRIO INAPLICABILIDADE. 1. Nos termos da jurisprudência da Primeira Seção desta Corte, a incidência do imposto de renda sobre o pagamento de benefício previdenciário pago a destempo e acumuladamente, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, considerandose a renda auferida mês a mês pelo segurado. (REsp 1.118.429/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. O reconhecimento de repercussão geral em recurso extraordinário não implica direito ao sobrestamento de recursos no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Precedentes. 3. "Decidida a questão jurídica sob o enfoque da legislação federal, sem qualquer juízo de incompatibilidade vertical com a Constituição Federal, é inaplicável a regra da reserva de plenário prevista no art. 97 da Carta Magna." (AgRg no REsp 1.313.077/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe 13/06/2013) 4. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg no AREsp 269.125/RS, Rel. Min. SÉRGIO KUKINA, Primeira Turma, DJe 19/8/13) Incide, pois, o verbete sumular 83/STJ, aplicável, também, aos recursos interpostos pela alínea a do permissivo constitucional. Ante o exposto, conheço do agravo para negarlhe provimento. Intimemse. Brasília (DF), 10 de fevereiro de 2014. MINISTRO ARNALDO ESTEVES LIMA Relator Ainda, no Resp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Relator Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à forma de apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. Transcrevo do Voto: (...) O artigo 12 da Lei 7.713/88 dispõe que o imposto de renda é devido na competência em que ocorre o acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN), ou seja, quando o respectivo valor se tornar disponível para o contribuinte. Prevê o citado dispositivo: "Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação Fl. 127DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13854.720038/201326 Acórdão n.º 2201003.232 S2C2T1 Fl. 128 8 judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." O dispositivo citado não fixa a forma de cálculo, mas apenas o elemento temporal da incidência. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, como dispõe o art. 12 da Lei 7.713/88, mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Nesse sentido, há inúmeros precedentes de ambas as Turmas de Direito Público, como se observa das seguintes ementas(...) (sublinhei) Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator designado. Em que pese o voto proferido pelo ilustre Conselheiro, tenho, data vênia, opinião divergente ao seu entendimento. Como visto do relatório, tratase de lançamento efetuado sobre verbas previdenciárias recebidas acumuladamente, por força de decisão judicial. Pois bem, no que tange aos rendimentos recebidos acumuladamente, a autoridade lançadora aplicou à espécie o art. 12 da Lei n° 7.713/1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de Fl. 128DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13854.720038/201326 Acórdão n.º 2201003.232 S2C2T1 Fl. 129 9 advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (grifei) Contudo, o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009), determinou que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil (CPC). Vejase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, o Superior Tribunal Justiça (STJ) ao apreciar o Resp nº 1.118.429/SP, na sistemática do art. 543C do CPC, assim determinou: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Do exposto, verificase que o Resp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Nesse caso, devese aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 129DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13854.720038/201326 Acórdão n.º 2201003.232 S2C2T1 Fl. 130 10 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16327.001366/2010-33
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-002.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, dado provimento por voto de qualidade, com retorno dos autos à Câmara a quo para que ela aprecie a questão da exclusão da reserva de capital do patrimônio líquido do exercício social de 2006 na apuração do limite de dedutibilidade dos JCP, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez. O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freiras Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ E CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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PERÍODOS ANTERIORES. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CITIBANK DISTRIBUIDORA DE TITULOS E VALORES MOB SA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas (geradas com o uso do capital que os JCP remuneram) se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, dado provimento por voto de qualidade, com retorno dos autos à Câmara a quo para que ela aprecie a questão da exclusão da reserva de capital do patrimônio líquido do exercício social de 2006 na apuração do limite de dedutibilidade dos JCP, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 66 /2 01 0- 33 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 608 2 Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada), Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada) e Maria Teresa Martinez Lopez. O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freiras Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO (Suplente Convocada), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ E CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls 468 e ss., contra o acórdão de nº 1401000.900 (efls 450 e ss.), que, no mérito e por maioria, deu provimento ao recurso voluntário. Na matéria objeto da presente discussão, tal acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o seu pagamento ou crédito. Inclusive, a remuneração do capital próprio pode tomar por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites de dedutibilidade previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou creditamento. PRECLUSÃO. INAPLICABILIDADE. A preclusão está relacionada à perda de direitos, faculdades ou poderes processuais, não se relacionando à hipótese de ausência de deliberação de JCP em exercícios anteriores. RENÚNCIA. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. Não havendo previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito no caso de ausência da deliberação do pagamento dos JCP. A renúncia de direitos deve ser interpretada de forma restrita, não devendo o silêncio do acionista ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito, gerando efeitos tributários. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 609 3 A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos nºs 120100.348 e 130200.465, cujas ementas estão assim redigidas na parte de interesse: Acórdão nº 120100.348: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros sobre o capital próprio, como, de regra, as demais despesas, somente podem ser levados ao resultado do exercício a que competirem. Acórdão nº 130200.465: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 Ementa: DESPESAS OPERACIONAIS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. A remuneração ou não do capital próprio constitui uma faculdade ínsita à esfera de decisão da pessoa jurídica, sendolhe lícito, ao decidir pela remuneração, apropriar a despesa no momento que melhor lhe aprouver. Contudo, os efeitos fiscais decorrentes de tal decisão são ditados pela norma tributária de regência. Nos termos do art. 9º da Lei nº. 9.249/95, a observância dos critérios e limites para fins de dedutibilidade deve ser feita no momento em que a despesa com os juros é apropriada no resultado. No mérito, a Recorrente argumenta, em síntese, o que segue: a) que o art. 132 da Lei n° 6.404, de 1976, impõe a obrigatoriedade da empresa realizar uma Assembleia Geral ordinária anual, que deve examinar as demonstrações financeiras e deliberar sobre destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos, sendo que as deliberações são classificadas como um negócio jurídico plurilateral e não podem ser modificadas a qualquer tempo, salvo se comprovado erro, dolo, fraude ou simulação; b) que a autuada deliberou em Assembleia Geral Extraordinária, realizada em 27/11/2006, o pagamento de JCPs referentes aos anoscalendário de 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, mas que não houve deliberação nesse sentido nas Assembleias Gerais dos anoscalendário correspondentes; c) que, se nas assembléias anteriores a 2006 (2001 a 2005) o lucro já foi destinado, na Assembleia de 2006 (27/11/2006) não existe mais lucro para pagar os JCP relativos aos anoscalendário de 2001 a 2005. Portanto, como no pagamento de JCP retroativo não há mais lucro disponível a ser destinado, não pode haver a dedutibilidade da despesa de JCP posteriormente; d) que, em se tratando de exercícios sociais pretéritos, já houve a realização de AssembleiaGeral ordinária e foi externada a vontade social sobre a Fl. 609DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 610 4 destinação dos lucros e aprovação das demonstrações financeiras. Assim, já destinado o lucro, temse ato jurídico perfeito, apto a produzir todos os efeitos, razão pela qual é vedada a dedutibilidade de JsCP retroativo; e f) que a decisão de Assembleia Geral de creditar aos sócios JCP incidentes sobre patrimônio líquido de exercícios anteriores não tem validade para fins fiscais, pois se refere às despesas que poderiam ser incorridas nos anos calendário de 2001 a 2005, sendo que "a dedutibilidade dos JsCP será aferida de acordo com o regime de competência, por ser regra geral, bem como critério básico para registro das operações da pessoa jurídica na contabilidade societária e fiscal". Nesse ponto, cita dispositivos das Instruções Normativas SRF nº 11, de 1996, e nº 40, de 1998, e das normas nos quais se fundamentam, bem como julgados do CARF que concluem no sentido de que "a legislação tributária adota o regime de competência para o registro das mutações patrimoniais, sendo as exceções explicitadas na legislação". Pede, ao final, que o presente recurso seja provido, e, assim, "mantido in totum o lançamento". O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 505 e ss., havendo a contribuinte apresentado contrarrazões (efls. 538 e ss.), tempestivamente (conforme Despacho de efls. 568). Aduz a Contribuinte, em essência, o seguinte: a) que o art. 9º da Lei nº 9.249, de 1995, não estabelece o momento em que se devam pagar os JCP; b) que foi na AGE de 27/11/2006 que a empresa tomou conhecimento da obrigação de pagar os JCP e que até essa data "os lucros acumulados, que incluem os JCP calculados sobre o patrimônio e não declarados pela empresa, ficaram à disposição de seus interesses sociais e poderiam inclusive ser absorvidos por prejuízos", sendo que "com a Assembleia a despesa de JCP tornouse incorrida, passível de contabilização pelo regime de competência e elegível à dedução fiscal" e fazendo referência à disposições da IN SRF nº 11, de 1996, da Lei nº 6.404, de 1976, e do Regulamento do Imposto de Renda, bem como ao Parecer Normativo CST nº 07/76; c) que os JCP estão sujeitos à condição suspensiva, nos termos dos artigos 116 e 117 do CTN e 125 do Código Civil, e que "o acionista não consegue exigir