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Numero do processo: 11829.720048/2013-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). DISPOSITIVOS DE CRISTAL LÍQUIDO (LCD).
Dispositivos de cristais líquidos (LCD) que não constituam artigos compreendidos mais especificamente em outras posições classificam-se no código 9013.80.10 da NCM/TEC.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). DISPOSITIVOS DE CRISTAL LÍQUIDO (LCD) COM DRIVER. Dispositivos de cristal líquido (LCD) incorporados de drivers (LCD controller/driver) não se classificam no código 8512.90.00 da NCM/TEC.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3401-003.175
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que dava parcial provimento para manter parcela da multa por erro de classificação fiscal. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibrain, OAB 110.372MG
Nome do relator: WALTAMIR BARREIROS
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NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). DISPOSITIVOS DE CRISTAL LÍQUIDO (LCD). Dispositivos de cristais líquidos (LCD) que não constituam artigos compreendidos mais especificamente em outras posições classificamse no código 9013.80.10 da NCM/TEC. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). DISPOSITIVOS DE CRISTAL LÍQUIDO (LCD) COM DRIVER. Dispositivos de cristal líquido (LCD) incorporados de drivers (LCD controller/driver) não se classificam no código 8512.90.00 da NCM/TEC. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que dava parcial provimento para manter parcela da multa por erro de classificação fiscal. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Marco Túlio Fernandes Ibrain, OAB 110.372MG. Robson José Bayerl Presidente Substituto Waltamir Barreiros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 48 /2 01 3- 43Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase de Autos de Infração lavrados para exigir da contribuinte diferenças no recolhimento de (i) Imposto de Importação (II) (fls. 4487), (ii) Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) (fls. 609617), (iii) Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEPImportação) (fls. 618904) e (iv) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINSImportação) (fls. 9051191), referentes a fatos geradores ocorridos durante os anos de 2008 a 2012, bem como (v) multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (fls.488608). Os Autos de Infração encontram respaldo na fiscalização iniciada com base no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n. 08.1.77.002013001571, de 10 de abril de 2013 (fl. 1284). Segundo o Termo de Verificação e Descrição dos Fatos (fls. 11941283), a contribuinte utilizouse do código tarifário NCM 9013.80.10 para amparar as importações de mostradores de cristal líquido destinados à visualização de informações em painéis de instrumentos de veículos automotivos. Dito código tarifário serve àqueles “dispositivos de cristais líquidos que não constituam artigos compreendidos mais especificamente noutras posições; lasers, exceto diodos laser; outros aparelhos e instrumentos de óptica, não especificados nem compreendidos noutras posições do presente capítulo”. Entende, no entanto, a autoridade fiscal, que as mercadorias importadas deveriam ter sido classificadas sob o código NCM 8512.90.00, que se aplica às “máquinas e aparelhos, material elétrico, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios – aparelhos elétricos de iluminação ou de sinalização (exceto os da posição 8539), limpadores de parabrisa, degeladores e desembaçadores (desembaceadores) elétricos, dos tipos utilizados em ciclos e automovéis – partes.”. A divergência entre o código utilizado pela contribuinte e o código pretendido pela autoridade fiscal gerou uma disparidade de alíquotas dos quatro tributos retro citados, na seguinte ordem comparativa (fl. 1267): NCM Vigência no Período II IPI PIS/PASEP COFINS 8512.90.00 01/01/2008 a 31/12/2012 16% 15% 2,3% 10,8% 9013.80.10 01/01/2008 a 31/12/2012 0 5% 1,65% 7,6% Do Termo de Verificação e Descrição dos Fatos, extraemse as razões para a reclassificação promovida pelo Auditorfiscal (fls. 11941283): Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11829.720048/201343 Acórdão n.º 3401003.175 S3C4T1 Fl. 2.783 3 “Da análise do Laudo Técnico elaborado pelo perito, podemos depreender que estes produtos correspondem a mostradores que serão utilizados em painéis de instrumentos de carros. A própria empresa em sua resposta à Intimação no. 01/2013001571 informa que os produtos em questão serão utilizados para exibir informações das funcionalidades do veículo por via eletrônica. Informa ainda que a aplicabilidade dos dispositivos de cristal líquido é em painel de instrumentos. [...] Destarte, uma condição básica para que um dispositivo de cristal líquido seja enquadrado na posição 9013 é que ele NÃO CONSTITUA ARTIGO COMPREENDIDO MAIS ESPECIFICAMENTE EM OUTRAS POSIÇÕES. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh) da posição 9013 dizem o seguinte: “...a presente posição compreende especialmente: 1) Os dispositivos de cristais líquidos, constituídos por uma camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas de vidro ou de plástico, com ou sem condutores elétricos, em peça ou recortados em formas determinadas, e que não consistam em artefatos compreendidos mais especificamente em outras posições da Nomenclatura.” Ora, analisando os datasheet apresentados, verificamos que em dois deles há a presença de outros componentes, além dos painéis de LCD, na constituição das mercadorias. Ou seja, estes dispositivos eletrônicos, constituídos por painéis de LCD E outros componentes, ULTRAPASSAM a descrição prevista na Nesh da posição 9013. Portanto, podemos concluir que elas NÃO se enquadram na posição 9013. As imagens dos data sheet deixam bem clara a presença de um driver (LCD controller/driver). Analogamente à situação descrita, a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX), ligada à Presidência da República, publicou a Resolução CAMEX n° 84 de 08/12/2010, incluindo dois “Extarifários” para a posição 8529.90.20, referindose a “Tela de visualização de cristal líquido (LCD), composta por um painel de cristal líquido com matriz ativa de transistores de filme fino (TFT Thin Film Transistor), entre outros componentes”, corroborando o entendimento firmado acerca de sua exclusão da posição 9013. [...] Em resumo, as telas de visualização contendo dispositivos de cristais líquidos – LCD e outros componentes ou circuitos integrados, inclusive miniaturizados, que são mais do que simples conexões elétricas, não podem ser confundidas com os dispositivos de cristais líquidos – LCD. Apresentam outra forma de apresentação e utilização econômica, com características físicas e elétricas bem definidas. Elas ultrapassam o conceito de dispositivos de LCD trazido na NESH, pois CONTÊM os referidos dispositivos, além de outros componentes. Em outras palavras: os efetivos dispositivos de cristais líquidos, que poderiam ser adequadamente enquadrados no código 9013.80.10, passaram por um processo de industrialização, onde foram agregados outros componentes, os quais conferem características específicas das máquinas às quais se destinam.” Em razão da suposta incorreção na classificação, autuouse a contribuinte para o pagamento de crédito tributário que totaliza R$ 14.522.494,78 (fl. 1192). Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 13861428), em 28/01/2014, alegando, em breve síntese, que: (i) mesmo se devidos os tributos, a alíquota de Imposto de Importação utilizada pelo Auditorfiscal encontrase em desacordo com o art. 5º da Lei n. 10.182/2001; (ii) não é possível a reclassificação fiscal de mercadorias desembaraçadas; (iii) o art. 146 do CTN impede a mudança de entendimento com efeitos retroativos; (iv) a classificação fiscal dos dispositivos de cristal líquido importados é aquela declarada pela contribuinte; e (v) subsidiariamente, devese cancelar os consectários legais (multa e juros), por não presente a intenção de lesar o Fisco. São fundamentos pertinentes acerca da classificação adotada pela contribuinte (fls. 14081420): “Segundo as normas de interpretação do Sistema Harmonizado (as regras gerais e as notas explicativas), a classificação fiscal das mercadorias em posições/subposições segue dois principais critérios: a especificidade (RGI n. 3, ‘a’) e a essencialidade (RGI n. 3, ‘b’). Pela primeira, de aplicação preferencial, a posição que mais especificamente descreve um produto deve sempre prevalecer; pela segunda regra, cuja observância é subsidiária, havendo dúvidas quanto à NCM mais específica, devese optar por aquela que melhor traduz a essência do bem que se está a categorizar. Para a taxonomia, é imprescindível, antes de qualquer coisa, conhecer as especificações técnicas da mercadoria que se coloca em análise. In casu, o laudo técnico juntado como documento nº 8 pela Impugnante é impecável em esclarecer: (i) que os referidos bens são dispositivos ou displays de cristal líquido (LCD), compostos por: ‘(...) placas de vidro, camada de cristal líquido, pinos metálicos ou filme flexível com pistas conectoras, ou área de contato para conexão elétrica....’, (ii) que se destinam a serem empregados em ‘(...) quadros de instrumentos para veículos automotores...’, possuindo a função, principal e secundária, de expor ‘(...) informações sobre o desempenho de diversas funções dos veículos, em formato digital...’. (iii) que a alguns deles são incorporados ‘circuitos direcionadores de energia (drivers)’, os quais não descaracterizam ‘(...) a natureza dos dispositivos de cristais líquidos, uma vez que, incorporados no processo de obtenção, são intrínsecos aos dispositivos e indispensáveis ao seu funcionamento...’. Nesse ponto, duas advertências são importantíssimas: (a) o Fisco não especificou devidamente, mas o componente que tornaria, em seu entender, o dispositivo cristal líquido ‘muito mais complexo’, é justamente o referido driver, que, como se viu, não lhe altera a natureza (apenas em um momento é que o Fisco e refere ao driver); e (b) esse driver não está presente em todos os dispositivos autuados – o que também se comprova pelo exame das respectivas DIs. [...] Como se está a analisar um ‘dispositivo de cristal líquido’ – que, mesmo diante de algumas peculiaridades (destinação específica a veículos automotores e presença, em alguns casos, de um driver), não perde a sua natureza essencial de um ‘dispositivo de cristal líquido’ – a posição que o designa nominalmente, identificandoo de forma precisa e clara, deve prevalecer sobre quaisquer outras. Neste contexto, a NCM n. 9013.80.10, cuja descrição é justamente ‘Dispositivo de cristais líquidos (NCM)’, tem de ser aplicável. [...] Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11829.720048/201343 Acórdão n.º 3401003.175 S3C4T1 Fl. 2.784 5 De qualquer forma, a classificação da RFB é inadequada por uma série de motivos. Analisandose os produtos descritos na posição NCM n. 8512, percebese que são instrumentos de sinalização bastante simples, tais como faróis de todo tipo, luzes de freio e ré, triângulos luminosos e sinais sonoros de manobras. A função desses ‘equipamentos’, como se vê, é bastante singela, individualizada e nada complexa; prestamse a indicar um determinado e isolado acontecimento, como uma frenagem, uma ré ou o estacionamento de um automóvel. Além disso, como bem observa o laudo técnico, são ‘[...] aparelhos com funções predominantemente destinadas à visualização não pelo condutor do veículo, mas pelos que se encontrem em meio externo ao veículo...’. Diante dessas considerações, é possível enquadrar, aí, os ‘dispositivos de cristal líquido importados pela Impugnante? É ululante que não. Conforme se verifica do laudo juntado como documento nº 8 pela Impugnante, os dispositivos autuados são equipamentos imensamente mais complexos do que aqueles abrangidos pela posição NCM n. 8512. Não são meros sinalizadores, que se destinam a retratar eventos isolados, estáticos e simplórios. São máquinas verdadeiramente complexas, dotados de tecnologia de ponta – do que a Fiscal não discordou – que servem a apresentar uma diversidade de informações, que não são isoladas ou estativas, mas sim heterógenas, múltiplas e em constante variação. Mostram dados em movimento, como a velocidade do veículo, o seu consumo de combustível e em que qualidade funcionam as suas partes vitais, como motor, refrigeração e amortecedores. E não, singelamente, a frenagem do automóvel ou o engate da marcha ré.” A DRJ/SC, por meio do Acórdão nº 0735.335, lavrado em 06/08/2014, julgou procedente a Impugnação, com a transcrição da seguinte ementa (fls. 27632774): “DISPOSITIVOS DE CRISTAL LÍQUIDO Dispositivos de cristais líquidos que não constituam artigos compreendidos mais especificamente em outras posições classificamse no código 9013.80.10 da NCM/TEC. PAINÉIS INDICADORES COM DISPOSITIVOS DE CRISTAL LÍQUIDO. Os painéis indicadores para sinalização visual com dispositivos de cristais líquidos (LCD), que se constituem em mostradores gráficos e alfanuméricos, classificamse no código 8531.20.00 da NCM/TEC, qualquer que seja a máquina/aparelho a que se destinem. Impugnação Procedente” Em sua fundamentação, encontramse excertos que justificam a procedência da Impugnação e a consequente exoneração do crédito tributário impugnado, a saber (fls. 2763 2774): “Conforme exposto pela auditoria e confirmado pela impugnante, os produtos importados são dispositivos de LCD, sendo que dois deles apresentam drivers (LCD controller/driver), os quais serão usados como mostradores em odômetros, velocímetros, indicadores de combustível, indicadores de temperatura, relógio e painéis multidisplay de veículos automotores. Tais produtos foram classificados pela contribuinte nos códigos 9013.80.10 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), tendo a auditoria considerado correto o código NCM 8512.90.00: [...] Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 Sabese que o dispositivo de cristal líquido é composto, basicamente, por um pedaço de vidro com um filme polarizador no lado de baixo e uma superfície de eletrodo por cima, a camada da substância de cristal líquido que deve ser selada, outro pedaço de vidro com eletrodo na base e, por cima, um outro filme polarizador, conforme ilustração abaixo (fonte: http://www.agte.com.br/wp content/uploads/2011/04/display_cristal1.pdf). [...] Para este artigo ilustrado, não há nenhuma dúvida que encontra classificação na NCM 9013.80.10, conforme a descrição das NESH e visto que não se constitui em algum artefato compreendido mais especificamente em outras posições da Nomenclatura. O texto da posição 9013 é assim expresso: 90.13 Dispositivos de cristais líquidos que não constituam artigos compreendidos mais especificamente em outras posições; “lasers”, exceto diodos “laser”; outros aparelhos e instrumentos de óptica, não especificados nem compreendidos em outras posições do presente Capítulo. E as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 9013 esclarecem: (...) a presente posição compreende especialmente: 1) Os dispositivos de cristais líquidos, constituídos por uma camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas de vidro ou de plástico, com ou sem condutores elétricos, em peça ou recortados em formas determinadas, e que não consistam em artefatos compreendidos mais especificamente em outras posições da Nomenclatura. Portanto, para os dispositivos de cristal líquido (display de LCD), tal como descrito nas NESH da posição 9013 e verificado nas fotos do laudo técnico (fls. 1331/1352), sem agregar quaisquer outros componentes, é esta a posição adequada (...) não sendo suficiente para uma modificação desta classificação a futura destinação deste insumo básico em peças e partes que irão constituir o painel de instrumentos de veículo automotivo. [...] Assim, pelos motivos expostos, não está correta a reclassificação adotada pelo fisco no código NCM 8512.90.00, para o dispositivo de cristal líquido que não agrega outros componentes, devendo permanecer a classificação eleita pela contribuinte no código 9013.80.10 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Resolução Camex nº 43, de 22 de dezembro de 2006 e alterações posteriores. Improcedentes, portanto, os lançamentos dos tributos incidentes sobre esta reclassificação tarifária e seus consectários legais, bem como as penalidades atribuídas. Já quanto aos produtos importados para os quais a auditoria relata que apresentavam LCD controller/driver, de fato, não se classificam na posição 90.13, pelo motivos antes expostos. Todavia, também não é possível classificálos no código eleito pelo fisco NCM 8512.90.00, o qual é apropriado para partes de aparelhos elétricos de iluminação ou de sinalização (exceto os da posição 85.39), limpadores de pára brisas, degeladores e desembaçadores elétricos, dos tipos utilizados em ciclos e automóveis (faróis, luzes fixas, luzes indicadoras de manobras, caixas de luzes combinadas, limpadores de párabrisas, degeladores e desembaçadores, dentre outras). Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11829.720048/201343 Acórdão n.º 3401003.175 S3C4T1 Fl. 2.785 7 Não é correto considerar que o produto seja parte de um “outro” produto não descrito literalmente e sem similitude com os demais da citada posição da NCM, somente pelo motivo de que será destinado a um veículo automotivo. Na verdade, não se trata de parte de aparelho de iluminação ou de sinalização da posição 8512, tais como faróis, luzes de freio e piscapisca, mas de peça para um artefato de sinalização visual de dados e informações, ou seja, é um quadro mostrador a ser empregado em painéis de instrumentos para veículos automotores, possuindo a finalidade de expor informações sobre o desempenho de diversas funções dos veículos, em formato digital.” Concluiu, então, a DRJ/SC, que não se encontra correta a reclassificação adotada pelo Fisco no código NCM 8512.90.00 para os produtos importados em questão. Improcedentes, portanto, os lançamentos lavrados. Tendo em vista que o crédito exonerado supera R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), na forma do art. 34, inc. I, do Decreto nº 70.235/72 c/c art. 1º da Portaria nº 3/2008, foi interposto Recurso de Ofício a este Conselho. Os autos vieram conclusos sem as razões da PGFN, conforme faculta o art. 48, §2º, do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Waltamir Barreiros Tratase de Recurso de Ofício contra decisão da DRJ/SC que julgou procedente a Impugnação para promover a exoneração integral do crédito tributário proveniente dos Autos de Infração relativos a Imposto de Importação – II, Imposto sobre Produtos Industrializados – IPIImportação, PIS/PASEPImportação e COFINSImportação, acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora, bem como à multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 27 de agosto de 2001 A controvérsia cingese em se saber se a mercadoria importada pela Impugnante está devidamente enquadrada no código de Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) ou se deveria ter sido classificada dentro de outro código, tal como proposto pelo Auditorfiscal. Sobre o método utilizado na classificação proveniente da Nomenclatura Comum do Mercosul, é bastante elucidativo o acórdão da DRJ/SC, que bem explicou a regra e o procedimento de subsunção dos fatos às espécies e subespécies existentes e, por isto, transcrevo o seu mérito quanto a este assunto (fls. 27632774): “O código NCM é obtido mediante a aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e das Regras Gerais Complementares (RGC), frente às características da mercadoria a ser classificada. Subsidiariamente são utilizadas as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27/01/1992, de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado. Assim, a classificação de um produto é determinada pelos textos das Posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes (1ª RGI). Do mesmo modo, a classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível (6ª RGI). As Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Essas mesmas regras aplicamse, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis estes desdobramentos regionais do mesmo nível (RGC1). A utilização da 3ª RGI, não sendo possível a aplicação da 1ª RGI, tampouco da 2ª. RGI (Regra 2a para artigo incompleto, inacabado ou desmontado), é para os casos em que pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições, por aplicação da Regra 2b ou por qualquer outra razão. Esta regra estabelece três métodos para classificar mercadorias que, a priori, seriam suscetíveis de se incluírem em várias posições diferentes. Esses métodos utilizamse na ordem em que são incluídos na Regra: a) posição mais específica; b) característica essencial (para produtos misturados, obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho); c) posição colocada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. As mercadorias que não possam ser classificadas, por aplicação das Regras acima, classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes (analogia), conforme a 4ª RGI. Enquanto que a 5ª RGI e a RGC2 são utilizadas para os casos específicos nelas mencionados. Com apoio nesta premissa metodológica, cabe o exame do mérito em si.” Os produtos importados, ao longo dos anos de 2008 a 2012, são dispostivos de LCD, sendo que dois deles apresentam drivers (LCD controller/driver), os quais serão usados como mostradores em odômetro, velocímetros, indicadores de combustível, indicadores de temperatura, relógio e painéis multidisplay de veículos automotores. Tais dispositivos de cristal líquido foram classificados pela Impugnante sob o código NCM n. 9013.80.10. Vejase a descrição da posição em questão: “90.13 Dispositivos de cristais líquidos que não constituam artigos compreendidos mais especificamente em outras posições; “lasers”, exceto diodos “laser”; outros aparelhos e instrumentos de óptica, não especificados nem compreendidos em outras posições do presente Capítulo. [...] 9013.80 Outros dispositivos, aparelhos e instrumentos 9013.80.10 Dispositivos de cristais líquidos (LCD)” O Fisco, no entanto, entendeu que a mercadoria deveria ter sido classificada como aquela do código NCM n. 8512.90.00. Observese a descrição da classificação considerada pelo Fisco: Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11829.720048/201343 Acórdão n.º 3401003.175 S3C4T1 Fl. 2.786 9 “85.12 Aparelhos elétricos de iluminação ou de sinalização (exceto os da posição 85.39), limpadores de párabrisas, degeladores e desembaçadores (desembaciadores) elétricos, dos tipos utilizados em ciclos e automóveis. 8512.10.00 Aparelhos de iluminação ou de sinalização visual dos tipos utilizados em bicicletas 8512.20 Outros aparelhos de iluminação ou de sinalização visual 8512.20.1 Aparelhos de iluminação 8512.20.11 Faróis 8512.20.19 Outros 8512.20.2 Aparelhos de sinalização visual 8512.20.21 Luzes fixas 8512.20.22 Luzes indicadoras de manobras 8512.20.23 Caixas de luzes combinadas 8512.20.29 Outros 8512.30.00 Aparelhos de sinalização acústica 8512.40 Limpadores de párabrisas, degeladores e desembaçadores 8512.40.10 Limpadores de párabrisas 8512.40.20 Degeladores e desembaçadores 8512.90.00 –Partes” A fim de se esclarecer a abrangência da posição 9013, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) preceituam que: “De acordo com a Nota 5 do presente Capítulo, as máquinas, aparelhos e instrumentos ópticos de medida ou de controle excluemse desta posição e são classificados na posição 90.31. Entretanto, em virtude de Nota 4 do Capítulo, algumas lunetas são classificadas na presente posição e não na posição 90.05. Por outro lado, considerandose que, independentemente das posições 90.01 a 90.12, outras posições do Capítulo compreendem aparelhos ou instrumentos de óptica (posições 90.15, 90.18 e 90.27, em particular), a presente posição compreende especialmente: 1) Os dispositivos de cristais líquidos, constituídos por uma camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas de vidro ou de plástico, com ou sem condutores elétricos, em peça ou recortados em formas determinadas, e que não consistam em artefatos compreendidos mais especificamente em outras posições da Nomenclatura.” Em outras palavras, dispositivos de cristais líquidos enquadramse na posição 9013, salvo se houver outra posição mais específica à sua designação. Para o caso, há laudo que demonstra a essência da importação da Impugnante (fls. 13351337): “São multidisplays para uso em vários modelos de veículos automotores, com indicadores multifunções, podendo conter informações variadas, de modelo para modelo, mas basicamente, velocidade, temperatura, nível de combustível, Fl. 2790DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 relógio, odômetro, entre outras funções e ou aplicações, desde que ligados a um sistema que gere estas informações.” In casu, excetuandose as importações que sejam incorporadas a drivers, todas as importações da Impugnante enquadramse nesta categoria, de código 9013.80.10, pois não possuem outros agregados que possibilitariam a classificação dentro de outra posição mais específica da NCM. Certo é: os dispositivos de cristal líquido importados não perdem sua classificação na NCM tão somente por serem destinados a painéis de veículos automotores. Não cabe, neste ato, uma análise detalhada de todas posições, espécies e subespécies da classificação da NCM para que se averigue se haveria uma mais adequada. Cabe, no entanto, a percepção de que a classificação tida pela Receita Federal como correta não o é. Especificamente quanto aos dispositivos de LCD aos quais sejam acoplados outros dispositivos, a DRJ de Florianópolis/SC faz considerações, que devem ser tomadas em conta: “A partir do momento em que a este insumo é acrescentado algum dos componentes acima listados, transformandoo em módulo LCD/tela de visualização, como parte de um aparelho ou máquina com classificação específica, a sua posição classificatória é alterada para outras, como que já tivemos oportunidade de verificar, tais como, grosso modo, nos códigos NCM: 8473.30.92 telas para máquinas automáticas para processamento de dados, portáteis (notebook, por exemplo); 8517.70.99 telas para aparelhos telefônicos (celulares, por exemplo) e similares; 8529.90.20 telas de visualização destinadas exclusiva ou principalmente aos aparelhos das posições 85.27 e 85.28 (televisão e computadores, por exemplo); 8531.20.00 painéis indicadores com dispositivos de cristais líquidos (LCD), para aparelhos diversos, desde que o mostrador seja somente gráfico e alfanúmerico. 8548.90.00 módulo LCDTFT que seja parte não reconhecível como exclusiva ou principalmente destinada a um determinado tipo de máquina do capítulo 85 (item 2 do Anexo do Regulamento da Comissão das Comunidades Europeias (CE) nº 957/2006), classificação residual determinada pela utilização da nota 2 c) da seção XVI.” A classificação adotada pelo Fisco também não é correta, porquanto a posição 85.12 alberga itens em nada coincidentes com os dispositivos importados. São itens que compõem partes de aparelhos elétricos de iluminação ou sinalização, limpadores de para brisa, degeladores e desembaçadores elétricos. E os dispositivos de LCD com drivers importados não podem ser considerados dentre itens de iluminação e sinalização da posição 8512. Não é o caso de se aceitar o código proposto pela Impugnante quanto a estes itens em específico, bem assim aquele sugerido no julgamento de piso, mas sim de afastar aquele imposto pela autoridade fiscal, também em desacordo com o critério da especificidade. Concluise, de todo o exposto, que as importações sobre as quais houve a autuação fiscal não se enquadram no código 8512.90.00 pretendido pelo Fisco, motivo pelo Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11829.720048/201343 Acórdão n.º 3401003.175 S3C4T1 Fl. 2.787 11 qual tenho como procedente a Impugnação e, por consequência, improcedente o Recurso de Ofício. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Waltamir Barreiros Relator Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2016 por WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 18/06/2016 p or WALTAMIR BARREIROS, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 13890.000707/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DÍVIDA INSCRITA EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. DÉBITO REMIDO.
Não caracteriza indébito tributário o pagamento de quotas de parcelamento de débito remido, por expressa disposição legal contida no § 3° do art. 14 da Lei n° 11.941/2009.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento.
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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DÍVIDA INSCRITA EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. DÉBITO REMIDO. Não caracteriza indébito tributário o pagamento de quotas de parcelamento de débito remido, por expressa disposição legal contida no § 3° do art. 14 da Lei n° 11.941/2009. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 0. 00 07 07 /2 00 9- 27 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13890.000707/200927 Acórdão n.º 2401004.425 S2C4T1 Fl. 68 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 04ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP2), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e manteve em parte o crédito tributário exigido. Eis a ementa do Acórdão nº 1753.199 (fls. 51/54): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DÍVIDA INSCRITA EM DÍVIDA ATIVADA UNIÃO. DÉBITO REMIDO. Não caracteriza indébito tributário o pagamento de quotas de parcelamento de débito remido, por expressa disposição legal contida no § 3º do art. 14 da Lei n.11.941/2009. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tratase de pedido de restituição, formalizada em papel, conforme petição protocolada (fl. 02) e formulários de “pedido de restituição” (fls. 03/04, 06/07, 09/10, 12/13, 15/16, 18/19, 21/22, 24/25 e 27/28). Tais pedidos, referemse ao pagamento de parcelas do processo de n° 13888.600388/200499, no qual foi requerido o parcelamento de dívida referente ao imposto de renda das pessoas físicas, inscrita em Dívida ativa da União. No pedido de restituição (fl. 02) o contribuinte alegou que “Em vista do cancelamento de partes dos impostos pela MP 449, a PGFN continuou a emitir os Darf, e que foram recolhidos, motivo que estou solicitando a sua restituição, como não foi possível efetuar a solicitação via eletrônica, que venho requerer o seu acolhimento via papel”. No Despacho Decisório n° 105, de 29 de janeiro de 2010, a Delegacia da Receita Federal de Piracicaba, indeferiu o pedido de restituição das parcelas pagas entre fevereiro a setembro de 2009, sob o argumento de que a remissão concedida pela MP 449, posteriormente transformada na Lei n° 11.941/2009, não implica na restituição de quantias pagas (fls. 33/35) Após ser cientificado do indeferimento de seu pedido de restituição em 22/03/2010 (fl. 37), o contribuinte apresentou, em 09/04/2010, a manifestação de inconformidade de fl. 38, alegando que: a) Não se apresentou para pagar erroneamente algo que não devia; b) A fazenda continuou a emitir os DARF e os encaminhar para cobrança ou recolhimento; Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13890.000707/200927 Acórdão n.º 2401004.425 S2C4T1 Fl. 69 3 c) O contribuinte confiando na Fazenda foi obediente às cobranças e recolheu; d) O problema de “falha inteira” ou de processamento não pode penalizálo , pois foi dirigido pela Fazenda a recolher. No julgamento da manifestação de inconformidade pela DRJ/SP o Recorrente não obteve êxito, eis que julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Intimado do Acórdão 1753.199 de fls. 51/54 em 25/08/2011, o recorrente apresentou recurso voluntário (fl. 58) em 26/09/2013, limitando suas razões recursais ao argumento de que o disposto no par. 3° da Lei 11.941/2009 deve se referir aos pagamentos efetuados até aquela data ou até mesmo a data da MP 449/2008. Isso porque a lei não poderia prever erro ou falha de processamento em que o contribuinte seria dirigido pela receita a continuar recolhendo valor que não devia, como de fato ocorreu. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13890.000707/200927 Acórdão n.º 2401004.425 S2C4T1 Fl. 70 4 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Primeiramente, cabe aqui analisar o art. 14, § 3° da Lei n° 11.941/2009 (conversão da Medida Provisória n° 449/2008): Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). § 1o O limite previsto no caput deste artigo deve ser considerado por sujeito passivo e, separadamente, em relação: I – aos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos; II – aos demais débitos inscritos em Dívida Ativa da União, no âmbito da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional; III – aos débitos decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e IV – aos demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 2o Na hipótese do IPI, o valor de que trata este artigo será apurado considerando a totalidade dos estabelecimentos da pessoa jurídica. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13890.000707/200927 Acórdão n.º 2401004.425 S2C4T1 Fl. 71 5 § 3o O disposto neste artigo não implica restituição de quantias pagas. § 4o Aplicase o disposto neste artigo aos débitos originários de operações de crédito rural e do Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária – PROCERA transferidas ao Tesouro Nacional, renegociadas ou não com amparo em legislação específica, inscritas na dívida ativa da União, inclusive aquelas adquiridas ou desoneradas de risco pela União por força da Medida Provisória no 2.1963, de 24 de agosto de 2001. Extraise do dispositivo legal acima, por expressa disposição, que, muito embora a remissão da dívida, os pagamentos efetuados pelo contribuinte não são passíveis de restituição. Ainda, o artigo 111 do Código Tributário Nacional, assim dispõe: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção III Dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Em sede de Recurso Voluntário, alegouse que a previsão contida no § 3° da Lei 11.941/2009 não iria prever erro ou falha de processamento em que o contribuinte, inadvertidamente, seria dirigido pela Receita a continuar recolhendo valor indevido. Pois bem. Muito embora, à primeira vista, a situação do Recorrente possa parecer injusta, devido a sua “plena confiança na administração fazendária”, seu argumento não merece prosperar, eis que o próprio contribuinte foi quem deu ensejo a continuidade do pagamentos das Darfs emitidas. Diante da mudança de modelo de parcelamento, a partir da entrada em vigor da Medida Provisória n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941/2009, era ônus do contribuinte atentarse para o prazo (e demais procedimentos) referentes ao parcelamento de sua Dívida Ativa com a União. O Art. 7° da Lei 11.941/2009 assim preceitua: A opção pelo pagamento a vista ou pelos parcelamento de débitos de que trata esta Lei deverá ser efetivada até o último dia útil do 6° (sexto) mês subsequente ao da publicação desta Lei. Ora, não incumbe à administração fazendária fazer as vezes do contribuinte, o qual deveria ter se atentado, a partir da entrada em vigor da nova modalidade de parcelamento, aos procedimentos necessários à renegociação da dívida por si contraída. O Sr. Aristóteles Costa, portanto, deveria ter se atentado ao prazo estabelecido no comando legal acima, o que não foi feito, motivo pelo qual, sintome confortável em não reconhecer o direito creditório pleiteado, mantendo minha convicção restrita aos entendimentos expedidos pela lei em pleno vigor. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13890.000707/200927 Acórdão n.º 2401004.425 S2C4T1 Fl. 72 6 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
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Numero do processo: 11060.722104/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007
NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, observado os comandos legais atinentes à matéria, não cabe se cogitar em nulidade do lançamento.
ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO.INVESTIMENTOS. Consideram-se despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea.
ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITAS. Constitui omissão de receitas da atividade rural a não apropriação, no livro caixa, dos valores obtidos por meio de liquidação de CPR com entrega dos produtos.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-003.030
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para considerar como omissão de receita da atividade rural o montante de R$ 324.817,70 para o ano calendário de 2006 e R$ 275.387,16 para o ano-calendário de 2007.
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
assinado digitalmente
Ivete Malaquias Pessoa Monteiro - Relatora.
EDITADO EM: 26/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah -Presidente.
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, observado os comandos legais atinentes à matéria, não cabe se cogitar em nulidade do lançamento. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO.INVESTIMENTOS. Consideramse despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITAS. Constitui omissão de receitas da atividade rural a não apropriação, no livro caixa, dos valores obtidos por meio de liquidação de CPR com entrega dos produtos. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para considerar como omissão de receita da atividade rural o montante de R$ 324.817,70 para o ano calendário de 2006 e R$ 275.387,16 para o anocalendário de 2007. assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 21 04 /2 01 1- 41 Fl. 11540DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.541 2 Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Relatora. EDITADO EM: 26/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Carlos Henrique de Oliveira, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari e Eduardo Tadeu Farah Presidente. Relatório Tratase de recurso contra o acórdão 1037.552 4ª Turma da DRJ/POA, de 28 de março de 2012, fls.10393/10413, que julgou parcialmente procedente a impugnação interposta contra auto de infração referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física dos anos calendário 2006 a 2008, por omissão de rendimentos e glosas de despesas da atividade rural. O provimento parcial se deu para desqualificar a multa, manter o imposto do anocalendário 2006 do valor de R$122.135,55, manter o imposto no anocalendário 2007 no valor de R$89.686,03, ambos acrescidos da multa de 75% e dos juros correspondentes e para cancelar o imposto apurado no anocalendário 2008. Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão guerreado, por bem definir o litígio. Contra a contribuinte foi lavrado auto de infração referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física dos anoscalendário 2006 a 2008, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 1.415.186,32, nele compreendido imposto, multa de ofício e juros de mora, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos da atividade rural e glosa de despesas da atividade rural, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Com relação à infração de omissão de rendimentos da atividade rural foi aplicada a multa qualificada de 150%. Tempestivamente, a interessada apresenta a impugnação da exigência. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Improcedência da glosa das despesas Através da juntada das cópias dos documentos que compõem o ANEXO 1, comprova parcialmente os custos/despesas que foram declarados, mas que, por falha nos controles burocráticos, não foram escriturados (R$371.195,53). Fl. 11541DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.542 3 Está revisando o enorme volume de documentos que estava em poder das autuantes e lhe foi devolvido há poucos dias. Por tais motivos, e apoiado nos princípios da verdade real e do direito à ampla defesa, protesta pela juntada posterior de outras provas. A nãoescrituração de tais dispêndios no livro Caixa, não autoriza a autoridade lançadora desconhecêlos e/ou deixar de computálos (deduzilos) na apuração da base tributável da atividade rural. Inexistência de omissão de receita da atividade rural Inexistência da omissão de receita apurada à vista de “divergências de receitas” e da “falta de emissão de notas fiscais de venda” Em síntese, esta parcela da autuação está assentada em dois fatos distintos. 1. Na alegada existência de 'Divergências de receitas nos anoscalendário de 2006 a 2008", detectadas mediante o confronto entre os somatórios anuais das Notas Fiscais de Produtor e das receitas reconhecidas nos livros Caixa (apurados a maior pelas Agentes Fiscais), e os montantes registrados nos livros Caixa (escriturados a menor pela parceria), divergências estas que são demonstradas na planilha '''Receita apuradas AC 2006 a 2008. 2. Na alegada "Falta de emissão de notas fiscais de venda e registro no livro Caixa”, no anocalendário de 2008, do montante de R$ 406.153,18, relacionado ao recebimento de valores referentes a anteriores entregas (depósitos) de soja às cooperativas "Agropan" e "Cotrisul". Divergência de receitas A insubsistência do raciocínio desenvolvido, ou seja, dos critérios de confrontação adotados pela fiscalização, é demonstrada nos subitens seguintes, cujos argumentos são instruídos pelos documentos que compõem o ANEXO 2 e SUBANEXOS. Foi adotado um critério de confrontação errôneo na apuração das divergências de receitas. Isto porque a conferência não deve ser feita entre os montantes apurados pela fiscalização e os escriturados pelo contribuinte. Deve ser feita entre os montantes apurados pela fiscalização, e os montantes declarados pelo contribuinte. A infundada conclusão de que determinadas receitas reconhecidas em livro caixa representam outras espécies de receitas tributáveis Conforme relatório da fiscalização foram tributadas como outras espécies de rendimentos tributáveis as denominadas Receitas escrituradas em livro caixa a cujos documentos a fiscalização não teve acesso. Tal procedimento não pode prosperar pois: Fl. 11542DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.543 4 1. A fiscalização teve acesso a todos os registros e documentos solicitados. 2. Representa uma mera ilação das autuantes, observado que a não entrega de um número mínimo de Notas Fiscais de Produtor restou coberto pelos montantes declarados a maior que os escriturados. 3. o procedimento que se impunha na quantificação do valor tributável, seria o de promover o arbitramento do seu valor médio de acordo com os critérios fixados na legislação e o princípio do devido processo legal. A falta de análise dos rendimentos declarados em anos anteriores. O volume e a natureza dos fatos e documentos auditados impunha às autuantes a leitura de uma averiguação cronologicamente mais ampla, não isolada por período. Principalmente no sentido de averiguar se determinadas operações foram objeto de tributação em anos anteriores aos considerados. Na planilha que compõe o SUBANEXO 2.1 é demonstrada a tributação antecipada de diversas operações, assim resumidas cronologicamente. Os valores de R$ 105.542,00 (ano 2006), R$ 720.000,00 (ano 2007) e R$480.000 (ano 2008) estão embutidos no montante declarado, em operações efetuadas com a empresa "PanFácil”, desautorizando as autuantes consignar tais quantias com sinal negativo na planilha por elas confeccionada, nem sua tributação no ano posterior, pelas notas de simples remessa. Em face do elevado volume de documentos, não concluiu a revisão das operações, motivo pelo qual, sendo o caso, protesta pela juntada posterior. A falta de análise dos rendimentos declarados em anos posteriores O volume e a natureza dos fatos e documentos auditados impunha às autuantes a feitura de uma averiguação cronologicamente mais ampla, não isolada por período. Principalmente no sentido de averiguar se determinadas operações foram objeto de tributação em anos posteriores aos considerados Na tributação postergada, segundo determina o PNCST n° 02/96, descabe o lançamento de imposto (no caso, IRPF), mas apenas da multa e dos juros de mora referentes ao tempo da postergação. Fl. 11543DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.544 5 Na planilha que compõe o SUBANEXO 2.2, é demonstrada a tributação postergada de diversas operações, assim resumida cronologicamente. 1. Anocalendário de 2006: Em trabalho de levantamento. 2. Anocalendário de 2007:Na planilha anexa estão discriminados os valores que foram objeto de tributação na declaração do anocalendário 2008 (montante de R$ 73.350,00). 3. Anocalendário de 2008: Na planilha anexa estão discriminados os valores que foram objeto de tributação na declaração do anocalendário 2009 (montante de R$ 654.749,29). O cômputo de notas fiscais não correspondentes a vendas Foram computadas notas fiscais que não se referem a operações de venda. Estão arroladas no SUBANEXO 2.3 desta impugnação. Observação: no anocalendário de 2008 perfazem o montante de R$ 120.210,58, observado que nos demais anos não houve tempo suficiente para concluir o levantamento. O cômputo de receitas de vendas tributadas em duplicidadeNo universo das notas fiscais discriminadas na planilha, existem notas fiscais cujos valores foram tributados em duplicidade. Estão arroladas no SUBANEXO 2.4. Observação: no anocalendário de 2008 perfaz o montante de R$ 190.199,59, sendo que a quantia de R$ 52.350,00 já havia sido tributada no ano de 2007, e a quantia de R$ 137.849,59 duplamente no AC 2008. No tocante aos demais anos (2006 e 2007), por envolver a análise de mais de dez mil documentos, não houve tempo suficiente para concluir o levantamento. O cômputo de notas fiscais cujas vendas foram devolvidas ou canceladas Estão arroladas no SUBANEXO 2.5 O cômputo de notas fiscais cujas vendas foram devolvidas. Estão arroladas no SUBANEXO 2.6 A inconsistente elevação da receita tributável As autuantes elevaram a receita tributável sob alegação de que parte das mesmas foi lançada pelo valor líquido, devendo ser considerado o valor bruto das notas fiscais. A diferença é referente a despesas de royalties pagos pelo uso de sementes transgênicas e FUNRURAL. Se não pode ser considerado como redutor da receita bruta, deve ser considerada despesa de venda. As provas da efetividade do desembolso de tais verbas constam no SUBANEXO 2.7 desta impugnação. Observação: Diante do elevado número de dados a serem examinados, protesta pela juntada posterior de provas complementares aos anexos 2.1 a 2.7. A intributabilidade da receita correspondente à falta de emissão de notas fiscais de venda No relatório de Fl. 11544DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.545 6 fiscalização estão identificados alguns valores que no entender da fiscalização referemse a operações de venda de produtos às cooperativas Agropan e Cotrisul, no ano calendário 2008, sem a correspondente emissão de notas fiscais de venda. O valor lançado (R$406.153,18) está incluso no valor declarado e pago a maior que o escriturado. A improcedência da parcela do lançamento referente aos “Adiantamentos para entregas futuras” A inexistência de omissão de rendimentos nas operações pactuadas com a empresa Herter Cereais Premissas que se extrai do relatório da fiscalização: 1. Independentemente da designação, os contratos para entrega futura consumam o fenômeno da venda física antecipada de produtos. Mesmo apesar de prever o pagamento em moeda corrente, dita conclusão se extrai do texto dos diferentes tipos de contratos, inclusive porque constituem o penhor agrícola. 2. Nas planilhas que integram o "Relatório de Fiscalização" constam os comprovantes de quitação apresentados que não foram objeto de aceitação com a indicação dos motivos. Em termos gerais, foram aceitos apenas recibos de quitação acompanhados dos comprovantes das efetivas transferências (financeiras) coincidentes em data e valor com os dados consignados no registro contábil de baixa das CPR na empresa. A comprovação do valor baixado no registro contábil, quando apresentada em comprovantes fracionados, só foi considerada quando a soma dos comprovantes totalizava o valor contabilizado e a data coincidia com a dala do registro contábil. 3. A alegação da liquidação das CPR em dinheiro deveria ser acompanhada de provas inequívocas da efetiva entrega dos numerários à empresa, que registrou a baixa no ativo e não refutou a ocorrência das liquidações. 4. De acordo com o teor da CPR, uma vez constatada a quitação contábil dos contratos e não se comprovando o efetivo pagamento em moeda nacional, concluise que a quitação teria havido através da entrega do produto neles (contratos) especificado, entendimento este que é corroborado pelo fato de que parte das CPR foi incluída e baixada no controle de estoques de grãos que a parceria mantinha na empresa. 5. As entregas de produtos para quitação devem vir amparadas por notas fiscais de produtor de venda, o que não ocorreu, observado que o artigo 61, § 2°, do RIR/99 prevê que a receita relativa aos adiantamentos para entrega futura deve ser computada na data da efetiva entrega do produto. Fl. 11545DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.546 7 Tais premissas carecem de base factual e jurídica. Ausência do Teste da Realidade Quando, à opção dos agropecuaristas, os recursos tomados via 'CPR' são quitados em numerário ou pela via bancária (direta ou indiretamente), as Cédulas de Produto Rural (CPRS) configuram as usualmente denominadas "CPRs Financeiras". As autuantes decidiram, erroneamente, adotar uma postura desconectada da realidade, ou seja, alheia aos fatos, tal como aconteceram. Foi interpretado literalmente os contratos de CPRS (e afins), e, partindo daí, concluírem no sentido de que, sempre, as contratações de CPR se resolvem mediante a entrega física do produto, ou mediante pagamentos em valores e datas coincidentes com as previsões contratuais. A quitação das CPRS pode ocorrer, ou não, mediante a entrega de grãos. Uma eventual carência de prova documental da quitação financeira, não autoriza a adoção da presunção pessoal de omissão de receita. A deficiente ou comprovação parcial dos pagamentos não têm o condão de transmutar ou uma coisa por outra (um não pagamento numa venda física. As quitações fracionadas, feitas pelos parceiros em favor da empresa "Herler Cereais Ltda", nada mais representou senão a ocorrência de desembolsos de acordo com as disponibilidades, ou conveniências gerenciais. Não foi efetuada uma avaliação da capacidade física de produção das áreas de terras agricultáveis da parceria. Apresenta o anexo 3. A equivocada premissa de que os adiantamentos recebidos na contratação das CPRS equivalem a operações de venda de produtos Como o próprio nome diz, os mesmos representam meros adiantamentos de recursos financeiros, concedidos à vista da promessa de uma venda futura de produto agrícola. Tanto é assim, que nos respectivos contratos (CPRs) existe cláusula prevendo que o inadimplemento do pactuado (entrega do produto), implica, alternativamente, na liquidação financeira do negócio. Tais 'adiantamentos' têm a natureza de operação financeira. A equivocada premissa de que as liquidações contábeis dos adiantamentos materializaram operações de entrega de grãos Diverge de tal entendimento porque: 1. configura uma simples ilação, que, no máximo, pode representar um começo de prova, inábil para embasar qualquer exação; Fl. 11546DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.547 8 2. não tem lastro documental, não faz referência às notas fiscais pertinentes a tais operações; 3. não condiz com a realidade dos fatos; 4. inobserva que (tais liquidações) vinculamse aos adiantamentos anteriormente recebidos, de caráter (natureza) exclusivamente financeiro(a); 5. não atenta que as CPRs e eventuais descumprimentos do que nelas é pactuado, solucionamse com as regras que as disciplinam. A equivocada premissa de que a liquidação contábil dos adiantamentos financeiros caracterizou vendas de produtos sem nota fiscal Examinando os assentamentos contábeis acostados aos autos únicos aos quais as Autuantes se reportam e fizeram uso para promover o lançamento verificase que neles constam a prática de dois tipos de operações. As denominadas compras diretas, cujos quantitativos estão consignados nos 'extratos de estoques', referidos pelos Agentes Fiscais.São as que, envolveram a entrega (tradição) de grãos. Já os demais registros processados sob título de 'contrato CPR' e 'Liquidação CPR' vinculamse à pactuação (contratação) das CPRs e dos respectivos adiantamentos de recursos financeiros. Por sua natureza financeira, estas operações não são passíveis de notação nos 'extratos de estoque'. A revisão/reconstituição das operações referentes aos contratos CPR Protesta pela juntada dos elementos probatórios em momento posterior, os quais irão compor o Anexo 4. A inexistência de omissão de rendimentos nas operações pactuadas com a empresa Bunge Alimentos A fiscalização não verificou se os valores imputados como omitidos referentes a unidade Tupanciretã II foram oferecidos à tributação em ano anterior ou posterior, ou simplesmente em datas diferentes do pagamento das quantidades anteriormente depositadas. Protesta pela apresentação posterior de documentos. A inaplicabilidade da multa qualificada de 150% O descabimento da aplicação da multa de 150% referentes à divergências de receitas e a falta de emissão de notas fiscais de venda A apuração das "Divergências de receitas" ocorreu baseada em mera presunção pessoal apoiada em raciocínio aritmético desenvolvido pelas autuantes à vista dos elementos escriturais/documentais que lhes foram disponibilizados. Fl. 11547DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.548 9 A omissão de receita por "Falta de emissão de notas fiscais” foi lançada à vista das notas fiscais de produtor emitidas para fins de depósito. Portanto, o procedimento das autuantes está igualmente baseado nos registros e documentos que lhes foram disponibilizados. Conjugados, tais elementos atestam a inocorrência da intenção de suprimir ou reduzir tributo, mas apenas deficiências no controle burocrático, fatos culposos este que não tipificam a prática de crime tributário. O lançamento embasado nas alegadas "Divergências de receita" e "Falta de emissão de Nota Fiscal incidiu sobre fatos que foram objeto de escrituração e/ou emissão de notas fiscais de produtor. Assim, resta evidente a inexistência do fenômeno sonegação. O descabimento da aplicação da multa de 150% referentes à divergências de receitas e a falta de emissão de notas fiscais de venda A omissão de receitas decorrente da não emissão de notas fiscais das vendas no cumprimento a contratos de adiantamento resulta de uma presunção pessoal das autuantes. Diante da constatação de que alguns contratos de CPR anteriormente pactuados mediante a concessão de adiantamentos de recursos financeiros foram liquidados sem a indicação das notas fiscais que lhes dariam ensejo, as autuantes presumiram que houve a entrega de produtos sem emissão de notas fiscais. Os pedidos. Requer o cancelamento do auto de infração. Ciente da decisão em 12 de abril de 2012, e irresignada com o resultado, interpôs o recurso voluntário em 04 de maio de 2012, às fls.10.423/10.457, onde pretende que sejam revistos os itens remanescentes da autuação, a saber: 1)as despesas não comprovadas no ano de 2006; 2)a suposta omissão de receitas decorrente: a) do confronto realizado entre a soma das notas fiscais de produtor e as receitas escrituradas no caixa ; b) da reconstituição das bases tributáveis efetuadas mediante transposição de um ano para outro das vendas para entrega futura, tributandoas quando da entrega efetiva do produto; 3) a suposta omissão de rendimentos presumida mediante entrega física da soja sem emissão de nota fiscal de produtor, com base no argumento de que os adiantamentos recebidos de Herter Cereais Ltda e Bunge, por conta de entregas futuras anteriormente pactuadas através de Cédulas de Produtor Rural e/ou"Instrumento Particular de Confissão de Dívida com Garantia de Penhor Cedular", não tiveram sua posterior liquidação satisfatoriamente comprovada. Fl. 11548DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.549 10 No tocante à glosa das despesas no ano calendário de 2006, aduz erro de escrituração e informa que ao invés de ter ocorrido lançamento a maior, o que houve foi uma consideração menor dos valores efetivamente incorridos naquele ano. Informa, ainda, que no anexo I juntou documentos no valor de R$ 371.195,53, o que infirma parcialmente a glosa fiscal que foi no valor de R$ 545.772,72. Pede a juntada posterior de novas provas, ante a exigüidade de prazo que teve após receber de volta os documentos da fiscalização. Transcreve a decisão de 1º grau e a contradita na ordem seguinte: A fiscalização considerou como despesas da atividade rural todos os valores escriturados no livro caixa do contribuinte. Por sua vez, a impugnante anexa novos documentos, relativos a despesas de custeio/investimento, alegando que a não escrituração de tais despesas no livro caixa não autoriza o seu não reconhecimento. Sobre as despesas da atividade rural, o Regulamento do Imposto de Renda– RIR/99, em seus art. 60 e 62, dispõe in verbis: (...) Da leitura dos dispositivos acima transcritos devese ter presente, preliminarmente, os três requisitos cumulativos para a dedutibilidade das despesas: _ devem ser necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora; _ devem estar escrituradas em livro caixa; _ devem ser comprovadas mediante documentação idônea. Dessa forma, não há como acatar a apresentação das despesas não escrituradas no livro caixa. Aduz que as razões recorridas se apóiam em argumentos inconsistentes, pelos seguintes motivos: a) porque a motivação fiscal foi por despesa escriturada e não comprovada (destaque das razões oferecidas); b)a decisão ofereceu motivo diferente para fundamentar a decisão: apresentação das despesas não escrituradas no livro caixa; c) a não escrituração dos custos não está prevista no artigo 60 e 62 do RIR/99 como causa impeditiva da dedutibilidade. Com isto a manutenção da glosa decorreu da interpretação pessoal da relatora; d) o direito ao aproveitamento dos custos/despesas para efeito de apuração da base tributável da atividade rural, não impede que o faça a posterior. Uma falha de natureza acessória não macula o direito material; Fl. 11549DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.550 11 e) nenhuma ressalva foi feita à necessidade e usualidade dos custos/despesas comprovados pelos documentos integrantes do anexo I da impugnação. Quanto à omissão de receitas apuradas à vista de divergências de receitas e falta de emissão de notas fiscais de venda apuradas nos anos calendário de 2006 e 2007 , comenta que essas seriam inexistentes. No quadro 7 do Relatório de Fiscalização, os autuantes tomaram a soma das notas fiscais de produtor e chegaram, com base em informações prestadas pela fazenda estadual e condensadas na planilha Receitas apuradas Ac 2006 a 2008, aos montantes totais e o deduziram daqueles consignados no livro Caixa. Diz insubsistente este raciocínio, ante os documentos juntados no anexo 2 e subanexos. Comenta que na apuração do valor tributável deveria promover o arbitramento do valor médio de acordo com os critérios fixados na legislação e o devido processo legal; nos anos objeto do lançamento. Nos três anoscalendário auditados (2006, 2007 e 2008) houve declaração e tributação de montantes superiores (a maior) aqueles contabilizados nos anoscalendário de 2006 a 2008 (R$ 938.868,86 e R$ 1.606.721,06), e inferior (a menor) no anocalendário de 2007 (R$ 1.496.435,80) A decisão estaria eivada de equívocos de natureza legal e factual que determinariam a improcedência da exação (parcela remanescente). Não fora observada a caracterização jurídica diferenciada do Contrato de Produto Rural (CPR) e o Instrumento Particular de Confissão de Dívida com Garantia de Penhor Cedular , entendimento que não tem condição de prosperar. Ainda representaria nova motivação do lançamento o que tornaria inconsistente, na medida que não atentou para a incapacidade física das áreas exploradas produzirem as quantidades de soja presumidamente omitidas. Em 19 de abril de 2013, o processo veio a julgamento e foi convertido em diligência, através da Resolução 2201000.172, de 19 de novembro de 2013, fls. 11030/11034 e assim versou: Não seria caso de conversão em diligencia,mas o julgador não é nenhum perito da matéria de fato. Contudo, diante dos diversos documentos juntados com as razões de recurso, procurando comprovar as despesas e receitas declaradas da parte mantida, é necessário, em caráter excepcional, converter os autos em diligencia para que a digna autoridade fiscal confronte as informações e os documentos juntados na tentativa de comprovar ser indevida a autuação. É necessário de a fiscalização relatar cada situação, os motivos de admitir ou não a comprovação trazida, refazendo os cálculos, se for o caso, em relação a parte mantida. Necessário a fiscalização (a) trazer demonstrativo, com relatório das diligencias realizadas em cada ano calendário, a base de cálculo e o imposto apurado com as receitas e despesas Fl. 11550DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.551 12 admitidas pela fiscalização (b) trazer ainda o calculo da autuação mantida com base no arbitramento de 20% da receita bruta considerada pela autuação, sem a efetiva despesa (Leis n°s 8.023, de 1990 e 9.250, de 1995, reproduzido pelo arts. 60, 66 e 71, do RIR/99). Esta necessidade decorre da posição de algumas turmas de julgamento deste Conselho admitirem a base de calculo presumida de 20%, na desconsideração das despesas, quando isto for mais vantajoso. Ante o exposto, pelo meu voto, converto os autos em diligencia para que a digna autoridade fiscal aprecie os documentos juntados pelo Recorrente, traga relatório circunstanciado das diligencias e realize outras se necessárias para esclarecer a matéria de fato controvertida nos autos. Pedese ainda (a) cálculo da autuação com base nas receitas e despesas que possam ser admitidas, diante os documentos juntados e (b) cálculo do tributo com a base de calculo presumida de 20% das receitas (na hipótese da desconsideração das despesas), para aferir a situação mais vantajosa caso não se admitam as despesas pretendidas pelo autuado. Cabe ao autuado o pleno dever de colaboração com fiscalização para esclarecer a matéria de fato em relação aos documentos juntados. A fiscalização deve relatar se houver qualquer dificuldade ou embaraço na realização das diligências. Concluída a diligencia, dêse ciência ao autuado pelo prazo de 15 dias para manifestação, querendo. Resultado da diligência às fls.11504/11512, de 21 de janeiro de 2015. No tocante à aceitação dos documentos oferecidos e não escriturados no Livro Caixa da Recorrente, a autoridade diligenciante concluiu que como a matéria já foi julgada em 1ª instancia , nos termos do artigo 16§ 6º e 25 do Decreto 70235/72, a revisão cabe a este colegiado. Em relação ao item 4, comenta a autoridade que a Recorrente se insurge contra: 1) a decisão que manteve o lançamento no que tange ao reconhecimento de adiantamento de recursos como receita da atividade rural no momento da entrega do produto, conforme preconiza o § 2º do artigo 61 do Decreto 300/99 documentos da situação 1 e da situação 2; 2) erros de pequena monta ano calendário 2006 documentos da situação 9; 3)duplicidade de tributação exofficio anos calendários 2007 e 2008 documentos da situação 10 e situação 12; 4) tributação indevida anocalendário 2007 documentos da situação 11. Fl. 11551DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.552 13 Sobre a tributação dos adiantamentos de recursos por conta de vendas para entrega futura,verificase na planilha Receitas da Atividade Rural do Relatório de Fiscalização, fls.10.309 a 10.330, que a fiscalização ajustou as receitas escrituradas no livro caixa excluindo os adiantamentos e reconhecendoos como receita quando da entrega efetiva dos produtos, nos termos do artigo 61,§2ºdo RIR/99 Aqui a autoridade administrativa opõe à tese da recorrente quanto à uma possível postergação de impostos, que a legislação invocada diz respeito às pessoas jurídicas, impertinente portanto no caso presente. Em relação aos documentos apresentados, seriam a repetição daqueles oferecidos na impugnação ( situação 1 e 2) e que a decisão combatida já consagrou o acerto do lançamento quanto à: 1) apuração de divergência de receitas (diferença entre o montante apurado e o montante declarado); 2) inclusão de receitas reconhecidas no livro caixa, advindas de notas fiscais não apresentadas à fiscalização; 3) o aspecto temporal do reconhecimento da receita, realizado nos moldes do artigo 61 do RIR/99. Repete as razões de decidir do acórdão combatido. Comenta que, se em relação às vendas para entregas futuras, a norma específica deve prevalecer não comportando a interpretação sistemática sustentada pela contribuinte no subitem 4.3.2. E quando se trata de venda a prazo, o reconhecimento das receitas deve se dar à medida do recebimento de cada parcela, conforme art.38§ único e 61 § 4º do RIR/99. Informa que a recorrente reconhece, no subitem 4.3.2.3 do recurso, que os citados dispositivos são aplicáveis às situações 6 e 7. Os documentos(situação 6 e 7) referemse às notas fiscais de venda de produtor rural com respectivas contranotas correspondentes aos anoscalendário 2006 e 2007, que a contribuinte alega ter recebido em ano diverso. Por isto solicita a exclusão de R$ 153.667,80 em 2006 e R$ 815.190,00 em 2007. Análise dos aludidos, à luz da legislação de regência, resultou nas planilhas "Análise de documentos situação 12 (manda ver no arquivo análise situações 6712). Excluiu as receitas de vendas cujas contranotas haviam sido emitidas em ano posterior, na seguinte monta: ano calendário receita excluída (R$) 2006 50.785,00 2007 263.350,00 No tocante aos erros de pequena monta,( TIF de 04/09/2014) documentos da situação 9, a recorrente informou não mais possuir os documentos. Fl. 11552DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.553 14 Já em relação à suposta tributação em duplicidade alegada no item 4.3.3, documentos das situações 10 e 11, comenta que a recorrente sustenta que os rendimentos decorrentes da