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Numero do processo: 10380.729157/2011-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA.
A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. A retroatividade benigna para limitar a multa a 20% é incabível, considerando que a sua natureza é de multa de mora, enquanto, em existindo lançamento, sempre há de se falar em multa de "de oficio".
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-004.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. A retroatividade benigna para limitar a multa a 20% é incabível, considerando que a sua natureza é de multa de mora, enquanto, em existindo lançamento, sempre há de se falar em multa de "de oficio". AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial do Procurador Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 91 57 /2 01 1- 16 Fl. 292DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.729157/201116 Acórdão n.º 9202004.000 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratamse de autos de infração de obrigações principais AIOP, lavradas em desfavor do contribuinte identificado abaixo, posteriormente à vigência da MP 449/08 para a exigência de contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, apurados no confronto entre Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP) e Folhas de Pagamento, de 01/2007 a 12/2008: 1) Auto de Infração nº 37.296.9615, com valor principal de R$ 16.064,97 e total consolidado em 12/09/2011 de R$ 34.248,08, no qual foram incluídas as seguintes contribuições, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados:a. contribuição patronal prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, I; b. contribuição patronal destinada ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213/91 e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (Lei nº 8.212/91, art. 22, II); 2) Auto de Infração nº 37.296.9631, com valor principal de R$ 8.198,14 e total consolidado em 12/09/2011 de R$ 17.479,42, no qual foi incluída a contribuição dos segurados empregados, a qual a empresa ou equiparada tem obrigação de arrecadar e recolher (Lei nº 8.212/91, art. 20, c/c art. 30, I, "a", e art. 33, §5º); 3) Auto de Infração nº 37.296.9640, com valor principal de R$ 1.912,50 e total consolidado em 12/09/2011 de R$ 3.174,90, no qual foi incluída a contribuição destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE (SalárioEducação). A contribuinte foi autuada na qualidade de titular do Cartório Alexandre Rolim. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos da Lei nº 8.212/91, art. 35A, c/c art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, ambos com redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/09, por ser considerada mais favorável. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE julgado o lançamento procedente, fls. 189/196. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, o julgador, em observância ao contido no art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional CTN, deferiu pelo comparativo da multa mais benéfica ao contribuinte, haja vista a alteração da legislação pela Lei nº 11.941/2009, no que se refere à aplicação de penalidade. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Conforme o art. 106, II, do CTN, foi acordado que se observasse a situação que resultaria mais favorável ao contribuinte, para os fatos geradores anteriores a 11/2008: nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP , manter a penalidade equivalente à soma da multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Portanto, em sessão plenária de 18/06/2015, foi prolatado o Acórdão nº 2301 003.944, fls. 239/253 assim ementado e com a seguinte decisão: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. FUNCIONÁRIOS DE CARTÓRIOS ADMITIDOS ANTES DE 1994 E REGIDOS PELO REGIME ESTATUTÁRIO. NÃO VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial, admitidos antes da vigência da Lei 8.935/94 e não optantes pelo regime celetista, continuarão vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia, e, desde que estejam amparados por regime próprio de previdência que lhes garanta, entre outros benefícios, a aposentadoria, ficam, conseqüentemente, excluídos do RGPS conforme disposição contida no art. 13 da Lei n ° 8.212/91. A EC 20/98 ao excluir do RGPS somente os detentores de cargo efetivo atinge o direito adquirido dos funcionários de cartórios. Por outro lado, se o trabalhador foi admitido após 1994, então estará regido pelo RGPS com obrigação do contratante de recolher as contribuições previdenciárias respectivas. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.729157/201116 Acórdão n.º 9202004.000 CSRFT2 Fl. 4 5 DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Recurso Voluntário provido em Parte.” “Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada ; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei n º 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) ; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) ; III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20% ; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei n º 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente.” O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 03/07/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 06/08/2014, o Recurso Especial, fls. 255/273. Em seu recurso visa restabelecer a multa aplicada nos termos da autuação, já que o art. 35 da Lei n° 8.212/91 deveria, agora, ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9.430/96. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho, fls. 275/283, da 3ª Câmara, de 18/06/2015. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Em relação à multa do art. 35 da Lei nº 8.212/91, a recorrente traz como alegações, que: · O artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária. · A redação do art. 35A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias indicadas no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. · A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve prevalecer, na hipótese de lançamento de ofício, configurada a falta ou recolhimento do tributo e/ou a falta de declaração ou declaração inexata, a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, diante da literalidade do art. 35A. · Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. · Requer ao final seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na anterior redação, confirmada pela Lei n.º 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212/91, devendo se verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Em relação à comparação entre a multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 com a soma das multas previstas no art. 32 e 35 da Lei nº 8.212/91 em sua redação original e à multa a partir de 12/2008, de acordo com o art. 35A, a recorrente traz como alegações, que: · o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, o que significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária. · antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91. Separadamente, havia a lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada). Fl. 297DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.729157/201116 Acórdão n.º 9202004.000 CSRFT2 Fl. 5 7 · com o advento da MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212/91. · o art. 32A, em sua redação dada pela MP 449/2008, dispõe que: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo”. · a MP 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. · tal dispositivo remete a aplicação do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”; · a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma, e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto/contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). · a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 · toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91. · houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito, e, sendo assim, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). · foi correta o procedimento adotado pela autoridade fiscal, que aplicou a norma mais benéfica, após o cotejo entre as duas multas anteriores (arts. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) e a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. · a Receita Federal do Brasil editou uma IN, de nº 971 de 13/11/2009, estabelecendo regras a serem observadas em razão do advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, litteris: “Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.”. · portanto, deve ser feita a comparação entre os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Cientificado do Acórdão nº 2301003.944, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Exame de Admissibilidade em 29/07/2015, o contribuinte não apresentou Contrarrazões nem Recurso Especial da parte que lhe foi desfavorável. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.729157/201116 Acórdão n.º 9202004.000 CSRFT2 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. DO MÉRITO APLICAÇÃO DA MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ter seu patamar restabelecido àquele lançado pela autoridade fiscal, entendo que razão assiste ao recorrente. No que toca à multa, a autoridade fiscal registrou em seu relatório, que foram efetuados cálculos, por competência, para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte comparandose a da legislação anterior, art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91, na redação antiga, vigente à época da lavratura do AI e a da legislação atual (art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009). Como resultado, aplicouse, para cada competência, a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. Ainda, no que tange ao cálculo da multa, para entender a natureza das multas aplicadas e por conseguinte como deve ser interpretada a norma, passemos a algumas considerações, tendo em vista que a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP, introduzindo dois novos dispositivos legais, senão vejamos: Até a edição da MP 449, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será Fl. 300DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada Fl. 301DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10380.729157/201116 Acórdão n.º 9202004.000 CSRFT2 Fl. 7 11 passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8.212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, conforme consta do relatório, a multa aplicada ocorreu nos termos da Lei nº 8.212/91, art. 35A, c/c art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, ambos com redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/09, por ser considerada mais favorável. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso do AIOP julgado, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, ou seja, 24%. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Assim, entendo que a multa aplicada pelo auditor encontrase em perfeita consonância com os normativos vigentes, bem como refletem de forma mais adequada a natureza da multa aplicada. Notese que a aplicação do somatório das multas para efeitos de apuração da multa mais benéfica, impossibilita a aplicação da limitação da multa a 20%, Fl. 302DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 atribuída pela turma a quo, por considerar, que a multa aplicada pela legislação anterior não tem caráter de moratória, mas de multa de ofício. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para restabelecer a multa originalmente aplicada no presente lançamento. É como voto. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 303DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.020382/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 16/12/1998 a 31/12/2006
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-004.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso em virtude da renúncia tácita às Instâncias Administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 01.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 16/12/1998 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Não Conhecido
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF N° 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso em virtude da renúncia tácita às Instâncias Administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 01. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 03 82 /2 00 8- 50 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15504.020382/200850 Acórdão n.º 2401004.124 S2C4T1 Fl. 336 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal. Adotamo trechos, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 239 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a Secretaria de Estado de Ciência Tecnologia e Ensino Superior do Estado de MG, no montante de R$ 2.756.786,54 no período de 16/12/1998 a 12/06, inclusive 13° salário, consolidado em 20/11/2008, referente a contribuição social destinada à seguridade social correspondente à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), apuradas com base em remunerações pagas ou creditadas a segurados não efetivos, vinculados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS, conforme Relatório Fiscal de fls. 115/119. A ação fiscal teve inicio com o Termo de Inicio de Ação Fiscal — TIAF de fls. 104. • A interessada foi cientificada da presente NFLD em 09/12/2008 (cópia de AR juntada à fl. 122) e apresentou impugnação em 22/12/2008, as fls. 126/140 (…) (...) Como afirmado, a impugnação foi julgada improcedente. Cientificada do julgamento, a recorrente apresentou, tempestivamente, o recurso de fls. 365 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * nulidade da intimação dirigida à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais,sendo válida somente aquela dirigida à Advocacia Geral do Estado, devendo ser esta considerada como termo inicial para fluência do prazo recursal; * decadência do direito de lançar, nos termos do artigo 173 do CTN, pois os débitos se referem ao período de 16/12/1998 a 31/12/2006 e foram constituídos em 20/11/2008, sendo que a recorrente somente foi intimada em 05/12/2008. Assim, devem ser excluídos do lançamento os valores referentes ao período compreendido entre 16/12/1998 a 31/12/2002. Nos termos da decisão recorrida, a concessão de liminar no Mandado de Segurança 1999.38.0.017.8182, cassada em 27/02/2007, obstou o exercício do dever legal de constituir o crédito, não fluindo o prazo decadencial enquanto vigorou a liminar, confirmada pela sentença Fl. 407DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 de 1. grau. Entretanto, esse entendimento não pode prevalecer, haja vista posicionamento contrário sedimentado no STJ (STJ, REsp 216.298); * quanto aos dados constantes dos arquivos digitais fornecidos pela Secretaria de Estado Planejamento e Gestão, aduz que não poderia lhe ser exigida a ratificaçãoo/retificação, por falta de competência da autoridade fiscal para tais exigências. Ademais, os dados careceriam de processo de certificac’ão disponibilizado pela ICPBrasil; * necessidade de prova pericial para provar os fatos alegados; * no que se refere aos servidores não efetivos, aduz que estão vinculados a regime próprio, nos termos da legislação estadual (Lei Estadual n. 869/52, Decreto Estadual n. 31.390). Discorre sobre a autonomia política do Estado de Minas Gerais e sobre a competência concorrente prevista na Constituição Federal de o Estado instituir tributo dos servidores, nos termos do art. 149, §1° da Constituição Federal. Alega que desde a Constituição Federal de 1988, o Estado tinha competência para reger matéria previdenciária de seus servidores, incluindo os designados para o exercício da função pública, regidos pela Lei n° 10.254 de 20.07.1990, que instituiu o regime jurídico único no Estado de Minas Gerais. O art. 4° da citada lei, dispôs sobre a situação jurídica do detentor de função pública. Aos servidores não efetivos aplicamse os dispositivos da Lei Estadual 869/52, do Decreto Estadual 31.930/90 e da Lei 9.380/86, em cujos artigos prevêem os benefícios previdenciários aos servidores estaduais, incluindo aposentadoria nas diversas modalidades e pensão a seus dependentes, existindo, assim, RPPS — Regime Próprio de Previdência Social para os servidores não efetivos o que afasta a competência da Receita Federal do Brasil para cobrar contribuição relativa aos servidores públicos estaduais. Argumenta o Impugnante que após a Emenda Constitucional — EC Estadual n° 49, de 13.06.2001, os servidores públicos estaduais detentores de função pública passaram a ter os mesmos direitos inerentes ao exercício do cargo efetivo. Cita os artigos 105 a 108 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição do Estado de Minas Gerais de 1989, inseridos pela EC 49. Conclui que ainda que antes da EC n° 49/01, os detentores de função pública fossem considerados não efetivos, após referida emenda passaram a ter os mesmos direitos dos servidores que eram titulares de cargo efetivo, o que significa que passaram a pertencer (se já não pertenciam) ao RPPS dos servidores do Estado de Minas Gerais, competindo a esse ente federativo arrecadar contribuições e efetuar o pagamento dos benefícios previdenciários em relação a estes servidores. Destaca que a EC 49/01 foi objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADI/STF 2578/MG, cujo resultado foi o seu não conhecimento. Cita trecho do voto do Ministro Celso de Mello. Diz que as normas de regência dos detentores de função pública no âmbito do Poder Executivo estadual é a Lei 10.254/90 e no âmbito do Poder Legislativo estadual é a Resolução ALEMG 463/90, sendo que reconhecem o regime previdenciário nos mesmos moldes dos demais servidores titulares de cargo efetivo. Não foi a EC 49/01 que disciplinou a situação de tais servidores, mas as normas editadas desde 1990, tendo a citada emenda fortalecido o entendimento já consagrado na federação brasileira. Assim, faleceria competência à Receita Federal do Brasil para cobrar contribuições previdenciárias dos servidores estaduais não efetivos, quando vigente as leis e Constituição Estadual vinculando estes servidores a RPPS. Argumenta que até 1998 a Constituição Federal nada mencionou sobre o custeio da aposentadoria dos servidores estaduais, distritais e municipais. Somente com a EC 20/98, previuse o caráter contributivo do regime de previdência dos servidores estaduais e exigiuse o requisito de tempo de contribuição para a concessão da aposentadoria. Assim, não haveria que se falar em contribuição de servidores públicos estaduais de qualquer categoria vinculados ao Estado de Minas Gerais, para custeio de aposentadoria antes da EC 20/98. Acrescenta que os servidores só efetuaram contribuições a partir de 1996, nos moldes da Lei 12.278/96, revogada pela LC 64/02 e pela LC 100/07. Conclui que, no período de autuação, os servidores não efetivos — ocupantes de cargos comissionados de recrutamento amplo e detentores de função pública — estavam amparados Fl. 408DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15504.020382/200850 Acórdão n.