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Numero do processo: 10735.003911/2003-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3201-002.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 39 11 /2 00 3- 17 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 2 Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório SENDAS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, opõe Embargos de Declaração, com fulcro nos artigos 64 e 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em face de suposta omissão constante do Acórdão nº 3802004.026, em sessão de 27/01/2015, cuja ementa abaixo reproduzo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.Recurso Voluntário o qual se nega provimento. A 2a Turma Especial da 2a Câmara da 3a Seção decidiu, por por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Bruno Macedo Curi e Cláudio Augusto Pereira, que votaram para converter o julgamento em diligência. Cientificada da referida decisão, o sujeito passivo, tempestivamente, interpôs embargos de declaração. Em síntese, a embargante Sendas sustenta omissão ao julgado, tendo em vista que no momento inicial (ou seja, no despacho decisório e na manifestação de inconformidade), alegouse que a mesma só poderia compensar os valores mensalmente, não podendo utilizar créditos pretéritos, o que foi combatido via recurso voluntário; e, no julgamento do recurso voluntário, passouse a alegar suposta ausência de documentos que comprovassem o crédito pleiteado. Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente da Turma, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10735.003911/200317 Acórdão n.º 3201002.088 S3C2T1 Fl. 180 3 O Sujeito Passivo opõe embargos de declaração ao acórdão citado, alegando omissão ao julgado, tendo em vista que no momento inicial, ou seja, através do despacho decisório e manifestação de inconformidade, foi declarado que a mesma só poderia compensar os valores mensalmente, não podendo utilizar créditos pretéritos, o que foi combatido via recurso voluntário; e, no julgamento do recurso voluntário, passouse a alegar suposta ausência de documentos que comprovassem o crédito pleiteado. Complementa a embargante que cumpre ressaltar que, se a autoridade julgadora de segunda instância, não seguiu o mesmo critério jurídico adotado anteriormente, e apenas entendeu pela ausência de documentos que comprovassem o crédito pleiteado, resta claro que o feito deveria ter sido convertido em diligência; ou, então, os julgadores teriam que analisar se tal procedimento de alteração do fundamento não ofendia ao art. 146, do CTN, questão obrigatória que restou omitida no presente feito. E, ainda, os julgadores alegaram carência de comprovação documental do crédito, mas nada disseram a respeito das planilhas e balancetes juntados aos autos; ora, não eram suficientes estes documentos ? Não houve manifestação ou, no mínimo, esta questão não ficou nem um pouco clara, merecendo também ser sanada esta questão que se afigura como omissão e/ou obscuridade. Versa o presente processo de exame da declaração de compensação (Dcomp) onde se pleiteia o reconhecimento da existência de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep, apurados segundo o regime de incidência nãocumulativa da referida Contribuição (total: R$ 1.672,03), referente ao período de apuração de setembro de 2003 (PA 09/2003), conforme expresso no Demonstrativo “Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep”, a serem compensados com débito do próprio PIS (código 6912), referente ao período de apuração de novembro de 2003 (PA 11/2003), no valor de R$ 1.672,03. Através do Despacho Decisório não homologou a Dcomp, por insuficiência de crédito, sob os seguintes fundamentos: para verificar a legitimidade e materialidade do crédito pleiteado, foram analisados os documentos constantes de fls. 20 a 64 do processo nº 10735.003582/200304 (planilhas de cálculo do PIS sobre o faturamento referente aos meses de setembro/2003 e outubro/2003; planilha de encargos de depreciação; balancetes dos meses de dezembro/2002, setembro/2003 e outubro/2003), além dos Dacon e DCTF referentes aos períodos de apuração 10/2003 e 11/2003; conforme os valores de depreciação indicados pelo contribuinte (no processo nº 10735.003582/200304) e encontrados no Dacon para os períodos de apuração (PA) 10/2003 e 11/2003, a análise procedida para o citado PA 10/2003 demonstrou que o contribuinte não tem crédito de PIS/Pasep para ser utilizado em competências posteriores (cf. tabela com a demonstração do cálculo do PIS/Pasep, constante do Parecer nº 039/2008, v. fl. 18), propondose, por inexistência de crédito, nesses termos, a não homologação da Declaração de Compensação à inicial. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 4 O julgamento de primeiro instância ratificou o despacho acima e julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação integrante da declaração de compensação. Por sua vez, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, argumentando que o aproveitamento de forma extemporânea dos créditos do PIS contados de dez/02 a set/03 sobre os encargos de depreciação, deuse exclusivamente, em razão de divergência de entendimento adotada pela Receita Federal à época, (cita as soluções de Consulta n° 62/03 e 26/03), relativamente à possibilidade dos contribuintes que não exercessem atividades industriais de se aproveitarem dos créditos do PIS, o que foi pacificado apenas em vigor da IN SRF n° 358/03. Acrescenta que não prospera a alegação de que a utilização dos créditos não poderia ocorrer de forma acumulada, posto que não há vedação legal ao aproveitamento dos créditos de encargos de depreciação em momento posterior ao mês em que for apurado, devendo apenas, se respeitar o prazo prescricional de 5 anos. Relatados os fatos acima, sobre o que versa o processo, o decidido através do despacho decisório, da decisão DRJ e os argumentos da empresa, passo a comentar sobre o voto proferido. Com efeito, não posso deixar de reproduzir o voto, abaixo transcrito: O litígio referese à possibilidade ou não de apropriar, no mês de setembro de 2003, créditos da nãocumulatividade do PIS/Pasep, decorrentes de encargos de depreciação, incorridos não somente no referido mês como também em meses anteriores de apuração (dezembro de 2002 a agosto de 2003, conforme planilha à fl. 23 do processo de n° 10735.003582/200304). O pleito originase do processo nº 10735.003582/200304, o qual foi analisado e julgado em conjunto com este processo pela primeira instância, logo, registrese, como já ressaltado: .............. Inicialmente, transcrevese trecho da DRJ, que dispõe: ....... No presente caso, como há disposição legal expressa de que os créditos oriundos dos encargos de depreciação são aqueles exclusivamente incorridos no mês (cf. art. 3º, § 1º, III, da Lei nº 10.637/2002), chegase à conclusão de que o contribuinte formulou mal o seu requerimento/declaração, incluindo em único mês (setembro/2003) os encargos de meses anteriores de apuração, ao invés de proceder ao cálculo de eventual saldo de créditos existentes em cada um dos meses envolvidos na apuração. Além disso, é certo, a documentação acostada aos autos não nos permite aferir se em cada um dos meses de apuração compreendidos entre dezembro/2002 e setembro/2003, há saldo de créditos, determinado somente após a dedução da contribuição devida em cada um destes meses, passível de utilização em meses subsequentes de apuração. (Passa ao voto:) Observase que os créditos a que se refere, a recorrente, do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.637/2002, passíveis de utilização em meses Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10735.003911/200317 Acórdão n.º 3201002.088 S3C2T1 Fl. 181 5 subsequentes de apuração, não mencionam, especificamente, ao crédito oriundo dos encargos de depreciação, ou mesmo de qualquer outro, unicamente, dentre aqueles relacionados no caput do referido dispositivo legal, mas, de outro modo, ao saldo de créditos porventura existente em um determinado mês, após dedução da totalidade dos créditos passíveis de apropriação com a contribuição (PIS/Pasep) devida no mês de referência, conforme IN SRF nº 291, de 03/02/2003, que regulamenta os arts. 1º a 6º da Lei nº 10.637/2002, e vigente à ocasião de ocorrência dos fatos geradores. Somente os créditos da nãocumulatividade decorrentes de tais encargos de depreciação, incorridos no mês, são passíveis de apropriação na apuração da contribuição devida nesse mesmo mês (no caso, em setembro de 2003), cf. art. 3º, § 1º, III, da Lei nº 10.637/2002). Ainda, apenas o saldo de créditos, acaso, existente e não utilizado em um determinado mês saldo esse obtido após deduzirse da totalidade dos créditos da nãocumulatividade a contribuição (PIS/Pasep) devida no mês poderá sêlo nos meses subsequentes, nos termos do parágrafo 4º do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002. Portanto, por conta da sistemática da nãocumulatividade de apuração dos débitos da contribuição, caso de se aproveitar de seus créditos em um determinado mês – não só os créditos de encargos de depreciação, mas também em relação a todos os demais créditos passíveis de apropriação, conforme art. 3º, caput, da Lei nº 10.637/2002 a apuração de tais créditos do PIS/Pasep não se esgota com a simples aplicação da alíquota de (1,65%) sobre as aquisições, custos, despesas e encargos que os originaram, mas apenas após o desconto da contribuição devida nesse mesmo mês. Então, o eventual saldo de créditos resultante de tal confronto (débito x crédito) em um dado mês é que pode ser utilizado na dedução da contribuição porventura devida em meses subsequentes de apuração. Não resta comprovado que a recorrente apurou o crédito mês a mês e não teve como utilizar, bem como não foi demonstrado em Dacon, por exemplo. Assim sendo, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não –homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 6 escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. ........ Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Pelo exposto, a recorrente, não apresentou a documentação, bem como não demonstrou os cálculos que supostamente dariam origem aos alegados créditos, nos respectivos meses. Bem como, não explicou a forma de apuração dos créditos dos encargos de depreciação em apreço. ...... Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. O voto foi no sentido que não houve o direito, tampouco a prova trazida foi suficiente para comprovar os argumentos. Foi citada a doutrina e remissão textual que a prova era insatisfatória, evidente que a legislação aplicada no contexto do fato gerador; levando em conta que a depreciação utilizada deixa de ser o valor global de dezembro de 2002 a setembro de 2003 e passa a ser (apenas) a própria depreciação do mês de setembro de 2003 (cálculo mês a mês), não havendo qualquer alteração de fundamentação, como declara a embargante. O que foi debatido durante o julgamento, levantado pelos Conselheiros Bruno e Cláudio, e discutido bem foi na possibilidade de converter os autos em diligência, no sentido de confirmar se a empresa já pedira em duplicidade o eventual direito, se já tinha utilizado em período anterior (pelo regime normalmês a mês) e ainda, verificar a materialidade, se realmente, os encargos eram naquele montante informados (invocados pela recorrente), já que seria como um pedido extemporâneo, que deveria, se assim, fosse entendido, averiguado , com cautela, se vencida a conversão dos autos em diligência. Então, toda a discussão levantada, por conta da possibilidade de diligência e mediante a documentação trazida pela empresa, pode ter havido uma falha no voto, em deixar bem claro e definido que não caberia mais a diligência, averiguação, pois o que foi trazido como prova não comprovava o montante o direito ao crédito, tendo em vista a legislação que somente os créditos da nãocumulatividade decorrentes de tais encargos de depreciação, incorridos no mês, são passíveis de apropriação na apuração da contribuição devida nesse mesmo mês (no caso, em setembro de 2003), cf. art. 3º, § 1º, III, da Lei nº 10.637/2002), ou seja, encargos mês a mês. Ressaltese, pois, que o julgamento, foi negado, por maioria de votos, sendo desnecessária a diligência levantada, enfim, suplantada essa fase. Com a devida vênia, não há que se falar em omissão no referido acórdão, fundado que está em legítima interpretação da norma por parte do colegiado que julgou a lide, não obstante não ter se pronunciado a despeito pela não conversão dos autos em diligência, Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 10735.003911/200317 Acórdão n.º 3201002.088 S3C2T1 Fl. 182 7 tendo em vista, tratarse de pedido extemporâneo. Se a embargante não se conforma com aludido entendimento (que não restou comprovado que a recorrente apurou o crédito mês a mês e não teve como utilizálo, e se eventualmente restou algum saldo), tem a seu dispor a possibilidade de interpor recurso especial, como faculta o artigo 67 do anexo II do Regimento do CARF. Feitas as considerações supra, voto no sentido de conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração opostos pela Sendas, tendo em vista que as matérias foram tratadas no acórdão. Destarte, não se acolhem os embargos de declaração, por omissão a que alude a embargante, quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Da conclusão Diante do exposto, voto para que seja conhecido e rejeitado o recurso formulado pela embargante. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 188DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 6/04/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 13/04/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 11060.723321/2012-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. SÚMULA CARF 63.
Somente pode ser compensado o imposto de renda retido na fonte correspondente aos rendimentos tributáveis incluídos na base de cálculo.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Tendo o contribuinte recebido valores, provenientes de ação judicial, que não se referem a rendimentos de aposentadoria, reforma remunerada ou pensão, não podem ser eles classificados como isentos, mas como tributáveis.
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. SÚMULA CARF 63. Somente pode ser compensado o imposto de renda retido na fonte correspondente aos rendimentos tributáveis incluídos na base de cálculo. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Tendo o contribuinte recebido valores, provenientes de ação judicial, que não se referem a rendimentos de aposentadoria, reforma remunerada ou pensão, não podem ser eles classificados como isentos, mas como tributáveis. IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Márcio de Lacerda AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 33 21 /2 01 2- 30 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Martins (Suplente convocado), que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11060.723321/201230, em face do acórdão nº 1042.390, julgado pela 8ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Mediante Notificação de Lançamento de fls. 12/15, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento da importância de R$ 9.256,99, incluída a multa de mora e os juros de mora calculados até 31/07/2012, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual do exercício de 2008, anocalendário de 2007. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 13, a fiscalização informa ter constatado compensação indevida de IRRF no valor de R$ 14.784,55 referente à fonte pagadora Universidade Federal de Santa Maria. O relatório destaca que “embora tenha constatado a dedução nas planilhas de cálculo, tal importância não foi recolhida, tendo sido discutida a não incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos (URP 89) no processo judicial nº 00272.701/904 (Alcebíades Gazzani e outros), tendo em vista ser portador de moléstia grave. A devolução do valor descontado a título de imposto de renda deu Fl. 117DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11060.723321/201230 Acórdão n.º 2202003.423 S2C2T2 Fl. 117 3 se no ano 2009, conforme Alvará apresentado, expedido em 28/05/2009, passando a representar rendimento tributável no ano do recebimento (rendimento não abrangido pela isenção IR moléstia grave)”. Às fls. 14, constam as seguintes informações: “Ajuste no rendimento tributável no valor de R$ 33.753,42 referente ao processo judicial nº 00272.701/904 (Alcebíades Gazzani e outros) movido contra a UFSM relativo à URP 89 II. Rendimento Tributável Bruto R$ 47.023,08 (R$ 61.807,63 Rendimento Tributável Bruto, R$ 14.784,55 IRRF devolvido em 2009); Rendimento Tributável (FGTS) R$ 1.232,00 (2,62%). Os honorários advocatícios pagos são dedutíveis do rendimento tributável proporcionalmente à natureza deste. Total honorários pagos R$ 12.361,53. Rendimento Tributável R$ 33.753,42 (R$ 45.791,08 rendimento tributável bruto, R$ 12.037,66 honorários proporcionais). De acordo com a legislação tributária, a isenção do IR por portador de moléstia grave abrange apenas os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A aposentadoria deuse em28/01/2004, sendo que o precatório pago referese a valores do ano 1990.” O notificado interpôs impugnação ao lançamento anexada às fls. 02/11 dos autos. Inicialmente alegou a nulidade do lançamento. Informou ter recebido valores por meio de processo judicial no ano 2007, quando já estava aposentado em razão de doença grave (cópia de portaria em anexo). Segundo referiu, independentemente de a verba recebida por meio de ação judicial se referir a período anterior à aposentadoria, deve ser considerada para fins de não incidência de IR a data do seu efetivo pagamento, sendo aplicável ao caso, a regra contida no inciso XIV, do art. 6º da Lei 7713/88. Citou o art. 43 do CTN. Observou que, na hipótese da manutenção do lançamento, o valor recebido deve ser tributado pelas regras vigentes no ano 2007, devendo também ser considerado o fato de que o contribuinte já estava aposentado por invalidez. Citou jurisprudência (ementas) cujas decisões reconhecem o direito à aposentadoria por invalidez de pessoas portadoras de moléstia grave. Afirmou que o lançamento tributário é inadequado, uma vez que deixou de recolher o imposto por força de decisão judicial, que julgou a verba isenta de tributação. No que tange à isenção do IR, destacou o fato de ter sido apreciada pelo juiz do processo anteriormente referido, que determinou a devolução de R$ 14.784,55 em 2009, sendo, portanto, inaceitável a sua classificação como rendimento tributável. Destacou o fato de que, ainda que fosse devido o pagamento do saldo de imposto apurado não seriam devidos a multa e os juros Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 de mora, porquanto estava protegido pela decisão judicial que lhe restituiu o imposto em 2009. No item 04, ao tratar da incorreção do cálculo, destacou a existência de previsão legal expressa sobre o fato gerador do imposto. Disse que esta legislação, assim como a que outorga a isenção, também deve ser interpretada literalmente, sendo irrelevante que os valores pagos sejam referentes ao ano de 1990, uma vez que foram pagos em 2007, quando já estava aposentado em razão de doença grave e seus proventos protegidos pela isenção. Segundo referiu, o lançamento em apreço se afigura equivocado também por desconsiderar o fato de que grande parte do valor recebido se refere a juros moratórios sobre os quais, reconhecidamente não pode haver incidência de juros. Citou jurisprudência. Com o objetivo de comprovar suas alegações, informou estar anexando aos autos cópia do cálculo realizado pela Advocacia Geral da União. Destacou o fato de ter informado o valor devido e o valor retido e de estar albergado por decisão judicial. Ao finalizar suas razões requereu: a) a anulação do presente lançamento fiscal em face das razões expostas; b) na hipótese da não declaração da nulidade do lançamento, que seja retirado o valor dos juros e da multa de mora; c) a oportunidade para produzir provas que se fizerem necessárias em especial a juntada de documentos. É o relatório. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 97/106, onde são reiterados os argumentos já lançados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. O presente lançamento se refere à compensação indevida de IR constatada pela fiscalização na declaração de ajuste anual do exercício 2008, incidente sobre rendimentos recebidos de pessoa jurídica, Universidade Federal da Santa Maria, decorrentes de ação judicial. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11060.723321/201230 Acórdão n.º 2202003.423 S2C2T2 Fl. 118 5 Conforme refere a fiscalização às fls. 14, “De acordo com a legislação tributária, a isenção do IR por portador de moléstia grave abrange apenas os rendimentos de aposentadoria/reforma ou pensão. A aposentadoria do notificado, conforme consignado no lançamento deuse em 28/01/2004, sendo que o precatório pago referese a valores relativos ao ano de 1990.” O recorrente em alega que informou ter recebido valores referentes à URP 89 II, por meio de processo judicial no ano 2007, quando já estava aposentado, em razão de doença grave. Segundo referiu, “independentemente de a verba se referir a período anterior à aposentadoria, deve ser considerada para fins de não incidência de IR a data do seu efetivo pagamento, sendo aplicável ao caso, a regra contida no inciso XIV, do art. 6º da Lei 7713/88”. Assim, o argumento de que por ocasião do recebimento dos valores, por meio do processo judicial, já estaria ao abrigo da isenção e por conseguinte não deveria incidir o imposto de renda, não merece prosperar, nos termos do estabelecido nos incisos XIV e XXI, do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988, no artigo 30 da Lei nº 9.250/1995. Portanto, os contribuintes terão direito à isenção do tributo se atenderem a dois prérequisitos legais de forma cumulativa: que os rendimentos recebidos possuam natureza de proventos de aposentadoria ou de reforma e que seja portador de moléstia grave, discriminada em lei. No caso dos autos, conforme registrado pela fiscalização no relatório do lançamento (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal) os valores recebidos se referem a período anterior à aposentadoria, do ano de 1990, relativos à URP 89 II. Portanto, os valores recebidos não estão enquadrados nas hipóteses indicadas na lei, devendo sim sofrer incidência tributária.a Ainda, de acordo com o processo de consulta nº 162/2005 da SRRF 6ª RF (DOU 16/06/2005), rendimentos que não sejam proventos de aposentadoria, como os de natureza salarial, ainda que recebidos no momento em que o beneficiário já se encontre aposentado, por motivo de invalidez, não são isentos do imposto de renda. Tal entendimento é corroborado pela Súmula CARF nº 63: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia grave deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Deste modo, os rendimentos recebidos pelo recorrente na referida ação judicial, por não serem provenientes de aposentadoria, deveriam ser classificados como tributáveis sujeitos ao ajuste, competindo à delegacia de origem as providências cabíveis quanto ao complemento do lançamento efetuado. Somente com a inclusão desses rendimentos na base de cálculo tem o contribuinte o direito a compensar o imposto retido, conforme determina o artigo 12 da Lei nº 9.250/1995: “Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 6 (...) V imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo;” Todavia, verificase que o contribuinte recebeu valores decorrentes de processo judicial movido pelo contribuinte em face da através da Universidade de Santa Maria, processo autuado sob o nº 00272.701/90, com trâmite na 1a. Vara do Trabalho de Santa Maria/RS. Assim, somente o contribuinte recebeu os valores da referida ação judicial no ano calendário 2007, de forma acumulada. Portanto, ao reclassificar o rendimento de isento para rendimento tributável, verificase que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Artigo 62 (...) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11060.723321/201230 Acórdão n.º 2202003.423 S2C2T2 Fl. 119 7 §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Tendo em vista que está sendo provido o presente recurso, deixase de analisar as demais questões de mérito alegadas no item 3 do recurso voluntário: inocorrência de mora e da inaplicabilidade de multa e juros. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal por vício material. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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Numero do processo: 12466.721579/2013-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 08/01/2009 a 20/09/2012
OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO.
Presume-se a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, contabilizados a título de antecipação, corroborado por outros documentos.
DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. NÃO LOCALIZAÇÃO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de importação, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO E/OU IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. REVELIA. EFEITOS.
Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora.
A ausência de impugnação ou sua intempestividade, por parte de sujeitos passivos solidários acarreta, contra os revéis, a preclusão temporal do direito de praticar os atos impugnatórios, prosseguindo, o litígio administrativo, no tocante aos demais. Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por qualquer um deles, não versando exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação a todos os autuados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/01/2009 a 20/09/2012 OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presumese a interposição fraudulenta de terceiro nas operações de comércio exterior em que não resta comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos financeiros. No caso concreto restou confirmado por meio da contabilidade da recorrente que os recursos financeiros eram repassados pelos interessados nas importações, contabilizados a título de antecipação, corroborado por outros documentos. DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. NÃO LOCALIZAÇÃO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de importação, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO E/OU IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. REVELIA. EFEITOS. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora. A ausência de impugnação ou sua intempestividade, por parte de sujeitos passivos solidários acarreta, contra os revéis, a preclusão temporal do direito de praticar os atos impugnatórios, prosseguindo, o litígio administrativo, no tocante aos demais. Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por qualquer um deles, não versando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 15 79 /2 01 3- 82 Fl. 5986DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação a todos os autuados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase o processo de Auto de Infração (fls. 03/556), através do qual a fiscalização, segundo declarado no Relatório de Ação Fiscal (RAF), constatou ocultação do real adquirente das mercadorias, em relação a 57 Declarações de Importação (DI) registradas no período de 2009 a 2012 (fls. 8/10), tendo sido formalizado exigência relativa a conversão da pena de perdimento em multa, por impossibilidade de apreensão das mercadorias. A acusação imputada à Recorrente se refere a prática de simulação na sistemática da operação de importação, com intuito de manter oculta a verdadeira importadora, o que é infração identificada como interposição fraudulenta de terceiros, além da evidente utilização de documentos com falsidade ideológica. De acordo com os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 04/05, foram consideradas como responsáveis solidárias as empresas NTN DO BRASIL LTDA (NTN) e COMERCIAL E IMPORTADORA DIRETA LTDA (DIRETA). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, de nº 0829.791, prolatada pela 7ª Turma da DRJ em Fortaleza (CE), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 5.892/5.920): "(...) Conforme Relatório Fiscal de fls. 0652, a fiscalização aduz que nos procedimentos realizados, a AST desembaraçou diversas mercadorias, acobertadas pelas DI's relacionadas, por ela registradas, simulando serem as operações por conta e risco próprios, haja vista que restou provado que a importação foi por conta e ordem de terceiros, e a adquirente adiantou todos os valores para que fizesse frente aos pagamentos dos impostos, Fl. 5987DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 5.987 3 câmbio e demais despesas, além do envolvimento de outras empresas. Em todos os processos, segundo o autuante, representados pelas DI's relacionadas, a empresa adquirente, COMERCIAL E IMPORTADORA DIRETA LTDA, CNPJ 45.236.965/0001, comprou por sua conta e ordem, as mercadorias envolvidas, diretamente da exportadora NTN SUDAMERICANA, sediada no PANAMÁ, através da sua representante NTN DO BRASIL LTDA., que recebeu 5% de comissão sobre todas as vendas. Segundo o auditor, o pedido de compra da DIRETA sempre foi feito para a NTN BRASIL, que repassou para a NTN SUDAMERICANA. Perante essa exportadora a DIRETA sempre foi a devedora, a responsável pelos pagamentos das mercadorias. Essa prática, conforme o fiscal, de simulação na sistemática da operação de importação, com intuito de manter oculta a verdadeira importadora (não constou na DI ou qualquer outro documento apresentado no despacho), é infração identificada como interposição fraudulenta de terceiros, além da evidente utilização de documentos com falsidade ideológica. Essas duas infrações motivam a proposição da pena de perdimento. Nestes casos, vez que as mercadorias já foram encaminhadas a consumo, a pena passa a ser multa de 100% do valor aduaneiro das mercadorias. As mercadorias envolvidas foram declaradas como exportadas pela NTN SUDAMERICANA, e internadas como sendo mercadorias compradas pela AST, que as nacionalizou e encaminhou ao adquirente em território nacional. Nas DI's de que tratam os autos, as mercadorias foram vendidas a mais de uma adquirente. Assim, a distribuição do valor aduaneiro foi proporcional aos valores das vendas, apurandose o valor relativo à responsabilidade da DIRETA. Nos quadros onde as DI's foram relacionadas o valor da DIRETA constou como "VALOR ATRIBUÍDO". Às fl. 0810, a fiscalização relaciona as Declarações de Importação envolvidas no procedimento, chamando a atenção para as datas de desembaraço, das notas fiscais de entradas e das notas fiscais das saídas, que são praticamente iguais, indícios claros, segundo o autuante, de que as mercadorias, quando internadas, já tinham endereço certo para entrega e que nunca foram compradas ou vendidas pela AST. A sua atuação foi de prestação de serviços na internação, nacionalização e encaminhamento das mercadorias à verdadeira compradora (real importadora), esta sim, através da NTN BRASIL, comprou os bens envolvidos da NTN SUDAMERICANA, adiantando todos os valores aplicados nestas importações para que a AST pudesse fazer frente aos gastos com o desembaraço das mercadorias. Conforme quadro anexado às fls. 1112, a fiscalização chama a atenção para as datas de registro e das notas fiscais das saídas, que quando comparadas com as datas dos pagamentos, deixa Fl. 5988DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 evidente que sempre existiu o adiantamento feito pela DIRETA. Essa empresa não atendeu a intimação e preferiu calarse a comprovar a sua boa fé e o pagamento das notas fiscais nas quais constou como adquirente. A essa recusa a fiscalização atribuiu a preocupação em apresentar documentos que pudesse deixar mais escancarada a fraude constatada; as evidências do conluio neste caso são mais fortes, já que a empresa, além de tratar as suas compras, intermediou compras de outras empresas menores e recebeu comissão por isso, demonstrando de forma muito evidente o seu conhecimento e concordância com os atos. Na sequência, a fiscalização apresenta diversas comprovações de adiantamentos, feitos pela DIRETA para a AST, juntando como prova folhas do extrato do Razão Contábil da AST com Contrapartida (obtidos através do SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL SPED), onde constaram todos adiantamentos feitos pela DIRETA. Os valores apresentados podem, segundo o autuante, estar envolvendo empresa intermediada, pois os adiantamentos feitos por essas empresas, constaram como sendo feitos pela DIRETA. Destaca também a fiscalização que os valores apresentados, em diversos casos, são inferiores aos valores registrados nas notas fiscais de venda, sendo que a diferença está sendo atribuída, pelo autuante, a descontos feitos em função do valor da comissão paga pelos intermediados diretamente para a AST. Verificando os demais processos registrados e desembaraçados pela AST, envolvendo outros exportadores e outros adquirentes, que continuam sendo trabalhados, da mesma forma, a fiscalização afirma que foram identificados diversos indícios que demonstraram a prática da interposição fraudulenta e uso de documentos material e ideologicamente falsos, o que significa, segundo a fiscalização, que a empresa vem atuando de forma irregular, no comércio internacional, de maneira continuada, adotando a mesma sistemática na forma já descrita. A falta de condição financeira da AST para atuar no comércio internacional fica evidente, segundo a fiscalização, uma vez que ela necessita de adiantamentos dos adquirentes para cumprir com os compromissos de nacionalização de importações que registra como sendo por conta e risco próprios, e pelo procedimento adotado no aumento do Capital Social, feito em 2006, quando passou de R$ 100.000,00 para R$ 755.000,00; aumento esse que justificou como sendo com aquisição de imóvel rural e foi feito para demonstrar capacidade de pagamento (fls. 120 a 123). Segundo a fiscalização, o aumento de Capital mencionado não altera a condição financeira da empresa, já que o imóvel foi comprado pela própria AST, em 24/05/2000, por R$ 87.300,00 (fls. 110 a 113), sendo que esse valor naturalmente foi pago e diminuiu o saldo das disponibilidades. Em seguida, o mesmo Imóvel foi reavaliado em R$ 655.000,00, com base em Laudo (fls. 114), emitido em 17/04/2006, que sequer foi registrado em cartório, e utilizado para aumentar o Capital da empresa. Fl. 5989DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 5.988 5 Seguindo com a verificação da situação financeira da AST, o autuante apresenta, às fls. 1415, a evolução anotada com base nas principais rubricas contábeis, sendo os valores apresentados os que constaram nas DIPJ's apresentadas e balancete de 01 a 07/2012. Já quando são comparados o saldo final de 2009 e o inicial de 2010, surgem, segundo o fiscal, as primeiras incongruências. Em diversas linhas os valores estão divergentes, além de ter sido constatado que sequer os benefícios financeiros do FUNDAP são aproveitados no Giro da Empresa. Esse quadro fica agravado, segundo o auditor, quando se verifica que alguns saldos dos valores registrados no realizável em curto prazo, que deveriam dar sustentabilidade às obrigações mais imediatas, como a conta de CLIENTES, registram valores expressivos a receber de empresas ligadas, demonstrando que efetivamente não estão servindo de lastro de direitos capazes de sustentar o passivo circulante. É o caso das empresas ÁGUIA IMP E EXP e ARCA ENGENHARIA, a primeira com saldo de R$ 1.911.567,99 e a segunda com saldo de R$ 3.519.497,51. A fiscalização menciona também, o valor registrado no Ativo Circulante, como sendo "ADIANTAMENTOS À NTN" R$ 3.856.269,65, o qual foi, segundo o auditor, adiantado pelos adquirentes de rolamentos que pagam antecipadamente as mercadorias; tais valores seguem compensados com adiantamentos de clientes, registrados no Passivo Circulante. A fiscalização noticia, ainda, problemas em relação a Impostos a Recuperar. Todas essas evidências demonstram, segundo o autuante, que efetivamente a AST não tem condição financeira para atuar no comércio internacional, precisando dos adiantamentos dos adquirentes, não só nas suas operações por conta e ordem de terceiros, mas em todos os procedimentos, e assim passou a simular as operações que precisava registrar como sendo por conta e risco próprios e para encomendante, para poder continuar recebendo os benefícios financeiros do FUNDAP. Essa constatação de falta de condição financeira foi, segundo a fiscalização, confirmada em todos os processos trabalhados. Em todos eles a AST necessitou do adiantamento da DIRETA para dar continuidade aos procedimentos de nacionalização e pagamento ao exterior. Mesmo nos casos em que registrou Importação por Encomenda, conforme constatado em outros procedimentos, a AST precisou, segundo o autuante, de adiantamentos da encomendante para poder fazer frente aos seus compromissos com o desembaraço aduaneiro. Nessa forma de agir, os intervenientes, segundo o autuante, falsificaram as faturas comerciais apresentadas à RFB para nacionalização das mercadorias, e declararam operações de comércio exterior de forma simulada. Esses documentos e declarações formuladas não representam as operações comerciais, pois o importador nelas indicado não o é de fato. A Fl. 5990DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 AST foi interposta nas relações dos demais envolvidos com o fisco, permitindo que esses últimos permanecessem ocultos aos olhos da fiscalização. A troca da sistemática de operação no comércio exterior interfere, segundo o auditor, nas obrigações fiscais, colocando a empresa interposta na qualidade de compradora das mercadorias e importadora, remetendo esse contribuinte à qualidade de provocador e responsável pelas infrações, ao passo que a compradora das mercadorias no exterior (real importadora) e os demais envolvidos, permanecem completamente ocultos, sendo que as suas atividades somente foram identificadas no curso do trabalho fiscal. No tópico “DETALHAMENTO DA FRAUDE”, a fiscalização declara que, para se dimensionar as penalidades a serem aplicadas, devese considerar os fatos. Segundo o fiscal, como demonstrado ao longo relatório, os atos praticados pela importadora declarada tiveram como objetivo ocultar a verdadeira interessada nas mercadorias estrangeiras, e as demais empresas envolvidas nas operações de importação objeto de autuação. Embora a intenção do agente não seja relevante para a caracterização da infração o é para a identificação da sonegação, fraude e conluio, os quais estão definidos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/1964. O procedimento fiscal, segundo o autuante, é farto de elementos que comprovam de forma inequívoca que a prática de declarações inexatas é fruto de ações praticadas com dolo pelos importadores e demais comerciantes envolvidos, que, intencionalmente, promoveram modificações nas características essenciais da operação de importação, de modo a ocultar a participação do real importador. Segundo a fiscalização, estão presentes, portanto, nos atos praticados pelos importadores, a sonegação, conluio, simulação e a fraude, uma vez que elementos básicos, dessas importações, foram alterados intencionalmente em todos os processos, para, além de manter ocultos, afastar os demais envolvidos da condição de adquirentes por conta e ordem. Ainda assim, de acordo com o auditor, não se trata apenas de alteração ou falha na definição da modalidade de importação, mas de falsidade de documentos que instruem os despachos aduaneiros de importação, quais sejam as faturas comerciais e documentos de comprovação do transporte internacional, pois quem comprou as mercadorias no exterior não foi declarado e a sua identificação e qualidade de real importador obrigatoriamente deveria estar registrada em todos esses documentos. Os documentos apresentados registram, segundo o fiscal, operação de importação por conta e risco da AST; já as constatações e verificações fiscais, que estão sendo apresentadas como provas, demonstram que o representante do exportador e o comprador das mercadorias no exterior ficaram ocultos em todos os procedimentos. Da mesma forma a AST não é a compradora das mercadorias, como quiseram fazer crer, utilizando Fl. 5991DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 5.989 7 documentos ao menos ideologicamente falsos e fazendo declarações inverídicas no momento da internação das mercadorias, no registro da Declaração de Importação e comercialização em território nacional. O autuante afirma que, conforme se depreende do parágrafo único do art. 1º da IN SRF n° 225/2002, a importação por conta e ordem de terceiros pode variar na sua complexidade, em função da negociação entre as partes, mas tem por essência o interesse do adquirente em receber suas mercadorias negociadas no exterior, sem o que, a motivação do importador para promover a nacionalização das mercadorias não existiria. Assim, caso a importação deixe de ser efetivamente negociada entre importador e exportador, havendo um terceiro responsável, vinculado à aquisição das mercadorias do exterior, sem que seja consignada a identificação na DI e nos documentos de instrução, limitandose, a função do importador, a constar apenas nominalmente nos documentos necessários ao despacho aduaneiro, resta evidenciada a ocorrência enquadrada como ocultação do real responsável pela operação, mediante interposição fraudulenta. Informa, ainda, o autuante, que na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o promotor da operação é o real adquirente. Este é o mandante da importação, aquele que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional. Além disso, é o adquirente que pactua a compra internacional e dispõe de capacidade econômica para o pagamento, pela via cambial, da importação, pois é deste que se originam os recursos financeiros. Destacase a hipótese da pena de perdimento introduzida pela Medida Provisória n° 66/2002 (convertida na Lei n° 10.637/2002), que inclui também a simulação (DecretoLei n° 1.455/76 com alterações promovidas pela MP n° 66/2002 convertida na Lei n°. 