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Numero do processo: 10830.000527/2006-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO.
A divergência na aplicação do direito, entre diferentes colegiados do CARF, condição para conhecimento do Recurso Especial, somente se estabelece no caso em que os colegiados, frente a situações fáticas semelhantes, aplicam o direito de forma diversa, gerando decisões divergentes. No caso, as situações fáticas enfrentadas pelos acórdãos paradigma eram diferentes daquela discutida no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9303-007.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO DE CRÉDITO. FRETE DE TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS SEMIACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BENTELER COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. A divergência na aplicação do direito, entre diferentes colegiados do CARF, condição para conhecimento do Recurso Especial, somente se estabelece no caso em que os colegiados, frente a situações fáticas semelhantes, aplicam o direito de forma diversa, gerando decisões divergentes. No caso, as situações fáticas enfrentadas pelos acórdãos paradigma eram diferentes daquela discutida no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 05 27 /2 00 6- 19 Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10830.000527/200619 Acórdão n.º 9303007.517 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de ressarcimento de créditos de PIS oriundos da incidência não cumulativa em operações do mercado interno. O recurso voluntário apresentado pela contribuinte foi apreciado pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3801005.223, que, na parte de interesse ao presente julgamento, possui a seguinte ementa: (...) FRETES DE TRANSFERÊNCIA. CRÉDITO DA COFINS. PROCEDÊNCIA. Confere direito ao crédito referente ao frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá custo de produção e funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. (...) Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência. Os acórdãos paradigmas de nº 3302002.025, nº 3302 01.166 e nº 220100.081 não admitem direito a crédito pelos valores das despesas com fretes contratados para transferência de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, diferentemente do acórdão recorrido, que vê tais serviços como insumos. O Presidente da 1ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência do Procurador, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi intimada do acórdão de recurso voluntário, do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, apresentando contrarrazões. Inicia pleiteando que não se conheça do recurso especial do Procurador, pois não haveria similitude fática entre os paradigmas e o recorrido, pois neste estarseia tratando de frete para transferência de produtos semielaborados e naqueles de produtos acabados. No mérito, afirma que o fisco está a utilizar de conceito de insumo ligado à tributação do IPI, excessivamente restritiva no tocante ao PIS e Cofins que visam a abranger os custos e encargos imprescindíveis e essenciais para a consecução da atividade empresarial causando um alargamento da interpretação fiscal. Tal interpretação seria prestigiada pela doutrina e jurisprudência administrativa e judicial. No caso concreto, se trata de peças Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10830.000527/200619 Acórdão n.º 9303007.517 CSRFT3 Fl. 4 3 automotivas que são transportadas entre São Paulo e Camaçari na Bahia, para ali agregar outros componentes, finalizando sua produção. Em vista disso, haveria que se considerar o frete como despesa de insumo para o produto final. Recurso especial da contribuinte Na mesma data em que apresentou contrarrazões, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência. Todavia, nos termos do despacho de admissibilidade do Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, foi negado seguimento ao recurso especial. Inconformada, a contribuinte apresentou agravo ao despacho que negou seguimento a seu recurso especial de divergência relativamente às mesmas matérias recorridas. Em novo despacho, agora pelo Presidente do CARF, houve rejeição do agravo. É o relatório. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10830.000527/200619 Acórdão n.º 9303007.517 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.514, de 17/10/2018, proferido no julgamento do processo 10830.000525/200620, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.514): "O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Conhecimento No tocante ao conhecimento do recurso há que se realizar análise preliminar em face de alegada não similitude fática entre os paradigmas e o recorrido, aduzido pela contribuinte em suas contrarrazões. A diferença, no entender da contribuinte residiria no fato de os paradigmas tratarem de produtos acabados e no caso do recorrido estarseia tratando de produtos semi elaborados, insumos sujeitos a processo produtivo final no destino. Os paradigmas sob análise seriam os de nº 3302002.025 e nº 330201.166, admitidos no despacho de admissibilidade, pela regra do § 7º do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015. De início, há que se reconhecer que os julgados são definidos pelos seus dispositivos e não pelas razões de decidir postas no voto condutor. Justamente, o que está explicitado na parte dispositiva dos acórdãos é que faz a coisa julgada. No tocante à matéria aqui em litígio, o acórdão nº 3302002.025 tinha a seguinte redação: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: (...) 3 por maioria de votos, para negar o direito ao crédito nas despesas com fretes entre estabelecimentos da recorrente; (...) Até aqui não há referência quanto a se tratar de produtos acabados ou não. A ementa, por sua vez dispunha: CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10830.000527/200619 Acórdão n.º 9303007.517 CSRFT3 Fl. 6 5 Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS. (Negritei) Nesse ponto é que se centrou o Procurador para firmar a similitude fática. Contudo, ao observarmos o relatório do acórdão, encontramos a seguinte passagem: Entende a ora Impugnante que o direito aos créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS decorrentes das despesas com fretes, quando da transferência de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica encontra amparo no ordenamento jurídico, em vista da sistemática da nãocumulatividade, adotada para a Cofins e para a Contribuição ao PIS para impedir a “incidência em cascata” de tributos. Segundo a impugnante, a transferência de produtos entre estabelecimentos industriais se faz necessária para otimizar a logística de circulação de bens destinados à revenda e, portanto, o frete contratado pela Perdigão, por exemplo, é despesa indireta da subsequente venda e não poderia o direito ao crédito ser vedado quando de sua passagem por mais de um estabelecimento industrial, dentro da cadeia de vendas. (Negritei.) Aqui se observa, que realmente aquele acórdão tratava de produtos acabados e mais, no voto vencedor quanto a esta matéria estava transcrito: O frete é um serviço que, em regra, não ocorre durante o processo de industrialização, uma vez que a movimentação durante o ciclo é efetuada pela própria empresa. O frete entre estabelecimentos não diz respeito ao ciclo de produção e a legislação, conforme já ressaltada pelas instâncias pretéritas, somente admite o crédito relativo ao frete na operação de venda. As alegações da Interessada quanto às normas da Anvisa já foram analisadas em itens anteriores e raciocínio semelhante aplicase neste caso, destacandose que seria especial em relação ao processo de produção da Interessada a refrigeração, por exemplo, e não o frete propriamente dito. Vale dizer, é possível entender que a manutenção dos produtos em temperaturas baixas ou em outro estado exigido pela legislação represente etapa da produção, mas não é essa a despesa que a Interessada alegou gerar o direito de crédito e, sim, o transporte. No caso, a refrigeração tornaria o transporte possível, que não é um procedimento da produção. Portanto, não se admite, neste caso, que o frete seja considerado insumo utilizado na produção. O sujeito passivo daquele processo industrializava produtos alimentícios sujeitos ao transporte refrigerado, ficando evidenciado que se tratava de produto acabado, para o qual o Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10830.000527/200619 Acórdão n.º 9303007.517 CSRFT3 Fl. 7 6 transporte ente estabelecimentos não visava à produção, mas à logística de circulação dos bens para revenda. No segundo acórdão admitido, de nº 330201.166, está indicado no relatório: Constatouse também que a empresa calculou créditos sobre valores escriturados nas contas "Fretes Transferências para Vendas". Esses fretes referemse à transferência de produtos acabados entre diversos estabelecimentos da empresa ou então para estabelecimentos de terceiros não clientes, caracterizando fretes não vinculados a operações de venda e, portanto, não geram créditos, por falta de previsão legal. Sendo assim, essa parcela foi glosada pela Fiscalização. (Negritei.) A ementa do paradigma, no tocante a matéria, dispunha: CRÉDITO. INSUMOS. Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao crédito de PIS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda Recurso Voluntário Negado. (Negritei.) Já no voto se pode observar o seguinte entendimento: Tais gastos não têm amparo legal para o seu creditamento, por absoluta falta de previsão legal, eis que os fretes em apreço são despesas realizadas após a fase de produção, portanto não geram crédito visto que, conforme dispõe a lei, para que o frete gere direito ao creditamento é necessário que esse serviço seja utilizado como insumo ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou, ainda, se a despesa estiver ressalvada na relação taxativa de bens e serviços que geram direito ao crédito, o que não é o caso. (Negritei.) Aqui, mais uma vez, tratase de produto acabado. Ocorre ainda que o representante da contribuinte afirmou em sede de manifestação de inconformidade: 52. Ocorre que, o que se verifica, na realidade, não é a mera transferência de produtos entre estabelecimentos, mas, sim, de operação da seguinte forma concebida: o estabelecimento da Requerente, localizado em São Paulo, remete peças automotivas denominadas de "eixos traseiros", soldados e pintados, para seu outro estabelecimento, localizado em CamaçariBA, sendo que neste local serão agregados diversos outros componentes para finalização da industrialização do referido "eixo traseiro", transformandoo em "módulo de suspensão", produto final este que será vendido para a empresa automobilística "Ford", (doc. 06) 53. Como se vê, o frete realizado entre os estabelecimentos de São Paulo e Camaçari na realidade transfere de São Paulo um produto semielaborado ("eixo traseiro"), o qual será utilizado como Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10830.000527/200619 Acórdão n.º 9303007.517 CSRFT3 Fl. 8 7 INSUMO no próximo estabelecimento da cadeia da Requerente, tendo sua industrialização finalizada com a agregação de diversos outros componentes àquele produto em Camaçari, local este onde efetivamente se tem o produto acabado ("módulo de suspensão"), sendo que nesta etapa é que se tem o produto finalizado e que será repassado ao consumidor final. 54. Portanto, o que se pode verificar é que o frete utilizado pela Requerente para composição de seu saldo credor de COFINS é efetivamente o de um "serviço utilizado como insumo", haja vista que a transferência de um produto semielaborado para industrialização final em outro estabelecimento nada mais é senão um insumo na cadeia econômica da Requerente e assim deve ser considerado para fins de aproveitamento dos créditos. (Negritos do original, sublinhei.) Tais afirmações não foram contraditadas em momento posterior, em qualquer decisão, logo, admitese neste processo que seja esse o processo produtivo até a obtenção do produto a ser vendido. Dessa forma, não há como paragonar os acórdãos que tratam de fretes de produtos acabados com o aresto recorrido que se estabeleceu na análise de fretes dos insumos de produção entre estabelecimentos da contribuinte. Além disso, na própria discussão da matéria de direito, o Procurador afirma: Com efeito, o frete de mercadorias é um serviço utilizado na distribuição/reorganização das mercadorias, e não na produção delas. Por isso os referidos fretes não podem ser considerados insumos e gerar créditos com base no inciso II do artigo 3º das Leis 10637/02 e 10833/03. Os custos de distribuição de mercadorias não se subsumem ao conceito de insumo utilizado no processo produtivo. Ora, se o conceito de insumos utilizados na produção envolvesse também os custos de distribuição da mercadoria, seria completamente desnecessária a previsão do inciso IX, que menciona custos específicos desta etapa, razão pela qual, repitase, o frete usado para a distribuição das mercadorias não está inserido na hipótese do inciso II. Tratandose, então, do inciso IX, mister registrar que ele também não alcança o valor do frete contratado para a realização de transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores, já que tais custos não integram a operação de venda a ser realizada posteriormente. Apenas daria direito ao crédito o frete contratado para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes. (Negritei.) Essas passagens evidenciam que o Procurador encarava os produtos como mercadorias a serem distribuídas, ou seja produtos acabados. Além disso, tratando a seguir de conclusões da Solução de Divergência COSIT nº 11, de 2007, pacificando a matéria, transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Cofins Apuração nãocumulativa. Créditos de despesas com fretes. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10830.000527/200619 Acórdão n.º 9303007.517 CSRFT3 Fl. 9 8 Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. (Destaquei.) Logo, os argumentos utilizados para sustentar a divergência, igualmente se apóiam em situação fática distinta daquela do recorrido. Tendo em vista essas observações, entendo que assiste razão à contribuinte, quando não vê similitude fática entre os acórdão paradigmas e o acórdão a quo. Por essas razões, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 658DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14489.000592/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/04/2002, 01/07/2002 a 31/12/2002, 01/02/2003 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/03/2006
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. RECOLHIMENTO.
A empresa contratante de serviço executado mediante cessão de mão de obra deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher a importância retida em nome da empresa contratada.
NOTA FISCAL. FATURA. RECIBO. MATERIAIS E EQUIPAMENTOS. DEDUÇÃO. EXIGÊNCIA. DISCRIMINAÇÃO EM CONTRATO.
A dedução de materiais e equipamentos da base de cálculo da retenção de 11% (onze por cento) sobre mo valor da nota fiscal, fatura ou recibo exige que tais materiais e equipamentos estejam discriminados em contrato.
Numero da decisão: 2402-006.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Mario Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Mario Pereira de Pinho Filho.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 30/04/2002, 01/07/2002 a 31/12/2002, 01/02/2003 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/03/2006 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. RECOLHIMENTO. A empresa contratante de serviço executado mediante cessão de mão de obra deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher a importância retida em nome da empresa contratada. NOTA FISCAL. FATURA. RECIBO. MATERIAIS E EQUIPAMENTOS. DEDUÇÃO. EXIGÊNCIA. DISCRIMINAÇÃO EM CONTRATO. A dedução de materiais e equipamentos da base de cálculo da retenção de 11% (onze por cento) sobre mo valor da nota fiscal, fatura ou recibo exige que tais materiais e equipamentos estejam discriminados em contrato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 9. 00 05 92 /2 00 8- 02 Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.477 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Mario Pereira de Pinho Filho. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, de fls.1.453/1.469, voltado contra acórdão de fls. 1.437/1.447, que, por unanimidade de votos julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada, retificando o valor do crédito perseguido para R$ 332.107,71, acrescido de multas e juros. Está assim lançado o relatório da r. decisão objurgada: Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 37.093.6884, consolidado em 31/10/2007), no valor de R$ 376.806,57; acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 148/161), referese A retenção de 11% do valor bruto dos serviços contidos em notas fiscais de prestação de serviços, executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, nas competências de 01/2001 a 03/2006. 2. Informa a Auditoria Fiscal que os valores das retenções que deveriam ser destacadas nas notas fiscais/faturas emitidas pelas CONTRATADAS e retidas pelo CONTRATANTE, foram obtidos observandose os percentuais legais, aplicados diretamente sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas pelos prestadores dos serviços, eis que as bases utilizadas foram menores do que as previstas na legislação ou não houve o destaque do percentual de 11% (onze por cento), nos termos do artigo 31 da Lei n° 8.212/1991 c/c o artigo 219 do RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. 2.1. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal e demonstrativos anexados As fls. 162/336, as contribuições foram apuradas com base nas notas fiscais de prestação de serviços, correspondentes a serviços diversos de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra. 2.2. Integram a autuação os seguintes levantamentos: ABM — Empreiteira ABM, competências 09/2002 a 12/2002, 05/2003 a 10/2003 e 12/2003; ARQ — Arquitetar, competências 01/2002, 03/2002, 09/2002 e 10/2002; BLA — BLASTEC, competência 09/2003; Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.478 3 CAM — Campi Carlos Grazi, competências 12/2004, 02/2005 a 04/2005; CCF — Construtora COEFER, competências 03/2004, 06/2004 a 08/2004; CIL — CILVAL, competência 04/2004; CMJ — Construtora Mello, competência 08/2004, 10/2004 e 11/2004; CTH — Carlos Thuillier, competência 02/2003, 06/2003 a 09/2003, 11/2003 a 02/2004, 04/2004 a 10/2004, 12/2004 a 02/2005, 12/2005, 02/2006 e 03/2006; DEN — Denilda Comtec, competência 10/2002 a 12/2002; EAM — Empreiteira Moretti, competências 11/2003, 12/2003 e 02/2004; FER — Ferrusi, competências 01/2001, 02/2001, 04/2001 e 05/2001; FOR — Formatto, competências 11/2004 a 01/2005, 03/2005 e 06/2005; FRA Frasopi, competências, 04/2004 e 07/2004; IRO Irontec, competências 08/2002, 09/2002, 12/2002, 05/2003, 09/2003, 11/2003, 12/2003, 02/2004, 08/2004 e 09/2004; JAG Jaragud Equipamentos, competências 05/2005 a 03/2006; JE Jenelmec Precisão, competências 01/2001 a 05/2001, 07/2001 a 09/2001, 11/2001 a 02/2002, 04/2002, 07/2002 a 09/2002 e 12/2003; MAC Construtora Macegape, competências 05/2005, 06/2005, 08/2005, 09/2005, 12/2005 a 03/2006; MEG Megaplan, competências 11/2002, 02/2003, 03/2003 e 07/2003; OSC Oeste Santa Cruz, competências 9/2002 a 11/2002, 05/2003, 07/2003, 02/2004, 03/2004, 05/2004 a 07/2004, 09/2004 e 10/2004; SIF Sinal Forte, competências 02/2005 e 03/2005; WNW WNW Engenharia, competências 06/2003, 09/2003, 11/2003 e Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.479 4 12/2003. DA IMPUGNAÇÃO 3. A interessada interpôs impugnação As fls. 348/368, alegando em síntese: 3.1. A tempestividade da impugnação; 3.2. A decadência dos supostos créditos tributários relativos ao período de janeiro de 2001 a setembro de 2002, nos termos do artigo 150, §4°, combinado com o artigo 156, V, ambos do Código Tributário Nacional; 3.3. Que a autoridade autuante se limitou, tãosomente, a fazer a descrição do fato gerador do tributo sem, contudo, provar a sua ocorrência; 3.4. Que os "regulamentos" listam diversas atividades definidas ora como empreitada e ora como cessão de mãodeobra, para os fins de aplicação da retenção de 11% pelo contratante sobre as faturas de prestação de serviços por terceiros contratados; 3.5. Para os fins de aplicação da retenção aqui discutida, não basta que determinado serviço esteja previsto nos regulamentos. E necessário que os serviços sejam prestados mediante cessão de mãodeobra, conforme o conceito legal estabelecido pelo artigo 31, da Lei n°8.212/91; 3.6. Que não possui qualquer relação de subordinação com os empregados das empresas que lhes prestam serviços, haja vista que na maior parte dos contratos firmados entre as empresas existe cláusula expressa no sentido da Contratada ter que colocar um empregado responsável para coordenar fiscalizar os demais; 3.7. Que o conceito doutrinário de cessão de mãodeobra impõe necessariamente que os prestadores de serviços fiquem subordinados ao contratante, o qual fica responsável pela coordenação das atividades; 3.8. No que tange ao contrato firmado com as empresas prestadoras de serviço, este contrato não tem o condão de responsabilizar a empresa pela obrigação tributária acessória de reter 11% do valor bruto das notas fiscais relativas aos serviços prestados pelas empresas listadas pela fiscalização; 3.9. Se as partes acordarem entre elas, obrigações prevendo responsabilidades pelo pagamento de tributos, tal convenção entre as partes não poderá, em hipótese alguma, alterar a responsabilidade tributária, que como é cediço, s6 pode decorrer de fato gerador previsto em lei que determine a incidência no tributo; 3.10. Tampouco pode o fiscal presumir que o contrato firmado entre as partes seja a prova de que deveria a Impugnante reter os valores referentes aos 11% de contribuição social em todas as Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.480 5 notas fiscais apresentadas por terceiros, tendo em vista que muitas notas se resumem somente a valores cobrados sobre materiais utilizados pela empresa e não pela prestação do serviço propriamente; 3.11. Ou seja, a Impugnante irá reter e recolher a contribuição previdencidria no percentual de 11% do valor bruto das notas fiscais das prestadoras de serviços, somente na restrita hipótese prevista em lei, qual seja, a da prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, o que decerto não ocorreu na espécie; 3.12. Nas hipóteses em que havia cessão de mãodeobra, e empreitada, os valores devidos A Seguridade Social a titulo de retenção de 11%, foram devidamente discriminados nas notas fiscais e recolhidos, conforme se depreende nos contratos, notas fiscais e guias de recolhimento juntados em anexo; 3.13. Requer a realização de diligências e apresentação de novos documentos, sob pena de violar o principio da ampla defesa constitucionalmente garantido aos litigantes/contribuintes, bem como, que seja conhecida e provida a presente defesa para declarar extinto o crédito tributário. Em seu recurso, reprisa a empresa recorrente os argumentos lançados em sua peça de Defesa, no sentido em que manifesta sua irresignação nos mesmos pontos anteriormente atacados. Nesse sentido, alega não haver, no caso, que se falar em cessão de mãode obra, uma vez que não teria havido uma análise pormenorizada dos serviços ditos como previstos nos regulamentos aplicáveis à matéria. Assim, o entendimento adotado pela d. DRJ, violaria frontalmente a jurisprudência firmada no e. Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria. Destaca a recorrente, às fls. 1.459, que: "Tal entendimento, no entanto, viola flagrantemente a jurisprudência firmada pelos Tribunais pátrios, em especial aquele já reiteradamente manifestado pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça STJ. Nesse sentido, cumpre destacar trecho do julgamento do REsp n° 499.955', no qual o Ilmo. Ministro Teori Albino Zavascki afirma: '(..) Além disso, destacase que o rol exemplificativo colocado no § 4 ” do art. 31 deve estar em consonância com as características expostas no § 3°, não se mostrando suficiente,_para a caracterização da cessão de mãodeobra da Lei 8.212/91, a mera realização das atividades elencadas naquele dispositivo. '" Em seguida, aponta que não se pode falar em "presunção" de que os serviços elencados no §4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, configuramse como de mão de obra, uma vez que, segundo o Regulamento da Previdência Social, estão sujeitos à retenção de 11% aqueles Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.481 6 exclusivamente contratados mediante cessão de mãodeobra, conforme o §3º do art. 31 da lei supracitada. Afiança que para que se tenha "cessão de mãodeobra", imporia a dogmática que seria necessária a subordinação, e os demais elementos contidos em lei, o que não ocorre em suas atividades. Destaca o que disposto no contrato firmado com a contratada Jaraguá Equipamentos Industriais: "Cláusula Quarta Das Obrigações da Contratada. 4.1. Sem prejuízo das demais disposições deste contrato, constituem obrigações e responsabilidades Contratada: (ii) prestar os Serviços com pessoal próprio devidamente treinado e preparado, cabendo a contratada total e exclusiva responsabilidade pela coordenação e prestação dos Serviços, responsabilizandose legal, administrativa e tecnicamente pelos serviços". Elucida a existência de diferença entre a empreitada, mãodeobra e empreitada de obra e, dessa forma, dessa última, não haveria subordinação do empregado do empreiteiro às ordens do contratante, não sendo cabível, portanto, a retenção dos 11% sobre a fatura. Colaciona doutrina e jurisprudência para defesa de seus pontos alegando que, em nenhum momento, no contrato firmado, estiveram presentes os requisitos necessários para configuração do termo "cessão de mãodeobra". Às fls. 1467, destaca: "Em outras palavras, a cláusula invocada pela fiscalização segundo a qual a contratante seria a responsável pela retenção da contribuição previdenciária somente pode ser interpretada em harmonia com as normas legais vigentes e aplicáveis ao caso, bem como com as demais cláusulas contratuais e aspectos de fato inerentes, no presente caso, à prestação de serviço." E continua: "Ou seja, a Recorrente irá reter e recolher a contribuição previdenciária no percentual de 11% do valor bruto das notas fiscais das prestadoras de serviços, somente na restrita hipótese prevista em lei, qual seja, a da prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, o que decerto não ocorreu na espécie." Ao arremate, esclarece que juntou aos autos prova inequívoca de que houve retenção de 11% pelas prestadores de serviço em questão, bem como os respectivos comprovantes de recolhimento das contribuições pela Recorrente no período do lançamento, restando evidenciado que não subsistem as alegações fiscais, pelo que o crédito tributário estaria extinto na forma do art. 156, inc. I do Código Tributário Nacional. Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.482 7 Requer, portanto, o conhecimento e total provimento do recurso para que se torne inteiramente insubsistente o auto de infração em testilha. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Presentes os pressupostos intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade e regularidade formal) de admissibilidade recursal, voto por conhecer do recurso e passando à análise de suas razões. 2. DO LANÇAMENTO E DO OBJETO DO RECURSO. Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 37.093.688 4, consolidado em 31/10/2007), no valor de R$ 376.806,57; acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 148/161), referese a retenção de 11% do valor bruto dos serviços contidos em notas fiscais de prestação de serviços, executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, nas competências de 01/2001 a 03/2006. Tal obrigação estaria lastreada no que dispõe o artigo 31, da Lei n° 8.212/911 e o artigo 219 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, 1 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). §1º O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) §2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). §5º O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.483 8 impondo a Recorrente o dever de reter e recolher Contribuição Previdenciária, a razão de 11%, incidente sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, inclusive em regime de trabalho temporário. O Acórdão objurgado foi parcialmente procedente, eis as contribuições lançadas até a competência 09/2002, foram atingidas pela decadência. O Recorrente, por sua vez, centra as discussões no conceito de cessão de mãodeobra e sua inaplicabilidade as operações tomadas por base para o lançamento objetado. 3. DO CONCEITO DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA E DA ALEGAÇÃO DE INDEVIDO ENQUADRAMENTO DOS PRESTADOS À RECORRENTE EM TAL MODALIDADE DE CONTRATAÇÃO. 3.1. DO CONCEITO DE CESSÃO DE MÃODEOBRA. O Art. 31 da Lei 8.212/91, alterado pela Lei nº 9.711/98, estabelece que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive sob regime de trabalho temporário, deverá reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura relativa a tais serviços. 2 Estabelece ainda que tal valor deve ser destacado em nota fiscal ou fatura, sendo objeto de compensação pelo cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições de seus segurados, incidentes sobre folha de pagamento e que, na impossibilidade de haver compensação, o saldo remanescente será objeto de restituição. 3 Tratase de contribuição arrecadada sob a sistemática de antecipação do devido por meio da técnica de retenção na fonte pagadora, que passa a condição de responsável solidária em caso de ausência de retenção e recolhimento de tal antecipação. A própria Lei 8.212/91, no parágrafo 3º do Art. 31, dispõe sobre o conceito de cessão de mãodeobra para os fins de incidência da obrigação tributária acessória em estudo. Vejamos: §3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da §6º Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. 2 "Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. 3 Art. 31 [...] §1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. §2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.484 9 empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. E, seguindo em seu intento de limitação do alcance conceitual de cessão de mão de obra, apresentou rol de atividades presumidamente classificáveis como tal, deixando aberta a possibilidade de norma regulamentadora, indicar outras atividades com tal natureza. Vejamos: §4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. E, por fim, segue estabelecendo outras obrigações inerentes a operacionalização de tal obrigação, como a determinação, ao cedente da mãodeobra, do dever de elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante4. O Regulamento Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em seu Art. 219, §2º passou a listar uma série de atividades que seriam presumidamente classificadas como cessão de mãodeobra. Entretanto, não deixou de estabelecer como premissa de aplicação da presunção, uma avaliação quanto ao conceito de cessão de mão de obra. Vejamos: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: [...] 4 §5º O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante." Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.485 10 Assim, ainda que os serviços sejam referentes às atividades listas nos incisos do §2º do Art. 219 do RPS, não se pode deixar de verificar se a contratação de tais serviços se enquadra no conceito de cessão de mãodeobra. Importante registrar que, para alguns, o fato da atividade constar do rol de serviços de que trata o §2º do Art. 219 do RPS, implicaria em presunção legal de incidência da obrigação acessória de retenção, que somente poderia ser afastada com base em provas hábeis e idôneas capazes de demonstrar que a contratação não se realizou sob o regime de cessão de mãodeobra. Para este relator, o rol em questão representa, em realidade, uma prescrição taxativa dos serviços que, se prestados sob o regime de cessão de mãodeobra, gerariam a obrigação do contratante, sob pena de responsabilidade solidária, de reter e recolher, por antecipação do devido pelo contratado, parte da contribuição previdenciárias incidente sobre a folha de pagamentos dos empregados da cedente, que estejam a seu serviço. Assim, aqueles serviços que, mesmo prestados sob o regime de cessão de mão de obra, não tiverem previsão em tal lista, não gerariam o dever de retenção ou responsabilidade solidária do contratante. Em qualquer dos casos, é imprescindível à validade do lançamento, a demonstração de que a contratação atende as características de uma locatio operarum. Em que pese haver algumas variações quanto ao conceito de cessão de mão deobra, uma vez que a Lei tomou para si o dever de definila, não caberia ao intérprete desconsiderar os elementos de tal conceito ao interpretar sua aplicabilidade aos fatos econômicos em análise. Nesse sentido, seria objeto de análise, apenas as operações que tivessem por objeto a cessão de mãodeobra, ou seja, a cessão de qualquer outro elemento que não se amolde ao conceito de mãodeobra, não se adequaria à hipótese legal de incidência da obrigação em estudo. De Placito e Silva assim define o que vem a ser, para fins jurídicos, a mão deobra: “MÃODEOBRA. Assim se entende, na execução de qualquer trabalho ou obra, o esforço pessoal ou a ação pessoal do trabalhador ou obreiro, sem que se tome em conta o material empregado. Corresponde ao serviço simplesmente necessário à feitura da obra, que se quer executar. A mãodeobra tanto se entende a que é executada manualmente como a mecânica. Em quaisquer dos casos, a mãodeobra exprime somente o serviço para a execução do trabalho ou da obra, não se computando nele o que for necessário para que seja executado.” 5 Portanto, o que se loca, o objeto da cessão, é a força de trabalho dos segurados que mantém relação de emprego para com a empresa cedente. Nesse sentido, ainda que se necessite de trabalhadores para a execução, nem todo contrato de prestação de serviço, ainda que constante do rol previsto no RPS, seria classificado como cessão de mão de obra. 5 DE PLÁCIDO E SILVA, Vocabulário Jurídico, Forense: Rio de Janeiro, 1984, p. 418419 Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.486 11 Sendo a cessão da força de trabalho objeto do contrato de cessão de mãode obra, um corolário lógico é que o segurado relacionado a tal cessão, permaneça à disposição do contratante para realização do serviço, não importando se a determinação do que será realizado se dará pelo contratante ou por preposto do contratado, eis que a subordinação não integra o conceito legal de cessão de mãodeobra para fins previdenciários. A força de trabalho cedida e sob disponibilidade do contratante, deve ser empregada em seu estabelecimento ou de terceiros por este determinando. Por derradeiro, a atividade realizada deve ter por característica a continuidade, eis que serviços esporádicos, pontuais, não se amoldam ao conceito de cessão de mãodeobra definidos pela Lei 8.231/91. Assim, entendo delimitado o conceito que informará nosso convencimento quando da análise de cada uma das operações objeto de lide, eis que somente pela análise individual dos elementos probatórios disponíveis nos autos, será possível avaliar a legalidade do lançamento combatido e mantido pela decisão objetada. 3.1. DA ALEGADA INCOMPATIBILIDADE DAS OPERAÇÕES AO CONCEITO DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. O Relatório Fiscal, registra que a notificação foi lavrada em decorrência da não comprovação da retenção e recolhimento dos 11% (onze por cento) do valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 9.711/1998. O dispositivo legal referenciado na impugnação, prevê a obrigatoriedade da empresa contratante de serviços executados e diante cessão de mãodeobra. reter e recolher, até a data do vencimento, os 11% (onze por cento) do valor da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. O i. Agente fiscal assim registra o que entendeu por fato gerador: 4. 0 fato gerador das contribuições apuradas foi a prestação de serviços de construção civil, com cessão de mão de obra, pelas empresas constantes da tabela abaixo, cuja realização enseja a incidência de contribuições previdenciárias, conforme determinação legal. Os valores da retenção dos 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços diversos de construção civil com cessão de mãodeobra e que não foram retidos e tempestivamente recolhidos, ensejaram o lançamento do crédito tributário nos levantamentos abaixo discriminados: (...) 5. No desenvolvimento da ação fiscal, foi verificado, pela análise dos contratos de prestação de serviço e notas fiscais, que as empresas constantes da tabela do item 4, prestaram serviços para a Valesul Alumínio S.A., com cessão de mão de obra, em atividade sujeita a retenção de 11%, conforme determinado no artigo 31 da Lei n2 8.212/91 e no artigo 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n2 3.048/99. 0 valor da retenção deixou de ser devidamente destacado nas notas Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.487 12 fiscais ou foram destacados com bases menores do que as previstas na legislação, assim como se constatou que os mesmos não foram repassados, de forma integral, pela tomadora dos serviços, para a Previdência Social. (...) 5.4. 0 contrato firmado entre a VALESUL e a prestadora de serviços JARAGUA EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA,CNPJ 60.395.126/001297, estabelece como objeto a PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXECUÇÃO DE PROJETOS, FORNECIMENTOS E MONTAGENS ELETROMECÂNICAS E CONSTRUÇÕES CIVIS. •Na cláusula oitava do contrato há a descrição das atividades conforme relação exemplificativa abaixo: 5.4.1— Pacote Civil — Construção de oficina de lubrificação; construção de parede de cortafogo; 5.4.2 — Pacote Mecânica — Fabricação e montagem de cobertura na Area 34; Fabricação e montagem de telhado da ETDI; 5.4.3 — Pacote Elétrica — Reforma de cablagem de iluminação A.20; Reforma dos painéis de força das áreas 02, 03, 18, 14, 22, 23, 24,30, 34 e 20; (...) 5.6. No contrato entre a VALESUL e a prestadora FORMATTO Consultoria e Serviços Ltda — CNPJ 02.890.455/000155, não foram discriminados os valores correspondentes aos materiais utilizados, sendo considerado como base de cálculo da retenção o valor mínimo de 50% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços quando os valores dos materiais utilizados e fornecidos pela prestadora foram discriminados em nota fiscal ou fatura de prestação de serviço ou o valor bruto da nota fiscal ou fatura no caso em que não houve discriminação. 5.7. Identificamos que a Ferrusi Montagens e Instalações Industriais Ltda executou para a VALESUL serviços de construção e montagem de plataformas acima do telhado, pinturas, recuperação do topo das chaminés entre outros. 0 item 5.7.1 do contrato estabelecido entre a CONTRATANTE e a PRESTADORA determina que a VALESUL "procederá à retenção de 11% (onze por cento)" do valor dos SERVIÇOS contratados, cabendo a FERRUSI promover "o destaque na fatura de valores que lhe sejam eventualmente devidos a titulo de fornecimento de material, locação de equipamentos ou qualquer outra razão diversa da prestação de serviços". No presente caso, o lançamento tomou por base uma série de documentos e informações conditas nas notas fiscais e contratos, que dão claro indício de um enquadramento das referidas operações ao disposto no Art. 31 da Lei 8.212/91. Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.488 13 Para o contribuinte, além do enquadramento da operação no rol de atividades sujeitas a retenção, é necessário que sejam prestados mediante cessão de mãodeobra. Sustenta ainda que o rol é exaustivo não cabendo qualquer dilação. Sustenta ainda que, para caracterização da cessão de mãodeobra fazse imprescindível a demonstração de que as operações objeto do lançamento são executadas de modo continuo, estando os segurados à disposição do contratante em local por este determinado e com existência de subordinação entre segurado cedido e o contratante. De modo a avaliar a correta identificação da situação tributável, passaremos a analisar os elementos processuais relacionados aos respectivos fatos geradores, eis que não compartilhamos do entendimento manifestado na decisão recorrida de que a mera referência da atividade no Rol de que trata a legislação implicaria em presunção legal. 3.2. DAS EMPRESAS CONTRATADAS. Como visto, o Relatório Fiscal enquadrou os serviços prestados pelas empresas listadas às fls. 150 ,como de cessão de mãodeobra. São elas: Jaraguá Equipamentos Industriais 60.395.126/000134; Formatto Consultoria E Serviços Ltda. 02.890.455/000155; Blastec Gameiro Comercial Ltda. 05.276.268/000174; Irontec Montagem E Manutenção Industrial Ltda 03.876.555/000190; Ferrusi Montagens E Instalações Industriais Ltda 30.084.909/000136; Construtora Macegape Ltda. 28.753.895/000154; Carlos Thuillier Construções Ltda. 02.893.720/000159; W.n.w. Engenharia ltda. 28.586.501/000110; Denilda Pinheiro Comércio E Serviços Me Comtec Comercial E Técnica 01.672.719/000131; Construtora Coefer Ltda. 02.950.594/000127; Campi Carlos & Grazi Manutenção Em Gerral Ltda Me 04.285.255/000107; Arquitetar Soluções Consultoria Projetos S/C Ltda. 01.867.331/000196; Cilval Martins Da Silva Me 03.925.152/000193; Construtora Mello Júnior Ltda. 28.006.401/000178; Empreiteira a. Moretti ltda. 31.927.403/000104; Empreiteira ABM LTDA. me 01.587.305/000104; Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.489 14 Sinal Forte Sinalização Segurança Do Trabalho Ltda me 7.097.030/0001 07; Jenelmec Precisão Ltda. me 00.307.641/000193; Frasopi Pinturas Refratamento E Isolamento Térmico Ltda. 02.364.661 1000121; Megaplan Planejamento E Construções Ltda. 00.724.927/000174; Oeste Santa Cruz Montagens Industriais Ltda Me 02.453.941/000106; 3.2.1. DAS NOTAS FISCAIS E CONTRATOS. As notas fiscais e contratos das referidas empresas estão juntadas no presente processo na seguinte organização: · Jaraguá Equipamentos Industriais 60.395.126/000134: Notas Fiscais às fls 211 a 223. Contrato às fls. 410/420 e demais documentos às fls. 421/440; · Irontec Montagem E Manutenção Industrial Ltda 03.876.555/000190: Notas Fiscais às fls. 224 a 228 e 465 a 569. Tendo seu contrato às fls. 571/575; · Construtora Magecape Ltda. 28.753.895/000154: Notas Fiscais às fls. 229 a 242 e 579 a 609 e 701 a 703; · Arquitetar Soluções Consultoria Projetos S/C Ltda. 01.867.331/000196: Notas Fiscais às fls. 243/250. Contrato de Trabalho às fls. 246/250. Às fls. 249, merecendo destaque a cláusula 6.7.1 do referido Contrato: · W.N.W. Engenharia ltda. 28.586.501/000110: Notas Fiscais às fls. 251/252 e 629/635; · Campi Carlos & Grazi Manutenção Em Gerral Ltda Me 04.285.255/000107: Notas Fiscais às fls. 253/255; · Formatto Consultoria E Serviços Ltda. 02.890.455/000155: Notas Fiscais às fls. 256/257, 260 e 443/447. Contrato às fls. 258/259; · Construtora Coefer Ltda. 02.950.594/000127: Notas Fiscais ás fls. 261/262 e 689/691; · Construtora Mello Júnior Ltda. 28.006.401/000178: Notas Fiscais às fls. 263/271; Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.490 15 · Empreiteira A. Moretti Ltda. 31.927.403/000104: Notas Fiscais às fls. 272, 279/281 e 697/700. Contrato às fls. 273/278; · Cilval Martins Da Silva Me 03.925.152/000193: Nota Fiscal às fls. 282; · Oeste Santa Cruz Montagens Industriais Ltda Me 02.453.941/000106: Notas Fiscais às fls. 283, 288/289. Contrato às fls. 285/287 e 290/291; · Sinal Forte Sinalização Segurança Do Trabalho Ltda ME 7.097.030/000107: Notas Fiscais às fls. 292/294; · Frasopi Pinturas Refratamento E Isolamento Térmico Ltda. 02.364.661 10001 21: Nota Fiscal à fl. 295; · Jenelmec Precisão Ltda. ME 00.307.641/000193: Notas Fiscais às fls. 296/297. Com Contrato às fls. 298/301, merecendo destaque a cláusula 5.7.1 do referido Contrato: · Megaplan Planejamento E Construções Ltda. 00.724.927/000174: Notas Fiscais às fls. 302, 307 e 311/312. Contrato às fls. 304/306 e 308/310; · Ferrusi Montagens E Instalações Industriais Ltda 30.084.909/000136: Notas Fiscais às fls. 313. Contrato às fls. 315/319, merecendo destaque a cláusula 5.7.1 do referido contrato, às fls. 318: · Denilda Pinheiro Comércio E Serviços Me Comtec Comercial E Técnica 01.672.719/000131: Notas Fiscais às fls. 320/323 e fls. 637/687; · Carlos Thuillier Construções Ltda. 02.893.720/000159: Notas Fiscais às fls. 324/335 e 611/627; · Empreiteira ABM LTDA. me 01.587.305/000104: Notas Fiscais às fls. 336. Contrato às fls. 337/338; · Blastec Gameiro Comercial Ltda. 05.276.268/000174: Notas Fiscais às fls. 449/465; · Construtora Mello Júnior Ltda. 28.006.401/000178: Notas Fiscais às fls. 693/695. Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.491 16 3.2.2. DOS CONTRATOS. Diz a Recorrente, às fls. 1.461: "(...) uma vez comprovada a necessidade da realização de análise pormenorizada dos contratos de prestação de serviço a fim de que reste comprovada a contratação mediante cessão de mãodeobra, cumpre esclarecer as razões pelas quais os serviços prestados à Recorrente não se enquadram na situação prevista pelo artigo 31 da Lei n° 8.212/1991" Dessa forma, essencial a análise dos contratos, o que será feito a seguir. 3.2.2.1. DA EMPRESA JARAGUÁ EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. O Relatório Fiscal, às fls. 154 assim apresenta a autuação: "5.4. 0 contrato firmado entre a VALESUL e a prestadora de serviços JARAGUA EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA,CNPJ 60.395.126/001297, estabelece como objeto a PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXECUÇÃO DE PROJETOS, FORNECIMENTOS E MONTAGENS ELETROMECÂNICAS E CONSTRUÇÕES CIVIS. •Na cláusula oitava do contrato há a descrição das atividades conforme relação exemplificativa abaixo: 5.4.1— Pacote Civil — Construção de oficina de lubrificação; construção de parede de cortafogo; 5.4.2 — Pacote Mecânica — Fabricação e montagem de cobertura na Area 34; Fabricação e montagem de telhado da ETDI; 5.4.3 — Pacote Elétrica — Reforma de cablagem de iluminação A.20; Reforma dos painéis de força das áreas 02, 03, 18, 14, 22, 23, 24,30, 34 e 20;" Os documentos se encontram às fls. 211/223, 410/420 e 421/440. Do contrato, às fls. 410, depreendese: "O objeto do presente contrato é a PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXECUÇÃO DE PROJETOS, FORNECIMENTOS E MONTAGENS ELETRO MECÂNICAS E CONSTRUÇÕES CIVIS, adiante denominados SERVIÇOS (...)" A simples análise das notas fiscais juntas aos autos, só por si, dão conta da continuidade do serviço prestado nas dependências do Recorrente, uma vez que, por diversos meses, houve a realização das obras contratadas nas instalações da Valesul. De mesmo modo, restou demonstrado na informação fiscal, que não foram efetuados os devidos destaques na notas, nem tão pouco cumpriu a recorrente a obrigação de reter e recolher as contribuições previdenciárias correspondentes. Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.492 17 Ademais, a Recorrente deveria ter retido o valor de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura, observados os limites de deduções e recolher a importância até o dia dois do mês subseqüente à emissão da respectiva nota fiscal/fatura. Os serviços passíveis de retenção estão previstos no parágrafo 4° do art. 31 da Lei 8.212/91, combinado com o art. 219 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, in verbís: Lei n° 8.2I2/91 Art.31(...) § 4° Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei n” 9. 711, de 20.11.98) I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei n” 9.711, de 20.11.98) II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei n° 9. 711, de 20.11.98) III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei n" 9.711, de 20.11.98) IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei n° 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei n" 9.711, de 20.11.98) Decreto n.° 3 048/99 Art.219 (..). §2° Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: (...) III construção civil; Portanto, não assiste razão ao recorrente, devendo ser mantido o lançamento quanto a esse contrato. 3.2.2.2. DA EMPRESA FORMATTO CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA. Quanto a tal contrato, o RF, às fls. 154 delimita, em seu tópico 5.6: 5.6. No contrato entre a VALESUL e a prestadora FORMATTO Consultoria e Serviços Ltda — CNPJ 02.890.455/000155, não foram discriminados os valores correspondentes aos materiais utilizados, sendo considerado como base de cálculo da retenção o valor mínimo de 50% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços quando os valores dos materiais utilizados e fornecidos pela prestadora foram discriminados em nota fiscal ou fatura de prestação de serviço ou o valor bruto da nota fiscal ou fatura no caso em que não houve discriminação. Em análise às notas fiscais acostadas aos autos (fls. 256, 257) e contrato (fls. 258/259), notase que houve o efetivo destaque quanto à retenção de 11%, no entanto, não houve a discriminação dos materiais utilizados ou seus valores, para que fosse aferido a Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.493 18 veracidade das quantias efetivamente gastas com o material necessário para a realização da pintura e aquilo endereçado à mãodeobra. O lançamento da respectiva diferença deve ser mantido. 3.2.2.3. DA EMPRESA FERRUSI MONTAGENS E INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS LTDA. O RF, em seu tópico 5.7 alinhava: 5.7. Identificamos que a Ferrusi Montagens e Instalações Industriais Ltda executou para a VALESUL serviços de construção e montagem de plataformas acima do telhado, pinturas, recuperação do topo das chaminés entre outros. 0 item 5.7.1 do contrato estabelecido entre a CONTRATANTE e a PRESTADORA determina que a VALESUL "procederá à retenção de 11% (onze por cento)" do valor dos SERVIÇOS contratados, cabendo a FERRUSI promover "o destaque na fatura de valores que lhe sejam eventualmente devidos a titulo de fornecimento de material, locação de equipamentos ou qualquer outra razão diversa da prestação de serviços". Quanto a esse contrato, não assiste razão ao recorrente. Muito embora em uma nota fiscal (fls. 313) exista anotação quanto à empresa prestadora de serviços ser optante pelo Simples, em conferência ao site do Simples Nacional, comprovouse que a empresa, além de atualmente não fazer parte de tal regime diferenciado (uma vez que excluída por Ato Administrativo da Receita Federal), também não era à época da prestação de serviços, posto que seu histórico demonstra que a data inicial de sua entrada foi em 01/07/20076. Dessa forma, por não ter havido a retenção do devido valor, ainda que destacado contratualmente como obrigação da recorrente, o lançamento não pode ser afastado. 3.2.2.4. DA EMPRESA CONSTRUTORA MACEGAPE LTDA. O tópico 5.8 do RF demonstra: 5.8. Nas notas fiscais emitidas pela Construtora Macegape Ltda, CNPJ 28.753.895/000184, constam que os serviços foram prestados sobre a forma de empreitada global. Porém, como não foram apresentados os respectivos contratos, o que ensejou a lavratura do Al CFL 35 DEBCAD 37.134.0330, não foi demonstrado que a PRESTADORA executou os serviços na forma de empreitada global, sendo levantados os valores da retenção sobre a prestação de serviços com cessão de mãode obra, cabendo ao contribuinte, nos termos do art.33, § 3 2 da Lei 8.212/91, a prova em contrário. Cabe ressaltar que a CONTRATANTE, apesar de não haver o destaque nas notas fiscais ou faturas, efetuou a retenção, porém em valores inferiores aos determinados pela legislação em vigor, já que a base de cálculo quando não ha a discriminação na nota fiscal 6 Data Inicial Data Final Detalhamento 01/07/2007 31/12/2012 Excluída por Ato Administrativo praticado pela Receita Federal do Brasil Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.494 19 dos valores relativos a materiais é o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. A empreitada por preço global ocorre quando e contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo e total”, e a empreitada por preço unitário, que é “quando se contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo de unidades determinadas” (art. 6º, VIII, “a” e “b”, da Lei nº 8.666/93). Em análise ao documento de contratação (fls. 579) e das notas fiscais que o seguem, de fato não há como saber se o serviço foi prestado com tal empreitada, uma vez que nenhum valor foi sequer destacado nas notas (fls. 583, 585, 587, 589, 591, 593, 595, 597, 599, 601, 603, 605, 607, 609), sendo apenas demonstrado o valor total do serviço prestado. Voto por manter o lançamento. 