º 2401004.124 S2C4T1 Fl. 337 5 pelo RPPS do Estado de Minas Gerais não tendo que se falar em contribuições devidas à Receita Federal do Brasil. Em tópico seguinte alega que além dos argumentos relativos ao pacto federativo brasileiro, a obrigação principal de recolhimento das contribuições previdenciárias pelo Estado de Minas Gerais relativa a servidores "não efetivos" também inexiste. Transcrevendo o § 1° do artigo 149 da Constituição Federal, e invocando a sua redação anterior dada pela emenda Constitucional n° 33/2001 a qual dispunha que os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderiam instituir contribuição para custeio do regime previdenciário de que trata o art. 40 da CF, alega que temse por legitima a capacidade do Estado de Minas Gerais para a instituição de contribuição previdenciária de seus servidores nos moldes de sua própria legislação. Ressalta que os recursos porventura arrecadados pelos Estados no exercício de sua competência tributária previdenciária integram os próprios orçamentos, de acordo com o estabelecido pelo artigo 195, § 1° da Constituição Federal, não cabendo à União tais recursos. Argumenta que sendo tal contribuição um tributo, devese submeter as limitações constitucionais ao poder de tributar, sendo a primeira delas a legalidade da lei tributária da qual se tem que não se pode exigir ou aumentar qualquer tributo sem lei que o estabeleça. Alega que a Lei 8.212/91 em momento algum elenca como contribuintes os servidores públicos ocupantes exclusivamente de cargos comissionados dos Estados ou detentores de função pública ou designados, como o faz para os servidores públicos da União, conforme se depreende do seu artigo 12, inciso I, alínea g (na redação dada pela Lei n° 8.647/1993). Prossegue argumentando que a Lei 8.212/91 só prevê como contribuintes, fora dos casos elencados no art. 12 os servidores ocupantes de cargo efetivo dos Estados, não fazendo alusão aos cargos em comissão, função pública ou designados. Conclui que o tributo — contribuição previdenciária relativa aos servidores públicos "nãoefetivos dos Estados membros — não foi instituído pela União, falecendo mesma capacidade para cobrálo do Estado de Minas Gerais. Inexistindo amparo para o crédito principal, também não há amparo para exigir que o Estado cumpra com as obrigações acessórias decorrentes do principal. Ressalta que o Estado de Minas Gerais sempre agiu de acordo com a legislação, não havendo ofensa aos dispositivos legais apontados pelo fisco, uma vez que não estava obrigado a cumpri los; * ainda que fosse devida contribuição, esta seria passível de compensação, nos moldes da Lei n. 9.796/99. É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Ação Judicial. Em que pese a ausência de notícia nos autos, a memória e os arquivos deste Relator permitiram rememorar julgamento de recurso voluntário ocorrido em 19 de setembro de 2013, nos autos do processo 15504.010514/200916, que tratava de Auto de Infração lavrado em face da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. O desfecho daquele recurso voluntário dependia da mesma questão debatia nos presentes autos: incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração de servidores não efetivos. Naqueles autos, a mesma AdvocaciaGeral do Estado, que elaborou a peça recursal aqui em análise, informou que o Estado de Minas Gerais, a União e o INSS celebraram acordo perante o STJ, nos autos do REsp n° 1.135/162/MG, que envolve a questão referente à incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração de servidores não efetivos. Deveras, ali constou que: Preliminarmente, alega que o Estado de Minas Gerais, a União e o INSS celebraram acordo perante o STJ, nos autos do REsp n° 1.135/162/MG, que envolve a questão debatida nos presentes autos. Segundo constado item J, as partes devem comunicar a homologação daquele acordo em cada ação judicial e também nos processos administrativos, como no caso. Nos termos deste acordo o Estado de Minas Gerais reconhece que após o advento da Emenda Constitucional n.° 20, de 15 de dezembro de 1998, a União é credora das contribuições previdenciárias devidas ao Regime Geral de Previdência Social, relativas a seus servidores não efetivos; as quais serão quitadas por meio de parcelamento, nos termos da Lei n.° 11.941, de 27 de maio de 2009; observandose, para tanto, a decadência e prescrição qüinqüenais; nos termos da Súmula Vinculante n° 8 do STF, cuja consolidação obedecerá aos termos do acordo. Este Acordo foi homologado em decisão proferida pelo Exmo. Sr. Ministro Humberto Martins, publicada em 06/08/2010, após parecer favorável do Ministério Público Federal. Ainda nos termos do Acordo, o Estado, de Minas Gerais deverá peticionar em cada processo que verse sobre a mesma matéria, comunicando a homologação deste. O Estado comunica que o pagamento dos referidos débitos consolidados neste auto de infração após exclusão dos valores indevidos, serão quitados por meio de parcelamento, nos termos da Lei Federal n° 11.941, de 27 de maio de 2009, ao qual o Estado já indicou o valor que entende devido. Assim, requer, requer a extinção e arquivamento do processo administrativo tendo em vista a transação havida entre as partes, por aplicação do artigo 52 da Lei Federal 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Assim, apesar de não constar dos autos ter a recorrente aqui cumprindo o estatuído no item J, comunicando a homologação daquele acordo e informando que o pagamento dos referidos débitos consolidados neste Auto de Infração, após exclusão dos valores indevidos, seriam quitados por meio de parcelamento, cumpre a este relator aqui Fl. 410DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15504.020382/200850 Acórdão n.º 2401004.124 S2C4T1 Fl. 338 7 reconhecer a existência dessa questão preliminar, consignando que, pelo item C do referido acordo, quanto aos lançamentos já efetuados, a recorrente realmente reconhece o débito e obrigase ao pagamento/parcelamento. Diante da existência de acordo judicial que engloba todas as questões suscitadas no Recurso Voluntário, incluindo as demais matérias preliminares e também o mérito, forçoso reconhecer que houve renúncia ao contencioso administrativo. Senão vejamos. O artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que seja afastada da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao Judiciário e este não pode furtarse da apreciação e solução da matéria. As decisões deste Poder sobrepõemse às decisões administrativas, pelo que, tendo sido proposta ação judicial na qual são discutidas as mesmas questões de mérito suscitadas em defesa administrativa, encerrandose o processo judicial, a decisão administrativa seria substituída pela sentença. É por essa razão que ocorrerá renúncia ao contencioso quando a ação judicial tiver por “o mesmo objeto” ou “pedido” do processo administrativo. É o que dispõem a Súmula CARF n° 1; o artigo 126, § 3º, da Lei no 8.213/91; o artigo 38 da Lei n° 6.830/80; e o artigo 87 do Decreto 7.574/11: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Lei n° 8.213/91: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) “(sem grifos no original) Fl. 411DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 Parágrafo único. Se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, o julgamento limitarseá à matéria diferenciada” (sem grifos no original) Lei n° 6.830/80: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto Decreto 7.574/2011: (Regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil) (...) Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei n° 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. (Todos destaques são nossos) Assim, tendo em vista que a recorrente manejou ação judicial, na qual celebrou acordo que engloba todas as questões suscitadas no Recurso Voluntário, incluindo as demais matérias preliminares e também o mérito, forçoso reconhecer que houve renúncia ao contencioso administrativo. Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15504.020382/200850 Acórdão n.º 2401004.124 S2C4T1 Fl. 339 9 (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 413DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 10 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 20/ 03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 15868.000347/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E ERRO MATERIAL.
Cabem embargos de declaração quando verificado, no acórdão hostilizado, a existência de omissão, bem como para corrigir inexatidão material devida a lapso manifesto.
JUROS. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O crédito tributário é o vínculo jurídico por intermédio do qual o Estado pode exigir do sujeito passivo o objeto da obrigação principal, vale dizer, o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta.
Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes
Numero da decisão: 2201-003.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanado o vício apontado no acórdão nº de 2202-001.248 de 24/08/2011, alterar a decisão original para "Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial para determinar a compensação em relação aos tributos pagos pela pessoa jurídica. Vencidos os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rodrigo Santos Masset Lacombe que afastavam a qualificação da multa e Gustavo Lian Haddad que, além disso, acolhia a preliminar de decadência do ano-calendário 2003. Designado para elaborar o voto vencedor em relação à qualificação da multa, o conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior".
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E ERRO MATERIAL. Cabem embargos de declaração quando verificado, no acórdão hostilizado, a existência de omissão, bem como para corrigir inexatidão material devida a lapso manifesto. JUROS. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O crédito tributário é o vínculo jurídico por intermédio do qual o Estado pode exigir do sujeito passivo o objeto da obrigação principal, vale dizer, o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes
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OMISSÃO E ERRO MATERIAL. Cabem embargos de declaração quando verificado, no acórdão hostilizado, a existência de omissão, bem como para corrigir inexatidão material devida a lapso manifesto. JUROS. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O crédito tributário é o vínculo jurídico por intermédio do qual o Estado pode exigir do sujeito passivo o objeto da obrigação principal, vale dizer, o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanado o vício apontado no acórdão nº de 2202001.248 de 24/08/2011, alterar a decisão original para "Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial para determinar a compensação em relação aos tributos pagos pela pessoa jurídica. Vencidos os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rodrigo Santos Masset Lacombe que afastavam a qualificação da multa e Gustavo Lian Haddad que, além disso, acolhia a preliminar de decadência do anocalendário 2003. Designado para elaborar o voto vencedor em relação à qualificação da multa, o conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 03 47 /2 00 9- 76 Fl. 641DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15868.000347/200976 Acórdão n.º 2201003.031 S2C2T1 Fl. 642 2 Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fl. 634 do processo digital) opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF em Araçatuba / SP em face do Acórdão nº 2201001.248 (fls. 606/611), de 24 de agosto de 2011, por meio do qual este Colegiado, pelo voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de ofício, bem como para determinar a compensação em relação aos tributos pagos pela pessoa jurídica. Alega a Embargante que embora conste do acórdão hostilizado a determinação para afastar a multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de ofício, não há registro de aplicação de multa isolada no Auto de Infração de fls. 439/449. Aduz, também, que o contribuinte mencionou o art. 43 da Lei nº 9.430/1996 no recurso voluntário para questionar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, e não para discutir a aplicação de uma suposta multa isolada. Os embargos foram acolhidos por intermédio do despacho de fls. 638/639. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço dos embargos, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Compulsando os autos verificase que o objeto do Auto de Infração (fls. 439/449) se restringe à infração de “Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas” com aplicação de juros de mora e de multa de ofício no percentual de 150%. O que ocorreu, de fato, foi que o Ilustre Relator do acórdão embargado, provavelmente induzido pela redação do primeiro parágrafo do item V do recurso voluntário (fl. 590), deixou de apreciar a matéria relativa à incidência de juros sobre a multa de ofício e, em seu lugar, afastou a aplicação de multa isolada que supostamente teria sido aplicada pela Autoridade lançadora. Nesse sentido, a redação do seguinte excerto do voto do Nobre Relator: Fl. 642DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15868.000347/200976 Acórdão n.º 2201003.031 S2C2T1 Fl. 643 3 Há que se afastar também a incidência da multa isolada que o contribuinte em seu recurso diz ser juros sobre a multa, uma vez que já há a incidência de multa de ofício. Neste sentido é a jurisprudência do CARF, in verbis: (...) Conquanto o Recorrente tenha se manifestado, no primeiro parágrafo do item V do recurso voluntário (fl. 590), no sentido da impossibilidade de cobrança de multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, todo o restante da fundamentação desenvolvida no referido item se volta contra a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. Verificase, assim, omissão no acórdão embargado relativamente à alegação de não incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício e, ao mesmo tempo, um erro material evidenciado pelo afastamento da multa isolada que supostamente teria sido aplicada no lançamento em questão. Em relação ao erro material, entendo que o resultado do julgamento deve ser retificado para excluir qualquer menção ao suposto afastamento de multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de ofício, uma vez que não houve a aplicação daquela no presente lançamento. Em relação à alegação de não incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício a primeira observação a fazer é de que em direito tributário tanto o tributo, quanto a multa, são considerados “obrigação principal”, nos termos do que dispõe o § 1º do art. 113 do CTN, assim descrito: Art. 113. (...) § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. O dispositivo transcrito revela que o enquadramento de uma obrigação tributária como principal depende exclusivamente do seu conteúdo pecuniário. O legislador optou por adotar essa fórmula com o objetivo de submeter a cobrança de ambos, tributo e multa, a um mesmo regime jurídico. Por outro lado, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (CTN, art. 139). Assim, o crédito tributário é o vínculo jurídico por intermédio do qual o Estado pode exigir do sujeito passivo o objeto da obrigação principal, vale dizer, o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária. Nesse contexto, a alegação do Interessado se mostra em desarmonia com a legislação tributária, porquanto, nos termos do caput do art. 161 do CTN “o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta”. Face ao exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos para sanar a omissão esclarecendo que os juros de mora incidem sobre o valor da multa de ofício e para retificar o resultado do julgamento, que passa a conter a seguinte redação: “Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial para determinar a compensação em relação aos tributos pagos pela pessoa jurídica. Vencidos os conselheiros Fl. 643DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15868.000347/200976 Acórdão n.º 2201003.031 S2C2T1 Fl. 644 4 Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rodrigo Santos Masset Lacombe que afastavam a qualificação da multa e Gustavo Lian Haddad que, além disso, acolhia a preliminar de decadência do ano calendário 2003. Designado para elaborar o voto vencedor em relação à qualificação da multa, o conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior”. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 644DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006368/2008-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/06/2005
EXISTÊNCIA DE OMISSÃO NA DECISÃO. ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. Demonstrada a existência de contradição na decisão embargada, deve-se acolher os embargos de modo a suprir a mácula apontada.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para rerratificar o Acórdão n.° 2402-004.278, nos termos no voto do relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
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ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. Demonstrada a existência de contradição na decisão embargada, devese acolher os embargos de modo a suprir a mácula apontada. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para rerratificar o Acórdão n.° 2402004.278, nos termos no voto do relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 63 68 /2 00 8- 53 Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Delegado da Receita Federal em Florianópolis, em face do v. acórdão n. 2402004.278 proferido por esta Eg. Turma, o qual restou assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 30/06/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RERRATIFIÇÃO DE ACÓRDÃO. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. ERRO NA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo das contribuições previdenciárias à cargo da empresa é aquele que usufrui do serviço ou trabalho realizado. De acordo com o entendimento deste Conselho, o erro na indicação do sujeito passivo é vício formal que anula o auto. Embargos Acolhidos" A oposição dos Embargos se dá em razão de suposta contradição entre a ementa e o julgado. Segundo o Embargante, a ementa cita a existência de vício formal, enquanto na fundamentação, é citado vício material. Transcrevese trecho do voto: "O desatendimento aos requisitos previstos no dispositivo acima gera vícios no auto de infração que, em algumas hipóteses, não comportam correção. A ausência de qualificação ou a qualificação equivocada do autuado é hipótese de vício insanável e, de acordo com a jurisprudência deste Conselho Administrativo, deve resultar em nulidade por vício material:" É o relatório. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 11516.006368/200853 Acórdão n.º 2402005.232 S2C4T2 Fl. 1.701 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Tratase de alegação de inexatidão decorrente de manifesto erro material, que deverá ser recebida como embargos inominados para saneamento da erronia, nos termos do art. 66 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Da retificação da ementa Apreciando o voto condutor do acórdão, verificase que toda a fundamentação foi no sentido de declarar a nulidade do lançamento por vício material, negandose provimento ao recurso de ofício. Inclusive a jurisprudência colacionada e o normativo da RFB utilizados para dar suporte ao entendimento do relator não deixam a menor dúvida de que o encaminhamento foi pela nulificação da lavratura por vício material. Nesse sentido, a ementa do julgado deverá assumir a seguinte redação: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 30/06/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RERRATIFIÇÃO DE ACÓRDÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. ERRO NA INDICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo das contribuições previdenciárias à cargo da empresa é aquele que usufrui do serviço ou trabalho realizado. De acordo com o entendimento deste Conselho, o erro na indicação do sujeito passivo é vício material que anula o auto. Embargos Acolhidos" Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Conclusão Voto por acolher os embargos, para rerratificar o Acórdão n.° 2402004.278, nos termos acima. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001379/96-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1990
