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Numero do processo: 10970.720302/2012-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/12/2011
PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL.
É devida a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural em substituição à contribuição sobre a folha de salários pelo produtor rural pessoa jurídica, conforme determina as disposições legais de regência.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A multa de ofício constitui juntamente com o tributo atualizado até a data do lançamento o crédito tributário e está sujeito à incidência de juros moratórios até sua extinção pelo pagamento.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 2301-004.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões que implicam em controle repressivo de constitucionalidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o julgamento a Dra. Thabitta Rocha, OAB/GO 42.035.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/12/2011 PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. É devida a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural em substituição à contribuição sobre a folha de salários pelo produtor rural pessoa jurídica, conforme determina as disposições legais de regência. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício constitui juntamente com o tributo atualizado até a data do lançamento o crédito tributário e está sujeito à incidência de juros moratórios até sua extinção pelo pagamento. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
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COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. É devida a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural em substituição à contribuição sobre a folha de salários pelo produtor rural pessoa jurídica, conforme determina as disposições legais de regência. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício constitui juntamente com o tributo atualizado até a data do lançamento o crédito tributário e está sujeito à incidência de juros moratórios até sua extinção pelo pagamento. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 03 02 /2 01 2- 26 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões que implicam em controle repressivo de constitucionalidade, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o julgamento a Dra. Thabitta Rocha, OAB/GO 42.035. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10970.720302/201226 Acórdão n.º 2301004.441 S2C3T1 Fl. 318 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedentes as autuações realizadas em 26/12/2012. O crédito é decorrente da contribuição previdenciária sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural. Foram lançadas as contribuições patronais, para terceiros e a multa por descumprimento da obrigação acessória de informar corretamente em GFIP as informações sobre a empresa e seus segurados. Seguem transcrições do acórdão recorrido: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado, que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela SRF, configurando se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. O julgador administrativo não tem competência para apreciar argüições de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, pelo dever de agir vinculadamente às mesmas. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. É devida a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural em substituição à contribuição sobre a folha de salários, pelo produtor rural pessoa jurídica, conforme determina as disposições legais de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... No presente processo constam os autos de infração a seguir relacionados que foram recebidos pelo sujeito passivo em 26/12/2012, por via postal, conforme aviso de recebimento –AR acostado às fls. 237 dos autos. a) AIOP – DEBCAD nº 51.034.8955 consolidado em 18/12/2012, no valor de R$248.971,43 relativo ao período de 01/01/2009 a Fl. 319DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 30/10/2009 – 0106/2010 a 30/12/2011 acostado às fls. 04 dos autos, para cobrança de obrigação principal proveniente da contribuição previdenciária patronal no percentual de 2,5%%, para custeio da seguridade social e contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, no percentual de 0,1%, incidente sobre a comercialização de produtos rurais. Os fatos geradores foram identificados nos levantamentos: 1) CP – COMERCIALIZAÇÃO PRODUÇÃO RURAL – exigindo se a contribuição previdenciária patronal de 2,6%, incidente sobre o valor da comercialização dos produtos rurais nas competências 06/2010 a 12/2011 com incidência da multa de ofício de 75%. 2) NP – NOTAS FISCAIS DE PR exigindose a contribuição previdenciária patronal de 2,6%, incidente sobre o valor da comercialização do produto rural na competência 01/2009 a 07/2009 e 10/2009 com incidência da multa de ofício de 75% b) AIOP DEBCAD nº 51.034.8963 consolidado em 18/12/2012, no valor de R$23.939,62, relativo às competências 01/2009 a 07/2009/ 10/2009 e 06/2010 a 12/2011 acostado às fls. 13 dos autos, para cobrança da contribuição social para custeio das entidades e fundos – SENAR no percentual de 0,25% incidente sobre a comercialização de produtos rurais. Os levantamentos indicativos dos fatos geradores observaram as mesmas competências, nomenclatura e valor da multa de ofício dos levantamentos relacionados para o AIOP DEBCAD 51.034.8955 c) AIOA DEBCAD nº 51.034.8920 lavrado em 18/12/2012, no valor de R$500,00 acostado às fls. 3 dos autos, por descumprimento de obrigação acessória no Código de Fundamento Legal –CFL 78, relativo à competência 03/2008, por infração ao disposto no art. 32, IV, acrescentado pela Lei 9.528 de 10/12/1997 na redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941 de 27/05/2009 em razão de a empresa ter informado em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: 1.Os Al DEBCAD n°s 51.034.8955 e 51.034.8963 são nulos por erro no enquadramento legal da obrigação principal. A fiscalização indicou como principal fundamento legal dos referidos Autos de Infração o art. 25, parágrafos 3º e 4º da Lei n° 8.212/91, o qual regula exclusivamente a tributação dos produtores rurais pessoas físicas, 2. Sobre a multa de ofício não cabe a incidência de taxa SELIC; Reforçando a incorreção do fundamento legal, conforme dito no item 1 acima referido, diz que o art. 25 da Lei 8.212/1991 trata Fl. 320DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10970.720302/201226 Acórdão n.º 2301004.441 S2C3T1 Fl. 319 5 somente da contribuição rural da pessoa física que os demais dispositivos citados no Anexo Fundamento Legal do Débito se limitam apenas a regulamentar ou mesmo alterar a matéria tratada pelo art. 25 da Lei 8.212/1991 Diante da dita irregularidade considera ter existido cerceamento do seu direito de defesa, pois “não soube exatamente do que teria que se defender, em clara violação ao art. 59 do Decreto nº70.235/72”. Ressalta, ainda, que a fiscalização não atendeu aos requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/1972, no tocante ao inciso “IV – dispositivo legal infringido e a penalidade aplicável”. Alega a ilegalidade da incidência da SELIC sobre a multa de ofício, haja vista que a sua vocação e unicamente incidir sobre “o tributo (principal) e não sobre a multa que, jamais, pode ser qualificada como receita esperada. Por essa mesma razão, a SELIC nunca incide sobre a multa de mora, e de forma coerente, nunca poderá incidir sobre a multa de ofício, o que não tem sido observado pela administração tributária”. No mérito, aduz ser impossível a exigência da contribuição previdenciária com base na receita bruta, em face do tratamento diferenciado aos empregadores urbanos e rurais, com conseqüente afronta ao princípio da igualdade, tendo em vista que, na prática, estabeleceu "verdadeira iniqüidade, posto que impôs às agroindústrias e aos produtores rurais a instituição de um novo tipo de contribuinte que acaba sendo mais onerado, portanto diferenciado dos outros", como bem pontuado pelo Ministro Maurício Corrêa, no julgamento da ADI n° 1.1031/ DF. Destaca que além deste vício a contribuição exigida “tem sua constitucionalidade maculada especialmente pela utilização de veículo normativo impróprio (lei ordinária) e pela existência de outra contribuição calculada sobre idêntica base imponível (bis in idem)” Cita ainda que a base de incidência, não pode ter como fundamento legal o art. 195 I da CF, porque receita bruta não pode se confundir com o faturamento, a folha de salários ou o lucro, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal no julgamento do RE n° 585.235 MG, julgados sob a sistemática da repercussão geral. Lembra que no julgamento da ADI n° 1.1031, foi declarada a inconstitucionalidade do § 2 º ºdo art. 25 da Lei n° 8.870/94, o qual estendia o regime de tributação dos produtores rurais (art. 25, caput) às pessoas jurídicas que se dedicam à produção agroindustrial. Neste julgamento os Ministros do Supremo Tribunal Federal concluíram pela inconstitucionalidade do referido dispositivo legal justamente por entender que o estabelecimento de nova fonte de custeio deve observância aos limites estabelecidos no art.154, I, da CF, por expressa determinação do art. 195, §4°, da CF. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Ressalta que com base em idênticos argumentos foi declarada nos autos do RE n° 363.852MG a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art.12, V e VII, art. 25, I e II, e art. 30, V, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e n° 9.528/97, que, conjuntamente regulam a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais. Destaca que “mesmo que se aceite que a base de cálculo instituída pela Lei n° 8.870/94 se equipara ao conceito de faturamento, o que se admite apenas em esforço argumentativo, ainda assim permanece o vício de inconstitucionalidade, por bis in idem em relação à COFINS, vedado consoante interpretação sistemática do texto constitucional” Por fim ressalta o reconhecimento no julgamento do RE nº 611.601/RS de repercussão geral. É o Relatório. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10970.720302/201226 Acórdão n.º 2301004.441 S2C3T1 Fl. 320 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 323DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto à suposta nulidade do lançamento por erro na indicação do dispositivo legal, também não procede. Caso observasse o Relatório de Fundamentos Legais às fls. 08 constataria que todos os dispositivos legais foram devidamente indicados ao recorrente. Ressaltase que as peças de recurso oferecidas pela recorrente demonstram pleno conhecimento dos fatos e dos fundamentos legais da autuação. No mérito, temos que inicialmente o art. 22A da Lei nº 8.212/1991 na redação trazida pela Lei nº 10.256/2001 já preconizava a substituição da base de cálculo folha Fl. 324DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10970.720302/201226 Acórdão n.º 2301004.441 S2C3T1 Fl. 321 9 de salários pela receita bruta na comercialização da produção rural para as empresas que efetivamente se dediquem à atividade rural e promovam em seu estabelecimento a industrialização da produção, ou seja, sejam enquadradas como agroindústria: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. ... § 2o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 desta Lei. § 3o Na hipótese do § 2o, a receita bruta correspondente aos serviços prestados a terceiros será excluída da base de cálculo da contribuição de que trata o caput. Sendo que o artigo 25 da Lei nº 8.870 na redação da Lei nº 10.256/2001 também estendeu a mesma substituição da base de cálculo para os produtores rurais pessoas jurídicas em geral, que é o caso da recorrente: Art. 25. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a ser a seguinte: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. ... § 5o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) Fl. 325DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Com relação aos recursos extraordinários pendentes de julgamento definitivo no STF e ainda que com repercussão geral não possuem reflexo sobre essa instância administrativa. Primeiro porque no presente caso não se está examinando a subrogação na pessoa jurídica adquirente de produtos do produtor pessoa física. Segundo porque o artigo 26 A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. E depois porque, ainda que pendente no STF em repercussão geral, a Portaria MF nº 545, de 18/11/2013 revogou a necessidade de sobrestamento no CARF: PORTARIA No 545, de 18/11/2013 Altera o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Quanto à multa incidente sobre o tributo, ressaltase que no presente lançamento somente constam as competências posteriores a 12/2008; portanto, não se aplica a retroatividade benéfica. Inconstitucionalidades: SENAR e SELIC Ressaltase que recentemente o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da incidência da taxa SELIC para fins de acréscimos legais de tributos: RE 582461 / SP SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIORelator(a): Min. GILMAR MENDESJulgamento: 18/05/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL02568 02 PP00177 Parte(s) RELATOR : MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) : JAGUARY ENGENHARIA, MINERAÇÃO E COMÉRCIO LTDA ADV.(A/S) : MARCO AURÉLIO DE BARROS MONTENEGRO E OUTRO(A/S)RECDO.(A/S) : ESTADO DE SÃO PAULO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO INTDO.(A/S) : UNIÃO Fl. 326DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10970.720302/201226 Acórdão n.º 2301004.441 S2C3T1 Fl. 322 11 PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Ementa 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu do recurso extraordinário, contra o voto da Senhora Ministra Cármen Lúcia, que dele conhecia apenas em parte. No mérito, o Tribunal, por maioria, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Em seguida, o Presidente apresentou proposta de redação de súmula vinculante, a ser encaminhada à Comissão de Jurisprudência, com o seguinte teor: “É constitucional a Fl. 327DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 inclusão do valor do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS na sua própria base de cálculo.” Falaram, pelo recorrido, o Dr. Aylton Marcelo Barbosa da Silva, Procurador do Estado e, pelo amicus curiae, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa e, em viagem oficial à Federação da Rússia, o Senhor Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.05.2011. A recorrente, portanto, insurgese contra a cobrança em tese – seriam inconstitucionais os dispositivos legais, inclusive as contribuições devidas ao SENAR; no entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ... Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sobre a cobrança devida ao SENAR, é oportuna a jurisprudência do STJ no sentido da validade da cobrança seja para empresas rurais ou urbanas: Processo AgRg no REsp 999837 / PIAGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL2007/02496956 Relator(a)Ministra ELIANA CALMON (1114) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 12/05/2009 Data da Publicação/Fonte Die 29/05/2009 Ementa PROCESSUAL CIVIL — RECURSO ESPECIAL — CONTRIBUIÇÃO PARA 0 INCRA E FUNRURAL — LEGALIDADE DA EXAÇÃO — QUESTÃO DE MÉRITO JÁ DECIDIDA COM BASE NA SISTEMÁTICA DO ART 543C DO CPC — DECISÃO PROFERIDA ANTERIORMENTE AO JULGAMENTO DO CASO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. I. A contribuição destinada ao INCRA e ao FUNRURAL pelas empresas urbanas, não foram extintas pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como decidido no REsp 977058/RS, Die 10/11/2008, pela sistemática do art. 543C do CPC. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10970.720302/201226 Acórdão n.º 2301004.441 S2C3T1 Fl. 323 13 2. Decisão proferida anteriormente ao julgamento do caso representativo de controvérsia. 3. Agravo Regimental não provido. Em relação aos juros moratórios sobre a multa de ofício, busca o recorrente uma interpretação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 mais literal, no sentido da necessidade de que a expressão "tributos e contribuições" contivesse também a multa para que houvesse a incidência dos juros moratórios: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Na constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, o tributo é devido desde a ocorrência dos fatos geradores e, portanto, é atualizado pelos juros moratórios. Na data do lançamento, a autoridade fiscal também constitui crédito corresponde a multa de ofício. Neste caso, o preceito violado foi a ausência de espontaneidade do contribuinte. E se deve considerar que nos termos dos artigos 113 e 115, mesmo as multas decorrentes de obrigações acessórias, ou seja, as prestações, positivas ou negativas, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, convertemse e são tratadas como obrigação principal: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. ... § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. ... Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Tanto o tributo quanto a multa formam em seu conjunto o crédito tributário. A multa de ofício é aplicada no ato do lançamento e a partir de então não mais se torna relevante para fins de cobrança atribuirlhe tratamento diferente ao dispensado legalmente à parcela correspondente ao tributo propriamente dito. A partir da constituição, o que temos é um crédito tributário composto por duas partes: tributo atualizado até a data do lançamento e multa. A partir daí, a correção decorre de sua natureza financeira, não justificando o "congelamento" de quaisquer valor no natural decurso do tempo. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 A jurisprudência das turmas da CSRF deste CARF também vem sendo consolidada pela incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, conforme Acórdão 9101001.863 da primeira turma e Acórdão 9303002.400 da terceira turma. Por tudo, voto não conhecer das questões de inconstitucionalidade e, na parte conhecida, por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 330DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 13804.006512/2003-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
DEPÓSITOS JUDICIAIS. EXCLUSÃO DOS JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 5.