3.2.2.5. DA EMPRESA CARLOS THUILLIER CONTRUÇÕES LTDA. O tópico 5.9 do RF destaca: 5.9. Nos contratos firmados com o PRESTADOR CARLOS THUILLIER CONSTRUÇÕES LTDA, CNPJ 02.893.720/000159 apresentados pela empresa, não foram discriminados os valores correspondentes aos materiais utilizados, sendo considerado como base de cálculo da retenção o valor mínimo de 50% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços quando os valores dos materiais utilizados e ,fornecidos pela prestadora foram discriminados em nota fiscal ou fatura de prestação de serviço ou o valor bruto da nota fiscal ou fatura no caso em que não houve discriminação. A partir da análise das notas da empresa, vêse que não houve discriminação dos gastos referentes ao material utilizado no serviço, sendo destacado apenas o valor da mão de obra para a realização do trabalho de construção civil. Destaco, à guisa de exemplo, a nota de fls. 613, onde foi destacado o valor de R$ 406,09, que, na verdade, seguindo a legislação de regência, deveria ser destacado (e retido) valor de R$ 1.068,67. Daí denotase que houve recolhimento menor do que o devido em tais serviços, razão pela qual foi lançado crédito da diferença, que, a partir das notas (324/335 e 611/627) merece manutenção. 3.2.2.6. DA EMPRESA W.N.W. ENGENHARIA LTDA. O RF, em seu ponto 5.10 dá conta que: 5.10. Nas notas fiscais emitidas pela PRESTADORA W.N.W. Engenharia Ltda, CNPJ 28586.501/000110 foram discriminados os valores dos materiais e equipamentos fornecidos pelo prestador de serviços, porém não foram apresentados os respectivos contratos o que ensejou a lavratura do Al CFL 35 DEBCAD 37.134.0330. Desta forma foi considerado como base de cálculo da retenção dos 11% o valor Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.495 20 mínimo de 50% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, cabendo ao contribuinte, nos termos do art.33, § 32 da Lei 8.212/91, a prova em contrário. Não há razão para reforma do lançamento. Conforme verificado no RF e nas notas fiscais (fls. 629, 631, 633), não houve comprovação efetiva dos gastos com material de construção, conforme colocado nas notas. A comprovação de gastos poderia ser feita através de notas fiscais de compra de materiais, planilha de gastos efetuados e qualquer previsão contratual quanto a seus custos, o que não foi feito pelo recorrente, que limitouse a juntar as notas das prestações de serviços. Não constam nos autos elementos necessários à comprovação de que o contrato possui as características necessárias à não classificação como cessão de mãodeobra, mesmo porque a recorrente, ao juntar documentos, trouxe elementos capazes de demonstrar, de modo inequívoco, o acerto do lançamento. Com tal técnica, vêse que a perseguição do crédito tributário quanto à diferença recolhida e a incidência de 11% sobre 50% do valor da nota deve ser mantida. 3.2.2.7. DA EMPRESA ARQUITETAR CONSULTORIA, PROJETOS E CONSTRUÇÕES S/C. O tópico 5.11 do RF, às fls. 155 aponta: 5.11. 0 subitem 6.7.1 do contrato estabelecido entre a VALESUL e a Arquitetar Consultoria, Projetos e Construções S/C Ltda (SOLID TECNOLOGIA AMBIENTAL), CNPJ 01.867.331/000196, determina que a VALESUL "procederá à retenção de 11% (onze por cento)"do valor dos SERVIÇOS contratados, cabendo a SOLID promover "o destaque na fatura de valores que lhe sejam eventualmente devidos a titulo de fornecimento de material, locação de equipamentos ou qualquer outra razão diversa da prestação de serviços". Da análise do Contrato (fls. 246/250), vêse que não há qualquer previsão no sentido que os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, seriam fornecidos pela contratada, ou estariam discriminados no contrato e na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, o que excluiria, como exaustivamente demonstrado, tais valores da base de cálculo da retenção. O que se encontra, no entanto, é a pactuação de obrigação do recolhimento, no item 6.7.1 do referido termo contratual. Assim, resta impossível afastar o lançamento. 3.2.2.8. DA EMPRESA PRESTADOR EMPREITEIRA A. MORETTI LTDA. Às fls. 155, no subitem 5.12 relata o i. auditor: 5.12. Nos contratos firmados com o PRESTADOR EMPREITEIRA A.MORETTI LTDA, CNPJ 31.927.403/000104 apresentados pela empresa, não foram discriminados os valores Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.496 21 correspondentes aos materiais utilizados, sendo considerado como base de cálculo da retenção o valor mínimo de 50% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços quando os valores dos materiais utilizados e fornecidos pela prestadora foram discriminados em nota fiscal ou fatura de prestação de serviço ou o valor bruto da nota fiscal ou fatura no caso em que não houve discriminação. Assim, como nos casos anteriores, não houve qualquer tipo de discriminação dos gastos efetuados, bem como não houve a retenção na forma como determinado pela Lei, devendo ser mantido o lançamento. 3.2.2.9. DA PRESTADORA SINAL FORTE SINALIZAÇÃO SEGURANÇA DO TRABALHO LTDA. ME. Quanto a tal empresa, transcrevo o que posto no item 5.13 do Relatório Fiscal, que tem os seguintes termos: 5.13. Identificamos notas fiscais emitidas pela PRESTADORA Sinal Forte Sinalização Segurança do Trabalho Ltda — ME, CNPJ 07.097.030/000107 relativas a serviços de pintura de faixas de segurança sem o respectivo destaque e retenção dos 11% sobre o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços. Da análise das notas fiscais (fls. 292, 293, 294), verificase que, de fato, não houve qualquer destaque e retenção dos 11% sobre o valor da nota fiscal, sendo encontrado meramente os valores referentes ao cumprimento do contrato (50%, 30% e 20%, respectivamente), sem isolamento de ao menos um quantum que fizesse alusão aos materiais necessários (e seus respectivos valores) para o cumprimento da obrigação. Dito isso, analisando os documentos, vêse que todos os elementos necessários à constituição de cessão foram preenchidos, motivo pelo qual deve ser mantido o lançamento. 3.2.2.10. DA EMPRESA JENELMEC PRECISÃO LTDA. ME. Às fls. 156, o i. Fiscal aponta: 5.14. No item 5.7.1 do contrato entre a VALESUL e a Jenelmec Precisão Ltda ME, CNPJ 00.307.641/0001 93, determina que a VALESUL "procederá à retenção de 11% (onze por cento)" do valor dos SERVIÇOS contratados, cabendo a JENELMEC promover "o destaque na fatura de valores que lhe sejam eventualmente devidos a titulo de fornecimento de. 'material, locação de equipamentos ou qualquer outra razão diversa da prestação de serviços". Na nota fiscal de fls. 298 consta informação de que não haveria retenção de 11% porque a empresa contratada seria optante do SIMPLES. Em consulta ao site do SIMPLES, verificouse que: Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.497 22 Atestase, portanto, que a empresa, em momento algum, foi optante pelo Simples Nacional e, por tal motivo, não há razão para não recolhimento dos 11%. Voto por manter o lançamento. 3.2.2.11. DAS DEMAIS EMPRESAS. 3.2.2.11.1. OESTE SANTA CRUZ MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA ME. Os documentos de tal empresa constam às fls. 283 e 288/289 e contratos às fls. 285/287 e 290/291. O objeto de tal prestação de serviços é a de "Instalação de telhas translúcidas na A24", conforme se depreende do que descrito às fls. 290. As notas fiscais e os contratos acostados, referentes à tal empresa, dão conta de que os serviços prestados são, nitidamente, de construção civil. Muito embora tenha havido (ao menos no contrato de fls. 290) separação do valor de mãodeobra e o valor dos materiais e equipamentos, não há como precisar que tais elementos tenham, realmente, tais preços. Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.498 23 Nenhum documento de compra de materiais ou planilha de gastos foi juntada, afastando, assim, a presunção de que haveria qualquer necessidade de mudança na decisão de piso. 3.2.2.11.2. MEGAPLAN PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÕES LTDA. As notas fiscais e documentos da Megaplan se encontram às fls. 302 a 312 dos autos. Uma vez mais, os serviços prestados são, à toda evidência, de construção civil, conforme se denota das fls. 308. Em nenhuma das notas foi destacado o valor ou se referiu à retenção dos 11% relativos aos serviços. Desse modo, acertado o lançamento fiscal, não podendose vislumbrar qualquer característica que afaste a qualidade de cessão de mãodeobra no referido lançamento. 3.2.2.11.3. CONSTRUTORA MELLO JÚNIOR LTDA. Foram acostados aos autos, às fls. 263/271 e fls. 693/695 os documentos relativos à Construtora. Os serviços estão assim discriminados, de forma respectiva, às fls. 263 (cópia às fls. 695) e fls. 693: " Fatura de serviços ref. a 42 medição, 42 etapa, para execução de projeto, planta de detalhamento e construção civil da creche comunitária Urucânia, objeto do contrato n2 PS/OC 740674." "Fatura de serviços ref. a 3ª medição, 3ª etapa, para execução de projeto, planta de'• detalhamento construção civil ,da creche' comunitária Urucânia, Conforme contrato n2 PS/OC, 740674." Da análise das notas fiscais, denotase que a empresa realmente destacou a contribuição dos valores referentes à Seguridade Social. Além de destacar o recolhimento, junta, às fls. 265/270, os materiais necessários para a construção da creche, conforme contratado. Portanto, considerando que restou comprovado o soldo referente ao lançamento perseguido pelo Fisco, dou provimento ao recurso neste ponto. 3.2.2.11.4. IRONTEC MONTAGEM E MANUTENÇÃO INDUSTRIAL LTDA. Os documentos foram juntados às fls. 224/228, 465/569, tendo sido encontrado um contrato de prestação de serviços às fls. 571/575. Eis o objeto do referido contrato: 1. OBJETO E PREÇO: , Prestação de serviços de Pintura das Chaminés . da Área conforme Anexo I (Descrição, Quantidades, Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.499 24 e Especificações Técnicas e Preços) que constitui parte inseparável deste Contrato. O valor deste contrato é de : R$ 62.00,00 .(sessenta e dois mil reais). Em nenhuma das notas fiscais acostadas observouse o destaque ou retenção de qualquer valor referente à Previdência Social. Os serviços prestados têm, visivelmente, a necessidade de tal recolhimento, tendo em vista que caracterizam, de forma manifesta, cessão de mãodeobra. 3.2.2.11.5. CAMPI CARLOS & GRAZI MANUTENÇÃO EM GERRAL LTDA ME. Às fls. 253/255, encontramse os documentos referentes à Campi. Vêse, a partir da análise das três notas fiscais de prestação de serviços, que referemse a um mesmo trabalho a ser realizado, qual seja, "a construção de abrigo para bombas em três poços na aval dc mº". Isso porque, como constam das notas, temse, respectivamente, o valor de 25%, 25% e 50% (fls. 253, 254 e 255) da execução do serviço. De forma notória, tratase de contrato de construção civil e, portanto, há a necessidade do recolhimento, conforme o já citado inc. III, do §2º, do art. 219 do Decreto nº 3.048/99, obrigação descumprida pela Ré. Portanto, voto por manter o lançamento. 3.2.2.11.6 CILVAL MARTINS DA SILVA ME. Às fls. 282 encontrase a única nota fiscal de prestação de serviços referente a tal empresa. Os serviços prestados, conforme descrição da nota, foram: "Pintura da portaria principal, postiço, grades e portões e paredes internas e externas" Muito embora tratese de Microempresa, ela não é (ou era à época dos fatos) optante do sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e empresas de pequeno porte. Portanto, não faz jus ao tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, simplificando o cumprimento de suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias mediante opção pelo SIMPLES. Devido o lançamento. 3.2.2.11.7. FRASOPI PINTURAS REFRATAMENTO E ISOLAMENTO TÉRMICO LTDA. De igual modo à empresa anterior, somente consta dos autos uma nota fiscal de prestação de serviços referente a essa empresa, às fls. 295. Tal nota dá conta de: Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.500 25 "Serviço prestado de reforma do forno II de sua área industrial para cumprimento da ordem de serviço nº 94018" Como em diversos outros pontos, não houve destaque nas notas fiscais ou mesmo diferenciação do valor da obra e do material utilizado (bem como os gastos feitos durante a execução do serviço). Dessa forma, não há como afastar o lançamento. 3.2.2.11.8. EMPREITEIRA ABM LTDA. Quanto a ABM, os documentos de fls. 336/338 contam que os serviços prestados foram o de "limpeza, revestimento, reparo e aplicação de refratários no forno de cozimento", no valor total de R$ 6.692.52. O serviço prestado se enquadra no inc. I, do §2º do art. 219 do Decreto nº 3.048/99, portanto, mantido o lançamento, não havendo prova de atendimento de tal obrigação, vendo ser mantido o lançamento. 3.2.2.11.9. BLASTEC GAMEIRO COMERCIAL LTDA. Seus documentos se encontram às fls. 449/464. As notas de fls. 449 e 451 tem como objeto a "medição quinzenal referente a jateadora e porta de garfo...", enquanto as notas de fls. 453, 455, 457, 459, 461 e 463 referem se a fornecimento de material. O próprio contrato dá conta da continuidade do serviço prestado e de sua natureza, que enquadrase no inc. XV, do §2º do art. 219 do Decreto nº 3.048/99, não havendo necessidade de maiores digressões quanto a referida matéria. Conclusão Por todo exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Redator Designado Com a maxima venia, divirjo do Relator quanto ao item 3.2.2.11.3 do seu voto, referente à Construtora Mello Júnior Ltda. Para melhor análise da questão, vejamos, primeiramente, o que restou consignado no voto condutor: Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.501 26 Da análise das notas fiscais, denotase que a empresa realmente destacou a contribuição dos valores referentes à Seguridade Social. Além de destacar o recolhimento, junta, às fls. 265/270, os materiais necessários para a construção da creche, conforme contratado. Portanto, considerando que restou comprovado o soldo referente ao lançamento perseguido pelo Fisco, dou provimento ao recurso neste ponto. (Grifo no original) Pois bem, de fato, segundo a planilha de fl. 179, elaborada pela fiscalização, o lançamento referente à Construtora Mello Júnior Ltda. diz respeito a 3 (três) notas fiscais (2263, 2284 e 2296), emitidas em 27/8/04, 26/10/04 e 23/11/04, respectivamente, e, realmente, em 2 (duas) dessas notas fiscais houve a retenção da contribuição de 11%. Vide o seguinte excerto da planilha sob foco: Acontece que em relação à primeira nota fiscal sequer houve retenção, sendo que em relação às outras duas notas fiscais, em que pese ter havido destaque e retenção, esta ocorreu sobre uma base de cálculo menor (Base Retida), uma vez que foi deduzido do valor bruto o valor correspondente a material e manutenção predial, segundo se observa nas seguintes informações extraídas dessas notas fiscais: Nota Fiscal de R$ 45.720,20: Nota Fiscal de R$ 82.300,79: Em relação a tais notas fiscais, insta trazermos à baila os seguintes trechos da decisão de primeira instância, contra a qual o recurso foi interposto: Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.502 27 21. Ressaltese que o presente lançamento também é proveniente do não recolhimento pela Impugnante de parte da retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas de prestação de serviço, nos termos previstos no artigo 31 da Lei 8.212/1991, eis que não consta dos contratos apresentados a discriminação dos valores correspondentes aos materiais utilizados, pelo que a auditoria considerou o valor bruto das notas fiscais, conforme esclarecido no item 5 do relatório fiscal, para apuração da base de cálculo. 22. Quanto aos documentos anexados à defesa (notas fiscais, contratos e comprovantes de recolhimentos), ressaltamos que naqueles pertinentes ao lançamento, conforme planilha de fls. 162/206, podemos constatar que das notas fiscais que tiveram retenção sobre uma base de cálculo menor, foram deduzidos os valores da base de cálculo considerada pela empresa e cobrado os 11% sobre a diferença da base de cálculo, pois, conforme já citado, não consta dos contratos apresentados a discriminação dos valores correspondentes a mãodeobra e materiais. Portanto, os documentos apresentados não conseguiram ilidir o procedimento fiscal, eis que, a mera alegação de que os valores devidos à Seguridade Social a título de retenção de 11%, foram devidamente recolhidos, não afasta a legitimidade do lançamento. (Grifo no original) Como se vê, a decisão recorrida esclarece que em relação às notas fiscais, nas quais a retenção se deu sobre uma base de cálculo menor, que é o caso das notas em análise, os contratos não teriam discriminado os valores correspondentes à mão de obra e aos materiais. Cabe destacar que a discriminação dos materiais, em contrato, é uma exigência para que o seu valor possa ser deduzido da base de cálculo da retenção, segundo assim definido pelo Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 6/5/99, em sua redação vigente ao tempo dos fatos: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) [...] § 7º Na contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 14489.000592/200802 Acórdão n.º 2402006.443 S2C4T2 Fl. 1.503 28 valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. (Grifo nosso) Todavia, a Recorrente não fez qualquer demonstração capaz de afastar o pressuposto de fato da exação, em relação a tais notas fiscais. Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpria à Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), o que não aconteceu. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1503DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.900107/2008-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.082
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam tomadas as seguintes providências em relação alegado pagamento a maior: a) Confirmar nos registros da SRF a afirmação do recorrente de que efetuou pagamento da estimativa de outubro de 2003 (a titulo de IRPJ e não informados na DCTF do período) através dos DARFs de R$ 15.233,62, R$ 11.460,84, 15.333,69 e 5.006,68 (vide documentos e-fls. 184/187); b) Se confirmados tais pagamentos, aferir se haveria saldo no valor pago através do DARF informado (R$ 105.853,61) para compensação dos débitos discriminados no referido PER/DCOMP 6080.44372.310504.1.3.04-054.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 201 1 200 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.900107/200814 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1001000.082 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Ordinária Data 08 de novembro de 2018 Assunto PERDCOMP Recorrente ITF CHEMICAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam tomadas as seguintes providências em relação alegado pagamento a maior: a) Confirmar nos registros da SRF a afirmação do recorrente de que efetuou pagamento da estimativa de outubro de 2003 (a titulo de IRPJ e não informados na DCTF do período) através dos DARFs de R$ 15.233,62, R$ 11.460,84, 15.333,69 e 5.006,68 (vide documentos efls. 184/187); b) Se confirmados tais pagamentos, aferir se haveria saldo no valor pago através do DARF informado (R$ 105.853,61) para compensação dos débitos discriminados no referido PER/DCOMP 6080.44372.310504.1.3.04054. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. RELATÓRIO Tratase de pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp n° 6080.44372.310504.1.3.04054, de 09/09/2005, efls. 03/08) em que o contribuinte requereu crédito de restituição do valor de R$ 54.400,00 referente ao pagamento indevido ou a maior da estimativa mensal do IRPJ, código 2362 do período de apuração 11/2003, e compensação dos débitos discriminados no referido PER/DCOMP. O pedido foi parcialmente deferido, conforme Despacho Decisório (efl. 02), que analisou as informações relativas ao direito creditório e concluiu que o crédito foi RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 00 10 7/ 20 08 -1 4 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13502.900107/200814 Resolução nº 1001000.082 S1C0T1 Fl. 202 2 parcialmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, restando crédito disponível de apenas R$ 0,01 para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em resumo, consta naquela decisão a constatação de utilização dos pagamentos para o DARF discriminado no Per/Dcomp, cujo valor original é de R$ 105.853,61, os valores de R$ 54.060,50 período de apuração 10/2003 e R$ 51.793,10, período de apuração 11/2003, referente ao código 2362. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Pela precisão na descrição dos fatos seguintes, reproduzo a seguir, em parte, o Relatório constante do Acórdão da DRJ (efls. 67/68): Através do Despacho Decisório Eletrônico n° 757695088 (fl.01), o pedido foi negado pela DRF de Camaçari sob a seguinte justificativa: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no Per/Dcomp: R$ 54.490,50. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp". Informa adicionalmente o Despacho Decisório, como utilização dos pagamentos para o DARF discriminado no Per/Dcomp, cujo valor original é de R$ 105.853,61, os valores de R$ 54.060,50 período de apuração 10/2003 e R$ 51.793,10, período de apuração 11/2003, referente ao código 2362. Tempestivamente o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, trazendo ao PAF a informação de que "em 31/10/2003 foram apurados IRPJ e CSLL com os seguintes valores; R$ 169.280,50 e 111.764,40 respectivamente conforme DIPJ 2004. Ao recolher os referidos tributos, foi colocado equivocadamente código de receita trocado, ou seja, o código 2484 para IRPJ e 2362 para CSLL, gerando com isso erros subseqüentes na DCTF que utilizou parte do pagamento do mês 30/11/2003 par guitar o débito do mês 31/10/2003, e conseqüentemente redução do crédito do pagamento a maior de IRPJ apurado em 30/11/2003 e recolhido em 25/02/2004". Aduz, ainda, que "as informações contidas na DCOMP n° 36080.44372.310504.1.3.049054, referemse ao crédito de pagamento a maior de IRPJ apurado em 30/11/2003 conforme DCTF do 4° trimestre de 2003 e recolhido em 25/05/2004, já que o IRPJ apurado em 31/10/2003 foi totalmente recolhido em 16/12/2003". A decisão de primeira instância (efls. 80/83) julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Considerando os valores declarados na DCTF apresentada em 03/12/2007, entendeu que o próprio contribuinte dividiu apenas o pagamento do principal (R$ 84.070,86) do DARF de R$ 105.853,61 efetuado em 25/04/2004, referente ao período de apuração 11/2003, distribuindo na DCTF R$ 42.473,69 para o código 2362 do PA 10/2003 e R$ 41.740,14 para o código 2362 do PA 11/2003, deixando de fora os valores de R$ 16.814,17 código 3252 e R$ 4.968,58 código 2807 (multa e juros). Como se vê, de forma equivocada, o próprio contribuinte dividiu apenas o pagamento do principal (R$ 84.070,86) do DARF de R$ Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13502.900107/200814 Resolução nº 1001000.082 S1C0T1 Fl. 203 3 105.853,61 efetuado em 25/04/2004, referente ao período de apuração 11/2003, distribuindo na DCTF R$ 42.473,69 para o código 2362 do PA 10/2003 e R$ 41.740,14 para o código 2362 do PA 11/2003, deixando de fora os valores de R$ 16.814,17 código 3252 e R$ 4.968,58 código 2807 (multa e juros). Ocorre que o sistema ao distribuir os pagamentos informados pelo próprio contribuinte na sua DCTF, o fez a partir de R$ 108.853,61,incluindo os acréscimos moratórios (multa e juros) o que permitiu a vinculação de R$ 54.060,50 para o código 2362 do PA 10/2003 e R$ 51.793,10 para o código 2362 do PA 11/2003, perfazendo um total de R$ 105.853,60, restando disponível apenas R$ 0,01 para compensar o débito da estimativa do PA 04/2004 declarado pelo contribuinte no presente Per/Dcomp. Cientificada da decisão de primeira instância em 10/06/2010 (efl. 72) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 12/07/2010 (efl. 73), em que repete os argumentos já apresentados. Aduziu: que não utilizou o DARF informado na PER/DCOMP (R$ 105.853,61) para pagamento da estimativa de outubro de 2003. Isto porque: "para pagamento da estimativa de outubro de 2003 foram efetuados recolhimentos a titulo de IRPJ não informados na DCTF do período— por equívoco da Recorrente, — através dos DARFs de R$ 15.233,62, R$ 11.460,84, 15.333,69 e 5.006,68 (vide em anexo, Doc. 4). Estes DARFs perfazem o montante de principal de R$ 47.034,83 e um total (incluindo juros e multa) de R$ 60.593,63." VOTO Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática, qual seja, a efetiva existência do suscitado pagamento a maior. Em face desta questão e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento na realização de diligência para que sejam tomadas as seguintes providências em relação alegado pagamento a maior: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13502.900107/200814 Resolução nº 1001000.082 S1C0T1 Fl. 204 4 a) Confirmar nos registros da SRF a afirmação do recorrente de que efetuou pagamento da estimativa de outubro de 2003 (a titulo de IRPJ e não informados na DCTF do período) através dos DARFs de R$ 15.233,62, R$ 11.460,84, 15.333,69 e 5.006,68 (vide documentos efls. 184/187). b) Se confirmados tais pagamentos, aferir se haveria saldo no valor pago através do DARF informado (R$ 105.853,61) para compensação dos débitos discriminados no referido PER/DCOMP 6080.44372.310504.1.3.04054. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuados e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. Após, os autos devem ser devolvidos a este CARF. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.000219/00-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita.
