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Numero do processo: 10480.722521/2009-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
LUCRO PRESUMIDO. RECEITA BRUTA. MÁQUINAS DE APOSTA. DEDUÇÃO DE PRÊMIOS PAGOS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Conforme disposto no art. 519 do RIR/99, na tributação com base no lucro presumido, a receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Na hipótese de exploração ilegal de máquinas de aposta é impossível, por absoluta ausência de previsão legal, a exclusão da base de incidência do coeficiente de presunção de valores pagos a título de prêmio.
Numero da decisão: 9101-004.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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RECEITA BRUTA. MÁQUINAS DE APOSTA. DEDUÇÃO DE PRÊMIOS PAGOS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Conforme disposto no art. 519 do RIR/99, na tributação com base no lucro presumido, a receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Na hipótese de exploração ilegal de máquinas de aposta é impossível, por absoluta ausência de previsão legal, a exclusão da base de incidência do coeficiente de presunção de valores pagos a título de prêmio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 25 21 /2 00 9- 66 Fl. 1409DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 1.212/1.229) interposto pela contribuinte, cujo objeto referese à possibilidade de dedução de prêmios pagos na exploração de máquinas de aposta para fins de apuração da base de cálculo do Lucro Presumido. O acórdão n° 1301001.776 de 03/02/15 (fls. 1.133/1.143), ora recorrido, foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não merece acolhimento a alegação de cerceamento do direito de defesa na circunstância em que, além de não restarem comprovados os fatos que supostamente o motivou, a contribuinte não aporta ao processo elementos capazes de demonstrar a sua efetiva ocorrência. LUCRO PRESUMIDO. RECEITA BRUTA. CONCEITO. Em conformidade com o disposto no art. 519 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), tratandose de tributação com base no lucro presumido, a receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. No caso vertente, em que por meio de apreensão de documentos promovida pelo Departamento de Policia Federal foram identificados recebimentos decorrentes da exploração de vídeo loterias, não contabilizados e não declarados, descabe excluir da base de incidência do coeficiente de presunção os valores supostamente pagos a título de prêmio, haja vista a mais absoluta ausência de amparo legal. MULTA DE OFÍCIO. EXASPERAÇÃO. PROCEDÊNCIA Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 10480.722521/200966 Acórdão n.º 9101004.017 CSRFT1 Fl. 3 3 Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%. A ora Recorrente alega em seu Recurso Especial a existência de divergência de interpretação entre o acórdão Recorrido e o acórdão paradigma n. 1401000.713 que trouxe entendimento no sentido de que devem ser deduzidas da base de cálculo do lucro presumido as premiações pagas aos apostadores, conforme ementa abaixo: Acórdão nº 1401000.713 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 (...) OMISSÃO DE RECEITA. EXPLORAÇÃO JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. A receita bruta das empresas que exploram a atividade de jogos eletrônicos de azar mediante a utilização de máquinas caça níqueis corresponde à diferença entre a arrecadação bruta do mês e a dedução das premiações pagas aos apostadores ou desistências, subtraídas, ainda, as receitas já declaradas e tributadas pelo contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicação com base em meros indícios de utilização de interpostas pessoas. Ausência de nexo de causalidade com a infração e fraude não comprovada. Redução da penalidade para o patamar de 75%, Além disso, trouxe ainda a Recorrente, a título de reforço da divergência, o acórdão n. 10193.070 assim ementado: IRPJ — OMISSÃO DE RECEITAS — Confirmase a decisão de 1° grau que excluiu da base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica as parcelas que embora tenham sido arrecadadas nas sessões de bingos, a fiscalização constatou que foram, comprovadamente, destinadas ao pagamento de premiação dos sorteados, como expressa na lei de regência Fl. 1411DF CARF MF 4 Além do tópico acima, a Recorrente também alegou divergência jurisprudencial em relação à aplicação de multa qualificada em razão da natureza da atividade e da magnitude dos valores subtraídos da tributação. Por meio do despacho de admissibilidade de Recurso Especial (fls. 1.331/1.334) ratificado pelo Despacho de Reexame de Admissibilidade (fls. 1.339/1.340) foi dado seguimento parcial ao recurso, apenas no tangente ao tópico relacionado à possibilidade de dedução dos prêmios pagos aos apostadores da base de cálculo do Lucro Presumido. A PGFN apresentou contrarrazões (fls. 1.342/1.348) em que não contesta o conhecimento do Recurso Especial mas no mérito alega em síntese que na forma de apuração pelo Lucro Presumido, o lucro é definido a partir da aplicação de determinada alíquota de acordo com a atividade desenvolvida pela empresa, e tem como base de cálculo a receita bruta, como estabelecem os artigos 518 e 519 do RIR/99, sendo inegável que o resultado da venda de bilhetes lotéricos, assim como o pagamento de prêmios a terceiros, representa a receita bruta da recorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Conhecimento Na análise de conhecimento do Recurso é possível verificar que os acórdão paradigmático analisara situação de "falta de contabilização e oferecimento à tributação das receitas originárias da exploração de vídeo loterias". No acórdão recorrido, a conclusão foi no sentido de que descabe excluir da base de incidência do coeficiente de presunção os valores supostamente pagos a título de prêmio, haja vista a mais absoluta ausência de amparo legal, enquanto que no paradigms a conclusão foi diametralmente oposta, no sentido de que cabível a dedução das premiações pagas aos apostadores da receita bruta sobre a qual é apurado o lucro presumido. Assim entendo estar presente a necessária similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigmático, bem como, a divergência jurisprudencial. Portanto, o Recurso Especial merece ser conhecido. Mérito No presente caso, a fiscalização considerou como receita bruta para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, a totalidade da oriunda da exploração das máquinas de apostas segundo identificado no processo fiscalizatório. Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 10480.722521/200966 Acórdão n.º 9101004.017 CSRFT1 Fl. 4 5 A recorrente alega que o valor das premiações dos apostadores não pode compor a remuneração de sua atividade, pois, referese à receita de terceiros e não podem compor a base de cálculo de sua tributação, mesmo no regime do Lucro Presumido. Não entendo desta forma. O artigo 519 do RIR/99 estabelece a base de cálculo para fins de apuração do lucro presumido e para tanto faz menção ao art. 224, conforme abaixo transcrito: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). [...] Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. Apesar de óbvio é importante ressaltar que no regime de tributação pelo Lucro Presumido, o resultado obtido pela contribuinte é irrelevante, tendo em vista que o lucro é, como o próprio nome diz, presumido. Isso que dizer que, ainda que a contribuinte apure Prejuízo, deverá pagar o IRPJ e a CSLL vez que seu lucro decorre de mera presunção baseada no volume de suas receitas. Cabe ao contribuinte, portanto, efetuar a opção que lhe pareça mais vantajosa, desde que dentro dos limites permitidos em lei. De fato, no regime do Lucro Presumido existem deduções que são previstas pela legislação, de forma taxativa e não exemplificativa, conforme se vê no disposto no art. 224 do RIR/99, em seu § único, que assim dispõe: Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Assim, não é possível aos contribuintes a dedução de despesas outras para apurar o Lucro Presumido como se Lucro Real fosse. No caso em tela, foi a própria Recorrente quem explorou os jogos de azar que constituem o fato gerador da obrigação tributária em questão, o que afasta qualquer alegação de atuação em conta alheia. A Recorrente é a contribuinte de toda a receita gerada na exploração das máquinas de apostas. Veja, tal regramento vale para qualquer atividade. Numa empresa comercial optante pelo Lucro Presumido, não é permitida a dedução do preço pago pela mercadoria ao Fl. 1413DF CARF MF 6 seu fornecedor. Isso porque, presumese que seu lucro é de 8%, independentemente de qual seja a sua real margem. Cabe aqui destacar um esclarecedor trecho do acórdão recorrido com o qual me alinho de forma integral: Sustenta a Recorrente que, se os prêmios, que compõem as apostas, já foram tributados pelo IRRF, admitir novo lançamento de IRPJ sobre a rubrica APOSTAS constitui dupla incidência do imposto de renda sobre um único fato jurídico, caracterizando, assim, o bis in idem. Consigna que, “tendo a Autuação apurado o IRPJ pela sistemática do lucro presumido, vale ressaltar que a exclusão da incidência fiscal sobre a rubrica Prêmios, adequando a base tributável ao Resultado, é medida que se adequa ao preceito hospedado no art. 224 do RIR/99, segundo o qual a receita bruta, como a base de cálculo do IRPJ apurado pelo lucro presumido, deve corresponder ao preço dos serviços prestados”, de modo que somente “a efetiva remuneração do trabalho do impugnante (= preço dos serviços prestados) poderia integrar a base imponível do IRPJ”. Equivocase a Recorrente. No que tange ao imposto de renda na fonte incidente sobre os prêmios pagos, porque o ônus tributário não recai sobre a fonte pagadora, atuando esta na relação jurídicotributária como mera responsável pela retenção e recolhimento do imposto. No caso, quem de fato suporta o ônus tributário é o beneficiário do prêmio, de modo que não cabe falar em bis in idem. Relativamente ao fato de ter sido considerado para fins de tributação o total dos recebimentos, também não é merecedor de reparo a decisão de primeira instância. Isto porque, como ali restou assinalado, tratandose de tributação com base no LUCRO PRESUMIDO, a receita bruta a ser considerada é exatamente aquela definida no art. 224 do RIR/99 (citado pela Recorrente), admitindose como parcelas excludentes tão somente as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente. Estaria correta a Recorrente, na linha inclusive dos julgados referenciados por ela na peça recursal, se estivéssemos diante de tributação com base no lucro real, eis que, nesse caso, restando efetivamente comprovado o repasse dos prêmios, a receita omitida estaria representada pela diferença entre os valores auferidos e os referidos prêmios. Entretanto, na sistemática do lucro presumido, a aplicação do coeficiente de determinação da base de cálculo, por representar margem de lucratividade fixada pela lei e, por decorrência, embutir custos associados à atividade econômica explorada, deve ser feita sobre a totalidade da receita auferida pelo contribuinte, podendo ser excluídos apenas os montantes correspondentes às hipóteses descritas na lei. Aqui, alinhome ao entendimento esposado no acórdão nº 1202000.487, cujo fragmento do voto condutor reproduzo abaixo, e que, como pode ser observado, a matéria abordada em tudo se iguala a que ora encontrase sendo apreciada. [...] Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 10480.722521/200966 Acórdão n.º 9101004.017 CSRFT1 Fl. 5 7 Quanto a base de cálculo IRPJ, em que pese a fundamentação da decisão proferida pela Autoridade Julgadora a quo, a mesma não deve prosperar. O entendimento de que a tributação deveria atender a legislação específica, estaria correto se a Contribuinte fosse optante pela sistemática do lucro real, o que não acontece no presente caso, sujeitandose assim, ao regime do lucro presumido. Neste ponto, correta a Autoridade Lançadora, posto que verificou ser a Contribuinte optante pela tributação com base no lucro presumido, com percentuais de 8% e 32% de acordo com a atividade, aplicado sobre a receita bruta. A tributação pelo lucro presumido deve ser feita de acordo com o RIR/99, artigos 224, 518 e seguintes. De tal sorte, correto o cálculo feito pala Autoridade Lançadora. Diante disso dou provimento ao Recurso de Ofício neste ponto uma vez que diante da sistemática do lucro presumido a Contribuinte, na apuração das Receitas Brutas auferidas, retirou, indevidamente os valores repassados aos proprietários das máquinas de jogos, bem como os valores correspondentes aos prêmios pagos. Destaco aqui, que existem outros julgados deste Conselho neste mesmo sentido, conforme ementas abaixo: Acórdão n. 1201001.666 da 1°Turma da 2°Câmara ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 LUCRO PRESUMIDO. JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. APOSTAS A empresa é responsável pela opção ao regime de tributação quanto aos seus efeitos. Optado pela apuração do lucro na forma presumida, sujeitase à submeterse às regras para recolher os tributos de acordo com a presunção legal de obtenção do lucro, e não consoante cálculo do lucro efetivo. A receita bruta consiste no valor total das apostas recebidas e as deduções permitidas são somente aquelas permitidas na legislação tributária, não sendo passível de dedução o valor dos prêmios pagos e nem as percentagens destinadas à Loteria do Estado da Paraíba e à entidade filantrópica autorizatária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL. Fl. 1415DF CARF MF 8 Acórdão n. 1801001.839 da 1°Turma Especial ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 LUCRO PRESUMIDO. JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. APOSTAS A empresa é responsável pela opção ao regime de tributação quanto aos seus efeitos. Optado pela apuração do lucro na forma presumida, sujeitase à submeterse às regras para recolher os tributos de acordo com a presunção legal de obtenção do lucro, e não consoante cálculo do lucro efetivo. A receita bruta consiste no valor total das apostas recebidas e as deduções permitidas são somente aquelas permitidas na legislação tributária, não sendo passível de dedução o valor dos prêmios pagos. Diante do exposto, entendo como improcedentes as argumentações trazidas pela Recorrente, devendo o acórdão recorrido ser mantido de forma integral. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL apresentado para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 10480.722521/200966 Acórdão n.º 9101004.017 CSRFT1 Fl. 6 9 Fl. 1417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.908739/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2010
DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO.
As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamentecomprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
Numero da decisão: 3201-005.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamentecomprovado por meio de documentação contábil e fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 87 39 /2 01 2- 83 Fl. 685DF CARF MF 2 Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 76/84, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1467.533 5ª Turma da DRJ/RPO, efls. 64/69, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação declarada de créditos de COFINS. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/12/2010, no valor de R$ 72.048,36, transmitida através do PER/Dcomp nº 31524.27135.221211.1.3.044550. A DRF Salvador não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 45, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 18/12/2012 (fl. 46), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/5, em 16/01/2013, para alegar que teria revisado a apuração do débito de Cofins no Dacon e constatado que teria deduzido a menor os créditos decorrentes de encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado. Defendeu que a divergência teria ocorrido, pois não teria observado o Regime Tributário de Transição, tendo revisado a vida útil econômica estimada dos bens e o saldo residual do ativo imobilizado, com amparo no Parecer Normativo nº 1, de 29 de julho de 2011. Afirmou ainda que haveria diferença na reapuração das exclusões da base de cálculo, pois teria deixado de considerar o cancelamento das notas fiscais, conforme quadro abaixo: Alegou que teria retificado a DCTF e o Dacon intempestivamente, motivo pelo qual o crédito não teria sido visualizado à época da emissão do despacho decisório. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10580.908739/201283 Acórdão n.º 3201005.156 S3C2T1 Fl. 686 3 Concluiu, para requerer a homologação da compensação. Juntou cópia do Dacon e da DCTF. É o relatório A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a impugnação. O Acórdão n.º 1467.533 5ª Turma da DRJ/RPO está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2010 Ementa: DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: V Das Razões Recursais A recorrente alega que é tributada com base no lucro real, sujeitandose ao recolhimento da COFINS pelo regime da não cumulatividade, em conformidade com a legislação pertinente. Cita o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para ter direito à compensação do tributo pago indevidamente ou “a maior” durante o ano calendário. Afirma que os valores compensados foram devidamente apurados e contabilizados nos livros societários, tendo ocorrido mero erro material no envio das informações prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Diz ainda que deixou de retificar, tempestivamente, as informações prestadas no DACON e na DCTF, fato que impossibilitou a visualização do crédito. A Recorrente argumenta que apresentou DCTF retificadora depois do despacho decisório. Cita a seu favor o disposto no Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28/08/2015, especialmente no item 18, conforme transcrição abaixo: Fl. 687DF CARF MF 4 18. Portanto, mesmo depois da ciência do despacho decisório, pode o interessado apresentar manifestação de inconformidade alegando essencialmente que cometeu equívoco na apresentação da DCTF que respaldaria o crédito pretendido e informando a transmissão da correspondente DCTF retificadora com o intuito de reduzir ou excluir débito tributário confessado. 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). Esse valor, entretanto, tornouse disponível no trâmite do processo administrativo fiscal. Caso o despacho decisório do indeferimento daquele crédito (ou da não homologação da DCOMP) decorreu apenas dessa hipótese preliminar, o órgão julgador poderá baixar o processo administrativo fiscal em diligência, nos termos do art. 18 do Processo Administrativo Fiscal (PAF), a fim de analisar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito. Notese que tal procedimento é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a DRF que tem as condições de avaliar se aquele crédito já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar improcedência parcial, nos termos dos itens 18.4 e seguintes. Caso a DRJ assim não proceda, o julgador então deverá verificar a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB. A recorrente sustenta a existência do crédito. Nesse sentido, alega que a correção do montante de exclusão de base de cálculo devese ao fato de não ter considerado, quando do envio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON, o cancelamento de notas fiscais de serviços. Explica que com o advento da Lei nº 11.638, de 28/12/2007, e em observância às normas internacionais de contabilidade, houve mudança de prática contábil adotada no que tange à revisão da vida útil econômica estimada dos bens e do saldo residual do ativo imobilizado. Diante disso, a partir de janeiro de 2008, os encargos de depreciação registrados nos livros societários da recorrente obedecem às regras diferentes daquelas vigentes até 31/12/2007. Nesse sentido, esclarece que a Lei nº 11.638, de 2007 produziu modificações no reconhecimento contábil dos encargos de depreciação e, buscando manter a neutralidade Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10580.908739/201283 Acórdão n.º 3201005.156 S3C2T1 Fl. 687 5 tributária pretendida pelo Regime Tributário de Transição – RTT, nos termos do item 28 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1 de 29 de julho de 2011, a Recorrente procedeu a correção, evidenciada, que motivou a retificação das obrigações acessórias e, por conseguinte, constituiu o crédito. Conclui afirmando que a correção da obrigação acessória teve por objetivo atender ao disposto na legislação tributária, especialmente, no tocante ao capítulo 87, Anexo I, da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro de 1998, em consonância ao disposto nos itens 29 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29 de julho de 2011, fato que resta comprovado através da análise das taxas de depreciação contidas nos controles patrimoniais da recorrente. VI – Do Princípio da Verdade Material A recorrente faz menção ao princípio da verdade material para a apresentação de novas provas, bem como a retificação da DCTF. Cita ainda o princípio da legalidade tributária. Apresenta jurisprudência e cita doutrina. VII – Do Pedido A recorrente ao final do seu recurso voluntário pede: 21.1 Sejam admitidas provas ora apresentadas em razão do princípio da verdade material, afastandose, por via de conseqüência, qualquer argumento quanto à preclusão; 21.2 Em razão das provas evidenciadas, seja o presente RECURSO VOLUNTÁRIO reconhecido e provido na sua plenitude de forma a reformar o Acórdão da DRJ bem como que seja declarada a HOMOLOGAÇÃO da respectiva DCOMP e a compensação dos débitos nela contemplados; 21.3 Alternativamente e em caso de dúvidas, que seja o processo administrativo baixado em diligência nos termos do artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, e conforme previsto no referido PN COSIT 2/2015, a fim de possibilitar que Recorrente apresente documentação complementar e necessária à comprovação da existência do crédito, além daquelas já acostadas ao presente Recurso. 21.4 Sejam considerados os argumentos e provas apresentados neste Recurso Voluntário, especialmente no tocante a: comprovação da adoção do critério de reconhecimento da depreciação nos termos da legislação tributária em vigor em 31 de dezembro de 2007, e; apresentação de relatório patrimonial no qual pode ser evidenciado a relação analítica dos bens e as taxas de depreciação utilizadas para cálculo dos encargos. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. Fl. 689DF CARF MF 6 O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. De forma resumida, o cerne do processo está na alegação da recorrente de que possui créditos decorrentes da reapuração dos encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado, devido ao Regime Tributário de Transição (RTT), conforme Parecer Normativo nº 1, de 29 de julho de 2011. Ocorre que a recorrente teve recentemente outros recursos com matéria idêntica julgados neste CARF. A título de exemplo cabe mencionar: Acórdão nº 3001000.530 do Processo 10580.908727/201259 (16/10/2018); e Acórdão nº 3001000.531 do Processo 10580.908730/201272 (16/10/2018). Tendo em vista que a matéria é idêntica e que o entendimento deste relator é o mesmo da relatoria dos processos mencionados, se utiliza aqui o voto o i. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri como fundamento da presente decisão. Nesse sentido, transcrevese a seguir trecho do voto constante do processo 10580.908727/201259: Do pedido de diligência No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. No presente caso, conforme se verá, não há questão de fato a ser elucidada. Assim, concluo pelo seu indeferimento. Do mérito Reprisando o que já havia argumentado em sua manifestação de inconformidade, o Recorrente reafirma que "a correção da obrigação acessória teve por objetivo atender ao disposto na legislação tributária, especialmente, no tocante ao capítulo 87, Anexo I, da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro de 1998, em consonância ao disposto nos itens 29 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29 de julho de 2011, fato que resta comprovado através da análise das taxas de depreciação contidas nos controles patrimoniais da Recorrente (anexo 05)". A 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu decisão nos termos acima indicados, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. De plano, não assiste razão ao Recorrente, uma vez que, como corretamente concluiu o voto condutor do acórdão recorrido, a justificativa para o não atendimento de seu pleito e consequente não reconhecimento do suposto direito creditório assentase tão somente no fato de que o Parecer Normativo Cosit nº 1, de Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10580.908739/201283 Acórdão n.º 3201005.156 S3C2T1 Fl. 688 7 29.06.2011, ao tratar das "diferenças no cálculo da depreciação dos bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009" concluiu textualmente, em seu item 32.1., que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Nestes termos, é despicienda a trazida da documentação que demonstra os "controles patrimoniais" do Recorrente, notadamente seu "anexo 05", uma vez que não está aqui tratandose de questão de ordem fática, mas sim jurídica, donde o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, em que o próprio Recorrente arrimase para defender seu pleito, uma vez que confirma que agiu em conformidade com os seus ditames, observou que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Dessa forma, concluo não haver qualquer reparo quanto ao decidido pela instância a quo, ao concluir que "não merecem prosperar as alterações propostas pelo interessado", quando da retificação das informações prestadas no "Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais" Dacon e na "Demonstração de Débitos e Créditos Tributários Federais" DCTF. Ademais, por oportuno, saliento que o fato de a decisão recorrida mencionar "que não foi apresentada qualquer documentação contábil e fiscal que comprovasse a alteração do cálculo dos encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado", somente vem reforçar o entendimento acima exposto; qual seja, no sentido que de a questão em trato é de obediência à legislação aplicável às pessoas jurídicas sujeitas ao "Regime Tributário de Transição" RTT, sendo irrelevante, assim como o foi para se chegar à conclusão dada pelo Colegiado recorrido, a apresentação ao não de sua documentação contábil e fiscal, uma vez que esta somente teria como objetivo corroborar as alegações do Recorrente, feitas naquele momento processual, mas como deixou bem claro o acórdão vergastado, a motivação para o indeferimento do pleito recursal transcendeu qualquer razão de ordem fática e/ou probatória, conforme já assentado alhures. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Diante do exposto voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 691DF CARF MF 8 Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 692DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.725714/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2006
EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins.
RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL.
No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003.
CORREÇÃOMONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO.POSSIBILIDADEDEAPLICAÇÃO.
CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO.
O reajuste de preço se efetuado nas condições descritas n oartigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n°9.718/98.Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM.
Numero da decisão: 3201-004.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimentoparcial ao Recurso Voluntário, apenas para considerar como válidas as alterações dosregimes de tributação dos contratos, corrigidos pelo índice IGP-M, anteriores a 31/10/2003.Vencidos os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo, relator, e Paulo Roberto DuarteMoreira, que lhe negaram provimento O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andradeacompanhou o voto vencedor pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor oconselheiro Laercio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
(assinado digitalmente)
Laércio Cruz Uliana Junior Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2006 EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003. CORREÇÃOMONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO.POSSIBILIDADEDEAPLICAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preço se efetuado nas condições descritas n oartigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n°9.718/98.Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1909; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.085 1 1.084 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.725714/201237 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.841 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria PIS/PASEP Recorrente CENTRAIS ELETRICAS DO NORTE DO BRASIL S/A ELETRONORTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2006 EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003. CORREÇÃOMONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO.POSSIBILIDADEDEAPLICAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preço se efetuado nas condições descritas n oartigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n°9.718/98.Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 57 14 /2 01 2- 37 Fl. 1086DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para considerar como válidas as alterações dos regimes de tributação dos contratos, corrigidos pelo índice IGPM, anteriores a 31/10/2003. Vencidos os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo, relator, e Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negaram provimento O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade acompanhou o voto vencedor pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 1056/1077, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 0257.648 1ª Turma da DRJ/BHE, efls. 1035/1051, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade relativa a PIS/PASEP. O relatório da decisão da DRJ de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: A interessada transmitiu Per/Dcomp (fls. 02 a 06) visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS, relativo ao fato gerador de 30/04/2006. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição da contribuinte emitiu Despacho Decisório em 16/11/2012 (fls. 993 a 1005), no qual não homologa a compensação pleiteada, por considerar indevidas as alterações efetuadas na retificação do Dacon, as quais resultaram em redução do valor de PIS a pagar e, conseqüentemente, no alegado pagamento a maior da contribuição. Segundo Despacho Decisório emitido pela DRF, a contribuinte recalculou o valor da sua contribuição no período, alterando o regime de tributação relativo às receitas decorrentes de Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10166.725714/201237 Acórdão n.º 3201004.841 S3C2T1 Fl. 1.086 3 contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, de não cumulativo para cumulativo, e, ainda, excluindo da base de cálculo da contribuição os valores recebidos a título de Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). No entendimento da DRF, a tributação das receitas decorrentes dos contratos firmados anteriormente a 31/10/2003 deve ser feita no regime nãocumulativo, tendo em vista a descaracterização de preço determinado daqueles contratos. Pelos documentos apresentados pela contribuinte, a autoridade fiscal constatou que o índice utilizado nos reajustes dos contratos foi o IGPM, o qual não se constitui em índice específico de nenhuma categoria ou produto, não se adequando, portanto, ao disposto no §3º da IN SRF nº 658/2006, uma vez que não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados na produção do serviço prestado pela contribuinte e nem tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção. Com relação aos valores relativos a CCC, entende a DRF de origem que integram a base de cálculo da contribuição calculada na sistemática da nãocumulatividade, por caracterizarse como “receita” e não como “recuperação de despesas”. Cientificada em 11/12/2012 (fl. 1010/1011), a contribuinte apresentou, em 09/01/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 1018 a 1030, com as alegações a seguir resumidas. DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS (CCC): Explica que a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) foi instituída pela Lei nº 5.899/1973, com o objetivo principal de permitir a modicidade das tarifas de energia elétrica em usinas termoelétricas, em face dos elevadíssimos custos com combustíveis derivados de petróleo, seu principal insumo. Segundo a contribuinte, essa conta funcionaria como uma conta corrente ou fundo, gerido pela ELETROBRÁS, a qual recebe cotas anuais de concessionárias de todo o país, utilizando esses recursos para reembolsar as empresas geradoras de energia em usinas termoelétricas (entre elas, a requerente), por parte dos seus custos de combustíveis. Neste sentido, alega que os valores recebidos se caracterizam como reembolso, nos termos do Decreto nº 744/1993, enquanto a incidência do PIS e da Cofins se dá sobre o faturamento mensal da empresa, assim compreendido o total das receitas auferidas. Ressalta que nem todo ingresso de valor constitui receita, a qual implica em algum acréscimo patrimonial, o que não se verifica no presente caso. Acrescenta às suas alegações o art. 110 do CTN, bem como jurisprudência a respeito da inclusão de receitas e Despacho da ANEEL que determina que os valores da CCC sejam contabilizados como “Recuperação de Despesas”, salientando que está sujeito a suas determinações. Fl. 1088DF CARF MF 4 DA MANUTENÇÃO DO PREÇO PREDETERMINADO – INCIDÊNCIA DO REGIME CUMULATIVO: Sobre os valores tributados com base no regime cumulativo, aduz que o preço predeterminado em contrato não perde a sua natureza pela simples previsão de reajuste decorrente da correção monetária e que a previsão de manter a tributação cumulativa para as receitas decorrentes de contratos anteriores a 31/10/2003 alcançou aqueles como preços predeterminados, ainda que sujeitos a cláusulas de reajuste, desde que por critério prefixado e destinado à mera recomposição monetária. Nesse sentido, cita entendimentos da Terceira Turma do TRF 5 e do TRF da 3ª Região, invocando a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 468/2004, que restringiu o alcance da Lei nº 10.833/2003, cujo intuito, ao manter os contratos no regime anterior, foi manter o equilíbrio econômicofinanceiro contratual. Destaca que a IN SRF nº 468/2004 foi revogada pela Instrução Normativa SRF nº 658/2006, que determina que, para descaracterização do preço predeterminado, é necessário o reajuste em valor superior aos custos de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, o que não ocorreu no seu caso. Argumenta que o IGPM é o índice utilizado para balizar a correção monetária da energia elétrica, não havendo legislação que o impeça de constituir índice específico de categoria ou produto, e que se adequa ao disposto no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/2006, uma vez que espelha a variação ponderada dos custos de insumos utilizados nos seus serviços prestados. Aduz que a RFB acabou por impedir que contratos usufruíssem a permanência no regime da cumulatividade, mesmo quando enquadrados nas hipóteses previstas na Lei nº 10.833/2003, uma vez que alterou o conceito de preço predeterminado. Argumenta que o preço predeterminado aceita reajustes, sim, pois, caso a intenção do legislador fosse não abarcar os contratos com esses reajustes, teria utilizado o termo “preço fixo” na lei. Ressalta que a sistemática da nãocumulatividade não foi considerada no reajuste das tarifas, constando expressamente as alíquotas de 0,65% e 3% para o PIS e a Cofins, respectivamente, nos contratos de suprimentos firmados. Destaca que a ANEEL, em 2005, determinou que os impactos relativos às alterações da legislação do PIS e da Cofins deveriam ser apurados pela concessionária e validados por aquela Agência somente no reajuste de 2006, sendo que, nesse ínterim, foi editada a IN SRF nº 658/2006, estabelecendo que o mero reajuste não descaracteriza o caráter predeterminado do preço, motivo pelo qual não houve alteração no regime da apuração dos tributos nos períodos subseqüentes. É o relatório. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 0257.648 1ª Turma da DRJ/BHE, efls. 1035/1051, está assim ementado: Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10166.725714/201237 Acórdão n.º 3201004.841 S3C2T1 Fl. 1.087 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2006 EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003. REGIME INCIDÊNCIA. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ANTERIORES A 31/10/2003. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa do PIS e da Cofins, até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, se não efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. RESOLUÇÕES ANEEL. NORMAS NÃO TRIBUTÁRIAS. A expedição de atos normativos com efeitos tributários é atividade situada fora do escopo legal da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que tem a finalidade de regular (e Fl. 1090DF CARF MF 6 fiscalizar) o mercado de energia elétrica, sendolhe vedado adentrar por via oblíqua no domínio da tributação. Resoluções da ANEEL não são normas de natureza tributária disciplinadoras da Contribuição para o PIS e da Cofins e tampouco regem a relação fiscocontribuinte. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Das Razões De forma concisa, a Recorrente alega haver comprovado nos autos que o crédito proveniente da PER/DCOMP é decorrente de recolhimento efetuado a maior: (a) em virtude do recálculo na apuração do PIS, em obediência as alterações no regime de tributação relativas as receitas auferidas de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, disciplinadas nas Instruções Normativas 468/2004 e 658/2006; e (b) da exclusão dos valores recebidos a título de Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) da base de cálculo do PIS. Do Mérito Quanto ao mérito, a Recorrente repisa os argumentos apresentados na primeira instância, em especial: (a) que a receita cuja tributação está sendo discutida é decorrente de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003; (b) que a CCC funciona como uma conta corrente ou fundo, gerido pela ELETROBRAS, que recebe cotas anuais das concessionárias de todo país, utilizando esse recurso para reembolsar parte das despesas com combustíveis das empresas geradoras de energia elétrica em usinas térmicas, repassando o valor correspondente diretamente a ELETROBRAS; (c) que esses valores não constituem receita da ELETRONORTE, sendo que a própria Lei reconhece tratarse de reembolso (Decreto 744193, art. 25), estando, portanto, excluído da base de cálculo do PIS/PASEP; (d) que a tarifa de energia elétrica é regulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica — ANEEL, órgão regulador ao qual a ELETRONORTE está subordinado, não cabendo as concessionárias de serviço público de energia elétrica a decisão quanta a sua majoração; (e) que a manutenção da tributação sob o regime da cumulatividade foi bastante discutida pelo Órgão regulador, interpretando as normas legais e infralegais vigentes, entendeu e determinou as suas reguladas, a manutenção da tributação pelo regime da cumulatividade, vedando qualquer majoração do preço contratual decorrente da não cumulatividade; (f) que a caracterização do preço prédeterminado ocorre quando o reajuste dos preços não for superior ao valor correspondente aos acréscimos de custos de produção conforme disposto no § 3°, do artigo 3° da IN SRF n° 658/2006 ou mesmo quando há utilização de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1° do artigo 27 da Lei n° 9.069/1995; (g) que a utilização do IGPM não tem o condão de descaracterizar o preço predeterminado dos contratos. Atualmente o IGPM é o índice utilizado para balizar a correção Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10166.725714/201237 Acórdão n.º 3201004.841 S3C2T1 Fl. 1.088 7 monetária da energia elétrica, não havendo legislação que determine que não pode constituir índice específico de categoria ou produto; (h) que o preço predeterminado em contrato não perde a sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com preço preestabelecido e clausula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que, definitivamente, não se confunde com o preço predeterminado. (i) que houve manifesta anuência da Receita Federal do Brasil quanto a Manutenção dos respectivos contratos no regime da cumulatividade, ratificando o entendimento da empresa e legitimando a apuração realizada pela ora recorrente, conforme pode ser observado nos Processos Administrativos n.°14033 003352200818 (COFINS) e n.°10166 911300200923 (PIS). (j) que diante disso, a Eletronorte manteve a apuração dessas receitas pelo regime da cumulatividade nos períodos posteriores, em total observância a legislação incidente e também ao posicionamento da própria Receita Federal, no caso concreto. A Recorrente discorre sobre a conta de consumo de combustíveis (CCC) e a geração de energia elétrica em usinas termelétricas, em particular nos estados do Acre, Rondônia e Amapá. Argumenta que os valores da CCC não constituem receita da ELETRONORTE, sendo que a legislação reconhece tratarse de reembolso. Sobre o assunto cita jurisprudência do CARF. Na questão dos preços predeterminados, a Recorrente sustenta que foram mantidos no regime da cumulatividade as receitas decorrentes dos contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiarias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data. Argumenta que por meio da IN 658/06 a Receita Federal decidiu por manter o regime da cumulatividade para os contratos em que o reajuste de prego fosse feito em percentual não superior aquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou quando houvesse uma variação de índice mas que correspondesse proporcionalmente a variação dos custos dos insumos utilizados (Lei no 11.196/05, art. 109 e IN 658/06, art. 3°,§3°). Sustenta que os contratos objeto do processo, enquadramse no conceito de preço predeterminado estabelecido pela IN SRF 658/06. Nessa linha de argumentação discorre que o IGPM se adequa perfeitamente ao disposto no artigo 3°, parágrafo 3°, da IN 658/06, tendo em vista que espelha a variação ponderada dos custos de insumos utilizados na produção do serviço prestado. Cita jurisprudência. A Recorrente discorre sobre a determinação da ANEEL para manutenção no sistema cumulativo. Fl. 1092DF CARF MF 8 A Recorrente argui que procedeu a apuração das contribuições em obediência ao disposto na IN SRF 658/06 que revogou a IN SRF 468/04. A seu favor cita os Processos Administrativos n°14033 003352200818 (COFINS) e n°10166 911300200923 (PIS). Do Pedido Ao final do RV a Recorrente pede a anulação do Acórdão 0257.646 proferido pela DRJ/BHE. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. De forma objetiva o Recurso recai sobre duas questões: (a) a alteração do regime de tributação relativo às receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, de nãocumulativo para cumulativo, e (b) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores recebidos a título de Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. (a) Alteração Regime Tributação – Contratos Anteriores a 31/10/2003 A Recorrente alega seu direito de recalcular o valor da sua contribuição no período, alterando o regime de tributação relativo às receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, de nãocumulativo para cumulativo. O cerne da discussão está na permanência dos contratos dentro da exceção para a cobrança cumulativa, após o reajuste do “preço predeterminado” pelo IGPM. Em suma, a discussão analisa o uso do IGPM para o reajuste do preço da energia elétrica e o conceito de preço predeterminado. No mérito não cabe razão a Recorrente. A Lei n° 11.196/2005, Art. 109 estabeleceu forma de reajuste de preços para os contratos a preço predeterminado, para fins da manutenção no regime cumulativo. Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. (grifo nosso) Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10166.725714/201237 Acórdão n.º 3201004.841 S3C2T1 Fl. 1.089 9 Portanto, os reajustes para fins da manutenção no regime cumulativo devem ocorrer em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Ocorre que o índice utilizado pela Recorrente foi o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que engloba desde matériasprimas agrícolas e industriais até bens e serviços finais. Ou seja, tratase de índice de reajuste de preços abrangente sem associação com o custo de produção da energia elétrica. O CARF tem entendimento firmado sobre assunto. CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PARECER TÉCNICO. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o reajuste de preços efetuado, com a utilização do IGPM como índice de correção monetária, descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, prejudica a sua manutenção ao regime cumulativo, previsto na Lei 9.718/98. [...] (CARF, 3º Turma, CSRF, Ac. 9303003.467, de 24/02/2016, rel. Conselheira Tatiana Midori Migiyama). REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. (CARF, 3º Turma, CSRF, Ac. 9303003.372, de 11/12/2015, rel. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres). Como fundamento das razões de decidir peço vênia para reproduzir trechos do voto do Conselheiro Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho no Processo nº 13896.721004/201524. Em 2006, a então Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa (IN) SRF nº 658/2006, cujo art. 3º regulamenta o preço predeterminado para fins de apuração da PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 1094DF CARF MF 10 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Assim, estatui o art. 3º que preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato. Assim, qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, como argumenta a recorrente, seja de revisão de preços, inclusive a cláusula contratual sob análise, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizandoa. A única exceção é a do art. 109 da Lei n° 11.196/2005, quando o reajuste de preços se dá em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não é o caso do IGPM; regra legal complementada pelo § 3º da IN, reproduzido acima, devendo este, claro, correspondência à lei, como será exposto em seção seguinte do presente voto. Assim, não tem efeito sobre o discutido a argumentação da recorrente de que o IGPM é índice de correção monetária e não de revisão de preços. Aduz também a contribuinte que preço predeterminado é aquele preço previsto contratualmente e não se equipara a preço fixo, Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10166.725714/201237 Acórdão n.º 3201004.841 S3C2T1 Fl. 1.090 11 amparado no que dispõem a Instrução Normativa n° 21, de 13 de março de 1979, que disciplina a aplicação do art. 10 do Decretolei n° 1.598/1977, para fins de IRPJ. Tal norma absolutamente não se aplica ao caso em pauta, pois é anterior e menos específica que a IN 658, ou melhor, se aplica a outra espécie tributária o IRPJ. A característica de índice geral de preços, por si só, já retiraria o IGPM da exceção que não descaracterizaria o preço predeterminado. (...) Assim, de modo conclusivo, para a permanência do contrato de fornecimento de energia elétrica no regime cumulativo a Recorrente deveria ter utilizado um mecanismo de reajuste conforme determinado pela legislação, ou seja, em função do custo de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no fornecimento de energia. A utilização do IGPM na cláusula contratual de reajuste afetou o conceito de “preço predeterminado” obrigando a empresa ao recolhimento da contribuição no regime não cumulativo. (b) Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) A Recorrente alega que os valore recebidos na CCC não são receitas, mas reembolso de parte das despesas com combustíveis das empresas geradoras de energia elétrica em usinas térmicas. No mérito não cabe razão a Recorrente. O entendimento do juízo de primeira instância está em harmonia com o entendimento deste órgão de julgamento, ou seja, de considerar os valores recebidos relativos à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), como compondo a base de cálculo do PIS. CARF Acórdão nº 1201002.128 do Processo 10283.721454/201111 – Data 12/04/2018 AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. RECEITAS DO VALOR DO REEMBOLSO DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTIVEIS CCC. Correta a tributação quando carecem os autos de elementos inequívocos apontando para o pagamento dos tributos correspondentes às receitas concernentes aos numerários das Solicitações de Reembolso da Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis CCC. CARF Acórdão nº 3803002.866 do Processo 10983.911778/200920 – Data 26/04/2012 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PIS NÃO CUMULATIVO. GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS Fl. 1096DF CARF MF 12 (CCC). CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO (CDE). BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO E RECEITA. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), repassados a título de subsídio às sociedades empresárias geradoras de energia elétrica que se utilizam de usinas termoelétricas, cujo objetivo é a compensação do alto custo decorrente do consumo de combustíveis fósseis, integram a base de cálculo da contribuição social calculada na sistemática da não cumulatividade. As razões de decidir são as mesmas do juízo de primeira instância de modo que peço vênia para reproduzir e comentar os principais trechos. (...) embora caiba à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) regular as tarifas e estabelecer as condições gerais de contratação do acesso e uso dos sistemas de transmissão e de distribuição de energia elétrica por concessionário, permissionário e autorizado, bem como pelos consumidores, o entendimento por esta exarado, por meio de Notas Técnicas e Resoluções, não vincula a administração tributária, razão pela qual a análise que se segue limitarseá a legislação tributária aplicável ao caso. (efl. 694) A ANEEL não possui competência para legislar em matéria tributária. Segundo as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, a base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada. Como os valores não incluídos na base de cálculo das contribuições pela autuada não se encontram entre as exclusões permitidas pelo §3º do art. 1º das citadas Leis, a impugnante busca fundamentar sua contestação afirmando que os valores relativos à CCC não seriam receitas propriamente ditas, mas mero reembolso, estabelecido por lei, para viabilizar economicamente a produção de energia elétrica em usinas térmicas, em face do elevado custo de seus insumos. O que a contribuinte chama de “reembolso”, no entanto, não perde o seu caráter de receita. É o que a seguir se verá. A CCC foi instituída pelo inciso III do artigo 13 da Lei n° 5.899, de 5.07.1973. Art. 13. A coordenação operacional, que se refere o artigo anterior, terá por objetivo principal o uso racional das instalações geradoras e de transmissão existentes e que vierem a existir nos sistemas interligados das Regiões Sudeste e Sul, assegurando ainda: (...) III que os ônus e vantagens decorrentes do consumo dos combustíveis fósseis, para atender às necessidades dos sistemas interligados ou por imposição de interesse nacional, sejam rateados entre todas as empresas Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10166.725714/201237 Acórdão n.º 3201004.841 S3C2T1 Fl. 1.091 13 concessionárias daqueles sistemas, de acordo com critérios que serão estabelecidos pelo Poder Executivo.” (grifouse) Constatase, assim, que foi criado um mecanismo de equalização de custos destinado a viabilizar as operadoras termoelétricas, possibilitando uniformização de preços aos consumidores finais por intermédio de uma sistemática de rateio entre as concessionárias do sistema, com o subseqüente repasse às concessionárias termoelétricas, destinado à compensação do custo superior incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis. A Lei nº 9.648/1998 dispôs que as usinas termoelétricas situadas nas regiões abrangidas pelos sistemas elétricos interligados, que iniciarem sua operação a partir de 06/02/1998, não mais farão jus aos benefícios da sistemática de rateio de ônus e vantagens decorrentes do consumo de combustíveis fósseis para a geração de energia elétrica. Contudo, tal sistemática foi mantida pelo prazo de vinte anos, a partir da publicação da referida lei, para as usinas termoelétricas integrantes dos sistemas isolados (tal dispositivo somente foi revogado com a edição da Medida Provisória nº 466, de 29 de julho de 2009). (efl. 698) Os valores recebidos através da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) constituem receitas, pois servem para subsidiar a geração de energia elétrica efetuada mediante o uso de combustíveis fósseis. Nesse sentido, as recuperações de despesas constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), a seguir transcrito, e, como tal, inseremse no campo de incidência do PIS e da COFINS: “Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I o produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II o resultado auferido nas operações de conta alheia; III as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões;” (grifouse) IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Desta forma, no que diz respeito aos valores recebidos relativos à conta CCC, os quais foram considerados pela autoridade fiscal, na apuração da base de cálculo da contribuição, não cabe reparos no Despacho Decisório impugnado. (efl. 699) Assim, de forma conclusiva, considerase como receita os valores recebidos na CCC. Fl. 1098DF CARF MF 14 Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para não reconhecer o direito creditório. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Voto Vencedor Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior É de reconhecer como válida a correção do IGPM anteriores a 31/10/2003, isso, desde que firmado nas hipóteses do art. 27 da 9718/98. Ainda é correta o memorando SSF/Aneel 836/2005. Nesse sentido já se manifestou esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a validade de tal correção: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007 Ementa: PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, o nde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimentalprobatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do CPC/2015, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2007 Ementa: PREÇO PREDETERMINADO. ILEGALIDADE DA IN Nº 468/2004 e 658/2006. O preço predeterminado não se descaracteriza pela aplicação de indexador, trata se de mera atualização monetária dos valores dos contratos, e, n ão torna o preço pactuado (predeterminado) para fornecimento de bens e serviços em preço indeterminado. A ilegalidade da exclusão promovida pela IN 468/04 dos contratos de fornecimento de bens e serviços, com prazo sup erior a 1(um) ano, celebrados antes de 31 de outubro de 2003, a preço determinado, prevista no art. 10, inc. XI alínea “b” da Lei 10.833/03. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O re ajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 d a Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10166.725714/201237 Acórdão n.º 3201004.841 S3C2T1 Fl. 1.092 15 e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. Assim, dou provimento no que tange esse tópico. (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior Fl. 1100DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001612/2010-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
EMBARGOS INOMINADOS. INEXIDÃO MATERIAL. ERRO DE CÁLCULO. ACOLHIMENTO.