venda de equipamentos, a seguir listados, seriam bens entregues para integralização de capital da empresa Herter Cereais Ltda e que tal rendimento foi considerado como valor de alienação no lançamento do ganho de capital, PAF 11060.001682/201060 DATA PRODUTO VALOR R$ 15/02/2007 Alojamento c/refeitório 81.000,00 15/02/2007 balança 80 ton 130.000.00 15/02/2007 elevador 240 ton 110.000,00 15/02/2007 moegas 180 ton.cada 200.000,00 15/02/2007 pavilhão 300 m² 270.000,00 15/02/2007 escritório 80 m² 80.000,00 15/02/2007 balança 500 kgs. 12.000,00 total 884.000,00 Faz um breve relato sobre a autuação do PAF 11060.001682/201060, para dizer que os fatos que culminaram no auto de infração contra Pedro Luiz Herter. decorreram de integralização de capital da empresa Herter Cereais Ltda, em 18/07/2005, através da entrega de quatro hectares de terras com benfeitorias descritas na escritura pública de compra e venda nº 13510, (benfeitorias e equipamentos que perfizeram o total de R$ 875.091,51 cujo valor comercial atribuído foi R$ 900.000,00). Comenta que as terras foram adquiridas em 05/05/2004 e nelas construídas benfeitorias, sendo que os gastos de construção foram apropriados como despesa da atividade rural da parceria da qual fazem parte ele e mais 4 membros da família (esposa, filhos e sogra) nos anos calendário de 2003 a 2005. A parceria mantinha um livro caixa único e fazia a segregação dos valores apenas nas declarações de ajuste anual , na proporção de 20% para cada parceiro. A fiscalização entendeu que o bem pertencia apenas a Pedro e que as despesas com benfeitorias não poderiam ter sido utilizadas por toda a parceria. Procedeu ao lançamento agregando as despesas de construção ao custo de aquisição das terras e como as despesas não pertenceriam à parceria procedeu ao lançamento de glosa de despesas nos PAF: 11060.003123/200951; 11060.003727/20103;(Pedro Luiz Herter) 11060.003125/200940 11060.003725/201041 (Margareth Maria Pinto Herter) 11060.003121/200961 11060.003728/201085 (Fábio Pinto Herter) 11060.003124/200903 e 11060.003724/2010 05(Maria Odila Abreu Terra Pinto) No julgamento de 1ª instancia entendeuse que as benfeitorias deveriam ter sido consideradas como despesas da atividade rural apenas de Pedro Luiz Herter e de sua esposa e, no momento da integralização do capital o valor(R$ 875.091,51 )correspondente às benfeitorias deveria ser tratado como rendimento da atividade rural do casal. Desta forma restou o ganho de capital apenas sobre a alienação da terra, mas por se tratar de bem de pequeno valor o crédito foi exonerado. Contudo, as parcelas referentes a cada parceiro, quanto à glosa das despesas da atividade rural relativas aos gastos de construção das benfeitorias entregues para integralização do capital social, foram mantidas, divergindo, apenas, no valor da glosa, conforme se verifica nos acórdãos dos PAF mencionados. Fl. 11553DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.554 15 A recorrente argumenta que as receitas por ela reconhecidas e escrituradas no livro caixa no ano de 2007, são , na verdade, as benfeitorias alienadas quando da integralização do capital em 2005. A este argumento opôs o diligenciante o regime de tributação que a pessoa física está submetida . Se os bens foram entregues em 2005 as receitas deviam ali ser reconhecidas. E mais não há como vincular as receitas reconhecidas em 2007, pelos seguintes motivos: 1 havia outros bens além daqueles entregues para integralização, conforme demonstram as DIRPF 2004 e 2005. Dentre estes, o que mais se aproxima seria 20% de um armazém para depósito de cereais, com secador, aerador, correias, transportadoras e balança, que se manteve nas declarações dos parceiros nos anos de 2004 a 2008; 2 a descrição dos bens da atividade rural é precária e não possibilita sua localização em determinado imóvel explorado pela parceria, como exemplo, os bens descritos na resposta ao termo de intimação fiscal nº 221/2010; 3 a escritura´pública não discrimina as benfeitorias entregues para integralização em 2005; 4 no livro caixa da atividade rural do ano de 2007, não há qualquer indicação de que a alienação dos bens se referem à alienação das benfeitorias ocorridas em 2005, para integralização do capital; 5 o livro caixa se destina aos registros das receitas e despesas à medida que ocorram. Assim, como não pode estabelecer uma relação entre as alienações de bens em 2007 e as benfeitorias alienadas em 2005, concluiu que as receitas pertenciam ao ano calendário de 2007, conforme reconhecido pelos parceiros rurais no livrocaixa. Os documentos anexados nas situações 13 a 16 referemse ao item 5 do recurso e tratam da insurgência contra a manutenção parcial da omissão de receita apurada à vista dos adiantamentos de recursos obtidos através de cédulas de produtor rural (CPR) e de instrumentos particulares de confissão de dívida com garantia de penhor cedular firmados com a empresa Herter Cereais Ltda nos anos de 2006,7 e 8. Aqui a Contribuinte tenta demonstrar no laudo e planilhas anexadas nas situações 13 a 16 que a capacidade de produção das áreas plantadas em 2006/2007 não comportaria a quantidade de produção de soja equivalente à omissão de rendimentos decorrente da CPR. Contudo não juntou novos documentos que comprovassem que as CPR foram liquidadas de forma diversa da apurada pela fiscalização e mantida na decisão de 1º grau. Na fase impugnatória esta questão foi posta e a decisão foi no sentido de que quanto as CPR liquidadas sem a prova de que a quitação se deu de forma diferente da prevista no contrato (entrega de grãos), a CPR faz prova da entrega do produto na data nela estipulada, salvo prova em contrário. Fl. 11554DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.555 16 A autoridade diligenciante comentou que no CARF, o julgamento do lançamento referente aos anos calendário de 2004 e 2005, lavrado contra a recorrente, e no PAF 11060.003726/201096, contra um dos parceiros, a decisão foi no mesmo sentido. Observou que o lançamento mantido referente aos anos de 2004 e 2005, foi objeto de parcelamento em 28 de agosto de 2014. Concluiu a Diligência demonstrando os valores exonerados às fls.11510/512. Ciência da diligência em 28 de janeiro de 2015, conforme fls. 11527, interpõe a recorrente suas razões às fls. 11528/11533, em 04 de fevereiro de 2015. Inicia dizendo que a diligência não obedeceu às determinações da Resolução.Repete que a glosa das despesas , no valor de R$ 545.772,72 consistiu na diferença entre o montante declarado e o contabilizado. E como anexou novos documentos a autoridade de segundo grau inovou ao dizer que tais despesas não estariam contabilizadas no livro caixa. Argumenta que o fato de não ter escriturado não significa que não possa deduzir as despesas. Nesta linha argumentativa transcreve ementas do acórdão 10514866, de 01/12/2006 e 1302001.161, sessão de 08/08/2003. No capítulo 5 da impugnação defendeu a inexistência das divergência de receitas, apontando: a) critério de confrontação errado, por comparar as notas fiscais do produtor com os valores escriturados, quando deveriam ser com os declarados; b) determinadas receitas escrituradas no caixa correspondiam a outras espécies de receitas tributáveis; c) a auditoria dos resultados tributáveis de forma estanque, por períodos, quando deveriam ser analisados em relação ao ano anterior e posterior, para detectar antecipações ou postergação de pagamentos; d) inclusão como receita de vendas de muitos valores que se referem a outras operações (não vendas), pois ou foram tributados em duplicidade, ou as vendas foram objeto de posterior devolução. Em relação às fls. 0205, do relatório de diligência comenta que os argumentos apresentados buscam manter um lançamento constituído de forma juridicamente insubsistente. Repete todos os argumentos expendidos no recurso. Dos erros de cálculos do relatório de diligência: Examinando o final da decisão de 1ª instância verificase que a omissão de receita imputada a cada parceiro importou: em R$ 334.974,70 no ano calendário de 2006 e em R$ 328.057,16 no ano calendário de 2007. Fl. 11555DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.556 17 Por sua vez visualizando o relatório de diligência verificase que nele é proposta a exclusão das quantias de: R$ 50.785,00 da base tributável do anocalendário de 2006; R$ 263.350,00 da base tributável do anocalendário de 2007. Excluindo da omissão de receita apurada na decisão de 1ª instância, terseia (se devido fosse): no ano calendário de 2006 um valor remanescente de R$ 284.189,70(334.974,7050.785,00) e não apontado no relatório (R$ 324.817,70); no ano calendário de 2007 um valor remanescente de R$ 64.707,16 (328.057,16263.350,00) e não o apontado no relatório (R$ 275.387,16). Reitera que o lançamento apresenta graves falhas tecnicojurídicas que impossibilitam seu saneamento o que determina sua total nulidade. É o Relatório Voto Relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço Tratase de exigência de imposto de renda de pessoa física decorrente de atividade rural, exigido da recorrente Ingrid Pinto Herter, remanescente da decisão de primeiro grau que proveu parcialmente a impugnação e manteve o imposto lançado no anocalendário 2006 no valor de R$122.135,55, acrescido da multa de 75% e dos juros, bem como o imposto exigido no anocalendário 2007 no valor de R$89.686,03, acrescido da multa de 75% e dos juros correspondentes. O processo veio a julgamento no colegiado de 2º grau em 19 de novembro de 2013 que o converteu em diligência determinando, em resumo, que a fiscalização relatasse cada situação, os motivos de admitir ou não a comprovação trazida, refazendo os cálculos, se fosse o caso, em relação à parte mantida. E que: (a) trouxesse demonstrativo, com relatório das diligencias realizadas em cada ano calendário, a base de cálculo e o imposto apurado com as receitas e despesas admitidas; (b) apresentasse ainda o calculo da autuação mantida com base no arbitramento de 20% da receita bruta considerada pela autuação, sem a efetiva despesa (Leis n°s 8.023, de 1990 e 9.250, de 1995, reproduzido pelo arts. 60, 66 e 71, do RIR/99). Fl. 11556DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.557 18 Na diligência inserida às fls.11504/11512, no tocante à aceitação dos documentos oferecidos e não escriturados no Livro Caixa da Recorrente, a autoridade diligenciante não se pronunciou e concluiu que como a matéria já fora julgada em 1ª instancia , nos termos do artigo 16§ 6º e 25 do Decreto 70235/72, a revisão caberia a este colegiado. Na decisão recorrida , a autoridade relatora assim versou: Quanto às despesas do anocalendário 2006, tendo em vista que cada parceiro declarou o valor de R$ 1.740.505,31, totalizando R$ R$ 8.702.526,55 de despesas da parceria rural, e que, no livro caixa, as despesas no ano 2006 perfazem um valor inferior ao declarado, R$ 8.156.753,83, foi considerada não comprovada a diferença entre o montante declarado e o contabilizado no livro caixa, resultando na glosa total de R$ 545.772,72, cabendo a glosa de R$ 109.154,54 para o sujeito passivo em decorrência da proporção de 20% correspondentes à sua participação na parceria. E manteve a glosa sem análise de qualquer documento oferecido por entender que o aproveitamento das despesas da atividade rural seguem os artigos 60 e 62 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. Levando em consideração o relatório da diligência busquei nas razões impugnatórias as notas de despesa que deveriam ser aproveitadas, no dizer das razões oferecidas. Nas razões impugnatórias, temse o seguinte: 3.1 A INEXISTÊNCIA DE CUSTOS/DESPESAS IRREAIS (...) Todavia, amparada nos esclarecimentos e provas em seguida elencados,a impugnante sustenta que inexiste a irregularidade apontada. Isto porque, no anocalendário de 2006 o preenchimento das declarações (da parceria) era feito por profissional externo, que as elaborava à vista do documentário que lhe era apresentado. Por falha na comunicação , dito profissional não se comunicava com o funcionário encarregado da escrituração do livro caixa, o qual , por deficiência no controle do fluxo interno da documentação, não recebeu todos os que exigiam escrituração. Assim sendo, ao invés da existência de valores declarados a maior, ocorreu a escrituração a menor de custos/despesas, o que afasta a presunção adotada pela fiscalização, de que houve a apropriação de custos/despesas irreais.(destaque da impugnação) 3.2 A COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DAS DESPESAS GLOSADAS Fl. 11557DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.558 19 Através da juntada das cópias dos documentos que compõem o ANEXO 1 (vide impugnação de Pedro Herter) a impugnante comprova parcialmente os custos/despesas que foram declarados, mas que por falha nos controles burocráticos, não foram escriturados. Como se pode ver, o somatório dos mesmos perfaz R$371.195,53, o que infirma parcialmente a glosa fiscal.Ressalva que está revisando o enorme volume de documentos que estava em poder dos autuantes e lhe foi devolvido há poucos dias. Por tais motivos e apoiado no princípio da verdade material e do direito à ampla defesa, protesta pela juntada posterior de outras provas (...) Ou seja, nenhum documento foi juntado aos autos , as razões foram meramente discursivas. Já no recurso voluntário são contraditados os fundamentos das razões de decidir e há o oferecimento da tese de inovação nos argumentos decisórios. Todavia, toda argumentação da recorrente fica prejudicada, uma vez que seu argumento maior são as provas oferecidas no anexo 1 das razões impugnatórias. Contudo, tal anexo não foi juntado. Apenas manda observar: "Através da juntada das cópias dos documentos que compõem o ANEXO 1 (vide impugnação de Pedro Herter)" conforme acima transcrito. Ou seja, o anexo não foi juntado à impugnação e a Recorrente manda que o busquemos em outro processo "(vide impugnação de Pedro Herter)", e apenas a título de esclarecimento, o processo ao qual as razões se referem foi objeto de pedido de parcelamento , conforme segue abaixo: Em 29/12/2015 10:12:59, Lucas Cristiano Germendorff escreveu: Drª. Ivete Malaquias,Bom dia!Informo que foi retirado de sua responsabilidade, na atividade "Para Relatar", o processo 11060.722107/201185, em razão da adesão do Contribuinte ao parcelamento especial PRORELIT. Tal processo foi, em seguida, expedido para a origem, conforme determinação do Sr. Presidente deste Conselho Administrativo. Vejase: "Caros Presidentes de Seção e Câmara, segue arquivo com a relação dos processos por Câmara objeto de desistência do respectivo recurso em razão de adesão ao parcelamento especial PRORELIT. Solicito priorizar a análise destes processos e proceder a expedição para a unidade da RFB de origem para processamento do parcelamento em questão. Solicito que anotem no arquivo a providência relativa a cada processo relacionado e ao finalizar repasse à SECEX, com cópia para este Gabinete, para controle e informação à CODAC/RFB. Fl. 11558DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.559 20 Com isto, toda a argumentação expendida resta prejudicada . Assim, em relação às despesas glosadas, mantémse a conclusão do acórdão recorrido. A Recorrente se insurge contra: 1) a decisão que manteve o lançamento no que tange ao reconhecimento de adiantamento de recursos como receita da atividade rural no momento da entrega do produto, conforme preconiza o § 2º do artigo 61 do Decreto 300/99 documentos da situação 1 e da situação 2; 2) erros de pequena monta ano calendário 2006 documentos da situação 9; 3)duplicidade de tributação exofficio anos calendários 2007 e 2008 documentos da situação 10 e situação 12; 4) tributação indevida anocalendário 2007 documentos da situação 11. Sobre a tributação dos adiantamentos de recursos por conta de vendas para entrega futura,verificase na planilha Receitas da Atividade Rural do Relatório de Fiscalização, fls.10.309 a 10.330, que a fiscalização ajustou as receitas escrituradas no livro caixa excluindo os adiantamentos e reconhecendoos como receita quando da entrega efetiva dos produtos, nos termos do artigo 61,§2ºdo RIR/99. Aqui, igualmente, sem razão a recorrente. A invocada ocorrência de postergação de impostos, ante a legislação invocada, cabe lembrar que a mesma não se observa nos autos e mais, a forma pretendida nas razões postas diz respeito às pessoas jurídicas, o que não é o caso. Os documentos apresentados são a repetição daqueles oferecidos na impugnação ( situação 1 e 2) e que a decisão combatida já consagrou o acerto do lançamento quanto:1) apuração de divergência de receitas (diferença entre o montante apurado e o montante declarado); 2) inclusão de receitas reconhecidas no livro caixa, advindas de notas fiscais não apresentadas à fiscalização; 3) o aspecto temporal do reconhecimento da receita, realizado nos moldes do artigo 61 do RIR/99. Aqui, concordo com as razões de decidir do acórdão combatido. Já em relação às vendas para entregas futuras a norma específica deve prevalecer, não comportando a interpretação sistemática sustentada pela contribuinte no subitem 4.3.2. No caso de venda a prazo, o reconhecimento das receitas deve se dar à medida do recebimento de cada parcela, conforme art.38§ único e 61 § 4º do RIR/99. Inclusive a recorrente reconhece, no subitem 4.3.2.3 do recurso, que os citados dispositivos são aplicáveis às situações 6 e 7. Tais documentos(situação 6 e 7) referemse as notas fiscais de venda de produto rural com respectivas contranotas correspondentes aos anoscalendário 2006 e 2007, que a contribuinte alega ter recebido em ano diverso. Por isto solicita a exclusão de R$ 153.667,80 em 2006 e R$ 815.190,00 em 2007. Fl. 11559DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.560 21 Analisados à luz da legislação de regência, resultou nas planilhas "Análise de documentos situação 12 (ver no arquivo análise situações 6712) do Relatório de diligência que excluiu as receitas de vendas cujas contranotas haviam sido emitidas em ano posterior, na seguinte monta: ano calendário receita excluída (R$) 2006 50.785,00 2007 263.350,00 No tocante aos erros de pequena monta,( TIF de 04/09/2014) documentos da situação 9, a recorrente informou não mais possuir os documentos. Ou seja, não há como acolher seus argumentos neste particular. Já em relação à suposta tributação em duplicidade alegada no item 4.3.3, documentos das situações 10 e 11, a recorrente sustenta que os rendimentos decorrentes da venda de equipamentos, a seguir listados, seriam bens entregues para integralização de capital da empresa Herter Cereais Ltda e que tal rendimento foi considerado como valor de alienação no lançamento do ganho de capital, PAF 11060.001682/201060 DATA PRODUTO VALOR R$ 15/02/2007 Alojamento c/refeitório 81.000,00 15/02/2007 balança 80 ton 130.000.00 15/02/2007 elevador 240 ton 110.000,00 15/02/2007 moegas 180 ton.cada 200.000,00 15/02/2007 pavilhão 300 m² 270.000,00 15/02/2007 escritório 80 m² 80.000,00 15/02/2007 balança 500 kgs. 12.000,00 total 884.000,00 Sobre a autuação do PAF 11060.001682/201060, o Relatório de diligência bem esclareceu que os fatos que culminaram no auto de infração, decorreu da operação realizada por Pedro Luiz Herter que integralizou o capital da empresa Herter Cereais Ltda, em 18/07/2005 entregando 4 ha de terras com benfeitorias descritas na escritura pública de compra e venda nº 13510, com benfeitorias e equipamentos que somaram R$ 875.091,51, cujo valor comercial atribuído foi R$ 900.000,00. As terras foram adquiridas em 05/05/2004 e houve benfeitorias, sendo que os gastos de construção foram apropriados como despesa da atividade rural da parceria da qual fazem parte ele e mais 4 membros da família (esposa, filhos e sogra) nos anos calendário de 2003 a 2005. A parceria mantinha um livro caixa único e fazia a segregação dos valores apenas nas declarações de ajuste anual , na proporção de 20% para cada parceiro. A fiscalização entendeu que o bem pertencia apenas a Pedro e que as despesas com benfeitorias não poderiam ter sido utilizadas por toda a parceria. Procedeu ao lançamento agregando as despesas de construção ao custo de aquisição das terras e como as despesas não pertenceriam à parceria procedeu ao lançamento de glosa de despesas nos PAF: 11060.003123/200951; 11060.003727/20103;(Pedro Luiz Herter) 11060.003125/200940 11060.003725/201041 (Margareth Maria Pinto Herter) 11060.003121/200961 Fl. 11560DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.561 22 11060.003728/201085 (Fábio Pinto Herter) 11060.003124/200903 e 11060.003724/2010 05(Maria Odila Abreu Terra Pinto) No julgamento de 1ª instancia entendeuse que as benfeitorias deveriam ter sido consideradas como despesas da atividade rural apenas de Pedro Luiz Herter e de sua esposa e, no momento da integralização do capital o valor(R$ 875.091,51 )correspondente às benfeitorias deveria ser tratado como rendimento da atividade rural do casal. Desta forma restou o ganho de capital apenas sobre a alienação da terra, mas por se tratar de bem de pequeno valor o crédito foi exonerado. Contudo, as parcelas referentes a cada parceiro, quanto à glosa das despesas da atividade rural relativas aos gastos de construção das benfeitorias entregues para integralização do capital social , foram mantidas, divergindo apenas no valor da glosa, conforme se verifica nos acórdãos dos PAFs mencionados. A recorrente argumenta que as receitas por ela reconhecidas e escrituradas no livro caixa no ano de 2007, são , na verdade, as benfeitorias alienadas quando da integralização do capital em 2005. A este argumento opôs o diligenciante o regime de tributação que a pessoa física está submetida . E se os bens foram entregues em 2005 as receitas deviam ali ser reconhecidas. E mais não há como vincular as receitas reconhecidas em 2007, pelos seguintes motivos: 1 havia outros bens além daqueles entregues para integralização, conforme demonstram as DIRPF 2004 e 2005. Dentre estes, o que mais se aproxima seria 20% de um armazém para depósito de cereais, com secador, aerador, correias, transportadoras e balança, que se manteve nas declarações dos parceiros nos anos de 2004 a 2008; 2 a descrição dos bens da atividade rural é precária e não possibilita sua localização em determinado imóvel explorado pela parceria, como exemplo, os bens descritos na resposta ao termo de intimação fiscal nº 221/2010; 3 a escritura´pública não discrimina as benfeitorias entregues para integralização em 2005; 4 no livro caixa da atividade rural do ano de 2007, não há qualquer indicação de que a alienação dos bens se referem á alienação das benfeitorias ocorridas em 2005, para integralização do capital; 5 o livro caixa se destina aos registros das receitas e despesas à medida que ocorram. Assim, como não é possível estabelecer uma relação entre as alienações de bens em 2007 e as benfeitorias alienadas em 2005, concluo, igualmente que as receitas pertencem a 2007, conforme reconhecido pelos parceiros rurais no livrocaixa. Os documentos anexados nas situações 13 a 16 referemse ao item 5 do recurso e tratam da insurgência contra a manutenção parcial da omissão de receita apurada à vista dos adiantamentos de recursos obtidos através de cédulas de produtor rural (CPR) e de Fl. 11561DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.562 23 instrumentos particulares de confissão de dívida com garantia de penhor cedular firmados com a empresa Herter Cereais Ltda nos anos de 2006,7 e 8. Aqui a Contribuinte tenta demonstrar no laudo e planilhas anexadas nas situações 13 a 16 que a capacidade de produção das áreas plantadas em 2006/2007 não comportariam a quantidade de produção de soja equivalente à omissão de rendimentos decorrente da CPR. Mas esta como bem apontado na decisão recorrida é apenas estimada. Fato é que restou incomprovada que as CPR foram liquidadas de forma diversa da apurada pela fiscalização e mantida na decisão de 1º grau. A decisão combatida vai no sentido de que, em relação às CPR liquidadas sem a prova de que a quitação se deu de forma diferente da prevista no contrato (entrega de grãos) a CPR faz prova da entrega do produto na data nela estipulada. Também me alinho com esta conclusão. A matéria já é conhecida no Colegiado Superior. No julgamento dos lançamentos referentes aos anos calendário de 2004 e 2005, lavrado contra a recorrente, no PAF 11060.003726/201096, contra Fábio Pinto Herter, PAF 11060.003728/201085 e contra Pedro Luiz Herter, PAF nº 11060.003727/201031, os fundamentos, da lavra do i.relator Antonio de Pádua Athayde Magalhães, bem esclarecem a matéria: No tocante à questão de mérito que restou em litígio, corroboro com o entendimento da autoridade lançadora de considerar omissão de receitas da atividade rural a liquidação de CPR (Cédula de Produto Rural), nas datas estipuladas no título, sem a prova de que esta liquidação se deu na forma contratual estabelecida (ou seja, com a confirmação da entrega do produto comercializado no presente caso, entrega de grãos), salvo aquelas em que o contribuinte demonstre que houve o ressarcimento em dinheiro pela apresentação da transferência do numerário. O contribuinte insiste na afirmação de que a liquidação contábil dos adiantamentos financeiros não autoriza o fisco inferir de forma presuntiva que tal procedimento (liquidação) materializou a venda destes produtos agrícolas sem nota fiscal. Sustenta que nas operações discriminadas na planilha à fl. 295 podem existir valores que foram declarados em anoscalendários seguintes. Todavia, quanto a isto, o acórdão recorrido já havia corretamente ressaltado que “a possível tributação, pelo contribuinte, em ano posterior, não afasta o lançamento correto, no ano calendário 2005. Caso comprovado o erro, no máximo, permitese a restituição, em processo autônomo, do valor pago a maior em ano posterior”. Ademais, sobre essa matéria é cediço que, nos termos do art. 61, §2° do Decreto n° 3.000/99 – RIR/99, os adiantamentos de recursos financeiros, recebidos por conta de contrato de compra e venda de produtos agrícolas para a entrega futura, devem ser computados como receita no mês da efetiva entrega do produto, in verbis: Fl. 11562DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.563 24 (...) Outrossim, a receita da atividade rural é comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelos fiscos estaduais, conforme estabelece o §5° desse mesmo art. 61 acima transcrito. Portanto, a CPR é um instrumento de venda a termo, em que o produtor recebe o valor da venda à vista assumindo o compromisso da entrega futura do produto. A CPR é um título líquido e certo, exigível pela quantidade e qualidade do produto nela previsto, tendo sido regulamentada pela Lei n° 8.929, de 22 de agosto de 1994. Tratandose de título líquido e certo, sua liquidação poderá ser parcial, ou então, em caso de impossibilidade de cumprimento, o pagamento antecipado poderá ser ressarcido, à exceção da CPR financeira, que não é objeto de análise, posto que se ampara em regime jurídico distinto. A respeito, verificase que os títulos analisados nos autos não atendem aos requisitos estabelecidos na norma legal que instituiu esta modalidade de CPR (Lei nº 10.200, de 2001), quais sejam: a identificação do preço ou do índice de preços a ser utilizado no resgate do título, a instituição responsável por sua apuração ou divulgação, a praça ou o mercado de formação do preço, além da denominação a ser identificada como um título financeiro. Portanto, nenhum reparo a ser feito na decisão combatida, também em relação à omissão de receita apurada à vista dos adiantamentos de recursos obtidos através de cédulas de produtor rural (CPR) e de instrumentos particulares de confissão de dívida com garantia de penhor cedular. No tocante à reclamação da Recorrente quanto ao suposto erro de cálculo porque os valores que deveriam ser excluídos seriam os valores cheios de de R$ 50.785,00 no ano calendário de 2006 e de R$263.350,00 em 2007, também não prospera. As notas foram excluídas, obviamente, pelo valor total. Contudo, a parceria dispõe que a participação de cada um é de 20% . Nessa conformidade, os valores a excluir estão de acordo com as tabelas demonstradas no relatório de diligência, tais sejam: ano decisão diligência diferença 2006 334.974,70 10.157,00 324.817,70 2007 328.057,16 52.670,00 275.387,16 Fl. 11563DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 11060.722104/201141 Acórdão n.º 2201003.030 S2C2T1 Fl. 11.564 25 E quanto às supostas falhas técnicas e jurídicas invocadas no final das razões opostas ao relatório de diligência, como causa de nulidade do processo, não é observado qualquer vício que macule o lançamento. Verificase que o auto de infração se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 1993. obedecendo todo rito processual atinente à matéria. A decisão de primeiro grau foi proferida nos exatos limites da lide,com análise dos elementos de prova colacionados ao processo, examinou todas as razões de defesa apresentadas na impugnação, exauriu as questões postas em julgamento. A irresignação da recorrente com a motivação apresentada no acórdão combatido não se insere no rol dos vícios materiais capazes de levar a decretação de sua nulidade. O livre convencimento do julgador administrativo encontrase respaldado na norma processual. Nesta conformidade, nenhum reparo resta a fazer no processo, que retificado pela diligência restou perfeito e com ele me alinho integralmente. Assim, encaminho meu voto no sentido de rejeitar as preliminares, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar como omissão de receita da atividade rural o montante de R$ 324.817,70 para o ano calendário de 2006 e R$ 275.387,16 para o ano calendário de 2007. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Fl. 11564DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
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Numero do processo: 10860.720564/2014-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 31/12/2009
AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS À INDÚSTRIA DE AUTOPROPULSADOS.
É vedado ao estabelecimento industrial apropriar-se de créditos de IPI decorrentes da aquisição de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 da TIPI, que deveriam ter saído do estabelecimento fornecedor com a suspensão do imposto.