Comprovados que os depósitos judiciais realizados pelo contribuinte foram realizados nos valores e nas datas de vencimento das obrigações tributárias, sendo suficientes para a extinção do crédito tributário no momento da sua conversão em renda, deve ser afastada a exigência dos juros de mora.
Numero da decisão: 3201-002.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Fez sustentação oral o advogado da Recorrente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Presidente Substituto.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário, Cássio Schappo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Ausente, justificadamente, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 DEPÓSITOS JUDICIAIS. EXCLUSÃO DOS JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 5. Comprovados que os depósitos judiciais realizados pelo contribuinte foram realizados nos valores e nas datas de vencimento das obrigações tributárias, sendo suficientes para a extinção do crédito tributário no momento da sua conversão em renda, deve ser afastada a exigência dos juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral o advogado da Recorrente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Presidente Substituto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 65 12 /2 00 3- 27 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 2 Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário, Cássio Schappo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Relatório O feito foi assim relatado pelo Acórdão DRJ de fls. 363 e seguintes: Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurada falta de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro de 1998 a dezembro de 1998, declarados na DCTF, pois foi constatado "Proc jud não comprovado", razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 20 e 21, integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculados até 30/06/2003, perfazendo o total de R$417.968,97 (quatrocentos e dezessete mil e novecentos e sessenta e oito reais e noventa e sete centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. Io e 3o , alínea "b", da Lei Complementar n° 07/70; art. 83 inc. III, L.8981/95; art Io , L 9249/95; art. 2o e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1623/97 e reed; art. 2o e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1676/9834 e reed; art. 2o e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, L 9715/98. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 11/08/2003 (AR à fl. 92), a contribuinte protocolizou, em 09.09.2003, a impugnação de fls. 2 a 4 acompanhada dos documentos de fls. 591, na qual alega: 2.1. Tratase de auto de infração lavrado contra a ora Impugnante, sob o argumento de que teriam sido constatadas irregularidades nos créditos vinculados informados nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF dos ano calendário 1998 e em decorrência deste fato, foi constatada falta de recolhimento do PIS, código de receita 8109. 2.2. Assim, teria a peticionária, no entender do órgão autuante, infringido a legislação que regula a matéria, sendolhe exigido o recolhimento da contribuição, acrescido de multa de oficio e juros de mora, tudo, no importe de RS 417.968,97 (quatrocentos e dezessete mil novecentos e sessenta e oito reais e noventa e sete centavos). 2.3. Porem, conforme será demonstrado, o auto de infração em exame não deve prosperar, eis que a impugnante não incorreu nas infringências apontadas pelo órgão autuante. 2.4. Em 30 de abril de 1996, a ora peticionária, ajuizou, perante a 15' Vara Federal, da Justiça Federal da Seção Judiciária de São Paulo, a Ação Declaratória com pedido de tutela antecipadanº 96.0011645 objetivando a declaração da Fl. 525DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13804.006512/200327 Acórdão n.º 3201002.121 S3C2T1 Fl. 525 3 inconstitucionalidade da exigência do PIS, nos termos da Medida Provisória 1212 de 29.11.95 e reedições, requerendo que fosse assegurado seu direito de continuar recolhendo a exação na modalidade Repique, com base no disposto na Lei Complementar 07/70. (doc.07) Em 21 de maio de 1996, foi publicada decisão na qual o MM. Juiz indeferiu a tutela antecipada, porem facultou o depósito judicial dos valores discutidos, (doe 8) 2.5. Desta forma, a ora peticionária efetuou mensalmente o depósito judicial do valor da contribuição discutida, na forma determinada pela MP 1212/95 e reedições (0,65% sobre o faturamento), inclusive dos valores objetos da presente autuação, (does. 09 a 20) 2.6. Portanto a autuação ora impugnada, quando muito, poderá ser considerada mera constituição de credito, no que diz respeito ao valor principal da contribuição, ante o respectivo depósito efetuado na mencionada ação declaratória e quanto aos valores de multa e juros, devem ser considerados nulo de pleno direito tais lançamentos. 2.7. Isto posto, face ao depósito dos valores objeto da presente autuação, requer, com o máximo acatamento, seja anulado o lançamento do credito tributário, cancelandose, em decorrência, o Auto de Infração n.° 0069371. 2.8. Por fim, pede deferimento. 3. Quanto a Ação Judicial, a EQAMJ exarou o seguinte Despacho em 02/02/2011 (fl. 110): (...) A ação judicial em pauta é a Ação Ordinária n° 96.00116415, que se prestou a questionar a MP 1.212/95. Ocorreu o transito em julgado de maneira desfavorável ao contribuinte, sem apelação. Os depósitos compreendidos entre 01 e 10/1998 foram realizados no Banco do Brasil S/A (guias de depósito fls. 58/67) e não na Caixa Econômica Federal, o que impossibilita a verificação em relação existência do depósito e ao saldo atualizado da conta. O contribuinte ignorou a existência do DecretoLei 1.737/79 que há tempos trazia a obrigatoriedade de efetivação do depósito judicial na CEF, em seu art Io. Conforme fl. 99, em 2008, o juízo da causa determinou a conversão em renda dos depósitos realizados naqueles autos. Os depósitos relativos a 11 e 12/1998 foram realizados em DJE e já sofreram a transformação total em pagamento definitivo (fls. 68/69 e 100/102). Fl. 526DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 4 (...) 3.1. Em 16/02/2011, a EQAMJ complementou o Despacho acima (fl. 195): Como primeira medida remeto ao despacho anterior de fl. 107 que relata todos os fatos até aqui ocorridos. Posteriormente, informo que como resposta à intimação enviada o contribuinte apresentou a manifestação/documentação juntada às fls. 108/188. Não trouxe a autorização judicial especifica para a efetivação dos depósitos no Banco do Brasil. Pretende ver demonstrado que realizou os depósitos e estes foram "resgatados"pela União em 29/12/2009, conforme extratos bancários defls. 112/188. Destaque para as fls. 115 e 123; 124 e 128; 129/130 e 162; 163 e 167; 169 c 184; por fim, fls. 185 e 188, que demonstram datas de aplicação e resgate em 29/12/2009. Pelos extratos bancários apresentados não se pode afirmar que os "resgates" realmente foram feitos por conta de conversão em renda da União, apesar dos vários ofícios de conversão em renda expedidos pelo judiciário ao BB, consoante extrato processual de acompanhamento eletrônico (fls. 93/94). Não foi localizada nenhuma Conversão Pis 2849 ou DJE Pis 7498 posterior a 01/01/2009 no sinal 08, porem foi localizada conversão disponível de Pis de 13/09/2007 (fls. 189/191), sem contar com nenhuma referência a número da ação judicial. (...) 4. É o relatório. Após análise da Impugnação apresentada, a DRJ chegou à seguinte conclusão: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n.° 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade do procedimento administrativo. DECISÃO JUDICIAL DESFAVORÁVEL ALOCAÇÃO DOS DEPÓSITOS JUDICIAIS CONVERTIDOS EM RENDA DA UNIÃO. A decisão judicial desfavorável ao Impugnante enseja a alocação dos depósitos judiciais convertidos em Renda da União aos débitos correspondentes mantidos. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13804.006512/200327 Acórdão n.º 3201002.121 S3C2T1 Fl. 526 5 MULTA DE OFÍCIO RETRO ATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI N0 10.833/2003. Com a edição da MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual reiterou os argumentos relativos aos pontos mantidos na referida decisão. Remetidos os autos a este CARF, foi solicitada diligência fiscal nos seguintes termos (fls. 410/417): Em vista de todo o exposto, considerando os documentos comprobatórios anexados ao processo e o Ofício do Juiz determinando a Caixa Econômica Federal providenciar a conversão em renda dos valores remanescentes contidos na r. conta, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Verifique se: (i) houve a efetiva conversão dos depósitos judiciais relativos à Ação Declaratória n° 96.00116415 correspondentes aos valores remanescentes contidos na conta n° 56352674451, agência n° 0265 vinculada a Caixa Econômica Federal; (ii) os valores foram suficientes para a quitação integral do débito objeto do presente processo administrativo; · · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. O Relatório Fiscal, em resposta, apresentou suas conclusões às fls. 425/427: Dessa forma, considerandose o exposto acima, todos os valores mencionados no Auto de Infração foram depositados nas datas de vencimento correspondentes e já foram transformados nos sistemas da RFB. Intimado, o Recorrente disse anuir com os termos do Relatório Fiscal. É o relatório. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 6 Voto Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário Para melhor contextualizar a matéria em exame, transcrevo trecho do voto proferido pela Relatora original quando da conversão do presente feito em diligência, com destaques: Pelo presente processo, vêse que o cerne da questão se resume aos valores de PIS, oriundos no período de 01/1998 a 12/998, tendo em vista que a decisão da DRJ excluiu os valores relativos a multa de ofício, uma vez aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no artigo 106, II, "c", do CTN e manteve os valores com relação ao PIS, período de 01/1998 a 12/1998, no valor total de R$ 156.099,04. Depreendendose da análise do Recurso Voluntário interposto pela recorrente, vêse que insurge o contribuinte que os débitos objeto do processo administrativo foram depositados na Ação Declaratória n.° 96.00116415, para fins de suspensão da exigibilidade dos valores relativos ao PIS, com relação ao período de 01/1998 a 12/1998. O que ressalta que parte dos depósitos foram realizados no Banco do Brasil e parte na Caixa Econômica Federal. Contextualiza a recorrente que: Em 30 de abril de 1996, foi ajuizada a Ação Declaratória nº 96.00116415, com o objetivo de declarar a inconstitucionalidade da Medida Provisória 1.212/95 e posteriores reedições e conceder a tutela jurisdicional antecipada para suspender a exigibilidade do PIS conforme previsto pela Medida Provisória; Em 17 de junho de 2005, sobreveio sentença que julgou improcedente à ação e, em 20 de julho de 2006, a empresa protocolou petição renunciando ao direito de recorrer, sendo requerido a conversão em renda dos valores depositados em favor da União Federal; ∙ Em 30 de julho de 2007, foi proferido despacho para que fosse efetuada a conversão em renda dos valores depositados, a qual foi efetuada em 19 de setembro de 2007 pela Caixa Econômica Federal, código 2849; ∙ Não obstante, por um lapso, não foi expedido Ofício para o Banco do Brasil para a conversão em renda dos valores depositados no referido banco; ∙ Constatando o erro, a recorrente despachou petição requerendo a expedição do Ofício ao Banco do Brasil; ∙ Tal pedido foi apreciado e em 18 de dezembro de 2008, o que fez com que o Banco do Brasil informasse a conversão em renda Fl. 529DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13804.006512/200327 Acórdão n.º 3201002.121 S3C2T1 Fl. 527 7 efetuada no dia 19 de novembro de 2008, código 2849, no valor total de R$629.706,11; ∙ No entanto, a recorrente constatou que o Banco do Brasil providenciou a conversão em renda do montante de R$629.706,11, através de recolhimento de DARF no código de receita 2849; porém, não providenciou a segregação dos valores por empresa, uma vez a existência de litisconsórcio ativo nos autos da Ação Declaratória n° 96.00116415; ∙ Diante disso, a ora Peticionária protocolou petição, em 16 de novembro de 2011, solicitando a conversão em renda de todos os valores depositados nos autos da referida ação, em favor da União Federal, de forma segregada, para que possa comprovar, nos autos do presente processo, a parte da quitação do débito que cabe a Editora Abril S.A (atual denominação social de Editora Novo Continente S.A); ∙ Em resposta, o Banco do Brasil informou que parte dos valores depositados foram convertidos em renda da União, através do DARF no valor de R$629.706,11 e parte dos valores foram transferidos a Caixa Econômica Federal, em cumprimento à Lei Federal n° 12.099/2009; ∙ Que os valores depositados foram transferidos, em 29 de dezembro de 2009, à Caixa Econômica Federal, disponibilizados na conta n° 56352674451, agência n° 0265 – CEF; ∙ O que, por conseguinte, a Caixa Econômica Federal, em 10 de maio de 2012, solicitou o código de receita a ser utilizado para a conversão em renda dos valores remanescentes que, por sua vez, foi prontamente atendido pelo D. Procurador da Fazenda Nacional; ∙ Em 20/09/2012, o Exmo. Juiz oficiou a Caixa Econômica Federal a providenciar a conversão em renda dos valores remanescentes, contidos na conta n° 56352674451, agência n° 0265, valores esses que servirão para quitação dos débitos objeto do presente processo administrativo; ∙ O que, portanto, a recorrente somente aguarda comprovação da conversão em renda da União, que será oferecida pela Caixa Econômica Federal, para que possa demonstrar nos autos do presente processo administrativo. Em vista de todo o exposto, considerando os documentos comprobatórios anexados ao processo e o Ofício do Juiz determinando a Caixa Econômica Federal providenciar a conversão em renda dos valores remanescentes contidos na r. conta, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: Verifique se: (i) houve a efetiva conversão dos depósitos judiciais relativos à Ação Declaratória n° 96.00116415 Fl. 530DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 8 correspondentes aos valores remanescentes contidos na conta n° 56352674451, agência n° 0265 vinculada a Caixa Econômica Federal; (ii) os valores foram suficientes para a quitação integral do débito objeto do presente processo administrativo; ∙ Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; ∙ Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Pois bem, Em diligência, a Autoridade Preparadora confirmou que os depósitos judiciais realizados com o fim de suspender a exigibilidade de crédito tributário foram feitos em valor suficiente para a extinção do crédito e realizados nas respectivas datas de vencimento, bem como a sua conversão em renda da União. Em assim sendo, resta confirmada a causa suspensiva da exigibilidade prevista no art. 151, II do CTN: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) II o depósito do seu montante integral; Uma vez confirmada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário pelo depósito judicial, mister se faz a extinção dos juros nos termos da Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte para exonerar o crédito tributário principal, pelo comprovação da conversão em renda dos depósito judiciais, nos termos da diligência fiscal, bem como dos juros incidentes sobre valores depositados em juízo nos valores e nas datas de vencimento das respectivas obrigações tributárias principais. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 531DF CARF MF Impresso em 19/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 11 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 18/04/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 13748.720017/2014-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. DIRPF x DIRF. CRUZAMENTO DE DADOS. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda deve ser afastada a glosa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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DIRPF x DIRF. CRUZAMENTO DE DADOS. COMPROVAÇÃO DAS RETENÇÕES NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte comprovado a retenção do imposto de renda deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 00 17 /2 01 4- 07 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13748.720017/201407, em face do acórdão nº 0435.020, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: Trata o presente processo de impugnação apresentada pela interessada supra contra o lançamento de ofício do IRPF do Exercício 2012, AnoCalendário 2011, formalizado na Notificação de Lançamento de fls. 33 a 36, decorrente da revisão de sua declaração anual, onde foi apurado imposto, multa e juros de mora, totalizando o crédito tributário de R$ 808,49. Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento (fls. 34), a autoridade fiscal informou que, da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e informações constantes dos sistemas da Receita Federal, constatouse compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 607,30, referente à fonte pagadora Arteiro Agropecuária Ltda. ME, sendo glosada a compensação desse valor. Em complemento, constou que a contribuinte optou pela declaração de 50% dos rendimentos a título de aluguel, tendo declarado o IRRF referente a essa fonte pagadora em valor maior do que o informado em DIRF (Declarado = 6.000,67 x em DIRF + 5.393,37). Na impugnação de fls. 02, apresentada em 10/01/2014, a interessada alegou, em suma, que o valor de R$ 607,30 consta do comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora e que os recibos fornecidos pela fonte pagadora confirmam a retenção do imposto declarado, correspondente aos rendimentos comuns, declarados metade com o esposo, que também está impugnando a notificação. Acompanharam a impugnação os documentos de fls. 03 a 19. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 53/59, reiterando os argumentos já lançados na impugnação e juntando, em anexo ao recurso voluntário documento à fl. 67/74. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13748.720017/201407 Acórdão n.º 2202003.433 S2C2T2 Fl. 81 3 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. De início, necessário dizer que em relação aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário (fls 67/74), por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado, devem ser recebidos nesta fase processual. A contribuinte ofereceu à tributação em sua DIRPF/2012 rendimentos tributáveis recebidos da fonte pagadora Arteiro Agropecuária Ltda. ME, no valor de R$ 37.446,00, compensando IRRF no valor de R$ 6.000,67, que foi glosado em parte pela autoridade fiscal no trabalho de malha. A DRJ de origem, por entendeu que "à fonte pagadora cabe efetuar a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte e enviar ao beneficiário o comprovante de rendimentos pagos e imposto retido, podendo ser penalizada por informação incorreta prestada nesse comprovante, o que não elide a responsabilidade do contribuinte pelas informações prestadas em sua declaração de IRPF". E que, "por outro lado, a responsabilidade pelas informações prestadas na declaração de rendimentos da pessoa física é do próprio declarante, como contribuinte direto (artigo 121 do CTN), a quem cumpre oferecer à tributação na declaração anual o total dos rendimentos recebidos, independentemente de informação da fonte pagadora". Assim, para comprovar sua alegação a contribuinte apresentou vários recibos pela referida fonte pagadora nos meses de janeiro a dezembro de 2011, com informação de que essa recebeu de Carlos Eduardo Alves Esteves, marido da ora recorrente, quantias que seriam correspondentes ao “imposto de renda a ser retido na fonte”. No entanto, entendeu a DRJ de origem que: "O valor obtido pela soma dos valores indicados nesse recibos superam o valor do IRRF declarado na DIRF da fonte pagadora e compensado pela interessada e seu marido, como informado pela autoridade lançadora na Notificação de Lançamento. Não consta dos autos comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, assim como não foram apresentados comprovantes de retificação da DIRF processada ou qualquer esclarecimento da fonte pagadora que justifique reconhecer erro no preenchimento da DIRF. Nessa situação, entendo que os recibos de pagamento de “imposto de renda a ser retido na fonte” de fls. 08 a 19 são insuficientes para se reconhecer que o IRRF pela fonte pagadora é superior ao declarado por ela na DIRF processada." Fl. 82DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Portanto, necessário fazer a análise se a contribuinte efetivamente sofreu a retenção do IRRF declarado (R$ 6.000,67), haja vista que somente o valor de R$ 5.393,37 foi efetivamente retido pela fonte pagadora (locatária). Analisandose os autos, podem ser localizados, às fls. 8/19, recibos, estes relacionados aos 12 (doze) meses do anocalendário 2011, onde a locatária declara ter recebido do locador valores referentes ao IRRF. Tais valores conferem com aqueles apresentados em planilha apresentada pela contribuinte à fl. 67, que conferem exatamente com os informados em DAA. Porém, verificase que à fl. 68, temse a DIRF 2012 da fonte pagadora. Os valores são diferentes daqueles referidos nos recibos, havendo uma diferença de R$ 607,30, valor este que foi glosado pela fiscalização. Acrescentase ainda, que conforme referido, a contribuinte optou pela declaração de 50% dos rendimentos a título de aluguel, sendo os outros 50% foram declarados pelo marido da recorrente. Assim, o marido da recorrente também recebeu notificação de lançamento em relação ao mesmo anocalendário (2011). A glosa foi em idêntico valor ao da contribuinte (R$ 607,30). Todavia, ao julgar a impugnação do marido da recorrente, a 1a. Turma da DRJ/RJO, em sessão de 19/03/2014, por unanimidade, decidiu dar provimento à impugnação por ele apresentada, cancelando o IRPF suplementar apurado na notificação de lançamento. O referido acórdão (nº 12064.060), encontrase nos autos às fls. 72/76. Pelas razões apresentadas, compreendo que a contribuinte demonstrou que sofreu a retenção do imposto de renda em relação aos aluguéis recebidos, devendo ser afasta a glosa no valor de R$ 607,30, consubstanciada na notificação de lançamento de fls. 32/36. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 15471.001305/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2202-003.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a glosa de dedução de despesas médicas, no valor de R$ 10.950,84. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para afastar a glosa de dedução de despesas médicas, no valor de R$ 10.950,84. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 13 05 /2 00 9- 14 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15471.001305/200914 Acórdão n.º 2202003.403 S2C2T2 Fl. 84 2 Relatório Reproduzo o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), que descreve os fatos ocorrido até a decisão de primeira instância. Tratase de impugnação apresentada pelo interessado contra lançamento de oficio formalizado na Notificação de Lançamento de fls. 03/05, que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA) relativa ao exercício 2007, anocalendário 2006, de imposto a pagar de R$ 1.037,57 para imposto a pagar de R$ 4.468,10. 0 valor lançado referese ao imposto de renda suplementar de R$ 3.430,53, que acrescido de multa de oficio de 75% e atualizado pelos juros de mora calculados até 27 de fevereiro de 2009, perfaz um crédito tributário total de R$ 6.730,00. O lançamento decorre de procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual do interessado em que foi constatada dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 12.474,65. Segundo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" A fl. 04, a glosa de R$ 60,00, da empresa P/S Méd Ltda, referese a comprovante que não atende às formalidades legais; a relativa à Associação Educacional Veiga de Almeida, de R$ 806,00, originase da falta de comprovação; a da Amil Assistência Médica Internacional Ltda, no valor de R$ 10.950,84, diz respeito A falta de identificação dos beneficiários do plano de saúde e a referente A empresa UnimedRio Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro, de R$ 657,81, é relativa a despesa médica efetuada para não dependente na declaração. Cientificado do lançamento em 12/03/2009 (AR à fl. 38), o interessado apresentou impugnação, As fls. 01 e 02, e respectiva documentação em 24/03/2009. O impugnante não contesta a glosa relativa à Associação Educacional Veiga de Almeida, de R$ 806,00, e apresenta DARF, de fl. 25. Com relação às glosas referentes aos valores pagos às empresas P/S Méd Ltda, Amil Assistência Médica Internacional Ltda e UnimedRio Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro, o impugnante afirma que pagou as despesas, que a legislação não o impede de ter mais de um plano de saúde e que utilizaos regularmente. Destaquese, ainda, que o impugnante rechaça a glosa no valor de R$ 11.657,81, da UnimedRio Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro, afirmando que informou em sua DAA/2007 para tal despesa o valor de R$ 5.843,93. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15471.001305/200914 Acórdão n.º 2202003.403 S2C2T2 Fl. 85 3 Ementa: Exercício: 2007 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. MATERIA NÃO CONTESTADA. Deve ser mantida a glosa da despesa médica não contestada, com fulcro no art. 17 do Decreto n° 70.235/72. Cientificado dessa decisão em 19/06/2013, por via postal (A.R. de fl. 58), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15/07/2013 (fls. 66 a 75), no qual alega que efetuou os pagamentos do plano de saúde AMIL, sendo ele o único beneficiário. Anexou declaração de pagamento da AMIL onde consta o beneficiário do plano de saúde. Em relação às glosas das deduções referentes às despesas de sua companheira Aurora Claudia de Freitas e à empresa P/S Med Ltda., o Recorrente não contestou, tendo apresentado cópia de dois DARFs para comprovar que efetuou o recolhimento do tributo. Ao final, requer que seja cancelado o crédito tributário proveniente da glosa da dedução com o Plano de Saúde AMIL. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da dedução dos pagamentos efetuados ao plano de saúde AMIL, no valor de R$ 10.950,84, pois o Recorrente não contestou as glosas referentes à Associação Educacional Veiga de Almeida, às despesas de sua companheira Aurora Claudia de Freitas e à empresa P/S Med Ltda. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como fundamento legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15471.001305/200914 Acórdão n.º 2202003.403 S2C2T2 Fl. 86 4 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (destaquei) A manutenção da glosa pela decisão da DRJ deuse em virtude da falta de comprovação de quem são os beneficiários do plano de saúde AMIL, no valor de R$ 10.950,84. Reconheço que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Assim, tendo em vista a documentação apresentada pelo Contribuinte em seu recurso voluntário (fls. 70 a 72), constatase que ele é o único beneficiário do plano de saúde AMIL, fazendo jus, portanto, à dedução legal dos valores pagos. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, para afastar a glosa de despesas médicas, no valor de R$ 10.950,84. Assinado digitalmente Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15471.001305/200914 Acórdão n.º 2202003.403 S2C2T2 Fl. 87 5 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 12448.738256/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É nula, em razão de supressão de instância, a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-005.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância (Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ).