Numero da decisão: 9101-003.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento, restando prejudicada a divergência relativa ao início da contagem de prazo da conversão do pedido de compensação em DCOMP.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11831.000219/0016 Acórdão n.º 9101003.856 CSRFT1 Fl. 659 3 Relatório Tratase de processo de pedido de restituição protocolado em 15/02/2000, referente a saldo negativo de IRPJ, apurado na DIPJ/1999, anocalendário 1998, período de 01/01/1998 a 30/09/1998, apresentada na ficha 08 da DIPJ, no valor de R$ 177.169,84, proveniente de IRRF, que após compensação espontânea de R$ 64.683,10, em 31/07/1999, resultou em R$ 112.447,27 (valor do pedido de restituição), sendo tal pedido cumulado com pedidos de compensação com débitos de COFINS, PIS, IRRF, de titularidade da empresa recorrida, e débitos de terceiros,a empresa Alfa Holdings S.A., sendo tal pedido de compensação registrado no processo nº 11831.000412/0066 – apenso ao presente processo – no valor de R$ 76.395,79. Em 10/08/2006, foi proferido Despacho Decisório (efl 414), indeferindo a restituição e consequentes compensações, por não reconhecer o saldo total de IRRF apurado na Declaração de Rendimentos do IRPJ/98, no valor de R$ 418.158,02 (soma das linhas 15 e 17 da ficha 08), sendo que foi apurado pela SRF nos informes de rendimentos do período de janeiro a setembro (confirmado pelo sistema IRF/CONS) apenas o montante de R$ 137.893,17. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (e fl 421) juntando informes de rendimentos financeiros do período entre 01/01/1998 a 30/09/1998, para esclarecer que o valor total de IRRF lançado em sua DIPJ corresponde, de fato, a R$ 418.158,02. Finalizou seu pedido alegando, ainda, que a homologação tácita ocorreu em fevereiro/2005, por decurso do prazo, posto que o pedido de restituição foi protocolado em 15/02/2000 e o Despacho Decisório foi emitido em 21/09/2006 (tomou como fundamento legal os artigos 74, da Lei nº 9.430/1996 e 29, da IN nº 600). Ato contínuo, a DRJ/SPI, em maio/2007, por meio do Acórdão nº 1613.628 (efl 50), deferiu parcialmente a solicitação da contribuinte para, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de restituição, homologar tacitamente os pedidos de compensação convertidos em DCOMP e não apreciar os pedidos de compensação de créditos da interessada com débitos de terceiros. Segue ementa de tal decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPENSAÇÃO. Negase o pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ quando não comprovado o oferecimento da receita relativa ao IRRF compensado na Declaração de Rendimentos. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A ciência da decisão que não homologa a compensação declarada deve ser efetuada antes do Fl. 661DF CARF MF 4 prazo de cinco anos prescrito pelo art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.833/2003. Transcorrido este prazo, homologamse as compensações declaradas. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS DE TERCEIROS. Não cabe a analise de manifestação de inconformidade de pedido de compensação de crédito do contribuinte com débitos de terceiros, os quais não se transformam em Declaração de Compensação DCOMP, devido ao disposto no artigo 74 da Lei n° 9.430/1996. Em setembro/2007, há interposição de Recurso Voluntário (efl 60), que não questiona o indeferimento do pedido de restituição, direcionando suas alegações para a única matéria controversa restante, os pedidos de compensação de créditos da interessada com débitos de terceiros. Explica a contribuinte que, como a DRJ não analisou o pedido de compensação de crédito com débito de terceiro, sob alegação de que tal compensação não se enquadra na hipótese prevista no artigo 74, da Lei nº 9.430/1996, não se transformando, pois, tal pedido em DCOMP e , consequentemente, não podendo se falar, então, em homologação tácita, a empresa Alfa Holdings S.A. (terceiro) foi intimada da carta cobrança dos valores que estariam supostamente em aberto, no processo nº 11831.000412/0066 (apenso a este processo). Preliminarmente, como bem sintetizou o relatório do acórdão que julgou o recurso voluntário da contribuinte, esta alegou que: • O pedido de compensação com débito de terceiro, especificamente da Alfa Holdings S.A, no valor de R$ 76.395,76, foi apresentado nos termos da Instrução Normativa SRF n°21/97, vigente à época; • Os débitos da Alfa Holdings S.A foram devidamente quitados com os créditos da Transamérica Holdings S.A e referemse a fatos geradores ocorridos em junho e agosto de 1999, tendo sido declarados ao fisco naquele anocalendário; • Caso se entenda que a declaração feita pela Alfa Holdings S.A não fez as vezes do lançamento tributário, há de se reconhecer a decadência, de acordo com a regra do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. Neste ponto específico, a Recorrente colaciona diversos precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de que os tributos sujeitos a lançamento por homologação são extintos pela decadência após transcorridos 05 (cinco) anos do fato gerador; • Caso se entenda que a declaração feita pela Alfa Holdings S.A. fez as vezes do lançamento tributário, há de se reconhecer a prescrição, de acordo com a rega do artigo 174 do Código Tributário Nacional. Ressalta a Recorrente que não se verificou qualquer hipótese interruptiva do prazo prescricional, razão pela qual seria ilícito a inscrição dos débitos da Alfa Holdings S.A. em dívida ativa da União; • Conclui, por estas razões, que a Alfa Holdings S.A não detém legitimidade para responder à suposta dívida que contra ela é imputada por meio da carta cobrança expedida nos autos do Processo Administrativo n° 118.31.000412/0066. Quanto ao mérito, a empresa Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11831.000219/0016 Acórdão n.º 9101003.856 CSRFT1 Fl. 660 5 • A DRJ teria reconhecido o saldo credor de IRRF da monta de R$ 125.436,99, valor suficiente para compensação com os débitos de terceiros, no caso a Alfa Holdings S.A.; • Detinha saldo credor de R$ 177.169,84, que após atualizações pela SELIC e deduções de compensações espontâneas passou a ser, em julho de 1999, de R$ 112.477,27 (objeto do pedido de restituição); Considerando que todas as compensações realizadas pela Transamérica Holdings S.A. com seus débitos próprios foram tacitamente homologadas, restariam, em números históricos de fevereiro de 2000, o valor correspondente a R$ 81.783,02, suficiente para quitar os débitos compensados da Alfa Holdings S.A.; • Ao final, requer a reforma parcial do acórdão da DRJ para que seja cancelada a carta cobrança emitida nos autos do Processo Administrativo n° 118.31.000412/0066, em face da Alfa Holdings S.A. A apreciação do recurso, levou a 3ª Turma Especial, do CARF, em agosto/2009, sob o Acórdão nº 180300.146 (efls. 189 a 197), a dar provimento ao pleito do sujeito passivo, reconhecendo a preliminar de homologação tácita do pedido de compensação. Vejase a ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS COM DÉBITOS DE TERCEIROS — LEGITIMIDADE DO PEDIDO FORMULADO PELO DETENTOR DO CRÉDITO ATÉ 09/04/2000 POSSIBILIDADE. A compensação dos créditos a repetir, que ultrapassam os débitos do próprio contribuinte, incluindo os de eventuais parcelamentos, com débitos de terceiros, foi autorizada pelo art. 15 da IN SRF n° 21/97, tendo esta regra permanecido em vigor até 09/04/2000, data após a qual foi revogada pela IN SRF n° 41, publicada em 10/04/2000. Assim, são legítimos os pedidos de compensação formuladas pelo detentor dos créditos durante a sua vigência do art. 15 da IN SRF n° 21/97, não havendo que se falar que norma superveniente pudesse suprimir essa legitimidade. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO — HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data do pedido de compensação, convertido em declaração de compensação, sem qualquer manifestação da autoridade administrativa competente, operase a homologação tácita extintiva do crédito tributário. Em 2010, à efl 201, a União, representada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, interpõe Recurso Especial, questionando a divergência jurisprudencial quanto à duas matérias, quais sejam: (a) conversão de pedidos de compensação em declaração de compensação quando veiculem compensações de débitos de terceiro e a possibilidade de homologação tácita do referido pedido; Fl. 663DF CARF MF 6 (b)momento a partir do qual levase em consideração o prazo de 5 (cinco) anos para a homologação da compensação. As alegações da Recorrente serão resumidas abaixo transcrevendose parte de seu recurso denominada “Conclusão” (efl 226): a) o parágrafo 4º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que converteu os pedidos de compensação então pendentes de apreciação em declarações de compensação, deve ser interpretado em consonância com as disposições do caput e do parágrafo 1º do mesmo dispositivo legal, que estabelecem que as declarações de compensação são instrumento hábil para a formalização de compensação de débitos próprios, mas não de débitos de terceiros, impedindo, assim, que os pedidos relativos à débitos de terceiro sejam convertidos em declarações de compensação; b) subsidiariamente, cabe considerar que o pedido de compensação, de que tratou a decisão recorrida, foi protocolado em 15/02/2000, anteriormente, portanto, à alteração legislativa inaugurada pela MP N. 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que alterou a redação do art. 74, parágrafo 5º, da Lei nº 9.430/1996, introduzindo, somente a partir de então, o prazo de cinco anos para homologação da compensação; c) considerando o disposto no item 'b', não há que se cogitar, no presente caso, de homologação tácita, ainda que decorridos mais de cinco anos entre a data de protocolização do pedido e a ciência do respectivo despacho decisório, pelo fato de que, à época do pleito (apresentação do pedido de compensação), marco definidor da legislação aplicável, não estava a administração tributária obrigada ao cumprimento de qualquer prazo para referida apreciação. d) compensação tributária há de regerse pela lei vigente no momento em que o contribuinte a aciona (no caso, na data da apresentação do pedido de compensação); e) por fim, a pessoa jurídica contribuinte não preencheu, objetivamente, os requisitos normativos constantes dos arts. 170, do Código Tributário Nacional e 74 da Lei nº 9.430/1996, necessários à homologação da compensação; f) tendo em vista o disposto na alínea "e", não se pode entender pela possibilidade jurídica de compensação de crédito de um contribuinte (devedor) com débitos de outro (terceiro), nos termos do disposto no art. 170 do CTN e do art. 368 do Código Civil Brasileiro. Noutros termos, para que se ultime a compensação pretendida pelo sujeito passivo, há de existir identidade de partes entre credor e devedor; g) como arremate ao disposto nas alienas anteriores, "e" e "f", concluise que, em atenção ao princípio da legalidade, a compensação com crédito de terceiro não encontra amparo legal, uma vez que a lei exige a identidade de partes entre credor e devedor. Nesse diapasão, a IN SRF nº 21/97 citada como fundamento para a conclusão externada pela decisão recorrida é uma norma complementar infralegal, não podendo inovar para criar direitos que a própria lei não previu. Colacionase abaixo as ementas dos acórdão paradigmas trazidos pela Recorrente: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO PRÓPRIO COM DÉBITO DE TERCEIRO CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11831.000219/0016 Acórdão n.º 9101003.856 CSRFT1 Fl. 661 7 INOCORRÊNCIA O § 4º do artigo 74 da Lei 9.430/96, que converteu os pedidos de compensação então pendentes de apreciação em declarações de compensação, deve ser interpretado em consonância com as disposições do caput e do § 1º do mesmo dispositivo legal, que estabelecem que as declarações de compensação são instrumento hábil para a formalização de compensação de débitos próprios, mas não de débitos de terceiros, impedindo, assim, se entenda que os pedidos relativos a débitos de terceiro tenham sido convertidos em declarações de compensação. IRPJ – PREJUÍZO FISCAL SALDO NEGATIVO APROVEITAMENTO NECESSIDADE DE ADIÇÃO DA RECEITA TRIBUTADA AO LUCRO REAL Os artigos 34 e 37, § 3°, "c", da Lei n. 8.981/95, condicionam o aproveitamento do IRRF ao cômputo da receita respectiva na determinação do lucro real, inocorrente no caso concreto. Recurso negado. (1° CC, 5° Câmara, Acórdão n° 10516343, de 02/03/07) PIS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Na forma do § 1° do art. 150 do CTIV, a extinção do crédito tributário se dá com o pagamento do crédito, sob condição resolutória de ulterior homologação. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Extinguese em cinco anos, contados da data do pagamento indevido, o prazo para pedido de compensação ou restituição de indébito tributário. SEMESTRALIDADE. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição para o PIS, até 29/02/1996, é, segundo a interpretação do parágrafo único do art. 6°, da Lei Complementar n° 7/70, dada pelo STJ e pela CSRF, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem atualização monetária. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considerase homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30/10/2003. Recurso provido em parte. (2° CC, 3ª Câmara, Acórdão n° 20311648, de 06/12/06) (grifos da PFN) O Despacho de Admissibilidade (efl 239), reconheceu a divergência alegada pela Procuradoria, especificamente quanto aos §§4º e 5º do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996, admitindo, portanto, o recurso especial. À efl 248, o sujeito passivo apresentou Contrarrazões que, preliminarmente atacam o cabimento do recurso especial, defendendo que somente as alíneas a, b e c da "Conclusão" do recurso especial poderão ser consideradas no julgamento do recurso, uma vez ter o Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, destacado que a divergência jurisprudencial se caracterizou especificamente quanto aos parágrafos 4º e 5º do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996. No mérito, repisa os argumentos do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 665DF CARF MF 8 Voto Conhecimento Em síntese, o Despacho de Admissibilidade admitiu o Recurso Especial da Procuradoria nos seguintes termos (efl 245): Verificase então que a PFN demonstrou, a partir dos acórdãos paradigmas trazidos aos autos, que outros colegiados conferiram interpretação divergente da lei tributária quando comparada à estabelecida no acórdão recorrido,especificamente quanto aos §§ 4º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Em suas contrarrazões, a Contribuinte alega que o Recurso Especial teria seu cabimento maculado pelo fato de somente as alíneas a, b e c da seção “Conclusão” do recurso guardarem relação com a admissão do mencionado despacho, devendo as alíneas serem desconsideradas, posto que a Recorrente não comprovou a existência do posicionamento jurisprudencial divergente àquele disposto no acórdão recorrido quanto às matérias referentes a estas últimas alíneas. Feita esta introdução, relembro a previsão dos §§ 4º e 5º, do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 4oOs pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5oO prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Reproduzo abaixo as alíneas questionadas pela Procuradoria: "d) a compensação tributária há de regerse pela lei vigente no momento em que o contribuinte a aciona (no caso, na data da apresentação do pedido de compensação); e) por fim, a pessoa jurídica contribuinte não preencheu, objetivamente, os requisitos normativos constantes dos arts. 170, do Código Tributário Nacional e 74 da Lei nº 9.430/1996, necessários à homologação da compensação; f) tendo em vista o disposto na alínea "e", não se pode entender pela possibilidade jurídica de compensação de crédito de um contribuinte (devedor) com débitos de outro (terceiro), nos termos do disposto no art. 170 do CTN e do art. 368 do Código Civil Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11831.000219/0016 Acórdão n.º 9101003.856 CSRFT1 Fl. 662 9 Brasileiro. Noutros termos, para que se ultime a compensação pretendida pelo sujeito passivo, há de existir identidade de partes entre credor e devedor; g) como arremate ao disposto nas alienas anteriores, "e" e "f", concluise que, em atenção ao princípio da legalidade, a compensação com crédito de terceiro não encontra amparo legal, uma vez que a lei exige a identidade de partes entre credor e devedor. Nesse diapasão, a IN SRF nº 21/97 citada como fundamento para a conclusão externada pela decisão recorrida é uma norma complementar infralegal, não podendo inovar para criar direitos que a própria lei não previu." De fato, as alíneas acima não estão diretamente relacionadas com os parágrafos 4º e 5º, do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996. Contudo, entendo que a contribuinte confundiuse quanto ao papel das conclusões do recurso e o seu efetivo pedido. Percebase que a parte do recurso denominada “Conclusão” abarca os principais argumentos da Recorrente, parte esta que não vincula o julgador administrativo. Ou seja, é incontroverso que o julgamento do recurso deverá se pautar nas matérias cuja divergência jurisprudencial foi reconhecida. As conclusões da Recorrente não impedem o cabimento do recurso. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Procuradoria por atender a todos os requisitos de admissibilidade que lhe são exigidos. Em síntese, são duas as questões postas para análise deste Colegiado: a) conversão de pedidos de compensação em declaração de compensação quando veiculem compensações de débitos de terceiro (§ 4º, do art. 74) e a possibilidade de homologação tácita do referido pedido (§ 5º, do art. 74); e ainda, b) momento a partir do qual levase em consideração o prazo de 5 (cinco) anos (§ 5º, do art. 74) para a homologação da compensação. No v. acórdão recorrido, o Colegiado a quo decidiu, quanto ao primeiro ponto, que “são legítimos os pedidos de compensação formulados pelo detentor dos créditos durante a vigência do art. 15 da IN SRF nº 21/97, não havendo que se falar em norma superveniente pudesse suprimir essa legitimidade”, ressaltando, no teor do voto recorrido, que “o pedido de compensação apresentado pela Recorrente foi entregue em 15 de fevereiro de 2000, estando pendente de apreciação quando da entrada em vigor do referido dispositivo legal (§ 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430, com alterações da Lei 10.833/03), tendo sido, por esta razão, convertido em declaração de compensação” (p. 195). Mais adiante, reforça que “o § 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996, não faz distinção, que deriva exclusivamente da interpretação conjugada deste dispositivo com o caput do mesmo artigo, que a meu ver tratam de situações distintas”, expressando seu entendimento de que o caput trata de compensações ‘futuras’ e o § 4º de situações ‘passadas’ indistintamente. Quanto a este ponto, a PGFN, em seu recurso especial, traz acórdão paradigma que sustenta que a conversão de pedidos de compensação em declaração de compensação “deve ser interpretado em consonância com as disposições do caput e do § 1º do mesmo dispositivo legal, que estabelecem que as declarações de compensação são instrumento hábil para a formalização de compensações de débitos próprios, mas não com débitos de terceiros” (10516.343). Fl. 667DF CARF MF 10 Quanto ao segundo ponto, o v. acórdão recorrido declara que “transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data do pedido de compensação, convertido em declaração de compensação, sem qualquer manifestação da autoridade administrativa competente, operase a homologação tácita extintiva do crédito tributário”. Neste ponto, a PGFN, em seu recurso especial, traz acórdão paradigma que sustenta que “o disposto no § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 (...), segundo o qual considera se homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30.10.2003” (20311.648). Como se observa, o julgamento da primeira questão é prejudicial à segunda, pois se o pedido de compensação não for convertido em declaração de compensação (débitos de terceiros), não há que se falar em prazo para homologação tácita de declaração de compensação. Desta forma, passase à análise da “conversão de pedidos de compensação em declaração de compensação quando veiculem compensações de débitos de terceiro”. Inicialmente, importante ressaltar que, na redação original, o caput do art. 74, da Lei nº 9430/96 dava à Receita Federal a possibilidade de autorizar, mediante requerimento, a utilização de créditos de contribuinte para a quitação de tributos. Vejase: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Com base nesse permissivo, foi editada a IN SRF 21/97 que, em seu art. 15, permitia a compensação de créditos de um contribuinte com débitos de outro: Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. Assim, nos termos desse permissivo, o contribuinte apresentou o pedido de restituição de créditos próprios, combinado com pedido de compensação com débitos de terceiros, objetos deste processo administrativo junto à Receita Federal (fl. 5/7, p. 264/267). O art. 15, acima transcrito, foi revogado pela IN SRF 41, de 07 de abril de 2000. Desta forma, não se questiona a legitimidade do pedido de restituição / compensação em si, pois, na data do protocolo – 15.02.2000, estava amparado na legislação então vigente. O art. 74, da Lei nº 9.430/96, foi alterado em 2002 pela Lei 10.637/2002, que incluiu os §§ 1º ao 5º e, na sequência, pela Lei 10.833/2003, que além de alterar a redação dos Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11831.000219/0016 Acórdão n.º 9101003.856 CSRFT1 Fl. 663 11 §§ 3º e 5º, acrescentou os parágrafos 6º ao 12, interessando, para a solução do caso concreto, transcrever o caput do art. 74 e os parágrafos 1º, 4º e 5º: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (grifamos) Conforme se denota nos dispositivos legais acima transcritos, quando da instituição do modelo de compensação tributária baseado na entrega de uma declaração de compensação, não há a possibilidade de utilização de créditos de um contribuinte para quitar débitos de outro. O caput do art. 74 é expresso: sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição/ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débito próprio. Mais adiante, no § 4º do art. 74, há previsão de que pedidos de compensação pendentes de apreciação serão considerados declaração de compensação. Até este ponto, não há qualquer restrição à conversão geral e irrestrita. Contudo, prossegue a redação: para os efeitos previstos neste artigo. Ou seja, a interpretação do teor do § 4º do art. 74 não pode dissociarse da redação do caput do mesmo artigo que limita a compensação entre crédito e débito do mesmo contribuinte. Para não pairar dúvidas sobre a interpretação, com a edição da Lei nº 11.051/2004, novamente foi alterada a redação do citado art. 74, da Lei nº 9.430/96, acrescentandose o § 12, que tem a seguinte redação: Art. 74 (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II – em que o crédito: Fl. 669DF CARF MF 12 a) Seja de terceiros. (...) (grifamos) E, consolidando a interpretação em questão, foram editadas as IN RFB nº 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017, que assim dispuseram, respectivamente: Art. 86. (...) Parágrafo único. Não foram convertidos em Declaração de Compensação os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 1º de outubro de 2002 que têm por objeto créditos de terceiros, " créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos administrados pela RFB. Art. 97. Os pedidos de compensação que, em 1º de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da RFB serão considerados Declaração de Compensação, para efeitos do previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos pedidos de compensação pendentes de apreciação em 1º de outubro de 2002 que têm por objeto créditos de terceiros, “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos administrados pela RFB. Art. 152. Os pedidos de compensação que, em 1º de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da RFB serão considerados declaração de compensação para efeitos do previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observado o disposto no art. 115. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos pedidos de compensação pendentes de apreciação em 1º de outubro de 2002 que têm por objeto créditos de terceiros, “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos administrados pela RFB. Nesse contexto, pedido de compensação de créditos de um contribuinte, com débitos de outro, não foram convertidos em declaração de compensação com a edição das alterações trazidas ao art. 74, da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 10.637/2002. Consequentemente, o disposto no § 5º, do citado art. 74, incluído pela Lei nº 10.833/2003 ao disposto na Lei 9.430/96, não se aplica no presente caso, prejudicando a análise de mérito do segundo ponto trazido para análise deste Colegiado. Neste mesmo sentido, aliás, decidiu esta Turma no Acórdão n. 9101003.725, de agosto de 2018. Nesta ocasião, votei favoravelmente à tese do contribuinte, contudo, ao analisar mais detidamente o presente caso, me convenci do contrário. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 11831.000219/0016 Acórdão n.º 9101003.856 CSRFT1 Fl. 664 13 Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, reformando o v. acórdão recorrido para afastar a conversão do pedido de compensação de crédito próprio com débito de terceiro objeto deste processo administrativo em declaração de compensação. Consequentemente, afasto a reconhecimento da homologação tácita, por não se aplicar ao caso concreto, nos termos da fundamentação. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 671DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.724461/2017-26
