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Numero do processo: 10880.901090/2006-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO - CSLL.
Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido
Numero da decisão: 1401-001.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO CSLL. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 10 90 /2 00 6- 47 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.901090/200647 Acórdão n.º 1401001.430 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 146147 (numeração do processo eletrônico): Em 28/05/2003 e 30/05/2003, a contribuinte transmitiu DCOMP (f1s.01/05 e 06/09, respectivamente), objetivando o aproveitamento de saldo negativo de CSLL, referente ao ano calendário de 2001, no valor, de R$ 1.645.295,44, para compensação de débitos diversos. Em 16/05/2008, a Diort/Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 36/42) NÃO HOMOLOGANDO as compensações declaradas em DCOMP. A não homologação das compensações deuse pelos motivos expostos a seguir: • As estimativas devidas durante o anocalendário de 2001, foram compensadas com saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1999, cujo direito creditório foi analisado no processo de n° 10880.006861/0089 (f1s.28/35cópia) com decisão parcialmente favorável à contribuinte. O direito creditório, do anocalendário de 1999, foi consumido para a extinção de débitos do processo originário não restando saldo credor a ser deduzido nestes autos. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 19/05/2008 (fl. 58) e dela recorreu a esta DRJ em 17/06/2008 (fls. 67/87). As alegações da impugnante são resumidas a seguir. • Ocorreu a homologação tácita da DCOMP n° 38314.98853.150503.1.3.032769 (retificada pela DCOMP n° 29648.10066.280503.1.7.032880), formalizada em 15/05/2003, tendo em vista que a decisão apenas foi comunicada à interessada em 19/05/2008, ou seja, após o prazo de 5 anos previsto no §5° do art.74 da Lei no 9.430/96 (conforme entende também a jurisprudência); • Não poderia a autoridade fiscal indeferir a homologação das DCOMP's com base em processo ainda em fase de apreciação na instancia superior; • De acordo com o art.74 da Lei n° 9.430/96, os créditos pleiteados estão extintos sob condição resolutória ou suspensos até o término do processo; • A apresentação de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do crédito tributário (art.74 da Lei no 9.430/96), Fl. 688DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.901090/200647 Acórdão n.º 1401001.430 S1C4T1 Fl. 4 3 • Aplicase a suspensão da exigibilidade ao débito cobrado de R$ 54.340,74 da carta de cobrança n° 3.148; • O presente processo deveria ter sido apensado ao processo de n° 10880.006861/0089 (saldo negativo do anocalendário de 1999) para serem julgados simultaneamente, evitandose decisões conflitantes; • A análise do presente processo deverá estar suspensa até a análise final do processo de no 10880.006861/0089; • Clama pela juntada de nova documentação e provar o alegado com todas as provas admitidas em direito. A 7ª Turma da DRJ São Paulo I, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou as compensações em DCOMP, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 145, numeração do processo eletrônico): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO CSLL. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada do Acórdão em 18/03/2010 (fls. 154, numeração do processo eletrônico), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 155175 (numeração do processo eletrônico) em 15/04/2010. Em sua peça recursal, a contribuinte basicamente reiterou os argumentos apresentados na fase de impugnação, com exceção da alegação de homologação tácita da DCOMP n° 38314.98853.150503.1.3.032769 (retificada pela DCOMP n° 29648.10066.280503.1.7.032880). O processo nº 10880.006861/0089, mencionado pela contribuinte em sua peça recursal, foi julgado por esta Turma, em 04 de fevereiro de 2015 (Acórdão nº 1401 001.370). Por unanimidade de votos, este colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário, alterando o valor deferido do IRPJ – anocalendário 1998 de R$ 9.230.896,34 para R$ 9.237.350,34 e do IRPJ – anocalendário 1999 de R$ 11.038.286,71 para R$ 11.188.690,43. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.901090/200647 Acórdão n.º 1401001.430 S1C4T1 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, a contribuinte argumentou que o presente processo deveria ter sido apensado ao processo de n° 10880.006861/0089 (saldo negativo dos ano calendário de 1999) para serem julgados simultaneamente, evitandose decisões conflitantes. O aludido processo nº 10880.006861/0089 foi julgado por este colegiado em 04 de fevereiro de 2015 (Acórdão nº 1401001.370). Por unanimidade de votos, este colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário, alterando o valor deferido do IRPJ – ano calendário 1998 de R$ 9.230.896,34 para R$ 9.237.350,34 e do IRPJ – anocalendário 1999 de R$ 11.038.286,71 para R$ 11.188.690,43. No citado processo, contudo, não se fez nenhuma alteração em relação ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário 1999. Para maior clareza, transcrevo o que restou decidido no Acórdão nº 1401001.370, acerca do saldo negativo de CSLL (ano calendário de 1999): Do anocalendário de 1999 – CSLL [...] A diferença entre os valores apurados entre (sic) a autoridade fiscal e a contribuinte resumese à compensação da estimativa mensal do PA de 04/1999, em que somente foi possível a extinção de débito de R$ 741.986,46, ficando, em aberto, o montante de R$ 4.367,00 (fl.722). Em não tendo sido comprovado o montante de saldo negativo do anocalendário de 1998, em sua integralidade, o resultado da apuração do exercício seguinte fica prejudicada, por ter sido o crédito referido compensado com o montante de débito deste período. Pelas razões expostas, em relação à CSLL, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. A controvérsia no presente processo Conforme relatado, a diferença apurada entre a autoridade fiscal e a pleiteada pela contribuinte decorreu do fato de que as estimativas devidas durante o anocalendário de 2001 foram compensadas com saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1999. No entanto, conforme também relatado, o direito creditório de CSLL referente ao anocalendário de 1999 foi analisado no processo n° 10880.006861/0089, com decisão que lhe foi parcialmente favorável, apenas em relação ao IRPJ. O crédito reconhecido Fl. 690DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10880.901090/200647 Acórdão n.º 1401001.430 S1C4T1 Fl. 6 5 na referida decisão foi utilizado para homologar compensações pleiteadas naquele mesmo processo, não restando saldo passível de compensação nos presentes autos. A interessada também argüiu a homologação tácita da DCOMP n° 38314.98853.150503.1.3.032769 (retificada pela DCOMP n° 29648.10066.280503.1.7.03 2880), formalizada em 15/05/2003, tendo em vista que a decisão apenas foi comunicada à interessada em 19/05/2008. Não assiste razão à recorrente, pelas razões expostas na decisão de piso, fls. 148149: Referido argumento apresentado pela contribuinte não merece prosperar, pois, a DCOMP original foi retificada em 28/05/2003 (DCOMP n° 29648.10066.280503.1.7.032880 — fl.01), ou seja, a referida declaração original foi substituída pela retificadora na data mencionada, o que acarreta a alteração do prazo final pela autoridade fiscal para 28/05/2008 (prazo do §5° do art.74 da Lei n° 9.430/96). Ressaltase que a MP n° 2.18949 de 23/08/2001, em seu art.18, diz que a declaração retificadora possui a mesma natureza da originariamente apresentada: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Dessa forma, a substituição da DCOMP original pela retificadora altera também o prazo para a autoridade fiscal analisar a referida declaração, até porque os fatos declarados sofrerão alteração tratandose de novo pedido. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 691DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 23034.001861/2001-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1996 a 01/07/1999
FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. PEDIDO DE EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. RECONHECIMENTO POR PARTE DO RECORRENTE APENAS DO PRINCIPAL DA DÍVIDA. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA E JUROS. HABILITAÇAO DO CRÉDITO FISCAL NO CONCURSO DE CREDORES DA FALÊNCIA. DESNECESSIDADE O FISCO DISPÕE DA AÇÃO EXECUTIVA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO e WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), que anulavam a decisão de primeira instância.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1996 a 01/07/1999 FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. PEDIDO DE EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. RECONHECIMENTO POR PARTE DO RECORRENTE APENAS DO PRINCIPAL DA DÍVIDA. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA E JUROS. HABILITAÇAO DO CRÉDITO FISCAL NO CONCURSO DE CREDORES DA FALÊNCIA. DESNECESSIDADE O FISCO DISPÕE DA AÇÃO EXECUTIVA. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO e WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), que anulavam a decisão de primeira instância. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
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Recorrente BANCO BAMERINDUS DO BRASIL S/A sucedido por HSBC BANK BRASIL S/A BANCO MÚLTIPLO. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 01/07/1999 FNDE. SALÁRIOEDUCAÇÃO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. PEDIDO DE EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS. RECONHECIMENTO POR PARTE DO RECORRENTE APENAS DO PRINCIPAL DA DÍVIDA. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA E JUROS. HABILITAÇAO DO CRÉDITO FISCAL NO CONCURSO DE CREDORES DA FALÊNCIA. DESNECESSIDADE O FISCO DISPÕE DA AÇÃO EXECUTIVA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO e WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado), que anulavam a decisão de primeira instância. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 18 61 /2 00 1- 11 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 23034.001861/200111 Acórdão n.º 2202003.273 S2C2T2 Fl. 284 2 Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 23034.001861/200111 Acórdão n.º 2202003.273 S2C2T2 Fl. 285 3 Relatório A presente Notificação para Recolhimento de Débito – NRD – Nº 263/2001, fls. 07, DEBCAD 49.905.5896, despacho, de fls. 260, objetiva a cobrança do salário educação, com período de débito de 12/1996 a 06/1997, conforme Quadro de Atualização de Débito, de fls. 08. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 17/04/2001, conforme item 2, do Despacho, de fls. 225. O contribuinte apresentou sua petição de defesa com razões, acostada, as fls. 13 a 35, acompanhada dos documentos, de fls. 36 a 138. O FNDE pela INFORMAÇÃO/SETAD/GEARC/ Nº 46/2002, de fls. 149 e 150, acatou parcialmente a defesa e retificou parcialmente o débito. A empresa contribuinte foi cientificada dessa decisão, em 09/04/2002, conforme AR, de fls. 155. A notificada apresentou recurso voluntário, em 24/04/2002, petição de interposição com razões recursais,a s fls. 156 a 163, acompanhada dos documentos, de fls. 164 a 183. Os autos foram remetidos a AGU Procuradoria Geral Federal Procuradoria Federal FNDE, que emitiu a Informação Nº 1.233/2003, fls. 194 a 204, onde se opina pela não recebimento do recurso. 1. em razão da ausência do depósito recursal; 2. no mérito que o recurso seja rejeitado por falta de amparo legal ao que foi pedido. O Conselho Deliberativo do FNDE proferiu sua decisão, conforme se verifica, as fls. 211 a 213, decidindo por NÃO CONHECER DO RECURSO e NEGARLHE PROVIMENTO. Tal decisório foi comunicado ao contribuinte pelo AR, de fls. 222, recebido, em 20/12/2004. O processo foi transferido do FNDE para a RFB, conforme despacho, de fls. 260. Podese verificar no Despacho, de fls. 278, que após algumas providências administrativas, os autos foram remetidos à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN Paraná. A Divisão de Grandes Devedores DIGRA/PFN/PR emitiu o despacho, de fls. 279 e 280, por intermédio do qual determina a inscrição do crédito em dívida ativa, com o cancelamento posterior dessa inscrição para remessa do autos ao CARF para julgamento do Fl. 285DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 23034.001861/200111 Acórdão n.º 2202003.273 S2C2T2 Fl. 286 4 recurso, tendo em vista que tal expediente recursal não foi conhecido em razão da ausência de depósito recursal, o que atrai a aplicação da Súmula Vinculante Nº 21, do STF. As razões recursais estão a seguir sumariadas. Mérito. · que a recorrente concorda com o débito residual no importe de R$ 3.276,00 (principal), calculado, em 13/03/2002; · que a recorrente se insurge contra a cobrança de juros e multas, em razão do regime jurídico especial, ao qual se acha submetida devido a sua Liquidação Extrajudicial; · Do pedido e requerimento: a) que em razão da liquidação extrajudicial sejam excluídos multas e juros, bem como a correção monetária seja cobrada nos termos da legislação de regência; b) sendo que após o recálculo do débito deve ser promovida sua habilitação na massa falida. O órgão preparador não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 281. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 22/01/2015, Lote 09. É o Relatório. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 23034.001861/200111 Acórdão n.º 2202003.273 S2C2T2 Fl. 287 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Mérito. Podese verificar no corpo dos autos que a representação estadual da Procuradoria da Fazenda Nacional emitiu o despacho, de fls. 279 e 280, pela Divisão de Grandes Devedores DIGRA/PFN/PR, onde entende e opina pelo indeferimento do pedido do contribuinte, uma vez que aos débitos tributários devem ser aplicados os juros e multas nos termos da legislação, bem como que tais créditos não estão sujeitos ao concurso de credores. O CARF em inúmeras decisões das quais transcrevo algumas é pelo mesmo posicionamento ou seja é possível a cobrança de multa e juros de instituição financeira em liquidação extrajudicial. Aliás, o acórdão 2202000.766 tem como sujeito passivo o mesmo contribuinte do lançamento ora guerreado, observese as decisões. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999ITR. ILEGITIMIDADE PASSIVA, SUJEITO PASSIVO.São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Assim, está enquadrado no pólo passivo da relação tributária como contribuinte do Imposto Territorial Rural a pessoa física ou jurídica que tenha registro de terras em seu nome, enquanto não cancelado o registro imobiliário, nos termos da Lei de Registros Públicos.ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). IMPRESCINDIBILIDADE.Para fins de exclusão da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.VALOR DA TERRA NUA (VTN), SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA FORNECIDO PELA SECRETARIA ESTADUAL DE AGRICULTURA. Deve ser Fl. 287DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 23034.001861/200111 Acórdão n.º 2202003.273 S2C2T2 Fl. 288 6 mantido o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), cujo levantamento foi realizado mediante a utilização dos VTN médios por aptidão agrícola, fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura, mormente, quando o contribuinte não comprova e nem demonstra, de maneira inequívoca, através da apresentação de documentação hábil e idônea, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado.MULTA DE OFICIO. JUROS DE MORA LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. Constatada a existência de tributa devido, deve ser este exigido, acrescido da multa de oficio e juros de mora. O beneficio de suspensão de juros e multas de que desfrutavam as entidades em liquidação extrajudicial foi revogado pelo art. 60 da Lei 9,430, de 1996.ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATORIOSA partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4).Preliminar rejeitada.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. PROC: 10980.012346/200379. DATA: 21/09/2010. RELATOR: NELSON MALLMANN. Acórdão: 2202000.766. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 CONEXÃO. Não sendo mais possível a reunido dos processos conexos, para julgamento conjunto, os efeitos da conexão são determinados em razão das infrações verificadas. REITERAÇÃO DE CONDUTA EM PERÍODOS DE APURAÇÃO POSTERIORES. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO SUBMETIDO A NOVA ANALISE DA AUTORIDADE LANÇADORA. APRECIAÇÃO INDEPENDENTE DO LITÍGIO. A reiteração de conduta em mais de um período de apuração não dispensa a apreciação dos contornos próprios da infração verificada no período autuado. Os efeitos de um mesmo fato jurídico tributário exigem apreciação especifica no contencioso administrativo tributário se outra foi a motivação fiscal para exigência do crédito tributário dele decorrente. MUDANÇA DE ESTIMATIVA CONTÁBIL. RETIFICAÇÃO DE DIPJ EM PERIOD() ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A mudança de estimativa contábil não consiste em retificação de erro, e não autoriza o reconhecimento de seus efeitos tributários em períodos anteriores, mediante ajustes ao lucro real veiculados em retificação da DIPJ. LANÇAMENTO QUE TAMBÉM ALCANÇA PERÍODO NO QUAL É CONTABILIZADO 0 AJUSTE. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Não subsiste o lançamento decorrente de outras infrações no ano calendário em que promovido o ajuste contábil que ensejou a exclusão glosada em período anterior, quando ausente motivação que inviabilize a dedução do ajuste no período em que contabilizado. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Correta a glosa das parcelas que a autoridade lançadora demonstrou corresponder à exclusão de perdas da base Fl. 288DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 23034.001861/200111 Acórdão n.º 2202003.273 S2C2T2 Fl. 289 7 tributável não suportada pelas provas exigidas na legislação tributária, mas não subsiste a exigência no anocalendário 2006, em razão da falta de certeza e liquidez decorrente dos ajustes por mudança de estima *va contábil. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. A limitação de 30% do lucro liquido ajustado, para compensação de prejuízos fiscais, não excepciona a entidade em fase de liquidação extrajudicial. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. REGIME DE LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. NORMAS APLICÁVEIS. As instituições financeiras submetidas a regime de liquidação extrajudicial se sujeitam as mesmas normas da legislação tributária aplicáveis às instituições ativas, relativamente aos impostos e as contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. INFLUÊNCIA DE OUTRA INFRAÇÃO IMPUTADA NO MESMO LANÇAMENTO. Improcedente a exigência no anocalendário 2006, em razão da falta de certeza e liquidez decorrente dos ajustes por mudança de estimativa contábil. JUROS DE NOTAS DO TESOURO NACIONAL. ISENÇÃO. A isenção dirigida aos juros produzidos por Notas do Tesouro Nacional (NTN), prevista no artigo 4° da Lei n° 10.179/01, aplicase apenas as da série A, subsérie 1 NTN Al . LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A questão sobre a exigibilidade ou não da multa de oficio das empresas em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial ou falência pode ser cessada antes da realização da execução. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PROC: 16682.720072/201065. DATA: 03/07/2012. RELATOR EDELI PEREIRA BESSA. ACÓRDÃO: 1101000.756. Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. CABIMENTO. Nos termos do art. 60, da Lei nº 9.430/96, as empresas submetidas ao regime de liquidação extrajudicial submetemse às mesmas regras de incidência de impostos e contribuições aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A questão sobre a exigibilidade da multa de oficio e dos juros de mora das instituições financeiras em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial pode ser cessada antes da realização da execução. Recurso Voluntário Negado. PROC: 10435.720196/200781. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 23034.001861/200111 Acórdão n.º 2202003.273 S2C2T2 Fl. 290 8 RELATOR: NÚBIA MATOS MOURA. DATA: 17/08/2013. ACÓRDÃO: 2101002.585. O citado despacho da PFN Paraná além de opinar pelo indeferimento da exclusão de juros e multas, também, entende que o crédito fiscal não está sujeito ao concurso de credores e o STJ como a seguir transcrito diz que isso é um prerrogativa do fisco, observese o aresto. EMEN: RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. INSS. JUSTIÇA ESTADUAL. PAGAMENTO ANTECIPADO DE CUSTAS. DISPENSA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FALÊNCIA. HABILITAÇÃO. CASO CONCRETO. POSSIBILIDADE. 1. O INSS não está isento das custas devidas perante a Justiça estadual, mas só deverá pagá las ao final da demanda, se vencido. Precedentes: REsp 897.042/PI, Rel. Min. Felix Fischer, DJ 14.05.2007 e REsp 249.991/RS, Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca, DJ 02.12.2002. 2. Não se conhece da alegada violação do art. 535 do CPC quando o dispositivo que teria deixado de ser apreciado pela Corte de origem não foi alvo dos embargos de declaração opostos. 3. Os arts. 187 e 29 da Lei 6.830/80 não representam um óbice à habilitação de créditos tributários no concurso de credores da falência, tratam, na verdade, de uma prerrogativa do ente público em poder optar entre o pagamento do crédito pelo rito da execução fiscal ou mediante habilitação do crédito. 4. Escolhendo um rito, ocorre a renúncia da utilização do outro, não se admitindo uma garantia dúplice. Precedente: REsp 185.838/SP, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 12.11.2001. 5. O fato de permitirse a habilitação do crédito tributário em processo de falência não significa admitir o requerimento de quebra por parte da Fazenda Pública. 6. No caso, tratase de contribuição previdenciária cujo pagamento foi determinado em sentença trabalhista. Diante dessa circunstância, seria desarrazoado exigir que a autarquia previdenciária realizasse a inscrição do título executivo judicial na dívida ativa, extraísse a competente CDA e promovesse a execução fiscal para cobrar um valor que já teria a chancela do Poder Judiciário a respeito de sua liquidez e certeza. 7. Recurso especial conhecido em parte e provido. RESP 200701575626 RESP RECURSO ESPECIAL 967626. CASTRO MEIRA. STJ. SEGUNDA TURMA. DJE DATA:27/11/2008. (grifei). Fl. 290DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 23034.001861/200111 Acórdão n.º 2202003.273 S2C2T2 Fl. 291 9 Desta forma, inexiste razão para acolhimento das teses recursais da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.727617/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Deve ser restabelecida a dedução com despesas médicas se o contribuinte logra trazer a comprovação das despesas médicas, com todos os requisitos exigidos pela legislação.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.942
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento do recurso voluntário, para restabelecer a despesa médica no valor de R$ 10.709,88.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento do recurso voluntário, para restabelecer a despesa médica no valor de R$ 10.709,88. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
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COMPROVAÇÃO. Deve ser restabelecida a dedução com despesas médicas se o contribuinte logra trazer a comprovação das despesas médicas, com todos os requisitos exigidos pela legislação. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento do recurso voluntário, para restabelecer a despesa médica no valor de R$ 10.709,88. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Mees Stringari Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 76 17 /2 01 3- 16 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10730.727617/201316 Acórdão n.º 2201002.942 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, Acórdão 0644.079, que julgou a impugnação procedente em parte, revendo a glosa com instrução e as seguintes glosas com despesas médicas: Labion Laboratório de Análises (R$ 535,00) e Mepnit Medicina e Psicologia (R$ 53,00). O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, às fls. 03/08, lavrada em face da revisão declaração de ajuste anual do exercício de 2012, anocalendário de 2011, que exige R$ 4.201,93 de imposto suplementar, R$ 3.151,44 de multa de ofício de 75% e encargos legais. Consoante descrição dos fatos da Notificação de Lançamento às fls. 04/06, foram constatadas deduções indevidas de: despesas de instrução (R$ 2.958,23) e despesas médicas de R$ 13.336,80, relativas à Unimed – Rio (R$ 12.748,80) por falta de discriminação dos valores por beneficiário; MepnitMedicina e Psicologia (R$ 53,00) e Labion Laboratório de Análises (R$ 535,00), por falta de comprovação. Cientificada em 29/07/2013 (fl. 29), a contribuinte apresentou, em 31/07/2013, a impugnação de fls. 25/26, instruída com os documentos de fls. 09/24, onde alega que as despesas de instrução havidas junto a Instituição de Ensino Taurus, referem se ao filho Braian Francisco Izidoro dos Santos, conforme comprovantes anexos. Reanexa comprovantes das despesas médicas do dependente Braian e próprias junto ao Laboratório Labion (R$ 280,00 e 255,00), MPNIT (R$ 53,00), e 13 documentos da Aeronáutica comprovando as despesas do plano de saúde descontadas do seu contracheque, no valor de R$ 12.748,80. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese que dos R$ 12.748,80 pagos À Unimed, R$ 8.987,28 referemse à própria recorrente, titilar do plano de saúde; R$ 1.722,60 ao dependente Braian Francisco dos Santos e R$ 2.038,92 referemse a Rochana Pimenta Francisco dos Santos, dependente junto ao plano e não dependente no IRPF. Anexa declaração da UNIMED. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS A legislação tributária concede ao contribuinte, por ocasião da declaração anual de ajuste, a possibilidade de realizar deduções de despesas médicas próprias e de seus dependentes da base de cálculo do imposto de renda Além do direito de realizar deduções, o sujeito passivo está obrigado a comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas em sua Declaração de Ajuste Anual. A legislação estabelece que o contribuinte, quando intimado, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preencham todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurado e lançado em procedimento de ofício. Abaixo o art. 8 da Lei nº 9.250/95 e o art. 11, do Decreto Lei nº 5.844/43: Lei 9.250/95 Art.8. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com Fl. 61DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10730.727617/201316 Acórdão n.º 2201002.942 S2C2T1 Fl. 4 5 hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; DecretoLei nº 5.844/43 Art 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. ... § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.” § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acordo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. Do mesmo modo, estabelece o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) em seu art. 80: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). ... Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com Fl. 62DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; No recurso voluntário apresentado, a recorrente manifesta parcial concordância com a autuação, quando alega e comprova que dos R$ 12.748,80 pagos à Unimed, R$ 8.987,28 referemse à própria recorrente, titular do plano de saúde; R$ 1.722,60 ao dependente Braian Francisco Izidoro dos Santos e R$ 2.038,92 referemse a Rochana Pimenta Francisco dos Santos, dependente junto ao plano e não dependente no IRPF. A condição de dependente de Braian Francisco Izidoro dos Santos ficou comprovada quando da impugnação, conforme trecho do voto condutor da decisão recorrida, abaixo transcrito: Quanto às despesas de instrução, a contribuinte acosta os documentos de fls. 10/11, comprovando o pagamento de R$ 3.360,00 referentes aos gatos havidos com o dependente Braian Francisco Izidoro dos Santos, junto ao Instituto Educacional Taurus, cabendo restabelecer a dedução no limite individual máximo de R$ 2.958,23. Entendo que a Declaração apresentada comprova as alegações da recorrente. CONCLUSÃO Voto pelo provimento do recurso voluntário, devendo ser restabelecida a despesa médica no valor de R$ 10.709,88 referente à UNIMED, CNPJ 42.163.881/000101, do que resulta na manutenção da glosa de R$ 2.038,92, também referente à UNIMED. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 63DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10730.727617/201316 Acórdão n.º 2201002.942 S2C2T1 Fl. 5 7 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 10730.722659/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DOS RENDIMENTOS.
Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia grave) deve ser comprovada a natureza dos proventos (se aposentadoria e/ou pensão por morte, por exemplo) e a sua condição de saúde atestada por laudo médico oficial. No presente caso, ante a comprovação reconhece-se o seu direito para fins de isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DOS RENDIMENTOS. Para que o beneficiário faça jus a isenção do IRPF por ser portador de moléstia grave) deve ser comprovada a natureza dos proventos (se aposentadoria e/ou pensão por morte, por exemplo) e a sua condição de saúde atestada por laudo médico oficial. No presente caso, ante a comprovação reconhecese o seu direito para fins de isenção. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 26 59 /2 01 1- 91 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10730.722659/201191 Acórdão n.º 2401004.352 S2C4T1 Fl. 82 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1340.351 (fls. 36/39), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ), que julgou procedente em parte a impugnação (fl. 02) da contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Existindo laudo ou parecer emitido por serviço médico oficial atestando ser o contribuinte portador de moléstia grave, justificada está a isenção prevista no artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/1988, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, sobre proventos provenientes de aposentadoria lançados como omissos pela fiscalização. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Notificação de Lançamento nº. 2009/155581538023336 de fls. 04/08 exigiu do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 7.543,76 a título de imposto suplementar, acrescido de multa de mora e juros, decorrente da glosa de deduções com dependentes, por falta de comprovação de relação de dependência. Na (1) Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 06) a fiscalização informa a glosa de R$ 14.358,24, correspondente à Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício, nos seguintes termos: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Após a apresentação de sua impugnação (fl. 02) a DRJ emitiu o acórdão acima ementado, julgando parcialmente procedente a peça impugnatória da contribuinte, a fim de reconhecer a isenção dos proventos de aposentadoria por ser portadora de moléstia grave, a partir de junho do anocalendário 2008. Intimada do acórdão da DRJ/RJII em 09/05/2012 (A.R. fl. 42), que julgou procedente em parte a sua impugnação, a recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 44/46) em 06/06/2012, onde alega: A fim de comprovar a sua argumentação, aduz a juntada dos seguintes documentos: É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10730.722659/201191 Acórdão n.º 2401004.352 S2C4T1 Fl. 83 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Como relatado acima, a Notificação de Lançamento nº. 2009/155581538023336 de fls. 04/08 originase da apuração de Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício. Em sede de impugnação, a contribuinte apresentou laudo pericial (fls. 11/13) exarado pela Junta Médica do Governo do Estado do Rio de Janeiro (Superintendência Central de Perícia Médica e Saúde Ocupacional), que é portadora de cardiopatia grave. Para a decisão recorrida, o referido laudo oficial (fls. 11/13), que expressamente menciona ser a contribuinte portadora de moléstia grave desde 21/09/2007, não restou como prova suficiente ante o seguinte motivo (fl. 38): " As disposições acerca da concessão de isenção aos proventos de aposentadoria para os portadores de moléstia grave estão previstas nos termos do art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) Acerca do reconhecimento das doenças relacionadas nos incisos acima, foi editada a Lei nº. 9.250/95, que assim dispôs no seu artigo 30: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifamos) § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Ora, resta inconteste que o Laudo Oficial de fls. (11/14) apresentado pela contribuinte em sua peça impugnatória é prova mais do que suficiente para a comprovação da moléstia grave e atendimento a todos os requisitos da legislação acima mencionada, sendo absolutamente irrazoável e absurdo a exigência imposta pela decisão recorrida e, mais, desprovida de qualquer previsão legal. Assim, restando clara a situação fática e devidamente comprovada pela recorrente ante as provas trazidas aos presentes autos de processo administrativo, resta inconteste o direito da mesma ao gozo da isenção dos rendimentos de aposentadoria por ser portadora de moléstia grave. Quanto às demais alegações trazidas no recurso voluntário, as quais, digase, são absolutamente confusas e necessariamente não trazem uma correspodência entre a situação de fato em julgamento e os documentos acostados pela recorrente (declarações originais e retificadas, comprovantes de pagamento de anos anteriores, dentre outros), deixo de analisalas por não produzirem qualquer efeito prático a conclusão apresentada no presente voto. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10730.722659/201191 Acórdão n.º 2401004.352 S2C4T1 Fl. 84 7 CONCLUSÃO Ante, o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 12466.720661/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 07/03/2008, 18/03/2008
OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-003.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos apresentados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Interessado MULTIMEX S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/03/2008, 18/03/2008 OMISSÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos apresentados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 06 61 /2 01 1- 28 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 12466.720661/201128 Acórdão n.º 3301003.023 S3C3T1 Fl. 0 2 Relatório Em sessão transcorrida em 15 de março de 2016, esta Primeira Turma Ordinária negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3301002.876, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/03/2008, 18/03/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA AUTUADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. Em sintonia com o princípio pas de nullité sans grief (não há nulidade sem prejuízo), a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais lavrou o auto de infração, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao sujeito passivo pela Constituição Federal, retratado nas alegações aduzidas na sua peça recursal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 07/03/2008, 18/03/2008 CONVERSÃO DO PERDIMENTO EM MULTA. NATUREZA ADMINISTRATIVA/ADUANEIRA COM FOCO NA MERCADORIA EM FACE DO IMPORTADOR/EXPORTADOR OSTENSIVO. INSTITUIÇÃO DE NOVA PENALIDADE CONTRA QUEM SUBFATURA IMPORTAÇÕES. PENALIDADES AUTÔNOMAS. A pena de perdimento da mercadoria, em decorrência da interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior, tipificada no inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, é censura autônoma e não se confunde com o subfaturamento coibido pelo artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001. O objeto primário da reprimenda aduaneira à interposição fraudulenta é a apreensão da mercadoria em face, primeiro, do importador ou exportador ostensivo, podendo ainda responder pela infração terceiro que concorreu para a prática delituosa (artigo 95 do Decretolei nº 37/66). A sanção decorrente da interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior (inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76) repercute na própria mercadoria, que, em tais casos, é expropriada do sujeito passivo, sendo tal inflição substituída pela multa equivalente ao valor dos produtos apenas nos casos em que inexiste a possibilidade de sua apreensão (vide parágrafos 1º e 3º do mesmo artigo 23). Já o artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 trata do subfaturamento na importação, o qual é punido com multa de 100% que incide sobre a diferença entre o preço declarado e o preço real, ou arbitrado, sem prejuízo Fl. 442DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 12466.720661/201128 Acórdão n.º 3301003.023 S3C3T1 Fl. 0 3 da exigência dos tributos incidentes na importação cobrados a partir da base de cálculo arbitrada segundo os critérios estipulados pelo preceito em questão. Realidade em que, comprovada a interposição fraudulenta de empresa constituída unicamente para intermediar operações de comércio exterior, com fulcro no subfaturamento de produtos importados, legítima a exigência da multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro da mercadoria, capitulada no artigo 23, § 3º, do Decretolei 1.455/76. Recurso ao qual se nega provimento. Em sede de embargos de declaração, aduz a interessada que a decisão vergastada teria sido omissa na medida em que não houve manifestação sobre a responsabilidade subjetiva da recorrente. Nesse sentido, ressalta que, pelas provas obtidas nos autos verificase que não houve qualquer comprovação de que a conduta descrita como ilícita tenha sido efetivamente praticada pela Recorrente, sendo certo que os documentos apontados como indiciários de fraude (faturas comerciais com valores a maior) foram de autoria exclusiva do encomendante/adquirente (a Greenmax), sendo, portanto, premissa de fato assentada no acórdão recorrido que a Greenmax tinha conhecimento da prática de qualquer ilícito ou mesmo da existência de 'fraude' nas faturas O mesmo não ocorreu com a Importadora, cujos responsáveis legais foram INOCENTADOS por decisão do JUÍZO CRIMINAL de qualquer prática ou ação criminosa, de fraude ou conduta dolosa ou culposa, relativamente aos fatos e fundamentos do auto de infração e, portanto, tais fatos precisam ser levados em consideração neste processo, na forma dos presentes embargos. Entende que apesar de a embargate (Multimex) ter sido considerada responsável solidária em face dos ilícitos, "não lhe foi imputada nenhuma conduta dolosa ou culposa específica, de vontade livre e consciente de praticar ilícito tributário", estando sua responsabilidade assentada unicamente como "responsabilidade objetiva". Ressalta, pois, que o acórdão teria sido omisso na medida em que não se debruçou sobre os incisos V e VI do artigo 67 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto nº 6.759, de 05/02/2009) 1. 