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É nula, em razão de supressão de instância, a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação. Decisão Recorrida Nula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância (Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ). Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Lourenço Ferreira do Prado.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente RUBEM DOLANDA PAULO FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É nula, em razão de supressão de instância, a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância (Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ). Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 82 56 /2 01 1- 84 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) que integra o presente processo. A descrição dos fatos aposta na Notificação de Lançamento, fls. 21/24, indica que constatouse omissão de rendimentos tributáveis em virtude de ação judicial, no valor de R$ 284.475,75 auferidos pelo titular, tendo sido compensada a quantia de R$ 8.615,79 referente a Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. No campo complementação da descrição dos fatos foram lançadas as seguintes informações: "Documentação incompleta não sendo possível a vinculação do contribuinte Rubem ao processo 2009.02.01.0144080. Como a documentação é insuficiente faço o lançamento de acordo com a DIRF da CEF RENDS 287.192,97 E IRRF 8.615,79" Cientificado da notificação em 22/11/2011, fl. 84, o sujeito passivo apresentou impugnação, na qual alegou, em síntese os pontos abaixo. Os valores em questão decorreram de ação expropriatória movida pelo DNIT contra os seus pais, cujas quantias vieram a lhe caber como parte da indenização correspondente aos bens imóveis desapropriados. A Caixa Econômica Federal efetuou indevidamente a retenção do IRRF no valor de R$ 8.615,79, o que motivou uma petição ao Poder Judiciário, denunciando o desconto. A postulação de reposição das quantias indevidamente retidas foi sumariamente indeferida pelo Juízo, tendo sido interposto Agravo de Instrumento, que teve o seu provimento negado, o que deu ensejo à interposição de recursos especial e extraordinário, ainda pendentes de julgamento. Independentemente da discussão judicial concernente à retenção na fonte e tributação de verba indenizatória originada de desapropriação, é fato que o sujeito passivo informou na sua declaração de ajuste anual haver recebido o valor de R$ 284.917,23, a título de “transferências patrimoniais doações, heranças, meações e dissolução da sociedade conjugal ou unidade familiar”. Chama a atenção de que cometeu o erro material, perfeitamente escusável, de informar o valor recebido incorretamente, lançando R$ 284.917,23; além de haver deixado de informar a quantia retida (embora não concorde com a retenção) e não haver classificado o valor recebido como rendimento sujeito à tributação. Aponta causas de nulidade verificadas no procedimento, quais sejam: a) falta de intimação do sujeito passivo para prestar esclarecimentos acerca das supostas incongruências da sua declaração de ajuste; b) ocorreu cerceamento ao seu direito de defesa, em razão do fisco ter utilizado como fundamento legal da notificação dispositivos legais inaplicáveis à hipótese, Fl. 228DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.738256/201184 Acórdão n.º 2402005.219 S2C4T2 Fl. 228 3 quais sejam, os arts. 1º a 3º, da Lei n° 7.713/88 e da Lei n° 8.134/90; arts. 1º e 15 da Lei n° 10.451/02; art. 27 da Lei n° 10.833/03; e arts. 43 e 718 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), o que acarreta na nulidade da peça fiscal. Cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, do TRF5 e do STJ, que determinam cancelamento de lançamento suplementar no caso de erro no preenchimento da declaração de rendimentos. Advoga que há, inclusive, jurisprudência administrativa, cujo entendimento é pelo cabimento da retificação da declaração, mesmo após iniciado o processo de lançamento de ofício, quando se tratar de erros materiais na declaração. Menciona que há permissivo legal para relevar penalidade impostas por conta dessa situação. Afirma que o lançamento é indevido, cabendo neste caso a retificação da declaração de modo que tribute apenas o valor que por erro foi omitido, excluindose o lançamento de ofício. Sustenta não ser cabível a imposição de multa de ofício, posto que não incorreu em quaisquer das condutas que a legislação aponta como ensejadoras da referida penalidade. A DRJ manteve o lançamento na íntegra. O voto condutor do acórdão recorrido menciona que, ao contrário do que afirmou o notificado, o fisco antes de efetuar a lavratura intimou o contribuinte a apresentar a documentação relativa aos valores recebidos na ação judicial. Acerca da fundamentação legal, o órgão a quo decidiu que os dispositivos mencionados pela autoridade notificante são inteiramente aplicáveis à omissão de rendimentos apontada, além de que os termos da impugnação levam à conclusão de que a imputação fiscal foi perfeitamente compreendida pelo contribuinte, não restando demonstrado qualquer prejuízo ao seu direito de defesa. Foi declarada a concomitância das instâncias administrativa e judicial acerca da questão da não incidência de imposto de renda sobre os rendimentos objetos da notificação, motivo pelo qual a DRJ deixou de enfrentar o mérito da causa. Assim, concluise o voto condutor da decisão atacada: "Diante do exposto, voto: 1) pela IMPROCEDÊNCIA da Impugnação em relação aos aspectos preliminares da Notificação de Lançamento; e 2) pelo NÃO CONHECIMENTO da Impugnação em relação ao mérito do Lançamento, ficando a cargo da delegacia de origem adotar as providências que se fizerem necessárias para cumprir o que for decidido no processo judicial." Cientificado da decisão, o sujeito passivo interpôs tempestivamente recurso de fls. 207/221 (ver despacho de fl. 224) , no qual, inicialmente afirma ser tempestiva a sua apresentação e, após a narrativa dos fatos, trouxe os mesmos argumentos da impugnação, além Fl. 229DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 de mencionar que inexistiu a identidade de objetos entre a impugnação administrativa e a ação judicial. Afirma que o processo judicial trata da expropriação e em nada se relaciona com a retenção de imposto de renda realizada pela Caixa Econômica. O que houve foi a informação ao juízo que a retenção havia sido feita de forma equivocada, de modo que fossem sustadas novos descontos, que de fato não foram mais efetuados nas parcelas seguintes. Ao final, requer a declaração de nulidade do lançamento ou o reconhecimento da sua insubsistência. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.738256/201184 Acórdão n.º 2402005.219 S2C4T2 Fl. 229 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme relatado, o recurso voluntário foi interposto no prazo legal. Assim, por terem sido atendidos os demais requisitos normativos, deve ser conhecido o recurso. Nulidade da decisão recorrida A defesa apresenta a preliminar de nulidade do lançamento baseada em duas premissas, quais sejam: i) desrespeito às normas procedimentais decorrente da falta de intimação do sujeito passivo para prestar esclarecimentos e ii) descrição imprecisa da fundamentação legal que deu suporte a autuação. Essas duas supostas causas de nulidade foram suficientemente enfrentadas, tendo a DRJ concluído que as teses de nulidade do lançamento não deveriam prosperar. Quanto ao mérito, foram lançados dois argumentos para desconstituir o lançamento, o primeiro referese à inexigibilidade de imposto de renda sobre valores recebidos a título de indenização por desapropriação. A DRJ não conheceu deste argumento, sob a justificativa de que a empresa já teria ingressado no Judiciário para discutir se as parcelas recebidas poderiam ser tomadas como base de cálculo do IRPF. Eis as considerações apresentadas no voto condutor do acórdão de primeira instância: "A nova decisão que negou provimento ao agravo de instrumento foi objeto de Recursos Especial e Extraordinário interpostos pelos réus da Ação de Desapropriação, recursos estes que, conforme andamentos do Processo de Agravo de Instrumento nº 2009.02.01.0144080 (fl. 180), encontramse, desde 23/01/2012, conclusos para exame de suas admissibilidades no TRF da 2ª Região. De acordo com as cópias das petições dos Recursos Especial e Extraordinário, que foram juntadas à Impugnação às fls. 52/79, dentre os argumentos e pedidos formulados, constam as alegações de que os rendimentos oriundos da Ação de Desapropriação seriam isentos do IRPF e requerimento de reforma da decisão que negou provimento ao Agravo de Instrumento. Assim, considerando que no Agravo de Instrumento cujos respectivos Recursos ainda encontramse pendentes de análise é discutida, ainda que indiretamente, a tributação dos rendimentos auferidos em decorrência da Ação de Desapropriação, não cabe a esta instância administrativa de julgamento qualquer Fl. 231DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 pronunciamento acerca da incidência ou não de IRPF sobre os rendimentos objeto da Notificação de Lançamento ora Impugnada." De fato, analisando o Recurso Especial apresentado pelo recorrente, observa se claramente que dentre outros temas, há o pedido para que se reconheça a não incidência do imposto de renda sobre indenização decorrente de desapropriação (ver fl. 60). Assim, tenho que concordar com a DRJ neste ponto, posto que está em perfeita sintonia com a Súmula CARF n.° 01: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Na segunda questão de mérito apresentada, o sujeito passivo defende que cometeu mero erro material e assim caberia a retificação da declaração de ajuste anual, com consequente cancelamento do lançamento de ofício. O órgão recorrido não enfrentou esta questão, acredito que por haver entendido que, fazendo parte do mérito, ficaria também de fora do conhecimento, em razão da concomitância reconhecida. Nesse ponto eu ouso discordar. É que essa questão não foi objeto da demanda judicial, sendo matéria restrita ao processo administrativo fiscal. Nesse sentido, deveria ter sido motivo de apreciação pelo órgão de primeira instância. Ao deixar de enfrentar questão de mérito diferenciada daquela tratada em demanda judicial, a DRJ atropelou o direito de defesa do sujeito passivo, incidindo em causa de nulidade prevista no Decreto n.° 70.235/1972, nos termos abaixo: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...)" Nesse sentido, não pode a turma do CARF apreciar essas matérias sob pena de incorrer na indesejável supressão de instância, com claro prejuízo ao sujeito passivo, que deixa de ver apreciadas razões relevantes do seu inconformismo nas duas instâncias de julgamento administrativo. De se concluir que o caminho viável para afastar a mencionada omissão é a determinação de nulidade da decisão recorrida, com retorno dos autos à primeira instância para prolação de novo acórdão. É assim que têm sido encaminhadas questões dessa natureza pelas turmas do CARF, como se pode ver do recente aresto dessa turma: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.738256/201184 Acórdão n.º 2402005.219 S2C4T2 Fl. 230 7 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E DECISÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA PARCIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca parte da matéria submetida à apreciação em processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", dada a prevalência do entendimento emanado naquela esfera sobre eventual decisão administrativa. FALTA DE APRECIAÇÃO DAS RAZÕES RECURSAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. A falta de apreciação, por parte do acórdão de primeiro grau, de razões recursais aptas a ensejar a reforma ou cancelamento da exigência, implica em cerceamento de defesa via supressão de instância e violação da garantia de recorribilidade das decisões. Decisão Recorrida Nula." Acórdão n.° 2402004.733, de 09/12/2015 Assim, encaminho pela declaração de nulidade da decisão a quo, para que seja apreciada a questão de mérito diferenciada daquelas tratadas na demanda judicial. Conclusão Voto por anular a decisão de primeira instância. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 11020.723016/2011-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
PRODUTOS USADOS. RENOVAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO. VALOR TRIBUTÁVEL. APARAS DE PAPEL USADAS. PAPEL RECICLADO