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Numero da decisão: 2002-000.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
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A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 44 61 /2 01 7- 26 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10480.724461/201726 Acórdão n.º 2002000.563 S2C0T2 Fl. 74 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 53/57) contra decisão de primeira instância (fls. 38/44), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: O presente processo trata de exigência constante de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2014, anocalendário de 2013, na qual se apurou crédito tributário no valor de R$ 13.318,60. De acordo com a Descrição dos Fatos de fl. 16 c/c os Demonstrativos de fls. 17/18, foi constatada, conforme Dirf, a seguinte infração: omissão de rendimentos do trabalho, no total de R$ 69.325,95, com compensação de R$ 3.788,30, a título de IRRF sobre os rendimentos omitidos. O total se refere às seguintes fontes pagadoras: Instituto Nacional do Seguro Social – INSS (R$ 41.864,46, com IRRF de R$ 2.504,25) e Portus – Instituto de Seguridade Social (R$ 27.461,49, com IRRF de R$ 1.284,05). A fiscalização esclarece que as deduções relativas às contribuições para entidade de previdência privada e Fapi, à dedução de incentivo e à contribuição previdenciária do empregado doméstico foram readequadas ao limite legal, conforme valor declarado e conforme o lançamento das infrações objeto da Notificação. Cientificado do lançamento em 26/05/2017 (AR de fl. 20), ingressou o contribuinte, por sua curadora (fls. 06/08 e 13), em 08/06/2017, com sua impugnação (fls. 04/05), e respectiva documentação. Em síntese, alega que os valores, contestados em sua integralidade, são isentos, por se tratarem de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão e suas respectivas complementações recebidas por portador de moléstia grave. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10480.724461/201726 Acórdão n.º 2002000.563 S2C0T2 Fl. 75 3 Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 09/11/2017 (fl. 49); Recurso Voluntário protocolado em 24/11/2017 (fl. 53), assinado por curador legalmente constituído (fl. 6). Responde o contribuinte nestes autos, por duas infrações da mesma espécie: a) Omissão de Rendimentos do Trabalho Com Vínculo e/ou Sem Vínculo Empregatício. O contribuinte, por sua curadora, alega que os valores contestados em sua integralidade, são isentos por se tratarem de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e suas respectivas complementações recebidas por portador de moléstia grave. A r. decisão de origem, julgou improcedente a impugnação, tendo como estribo as duas condições necessárias para que o contribuinte tivesse direito a isenção, ou seja, Laudo Médico oficial e a origem dos rendimentos. Irresignado, o recorrente via curadora, ataca a r. decisão revisanda, juntando novos documentos. Verificando os documentos juntados, encontramos à fl. 61, uma “Declaração” do INSS – Instituto Nacional do Seguro Social, onde afirma ser Manoel Souto Covo Neto, beneficiário de Pensão por Morte Previdenciária desde 15/05/2007. Juntou também, os comprovantes de rendimentos do INSS do anocalendário 2013, bem como da fonte pagadora Portus. Pelas provas apresentadas, concluímos tratarse de renda proveniente de “Pensão”. Quanto ao Laudo Pericial, acostado aos autos à fl. 69, dá conta que o laudo assinado pelo psiquiatra Paulo José Tavares de Lima, CRM 11.257, assinado em 2016, relatando que faz o acompanhamento desde 2002 por F20.5, considerandoo incapaz para a vida civil. Portanto, resta provado que o recorrente faz jus a isenção, nos termos da Súmula CARF nº 63: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10480.724461/201726 Acórdão n.º 2002000.563 S2C0T2 Fl. 76 4 Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10480.724461/201726 Acórdão n.º 2002000.563 S2C0T2 Fl. 77 5 Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora designada. Com a devida vênia, divirjo do relator quanto à aceitação do laudo pericial apresentado pelo recorrente pelos motivos a seguir expostos. No que concerne à isenção por moléstia grave, aplicase o disposto no art. 39, XXXI e XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10480.724461/201726 Acórdão n.º 2002000.563 S2C0T2 Fl. 78 6 II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção em comento. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o outro está relacionado com a existência de moléstia tipificada no texto legal, comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso em tela, o laudo pericial emitido pela Agência da Previdência Social em 07/06/2017 indica em campo próprio que o contribuinte era portador de alienação mental, moléstia abrangida pelas hipóteses de isenção, desde 10/2014 (efls. 69). Assim, ainda que o médico perito faça menção a laudo de psiquiatra particular relatando acompanhamento por F20.5 (esquizofrenia residual) desde 2002, tal informação não altera a sua conclusão de que a moléstia está confirmada apenas a partir de 2014. Assim, tendo em vista que o presente lançamento tem como objeto o ano calendário 2013, anterior ao início da doença, não há que se falar em isenção para esse período. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.724684/2015-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
NULIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
É nulo o acórdão que deixa de enfrentar item de mérito apresentado na impugnação interposta em primeirra instância, impondo anulação do aresto recorrido, e retorno à Turma Julgadora a quo para que seja prolatada nova decisão, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 1201-002.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da DRJ, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro suplente Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, momentaneamente o conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira e ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da DRJ, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro suplente Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, momentaneamente o conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira e ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 NULIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. É nulo o acórdão que deixa de enfrentar item de mérito apresentado na impugnação interposta em primeirra instância, impondo anulação do aresto recorrido, e retorno à Turma Julgadora a quo para que seja prolatada nova decisão, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da DRJ, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o conselheiro suplente Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, momentaneamente o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 46 84 /2 01 5- 58 Fl. 2272DF CARF MF 2 conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira e ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados para exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, decorrentes de divergência, no montante de R$ 55.987.421,10, na regra aplicável para cálculo do Preço de Transferência sobre custos e despesas em operações com o exterior, no período de apuração encerrado em 31 de dezembro de 2010. Adotase o relatório da decisão de piso, com a complementação necessária em seguida: 2. Tendo em vistas as infrações apontadas, foi lançado crédito tributário no montante de R$ 29.713.431,40 (vinte e nove milhões, setecentos e treze mil, quatrocentos e trinta e um reais e quarenta centavos), assim distribuído: 3. Na determinação do valor dos tributos a lançar a Autoridade Fiscal procedeu à compensação de prejuízos e de bases negativas: de períodos anteriores, limitado a 30% do lucro real ajustado, bem como contemplou os cálculos do Contribuinte relativos ao direito à Isenção e Redução do Imposto sobre o Lucro Real no percentual de 75% constantes da Ficha 10 da DIPJ, fls. 68 a 179, no valor de R$ 13.054.747,29, ficando assim demonstrados os cálculos dos tributos lançados: Base de Cálculo do IRPJ: IRPJ lançado: CSLL lançada: Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 10283.724684/201558 Acórdão n.º 1201002.641 S1C2T1 Fl. 3 3 DA IMPUGNAÇÃO 4. Em sua peça Impugnatória, o Contribuinte alega, primeiramente, que a Autoridade Fiscal no exercício de sua competência para verificar a matéria tributável deixou de considerar o benefício da isenção/redução sobre o lucro da exploração, no valor de R$ 16.093.456,21, bem como as retenções que sofreu na fonte de Imposto de Renda no valor de R$ 5.772.819,61, e os valores pagos de estimativa da CSLL no montante de R$ 8.628.914,52. 5. Em seguida, argúi a legalidade da Instrução Normativa SRF nº 243/2002. 6. Alega que a forma de apuração do preço parâmetro pelo PRL60 preconizada pela IN SRF n° 243/2002, adotada pela Fiscalização, é absolutamente ilegal, pois a fórmula preconizada pela citada Instrução Normativa diverge dos comandos da Lei nº 9.430/96, art. 18, inciso II, alínea “d”, item 1, e conclui: Ora, na medida em que a fórmula que decorre do texto da Lei n° 9.430/96 e aquela que decorre do texto da IN SRF n° 243/2002 são diferentes e não se equivalem, pelas razões expostas anteriormente, é forçoso concluir que a fórmula de apuração do preço parâmetro pelo PRL60 preconizada pela IN SRF n° 243/2002 não pode ser deduzida do texto da Lei n° 9.430/96. Se assim é, certo é que a fórmula preconizada pela IN SRF n° 243/2002 não pode ser considerada uma interpretação possível da Lei n° 9.430/96. 7. Ainda sobre a aplicação das normas sobre preço de transferência, a Impugnante se insurge contra a utilização do preço CIF (Cost, Insurance and Freight) na determinação do preço praticado. Considera que houve majoração indevida na apuração do preço praticado ao serem adicionados os custos/despesas de frete e seguro pagos a terceiros não vinculados. 8. Por fim, a Impugnante se insurge contra a incidência de juros sobre a multa de ofício. Por essa decisão, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme ementa abaixo transcrita: INSTRUÇÃO NORMATIVA. LEGALIDADE. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. São normas complementares os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas vigentes. JUROS INCIDENTES SOBRE A MULTA. Fl. 2274DF CARF MF 4 Na constituição do crédito tributário de ofício os juros de mora e a multa são calculados sobre o principal. Após o prazo para impugnação ou pagamento, não ocorrendo este, o montante do lançamento é classificado como débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, e inclui todas as rubricas, dentre as quais a multa de ofício. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. IN/SRF 243/2002. A metodologia da IN SRF nº 243/2002 busca proporcionalizar o preço parâmetro ao insumo importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro é calculada sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. DESPESAS COM FRETES, SEGUROS. O valor do frete e seguro, cujo ônus tenha sido do importador, devem ser incluídos na apuração dos preços praticados, assim como na apuração dos preços parâmetro, segundo o método PRL. DEDUÇÕES. LUCRO DA EXPLORAÇÃO. RECOMPOSIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. No caso de lançamento de ofício, não será admitida a recomposição do lucro da exploração referente ao período abrangido pelo lançamento para fins de novo cálculo dos incentivos fiscais. DEDUÇÕES. VALORES DE TRIBUTOS PAGOS OU RETIDOS. UTILIZADOS NA COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS. INDISPONIBILIDADE. Quando da lavratura de Auto de infração, não será deduzido do total apurado de ofício os valores de tributos pagos ou retidos na fonte já utilizados pelo Sujeito Passivo na compensação de débitos de sua responsabilidade. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL em razão da relação de causa e efeito advindas dos mesmos fatos geradores e elementos probantes. No recurso voluntário são repisadas as razões de impugnação, sendo acrescentado que o acórdão recorrido é nulo, conforme excertos abaixo: Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 10283.724684/201558 Acórdão n.º 1201002.641 S1C2T1 Fl. 4 5 17. Como visto no relato dos fatos, o r. Acórdão recorrido, sem qualquer justificativa, simplesmente deixou de apreciar um dos argumentos apresentados pela Recorrente em sua Impugnação (fls. 2054/2117), o qual, por si só, seria capaz de justificar a procedência da Impugnação. 18. De fato, em item próprio de sua defesa (item 3.2.4 da Impugnação — fls. 2054/2117) a Recorrente demonstrou que, ao considerar para fins de ajuste o preço parâmetro apurado pelo PRL60, a Fiscalização deixou de considerar como dedutível o maior valor apurado conforme o método mais favorável à Recorrente, tal como exige o art. 18, caput, e parágrafo 4º da Lei nº 9.430/96, eis que o valor do preço parâmetro apurado pelo PRL60 é inferior ao valor do preço parâmetro apurado através de outros métodos (PRL20 ou PIC). Contudo, o r. Acórdão recorrido simplesmente silenciou a este respeito, não tecendo uma linha sequer sobre a questão. [...] 23. Como se observa, portanto, o julgado e a doutrina supracitados se amoldam à situação dos presentes autos, uma vez que no caso o i. Relator deixou efetivamente de analisar todas as questões trazidas pela Recorrente, notadamente o argumento suscitado pela Recorrente em item próprio de sua defesa (item 3.2.4 da Impugnação — fls. 2054/2117), o qual, por si só, seria capaz de justificar a procedência da Impugnação. 24. Vale destacar que, no caso concreto, o i. Relator nem chegou a alegar que teria deixado de analisar o referido argumento porque não estaria obrigado a rebater todas as alegações da Impugnante (ora Recorrente), foi mais além, simplesmente ignorou — sem qualquer justificativa — o argumento suscitado na Impugnação, não tecendo nenhuma linha sequer sobre o mesmo e sobre os documentos a ele relacionados colacionados pela Recorrente, o que não deixa dúvida quanto à ausência de fundamentação adequada, nos termos do art. 489, §1º, IV, do Código de Processo Civil. [...] 27. De fato, apesar de a autoridade julgadora ser livre para formar sua convicção na apreciação da prova, tal liberdade “não autoriza que o julgador, ao seu talante, deixe de apreciálas, pois isso acarretará cerceamento de defesa”. De igual modo, “por força do princípio do duplo grau de jurisdição, uma das hipóteses típicas de nulidade das decisões por cerceamento do direito de defesa consiste no não enfrentamento das questões suscitadas pelo defendente”. 28. No caso concreto, portanto, pelo fato do r. Acórdão recorrido se tratar de Acórdão que imotivadamente deixou de analisar os argumentos formulados expressamente pela Recorrente — e das provas a ele correlatas — caracterizado está o cerceamento de defesa, devendo o mesmo ser anulado, com o retorno dos autos à Primeira Instância Administrativa para que Fl. 2276DF CARF MF 6 a DRJ/SDR decida adequadamente a lide, sob pena, inclusive, de supressão de instância, nos termos da jurisprudência unânime desse Egrégio Carf: [...] 29. Sendo assim, merece ser anulado o r. Acórdão recorrido para que outro seja proferido pela DRJ/SDR, desta vez enfrentando o argumento deduzido pela Recorrente no item 3.2.4 de sua Impugnação (fls. 2054/2117). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Nulidade da decisão de primeira instância. Como consta no voluntário, na impugnação (fls. 2.054 a 2.117) houve a alegação de que "ao considerar para fins de ajuste o preço parâmetro apurado pelo PRL60, a Fiscalização deixou de considerar como dedutível o maior valor apurado conforme o método mais favorável à Recorrente, tal como exige o art. 18, caput, e parágrafo 4º da Lei nº 9.430/96, eis que o valor do preço parâmetro apurado pelo PRL60 é inferior ao valor do preço parâmetro apurado através de outros métodos (PRL20 ou PIC)". Tal alegação consta às fls. 2.093 a 2.097. Como pode ser visto, os argumentos expendidos pela então impugnante constavam do item 3.2.4, conforme abaixo: Compulsandose todo o teor da decisão de primeira instância (fls. 2.125 a 2.137), desde a ementa até a conclusão do voto, não se verifica a abordagem a esse item da impugnação. Tal alegação, se acatada, poderia, em tese, determinar a improcedência dos autos de infração ou, no mínimo, alterar o valor do crédito tributário exigido de ofício. Portanto, não analisada a alegação constante do documento impugnatório, estáse diante de cerceamento do direito de defesa, não podendo este colegiado apreciar a alegação, de modo primário, sem que se caracterize supressão de instância. Nesse sentido, os acórdãos deste CARF que são trazidos à colação: NULIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 10283.724684/201558 Acórdão n.º 1201002.641 S1C2T1 Fl. 5 7 É nulo o Acórdão que deixa de enfrentar item de mérito apresentado na impugnação interposta em 1ª instância, impondo anulação do aresto recorrido, e retorno à Turma Julgadora a quo para que seja prolatada nova decisão, sob pena de supressão de instância. (Acórdão nº 1402003.354 – 1ª Seção / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2018). AUTO DE INFRAÇÃO HÍGIDO. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO DRJ. QUESTÕES DE MÉRITO NÃO APRECIADA INTEGRALMENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO NULA PARA EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Constatada omissão na decisão de 1ª instância quanto a matérias não apreciadas no julgamento, importa a devolução dos autos ao órgão julgador a quo para que se pronuncie quanto ao mérito, evitandose a supressão de instância administrativa e cerceamento do direito de defesa. Há de ser reconhecida a nulidade da referida decisão e dos atos subsequentes, em atendimento ao disposto no art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972, para que nova seja proferida enfrentando todas as matérias suscitadas em impugnação. (Acórdão nº 1302002.556 1ª Seção – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2018). Consta do voto condutor da última decisão acima transcrita: Compulsando o relato do processo, resta evidenciado que em nenhum momento nos presentes autos, mesmo após a apresentação de documentos durante a fiscalização e em sede de impugnação, foi enfrentado pela DRJ o acervo probatório anexado pelo contribuinte na sua impugnação. Mesmo com a apresentação de documentos que aparentemente comprovam que a despesa foi incorrida, a DRJ se negou a analisar a validade dos argumentos do contribuinte ... [...] Vêse claramente que não houve enfrentamento pelos julgadores a quo dos documentos anexados aos autos pela recorrente. Isto é, a DRJ não analisou o mérito da autuação quanto a efetividade e necessidade das despesas aqui debatidas, a saber: cópias dos lançamentos contábeis, do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), do Livro de Apuração da Base de Cálculo da CSL (LACS), dos respectivos contratos, faturas e notas fiscais (docs. 03 a 14 da Impugnação). [...] Ora, uma vez que os documentos não foram apreciados pela autoridade julgadora de 1ª instância, uma análise por este Conselho irá implicar verdadeira supressão de instância, o que não se pode admitir, sendo necessário o reconhecimento da nulidade da decisão recorrida. Fl. 2278DF CARF MF 8 O cerceamento de defesa decorre da necessidade da análise de todos os elementos probatórios apresentados pelo contribuinte que aparentemente são relevantes para o devido deslinde do presente processo, em especial à luz do princípio da verdade material... (Destaques acrescidos) Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para DARLHE provimento, anulando a decisão recorrida e determinando o retorno dos autos à DRJ de origem para novo julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 2279DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.000152/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
FATO GERADOR MENSAL
Se a autuação fiscal teve como fato gerador 31/12/2002, correta a manutenção do valor relativo ao mês de dezembro, e a exclusão, da base de cálculo, dos valores cujos fatos geradores se consolidaram em meses precedentes.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
FATO GERADOR MENSAL
Se a autuação fiscal teve como fato gerador 31/12/2002, correta a manutenção do valor relativo ao mês de dezembro, e a exclusão, da base de cálculo, dos valores cujos fatos geradores se consolidaram em meses precedentes.
RECEITA NÃO OPERACIONAL. NÃO INCIDÊNCIA. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Devido à Repercussão geral por quest. ord. em Recurso Extraordinário 585.235-1, do STF, a Cofins deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência as receitas não operacionais.