10.637/2002) e a multa equivalente ao valor aduaneiro, para os casos em que a mercadoria é consumida (Redação dada pela Lei n° 12.350 de 20/12/2010). No tópico “EMPRESAS ENVOLVIDAS NESTE PROCEDIMENTO FISCAL”, o autuante inicia discorrendo sobre a AST. Informa que esta empresa foi credenciada como interveniente no comercio exterior na modalidade ordinária (com procedimento de diligência) e sempre se aproveitou dos benefícios financeiros do FUNDAP. Entretanto, na verificação dos movimentos contábeis apresentados, foi constatado que esse benefício somente surtiu efeito em favor dos sócios, os quais compram a dívida assumida pela empresa (no momento em que tomam os empréstimos subsidiados), através dos leilões do BANDES, pagando apenas 10% do seu valor. Essa dívida, que deveria ser paga ao BANDES Fl. 5992DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 com carência de 5 (cinco) e prazo de 20 (vinte) anos, passa a ser quitada em favor dos novos credores, quase que de imediato, deteriorando a situação financeira da empresa que já não apresenta condição para que possa continuar atuando no comércio internacional. Discorrendo sobre a empresa DIRETA, a fiscalização afirma que essa empresa foi intimada, em 14/02/2013 a esclarecer e apresentar documentos (fls. 379 a 383), e não atendeu, preferindo ficar sem esclarecer os seus procedimentos perante a ação fiscal. Cópia de um pedido de compra apresentado pela DIRETA à NTN BRASIL (fls 5.225 a 5.583), demonstra, de forma muito clara, que a DIRETA compra as suas mercadorias através da NTN BRASIL, representante da exportadora, e que ela é a responsável pelos pagamentos, sendo cobrada pela NTN BRASIL. Discorrendo sobre a NTN DO BRASIL, a fiscalização afirma que a empresa foi diligenciada e intimada, em 05/03/2013, a esclarecer e apresentar documentos, sendo que na diligência foi esclarecido que os adquirentes das mercadorias colocam os pedidos de compra diretamente para a NTN DO BRASIL, que providencia e encaminha os pedidos para a NTN SUDAMERICANA. Esses procedimentos foram descritos em correspondência aos seus representantes, e demonstra que as empresas adquirentes foram levadas a agir dessa forma, para que pudessem adquirir as mercadorias que comercializam (fls. 370 a 374). Pôdese identificar também que somente a partir do embarque e emissão da fatura internacional eram iniciados os procedimentos a cargo da AST. No tópico “SUJEIÇÃO PASSIVA”, a fiscalização aduz que, nesta quadra do procedimento fiscal cumpre identificar o sujeito passivo, em atendimento à norma que se retira do artigo 142 da Lei n° 5.172/65 (CTN) Citando os artigos 121 e 124, incisos I e II, do CTN, afirma o autuante que, tendo em vista as citadas notas relativas à sujeição passiva, avulta o cuidado na identificação do sujeito passivo, pois na ocultação do sujeito passivo por interposição fraudulenta, o que se dá é simulação tributária por transferência subjetiva, isto é, estimase que, da aplicação do critério subjetivo que permitiria levar a bom termo a sujeição passiva, surja um outro que não aquele que deveria ser obrigado ou, o que ocorre no caso concreto, surja apenas um dos obrigados ao pagamento dos tributos, ocultandose justamente aquele que demonstra a capacidade contributiva. De acordo com o auditor, como demonstrado, a empresa AST, que se declarou como importadora, não foi quem comprou as mercadorias no exterior, nem pagou pelos impostos e câmbio, pois, como constatado, recebeu adiantamentos da empresa adquirente para fazer frente aos pagamentos necessários ao desembaraço das mercadorias. Não houve qualquer negociação pelas empresas AST e NTN SUDAMERICANA; esta última recebeu os pedidos feitos pela adquirente diretamente da NTN DO BRASIL, e, no ato da preparação dos documentos, incluiu a importadora AST a mando Fl. 5993DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 5.990 9 dos reais compradores (neste caso a NTN DO BRASIL e a DIRETA). Segundo o fiscal, a AST deu continuidade aos procedimentos na forma de INTERPOSTA PESSOA, em favor de todos os envolvidos. Portanto, não se pode, de acordo com o autuante, suscitar qualquer dúvida na solidariedade entre as empresas. A AST na qualidade de importadora assumiu a responsabilidade pela declaração registrada no SISCOMEX. A DIRETA, interessada nas mercadorias que comercializa, colocou pedidos de compra na NTN DO BRASIL. Esta por sua vez tratou de todos os procedimentos junto a NTN SUDAMERICANA, que deu continuidade à produção das mercadorias e, utilizando os seus papéis, providenciou o embarque emitindo todos os documentos necessários à internação em território nacional, em nome da interposta pessoa AST, que aceitou essa situação e providenciou o desembaraço das mercadorias para que o real interessado permanecesse oculto aos olhos da fiscalização. No tópico “RESPONSABILIDADE E SOLIDARIEDADE”, o auditor aduz que, se não bastassem as disposições já mencionadas do CTN, com relação aos ilícitos, sabese que podem corresponder tanto ao descumprimento de obrigações tributárias principais (§ 1º, artigo 113 do CTN), quanto ao descumprimento de obrigações acessórias (§ 2º, artigo 113 do CTN). Com a identificação dos sujeitos passivos fica estabelecida a responsabilidade pelo pagamento das penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de tais obrigações. Além disso, a responsabilidade por infrações, em se tratando de matéria tributária e salvo disposição de lei em contrário, é objetiva, independendo, pois, da intenção do agente (art.136 do CTN). As disposições normativas do artigo 95 do DecretoLei n° 37/66, prescrevem a responsabilidade conjunta tanto daqueles que de alguma forma concorrem para a prática da infração ou dela se beneficiam quanto, especialmente, do importador e do adquirente de mercadoria estrangeira importada por sua conta e ordem. Tais disposições são regulamentadas pelo artigo 603 do Regulamento Aduaneiro. Segundo o autuante, percebese que, no presente caso, houve coordenação entre as empresas reais adquirentes das mercadorias estrangeiras e importador, que, embora tenha declarado operação própria, foi identificado como prestador de serviço em operação por conta e ordem, o que implica que respondam conjuntamente pelas infrações praticadas conforme o disposto no artigo 95, inciso V, do DecretoLei n° 37/1966. O autuante afirma que, analisando os aspectos jurídicos, temse que o importador é qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional, consoante o art. 31, inciso I, do DecretoLei nº. 37/1966, na redação do Decreto lei no. 2.472/1988, sendo que promover a entrada é lhe dar "causa ou origem". Fl. 5994DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Discorrendo sobre os responsabilizados, a fiscalização afirma que a AST, é uma empresa FUNDAPEANA, e como tal, tem como principal interesse o aproveitamento de benefício financeiro do FUNDAP, oferecido pelo Estado do Espírito Santo/ES, prestando serviços para empresas interessadas em nacionalizar mercadorias importadas. Sobre a DIRETA, o autuante diz é a empresa compradora das mercadorias no exterior. Foi quem identificou a sua necessidade e colocou pedidos de compra junto a NTN BRASIL. A respeito da NTN BRASIL, o auditor afirma que essa empresa é interessada em cumprir o seu papel de representante da NTN SUDAMERICANA, tendo abonado todos esses procedimentos irregulares, e recebido 5 % comissão sobre essas vendas. Os registros dos valores dessas comissões foram identificados e os procedimentos foram entendidos como regulares. Segundo a fiscalização, em todo esse trâmite, não há o que se falar em falha ou erro, já que a legislação sempre foi muito clara, tendo evoluído com o tempo, justamente para fornecer melhores ferramentas para a atuação fiscal na identificação desses atos, e, quando reforçou a identificação do adquirente das mercadorias, nas importações por conta de terceiros, e importação para encomendante prédeterminado, também identificou a forma de atuação de cada um. No tópico “FORMAÇÃO DAS PROVAS”, a fiscalização informa que, no procedimento fiscal, as provas juntadas estão representadas pelos documentos entregues no registro das DI's relacionadas; aqueles que foram apresentados em atendimentos às intimações da ação fiscal pelas empresas AST e NTN BRASIL; documentos registrados no Sistema Público de Escrituração Digital, sites livres da internet e resultados de inquirições nos sistemas administrados pela RFB. Todos esses elementos permitiram, segundo o auditor, a formação de robusto quadro indiciário e probatório, demonstrando de forma cabal as infrações praticadas e a inexistência da necessária boa fé nas ações de parte dos contribuintes envolvidos, motivando a autuação, nos termos descritos. A fiscalização, no tópico “DAS CONSTATAÇÕES, INDÍCIOS E PROVAS”, afirma que as constatações deram conta de que as mercadorias não foram compradas pela AST, assim como demonstraram que os impostos e demais despesas foram suportados pela DIRETA, que adiantou todos os valores para que a AST pudesse cumprir com as obrigações relacionadas com o desembaraço e pagamento à NTN SUDAMERICANA. Em seguida, o fiscal enumera outras constatações que, segundo ele, além de reforçar os demais indícios e provas, sustentam os entendimentos fiscais e justificam a autuação, tanto no que refere à prática da infração identificada como Interposição Fraudulenta como da infração identificada na utilização de documento ao menos ideologicamente falso: a. As mercadorias envolvidas nos processos em comento, que têm itens muito específicos, necessitam de boa estrutura comercial e Fl. 5995DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 5.991 11 de distribuição, para a comercialização, incoerente com a atividade da empresa importadora, agindo por conta e risco próprio, pois em sua estrutura não tem departamento de compra e/ou venda, e por esse motivo não tem estrutura suficiente para atuar na forma simulada, esse indício de que a AST atua por conta e ordem de terceiros foi comprovado com a identificação de quem comprou e quem arcou com os custos das importações em análise. b. Assim, considerando as especialidades das mercadorias envolvidas, se torna evidente que a compra no exterior não foi feita pela AST, que atua basicamente na prestação de serviços e nacionalização de mercadorias não demonstrando estrutura suficiente para administrar esses procedimentos. c. As importações em questão foram registradas pela AST na sistemática de por conta e risco próprio e as notas fiscais de venda registraram como adquirente a empresa DIRETA. d. As datas de registro, desembaraço, entrada das mercadorias na AST e de venda desta para a DIRETA, são muito próximas, o que demonstra que as mercadorias simplesmente passaram pela importadora e imediatamente foram repassadas para a compradora. e. Os pedidos de compra foram feitos pela DIRETA para a NTN BRASIL, que atuou junto a NTN SUDAMERICANA identificada como exportadora das mercadorias (exemplo nas folhas 5.225 a 5.583). f. Nos registros contábeis da empresa AST, constaram todos os adiantamentos feitos pela empresa DIRETA, estamos apresentando extratos das folhas de livro razão com contrapartidas, obtidas através do SPED, conforme relação das folhas 11 e 12. g. Em todo esse esquema montado, destacase a participação das empresas AST e NTN, as principais beneficiadas, e seguramente os idealizadores dos procedimentos irregulares, a primeira, sem condições de operar no comércio exterior por conta e risco próprio (fls. 12 a 16), optou pelo procedimento irregular para continuar se aproveitando do benefício financeiro do FUNDAP, e a segunda optou por essa forma de procedimento para facilitar os controles de venda, distribuição, cobrança e demais assuntos administrativos. h. Como podemos notar nos procedimentos adotados pela NTN BRASIL (370 a 374),as regras colocadas pela empresa são rígidas e direcionadas unicamente aos adquirentes, como, por exemplo, se não pagar não recebe o próximo embarque, a forma com que tem que preparar o pedido de compras e outros itens. É evidente que a AST nunca comprou ou foi responsável pelas mercadorias, assim como também sequer é cobrada pelo pagamento ao exterior, cuidando apenas de repassar os valores depositados pelos adquirentes. Fl. 5996DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 i. Isso também é evidenciado em exemplo de forma com que o pedido é apresentado pela DIRETA à NTN BRASIL e a forma de cobrança e acompanhamento dos embarques (fls. 5.225 a 5.583). Conforme a fiscalização, restou evidente que o real comprador das mercadorias, que permaneceu oculto aos olhos da fiscalização, nos despachos aduaneiros dessas importações, foi identificado nos documentos que foram apresentados mediante intimações e diligências da ação fiscal, em conjunto com as demais empresas envolvidas, que também foram identificadas como beneficiadas nas operações de importação registradas, como sobejamente demonstrado. Ficou também caracterizada a falsidade ideológica nas faturas comerciais apresentadas à RFB para nacionalização das mercadorias, já que elas absolutamente não representam as operações comerciais. O Auditor aduz, ainda, que, restando evidenciada a ocorrência enquadrada como ocultação do real responsável pela operação, mediante interposição fraudulenta, é irrelevante, a questão do custeamento num primeiro momento, pelo importador, a fim de afastar a responsabilidade do terceiro oculto e furtarse aos reflexos da equiparação a industrial, necessariamente decorrente da verdadeira operação. Continua o autuante, afirmando que não há proveito em se discutir a propriedade na titulação de real adquirente, já que consta a fundamentação legal que ampara o feito da eleição do real responsável pela operação; termo genérico e residual que abrange, além do sujeito passivo e do real adquirente, qualquer forma que venha a surgir para a atuação no comércio exterior, na qual haja um terceiro, quarto ou quinto envolvido, que desencadeie e negocie efetivamente a importação e se oculte ao fisco, mediante interposição fraudulenta. Desnecessário destacar, aduz o fiscal, que tal procedimento (omissão da participação do real agente da operação) é extremamente pernicioso ao sistema, pois mais do que o fisco (federal, estadual e municipal), que deixa de receber o que lhe é por lei devido, o principal e implacavelmente atingido é o comerciante cumpridor de suas obrigações tributárias, que se vê excluído pelo concorrente inescrupuloso que sonega tributos e faz concorrência absolutamente desleal. Cabe ao Estado, assim, não apenas apurar os tributos devidos, mas também garantir condições justas de mercado aos contribuintes que cumprem com suas obrigações. É evidente que o ordenamento jurídico não compadece com a máfé. Tratando da interposição fraudulenta, o auditor afirma que a ocultação do real sujeito passivo é método de se eximir da responsabilização pelos atos praticados. Sua caracterização como fraude decorre de disposição legal, pois a ação ou omissão atinge, excluindo ou modificando, a obrigação tributária em uma das suas características essenciais, qual seja, o sujeito passivo. Por todos os fatos demonstrados fica configurada, segundo o auditor, a infração interposição fraudulenta de terceiros. A Fl. 5997DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 5.992 13 legislação é muito clara, cabendo a pena de perdimento das mercadorias envolvidas e, no caso daquelas remetidas a consumo, a multa equivalente ao valor aduaneiro. Essa infração está sempre seguida da infração de apresentação de documento falso para a nacionalização das mercadorias, porque, já ao apresentar nome diferente do real importador, está configurada a falsidade ideológica. A fiscalização afirma que este tipo de infração é de difícil prova cabal, pois, como se vê neste caso, todos os documentos e declarações foram preparados de forma a manter oculta a real importadora DIRETA, declarando a interposta pessoa jurídica AST como importador. Destacase ainda a participação da NTN DO BRASIL, que recebeu comissões sobre as vendas e participou de toda a simulação engendrada. Comenta o auditor que, na importação de mercadorias, conforme é sabido, não está em jogo unicamente as relações comerciais privadas, apenas comércio, há o envolvimento do estado, existem declarações e documentos apresentados à RFB, que servem de embasamento para a tomada de decisão fiscal e cálculo de impostos, isso muda o ambiente, exigindo absoluta boa fé, não há espaço para a esperteza, muitas vezes aceita como razoável nas relações comerciais. A infração tratada neste tópico (primeira infração), configurada, pelos atos praticados pelos contribuintes, como interposição fraudulenta, por si só já motiva a pena de perdimento, nos termos da legislação vigente. Tratando da segunda infração, auditor afirma que o art. 105, VI, do DecretoLei n° 37/66, autoriza a aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada na hipótese de "qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado". Isso consta também no art. 689, inciso VI, do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009). O autuante declara que, conforme demonstrado (infração 001), as operações de importação em análise são simuladas, pois omitem a real compradora das mercadorias (real importadora), e demonstram operações por conta e risco próprios, quando na realidade foi operação por conta e ordem de terceiros. Tal irregularidade foi constatada, segundo o fiscal, nos documentos apresentados, acobertando as mercadorias em questão, BL, Packing List e Fatura internacional, declarando como importadora a AST, documentos identificados como ideologicamente falsos. O auditor afirma que a infração em relevo, também por si só já motiva a pena de perdimento, nos termos da legislação vigente. A fiscalização, então, informa que procedeu à autuação dos qualificados, com fundamento na legislação vigente, pela prática das infrações citadas e demonstradas em seguida, com seus fundamentos legais relacionados ao final de cada uma. As infrações foram: a Interposição Fraudulenta, com a ocultação do real adquirente das mercadorias, comprador e principal Fl. 5998DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 interessado nas operações de importação das mercadorias em questão, para a qual cabe a proposição da pena de perdimento, consoante o disposto no art. 689, inciso XXII, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009) (art. 23, inciso V, §§ 1º e 2º do DecretoLei nº 1.455/1976); e falsificação ou adulteração de qualquer documento necessário ao embarque/desembaraço de mercadoria estrangeira (art. 105, inciso, VI do DecretoLei nº 37/1966). Como as mercadorias foram remetidas a consumo, a infração fica punida com multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias (DecretoLei n° 1455/76, Art. 23, inciso V e parágrafo 3º). Os envolvidos e seus responsáveis, ficam cientes também, de acordo com o autuante, de que foi promovida a REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, formalizada nos termos do Processo 12466.721580/201341, em cumprimento ao disposto na PORTARIA RFB n°. 2.439 de 21 de dezembro de 2010, haja vista que restou caracterizada a ocorrência de fato que, em tese, configura crime contra a ordem tributária, definido no artigo 1º da Lei n.° 8.137, de 27/12/1990. Das impugnações Cientificada do lançamento em 15/05/2013 (fl. 5.596), a AST insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 14/06/2013, a impugnação de fls. 5.8415.849, em que, após discorrer sobre tempestividade e fatos, alega: mesmo com todo conjunto de documentos aduaneiros e fiscais entregues voluntariamente à fiscalização (com os tributos pagos conforme normatização), esta não obteve sucesso na comprovação de irregularidades, laborando em equívoco, ao presumir situações inexistentes, objetivando dar sustentabilidade à conclusão de que teria havido a infração de interposição fraudulenta; muito embora tenha havido grande esforço da fiscalização para tentar comprovar uma suposta incapacidade financeira da empresa, fato é que o conjunto probatório demonstra exatamente o oposto; pela documentação já juntada às fls. 66/70 e 114/116, observase que a empresa possuía um capital social de R$ 755.000,00 (setecentos e cinquenta e cinco mil reais) desde 25.10.2006, conforme demonstra o Laudo de fls. 114 e a 21a. Alteração Contratual, sendo certo que tais informações eram de conhecimento da RFB desde 10.08.2007, conforme documento de fls. 120/123; observandose o histórico de importações apresentado no Relatório, verificase que a empresa anualmente possuía movimentação de importação baixa, em média inferior a dois eventos por mês; constatase que nenhuma dessas importações mensais, realizadas no período determinado pela fiscalização, sequer chegou a aproximarse da capacidade financeira da empresa, Fl. 5999DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 5.993 15 especialmente dos valores integralizados no capital social próprio; evidente, portanto, sua capacidade financeira para solver suas importações; não há nos documentos constantes dos autos, relativos ao período fiscalizado, qualquer indício que desabone a capacidade financeira da empresa autuada, senão a simples presunção, admitida pelo fiscal responsável, de que o imóvel utilizado para aumento do capital social não teria o valor declarado; há decisão judicial que atribui ao imóvel utilizado para aumento de capital o valor de R$ 504.000,00; em nova presunção, ao afirmar que a empresa optou por atrasar os recolhimentos para poder fazer frente a outras responsabilidades, indício de falta de condição financeira, a fiscalização nada de concreto afirma, nada prova, e, portanto, nada de proveitoso conclui; no que se refere aos cálculos realizados entre os valores de importação, notas fiscais de entrada e de saída de mercadorias, especialmente as planilhas colacionadas no relatório, constatase que os valores não se conjugam como afirmado pela fiscalização. Diante da falta de correlação ou semelhança entre os valores, o autuante presume, mais uma vez, que os valores somente se diferem em razão de existir uma suposta "comissão" na diferença apurada; novamente, evidente a utilização de presunções diversas objetivando atingir fim específico, qual seja, o de construir uma ficção para embasar o intuito de configurar uma suposta incapacidade financeira que, por corolário lógico, embasaria sua tese de interposição fraudulenta; contudo, as razões do auto de infração não subsistem, já que não há documentos ou provas concretas que revelem a dita incapacidade financeira da recorrente. Ao revés disso, evidente sua capacidade econômica desde antes do período fiscalizado, conforme a alteração contratual e dados contábeis anexados; logo, impossível sustentar a acusação da incapacidade financeira da recorrente, o que culmina na impossibilidade de atribuir a ela, a infração de interposição fraudulenta apontada pela fiscalização; em nenhuma hipótese houve, nas movimentações da empresa, a falsificação de documentos, tampouco adulteração. Não há nos autos sequer o apontamento de qual documento teria sido falsificado ou adulterado; nesta toada, exsurge a violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, já que sem apontar especificadamente qual documentação foi alterada ou falsificada, impede a fiscalização que a requerida promova sua defesa de forma ampla; Fl. 6000DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 todas as operações de importação realizadas seguiram o trâmite legal, passaram pelo crivo da RFB, tiveram o recolhimento dos tributos e encargos de forma escorreita e antecipada, e inexiste qualquer irregularidade tendente a configurar a tipificação de falsificação ou adulteração apontada pela fiscalização; não houve dolo nas operações da empresa, que tem histórico profissional escorreito ao longo de sua vida; posto isso, considerando que no presente caso as presunções adotadas pela fiscalização não foram hábeis a demonstrar a ocorrência das infrações impostas à contestante, especialmente pela existência de capacidade financeira, e ainda, pela lisura das diligências adotadas nos procedimentos de importação, que efetivamente fulminam a possibilidade de adulteração ou falsificação de documentos narrada, respeitosamente requerse a revisão do posicionamento adotado, para anular o auto de infração guerreado, bem como suas consequências; Isto posto, requer: desde já, seja atribuído à impugnação o efeito suspensivo, suspendendo os efeitos das consequências da lavratura do auto de n°. 0727600/00400/13 (tais como a exigibilidade da multa aplicada), até o trânsito em julgado da respectiva decisão final administrativa; que sejam apreciados os fundamentos invocados, dandolhe total provimento, no sentido de: a) anular o auto de infração de n° 0727600/00400/13, em razão de que este se encontra baseado em presunções fáticas inexistentes, bem como em premissas igualmente equivocadas, que não conduzem às infrações capituladas como “INFRAÇÕES I e II”; b) anular a pena aplicada no valor de R$ 7.308.355,95 pelo auto guerreado, com vencimento em 14/06/2013. ao final, com o provimento da defesa, requerse a consequente extinção do presente Processo Administrativo e a juntada dos documentos em anexo, que comprovam o quanto alegado. A NTN, cientificada do lançamento em 06/05/2013 (fl. 5.600), insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 05/06/2013, a impugnação de fls. 5.6185.629, em que alega: o serviço de representação comercial realizado pela NTN DO BRASIL para a NTN Japão e NTN SUDAMERICANA se restringe a receber os pedidos de seus Distribuidores no Brasil e encaminhálos a uma das representadas, conforme o caso, sem qualquer intervenção sobre o processo de internalização dos equipamentos no Brasil; ou seja, diversamente do afirmado no auto de infração, a NTN DO BRASIL não adquire, seja direta ou indiretamente, qualquer um dos produtos de suas representadas para venda do Brasil; as etapas do processo são: Fl. 6001DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 5.994 17 “a)A NTN Brasil recebe do Distribuidor dos produtos NTN Internacional email com a solicitação para que essa faça uma programação (back order) de compra junto a NTN SUDAMERICANA; b)A NTN Brasil encaminha o pedido de programação de compra para a NTN SUDAMERICANA para que essa verifique a disponibilidade de produtos, bem como as datas em que essa mercadoria poderá ser enviada ao Distribuidor; c)Uma vez sendo informada da disponibilidade de equipamentos e da data de entrega, a NTN Brasil simplesmente repassa as informações recebidas ao Distribuidor, bem como fornece ao Distribuidor as instruções de preenchimento do pedido com os dados necessários para que NTN Internacional realize o faturamento (docs. anexos); e d)A NTN Brasil retransmite as informações recebidas do Distribuidor à NTN SUDAMERICANA.” é o Distribuidor, a seu exclusivo critério e sem qualquer intervenção da NTN, seja ela a nacional ou a internacional, quem fornece os dados para a finalização do pedido a ser encaminhado à NTN internacional; igualmente e o mais importante, é o fato de que o Distribuidor é quem discrimina a quem será vendido ou consignado o produto, a quantidade de peças a serem embarcadas, forma de pagamento, dados do Agente na origem e no destino e o Porto de destino; portanto, cumpre a NTN DO BRASIL a simples tarefa de retransmitir as informações à NTN internacional. Desta feita, resta evidente e inequívoco que o Distribuidor é quem responde pela veracidade das informações, vez que partiram dele, não cabendo à NTN DO BRASIL o dever de fiscalização e controle da operação do Distribuidor, eis que é relação jurídica à qual não está vinculada; após o encaminhamento do pedido, a atividade da NTN DO BRASIL frente ao Distribuidor se limita ao Suporte Técnico dos produtos NTN Internacional, consistindo esse suporte em: a) realização de palestras e cursos; b) acompanhamento de montagens de peças (em casos especiais); c) elaboração de laudos técnicos; d) propor melhorias técnicas para a redução do custo com a manutenção; e e) assistência técnica em geral; a NTN DO BRASIL não é responsável pela internalização/nacionalização dos equipamentos adquiridos pelo Distribuidor, não se compromete ou dá qualquer suporte no processo de internalização dos equipamentos e/ou nem mesmo indica a importadora que faça esse tipo de serviço, ficando a exclusivo critério do Distribuidor a forma de internalização dos equipamentos; o fato mais importante é que a NTN DO BRASIL jamais indica ou indicou qualquer intermediador do processo de importação, Fl. 6002DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 assim como nunca prestou qualquer orientação em relação a tal procedimento; vista a realidade dos fatos e da efetiva atuação da NTN DO BRASIL, devem ser analisados os fundamentos jurídicos que afastam sua suposta sujeição passiva solidária pelos procedimentos de importação tratados no auto de infração ora impugnado e infrações apuradas; jamais a NTN DO BRASIL agiu com qualquer espécie de dolo ou de forma coordenada para fraudar importações dos adquirentes das mercadorias de seus representados, registrando o seu mais veemente inconformismo e repúdio a tais afirmações constantes do auto de infração; o auto de infração não está fundado em provas materiais ou indícios que sustentem as pesadas afirmações de que teria a NTN DO BRASIL atuado em conluio, coordenação, fraude e abono de procedimentos ilegais para facilitar os controles de venda, distribuição, cobrança e demais assuntos administrativos (fls. 38 do auto de infração); há precariedade na prova produzida para a conclusão da sujeição passiva da NTN DO BRASIL, pois o que está no auto de infração e nos documentos colacionados não tem conteúdo que permita, minimamente, a afirmação da existência do indigitado conluio para fraude; diversamente do afirmado (fls. 30 e 31), a NTN DO BRASIL não comercializa equipamentos NTN ou tem qualquer espécie de representante no território nacional, pois as empresas que adquirem, por seu intermédio, os produtos das empresas estrangeiras, são distribuidores destas; a NTN DO BRASIL apenas representa as empresas estrangeiras, não tendo qualquer representante aqui no Brasil, pois não tem atividade de venda dos produtos das empresas representadas; sua atividade, assim, configura a forma clássica da representação comercial prevista na Lei Federal 4.886/65 que regulamenta a atividade do Representante Comercial; assim é inequívoco que a NTN DO BRASIL, legitimamente e economicamente ativa, atue no sentido de ampliação e promoção dos produtos das empresas que representa, atividade que exerce estritamente no âmbito da intermediação entre compradores no mercado nacional e vendedores estrangeiros, limitandose, contudo, aos atos de fechamento dos negócios, sem qualquer ingerência nos aspectos da contratação de transporte e tratamento aduaneiro das operações realizadas pelos compradores e prepostos por eles nomeados para isso; nesse cenário, pautado pela característica do comércio internacional e, portanto, com circulação de mercadorias sujeitas ao controle aduaneiro estatal, não existe qualquer obrigação legal ou contratual do representante comercial acompanhar ou participar dos trâmites aduaneiros adotados pelo comprador; assim, não havia razão para a NTN DO BRASIL invadir uma Fl. 6003DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 5.995 19 esfera de atuação e responsabilidade que era dos compradores aqui no Brasil, diretamente ou por meio de prepostos; como demonstram os documentos anexos e que espelham a realidade da atuação da NTN DO BRASIL, há pedido expresso de confirmação dos moldes e termos em que seriam realizados os embarques; ou seja, ela solicitou às empresas adquirentes que informassem os elementos da operação de importação que permitiam os trâmites de embarque, mas, de forma alguma, impôs ou induziu qualquer espécie de operação previamente engendrada; no caso em análise assim agiu por ser a interface entre as empresas exportadoras e as empresas importadoras, tendo atendido às orientações dos adquirentes inclusive para cumprimento das exigências do artigo 557 do Regulamento Aduaneiro que determina a emissão de fatura comercial com identificação do exportador e do importador e, se for o caso, do adquirente ou encomendante predeterminado; essa circunstância, de modo algum, significa fraude, simulação ou movimento coordenado, mas apenas e tão somente o conhecimento prévio, por parte do representante comercial, das informações necessárias para que o exportador adote as providências que lhe cabem para expedição das mercadorias; e se as instruções do adquirente foram no sentido de gerar a fatura comercial em nome da AST não caberia à NTN DO BRASIL, na qualidade de representante comercial da empresa exportadora, questionar ou analisar a legalidade da operação entabulada entre a empresa adquirente e seu preposto para os trâmites aduaneiros e internalização da carga; a prova documental é clara: nunca houve conluio, simulação ou coordenação por parte da NTN DO BRASIL para qualquer espécie de fraude ou operação ilícita. Uma vez concluído o negócio de compra e venda entre exportadores e importadores, não é de responsabilidade na NTN DO BRASIL analisar a legalidade ou viabilidade da operação de importação, pois sua atuação está adstrita ao fechamento de acordo de vontades entre compradores nacionais e as empresas estrangeiras, apenas como representante comercial, e não como agente de comércio internacional; jamais houve qualquer ato da NTN DO BRASIL no sentido de fraudar uma operação de importação, seja por meio de interposição de terceiros, seja por declarações ou documentos falsos, de tal sorte que é impossível lhe atribuir participação na ocorrência das duas infrações lançadas no auto ora impugnado. A par da ausência de conduta ilícita, dolosa ou culposa, a NTN DO BRASIL não é empresa vinculada ao procedimento de importação, pois, como visto, é mera representante comercial das empresas estrangeiras; na forma do artigo 542 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), cabe ao importador o procedimento de despacho Fl. 6004DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 aduaneiro de importação; da mesma forma, todos os comandos da Instrução Normativa 225/2002 da Receita Federal do Brasil são taxativos no sentido de atribuir ao importador todas as providências relativas ao despacho aduaneiro; ou seja, não é responsabilidade do representante comercial atuar no âmbito do controle aduaneiro estatal, pois cabe ao importador a adoção das providências junto à Autoridade Aduaneira nos termos das normas acima mencionadas; além disso, a NTN DO BRASIL nunca atuou nos procedimentos aduaneiros dos adquirentes, bem como, reiterese, jamais desenvolveu ou abonou qualquer espécie de procedimento ilegal; não existem elementos materiais concretos ou mesmo indiciários que permitam a conclusão do auto de infração no sentido de que teria havido conduta intencional da NTN DO BRASIL para a idealização do suposto esquema citado; não há, no auto de infração e nos documentos que compõem o processo administrativo, prova da alegada conduta dolosa da NTN DO BRASIL no sentido de fraudar uma operação de importação; nessa condição, é inaplicável o liame jurídico da sujeição passiva solidária com fundamento no artigo 136 do Código Tributário Nacional e no artigo 603 do DecretoLei nº 37/1966 (sic) (artigo 674 do Regulamento Aduaneiro vigente); a NTN DO BRASIL, além de não ter concorrido para a prática das infrações alegadas, delas não se beneficiou, pois seu negócio, única e exclusivamente, sempre esteve adstrito à formação do contrato de compra e venda internacional, na condição de representante comercial das empresas estrangeiras. Para seu negócio, a importação por uma modalidade ou outra não geraria benefícios diferentes ou qualquer alteração no resultado de seus ganhos, de tal sorte que, nem pelo elemento "benefício" deve a NTN DO BRASIL responder solidariamente; é evidente que a alegada ocultação do verdadeiro adquirente, se é que houve, nenhum efeito benéfico traria para a NTN DO BRASIL, caindo por terra a razoabilidade deste argumento contido no auto de infração; assim, por uma ou outra de qualquer das vias legais de responsabilidade conjunta mencionadas no auto de infração, não há nexo de causa entre o fato real e a atuação da NTN DO BRASIL que justifique sua sujeição passiva solidária; diante da ausência de atuação dolosa ou culposa nas operações de importação retratadas no auto de infração e, de outro lado, diante da ausência de amparo legal para categorização do representante comercial como responsável solidário pelas obrigações dos importadores e seus prepostos, é flagrante a ilegalidade da presente autuação em relação à NTN DO BRASIL, razão pela qual deve ser anulada pela Autoridade julgadora; assim, são ilegais o auto de infração e a imputação de responsabilidade solidária nele contida em relação à NTN DO Fl. 6005DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 5.996 21 BRASIL, sendo de rigor seu cancelamento, com os efeitos reflexos diretos nas Representações Fiscais para Fins Penais, eis que ausentes quaisquer condutas que impliquem nas tipificações penais nelas aludidas; à vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, consubstanciada no auto de infração acima referido, espera e requer a NTN DO BRASIL seja acolhida a presente impugnação com os documentos que a instruem para o fim de assim ser decidido, cancelandose a sujeição passiva solidária aplicada e, consequentemente, o respectivo débito fiscal reclamado. A COM. E IMP. DIRETA, cientificada do lançamento em 06/05/2013 (fl.5.599), insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 10/06/2013, a impugnação de fls. 5.6035.611, em que expõe seus argumentos de defesa. É o relatório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/01/2009 a 20/09/2012 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO E/OU IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. REVELIA. EFEITOS. A ausência de impugnação ou sua intempestividade, por parte de sujeitos passivos solidários acarreta, contra os revéis, a preclusão temporal do direito de praticar os atos impugnatórios, prosseguindo, o litígio administrativo, no tocante aos demais. Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por qualquer um deles, não versando exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação a todos os autuados. ARGUIÇÃO DE OFENSA À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO. Estando o Auto de Infração devidamente motivado, contendo a descrição dos fatos e a fundamentação jurídica, referentes a todas as infrações, não há falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 08/01/2009 a 20/09/2012 Fl. 6006DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de importação, bem como o caso em que qualquer documento necessário ao embarque ou desembaraço tiver sido falsificado, inclusive ideologicamente, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Impugnação Improcedente . Crédito Tributário Mantido Posto isto, vamos às Intimações e aos Recursos Voluntários. A Recorrente (AST) foi regularmente intimada em 16/06/2014 às fl. 5.934, data da abertura dos arquivos no Portal eCAC. Em 14/07/2014 (recibo SVA fls. 5.979/5.980), apresentou seu Recurso Voluntário de fls. 5.968/5.978. A NTN do Brasil Ltda, foi intimada em 16/06/2014, conforme recibo do AR dos Correios à fl. 5.938. Em 15/07/2014, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 5.940/5.956. Já a Comercial e Importadora DIRETA Ltda (destinatário: CNPJ: 45.236.965/000116), foi intimada em 01/07/2014 (ciência eletrônica data abertura arquivos) às fl. 5.937. Não consta dos autos apresentação de seu Recurso Voluntário. Da intempestividade da impugnação da empresa DIRETA Conforme analisado pela DRJ de Fortaleza (CE), a Impugnação apresentada em 10/06/2013 (fl. 5.603), pela empresa DIRETA foi considerada intempestiva, como base no que dispõe o art. 15, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), que estabelece: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência”. Por seu turno, de acordo com o art. 23, § 2º, inc. II, do mesmo Decreto, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a intimação via postal é considerada feita “na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação”. Fl. 6007DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 5.997 23 Desta forma, uma vez que a DIRETA tomou ciência do auto de infração em 06/05/2013, segundafeira, data de recebimento do AR anexado na fl. 5.599, o prazo para apresentação da impugnação, de acordo com a regra legal, expirou dia 05/06/2013, quartafeira. Como é cediço, a instauração do litígio, ocorre através da impugnação tempestiva, pressuposto para julgamento de processos administrativos fiscais nas DRJ e conforme os artigos 14 e 25, I, do Decreto nº 70.235/72, a intempestividade implica revelia nos termos do art. 21, do mesmo Decreto. Com base nesse fato, em 18/06/2013, a Alfândega de Vitório (ES), lavrou o respectivo Termo de Revelia, para o Solidário Revel a empresa Comercial e Importadora DIRETA Ltda, nos termos abaixo (fl.5.859): TERMO DE REVELIA Transcorrido o prazo regulamentar e não tendo o interessado impugnado o auto de infração lavrado, nem apresentado prova de haver interposto ação judicial para suspender ou anular o ato em questão, lavro, nesta data, este termo declarando o contribuinte acima REVEL, para os devidos efeitos. Com relação as Recorrentes AST e NTN do Brasil (NTN), em razões recursais, mantiveram os argumentos sustentados na fase de Impugnação. Então vamos a eles. A Recorrente AST, reforça as seguintes razões, em resumo: I. que seja atribuído ao presente recurso o efeito suspensivo, suspendendo os efeitos das consequências da lavratura do auto de infração, até o trânsito em julgado da respectiva decisão final administrativa; II. a reforma do acórdão guerreado, anulandose o auto de infração e a pena aplicada, em razão de que se encontra baseado em presunções fáticas inexistentes e em premissas igualmente equivocadas, que não conduzem às infrações capituladas como “INFRAÇÕES I e II”. A NTN do Brasil, em seus fundamentos, reitera integralmente as razões de sua peça impugnatória, alegando ser a mais clara expressão da verdade dos fatos e dos aspectos legais que dão os contornos de suas atividades. Que não há dispositivo legal que determine responsabilidade solidária do representante comercial para com as operações dos adquirentes de mercadorias importadas e que, portanto, solicita que seja revogada a sujeição passiva solidária aplicada a empresa e, consequentemente, o respectivo débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra – Relator 1. Da admissibilidade dos recursos Fl. 6008DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 Com relação ao responsável solidário DIRETA, conforme dispõe os artigos 14 e 25, I, do Decreto nº 70.235/72, a Impugnação intempestiva implicou a Revelia, nos termos do art. 21, do mesmo Decreto. Tendo sido intimada do resultado da decisão DRJ, também transcorreu e se esgotou o prazo legal para a apresentação de seu recurso voluntário e documentação probatória pertinente, extinguindose o direito de o interessado omisso fazêlo em outro momento processual. Contudo, dada a hipótese de solidariedade na responsabilidade por infração à legislação aduaneira apontada na autuação fiscal, as razões de contestação apresentadas por um dos acusados em princípio aproveitam ao outro autuado, com exceção de eventuais alegações de caráter pessoal que possam importar na caracterização de dolo específico. Posto isto, passase ao exame dos recursos voluntários apresentado pela AST e pela NTN Brasil, que atendem os pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, serem conhecidos. 2. Do pedido de efeito suspensivo à impugnação feito pela AST Uma vez que é efeito automático do Recurso Voluntário a suspensão da exigibilidade do crédito lançado, por força do art. 151, inciso III, do CTN, descabe qualquer providência do Órgão Julgador quanto ao pedido levado a efeito pela AST nesse sentido. 3. Da preliminar de Nulidade do Auto de Infração A recorrente AST, alega em seu recurso que deve se "reformar o acórdão guerreado para anular o auto de infração de nº. 0727600/00400/13, em razão de que este se encontra baseado em presunções fáticas inexistentes, bem como em premissas igualmente equivocadas, que não conduzem às infrações capituladas como INFRAÇÕES I e II". O enquadramento legal descrito na peça vestibular do inciso do art. 23, V, do Decretolei nº 1.455/76, que se fundamenta a autuação, há que se destacar que o Relatório Fiscal/Folha de continuação do Auto de Infração é parte integrante do auto de infração, consistindolhe em parte anexa (fls. 06/52). Assim, o auto de infração distingue, objetivamente, duas infrações que teriam sido praticadas nas operações apuradas, a saber: (i) Art. 23, inciso V, e parágrafos 1º, 2º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/76, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02 e Lei nº 12.350/10, e regulamentações específicas; e (ii) Art. 105, inciso VI, do DecretoLei nº 37/66, e inciso IV e §1º, e 24 do DecretoLei n9 1.455/76 (alterado pela Lei nº 10.637/02), e regulamentação específicas. Desta forma, no Relatório Fiscal que é parte integrante do auto de infração, observase tópico exclusivo quanto ao "Enquadramento Legal" da conduta autuada às fls. 44/51, onde se observa a precisa indicação do tipo infracional, restando infundada a alegação da recorrente, uma vez que se encontra reproduzido o texto do art. 23, V, §§ 1º e 2º e 3º, do Decretolei nº 1.455, de 1976. Portanto não assiste razão a Recorrente neste tópico. E mais. O ato de lançamento, entendido como procedimento administrativo voltado à constituição do crédito tributário, deve obedecer a imperativos de forma que garantam a sua conformação jurídica, o que ocorre perfeitamente no caso dos autos. Fl. 6009DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 5.998 25 Quanto à alegação da ausência de prova para a conduta descrita, observo vasta colação de elementos probatórios trazidos aos autos entre as fls. 03/556, cabendo a análise de sua valoração quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento, matéria atinente ao exame de mérito do litígio, que se dará em ocasião oportuna, posterior ao exame das questões de ordem preliminar. Quanto ao auto de infração, o mesmo teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Pela leitura do auto de infração, constatase que o Auditor Fiscal não só descreveu de forma suficientemente objetiva e cristalina os fatos o enquadramento legal e normativos, como teceu importantes lições sobre o próprio controle aduaneiro e ainda sobre o comércio internacional e as partes eventualmente envolvidas, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da autuação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa SRF nº 228, de 2002 e a Instrução Normativa RFB nº 1.169, de 2011, foram editadas para disciplinar os procedimentos de fiscalização aduaneira visando a verificação de eventuais operações no comércio internacional realizadas com indícios de interposição fraudulenta de terceiros. Enfim, a interposição fraudulenta aduaneira exige como pressuposto pelo menos a ocorrência de um ilícito antecedente, a ser verificado em processo administrativo regular, em atenção ao disposto nas Instrução Normativa citadas. Fl. 6010DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 O auto de Infração devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos tais requisitos legais, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos requisitos do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Por isso, rejeito a preliminar de nulidade. 4. Dos responsáveis solidários De acordo com os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 04/05, foram consideradas responsáveis solidárias as empresas NTN DO BRASIL LTDA (NTN DO BRASIL) e COMERCIAL E IMPORTADORA DIRETA LTDA (DIRETA). Segundo o Fisco, a DIRETA é a empresa (real) compradora das mercadorias no exterior, foi quem identificou a sua necessidade e colocou pedidos de compra junto a NTN BRASIL. Já a NTN do Brasil, interessada em cumprir o seu papel de representante da NTN SUDAMERICANA, abonou todos esses procedimentos irregulares, e recebeu 5% de comissão sobre essas operações de vendas. Os julgadores decidiram que a luz do art. 95, do Decretolei nº 37, de 1966 (art. 603, I e II do Regulamento Aduaneiro), restando comprovado que outra pessoa participou ou se beneficiou da infração, o Fisco não pode escolher apenas uma delas para autuar. A solidariedade entre os agentes ou beneficiários da infração decorre da Lei e tem como objetivo proporcionar maior segurança aos interesses públicos, inclusive no tocante à eficácia da norma punitiva. Nesse caso, ainda que os sujeitos passivos solidários possam responder pela dívida em conjunto ou isoladamente, o lançamento deve ser contra ambos, de forma que a obrigação deles fique devidamente formalizada, consoante determina a Portaria RFB nº 2.284/2010. A opção legal sobre como eles vão responder efetivamente pela dívida diz respeito à fase de satisfação do crédito. A lei dispõe que os responsáveis solidários pela dívida podem responder em conjunto ou isoladamente, para satisfação do crédito tributário. Vejase a reprodução do art. 95, do Decretolei nº 37/66 (grifamos): Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante pre determinado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006). Fl. 6011DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 5.999 27 Com os argumentos aduzidos a título de ilegitimidade passiva pretende a NTN do Brasil demonstrar que não tem interesse na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Na importação realizada com interposição fraudulenta de terceiro, em que for identificado o real adquirente da mercadoria, tanto o importador oculto como o ostensivo podem ser qualificados como o contribuintes dos tributos e das penalidades incidentes nas operações. No entanto, as questões depende essencialmente da análise do mérito do litígio. Em verdade, tratase de perquirir a legitimidade das litigantes para compor o polo passivo da relação de direito material, consistente no cumprimento da obrigação tributária principal relativa ao pagamento da penalidade pecuniária (art. 121 do CTN), sendo impossível afirmar ou afastar essa legitimidade num exame preliminar, sem que se adentre nas questões de mérito. Assim, a arguição atinente à ilegitimidade passiva será ainda apreciada quando do exame do mérito, por estar a ele intimamente associada. 5. Do MÉRITO (Auto de Infração) Primeiramente, ressaltese que a análise e julgamento dos argumentos apresentados nas impugnações foram reunidas e agrupadas por temas semelhantes, de forma lógica e sistematizada, com o fito de, a uma, elencar todos os pontos impugnados; a duas, evitar duplicidades ou redundâncias temáticas e, a três, permitir a congruência dos diversos argumentos articulados. O cerne da lide diz respeito à aptidão de provas trazidas pelo Fisco para demonstrar que houve a ocultação do real adquirente das mercadorias e a falsidade, em relação às 57 Declaração de Importações efetuadas pela empresa AST, nos anos de 2009 a 2012, constantes da tabela contida às fls. 08/10. Conforme se depreende no Relatório Fiscal de fls. 06/52, o Fisco aduz que nos procedimentos realizados, a AST desembaraçou diversas mercadorias, acobertadas pelas DI's relacionadas, por ela registradas, simulando serem as operações por conta e risco próprios, no entanto restou provado que a importação foi por conta e ordem de terceiros, e a adquirente adiantou todos os valores para que fizesse frente aos pagamentos dos impostos, câmbio e demais despesas, além do envolvimento de outras empresas. Conforme o Fisco, em todas as DI's relacionadas, a empresa adquirente, DIRETA LTDA, comprou por sua conta e ordem, as mercadorias envolvidas, diretamente da exportadora NTN Sudamericana, sediada no Panamá, através da sua representante NTN do Brasil, recebendo, pelos serviços, 5% de comissão sobre todas as vendas. Segundo o Fisco apurou, o pedido de compra da DIRETA sempre foi feito para a NTN Brasil, que repassava para a NTN Sudamericana. Perante essa exportadora, a DIRETA sempre foi a devedora, ou seja, a responsável pelos pagamentos das mercadorias. Por estes motivos, estão sendo imputadas a infração de “(...) Dano ao Erário por ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação...” nas importações realizadas através das 57 Declarações de Importação (DI’s) relacionadas às fls. 08/10 (art. 23, V, e §§1º, 2º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976), assim como a prevista no art. 105, VI, do Decreto Lei Fl. 6012DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 n° 37/66, que autoriza a aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada na hipótese de qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço ter sido falsificado ou adulterado. 5.a) Dos adiantamentos de recursos para as operações de importação. Alega a Recorrente que importou mercadorias para posterior revenda no mercado interno na modalidade “importação por conta e risco próprios”, e essa relação jurídica tinha como lastro econômico o acervo patrimonial da recorrente, comprovado em sua escrituração contábil, informado previamente à RFB, e corroborado por laudo pericial particular e outro constante de processo judicial. Que de fato, a empresa comercializava diversos produtos importados, muitas vezes para as mesmas empresas, o que fazia com que vendas, nota fiscal, depósitos ou pagamentos totais tivessem datas próximas, gerando confusão até mesmo internamente de datas e suas respectivas vinculações negociais. A indignação da fiscalização é com a capacidade de negociação e logística da empresa, que com a velocidade e objetividade inerentes ao setor privado, realizava suas vendas com celeridade. Aduz que é importante frisar que nunca houve adiantamento para pagamento antecipado de mercadorias. Todos os valores transferidos à recorrente, fossem elas da NTN do Brasil ou da DIRETA (conforme cada caso), eram realizadas a título de pagamento exclusivamente após a emissão de nota fiscal de compra e venda, com a mercadoria já desembaraçada. Por outro lado, verificase que o Relatório do Fisco aponta na direção de ter havido interposição, uma vez que existem diversos adiantamentos realizados pela DIRETA à AST, conforme quadro demonstrativo de fls. 11/12 e 125/131, e também se observa que, comparandose as datas de registro das DI´s e emissão das notas fiscais de saída, fica evidenciado que diversos depósitos foram feitos da DIRETA para a AST a fim de cobrir as despesas relativas a DI´s, inclusive com referência aos impostos e as despesas pagas na manipulação inicial das mercadorias. As Recorrentes informam, a seguir, as suas razões.Vejase: 5.b) Da capacidade financeira e da interposição fraudulenta. A Recorrente aduz que pela documentação já juntada às fls. 66/70 e 114/116, observase que a empresa possuía um capital social de R$ 755.000,00 desde 25.10.2006, conforme demonstra o Laudo de fls. 114/116 e a 21ª Alteração Contratual e que tais informações eram de conhecimento da RFB desde 10/08/2007, conforme documentos juntados de fls. 120/123. Renovase a informação em favor da recorrente e da efetiva capacidade econômica da empresa, outro laudo pericial judicial produzido nos autos do processo de nº. 024.990.157.497, que tramitou na 3ª Vara Cível da Comarca de Vitória, cujo valor atribuído ao citado imóvel integralizado, em abril de 2009, seria de R$ 504.000,00. Que sem a força probante necessária, a fiscalização finaliza seu raciocínio afirmando que a suposta opção de atraso no pagamento dos tributos (pelo Fisco ventilada), seria indício de incapacidade financeira da AST. Fl. 6013DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 6.000 29 Portanto, alega que não há que se falar em erro da modalidade de importação e a acusação da incapacidade financeira da recorrente, o que culmina na impossibilidade de atribuir a ela, a infração de interposição fraudulenta apontada pela fiscalização. 5. c) Da adulteração ou falsificação de documentos Aduz em seu recurso que tratando de importação realizada com correição, na qual a recorrente importa mercadorias para posterior revenda, não há o que se falar em adulteração e falsificação de documentos, tampouco em interposição fraudulenta. Que não há nos autos sequer o apontamento de qual documento teria sido falsificado ou adulterado. Portanto, imperioso que haja reavaliação da conduta apontada como delituosa, já que sem qualquer apontamento específico (especialmente na construção de ficção para configurar a dita falsificação), há flagrante impossibilidade de defesa, sendo certo, de todo modo, que não há conduta típica. 