As disposições constantes do artigo 135 do Decreto nº 4.544/2002 são relativas ao valor tributável de produtos usados e aplicam- se exclusivamente aos produtos submetidos à operação de industrialização de renovação ou recondicionamento. A fabricação de papel reciclado a partir de aparas de papel usadas configura operação de industrialização de transformação e não operação de renovação ou recondicionamento.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-003.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 PRODUTOS USADOS. RENOVAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO. VALOR TRIBUTÁVEL. APARAS DE PAPEL USADAS. PAPEL RECICLADO As disposições constantes do artigo 135 do Decreto nº 4.544/2002 são relativas ao valor tributável de produtos usados e aplicam- se exclusivamente aos produtos submetidos à operação de industrialização de renovação ou recondicionamento. A fabricação de papel reciclado a partir de aparas de papel usadas configura operação de industrialização de transformação e não operação de renovação ou recondicionamento. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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RENOVAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO. VALOR TRIBUTÁVEL. APARAS DE PAPEL USADAS. PAPEL RECICLADO As disposições constantes do artigo 135 do Decreto nº 4.544/2002 são relativas ao valor tributável de produtos usados e aplicam se exclusivamente aos produtos submetidos à operação de industrialização de renovação ou recondicionamento. A fabricação de papel reciclado a partir de aparas de papel usadas configura operação de industrialização de transformação e não operação de renovação ou recondicionamento. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 30 16 /2 01 1- 33 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.723016/201133 Acórdão n.º 3302003.105 S3C3T2 Fl. 464 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração lavrado para constituição de crédito tributário de IPI, no período de 01/01/2007 a 31/12/2009. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o auto de infração de fls. 362/3741, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, concernente a períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2007 e dezembro de 2009, através do qual foi constituído crédito tributário no valor de R$ 3.890.128,87, já incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até agosto de 2011. De acordo com o que consta do auto de infração em apreço e do termo de verificação fiscal de fls. 375/385, o lançamento foi efetuado por ter sido constatado que o contribuinte declarou em DCTF valores inferiores aos efetivamente devidos, em conformidade com o que consta indicado nos Livros de Registro de Apuração de IPI (infração 0001), assim como utilizouse de créditos indevidos provenientes da compra de aparas de papel (infração 0002), o que redundou em não recolhimento ou em recolhimento a menor do imposto. Além disso, observouse também que as aparas de papel adquiridas não são tributadas pelo imposto, haja vista possuírem a notação NT (não tributado) na TIPI, tampouco são submetidas pelo contribuinte a processo de renovação ou recondicionamento, mas sim de transformação, impedindo a aplicação dos dispositivos contidos, respectivamente, nos arts. 165 e 135 do RIPI/2002 e inviabilizando o aproveitamento de créditos de IPI. Irresignado, o contribuinte ingressou, tempestivamente (despacho de fls. 422), com a impugnação de fls. 393/401 dos autos digitais, formulando, em síntese, as seguintes razões de defesa: a) Aduz ter requerido o parcelamento da parte do lançamento referente às divergências verificadas entre os valores escriturados e os que constam declarados em DCTF. Cita o processo nº 13016.720205/201149, que teria sido formalizado com essa finalidade junto à ARF de Bento Gonçalves/RS. 1 Nas referências que faço às folhas do processo considero a numeração eletrônica. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.723016/201133 Acórdão n.º 3302003.105 S3C3T2 Fl. 465 3 b) Reconhece que a hipótese prevista no art. 165 do RIPI/2002 não se coaduna com sua situação fática, mas discorda, todavia, do entendimento da fiscalização relativo à impossibilidade de aplicação, ao processo de fabricação de embalagens de papelão, dos dispositivos contidos no art. 135 do mesmo regulamento, especialmente por se encontrar referido entendimento pautado em Solução de Consulta (nº 453, de 07/12/2009), que deveria ter sua aplicação restrita ao caso sob exame pertinente a contribuinte (consulente) diverso. c) Nessa trilha, expõe que a preocupação com o impacto ambiental viabilizou a edição do Decretolei nº 400, de 1968, o qual respaldaria o creditamento de IPI quando da aquisição de aparas de papel utilizadas na fabricação de papelão. Para fundamentar sua tese, apresenta ementas de decisões judiciais manifestando o entendimento de que a fabricação de produtos, a partir de aparas ou sucatas de papel, caracterizaria industrialização. d) Alega que a multa de ofício imputação (cita a aplicação de multas de até 112,5%) tem caráter confiscatório, sendo sua imposição vedada pelo ordenamento constitucional vigente (CF, art. 150, IV). Ao final, requer a improcedência do auto de infração combatido.” A Segunda Turma da DRJ em Recife proferiu o Acórdão nº 1142.423, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 PRODUTOS USADOS. RENOVAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO. VALOR TRIBUTÁVEL. As disposições constantes do art. 135 do RIPI/2002 são relativas ao valor tributável de produtos usados e aplicam se exclusivamente aos produtos submetidos à operação de industrialização de renovação ou recondicionamento. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito de IPI, na aquisição de insumos, liga se à operação precedente em que o imposto foi cobrado. O produto amparado por suspensão de IPI, assim como, o isento, o não tributado ou o sujeito à alíquota zero não geram direito a crédito ao seu adquirente industrial. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.723016/201133 Acórdão n.º 3302003.105 S3C3T2 Fl. 466 4 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas a aplicação da multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: 1. Que o artigo 135 do Decreto nº 4.544/2002 extrapolou seu poder regulamentar ao restringir a apropriação de créditos de IPI na entrada de usados utilizados em processos de renovação ou recondicionamento, enquanto o artigo 7º do Decretolei nº 400/68, violou o artigo 150, inciso I da Constituição Federal e os artigos 96 e 97 do CTN; 2. Que diversas decisões no Poder Judiciário reconhecem a aplicação do disposto no art. 7º do Decretolei nº 400/68 na reciclagem de aparas e sucatas de papel; 3. Que o procedimento adotado pela recorrente foi de não utilização do benefício no momento da entrada dos produtos usados, ou seja, não calculou o IPI pela diferença entre a entrada de usados e a revenda dos produtos transformados, e, posteriormente, calculou o quantum deixara de usufruir, apropriandose destes valores, em momento oportuno como crédito de IPI na escrita fiscal; 4. Que o Parecer nº 2/2000 padece das mesmas inconstitucionalidade e ilegalidade que o Decreto º 4.544/2002; 5. Que o julgado do STF transcrito na decisão recorrida não se aplica à lide em questão; 6. Que a multa aplicada fere o disposto no artigo 150, inciso IV da Constituição Federal e os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Ao final, pede o provimento do recurso voluntário e o consequente cancelamento do Auto de Infração. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A fiscalização efetuou a lavratura de Auto de Infração em razão de três infrações: diferença entre os saldos devedores de IPI escriturados no Livro Registro de Apuração de IPI e os valores declarados em DCTF; glosa de créditos escriturados no campo Fl. 466DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.723016/201133 Acórdão n.º 3302003.105 S3C3T2 Fl. 467 5 “resumo de crédito de imposto” e glosa de créditos de IPI escriturados a partir de notas fiscais de compras de aparas de papelão, sem destaque de IPI. Os créditos constituídos relativos à primeira infração foram parcelados pela recorrente, conforme informação prestada na impugnação. Quanto às duas glosas efetuadas, a recorrente alega que tratam de créditos tomados com fulcro no artigo 7º do Decretolei nº 400/68, por aquisição de aparas de papelão usadas para utilização na fabricação de papel reciclado e chapas e caixas de papelão ondulado reciclado. A principal argumentação da recorrente é no sentido que as disposições do artigo 135 do Decreto nº 4.544/2002 extrapolaram seu poder regulamentar ao restringir o processo de industrialização às operações de renovação ou recondicionamento, conforme excerto abaixo: “Por sua vez, o decisun ora recorrido chancelou a posição da fiscalização tributária, como dito, ao ter por improcedente a impugnação realizada. O referido acórdão ora recorrido, em síntese, discutiu a matéria sob o fundamento de que o processo industrial praticado pela ora recorrente (que se utilizava das aparas de papel) não se ajustava aos termos do citado artigo 135, do então vigente Decreto federal n° 4.544/02, que institui o Regulamento do IPI RIPI, ou seja, se consubstanciava em renovação ou recondicionamento. Também o decisun ora recorrido fundou sua decisão pela improcedência da impugnação com fundamento no Parecer COSIT n° 2/00, que exigiria para legitimidade dos procedimentos que o produto saído do estabelecimento industrial fosse de natureza usada. Por fim, a decisão recorrida teria fundamento na Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, em especial no Recurso Extraordinário n° 551.2444(798), que vedaria o creditamento de IPI nas aquisições que são desoneradas do próprio imposto. Com o devido acatamento e respeito, a discussão proposta no decisun é translucidamente secundária para inteligência das questões e de fato e de direito postas sob análise. (grifos não originais) Mais uma vez, com o devido acatamento e respeito, o decisun recorrido para justificar a legitimidade da lavratura do Auto de Infração ora recorrido desviouse da questão central posta em julgamento, ou seja, da legalidade das alterações (restrições) impostas pelo artigo 135, do Decreto Federal n° 4.544/02, acima reproduzido frente ao disposto no também reproduzido artigo 7º do DecretoLei n° 400/68. (grifos não originais) É evidente que o Decreto Federal n° 4.544/02, em seu artigo 135 extrapola o poder regulamentar, ao restringir (limitando ou condicionando) a apropriação de créditos de IPI pela entrada de sobre produtos usados, adquiridos de particulares que sofrem industrialização, de que trata o inciso V do art.4° (renovação ou recondicionamento) do Decreto Federal nº 4.544/02. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.723016/201133 Acórdão n.º 3302003.105 S3C3T2 Fl. 468 6 Da simples leitura do citado artigo 7o do Decretolei n° 400/68 observase a usurpação levada efeito pelo artigo 135, do Decreto Federal n° 4.544/02, ressaltando os decretosleis têm a mesmo patamar hierárquico das leis. Em realidade, o artigo 7o do DecretoLei n° 400/68, não vincula a apropriação de créditos de IPI, pela entrada de sobre produtos usados, adquiridos de particulares que sofrem industrialização, de que trata o inciso V do artigo 4o (renovação ou recondicionamento) do Decreto Federal n° 4.544/02, mas a todos permite a apropriação dos créditos de IPI (que será calculado sobre a diferença de preço entre a aquisição e a revenda) as hipóteses de entrada de produtos usados, adquiridos de particulares que sofrem industrialização. Salientando que a usurpação do poder de regulamentar fere o , sob pena de violação do disposto nos artigos 150, inciso I da Constituição Federal CF e 96 e 97 do Código Tributário NacionalCTN.” De plano, esclareçase que a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos arts. 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer desta alegação, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A2 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não se conhece do argumento de inconstitucionalidade do artigo 135 do Decreto nº 4.544/2002. Evidenciase, pois, que a recorrente entende que o artigo 7º se aplica a qualquer processo de industrialização e que “a todos permite a apropriação dos créditos de IPI (que será calculado sobre a diferença de preço entre a aquisição e a revenda) as hipóteses de entrada de produtos usados, adquiridos de particulares que sofrem industrialização”. Inicialmente, transcrevemse os artigos 4º e 135 do Decreto nº 4.544/2002 e o artigo 7º do Decretolei nº 400/68: Decreto nº 4.544/2002: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): 2 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ) Fl. 468DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.723016/201133 Acórdão n.º 3302003.105 S3C3T2 Fl. 469 7 I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Art. 135. O imposto incidente sobre produtos usados, adquiridos de particulares ou não, que sofrerem o processo de industrialização, de que trata o inciso V do art. 4º (renovação ou recondicionamento), será calculado sobre a diferença de preço entre a aquisição e a revenda (Decretolei nº 400, de 1968, art. 7º). Decretolei nº 400/68: Art 7º O impôsto incidente sôbre produtos usados, adquiridos de particulares ou não, que sofrerem processo de industrialização, será calculado sôbre a diferença de preço entre a aquisição e a revenda. Parágrafo único. Ficam cancelados os débitos fiscais relativos às operações de que trata êste artigo efetuados até a data dêste Decretolei. O artigo 7º dispõe sobre incidência de IPI sobre produtos usados e sobre preço de revenda, ou seja, o mesmo produto usado adquirido é que será revendido, não tratando o dispositivo de processos de transformação, nos quais se obtém produto novo. Neste sentido, o decreto regulamentador do IPI especificou dentre as operações que caracterizam industrialização a que se amolda ao comando do artigo 7º, ou seja, a prevista no inciso V: V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Fl. 469DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.723016/201133 Acórdão n.