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
FINSOCIAL. DECADÊNCIA
Deve ser observado no lançamento o prazo quinquenal previsto no artigo 173, I, do C.T.N.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 9303-003.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar a fundamentação do acórdão embargado. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Maria Teresa Martínez López, que davam parcial provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1990 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição entre a decisão e os seus fundamentos. FINSOCIAL. DECADÊNCIA Deve ser observado no lançamento o prazo quinquenal previsto no artigo 173, I, do C.T.N. Embargos Acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar a fundamentação do acórdão embargado. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Maria Teresa Martínez López, que davam parcial provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Vanessa Marini Cecconello - Relatora Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1989 a 31/12/1990 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver contradição entre a decisão e os seus fundamentos. FINSOCIAL. DECADÊNCIA Deve ser observado no lançamento o prazo quinquenal previsto no artigo 173, I, do C.T.N. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar a fundamentação do acórdão embargado. Vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Maria Teresa Martínez López, que davam parcial provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Vanessa Marini Cecconello Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 13 79 /9 6- 80 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.001379/9680 Acórdão n.º 9303003.535 CSRFT3 Fl. 136 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto SP (fls. 128 e 129), Autoridade Administrativa responsável pela execução do acórdão CSRF/0304.002, com fulcro no art. 41 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007 RICSRF, para aclarar os termos do Despacho CSRF nº. 245/2007 (fls. 126 e 127), que teria incorrido em erro na contagem do prazo decadencial. A controvérsia tem origem na lavratura de auto de infração, na data de 22/03/1996, em face do Sujeito Passivo para cobrança de débitos de FINSOCIAL dos períodos de apuração de janeiro de 1989 a março de 1992. A Contribuinte impugnou a cobrança (fls. 39 a 40) sustentando a improcedência da multa de ofício e, no mérito, postulando fosse reconhecida a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário por meio de lançamento de ofício, relativo aos períodos de 1989, 1990 e 1991, com base no art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN). A impugnação foi julgada improcedente por meio da decisão DRJ/RBO nº 11.12.59.7/2562/96 (fls. 49 a 52), manifestandose pelo cabimento da fixação de multa de ofício, inclusive de sua majoração, bem como no sentido de que o prazo decadencial aplicável à exigência do recolhimento do FINSOCIAL é de 10 (dez) anos, nos termos do art. 3º do DecretoLei nº 2049/83 e art. 102 do Decreto nº 92.698/86. Interposto recurso voluntário pelo Sujeito Passivo (fls. 58 a 60), sobreveio o acórdão nº 20174.151, prolatado pela 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes em 06/12/00 (fls. 70 a 80), que, por unanimidade de votos, proveu parcialmente o recurso para (i) determinar a aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contados na forma do art. 173, inciso I, do CTN, excluindose da exigência fiscal a parcela referente aos meses de janeiro de 1989 a dezembro de 1990, inclusive e (ii) reduzir a multa de ofício nos temos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Não resignada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência (fls. 83 a 87) com base no então vigente art. 32, inciso II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55/98, sustentando a aplicação da tese do prazo decadencial de 10 (dez) anos, apoiandose em acórdãos proferidos por outras Câmaras do Conselho de Contribuintes, utilizados ainda como paradigma. Em sessão de julgamento de 05/07/2004, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, declarando a decadência do direito de constituição de crédito tributário dos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1989 e dezembro de 1990, resultante da aplicação do art. 150, §4º do CTN. O entendimento foi veiculado no acórdão CSRF/0304.002 (fls. 109 a 114), assim ementado: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.001379/9680 Acórdão n.º 9303003.535 CSRFT3 Fl. 137 3 FINSOCIAL FATURAMENTO — DECADÊNCIA — ANOS DE 1989 E 1990 Deve ser observado no lançamento o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, parágrafo 4° do C.T.N. Da referida decisão, SMAR EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. interpôs embargos de declaração (fls. 120 a 122) apontando os vícios de obscuridade e contradição, especificamente quanto aos períodos de apuração alcançados pela decadência conforme a regra do art. 150, § 4º, do CTN. Enfatizou que foram objeto do lançamento de ofício os fatos geradores de janeiro de 1989 a março de 1992, tendo havido a ciência em 22/03/1996. Consignese neste ponto que, intimada da decisão do recurso especial (fls. 115), a Fazenda Nacional restou inerte. Por sua vez, os embargos de declaração do Sujeito Passivo (fls. 120 a 122) foram julgados improcedentes monocraticamente pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a teor do despacho CSRF nº 245/2007, de 28/12/2007 (fls. 126 a 127), tendo aduzido que, conforme voto condutor do acórdão embargado, estava fulminada pela decadência a integralidade do crédito tributário lançado de ofício, e o equívoco foi cometido pela unidade da Receita Federal do Brasil na execução do julgado. Nessa oportunidade, insurgese a Autoridade Administrativa responsável pela execução do julgado, por meio da interposição de embargos de declaração contra o despacho CSRF nº 245/2007, alegando, em síntese, que: (i) o voto condutor do acórdão de julgamento do recurso especial atevese ao período de apuração exonerado pelo Conselho de Contribuintes e que foi objeto da insurgência da Fazenda Nacional, a saber, os fatos geradores compreendidos nos anos de 1989 e 1990, não havendo de se falar, assim, em exoneração da totalidade do crédito tributário lançado de ofício; (ii) seguindo a tese da contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, estariam fulminados pela decadência somente os fatos geradores de 02/1991 e anteriores; (iii) o acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais e o despacho CSRF nº 245/2007 inovaram ao definir o início do prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN, pois o recurso especial da Fazenda Nacional teria se restringido ao pleito de aplicação do prazo decadencial de 10 (dez) anos, estabelecido pelo art. 45 da Lei nº 8212/91, em detrimento do art. 173, inciso I, do CTN adotado pelo ato decisório do Conselho de Contribuintes. Conforme teor do despacho s/nº, de 21/08/2015 (fls. 132 e 133), proferido pelo Presidente desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, os embargos de declaração tiveram seguimento "[...] para que a 3ª Turma da CSRF elucide os termos em que o Acórdão CSRF/0304.002 deve ser executado". O presente processo foi distribuído a essa Conselheira por meio de sorteio regularmente realizado em 11/12/2015, com numeração eletrônica até a folha 134 (cento e trinta e quatro), estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.001379/9680 Acórdão n.º 9303003.535 CSRFT3 Fl. 138 4 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Devem ser conhecidos os embargos de declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto SP (DRF/RPO) por serem tempestivos e atenderem aos demais requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, a Autoridade Administrativa suscita em sede de embargos de declaração a necessidade de ser aclarado o despacho CSRF nº 245/2007, com supedâneo nos seguintes pontos: (i) o ato decisório teria incorrido em erro na contagem do prazo decadencial, ensejando reformatio in pejus do acórdão CSRF/0304.002, tendo em vista que o mesmo, ao negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, simplesmente manteve o que já havia sido decidido pela 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, restando exonerados os créditos tributários apenas dos períodos de apuração dos anos de 1989 e 1990; e (ii) o acórdão CSRF/0304.002 e o despacho nº 245/2007 inovaram ao deslocar o termo inicial do prazo decadencial do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser realizado, consignado no acórdão nº 20174.151, para a data da ocorrência do fato gerador, posto que a matéria não teria sido objeto do recurso especial da Fazenda Nacional, a qual postulou tão somente a aplicação do prazo de 10 (dez) anos, do art. 45 da Lei nº 8.212/91. De pronto, temse que o pronunciamento deste Colegiado nos presentes autos restringirseá a elucidar a forma de execução do acórdão CSRF/0304.002 pela DRF/RPO, com a realização da correta contagem do prazo decadencial nos termos do que fixado pelo acórdão nº 20174.151, prolatado pela 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Isso porque entendese que o acórdão CSRF/0304.002 não inovou, mas apenas analisou a matéria objeto do recurso especial da Fazenda Nacional, qual seja, a correta aplicação do prazo decadencial. Da mesma forma, o despacho nº 245/2007, ao apreciar os embargos de declaração, apenas esclareceu os termos em que prolatada a decisão. Conforme restou decidido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ao prolatar o acórdão CSRF/0304.002, deve ser considerado no presente caso como termo inicial da contagem da decadência a data da ocorrência do fato gerador, na sistemática do art. 150, § 4º, do CTN. Nesse aspecto, assiste razão à Embargante. Da análise do acórdão CSRF/03 04.002 verificase que, ao negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, o mesmo manteve a aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, conforme decidido pela 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, e estabeleceu como termo inicial da contagem do referido prazo a data da ocorrência do fato gerador, por força do art. 150, § 4º, do CTN, afastando a aplicação dos 10 (dez) anos do art. 45 da Lei nº 8212/91. O ponto que restou obscuro na decisão, tendo sido objeto de embargos de declaração pelo Sujeito Passivo e agora novamente suscitado pela DRF/RPO, é a definição dos Fl. 138DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.001379/9680 Acórdão n.º 9303003.535 CSRFT3 Fl. 139 5 períodos de apuração fulminados pela decadência, com base na contagem estabelecida no art. 150, § 4º, do CTN. Assim, tendo em vista que a Contribuinte foi cientificada do lançamento de ofício na data de 22/03/1996, estão decaídos os períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1989 e fevereiro de 1991, inclusive, os quais deverão ser excluídos da cobrança pela DRF/RPO ao executar o acórdão CSRF/0304.002. Diante do exposto, conhecese dos embargos de declaração para darlhes parcial provimento, declarandose fulminados pela decadência os períodos de apuração de janeiro de 1989 a fevereiro de 1991, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Os membros do Colegiado, por maioria de votos, acordaram em dar provimento aos embargos de declaração para retificar a fundamentação do acórdão embargado, restando vencidas a Relatora e as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Maria Teresa Martínez López, que davam parcial provimento, para declarar a decadência para os períodos de apuração de janeiro de 1989 a fevereiro de 1991, inclusive, mantendo a fundamentação do acórdão embargado (art. 150, § 4º, do CTN). O ponto divergente daquele defendido pela i. Relatora cingese à fundamentação acórdão CSRF/0304.002 em relação à decadência e o período decaído. Enquanto o acórdão embargado estabeleceu como termo inicial da contagem do referido prazo a data da ocorrência do fato gerador, por força do art. 150, § 4º, do CTN, tese esta defendida pela i. Relatora. A Embargante alega que o referido acórdão teria inovado ao deslocar o termo inicial do prazo decadencial do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser realizado, consignado no acórdão nº 20174.151, para a data da ocorrência do fato gerador, posto que a matéria não teria sido objeto do recurso especial da Fazenda Nacional, a qual postulou tão somente a aplicação do prazo de 10 (dez) anos, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Assiste razão à Embargante. A matéria que foi objeto do recurso especial foi o lançamento de FINSOCIAL dos períodos de apuração de janeiro de 1989 a dezembro de 1990, inclusive, que foram exonerados pela 1ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 20174.151). Para os demais períodos, inclusive aqueles reconhecidos pela i. Relatora (janeiro e fevereiro de 1991) não houve interposição de recursos, sendo definitiva aquela decisão. O acórdão embargado inovou ao definir o início do prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN, pois o recurso especial da Fazenda Nacional teria se restringido ao pleito de aplicação do prazo decadencial de 10 (dez) anos, estabelecido pelo art. 45 da Lei nº Fl. 139DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.001379/9680 Acórdão n.º 9303003.535 CSRFT3 Fl. 140 6 8.212/91, em detrimento do art. 173, inciso I, do CTN adotado pelo ato decisório do Conselho de Contribuintes, que deve prevalecer. Diante do exposto, dou provimento aos embargos de declaração para declarar a decadência dos períodos de apuração de janeiro de 1989 a dezembro de 1990, inclusive, nos termos do art.173, inciso I, do CTN. Henrique Pinheiro Torres Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13047.720255/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 2201-003.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator
EDITADO EM: 30/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator EDITADO EM: 30/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 04 7. 72 02 55 /2 01 4- 10 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2011, consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls. 03/07, que apurou o crédito tributário total no valor de R$ 39.766,58. A fiscalização procedeu a glosa Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 27.902,46. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Os valores recebidos referemse a rendimentos recebidos acumuladamente; Quando recebeu parte do referido processo, em 20 de dezembro de 2012, não lhe foi cobrado nada de imposto de renda, o mesmo acontecendo em 9 de julho do mesmo ano; O valor descontado pelo advogado Norberto Baruffaldi, no valor que ora lhe é cobrado (27.902,46), não foi recolhido à Receita Federal pelo referido advogado e, portanto, a seu ver, não deve nada. A 22ª Turma da DRJ em São Paulo/SPO julgou improcedente a impugnação, conforme ementas abaixo transcritas: GLOSA DA DEDUÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. O imposto pago ou retido na fonte, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo, será deduzido do imposto progressivo para fins de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser restituído, na declaração de ajuste anual, desde que devidamente comprovado. APRESENTAÇÃO DE PROVAS A DESTEMPO. A legislação ressalva da preclusão as provas apresentadas a destempo, somente quando comprovada a impossibilidade de sua apresentação nas hipóteses ali elencadas. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 16/03/2015 (fl. 214) e, em 16/04/2015, interpôs o recurso de fls. 216/251, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação, sobretudo que os rendimentos foram recebidos acumuladamente, portanto a incidência do imposto de renda deve ser feita pelo regime de competência. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator De início, cumpre aferir a tempestividade do apelo apresentado pelo contribuinte. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13047.720255/201410 Acórdão n.º 2201003.196 S2C2T1 Fl. 3 3 O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Como se colhe dos autos, o recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 16/03/2015, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 214. Considerando que 16/03/2015 foi uma segundafeira, dia de expediente normal na repartição, o primeiro dia útil após a ciência da decisão de primeiro grau foi dia 17/03/2015, uma terçafeira, sendo que nesse caso, o último dia para a apresentação do recurso seria 15/04/2015, uma quartafeira. Ocorre que o recurso foi apresentado em 16/04/2015 (fls. 216/251). É forçoso concluir, portanto, pela intempestividade do recurso o que torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do inciso I do art. 42 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Ressaltese que o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte foi assinado por seu procurador também no dia 16/04/2015 (fls. 216/251). Ante ao exposto, voto por não conhecer o recurso, por intempestivo. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 257DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10410.725131/2013-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação de contribuição previdenciária requer a comprovação de recolhimento indevido, sob pena de não homologação por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 2202-003.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA (Relator), que deu provimento. Foi designada a Conselheira JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO para redigir o voto vencedor.
(Assinado Digitalmente).
MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
EDUARDO DE OLIVEIRA - Relator.