5.d) Da inexistência do dolo nas operações da empresa Conforme documentação anexada, a empresa surgiu em 25/01/1991, sob o nome de EDPHOS – Empresa Distribuidora de Produtos Hospitalares Ltda., desenvolvendose, ampliandose, e gerando credibilidade no mercado aduaneiro, por cerca de 20 (vinte) anos. Após décadas de evolução, atualmente como AST, seu objeto social inclui a distribuição, comércio, representação, importação, exportação de produtos e prestação de serviços aduaneiros. Tratase, portanto, de empresa sólida, cumpridora de suas obrigações, que sempre atuou no mercado nacional de forma a desenvolver sua função social e contribuir com as exações que lhe foram impostas, possuindo, desde sempre, capacidade econômica comprovada para as atividades realizadas, tanto é assim que todos os impostos foram pagos e não há ações de cobrança em seu desfavor, nem mesmo de terceiros. Não há razão, portanto, para ignorar toda conduta meritória, abonada pela seriedade evidente e pela manutenção, por anos, no acirrado mercado de importação, para subitamente tratála como empresa aventureira, ou mesmo inexistente (ilegal), conforme o rigor imposto pela fiscalização, via a IN nº 228/2002, no esforço de gerar sua criminalização. 6. Da responsabilidade solidária das empresas DIRETA e NTN do BRASIL O Fisco em seu Relatório sustenta que a NTN do Brasil tratava e orientava os trâmites aduaneiros da operação de importação entre AST e a DIRETA, inclusive acionando a AST para tal fim, visando a ocultação do real importador, decorrendo daí sua responsabilidade solidária. Revela existirem documentos em que há comunicação entre NTN, AST e DIRETA, o que demonstra operação fraudulenta e a participação da NTN na ocultação do real importador. Em resumo, a decisão da DRJ em Fortaleza (CE), entendeu que: Fl. 6014DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 30 (i) com a existência de correspondências eletrônicas trocadas entre NTN DO BRASIL, AST, e DIRETA demonstrariam o indigitado esquema de ocultação do real importador (fls. 5.917); (ii) a NTN teria orientado os procedimentos aduaneiros para ocultação do real importador, e (iii) que a NTN acionava a AST para os trâmites aduaneiros. Por outro giro, aduz a NTN em seu recurso, que há um grande equívoco na análise dos fatos, sobretudo uma interpretação tendenciosa na identificação da atuação na NTN do Brasil que, na qualidade de representante comercial da NTN do JAPÃO e da NTN SUDAMERICANA (com sede no Panamá), cuidava do fechamento do relacionamento civil e comercial da compra e venda internacional, e não dos trâmites administrativos aduaneiros no Brasil. Por esses serviços é remunerada pelas Representadas com valor de 5% sobre os agenciamentos realizados. Explica em seu recurso que na atividade de representação comercial, os processos passa por quatro etapas fundamentais: a) A NTN Brasil recebe do Distribuidor dos produtos NTN Internacional email com a solicitação para que essa faça uma programação (back order) de compra junto a NTN SUDAMERICANA; b) encaminha o pedido de programação de compra para a NTN SUDAMERICANA para que essa verifique a disponibilidade de produtos, bem como as datas em que essa mercadoria poderá ser enviada ao Distribuidor; c) informada da disponibilidade de equipamentos e da data de entrega, a NTN Brasil repassa as informações recebidas ao Distribuidor, bem como fornece as instruções de preenchimento do pedido com os dados necessários para que NTN Internacional realize o faturamento; e d) retransmite as informações recebidas do Distribuidor à NTN SUDAMERICANA. Após o encaminhamento do pedido, a atividade da NTN frente ao Distribuidor, se limita ao Suporte Técnico dos produtos NTN Internacional. 7. Dos Fundamentos Jurídicos alegados pela NTN A NTN além de não ter concorrido para a prática das infrações alegadas, delas não se beneficiou, pois seu negócio sempre esteve adstrito à formação do contrato de compra e venda internacional, na condição de representante comercial das empresas estrangeiras. Nunca coube à NTN controlar ou checar o procedimento de importação adotado entre adquirentes e as empresas por eles escolhidas para o procedimento de importação. Diversamente do afirmado no auto de infração e sustentado no acórdão, a NTN não comercializa equipamentos NTN ou tem qualquer espécie de representante no território nacional. Apenas representa as empresas estrangeiras, não tendo qualquer representante aqui no Brasil, pois não tem atividade de venda dos produtos das empresas representadas. A simples existência de mensagens eletrônicas entre as empresas não se constitui prova da alegada conduta da NTN no sentido de orientar os procedimentos aduaneiros. Não há nos autos prova da alegada conduta dolosa no sentido de fraudar uma operação de importação. Nessa condição, é inaplicável o liame jurídico da sujeição passiva solidária com fundamento no artigo 136 do Código Tributário Nacional e no artigo 603 do DecretoLei n9 37/1966 (artigo 674 do Regulamento Aduaneiro vigente). 8. Da existência de ocultação do real adquirente elementos de prova Fl. 6015DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 6.001 31 Como se vê, as Recorrentes repeliram as acusações, alegando que o motivo do lançamento fundamentado em incapacidade financeira, em verdade tratase de presunção. Afirmam, também, que a desconsideração de aquisição legítima de bem imóvel utilizado no aumento do capital social, foi realizada sem respaldo legal. Assim como, acusação de que diferença apontada como comissão entre a Recorrente e a empresa NTN, tratase de ficção fiscal. Da mesma forma, a fundamentação de "caucionamento financeiro antecipado" para subsidiar as importações, bem como, a suposta presunção de que o atraso no pagamento de tributos teria por objeto fortalecer o ativo circulante da empresa para suprir a incapacidade financeira, não procede. De acordo com o contido no Relatório de Ação Fiscal (RAF) anexo ao auto de infração (fls. 6/52), há, no meu entender, diversos indícios em que se pode evidenciar a efetiva ocorrência de ocultação, pela AST, do real adquirente (a DIRETA), com a participação da NTN, nas importações que foram objeto dessa autuação, senão vejamos: Verificase na relação das DIs, que foram objeto de analise pela Fisco (fls. 08/10), que as datas dos desembaraços, das notas fiscais de entrada na AST e notas fiscais de saída para a DIRETA são bastante próximas. Em relação à DI nº 09/08202894 (fls. 1.593/1.857), por exemplo, as datas das notas fiscais de entrada e de saída são idênticas (NF de Entrada nº 23840, data 30/06/2009 e NF de Saída nº 23846, de 30/06/2009), tendo sido os produtos destinados para a DIRETA. Isso é um forte indício de que os produtos, quando internados, já tinham endereço certo para entrega. Os pedidos de compra foram feitos pela DIRETA à NTN, que atuou junto a NTN SUDAMERICANA identificada como exportadora das mercadorias, bem como a forma como o pedido é apresentado, a cobrança e o acompanhamento dos embarques, conforme pode ser constatado nos documentos anexado às folhas 5.225/5.583. E mais. A fiscalização apresenta diversas comprovações de adiantamentos, feitos pela DIRETA para a AST, juntando como prova folhas do extrato do Razão Contábil da AST com contrapartidas, que foram obtidos através do SISTEMA PÚBLICO DE ESCRITURAÇÃO DIGITAL SPED, onde constaram todos adiantamentos efetuados pela empresa DIRETA. Todos os documentos apensos às fls. 125/131. Conforme consta do Relatório Fiscal, a DIRETA foi intimada, em 14/02/2013, a esclarecer e apresentar documentos (fls. 379 a 383), e não atendeu a fiscalização, preferindo ficar sem esclarecer os seus procedimentos perante o Fisco. Cópia de um pedido de compra apresentado pela DIRETA à NTN (fls 5.225 a 5.583), demonstra, de forma muito clara, que a DIRETA compra as suas mercadorias através da NTN BRASIL, representante da exportadora, e que ela é a responsável pelos pagamentos. Em todo os procedimentos adotados para importação das mercadorias, destacase a participação das empresas AST e NTN, apontando ser os idealizadores dos procedimentos irregulares, a primeira, por não ter condições de operar no comércio exterior por conta e risco próprio (fls. 12 a 16), e a segunda optou por essa forma de procedimento para facilitar os controles de venda, distribuição, cobrança e demais assuntos administrativos. No que tange a irresignação da AST quanto ao imóvel adquirido e utilizado para o aumento de capital social, tenho que esse aumento do patrimônio líquido, neste caso, não configura ingresso de numerário, mas sim ingresso no ativo permanente, incapaz de afastar mácula imputada de insuficiência financeira para operar no comércio exterior exigido pela Fl. 6016DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 32 Fazenda. Nesse espeque, a Recorrente entende que tal aumento do Capital (alterado de R$ 100.000,00 para R$ 655.000,00), se deu por esclarecido através de uma Nota Explicativa, firmada pela AST (fl. 120/123), com os lançamentos na escrituração contábil: "1º O aumento de Capital mencionado deuse através de aquisição de um Sítio com 56 hectares, tendo como objetivo a renovação de cadastros, como a da Receita Federal, Bancos e Fornecedores, além de demonstrar a seus fornecedores e colaboradores a capacidade de pagamento da empresa". No entanto, ao meu sentir, o aumento de Capital mencionado não altera a condição financeira da empresa. Consta dos autos que o imóvel foi comprado pela própria AST, em 24/05/2006, por R$ 87.360,00 (fls. 110 a 113), esse valor naturalmente foi pago e diminuiu o saldo das disponibilidades; em seguida o mesmo Imóvel foi reavaliado em R$ 655.000,00, com base em Laudo (fls. 114), emitido em 17/04/2006, utilizado para aumentar o Capital da empresa. As importações se davam em grande parte vindas do Panamá, tendo como exportador a empresa NTN SUDAMERICANA S/A, que no Brasil ao tempo dos fatos era representada pela empresa NTN BRASIL. A convicção de que a empresa NTN é o verdadeiro importador extraise das comunicações entre ela e os Interessados nos produtos importados, dando conhecimento a AST por meio de cópias dos acordos comerciais (fl. 370). No caso presente, verificase da documentação colecionada às fls. 370 a 374, que as tratativas negociais davam sempre por intermédio da empresa NTN do Brasil Ltda., essa certeza é extraída dos emails trocados entre os hipotéticos clientes da AST com a senhora Natália Nakamura, do Departamento de Importação vinculada a empresa NTN, responsável pela tarefa de cobrar os pedidos e coordenar os embarques das mercadorias, assim como, cabia informar o nome do navio e a data da chegada no Brasil. Em alguns dos documentos a senhora Natália Nakamura, informa o tempo que os clientes dispunham para efetivar os pedidos em razão de “fechamento de carga por contêiner”, informando o país exportador, que no caso em grande parte a origem das mercadorias vinham do Panamá, e a data da chegada do navio ao Porto de Vitória (ES). “Boa noite a todos, Visando esclarecer o método de trabalho e prazos adotados pela NTN do Brasil, quanto aos processos de importações, segue abaixo o cronograma com a definição de atividades e prazo as a serem cumpridos. Back order (Programação) – Resumo de todos os pedidos firmados com as respectivas datas prevista de disponibilidade no Panamá e preço FOB. Do envio da Back Order todos os distribuidores possuem 05 dias úteis para o envio da instrução de embarque completa. Após este período NÃO será aceito qualquer pedido de embarque para o mês corrente, visto que o Panamá necessita de tempo para dar continuidade ao processo (separação do Material, Embalagem, Contato com Agente, Reserva de Containeres/Navio, Agendamento de Retirada do Material do Armazém, Emissão dos Documentos (Proforma/Fatura/Packing list) para inicio da Exportação (...)." Foi também, a empresa NTN, diligenciada e intimada, em 05/03/2012, a esclarecer e apresentar documentos (fls. 359/362); da diligência restou demonstrada de forma muito clara, que os adquirentes das mercadorias colocam os pedidos de compra diretamente Fl. 6017DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 6.002 33 para a NTN BRASIL, que providencia e encaminha os pedidos para a NTN SUDAMERICANA. Vejase: "Sobre a NTN DO BRASIL LTDA, foi esclarecido que funciona como Escritório de Representação da empresa NTN SUDAMERICANA, e de uma forma geral recebe os pedidos, encaminha as cotações e acompanha os pedidos colocados até o embarque. Sobre quem vai nacionalizar as mercadorias, a definição fica a cargo do comprador das mercadorias, que além do importador deve definir o transportador, se a compra é a vista ou a prazo. A partir do embarque e emissão da Fatura Internacional, os procedimentos ficam a cargo do Importador ostensivo, que trata da cobrança dos valores envolvidos tanto com o cambio como da nacionalização das mercadorias encaminhando aos revendedores as mercadorias já nacionalizadas. Que os representantes nacionais não pagam qualquer valor para a NTN DO BRASIL a qualquer título. Que a receita da NTN DO BRASIL foi identificada como sendo comissão sobre as vendas realizadas, recebidas mensalmente da NTN SUDAMERICANA com base no faturamento do mês anterior, definido em contrato perfazendo o total de 5% sobre as vendas realizadas. Que o valor da comissão recebida faz parte da composição do preço FOB das mercadorias. Que no caso das mercadorias embarcadas no JAPÃO, também tem o mesmo procedimento inclusive na mesma ordem. As mercadorias são garantidas pela NTN, quando existe falha a mercadoria é enviada para a NTN, ou a NTN segue até o CLIENTE, para que seja feito um laudo apurando as causas. A mercadoria analisada, se constar no Laudo que houve falha de instalação, fica sob a responsabilidade do importador, no caso de necessidade de troca a negociação é feita através de descontos em pedido próximo. Em sendo assim, não merece prosperar os argumentos das Interessadas de que somente com os documentos aduaneiros e fiscais entregues à fiscalização são capazes de comprovar a regularidades dos atos negociais, ao contrário da afirmação, tenho que houve sim a interposição fraudulenta. No meu entender, as Recorrentes foram incapazes de contraditarem essa documentação colecionada pela fiscalização, deixando transcorrer em silêncio (no caso da DIRETA) os momentos oportunos de impugnar, bem como, debater sobre o conteúdo dos depoimentos colhidos, essa omissão por si só revela ser verdadeiro acusação de que trata de interposição fraudulenta. Vale lembrar que o propósito do tipo infracional é coibir a ocultação do real adquirente da mercadoria na importação ou do vendedor da mercadoria na exportação. Tratase de regra de especial relevância, à medida que a ocultação dos sujeitos envolvidos nas operações de comércio exterior pode estar associada à prática ilegais, dentre outras, a redução Fl. 6018DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 34 indevida dos tributos incidentes da importação (IPI, II, PIS/Pasep, Cofins, ICMS), do IPI devido na comercialização no mercado interno da mercadoria importada e do IRPJ e da CSLL. É evidente, portanto, que o dispositivo, ao pressupor a ocultação ilícita, se refere à simulação fraudulenta. A natureza fraudulenta pode ser provada por qualquer meio admitido pela ordem jurídica, sendo presumida, nos termos do § 2º do art. 23, do Decreto Lei nº 1.455/1976, sempre que o importador não for capaz de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação. Com base nesse dispositivo, alguns julgados do CARF têm operado com a diferenciação entre interposição fraudulenta comprovada e interposição fraudulenta presumida (nesse sentido, Acórdãos nº 310200.582 e nº 310200.589, 3ª S.1ª C. 2ª TO). Entendese, contudo, que não há duas modalidades de interposição. O § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 1976, apenas estabelece uma regra de presunção relativa, que constitui uma técnica de inversão do ônus da prova e não implica qualquer consequência no regime jurídico do instituto. Aplicase, em qualquer caso, com ou sem presunção, a pena de perdimento da mercadoria ou, nas hipóteses do § 3º do art. 23 do mesmo diploma legal, a multa substitutiva ao importador ostensivo. 9. Conclusão Convencido de que as constatações do Fisco deram conta de que as mercadorias não foram compradas pela AST, assim como quedouse demonstrado nos autos que os impostos e demais despesas foram suportados pela DIRETA, que adiantou todos os valores para que a AST pudesse cumprir com as obrigações relacionadas com o desembaraço e pagamento à NTN SUDAMERICANA; que os pedidos de compra foram feitos pela DIRETA para a NTN BRASIL, que atuou junto a NTN SUDAMERICANA identificada como exportadora das mercadorias (exemplo nas folhas 5.225/5583) e que os registros contábeis da empresa AST, constaram os adiantamentos feitos pela empresa DIRETA, conforme extratos das folhas de livro razão com contrapartidas, obtidas através do SPED, concluise que: Ficou evidenciado nos autos os procedimentos adotados nos processos de importação, tinha intuito único de ludibriar as Autoridades Aduaneiras e se revela consistente as acusação de ocultação do sujeito passivo e o real importador, responsável pelas operações e distribuídos para vários parceiros comerciais, clientes, o que leva concluir que a recorrente (AST) realmente não possuía capacidade financeira e se prestou a praticar a infração lhe imputada, restando caracterizada a interposição fraudulenta. Posto isto, conheço dos recursos, para negarlhes provimento, MANTENDO a multa objeto da presente lide à AST, mantendose como os responsáveis solidárias as empresas NTN DO BRASIL LTDA (NTN DO BRASIL) e COMERCIAL E IMPORTADORA DIRETA LTDA (DIRETA). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 6019DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 12466.721579/201382 Acórdão n.º 3402003.094 S3C4T2 Fl. 6.003 35 Fl. 6020DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/07/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 15563.720259/2011-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO DE ENQUADRAMENTO LEGAL. DEFICIÊNCIA SUPRIDA PELA DESCRIÇÃO DOS FATOS.
As deficiências na fundamentação de direito podem ser supridas pela fundamentação de fato, ou seja, não há nulidade se o autuado demonstra, através da própria defesa, que entendeu, por meio da descrição dos fatos, que infrações lhe foram imputadas
DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TERMO INICIAL.
A contagem do prazo decadencial não se inicia no momento de formação do ágio, mas a partir do fato gerador ocorrido no período de apuração a que a despesa de amortização compete.
OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO.
Mantém-se a exoneração do contribuinte do crédito tributário correspondente à omissão de receita presumida, quando os saldos credores considerados no lançamento não são verdadeiros saldos credores de caixa.
OCORRÊNCIA DE NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO/ABUSO DE DIREITO EM DETERMINADA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA - QUESTÃO JÁ RESOLVIDA EM OUTRO PROCESSO - REAPRECIAÇÃO NA MESMA INSTÂNCIA - IMPOSSIBILIDADE - FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL - RESPEITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA
Para que uma questão seja admitida, deve haver interesse processual na sua resolução. Assim, se determinada questão já foi resolvida num processo e ressurge em novo feito, não deve ser admitida neste último, pois nova discussão, além de desnecessária e inútil, pode gerar decisão conflitante com a primeira, o que atentaria contra o princípio da segurança jurídica.
Em casos como esses, a melhor solução é aplicar a decisão em vigor, de mesma instância ou de instância superior. Dessa forma, como a questão ampla defesa, pois tanto o contribuinte quanto o fisco podem ou puderam apresentar provas e argumentos, de modo a defender suas opiniões e influenciar a decisão sobre o assunto.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ORIGINADO DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA EM QUE HOUVE SIMULAÇÃO. GLOSA. MANUTENÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE AMORTIZADOS.
Quando o ágio se originar de reorganização societária em que houve negócio jurídico indireto não oponível ao fisco, mantém-se apenas a glosa dos valores efetivamente amortizados.
RESOLUÇÃO DE QUESTÕES. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL.
Por falta de interesse processual, deixa-se de resolver questões que não têm influência sobre o resultado do julgamento.
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA LANÇADA COM O TRIBUTO.
A multa de ofício lançada com o tributo também se enquadra no conceito de débito para com a União, logo sofre a incidem juros Selic se não for paga tempestivamente.
NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. MULTA.DESQUALIFICAÇÃO.
No negócio jurídico indireto, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64
Numero da decisão: 1401-001.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, AFASTAR a preliminar de nulidade e a prejudicial de decadência e, no mérito, DAR provimento PARCIAL apenas para desqualificar a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ERRO DE ENQUADRAMENTO LEGAL. DEFICIÊNCIA SUPRIDA PELA DESCRIÇÃO DOS FATOS. As deficiências na fundamentação de direito podem ser supridas pela fundamentação de fato, ou seja, não há nulidade se o autuado demonstra, através da própria defesa, que entendeu, por meio da descrição dos fatos, que infrações lhe foram imputadas DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TERMO INICIAL. A contagem do prazo decadencial não se inicia no momento de formação do ágio, mas a partir do fato gerador ocorrido no período de apuração a que a despesa de amortização compete. OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO. Mantémse a exoneração do contribuinte do crédito tributário correspondente à omissão de receita presumida, quando os saldos credores considerados no lançamento não são verdadeiros saldos credores de caixa. OCORRÊNCIA DE NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO/ABUSO DE DIREITO EM DETERMINADA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA QUESTÃO JÁ RESOLVIDA EM OUTRO PROCESSO REAPRECIAÇÃO NA MESMA INSTÂNCIA IMPOSSIBILIDADE FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL RESPEITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA Para que uma questão seja admitida, deve haver interesse processual na sua resolução. Assim, se determinada questão já foi resolvida num processo e ressurge em novo feito, não deve ser admitida neste último, pois nova discussão, além de desnecessária e inútil, pode gerar decisão conflitante com a primeira, o que atentaria contra o princípio da segurança jurídica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 59 /2 01 1- 33 Fl. 7248DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 532 2 Em casos como esses, a melhor solução é aplicar a decisão em vigor, de mesma instância ou de instância superior. Dessa forma, como a questão ampla defesa, pois tanto o contribuinte quanto o fisco podem ou puderam apresentar provas e argumentos, de modo a defender suas opiniões e influenciar a decisão sobre o assunto. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ORIGINADO DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA EM QUE HOUVE SIMULAÇÃO. GLOSA. MANUTENÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE AMORTIZADOS. Quando o ágio se originar de reorganização societária em que houve negócio jurídico indireto não oponível ao fisco, mantémse apenas a glosa dos valores efetivamente amortizados. RESOLUÇÃO DE QUESTÕES. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. Por falta de interesse processual, deixase de resolver questões que não têm influência sobre o resultado do julgamento. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA LANÇADA COM O TRIBUTO. A multa de ofício lançada com o tributo também se enquadra no conceito de débito para com a União, logo sofre a incidem juros Selic se não for paga tempestivamente. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. MULTA.DESQUALIFICAÇÃO. No negócio jurídico indireto, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, AFASTAR a preliminar de nulidade e a prejudicial de decadência e, no mérito, DAR provimento PARCIAL apenas para desqualificar a multa de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 7249DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 533 3 Relatório Tratase de recurso voluntário e recurso de ofício no acórdão proferido pela 9a Turma da DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela procedência parcial dos lançamentos efetuados. A autuação foi fundamentada na omissão de receita decorrente de saldo credor de caixa e na glosa de amortização de ágio gerado nox anoscalendário de 2006, 2007 e 2008. No que se refere à amortização do ágio, a presente autuação trata dos mesmos elementos fáticos contidos no processo n° 15563.000871/200891, ora julgado em conjunto, no qual foram exigidos os créditos tributários devidos nos períodos de apuração correspondentes ao ano calendário de 2004 como decorrência da glosa das amortizações do mesmo ágio. Por tratar de idêntica situação fática, a DRJ repetiu, neste processo, o conteúdo decisório que havia sido pronunciado naquele outro processo no sentido de concluir pela existência de simulação na reestruturação societária que originou o ágio. Ainda assim, no texto do acórdão (fls. 6.884), constatase que a turma julgadora sugeriu a apensação deste processo ao de n° 15563.000871/200891. Referida apensação não foi observada pela unidade de origem e o presente processo, depois da interposição do recurso voluntário, foi diretamente encaminhado para o CARF. Em seu recurso voluntário, para evitar decisões contraditórias, a empresa requer o julgamento conjunto de ambos os processos. A 2ª Turma da 1ª Câmara, através da Resolução nº 1102000.271, encaminhou o presente processo à unidade de origem (DRFNova Iguaçu/RJ) para que fosse apensado e julgado em conjunto com o recurso interposto nos autos do processo n° 15563.000871/200891, o que foi cumprido. Nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (TVF, fls. 4.284/4.294), as autuações foram assim motivadas: B.1 1a INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA POR SALDO CREDOR DE CAIXA 13. Analisando a escrituração apresentada, verificamos que a conta "caixa" (111100) apresentava saldos credores nos três anoscalendário, conforme planilha elaborada por esta fiscalização, indicando indício de omissão de receitas. 14. Em 26/08/2011, diante da constatação acima, intimamos o contribuinte a esclarecer os referidos saldos credores (...). 3. A intimação foi feita por meio do Termo Fiscal n° 6 (fl. 147), e a referida planilha encontrase às fls. 148/166. 4.1 Os valores arrecadados nos caixas das lojas, em razão das vendas de produtos, eram depositados em conta bancária. O registro contábil consistia numa partida diária a débito de Bancos (ou Contas a Receber, nas vendas a prazo) e a crédito do Caixa; e numa partida mensal a débito do Caixa e crédito de Vendas Registradas. 4.2 Os valores recebidos nos caixas como correspondente bancário também eram registrados diariamente a débito de Bancos e crédito do Caixa; e mensalmente a débito do Caixa e crédito de Contas a Pagar. Fl. 7250DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 534 4 4.3 Na emissão de cheques para pagamentos a fornecedores, debitavase o Caixa e creditavase Bancos; e, na compensação do título, debitavamse Despesas ou Fornecedores e creditavase o Caixa. 4.4 Devido a essa metodologia de contabilização, os saldos credores escriturados não eram verdadeiros saldos credores de caixa, logo a presunção de omissão de receita na se aplicava ao caso. 4.5 Ao final do mês, após os lançamentos de conciliação, a conta Caixa sempre apresentou saldo devedor. 5. Em nova intimação (fl. 244), a fiscalização solicitou a apresentação de Livro Auxiliar ou ficha que discrimine de forma individual os ingresso de recursos na conta Caixa, oriundos das operações de vendas, obedecendo a ordem cronológica das mesma, de acordo com o art. 258, § 1°, do RIR/99 1. 6. Em resposta (fls. 248/249), o Interessado não forneceu qualquer registro auxiliar, repetiu os esclarecimentos prestados anteriormente e apresentou uma recomposição da conta Caixa para o mês de agosto de 2008. 7. Os saldos credores de caixa foram considerados como omissão de receita. No TVF (fls. 4.288/4.289), esta parte do lançamento foi assim motivada: Conforme já relatado acima, em intimação datada de 18/11/2011, esta fiscalização solicitou que o contribuinte apresentasse, livros e/ou fichas auxiliares, [em] que estivesse reproduzida a escrituração da conta caixa, de forma a se verificar, através de corretos lançamentos diários, o que o contribuinte diz estar tornando os saldos da sua "conta caixa" credor, de forma individualiza, e com documentos que permitissem a sua perfeita verificação. O contribuinte apresenta resposta em 28/11/2011, onde elaborou planilha exemplificativa referente ao mês de agosto de 2008, informou que as vendas diárias foram manualmente inseridas, dia a dia, para recomposição do saldo final diário. A planilha elaborada, com a inserção manual dos valores que o contribuinte diz ser o das receitas diárias do mês de agosto 2008, mas desacompanhada da respectiva documentação comprobatória, tem como saldo final diário, sempre saldo devedor. O contribuinte apesar de intimado não apresentou a contabilidade auxiliar solicitada por esta fiscalização, nem a documentação comprobatória para a perfeita verificação do exposto na planilha elaborada, sendo também pouco produtiva a apresentação de apenas um mês diante de 3 anoscalendário, além de informar que o tempo concedido é muito pequeno, porém a 1a intimação , onde solicitamos esclarecimentos quanto aos saldos credores apurados, está datada de 26/08/2011. Em análise dos arquivos magnéticos fornecidos pelo contribuinte, correspondente a sua escrituração, dos anoscalendário 2006 , 2007 e 2008, verificamos: 1. Que não houve individualização das receitas de vendas, não podendo distinguir efetivamente as respectivas operações diárias. 2. A existência de lançamentos a crédito na conta caixa, referente a operações com fornecedores (conta 211100), outras contas a pagar repasse (216441) e outras contas referente a despesas operacionais contabilizadas no grupo 400000 (despesas). Através dessa análise, concluímos que esses valores estariam aumentando os saldos credores apurados, e, diante desta constatação, elaboramos planilhas individualizadamente para as contas enumeradas no parágrafo acima, para totalização e Fl. 7251DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 535 5 subtração de tais valores do saldo credor objeto da presente autuação, pois os mesmos correspondem a recursos de terceiros e não sendo receita da fiscalizada. Os saldos credores utilizados para a presente autuação, serão os maiores dentro de cada anocalendário, conforme demonstrado no levantamento efetuado por esta fiscalização (fls. a ) a saber: em 30/05/2006 para o anocalendário 2006 no valor de R$ 374.207.374,40, em 30/12/2007 para o anocalendário 2007, no valor de R$ 306.077.667,23 e em 30/07/2008 no valor de R$ 391.544.341,80 para o anocalendário 2008, conforme abaixo exposto: PERÍO DO DATA DA OCORRÊ NCIA DO MAIOR SALDO CREDOR W DE CAIXA VALOR DO SALDO CREDOR DE CAIXA (111100) OUTRAS CONTAS A PAGAR REPASSE (216441) FORNEC EDOR (211100) DESPESA S (GRUPO DE CONTAS 400000) VALOR TOTAL CORRESPO NDENTE A RECURSOS DE TERCEIROS SALDO CREDOR CONSIDERA DO 2006 30/05/2006 377.366.510,83 51.332,18 3.107.804,25 3.159.136,43 374.207.374,40 ^2ü07 30/12/2007 306.847.018,68 769.351,45 769.351,45 306.077.667,23 W 2008 30/07/2008 392.820.297,81 1.233.433,42 42.100,91 421,68 1.275.956,01 391.544.341,80 8. A seguir são descritas as operações de reestruturação societária que deram origem ao ágio cuja despesa de amortização foi glosada. OPERAÇÕES REALIZADAS EM 29/02/2004 (1a E 2a ALTERAÇÕES DO CONTRATO SOCIAL DE RIO PATEA, 1a ALTERAÇÃO DE SERRA DO ANDARAÍ E ASSEMBLÉIA DO INTERESSADO) 9. Na 1a alteração do contrato social da RIO PATEA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., doravante RIO PATEA, fls. 3.875/3.890, as sócias COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO, doravante CBD, e NOVASOC COMERCIAL LTDA., doravante NOVASOC, entraram na sociedade, substituindo os sócios originais, e aumentaram o capital de R$ 100,00 para R$ 114.729.239,00. A diferença, R$ 114.729.139,00, foi integralizada no mesmo ato, da seguinte forma (fls. 3.878/3.879): SÓCIO DESCRIÇÃO VALOR (RS) Moeda corrente nacional 4.950,00 CBD Direitos de exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas localizadas no Estado do Rio de Janeiro, relacionadas no Anexo I da alteração contratual em questão. 10.000,00 Moeda corrente nacional 4.950,00 NOVASOC Ativos contas a receber e direitos de exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas localizadas no Estado do Rio de Janeiro, relacionadas no Anexo I da alteração contratual em questão. 114.709.239,00 TOTAL N/A 114.729.139,00 Na 2a alteração (fls. 3.897/3.901), CBD e NOVASOC retiraramse da sociedade, cedendo e transferindo a totalidade de suas cotas para SÉ SUPERMERCADOS LTDA, doravante SÉ. O capital social foi mantido em R$ 114.729.239,00. 11. Na 1a alteração contratual da SERRA DO ANDARAÍ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, doravante SERRA DO ANDARAÍ, (fls. Fl. 7252DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 536 6 3.953/3.967), SENDAS S/A, doravante SENDAS, entrou na sociedade como única sócia, e aumentou o capital de R$ 100,00 para R$ 15.000,00. A diferença, R$ 14.900,00, foi integralizada no mesmo ato, de seguinte forma (fl. 3.956): SÓCIO DESCRIÇÃO VALOR (RS) Moeda corrente nacional 4.900,00 SENDAS Direitos de exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas localizadas no Estado do Rio de Janeiro, relacionadas no Anexo I desta alteração contratual. 10.000,00 TOTAL N/A 14.900,00 12. Em Assembléia Geral Extraordinária (AGE) do Interessado (fls. 4.020/4.028), foram feitas, entre outras, as integralizações de capital descritas a seguir: a) SÉ integralizou R$ 422.977.864,00 mediante a conferência de 114.729.239 de cotas representativas do total do capital social de RIO PATEA (Item 5.4.3 da Ata da AGE, fl. 4.024); e b) SENDAS integralizou R$ 250.000.000,00 mediante a conferência do seu acervo líquido (avaliado em menos R$ 325.209.265,75, conforme Laudo de fls. 4.141/4.146) e de 15.000 cotas representativas do total do capital social da SERRA DO ANDARAÍ (Item 5.4.4, a, da Ata da AGE, fl. 4.025). 13. As empresas RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ foram avaliadas segundo as suas capacidades de geração de resultados futuros em R$ 618.340.702,00 e R$ 853.904.369,00, conforme laudos de fls. 4.039/4.088 e 4.089/4.140. 14. Contudo, os valores considerados nas integralizações foram respectivamente de R$ 422.977.864,00 e R$ 575.209.265,75 (= R$ 250.000.000,00 + R$ 325.209.265,75). Como os valores contábeis de seus capitais sociais eram de R$ 114.729.239,00 e R$ 15.000,00, as operações resultaram em ágios de R$ 308.248.625,00 (= R$ 422.977.864,00 R$ 114.729.239,00) e de R$ 575.194.265,75 (= R$ 575.209.265,75 R$ 15.000,00). Os dois ágios totalizam R$ 883.442.890,75. OPERAÇÕES REALIZADAS EM 30/04/2004 (4a ALTERAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL DE RIO PATEA E 3a ALTERAÇÃO DE SERRA DO ANDARAÍ) 15. Por meio das operações em epígrafe, o Interessado incorporou as empresas RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ (Alterações de fls. 3.907/3.909 e 3.972/3.974). MOTIVAÇÃO PARA A GLOSA DAS DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO 16. Consta do TVF que: (...) diante da criação de pequenas empresas como a RIO PATEA E SERRA DO ANDARAÍ, com capital inicial ínfimo de R$ 100,00, para posteriormente fazer transferências de sócios a título gratuito ou não, proceder a aumento de capital em fundos de comércio passando dos R$ 100,00 para cifras de milhões de reais, e ainda que todos os atos tenham ocorrido no mesmo dia ou em prazo muito curtos, nos leva a acreditar que tais atos foram executados para realmente suprimir ou reduzir tributos, de forma ilegítima. (...) Fl. 7253DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 537 7 Destacase que a suposta operação de aquisição das participações societárias com ágio, antes de ocorrer a incorporação, permitiu a apropriação da amortização de ágio ao resultado do exercício, isso não ocorreria se a SENDAS DISTRIBUIDORA S/A tivesse incorporado as sociedades RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ sem ter participação em seus capitais, ainda que a incorporação fosse por valor superior ao valor patrimonial, não seria possível considerar o valor aumentado "pago" ao resultado do período a título de despesas. Nesta situação, a diferença registrada a maior constituiria custo de aquisição, e num evento futuro de venda poderia se calcular a existência ou não de ganho de capital. (...) Verificase no caso em questão que a aquisição de participações societárias e posterior incorporação, constituiu um forma indireta de atingir o objetivo final, ou seja, transformar o custo de aquisição do patrimônio em despesa dedutível, pois na verdade uma única operação ocorreu, resumindo, tal ato jurídico não se justificaria se na verdade o intuito fosse somente o ato de incorporar, concluindose portanto, que houve simulação de negócio jurídico com o fim específico. (...) Tendo o contribuinte, praticado ato ou negócio que configure a hipótese de incidência de uma norma tributária, e que, de maneira simulada, ocultar a sua realização, poderá o Fisco desqualificar o ato ou negócio aparente para buscar a realidade, a fim de cobrar o tributo efetivamente devido. (...) Portanto, a amortização do "ágio em investimento" produzido pelo planejamento acima, relativos ao anocalendário 2007, conforme informação constante na sua DIPJ, ficha 36 A, linha 27 no valor de R$ 91.969.955,71 e a do anocalendário 2008, conforme informação constante na sua DIPJ , ficha 36A, linha 27 no valor de R$ 439.013.328,40, tornaramse inexistentes diante de toda a exposição acima acerca do Ato simulado elaborado pelos grupos Pão de Açúcar e Sendas. (fls. 4.292/4.294) B.3 QUALIFICAÇÃO DA MULTA COM A AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO 17. Não há no TVF um item específico para justificar a qualificação da multa sobre a amortização indevida de ágio. Porém, a autuante menciona que o Interessado agiu com o intuito de reduzir ou suprimir tributos: Todos atos acima relatados, da constituição, aumento de capital , troca de sócios e transferências de quotas ocorreram no espaço de tempo curto, nos dando indícios de planejamento tributário, com o intuito de reduzir ou suprimir tributos. (fl. 4.291). C IMPUGNAÇÃO 18. O Interessado foi intimado pessoalmente da exigência fiscal em 27/12/2011 (fls. 4.298, 4.303, 4.309 e 4.315) e, em 24/01/2012, apresentou a Impugnação de fls. 4.390/4.551, alegando, em síntese: C.1 NULIDADE DO LANÇAMENTO 19. O lançamento é nulo porque: a) a fiscalização desconsiderou os esclarecimentos prestados sobre o funcionamento e a natureza jurídica da conta Caixa (natureza transitória), "limitandose a exigir apresentação de livros e/ou fichas auxiliares de algo que já estava na escrita contábil da Impugnante". Agindo de tal forma, violou o art. 845, § 1°, do RIR/99 (§§ 150/162). Fl. 7254DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 538 8 b) a autuante adotou como base tributável do IRPJ e da CSLL a variação na linha 27 (Ágios em investimentos) da ficha 36A das DIPJ 2008 e 2009 (fls. 42 e 86), ao invés da quantia efetivamente amortizada, conforme quadro abaixo (§§ 215/239): Anocalendário Valor considerado no lançamento Valor amortizado 2007 91.969.359,62 91.969.359,62 2008 439.013.328,40 93.377.359,38 Em 2007, embora a metodologia de apuração da autuante esteja errada, o valor considerado no lançamento coincide com o efetivamente amortizado. c) houve cerceamento do direito de defesa porque o preceito invocado para motivar a glosa da amortização de ágio (art. 13, III, da Lei n° 9.249/95) (i) é inaplicável ao caso, uma vez que há regra especial para essa espécie de amortização (arts. 386, III, ou 426, ambos do RIR/99, conforme haja extinção ou alienação do investimento, respectivamente); e (ii) é incompatível com o instituto da simulação, também invocado pela autuante, pois só se aplica aos atos jurídicos válidos, e, portanto, não simulados (§§ 261/285): d) operouse a decadência em relação à parcela correspondente às amortizações de ágio (§ 286/321): 301. Nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, a Impugnante acredita ser indubitável que decaiu o direito da Receita Federal do Brasil glosar as amortizações dos Ágios, em decorrência do transcurso do prazo de cinco anos verificado entre o lançamento tributário ora contestado e a data de formação/registro dos ágios questionados (em verdade, 31/12/2004, data de encerramento do anocalendário de formação/registro do ágio questionado). (... ) 311. Em outras palavras, o direito da Impugnante, de registrar os valores dos ágios em seu ativo diferido, e de amortizar fiscalmente tais valores foi adquirido em 31/12/2004, e poderia ter sido questionado apenas até 31/12/2009, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. (fls. 4.473 e 4.475) e) os prejuízos fiscais e as bases negativas da CSLL acumulados em período anterior (2005) não foram compensados na apuração do IRPJ e da CSLL, contrariando previsão expressa dos arts. 250, inciso III, 509, § 1°, e 510, todos do RIR/99 (§§ 556/566). 557. Nesse sentido, a Impugnante pede vênia para transcrever, exemplificativamente, a opinião de Noé Winkler a respeito do tema, a qual reflete a unanimidade da doutrina brasileira acerca desta matéria: "O saldo de prejuízo não compensado, por insuficiência de lucros reais, poderá ser utilizado em caso de lançamento suplementar que venha acrescer o lucro real. Esta a orientação mais recente do Conselho de Contribuintes, adotada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, modificando Acórdão em sentido contrário." [in "Imposto de Renda", Volume I, Editora Forense, pág. 8U) (gn.) 558. O então E. 1° Conselho de Contribuintes vinha reiteradamente decidindo no sentido de que as parcelas da matéria tributável, levantadas em procedimento fiscal, também integram os lucros tributáveis e, por isso, devem ser absorvidas por Prejuízos Fiscais e Bases Negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, conforme atestam as ementas abaixo transcritas (...) [fl. 4.535] f) por afronta (§ 563): Fl. 7255DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 539 9 aos arts. 142, do CTN e 10, do Decreto n° 70.235/72, que não permitem erro na apuração da base de cálculo do tributo; ao princípio constitucional da moralidade (art. 37, caput, da CF), de observância obrigatória pela Administração Pública; ao princípio constitucional da vedação ao confisco (artigo 150, V, da CF), pois a cobrança, na verdade, atinge o patrimônio da Impugnante, uma vez que os tributos em discussão estão sendo indevidamente calculados; à proteção à capacidade contributiva, constitucionalmente assegurada (artigo 145, § 1°, da CF), por exigência de tributo além da capacidade econômica do Interessado; e à relação Fisco e contribuinte, implicando manifesto enriquecimento ilícito do Erário, que tomará para si valores que não lhe são devidos. C.2 TAXA SELIC ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE 20. A aplicação da taxa Selic como juros moratórios é ilegal e inconstitucional porque tem natureza remuneratória, e não moratória (§§ 579/583). c.3 PEDIDO DE DILIGÊNCIA (§§ 595/598) 595. Ad argumentandum, se os AI's ora impugnados não forem cancelados, a Impugnante requer a realização de diligência, nos termos do artigo 36, do Decreto n° 7.574/11, para verificação de documentos, comprovação dos fatos e das operações narradas anteriormente. 596. Portanto, fazse indispensável a realização de diligência, tendo em vista a total inexistência do débito. Inadmitir tal procedimento significa afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da verdade material, que lastreiam o processo administrativo fiscal. 597. Em razão do exposto, a Impugnante requer, no mínimo, a realização de diligência em seu estabelecimento Matriz para análise da documentação hábil e idônea tendente à verificação de documentos, comprovação dos fatos e das operações narradas anteriormente. 601. (...) em relação ao item de presunção de omissão de receitas pela manutenção de saldo credor de caixa, na hipótese remota de serem os documentos juntados ao processo insuficientes para provar o alegado, requerse a instauração de diligência para que se inicie análise aprofundada dos documentos disponíveis na sede da Impugnante. C.4 SALDO CREDOR DE CAIXA 21. Repete as explicações dadas à fiscalização sobre o funcionamento da conta Caixa (§§ 97/112) e a alegação de que a presunção de omissão de receita não se aplica ao caso porque a conta Caixa tinha natureza transitória (§ 77). 22. Não estava obrigado a manter livros auxiliares porque a escrituração do Caixa era feita por partidas diárias, deixandose apenas alguns registros credores diários (de natureza transitória) para serem conciliados ao final do mês (§§ 79/96). 23. Por fazer parte de um grupo com ações listadas em bolsa de valores, sujeitase às mais rígidas normas de auditoria e governança corporativa, de tal sorte que seria impossível uma omissão de receita da magnitude apurada pela fiscalização (§ 113). Fl. 7256DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 540 10 24. De 2006 a 2008, foi auditada pela Ernst & Young, que não apontou qualquer irregularidade que sugerisse a prática de omissão de receita (§ 114). 25. Elaborou demonstrativos para provar que o saldo final diário apurado depois da conciliação (também diária) dos recebimentos de vendas, não gerava, em nenhum dia do mês, apuração de saldo credor de caixa (§ 122). Acosta documentação comprobatória (§ 125). 26. A suposta receita omitida foi apurada pela autuante a partir dos saldos escriturados, ou seja, sem recomposição (§ 127). 27. Conforme Parecer Normativo CST n° 347/70, a forma de escriturar suas operações é de livre escolha do contribuinte (§ 147). 28. O saldo credor de caixa não foi provado. Em vez disso, há apenas um indício de sua existência: os saldos credores escriturados. Portanto, o próprio saldo credor de caixa foi presumido (§§ 181/183). 29. Apresenta parecer da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuarias e Financeiras ("FIPECAFI"), que traz as seguintes conclusões (§§ 196/202): (...) a contabilidade da Sendas Distribuidora S.A. e a sua documentação contábil apresentavase em conformidade com as formalidades requeridas pelas normas de escrituração contábil determinadas pelo CFC, inclusive, tendo sido as demonstrações contábeis da empresa submetidas a auditoria independente, que não reportou ressalvas de qualquer espécie em seus relatórios. A conta "111.100 Caixa" nos meses 06/2006, 12/2007 e 07/2008 foi utilizada como conta transitória pela Sendas Distribuidora S.A. A conta servia como "conta ponte" para registro de diversos lançamentos transitórios e não era utilizada, exclusivamente, para registro dos eventos econômicos decorrentes da movimentação de numerário em espécie. Os saldos credores intermediários da conta "111.100 Caixa" nos meses 06/2006, 12/2007 e 07/2008 não podem ser utilizados para suportar a presunção de omissão de receita (...) (...) tais saldos credores, conforme esclarecido nesse parecer, representavam nada mais que posições transitórias, em função da sistemática contábil utilizada pela empresa. (...) Conclusão Conforme esclarecido, entendemos como absolutamente indevida a alegação, pela Fiscalização da RFB, de omissão de receitas tendo em vista a sistemática contábil adotada pela empresa. Ademais, a sistemática adotada pela Sendas, não afrontava a regulamentação contábil vigente à época e as suas demonstrações contábeis relativas aos exercícios de 2006, ^É^^^t 2007 e 2008 foram submetidas à Auditoria Independente, que não reportou ressalvas de quaisquer espécies. 30. O Interessado contratou os serviços da empresa de auditoria Magalhães Andrade Auditores Independentes, com objetivo de obter uma recomposição da conta 111.100 "Caixa", mediante a devida conciliação diária dos registros transitórios, para demonstrar que a partir dessa conciliação os saldos diários da conta seriam sempre devedores. Protesta pela juntada posterior da recomposição, uma vez que não houve tempo hábil para processamento da versão final do relatório (§§ 200 e 202). O referido trabalho (fls. 5.353/5.790) foi juntado ao processo em 15/02/2012, como anexo à petição de fls. 5.345/5.348. Fl. 7257DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 541 11 31. Na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (BCL), não foram deduzidas as despesas relativas às autuações do PIS e da COFINS, o que afronta os art. 41 e 57 da Lei 8.981/95. Nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN, a exigibilidade do crédito tributário constituído via auto de infração será suspensa com o protocolo de defesa administrativa; ou seja, no momento da autuação fiscal, tais valores não estavam com a exigibilidade suspensa (§§ 207, 210 e 212). C.5 GLOSA DAS AMORTIZAÇÕES DE ÁGIO C.5.1 EQUÍVOCO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL (§§ 215/239) 32. A questão de que trata este tópico da Impugnação já foi relatada no § 19, b, supra, por tratarse de arguição de nulidade. C.5.2 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A NATUREZA JURÍDICA DO ÁGIO (§§ 240/260) 257. Ante todo o exposto, percebese que o ágio nada mais é do que parte do custo de aquisição desdobrado na forma imposta pela legislação brasileira, como conseqüência da adoção do Método da Equivalência Patrimonial. Dessa forma, resta evidente a sua natureza jurídica de custo de aquisição. 