As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.
Numero da decisão: 2202-004.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, para, sanando o erro apontado, atribuir-lhes efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso de ofício, reconhecendo como lançados em duplicidade os valores de R$ 1.240.061,28 em 12/2006 e R$ 2.089.442,17 em 12/2007.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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INEXIDÃO MATERIAL. ERRO DE CÁLCULO. ACOLHIMENTO. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, para, sanando o erro apontado, atribuirlhes efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso de ofício, reconhecendo como lançados em duplicidade os valores de R$ 1.240.061,28 em 12/2006 e R$ 2.089.442,17 em 12/2007. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 12 /2 01 0- 57 Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.957 S2C2T2 Fl. 1.229 2 Relatório Tratamse de Embargos Inominados interpostos nos autos do processo nº 16327.001612/201057, em face do acórdão nº 2202004.014, julgado pela 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em sessão realizada em 04 de julho de 2017, no qual os membros daquele colegiado entenderam por dar parcial provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. Ao Recurso de Ofício foi negado provimento, mantendose, assim, a exclusão dos valores duplicados da base de cálculo. Em despacho de admissibilidade foi assim relatado e determinado: “Tratase de Embargos Inominados (efls. 1039 a 1043) opostos pelo Delegado da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras em São Paulo DEINF/SP em face do Acórdão nº 2202004.014, proferido em sessão plenária de 04/07/2017, pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (efls. 985 a 1025), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. MULTA E JUROS ISOLADOS. TERMO DE INÍCIO. A multa isolada e os juros isolados decorrem de lançamento de oficio e não se submetem, para fins da contagem do prazo da decadência, às regras do lançamento por homologação. Assim, o prazo decadencial começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento do crédito tributário poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. ABERTA OU FECHADA. CONCEDIDA COMO FORMA DE REMUNERAÇÃO À PARTE DOS TRABALHADORES DA EMPRESA. AUSÊNCIA DO CARÁTER PREVIDENCIÁRIO. INCIDÊNCIA DE IRPF. Para que as contribuições a planos de previdência privada estejam fora da incidência de tributos, necessária a comprovação do caráter previdenciário dessas contribuições. Os aportes feitos pela empresa a planos destinados à parte de seus trabalhadores, sem regras objetivas de elegibilidade e metodologia de cálculo, e realizados em retribuição ao desempenho profissional se caracterizam como verbas remuneratórias, produto do trabalho, que estão sujeitas à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física. Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.957 S2C2T2 Fl. 1.230 3 RETENÇÃO NA FONTE NÃO EFETUADA. MULTA E JUROS EXIGIDOS ISOLADAMENTE. A fonte pagadora que deixar de reter e recolher dos beneficiários dos rendimentos o imposto de renda suscetível de antecipação do valor devido no ajuste anual, responde pela multa de oficio e juros moratórios, exigidos isoladamente. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, quanto ao recurso de ofício: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto ao recurso voluntário: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares; no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do tributo os valores correspondentes às contribuições básicas, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Fernanda Melo Leal, que deram provimento integral ao recurso. A Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio informou que apresentará declaração de voto. Foi designado redator ad hoc o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Da Legitimidade do Embargante Nos termos do art. 66, caput , do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), é legitimado a opor embargos inominados o "titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão" (art. 65, § 1º, V). Não foi comprovada, nos autos, a delegação de competência do titular da unidade para a servidora que assinou os embargos de efls. 1039 e ss. Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.957 S2C2T2 Fl. 1.231 4 Todavia, constatada a existência de erro de fato, assumo como meus os embargos opostos. Da Análise Alega o embargante que o acórdão proferido contém erro material conforme a seguir descrito: Os autos foram encaminhados a esta DICAT para implementação do Acórdão nº 2202004.014, proferido pelo CARF. No referido acórdão, acolheuse o pedido de aproveitamento de prova pericial produzida no processo nº 16327.001557/201003, cujo procedimento fiscal e fatos geradores são idênticos aos aqui discorridos. Diante do aproveitamento supracitado, deuse parcial provimento ao recurso para o fim de excluir da base de cálculo do tributo os valores correspondentes às contribuições básicas. Ao Recurso de Ofício foi negado provimento, mantendose, portanto, a exclusão dos valores duplicados da base de cálculo. Ocorre que foi verificado uma inexatidão no acórdão nº 1237.158, objeto dos recursos. A decisão acatou a alegação do contribuinte de que foi incluído de forma duplicada na base de cálculo do IRRF o valor de R$ 3.329.503,45, nos períodos 12/2006 e 12/2007, quando na verdade o valor seria a soma de R$ 1.240.061,28 de 12/2006 e de R$ 2.089.441,16 de 12/2007. Todavia, a decisão inverteu os valores, como se o contribuinte tivesse declarado R$ 2.089.441,16, no período 12/2006, e R$ 1.240.061,28 em 12/2007. Após verificar esse fato, foi feito um despacho solicitando esclarecimento à DRJ quanto à matéria. Em reposta, foi dito que não compete a DRJ manifestarse acerca da questão suscitada, nos seguintes termos: É o breve relato. O Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF entendeu por acolher os embargos, com a seguinte fundamentação: Admissibilidade dos Embargos de Declaração O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, no seu artigo 65, prevê a possibilidade dos embargos declaratórios sempre que o acórdão contenha omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, a saber: Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.957 S2C2T2 Fl. 1.232 5 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Por sua vez o art. 66 do mesmo diploma legal prevê a possibilidade de embargos inominados na existência de inexatidões materiais decorrentes de lapso manifesto ou erro de fato: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Feitas essas considerações, passamos à necessária apreciação. Do erro de fato Em suas razões o embargante sustenta que o acórdão contém inexatidão material (erro de fato), nos seguintes termos: Acórdão nº 2202004.014 negou provimento ao recurso de oficio, mantendo a exclusão dos valores duplicados da base de cálculo, nos termos do Acórdão nº 1237.158 – 1ª Turma da DRJ/RJ1, conforme o trecho reproduzido a seguir: Todavia, a análise dos cálculos acima, em concomitância com a verificação dos procedimentos efetuados no PAF nº 16327.001557/201003 (fls. 921) demonstrou que, embora o contribuinte tenha afirmado que o valor de R$ 3.329.503,45, adicionado às bases de cálculo, corresponderia à soma de R$ 2.089.442,16 de 12/2006 e de R$ 1.240.061,28 de 12/2007, as planilhas de fls. 739740, anexas por ele à impugnação e resumidas abaixo, apontam no sentido de que tal valor, na realidade, seria a soma de R$ 1.240.061,28 referente a 12/2006 e de R$ 2.089.442,16 referente a 12/2007. Para corroborar este entendimento, reproduzse a seguir o trecho da decisão proferida no Acórdão nº 1636.467 da DRJ/SP1, no PAF nº 16327.001557/201003: Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.957 S2C2T2 Fl. 1.233 6 Por fim, considerando que a possível alteração nos valores duplicados afetará diretamente os montantes mantidos e exonerados pela decisão do CARF em sede de Recurso Voluntário, encaminho o presente processo ao CARF para análise da situação e, caso entenda cabível, para alteração dos cálculos trazidos. Analisando o voto acerca do recurso de ofício, entendo que assiste razão ao Embargante. Vejamos. Recurso de Ofício A decisão de primeira instância retificou o lançamento para excluir da base de cálculo valores em duplicidade, conforme trecho do voto a seguir colacionado: O interessado alegou, ainda, que, no período 12/2006, foi incluído em duplicidade o valor de R$27.258.728,70; nos períodos 12/2006 e 12/2007, foi incluído na base de cálculo do IRRF o valor de R$3.329.503,45, quando esse valor na verdade é a soma de R$2.089.442,16 de 12/2006 e de R$1.240.061,28 de 12/2007. Assim, cabe a exclusão da exação indevida, em razão dos valores lançados em duplicidade, conforme cálculo a seguir. Em relação aos demais valores, o lançamento deve ser mantido. Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.957 S2C2T2 Fl. 1.234 7 Portanto, correta a retificação efetuada pela autoridade julgadora de primeira instância; e, por essa razão, se nega provimento ao recurso de ofício. Verificase que a decisão de 1ª instância reconheceu como lançado em duplicidade os valores de R$ 2.089.442,17 em 12/2006 e R$ 1.240.061,28 em 12/2007, todavia exclui os valores nas competências inversas, conforme destaques acima. Por seu turno, o acórdão embargado, ao negar provimento ao recurso de ofício corroborou o erro material da decisão ad quo, devendo ser revisto neste ponto. Conclusão Pelo exposto, com fundamento no art. 66, do Anexo II do RICARF, acolho os embargos inominados, para que seja sanado o erro de fato apontado. Uma vez que o conselheiro relator não mais pertence a colegiado no âmbito da 2ª Seção do CARF, encaminhese o processo à Dipro, para proceder a novo sorteio na Turma para relatoria e futura inclusão em pauta de julgamento.” Assim, os Embargos Inominados foram admitidos, para que fosse sanado o lapso apontado. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso inominado preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, no seu artigo 65, prevê a possibilidade dos embargos declaratórios sempre que o acórdão contenha omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, a saber: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Por sua vez o art. 66 do mesmo diploma legal prevê a possibilidade de embargos inominados na existência de inexatidões materiais decorrentes de lapso manifesto ou erro de fato: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.957 S2C2T2 Fl. 1.235 8 deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Feitas essas considerações, passamos à necessária apreciação. Do erro de fato Em suas razões o embargante sustenta que o acórdão contém inexatidão material (erro de fato), nos seguintes termos: Acórdão nº 2202004.014 negou provimento ao recurso de oficio, mantendo a exclusão dos valores duplicados da base de cálculo, nos termos do Acórdão nº 1237.158 – 1ª Turma da DRJ/RJ1, conforme o trecho reproduzido a seguir: Todavia, a análise dos cálculos acima, em concomitância com a verificação dos procedimentos efetuados no PAF nº 16327.001557/201003 (fls. 921) demonstrou que, embora o contribuinte tenha afirmado que o valor de R$ 3.329.503,45, adicionado às bases de cálculo, corresponderia à soma de R$ 2.089.442,16 de 12/2006 e de R$ 1.240.061,28 de 12/2007, as planilhas de fls. 739740, anexas por ele à impugnação e resumidas abaixo, apontam no sentido de que tal valor, na realidade, seria a soma de R$ 1.240.061,28 referente a 12/2006 e de R$ 2.089.442,16 referente a 12/2007. A decisão de primeira instância retificou o lançamento para excluir da base de cálculo valores em duplicidade, conforme trecho do voto a seguir colacionado: O interessado alegou, ainda, que, no período 12/2006, foi incluído em duplicidade o valor de R$ 27.258.728,70; nos períodos 12/2006 e 12/2007, foi incluído na base de cálculo do IRRF o valor de R$ 3.329.503,45, quando esse valor na verdade é a soma de R$ 2.089.442,16 de 12/2006 e de R$ 1.240.061,28 de 12/2007. Ocorre, contudo que a decisão de 1ª instância, a qual foi confirmada pelo CARF, reconheceu como lançado em duplicidade os valores de R$ 2.089.442,17 em 12/2006 e R$ 1.240.061,28 em 12/2007, todavia exclui os valores nas competências inversas. No entanto, o correto seria reconhecer como lançado em duplicidade os valores de R$ 1.240.061,28 em 12/2006 e R$ 2.089.442,17 em 12/2007. Portanto, necessário acolher os presentes embargos inominados, para fins de sanar o erro material existente. Ante o exposto, voto por acolher os embargos inominados, para, sanando o erro apontado, atribuirlhes efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso de Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.957 S2C2T2 Fl. 1.236 9 ofício, reconhecendo como lançados em duplicidade os valores de R$ 1.240.061,28 em 12/2006 e R$ 2.089.442,17 em 12/2007. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.901232/2017-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.603
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente IRMANDADE DA SANTA CASA DE MACATUBA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de pedido de Restituição de PIS. A DRF em Bauru/SP, mediante Despacho Decisório, indeferiu o pleito sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER encontravase totalmente alocado/vinculado a débito declarado da contribuinte. Na manifestação apresentada a contribuinte afirma que a contribuição ao PIS é indevida porque no julgamento do RE nº 636.941/RS houve decisão do STF, com repercussão geral, no sentido de que as “entidades beneficentes de assistência social possuem imunidade tributária em relação à contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS).” Informa que solicitou a extinção da dívida constante do processo de parcelamento nº 10825.722624/201615 com base na nota explicativa PGFN/CASTF 637/2014. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .9 01 23 2/ 20 17 -9 3 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10825.901232/201793 Resolução nº 3201001.603 S3C2T1 Fl. 3 2 Esclarece ainda, que em razão dessa decisão retificou a DCTF e solicitou a restituição dos valores pagos. Informa que está anexando Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, Ata e Estatuto Social, solicitando o deferimento do pedido. Após exame da defesa apresentada a DRJ proferiu acórdão, cuja ementa se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. REQUISITOS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, no rito do art. 543B da revogada Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 antigo Código de Processo Civil, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social, desde que comprovem o atendimento aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão acima a contribuinte apresentou diversos documentos, que informa preencherem os requisitos dos artigos 9º e 14 do CTN. Apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que cumpriu todos os requisitos estabelecidos em lei para usufruir da imunidade em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.598, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10825.901227/201781, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.598): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10825.901232/201793 Resolução nº 3201001.603 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente verifico que o contribuinte apresentou parte dos documentos exigidos inicialmente pela DRF para demonstrar a imunidade. No entanto, foi indeferido o pleito por “porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontravase totalmente alocado/vinculado a débito da contribuinte.” Ainda o Contribuinte demonstrou que houve parcelamento do débito, sendo que a DRJ proferiu voto reconhecendo o parcelamento, porém, indeferindo o pedido por entender que o Contribuinte não tinha apresentado todos os documentos nos termos do art. 9º e 14 do CTN, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Contudo, após proferido Acórdão pela DRJ o Contribuinte apresentou os demais documentos necessários para concessão dos benefícios da imunidade, juntamente com o Recurso Voluntário. Nesse sentido, já se manifestou a 1ª Turma da CSRF: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002 RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. É válida a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas quando o contribuinte não fornece à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado. INGRESSOS DE VALORES RECEBIDOS POR CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO. Os ingressos oriundos da constituição de usufruto oneroso devem ser tributáveis ao longo do período de usufruto .Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Descabe falar em alteração de critério jurídico quando a decisão recorrida mantém o enquadramento legal e a interpretação dos fatos adotados pela Fiscalização, mas exonera parcela do crédito tributário por entender que alguns valores deveriam ser reconhecidos em outros períodos de apuração.Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. A decadência prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional somente ocorre quando há pagamento antecipado do tributo, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Especial nº 973.733SC, representativo de controvérsia. 16327.001227/200542. Data da Sessão 08/08/2017. Adriana Gomes Rêgo Relatora. André Mendes de Moura Redator Designado. Acórdão 9101 003.003 Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em julgamento para que a DRF , verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em diligência para que a DRF, verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Ainda, podendo intimar o contribuinte que apresente outros documentos que ache necessário." Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10825.901232/201793 Resolução nº 3201001.603 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação da imunidade que entende possuir direito. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência para que a DRF verifique se os documentos juntados são hábeis e se, em seu entender, são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101, podendo, ainda, intimar o contribuinte a apresentar outros documentos que ache necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000736/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O descumprimento de obrigação tributária acessória é hipótese que se submete ao prazo decadencial descrito no CTN, art. 173, I.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, §§ 3° e 5°, da Lei 8212/1991, acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/97, combinado com o artigo 225, inciso IV, § 40 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3,048/1999, a empresa apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias.
INFRAÇÃO. GFIP COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA PROPORCIONAL À CORREÇÃO DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE.
Para o reconhecimento da relevação da multa é necessária a correção integral da falta.
Numero da decisão: 2401-006.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do cálculo da multa os valores excluídos conforme Acórdão 2402-001.822 que julgou a obrigação principal. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir a multa relativa aos valores excluídos nos autos de infração correlatos que contêm obrigação principal em virtude da decadência neles declarada e relevar a multa relativa às faltas corrigidas, mesmo parcialmente. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Matheus Soares Leite.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O descumprimento de obrigação tributária acessória é hipótese que se submete ao prazo decadencial descrito no CTN, art. 173, I. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, §§ 3° e 5°, da Lei 8212/1991, acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/97, combinado com o artigo 225, inciso IV, § 40 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3,048/1999, a empresa apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. INFRAÇÃO. GFIP COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA PROPORCIONAL À CORREÇÃO DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE. Para o reconhecimento da relevação da multa é necessária a correção integral da falta.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do cálculo da multa os valores excluídos conforme Acórdão 2402-001.822 que julgou a obrigação principal. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir a multa relativa aos valores excluídos nos autos de infração correlatos que contêm obrigação principal em virtude da decadência neles declarada e relevar a multa relativa às faltas corrigidas, mesmo parcialmente. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Matheus Soares Leite. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. (Assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1923; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000736/200704 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401006.063 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2019 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente TELEVISÃO CAPIXABA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O descumprimento de obrigação tributária acessória é hipótese que se submete ao prazo decadencial descrito no CTN, art. 173, I. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, §§ 3° e 5°, da Lei 8212/1991, acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/97, combinado com o artigo 225, inciso IV, § 40 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3,048/1999, a empresa apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. INFRAÇÃO. GFIP COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA PROPORCIONAL À CORREÇÃO DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE. Para o reconhecimento da relevação da multa é necessária a correção integral da falta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do cálculo da multa os valores excluídos conforme Acórdão 2402001.822 que julgou a obrigação principal. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir a multa relativa aos valores excluídos nos autos de infração correlatos que contêm obrigação principal em virtude da decadência neles declarada e relevar a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 07 36 /2 00 7- 04 Fl. 1891DF CARF MF 2 multa relativa às faltas corrigidas, mesmo parcialmente. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Matheus Soares Leite. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (Assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ (DRJ/RJOI), que, por unanimidade de votos, considerou a autuação PROCEDENTE EM PARTE, para declarar o Contribuinte devedor do Crédito Previdenciário retificado no valor de R$ 177.239,60, conforme ementa do Acórdão nº 1221.335 (fls. 1678/1721): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a .31/12/2004 DIREITO PREVIDENCIÁRIO INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração ao artigo .32, inciso IV, §§ 3° e 5°, da Lei 8212/1991, acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/97, combinado com o artigo 225, inciso IV, § 40 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3,048/1999, a empresa apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 15586.000736/200704 Acórdão n.º 2401006.063 S2C4T1 Fl. 3 3 Diante da Súmula vinculante ri° 08 do STF, o artigo 45 da lei 8.212/1991 foi declarado inconstitucional. Aplicase, portanto, o prazo decadencial previsto no art.173, do CIN. Lançamento Procedente em Parte Este processo trata do Auto de Infração DEBCAD nº 37.020.4697, lavrado em 28/09/2007, de Obrigação Acessória, por ter a empresa deixado de declarar em GFIP todos os Fatos Geradores de Contribuições Previdenciárias nas competências de 01/1999 a 12/2004. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fl. 35 e Anexo nas fls. 37 a 43): 1. No "ANEXO III Fatos Geradores não Declarados em GFIP" (fls. 48/187) estão relacionadas às remunerações pagas a Trabalhadores Autônomos (nomenclatura utilizada até 28/11/1999), a Contribuintes Individuais e a Segurados Empregados, para as quais não foram preparadas folhas de pagamento, não declaradas em GFIP e não consideradas, à época própria, Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária; 2. Não foram elaboradas Folhas de Pagamento dos Trabalhadores Autônomos, Contribuintes Individuais e Segurados Empregados discriminados no ANEXO III, ensejando na lavratura do Auto de Infração DEBCAD nº 37.020.4689; 3. O Contribuinte deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos Segurados Empregados e dos Contribuintes Individuais a seu serviço a partir de 01/04/2003, o que ensejou na lavratura do Auto de Infração DEBCAD nº 37.020.4700; 4. As Contribuições Previdenciárias apuradas e não recolhidas, correspondentes às remunerações discriminadas nos subitens 3.1. a 3.20.(fls. 38/40), foram objeto de Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD; 5. A infração apurada sujeitou o Contribuinte à multa, objeto deste AI, prevista no artigo 32, § 5º da Lei 8.212/1991, na redação da Lei 9.528/1997, c/c, art. 284, II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3,048/1999, na redação do Decreto 4.729/2003 e artigo 373 do mesmo Regulamento, no valor de R$ 222.605,30, atualizado pela Portaria MPS 142, de 11/04/2007 DOU 12/04/2007, conforme descrito no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 36 e Anexo nas fls. 44 a 47); 6. Foram juntados aos Autos cópias dos relatórios das NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD 37.020.4735 (fls. 414/441) e 37.020.4743 (fls. 442/456). Em 04/10/2007 o Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração lavrado (AR fl. 529) e, em 05/11/2007, tempestivamente, apresentou sua impugnação de fls. 475 a 507, instruída com os documentos de fls. 508 e seguintes. Fl. 1893DF CARF MF 4 Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/RJOI para julgamento, onde, em 14/10/2008, a 15ª Turma, através do Acórdão nº 1221.335, decidiu pela PROCEDÊNCIA PARCIAL da autuação, mantendo a Multa aplicada, mas retificando o seu valor .para R$ 177.239,60 por conta da decadência de parte do período considerado, conforme detalhado na tabela às folhas 1720/1721. Tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado não se enquadra na norma relativa da Portaria MF 03, de 03/01/2008 (DOU 07/01/2008), não foi aplicado o Recurso de Ofício. Em 24/11/2008 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR fl. 1726) e, em 02/01/2009, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 1728 a 1762, onde, em síntese: 1. Preliminarmente, solicita o sobrestamento do feito até que sejam julgadas as NFLD's nºs 37.020.4735 e 37.020.4743, uma vez que a aplicação da Multa imposta, em razão da ausência de declaração na GFIP de Fatos Geradores de Contribuições Previdenciárias, somente terá amparo se comprovado que as referidas parcelas compunham efetivamente a base de cálculo do encargo em questão, matéria que está sendo discutida nas NFLD's acima mencionadas; 2. Requer a relevação da multa concernente às diferenças salariais e pagamentos efetuados a Autônomos após 10/2002, nos termos do art. 291, §1º do Decreto n° 3.048199, em razão do Contribuinte, diante do reconhecimento da procedência do lançamento neste particular, ter retificado as suas GFIP's para incluir os Fatos Geradores omitidos; 3. Argumenta sobre a impossibilidade de declarar na GFIP as informações requeridas pela Fiscalização uma vez que as mesmas não são Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária. Nas fls. 1736 a 1762 o Contribuinte faz uma análise de cada uma das situações apontadas na autuação como Fatos Geradores de Contribuições Previdenciárias, de forma a demonstrar a completa insubsistência do Auto de Infração. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo seu conhecimento, o acolhimento da preliminar anteriormente desenvolvida e, no mérito, pugna que seja reformado o Acórdão recorrido a fim de que seja declarada insubsistente a Multa imposta. Através do Memorando nº 076//2010/SRRF07/SECATVIT/ES (fl. 1867) foi questionado a tempestividade dos recursos apresentados para os Processos nºs 15586.000736/200704, encaminhado ao CARF em janeiro de 2009, 15586.000737/200741, encaminhado em abril de 2009 e 15586.000740/200764, encaminhado em janeiro de 2009. O Contribuinte, por sua vez, informa que os Recursos foram postados via Empresa Brasileira de Correios dentro do prazo previsto, anexando cópia dos Avisos de Recebimento SO 089081250 BR, SO 416098842 BR e SO 416098825 BR (fls. 1868/1874). É o relatório Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 15586.000736/200704 Acórdão n.º 2401006.063 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, considerando o prazo da postagem, e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Como visto, o presente processo trata da exigência de multa por ter deixado o contribuinte de declarar em sua GFIP Guia de Fundo de Garantia por Tempo de Serviços e Informações à Previdência Social os seguintes fatos geradores de contribuições previdenciárias: (i) pagamentos efetuados a autônomos, no período de 01/99 a 05/2001 e 07/2001 a 12/2004; (ii) diferenças salariais pagas a empregados, nas competências de 01/99, 03/99, 07/99, 01/00 a 05/00, 08/00, 12/00, 04/03 a 07/03, 09/03 a 09/04 e 11/04; (iii) curso de inglês concedido ao filho do sócio Walter de Sá Cavalcante Junior e outras despesas do sócio, pagas pela Recorrente; (iv) valores pagos ao segurado autônomo José Ferreira da Costa Alves Neto, considerado pela fiscalização como empregado da Televisão Capixaba, no período de 12/1997 a 12/1999 e 03/2000; (v) valores pagos ao segurado autônomo Jean Carlos Walcher Modolo, considerado pela fiscalização como empregado da Televisão Capixaba, no período de 01/03 a 05/03, 07/03 a 08/2004); (vi) valores pagos a 15 empresas prestadoras de serviços cujos sócios foram enquadrados como empregados da Recorrente. A Recorrente pleiteia inicialmente o sobrestamento do feito, pois não poderia ser obrigada a lançar determinadas parcelas na sua GFIP sem que haja certeza absoluta de que as mesmas tratam efetivamente de fatos geradores de contribuições previdenciárias, devendo assim ser aguardado o resultado final dos Processos Administrativos relacionados aos autos de infração correspondentes aos fatos geradores das obrigações principais. Fl. 1895DF CARF MF 6 Não assiste razão ao contribuinte por inexistir elemento concreto para respaldar o seu pleito aduzido em preliminar no Recurso Voluntário, bem como, não há base legal no processo administrativo fiscal e Regimento Interno do CARF que autorize o pedido de sobrestamento nos termos em que formulados, portanto, rejeito a preliminar suscitada. Com efeito, o fato gerador do presente Auto de Infração (CFL 68) se refere a não informação na GFIP, no período de 01/1999 a 12/2004, dos pagamentos feitos a segurados autônomos/contribuintes individuais e empregados, cujos fatos geradores foram discutidos em outros processos. Assim, para que seja verificada a subsistência do lançamento em tela, imprescindível a verificação da existência dos fatos geradores neles incluídos. No Recurso Voluntário, o contribuinte se insurge quanto a não configuração dos fatos geradores das Contribuições constantes das NFLD's n°s 37.020.4743 e 37.020.4735. Ressaltese que, por ocasião do julgamento dos processos administrativos nºs 15586.000717/200770 e 15586.000739/200730, o Recurso Voluntário do contribuinte foi julgado improcedente e foram confirmados os fatos geradores que deram ensejo ao presente lançamento de descumprimento de obrigação acessória por não informação desses fatos na GFIP. A empresa interpôs Recurso Especial, o qual foi julgado procedente para que a contagem do prazo decadencial obedecesse ao estabelecido no art. 150, § 4º do CTN. PA nº 15586.000717/200770 Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte contra acórdão nº 2402001.821 que negou provimento ao Recurso Voluntário e decidiu, entre outros pontos, pela manutenção da aplicação do art. 173, I do CTN. Assim, foi mantida a decadência reconhecida pela primeira instância até a competência 12/2001 haja vista a ausência de antecipação do pagamento do tributo. (...) Segundo relatório fiscal de fls. 111 a NFLD foi lavrada para cobrança das contribuições incidentes sobre 1) a remuneração de trabalhadores enquadrados na categoria de segurados empregados, vez que restaram evidenciados os elementos caracterizadores do vinculo empregatício; 2) remuneração paga aos segurados autônomos até 28/11/1999 e contribuintes individuais a partir de 29/11/1999; 3) remuneração pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês a segurados já empregados, cujos valores não contaram da folha de pagamento (diferença salarial) e 4) remuneração paga ou creditada a título de prólabore. Em seu recurso (fls. 488) o Contribuinte defende ter havido a antecipação parcial do pagamento do tributo, pois para caracterizar o pagamento parcial, basta que o contribuinte tenha realizado recolhimento referente a qualquer rubrica da folha de salários, não sendo necessário que o mesmo seja referente à rubrica específica objeto da autuação. Defende ainda que o ônus da prova quanto a não ocorrência da antecipação do pagamento é da fiscalização. Cita como paradigmas os acórdãos 20601.446e 240100.404. Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 15586.000736/200704 Acórdão n.º 2401006.063 S2C4T1 Fl. 5 7 (...) O lançamento originou da descaracterização dos contratos de prestação de serviços artísticos e técnicos firmados entre o autuado e as pessoas jurídicas das quais eram sócias pessoas físicas responsáveis pelos programas que compunham a grade de atrações do canal de comunicação, entre outros. Assim, discutese por meio do presente recurso se haveria nos autos comprovação de pagamento, ainda que parcial, do tributo cobrado. Tal discussão é relevante na medida em que, após exaustivo debate, a jurisprudência se posicionou no sentido de para aqueles tributos classificados no modalidade de lançamento por homologação o prazo decadencial aplicável é o do art. 150, §4º do CTN, salvo nas hipóteses em que o contribuinte tenha agido com dolo, fraude ou simulação, ou se restar comprovado que não ocorreu a antecipação de pagamento. (...) Em outras palavras, quais pagamentos realizados pelo contribuinte devem ser considerados para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN? No que tange as contribuições previdenciárias entendo que a resposta já foi construída por este Conselho quando da edição da Súmula CARF nº 99, que dispõe: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, a verificação da ocorrência de pagamento deve ser dar pela análise de ter o contribuinte recolhido ao longo do período autuado contribuição previdenciária decorrente do mesmo fato gerador objeto do lançamento, ainda que os respectivos recolhimentos não se refiram propriamente aos fatos cujas hipóteses de incidência tenham sido questionadas pela fiscalização. Ora, conforme apurado ao longo do processo, no período fiscalizado o Contribuinte efetuou pagamentos no mesmo período apurado e em razão do mesmo fato gerador discutido no lançamento, qual seja, contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamentos decorrente de vínculo empregatício (remuneração pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês a segurados já empregados, cujos valores não contaram da folha de pagamento (diferença salarial). Portanto, entendo estar Fl. 1897DF CARF MF 8 caracterizado pagamento para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN. Diante do exposto, dou provimento ao recurso interposto pelo Contribuinte para declarar a decadência dos fatos geradores ocorridos no período de janeiro à outubro 2.002. PA nº 15586.000739/200730 Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração que na descrição do relatório fiscal de fls. 164 referese a cobrança de contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de trabalhadores enquadrados na categoria de segurado empregado, uma vez que restaram evidenciados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício no período de 01/2002 a 12/2004. Contribuinte foi intimado em 04.10.2007 (fls. 1.006). O lançamento originou da descaracterização dos contratos de prestação de serviços artísticos e técnicos firmados entre o autuado e as pessoas jurídicas das quais eram sócias as pessoas físicas responsáveis pelos programas que compunham a grade de atrações do canal de comunicação entre outros. Após o trâmite processual, foi apresentado Recurso Voluntário contra decisão da DRJ que manteve o lançamento. Por meio do acórdão nº 2402001.822 (fls. 1.044), a 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária negou provimento ao Recurso Voluntário e decidiu, entre outros pontos, pela rejeição da preliminar de decadência do lançamento em razão da aplicação do art. 173, I do CTN, haja vista a ausência de antecipação do pagamento do tributo. (...) O lançamento originou da descaracterização dos contratos de prestação de serviços artísticos e técnicos firmados entre o autuado e as pessoas jurídicas das quais eram sócias pessoas físicas responsáveis pelos programas que compunham a grade de atrações do canal de comunicação entre outros. (...) Ora, conforme apurado ao longo do processo, no período fiscalizado o Contribuinte efetuou pagamentos no mesmo período apurado e em razão do mesmo fato gerador discutido no lançamento, qual seja, contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamentos decorrente de vínculo empregatício (remuneração pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês a segurados já empregados, cujos valores não contaram da folha de pagamento (diferença Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 15586.000736/200704 Acórdão n.º 2401006.063 S2C4T1 Fl. 6 9 salarial). Portanto, entendo estar caracterizado pagamento para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN. Diante do exposto, dou provimento ao recurso interposto pelo Contribuinte para declarar a decadência dos fatos geradores ocorridos no período de janeiro à outubro 2.002. O que deve ser analisado no presente caso é se deve prevalecer o lançamento da multa por descumprimento da obrigação acessória, não atingida pela decadência, em face da extinção da obrigação principal. Pois bem. Quando foi efetuado o lançamento da multa por descumprimento da obrigação acessória, não mais existia parte da obrigação principal em virtude da extinção do crédito tributário. Nesse contexto, a multa por descumprimento de obrigação acessória não deve subsistir na medida em que sequer permanece o interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos relativos aos fatos geradores extintos pela decadência. Assim dispõe o § 2º do artigo 113 do Código Tributário Nacional: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.(Grifamos). Diferente é a situação em que ocorre a exclusão do crédito tributário em face da isenção. Nesse caso, o próprio CTN disciplina a necessidade do cumprimento das obrigações acessórias decorrentes da obrigação principal, senão vejamos: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. Assim, em análise mais aprofundada aos presentes autos, entendo que não mais subsistindo obrigação principal, que fora extinta, deve, por conseguinte, ser afastada a Fl. 1899DF CARF MF 10 multa por descumprimento de obrigação principal, nos termos do que determina o § 2º do art. 113 do CTN. Assim, julgo pela improcedência da exigência do crédito tributário com relação às competências que foram extintas no processo principal por não mais subsistir a própria obrigação principal. Como não se pode cobrar o valor principal, não cabe a exigência da multa por descumprimento de obrigação acessória do que foi extinto. Relevação da Multa A relevação da multa deve ser verificada com relação ao crédito tributário ainda remanescente. De acordo com a Recorrente: No tocante às contribuições previdenciárias incidentes sobre as diferenças salariais e pagamentos efetuados a autônomos no período posterior a 10/2002, diante do reconhecimento da procedência do lançamento neste particular, a Recorrente retificou as suas GFIP's para incluir os fatos geradores omitidos, a fim de relevar a respectiva multa, nos termos do art. 291, §1' do Decreto n° 3.048199, transcrito anteriormente. A decisão de piso não considerou a correção das faltas por entender que somente poderia ser relevada a multa relativa às competências integralmente retificadas, tendo sido desconsideradas todas as declarações fornecidas na GFIP retificadora. Vejamos: 14.5. Logo, para que seja considerada corrigida a falta para uma competência, é necessário que a mesma seja integralmente corrigida, não havendo possibilidade de relevação (ou atenuação, se fosse o caso) proporcional na competência, tendo em vista a revogação do parágrafo 6° do art. 656 da INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP n° 03, DE 14 DE JULHO DE 2005 pela IN SRP 23, de 30.04.2007. 14.6. Verificase que a impugnante deixou de informar nas GFIPs apresentadas diversos segurados constantes da planilha anexa ao relatório fiscal da multa, por entender que os mesmos não são segurados empregados, relativamente aos quais apresentou defesa, sendo, entretanto, a condição de segurados empregados dos mesmos confirmada através dos acórdãos 20.148, de 29/07/2008, e 21.071, de 17/09/2008. 14.7. Em relação às demais competências objeto deste lançamento, o sujeito passivo não apresentou GFIPs retificadoras. 14.8. Desta forma considerase não corrigida a falta, motivo pelo qual indefiro o pedido de relevação da multa. Importante destacar o que dispunha o art. 291 do RPS Decreto n° 3.048/1999, vigentes à época dos fatos ocorridos, bem como do lançamento e impugnação: Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 15586.000736/200704 Acórdão n.º 2401006.063 S2C4T1 Fl. 7 11 Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Grifamos). Ressaltese ainda que a mudança legislativa à referida norma ocorreu apenas em momento posterior ao lançamento e após a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Conforme se observa, a contribuinte requereu que fosse relevada a multa dentro do prazo para a defesa e, parte das correções foram efetuadas até a decisão de primeira instância. Destaquese ainda que o artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional somente estabelece a retroatividade de novas normas à época da prática do ato quando for mais benéfica ao contribuinte, senão vejamos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de ser tido como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe ainda destacar que a lei não estabelece se a correção deve ser total ou parcial, razão pela qual, em caso de dúvidas, a lei tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte, consoante estabelece o artigo 112 do CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Fl. 1901DF CARF MF 12 Assim, com supedâneo na legislação vigente à época dos fatos debatidos, impõese reconhecer o direito da contribuinte quanto à relevação da multa com relação a todas as faltas corrigidas, mesmo parcialmente. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir a multa por descumprimento de obrigação acessória correspondente ao crédito tributário que foi extinto nos processos principais; relevar a multa com relação a todas as faltas corrigidas, mesmo parcialmente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Voto Vencedor Conselheiro Matheus Soares Leite – Redator Designado Não obstante as sempre bem fundamentadas razões da ilustre Conselheira Relatora, peço vênia para manifestar entendimento divergente, na hipótese vertente, no tocante (i) à exclusão da multa relativa aos valores excluídos nos autos de infração correlatos que contêm obrigação principal, em virtude da decadência neles declarada, bem como sobre (ii) a relevação da multa relativa às faltas corrigidas, mesmo parcialmente, o que será feito a seguir. De início, destacase que o presente processo trata do Auto de Infração DEBCAD nº 37.020.4697, lavrado em 28/09/2007, de Obrigação Acessória, por ter a empresa deixado de declarar em GFIP todos os Fatos Geradores de Contribuições Previdenciárias nas competências de 01/1999 a 12/2004. Discordo da Relatora que, conforme trecho do voto, assim manifestou seu posicionamento: [...] O que deve ser analisado no presente caso é se deve prevalecer o lançamento da multa por descumprimento da obrigação acessória, não atingida pela decadência, em face da extinção da obrigação principal. Pois bem. Quando foi efetuado o lançamento da multa por descumprimento da obrigação acessória, não mais existia parte da obrigação principal em virtude da extinção do crédito tributário. Nesse contexto, a multa por descumprimento de obrigação acessória não deve subsistir na medida em que sequer Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 15586.000736/200704 Acórdão n.º 2401006.063 S2C4T1 Fl. 8 13 permanece o interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos relativos aos fatos geradores extintos pela decadência. (...) Assim, em análise mais aprofundada aos presentes autos, entendo que não mais subsistindo obrigação principal, que fora extinta, deve, por conseguinte, ser afastada a nos autos de infração de obrigação principal, nos termos do que determina o § 2º do art. 113 do CTN. Cabe pontuar que as obrigações principais e acessórias são obrigações distintas e devem ser analisadas individualmente. É de se destacar o art. 113, do CTN, que assim dispõe: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Nesse desiderato, entendo que resta inadequada, na hipótese, a aplicação do CTN, art. 150, § 4º, para fins de cálculo do prazo de decadência da obrigação acessória, eis que o caput do referido dispositivo legal, remete o intérprete à antecipação do pagamento. Assim, necessária a subsunção da hipótese à disposição do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional, que determina: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Conforme pontuado pela Ilma. Relatora, ressaltese que, por ocasião do julgamento dos processos administrativos nºs 15586.000717/200770 e 15586.000739/2007 30, o Recurso Voluntário do contribuinte foi julgado improcedente e foram confirmados os fatos geradores que deram ensejo ao presente lançamento de descumprimento de obrigação acessória por não informação desses fatos na GFIP. Cabe pontuar que, a procedência do Recurso Especial interposto pelo contribuinte, no processo principal, conforme visto, foi apenas para que a contagem do prazo decadencial obedecesse ao estabelecido no art. 150, § 4º do CTN, o que não afasta a obrigatoriedade de o sujeito passivo declarar os fatos geradores em GFIP, visto que, para as obrigações acessórias, devese observar o art. 173, I, do CTN. Fl. 1903DF CARF MF 14 Dessa forma, quanto ao mérito, o lançamento foi considerado procedente, de modo que persiste a obrigação da empresa de declarar os fatos geradores em GFIP, sobretudo em razão das obrigações principais e acessórias serem obrigações distintas, e, no caso, por não ter operado a decadência das obrigações acessórias, em razão da aplicação do disposto no art. 173, I, do CTN. Sendo assim, a multa deve ser mantida, eis que restou descumprida a obrigação de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Já no tocante à relevação da multa relativa às diferenças salariais e pagamentos efetuados a Autônomos após 10/2002, nos termos do art. 291, §1º do Decreto n° 3.048/99, destaco que, para sua aplicação, exigese a correção integral da falta, o que não se verificou no caso concreto. Esclareço que não é possível considerar a correção parcial da GFIP (informação de parte dos fatos geradores) como correção da falta, sobretudo tendo em vista que a infração consiste em justamente não informar todos os fatos geradores em GFIP. Assim, não tendo sido informados todos os fatos geradores em GFIP, não se operou o pressuposto legal para a relevação da multa, que é a correção integral da falta. Nesse sentido, a relevação da multa não é cabível, eis que não se operou a correção integral da falta. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir do cálculo da multa os valores excluídos conforme Acórdão 2402001.822 que julgou a obrigação principal. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 1904DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903987/2014-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013
DESPACHO DECISÓRIO REVISOR. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PODER DE AUTOTUTELA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. É possível a revisão de ofício de despacho decisório anterior dentro do prazo de prescrição administrativa e com base no princípio da autotutela estatal. Aplicação ao caso da Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal STF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PREVISÃO NOS ARTS. 1º, IX, 11, 11-A E 11-B DA LEI N. 9.440/1997. IDENTIDADE. INTERPRETAÇÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. FINALIDADE DA LEI. PREVISÃO NA LEI DE RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 74 DA LEI N. 9.430/1996. LIMITAÇÃO DA APLICAÇÃO DA LEI GARANTIDORA DO RESSARCIMENTO. ATO INFRALEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
As disposições dos arts. 1º, IX, 11, 11-A e 11-B, todos da Lei n. 9.440/1997, tratam do mesmo incentivo fiscal.