(Assinado Digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de contribuição previdenciária requer a comprovação de recolhimento indevido, sob pena de não homologação por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA (Relator), que deu provimento. Foi designada a Conselheira JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO para redigir o voto vencedor. (Assinado Digitalmente). MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado Digitalmente). EDUARDO DE OLIVEIRA Relator. (Assinado Digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 51 31 /2 01 3- 58 Fl. 679DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10410.725131/201358 Acórdão n.º 2202003.219 S2C2T2 Fl. 674 2 Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10410.725131/201358 Acórdão n.º 2202003.219 S2C2T2 Fl. 675 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.117.8975, decorrente da glosa de compensação, tendo em vista que esta foi considerada indevida pela fiscalização, pois o contribuinte se compensou de crédito a maior que o existente, período 12/2008 e 13º/2008, segundo consta do Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – REFISC, de fls. 12 a 29, com período de apuração de 11/2008 e 11/2011, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 301 e 302. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 05/12/2013, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 06. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição, as fls. 349, recebida, em 06/01/2014, com razões impugnatórias, acostada, as fls. 350 a 367, estando acompanhada dos documentos, de fls. 368 a 482. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 484 e 485. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1449.277 7ª, Turma DRJ/RPO, em 20/03/2014, fls. 488 a 496. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 24/04/2014, conforme AR, de fls. 498. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 588, recebido, em 22/05/2014, conforme carimbo de recepção, de fls. 588, as razões recursais encontramse acostadas, as fls. 589 a 607, encontrandose acompanhado dos documentos, de fls. 608 a 669. As razões recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminares. · que não existe concomitância entre as esferas judicial e administrativa, uma vez que apenas se está discutindo o correto cumprimento da decisão judicial, cita precedente do CARF; · que a limitação ao direito de compensação da recorrente reconhecido judicialmente com trânsito em julgado é ilegal e vulnera o trabalho da fiscalização, devendo ser levado em consideração todas as decisões judiciais e não somente a sentença de primeiro grau; · que a DRJ não se pronunciou quanto a alcance das decisões judiciais no processo de execução da sentença ou no cumprimento do julgado, Fl. 681DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10410.725131/201358 Acórdão n.º 2202003.219 S2C2T2 Fl. 676 4 não podendo o fisco impor pelo seu direito a fiscalização valores que o judiciário já rejeitou, cita precedente do CARF; · que o valor apurado pela fiscalização para fins de compensação diverge do valor determinado judicialmente, pois limitando o período de compensação pelo fisco de forma a desrespeitar a decisão judicial; · pedidos e requerimentos: a) que seja reconhecida a nulidade do AIOP 37.117.8975; b) alternativamente, que o AIOP seja julgado improcedente pela suficiência de créditos para quitar as contribuições por compensação. A autoridade preparadora não se manifestou quanto a tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 671. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 06/11/2014, Lote 05. É o Relatório. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10410.725131/201358 Acórdão n.º 2202003.219 S2C2T2 Fl. 677 5 Voto Vencido Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Delimitação da Lide. Esclareço que apesar de entender, conforme, abaixo, explicitado que no presente caso não ocorre a concomitância de instância ou a sobreposição de esferas decisórias judicial e administrativa, o presente julgado não diz respeito e não aborda a questão da anulação ou não de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, pois tal foi tratado na ação judicial e a matéria não faz parte do presente lançamento. Preliminares. Nos presentes autos não verifico a ocorrência de concomitância de instancias ou a sobreposição de esferas decisórias, qual seja judicial e administrativa, pois apesar de haver ação judicial impetrada pela recorrente naquela pleiteiase a declaração de inexistência da relação jurídico tributária e reconhecimento do direito a restituição e na esfera administrativa, ou seja, no Processo Administrativo Tributário pleiteiase a verificação da regularidade do lançamento fiscal, decorrente da glosa de parte da compensação considerada indevida pelo fisco. Assim sendo, ainda, que parte do que decidido na seara judicial seja exposto como causa de pedir essa não se confunde com o pedido na seara administrativa, deixando de ocorrer, assim, a sobreposição de esferas. Não há dúvidas que em se tratando de ação judicial que pode enfrentar um longo e tortuoso caminho, passando por diversas decisões em recurso e incidentes processuais necessário se faz verificar o que decidido em cada uma deles e agregar os vários resultados para se obter a solução mais adequada. Mas, também, não é mesmo verdadeiro que para, que o julgador possa chegar a uma conclusão as provas devem estar lançadas e expostas nos autos, pois não há como chegar ao livre convencimento motivado sem os elementos essenciais a segurança da decisão, assim sendo farei uma análise individual dos elementos que encontro nos autos, independentemente, da sua fase de surgimento, senão vejamos. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10410.725131/201358 Acórdão n.º 2202003.219 S2C2T2 Fl. 678 6 · SENTENÇA, fls. 43 a 50; 417 a 424; 610 a 617 no item a) declara a inexistência da relação jurídico tributária entre autor e réu, em relação aos trabalhadores rurais relacionados no item 12 da inicial; no item b) declara a ilegalidade da exigência de pagamentos sobre a rubrica do item a; no item c) declara o direito à devolução das contribuições, nos termos da perícia de fls. 374 do processo judicial, listando os anos de 1971 a 1988, sendo que os anos de 1971 e 1972 estão de valores consignados, mas apenas com um traço, ainda, existem os itens "d" e "e"; · Decisão de cumprimento de sentença, fls. 58 a 61; 439 a 442 em certa passagem da decisão o juiz diz "defiro EM PARTE o requerimento da autora para lhe assegurar o direito à compensação do indébito (respeitado o lustro prescricional),"; · Decisão de cumprimento de sentença, fls. 62 a 67; 443 a 448 no último parágrafo da decisão o juiz diz que "Quanto à compensação do indébito tributário pela autora, verifico que esta dependerá da apuração dos débitos acima referidos, bem como da atualização do valor expresso no título executivo judicial; razão pela qual deve a exequente, querendo, apresentar os valores que entende devidos, consideradas as quantias já compensadas desde o trânsito em julgado." · Decisão de Embargos de Declaração, fls. 68 a 70; 449 a 451 nessa decisão em certa passagem assim se posiciona da autoridade judicial " ..., deve ser observado pelo Fisco o valor do indébito apurado na perícia, que se encontra expressamente consignado no título executivo, portanto, revestido pela autoridade da coisa julgada." · Agravo de Instrumento, 72 a 77; 452 a 457 o agravo foi negado; Abro, um aparte, na transcrição das decisões judiciais encontradas nos autos e informo que, as fls. 85 a 87; 403 a 406, consta uma complementação de perícia, que aparentemente estão identificadas como sendo, fls. 372 a 374, do processo judicial 93.41037, onde verificase que os anos de 1989; 1990 e 1991 estão incluídos naquele documento. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10410.725131/201358 Acórdão n.º 2202003.219 S2C2T2 Fl. 679 7 Ressalto, ainda, que tal complementação é expressamente citada pelo MM. Juiz Federal na fundamentação de sua sentença de primeiro grau, conforme transcrição abaixo. · Embargos de Declaração em Embargos Infringentes, fls. 425; 428 a 432; 649 a 655 a decisão assim diz: "dar parcial provimento aos Embargos,..." · Apelação Civil, fls. 426; 434 a 436; 618 a 631 essa decisão reconhece a ocorrência de decadência para as contribuições pagas a mais de cinco anos do ajuizamento da ação. · Despacho judicial, fls. 458 o juiz determina o arquivamento do feito. · Embargos de Declaração na Apelação Civil, fls. 633 a 637 nada a transcrever · Embargos Infringentes na Apelação Civil, fls. 639 a 648 nada a transcrever · Recurso Especial e incidentes no STJ, fls. 657 a 669 nada a transcrever As informações supratranscritas são as que entendo necessárias a solução da questão posta, a qual se fará nos próximos tópicos. Podese verificar da leitura do REFISC, de fls. 12 a 29, em especial do item 6.2 a 6.4.1, que o contribuinte recorrente obtivera em ação judicial o reconhecimento do direito a compensação do valor expressamente consignado na sentença de primeiro grau. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10410.725131/201358 Acórdão n.º 2202003.219 S2C2T2 Fl. 680 8 O agente lançador também deixa claro nas passagens citadas, quais as competências e valores que o contribuinte teria direito de se compensar, sendo que para o agente lançador esse direito seria para o meses de 08/1988 a 12/1988, que totalizaria R$ 217.446,02 reais. Contudo, de forma mais clara e objetiva o item 7, do citado REFISC, deixa claro que a sentença judicial é exaustiva e cita os períodos e valores a serem devolvido, não estando abrangidos por ela os anos de 1989; 1990 e 1991. O órgão julgador de primeiro grau (DRJ) prolatou sua decisão, também, baseado na premissa de que a decisão judicial é mais limitada do que a abrangência que lhe deu o contribuinte, conforme se observa de leitura de seu acórdão. Todavia, diferentemente, daqueles que me precederam penso de outra maneira, pois apesar de que no corpo da sentença de primeiro grau, realmente, só está citado de forma expressa os anos de 1971 a 1988, sendo que os anos de 1971 e 1972 não consignam valores. Verifico pela leitura das decisões favoráveis ao contribuinte, inclusive a sentença de primeiro grau, que ao ser citado o direito de compensação, esta se reporta é ao cálculo do perito judicial, que se encontra, as fls. 374, do processo judicial, e, as fls. 85 a 87; 403 a 406, dos presentes autos, podendo tal situação ser vista no item "c" da sentença de primeiro grau, quando diz "...dever ser observado pelo Fisco o valor do indébito apurado na perícia, que se encontra expressamente consignado no título executivo..." e no despacho judicial, de fls. 458, desses autos. O Laudo Pericial acostado, as fls. 85 a 87; 403 a 406, se diz complementar e só se pode complementar o que já seria existente, ou seja, antes da apresentação desse laudo, possivelmente, já havia um anterior, mas não citado pelo fisco ou pelo contribuinte, bem como não localizado e não observado essa informação ou documento nesse sentido, nesses autos por esse julgador, isso fica mais evidente a se observar a passagem transcrita. Não existe óbice em nosso ordenamento jurídico que uma dada decisão se apóie ou se lastreie em parecer, relatórios, laudos e etc, assim já decidiu o Supremo Tribunal Federal STF, conforme excertos transcritos. EMENTA Habeas corpus. Processual penal. Acórdão que adotou como razões de decidir o Parecer do Ministério Público estadual. Alegação da falta de fundamentação. Inocorrência. Precedentes de ambas as Turmas desta Suprema Corte. 1. A adoção do parecer do Ministério Público como razões de decidir pelo julgador, por si só, não caracteriza ausência de motivação, desde que as razões adotadas sejam formalmente Fl. 686DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10410.725131/201358 Acórdão n.º 2202003.219 S2C2T2 Fl. 681 9 idôneas ao julgamento da causa. 2. Decisão impugnada que se encontra em perfeita consonância com a pacífica jurisprudência desta Suprema Corte. 3. Habeas corpus denegado. (HC 94164, MENEZES DIREITO, STF) EMENTA Habeas corpus. Processual penal e constitucional. Adoção dos fundamentos da sentença de 1º grau pelo acórdão de Segunda Instância como razões de decidir. Não violação da regra do art. 93, inc. IX, da Constituição Federal. Precedentes. 1. O entendimento esposado na decisão do Superior Tribunal está em perfeita consonância com o posicionamento desta Suprema Corte, no sentido de que a adoção dos fundamentos da sentença de 1º grau pelo julgado de Segunda Instância como razões de decidir, por si só, não caracteriza ausência de fundamentação, desde que as razões adotadas sejam formalmente idôneas ao julgamento da causa, sem que tanto configure violação da regra do art. 93, inc. IX, da Constituição Federal. 2. Habeas corpus denegado. (HC 94384, DIAS TOFFOLI, STF) Assim, entendo que a citação do laudo pericial na sentença o incorpora ao todo nessa decisão e, ainda, que apenas parte deste esteja reproduzida no corpo da sentença em nada afeta o alcance daquele laudo. Com esses esclarecimentos considero o presente lançamento decorrente de glosa de compensação improcedente, pois a justificativa para tal glosa não se sustenta ante os fatos comprovados nesses autos. A presente decisão não entra no mérito da regularidade do procedimento de compensação, apenas apreciando a justificativa da glosa de tal compensação, inclusive, porque tal matéria não é de competência desse colegiado, cabendo exclusivamente a DRF origem ante os procedimentos adequados. O presente Acórdão não reconhece ao contribuinte direito creditório de qualquer espécie ou origem, cuidando, única e exclusivamente da questão da regularidade da glosa de compensação. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento, considerando o lançamento improcedente, uma vez que a justificativa para a glosa da compensação não se apresenta plausível. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator Fl. 687DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10410.725131/201358 Acórdão n.º 2202003.219 S2C2T2 Fl. 682 10 Voto Vencedor Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.117.897, lavrado em razão da glosa parcial das compensações realizadas pela empresa no período de 01 a 12/2004 e 01/2008 a 13/2008. De acordo com o relatório fiscal: "A glosa das compensações efetuadas pelo contribuinte, informadas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por tempo de Serviço e Informação da Previdência Soical GFIP, devese ao fato de o alegado crédito compensado corresponder a indébito em função de decisão em processo judicial transitada em julgado, cujo valor é inferior ao compensado pelo contribuinte (...) "A sentença é exaustiva, esgota a indicação dos valores a serem devolvidos ao contribuinte, cuja quantia foi expressamente consignada na mesma. E ainda, determina que deve ser anulado o débito correspondente ao período de 1988 a 1991, relativo à Notificações Fiscais de Lançamento de Débitos relacionados ao mesmo período. Não estão consignados no título executivo os valores relativos aos anos 1989, 1990 e 1991 como passíveis de devolução ao contribuinte, então autor, mas sim como tendo correspondentes contribuições que vieram a ser julgadas indevidas tido lançadas por Notificações Fiscais de Lançamento de Débito, determina que devem ser anulados os correspondentes lançamentos. A Recorrente, por sua vez, alega que "a simples análise das decisões judiciais proferidas na ação judicial, demonstra que a fiscalização fez interpretação restritiva do título executivo judicial, deixando, portanto, de cumprir a norma individual e concreta inserta no r. decisum, o qual, repitase, determinou expressamente a "devolução das contribuições compulsoriamente recolhidas, nos valores paurados pelo Sr. Perito Oficial às fls. 374 (sentença), dos últimos 05 anos anteriores à ação (Acórdão na AC 79.907AL) Para determinar o alcance da coisa julgada é fundamental analisarmos os pedidos formulados pela Recorrente em sua petição inicial, a parte dispositiva da sentença, bem como o Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal na AC nº 79.907AL. Conforme relatado na sentença (fls. 43) a autora, ora Recorrente, ajuizou a ação para questionar as contribuições previdenciárias de seus trabalhadores rurais, formulando, em sua petição inicial os seguintes pedidos "a) declaração de inexistência de relação jurídica tributária entre a autora e o réu, em respeito a inexigibilidade do pagamento das contribuições sociais à Previdência Social Urbana dos seus trabalhadores rurais relacionados no item 12 da petição inicial; Fl. 688DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10410.725131/201358 Acórdão n.º 2202003.219 S2C2T2 Fl. 683 11 b) declaração da ilegalidade da exigência dos pagamentos realizados à mesma previdência, relativos aos trabalhadores rurais arrolados no mesmo item 12 da mesma petição, no período 1971/1988, cujos recolhimentos foram relacionados em anexo; c) declaração do direito à devolução, devidamente atualizado pelos reais índices de inflação, das contribuições compulsoriamente pagas, porém indevidas, durante os períodos anterioemente indicados; d) anulação do referido débito e dos respectivos lançamentos e inscrições, alusivos ao período 1988/1991 e correspondentes às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito relacionadas e discriminadas em anexo" (grifamos) Em sua parte dispositiva (fls. 48) a sentença julgou a ação procedente e se manifestou sobre os diversos pedidos, nestes termos: "16. Com base nessas razões de convencimento, julgo a ação procedente e passo a decidir os pedidos, como se segue: a) declarar a inexistência de relação jurídica tributária entre a autora e o réu, em virtude da inexigibilidade do pagamento de contribuições à Previdência Social Urbana, alusiva aos trabalhadores rurais relacionados no item 12 da inicial (fls. 07 e seg); b) declarar a ilegalidade da exigência dos pagamentos realizados à mesma Previdência, relativo aos trabalhadores rurais arrodaldos no mesmo item 12 da mesma petição; c) declarar o direito à devolução das contribuições compulsoriamente recolhidas, nos valores apurados pelo Sr. Perito Oficial às fls. 374; 1971: 1972: 1973: R$ 41.276,80 1974: R$ 274.352,13 1975:R$ 278.898,46 1976: R$245.665,27 1977: R$ 342.899,32 1978: R$ 354.678,37 1979: R$ 490.333,80 1980:R$ 831.567,92 1981:R$ 378.032,16 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10410.725131/201358 Acórdão n.