258. Não há dúvidas, portanto seja por parte da própria Receita Federal do Brasil (RFB), seja por parte da CVM , quanto ao fato de que, após a extinção da participação societária que lhe deu origem (incorporação), o ágio em questão nada mais é do que uma despesa relativa a uma perda de capital (decorrente da sua própria baixa como custo de aquisição do investimento extinto), perda esta sujeita a regras de dedutibilidade próprias e específicas, estabelecidas em função dos fundamentos econômicos que geraram o ágio quando do seu registro. 259. Nesse sentido, nas hipóteses de extinção dos investimentos por conta de incorporação, se o fundamento econômico que deu origem ao ágio for lastreado por laudo que ateste sua rentabilidade futura, então as respectivas amortizações deverão ocorrer nos termos do inciso III do art. 386 do RIR/99. (fls. 4.464/4.465) 34. A questão de que trata este tópico da Impugnação já foi relatada no § 19, d, supra, por tratarse de arguição de nulidade. CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A JOINT VENTURE ENTRE O GRUPO PÃO DE AÇÚCAR E O GRUPO SENDAS (§§ 322/385) 334. (...) a participação do Grupo Sendas no market share do Estado do Rio de Janeiro era bastante superior à do Grupo Pão de Açúcar, o que corrobora o efetivo interesse comercial do Grupo Pão de Açúcar na associação com o Grupo Sendas, a fim de ampliar sua área de atuação neste território (Doc. 17). 335. De outra parte, o Grupo Sendas tinha efetivo interesse na associação em razão de que, na época, vinha apresentando prejuízos, bem como um alto grau de endividamento. Com efeito, a Sendas havia obtido financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social ("BNDES"), o que acabou sendo assumido pela Sendas Distribuidora, ora Impugnante. 336. É importante lembrar que a criação da joint venture ocorreu em um momento em que as empresas varejistas estrangeiras estavam ingressando de forma agressiva no mercado brasileiro, razão pela qual a associação entre o Grupo Sendas e o Grupo Pão de Açúcar, contribuiria para manter o fortalecimento de ambos (Doc's. 18 e 19). Fl. 7258DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 542 12 337. Conforme amplamente noticiado pela imprensa, bem como divulgado nos fatos relevantes e comunicado ao mercado, com a associação entre o Grupo Sendas e o Grupo Pão de Açúcar esperavase obter um ganho de eficiência com o aumento da escala e a diluição dos custos no Estado do Rio de Janeiro (Doc's 16, 20, 21 e 22). (...) 356. Além disso, é importante notar que, tendo em vista que ambos os grupos apresentaram faturamento superior a R$ 400 milhões no ano de 2002, foi necessária a aprovação da operação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica ("CADE"). Portanto, tratavamse, evidentemente, de duas empresas de grande representatividade, totalmente independentes entre si. 357. Ora, o próprio fato de a operação dever ser submetida ao CADE já demonstra, por si só, a efetiva existência de substância econômica da operação, vez que, em razão de sua magnitude, deveria até mesmo ser avaliada pelo órgão competente para que fosse assegurado que não haveria prejuízo à concorrência. (...) 382. Como se verifica dos esclarecimentos acima, não há menor sombra de dúvidas de que a associação entre o Grupo Pão de Açúcar e o Grupo Sendas constituiu genuíno negócio, subordinado à realidade econômica que lhe era subjacente. 383. Ora, chega até mesmo a causar espanto que a presente operação tenha sido, em um dado momento, considerada pela Sra. AuditoraFiscal como sendo uma simples manobra para economizar tributos, na medida em que sua magnitude, dificuldades de integração, envolvimento do órgão responsável por assegurar a concorrência no setor, envolvimento do BNDES, repercussão internacional, enfim, todo o histórico da operação evidenciam que o interesse primordial das partes era, realmente, a efetiva associação entre elas! SIMULAÇÃO CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS (§§ 386/434) 35. O Interessado faz uma explanação sobre o instituto "simulação" e, após citar decisões administrativas acerca do assunto, conclui que: 431. Em síntese, podese dizer que as análises contidas nas decisões retro transcritas, acerca de atos jurídicos que porventura tenham gerado economia fiscal, têm sido norteadas por outros motivos, que não a apenas e tão somente a legalidade. Ou seja, se houver objetivos exclusivamente tributários, o negócio será ilícito, por não refletir verdadeiramente, na forma, a finalidade desejada. Esses atos, desprovidos de intenções comerciais ou negociais, serão chamados de simulados. 432. O negócio será lícito se lograr existência independentemente das vantagens fiscais. E é precisamente para permitir tal comprovação que se formulou, no Direito Americano, a teoria do business purpose test: os negócios devem cobrirse de elementos comerciais, negociais e econômicos suficientes para poderem dizerse genuínos, autênticos, não artificiais, e sinônimos (Que fique claro que esta menção não significa que o Brasil tenha recepcionado esta teoria). 433. Os negócios não podem ser meramente formais, e devem estar pautados por interesses legítimos, em condições equitativas, tal como se fossem negócios que se realizariam normalmente entre as partes (com direitos e obrigações equitativas, cogitadas para serem cumpridas), mesmo na ausência da vantagem exclusivamente fiscal. C.5.7 SIMULAÇÃO DA SUA INOCORRÊNCIA NO CASO CONCRETO DOS PRESENTES AUTOS (§§ 435/555) Fl. 7259DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 543 13 36. Se a simulação relativa caracterizase pela divergência entre a vontade declarada (negócio jurídico simulado) e a vontade real (negócio jurídico dissimulado), cumpre nos perguntar: quais são, no caso sob análise, os dois negócios jurídicos? Quais são as duas vontades conflitantes? 439. Não há qualquer indicação do suposto negócio que teria sido ocultado por conta da incorporação no auto de infração ora impugnado! 440. Ressaltese que o ágio amortizado pela Impugnante nada mais é do que uma consequência do desdobramento do custo de aquisição de participação societária tal como prevê a legislação brasileira. 441. Não se pode, portanto, sustentar que a aludida amortização decorreu de simulação de negócio jurídico "com o fim específico de transformar custo de aquisição de patrimônio em despesa dedutível". 445. Devese ter presente que a Impugnante jamais pretendeu encobrir um negócio jurídico com a realização de outro. E a razão para isso é de uma simplicidade evidente a quilômetros de distância: não existe "outro" negócio jurídico diferente daquele que foi realizado e que durou sete anos [2004 a 2011]. Motivos para a escolha do procedimento de reorganização adotado 447. Com efeito, a atribuição de valor de mercado às participações aportadas na Associação foi uma medida tomada com o fim de conferir a adequada transparência à transação, haja vista que o valor da nova companhia (a Impugnante) passou a ser representado nas demonstrações financeiras com base em seu justo valor de mercado, de modo que ficasse claro para os investidores de cada uma das companhias participantes do negócio a relação entre os ativos e passivos aportados a e correspondente participação societária de cada um no capital da Impugnante. 449. (...) o Grupo Pão de Açúcar e o Grupo Sendas optaram pela constituição de sociedades de propósito específico (Rio Patea e Serra do Andaraí) que reunissem, em princípio, o patrimônio que seria aportado na associação (a valor contábil), para posterior conferência a mercado das participações societárias (conferência esta sujeita ao disposto no art. 36 da Lei n° 10.637/02). 452. Podese perguntar: por que o Grupo Pão de Açúcar e o Grupo Sendas não efetuaram o aumento de capital diretamente na Impugnante? 453. (... ) o aumento direto na Impugnante envolveria a necessidade de entrega de diversos ativos em integralização, destacandose os estoques de cada um dos inúmeros estabelecimentos e os respectivos pontos comerciais, além de inúmeras obrigações correlatas em lugar de dois e somente dois! ativos na forma de participações societárias. 454. Assim, a transmissão desses ativos e passivos a valor de mercado seria extremamente onerosa e aqui, srs. Julgadores nos mais diversos sentidos e aspectos (tais como o financeiro, temporal, de disclosure, etc.) por conta da necessidade de contratação de laudos de avaliação a mercado para cada tipo ativo e passivo aportados! 458. Uma vez destacado esse patrimônio e os negócios correspondentes, as partes puderam valorizar o negócio e aumentar o capital da Impugnante com a entrega das participações acionárias, aí sim, a valor de mercado. 459. Ora, tendo os patrimônios segregados, todo o processo de avaliação, precificação, auditoria e aumento de capital foi simplificado. Convenhamos, é muito mais fácil Fl. 7260DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 544 14 sob o ponto de vista operacional, avaliar economicamente participações societárias que apresentam uma universalidade de bens (digase, um negócio), do que avaliálas 460. Além disso, como esta nova etapa envolvia partes não relacionadas (com acionistas minoritários) fezse, tal como expressamente autorizava o já citado art. 36 da Lei n° 10.637/02, a conferência de Rio Patea e Serra do Andaraí a valor de mercado. Cumprese aqui ressaltar que esta era justamente a finalidade de tal dispositivo. 461. Todas as operações societárias em tela foram efetuadas sequencialmente, pois, efetivamente, as partes tinham o objetivo final declarado de combinar seus negócios no Rio de Janeiro. (...) Tratase, portanto, de negócio complexo, composto por mais de um ato jurídico individual coligado. 37. Porém, o papel de cada ato jurídico individualmente analisado foi atingido em estrita consonância com o interesse declarado das partes, e a divisão dos negócios no Rio de Janeiro foi de essencial importância para a combinação posterior desses negócios, ao contrário do que quer fazer crer a Sra. AuditoraFiscal. 463. Neste momento, parecenos conveniente lançar mão da seguinte lição do Prof. Marco Aurélio Greco, que, de certa forma, resume o objetivo maior da Impugnante nesta peça: "Ou seja, sempre que o exercício da autoorganização se apoiar em causas reais e não unicamente fiscais, a atividade do contribuinte será irrepreensível e contra ela o Fisco nada poderá objetar, devendo aceitar os efeitos jurídicos dos negócios realizados. Como se vê, o Fisco não pode interpretar os negócios privados como bem entende, apenas com o intuito de enquadrálos na hipótese tributariamente mais onerosa. Não é isto que estou sustentando. No entanto, os negócios jurídicos que não tiverem nenhuma causa real e predominante, a não ser conduzir a um menor imposto, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo...". (GRECO, Marco Aurélio. "Planejamento Tributário", Ed. Dialética, 2° ed., 2008, p. 203) Crítica aos procedimentos alternativos sugeridos pela autuante 466. A Impugnante passa a descrever e analisar cada uma das estruturas alternativas sugeridas, ainda que de forma velada, pela Sra. AuditoraFiscal. 467. (... ) não se está aqui a negar que a estruturação da associação não poderia ser realizada de outra forma, mas há uma distância imensa entre a existência de diversos caminhos societários para se constituir uma real joint venture e considerar que um desses caminhos é simulado, mesmo quando ele seja legalmente previsto e tenha alcançado a finalidade de constituir a joint venture. 468. (...) o primeiro caminho alternativo sugerido seria a incorporação direta das empresas Rio Patea e Serra do Andaraí pela Impugnante, sem prévia constituição das participações societárias. Confirase: "Destacase que a suposta operação de aquisição das participações societárias com ágio antes de ocorrer a incorporação, permitiu apropriação da amortização de ágio ao resultado do exercício, isso não ocorreria se a SENDAS DISTRIBUIDORA S/A tivesse incorporado as sociedades RIO PATEA e SERRA DO ANDARAI sem ter participação em seus capitais, ainda que a incorporação fosse por valor superior ao valor patrimonial, não seria possível considerar o valor aumentado 'pago' ao resultado do período a título de despesas. Nesta situação, a diferença registrada a maior constituiria custo de aquisição, que poderia ser Fl. 7261DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 545 15 utilizado, numa hipotética operação de venda futura do acervo adquirido, para se calcular a existência de ganho de capital. " 470. Ora, se "a incorporação fosse por valor superior ao valor patrimonial" estaríamos diante de uma incorporação a mercado. Esta é uma operação absolutamente atípica, e sob o ponto de vista operacional mais tortuosa e onerosa para a Impugnante, pois, nos termos do art. 440 do RIR/99, o qual trata da reavaliação em processos de incorporação, fusão e cisão (e aqui estamos diante de fatos ocorridos antes da edição Lei n° 11.638/07) geraria a necessidade de laudos de avaliação econômica individualizado em relação a cada um dos bens, direitos e obrigações que compõe o acervo patrimonial incorporado. Além de gerar reservas de reavaliação reflexas nas empresas do Grupo Pão de Açúcar e do Grupo Sendas. 471. Como já se viu, adotandose este caminho a criação da joint venture teria, inevitavelmente, inconvenientes financeiros e temporais os quais poderiam comprometer, inclusive, a sua própria criação. 38. O outro caminho sugerido é o aporte direto dos ativos/passivos na Impugnante. Confirase: "No Acordo de Investimento e de Associação e no Acordo de Acionistas da Sendas S/A, celebrados em 05 e 29 de fevereiro de 2004, respectivamente, cujo ponto principal a atingir era o aproveitamento da relação operacional existente entre SENDAS e CBD no Estado do Rio de Janeiro, visando alcançar objetivamente um maior mercado, com a criação de uma nova empresa regional de distribuição, SENDAS DISTRIBUIDORA S/A. Verificase no caso em questão que a aquisição de participações societárias e posterior incorporação, constituiu uma forma indireta de atingir o objetivo final, ou seja, transformar o custo de aquisição do patrimônio em despesa dedutível, pois na verdade uma única operação ocorreu, resumindo, tal ato jurídico não se justificaria se na verdade o intuito fosse somente o ato de incorporar, concluindose portanto, que houve simulação de negócio jurídico com o fim específico." 473. Com relação a este caminho, a Impugnante teceu, linhas atrás, as motivações de ordem negocial e econômica que justificaram o porquê de não ter sido esta a via eleita para implementar a joint venture. 39. Convém, agora, focar nas consequências tributárias dessa alternativa, para comprovar que os efeitos tributários de uma e outra modalidade são praticamente equivalentes. 475. Primeiramente, devemos focar esta análise na ponta dos subscritores dos bens, direitos e obrigações, que, no caso concreto dos autos, seriam as empresas do Grupo Pão de Açúcar e do Grupo Sendas. Tais conferências a mercado seriam reguladas pelo disposto no art. 439 do RIR/99. 476. Em linhas gerais, tal dispositivo estabelece que, se uma determinada sociedade subscreve capital em uma outra sociedade mediante conferência de bens a valor de mercado, a tributação do respectivo ganho não deverá ocorrer de forma imediata. Deverá ser diferida em função da ocorrência dos eventos descritos em seus respectivos incisos. 477. Como se vê, a única diferença que existe entre esta regra do art. 439 e aquela a que se refere o já extinto art. 36 da Lei n° 10.637/02 é que esta é específica em relação àquela, já que versa apenas sobre a subscrição a mercado de participação societária, ao passo que aquele outro diploma normativo trata dos demais tipos de bens. Fl. 7262DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 546 16 478. Aliás, podese dizer que, antes do advento do art. 36, as conferências de participações a mercado submetiamse a tal diploma normativo, como atualmente submetem se, tendo em vista que tal dispositivo foi revogado. 479. De todo modo, a diferença fundamental entre tais dispositivos é a de que o artigo 36 deslocou o momento da tributação do ganho de capital para os eventos de realização da própria participação societária, enquanto o art. 439 a difere em função da realização próprios bens subscritos, bem como de outros eventos. 480. Em outras palavras, considerando que não há uma diferença tão grande entre os citados dispositivos, resta claro que o aporte direto dos bens não geraria uma desvantagem fiscal significativa, para efeito dos seus respectivos subscritores GPA e SENDAS. Por outro lado, as desvantagens operacionais seriam imensas, tal como já se demonstrou! 481. Analisemos, agora, a alternativa do aporte direto sob a perspectiva da Impugnante. 482. Ora, caso os bens, direitos e obrigações fossem aportados a valor de mercado, já se mencionou que cada um deles deveria ser objeto de laudo de avaliação econômica individualizado, o que, na prática, além de majorar absurdamente os custos operacionais da operação, exigiriam um tempo muito mais longo para suas respectivas confecções. 483. Convenhamos, o que é mais fácil? A produção de dois Laudos Econômicos que avaliam as participações societárias enquanto itens representativos de uma universalidade patrimonial, que, além de tudo facilita a implementação da premissa de que cada uma das partes deve ter 50% de participação (situação que responde pelo caminho adotado pelos controladores da Impugnante) ou a avaliação econômica individualizada de cada um dos bens, direitos e obrigações que seriam aportados diretamente na Impugnante (situação sugerida pela Sra. AuditoraFiscal)? 484. A Impugnante elenca, abaixo, algumas das exigências legais para que as avaliações a mercado sejam efetuadas: a) deverá ser feita avaliação por 3 (três) peritos ou por empresa especializada, nomeados em assembléia geral dos subscritores, convocada pela imprensa e presidida por um dos fundadores (art. 7° da Lei n° 6.404/76); b) os peritos ou a empresa avaliadora deverão apresentar laudo fundamentado com a indicação dos critérios de avaliação e dos elementos de comparação adotados e instruído com os documentos relativos aos bens avaliados e estarão presentes à assembléia que conhecer o laudo, a fim de prestarem as informações que lhes forem solicitadas (Cfe. § 1° do art. 8° da Lei n° 6.404/76). Para fins de registro da transferência desses bens, deve haver a identificação individualizada de cada um dos bens; c) caso haja aceitação pelo subscritor do valor aprovado pela assembléia, os bens serão incorporados ao patrimônio da sociedade, competindo aos primeiros diretores cumprir as formalidades necessárias à respectiva d) os bens não poderão ser incorporados ao patrimônio da companhia por valor acima do que lhes tiver dado o subscritor (Cfe. § 4° do art. 8° da Lei n° 6.404/76); e e) com relação à publicação e transferência dos bens, existe disposição específica (Cfe. § 2° do art. 98 da Lei n° 6.404/76) determinando que a ata da assembléia geral Fl. 7263DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 547 17 que aprovar a incorporação (devidamente arquivada) deverá identificar o bem com precisão, contendo todos os elementos necessários para a transcrição no registro público. 485. De toda forma, uma vez que os referidos bens, direitos e obrigações fossem aportados diretamente na Impugnante, eles seriam registrados em sua contabilidade pelos valores de mercado, e estariam sujeitos às depreciações e amortizações de acordo com as regras legais específicas, que variam em função de suas respectivas naturezas. 486. Por exemplo, no caso específico dos direitos de exploração das lojas, direitos estes garantidos pelos respectivos contratos de locação com prazo certo e determinado, o tratamento tributário seria idêntico ao do valor do ágio apurado, isto é, seriam amortizáveis e dedutíveis de acordo com o art. 325, aliena "c", do RIR/99, pelo prazo contratual de exploração! (...) 487. Em outras palavras, em sendo aceito o caminho sugerido pela Sra. AuditoraFiscal, não há dúvidas de que os bens registrados mediante o aporte a mercado na Impugnante seriam passíveis de amortização e depreciação dedutíveis. 488. Ou seja, o efeito fiscal na Impugnante da estrutura por ela proposta seria semelhante àquela que corresponde, aos seus olhos, a uma simulação com o objetivo de gerar indevida economia de tributos!! Dever de considerar as despesas de depreciação e amortização inerentes ao negócio dissimulado 40. Mesmo na hipótese de a simulação ser declarada, a presente autuação não poderia simplesmente glosar a integralidade das despesas com ágio, pois deverseia considerar as despesas de depreciação e amortização inerentes à situação supostamente real encoberta pela simulação. Ou seja, não poderia deixar de ser considerada, para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL devidos, sob pena de nulidade! (§ 491) A que hipótese poderse ia aplicar o art. 36 da Lei n° 10.637/2002? 494. Aliás, nesse sentido, convém fazer a seguinte indagação: se o art. 36 da Lei n° 10.637/02 não pode ser aplicado no caso dos autos, em que hipótese poderia o ser? Com todo respeito, se a sua utilização não for admitida no caso concreto da Impugnante esta Delegacia de Julgamento o transformará em verdadeira "letra morta". (...) Espaço de tempo curto 499. Outro argumento mencionado pela Sra. AuditoraFiscal referese ao suposto "espaço de tempo curto" dos atos praticados. 500. Com todo respeito, o fato de as empresas RIO PATEA e SERRA DO ANDARAI terem sido incorporadas, num "curto espaço de tempo", não tem qualquer relevância na licitude ou ilicitude das demais operações societárias e do resultado final, a constituição da joint venture com o Grupo Sendas. 41. E a razão é simples: o fato de ter durado "pouco" não significa que tenha deixado de cumprido o seu papel no processo de constituição da joint venture. Nesse sentido, cumprenos transcrever as lições do Prof. Marco Aurélio Greco: (§ 501) "Por exemplo, criar uma pessoa jurídica às 9 horas da manhã e extinguila ao meiodia é abuso? Pode ser e pode não ser. Depende, é preciso saber se há ou não motivo para a extinção (assim como deve havêlo para a criação)." (GRECO, Marco Aurélio. "Planejamento Tributário", Ed. Dialética, 2° edição. 2008, pág. 226) Fl. 7264DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 548 18 502. O que importa, para a caracterização da operação, é se as empresas serviram, como deveriam, às finalidades para as quais foram criadas e assim participaram do processo de formação da parceira entre o Grupo Pão de Açúcar e o Grupo Sendas. 507. Acaso tivéssemos que admitir a suposta curta duração como critério máximo de legalidade, o que aconteceria com as empresas denominadas de "sociedades de propósito específico"? 509. Será que as "sociedades de propósito específico" são todas ilegais, ou necessariamente concebidas para economizar tributos? 510. É obvio que não; caso contrário, não contariam com ampla utilização não só no direito interno, como também em muitos países estrangeiros, além de referências expressas na regulamentação expedida pela Comissão de Valores Mobiliários e pelo Banco Central. A operação gerou despesas de amortização para a Impugnante, mas onerou CBD e Sendas com receitas tributáveis 42. A razão econômica para a reestruturação societária deve ser inferida a partir da análise do todo, isto é, considerandose que a Impugnante foi constituída com reais interesses econômicos, e que, de um lado, os atos societários geraram despesas para a Impugnante, e, de outro lado, receitas tributáveis para CBD e Sendas. (§ 541) 43. O reconhecimento da diferença entre o valor contábil dos ativos transferidos e o correspondente valor de mercado dos mesmos gerou um ganho de capital para os subscritores, cuja tributação foi diferida em razão do art. 36 da Lei n° 10.637/02. Assim, podese afirmar que nessa operação não se visou afastar a ocorrência do ganho de capital, nem evitar que essa diferença fosse tributada. (§ 542) A autuante recorreu à interpretação econômica do fato gerador 44. O que se verifica é que a Sra. AuditoraFiscal buscou apenas o resultado econômico das operações societárias. Ou seja, o que lhe interessou foram determinados efeitos econômicos das operações societárias praticadas pelos controladores da Impugnante. (§ 544) 545. Ao fazer isto, não há mais que se falar em conceitos e pressupostos de simulação, que foi colocada como fundamento do auto de infração, mas sim no instituto da interpretação econômica do fato gerador, esta sim, absolutamente repudiada pela doutrina e pela jurisprudência do País. Alusão ao art. 116, parágrafo único, do CTN 45. Em reforço à argumentação de simulação, o Sra AuditoraFiscal fez alusão ao art. 116, parágrafo único, do CTN. Esta norma, que ficou conhecida como norma antielisiva,não foi ainda regulamentada, de modo que não produz efeitos. (§§ 547 e 549) Conclusão 554. Ante todo exposto, resta absolutamente claro que a situação dos autos referese a uma associação efetiva entre dois gigantescos grupos econômicos que, mais do que partes não relacionadas, eram concorrentes até então! 555. Por esta razão, as autuações ora impugnadas devem ser totalmente canceladas, tendo em vista que, sob nenhuma circunstância, nem sob a égide de qualquer teoria, as amortizações de ágio podem ser enquadradas no conceito de simulação. Fl. 7265DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 549 19 C.6 COMPENSAÇÃO DOS PREJUÍZOS FISCAIS E DAS BASES NEGATIVAS DA CSLL ACUMULADOS EM PERÍODO ANTERIOR (§§ 556/566) 46. A questão de que trata este tópico da Impugnação já foi relatada no § 19, f, supra, por tratarse de arguição de nulidade. C.7 MULTA DE 150% (§§ 567/578) Falta de menção ao motivo no TVF 47. 145. A Sra. AuditoraFiscal não fez menção, no TVF, ao motivo para qualificar a multa. Para a aplicação da multa qualificada, é necessário comprovar o evidente intuito de sonegação ou de fraude 48. De início, é totalmente descabida a qualificação da multa porque, tal como foi exaustivamente demonstrado, não houve simulação. 572. Ademais, para a aplicação da multa qualificada, é necessário comprovar o evidente intuito de sonegação ou de fraude, a partir de ação ou omissão dolosa, o que efetivamente não foi realizado pela Sra. AgenteFiscal. 49. Cita as ementas dos Acórdãos 140200.802 e 140100.155 para reforçar sua tese. 575. Ou seja, conforme claramente demonstrado, a multa de 150% deve ser afastada, tendo em vista que, no presente caso, restou evidenciado que não houve intuito de fraude nas operações praticadas pela Impugnante. 576 Quem age dolosamente realiza operações proibidas e busca, por todos os meios, ocultar seus registros comerciais e fiscais e, quando fiscalizado, não entrega a documentação solicitada, a fim de esconder essas operações, conduta totalmente distinta da adotada pela Impugnante (...). 50. Portanto, pelo acima exposto e pela ausência de motivo, a multa qualificada deve ser anulada, sem prejuízo das alegações preliminarmente estabelecidas. C.8 DA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE JUROS MORATÓRIOS DE ACORDO COM A TAXA SELIC (§§ 579/583) 51. A utilização da referida Taxa SELIC, para fins de exigência de juros moratórios, denota uma cobrança extorsiva, em completa desproporção com o conceito de indenização, pois expressa uma verdadeira punição. 52. É inadmissível a utilização a taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, haja vista que essa taxa tem natureza de juros remuneratórios, o que majora a carga tributária da Impugnante, sem amparo legal. 53. Portanto, deve ser excluída a aplicação da Taxa SELIC para fins de cálculo dos juros moratórios. Fl. 7266DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 550 20 C.9 SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO (§ 584/590) 584. Segundo consta, após 30 dias da lavratura de um AI, as autoridades fiscais vêm exigindo juros moratórios, calculados de acordo com a variação da Taxa SELIC, sobre as multas constituídas em lançamentos fiscais. 586. No entanto, deve ser afastada a cobrança de juros moratórios sobre as multas constituídas nos AI's ora impugnados, tendo em vista que: a) O artigo 161 do Código Tributário Nacional determina que somente "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis"; ou seja, os juros moratórios devem incidir apenas e tãosomente sobre o valor principal do crédito tributário, ressalvado o direito de as autoridades fiscais exigirem a multa correspondente, sobre a qual, entretanto, não deverão incidir juros; b) Não há Lei autorizando a cobrança de juros moratórios sobre os valores lançados a título de multa, e tampouco a Sra. AFRFB incluiu, nos AI's ora impugnados, qual seria o fundamento legal para a exigência de juros SELIC sobre as multas lançadas, em ofensa ao princípio da legalidade, consagrado no artigo 5°, inciso II, da Constituição Federal, e no artigo 97 do Código Tributário Nacional; c) Por conseguinte, também há ofensa ao artigo 2°, inciso I, da Lei n° 9.784/99, tendo em vista que os atos das autoridades administrativas estão totalmente vinculados à lei; e d) Há ofensa ao artigo 10 do Decreto n° 70.235/72, que determina que os lançamentos tributários indiquem o fundamento legal para os valores cobrados (juros moratórios sobre as multas lançadas) e, por conseguinte, ao contraditório e a ampla defesa (artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal), tendo em vista que a ausência da indicação do fundamento legal para a exigência de juros moratórios sobre as multas lançadas não confere à Impugnante a possibilidade de contestála devidamente. 54. Cita o Acórdão 10196.008 para reforçar sua tese. imitação dos juros sobre multa de ofício a 1% 55. Caso venha a ser decidido pela cobrança de juros sobre dos a multa de ofício, que eles sejam calculados à taxa de 1% ao mês, conforme decidido no Acórdão 10195.802, de 19/10/2006. C.10 EFEITOS DA RECOMPOSIÇÃO DOS AIS DE IRPJ E CSLL (§§ 591/594) 56. Considerandose apenas (i) a falta de dedução, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, dos valores lançados a título de PIS e Cofins; (ii) o equívoco na apuração do ágio amortizado; e (iii) a falta de compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL, o valor lançado a título de IRPJ e CSLL (englobando principal, multa e juros) seria R$ 415.655.576,20 menor, conforme planilhas de fls. 4.547/4.549. Fl. 7267DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 551 21 C.11 PEDIDO DE DILIGÊNCIA (§§ 595/598) 598. (...) a Impugnante requer, no mínimo, a realização de diligência em seu estabelecimento Matriz para análise da documentação hábil e idônea tendente à verificação de documentos, comprovação dos fatos e das operações narradas anteriormente. C.12 PEDIDO (§§ 599/601) 57. Ante o exposto, quer pela preliminar suscitada, quer pelos argumentos jurídicos de mérito, respaldados documentalmente, pede e espera a ora Impugnante, seja recebida e acolhida in totum a presente Impugnação, para ser cancelada a exigência fiscal na sua totalidade, a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, Multa de Ofício, Juros e demais encargos acrescidos ao principal. D PETIÇÃO . Em 15/02/2012, o Interessado juntou ao processo a petição de fls. 5.345/5.348, por meio da qual encaminhou os documentos descritos abaixo, que teriam sido mencionados na Impugnação: a) CDROM contendo os Livros Registros de Saídas de todos os estabelecimentos, relativos aos meses de maio/06, dezembro/07 e julho/08 (Doc. 01) e CD ROM contendo relatório analítico das vendas diárias individualizadas por loja (Doc. 02), a partir dos quais poderá ser testado e constatado que as receitas escrituradas nos registros fiscais foram devidamente escrituradas na contabilidade tempestivamente apresentada pela Impugnante nos autos do processo, em meio magnético (Docs. 04, 05 e 06 da Impugnação); e b) Relatório da auditoria Magalhães Andrade Auditores Independentes sobre "Revisão da Prática Contábil das Operações que Transitam pela Conta Caixa" (Doc. 03), o qual demonstra a recomposição diária dos movimentos transitórios da conta 111.100 "Caixa", e conclui que se referida conta tivesse sido conciliada diariamente, EM TODOS OS DIAS dos meses fiscalizados (maio/06, dezembro/07 e julho/08) apresentaria saldos diários devedores. 59. Na Impugnação, foi encontrada referência apenas ao segundo documento, nos §§ 200/202 e 600. E DILIGÊNCIA 60. Por meio da Resolução n° 12.000.082 (fls. 5.803/5.806), o julgamento foi convertido em diligência. As solicitações feitas por meio da referida Resolução foram transcritas abaixo, acompanhadas das respostas da autuante (Relatório de Encerramento, fls. 6.717/6.722): 1a SOLICITAÇÃO 12.1 Junte ao processo (i) a recomposição da conta caixa feita para o período de janeiro de 2006 a dezembro de 2008; e (ii) as planilhas mencionadas no § 8.3 supra1. É 1 8. Analisando os arquivos magnéticos fornecidos pelo Interessado, a fiscalização verificou (fls. 4.288/4.289): 8.1 "1. Que não houve individualização das receitas de vendas, não se podendo distinguir efetivamente as respectivas operações diárias. [grifo no original] 8.2 2. A existência de lançamentos a crédito da conta caixa, referente a operações com fornecedores (conta 211100), outras contas a pagar repasse (conta 216441) e outras contas referentes a despesas operacionais Fl. 7268DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 552 22 necessário que os itens listados sejam apresentados com todos os registros/parcelas utilizadas na apuração dos saldos. Resposta para o item (i): Estamos juntando as planilhas em excel elaboradas pelo sistema CONTAGIL, no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2008 da conta caixa e das contas expurgadas que aumentavam o saldo credor no período em questão, ou seja, não só o dia de maior saldo. Resposta para o item (ii): As planilhas anteriormente solicitadas são as acima descritas, contudo, como o solicitado foram os valores que interferiram no saldo credor objeto da presente infração estaremos juntando como resposta ao presente subitem as planilhas apenas do dia em que ocorreu o maior saldo credor, ou seja 30/05/2006 , 30/12/2007 e 30/07/2008, em PDF e enviadas na forma em que foram elaboradas pelo CONTAGIL, em mídia digital. 2a SOLICITAÇÃO 12.2 Informe se é possível recompor a conta caixa a partir do Livro Diário, conforme se infere do que afirma o Interessado no § 9.1 supra. Caso seja possível, que junte ao processo esta segunda recomposição, para o período de janeiro de 2006 a dezembro de 2008, e se pronuncie sobre eventuais diferenças que surgirem entre as duas recomposições. Resposta: Conforme descrição feita pelo contribuinte e transcrita no Item 9.1 da presente Resolução " na medida em que todos os registros (lançamentos a débito e crédito) do Livro Diário, em especial a conta 111.100 "Caixa", eram realizados diariamente na conta caixa ... " , salientamos porém que os valores referente as receitas de vendas não eram lançados individualmente, cabendo atentar para todas as solicitações feitas por essa fiscalização para que o contribuinte não apenas produzisse mas que apresentasse e comprovasse com documentação idônea o mecanismo descrito da conta CAIXA, conforme informação já dada em Termo de Verificação Fiscal datado de 26/12/2011, a seguir transcrito em parte no que se refere as considerações feitas quanto a existência de infração constatada pelo sistema CONTAGIL, na conta CAIXA. [A referida transcrição já foi relatada após o § 7 deste Acórdão]. 3a SOLICITAÇÃO 12.3 Encaminhe a esta Turma de Julgamento, em arquivos digitais, além dos itens especificados no § 12.1, os originais apresentados pelo Interessado como Livro Diário e Livro Razão da conta caixa, assim como eventual segunda recomposição feita em atenção ao § 12.2. contabilizadas no grupo 400000 (despesas). Esses valores aumentam os saldos credores apurados, mas devem ser desconsiderados, pois não representam receitas do Interessado, mas recursos de terceiros. 8.3 Através dessa análise, concluímos que esses valores estariam aumentando os saldos credores apurados, e, diante desta constatação, elaboramos planilhas individualizadamente para as contas enumeradas no parágrafo acima, para totalização e subtração de tais valores do saldo credor objeto da presente autuação, pois os mesmos correspondem a recursos de terceiro e não correspondem a receita da fiscalizada". Fl. 7269DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 553 23 Resposta: Em relação à solicitação acima, estamos enviando a mídia original enviada pelo contribuinte e a esta fiscalização em atendimento ao Termo de Intimação datado de 22/08/2012. Enviaremos também em média digital, os arquivos a seguir relacionados: 2006 conta caixa 2006, saldo credor da conta caixa anocalendário 2006, saldo credor da conta caixa maio 2006 e de 30/05/2006, conta despesas maio 2006 e de 30/05/2006, conta fornecedores e contas a pagar repasses maio 2006 e de 30/05/2006. 2007 conta caixa 2007, saldo credor da conta caixa anocalendário 2007, saldo credor da conta caixa dezembro 2007 e de 30/12/2007 e contas a pagar repasses dezembro 2007 e de 30/12/2007. 2008 conta caixa 2008, saldo credor da conta caixa anocalendário 2008, saldo credor da conta caixa julho 2008 e de 30/07/2008, conta despesas julho 2008 e de 30/07/2008, conta fornecedores julho 2008 e de 30/07/2008 e contas a pagar repasses julho 2008 e de 30/07/2008. Quanto aos originais dos Livros Diário e Razão apresentados, relatamos que o contribuinte em questão já estava à época sob a legislação da IN86/2001, e portanto apresentou sua contabilidade em arquivos magnéticos, as mesmas foram trabalhadas no sistema CONTAGIL. A época da fiscalização, quando da resposta à solicitação feita para apresentação de sua contabilidade, o contribuinte informa que os referidos livro físicos estariam a nossa disposição, porém deveriam ser transcrição fiel da contabilidade entregue em arquivo magnético, enviaremos os arquivos digitais utilizados por essa fiscalização. 4a SOLICITAÇÃO 12.4 Detalhe a(s) metodologia(s) empregada(s) na(s) recomposição(ões) do caixa, com ênfase, no caso da recomposição que serviu de base para o lançamento, na técnica empregada para suprir a falta dos livros auxiliares. Resposta: 1° Utilização do Contágil para verificação de saldo credor da conta CAIXA. 2° Apuração anual dos saldos credores na conta caixa. 3° Verificação do maior saldo credor por anocalendário. 4° Verificação no dia de maior saldo credor, os lançamentos que estariam afetando o saldo credor para mais. Fl. 7270DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 554 24 5° Elaboração de relação desses valores lançados que estariam aumentando a infração constatada. 6° Redução do saldo credor da conta Caixa, de acordo com o somatório achado. 5a SOLICITAÇÃO 12.5 Traga aos autos qualquer elemento ou informação, mesmo que não mencionado nos itens anteriores, mas que no seu entender contribua para esclarecer como foram apurados os saldos credores de caixa. Resposta: Essa fiscalização não viu necessidade de acrescentar quaisquer outros esclarecimentos 6a SOLICITAÇÃO 12.6 Cientifique o Interessado do inteiro teor desta Resolução, bem como de todos os elementos que, em função da diligência ora determinada, venham a ser juntados ao processo ou encaminhados a esta Turma de Julgamento, concedendolhe, expressamente, o prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, aditar razões de defesa relacionadas ao resultado da diligência. Resposta: Enviamos por via postal, em 03/09/2013, cópia da Resolução DRJ/RJ1 n° 12.000.082, de 16 de março de 2012, 2a via do presente Relatório de Encerramento de Diligência e mídia contendo todos os arquivos enviados 61. O Interessado tomou ciência da Resolução 12.000.082, do Relatório de Encerramento e da "mídia contendo todos os arquivos enviados à DRJ/RJO" em 09/09/2013 (fl. 6.745) e, em 07/10/2013, apresentou o Aditamento de fls. 6.746/6.761. 62. Preliminarmente, arrola os arquivos que recebeu e solicita reabertura do prazo de 30 dias, caso, "na mídia anexada aos autos e enviada a essa D. DRJ/RJ1, haja outros arquivos além daqueles acima listados". 63. Além dos argumentos que constam da Impugnação, acrescenta: 16. Nesse contexto, não custa lembrar a sistemática de registro contábil adotada pela Requerente, a qual, como se verá adiante, novamente foi ignorada pela D. Fiscalização: 36. Não fosse o suficiente, a situação se agrava quando se observa o conteúdo do item "IV Detalhe" do Relatório Fiscal. Uma rápida leitura dá a aparência (como se verá, falsa) de que os trabalhos foram feitos a partir de uma verdadeira verificação dos registros da conta caixa, seguida da devida conciliação dos valores intermediários (transitórios): (...) 37. Contudo, o que se constata ao analisar o conteúdo dos arquivos magnéticos disponibilizados pela D. Fiscalização é que, ao revés, não houve nenhuma nova recomposição da conta contábil 111.100 "Caixa". Fl. 7271DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 555 25 38. No fundo, o que o sistema Contágil fez foi importar os dados do razão contábil com os movimentos da conta, convertendoos, de uma linguagem "TXT" para uma linguagem "PDF". O que se chamou de apuração anual dos saldos credores na conta caixa não passa de uma identificação dos saldos credores diários apresentados conforme escriturados originalmente no razão da conta. A identificação do maior saldo credor consistiu em selecionar, dentre todos os saldos credores constantes do razão contábil, o maior deles tal como se apresenta no razão. (... ) 40. Para exemplificar, confiramse os arquivos magnéticos no formato "PDF" que se encontram gravados na pasta "ARQUIVOS 2006", do CDROM, sob a denominação de "RAZÃO CONTA CAIXA 2006" (fls. 6486 a 6492) e "MAIOR SALDO CREDOR 2006" (fls. 6493 a 6500). Tais arquivos "PDF" contêm os registros escriturados no razão contábil da conta 111.100 "Caixa", no período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2006, conforme disponibilizado tempestivamente pela Requerente, tanto durante o procedimento regular de fiscalização, quanto novamente no decorrer do procedimento de diligência. 41. O que a análise desses arquivos revela é que (... ) não expurgou dos saldos contábeis credores diários (...) NENHUM dos registros intermediários (transitórios) relacionados com o recebimento de vendas, correspondentes bancários, dentre outros, que eram conciliados apenas no final do mês: 42. A única medida realizada pela D. Fiscalização, na tentativa de supostamente recompor o saldo da conta 111.100 "Caixa", diz respeito às deduções, do valor correspondente ao maior saldo credor do anocalendário de 2006 (R$ 377.366.511,02), das quantias de R$ 51.332,18 e R$ 3.107.804,25, que estariam aumentando a infração constatada. 43. A abertura analítica da composição dessas quantias encontrase nos arquivos magnéticos, no formato "PDF", denominado, respectivamente, "FORNECEDORES MAIO 2006" / "FORNECEDORES 30 MAIO 2006" (fls. 6568 a 6571) e "DESPESAS MÊS MAIO 2006" / "DESPESA 30 MAIO 2006" (fls. 6523 a 6525). 44. Sem embargo ao procedimento, que pelo menos reduziu os efeitos danosos da imputação de omissão de receitas impropriamente imposta a Requerente, não se pode deixar de registrar que tal dedução não guarda qualquer relação com os registros intermediários (transitórios) da conta 111.100 "Caixa". Aliás, basta uma breve análise da composição dos valores, comparativamente com os registros da conta 111.100 "Caixa", para se identificar que sequer transitaram por tal conta. 45. Salientese que o mesmo critério equivocado foi replicado para os anos calendário de 2007 e 2008. (...) 47. Não obstante, não há qualquer menção no Relatório de Diligência quanto ao motivo que a levou a deixar de expurgar os efeitos dos lançamentos transitórios na referida conta, para apurar os saldos da conta caixa e, por consequência a ocorrência ou não da infração que foi imputada à Requerente. 48. Como já se demonstrou nos presentes autos, a comprovação de que a referida conta era transitória foi efetuada em diversas ocasiões, no decorrer do processo de fiscalização. Mais do que isto: pode ser facilmente constatada a partir do simples confronto entre os dados constantes dos Livros Razão e aqueles integrantes do demonstrativo acostado por ocasião da elaboração do Relatório de Diligência. (... ) Fl. 7272DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 556 26 54. Resta claro, portanto, que a D. Fiscalização não respondeu aos quesitos determinados por essa D. DRJ/RJ1. Prova disto é que todas as referências contidas em seu Relatório Fiscal dizem respeito a elementos coletados por meio de intimações feitas ainda durante o período de fiscalização, anteriores, portanto, a própria lavratura dos Autos de Infração. III Do pedido 55. Diante de todo o exposto, serve a presente para reiterar os termos da Impugnação apresentada, requerendose o cancelamento integral dos lançamentos tributários lavrados contra a Requerente. É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE o lançamento, nos termos da ementa abaixo, RECORRENDO DE OFÍCIO DA PARTE CANCELADA: Anocalendário: 2006, 2007, 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO DE ENQUADRAMENTO LEGAL. DEFICIÊNCIA SUPRIDA PELA DESCRIÇÃO DOS FATOS. As deficiências na fundamentação de direito podem ser supridas pela fundamentação de fato, ou seja, não há nulidade se o autuado demonstra, através da própria Impugnação, que entendeu, por meio da descrição dos fatos, que infrações lhe foram imputadas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras administrativas é defeso afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. Tal atividade é de competência privativa do Poder Judiciário. OCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO EM DETERMINADA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA QUESTÃO JÁ RESOLVIDA EM OUTRO PROCESSO REAPRECIAÇÃO NA MESMA INSTÂNCIA IMPOSSIBILIDADE FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL RESPEITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA Para que uma questão seja admitida, deve haver interesse processual na sua resolução. Assim, se determinada questão já foi resolvida num processo e ressurge em novo feito, não deve ser admitida neste último, pois nova discussão, além de desnecessária e inútil, pode gerar decisão conflitante com a primeira, o que atentaria contra o princípio da segurança jurídica. Em casos como esses, a melhor solução é aplicar a decisão em vigor, de mesma instância ou de instância superior. Dessa forma, como a questão ampla defesa, pois tanto o contribuinte quanto o fisco podem ou puderam apresentar provas e argumentos, de modo a defender suas opiniões e influenciar a decisão sobre o assunto. RESOLUÇÃO DE QUESTÕES. FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL. Fl. 7273DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 557 27 Por falta de interesse processual, deixase de resolver questões que não têm influência sobre o resultado do julgamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO. Exonerase o contribuinte do crédito tributário correspondente à omissão de receita presumida, quando os saldos credores considerados no lançamento não são verdadeiros saldos credores de caixa. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ORIGINADO DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA EM QUE HOUVE SIMULAÇÃO. GLOSA. MANUTENÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE AMORTIZADOS. Quando o ágio se originar de reorganização societária em que houve simulação, mantémse apenas a glosa dos valores efetivamente amortizados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TERMO INICIAL. A contagem do prazo decadencial não se inicia no momento de formação do ágio, mas a partir do fato gerador ocorrido no período de apuração a que a despesa de amortização compete. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CSLL, PIS E COFINS. OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO. Exonerase o contribuinte do crédito tributário correspondente a omissão de receita, quando os saldos credores considerados no lançamento não são verdadeiros saldos credores de caixa. Valores exonerados e mantidos pela DRJ: Infração Anocalendário Valor no lançamento Valor mantido Omissão de receitas 2006 374.207.374,40 0,00 Omissão de receitas 2007 306.077.667,23 0,00 Omissão de receitas 2008 391.544.341,80 0,00 Amortização de ágio indedutível 2007 91.969.359,62 91.969.359,62 Amortização de ágio indedutível 2008 439.013.328,40 93.377.359,38 No caso, cancelou a omissão de receitas por saldo credor de caixa, bem assim ágio amortizado em 2008 (EQUÍVOCO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL) Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação quanto à parte mantida e aduzindo em complemento a nulidade do auto de infração, por considerar que a fiscalização teria se equivocado quanto à identificação quantitativa da matéria tributável da amortização do ágio no anocalendário de 2008 e que a DRJ "corrigiu" erro no Fl. 7274DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 558 28 lançamento", quando na verdade deveria ter acatado o pleito da Recorrente no sentido de anular todo o lançamento. É o relatório. Fl. 7275DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 559 29 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recursos (voluntário e de ofício) preenchem os requisitos de admissibilidade. RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício cingese a dois itens: 1) OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA CANCELAMENTO 2) ÁGIO AMORTIZADO EM 2008 (EQUÍVOCO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL) 1) OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA CANCELAMENTO A DRJ cancelou a referida omissão de receitas em face da atipicidade da conta caixa, onde os saldos eventualmente credores não representariam omissão de receitas, pois precisariam ser recompostos tendo que se estornar determinadas operações, o que não foi feito pela fiscalização. Eis os fundamentos para o cancelamento da DRJ: 93. O Interessado alega que em sua contabilidade há uma conta denominada Caixa que não é de fato uma conta Caixa tradicional. Tal conta, por ser transitória, não teria natureza credora nem devedora, de modo que eventuais saldos credores não seriam verdadeiros saldos credores de caixa. 94. Nas operações de venda de bens, a conta Caixa era creditada diariamente em contrapartida a Bancos (vendas à vista) ou Contas a Receber (vendas a prazo). Ao final do mês, faziase um lançamento a débito do caixa e a crédito de uma conta de receita. Nos pagamentos a fornecedores, debitavase Caixa e creditavase Banco, no momento da emissão do cheque. Em seguida, na compensação do título, creditavase Caixa e debitavase Fornecedores ou Despesas. Finalmente, nas operações como correspondente bancário, creditavase diariamente Caixa, debitandose Banco e, ao final do mês, debitavase Caixa, creditandose Outras Contas a Pagar. 95. Devido a esta metodologia, os saldos credores escriturados não podem ser considerados como omissão de receita, porque não representam efetivamente os Fl. 7276DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 560 30 saldos da conta Caixa. Para apuração de eventuais saldos credores e aplicação da presunção de omissão de receita, é necessária uma recomposição, por meio da qual: a) Sejam estornados os débitos e créditos referentes a pagamentos de fornecedores e operações como correspondente bancário, pois representam valores que não transitaram pela conta Caixa, ou que são receitas de terceiros. b) As receitas com vendas sejam desdobradas em partidas diárias. 96. Visando a esta recomposição, o Interessado foi intimado a apresentar "Livro Auxiliar ou ficha que discrimine de forma individual os ingressos de recursos na conta Caixa, oriundos das operações de vendas, obedecendo a ordem cronológica das mesmas, de cordo com o art. 258, § 1°, do RIR/99" (fl. 244). 97. No TVF, fl. 4.288, a autuante informa que o "contribuinte apesar de intimado não apresentou a contabilidade auxiliar solicitada" e, a partir dos arquivos magnéticos fornecidos, constata que "não houve individualização das receitas de vendas, não podendo distinguir efetivamente as respectivas operações diárias". Mesmo assim, conseguiu apurar os saldos credores considerados no lançamento. 98. Para esclarecer de que forma tal apuração foi feita, esta 9a Turma converteu o julgamento em diligência, solicitandose à unidade autuante que detalhasse a metodologia empregada na recomposição do caixa, com ênfase na técnica empregada para suprir a falta dos livros auxiliares. Em resposta, a própria autuante informou que: a) utilizou o "Contábil para verificação de saldo credor da conta CAIXA"; b) apurou os saldos credores anualmente; c) verificou qual era o maior saldo credor do anocalendário; d) verificou que, no dia de maior saldo credor, havia "lançamentos que estariam afetando o saldo credor para mais"; e) para determinar o saldo credor considerado, subtraiu do saldo indicado na escrituração os lançamentos identificados na etapa anterior. 99. Por meio do Memorando da fl. 6.797, a unidade autuante encaminhou "1 DVD contendo arquivos explicativos solicitados pela DRJ/RJ I, em Resolução n° 12.000.082 de 16.03.2002, item 3". Na referida mídia, encontramse planilhas com os saldos credores de caixa usados no lançamento: "RAZÃO CONTA CAIXA 2006", "CONTA CAIXA 2007" e "RAZÃO CONTA CAIXA 2008" (fls. 6.809/6.815, 6.816/6.823 e 6.824/6.831). 100. Comparandose estas planilhas com as de fls. 148/166, que contêm os saldos credores escriturados, verificamos que não houve qualquer recomposição de caixa, já que os saldos são os mesmos. 101. Além disso, os valores que a autuante subtraiu do saldo escriturado, por conforme se percebe comparando a tabela da fl. 4.289 com arquivos obtidos na diligência: "FORNECEDORES 30 MAIO 2006" (fl. 6.832), "DESPESAS 30 MAIO 2006" (fls. 6.833/6.835), "REPASSE 30 DEZ" (fl. 6.836), "REPASSE 30 JUL 2008" (fl. 6.837), "FORNECEDORES 30 JUL 2008" (fls. 6.838/6.839) e "DESPESAS 30 JUL 2008" (fl. 6.840). 102. Para corretamente recompor a conta caixa, como já vimos, além de desdobrar as partidas mensais de vendas em partidas diárias, deverseia estornar todos os lançamentos, a débito ou a crédito, referentes a recursos de terceiros Fl. 7277DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 561 31 (serviços como correspondente bancário), bem como os correspondentes a valores que não transitaram pelo Caixa (pagamentos a fornecedores). Entretanto só foram expurgados valores lançados nos dias de maior saldo credor anual. Cabe observar, em prol da clareza, que a autuante não tinha elementos suficientes para desdobrar as partidas mensais, pois o Interessado não forneceu os registros auxiliares. 103. Sendo assim, devese exonerar o Interessado do crédito tributário correspondente à 1a infração, pois os saldos credores considerados no lançamento não são verdadeiros saldo credores da caixa. Com razão a DRJ, a Recorrente, por uma opção administrativa e contábil, lançava todos os movimentos financeiros de entradas e saídas de recursos eram registradas em contrapartida da conta 111.100 “CAIXA”, a qual apesar de também se prestar a controlar recursos mantidos em espécie, prestavase preponderantemente à função de conta transitória de fechamento, com o intuito de facilitar a conciliação financeira e fechamento contábil. Ou seja, apesar de denominada “Caixa”, não faz as vezes de uma conta Caixa tradicional, onde somente existe fluxos financeiros. Tal conta, por ser transitória, não teria natureza credora nem devedora, de modo que eventuais saldos credores não seriam de fato saldos credores de caixa, logo não se aplicaria a presunção de omissão de receita. Dessa forma, seria necessária uma recomposição mesmo nessa conta nos termos bem delineados pela DRJ, o que não foi feito pela fiscalização. Inclusive essa foi a mesma conclusão a que cheguei no julgamento do processo nº 15563.000871/200891. ora sendo julgado em conjunto com este. Naquele processo, tendose dúvidas também quanto a este aspecto, baixouse o processo em diligência para que a fiscalização investigasse melhor os fatos e sanasse a dúvida quanto aos esquemas contábeis. No corpo do relatório Fiscal, constou observações da FIPECAF em sentido favorável à Recorrente, esclarecendo ainda a atipicidade de sua contabilidade: OBS Da própria FIPECAF Considerando que o fechamento do ciclo contábil é mensal, é natural que os saldos intermediários apresentem saldo credor, embora não exista nenhuma anormalidade na sistemática adotada pela empresa, PORÉM, "nosso grifo", Esta sistemática contábil teve um uso bastante disseminado dentre as redes de varejo brasileiras, cabe citar a seguinte passagem contida no Manual de Contabilidade Societária: Há empresas que ainda efetuam toda a contabilização por meio da conta Caixa, incluindo todos os recebimentos e todos os pagamentos em cheque, gerando um grande e desnecessário volume de débitos e créditos. A FIPECAF apresenta, ainda, uma ANÁLISE DO MOVIMENTO CONTÁBIL DA CONTA 111.100 CAIXA, EM AGOSTO DE 2004, que apresenta saldo final devedor e apresenta, ainda, no Quadro 3, a amarração do débito na conta 111.100 Caixa com as contas de Receita, tendo também conferido os valores do Razão contábil de receitas com o montante das receitas informado no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, para o mês de agosto de 2004 e, finalmente, efetuaram a amarração das receitas líquidas mensais com as Demonstrações Contábeis, base dos lançamentos (...) Fl. 7278DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 562 32 Bem assim, o Fiscal, após ouvir novamente os esclarecimentos não só do contribuinte, mas dos relatórios da Consultoria e do FIPECAF, chegou também à conclusão favorável à Recorrente, como já se suspeitava: Estamos concluindo nosso relatório, e concluindo pela procedência das alegações da Recorrente, fazendo constar mais uma vez que as dificuldades de se fiscalizar uma empresa do porte de SENDAS DISTRIBUIDORA S/A tendo, ainda, um sistema de contabilidade ultrapassado e sobrecarregado de informações, complicações com a logística, tendo em vista estar em São Paulo a contabilidade da empresa, contabilidade mesmo, ou seja, documentos e pessoal, vide as dificuldades encontradas para que se firmasse convicção de algo tão simples quanto a escrituração da conta Caixa, tendo sido contratada Auditoria Independente de Escritório especializado, que precisou de duas auditorias para chegar aos valores definitivos, assim como, a contratação da "FIPECAF1", que aliás deve ser elogiada em seu brilhante trabalho, para formar o convencimento deste douto Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, passando ainda por uma diligência desgastante e longa, que finalmente, apesar das dificuldades encontradas, chega ao seu fim. Estamos anexando a resposta da Recorrente, mais os relatórios de Magalhães Andrade Auditores Consultores Advogados e também da FIPECAFI Por todo o exposto, nego provimento integral ao Recurso de Ofício. 2) ÁGIO AMORTIZADO EM 2008 (EQUÍVOCO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL) Tabela 1 Infração Anocalendário Valor no lançamento Valor mantido Amortização de ágio indedutível 2007 91.969.359,62 91.969.359,62 Amortização de ágio indedutível 2008 439.013.328,40 93.377.359,38 A DRJ acertadamente cancelou parte do ágio considerado amortizado pela fiscalização no anocalendário de 2008, por se tratar na verdade de uma confusão feita pelo autuante ao não conseguir distinguir o lançamento da provisão determinada pela IN CVM 319/99, art. 6°, § 1° do ágio efetivamente amortizado. Conforme Tabela II abaixo, diferentemente do que aconteceu para anocalendário de 2006 e 2007, na DIPJ 2009 (Ano calendário de 2008), tanto o ágio quanto a provisão foram lançados conjuntamente na linha 27, de modo que o valor informado para 31/12/2008 representa o ágio menos a provisão (R$ 498.652.236,71 R$ 345.635.969,02 = R$ 153.016.267,69). Portanto, o ágio amortizado em 2008 seria de R$ 93.377.359,38 (= R$ 592.029.596,09 R$ 498.652.236,71), e não R$ 439.013.328,40 (= R$ 592.029.596,09 R$ 153.016.267,69), como considerou a fiscalização. A DRJ bem esclareceu essa falta de distinção: 106. Na tabela abaixo, constam os valores declarados nas DIPJ 2008 e 2009 (fls. 42 e 86), Ficha 36A, Linhas 27 "Ágios em investimentos" e 30 "()Deságios e provisões para perdas prováveis em investimentos". Tabela 2 Linha\Data 31/12/2006 31/12/2007 31/12/2008 27 683.998.955,71 592.029.596,09 153.016.267,69 Fl. 7279DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 563 33 30 474.182.830,94 410.359.583,87 973.967,99 107. Para 31/12/2007 (DIPJ 2008), segundo o Interessado, foi declarado na linha 27 o valor do ágio em investimentos, enquanto, na linha 30, foi lançada a provisão determinada pela IN CVM 319/99, art. 6°, § 1°. Na DIPJ 2009, tanto o ágio quanto a provisão foram lançados na linha 27, de modo que o valor informado para 31/12/2008 representa o ágio menos a provisão (R$ 498.652.236,71 R$ 345.635.969,02 = R$ 153.016.267,69). Portanto, o ágio amortizado em 2008 seria de R$ 93.377.359,38 (= R$ 592.029.596,09 R$ 498.652.236,71), e não R$ 439.013.328,40 (= R$ 592.029.596,09 R$ 153.016.267,69), como considerou a fiscalização. 108. Para provar suas alegações, junta aos autos o "Balanço analítico consolidado em dezembro08" (Doc. 10, fls. 4.857/4.860), em que constam os valores de 498.652.236,71 e 345.635.969,02 a título de ágio e provisão; e a nota explicativa n° 11 de demonstrações contábeis publicadas no DOE (Doc. 11, fls. 4.861/4.865), que registra amortização de 93.377 mil em 2008. 109. Acrescento que na Ficha 5A da DIPJ 2009, linha 21, fl. 71, o Interessado declarou "Encargos de Amortização" no valor de R$ 93.377.359,38. 110. Por todo o exposto, considero comprovado que no ano de 2008 a amortização de ágio foi de R$ 93.377.359,38. Em face dos argumentos expostos na decisão recorrida, os quais aqui os encampo integralmente, nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Preliminar de Nulidade Alega a Recorrente a nulidade do auto de infração, por considerar que a fiscalização teria se equivocado quanto à identificação da matéria tributável e que a DRJ "corrigiu" o erro no lançamento", quando na verdade deveria ter acatado o pleito da Recorrente no sentido de anular todo o lançamento. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que auto de infração trouxe todas as razões da autuação e estas foram efetivamente levadas ao conhecimento, da interessada, levando a mesma a defenderse plenamente através impugnação e do recurso que ora se enfrenta. Fl. 7280DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 564 34 Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter se equivocado em relação à matéria de fato e a sua subsunção à norma, tratarse ia então de matéria meritória, mas não de nulidade, que já foi inclusive enfrentada em sede de Recurso de Ofício. O erro no aspecto quantitativo da regramatriz de incidência corrigido pela DRJ e que já foi analisado no recurso de ofício, não é motivo de nulidade do lançamento, mas tão somente o seu ajuste no aspecto quantitativo como de fato aconteceu, sem que isso comprometa todo o lançamento. Reiterese o que já foi dito, por importante, apesar de a matéria tributada ou melhor o aspecto material da regramatriz de incidência está em estrita conformidade legal, como se demonstrará mais adiante no voto e pecou meramente no aspecto quantitativo da regramatriz de incidência que foi inclusive dado causa pela própria Recorrete ao preencher inadequadamente os campos da ficha de controle. Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. DECADÊNCIA Não há que se falar de decadência do lançamento referente à glosa de ágio, justamente porque a contagem inicial do prazo decadencial toma como marco inicial não o momento da formação do ágio como quer fazer crer a recorrente, mas o momento de sua dedutibilidade. Isso porque a contabilização do ágio, na operação de integralização de aumento de capital, enseja mero lançamento contábil de natureza patrimonial, sem repercussão imediata na determinação do lucro líquido, do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Diante da não ocorrência de fato gerador, não há possibilidade jurídica de lançamento de ofício e, conseqüentemente, de início da contagem do prazo decadencial, bem como esclareceu a DRJ: 105. Conforme o art. 150, § 4°, do CTN, a contagem do prazo decadencial não se inicia no momento de formação do ágio, mas a partir do fato gerador. Considerando que a apuração do lucro real foi anual, e que as despesas glosadas competiam aos anoscalendário 2007 e 2008, os fatos geradores ocorreram em 31/12 daqueles anos. Portanto, o termo final do prazo decadencial é 31/12 de 2012 e 2013, respectivamente. Como a ciência do lançamento ocorreu em 27/12/2011 (fls. 4.298, 4.303, 4.309 e 4.315), não houve decadência. Afasto, portanto, a decadência. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO Conforme relatado, no presente processo, a autuante fundamenta a glosa da amortização na ocorrência de simulação durante a reestruturação societária do Interessado, enquanto este defende que foram legítimos os negócios jurídicos atacados. Porém, essa questão já foi resolvida no julgamento do processo n° 15563.000871/200891, que se julgou em conjunto com este e que trata também da amortização do mesmo ágio, oriundo da reestruturação societária em foco. A diferença entre os dois feitos é que no presente processo analisase a amortização nos anoscalendário 2006 a 2008, enquanto no outro o período de apuração é o mais antigo, 2004. Mas essa diferença relacionada aos anos em que a glosa foram feitas não tem qualquer influência sobre a questão principal e levantada acima, que diz respeito exclusivamente ao conjunto de fatos que Fl. 7281DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 565 35 constituem a já mencionada reestruturação e que já foi julgado no processo n. 15563.000871/200891. Dessa forma, tratandose dos mesmos fatos e mesma questão de direito relacionada, adotase aqui também o mesmo entendimento defendido no processo vinculado nº15563.000871/200891: (...) A DRJ manteve a glosa da amortização do ágio, em síntese, com os seguintes fundamentos: GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO A DRJ manteve a glosa da amortização do ágio, em síntese, com os seguintes fundamentos: As integralizações feitas por CBD, NOVASOC e SENDAS nas empresas RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ, e as incorporações destas ao interessado representam operações estruturadas exclusivamente para reduzir ou suprimir tributos. Não há como sustentar que tais operações visavam à constituir uma joint venture entre os Grupos Pão de Açúcar e Sendas, pois as integralizações podiam ser feitas diretamente na SENDAS DISTRIBUIDORA, alcançandose, assim, o alegado propósito negocial. Mesmo na_seqüencia de atos escolhida pelos sócios, as incorporações eram dispensáveis, pois a constituição se completou com a integralização das participações. (...) Nas operações objeto de análise nestes autos, os Grupos Pão de Açúcar e Sendas, apesar do seu histórico de concorrência, não disputavam mercado entre si, mas uniam esforços para alcançar objetivos comuns. Somente o efetivo tributário intragrupo pode explicar o fato de CBD e SENDAS terem atribuído, nas integralizações feitas em RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ, o valor de R$ 10.000,00 aos direitos de cada um na exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas no Estado do Rio de Janeiro. A prova e quantificação do erro no valor das integralizações são os próprios laudos confeccionados segundo a capacidade de geração de resultados futuros. Em vez de atender a algum propósito negocial, o objetivo foi rebaixar artificialmente o valor do capital social, de modo a maximizar a diferença entre este e as avaliações, ou seja, o ágio. Cita doutrina de Ricardo Mariz,para depois concluir: 136. A descrição acima aplicase perfeitamente ao caso sob análise. O indício "proximidade temporal de atos", já descritos acima, nos §§ 20 a 25, quase chega a transmutarse em coincidência temporal, já que todos os documentos têm data de 29/02/2004, exceto as incorporações, datadas de 30/04/2004. A disparidade de valores já foi comentada,quando tratamos de operações com partes relacionadas (§§ 134 e 135). O desfazimento de efeitos também está presente: num mesmo dia, pessoas entram e saem de sociedades, recebem e transmitem participações. A inexistência de causa econômica, além da economia fiscal, também já foi apontada e comentada (§ 133). 137. Está correta, portanto, a interpretação dada pelo autuante ao conjunto das operações de reestruturação societária: houve simulação com a prática de atos que não tinham qualquer propósito negocial, pois visavam apenas à economia de tributos e eram desnecessários à constituição da joint venture. A simulação se Fl. 7282DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 566 36 comprova também por meio dos valores atribuídos às integralizações nas sociedades de passagem: foram artificialmente rebaixados, com o objetivo de maximizar o ágio dos investimentos, conforme comprovam os laudos de avaliação. Discordo da DRJ em algum de seus fundamentos, porém, o lançamento deve ser mantido, principalmente porque existe um ponto principal descrito no auto de infração com o qual estou de pleno acordo e que também foi abordado com um dos fundamentos da DRJ. Porém, antes de adentrar nesse ponto fundamental e no que discordei da DRJ, passo a tecer algumas considerações preambulares que reputo pertinente quando estamos diante da validação de um planejamento tributário. bem assim porque em sua defesa a Recorrente tenta macular o auto de infração, seja levantando uma suposta obscuridade quanto a quais seriam os negócios simulado e dissimulado, bem assim que os efeitos da desconsideração da simulação seriam outros, não levados adiante pelo fiscal. Como tenho afirmado nos meus votos que envolvem a análise de planejamentos tributários, costumo dizer que abuso de formas pode até ser o meio utilizado e que termina por descambar em um abuso de direito, simulação ou fraude à lei. Porém, a descrição dos fatos não precisa chegar a uma conclusão perfeita sobre o instituto aqui utilizado (fraude à lei, simulação, abuso de direito, abuso de formas ou mesmo uma combinação deles), uma vez que não há uniformidade de entendimento a respeito desses metaconceitos por demais abstratos, e uma mínima diferença de concepção em um instituto afeta o entendimento do outro, acarretando conclusões díspares no caso concreto. Como se verá mais adiante tais conceitos servem muito mais para a análise da qualificação da multa. O que importa é que os fatos estejam narrados de uma forma tal que o julgador possa inferir deles patologias, inadequações, discrepâncias entre a forma jurídica adotada e a essência do negócio jurídico; e não que o fiscal diga precisamente que instituto é esse que está sendo aplicado, pois o que importa é que qualquer que sejam eles, os efeitos dos negócios jurídicos contornados ou simulados não serão oponíveis ao fisco. Entretanto, o fiscal deve atribuir as conseqüências tributárias pertinentes de forma a e dar a melhor conformação possível a esse negócio jurídico situandoo diante das leis e do ordenamento jurídico. E a meu juízo, foi o que o fiscal fez perfeitamente, no caso concreto. A desconsideração do negócio jurídico não oponível ao fisco levou necessariamente ao tratamento das amortizações do ágio como despesa desnecessária, isso porque não é possível haver dispêndio com amortização de algo que inexiste. Afasto aqui também eventual cerceamento do direito de defesa ou nulidade do lançamento. A parte relevante da defesa concentrase em demonstrar o propósito negocial como um todo na associação do grupo Sendas com o grupo Pão de Açúcar (CBD). De fato, se visto sob um ponto de vista geral, as operações descritas de reestruturação e reorganização do grupo sendas com o grupo Pão de Açúcar não careceram de propósito negocial. O propósito negocial da associação efetuada é um fato notório, porém a forma como se deu é que macula o aproveitamento do ágio. Na verdade, vendo os fatos de forma retrospectiva a partir do que se desenrolou no futuro podese concluir que essa associação inicial foi uma etapa do processo de aquisição do grupo Sendas pelo grupo Pão de Açúcar, mas que até o momento dos fatos aqui tratados tal aquisição ainda não havia se dado.Porém, se a ausência de propósito negocial pode ser uma condição que por si só possa invalidar o planejamento tributário, a simples presença dela não é uma condição suficiente para Fl. 7283DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 567 37 validálo, isso porque pode ocorrer outras situações que maculem o planejamento, como de fato foi o que ocorreu, senão vejamos. E o ponto crucial dessa mácula encontrase no fato de que as partes deixaram de ser interdependentes na medida em que os Grupos Pão de Açúcar e Sendas, apesar do seu histórico de concorrência, passaram a não mais disputar o mercado entre si, e uniram esforços para alcançar objetivos comuns, que passou inicialmente pela tentativa de formarem uma joint venture. Na verdade, o que aconteceu foi que essa joint Venture que se consubstanciou na criação da SENDAS Distribuidora deixando o controle acionário na mesma de forma paritária, ou seja, sendo dividido entre os dois grupos envolvidos (Grupo Sendas e o grupo Pão de Açúcar (CBD). Toda a cadeia de eventos que se deu nas empresas de passagens Serra do Andaraí (SENDAS) e Rio Patea (CBD), em curto espaço de tempo, nada mais é do que destacar os ativos e direitos de exploração de cada um dos grupos para fazer parte da Recorrente, reavaliar esses ativos a preço de mercado e, por fim, aproveitar o ágio de si mesmo. É como se cada um dos grupos (CBD e Sendas) fizesse separadamente e dentro do seu próprio grupo tais operações de reavaliação do ativo e não as tributasse, gerando o conhecido ágio interno e no caso também, o ágio de si mesmo, sabidamente não oponível ao Fisco. De um lado, o CBD, a partir de uma "empresa de gaveta", cria a Rio Patea. Alocase como sócios, aumentando o capital a própria CBD e a NOVASOC (outra empresa do grupo CBD). Essas duas empresas em pouco tempo retiramse da sociedade e transferem os seus controles acionários para empresa SE, outra empresa do grupo CBD. Subsequentemente, reavaliase esses ativos (Rio Patea) e subscrevese e integralizase o capital com cotas da Rio Patea na Sendas Distribuídora (Recorrente), que tem controle paritário. Gerase o ágio nesse momento através de laudo e logo em seguida a empresa de passagem Rio Patea contendo somente acervo do CBD é incorporada pela Sendas Distribuidora (Recorrente) cuja metade do controle é da própria CBD e passando a seguir a aproveitar esse ágio. No outro lado, como o mesmo modo de operar age o Grupo Sendas, através da criação da empresa Serra do Andaraí e reavaliando todo seu acervo de 97 fundos de comércio. Causa espanto o fato de a CBD e SENDAS terem atribuído, nas integralizações feitas em RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ, o valor de R$ 10.000,00 aos direitos de cada um na exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas no Estado do Rio de Janeiro. Esse aviltamento proposital só foi possível com a certeza de que havia uma estruturação passo a passo no caminho de formarem uma única empresa com participações equitativas (meio a meio) onde o ganho adviria através da criação de um ágio fictício, porque foi sobrevalorizado através do aviltamento inicial dos valores patrimoniais dessas integralizações (capital social inicial). O passo seguinte seria avaliálas agora sim a preço de mercado e obter o ágio sobrevalorizado a ser deduzido. O contexto delineado acima permite dizer que se criou um ambiente favorável, semelhante ao que acontece nas situações intragrupo. A DRJ também sublinhou esse aviltamento do capital social: Nas operações objeto de análise nestes autos, os Grupos Pão de Açúcar e Sendas, apesar do seu histórico de concorrência, não disputavam mercado entre si, mas uniam esforços para alcançar objetivos comuns. Somente o efetivo tributário intragrupo pode explicar o fato de CBD e SENDAS terem atribuído, nas integralizações feitas em RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ, o valor de R$ 10.000,00 aos direitos de cada um na exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas no Estado do Rio de Janeiro. A prova e quantificação do erro no valor das Fl. 7284DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 568 38 integralizações são os próprios laudos confeccionados segundo a capacidade de geração de resultados futuros. Em vez de atender a algum propósito negocial, o objetivo foi rebaixar artificialmente o valor do capital social, de modo a maximizar a diferença entre este e as avaliações, ou seja, o ágio. Esse aviltamento do capital social se deu justamente porque as partes deixaram de respeitar um critério super importante para a validade da existência do ágio, que é o fato de as partes serem interdependentes, onde as aquisições se dão a preço de mercado. Essa situação conduziu inexoravelmente também a existência do denominado "ágio de si mesmo", também muito bem colocado tanto pelo autuante quanto pela DRJ. De observar que tanto o aviltamento do capital social quanto a presença do ágio de si mesmo também estão muito bem delineados no TVF, que faz parte integrante do auto de infração: 133.A questão é de singela visualização. Basta sintetizála, conforme abaixo. 133.2 De acordo com o Relatório e documentação acostada aos autos, SENDAS e SÉ acionistas majoritárias de SENDAS DISTRIBUIDORA S/A, instituída em 29.02.2004, se tornaram, ambas, únicas sócias de RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ, respectivamente, em 19.04.2004 e 15.04.2004. \ 133.3 A RIO PATEA, instituída em 09.01.2004 por Marcelo Turssardi Paolini e Celina Pannunzio, com capital subscrito de RS 100,00, teve seu capital inicialmente aumentado, também em 19.04.2004, pelos adquirentes originais CBD e NOVASOC, igualmente sócias de SENDAS DISTRIBUIDORA S/A, mediante transferência do fundo de comércio da primeira, avaliado em RS 10.000,00, e transferência do acervo líquido e fundo de comércio da segunda, avaliados em RS 114.709.239,00. As mesmas, na mesma data, cederam a total de suas participações à SENDA DISTRIBUIDORA S/A, de que eram sócias. 133 A SERRA DO ANDARAÍ, instituída em 03.09.2003, com capital de RS 100,00, pêlos sócios Marcelo TrussardiPaolini e Celina Pannuzio,foi adquirida pela SENDAS em 15.04.2004, tendo seu capital aumentado para RS 15.000,00, em moeda corrente, R$ 4.950,00 e transferência do fundo de comércio, avaliado em RS 10.000,00. 133.5 Ambas, SENDAS e SE, transferem a totalidade de suas cotas na RIO PATEA e na SERRA DO ANDARAÍ, em, respectivamente, 19.04.2004 e 28.05.2004, para SENDAS DISTRIBUIDORAS/A. 133.6 Através da AGE de 30.04.2004 foram incorporados os patrimônio líquidos das duas sociedades a SENDAS DISTRIBUIDORA, fls. 74/106, Anexo II). 133.7 Em 30.06.2004 SENDAS DISTRIBUIDORA, mediante 4a. alteração contratual (fls. 142/146, Anexo II), resolve, incorporar RIO PATEA, por avaliação de R$ 618.340.702,00, sendo que o acervo líquido e fundo de comércio que lhe foram transferidos em 19.04.2004, somassem R$ 114.729.139,00. 133.8 Em 28.05.2004, SENDAS DISTRIBUIDORA, mediante 3a. alteração contratual (fls. 183/185, anexo II), resolve incorporar SERRA DO ANDARAÍ por avaliação de R$ 853.904.369,00, sendo que o fundo de comércio, que lhe foi transferido em 15.04.2004, para aumento do capital, somasse RS 10.000,00. 133.9 Inequivocamente, evidenciase a aquisição, com ágio, do próprio acervo líquido no primeiro caso, transferido, ex ante, para terceira pessoa jurídica, incorporada ex post, e dos próprios fundos de comércio, em ambos os casos, avaliados, individualmente, em R$ 10.000,00 para efeitos de suas transferências a Fl. 7285DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 569 39 terceiras pessoas jurídicas, ex ante, em, respectivamente, 19.04.2004 e 15.04.2004, e, em sequência, incorporadas, com ágio em 30.04.2004. 133.10 Não há dúvidas de que as operações em sequência objetivaram produzir, exclusivamente, ágio de si mesmo. Mas não é só isto, as sucessivas alterações contratuais deixa claro que transfere ações de um empresa para outra como se parte de um grupo já se fizesse. 81. Na mesma data acima (protocolo JUCESP), por intermédio da 2.° Alteração do Contrato Social, o sócio CBD resolveu retirarse da sociedade, cedendo e transferindo a totalidade de suas 15.000 quotas representativas do capital social que possuía ao SÉ, pelo valor nominal de R$ 1,00 cada quota, totalizando o preço de R$ 15.000,00, assumindo o pagamento dentro do prazo de 02 anos (fls. 137 a141). 82. No mesmo ato acima, o sócio NOVASOC também resolveu retirarse da sociedade, cedendo e transferindo a totalidade de suas 114.714.239 quotas representativas do capital social que possuíam ao SÉ, pelo valor nominal de R$ 1,00 cada quota, totalizando o preço de R$ 114.714.239,00, assumindo o pagamento dentro do mesmo prazo. 83. Ainda na data acima (protocolo JUCESP), por intermédio da 3.° Alteração do Contrato Social, o SÉ, detentor da totalidade do capital da sociedade, em decorrência do aumento de capital da SENDAS DISTRIBUIDORA S/A, resolveu ceder e transferir para esta as 114.729.239 quotas de sua propriedade (fls. 142146) Não restam dúvidas, portanto, de que as operações em sequência terminaram produzindo o ágio interno e o ágio de si mesmo. Na prática, o ágio de si mesmo denota que não houve nem aquisição envolvendo terceiros. E de fato, não houve. O que houve, como já se disse alhures, foi apenas que os dois grupos resolveram reavaliar seus ativos, equalizando os preços um com o outro de forma paritária (meio a meio), onde o fiel da balança foi o aporte financeiro feito pelo grupo Pão de Açúcar na Rio Patea. Ao final tais ativos foram acomodados na SENDAS DISTRIBUIDORA também meio a meio. Ou seja, não houve até esse ponto, qualquer aquisição de um grupo pelo outro, mantendose a independência cada qual do seu acervo original. Como também já se disse, aqui se tratou apenas de uma etapa preparatória para um futura aquisição do grupo Sendas pelo grupo Pão de Açúcar, que de fato ocorreu depois dos fatos aqui tratados. Outrossim, em seu recurso a Recorrente se agarra na possibilidade de o art. 36 da Lei n°10.637/2002 poder diferir o ganho de capital na operação, porém este permissivo legal não dá azo ao contribuinte de criar situações artificiais de aproveitamento do ágio. Portanto, comprovada está o abuso de direito na medida que pelas provas dos autos constatouse que os valores atribuídos às integralizações nas sociedades de passagem foram artificialmente rebaixados, com o objetivo de maximizar o ágio dos investimentos, conforme comprovam os laudos de avaliação; bem assim também ficou caracterizada a existência do chamado "ágio de si mesmo" em operações intragrupo que também macula toda a operação. Por, todo o exposto, nego provimento a este item. Por, todo o exposto, nego provimento a este item Juros sobre multa de ofício Não procede a alegação da recorrente no sentido de ser indevida a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício . Fl. 7286DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 570 40 No ataque à essa questão geralmente se utiliza do argumento a contrario sensu. Ou seja, como a única hipótese de incidência de juros sobre multa está consignada no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96, deve, por exclusão, nas demais hipóteses, ser expurgada a aplicação dos juros sobre a multa aplicada, que só passará a incidir nos termos do § 1º do art. 161 do CTN. Ora, como todo argumento a contrario sensu, devese usálo com muita cautela, pois é inseto a ele a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em “não q”. Isso porque pode existir outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (em havendo multa de ofício isolada) > (implica) “q” (implica o cálculo de juros de mora sobre ela). Isso não que dizer que se negarmos “p” (no caso da multa de ofício sobre tributo, pois não se trata de multa isolada) estaremos negando necessariamente a existência de “q” (cálculo de juros de mora sobre essa multa). Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”. Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Assim, não procede o argumento no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. O Conselheiro Alkmim foi muito feliz em sua explicação por ocasião do Acórdão 140100.155 no qual a referida matéria também foi enfrentada: (...) Seria o óbvio não conter referida previsão quando a multa é aplicada sobre crédito tributário não pago. Isso porque, ao contrário do que afirma a Recorrente, caso existisse tal previsão – de incidência de juros sobre multa , poder seia imaginar a dupla incidência dos juros, é dizer, uma sobre o crédito tributário e outra sobre a multa depois de formalizada. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser Fl. 7287DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 571 41 recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. Assim, na verdade, não é o juros que incide sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário com juros e correção monetária. Diante do exposto, mantenho os juros de mora sobre a multa de ofício. Assim, mantenho os juros sobre a multa de ofício. MULTA QUALIFICADA Em que pese o fato de que com o provimento parcial da DRJ e ratificado na negativa do recurso de ofício, em relação ao erro de cálculo da glosa do ágio de 2008, não mais restou IRPJ/CSLL a recolher, mas apenas recomposição do saldo de prejuízos fiscais e bases negativa da CSLL, e que, portanto, a multa qualificada por esse motivo também cairia, passo a enfrentar tal matéria, pois foi objeto de lançamento e tem repercussão na representação para fins penais. No meu entender a recorrente não agiu com evidente intuito de fraude, tratandose na verdade de questão probatória envolvendo um negócio jurídico indireto não oponível ao fisco. Na verdade, tratouse de um sucessão de negócios jurídicos típicos produzindo um efeito atípico, de fraudar as leis do Imposto de Renda, usando “norma de cobertura”, que protegeria a conduta realizada, isentandoa do pagamento dos tributos devidos, muito mais próximo de um negócio jurídico indireto não oponível ao fisco do que propriamente de uma simulação. Não há dolo ou evidente intuito de fraude, pois a “fraude a lei” significa a fraude com a acepção totalmente diferente da fraude referida no art. 72 da Lei nº 4.502/64. É que tanto na simulação quanto no negócio jurídico indireto há sempre uma discrepância, o que torna fácil a confusão entre esses institutos. No primeiro a discrepância se dá entre a vontade real e a vontade declarada, no último, a discrepância aparece entre a finalidade prática pela qual foi criada o negócio jurídico e o motivo pelo qual efetivamente se está ele sendo usado, ou seja se pretende um resultado prático discrepante daquele para o qual efetivamente o negócio típico meio foi criado. Porém, há um critério decisivo para separar ambos os institutos, qual seja, “realizar atos paralelos ocultos de desfazimento ou neutralização dos efeitos do praticado ostensivamente quando da simulação.” Para mim é decisivo aqui no caso concreto a sua não ocorrência. No caso concreto, não vislumbro a ocorrência desse ato paralelo de desfazimento ou neutralização dos efeitos praticados na simulação. Tudo está claro e explícito em contratos, documentação e na contabilidade. Ao fim e ao cabo tratouse de questão probatória envolvendo um negócio jurídico indireto não oponível ao fisco, pois visava apenas a mera economia de tributos. Neste item, ainda em reforço a minha tese, alinhome com o entendimento do julgador Jefferson, através de declaração de voto, proferida no processo nº 11516.721207/201270 cujos fundamentos para desqualificar a multa de ofício transcrevoos abaixo: Inicialmente, de se destacar que a divergência com o voto apresentado pelo Relator, e que motivou a elaboração da presente Declaração de Voto, referese Fl. 7288DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 572 42 apenas à qualificação da multa de ofício decorrente das glosas de despesas de amortização de ágio. Como visto, o Relator considerou cabível a qualificação da multa no presente caso, externando o seguinte entendimento: Já mostramos que a Interessada agiu conscientemente do objetivo que queria alcançar, que coordenou, previamente, todos os passos necessários no sentido de atingir o que almejava: de se encaixar dentro da situação posta no art.386 do RIR/99 e com isto se beneficiar da dedutibilidade fiscal, ali permitida, da amortização do ágio. Vimos que este procedimento burlava as regras fiscais e, absolutamente, não se pode concordar com a tese da Interessada que teria agido dentro das normas legais e de atos normativos, de modo que não lhe poderia ser atribuída esta penalidade qualificada. Encontrase comprovadamente nos autos que a Interessada criou situações entre as suas empresas, por meio de trocas de participações societárias, no sentido de adquirir a roupagem legal necessária que lhe permitisse utilizarse do benefício fiscal do artigo 386 do RIR/99. Foi tudo forjado, tudo planejado para se conseguir a redução artificial do lucro tributável, por meio da introdução de despesas inexistentes. E o que basta. Com a devida vênia, e em razão de todo o contexto jurisprudencial no qual todos os atos foram praticados, ouso discordar desse entendimento, pelas razões a seguir apresentadas. Para avaliar a pertinência da aplicação da multa qualificada, devese, analisar a norma a que ela se vincula e decidir se a conduta da impugnante coincide com os pressupostos condicionantes da sanção. O agravamento (qualificação) da multa encontrase prevista no art. 44 da Lei n° 11.488/2007, a seguir reproduzido (destacouse): "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." De plano se depreende que o dispositivo legal não é norma autônoma, na medida em que apenas estabelece parâmetros quantificadores da multa a ser aplicada "no caso de lançamento de ofício''". Em especial, o parágrafo 1° que define os pressupostos sob os quais a multa aplicada deve ir de 75% a 150% é comando que tãosomente dosa ou calibra a sanção. Tratase, pois, de regra a ser observada após configurada a conduta contrária à norma que ensejou a aplicação da multa. Na medida em que a ilicitude da conduta da impugnante que ensejou o lançamento de ofício em auto de infração revestese da condição de pressuposto para a aplicação da multa, ela (a ilicitude da conduta) não deve ser levada em conta na calibragem da sanção. A qualificação da multa deve ser considerada sobre os aspectos de dolo/culpabilidade inerentes à conduta (aspectos subjetivos) já anteriormente considerada ilícita ao invés de focar aspectos de legalidade/ilegalidade daquela conduta. Fl. 7289DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 573 43 Verificase, pela leitura do texto legal, que é exatamente a presença de dolo o fator comum na descrição das hipóteses em que aplicase o percentual de 150%, conforme se vê na transcrição dos dispositivos legais referenciados no § 1° do artigo 44 da Lei n° 11.488/2007 (destacouse): Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Para a qualificação da multa, é necessário e suficiente que se certifique a presença isolada de um dos três institutos citados (sonegação, fraude ou conluio). À luz dos elementos trazidos aos atos, não parece caber dúvida de que a contribuinte praticou uma ação que repercutiu diretamente em características do fato gerador, no sentido de diminuir o quantum a ser recolhido a título de tributo. Exige se, porém, à força da redação do citado artigo que, adicionalmente, tal ação tenha sido, além de ilícita, dolosa. Assim, é na existência do elemento subjetivo "dolo" na ação da contribuinte que se resume a questão da qualificação da multa. Na medida em que a legislação não dá contornos precisos e incontroversos à figura do dolo, pelo menos dois entendimentos são possíveis, ■ A presença de dolo na conduta estaria plenamente caracterizada pela vontade de se obter um resultado, abstraindose da consciência de que tal conduta constitui um ilícito. ■ A presença de dolo na conduta dependeria, além da vontade de se obter um resultado, a consciência da ilicitude dessa conduta. O primeiro entendimento assume identidade entre os conceitos de dolo e de vontade. Deste ponto de vista, seria razoável impor a multa qualificada pois há elementos no processo suficientes para configurar uma conduta determinada pela vontade de se buscar a economia tributária. Como não restaria dúvidas de que o contribuinte quis obter a redução no pagamento do tributo (quis o resultado), estaria configurado, a partir desta perspectiva, o elemento pessoal (dolo) necessário à qualificação. Porém, tal interpretação não se me apresenta como aquela que melhor se harmoniza com o sistema normativo tributário, pelas razões que a seguir são expostas. Na medida em se trata de recrudescimento na aplicação de uma sanção, surge a necessidade de se buscar, nesta conduta que se avalia, elemento subjetivo diferenciado que justifique tal "sobreapenamento". A multa de ofício prevista é de 75%, sendo elevada a 150% caso se, constate a subsunção às hipóteses agravantes indicadas. Portanto, é razoável supor que a qualificação da multa revistase da natureza de excepcionalidade. Ora, se da interpretação de tais hipóteses agravantes resulta uma situação reconhecidamente recorrente, ou seja, presente na maioria das situações em que se aplica a sanção, então a qualificação da multa perde a natureza Fl. 7290DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 574 44 de excepcionalidade, convertendose em regra. Ao se identificar o dolo previsto na legislação fiscal com a mera vontade de se obter o resultado, ocorre exatamente essa ampliação, a qual inverte o entendimento quanto ao caráter excepcional da multa qualificada metamorfoseandoa em regra. Para que se evite tal inversão, exigese uma interpretação mais restritiva de conduta dolosa, que pode ser obtida ao adicionarlhe ademais da vontade de se obter o resultado uma necessária consciência da ilicitude. Sob esse conceito mais restrito, exigemse elementos que comprovem não apenas que a ação do contribuinte estivesse direcionada à obtenção de um resultado específico (redução no pagamento de tributos), mas que, ademais, estivesse presente a consciência do caráter ilícito da(s) ação(ões) empreendidas para obtêlo. Assim, tendo por pressuposto que a conduta dolosa é devidamente caracterizada por esse dois elementos (vontade de se obter o resultado e consciência da ilicitude da conduta), constatase que, no caso em tela, a consciência quanto à subsunção ao tipo legal não foi caracterizada pela autoridade lançadora. O contribuinte, por seu turno, insiste na legalidade de todas as operações, fundamentando sua convicção tanto nos dispositivos legais, que entende suportar os atos praticados, quanto em jurisprudência e doutrina. Inegável que o tema do aproveitamento tributário de ágio originado em reorganizações societárias em relações intragrupos é polêmico e tem gerado manifestações no meio jurídico em ambos sentidos: considerandoo conforme a lei ou contrário a ela. A existência da controvérsia nos diversos foros é, ao meu ver, evidência suficiente para sustentar a existência interpretações factíveis que, não obstante, incompatíveis, preencham a "moldura legal" fixada pela norma. Os limites definidos pela lei comportam espaço para interpretações divergentes. O entendimento da autoridade tributária da ilicitude da operação (ou, mais precisamente, do aproveitamento fiscal do ágio gerado em tais operações) é passível de contestação embora dele eu não discorde. Da leitura da peça impugnatória apresentada pelo contribuinte, não se pode refutar a hipótese de que toda a operação de reorganização tenha sido concebida e executada sob a convicção de sua inteira legalidade. Por mais exótica e desprovida de sentido econômico (além da óbvia economia tributária, é claro) que toda a operação possa aparentar, não há uma clareza normativa inegável que a proíba. Tanto é assim, que a autoridade fiscal de forma precisa e correta, destaquese teve que se socorrer da doutrina contábil e de notas explicativas de órgãos estranhos à administração tributária (no caso, a CVM) para fundamentar sua interpretação, da qual aqui não se diverge. Por seu turno e consistentemente com sua interpretação do conceito de dolo a autoridade fiscal não se esmerou em buscar indícios de que, além do elemento volitivo, também estaria presente a consciência da ilicitude. Em síntese, no entender desse julgador, não se caracterizou de forma concludente uma conduta dolosa, necessária à aplicação da multa qualificada. Não é excessivo repetir: não se trata de afastar a punibilidade decorrente da ilicitude com a qual se concorda o que se afasta é o agravamento da sanção. Por todo o considerado, entendo que para o caso presente cabe a imposição da multa de 75%, prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n° 11.488/2007, sem a qualificação prevista em seu parágrafo 1°. Por todo o exposto, desqualifico a multa de 150% para 75%. Fl. 7291DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.720259/201133 Acórdão n.º 1401001.624 S1C4T1 Fl. 575 45 Lançamentos refelxos(PIS, COFINS E CSLL) Como não há questões novas vinculadas aos lançamentos decorrente afora as já enfrentadas, aplicase aos demais tributos (PIS, COFINS e CSLL) o mesmo tratamento dispensado ao de IRPJ. Por todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso de ofício e quanto ao Recurso voluntário, afasto a preliminar de nulidade e a prejudicial de decadência e, no mérito, DOU provimento PARCIAL apenas para desqualificar a multa de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 7292DF CARF MF Impresso em 16/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10880.720780/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência.
