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Numero do processo: 14055.000843/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
RENDIMENTOS ISENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTES. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL SOBRE ELES INCIDENTE.
Descabida a dedução da contribuição à previdência oficial incidente sobre os rendimentos isentos percebidos por dependente, quando este não aufere rendimentos tributáveis componentes da base de cálculo do ajuste anual do imposto de renda.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo, Presidente
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 RENDIMENTOS ISENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTES. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL SOBRE ELES INCIDENTE. Descabida a dedução da contribuição à previdência oficial incidente sobre os rendimentos isentos percebidos por dependente, quando este não aufere rendimentos tributáveis componentes da base de cálculo do ajuste anual do imposto de renda. Recurso Voluntário Negado.
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IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL SOBRE ELES INCIDENTE. Descabida a dedução da contribuição à previdência oficial incidente sobre os rendimentos isentos percebidos por dependente, quando este não aufere rendimentos tributáveis componentes da base de cálculo do ajuste anual do imposto de renda. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 05 5. 00 08 43 /2 00 9- 21 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo, Presidente Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 14055.000843/200921 Acórdão n.º 2402004.776 S2C4T2 Fl. 56 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB, que julgou procedente Notificação de Lançamento ajustando o saldo do imposto de renda a restituir de R$ 8.357,40 para R$ 3.525,54, relativamente ao anocalendário 2007. O lançamento decorreu da glosa da dedução do valor de R$ 17.570,41 a título de contribuição à previdência oficial, pelo motivo de que somente poderiam ser deduzidas tais contribuições, pagas em nome de dependentes, quando estes tenham rendimentos tributáveis próprios (fls. 16/20). Em sede de impugnação (fls. 2/8), o contribuinte alegou, em apertada síntese, que efetuou declaração em conjunto com a cônjuge, a qual é aposentada e recebe rendimentos isentos, e que, tendo sido sobre estes descontadas as parcelas previdenciárias, podem ser estas então deduzidos do imposto de renda. Mantido o lançamento pela instância recorrida, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 19/4/2012, demandando a restituição nos termos consignados em sua DIRPF/2008, com esteio nas razões abaixo sumarizadas: o § 1º do art. 77 do RIR/99 (art. 35 da Lei nº 9.250/95) não restringe a condição de dependente ao cônjuge que aufira rendimentos tributáveis; tinha direito a optar por realizar sua declaração em conjunto com a cônjuge, podendo assim fazer uso dos abatimentos legais permitidos. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Esclareçase, desde já, que inexiste óbice a que a cônjuge do notificado, Sônia Maria Laranjeira dos Santos, CPF nº 099.537.36553, seja por ele incluída como sua dependente na Declaração de Ajuste Anual, de acordo com o disposto no art. 35 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; (...) Malgrado do que parece entender o recorrente, porém, tal consideração não transmuta sua DIRPF/2008 automaticamente em declaração em conjunto, pois conforme reza o caput do art. 8º do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), o qual trata da matéria: Art.8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. §§ 1º a 3º (omissis) Não é preciso estenderse em lucubrações para se notar, pela mera leitura do enunciado legal, que só se pode falar em tributação em conjunto de rendimentos, quando ambos os cônjuges perceberam no anocalendário em referência rendimentos sujeitos à tributação. Se apenas um dos cônjuges os recebeu, como na espécie (fls. 10 e 13), inapropriado qualificar a Declaração de Ajuste Anual entregue como declaração em conjunto. A conjunção na declaração, por assim dizer, deve ser não apenas dos cônjuges, mas também e principalmente dos rendimentos tributáveis respectivamente percebidos. Por outro lado, deve ser salientado que, tendo a dependente do contribuinte recebido rendimentos isentos, deveria ter ele os informado na ficha adequada da declaração, a saber, "Rendimentos Isentos e NãoTributáveis", e não na ficha "Rendimentos Tributáveis Fl. 58DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 14055.000843/200921 Acórdão n.