1 Art. 674. Respondem pela infração (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 95): [...] V conjunta ou isoladamente, o importador e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 95, inciso V, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 78); e VI conjunta ou isoladamente, o importador e o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 95, inciso VI, com a redação dada pela Lei nº 11.281, de 2006, art. 12). Fl. 443DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 12466.720661/201128 Acórdão n.º 3301003.023 S3C3T1 Fl. 0 4 Por fim, defende que o caso dos autos retrata infração tributária que constitui cumulativamente, em tese, crime contra a ordem tributária, cujos fatos, por demandarem "a ocorrência de ato culposo ou doloso típicos [...] desencadeiam a necessidade de definição da responsabilidade subjetiva ao abrigo do art. 137 do CTN". Diante do exposto, requer a embargante seja sanada a aduzida omissão "em especial sobre a aplicação do art. 674, incisos V e VI do Regulamento Aduaneiro e art. 137 do CTN". É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência formal da decisão recorrida se deu em 11/04/2016, ou seja, décimo quinto dia depois da afixação do edital de efls. 413 (em 24/03/2016). Por sua vez, a petição de embargos de declaração foi protocolizada no mesmo dia 11/04/2016 (efls. 414). Evidente, pois, que a petição em tela foi apresentada dentro do prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do RICARF – aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015). Há, pois, que se conhecer da petição em tela. Conforme relatado, vêse que a embargante vislumbra manifestação do colegiado julgador concernente ao aspecto subjetivo de sua conduta, especialmente sob a justificativa de que o caso dos autos retrata infração tributária a qual, em tese, constitui também crime contra a ordem tributária. Não obstante, entendo que a questão foi suficientemente tratada neste âmbito de análise do contencioso administrativo tributário, tendo este colegiado julgador, à unanimidade, entendido que a embargante concorreu efetivamente para a prática delituosa fiscal, questão abordada no voto condutor da decisão em tela, do qual destaco o seguinte trecho: [...] O laudo do exame documentoscópico realizado naquele procedimento fiscal (fls. 95/99) concluiu pelas "convergências gráficas" das assinaturas apostas na invoice emitida pela empresa Flightwith, Inc., bem como no "INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIA IMPORTADA POR ENCOMENDA [...] firmado entre as partes MULTIMEX TRADING S.A. e GREENMAX INTERNACIONAL COMÉRCIO DE TECNOLOGIA LTDA. e datado de 15 de janeiro de 2007 [...]". Assim, "ambos os lançamentos partiram do mesmo punho". E, como já dito, todo esse padrão se repete nos autos do presente processo, que é uma continuidade da auditoria fiscal realizada nas importações conduzidas pelo sujeito passivo. Assim, as provas acostados aos autos do processo nº 12466.000061/201069 podem, sim, ser consideradas em relação ao presente processo. Tais provas tratam da constituição fraudulenta da pessoa jurídica Flightwith, Inc, empresa ficta formalizada exclusivamente para emitir faturas falsas com valores das mercadorias subfaturados. A conduta Fl. 444DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 12466.720661/201128 Acórdão n.º 3301003.023 S3C3T1 Fl. 0 5 delituosa observada no processo nº 12466.000061/201069 e no presente processo segue exatamente o mesmo ardil. Desnecessário, pois, fazer nova perícia para questionar o que já está materialmente comprovado a constituição ficta de pessoa jurídica (Flightwith) para intermediar fraudulentamente operações de comércio exterior, com fulcro no subfaturamento de produtos importados. [...] A fiscalização aduaneira subsumiu os fatos acima relatados ao inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76, ou seja, em dano ao Erário, sujeito pois à aplicação da pena de perdimento da mercadoria, conforme disposto pelo § 1º, do artigo 23, do Decretolei nº 1.455/76, mas convertida em multa equivalente ao seu respectivo valor aduaneiro, dada a impossibilidade de localização ou diante do consumo dos produtos, a teor do disposto pelo § 3º do mesmo artigo. Os preceitos em tela seguem abaixo transcritos. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifo nosso) A autoridade fiscal também capitulou a infração no artigo 105, inciso VI, do Decretolei nº 37/66, segundo o qual "aplicase a pena de perdimento da mercadoria [...] estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado". As provas acostadas aos autos, como já ressaltado, comprovam a interposição fraudulenta de pessoa jurídica ficta, com a utilização de faturas comerciais falsas destinadas a subfaturar os produtos importados pela interessada. Tais condutas, portanto, se subsumem perfeitamente às infrações acima pontuadas. Não há, pois, nenhuma omissão no acórdão embargado. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 12466.720661/201128 Acórdão n.º 3301003.023 S3C3T1 Fl. 0 6 O fato de a conduta também configurar, em tese, crime contra a ordem tributária definido na Lei nº 8.137/90 não exige, deste foro administrativo, abordagens adicionais atinentes à demonstração do elemento subjetivo do tipo criminal. Com efeito, nos casos onde o auditor fiscal, no exercício de suas atribuições, identifica, em tese, situação caracterizadora de crime contra a ordem tributária (ou contra a Previdência Social), este deverá obrigatoriamente lavrar Representação Fiscal para Fins Penais, a qual poderá ser objeto de correspondente ação penal, inclusive com rito de instrução próprio, promovida pelo Ministério Público Federal. Em tais casos, é no inquérito policial correspondente que há a instrução necessária aos objetos colimados na ação penal. Como já dito, a discussão nesta seara administrativa se limitou a examinar se os fatos se subsumiram aos dispositivos legais que alicerçaram o auto de infração em face do sujeito passivo. Não há necessidade de se adentrar em questões maiores que são mais afeitas à área criminal, eis que "o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais" (Súmula CARF nº 28). Diante do que foi acima exposto vêse que nenhum dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo se subsume ao disposto no caput do artigo 65 do anexo II do Regimento Interno do CARF2, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, uma vez demonstrado que o acórdão embargado não padece de "obscuridade, omissão ou contradição". Da conclusão Portanto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de vício que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pelo sujeito passivo, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Quando da execução deste julgado deverá atentar a unidade de origem para o endereço que o sujeito passivo indica para receber intimações, referido no início de sua petição de embargos, às efls. 417. Sala de sessões, em 23 de junho de 2016. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator 2 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 12466.720661/201128 Acórdão n.º 3301003.023 S3C3T1 Fl. 0 7 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 02/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 16682.720520/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/04/2009
COFINS. NÃO INCIDÊNCIA.
As receitas componentes dos resultados decorrentes de aplicação financeira de reservas de provisões técnicas não estão sujeitas à incidência da COFINS e PIS, registradas no Grupo 36, do plano de contas estabelecido pela Resolução CNSP nº 86/2002 e consolidado pela Circular SUSEP nº 424/2011, patrimoniais, registradas no Grupo 37, não se qualificam como oriundas do exercício das atividades típicas do ramo securitário, razão pela qual não se enquadram no conceito de faturamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-003.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, que negava provimento. Sustentou pelo Recorrente o Dr. Bruno Curvello - OAB 130013 - RJ
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Domingos de Sá Filho, Jose Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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NÃO INCIDÊNCIA. As receitas componentes dos resultados decorrentes de aplicação financeira de reservas de provisões técnicas não estão sujeitas à incidência da COFINS e PIS, registradas no Grupo 36, do plano de contas estabelecido pela Resolução CNSP nº 86/2002 e consolidado pela Circular SUSEP nº 424/2011, patrimoniais, registradas no Grupo 37, não se qualificam como oriundas do exercício das atividades típicas do ramo securitário, razão pela qual não se enquadram no conceito de faturamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, que negava provimento. Sustentou pelo Recorrente o Dr. Bruno Curvello OAB 130013 RJ Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Domingos de Sá Filho, Jose Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 20 /2 01 1- 10 Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em razão da decisão colegiada que manteve na integra o lançamento de COFINS relativo aos fatos geradores apurados de: 01/07/2006 a 30/04/2009. Noticiam os autos que a Recorrente impetrou Mandado de Segurança nº 2005. 51.01.0115038 com pedido de afastar a exigência de COFIS e PIS devidos com arrimo em disposições da Lei nº 9.718/98 e compensação dos valores indevidamente recolhidos relativamente aos períodos de fevereiro de 1999 a abril de 2005. Consta ainda do Termo de Verificação Fiscal, o êxito do pleito judicial, que no mérito reconheceu que o sujeito passivo, a partir do fato gerador de maio de 2005, estava obrigado ao recolhimento do PIS e da COFINS incidente sobre o faturamento, conceito restrito de faturamento, considerado a receita bruta das vendas de mercadorias e serviços. Assevera a Fiscalização, que a empresa recorrente, Icatu, não considerou os rendimentos oriundos de aplicação financeira dos ativos garantidores das provisões técnicas das suas atividades na área de seguros privados. Afirma também erro cometido pela Interessada com relação à base de cálculo relativa ao período de apuração de 01.07.2007 a 31.07.2007. Razão pela qual a fiscalização incluiu na base de cálculo os rendimentos financeiros oriundos de aplicação dos bens garantidores da provisão técnica, argumentando que a exclusão prevista aplicase apenas para as atividades de capitalização e previdência complementar aberta. Em relação a decisão proferida em sede mandamental, afirma: “Da análise da aplicabilidade da decisão do Mandado de Segurança nº 2005.51.01.0115038, entendeuse que, com relação às receitas financeiras, deveriam ser excluídos da base de cálculo apenas os rendimentos financeiros não atrelados às atividades fim da empresa. Sendo assim, dos totais das receitas financeiras informadas, apenas excluirseiam os rendimentos financeiros dos bens não garantidores de provisões técnicas.” “A Icatu não considerou os rendimentos financeiros dos ativos garantidores das provisões técnicas das suas atividades na área de seguros privados.” O Órgão julgador ao tratar da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do Art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, entendeu que não é qualquer receita a compor à base de cálculo, mas sim todas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica, mesmo reconhecendo tratarse de um assunto nevrálgico a definir quais receitas se enquadram no conceito de faturamento, como se vê do trecho aqui transcrito: “O ponto crucial da controvérsia é identificar quais receitas destes contribuintes se enquadram no conceito de faturamento e consequentemente sobre qual base de cálculo incidirão as contribuições para o PIS e para a Cofins.” Essa seria o motivo de manter o crédito tributário em sua totalidade. Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16682.720520/201110 Acórdão n.º 3302003.041 S3C3T2 Fl. 14 3 Resistindo os fundamentos utilizados para o lançamento, afirma o equivoco cometido pela fiscalização, asseverando a inobservância da decisão judicial favorável a tese defendida pela Recorrente, proferida pela Desembargadora Federal da 3ª Turma Especializada do Tribunal Federal da 2ª Região, que teria afastado por completo a aplicação da Lei nº 9.718, assegurandolhe o cálculo e o recolhimento do PIS e a COFINS na forma da legislação anterior, Leis Complementares nºs 7, de 7.10.1970 e de nº 70, de 30.12.1991. Afirma, também, que o equivoco decorre da visão do fisco de que, mesmo na égide das Leis Complementares, nºs 7 e 70, a base de cálculo já abrangeria a totalidade das receitas operacionais da pessoa jurídica, isso é, as receitas decorrentes das atividades empresarias da Impugnante. Aponta ainda como equivocada o entendimento de que as receitas financeiras produzidas pelos bens garantidores das provisões técnicas de seguros caracterizam como operacionais, por ser a Recorrente uma empresa seguradora. A tese utilizada para o lançamento é de que nessa qualidade a legislação só permitiu exclusão dos rendimentos financeiros auferidos nas aplicações de recursos destinados ao pagamento de benefícios previdenciários, em sendo assim, àqueles produzidos pelas reservas técnicas de seguros deveria ser incluídos à base de cálculo das contribuições tratadas nesse processado. Discorre sobre a possibilidade de discussão, na via administrativa, de matérias não tratadas na via judicial. Afiança que a renúncia às instâncias administrativas ocorre tãosomente nos limites da lide posta à apreciação do Poder Judiciário, podendo ser apreciado em sede administrativa as questões naquelas não incluídas. Em síntese descreve os pontos submetidos ao Judiciário: 1) questiona a legalidade da ampliação da base de cálculo do PIS promovida pela Lei nº 9.718/98, em razão de a referida lei ter sido promulgada à época em que o art. 195, I, da Constituição federal apenas permitia a instituição de contribuição social, do qual o PIS é espécie, sobre o faturamento, assim entendido a receita decorrente exclusivamente da venda de mercadorias e serviços; 2) disse que mesmo válida as disposições da Lei 9.718/98, o auto de infração seria descabido, porque os valores que serviram de base de cálculo das contribuições, seja porque não têm natureza de receitas, seja porque foram expressamente excluídos do seu âmbito de incidência pela própria Lei nº 9.718/98; 3) assegura que a decisão judicial suspende a exigibilidade da cobrança das contribuições, razão por que a multa de ofício lançada é descabida. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 831/847) a interessada impetrou Mandado de Segurança nº 2005.51.01.0115038, com pedido de liminar, para afastar a incidência da COFINS e do PIS, devidos com base na Lei nº 9.718/98 e a compensação dos valores indevidamente recolhidos relativos aos períodos de fevereiro de 1999 a abril de 2005, transcrevo o relatório da decisão recorrida por bem espelhar os detalhes do caso concreto: Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 “A liminar foi parcialmente deferida em julho de 2005, para determinar a suspensão da exigibilidade da diferença do crédito tributário. A decisão de mérito hoje em vigor determina que, a partir do fato gerador de maio de 2005, os autores continuam sujeitos ao recolhimento do PIS e da COFINS, porém a base de cálculo deve ser o faturamento, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias e serviços, e não a totalidade das receitas conforme estabelecido pelo artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Assim sendo, devem ser tributadas os rendimentos financeiros dos bens garantidores da provisão técnica, já que a exclusão prevista aplicase apenas para as atividades de capitalização e previdência complementar aberta. Foram elaborados Demonstrativos de Apuração de PIS/COFINS devidos na forma da Lei nº 9.718/98 e Demonstrativos de Apuração PIS/COFINS devidos na forma do Mandado de Segurança nº 2005.51.01.0115038 e com base neles, elaborouse as planilhas diferenças de PIS a lançar e diferenças de COFINS a lançar. Da análise da aplicabilidade da decisão do Mandado de Segurança nº 2005.51.01.0115038, entendeuse que, com relação às receitas financeiras, deveriam ser excluídos da base de cálculo apenas os rendimentos financeiros não atrelados às atividades fim da empresa. Sendo assim, dos totais das receitas financeiras informadas, apenas excluirseiam os rendimentos financeiros dos bens não garantidores de provisões técnicas. A Icatu não considerou os rendimentos financeiros dos ativos garantidores das provisões técnicas das suas atividades na área de seguros privados. Além disso, no ano calendário de 2007, a Icatu excluiu indevidamente do total das receitas financeiras, os valores relativos aos juros Selic referentes à correção de impostos e contribuições a compensar em desacordo com o Ato Declaratório Interpretativo da SRF nº 25/2003. As planilhas apresentadas pela interessada contém erros de cálculo. Da comparação entre os valores calculados pela fiscalização e pela empresa, existe uma diferença entre o calculado como devido na forma do MS nº 2005.51.01.0115038 pela empresa e o calculado segundo o entendimento da Receita Federal, que está sendo lançada de ofício no presente auto de infração, para cobrança imediata, e existe ainda, uma parcela do valor devido com exigibilidade suspensa que não foi declarada na DCTF e como tal está sendo lançada em separado no auto de infração nº 16682.720.519/201187. A interessada foi cientificada do auto de infração em 27/06/2011, e apresentou impugnação (fls. 1.130/1.151) em 26/07/2011, alegando em síntese: Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16682.720520/201110 Acórdão n.