IPI. DEVOLUÇÕES E RETORNOS DE PRODUTOS. FALTA DA ESCRITURAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS. LIVRO REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE OU SISTEMA EQUIVALENTE. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
O aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou de sistema de controle equivalente.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE
O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete (art. 56 da MP nº 2.158-35/2001), está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-003.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em conhecer do recurso voluntário para dar parcial provimento, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, deu-se provimento para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício na fase da liquidação administrativa do presente julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim para redigir o voto vencedor; (ii) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto às demais matérias. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que deu provimento para reverter as glosas dos créditos sobre produtos recebidos com suspensão, créditos por devolução e créditos presumidos sobre fretes. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto quanto aos créditos por devolução e créditos sobre fretes.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Valdete Aparecida Marinheiro, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente o Dr. Rodrigo Evangelista Munhoz, OAB/SP nº 371.221.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 31/12/2009 AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS À INDÚSTRIA DE AUTOPROPULSADOS. É vedado ao estabelecimento industrial apropriarse de créditos de IPI decorrentes da aquisição de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 da TIPI, que deveriam ter saído do estabelecimento fornecedor com a suspensão do imposto. IPI. DEVOLUÇÕES E RETORNOS DE PRODUTOS. FALTA DA ESCRITURAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS. LIVRO REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE OU SISTEMA EQUIVALENTE. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou de sistema de controle equivalente. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete (art. 56 da MP nº 2.15835/2001), está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 05 64 /2 01 4- 08 Fl. 12548DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer do recurso voluntário para dar parcial provimento, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, deuse provimento para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício na fase da liquidação administrativa do presente julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim para redigir o voto vencedor; (ii) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto às demais matérias. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que deu provimento para reverter as glosas dos créditos sobre produtos recebidos com suspensão, créditos por devolução e créditos presumidos sobre fretes. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto quanto aos créditos por devolução e créditos sobre fretes. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Valdete Aparecida Marinheiro, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente o Dr. Rodrigo Evangelista Munhoz, OAB/SP nº 371.221. Relatório Tratase o presente processo, de exigência de recolhimento a menor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e multa de ofício, formalizada no auto de infração de fls. 03/39, lavrado em 28/04/2014, com ciência da Recorrente em 29/04/2014, em face das seguintes irregularidades detectadas: 1) recolhimento do IPI a menor em decorrência da declaração na DCTF, de saldos de IPI a recolher inferiores aos escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8; 2) recolhimento a menor de IPI pela escrituração de créditos básicos indevidos relativos a aquisições de componentes, partes e peças de produtos autopropulsados, que deveriam ter sido adquiridos com suspensão, conforme disposto no art. 5º da Lei nº Fl. 12549DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720564/201408 Acórdão n.º 3402003.017 S3C4T2 Fl. 12.549 3 9.826/99 com a redação dada pelo art. 4º da Lei nº 10.485/2002, e relativos a aquisição de materiais (Lubrificantes) utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos; 3) recolhimento a menor de IPI pela escrituração de créditos indevidos relativos a devolução e retorno de produtos em razão da não comprovação dos créditos através do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema de controle equivalente, e 4) recolhimento a menor de IPI por ter o estabelecimento escriturado indevidamente o crédito presumido de IPI sobre frete, previsto no art. 56 da MP nº 2.158 35/2001, uma vez que a autuada não teria cumprido as condições previstas na legislação para fazer jus ao benefício, pois não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase de impugnação tempestiva à exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 3 a 7, lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Taubaté/SP, totalizando o crédito tributário de R$ 22.506.298,00. Segundo a descrição dos fatos de fls. 4 a 7 e a Informação Fiscal de fls. 14 a 39, foram constatadas as seguintes irregularidades: 1) o estabelecimento recolheu imposto a menor em decorrência da declaração na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais – DCTF, de saldos de IPI a recolher inferiores aos escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8; 2) recolhimento a menor de IPI pela escrituração de créditos básicos indevidos relativos a aquisições de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças de produtos autopropulsados, que deveriam ter sido adquiridos com suspensão, conforme disposto no art. 5º da Lei nº 9.826/99 com a redação dada pelo art. 4º da Lei nº 10.485/2002, e relativos a aquisição de materiais utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos que não se subsumem no conceito de matérias primas ou produtos intermediários; 3) recolhimento a menor de IPI pela escrituração de créditos indevidos relativos a devolução e retorno de produtos em razão da não comprovação dos créditos através do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema de controle equivalente; 4) recolhimento a menor de IPI por ter o estabelecimento escriturado indevidamente o crédito presumido de IPI sobre frete, previsto no art. 56 da MP nº 2.158 35/2001, já que, conforme descrito, a autuada não teria cumprido as condições previstas na legislação para fazer jus ao benefício, pois não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos. Fl. 12550DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 O enquadramento legal das infrações está nas fls. 4 a 7 e o da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora no respectivo demonstrativo na fl. 11. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seus procuradores habilitados nos autos, protocolizou impugnação parcial de fls. 7823 a 7846, aduzindo em sua defesa as razões sintetizadas na seqüência. Inicialmente reconhece o equívoco relacionado à diferença entre os débitos apurados no RAIPI e o valor informado nas DCTF, anexando os comprovantes de recolhimento das importâncias apuradas pela fiscalização com os devidos acréscimos legais. Alega que da análise dos argumentos por ela elencados conclui se que: (i) as aquisições de produtos autopropulsados classificados nas posições da NCM 27.10, 39.26, 72.25, 73.18, 73.26, 84.15, 87.08 e 94.01 não estão albergadas pela suspensão do IPI. Tal afirmativa leva à conclusão de que, em tais aquisições operase o recolhimento regular do imposto, sendo decorrência lógica de tal fato o aproveitamento dos respectivos créditos por parte da impugnante, em decorrência da nãocumulatividade do IPI; (ii) os lubrificantes e as chapas de aço adquiridos pela impugnante são consumidos no seu processo produtivo, motivo pelo qual os créditos decorrentes de tais aquisições são legítimos; (iii) para aproveitamento de créditos decorrentes de retorno e devolução a legislação do IPI imputa ao contribuinte o dever de controle quantitativo da produção e estoque sendo faculdade do contribuinte optar por controlar tais informações (i) no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, (ii) em fichas ou, ainda, (iii) em controle alternativo que possibilite a apuração do estoque permanente; (iv) o conjunto de documentos apresentados pela impugnante no curso do procedimento fiscal, ora reproduzido, apresentase como controle apto a demonstrar o retorno do bem anteriormente vendido, fato que possibilita o aproveitamento dos créditos; (v) diversamente do alegado pelas autoridades fiscais, a ausência de destaque do valor do frete nas notas fiscais de venda não é motivo suficiente para obstar a fruição do benefício fiscal em comento, conforme amplamente demonstrado na presente impugnação; (vi) a impugnante demonstrou que, de fato, computou o montante do frete no preço de venda de seus bens, sendo legítima a fruição dos respectivos créditos de IPI; (vii) a impugnante demonstrou, também, que contabilizou a receita de forma segregada, destacando da receita de vendas do valor relacionado ao frete computado no preço; e por fim (viii) na remota hipótese de manutenção do lançamento, os juros sobre a multa só podem ser exigidos nos casos em que a Fl. 12551DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720564/201408 Acórdão n.º 3402003.017 S3C4T2 Fl. 12.550 5 exigência do crédito tributário corresponde exclusivamente ao valor da multa, caso diverso dos autos. Requer a realização de diligência, formulando os quesitos que quer ver respondidos. Finaliza requerendo o recebimento da presente impugnação, para seu integral acolhimento a fim de que seja reconhecida a total improcedência do auto de infração ou, ainda, caso contrário, requer seja afastada a cobrança de juros sobre a multa de lançamento de ofício. É o relatório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 31/12/2009 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. SETOR AUTOMOTIVO. SUSPENSÃO. PEÇAS E COMPONENTES DESTINADOS À INDÚSTRIA DE AUTOPROPULSADOS. É vedado ao estabelecimento industrial apropriarse de créditos de IPI decorrentes da aquisição de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, com saída do fornecedor prevista na hipótese obrigatória de suspensão do imposto. CRÉDITOS DE PRODUTOS QUE NÃO SE SUBSUMEM NO CONCEITO DE MATÉRIASPRIMAS OU PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. Somente dão direito a créditos os insumos que se consumirem em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. CRÉDITOS RELATIVOS A DEVOLUÇÕES E RETORNOS DE PRODUTOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO Fl. 12552DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE OU DE SISTEMA EQUIVALENTE. O aproveitamento de créditos de IPI relativos a devoluções e retornos de produtos tributados está condicionado à comprovação de escrituração do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema de controle equivalente. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI SOBRE O FRETE. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte, previsto na legislação, está condicionado à comprovação de que o frete foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 29/08/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (ciência eletrônica – fls. 7.875). Inconformada com a decisão, em 29/09/2014 (doc SVA. fls. 7.877/7.878), apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 7.881/7.913), no qual, resumidamente, argumenta as seguintes razões: (i) aquisições de produtos destinados a montagem de autopropulsados: As aquisições de produtos classificados nas NCM 39.26, 72.25, 84.15, 87.08 e 94.01, não estão albergadas pela suspensão do IPI. Tal afirmativa leva à conclusão de que, em tais aquisições operase o recolhimento regular do imposto, sendo decorrência lógica de tal fato o aproveitamento dos respectivos créditos por parte da Recorrente, em decorrência da não cumulatividade do IPI; (ia)As operações realizadas com a fornecedora Rio Negro Com. Ind. De Aço S.A. (“Rio Negro”) não guardam relação com o assunto ora debatido, sendo possível verificar pela descrição contida nas notas fiscais que a Recorrente adquiriu dessa empresa “Platina Galvanizada Quente”, isto é chapa de aços. Tais produtos não se enquadram na categoria de componentes, chassis, carrocerias, acessórios, partes e peças a que faz menção o artigo 5° da Lei n° 9.826/1999; (iib) Lubrificantes está sendo exigido da Recorrente valores relacionados ao crédito do IPI vinculado às aquisições de insumos (lubrificantes), classificados nas NCMs 2710.19.99 e 3403.19.00. Os lubrificantes adquiridos são consumidos no seu processo produtivo, motivo pelo qual os créditos decorrentes de tais aquisições são legítimos; (iii) Créditos de devoluções e retornos: Para aproveitamento de créditos decorrentes de retorno e devolução a legislação do IPI imputa ao contribuinte o dever de controle quantitativo da produção e estoque sendo faculdade do contribuinte optar por controlar tais informações (a) no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, (b) em fichas ou, ainda, (c) em controle alternativo que possibilite a apuração do estoque permanente; Alega que o conjunto de documentos apresentados pela Recorrente no curso do processo administrativo, ora reproduzido e complementado, apresentase como controle apto a demonstrar o retorno do bem anteriormente vendido, fato que possibilita o aproveitamento dos créditos; Fl. 12553DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720564/201408 Acórdão n.º 3402003.017 S3C4T2 Fl. 12.551 7 (iv) do crédito presumido sobre o frete CIF artigo 56 da MP 2.15835, de 2001 (Item 3 da autuação): a) Inexistência de Regra que Obrigue o Destaque do Valor do Frete na Nota Fiscal e da correta interpretação do artigo 56, §1°, II, b da Medida Provisória n° 2.158 35/2001. Diversamente do alegado pelo Fisco, a ausência de destaque do valor do frete nas notas fiscais de venda não é motivo suficiente para obstar a fruição do benefício fiscal em comento, conforme amplamente demonstrado no presente Recurso; b) Da formação de preço: Por se tratar de crédito presumido, inexiste a necessidade de comprovação do frete no preço de venda. Inexiste, ainda, a necessidade de comprovação do pagamento dos serviços de frete; c) Do registro da Receita de Vendas – Da segregação do valor do veículo e do frete computado no preço. Não obstante, a Recorrente demonstrou que, de fato, computou o montante do frete no preço de venda de seus bens, sendo legítima a fruição dos respectivos créditos de IPI; e que demonstrou, também, que contabilizou a receita de forma segregada, destacando da receita de vendas do valor relacionado ao frete computado no preço. (v) da impossibilidade da futura aplicação de juros sobre a multa de ofício lançada; e (vi) com respaldo no disposto no artigo 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, requer a realização de diligência, para que se comprove o equívoco da suposta exigência materializada no Auto de Infração impugnado. Em face de todo o exposto espera que sejam acolhidos os argumentos ora apresentados e que seja julgado procedente o presente Recurso Voluntário, em virtude da nítida observação às normas legais vigentes no desenvolvimento das operações. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Conforme o Termo de Transferência de Débitos da fl. 7.853 e do despacho da fl. 7.856 os créditos tributários incontroversos foram recepcionados no processo nº 16041 720.026/201435 e, dado a concordância do contribuinte, quanto à eles foi extinto o litígio. Verificase no presente recurso que não foram abordadas questões de ordem preliminares caminhandose, então, diretamente às questões de mérito. MÉRITO 1. Dos créditos básicos indevidos Aquisição de insumos tributados Fl. 12554DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 No decorrer do procedimento, a fiscalização glosou créditos relativos a aquisições de materiais destinados à montagem de produtos autopropulsados por entender que tais produtos deveriam ter sido adquiridos com suspensão do imposto. No entanto, sustenta a Recorrente que o regime da suspensão teria sido aplicado indevidamente aos produtos por ela adquiridos, vez que não se tratariam daqueles especificados no art. 5º da Lei nº 9.826/99, com a redação alterada pela Lei nº 10.845/2002. Complementa afirmando que ainda que assim fosse, face ao princípio da nãocumulatividade, faria jus ao creditamento por ter pago o imposto na operação de compra. Pois bem. Assim estabelece o art. 5º da Lei nº 9.826/99, que teve a sua redação alterada pelo art. 4º da Lei nº 10.485/2002 (grifouse): Art. 5º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) (...) § 2º A suspensão de que trata este artigo é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente:(Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos códigos 8704.10.00, 8704.2 e 8704.3, da TIPI. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) § 3º A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial. (Redação dada pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002) § 4º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no caput deverá constar a expressão ‘Saída com suspensão do IPI’ com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. (Incluído pela Lei nº 10.485, de 3.7.2002). (...)" A suspensão em foco encontravase regulamentada no art. 113, inciso III, e § 3º , inciso II, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) em vigor à época: Art.136. Sairão com suspensão do imposto: (grifos nossos) I – (....) II – (...) III do estabelecimento industrial, os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas Posições 84.29, 84.32, 84.33, Fl. 12555DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720564/201408 Acórdão n.º 3402003.017 S3C4T2 Fl. 12.552 9 87.01 a 87.06 e 87.11 da TIPI (Lei no 9.826, de 1999, art. 5º, e Lei no 10.485, de 2002, art. 4º); (...). § 1º (...) §3º A suspensão de que tratam os incisos III e IV do caput é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente (Lei nº 9.826, de 1999, art. 5º, § 2º, e Lei no 10.485, de 2002, art. 4º): I – (...) II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas Posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos Códigos 8704.10, 8704.2 e 8704.3 da TIPI (Lei nº 9.826, de 1999, art. 5º, § 2º, inciso II, e Lei no 10.485, de 2002, art. 4º). (...)” Em relação a esta parcela da autuação foram glosados créditos de aquisições de componentes de produtos autopropulsados classificados nas posições da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM: 39.26, 72.25, 84.15, 87.08 e 94.01. A Recorrente destaca que os créditos glosados foram comprovadamente destacados nas notas fiscais emitidas pelos fornecedores (Anexo 5 fls. 7.960/9.739, cópias da totalidade das notas fiscais de compra, nas quais o imposto foi destacado). Alega a Recorrente que a possibilidade de aproveitamento dos créditos decorre do princípio da nãocumulatividade do IPI, que permite a compensação do imposto devido na operação com o montante do imposto pago anteriormente, nos termos do artigo 49 do CTN. Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes." No entendimento da Recorrente, em virtude do destaque do imposto na nota fiscal de produto utilizado no processo produtivo, seria lícita a escrituração de créditos. Entendimento contrário violaria o princípio da não cumulatividade do imposto. Ademais, no caso analisado, o procedimento adotado pela Recorrente não causou dano ao Erário, pois o IPI foi destacado na nota e pago pelo fornecedor. Entendo que não assiste razão a Recorrente. Como visto, as notas fiscais foram emitidas pelo fornecedor em desconformidade com a determinação legal, com o destaque do IPI, quando deveria esse tributo estar suspenso. Vejo, que nesta fase processual, a Recorrente pretende sanear o equívoco nos procedimentos adotados, pleiteando a aplicação do princípio da não Fl. 12556DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 cumulatividade, nos termos do art. 49 do CTN, o que, certamente, não encontra abrigo no nosso sistema jurídico. Como a operação estaria sujeita à suspensão do imposto, a Recorrente não tem o direito ao crédito do imposto efetivamente destacado na nota fiscal, uma vez que a fiscalização elaborou o demonstrativo no qual se verifica que os produtos adquiridos destinam se à fabricação de produtos autopropulsados, sendo portanto, casos de suspensão obrigatória. Deste modo, o destaque do imposto efetuado pelos fornecedores dos insumos nas notas fiscais de saída foi indevido. Entretanto, isso não significa que esteja havendo desrespeito ao princípio da não cumulatividade, como quer fazer crer a recorrente, mas tão somente a não realização do mecanismo, por ausência de geração de crédito legítimo na operação anterior. Como bem asseverado pela decisão recorrida, "(...) No caso de destaque a maior do imposto, compete às empresas fornecedoras impetrar administrativamente pedidos de restituição do imposto indevidamente pago. À interessada, como terceiro, seria lícito, apenas, autorizar expressamente os fornecedores a receber a restituição das quantias porventura pagas indevidamente, em virtude da transferência do ônus financeiro. É o preceito extraído do CTN, art. 166" (...). Também não socorre a recorrente a alegação de que o seu procedimento não teria causado dano ao Erário, eis que, como já dito, o princípio da não cumulatividade destina se à compensação de tributos devidamente pagos, não sendo este o meio legal adequado para se pleitear restituição ou devolução de valores de eventuais tributos indevidos pelo fornecedor da recorrente. Desta forma, mantémse a glosa efetuada pelo Fisco, por se tratarem de operações sujeitas obrigatoriamente ao regime de suspensão do IPI, não podendo a adquirente se creditar do imposto indevidamente destacado na operação. Aduz a Recorrente que também é de se observar que o acórdão recorrido aplicou, indevidamente, o regime de suspensão do imposto. Pela redação do artigo 5º da Lei nº 9.826, de 1999, a suspensão do IPI na saída do estabelecimento industrial operase para as partes e peças dos produtos classificados nas seguintes posições: 84.29; (ii) 84.32; 84.33; 87.01 a 87.067 e 87.118. Em decorrência podese afirmar que as aquisições de produtos cuja NCM seja diversa das mencionadas acima estão sujeitas ao regular recolhimento do IPI. Ora, também não assiste razão a recorrente nesse ponto. O que deve estar classificado nestas posições é o produto autopropulsado, e não os materiais adquiridos. Ou seja, quaisquer componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, classificados em qualquer posição da TIPI, desde que destinados a produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11 da TIPI, devem sair com suspensão do imposto. Assim, pela razão acima, entendo que a autuação deve ser mantida neste aspecto, uma vez que o Fisco aplicou, corretamente, o regime de suspensão do imposto. 1.1. Fornecedora Rio Negro Alega a Recorrente que é de se observar que as operações realizadas com a fornecedora Rio Negro Com. Ind. de Aço S.A. (“Rio Negro / Usiminas”) não guardam relação com o assunto ora debatido. Conforme se verifica pela descrição das notas fiscais (Anexo 5 mencionado acima), a Recorrente adquiriu dessa empresa o produto “Platina Galvanizada Fl. 12557DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720564/201408 Acórdão n.º 3402003.017 S3C4T2 Fl. 12.553 11 Quente”, isto é chapa de aços. Aduz que tais produtos não se enquadram na categoria de componentes, chassis, carrocerias, acessórios, partes e peças a que faz menção o artigo 5° da Lei n° 9.826, de 1999. Entendo que também não assiste razão a Recorrente. A legislação (o art. 5º da Lei nº 9.826/99), dispõe que "os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados, que no caso dos autos são os veículos. Pesquisando sobre o significado da palavra "componentes", temos que: Componente é aquilo que faz parte da composição de um todo. Que entra na composição de alguma coisa. Tratase de elementos que, através de algum tipo de associação ou contiguidade, dão lugar a um conjunto uniforme. Exemplos: Em um veículo, o motor, o eixo, os faróis, o medidor de combustível, são os componentes deste veículo. No caso, das operações realizadas com a fornecedora Rio Negro, referente às aquisições de “Platina Galvanizada Quente”, ou seja, as chapa de aços, são componentes (pois serão transformados em assoalhos, tetos, etc), aplicados nos produto autopropulsados (veículos). Portanto, tais produtos se enquadram na categoria a que faz menção o artigo 5° da Lei n° 9.826, de 1999 e devem sair com suspensão do imposto. 1.2. Lubrificantes Nestes autos, está sendo exigido montante relacionado ao crédito do IPI vinculado às aquisições do produto (lubrificantes), classificados nas NCMs 2710.19.99 e 3403.19.00 e demonstrada na planilha Anexo M e sintetizado no corpo da Informação Fiscal no demonstrativo às fl. 22. Alega a Recorrente que os lubrificantes adquiridos são consumidos no seu processo produtivo, motivo pelo qual os créditos decorrentes de tais aquisições são legítimos. No caso específico da Recorrente os lubrificantes classificamse como insumos consumidos no processo produtivo, cujas propriedades físicas se deterioram ao longo do tempo. Por tal razão, inclusive, a Recorrente adquire tais produtos frequentemente, pois o consume no seu processo produtivo de forma contínua. A controvérsia ora travada gira em torno, portanto, do conceito de insumos para fins de créditos de IPI. A Recorrente informa em seu recurso que (fl. 7.891), "(...) Tendo sido intimada no decorrer do procedimento fiscalizatório a demonstrar em qual fase do processo produtivo as mercadorias relacionadas a tais notas são aplicadas, a Recorrente esclareceu que são consumidas no seu processo produtivo, mais especificamente na manutenção de máquinas e equipamentos. Na Impugnação a Recorrente reiterou tais argumentos". Já o Fisco em sua Informação Fiscal concluiu que "o que temos, então, é uma sutil distinção entre "consumo" de mercadorias no processo produtivo e "uso" de mercadorias para o mesmo processo. Concluise que não é qualquer desgaste ou perda de propriedades físicas de produtos utilizados na produção que justificariam considerálos, juridicamente, como intermediário, ensejando, por conseguinte, o direito ao crédito. Se desgaste ou perda, Fl. 12558DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 por exemplo, estiver relacionada à manutenção do processo produtivo, como um todo, estará afastada a possibilidade jurídica do crédito em tela". A fiscalização efetuou a glosa desses créditos por duas razões (fl. 21): a) as classificadas na NCM 2710.19.92 (Líquidos para transmissão) e a NCM 2710.19.99 (Óleo para Lamparina de Mecha), que tratamse de fluídos e graxas utilizados no processo produtivo dos veículos e, portanto, enquadrandose no art. 5º da Lei nº 9.826/99, devendo ter o IPI suspenso; e b) mercadorias classificadas na NCM 3403.19.00 (Outros Prep. c/ Óleos), que seriam lubrificantes utilizados para a manutenção de máquinas e equipamentos. Quanto à alegada utilização desses produtos no processo produtivo da empresa (linha de produção), entendo que essa mera alegação, sem qualquer comprovação, não é hábil a modificar a autuação. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo37 desta Lei. No mesmo sentido, dispõe os artigos 333 e 396 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 CPC. Além dessa utilização não ter sido comprovada pela recorrente e de tal parcela não ter sido segregada das demais utilizações que não gerariam o direito ao crédito, a recorrente não forneceu maiores detalhes dessa utilização no seu contexto produtivo que pudessem justificar o seu emprego na industrialização que resulta o produto final: veículo. Alegar sem comprovar é o mesmo que não alegar. 2. Dos Créditos de devoluções e retornos (Item 2 da autuação) Nestes autos, foram também exigidos da Recorrente valores decorrentes da glosa de créditos oriundos de devoluções e retornos, escriturados no Livro de Registro de Apuração do IPI. Esclareçase que o direito ao crédito do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno está disposto no artigo 167 a 173 do RIPI/2002, sendo que para tanto os contribuintes estão vinculados ao cumprimento de determinada exigências, expostas no artigo 169 e seguintes do mesmo diploma legal. É cediço que o Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque modelo 3, consubstanciam na legislação vigente, medida cautelar prevista no Regulamento do IPI para conferir à Administração Tributária a segurança de que os produtos devolvidos ou retornados foram efetivamente reincorporados ao estoque do estabelecimento contribuinte, encontrandose em condições de uma nova saída sujeita à tributação. Desta forma, a fiscalização através do Termo de Intimação nº 02, item 8, solicitou a Recorrente comprovar a legitimidade dos créditos registrados nas notas fiscais de devolução e retorno lançados (sob os CFOP 1.201, 1.410, 1.913, 2.201 e 2.410), nos termos do art. 169, caput e II e arts. 172 e 173 do RIPI/2002, demonstrando os respectivos retornos ao estoque produtivo com a escrituração dessas no livro Registro de Controle da Produção e do Fl. 12559DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720564/201408 Acórdão n.º 3402003.017 S3C4T2 Fl. 12.554 13 Estoque ou em sistema equivalente, este em conformidade com o art. 388 do RIPI/2002. Em resposta, apresentou planilha, por ela denominada de "controle alternativo de produção e estoque", relativamente ao período de janeiro a dezembro de 2009, como um sistema equivalente ao livro Registro de Controle da Produção e do Estoque. A Recorrente sustenta o creditamento alegando que o conjunto dos documentos e controles apresentados são suficientes para comprovar o retorno dos produtos. Para tanto, apresentou planilha denominada "controle alternativo de produção e estoque", bem como cópias das Notas Fiscais solicitadas, juntamente com cópia de páginas do Livrod de Entradas e Saídas de mercadorias. No entanto, entendeu a fiscalização que a planilha apresentada não atenderia aos requisitos dispostos no art. 388 do RIPI/2002, vez que nelas não constava a entrada de mercadorias, não havendo, por conseguinte, o registro das notas fiscais de devolução e retorno. Segundo a fiscalização, a exigência de comprovação de regresso da mercadoria ao estoque produtivo pela escrituração no livro Registro de Entradas e no livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou sistema equivalente é bastante clara pela leitura dos arts. 169, II, "b", 171, 172 e 173 do RIPI/2002. Vejase os dispositivos citados do RIPI/2002 (grifouse): Art. 169. O direito ao crédito do imposto ficará condicionado ao cumprimento das seguintes exigências ( Lei nº 4.502, de 1964, art. 27, § 4º): I pelo estabelecimento que fizer a devolução, emissão de nota fiscal para acompanhar o produto, declarando o número, data da emissão e o valor da operação constante do documento originário, bem assim indicando o imposto relativo às quantidades devolvidas e a causa da devolução; e II pelo estabelecimento que receber o produto em devolução: a) menção do fato nas vias das notas fiscais originárias conservadas em seus arquivos; b) escrituração das notas fiscais recebidas, nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 388; e c) prova, pelos registros contábeis e demais elementos de sua escrita, do ressarcimento do valor dos produtos devolvidos, mediante crédito ou restituição do mesmo, ou substituição do produto, salvo se a operação tiver sido feita a título gratuito. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à volta do produto, pertencente a terceiros, ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, exclusivamente para conserto. Art. 171. Se a devolução do produto for feita a outro estabelecimento do mesmo contribuinte, que o tenha industrializado ou importado, e que não opere exclusivamente a varejo, o que o receber poderá creditarse pelo imposto, desde que registre a nota fiscal nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 388. Fl. 12560DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 Art. 172. Na hipótese de retorno de produtos, deverá o remetente, para creditarse do imposto, escriturálo nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 388, com base na nota fiscal, emitida na entrada dos produtos, a qual fará referência aos dados da nota fiscal originária. Art. 173. Produtos que, por qualquer motivo, não forem entregues ao destinatário originário constante da nota fiscal emitida na saída da mercadoria do estabelecimento, podem ser enviados a destinatário diferente do que tenha sido indicado na nota fiscal originária, sem que retornem ao estabelecimento remetente, desde que este: I emita nota fiscal de entrada simbólica do produto, para creditarse do imposto, com indicação do número e data da emissão da nota fiscal originária e do valor do imposto nela destacado, efetuando a sua escrituração nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente nos termos do art. 388; e II emita nota fiscal com destaque do imposto em nome do novo destinatário, com citação do local de onde os produtos devam sair. Art. 388. O estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, e o comercial atacadista, que possuir controle quantitativo de produtos que permita perfeita apuração do estoque permanente, poderá optar pela utilização desse controle, em substituição ao livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, observado o seguinte: I o estabelecimento fica obrigado a apresentar, quando solicitado, aos Fiscos Federal e Estadual, o controle substitutivo; II para a obtenção de dados destinados ao preenchimento do documento de prestação de informações, o estabelecimento industrial, ou a ele equiparado, poderá adaptar, aos seus modelos, colunas para indicação do valor do produto e do imposto, tanto na entrada quanto na saída; e III o formulário adotado fica dispensado de prévia autenticação. Entende a recorrente que um dos requisitos consiste no controle quantitativo da produção e estoque das mercadorias, que pode ocorrer: (i) Mediante registro no Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque (artigo 383 do RIPI); (ii) Mediante registro de tais informações em fichas (artigo 385); e, (iii) Mediante controle alternativo, quantitativo de produtos que permita a apuração do estoque permanente (artigo 388 do RIPI). Fica claro, neste ponto, que a legislação vigente à época possibilitava o controle do estoque mediante registros equivalentes ao Livro próprio, como reconhecido no próprio acórdão recorrido. Pois bem. Verificase, neste ponto, que o direito ao crédito se dá pela comprovação de reintegração dos bens ao estoque. Pois bem. Verificase nos autos que a Recorrente apresentou, inicialmente, Planilhas de controle denominadas “Registro de Estoque” dos meses de abril a dezembro de 2009 (fls 2.013 a 5.127). Na sequência apresentou uma amostragem de cópias de notas fiscais de saída e de devolução, com os respectivos registros nos Livros de Saída e Entrada (fls. 5.128 Fl. 12561DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720564/201408 Acórdão n.º 3402003.017 S3C4T2 Fl. 12.555 15 a 5.265). Em sua Impugnação, notas fiscais de saída e respectivos registros no Livro de Saídas, notas de entrada, acompanhadas do registro em livro próprio, bem como a identificação dos lançamentos contábeis relacionados à venda e à devolução no Sped (notas fiscais selecionadas com base em amostragem), alegando provar que apesar da ausência de controle da produção e do estoque em Livro próprio, controla em sistema equivalente, nos termos do artigo 388 acima citado, sua produção e estoque, de modo a cumprir os requisitos para fins de tomada de créditos de produtos cujas saídas tenham sido tributadas, posteriormente objeto de devolução ou retorno. Em seu recurso voluntário, sustenta a legitimidade de seu controle de produção e estoque, demonstrando no corpo de sua peça, simulação de um exemplo prático que alega estar apto a comprovar tais alegações (selecionou a NF n° 115.434 (Anexo 6 a 12), cujas informações e metodologia estão sintetizadas nos quadros demonstrativos às fl. 7.895 a 7.898. A seu ver, acredita que pela análise das informações acima, constantes das notas fiscais, livros Registros de Entrada e Saída e registros contábeis, poderseia concluir que teria havido, de fato, a reintegração ao estoque produtivo do seu estabelecimento, esclarecendo que: o chassi do veículo permitiria a identificação do produto vendido e depois devolvido produto a produto; as notas fiscais de venda e de devolução possibilitariam a individualização do débito na venda e do crédito na devolução documento a documento; os seus registros nos livros de Saídas e de Entradas permitiriam a individualização do montante do débito na venda e do crédito na devolução. Ao final, arremata com a seguinte solicitação: "(...) Notase, Ilustres Conselheiros, que os documentos apresentados pela Recorrente permitem constatar a escrituração da venda e posterior retorno ao estoque, motivo pelo qual a Recorrente requer o cancelamento da glosa de tais créditos". Em verdade, a recorrente não contestou a alegação da fiscalização de que as planilhas apresentadas como um sistema alternativo de controle de estoque não apresentavam o registro das notas fiscais de devolução e retorno, conforme exige o art. 169, II, "b" do RIPI/2002, que é uma das condições para fruição do direito ao crédito decorrente do retorno ou devolução; tendo apenas a recorrente tentado comprovar, com alguns exemplos de produtos devolvidos, que esses teriam se reintegrado ao seu estoque produtivo, mediante a análise dos lançamentos contábeis correspondentes. Sobre esse ponto, essa questão já foi enfrentada em outros julgados por este Colegiado. E o qual cito o Acórdão 3402002.856, de 26 de janeiro de 2016, relatado pela Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, a quem peço licença para adotar seus fundamentos para compor este voto. Embora a recorrente possa, eventualmente, comprovar cada item devolvido ou retornado ao estoque por outros meios de prova, deixou de fazer a escrituração das notas fiscais no livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou em sistema equivalente, que é uma das exigências dispostas no Regulamento do IPI para o direito ao crédito decorrente da devolução ou retorno. Conforme registrou Antonio Bezerra Neto (Coords. PEIXOTO, Marcelo Magalhães; DOMINGO, Luiz Roberto. Regulamento do IPI: imposto sobre produtos Fl. 12562DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 industrializados: anotado e comentado. São Paulo: MP ed., 2008, p. 329), em comentário ao art. 167 do RIPI 2002, o exercício do direito ao crédito por devolução ou retorno de mercadorias está condicionado ao cumprimento da referida obrigação acessória, não sendo suficiente os lançamentos correspondentes nos livros de entradas, de saídas, diário e razão: (...) Cabe ainda registrar que os elementos indicando operação de devolução ou retorno das notas fiscais de saída do estabelecimento e de devolução (ou de entrada), assim como os correspondentes registros nos livros de entradas, de saídas, diário e razão, à evidência, não se identificam com quaisquer sistemas de controle de produção e de estoque, que é meio essencial para desvendar a articulação entre as matériasprimas e de produto acabado indispensável para garantir que os produtos decorrentes de devoluções ou retornos de fato reintegraram ao estoque. Outra não foi a razão da escolha pelo regulamento da aludida obrigação acessória para integrar o conjunto de provas autorizadas na lei para o exercício do direito ao crédito por devolução ou retorno de mercadorias. (...) Nesse mesmo sentido, foi o voto do Relator Antônio Bueno Ribeiro do Segundo Conselho de Contribuintes, no processo n° 13807.013218/9902, Acórdão n°: 202 15.642, julgado em 16/06/2004: (...) Assim é que a norma regulamentar (RIPI/82, art. 86, à época dos fatos) [norma que prosseguiu vigente no RIPI/2002] dispõe que o direito ao crédito do imposto está condicionado ao cumprimento de determinados procedimentos, dentre outros o de registrar as devoluções ou retornos no Livro de Registro de Controle de Produção e do Estoque (modelo 3), facultado a adoção de fichas substitutivas (art. 281) ou de equivalente sistema de controle da produção e do estoque (art. 283). Esse registro, como salientado pela decisão recorrida, é elemento essencial para a comprovação da reinclusão no estoque do produto devolvido ao estabelecimento, de sorte a prevenir possíveis simulações de devolução. Nos autos a Recorrente considera que a não escrituração do livro modelo 3 e as outras impropriedades assinaladas pela fiscalização acerca do documentário fiscal atinente às indigitadas devoluções como mera infrações formais incapazes de obstar o direito ao crédito expresso no art. 84 do RIM/82, em consonância com o princípio da nãocumulatividade que informa o IPI. Demais disso enfatiza que o conjunto de elementos que conseguiu reunir e anexou à impugnação (fls. 197/596) se revela consistente para provar as operações de devolução e retorno de mercadorias e apresenta cumprimento a requisitos formais suficientes à manutenção do crédito de IPI discutido, servindo de sistema de controle da produção e do estoque equivalente àquele do livro modelo 3, o que se alinharia à jurisprudência deste Conselho no sentido de admitir a comprovação das devoluções Fl. 12563DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720564/201408 Acórdão n.