Não existe fundamento teleológico para entender que o incentivo fiscal permitiria apenas o abatimento com débitos do IPI e o acúmulo do saldo credor do imposto.
Interpretação de que os dispositivos da Lei nº 9.440/97 (art. 1º, IX, art. 11, art. 11-A e art. 11-B) guardam identidade, que atende ao desiderato da lei.
Havendo a identidade de benefícios os arts. 11-A e11-B não são benefícios que devam ser considerados como em compartimento estanque em relação ao art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/1997. Com a identidade de benefício, é possível o aproveitamento e lastro legal que possibilita o ressarcimento.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PREVISTO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/1997. APURAÇÃO SOBRE O FATURAMENTO DA REVENDA DE BENS IMPORTADOS. DESCABIMENTO.
É descabida a apuração do crédito-presumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11-A da Lei nº 9.440/1997, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados.
ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11-A, DA LEI Nº 9.440/1997. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. VINCULAÇÃO AO MÉTODO ADOTADO PELA MATRIZ.
O método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto nos arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11-A, da Lei nº 9.440/197, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da não-cumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente.
VENDAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIVALÊNCIA À EXPORTAÇÃO.
Em razão do exposto no recente ato declaratório da PGFN 4/2017 em combinação com o Decreto-Lei 288/67, em especial do seu Art. 4.º, é possível considerar as receitas das vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente as receitas de exportação.
No Poder Judiciário a jurisprudência é pacífica em equiparar as operações que envolvem vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do Decreto Lei 288/67. Precedentes judiciais: Agravo em Recurso Especial nº 691.708AM (2015/000822964), AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1400296/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012); AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012.
MATERIALIDADE. PROVAS. ALEGAÇÕES. ART. 16 DO DECRETO 70.235/72.
As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-004.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que a acolheram. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de a Recorrente apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS, na forma prevista no art. 11-A da Lei nº 9.440/1997 e para considerar as vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente a receitas de exportação.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PODER DE AUTOTUTELA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. É possível a revisão de ofício de despacho decisório anterior dentro do prazo de prescrição administrativa e com base no princípio da autotutela estatal. Aplicação ao caso da Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal STF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PREVISÃO NOS ARTS. 1º, IX, 11, 11A E 11B DA LEI N. 9.440/1997. IDENTIDADE. INTERPRETAÇÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. FINALIDADE DA LEI. PREVISÃO NA LEI DE RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 74 DA LEI N. 9.430/1996. LIMITAÇÃO DA APLICAÇÃO DA LEI GARANTIDORA DO RESSARCIMENTO. ATO INFRALEGAL. IMPOSSIBILIDADE. As disposições dos arts. 1º, IX, 11, 11A e 11B, todos da Lei n. 9.440/1997, tratam do mesmo incentivo fiscal. Não existe fundamento teleológico para entender que o incentivo fiscal permitiria apenas o abatimento com débitos do IPI e o acúmulo do saldo credor do imposto. Interpretação de que os dispositivos da Lei nº 9.440/97 (art. 1º, IX, art. 11, art. 11A e art. 11B) guardam identidade, que atende ao desiderato da lei. Havendo a identidade de benefícios os arts. 11A e11B não são benefícios que devam ser considerados como em compartimento estanque em relação ao AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 39 87 /2 01 4- 57 Fl. 735DF CARF MF 2 art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/1997. Com a identidade de benefício, é possível o aproveitamento e lastro legal que possibilita o ressarcimento. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PREVISTO NOS ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11A, DA LEI Nº 9.440/1997. APURAÇÃO SOBRE O FATURAMENTO DA REVENDA DE BENS IMPORTADOS. DESCABIMENTO. É descabida a apuração do créditopresumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A da Lei nº 9.440/1997, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados. ARTS. 1º, IX, 11, IV, E 11A, DA LEI Nº 9.440/1997. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. VINCULAÇÃO AO MÉTODO ADOTADO PELA MATRIZ. O método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto nos arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A, da Lei nº 9.440/197, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da não cumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. VENDAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIVALÊNCIA À EXPORTAÇÃO. Em razão do exposto no recente ato declaratório da PGFN 4/2017 em combinação com o DecretoLei 288/67, em especial do seu Art. 4.º, é possível considerar as receitas das vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente as receitas de exportação. No Poder Judiciário a jurisprudência é pacífica em equiparar as operações que envolvem vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do Decreto Lei 288/67. Precedentes judiciais: Agravo em Recurso Especial nº 691.708AM (2015/000822964), AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1400296/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012); AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. MATERIALIDADE. PROVAS. ALEGAÇÕES. ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 736 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que a acolheram. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de a Recorrente apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS, na forma prevista no art. 11A da Lei nº 9.440/1997 e para considerar as vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente a receitas de exportação. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 618 em face de decisão de primeira instância da DRJ/PE de fls. 551, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade de fls. 410, apresentada em face de um segundo Despacho Decisório de fls. 329 que deferiu parcialmente os créditos presumidos de IPI. Este segundo Despacho revisou o Despacho Decisório eletrônico e original de fls. 158, após Resolução de fls. 279, determinada pela DRJ/PE para que o lançamento fosse revisto de acordo com a SCI n.º 25 de 2016. Transcrevo o mesmo relatório apresentado na decisão de primeira instância para o melhor e fiel acompanhamento dos fatos, trâmite e matérias em discussão: Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 03/47, interposta aos 08/07/2016, fl. 02, contra o Despacho Decisório de fl. 172, do qual a contribuinte foi cientificada aos 15/06/2016, fl. 173, que deferiu, parcialmente no valor de R$ 148.415.286,50, Fl. 737DF CARF MF 4 o Pedido de Ressarcimento de IPI, no valor de R$ 176.753.369,18, relativo ao 3º trimestre de 2013. I. Do Termo de Verificação Fiscal: 2. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 193/258, no qual se embasou sobredito Despacho Decisório, registra que a contribuinte, fabricante de veículos automotores com fábricas em diversas cidades, dentre as quais a de Camaçari/BA, apresentou Pedidos de Ressarcimento – PER e Declarações de Compensação – DCOMP alusivos a créditos relativos aos 2º trimestre de 2012 ao 4º trimestre de 2014, nos valores descritos na planilha a seguir: 3. Esclarece o TVF que os valores objeto dos PER e DCOMP tratados nos processos acima se referem a: (i) crédito básico disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 33/99; (ii) crédito presumido de IPI, em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal, em conformidade com o art. 56, da Medida Provisória nº 2.15835/2001; e (iii) crédito presumido de IPI previstos nos arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97. 4. Reporta que os créditos acima foram analisados, tendo sido detectado que estavam corretos os valores do crédito básico, do crédito presumido previsto no art. 56, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e o crédito presumido de IPI de que cuida o art. 11B, da Lei nº 9.440/97, mas que, quanto ao créditopresumido do art. 11A, desta Lei, foram detectadas irregularidades, consistentes no cálculo do incentivo em relação à revenda de produtos importados e, ainda, na apuração de créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS em desacordo com a legislação aplicável. I.1. Da indevida apuração do benefício em relação à revenda de veículos importados: 5. Explica o TVF que o incentivo fiscal previsto no art. 11A, da Lei nº 9.440/97, equivale a um percentual sobre o valor da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas em cada Fl. 738DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 737 5 mês sobre as receitas de vendas no mercado interno. Tal benefício, inicialmente atribuído à TROLLER VEÍCULOS ESPECIAIS LTDA, foi transferido, após a incorporação desta pessoa jurídica pela autuada, ao estabelecimento desta em Camaçari pelo Termo de Compromisso de Rerratificação ao Termo Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, de 28/02/2002. 6. Reproduz os arts. 1º (caput e inciso IV e §1º, alienas “a”, “b” e “c”), 11A1 e 13, da Lei nº 9.440/97, e menciona que o enfocado incentivo foi regulamentado pelos Decretos nº 2.179, de 18/03/1997, e 3.893, de 22/08/2001 (este, revogado pelo de nº 7.422, de 31/12/2010), com disposições também no Decreto nº 7.212, de 15/06/2010. 7. Fala que o art. 1º, da Lei nº 9.440/97, exige que, para gozar o incentivo, a empresa: (i) já estivesse instalada ou viesse a se instalar nas regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste; e (ii) fosse montadora e fabricante de veículos automotores, tratores, colheitadeiras, dentre outros. 8. Consigna que o art. 11A, da Lei nº 9.440/97, incluído pela Lei nº 12.218, de 30/03/2010, preconiza que o crédito presumido corresponde ao ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS no montante do valor das contribuições devidas em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno, e que o Decreto nº 7.422/2010, que regulamentou este artigo, dispôs que o enfocado incentivo corresponde ao ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno dos produtos referidos no inciso IV, do art 2º, do Decreto nº 2.179/1997, quais sejam: veículos montados ou fabricados nas regiões incentivadas. 9. Diz que, no processo nº 52000.000133/200764, protocolizado perante o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior MDIC, foi tratado pedido do sujeito passivo de expedição de certificado que o habilitasse à fruição do benefício do art. 1º, IX, c/c o art. 11, IV, ambos da Lei nº 9.440/97, e, no requerimento, a contribuinte deixou claro exercer atividade de industrialização e em nenhum momento adotou a palavra “importação” e, além disto, em atendimento ao disposto no art. 4º, III, da Portaria Interministerial nº 258/2001, ao pleito anexou formulário no qual informa o faturamento com a venda de produtos de fabricação própria, os veículos em produção na unidade de Camaçari, a capacidade de produção e o número de empregos. Logo, conclui o TVF que a requerente se apresentou como estabelecimento industrial para se habilitar à fruição do benefício fiscal da Lei nº 9.440/97. 10. Fala o TVF que, ao apreciar o pleito acima, a Nota Técnica nº 03/SDP/2007 conclui que o benefício da Lei nº 9.440/97, originalmente concedido à TROLLER para a “instalação de fábrica para produção de veículo”, poderia ser utilizado pela Fl. 739DF CARF MF 6 FORD e, assim, foi aprovado o Termo de Compromisso de Rerratificação ao Termo Aditivo de Ratificação de Habilitação MDIC/SDP/Nº 168/I/02, que altera para a FORD a titularidade da habilitação dos estabelecimentos fabris da TROLLER nos municípios de Camaçari/BA e Horizonte/CE. 11. Pondera que o citado Termo Aditivo de Rerratificação é expressamente regido pela Portaria Interministerial nº 258, de 14/10/2001, que disciplina o gozo do incentivo analisado e textualmente o restringe, em seu 3º, às empresas “que estejam fabricando produtos automotivos” na região incentivada e, além disto, exige, em seu Anexo I, informações relativas à quantidade de linhas de produção, à capacidade produtiva e ao número de empregos. 12. Outrossim, destaca que o Termo Aditivo de Ratificação faz menção à opção da FORD “para que a sua filial com estabelecimento fabril na cidade de CamaçariBA” goze dos benefícios da Lei nº 9.440/97, sendo que todos os certificados aditivos de rerratificação anualmente emitidos também se referem ao “estabelecimento fabril” em Camaçari. 13. Ademais, enfatiza o TVF que o aludido Termo de Compromisso, em suas cláusulas 7ª a 9ª, obriga a manutenção dos níveis de produção já existentes, sob pena de perda do benefício, atendendo, assim, ao art. 8º, §3º, da Lei nº 11.434, de 28/12/20062. Salienta, ainda, que o caput deste artigo dispõe que, no caso de transferência de incentivos e benefícios fiscais decorrentes de incorporação de empresa, sejam “observados os limites e as condições fixados na legislação que institui o incentivo ou o benefício”, em especial quanto aos aspectos vinculados “I ao tipo de atividade e de produto”, e que o seu §4º3 deixa claro que o comentado benefício apenas incide sobre a produção de veículos automotores. 14. Noutra linha de argumentação, aponta o TVF que o art. 11 A, §4º e 5º, da Lei nº 9.440/97, exige, sob pena de perda do benefício, investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região, inclusive na área de engenharia automotiva, correspondente a, no mínimo, 10% do valor do crédito presumido apurado, na forma regulamentada pelos arts. 4º, I, e 5º, do Decreto nº 7.422/2010 e, como tais exigências são inerentes à industrialização, não tendo correlação com a atividade de simples revenda de veículos importados, conclui o TVF que elas explicitam a vinculação do benefício fiscal à fabricação de veículos. 15. Sopesa, ainda, que, na revenda de veículos importados, os investimentos a que se reporta o §4º, do art. 11A, da Lei nº 9.440/97, não são realizados na região incentivada, mas no País em que produzidos os veículos, pelo que admitir o incentivo na revenda representaria uma espécie de estímulo ao investimento na indústria automobilística de outros países, o que ensejaria enormes prejuízos ao Estado Brasileiro, que arcaria com ônus do incentivo fiscal, mas não receberia qualquer contrapartida – o que configuraria grave ofensa ao interesse público. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 738 7 16. Gizam as autoridades fiscais que a ora manifestante apurou, nos anos de 2012 a 2014, incentivo previsto no art. 11A no montante total de R$ 1.209.232.686,54, dos quais 63,4% se estreitam à revenda de veículos importados, e apontam o agravante de que “a partir de agosto de 2014, a empresa passou a produzir na fábrica de Camaçari um outro veículo (novo KA), que também foi habilitado à fruição do incentivo disciplinado pelo artigo 11B da Lei 9.440. A produção do Ford Fiesta foi transferida para a filial de São Bernardo do Campo. Com isso, todos os veículos produzidos na filial de Camaçari ficaram enquadrados no incentivo do artigo 11B. Ou seja, o incentivo previsto no artigo 11A ficou sendo calculado somente para a revenda de veículos importados”. 17. Ademais, ponderam que o art. 7º, da Lei nº 9.440/97, ao possibilitar que o Poder Executivo fixe índice médio de nacionalização anual para as empresas montadoras e fabricantes de veículos e autopeças em cuja produção forem utilizados insumos importados, denota a preocupação do legislador em incentivar a industrialização dos produtos automotivos nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste. 18. Outra razão indicada pela Fiscalização para não reconhecer o incentivo sobre a receita de revenda de bens importados é a disposição do §3º, do art. 11A, da Lei nº 9.440/97, que preceitua a utilização de créditos decorrentes da importação e da aquisição no mercado interno de insumos para a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS efetivamente devidas para fins de levantamento do crédito presumido de IPI – exigência também estampada no art. 2º, §3º, do Decreto nº 7.422/2010. 19. Ponderam as autoridades fiscais que, ao estabelecer que no cálculo do incentivo devam ser usados créditos decorrentes de importação e de aquisição de insumos no mercado interno, o legislador aponta, ainda que indiretamente, que o produto incentivado é o veículo fabricado pela empresa beneficiária a partir desses insumos. 20. O TVF reforça o entendimento de que o benefício é restrito à industrialização a partir da Exposição de Motivos da Lei nº 9.440/97 (EM Interministerial nº 613/1996MF), na qual diz estar “claro que a Lei visa estimular a instalação da indústria automotiva nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, de forma a fomentar o desenvolvimento regional, aumentar o nível de emprego e descentralizar o setor industrial no Brasil, bem como neutralizar as desvantagens naturais existentes naquelas regiões em relação às demais regiões do país”. 21. Consigna que, na mesma diretriz, a Exposição de Motivos da Lei nº 12.218/2010 (EM nº 166/2009 MF/MCT/MDIC) que incluiu o art. 11A na Lei nº 9.440/97 , aduz que a intenção do incentivo “é implementar medidas complementares à política de desenvolvimento produtivo no país, reforçando a regionalização da indústria automotiva Brasileira, bem como manter o Fl. 741DF CARF MF 8 crescimento do número de pessoas empregadas na indústria. Nesse sentido, a inclusão do artigo 11A teve por objetivo a manutenção de medidas indutoras da melhoria dos níveis de investimento, produção, vendas e emprego, e propiciar a preservação do potencial competitivo da indústria automotiva brasileira, podendo atrair ainda novas inversões para a região”. 22. Acrescenta que a EM nº 175/MF/MDIC/ MCT, atinente à Lei nº 12.407/2011, que incluiu o artigo 11B na Lei nº 9.440, menciona que “o incentivo existente visa direcionar investimentos da indústria automotiva para as regiões Norte, Nordeste e CentroOeste. Confirma, ainda, que a Lei 12.218 teve por objetivo garantir os benefícios do programa em relação ao aumento do emprego, exportações e produção do setor automotivo nas regiões abrangidas. Por fim, ressalta que a atração de investimentos na indústria automotiva tem efeitos multiplicadores devido à atração de fabricantes de autopeças para a região”. 23. Menciona, também, que, no Relatório intitulado “Prestação de Contas Ordinária Anual”, referente ao exercício de 2012, disponibilizado pelo MDIC, por meio da Secretaria do Desenvolvimento da Produção, consta “o objetivo socioeconômico do incentivo criado pela Lei 9.440, qual seja: Contribuir para instalação de unidades da indústria automotiva, fomentar o desenvolvimento regional, o aumento do nível de emprego e a descentralização industrial no Brasil”. E complementa que este Relatório “traz, também, demonstrativo do número de empregos gerados pelas empresas beneficiárias do crédito presumido, onde, no caso da FORD, mostra um total de 12.806 empregos gerados. É de fácil conclusão que esse número de empregos é conseqüência direta da atividade de fabricação e montagem de automóveis, e não da simples revenda de veículos importados”. 24. Reportase, ainda, à resposta do MDIC ao Tribunal de Contas da União –TCU transcrita no item 2.2.5.15 do 17ª página do Acórdão TCU 713/2014, que relaciona a redução das importações ao incremento dos empregos diretos e indiretos no país. 25. Outrossim, o TVF aborda os conceitos de industrialização e de estabelecimento industrial dos arts. 4º e 8º, do RIPI/2010, e pontua que, na forma do art. 609, II, deste Regulamento, as expressões “fábrica” e “fabricante” equivalem a “estabelecimento industrial”; assim, as autoridades fiscais concluem, a contrario sensu, que não são estabelecimentos industriais aqueles que executam atividades excluídas do conceito de industrialização. 26. Afiançam que os importadores não são industriais, mas são por ficção legal a estes equiparados (art. 9º, I, do RIPI/2010), sendo que esta equiparação, apesar de submeter o importador ao cumprimento das obrigações tributárias de um industrial, não transforma a natureza das operações realizadas pelo importador (compra e revenda) em típicas de um estabelecimento industrial (industrialização), pois não desempenhadas quaisquer das Fl. 742DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 739 9 atividades descritas no art. 4º, do RIPI/2010. Enfatizam, ainda, que, apesar de o importador ser contribuinte do imposto quando da importação, ele só fica equiparado a industrial quando dá saída ao produto importado (art. 24, I e III, do RIPI/2010). 27. Para reforçar a diferenciação entre “industrial” e “equiparado a industrial”, o TVF registra que mesmo um estabelecimento industrial, nas operações em que der saída a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de terceiros a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, fica, em relação a tais operações, equiparado a industrial (§6º, do art. 9º, do RIPI/2010). 28. Além disto, traz diversas considerações sobre a definição de estabelecimento, tais como a do art. 609, III, do RIPI4, e a do §2º, do art. 3º, das IN RFB nº 1.183, de 19/08/2011, e 1.470, de 30/05/20145. 29. Discorre, ainda, sobre o princípio da autonomia dos estabelecimentos para fins do IPI (arts. 384 e 609, IV, ambos do RIPI/2010, e parágrafo único, do art. 51, do CTN). 30. Em seguida, o TVF realça que a então fiscalizada informou que sua atividade de fabricação de veículos ocorre no complexo industrial em Camaçari/BA, enquanto a importação é totalmente feita pelo Porto Miguel Oliveira, em Candeias/BA, de onde os veículos são remetidos aos clientes/distribuidores, sem sequer transitarem pelo estabelecimento da empresa em Camaçari, habilitado à fruição do incentivo fiscal em testilha. Assim, como a importação/ revenda é feita por estabelecimento situado na cidade de Candeias/BA, concluem as autoridades fiscais que ela não é incentivada. 31. Fala, também, que o §3º, do art. 11B, da Lei nº 9.440/97, veda o “o aproveitamento do crédito presumido previsto no art. 11A nas vendas dos produtos constantes dos projetos de que trata o caput” e explica a diferença entre venda de produto (resultado da industrialização executada nos estabelecimentos industriais) e revenda de mercadoria (bem adquirido de terceiros sobre o qual não foi realizado qualquer processo de transformação no revendedor), para, ao final, depreender que o incentivo analisado apenas alcança as vendas de produtos resultantes das industrializações executadas nos estabelecimentos referidos no §1º, do art. 1º, da Lei nº 9.440/97. 32. Conclui a Fiscalização, em face de todo o exposto, que a industrialização é a única atividade que vai ao encontro do art. 11A, da Lei nº 9.440/97 e do objetivo desta Lei e das Leis nº 11.434/2006 e 12.218/2010 e do Termo de Compromisso firmado pela ora manifestante, pelo que inexiste direito ao incentivo nas operações de revenda de mercadoria importada, cujas receitas não devem compor a base de cálculo do incentivo. 33. O TVF corrobora seu entendimento com: Fl. 743DF CARF MF 10 33.1. Relatório Anual de 2015 publicado pela própria FORD MOTOR COMPANY nos Estados Unidos6, consta que a maioria das instalações da companhia na América do Sul está no Brasil, onde a empresa recebe, do Governo Federal, incentivos como forma de estimular o investimento de capital, o aumento da produção e a criação de empregos; 33.2. fragmento do Parecer elaborado por Ives Gandra da Silva Martins, publicado na Revista Fórum de Direito Tributário, ano 4, nº 23, setembro a outubro de 2006; 33.3. Acórdão desta 2ª Turma/DRJ/Recife no processo administrativo nº 13502.721308/201314, do qual reproduziu ementa; e 33.4. Solução de Consulta Interna SCI COSIT nº 17, de 26/07/2012, cuja ementa está assim redigida: “As receitas decorrentes das vendas no mercado interno de veículos acabados importados não devem ser utilizadas na apuração do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997”. 34. Passando à situação fática, expõe o TVF que a contribuinte industrializa veículos que classifica nos CFOP 5101 e 6101 – “Vendas de produção do estabelecimento”, bem como importa e revende veículos pelo Porto de Miguel Oliveira, situado em Candeias/BA, cujas Notas Fiscais de Entrada são emitidas pelo estabelecimento do sujeito passivo localizado em Camaçari com o CFOP nº 3102 – “Compras para Comercialização”, não sendo realizada qualquer operação de industrialização sobre os veículos importados, que são simplesmente revendidos, sendo a operação de revenda classificada pela contribuinte nos CFOP nº 5102, 5403, 6102 e 6403 – “Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiro”. 35. Externa que como a contribuinte calculou o incentivo do art. 11A, da Lei nº 9.440/97, sobre a receita de vendas, no mercado interno, dos veículos por ela fabricados e dos importados, a Fiscalização refez os cálculos excluindo, do cômputo do incentivo, as receitas de revenda de produtos importados (assim como os custos vinculados a estas receitas). I.2. Da análise dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS calculados pela contribuinte: 36. Sobre a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devida para fins de determinação do crédito presumido analisado, o TVF afirma que as normas peculiares do incentivo criaram duas exceções à regra geral de cálculo de supraditas contribuições: (i) o benefício deve ser levantado apenas no estabelecimento incentivado, com segregação das parcelas da filial, ao passo que a regra geral é a apuração centralizada na matriz; e (ii) na apuração feita pela matriz, os custos, encargos e despesas vinculados às receitas de exportação são considerados para definição dos créditos, enquanto na filial não. 37. Assegura que o cálculo do incentivo deve observar as suas normas específicas e, em caso de ausência, lacuna ou omissão, as da apuração de sobreditas contribuições, cujos valores são bases de cálculo do benefício. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 740 11 38. Narra haver sido constatado que a contribuinte incorreu nos seguintes equívocos na apuração dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, os quais afetaram, conseqüentemente, o cálculo do crédito presumido de IPI: 38.1. erro no método de determinação dos créditos destas contribuições; 38.2. equívoco no cálculo dos créditos oriundos de outras fábricas; 38.3 erro na apuração do fator de rateio em função de quatro circunstâncias: (i) redução da receita de vendas no mercado interno pela exclusão do ICMS, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; (ii) utilização de receita contábil para determinação do valor das vendas internas; (iii) inclusão de vendas para o exterior de CKD “Complete Knocked Down”, que não sofreram industrialização no estabelecimento incentivado; e (iv) exclusão de receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. I.2.1. Erro no método de determinação dos créditos: 39. Comenta o TVF que a Lei nº 9.440/97 determina: (i) que o incentivo fiscal aqui avaliado incida sobre as receitas de vendas no mercado interno, considerando os débitos e os créditos vinculados a estas operações de venda; e (ii) que a contribuinte apure, separadamente, os créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação, observados os métodos de apropriação de créditos previstos nos §§8º e 9º, do art. 3º, das Leis nº 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003, e regulados pelos aos art. 21, da IN SRF nº 404, de 12/03/2004, e ao 40, da IN SRF nº 594, de 26/12/2005, cujos textos reproduziu. 40. Registra que a forma de apuração acima é igualmente utilizada para calcular os créditos vinculados à receita de exportação, consoante art. 6º, §3º, da Lei nº 10.833/2003. 41. A partir dos dispositivos acima, conclui que a pessoa jurídica deve optar, no mês de janeiro, por um dos métodos previstos na legislação para cálculo dos créditos e aplicar esta opção, que deve ser informada no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais –DACON, para todo o anocalendário restante. 42. Elucida que a filial em Camaçari, assim como outros estabelecimentos da contribuinte, aufere receitas no mercado interno e externo, pelo que deve optar por um dos métodos de determinação de créditos previstos no §8º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002, e 10.833/2003, exigência que também se aplica ao levantamento do incentivo fiscal. 43. Ressalva que a legislação regente do incentivo da Lei 9.440/97 “não determina expressamente a obrigatoriedade da adoção de um ou outro método de determinação dos créditos Fl. 745DF CARF MF 12 especificamente para o estabelecimento incentivado”, mas que isto não autoriza que o beneficiário adote o método mais conveniente, porquanto, diante da lacuna, deverseia analisar a legislação aplicável para determinar o critério a ser usado para apurar o crédito presumido do IPI. 44. Cita que, neste talvegue, o art. 11A, da Lei nº 9.440/97, ao que definir que o incentivo corresponde ao valor da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS efetivamente devidas, acabou fixando, ainda que indiretamente, o método a ser usado pelo beneficiário. 45. É que, de acordo com as autoridades fiscais, para atender, de um lado, o comando da Lei nº 9.440/97 (contribuições efetivamente devidas) e o art. 15, da Lei nº 9.779, de 19/01/1999 (que estipula que a apuração e o pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ocorra de modo centralizado no estabelecimento matriz da pessoa jurídica) a filial detentora do incentivo deve empregar, no levantamento do benefício, o mesmo método de determinação de créditos utilizado pela matriz, “de forma que o valor devido pela filial seja o mesmo apurado pela matriz e pago/declarado”. 46. Sublinha, ainda, que o art. 251, do RIR/99, impõe que a escrituração deva abranger todas as operações da contribuinte, sendo que o seu art. 252, embora faculte a adoção de escrituração descentralizada, exige que os resultados das filiais sejam incorporados na escrituração da matriz ao final de cada mês. Ademais, referencia a Norma Brasileira de Contabilidade – NBC T 2.6 (aprovada pela Resolução nº 684, de 14/12/1990, do Conselho Federal de Contabilidade), que estipula que a entidade que tiver filial ou assemelhada e seja optante por sistema de escrituração descentralizada deve possuir sistema contábil único que permita a identificação de cada uma das unidades. 47. Externa que a filial (ou estabelecimento) nada mais é que a descentralização das atividades da empresa, fazendo parte de um patrimônio único, e cita o conceito de estabelecimento previsto no art. 1.142, do Código Civil, como “todo complexo de bens organizados para exercício da empresa, por empresário ou sociedade empresária” e comenta que o Código Civil, em seus arts. 1.179, 1.184 e 1.188, referese à empresa ao tratar das demonstrações financeiras e do balanço patrimonial. 48. Diz que a apuração da matriz nada mais é que a soma das parcelas das filiais; logo, o cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas pela filial “deve estar dentro do cálculo das contribuições da Matriz, inclusive, e principalmente, o cálculo do incentivo”, pelo que o método adotado pela matriz para determinação de créditos vincula o das filiais, sob pena de causar uma distorção no valor incentivado: havendo divergência entre estes métodos, um mesmo insumo pode impactar positivamente na apuração centralizada, gerando mais crédito, ou negativamente na apuração da filial, gerando menos crédito, porém, neste caso, sendo benéfico para a empresa, uma vez que Fl. 746DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 741 13 o incentivo fiscal corresponde ao dobro das contribuições devidas (débitos menos créditos). 49. Exterioriza que a referida distorção ocorreu no caso da FORD, que, de acordo com informações prestadas no DACON e no DACON segregado entregue no curso do procedimento fiscal e, ainda, em resposta ao Temo de Início de Fiscalização, usou o rateio proporcional para determinar os créditos dos insumos utilizados na industrialização, mas, no cálculo do incentivo pela filial em Camaçari, usou método divergente, que tem semelhança com o método de apropriação direta. 50. Cita exemplo concreto da citada distorção ocorrido no mês de julho de 2012, relativamente ao qual pontua que: 50.1. considerando as apurações da contribuinte e excluindo a operação de venda de veículos importados, a filial de Camaçari calculou, para fins do incentivo, contribuições devidas no valor de R$ 6.811.246,72, o que resultou num incentivo de R$ 12.941,350,10 (nesta operação, o total de crédito foi de R$ 32.299.169,01 e o débito foi de R$ 39.110.415,73); 50.2. na apuração feita pela matriz (DACON), e ainda considerando a exclusão dos veículos importados, os créditos, referentes a custos e vendas no mercado interno e externo, da filial de Camaçari totalizaram R$ 36.071.007,31, sobre o qual, aplicandose o fator de rateio de vendas no mercado interno apurado pelo contribuinte (96,63%), obtémse crédito no mercado interno no montante de R$ 34.855.414,36 e contribuições devidas no valor total de R$ 4.250.494,56 (o valor do débito informado foi R$ 39.105.908,92); 50.3. assim as contribuições devidas pela filial incentivada, conforme apurado no DACON, importaram em R$ 4.250.494,56, enquanto no cálculo do incentivo o valor devido atingiu R$ 6.811.246,72 (e o crédito presumido R$ 12.941.350,10); 50.4. considerandose as contribuições efetivamente devidas pela filial (ou seja, os R$ 4.250.494,56 apurados em DACON e declarados em DCTF), o valor do incentivo deveria ser de R$ 8.075.939,66 (1,9 vezes as contribuições devidas), em vez dos R$ 12.941.350,10 apurados pela contribuinte (3,04 vezes as contribuições devidas). 51. Assevera que o exemplo acima revela que, para que o incentivo fiscal seja equivalente às contribuições efetivamente devidas, a metodologia de apuração dos créditos das contribuições usadas pela filial deve ser idêntica à adotada pela matriz, pois, do contrário, assumirseia a possibilidade de que o valor de benefício fosse maior do que o pretendido pelo legislador, o que aumentaria, indevidamente, a renúncia fiscal. 52. Complementa que a filial em Camaçari usa o saldo credor de IPI, fortemente influenciado pelo incentivo em exame, para compensar débitos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS apurados pela matriz, ou seja, utiliza um benefício Fl. 747DF CARF MF 14 apurado a partir dos valores devidos destas contribuições para pagar débitos destes mesmos tributos. 53. Em face de todo o exposto, a Fiscalização utilizou o método do rateio proporcional, utilizado pela matriz, para o cálculo dos créditos vinculados aos custos dos insumos dos veículos fabricados pelo estabelecimento incentivado. I.2.2. Créditos oriundos de outras fábricas: 54. O TVF anuncia que a unidade em Camaçari recebe, em transferência, insumos (como motor de transmissão, estamparia, etc), produzidos por seus estabelecimentos situados em Taubaté e São Bernardo do Campo e integrados aos veículos produzidos em Camaçari. 55. Noticia que, pelo método “Bill of material”, usado pelo estabelecimento incentivado, os créditos sobre os insumos transferidos são apropriados não pela peça inteira (por exemplo, um motor), mas pelas peças individuais (parafusos, correias, pistões, etc) que compõem o insumo (no exemplo citado, o motor), sendo a transferência feita por Notas Fiscais com código CFOP 6151 (Transferência de produção do estabelecimento), sendo que a base de cálculo do ICMS indicada nestas Notas observa o disposto no art. 39, II, do Decreto Estadual nº 45.490/2000 (RICMS/2000) 7, e, assim, são retiradas parcelas que estão incluídas no preço. 56. Aduz que, pela sistemática perfilhada pela empresa, outros custos envolvidos na fabricação dos motores tais como materiais indiretos (graxa, estopa, lubrificantes, etc), energia elétrica, armazenagem, serviços, além de despesas com frete e armazenagem , aluguéis de máquinas e equipamentos, etc – são todos apropriados pelas filiais que produzem as peças (Taubaté e São Bernardo), circunstância esta que é indiferente para o cálculo das contribuições apuradas de forma centralizada pela matriz, mas que impactam na apuração do crédito presumido de IPI discutido, pois parte dos créditos referentes aos insumos transferidos por outras filiais não é apropriada pelo estabelecimento incentivado que comercializa os veículos. 57. Pondera que a distorção decorrente da sistemática acima não ocorreria se a filial em Camaçari fabricasse os referenciados insumos (pois os correspondentes custos seriam totalmente suportados por esta Unidade) ou se os insumos fossem de terceiros, pois no seu preço estariam encartados todos os custos e despesas incorridas na fabricação. 58. Elucida que, para corrigir a situação, foi ajustada a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS da filial em Camaçari de modo a apropriar os custos e as despesas que arcaram as filiais em Taubaté e São Bernardo vinculados à produção de peças destinadas à industrialização naquele estabelecimento. 59. No item 5.5 “Créditos das filiais de Taubaté e São Bernardo (Anexos E a H)”, Fl. 748DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 742 15 pág. 32 e 33 do TVF, é explicado como se procedeu ao ajuste acima. 60. No sobredito item figura ressalva de que o CFOP 6101 foi adotado pela filial de Taubaté para emitir Notas Fiscais destinadas à empresa BENTELER COMP. AUTOM. LTDA, cujas operações, consoante resposta da então fiscalizada ao Termo de Intimação nº 004, têm natureza de revenda de mercadoria, pois não realizado qualquer processo de industrialização e que, inclusive, a partir de maio de 2013, a ora recorrente passou a utilizar o CFOP 6102; assim, tais saídas foram excluídas do cálculo do rateio da filial em Taubaté. I.2.3. Dos erros na determinação do fator de rateio: 61. O TVF diz que a contribuinte, no cálculo do incentivo analisado, utilizou dois métodos para determinar os créditos das contribuições: (i) rateio proporcional, quanto aos créditos vinculados às despesas de energia elétrica, armazenagem e frete, bens do ativo imobilizado e serviços; e (ii) uma técnica assemelhada à apropriação direta, denominada Bill of material, no cálculo dos créditos vinculados ao custo dos insumos dos veículos fabricados. 62. Explica que como é definida, pelo método do rateio proporcional, a parcela dos créditos comuns vinculados às receitas de vendas no mercado e alude que, segundo planilhas de apuração entregues pela contribuinte (utilizadas para determinar a base de cálculo dos créditos sobre energia elétrica, armazenagem e frete, bens do ativo imobilizado e serviços), o fator de rateio foi por ela calculado da seguinte forma: 62.1. foram apuradas “por meio de conta contábil representativa das vendas locais, as vendas brutas do mês, ajustada por lançamentos contábeis feitos ao final e ao início do mês, referentes aos veículos faturados mas que ainda estavam no pátio da empresa”; 62.2. das receitas acima foram abatidas as vendas canceladas e os tributos sobre vendas (IPI, ICMS, PIS e COFINS) e foi obtido o valor líquido das vendas no mercado interno; 62.3. foram extraídas da contabilidade as vendas para o mercado externo (tanto de produtos fabricados, quanto as do chamado CKD), que foram somadas às vendas no mercado interno para apuração do total das receitas; e 62.4. foram divididas as receitas das vendas internas pelo total das receitas, apurandose o fator de rateio. 