º 3302003.041 S3C3T2 Fl. 15 5 a) é possível a discussão, na via administrativa, de matérias não tratadas na via judicial; b) que mesmo na vigência da Lei nº 9.718/98, os rendimentos financeiros dos ativos garantidores das provisões técnicas não se qualificam como receita da impugnante. c) parcela do prêmio recebido é destinada a formação de reserva técnica e não sofre incidência de PIS e COFINS, assim, os acréscimos a essa reserva devem ter o mesmo tratamento; d) a MP nº 1.807/99 previa a exclusão dos rendimentos financeiros dos ativos garantidores das provisões técnicas, contudo, a MP 199115 alterou o artigo prevendo exclusão do valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos; e) a alteração acarretou dever de recolher antecipadamente PIS e COFINS sobre receitas que juridicamente não lhe pertencem, na medida em que, como já dito, destinamse ao pagamento de indenizações a terceiros; f) o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 foi revogado, portanto, a partir de maio de 2009, o PIS e a COFINS somente poderiam ser calculados com base no art. 2º e no caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98 , assim, deve ser cancelado o lançamento relativo ao período de maio a dezembro de 2009; g) a discussão que normalmente paira em relação às seguradoras é no sentido de se saber se as receitas decorrentes do recebimento de prêmios de seguros poderiam ser incluídas no conceito de faturamento, por serem equiparadas a receitas decorrentes da prestação de serviços; h) em relação às receitas financeiras, que não decorrem da exploração da atividade típica das seguradoras (assunção de risco em nome do segurado), mas sim da RJ RIO DE JANEIRO DRJ aplicação do seu capital, não há que se falar em tributação pelo PIS e pela COFINS, ainda que se adote uma interpretação menos restrita do conceito de faturamento; i) está suspensa a exigibilidade da totalidade do PIS e da COFINS lançados em razão de decisão judicial favorável à impugnante, portanto, incabível a aplicação de multa de ofício; j) a decisão judicial afastou por completo a base de cálculo definida na Lei nº 9.718/98, determinando o recolhimento do PIS e da COFINS na forma da legislação anterior; l) o alcance da decisão proferida em favor da impugnante é reforçado pelo fato de a Fazenda Nacional ter se visto obrigada a interpor embargos de declaração para que o TRF se pronunciasse acerca da não aplicação dos efeitos da declaração Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em razão de ser equiparada a instituição financeira e ter seu faturamento composto preponderantemente por receitas financeiras e decorrentes da prestação de serviços (tarifas); m) afastada a aplicação da Lei nº 9.718/98 a contribuição deve ser calculada com base na Lei Complementar nº 7/70 que determinava expressamente que as sociedades seguradoras deveriam recolher o PIS à alíquota de 5% sobre o valor do IR (PIS/REPIQUE) e a 70/91 que criou a COFINS e isentou as instituições financeiras e equiparadas. Encerra a impugnação solicitando o cancelamento do auto ou a redução do montante lançado, ou ainda, a suspensão da sua exigibilidade e o cancelamento da multa de ofício nele lançada”. Em razões recursais mantém firme quanto aos argumentos tecidos na fase de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A controvérsia estabelecida situa em torno da inclusão das receitas financeiras obtidas com aplicação dos recursos das provisões técnicas à base de cálculo das contribuições dirigidas para o PIS e a COFINS. Com inovação trazida pela modalidade não cumulativa distinguiu basicamente dois grupos: os contribuintes sujeitos à sistemática não cumulativa, compreendendo as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, com algumas exceções, como as instituições financeiras e as receitas decorrentes da prestação de serviços com transporte coletivo, hospitalares e educação, independentemente da forma de tributação adotada; àquelas não sujeita ao sistema não cumulativo que permaneceu sujeitando às normas da legislação vigente anteriormente às Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002, alteradas pelas Leis nºs 10.865/2004 e 10.925/2004. Desse modo constituiu um grupo de pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da lei nº 9.718/1998 e na Lei nº 7.702/1983. No caso tratase de pessoa jurídica dedicada ao ramo de seguros, portanto, está se a falar de empresa seguradora que encontra submetida às disposições da Lei nº 9.718/98. A definição de instituição financeira encontra no capítulo IV, Das Instituições financeiras, Seção I, da caracterização e subordinação, precisamente pelo art. 17 da lei nº 4.595/64: “art. 17 – Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16682.720520/201110 Acórdão n.º 3302003.041 S3C3T2 Fl. 16 7 privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros.” Outro significado referente a instituições financeiras inferese do parágrafo primeiro do art. 1º da Lei nº 7.702, de 20 de junho de 1983, ao definir como sendo estabelecimento financeiro, o que resta bem explicito como se vê do dispositivo trazido: “§ 1º Os estabelecimentos financeiros referidos neste artigo compreendem bancos oficiais ou privados, caixas econômicas, sociedades de crédito, associações de poupança, suas agências, postos de atendimento, subagências e seções, assim como as cooperativas singulares de crédito e suas respectivas dependências”. A conclusão lógica é de que as empresas do ramo de seguros não são e tampouco pode ser consideradas instituições financeiras nos moldes das definição aqui colecionadas. Esse assunto encontra bem bosquejado nos Acordos 3302.001.873, 3302.002.439 e 3401.002.708. Tomo como razão de decidir o Acordo de º 3401.002.708, 21 de agosto de 2014, 1ª Turma da 4ª Câmara, da lavra do Conselheiro Robson José Bayerl: “Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Cumpre, inicialmente, delimitar a matéria sub examine, haja vista certa nebulosidade no relatório de autuação fiscal. Assim, em que pese a descrição dos fatos, na autuação, afirmar que as receitas financeiras foram excluídas da apuração, em atenção à decisão exarada pelo TRF 2ª Região, a decisão de primeiro grau administrativo esclareceu a situação da seguinte forma: “13. Ao analisarmos as citadas planilhas de fls. 178 a 183, constatamos que para a apuração da base de cálculo da Cofins devida, segundo a norma então vigente, foram computados os valores indicados nas contas de receita abaixo listadas: • Prêmio Emitido – 31111 • Prêmio de Retrocessão – 31116 • Prêmio Não Ganho (Reversão) – 31120 • Outras Receitas com Operações de Seguros – 31410 • Receitas Financeiras – 36100 • Receitas de Imóveis de Renda – 37111 14. Dos valores registrados nas contas acima foram deduzidas as Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 exclusões/deduções permitidas, bem como foram deduzidas as indenizações pagas líquidas de recuperação. 15. O contribuinte ainda detalhou nas referidas planilhas, uma segunda apuração, indicando, desta feita, estar a mesma de acordo com a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança Preventivo nº 99.00108221. Observase que nesta o contribuinte considerou as mesmas contas de receita acima listadas, bem como as exclusões/deduções permitidas. Entretanto, não computou na base de cálculo os valores contabilizados na conta de Receitas Financeiras (36100) e na conta de Receitas de Imóveis de Renda (37111). 16. Assim, considerando o informado no presente processo de que o lançamento corresponde à diferença entre a contribuição devida em conformidade com a legislação vigente à época e a devida em conformidade com a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança Preventivo nº 99.00108221, constatase que, em verdade, a fiscalização utilizou como base (destacado) Portanto, discutese nestes autos tãosomente a incidência da Cofins sobre as receitas financeiras (subgrupo 36100) e receitas de rendas de imóveis (subgrupo 37111), não se estendendo à incidência da contribuição sobre os prêmios de seguros, ao passo que a última decisão proferida no mandado de segurança em comento consubstanciouse no Ag.Reg no RE 400.4798, onde o Min. Cezar Peluso consignou, na parte que interessa, o que subsegue: “1. A decisão agravada invocou e resumiu os fundamentos do entendimento invariável da Corte, cujo teor subsiste invulnerável aos argumentos do recurso, os quais nada acrescentaram à compreensão e ao desate da quaestio iuris. Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...)“Neste diapasão, revendo a decisão administrativa a quo constatei que a argumentação conducente do voto vencedor se respaldou no raciocínio que, para as instituições financeiras, o conceito de faturamento açambarcaria as receitas financeiras auferidas, por ser resultante de sua atividade principal, qual seja, a intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, nos termos do art. 17 da Lei nº 4.595/64. No entanto, como bem destacado pela recorrente, as seguradoras não podem ser classificadas como instituições financeiras, para o desiderato de se tributar as receitas Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16682.720520/201110 Acórdão n.º 3302003.041 S3C3T2 Fl. 17 9 financeiras, como pretendido, haja vista que a definição de instituição financeira fornecida pelo art. 17 da Lei nº 4.595/64, pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros , não admite o enquadramento das seguradoras em seus termos. O fato de todas as entidades congêneres às instituições financeiras virem relacionadas no art. 22, § 1º da Lei nº 8.212/91, referenciada textualmente pela Lei nº 9.718/98, não permite inferir que todas devam se submeter à mesma forma de tributação pelo PIS/Pasep e Cofins. Tanto assim que a própria Lei nº 9.718/98 tratou da tributação das pessoas jurídicas atuantes no ramo de seguros privados em dispositivo distinto das instituições financeiras propriamente ditas, inclusive com previsão de deduções específicas e diversas destas últimas, ex vi do art. 3º, §§ 5º e 6º, II c/c art. 1º, IV da Lei nº 9.701/98. Portanto, a equiparação de empresas de seguros às instituições financeiras formulada pela decisão reclamada carece de respaldo legal, não se caracterizando as receitas financeiras como advindas das atividades empresariais típicas de uma sociedade seguradora. No mesmo óbice esbarra a pretensão de se tributar as receitas percebidas pelos investimentos obrigatórios na formação das reservas técnicas, fundos e provisões, em especial, as rendas de imóveis (Receitas de Imóveis de Renda – 37111) É certo que tais receitas são inerentes à atividade securitária, até mesmo por imposição normativa (Resolução CMN nº 3.308/2005, arts. 1º a 3)º, que determina os limites, condições e segmentos onde as disponibilidades devem ser aplicadas (renda fixa, renda variável e imóveis), contudo, não é possível afirmar que o investimento em imóveis para renda, em renda fixa ou variável, ou mesmo as receitas dele originadas, qualificamse como oriundas do exercício das atividades empresariais típicas, como fixado no RE 400.4798/ RJ Isto porque, segundo o estatuto social da pessoa jurídica, seu objeto social é a exploração de seguros dos ramos elementares e do ramo vida, em qualquer de suas modalidades, conforme definidos na legislação vigente. Então, alinhado ao recurso, segundo o plano de contas estabelecido pela Resolução CNSP nº 86/2002, consolidado pela Circular SUSEP nº 424/2011, para o caso destes autos, a receita passível de tributação pela Cofins, por se caracterizar como própria da atividade empresarial, é composta pelos valores registrados nas contas “Prêmio Emitido –31111”, “Prêmio de Retrocessão – 31116”, “ Prêmio Não Ganho (Reversão) – 31120” e “Outras Receitas com Operações de Seguros – 31410”, não alcançando as rubricas “Receitas Financeiras – 36100” e “Receitas de Imóveis de Renda – 37111”. Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 Questão semelhante foi enfrentada recentemente neste sodalício, pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, tendo o aresto externado o mesmo entendimento que ora se desenvolve neste julgado, como se verifica da redação de sua ementa: “BASE DE CÁLCULO. SEGURADORAS. ALCANCE DA EXPRESSÃO RECEITA BRUTA A base de cálculo da contribuição para o PIS para as seguradoras, ainda que entendida como a receita bruta derivada exclusivamente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, corresponde à receita bruta operacional auferida no mês proveniente do exercício de sua atividade fim. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO O STF DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. As receitas financeiras e as receitas de imóveis de renda não devem ser incluídas na base de cálculo do PIS das empresas seguradoras, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.” (Acórdão 3302001.875, de 16/04/2013) Interessante destacar que no processo em epígrafe, a própria decisão administrativa de piso promoveu a exoneração de tais verbas e, desta decisão, recorreu de ofício, oportunidade que aproveito para reproduzir excerto do voto prolatado naquela assentada: “Conforme se vê do relatório, a questão aqui discutida diz respeito ao conceito de faturamento para as empresas seguradoras, como base de cálculo da contribuição para o PIS, nos termos previstos no art. 2º da LC nº 70, de 1991, e, no caso específico, em observância da decisão judicial em favor da contribuinte prolatada nos autos da Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707, que declarou inconstitucional, de maneira incidental, o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. lançamento de ofício do PIS apurada por meio dos valores consignados nas planilhas fornecidas pela contribuinte, conforme modelo da IN SRF 247/2002, em resposta à intimação fiscal, está de acordo com a decisão judicial que o ampara e com o Parecer PGFN nº 2.773, de 2007, já que não foi incluída nenhuma receita contábil iniciada em “38” (receitas não operacionais), ou seja, o lançamento foi efetuado sobre a receita operacional bruta da empresa. A contribuinte, no entanto, alega que a base de cálculo do PIS assim apurada extrapola o conceito de “faturamento”, nos termos da decisão judicial proferida na Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. Que a autoridade lançadora, sobre a situação das instituições bancárias e seguradoras, quer fazer prevalecer o entendimento no sentido de que a base de cálculo das contribuições deve ser composta das receitas oriundas do seu objeto social (empresa seguradora) e não do “faturamento”, considerado como receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias, e que, assim, a base de cálculo do PIS não deve ser extraída da interpretação do fisco sobre os demais dispositivos da Lei nº 9.718, de 1998, não declarados inconstitucionais, e sim unicamente do art. 2º da LC nº 70, de 1991, que delimita de Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16682.720520/201110 Acórdão n.º 3302003.041 S3C3T2 Fl. 18 11 forma rígida quais receitas devem ser computadas no conceito de faturamento. A autoridade julgadora de 1ª instância, entendendo que a questão da inclusão ou não das receitas decorrentes da atividade empresarial típica de seguradora no conceito de faturamento não foi objeto de contestação nas ações judiciais impetradas pela contribuinte, decidiu pela manutenção parcial do lançamento, para excluir da base de cálculo, unicamente as receitas financeiras originadas de aplicações financeiras de recursos próprios, resultantes da aplicação em operações no mercado financeiro, as receitas financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, que são contabilizadas pela empresa no grupo de contas “36 Resultado Financeiro”, e as receitas classificadas como “Receitas de Imóveis de Renda”. Conclui que as receitas geradas pelas atividades típicas das seguradoras, oriundas da carteira de seguros e da carteira de previdência privada complementar, incluemse na base de cálculo da Cofins que deve ser adotada pelo contribuinte, nos termos da decisão judicial proferida Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707. E afirma que devem ser incluídas na base de cálculo da contribuição, além das taxas/comissões cobradas pela seguradora, os valores registrados nas contas denominadas prêmio direto, coseguros, retrocessão e ressarcimento de indenizações. RECURSO DE OFÍCIO Analisase, inicialmente, o recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de 1ª instância, em face da exoneração parcial do crédito tributário lançado, decorrente exatamente da exclusão na base de cálculo do PIS das receitas financeiras originadas de aplicações financeiras de recursos próprios, resultantes da aplicação em operações no mercado financeiro, as receitas financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, que são contabilizadas pela empresa no grupo de contas “36 Resultado Financeiro”, e as receitas classificadas como “Receitas de Imóveis de Renda”. Como já ressaltado, a empresa impetrou a Ação Ordinária nº 2005.38.00.0436707, com pedido de antecipação de tutela, contestando a aplicação do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Em 12/12/2005 foi concedida a tutela antecipada, confirmada por sentença alterada pela oposição de embargos declaratórios, na qual foi declarado inconstitucional o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assegurando o direito da autora de efetuar o pagamento do PIS levando em conta a base de cálculo prevista na legislação anterior, ou seja, nos moldes do art. 2º da LC nº 70, de 1991, e do art. 3º da Lei nº 9.715, de 1998. O processo encontrase atualmente no TRF da 1ª Região aguardando o julgamento dos recursos de apelação apresentados pela Fazenda e pela impetrante, que foram recebidos somente no efeito devolutivo. Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA 12 O referido §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que pretendia ampliar o conceito de receita bruta, assim dispunha: “Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” Afastada a regra do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, mas permanecendo válidos os demais artigos, conforme decidido judicialmente, não restam dúvidas de que se encontra afastada a possibilidade de se tributar como base de cálculo da PIS/COFINS as receitas da contribuinte que não sejam receitas operacionais, assim consideradas as decorrentes da atividade empresarial típica de seguradora, a exemplo das receitas financeiras originadas de aplicações financeiras de recursos próprios, resultantes da aplicação em operações no mercado financeiro, as receitas financeiras decorrentes das próprias operações de seguro e de previdência, que são contabilizadas pela empresa no grupo de contas “36 Resultado Financeiro”, e as receitas classificadas como “Receitas de Imóveis de Renda”, posto que tais receitas efetivamente não são provenientes do exercício de sua atividade fim, isto é, da exploração de seguros em suas diversas modalidades, conforme definido em seu Estatuto Social (fls. 29/36). Portanto, não há reparos a se fazer no Acórdão n° 0236.659, prolatado pela 1ª Turma da DRJ/BHE, em 12/12/2011, quanto à exoneração parcial do crédito tributário decorrente das exclusões na base de cálculo das mencionadas receitas e cujos valores encontramse devidamente totalizados no demonstrativo de fl. 1.476.” (destacado) A mesma conclusão foi reprisada nos arestos 3302001.873, de 05/04/2013, e 3302001.874, de 04/04/2013. Em face de todo o exposto, considerando que o lançamento albergou apenas as receitas dos subgrupos “Receitas Financeiras – 36100” e “Receitas de Imóveis de Renda – 37111”, que, como visto, não se caracterizam como receitas próprias do exercício das atividades empresariais do ramo de seguros, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. Robson José Bayerl” Assim, os rendimentos oriundos de aplicação financeira dos ativos garantidores das provisões técnicas decorrente da atividade específica na área de seguros privados, não se confunde com qualquer receita financeira. Com esses fundamentos, conheço do recurso e dou provimento para afastar da base de cálculos as receitas financeiras provenientes de aplicação das reservas técnicas por não configurar receita própria do exercício da atividade empresarial do ramo de seguro. É como voto. Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16682.720520/201110 Acórdão n.º 3302003.041 S3C3T2 Fl. 19 13 Domingos de Sá Filho Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 19515.002520/2006-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PEREMPÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Encontra-se perempta (intempestiva) a peça recursal interposta após decorrido o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3201-002.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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score : 1.0
Numero do processo: 10855.000601/2004-57
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2003
DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
É de se reconhecer de ofício a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em relação a fatos geradores ocorridos antes de cinco anos contados, de forma retroativa, a partir da data da ciência do lançamento.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2003
NÃO CUMULATIVIDADE. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
A contribuição para o PIS somente passou a ser apurada pelo regime da não cumulatividade a partir de dezembro de 2002.