º 3402003.017 S3C4T2 Fl. 12.556 17 de mercadorias por meios alternativos (Acórdão CSRF/02 0.818; Acórdãos n's 62.129/84 e 20208.872). De pronto cabe registrar que tais elementos indicando por operação de devolução ou retorno as notas fiscais de saída do estabelecimento e de devolução (ou de entrada), assim como os correspondentes registros nos livros de entradas, de saídas, diário e razão, à evidência, não se identificam com quaisquer sistemas de controle de produção e de estoque, que, repitase, é meio essencial e expedito para desvendar a articulação entre as movimentações de matériasprimas e de produto acabado indispensável para garantir que os produtos decorrentes de devoluções ou retornos de fato reintegraram ao estoque. Outra não foi a razão da escolha pelo regulamento da aludida obrigação acessória para integrar o conjunto de provas autorizadas na lei para o exercício do direito ao crédito por devolução ou retorno de mercadorias. (...) Assim, pelas razões acima, entendo que a autuação deve ser mantida no que concerne aos créditos decorrentes das devoluções e retorno de produtos. 3. Do Direito ao Crédito presumido do IPI sobre o Frete Como pontuado nos autos, a controvérsia limitase à comprovação do cômputo do frete no preço de venda dos veículos automotores fabricados e comercializados pela Recorrente. Neste cenário, a manutenção da autuação na primeira instância, foi sustentada pela ausência da comprovação do cômputo do frete no preço de venda dos produtos fabricados e comercializados. O referido crédito presumido de IPI foi instituído pelo artigo 56 da MP n° 2.15835/2001, abaixo transcrito: Art. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1°. O regime especial: I consistirá de crédito presumido do IPI em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; II será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; (...) b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do Fl. 12564DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 estabelecimento industrial; (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) . (...)” Conforme a decisão a quo, no entendimento da Recorrente, todas as despesas são incluídas na formação do preço de venda, e, como conseqüência, no preço está sendo cobrado também o valor do frete contratado. Acatar o entendimento da recorrente seria admitir que a alínea "b" do inciso II, que exige a cobrança conjunta do frete, é absolutamente inútil, pois segundo a tese defendida, o valor do frete está sempre inserido na composição do preço, e também, é sempre cobrado com o valor do produto. Conforme se verifica nas cópias de notas fiscais juntadas aos autos, não há nenhum destaque do valor do frete nas notas ficais de venda emitidas. A autuada não juntou nenhuma cópia de nota fiscal que apresentasse o destaque do valor do frete, nem apresentou qualquer documento que comprovasse o pagamento específico do frete. Ou seja, o Fisco entendeu que na ausência do destaque do frete nas notas fiscais de venda emitidas pela Recorrente, denota que o frete não teria sido considerado para o cálculo do preço de venda dos veículos. Por outro lado a Recorrente alega em seu recurso que a legislação não condiciona a fruição do benefício ora tratado ao destaque do frete na nota fiscal, vale dizer que, inexiste, na legislação que trata do tema, dispositivo que vincule o aproveitamento do benefício à emissão da nota fiscal com o destaque do frete. Neste aspecto, veja o que dispõe o art. 3º da IN (SRF) nº 91, de 2001: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o que dispõe o art. 56 da Medida Provisória No 2.15835, de 24 de agosto de 2001, resolve: Art. 1º (...) Art. 3º A base de cálculo do crédito será o valor do imposto destacado na respectiva nota fiscal. Art. 4º O valor do crédito será informado no campo "informações Complementares" do Livro de Apuração do IPI, modelo 8 e deduzido do "Valor do IPI", com a discriminação "Crédito Instituído pelo Art. 56 da Medida Provisória No 2.15835, de 2001". 3.1. Do destaque do frete na Nota Fiscal O parágrafo 1º, inciso II, do art. 56 da MP nº 2.15835/2001 estabelece que o regime especial seria concedido mediante opção e quando atendidas as condições elencadas nas alíneas “a”, “b” e “c”, a saber: (i) que os serviços de transporte fossem executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; (ii) que fossem cobrados juntamente com o preço dos produtos, nas operações de saída do estabelecimento industrial; e (iii) que compreendessem a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. Fl. 12565DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720564/201408 Acórdão n.º 3402003.017 S3C4T2 Fl. 12.557 19 Quanto aos itens (i) e (iii) acima, a própria fiscalização reconhece que foram cumpridos, restando a exigência que faz o artigo 56, § 1°, II, "b", da Medida Provisória n° 2.15835/2001. Então, por ser o único ponto controverso no presente caso, focaremos a análise no § 1°, II, "b", do referido dispositivo legal, que trata da comprovação da cobrança do frete em conjunto com o preço dos veículos automotores comercializados, uma vez que o Fisco se manifesta no sentido de que os contribuintes somente fazem jus ao crédito se o valor do transporte da mercadoria estiver explicitamente indicado na nota fiscal. Em seu recurso, alega a Recorrente que "(...) Todavia, vale lembrar que a legislação do IPI não obriga o destaque do valor do serviço de transporte no campo “valor do frete” constante na nota fiscal de venda. De fato, compulsandose o Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 – Regulamento do IPI23 e demais normas complementares a tratar do imposto não se verifica disposição expressa no sentido de que o valor do frete deve ser destacado na nota fiscal, como afirma entende o acórdão recorrido". Pois bem. Preliminarmente, há que se ressaltar que não procede a alegação da Recorrente de que a legislação do IPI não determina o destaque do valor do serviço de transporte no campo “valor do frete” da nota fiscal de venda. Muito pelo contrário. Além do citado art. 3º da IN SRF nº 21/01, o art. 339, inciso V, alínea “f” do RIPI/2002 (repetido no art. 413, inciso V, alínea “f” do RIPI/2010) estabelece expressamente que o valor do frete é requisito da nota fiscal: “Requisitos Art. 413. A nota fiscal, nos quadros e campos próprios, observada a disposição gráfica dos modelos 1 ou 1A, conterá: ............... V no quadro “Cálculo do Imposto”: ............... f) o valor do frete; ...............” Como visto, consta dos autos e conforme pode ser verificado nas cópias de notas fiscais de fls. 128/279, que não há nenhum destaque do valor do frete nas notas fiscais de venda emitidas e também em sua Impugnação, a autuada não juntou nenhuma cópia de nota fiscal que apresentasse o destaque do valor do frete (vide, por exemplo, cópias de fls. 288/380), e nem apresentou qualquer documento que comprovasse o pagamento específico do frete. Levantou a fiscalização, nos espelhos das notas fiscais de vendas dos veículos, a indicação do frete como "zero", constando que o mesmo seria por conta do emitente. Assim, concluiu a fiscalização que o frete não foi cobrado juntamente com o preço dos produtos, restando caracterizado o descumprimento de condição do regime especial e a consequente falta de recolhimento do IPI. Fl. 12566DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 3.2. Da formação do preço (cômputo do frete no preço de venda) A recorrente esclarece em seu recurso que na formação do preço de venda de seus produtos são considerados, além dos custos, também as despesas comerciais, dentre as quais destacase o montante relacionado ao frete. Já a DRJ, por sua vez, consignou que "(...) acatar o entendimento da recorrente seria admitir que a alínea "b" do inciso II, que exige a cobrança conjunta do frete, é absolutamente inútil, pois segundo a tese defendida, o valor do frete está sempre inserido na composição do preço, e também, é sempre cobrado com o valor do produto". A recorrente argumenta que sob a análise da doutrina contábil, constatase que as empresas consideram na formação do preço não só os custos, mas também as despesas incorridas. Elabora no corpo de seu recurso, conforme os dizeres de Silvério das Neves e Paulo E. V. Viceconti, Contabilidade de Custos, (Ed. Frase, 6ª edição, páginas 187/190), um demonstrativo prático desta doutrina contábil (fls. 7.905/7.906). Dessa forma, a Recorrente considera, na formação do preço de venda dos produtos por ela fabricados e comercializados, além dos custos, também as despesas de vendas incorridas, sendo o frete uma delas. Aduz que muito embora entenda ter o acórdão recorrido inovado ao questionar o "pagamento do frete" ponto que alega não ter sido objeto de controvérsia na autuação, a Recorrente entende oportuno apresentar declarações firmadas pelas transportadoras por ela contratadas, para realização do serviço de frete, nas quais as Declarantes afirmam ter recebido os valores relacionados à prestação de tais serviços no ano de 2009, de modo que reste comprovado o pagamento dos serviços de frete. 3.3. Do registro da Receita de Vendas Segregação do valor frete computado no preço Sobre esse tema aduz a Recorrente que "(...) A Recorrente esclarece, ainda, que, na sua contabilidade, quando da escrituração do contas a receber e, consequentemente, da contrapartida da receita de venda, a parcela do frete foi (e continua, sendo) escriturada de maneira segregada". Apresentou no corpo de seu recurso "print" do sistema contábil da empresa que confirma a alegada segregação contábil (fl. 7.907). Tratase de uma análise da tela extraída do sistema contábil (referente a NF nº 144.162), alegando que permite constatar que a receita de venda de veículos é contabilizada na conta n° 70000000, ao passo que a receita vinculada ao frete é escriturada na conta n° 70005000. A identificação dos lançamentos contábeis no Sped pode ser verificada no Anexo 14 e 15. Informa que de acordo com o sistema contábil da Recorrente, o valor do "contas a receber" (conta de ativo clientes) é registrado em contrapartida da conta de receita com venda de veículos, dos tributos incidentes sobre a venda e, ainda, da receita de frete cobrado no preço praticado pela Recorrente. A vertente de que o valor do frete deve ser destacado no corpo da nota fiscal pode ser verificada pela inteligência do disposto no artigo 56, §1°, II, "a" da MP n° 2.158 35/2001, ao lastrear o crédito presumido de IPI à condição de que os serviços de transporte "sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial". Veja que a alternativa "ou" denota duas situações admitidas pela Lei. Os serviços de transporte contratados, naturalmente são aqueles contraídos de terceiros pelo Fl. 12567DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720564/201408 Acórdão n.º 3402003.017 S3C4T2 Fl. 12.558 21 estabelecimento industrial, como é o caso dos serviços tomados pela Recorrente. Assim, de posse do valor correspondente ao transporte, poderseia reclamar o destaque do valor do frete no campo próprio da nota fiscal de venda. No entanto, a Lei também admite o cálculo do crédito presumido de IPI sobre os serviços de transporte executados pelo contribuinte. E sendo executados por frota própria, não haverá preço do frete, mas nem por isso a Lei deixou de garantir o crédito. Nessa hipótese, as despesas de manutenção da frota própria serão embutidas no preço de venda dos produtos. No entanto, tanto a fiscalização quando da fase de instrução dos autos quanto a DRJ quando ao apreciar todo o material probante juntado à época de sua Impugnação, dispôs que a Recorrente não logrou demonstrar documentação hábil a comprovar a legitimidade dos créditos alegados, conforme pode se observar no trecho abaixo reproduzido (grifamos): "(...) Conforme se verifica nas cópias de notas fiscais juntadas aos autos, não há nenhum destaque do valor do frete nas notas fiscais de venda emitidas, nem foi apresentado qualquer documento que comprovasse o pagamento específico do frete. (Limitouse a impugnante a apresentar cópias de DANFE’s, de Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas que não comprovam o pagamento do frete e telas de sistema informatizado não revestido de requisitos legais para lograr poder probatório). Assim, considerandose inadmissível a tese de que bastava o frete estar incluído na composição do preço para fazer jus ao crédito presumido, e considerandose que a impugnante não logrou comprovar o destaque e o pagamento do frete, concluise que foi correta a glosa dos créditos efetuada pela fiscalização.” Pois bem. Podese verificar da autuação, que o entendimento da fiscalização é o de que o destaque do valor do frete na nota fiscal, embora seja desejável, não é requisito essencial para a fruição do regime especial de apuração do IPI relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte, tanto que, não obstante a falta desse destaque, foi oferecida oportunidade à contribuinte, mediante a lavratura do Termo de Inicio de Fiscalização, item 1 (fls. 40/41), para comprovação de que o frete foi, efetivamente, cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. Vejase: "(...) 2. considerando que o crédito presumido de IPI/frete previsto no art. 56, parágrafo 1º, inciso II, alínea "b" da MP n° 2.158/2001 com alteração introduzida pelo art. 3º da Lei n° 11.827/2008 e, IN n° 91/2001(...) deve a Empresa comprovar, com documentação hábil (nota fiscal de saída, registro contábil/fiscal da cobrança, memória de cálculo, etc) que demonstre cabal e inequivocamente que, nas vendas que proporcionaram a fruição de tal benefício, cobrou dos Adquirentes os fretes a elas correspondentes. Após a auditoria efetuado pelo Fisco e considerando as informações prestadas pela Recorrente, podemos observar, conforme trecho abaixo reproduzido da Informação Fiscal às fls. 11/15 do processo, que a Recorrente não obteve êxito em fazer prova do solicitado pelo Administração Fazendária (grifamos): Fl. 12568DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 "(...) Temos, então, que a condição sine qua non do benefício é que, no preço da operação, esteja incluído o frete pago pelo Adquirente. Melhormente, para que não pairem dúvidas, o valor do transporte da mercadoria deve estar explicitamente indicado na Nota fiscal no campo que lhe é atribuído. Se assim não ocorrer, que seja, então, comprovado por vias terceiras que, efetivamente, o Adquirente pagou o frete referente ao veículo de sua aquisição e, por conseguinte, que tal valor compôs a base de cálculo do tributo industrial. Esta é a condição para a fruição do favor fiscal, repetindo, que:"...serviços de transporte...sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos..." Verificase ainda que na Informação Fiscal elaborado pelo Fisco (fl. 33), fica consignado que foi analisado os livros Razão das contas citadas (70005000 e 70512000), alegada como de receita e a de despesa, e que tais valores também compõe o balancete do período fiscalizado. Destaque que foi encontrado, na conta 7000500 (Rec Frete s/ Vend CIF), vários lançamentos com valor de R$ 0,01. Afirma o Fisco que de posse de tais dados não parece razoável a afirmação da VWB que "considerando a totalidade dos valores de frete computados no preço e no somatório dos fretes pagos, tais diferenças de preços são equalizados". Como bem conclui a fiscalização, o comando legal que dá direito ao Crédito Presumido (art. 56 da MP nº 2.15835), em momento algum se refere a equalização de preços de frete. A condição é que o frete seja cobrado juntamente com o preço dos produtos e que compreendam a totalidade do trajeto, no País. Com base nessas informações acima, fica evidente que, como já dito, a contribuinte não apresentou a referida comprovação à fiscalização, embora tenha tido toda oportunidade na época e não o fez. Quanto ao argumento em seu recurso de que a DRJ entendeu que "não teria apresentado qualquer documento que comprovasse o valor específico do frete", embora a contratação e respectivo pagamento do serviço de frete pela Recorrente não figurar como ponto controverso nos presentes autos, já tendo sido reconhecido que, de fato, ela contratou tais serviços, definiu ser oportuno apresentar as declarações firmadas pelas transportadoras por ela contratadas, para realização do serviço de frete, nas quais as Declarantes afirmam ter recebido os valores relacionados à prestação de tais serviços no ano de 2008. Sobre esse ponto específico e outros documentos apontados em sua Impugnação, essa questão também já foi enfrentada em outros julgados por este Colegiado. E o qual cito o Acórdão 3402002.856, de 26 de janeiro de 2016, relatado pela Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, a quem peço licença para adotar (parte) de seus fundamentos para compor este voto. Em relação as declarações das transportadoras de que a recorrente teria recebido determinado valor sobre o serviço prestado durante todo o ano de 2009, não acrescenta muito na comprovação de que o frete foi cobrado juntamente com o valor do produto vendido nas operações específicas do presente processo. Fl. 12569DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720564/201408 Acórdão n.º 3402003.017 S3C4T2 Fl. 12.559 23 Também as telas do seu sistema contábil informatizado, e toda as demais documentação juntada e acima citada, sem estarem as mesmas revestidas das formalidades legais, nada comprovam. Como se sabe, as telas de sistema interno de contabilidade não substituem a apresentação dos livros obrigatórios pela legislação contábil e fiscal na parte em que se faz necessária a comprovação de lançamentos contábeis específicos (os fatos contábeis alegados devem ser comprovadas com documentos hábeis e idôneos, como notas fiscais de serviços, comprovantes da efetividade do pagamento e outros). Como muito bem pontuado pelo Fisco em sua Informação Fiscal, "A legislação sobre benefícios e incentivos fiscais deve ser interpretada literalmente, sem que se amplie ou se reduza sua abrangência. Quem cabe comprovar, de forma definitiva, o correto direito à fruição dos mesmos é o próprio beneficiado. Ao Fisco só cabe verificar sua legitimidade. Não há, desta forma, nenhum ânimo de punição. É a simples verificação do direito ou não, do exercício do direito de um benefício fiscal". Neste diapasão, o fato de, eventualmente, as despesas comerciais (ou de vendas) das empresas em geral serem consideradas na determinação do preço de venda dos produtos/serviços, nada diz sobre as operações de venda sob análise, para as quais a recorrente não logrou êxito em demonstrar de fato que o valor do frete foi cobrado juntamente com o preço do produto, conforme prevê o art. 56 da Medida Provisória nº 2.158/2001. De forma que, por essas razões, entendo que a exigência fiscal deve ser mantida no que cabe a parte do crédito presumido sobre o frete. 4. Da alegada impossibilidade de incidência dos juros sobre a multa Argumenta a Recorrente que é sabido que todos os créditos tributários exigidos pelo Fisco através de Autos de Infração são acrescidos de multa de ofício, sendo certo que, na prática, após 30 (trinta) dias da lavratura do ato de constituição de tais créditos, tais multas passam a ser mensalmente atualizadas com base na taxa de juros SELIC. Neste contexto, cumpre à Recorrente demonstrar a impossibilidade da incidência de juros de mora sobre no valor da multa de ofício lançada, o que não se constatou. Como se sabe, o art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996 trata da possibilidade de formalização de exigência isolada de juros de mora nos casos em que elenca, o que não torna ineficaz o art. 61, caput e § 3º, da mesma Lei. Portanto, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" não pagos no prazo previsto, incidindo, portanto, também sobre a multa de ofício após o seu vencimento (grifo nosso): Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Fl. 12570DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. O entendimento acima exposto encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF, conforme a seguir ementado: AC CSRF nº 920201.991, de 16/02/2012: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC.(gn) Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806. Concluise portanto que a incidência de juros de mora sobre o montante da multa de ofício está respaldada em base legal específica, conforme escorreitamente analisado pela r. decisão de primeira instância. De relevo ainda assinalar que é inaplicável à espécie as disposições do artigo 112 do CTN, visto que a premissa para as hipóteses de seus incisos é que haja o elemento dúvida, premissa essa afastada no presente caso, visto que a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício repousa sobre base legal expressa conforme acima explicitado. Portanto, os juros, incidentes sobre o crédito tributário lançado a título de principal e multa, serão calculados e atualizados até a data do efetivo pagamento, na fase de execução do acórdão e de cobrança do crédito tributário mantido, após se tornar definitiva, na esfera administrativa, a decisão acerca do lançamento impugnado, considerado como trinta dias após a notificação do sujeito passivo, nos termos do art. 160 do CTN. 5. Da solicitação de Diligência Requereu a recorrente a realização de diligência, com respaldo no art. 16, Inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, para que o Fisco responda aos seguintes quesitos: (i) confirmar se em todas as notas fiscais houve o destaque do IPI. (ii) confirmar se há o Registro das notas fiscais de devolução no respectivo Livro Registro de Entradas, bem como o respectivo registro na contabilidade da Recorrente; (iii) confirmar se é possível identificar, veículo a veículo, a primeira saída do bem, a respectiva devolução e posterior saída. Fl. 12571DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720564/201408 Acórdão n.º 3402003.017 S3C4T2 Fl. 12.560 25 (iv) confirmar se o frete cobrado no preço de venda é contabilizado em conta contábil segregada da receita com a venda do veículo. Com relação aos quesitos elencados acima, principalmente quanto à possibilidade de comprovação de que o frete seja cobrado juntamente com o preço dos produtos nas operações de saída do estabelecimento industrial, além da Recorrente não fazêlo por ocasião do procedimento fiscal, não obstante tendo sido intimada para tanto conforme o item 1 do Termo de Início de Fiscalização às fls. 40/41, não logrou êxito em produzir a prova cabal correspondente por ocasião da Impugnação, tendo, neste momento processual, ocorrido a preclusão desse direito, nos termos do art. 16, § 4° do Decreto nº 70.235/72. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. Entendo ser prescindível a diligência solicitada à solução da presente lide, conforme acima exposto, pelo que o pedido correspondente deve ser indeferido. 6. Conclusão Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 12572DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 Voto Vencedor DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Essa questão já foi enfrentada por este colegiado em inúmeros julgados, entre os quais o Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013, relatado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, a quem peço licença para adotar seus fundamentos, in verbis: "(...) O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula nº 4 do CARF: “Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 12573DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720564/201408 Acórdão n.º 3402003.017 S3C4T2 Fl. 12.561 27 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal –Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia –Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é "créditos". Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), Fl. 12574DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo, para efeitos de execução do presente acórdão pela unidade local, que não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Rosaldo Trevisan" Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o crédito tributário decorrente da incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Antonio Carlos Atulim Fl. 12575DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10384.002301/2003-15
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA
SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998
AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DE DCTF. VINCULAÇÃO
DO DÉBITO. PROCESSO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ.
ALTERAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Sendo a causa do lançamento a acusação de que o processo
judicial seria de outra empresa, é defesa a posterior alteração da
sua fundamentação para ajustá-lo ao resultado da decisão do
tribunal.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/12/1998
COFINS. RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO
DESACOMPANHADA DA MULTA DE MORA. IMPOSIÇÃO
DA MULTA DE OFÍCIO. DISPOSIÇÃO REVOGADA. LEI N2
11.488, DE 2007. PRINCIPIO DA RETROATIVIDADE
BENÉFICA. •
Nos casos ainda não definitivamente julgados, aplica-se
retroativamente a disposição legal, ainda que veiculada por meio
de medida provisória, que tenha deixado de definir como infração
à legislação tributária ato pretérito sujeito à multa de oficio
isolada.
Recurso provido.
Numero da decisão: 201-80.939
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: José Antonio Francisco
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Fls. 106 S:wice Sve5:ita Mat Siape917-15 n :„1.4 ".• MINISTÉRIO DA FAZENDA- • ea, :-24". SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';f4 PRIMEIRA CÂMARA Processo e 10384.002301/2003-15 Recurso n° 134.176 Voluntário Matéria Cofins oro" co„sernc'tjár,3 Acórdão a° 201-80.939 w.seoutid°00to 1 voiLi Sessão de 14 de fevereiro de 2008 ai 1.4,00. Recorrente IMPÉRIO DAS BOMBAS LTDA. Recorrida DRJ em Fortaleza - CE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DE DCTF. VINCULAÇÃO DO DÉBITO. PROCESSO JUDICIAL DE OUTRO CNPJ. ALTERAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Sendo a causa do lançamento a acusação de que o processo judicial seria de outra empresa, é defesa a posterior alteração da sua fundamentação para ajustá-lo ao resultado da decisão do tribunal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/1998 COFINS. RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DESACOMPANHADA DA MULTA DE MORA. IMPOSIÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. DISPOSIÇÃO REVOGADA. LEI N2 11.488, DE 2007. PRINCIPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. • Nos casos ainda não definitivamente julgados, aplica-se retroativamente a disposição legal, ainda que veiculada por meio de medida provisória, que tenha deixado de definir como infração à legislação tributária ato pretérito sujeito à multa de oficio isolada. Recurso provido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O PR IGNAL Processo n° 10384.002301/2003-15 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.939 Brasília, FLs. 107 SM* S?. .tà Mia &loas' / ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Waa94.i.a.) Se:. kSdcAt MARIA COELHO MARQUES Presidente JOS T‘FRANCISCO R ator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Antônio Ricardo Accioly Campos. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. 2 • Processo n° 10384.002301/2003-15 CCO2/C01MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Acórdão n.• 20140.939 CONFERE COMO CaIGUAL Fts. 108 Brasília, 5;.1 / 700S- Sere 2b5S9 Mat. Nape 91 ?45 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 93 a 101) apresentado em 14 de abril de 2006 contra o Acórdão ri2 7.592, de 12 de janeiro de 2006, da DRJ em Fortaleza - CE (fls. 72 a 86), que considerou procedente em parte auto de infração de DCTF de Cofins. A ementa do Acórdão, do qual foi dada ciência à interessada em 14 de março de 2006, foi a seguinte: "Assunto: Obrigações Acessórias Ano calendário: 1998 Ementa: RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRA77VA. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial - por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instáncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. ACÃO JUDICIAL. Havendo Ação Judicial contra a cobrança de tributo ou contribuição, deverá a LIBE de origem acompanhar o andamento dessa Ação e seguir as determinações legais pertinentes. MULTA DE LANCAMEIVTO DE OFÍCIO. ART. 90 DA MP 2.158- 35/2001. Nos autos de infração lavrados com fulcro no art. 90 da MP n a 2.158- 35, de 2001, cujo tributo devido foi regularmente informado, embora não tenha sido pago, e não estando presentes as circunstáncias versadas no art. 18 da Lei n 2 10.833, de 2003, descabe a exigência da multa de oficio não isolada, sendo cabível, todavia, a multa de oficio isolada, conforme o artigo 44, 52 1 2, inciso II, da Lei 9.430, de 27/12/1996. JUROS DE MORA. SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE CABIMENTO. Os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judiciaL DECADÊNCIA DO LANCAMEIVTO DAS CONTRIBUICÓES. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. OV\-- 3 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo COM O ORIO.NALSSO n° 10384.002301/2003-15 CCO2/C01 Acórdão n.° 20140.939 Brdsiba, 1 y 1_2z, .A7.. Fls. 109 Sfivio S1,57 Siape 9,745 sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicando-se sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. POSICIONAMENTOS DE TRIBUNAIS E JURISTAS. A Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, por motivo de essa matéria ser reservada ao Supremo Tribunal Federal. Lançamento Procedente em Parte". O auto de infração foi lavrado em 23 de julho de 2003 e referiu-se aos períodos de janeiro a março e dezembro de 1998. Nos termos do auto de infração (fls. 24 e 27), o processo judicial vinculado a suspensão de exigibilidade não teria sido comprovado, relativamente aos três primeiros períodos, e a interessada teria recolhido a contribuição de dezembro desacompanhada da multa de mora. A interessada apresentou documentos relativos à ação judicial, demonstrando a concessão de medida liminar, o que foi confirmado pelo despacho de fls. 63 e 64. A DRJ considerou a questão irrelevante e declarou a concomitância de objetos entre o presente processo e a ação judicial apresentada pela interessada, além de considerar improcedentes os demais argumentos apresentados na impugnação. Entretanto, excluiu a multa de oficio proporcional em face da declaração dos débitos em DCTF. No recurso, a interessada alegou que a manutenção do lançamento seria um "verdadeiro absurdo"; que o lançamento seria nulo, por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa; que o lançamento seria insubsistente em seus fimdamentos; e que o art. 62 do Decreto ri2 70.235, de 1972, proibiria sua realização. É o Relatório. nf; 4 MI' - SEGUNDO CONSELHO DE WNTRIEWIN1E3 • Processo n° I0384.002301/2003-15 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/C0i •Acórdão n.° 20140.939 Brasa, _ F13. 110 Aify C.a __JAY:4 - ssyí .73t^-2 Maj. aidOe 9174‘5' Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. A causa inicial do lançamento foi a consideração de que não teria sido comprovado o processo judicial informado. Em outras palavras, o sistema eletrônico não conseguiu localizar o processo pelo número informado. Não obstante, o Acórdão de primeira instância claramente alterou a fundamentação da autuação para fundamentar sua decisão em fatos diversos. Nos moldes originais, o lançamento foi efetuado com base no art. 90 da MP 2.158-35, de 2001, em face de vinculação indevida. Entretanto, a DRJ considerou o lançamento como se se tratasse da hipótese do art. 63 da Lei ri2 9.430, de 1996, que diz respeito ao lançamento "para prevenir a de.adência" e declarou, ainda, a concomitância de objetos entre os processos administrativo e judicial. De fato, a única discussão que poderia ocorrer no âmbito administrativo seria a existência do processo judicial. Logo, não podendo negar a notória improcedência da causa inicial do lançamento, o Acórdão inovou sua fundamentação, tentando ajustá-lo a causas não cogitadas à época da autuação. Como o lançamento é ato plenamente vinculado, à vista do que dispõe o art. 142, parágrafo único, do CTN, não é possível adaptá-lo à realidade diversa da contida na descrição dos fatos. Quanto ao último período da autuação, a multa isolada foi impugnada de forma genérica, tendo sido alegada a nulidade do lançamento também no recurso, o que autoriza que a seu respeito se decida. A disposição dada por infringida constava da redação anterior do art. 44 da Lei n2 9.430, de 1996, II: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1 - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (.) I° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (.) 49"- /0" MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O CIPIG:NAL • Processo e 10384.002301/2003-15 CCOVCO I Acórdão rt.• 20140.939 Bramlia. 44( r- zoas . Fls. I I I Silv;a5ST . ena Mat.; Sizpe 91745 II - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; (.)". Entretanto, o referido artigo foi alterado recentemente pela Lei n 2 11.488, de 15 de junho de 2007, art. 14, passando a ter a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 80 da Lei e 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1 0 0 percentual de multa de que trata o inciso Ido caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei se 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2° Os percentuais de multa a que se referem o inciso Ido caput e o § I° deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: 1- prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei ng 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § Aplicam-se às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6° da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4° As disposições deste artigo aplicam-se, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou beneficio fiscal." 6 ME -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL " Processo n° 10384.002301/2003-15CCO2/C01 Acórdão n.° 201 -80.939 &asila o ecos. Fls. 112 SIVIO -esa Mat. Siapt. - $745 Como se vê, o dispositivo foi alterado, sem a manutenção da previsão da multa isolada em análise. Conforme determina o Código Tributário Nacional (Lei if 5.172, de 1966) em seu art. 106, II, "a" e "c", a lei que deixe de definir ato como infração ou que lhe "comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática" aplica-se retroativamente, no caso de ato ou fato não definitivamente julgado. No presente caso, a conduta de "recolher tributo em atraso, desacompanhado de multa moratória", deixou de ser definida em lei como infração à legislação tributária para efeito da aplicação de multa de oficio isolada. Dessa forma, aplica-se tal disposição de forma retroativa para afastar a incidência da multa de oficio isolada. ik vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2008. JOr lo * FRANCISCO W1/4)L., 7 Page 1 _0055300.PDF Page 1 _0055500.PDF Page 1 _0055700.PDF Page 1 _0055900.PDF Page 1 _0056100.PDF Page 1 _0056300.PDF Page 1
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Numero do processo: 13161.720572/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
ITR. DUPLICIDADE DE CADASTRO.
Constatado que a área do imóvel rural está comprovadamente incorporada a outro NIRF, em razão da duplicidade de cadastro, deve-se exonerar o crédito tributário.
Numero da decisão: 2201-002.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício.