o pagamento dos JCP até a data que a condição suspensiva se concretize e tal condição é a deliberação da Assembleia de Acionistas acerca da distribuição dos JCP, considerando que nesse momento deve haver lucros acumulados ou do exercício pelo menos duas vezes superiores ao valor de JCP a deliberar"; d) que os JCP vieram para compensar os efeitos da extinção da correção monetária dos balanços, a partir de 1996, e têm a finalidade de incentivar a capitalização das empresas; e) que os JCP não correspondem "a uma retribuição financeira pela cessão de capital de terceiros à sociedade", mas, sim, a uma "remuneração pelo Fl. 610DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 611 5 investimento dos próprios sócios na empresa", sendo que "a equiparação para fins tributários dos JCP a um pagamento de juros só é possível em decorrência da previsão introduzida pela Lei nº 9.249/1995", tratandose esse regime fiscal de ficção jurídica; f) que a Deliberação CVM nº 207, de 1996, confirma tal caracterização ao orientar o registro do valor líquidos dos JCP diretamente à conta de Lucos Acumulados, sem afetar o resultado do exercício, sendo que apenas o imposto na renda na fonte correspondente deve ser reconhecido como despesa. No mesmo sentido vai a orientação de que, caso a empresa contabilize os juros como despesa para atender às disposições tributárias, proceda a reversão desses valores na sua escrituração de forma a não afetar resultado do exercício. E que, na mesma linha, o art. 9º, § 7º, da Lei nº 9.249/1995, estabelece que o valor dos JCP poderá ser imputado ao valor dos dividendos; g) que "na verdade, o JCP é uma espécie do gênero 'benefício fiscal' em que determinada remuneração dos acionistas passa a ser dedutível na apuração do lucro real" e que não há no texto legal restrição a sua dedutibilidade desde que atendidas às condições legais (pagamento ou crédito individualizado ao sócio, aplicação da TJLP sobre as contas de patrimônio líquido pro rata dia e existência de lucros em valor igual ou superior a duas vezes o JCP no momento do efetivo pagamento ou crédito); e f) que "a Lei nº 9.249, de 1995, e nem tampouco a Lei nº 6.404, de 1976, estabelecem qualquer obrigação da empresa distribuir seus lucros ou os JCP no próprio ano em que forem computados", assinalando que não há base legal para se exigir que a faculdade de distribuir JCP deva ser exercida até o encerramento de cada anocalendário em que a empresa computar a TJLP sobre o PL e auferir lucros, rebatendo o argumento da Recorrente de impossibilidade de modificação ou revogação de deliberação da Assembléia. Traz precedentes do STJ e do CARF a confirmar suas razões e alega, por fim, que a Fiscalização excluiu a reserva de capital do patrimônio líquido base para fins do cálculo dos JCP de forma irregular, uma vez que não há na lei ou na IN que a regulamenta qualquer previsão para tal exclusão, sublinhando que tal fato, embora demonstrado no Recurso Voluntário não foi abordado no acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 612 6 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A discussão cingese à possibilidade de a pessoa jurídica deduzir, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de determinado anocalendário, tão somente os juros sobre o capital próprio (JCP) calculados sobre os valores das contas do patrimônio líquido no exercício social correspondente ao anocalendário em questão (entendimento da Fiscalização) ou também em relação a exercícios sociais anteriores (entendimento da Contribuinte). Como se extrai do TVF (efls. 39 e ss.), no demonstrativo de cálculo do JCP apresentado pela empresa, o valor deduzido de R$ 94.846.500,00 respeita a condição de existência de lucros acumulados e reserva de lucros em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos, porém não respeita o limite de dedutibilidade dos JCP determinado pela variação, pro rata dia, da TJLP sobre as contas do patrimônio líquido no exercício social de 2006. Isso porque a empresa, em seu cálculo, considerou a variação da TJLP de 2001 a 2005, o que resultou em um excesso de dedução, glosado, de R$ 69.868.609,42. Como resta evidente pelos próprios precedentes trazidos pela Fazenda e pela Contribuinte, a matéria não se encontra pacificada no âmbito do CARF. Recentemente, no entanto, esta 1ª Turma da CSRF, ao julgar recursos especiais ora da Fazenda Nacional, ora dos Contribuintes, pronunciouse pela indedutibilidade dos JCP em relação a períodos pretéritos, conforme acórdãos 9101002.180, 9101002.181 e 9101002.182, todos da sessão de 20 de janeiro de 2016, da lavra do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Em todas essas votações, acompanhei o relator, por entender que: a) os Juros sobre o Capital Próprio representam uma remuneração dos sócios pelo capital investido; b) por serem juros pagos pelas pessoas jurídicas a seus sócios, têm a natureza contábil de despesas (contrapartida das receitas advindas do uso desse capital); c) por serem uma despesa, transitam pelo resultado; e d) por transitarem pelo resultado, não podem ser pagos após o encerramento do período. Concordo com a Contribuinte que a Lei nº 9.249/95 visou estimular o investimento de capital nas empresas e desestimular o financiamento das atividades operacionais, mediante empréstimos, que caracterizavam uma subcapitalização. Ocorre que todo esse escopo pode e deve ser compreendido nos limites do anocalendário objeto de apuração, e não estendido a outros períodos. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 613 7 Constato, também, que a lei não mencionou o momento em que tais juros devem ser pagos. Contudo, vislumbro isso desnecessário, porque se a norma estabelece limites para fins de dedução do lucro real, é porque estamos falando de uma despesa contábil, que tem limites de dedutibilidade para fins de lucro real. Por oportuno, transcrevo trecho do Acórdão nº 1102000.934, de 8 de outubro de 2013, da lavra do exConselheiro José Evande Carvalho Araújo: Contudo, pareceme evidente que, quando a lei permite que se deduza, para efeitos da apuração do lucro real, os JCP calculados pela aplicação pro rata dia da taxa TJLP sobre os valores das contas do patrimônio líquido, estáse limitando o cálculo para o mesmo período da apuração do lucro real. Apesar de a doutrina afirmar que a natureza jurídica dos juros sobre o capital próprio é a de distribuição sui generis de lucro, não há dúvidas de que a lei fiscal lhes dá o tratamento de despesa financeira. E como despesa financeira, só podem ser apropriados no período a que competirem. Não é razoável se entender que a lei permitiu implicitamente a dedução de uma despesa calculada com base no patrimônio de períodos anteriores. Isso seria o mesmo que admitir, por exemplo, a dedução de juros sobre um empréstimo relativos ao anocalendário anterior. (Grifei) Concordo também com a Contribuinte de que somente após a Assembléia de 2006 é que a despesa tornouse incorrida. De fato, a despesa só surge quando deliberado o pagamento ou creditamento dos juros. Neste sentido, considero trago à colação a lição de Hiromi Higuchi (HIGUCHI, Hiromi. Imposto de Renda das Empresas: Interpretação e Prática. 38ª ed. São Paulo: IR Publicações, 2013. p. 127.): Alguns tributaristas entendem que os juros sobre o capital próprio são dedutíveis na determinação do lucro real, ainda que não contabilizados no períodobase correspondente, desde que escriturados como exclusão no LALUR e sejam contabilizados no períodobase seguinte como ajuste de exercício anterior. Entendemos que a contabilização no períodobase correspondente é condição para a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio por tratarse de opção do contribuinte. Sem o exercício da opção de contabilizar os juros não há despesa incorrida. É diferente de juros calculados sobre o empréstimo de terceiro porque neste há despesa incorrida, ainda que os juros sejam contabilizados só no pagamento. (Grifei) E também os ensinamentos de Edmar Oliveira Andrade Filho (ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Imposto de Renda das Empresas. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2013. p. 458): Portanto, o período da competência do encargo relativo aos juros sobre o capital é aquele em que ocorre a deliberação de seu pagamento ou crédito de forma incondicional. Sem essa Fl. 613DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 614 8 deliberação a sociedade não se obriga (não assume a obrigação) e o sócio ou acionista nada pode exigir por absoluta falta de título jurídico que legitime a sua pretensão. Do ponto de vista fiscal, é no momento (período) em que o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício que o sujeito passivo deverá observar os critérios e limites existentes segundo o direito aplicável. Portanto, é fora de dúvida que enquanto não houver o ato jurídico que determine a obrigação de pagar os juros não existe a despesa ou encargo respectivo e não há que se cogitar de dedutibilidade de algo ainda inexistente. (Grifei) E é aqui que reside a questão: o momento que em o valor dos juros é imputado ao resultado do exercício. Como após a apuração do lucro, não há que se falar mais em pagamento das despesas de juros sobre o capital próprio, relativamente aos anoscalendário de 2001 a 2005, não se poderia mais pagar juros sobre capital próprio; daí porque o “período correspondente” , como dito, necessariamente precisa ser o de apuração do lucro. Não foi, no entanto, o que ocorreu no presente processo em relação aos anos calendário 2001 a 2005, para os quais não se constituiu a obrigação de pagar os JCPs correspondentes, não havendo falar em incorrimento dessas despesas. Por essa razão, é que descabe, também falar em inobservância de regime de escrituração, como bem observou o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, no acórdão 1301 – 001.118, de 5 de dezembro de 2012: Ademais, revelase absolutamente impróprio falarse em inobservância de regime de competência no registro de despesa na situação em que ela própria (a despesa) não existe, pois, se apurada e não refletida contabilmente, descabe falar em despesa incorrida. Cabe destacar, assim, que na situação sob análise, em que se fala em “apuração” mas não se prova a contabilização, o regime de competência se revela no momento do pagamento ou crédito ao beneficiário, isto é, no momento em que a despesa é efetivamente incorrida. Resta fora de dúvida, portanto, que, no presente caso, a solução da controvérsia está diretamente associada à aferição do cumprimento das condições estabelecidas pela legislação tributária para fins de dedutibilidade da despesa. Afirma, ainda a Recorrente, que a lei autoriza o cálculo de JCP sobre os lucros acumulados de anos anteriores; contudo, entendo que a menção aos lucros acumulados trazida pela Lei nº 9.249, de 1995 diz respeito tão somente a um dos limites para fins de dedutibilidade do lucro real, senão vejamos: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 615 9 § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Grifei) Neste sentido também entendeu a Conselheira Edeli Pereira Bessa, por meio do Acórdão nº 1101000.904, de 12 de junho de 2013: Esclareçase, ainda, que o fato de a remuneração do capital próprio por meio de