63. Consigna que a apuração feita pelo sujeito passivo contém quatro erros que distorceram e reduziram o percentual de rateio: (i.1) redução da receita de vendas no mercado interno decorrente da exclusão do ICMS, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; Fl. 749DF CARF MF 16 (ii.2) utilização de receita contábil para determinação do valor das vendas internas; (ii.3) inclusão de vendas para o exterior de CKD que não sofreram qualquer industrialização na filial da FORD em Camaçari; e (ii.4) exclusão de receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. I.2.3.1. Erro na determinação da receita bruta: 64. O TVF narra que, da receita bruta apurada para fins de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS consideradas devidas no cálculo do incentivo, a contribuinte excluiu não apenas o ICMS por substituição tributária, mas também o imposto por responsabilidade própria, além dos valores de supraditas contribuições. 65. As exclusões do ICMS (por responsabilidade própria), da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS a autoridade fiscal tem por indevidas, com fundamento nos arts. 3º, §8º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, no art. 31, da Lei nº 8.981, de 20/01/1995, no art. 2º, da Lei nº 9.718/98 e no art. 23, do Decreto nº 4.524/2002, pois a legislação não prevê a exclusão de outros tributos além do IPI e do ICMS substituição, pelo que somente estes impostos foram excluídos pelas autoridades fiscais na determinação de ofício do fator de rateio. 66. Realça o TVF que a própria contribuinte, a partir de dezembro de 2013, passou a excluir da apenas o IPI e o ICMS substituição. I.2.3.2. Erro na determinação da receita de vendas no mercado interno: 67. Expõe o TVF que a contribuinte extratou a receita de vendas no mercado interno da conta contábil “23A01A00LOCAL”, o que distorceu o cálculo, porque nesta conta figuram lançamentos que modificam o montante da receita bruta, dentre os quais os ajustes que representa os veículos faturados que ainda estão no pátio do estabelecimento, com lançamentos a crédito e a débito (cujo histórico possui o texto “REVERSAO DE VENDAS NÃO EMBARC”). 68. Menciona que, como referenciados ajustes não foram considerados pela contribuinte na definição da receita de vendas para cálculo do débito das contribuições, também não devem ser considerados para cálculo do rateio. I.2.3.3. Erro na composição da receita de exportação: 69. O TVF expõe que, na receita de exportação, a contribuinte, além da venda de produtos fabricados pela filial em Camaçari, considerou as de “CKD” 8. 70. Fala que a filial em Camaçari adota sistema de condomínio industrial em que a participação dos fornecedores ocorre diretamente na montagem e no processo de produção, num contexto de logística unificada que reduz o número de componentes fabricados dentro das montadoras (que priorizam o Fl. 750DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 743 17 desenho, a montagem e a distribuição dos veículos) e deixa para os fornecedores a fabricação dos componentes e peças e a montagem dos módulos. 71. Cita que, no caso da FORD, “a maior parte dos módulos e peças são produzidos pelos fornecedores, cabendo à filial em Camaçari apenas a compra dos kits para exportação”, fato corroborado pela resposta ao Termo de Intimação que foi lavrado em 25/09/2015, ocasião em que a intimada apresentou planilha identificando quais peças foram produzidas pela empresa e quais foram compradas e não sofreram qualquer processo de industrialização. 72. Esclarece o TVF que “Os produtos identificados pela empresa como fabricados foram incluídos no anexo D, linha ‘exportações – peças e CKD’, influenciando no total das saídas de produção” e pontua que a “caracterização de exportação de CKD como revenda tem reflexo na determinação do percentual de rateio dos veículos vendidos no mercado interno e exportados”. 73. Consigna, outrossim, que a definição do fator de rateio é importante para a adequada distribuição dos créditos das contribuições, aqui vinculados aos custos de industrialização, e que o incentivo da Lei nº 9.440/97 deve ser calculado sobre as vendas de produtos de fabricação própria, pelo que os créditos devem ser calculados somente sobre os custos, despesas e encargos vinculados a estas vendas. 74. Ressalta que se os CKD “comprados pela empresa (revenda) fossem incluídos no anexo D, o percentual correspondente a estes componentes apropriaria uma parcela dos créditos dos custos, despesas e encargos vinculados à fabricação de bens, sem que, para isso, tivesse utilizado quaisquer destes insumos”. 75. Ademais, consigna que o próprio sujeito passivo, no cálculo do fator de rateio, computou, nas vendas no mercado interno, apenas as dos veículos fabricados e que este mesmo critério deveria ter sido adotado em relação ao CKD, pois, da forma como procedeu, acabou reduzindo o valor das vendas internas e, ao considerar todas as vendas de CKD, aumentou o valor das exportações, reduzindo, dessa forma, o percentual de vendas no mercado interno. 76. Finaliza este item expondo que, na apuração de ofício do fator de rateio, não foram incluídas as vendas de CKD que não foram submetidas na filial a qualquer industrialização, mas tão somente àqueles em houve alguma industrialização (para o que foi utilizada a informação prestada pela própria empresa) e, além disto, explicita que também não foram incluídas as saídas de motores e transmissões pois, apesar de terem sido informadas como fabricadas, estas peças foram produzidas, na realidade, exclusivamente pela filial em Taubaté e transferidas para outras filiais, consoante se poderia extrais do site da empresa (ford.com.br). Fl. 751DF CARF MF 18 I.2.3.4. Não inclusão das receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus: 77. O TVF proclama que a contribuinte não considerou, nas vendas no mercado interno, aquelas efetuadas para revendedores localizados na Zona Franca de Manaus ZFM, que são tributadas à alíquota zero (art. 2º, da Lei nº 10.996, de 15/12/2004), mas apenas as realizadas a consumidores finais e tributadas sob alíquotas positivas. 78. Menciona que o art. 17, da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, garantiu a manutenção dos créditos vinculados às vendas com suspensão, alíquota zero e não incidência, razão por que na apuração de ofício as vendas para os revendedores localizados na ZFM compuseram as vendas internas para fins de cálculo do fato de rateio, de modo a apropriar os créditos correspondentes. I.3. Da Apuração do incentivo da Lei nº 9.440/97, da Apuração do IPI (Anexo A) e dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação: 79. No item “5 – APURAÇÃO DE OFÍCIO DO INCENTIVO DA LEI 9.440”, o TVF explica como procedeu ao cálculo do benefício, reportandose aos anexos do Termo. 80. No item 6, comenta que o incentivo analisado é concedido por meio de crédito presumido de IPI, sendo que o art. 6º, §§1º, 2º e 3º, do Decreto nº 2.179/97, dispõe sobre a escrituração e o aproveitamento dos créditos: “Art. 6º Os ‘Beneficiários’ poderão obter, até 31 de dezembro de 1999: (...) VI crédito presumido do imposto sobre produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, 8 e 70, de 7 de setembro de 1970, 3 de dezembro de 1970 e 30 de dezembro de 1991, respectivamente, no valor correspondente ao dobro das referidas contribuições que incidiram sobre o faturamento das empresas referidas no inciso IV do art. 2º. § 1º O créditopresumido de que trata o inciso VI será escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI e utilizado mediante dedução do imposto devido em razão das saídas de produtos do estabelecimento que apurar o referido crédito.(Redação dada pelo Decreto nº 6.556, de 2008) § 2º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte.(Incluído pelo Decreto nº 6.556, de 2008) § 3º O crédito presumido de que trata o inciso VI, não aproveitado na forma dos §§ 1º e 2º, poderá, ao final de cada trimestrecalendário, ser aproveitado de conformidade com o disposto no art. 208 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, observadas as regras específicas estabelecidas pela Fl. 752DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 744 19 Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Incluído pelo Decreto nº 6.556, de 2008)”. 81. Anota que, após a apuração de ofício do crédito presumido de IPI, os valores do benefício apurados pela contribuinte foram reduzidos, influenciando na apuração do saldo do imposto, o que resultou na exigência, de ofício, consoante detalhado no Anexo A e abaixo resumido9: 82. Por fim, o TVF, após reproduzir o art. 268, do Decreto nº 7.212/2010, noticia, em seu item 7, que, na apuração de ofício do IPI, foram encontrados valores distintos dos apurados pela contribuinte, e, em consequência, os créditos disponíveis para ressarcimento foram ajustados pela Fiscalização, consoante segue: II. Manifestação de Inconformidade: II.1. Do incentivo previsto na Lei nº 9.440 e da sua análise jurídica: 83. A defendente expõe que, para atingir os objetivos da EM nº 613, de 18/12/1996– que segundo literalmente mencionado pela recorrente seria “estabelecer política de desenvolvimento industrial do País, em conjunto com a concessão de incentivos de natureza fiscal, para viabilizar as condições econômicas necessárias à regionalização da indústria automobilística, assegurando inclusive a importação de produtos relacionados nas alíneas ‘a’ a ‘g’ do § 1º” a MP nº 1.532, desta mesma data, convertida na Lei nº 9.440/97, concedeu diversos benefícios fiscais, dentre os quais o do inciso IX, do art. 1º, de referida Lei. Fl. 753DF CARF MF 20 84. Afiança que os benefícios listados nos nove incisos do art. 1º, da Lei nº 9.440/97, seriam correlacionados e possibilitariam uma adequada proporção entre a política de desenvolvimento regional mediante estímulos à produção de bens manufaturados, tanto destinados ao mercado interno, quanto ao externo, assegurando balanço cambial positivo entre as importações e as exportações. 85. Quanto ao crédito presumido de IPI em testilha, fala que o art. 6º, IV, do Decreto nº 2.179/97, preconizou que incentivo previsto no inciso IX, do art. 1º, da Lei nº 9.440/97, corresponde ao dobro (depois 1,9, 1,8 e 1,7) do valor da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS efetivamente devidas em cada mês sobre o faturamento (sem distinguir a natureza ou a origem das receitas que o compõe), que deve ser o foco na interpretação do incentivo previsto no inciso IX, do art. 1º, e no art. 11A, de referida Lei. 86. Externa ser incontroverso que o faturamento engloba o valor das receitas auferidas pela pessoa jurídica com a venda de bens e mercadorias, a prestação de serviços ou com ambas e sobre isto reproduziu o texto do caput do art. 1°, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como ementa de decisão do STF no RE 390.840/MG. 87. Anota ser vedado “à lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente” e conjectura que, porquanto a Lei nº 9.440/97 determina que o benefício contendido corresponde ao dobro (depois 1,9, 1,8 e 1,7) das contribuições incidentes sobre o faturamento, não pode o intérprete restringir ou alargar o conceito e a natureza jurídica deste instituto; ademais, afiança inexistir norma que exclua do faturamento receitas que o integra, legal e materialmente. 88. Continuando, aduz que, consoante consta da EM n° 166, de 19/11/2009, a prorrogação do incentivo previsto na Lei nº 9.440/97 foi justificada pela significativa evolução do nível de empregos formais nas Regiões onde situadas as plantas da indústria automotiva beneficiada pela Lei n° 9.440/97 e pelo desempenho das relações comerciais ligadas ao setor automotivo nestas localidades, o que demonstraria o acerto das medidas até então adotadas. 89. Aponta que, dentre outros, pelos fundamentos constantes da EM nº 166/2009, foi editada a MP 471, de 20/11/2009 (convertida na Lei nº 12.218/2010), que introduziu o art. 11A à Lei nº 9.440/97 (vide item 21 acima), estendendo o prazo para fruição do crédito presumido analisado, que passou a ser calculado a partir de fator aplicado sobre os valores da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas, em cada mês, decorrentes de “vendas no mercado interno”. 90. Pondera que, apesar de o legislador ter usado expressão diversa, a base de cálculo do incentivo é a mesma do inciso IX, do art. 1°, da Lei n° 9.440/97, pois o valor das “vendas no Fl. 754DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 745 21 mercado interno” tem natureza jurídica e econômica igual à do faturamento. 91. Diz que o art. 2°, caput e §§ 1°, 2° e 3°, do Decreto n° 7.422, de 31/12/2010, reitera que o incentivo analisado deve ser calculado a partir das vendas no mercado interno. 92. Acentua que “que o § único do artigo 3o do mesmo Decreto n°. 7.422/2010, estabelece que o crédito presumido de IPI preconizado no caput corresponde ao tributo incidente nas saídas do estabelecimento industrial dos produtos ‘nacionais ou importados diretamente pelo beneficiário’, com isto afastando qualquer outra interpretação que não seja a de incluir no cômputo do faturamento a que se refere o seu artigo 2o e ao disposto no inciso IX, do artigo 1o, da Lei n°. 9.440, toda a receita de venda de veículos, sejam de origem nacional, sejam importados”. 93. Encerrando este item, conclui a manifestante que a base de cálculo do crédito presumido contendido é o faturamento, sem distinção da origem das receitas que o compõem, a não ser a de que elas decorram de vendas no mercado interno. II.2. Da alegação de que o benefício deve ser apurado sobre as receitas de vendas de veículos importados: 94. A recorrente articula que “na interpretação de normas está consagrado o emprego do método sistemático, que orienta o estudioso a não examinar o dispositivo de forma isolada senão correlacionandoo dentro da pirâmide normativa que encerra o sistema jurídico, como leciona KELSEN, para extrair o alcance, a finalidade e o objetivo da norma sob investigação”. 95. Em seguida, diz que o art. 1º, do Decreto nº 3.893/2001, e art. 135, do RIPI/ 2010, encerram disposição sem amparo na Lei nº 9.440/97, que emprega a expressão “faturamento” ao se referir à base de cálculo da contribuição para PIS/PASEP e da COFINS sobre a qual deve ser calculado o crédito presumido de IPI, e, assim, as normas regulamentares desatende ao comando do art. 99, do CTN. 96. Consigna, também, que, aos moldes do art. 1A, do Decreto n° 3.893/200110, a vigência da disposição embutida em seu art. 1° é taxativamente limitada e que nesta hipótese se enquadra a recorrente, pois, desde os anos de 2003 e 2004, apura, pela ordem, a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sob o regime nãocumulativo e, portanto, o crédito presumido de IPI a que tem direito corresponde ao dobro (depois 1,9, 1,8 e 1,7) do valor dessas contribuições calculado sobre as vendas no mercado interno, considerando os débitos e créditos referentes a estas operações de vendas, inclusive daquelas concernentes a veículos importados. 97. Avante, reportandose ao argumento da Fiscalização de que, em relação à revenda de bens importados, a manifestante não seria industrial, mas, tãosomente, a este equiparado, aduz que é Fl. 755DF CARF MF 22 o estabelecimento de Camaçari que promove o desembaraço aduaneiro dos veículos importados, tanto que à fl. 24 do TVF é citado que as Notas Fiscais de entrada são emitidas pelo CNPJ 03.470.727/001607, que é o de inscrição deste estabelecimento fabril. 98. Ademais, censura a distinção da Fiscalização entre bens vendidos e mercadorias revendidas, pois “o elemento nuclear do incentivo fiscal é o ‘faturamento’ e/ou as ‘vendas no mercado interno’ realizadas pelas empresas nela referidas, como a Requerente, portanto, abarcando uns e outra”. 99. Também critica a tese da Fiscalização de que o incentivo examinado alcançaria apenas as vendas de produtos industrializados pelo estabelecimento, porquanto “o legislador dispôs é que ‘as empresas referidas no § 1º do art. 1º, poderão apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições, no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês, decorrentes das vendas no mercado interno’ (art. 11A), sendo que tais empresas são aquelas ‘instaladas nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, e que sejam montadoras e fabricantes de veículos automotores de passageiros’ (§ 1°, art. 1°)” – ao que atende a manifestante, pois é montadora e fabricante de veículos automotores que são por ela vendidos no mercado interno. 100. Adiante, realça que, como expresso na EM nº 166/2009, o estabelecimento da contribuinte em Camaçari contribuiu com números impares para a participação nacional da Bahia nos indicadores de empregos formais na indústria automobilística, nos volumes de exportação e de importação, na participação no PIB e na competitividade dos fabricantes nela instalados, o que se corrobora pela informação inserida no próprio TVF de que a FORD gerou 12.806 empregos formais, circunstância que a requerente tem como consequência direta da atividade de fabricação, montagem e venda de veículos, inclusive importados. 101. Justifica que a importação de veículos e a sua subseqüente venda no mercado interno se inserem e complementam a política desenvolvimentista de regionalização industrial da Lei n° 9.440/97, pois esta atividade é desempenhada de forma integrada, dentro de um contexto de relações comerciais amplas que agregam tanto o mercado interno quanto o de exportação, aliado à colaboração de técnicos e demais pessoas habilitadas, com a realização de investimentos necessários para a adaptação e a concretização de facilidades portuárias necessárias à operação de desembaraço dos bens, para ambos os mercados. 102. Comenta que a indústria automotiva não se estabelece nem se desenvolve sem complementação entre as diversas plantas situadas em inúmeros países e os respectivos mercados e que, neste aspecto, a recorrente projeta e desenvolve modelos no Centro de Desenvolvimento de Produtos em Camaçari (um dos oito centros globais de criação de veículos e um dos especializados em carros compactos da FORD, no âmbito do projeto Amazon). Ademais, cita que o modelo Eco Sport é o primeiro carro global de passageiros da marca FORD criado na América do Sul e exportado para outros países, o que Fl. 756DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 746 23 demonstraria que a esta indústria pressupõe fluxo de importações e de exportações, não sendo a planta industrial em Camaçari uma unidade isolada, mas inserida em uma organização mundial. 103. Expressa que vários dispositivos regulamentares estabelecem comandos cujos sentidos são aperfeiçoados mediante a integração entre os mercados interno e externo. No intuito de evidenciar este fato, reproduz os arts. 5º, 6º (incisos III e IV), 9º, 11 e 15, VI, do Decreto nº 2.179/97. 104. Sustenta que a Exposição de Motivos da Lei nº 12.407, de 19/05/2011, e o Relatório de Prestação de Constas Ordinária Anual, referenciados pela Fiscalização, robustecem a interpretação da manifestante em face dos investimentos realizados em Camaçari e que culminaram na instalação de planta industrial para a produção de veículos automotores. 105. Estriba sua tese no reconhecimento do MDIC, em manifestação ao TCU, de que a política instaurada pela Lei nº 9.440/97 resultou no desenvolvimento da produção nacional, na redução de importações e no aumento de empregos direitos/indiretos, pelo que tem por devida a inclusão das vendas de veículos importados no cálculo do incentivo, pois o próprio Órgão Governamental admite “as importações como fazendo parte da atividade estimulada, tanto que aponta no mesmo item 2.2.5.15 haver redução no volume das mesmas, o que implica afirmar que não veda e nem as desconhece como sendo parte integrante das especificidades do setor”. 106. Sustenta que a ausência da palavra “importação” no pedido de habilitação ao incentivo da Lei nº 9.440/97 não prejudicaria o entendimento da recorrente, pois inconcebível a instalação de qualquer planta industrial, especialmente no setor da defendente,divorciada do contexto em que seu mercado se desenvolve, e, assim, seria necessário assentir que a importação de partes, peças e veículos é parte integrante da atividade; giza, ademais, que os atos administrativos que aprovaram a habilitação da manifestante não impedem, coíbem ou vedam inclusão da revenda de veículos importados na base de cálculo do incentivo. 107. Avante, afirma que o TVF procura respaldo na SCI COSIT nº 17/2012, a qual a recorrente reputa em desacordo com a interpretação literal imposta pelo art. 111, do CTN, porquanto as Leis nº 9.440/97 e 12.218/2010 definem o faturamento ou as vendas no mercado interno como parâmetro para apuração das contribuições sociais e, assim, do crédito presumido de IPI (transcreve ementas de Acórdãos do CARF para corroborar sua alegação). 108. Historia que o art. 6º, caput e inciso VI, do Decreto nº 2.179/97, fixou o faturamento como base do incentivo analisado e que, depois, o art. 1º, do Decreto n° 3.893/2001, restringiu o benefício ao faturamento da venda de produtos de fabricação própria –o que, além de ilegal, não figura no art. 1ºA, do Fl. 757DF CARF MF 24 Decreto nº 2.179/97, introduzido pelo Decreto nº 5.710, de 24/02/2006. Consigna, além disto, que o art. 2º, do Decreto nº 7.422/2010 (que estabelece que a base de cálculo do incentivo é o faturamento “decorrente das vendas no mercado interno”), alude aos produtos referidos no art. 2º, IV, do Decreto n° 2.179/97 remissão que o sujeito passivo tem por equivocada, pois tal dispositivo define os beneficiários dos incentivos (dentre os quais as montadoras e fabricantes de veículos automotores). 109. Assevera que, por ser a recorrente montadora e fabricante de veículos automotores, pode gozar do incentivo fiscal, sendo que os demais veículos por ela comercializados, ainda que importados, estão listados nas alíneas do inciso IV, do artigo 2°, do Decreto n° 2.179/97, sendo inviável a exclusão do faturamento auferido no mercado interno com a venda de veículos importados do cômputo do incentivo. 110. Reproba o raciocínio de sobredita SCI de que o alcance da Lei nº 9.440/97 deveria ser definido no contexto em que editada (a partir do que concluiu a SCI que, por ser uma norma dirigida ao desenvolvimento regional e relacionada ao aumento dos postos de trabalho, estaria afastado o benefício examinado em relação aos veículos importados), porque, além de ser inviável “interpretação extensiva ao se tratar de benefícios fiscais”, a contribuinte, ao ativar porto marítimo para realizar suas operações de comércio exterior, estaria fomentando o desenvolvimento regional e proporcionando o aumento de postos de trabalho. 111. Quanto ao índice mínimo da nacionalização de bens em cuja produção forem utilizados insumos importados (cuja possibilidade de fixação foi conferida ao Poder Executivo pelo art. 7°, da Lei n° 9.440/97), articula não ter havido a definição deste índice, sendo possível apenas a conclusão que o Poder Executivo não entendeu necessário utilizar tal faculdade e que, ao contrário da conclusão atingida pela SCI, isto milita em favor da defendente, pois não há como prever que, se regulamentação houvesse, excluiria por completo os veículos importados. 112. Repreende, ainda, a conclusão da SCI de que a possibilidade, preceituada no art. 11A, §3º, da Lei nº 9.440/97, de utilização, na base de cálculo do incentivo, de créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS decorrentes da importação e da aquisição de insumos seria bastante para concluir ser inviável o cômputo do faturamento auferido com a venda de veículos, pois, segundo a recorrente, tal utilização sinaliza, apenas, a intenção do legislador de permitir crédito das contribuições sobre custo, despesa ou encargo suportado pelo adquirente, mas “em absoluto quer representar a vedação do PIS e da COFINS incorridos na importação de veículos, para venda no mercado interno, compondo o faturamento”. 113. A última desaprovação à enfocada SCI se dirige a ventilada analogia entre a Leis n° 9.826/99 e 9.440/97, pois inviável a comparação entre os incentivos disciplinados por estas leis, já que o primeiro tem por base o próprio IPI incidente na venda de Fl. 758DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 747 25 veículos (art. 1º, §2º), enquanto o segundo. Ademais, reflexiona que, mesmo que assim não fosse, a analogia pressupõe a ausência de norma (art. 108, I, do CTN) o que aqui inocorre e, além disto, de seu emprego não pode resultar na exigência de tributo não previsto em lei (§1º), nem, mutatis mutandis, na glosa de crédito tributário efetuado em conformidade com a lei. 114. Para argumentar, pondera que a SCI não produz os efeitos previstos nos arts. 46 a 53, do Decreto nº 70.235/72, nos arts. 88 a 192, do Decreto nº 7.574/2011, e no art. 14, da IN RFB nº 740, de 02/05/2007, pois a requerente não formulou o questionamento e, mesmo que produzisse tais efeitos, isto somente ocorreria a partir da data de sua publicação, o que ainda não ocorreu validamente, pois o ato apenas foi divulgado na internet, o que desatenderia o ditame do art. 37, da CF/88, da Lei Complementar n° 95, de 26/02/1998, do art. 1°, da Lei de Introdução ao Código Civil, c/c o art. 101, do CTN, e, especialmente, o comando do art. 48, §4°, da Lei n° 9.430/96, pois apenas a veiculação por intermédio do Diário Oficial da União é que teria o condão de tornar o ato válido para todos os efeitos legais. 115. Conclui, ao final, ser impertinente excluir “do faturamento da Requerente as receitas auferidas com a venda de veículos importados para fins de apuração do PIS e da COFINS e, conseguintemente, do crédito presumido de IPI da Lei n° 9.440”. II.3. Da alegação de inocorrência de erro no método para determinação dos créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS: 116. A manifestante frisa que, consoante a própria Fiscalização admite na pág. 27 do TVF, a Lei nº 9.440/97 não determinar qual método deva ser utilizado para definir os créditos da contribuição para PIS/PASEP e da COFINS a serem considerados no cálculo das contribuições devidas para fins de determinação do incentivo sub ocullis; por conseguinte, a defendente conclui que, no cálculo do benefício está submetida a regra específica da Lei n° 9.440/97 e não está vinculada ao critério utilizado pela matriz. 117. Medita que está sob regência, de um lado, da Lei n° 9.440, e, de outro lado, das Leis n°s. 10.637 e 10.833, que devem ser interpretadas harmonicamente entre si, não se confundindo a apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS pelo estabelecimento incentivado para levantamento do crédito presumido de IPI com a quantificação destas mesmas contribuições em relação à pessoa jurídica da qual ela é parte integrante, como filial. 118. Ventila que, se adotasse o mesmo método pelo qual optou a matriz, violaria a Lei n° 9.440/97, pois há custos, despesas e encargos inerentes à matriz, mas não ao estabelecimento em Camaçari – o que inclusive reconheceu a Fiscalização ao dizer na 28ª pág. Fl. 759DF CARF MF 26 do TVF que “a apuração da matriz nada mais é que a soma das parcelas das filiais. Logo, o cálculo do PIS e Cofins devidos pela filial deve estar dentro do cálculo das contribuições da Matriz, inclusive e principalmente, o cálculo do incentivo, sob pena de causar uma distorção no valor incentivado”. 119. Exemplifica que, na apuração dos valores da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidos pela matriz, podem ser apropriados créditos atinente a custos, despesas e encargos relativos a produtos exportados, ao passo que, no cálculo do crédito presumido de IPI debatido, somente podem ser computados os montantes destas contribuições que incidiram sobre o faturamento decorrente de vendas no mercado interno. 120. Sustenta ser indiferente que crédito em relação a determinado insumo seja calculado de uma forma pela matriz e de outra pela filial, pois a questão não é de lógica ou de razoabilidade, como aduz o TVF, mas legal. 121. Em face do exposto, tem por imprópria a adoção, no levantamento realizado pela Fiscalização, do método de rateio proporcional pelo qual optara a matriz, que não goza do incentivo analisado, para fins de apuração do benefício fiscal guerreado. II.4. Quanto aos créditos originados de outros estabelecimentos: 122. A contribuinte articula que o estabelecimento da FORD em Taubaté transfere insumos para a defendente para emprego na produção e, nestas operações, a remetente utiliza a base de cálculo para fins do ICMS, conforme o RICMS/SP, aprovado pelo Decreto n° 45.490, de 30/11/2000, que assim dispõe: “Artigo 39 Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo é (Lei 6.374/89, art. 26, na redação da Lei 10.619/00, art. 1.º, XV, e Convênio ICMS3/95): (...) II o custo da mercadoria produzida, assim entendido a soma do custo da matériaprima, do material secundário, da mãodeobra e do acondicionamento, atualizado monetariamente na data da ocorrência do fato gerador;” 123. Desfia que o RICMS/BA, baixado pelo Decreto n° 6.824, de 14/03/1997, assim estabelece a base de cálculo nas operações de transferências entre estabelecimentos: “Art. 56 A base de cálculo do ICMS, nas operações internas e interestaduais realizadas por comerciantes, industriais, produtores, extratores e geradores, quando não prevista expressamente de forma diversa em outro dispositivo regulamentar, é: (...) V na saída de mercadoria em transferência para estabelecimento situado em outra unidade da Federação, pertencente ao mesmo titular: Fl. 760DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 748 27 (...) b) o custo da mercadoria produzida, assim entendido a soma do custo da matériaprima, material secundário, acondicionamento e mãodeobra;” 124. Diz que são divergentes os dispositivos regulamentares acima, pois enquanto o primeiro determina a atualização monetária do custo, o segundo não contempla essa majoração. Ademais, menciona que, como a requerente está situada no Estado da Bahia, submetese à legislação emanada do sujeito ativo ao qual está jurisdicionada e, assim, nas operações de transferência de insumos provenientes de Taubaté, não reconhece na base de cálculo adotada pelo estabelecimento remetente aquelas parcelas não autorizadas pela legislação baiana. II.5. Da contestação da alegação fiscal de que a receita bruta teria sido indevidamente reduzida em razão da exclusão de tributos: 125. A recorrente diz que excluiu, da receita bruta, tributos não cumulativos que por ela são recuperáveis, mantendo o mesmo critério adotado na apuração dos créditos concernentes à contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. 126. Complementa que tem por descabida a inclusão do ICMS como parcela integrante do faturamento, pois não é legal, nem juridicamente possível, admitirse que, no conceito de faturamento, possa ser incluída parcela que não o integre. 127. Fala que o ICMS não constitui riqueza da contribuinte com as operações de venda de produtos e/ou mercadorias, sendo ônus fiscal a que está submetida por imperativo legal, sendo o mesmo raciocínio aplicável à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS. 128. Sublinha que, segundo palavras do Ministro Marco Aurélio, “se alguém fatura ICMS, esse alguém é o Estado e não o vendedor da mercadoria”, e sustenta ser incabível, aos moldes do art. 110, do CTN, a alteração da definição, do conteúdo e do alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, “utilizados expressa ou implicitamente pela legislação que engloba o sistema jurídico pátrio, para definir ou limitar competências tributárias”. 129. Reportase à repercussão geral sobre a questão, declarada nos RE n° 574.7069 e n° 592.616, e à concessão de medida cautela na Ação Direta de Constitucionalidade n° 18. 130. Em razão do exposto, afirma inexistir erro na determinação da receita bruta. II.6. Dos ajustes relativos a veículos faturados que não deram saída do estabelecimento: Fl. 761DF CARF MF 28 131. Quanto aos ajustes de “veículos faturados, mas que não deram saída do estabelecimento”, externa a manifestante que “não tendo havido a saída dos produtos do estabelecimento fabril, os documentos fiscais não compuseram o faturamento, que foi suspenso, para ser reconhecido o respectivo valor quando concretizado” e que, quando muito, poderseia “conjecturar tratarse de postergação, com a consequência de tornar ocorridos os seus efeitos para o cômputo da receita bruta do período seguinte, inocorrendo prejuízos ao Fisco”. II.7. Da irresignação no tocante à afirmação fiscal de erro nas receitas de exportação: 132. A recorrente diz que o TVF afirma que “No caso do CKD, a maior parte dos módulos e peças, são produzidos pelos fornecedores’” e pondera que “se a própria Fiscalização reconhece e admite que a ‘maior parte dos módulos e peças’ são produzidos pelos fornecedores, a boa lógica e o sempre oportuno bom senso faz com que a menor parte dos módulos e peças são efetivamente produzidas pela Requerente, o que aliás encontra se corroborado pela resposta a intimação de 25/09/2015 e acolhida pela Fiscalização”. 133. Ratifica que o CKD corresponde a kit composto por diversas partes necessárias à montagem de veículos, que são produzidas tanto pelos fornecedores como pela defendente, que por esta são reunidas para exportação e, em seguida, menciona as definições de industrialização e montagem constante do art. 3°, caput e inciso III, do RIPI/2002, a partir das quais tem como claro “que não se trata de simples revenda de bens para exportação como equivocadamente entendeu a Fiscalização, sendo desarrazoada a glosa perpetrada neste item, quanto à exclusão das receitas de exportação de CKD's do cálculo do rateio”. 134. Afirma, ainda, que o direito a crédito das contribuições alcança todos os custos, despesas e encargos necessários à atividade da defendente e que geram faturamento ou receitas de venda no mercado interno e não somente aqueles relacionados à industrialização. 135. Aduz que como a Fiscalização, no rateio, excluiu parte das exportações de CKD, caracterizadas, segundo a recorrente erroneamente, como revenda de partes produzidas por seus fornecedores no estabelecimento da recorrente, os valores estornados não poderiam ser acrescidos às vendas no mercado interno (Anexo D) e influenciar os créditos das contribuições. II.8. Da contestação à inclusão das receitas de vendas de veículos à Zona Franca de Manaus para fins de cálculo do percentual de rateio: 136. A contribuinte especula que, segundo art. 40, do Ato das Disposições Transitórias da CF/88, a ZFM tem características de área de livre comércio, de exportação e importação e que o art. 4°, do Decreto Lei n° 288, de 28/02/1967, assim preconiza: “Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 749 29 fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. 137. Exterioriza que o art. 5°, I, da Lei n° 10.637/2002, e o art. 6°, I, da Lei n° 10.833/2003, determinam a não incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre receitas de exportação; logo, avalia pertinente a exclusão das vendas realizadas para destinatários localizados na Zona Franca de Manaus, por serem equiparadas a exportação. II.9. Do pedido: 138. Dado todo o exposto, a manifestante requereu; (i) a suspensão da cobrança dos débitos compensados; (ii) a reforma do Despacho Decisório, na parte em que não homologou parcela das compensações, e o integral reconhecimento do crédito de IPI atinente ao 3º trimestre de 2013, com o total deferimento do PER apresentado; e (iii) por consequência, a total homologação das DCOMP objeto deste processo administrativo. III. Da Resolução: 139. Em sessão de 25/01/2017, esta Turma converteu o julgamento em diligência, consoante Resolução de fls. 279/301, nos termos literais abaixo reproduzidos: "139. A Manifestação de Inconformidade é tempestiva e atende aos requisitos de admissibilidade; no entanto, constatase que o julgamento da lide depende da realização de diligência. 140. É que, ao que indicam os elementos constantes dos autos em especial o “Anexo A”, do TVF , foram considerados ressarcíveis/compensáveis tanto os valores dos créditos de IPI pelas entradas (créditos básicos), assim como as importâncias a título de “outros créditos” e, ainda, os valores dos créditos presumidos previstos nos arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97. 141. Ocorre que a Solução de Consulta Interna nº 25, expedida aos 23/09/2016 pela COSIT, cuja íntegra é ora anexada aos presentes autos às fls. 269/278, conclui que os créditos previstos nos arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97, não seriam ressarcíveis. Confirase a ementa desta SCI: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Somente é permitido o ressarcimento de créditos presumidos do IPI quando haja expressa previsão legal ou regulamentar. Por ausência de expressa previsão legal ou regulamentar, não são passíveis de ressarcimento os créditos presumidos do IPI criados pelos artigos 11A e 11B da Lei nº 9.440, de 1997. Dispositivos Legais: IN RFB nº 1.300, de 12 de agosto de 2008, artigo 21, § 3º; Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, arts. 256 e 268; Decreto nº 7.389, de 09 de dezembro de 2010; Decreto nº 7.422, de 31 de dezembro de 2010”. Fl. 763DF CARF MF 30 142. Além disto, visando confirmar a eventual necessidade de providências desta Turma para fins de dar atendimento à disposição contida no inciso III, do art. 3º, da Portaria RFB nº 1.668, de 29/11/201611, são necessárias informações sobre a eventual formalização da multa de ofício de que trata o §17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, em razão da nãohomologação de compensações realizadas com o crédito de IPI relativo ao 2ª trimestre de 2012 ao 3º trimestre de 2014, objeto de Manifestações de Inconformidade interpostas nos processos listados no item 3 acima, cujos julgamentos também foram convertidos em diligência nesta sessão. 143. Diante do que consta acima, e levandose em conta que ainda não transcorreu o prazo de 05 (cinco) anos da entrega das Declarações de Compensação em que aproveitados os créditos de IPI alusivos aos 2º trimestre de 2012 ao 3º trimestre de 2014, voto, com fundamento no art. 18, do Decreto nº 70.235/72, no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal: 143.1 verifique, a seu exclusivo juízo, relativamente à parcela do crédito cujo ressarcimento/compensação foi admitida nos processos administrativos listados no item 3 desta Resolução, eventuais reflexos decorrentes do disposto na SCI COSIT nº 25/2016 (inclusive, se for o caso, no que respeita aos “outros créditos”), e adote, quanto à parte não litigiosa do direito creditório que foi reconhecido por meio dos Despachos Decisórios proferidos naqueles autos, as medidas que a respeito entender oportunas; 143.2. do mesmo modo, avalie eventuais conseqüências que entenda advindas do disposto na SCI COSIT nº 25/2016 em relação à parcela do crédito cujo ressarcimento/compensação foi negado e que é objeto de litígio nos processos administrativos referidos no subitem anterior, as quais serão posteriormente examinadas por este Colegiado quando do julgamento das Manifestações de Inconformidade interpostas naqueles processos administrativos, cujos julgamentos também foram convertidos em diligência nesta sessão; 143.3. examine e indique, se for o caso, eventuais reflexos da SCI COSIT nº 25/2016 que entenda devam ser considerados na autuação tratada no presente processo administrativo, os quais serão examinados por este Colegiado quando do julgamento da Impugnação; 143.4. informe sobre a eventual formalização da multa de ofício de que trata o §17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, em razão da nãohomologação de compensações realizadas com os créditos de IPI relativos ao 2° trimestre de 2012 ao 3º trimestre de 2014, que são tratados nos processos administrativos relacionados no item 3 desta Resolução; 143.5. dê ciência à diligenciada das conclusões a que atingir, facultandolhe pronunciamento a respeito no prazo de 30 (trinta) dias, após o que os correntes autos devem ser devolvidos a esta Turma para continuidade do julgamento". IV. Da Informação Fiscal: Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 750 31 140. Concluída a diligência solicitada, foi elaborada a Informação Fiscal de fls. 303/325, que, inicialmente, expõe que, no âmbito da RFB, o ressarcimento e a compensação estão disciplinados pela Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012, cujos arts. 21 e 41 foram reproduzidos. 