Numero da decisão: 1201-002.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a exigência da Cofins sobre variações monetárias ativas relativas à redução de capital de controlada no exterior, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa; ausente justificadamente José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 FATO GERADOR MENSAL Se a autuação fiscal teve como fato gerador 31/12/2002, correta a manutenção do valor relativo ao mês de dezembro, e a exclusão, da base de cálculo, dos valores cujos fatos geradores se consolidaram em meses precedentes. RECEITA NÃO OPERACIONAL. NÃO INCIDÊNCIA. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Devido à Repercussão geral por quest. ord. em Recurso Extraordinário 585.2351, do STF, a Cofins deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência as receitas não operacionais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 52 /2 00 7- 71 Fl. 689DF CARF MF Processo nº 16561.000152/200771 Acórdão n.º 1201002.644 S1C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a exigência da Cofins sobre variações monetárias ativas relativas à redução de capital de controlada no exterior, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa; ausente justificadamente José Carlos de Assis Guimarães. Relatório O contribuinte apresentou págs. 576/587, Embargos de Declaração do Contribuinte, tempestivos em face dos Acórdãos nº 1202001.132, de 08/04/2014, e nº 1201 001.583, de 16/02/2017. · O Acórdão 1202001.132, págs. 521/539, julgou recurso voluntário do contribuinte: por unanimidade de votos, deu provimento em relação aos lucros auferidos por controlada no exterior relativos ao ano de 2001 e, pelo voto de qualidade, negou provimento quanto à exigência do IRPJ e da CSLL por variação cambial na redução do capital de controlada no exterior, quanto ao aproveitamento integral da base de cálculo negativa da CSLL e quanto à tributação do PIS por variação cambial. Foi cientificado à interessada em 19/03/2018, págs. 572/573; Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN interpôs Embargos de Declaração, admitidos em parte: (...) omissão quanto ao argumento de mudança do critério jurídico dos lançamentos de PIS e COFINS (item 5) e quanto ao argumento de não incidência de COFINS sobre a variação cambial ativa (item 6), razão pela qual admito em parte os embargos de declaração (...) · O Acórdão 1201001.583, págs. 551/556, julgou os Embargos opostos pela PFN, e decidiu por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para manter a autuação relativa à COFINS até o limite reconhecido pela decisão de primeira instância. Foi cientificado à interessada em 19/03/2018, págs. 572/573. 2. Dos questionamentos postos pelo embargante, os seguintes foram admitidos no Despacho de Admissibilidade de Embargos de págs. 680/688: Fl. 690DF CARF MF Processo nº 16561.000152/200771 Acórdão n.º 1201002.644 S1C2T1 Fl. 4 3 Por todo o exposto, entendo que o autor não demonstrou a existência das alegadas omissões tratadas nos itens 1, 2, 3 e 4 acima, mas demonstrou a existência de omissão quanto ao argumento de mudança do critério jurídico dos lançamentos de PIS e COFINS (item 5) e quanto ao argumento de não incidência de COFINS sobre a variação cambial ativa (item 6), razão pela qual admito em parte os embargos de declaração em tela, nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. 3. É o relatório. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 4. Os itens 5 e 6 acolhidos dos Embargos opostos pelo contribuinte são os seguintes, conforme o Despacho de Admissibilidade: item 5. PIS e COFINS período de apuração nulidade omissão; item 6. COFINS base de cálculo omissão. 1 Item 5. PIS e COFINS período de apuração nulidade omissão 5. Transcrevese a análise feita no Despacho de Admissibilidade: A quinta reclamação do embargante diz respeito a alegada omissão quanto ao argumento de nulidade dos lançamentos de PIS e COFINS, em razão do erro na determinação do período de apuração utilizado pela fiscalização. O embargante afirma que a decisão de primeira instância reconheceu o erro nos lançamentos tributários de PIS e COFINS, na medida em que foi adotado o período anual, quando o correto seria o período mensal. Todavia, segundo o embargante, aquela decisão manteve as exigências para o mês de dezembro, operando uma alteração do critério jurídico do lançamento, o que não seria admissível. Por fim, afirma que a decisão embargada não se manifestou sobre essa alegada nulidade da decisão de primeira instância, conforme o seguinte excerto (fls. 583): Conforme apontado pela Embargante no tópico 2.6 do seu Recurso Voluntário, o Acórdão exarado pela DRJ acolheu o argumento apresentado pela Embargante de que o regime de apuração de PIS/COFINS é mensal, e não anual conforme calculado e lançado pelo Sr. Agente Fiscal, porém, alterou o critério jurídico do lançamento e definiu que seria utilizada a apuração mensal, de modo que o lançamento atinente ao mês de dezembro de 2012 deveria ser mantido. Ora, a redefinição da metodologia de apuração da base de cálculo pela Turma Julgadora representou verdadeira Fl. 691DF CARF MF Processo nº 16561.000152/200771 Acórdão n.º 1201002.644 S1C2T1 Fl. 5 4 inovação do critério jurídico de lançamento, o que, conforme apontado pela Embargante, afronta diretamente o artigo 146 do CTN. No entanto, pela própria forma de elaboração do voto vencedor do acórdão embargado que, como visto, simplesmente transcreveu argumentos da DRJ é possível inferir logicamente que um argumento novo, apresentado pela Embargante em sede de Recurso Voluntário e que está atrelado a um novo elemento de aferição da base de trazido pela própria DRJ, não foi enfrentado no mencionado acórdão recorrido. Verifico que o voto do relator foi pela exoneração dos lançamentos de PIS e COFINS, em razão de serem decorrentes do lançamento de IRPJ, por omissão de receitas, o qual teria sido exonerado, conforme o entendimento daquele julgador. Verifico que, ao contrário, o voto condutor superou o entendimento do relator e manteve o lançamento de IRPJ. Em consequência, também foi mantido o lançamento de PIS, conforme o seguinte excerto (fls. 537)): Destarte, cabível a cobrança de IRPJ e, por decorrência, da CSLL e do PIS, por omissão da referida variação cambial ativa, pelo que nego provimento ao presente recurso. Em seguida, no acórdão que decidiu os referidos embargos da Fazenda Nacional, a decisão de manter o lançamento de PIS foi estendida ao lançamento de COFINS, conforme o seguinte excerto (fls. 556): Constatase que, na esteira do raciocínio adotado, a decisão deveria também a confirmar a parte não exonerada relativa à COFINS, o que não fez. Assim, pareceme que assiste razão à Fazenda Nacional e que a omissão do Acórdão decorreu de erro no dispositivo, que afastou a tributação da COFINS para o mês de dezembro sem, contudo, apresentar o respectivo fundamento. Ante o exposto voto por ACOLHER os embargos da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para manter a autuação relativa à COFINS até o limite reconhecido pela decisão de primeira instância. Sendo estes os únicos trechos das referidas decisões que tratam dos lançamentos de PIS e COFINS, há que se concluir que não foi apreciado o referido argumento trazido no recurso voluntário, o qual inquina de nulidade a decisão de primeira instância, quando esta manteve as exigências de PIS e COFINS apenas para o mês de dezembro de 2012, considerada pelo recorrente como alteração do critério jurídico do lançamento. O argumento de alteração do critério jurídico do lançamento é potencialmente capaz de alterar o resultado do julgamento Fl. 692DF CARF MF Processo nº 16561.000152/200771 Acórdão n.º 1201002.644 S1C2T1 Fl. 6 5 embargado, de forma que é de apreciação obrigatória por parte da turma julgadora. Não havendo a necessária manifestação, entendo que os embargos de declaração devem ser admitidos para que a turma julgadora decida sobre a alegada nulidade da manutenção dos lançamentos de PIS e COFINS para o mês de dezembro de 2012, com período de apuração mensal, quando o lançamento adotou o período de apuração anual. 6. Em síntese, tanto o PIS como a Cofins foram objeto de autuação, como reflexo da autuação do IRPJ (infração Omissão de Variações Monetárias Ativas Variações Cambiais), incidência nãocumulativa, tendo como fato gerador 31/12/2002 e o montante tributável de R$11.738.610,00; no entanto, no Termo de Verificação Fiscal, consta quadro na pág. 184, que demonstra a variação cambial autuada, ao longo do ano 2002: Câmbio do investimento inicial Câmbio da operação de redução Variação cambial Redução de capital Data Taxa RS Data Taxa R$ R$ 4.000.000,00 31.10.01 2,7071 10.828.400,00 29.01.02 2.4060 9.624.000,00 (1.204.400,00) 4.000.000,00 31.10.01 2,7071 10.828.400,00 31.03.02 2,3248 9.299.200,00 (1.529.200,00) 3.600.000.00 31.10.01 2,7071 9.745.560,00 27.08.02 3,0710 11.055.600,00 1.310.040,00 2.200.000,00 31.10.01 2,7071 5.955.620,00 24.09.02 3,4440 7.576.800,00 1.621.180,00 4.200.000,00 31.10.01 2,7071 11.369.820,00 25.10.02 3,7108 15.585.360.00 4.215.540,00 4,100.000,00 31.10.01 2,7071 11.099.110,00 26.11.02 3,5304 14.474.640,00 3.375.530,00 4.800.000,00 31.10.01 2,7071 12.994.080,00 20.12.02 3,5300 16.944.000,00 3.949.920,00 26.900.000,00 Omissão de Variações Monetárias Ativas 11.738.610,00 7. O Acórdão DRJ/SPO1 acatou o argumento da impugnante de que os fatos geradores de PIS e Cofins relativos à receita de variações cambiais ocorreram nas datas das operações de redução de capital e que são fatos geradores mensais, e manteve a parcela do crédito tributário correspondente ao fato gerador ocorrido em dezembro/2002, cujo valor tributável é de R$3.949.920,00, conforme demonstra a tabela supra, cancelando os demais valores. 8. No Recurso Voluntário, a interessada argumentou que não podia a DRJ, "na tentativa de "salvar" um lançamento realizado com erros quanto ao período de apuração dos tributos, a fim de instituir nova exigência fiscal, valendose de critério diverso do empregado pelos Srs. Auditores Fiscais (período de apuração mensal)." 9. Como os Acórdãos CARF embargados não se debruçaram sobre a questão, cabe analisála. 10. Verificase dos autos de infração e TVF que em nenhum momento o autuante declarou que os fatos geradores de PIS e Cofins fossem anuais e informou: a. a. a base legal da autuação do PIS: Arts. 1°, 3° e 4° da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Grifouse.) Fl. 693DF CARF MF Processo nº 16561.000152/200771 Acórdão n.º 1201002.644 S1C2T1 Fl. 7 6 b. b. e da Cofins: Arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002: Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 1º, Lei nº 9.701, de 1998, art. 1º, Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, art. 5º, e Lei nº 9.718, de 1998, arts. 2º e 3º). § 1º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera se receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. § 2º Nas operações de câmbio, realizadas por instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil: I considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço da venda e o preço da compra da moeda estrangeira; e II a diferença negativa não poderá ser utilizada para a dedução da base de cálculo destas contribuições. (...) Art. 22. Para efeito de apuração da base de cálculo de que trata este capítulo, observado o disposto no art. 23, podem ser excluídos ou deduzidos da receita bruta, quando a tenham integrado, os valores (Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º): (...) § 2º Na hipótese de o valor das vendas canceladas superar o valor da receita bruta do mês, o saldo poderá ser compensado nos meses subseqüentes. (Grifouse.) 11. A legislação é clara de que os fatos geradores de PIS e Cofins são mensais. 12. No entanto, o Autuante cometeu um erro ao efetuar o lançamento fiscal dos valores das variações cambiais ocorridas nos vários meses do ano com fato gerador em 31/12/2002; a DRJ, corretamente, acatou que o autuante errou e cancelou, da autuação com fato gerador em 31/12/2002, todos os valores cujos fatos geradores ocorreram nos meses precedentes; e manteve apenas o valor que teve efetivamente como fato gerador o mês de 12/2002, conforme demonstrou o próprio Autuante. 13. À vista do exposto, efetuouse a análise requerida, a fim de sanar a omissão apontada, porém sem efeitos infringentes. 2 Item 6. COFINS base de cálculo omissão 14. Transcrevese a análise feita no Despacho de Admissibilidade: Fl. 694DF CARF MF Processo nº 16561.000152/200771 Acórdão n.º 1201002.644 S1C2T1 Fl. 8 7 A sexta reclamação do embargante diz respeito a alegada omissão quanto ao argumento de não incidência de COFINS sobre receitas financeiras. O embargante afirma que trouxe em seu recurso voluntário o pedido de exoneração do lançamento de COFINS, em razão de este tributo incidir apenas sobre o faturamento, não podendo ser cobrado sobre receitas financeiras, como no presente caso. Por fim, afirma que a decisão embargada não se manifestou sobre esse pedido, em nenhum dos dois acórdãos que a contém, conforme o seguinte excerto (fls. 585): No tópico 2.7 do seu Recurso Voluntário, a Embargante argumentou pela não incidência da COFINS sobre receitas financeiras, haja vista a fundamentação legal da COFINS na autuação originária destes autos ter se referenciado ao artigo 2o, inciso II e § único, 3o, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/2002, que regulamenta a COFINS sob regime cumulativo, com base na Lei n° 9.718/98. De fato, conforme apontado no referido tópico, por força do já decidido pelo Supremo Tribunal Federal (RE n° 346.084, 357.950 e 358.273, julgados em 09/11/2015), o faturamento (bem como a receita bruta) são receitas decorrentes exclusivamente da venda de bens e da prestação de serviços, motivo pelo qual estaría eivada de inconstitucionalidade a tributação intentada pela Lei n° 9.718/98. Ou seja, constatase que esta C. Turma Julgadora incorreu em lapso manifesto ao afirmar que não haveria qualquer circunstância que diferenciasse o PIS e a COFINS no presente caso. Isso porque, como visto, a Embargante evidenciou no item 2.7 do seu Recurso Voluntário uma questão que diferencia o PIS e a COFINS no presente caso, razão pela qual se conclui que, na realidade, o dispositivo do acórdão n° 1202001.132 que deu provimento unânime para COFINS estava correto, restando ausente/omissa somente a fundamentação que atesta a exclusão da COFINS no voto vencedor. Verifico que o acórdão que decidiu os referidos embargos da Fazenda Nacional entendeu que deveria ser mantido o lançamento de COFINS sem que fosse feita qualquer apreciação da incidência desse tributo sobre receitas de natureza financeira, conforme o seguinte excerto (fls. 556): Constatase que, na esteira do raciocínio adotado, a decisão deveria também a confirmar a parte não exonerada relativa à COFINS, o que não fez. Assim, pareceme que assiste razão á Fazenda Nacional e que a omissão do Acórdão decorreu de erro no dispositivo, que afastou a tributação da COFINS para o mês de Fl. 695DF CARF MF Processo nº 16561.000152/200771 Acórdão n.º 1201002.644 S1C2T1 Fl. 9 8 dezembro sem, contudo, apresentar o respectivo fundamento. Ante o exposto voto por ACOLHER os embargos da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para manter a autuação relativa à COFINS até o limite reconhecido pela decisão de primeira instância. O argumento de não incidência da COFINS sobre receitas financeiras é potencialmente capaz de alterar o resultado do julgamento embargado, de forma que é de apreciação obrigatória por parte da turma julgadora. Não havendo a necessária manifestação, entendo que os embargos de declaração devem ser admitidos para que a turma julgadora decida sobre a tributação da COFINS incidente sobre a variação cambial ativa, considerando a possibilidade de esta ser qualificada como receita financeira. 15. Passase à análise. 16. A autuação que exige Cofins, teve como base legal os arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002: Art. 2º As contribuições de que trata este Decreto têm como fatos geradores (Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 2º, e Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 13): I na hipótese do PIS/Pasep: a) o auferimento de receita pela pessoa jurídica de direito privado; e b) a folha de salários das entidades relacionadas no art. 9º; e II na hipótese da Cofins, o auferimento de receita pela pessoa jurídica de direito privado. Parágrafo único. Para efeito do disposto na alínea "a" do inciso I e no inciso II, compreendese como receita a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade exercida pela pessoa jurídica e da classificação contábil adotada para sua escrituração. (...) Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 1º, Lei nº 9.701, de 1998, art. 1º, Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, art. 5º, e Lei nº 9.718, de 1998, arts. 2º e 3º). Fl. 696DF CARF MF Processo nº 16561.000152/200771 Acórdão n.º 1201002.644 S1C2T1 Fl. 10 9 (...) § 2º Nas operações de câmbio, realizadas por instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil: I considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço da venda e o preço da compra da moeda estrangeira; e II a diferença negativa não poderá ser utilizada para a dedução da base de cálculo destas contribuições. (...) 17. Sendo que a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, determinava: Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. 18. Consta do termo de Verificação Fiscal, págs. 181/185: 2.6 O Capital Social da Controlada, que era de US$ 125.000.000,00 (cento e vinte e cinco milhões de dólares) em 31/12/2001 foi sendo reduzido quase mês a mês, chegando a US$ 98.100.000,00 em 31/12/2002, produzindo variações cambiais, que devem ser reconhecidas como receitas ou despesas financeiras, conforme legislação referida a seguir. 2.7 Tratando das variações monetárias, diz o artigo 18 e seu parágrafo único, do DECRETOLEI n° 1598/77: Art 18 Deverão ser incluídas no lucro operacional as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações. Parágrafo único. As contrapartidas de variações monetárias de obrigações e as perdas cambiais e monetárias na realização de créditos poderão ser deduzidas para efeito de determinar o lucro operacional. 2.8 Consolidando a legislação referente ao assunto, temos os artigos 375, 378 e seu inciso II, do RIR/99: (...) Fl. 697DF CARF MF Processo nº 16561.000152/200771 Acórdão n.º 1201002.644 S1C2T1 Fl. 11 10 2.9 Nos termos da legislação referida, apuramos as variações monetárias ativas • / ganhos cambiais ocorrida(o)s em 2002, comparando a taxa de câmbio utilizada na conversão do crédito no momento da redução, com a taxa de câmbio de 2,7071, referente ao momento inicial do investimento do Contribuinte (31 de outubro de 2001). Os resultados serão considerados como lucro não reconhecido em variações monetárias ativas. (...) 3. DA BASE DE CÁLCULO TRIBUTÁVEL: (...) • Variações monetárias ativas / ganhos cambiais ocorrida(o)s em 2002, consideradas como lucro não reconhecido em variações monetárias ativas no valor total de R$ 11.738.610,00 (onze milhões, setecentos e trinta e oito mil, seiscentos e dez reais, referentes ao anocalendário de 2002. 19. Do transcrito se evidencia que a autuação do Cofins se deu sobre o valor de R$11.738.610,00, de variações monetárias ativas relativas à redução de capital de controlada no exterior, ou seja, sobre a realização de capital que a autuada detinha em controlada no exterior. Temse que consta da DIPJ 2003/2002 o Código da Atividade Econômica (CNAE Fiscal): 24.210/00 Fabricação de produtos petroquímicos básicos; e o objeto social da autuada, segundo o Estatuto Social de págs. 276/ era: Art. 4° A Sociedade tem por objeto: a) a participação, como sócia ou acionista em qualquer sociedade ou empreendimento; b) a indústria, o comércio, o desenvolvimento, a importação, a exportação, o transporte, a representação e a consignação de produtos petroquímicos, bem como subprodutos, compostos e derivados, tais como polipropileno, filmes de polipropileno, polietilenos, elastômeros e seus respectivos manufaturados; c) a locação ou empréstimo gratuito de bens de sua propriedade ou que possua em decorrência de contrato de arrendamento mercantil, desde que efetivada como atividade meio para o objeto social preconizado na alínea "b" acima, e d) a prestação de serviços relacionados as atividades acima. 20. Entende esta relatora que variações monetárias ativas relativas à redução de capital de controlada no exterior, não se configuram como receita operacional, nesta empresa, mas sim, receitas financeiras. 21. Ocorre que, conforme Nota PGFN/CNJ/nº 1.114/2012, em resposta a consulta encaminhada pela Secretaria da RFB, sobre a delimitação de matéria decidida nos julgados submetidos à sistemática de julgamento disposta nos artigos 543B e 543C do Código do Processo Civil, constantes da lista por ela apresentada, com a finalidade de subsidiar a aplicação, por parte daquela secretaria, do Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011: Fl. 698DF CARF MF Processo nº 16561.000152/200771 Acórdão n.º 1201002.644 S1C2T1 Fl. 12 11 154. Caso o entendimento firmado pelo STF ou pelo STJ, na forma dos arts. 543B ou 543C do CPC, conclua no sentido de ser indevido determinado montante de natureza tributária ou não tributária, ou algum acréscimo sobre ele incidente, cumpre à PGFN: deixar de realizar a inscrição em dívida ativa da União e o ajuizamento das execuções fiscais em relação aos valores considerados indevidos; promover, conforme o caso, o cancelamento ou a retificação das inscrições já efetuadas, excluindo o montante reputado indevido pelos Tribunais Superiores; solicitar, após as providências do item (ii) supra, a desistência total ou parcial da execução fiscal, devendo, nesse último caso, solicitar o seu prosseguimento apenas com relação aos valores remanescentes. Devese pugnar, ainda, pelo afastamento da condenação em honorários advocatícios, aplicandose, por analogia, o entendimento consignado no Parecer PGFN/CRJ nº 891/2010. 22. Assim, esclareceu a Nota: Em face disso, e em resposta à consulta da RFB, segue em lista anexa a esta Nota a delimitação dos julgados proferidos pelo STF e STJ, relacionados pela RFB, para efeitos de que aquele órgão proceda ao cumprimento, no seu âmbito, do quanto disposto no Parecer PGFN 2025/2011. 23. No Anexo à Nota, consta: ANEXO (Delimitação da matéria decidida – consoante solicitação da RFB) I – Julgamentos submetidos à sistemática do art. 543B (repercussão geral) do Código de Processo Civil desfavoráveis à Fazenda Nacional 1 RE n. 585.235 Relator: Min. Cezar Peluso Recorrente: UNIÃO Recorrido: IRMAZI – Administração e Participações LTDA. Data de julgamento: 10/09/2008 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). OBSERVAÇÃO: Como visto, o STF entendeu que a COFINS/PIS somente pode incidir sobre receitas operacionais das empresas (ligadas às suas atividades principais), sendo inconstitucional a sua incidência sobre as receitas não operacionais (p.ex. aluguel de imóvel). Sendo assim, percebese que a Fl. 699DF CARF MF Processo nº 16561.000152/200771 Acórdão n.º 1201002.644 S1C2T1 Fl. 13 12 COFINS/PIS incidem sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira), eis que as mesmas possuem natureza de receitas operacionais. Ou seja, a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, não impede que a COFINS/PIS incidam sobre as receitas decorrentes dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Tal entendimento restou firmado no Parecer PGFN/CAT n. 2773/2007,e, posteriormente, foi reiterado pelas Notas PGFN/CRJ n.178/2009 e n. 842/2009. Assim, diante disso, as unidades da PGFN devem continuar contestando/recorrendo em face de demandas/decisões que invoquem o precedente acima referido (declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1 º da Lei n. 9.718/98) a fim de afastar a incidência de PIS/COFINS sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Sobre o tema, confiramse as ME/PGFN/CRJ 554, 642 e 748, disponíveis na intranet. DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). 24. O referido Acórdão do Pleno do STF, decidiu: 10/09/2008 TRIBUNAL PLENO REPERCUSSÃO GERAL POR QUEST. ORD. EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO 585.2351 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. CEZAR PELUSO RECORRENTE(S) : UNIÃO ADVOGADO(A/S) : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO(AZS) : IRMAZI ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA ADVOGADO(AZS) : DANIEL BARROS GUAZZELLI E OUTRO(A/S) EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 39, § 1º, da Lei n9 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rei. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006: REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rei. Min. MARCO AURELIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso impróvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFÍNS prevista no art. 3ºt § 1°, da Lei nº 9.718/98. 25. Pelo exposto, a exigência de Cofins sobre variações monetárias ativas relativas à redução de capital de controlada no exterior, deve ser cancelada. Conclusão. Voto por ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes em relação à Cofins. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 16561.000152/200771 Acórdão n.º 1201002.644 S1C2T1 Fl. 14 13 (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 701DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.005203/2005-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. SITUAÇÕES FÁTICAS SEMELHANTES. COTEJO ANALÍTICO. CORRETA COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA.
O Recurso Especial da Divergência deve ser conhecido sempre que restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
O recurso deve apresentar elementos suficientes que comprovem a alegada divergência, sendo desnecessária a realização de comparativo ponto a ponto entre acórdão recorrido e paradigma
ITR. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. BASE DE CÁLCULO. VALOR DO IMPOSTO DECLARADO.
A entrega intempestiva da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, antes de iniciado o procedimento fiscal, enseja o lançamento da multa por atraso aplicada sobre o valor do imposto apurado e informado pelo contribuinte na respectiva declaração, sendo indevida a exigência da referida multa sobre o imposto apurado de ofício que serviu de base para a multa do lançamento de ofício.