juros atribuídos aos sócios ter seus limites estabelecidos, também, em função do montante de lucros acumulados no momento da deliberação, não significa que o cálculo dos juros podem considerar períodos de apuração anteriores, cujos resultados integram aquele saldo acumulado, mas apenas que os juros incorridos no período de referência podem ser pagos ainda que superem o resultado do exercício correspondente, desde que haja saldo em conta de lucros acumulados que suportem este pagamento. Inadmissível, assim, a redução dos lucros apurados no ano calendário 2005 em razão de juros decorrentes da utilização de capital próprio em período de apuração distinto daquele ao qual se refere os lucros que se pretendeu destinar à remuneração de capital. Além disso, mesmo que se acolha a afirmação do acórdão recorrido de que "o pagamento retroativo e acumulado de JCP é pautado exclusivamente pelos critérios de conveniência financeira da pessoa jurídica e dos seus sócios, cabendolhes a faculdade de deliberar ou não pelo seu pagamento no mesmo ano em que apurado o lucro ou nos exercícios subsequentes", verificase que tal possibilidade não tem o condão de subverter o regime de competência e tornar dedutível despesa não incorrida a seu tempo. É dizer, não tendo a despesa com JCP incorrido no exercício correspondente, não se pode deduzila na apuração do lucro real de exercício posterior. Com razão, portanto, a Fazenda Nacional quando afirma que a decisão da Assembleia Geral referente ao exercício de 2006 de creditar aos sócios JCP incidentes sobre patrimônio líquido de exercícios anteriores (2001 a 2005) não tem validade para fins fiscais, pois se refere a despesas que não foram incorridas naqueles exercícios. Em relação à alegação da Recorrente de que a Deliberação CVM nº 207, de 1996, ao orientar o registro dos JCP diretamente à conta de Lucros Acumulados, sem afetar o resultado do exercício, valhome, da análise que fez o Conselheiro Rafael Vidal de Araujo nos antes citado acórdãos desta 1ª Turma da CSRF, a seguir transcrita: 41.1.Da ementa da referida Deliberação percebese que esta surgiu no contexto da regulamentação do artigo fiscal, como esta mesma anuncia: "Dispõe sobre a contabilização dos juros sobre o capital próprio previstos na Lei nº 9.249/95". Assim, tudo indica que surgiu para adaptar as conseqüências dos JCP, em razão da efetivação desse instituto jurídico que se tornou interessante com o tratamento tributário. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 616 10 41.2.O inciso I da Deliberação não tem o condão de modificar a natureza jurídica dos JCP, tanto é que o próprio inciso é bem claro ao prescrever: devem ser contabilizados, tratase de norma contábil, de determinação para modo de proceder aos registros contábeis, nada mais. Esse inciso não teve a presunção de dizer que não é despesa algo que é, antes pelo contrário, o só fato desta norma existir é sinal evidente de que, em sua ausência, a contabilização ocorreria através de conta de resultado. 41.3.Ao dizer "sem afetar o resultado do exercício", está enunciando que a contabilização deve ocorrer que modo diverso ao que originalmente ocorreria, ou seja, como sem a norma a despesa de JCP afetaria o resultado do exercício, então, com a norma essa despesa de JCP não afetará o resultado do exercício. 41.4.Não se trata de uma norma declaratória de conteúdo, antes pois é uma norma que institui uma conduta, qual seja, a conduta de fazer dessa forma (contabilizar diretamente à conta de Lucros Acumulados sem transitar pelo resultado) e não daquela forma (contabilizar como despesa financeira transitando pelo resultado), ou ainda, ao instituir a conduta que pretende impor acaba por revelar qual a conduta se deseja evitar. E ao se refletir sobre a conduta evitável, tornase evidente que, na ótica do próprio legislador (o colegiado da CVM), os JCP são despesas. 41.5.Ademais, não é uma norma absoluta, foi excetuada na própria Deliberação CVM, senão vejamos os incisos: VII, VIII e IX: VII O disposto nesta Deliberação aplicase, exclusivamente, às demonstrações financeiras elaboradas na forma dos artigos 176 e 177 da Lei nº 6.404/76, não implicando alteração ou interpretação das disposições de natureza tributária. VIII Caso a companhia opte, para fins de atendimento às disposições tributárias, por contabilizar os juros sobre o capital próprio pagos/creditados ou recebidos/auferidos como despesa ou receita financeira, deverá proceder à reversão desses valores, nos registros mercantis, de forma a que o lucro líquido ou o prejuízo do exercício seja apurado nos termos desta Deliberação. IX A reversão, de que trata o item anterior, poderá ser evidenciada na última linha da demonstração do resultado antes do saldo da conta do lucro líquido ou prejuízo do exercício. 41.6.Não é preciso ir muito longe para encontrar o que prevê o inciso VIII: "caso a companhia opte, para fins de atendimento às disposições tributárias, por contabilizar os juros sobre o capital próprio pagos/creditados ... como despesa ... financeira, ...". Onde estão as disposições tributárias que conduzem a conduta do inciso VIII? Na própria IN SRF nº 11/1996! Transcrevo mais alguns de seus dispositivos: Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a Fl. 616DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 617 11 § 1º À opção da pessoa jurídica, o valor dos juros a que se refere este artigo poderá ser incorporado ao capital social ou mantido em conta de reserva destinada a aumento de capital. ... § 3º O valor do juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, não poderá exceder, para efeitos de dedutibilidade como despesa financeira, a cinqüenta por cento de um dos seguintes valores: a) do lucro líquido correspondente ao períodobase do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou b) dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores. ... Art. 30. O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo da incidência do imposto de renda na fonte. Parágrafo único. Para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real, os juros pagos ou creditados, ainda que imputados aos dividendos ou quando exercida a opção de que trata o § 1º do artigo anterior, deverão ser registrados em contrapartida de despesas financeiras. 41.7.Assim, na existência de disposições tributárias, é forçoso atender a conduta dos incisos VIII e IX, em detrimento da conduta do inciso I, que acabou por não ter aplicação prática, por estar em vigor concomitantemente com a IN SRF nº 11/1996. 41.8.Uma interpretação sistemática da Deliberação CVM nº 207/1996, deixa claro que o objetivo do seu inciso I não foi, mais uma vez, dizer que os JCP não são despesa, mas sim tornar a informação dessas despesas bastante evidente (o inciso IX se utilizou do termo "evidenciada") na demonstração para os sócios, de forma que esses tivessem uma visão facilitada dos valores de JCP (a posição junto a conta de Lucros Acumulados é bastante estratégica), ao invés de terem que consultar as despesas da sociedade e, no meio de todas as outras despesas, localizarem esses valores. Quanto ao precedente do Superior Tribunal de Justiça STJ trazido pela Contribuinte nas contrarrazões [REsp nº 1.086.752PR (2008/01933882), 1ª Turma, Rel. Ministro Francisco Falcão, DJ 11/03/2009], observo que não se trata de decisão definitiva de mérito proferidas pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C da Lei nº 5.869, de 1973 CPC). Não se aplica, portanto, o comando de vinculação de decisões veiculado no art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 9 de junho de 2015. Pelo todo exposto, temse que as despesas com JCP somente podem incorrer, no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas (geradas com o uso do capital que os JCP remuneram) se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não tendo incorrido no exercício correspondente, não se pode deduzilas na apuração do lucro real de Fl. 617DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 618 12 exercício posterior. É dizer, não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. Correta, portanto, a glosa levada a cabo pela Fiscalização do montante deduzido como despesa com juros sobre capital próprio pela Recorrente que excedeu o limite de dedutibilidade determinado pela variação, pro rata dia, da TJLP sobre as contas do patrimônio líquido no exercício social de 2006, devendo ser mantido o lançamento. Finalmente, em relação à alegação trazida nas contrarrazões da Contribuinte de que a Fiscalização excluiu indevidamente a reserva de capital do patrimônio líquido do exercício social de 2006 quando apurou o limite de dedutibilidade dos JCP com base no critério que adotou de não considerar o patrimônio líquido de exercícios anteriores, resultando em glosa indevida de JCP no montante de R$ 242.000,00, questão que foi levada à apreciação do colegiado a quo pelo recurso voluntário mas que não foi analisada, entendo que não podemos decidir aqui porque estaremos suprimindo uma instância. É que, tendo aquela Turma dado provimento ao recurso voluntário, decidindo pela aplicação do limite de TJLP sobre as contas do patrimônio líquido considerado não só o exercício social de 2006 mas também os anteriores, de forma acumulada, tal questão deixou de ser relevante. Em se revertendo tal posição no presente julgamento, o tema demanda nova apreciação. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, porém determinando, após as devidas ciências deste acórdão, que os autos retornem para que o colegiado a quo possa apreciar a questão da exclusão da reserva de capital do patrimônio líquido do exercício social de 2006 na apuração do limite de dedutibilidade dos JCP. (Assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto Na reunião de março de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é recorrido CITIBANK DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A. (doravante “CITIBANK”, “recorrida” ou “contribuinte”), no processo, no processo n. 16327.001366/201033. Em tal recurso, a contribuinte requer a reforma do acórdão n. 1401 000.900 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela r. 1a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”), atinente à dedutibilidade de Juros sobre o Capital Próprio (doravante “JCP”). Fl. 618DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 619 13 O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o seu pagamento ou crédito. Inclusive, a remuneração do capital próprio pode tomar por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites de dedutibilidade previstos em lei na data da deliberação do pagamento ou creditamento. PRECLUSÃO. INAPLICABILIDADE. A preclusão está relacionada à perda de direitos, faculdades ou poderes processuais, não se relacionando à hipótese de ausência de deliberação de JCP em exercícios anteriores. RENÚNCIA. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. Não havendo previsão legal sobre a configuração de renúncia de direito no caso de ausência da deliberação do pagamento dos JCP. A renúncia de direitos deve ser interpretada de forma restrita, não devendo o silêncio do acionista ser interpretado como ato volitivo de abdicação de direito, gerando efeitos tributários. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Tratandose de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, quando não houver fatos novos a ensejar decisão diversa, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Nesta declaração de voto, apresento os fundamentos que me fizeram votar pelo NÃO PROVIMENTO do recurso especial interposto pela PFN, por compreender que a cobrança tributária em questão ofende as normas que tutelam a matéria, especialmente aquelas que decorrem do art. 9o da Lei n. 9.249/95, tal como corretamente decidiu a Turma a quo. 1. O conceito de “Juros sobre Capital Próprio” (“JCP”). O JCP corresponde a um mecanismo de integração adotado pelo legislador brasileiro. Por meio dele, buscase amenizar o desestímulo reconhecido pela Ciência Econômica causado pela dupla tributação da renda, em que há tributação do lucro empresarial tanto na órbita da pessoa jurídica quanto nas mãos de seus sócios (pessoas físicas ou jurídicas)1, bem como induzir a preferência ao investimento de capital próprio dos sócios 1 Remonta aos primeiros registros de tributação da renda de pessoas jurídicas a preocupação dos Estados com a adoção de mecanismos de integração entre a empresa e os sócios, a fim de que a mesma renda não fosse duplamente tributada. Ocorre que o interesse arrecadatório do Estado é garantido não quando se arrecada muito de uma vez só, mas sim com a continuidade da atividade empresarial, que gere lucros perenes sujeitos à tributação razoável. Como a tributação do lucro empresarial tanto nas mãos da pessoa jurídica quanto na pessoa física de seus sócios pode gerar desestímulo à constituição e condução dos negócios por meio de pessoas jurídicas, à geração de emprego e ao desenvolvimento, os métodos de integração compõem as políticas econômicas dos Estados. Nesse sentido, vide: SANTOS, Ramon Tomazela. Aspectos controvertidos atuais dos juros Fl. 619DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 620 14 (participações permanentes) e não à capitalização da companhia com recursos de terceiros (“alavancagem”). Por se tratar de medida com reflexo em políticas econômicas amplas, cabe a cada Estado decidir, por meio de seus agentes competentes, qual método de integração será adotado para a tributação da renda da pessoa jurídica e de seus sócios ou, ainda, se não irá adotar algum deles. Assim, por exemplo, podem as leis de um país tributar apenas as pessoas físicas, deixando as pessoas jurídicas na zona de não incidência tributária. Outros, por sua vez, podem tributar a renda em ambos os níveis, mas conceder aos sócios o direito ao crédito do imposto pago pela pessoa jurídica. O certo é que os métodos de integração podem ser os mais variados. O Brasil adota em especial dois métodos de integração, vocacionados a amenizar ou afastar o indesejado fenômeno da dupla tributação da renda: ‐ Dividendos: Os lucros da empresa devem ser tributados no âmbito da pessoa jurídica, com alíquotas de IRPJ e CSL próximas a 34%. Por sua vez, os lucros distribuídos sob a forma de dividendos, observadas as regras vigentes, não devem ser tributados nas mãos dos sócios que os recebem e nem são dedutíveis para as empresas que os distribuem. Nesse caso, o método de integração consiste na isenção dos dividendos recebidos por quotistas ou acionistas. ‐ JCP: Os lucros da empresa devem ser tributados no âmbito da pessoa jurídica, com alíquotas de IRPJ e CSL próximas a 34%. O JCP pago ou creditado pela pessoa jurídica aos seus sócios poderá ser deduzida de seu lucro líquido, de forma a neutralizar proporcionalmente a tributação de IRPJ e CSL sobre tais porções. O JCP recebido pelo sócio, por sua vez, está sujeito ao imposto de renda, retido na fonte, à alíquota de 15% (tributação definitiva para as pessoas físicas e mera antecipação para as pessoas jurídicas). Tal como o regime de tributação dos dividendos, o JCP corresponde a um mecanismo de integração da empresa com o sócio, prescrito pelo legislador brasileiro para amenizar a dupla tributação nefasta à livre iniciativa e ao desenvolvimento econômico. A adoção pelo legislador brasileiro do JCP como método de integração tem o claro propósito de induzir o investimento e a manutenção de capital investido em pessoas jurídicas nacionais. Sob a perspectiva da empresa, há o incentivo à capitação de recursos dos sócios e não de terceiros, já que a remuneração de ambos se tornou igualmente dedutível. Somese a isso outras vantagens do JCP, a exemplo do fato de que a capitação de recursos dos sócios não influencia no nível de endividamento da companhia, bem como que estes são remunerados por índice geralmente menor que o de mercado, qual seja, a Taxa de Juros de Longo Prazo (doravante “TJLP”). 2. A norma de dedutibilidade de JCP pago ou creditado. sobre capital próprio (JCP): o impacto das mutações no patrimônio líquido, o pagamento acumulado e a sua qualificação nos acordos de bitributação, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 214. São Paulo : Dialética, 2013, p. 109 e seg. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 621 15 Caso se adote o sentido estrito da expressão “planejamento tributário” 2, o tema “JCP” estará fora dessa matéria. Ocorre que a regra expressa pelo art. 9o da Lei n. 9.249/95 está situada, em termos estritos, entre as “economias de opção” ou “opções fiscais”. Nas chamadas opções fiscais, o sistema jurídico tributário oferece ao contribuinte mais de uma sistemática para que submeta os seus signos de riqueza à tributação: é garantida ao contribuinte a liberdade para optar pelo caminho que lhe parecer mais adequado, seja por praticidade ou por lhe proporcionar menor ônus tributário. Explorando o exemplo da DIRPF3, com opção pela sistemática simplificada ou completa, verificase que o legislador prescreveu ao contribuinte uma fórmula procedimental básica a ser seguida pela pessoa física: no programa de computador fornecido pela Receita Federal, o contribuinte deve pura e simplesmente optar pelo modelo simplificado ou completo. O programa de computador calcula para o contribuinte qual opção lhe trará o menor custo de IRPF e, caso se opte pelo modelo mais oneroso, o sistema não prossegue até que o contribuinte confirme estar certo de que realmente irá optar por pagar mais (mensagem semelhante não aparece caso o contribuinte opte pelo caminho mais natural de poupar despesas tributárias). Neste exemplo, não estaria o contribuinte realizando um “planejamento tributário”, mas algo não apenas tolerado como regulado e incentivado pelo legislador: “opções fiscais” ou “economias de opção”. Outra economia de opção conhecida consiste nos regimes de tributação da renda pelo “lucro real”, “lucro presumido” ou, ainda, SIMPLES NACIONAL. Nestes, o legislador oferece caminhos diversos que podem ser adotados pelos contribuintes e que podem apresentar elevada variação na obrigação tributária que a União seria legitimada a exigir. A escolha de um desses caminhos, por si só, não corresponde a um planejamento tributário em sentido estrito, mas uma mera opção fiscal. O que se dá com o regime jurídico do JCP não é diferente. A norma jurídica, construída a partir do art. 9o, da Lei n. 9.249/95, estabelece uma opção à pessoa jurídica, que poderá destinar uma parte de seus lucros aos seus sócios qualificandoos como “JCP” e não como “dividendos“. O mesmo dispositivo prescreve as duas consequências jurídicotributárias do pagamento ou creditamento de JCP: (i) a pessoa jurídica que realiza o pagamento ou creditamento do JCP poderá deduzílo diretamente à conta de lucros acumulados da companhia, com a proporcional redução da base de cálculo do IRPJ e da CSL; (ii) a parte beneficiária do JCP (sócio da pessoa jurídica) está sujeita à tributação de imposto de renda, com retenção pela fonte pagadora à alíquota de 15% na data de seu pagamento ou creditamento. 2 Em meio às muitas divergências que o tema suscita na doutrina nacional, alguns autores incluem no conceito de planejamento tributário a utilização de opções fiscais e de normas tributárias indutoras, já que o contribuinte, ao praticar os referidos atos, certamente teria realizado prévio estudo, planejandoos. Nesse sentido, vide: ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Planejamento tributário. São Paulo : Saraiva, 2009, p. 02. Outros, por sua vez, as excluem “do âmbito do planejamento, pois correspondem a escolhas que o ordenamento positivo coloca à disposição do contribuinte, abrindo expressamente a possibilidade de escolha” Nesse sentido, vide: GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. São Paulo : Dialética, 2008, p. 100. BARRETO, Paulo Ayres. Elisão tributária limites normativos. Tese apresentada ao concurso de livre docência do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. São Paulo : USP, 2008, p. 240. 3 DIRPF Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 622 16 A norma prescreve uma fórmula de cálculo, com limites quantitativo e temporal. Há também um outro fator temporal prescrito pela Lei n. 9.249/95, mas que não se refere ou mesmo interfere no cálculo do JCP. Tratase da tutela do momento em que o JCP se torna dedutível à pessoa jurídica e tributável do sócio. O legislador foi claro e expresso em relação a esses elementos dessa fórmula, não autorizando a dedutibilidade de valores que com eles não se coadunem. Por outro lado, a clareza e o modo expresso com que o legislador tratou a questão também conferem segurança jurídica ao contribuinte, que encontra na lei ordinária a moldura dentro da qual o seu agir estará em conformidade com a economia de opção que lhe foi outorgada. Assim, se por um lado não é possível exigir do particular o cumprimento de requisitos ou a observância de limites não requeridos pelo legislador, por outro deve ser exigido do contribuinte o efetivo cumprimento dos aludidos fatores prescritos em lei. Aludidos elementos serão analisados mais detidamente nos tópicos “3” e “4” da presente declaração de voto. A base jurídica para a apuração e identificação das consequências tributárias do JCP consiste no art. 9o da Lei 9.249, de 26.12.1995, que passou por alterações em 1996 (Lei 9.430/96), 2014 (Lei 12.973/14) e 2015 (Medida Provisória nº 694, de 30.09.2015, não convertida em lei até essa data). No presente caso, os lançamentos tributários se reportam ao período de 2006, quando foram pagos JCP calculados acumuladamente em relação aos anos de 2001 a 2006. Dessa forma, interessa à solução dessa contenda a seguinte redação da Lei 9.249/95, art. 9o: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.4 § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; § 4º (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) 4 Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996. Em seu original: “§ 1º. O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados”. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 623 17 § 5º No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. § 9º. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) § 10. (Revogado pela Lei nº 9.430, de 1996) 3. A fórmula de cálculo do JCP. A pessoa jurídica optante pelo lucro real poderá destinar aos seus acionistas ou quotistas JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da TJLP (art. 9o, caput, da Lei n. 9.249/95). Como limites quantitativos à dedutibilidade do JCP, o seu valor deve ficar adstrito a um dos seguintes montantes: (i) 50% do lucro líquido do período em que for realizado o seu pagamento/crédito ou; (ii) 50% dos lucros acumulados e das reservas de lucros de períodos anteriores (art. 9o, § 1º, da Lei n. 9.249/95). Notese que a norma traz uma única limitação temporal, ao prescrever que o JCP deverá ser dedutível apenas sobre o período que o acionista manteve o seu capital investido na pessoa jurídica, devendo o seu cálculo ser realizado “pro rata dia”. Desse modo, o JCP “deverá ser calculado com base na TJLP do espaço temporal de manutenção, na pessoa jurídica, do capital próprio a ser remunerado, ou seja, aplicada a taxa sobre o respectivo patrimônio líquido, proporcionalmente aos respectivos dias, ou seja, ‘pro rata die’ para mais ou para menos, descontada apenas a reserva de reavaliação ainda não tributada” 5. Podese cogitar, por exemplo, que um particular, em 20X2, realize investimento em uma companhia que tenha deliberado e pago JCP pela última vez em 20X0. Caso a assembleia delibere, em 20X4, que serão pagos JCP aos acionistas sobre o capital mantido naquela sociedade desde o último pagamento realizado, o particular em questão não faria jus a qualquer valor atinente ao ano de 20X1, pois não manteve capital investido na sociedade nesse período. No caso, a regra expressa no art. 9o da Lei 9.249/95 apresenta dois efeitos: 5 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 318. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 624 18 ‐ limita o pagamento de JCP à proporção temporal (“pro rata dia”) de manutenção do capital investido na pessoa jurídica. O particular, no exemplo citado, estaria limitado a receber JCP em relação aos anos de 20X2, 20X3 e 20X4. ‐ garante ao particular o direito receber JCP sobre todo o período (“pro rata dia”) que mantiver capital investido na pessoa jurídica, caso assim delibere a assembleia geral. O particular, no exemplo citado, teria garantido o direito de receber JCP em relação aos anos de 20X2, 20X3 e 20X4, submetendose, naturalmente ao imposto de renda na fonte, à alíquota de 15%, sobre todo o período. Como decorrência dessa delimitação temporal, se houver deliberação da assembleia geral, o investidor poderá ser remunerado por JCP em relação ao todo o período que mantiver o seu capital investido na pessoa jurídica, mas nem um dia a mais do que isso. 4. O momento em que o JCP se torna dedutível à pessoa jurídica e tributável do sócio: “regime de competência” e “regime de caixa”. No âmbito contábil, a adoção do regime de competência corresponde a um princípio fundamental de contabilidade. Notese o que prescreve o art. 177 da Lei n. 6.404/76: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. (grifos acrescidos) O legislador foi enfático, pois entre os “princípios de contabilidade geralmente aceitos” (ou “princípios fundamentais de contabilidade”6) está justamente o princípio da competência. A adoção de tais princípios contábeis como regra geral para a apuração do resultado das companhias também foi prescrita pelo art. 187 da Lei n. 6.404/76: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. 6 Vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo : Quartier Latin, 2008, p. 1038 e seg. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 625 19 A Resolução CFC n. 750/93 também exprimiu ser decorrência necessária do princípio da competência a adoção do método (ou “princípio”) do confronto das receitas e despesas, como se observa do art. 9o da aludida norma contábil: Art. 9º. As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. Com as alterações introduzidas pela Resolução CFC n. 1.282/10, o aludido dispositivo passou a constar com outra redação, sem alterar em nada o princípio do emparelhamento das receitas e despesas. Como nem poderia ser diferente, a norma contábil reafirma o método do emparelhamento de receitas e despesas como pressuposto para a concretização do princípio da competência: Art. 9º. O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único. O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas. ELISEU MARTINS, ERNESTO RUBENS GELBCKE, ARIOSVALDO DOS SANTOS e SÉRGIO DE IUDÍCIBUS7 lecionam que, no regime de competência, “as receitas e despesas são apropriadas ao período em função de sua ocorrência e da vinculação da despesa à receita, independentemente de seus reflexos no caixa”. Para fins exclusivamente contábeis (e não tributários), apontam que a “Lei das Sociedades por Ações não admite exceções”. Noutro diapasão, no âmbito do Direito tributário, especialmente no que se refere à tributação da renda, o regime de caixa e o regime de competência convivem harmonicamente. Ou seja, para fins tributários, o legislador pode adotar tanto o regime de caixa quanto o regime de competência para a tributação da renda. Ocorre que Código Tributário Nacional (doravante “CTN”), ao exercer a competência atribuída ao legislador complementar pelo art. 146 da Constituição Federal, conferiu ao legislador ordinário a possibilidade de tributar a renda das pessoas físicas e jurídicas pelo regime de caixa ou pelo regime de competência. É o que se observa de seu art. 43: 7 MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS, Ariosvaldo dos; IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI. São Paulo : Atlas, 2013, p. 4. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 626 20 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Embora não seja ponto livre de debates doutrinários, é possível afirmar ser razoavelmente difundida a ideia de que a “aquisição da disponibilidade econômica”, referida no caput do art. 43 do CTN, corresponde ao “regime de caixa”, enquanto que a “aquisição da disponibilidade jurídica” conduz ao “regime de competência”. Nesse seguir, o legislador ordinário possui competência para adotar o regime de competência ou o regime de caixa no exercício de seu poder para tributar a renda. O legislador tributário possui, assim, autonomia em relação ao princípio contábil da competência, podendo adotálo (como o faz, em geral), afastálo (com a adoção do regime de caixa) ou, ainda, adequálo para as suas necessidades. A sua autonomia em relação à contabilidade permite ao legislador tributário não apenas adotar regime diverso ao regime de competência, de forma a tributar a renda apenas conforme o regime de caixa. O legislador também pode, por exemplo, adotar o regime de competência com ajustes, atribuindolhe feições diversas das verificadas exclusivamente sob a perspectiva contábil. Ocorre que, em relação a tal aspecto, o legislador encontra limites apenas na Constituição Federal e no CTN. Para a tutela do JCP, o legislador se valeu de tal autonomia, do seguinte modo: ‐ O legislador elegeu o JCP não como uma despesa propriamente dita, a qual pressupõe, para a sua dedutibilidade, contribuição para a manutenção das atividades da pessoa jurídica. Tratase de forma de remuneração do capital próprio investido pelos sócios na pessoa jurídica, dedutível, portanto, diretamente dos lucros desta, não se sujeitando às regras ordinárias aplicáveis às despesas em geral; ‐ O legislador elegeu o efetivo pagamento como evento relevante para a incidência da norma tributária de JCP (Lei n. 9.249/95, art. 9o, caput). Assim, o nascimento do direito à dedutibilidade do JCP pago e a obrigação tributária do sócio que o recebe se dá, nessa hipótese, pelo regime de caixa. A adoção do referido regime será analisada com mais detalhes no subtópico “4.1” abaixo; ‐ O legislador também elegeu o creditamento como evento relevante para a incidência da norma tributária de JCP (Lei n. 9.249/95, art. 9o, caput). Assim, o nascimento do direito à dedutibilidade da empresa que credita o JCP e a obrigação tributária do sócio que é creditado se dá, nessa hipótese, por um regime de competência, embora com distinções relevantes em relação ao princípio contábil da competência. A adoção do referido regime será analisada com mais detalhes no subtópico “4.2” abaixo; Fl. 626DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 627 21 Os referidos regimes foram adotados pelo legislador tributário para estabelecer o período a que pertencem os JCP, isto é, quando estes podem ser deduzidos. No entanto – e isso é decisivo para a solução do presente caso – o legislador não se baseou nos aludidos regimes para a composição da fórmula de cálculo do JCP a ser pago ou creditado. Significa dizer que o fato do JCP passar a ser dedutível no momento em que apurado pelo regime de caixa ou de competência em nada interfere no seu montante ou em seu cálculo sobre exercícios anteriores. 4.1. O reconhecimento do JCP pelo regime de caixa: a hipótese de efetivo pagamento aos sócios. O legislador ordinário tradicionalmente tributa as pessoas físicas pelo regime de caixa e as pessoas jurídicas pelo regime de competência. No entanto, embora o regime de competência seja a regra para a tributação da renda das pessoas jurídicas, há uma série de exceções. Entre outros exemplos, é possível verificar que, na sistemática de tributação da renda pelo lucro presumido, o regime de caixa é uma opção em relação ao regime de competência. Muitas pessoas jurídicas podem, anualmente, manifestar a sua opção pela tributação conforme o regime de caixa, excepcionando a regra geral do regime de competência. O regime de apuração adotado (caixa ou competência) deverá ser consistente em relação ao IRPJ, à CSL, à contribuição ao PIS e à COFINS durante todo o exercício fiscal atinente à opção.8 Entre as empresas tributadas pelo lucro real, o pagamento de JCP corresponde precisamente a uma hipótese em que o regime de competência pode dar lugar à adoção do regime de caixa para a apuração deste evento relevante ao IRPJ e à CSL. O art. 9o da Lei 9.249/95 prevê, para que a dedutibilidade do JCP seja regida pelo regime de caixa, dois fatos que devem estar necessariamente presentes: 1o fato: A deliberação da assembleia geral da companhia para que seja pago JCP aos acionistas, a partir do que este se considera “incorrido”, pois, a partir daí, os acionistas passam a ter direito ao pagamento ou creditamento de tais valores. Pelo regime de competência, aplicável em geral, seria desde já possível à pessoa jurídica deduzir aludidas despesas incorridas. A Lei n. 9.249/95, contudo, não autoriza a dedutibilidade do JCP meramente incorrido, exigindo o aperfeiçoamento do pagamento. 2o fato: O efetivo pagamento individualizado ao acionista nos moldes decididos na assembleia antecedente. Com o efetivo pagamento, evento típico do regime de caixa, a Lei n. 9.249/95 autoriza a dedutibilidade do JCP, o que não é permitido antes de tal evento. Desse modo, não vige na legislação do imposto de renda um regime de competência absoluto e inarredável. O JCP é apenas mais uma exceção àquela regra geral. 8 Vide: Solução de Divergência COSIT n. 37, de 5.12.2013. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 628 22 E o JCP é, ele próprio, algo excepcional. Tratase de elemento enunciado no ordenamento jurídico em 1995 e com raros paralelos na legislação estrangeira (ao que parece, apenas a Bélgica apresenta instituto semelhante). O seu arranjo foi introduzido pelo legislador em meio a esse seu caráter excepcional, sendo compreensível a adoção, portanto, de exceção à regra do regime de competência. 