A multa de lançamento de ofício é aquela prevista em lei não estando a cargo da autoridade lançadora graduá-la.
É cabível a incidência de juros de mora pela taxa referencial do SELIC sobre os débitos apurados.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2003
INCONSTITUCIONALIDADE.
A apreciação da inconstitucionalidade das normas regularmente editadas não compete à instância administrativa.
Numero da decisão: 2802-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar de ofício a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em relação aos meses de janeiro e fevereiro de 1999 e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Evandro Francisco Silva Araújo (Relator), Ivan Allegretti e Adélcio Salvalágio.
Nome do relator: Evandro Francisco Silva Araújo
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2003 DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. É de se reconhecer de ofício a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em relação a fatos geradores ocorridos antes de cinco anos contados, de forma retroativa, a partir da data da ciência do lançamento. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2003 NÃO CUMULATIVIDADE. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A contribuição para o PIS somente passou a ser apurada pelo regime da não cumulatividade a partir de dezembro de 2002. A multa de lançamento de ofício é aquela prevista em lei não estando a cargo da autoridade lançadora graduá-la. É cabível a incidência de juros de mora pela taxa referencial do SELIC sobre os débitos apurados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação da inconstitucionalidade das normas regularmente editadas não compete à instância administrativa.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Recorrente CONSTRUSHOPPING SOROCABA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2003 DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. É de se reconhecer de ofício a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em relação a fatos geradores ocorridos antes de cinco anos contados, de forma retroativa, a partir da data da ciência do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2003 NÃO CUMULATIVIDADE. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. A contribuição para o PIS somente passou a ser apurada pelo regime da não cumulatividade a partir de dezembro de 2002. A multa de lançamento de ofício é aquela prevista em lei não estando a cargo da autoridade lançadora graduála. É cabível a incidência de juros de mora pela taxa referencial do SELIC sobre os débitos apurados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação da inconstitucionalidade das normas regularmente editadas não compete à instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 06 01 /2 00 4- 57 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10855.000601/200457 Acórdão n.º 2802000.049 S2TE02 Fl. 247 2 ACORDAM os membros da Segunda Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em declarar de ofício a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em relação aos meses de janeiro e fevereiro de 1999 e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Evandro Francisco Silva Araújo (Relator), Ivan Allegretti e Adélcio Salvalágio. Relatório Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator original, bem como seu voto, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento: Por bem descrever os fatos transcrevo o relatório da decisão recorrida: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 102/117 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep do período de janeiro de 1999 a agosto de 2003, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$ 55.262,51. O enquadramento legal encontrase a fls. 111/112 e 116/117. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 123/134, na qual alegou em síntese: a) inconstitucionalidade da exigência da Contribuição para o PIS com base nas Leis nºs 9.715 e 9.718, de 1998; b) a exigência deveria levar em conta a regra da não cumulatividade, para atender o princípio da capacidade contributiva; c) a utilização da taxa Selic como juros de mora é inconstitucional. d) a multa é excessiva, pois a Lei nº 9.430, de 1996, fixou como teto o limite de 20% sobre o valor do tributo não recolhido. A DRJ em Ribeirão Preto, SP, julgou procedente o lançamento pelo acórdão assim ementado: FALTA DE RECOLHIMENTO. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10855.000601/200457 Acórdão n.º 2802000.049 S2TE02 Fl. 248 3 A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. NÃOCUMULATIVIDADE. A sistemática de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep entrou em vigor apenas em dezembro de 2002. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Inconformada a recorrente apresenta seu recurso, às fls 210 a 219, repisando os argumentos expendidos na impugnação. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme apontado no relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, e considerando o resultado do julgamento constante da ata, adoto o voto elaborado pelo relator: Preliminarmente, cumpre esclarecer que devo reconhecer de ofício a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos havia mais de cinco anos, por ser a contribuição para o PIS sujeita ao lançamento por homologação e, portanto, subordinada à regra inserta no art. 150, § 4º da Lei nº 5.172/66 (CTN). Assim deve ser cancelada a exigência relativa aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro e fevereiro de 1999. No mérito a decisão recorrida não merece reparos. A apreciação da inconstitucionalidade das normas regularmente editadas pelo poder competente está adstrita ao Poder Judiciário, não cabendo à esfera administrativa. Tal entendimento já está pacificado no âmbito desta instância pela Súmula nº 2, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007 e publicada no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: SÚMULA NO 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Hígida também deve permanecer a decisão recorrida quanto à não aplicação do instituto da nãocumulatividade para a contribuição para o PIS anteriormente a dezembro de 2002, pois tal disposição, como bem dito, somente passou a existir no sistema jurídico com a edição da Medida Provisória nº 66/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10855.000601/200457 Acórdão n.º 2802000.049 S2TE02 Fl. 249 4 Quanto à exigência da multa no percentual de 75%, esta é a graduação prescrita no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 para o caso de lançamento de ofício, não cabendo a autoridade administrativa furtarse de aplicála. Por fim, no que tange aos juros moratórios com base na taxa referencial do Selic, é igualmente matéria pacificada nesta segunda instância administrativa conforme a súmula nº 3, também aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007 e publicada no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: SÚMULA NO 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. Pelo todo exposto voto por reconhecer de ofício a decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos em 31/01/1999 e 28/02/1999, e no mérito, negar provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 249DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 16/03/2016 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724900/2012-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008, 2009
PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzir-se em nítido caráter de provisão.
LEI ROUANET, ART 18, §3º. PROJETOS ESPECIAIS. PATROCÍNIO. DEDUTIBILIDADE COMO DESPESA OPERACIONAL. VEDAÇÃO LEGAL.
O caput do art. 13 da Lei 9.249/1995, ao fazer referência ao art. 47 da Lei 4.506/64, não deixa dúvidas de que o conceito de despesa operacional para fins tributários também se aplica à CSLL. A vedação prevista no §2º do art. 18 da Lei 8.313/1991, que é aplicada aos projetos especiais previstos no §3º do mesmo artigo (ambos introduzidos pela MP nº 1.589/1997), pela qual o contribuinte não pode deduzir as doações e os patrocínios como despesa operacional, não é específica para o IRPJ, aplicando-se também à CSLL.
Numero da decisão: 9101-002.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte conhecido por unanimidade de votos e, no mérito: 1) Com relação à matéria da dedução dos tributos com exigibilidade suspensa, foi negado provimento ao recurso por unanimidade de votos. 2) Com relação à matéria da incidência da CSLL sobre o valor de patrocínios culturais feitos com base no art. 18 da Lei Rouanet, foi negado provimento ao recurso por maioria de votos, vencidos Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008, 2009 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzir-se em nítido caráter de provisão. LEI ROUANET, ART 18, §3º. PROJETOS ESPECIAIS. PATROCÍNIO. DEDUTIBILIDADE COMO DESPESA OPERACIONAL. VEDAÇÃO LEGAL. O caput do art. 13 da Lei 9.249/1995, ao fazer referência ao art. 47 da Lei 4.506/64, não deixa dúvidas de que o conceito de despesa operacional para fins tributários também se aplica à CSLL. A vedação prevista no §2º do art. 18 da Lei 8.313/1991, que é aplicada aos projetos especiais previstos no §3º do mesmo artigo (ambos introduzidos pela MP nº 1.589/1997), pela qual o contribuinte não pode deduzir as doações e os patrocínios como despesa operacional, não é específica para o IRPJ, aplicando-se também à CSLL.
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Recorrente CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. LEI ROUANET, ART 18, §3º. PROJETOS ESPECIAIS. PATROCÍNIO. DEDUTIBILIDADE COMO DESPESA OPERACIONAL. VEDAÇÃO LEGAL. O caput do art. 13 da Lei 9.249/1995, ao fazer referência ao art. 47 da Lei 4.506/64, não deixa dúvidas de que o conceito de despesa operacional para fins tributários também se aplica à CSLL. A vedação prevista no §2º do art. 18 da Lei 8.313/1991, que é aplicada aos projetos especiais previstos no §3º do mesmo artigo (ambos introduzidos pela MP nº 1.589/1997), pela qual o contribuinte não pode deduzir as doações e os patrocínios como despesa operacional, não é específica para o IRPJ, aplicandose também à CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: Recurso Especial do Contribuinte conhecido por unanimidade de votos e, no mérito: 1) Com relação à matéria da dedução dos tributos com exigibilidade suspensa, foi negado provimento ao recurso por unanimidade de votos. 2) Com relação à matéria da incidência da CSLL sobre o valor de patrocínios culturais feitos com base no art. 18 da Lei Rouanet, foi negado provimento ao recurso por maioria de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 49 00 /2 01 2- 94 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 3 2 votos, vencidos Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, LUÍS FLÁVIO NETO, ADRIANA GOMES REGO, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO (Suplente Convocado), ANDRE MENDES DE MOURA, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, NATHALIA CORREIA POMPEU, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pelo qual a contribuinte alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre (1) o valor de tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa por depósito judicial, e também sobre (2) o valor de patrocínios culturais feitos com base na Lei Rouanet. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1102000.963, de 06/11/2013, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, relativamente às matérias acima mencionadas, negar provimento a recurso voluntário anteriormente apresentado. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009 BASE DE CÁLCULO DA CSLL. LUCRO REAL. REGRAS DE APURAÇÃO. O artigo 57 da Lei nº 8.981/95 não autoriza aplicar à base de cálculo da CSLL as mesmas regras expressamente endereçadas pela lei para a apuração do lucro real. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÃO. DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 4 3 Para a ciência contábil, tratar ou não os tributos com exigibilidade suspensa como provisão é uma decisão da administração da empresa baseada no conceito da “essência sobre a forma”. CSLL. PROVISÃO. DEDUTIBILIDADE. Por força do que dispõe o artigo 13, I, da Lei nº 9.249/95, os valores tratados como provisão não são dedutíveis também para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. CSLL. DESPESAS OPERACIONAIS. O conceito de despesas operacionais contido no artigo 47 da Lei nº 4.506/64 é aplicável também à CSLL porque o comando que consolidou a questão da dedutibilidade em matéria de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o artigo 13 da Lei nº 9.249/95, foi categórico ao ressalvar aquele dispositivo legal. CSLL. PATROCÍNIO. LEI ROUANET. DEDUTIBILIDADE. É vedada a dedução do valor do patrocínio como despesa operacional também para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. CSLL. MULTAS POR INFRAÇÕES. DEDUTIBILIDADE. Por não se tratarem de despesas operacionais consideradas como “necessárias”, “usuais” e “normais”, as multas por infrações, sejam elas de natureza tributária ou não, não são dedutíveis também para fins de apuração da CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 INCORRETA CAPITULAÇÃO LEGAL DA INFRAÇÃO. OFENSA AO CONTRADITÓRIO. Afastase a exigência aplicada com incorreta capitulação legal da infração, quando for constatado que, não fosse isso, haveria ofensa ao princípio do contraditório, uma vez que as razões de defesa poderiam ser diferentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração relativa à glosa das despesas com multas por infrações, vencidos: (i) o conselheiro José Evande Carvalho Araújo, que negava provimento ao recurso; (ii) o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que dava provimento ao recurso em maior extensão, para também cancelar a infração de glosa das despesas relativas aos tributos com exigibilidade suspensa; (iii) os conselheiros Marcelo Baeta Ippolito e João Carlos de Figueiredo Neto, que davam provimento integral ao recurso. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre (1) o Fl. 702DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 5 4 valor de tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa por depósito judicial, e (2) o valor de patrocínios culturais feitos com base na Lei Rouanet. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: PRELIMINAR DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL a Recorrente apresenta como paradigmas o Acórdão n° 140100.058 (4ª Câmara/lª Turma Ordinária doc. l) e Acórdão n° 110300.463 (1ª Câmara/3ª Turma Ordinária doc. 2), cujas ementas transcrevese abaixo: TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA DEDUTIBILIDADE. Provisão passiva representa uma obrigação incerta, ou certa mas ilíquida. O ato legal, a lei, tem presunção de constitucionalidade e de legitimidade. A obrigação ex lege tributária desfruta desse atributo e só com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte têmse derruídas a certeza e a liquidez: obrigação tributária com exigibilidade suspensa não traduz contabilmente urna provisão, mas um contas a pagar diversamente, por ex., de um passivo relativo a uma reclamação trabalhista ainda em curso. As interpretações literal, lógica e sistemática conduzem à exegese de que as despesas com tributos com exigibilidade suspensa permanecem dedutíveis, para a determinação da base de cálculo da CSLL. (Processo n° 16327001969/200659. Acórdão n° 140100.058. CARF. 4a Câmara. 1ª Turma Ordinária. Relatora Conselheira Albertina Silva Santos de Lima. DJ. 17/06/2009 grifamos) DEDUTIBILIDADE DESPESAS COM PATROCÍNIO NA FORMA DO ART. 18 DA LEI 8.313/91. A indedutibilidade das despesas com patrocínio a projetos culturais no âmbito do PRONAC estabelecida pelo preceito em discussão não se estende à determinação da base de cálculo da CSLL. As interpretações lógica, teleológica e sistemática chancelam essa exegese. (Processo nº 16327.000294/200621. Acórdão n° 110300.463. CARF. 1ª Câmara. 