Numero da decisão: 9202-007.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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PRESSUPOSTOS. SITUAÇÕES FÁTICAS SEMELHANTES. COTEJO ANALÍTICO. CORRETA COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. O Recurso Especial da Divergência deve ser conhecido sempre que restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. O recurso deve apresentar elementos suficientes que comprovem a alegada divergência, sendo desnecessária a realização de comparativo ponto a ponto entre acórdão recorrido e paradigma ITR. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. BASE DE CÁLCULO. VALOR DO IMPOSTO DECLARADO. A entrega intempestiva da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, antes de iniciado o procedimento fiscal, enseja o lançamento da multa por atraso aplicada sobre o valor do imposto apurado e informado pelo contribuinte na respectiva declaração, sendo indevida a exigência da referida multa sobre o imposto apurado de ofício que serviu de base para a multa do lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 52 03 /2 00 5- 61 Fl. 322DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração relativo à multa por atraso na entrega da Declaração de Imposto Territorial Rural – DITR, Exercício 2000, imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o n° 5.380.2942, localizado no município de Mirador MA. A base legal que fundamenta a exigência são os artigos 6º ao 9º da Lei nº 9.393/96. Após o trâmite processual, a 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para concluir que a base de cálculo para incidência da multa por atraso no cumprimento da obrigação acessória é o valor do imposto declarado pelo contribuinte. O acórdão 220201.760 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR. ILEGITIMIDADE PASSIVA , SUJEITO PASSIVO. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Assim, está enquadrado no pólo passivo da relação tributária como contribuinte do Imposto Territorial Rural a pessoa física ou jurídica que tenha registro de terras em seu nome, enquanto não cancelado o registro imobiliário, nos termos da Lei de Registros Públicos. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA MAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. PENALIDADE MÍNIMA. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega de DIAC/DIAT sobre o valor lançado de oficio, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração, devendo ser respeitado o valor mínimo de penalidade, R$50,00. Contra decisão a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de Divergência. Citando como paradigma o acórdão nº 30335.338 aduz a Recorrente que o cálculo da multa por atraso na entrega da declaração nos termos do art. 7º da Lei n. 9.393 deve Fl. 323DF CARF MF Processo nº 19679.005203/200561 Acórdão n.º 9202007.252 CSRFT2 Fl. 323 3 ser feito com base no imposto efetivamente devido, conceito que não se confunde com imposto declarado. Intimado o Contribuinte apresentou contrarrazões onde foram abordados três pontos: 1) não conhecimento do recurso por ausência de cotejo analítico, 2) a base de cálculo da multa é o valor do imposto declarado e, por fim, 3) reitera sua tese de ilegitimidade passiva pois tal condição lhe foi reconhecida em relação à cobrança da obrigação principal fato que conduz ao cancelamento da respectiva obrigação acessória. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Em sede de contrarrazões defende o contribuinte o não conhecimento do recurso. Inicialmente destaco que o conceito de 'cotejamento analítico' já é discussão superada neste Colegiado tendo sido firmado entendimento no sentido de que o recurso deve apresentar elementos suficientes que comprovem a alegada divergência, sendo desnecessária a realização de comparativo ponto a ponto entre acórdão recorrido e paradigma. Mesmo assim, a meu ver, ao contrário do alegado em sede de contrarrazões, houve a correta comprovação da divergência entre o acórdão recorrido e aquele eleito como paradigmas pela parte. A Recorrente além de transcrever a ementa e juntar o inteiro teor da decisão ainda colaciona trechos do voto que abordam o entendimento do colegiado paradigmático sobre o tema. A divergência foi assim delimitada: A Câmara a quo firmou o entendimento de que a base de calculo da multa por atraso na entrega da DIAC/DIAT é o valor declarado pelo sujeito passivo, e não o valor do ITR devido após o lançamento tributário. Em breve síntese, o votocondutor afirma enexistir base legal para a aplicação da multa sobre o tributo lançado de ofício. De outra banda, o acórdão pardigma, diante da mesma controvérsia, decidiu que o quantum da multa é definido com base no imposto efetivamente devido. Assim, cumpridos os pressuposto, conheço do recurso. Do Mérito: Fl. 324DF CARF MF 4 No mérito, conforme exposto, a questão objeto do recurso referese à definição acerca da base de cálculo sobre a qual deve incidir a multa por atraso na entrega da Declaração do ITR. E sobre o tema esta Câmara Superior adota entendimento semelhante ao aplicado pelo acórdão recorrido. Peço licença pra transcrever parte do voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no acórdão 9202005.613, o qual adoto como razões de decidir: Assim, como já devidamente enfrentado pelo acórdão recorrido o contribuinte do ITR está obrigado a entregar, anualmente, o Documento de Informação e Apuração do ITR – DIAT – que junto com o Documento de Informação e Atualização Cadastral do ITR compõem a DITR, correspondente a cada imóvel de sua propriedade nas datas e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal (art. 8º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996). De acordo com o art. 9º da Lei no 9.393, de 1996, a entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeita à multa prevista no art. 7º da mesma lei que dispõe in verbis (grifei): Art. 7º No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. A multa por atraso na entrega da DITR tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração, respeitandose o limite mínimo de R$ 50,00. Não há como interpretar que o legislador iria instituir uma base de cálculo de multa, já fazendo previsão de que o valor declarado pelo contribuinte encontrase incorreto e que a multa pela declaração seria consubstanciada em base atribuída pela fiscalização. Para chegar a esse entendimento, bastanos analisar sistematicamente os dispositivos, ou seja, ao estabelecer a multa pelo atraso na entrega da declaração, estabeleceu o legislador que deve o sujeito passivo pagar uma multa, e estabeleceu esse valor sobre o valor devido. O único valor devido nesse momento é o declarado pelo contribuinte em sua DITR. Tanto o é que, eventuais diferenças de ITR apuradas em procedimento de ofício tem como fundamento legal dispositivo posterior, qual seja o art. 14 da Lei no 9.393, de 1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 19679.005203/200561 Acórdão n.º 9202007.252 CSRFT2 Fl. 324 5 §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1o, inciso II da Lei no 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. §2o As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Da leitura dos dispositivos acima, podemos constatar que no caso de falta de entrega da DITR ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, procederá a autoridade fiscal ao lançamento do imposto acrescido da multa de ofício aplicável aos demais tributos federais, ou seja, aquela prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Isto posto, concluise que a multa por atraso na entrega da DITR aplicase apenas quando a declaração for entregue espontaneamente (antes do procedimento de ofício) e sobre o valor do imposto devido apurado pelo contribuinte. ... Citese que essa mesma CSRF em apreciando questão idêntica já se manifestou acerca da procedência da referida multa, contudo, fazendo ressalvas com relação ao valor aplicado, conforme se depreende da leiturado voto proferido pelo Acórdão nº 9202 003.966, Macedo de relatoria do Conselheiro Gerson senão vejamos: A multa em questão deve ser apurada sobre o valor do imposto devido, sem prejuízo da multa e dos juros devidos pela insuficiência de recolhimento do imposto ou quota, conforme previsto nos arts. 7º e 9º da Lei nº 9.393, de 1996, que assim dispõe: “Art. 7º No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. (...) Art. 9º A entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art. 7º, sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota.” Como se pode ver, a norma em questão traz a multa pelo atraso na entrega da declaração, que é composta pela DIAC e pela DIAT, sobre o valor do imposto devido e este, pela interpretação da norma, somente pode ser o valor do imposto declarado. Fl. 326DF CARF MF 6 Partese da premissa de que o que foi declarado é o valor correto. E isso não pode ser diferente, pois não se pode presumir a má fé do contribuinte, essa deve ser provada. Como já decidido em diversas ocasiões anteriores, não há base legal para se calcular referida multa sobre outra base. Frisese que a maioria das decisões desse Conselho tem caminhado nesse sentido. Até mesmo a própria CSRF, por unanimidade, já se posicionou nesse sentido, conforme se pode depreender do Acórdão 920200.280, cuja ementa segue abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega da DIAC sobre o valor lançado de oficio, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração. Assim, concluise que a base de cálculo da multa por atraso na entrega da DITR é o valor do imposto declarado pelo contribuinte, mesmo havendo posterior lançamento de ofício para cobrança de imposto suplementar. Por fim, vale destacar informação que deve ser avaliada quanto da eventual execução do julgado. Conforme relatado foram juntados aos autos cópia de decisão judicial proferida em Exceção de Préexecutividade onde a Justiça Federal de São Paulo julgou extinta a Ação de Execução Fiscal nº 00374256620134036182 ajuizada pela União para cobrança do ITR (obrigação principal) relativa ao mesmo exercício de 2000. Segundo consta da cópia da decisão judicial juntada às fls. 313/318 a ilegitimidade passiva do Recorrido se sustenta em decisão já transitada em julgado e por meio da qual foi determinado o cancelamento da averbação na matrícula do imóvel do evento que atestava a aquisição da propriedade, tornando a inexistente com efeitos ex tunc. Conclusão Diante do exposto, conheço recurso e negolhe provimento, mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 327DF CARF MF Processo nº 19679.005203/200561 Acórdão n.º 9202007.252 CSRFT2 Fl. 325 7 Fl. 328DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16143.000208/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantém-se a multa moratória imposta pela fiscalização.
Numero da decisão: 1402-003.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o Relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Leonardo Luis Pagano Gonçalves que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marco Rogério Borges.
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Marco Rogério Borges - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausentes, momentaneamente os conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN não pode ser aplicado aos casos de compensação tributária, que depende de posterior homologação, pois não equivalente a um pagamento. Em consequência, mantémse a multa moratória imposta pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o Relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Leonardo Luis Pagano Gonçalves que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marco Rogério Borges. Paulo Mateus Ciccone Presidente. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Marco Rogério Borges Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 14 3. 00 02 08 /2 01 0- 14 Fl. 438DF CARF MF 2 Cabianca Vieira, Marco Rogério Borges, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausentes, momentaneamente os conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém/PA que, por unanimidade de votos, decidiu julgar improcedente a Manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente em face do despacho decisório que homologou parcialmente o direito de crédito pleiteado na PER/DCOMP nº 33503.75016.091105.1.3.029389, por supostamente não terem sido imputadas as multas moratórias. Ante ao minucioso relatório empreendido pela DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: Versa o presente processo sobre a Manifestação de Inconformidade (fls. 40 49), apresentada contra o Despacho Decisório nº 863119357 (fl. 0306), de 19/05/2010, que por vez homologou parcialmente a(s) compensação(s) declarada(s) no(s) PER/DCOMP nº 33503.75016.091105.1.3.029389. O demonstrativo de crédito se encontra no PER/DCOMP nº 07005.27587.261005.1.3.027118. A(s) compensação(ões) tem(êm) por crédito um saldo negativo de IRPJ, ano calendário 2004, no valor de R$ 659.836,64, composto por retenções na fonte. O direito creditório foi totalmente reconhecido, no entanto insuficiente para compensar os débitos declarados no PerDcomp, conforme exposto no trecho reproduzido do despacho decisório. O detalhamento da compensação se encontra às folhas 9596. O sujeito passivo tomou ciência da decisão, em 26/05/2010 (fl. 08), e apresentou sua Manifestação de Inconformidade, em 25/06/2010, na qual alegou em síntese que: 111.1 — DA VIOLAÇÃO AO ARTIGO 74, § 1º, DA LEI N° 9.430/96 [...] a DERAT usou parte do crédito em questão para a compensação de supostos débitos de multa moratória, os quais são absolutamente indevidos, não só em razão da denúncia espontânea da infração o que será devidamente abordado adiante , mas também porque tais débitos não foram objeto dos PER/DCOMP's apresentados. [...] o artigo 74, § 1º , da Lei n° 9.430/96, é claro ao dispor que "A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados". Fl. 439DF CARF MF Processo nº 16143.000208/201014 Acórdão n.º 1402003.411 S1C4T2 Fl. 439 3 [...] é vedada à Autoridade Administrativa a alteração das informações constantes da Declaração de Compensação [...] especialmente se estas alterações disserem respeito aos débitos indicados [...] E nem se diga que, por se tratar de falta de pagamento de multa relacionada aos débitos objeto das compensações em tela, estaria a Autoridade Administrativa dispensada de constituir o crédito tributário, pois como se vê do disposto no artigo 43, da Lei n° 9.430/96, tal argumento não se sustenta. [...] 0 dispositivo em questão é de uma clareza meridiana ao prever, expressamente, a possibilidade de ser formalizada [...] a exigência de multa "isolada", não havendo que se falar na cobrança destes acréscimos moratórios sem a devida constituição do crédito tributário e, muito menos, sua compensação "de oficio". III. 2 DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA DOS DÉBITOS COMPENSADOS [...] a compensação equivale ao pagamento antecipado[...] Este é [...] o entendimento do Colendo Superior Tribunal de Justiça, que é firme no posicionamento de que "a compensação efetuada possui efeito de pagamento sob condição resolutória" (RESP 1.136.372—RS, Ministro Hamilton Carvalhido, 15.12.2009). [...] considerando que a Manifestante promoveu a compensação dos débitos mediante a apresentação das competentes Declarações de Compensação à Secretaria da Receita Federal do Brasil [...], antes da entrega das DCTFs e qualquer procedimento fiscal, resta, assim, configurada a denúncia espontânea, nos estritos termos do artigo 138, do Código Tributário Nacional. Não é outro o entendimento do C. Superior Tribunal de Justiça, como se extrai da ementa abaixo transcrita: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇAO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. Fundada a decisão na jurisprudência dominante do Tribunal, não há falar em óbice para que o relator julgue o recurso especial com fundamento no artigo 557 do Código de Processo Civil. 2. CARACTERIZADA A DENUNCIA ESPONTANEA, QUANDO EFETUADO O PAGAMENTO DO TRIBUTO EM GUIAS DARF E COM A COMPENSAÇÃO DE VÁRIOS CRÉDITOS, MEDIANTE DECLARAÇÃO À RECEITA FEDERAL, ANTES DA ENTREGA DAS DCTFS E DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL, AS MULTAS MORATÓRIAS OU PUNITIVAS DEVEM SER EXCLUÍDAS. 3. Agravo regimental improvido. (STJ, la Turma, AGRESP AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 1136372, Relator HAMILTON CARVALHIDO, Diário Oficial 18/05/2010 – destaques da Manifestante) [...] uma vez configurada a denúncia espontânea, afigurase cabível a exclusão das multas moratórias e punitivas, conforme entendimento sedimentado no âmbito do Colendo Superior Tribunal de Justiça, verbis: Fl. 440DF CARF MF 4 “TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA EXCLUSÃO. LEI 8.212/91, ART. 35, I. COMPATIBILIDADE COM 0 ART. 138 DO CTN. 1. É desnecessário fazer distinção entre multa moratória e multa punitiva, visto que ambas são excluídas em caso de configuração da denúncia espontânea. Precedentes. 2. O art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009, era inteiramente compatível com o instituto previsto no art. 138 do CTN. 3. Recurso especial a que se nega provimento." (REsp 774.058/PR, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 15/10/2009 destaques da Manifestante) "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. COMPENSAÇÃO DE MULTA COM TRIBUTO. IMPOSSIBILIDADE. MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. NATUREZA DA MULTA. 1. O pagamento integral em atraso de tributos, sem que tenha sido iniciado procedimento administrativo, configurase denúncia espontânea, hipótese amparada pelo artigo 138 do Código Tributário Nacional. 2. Ressalto que não se admite a denúncia espontânea nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, apenas quando ocorrer a declaração desacompanhada de pagamento, o que não foi ventilado. 3. A regra desse dispositivo não estabelece distinção entre multa moratória e punitiva com o fito de excluir apenas esta última. 4. A jurisprudência desta Corte não admite a compensa cão de valores recolhidos indevidamente a titulo de multa moratória com tributo. 5. Agravo regimental improvido." (AgRg no REsp 792.628/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/02/2006, DJ 03/05/2006 p. 187 destaques da Manifestante) A r. DRJ de São Paulo proferiu decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Considerase homologada apenas parcialmente a Declaração de Compensação quando insuficiente o crédito apontado como compensável. COMPENSAÇÃO APÓS VENCIMENTO. EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA. CABIMENTO. A legislação de regência autoriza a exigência de multa de mora e juros de mora às compensações efetuadas após o vencimento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS. Somente se considera denúncia espontânea aquela ocorrida nos limites definidos no art. 138 do Código Tributário Nacional, ou seja, quando haja comunicação de infração relativa a fato desconhecido por parte da Administração Tributária, antes de qualquer iniciativa de ofício a ela relacionada e acompanhada do pagamento do tributo e dos respectivos juros, se for o caso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Fl. 441DF CARF MF Processo nº 16143.000208/201014 Acórdão n.º 1402003.411 S1C4T2 Fl. 440 5 A Recorrente apresentou este Recurso Voluntário em que sustenta que (i) teria procedido à denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, de sorte que não haveria que se falar em multa; e (ii) se as multas fossem devidas, elas deveriam ter sido cobradas mediante a lavratura de auto de infração. Afirma a ilegalidade na inclusão das multas moratórias aos débitos compensados sem que a Recorrente tenha incluído expressamente em sua DCOMP. Nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96 cabe ao sujeito passivo indicar quais os débitos e créditos serão compensados, não podendo a administração apontálos de ofício como o fez, sob pena de ilegalidade. Tal entendimento prevaleceria não só a partir da literalidade do art. 74 supracitado, mas também do art. 142 do CTN em conjunto com o art. 43 da Lei 9.430/96 que permite a lavratura de auto de infração para veicular tão somente a cobrança de juros e de multa. Cita precedente do e. STJ que corrobora seu entendimento. Caso não se considere ilegal o ato praticado pelo fisco, ainda assim deveria o ato da Recorrente ser considerado uma denuncia espontânea nos moldes do art. 138 do CTN. Na determinação dos critérios do art. 138 do CTN, pagamento não se resume a pagamento em pecúnia, mas tem um sentido mais amplo, conforme se retira da interpretação de inúmeros dispositivos do CTN. Apresenta precedentes do CARF equiparando compensação a pagamento para fins de denúncia espontânea. Cita a Solução de consulta COSIT 190/2015 que dá interpretação ampla ao termo pagamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO 2.1 – DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Quanto a denúncia espontânea, decidiu a r. DRJ que: No caso concreto, a prévia comunicação de infração relativa a fato desconhecido por parte da Administração Tributária (ainda que existente) não se fez acompanhar do pagamento do tributo e dos respectivos juros, tratandose esta de condição cuja inobservância, por si só, obsta a pretensão do contribuinte (não se há de olvidar que a compensação não equivale a pagamento, tratandose de institutos sabidamente diversos). Por decorrência, não restou configurada a denúncia espontânea dos referidos débitos, nos moldes prescritos no art. 138 do CTN e nos exatos limites estabelecidos pelo Superior Tribunal de Justiça em seus paradigmas Fl. 442DF CARF MF 6 Ou seja, pautou seu entendimento na premissa de que compensação e pagamento não são equivalentes. Se entendermos aplicável a denúncia espontânea são afastados juros de mora e multa, e a compensação é suficiente, mas caso entendamos que não é aplicável, o pagamento é insuficiente, o que justifica seu afastamento. Ou seja, decidir pela validade da denúncia espontânea depende da suficiência do pagamento, enquanto a suficiência do pagamento depende de aceitarmos a aplicação da denúncia espontânea em casos de compensação. Nesse cenário, primeiro devemos nos perguntar: a compensação equivale a pagamento? Entendo que a resposta seja positiva. Pois como bem apontado pela Recorrente, a expressão pagamento em nosso sistema jurídico tributário não se restringe a pagamento em pecúnia. Em diversas oportunidades utilizouse a expressão “pagamento” para se referir a extinção do crédito tributário. A meu ver, não merece respaldo a limitação da denúncia espontânea ao pagamento em pecúnia, mas sim deve ser incentivada, ou seja, ampliandose o sentido semântico do termo pagamento. É o que se extrai da Solução de Consulta Cosit nº 190/2015: O vocábulo “pagamento”, em sentido jurídico e geral, corresponde a qualquer fato jurídico que extingue uma obrigação (o que contemplaria até o perdão e a renuncia); em sentido próprio, corresponde a extinção de uma obrigação motivada pelo cumprimento da prestação. Desse modo, como afirma Plácido e Silva (Vocabulário Jurídico, Rio de Janeiro: Forense, 9ª ed, p. 305): “evidenciando um pagamento efetivo, tanto se refere à entrega de uma soma em dinheiro, correspondente ao objeto da obrigação, como ao cumprimento de prestação de outra espécie, isto é não representada por dinheiro”. Nesse caso, não há porque limitar o sentido do termo pagamento para fins de denúncia espontânea, quando se amplia para ensejar a tributação. Deve haver coerência no sistema jurídico, sob o risco de arbitrariedade. Por isso que a Constituição Federal impõe a exigência de motivação dos atos da administração em seu art. 37. Isto posto, entendo que compensação equivale a pagamento. Se isso é verdade, não há que se falar em incidência de juros como sustenta a Recorrente. Se não há juros, o montante indicado para compensação se mostra suficiente. Devendo ser reformado o r. acórdão recorrido. 2.2 – DA ILEGALIDADE DA IMPUTAÇÃO DE JUROS DE MORA A Recorrente alega a ilegalidade da inclusão de juros de mora na compensação, o que violaria potencialmente o art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 16143.000208/201014 Acórdão n.º 1402003.411 S1C4T2 Fl. 441 7 § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Ocorre que o procedimento da autoridade administrativa não consiste em alteração dos débitos apontados na PER/DCOMP como raciocina a Recorrente. Isto porque o art. 61 da Lei 9.430/96 dispõe que incidem juros moratórios sobre o débito vencido: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. É bem verdade que o art. 43 da Lei n º 9.430/96 dispõe que pode ser lavrado auto de infração para cobrança isolada de multa ou juros de mora. Mas no caso, houve pagamento, e explorarei melhor este ponto na sequência, de vários débitos (neste momento atualizados) e cuja imputação se deu nos termos do art. 163 do CTN: Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; III na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV na ordem decrescente dos montantes. Nestes termos decidiu, por exemplo, a e. CSRF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS Os débitos a serem compensados, incluídos em DCOMP entregue após a data dos seus respectivos vencimentos, serão acrescidos de juros de mora e de multa de mora, na forma da legislação de regência, incidentes desde a data prevista para pagamento até a data da entrega da Declaração de Compensação. Fl. 444DF CARF MF 8 (Processo Administrativo nº 13227.000409/200960, Acórdão nº 9101003.658 – 1ª Turma , Relator Conselheira Viviane Vidal Wagner, julgado em 04 de julho de 2018) Por estes motivos, entendo que não haveria ilegalidade na imputação de pagamento aos débitos atualizados nos termos da legislação de regência, caso não aplicável a denúncia espontânea. 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela reforma do r. Acórdão recorrido para garantir o direito de crédito pleiteado. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Voto Vencedor Conselheiro Marco Rogério Borges Redator Designado Como de costume, o voto do ilustre Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira está muito bem fundamentado. Contudo, este colegiado, após ampla discussão, divergiu do seu entendimento, no tocante à equiparação de compensação à pagamento para fins de constatação de denúncia espontânea. O art. 138 do CTN é taxativo na sua disposição que a denúncia espontânea deve ser acompanhada do pagamento do tributo1. Não há condições de considerar a compensação como forma de pagamento por se tratar de uma extinção do crédito tributário, pois há outras modalidades de extinção elencados no art. 156 do CTN. Igualmente, não há, até o momento, nenhuma norma no âmbito do Ministério da Fazenda e nem precedente que vincule este Conselho para tal entendimento. Inclusive, há decisão do E. STJ do tema em sentido contrário ao pleiteado pela recorrente: 1 rt. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 16143.000208/201014 Acórdão n.º 1402003.411 S1C4T2 Fl. 442 9 AgInt no REsp 1568857/PR AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL 2015/02977680 Relator: Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 16/05/2017 Data da Publicação: DJe 19/05/2017 EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (grifamos) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente), Francisco Falcão e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. REsp 1657437/RS RECURSO ESPECIAL 2017/00461010 Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA Data do Julgamento: 04/04/2017 Data da Publicação: DJe 25/04/2017 EMENTA TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. Fl. 446DF CARF MF 10 1. Hipótese em que o Tribunal local consignou: "o instituto da denúncia espontânea é perfeitamente aplicável aos casos em que o pagamento do tributo é realizado através da compensação" (fl. 665, eSTJ). 2. A Segunda Turma do STJ no julgamento do REsp 1.461.757/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, firmou o entendimento de que "a extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". 3. Recurso Especial provido.(grifamos) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: ""A Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)."Os Srs. Ministros Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (Presidente) e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator." Ou seja, tal decisão segue a linha que difere a situação de pagamento e compensação para fins de reconhecimento da denúncia espontânea. Neste sentido, deve haver a aplicação de multa de mora no caso concreto, o que acarretaria um crédito menor do que o débito declarado/confessado em PER/Dcomp. Seria um caso de imputação proporcional, que está perfeitamente legal, como já emanado no voto vencido do nobre relator. Dito isto, NEGASE PROVIMENTO ao recurso voluntário no tocante a este item cujo o relator foi vencido no julgamento do colegiado. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 447DF CARF MF
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Numero do processo: 13811.000931/99-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado
Relatório
Trata-se, o presente procedimento administrativo, de pedido de restituição de créditos relativos aos anos-calendários de 1997 e 1998, cumulado com pedido de compensação de débitos próprios e de terceiros, apresentado pela empresa Rodhia Brasil Ltda, ora Recorrente.
Em Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Paulo (SP) (fls. 139 e seguintes), foi reconhecido parte do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, nos seguintes termos:
Resumindo, em decorrência do exposto concluímos que o contribuinte dispõe de crédito comprovado de Imposto de Renda relativo ao ano-calendário de 1997 no montante de R$ 370.910,08 e, relativo ao ano-calendário de 1998, de R$ 17.501.316,56.
Ressalte-se que os valores apontados pelo contribuinte em seu pedido de restituição eram de R$561.835,45, para o ano de 1997 e R$18.049.710,91, para o ano de 1998.
Não concordando com o reconhecimento parcial do seu direito creditório, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 145 e seguintes), sustentando, em síntese, que, para o ano-calendário de 1997, "não foram consideradas algumas deduções de imposto de renda na fonte indicadas nos documentos nº 18 e 19, em que constam valores retidos a título de IREI-Fonte, nas operações de serviços prestados e aplicações financeiras".