Assinado digitalmente
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. Assinado digitalmente Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cassio Shappo. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 20 78 0/ 20 06 -0 5 Fl. 782DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.720780/200605 Resolução nº 3201000.654 S3C2T1 Fl. 782 2 "4. O processo em exame composto de 696 páginas já digitalizadas deve sua origem a quatro declarações de compensação transmitidas eletronicamente nas seguintes datas: 11/11/2004 (fls. 4/18, 19/22 e 23/26) e 15/12/2004 (fls. 27/30). 5. Tais declarações têm o propósito de compensar débitos próprios com créditos de Finsocial pleiteados em ação judicial já transitada em julgado (processo n° 94.00210981), os quais seriam oriundos de pagamentos realizados com alíquota superior a 0,5% no período de 10/1989 a 03/1991 (fls. 5, 20, 24 e 28). 6. Em despacho decisório exarado nas fls. 166/173 em 22/10/2009, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO negou homologação às compensações pretendidas, apontando como causa do indeferimento a falta de comprovação da homologação da desistência ou da renúncia à execução do título judicial, bem como o fato de o sujeito passivo não haver apresentado todos os documentos solicitados, notadamente as cópias do Livro Razão necessárias ao exame da base de cálculo, o que impossibilitou aferir a liquidez e certeza do crédito pleiteado. 7. Tomando ciência da decisão em 30/10/2009 (fl. 175), a contribuinte apresentou em 30/11/2009 tempestivamente portanto a manifestação de inconformidade anexa às fls. 182/191, cujo teor resumo a seguir, fazendoa acompanhar de vasta documentação (fls. 192/673). 8. RESUMO 8.1 Em resposta ao Termo de Intimação n° 149/09 (doc. 04 — fl. 196), apresentou à autoridade fiscal todos os documentos “possíveis” (doc. 05 — fls. 197/199), que demonstram claramente os créditos utilizados nas compensações declaradas, os quais inclusive já foram reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado. 8.2 Tendo ingressado com ação de repetição de indébito em 26/08/1994, obteve decisão favorável autorizando a repetição/compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de Finsocial no período de outubro de 1989 a março de 1992, como mostram as cópias juntadas (doc. 07 — fls. 202/655). 8.3 Embora ainda se discutam nos autos os valores devidos a título de honorários advocatícios e verbas de sucumbência, a questão principal já foi definitivamente julgada de forma favorável à autora, de modo que não restam quaisquer dúvidas sobre seu direito de crédito. 8.4 “Sendo assim, os parágrafos 38 e 39 do despacho decisório não merecem ser considerados, vez que discutem o mérito da mencionada ação judicial, que já transitou em julgado de forma favorável à ora requerente. Não compete à autoridade administrativa discutir o mérito do presente caso, ante o provimento definitivo proferido pelo Poder Judiciário.” (fl. 186) 8.5 Embora os documentos já juntados aos autos — guias de recolhimento, declarações de imposto de renda e diversas planilhas com a demonstração dos valores pagos indevidamente — demonstrem o quantum do crédito a que faz jus, informa estar juntando novamente as mencionadas guias, relativas ao período de outubro de 1989 a março de 1992 (doc. 08 — fls. 656/671). 8.6 “Ainda, notase através da copia da ação de repetição de indébito n° 94.00210981 (doc. 07), que a União Federal se manifestou às fls. 209/217 sobre o valor por ela devido a titulo de honorários advocatícios e verbas de sucumbência, aos quais fora condenada ao Fl. 783DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.720780/200605 Resolução nº 3201000.654 S3C2T1 Fl. 783 3 pagamento de 10% dos valores indevidamente pagos pela ora requerente.” (fl. 187) 8.7 “E, nesta manifestação, a União Federal apresentou diversas planilhas com os valores do crédito pertencente a ora requerente, onde chegou ao valor de R$ 1.752.340,38 (...), atualizados até junho de 2005.” (fl. 187) 8.8 “Vale dizer, apesar dos valores devidos a titulo de honorários advocatícios e verbas de sucumbência ainda estarem sendo discutidos nos autos, é certo que a União Federal já concordou com o valor acima citado, razão pela qual é indiscutível que a requerente possui, no mínimo, R$ 1.752.340,38 de crédito na época da transmissão das declarações de compensações.” (fl. 187) 8.9 “Sendo assim, esse valor do crédito da ora requerente é incontroverso, razão pela qual não podem ser simplesmente desconsiderados, como ocorreu no caso do despacho decisório, que simplesmente não homologou todas as declarações de compensação em questão.” (fl. 187) 8.10 Ao contrário do que afirma o agente fiscal, não há legislação que exija a guarda de documentos por período superior ao prazo prescricional de 5 anos, de modo que as declarações de compensação não poderiam ser desconsideradas em razão da falta de apresentação dos Livros Razão de 1989 a 1992, até porque os demais documentos apresentados são suficientes para comprovar o crédito a que faz jus. 8.11 Tampouco faz sentido não homologar as referidas declarações sob o pretexto de que a recorrente não comprovou a renúncia à execução, uma vez que as certidões de objeto e pé juntadas aos autos comprovam a inexistência de qualquer pedido de execução dos valores a que ela tem direito. 8.12 Os únicos valores cobrados no processo n° 94.00210981 dizem respeito aos honorários advocatícios (verbas de sucumbência) devidos aos advogados da autora, não havendo motivo para que estes renunciem a sua execução, visto que tais valores não têm relação com o crédito a que ela tem direito. 8.13 Em remate, requer a reforma integral do despacho decisório e a conseqüente homologação das DCOMP apresentadas. 8.14 Caso assim não se entenda, requer subsidiariamente “que seja considerado o valor do crédito reconhecido pela própria União Federal nos autos da ação n° 94.00210981 (fls. 209/217 do doc. 07) e, conseqüentemente, sejam homologadas as declarações de compensação transmitidas pela ora requerente, abrindose nova vista a ora requerente, caso sejam apurados eventuais débitos remanescentes.” (fl. 190) 8.15 “Protesta ainda a impugnante, pela produção de provas por todos os meios em direito admitidos, bem como pela posterior juntada de documentos, inclusive aqueles que a autoridade julgadora entender necessários.” (fl. 190) 8.16 Requer ainda que todas as intimações e avisos sejam encaminhados ao endereço de seus procuradores, mencionado na fl. 191." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a manifestação de inconformidade, mantendo integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: Fl. 784DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.720780/200605 Resolução nº 3201000.654 S3C2T1 Fl. 784 4 “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 FINSOCIAL. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE O exame das declarações de compensação pressupõe a apresentação prévia de documentos que atestem a existência do indébito a elas vinculado, bem como — em se tratando de créditos decorrentes de ação judicial a comprovação de que o Poder Judiciário homologou a desistência da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução. No primeiro caso deverá ainda a empresa comprovar que assumiu todas as custas do processo de execução. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário repisando as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade. Quando do julgamento do recurso voluntário, foi trazido aos autos pela Recorrente, a comprovação da desistência da execução na esfera judicial (fls. 750 a 776). É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A lide no presente processo se restringe a duas matérias: a falta de comprovação da desistência da execução na esfera judicial e a comprovação do direito creditório da Recorrente a luz da decisão judicial do Finsocial. A necessidade da desistência da execução judicial é matéria bastante conhecida neste Conselho, que tem decidido no sentido da impossibilidade de utilização da compensação ou do ressarcimento quando ausente a comprovação da desistência. Tal exigência foi originalmente prevista no art. 17, § 1º da IN SRF nº 21/1997 e mantida nas instruções normativas posteriores que regulamentavam os pedidos de compensação, estando atualmente prevista no art. 81, § 2º da IN RFB 1300/2012. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10880.720780/200605 Resolução nº 3201000.654 S3C2T1 Fl. 785 5 Art. 81. É vedada a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. ... § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, a compensação poderá ser efetuada somente se o requerente comprovar a homologação da desistência da execução do título judicial pelo Poder Judiciário e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução, ou apresentar declaração pessoal de inexecução do título judicial protocolada na Justiça Federal e certidão judicial que a ateste. A decisão de piso negou o pleito da Recorrente em razão da falta de apresentação da desistência da execução na esfera judicial. Entretanto, nos termos relatados, a Recorrente veio aos autos e apresentou comprovação de desistência da execução. Considerando a ausência da desistência ser motivo impeditivo da concessão do crédito pleiteado, entendo que o documento trazido pela Recorrente deva ser objeto de conhecimento e manifestação pela Procuradoria da Fazenda Nacional para atestar a efetividade da desistência e se tal documento é suficientes para cumprir a determinação originalmente prevista no art. 17, § 1º da IN SRF nº 21/1997 e atualmente disciplinada no art. 81, § 2º da IN RFB 1300/2012. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência para ciência e manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional acerca da desistência da execução na esfera judicial às fls. 750 a 776. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 786DF CARF MF Impresso em 30/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/03/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.722212/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO.
Havendo obscuridade na decisão, passível de suscitar legítimas dúvidas à autoridade encarregada da liquidação e execução do acórdão, quanto ao efetivo alcance do julgado, devem ser acolhidos os embargos para saná-la, ainda que tenha aquela autoridade a ela se referido como contradição.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS.
Comprovado pelo sujeito passivo que determinado crédito bancário, que foi objeto da autuação, não corresponde a ingresso de receita nova, deve ser exonerada a parcela do crédito tributário lançado correspondente ao referido valor. No caso, restou provado que um dos créditos lançados era oriundo de empréstimo bancário.
Numero da decisão: 1201-001.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos da DRF em Cascavel - PR, para sanar a obscuridade existente no Acórdão nº 1201-001.238, de 09 de dezembro de 2015, e, assim re-ratificá-lo, com efeitos infringentes, para o fim de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para confirmar a exclusão da receita bruta apurada pela fiscalização, do valor de R$ 20.000,00, relativo ao terceiro trimestre de 2011, para fins de IRPJ e CSLL, e ao mês de agosto de 2011, para fins de PIS e de COFINS, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Embargante Delegacia da Receita Federal em Cascavel/PR Interessado TORRES, POPENGA E CIA LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. Havendo obscuridade na decisão, passível de suscitar legítimas dúvidas à autoridade encarregada da liquidação e execução do acórdão, quanto ao efetivo alcance do julgado, devem ser acolhidos os embargos para sanála, ainda que tenha aquela autoridade a ela se referido como contradição. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS. Comprovado pelo sujeito passivo que determinado crédito bancário, que foi objeto da autuação, não corresponde a ingresso de receita nova, deve ser exonerada a parcela do crédito tributário lançado correspondente ao referido valor. No caso, restou provado que um dos créditos lançados era oriundo de empréstimo bancário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos da DRF em Cascavel PR, para sanar a obscuridade existente no Acórdão nº 1201001.238, de 09 de dezembro de 2015, e, assim reratificálo, com efeitos infringentes, para o fim de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para confirmar a exclusão da receita bruta apurada pela fiscalização, do valor de R$ 20.000,00, relativo ao terceiro trimestre de 2011, para fins de IRPJ e CSLL, e ao mês de agosto de 2011, para fins de PIS e de COFINS, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 22 12 /2 01 2- 04 Fl. 3538DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1201001.415 S1C2T1 Fl. 3 2 Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de embargos interpostos pela Delegacia da Receita Federal em Cascavel/PR contra o Acórdão 1201001.238, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção, na sessão de 9 de dezembro de 2015. Aduz a embargante, em síntese, a existência de contradições no julgado. Observa que a decisão proferida foi no sentido de se dar provimento parcial ao recurso voluntário para "confirmar a exclusão da receita bruta apurada pela fiscalização, dos valores de R$ 472.000,00 no ano calendário de 2008, R$ 340.000,00 no ano calendário de 2009, R$ 810.000,00 no ano calendário de 2010 e, R$ 1.821.000,00 no ano calendário de 2011". Contudo, da análise dos demonstrativos elaborados pelo fisco dos valores incluídos no lançamento, verificou a DRF/Cascavel que os mencionados valores já não integravam o montante autuado, ou seja, já haviam sido excluídos da autuação pelo fisco. Assim, a decisão seria contraditória. Ademais, aduz que "não fica claro no presente Acórdão" se restou mantida a decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ em CuritibaPR, no que toca à decadência parcial dos tributos lançados, lá reconhecida. Finaliza requerendo o pronunciamento do colegiado sobre os dois pontos mencionados, "objetivando a correção do julgado, para a sua correta aplicação pela DRF Cascavel/PR". Por despacho (fls. 35313532), foram os embargos admitidos para que o colegiado sobre eles se pronunciasse. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Fl. 3539DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1201001.415 S1C2T1 Fl. 4 3 Os embargos foram interpostos por parte legítima e atendem aos pressupostos de admissibilidade, devendo ser conhecidos. Com relação ao primeiro ponto suscitado pela embargante, cumpre registrar que, de fato, a rigor, tornase inexequível, em certo sentido, a determinação contida na decisão proferida pelo colegiado, de sorte a ser necessário o pronunciamento do colegiado a respeito, ainda que, de toda a exposição que a seguir se fará, talvez se conclua não pela existência propriamente de uma contradição entre a decisão embargada e seus próprios fundamentos, como alega a embargante, mas por certo, ao menos, de uma obscuridade nela contida. Explicase o ocorrido. Após uma série de incidentes processuais, dentre os quais inclusive a declaração de nulidade, pelo CARF, da primeira decisão de primeira instância, por falta de apreciação de argumentos, bem como de diversos documentos acostados pela recorrente ainda em sede de impugnação (possivelmente, ao menos no que toca aos citados documentos, em decorrência de certa desorganização dos autos, em sua forma eletrônica), a DRJ/CuritibaPR, proferiu nova decisão em que, ao analisar os referidos documentos, concluiu por assistir parcial razão à contribuinte, conforme assim restou consignado no voto condutor (fls. 32683269, negritei): "98. À fl. 1.136 consta uma planilha elaborada pelo contribuinte com o objetivo de comprovar a origem de uma série de valores que deram entrada na conta corrente 21.3527 da agência 46930 do Banco do Brasil durante o período fiscalizado. Foi anexado também um extrato consolidado da conta garantia BB, referente à operação 469.302.238, cujos valores identificados na conta corrente do contribuinte sob a denominação “movimento do dia” coincidem com os valores registrados como liberação de recursos no extrato consolidado, sob a denominação“Capital Crédito” daquela conta. Desta forma, tendo o contribuinte comprovado que os valores lançados na conta corrente mantida junto ao Banco do Brasil, identificados como “movimento do dia” tiveram origem em empréstimo do BB referente à operação 469.302.238, impõese excluir tais valores da base de cálculo da exigência, uma vez que a origem do numerário restou comprovada. 99. Na seqüência, à fl. 1.1501.153 consta extrato parcelado referente a empréstimo de capital de giro pré fixado obtido junto ao Banco Real Santander, no importe de R$ 280.000,00. 100. Outra operação de conta garantida junto ao Banco do Brasil, sob o nº 469.304.338 de fl. 1.156, comprova o empréstimo de R$ 89.000,00. 101. Às fls. 1.1591.162 o extrato consolidado da operação 469.304.533 (BB Giro Empresa Flex) em que foi concedido R$ 600.000,00 de empréstimo, dos quais, R$ 420.000,00 foi lançado na conta corrente da empresa em 01/06/2011. 102. Outro BB Giro Empresa Flex, relativo à operação 469.304.548, cujo extrato consolidado está às fls. 1.1651.169 comprova a obtenção de empréstimo da ordem de R$ 500.000,00, sendo que R$ 350.000,00 foram lançados a título de movimento do dia, na conta corrente da pessoa jurídica em 14/06/2011. 103. Às fls. 1.1741.186 o contrato de empréstimo nº 84.797, firmado com o Sicoob, que justifica o valor de R$ 250.000,00 lançados na conta do BB em 08/02/2011, sob o título TED crédito em conta. Fl. 3540DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1201001.415 S1C2T1 Fl. 5 4 104. Por fim, consta um email de fls 1.1891.191 referente ao contrato de empréstimo nº 484.985.205 que comprova o empréstimo feito pelo Banco Itaú, liberado em três parcelas nos valores de R$ 229.000,00 em 19/07/2011, R$ 100.000,00 em 20/07/2011 e R$ 20.000,00 em 22/08/2011. 105. Tais comprovações de empréstimos foram da ordem de R$472.000,00 no ano calendário de 2008, R$340.000,00 para o ano calendário de 2008, R$810.000,00 no ano calendário de 2010 e, R$ 1.821.000,00 no ano calendário de 2011. 106. Isto posto, deve ser adequada a base de cálculo da exigência à nova realidade que se apresenta." Ocorre que, na parte dispositiva do julgado da DRJ, constou apenas que teria sido reconhecida a decadência com relação aos meses de julho, agosto e setembro de 2007, sendo de resto mantidas "na íntegra as exigências relativas aos demais períodos alcançados pela autuação". Ora, tratavase de evidente contradição entre a decisão e os seus próprios fundamentos, perpetrada pela autoridade julgadora de primeira instância. Entretanto, tendose em conta que o contribuinte renovou integralmente os pedidos feitos na impugnação, inclusive quanto aos valores acima mencionados, fazendose uso do quanto disposto no art. art. 59, § 3o, do Decreto 70.235/72 (PAF), e a fim de evitar novo retorno dos autos à autoridade julgadora a quo, assim consignou o conselheiro relator no acórdão ora embargado: “Item VII.I.c do recurso. Dos valores recebidos a título de empréstimos bancários. A recorrente junta ao recurso o Anexo VIII (fls. 3444 e seguintes) na qual demonstra, por meio de tabelas, os valores referentes a empréstimos e financiamentos que foram indevidamente tributados como se omissão de receita fossem. Sustenta a recorrente que o erro material perpetrado pela fiscalização deveria levar à nulidade do lançamento efetuado (argumento já refutado), ou, alternativamente, à exclusão destes valores da base de cálculo dos tributos lançados. Contudo, analisandose o referido Anexo VIII visavis a decisão recorrida, verificase que todos os valores ali reclamados já foram reconhecidos pela DRJ, de acordo com o contido no voto condutor da decisão recorrida. Assim, a priori, nada mais haveria a avançar neste aspecto. Contudo, há que se reconhecer que, embora não aduzido pela recorrente, há no acórdão da DRJ uma contradição entre a decisão e seus fundamentos. De fato, apesar de, nos fundamentos, a DRJ ter reconhecido todos aqueles valores reclamados (itens 98 a 106 do voto condutor), a julgar pela parte dispositiva somente a decadência parcial de 2007 teria sido reconhecida. Confirase (grifei): (...) Fl. 3541DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1201001.415 S1C2T1 Fl. 6 5 Tal impropriedade contida na decisão recorrida, faz com que se tenha de recorrer, no caso, ao art. 59, § 3o, do Decreto 70.2235/72 (PAF), para superar a nulidade de que padeceria, uma vez mais, a decisão recorrida: (...) Assim, superando a contradição ali existente, ratifico os fundamentos da decisão recorrida expostos nos itens 98 a 106 do voto condutor, para concluir, em face dos elementos de prova acostados, pela comprovação dos valores apontados naquela decisão, conforme resumido no seguinte parágrafo: "105. Tais comprovações de empréstimos foram da ordem de R$472.000,00 no ano calendário de 2008, R$340.000,00 para o ano calendário de 2008 [sic, o correto é 2009], R$810.000,00 no ano calendário de 2010 e, R$ 1.821.000,00 no ano calendário de 2011." (...)” Vejase, portanto, que a solução proposta pelo relator, a rigor, sequer significava a exoneração de algo que já não houvesse sido exonerado, mas de fato tão somente, como forma de saneamento a uma contradição intestina ao acórdão recorrido, a "confirmação" daquela exoneração. Isto explica a redação algo inusual da parte dispositiva do acórdão ora embargado, neste aspecto, verbis (grifei): "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para confirmar a exclusão da receita bruta apurada pela fiscalização, dos valores de R$472.000,00 no ano calendário de 2008, R$340.000,00 no ano calendário de 2009, R$810.000,00 no ano calendário de 2010 e, R$ 1.821.000,00 no ano calendário de 2011, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano e Ronaldo Apelbaum que lhe davam integral provimento." Ocorre que, agora, vem a DRF apontar que, na verdade, nenhum dos valores mencionados pela decisão proferida faziam parte do lançamento originalmente feito. Assim, não haveria como, por meio de julgamento administrativo, excluir algo que sequer fizera parte da autuação, pelo que inexequível o julgado. Assiste razão (parcial) à embargante. Houve um erro de origem, na análise feita pela DRJ, o que, na prática, acabou por induzir o relator do acórdão ora embargado a novo erro. Talvez tenha a autoridade julgadora de piso confrontado os documentos comprobatórios trazidos pela impugnante contra o Anexo XV dos autos de infração, o qual contém todos os créditos bancários havidos na conta corrente 21.3527, agência 46930, mantida no Banco do Brasil, que foram objeto de intimação pelo fisco. Contudo, é o Anexo XVI dos autos de infração o que contém apenas os créditos bancários havidos na conta corrente 21.3527, agência 46930, mantida no Banco do Brasil, que foram objeto de lançamento. Não se sabe ao certo se foi isto que ocorreu, contudo, é fato que, na aparência, os dois anexos são idênticos, inclusive com idêntico cabeçalho (ambas são Fl. 3542DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1201001.415 S1C2T1 Fl. 7 6 identificadas no título como "BANCO DO BRASIL AG. 46930 CONTA 21.3527 CRÉDITOS EFETUADOS EM CONTA CORRENTE PERIODO 02/07/2007 A 31/12/2011 TORRES & POPENGA & CIA LTDA"), ou seja, inexiste qualquer diferenciação entre os anexos, que não apenas o numeral romano acrescido de um 'I' a mais, e, além disto, os anexos se encontram na imediata sequência de folhas do processo. Seja como for, o fato é que a fiscalização expressamente consignou no TVF: "19. Através dos TIF’s 001/2012 e 002/2012 a fiscalização intimou a empresa a empresa a comprovar a origem dos créditos constantes da planilha (ANEXO XV). Nessa planilha estão consignados a data, o mês, o ano, histórico, nº do lote, o valor e o campo observação a ser utilizado pela empresa para informar a procedência do crédito. 20. Conforme já anteriormente informado, foi oportunizado à empresa que informasse as origens desses créditos, pórem foram entregues apenas alguns contratos de financiamentos junto ao Banco do Brasil para comprovar que alguns valores eram advindos de empréstimos bancários. Com isso, a planilha contendo a movimentação bancária com os valores que estão sendo considerados como omissão de receitas, com base no Art. 42 da Lei nº 9.430/1996, consta do ANEXO XVI." Tendose em conta o quanto até aqui exposto, reproduzse a seguir a manifestação da embargante a respeito: "Da análise do citado ANEXO XVI (fls. 1780/1863), verificase que já não constam os valores relativos a empréstimos e financiamentos apresentados no Recurso Voluntário pelo contribuinte (Anexo VIII, fls. 3187/3189), cujo somatório representa os valores citados no Acórdão nº 1201001.238 (472.000,00 no ano calendário de 2008, R$ 340.000,00 no ano calendário de 2009, R$ 810.000,00 no ano calendário de 2010 e, R$ 1.821.000,00 no ano calendário de 2011), os quais devem ser excluídos da receita bruta apurada pela fiscalização" Assim, com a devida vênia, a solução para a contradição existente na decisão de primeira instância não poderia ter sido, em nenhuma hipótese, no sentido que foi conferido pelo colegiado no acórdão embargado, de privilegiar integralmente os fundamentos daquela decisão de piso, em detrimento de sua parte dispositiva. Ocorre que a autoridade embargante alega que nenhum dos valores cuja exclusão teria sido determinada pelo CARF (sendo que, na verdade, o CARF apenas ratificou uma exclusão que já haveria sido determinada pela DRJ) faria parte do lançamento. Contudo, isto não corresponde integralmente à realidade. Analisando desta feita "com uma lupa" o referido Anexo XVI dos autos de infração, visavis a decisão recorrida, e, ainda, o Anexo VIII juntado pela recorrente ao recurso (fls. 3444 e seguintes), no qual ela demonstra, por meio de tabelas, os valores referentes a empréstimos e financiamentos que teriam sido indevidamente tributados como omissão de receita, concluo que, na verdade, há um único item, entre aqueles reclamados pela recorrente, que efetivamente fez parte da autuação. Reproduzoo a seguir, copiado do Anexo VIII elaborado pela recorrente (fls. 3447): Fl. 3543DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1201001.415 S1C2T1 Fl. 8 7 Reproduzoo também a seguir, conforme copiado do Anexo XVI dos autos de infração, elaborado pelo fisco, demonstrando que, de fato, integrou a autuação (fls. 1858): Reproduzo, novamente, o teor da decisão recorrida a respeito do mesmo (fls. 3269, grifei): "104. Por fim, consta um email de fls 1.1891.191 referente ao contrato de empréstimo nº 484.985.205 que comprova o empréstimo feito pelo Banco Itaú, liberado em três parcelas nos valores de R$ 229.000,00 em 19/07/2011, R$ 100.000,00 em 20/07/2011 e R$ 20.000,00 em 22/08/2011." Portanto, a solução mais consentânea para se dirimir de vez toda e qualquer obscuridade ou incompreensão que possa ter resultado da leitura do acórdão ora embargado é a de dar provimento parcial ao recurso voluntário da recorrente para tão somente afastar, em definitivo, a tributação a título de omissão de receita sobre o valor de R$ 20.000,00, relativo ao terceiro trimestre de 2011 (para fins de IRPJ e CSLL) e ao mês de agosto de 2011 (para fins de PIS e de COFINS). Com isto, concluise o primeiro ponto dos embargos manejados. Com relação ao segundo ponto, suscita a embargante uma obscuridade quanto à confirmação (ou não), pelo acórdão recorrido, da decadência parcial reconhecida pela autoridade julgadora de piso, no que toca aos meses de julho, agosto e setembro de 2007. De fato, não há nenhuma menção no voto condutor do acórdão embargado a respeito, mas tão somente no relatório do referido acórdão, exatamente para registrar o provimento parcial conferido pela autoridade a quo. Há que se ressaltar, entretanto, que a decisão de piso não chegou a exonerar o sujeito passivo de valores de tributo e multa superiores aos limites de alçada, e que, portanto, inexiste recurso de ofício a ser apreciado, o que torna aquela decisão definitiva, no tocante à questão da decadência. Eis o motivo pelo qual, portanto, não há sequer menção a esta questão no voto condutor do acórdão embargado. Portanto, neste aspecto, com a devida vênia, entendo não haver obscuridade alguma na decisão prolatada. Pelo exposto, acolho parcialmente os presentes embargos para sanar obscuridade existente no Acórdão nº 1201001.238, de 09 de dezembro de 2015, e, assim re ratificálo, com efeitos infringentes, para o fim de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para confirmar a exclusão da receita bruta apurada pela fiscalização, do valor de R$ 20.000,00, relativo ao terceiro trimestre de 2011, para fins de IRPJ e CSLL, e ao mês de agosto de 2011, para fins de PIS e de COFINS. Documento assinado digitalmente. Fl. 3544DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10935.722212/201204 Acórdão n.º 1201001.415 S1C2T1 Fl. 9 8 João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 3545DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 14751.000818/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Sujeito Passivo. Equiparação da Pessoa Física à Pessoa Jurídica. Empresa Individual.
Para fins tributários, independente de registro ou não, são empresas individuais as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços.
Inscrição no CNPJ. Procedimento Obrigatório da Fiscalização.
Constatado no procedimento fiscal que as receitas detectadas advém de atividade mercantil, com o fim especulativo de lucro, a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas é obrigatória devendo ser realizada de ofício, caso o empresário não proceda à inscrição.
Arbitramento. Hipóteses Legais.
A não escrituração dos livros contábeis a que se sujeita o contribuinte, pessoa jurídica, acarreta o arbitramento consoante previsto no artigo 530 e incisos do Regulamento do Imposto de Renda vigente - RIR/99 (Decreto nº 3.000/99).
Omissão de Receitas. Depósitos Bancários. Origem não Comprovada.
A presunção legal de omissão de receitas preceituada no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza o lançamento tributário quando, devidamente intimada, a contribuinte não logre comprovar a origem dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias.
Ônus Da Prova. Presunção Legal.
Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa à contribuinte fiscalizada a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Multa De Ofício. Descabimento. Natureza Confiscatória. Inconstitucionalidade
Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF.
(Súmula nº 02 do CARF)
Tributação Reflexa.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
Nulidade. Decisão. Cerceamento De Defesa.
Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade de ato processual, quando constata-se que o pedido de realização de perícia, que foi indeferido, não guarda relação com os elementos e fatos dos autos, sendo totalmente descabido e sem possibilidade de ser realizada a perícia, ainda que o indeferimento tenha sido sem a motivação correta. Não se devolvem os autos para a repetição do ato, quando resta comprovado que não houve qualquer dano processual à contribuinte, portanto nenhum cerceamento na defesa proposta.
Numero da decisão: 1302-001.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, 1) por maioria de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade de decisão de primeira instância, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e 2) por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(documento assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Sujeito Passivo. Equiparação da Pessoa Física à Pessoa Jurídica. Empresa Individual. Para fins tributários, independente de registro ou não, são empresas individuais as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. Inscrição no CNPJ. Procedimento Obrigatório da Fiscalização. Constatado no procedimento fiscal que as receitas detectadas advém de atividade mercantil, com o fim especulativo de lucro, a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas é obrigatória devendo ser realizada de ofício, caso o empresário não proceda à inscrição. Arbitramento. Hipóteses Legais. A não escrituração dos livros contábeis a que se sujeita o contribuinte, pessoa jurídica, acarreta o arbitramento consoante previsto no artigo 530 e incisos do Regulamento do Imposto de Renda vigente - RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). Omissão de Receitas. Depósitos Bancários. Origem não Comprovada. A presunção legal de omissão de receitas preceituada no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza o lançamento tributário quando, devidamente intimada, a contribuinte não logre comprovar a origem dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias. Ônus Da Prova. Presunção Legal. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa à contribuinte fiscalizada a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Multa De Ofício. Descabimento. Natureza Confiscatória. Inconstitucionalidade Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. (Súmula nº 02 do CARF) Tributação Reflexa. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 Nulidade. Decisão. Cerceamento De Defesa. Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade de ato processual, quando constata-se que o pedido de realização de perícia, que foi indeferido, não guarda relação com os elementos e fatos dos autos, sendo totalmente descabido e sem possibilidade de ser realizada a perícia, ainda que o indeferimento tenha sido sem a motivação correta. Não se devolvem os autos para a repetição do ato, quando resta comprovado que não houve qualquer dano processual à contribuinte, portanto nenhum cerceamento na defesa proposta.
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EQUIPARAÇÃO DA PESSOA FÍSICA À PESSOA JURÍDICA. EMPRESA INDIVIDUAL. Para fins tributários, independente de registro ou não, são empresas individuais as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. INSCRIÇÃO NO CNPJ. PROCEDIMENTO OBRIGATÓRIO DA FISCALIZAÇÃO. Constatado no procedimento fiscal que as receitas detectadas advém de atividade mercantil, com o fim especulativo de lucro, a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas é obrigatória devendo ser realizada de ofício, caso o empresário não proceda à inscrição. ARBITRAMENTO. HIPÓTESES LEGAIS. A não escrituração dos livros contábeis a que se sujeita o contribuinte, pessoa jurídica, acarreta o arbitramento consoante previsto no artigo 530 e incisos do Regulamento do Imposto de Renda vigente RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção legal de omissão de receitas preceituada no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza o lançamento tributário quando, devidamente intimada, a contribuinte não logre comprovar a origem dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 08 18 /2 00 9- 91 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 2 Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova invertese e passa à contribuinte fiscalizada a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. (Súmula nº 02 do CARF) TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. DECISÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não resta caracterizado o cerceamento de defesa, causa de nulidade de ato processual, quando constatase que o pedido de realização de perícia, que foi indeferido, não guarda relação com os elementos e fatos dos autos, sendo totalmente descabido e sem possibilidade de ser realizada a perícia, ainda que o indeferimento tenha sido sem a motivação correta. Não se devolvem os autos para a repetição do ato, quando resta comprovado que não houve qualquer dano processual à contribuinte, portanto nenhum cerceamento na defesa proposta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) por maioria de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade de decisão de primeira instância, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa; e 2) por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Fl. 325DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 14751.000818/200991 Acórdão n.º 1302001.855 S1C3T2 Fl. 3 3 Matosinho Machado, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1131.649/10, efls. 274 a 279, proferido pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE, pelo qual foram mantidos os Autos de Infração lavrados para as exigências fiscais de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativas ao anocalendário de 2005, no valor de R$ 384.740,78 (incluídos a multa de ofício regular e juros moratórios). Os Autos de Infração constam às efls. 03 a 32 dos autos e são acompanhados do Termo de Verificações Fiscal (efls. 35 a 37) e tabelas demonstrativas dos valores de depósitos/créditos bancários verificados nas contas bancárias da pessoa física em epígrafe, bem como os valores de devoluções/estornos, considerados nas autuações (efls. 38 a 46). No Termo de Verificações Fiscal está explicado que, com fulcro em declarações e elementos apresentados pelo contribuinte, constatouse que a pessoa física desenvolvia atividade econômica individual, com habitualidade e profissionalismo, ensejando a sua equiparação à pessoa jurídica. Não se inscrevendo voluntariamente no CNPJ, a inscrição foi realizada de ofício, com fulcro no artigo 19, inciso I da IN SRF nº 748/07, na atividade "fomento mercantil". Devidamente intimado pela fiscalização, na pessoa jurídica instituída, a lavrar e apresentar a contabilidade, DIPJ e DCTF do período fiscalizado, a firma individual nada apresentou, esclarecendo o contribuinte às efls. 49, em resposta ao Termo de Início de Fiscalização e Intimação Fiscal: "[...] 1 Conforme declaração verbal feita por mim ao Sr. Auditor GLAUCO JOSÉ EGGERS, a movimentação financeira (troca de cheques) era feita de forma extraoficial, por esse motivo, não tenho como apresentar os documentos exigidos por esta AUDITORIA. [...]" O contribuinte foi intimado e reintimado (efls. 54 e 55; 73 a 90) a esclarecer a respeito da movimentação financeira espelhada em conta corrente mantida no Banco do Brasil, cujos extratos bancários forneceu à fiscalização. Na ausência da contabilidade, o lucro da pessoa jurídica foi arbitrado e a omissão de receitas foi apurada na forma presumida com fulcro no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Apresentada a manifestação de Inconformidade de efls. 189 a 219 contra os lançamentos tributários, a turma julgadora a quo refutou as argumentações e prolatou o acórdão recorrido, assim ementado: Fl. 326DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 4 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considerarseá não formulado o pedido de PERÍCIA que deixar de atender aos requisitos previstos na legislação de regência INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO REGULAR. O arbitramento do lucro decorre de expressa previsão legal, segundo a qual a autoridade tributária impossibilitada de aferir aexatidão do lucro real, em virtude da não apresentação de livros e documentos da escrituração, está legitimada a adotálo como meio de apuração da base de cálculo do IRPJ. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DOS RECURSOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada, o que significa dizer que a autoridade administrativa deve efetuála nos exatos termos delimitados pela lei, salvo se, em conformidade com o que prevê o Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, houver declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 285 a 318, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, e acrescentando: a) em preliminar, solicita a nulidade do acórdão recorrido, pois a turma julgadora a quo indeferiu o pedido de realização de perícia técnica arguindo que não se havia cumprido as determinações do artigo 16, IV, do Decreto 70.235/72, mormente porque não foram formulados os quesitos necessários, porquanto nada disto ocorreu; ao contrário, a recorrente indicou perito técnico e procedeu a formulação de dois quesitos: "...com a finalidade comprovar a idoneidade do acervo documental , atestando todos os lançamentos , registros , informações e suas repercussões tributárias. Este meio probatório (prova técnica) é o único capaz de erradicar todas as controvérsias jurídicas que envolvem o leading case, porquanto o lançamento por 1 AR – 28/03/11, efls. 284; Recurso – 20/04/11, efls. 285 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 14751.000818/200991 Acórdão n.º 1302001.855 S1C3T2 Fl. 4 5 arbitramento não adotou a base de cálculo correta, coincidente sobre o valor do deságio . Antes, se limitou a considerar todos os depósitos bancários. [...] Neste contexto , apresentamos para figurar na condição de Perito o Sr. Paulo Roberto Nóbrega Cavalcante, brasileiro , contador, CPF n° 113.874 .32400, com escritório à Rua Deputado Geraldo Mariz n° 743, Tambauzinho, nesta cidade. O Perito é Professor do Centro Universitário de João Pessoa — UNIPË das disciplinas "Teoria da Contabilidade; Contabilidade Avançada e Tópicos Contemporâneos de Contabilidade". Finalmente, passamos a apresentar os quesitos: 1) Qual o valor correspondente ao deságio adquirido pelo requerente no ano de 2005 ? 2) Qual a base de cálculo da COFINS , PISPASEP, IRPJ e CSLL para fins de tributação, baseado no deságio da requerente ?" A recorrente argúi flagrante cerceamento do direito de defesa e ofensa ao princípio do devido processo legal; b) no mérito, ataca veemente a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica, por ausência de amparo legal, entendendo que se trata de definição de sujeito passivo, constituído sem lei tributária que autorize tal procedimento, realizado de ofício; defende que é matéria de reserva legal, pelo que a norma complementar, no caso instrução normativa, não pode suprir; c) o arbitramento do lucro de pessoa que não está de forma alguma obrigada a qualquer escrituração também padece de ilegalidade; d) o arbitramento deve ser utilizado somente de forma excepcional, de forma derradeira, o que não poderia acontecer no presente caso, pois existiam outros elementos para averiguarse a receita real da contribuinte; a base de cálculo não coincide com o valor do deságio usual nas atividades de fomento mercantil; alega ofensa ao princípio da verdade material; e) considera inconcebível a consideração de receita bruta conhecida o valor dos depósitos bancários, confundindo conceito de receita bruta com deságio, base de cálculo própria aplicada às entidades de fomento; arrazoa extensamente a respeito das bases de cálculo da Cofins, PIS, IRPJ e CSLL; cita doutrina e jurisprudência administrativa de julgados envolvendo factorings; f) ataca a cominação da multa de ofício em 75%, entendendo constituir ofensa aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e, ainda, possuir a natureza confiscatória; requer a redução para o patamar de 20%. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 6 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. I). Da preliminar nulidade do acórdão/realização da perícia requerida A recorrente denuncia que a Turma Julgadora denegou o pedido de realização de perícia contábil porque não teria cumprido os ditames do artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72 e, por consequência, incidido na situação do parágrafo 1º do mesmo dispositivo legal: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) De fato, foi exatamente isto que aconteceu. Da leitura do acórdão recorrido, no votocondutor lêse clararamente: [...] 21. Quanto ao pedido de perícia, é de considerálo não formulado, nos termos do § 1° do art.16 do Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972, porquanto desprovido de quesitos. [...] Percebese, pois, o equívoco cometido, uma vez que a recorrente em sua manifestação de inconformidade solicitou a perícia e fez dois quesitos, além de indicar um perito. Mas a questão processual que deve ser discutida é se este erro, de fato, prejudica a recorrente em sua defesa, consistindo em cerceamento em seu direito de defesa e ensejando a nulidade do ato processual. Entendo que não. Ora, a perícia requerida pela recorrente não cabe no presente caso, sob qualquer ótica ou pretexto. A situação fática e de direito neste litígio a ser apreciada consiste em movimentação financeira incompatível com a receita declarada pela pessoa física, que ensejou a auditoria em suas contas bancárias, constatandose atividade habitual e profissional exercida por pessoa física, fato não declinado pela recorrente em nenhum momento, que, por sua vez, após ser intimado e reintimado a esclarecer qual a atividade comercial desempenhada, ora Fl. 329DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 14751.000818/200991 Acórdão n.º 1302001.855 S1C3T2 Fl. 5 7 falava sobre fomento mercantil, ora sobre venda e revenda de automóveis, sem, em nenhum momento do procedimento fiscal (destaquei), exibir qualquer documento, controle, planilha ou fornecer nomes de terceiros que possibilitassem a identificação da real atividade profissional. Mesmo na manifestação de inconformidade a contribuinte não apresentou qualquer livro contábil, ou documentos, ou qualquer outro elemento passível de ser "periciado", sendo totalmente insubsistentes os quesitos: 1) Qual o valor correspondente ao deságio adquirido pelo requerente no ano de 2005 ? 2) Qual a base de cálculo da COFINS , PISPASEP, IRPJ e CSLL para fins de tributação, baseado no deságio da requerente ?" Deságio pode ser conceituado, em termos financeiros, como a diferença negativa entre o preço negociado de um título em relação ao seu valor nominal, ou valor de face. "Deságio" a ser apurado sobre quais operações com cheques, documentos financeiros, ou carros comercializados? Quais documentos/livros foram apresentados pela recorrente a serem periciados? Com certeza o termo "deságio", técnica e juridicamente, não pode ser aplicado de forma alguma à tributação de omissão de receitas realizada na forma presumida consoante conceituação do artigo 42, da Lei nº 9.430/96. Se (destaquei) a recorrente houvesse apresentado documentos durante o procedimento fiscal que possibilitassem a apuração da omissão de receitas de forma direta e, nesta apuração, houvessem ocorrido falhas, aí o pedido de perícia seria consistente. Mas o pedido de perícia a ser realizada feito pela contribuinte é totalmente improfícuo dado não haver o que ser periciado, por culpa exclusivamente sua, que não apresentou qualquer elemento que possibilitasse a auditoria e o auferimento das receitas advindas de seu negócio. Tratase de impossibilidade jurídica do pedido. Por conseguinte, o erro de motivação no indeferimento da perícia solicitada não macula o acórdão guerreado e não causa efetivo dano à recorrente, não lhe cerceando em nada o direito de defesa, visto o pedido ter nascido morto de pleno direito. II) Do mérito II.a) Da equiparação da pessoa física à pessoa jurídica A recorrente confunde os elementos da obrigação tributária sujeito passivo, ativo e fato gerador com o procedimento de ofício de equiparação de pessoa física à pessoa jurídica. O fato gerador da obrigação tributária, cuja ocorrência faz a hipótese de incidência se materializar, bem como quem deverá figurar no pólo passivo para o cumprimento (responsável ou contribuinte) e qual o ente tributário que tem o dever/poder de exigir o seu cumprimento tem realmente que estarem previstos em lei este é o princípio da reserva legal Fl. 330DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 8 (ou legalidade estrita) no direito tributário. Está consagrado no artigo 150, inciso I, da Carta Magna, repetido no artigo 97 do Código Tributário Nacional (CTN): Constituição Federal do Brasil Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei anterior que o estabeleça. Código Tributário Nacional Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.” Mas o mesmo CTN atribui à autoridade fiscal, sob pena de ser responsabilizado funcionalmente, o dever de identificar os elementos materiais da obrigação tributária a fim de efetuar o lançamento tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No presente caso, o próprio contribuinte ao ser fiscalizado admitiu que o numerário que transitava em sua conta bancária era proveniente de atividades negociais, comércio, mais especificamente, consoante acima relatado, e explicitado tratarse de atividade de fomento mercantil consoante teores das defesas ora apresentadas. Ora, em se tratando de empresário2 e de valores provenientes de atividade mercantil, os quais circulam na conta bancária exibida para a fiscalização, nenhuma alternativa 2 Código Civil Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 14751.000818/200991 Acórdão n.º 1302001.855 S1C3T2 Fl. 6 9 restou à fiscalização do que tributar em uma pessoa jurídica que deixou de existir de fato e passou a existir de direito, para efeito tributário. As atividades empresariais não poderiam se sujeitar à tributação de receitas de pessoas físicas, por sua própria natureza, mas sim foram corretamente levadas às normas de tributação aplicáveis às pessoas jurídicas, no caso, firma individual, respeitando todo um ordenamento tributário próprio reservado pela lei para estes casos. E, ainda que tenha tido o seu lucro arbitrado, o tratamento tributário das pessoas jurídicas é mais benéfico do que se as mesmas receitas tivessem sido levadas à tributação da pessoa física diretamente como rendimentos recebidos e não apurandose um lucro a ser tributado. A recorrente denota em seu recurso que pretendia ser taxada mais severamente do que o que foi feito. Até pela aplicação do tão invocado princípio da verdade material não restava outra alternativa à fiscalização diferente da adotada, inscrever a firma individual no cadastro nacional de pessoas jurídicas (CNPJ). Ou seja, na flagrante desídia da pessoa física interessada em manterse como pessoa jurídica de fato e não de direito, à margem das leis civis e tributárias, correto o procedimento, vinculado e obrigatório, da Administração/Fiscalização Tributária. Assim dispõem as leis tributárias (grifei), consolidadas no Regulamento de imposto de Renda vigente (Decreto nº 3.000/99 RIR/99) a respeito da matéria: Art. 146. São contribuintes do imposto e terão seus lucros apurados de acordo com este Decreto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 27): I as pessoas jurídicas (Capítulo I); II as empresas individuais (Capítulo II). § 1º As disposições deste artigo aplicamse a todas as firmas e sociedades, registradas ou não (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 27, § 2º). [...] Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: I as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "a"); II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "b"); [...] Fl. 332DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 10 Art. 214. As pessoas jurídicas em geral, inclusive as empresas individuais, serão obrigatoriamente inscritas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, observadas as normas aprovadas pelo Secretário da Receita Federal (Lei nº 9.250, de 1995, art. 37, inciso II). (grifos não pertencem ao original) Destarte, não procedem as argumentações da recorrente que não há previsão de lei para que seja considerada empresa individual e, por consequência, seja inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) e tributada nos moldes da lei própria e aplicável às pessoas jurídicas. Tenha sido registrada ou não no órgão próprio, do comércio. A Instrução Normativa atacada cuidou apenas de detalhar os procedimentos executivos para a aplicação das normas legais tributárias vigentes a muito tempo no campo do direito tributário. Correto, legal e ilibado, pois, o procedimento da fiscalização em equiparar o contribuinte pessoa física à pessoa jurídica. II.b) Do arbitramento do lucro tributável Em se tratando de pessoa jurídica (de fato ou de direito) mister é que se direcione pelas normas pautadas próprias. A fiscalização procedeu corretamente ao intimar a contribuinte a escriturar livros contábeis e apresentar as declarações a que se sujeitam as pessoas jurídicas, que como já esclarecido neste voto, não possuem a faculdade de poderem existir à margem do seu registro no CNPJ e deixarem de ser tributadas como empresas que são. Vários são os dispositivos que regem a tributação das pessoas jurídicas, devendo ser ressaltados os seguintes, aplicáveis ao caso em concreto: Art. 218. O imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, das sociedades civis em geral e das sociedades cooperativas em relação aos resultados obtidos nas operações ou atividades estranhas à sua finalidade, será devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos (Lei nº 8.981, de 1995, art. 25, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 55). CAPÍTULO I BASE DE CÁLCULO Art. 219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). [...] Art. 259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 14751.000818/200991 Acórdão n.º 1302001.855 S1C3T2 Fl. 7 11 totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). [...] § 2º A não manutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, parágrafo único, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). [...] Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (grifos não pertencem ao original) Mais uma vez, portanto, em face das normas tributárias cogentes, acertado o procedimento fiscal. As argumentações da recorrente não merecem guarida, por dissonantes das normas tributárias. O regime de tributação denominado arbitramento do lucro é de aplicação obrigatória para as hipóteses em que os contribuintes, pessoas jurídicas, equiparadas ou não, não apresentam os livros contábeis. Aliás, o próprio contribuinte, consoante relatado, afirmou à fiscalização que não possuía condições para fazer os assentamentos contábeis relativos às operações comerciais que praticava à margem das normas tributárias vigentes, não restando outra forma de procederse à tributação do lucro. II.c) Da presunção da receita omitida, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 No que respeita à indignação da recorrente em considerarse os valores de depósitos/créditos bancário, primeiramente há que se ressaltar que todos os valores de devolução/estorno não compuseram a base de cálculo considerada na tributação, consoante demonstrativos anexos ao Termo de Verificação Fiscal (efls. 38 a 46). Em segundo ponto, a absoluta ausência de livros contábeis/fiscais e documentação hábil e idônea que espelhassem as operações mercantis da recorrente praticadas no anocalendário em questão. A contestação recursal não pode, portanto, proceder. Dispõe o artigo 42 da Lei n° 9.430/96: Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 12 Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). (grifos não pertencem ao original) As presunções legais vêm expressas na lei tributária. O próprio legislador destaca situações especiais nas quais os indícios pressupõem a ocorrência do fato gerador, no caso, a obtenção de receita. São situações que de tão excepcionais denunciam o ilícito tributário. Situação deveras conhecida, semelhante à ora analisada, é a constatação do saldo credor do caixa – esta situação é materialmente impossível de ocorrer: se a pessoa jurídica não possui dinheiro em caixa, não poderá fazer o pagamento de despesas. Como pode, então, registrar a contabilidade que a despesa foi paga, sem o respectivo numerário? A situação é tão absurda, que a norma tributária presume o óbvio: em algum momento houve a omissão de receitas. A norma tributária se incumbe de declarar o indício da omissão: é o saldo credor do caixa. Semelhantemente ocorre com o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. O numerário depositado em conta bancária, não justificado pelo contribuinte interpelado, constitui omissão de receita. Saliento, por oportuno, que a fiscalizada foi regularmente intimada a justificar os créditos, individualmente, relacionados. Todavia, a simples alegação de que os valores consistem em receitas que já foram oferecidas à tributação sem os elementos correspondentes comprobatórios, documentação idônea e hábil (ou seja compatível com datas e valores) não servem para ilidir a tributação realizada. E, como já relatado, não há nos autos quaisquer documentos capaz de justificar as origens dos créditos tributários que compuseram as bases de cálculo dos valores exigidos nos Autos de Infração. Não há que se falar em acréscimo patrimonial real, mas presumese a omissão de receitas, já que o contribuinte não comprova que a origem daqueles valores são diversos da obtenção de receita advinda da atividade empresarial, evadida, pois, da tributação. As presunções legais, pois, surgem de situações nas quais, com tranqüilidade, os indícios denotam a ocorrência do ilícito tributário. E a autoridade fiscal colheu as provas dos indícios enunciados na norma tributária: os créditos tributários – não da presunção, em si, pois esta já está declarada como ilícito, pela própria norma. A presunção, por conseguinte, erguese sobre indícios que devem ser devidamente e fartamente provados, como no presente lançamento. Vale a pena transcrever o artigo 239 do CPP, que conceitua indício: Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 14751.000818/200991 Acórdão n.º 1302001.855 S1C3T2 Fl. 8 13 Art.239.Considerase indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluirse a existência de outra ou outras circunstâncias. Este link entre os indícios e o fato tributariamente relevante é fornecido pela norma tributária: depósitos não justificados Þ omissão de receitas; saldo credor de caixa Þ omissão de receitas; passivo fictício Þ omissão de receitas, e assim por diante. As presunções enunciadas na norma tributária não são absolutas (juris et juris). São presunções legais relativas (juris tantum) o que significa que comportam provas em contrário. Estas provas deverão ser apresentadas pelo contribuinte e a própria norma traz esta condição expressa em seu bojo, pois foge à regra geral relativa ao ônus da prova (pertinente ao fisco). A propósito, o artigo 42 não traz qualquer inovação ao ordenamento jurídico quanto à inversão do ônus da prova. Em todos os casos em que a lei expressamente declare a presunção, o ônus da prova é invertido e, na seara tributária, há muitos casos de presunções legais. Assim dispõem os artigos 925 e 926 do RIR/99: Ônus da Prova Art.924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). Inversão do Ônus da Prova Art.925.O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §3º). Destarte, irrelevante para a aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, no lançamento tributário, a identificação da origem dos ingressos nas contas bancárias ou estabelecerse qualquer nexo com o faturamento da empresa, ou outro objeto. E com fulcro no artigo 926 acima reproduzido, quem tem o dever de provar que a origem dos valores depositados em conta de sua titularidade não provêm da obtenção de receitas (fato gerador), até então omitidas, é o sujeito passivo da obrigação tributária. Somente justificando o ingresso de numerários, com documentação hábil, pode ilidir a presunção legal tributária de omissão de receitas. Não o fazendo, repito, entende se ser mera alegação, inapta para ilidir a tributação contra si imposta. Observese, ainda, que a arguição da recorrente que a autoridade fiscal não haveria considerado valores dedutíveis da base de cálculo, esta afirmação é falaciosa, pois consoante relatado, a auditoria nas tabelas demonstrativas dos valores de depósitos/créditos bancários verificados nas contas bancárias computou (abateu das bases de cálculo apuradas), os valores de devoluções/estornos consignados nos referidos extratos (efls. 38 a 46). II.d) Da tributação reflexiva CSLL, PIS e Cofins Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 14 As tributações realizadas de ofício para as exigências de CSLL, PIS e Cofins são decorrentes do lançamento tributário de IRPJ. A omissão de receitas detectada na pessoa jurídica auditada, consiste na receita bruta da empresa e, por conseguinte, as bases de cálculo das contribuições CSLL, PIS e da Cofins, pelo que denominase tributação reflexiva à tributação de IRPJ. Assim dispõe o artigo 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Por conseguinte, o decidido em relação à exigência de IRPJ, deve ser estendido ao termo das autuações reflexas, dada a íntima causalidade das obrigações tributárias. II.e) Da multa de ofício aplicada em percentual regular (75%) A recorrente argumenta que a penalidade é despropositada em face às infrações cometidas, pelo que consiste em verdadeiro confisco e fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade e proporcionalidade. O acórdão guerreado não merece qualquer reparo. A multa de ofício aplicada regularmente aos procedimentos realizados de ofício está prevista em norma tributária vigente e a fiscalização procedeu pautandose em estrita observância às normas, guardando o princípio da legalidade, realizando a atividade administrativa do lançamento tributário de forma plenamente vinculada. Não compete à autoridade administrativa responsável pelo lançamento tributário, bem como foge ao escopo do julgamento realizado pelos colegiados administrativos apreciar alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade das normas tributárias vigentes, sendo esta matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Em virtude de reiteradas decisões neste sentido, a jurisprudência administrativa firmouse de forma mansa e pacífica neste sentido, editando a Súmula nº 02, a seguir reproduzida: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em assim sendo, afasto da apreciação deste colegiado as questões trazidas pela recorrente quanto à inconstitucionalidade da norma tributária vigente, que fundamenta a aplicação das multas de ofício cominadas para as infrações tributárias objetos do presente litígio. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 14751.000818/200991 Acórdão n.º 1302001.855 S1C3T2 Fl. 9 15 Também despropositada a pretensão da recorrente em fixarse a multa de ofício em patamar diferente àquele estipulado na norma tributária de regência, por absoluta falta de previsão legal. III) Conclusão No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar a nulidade da decisão de primeira instância suscitada pela recorrente, e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos deste voto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 338DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 13/05/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 16/05/2016 por EDELI PER EIRA BESSA
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Numero do processo: 11557.001242/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 30/10/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgada por este Conselho a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas como devidas, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do auto de infração pela ausência de informação dos respectivos fatos geradores em GFIP.