141. Em seguida, discorre sobre o histórico normativo, abaixo sintetizado, relacionado à criação/regulamentação de diversos créditos presumidos de IPI: 141.1. crédito presumido de IPI, criado pela Lei nº 9.363, de 13/12/1996, como ressarcimento das contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes nas compras de insumos no mercado interno utilizados por empresas exportadoras, cujo texto legal expressamente admitiu a possibilidade do ressarcimento do crédito; 141.2. crédito presumido de IPI criado pela Lei nº 9.440, de 14/03/199712, com vigência até 31/12/1999, correspondente ao dobro da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre o faturamento das empresas referidas no §1º , do art. 1º, de referida Lei, a qual, sem prever a possibilidade de ressarcimento/compensação, autorizou que regulamento dispusesse sobre a utilização do comentado crédito (§14, do art. 1º), o que foi efetivado pelo Decreto nº 2.179, de 10/03/1997, que, inicialmente, não trouxe autorização para ressarcimento/compensação do comentado crédito presumido; 141.2.1. prorrogação, prevista no inciso IV, do art. 11, da Lei nº 9.440/97, da vigência do sobredito benefício para o período de janeiro de 2000 a dezembro de 2010, o que foi promovido pelo Decreto nº 3.893, de 22/08/2001; 141.2.2. autorização de ressarcimento/compensação, dos comentados créditos presumidos de IPI excedentes, aos moldes do art. 6º, IV e §§1º a 3º, do Decreto nº 6.556, de 08/09/2008, c/c o art. 135, §6º, do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010; 141.3. crédito presumido de IPI, criado pelo art. 11A, da Lei nº 9.440/97, incluído pela Lei nº 12.218, de 30/03/2010, com vigência de janeiro de 2011 a dezembro de 2015, apurado no valor da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas, em cada mês, decorrentes das vendas no mercado interno, multiplicado por: (i) 2 (dois), no período de 01/01 a 31/12/2011; (ii) 1,9 (um inteiro e nove décimos), no período de 01/01 a 31/12/2012; (iii) 1,8 (um inteiro e oito décimos), no período de 01/01 a 31/12/2013; (iv) 1,7 (um inteiro e sete décimos), no período de 01/01 a 31/12/2014; e (v) 1,5 (um inteiro e cinco décimos), no período de 01/01 a 31/12/2015; 141.3.1. aduz a Informação Fiscal que, apesar de estarem no mesmo diploma legal e de guardarem semelhança, o incentivo do art. 11A, da Lei nº 9.440/97 não se confunde com o do inciso IX, do art. 1º, da Lei nº 9.440/97, pois: (i) o art. 11 não foi revogado Fl. 765DF CARF MF 32 ou alterado; (ii) os benefícios têm vigências distintas e bem delimitadas; (iii) a apuração do crédito presumido estabelecida no art. 11A, cujo multiplicador varia ao longo do tempo (de 2 a 1,5), é diferente do incentivo do art. 11, cujo multiplicado é fixo (dobro);e (iv) o novo benefício exige condicionantes para fruição, tais como investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região de instalação, que não constam do benefício anterior (art. 11A, §4º); 141.3.2. ademais, menciona que o comentado benefício foi regulamentado pelo Decreto nº 7.422, de 31/12/2010, que, tal como a Lei nº 12.218/2010, não traz qualquer referência à possibilidade de ressarcimento; 141.4. crédito presumido de IPI previsto no art. 11B, da Lei nº 9.440/97, incluído pela Medida Provisória nº 512, de 25/11/2010 (convertida na Lei nº 12.407, de 19/05/2011), equivalente ao resultado da aplicação das alíquotas do art. 1º, da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, sobre o valor das vendas no mercado interno (débitos), em cada mês, multiplicado por (i) 2 (dois), até o 12º mês de fruição do beneficio; (ii) 1,9 (um inteiro e nove décimos), do 13º ao 24º mês de fruição do benefício; (iii) 1,8 (um inteiro e oito décimos), do 25º ao 36º mês de fruição do benefício; (iv) 1,7 (um inteiro e sete décimos), do 37º ao 48º mês de fruição do benefício; e (v) 1,5 (um inteiro e cinco décimos), do 49º ao 60º mês de fruição do benefício; 141.4.1. menciona que o comentado incentivo foi regulamentado pelo Decreto nº 7.389, de 09/12/2010, que, assim como a Lei nº 12.407/2011, não faz qualquer referencia ou menção à possibilidade de ressarcimento de eventual saldo credor; 141.5. crédito presumido de IPI, criado pelo art. 56, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2011, equivalente a 3% do valor do imposto destacado na Nota Fiscal, cuja norma de instituição não faz qualquer referência ou menção à possibilidade de ressarcimento de eventual saldo credor; 141.6. crédito presumido de IPI criado pela Lei nº 12.715, de 17/09/2012, para o qual o Decreto nº 7.819, de 03/10/2012, expressamente admitiu o ressarcimento/compensação, aos moldes de seu art. 15, §§1º a 3º. 142. Feito o apanhado acima, a Informação Fiscal faz remissão aos arts. 256 a 258, do Decreto nº 7.212/2010 que tratam das normas gerais para utilização dos créditos de IPI e deixam claro que o eventual saldo credor do imposto apenas pode ser utilizado de acordo com as normas expedidas pela RFB; ademais, reproduziu o art. 268, deste Decreto. 143. A partir das normas apresentadas, conclui a Informação Fiscal que "sempre que a legislação quis oferecer ao contribuinte a possibilidade de requerer o ressarcimento em espécie ou utilizar em compensações os créditos presumidos do IPI o fez expressamente" e que "Como visto, não há para o crédito presumido de IPI instituído pelos artigos 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97, introduzidos pelas Leis nº 12.218/2010 e 12.407/2011, respectivamente, expressa autorização legal ou Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 751 33 regulamentar que conceda a estes créditos a prerrogativas de ressarcíveis ou compensáveis e, portanto, passíveis de utilização em PERDCOMP. Também, pelo mesmo fundamento, não é ressarcível o crédito de que trata o art. 56, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835/2001", pelo que tais créditos "não atendem às exigências previstas no § 3º, do art. 21, da Instrução Normativa RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012. Por esse motivo, não podem ser objeto de ressarcimento". 144. Então, comenta a sistemática da nãocumulatividade do IPI disposta no art. 225, do Decreto nº 7.212/2010, e as distintas espécies de créditos do imposto previstos na legislação tributária (básicos, por devolução ou retorno, incentivados, presumidos e de outras naturezas) e destaca que os arts. 256 e 257, do Decreto nº 7.212/2010, e o art. 11, da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, estabelecem a regra geral de que os créditos de IPI apenas sejam utilizados para deduzir o imposto devido na saída de produtos do estabelecimento, repisando que o aproveitamento mediante ressarcimento/compensação depende de previsão legal expressa. 145. Alude que, nos termos dos arts. 226 a 250, do RIPI, e no art. 21, §3º, I, da IN RFB nº 1.300/2012, para que o crédito seja ressarcido/compensado é necessário que se refira à aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem aplicados na industrialização, pelo que, "dos créditos escriturados pelo contribuinte somente são passíveis de ressarcimento aqueles decorrentes de aquisição de insumos e transferências para industrialização, pois todos esses insumos foram utilizados em processos de industrialização", sendo que "Os demais créditos não são ressarcíveis, uma vez que as operações de que foram originados não são definidas como industrialização. As devoluções se referem a veículos anteriormente produzidos. Ou seja, não sofreram nenhum processo de industrialização posterior. Do mesmo medo, as mercadorias recebidas em transferência de outras filiais e que foram objeto de comercialização". 146. Conclui, do mesmo modo, que "os veículos adquiridos no exterior e revendidos no país também não sofreram nenhuma operação de industrialização, ocorrendo uma simples comercialização. Esse fato foi suficientemente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, em especial nas páginas 12, 21 e 24". 147. Em item intitulado "DOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO", a Informação Fiscal expõe que a contribuinte apresentou Pedidos de Ressarcimento em cuja Ficha "Notas fiscais de créditos extemporâneos e demais créditos" informou créditos presumidos de IPI dos arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97, que foram reduzidos na apuração fiscal inicial. 148. Menciona que "adveio a publicação da SCI nº 25/2016, que, em caráter interpretativo, concluiu que os créditos presumidos Fl. 767DF CARF MF 34 do IPI criados pelos artigos 11A e 11B da Lei 9.440/97 não são ressarcíveis. Esta conclusão está corroborada no item 2 dessa informação fiscal", pelo foi necessária a apuração e classificação dos créditos, de modo a identificar quais são ressarcíveis, ou não, e o reflexo disto no lançamento de ofício e nos Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação. 149. Elucida que a reclassificação de créditos pode repercutir nos valores lançados de ofício, pois os montantes objeto de pedido de ressarcimento são deduzidos na escrita fiscal do IPI e, assim, nos meses em que há excesso de débitos em relação aos créditos, o saldo devedor não é reduzido pelo saldo credor anterior que poderia existir caso não houvesse o ressarcimento, sendo que, com a reclassificação dos créditos para não ressarcíveis, referidos valores permanecem na escrita fiscal, acumulando para o mês posterior a fim de compensar com o IPI devido. 150. Adiante, no item "5 CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS EM RESSARCÍVEIS E NÃO RESSARCÍVEIS", elucida que, diante das razões expostas, foram considerados ressarcíveis as entradas sob os CFOP nº 1101, 1124, 1151, 2101, 2122, 2124, 2401, 2151 e 2653 e, por exclusão, "os demais créditos decorrentes das entradas foram considerados como não ressarcíveis. Na mesma classificação, seguindo o que já foi exposto, ficam também os créditos escriturados como 'outros créditos do IPI', uma vez que são escriturados no RAIPI como decorrentes dos créditos presumidos do IPI (artigos 11A e 11B da Lei 9.440 e artigo 56 da MP 2.15835/2001), além de ajustes diversos, como notas de crédito, estorno de material de consumo, débitos indevidos, notas canceladas, etc". 151. Registra que, na apuração do saldo passível de ressarcimento, inicialmente foram descontados, do saldo devedor, os créditos não ressarcíveis e, nos períodos em que estes foram superiores aos débitos, os créditos ressarcíveis ficaram integralmente disponíveis para ressarcimento. 152. Prosseguindo, a Informação Fiscal elabora demonstrativo, por trimestre, dos valores passíveis de ressarcimento (2º trimestre de 2012 ao 4º trimestre de 2014), tendo ressaltado que, como os valores ressarcíveis "estão menores do que os apurados anteriormente, fazse necessária a emissão de Despacho Decisório Revisor, cuja competência é do Delegado da Receita Federal do Brasil em Lauro de Freitas. Havendo a emissão do Despacho, com o não ressarcimento dos demais créditos e a respectiva manutenção na escrita fiscal, ocorrerá alterações nos períodos em que houve saldo devedor e lançamento de ofício", conforme demonstrativo que apresenta. V. Do Segundo Despacho Decisório: 153. Embasado na Informação Fiscal acima, e, ainda, com fundamento no art. 149 da Lei n° 5.172. de 25/10/1966, nos arts. 48 e 53 da Lei n° 9.784, de 29/01/1999, e, também, em consonância com as Súmulas n° 346 e 473, do STF, foi proferido um segundo Despacho Decisório, que reviu aquele anteriormente proferido nos presentes autos, para deferir, Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 752 35 parcialmente, o pedido de ressarcimento de IPI, referente ao 3º trimestre de 2012, e reconhecer o direito a ressarcimento na importância de R$ 9.590.676,14 e, por decorrência, homologar, no limite direito creditório cujo ressarcimento foi admitido, as compensações declaradas pelo sujeito passivo. 154. Ressaltou o aludido Despacho Decisório que: (i) "verificou se eventuais reflexos (consequências) decorrentes do disposto na SCI COSIT n° 25/2016 (fls. 269278), tanto com relação à parte não litigiosa do direito creditório reconhecido, quanto com relação à parte litigiosa que, desde então, já era e continua sendo objeto deste Processo Administrativo"; e (ii) não foi alterado o saldo credor apurado pelo procedimento fiscal anterior, mas apenas houve a reclassificação dos créditos como "ressarcíveis" ou "não ressarcíveis", sendo que apenas a primeira parcela foi considerada disponível para fins de ressarcimento. VI. Da segunda Manifestação de Inconformidade: 155. Cientificado aos 03/08/2017, fl. 407, a contribuinte, aos 30/08/2017, fl. 408, protocolizou a Manifestação de Inconformidade de fls. 410/457, por meio da qual se pronuncia sobre a diligência realizada e sobre o Despacho Decisório de fls. 329/332. 156. Suscita, preliminarmente, nulidade da Resolução expedida nos presentes autos, que converteu o julgamento em diligência, pois seu objeto teria extrapolado os limites da competência deste Colegiado, na medida em que apenas uma das determinações de referida diligência estaria relacionada com os fatos narrados nos autos, e, destarte, esta Turma teria agido como órgão preparador e autuante, determinando a realização de lançamento, atividade privativa da autoridade fiscal, aos moldes do art. 142, do CTN. 157. Censura, ademais, ser incabível que a Resolução resolva que "que a autoridade fiscal reveja as homologações e. pior, informe sobre a formalização da multa de oficio nos processos de compensação", pois a realização de diligências e perícias "expressamente previstas no processo administrativo, visam a dirimir dúvidas acerca da matéria posta em litígio, pelo contribuinte ou de ofício, mas limitadas à parte controversa da exação". 158. Quanto à multa isolada, complementa que sequer a autoridade fiscal respondeu à DRJ o que evidenciaria a usurpação de competência por este Colegiado e afirma que, "ao se considerar o artigo 116, II do CTN, por se tratar de direito positivo, o lançamento da multa isolada somente poderia ser efetuado após a decisão definitiva desfavorável ao contribuinte no processo que glosou a compensação, ocasião na qual se caracterizaria o então fato gerador". 159. Exproba que "nos termos do Decreto n° 70.235/72, art. 59, II (art. 12 do Decreto n° 7.574/2011, com a redação dada pelo Fl. 769DF CARF MF 36 Decreto n° 8.853/2016), é nula a decisão da DRJ, posto que além de proferida por autoridade incompetente, usurpou o direito de defesa da Requerente ao determinar a aplicação, pela fiscalização, de Solução de Consulta posterior e da qual a requente não foi cientificada". 160. Ademais, alega que a Solução de Consulta Interna seria inócua no caso vertente, por quatro razões: (i) extinção do crédito tributários por compensação e inaplicabilidade do art. 149, do CTN; (ii) irretroatividade dos efeitos da SCI; (iii) o objeto da SCI não atinge os fatos tratados nos presentes autos; e (iv) cerceamento do direito de defesa. 161. Quanto ao primeiro ponto, aduz que, nos termos do art. 74, §2º, da Lei nº 9.430/96, a compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação, que foi operada, em relação à fração inicialmente homologada, pelo primeiro Despacho Decisório proferido nos correntes autos, que extinguiu, definitivamente, os débitos compensados, nos termos do art. 156, II, do CTN, persistindo apenas a discussão da parcela da compensação que não fora homologada, aos moldes do §9º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. 162. Pondera que o legislador não previu a possibilidade de as compensações homologadas serem objeto de revisão, justamente por as considerarem definitivas e irreformáveis, tratandose a homologação de ato jurídico perfeito, completo e definitivo, cuja anulação/modificação depende da existência de eventuais vícios, o que não estaria caracterizado neste processo administrativo. 163. Censura que, apesar disto, este Colegiado teria determinado "a conversão do julgamento em diligência a fim de que a autoridade fiscal revisse r. Despacho Decisório (...) para que fosse aplicado o entendimento perfilhado na Solução de Consulta Interna proferida em momento posterior ao Despacho Decisório", o que foi feito por Despacho Revisor da Unidade de Origem, que "fundamenta, com a devida vênia, a tentativa de refazer ressurgir o lançamento que estava extinto, no artigo 149 do CTN, nos arts. 48 e 53, da Lei nº 9.784/99 e Súmulas 346 e 473 do STF". 164. Quanto ao art. 149, do CTN, alega que não estaria caracterizada, in casu, nenhuma das hipóteses para revisão do lançamento, ali taxativamente previstas, e que a falta de indicação específica, no Despacho Decisório revisor, do inciso supostamente aplicado, dáse, justamente, porque o art. 149, do CTN, cuida de lançamento de ofício e não é aplicável às Declarações de Compensação tratadas neste processo administrativo. 165. Quanto às Súmulas 346 e 473, do STF, argumenta que elas não suportariam adequadamente a justificativa para o Despacho Decisório revisor, pois "não há qualquer vício no Despacho Decisório (...) bem como a SCI (cujo entendimento se pretendeu aplicar) sequer existia quando proferida a decisão que homologou a compensação". E pondera que "ainda que o entendimento adotado pela decisão consubstanciada no r. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 753 37 Despacho Decisório fosse divergente daquele posteriormente trazido pela Solução de Consulta Interna, isso não implica, de forma alguma, em qualquer tipo de ilegalidade ou vício da decisão a ensejar a sua revisão de ofício. Contrariedade não é ilegalidade". 166. Assegura que a revisão de ofício somente seria cabível "nas estritas hipóteses de excesso de exação, abuso de poder ou ilegalidade, mas nunca na hipótese, descontentamento do órgão julgador acerca do resultado, decorrente de exclusiva divergência de interpretação", pois, do contrário, "seria possível admitirse processo infindáveis, intermináveis, nos quais, independentemente da decisão final proferida, as autoridades administrativas sempre poderiam encontram alternativas para inovar o fundamento e impedir direito reconhecido dos contribuintes". 167. Remetese, por analogia, a julgamento do STJ no MS 8.810/DF, que conclui pela incompetência de o Ministro de Estado da Fazenda cassar decisões do CARF sob o fundamento de que o Colegiado errou na interpretação da Lei. 168. Sobre o segundo aspecto, pontua que a sobredita Solução de Consulta não poderia incidir retroativamente, porque, inexistente vício ou ilegalidade na decisão proferida, descabida a revisão de oficio pela autoridade administrativa das homologações das compensações já efetuadas; destarte, "apresentada a impugnação, caberia à autoridade julgadora, tão somente, apreciar a questão nos termos em que postos ao contribuinte, não podendo alterar o critério jurídico após a apresentação da defesa". 169. Outrossim, sublinha desconhecer a Solução de Consulta que, não publicada em repositório oficial, não produz efeitos em relação à defendente, aos moldes do art. 2º, parágrafo único, inciso V, da Lei nº 9.784/9913. Quanto ao temário, relembra que o art. 1º, do DecretoLei n° 4.657, de 04/09/1942, a lei e também todo e qualquer ato de norma cogente "começa a vigorar em todo o país 45 dias depois de oficialmente publicada", sendo que esta medida não é suprida pela veiculação em sítio na rede mundial internet. 170. Avalia que tampouco a juntada aos autos da reportada SCI tem o condão de conferir força de norma cogente a ato não oficialmente publicado; contrariamente, esta medida apenas deixa claro que a requerente apenas veio a ter conhecimento de reportado ato ao ser intimada a ser pronunciar sobre a Informação Fiscal. 171. Reportase ao disposto no art. 5º, II, da CF/88, e pondera que a "Consulta Fiscal deve ter caráter nitidamente instrutivo e deve ser aplicada pela administração pública de forma ética e orientadora, com a finalidade única de atribuir segurança jurídica no cumprimento das obrigações fiscais" e, para ter validade perante todos os contribuintes, "deve atender à legalidade, a legitimidade, a eficiência, moralidade e Fl. 771DF CARF MF 38 publicidade, vinculando o órgão Consultado à obrigação de atuação ética com a exclusiva finalidade de garantir a segurança jurídica". 172. Aduz que a alegada falta de publicidade da SCI já seria suficiente para afastar sua aplicação a fatos pretéritos, haja visto o disposto no art. 37, da CF/88, em especial o princípio da publicidade. 173. Complementa que o Decreto nº 70.235/72, justamente para garantir a segurança jurídica, veda a instauração de procedimento fiscal relativo à espécie consultada até o trigésimo dia subsequente à ciência do consulente sobre a decisão final da consulta, de modo a permitir ao contribuinte a sua adequação à orientação apontada pela Solução de Consulta; logo, a defendente reputa ainda mais gravosa a aplicação do por ela desconhecido entendimento perfilhado na SCI a fatos pretéritos e a créditos tributários já definitivamente extintos por decisão homologatória. 174. Encerrando este ponto, pondera que, ainda que fosse aplicável a SCI, isto apenas poderia ocorrer, em observância à segurança jurídica e ao direito de defesa, para casos futuros, mas jamais retroativamente, indevidamente afetando créditos tributários extintos por compensação já homologada, mediante evidente alteração de critério jurídico do lançamento. 175. Na sequência, a contribuinte expõe que o art. 11B, da Lei nº 9.440/97 que diz ser o único objeto da multicitada SCI , não foi, em momento algum, questionado no caso vertente: muito pelo contrário, foi inteiramente convalidado. 176. Exproba que a resposta à consulta formulada abrangeu, de modo equivocado como se fossem questão única, os incentivos dos arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97, quando apenas o segundo foi objeto da consulta, pelo que reputa que a resposta dada excedeu os limites da controvérsia e extrapolou a sua competência, razão por que não teria legítimos efeitos vinculantes às unidades da RFB. 177. Observa, ainda, que "o único intuito precípuo da Consulta Tributária foi desviado posto que somente o contribuinte (notoriamente conhecido por se tratar de Montadora sediada no Estado de Minas Gerais) localizado na jurisdição da DRF Consulente (em Contagem/MG) poderia receber em transferência créditos de IPI decorrentes da norma contida no art. 11B da Lei 9.440/97, não havendo, portanto, abrangência nacional e eventual divergência (ao menos que tenha sido expressamente demonstrada), entre unidades de RFB". 178. Critica que "a d. fiscalização passou a considerar a SCI n° 25/2016 (por indevida determinação da DRJ) como decisão verdadeiramente vinculante aos demais órgãos da administração pública, equiparando a Cosit a um órgão máximo de Julgamento administrativo". 179. Então, por mais este motivo, reputa inaplicável a SCI ao caso vertente. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 754 39 180. O quarto motivo indicado para a nãoaplicação da SCI é que seus efeitos apenas poderiam incidir sobre a requerente depois que ela conhecesse todos os seus termos, sobremaneira a suposta divergência de interpretação, dita como existente (reportase à frase "tendo em vista a divergência de entendimento sobre o assunto entre unidades da RFB", constante do item 2, do Relatório da SCI). 181. Argumenta que "se há entendimentos divergentes significa dizer que há unidades da própria RFB que se posicionam no sentido favorável ao defendido pela Requerente. Por outro lado, considerando que são pouquíssimos os contribuintes enquadrados nos termos da Lei n° 9.440/97, é muito provável que a unidade da jurisdição da Requerente seja, até então, favorável ao entendimento do contribuinte, o que é corroborado pelo Despacho Decisório n° 131/2016, que extinguiu o crédito tributário". Destarte, tem como transparente a alteração de critério jurídico, mesmo depois de extinto o débito, o que desrespeitaria o art. 146, do CTN, e ensejaria preterição do direito de defesa do sujeito passivo e, consequentemente, a nulidade do ato, haja vista o comando contido no art. 59, II, do CTN. 182. Fala que o autuante, "ao lançar de oficio e glosar parcialmente as compensações, apenas levou em consideração, naquele momento e em seu entender, a impossibilidade de inclusão das receitas de venda dos veículos importados e a metodologia utilizada, nada obstando quanto à compensação do crédito presumido, quando verificado excedente ao final do trimestrecalendário". Para evidenciar, reproduziu o seguinte trecho do TVF: "Devese considerar, ainda, que a filial de Camaçari utiliza o saldo credor do IPI, que está fortemente influenciado pelo crédito presumido decorrente da Lei 9.440 para compensar débito de PIS e COFINS apurados pela matriz. Ou seja, a filial de Camaçari utiliza um incentivo cuja base de apuração é o PIS e a COFINS devidos para pagar débitos decorrentes desses mesmos tributos". 183. Destarte, tem como nítida a alteração de critério jurídico. 184. Avante, por argumentação, censura o mérito da enfocada SCI, pois: (i) os arts. 1º, IX, 11A e 11B contêm o mesmo comando legal; e (ii) o Decreto nº 2.179/1997 prevê a possibilidade de ressarcimento de crédito presumido. 185. Inicialmente, diz que a própria COSIT considera que os arts. 11A e 11B "carregam o mesmo comando legal, sendo a interpretação da natureza de um a extensão do outro". 186. Detalha que o art. 1º, IX, da Lei nº 9.440/97, prevê o crédito presumido de IPI, com vigência até 31/12/1999 e que, por sua vez, o art. 11, desta Lei, previu a possibilidade de "extensão" Fl. 773DF CARF MF 40 deste dispositivo até 31/12/2010, como ocorreu no caso da contribuinte. 187. Comenta que, terminado o prazo de vigência do caput do art. 11, da Lei nº 9.430/97, o art. 11A, da mesma Lei, incluído pela Lei nº 12.218/2010, estabeleceu hipóteses de apuração do crédito presumido de IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, decorrentes de vendas no mercado interno, estabelecendo a forma e a quantificação destes créditos. 188. Outrossim, narra que, por sua vez, o art. 11B, da Lei nº 9.440/97, inserido pela Lei nº 12.407, de 19/05/2011, "especificando o próprio §1° do artigo 1o, prevê os mesmos benefícios, apenas estabelecendo que as empresas habilitadas nos termos do art. 12 farão jus ao benefício 'desde que apresentem projetos que contemplem novos investimentos e a pesquisa para o desenvolvimento de novos produtos ou novos modelos de produtos já existentes'". 189. Reprova a conclusão da SCI COSIT nº 25/2016 de que os créditos dos arts. 11 A e 11B, da Lei nº 9.440/97, não seriam ressarcíveis/compensáveis por falta de previsão legal nem teriam sido tratados pela IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012 que, no seu capítulo III versa, especificamente, do ressarcimento de créditos de IPI , pois, apesar deste entendimento, "não há como se negar que tais artigos são extensões da previsão legal trazida pelo artigo 1o da Lei n° 9.440/11 (sic) que trata do benefício fiscal originário do Decreto 2.179/97 (sic)". 190. Ressalta que a IN RFB 1.300, ao tratar, aos 20/12/2012, do crédito do art. 1º, inciso IX cuja vigência foi encerrada aos 31/12/1999 evidentemente o fez por considerar que os arts. 11 A e 11B são extensão do incentivo, pois, contrariamente, "é admitir que o legislador administrativo gastou tinta e seu precioso tempo com um dispositivo legal que nenhum efeito mais produzia", pelo que reputa que "as letras A e B do artigo 11 tratam tão somente de metodologias distintas de apuração do credito, razão pela qual seus respectivos decretos regulamentadores previam respectiva e somente tal metodologia diferenciada (sic)". 191. Frisa que o Relatório Fiscal, em diversas passagens, admite o entendimento de que os benefícios fiscais previstos nos art. 11 A e 11B, da Lei nº 9.440/97, seriam variações daquele instituído pelo art. 1º, desta Lei, o que pretende demonstrar pelos seguintes excertos: "Pelo exposto, concluise que o incentivo instituído pelo artigo 1o, inciso IX, combinado com o artigo 11A, da Lei n° 9.440, e disposições regulamentares, somente poderá ser utilizado pelos estabelecimentos industriais descritos no §1° do referido artigo 1o, alcançando exclusivamente as vendas dos produtos resultantes das industrializações executadas nestes estabelecimentos e referidas no artigo 4º do RIPI/2010. (pág. 14, do Relatório Fiscal, com grifo da peticionante). "Também a Exposição de Motivos da Lei 12.407/2011 (EM n° 175/MF,MDIC/MCT), Fl. 774DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 755 41 que incluiu o artigo 11B na Lei nº 9.440, menciona que o incentivo existente visa direcionar investimentos da indústria automotiva para as regiões Norte, Nordeste e CentroOeste. Confirma, ainda, que a Lei 12.218 teve por objetivo garantir os benefícios do programa em relação ao aumento do emprego, exportações e produção do setor automotivo nas regiões abrangidas. Por fim, ressalta que a atração de investimentos na indústria automotiva tem efeitos multiplicadores devido à atração de fabricantes de autopeças para a região" (pág. 15, do Relatório Fiscal, com grifo da recorrente). 192. Aduz que "a fiscalização Federal, ao autuar a Requerente, pontificou o entendimento segundo o qual o art. 11A é uma extensão do art. 1o da Lei 9440/97 e, por sua vez, o art. 11B tem a mesma natureza que aquele (...) e não por outro motivo são o próprio artigo 11 em si, apenas acrescido das letras A e B", existindo uma mera "alteração de metodologia de apuração quando da introdução do 11A e do 11B, permanecendo o incentivo, sempre, como sendo um crédito de IPI como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS". 193. Sustenta, quanto ao incentivo do art. 11A, que a própria exposição de Motivos da MP nº 471/2009, convertida na Lei nº 12.218/2010, cita a necessidade de prorrogar os incentivos estabelecidos pelas Leis nº 9.440/97 e 9.826/99 e, quanto ao benefício fiscal do art. 11B, aduz que a exposição de motivos da MP nº 512/2010, convertida na Lei nº 12.407/2011, expõe que apenas as empresas já habilitadas poderiam apresentar projetos e fala de reabertura de prazo ao regime previsto na Lei: "6. A prorrogação da vigência dos incentivos fiscais estabelecidos nas Leis nº 9.440, de 1997 e nº 9.826, de 1999, por um período adicional de 5 (cinco) anos, enseja a manutenção de medidas indutoras da melhoria dos níveis de investimento, produção, vendas e emprego e propiciara a preservação do potencial competitivo da indústria automotiva brasileira, podendo atrair ainda novas inversões para a região". http:/www.planalto.gov.br/ccivil 03/ Ato2007 20iO/2009/Exm/EMl 66MFMCTMDIC 09Mpv471.htm "8. O art. 1o da presente minuta propõe, portanto, o acréscimo do Art. I 1 B à Lei n° 9,440, de 1997, para permitir, com o § 2º do novo artigo, a reabertura de prazo até 29 de dezembro de 2010 para que as empresas hoje habilitadas ao regime previsto na referida Lei possam apresentar novos projetos de investimento produtivos". http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Ato2007 2010/2010/Exm/EMI175mfmdicmct Mpv51010.htm 194. Exterioriza que apenas os empreendimentos habilitados, até 31/05/1997, "puderam e podem usufruir da norma prevista pelo art. 12 da Lei nº 9.440/1997" e que as empresas habilitadas em 1997 "firmaram um Termo de compromisso com o Ministério de Fl. 775DF CARF MF 42 Desenvolvimento Indústria e Comércio cujo número permaneceu inalterado, tendo apenas aditivos de rerratifícação quando da introdução dos artigos 11A e 11B Termo de Compromisso MDIC/SDP n° 168 I (11), II (11B) e III (11A)". 195. Finaliza este ponto dizendo que, caso prevalecesse o entendimento da discutida SCI, deveria ter sido reaberto prazo para habilitação de novos empreendimentos, quando da introdução na legislação dos aqui comentados artigos 11A e 11 B, o que não ocorreu. 196. Continuando, sustenta que os Decretos nº 7.389, de 09/12/2010, e 7.422, de 31/12/2010, apenas regulamentam as alterações da metodologia de apuração dos créditos, mas não interferem na então vigente regulamentação da Lei nº 9.440/97; logo, o Decreto nº 2.179/97 cujo art. 6º, §3º, com a redação dada pelo Decreto nº 6.556/2008, dispõe sobre o aproveitamento do crédito presumido conferido por citada Lei não foi revogado, nem expressa tampouco tacitamente, por nenhum dispositivo normativo posterior, sendo o comando normativo aplicável, portanto, tanto em relação ao incentivo do art. 1º, quanto aos dos arts. 11 A e 11B, todos da Lei nº 9.440/97. 197. Estima a contribuinte os Decretos nº 7.389/2010 e 7.422/2010 não têm sequer previsão da possibilidade de lançamento do crédito presumido de IPI na escrita fiscal do IPI para abatimento deste imposto, mas, apesar disto, seria absurdo o entendimento de que isto não poderia ser realizado, porque, do contrário, os arts. 11A e 11B representariam um "nada jurídico" e afirma que "Os Decretos não tratam da forma do aproveitamento do Crédito Presumido posto que por serem da mesma natureza do artigo 1º, inciso IX da lei n° 9.440/97, tal previsão já consta expressamente do §3° do artigo 6o do Decreto 2179/97". 198. Inobstante, advoga que, se o saldo credor, "ordinário" do IPI, decursivo de operações normais do estabelecimento industrial, é passível de ressarcimento/compensação (art. 268, do RIPI), "não é crivei interpretar que um crédito 'extraordinário', para fomento da indústria e, mais ainda, de região do País, encontre o óbice pretendido pela SC". 199. Destaca que o art. 135, do RIPI, dispõe sobre o crédito presumido da Lei nº 9.440/97 e estabelece, em seu §6º, que, caso reste saldo ao final de cada trimestre calendário, ele pode ser aproveitado segundo o disposto no art. 268, do RIPI, e nas disposições da RFB, sendo impertinente o argumento de que os incentivos dos arts. 11A e 11B teriam instituído novo crédito presumido ou de natureza distinta, pois estes artigos estão incorporados ao próprio texto da Lei nº 9.440/97, além do que " inseremse no mesmo contexto em que o Poder Legislativo estabeleceu política de incentivo e incremento ao desenvolvimento da indústria automobilística, criando estímulos a que a mesma se deslocasse para outras Regiões do País que o próprio legislador pretendeu estimular mediante a oportunidade de que indústrias nestas Regiões se instalassem e criassem novos polos de desenvolvimento e geração de riquezas e postos de trabalho". Fl. 776DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 756 43 200. Garante que, por meio dos arts. 11A e 11B, o legislador apenas prorrogou, até 31/12/2015, o mesmo crédito presumido já previsto no art. 11, da Lei nº 9.440/97, que possuía limitação no tempo até 31/12/2010, cujas hipóteses de utilização e aproveitamento estão contidas no art. 135, do RIPI. E diz que tanto é assim que "Houvesse a intenção do legislador ao baixar o RIPI em 15/06/2010 estabelecer hipótese diversa de aproveitamento dos créditos relativos aos arts. 11A e 11B da Lei n° 9.440, introduzidas pela Lei n° 12.218, editada em 30/03/2010 e, por certo, teria ou haveria de ter estabelecido clara e expressamente, o que por evidente não o fez". 201. Em seguida, discorre sobre o aproveitamento de créditos de IPI na forma preconizada pelo §6º, do art. 135, c/c o art. 268, do RIPI, e fala que a autorização para ressarcimento/compensação deste créditos está contida no art. 21, §§ 2º e 3º, inciso III, da IN/RFB n° 1.300/2012, na medida em que os arts. 11A e 11B da Lei n° 9.440 tratam do mesmo crédito presumido do inciso IX, do art. 1º. 202. Ressalta que, quando pretendeu vedar o ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, a RFB expressamente o fez, como ocorreu em relação a outro incentivo do setor automotivo o INOVAR AUTO, regulamentado pelo Decreto nº 7.819, de 03/10/2012, cujo art. 15, apesar de permitir a compensação com outros tributos federais da matriz, veda este procedimento se o crédito for transferido por outro estabelecimento. 203. Desaprova a interpretação da SCI porquanto ela tornaria "letra morta" tanto os arts. 11A e 11B, da Lei nº 9.440/97, quanto o §3º, do art. 6º, do Decreto nº 2.179/1997, com a redação dada pelo Decreto nº 6.556/2008. 204. Argumenta que a interpretação literal dos dispositivos que concedem incentivo fiscal, aos moldes do art. 111, do CTN, não pode se dar ao ponto de restringir o direito e de desvirtuar a intenção da concessão do incentivo, tornandoo inócuo. 205. Outrossim, adverte que aqui não se está tratando mero incentivo fiscal, mas, sim, um contrato firmado entre as partes e que prevê diversas condições como, de um lado, as hipóteses e a forma de apuração do crédito presumido de IPI e, de outro, por exemplo, a obrigação de a Requerente em apresentar investimentos em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região a ser fomentada (aqui, reporta se ao Termo de Compromisso aditivo que trata do crédito presumido de IPI no período de 01/01/2011 a 31/12/2015) e cujo descumprimento unilateral pode implicar em denúncia por descumprimento e, inclusive, render ensejo a perdas e danos. 206. Destaca que tanto a lei, como o contrato firmado, "garantem claramente que o crédito presumido será concedido como forma de RESSARCIMENTO do PIS e da COFINS", razão por que eventual dispositivo em sentido contrário estaria Fl. 777DF CARF MF 44 contrariando a legalidade, a vontade do legislador e, sobremaneira, o contrato firmado pelo Governo Federal. 207. Em item do recurso intitulado "DO MÉRITO", a interessada repisa as razões de defesa inicialmente apresentadas. 208. Neste tópico, reportandose às ponderações do TVF relatadas nos itens 50 e 51 acima, censura que elas teriam vários equívocos e que, inclusive, a exigência de "DACON segregado" foi criado pela Fiscalização e inexiste na legislação regente, que só prevê a entrega do DACON pela matriz, com as operações centralizadas. 209. Diz que, num suposto hercúleo esforço, que não pode ter o condão de confundir os intérpretes e julgadores, para retirar o que o Governo Federal formalizou por meio de contrato administrativo, a Fiscalização faz tamanho desalinho com conceitos/institutos jurídicos a partir do qual seria possível concluir que o crédito presumido da Lei n° 9440/97 se refere à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS devidas pela empresa, o que não tem amparo legal, eis que a opção da matriz não exerce qualquer interferência no valor do crédito presumido aqui tratado. 210. Fazendo remissão ao exemplo da distorção apontada pela Fiscalização em relação ao mês de julho de 2012, relatado no item 50 acima, aduz que este é o único período em que o efeito ali apontado ocorre, o que pretende patentear por meio de planilha na qual se poderia verificar que "em todos os outros períodos, a utilizar o método preconizado pela d. fiscalização, a Requerente não ultrapassa o limite do fator do crédito presumido, ao contrário, tomou crédito menor que o permitido por esse método da fiscalização. Estarseá, pois, a contrário senso, sendo reconhecido um crédito adicional no valor de 200.247.744,23". 211. E complementa que "Talvez, aí sim, estarseia a assumir a possibilidade de que seja encontrado um valor de benefício maior do que o pretendido peio legislador, aumentando indevidamente a renúncia fiscal", pelo que " a conclusão inobjetável é aquela segundo a qual a alegação fiscal é improcedente, sendo improcedente também o lançamento de oficio e as glosas", mas, caso assim não se entenda, requereu "seja reconhecido o crédito em favor da Requerente no valor acima mencionado". 212. Dadas as razões acima, requereu: (i) seja anulada a decisão da DRJ que converteu o julgamento em diligência, e, por decorrência, seja julgada a impugnação anteriormente apresentada; e (ii) seja tornada sem efeito e decretada a nulidade da Informação Fiscal proferida nos autos do processo nº 13502.721584/201536 para que ela não produza quaisquer consequências para o presente processo; e (iii) seja anulado o Despacho Decisório Revisor proferido nos presentes autos. E, se não acolhidas as preliminares, requer que: (i) seja reformado o aludido Despacho Decisório Revisor para que sejam homologados os créditos que já estavam extintos nos termos do Fl. 778DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 757 45 Despacho Decisório anteriormente proferido neste processo administrativo; e (ii) sejam deferido o pedido de ressarcimento aqui tratado e homologadas as compensações remanescentes, nos termos expostos na Manifestação de Inconformidade anteriormente interposta." Segue transcrita a seguir a Ementa apresentada na decisão de primeira instância: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO NORMATIVA ESPECÍFICA. DESCABIMENTO. Descabido, por falta de falta de previsão normativa específica, o ressarcimento/compensação dos créditos presumidos de IPI criados pelos art. 11A e 11B da Lei nº 9.440, de 1997, que não se confundem com o crédito presumido do imposto previsto no inciso IX, do art. 1º, e art. 11, IV, da Lei nº 9.440/1997. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PREVISTO NO ART. 11A, DA LEI Nº 9.440/97. APURAÇÃO SOBRE O FATURAMENTO DA REVENDA DE BENS IMPORTADOS. DESCABIMENTO. É descabida a apuração do créditopresumido de IPI de que trata o art. 11 A, da Lei nº 9.440/97, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados. ART. 11A, DA LEI Nº 9.440/97. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS. VINCULAÇÃO AO MÉTODO ADOTADO PELA MATRIZ. O método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto no art. 11A, da Lei nº 9.440/97, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da nãocumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. VENDAS PARA CONSUMO NA ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DOS CORRESPONDENTES CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS DEVIDAS PARA FINS DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI TRATADO NO ART. 11A, DA LEI Nº 9.440/97. Fl. 779DF CARF MF 46 As receitas de vendas de veículo para consumo na Zona Franca de Manaus estão submetidas à alíquota zero, não tendo natureza de receitas de exportação, devendo ser mantidos os respectivos créditos para o cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS devidas para fins de apuração do crédito presumido de IPI de que trata o art. 11A, da Lei nº 9.440/97. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 LEI. FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO OU INOBSERVÂNCIA. VEDAÇÃO AOS ÓRGÃOS DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. Ressalvadas as hipóteses, não configuradas nos autos, previstas do art. 26 A, §6º, do Decreto nº 70.235/72, c/c o art. 19, §5º, da Lei nº 10.522/2002, é vedado aos órgãos de julgamento administrativo de primeira instância, sob fundamento de inconstitucionalidade, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. RECONHECIMENTO DE CRÉDITO A SER RESSARCIDO/ COMPENSADO. APARENTE VÍCIO DE LEGALIDADE. DILIGÊNCIA PARA EXAME PELA AUTORIDADE ADMINSTRATIVA COMPETENTE. PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Em face do princípio da legalidade e da indisponibilidade do interesse público, é dever da autoridade administrativa submeter, à autoridade competente para eventualmente rever o ato, aparente vício de legalidade no reconhecimento de crédito a ser ressarcido/compensado para adoção das medidas que aquela autoridade acaso reputar pertinentes, pelo que é impertinente a preliminar de nulidade de Resolução que, sem adentrar no mérito da questão, com este objetivo encaminha os autos à Unidade de Origem em diligência. DESPACHO DECISÓRIO HOMOLOGATÓRIO DE COMPENSAÇÃO. REVISÃO. POSSIBILIDADE NO PRAZO DE CINCO ANOS DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O Despacho Decisório que homologar compensação pode ser revisto no prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da correspondente Declaração de Compensação. DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO. DEVOLUÇÃO DO PRAZO PARA A CONTRIBUINTE SE PRONUNCIAR. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPERTINÊNCIA. É impertinente a alegação de ocorrência de cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo de Despacho Decisório que, no prazo de cinco anos da transmissão da Declaração de Compensação, revê Despacho Decisório anteriormente emitido, deixa de homologar compensações realizadas com crédito Fl. 780DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 758 47 presumido de IPI não passível de ressarcimento/compensação e devolve o prazo para que a contribuinte se pronuncie a respeito. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Em fls. 665, a União apresentou sua contra razões e reforçou os argumentos dos Despachos Decisório e decisão de primeira instância. Após protocolado o Recurso Voluntário, os autos foram distribuídos nos termos do Regimento Interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Vencido Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. DA PRELIMINAR DE NULIDADE É preciso trazer aos autos as razões pelas quais se forma a convicção de que o presente procedimento administrativo não está em condições de julgamento. Em Recurso Voluntário o contribuinte apresentou suas razões para a anulação do Acórdão recorrido. Em resumo, é possível verificar que a DRJ/PE impulsionou a revisão do lançamento, com reformatio in pejus ao contribuinte, de acordo com a Resolução desta delegacia de fls. 279. Ficou evidente que a glosa inicial, da autoridade lançadora, concordou com os cálculos do crédito presumido a serem ressarcidos, conforme trechos do TVF original, anexo ao primeiro Despacho Decisório, reproduzido parcialmente a seguir: "O benefício previsto no artigo 11B foi devidamente analisado e constatamos que os valores apurados estão corretos." Fl. 781DF CARF MF 48 Com fundamento na SCI n.º 25 de 2016, apontada pela DRJ, a autoridade de origem refez o Despacho Decisório original e afirmou justamente o contrário, afirmou que os créditos não são ressarcíveis, nos moldes dessa solução de consulta. Seria diferente se a autoridade de origem, sem qualquer movimentação alheia, sem inércia, revisasse seu Despacho Decisório. Ainda assim, por mais que os órgãos administrativos possam revisar seus atos, tais revisões possuem regras para acontecer e algumas delas estão dispostas no Art. 149 do CTN, exposto a seguir: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." Nenhum dos requisitos que justificasse a revisão do Despacho Decisório original pode ser verificado nos autos. Justamente, conforme determinado no Art. 59 do PAF (Decereto 70.235), devem ser declarados nulos os atos administrativos que criem, de forma atípica ou em desacordo com a legislação, uma reforma prejudicial ao contribuinte. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 759 49 O lançamento deve ser revisto e lançado somente pela autoridade de origem, jamais revisto pela Delegacia de julgamento, situação que criou a nulidade de sua decisão, conforme regras positivadas nos Art. 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142 e 145 do Código Tributário Nacional. De acordo com a legislação que regula o processo administrativo fiscal, é inválida a decisão que enfrenta e decide litígio não existente na lide administrativa fiscal original, causa de pedir ou alegação não suscitada pela fiscalização ou pela defesa, por ofensa à segurança jurídica, ao duplo grau de jurisdição e à exigência de motivação e imparcialidade das decisões. Da mesma forma, considerando que não há previsão legal para recurso de ofício de despacho decisório, é possível concluir que a DRJ mandou apreciar matéria que já não era mais objeto da lide administrativa fiscal, o que é vedado pelo Art. 492 do CPC (com aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal), conforme reprodução a seguir: "CPC Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional." Todos os atos posteriores à revisão capitaneada pela delegacia de julgamento estão contaminados pela nulidade. Diante do exposto, votase para que seja DADO PROVIMENTO à preliminar de nulidade. DO MÉRITO Em julgamento, o voto de provimento à preliminar de nulidade foi vencida, logo, o voto de mérito também deve ser registrado. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ART. 11A, LEI Nº 9.440/1997. Após extenso debate em diversas sessões e após extensa análise da legislação, das peças recursais e de precedentes judiciais, é possível concluir que, no presente caso, o incentivo fiscal ao setor automobilístico previsto na Lei 9.440/97 continuou em vigor e não se limitou ao mero abatimento com débitos de IPI e acúmulo de saldo credor, uma vez que houve uma mera alteração de metodologia por meio do Art. 11A desta Lei e não uma limitação ou impedimento à sua aplicação. Fl. 783DF CARF MF 50 Este entendimento pode ser encontrado na seguinte decisão, proferida no âmbito do TRF da 5.ª região, processo n.º 08184519720174058300, conforme trechos de sua ementa e voto condutor expostos a seguir: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. REGIME AUTOMOTIVO. INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PREVISÃO NOS ARTS. 1º, IX, 11, 11A E 11B DA LEI N. 9.440/97. IDENTIDADE. PREVISÃO REGULAMENTAR DE COMPENSAÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 1.717/2017 DA RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO DE RESSARCIMENTO (COMPENSAÇÃO) COM OUTROS TRIBUTOS. ILEGALIDADE. INTERPRETAÇÃO DE INCENTIVOS FISCAIS. FINALIDADE DA LEI. PREVISÃO NA LEI DE RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 74 DA LEI N. 9.430/96. LIMITAÇÃO DA APLICAÇÃO DA LEI GARANTIDORA DO RESSARCIMENTO. ATO INFRALEGAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DESTE TRIBUNAL. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL IMPROVIDAS. 1. Inexistência de discussão quanto à habilitação, por parte da apelada, para fruição do crédito presumido de IPI. Em nenhum momento a autoridade apontou a inexistência do direito de creditamento do IPI, conquanto afirme a impossibilidade de ressarcimento. 2. Não se discute, igualmente, que recentemente, a partir da Solução de Consulta COSIT n. 25/2016, foi editada a Instrução Normativa n. 1.717/2017, a qual deixou de prever de forma expressa a possibilidade de ressarcimento e compensação dos créditos presumidos de IPI de que trata o inciso IX do art. 1º da Lei n. 9.440/97. 3. Para a apelante, não existe ato ilegal por parte da autoridade, isso porque: a) os benefícios previstos nos arts. 11A e 11B da Lei nº 9.440/97 seriam distintos daquele de que trata o inciso IX do art. 1º da mesma lei; b) o art. 11B da Lei nº 9.440/97 não teria criado apenas uma nova forma de cálculo do benefício do inciso IX do art. 1º da referida lei; c) O aproveitamento como ressarcimento ou compensação, fora do próprio IPI, foi previsto no Decreto nº 6.556/2008 somente para a hipótese do inciso IX do art. 1º da Lei nº 9.440/97; d) o benefício previsto no inciso IX do art. 1º da Lei nº 9.440/97 foi extinto em razão do decurso do prazo; e) falta amparo legal para a compensação de crédito presumido de IPI; f) inexistência de mudança de entendimento por parte da Receita Federal, pois a Instrução Normativa nº 1.717/2017, ao não prever mais a forma de aproveitamento mediante ressarcimento dos créditos presumidos de IPI não compensados com o próprio IPI em nada inovou no sistema, pois simplesmente deixou de prever uma forma de aproveitamento não mais existente por decurso do prazo legal desde 2010; g) violação à Separação de Poderes no comando judicial em face da ausência de autorização legislativa. 4. Mesmo tendo ocorrido alterações na legislação no tocante à prazo de vigência, forma de apuração e requisitos de investimentos, as disposições dos arts. 1º, IX, 11, 11A e 11B, todos da Lei n. 9.440/97, tratam do mesmo incentivo fiscal. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 760 51 5. A própria Receita Federal, ao firmar entendimento na Solução de Consulta COSIT nº 14/2016, considerou que a sucessão de disposições referentes ao crédito presumido de IPI ora tratado revelava um único incentivo fiscal, isso na medida em que asseverou que previram três períodos de vigência distintos. 6. A exposição de motivos da Medida Provisória n. 471/2009, instituidora do art. 11A da Lei n. 9.440/97, considerou expressamente que a proposta visava "ampliar o prazo de vigência de incentivos fiscais destinados a fomentar o desenvolvimento regional". 7. Se de fato teria ocorrido o fim do aproveitamento do art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/97 em 2010, permaneceria sem explicação o motivo pelo qual a Instrução Normativa n. 1.300, de 2012, previa o ressarcimento do crédito de IPI auferido em razão do referido dispositivo legal. 8. Não existe fundamento teleológico para entender que o incentivo fiscal permitiria apenas o abatimento com débitos do IPI e o acúmulo do saldo credor do imposto. 9. Interpretação de que os dispositivos da Lei nº 9.440/97 (art. 1º, IX, art. 11, art. 11A e art. 11B) guardam identidade, que atende ao desiderato da lei vista a partir da Constituição Federal (art. 43, parágrafo 2º, III; art. 151, I). 10. Em suma: 1) há identidade de benefícios; 2) o art. 11B não é benefício que deva ser considerado como em compartimento estanque em relação ao art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/97; 3) Se há identidade de benefício, é possível o aproveitamento; 4) foi extinto o primeiro prazo; 5) o amparo legal existe em razão da existência do reconhecimento da identidade de incentivo fiscal; 6) houve, sim, mudança de entendimento ao ser editada a IN 1.1717/2017; 7) há lastro legal para o comando judicial que possibilitou o ressarcimento. 11. Ainda que o incentivo fiscal do art. 11B da Lei n. 9.440/97 não fosse visto como o mesmo do art. 1º, IX, da mesma lei, constatase que a própria disposição normativa estabelece que o crédito presumido de IPI será objeto deressarcimento. 12. Com a previsão de ressarcimento, aplicase o permissivo contido no art. 74 da Lei n. 9.430/96. 13. Este Tribunal já teve oportunidade de se debruçar sobre a questão da limitação da possibilidade de ressarcimento, via compensação, do crédito presumido do IPI decorrente do referido benefício fiscal ao proclamar que "o art. 6º, VI e parágrafo único, do Decreto n. 2.179/97 invocado pela Fazenda , ao limitar o aproveitamento de crédito presumido à dedução do IPI devido pela saída de produtos tributados, desbordou do propósito insculpido na lei regulamentada (Lei n. 9.440/97), afastandose da concepção de "fiel execução" a qual deveria atender. (Proc. 080114409.2012.405.8300, Rel. Des. LUIZ ALBERTO GURGEL DE FARIA). Fl. 785DF CARF MF 52 14. Na linha do precedente invocado, não se poderia pensar em limitar a aplicação do incentivo fiscal em debate mediante a simples consideração de que o Executivo poderia desbordar do objetivo traçado pelo legislador para impedir a utilização do ressarcimento via compensação. 15. Apelação e remessa oficial improvidas." (PROCESSO: 08184519720174058300, DESEMBARGADOR FEDERAL MANUEL MAIA, 4ª Turma, JULGAMENTO: 20/08/2018, PUBLICAÇÃO: ) (...) "5. Na visão da apelante, a autorização de utilização de crédito presumido para abatimento de outros créditos tributários, encontrada no Decreto n. 2.179/97 (com a redação dada pelo Decreto n. 6.556, de 2008) somente diz respeito aos arts. 1º, IX, c/c art. 11, ambos da Lei n. 9.440/97. 6. O Juízo de primeiro grau, atendendo ao reclamo da impetrante, ora apelada, considerou que as disposições contidas nos arts. 1º, IX, 11A e 11B, todos da Lei nº 9.440/97, tratam do mesmo benefício fiscal, pois anotou que "indústrias que já estivessem habilitadas no 'Regime Automotivo' e que visassem à continuação de investimentos hipótese dos autos, consoante se verifica do exame dos elementos de convicção amealhados nas referidas regiões, a partir da apresentação e concretização de novos projetos de desenvolvimento, poderiam continuar a fazer uso do crédito presumido de IPI estabelecido no inciso IX do art. 1º da Lei n. 9.440/97". 7. Importante registrar, em primeiro lugar, que não se está diante de uma situação que possa ser resolvida sem maior esforço por parte do intérprete. 8. Os dispositivos da Lei n. 9.440/97 que provocam o presente debate são as seguintes: "Art. 1º Poderá ser concedida, nas condições fixadas em regulamento, com vigência até 31 de dezembro de 1999: (...) IX crédito presumido do imposto sobre produtos industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares ns. 7, 8 e 70, de 7 de setembro de 1970, 3 de dezembro de 1970 e 30 de dezembro de 1991, respectivamente, no valor correspondente ao dobro das referidas contribuições que incidiram sobre o faturamento das empresas referidas no § 1º deste artigo. § 1º O disposto no caput aplicase exclusivamente às empresas instaladas ou que venham a se instalar nas regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, e que sejam montadoras e fabricantes de: a) veículos automotores terrestres de passageiros e de uso misto de duas rodas ou mais e jipes; Fl. 786DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 761 53 b) caminhonetas, furgões, pickups e veículos automotores, de quatro rodas ou mais, para transporte de mercadorias de capacidade máxima de carga não superior a quatro toneladas; (...) h) partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos acabados e semiacabados e pneumáticos, destinados aos produtos relacionados nesta e nas alíneas anteriores. (...) § 14 A utilização dos créditos de que trata o inciso IX será efetivada na forma que dispuser o regulamento. "Art. 11. O Poder Executivo poderá conceder, para as empresas referidas no § 1º do art. 1º, com vigência de 1º de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2010, os seguintes benefícios: (...) IV extensão dos benefícios de que tratam os incisos IV, VI, VII, VIII e IX do art. 1º."(grifo acrescido) "Art. 11A. As empresas referidas no § 1º do art. 1º, entre 1º de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2015, poderão apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, no montante do valor das contribuições devidas, em cada mês, decorrente das vendas no mercado interno, multiplicado por: (...) § 4º O benefício de que trata este artigo fica condicionado à realização de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica na região, inclusive na área de engenharia automotiva, correspondentes a, no mínimo, 10% (dez por cento) do valor do crédito presumido apurado." (redação dada pela Medida Provisória n. 471, de 2009, convertida na Lei n. 12.218/2010). "Art. 11B. As empresas referidas no § 1º do art. 1º, habilitadas nos termos do art. 12, farão jus a crédito presumido do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares ns. 7, de 7 de setembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, desde que apresentem projetos que contemplem novos investimentos e a pesquisa para desenvolvimento de novos produtos ou novos modelos já existentes. (...) § 4º O benefício de que trata este artigo fica condicionado à realização de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e Fl. 787DF CARF MF 54 inovação tecnológica na região, inclusive na área de engenharia automotiva, correspondentes a, no mínimo, dez por cento do valor do crédito presumido apurado. (....) § 6º O crédito presumido de que trata o caput extinguese em 31 de dezembro de 2020, mesmo que o prazo de que trata o § 2º ainda não tenha se encerrado." (redação dada pela Medida Provisória n. 510, de 2010, convertida na Lei n. 12.407, de 2011). 9. Mesmo tendo ocorrido alterações na legislação no que diz respeito "à forma de apuração, prazo de vigência e requisitos de investimentos regionais", considero que as disposições acima tratam do mesmo incentivo fiscal. 10. Explico. 11. Cumpre observar, neste momento, que tal visão não foi dada exclusivamente pela apelada e pelo Juízo de primeiro grau. 12. Bem acentua a recorrida, nas suas contrarrazões, que a própria Receita Federal, ao firmar entendimento na Solução de Consulta COSIT nº 14/2016, considerou que a sucessão de disposições referentes ao crédito presumido de IPI ora tratado revelava um único incentivo fiscal, in verbis: "Em relação a tal benefício fiscal, as normas previram três períodos de vigência distintos: a) o primeiro, com vigência até 31 de dezembro de 1999, conforme caput do art. 1º da Lei n. 9.440/97, regulamentado pelo Decreto n. 2.179, de 18 de março de 1997; b) o segundo, com vigência entre 1º de janeiro de 2000 e 31 de dezembro de 2010, conforme art. 11 da Lei n. 9.440, de 1997, regulamentado pelo Decreto n. 3.893, de 22 de agosto de 2001; c) o terceiro, com vigência entre 1º de janeiro de 2011 e 31 de dezembro de 2015, conforme art. 11A da Lei n. 9.440, de 1997, regulamentado pelo Decreto n. 7.422, de 31 de dezembro de 2010." (grifei) 13. Por sua vez, a exposição de motivos da Medida Provisória n. 471/2009, que gerou o art. 11A da Lei n. 9.440/97, considerou expressamente que a proposta visava "ampliar o prazo de vigência de incentivos fiscais destinados a fomentar o desenvolvimento regional" (grifei). 14. Mais uma vez, a exposição de motivos da Medida Provisória 512/2010, a qual gerou a inclusão do art. 11B à Lei n. 9.440/97, revela a intenção de possibilitar às empresas abrangidas pelo Regime Automotivo de continuar a fazer uso do crédito do IPI (item 8): 15. A apelante diz que a modificação feita pela Instrução Normativa 1.717/17 não significa mudança de entendimento por parte da Receita Federal ao não mais estabelecer a forma de aproveitamento mediante ressarcimento dos créditos presumidos de IPI não compensados com o próprio IPI, porque esse aproveitamento já não existia por decurso de prazo desde 2010. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 762 55 16. Se de fato teria ocorrido o fim do aproveitamento em 2010, deixa a apelante de explicar o motivo pelo qual a Instrução Normativa n. 1.300, de 2012, previa o ressarcimento do crédito de IPI auferido em razão do disposto no art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/97. 17. O que é perceptível é que a própria Receita Federal, pelo menos até recentemente, considerava o incentivo fiscal do art. 1º, IX, da Lei n. 9.444/97 o mesmo previsto nos arts. 11A e 11B da mesma lei, daí ser possível afirmar que o seu prazo de vigência somente findará em dezembro de 2020. 18. Explicase o posicionamento aqui adotado levando em conta que os "incentivos fiscais devem ser interpretados de modo a atingir a maior amplitude possível dos resultados pretendidos pela norma, em busca do bem comum, sempre dentro dos limites da razoabilidade" (DINIZ, Marcelo de Lima Castro; FORTES, Fellipe Cianca; Incentivos Fiscais no STJ; in Incentivos fiscais: questões pontuais nas esferas federal, estadual e municipal/Ives Gandra da Silva Martins, André Elali, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores); São Paulo: MP Ed, 2007, p. 281). 19. Respondendo à indagação feita pela apelada em suas contrarrazões, não existe fundamento teleológico para entender que o incentivo fiscal permitiria apenas o abatimento com débitos do IPI e o acúmulo do saldo credor do imposto. 20. Destaco da referida peça o seguinte esclarecimento quanto ao creditamento do IPI e a falta de razoabilidade na interpretação dada pela apelante: "Segundo dispõe o artigo 1º da Lei n. 10.485/04, os veículos produzidos pela Apelada estão sujeitos à incidência monofásica do PIS/COFINS, o que lhes impõe a observância de alíquotas de 2% e 9,6% respectivamente. Como o crédito presumido outorgado é de 1,5 a 2 vezes o montante devido pela apelada de PIS/COFINS, na prática a venda dos veículos asseguralhes crédito de 17,4% até 23,2%. Por outro lado, a alíquota média de IPI para o setor automotivo e especificamente para a apelada é de cerca de 11%. Ora, não é necessário nada além de raciocínio lógico elementar para se identificar que os créditos presumidos de IPI serão, inexoravelmente, muito superiores ao imposto devido pela Apelada." 21. Portanto, não se poderia pensar na instalação no Nordeste de indústria automobilística de tal magnitude sem que o incentivo fiscal atribuído à contribuinte não permitisse ter ganhos que compensassem a instalação de parque fabril distante dos maiores centros consumidores. 22. O incentivo fiscal em debate tem de ser visto como "medida para impulsionar ações ou corretivos de distorções do sistema Fl. 789DF CARF MF 56 econômico" (TORRES, Heleno Taveira, apud ELALI, André; Incentivos fiscais, neutralidade da tributação e desenvolvimento econômico: a questão da redução das desigualdades regionais e sociais, in Incentivos fiscais: questões pontuais nas esferas federal, estadual e municipal/Ives Gandra da Silva Martins, André Elali, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores); São Paulo: MP Ed, 2007, p. 51) e não se pode permitir que sua aplicação, de fato, resulte em quase nulo proveito econômico para quem acreditou nas ofertas do Poder Público. 23. Na verdade, a interpretação aqui dada aos dispositivos da Lei nº 9.440/97 levam em conta, ademais, a finalidade da lei vista a partir da Constituição Federal (art. 43, § 2º, III; art. 151, I). 24. Por outro lado, a atitude da apelada revela desprestígio e desrespeito ao princípio da segurança jurídica, "pois as relações jurídicas, mormente as estabelecidas entre Poder Público e particulares eis que é neste campo de tensão que se justifica, em um primeiro momento, a afirmação dos direitos fundamentais devem pautarse, além dos parâmetros especialmente definidos na Lei Fundamental (repitase, aqui novamente: ato jurídico perfeito, direito adquirido, coisa julgada, irretroatividade das normas penais e anterioridade da norma tributária, devido processo legal, dentre outros) por padrões gerais de estabilidade, previsibilidade e calculabilidade (CLÈVE, Clèmerson Merlin Clève; parecer sobre "créditoprêmio de IPI"; in Crédito Prêmio de IPI: estudos e pareceres; Paulo de Barros Carvalho...[et. al]; Barueri: Manole, 2005, p. 132, grifos acrescidos). 25. Em resposta aos argumentos da apelante: a) há identidade de benefícios; b) o art. 11B não é benefício que deva ser considerado como em compartimento estanque em relação ao art. 1º, IX, da Lei n. 9.440/97; c) Se há identidade de benefício, é possível o aproveitamento; d) foi extinto o primeiro prazo; e) o amparo legal existe em razão da existência do reconhecimento da identidade de incentivo fiscal (questão referente à lastro legal para compensar, mesmo que não se considere o mesmo incentivo, será abordada logo mais); f) houve, sim, mudança de entendimento ao ser editada a IN 16/2017; g) se há lastro legal, cai por terra a alegação de violação à separação de poderes. 26. Ainda que o incentivo fiscal do art. 11B da Lei n. 9.440/97 não fosse visto como o mesmo do art. 1º, IX, da mesma lei, constatase que a própria disposição normativa estabelece que o crédito presumido de IPI será objeto de ressarcimento. 27. Ora, como registra a doutrina, "no ressarcimento do crédito tributário, à semelhança da restituição do indébito, o sujeito passivo pode receber, em moeda ou por meio de compensação, a liquidação de um direito de crédito contra a Fazenda Pública", sendo que "quanto aos objetivos a serem atingidos pelo ressarcimento, os mesmos variam, seja o ressarcimento realizado por meio de liquidação em moeda ou por meio de compensação" (PETRY, Rodrigo Caramori; Restituição, repetição de indébito, ressarcimento, compensação e Fl. 790DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 763 57 creditamento teoria geral e aplicação às contribuições Cofins e PISPasep; in Revista Dialética de Direito Tributário, p. 70). 28. Aliás, com a previsão de ressarcimento, aplicase o permissivo contido no art. 74 da Lei n. 9.430/96. 29. Este Tribunal já teve oportunidade de se debruçar sobre a questão da limitação da possibilidade de ressarcimento, via compensação, do crédito presumido do IPI decorrente do referido benefício fiscal. 30. Eis a ementa do julgado: "TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DECRETO. LIMITAÇÃO DAS HIPÓTESES DE COMPENSAÇÃO. REDUÇÃO DO ALCANCE DA LEI REGULAMENTADA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Os atos normativos (caso do Decreto) têm o efeito de complementar a lei (ato normativo originário e autônomo), "para sua fiel execução". Tais atos não podem inovar na ordem jurídica, sob pena de afrontar o comando do art. 5º, II, da CF/88, devendo apenas complementar a legislação, preocupandose não em alterála, mas em tornála exeqüível. 2. A Lei n. 9.440/97, visando ao desenvolvimento das regiões Norte, Nordeste e CentroOeste, autorizou às empresas do ramo automotivo instaladas ou que viessem a se instalar) em tais regiões creditaremse do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições para o PISPASEP e a COFINS, incidentes sobre o seu faturamento. 3. Na hipótese dos autos, verificase que o art. 6º, VI e parágrafo único, do Decreto n. 2.179/97 invocado pela Fazenda , ao limitar o aproveitamento de crédito presumido à dedução do IPI devido pela saída de produtos tributados, desbordou do propósito insculpido na lei regulamentada (Lei n. 9.440/97), afastandose da concepção de "fiel execução" a qual deveria atender. 4. Apelação e remessa oficial desprovidas." (Proc. 0801144 09.2012.405.8300, Rel. Des. LUIZ ALBERTO GURGEL DE FARIA, Terceira Turma, julgado em 20.03.2014). 31. Ao aplicar o precedente acima, temse que não se poderia pensar em limitar a aplicação do incentivo fiscal em debate mediante a simples consideração de que o Executivo poderia desbordar do objetivo traçado pelo legislador para impedir a utilização do ressarcimento via compensação. 32. Não se trata aqui de ato jurisdicional que invada a competência do Poder Executivo, pois, na verdade, estáse a impedir que o Executivo retire a eficácia da leI. 33. Registrese, por fim, quanto à possibilidade de cumprimento do comando judicial, isso desde o provimento de urgência concedido pelo Juízo de primeiro grau, a disposição contida no Fl. 791DF CARF MF 58 art. 170A diz respeito a demanda na qual o tributo esteja sendo objeto de discussão. No presente caso, a discussão não trata de indébito tributário, pois é fato incontroverso o crédito do IPI. 34. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO à apelação e à remessa oficial." Diante do exposto, o Recurso Voluntário merece provimento neste tópico. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VEÍCULOS IMPORTADOS. Apesar do montante das vendas de veículos importados constituir parcela integrante do faturamento oriundo das receitas no mercado interno, conforme alegado pelo contribuinte, o ressarcimento do IPI, no caso em concreto, não pode ser aplicado em uma mera revenda, por falta de previsão legal e previsão expressa ao contrário, de forma que o incentivo aplicase exclusivamente nas atividades industriais. Somente a receita da venda dos produtos industrializados pela recorrente e vendidos no mercado interno é que serão objeto da apuração do incentivo fiscal previsto na Lei 9.440/97. O contribuinte, por sua vez, deixou de comprovar que os produtos importados sofreram qualquer tipo de industrialização, o que permite concluir que houve uma mera revenda, situação incompatível com o benefício fiscal. A matéria foi muito bem abordada no voto do colega e conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira nos Acórdãos nº 3301004.691 e 3301004.703. As razões expostas no mencionados Acórdãos, as quais são adotadas neste voto, em resumo são as seguintes: é descabida a apuração do créditopresumido de IPI de que tratam os arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A da Lei nº 9.440/1997, em relação à contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre ao faturamento auferido com a revenda de veículos importados. Portanto, o Recurso Voluntário não merece provimento nesta matéria. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MÉTODOS DE APURAÇÃO DA MATRIZ E FILIAL. Com relação aos métodos de apuração da matriz e da filial, a especialidade das regras previstas na Lei n.º 9.440/97 não cria uma regra de exceção à regra geral de apuração, de forma que o valor das contribuições devidas pela pessoa jurídica segundo o método adotado pelo estabelecimento matriz, abrange todos os estabelecimentos. Para fins de cálculo do crédito presumido de IPI, deve ser adotado o método de rateio proporcional, aplicado pela matriz, conforme determinação do inciso I, do § 8°, do Art. 3° da Lei n° 10.833/03. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 764 59 Por mais que faça sentido, não há previsão legal que permita a forma mista de apuração utilizada pelo contribuinte. A matéria foi muito bem abordada no voto do colega e conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira nos Acórdãos nº 3301004.691 e 3301004.703 As razões expostas no mencionados Acórdãos, as quais são adotadas neste voto, em resumo são as seguintes: o método utilizado pelo estabelecimento beneficiado com o crédito presumido de IPI previsto nos Arts. 1º, inciso IX, 11, inciso IV, e 11A, da Lei nº 9.440/197, para determinar, no cálculo do incentivo, os créditos da nãocumulatividade de contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes aos insumos aplicados na industrialização dos bens incentivados é vinculado àquele adotado pela matriz para calcular os créditos destes mesmos insumos na apuração centralizada das contribuições devidas na forma das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Diante do exposto, o Recurso Voluntário não merece provimento nesta matéria. DOS INSUMOS TRANSFERIDOS PARA FILIAL DE CAMAÇARI. A simples exposição a respeito dos regulamentos do ICMS de São Paulo de da Bahia e argumentação a respeito da distinção de tratamento das legislação a respeito da atualização monetária dos custos não enfrentou a questão colocada pela fiscalização e analisada em decisão de primeira instância. De fato, tanto a fiscalização quanto a DRJ analisaram em detalhes o efeito das transferências dos insumos na sistemática de aproveitamento, de forma que houve influência negativa nos valores dos créditos a descontar das contribuições, conforme razão de decidir da decisão de primeira instância transcrita parcialmente a seguir: "315. Enquanto o TVF explica, em detalhes, no que os insumos transferidos pelas filiais de Taubaté e de São Bernardo do Campo, diante da sistemática de aproveitamento adotada pela empresa, influenciam, negativamente, os valores dos créditos a descontar da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS [não aproveitamento de créditos com materiais indiretos (graxa, estopa, lubrificantes, etc), energia elétrica, armazenagem, serviços, além de despesas com frete e armazenagem , aluguéis de máquinas e equipamentos, etc, que são todos apropriados pelas filiais que produzem as peças (Taubaté e São Bernardo)], o sujeito passivo, na sua Manifestação de Inconformidade, limitase a, simplesmente, expor o texto dos regulamentos do ICMS de São Paulo e da Bahia e a falar de questão de distinção de tratamento das legislações paulista e baiana quanto à atualização monetária de custos, não tendo enfrentando a questão colocada no TVF, cuja sistemática de cálculo não foi, no peculiar, expressamente combatida. Fl. 793DF CARF MF 60 316. Assim, diante do que dispõe o art. 16, III, c/c o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, mantenho o levantamento realizado pelas autoridades fiscais em relação aos créditos das contribuições sobre insumos oriundos das duas filiais acima mencionadas." As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, por questões probatórias, o Recurso Voluntário não merece provimento nesta matéria. INCLUSÃO DOS VALORES DEVIDOS A TÍTULO DE ICMS, DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS NO CÔMPUTO DA RECEITA BRUTA PARA FINS DE APURAÇÃO. O Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, no julgado proferido no RE nº 574.706, solidificou o tema, conforme ementa a seguir transcrita: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/09/2001PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos." (Processo nº 10880.674237/201188; Acórdão nº 3201004.124; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; sessão de 25/07/2018). Contudo, é possível verificar que não houve comprovação a respeito dos pagamentos ou contabilizarão do Pis e Cofins sobre o ICMS, assim como não houve demonstração material acerca do cômputo do ICMS no cálculo dos créditos presumidos de IPI. Com acerto o conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira abordou o tema no julgamento do Acórdão nº 3301004.693, conforme trecho de seu voto transcrito a seguir: "Contudo, no presente caso, para que pudesse dar provimento aos argumentos da recorrente, teria de constar na peça de defesa, que: i) o contribuinte comprovadamente não pagava e tampouco contabilizava PIS e COFINS sobre ICMS; ii) ao calcular as contribuições devidas, sobre as quais calculou o crédito presumido de IPI, também não computou o ICMS, pois, caso contrário, haveria distorções no cálculo do incentivo fiscal. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 765 61 Isto posto, não tenho fundamento para propor alterações nos cálculos da fiscalização, efetuado com base nos registros contábeis e fiscais do contribuinte." As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72. Diante do exposto, por questões probatórias, o Recurso Voluntário não merece provimento nesta matéria. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA RECEITA DE VENDAS NO MERCADO INTERNO E EXPORTAÇÃO. É possível verificar que ocorreu um erro material na determinação da receita de vendas no mercado interno e na composição de receitas de exportação, situação em que as provas apresentadas pelo contribuinte foram insuficientes. Neste tópico, utilizase as mesmas razões de decidir expostas na decisão de primeira instância, transcritas a seguir: "335. Quanto ao equívoco visualizado pela Fiscalização na determinação das receitas de vendas no mercado interno a partir da conta contábil “23A01A00LOCAL” em razão da adoção do “Revenue Recognition”, correspondente a ajustes que representam os veículos faturados que ainda estão no pátio do estabelecimento, com lançamentos a crédito e a débito (cujo histórico possui o texto “REVERSAO DE VENDAS NÃO EMBARC”), limitouse a contribuinte a dizer que “não tendo havido a saída dos produtos do estabelecimento fabril, os documentos fiscais não compuseram o faturamento, que foi suspenso, para ser reconhecido o respectivo valor quando concretizado” (g.n.) e que, quando muito, poderseia “conjecturar tratarse de postergação, com a consequência de tornar ocorridos os seus efeitos para o cômputo da receita bruta do período seguinte, inocorrendo prejuízos ao Fisco”. 336. Ocorre que a manifestante não apontou a base legal com fundamento na qual considerou “suspenso” o faturamento e chega mesmo a admitir a possibilidade de que tenha ocorrido postergação, diante do que, e considerando que a Nota Fiscal é importante documento de controle fiscal, não há como se desconsiderar ocorrido o faturamento quando de sua emissão. Neste sentido, consta da ementa da Solução de Consulta COSIT nº 4, de 12/01/2017, que trata da contribuição para o PIS/PASEP e das COFINS, que “A emissão de nota fiscal pela pessoa jurídica tem caráter instrumental e probatório em relação ao fato gerador da contribuição, gerando contra ela presunção relativa de veracidade de seus dados, aplicável pelo fisco, a seu critério, inclusive no caso de irregularidade na emissão”. Fl. 795DF CARF MF 62 337. Logo, mantenho, no peculiar, o levantamento realizado pelas autoridades fiscais. 338. A contribuinte questiona a exclusão, do cômputo das receitas de exportação no cálculo do fator de rateio apurado pela Fiscalização, da parcela correspondente às receitas de revenda de CKD cujos componentes foram integralmente fabricados por outras pessoas jurídicas. 339. Em atenção ao argumento da contribuinte no sentido de que no “primeiro parágrafo às págs. 30 do TVF e lá consta a afirmação segundo a qual: ‘No caso do CKD, a maior parte dos módulos e peças, são produzidos pelos fornecedores ...’” e de que “se a própria Fiscalização reconhece e admite que a ‘maior parte dos módulos e peças’ são produzidos pelos fornecedores, a boa lógica e o sempre oportuno bom senso faz com que a menor parte dos módulos e peças são efetivamente produzidas pela Impugnante, o que aliás encontrase corroborado pela resposta a intimação de 25/09/2015 e acolhida pela Fiscalização”, impõese inicialmente elucidar que a Fiscalização, justamente porque admitiu que parte dos CKD eram de fabricação da ora recorrente, considerou esta parcela na receita de exportação, como bem se verifica na linha “EXPORTAÇÕES CKD” do Anexo “D” do TVF. 340. Além disto, convém desde logo esclarecer que, diferentemente do que alega a recorrente, não se visualiza, no citado Anexo “D”, qualquer adição de receitas de exportação de CKD às receitas no mercado interno. 