Ressalte-se que, como se depreende dos argumentos apresentados, para o ano-calendário de 1997, a própria recorrente assume em sua Manifestação de Inconformidade que as comprovações (informes de rendimentos) apresentadas em seu apelo só comprovam o valor de R$127.844,94 do direito creditório não reconhecido no valor de R$190.925,37 pela fiscalização.
Já para o ano-calendário de 1998, a Recorrente afirmou em seu apelo inaugural que "não foram consideradas algumas deduções de imposto de renda na fonte indicadas nos documentos n 20 e 21, em que constam valores retidos a titulo de IRPJ-Fonte, nas operações de serviços prestados e aplicações financeiras.parte do direito creditório não reconhecido."
Da mesma forma que no ano-calendário de 1997, para o ano de 1998, a Recorrente apresentou comprovantes inferiores ao direito creditório não reconhecido. Ante o não reconhecimento do valor de R$548.394,40 pela fiscalização, a Recorrente afirmou que estaria comprovado o valor de R$427.292,55, através dos informes de rendimentos acostados aos autos.
Ao analisar as argumentações e documentos apresentados pela Recorrente, em acórdão proferido (fls. 537 e seguintes), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), em um primeiro momento, demonstrou que, com o reconhecimento parcial do direito creditório foi possível quitar a integralidade dos débitos indicados nos pedidos de compensação. Assim, estar-se-ia, no presente momento, discutindo-se o crédito do contribuinte, já que não haveria débitos em aberto. Veja-se trecho do acórdão nestes termos:
Cabe inicialmente observar, conforme documento MF/SRF - DERAT/DIORT/ECRER/SP, à fl. 512, que após a homologação das compensações apresentadas pelo contribuinte constantes do presente processo, no limite do valor do crédito reconhecido, houve resultado de saldo credor favorável ao contribuinte.
Destarte, o presente: litígio diz respeito apenas ao valor do direito creditório reconhecido pela autoridade administrativa local e contestado pelo manifestante que aduz ter direito ao crédito em montante superior ao reconhecido.
No mérito, contudo, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem indeferir o pedido da Recorrente.
Na análise ao direito creditório do ano-calendário de 1997, argumentou, o julgador a quo, analisando os argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte, que "não há nos autos elementos que comprovem de forma inequívoca a alegada retenção de R$ 127.845,12 além do constante no sistema IRF CONSULTA no valor R$ 2.120.258,47, devendo permanecer inalterado o crédito apurado pela autoridade fiscal (...)".
No que tange ao ano-calendário de 1998, a decisão da DRJ, além de ter afirmado que a documentação apresentada pelo Recorrente não comprovaria o direito creditório invocado, afirmou que:
Ademais para que o alegado montante de R$ 22.477.406.80 (R$ 105.541,12, no doc. 20 + R$ 22.371.865,68, no doc. 21) possa ser efetivamente utilizado a título de imposto retido na fonte na linha 13 da Ficha 13 da DIPJ/1999, para fins de constituir o saldo credor do imposto de renda, dois requisitos são necessários:
1. Os rendimentos correspondentes às retenções devem ter sido devidamente computados no lucro real;
2. A empresa deve possuir e apresentar comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras em seu nome.
Assim, embora o interessado tenha apresentado alguns comprovantes de retenção sobre aplicações financeiras no doc. 21 que não constam do extrato do sistema IRF CONSULTA, os dados constantes da Ficha 07 Demonstração do Resultado da DIPJ/1999 (fls. 521 a 524), indicam que o contribuinte informou a título de "Receita da Prestação de Serviços" o valor de R$ 21.459.031,09 e a título de "Outras Receitas Financeiras" o valor de R$ 124.032.392,05, estando zeradas as linhas correspondentes aos "Ganhos auferidos no mercado de renda variável" e à "Receita de juros sobre o capital próprio".
Considerando-se que a totalidade do valor informado de R$ 124.032.392,05 como "Outras Receitas Financeiras" corresponda aos rendimentos cujas retenções foram declaradas em DIRF e constantes do sistema IRF CONSULTA e, somando-se este valor à R$ 21.459.031,09 (receita da prestação de serviços), obtém-se o montante de R$ 145.491.423,14, os quais correspondem ao total de rendimentos computados no lucro real.
O extrato do sistema IRF CONSULTA (fl. 118) informa, para o imposto retido na fonte de R$ 22.006.961,98, os rendimentos correspondentes de R$ 146.563.390,47, ou seja, superiores aos efetivamente oferecidos à tributação.
Destarte, não procede a alegação do manifestante de que teria direito a uma retenção na fonte no valor total de R$ 22.477.406,80, uma vez que não se verifica a efetiva comprovação de que o correspondente rendimento tenha sido computado no lucro real de 1998.
Desta forma, não ha reparos a se fazer quanto ao ano-calendário de 1998, devendo permanecer inalterado o crédito apurado pela autoridade fiscal.
O acórdão proferido pela DRJ de São Paulo recebeu a seguinte ementa:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IRRF. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não tendo sido comprovadas as retenções do imposto de renda sobre a prestação de serviços e aplicações financeiras, além dos valores declarados no sistema IRF Consulta, mantém-se o direito creditório apurado no Despacho Decisório.
IRRF. DEDUÇÃO. RENDIMENTOS DECLARADOS.
Os rendimentos correspondentes às retenções pleiteadas devem ter sido devidamente computados no lucro real, para que o contribuinte faça jus a dedução do imposto retido na fonte.
Solicitação Indeferida
Devidamente intimado do acórdão proferido por aquela DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 608 e seguintes), acostando aos autos farta documentação, em especial Notas Fiscais de prestações de serviços que, como alega, demonstrariam de forma inconteste as retenções devidamente comprovadas nos informes de rendimentos anteriormente apresentados, afirmando, assim, que não estaria correto o não reconhecimento do seu direito creditório.
Este é o relatório.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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Em Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Paulo (SP) (fls. 139 e seguintes), foi reconhecido parte do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, nos seguintes termos: Resumindo, em decorrência do exposto concluímos que o contribuinte dispõe de crédito comprovado de Imposto de Renda relativo ao ano-calendário de 1997 no montante de R$ 370.910,08 e, relativo ao ano-calendário de 1998, de R$ 17.501.316,56. Ressalte-se que os valores apontados pelo contribuinte em seu pedido de restituição eram de R$561.835,45, para o ano de 1997 e R$18.049.710,91, para o ano de 1998. Não concordando com o reconhecimento parcial do seu direito creditório, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 145 e seguintes), sustentando, em síntese, que, para o ano-calendário de 1997, "não foram consideradas algumas deduções de imposto de renda na fonte indicadas nos documentos nº 18 e 19, em que constam valores retidos a título de IREI-Fonte, nas operações de serviços prestados e aplicações financeiras". Ressalte-se que, como se depreende dos argumentos apresentados, para o ano-calendário de 1997, a própria recorrente assume em sua Manifestação de Inconformidade que as comprovações (informes de rendimentos) apresentadas em seu apelo só comprovam o valor de R$127.844,94 do direito creditório não reconhecido no valor de R$190.925,37 pela fiscalização. Já para o ano-calendário de 1998, a Recorrente afirmou em seu apelo inaugural que "não foram consideradas algumas deduções de imposto de renda na fonte indicadas nos documentos n 20 e 21, em que constam valores retidos a titulo de IRPJ-Fonte, nas operações de serviços prestados e aplicações financeiras.parte do direito creditório não reconhecido." Da mesma forma que no ano-calendário de 1997, para o ano de 1998, a Recorrente apresentou comprovantes inferiores ao direito creditório não reconhecido. Ante o não reconhecimento do valor de R$548.394,40 pela fiscalização, a Recorrente afirmou que estaria comprovado o valor de R$427.292,55, através dos informes de rendimentos acostados aos autos. Ao analisar as argumentações e documentos apresentados pela Recorrente, em acórdão proferido (fls. 537 e seguintes), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), em um primeiro momento, demonstrou que, com o reconhecimento parcial do direito creditório foi possível quitar a integralidade dos débitos indicados nos pedidos de compensação. Assim, estar-se-ia, no presente momento, discutindo-se o crédito do contribuinte, já que não haveria débitos em aberto. Veja-se trecho do acórdão nestes termos: Cabe inicialmente observar, conforme documento MF/SRF - DERAT/DIORT/ECRER/SP, à fl. 512, que após a homologação das compensações apresentadas pelo contribuinte constantes do presente processo, no limite do valor do crédito reconhecido, houve resultado de saldo credor favorável ao contribuinte. Destarte, o presente: litígio diz respeito apenas ao valor do direito creditório reconhecido pela autoridade administrativa local e contestado pelo manifestante que aduz ter direito ao crédito em montante superior ao reconhecido. No mérito, contudo, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem indeferir o pedido da Recorrente. Na análise ao direito creditório do ano-calendário de 1997, argumentou, o julgador a quo, analisando os argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte, que "não há nos autos elementos que comprovem de forma inequívoca a alegada retenção de R$ 127.845,12 além do constante no sistema IRF CONSULTA no valor R$ 2.120.258,47, devendo permanecer inalterado o crédito apurado pela autoridade fiscal (...)". No que tange ao ano-calendário de 1998, a decisão da DRJ, além de ter afirmado que a documentação apresentada pelo Recorrente não comprovaria o direito creditório invocado, afirmou que: Ademais para que o alegado montante de R$ 22.477.406.80 (R$ 105.541,12, no doc. 20 + R$ 22.371.865,68, no doc. 21) possa ser efetivamente utilizado a título de imposto retido na fonte na linha 13 da Ficha 13 da DIPJ/1999, para fins de constituir o saldo credor do imposto de renda, dois requisitos são necessários: 1. Os rendimentos correspondentes às retenções devem ter sido devidamente computados no lucro real; 2. A empresa deve possuir e apresentar comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras em seu nome. Assim, embora o interessado tenha apresentado alguns comprovantes de retenção sobre aplicações financeiras no doc. 21 que não constam do extrato do sistema IRF CONSULTA, os dados constantes da Ficha 07 Demonstração do Resultado da DIPJ/1999 (fls. 521 a 524), indicam que o contribuinte informou a título de "Receita da Prestação de Serviços" o valor de R$ 21.459.031,09 e a título de "Outras Receitas Financeiras" o valor de R$ 124.032.392,05, estando zeradas as linhas correspondentes aos "Ganhos auferidos no mercado de renda variável" e à "Receita de juros sobre o capital próprio". Considerando-se que a totalidade do valor informado de R$ 124.032.392,05 como "Outras Receitas Financeiras" corresponda aos rendimentos cujas retenções foram declaradas em DIRF e constantes do sistema IRF CONSULTA e, somando-se este valor à R$ 21.459.031,09 (receita da prestação de serviços), obtém-se o montante de R$ 145.491.423,14, os quais correspondem ao total de rendimentos computados no lucro real. O extrato do sistema IRF CONSULTA (fl. 118) informa, para o imposto retido na fonte de R$ 22.006.961,98, os rendimentos correspondentes de R$ 146.563.390,47, ou seja, superiores aos efetivamente oferecidos à tributação. Destarte, não procede a alegação do manifestante de que teria direito a uma retenção na fonte no valor total de R$ 22.477.406,80, uma vez que não se verifica a efetiva comprovação de que o correspondente rendimento tenha sido computado no lucro real de 1998. Desta forma, não ha reparos a se fazer quanto ao ano-calendário de 1998, devendo permanecer inalterado o crédito apurado pela autoridade fiscal. O acórdão proferido pela DRJ de São Paulo recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IRRF. NÃO COMPROVAÇÃO. Não tendo sido comprovadas as retenções do imposto de renda sobre a prestação de serviços e aplicações financeiras, além dos valores declarados no sistema IRF Consulta, mantém-se o direito creditório apurado no Despacho Decisório. IRRF. DEDUÇÃO. RENDIMENTOS DECLARADOS. Os rendimentos correspondentes às retenções pleiteadas devem ter sido devidamente computados no lucro real, para que o contribuinte faça jus a dedução do imposto retido na fonte. Solicitação Indeferida Devidamente intimado do acórdão proferido por aquela DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 608 e seguintes), acostando aos autos farta documentação, em especial Notas Fiscais de prestações de serviços que, como alega, demonstrariam de forma inconteste as retenções devidamente comprovadas nos informes de rendimentos anteriormente apresentados, afirmando, assim, que não estaria correto o não reconhecimento do seu direito creditório. Este é o relatório.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado Relatório Tratase, o presente procedimento administrativo, de pedido de restituição de créditos relativos aos anoscalendários de 1997 e 1998, cumulado com pedido de compensação de débitos próprios e de terceiros, apresentado pela empresa Rodhia Brasil Ltda, ora Recorrente. Em Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Paulo (SP) (fls. 139 e seguintes), foi reconhecido parte do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, nos seguintes termos: Resumindo, em decorrência do exposto concluímos que o contribuinte dispõe de crédito comprovado de Imposto de Renda relativo ao ano RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 11 .0 00 93 1/ 99 -9 1 Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 13811.000931/9991 Resolução nº 1302000.690 S1C3T2 Fl. 1.984 2 calendário de 1997 no montante de R$ 370.910,08 e, relativo ao ano calendário de 1998, de R$ 17.501.316,56. Ressaltese que os valores apontados pelo contribuinte em seu pedido de restituição eram de R$561.835,45, para o ano de 1997 e R$18.049.710,91, para o ano de 1998. Não concordando com o reconhecimento parcial do seu direito creditório, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 145 e seguintes), sustentando, em síntese, que, para o anocalendário de 1997, "não foram consideradas algumas deduções de imposto de renda na fonte indicadas nos documentos nº 18 e 19, em que constam valores retidos a título de IREIFonte, nas operações de serviços prestados e aplicações financeiras". Ressaltese que, como se depreende dos argumentos apresentados, para o ano calendário de 1997, a própria recorrente assume em sua Manifestação de Inconformidade que as comprovações (informes de rendimentos) apresentadas em seu apelo só comprovam o valor de R$127.844,94 do direito creditório não reconhecido no valor de R$190.925,37 pela fiscalização. Já para o anocalendário de 1998, a Recorrente afirmou em seu apelo inaugural que "não foram consideradas algumas deduções de imposto de renda na fonte indicadas nos documentos n 20 e 21, em que constam valores retidos a titulo de IRPJFonte, nas operações de serviços prestados e aplicações financeiras.parte do direito creditório não reconhecido." Da mesma forma que no anocalendário de 1997, para o ano de 1998, a Recorrente apresentou comprovantes inferiores ao direito creditório não reconhecido. Ante o não reconhecimento do valor de R$548.394,40 pela fiscalização, a Recorrente afirmou que estaria comprovado o valor de R$427.292,55, através dos informes de rendimentos acostados aos autos. Ao analisar as argumentações e documentos apresentados pela Recorrente, em acórdão proferido (fls. 537 e seguintes), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), em um primeiro momento, demonstrou que, com o reconhecimento parcial do direito creditório foi possível quitar a integralidade dos débitos indicados nos pedidos de compensação. Assim, estarseia, no presente momento, discutindose o crédito do contribuinte, já que não haveria débitos em aberto. Vejase trecho do acórdão nestes termos: Cabe inicialmente observar, conforme documento MF/SRF DERAT/DIORT/ECRER/SP, à fl. 512, que após a homologação das compensações apresentadas pelo contribuinte constantes do presente processo, no limite do valor do crédito reconhecido, houve resultado de saldo credor favorável ao contribuinte. Destarte, o presente: litígio diz respeito apenas ao valor do direito creditório reconhecido pela autoridade administrativa local e contestado pelo manifestante que aduz ter direito ao crédito em montante superior ao reconhecido. No mérito, contudo, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem indeferir o pedido da Recorrente. Na análise ao direito creditório do anocalendário de 1997, argumentou, o julgador a quo, analisando os argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte, que Fl. 1984DF CARF MF Processo nº 13811.000931/9991 Resolução nº 1302000.690 S1C3T2 Fl. 1.985 3 "não há nos autos elementos que comprovem de forma inequívoca a alegada retenção de R$ 127.845,12 além do constante no sistema IRF CONSULTA no valor R$ 2.120.258,47, devendo permanecer inalterado o crédito apurado pela autoridade fiscal (...)". No que tange ao anocalendário de 1998, a decisão da DRJ, além de ter afirmado que a documentação apresentada pelo Recorrente não comprovaria o direito creditório invocado, afirmou que: Ademais para que o alegado montante de R$ 22.477.406.80 (R$ 105.541,12, no doc. 20 + R$ 22.371.865,68, no doc. 21) possa ser efetivamente utilizado a título de imposto retido na fonte na linha 13 da Ficha 13 da DIPJ/1999, para fins de constituir o saldo credor do imposto de renda, dois requisitos são necessários: 1. Os rendimentos correspondentes às retenções devem ter sido devidamente computados no lucro real; 2. A empresa deve possuir e apresentar comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras em seu nome. Assim, embora o interessado tenha apresentado alguns comprovantes de retenção sobre aplicações financeiras no doc. 21 que não constam do extrato do sistema IRF CONSULTA, os dados constantes da Ficha 07 — Demonstração do Resultado da DIPJ/1999 (fls. 521 a 524), indicam que o contribuinte informou a título de "Receita da Prestação de Serviços" o valor de R$ 21.459.031,09 e a título de "Outras Receitas Financeiras" o valor de R$ 124.032.392,05, estando zeradas as linhas correspondentes aos "Ganhos auferidos no mercado de renda variável" e à "Receita de juros sobre o capital próprio". Considerandose que a totalidade do valor informado de R$ 124.032.392,05 como "Outras Receitas Financeiras" corresponda aos rendimentos cujas retenções foram declaradas em DIRF e constantes do sistema IRF CONSULTA e, somandose este valor à R$ 21.459.031,09 (receita da prestação de serviços), obtémse o montante de R$ 145.491.423,14, os quais correspondem ao total de rendimentos computados no lucro real. O extrato do sistema IRF CONSULTA (fl. 118) informa, para o imposto retido na fonte de R$ 22.006.961,98, os rendimentos correspondentes de R$ 146.563.390,47, ou seja, superiores aos efetivamente oferecidos à tributação. Destarte, não procede a alegação do manifestante de que teria direito a uma retenção na fonte no valor total de R$ 22.477.406,80, uma vez que não se verifica a efetiva comprovação de que o correspondente rendimento tenha sido computado no lucro real de 1998. Desta forma, não ha reparos a se fazer quanto ao anocalendário de 1998, devendo permanecer inalterado o crédito apurado pela autoridade fiscal. O acórdão proferido pela DRJ de São Paulo recebeu a seguinte ementa: Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 13811.000931/9991 Resolução nº 1302000.690 S1C3T2 Fl. 1.986 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IRRF. NÃO COMPROVAÇÃO. Não tendo sido comprovadas as retenções do imposto de renda sobre a prestação de serviços e aplicações financeiras, além dos valores declarados no sistema IRF Consulta, mantémse o direito creditório apurado no Despacho Decisório. IRRF. DEDUÇÃO. RENDIMENTOS DECLARADOS. Os rendimentos correspondentes às retenções pleiteadas devem ter sido devidamente computados no lucro real, para que o contribuinte faça jus a dedução do imposto retido na fonte. Solicitação Indeferida Devidamente intimado do acórdão proferido por aquela DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 608 e seguintes), acostando aos autos farta documentação, em especial Notas Fiscais de prestações de serviços que, como alega, demonstrariam de forma inconteste as retenções devidamente comprovadas nos informes de rendimentos anteriormente apresentados, afirmando, assim, que não estaria correto o não reconhecimento do seu direito creditório. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido, via AR, em 24/10/2007 (fl. 545), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 23/11/2007 (comprovante à fl. 608), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como demonstrado acima, a Recorrente não teve a integralidade do seu direito creditório reconhecida pela fiscalização, já que não se confirmaram, em síntese, as retenções na fonte de tributos realizadas pelas fontes pagadoras. Em seu primeiro apelo (Manifestação de Inconformidade), a Recorrente juntou aos autos os informes de rendimentos, que, nos termos das suas alegações, comprovariam a maior parte do crédito não reconhecido em um primeiro momento pela fiscalização. Contudo, como demonstrado, a DRJ de São Paulo não acatou os argumentos do contribuinte, mantendo o indeferimento parcial do direito creditório, uma vez que não teria havido a efetiva comprovação deste. Fl. 1986DF CARF MF Processo nº 13811.000931/9991 Resolução nº 1302000.690 S1C3T2 Fl. 1.987 5 Para o anocalendário de 2007, afirmou que "as cópias dos Comprovantes anuais de rendimentos e de retenção de imposto renda na fonte — Pessoa Jurídica, apresentadas no documento n° 18 (fls. 207 a 286) encontramse sem o nome do Responsável pelas informações ou quando tal informação é fornecida, não consta o seu cargo ou assinatura legível. Acrescentese, ainda, o fato de não constar no sistema IRF CONSULTA, qualquer informação de alteração do valor de retenção informado pelas fontes pagadoras. " Para o anocalendário de 2008, afirmou que não restou demonstrado que "1) Os rendimentos correspondentes às retenções devem ter sido devidamente computados no lucro real; 2) A empresa deve possuir e apresentar comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras em seu nome." Pois bem. No julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de São Paulo (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente, em especial a confirmações das retenções constantes nos informes de rendimentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A interpretação que se pode fazer do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo federal é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos de James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 13811.000931/9991 Resolução nº 1302000.690 S1C3T2 Fl. 1.988 6 ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Por outro lado, no que tange ao anocalendário de 1998, não pode prevalecer a afirmação da turma julgadora a quo de que o direito creditório, no caso de retenção na fonte, deve ser comprovado tãosomente com o informe de rendimentos. Este Conselho Administrativo tem inúmeros precedentes que autorizam a comprovação das retenções com outros meios probatórios, sem que haja a imprescindibilidade de apresentação do informe de rendimentos. Fl. 1988DF CARF MF Processo nº 13811.000931/9991 Resolução nº 1302000.690 S1C3T2 Fl. 1.989 7 Como se não bastasse, a Recorrente, para rebater os argumentos lançados no acórdão recorrido, acostou aos autos farta documentação (fls. 625 e seguintes), com a qual demonstra, a princípio, o seu direito creditório, que foi anteriormente confirmado pelos informes de rendimentos devidamente apresentados, quando da Manifestação de Inconformidade. Vejase, daquela documentação, por exemplo, que foram juntadas aos autos as Notas Fiscais emitidas pelo contribuinte, em que constam os valores dos tributos retidos, sendo que, em uma análise superficial, estes valores coincidem com os valores informados nos informes de rendimentos anteriormente apresentados e que não foram aceitos pela DRJ por estarem sem assinatura. Tendo em vista o acima exposto, em face do princípio da Verdade Material, e para que não haja dúvidas quanto ao direito creditório do contribuinte, entendese que os autos devem ser baixados em diligência, para: 1) que o contribuinte seja intimado a demonstrar em tempo razoável, com base no pedido de restituição formulado e nas declarações (anos de 1997 e 1998) e documentos acostados aos autos (as Notas Fiscais e respectivos informe de rendimentos), e, em especial, com a comprovação dos valores recebidos (extratos, livros contábeis), a parcela não reconhecida do direito creditório pleiteado; 2) que o contribuinte traga aos autos documentos que comprovem que os rendimentos correspondentes às retenções (em especial referente ao ano de 1998) foram devidamente computados no lucro real; 3) que a fiscalização verifique se os créditos ora em análise não foram utilizados em compensações apresentadas em outros períodos; 4) que a fiscalização, após as providências acima, confirme as informações apresentadas pelo contribuinte, nos meios que entendam cabível e em relatório conclusivo, com intimação do contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 dias, acerca da diligência realizada, se assim o desejar; Após os autos deverão retornar ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias. Fl. 1989DF CARF MF
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