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Em se tratando de lançamento de obrigação acessória, deve ser aplicado o art. 173, I do CTN.
AUTO DE INFRAÇÃO. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência a teor do inciso art. 173 do CTN, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 30/10/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgada por este Conselho a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas como devidas, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do auto de infração pela ausência de informação dos respectivos fatos geradores em GFIP. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Em se tratando de lançamento de obrigação acessória, deve ser aplicado o art. 173, I do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência a teor do inciso art. 173 do CTN, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
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CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgada por este Conselho a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas como devidas, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do auto de infração pela ausência de informação dos respectivos fatos geradores em GFIP. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. Em se tratando de lançamento de obrigação acessória, deve ser aplicado o art. 173, I do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 7. 00 12 42 /2 00 9- 97 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência a teor do inciso art. 173 do CTN, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 11557.001242/200997 Acórdão n.º 2402005.053 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por LABORATORIO QUINTAO LIDA , em face do acórdão que manteve integralmente Auto de Infração Debcad n.° 35.377.3131, lavrada em razão da falta de informação em GFIP das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração não contabilizada de seus empregados no período abrangido entre 1994 e 2003. Verificase que a apuração do débito foi feita via aferição indireta, uma vez que a contabilidade da empresa autuada não demonstrou a real remuneração dos segurados seu serviço além de não retratar a situação econômicofinanceira da Empresa a vista dos fatos apurados pela fiscalização e descritos no Relatório Fiscal, fls.95/108. O lançamento compreende as competências de 01/1999 a 10.2003, tendo sido o contribuinte cientificado em 24/06/2004. O recorrente apresentou impugnação (fls.574/594), restando mantido em parte a multa em comento. Devidamente intimado do julgamento da DRJ em primeira instância, a Recorrente interpôs o competente recurso voluntário (fl. 679/704), através do qual sustenta, em síntese: Decadência de todos os créditos previdenciários nos períodos anteriores a 24.06.99; A fiscalização não buscou a verdade real, mas fundouse em presunções e em um pleito trabalhista que ainda está em trâmite, além de distorcer a realidade dos fatos; Que inexiste objetividade para a ação fiscal, a contrário do que estabelece a súmula 439 do Supremo Tribunal Federal, Que os documentos foram examinados pela fiscalização de forma aleatória e indiscriminadas, o que foi feito, inclusive, com documentos prescritos; Nulidade da NFLD por cerceamento do direito de defesa, pois não restou demonstrada de forma insofismável a irregularidade e a indicação precisa da infração cometida. Não restou provada a capacidade profissional da Auditora Fiscal e não está apta profissionalmente para proceder a exame de livros contábeis. Aduz a fiscalização incorre em uso ilegal da profissão uma vez que suas conclusões são meras opiniões, sem embasamento científico e que tal ato resta viciado; Todo o cálculo se sustentou em uma folha de salários de abril de 1997 sem levar em conta as alterações ocorridas no período, pilar de sustentação do fisco previdenciário é um processo Fl. 755DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 judicial trabalhista ainda em trâmite. Ademais, apesar de asseverar que a contabilidade é deficiente a fiscalização a utiliza como baldrame para lavrar a NFLD, inclusive para balizar um percentual presumido da folha em relação ao faturamento. Requer seja declarada a insubsistência do Auto de Infração e consequentemente nula a multa aplicada. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 11557.001242/200997 Acórdão n.º 2402005.053 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. A recorrente sustenta a nulidade do presente lançamento por cerceamento do direito de defesa, pois não restou demonstrada de forma evidente a irregularidade e a indicação precisa da infração cometida. No entanto, não é o que vislumbro nos autos. Depreendese do relatório fiscal, que fora observado o que dispõe o art. 142 do CTN a seguir: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Da análise do relatório fiscal, ao revés do que sustenta a recorrente, verifica se que este veio devidamente acompanhado de todos os anexos da NFLD em tela, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, assim, todos os fundamentos, de fato e de direito, e documentos que ensejaram a lavratura da NFLD restaram devidamente demonstrados, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das contribuições sociais devidas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. No tocante a decadência, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários nº 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n º 8, cujo teor é o seguinte: "Súmula Vinculante nº 8. “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 4º ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacífica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, mesmo que parcial, observarseá a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Neste tópico, não assiste razão o recorrente. Tratase, in casu, do lançamento de obrigação acessória, de modo que a regra de contagem do prazo decadencial é aquela inscrita no art. 173, I do CTN. Assim, rejeito as preliminares de nulidade e decadência. MÉRITO Antes mesmo de analisar qualquer das teses objeto do recurso voluntário, cumpre apontar que o lançamento principal, no qual foram lançadas as contribuições previdenciárias cujos fatos geradores não foram informados em GFIP e geraram o presente Auto de Infração, já foram objeto de julgamento por esta Eg. Turma, de minha relatoria, quando da análise dos processos administrativos n. 11557.001025/200905, o qual restou assim ementado: Fl. 758DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 11557.001242/200997 Acórdão n.º 2402005.053 S2C4T2 Fl. 5 7 "Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 30/10/2003 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias NFLD. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. Recurso Provido em Parte." Por tais motivos, em sendo o presente processo acessório ao principal, e a discussão sobre, outra não pode ser a conclusão senão pelo acatamento de referidos fundamentos no julgamento do presente recurso, uma vez que os argumentos de defesa apresentados pela recorrente são os mesmos daqueles que já vieram a ser analisados por este Eg. Conselho. Quanto as alegações da Recorrente acerca da falta de capacidade técnica da fiscalização na avalição/apreciação da documentação contábil da empresa autuada, tenho que tais argumentos não merecem guarida. Tratase de prerrogativa funcional estabelecida por lei, para tanto, trago as mesmas razões apontadas na decisão a quo, senão vejamos: “Relativamente à alegação sobre o exame dos documentos, incluindo ai os livros contábeis, não merece guarida as afirmações da Defendente. As alegações acerca do trabalho fiscal, em geral, e o desenvolvimento da constituição dos créditos apenas demonstra que a Defendente desconhece o oficio que pretende comentar e criticar. E mais, demonstra total desconhecimento do disposto na legislação previdenciária. De acordo com o art. 33, §1°, da Lei N° 8.212/91, temos: Art. 33.(...)§1°. 8 prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS e do Departamento da Receita Federal DRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados.(Atualmente Secretaria da Receita Federal, conforme caput deste artigo e Lei N° 8.490/92) (Grifamos) Ainda, de acordo com o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto N° 3.048/99, temos: Art. 231. 8 prerrogativa do Ministério da Previdência e Assistência Social, do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Federal o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Cédiqo Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (Atualmente Ministério da Previdência Social, conforme a MP no 103/2003) (Grifamos) Conforme se verifica, o Auditor Fiscal da Previdência Social tem a prerrogativa atribuida por Lei de examinar a contabilidade da empresa. Não há a exigência de que a formação acadêmica do Auditor Fiscal da Previdência para examinar a contabilidade da empresa seja em ciências contábeis." Assim, desfalecem as alegações da Recorrente. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/0 4/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 16327.001275/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007
EMBARGOS.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2201-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração e, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2403-002.666, de 12/08/2014, ratificar a decisão no sentido de "ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: a) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências 10/2005 e 01/2006. b) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação das competências 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência 10/2007. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para determinar o recálculo da multa, disciplinado no art. 32A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza".
assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 EMBARGOS. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Embargos Acolhidos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração e, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2403-002.666, de 12/08/2014, ratificar a decisão no sentido de "ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: a) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências 10/2005 e 01/2006. b) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação das competências 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência 10/2007. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para determinar o recálculo da multa, disciplinado no art. 32A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza". assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2450; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001275/201006 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2201003.066 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CREDIT SUISSE (BRASIL) DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2007 EMBARGOS. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração e, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2403002.666, de 12/08/2014, ratificar a decisão no sentido de "ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares: Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: a) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências 10/2005 e 01/2006. b) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação das competências 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência 10/2007. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para determinar o recálculo da multa, disciplinado no art. 32A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 75 /2 01 0- 06 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 16327.001275/201006 Acórdão n.º 2201003.066 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Com fulcro no Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, interpôs embargos de declaração contra o Acórdão nº 2403 002.666 de lavra da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF. A decisão do julgamento foi por, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência da competência de 01/2005, com base no art.150, § 4º do CTN. No mérito: a) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação da PLR das competências de 10/2005 e 01/2006. b) Por maioria de votos afastar a tributação das competências de 10/2006 e 01/2007, vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari. c) Por unanimidade de votos, em manter a tributação da competência de 10/2007. d) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. O fundamento do embargo é que o acórdão embargado incide em omissão quanto aos fundamentos para considerar cumpridos os requisitos legais para a PLR das competências 10/2005 e 01/2006, mais especificamente quanto às regras claras e objetivas. Com a devida venia, o i. Relator não obstante ter fundamentado a negativa de reconhecimento das verbas pagas a título de PLR para as competências de 10/2006 e 01/2007, não o fez com relação à parte que deu provimento (competências 10/2005 e 01/2006), que somente consignou: “Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005, folhas 30 a 38, assinado em 07/04/2005. Entendo que cumpre os requisitos legais e, portanto, não deve ser tributado (adiantamento pago em 10/2005 e a PLR pago na competência 01/2006)”. Assim, verificase a omissão quanto aos fundamentos de fato e de direito que o levaram à convicção de conter o Acordo analisado regras claras e objetivas, afastando a natureza salarial das verbas pagas nas competências de 10/2005 e 01/2006, ao arrepio do constatado pela fiscalização, conforme relatório fiscal a seguir: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Efetivamente, o Relatório de Auto de Infração Termo de Verificação Fiscal da obrigação principal apresenta como um dos fundamentos para a autuação a ausência de regras claras e objetivas para o pagamento da PLR. 9. O Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005 e seu anexo, assinado em 10/02/2005, apenas demonstram a forma de aferição e cálculo do valor a ser distribuído para cada empregado. Na cláusula terceira, parágrafo primeiro do anexo 1 temse os elementos relevantes na avaliação, mas sem nenhuma objetividade: "São considerados elementos relevantes na avaliação dos empregados aspectos subjetivos como atitude, potencial de crescimento, etc, mas principalmente aspectos objetivos, variando conforme a posição dos empregados, tais como contribuição para os resultados da empresa, cumprimento de normas regulamentares e procedimentos internos, assiduidade, compromisso com objetivos departamentais e globais da empresa, etc. " 10. Em momento algum existem objetivos claros a serem atingidos. A lei prevê em seu art. 2 o § l e que dos instrumentos de negociação deverão constar regras claras e exemplifica critérios que poderão ser utilizados, tais como índices de produtividade, programa de metas, entre outros: § Ia Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Foi reconhecida a omissão. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 16327.001275/201006 Acórdão n.º 2201003.066 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Observo que o que se discute aqui é exclusivamente a questão das regras para o pagamento da PLR nas competências 10/2005 e 01/2006, regidos pelo Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005. Conforme apresentado acima, a contradição foi reconhecida e o vício deve ser sanado. O voto deve ser complementado com a análise acerca das regras para o pagamento da PLR. ANÁLISE ACERCA DAS REGRAS PARA O PAGAMENTO DA PLR. Para o pagamento da PLR, os instrumentos decorrentes da negociação, deverão conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Entendo que o acordo de Participação nos Lucros e Resultados continha regras que harmonizavam o praticado pela empresa com os requisitos da Lei 10.101/2000, já apresentados no voto original. O "Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005", folhas 30 a 38, prevê critérios para o acompanhamento, revisão e avaliação das metas, para a avaliação dos empregados, para a participação e nos lucros da empresa, etc, em conformidade com o estabelecido na Lei 10.101/2000, conforme abaixo: Acordo de Participação em Lucros ou Resultados 2005 ... CLAUSULA SEGUNDA DA ESTRUTURA DO SISTEMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS As partes estabelecem sistema de participação nos lucros ou resultados, nos termos do Anexo I, que integra o presente para todos os efeitos, Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 ... CLÁUSULA QUINTA REVISÃO O presente acordo poderá ser revisto, através de negociação entre as partes signatárias. PARAGRAFO PRIMEIRO Eventuais alterações somente poderão ser feitas por mútuo acordo, sendo vedada qualquer modificação unilateral. PARÁGRAFO SEGUNDO Os valores, critérios e formas de distribuir participação em lucros ou resultados aos empregados não regulamentados no presente instrumento deverão ser acordados entre as partes, na ocorrência dos seguintes fatos relevantes: venda ou transferência do controle acionário, por qualquer motivo. ... CLAUSULA SEXTA ACOMPANHAMENTO Serão realizadas reuniões semestrais para avaliação, até 15 (quinze) dias após a publicação do balanço, para acompanhamento e avaliação das metas. PARAGRAFO PRIMEIRO Todos os empregados terão acesso às informações relativas às premissas e aos resultados previstos neste acordo, através dos meios internos de comunicação. PARAGRAFO SEGUNDO As Empresas encaminharão aos empregados e ao Sindicato os relatórios para acompanhamento em 05 (cinco) dias úteis após a solicitação neste sentido. PARAGRAFO TERCEIRO São instrumentos de aferição do presente acordo os seguintes documentos, como seguem: • Balanços semestrais publicados e auditados; • Dados relativos ao pagamento de valores a título de Programas de Participação nos Resultados PPR's e/ou Participação nos Lucros e Resultados PLRs, discriminando os seguintes itens: datas de pagamento, montantes pagos, funcionários abrangidos, valores referentes ao cumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho, base de composição de cálculo dos valores pagos e a ocorrência de pessoas não abrangidas no pagamento; • Demonstrativo resumo do enquadramento dos funcionários por categoria/faixa de avaliação previsto no Anexo I Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 16327.001275/201006 Acórdão n.º 2201003.066 S2C2T1 Fl. 5 7 ANEXO I CONFORME CLÁUSULA 2a , DO ACORDO PLANO DE PARTICIPAÇÃO EM LUCROS OU RESULTADOS DO CREDIT SUISSE FIRST BOSTON S/A CTVM E DO CREDIT SUISSE FIRST BOSTON DTVM S/A 2005 ... CLAUSULA TERCEIRA AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO Anualmente será efetuada a avaliação de cada empregado, considerando aspectos subjetivos e objetivos de performance, dentre os quais o desempenho do empregado em relação a metas estabelecidas para o empregado individualmente, para a sua área e para toda a empresa. PARÁGRAFO PRIMEIRO São considerados elementos relevantes na avaliação dos empregados aspectos subjetivos como atitude, potencial de crescimento, etc, mas principalmente aspectos objetivos, variando conforme a posição dos empregados, tais como contribuição para os resultados da empresa, cumprimento de normas regulamentares e procedimentos internos, assiduidade, compromisso com objetivos departamentais e globais da empresa, etc. PARÁGRAFO SEGUNDO De acordo com a avaliação de desempenho, os empregados serão classificados em níveis de performance, numa escala de 1 a 20 (1 a 15 para / Cargos de Apoio), sendo 1 o de menor avaliação, conforme explicitado abaixo: Os documentos "My Performance System", folhas 208 a 226 e "Performance Review", folhas 229 a 249, ambos do processo principal, comprovam a avaliação individual prevista. CONCLUSÃO Voto por acatar os embargos e para sanar a omissão, determinar o ajuste no voto do acórdão 2403002.666, conforme proposto, sem alteração da conclusão. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 19/05/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 10920.006634/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - PROCEDIMENTO FISCAL - GRUPO ECONÔMICO DE FATO - CONFIGURAÇÃO
Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES, MONTANTE DE QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS - INCIDÊNCIA
A autuação ocorre por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - PROCEDIMENTO FISCAL - GRUPO ECONÔMICO DE FATO - CONFIGURAÇÃO Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES, MONTANTE DE QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS - INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2441; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 727 1 726 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.006634/200722 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2202003.188 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de fevereiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGULARIDADE DA LAVRATURA DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO PROCEDIMENTO FISCAL GRUPO ECONÔMICO DE FATO CONFIGURAÇÃO Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 66 34 /2 00 7- 22 Fl. 727DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE OS FATOS GERADORES, MONTANTE DE QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E TOTAIS RECOLHIDOS INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Fl. 728DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 728 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, contra Acórdão nº 0730.769 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC que julgou procedente o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº. 37.126.1759 (CFL 34), com valor consolidado de R$ 47.804,84, nas competências 07/2005 a 12/2006. O Relatório Fiscal da Infração aponta os motivos ensejantes da autuação: 3. O presente Auto de Infração foi lavrado em virtude da Autuada ter efetuado lançamentos contábeis, utilizandose de contas cujos títulos não representam a real natureza dos lançamentos nela efetuados. Foram contabilizados, em títulos impróprios, valores de remunerações pagos ao sócio Hamilton Trentin Coitinho e ao administrador Éderson Benetti, durante o período de 07/2005 a 12/2006. 4. Tais valores foram lançados a débito de diversas contas, tais como: "Antecipação Extra Fornecedores", "Adiantamento P/Fornecedores", "Adiantamento Subst. Espécie", "Kcel Motores e Fios Ltda.", "Fornecedores Nacionais" "Capitalização BCN" e "Capitalização Bradesco", não sendo constatada a apropriação dos valores pagos para as respectivas contas de despesas. Esses valores permaneceram nas contas de adiantamento ou foram transferidos para contas da mesma natureza 5. Consideramos remunerações os valores pagos, diretamente ou através da quitação de suas despesas particulares, conforme abaixo: Hamilton Trentin Coitinho — Sócio da empresa, para o qual constam pagamentos diretos(ProLabore) e pagamentos indiretos, através da quitação de despesas particulares tais como: taxas de condomínio, taxas de marina, pagamentos de fatura de cartões de crédito, pagamentos de títulos de capitalização, pagamentos de impostos e taxas pessoais. Nos históricos contábeis dos lançamentos consta a identificação do Sr. Hamilton através das "iniciais" HTC. Ederson Benetti Administrador nomeado, conforme Certidão expedida pela Junta Comercial do Estado de Santa Catarina Reg. N°. 2006243908122/09/2006, a quem foram efetuados pagamentos a título de honorários (ProLabore). 6. Em planilha anexa constam discriminados todos os pagamentos, por data, valor, código e título contábil e a reprodução do texto do histórico contábil. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 O Relatório Fiscal da Infração também caracteriza o Grupo Econômico formado entre as empresas UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA; KCEL MOTORES E FIOS LTDA; e KOHLBACH S/A (cuja denominação atual é União Serviços Comerciais S/A): 7. As empresas acima identificadas foram consideradas solidariamente responsáveis pelos débitos ora notificados, em virtude da caracterização de Grupo Econômico, considerando se as situações adiante: 7.1 A empresa Kohlbach S/A é sócia majoritária da empresa União Motores Elétricos Ltda. e o seu Diretor Superintendente ocupa cumulativamente o cargo de Administrador da União Motores Elétricos Ltda., conforme cláusula sétima e parágrafo primeiro da 10a. Alteração Contratual dessa (cópia anexa). 7.2 Os sócios da empresa KCEL Srs. Paulo Goh Morita e Tácito Eduardo Oliveira Grubba, participam da administração do grupo e são remunerados pela União Motores, recebendo suas remunerações mediante a emissão de notas fiscais através das empresas PGM Consultoria Ltda e T.E.Grubba Advogados Associados, respectivamente. Tais pagamentos encontramse contabilizados na conta "Serviços de Terceiros P3 Presidência código 5122030313000". 7.3 As empresas ocupam o mesmo imóvel, à Rua Bernardo Grubba, 180, centro, Jaraguá do SulSC , onde além da empresa Kohlbach S/A e da União Motores localizase a filial da Kcel. Nesse endereço, conforme constatado em visita a todas as suas dependências, não é possível distinguir quais departamentos, setores e empregados que pertencem a uma ou a outra empresa, tendose a nítida impressão de tratarse de uma única empresa. 7.4 A matriz da Kcel, encontrase situada 6 Rua Ponte Pênsil, No 743, Schroeder SC. No entanto, nesse endereço encontrase estabelecida apenas a unidade industrial, sendo a administração, de fato, exercida no endereço do item acima; 7.5 Nesse item citamos, a titulo de exemplo, um dos casos que demonstram o vinculo entre as empresas: 0 Sr. Idezides Rezende Filho assina, na condição de Gerente de RH e procurador da empresa União Motores, o Mandado de Procedimento Fiscal No. 09388372F00 e o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, relativos a ação fiscal desenvolvida na União. E, ao mesmo tempo, o Sr. Idezides presta serviços à empresa Kcel, também na qualidade de Gerente de RH. Trata7se de empregado remunerado por ambas as empresas e que presta serviços a todo o grupo. 7.6 Os serviços de recepção, bem como a central telefônica, de No 33726600, atende indistintamente a todas as empresas. 7.7 Para fins de subsidiar a caracterização de Grupo Econômico, transcrevemos abaixo trechos de Sentença Trabalhista da Justiça do Trabalho da 12. Região 1a. Vara do Trabalho de Jaraguá do SulSC, que aborda o assunto (...). O Relatório Fiscal da Infração mostra a fundamentação da autuação: Fl. 730DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 729 5 8. Fundamentase a presente autuação na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa: (..) 4. A multa foi aplicada de acordo com as disposições da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "a" , art. 292, inc. IV e art. 373, com as atualizações monetárias constantes da Portaria MPS 142 de 11/04/2007. O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal da Infração é de 07/2005 a 12/2006. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 12.11.2007, conforme Aviso de Recebimento AR n714794052, às fls. 55. A empresa UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA e a empresa solidária KOHLBACH S/A (cuja denominação atual é União Serviços Comerciais S/A) apresentaram Impugnação conjunta, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A autuada, regularmente intimada por via postal (fl. 56), apresentou impugnação (fls. 57 a 81), conjuntamente com a empresa Kohlbach SLA (atual denominação: União Serviços Comerciais S/A), na qual alega, além da tempestividade da defesa, em breve síntese: pagamentos efetuados aos sócios e administradores: que os pagamentos de despesas dos sócios devese ao fato de que nem sempre residem no local de sua sede, como é o caso do sócio Hamilton Trentin Coitinho que reside em Balneário Camboriú, motivo pelo qual suas despesas com transporte, habitação e alimentação, ressarcidas ou arcadas pela empresa. não devem sofrer incidência de contribuições previdenciárias a teor do art. 28. § 90, alínea "m" da Lei nº 8.2l2, de 1991: que houve cerceamento de defesa, eis que a fiscalização elaborou tabela com os supostos pagamentos em nome dos sócios com datas em que o pagamento não ocorreu, como enumera exemplos; multa abusiva: que a Lei 8.212, de 1991, traz em seu art. 92 forma genérica de penalidade a ser aplicada para qualquer das infrações que não tenham penalidades especificas cominadas, porém, o Decreto 3.048, de 1999 inovou no ordenamento jurídico, eis que clamou as infrações que levariam à cominação da multa genérica e que o seu art. 292 não poderia ter previsto a alteração da multa confinada, que neste caso chegou a 4 vezes o valor que deveria ter sido aplicado; que esta norma infralegal não poderia criar forma de aumento da multa em razão da reincidência; que houve dupla aplicação de penalidade, pois o Auto de Infração ri' 37.126.1740 já aplicou multa por falta de apresentação de GFIP para os mesmos fatos geradores; que a Fl. 731DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 multa aplicada tem efeitos confiscatórios e fere o principio da capacidade contributiva; grupo econômico: que entre a notificada União Motores e a empresa Kohlbach SlA há ligação societária, pois urna detém o controle societário da outra. conforme os documentos societários registrados; entretanto, com relação à empresa K CE I, . não há qualquer ligação societária, apenas comercial, que se caracteriza com o fato de a referida empresa ser tomadora de serviços de industrialização desta impugnante: que o instituto denominado grupo econômico é uma figura exclusivamente do Direito do Trabalho; como ressaltado na própria sentença da qual se valeu a fiscalização; que não foi relatado que, em outras ações trabalhistas, o juiz afastou a questão do grupo econômico com relação à KCEL; que não há qualquer lei tributária especifica que determine a desconsideração da personalidade jurídica, logo a indicação das duas empresas como solidárias é ato ilegal; que a impugnante presta serviços ou vende equipamentos para a KCEI„ tal corno ocorre com outras varias empresas; que é ilegal considerar que todas as empresas da cadeia comercial ligadas à impugnante devam ser responsabilizadas pelas obrigações desta: que a empresa KCEL apenas aluga espaço comercial no Condomínio Empresarial Jaraguá do SUL, conforme contrato de locação, assim como outras empresas lá estão localizadas; que o fato de os senhores Paulo Muita e Tácito Grubba serem sócios da KCEL não os impede de exercerem atividades como profissionais liberais para outras empresas; que não deve prevalecer o fato de que alguns funcionários são comuns entre as empresas, porque eles são terceirizados, não contratados pelo regime celetista, e estão livres para prestar serviços a mais de urna empresa. Requer o cancelamento do auto de infração, subsidiariamente a redução da multa com a exclusão da reincidência, bem como a desconsideração da empresa KM Motores e Fios Ltda do pólo passivo.Junta procurações, Instrumentos Sociais e cópias de documentos (fls. 82 a 288).grupo econômico: que entre a notificada União Motores e a empresa Kohlbach SlA há ligação societária, pois urna detém o controle societário da outra. conforme os documentos societários registrados; entretanto, com relação à empresa K CE I, . não há qualquer ligação societária, apenas comercial, que se caracteriza com o fato de a referida empresa ser tomadora de serviços de industrialização desta impugnante: que o instituto denominado grupo econômico é uma figura exclusivamente do Direito do Trabalho; como ressaltado na própria sentença da qual se valeu a fiscalização; que não foi relatado que, em outras ações trabalhistas, o juiz afastou a questão do grupo econômico com relação à KCEL; que não há qualquer lei tributária especifica que determine a desconsideração da personalidade jurídica, logo a indicação das duas empresas como solidárias é ato ilegal; que a impugnante presta serviços ou vende equipamentos para a KCEI„ tal corno ocorre com outras varias empresas; que é ilegal considerar que todas as empresas da cadeia comercial ligadas à impugnante devam ser responsabilizadas pelas obrigações desta: que a empresa KCEL apenas aluga espaço comercial no Condomínio Empresarial Jaraguá do SUL, conforme contrato de locação, Fl. 732DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 730 7 assim como outras empresas lá estão localizadas; que o fato de os senhores Paulo Muita e Tácito Grubba serem sócios da KCEL não os impede de exercerem atividades como profissionais liberais para outras empresas; que não deve prevalecer o fato de que alguns funcionários são comuns entre as empresas, porque eles são terceirizados, não contratados pelo regime celetista, e estão livres para prestar serviços a mais de urna empresa. Requer o cancelamento do auto de infração, subsidiariamente a redução da multa com a exclusão da reincidência, bem como a desconsideração da empresa KM Motores e Fios Ltda do pólo passivo.Junta procurações, Instrumentos Sociais e cópias de documentos (fls. 82 a 288). Houve solicitação de Diligência Fiscal, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Os autos foram baixados em diligência (fls.295 a 296), com o fi to de que o Auditor Fiscal responsável pela ação fiscal trouxesse aos autos a evolução do quadro societário da notificada e das empresas responsabilizadas solidariamente; informasse os reais responsáveis pela administração das empresas e de que forma os sócios da Keel, que constam da contabilidade da União Motores, participam da administração desta empresa; esclarecesse se foi identificada dependência econômica e operacional entre as empresas ditas solidárias considerando a natureza de suas atividades e a relação entre seus faturamentos e despesas; e sIL\ manifestasse, de forma conclusiva, em relação ao real funcionamento do Condomínio Empresarial Jaragua do Sul, em vista das alegações e documentos apresentados pela impugnante, informando sobre a existência de (»liras empresas no condomínio, sobre a utilização em comum pelas empresas de espaços e de serviços de empregados, além de formas de rateio de despesas em comum para manutenção do condomínio. Em resposta à Diligência Fiscal às fls. 306 a 310, a Autoridade Fiscal em Informação Fiscal reafirma que existe dependência econômica e operacional entre as empresas solidárias, pois resta comprovado que toda a gestão comercial das empresas KOHLBACH S/A e UNIA0 MOTORES ELÉTRICOS LTDA. é exercida pelo Sr. Paulo Goh Morita, sóciogerente da empresa KCEL, sendo que restou também, comprovado que a empresa KCEL determina a quantidade, o tipo e o prazo de industrialização da produção da UNIÃO MOTORES e tem exclusividade no uso da marca KOHLBACH e na aquisição de sua produção: 1. DO QUADRO SOCIETÁRIO DA NOTIFICADA E DAS EMPRESAS RESPONSABILIZADAS SOLIDARIAMENTE: 1.1 KCEL MOTORES E FIOS LTDA.. Nome do Sócio Identificador Qualificação Dt Inicio Dt Fim KOHLBACH S/A. 84.435.007/000126 Sócio 01/02/1988 30/04/1997 Fl. 733DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 HEINZ RODOLFO KOLHBACH 005.720.39972 Sócio 01/02/1988 20/01/1997 MILTON KOHLBACH 005.720.47991 SócioGerente 01/02/1988 20/01/1997 BERTHA GERTRUDES ILSE KOHLBACH 019.552.84920 Sócio 01/02/1988 20/01/1997 WILSON KOHLBACH 019.563.88915 SócioGerente 01/02/1988 20/01/1997 HAMILTON TRENTIN COMNHO 448.294.34943 Sócio Gerente 20/01/1997 30/04/1997 IDENOR VALDEMAR DREYER 283.150.30949 SócioGerente 30/04/1997 12/02/2001 DENISE VOLPI 715.002.86915 SócioGerente 30/04/1997 27/01/2005 PAULO GOH MORITA 194.517.09800 SócioGerente 06/07/2005 ROBERTO CARLOS KEPPLER 013.182.42878 SócioGerente 05/08/2005 27/03/2006 TACITO EDUARDO OLIVEIRA GRUBBA 507.872.41849 SócioGerente 05/08/2005 BIARRITZ FINANCIAL GROUP LTDA. Sócio 05/11/1998 20/09/2005 IDENOR VALDEMAR DREYER 283.150.30949 SócioGerente 21/12/2004 06/07/2005 FERRE IND.COM.MANUT.GERA E MOT ELET. LTDA. 01.547.126/000143 Sócio 06/07/2005 11/12/2007 GR2 EMPRESA DE FOMENTO MERCANTIL LTDA. 05.823.808/000192 Sócio 11/12/2007 NOTA: A empresa KCEL iniciou suas atividades em 01/02/1988, sob a denominação social de Kohlbach Condutores Eletroliticos Ltda., tendo como sócia majoritária a empresa Kohlbach S/A CNPJ: 84.435.007/000126, com participação de 99,4 % do total do capital, cuja integralização se deu através da cessão do imóvel onde se estabeleceu a sede da Kcel e da entrega de máquinas, equipamentos, móveis e matériaprima, conforme contrato social, arquivado na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, 4220102926, em 03/02/1988 1.2 UNIÃO MOTORES ELETRICOS LTDA. Nome do Sócio Identificador Qualificação Dt Inicio Dt Fim MILTON KOHLBACH 005.720.47991 SócioGerente 01/11/1994 18/12/1996 WILSON KOHLBACH 019.563.88915 SócioGerente 01/11/1994 18/12/1996 Fl. 734DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 731 9 HAMILTON TRENTIN COMNHO 448.294.34953 Sócio Gerente 18/12/1996 KOHLBACH S.A. 84.435.007/000126 Sócio 01/11/1994 1.3 KOHLBACH S/A. Nome do Sócio Identificador Qualificação Dt Inicio Dt Fim UNIAO MOTORES ELETRICOS LTDA. 00.249.247/000146 SOCIO 1/11/1994 MILTON KOHLBACH 005.720.47991 DIRETOR 13/12/1967 31/12/1996 WILSON KOHLBACH 019.563.88915 DIRETOR 13/12/1967 31/12/1996 ALDO ROMEU PASOLD 166.523.98915 DIRETOR 13/12/1967 31/12/1996 ALDO ROMEU PASOLD 166.523.98915 DIRETOR 2/1/1997 31/10/1997 JOSE ROBERTO FRUCTUOZO 292.187.99991 DIRETOR 13/12/1967 31/12/1996 JOSE ROBERTO FRUCTUOZO 292.187.99991 DIRETOR 2/1/1997 30/10/1997 HAMILTON TRENTIN COMNHO 448.294.34953 DIRETOR 13/12/1967 31/12/1996 HAMILTON TRENTIN CO1TINHO 448.294.34953 DIRETOR 2/1/1997 MAURICIO JOSE COUTINHO SLIVINSKI 631.725.93991 DIRETOR 30/9/1997 2. DA ADMINISTRAÇÃO DAS EMPRESAS: 2.1 Na empresa KCEL MOTORES E FIOS LTDA., conforme consta de seus atos constitutivos, a administração cabe aos sócios Paulo Goh Morita e Tácito Eduardo Oliveira Grubba. 2.2 Na empresa KOHLBACH S/A a administração cabe ao Diretor Superintendente, eleito em Assembléia Geral Ordinária, o qual também ocupa, cumulativamente, o cargo de administrador da empresa UNIÃO MOTORES ELETRICOS LTDA., conforme determinação prevista na 10a. Alteração Contratual dessa empresa. Tais cargos são ocupados pelo Sr. IDENOR VALDEMAR DREYERCPF: 283.150.30949, eleito para o período de 07/01/2007 a 19/06/2009, conforme certidão registrada na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, em 12/04/2007, sob N°. 20070887586 (cópia juntada ás fls.197) NOTA 1: O Sr. Idenor Valdemar Dreyer foi sócio da empresa KCEL, no período de 21/12/2004 a 06/07/2005 e representante Fl. 735DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 da empresa Biarritz Financial Group Ltda, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, a qual, também, foi sócia da KCEL, no período de 05/11/1998 a 20/09/2005. NOTA 2: As empresas KOHLBACH S/A. e UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA. (razão social anterior: KOHLBACH MOTORES LTDA.), mantém contrato de "Prestação de Serviços de Assessoramento de Gestão Empresarial" (cópia juntada ás fls. 198 a 200), na qualidade de CONTRATANTES, com a empresa PGM CONSULTORIA E ENGENHARIA S/C LTDA.CNPJ: 03.278.962/000103, desde 24//07/2003. Tal contrato prevê que a contratada promoverá a assessoria de planejamento de gestão comercial das contratantes, preparando as estratégias de gestão comercial a serem implementadas e acompanhando a implantação de tais estratégias junto aos responsáveis pelo setor comercial das contratantes. Tais serviços são prestados pelo Sr. PAULO GOH MORITA, sócio da empresa PGM Consultoria e Engenharia S/C Ltda. e da KCEL, o qual 6, de fato, o responsável pela gestão comercial do grupo empresarial. 3 DA DEPENDÊNCIA ECONÔMICA E OPERACIONAL ENTRE AS EMPRESAS: 3.1 A empresa KCE4 na qualidade de CONTRATANTE, mantém "CONTRATO DE INDUSTRIALIZA pio DE MOTORES E GERADORES ELÉTRICOS" (cópia juntada ás fls. 201 a 204), tendo como CONTRATADA a empresa Ille40 MOTORES ELÉTRICOS LTDA.(razdo social anterior: KOHLBACH MOTORES LTDA.) cujos principais termos são os seguintes: 3.1.1 A CONTRATADA é detentora da marca KOHLBACH, cujo uso é cedido com EXCLUSIVIDADE à CONTRATANTE, conforme item décimo sexto do contrato; 3.1.2 A CONTRATADA declara estar apta a pro a CONTRATANTE, aproximadamente, 80.000 (oite mil) motores e/ou geradores elétricos/ano; 3.1.3 A CONTRATANTE poderá utilizar até 90% (noventa por cento) da capacidade produtiva da CONTRATADA; 3.1.4 A CONTRATANTE colocará junto à CONTRATADA as ordens de serviço de industrialização dos produtos, indicando a quantidade, o tipo e o prazo de industrialização; 3.1.5 Quando da colocação das ordens de serviços de industrialização a CONTRATADA indicará expressamente a necessidade das matérias primas, cuja responsabilidade de fornecimento é da CONTRATANTE, indicando a quantidade, tipo e os fornecedores e apresentará o cronograma de produção, que deverá estar adequado ao prazo consignado nas ordens de industrialização emitidas pela CONTRATANTE. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 732 11 3.2 Diante das constatações acima podemos afirmar que existe dependência econômica e operacional entre as empresas solidárias, pois resta comprovado que toda a gestão comercial das empresas KOHLBACH S/A e UNIA0 MOTORES ELÉTRICOS LTDA. é exercida pelo Sr. Paulo Goh Morita, sóciogerente da empresa KCEL. Resta, também, comprovado que a empresa KCEL determina a quantidade, o tipo e o prazo de industrialização da produção da UNIÃO MOTORES e tem exclusividade no uso da marca KOHLBACH e na aquisição de sua produção. 4. DO CONDOMÍNIO EMPRESARIAL JARAGUA DO SUL: 4.1 O Condomínio Empresarial Jaragud do Sul, foi instituído em 21/03/2006, tendo como instituidoras as empresas Unido Motores Elétricos ltda. e Kohlbach S/A, conforme "Instrumento Particular de Instituição do Condomínio Empresarial Jaraguil do Sul e Outras Avenças", registrado no Cartório de Registro Civil , Títulos e Documentos e Pessoas jurídicas da Comarca de Jaragud do SulSC. 4.2 Confirmamos a sua existência, de direito, havendo em seus documentos a identificação das salas e espaços industriais a serem utilizados pelas locatárias, bem como as demais formalidades inerentes à atividade, no entanto, essa situação não fica claramente demonstrada na prática, pois não existe divisão que demonstre e identifique de forma convincente a localização exata de cada empresa com suas respectivas instalações. 4.3 Quanto A existência de outras empresas locatárias de salas comprovase que, além das empresas que, em tese, fazem parte do grupo econômico, existem apenas empresas, que Id se instalaram, com o objetivo de prestar serviços As empresas do grupo e a seus trabalhadores, tais como agencia bancária e restaurante. A empresa KCEL MOTORES E FIOS LTDA, cientificada do lançamento fiscal, apresentou Impugnação alegando não ter recebido cópia do Auto de Infração em tempo de elaborar sua defesa: Regularmente cientificada do lançamento cm 07/12/2007 (fl. 192), a empresa KCEL Motores e Fios Ltda. apresentou impugnação em 25/03/2008 (f1s. 264/281), alegando, inicialmente, a tempestividade desta. em favor do que argumenta: que recebeu em 04:1212007 o oficio cientificadoa do lançamento; que solicitou cópias dos processos para a elaboração da defesa; que em 20/12/2007 protocolizou petição requerendo a prorrogação do prazo para apresentação da defesa; que as copias the foram entregues em 2210212008 de modo que considera que o prazo de defesa foi prorrogado para 24/03/2009. No mais. defende a inexistência do grupo econômico e a ausência de fundamentos fáticos e legais para a sua responsabilidade solidária pelo débito constituído contra a Fl. 737DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 notificada União Motores. Junta copias de documentos As fls_ 282/348. Após a ciência do resultado da Diligência Fiscal, todas as empresas apresentaram Manifestação: Dadas ciências ás notificadas do resultado da diligência (fls. 3511357), as empresas União Motores Elétricos Lida e União Serviços Comerciais S ,A (denominação anterior: Kolilbuch S/A), conjuntamente, e KCEL. apresentaram manifestações. as fls.358/367 e 3681385, respectivamente, insurgindose contra a configuração do grupo econômico. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, considerando intempestiva a Impugnação da empresa KCEL Motores e Fios Ltda, nos termos do Acórdão nº 0716.904 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31 103/2007 NELD DEBCAD 37.126.1767, de 31/10/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições destinadas a Seguridade Social, a fiscalização deve efetuar o lançamento de ofício, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza são responsáveis solidárias pelas contribuições previdenciárias. Lançamento Procedente Acórdão Acordam os membros da 6" Turma de Julgamento, por unanimidade de votos , não conhecer da impugnação apresentada pela empresa KCEL MOTORES E FIOS LTDA. e considerar procedente o lançamento, nos termos do relatório e voto da relatora Encaminhese à unidade de origem para intimar o contribuinte, bem como as responsáveis solidárias, ao pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. no prazo.. Após, a 1a. Turma Ordinária do CARF, no Acórdão no 2401002.536, anulou a decisão de primeira instância por considerar tempestiva a impugnação da contribuinte KCEL MOTORES E FIOS LTDA, devendo ser conhecida e analisada a integralidade das alegações de defesa: Fl. 738DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 733 13 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 NORMAS PROCEDIMENTAIS. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA INTIMAÇÃO DO INTEIRO TEOR DA AUTUAÇÃO. PRETERIÇÃO DIREITO DE DEFESA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. Em observância aos princípios da ampla defesa e do contraditório, os responsáveis solidários do crédito tributário lançado, in casu, com base na constatação de Grupo Econômico, devem ser intimados do inteiro teor da autuação/notificação fiscal e seus respectivos anexos de maneira oferecer condições ao insurgimento pleno de referidos contribuintes, sob pena de preterição do direito de defesa. A mera intimação dos responsáveis solidários a partir de simples Termo de Sujeição Passiva ou mesmo Ofício, somente informando da atribuição da responsabilidade solidária, não se presta a demonstrar a observância de aludidos princípios/garantias constitucionais. É nula a decisão de primeira instância que, em evidente preterição do direito de defesa, é proferida sem a devida intimação dos contribuintes responsáveis solidários da integralidade dos documentos de constituição do crédito tributário, oportunizandolhes a interposição de impugnação. INTIMAÇÃO ATOS PROCESSUAIS. SOLICITAÇÃO CÓPIA DO PROCESSO. DATA DA ENTREGA. VALIDADE COMO TERMO A QUO DO PRAZO DE DEFESA. Uma vez comprovada à inexistência da intimação dos responsáveis solidários do inteiro teor da notificação/autuação fiscal, indispensável ao exercício da ampla defesa, impõese admitir como termo inicial do prazo de impugnação a data da entrega da cópia do processo, requisitada pela contribuinte, oportunidade em que teve conhecimento de referido ato, suprimindo, por conseguinte, o obstáculo à sua defesa. Decisão de Primeira Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância, considerando tempestiva a impugnação da contribuinte KCEL MOTORES E FIOS LTDA, devendo ser conhecida e analisada a integralidade das alegações de defesa, bem como determinando a cientificação da empresa KOHLBACH S/A do inteiro teor da notificação fiscal, reabrindo prazo para interposição de defesa Segue a decisão deste Acórdão no 2401002.536 da 1a. Turma Ordinária do CARF: Fl. 739DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 Por todo o exposto, estando a Decisão recorrida em dissonância com os dispositivos constitucionais/legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, considerando tempestiva a impugnação da contribuinte KCEL MOTORES E FIOS LTDA., devendo ser conhecida e analisada a integralidade das alegações de defesa, bem como determinando a cientificação da empresa KOHLBACH S/A do inteiro teor da notificação fiscal, reabrindo prazo para interposição da impugnação, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Após as intimações do Acórdão emanado do CARF, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 07 30.769 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, determinando o recálculo da multa aplicada, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 AIOP/DEBCAD: 37.126.1759, de 31/10/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Houve intimação à empresa solidária KCEL MOTORES E FIOS LTDA para ciência do Acórdão da decisão de primeira instância, conforme a Comunicação SACAT. A empresa KCEL MOTORES E FIOS LTDA interpôs Recurso Voluntário, onde combate a decisão de primeira instância, em apertada síntese: (i) A Recorrente não faz parte do grupo "KOHLBACHUNIÃO MOTORES". (ii) Da não participação no grupo econômico da inexistência de unidade gerencial da inexistência de unidade laboral da inexistência de unidade patrimonial (iii) KCEL x Grupo KOHLBACH dos sócios da administração das empresas e funcionários em comum Fl. 740DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 734 15 dependência econômica e operacional Houve intimação à empresa solidária UNIÃO SERVIÇOS COMERCIAIS S/A (antiga KOHLBACH S/A) para ciência do Acórdão da decisão de primeira instância, conforme a Comunicação SACAT. No entanto, a empresa não apresentou Recurso Voluntário. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. A Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.279, baixou o processo em Diligência nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente: (i) intime a empresa UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA do Acórdão nº 0730.769 6 ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, com a observação dos prazos processuais para a ampla defesa e o contraditório; (ii) intime a empresa KOHLBACH S/A (cuja denominação atual é União Serviços Comerciais S/A) do Acórdão nº 0730.769 6 ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC, com a observação dos prazos processuais para a ampla defesa e o contraditório (iii) bem como, também informe se há processo judicial na qual as empresas sejam parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativo tributário. Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou Despacho, na qual informa que os contribuintes foram devidamente intimados mas não apresentaram Manifestação, além de não ter sido encontrada ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativofiscal. "(...) O processo retornou do CARF com solicitação de diligência (Resolução nº 2403 000.279, de 11/09/2014, da 3ª Turma Ordinária, 4ª Câmara, da Segunda Seção de Julgamento, às fls. 702 a 714), para a finalidade de cientificar as empresas União Motores Elétricos Ltda. e União Serviços Comerciais S/A (antiga Kohlbach S/A) do Acórdão nº 07 30.769, prolatado pela 6ª Turma da DRJ/Florianópolis/SC – fls. 633 a 644. Também para informar se há processo judicial no qual as empresas sejam parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto deste processo. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 Cumpridos os itens 1 e 2 da Resolução nº 2403000.279/2014, com ciência em 04/02/2015, proponho o encaminhamento do processo à EQUIPAJ/GAB/DRF/JOI/SC, com o propósito de atender o disposto no item 3. Após, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 735 17 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Observase que apenas a empresa KCEL MOTORES E FIOS LTDA interpôs Recurso Voluntário, de forma que resta analisar apenas este Recurso Voluntário interposto. O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. (a) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, contra Acórdão nº 0730.769 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis SC que julgou procedente o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº. 37.126.1759 (CFL 34), com valor consolidado de R$ 47.804,84, nas competências 07/2005 a 12/2006. O Relatório Fiscal da Infração, aponta os motivos ensejantes da autuação: 3. Este relatório é parte integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD lavrada sob o número acima indicado. A referida Notificação tem por finalidade apurar e constituir o crédito relativo às contribuições arrecadadas pela Receita Federal do Brasil e destinadas Seguridade Social, correspondentes às contribuições retidas de segurados empregados e contribuintes individuais (administradores e autônomos), não recolhidas integralmente. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 4. Os valores referemse ao período de 07/2005 a 03/2007, contam das folhas de pagamentos e foram informados em, GFIP. Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social. A apuração foi efetuada com base nas informações desses documentos. As importâncias devidas encontramse discriminadas, sob o titulo "FP FOLHAS DE PAGAMENTOS", no relatório "DAD Discriminativo Analítico do Débito", em anexo. 5. Durante a ação fiscal foram examinamos os seguintes documentos, disponibilizados pela notificada: Livros Diário e Razão (até 12/2006); Folhas de Pagamentos; Fichas de Registro de Empregados; Guias de Recolhimento do FGTS e informações 6 Previdência Social GFIP. GPS Guia da Previdência Social 6. A legislação que fundamenta a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito está contida no relatório "FUNDAMENTOS LEGAIS DO DEBITO FLD", em anexo. O Relatório Fiscal da Infração também caracteriza o Grupo Econômico formado entre as empresas UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA; KCEL MOTORES E FIOS LTDA; e KOHLBACH S/A (cuja denominação atual é União Serviços Comerciais S/A): Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN MPS/SRP n° 03/2005 V Auto de Infração (AI), que é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e apurado mediante procedimento de fiscalização; e (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) Redação original: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Fl. 744DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 736 19 Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade Fl. 745DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Fl. 746DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 737 21 Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (b) Da inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO (i) A Recorrente não faz parte do grupo "KOHLBACHUNIÃO MOTORES". (ii) Da não participação no grupo econômico Fl. 747DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 da inexistência de unidade gerencial da inexistência de unidade laboral da inexistência de unidade patrimonial (iii) KCEL x Grupo KOHLBACH dos sócios da administração das empresas e funcionários em comum dependência econômica e operacional Analisemos conjuntamente os tópicos (i), (ii) e (iii). I. CONFIGURAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO I.1 Aspectos gerais Nas alegações dos Recursos Voluntários, pretendem os contribuintes que seja afastada a coresponsabilização das empresas do Grupo Econômico de fato, assim caracterizado pela autoridade lançadora, sob o argumento de que inexiste qualquer situação fática ou jurídica capaz de suportar tal entendimento, mormente quando a legislação de regência não permite a caracterização ex ofício de Grupo Econômico pelo simples fato de as empresas terem os mesmos sócios, exigindo outros requisitos ausentes na hipótese vertente. Nesse compasso, asseveram ser equivocada, no caso concreto, a aplicação do artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não podendo servir como fundamento à pretensão fiscal, eis que referida matéria exige que seja apreciada anteriormente o art. 124, I, CTN, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo a decretação da insubsistência do feito. Lei 8.212/1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (gn) Anotase que o art. 222 do Decreto 3.048/1999 também trata da matéria acerca de grupo econômico: Decreto 3.048/1999 Art. 222.As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) (gn) A corroborar tal entendimento, as empresas Recorrentes traçam histórico societário das empresas formadoras do grupo econômico, inferindo que os fatos elencados em sua peça recursal rechaçam de plano a pretensão fiscal, uma vez que referidas pessoas jurídicas Fl. 748DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 738 23 não se vinculam ao fato gerador, sendo empresas absolutamente independentes e autônomas, inobstante terem possuído o mesmo controle em um determinado período. Em que pesem as razões de fato e de direito ofertadas pelos contribuintes nas peças recursais, seus entendimentos não têm o condão de macular a exigência fiscal, senão vejamos. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal e, bem assim, na Decisão Recorrida, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico de fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta. I.2 Aplicação dos artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional Como se sabe, a solidariedade previdenciária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “ Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” (gn) I.3 Aplicação dos artigos da Lei 6.404/1976 Fl. 749DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 Por sua vez, a Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 116, 265 e 267, como segue: “Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Entretanto, tem sido cada vez mais freqüente a constatação da existência de empresas controladas direta ou indiretamente pela(s) mesma(s) pessoa(s), sem que estejam formalmente revestidas da condição (nem com os mesmos objetivos) do grupo econômico de que trata a Lei 6 404/76. Estes são os que se podem denominar “grupos econômicos de fato". I.4 Aplicação da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 Por outro lado, a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 trata o grupo econômico nos artigos 179, 748 e 749, na redação vigente à época da lavratura da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, a seguir: Fl. 750DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 739 25 Art. 179. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si; (Redação original) I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme previsto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; (Nova redação dada pela IN MPS SRP nº 20, de 11/01/2007) Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. (gn) Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Não vincula, portanto, a existência de "grupo econômico" ao cumprimento das formalidades da Lei 6.404176, do que se infere, evidentemente, que a Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005 não se refere apenas e necessariamente aos grupos formalmente constituídos, mas à hipótese geral de "quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas". Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram e realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" da forma da Lei 6.404/76). I.5 Aplicação do o artigo 2º, § 2º, da CLT Em outra via, o artigo 2º, § 2º, da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o seguinte: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” (gn) Fl. 751DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 26 Resta evidente que o artigo 2º, § 2º, da CLT não faz qualquer distinção entre "grupo econômico de fato ou de direito", o que, aliás, pode ser facilmente constatado pelos reiterados julgados da Justiça do Trabalho, vinculando invariavelmente as demais empresas de um grupo econômico, ainda que não formalmente constituído, à reclamatória trabalhista, desde que demonstrada a relação, mesmo informal, entre o empregador direto e demais empresas vinculadas. Assim, a possibilidade (ou mesmo a determinação) legal da vinculação por solidariedade dos integrantes de "grupos econômicos", sejam eles formais ou informais, se justifica em ambos os casos — cobrança de direitos trabalhistas ou de contribuições previdenciárias — pelo relevante interesse social que os casos envolvem. I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratarse de caracterização de Grupo Econômico, o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” Anotase que o art. 222 do Decreto 3.048/1999 também trata da matéria acerca de grupo econômico: Decreto 3.048/1999 Art. 222.As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) (gn) No presente caso concreto, ao contrário do entendimento dos Recorrentes, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato. Somente a título elucidativo, para não restar dúvidas a propósito do tema, transcreveremos abaixo a síntese das razões que levaram a fiscalização concluir pela existência de Grupo Econômico de Fato, onde o AuditorFiscal autuante, com muita propriedade/especificidade, demonstrou e comprovou os argumentos da pretensão fiscal. O Relatório Fiscal caracteriza o Grupo Econômico formado entre as empresas UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA; KCEL MOTORES E FIOS LTDA; e KOHLBACH S/A (cuja denominação atual é União Serviços Comerciais S/A): (a) Da motivação da AuditoriaFiscal. 1. IDENTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE: RAZÃO SOCIAL: UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 740 27 C.N.PJ: 00.249.247/000146 ENDEREÇO: Rua Bernardo Grubba, 180 Jaragaj do Sul SC CEP: 89251090 2. 2. IDENTIFICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS: KCEL MOTORES E FIOS LTDA. C.N.PJ: 80.474.307/000163 ENDEREÇO: Rua Ponte Pênsil, 743, Centro Schroeder SC CEP: 89275000 KOHLBACH S/A CNPJ: 84.435.007/000126 Endereço: Rua Presidente Epitá cio Pessoa, JARAGUA DO SUL SC Cep:89151090 3. 3. Este relatório é parte integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD lavrada sob o número acima indicado. A referida Notificação tem por finalidade apurar e constituir o crédito relativo às contribuições arrecadadas pela Receita Federal do Brasil e destinadas Seguridade Social, correspondentes às contribuições devidas de segurados empregados e contribuintes individuais (administradores e autônomos), não recolhidas integralmente. 4. Os valores referemse ao período de 07/2005 a 03/2007, contam das folhas de pagamentos e foram informados em,Qfp.. Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social. A apuração foi efetuada com base nas informações desses documentos. As importâncias devidas encontramse discriminadas, sob o titulo "FP FOLHAS DE PAGAMENTOS", no relatório "DADDiscriminativo Analítico do Débito", em anexo. 5. Durante a ação fiscal foram examinamos os seguintes documentos, disponibilizados pela notificada: Livros Diário e Razão (até 12/2006); Folhas de Pagamentos; Fichas de Registro de Empregados; Guias de Recolhimento do FGTS e informações 6 Previdência Social GFIP. GPS Guia da Previdência Social (b) Da caracterização do grupo econômico. 7. As empresas acima foram consideradas solidariamente responsáveis pelos débitos ora notificados, em virtude da caracterização de Grupo Econômico, considerandose as constatações adiante: 7.1 A empresa Kohlbach S/A é sócia majoritária da empresa União Motores Elétricos Ltda., e o seu Diretor Superintendente Fl. 753DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 28 ocupa cumulativamente o cargo de Administrador da União Motores Elétricos Ltda., conforme cláusula sétima e parágrafo primeiro da 10a. Alteração Contratual dessa, conforme cópia anexa. 7.2 Os sócios da empresa KCEL Srs. Paulo Goh Morita e Tácito Eduardo Oliveira Grubba, participam da administração do grupo e são remunerados pela União Motores, mediante a emissão de notas fiscais através das empresas PGM Consultoria Ltda e T.E.Grubba' Advogados Associados, respectivamente. Tais pagamentos encontramse contabilizados na conta "Serviços de TerceirosP3 Presidência código 5122030313000" 7.3 As empresas ocupam o mesmo imóvel 6 Rua Bernardo Grubba, 180, centro, Jaraguá do SulSC , onde além da empresa Kohlbach S/A e da União Motores localizase a filial da Kcel. Nesse endereço, conforme constatado em visita a todas as suas dependências, não é possível distinguir quais departamentos, setores e empregados que pertencem a uma ou a outra empresa, tendose a nítida impressão de tratarse de uma única empresa. 7.4 A matriz da empresa Kcel, encontrase situada 6 Rua Ponte Pênsil, No 743, Schroeder SC. No entanto, nesse endereço encontrase estabelecida apenas a unidade industrial, sendo a administração, de fato, exercida no endereço do item acima; 7.5 Nesse item citamos, a titulo de exemplo, um caso que demonstra o vinculo entre as empresas: 0 Sr. Idezides Rezende Filho assina, na condição de Gerente de RH e procurador da empresa União Motores, o Mandado de Procedimento Fiscal No. 09388372F00 e o Termo de Intimação para Apresentação de DocumentosTIAD, relativos a ação fiscal desenvolvida na União. Ao mesmo tempo, o Sr. Idezides presta serviços 6 empresa Kcel, também na qualidade de Gerente de RH. Nota: Foram anexadas cópias do MPF e do TIAD acima citados, assinados pelo Sr Idezides e cópia da procuração outorgada ao mesmo. 7.6 Os serviços de recepção, bem como a central telefônica, de No 33726600, atende indistintamente as três empresas. 7.7 Para fins de subsidiar a caracterização de Grupo Econômico, transcrevemos abaixo trechos de Sentença Trabalhista da Justiça do Trabalho da 12. Região la. Vara do Trabalho de Jaraguá do SulSC, que aborda o assunto: "Processo AT 01643200601912003 PROCEDIMENTO ORDINÁRIO Autor: JOÃO DOM BOSCO DO SANTOS la Ré: UNIAO MOTORES ELÉTRICOS LTDA 2a Ré: KCEL MOTORES E FIOS LTDA Audiência de publicação: Diz o autor que as rés fazem parte do mesmo grupo comercial, visto que a segunda reclamada desempenha as atividades administrativas e efetua compras de materiais que são industrializados pela primeira ré. Alega ainda que iniciou trabalhando apenas para a primeira reclamada e posteriormente Fl. 754DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 741 29 passou a laborar para ambas as rés, de modo que haveria grupo econômico, nos termos do artigo 2°, § 2°, da CLT. ••• Ocorre que, segundo a prova testemunhal as reclamadas mantinham administração comum, especialmente no setor financeiro. •11.0 Da mesma forma, a segunda testemunha afirmou que: também comprava alguns produtos para a 2a ré; que ao que sabe as rés se fundiram; que havia várias pessoas que trabalhavam para ambas as rés, como a própria esposa do depoente, que trabalhava na controladoria; ••• De todo o exposto, percebese que as reclamadas ocupam o mesmo Imóvel, exploram objetos sociais muito semelhantes, mantêm alguns setores em comum, inclusive quanto aos trabalhadores, dentre os quais esteve o reclamante. Por tais motivos, concluise que a partir de fevereiro de 2005 as reclamadas passaram a formar grupo econômico, motivo pelo qual são solldariamente responsáveis a partir de tal data, nos termos do artigo 20 , § 2°, da CLT. Anotase que em resposta à Diligência Fiscal, a Autoridade Fiscal em Informação Fiscal reafirma que existe dependência econômica e operacional entre as empresas solidárias, pois resta comprovado que toda a gestão comercial das empresas KOHLBACH S/A e UNIA0 MOTORES ELÉTRICOS LTDA. é exercida pelo Sr. Paulo Goh Morita, sóciogerente da empresa KCEL, sendo que restou também, comprovado que a empresa KCEL determina a quantidade, o tipo e o prazo de industrialização da produção da UNIÃO MOTORES e tem exclusividade no uso da marca KOHLBACH e na aquisição de sua produção: 1. DO QUADRO SOCIETÁRIO DA NOTIFICADA E DAS EMPRESAS RESPONSABILIZADAS SOLIDARIAMENTE: 1.1 KCEL MOTORES E FIOS LTDA.. Nome do Sócio Identificador Qualificação Dt Inicio Dt Fim KOHLBACH S/A. 84.435.007/000126 Sócio 01/02/1988 30/04/1997 HEINZ RODOLFO KOLHBACH 005.720.39972 Sócio 01/02/1988 20/01/1997 MILTON KOHLBACH 005.720.47991 SócioGerente 01/02/1988 20/01/1997 BERTHA GERTRUDES ILSE KOHLBACH 019.552.84920 Sócio 01/02/1988 20/01/1997 WILSON KOHLBACH 019.563.88915 SócioGerente 01/02/1988 20/01/1997 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 30 HAMILTON TRENTIN COMNHO 448.294.34943 Sócio Gerente 20/01/1997 30/04/1997 IDENOR VALDEMAR DREYER 283.150.30949 SócioGerente 30/04/1997 12/02/2001 DENISE VOLPI 715.002.86915 SócioGerente 30/04/1997 27/01/2005 PAULO GOH MORITA 194.517.09800 SócioGerente 06/07/2005 ROBERTO CARLOS KEPPLER 013.182.42878 SócioGerente 05/08/2005 27/03/2006 TACITO EDUARDO OLIVEIRA GRUBBA 507.872.41849 SócioGerente 05/08/2005 BIARRITZ FINANCIAL GROUP LTDA. Sócio 05/11/1998 20/09/2005 IDENOR VALDEMAR DREYER 283.150.30949 SócioGerente 21/12/2004 06/07/2005 FERRE IND.COM.MANUT.GERA E MOT ELET. LTDA. 01.547.126/000143 Sócio 06/07/2005 11/12/2007 GR2 EMPRESA DE FOMENTO MERCANTIL LTDA. 05.823.808/000192 Sócio 11/12/2007 NOTA: A empresa KCEL iniciou suas atividades em 01/02/1988, sob a denominação social de Kohlbach Condutores Eletroliticos Ltda., tendo como sócia majoritária a empresa Kohlbach S/A CNPJ: 84.435.007/000126, com participação de 99,4 % do total do capital, cuja integralização se deu através da cessão do imóvel onde se estabeleceu a sede da Kcel e da entrega de máquinas, equipamentos, móveis e matériaprima, conforme contrato social, arquivado na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, 4220102926, em 03/02/1988 1.2 UNIÃO MOTORES ELETRICOS LTDA. Nome do Sócio Identificador Qualificação Dt Inicio Dt Fim MILTON KOHLBACH 005.720.47991 SócioGerente 01/11/1994 18/12/1996 WILSON KOHLBACH 019.563.88915 SócioGerente 01/11/1994 18/12/1996 HAMILTON TRENTIN COMNHO 448.294.34953 Sócio Gerente 18/12/1996 KOHLBACH S.A. 84.435.007/000126 Sócio 01/11/1994 1.3 KOHLBACH S/A. Nome do Sócio Identificador Qualificação Dt Inicio Dt Fim UNIAO MOTORES ELETRICOS LTDA. 00.249.247/000146 SOCIO 1/11/1994 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 742 31 MILTON KOHLBACH 005.720.47991 DIRETOR 13/12/1967 31/12/1996 WILSON KOHLBACH 019.563.88915 DIRETOR 13/12/1967 31/12/1996 ALDO ROMEU PASOLD 166.523.98915 DIRETOR 13/12/1967 31/12/1996 ALDO ROMEU PASOLD 166.523.98915 DIRETOR 2/1/1997 31/10/1997 JOSE ROBERTO FRUCTUOZO 292.187.99991 DIRETOR 13/12/1967 31/12/1996 JOSE ROBERTO FRUCTUOZO 292.187.99991 DIRETOR 2/1/1997 30/10/1997 HAMILTON TRENTIN COMNHO 448.294.34953 DIRETOR 13/12/1967 31/12/1996 HAMILTON TRENTIN CO1TINHO 448.294.34953 DIRETOR 2/1/1997 MAURICIO JOSE COUTINHO SLIVINSKI 631.725.93991 DIRETOR 30/9/1997 2. DA ADMINISTRAÇÃO DAS EMPRESAS: 2.1 Na empresa KCEL MOTORES E FIOS LTDA., conforme consta de seus atos constitutivos, a administração cabe aos sócios Paulo Goh Morita e Tácito Eduardo Oliveira Grubba. 2.2 Na empresa KOHLBACH S/A a administração cabe ao Diretor Superintendente, eleito em Assembléia Geral Ordinária, o qual também ocupa, cumulativamente, o cargo de administrador da empresa UNIÃO MOTORES ELETRICOS LTDA., conforme determinação prevista na 10a. Alteração Contratual dessa empresa. Tais cargos são ocupados pelo Sr. IDENOR VALDEMAR DREYERCPF: 283.150.30949, eleito para o período de 07/01/2007 a 19/06/2009, conforme certidão registrada na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, em 12/04/2007, sob N°. 20070887586 (cópia juntada ás fls.197) NOTA 1: O Sr. Idenor Valdemar Dreyer foi sócio da empresa KCEL, no período de 21/12/2004 a 06/07/2005 e representante da empresa Biarritz Financial Group Ltda, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, a qual, também, foi sócia da KCEL, no período de 05/11/1998 a 20/09/2005. NOTA 2: As empresas KOHLBACH S/A. e UNIÃO MOTORES ELÉTRICOS LTDA. (razão social anterior: KOHLBACH MOTORES LTDA.), mantém contrato de "Prestação de Serviços de Assessoramento de Gestão Empresarial" (cópia juntada ás fls. 198 a 200), na qualidade de CONTRATANTES, com a empresa PGM CONSULTORIA E ENGENHARIA S/C LTDA.CNPJ: 03.278.962/000103, desde 24//07/2003. Tal contrato prevê que Fl. 757DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 32 a contratada promoverá a assessoria de planejamento de gestão comercial das contratantes, preparando as estratégias de gestão comercial a serem implementadas e acompanhando a implantação de tais estratégias junto aos responsáveis pelo setor comercial das contratantes. Tais serviços são prestados pelo Sr. PAULO GOH MORITA, sócio da empresa PGM Consultoria e Engenharia S/C Ltda. e da KCEL, o qual 6, de fato, o responsável pela gestão comercial do grupo empresarial. 3 DA DEPENDÊNCIA ECONÔMICA E OPERACIONAL ENTRE AS EMPRESAS: 3.1 A empresa KCE4 na qualidade de CONTRATANTE, mantém "CONTRATO DE INDUSTRIALIZA pio DE MOTORES E GERADORES ELÉTRICOS" (cópia juntada ás fls. 201 a 204), tendo como CONTRATADA a empresa Ille40 MOTORES ELÉTRICOS LTDA.(razdo social anterior: KOHLBACH MOTORES LTDA.) cujos principais termos são os seguintes: 3.1.1 A CONTRATADA é detentora da marca KOHLBACH, cujo uso é cedido com EXCLUSIVIDADE à CONTRATANTE, conforme item décimo sexto do contrato; 3.1.2 A CONTRATADA declara estar apta a pro a CONTRATANTE, aproximadamente, 80.000 (oite mil) motores e/ou geradores elétricos/ano; 3.1.3 A CONTRATANTE poderá utilizar até 90% (noventa por cento) da capacidade produtiva da CONTRATADA; 3.1.4 A CONTRATANTE colocará junto à CONTRATADA as ordens de serviço de industrialização dos produtos, indicando a quantidade, o tipo e o prazo de industrialização; 3.1.5 Quando da colocação das ordens de serviços de industrialização a CONTRATADA indicará expressamente a necessidade das matérias primas, cuja responsabilidade de fornecimento é da CONTRATANTE, indicando a quantidade, tipo e os fornecedores e apresentará o cronograma de produção, que deverá estar adequado ao prazo consignado nas ordens de industrialização emitidas pela CONTRATANTE. 3.2 Diante das constatações acima podemos afirmar que existe dependência econômica e operacional entre as empresas solidárias, pois resta comprovado que toda a gestão comercial das empresas KOHLBACH S/A e UNIA0 MOTORES ELÉTRICOS LTDA. é exercida pelo Sr. Paulo Goh Morita, sóciogerente da empresa KCEL. Resta, também, comprovado que a empresa KCEL determina a quantidade, o tipo e o prazo de industrialização da produção da UNIÃO MOTORES e tem exclusividade no uso da marca KOHLBACH e na aquisição de sua produção. 4. DO CONDOMÍNIO EMPRESARIAL JARAGUA DO SUL: Fl. 758DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 743 33 4.1 O Condomínio Empresarial Jaragud do Sul, foi instituído em 21/03/2006, tendo como instituidoras as empresas Unido Motores Elétricos ltda. e Kohlbach S/A, conforme "Instrumento Particular de Instituição do Condomínio Empresarial Jaraguil do Sul e Outras Avenças", registrado no Cartório de Registro Civil , Títulos e Documentos e Pessoas jurídicas da Comarca de Jaragud do SulSC. 4.2 Confirmamos a sua existência, de direito, havendo em seus documentos a identificação das salas e espaços industriais a serem utilizados pelas locatárias, bem como as demais formalidades inerentes à atividade, no entanto, essa situação não fica claramente demonstrada na prática, pois não existe divisão que demonstre e identifique de forma convincente a localização exata de cada empresa com suas respectivas instalações. 4.3 Quanto A existência de outras empresas locatárias de salas comprovase que, além das empresas que, em tese, fazem parte do grupo econômico, existem apenas empresas, que Id se instalaram, com o objetivo de prestar serviços As empresas do grupo e a seus trabalhadores, tais como agencia bancária e restaurante. Ademais, no presente caso concreto, em que ao contrário do entendimento dos Recorrentes, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, temse a Decisão Recorrida, as quais pedimos vênia para nos reportar, como se aqui estivessem escritas, eis que a peça recursal da contribuinte traz em seu bojo os mesmos argumentos da impugnação. Ainda a respeito do Grupo Econômico de Fato, caracterizado pela autoridade lançadora, impende transcrever excerto da Decisão da Recorrida, a partir da análise do Relatório Fiscal da Infração, de maneira a rechaçar de uma vez por todas qualquer dúvida quanto a matéria em comento, in verbis: O presente crédito previdenciário também foi lançado, por solidariedade, contra as empresas KCEL MOTORES E FIOS LTDA. e KOHLBACH S/A, em face de integrarem o mesmo grupo econômico juntamente com a notificada. A autuada, inicialmente, informa que entre ela e a empresa Kohlbach S/A há ligação societária, pois uma detém o controle societário da outra, conforme os documentos societários registrados. Assim, resta incontroverso o grupo econômico entre estas duas empresas, sendo decorrente dele a responsabilidade solidária da empresa Kohlbach S/A pelo crédito tributário ora lançado, a teor do art. 30, inciso IX, da Lei nº. 8.212, de 1991. Entretanto, com relação à empresa KCEL, tanto esta como a autuada argumentam que não há qualquer ligação societária, apenas comercial, que se caracteriza pelo fato da KCEL ser tomadora de serviços de industrialização da notificada. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 34 Alega que o instituto denominado grupo econômico é uma figura exclusivamente do Direito do Trabalho, como ressaltado na própria sentença da qual se valeu a fiscalização; que não foi relatado que, em outras ações trabalhistas, o juiz afastou a questão do grupo econômico com relação à KCEL e que não há qualquer lei tributária específica que determine a desconsideração da personalidade jurídica, logo a indicação da KCEL como responsável solidária é ato ilegal. No âmbito previdenciário, a solidariedade entre os grupos de empresas, quanto ao cumprimento das obrigações previdenciárias, está estabelecida na Lei nº. 8.212/91, em seu art. 30, inciso IX, conforme segue: “as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei” Ademais, admitese, hoje, a existência de grupo econômico independente do controle e fiscalização pela chamada empresa líder. Evoluiuse de uma interpretação meramente literal do artigo 2º, § 2º, da CLT, para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. É o denominado "grupo composto por coordenação" em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento. Também assim é considerado o grupo de empresas sob controle e direção geral exercidos pelas mesmas pessoas físicas, tal como transcrito nas ementas abaixo: (...) A simples constatação da existência de um grupo de sociedades articuladas sob uma direção unitária já basta para a aplicação das conseqüências jurídicas, independentemente de convenção ou contrato, considerando que as relações jurídicas destes grupamentos societários com terceiros, não podem ser examinadas e resolvidas sob o prisma simplista do interesse isolado de cada uma dessas empresas. Assim, face à legislação vigente, apesar de toda a negativa da notificada e da empresa KCEL MOTORES E FIOS LTDA., ora caracterizada como responsável solidária, nesse sentido, restou comprovada a existência do grupo econômico e constatada a responsabilidade solidária, de todas as empresas citadas pelo crédito previdenciário ora apurado. Pois, conforme o Relatório Fiscal, Informação resultante da Diligência Fiscal, demais elementos constantes dos autos e, ainda, de acordo com o acórdão nº 07030.771, proferido por esta Turma de Julgamento, na sessão de julgamento de 28/02/2013, no autos do processo nº 10920.006637/200766, a caracterização da existência do grupo econômico decorreu da verificação dos seguintes fatos: a empresa Kohlbach atualmente é sócia majoritária da União Motores, mas já foi sócia também majoritária da empresa KCEL, quando esta empresa se chamava Kolbach Condutores Eletrolíticos; todas as empresas apresentam praticamente o mesmo objeto social; Fl. 760DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 744 35 o sócio administrador da notificada e diretor da Kolbach – Sr. Hamilton Trentin Coitinho já foi sócio da KCEL Motores e Fios Ltda.; o atual Diretor Superintendente da empresa Kolhbach e Administrador da notificada – Sr. Idenor Valdemar Dreyer já foi sócio da KCEL, seja diretamente, seja através da empresa Biarritz Financial Group Ltda.; os sócios da empresa KCEL constam na contabilidade da empresa União Motores como recebedores de pagamentos, sendo o Sr. Paulo Goh Morita responsável pela gestão comercial do grupo empresarial; a empresa KCEL comercializa os motores e geradores elétricos da marca KOHLBACH, os quais são industrializados pela notificada; fornecimento das matériasprimas para esta a marca KOHLBACH é de propriedade da notificada, porém o seu uso é cedido com exclusividade à KCEL; as sedes das empresas Kolbach e União Motores e uma filial da notificada situamse no mesmo endereço, não havendo como distinguir quais departamentos, o denominado Condomínio Empresarial Jaraguá do Sul foi instituído em 21/03/2006, pelas próprias empresas notificada e Kolbach; que apesar de constar em seus documentos a identificação de salas e espaços industriais, na prática essa situação não fica demonstrada, pois não existe divisão que identifique de forma convincente a localização de cada empresa; o atendimento de portaria bem como a central telefônica atende indistintamente as ditas três empresas; que também se localizam no Condomínio somente empresas que lá se instalaram com o objetivo de prestar serviços às empresas do grupo, tais como agência bancária e restaurante; o contrato de locação com a KCEL não tem força probante a seu favor em vista de ser parte interessada na descaracterização do grupo econômico; o Sr. Idezides Rezende Filho assina como gerente de RH e procurador da União Motores e presta serviços como Gerente de RH na KCEL; em ação trabalhista a existência do grupo econômico foi reconhecida pelo juízo, sendo que as testemunhas arroladas no processo afirmaram que as rés se fundiram, que os empregados trabalhavam indistintamente para o grupo e que o setor financeiro era comum entre as rés. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 36 Nesta ação trabalhista (AT 01643200601912003, na qual foram rés as empresas União Motores Elétricos Ltda e KCEL Motores e Fios Ltda., o juiz assim se pronuncia quanto ao grupo econômico: "Por outro lado, não se pode olvidar que atualmente são muitas as possibilidades de empresas se integrarem e buscarem objetivos em comuns, mesmo sem haver integração formal por meio dos clássicos modos de fusão ou incorporação. Analisando os contratos sociais, percebese que, de fato, as reclamadas não têm sócios em comum. Entretanto, vêse que seu objeto social é muito semelhante, senão idêntico em algumas atividades. Ocorre que, segundo a prova testemunhal as reclamadas mantinham administração em comum, especialmente no setor financeiro... Conquanto afirmem que era um condomínio, os prepostos de ambas as rés admitiram que as mesmas são estabelecidas no mesmo endereço. (...) De todo o exposto, percebese que as reclamadas ocupam o mesmo imóvel, exploram objetos sociais muito semelhantes, mantém alguns setores em comum, inclusive quanto aos trabalhadores, dentre os quais esteve o reclamante. Por tais motivos, concluise que a partir de fevereiro de 2005 as reclamadas passaram a formar um grupo econômico, motivo pelo qual são solidariamente responsáveis a partir de tal data, nos termos do artigo 2º, § 2º, da CLT." As defendentes alegam que o juízo afirma ser o instituto denominado grupo econômico uma figura exclusivamente do Direito do Trabalho e que, então, o Fisco não poderia se valer do mesmo conceito. Todavia, não é este o sentido que se verifica na sentença mas, sim, que este conceito “não depende de formalização ou de outros requisitos exigidos em outras áreas do direito”, como acrescentado pelo juiz. Quanto à alegação de que em outras decisões trabalhistas o juiz afastou a questão do grupo econômico com relação à KCEL, sendo que ambas as empresas trouxeram aos autos uma sentença neste sentido, verifico que aquela decisão foi motivada “por absoluta falta de elemento probatório”, o que não invalida a anterior citada decisão judicial, na qual estes elementos de provas se fizeram presentes. Ademais, os argumentos apresentados pelas defendentes não desqualificam o procedimento fiscal, ou porque são irrelevantes, ou porque não trouxe aos autos nenhuma prova de suas alegações, ou porque tais não podem ser analisados isoladamente como pretende. O que prevalece, no presente caso, é o somatório de fatos importantes, que se fossem analisados isoladamente seriam realmente irrelevantes ou apenas indícios, mas é o conjunto probatório, harmônico entre si e no mesmo Fl. 762DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 745 37 sentido, que conduz à inevitável conclusão de que as empresas estão intimamente interligadas, fato que não acontece em simples relações comerciais. Assim sendo, restado cabalmente comprovado a coordenação das empresas em questão, com objetivos em comum, com controle e direção pelas mesmas pessoas físicas, há que se considerar configurado o grupo econômico caracterizado pela fiscalização, incidindo a responsabilidade solidária prevista em lei. Por fim, ressalto que para a caracterização do grupo econômico, não se faz necessário que haja a desconsideração das personalidades jurídicas das empresas envolvidas. O instituto da desconsideração da personalidade jurídica, resultado da aplicação da disregard doctrine, consubstanciada na previsão do art. 50 do novo Código Civil, ocorre com o fito de atingir o patrimônio dos sócios, quando a sociedade é por eles utilizada como meio de obter vantagens indevidas, valendose da distinção entre o patrimônio dos sócios e o da pessoa jurídica, em detrimento de terceiros. Portanto, este dispositivo não guarda relação com o caso em tela nesta esfera administrativa. Verificase, portanto, que a AuditoriaFiscal previdenciária não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente relacionados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam. Observase também que, conforme já debatido em sede de decisão de primeira instância, a desconsideração da personalidade jurídica, com fundamento no art. 50 do CC/2002, ocorre com o intuito de atingir o patrimônio dos sócios, quando a sociedade é por eles utilizada como meio de obter vantagens indevidas, de modo que este dispositivo não guarda relação com o presente processo administrativofiscal. Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm, efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos, na forma estipulada no artigo 124, inciso I, do CTN, impondo a manutenção do feito em sua plenitude, não se cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal. Superada essa questão central da configuração do grupo econômico de fato, no tópico I, passemos à análise das argumentações do Recurso Voluntário impetrado a seguir: (i) A Recorrente não faz parte do grupo "KOHLBACH UNIÃO MOTORES". (ii) Da não participação no grupo econômico Fl. 763DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 38 da inexistência de unidade gerencial da inexistência de unidade laboral da inexistência de unidade patrimonial (iii) KCEL x Grupo KOHLBACH dos sócios da administração das empresas e funcionários em comum dependência econômica e operacional (i) A Recorrente não faz parte do grupo "KOHLBACHUNIÃO MOTORES". Conforme já tratado no tópico I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato , já se debateu de forma intensa a fundamentação e os motivos pelos quais o Recorrente integra o grupo econômico de fato. Desta forma, não prospera a argumentação do Recorrente. (ii) Da não participação no grupo econômico da inexistência de unidade gerencial da inexistência de unidade laboral da inexistência de unidade patrimonial Conforme já tratado no tópico I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato , já se debateu de forma intensa a fundamentação e os motivos pelos quais o Recorrente integra o grupo econômico de fato. Desta forma, não prospera a argumentação do Recorrente. (iii) KCEL x Grupo KOHLBACH dos sócios da administração das empresas e funcionários em comum dependência econômica e operacional Conforme já tratado no tópico I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato , já se debateu de forma intensa a fundamentação e os motivos pelos quais o Recorrente integra o grupo econômico de fato. Desta forma, não prospera a argumentação do Recorrente. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.006634/200722 Acórdão n.º 2202003.188 S2C2T2 Fl. 746 39 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a configuração do grupo econômico. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 765DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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