Assinado Digitalmente
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente em Exercício.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 20/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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DUPLICIDADE DE CADASTRO. Constatado que a área do imóvel rural está comprovadamente incorporada a outro NIRF, em razão da duplicidade de cadastro, devese exonerar o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente em Exercício. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 20/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 05 72 /2 01 3- 31 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2008, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 03/07), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 7.392.712,12, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Diana”, cadastrado na RFB sob o nº 2.806.0830, com área declarada de 38.677,6 ha, localizado no Município de Porto Murtinho/MS. A fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 10,00 (R$ 0,0003/ha), que entendeu subavaliado, arbitrando o valor de R$ 16.782.597,42 (R$ 433,91/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT). Cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta impugnação de fls. 80/87, instruída com os documentos de fls. 88/157, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: informa que o imóvel de NIRF nº 2.806.0830, do presente Processo, apresentava área original de 36.839,92 ha e que ele é resultante da subdivisão da Fazenda Santa Otília, com área original de 104.527,993 ha, registrado no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Porto Murtinho. sob a Matrícula nº 626, de 06.06.1988, a qual demonstra que o imóvel foi subdividido em 03 (três) glebas: 1ª gleba de 102.953,993 ha; 2ª gleba de 465,0 ha e 3ª gleba de 1.119,0 ha; informa, também, que o imóvel está cadastrado no INCRA sob o Código nº 907.065.002.9250, com área de 104.530,0 ha; esclarece que, posteriormente, em dezembro de 1988, a área total do imóvel foi retificada para 90.361,0531 ha, dividida em 03 (três) glebas: 1ª gleba de 88.523,2794 ha; 2ª gleba de 1.266,0592 ha e 3ª gleba de 571,7145 ha; esclarece, ainda, que, de acordo com a Cisão Parcial da Sociedade “Fazenda Santa Otília Ltda”, o imóvel, com área retificada para 90.361,0531 ha, foi novamente subdividido, em 29.12.1988, em 04 (quatro) partes, com abertura de novos registros no Cartório: 1) Matrícula nº 1.654 de 36.839,92 ha; 2) Matrícula nº 1.655 de 1.266,0592 ha; 3) Matrícula nº 1.656 de 571,7145 ha e 4) Matrícula nº 626 Remanescente de 51.683,3594; expõe que o imóvel objeto da Matrícula nº 626, denominado Fazenda Santa Otília parte remanescente, permaneceu na propriedade da sociedade empresária Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda, enquanto os outros 03 (três) imóveis foram transferidos para a sociedade empresária resultante da Cisão Parcial da Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda, ou seja, para a Fazenda Diana Agropecuária Ltda; apresenta a situação dominial dos imóveis após a citada Cisão Parcial: a) imóveis da Fazenda Diana Agropecuária Ltda: 1) Matrícula nº 1.654 de 36.839,92 ha; 2) Matrícula nº 1.655 de 1.266,0592 ha e 3) Matrícula nº 1.656 de 571,7145 ha, que Fl. 189DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13161.720572/201331 Acórdão n.º 2201002.838 S2C2T1 Fl. 3 3 totaliza, para a Fazenda Diana, 38.677,6937 ha; b) imóvel da Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda: Matrícula nº 626 de 51.683,3594 ha, salientando que a área das duas Fazendas (Diana e Santa Otília) é de 90.361,0531 ha; informa que, em 31.01.2002, por meio da Assembléia Geral Extraordinária, registrada na Junta Comercial de São Paulo sob o nº 37819021, a sociedade empresária Fazenda Diana Agropecuária Ltda foi incorporada pela sociedade empresária Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda, tendo sido os imóveis de propriedade da incorporada transferidos para a incorporadora; menciona que, atualmente, os imóveis de Matrículas nº 626, 1.654, 1.655 e 1.656 são de propriedade da sociedade empresária Fazenda Santa Otília Ltda e totalizam a área de 90.391,0531 ha; esclarece que os imóveis denominados Fazenda Diana e Fazenda Santa Otília foram cadastrados na RFB, na seguinte forma: 1) Fazenda Santa Otília de 90.360,9 ha NIRF nº 0.33.1739 e b) Fazenda Diana de 38.677,6 NIRF nº 2.806.083 0; considera que, desde a data do cadastramento do imóvel Fazenda Santa Otília, a sociedade empresária Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda sempre apresentou as DITR referentes a um imóvel com 90.360,9 ha, mesmo após a Cisão Parcial, em 29.07.1988, não havendo a redução da área total do imóvel do NIRF nº 0.334.1739, de 90.360,9 ha para 51.683,3 ha, em período algum, desde 1990 até a presente data; expõe que houve o cadastramento do imóvel denominado Fazenda Diana no NIRF nº 2.806.0830, com área de 38.677,6 ha, e a sociedade empresária Fazenda Diana Agropecuária Ltda, proprietária do imóvel apresentou as DITR, com essa área, desde a data da abertura do NIRF até o ano de 2001, independentemente do fato de que a proprietária anterior continuasse a apresentar DITR do imóvel remanescente com uma área de 90.360,9 ha; esclarece que, após a incorporação da sociedade empresária Fazenda Diana Agropecuária Ltda pela sociedade empresária Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda, em 31.01.2002, a incorporadora, como proprietária do imóvel Fazenda Diana, passou a apresentar as DITR do imóvel de NIRF nº 2.806.0830 independentemente do fato da área desse imóvel (38.677,6 ha) encontrarse inserida na área de 90.360,9 ha, que já vinha sendo declarada desde 1990; conclui que desde a data de abertura do NIRF nº 2.806.0830, houve bitributação, pelo fato de a área do imóvel de NIRF nº 0.334.1739 não haver sido reduzida para 51.683,3 ha e para evitaramse os efeitos dessa bitributação e, diante do fato de o NIRF nº 2.806.0830 não ter sido cancelado, após a incorporação, a nova declarante, Fazenda Santa Otília Fl. 190DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Agropecuária Ltda, apresentou as DITR da Fazenda Diana com o valor de R$10,00, uma vez que o ITR vinha sendo pago pela totalidade, por meio das DITR do NIRF nº 0.334.1739; considera que os imóveis pertencentes ao mesmo proprietário, que apresentam áreas contínuas devem ser declarados como um único imóvel, motivo pelo qual, a área de 90.360,9 ha do imóvel de NIRF nº 0.334.1739, não poderia ser reduzida para 51.683,3 ha, após a aquisição do imóvel por incorporação; diz que a análise dos dados do Demonstrativo do Crédito Tributário Apurado da Notificação demonstra que as áreas de uso do solo do imóvel (preservação permanente, reserva legal, benfeitorias e pastagens plantadas) não foram indicadas, pelo fato de que essas mesmas áreas foram indicadas na DITR do imóvel com área de 90.360,9 ha, correspondente ao imóvel unificado, denominado Fazenda Santa Otília de NIRF nº 0.334.1739, na qual o ITR foi apurado corretamente e já se encontra devidamente quitado; entende que o VTN arbitrado de R$433,91/ha é muito superior ao valor de mercado praticado na região, principalmente, para imóveis que apresentam grandes dimensões e cujos solos apresentam baixa produtividade, afloramentos rochosos e declividades acentuadas, e que esse VTN reflete médias obtidas pelos Órgãos Públicos para imóveis de menor área, que são objeto de compra e venda na região; considera que a Fazenda Diana de 38.677,6 ha integra a área da Fazenda Santa Otília de 90.360,9 ha e que o VTN não pode ultrapassar o valor de mercado de R$120,00/ha, dada a extensão do imóvel, a qualidade dos solos, a declividade da área e as despesas necessárias à manutenção das pastagens; lembra que o ITR, da área total do imóvel de 90.360,9 ha, foi recolhido à base de um VTN de R$115,06/ha, valor esse que foi aceito pela RFB, da Fazenda Santa Otília, da qual a Fazenda Diana é parte integrante; informa que não houve possibilidade de apresentação de Laudo de Avaliação da Fazenda Diana, com área de 38.677,6 ha, em virtude desse imóvel constituir parte integrante de outro imóvel de maior área, devendo a avaliação ser efetuada para todo o imóvel com área total de 90.360,9 ha; pelo o exposto, requer: a) o conhecimento da impugnação; b) o cancelamento da Notificação de Lançamento em decorrência de o ITR haver sido pago em imóvel de maior área; c) o cancelamento do NIRF nº 2.806.0830; d) a nãoincidência de juros e multa, e e) a produção de provas admitidas para a comprovação de que o ITR foi efetivamente pago. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13161.720572/201331 Acórdão n.º 2201002.838 S2C2T1 Fl. 4 5 Também, consta dos autos que o débito formalizado por meio do presente Processo foi inscrito em Dívida Ativa da União (às fls. 23/25) e, após a constatação da apresentação de impugnação tempestiva, conforme exarado na Informação de fls. 26, foi providenciado junto a PFN/MS o cancelamento dessa inscrição e da Ação correspondente (às fls. 28, 35 e 38/39). A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou procedente a impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: DA DUPLICIDADE CADASTRAL E DE DECLARAÇÃO Quando a Notificação tiver como objeto imóvel rural cuja área está comprovadamente incorporada a outro NIRF, para efeito de declaração e apuração do ITR, cabe ser desconsiderado o lançamento, por irregularidade cadastral (duplicidade) e por não observar a situação fática do imóvel como um todo. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados ao CARF, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 03/2008. Não foi apresentado Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso de ofício atende os requisitos de admissibilidade. Ao analisar a impugnação apresentada pela recorrente, juntamente com as provas constantes dos autos, a autoridade julgadora de primeira instância, assim se manifestou: Da Duplicidade Cadastral e de Declaração O requerente alega que a área deste imóvel rural denominado “Fazenda Diana”, cadastrado na RFB, sob o NIRF nº 2.806.0830, com área declarada de 38.677,6 ha, foi declarada, também, no NIRF nº 0.334.1739, do imóvel rural denominado “Fazenda Santa Otília”, com área total de 90.360,9 ha, no mesmo exercício, DITR de fls. 124/129, estando, portanto, declaradas em duplicidade, requerendo o cancelando da Notificação de Lançamento. Analisando os autos, confirmamse as alegações do impugnante. Inicialmente, as telas do Sistema CAFIR de fls. 159/160 mostram que os dois citados imóveis de NIRF nº 2.806.0830 e NIRF nº Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 0.334.1739 pertencem ao impugnante (CNPJ nº 53.534.038/000291) e que, atualmente, estão cadastrados com uma área total, respectivamente, de 1.837,7 ha e de 88.523,2 ha, que somam os 90.360,9 ha, que foram declarados de forma total no NIRF nº 0.334.1739, no exercício de 2008, às fls. 124/129. Verificouse, ainda, no Sistema CAFIR, que a área declarada no NIRF nº 2.806.0830, do presente Processo, de 38.677,6 ha, no exercício de 2008, somente foi alterada para 1.837,7 ha, conforme citado no parágrafo anterior, em 2014, às fls. 163. Ainda, em consulta ao CAFIR, constatase que a área declarada de 38.677,6 ha no NIRF nº 2.806.0830 foi adquirida em 31.01.2002, às fls. 164, pela sociedade empresária Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda (CNPJ nº 53.534.038/000291), na data da incorporação relatada e que, nessa mesma data, essa área de 38.677,6 ha consta como adquirida pelo impugnante nos dados de aquisição do NIRF nº 0.334.1739, às fls. 165. Ainda, consta no CAFIR, em consulta pelo número do CNPJ 53.534.038/000291, da impugnante, que a sociedade empresária Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda possui apenas dois imóveis rurais no município de Porto Murtinho/MS, com áreas de 1.837,7 ha e de 88.523,2 ha, às fls. 166, que somam os 90.360,9 ha alegados como sendo de sua propriedade, e que a sociedade empresária Fazenda Diana Agropecuária Ltda, CNPJnº 59.406.967/000110 de fls. 168, que foi incorporada, não possui imóvel no CAFIR, conforme tela de fls. 167, o que corrobora o fato de o imóvel do presente processo de área de 38.677,6 ha estar declarado, também, no imóvel de área de 90.360,9 ha, já que não há nenhum outro imóvel cadastrado em nome do impugnante ou da sociedade empresária incorporada. Já a cópia da Matrícula nº 626, às fls. 130/148, confirma todos os fatos narrados pelo impugnante de que o imóvel denominado Fazenda Santa Otília, com área original de 104.527,993 ha, registrado no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Porto Murtinho, a qual demonstra que o imóvel foi subdividido em 03 (três) glebas: 1ª gleba de 102.953,993 ha; 2ª gleba de 465,0 ha e 3ª gleba de 1.119,0 ha e que, posteriormente, a área total do imóvel foi retificada para 90.361,0531 ha, às fls. 134, dividida em 03 (três) glebas: 1ª gleba de 88.523,2794 ha; 2ª gleba de 1.266,0592 ha e 3ª gleba de 571,7145 ha. A citada Matrícula confirma, ainda, a informação que, de acordo com a Cisão Parcial da sociedade empresária Fazenda Santa Otília Agropecuária Ltda, o imóvel, com área retificada para 90.361,0531 ha, foi novamente subdividido, em 29.12.1988, às fls. 143, em 04 (quatro) partes, com abertura de novos registros no Cartório: 1) Matrícula nº 1.654, às fls. 149/153, de 36.839,92 ha; 2) Matrícula nº 1.655, às fls. 154/155, de 1.266,0592 ha; 3) Matrícula nº 1.656, às fls. 156/157, de 571,7145 ha e 4) Matrícula nº 626 remanescente de 51.683,3594. Salientese que as mesmas informações constam nas Matrículas nº 1.654, 1.655 e 1.656. Corrobora, também, a alegação do impugnante de que o imóvel de NIRF nº 2.806.0830 foi declarado, também, no NIRF nº 0.334.1739, o fato de eles terem sido cadastrados no CAFIR, às Fl. 193DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13161.720572/201331 Acórdão n.º 2201002.838 S2C2T1 Fl. 5 7 fls. 161/162, sob o mesmo Código nº 907.065.002.9250 do INCRA, número esse que consta nas Matrículas de nº 626, nº 1.654, nº 1.655 e nº 1.656, às fls. 130/157. Desta forma, levandose em consideração os documentos carreados aos autos pelo requerente e de acordo com as pesquisas internas realizadas nos sistemas eletrônicos da RFB (Sistema ITR e CAFIR), como visto, fica evidenciado nos autos que o imóvel rural objeto deste Processo, com área declarada de 38.677,6 ha, de fato, está incluído na DITR do imóvel rural denominado Fazenda Santa Otília, NIRF nº 0.334.1739, com área total declarada de 90.360,9 ha, às fls. 124/129. Assim, tendo sido comprovado nos autos que a área do imóvel objeto do lançamento de ofício realizado pela Autoridade Fiscal, também, está incluída na área de outro imóvel rural (NIRF nº 0.334.1739) e declarada de forma unificada, por serem áreas contíguas, para efeito de apuração do ITR, do exercício de 2008, não há como prosperar esse lançamento, em razão dessa inconsistência cadastral (duplicidade) e, consequentemente, por não ter sido observada a situação fática do imóvel como um todo. Quanto ao pedido de cancelamento do presente NIRF de nº 2.806.0830, é de se esclarecer que não obstante a Decisão ora proferida ser pelo cancelamento do lançamento impugnado, não compete ao julgador administrativo cancelar NIRF ou efetuar qualquer alteração no CAFIR, que será processada a juízo da autoridade administrativa competente, após análise da pertinência do pedido, nos termos dos artigos 16, 17, 18 e 19 da IN/RFB nº 830/2008, que Dispõe sobre o Cadastro de Imóveis Rurais (Cafir), in verbis: (...) Do exposto, verificase que não há qualquer reparo a fazer no entendimento exarado pela decisão de primeira instância, já que em razão da irregularidade cadastral, o imóvel rural objeto da exação, denominado “Fazenda Diana”, cadastrado na RFB sob o nº 2.806.0830, com área declarada de 38.677,6 ha, está comprovadamente incorporado ao imóvel rural denominado Fazenda Santa Otília, NIRF nº 0.334.1739, com área total declarada de 90.360,9 ha (fls. 124/129). Portanto, para efeito de declaração e apuração do ITR/2008, não há como prosperar o lançamento. Assim, verificando que a decisão recorrida está fundamenta em elementos de prova, todos eles constantes dos autos, e estando seus argumentos em perfeita sintonia com a legislação de regência, nego provimento ao recurso de oficio. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Fl. 194DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10735.722638/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Numero da decisão: 2202-003.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Marcela Brasil de Araújo Nogueira.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Marcela Brasil de Araújo Nogueira. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), Dílson Jatahy Fonseca Neto e José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1 , que bem retrata os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 26 38 /2 01 2- 14 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao ano calendário de 2010, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 29 a 34, em que foram apuradas as seguintes infrações: * Dedução indevida com Dependentes no valor de R$ 1.808,28 (fl. 30); * Dedução indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 49.374,12 (fl. 31/32). Em virtude dessa infração, foi apurado o crédito tributário total de R$ 14.240,66 (fl. 37). A descrição dos fatos e o enquadramento legal constam na notificação em pauta. Após a ciência em 20.06.2012 (cópia do AR à fl. 36), o contribuinte por meio do seu procurador – fls. 41 e 42, apresentou em 02.07.2012 a impugnação de fl. 2, conforme carimbo aposto pela funcionária Neide Gonçalves dos Santos – mat. SIAPE nº 0911707. Alega, em síntese, que o valor da dedução indevida referese a seus gastos de despesas médicas e de sua esposa – Rosalina de Oliveira. Concorda com a infração de Dedução Indevida com Dependentes. Em 04.10.2012, o contribuinte apresenta o requerimento de fl. 38, solicitando o cancelamento do aviso de cobrança de fl. 39, em virtude de ter ingressado com a impugnação em 02.07.2012 (fl. 2 e fl. 40) dentro do prazo previsto no art.15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Tendo em vista a tempestividade da impugnação conforme despacho de fl. 46, os autos foram encaminhados à DRJ para julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1) julgou improcedente a impugnação, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF EXERCÍCIO: 2011 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. Considerase como não impugnada a parte do lançamento contra a qual o Contribuinte não apresenta óbice. DEDUÇÃO COM DESPESA MÉDICA. É de se manter a glosa apontada pela autoridade lançadora, uma vez que o contribuinte não apresenta declaração do plano de saúde discriminando o valor pago por cada beneficiário. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10735.722638/201214 Acórdão n.º 2202003.344 S2C2T2 Fl. 93 3 IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE AVISO DE COBRANÇA. Não é de competência desta DRJ a análise de pedido de cancelamento de aviso de cobrança nos termos do Regimento Interno da RFB. O contribuinte foi cientificado da decisão em 05/09/2014, por via postal, conforme aviso de recebimento (A.R.) à fl. 62, tendo interposto recurso voluntário em 12/11/2014 (fls. 64 a 87), no qual anexa o comprovante da empresa Sul América esclarecendo o beneficiário e o comprovante da empresa indicando a beneficiária. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do Contribuinte. Cabe, inicialmente, a análise da tempestividade do recurso interposto. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: I – na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. A ciência da decisão de primeira instância deuse em 05/09/2014, por via postal, conforme aviso de recebimento (A.R.) à fl. 62. Assim, ao apresentar o recurso voluntário (fls. 64 a 87) somente no dia 12/11/2014, estava exaurido o prazo legal de trinta dias. Portanto, o recurso foi interposto após o prazo legal, carecendo do pressuposto processual da tempestividade, razão pela qual não merece ser conhecido. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestividade. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 11516.000986/2010-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO. LIVRO CAIXA. INCOMPATIBILIDADE.
As despesas passíveis de dedução a título de livro caixa são aquelas de custeio, necessárias à manutenção da fonte produtora dos rendimentos, o que não inclui as deduções de utilização geral (dependentes, previdência privada e oficial, despesas médicas, com instrução e pensão alimentícia), muito menos em valores que extrapolam os limites legais, válidos para todos os Contribuintes que se utilizam da declaração completa.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-004.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 23/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 23/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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CURSO DE PÓSGRADUAÇÃO. LIVRO CAIXA. INCOMPATIBILIDADE. As despesas passíveis de dedução a título de livro caixa são aquelas de custeio, necessárias à manutenção da fonte produtora dos rendimentos, o que não inclui as deduções de utilização geral (dependentes, previdência privada e oficial, despesas médicas, com instrução e pensão alimentícia), muito menos em valores que extrapolam os limites legais, válidos para todos os Contribuintes que se utilizam da declaração completa. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 23/05/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 09 86 /2 01 0- 12 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2007, anocalendário de 2006, tendo em vista glosa de despesas de livrocaixa, omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão e aplicação de multa de ofício qualificada. Em sessão plenária de 16/10/2013, foi julgado o Recurso Voluntário, exarandose o Acórdão nº 2802002.579 (fls. 424 a 441), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 IRPF. RECEITAS RECEBIDAS DE PESSOAS FÍSICAS. INCLUSÃO NO LIVRO CAIXA. VALOR DE RENDIMENTOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO. ÔNUS DO FISCO COMPROVAR QUE ESSES RENDIMENTOS NÃO ESTÃO INCLUÍDOS NOS VALORES DECLARADOS NO LIVRO CAIXA. Cabe ao Fisco comprovar a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, demonstrando inequivocamente que as receitas comprovadamente recebidas não estão dentre os valores declarados como receitas no LivroCaixa. IRPF. LIVRO CAIXA. ODONTÓLOGO. DESPESAS DE CUSTEIO. DEDUTIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. O odontólogo, como profissional não assalariado, está autorizado a deduzir as despesas de custeio pagas e necessárias à manutenção da atividade profissional, desde que comprovadas com documentação hábil e idônea. A idoneidade de nota fiscal como prova de pagamento pode ser afastada diante de fortes indícios de que as informações ali registradas não retratam a realidade dos fatos. Nesses casos, cabe ao contribuinte apresentar outros elementos que comprovem o pagamento das alegadas despesas. IRPF. LIVRO CAIXA. ODONTÓLOGO. DESPESAS COM CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO. PAGAMENTOS COMPROVADOS. Não há restrição legal para a dedução no livro caixa de despesas, comprovadas, efetuadas pelo contribuinte que recebe rendimentos do trabalho não assalariado, com curso de especialização necessário ao desempenho da função desenvolvida pelo contribuinte. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11516.000986/201012 Acórdão n.º 9202004.023 CSRFT2 Fl. 482 3 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTUITO DOLOSO NÃO COMPROVADO. QUALIFICAÇÃO AFASTADA. A exigência da multa qualificada tem como requisito a comprovação nos autos do evidente intuito de fraude. Ausente essa comprovação a qualificação da multa deve ser afastada. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre a mesma conduta, representada pela omissão dos mesmos rendimentos recebidos de pessoas físicas. MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2. A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso provido em parte.” A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (a) alterar o valor da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas de R$20.249,65 para R$10.167,97; (b) restabelecer dedução de Livro Caixa no valor de R$8.713,00 (R$8.580,00 mais R$133,00); (c) afastar a qualificação da multa de ofício; e (d) excluir a multa isolada referente ao não recolhimento do imposto mensal obrigatório, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator) que davam provimento parcial em menor extensão. Designada para redigir o voto vencedor, quanto à dedução de despesas com curso de especialização, a Conselheira Dayse Fernandes Leite." O processo foi enviado à PGFN em 04/11/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 442). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 19/12/2013, o que foi feito em 17/12/2013 (fls. 443 a 451), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 452. O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do RICARF, e visa rediscutir a dedução em livrocaixa de despesas com instrução. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 29/05/2015 (fls. 453 a 458). Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional alega, em síntese: conforme examinado, a controvérsia se situa na discussão sobre a possibilidade ou não de dedução de despesas relativas a curso de especialização em livro caixa. acerca do tema, prevê a norma de regência no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99: "Art. 75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4°, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48." portanto, para que as despesas escrituradas em livrocaixa sejam dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, fazse necessária a demonstração cabal, a cargo do contribuinte, da indispensabilidade dos referidos gastos à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora; na hipótese dos autos, no entanto, não há respaldo para autorizar a pretendida dedução, tendo em vista que a despesa realizada com curso de pósgraduação, mesmo que seja pertinente à especialidade exercida pelo contribuinte, não tem o condão de tornálo um gasto necessário ao exercício da atividade; o fato de ser um investimento feito para ampliar os conhecimentos do profissional não possibilita a dedução, considerando a ausência de subsunção ao dispositivo legal, que por sua vez deve ser interpretado literalmente, sob pena de deturpar o intuito do legislador; cumpre ressaltar, ainda, que possibilitar ao profissional não assalariado deduzir despesas com cursos de especialização em livrocaixa e não como despesas de instrução irá criar um tratamento desigual, mais benéfico e sem razoabilidade alguma a uma classe de profissionais, tendo em vista que deduções em livrocaixa não possuem limite de valor; Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11516.000986/201012 Acórdão n.º 9202004.023 CSRFT2 Fl. 483 5 neste sentido, cumpre transcrever trecho do voto condutor do acórdão paradigma 2102001.398, cujos argumentos corroboram as razões acerca da necessidade de modificação do acórdão recorrido ora apresentadas, in verbis: "Para a hipótese em debate nestes autos, as despesas passíveis de dedução a título de livro caixa são aquelas necessárias à manutenção da fonte produtora dos rendimentos e, por óbvio, que não estão especificadas como de utilização geral (dependentes, previdência privada e oficial, despesas médicas, com instrução e pensão alimentícia). Na linha acima, a despesa com instrução deve ser deduzida como tal, e não a título de livro caixa. Eventualmente, se a despesa com instrução não puder ser utilizada a tal título, por óbvio não poderá sêlo a título de livro caixa, pois a despesa com instrução consta como despesa dedutível específica, aberta a todos os contribuintes, não sendo razoável permitir que despesas que não se enquadrem nos normativos dos dispêndios com instrução possam sêlas dedutíveis a título de livro caixa, pois, dessa forma, os contribuintes passariam a ser tratados de forma antiisonômicas, ou seja, somente os profissionais liberais poderiam deduzir despesas com instrução em um elastério não permitido aos demais contribuintes. Assim, por óbvio, tratandose de despesas de instrução, somente podem ser deduzidas, pelos profissionais liberais e demais contribuintes, caso se enquadrem dentro dos limites que a lei traçou para as ditas despesas. Desbordando, nenhum contribuinte pode deduzilas." destarte, imperiosa é a reforma do julgado para manter a glosa das referidas deduções nos termos expostos no auto de infração. Ao final a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do recurso, restabelecendose a glosa no valor de R$ 8.580,00. Conforme a informação de fls. 480, prestada pela DRF em Florianópolis/SC, o Contribuinte foi cientificada do acórdão recorrido, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, quedandose silente, razão pela qual o crédito tributário incontroverso foi transferido para o processo nº 11516.722.502/201596, para seguir na cobrança. Voto Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. A matéria suscitada no apelo é a impossibilidade de dedução, em livrocaixa, de despesas com instrução. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 No caso em apreço, o Contribuinte, que é odontólogo, deduziu por meio do livrocaixa, no anocalendário de 2006, o valor de R$ 8.580,00, a título de Curso de Pós Graduação Latu Sensu em Implantodontia (certificado às fls. 20). No que tange às deduções de livrocaixa, a Lei nº 8.134, de 1990, com a redação das Leis nºs 8.383, de 1991, e 9.250, de 1995, assim estabelece: "Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9º e 10 da Lei nº 7.713, de 1988. § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. § 3° As deduções de que trata este artigo não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do ano base, não será transposto para o ano seguinte. § 4° Sem prejuízo do disposto no art. 11 da Lei nº 7.713, de 1988, e na Lei nº 7.975, de 26 de dezembro de 1989, as deduções de que tratam os incisos I a III deste artigo somente serão admitidas em relação aos pagamentos efetuados a partir de 1° de janeiro de 1991." A Lei nº 7.975, de 1989, mencionada no dispositivo legal acima, ainda acrescentou mais uma possibilidade de dedução para os odontólogos, incluindo o § 1º no art. 11, da Lei nº 7.713, de 1988, conforme a seguir: "Art. 11. ............................................................. § 1º Fica ainda assegurada aos odontólogos a faculdade de deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva profissão, as despesas com a aquisição do material odontológico por eles aplicadas nos serviços prestados aos seus pacientes, Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 11516.000986/201012 Acórdão n.º 9202004.023 CSRFT2 Fl. 484 7 assim como as despesas com o pagamento dos profissionais dedicados à prótese e à anestesia, eventualmente utilizados na prestação dos serviços, desde que, em qualquer caso, mantenham escrituração das receitas e despesas realizadas." Assim, constatase que no livrocaixa devem constar apenas as despesas de custeio, necessárias à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. Com efeito, não há qualquer disposição, na legislação acima, que autorize a dedução, em livrocaixa, de despesas com instrução, como é o caso de curso de pósgraduação, expressamente citado na Lei nº 9.250, de 1995, que trata dessa espécie de dedução, de caráter geral, quando da opção pela declaração completa: "Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (...)" (grifei) Destarte, a interpretação sistemática da legislação tributária leva à conclusão de que é incabível a inclusão, em livrocaixa, e ainda em valor acima do limite legal, de despesas com curso de pósgraduação, que perante a tributação do Imposto de Renda constitui despesa com instrução, que pode ser utilizada por todos que apresentam declaração completa, até o limite estabelecido em lei. Com efeito, a permissão da inclusão de despesas de instrução em livrocaixa, sistemática que pressupõe o aproveitamento de despesas sem limite, estaria a toda evidência ferindo o princípio da isonomia, já que não se admite que os demais Contribuintes deduzam gastos com instrução acima do limite legalmente estabelecido. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, restabelecendo a glosa da dedução de livrocaixa no valor de R$ 8.580,00. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 07/0 6/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 10725.720213/2011-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 10/09/2008, 29/09/2008, 22/10/2008
REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO.