3ª Turma Ordinária. Conselheiro Relator Marcos Shigueo Takata. DL 25/05/2011 grifamos) conquanto a situação fática seja a mesma daquelas descritas nos paradigmas, a conclusão a que se chegou o acórdão recorrido foi diametralmente oposta; é patente a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas, bem como a divergência jurisprudencial entre os mesmos, como se percebe: (tabela confrontando os textos das decisões cotejadas); Fl. 703DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 6 5 pelo cotejo analítico dos acórdãos acima, não restam dúvidas de que as divergências de entendimento apontadas ensejam a interposição do presente Recurso Especial, para que haja uma uniformização da orientação jurisprudencial por parte desta Corte Superior; MÉRITO DEPÓSITOS JUDICIAIS a principal questão debatida neste processo administrativo e que representa mais de 85% do crédito tributário em discussão diz respeito à ausência de adição à base de cálculo da CSLL dos valores referentes aos tributos cuja exigibilidade encontrase suspensa por depósitos judiciais; isto porque, em 2008, a Recorrente ajuizou a Ação Ordinária n° 2008.38.00.0182725 em face da União, visando à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, tendo sido deferido o pedido de depósito judicial dos tributos em discussão, conforme se extrai da certidão acostada aos autos (doc.2, impugnação); desde então, a Recorrente vem realizando o pagamento em juízo das parcelas das contribuições discutidas, nos termos do art. 151, inc. II, do Código Tributário Nacional e declarando os valores dos depósitos realizados em DCTF, como atestou o Termo de Verificação Fiscal (itens 4.6 e 4.7); ocorre que, segundo o entendimento consignado no acórdão recorrido, "por terem tido o tratamento de provisão e por força do que dispõe o artigo 13, I, da Lei n° 9.249/95, os correspondentes valores não são dedutíveis também para fins de apuração da base de cálculo da CSLL"; tal entendimento, no entanto, não representa o melhor direito a ser aplicado ao caso concreto; A) CARACTERIZAÇÃO DE "CONTAS A PAGAR" (ACÓRDÃO N° 1401 00.058 4ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA DO CARF) inicialmente, cumpre registrar que o acórdão recorrido decidiu que "o art. 57 da Lei n° 8.981/95 não autoriza aplicar à base de cálculo da CSLL as mesmas regras expressamente endereçadas pela lei para a apuração do lucro real" (fls.570) e que "tem razão a recorrente quando afirma que não é possível sustentar a glosa de créditos com exigibilidade suspensa sob o amparo da vedação contida no §1°, do artigo 41, da Lei n° 8.981/95" (fls.570); não obstante, concluiu o acórdão recorrido que "a mesma sorte não lhe segue na questão da caracterização dos depósitos judiciais" uma vez que, no caso, teria a própria Recorrente optado por tratálos, em sua contabilidade, como provisões; esse entendimento, como já adiantado, contraria o entendimento consignado no acórdão n° 140100.058 (Processo n° 16327.001.969/20065), eleito como paradigma no presente apelo especial; ressaltese que esse mesmo entendimento foi admitido pelo Acórdão n° 110300.260 (1ª Câmara/3ª Turma Ordinária), de relatoria do Conselheiro Eric Castro e Silva (ementa transcrita); Fl. 704DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 7 6 diversamente do que restou consignado no acórdão recorrido, os depósitos judiciais realizados com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário não representam uma provisão, mas um verdadeiro "contas a pagar", ainda que outra nomenclatura lhe tenha dado a Recorrente; isso porque a presunção de constitucionalidade das leis, da qual também goza a obrigação tributária, ex lege, nos termos dos arts. 113 e 114 do Código Tributário Nacional, impede a caracterização desta incerteza, pois a obrigação tributária será sempre certa e líquida, ainda que o contribuinte a esteja questionando judicialmente; por mais flagrantemente inconstitucional que possa parecer a lei que institui uma obrigação tributária principal, até o trânsito em julgado da decisão judicial que reconhecer o direito do contribuinte de não se sujeitar ao pagamento do tributo, essa obrigação não será incerta ou ilíquida; incoerente, portanto, o entendimento fixado no acórdão recorrido no sentido de que caberia ao contribuinte decidir pela contabilização de valores discutidos judicialmente como provisões ou outro tipo de lançamento, como se pudesse, o próprio contribuinte, definir as regras de tributação a incidir sobre suas operações; reforça esse argumento o fato de que, logrando êxito na ação proposta, a Recorrente obterá uma decisão judicial que extinguirá o crédito tributário discutido, nos termos do art. 156 do Código Tributário Nacional. Ora, como se extingue um crédito tributário que, de acordo com o auto de infração impugnado, não existe??? por fim, desde a promulgação da Lei n° 9.703/98, a titularidade dos depósitos judiciais foi transferida para o Tesouro Nacional, ainda que temporariamente; assim, tendo havido a transferência de titularidade dos referidos depósitos em favor da União, não há como não se admitir a dedução dos mesmos da base de cálculo da CSLL; concluise, portanto, que a decisão recorrida está equivocada ao classificar os depósitos judiciais realizados pela Recorrente, com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário por ela discutido judicialmente, como provisão. Por essa razão, não podem os valores a eles relativos serem adicionados à base de cálculo da CSLL, já que constituem despesas dedutíveis, devendo ser reformado o acórdão recorrido para julgar improcedente o lançamento neste ponto, como demonstrado; DOAÇÕES E PATROCÍNIOS o segundo ponto sobre o qual versa a autuação impugnada trata da suposta indedutibilidade dos pagamentos feitos pela Recorrente a título de doações e patrocínios a projetos culturais da base de cálculo da CSLL, nos termos da Lei n° 8.313/91 (Lei Rouanet); A) APLICAÇÃO DO ART. 13, §2° DA LEI N° 9.249/95 (ACÓRDÃO N° 110300.463 1ª CÂMARA/3ª TURMA ORDINÁRIA DO CARF) o art. 13, §2°, da Lei n° 9.249/95, utilizado pela Recorrente para embasar seu procedimento, trata, especificamente, da apuração da base de cálculo da CSLL, admitindo, Fl. 705DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 8 7 expressamente, a dedução das despesas com doações ao Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC); o acórdão recorrido busca aplicar à CSLL os mesmos dispositivos do IRPJ, o que não constitui a melhor técnica, haja vista que nem todos os ajustes ao lucro líquido para determinação do lucro real são aplicáveis à CSLL, como reconhecido em tópico inicial do próprio acórdão recorrido; o caput do art. 18 da Lei 8313/1991 trata da aplicação de parcelas do IRPJ, a título de doações ou patrocínios, tanto no apoio direto a projetos culturais, como através do Fundo Nacional de Cultura. Da mesma forma, o parágrafo primeiro referese às deduções do imposto de renda das quantias aplicadas nos projetos culturais; por uma interpretação lógica, o parágrafo do mesmo dispositivo, que trata das vedações às deduções das doações e patrocínios como despesas operacionais, só podem estar tratando do IRPJ; este, também, o entendimento consignado no Acórdão n° 110300.463, da 1ª Câmara da 3ª Turma Ordinária, de relatoria do Conselheiro Marcos Tanaka (doc.2), eleito como paradigma sobre a matéria (voto transcrito); diante do exposto, concluise que também neste ponto não pode prevalecer o acórdão recorrido, devendo ser reformado para se desconstituir o crédito tributário relativo à suposta indedutibilidade das despesas com doações e patrocínios realizados pela Recorrente, nos termos da Lei n° 8.313/91, uniformizandose a jurisprudência desse Conselho sobre a matéria. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho exarado em 11/05/2015, admitiu o recurso especial reconhecendo a existência das divergências suscitadas, nos seguintes termos: (PRIMEIRA DIVERGÊNCIA) Enquanto o acórdão recorrido considerou tais valores como provisões, considerandoas indedutíveis para fins da CSLL, ao amparo do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/95, conforme se pode verificar na ementa ao norte transcrita, o acórdão paradigma considerou tais valores como despesas incorridas, expressamente afastando a qualificação feita pela fiscalização como provisão, admitindo, portanto, a sua dedutibilidade da base de cálculo da CSLL, conforme se verifica de sua ementa, abaixo transcrita: [...] Portanto, perfeitamente demonstrada a divergência jurisprudencial, o recurso deve ser admitido com relação a este ponto. [...] (SEGUNDA DIVERGÊNCIA) Enquanto o acórdão recorrido considerou que as despesas com patrocínios nos termos do art. 18 da Lei nº 8.313/91 (Lei Rouanet) seriam indedutíveis da apuração da base de cálculo da CSLL, conforme se pode Fl. 706DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 9 8 verificar na ementa ao norte transcrita, o acórdão paradigma considerou tais despesas como dedutíveis dessa mesma base de cálculo, conforme se verifica de sua ementa, abaixo transcrita: [...] Portanto, perfeitamente demonstrada a divergência jurisprudencial, o recurso deve ser admitido também com relação a este ponto. Em 15/05/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 29/05/2015 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DOS FUNDAMENTOS PARA A MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO DA DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA os tributos com exigibilidade suspensa por uma das hipóteses previstas no art. 151, II a IV, do CTN devem ser contabilizados pelo regime de caixa, ou seja, somente serão considerados despesa para fins de IRPJ/CSLL por ocasião do efetivo pagamento; enquanto provisão, é vedada a dedução de tributo com exigibilidade suspensa da apuração da base de cálculo do IRPJ/CSLL, devendo o valor correspondente ser integralmente adicionado à base de cálculo dessas exações. Este é o disciplinamento previsto no art. 41, § 1º, da Lei n. 8.981/95, e no art. 13, inciso I, da Lei n. 9.249/95; por sua vez, os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários com exigibilidade suspensa estão sujeitos às mesmas regras de dedutibilidade; com efeito, ao impedir a dedutibilidade imediata dos tributos com exigibilidade suspensa, as referidas normas também impedem a dedutibilidade, pelo regime de competência, da parcela acrescida ao tributo em razão da mora do contribuinte; neste sentido, citese a Solução de divergência COSIT nº 9/2013, de 22 de julho de 2013; este e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por inúmeras vezes, manifestouse no sentido de que as provisões contábeis relativas a tributos ou contribuições com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, II a IV, do Código Tributário Nacional, e respectivos juros moratórios, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (ementas transcritas); DOS PATROCÍNIOS REALIZADOS NOS TERMOS DA LEI N° 8.313/91 (LEI ROUANET) a Lei Rouanet criou o Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC) que está baseado na concessão de incentivos fiscais a pessoas interessadas em patrocinar projetos culturais e no financiamento desses projetos. No art. 18 da Lei nº 8.313/91 estão elencados os incentivos concedidos e os critérios para apresentação de projetos a serem financiados pelos recursos captados na forma desta Lei; Fl. 707DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 10 9 conforme dispõe o parágrafo 2º do artigo 18 da Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991, as doações e patrocínios de que trata o referido dispositivo legal, são despesas operacionais não dedutíveis, devendo ser adicionadas à base de cálculo do imposto de renda devido; a respeito da possibilidade de dedução dos referidos valores da base de cálculo do lucro líquido, o acórdão recorrido muito bem tratou da matéria (transcrição do voto); assim, patente a necessidade de manutenção do acórdão a quo tal como proferido. É o relatório. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, relativamente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2008 e 2009. A parte da autuação que remanesce em litígio nesta etapa processual está fundamentada em glosa de dedução relativa a tributo com exigibilidade suspensa, e glosa de dedução referente a patrocínio cultural. Em sede de recurso especial, a contribuinte suscita divergência quanto a essas matérias, ou seja, quanto à incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre (1) o valor de tributos que se encontram com a exigibilidade suspensa por depósito judicial, e também sobre (2) o valor de patrocínios culturais feitos com base na Lei Rouanet. PRIMEIRA DIVERGÊNCIA Por meio da primeira divergência, a contribuinte questiona a aplicação do inciso I do art. 13 da Lei n. 9.249/1995, que veda a dedução de provisão que não esteja expressamente autorizada: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável;(Vide Lei 9.430, de 1996) No recurso, a contribuinte alega, em síntese: que os depósitos judiciais realizados com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário não representam uma provisão, mas um verdadeiro "contas a pagar", ainda que outra nomenclatura lhe tenha dado a Recorrente; que a presunção de constitucionalidade das leis, da qual também goza a obrigação tributária, ex lege, nos termos dos arts. 113 e 114 do Código Tributário Nacional, impede a caracterização desta incerteza, pois a obrigação tributária será sempre certa e líquida, ainda que o contribuinte a esteja questionando judicialmente; Fl. 709DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 12 11 que por mais flagrantemente inconstitucional que possa parecer a lei que institui uma obrigação tributária principal, até o trânsito em julgado da decisão judicial que reconhecer o direito do contribuinte de não se sujeitar ao pagamento do tributo, essa obrigação não será incerta ou ilíquida; que logrando êxito na ação proposta, a Recorrente obterá uma decisão judicial que extinguirá o crédito tributário discutido. Sendo assim, como se poderia extinguir um crédito tributário que não existe? que tendo havido a transferência de titularidade dos referidos depósitos em favor da União, não há como não se admitir a dedução dos mesmos da base de cálculo da CSLL. O conceito de provisão abarca situações variadas. O que caracteriza uma provisão é sua correspondência a situações sobre as quais paira algum grau de incerteza quanto à existência, ao valor, ao vencimento, etc., de uma obrigação ou de uma perda patrimonial. As provisões não abarcam apenas registros de "riscos" de perda patrimonial, como a "provisão para créditos de liquidação duvidosa". Há também provisões para encargos sociais e trabalhistas. Há ainda a própria "provisão para o imposto de renda" constituída no encerramento do período de apuração, quando já consumado o fato gerador. O próprio texto legal do inciso I do art. 13 da Lei 9.249/1995 não restringe o conceito de provisão às provisões para risco de perda patrimonial, que normalmente apresentam um maior grau de incerteza. Nesse passo, não se pode negar que uma obrigação tributária que está sendo discutida em juízo pela contribuinte, que está com a exigibilidade suspensa no contexto de um processo judicial, possui a característica essencial de uma provisão, que é, no caso, a incerteza quanto à sua própria existência. É até contraditório que a contribuinte questione a existência da obrigação tributária, suspendendo inclusive a sua exigibilidade, e ao mesmo tempo defenda sua dedutibilidade como sendo uma obrigação certa. Nas suas próprias indagações, a contribuinte afirma que poderá obter uma decisão judicial que extinguirá o crédito tributário discutido. Eis aí a incerteza em relação à existência da obrigação, que a contribuinte procura negar. Em reforço ao que está sendo dito, registro o conteúdo do voto que orientou o Acórdão nº 130100.794, de 17/01/2012, exarado pelo conselheiro Waldir Veiga Rocha, que também colaciona variada jurisprudência sobre o tema: O ponto central da discussão é a natureza das despesas com provisões para pagamento de tributos discutidos em juízo e cuja exigibilidade estava suspensa, se despesas efetivamente incorridas, como quer a interessada, ou se provisões, como entende o Fisco. Como corolário Fl. 710DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 13 12 dessa questão, discutese também a dedutibilidade, ou não, de tais despesas (ou provisões) para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. A matéria é bastante conhecida, e já foi objeto de apreciação por este colegiado, quando do julgamento dos processos nº 16327.000028/200517 e nº 16327.001299/200671, também sob minha relatoria, resultando, respectivamente, os acórdãos nº 130100.275, de 09/03/2010, e nº 1301 00.642, de 04/08/2011. Por bem refletir meu entendimento sobre o assunto, transcrevo, a seguir, excerto do voto proferido no primeiro processo e reproduzido no segundo, sendo em ambas as ocasiões acompanhado à unanimidade pela Turma. [...] Com efeito, as despesas com tributos, na situação em que estes estão submetidos ao crivo do Poder Judiciário e com exigibilidade suspensa, não se revestem da certeza e da liquidez indispensáveis a que sejam consideradas despesas incorridas a pagar. Em conseqüência, suas contrapartidas, registradas no passivo, se caracterizam como provisões para fazer face a evento futuro e incerto. Não se discute a correção do registro contábil, pertinente à luz dos princípios e convenções da contabilidade, especialmente aquele do conservadorismo. Também não se trata de glosa de despesas tidas por desnecessárias ou não usuais. O ponto central é que as despesas discutidas são incertas tanto para o contribuinte, que as considera indevidas e as discute judicialmente, quanto para o ente tributante, que se vê na dependência de manifestação do Poder Judiciário para que possa exigir o tributo. Isso ficou bem claro no voto condutor do acórdão recorrido, no trecho a seguir transcrito: 13 A obrigatoriedade de pagar os valores dependem de eventos futuros e incertos, ou seja, dependem de decisão judicial. Se for incerto, não pode ser classificado como contas a pagar, que por sua natureza, impõe liquidez e certeza. A provisão, por sua vez, não possui um dos elementos, quais sejam liquidez e certeza, pois se assim fosse, um termo seria sinônimo do outro. 