º 3302003.105 S3C3T2 Fl. 470 8 Assim, a redação do decreto não extrapolou a redação do artigo 7º, mas apenas especificou a operação de industrialização de que trata o artigo 7º. Outro equívoco cometido pela recorrente é de que o artigo 7º prevê o creditamento calculado sobre as entradas de produtos usados (pela diferença entre o preço de revenda e o preço de aquisição). Na realidade, o artigo 7º trata de incidência de IPI (débito) apurado na saída de produtos usados que sofrerem processo de industrialização, ou seja, é apenas uma norma de apuração de débito de IPI na saída, razão pela qual o art. 135 do Decreto nº 4.544/2002 está contido no CAPÍTULO IX DO CÁLCULO DO IMPOSTO, Seção II Da Base de Cálculo Valor Tributável e não no CAPÍTULO X – DOS CRÉDITOS. Portanto, a norma trata de imposto incidente sobre produtos usados, ou seja, na saída de produtos usados, não se referindo a creditamento, como procedeu a recorrente. Na resposta de efl. 46, a recorrente informou que em razão da dificuldade de se apurar venda por venda e excluir da base de cálculo o valor de compra, procedeu ao creditamento de IPI sobre 50% do valor de compras de aparas, aduzido que o procedimento não apresentou significativas diferenças em relação ao cálculo pelo art. 7º do Decretolei nº 400/68. Ainda que se abstraia do procedimento inadequado realizado pela recorrente, uma vez que a norma trata de apuração de débito de IPI e não de creditamento sobre entrada de produtos usados, a própria argumentação da recorrente evidencia que seu processo trata de transformação, como aliás admite no recurso, conforme trecho abaixo: “Esclarecese a esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF que o procedimento da ora recorrente foi o seguinte: considerando que na época própria, isto é, no momento da entrada dos produtos usados em seu estabelecimento industrial não se utilizou do benefício, isto é não calculou o tributo IPI pela diferença entre a entrada dos produtos de usados e a revenda dos produtos transformados, pelo que, então, posteriormente, calculou o quantun teria que teria deixado de usufruir, apropriandose destes valores como crédito na conta corrente do imposto e, em momento oportuno, procedeu seu lançamento/ creditamento e consequente compensação com débitos do mesmo IPI.” (grifos não originais) Entretanto, alternativamente, alega que o processo realizado cumpre o disposto no artigo 135 do decreto regulamentador. Partindo para a análise da operação efetivamente praticada, a recorrente alega que se trata de reciclagem de aparas de papelão, mediante os processos descritos no recurso voluntário, para se obter papel, chapas e bobinas de papelão. A descrição efetuada pela recorrente no recurso voluntário sobre seu processo produtivo não deixa dúvidas se tratar de processo de industrialização por transformação. As aparas são desmanchadas (desagregadas) transformandose em uma polpa (desagregaçao de aparas). Passa, em seguida, por um processo de depuração para retirar corpos estranhos e outros indesejáveis à aparência do papel reciclado, seguindo a um processo de refinação que consiste em submeter as fibras da polpa a um tratamento mecânico de corte, esmagamento ou fibrilação. Após a refinação, a pasta de polpa é misturada aos demais elementos (cola, polímero e/ou aditivos) e entra em uma máquina de papel (composta por caixa de entrada, Fl. 470DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.723016/201133 Acórdão n.º 3302003.105 S3C3T2 Fl. 471 9 mesa plana, secagem, prensas de colagem, enroladeira e rebobinadeira), na qual a pasta de polpa se transforma em bobinas de papel reciclado. Estas bobinas de papel reciclado são a matériaprima para a fabricação de chapa de papelão ondulado, através de uma máquina denominada onduladeira. Por sua vez, as chapas de papelão ondulado são a matériaprima para a fabricação das caixas de papelão destinadas a embalagem, proteção e transporte dos mais variados produtos. Depreendese que o processo transforma aparas de papelão usadas, as quais são desmanchadas, em bobinas de papel reciclado, configurando processo de transformação e não recondicionamento. A recorrente não dá saída a aparas de papel recondicionadas, mas sim a papel reciclado. A própria classificação fiscal dos produtos adquiridos e dos produtos vendidos demonstra a distinção entre as matériasprimas “aparas”, classificadas na NCM 4707.10.00 com notação NT, e os produtos papel reciclado, chapas e caixas de papelão ondulado, classificados em posições da TIPI do Capítulo 48, as quais possuem alíquotas positivas, gerando os saldos devedores autuados. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado esclarecem quanto à utilização das aparas de papel: Considerações Gerais da Posição 47.07 Os desperdícios de papel ou de cartão desta posição compreendem as aparas, fragmentos, cortaduras, folhas rasgadas, jornais e publicações velhos, folhas mal impressas e provas de impressão e artigos semelhantes. Esta posição também compreende as obras velhas de papel ou de cartão. O emprego mais corrente destes desperdícios e aparas é a fabricação de papel. Apresentamse habitualmente em fardos prensados, mas deve notarse que o emprego excepcional destes desperdícios para outros usos, por exemplo para embalagens, não modifica a sua classificação. A lã de papel, mesmo fabricada com desperdícios de papel, classificase na posição 48.23. Nota de subposição nº 5 do Capítulo 48: 5. As subposições 4805.24 e 4805.25 compreendem o papel e o cartão compostos exclusiva ou principalmente de pasta de papéis ou de cartões para reciclar (desperdícios e aparas). O Testliner pode também receber uma camada de papel na superfície que é colorida ou composta de pasta não reciclada branqueada ou crua. Esses produtos têm um índice de ruptura Mullen igual ou superior a 2 kPa.m2/g. Considerações Gerais do Capítulo 48: Fl. 471DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.723016/201133 Acórdão n.º 3302003.105 S3C3T2 Fl. 472 10 Nas Notas Explicativas seguintes e salvo disposição em contrário, o termo “papel” abrange simultaneamente o cartão e o papel, independentemente da sua espessura ou peso por m2. O papel é constituído por fibras celulósicas das pastas do Capítulo 47, emaranhadas e aglomeradas sob a forma de folhas. Numerosos produtos, tais como certas matérias utilizadas na fabricação de saquinhos de chá, são constituídos por uma mistura de fibras celulósicas e de fibras têxteis (particularmente fibras sintéticas ou artificiais tal como são definidas na Nota 1 do Capítulo 54). Os produtos em que predominam, em peso, as fibras têxteis não se classificam como papéis, mas sim como falsos tecidos (posição 56.03). Concluindo, o processo produtivo da recorrente é de transformação de aparas usadas em papel reciclado e chapas e bobinas de papelão reciclados, e não consiste em mera revenda de produtos usados recondicionados, a que se destina a norma do artigo 7º do Decreto lei nº 400/68, reproduzida no artigo 135 do Decreto nº 4.544/2002. Concernente à alegação da natureza confiscatória e de ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, reiterase a impossibilidade de conhecimento por este Conselho de argüições de inconstitucionalidade, a teor da Súmula CARF nº 2 e que a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% decorre da falta de recolhimento do tributo devido, conforme as disposições do artigo 80 da Lei nº 4.502/643, sendo sua aplicação atividade vinculada e obrigatória por parte da autoridade fiscal, nos termos do artigo 1424 do CTN. 3 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) Fl. 472DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.723016/201133 Acórdão n.º 3302003.105 S3C3T2 Fl. 473 11 Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) 4 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.723016/201133 Acórdão n.º 3302003.105 S3C3T2 Fl. 474 12 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.721888/2013-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
MOLÉSTIA GRAVE
Somente são isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-003.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidas as Conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidas as Conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa Da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 18 88 /2 01 3- 43 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10855.721888/201343 Acórdão n.º 2201003.004 S2C2T1 Fl. 74 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 15ª Turma da DRJ/SP1(Fls. 49), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 33 a 34, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2011, que apurou a seguinte infração: omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 165.868,56. Consta ainda que: “Junto ao termo de atendimento n.º 2012/10000013978, de 08/02/2013, a contribuinte apresentou cópia de Ata de Inspeção de Saúde 385/2011, datada de 27/06/2011, expedido pelo Médico Perito Uédson Barbosa Meira, do Comando do Exército em Campinas/SP, onde consta Parecer de que a Sra. Cely Maria Amaral de Camargo (pensionista militar) não é portadora de moléstia grave”. Cientificada do lançamento em 16/05/2013 (fl. 38), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02 a 03, em 07/06/2013, alegando que: é pensionista militar e aposentada por invalidez permanente por neoplasia maligna de bexiga, pela Previdência Social desde 02/1994; continua em controle médico periódico em caráter preventivo por tempo indeterminado, conforme comprova o laudo médico anexo; afirma ainda que já tem isenção junto a esta instituição, conforme indica seu histórico de anos anteriores e laudo médico anexo. Passo adiante, a 15ª Turma da DRJ/SP1 entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria ou pensão de portador de moléstia grave será concedida quando invocada pelos contribuintes que sofram das patologias elencadas no texto legal que dispõe sobre esse benefício e deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, produzindo efeitos a partir de sua emissão, quando não constar do mesmo a data em que a moléstia foi contraída.. Cientificada em 17/02/2014 (Fls. 58), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 07/03/2014 (fls. 60 a 62), argumentando em síntese: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10855.721888/201343 Acórdão n.º 2201003.004 S2C2T1 Fl. 75 3 (...) Além disso, embora a impugnante tenha apresentado laudo médico que estaria datado de 24/05/2013, na verdade, a impugnante é portadora de moléstia grave desde setembro de 1.992, com seqüela(disfunção vesical) conforme se depreende do laudo médico acostado.(doc. anexo) Assim, considerando o que preconiza o art 39, § 5o, III, do mencionado decreto, assim como, que a impugnante é portadora da referida moléstia grave desde setembro de 1.992, portanto, faz jus à restituição de todo o imposto de renda retido na fonte. (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. A matéria em litígio restringese aos rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica ao longo exercício 2012, anocalendário 2011. Sustenta a contribuinte que faria jus a concessão de isenção por ser aposentada e portadora de neoplasia maligna, espécie de moléstia grave tipificada pela Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052/2004, que segue abaixo transcrita: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4º do mesmo artigo, assim dispõe: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10855.721888/201343 Acórdão n.º 2201003.004 S2C2T1 Fl. 76 4 XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º).” Neste sentido, para o reconhecimento da isenção, de acordo com o entendimento mantido pela decisão recorrida, com o qual concordo, duas são as condições básicas que devem ser comprovadas, concomitantemente: 1. Que os rendimentos percebidos por portador da moléstia grave prevista em lei sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma; 2. Que a moléstia grave, contraída antes ou após a aposentadoria, reforma ou pensão, seja comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos municípios. Passo então a analisar os requisitos. Como se verifica às fls. 23, o documento do INSS com data de 04/12/1994; que comprova que os rendimentos auferidos pela contribuinte são relativos a aposentadoria. Destarte, satisfeito o primeiro requisito, relativo à natureza dos rendimentos auferidos, cabe passar à análise do segundo requisito: ser a contribuinte portador de moléstia grave à época em que tais rendimentos foram auferidos. Pelo que se verifica às fls. 30 dos autos, em Ata de Inspeção de Saúde: 385/2011, emitida pelo Ministério da Defesa do Exercito Brasileiro, datado de 27 de junho de 2011, a Recorrente não foi considerada portadora de moléstia grave. Por ocasião do seu recurso, a contribuinte anexou à fls. 70, laudo médico particular, emitido pela Policlínica Municipal DR. Edward Maluf, datado de 04/11/2013, no qual se afirma que a contribuinte é portadora de moléstia grave desde o ano de 1992. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10855.721888/201343 Acórdão n.º 2201003.004 S2C2T1 Fl. 77 5 Contudo, o laudo médico particular é imprestável para desfazer o entendimento exposto na Ata de Inspeção de Saúde, emitida pelo Ministério da Defesa do Exercito Brasileiro, que atesta que a recorrente não era portadora de moléstia grave em 2011. Deste modo, entendo que a recorrente não logrou êxito em provar que era, à época portadora de neoplasia maligna. Não tendo, portanto, direito à isenção pleiteada. Ante tudo acima exposto, e o que consta nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