º 2202003.219 S2C2T2 Fl. 684 12 1982: R$ 463.488,09 1983: R$ 563.385,81 1984: R$ 507.306,81 1985: R$ 64.087,94 1986: R$ 361.251,51 1987:R$ 552.373,07 1988: R$ 445.125,88 d) anular o débito correspondente ao mesmo período de 1988/1991, relativo às Notificações Fiscais de Lançamento de Débitos relacionados ao mesmo período; e) condenar o Réu à restituição das custas adiantadas pela autora e à indenização da verba advocatícia, que fixo em 10% do valor da condenação, a ser apurada pela autora por simples cálculo aritmético, na forma da Lei nº 8.898/94, em vigor. Diante da decisão acima transcrita, o INSS interpôs Recurso de Apelação no qual alegou a incidência do prazo prescricional de 5 anos e, no mérito, improcedência do pedido. Ao decidir sobre a Apelação o TRF 5ª Região decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a incidência do prazo prescricional de 05 anos e, no mérito, por maioria, dar provimento a Apelação. Tendo em vista que, quanto ao mérito, a decisão foi tomada por maioria de votos, a Apelante interpôs o Embargos Infringentes aos quais foi dado provimento. A procuradoria, contudo, opôs Embargos Declaratórios em face da referida decisão, uma vez que a parte relativa a prescrição não poderia ser objeto dos Embargos Infringentes, já que, nesse ponto, a decisão teria sido unânime. Os embargos declaratórios foram parcialmente providos (fls. 649) para "anular o v. acórdão, na parte em que este conheceu da prescrição quinquenal" Na decisão relativa ao cumprimento de sentença (fls. 57 a 61) fica claro a delimitação da lide no sentido de reconhecer a devolução dos valores indevidamente recolhidos (observado o prazo quiquenal) e a nulidade das notificações de lançamento de débito constituídos no período de 1988/1991, nestes termos: "Com efeito, no juízo de primeira instância, os pedidos foram julgados procedentes. Em sede de julgamento do recurso de apelação, a Segunda Turma do TRF da 5ª Região acolheu, à unanimidade, a preliminar de prescrição quinquenal, e, por maioria, deu provimento no mérito à apelação. A autora manejou recurso de embargos infringents, ao qual foi dado provimento, sendo que o INSS interpôs embargos de declaração contra a referida decisão, ao argumento de que o no julgamento quanto à prescrição não houve voto divergente. Os embargos declaratórios foram acolhidos. Interposto recurso especial pela autora contra o decisum, este não obteve provimento (cf. f. 683/684). No mais, apesar de o recurso especial interposto pelo Fl. 690DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10410.725131/201358 Acórdão n.º 2202003.219 S2C2T2 Fl. 685 13 INSS não ter sido, ao final, conhecido, permaneceu incólume a decisão quanto à aplicabilidade da prescrição quinquenal, visto que o recurso especial por ela interposto não trazia discussão nesse sentido. Fixado esse limite objetivo do julgado, analiso o pedido acerca da admissibilidade de a autora proceder a compensação do indébito. (...) Por todo o exposto, defiro EM PARTE o requerimento da autora, para lhe assegurar o direito à compensação do indébito (respeitado o lustro prescricional), não podendo a parte ré apresentar óbice quanto à admissibilidade de a autora cumprir o julgado através da compensação, sob pena de cominação de multa diária no valor de R$ 1.000,00 (um mil reais). No entanto, fica assegurado aos agentes fiscais (em conformidade com as disposições e regras de transição previstas na Lei nº 11.457/2007, que instituiu a Receita Federal do Brasil) proceder à devida fiscalização das operações do procedimento de compensação realizado pela autora. Exatamente por isso a cominação de multa diária só resta cabível na hipótese de resistência do Fisco em aceitar o procedimento de compensação em si, sendo afasstada nos óbices decorrentes da atividade de fiscalização. De outro lado, em face da nulidade declarada no julgado das notificações de lançamento de débito, lavrados para a cobrança de contribuições previdenciárias sobre a folha urbana, constituídos no período de 1988/1991, deve o réu proceder a baixa no sistema de dívida ativa tributária, no prazo de 15 (quinze) dias, também sob pena de cominação de multa diária, que fixo igualmente em R$ 1.000,00 (um mil reais). (grifamos) Da leitura das decisões trazidas aos autos e acima transcritas é possível concluir o seguinte alcançe da coisa julgada: a) Reconhecimento da ilegalidade da cobrança da contribuição previdenciária relativa aos trabalhadores rurais; b) Reconhecimento do direito a compensação do montante indevidamente recolhido respeitado o prazo quinquenal c) Reconhecimento da nulidade das Notificações de Lançamento de débito relativas ao período de 1988/1991. Assim, ao contrário do afirmado pela Recorrente, entendo que não houve reconhecimento de recolhimento indevido no período de 1988 /1991. A sentença é clara ao dispor que a autora fez pedidos distintos. O pedido constante da letra "b" referese a declaração da ilegalidade dos pagamentos realizados no período de 1971/1988 (cujos recolhimentos foram juntado aos autos da ação). Na letra "c" a autora requerer a devolução das contribuições pagas "durante os períodos anteriormente indicados". E, por fim, na letra "d" pede a anulação Fl. 691DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10410.725131/201358 Acórdão n.º 2202003.219 S2C2T2 Fl. 686 14 dos lançamentos e inscrições "alusivos ao período 1988/1991 e correspondentes às Notificações Fiscais de Lançamento de Débito relacionadas e discriminadas em anexo. Dessa forma, não poderia o juiz sentenciante reconhecer créditos de valores indevidamente recolhidos no período de 1988/1991, uma vez que, nesse período, não houve recolhimento por parte da então Autora. Tanto é assim que, em relação a esse período, o seu pedido não é de restituição, mas de cancelamento das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito. Se tivesse ocorrido o pagamento indevido, por certo não teria a autoridade fiscal procedido a lavratura das referidas notificações. A parte dispositiva da sentença, por sua vez, não deixa dúvida quanto a sua delimitação. Em relação aos valores indevidamente recolhidos acolhe integralmente o pedido da autora no sentido de autorizar a restituição do período de 1973 a 1988, nesse ponto, parcialmente reformada pelo Tribunal Regional Federal que delimitou o crédito a prescrição quinquenal. Já em relação ao período relativo a 1988 a 1991, determina a anulação do débito correspondente ao referido período. Em face de todo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Redatora designada Fl. 692DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10235.720218/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o presente julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Elias Fernandes Eufrásio.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o presente julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Elias Fernandes Eufrásio. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos de COFINS não cumulativo, EXPORTAÇÃO, para o 4º trimestre de 2008. A autoridade da jurisdição aponta, em sua análise do pedido, que os dispêndios da contribuinte para gerar o crédito requerido podem ser agrupados em seis tipos: (1º) Florestamento e Reflorestamento, (2º) Transporte e Carregamento de Madeira, (3º) Serviço de Desgalho e Descasque, (4º) Energia Elétrica, (5º) Depreciação e (6º) Diesel e Lubrificantes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 35 .7 20 21 8/ 20 09 -2 1 Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720218/200921 Resolução nº 3401000.909 S3C4T1 Fl. 3 2 Do total solicitado pela contribuinte, a autoridade de jurisdição, em seu despacho decisório, indeferiu os créditos que se referiam aos dispêndios agrupados como "Florestamento e reflorestamento" e "Diesel e Lubrificantes". Ela consignou a seguinte fundamentação para o indeferimento: 1. no que tange ao Florestamento e Reflorestamento, os dispêndios não são originários de crédito de Cofins e PIS, pois devem compor o custo de formação de floresta contabilizável no Ativo Imobilizado e ser apropriado como custo na proporção da exaustão. Nesse sentido, nem mesmo a parcela de exaustão apurada para compor o custo de determinados períodos são geradores de créditos de Cofins e PIS, conforme dispõe o artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 e artigo 30 da Lei n° 10.637/2002; 2. no que tange aos dispêndios de Diesel e Lubrificantes, observouse que a empresa não possui um sistema contábil capaz de evidenciar de forma segregada os valores utilizados em Reflorestamento (que não geram créditos) e os utilizados nos setores produtivos da empresa (que geram créditos), em desatendimento à exigência prevista no art. 3º da Instrução Normativa SRF n° 387/04 A contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade contra a parte que foi indeferida, e apresentou as seguintes razões, em resumo: · o seu processo produtivo compreende quatro fases: 1ª fase produção de mudas pelo método de mini estaquia, 2ª fase silvicultura (reflorestamento), 3ª fase colheita e 4ª fase processo fabril. · A autoridade fiscal glosou todos os créditos oriundos dos insumos referentes à primeira e segunda fases do processo produtivo, bem como o dispêndio de Diesel e Lubrificantes dessa fase e de todo o processo produtivo, alegando a impossibilidade de segregação de valores; ela excluiu da base de cálculo do PIS os insumos utilizados na produção de mudas e reflorestamento, os quais, em seu entendimento, devem compor o custo de formação da floresta contabilizável no Ativo Imobilizado e ser apropriado como custo na proporção de exaustão; · a legislação vigente define a agroindústria como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Assim, neste caso, a atividade agroindustrial representa a integração do processo produtivo do cavaco, jungindo a atividade rural e industrial. O processo produtivo do cavaco pode ser dividido em atividade rural e atividade industrial, cuja subsunção perfaz a atividade agroindustrial. A atividade rural compreendida nas fases 1 e 2 também integram o processo produtivo da empresa, posto que, sem a produção da matéria prima, o processo não se perfectibiliza. Todos os insumos relativos a esta fase são consumidos na planta, pois o sucesso da floresta depende da aplicação de defensivos, adubos, inseticidas, ou seja, são determinantes para a qualidade do produto em sua fase de industrialização. Ademais, como os Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720218/200921 Resolução nº 3401000.909 S3C4T1 Fl. 4 3 insumos e serviços adquiridos e contratados nesta fase produtiva correspondem às hipóteses do art. 9° da IN SRF n° 404/2004, não há razão plausível para a glosa dos créditos. Entendimento contrário viola o princípio da legalidade; (trecho copiado do voto do relator de 1ª instância, por sua objetividade) · que o diesel e o lubrificante usados na fase de reflorestamento e na fase de industrialização são insumos; junta laudo e aponta decisões do CARF e Solução de Consulta, nesse sentido; e que o relatório detalhado do "Consumo de Combustíveis" permite se chegar ao percentual médio de gastos dos anos de 2007 e 2008 consumidos no processo de reflorestamento e no de industrialização, superando o motivo da autoridade de jurisdição que negou esse crédito; · defende que há direito a acréscimos por correção monetária e juros. Os Julgadores a quo consideraram improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte e não reconheceram o crédito pranteado. Quanto aos dispêndios com insumos na fase de reflorestamento, entenderam correto o indeferimento do despacho decisório por que, segundo o que prescreve a legislação, "somente podem gerar créditos da Contribuição as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado: Não podem, assim, gerar créditos as despesas com insumos indiretos, como o custo da produção de seus insumos que servirão para a industrialização." Quanto aos dispêndios com diesel e lubrificantes, os julgadores a quo entenderam correto o indeferimento do despacho decisório por que a contribuinte não comprovou sua condição de detentora dos créditos pleiteados mediante escrituração fiscal e contábil revestida de coerência e confiabilidade. O relatório de custos apresentado pela contribuinte não se revestiu da formalidade mínima para dar suporte ao que alegou a contribuinte, razão por que não foi aceito. E negaram o pedido de correção monetária e juros por falta de previsão legal para os casos de pedido de ressarcimento. O Acórdão n.º 0119.278 proferido pela Respeitável 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belèm ficou assim ementado: ASSUNTO: COFINS Período: 01/10/2008 a 31/12/2008. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pela contribuinte, por lhes falecer eficiência normativa, na forma do art. 100, II, do CTN. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITO. Somente podem geram créditos do PIS e da Cofins as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720218/200921 Resolução nº 3401000.909 S3C4T1 Fl. 5 4 químicas em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. PIS e OFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. DIESEL E LUBRIFICANTES. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA. A apropriação dos créditos do PIS e da Cofins só pode ser efetivada quando os mesmos se revestirem de atributos de certeza e liquidez necessários. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos. A contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio do qual atacou a decisão de primeiro piso e rogou pelo reconhecimento dos créditos indeferidos. O processo alcançou este Tribunal administrativo e em 21/05/2012, na sessão da 1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção o julgamento foi convertido em diligência. Assim decidiu o Colegiado na Resolução n.º 3401000.470, de lavra do Relator Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte: Em suma, a contribuinte protocolou pedido de ressarcimento de créditos referentes à Cofins. Logrando êxito parcial em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende a existência dos créditos glosados referentes às aquisições de diesel e lubrificantes, bem como aos insumos aplicados em seu processo de plantio e de reflorestamento. Neste caso, existe a necessidade de segregação quanto ao diesel e lubrificantes utilizados no processo efetivamente industrial efetuado pelo contribuinte daquele utilizado em seu processo préindustrial, bem como quais gastos referentes ao plantio e ao reflorestamento são efetivamente agregados à matériaprima que adentra o processo industrial da contribuinte, uma vez que caso a contribuinte, ao invés de produzir, adquirisse sua matériaprima, esta aquisição geraria crédito. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que sejam identificados e quantificados os valores referentes ao diesel e lubrificantes utilizados no processo efetivamente industrial, bem como quais gastos referentes ao plantio e ao reflorestamento são efetivamente agregados à matéria prima que adentra o processo industrial da contribuinte. Cientifiquese a requerente sobre o resultado da diligência, dandolhe o prazo de 30 dias para sua manifestação. A autoridade de jurisdição, em atendimento à diligência, informou: · Registrese também que foi constatado, como aliás o foi quando da diligência fiscal que antecedeu os despachos decisórios que deferiram parcialmente os Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento, (PER/DCOMP), que, passados mais de seis anos' da entrega ,dos respectivos, a recorrente ainda não atendia ao mandamento previsto no art 3o da Instrução Normativa SRF n° 387/2004, de 20 de janeiro de 2004, Instrução Normativa SRF n° 387/2004, de 20 de janeiro de 2004 Art. 3º O sujeito passivo deverá manter controle de todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições referidas no art. 2º e dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos, na forma dos arts. 2º, 3º, 5º, 5ºA, 7º e 11 da Lei nº 10.637, de 2002, dos arts. 2º, 3º, 4º, 6º, 9º e 12 da Lei nº 10.833, de 2003, especialmente quanto: Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720218/200921 Resolução nº 3401000.909 S3C4T1 Fl. 6 5 I às receitas sujeitas à apuração da contribuição em conformidade com o art 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; II às aquisições e aos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas domiciliadas no País; III aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no inciso I; IV aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação e de vendas a empresas comerciais exportadoras com fim especifico de exportação, que estariam sujeitas à apuração das contribuições em conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, caso as vendas fossem destinadas ao mercado interno; e V ao estoque de abertura, nas hipóteses previstas no art. 11 da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput deverá abranger as informações necessárias para a segregação de receitas referida no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, observado o disposto no art. 100 da Instrução Normativa nº 247, de 21 de novembro de 2002. · a contribuinte apresentou os seguintes documentos: notas fiscais de entrada referentes às aquisições de óleo diesel e lubrificantes, notas fiscais de transferências e requisições daqueles produtos, planilha de insumos consumidos no processo produtivo, páginas do Razão analítico por centro de custo e cópia do laudo dos eu processo produtivo; · e ainda planilha eletrônicas contendo a descrição analítica dos créditos que foram glosados, incluindo a fase do processo produtivo e respectivas etapas onde foram consumidos, imagens de notas fiscais de combustíveis, imagens das notas fiscais de materiais e serviços, imagens do Livro Razão Contábil (combustíveis, lubrificantes e demais contas de materiais/serviços), imagens do livro Kardex Físico, memorial descritivo do sistema e Laudo do Processo Produtivo. · que procurou "identificar e quantificar os valores referentes ao diesel e lubrificantes utilizados no processo efetivamente industrial (diferente dos valores aplicados ao plantio e ao reflorestamento necessários à formação florestal, sujeita á exaustão, cujo respectivo encargo não gera crédito de PIS e COFINS não cumulativos), e os gastos referentes ao plantio e ao reflorestamento (diferentes dos valores aplicados no plantio e ao reflorestamento necessários á formação florestal, sujeita á exaustão, cujo respectivo encargo não gera crédito de PIS e COFINS não cumulativos) que são efetivamente agregados à matéria prima que adentra o processo industrial da contribuinte.."; · analisou o acervo probatório "tomando como premissa a admissão das fases de colheita (3a fase) e processo fabril (4" fase), como aquelas aptas a gerar créditos de PIS e , Cofins não cumulativos". · "Quanto aos valores referentes ao plantio e ao reflorestamento considerados como efetivamente agregados à matéria prima que adentra Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720218/200921 Resolução nº 3401000.909 S3C4T1 Fl. 7 6 o processo" industrial da contribuinte, o. acervo probatório apresentado pela recorrente permitiu à sua segregação em termos mensais (a partir dos dados constantes da planilha "Item B Gastos Plantio Reflorest", na qual foi possível o filtro mensal na referida planilha, levando em consideração a fase do processo produtivo: 3a e . 