341. Também preliminarmente neste tópico, registro que a contribuinte não apresentou qualquer contestação expressa de que as receitas de CKD indicadas no Anexo D correspondem aos dos kits por ela fabricados (no sentido de que não foram industrializados seus componentes por outras pessoas jurídicas). 342. Ultrapassadas as questões acima, passo a analisar a exclusão, do cômputo das receitas de revenda de CKD, daqueles cujos componentes foram totalmente fabricados por outras pessoas jurídicas. 343. Ora, os custos, encargos e despesas que incorre a contribuinte – que foram proporcionalmente rateados pela Fiscalização são, essencialmente, incorridos em sua atividade de industrialização. Portanto, não estão associados à mera revenda de produtos fabricados por outras pessoas jurídicas e, por isto, não tem sentido incluir no rateio a venda de CKD, cujos componentes já são recebidos prontos pela contribuinte de outras pessoas jurídicas. 344. Notese, por outro lado, que, aos moldes já explicados, o incentivo apenas deve ser calculado em relação aos veículos de fabricação própria da Impugnante. 345. Em face do exposto, julgo improcedente no particular as Manifestações de Inconformidade." As alegações materiais devem estar acompanhadas de provas, conforme previsão expressa do Art. 16 do Decreto 70.235/72. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 766 63 Diante do exposto, por questões probatórias, o Recurso Voluntário não merece provimento nesta matéria. DA RECEITAS DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Em razão do exposto no recente ato declaratório da PGFN 4/2017, é possível considerar as receitas das vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente às receitas de exportação, conforme exposto a seguir: “Ato Declaratório PGFN nº 4, de 16 de novembro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 21/11/2017, seção 1, página 41) "Autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que menciona." O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1743/2016 desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 14 de novembro de 2016, DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade” JURISPRUDÊNCIA: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. FABRÍCIO DA SOLLER" Em virtude de uma questão temporal da legislação, a jurisprudência deste Conselho não foi pacifica com relação à incidência da Pis e Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus, mas no Poder Judiciário a jurisprudência é pacífica em equiparar as operações que envolvem vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67, em especial do seu Art. 4.º. Fl. 797DF CARF MF 64 Nesse sentido, é importante considerar o entendimento jurisprudencial do Egrégio Superior Tribunal de Justiça STJ, por meio do Agravo em Recurso Especial nº 691.708AM (2015/000822964), assim como por meio dos seguintes precedentes: AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1400296/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012); AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. Diante do exposto, o Recurso Voluntário merece provimento neste tópico. CONCLUSÃO. Em face do exposto, votase para que a preliminar de nulidade da reformatio in pejus seja acolhida e que, conseqüentemente, somente o primeiro Despacho Decisório (fls. 272) proferido tenha validade. Superadas as preliminares, votase para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de a Recorrente apurar crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS, na forma prevista no art. 11A da Lei nº 9.440/1997 e para considerar as vendas à Zona Franca de Manaus como equivalente a receitas de exportação. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator designado Com a devida vênia, divergimos do il. Relator. Segundo consta dos autos, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, instou a unidade preparadora a promover a revisão do Despacho Decisório, a fim de que se pudesse tomar "as medidas que a respeito entender oportunas", em face do que disposto em Solução de Consulta Interna que dispunha sobre a mesma matéria nele tratada. Entende ter havido reforma para pior de sua situação, violação do princípio da imparcialidade e decisão "extra petita". Bom, cabe ressaltar, que, como sabido, o tema da reforma para pior no processo administrativo é um tanto quanto controverso. Em síntese, o princípio da non Fl. 798DF CARF MF Processo nº 13819.903987/201457 Acórdão n.º 3201004.924 S3C2T1 Fl. 767 65 reformatio in pejus veda que o órgão ad quem, ao julgar o recurso apresentado pela parte, profira decisão que lhe seja mais desfavorável. Contudo, o fato aqui não é de reforma para pior, mas de controle da legalidade – o poder de autotutela da Administração Pública de rever seus próprios atos quando eivados de vícios de legalidade. Não há, ademais, no processo administrativo, a figura do trânsito em julgado, como se verifica em sede judicial. O fato de serem tais hipóteses diferentes resta bem pontuado nessa sintética passagem escrita por Lúcia Valle Figueiredo (FIGUEIREDO, Lúcia Valle. Curso de direito administrativo. 8ªed. São Paulo: Malheiros Editores, 2006. p. 455), nos seguintes termos: “E, nesta hipótese, falase impropriamente em reformatio in pejus. Houve, na verdade, ato de controle de legalidade, por importar nulidade do procedimento; caso assim não se procedesse, estaria a Administração agindo contra legem.” Esse poderdever conferido à Administração Pública, que decorre do princípio da indisponibilidade do interesse público sobre o privado, encontrase plasmado no art. 53 da Lei nº 9.784, de 1999, segundo o qual “A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos (o dispositivo positivou matéria já sumulada pelo Supremo Tribunal Federal: Súmula nº 473 – “A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”). Enfim, nada obstava – aliás, tudo exigia – pudesse a DRJ agir como agiu, mas desde que à Recorrente fosse conferida a oportunidade de comparecer novamente aos autos, apresentando os argumentos que entendesse necessários, o que, como se viu, findou por ocorrer. Nulidade, portanto, não há. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 799DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19395.900263/2015-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/2011
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE
APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA
A juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte
apresenta aos autos mínima documentação com força probatória, não cabendo o pedido genérico de realização de diligência.
Numero da decisão: 3201-005.067
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente
(assinado digiltamente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator
(assinado digiltamente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
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NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA A juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória, não cabendo o pedido genérico de realização de diligência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA – Presidente (assinado digiltamente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digiltamente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 90 02 63 /2 01 5- 47 Fl. 130DF CARF MF 2 Relatório Por traduzir bem os fatos do Processo Administrativo Fiscal, transcrevo o relatório da DRJ: (...) O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s) com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins nãocumulativa, relativo ao fato gerador de 31/07/2011. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito da empresa, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 15/05/2015 (fl. 39), o contribuinte apresentou, em 12/06/2015, a manifestação de inconformidade de fls. 2/4, alegando, em síntese, que constatou a ocorrência de erro material no preenchimento da DCTF, com a imputação do Darf em valor maior que o devido. Para comprovação do alegado, apresenta DCTF retificadora que corrige o erro cometido. Esse erro não causou danos aos cofres públicos e não invalida o crédito tributário, que está revestido de liquidez e certeza, conforme preceituam o art. 66 da Lei nº 9.069/95 e o inciso II do art. 165 do CTN. Cita decisão do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aceitação a qualquer tempo das retificações de erros materiais em declarações. Por fim, requer o regular processamento do procedimento compensatório. Seguindo a marcha processual normal, foi proferido acórdão pela DRJ que assim restou ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2011 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 131DF CARF MF Processo nº 19395.900263/201547 Acórdão n.º 3201005.067 S3C2T1 Fl. 142 3 Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário querendo reforma: a) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; b) que retificou em tempo hábil a DCTF; c) em Recurso Voluntário colaciona NFe´s demonstrando seu direito; É o relatório. Voto Conselheiro LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que o Contribuinte apresentou a DCTF retificadora, contundo, ao analisar a manifestação de inconformidade à DRJ enfrentou o tema: A DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) caracterizase como instrumento de confissão de dívida, para os devidos efeitos tributários, conforme consta no seu próprio recibo de entrega e a teor do que dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984, em seu art. 5º, §1º. O Dacon (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais), por sua vez, era o instrumento hábil para a consolidação e a apuração da contribuição para o fato gerador de 31/07/2011. O art. 165, II, do CTN, garante o direito à restituição do tributo no caso de erro no cálculo do montante do débito. Mas o art. 170 do CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá autorizar a compensação, nas condições e sob as garantias nela estipuladas, exigindo ainda que os créditos sejam líquidos e certos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Desse modo, o art. 170 do CTN não deixa dúvidas de que, para haver compensação de dívidas fiscais, tornase indispensável a sua autorização por lei específica, bem como que os créditos sejam líquidos e certos. Contudo, na Manifestação de Inconformidade em nenhum momento apresentou documento capaz de demonstrar tal direito, porém, em Recurso Voluntário colacionou diversas Notas Fiscais para demonstrar o erro que incorreu. Fl. 132DF CARF MF 4 Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Porém, ao meu entender, os documentos carreados no Recurso Voluntário não tem o condão de demonstrar o direito ao Crédito do Contribuinte, não existindo conferir certeza e liquidez nos termos do art. 170 do CTN. Concluo, o voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator (assinado digitalmente) Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.009976/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Exercício: 2004
CIDE-COMBUSTÍVEIS. CONTRIBUINTE DE FATO. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O "contribuinte de fato" não detém legitimidade ativa ad causam para pleitear a restituição do indébito relativo à Cide-combustíveis.
Numero da decisão: 3201-005.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESTITUIÇÃO. Recorrente RAPIDO ARAGUAIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Exercício: 2004 CIDECOMBUSTÍVEIS. CONTRIBUINTE DE FATO. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O "contribuinte de fato" não detém legitimidade ativa ad causam para pleitear a restituição do indébito relativo à Cidecombustíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 99 76 /2 00 9- 81 Fl. 157DF CARF MF 2 Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de crédito oriundo de pagamento indevido da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Cide, com origem no terceiro e quatro semestres de 2004. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10120.009976/200981 Acórdão n.º 3201005.148 S3C2T1 Fl. 158 3 Fl. 159DF CARF MF 4 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10120.009976/200981 Acórdão n.º 3201005.148 S3C2T1 Fl. 159 5 A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/BSB n.º 0337.253, de 31/05/2010 (fls. 116 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 LEGITIMIDADE RESTITUIÇÃO CIDECOMBUSTÍVEL. COMPETÊNCIA PARA AFASTAR NORMA LEGAL. A legitimidade para pleitear a restituição de valores da CIDE Combustível pagos indevidamente somente cabe ao contribuinte (produtor, formulador e importador, pessoa fÍsica ou jurídica) que tenha relação jurÍdica pessoal e direta com o fato gerador dessa contribuição estabelecida pela norma tributária. A contribuinte de fato (consumidora final) não ocupa o pólo passivo da relação jurídicotributária pessoal e direta com o fato gerador da CIDECombustível. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 125 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente repisa os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. Acresce que a via administrativa é válida para apreciação do pedido (isso porque o acórdão recorrido adotou o entendimento de que esta demanda não teria competência para apreciar a alegação de desvio de finalidade dos recurso oriundos da Cide). O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. Fl. 161DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente, uma empresa de transporte rodoviário, apresentou pedido de restituição do que pagara a título de Cidecombustíveis. Alegou ter havido desvio de finalidade na aplicação dos recursos arrecadados pela União. Indeferido o pedido, a decisão restou mantida pela DRJ, ao fundamento de que a Recorrente não tinha legitimidade para pleiteála (embora a matéria não tenha sido debatida pela DRJ, a unidade preparadora também considerou o pleito como não formulado, uma vez não comprovadas as condições que permitiam a utilização de formulários em papel). A Cidecombustíveis foi instituída pela Lei nº 10.336, de 2001, com o desiderato de assegurar um montante mínimo de recursos para investimento em infraestrutura de transporte, em projetos ambientais relacionados à indústria de petróleo e gás etc. Seus contribuintes, elencados em seu art. 2º, são: o produtor, o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos relacionados no art. 3º do mesmo diploma legal. Portanto, entre os seus contribuintes, não se incluem os consumidores finais, como a Recorrente, mero contribuinte de fato. Nesse cenário, absolutamente correta a decisão recorrida, pois adotou jurisprudência já pacificada no Superior Tribunal de Justiça STJ. Não obstante refirase a tributo diverso, a tese encartada no aresto cuja ementa vai a seguir, proferido na sistemática dos recursos repetitivos, aplicase, por identidade de razão, ao caso ora em julgamento. Confirase: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DISTRIBUIDORAS DE BEBIDAS. CONTRIBUINTES DE FATO. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. SUJEIÇÃO PASSIVA APENAS DOS FABRICANTES (CONTRIBUINTES DE DIREITO). RELEVÂNCIA DA REPERCUSSÃO ECONÔMICA DO TRIBUTO APENAS PARA FINS DE CONDICIONAMENTO DO EXERCÍCIO DO DIREITO SUBJETIVO DO CONTRIBUINTE DE JURE À RESTITUIÇÃO (ARTIGO 166, DO CTN). LITISPENDÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS 282 E 356/STF. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. APLICAÇÃO. 1. O "contribuinte de fato" (in casu, distribuidora de bebida) não detém legitimidade ativa ad causam para pleitear a restituição do indébito relativo ao IPI incidente sobre os descontos incondicionais, recolhido pelo "contribuinte de direito" (fabricante de bebida), por não integrar a relação jurídica tributária pertinente. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10120.009976/200981 Acórdão n.º 3201005.148 S3C2T1 Fl. 160 7 2. O Código Tributário Nacional, na seção atinente ao pagamento indevido, preceitua que: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla." 3. Consequentemente, é certo que o recolhimento indevido de tributo implica na obrigação do Fisco de devolução do indébito ao contribuinte detentor do direito subjetivo de exigilo. 4. Em se tratando dos denominados "tributos indiretos" (aqueles que comportam, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro), a norma tributária (artigo 166, do CTN) impõe que a restituição do indébito somente se faça ao contribuinte que comprovar haver arcado com o referido encargo ou, caso contrário, que tenha sido autorizado expressamente pelo terceiro a quem o ônus foi transferido. 5. A exegese do referido dispositivo indica que: "...o art. 166, do CTN, embora contido no corpo de um típico veículo introdutório de norma tributária, veicula, nesta parte, norma específica de direito privado, que atribui ao terceiro o direito de retomar do contribuinte tributário, apenas nas hipóteses em que a transferência for autorizada normativamente, as parcelas correspondentes ao tributo indevidamente recolhido: Tratase de norma privada autônoma, que não se confunde com a norma construída da interpretação literal do art. 166, do CTN. É desnecessária qualquer autorização do contribuinte de fato ao de direito, ou deste àquele. Por sua própria conta, poderá o contribuinte de fato postular o indébito, desde que já recuperado pelo contribuinte de direito junto ao Fisco. No entanto, notese que o contribuinte de fato não poderá acionar diretamente o Estado, por não ter com este nenhuma relação jurídica. Em suma: o direito subjetivo à repetição do indébito pertence exclusivamente ao denominado contribuinte de direito. Porém, uma vez recuperado o indébito por este junto ao Fisco, pode o contribuinte de fato, com base em norma de direito privado, pleitear junto ao contribuinte tributário a restituição daqueles valores. Fl. 163DF CARF MF 8 A norma veiculada pelo art. 166 não pode ser aplicada de maneira isolada, há de ser confrontada com todas as regras do sistema, sobretudo com as veiculadas pelos arts. 165, 121 e 123, do CTN. Em nenhuma delas está consignado que o terceiro que arque com o encargo financeiro do tributo possa ser contribuinte. Portanto, só o contribuinte tributário tem direito à repetição do indébito. Ademais, restou consignado alhures que o fundamento último da norma que estabelece o direito à repetição do indébito está na própria Constituição, mormente no primado da estrita legalidade. Com efeito a norma veiculada pelo art. 166 chocase com a própria Constituição Federal, colidindo frontalmente com o princípio da estrita legalidade, razão pela qual há de ser considerada como regra não recepcionada pela ordem tributária atual. E, mesmo perante a ordem jurídica anterior, era manifestamente incompatível frente ao Sistema Constitucional Tributário então vigente." (Marcelo Fortes de Cerqueira, in "Curso de Especialização em Direito Tributário Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho", Coordenação de Eurico Marcos Diniz de Santi, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2007, págs. 390/393) 6. Deveras, o condicionamento do exercício do direito subjetivo do contribuinte que pagou tributo indevido (contribuinte de direito) à comprovação de que não procedera à repercussão econômica do tributo ou à apresentação de autorização do "contribuinte de fato" (pessoa que sofreu a incidência econômica do tributo), à luz do disposto no artigo 166, do CTN, não possui o condão de transformar sujeito alheio à relação jurídica tributária em parte legítima na ação de restituição de indébito. 7. À luz da própria interpretação histórica do artigo 166, do CTN, dessumese que somente o contribuinte de direito tem legitimidade para integrar o pólo ativo da ação judicial que objetiva a restituição do "tributo indireto" indevidamente recolhido (Gilberto Ulhôa Canto, "Repetição de Indébito", in Caderno de Pesquisas Tributárias, n° 8, p. 25, São Paulo, Resenha Tributária, 1983; e Marcelo Fortes de Cerqueira, in "Curso de Especialização em Direito Tributário Estudos Analíticos em Homenagem a Paulo de Barros Carvalho", Coordenação de Eurico Marcos Diniz de Santi, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2007, págs. 390/393). 8. É que, na hipótese em que a repercussão econômica decorre da natureza da exação, "o terceiro que suporta com o ônus econômico do tributo não participa da relação jurídica tributária, razão suficiente para que se verifique a impossibilidade desse terceiro vir a integrar a relação consubstanciada na prerrogativa da repetição do indébito, não tendo, portanto, legitimidade processual" (Paulo de Barros Carvalho, in "Direito Tributário Linguagem e Método", 2ª ed., São Paulo, 2008, Ed. Noeses, pág. 583). 9. In casu, cuidase de mandado de segurança coletivo impetrado por substituto processual das empresas distribuidoras de bebidas, no qual se pretende o reconhecimento do alegado direito líquido e certo de não se submeterem à cobrança de IPI incidente sobre os descontos incondicionais (artigo 14, da Lei Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10120.009976/200981 Acórdão n.º 3201005.148 S3C2T1 Fl. 161 9 4.502/65, com a redação dada pela Lei 7.798/89), bem como de compensarem os valores indevidamente recolhidos àquele título. 10. Como cediço, em se tratando de industrialização de produtos, a base de cálculo do IPI é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria do estabelecimento industrial (artigo 47, II, "a", do CTN), ou, na falta daquele valor, o preço corrente da mercadoria ou sua similar no mercado atacadista da praça do remetente (artigo 47, II, "b", do CTN). 11. A Lei 7.798/89, entretanto, alterou o artigo 14, da Lei 4.502/65, que passou a vigorar com a seguinte redação: "Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. § 2º. Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente. (...)" 12. Malgrado as Turmas de Direito Público venham assentando a incompatibilidade entre o disposto no artigo 14, § 2º, da Lei 4.502/65, e o artigo 47, II, "a", do CTN (indevida ampliação do conceito de valor da operação, base de cálculo do IPI, o que gera o direito à restituição do indébito), o estabelecimento industrial (in casu, o fabricante de bebidas) continua sendo o único sujeito passivo da relação jurídica tributária instaurada com a ocorrência do fato imponível consistente na operação de industrialização de produtos (artigos 46, II, e 51, II, do CTN), sendo certo que a presunção da repercussão econômica do IPI pode ser ilidida por prova em contrário ou, caso constatado o repasse, por autorização expressa do contribuinte de fato (distribuidora de bebidas), à luz do artigo 166, do CTN, o que, todavia, não importa na legitimação processual deste terceiro. 13. Mutatis mutandis, é certo que: "1. Os consumidores de energia elétrica, de serviços de telecomunicação não possuem legitimidade ativa para pleitear a repetição de eventual indébito tributário do ICMS incidente sobre essas operações. 2. A caracterização do chamado contribuinte de fato prestase unicamente para impor uma condição à repetição de indébito pleiteada pelo contribuinte de direito, que repassa o ônus financeiro do tributo cujo fato gerador tenha realizado (art. 166 do CTN), mas não concede legitimidade ad causam para os consumidores ingressarem em juízo com vistas a discutir determinada relação jurídica da qual não façam parte. Fl. 165DF CARF MF 10 3. Os contribuintes da exação são aqueles que colocam o produto em circulação ou prestam o serviço, concretizando, assim, a hipótese de incidência legalmente prevista. 4. Nos termos da Constituição e da LC 86/97, o consumo não é fato gerador do ICMS. 5. Declarada a ilegitimidade ativa dos consumidores para pleitear a repetição do ICMS." (RMS 24.532/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 26.08.2008, DJe 25.09.2008) 14. Consequentemente, revelase escorreito o entendimento exarado pelo acórdão regional no sentido de que "as empresas distribuidoras de bebidas, que se apresentam como contribuintes de fato do IPI, não detém legitimidade ativa para postular em juízo o creditamento relativo ao IPI pago pelos fabricantes, haja vista que somente os produtores industriais, como contribuintes de direito do imposto, possuem legitimidade ativa". 15. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 903.394/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 26/04/2010) (grifamos) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11487.720010/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO.
Verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre dar provimento aos embargos, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-005.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão em relação às alegações de nulidade do lançamento da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.158-35/2001 e da aplicação da instrução Normativa nº 80/96 e o art. 100 do CTN.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão em relação às alegações de nulidade do lançamento da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.158-35/2001 e da aplicação da instrução Normativa nº 80/96 e o art. 100 do CTN. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO. Verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre dar provimento aos embargos, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão em relação às alegações de nulidade do lançamento da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.15835/2001 e da aplicação da instrução Normativa nº 80/96 e o art. 100 do CTN. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 48 7. 72 00 10 /2 01 3- 99 Fl. 19153DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.154 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante da decisão embargada (fls. 18620/18637): Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls.18.397/18.438), abaixo transcrito: Trata o presente processo de Auto de Infração formalizado para exigência da diferença de tributos, acrescida de multa de ofício e juros de mora, além de multa regulamentar, em virtude da reclassificação fiscal de mercadorias importadas por meio das Declarações de Importação (DI) relacionadas na peça impositiva, perfazendo o valor total do crédito tributário exigido R$ 27.305.431,57. Relata a fiscalização que procedeu à análise da classificação fiscal adotada pela interessada na importação de produtos, no período de janeiro de 2009 a março de 2013, classificados sob o código NCM 8473.30.49 outros circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos montados, com alíquotas de 12% para o Imposto de Importação (II), 15% para o IPI, 1,65% para o PISImportação e 7,60% para a COFINS Importação (8,60% a partir de 01/08/2012). Com base nas informações fornecidas pela empresa durante o procedimento fiscal, consubstanciadas em descritivos técnicos (data sheets), relatório técnico e planilha com a correta descrição dos partnumbers (Anexos 8 e 9), a fiscalização afirma que pôde conhecer os produtos e proceder à sua correta classificação fiscal, levando em conta sua descrição, função e aplicabilidade. Segundo o fisco, a contribuinte colocou sob o mesmo código uma diversidade de produtos, sendo os diferentes tipos de placas importados descritos de forma genérica e não elucidativa. Cita o fato de a empresa ter declarado trazer placas controladoras, quando pesquisa na internet revelou que a chamada “placa controladora” pode se referir a placas de vídeo, de áudio, de som e até ter função de modem. Aduz que mesmo quando os produtos foram descritos de forma mais clara, foram classificados sem a observância das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, as quais determinam que a classificação de uma mercadoria darseá através da correspondência literal entre produto comercializado e título da posição, assim como pela sua função precípua. Ao final, conclui como caracterizado o erro de fato por parte da empresa autuada. Em consequência, houve a lavratura de Auto de Infração para exigência da diferença de tributos, acrescidos de juros e multa de ofício, e também da multa por classificação fiscal incorreta, prevista pelo artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/2001, relativamente aos seguintes produtos: 1) PLACA MÃE = reclassificada da posição 8473.30.49 para a posição 8473.30.41 – “placasmãe (mother board)”, com Fl. 19154DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.155 3 alíquotas de 12% para o II, 15% para o IPI, 1,65% para o PIS Importação e 7,60% para a COFINSImportação (8,60% a partir de 01/08/2012). Nesse caso, apesar de não haver diferença de tributos a ser exigida, houve o lançamento da multa regulamentar; 2) PLACA DE REDE = reclassificada da posição 8473.30.49 para a posição 8517.62.59 – “outros aparelhos para transmissão ou recepção de voz, imagem ou outros dados em rede com fio”, com alíquotas de 14% para o II (25% a partir de 05/05/2010), 15% para o IPI, 1,65% para o PISImportação e 7,60% para a COFINSImportação (8,60% a partir de 01/08/2012); 3) PLACA DE MODEM = reclassificada da posição 8473.30.49 para a posição 8517.62.55 – “moduladores/demoduladores (modems)”, com alíquotas de 16% para o II, 15% para o IPI, 1,65% para o PISImportação e 7,60% para a COFINS Importação (8,60% a partir de 01/08/2012). Neste caso, para referendar seu entendimento, o fisco cita a Solução de Consulta n° 19 SRRF09/Diana, de 28 de fevereiro de 2012; 4) PLACA DE VÍDEO = reclassificada da posição 8473.30.49 para a posição 8471.80.00 – “outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados”, com alíquotas de 16% para o II, 15% para o IPI, 1,65% para o PISImportação e 7,60% para a COFINSImportação (8,60% a partir de 01/08/2012). Neste caso, para referendar seu entendimento, o fisco cita a Solução de Consulta n° 6 Coana, de 20/07/2009, fundada no Parecer nº 8471.80/2 da Organização Mundial da Aduanas (OMA), internalizado no Brasil pela IN RFB nº 873/08; 5) PLACA DE SOM = reclassificada da posição 8473.30.49 para a posição 8471.80.00 – “outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados”, com alíquotas de 16% para o II, 15% para o IPI, 1,65% para o PISImportação e 7,60% para a COFINSImportação (8,60% a partir de 01/08/2012). Neste caso, para referendar seu entendimento, o fisco cita o Parecer nº 8471.80/3 da OMA, internalizado no Brasil pela IN RFB nº 873/08. A fiscalização observa que a contribuinte registrou 8.649 declarações utilizando o código NCM 8473.30.49 (referidas DI estão listadas no Anexo 111, fls. 1.671/1.918). As DI registradas no regime aduaneiro especial de RECOF não foram objeto da exigência de diferenças tributárias, apenas da exigência da multa por classificação fiscal incorreta. Cientificada do lançamento em 21/08/2013 (fls. 3.842/3.891), a contribuinte apresentou impugnação em 19/09/2013, juntada às fls. 3.903 e seguintes, alegando, em síntese, que: a) em preliminar, alega nulidade do auto de infração por falta de elementos essenciais, pois inexiste no processo qualquer planilha de apuração que lhe permitisse verificar os valores lançados, o que configura nítida violação aos artigos 9 e 10, inciso V, do Fl. 19155DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.156 4 Decreto nº 70.235/72. Observa que, dentre as DI relacionadas, há uma série de placas de computadores que não foram objeto de reclassificação fiscal e, por força da ausência dos demonstrativos, não tem como verificar se estas demais placas foram excluídas do lançamento. Também não tem como verificar a regularidade do cálculo das multas de ofício e multa por erro de classificação. Do processo não consta ainda o auto de infração do Imposto de Importação, bem como qualquer demonstração de apuração de juros e multas, fato que por si só já contamina todo o auto de infração. Aduz que o valor lançado a título de PISImportação é quatro vezes superior àquele lançado a título de II, resultado impossível que demonstra que os lançamentos são incoerentes. Diante do cerceamento do seu direito de defesa, entende que o lançamento deve ser anulado integralmente. Cita doutrina e jurisprudência; b) ainda em preliminar, alega nulidade do auto de infração pela falta de indicação da classificação fiscal das placas controladoras. O fato de a fiscalização sustentar que as placas controladoras importadas seriam, na verdade, placas de vídeo, de áudio, de som e até ter função de modem, incorre em dois graves problemas. Primeiro, porque as placas importadas, embora tenham a função de estender a funcionalidade e o desempenho do computador, são especificadas para outras funções que não as de vídeo, áudio ou modem. Conforme informações prestadas na resposta à intimação fiscal (fl. 1.648), tais placas têm finalidade de controle de memória rígida e periféricos. Segundo problema: a fiscalização não apontou qual a suposta função precípua de cada uma das placas controladoras objeto do lançamento, omitindose assim no seu dever de apontar qual seria a correta descrição e classificação destas placas; c) no mérito, alega que o procedimento da Fiscalização realiza uma nítida distorção dos fatos: primeiro sustenta uma inverídica descrição inexata das Placas Controladoras para, posteriormente, sustentar erros de fato que justifiquem a revisão da classificação fiscal de outras placas (que não as Placas Controladoras). No caso, não há que se falar em erro de descrição das mercadorias importadas, nem para as Placas Controladoras e, menos ainda, para as demais placas objeto do auto de infração. Tanto é verdade que, ao tratar da classificação fiscal das demais placas (PlacaMãe, Placa de Rede, Placa Modem, Placa de Vídeo e Placa de Som), a Fiscalização se vale da própria descrição realizada pela Impugnante. Evidente que, não tendo havido erro quanto à matéria de fato constante das Declarações de Importação, isto é, no que concerne à identificação física das placas importadas, não há que se admitir a revisão do lançamento, conforme prevê o art. 146 do CTN. Cita jurisprudência pacífica do E. STJ; d) situação que deixa ainda mais evidente a tentativa de alteração dos critérios jurídicos aplicados na ocasião do ato administrativo do desembaraço aduaneiro é o fato de que a Impugnante classificou parte das placas objeto do auto de Fl. 19156DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.157 5 infração de acordo com orientação expressa da Receita Federal do Brasil expedida através da IN n° 80/96, a qual apontou a NCM 8473.3049 como aplicável para as Placas de Rede, Placas de Vídeo e Placas de Som; e) ainda que se admita a ocorrência de erro de fato, o que se faz apenas para argumentar, tal hipótese se limitaria às Placas Controladoras, cujo suposto erro de fato foi apontado pela fiscalização às fls. 532/533. Mas ainda assim, seria indevida a revisão, uma vez que inúmeras DI foram desembaraçadas através dos canais vermelho e amarelo de parametrização, não mais se admitindo nesses casos a posterior revisão do lançamento, conforme jurisprudência que cita do E. STJ; f) no tocante à classificação fiscal das mercadorias, entende que, com exceção da classificação fiscal das PlacasMãe, as demais classificações pretendidas pelo fisco são indevidas, eis que não atentam para as Regras do Sistema Harmonizado. E mesmo no caso da classificação das PlacasMãe, o equívoco cometido pela impugnante não gerou qualquer prejuízo aos cofres públicos, uma vez que as alíquotas aplicáveis são as mesmas e inexistiu qualquer impacto no controle aduaneiro a justificar a imposição da multa de 1%; g) em relação às (i) Placas de Rede, (ii) Placas de Modem, (iii) Placas de Vídeo e (iv) Placas de Som, entendeu a Fiscalização que as mesmas não se classificam na Posição NCM referente às partes e acessórios de computadores (8473), mas sim nas posições correspondentes aos equipamentos (ou unidades) relativos às funções que irão executar. Ocorre que as placas em questão não podem ser consideradas aparelhos, máquinas ou unidades, uma vez que não possuem uma finalidade própria, assim como não têm funcionalidade se não estiverem conectadas a um computador. Ou seja, qualquer das placas objeto do auto de infração se trata de circuitos impressos sem funcionalidade autônoma, que somente irá desempenhar sua função se estiver instalada em uma unidade central de processamento; h) adicionalmente, ainda para se verificar se as placas em questão são (i) partes e acessórios (8473) ou (ii) aparelhos (8517) ou máquinas e suas unidades (8471), devese considerar as características físicas destas placas, as quais não dispõem de invólucro ou gabinete, sendo que os seus circuitos e demais componentes ficam expostos, característica típica de PARTES de máquinas e aparelhos; i) portanto, considerandose as características técnicas e físicas das placas objeto do auto de infração, dúvidas não podem haver de que as mesmas se tratam de partes e acessórios, de forma que, de acordo com os textos das Posições (RGI 1), devem ser classificadas na Posição 8473. Esse entendimento é corroborado pela Nota 2 a) da Seção XVI donde se extrai que as partes, que constituam artefatos compreendidos em qualquer das Posições dos Capítulos 84 ou 85, devem ser classificadas nas posições em Fl. 19157DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.158 6 que estão compreendidas, qualquer seja a máquina a que se destinem; j) cita, como exemplo, a placa de rede. Para que uma Placa de Rede importada pela Impugnante pudesse ser considerada compreendida na Posição 8517, teria que apresentar, no estado em que se encontra, as características essenciais dos "aparelhos para comunicação em redes por fio ou redes sem fio" (texto fiel da Posição 8517). Entretanto, como vimos, a Placa de Rede não pode ser considerada um aparelho, pois não exerce função alguma sem a unidade de processamento. Assim, não se pode afirmar que a mesma apresenta, no estado em que se encontra, as características essenciais de um aparelho para comunicação em rede; k) e no tocante à nota 2 b) se verifica que a mesma tem plena aplicação para a classificação das placas em questão. Isso porque é inconteste que as placas objeto do auto de infração podem ser identificadas "como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada" (texto fiel da Nota 2 b) ), qual seja: a "máquina automática para processamento de dados" prevista na Posição 8471. Assim, de acordo com a Nota 2 b), as placas de computador em questão devem ser classificadas na Posição 8473, eis que é Posição específica para partes e acessórios das máquinas automáticas para processamento de dados, contendo subposição (simples) específica para "circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos, montandos", que são justamente as características das placas objeto do auto de infração. Querer classificar uma parte ou acessório reconhecível como exclusiva ou principalmente destinadas às máquinas da Posição 8471 (no caso, o computador) em outra posição que não a Posição 8473, é tornar letra morta o texto desta última posição (8473); l) ademais, a classificação fiscal adotada pela Impugnante, em relação às Placas de Rede, Placas de Vídeo e Placas de Som, encontra amparo em orientação expressa da Receita Federal do Brasil, através da Instrução Normativa n° 80/96. Foi confirmada também com a criação do Ex Tarifário (Ex 001) específico para "Placas de circuito impresso flexível montada com componentes de conexão e/ou de áudio e/ou de vídeo" criado na NCM 8473.30.49 pela Resolução CAMEX N° 73, publicada em 16/09/2013; m) com relação às soluções de consulta citadas pela fiscalização, observa que não vinculam a impugnante nem o julgador administrativo, estando sujeitas a erros e, se for o caso, devem ser revistas; n) no tocante à Solução de Consulta nº 19 SRRF09/Diana, de 28 de fevereiro de 2012, citada pelo fisco, na verdade corrobora a posição da impugnante, uma vez que a mercadoria objeto da consulta evidentemente não é uma Placa de Modem, mas sim um Aparelho de Modem; Fl. 19158DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.159 7 o) no