score : 1.0
Numero do processo: 13679.720125/2014-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. MOLÉSTIA GRAVE RECONHECIDA. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de moléstia grave, desde março de 2006, deve ser reconhecida isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. MOLÉSTIA GRAVE RECONHECIDA. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de moléstia grave, desde março de 2006, deve ser reconhecida isenção. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. MOLÉSTIA GRAVE RECONHECIDA. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de moléstia grave, desde março de 2006, deve ser reconhecida isenção. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Malagoli da Silva e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 9. 72 01 25 /2 01 4- 32 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SONIA PIMENTA LISBOA, em face de acórdão que manteve a integralidade da Notificação de Lançamento lavrada para a cobrança de imposto renda suplementar, em face da constatação de infração à legislação tributária, pois foram declarados valores isentos da exação em razão de moléstia grave não comprovada pela recorrente. A glosa deveuse a falta de comprovação da moléstia com Laudo Pericial emitido por Serviço Médico oficial, pois o laudo apresentado é assinado por médico sócio da empresa MANFRINI E ACERBI, CNPJ 00.683.886/000115, contratada pelo Município de S. S. do Paraíso, sem atribuição da emissão de laudo pericial. Ademais, consta dos autos que quando da análise do pleito formulado no presente processo, a SRFB verificou a existência do Processo de Pedido de Restituição nº 13679.720192/201376, vindo a analisar a documentação dele constante, tendo sido verificado que o médico que assinou o laudo é um dos sócios de empresa prestadora de serviço sem atribuições contratuais para emitir Laudos Periciais Oficiais em nome da Secretaria Municipal de Saúde. Tal constatação ensejou a emissão do Despacho Decisório DRF/PCS/SAORT nº 0154/2014, juntado às fls. 47 a 49, indeferindo o pedido de restituição naquele processo, pois, ante os termos do contrato de prestação de serviço, os médicos da empresa contratada não tinham atribuições periciais para emitir Laudo em nome da Secretaria Municipal de Saúde, sendo que a mera aposição do carimbo desta não convalidaria o documento emitido por profissional médico da referida empresa. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que o contrato de trabalho entre o médico e a Secretaria de Saúde não especifica nenhuma atribuição dos médicos contratados 2. que já houve outro caso idêntico ao da ora contribuinte julgado pela SRFB, no caso o acórdão n. 0929.351, através do qual laudo médico emitido pelo mesmo médico já fora aceito para fins de reconhecimento da isenção; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13679.720125/201432 Acórdão n.º 2402005.328 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Reitero que, no presente caso, a discussão resumese tão somente a avaliar se a condição do recorrente de isento ao pagamento do imposto de renda, em razão de ser portador de moléstia grave, está comprovada nos autos. Com relação ao tema, o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47, da Lei nº 8.541/92, preceitua o seguinte: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ......................................................................................................... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Ademais, prevê a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, que também dispôs sobre o tema da seguinte forma: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: [...] 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso dos autos, a DRJ entendeu por julgar improcedente a impugnação, tenho em vista que o contribuinte juntou aos autos Laudo Médico Pericial, emitido por médico contratado pela Secretaria de Saúde de Poços de CaldasMG, sem atribuições periciais para emitir Laudo em nome da Secretaria Municipal de Saúde. Vejamos o que consta às fls. 49 dos autos do presente processo quanto ao decidido no pedido de restituição objeto do processo n. 13679.720192/201376: Conforme se depreende da folha 48, a contribuinte não apresentou Laudo Pericial emitido por Serviço Médico Oficial, pois o médico que assina o laudo é tão somente sócio da empresa MANFRINI E ACERBI, CNPJ 00.683.886/000115, contratada para prestação de serviços à Secretaria de Saúde do Município de São Sebastião do Paraíso e nas obrigações da contratada não consta a possibilidade da emissão de laudo pericial. 8. Laudo pericial é o documento que formaliza uma perícia médica realizada por profissional médico investido na função de perito por ato administrativo. As Secretarias Municipais de Saúde nos termos da legislação vigente têm competência (art. 30, da Lei nº 9.250/95, abaixo) para emitir laudos periciais para fins de isenção do Imposto de Renda, desde que possuam médico ou junta médica com atribuições periciais. Na situação ora em análise, a empresa que emitiu o laudo é mera contratada do Município e sem atribuição pericial. A mera aposição do carimbo da Secretaria de Saúde não convalida o documento emitido pelo médico sócio da empresa prestadora de serviço sem atribuições contratuais para emitir laudos periciais. Antes de mais nada, cumpre asseverar que não localizei nos autos o referido contrato. Todavia, mesmo assim, diante da análise dos fundamentos contidos no despacho decisório cujo excerto transcrevi, depreendo que o contrato entabulado não faz qualquer previsão sobre a possibilidade e nem sobre a impossibilidade de emissão de laudos. Ora, em se tratando de médico devidamente contratado pela Secretaria de Saúde do Município, a meu ver este está investido de todas as atribuições de um médico, com o munus público, tratandose, pois, de um médico público e que exerce suas funções em órgão oficial para fins da isenção constante da Lei 7.713, de 1988. A ausência de cláusula prevendo expressamente a possibilidade de que o médico contratado possa fornecer laudos para fins da legislação em comento, sobretudo em não Fl. 94DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13679.720125/201432 Acórdão n.º 2402005.328 S2C4T2 Fl. 4 5 existindo uma cláusula proibitiva, por si só, não pode ser considerada, a meu ver como justificativa a retirar do laudo o seu caráter de laudo expedido por serviço oficial do município. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 7/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 13014.720526/2014-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DECISÃO ADMINISTRATIVA. FUNDAMENTAÇÃO INSUFICIENTE. NULIDADE.
É nula a decisão que não aprecia os documentos apresentados pelo contribuinte antes de sua prolação.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2201-003.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância administrativa, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira.?
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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FUNDAMENTAÇÃO INSUFICIENTE. NULIDADE. É nula a decisão que não aprecia os documentos apresentados pelo contribuinte antes de sua prolação. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância administrativa, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Presente ao Julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 4. 72 05 26 /2 01 4- 14 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13014.720526/201414 Acórdão n.º 2201003.135 S2C2T1 Fl. 67 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 19.990,92, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 9/11 do processo digital, que o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, dedução indevida de despesas médicas e de pensão alimentícia judicial. Acrescenta a Autoridade lançadora que o contribuinte não apresentou os comprovantes de pagamentos da pensão alimentícia em favor de Lecy Brown e Evita das Dores Morais Pinto e, em relação às despesas médicas com os planos de saúde UNIMED e AMIL, os comprovantes apresentados não continham a discriminação dos valores pagos por beneficiário. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 3/4, que foi julgada improcedente por meio do acórdão de fls. 30/32, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2010 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual de importâncias pagas a título de alimentos ou pensões, o contribuinte deve apresentar cópia da decisão judicial ou acordo homologado judicialmente bem como os respectivos comprovantes de pagamento. DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. A falta de apresentação de documento emitido pelo plano de saúde com a identificação dos participantes, com a discriminação dos valores correspondentes a respectiva participação, determina a glosa das despesas declaradas. Cientificado da decisão de primeira instância em 19/02/2015 (fl. 35), o Interessado interpôs, em 20/03/2015, o recurso de fls. 36/37, acompanhado dos documentos de fls. 38/63. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Atendeu ao Termo de Intimação Fiscal nº 2010/129197987866255 por intermédio do Termo de Recepção de Requerimento nº 201010000154979, de 17/07/2014, anexando os seguintes documentos: a) documento de identificação do signatário; b) comprovantes de dependência; c) comprovantes originais e cópias de despesas médicas com planos de saúde com valores discriminados por beneficiário; e d) decisão judicial ou acordo homologado judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia judicial e respectivos comprovantes de pagamentos. Os documentos foram recepcionados e conferidos por Bernardo Giori Ambrósio, na ARF Barra do Pirai. Anexa novamente a documentação solicitada para provar que tem direito às deduções. Documentos em anexo: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13014.720526/201414 Acórdão n.º 2201003.135 S2C2T1 Fl. 68 3 a) Documento de Identificação do signatário; b) Comprovante de Dependência; c) Comprovantes originais e cópias de despesas médicas com planos de saúde, com os devidos valores discriminados por beneficiário; d) Decisão Judicial ou Acordo homologado Judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia judicial e respectivos comprovantes de pagamentos; e e) Comprovante de Rendimentos anual, com discriminação em Informações Complementares dos alimentandos. O Comprovante do Instituto Nacional do Seguro Social comprova o desconto de pensão alimentícia em nome de Evita das Dores Morais Pinto, inscrita no CPF sob n° 730.935.64700, e o Comprovante do Fundo Especial de Previdência do Município do Rio de Janeiro comprova o desconto de pensão alimentícia em nome de Lecy Moreira Brown, inscrita no CPF sob n° 000.421.35729. Ao final, requer o acolhimento do recurso e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Interessado pelos seguintes motivos (fl. 32): O contribuinte não apresentou os comprovantes de pagamento para a fiscalização nem tampouco anexou os referidos documentos aos autos. Assim sendo, por absoluta falta de prova do efetivo pagamento da pensão declarada na DAA, a glosa da despesa deve ser mantida. Quanto à despesa médica, o motivo da glosa foi a falta de identificação dos beneficiários dos planos de saúde AMIL e UNIMED. Na forma estabelecida pelo inciso II, do art. 80, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, a dedução de despesa médica “restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes”. O contribuinte não comprovou, mediante documento emitido pelas respectivas entidades, quem são os beneficiários do plano de saúde. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13014.720526/201414 Acórdão n.º 2201003.135 S2C2T1 Fl. 69 4 Portanto, a glosa efetuada pela fiscalização deve ser mantida. O Termo de Recepção de Requerimento nº 201010000154979 (fl. 16), no entanto, evidencia que os documentos anexados à peça recursal já haviam sido entregues em Agência da RFB em 17/07/2014, antes da prolação da decisão de 1ª instância, que ocorreu em 30/01/2015. Nesse contexto, em que os julgadores da instância de piso deixaram de apreciar os documentos apresentados pelo contribuinte mesmo existindo nos autos do processo um documento atestando o recebimento dos mesmos, não há outra solução que não a de anular a decisão recorrida, impedindo a supressão de instância no presente processo administrativo fiscal. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para anular a decisão de primeira instância administrativa, para que outra seja proferida com a apreciação dos documentos apresentados pelo contribuinte. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 69DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10183.004790/2006-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/05/2004
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
DILIGÊNCIA FISCAL. DIVERGÊNCIA NA EXIGÊNCIA FISCAL.