4a fases)." · "Quanto aos valores diesel e lubrificantes utilizados no processo efetivamente industriai, os dados .constantes da' planilha "Item A Diesel Lubrificantes" não permitiram o filtro mensal na referida planilha, levando em consideração a fase do processo produtivo: 3a e 4ª fases; razão pela qual foram adotados os valores constantes do campo "Resumo", em termos trimestrais, dessa planilha." · Assim, nas planilhas intituladas "Apuração de Créditos Passíveis de Ressarcimento", em anexo, elaboradas com base nas notas fiscais apresentadas pela recorrente, bem como nas planilhas "Créditos Glosados", "Item A Diesel Lubrificantes" e "Item B Gastos Plantio Reflorest", estão demonstrados os créditos de PIS e Cofins não cumulativos relativos aos valores referentes ao diesel e lubrificantes utilizados no processo efetivamente industrial, bem como os gastos referentes ao plantio e ao reflorestamento que foram efetivamente agregados à matéria prima que adentra o processo industrial da contribuinte, geradores de créditos de PIS e Cofins nãocumulativos. · E propõe valores e glosas como resultado da diligência. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte dirige a este Colegiado as seguintes considerações: "a Fiscalização deixou de cumprir com o que lhe foi determinado pelo CARF em relação a apuração dos valores efetivamente agregados à matéria prima que adentra o processo industrial", pois se concentrou, "em sua grande maioria, não em fatos ou estudos realizados pela Fiscalização sobre o processo produtivo da Contribuinte, mas em sua visão restritiva e puramente teórica e pessoal quanto ao que poderia ou não gerar direito a créditos de PIS e COFINS'. Ela "não acatou os valores referentes ao plantio e ao reflorestamento apresentados nas planilhas e documentos juntados pela Contribuinte, por entender que os valores empregados nessas fases são necessários à formação florestal, desta forma sujeita à exaustão, cujo encargo não gera direito à credito de PIS e COFINS". Ela "deixou claro que se recusaria a conceder, ou sequer considerar, os créditos advindos das fases de plantio e refloresta mento, indo de encontro ao que foi determinado pela própria decisão ... do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais". "Ao invés de aterse aos estritos termos do Acórdão em questão, optou por emitir o seu próprio juízo de valores, seguindo unicamente seu próprio entendimento de que tais fases estariam sujeitas à exaustão, não gerando direito aos créditos do PIS e da Cofins nãocumulativos." Mas "na documentação que foi apresentada pela Contribuinte constavam todos os valores referentes ao diesel e lubrificantes utilizados no processo efetivamente industrial, bem como quais gastos referentes ao plantio e ao refloresta mento que foram efetivamente agregados à matéria prima que adentrou ao processo industrial." Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720218/200921 Resolução nº 3401000.909 S3C4T1 Fl. 8 7 Conclui pedindo que sejam acatados como válidos os valores apresentados pela contribuinte durante a diligência com relação ao diesel e lubrificantes usados no processo industrial e os gastos no plantio e reflorestamento; ou que alternativamente seja solicitada nova diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os requisitos de admissibilidade. Dos gastos, custos e encargos relativos às etapas de produção de mudas e de silvicultura (florestamento e reflorestamento): Neste processo, a contribuinte afirma que a etapa de reflorestamento é processo de produção, e que as despesas com suas atividades são insumos para a obtenção dos insumos para a etapa de industrialização e, portanto, devem fazer jus ao reconhecimento dos créditos da contribuição em questão, no regime não cumulativo. Consultando os Estatutos podemos ver que, entre as designações do seu objeto social, a formação de floresta não se destina exclusivamente a alimentar o seu próprio processo de industrialização para obtenção de seus derivados, mas que a formação de floresta atende outros propósitos econômicos. Ela não se circunscreve ao processo de industrialização dos derivados da madeira pela própria contribuinte. A legislação das sociedades por ações e a doutrina concernente explicam que a floresta deve compor o ativo imobilizado. E que os gastos com a formação e manutenção da floresta devem compor esse ativo imobilizado, e esses gastos e os demais valores investidos em tal ativo podem ser apropriados pela técnica da exaustão, na medida em que o bem seja explorado, consoante o que disciplina o art. 183, ,V e §2°, "c" da Lei n° 6.404, de 1976: Art. 183 No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) V os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão. § 2° A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada periodicamente nas contas de: (...) c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. No mesmo sentido, vemos o Parecer CST n.º 108/1978 que ensina como registrar a floresta e o florestamento, para termos de contabilidade empresarial e fiscal: 8.1 Relativamente às aplicações em florestamento ou reflorestamento, a Lei n° 6.404/76 e o Decretolei n° 1.598/77 estabelecem para as florestas, recursos florestais e direitos de sua exploração, tratamento de correção monetária idêntico ao previsto para o ativo permanente; assim, a partir da introdução do novo sistema de correção monetária, os empreendimentos florestais, Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720218/200921 Resolução nº 3401000.909 S3C4T1 Fl. 9 8 independentemente da sua finalidade, devem ser considerados como integrantes do ativo permanente. Portanto, o ativo permanente registrará: (a) no imobilizado, as florestas destinadas à exploração dos respectivos frutos e as que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização, bem como os direitos contratuais de exploração de florestas, com prazo de exploração superior a dois anos; (b) o grupo de investimentos, os empreendimentos correspondentes ao plantio de florestas destinadas à proteção do solo ou à preservação do ambiente, sem que se destinem à manutenção das atividades da empresa; ( c) em qualquer hipótese, as importâncias aplicadas na aquisição de terras, desde que não sejam para revenda comporão a conta de terrenos, no imobilizado ou em investimentos, dependendo de sua finalidade. " A autoridade de jurisdição e os julgadores a quo afirmam que os dispêndios com o reflorestamento não dão origem a crédito de Cofins e PIS, "pois devem compor o custo de formação de floresta contabilizável no Ativo Imobilizado e ser apropriado como custo na proporção da exaustão". E acrescentam que,"nem mesmo a parcela de exaustão apurada para compor o custo de determinados períodos são geradores de créditos de Cofins e PIS, conforme dispõe o artigo 3° da Lei n° 10.833/2003 e artigo 30 da Lei n° 10.637/2002". Esta é a visão definida pela Receita Federal a respeito da matéria, conforme podemos constatar nas Soluções de Consulta disponíveis do Ementário (consulta ao site da RFB pela palavra chave Floresta). As Soluções de Consulta apontadas pela contribuinte em seu recurso foram, a meu ver, reformadas pela Solução de Consulta DISIT 9ª RF n.º 82, de 25/02/2011. Entretanto, considerando o que expus anteriormente, penso que o entendimento proposto pela autoridade fiscal e julgadores de 1º piso não se sustenta no que está escrito nas Leis que definem essas contribuições sociais. Contrariando essas autoridades, argumento que nem a legislação do IPI, nem a do IRPJ, oferecem as fontes para interpretar e decidir os créditos no âmbito do PIS e da COFINS. A Lei das Sociedades por Ações foi uma importante conquista para o nosso país e, pela sua sofisticação e maturidade, ela proporciona conceitos que contribuem sobremaneira em diversos outros domínios do ordenamento jurídico. Em termo metodológicos, entretanto, proponho que essa transposição de conceitos seja cuidada caso a caso, para se evitar a desvirtuação do conceito, ou a desvirtuação do campo normativo para onde se pretende ele seja levado e aplicado. Espero conseguir esclarecer essa proposição nas próximas linhas, ainda que breves. A formação, manutenção e uso da floresta, como objeto da atividade empreendedora, implica em lidar e tratar de um bem cujo valor pode refletir uma ou mais de diferentes dimensões de sua relevância. Por exemplo, ela pode ser considerada sob o aspecto patrimonial, ou sob o aspecto de investimento ou recurso, ou de um acervo biológico, ou cultural, ou ambiental, etc. A meu ver, em todas essas hipóteses, a floresta pode e deve se refletir na escrita empresarial e fiscal como um bem ao qual se atribui um valor com determinação de seu valor econômico. No caso deste processo, estamos a nos circunscrever à floresta deliberadamente cultivada para obtenção de madeira e seus derivados. Não tenho dúvida que a floresta deve ser considerada como um bem ativado na escrita empresarial e que Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720218/200921 Resolução nº 3401000.909 S3C4T1 Fl. 10 9 os dispêndios com a formação da floresta e sua manutenção devem ser incorporados ao valor ativado da floresta. E que, para efeito de atender o que preconiza a Lei das Sociedades por Ações e a legislação do IRPJ e do CSLL, o valor do custo de formação da floresta deve ser objeto, na medida da utilização da floresta, de encargos de exaustão, a ser aproveitado na determinação dos resultados do empreendimento e do IRPJ e CSLL. Mas, em minha visão, esse conceito de imobilização como ativo, nem a forma de computar a exaustão, podem ser transpostos automática e simplesmente para o âmbito do PIS e da COFINS, como veremos. A legislação do PIS e da COFINS poderia ter previsto que, no caso das florestas consumidas na produção dos derivados da madeira, a apuração dos concernentes créditos se daria por modelo de cálculo idêntico ou semelhante ao dos encargos de exaustão, como ocorre na Lei das SA e do IRPJ, mas ela não prescreveu essa forma de apuração. A legislação do PIS e da COFINS traz um conjunto de princípios, conceitos e regras que orientam o modo de apuração dos créditos. As legislações do IPI, do IRPJ e das Sociedades por ações podem subsidiar supletivamente, mas não podem se sobrepor àquela. Como expliquei anteriormente neste voto, a meu ver, os custos, despesas e encargos com os fatores necessários para a obtenção da receita tributável devem ser considerados para fins de determinação do creditamento, desde que respeitados os limites e as regras positivamente postos pela própria legislação. Como exemplo de regras e limites dados pela Lei dessas contribuições sociais, temos: art. 1º da Lei em comento receitas referentes a venda cancelada não compõe a base de cálculo; nos §§ 1º a 3º do art. 3º da Lei em comento não dá direito a crédito o valor de mão de obra pago a pessoa física. Esse entendimento do que pode dar direito a crédito, que acima apresentei, é perfeitamente consoante com a Lei. Ponho em relevo o que dispõem os §§ 7º a 9º do artigo 3º dessa Lei. Eles informam que as despesas, encargos e custos relacionados à obtenção da receita decorrente da exportação deve dar crédito. Há uma diferença entre um ativo imobilizado constituído de maquinário de uso agroindustrial e um ativo imobilizado constituído de uma floresta destinada a se tornar insumo de um processo de transformação. Aquele sofre o desgaste pelo uso, este é consumido, pois submetido a colheita e preparo próprios, que lhe tira a vida e a possibilidade de permanecer no estado de floresta. Essa mudança radical altera as condições que justificavam considerálo um ativo imóvel, pois ele passa a ser um novo ativo, um produto da extração, da colheita, do preparo para sua destinação econômica. A formação e manutenção da floresta que será abatida para se obter a madeira para seu uso na indústria de celulose é um processo de produção. A floresta, como bem imobilizado, é consumida com seu abate. As atividades de abate da floresta ou de parte dela e a colheita e preparo da madeira decorrente desse abate para uso econômico também constituem processo de produção. Do mesmo modo, o conjunto de atividades que lidam com as sobras e desperdícios dessas etapas. Logo, os dispêndios com fatores necessários às atividades de produção de mudas, de silvicultura e de colheita e tratamento da madeira abatida devem poder gerar direito a crédito, respeitadas as regras e limites dada pelas Leis do PIS e da COFINS. Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720218/200921 Resolução nº 3401000.909 S3C4T1 Fl. 11 10 Considero que outra não pode ser a determinação da Lei a esse respeito. A Lei não pretendeu, nem poderia ter pretendido, criar um tratamento desigual entre iguais. Ela não poderia, por um lado, admitir que houvesse direito a crédito quando a contribuinte adquirisse a matéria prima ou insumo de terceiro, mas, ao mesmo tempo e por outro lado, não tivesse admitido o direito ao crédito pelo mesmo insumo ou matéria prima quando cuidasse a contribuinte de produzilo. Constato que essa proposta de entendimento que trago para a decisão deste Colegiado não é pioneira, nem fere a jurisprudência em construção neste Tribunal. Consigno que a Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF proferiu o Acórdão n.º 9303003.069 com posição e conclusão semelhantes, in verbis: CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de "insumos" para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF n° 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS N° 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL. "Insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado. No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. EMPRESA DE CELULOSE. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratandose de uma empresa produtora de celulose, foram reconhecidos créditos com relação aos seguintes insumos: 1 Serviços Silviculturais; 2 Serviços Florestais Produção; 3 Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1Manutenção de Vias Permanentes; 3.2Terraplanagem e Manutenção de Estradas; Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720218/200921 Resolução nº 3401000.909 S3C4T1 Fl. 12 11 3.3Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4 Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matériaprima na fabricação de pasta de celulose; 5 Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6 Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Recurso Especial do Procurador Negado Relator: Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. BSB, 13/08/2014. Proposta de conversão do julgamento em diligência: Creio que procedente foi a Resolução acima citada, proferido por esta Turma em 21/05/2012, que pedira: Em suma, a contribuinte protocolou pedido de ressarcimento de créditos referentes à Cofins. Logrando êxito parcial em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende a existência dos créditos glosados referentes às aquisições de diesel e lubrificantes, bem como aos insumos aplicados em seu processo de plantio e de reflorestamento. Neste caso, existe a necessidade de segregação quanto ao diesel e lubrificantes utilizados no processo efetivamente industrial efetuado pelo contribuinte daquele utilizado em seu processo préindustrial, bem como quais gastos referentes ao plantio e ao reflorestamento são efetivamente agregados à matériaprima que adentra o processo industrial da contribuinte, uma vez que caso a contribuinte, ao invés de produzir, adquirisse sua matériaprima, esta aquisição geraria crédito. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, PARA QUE SEJAM IDENTIFICADOS E QUANTIFICADOS OS VALORES REFERENTES AO DIESEL E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO EFETIVAMENTE INDUSTRIAL, bem como QUAIS GASTOS REFERENTES AO PLANTIO E AO REFLORESTAMENTO SÃO EFETIVAMENTE AGREGADOS À MATÉRIA PRIMA QUE ADENTRA O PROCESSO INDUSTRIAL DA CONTRIBUINTE. Cientifiquese a requerente sobre o resultado da diligência, dandolhe o prazo de 30 dias para sua manifestação. (GRIFOS NOSSOS) A meu ver, a autoridade que trabalhou para cumprir a diligência deixou de identificar, informar e analisar os gastos referentes ao plantio e ao reflorestamento. Proponho que além das decisões exposta neste voto, esta Turma também decida para que o processo retorne à unidade de jurisdição para que ela identifique e informe os gastos referente ao plantio e ao reflorestamento que foram efetivamente aplicados nas atividades de produção de mudas, nas atividades de reflorestamento e nas atividades de colheita, de modo que essas informações possa subsidiar decisão deste Colegiado. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10235.720218/200921 Resolução nº 3401000.909 S3C4T1 Fl. 13 12 Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 13884.003191/2001-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.683