4.2. O reconhecimento do JCP pelo regime de competência: a hipótese de creditamento aos sócios. Conforme o princípio da competência, as mutações positivas e negativas devem ser apropriadas ao patrimônio da entidade, respectivamente, conforme a aquisição dos respectivos direitos (receitas e rendimentos) ou incorrimento das obrigações (custos, despesas e perdas).9 Assim, a receita deve ser reconhecida no período em que vier a ser obtido o título jurídico que lhe dê suporte em caráter definitivo e incondicional, independentemente do seu recebimento, enquanto que a despesa será apropriada no período em que for exigível o cumprimento da obrigação correspondente, independentemente do seu pagamento. Notese que, nos termos do Parecer Normativo CST 110/71, conforme o regime de competência, “permitese deduzir do lucro das pessoas jurídicas, para efeito do Imposto de Renda, as despesas pagas ou incorridas no anobase da declaração de rendimentos, entendendose por incorridas as que embora realizadas e quantificadas não tenham sido pagas”. A noção de despesa incorrida é, portanto, fundamental à apuração do lucro real pelo regime de competência: devese considerar como dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSL as despesas que, independentemente de efetivo fluxo financeiro ou sacrifício para o seu adimplemento, possam ser consideradas como incorridas, ou seja, que já tenham caráter definitivo e incondicional, podendo ser juridicamente exigido pela parte credora. A sistemática adotada para o JCP não abriu um capítulo a parte à forma de apuração das despesas, pois de despesa não se trata. Tratase de forma de remuneração do capital próprio investido pelos sócios na pessoa jurídica, dedutível diretamente dos lucros desta e com regime próprio de apuração, não se sujeitando às regras ordinárias aplicáveis às despesas em geral. O art. 9o da Lei n. 9.249/95, além da possibilidade de adoção do regime de caixa para a dedutibilidade do JCP (subtópico “4.1”), também previu a adoção do regime de competência, embora com distinções relevantes em relação ao princípio contábil da competência: 1o fato: A deliberação da assembleia geral da companhia para que sejam pagos JCP aos acionistas, a partir do que já se poderia considerar a despesa como incorrida, já que, apenas a partir daí, os acionistas passam a ter direito ao recebimento de tais valores. Pelo regime de competência “puro” aplicável às despesas em geral, já seria possível à pessoa jurídica deduzílas quando incorridas. A Lei n. 9.249/95, contudo, não autoriza a dedutibilidade do JCP meramente incorrido, exigindo, ao menos, o aperfeiçoamento de seu “creditamento”. 9 Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 318 e seg. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 629 23 2o fato: efetivo crédito individualizado ao acionista nos moldes decididos na assembleia antecedente. A Lei n. 9.249/95 deslocou o evento relevante para o regime de competência, que geralmente poderia ser considerado como a assembleia geral de deliberação que tornou juridicamente obrigatório e incondicional o seu pagamento, para o momento do efetivo creditamento individualizado do JCP ao sócio. A questão é bem observada pela doutrina, como se observa deste trabalho acadêmico de RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA10: “Realmente, apesar de a obrigação já ter sido constituída desde a deliberação, o parágrafo 1o do art. 9o da Lei 9.249 somente permite a dedução fiscal a partir do momento em que ela for cumprida no âmbito do direito privado mediante a efetivação do pagamento ou do crédito em conta individualizada do sócio ou acionista. Isso explica porque o regime de competência se constitui na regra geral acima descrita, mas nosso sistema legal relativo ao IRPJ e à CSL contém várias regras relacionadas à dedutibilidade de determinadas despesas ou custos, as quais estão inseridas no ordenamento jurídico a par da regra geral do regime de competência, sendo que algumas delas excepcionam, condicionam ou complementam tal norma geral. Assim, ao lado das regras que existem para declarar a indedutibilidade de determinadas despesas ou custos, ou para limitar o valor dedutível, ou para condicionar a dedução a esta ou àquela circunstância, há outras que, excepcionalmente, estabelecem o momento da dedução em momento distinto daquele em que o encargo já está incorrido.” O que se conclui é que o legislador não incorporou em sua integralidade o princípio contábil da competência, pois, conforme este, os valores em questão já deveriam ser reconhecidos desde a realização da assembleia geral da companhia em que o pagamento do JCP fosse aprovado. Tratase de um regime de competência ajustado. Assim, a Lei n. 9.249/95 adotou o regime de caixa e um regime de competência ajustado para estabelecer o momento em que o JCP se torna dedutível à empresa e o respectivo rendimento tributável em relação aos sócios. Significa dizer que o JCP pertence ao período em que o seu pagamento ou creditamento primeiro ocorrer. 5. A contabilidade: relevância para a apuração do JCP, com possíveis ajustes determinados pela lei fiscal; irrelevância para a tutela jurídicotributária das consequências fiscais do JCP pago ou creditado. Na sistemática do lucro real, a base de cálculo adotada pelo legislador corresponde ao “lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas” por lei. E o lucro líquido será apurado “com 10 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 324. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 630 24 observância das disposições das leis comerciais”, ou seja, a partir da contabilidade da pessoa jurídica.11 Para a solução do recurso especial ora em análise, é necessário verificar e distinguir a relevância da contabilidade para a apuração do JCP e para a delimitação da incidência da norma de dedutibilidade do JCP. Há um íntimo relacionamento entre as searas contábil e tributária, marcada por uma recente revolução. Durante décadas, a contabilidade brasileira esteve vinculada às necessidades da legislação do imposto de renda, o que não ocorre mais desde a edição da Lei n. 11.638/2007. A importante missão da contabilidade de informar usuários internos e externos à entidade é atualmente cumprida com a adoção de padrões internacionais e não da legislação tributária. Ao se reportar à “promulgação das Leis n. 11.638/07 e 11.941/09 (MP 449/08) e a independência da contabilidade brasileira”, os autores do Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI, ELISEU MARTINS, ERNESTO RUBENS GELBCKE, ARIOSVALDO DOS SANTOS e SÉRGIO DE IUDÍCIBUS12, trazem mensagem bastante esclarecedora: “A partir dessas legislações passou a ser possível praticarse, de fato, Contabilidade no Brasil sem influências diretas ou indiretas de natureza fiscal, com a Secretaria da Receita Federal Brasileira passando a ser enorme parceira da evolução contábil. De agora em diante, trabalham juntas, as normas contábeis e as normas fiscais, cada um seguindo o seu caminho. Nenhuma norma contábil nova, convergente às internacionais, provoca qualquer efeito tributário, aumentando ou reduzindo tributos, sem que haja uma outra norma de natureza fiscal para fazêlo; não saindo essa nova norma tributária, prevalece o que existia anteriormente (até o final de 2013 ainda prevalecem as do final de 2007). Por outro lado, se o Fisco determinar uma nova forma de apropriação de receita ou despesa para fins próprios, isso não tem automática aplicação na Contabilidade, sem que saia uma nova norma contábil. E todas essas diferenças são controladas no Lalur, agora ELalur, no FCont etc. Devemos, os Contabilistas brasileiros, aplaudir estes momentos históricos que estamos vivendo e aproveitar para fazer valer a grande utilidade da nossa profissão: a de ajudar no processo de controle e no bem informar.” Até 2007, receitas e receitas seriam reconhecidas pela contabilidade de maneira formalística (forma jurídica sobre a substância), em obediência à legislação tributária ou à normas de Direito privado. Naquele estágio, a contabilidade estava presa às amarras do Direito tributário; mas o Direito tributário jamais teve amarras involuntárias nas normas contábeis. 11 Decreto 3000/00 (Regulamento do Imposto de Renda), art. 247; DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 6; Lei no 8.981, de 1995, art. 37, §1. 12 MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS, Ariosvaldo dos; IUDÍCIBUS, Sérgio de. Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI. São Paulo : Atlas, 2013, p. 21. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 631 25 É premissa fundamental que a resposta para “o que gera o dever de pagar tributos” não pode ser construída imediatamente com base na contabilidade. A análise de relatórios financeiros, pura e simples, não é conclusiva para a definição do quantum debeatur. A decisão sobre “o que gera o dever de pagar tributos” e, ainda, “quanto deve ser pago”, demanda, no regime democrático brasileiro, a decisão do legislador competente. Os eventos contábeis adquirem importância para o Direito tributário na medida em que são acolhidos pelo legislador tributário competente. Também é preciso ter claro que não há comunicação necessária e indissociável entre a contabilidade e o Direito tributário. O legislador tributário pode, inclusive, se valer de conceitos próprios para capturar signos presuntivos de riqueza passíveis de tributação. Uma “receita” ou “despesa”, para fins societários e contábeis, pode não ter o mesmo sentido e tratamento para fins fiscais. Assim, tal como convergências conceituais da contabilidade e do Direito tributário podem ser facilmente encontradas no que tange ao IRPJ e à CSL, também não há dificuldade para se encontrar divergências, sem que isso represente qualquer ruído sistêmico. Nem a contabilidade e nem o Direito tributário ignoram tais possibilidades, antes as têm como naturais, de forma que cada qual possui as suas próprias soluções. Notese que, desde as Leis 11.638/07 e 11.941/09, a contabilidade brasileira ganhou independência em relação Direito tributário, mas este permanece, tal como antes, autônomo em relação àquela. A relação do Direito tributário com a contabilidade é de simbiose, quase parasitária, pois o legislador tributário se aproveita apenas daquilo que lhe interessa. O que não há, tal como nunca houve, é sujeição compulsória do legislador tributário às normas contábeis. No presente caso, o legislador tributário prevê que a contabilidade possui relevância para a apuração do JCP, com possíveis ajustes determinados pela lei fiscal para a deflagração das consequências tributárias. Tratase de um bom exemplo que o legislador tributário, no pleno exercício de suas funções e dentro dos limites que lhe são imanentes, selecionou da contabilidade apenas aquilo que lhe interessou para a mensuração do JCP. A relevância da contabilidade para a apuração do JCP passível de dedução fiscal será tanto maior quanto a evidenciação, reconhecimento e mensuração contábeis se derem em consonância com a fórmula adotada no art. 9o da Lei n. 9.249/95. Quanto mais a contabilidade se afastar dessa fórmula, menos relevante será para a aplicação da norma de dedutibilidade do JCP pago ou creditado. Por sua vez, é necessário reconhecer que as normas contábeis são irrelevantes para a tutela jurídicotributária das consequências fiscais do JCP pago ou creditado. Ainda que o princípio contábil da competência possa orientar a escrituração contábil do JCP de uma determinada forma, isso em nada influencia para que se deflagre a sua dedutibilidade fiscal. Importa unicamente que se cumpram os elementos tal qual prescritos no art. 9o da Lei 9.249/95. Prova disso é que a legislação tributária prevê a solução a ser adotada caso a contabilidade reconheça um determinado JCP que, para fins tributários, (ainda) não possa ser considerado dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSL. Com a aplicação cumulativa do art. 9o e do art. 13, I, da Lei 9.249/95, na hipótese da contabilidade, por hipótese, evidenciar o JCP no ato da assembleia que determinar o seu pagamento, este deverá ser considerado, para Fl. 631DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 632 26 fins fiscais, como mera provisão indedutível, devendo ser adicionada ao lucro líquido do período para apuração do lucro tributável respectivo. No futuro, quando de fato se concretizar o pagamento/creditamento individualizado exigido para fins de dedutibilidade fiscal, este será realizado a débito da provisão e não do lucro líquido desse período.13 Dessa forma, cumprese o disposto no art. 6o do Decretolei 1.598/7714. 