º 2402004.776 S2C4T2 Fl. 57 5 Recebidos de Pessoas Jurídicas pelo Dependente", como efetuou com vistas a se beneficiar da dedução da contribuição previdenciária oficial. Não bastasse a falta de pertinência com a realidade de tal atuação afinal, os rendimentos em questão não eram tributáveis, mas sim isentos importa frisar que nos termos dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.250/95, o resultado do ajuste anual do imposto de renda apurado com lastro na Declaração de Rendimentos, terá como base de cálculo a soma de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva, menos as deduções legais. Os rendimentos da dependente, sendo isentos do imposto de renda, não podem ser incluídos na base de cálculo do ajuste anual; consequentemente, não pode ser deduzida, nesse ajuste, a contribuição à previdência oficial descontada desses rendimentos. Nesse sentido, têmse as orientações contidas nos Manuais "Perguntas e Respostas do IRPF" disponibilizados a cada anocalendário pela Receita Federal do Brasil, tratando da dedução da contribuição à previdência oficial prevista no inciso IV do art. 4º da Lei nº 9.250/95, e aqui reproduzidas no que tange ao anocalendário dos fatos examinados (2007): CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL 307 — A contribuição à previdência oficial descontada de rendimentos isentos do próprio contribuinte ou por este recolhida na condição de autônomo, é dedutível na Declaração de Ajuste Anual? Sim, desde que o contribuinte tenha rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste na declaração anual. (...) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE DEPENDENTE 312 — O contribuinte pode deduzir a contribuição previdenciária oficial ou privada paga em nome de dependente sem rendimentos próprios? Em relação à previdência oficial somente podem ser deduzidas as contribuições pagas em nome do dependente que tenha rendimentos próprios, os quais sejam tributados em conjunto com os do declarante. A lógica que permeia tais prescrições é de fácil apreensão. Imaginese que dado contribuinte inclua como sua dependente pessoa que receba, em um determinado anocalendário, vultuosos rendimentos isentos decorrentes, por exemplo, de uma ação judicial. Dependendo do montante retido a título de contribuição à previdência sobre tais verbas, poderia ele, caso pudesse deduzir a retenção vinculada a esses rendimentos isentos, chegar a não ter imposto de renda a pagar, ou mesmo receber restituição. Por vias indiretas, assim, lograria beneficiarse de isenção do imposto de renda não prevista em lei, em afronta ao disposto no art. 176 do Código Tributário Nacional. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Em suma, inexistindo rendimento tributável da dependente a compor a base do ajuste anual do imposto de renda, descabida a dedução da contribuição à previdência oficial postulada, devendo ser mantido o lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 13770.000531/2005-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. COMPROVADO.
Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da não-cumulatividade da COFINS, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-002.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. COMPROVADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da não-cumulatividade da COFINS, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. Recurso Voluntário negado.