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência o julgamento. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Carlos Eduardo Marino Orsolos, OAB/SP 222.242.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO PRESIDENTE SUBSTITUTO.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
EDITADO EM: 06/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento E Silva Pinto (Presidente-Substituto), Tatiana Josefovicz Belisario, Mercia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Elias Fernandes Eufrasio.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência o julgamento. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o advogado Carlos Eduardo Marino Orsolos, OAB/SP 222.242. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO– PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. EDITADO EM: 06/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento E Silva Pinto (PresidenteSubstituto), Tatiana Josefovicz Belisario, Mercia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi De Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Elias Fernandes Eufrasio. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .0 03 19 1/ 20 01 -0 2 Fl. 453DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDR O RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 454 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da decisão de primeira instância que indeferiu a manifestação de inconformidade da contribuinte, considerando indevidas as compensações efetivadas com relação a Cofins relativa aos períodos de fevereiro de 2000 a março de 2001, em virtude de crédito de Finsocial pago a maior. Assim, transcrevo o relatório da DRJ e Ementa da decisão como de costume: "Os presentes autos decorrem da Representação SASIT nº 032/2001, presente à fl. 01, que visava a abertura de processo administrativo para controle de crédito tributário sub judice. Tal crédito tributário corresponde aos débitos compensados pela contribuinte pelo aproveitamento de indébito relativo ao Finsocial, discutido no âmbito das ações judiciais nº 91.04031334 (Ação Cautelar Inominada com Pedido de Liminar, fls. 18/29) e nº 92.04001623 (Ação Ordinária com Pedido de Repetição de Indébito). Pela propositura das medidas judiciais objetivou a contribuinte ver reconhecida a inexistência de relação jurídicotributária que a obrigasse ao recolhimento do Finsocial, instituído pelo DecretoLei nº 1.490, de 1982, mantido pelo artigo 9º da Lei nº 7.689, de 1988, e majorado por legislação posterior. Requereu ainda a restituição das quantias que entendeu indevidamente pagas. Deferida a liminar (fl. 30), o pedido foi julgado improcedente na sentença de mérito (fls. 48 a 53). Examinando o recurso interposto pela autora, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) deu provimento parcial à apelação entendendo procedente o pedido apenas no que diz respeito à inconstitucionalidade das majorações da alíquota do tributo, mantendo a incidência do percentual de 0,5% a partir de janeiro de 1989 até a vigência da Lei Complementar nº 70, de 1991, quando passou a ser cobrada a Cofins. O TRF ainda autorizou a correção monetária do valor a ser restituído, acrescido de juros de 1% a partir do trânsito em julgado da decisão. Em recurso especial, a autora pleiteou a consideração dos expurgos inflacionários no cálculo da correção do valor a ser restituído, no que foi favorecida por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Conforme consulta de fl. 174, referida ação transitou em julgado em 14/04/1999. Transitada em julgado a ação de conhecimento, a interessada deu início à fase executória nos próprios autos, conforme fls. 107 a 109, interpondo peça pela qual solicitou fosse deferido o direito de compensar o crédito de Finsocial reconhecido judicialmente com débitos vincendos de Cofins e com débitos do próprio Finsocial relativos aos meses de novembro e dezembro de 1991. Com relação aos demais consectários da condenação, isto é, os honorários advocatícios e as custas judiciais, pretende sua recepção mediante ofício precatório. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDR O RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 13884.003191/200102 Resolução nº 3201000.683 S3C2T1 Fl. 455 3 Apresentou ainda memória de cálculo demonstrando o montante correspondente ao crédito. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos à Execução (fls. 114/121), alegando a inadequação da via executiva para obtenção do direito à compensação, o que desvirtuaria a natureza do título executivo. Também alegou a ilegitimidade ativa da exeqüente para executar a sentença na parte referente aos honorários advocatícios, bem como o excesso de execução por desatendimento do título executivo quanto ao termo inicial e quanto à taxa de juros incidentes. Diz ainda o representante da PFN que execuções como a objetada não dispensam a prévia liquidação por artigos. A interessada ofereceu impugnação aos embargos de execução (fls. 122 a 132). À fl. 91 consta planilha apresentada pela contribuinte, atendendo a intimação do Sasit da unidade local (fls. 88), onde estão indicadas as compensações efetuadas pela empresa com o crédito de Finsocial disputado judicialmente, indicando que a interessada procedeu ao aproveitamento do direito creditório com a Cofins apurada nos meses de fevereiro de 2000 a março de 2001. Nos procedimentos de acompanhamento da citada medida judicial, a unidade jurisdicionante, em 06/10/2006 (fls. 176/177), após pesquisa no sítio do TRF3, verificou que a questão do pleito de compensação na via de execução judicial da ação de conhecimento ainda não fora apreciada. Constatou ainda que a interessada indicou em suas DCTFs as compensações de Finsocial com Cofins nos períodos de apuração de fevereiro de 2000 a março de 2001. Em razão disso, entendeu pela impossibilidade da efetivação da compensação pretendida, propondo fossem inaugurados os procedimentos de cobrança administrativa dos débitos compensados com escora na ação judicial analisada. Na seqüência, foi lavrado o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL de fls. 179/183, mediante o qual a autoridade responsável posicionasse a respeito da imediata exigência dos valores compensados conforme demonstrativo de fl. 91, também indicados em DCTF. Cientificada do teor do referido Termo de Verificação Fiscal em 06/12/2006, em 04/01/2007 a interessada protocolou a peça de fls. 193 a 208, à qual nomeou de Manifestação de Inconformidade e pela qual contesta a cobrança do crédito exigida pela intimação Sacat nº 786/2006 (fl 190). Depois de historiar o andamento da Ação Cautelar e Ação Ordinária Principal já referidas neste relatório, argumenta a contribuinte que: 1.[...]com a decisão favorável obtida na Ação Ordinária [...], a Manifestante houve por bem utilizar o referido crédito para compensação com débitos vincendos de Cofins relativos ao período de fevereiro/2000 a março/2001; 2.por se tratar de contribuições da mesma espécie, a formalização de tais compensações foi feita unicamente mediante a sua informação nas Declarações de Créditos e Débitos Tributários Federais ("DCTFs") do período, conforme determinava a legislação vigente à época; 3. é cabível a apresentação de manifestação de inconformidade contra a cobrança da contribuição exigida na intimação SACAT nº 786/2006, a teor do que estabelece o art. 74, §9º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a Fl. 455DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDR O RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 13884.003191/200102 Resolução nº 3201000.683 S3C2T1 Fl. 456 4 redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, eis que, ao final, a referida intimação nada mais fez – embora de maneira disfarçada – do que não homologar as compensações realizadas pela Manifestante entre fevereiro/2000 e março/2001 [...]; 4.operouse a decadência do tributo exigido na intimação Sacat nº 786/2006, tendo por premissa que, sendo a Cofins, contribuição sujeita ao lançamento por homologação, já teria transcorrido, em 29/11/2006, o prazo de cinco anos previsto no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional em relação a todos os períodos cujas compensações foram consideradas nãohomologadas pelas autoridades fiscais (fevereiro de 2000 a março de 2001); 5.não é cabível buscar na Lei nº 8.212, de 1991, o prazo decadencial para o lançamento da Cofins devendo prevalecer o disposto no CTN por lhe ser hierarquicamente superior; cita jurisprudência em apoio à tese; 6.a legislação vigente à época das compensações considerava o Finsocial e a Cofins como exações da mesma espécie e portanto, a compensação recíproca estava legalmente autorizada pelo disposto no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, independente de requerimento prévio à autoridade administrativa; 7.não há, ao contrário do entendido pela autoridade local, pedido de compensação formulado em juízo pela manifestante e ainda pendente de exame pelo Poder Judiciário; como reconheceu a unidade local, as compensações foram realizadas somente após o trânsito em julgado da ação, não havendo pendência de litígio quanto ao direito de crédito em si, remanescendo a discussão apenas quanto aos índices de correção aplicáveis; 8.as compensações realizadas pela Manifestante foram feitas utilizandose apenas o valor incontroverso definido na fase de conhecimento da ação judicial, sendo certo que, pretendendo compensar o crédito reconhecido judicialmente, necessariamente estava compelida a informar tal pretensão em juízo, sob pena de omitir informações à autoridade judicial; foi exatamente essa a atitude da Manifestante, que já em sede de execução do julgado, abriu mão do seu direito ao recebimento do crédito reconhecido na fase de conhecimento para utilizálo na via da compensação administrativa; tal fato contudo, não altera [...] a sistemática da realização da compensação, que continua sendo feita administrativamente, sujeitandose a posterior homologação pelas autoridades fiscais. Diante dessas alegações, a interessada solicita o cancelamento da cobrança constante da intimação SACAT nº 786/2006 e o reconhecimento da extinção dos créditos tributários da Cofins, relativos ao período de fevereiro de 2000 a março de 2001. Em despacho de fl. 279/283, a SACAT do órgão local argúi que a peça recursal apresentada pela contribuinte não tem natureza de manifestação de inconformidade já que não desafia exigência de crédito tributário constituído de ofício nem decisão que indefere pedido de restituição, ressarcimento ou compensação. O recurso apresentado, continua o despacho, encontra fundamento jurídico no art. 56 da Lei nº Fl. 456DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDR O RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 13884.003191/200102 Resolução nº 3201000.683 S3C2T1 Fl. 457 5 9.784/99. Refere o posicionamento da autoridade regional que o art. 59 da Lei nº 9.784, de 1999, estabelece como sendo de dez dias o prazo para interposição dessa espécie de recurso administrativo, concluindo pela sua intempestividade, apresentado que foi em 04/01/2007 (fl. 193) contra decisão da qual ficou ciente em 06/12/2006 (fl. 192). Assim, não se conheceu da peça em tela, sendo reiterada a cobrança (fl. 284) nos termos da intimação SACAT nº 786/2006. Em 07/02/2007 o titular da Delegacia local foi notificado da decisão proferida nos autos da ação de Mandado de Segurança nº 2007.61.03.0006796, que concedeu, conforme fls. 297/298, medida liminar para que a Impetrante possa protocolar e ver processar até final julgamento de mérito, pelo Impetrado, sua manifestação de inconformidade [...] processandose a aludida manifestação, nos efeitos devolutivo e suspensivo, especialmente dos créditos tributários ali envolvidos e demais providências administrativas decorrentes da suspensão da exigibilidade do crédito tributário impugnado. Em cumprimento à medida liminar, os autos foram remetidos a esta Delegacia de Julgamento.” A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 0519.882, de 29/10/2007, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/03/2001 FINSOCIAL. AÇÃO JUDICIAL. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO JUDICIAL. Para que possa efetivar compensação na esfera administrativa, incumbe ao contribuinte comprovar a desistência da execução judicial e a assunção das custas do processo. Solicitação Indeferida.” Inconformada com o resultado do julgamento da instância a quo, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivamente, no qual, em síntese, reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade. O recurso voluntário foi apreciado por este colegiado, em 21/05/2009, quando a composição da época houve por bem converter o julgamento em diligência para que a Recorrente apresentasse os seguintes esclarecimentos/documentos: “Se houve pronunciamento judicial no processo de execução a respeito do pedido de compensação feito pela Contribuinte na inicial e repetido na Impugnação aos Embargos. E em existindo, que seja juntada aos autos a respectiva decisão; Apresentação de documento comprobatório demonstrando o cálculo do valor estabelecido como devido à Contribuinte, a titulo de crédito de Finsocial reconhecido na ação ordinária supracitada (que segundo a Fl. 457DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDR O RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 13884.003191/200102 Resolução nº 3201000.683 S3C2T1 Fl. 458 6 Contribuinte é o valor incontroverso de R$ 6.624.393,68), de forma a elucidar se tal montante é comprovadamente incontroverso ou não.” Em 07/02/2010, a Recorrente apresentou resposta à INTIMAÇÃO DRF/MNS/SECAT/EQCAJ N°14/2010, com os esclarecimentos/documentos solicitados na Resolução nº 320100036, razão pela qual o processo foi devolvido ao CARF para a conclusão do julgamento do recurso voluntário. Em nova diligência de fls. 422 este Conselho solicitou que fosse juntado aos autos o Ofício n.º 2163/2012 – PRFN da 3.ª Região e consequente intimação do contribuinte para sua manifestação, conforme segue: “Feito isso, o processo deverá ser expedido para a DRF de origem para que a Recorrente seja intimada do inteiro teor do ofício e se manifeste, caso entenda pertinente, no prazo de 30 (trinta) dias a contar do recebimento da intimação. Adotados os procedimentos, devem os autos retornar a este Conselheiro para retomar o julgamento.” Conforme o despacho de fls. 450 dos autos o mencionado Ofício trata de comunicado de decisão judicial da Procuradora da Fazenda Nacional para o Delegado da Receita Federal. O ofício foi juntado em fls. 433 assim como em fls. 436 foram juntadas decisões e peças judiciais e os autos retornaram para julgamento sem que o contribuinte fosse intimado para sua manifestação. Relatório. Voto Conselheiro PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Conforme as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando que os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário já foram analisados na sessão da Turma a quo. Verificase nos autos que a diligencia não foi cumprida, afirma o despacho de fls. 450 que “Não há, smj, necessidade de intimar a Recorrente de um ofício de ciência de decisão judicial...”. Contudo, se faz importante a manifestação do contribuinte com relação ao Ofício e decisões e peças judiciais juntadas para que o contribuinte possa esclarecer pontos importantes de sua defesa. Importante mencionar que a negativa de realização de perícia pode concretizar o cerceamento de defesa, pois apesar das diligências aceitarem prorrogações, estas são Fl. 458DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDR O RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Processo nº 13884.003191/200102 Resolução nº 3201000.683 S3C2T1 Fl. 459 7 obrigatórias uma vez que determinadas de acordo com o Regimento Interno deste Conselho e de acordo com o PAF (decreto 70.235). Desta feita, determinase que seja dada ciência e acesso ao contribuinte da juntada do Ofício de fls. 433 e decisões e peças judicias de fls. 436, assim como seja realizada sua devida intimação e concessão de prazo de 30 dias para sua manifestação. Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento. É como voto. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima – Conselheiro Relator Fl. 459DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/05/2016 por PEDR O RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Numero do processo: 10830.723884/2011-16
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
INFORMAÇÕES PRESTADAS NA DIRPF. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELA VERACIDADE DAS INFORMAÇÕES.