5. O vício imputado pela fiscalização para a glosa da dedução de JCP efetivamente pagos aos acionistas. No presente caso, a autuação fiscal em discussão decorreu de pagamentos/creditamentos efetivamente realizados pelo contribuinte, a título de JCP, no ano de 2006, o qual foi calculado tomandose por base os exercícios anteriores, de 2001 a 2006. Não há, contudo, qualquer vício na conduta praticada pelo contribuinte. 5.1. O pagamento ou creditamento de JCP acumuladamente, com base em exercícios anteriores. O investimento no capital social de pessoas jurídicas é, por definição, uma “participação permanente”15, o que evidencia uma noção de continuidade, perenidade. Embora o liame societário em questão possa ser extinto (realização do investimento), há expectativa de que o período de permanência do capital investido pelo acionista ou cotista perdure por mais de um exercício. Ao tutelar a remuneração do capital próprio investido pelos sócios (detentores dessa participação permanente), o legislador tributário precisou considerar tais fatores. O legislador precisou considerar tanto o pressuposto da continuidade do investimento mantido pelo sócio no capital social da pessoa jurídica investida, quanto a possibilidade legal de extinção desse liame societário a qualquer tempo. Quanto à possibilidade de extinção desse liame societário, o legislador prescreveu a única limitação temporal atinente ao JCP, analisada no tópico “3” acima: somente será considerado dedutível o JCP calculado sobre o período em que o sócio manteve o seu capital investido na pessoa jurídica, devendo, assim, ser calculado “pro rata dia”. Por sua vez, tendo em vista que o período de permanência do capital investido pelo sócio tende a perdurar por mais de um exercício, o legislador, de forma bastante técnica, prescreveu que o limite quantitativo aplicável (vide tópico “3” acima) pode ser tanto de 50% do lucro liquido do exercício, como de 50% dos lucros acumulados ou reservas de lucros, que se reportam justamente aos anos anteriores. Daí a correta assertiva doutrinaria de que, “não fosse assim, ou seja, fossem os JCP vinculados em seu cálculo exclusivamente 13 Nesse sentido, vide: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 3256. 14 Decretolei 1.598/77, art 6º. Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (…) § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. 15 Vide Lei n. 6.404/74, art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo. (…) III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; Fl. 632DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 633 27 aos presente períodobase, a lei teria limitado o seu valor apenas à metade do lucro líquido deste período”16. Assim fez o legislador, ao prescrever que o efetivo pagamento ou crédito do JCP fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução desses juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes o JCP a ser pago ou creditado (Lei 9.249/95, art. 9o, § 1). Além disso, prescreveu expressamente o legislador (Lei 9.249/95, art. 9o): § 7º. O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. O dispositivo da Lei das S.A., a que faz referência a Lei 9.249/95, segue transcrito: Art. 20217. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, a importância determinada de acordo com as seguintes normas: I metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes valores: a) importância destinada à constituição da reserva legal (art. 193); e b) importância destinada à formação da reserva para contingências (art. 195) e reversão da mesma reserva formada em exercícios anteriores; II o pagamento do dividendo determinado nos termos do inciso I poderá ser limitado ao montante do lucro líquido do exercício que tiver sido realizado, desde que a diferença seja registrada como reserva de lucros a realizar (art. 197); III os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deverão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização. (...) 16 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 334. No mesmo sentido, vide: SANTOS, Ramon Tomazela. Aspectos controvertidos atuais dos juros sobre capital próprio (JCP): o impacto das mutações no patrimônio líquido, o pagamento acumulado e a sua qualificação nos acordos de bitributação, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 214. São Paulo : Dialética, 2013, p. 114115. 17 Em sua redação original, alterada pela Lei nº 10.303, de 2001, o caput e os seus incisos I, II e III possuíam a redação a seguir: “Art. 202. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto, ou, se este for omisso, metade do lucro líquido do exercício diminuído ou acrescido dos seguintes valores: I quota destinada à constituição da reserva legal (artigo 193); II importância destinada à formação de reservas para contingências (artigo 195), e reversão das mesmas reservas formadas em exercícios anteriores; III lucros a realizar transferidos para a respectiva reserva (artigo 197), e lucros anteriormente registrados nessa reserva que tenham sido realizados no exercício.” Fl. 633DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 634 28 Conforme a norma societária, os acionistas têm direito a receber dividendo obrigatório, em cada exercício, equivalente à parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, em conformidade com as regras estabelecidas em lei. Entre essas regras, prevê o legislador societário que os valores registrados em reservas de lucros ou lucros acumulados de exercícios anteriores devem, após a sua realização, ser distribuídos na primeira oportunidade a título de dividendos. O legislador tributário fez remissão expressa à lei societária, atraindo para o âmbito do JCP a norma societária originalmente aplicável apenas aos dividendos. Diante da referida remissão legal, constróise norma segundo a qual os lucros registrados na reserva de lucros a realizar, quando realizados e se não tiverem sido absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deverão ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado após a realização, podendo, ainda, ser destinados ao pagamento de juros sobre capital próprio. O legislador tributário prescreveu que o JCP, por também ter a natureza de distribuição de resultados, poderá ser pago no lugar dos dividendos obrigatórios referidos pelo art. 202 da Lei 6.404/76, destinando, inclusive, 50% dos valores registrados em reservas de lucros ou lucros acumulados de exercícios anteriores. Por remissão expressa na Lei n. 9.249/95, o legislador, que é uno, prescreve que até 50% das reservas de lucros ou lucros acumulados referidos pela Lei das S.A. podem: (i) servir de limite para o cálculo do JCP, coerentemente com a possibilidade de cálculo deste em relação aos períodos anteriores (Lei 9.249/95, art. 9, § 1º) e, ainda; (ii) servir de fonte de recursos para o pagamento do JCP, que de outra forma se prestariam apenas à distribuição de dividendos (Lei n. 9.249/95, art. 9o, § 7º). A norma prescrita pela Lei n. 9.249/95 é clara. O legislador não apenas permitiu o pagamento de JCP relativos a períodos anteriores, como também editou mais do que um parágrafo para regular a utilização de reservas de lucros ou lucros acumulados de períodos anteriores para o cálculo e fonte de recursos. Dessa forma, o auto de infração lavrado em face do contribuinte padece de vício insanável quanto à compreensão da norma de dedutibilidade do JCP. A aplicação equivocada do art. 9o da Lei n. 9.249/95 conduziu a fiscalização ao equívoco de restringir a dedutibilidade desses valores, não obstante a assembleia geral ter deliberado o pagamento de JCP relacionados aos anos 2001 a 2006 e tais valores tenham, de fato, sido efetivamente pagos ou creditados aos acionistas. 5.2. A equivocada qualificação do JCP como "despesa": ausência de impedimento à dedutibilidade de despesas de exercícios anteriores. Não se pode deixar de observar que sequer a equivocada qualificação do JCP como tendo natureza de juros comuns e, assim, como despesa, justificaria a glosa atinente aos exercícios anteriores.18 18 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Juros sobre o Capital Próprio – momento de dedução da despesa, in Revista de Direito Tributário Atual n. 28. São Paulo : IBDT/Dialética, 2012, p. 334. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 635 29 Ocorre que a relevância da autonomia e independência dos exercícios restou enfraquecida desde os idos de 1978, quando da introdução do Decretolei 1.598 ao sistema jurídico brasileiro. Até esse marco jurídico, as despesas atinentes a um exercício realmente não poderiam ser deduzidas em outro, qualquer que fosse o motivo. O Decretolei 1.598, contudo, expressamente passou a autorizar deduções extemporâneas, como se observa de seu art. 6º: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. § 2º Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: a) os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, devam ser computados na determinação do lucro real. § 3º Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: a) os valores cuja dedução seja autorizada pela legislação tributária e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do exercício; b) os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária, não sejam computados no lucro real; c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. § 4º Os valores que, por competirem a outro períodobase, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 636 30 § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. Em seu art. 273, o RIR/99 incorporou tais normas, que permitem ao contribuinte a dedutibilidade de despesas pertencentes a períodos de apuração anteriores e que não tenham sido, conforme o regime de competência, apropriados no momento oportuno: Seção VIII Inobservância do Regime de Competência Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16) Nesse cenário, realmente a glosa empreendida pela fiscalização não possui fundamento legal de validade, devendo ser afasta, reconhecendose, assim, aa dedutibilidade do JCP pago ou creditado acumuladamente, com base em exercícios. 