14 Ao interpor a ação judicial o interessado pretende ver dispensado do recolhimento do tributo. Para a administração tributária demonstra que, segundo seu entendimento, o valor não é devido, como também demonstra para seus sócios e terceiros que luta para não recolher o tributo. Em suma, tanto o interessado, quanto a administração tributária, não têm certeza sobre seus direitos. Ambos aguardam o pronunciamento do poder judiciário. Demonstrada a natureza de provisão dos valores ora discutidos, impõese sua adição para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, ex vi do art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249/1995. Tal foi exatamente o procedimento do Fisco, o qual reputo correto. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 14 13 [...] A jurisprudência administrativa é farta nessa linha, como se verifica das ementas a seguir transcritas, a título exemplificativo: CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. (Ac. 10194.491, de 29/01/2004. Rec. 136.214. Rel. Cons. Valmir Sandri) (No mesmo sentido, Ac. 103 23.053, de 13/06/2007, Rec. 156.141. Rel. Cons. Leonardo de Andrade Couto) (No mesmo sentido, Ac. 10517.358, de 17/12/2008. Rec. 164.752. Rel. Cons. Marcos Rodrigues de Mello) CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS — Por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Ac. 10195.727, de 20/09/2006. Rec. 135.395. Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez) IRPJ — CSLL — PROVISÕES NÃO DEDUTIVEIS — TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDAS JUDICIAIS — Por constituírem acessório dos tributos Fl. 712DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 15 14 sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medidas judiciais a seguem a norma de dedutibilidade do principal. (Ac. 10196.008, de 01/03/2007. Rec. 151.401. Rel. Cons. Paulo Roberto Cortez) CSLL. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. ANOCALENDÁRIO 1998. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, II a IV, do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL. (Ac. 10323.031, de 24/05/2007. Rec. 156.083. Rel. Cons. Aloysio José Percínio da Silva) PROVISÕES — provisões somente podem ser deduzidas das bases de cálculo da CSSL se assim a lei expressamente autorizar. Classificamse como tais, os elementos do passivo, cuja exigibilidade, montante ou data de liquidação, isolada ou conjuntamente, não são certos e determináveis no período de apuração. Assim, valores registrados como tributos, contribuições e demais acréscimos, não passíveis de serem exigidos por força de medida judicial, quadramse nesta classificação e devem ser adicionados à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, se seu registro contábil reduziu o resultado do exercício. (Ac. 10323.037, de 24/05/2007. Rec. 156.322. Rel. Cons. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) CSLL — BASE DE CÁLCULO — DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso II do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/95. (Ac. 10808.126, de 02/12/2004. Rec. 139.544. Rel. Cons. Luiz Alberto Cava Macieira) Esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais também já manifestou entendimento de que os tributos com exigibilidade suspensa têm natureza de provisão e, como tais, não são dedutíveis na apuração da CSLL, conforme os seguintes julgados: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutiveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. O mesmo ocorre com a provisão para juros sobre contingências fiscais os quais, por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, devem seguir a norma de dedutibilidade do principal. (Acórdão 910101.214, de 18/10/2011) Fl. 713DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 16 15 CSLL. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN, são indedutíveis para efeito da determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. (Acórdão 9101 001.512, de 20/11/2012) Correta, portanto, a manutenção do lançamento pelo acórdão recorrido. Agregando os fundamentos transcritos acima ao que foi dito anteriormente, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte quanto a essa primeira divergência. SEGUNDA DIVERGÊNCIA A contribuinte também suscita divergência quanto à incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre o valor de patrocínios culturais feitos com base no art. 18 da Lei Rouanet. É importante fazer um retrospecto das regras que tratam da matéria em pauta. A Lei nº 8.313/1991 (Lei Rouanet), ao instituir o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), estabeleceu o seguinte, em sua redação original: Art. 18. Com o objetivo de incentivar as atividades culturais, a União facultará às pessoas físicas ou jurídicas a opção pela aplicação de parcelas do Imposto sobre a Renda a título de doações ou patrocínios, tanto no apoio direto a projetos culturais apresentados por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas de natureza cultural, de caráter privado, como através de contribuições ao FNC, nos termos do artigo 5º inciso II desta Lei, desde que os projetos atendam aos critérios estabelecidos no art. 1º desta Lei, em torno dos quais será dada prioridade de execução pela CNIC. [...] Art. 26. O doador ou patrocinador poderá deduzir do imposto devido na declaração do Imposto sobre a Renda os valores efetivamente contribuídos em favor de projetos culturais aprovados de acordo com os dispositivos desta Lei, tendo como base os seguintes percentuais:(Vide arts. 5º e 6º, Inciso II da Lei nº 9.532, de 1997) I no caso das pessoas físicas, oitenta por cento das doações e sessenta por cento dos patrocínios; II no caso das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, quarenta por cento das doações e trinta por cento dos patrocínios. §1º A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá abater as doações e patrocínios como despesa operacional. (grifei) Fl. 714DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 17 16 A Lei 8.313/1991, em sua redação original, introduzia pelo art. 18 a possibilidade de os contribuintes optarem pela aplicação de parcelas do Imposto sobre a Renda em doações ou patrocínios a projetos culturais lá mencionados. O art. 26 da mesma lei, por sua vez, ao estabelecer percentuais sobre as doações e patrocínios, estipulava que uma parte desses valores deveria corresponder a recursos do próprio doador/patrocinador. Por exemplo, se uma PJ fizesse um patrocínio de X$100,00, poderia deduzir X$30,00 das parcelas do IRPJ a pagar (recurso da União), e X$70,00 corresponderiam a recursos do próprio contribuinte. Além de o contribuinte poder deduzir do IR a pagar uma parte da doação/ patrocínio feito (conforme mencionado acima), o §1º do art. 26 dizia que a PJ tributada pelo lucro real poderia abater as doações e patrocínios como despesa operacional. Posteriormente, a Lei 9.249/1995, ao tratar dos tipos de doação que poderiam ser deduzidos do lucro real e da base de cálculo da CSLL, estabeleceu: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: [...] § 2º Poderão ser deduzidas as seguintes doações: I as de que trata a Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; II as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa [...] [...] (grifei) A Lei nº 9.249/1995, ao tratar da dedutibilidade de doações, em nada alterou a regra contida no referido §1º do art. 26 da Lei 8.313/1991, que já permitia que as doações a projetos culturais fossem abatidas/deduzidas como despesa operacional. Contudo, em 1997, a Medida Provisória nº 1.589, de 24/09/1997 (convertida na Lei nº 9.874/1999), alterou bastante o conteúdo do art. 18 da Lei 8.313/1991, que passou a ter a seguinte redação: Art.18. Com o objetivo de incentivar as atividades culturais, a União facultará às pessoas físicas ou jurídicas a opção pela aplicação de parcelas do Imposto sobre a Renda, a título de doações ou patrocínios, tanto no apoio direto a projetos culturais apresentados por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas de natureza cultural, como através de contribuições ao FNC, nos termos do art. 5º, inciso II, desta Lei, desde que os projetos atendam aos critérios estabelecidos no art. 1º desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.874, de 1999) §1º Os contribuintes poderão deduzir do imposto de renda devido as quantias efetivamente despendidas nos projetos elencados no §3º, previamente aprovados pelo Ministério da Cultura, nos limites e nas Fl. 715DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 18 17 condições estabelecidos na legislação do imposto de renda vigente, na forma de: (Incluído pela Lei nº 9.874, de 1999) a) doações; e(Incluída pela Lei nº 9.874, de 1999) b) patrocínios.(Incluída pela Lei nº 9.874, de 1999) §2º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real não poderão deduzir o valor da doação ou do patrocínio referido no parágrafo anterior como despesa operacional.(Incluído pela Lei nº 9.874, de 1999) §3º As doações e os patrocínios na produção cultural, a que se refere o § 1º, atenderão exclusivamente aos seguintes segmentos:(Incluído pela Lei nº 9.874, de 1999) [...] Com esta alteração legislativa, foram incluídos vários parágrafos que não existiam no art. 18 da Lei 8.313/1991, e ele deixou de ser apenas introdutório do incentivo à cultura. O art. 18 passou a tratar de alguns projetos específicos (tidos como projetos especiais), previstos no seu §3º, com um regramento diferente daquele que era (e ainda é) previsto no art. 26 da mesma lei (que passou a tratar dos demais projetos). Para os projetos previstos em seu §3º, o art. 18 não estabelece percentuais que limitam a dedução das doações e patrocínios culturais. No contexto desses projetos especiais, o doador/patrocinador pode deduzir do IR a pagar 100% das doações e patrocínios feitos. Por outro lado, o §2º do art. 18, diferentemente do §1º do art. 26, estabelece que, em relação aos projetos especiais, as PJ tributadas pelo lucro real NÃO poderão deduzir o valor da doação ou do patrocínio como despesa operacional. No contexto dos projetos que passaram a ser previstos no art. 18 da Lei 8.313/1991, diferentemente do que ainda ocorre com os projetos tratados pelo art. 26 da mesma lei, todo o valor da doação/patrocínio corresponde a IR a pagar (recurso da União). Nenhuma parte da doação/patrocínio é feita com recursos próprios do contribuinte. Essa é, a meu ver, a razão pela qual a lei vedou a dedução desses valores como despesa operacional. Se todo o recurso da doação ou patrocínio é recurso da União (que abre mão de receber o imposto que lhe era devido), não há porque a contribuinte pretender deduzir alguma despesa operacional a esse título, nem para o IRPJ, nem para a CSLL. O acórdão recorrido já esclareceu que o conceito de despesa operacional diz respeito tanto ao lucro real quanto à base de cálculo da CSLL, nos termos do que dispõe o artigo 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, a despeito de este artigo ter sido introduzido no sistema jurídico muito antes da criação da CSLL: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 19 18 § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. Nesse sentido, é importante lembrar que o art. 2° da Lei n° 7.689/1988 explicita que a base de cálculo da CSLL é o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, com os ajustes lá definidos. E a Lei nº 6.404/1976, em seu art. 187, §1º, estabelece que na determinação do resultado do exercício serão computados os custos, despesas, encargos e perdas correspondentes às receitas e aos rendimentos da sociedade. Essa relação de correspondência entre despesas e receitas prevista na legislação comercial não pode dizer outra coisa senão que as despesas a serem computadas (deduzidas) na determinação do resultado são aquelas incorridas para a geração das receitas; são aquelas necessárias para a geração das receitas; são aquelas normais/usuais na atividade da empresa. Além disso, o caput do art. 13 da Lei 9.249/1995, já transcrito anteriormente, não deixa dúvidas de que o conceito de despesa operacional para fins tributários também se aplica à CSLL. Se o art. 13 da Lei 9.249/1995 diz que "para efeito de apuração [...] da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964" [...], é porque esse referido art. 47 se aplica à CSLL. Diante desse contexto, penso que o acórdão recorrido acertou ao concluir que a vedação prevista no §2º do art. 18 da Lei 8.313/1991 (introduzido pela MP nº 1.589/1997), pela qual o contribuinte não pode deduzir determinadas doações e patrocínios como despesa operacional, não é específica para o IRPJ, aplicandose também à CSLL: Portanto, diferentemente do que pensa a recorrente, não havia necessidade de o legislador expressamente declarar que a vedação contida no § 2º, do artigo 18, da Lei nº 8.313/91, aplicavase também à CSLL. Isso porque ao dizer que vedava a dedução do patrocínio como despesa operacional estava implicitamente utilizando o conceito que se aplica tanto ao IRPJ como à CSLL. Ademais, chego a dizer que, mesmo que não houvesse a aludida vedação, a dedução não seria permitida. O patrocínio (assim como seria com as doações) tem natureza de parcelas do imposto devido que, por autorização legal, podem ter uma destinação específica (o incentivo à cultura). Não se trata de recurso da pessoa jurídica, mas, sim, de recurso da União. Assim, não tem cabimento a empresa deduzir como despesa sua o valor correspondente a um dispêndio que não foi seu. Isso só seria admissível (como de fato o é para os projetos culturais aprovados nos termos do artigo 26 da mesma Lei nº 8.313/91, conforme seu § 1º) se a própria lei expressamente autorizasse a dedução como despesa. Na verdade, tratarseia de mais um incentivo. Portanto, também está correto o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido em relação à matéria que é objeto dessa segunda divergência. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 9101002.336 CSRFT1 Fl. 20 19 Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 718DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 36202.002464/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2007
RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Entende-se como pagamento parcial o recolhimento da contribuição previdenciária sobre outras parcelas remuneratórias que compõem a folha de pagamento da empresa (Súmula CARF nº 99).
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR.
Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como uma gratificação. Considera-se disponível aos segurados e dirigentes o programa de previdência complementar cuja adesão seja permitida a todos os segurados efetivos da empresa, ainda que os planos de benefícios e custeio sejam mais favoráveis a algumas categorias de segurados.