Comprovado em diligência fiscal a necessidade de ajustes no lançamento, deve-se manter a exigência fiscal com os ajustes apurados na diligência.
Recurso de Oficio Negado e Recurso voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3201-002.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/05/2004 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. DILIGÊNCIA FISCAL. DIVERGÊNCIA NA EXIGÊNCIA FISCAL. Comprovado em diligência fiscal a necessidade de ajustes no lançamento, deve-se manter a exigência fiscal com os ajustes apurados na diligência. Recurso de Oficio Negado e Recurso voluntário Parcialmente Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2121; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 4.380 1 4.379 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.004790/200659 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3201002.182 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2016 Matéria COFINS e PIS Recorrente ROSCH ADMINISTRADORA DE SERVIÇOS E INFORMÁTICA LTDA ME e FAZENDA NACIONAL Recorrida ROSCH ADMINISTRADORA DE SERVIÇOS E INFORMÁTICA LTDA ME e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/05/2004 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. DILIGÊNCIA FISCAL. DIVERGÊNCIA NA EXIGÊNCIA FISCAL. Comprovado em diligência fiscal a necessidade de ajustes no lançamento, devese manter a exigência fiscal com os ajustes apurados na diligência. Recurso de Oficio Negado e Recurso voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 47 90 /2 00 6- 59 Fl. 4380DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "A contribuinte acima qualificada foi autuada para recolher a Contribuição para o Seguridade Social (COFINS) dos períodos de apuração novembro de 2002, janeira a abril de 2003, junho a setembro de 2003, abril e junho de 2005, e agosto a dezembro de 2005, e a contribuição para o PIS/PASEP, dos períodos novembro de 2002, janeiro a setembro de 2003, novembro de 2003, janeiro de 2004, fevereiro de 2005, abril a junho de 2005 e agosto a dezembro de 2005, conforme Autos de Infração de f. 03 a 24. Os lançamentos resultaram nos valores de R$ 1.078.525,28 de COFINS, R$ 808.893,90 de multa de oficio (75%) e R$ 248.111,79 de juros moratórios calculados até 30 de novembro de 2006 e, também, RS 1.075.267,88 de contribuição para o PIS/PASEP, R$ 806.450,83 de multa de oficio (75%) e R$ 487.432,07 de juros moratórios calculados ate 30 de novembro de 2006. Os lançamentos ocorreram em razão de apuração de diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago de ambas as contribuições. A descrição e o enquadramento legal das infrações, multa e juros encontramse às f. 04 a 06, 10, 15 a 17 e 22. A ciência quanto aos Autos de Infração ocorreu em 28 de dezembro de 2006, conforme documentos de f. 142 a 146. Em 29 de janeiro de 2007 foi protocolada a impugnação (f. 101 a 134 anexos às f. 135 a 141 e 153 a 1.672) na qual, após relato dos fatos, é aduzido, em apertada síntese que: a) houve cerceamento do direito de defesa por erro na determinação da exigência; Fl. 4381DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10183.004790/200659 Acórdão n.º 3201002.182 S3C2T1 Fl. 4.381 3 a.1) foram tomadas as folhas do livro Razão, antes da apuração das contribuições; a.2) nas planilhas anexas aos Autos de Infração não foi demonstrado como foram apuradas as contribuições; a.3) imaginase que o autuante tenha tomado o saldo final das contas PIS e COFINS A RECOLHER, excluindo o saldo inicial, sem contudo demonstrar esse fato; a.4) embora seja afirmado que foram efetuadas as deduções das contribuições retidas na fonte e os créditos, não há a demonstração disso; a.5) para os anos 2002, 2004 e 2005, o lançamento foi efetuado com base em amostra do ano 2003; a.6) não constam dos autos os extratos das DCTFs de 2002, 2004 e 2005, sendo que os valores apurados na planilha "Dados Informados à SRF", relativamente a esses anos, não coincidem com os declarados nas DCTFs, conforme cópias anexadas; a.7) o enquadramento legal não condiz com a condição da contribuinte que apura o PIS/PASEP e a COFINS pelo regime nãocumulativo; b) a apuração das contribuições foi efetuada de forma errônea, sem ser considerados os valores retidos na fonte e os créditos no caso de apuração não cumulativa; b.1) conforme apuração demonstrada, não havia nenhum débito que pudesse ser lançado de oficio; c) houve duplicidade de exigência das contribuições no ano calendário 2005; d) o fato gerador da COFINS e da contribuição para o PIS é o faturamento, de endo ser levadas em conta as deduções legais. Ao final, é requerida a declaração de nulidade ou, caso isso não ocorra, de improcedência dos lançamentos. Há, ainda, o protesto por todos os gêneros de prova em Direito admitidos. Os autos baixaram em diligência para que fosse regularizada a representação (f. 1.698 a 1.741). Foram juntados nesta DRJ/CGE os extratos do sistema DCTFCONS relativos a DCTFs anocalendário 2005 e também tela do SISCAC (f. 1.744 a 1.760)." Fl. 4382DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela procedência parcial da impugnação. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/05/2004 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. As diferenças apuradas nos valores escriturados e declarados devem ser lançados de ofício pela fiscalização, sendo considerados no levantamento dos créditos os recolhimentos devidamente comprovados. No lançamento de ofício é aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, incidindo também juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício. VALORES DECLARADOS EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E DCTF. DIFERENÇA. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Tendo a parte exonerada superado limite de alçada foi apresentado pela turma julgadora o competente recurso de ofício. Cientificada da decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação, alegando a nulidade do lançamento e que o trabalho fiscal não considerou os diversos aspectos na apuração do PIS e da Cofins, considerando unicamente a diferença entre valores escriturados e declarados. Na apreciação do recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) realizese o cálculo efetivo do valor devido das contribuições para o período fiscalizado, fazendo as intimações e diligências necessárias; b) realizese o cotejamento entre o valor apurado e aquele declarado pela Recorrente, elaborando relatório sobre os procedimentos realizados. A Unidade de Origem procedeu a diligência, consubstanciado no relatório fiscal (fls. 4375 a 4376). Nos termos da diligência, a Fiscalização procedeu a intimação da Fl. 4383DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10183.004790/200659 Acórdão n.º 3201002.182 S3C2T1 Fl. 4.382 5 Recorrente para apresentação da sua documentação fiscal e realizou a auditoria identificando divergências no lançamento, que foram assim detalhados no relatório de diligência. "Após inspeção efetuada na escrituração contábil do contribuinte, precisamente na conta nº 2.1.01.006.0003 COFINS A RECOLHER, foi elaborada nova planilha (DOC 006) onde foram descriminados os débitos apurados por período de apuração que não foram declarados e nem pagos pelo contribuinte. Neste levantamento, foi constatado divergência em alguns períodos de apuração com aqueles constantes no referido processo de auto de infração. As divergências e o motivos das mesmas, foram levadas ao conhecimento do contribuinte através do Termo de Intimação Fiscal ( DOC 003), cuja ciência, via postal, foi tomada em 22/04/2015, para se manifestar. No referido Termo (DOC 003), também foi levado ao conhecimento do contribuinte a metodologia utilizada pelo fisco para determinar o montante dos débitos apurados por período de apuração que não foram declarados e nem pagos pelo contribuinte." Nos termos constantes da relatório fiscal, a Recorrente foi cientificada do Relatório fiscal (fls. 4360 a 4365) e não apresentou nenhuma consideração acerca das conclusões da diligência. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF e a este Relator para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Preliminarmente a Recorrente alega a nulidade do lançamento. Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram à lavratura do auto de infração. Fl. 4384DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 A Recorrente foi cientificadas da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância, irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, interpôs recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas pela primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Afastada as questões preliminares, passemos ao mérito. A discussão presente no processo trata da questão puramente fática. O lançamento ocorreu em razão de diferença identificada entre o valor escriturado e o valor declarado/pago. A Recorrente alega que o trabalho fiscal não considerou os diversos aspectos na apuração do PIS e da Cofins, considerando unicamente a diferença entre valores escriturados e declarados/pago. Aqui, estamos diante de uma questão unicamente fática, não se questiona a aplicação da norma legal. Discutese o valor devido das contribuições. Entendo que a solução da lide passa por determinar efetivamente qual é o valor devido do PIS e da Cofins para o período auditado e a partir deste cálculo realizar o cotejamento com os valores declarados, apurando possíveis diferenças. O principio da verdade material e da ampla defesa são intrínsecos ao Processo Administrativo Fiscal e em que pese o fato, do seu informalismo contido, estes corolários não podem ser afastados, devendo pelo contrário, ser privilegiados, visto que, qualquer discussão administrativa que seja maculada, por procedimentos processuais questionáveis, pode vir no futuro a ser objeto de novas discussões, o que sem dúvida, afasta um dos grandes benefícios do processo administrativo, que busca abreviar a solução dos litígios a contento das partes. Diante do exposto e buscando a verdade material dos fatos, foi determinada a realização de diligência fiscal para que fosse apurado o PIS e a Cofins devidos. A fiscalização em atendimento a resolução, intimou a Recorrente a apresentar a documentação fiscal e identificou divergências na exigência fiscal determinada pela decisão da primeira instância. Verificase no relatório fiscal que foram feitos ajustes no lançamento, reduzindo a exigência fiscal, conforme tabelas à fls. 4364 e 4365. Nos termos já bem detalhados no relatório, a turma de julgamento na busca dos esclarecimentos fáticos necessários a solução da lide converteu o julgamento em diligência para apurar se as alegações da Recorrente quanto a erros na apuração do PIS e da Cofins. A Recorrente foi cientificada das conclusões da fiscalização e os métodos de apuração utilizado, franqueando a possibilidade da apresentação de documentos e informações que pudessem se contrapor ao resultado da diligência. Decorrido o prazo de 30 (trinta) dias a Recorrente não apresentou nenhuma manifestação. Diante da ausência de manifestação da Recorrente que pudessem contrapor as conclusões da diligência, entendo não existe reparo a ser feito nas apurações realizadas pela Fiscalização. Fl. 4385DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10183.004790/200659 Acórdão n.º 3201002.182 S3C2T1 Fl. 4.383 7 Quanto ao recurso de ofício, conforme bem detalhado na decisão da primeira instância, sendo identificada a existência de declaração de tributos em DCTF, tais valores precisam ser deduzidos do auto de infração, portanto, não existe reparo a ser feito na decisão. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir o lançamento nos termos apurados na diligência fiscal, nos termos das tabelas à fls. 4364 e 4365. Winderley Morais Pereira Fl. 4386DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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