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INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. COMPROVADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da não cumulatividade da COFINS, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antônio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 05 31 /2 00 5- 46 Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000531/200546 Acórdão n.º 3402002.971 S3C4T2 Fl. 1.394 2 Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versam os autos pedido de reconhecimento de crédito de COFINS no valor de R$ 614.302,52, referente ao período de apuração agosto de 2004, cumulado com compensação do valor pleiteado com multa por atraso entrega DCTF e CSLL (fl. 64). Em resumo, houve a glosa de créditos referente às aquisições de insumos de pessoas jurídica inaptas, omissas ou com receita incompatível com a DIPJ. Foi reconhecido o crédito no valor de R$ 272.360,31 e homologadas as compensações no limite desse valor, conforme despacho decisório local (fls. 62/74). Foi considerada não declarada a compensação apresentada em papel à fl. 21, datada de 23/02/2006, uma vez que nos termos da IN SRF 598/2005, com vigência a partir de 01/01/2006, deveria ter sido apresentada por meio do programa PER/DCOMP. Também foram feitos ajustes na base de cálculo, sendo acrescidos valores a título de aluguéis e rendas eventuais. Manifestada a inconformidade, a DRJ/RJ (fls. 266/267 vol 2), em 18/02/2011, baixou o processo em diligência nos seguintes termos : Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000531/200546 Acórdão n.º 3402002.971 S3C4T2 Fl. 1.395 3 Foi anexado aos autos o Relatório Fiscal de fls. 787/956, o qual responde as diligências solicitadas nos processos 13770000150/200567 (COFINS 07/2004), 13770.000531/200546 (COFINS 08/2004), 13770.000087/200721 (COFINS 4T/2004), 15578.000251/00892 (PIS 3T/2004) e 15578.000247/200824 (PIS 4T/2004). Em suma, o extenso Relatório Fiscal descreve os fatos apurados no âmbito das operações Tempo de Colheita e Broca, anotando que "os fatos apontados no Relatório repercutem tanto na glosa de créditos do ano de 2004 quanto na glosa dos créditos dos anos de 2005 a 2010", concluindo: Restou demonstrado que a RIO DOCE CAFÉ não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas geradas por empresas atacadistas de fachada. Sobre tal Relatório, a empresa se manifestou às fls. 960/1000. O acórdão (fls. 1047/1081) recorrido, de 04/07/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não conhecendo da mesma no que tange à decisão local que considerou não declarada a compensação não formulada em meio eletrônico (fl. 21), nos termos da IN RFB 900, art. 39, § 2º. Contra a r. decisão, a empresa recorreu (fls. 1.085/1.163) a este Colegiado em extensa petição, na qual, em suma: 1 pede a decretação de nulidade da decisão a quo em função da mesma divergir do despacho decisório vestibular quanto ao fundamento de aquela entendeu que a simples falta de pagamento das contribuições pelas fornecedoras cujos valores foram glosados, por si só, não autoriza a glosa dos créditos. No entender da recorrente este teria sido o único fundamento do despacho decisório, pelo que deveria ter sido determinado a DRF Vitória que prolatasse novo despacho após a diligência. Averba que a decisão a quo substituiu o Despacho 3386/2008, inovando "a base jurídica ou argumentativa do lançamento", pelo que dá azo a sua anulação por supressão de instância. Discorre sobre o art. 116 do CTN, concluindo que a Administração não pode aplicálo por falta de regulamentação para disciplinálo. Igualmente entende nulo o Despacho Decisório; 2 pede a decretação da "decadência" por entender que a decisão recorrida substituiu o despacho decisório, quando teriam se passado "cerca de nove anos desde a entrega da PER/DCOMP" em 2004. Aduz que "as compensações, inclusive, foram homologadas tacitamente"; 3 alega que algumas questões aventadas na manifestação de inconformidade não forma analisadas, e, novamente, pede a decretação da nulidade da decisão recorrida "por violação do direito à ampla