A declaração de rendimentos é obrigação e responsabilidade do contribuinte e não de profissional da área contábil contratado. Ninguém pode se escusar de cumprir a lei tributária, alegando que não a conhece. Inteligência do art. 3° do Decreto-lei n° 4.657, de 4 de setembro de 1942.
MULTA QUALIFICADA. APURAÇÃO PELA AUTORIDADE AUTUANTE DE ATOS QUE SE ENQUADRAM NO ART. 44, §1° DA LEI N° 9.430/96, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 11.488/2007.
Restando demonstrado que o contribuinte inseriu informações falsas em suas declarações de Imposto de Renda, segundo apurado pela fiscalização de forma fundamentada, com o intuito de diminuir ou deixar de pagar o imposto, é de se aplicar a multa de ofício qualificada ou em dobro, nos termos dos fundamentos legais citados no auto de infração
Numero da decisão: 2802-002.726
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do redator designado. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) German Alejandro San Martín Fernandez (relator) e Dayse Fernandes Leite que davam provimento. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELA VERACIDADE DAS INFORMAÇÕES. A declaração de rendimentos é obrigação e responsabilidade do contribuinte e não de profissional da área contábil contratado. Ninguém pode se escusar de cumprir a lei tributária, alegando que não a conhece. Inteligência do art. 3° do Decreto-lei n° 4.657, de 4 de setembro de 1942. MULTA QUALIFICADA. APURAÇÃO PELA AUTORIDADE AUTUANTE DE ATOS QUE SE ENQUADRAM NO ART. 44, §1° DA LEI N° 9.430/96, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 11.488/2007. Restando demonstrado que o contribuinte inseriu informações falsas em suas declarações de Imposto de Renda, segundo apurado pela fiscalização de forma fundamentada, com o intuito de diminuir ou deixar de pagar o imposto, é de se aplicar a multa de ofício qualificada ou em dobro, nos termos dos fundamentos legais citados no auto de infração Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do redator designado. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) German Alejandro San Martín Fernández (relator) e Dayse Fernandes Leite que davam provimento. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 4/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto -. Relatora ad hoc na data da formalização. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo - Redatora ad hoc na data da formalização. EDITADO EM: 06/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano Relatório Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora designada ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazê-lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Trata-se de Auto de Infração (fls. 28/32), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios de 2009 e 2010, anos-calendário de 2008 e 2009, respectivamente, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 44.169,92 (quarenta e quatro mil, cento e sessenta e nove reais e noventa e dois centavos), sendo R$ 16.212,40 referentes ao imposto, R$ 24.318,59, à multa proporcional qualificada, e R$ 3.638,93, aos juros de mora (calculados até 31/08/2011), decorrente da constatação de dedução indevida de despesas com dependentes, despesas médicas, pensão alimentícia judicial, instrução e previdência privada/FAPI. Apreciada a Impugnação de fls. 50/55, o lançamento foi julgado procedente, e mantida a qualificação da multa. Foram mantidas as glosas referentes aos dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência; às despesas médicas e com instrução de dependentes, por ausência de documento comprobatório de sua efetividade, bem como as glosas referentes à pensão alimentícia judicial, dada a falta de comprovação de que estas se Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 4/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.723884/2011-16 Acórdão n.º 2802-002.726 S2-TE02 Fl. 2 3 deram em razão de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente; por fim, mantida a glosa referente às contribuições à previdência privada referentes à Brasilprev Seguros e Previdência S/A, CNPJ 27.665.207/000131. Segue trecho da decisão recorrida: “Portanto, tendo em vista que restou comprovado que o Autuado fez incluir em suas Declarações de Ajuste Anual, valores de Dedução com Despesas Médicas, Dependentes, Despesas com Instrução, Pensão Alimentícia e Previdência Privada/FAPI, sem possuir as devidas comprovações legais, importando em redução do imposto efetivamente devido, não há como considerar involuntária a conduta do contribuinte, nem a alegação de boa- fé, o que torna perfeitamente aplicável a multa qualificada prevista no artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. Existe nos autos a prova material da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto, já que o uso da simulação, para encobrir os valores deduzidos mostra a existência de conhecimento prévio da ocorrência do fato gerador do imposto e o desejo de omiti-lo à tributação (redução indevida da base de cálculo do tributo)”. Nas razões de Voluntário (fls. 110/117), o recorrente alega que colaborou com nas investigações durante a fiscalização, bem como que juntou aos autos todas as provas das quais dispunha, sendo que os demais documentos ficaram em poder do escritório de contabilidade contratado para auxiliá-lo na confecção de suas declarações de Ajuste Anual de IRPF. Afirma que foi “vítima” do escritório contratado e que não sabia das informações falsas inseridas em suas declarações. Requer a desqualificação da multa alegando não ter havido má-fé em seu comportamento, “...haja vista que não contratou os serviços com objetivo de fraudar e sim de desonerá-lo dos encargos de confecção do Imposto de Renda”. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designada AD HOC para fazê-lo. Esclareço que aqui reproduzo - integralmente - as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 4/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Feito o registro. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A lide recursal se restringe à multa aplicada. É este e somente este o pedido do recurso. A decretação da nulidade da multa aplicada e o deferimento de parcelamento, concessão esta que foge à competência deste Colegiado. Alega o Recorrente que, por não saber elaborar a declaração do IRPF, buscou contadora, sendo esta a única responsável pela inclusão de rendimentos e de deduções fictícias. Conforme exposto na decisão de 1ª instância, a declaração de rendimentos é obrigação do contribuinte, e não de profissional da área contábil contratado. Ademais, ninguém pode se escusar de cumprir a lei tributária, alegando que não a conhece, nos termos do art. 3° do Decreto-lei n° 4.657, de 4 de setembro de 1942. De outro lado, se o contribuinte decide contratar contador que falha na elaboração da declaração, o sujeito passivo incide em culpa in eligendo (culpa pela escolha de seus prepostos) e culpa in vigilando (culpa em vigiar a execução de que outrem ficou encarregado) pelos erros cometidos por seu preposto. Portanto, não lhe socorre a alegação de que os documentos comprobatórios da efetividade das despesas médicas, com dependentes, instrução, pensão alimentícia judicial ou previdência privada, declaradas em sua declaração de ajuste anual ficaram sob responsabilidade de seu contador e que este desapareceu, ou ainda que eventuais despesas inexistentes foram declaradas por responsabilidade exclusiva dele. Entretanto, ainda que procedente a glosa das despesas, por inexistentes, cabe se deter na legalidade da aplicação da multa qualificada. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, somente é aplicável nos casos em que fique caracterizado de forma inequívoca o evidente intuito de fraude, conforme definido pelos arts. 71, 72 e 73, da lei n° 4.502, de 1964. Não se admite a qualificação da multa com base em meras presunções ou ilações da autoridade lançadora, sem fundamento legal e sem a devida individualização da conduta. Não basta, para fins de qualificação da multa, apoiar-se apenas em argumentos quanto a razoabilidade da conduta do contribuinte, quando este afirma desconhecer as informações contidas na DIRF: (...) não é minimamente razoável acreditar que alguém com a qualificação de “bancário, economiário (sic), escriturário, assistente, auxiliar administrativo” (conforme dados de sua própria declaração de renda anual), não tenha tido o mínimo cuidado de verificar que, em sua declaração de rendimentos, foram quase que exclusivamente introduzidas informações falsas, que propiciaram que o contribuinte obtivesse restituição Fl. 174DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 4/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.723884/2011-16 Acórdão n.º 2802-002.726 S2-TE02 Fl. 3 5 de imposto de renda em valores expressivos face aos seus rendimentos tributáveis (...) Conforme reiterada jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a qualificação da multa pressupõe a prova inequívoca sobre a intenção do agente em fraudar o fisco. Meras ilações de ordem subjetiva são incapazes de suportar lançamento de multa agravada, ainda mais quando a sua mantença implica necessariamente em juízo persecutório penal ao fim do processo administrativo e desprezo ao disposto no artigo 112, II do CTN: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;". Nesse sentido, 2a. Turma da 2a. Câmara da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF deste E. Sodalício: COMPROVADA – MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n. 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4,502/64. O EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE NÃO SE PRESUME E DEVE SER DEMONSTRADO PELA FISCALIZAÇÃO. NO CASO, O DOLO QUE AUTORIZARIA A QUALIFICAÇÃO DA MULTA NÃO RESTOU COMPROVADO, CONFORME BEM EVIDENCIADO PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. A omissão de rendimentos por dois exercícios consecutivos ou a ausência de apresentação de declarações de ajuste anual, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracterizam o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. (Acórdão n" 920200.971. Processo n. 14041.000301/200401. Recurso n° 149.607 Especial do Procurador. Sessão de 17 de agosto de 2010). No mesmo sentido: CSRF 2a. Turma da 2a. Câmara, Acórdãos n.s 920200.969, 920200.910 e 920200.909. No mesmo sentido, 1ª Turma da CSRF: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA . INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova Fl. 175DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 4/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º 9101001.403 Processo n.º 11020.004863/200719. Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF. 1ª Turma. Sessão de 17 de julho de 2012. Não bastasse a reiterada jurisprudência da CSRF do CARF, é de se observar a Súmula CARF n. 14, assim redigida: "A simples apuração de omissão de receita e de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo". Ainda que não pareça verossímil à autoridade lançadora que o contribuinte ora recorrente nada soubesse sobre a inserção de informações falsas em sua declaração, a conduta adotada desde o início da fiscalização me leva a concluir pelo desconhecimento deste a respeito do fato criminoso. De início, ao ser intimado, admitiu ter deixado a cargo de terceiros - escritório de contabilidade -, a elaboração de sua DIRF. Afirmou desconhecer os rendimentos e deduções lá postas, em evidente conduta de colaboração com a fiscalização. Ademais, por se tratar de retificadora, possível que tenha sido apresentada por terceiros, sem o pleno conhecimento do contribuinte sobre o conteúdo retificado. Aliás, a autoridade lançadora reconhece a participação da Cont Plus na elaboração da DIRF, à fl. 43, item 14. Pelo exposto, conheço e dou parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para excluir a qualificação da multa. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto Relatora ad hoc na data da formalização. Voto Vencedor Conselheira Andréa Brose Adolfo - Redatora designada ad hoc na data da formalização. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 4/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.723884/2011-16 Acórdão n.º 2802-002.726 S2-TE02 Fl. 4 7 Para registro e esclarecimento, pelo fato dos conselheiros responsáveis pelos votos vencido e vencedor não mais integrarem o colegiado, fui designada AD HOC para redigir o voto vencedor. Esclareço que aqui reproduzo - integralmente - as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Conquanto valha o respeito ao judicioso voto do Conselheiro Relator, dele ouso discordar, em parte, pelas seguintes razões. A questão muito bem demonstrada sobre a prova do evidente intuito de fraude, caiu por terra com o advento da Lei n° 11.488/2007, a qual modificou o art. 44 da Lei n° 9.430/96, dispensando a exigência que cabia ao fisco de demonstrar o referido “evidente intuito de fraude”. Na presente hipótese, a autoridade autuante, às fls. 43, faz um extenso e profícuo arrazoado acerca do contexto fático que orientou a qualificação da multa de ofício, sem olvidar de demonstrar precisamente os fundamentos legais para tanto. Com efeito, a única justificativa trazida pelo contribuinte é a de que as informações confessadamente falsas lançadas em sua declaração o foram por terceiro, o que, para além da ausência de prova contundente de tal alegação, não o desonera da responsabilidade por elas, mormente ao se considerar o contexto fático descrito no relatório fiscal de fls. 43. Pelo exposto, e considerando que a lide versa apenas sobre a qualificação da multa, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo Redatora ad hoc na data da formalização Fl. 177DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 4/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por ANDREA BROSE ADOLFO, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Relatório Voto
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