A multa aplica-se ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações relacionadas à condição da mercadoria, se esta se enquadrar na condição de material usado, devem ser informadas pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-003.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello apresentará declaração de voto.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 10/09/2008, 29/09/2008, 22/10/2008 REPETRO. ADMISSÃO TEMPORÁRIA. MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. A multa aplicase ao beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. As informações relacionadas à “condição da mercadoria”, se esta se enquadrar na condição de “material usado”, devem ser informadas pelo beneficiário do regime na respectiva declaração de importação, conforme estabelecido em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. A Conselheira Vanessa Marini Cecconello apresentará declaração de voto. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 02 13 /2 01 1- 09 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10725.720213/201109 Acórdão n.º 9303003.870 CSRFT3 Fl. 634 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por meio do qual se pleiteia a reforma do Acórdão nº 3302002.053, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/09/2008, 29/09/2008, 22/10/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 10/09/2008, 29/09/2008, 22/10/2008 REPETRO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. As operações de importação submetidas ao regime aduaneiro especial Repetro não se enquadram como importações "desembaraçadas no regime comum de importação". MULTA. OMISSÃO DE INFORMAÇÃO. PRODUTO USADO. NÃO OBRIGATORIEDADE. A dispensa de licença de importação, no âmbito do Repetro, implica a não obrigatoriedade da informação de se tratar de produto usado aquele que seja objeto de admissão temporária nesse regime. MULTA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. O erro na classificação fiscal corresponde a infração específica da legislação aduaneira, não podenda ser afastada a multa aplicada. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Provido em Parte A divergência suscitada pela Fazenda Nacional referese à possibilidade de imputação da multa por não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro, no âmbito do regime aduaneiro de admissão temporária Repetro. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10725.720213/201109 Acórdão n.º 9303003.870 CSRFT3 Fl. 635 3 O recurso foi admitido conforme despacho de fls. 565/568. Cientificada, a contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 582/601. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Conheço do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional por verificar que estão atendidos os requisitos necessários para sua admissibilidade. Conforme relatado, a controvérsia que ainda resta a ser resolvida cingese à possibilidade de imputação da multa por não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro, capitulada nos arts. 84 da Media Provisória nº 2.15835 e 69 da Lei nº 10.833, de 2003, no âmbito do regime aduaneiro de Repetro. Vejase os dispositivos legais. MP nº 2.15835/01 Art. 84. Aplica se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (...) Iclassificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. Lei nº 10.833/03 Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente Fl. 635DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10725.720213/201109 Acórdão n.º 9303003.870 CSRFT3 Fl. 636 4 (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. A leitura do § 1° determina que a multa deve ser aplicada ao importador que prestar de forma inexata informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. O § 2° indica quais seriam as informações necessárias ao controle aduaneiro: aquelas que compreendem a descrição detalhada da operação. Para tanto, relaciona, de forma exemplificativa, algumas informações. O referido dispositivo expressamente prevê que, além das informações exemplificativamente enunciadas, outras podem ser exigidas a critério da Secretaria da Receita Federal. E foi o que fez o órgão, ao editar a IN SRF 680/06, disciplinando o despacho de importação: IN SRF 680/2006 [...] Art. 4º A Declaração de Importação (DI) será formulada pelo importador no Siscomex e consistirá na prestação das informações constantes do Anexo Único, de acordo com o tipo de declaração e a modalidade de despacho aduaneiro. Anexo Único à IN SRF 680/2006 Informações a serem prestadas pelo importador: [...] 40 Indicativos da Condição da Mercadoria Assinalar o(s) indicativo(s) abaixo, se adequado(s) à condição da mercadoria objeto da adição: 1 Material usado [...] Nesse ato normativo, estabeleceuse, com fulcro na permissão contida no art. 69, § 2º, inciso III, supratranscrito, que os contribuintes devem indicar a condição da mercadoria, se material novo ou usado. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10725.720213/201109 Acórdão n.º 9303003.870 CSRFT3 Fl. 637 5 Tal exigência, de natureza administrativotributária, além de ser relativa à descrição detalhada da operação, conforme expressamente prevista no § 2º do art. 69 da Lei 10.833/03, também está prevista no Anexo Único da IN SRF 680/2006 acima transcrito, editado em conformidade com a permissão contida no mesmo dispositivo legal. Nas DI’s objeto do lançamento efetuado nos presentes autos não constam a informação (campo “condição”, ficha “mercadoria”) de que os bens importados eram usados, fato este incontroverso. A multa em questão foi aplicada pelo descumprimento de obrigação determinada em ato normativo da RFB, atendendo à permissão legal, e também foi decorrente de prejuízo ao controle das importações, configurado pela ausência de informação obrigatória. A autoridade fiscal e aduaneira entendeu que a informação omitida era relevante para fins de controle das importações, podendo influenciar na tomada de decisão acerca da amplitude e profundidade das atividades fiscalizatórias sobre os bens, na ocasião de sua entrada. Tal entendimento está previsto no Manual REPETRO, editado pela Receita Federal com o objetivo de orientar e definir procedimentos aduaneiros relativos ao regime aduaneiro especial de REPETRO, de observância obrigatória à administração aduaneira: 3 – IDENTIFICAÇÃO DOS BENS A identificação dos bens é condicionante para a concessão (IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 15, inciso V) e para a aplicação do regime (Regulamento Aduaneiro, art. 363, inciso III). Ela deve ser efetuada de forma a permitir o controle da aplicação do regime até sua extinção, garantindo que o bem apresentado corresponda àquele submetido ao regime (Regulamento Aduaneiro, art. 369, inciso III). A identificação do bem é de responsabilidade do interessado e será efetuada mediante a descrição completa do bem, contendo as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico, com o detalhamento dos atributos que o individualizem e a indicação de seu estado, se novo ou usado (Lei 10.833, de 2003, art. 69; Regulamento Aduaneiro, art. 363, inciso III; IN SRF nº 680, de 2006, arts. 10 e 25, § único). O bem a ser admitido no regime deve estar previamente identificado e determinado no contrato de importação ou na fatura pro forma (Lei nº 10.406, de 2002, art. 105, inciso II; Regulamento Aduaneiro, art. 363, § único). (http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/ repetro/topicos/aplicacaodoregime/concessaodo regime/despachoaduaneirodeimportacao) Como se percebe, era obrigação da interessada assinalar o indicativo relacionado à condição da mercadoria, dado que efetivamente se tratava de material usado. Tal informação não era irrelevante ou prescindível, pois se tratava de obrigação devidamente estabelecida e necessária ao controle aduaneiro. Divagar se tal informação era dispensável ao controle aduaneiro no REPETRO, visto que a operação estava Fl. 637DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10725.720213/201109 Acórdão n.º 9303003.870 CSRFT3 Fl. 638 6 dispensada de licenciamento conforme artigo 7º da Portaria SECEX 36/2007, não é relevante. Conforme acima transcrito, ato específico da Secretaria da Receita Federal do Brasil, atendendo à previsão legal, determinou que a informação sobre a condição da mercadoria era obrigatória. Concluise que o procedimento adotado pela autoridade fiscal, ao impor a multa por não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro, está correto, devendo ser reformado o acórdão recorrido, neste ponto. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendo a multa por não prestação de informação necessária ao controle aduaneiro. É como voto. Henrique Pinheiro Torres Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello A matéria em discussão restringese à análise da aplicação da multa prevista no art. 69 da Lei nº 10.833/2003 em razão da ausência de informação de se tratar o bem importado de "material usado", conforme obrigação imposta por ato normativo da Secretaria da Receita Federal. Restou assentado nos presentes autos que as importações, efetuadas pela Contribuinte estavam no regime aduaneiro especial de admissão temporária instituído pela, então vigente, Instrução Normativa nº 285/2003, da Secretaria da Receita Federal (revogada pela IN RFB nº 1.361, de 21 de maio de 2013), o qual permite a importação de bens que devam permanecer no País durante prazo fixado, com suspensão total do pagamento de tributos, ou com suspensão parcial, no caso de utilização econômica. Tratase, portanto, de regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens, destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Repetro), estando no campo de incidência dos tributos sobre o comércio exterior, embora a exigibilidade de seu pagamento permaneça suspensa, em razão dos tratamentos aduaneiros, dispensados aos bens admitidos no Repetro, conforme art. 459, caput e §3º do Regulamento Aduaneiro. Nessa esteira, a DRJ excluiu a multa do art. 633, II, “a”, do Regulamento Aduaneiro, decisão confirmada no julgamento do recurso voluntário, com fundamento na interpretação dos artigos 8º, II, e 10, II, alínea "e", ambos da Portaria SECEX nº 25/2008 em Fl. 638DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10725.720213/201109 Acórdão n.º 9303003.870 CSRFT3 Fl. 639 7 conjunto com o art. 112 do CTN, entendendo pela dispensa da licença de importação no caso dos autos. Em relação à multa por omissão de informações, segundo o acórdão recorrido, é inaplicável ao caso dos autos, em razão de se tratar de importação em admissão temporária, submetida ao Regime Especial Repetro, para o qual não haveria a obrigação da informação de indicativos da condição da mercadoria (se bem usado ou novo). De fato, em razão de não ter sido informada a condição de "usado" das mercadorias importadas, não houve alteração de tratamento tributário, administrativo ou aduaneiro. Portanto, frente à inexistência de alteração de procedimento do controle aduaneiro, no caso dos autos, não há de se falar na aplicação da multa do art. 69, §1º da Lei nº 10.833/2003. Para elucidar a legislação vigente à época, fazse breve retrospectiva da legislação. A Secretaria de Comércio Exterior SECEX, no âmbito da competência outorgada pelo art. 15, do Anexo I do então vigente Decreto nº 4.632/2003, editou a Portaria nº 17, de 01/12/2003, para consolidar os procedimentos relativos às operações de importação. No art. 6º da referida Portaria, restaram definidas as modalidades de importação do sistema administrativo: I importações dispensadas de Licenciamento; II importações sujeitas a Licenciamento Automático. e III importações sujeitas a Licenciamento Não Automático. O dispositivo legal tem sido reproduzido nas Portarias subsequentes editadas pela SECEX: Portaria nº 14/2004; Portaria nº 35/2006; Portaria nº 36/2007; Portaria nº 25/2008; Portaria nº 10/2010 e Portaria nº 23/2011, que consolidou as normas e procedimentos aplicáveis às operações de comércio exterior, e está em vigor. Em razão da data dos fatos geradores do processo, farseá remissão aos artigos da Portaria SECEX nº 36/3007. O art. 7º, §único da Portaria Secex nº 36/2007, traz as hipóteses de dispensa de licenciamento de importação, abrangendo as importações de bens usados e não usados, com exceção daquelas decorrentes de doações, para as quais só é admitida a licença no caso de bens novos. No inciso II, § único do art. 7º da Portaria Secex nº 36/2007, está prevista como dispensada da licença a admissão dos bens provenientes do exterior sob o regime aduaneiro especial do Repetro, in verbis: Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação – DI no SISCOMEX, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da RFB. Parágrafo único. São dispensadas de licenciamento as seguintes importações: I – sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial, inclusive sob controle aduaneiro informatizado; II – sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Fl. 639DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10725.720213/201109 Acórdão n.º 9303003.870 CSRFT3 Fl. 640 8 Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural REPETRO; III – sob os regimes aduaneiros especiais nas modalidades de loja franca, depósito afiançado, depósito franco e depósito especial; IV – com redução da alíquota de imposto de importação decorrente da aplicação de “extarifário”; V – mercadorias industrializadas, destinadas a consumo no recinto de congressos, feiras e exposições internacionais e eventos assemelhados, observado o contido no art. 70 da Lei n.º 8.383, de 30 de dezembro de 1991; VI – peças e acessórios, abrangidas por contrato de garantia; VII – doações, exceto de bens usados; VIII – filmes cinematográficos; IX – retorno de material remetido ao exterior para fins de testes, exames e/ou pesquisas, com finalidade industrial ou científica; X – amostras; XI – arrendamento mercantil leasing, arrendamento simples, aluguel ou afretamento; XII – investimento de capital estrangeiro; XIII – produtos e situações que não estejam sujeitos a licenciamento automático e não automático; e XIV – sob o regime de admissão temporária ou reimportação, quando usados, reutilizáveis e não destinados à comercialização, de recipientes, embalagens, envoltórios, carretéis, separadores, racks, clip locks, termógrafos e outros bens retornáveis com finalidade semelhante destes, destinados ao transporte, acondicionamento, preservação, manuseio ou registro de variações de temperatura de mercadoria importada, exportada, a importar ou a exportar. (grifouse) O dispositivo reproduzido acima tratase de norma especial, tendo em vista ser admitida a dispensa de licenciamento somente nas hipóteses ali enumeradas, com uma única exceção com relação aos bens usados que ingressam no território nacional por doação, os quais sujeitamse ao licenciamento não automático do art. 9ª, inciso II, alínea "e" da Portaria nº 36/2007. Prevalecia, portanto, quando realizadas as importações, a Portaria SECEX nº 36/2007, segundo a qual nas admissões temporárias de bens vinculados ao Repetro, independente da condição de novos ou usados, estavam dispensadas as licenças de importação. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10725.720213/201109 Acórdão n.º 9303003.870 CSRFT3 Fl. 641 9 De fato, a partir da Portaria SECEX nº 10, de 24/05/2010, sobreveio situação de prevalência da necessidade de licença sobre a dispensa, conforme disposto no art. 8º, §2º. No entanto, tal exigência não pode ser imposta sobre as importações em regime temporário de embarcações para pesquisas efetuadas sob a égide de regulamentação anterior, sob pena de violação ao art. 106 do Código Tributário Nacional, uma vez sendo admissível a retroação tão somente da legislação mais benigna ao contribuinte. Assim, incabível a exigência de licença de importação no Repetro nos termos do art. 7º, §único da Portaria SECEX nº 36/2007, inexistente também a obrigatoriedade de que conste no documento a informação de se tratar de material usado, ainda mais quando para se prestar referida informação seja necessária a correlação com um número de licença de importação, providência impossível de ser realizada no caso. Além disso, foram consignadas pela contribuinte, nas declarações de importação, as datas de fabricação das embarcações, a partir das quais é possível depreenderse terem sido utilizadas anteriormente à entrada no território nacional, interpretação dada pela Autoridade Fiscal no momento da autorização da entrada das embarcações no País, cuja alteração implica em violação ao art. 146 do CTN. Tendo sido prestadas pela contribuinte todas as informações exigíveis pela legislação vigente à época dos fatos geradores, inclusive com a indicação das datas de fabricação das embarcações, evidenciando trataremse de bens usados, não há de se falar na aplicação da multa do art. 69, §1º da Lei nº 10.833/2003. Diante do exposto, há de ser negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Fl. 641DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinad o digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11516.003123/2003-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO.
ESTIMATIVA REDUZIDA POR RETENÇÕES. COMPROVAÇÃO. Subsiste a glosa se a interessada não prova, ainda que por meio de lançamentos contábeis e documentação de suporte, o regular oferecimento à tributação do rendimento bruto, o seu recebimento pelo valor líquido, e o reconhecimento da retenção como direito a compensar, cujo saldo permanece disponível até o momento de sua utilização para reduzir estimativa que integra o saldo negativo.
Numero da decisão: 1302-001.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Rogério Aparecido Gil.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, , Luiz Tadeu Matosinho Machado e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVA REDUZIDA POR RETENÇÕES. COMPROVAÇÃO. Subsiste a glosa se a interessada não prova, ainda que por meio de lançamentos contábeis e documentação de suporte, o regular oferecimento à tributação do rendimento bruto, o seu recebimento pelo valor líquido, e o reconhecimento da retenção como direito a compensar, cujo saldo permanece disponível até o momento de sua utilização para reduzir estimativa que integra o saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarouse impedido o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, , Luiz Tadeu Matosinho Machado e Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 31 23 /2 00 3- 60 Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório O presente processo retorna depois da realização de diligências determinadas pela extinta 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deste Conselho. Da Resolução nº 1101000.014 colhese o seguinte relato das ocorrências até então verificadas nos autos, bem como o voto condutor desta Conselheira em favor da primeira conversão do julgamento em diligência: RELATÓRIO BANCO DO BRASIL S A (sucessor de BANCO DO ESTADO DE SANTA CATARINA S/A BESC), já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC, que por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório de 19/12/2006, contido nas fls. 117 e 118, proferido pelo Delegado da Receita Federal em FlorianópolisSC, com base na Informação Fiscal de fls. 110 a 116, por meio do qual foi parcialmente atendido o pleito da interessada, tendo em vista a Homologação das DCOMP de fls. 1, 2 e 6, a Homologação Parcial da DCOMP de fl. 7 e a Não Homologação da DCOMP nº 34162.78422.070104.1.3.040890, de fls. 98 a 102, tendo em vista o reconhecimento do direito creditório na importância de R$2.684.745,96, restando não comprovadas os créditos relativos às compensações indicadas na DIPJ como “outras” no valor de R$132.061,77. Consta na Informação Fiscal (fls. 112 e 113): Conforme a DIPJ, o saldo negativo apurado no ajuste anual decorre do excesso das estimativas mensais sobre o imposto devido no anocalendário. As estimativas mensais por sua vez foram quitadas parte com recolhimentos em DARF, parte por compensação com saldo negativo de período anterior, conforme já mencionado, e ainda uma parte por intermédio de outras compensações. No mês de setembro foi informado na DIPJ que parte da estimativa foi quitada com outras compensações (fls. 72, Linha 09 da Ficha 29). Com o intuito de elucidar qual o crédito usado nessa compensação, de R$132.061,77, indicada como “outras”, foi emitida a Intimação SAORT nº 2006.294 (fls. 85 e 87), solicitando ao contribuinte que esclarecesse o tipo e origem do crédito usado. O contribuinte informou que o valor indicado como “outras compensações” é relativo a retenções na fonte, e deveria ter sido incluído na Linha 04 da Ficha 29, mas foi indicado equivocadamente na Linha 09. O contribuinte, entretanto, não apresentou comprovantes de rendimentos para corroborar a dedução com retenções na fonte. Além disso, as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras dos rendimentos contêm valores de retenções (R$6.412,73, fl. 94) bem inferiores ao utilizado como dedução na DIPJ (R$132.061,77, fl. 72). Os valores retidos na fonte sobre quaisquer rendimentos somente podem ser compensados na declaração quando o contribuinte possui comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. O contribuinte não apresentou os comprovantes de rendimentos referentes à Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 4 3 retenção na fonte do anocalendário e as DIRF não conferem com o valor utilizado pelo contribuinte, que sequer foi informado na linha relativa as retenções na fonte. Assim, não será considerada a dedução indicada na DIPJ como “outras compensações”, no valor de R$132.061,77. Das alegações da Impugnante Argumentos contidos nas fls. 162 e 163 e provas nas fls. 168 a 194: A documentação encaminhada em anexo a esta manifestação tem por objetivo demonstrar que os valores compensados foram efetivamente retidos pelas fontes pagadoras. Uma análise aprofundada do assunto revela que o cruzamento entre as declarações não foi consistente em virtude de divergências entre os anoscalendário informados pelas fontes pagadoras nas DIRF e os anoscalendário informados pelo BESC, na condição de beneficiário dos pagamentos, nas DIPJ e DCOMP. Acreditamos que esses equívocos no preenchimento das declarações, quer por parte das fontes pagadoras, quer por parte do beneficiário dos pagamentos, não deveriam ser um impedimento à compensação dos valores retidos, tendo em vista que os mesmos foram recolhidos aos cofres do tesouro. Além disso, visto que as compensações em questão abrangem imposto retidos no decorrer de um longo período (1998 a 2004), não foi possível encontrar todos os comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras, quer em virtude de extravio, quer por não terem sido entregues pelas fontes pagadoras. No entanto, a fim de comprovar os pagamentos e as retenções realizadas, estamos encaminhando documentos extraídos de sistemas oficiais externos, recibos emitidos pelo BESC, e outros documentos que assegurem que os pagamentos e respectivas retenções realmente ocorreram. Além disso, recorremos ao auxílio de planilhas que demonstrem os argumentos e cálculos a que fazemos referência. Segue um resumo dos argumentos relacionados a cada processo: Processo 11516.003123/200360 (CSLL/1998) INSS: O valor de R$132.061,77, apresentado na linha 09 da Ficha 29 da DIPJ (outras compensações), relativo a retenções na fonte não foi homologado. No entanto, como provam os documentos anexados, só o INSS reteve R$ 458.728,88 (4,15%), sendo R$110.537,08 (1%) referente à CSLL. É possível que o INSS tenha declarado alguns desses valores em 1997. Documentos anexados: De 01 a 26. A Turma Julgadora acompanhou o voto do relator que entendeu insuficientes os documentos apresentados apresentando as seguintes justificativas: A interessada argumenta que as fontes pagadoras, INSS e Icatu Hartford Capitalização S/A, teriam promovido a retenção na fonte da CSLL, como se vê pela transcrição da peça de impugnação e pelos documentos que a instruem. Tal alegação está em desacordo com as informações contidas nos Sistemas Informatizados da Receita Federal do Brasil. A interessada alega que o INSS teria promovido a retenção de R$110.537,08 no anocalendário 1998, podendo ser que parte desses valores tenham sido declarados no anocalendário 1997. Todavia, não se verifica entre as fontes pagadoras listadas no Resumo das Retenções dos anoscalendário 1997 e 1998, contidos nas fls. 198 e 103, retenções vinculadas ao CNPJ nº 29.979.036/0001 40, pertencente à citada autarquia. Quanto aos recolhimentos promovidos por Icatu Hartford Capitalização S/A, CNPJ nº 74.267.170/000173, em ambos os períodos (DIRF fl.103 e 198), só há registros relativos ao código 8045 IRRF Demais Rendimentos. Os documentos que instruem a impugnação, relativos ao INSS, comprovam apenas a prestação de serviços feita pela interessada, mas não retenções, havendo apenas valores manuscritos à margem dos campos dos recibos de pagamento. Também os ofícios do INSS de fls. 169 e 170 nada comprovam, pois são referentes a valores relativos ao ano Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 5 4 calendário 1997, e o documento interno do INSS de fl. 192 também é insuficiente para comprovar qualquer retenção. Acrescentese não ter sido apresentado nenhum DARF. Já o Comprovante de Rendimentos Pagos, de fl. 193, emitido por Icatu Hartford Capitalização S/A, embora seja o único que atende as exigências legais, registra apenas retenções do IRRF sob os códigos 1708 e 8045. Reportouse aos comprovantes de retenção na fonte por órgãos públicos, previstos no art. 942 do RIR/99 e às exigências previstas no âmbito do IRRF, também aplicáveis à CSLL. Concluiu, assim, a contribuinte estava obrigada a manter a guarda de tais comprovantes, e assim não o fazendo, impossível se tornou o acolhimento de seu pleito. Cientificada da decisão de primeira instância em 26/09/2008 (fl. 209), a incorporadora da contribuinte – Banco do Brasil S/A – interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 28/10/2008 (fls. 210/216). Descreve a contratação firmada com o Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS, em razão da qual este se comprometeu a pagar os serviços prestados mediante apresentação pelo Besc de documentação comprovando os serviços. O pagamento era realizado mediante retenção na fonte dos tributos de que trata a Instrução Normativa Conjunta n° 01 e 02 e o líquido creditado na conta de Reserva Bancária do Besc. Junta cópia do contrato e dos Termos Aditivos relativos aos serviços prestados de 1997 a 1999. Consigna que o INSS não atendeu às inúmeras solicitações de fornecimento dos comprovantes de retenção, e esclarece ter firmado recibos de prestação de serviços, reconhecidos por aquela Autarquia, conforme documentos que junta. Apresenta, ainda, declarações das retenções firmadas em ofícios do INSS, esclarecendo divergências ali constantes, e ressaltando que eles já haviam sido apresentados com a manifestação de inconformidade. Ressalta que sempre foi remunerado pela Autarquia do INSS pelo valor líquido, restando demonstrado na documentação juntada a existência dos créditos considerados pela contribuinte. Em seu entendimento, seu direito líquido e certo não pode mais ser prejudicado pelo não cumprimento de obrigação legal por parte do INSS em não fornecer os comprovantes à pessoa jurídica beneficiária. A divergência existente deverá ser solucionada mediante a troca de informações entre o Fisco e o INSS. Totaliza em R$ 611.683,75 as retenções verificadas de 1997 a 1999, das quais R$ 234.137,50 foram declarados pelo INSS, sendo certa a existência dos créditos utilizados em compensação. Pede, assim, na forma da legislação de regência, a compensação total da DCOMP nº 34162.78422.070104.1.3.040890, de forma a reconhecer a homologação do valor de R$ 132.061,77 constante da ficha 29 da DIPJ/1999 do Contribuinte. VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte apresentou Declarações de Compensação – DCOMP para utilizar saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 1998 no valor de R$ 1.082.715,52, bem como pagamento indevido de estimativa relativa a dezembro/98 no valor original de R$ 1.732.422,17. Verificando que o pagamento de estimativa era devido, pois correspondia a débito declarado em DCTF, a autoridade administrativa computou aquele valor na formação do saldo negativo de CSLL e assim, analisando a composição deste, reconheceu parcialmente o valor pleiteado, como abaixo demonstrado: Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 6 5 Valores Pleiteados Valores Reconhecidos CSLL apurada 2.780.996,08 2.780.996,08 07/98 (761.472,76) 07/98 (761.472,76) 08/98 (730.630,99) 08/98 (730.630,99) Estimativas Compensadas 09/98 (81.672,09) 09/98 (81.672,09) Outras Compensações 09/98 (132.061,77) 09/98 09/98 (591.230,73) 09/98 (591.230,73) 10/98 (849.894,61) 10/98 (849.894,61) 11/98 (718.418,69) 11/98 (718.418,69) Estimativas Pagas 12/98 (1.732.422,17) Saldo Negativo Total (1.084.385,56) (2.684.745,96) Comp. s/ DCOMP 09/99 1.670,03 09/99 1.649,24 Saldo Negativo utilizado (1.082.715,53) PGIM 12/98 (1.732.422,17) Crédito total (2.815.137,70) (2.683.096,72) A parcela de R$ 132.061,77, correspondente a estimativa compensada em setembro/98, não foi considerada nos cálculos em razão da seguinte motivação: Os valores retidos na fonte sobre quaisquer rendimentos somente podem ser compensados na declaração quando o contribuinte possui comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. O contribuinte não apresentou os comprovantes de rendimentos referentes à retenção na fonte do anocalendário e as DIRF não conferem com o valor utilizado pelo contribuinte, que sequer foi informado na linha relativa as retenções na fonte. Assim, não será considerada a dedução indicada na DIPJ como "outras compensações", no valor de R$ 132.061,77. Em recurso voluntário, a contribuinte questiona seu direito à compensação de valores retidos na fonte pelo Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS. Discorda da decisão recorrida que rejeitou tal dedução ante a ausência do comprovante de retenção e em razão da ineficácia dos demais documentos apresentados com a manifestação de inconformidade. Naquela ocasião, a contribuinte apresentou demonstrativo das tarifas pagas pelo INSS – Exercício 1998, do qual constava a contabilização em 1998 de retenções de IRPJ (R$ 265.288,99) e CSLL (R$ 110.537,08) verificadas sobre os valores dos serviços prestados àquela Autarquia de janeiro/97 a setembro/98 (fl. 168). Na seqüência, ofício emitido pela Coordenação Geral de Finanças/Divisão de Controle Financeiro do INSS, em 17/02/98, informa as retenções verificadas em 1997, em valores próximos daqueles apontados no demonstrativo anterior (fl. 169). Ainda, outro ofício datado de 06/08/97 relaciona retenções mensais de dezembro/96 a junho/97 (fl. 170). Os serviços prestados ao INSS consistiriam em arrecadação de contribuições e pagamento de benefícios, relacionados em recibos emitidos pela recorrente de janeiro a dezembro/97, e possivelmente apresentados à mencionada Divisão de Controle Financeiro do INSS conforme protocolo neles apostos (fls. 171/192). As deduções de IRPJ e CSLL sobre estes valores estão consignadas de forma manuscrita nestes documentos. Em recurso voluntário, a contribuinte atualizou o demonstrativo das tarifas pagas pelo INSS, fazendo ali constar também informações de retenções de Contribuição ao PASEP, e alterando os valores totais de retenção a título de IRPJ (R$ Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 7 6 267.804,45) e CSLL (R$ 111.585,19). Acrescentou, ainda, demonstrativo das retenções relativas aos serviços de outubro/98 a fevereiro/99, no valor total de R$ 35.808,48 a título de CSLL (fl. 263). Observase também que, neste segundo momento da defesa, a recorrente apresenta, junto a alguns dos recibos por ela emitidos, outros aparentemente emitidos pelo INSS, denominados remuneração geral detalhada, seguidos de discriminativo de recibo, nos quais há indicação dos valores retidos sobre os serviços de arrecadação e de pagamento de benefícios, mas todos pertinentes a 1999. A recorrente ainda juntou cópia de contrato firmado com o INSS em 01/03/97, com vigência de 24 meses (fls. 230/240), do qual se extrai: CLÁUSULA VIII Pela execução dos serviços de arrecadação o INSS pagará ao BANCO, por unidade de documento, a partir de 01/03/97, os seguintes preços: a) R$1,92 (um real e noventa e dois centavos), para GRPS em meio magnético e GRPS3 e resíduo de GRPS, com prestação de contas em meio magnético; e b) R$1,84 (um real e oitenta e quatro centavos), para carnê do contribuições individuaisGRCI e resíduo de GRCI, com prestação de contas em meio magnético. c) R$ 1,41 (um real e quarenta e um centavos), para carnê de contribuições individuaisGRCI, com prestação de contas em papel, até que se cumpra o estabelecido no Parágrafo Terceiro desta Cláusula. [...] CLÁUSULA IX – O valor arrecadado será transferido ao INSS, no primeiro dia útil após o seu recolhimento, pela Agencia Centralizadora Nacional do BANCO, mediante apresentação do documento de crédito à conta nº 193.8037, mantida pelo INSS no BANCO DO BRASIL S/A, Agencia CentralBrasilia DF. PARÁGRAFO PRIMEIRO O produto da arrecadação diária poderá permanecer com o BANCO, pelo prazo máximo de dois dias úteis a partir da data do seu recolhimento, hipótese em que o BANCO ficará obrigado a remunerar o INSS, do dia útil seguinte ao da arrecadação até o efetivo repasse, com base na variação da "Taxa Referencial de Títulos FederaisRemuneração". PARÁGRAFO SEGUNDO O resultado da remuneração a que se refere o parágrafo primeiro será recolhido ao INSS em conta própria, mencionada no "caput” desta cláusula, no mesmo dia da transferência dos recursos que deram origem à remuneração. [...] CLÁUSULA XI O pagamento de benefícios será realizado pelo BANCO, por formulários ou meios magnéticos, com base nas informações individualizadas por beneficiários a serem remetidas pelo INSS através da Empresa de Processamentos de Dados da Previdência SocialDATAPREV, ficando o BANCO, responsável pela fiel execução do Pagamento. [...] CLÁUSULA XII Pela execução dos serviços de pagamento e processamento de beneficias, o INSS pagará ao BANCO, por unidade de documento, a partir de 01/03/97, os seguintes preços: a) R$ 1,56 (um real e cinqüenta e seis centavos), por beneficios incluídos em meio magnético e pagos através de Cartão Magnético de Benefícios ou Crédito Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 8 7 em ContaCorrente, que permita ao aposentado/pensionista acesso para saque em todas as agências do Banco, em qualquer localidade do Pais; b) R$ 1,42 (um real e quarenta e dois centavos), por beneficias incluídos em meio magnético e pagos através de Cartão Magnético de Benefícios ou Crédito em ContaCorrente, com acesso para saques restrito à agência de domicilio bancário do beneficiário, e demais modalidades de pagamentos de benefícios efetuados pelas denominadas Agencias Pioneiras; e c) R$ 0,71 (setenta e um