defesa"; 4 que toda mercadoria adquirida só entrava em seu estabelecimento após a verificação da idoneidade da NF (CNPJ ativo e SINTEGRA ativo) e é devidamente registrada. Entende que se as empresas eram irregulares na época o erro é do Fisco, pois "a negligência da Receita Federal não pode dar margem à punição dos contribuintes". Afirma que agiu de boafé "já que todas as notas fiscais foram escrituradas, registradas e contabilizadas dentro dos padrões fiscais e os pagamentos efetuados via depósito bancário diretamente às empresas Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000531/200546 Acórdão n.º 3402002.971 S3C4T2 Fl. 1.396 4 emitentes das notas fiscais juntadas à manifestação de inconformidade". Repete que foi concedido Habeas Corpus para trancar a ação penal 2008.50.05.0005383; 5 no que pertine à compensação considerada não declarada, alega que ela foi apresentada e aceita pela ARF de Serra/ES. Entende que "é razoável que seja dado oportunidade à contribuinte para apresentála através do sistema eletrônico PER/DCOMP, ou, que esta seja analisada com foi protocolada na Federal". Acresce que a IN SRF 600 restringiu onde a lei não o fez. Novamente, ante tal fato, entende que a r. decisão e o despacho decisório "estão eivados de vícios insanáveis, defeito que o (sic) invalida e prejudica, demasiadamente, a recorrente"; 6 que o presente processo está arrimado em provas ilícitas, pois provenientes da operação Broca. Entende que ao transitar em julgado o HC acima referido, teriam sido rechaçados os documentos obtidos no curso daquela operação. Consigna: Pede, em consequência, com arrimo na "teoria dos frutos da árvore envenenada", que as provas obtidas por meios ilícitos, sem apontar precisamente quais, sejam "extirpadas dos autos". Anota que "o TRF2 refutou todas as provas"; 7 que sejam consideradas nulas as declarações prestadas pelos gestores das grandes atacadistas e dos corretores envolvidos na interposição de pessoas jurídicas, pois tiveram deturparam os acontecimentos na tentativa de imputar responsabilidade exclusiva às exportadoras de café. Tece comentários acerca das operações Broca e Tempo de Colheita, concluindo que "em nenhum momento provouse que a recorrente deu início a empresa laranjas, ou sabia que elas não recolhiam seus impostos, sendo que as provas foram colhidas em estabelecimentos de terceiros e nunca no seu; 8 pede a realização de perícia "visando confirmar todas alegações..bem como certificar a efetiva entrada das mercadorias, pagamentos, legalidades das notas fiscais, escrituração contábil e fiscal, como também, a composição exata dos créditos glosados, sob pena de nulidade do procedimento fiscal, apontando perito e quesitos. 9 Caso seja mantida a glosa dos créditos conforme proposta pelo Auditor Fiscal, que seja determinado à restituição dos valores pagos a título de Imposto de Renda (25%) e Contribuição Social sobre o Lucro (9%), apurados, corrigidos monetariamente, uma vez que os referidos valores glosados estão inclusos nas mencionadas bases de cálculo Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000531/200546 Acórdão n.º 3402002.971 S3C4T2 Fl. 1.397 5 Em 25/02/2015, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, converteu o julgamento em diligência (fls. 1.300/1.314) determinando à autoridade preparadora que adotasse as seguintes providências: a) Intimar a Recorrente para, com relação a todos os créditos objeto da glosa, elaborar demonstrativo relacionando os comprovantes de efetiva entrada das mercadorias adquiridas em seu estabelecimento, assim como os comprovantes de pagamento do preço de aquisição das mercadorias retratadas nas Notas Fiscais objeto de glosa, indicando as folhas dos autos em que constem referidas informações ou juntadoas; b) Informar a fiscalização conclusivamente (com cópias) quais as datas de publicação no DOU e a íntegra da decisão e respectiva fundamentação, quanto aos atos que declararam a inaptidão do CNPJ das comerciais atacadistas elencadas na r. decisão recorrida, cujas Notas Fiscais de