que tange às Placas de Vídeo e às Placas de Som, a Fiscalização realizou a reclassificação fiscal para incluílas na NCM 8471.8000. A Fiscalização afirma que estas duas placas são análogas e que se enquadram no conceito de unidades da Posição 8471. Para sustentar seu entendimento, a Fiscalização cita um Parecer da OMA, introduzido pela IN RFB n° 873, de 26 de agosto de 2008, que entende que estas placas correspondem a unidades das máquinas de processamento de dados e, assim, devem ser classificadas na NCM 8471.8000. Neste aspecto, a Impugnante não concorda com o posicionamento do referido parecer, uma vez que viola o conceito de unidade adotado pelo Sistema Harmonizado, bem como a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística ("NVE"), a qual teve o seu anexo único alterado através da IN RFB 953/2009, que manteve a classificação das Placas de Vídeo e Placas de Som na NCM 8473.3049. Observa que a IN RFB 953/2009 é posterior à IN RFB n° 873/2008, que introduziu o Parecer da OMA, devendo prevalecer sobre esta; p) a afirmação da Fiscalização de que a classificação inexata da mercadoria teria se dado "com impacto direto no Controle Aduaneiro" é inverídica. Primeiro, porque não houve erro na descrição das mercadorias. Segundo, porque os códigos discutidos estão colocados em patamar de igualdade tanto para a incidência dos tributos devidos na importação, quanto para o cumprimento de requisitos administrativos. Além disso, a Fiscalização não expõe quais seriam os impactos alegados, tampouco justifica porque os supostos impactos seriam "diretos". Por fim, a aplicação da penalidade não procede tendo em vista a impossibilidade de verificação do limite de 10% imposto pela lei; q) é indevida a cobrança de diferenças em relação ao PIS e COFINS, em face da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições. Tendo o Supremo Tribunal Federal decidido, em sede de "repercussão geral", pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINSImportação, devem os lançamentos realizados a título destas contribuições ser igualmente cancelados. Observa que o reconhecimento da inconstitucionalidade de parte do art. 7o da Lei n° 10.865/04 deve ser aplicado pela administração pública, com fulcro no Decreto nº 2.346/97 e também com base no art. 62A do Regimento Interno do CARF; r) por fim, não há que se falar em incidência de multas, juros de mora e atualização monetária do valor da base de cálculo do tributo, por força da incidência do disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN. Com efeito, conforme demonstrado na presente impugnação, o procedimento fiscal adotado pela Impugnante e objeto do presente auto de infração esteve pautado de acordo com a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística ("NVE"), instituída através da Instrução Normativa n° 80/96; s) requer, ao final, seja o lançamento declarado nulo em face das preliminares arguidas e, no mérito, seja julgado Fl. 19159DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.160 8 improcedente o auto de infração, consoante as diversas razões deduzidas. Encaminhados os autos a esta Delegacia para julgamento, foi observado pelo Serviço de Recepção e Triagem de Processos – Seret, que não constavam dos autos o Auto de Infração do II, bem como os demonstrativos de cálculos de todos os valores lançados, razão pela qual aquele Serviço devolveu os autos à repartição de origem (fl. 3.988). Os documentos faltantes, então, foram anexados aos autos, que retornaram na sequência para julgamento. Da análise do processo, esta julgadora propôs a conversão do julgamento em diligência por meio do Despacho nº 39, de 18/12/2013, para que fossem adotadas as seguintes providências: (i) juntada aos autos dos Anexos 9 e 10; (ii) apresentação de tradução juramentada dos descritivos técnicos dos produtos que se encontravam em língua inglesa; (iii) ciência ao contribuinte de todos os documentos anexados aos autos, facultandolhe prazo de 30 dias para manifestação (fls. 9.327/9.328). Cientificada do resultado da diligência, em 17/03/2014 (fls. 9.415/16), a impugnante apresentou manifestação em 15/04/2014, juntada às fls. 9.425 e seguintes, alegando, em síntese, que: a) somente teve ciência do auto de infração do II e dos demonstrativos de apuração após diligência requerida pela DRJ e, portanto, não resta dúvida quanto à tempestividade da presente manifestação; b) reitera a nulidade do auto de infração pelo fato de não conter elementos essenciais relativos à apuração dos débitos, estando inclusive ausente o AI do II. Observa que anexar arquivos compactados às folhas em formato “.pdf” é contrário às normas que regem o PAF, ainda mais se considerado que a contribuinte nunca foi informada acerca dos documentos “acostados”. Tais documentos, ademais, foram compactados pela fiscalização no formato “.rar”, cuja descompactação para fins de visualização exige software pago, o que contraria a publicidade do processo administrativo. Finalmente, a anexação dos arquivos tal como feita pela fiscalização fere regra prevista no CPC, uma vez que a numeração de páginas processuais é medida que garante segurança jurídica para as partes e para o julgador; c) todos esses fatos demonstram que o verdadeiro intuito da fiscalização era dificultar e até mesmo inviabilizar o exercício da ampla defesa, caracterizando vício material no lançamento que enseja sua nulidade absoluta, não sendo passível de retificação, conforme jurisprudência administrativa e doutrina que cita; d) mesmo que se reconheça a possibilidade de anexação de arquivos digitais, ou ainda a possibilidade de retificação do lançamento, ainda assim subsistem vícios insanáveis nos autos Fl. 19160DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.161 9 de infração de COFINS e PISImportação, tendo em vista a falta de elementos essenciais em seus respectivos demonstrativos. Conforme já referido na impugnação, sem a presença de demonstrativos que apontem detalhadamente cada DI, adição, produto, NCM aplicada, base de cálculo, alíquota, valor apurado, valor recolhido, data do vencimento, multa e juros aplicáveis, resta inviabilizada a verificação dos valores lançados; e) nos demonstrativos de apuração da COFINS e PIS Importação não foram indicadas a NCM aplicada, a base de cálculo e a alíquota, o que impossibilitou verificar se o lançamento estava de acordo com as premissas apontadas no Relatório Fiscal, causando evidente prejuízo ao seu direito de defesa, cujo vício é insanável em face da falta de materialização da relação jurídica que o lançamento visa constituir na forma do art. 142 do CTN. Cita jurisprudência; f) observa que só foi possível verificar que os valores lançados a título de COFINS e PISImportação estavam incorretos, a partir de um cálculo realizado ao inverso. Partindo da fórmula de cálculo definida na IN SRF 572/2005, e mesmo considerando que houvesse uma elevação de 4% no II em todas as adições glosadas nas DI, o diferencial de COFINS e PISImportação seria de apenas 0,53% do valor já recolhido. Ocorre que o auto de infração pretende cobrar mais de 555 vezes os valores máximos devidos a título de diferencial de COFINS e PIS Importação, o que demonstra a total incoerência e improcedência do auto de infração, aliada à constatação de que os valores das contribuições lançados superam o valor do próprio II lançado, quando apenas este último sofreu majoração de alíquota. Cita exemplo utilizando a DI 09/04433409; g) em relação à juntada do Anexo 9, requerido pelo Despacho 39 da 24ª Turma da DRJ, requer seja intimada para apresentálo novamente, se for o caso; h) ao final, requer a nulidade do auto de infração em razão dos vícios apontados ou então seu cancelamento pelas razões de mérito já apresentadas na impugnação. Por meio do Termo nº 05 – de Constatação e Encerramento de Diligência (fls. 9.461/66), a fiscalização observa, em síntese, que: (i) não há necessidade de a empresa reapresentar o Anexo 9 para juntada aos autos; (ii) nos CD entregues à contribuinte pela fiscalização já havia a informação de que os arquivos compactados podem ser descompactados utilizando software gratuito, sendo que o representante legal da empresa já havia sido cientificado desses documentos, conforme telas comprobatórias que constam do referido Termo. Deste expediente, a empresa foi cientificada em 12/05/2014 (fls. 9.467/68), não havendo se manifestado. Quando do retorno dos autos para julgamento, esta julgadora houve por bem propor novamente a conversão do julgamento em Fl. 19161DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.162 10 diligência, por meio do Despacho nº 20, de 25/06/2014 (fls. 9.471/74), para que fossem adotadas as seguintes providências: a) fosse anexado demonstrativo de apuração dos valores a título de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados (modelo Anexo A), contendo os seguintes campos: data de registro, número da DI, número da adição, descrição detalhada do produto conforme consta na DI, NCM aplicada, base de cálculo, alíquota do tributo, valor devido, valor recolhido, diferença apurada, valor lançado; b) fosse anexado demonstrativo de apuração dos valores a título de COFINS e PISImportação (modelo Anexo B), contendo os seguintes campos: data de registro, número da DI, número da adição, descrição detalhada do produto conforme consta na DI, NCM aplicada, valor aduaneiro, alíquota do II, alíquota do IPI, alíquota do PISImportação, alíquota da CofinsImportação, alíquota do ICMS, valor do X conforme fórmula estabelecida pela IN SRF nº 572/2005, valor devido, valor recolhido, diferença apurada, valor lançado; c) fosse anexado demonstrativo dos valores a título de multa regulamentar (modelo Anexo C), contendo os seguintes campos: data de registro, número da DI, número da adição, descrição detalhada do produto conforme consta na DI, NCM aplicada, base de cálculo, valor apurado da multa, valor devido da multa (observadas as restrição de valor mínimo por adição e valor máximo por DI), valor lançado; d) fosse anexado demonstrativo consolidando os valores totais devidos para cada tributo (tributo, multa de ofício, juros de mora) e também para a multa regulamentar (modelo Anexo D), o qual deverá refletir eventuais correções quanto ao crédito tributário lançado. Como resultado dessa diligência, a fiscalização juntos aos autos os Anexos solicitados, demonstrando a apuração dos valores devidos e procedendo à correção dos valores indevidamente lançados, o que implicou em nova apuração do crédito tributário objeto de exigência, desta feita, no montante total de R$ 3.110.082,83. Por meio do Despacho de fls. 13.197/99, o fisco detalhou as seguintes correções realizadas em relação aos cálculos anteriormente realizados, a saber: a) foi corrigida a base de cálculo do II relativo à DI 12/06831520, adição 001, item 01, e DI 09/00000672, adição 018, item 03, com efeitos no cálculo dos demais tributos lançados, conforme informações extraídas do Siscomex; b) foram excluídos os valores exigidos a título de diferenças tributárias em relação à DI 11/11568105, adição 014, item 02, e DI 13/03939349, adição 012, item 03, mantendose apenas a exigência de multa regulamentar, haja vista as alíquotas decorrentes da reclassificação fiscal serem as mesmas da classificação adotada pela contribuinte; Fl. 19162DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.163 11 c) foram corrigidas as alíquotas do II utilizadas no demonstrativo de apuração do imposto, relativamente aos produtos relacionados na tabela de fls. 13.198, uma vez que estavam em desacordo com as alíquotas corretas, devidamente indicadas no Termo de Verificação Fiscal; d) o demonstrativo da multa regulamentar detalha a aplicação da alíquota de 1% sobre o valor aduaneiro, bem como a observância do limite inferior de R$ 500,00 por mercadoria (art. 84, I, §1º, da MP 2.15835/01), e do limite superior de 10% do valor aduaneiro da DI (art. 69, IV, da Lei 10.833/2003); e) para cálculo dos juros devidos foi utilizada como referência a data de lavratura do Auto de Infração (14/08/2013). Cientificada do resultado dessa diligência em 02/10/2014 (fls. 13.200/01), a impugnante apresentou manifestação em 31/10/2014, juntadas às fls. 13.203 e seguintes, alegando em síntese, a par das razões anteriormente deduzidas, que: a) a fiscalização reconheceu erro na indicação da base de cálculo do II e a incorreção do lançamento de diferenças tributárias em relação às DI que menciona; bem como, erro nas alíquotas de II utilizadas nos demonstrativos de apuração do auto de infração com relação a todas as mercadorias reclassificadas. Aduz que foi realizado novo cálculo da multa regulamentar, e que o resultado da diligência implicou em significativa redução do valor lançado, de R$ 27.305.431,57 para R$ 3.110.082,83; b) todavia, em que pese a diligência realizada tenha resultado no cancelamento de parcela significativa dos valores lançados (mais de 88%), não tem o condão de convalidar as nulidades do auto de infração, antes as confirmam diante da gravidade dos equívocos cometidos pela fiscalização. Mesmo que seja considerado válido o auto de infração, o que se admite apenas para argumentar, no mérito os lançamentos não merecem subsistir, pelas razões que seguem expostas; c) em preliminar, reitera a impossibilidade de retificação de auto de lançamento atingido por nulidade absoluta, posto que a impossibilidade de a contribuinte ter acesso aos demonstrativos dos lançamentos caracteriza vício material insanável, exigindo a realização de novo lançamento, conforme jurisprudência do CARF; d) ademais, com relação à multa regulamentar prevista no art. 84 da MP 2.15835/2001, as nulidades relativas a esse lançamento sequer foram corrigidas pela diligência, caso se admitisse isso como possível. Isso porque, no caso dessa multa, há duas bases de cálculo a considerar, conforme entendimento da fiscalização. Uma é o valor da mercadoria que, em tese, foi incorretamente classificada, valor sobre o qual é aplicado o percentual de 1%. A segunda base de cálculo é a que deve ser utilizada no cálculo do limite da multa, nos casos em que 1% do valor da mercadoria resultar em valor inferior a R$ 500,00. Fl. 19163DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.164 12 Nesses casos, a fiscalização entende que a base de cálculo do limite de 10% do valor da multa regulamentar é o valor da DI. Todavia, essa segunda base de cálculo, essencial ao cálculo da multa, não foi indicada no demonstrativo de apuração, o que causa prejuízo insanável ao exercício dos direitos ao contraditório e ampla defesa, maculando de nulidade o lançamento, já que não há meios de verificar se o valor lançado está correto ou não; e) reitera não ser verdadeira a afirmação da fiscalização de que a impugnante teria realizado descrição inexata das placas e, portanto, cometido erro de fato a autorizar a revisão aduaneira das DI. Com efeito, as descrições que subsidiaram a equivocada reclassificação que fundamentou o auto de infração, fornecidas pela empresa autuada, não possuem diferença ou acréscimo de informação relevantes com relação às descrições realizadas nas declarações de importação, conforme tabelas que apresenta (fl. 13.220). Desta forma, não tendo havido erro quanto à matéria de fato concernente à identificação física das placas importadas, não há que se admitir a revisão do lançamento, conforme determinam os artigos 146 e 149 do CTN. Cita jurisprudência do E. STJ, para concluir que, tendo a autuação em tela decorrido de erro de classificação jurídica (erro de direito) resta configurada uma mudança de critério jurídico, situação vedada pelo CTN para dar azo à alteração/revisão do lançamento. Aduz que referida decisão ressalta a plena aplicabilidade da Sumula 227 do extinto TFR, além de referendar entendimento reiterado pela jurisprudência daquele Tribunal Superior. Entende, assim, que o auto deve ser integralmente cancelado por razões de mérito; f) em relação à tabela apresentada pela fiscalização em resposta ao pedido de diligência, é possível identificar que o cálculo da penalidade imposta excede, em várias DI, ao limite imposto pelo art. 69 da Lei 10.833/2003 (10% do valor total das mercadorias constantes da DI). Cita, como exemplo, as DI 09/000000621 e 13/06013234, e conclui que o valor da penalidade imposta continua a merecer revisão; g) requer, ao final, o cancelamento do auto de infração pelas nulidades apontadas e, subsidiariamente, seu cancelamento pelas razões de mérito apresentadas. Por meio do Termo nº 06 – de Constatação e Encerramento de Diligência (fls. 13.232/33), a fiscalização observa, em síntese, que: (i) as alíquotas do II foram corrigidas apenas para os itens das DI relacionados no item 5 do despacho de fls. 13.197/99; (ii) o valor total da DI, para cálculo do limite superior de 10% da multa regulamentar, pode ser encontrado nos demonstrativos de fls. 6.351/6.874; (iii) nas DI citadas como exemplos de cálculo da multa regulamentar, a impugnante utilizou os valores das mercadorias reclassificadas para aplicar o percentual de 10% e determinar o limite superior da multa, ao invés do valor total das Fl. 19164DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.165 13 mercadorias constantes da DI, conforme preconiza o art. 69 da Lei nº 10.833/2003. Deste expediente, a empresa foi cientificada em 06/11/2014 (fls. 13.236), havendo apresentado, em 20/11/2014, a manifestação de fls. 13.240/13.250 onde, além das razões anteriormente expendidas, aduz, em síntese, que: a) diante da manifestação do fisco acerca do cálculo da multa regulamentar, entende restar clara uma divergência de interpretação entre impugnante e fisco, pois enquanto ela entende que a base de cálculo do limite de 10% da multa regulamentar somente irá coincidir com o valor total da DI quando a totalidade dos itens nela declarados for objeto de reclassificação fiscal, o fisco sustenta que essa base de cálculo é o valor total das mercadorias, desconsiderando que em uma mesma DI podem constar diversas outras mercadorias que não foram objeto de reclassificação; b) argumenta que somente a sua interpretação do art. 69 da Lei 10.833/2003 é compatível com a finalidade da sanção em questão, bem como com os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e individualização da pena, bem como com o art. 112, IV, do CTN, pois não haveria qualquer sentido em se punir importações realizadas de acordo com a correta classificação fiscal; c) requer, ao final, que na remota hipótese de vir a ser mantido o auto de infração, deve ser recalculada a multa regulamentar. Considerando que, (i) em 24/10/2014, houve o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937/RS, pelo qual o STF declarou, com repercussão geral, a inconstitucionalidade do art. 7º, I, da Lei nº. 10.865/2004, na parte em que acrescenta à base de cálculo do PIS e da COFINS, o valor do ICMS incidente sobre o desembaraço aduaneiro, bem como o valor referente a essas próprias contribuições; (ii) que referida matéria foi objeto da Nota PGFN nº 1.254/2014, a qual a RFB encontrase vinculada nos termos da Portaria Conjunta nº 01/2014, os autos foram baixados em diligência por meio do Despacho nº 04, de 18/03/2015 (fls. 13.776/13.779), para fins de nova apuração das contribuições devidas ao PIS e COFINS Importação, em respeito à decisão judicial (Anexos E e F). Na ocasião, requisitouse também que fosse elaborado demonstrativo consolidando os valores lançados para cada um dos produtos objeto de reclassificação (Anexo G). A fiscalização apresentou os demonstrativos solicitados (Anexos E, F e G) e manifestouse acerca do resultado da diligência às 18.373/18.377. No tocante à solicitação para que os valores de PIS e COFINS fossem apurados em consonância com a decisão do STF, os demonstrativos elaborados pelo fisco revelaram não subsistir valor devido a título dessas contribuições, uma vez aplicada a base de cálculo estabelecida pela decisão judicial definitiva. Fl. 19165DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.166 14 No tocante ao demonstrativo do Anexo G, o fisco fez considerações com relação às DI nº 09/04128207, 09/1035581 3, 09/12102610, 09/15559492, 10/13649615 e 10/14720127, nas quais foram declaradas placas de vídeo e de som reclassificadas para a mesma NCM. Como no caso dessas DI, a multa regulamentar de 1% foi aplicada pelo limite inferior de R$ 500,00, não foi possível determinar o valor dessa multa por produto. Da mesma forma, no caso das DI 09/13897153 e 09/13897730, em que a multa foi aplicada pelo limite superior de 10% do valor aduaneiro total da DI, também não possível determinar o valor dessa multa por produto. Cientificada do resultado dessa diligência em 06/08/2015 (fl. 18.381), a impugnante apresentou manifestação em 04/09/2015, juntadas às fls. 18.383 e seguintes, alegando em síntese, a par das razões anteriormente deduzidas, que: a) a involução dos lançamentos objeto do presente processo só demonstra os graves erros cometidos pela fiscalização, os quais vão desde a elaboração dos cálculos, passando por nulidades e atingindo o mérito da reclassificação fiscal pretendida, conforme se observa da seguinte planilha: (...) b) analisando os demonstrativos e as considerações apresentadas pela fiscalização, percebese que persistem erros na aplicação da multa prevista no art. 84 da MP 2.15835/2001; c) primeiramente, ressalva que a DI 0915559492 está equivocadamente tratada nas considerações, pois a multa aplicada nesse caso não foi de R$ 500,00, mas de R$ 673,32; d) em segundo lugar, observa que a fiscalização segue aplicando limitador da multa em desconformidade com os parâmetros legais, pois conforme anteriormente argumentado, entende que, nos termos do art. 69 da Lei 10.833/2003, a base de cálculo do limite de 10% da multa regulamentar somente irá coincidir com o valor total da DI quando a totalidade dos itens nela declarados for objeto de reclassificação fiscal, estando equivocado o entendimento do fisco de que essa base de cálculo é o valor total das mercadorias, desconsiderando que em uma mesma DI podem constar diversas outras mercadorias que não foram objeto de reclassificação; d) requer, mais uma vez, que na remota hipótese de vir a ser mantido o auto de infração, seja recalculada a multa regulamentar. A Dell Computadores do Brasil Ltda. apresentou Recurso Voluntário (fls 18578/18616), como preliminar defende que "O Auto de Lançamento combatido no presente processo encontra se maculado de nulidades insanáveis que vão desde a forma de apresentação dos demonstrativos de apuração dos lançamentos Fl. 19166DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.167 15 até o conteúdo de tais demonstrativos de apuração, que, por deficientes, impedem o contraditório e a ampla defesa da contribuinte" Defende a Recorrente que "é inadmissível a retificação do lançamento como pretendido no presente processo a partir da diligência determinada pelo Despacho nº 20 da 24ª Turma da DRJ/SPO e admitido pela decisão Recorrida, pois a dificuldade de acesso a documentos essenciais configura uma nulidade absoluta, não passível de ratificação. Inclusive, tal situação configura a lavratura do lançamento sem a presença de todos os seus requisitos legais, no caso em tela, sem o demonstrativo de cálculo do valor do crédito tributário, conforme determina o art. 11, inciso II do Decreto nº. 70.235/72". Afirma a Recorrente que as várias diligências realizadas após a lavratura do Auto de Infração, antes de convalidar o lançamento, confirmam a sua nulidade e ainda assevera que, mesmo com todas as diligências realizadas, remanescem substanciais erros de cálculo nos lançamentos referentes à multa regulamentar, não obstante todas as manifestações da Recorrente para que fossem corrigidos. Ainda em preliminar, defende a nulidade de todos os lançamentos porque não teria ocorrido o erro de fato que baseou a autuação fiscal. Afirma a Recorrente que "No Auto de Infração, a Fiscalização sustentou que a Recorrente teria realizado a descrição das placas de computador objeto do auto de infração de forma incorreta nas suas declarações de importação ("DIs"). Assim, em razão desse suposto erro de descrição (erro de fato), a Fiscalização teria se arvorado no direito (dever) de revisar as classificações fiscais realizadas e, assim, cobrar as diferenças de tributos e penalidades que entende cabíveis". Conclui que, não tendo ocorrido a descrição inexata das mercadorias, não houve erro de fato, sendo indevida a revisão de lançamento e da classificação fiscal e, portanto, devendo ser o Auto de Infração integralmente cancelado. No mérito, a Recorrente no qual apresenta as mesmas alegações e pedidos constantes da Impugnação. Ou seja, com exceção da mercadoria denominada "PlacasMãe", defende a classificação que consta das suas declarações de importação. Questiona a aplicação de multas, juros de mora e atualização monetária dos valores dos tributos em pauta. Requer, ao final, que o lançamento seja declarado nulo em face das preliminares levantadas e que seja julgado improcedente o auto de infração segundo as razões aduzidas. Analisados o Recurso Voluntário e o Recurso de Ofício, esta Turma do CARF decidiu mediante o Acórdão no. 3301004.095– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, com a seguinte ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Fl. 19167DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.168 16 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2013 Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. O produto descrito como “placamãe para computadores”, classificase no código NCM 8473.30.41. O produto descrito como “placa de rede para computadores”, classificase no código NCM 8517.62.59. O produto descrito como “placa de modem para computadores”, classificase no código NCM 8517.62.55. Os produtos descritos como “placa de vídeo para computadores” e “placa de som para computadores”, classificamse no código NCM 8471.80.00. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/2001. Referida multa não poderá ser superior a 10% do valor total das mercadorias constantes da Declaração de Importação (art. 69, caput, da Lei nº 10.833/2003). MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se caracteriza como mudança de critério jurídico a reclassificação fiscal de mercadorias procedida em sede de revisão aduaneira, mormente quando a legislação que cuida da classificação fiscal não foi alterada. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Demonstrado nos autos que as omissões e incorreções apontadas pela impugnante vieram a ser devidamente sanadas, permitindolhe exercer sem restrições seu direito à ampla defesa, não há que se declarar a nulidade do auto de infração, a teor do disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado e Recurso de Ofício Negado O contribuinte interpôs embargos de declaração alegando os seguintes vícios (fls. 18.776/18.887): "a) inocorrência do suposto erro de fato; b) nulidade do lançamento da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.15835/2001; c) classificação fiscal das placas importadas; e, d) instrução Normativa nº 80/96 e o art. 100 do CTN" (conforme Despacho, fl. 19.150) Os embargos foram admitidos em parte, em relação aos itens: "b) nulidade do lançamento da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.15835/2001"; e, "d) instrução Normativa nº 80/96 e o art. 100 do CTN". Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O contribuinte apresentou embargos de declaração (fls. 18.776/18.887), os quais foram admitidos (fls. 2946/2948) em relação aos seguintes pontos ( fl. 19.150): Fl. 19168DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.169 17 b) nulidade do lançamento da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.15835/2001; d) instrução Normativa nº 80/96 e o art. 100 do CTN Passo a discorrer sobre cada uma das questões embargadas e admitidas, em duas partes e conclusão. Parte I b) nulidade do lançamento da multa prevista no art. 84 da MP nº 2.15835/2001; c) classificação fiscal das placas importadas Defende, a Embargante, a nulidade da multa em epígrafe, nos seguintes termos: nulidade do acórdão 1671.694 diz respeito à admissão da aplicabilidade da multa prevista pelo artigo 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, combinado com o artigo 69, da Lei nº 10.833/2003, em decorrência de classificação errônea das mercadorias na NCM com relação às placas mãe, classificadas pela 8473.30.49 e 8473.30.41. É que neste caso as posições discutidas são equiparadas tanto para fins de pagamento dos tributos, eis que as alíquotas aplicáveis para II, IPI, PIS e COFINS incidentes na importação são rigorosamente iguais e assim também as obrigações acessórias, tais quais o licenciamento da operação de importação ou anuência de órgãos federais. Não estando sujeitas ao Licenciamento da Importação e, tampouco, à aprovação por qualquer órgão federal, e não havendo diferenciação da carga tributária incidente na importação, não há como sustentar qualquer espécie de diferenciação no tratamento dado pela legislação às mercadorias classificadas no código NCM 8473.30.49 em comparação com aquelas previstas no código NCM 8473.30.41. Ou seja, as mercadorias são equiparadas tanto para pagamento dos tributos quanto para cumprimento de obrigações administrativas. (...) Desta feita, o que se observa é o apego exclusivo ao princípio da responsabilidade objetiva na aplicação de penalidades aduaneiras, uma vez que, em tese, esta seria a única fundamentação capaz de salvar a imposição da penalidade no caso concreto. (...) E, no presente caso, em que pese se possa admitir tenha ocorrido um ilícito com relação à classificação fiscal das placasmães, não Fl. 19169DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.170 18 houve dano algum, seja com relação ao recolhimento de tributos, seja com relação ao controle aduaneiro. Sendo assim, impossível cogitarse da aplicação a penalidade prevista no art. 84, da MP nº 2.15835/2001, mesmo em face do princípio da responsabilidade objetiva. Ademais, não se pode olvidar do contexto fático envolvido na presente controvérsia, em que as importações sujeitaramse a canal vermelho de parametrização aduaneira, conforme expressamente reconhecido pela Fiscalização (fls. 527) e referido no tópico anterior. Nesse contexto, a jurisprudência vem reconhecendo que a soma dos elementos (i) ausência de prejuízo ao erário com (ii) ocorrência de verificação das mercadorias pelo Fisco em seu desembaraço impede a aplicação da multa aduaneira. Isso porque, nessas circunstâncias, além de inexistir qualquer dano ao fisco, verificase que o contribuinte tinha um justo motivo para acreditar estar agindo da forma correta, qual seja, o comportamento da própria Fiscalização Aduaneira, estabelecendo uma relação de confiabilidade entre as ações do contribuinte (apontar a classificação fiscal 8473.30.49) com as práticas reiteradas da fiscalização ao revisar DIs com tais mercadorias. Tal fato denota que a classificação fiscal adotada era, no mínimo, duvidosa, o que atrai a incidência do comando inserto no art. 112, do CTN, que impede a aplicação da penalidade ao contribuinte; (...) Nesse contexto, é possível concluir, diversamente do disposto na sentença, por uma verdadeira mudança de critério jurídico, ainda que limitada à seara fática da controvérsia. Tornase relevante, ainda, a ausência de prejuízo ao erário o qual não restou demonstrado nos autos. No concernente, além de inexistir qualquer outro vício capaz de macular as operações de importação realizadas pela autora, cabe sopesar que as falhas humanas, porventura existentes nos complexos processos do comércio internacional, podem ou não resultar na supressão de tributos. (...) (...) Pelo exposto, ainda que admitidos os lançamentos de diferenças de tributos, o que se admite apenas para argumentar tendo em vista as nulidades arguidas nos tópicos 3.1 e 3.2, deve a multa de 1% aplicada no presente caso ser integralmente cancelada no que diz respeito às importações de placasmãe, considerandose a inexistência de prejuízo ao erário e a verificação das DI em canais vermelho e amarelo de parametrização aduaneira. A multa impugnada está prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.158 35/2001, que assim dispõe: Fl. 19170DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.171 19 “Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou” Verificado o erro cometido na classificação dos produtos (erro na informação da correta classificação fiscal), o fato enquadrase na norma prevista no dispositivo acima mencionado, tornando legítima a exigência da multa. Com relação às alegações de que a inexatidão na classificação não acarretou falta de pagamento de tributos, nem existiu qualquer impacto no controle aduaneiro, basta lembrar que a multa não está condicionada a consequências ou resultados materiais, ou seja, tratase de um ilícito formal. Outrossim, a multa não está vinculada a prejuízo tributário, pois as informações além de serem utilizadas para o controle aduaneiro, servem para outras finalidades, inclusive estatísticas e definição de políticas públicas. Interessante lembrar ainda a responsabilidade objetiva em relação às infrações aduaneiras, ou seja, responsabilidade mesmo sem dolo ou culpa do infrator, conforme o art. 673 do Regulamento Aduaneiro, mencionado na decisão da Delegacia de Julgamento, da qual reproduzimos trecho: Com relação às alegações de que a inexatidão na classificação não acarretou falta de pagamento de tributos, nem existiu qualquer impacto no controle aduaneiro, esbarram no princípio da responsabilidade objetiva, consagrado pelo artigo 673 do Regulamento Aduaneiro de 2009, cuja matriz legal é o art. 94 do DecretoLei nº 37/66: “Art. 673 – Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo. Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato.” Dessarte, propõese manter integralmente a decisão da Delegacia de Julgamento nesta questão. Parte 2 Vamos agora ao segundo ponto dos embargos admitido: d) instrução Normativa nº 80/96 e o art. 100 do CTN Segundo a Embargante, "mesmo na remota hipótese de manutenção dos lançamentos referentes aos tributos objeto do lançamento impugnado, o que se admite apenas Fl. 19171DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.172 20 para efeitos de argumentação, não há que se falar em incidência de multas, juros de mora e atualização monetária do valor da base de cálculo do tributo, por força da incidência do disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN" (fl. 36 do Recurso Voluntário). Defende a Embargante que: a classificação fiscal adotada pela Recorrente esteve pautada pela Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (“NVE”), instituída através da Instrução Normativa nº 80/96. A decisão recorrida não nega tal fato, porém, a fim de salvar o Auto de Lançamento em sua integralidade e não tendo outro argumento, nega o próprio caráter de norma complementar àquilo que foi objeto de uma instrução normativa emitida pelo Secretário da Receita Federal Sobre este ponto cumpre inicialmente retomar os fundamentos da decisão da Delegacia de Julgamento, a qual adotamos integralmente: Esse entendimento, todavia, não tem como prevalecer, posto que a NVE, instituída pela IN SRF nº 80/96, conforme consta de seu artigo 1º, “tem por finalidade identificar a mercadoria submetida a despacho aduaneiro de importação, para efeito de valoração aduaneira, e aprimorar os dados estatísticos de comércio exterior.” Não consta da legislação que criou e regula referida Nomenclatura a tarefa de proceder ou sequer subsidiar a classificação fiscal de mercadorias, tarefa esta que compete exclusivamente às Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado. Não é demais lembrar que o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, ou simplesmente Sistema Harmonizado (SH), é um método internacional de classificação de mercadorias, desenvolvido pela OMA, submetido a constantes revisões para mantêlo atualizado de acordo com as mudanças de tecnologia e padrões comerciais. Sua estrutura compreende (i) a Nomenclatura propriamente dita; (ii) as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado, através das quais são estabelecidas as regras gerais de classificação das mercadorias na Nomenclatura; (iii) as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), que fornecem esclarecimentos e interpretam o Sistema Harmonizado, estabelecendo, detalhadamente, o alcance e conteúdo da Nomenclatura. A Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, celebrada em Bruxelas, em 14 de junho de 1983, foi aprovada pelo Congresso Nacional através do Decreto Legislativo nº 71, de 11 de outubro de 1988 e promulgada pelo Decreto nº 97.409, 28/12/1988, fazendo parte, desde então, da legislação tributária do País, com superveniência sobre a legislação interna, nos termos dos artigos 96 e 98 do CTN. Fl. 19172DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.173 21 Com o advento do MERCOSUL, foi criada a Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), tendo por base a Nomenclatura do Sistema Harmonizado. Assim, dos oito dígitos que compõem a NCM, os seis primeiros seguem o mesmo padrão do Sistema Harmonizado, enquanto o sétimo e oitavo dígitos correspondem a desdobramentos específicos atribuídos no âmbito do MERCOSUL. Tendo como alicerce a NCM, foi criada em janeiro de 1995, a Tarifa Externa Comum (TEC), na qual cada código da NCM é correlacionado a um gravame de importação (alíquota). Das considerações acima expendidas, ressalta, portanto, a superveniência, para fins de classificação fiscal, da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, com suas Regras Gerais Para a Interpretação do Sistema Harmonizado e Notas Explicativas, sobre qualquer regramento do ordenamento normativo interno que a contrarie. Esta prevalência encontrase contemplada no Regulamento Aduaneiro de 2009, conforme a seguir se reproduz: “Art. 94. A alíquota aplicável para o cálculo do imposto é a correspondente ao posicionamento da mercadoria na Tarifa Externa Comum, na data da ocorrência do fato gerador, uma vez identificada sua classificação fiscal segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul. Parágrafo único. Para fins de classificação das mercadorias, a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul será feita com observância das Regras Gerais para Interpretação, das Regras Gerais Complementares e das Notas Complementares e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Aduanas (DecretoLei no 1.154, de 1o de março de 1971, art. 3o, caput)” (negritamos) Considerando, assim, que a NVE não se trata de um ato normativo destinado a regular a classificação fiscal de mercadorias e, portanto, não se enquadra na hipótese prevista pelo inciso I do art. 100 do CTN, concluímos ser improcedente o pleito da impugnante pela exclusão das multas e juros de mora. Finalmente, quanto à afirmação de que a classificação fiscal das placas de vídeo e som na NCM 8473.30.49 veio a ser confirmada com a criação do Ex Tarifário (Ex 001) nessa posição, pela Resolução CAMEX N° 73, publicada em 16/09/2013; deixamos de adentrar o mérito dessa discussão, uma vez que esse dispositivo não tem aplicação à situação sob exame, haja vista sua publicação ter se dado em data posterior aos fatos geradores deste processo. Dessa forma, cumpre observar, conforme a decisão da Delegacia de Julgamento, que a legislação, especialmente o art. 94 do Regulamento Aduaneiro, indica os procedimentos e a base normativa para realização da classificação fiscal, não sendo a NVE adequada para tal finalidade. Fl. 19173DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301005.706 S3C3T1 Fl. 19.174 22 Consignese ainda que, conforme consta da decisão embargada, com relação à placa de rede (código 8517.62.59), existem, inclusive, Soluções de Consulta emitidas pelas 9ª e 10ª Regiões Fiscais, todas alinhadas nesse mesmo código NCM. Dessa forma, propõese manter integralmente também neste ponto o entendimento da decisão da Delegacia de Julgamento. Conclusões Diante do exposto, voto no sentido acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, na forma indicada no presente voto. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 19174DF CARF MF
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