centavos), por benefícios incluídos em meio magnético e pagos através da emissão de recibos, e demais modalidades de pagamentos de benefícios, não incluídos em meio magnético. CLÁUSULA XIII Os valores correspondentes aos preços de que tratam as cláusulas VIII e XII, serão pagos pelo INSS até o 10o (décimo) dia útil do mês subsequente ao mês da prestação do serviço, desde que o BANCO entregue, nos prazos estabelecidos os documentos e as fitas magnéticas de prestação de contas de arrecadação e beneficios, conforme estabelecido na Cláusula XVIII deste instrumento, e ainda com a apresentação mensal dos seguinte documentos: a) Nota Fiscal/Fatura ou documento equivalente, em, 02 (duas) vias, discriminando o valor correspondente à prestação dos serviços. As retenções a que se referem a Instrução Normativa Conjunta n° 01, de 09/01/97, publicada no DOU nº 10, de 15/01/97, Seção I, pág, 1761, da Secretária da Receita Federal e da IN nº 02, de 29/01/97, publicada no DOU n° 21, de 30/01/97, Seção I, pág. 1761 a 1763, serão processadas pelo INSS e informado ao BANCO, através da Coordenação Geral de Finanças, e b) Cópia da Guia de Recolhimento da Previdência SocialGRPS e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FGTS do contratado, devidamente quitadas, relativa ao mês da última competência vencida. Termo Aditivo de 02/05/98 alterou, a partir de maio/98, o preço pela execução dos serviços de pagamento e processamento de benefícios (fls. 242/244). Destas disposições contratuais concluise que a contribuinte, ao prestar serviços ao INSS, creditava em favor deste a arrecadação recebida no dia anterior, bem como executava pagamentos por ordem daquela Autarquia. Ao final do mês, entregues os documentos e fitas magnéticas de prestação de contas, bem como a nota fiscal dos serviços prestados (ou documento equivalente), o INSS lhe promovia o pagamento correspondente até o 10o dia útil subsequente, obrigandose a processar as retenções e informálas ao BANCO, através da Coordenação Geral de Finanças. E, à vista dos documentos juntados a estes autos, constatase que os documentos equivalentes à nota fiscal de serviços emitidos pelo BESC foram os recibos de serviços prestados, protocolados junto à Divisão de Controle Financeiro do INSS, a qual integra a mencionada Coordenação Geral de Finanças. A partir daí, a recorrente assevera que a retenção era promovida e o líquido creditado na conta de Reserva Bancária do Besc. Assim, as anotações manuscritas das retenções foram registradas pela própria recorrente, mediante estimativa do valor que seria retido, em razão dos serviços prestados, ou após a retenção ter efetivamente ocorrido. Vejase que o art. 64 da Lei no 9.430/96, de fato, exigia do INSS a retenção de impostos e contribuições quando do pagamento por estes serviços prestados: Art.64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 9 8 renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade socialCOFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. §1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. §2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta de receita da União. §3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. §4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. §5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. §6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. §7º O valor da contribuição para a seguridade socialCOFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. §8º O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. E a Instrução Normativa Conjunta SRF/STN/SFC no 4/97 deixa claro que tais retenções se verificavam, inclusive, sobre a prestação de serviços bancários: Art. 1º Os órgãos da administração federal direta, as autarquias e fundações federais reterão, na fonte, o imposto sobre a renda da pessoa jurídica IRPJ, bem assim a contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, a contribuição para a seguridade social COFINS e a contribuição para o PIS/PASEP sobre os pagamentos que efetuarem a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras, observados os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º A retenção será efetuada aplicandose, sobre o valor que estiver sendo pago, o percentual constante da coluna 06 da Tabela de Retenção (Anexo I), que corresponde à soma das alíquotas das contribuições devidas e da alíquota do imposto de renda determinada mediante a aplicação de quinze por cento sobre a base de cálculo estabelecida no art.15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, conforme a natureza do bem fornecido ou do serviço prestado. § 1º O percentual a ser aplicado sobre o valor a ser pago corresponderá à espécie de bem fornecido ou de serviço prestado, conforme estabelecido em contrato. § 2º Caso o pagamento se refira a contratos distintos de uma mesma pessoa jurídica pelo fornecimento de bens e de serviços com percentuais diferenciados, aplicarseá o percentual correspondente a cada fornecimento contratado. [...] Anexo I Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 10 9 Tabela de Retenção ALÍQUOTAS IR CSL COFINS PIS/ PASEP NATUREZA DO BEM FORNECIDO OU DO SERVIÇO PRESTADO (01) (02) (03) (04) (05) PERCEN TUAL A SER APLI CADO (06) CÓDIGO DE RECOLHI MENTO (07) [...] serviços prestados por bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, socieda des corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência aberta. 2,40 1 0 0,75 4,15 6188 É certo que o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto no 3.000/99, assim dispõe acerca das retenções de imposto de renda na fonte, assemelhadas ás retenções de CSLL aqui em debate: Art 815. As pessoas jurídicas que compensarem com o imposto devido em sua declaração o retido na fonte, deverão comprovar a retenção correspondente com uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 64). [...] Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Contudo, ainda que a contribuinte não disponha dos comprovantes de retenção que, a teor do acima exposto, a Autarquia Federal deveria ter lhe fornecido, é razoável crer que a retenção efetivamente ocorreu e, desta forma, admitir sua prova por outros meios. Nas condições expressas nos contratos apresentados, esperado seria que a contribuinte contabilizasse as receitas decorrentes dos serviços prestados em Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 11 10 contrapartida a um direito em face do INSS e, ao receber o valor líquido da retenção, além do débito em disponibilidades, constituísse os novos direitos decorrentes daquela retenção (tributos a recuperar), ambos em contrapartida à baixa do direito de crédito em face do INSS. Ante as demais evidências presentes nestes autos, acerca dos serviços prestados pela recorrente, a demonstração daquele fluxo contábil, juntamente com os recibos de serviços prestados e a prova do crédito do valor líquido pela contratante, seriam evidências suficientes de que a retenção em debate efetivamente ocorreu. Por sua vez, as demais autoridades administrativa e julgadora que apreciaram a matéria, exigindo a apresentação dos correspondentes comprovantes de retenção, não cogitaram de provas substitutivas. De outro lado, no Anexo 05 ao recurso voluntário a contribuinte apenas traz indícios desta contabilização, consignando a data do registro contábil do valor a receber ou recebido, bem como a data do registro da retenção, em sua maioria em 24/08/98, relativamente aos serviços prestados até junho/98; a partir dos rendimentos de agosto/98, as retenções são contabilizadas na mesma data do valor a receber ou recebido, mas já em outubro/98 vêse o registro apenas em 08/01/99, a indicar um provável atraso na prestação de contas pelo BESC ou no pagamento dos serviços pelo INSS (fls. 262/263). Vejase, ainda, que nos ofícios juntados às fls. 305/306, o INSS presta informação de retenções de 1997, ressalvando que os valores informados correspondem ao mês em que foram retidos e repassados ao Tesouro Nacional e não ao mês da prestação dos serviços. A contribuinte, por sua vez, associa estes valores aos recibos de serviços prestados da seguinte forma: INSS Demonstrativo do Contribuinte Mês Retenção PA Serviços Dedução Retenção Fevereiro 18.768,61 01/97 452.256,10 18.768,63 Março 36.817,35 02/97 434.279,95 18.022,62 Abril 19.288,38 03/97 484.902,42 20.123,45 Maio 19.901,88 04/97 486.226,60 20.178,40 Junho 19.849,69 05/97 478.305,86 19.849,69 Julho 20.037,75 06/97 482.837,56 20.037,76 Agosto 20.402,22 07/97 491.620,03 20.402,23 Setembro 21.237,00 08/97 481.244,73 19.971,66 Outubro 19.070,29 09/97 492.582,53 (1.374,75) 20.499,23 Novembro 19.233,86 10/97 481.541,80 (1.089,93) 20.029,22 Dezembro 19.530,47 11/97 482.077,20 (1.164,66) 20.054,54 Os documentos apresentados para 1999 evidenciam que freqüentemente existiam distorções entre a remuneração esperada pelo BESC e aquela reconhecida pelo INSS. Além do preço dos serviços prestados, valores a título de multa, dedução e inclusão eram considerados antes da apuração da remuneração devida, e sobre esta a retenção era calculada (fl. 296/309). Todavia, como se vê abaixo, as diferenças são imateriais: Mês BESC INSS Retenção 03/99 517.157,48 517.153,58 36.459,33 04/99 512.519,64 512.514,34 36.132,26 06/99 518.118,87 518.118,87 36.527,38 Frente a este contexto, há evidências de que a contribuinte, de fato, prestou serviços ao INSS, em valores próximos aos consignados nos recibos juntados a estes autos, e, Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 12 11 em tais condições, eram esperadas retenções na fonte na forma do art. 64 da Lei nº 9.430/96. Assim, é mais razoável supor que a Autarquia Federal tenha promovido a retenção e, apenas, descumprido as obrigações acessórias de fornecer comprovantes de retenção e prestar a correspondente informação em DIRF. Tais retenções, por sua vez, poderiam ser inferidas a partir do valor dos serviços que teriam sido prestados, bem como da demonstração dos valores líquidos contabilizados em razão do direito daí decorrente. Todavia, há nos autos apenas indicações de como teria procedido a contribuinte, sendo necessário confirmar, junto à sua escrituração contábil, o efetivo reconhecimento da receita de serviços prestados ao INSS, bem como o seu recebimento líquido das retenções exigidas por lei. Recordese, outrossim, que as retenções passíveis de dedução na apuração de estimativas do IRPJ, e assim também da CSLL, são aquelas decorrentes de receitas incluídas na base de cálculo que ensejou a apuração do tributo a ser por elas reduzidos, na forma da Lei no 9.430/96 c/c a Lei no 8.981/95: Lei no 9.430/96 Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art.28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Lei no 8.981/95 Art. 34. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto apurado no mês, o imposto de renda pago ou retido na fonte sobre as Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 13 12 receitas que integraram a base de cálculo correspondente (arts. 28 ou 29), bem como os incentivos de dedução do imposto, relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador, ValeTransporte, Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas e Atividade Audiovisual, observados os limites e prazos previstos na legislação vigente. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano calendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do anocalendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) (negrejouse) Necessário, portanto, diligenciar junto à contribuinte para verificar quais valores, correspondentes a serviços prestados até setembro/98, e assim incluídos no balancete de suspensão/redução que resultou na apuração da estimativa daquele mês (fl. 72), deixaram de ser recebidos por conta das retenções exigidas pelo art. 64 da Lei nº 9.430/96, ainda que tais retenções tenham sido efetuadas posteriormente àquela apuração. Antes porém, é relevante registrar a possibilidade de outra interpretação acerca dos dispositivos mencionados, no sentido de que a dedução das retenções na fonte deve ser admitida no período em que efetuadas, se provada a inclusão das receitas correspondentes na determinação do lucro tributável daquele, ou de outro período de apuração, em observância às regras aplicáveis ao reconhecimento contábil da receita. Nesta segunda visão, as retenções efetivadas de janeiro a setembro/98 poderiam ter sido utilizadas para liquidação da CSLL apurada no balancete de redução de setembro/98, desde que as receitas das quais elas decorreram tivessem sido regularmente oferecidas à tributação, mesmo em outro período de apuração. Por tais razões, voto por CONVERTER EM DILIGÊNCIA o presente julgamento, para que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, tendo em conta os demonstrativos de fls. 262/263, confirme, junto à sua escrituração: a) os registros contábeis e documentação comprobatória das receitas auferidas e oferecidas à tributação até setembro/98, em razão de serviços prestados ao INSS, bem como o seu posterior recebimento pelo valor líquido, de forma a determinar os valores efetivamente retidos em razão das receitas auferidas até setembro/98, para deles destacar a parcela correspondente à CSLL; Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 14 13 b) os registros contábeis e documentação comprobatória das retenções na fonte promovidas pelo INSS de janeiro a setembro/98, evidenciadas pela contabilização do recebimento líquido dos serviços prestados nestes ou em outros períodos, bem como a comprovação da inclusão das receitas que ensejaram tais recebimentos na base de cálculo da CSLL dos períodos de apuração pertinentes. Ao final, deve ser elaborado relatório circunstanciado das providências adotadas, evidenciandose as retenções confirmadas e as receitas oferecidas à tributação em ambas as hipóteses citadas, disto cientificandose a contribuinte, com reabertura do prazo do 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. O resultado desta primeira diligência foi assim abordado na Resolução nº 1101000.120: RELATÓRIO [...] A autoridade fiscal responsável pela diligência intimou a sucessora da contribuinte a comprovar o que exigido nos dois tópicos finais da Resolução nº 110100.014, acima transcritos (fl. 322) e, depois de requerer cópia deste processo administrativo (fl. 325), a intimada requereu e obteve prorrogações de prazo para atendimento à requisição fiscal (fl. 330 e 336). Na seqüência, consta Demonstrativo das Tarifas pagas pelo INSS – 1997/1998 (fls. 332/333) e posterior resposta da intimada, apresentando os registros contábeis das receitas auferidas do INSS e oferecidas à tributação dos meses de Janeiro até dezembro de 1997, conforme tabela, que totaliza em R$ 235.912,59 as retenções sofridas. Nova reprodução do Demonstrativo das Tarifas pagas pelo INSS – 1997/1998 é acompanhada de reprodução do Livro Razão com lançamentos de 01/01/97 a 31/12/97 (fls. 344/374). Ao final, a autoridade fiscal responsável pela diligência relata os procedimentos realizados e conclui que: 4. Dá análise da documentação apresentada pelo contribuinte, confirmase o recebimento dos registros contábeis do período, destacados pelo próprio os valores em amarelo (fls. 352, 354, 356, 358, 360, 362, 364, 366, 367, 369, 371 e 373) segundo resumido em tabela a fl. 342 da resposta, para os valores líquidos dos meses de janeiro a dezembro de 1997. 5. Ressaltamse os lançamentos a crédito de R$ 14.866,02 (fl.358), de R$ 39.985,85 (fl. 360) e R$ 77,32 (fl. 364) não incluídos como receita líquida para os meses de abril, maio e julho respectivamente (fls. 126.381, 119.226 e 137.033 em ordem do razão). Cientificada, a sucessora da contribuinte não se manifestou, e os autos foram devolvidos a este Conselho. (fls. 375/377). Em razão de sorteio, os autos foram distribuídos ao Conselheiro Marciel Eder Costa, que os devolveu para distribuição a esta Turma Ordinária, em razão do disposto no art. 49, §7o do Anexo II do RICARF (fls. 757/762 do processo digitalizado). VOTO Como relatado, a homologação parcial da compensação decorreu da não comprovação dos valores consignados na composição do saldo negativo de CSLL do anocalendário 1998 sob a rubrica “outras” compensações, no valor de R$ 132.061,77. Deste montante, a interessada vinculou a parcela de R$ 110.537,08 a retenções de CSLL promovidas pelo INSS, e somente em relação a ela circunscreveuse a argumentação tecida em recurso voluntário. Inicialmente, assim demonstrou a composição de referida parcela, às fls. 168: Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 15 14 Durante a diligência, as deduções promovidas pelo INSS por ocasião do pagamento dos serviços prestados foram alteradas, bem como o cálculo da CSLL retida, que assim acabou tendo seu total elevado para R$ 111.585,19, conforme demonstrado à fl. 332: De toda sorte, as retenções permaneceram vinculadas a receitas que teriam sido auferidas de janeiro/97 a setembro/98, mas recebidas de janeiro/98 a outubro/98, com o conseqüente registro (possivelmente contábil) da retenção de 24/08/98 a 15/10/98. Diante deste semelhante contexto verificado por ocasião da expedição da Resolução nº 110100.014, esta Relatora requereu que fosse confirmado junto à escrituração da interessada os os registros contábeis e documentação comprobatória das receitas auferidas e oferecidas à tributação até setembro/98, em razão de serviços prestados ao INSS, bem como o seu posterior recebimento pelo valor líquido, de forma a Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 16 15 determinar os valores efetivamente retidos em razão das receitas auferidas até setembro/98, para deles destacar a parcela correspondente à CSLL. Subsidiariamente requereuse a identificação, apenas, das retenções promovidas de janeiro a setembro/98, com vistas a subsidiar outro direcionamento decisório mais restritivo quanto à admissibilidade de tais deduções. Contudo, como relatado, a interessada apenas demonstrou o registro contábil das receitas auferidas de janeiro a dezembro/97, assim enunciadas na petição de fl. 342: Constatase nos registros apresentados que as receitas antes vinculadas a períodos de apuração a partir de janeiro/97, em verdade, estão contabilizadas a partir de fevereiro/97, mas somente mediante demonstração do creditamento do valor líquido recebido em lançamentos do Livro Razão na conta nº “7.1.7.99.003 18.00.000 Tarifas do INSS”, e ainda com divergência de valores nos meses de abril, maio e junho/97, como apontado pela autoridade fiscal responsável pela diligência. Supondose que a conta nº “7.1.7.99.003 18.00.000 Tarifas do INSS” prestese ao registro de receitas auferidas em tais operações, a dúvida apresentada por ocasião da Resolução nº 110100.014 não está solucionada. Como ali consignado, buscava se uma prova substitutiva das retenções sofridas pela interessada em razão de serviços prestados ao INSS, a qual estaria expressa em sua contabilidade, a evidenciar quais montantes deixaram de ser recebidos por conta das retenções exigidas pelo art. 64 da Lei nº 9.430/96. Por sua vez, a prova apresentada demonstra o registro das receitas pelo valor líquido que teria sido recebido, o que infirma a existência de retenções. Isto porque, as receitas de prestação de serviço devem ser registradas por seu valor bruto, e apenas o direito de crédito em favor do tomador do serviço é minorado pelas retenções que serão praticadas. O direito de crédito, inclusive, pode ser contabilizado a débito pelo valor bruto da receita a ser recebida, e a retenção registrada apenas por ocasião do recebimento deste crédito já reduzido pela retenção. Em tais condições, o ativo correspondente ao recebimento será debitado pelo valor líquido recebido, e um outro direito surgirá pelo débito da retenção sofrida, correspondente à antecipação de tributo que poderá ser deduzida na sua apuração final. No presente caso, se a contribuinte registrou as receitas decorrentes dos serviços prestados pelo valor líquido a ser recebido, sua contabilidade não evidenciará as retenções sofridas, pois no momento do recebimento do direito este será baixado pelo valor líquido recebido, sem a possibilidade de contrapartida constitutiva do direito representado pela antecipação do tributo. E isto em razão de a receita ter sido contabilizada por valor inferior ao bruto auferido. Conseqüência disto é não só a redução do lucro apurado no período, como também a impossibilidade de aferir Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 17 16 se as retenções pertinentes a receitas auferidas antes do anocalendário 1998 foram, eventualmente, utilizadas em deduções anteriores. Necessário, portanto, não só identificar a natureza da conta nº “7.1.7.99.003 18.00.000 Tarifas do INSS”, como também a prática contábil adotada pela contribuinte para registro completo das operações resultantes dos serviços prestados ao INSS. Oportuno registrar, porém, que em procedimento fiscal desenvolvido em paralelo para verificação das retenções sofridas pela mesma contribuinte no âmbito do imposto de renda (processo administrativo nº 11516.003199/200395), a autoridade fiscal responsável constatou e demonstrou que a contabilização das receitas na mesma conta em referência foi realizada pelo seu valor bruto, de modo que o direito também reconhecido pelo valor bruto foi liquidado em contrapartida a disponibilidades e a conta representativa de imposto a recuperar. Incompreensível, portanto, a razão de, no presente caso, a conta nº “7.1.7.99.003 18.00.000 Tarifas do INSS” apresentar registros equivalentes aos valores que a contribuinte, em seus demonstrativos, aponta ser o líquido recebido do INSS. Por tais razões, o presente voto é no sentido de, novamente, CONVERTER EM DILIGÊNCIA o presente julgamento, para que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, tendo em conta os demonstrativos de fls. 262/263 e aqueles agora apresentados às fls. 332 e 342, confirme, junto à sua escrituração os registros contábeis e documentação comprobatória das receitas auferidas e oferecidas à tributação até setembro/98, em razão de serviços prestados ao INSS, bem como o seu posterior recebimento pelo valor líquido, de forma a determinar os valores efetivamente retidos em razão das receitas auferidas até setembro/98, para deles destacar a parcela correspondente à CSLL. Significa dizer que a contribuinte deverá demonstrar os lançamentos contábeis promovidos por ocasião da prestação dos serviços ao INSS e de seu recebimento, apresentando os registros correspondentes no Livro Razão e esclarecendo a natureza das contas contábeis envolvidas, para assim identificar a origem das retenções de CSLL no valor de R$ 110.537,08 deduzidas em sua apuração no balancete de suspensão/redução de setembro/98. Ao final dos trabalhos, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório circunstanciado dos procedimentos desenvolvidos e decorrentes conclusões, disto cientificando a interessada com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. Intimada (fl. 789), a sucessora da contribuinte, depois de pedir e lhe ser concedida prorrogação de prazo (fls. 794/800), prestou os esclarecimentos de fls. 807/878, assim abordados na Informação Fiscal de fls. 880/882: Em sua resposta, a Contribuinte apresentou os documentos arrolados a seguir, cuja análise revela que: a) razão diário mensal (fls. 817/838), contendo, essencialmente, as mesmas informações apresentadas anteriormente no razão diário (fls. 705/747), relativamente ao anobase de 1997, acrescido de: a.1) razão diário mensal do anobase de 1998, meses de janeiro a setembro (fls. 830/838), que confirma os registros contábeis pelos valores líquidos do período em destaque, nos termos da planilha de fls. 667, observandose pequenas divergências para os registros ocorridos nos meses de agosto e setembro do referido período (fls. 837/838); Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 18 17 b) planilha contendo os registros contábeis efetuados na conta “1.8.8.45.006 2000000 Contribuição Social (a compensar)”, acompanhada do razão diário mensal do período fevereiro/1997 a setembro/1998 (fls. 821 e 841/876), onde se destaca os lançamentos a crédito na referida conta. Em uma primeira análise, não se observa relação entre tais lançamentos e os valores de CSLL supostamente retidos pelo INSS, embora a Interessada alegue (fls. 808) que o lançamento no valor de R$ 118.960,72, realizado no dia 28/08/1998, tenha sido decorrente das retenções realizadas pelo INSS; c) comprovante anual de rendimentos e de retenção de IRRF, anocalendário de 1998 (fls. 878), cujos valores (rendimento bruto e imposto retido) são coincidentes, salvo pequenas divergências, com os valores apresentados na planilha de fls. 667. 5. Por fim, há que se observar que permanece incerta a natureza das contas contábeis envolvidas na prestação de serviços ao INSS, muito embora a Interessada alegue (fls. 808) tratarse de conta de resultado (7.1.7.99.003 1800000) e de ativo (1.8.8.45.006 2000000). Todavia, os lançamentos observados no razão, no que diz respeito à primeira de tais contas, são realizados pelo valor líquido recebido, conforme visto acima, o que leva a crer que se trata de conta de recebimento de receitas em virtude de anterior prestação de serviço. Nesse sentido, faltou à Contribuinte demonstrar os lançamentos contábeis realizados quando da efetiva prestação de tal serviço. Cientificada da informação fiscal em 03/11/2015 (fls. 883/885), a sucessora da contribuinte requereu cópia do processo e manifestouse em 13/11/2015 (fls. 892/1007), afirmando a regularidade de sua conduta e esclarecendo especialmente que: · O incorporado BESC segue o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF) e a conta Cosif nº 7.1.7.99.00 3 1800000 é integrante do desdobramento denominado Rendas de Prestação de Serviços (Cosif nº 7.1.7.00.009 que, por sua vez, está inserido no grupamento de Receitas Operacionais (Cosif nº 7.1.0.00.008) pertencentes ao lucro líquido antes da CSLL. Por sua vez, a conta nº 1.8.8.45.006 possui natureza de conta do ativo representativa de impostos e contribuições a compensar; · Os serviços foram efetivamente realizados, os comprovantes contratuais constam dos autos, os recibos de prestação de serviços foram emitidos e ofícios do INSS ratificam as operações; · O comprovante anual de rendimentos apresentado em resposta ao termo de intimação nº 511/2015 evidencia crédito de R$ 114.893,97, considerando as operações de 1997 e 1998. Tal montante supre o valor objeto de controvérsia neste processo (R$ 110.537,08); Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 19 18 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como relatado, a homologação parcial das compensações declaradas pela contribuinte decorreu da não confirmação do valor de R$ 132.061,77, classificado como "outras compensações" e indicado para liquidação da estimativa de CSLL devida em setembro/98. Em recurso voluntário, para justificar esta parcela, a contribuinte alegou retenções de CSLL promovidas pelo INSS no valor de R$ 110.537,08, as quais, por ocasião da primeira diligência, tiveram seu valor total alterado para R$ 111.585,19. Na segunda diligência a contribuinte apresentou o seguinte Comprovante Anual de Rendimentos emitido pelo INSS Instituto Nacional do Seguro Social: Observase que as retenções indicadas correspondem a 4,15% do rendimento bruto. Assim, na forma da Instrução Normativa Conjunta SRF/STN/SFC nº 4/97, citada no relatório, as retenções correspondentes à CSLL representariam o total de R$ 33.400,11, como abaixo demonstrado: Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 20 19 Mês Rendimento IRPJ (2,4%) CSLL (1%) PIS (0,75%) TOTAL (4,15%) 01/98 489.516,72 11.748,40 4.895,17 3.671,38 20.314,93 02/98 487.483,20 11.699,60 4.874,83 3.656,12 20.230,55 03/98 513.959,56 12.335,03 5.139,60 3.854,70 21.329,32 04/98 520.910,12 12.501,84 5.209,10 3.906,83 21.617,76 05/98 616.808,03 14.803,39 6.168,08 4.626,06 25.597,52 07/98 711.333,20 17.072,00 7.113,33 5.335,00 29.520,32 Total 3.340.010,83 80.160,26 33.400,11 25.050,08 138.610,45 Referido documento, portanto, não dispensa a análise da prova contábil das demais retenções alegadas pela recorrente. E, com referência a estas, a recorrente informou, às fls. 807/809 que: · As receitas auferidas pela prestação de serviços ao INSS de janeiro/97 a setembro/98 foram registradas na conta nº 7.1.7.99.003 1800000 (Tarifas do INSS), devidamente oferecidas à tributação. Às fls. 817/838 constam cópias do Razão Diário Mensal, nas quais a referida conta recebe, em regra, acréscimos a crédito (com exceção de alguns registros esporádicos, e de menor valor, a débito), acumulando R$ 3.987.719,38 em 31/12/97, data na qual tal saldo é zerado mediante lançamento equivalente a débito, e R$ 3.068.602,10 em 30/09/98; e · Os direitos representados pelas antecipações de CSLL foram registrados na conta nº 1.8.8.45.006 2000000 (Contribuição Social a compensar), inexistindo qualquer compensação de tais créditos em 1997, e restando saldo em 1998 depois das compensações promovidas. Às fls. 841/876 constam cópias do Razão Diário Mensal, nas quais a referida conta traz saldo de 31/12/96 no valor de R$ 1.310.734,71 e recebe débito para depois ter seu saldo zerado em 31/01/97, seguindose a partir de fevereiro/97 outros lançamentos a débito até alcançar o saldo de R$ 4.757.012,64 que permanece de 29/08/97 até 20/01/98, quando crédito de R$ 3.385.166,26 reduz o saldo a R$ 1.371.846,38, valor que se mantém até nova redução de R$ 9.556,12 em 30/04/98 e subsequentes créditos e débitos a partir de 19/05/98, restando saldo a débito de R$ 1.724.825,11 em 30/09/98; A recorrente afirmou, ainda, que o lançamento promovido a débito da conta nº 1.8.8.45.006 2000000, no valor de R$ 118.960,72, contém as retenções realizadas pelo INSS. Considerando a apresentação do comprovante de rendimentos referentes a 1998 (porque o INSS não mais disporia das informações referentes a 1997), bem como a existência de saldo suficiente na conta nº 1.8.8.45.006 2000000, a recorrente entendeu demonstrada a existência do direito a compensar do crédito de CSLL retida por terceiros da empresa, hábil a homologar integralmente a compensação declarada. Primeiramente observese que o título da conta nº 7.1.7.99.003 1800000 não é, apenas, "Tarifas do INSS", mas sim "Tarifas do INSS e FGTS". Assim, a partir do título e da natureza da conta, é possível concluir que a contribuinte reconheceu contabilmente Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 21 20 receitas advindas da prestação de serviços ao INSS e ao FGTS, bem como que o montante de R$ 3.987.719,38 foi levado a resultado ao final do anocalendário 1997. Existe a possibilidade, também, de os valores acumulados até 30/09/98 (R$ 3.068.602,10) terem integrado a base de cálculo da estimativa de setembro/98. Todavia, o confronto de tais registros contábeis com a planilha de fl. 168, elaborada pela recorrente, mantém a evidência de que receitas provenientes dos serviços ao INSS foram contabilizadas pelo valor líquido da retenção. Há coincidência em vários meses entre o valor líquido que seria devido pelo INSS e a receita contabilizada. É certo que vários outros lançamentos a crédito constam da referida conta contábil. Porém, apesar de o voto condutor da Resolução nº 1101000.120 ter sido claro acerca da necessidade desta prova, a contribuinte não logrou evidenciar que computou no resultado tributável, integralmente, as receitas auferidas em razão das retenções que teriam sido promovidas pelo INSS, subsistindo, inclusive, a possibilidade de os excedentes decorrerem de tarifas pela arrecadação de FGTS, acerca das quais não há qualquer esclarecimento adicional. A contribuinte deveria demonstrar os lançamentos contábeis promovidos por ocasião da prestação dos serviços ao INSS e de seu recebimento, apresentando os registros correspondentes no Livro Razão e esclarecendo a natureza das contas contábeis envolvidas, correlacionando individualmente as operações com os registros contábeis, e não apenas demonstrar a evolução mensal do saldo contábil da conta de receita. Destaquese que o Razão Diário Mensal consolida os movimentos por dia, e assim não indica a conta que recebeu a contrapartida dos lançamentos. Quanto aos registros na conta nº 1.8.8.45.006 2000000 (Contribuição Social a compensar), é possível inferir pelo volume das operações que nela eram registradas não só retenções, como também antecipações a título de estimativa. Isto porque no anocalendário 1998, as retenções inicialmente alegadas representaram, apenas, R$ 132.061,77, e a referida conta estampava saldo de R$ 1.724.825,11 em 30/09/98, valor próximo das estimativas até então apuradas, na forma do quadro inicial apresentado no relatório. E tal inferência é feita porque, também aqui, a contribuinte não demonstrou os lançamentos contábeis promovidos nesta conta, mas apenas a evolução mensal de seu saldo. Tal demonstração é imprestável para identificar a origem das retenções de CSLL no valor de R$ 110.537,08 deduzidas em sua apuração no balancete de suspensão/redução de setembro/98, como requerido na Resolução nº 1101000.120. Resta, assim, apenas a afirmação de que o lançamento promovido a débito da conta nº 1.8.8.45.006 2000000, no valor de R$ 118.960,72, contém as retenções realizadas pelo INSS, desacompanhada da demonstração integral do lançamento contábil e da documentação de suporte. Em sua manifestação ao final da segunda diligência, a recorrente destaca que os comprovantes contratuais que demonstram os serviços prestados, já se encontram nos autos. De fato, como relatado, há contratos e recibos de prestação de serviços juntados aos autos, porém, a recorrente somente apresentou extratos mensais de sua contabilidade, a partir dos quais não é possível conferir, de forma individualizada, os lançamentos contábeis daquelas operações, e esta foi a demonstração exigida por ocasião da Resolução nº 1101000.120. Por esta razão, também, não se admite, como alega a recorrente na manifestação ao final da segunda diligência, que seria suficiente a prova das retenções feita por meio dos Ofícios INSS e recibos de pagamento apresentados por ocasião da impugnação. Não houve prova contábil de que as receitas foram integralmente oferecidas à tributação e de que os rendimentos foram recebidos da fonte pagadora pelo valor líquido. À míngua de tais esclarecimentos não é possível, sequer, reconhecer as retenções de R$ 33.400,11 evidenciadas no Comprovante Anual de Rendimentos apresentado por ocasião da segunda diligência. Inexiste qualquer identidade entre os rendimentos brutos Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11516.003123/200360 Acórdão n.º 1302001.831 S1C3T2 Fl. 22 21 mensais indicados em tal documento e as receitas acrescidas à conta nº 7.1.7.99.003 1800000, que pudesse suprir a falta de demonstração individualizada dos lançamentos contábeis decorrentes dos serviços prestados. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 15/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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