aquisição supostamente geradoras dos créditos foram glosadas; c) Elaborar Demonstrativo em que conste, por operação, as datas das aquisições, dados das Notas Fiscais de aquisição que foram glosadas, data e endereço da entrega dos produtos adquiridos, data e forma de pagamento pela respectiva compra dos produtos, cotejando com a data de declaração de inaptidão do CNPJ do fornecedor, se for o caso, ou então, manifestando sobre a condição do CNPJ nas datas das operações (CNPJ ativo ou inativo); e d) Elaborar Parecer Conclusivo especificamente quanto a Diligência realizada, bem como informando se a Recorrente consta da lista de empresas apontadas pelo Ministério Público Federal nas operações da Polícia Federal e se existem depoimentos dos dirigentes ou que citam os dirigentes da Recorrente; Retornaram os autos com a Informação Fiscal de fls. 1.333/1.367. A peça fiscal informa, inicialmente, que outros processos da Rio Doce foram baixados em diligência pela DRJ/RJO (acima arrolados), resultando no Relatório Fiscal elaborado pelo SEFIS da DRF/Vitória, em 04/03/2013, contendo 170 folhas (em anexo), no qual foram analisados minuciosamente a origem e o modus operandi do esquema de interposição de empresa de fachada na compra e venda de café, à luz dos documentos colhidos nas investigações realizadas tanto pela Receita Federal (OPERAÇÃO TEMPO DE COLHEITA) quanto, depois, em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (OPERAÇÃO BROCA). A informação tece comentários acerca do parágrafo único do art. 82 da Lei 9.430/96, averbando que aquele ao dispor que a comprovação do efetivo pagamento e o recebimento da mercadoria afasta a responsabilidade pela inidoneidade das notas fiscais emitidas pela empresa vendedora alcança apenas o comprador de boafé. Acresce que "o farto volume de documentos constantes do referido Relatório Fiscal elaborado em 04/03/2003 comprova que era de pleno conhecimento da RIO DOCE CAFÉ que a aquisição era feita diretamente de pessoas físicas (produtores/maquinistas), mas os documentos comprobatórios da transação eram de terceira e interposta pessoa, o que de longe não se coaduna com os requisitos do comprador de boafé". Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000531/200546 Acórdão n.º 3402002.971 S3C4T2 Fl. 1.398 6 Em síntese, a informação fiscal discorreu sobre a operação Tempo de Colheita, levada a efeito pela RFB, e, depois, em parceria com a Polícia Federal e MPF, a operação Broca, consignando que estas operações comprovaram que foram utilizadas empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores para obtenção e apropriação de créditos de PIS/COFINS. Informa que no Relatório Fiscal antes mencionado, e aos autos anexado, contemplou a análise de várias operações fraudulentas envolvendo a RIO DOCE CAFÉ com intuito de simular negócio com a “empresa” emitente da nota fiscal, concluindo que essas operações demonstram a falta de boafé da RIO DOCE CAFÉ, transcrevendo fatos envolvendo a recorrente. Em sequência, afirma que "necessário se faz que os fatos citados no Relatório Fiscal, de 04/03/2013, que passa a fazer parte deste processo, sejam trazidos à luz quando da análise da aplicação do comprador de boafé, nos termos do art. 82 da Lei n° 9430/96, no presente autos". Acresce, ainda, que "a própria RIO DOCE CAFÉ admitiu tal cautela de “que para a conclusão do negócio havia, necessariamente, a pesquisa no Sintegra, caso o fornecedor não fosse habilitado, o negócio não era realizado”, conforme declarações prestadas pelo seu diretor, LEONARDO SALVIATO BREDA, e pelo seu comprador, DANIEL GOLDINHO DA SILVA, no procedimento fiscal instaurado na GRANDE MINAS COMÉRCIO DE CAFÉ pela DRF/VARGINHA/MG". Discorre que a MP 545, alterou a tributação do PIS/COFINS na cadeia produtiva do Café, tornando suspensa a incidência dessas contribuições sobre receitas de venda no mercado interno de café não torrado, e que, depois, a Lei 12.839/2013 reduziu a zero as alíquotas sobre tais operações. Já o art. 5º da Lei 12.599/2012 estabeleceu que a pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração nãocumulativa dessas contribuições passou a ter direito ao crédito presumido calculado mediante a aplicação do percentual de 10% das alíquotas do PIS/COFINS sobre a receita de exportação. Em resumo, o crédito que antes era calculado sobre 100% da alíquota do PIS/COFINS sobre o preço de aquisição de pessoa jurídica passou a ser calculado sobre a receita de exportação. Finalizando, informa que dos 33 maiores fornecedores de café da empresa, apenas 02 (Colúmbia e Nova Brasília) eram do Espírito Santo, sendo as mesmas, na conclusão das referidas Operações, empresas de fachada. Consigna, ainda, que: Não obstante isso, a RIO DOCE CAFÉ foi citada no relatório encaminhado ao MPFES, no qual se anotou que “a confrontação da movimentação financeira com dados fiscais de supostas atacadistas de café no estado de MINAS GERAIS (MATIPÓ, MANHUAÇÚ, VARGINHA e outras), não mostra aparentemente um quadro diferente do encontrado pela fiscalização no ESPÍRITO SANTO. Ao contrário, a moldura é exatamente a mesma: movimentação financeira milionária em contraposição a situação de inativa, omissa ou simplesmente declaração preenchida zerada ou com valor muito aquém”. ... A Procuradoria da República encaminhou à DRF/VTA/ES cópia da Denúncia oferecida pela Justiça Federal nos autos do processo principal nº 2008.50.05.0005383 (processos dependentes nº 2009.50. 01.0005193 e 2010.50.05.0001610 e Inquérito Policial nº 541/2008DPF/SR/ES) conforme Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000531/200546 Acórdão n.º 3402002.971 S3C4T2 Fl. 1.399 7 autorização exarada pela Juíza Federal da 1ª Vara Federal de Colatina. Nela não constam depoimentos dos dirigentes da Recorrente ou que citam seus dirigentes. Existe, sim, depoimentos de terceiros que citam a empresa RIO DOCE CAFÉ. No seu depoimento prestado perante a Polícia Federal, Juliano Sala Padovan, sócio da empresa laranja R. ARAÚJO – CAFECOL MERCANTIL, asseverou “QUE as exportadoras (...), RIO DOCE, (...), fingem que compram café da R. ARAÚJO, mas sabem que estão comprando diretamente dos produtores”. Por sua vez, Júlio Cesar Mattedi, sócio da empresa laranja ACÁDIA, em depoimento perante a Polícia Federal, declarou “QUE, a empresa ACÁDIA vendia nota fiscal para as exportadoras (...) RIO DOCE, (...)”. Cientificada da Informação Fiscal, a recorrente manifestouse nos termos da petição de fls. 1371/1.89, na qual, em síntese, afirma que o Fisco se esquivou de responder objetivamente aos esclarecimentos exigidos pelo relator do processo no CARF, apresentando as mesmas informações prestadas no processo 15586.720174/201197 no sentido de que a maioria das empresas laranjas mencionadas no Parecer SEFIS/DRF/VIT 303/2011 são repetidas neste relatório, documentando compras de café no período de 2005 a 2010. Afirma que "não há prova alguma de máfé e muito menos dolo da recorrente". Averba, ainda: "outro fato relevante que comprova a boafé da recorrente é que nem a Rio Doce Café, muito menos seus diretores foram envolvidos na operação broca...sequer funcionários ou diretores foram chamados para prestar depoimento". Alega que "o contato da empresa era exclusivo com os corretores de café ou maquinistas, como se denota dos depoimentos dos produtores rurais, que, afirma, são os "únicos personagens não suspeitos". Demais disso, consigna que a fiscalização "não tem condições legais de comprovar que as declarações de inaptidões ocorreram antes das compras pela recorrente", e que só assim atenderia aos requisitos do art. 82 da Lei 9.430/96. Aduz que: Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000531/200546 Acórdão n.