Numero da decisão: 2301-004.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (a) pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício, para se aplicar o art. 173, I, do CTN; vencidos os Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva e Nathália Correia Pompeu, que negavam provimento ao recurso de ofício; (b) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator; vencidos os Conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior, que aplicavam as regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009 e Ivacir Julio de Souza, que negava provimento ao recurso voluntário por entender aplicável ao caso o art. 28, § 9º, letra "p" da Lei 8212, de 2001, com a redação dada pela Lei 9.528, de 1997, no que concerne à Previdência Complementar. Fez sustentação oral o Dr. Gilberto Fraga, OAB/RJ 71.448.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Entendese como pagamento parcial o recolhimento da contribuição previdenciária sobre outras parcelas remuneratórias que compõem a folha de pagamento da empresa (Súmula CARF nº 99). PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como uma gratificação. Considerase disponível aos segurados e dirigentes o programa de previdência complementar cuja adesão seja permitida a todos os segurados efetivos da empresa, ainda que os planos de benefícios e custeio sejam mais favoráveis a algumas categorias de segurados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (a) pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício, para se aplicar o art. 173, I, do CTN; vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 20 2. 00 24 64 /2 00 7- 14 Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Conselheiros Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva e Nathália Correia Pompeu, que negavam provimento ao recurso de ofício; (b) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator; vencidos os Conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e João Bellini Junior, que aplicavam as regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009 e Ivacir Julio de Souza, que negava provimento ao recurso voluntário por entender aplicável ao caso o art. 28, § 9º, letra "p" da Lei 8212, de 2001, com a redação dada pela Lei 9.528, de 1997, no que concerne à Previdência Complementar. Fez sustentação oral o Dr. Gilberto Fraga, OAB/RJ 71.448. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 36202.002464/200714 Acórdão n.º 2402004.411 S2C4T2 Fl. 1.002 3 Relatório Tratamse de recursos voluntário e de ofício interpostos contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a autuação fiscal com ciência em 13/06/2007 de valores pagos supostamente como remuneração indireta. A autuação decorre do descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Foram excluídos da autuação fiscal os valores relativos ao período até 05/2002, inclusive, pelo reconhecimento da decadência parcial pelo artigo 150, §4º do CTN. Seguem transcrições de trechos do acórdão recorrido: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, §§ 3° e 5°, da Lei 8.212/1991, acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/1997, combinado com o artigo 225, inciso IV, § 4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, a empresa apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. Transcorrido o prazo decadencial relativamente a parte do lançamento, o Fisco resta impedido de exigir a parte lançada fora do prazo previsto no CTN. LANÇAMENTO. REVISÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 145, III C/C ART.149, I DO CTN. O lançamento pode ser revisto quando for constatada matéria de fato que altere a natureza quantitativa do crédito tributário, sem lesão ao interesse público, nem prejuízo a terceiros. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... Quanto a decadência parcial do crédito, a primeira instância recorreu de ofício de sua decisão que aplicara o artigo 150, §4º do CTN: 11.2. Uma vez que o período de referência do presente lançamento, datado de 08/06/2007, vai de 01/02/1999 a 31/01/2007, e que a empresa notificada, responsável por Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 substituição pelas contribuições lançadas, apresenta recolhimentos em todo o período do lançamento, conforme consulta feita a sua contacorrente no sistema informatizado, forçoso é reconhecer que a impugnante tem razão ao alegar que a decadência ocorreu nos termos do art. 150, § 4° do CTN, ou seja, até a competência 05/2002, sendo os valores pertinentes ora excluídos. 11.3. Assim, remanescem apenas os valores lançados nas competências 06/2002 a 01/2007 e, assim, só esses serão objeto de análise. Contra a parte mantida no lançamento o recorrente interpôs recurso voluntário contra as mesmas parcelas relativas aos processos de obrigações principais, que já foram examinados e julgados. A decisão recorrida discrimina esses processos que obtiveram os seguintes resultados: 2.1. Assistências Médica e Odontológica, concedidas em desacordo com o art. 28, § 9°, alínea "q" da Lei 8.212/1991. As contribuições devidas foram lançadas na NFLD 37.020.3348, Processo 36202.002460/200728. Negar provimento por unanimidade 2.2. Alimentação in natura fornecida a titulo de Cesta Básica, esta não incluída no PAT — Programa de Alimentação do Trabalhador, em descumprimento ao art. 28, § 9°, alínea "c" da Lei 8.212/1991. As contribuições devidas foram lançadas na NFLD 37.020.3356, Processo 36202.002462/200717. Dar provimento por unanimidade 2.3. Gratificações integrantes da remuneração, nos termos do art. 28, I da Lei 8.212/1991. As contribuições devidas foram lançadas na NFLD 37.020.3364, Processo 36202.002478/2007 20. Decadência integral 2.4. Participação nos Lucros ou Resultados concedida em desacordo com o art. 28, § 9°, alínea "j" da Lei 8.212/1991. As contribuições devidas foram lançadas na NFLD 37.020.3372, Processo 36202.002511/200711. Desistência da parte não alcançada pela decadência com renúncia de discussão da matéria de direito 2.5. Previdência Privada Complementar concedida em desacordo com o art. 28, § 9°, alínea "p" da Lei 8.212/1991. As contribuições devidas foram lançadas na NFLD 37.020.3380, Processo 36202.002467/200740. Processo não foi localizado 2.6. Seguro de Vida em Grupo concedido antes da publicação do Decreto 3.265/1999. As contribuições devidas foram lançadas na NFLD 37.095.0631, Processo 36202.002465/200751. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 36202.002464/200714 Acórdão n.º 2402004.411 S2C4T2 Fl. 1.003 5 Dar provimento por unanimidade 2.7. Valetransporte concedido em desacordo com o art. 28, § 9°, alínea "f' da Lei 8.212/1991. As contribuições devidas foram lançadas na NFLD 37.095.0640, Processo 36202.002461/2007 72. Dar provimento por unanimidade 2.8. Valores pagos, devidos ou creditados relativos a Cartões de Premiação (Premium Card), integrantes da remuneração, nos termos do art. 28, I da Lei 8.212/1991. As contribuições apuradas foram recolhidas durante a ação fiscal. Desistência e pagamento durante a ação fiscal 2.9. Ajuda de Custo concedida em desacordo com o art. 28, § 9°, alínea "g" da Lei 8.212/1991. As contribuições apuradas foram recolhidas durante a ação fiscal. Desistência e pagamento durante a ação fiscal 2.10. Valores remuneratórios de serviços prestados por cooperados intermediados por Cooperativas de Trabalho, de que trata o art. 22, IV da Lei 8.2 2/ 991, na redação dada pela Lei 9.876/1999. As contribuições incidentes sobre tal rubrica foram recolhidas. Desistência e pagamento durante a ação fiscal Embora no seu recurso voluntário a recorrente tenha sido insurgido contra todas as matérias, serão aqui relatadas apenas as alegações preliminares e as relativa à parcela previdência complementar privada: Recurso voluntário: 5 — Desde que o colegiado não se incline pelo sobrestamento, a recorrente, inexistindo preclusão em processo administrativo, se reporta integralmente A. sua impugnação de fls. que passa a fazer parte integrante do presente recurso. Com o recurso toda a matéria em exame é devolvida ao conhecimento do órgão julgador. ... Impugnação: 4.5.1. Os auditores fiscais autuaram a empresa em equivocada premissa, uma vez que o art. 28, §9°, da Lei 8212/91 estabelece que não integra o saláriodecontribuição o valor das contribuições efetivamente pagas pela pessoa jurídica relativas ao programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observado o que couber os arts. 9° e 468 da CLT; Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 4.5.2. Não é necessário que todos venham a aderir à previdência complementar, mas sim que a referida previdência esteja disponível para todos e não poderia ser de outra forma, porque o regime facultativo de previdência complementar, se caracteriza,justamente, pela não obrigatoriedade de adesão, como se verifica do art. 202 da Constituição Federal; 4.5.3. Não pode a impugnante determinar que todos promovam a adesão e contribuam; 4.5.4. Outro aspecto que merece ser destacado é o fato de que a Previdência Complementar é caracterizada pela sua complementariedade, ressaltando que o próprio legislador constituinte previu a adoção da previdência complementar facultativa para os servidores públicos no art. 40, §14°, da CRFB/88; 4.5.5. Resta cristalino o caráter de complementariedade da previdência complementar, de modo que repercutirá para cada um de modo diverso, dependendo da renda que aufere; 4.5.6. A previdência complementar está inserida dentro da seção "Da Previdência Social” arts. 201/202 da CRFB/88) e como tal está adstrita ao Principio Constitucional da Seletividade e Distributividade na Prestação dos Beneficios e Serviços (art.194, p.u, inciso III, da CRFB/88); 4.5.7. 0 próprio legislador constituinte estabeleceu que a Previdência Complementar Pública deveria observar os ditames da Previdência Complementar Privada (art. 40, §15, CRFB/88); 4.5.8. A ação fiscal incidiu em erro ao constituir o crédito com base em pagamentos de Plano de Previdência Complementar contratado com o Bradesco Previdência, que está disponível a todos os empregados e dirigentes, de modo que a alegação de que o plano só seria mais vantajoso para parte dos empregados não tem o condão de descaracterizar a natureza complementar e facultativa que rege tal regime previdenciário, sendo insubsistente a alegação por si só, que se baseou em apenas um dos benefícios ofertados pelo plano; 4.5.9. Os valores pagos foram destinados ao plano de previdência e não aos trabalhadores e sequer integraram seu patrimônio, devendo o crédito ser desconstituído, assim como todos os consectários legais, eis que destituído de qualquer fundamento legal. Como se vê o recorrente requer o sobrestamento e, subsidiariamente, a aceitação de sua impugnação como recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 36202.002464/200714 Acórdão n.º 2402004.411 S2C4T2 Fl. 1.004 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Recurso de Ofício: Foram excluídas do lançamento contribuições comprovadamente recolhidas pelo recorrente ou alcançadas pela decadência pelo artigo 150, §4º do CTN. Em relação aos autos de infração de lançamento da obrigação principal se aplicou o artigo 150, §4º do CTN uma vez que houve recolhimentos parciais em todo o período lançado como informado pela decisão recorrida; inclusive para o período remanescente a recorrente apresentou comprovantes de desconto e recolhimento da contribuição previdenciária. Com efeito, em relação à obrigação principal, a decisão recorrida está em consonância com a Súmula CARF nº 99, isto é, considerase que houve pagamento parcial ainda quando os recolhimentos efetuados não se refiram à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acontece que o presente processo trata de obrigação acessória e, portanto, obrigação cujo crédito é constituído sem a possibilidade de homologação de pagamento. Dessa forma, no procedimento de ofício, independentemente do recolhimento da obrigação principal, deve ser aplicado o artigo 173, I do CTN. Assim, voto por dar provimento parcial ao recurso de ofício. Recurso Voluntário: Previdência Complementar Privada em Regime Aberto O benefício tem previsão constitucional no artigo 202, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98; portanto, tratase de imunidade de contribuição previdenciária: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 ... § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). ... Em destaque nas transcrições acima, temse que, atendidos os requisitos da lei, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração e, conseqüentemente, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias. De fato, outra não poderia ser a interpretação. Isto porque somente se pode falar em Previdência Complementar quando suas características estão presentes. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a Previdência Complementar Privada. Para que assim seja considerada e daí não incidirem contribuições previdenciárias devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o artigo 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Quanto ao artigo 28, §9°, alínea p, parte final, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, portanto anterior mesmo à EC n° 20/98, não tenho dúvida que se houver incompatibilidade com os artigos 68 e 69, §1° da Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, que passaram a regular o artigo 202, §2° da Constituição Federal, restará derrogado, pois além desta última veicular norma tributária especial é posterior àquela: Art. 28 (...) §9° (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas como esclarecimento, meu entendimento sobre a expressão: “desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes” já havia sido manifestado no Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 36202.002464/200714 Acórdão n.º 2402004.411 S2C4T2 Fl. 1.005 9 Acórdão n° 20500.176, de 11/12/2007 quando se apreciou a incidência ou não sobre o benefício Plano Educacional. Naquele caso, não havia disposição legal posterior de natureza tributária silente quanto ao requisito, como neste caso; a CLT, regulando relações de trabalho, é que deixava de considerar como salário o benefício, persistindo com isso a parte final do artigo 28, § 9º, alínea “t” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Quanto às exigências para o gozo da isenção de que o benefício não substitua parcelas salariais e seja extensivo à totalidade dos segurados empregados e dirigentes, parte final do dispositivo, entendo que não houve revogação. Isto porque é razoável que a legislação tributária procurasse evitar práticas elisivas, como a pretensiosa redução da base de cálculo por meio da substituição pelo benefício ou mesmo sua disponibilização vinculada à produtividade do empregado, do que o caracterizaria como uma gratificação. E não se diga que a falta de previsão dessas exigências na lei posterior tenha sido intencional para a revogação de todo o dispositivo legal da Lei n° 8.212/91. Interessa ao Direito do Trabalho a definição de salário e não as regras periféricas voltadas aos efeitos tributários. As exigências da legislação tributária na parte final do artigo 28, §9°, alínea “t” da Lei n° 8.212/91, ao contrário da parte inicial, não integram a caracterização de alguma utilidade como salário ou não, apenas estabelecem o necessário para gozo da isenção. Retomando ao exame da LC n° 109/2001, selecionamos as principais disposições para este estudo: Lei Complementar nº 109, de 29 de Maio de 2001 Art. 1o O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4o As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas ... Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1o Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 ... Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. ... CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. ... Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 36202.002464/200714 Acórdão n.º 2402004.411 S2C4T2 Fl. 1.006 11 § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas para que não fiquem espaços vazios na linha de desenvolvimento deste trabalho, lembrase que os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 68 e 69 são apenas partes do estatuto da previdência complementar, veiculado pela LC n° 109/2001. Inicialmente, dispõe a lei que os programas podem ser abertos ou fechados, de acordo com a natureza da entidade de previdência complementar. Após, trata de cada um nas seções que se seguem: na Seção II os programas em regime fechado e na Seção III, regime aberto. Para o primeiro, através de seu artigo 16, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, tal como no artigo 28, § 9º, “p” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Portanto, um suposto programa de previdência complementar em regime fechado não oferecido à totalidade dos empregados não pode ser considerado como tal e as contribuições vertidas devem ser tributadas normalmente, eis que carecem de característica essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, faculdade somente possível quando a opção é pelo regime aberto, conforme artigo 26, §3° da lei. Vêse que para o regime fechado, considerando a unidade da lei, não há incompatibilidade com a Lei n° 8.212/1991, apenas que nesta as regras de incidência e abrangência estão em um mesmo dispositivo legal. Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar, artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendê lo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos selecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. Em síntese, temos que para a não incidência de contribuições previdenciárias: a) até o advento da LC n° 109/2001, em quaisquer casos, a empresa tinha que oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes; b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação. No presente caso sob exame, os fatos geradores ocorreram antes e após à LC n° 109/2001. Como já foi reconhecida a decadência para o período até 05/2002, todos os fatos geradores remanescentes da autuação fiscal ocorreram na vigência da LC n° 109/2001. Tratandose da modalidade de previdência complementar em regime aberto, de acordo com a tese aqui desenvolvida, não haveria necessidade de disponibilização dos planos de previdência complementar à totalidade dos dirigentes e empregados, desde que a restrição ao benefício seja de forma genérica e impessoal. É o que passamos a examinar. De acordo com o relatório fiscal, fls. 57, tratase de previdência complementar privada contratada de entidade aberta. No caso, fora contratada uma seguradora: Pelos termos do contrato assinado com a seguradora, tornase evidente que a intenção da empresa foi a de adotar uma política de beneficio aos ocupantes de altos cargos: para a maioria dos empregados o plano de previdência acordado não geraria benefícios futuros, inaplicável aos mesmos. Os fundamentos para a incidência sobre o benefício estão no relatório fiscal: Naturalmente, ao vincular a não incidência do tributo à concessão do beneficio à totalidade dos empregados e dirigentes, estabeleceu a lei uma restrição, a de que todos na empresa usufruíssem em igualdade de condições o beneficio. O que não ocorreu no caso da Flexibras, onde as contribuições mensais ao plano de previdência privada contemplaram apenas parte dos empregados da empresa, 32 (trinta e dois) ao todo, enquanto a empresa possuiu média mensal de 316 (trezentos e dezesseis) empregados durante o período em que o beneficio foi concedido, chegando a possuir 392 (trezentos e noventa e dois) empregados em determinada competência do período. As próprias regras impostas pelo Regulamento do Plano para a participação na Previdência Privada, em anexo, ao vincular o valor da renda mensal, que seria devida aos participantes no futuro; à um Percentual do seu salário bruto, época da sua concessão, e ao valor da aposentadoria concedida pelo INSS, privaram a grande maioria dos empregados de usufruírem deste beneficio, privilegiando apenas parcela dos empregados, notadamente os de maiores remunerações. Pelos termos do contrato assinado com a seguradora, tornase evidente que a Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 36202.002464/200714 Acórdão n.º 2402004.411 S2C4T2 Fl. 1.007 13 intenção da empresa foi a de adotar uma política de beneficio aos ocupantes de altos cargos: para a maioria dos empregados o plano de previdência acordado não geraria benefícios futuros, inaplicável aos mesmos. A fiscalização concluiu que a necessidade de possuir uma renda mínimo restringe o acesso ao benefício, favorecendo os ocupantes de cargos mais elevados, o que contraria a parte final do artigo 28, §9º, “p” da Lei nº 8.212/91: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT;” Em sentido contrário a CSRF tem decidido que em regime aberto é possível a limitação do benefício a grupos dentro da empresa, como aqueles que têm por critério de formação a remuneração: Processo nº 14485.003204/200796 Recurso nº 999.999 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202003.193– 2ª Turma Sessão de 07 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SERASA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A LC n° 109/2001 alterou a regulamentação da matéria antes adstrita à Lei n.8.212/1991, passando a admitir que no caso de plano de previdência complementar em regime aberto a concessão pela empresa a grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria não caracteriza salário decontribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. Recurso especial conhecido e provido. Portanto, entendo que assiste razão ao recorrente. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 Quanto as demais parcelas discutidas no presente processo de obrigação acessória, somente cabe a este colegiado reproduzir o que já decidido nos processos de obrigação principal, quando foi reconhecida a não incidência de contribuição previdenciária sobre: Auxílioalimentação, Seguro de Vida em Grupo e Auxíliotransporte. Quanto à Participação nos Lucros ou Resultados, lançadas na NFLD 37.020.3372, Processo 36202.002511/200711, a recorrente desistiu da discussão de mérito. Em razão do exposto, voto dar provimento parcial ao recurso voluntário para redução da multa proporcionalmente as seguintes parcelas: Previdência complementar privada, Auxílioalimentação, Seguro de Vida em Grupo e Auxíliotransporte. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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