5.3. A compatibilidade do art. 29, da IN 11/96, com a Lei 9.249/95. Embora seja fonte secundária do Direito tributário, é oportuno observar o que diz a Instrução Normativa n. 11, de 21.02.1996, especialmente o seu art. 29: Fl. 636DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 637 31 Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração de capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio liquido e limitados à variação pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). § 1º À opção da pessoa jurídica, o valor dos juros a que se refere este artigo poderá ser incorporado ao capital social ou mantido em conta de reserva destinada a aumento de capital. § 2º Para os fins do cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado, salvo se adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, valor: a) da reserva de reavalição de bens e direitos da pessoa jurídica; b) da reserva especial de trata o art. 428 do RIR/94; c) da reserva de reavaliação capitalizada nos termos dos arts. 384 e 385 do RIR/94, em relação às parcelas não realizadas. § 3º O valor do juros pagos ou creditados, ainda que capitalizados, não poderá exceder, para efeitos de dedutibilidade como despesa financeira, a cinqüenta por cento de um dos seguintes valores: a) do lucro líquido correspondente ao períodobase do pagamento ou crédito dos juros, antes da provisão para o imposto de renda e da dedução dos referidos juros; ou b) dos saldos de lucros acumulados de períodos anteriores. § 4º Os juros a que se refere este artigo, inclusive quando exercida a opção de que trata o § 1º ou quando imputados aos dividendos, auferidos por beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no: a) lucro real, serão registrados em conta de receita financeira e integrarão lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro; b) lucro presumido ou arbitrado, serão computados na determinação da base de cálculo do adicional do imposto. § 5º Os juros serão computados nos balanços de suspensão ou redução (art. 10). § 6º Os juros remuneratórios ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito. § 7º O imposto de renda incidente na fonte: a) no caso de beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, será considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos ou compensado com o que houver retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração do capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 638 32 b) será considerado definitivo, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta; c) no caso de beneficiária sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do Decretolei nº 2.397, de 1987, poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento de rendimentos a seus sócios; d) deverá ser pago até o terceiro dia útil da semana subsequente à do pagamento ou crédito dos juros. § 8º A pessoa jurídica que exercer a opção de que trata o § 1º assumirá o ônus do imposto incidente na fonte sobre os juros. § 9º O valor do imposto será determinado sem o reajuste da respectiva base de cálculo e não será dedutível para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. § 10. O imposto incidente na fonte, assumido pela pessoa jurídica, será recolhido no prazo de quinze dias contados do encerramento do períodobase em que tenha ocorrido a dedução dos juros, sendo considerado: a) definitivo, nos casos de beneficiário pessoa física ou jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isentas; b) como antecipação do devido na declaração, no caso de beneficiário pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real. § 11. Na hipótese da alínea "b" do § anterior, a pessoa jurídica beneficiária deverá registrar, como receita financeira, o valor dos juros capitalizados que lhe couber e o do imposto de renda na fonte a compensar. § 12. O valor do imposto registrado como receita poderá ser excluído do lucro líquido para determinação do lucro real. Logo em seu caput, o art. 29 fez referência à observância do regime de competência, o que pode ter dado origem a uma série de confusões e à questão ora submetida a esta CSRF. Ocorre que alguns compreendem que desse dispositivo que o JCP pago ou creditado, para fins de dedutibilidade do IRPJ e da CSL, apenas poderia tomar com base o capital mantido pelo acionista na mesma competência em que o pagamento ou credito tenha sido realizado. No entanto, não se trata de interpretação exclusiva que possa ser obtida imediatamente dos elementos textuais do art. 29, da IN 11/96. Pelo contrário, RAMON TOMAZELA SANTOS19 bem explicitou interpretação coerentemente obtida do aludido dispositivo, in verbis: “Na prática, significa dizer que a dedução da despesa deve ocorrer no momento em que a pessoa jurídica efetuar o 19 SANTOS, Ramon Tomazela. Aspectos controvertidos atuais dos juros sobre capital próprio (JCP): o impacto das mutações no patrimônio líquido, o pagamento acumulado e a sua qualificação nos acordos de bitributação, in Revista Dialética de Direito Tributário n. 214. São Paulo : Dialética, 2013, p. 109 e seg. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 639 33 pagamento do JCP em favor do sócio ou acionista, em caráter definitivo e incondicional, ainda que a deliberação societária determine que o prazo de cômputo deve abranger lapso temporal superior a um anocalendário, com o objetivo de remunerar o capital investido pelo sócio ou acionistas em períodos pretéritos.” A questão deve ser solucionada com vistas ao tema das fontes do Direito tributário: instruções normativas correspondem a fontes secundárias, do Direito, cuja função subalterna é de apenas explicitar normas enunciadas por fontes primárias, entres as quais tem destaque a lei ordinária. Assim, a interpretação do art. 29, da IN 11/96, deverá ser empreendida de tal forma que este seja consentâneo com a norma veiculada pelo art. 9o da Lei n. 9.249/95. Ocorre que, como se viu no subtópico “5.1”, o art. 9o da Lei n. 9.249/95 legitima o pagamento ou creditamento de JCP acumuladamente, com base em exercícios anteriores. O legislador não se baseou no regime de caixa ou de competência para a composição da fórmula de cálculo do JCP a ser pago ou creditado, mas apenas para marcar o momento em que este passa a ser dedutível. 5.4. Jurisprudência do STJ sobre o objeto do recurso especial em análise. A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça analisou recurso especial aparentemente com o mesmo objeto do recurso administrativo ora em análise. A r. decisão restou assim ementada: MANDADO DE SEGURANÇA. DEDUÇÃO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DISTRIBUÍDOS AOS SÓCIOS/ACIONISTAS. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. EXERCÍCIOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. I Discutese, nos presentes autos, o direito ao reconhecimento da dedução dos juros sobre capital próprio transferidos a seus acionistas, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2002, relativo aos anoscalendários de 1997 a 2000, sem que seja observado o regime de competência. II A legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. III Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram de fato despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração. IV "O entendimento preconizado pelo Fisco obrigaria as empresas a promover o creditamento dos juros a seus acionistas no mesmo exercício em que apurado o lucro, impondo ao contribuinte, de forma oblíqua, a época em que se deveria dar o exercício da prerrogativa concedida pela Lei 6.404/1976". Fl. 639DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 16327.001366/201033 Acórdão n.º 9101002.248 CSRFT1 Fl. 640 34 V Recurso especial improvido. (STJ, REsp 1086752/PR, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 11/03/2009) Em seu voto, o i. Min. FRANCISCO FALCÃO consignou ser aplicável ao JCP o regime de caixa e não o regime de competência, como se observa do seguinte trecho: “Com efeito, a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercício financeiro em que realizado o lucro da empresa. Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento. Tal conduta se dá em consonância com o regime de caixa, em que haverá permissão da efetivação dos dividendos quando esses foram despendidos, não importando a época em que ocorrer, mesmo que seja em exercício distinto ao da apuração”. Conforme exposto nesta declaração de voto, me alinho à conclusão dos Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça do STJ, no sentido de que “a legislação não impõe que a dedução dos juros sobre capital próprio deva ser feita no mesmo exercíciofinanceiro em que realizado o lucro da empresa”. No entanto, permissa venia, a r. decisão parece ter analisado apenas a hipótese em que há efetivo pagamento de JCP, em que o regime de caixa foi realmente acolhido pelo legislador. Conforme os fundamentos expostos no tópico “4.2” acima, o legislador tributário também elegeu o creditamento da JCP como elemento temporal para que este se torne dedutível, o que remete, então, a um regime de competência ajustado. Dessa ressalva decorre que a assertiva do i. Min. FRANCISCO FALCÃO deve, permissa venia, ser complementada do seguinte modo: “Ao contrário, permite que ela ocorra em anocalendário futuro, quando efetivamente ocorrer a realização do pagamento” ou creditamento. 6. Conclusão. Por todo o exposto, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso especial da PFN quanto à matéria analisada nesta declaração de voto. A glosa empreendida pela fiscalização não possui fundamento legal de validade, devendo ser afastada, reconhecendose, assim, a legitimidade do pagamento ou creditamento de JCP apurados acumuladamente, com base em exercícios anteriores, tal como foi corretamente decidido pelo bem fundamentado acórdão da Turma a quo. É como voto. (Assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 640DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalm ente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11128.007070/2010-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/03/2007
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.630
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 70 70 /2 01 0- 59 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 9303003.630 CSRF‐T3 Fl. 183 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801003.286, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 9303003.630 CSRF‐T3 Fl. 184 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 9303003.630 CSRF‐T3 Fl. 185 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 9303003.630 CSRF‐T3 Fl. 186 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 9303003.630 CSRF‐T3 Fl. 187 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 9303003.630 CSRF‐T3 Fl. 188 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 9303003.630 CSRF‐T3 Fl. 189 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.007070/201059 Acórdão n.º 9303003.630 CSRF‐T3 Fl. 190 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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