º 3402002.971 S3C4T2 Fl. 1.400 8 Por fim, entende indevida a glosa dos valores pagos "a título de armazenagem, comissões e combustíveis", pois "são insumos utilizados na produção de seus produtos", postulando a anulação do acórdão da DRJ/RJ1, já que não houve máfé de sua parte, e, ultrapassado esse pedido, postula "a devolução dos autos à DRF Vitória para que cumpra as determinações do CARF, uma vez flagrante a desobediência às ordens do CARF". É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Conforme relatado, a matéria devolvida ao conhecimento desta Turma de julgamento referese, exclusivamente, às glosas de aquisições de café de empresas consideradas inidôneas, inativas ou inaptas. O recurso voluntário não se insurgiu quanto aos ajustes na base de cálculo. Eis o resumo das glosas: Inicialmente rechaço todas as preliminares arguidas. A peça recursal (prolixa e evasiva), se apega ao acessório, pois no mérito nada acresce, não tendo se desincumbido de Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000531/200546 Acórdão n.º 3402002.971 S3C4T2 Fl. 1.401 9 provar o efetivo pagamento das mercadorias objeto da glosa, e, portanto, não demonstrou sua boafé. Equivocadamente a recorrente afirma que a decisão da DRJ mudou o fundamento de decidir da peça decisória inicial ao afirmar que o simples fato de as empresas fornecedoras não terem pago as contribuições não seria o bastante para considerar suas notas fiscais como inidôneas, pois entende que este teria sido o fundamento único do despacho decisório. Inverídica tal afirmação. Esse foi apenas um argumento da peça decisória vestibular e não seu fundamento, o qual foi no sentido de que não restou provada a boafé da empresa em relação aos valores das aquisições de café glosadas. Portanto, não merece acolhida a afirmação de que a decisão da DRJ substituiu o despacho decisório. A DRJ, no rito do Decreto 70.235, para o fim de firmar sua convicção, pode converter o julgamento em diligência. Isso o que foi feito, daí decorrendo o Relatório Fiscal, o qual lhe deu arrimo suficiente para decidir de forma convicta e bem fundamentada. Assim, não há falarse em nulidade desta e, em consequência, nem que deveria terem sido os autos devolvidos à DRF Vitória para prolação de nova decisão. Não houve supressão de instância e nem qualquer outro vício que possa macular qualquer dessas peças decisórias. Portanto, arguir cerceamento de direito de defesa no caso em comento chega a ser risível, pois a recorrente se manifestou em vários momentos processuais. Demais disso, se prejuízo a defesa houvesse, é seu o ônus de provar. Sem prejuízo, sem nulidade. Por tais fundamentos, não prospera a alegação que as compensações teriam sido homologadas tacitamente ("decadência") por decurso de prazo, pois o despacho decisório está hígido,eficaz e vigente, e foi prolatado antes do prazo a que alude o § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96. Igualmente tendenciosa a peça recursal ao dar a entender que a decisão da DRJ se valeu do art. 116 do CTN para fundamentar sua decisão. A menção a essa norma foi tratada como argumento e não como fundamento. Não foi, ao contrário do afirmado, aplicado o art. 116. A própria decisão faz menção explícita que a norma está carente de regulamentação, mas que pode ser lida no sentido de orientar, apenas, o operador do direito. Em síntese, a motivação da decisão recorrida quanto às glosas em análise foi a seguinte: Assim, considerando os fatos descritos, e sustentados por conjunto probatório robusto constante dos autos, é imperativo concluir que as 'compras' efetuadas pelo contribuinte, ora impugnante, de pessoas jurídicas artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios de fato inexistentes para dissimular o negócio real entre o produtor rural/pessoa física e o contribuinte autuado, constituíramse em fatos enquadráveis na hipótese do art. 72 cc art. 73 da Lei n° 4.702/64. Tratandose de pedido de ressarcimento/compensação, o ônus probatório é todo do contribuinte e não deve o Fisco sair a catar provas de direito de terceiros, ainda mais quando com base em créditos ilíquidos e incertos aquele de pronto já se compensa. Tratandose de crédito a serem ressarcidos/compensados é dever do contribuinte produzir a prova junto ao pedido, eis que aquele, mormente quando de pronto compensado, deve ser líquido e certo. Não o fazendo, pelo próprio fato, entendo que a compensação pode, de pronto, não ser homologada Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000531/200546 Acórdão n.º 3402002.971 S3C4T2 Fl. 1.402 10 pela falta de liquidez e certeza, pressuposto do instituto da compensação. O que quer a recorrente é quitar débitos incontestes junto ao Fisco e no curso do processo fazer prova de seu crédito e ainda que deve ser intimada a fazer essa prova. Não é isso que prevê o rito do Decreto 70.235/72. Por tal, rejeito o pedido de perícia por prescindível. Também despropositado o argumento de nulidade da r. decisão por não ter enfrentado todas as provas e alegações veiculadas na manifestação de inconformidade. Ora, cediço no âmbito jurisprudencial que não há vício, e portanto prejuízo à defesa, quando a decisão, de forma fundamentada, com sólidos argumentos, decide em um determinado sentido. Ou seja, já ultrapassada essa visão formalista do processo, pois o importante é que se decida bem e celeremente, o que foi feito. A fragilidade dos argumentos recursais não param por aí. Quer a recorrente que todas as provas obtidas no âmbitos das operações Tempo de Colheita e Broca sejam desconsideradas, bem como aquelas delas oriundas, pela teoria dos frutos da árvore podre, em função do decidido no Habeas Corpus para trancar a ação penal 2008.50.05.0005383. A decisão recorrida, de impecável fundamentação, bem enfrentou essa quaestio. A seguir repiso os argumentos da r. decisão quanto a este tópico. "A respeito da Ação Penal citada pela interessada, a mesma, em nada invalida o trabalho fiscal quanto à apuração dos créditos da nãocumulatividade e as conclusões a respeito do indébito pleiteado mediante os comandos emanados das citadas Operações Broca e Tempo de Colheita, na esfera administrativa, conforme a ementa do Acórdão proferido pelo TRF da 2a Região, abaixo transcrita: "Princípio da especialidade. Ações visando redução e/ou não recolhimento de tributos, não configura estelionato, face estarem tipificadas na Lei 8137/90. Artigo 12 do Código Penal. Tampouco existe eventual crime de quadrilha antes de existir o próprio crime que, em tese, fora praticado. Adaptação do voto do relator neste sentido, adotando a tese desenvolvida pelo Des. Abel Gomes, no julgamento. Ordem concedida, estendida aos demais acusados, para trancar a ação penal. " Podemos extrair ainda os seguintes pontos elencados pelo relator (fl. 1.021): "Em nenhum momento a denúncia trata de outra ação que não a tipificada na Lei 8137/90, tampouco a imputação de crime de quadrilha remanesce, eis que na realidade todos os comerciantes de café da região onde se deram os fatos, com raríssimas exceções, praticavam a mesma conduta, independentemente, tal e qual se comercializa qualquer mercadoria, como ocorre com o café, não existindo qualquer condição que caracteriza ajuste de mais de três pessoas para prática de crimes. O impetrantepaciente demonstrou, folhas 739, que não há, ou ao menos não havia, decisão definitiva de constituição de crédito tributário, e também por esta razão apresentase a denúncia sem justa causa para instauração da ação penal. Pelo exposto, e considerando ainda os precedentes do STJ acostados as folhas 741 e seguintes, referentes aos HC s 103.055 e 137.023, CONCEDO A ORDEM, para o fim de trancar a ação penal n° 2008.50.05.0005385, do Juízo Federal de Colatina/ES, em relação ao impetrantepaciente, e aos demais acusados, estendo a ordem, de ofício, com base no artigo 580 do Código de Processo Penal." Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000531/200546 Acórdão n.º 3402002.971 S3C4T2 Fl. 1.403 11 Os fatos transcritos na Ação Penal não invalidam ou possibilitam obstruir os procedimentos fiscais e as conclusões quanto à veracidade e validade dos créditos das contribuições ao PIS e COFINS, indicados pelo contribuinte e cujo Ressarcimento fora pleiteado." Isto posto, entendo que todas provas colhidas no âmbito daquelas operações são absolutamente lícitas, assim como as declarações prestadas pelos gestores das grandes atacadistas e dos corretores envolvidos na interposição de pessoas jurídicas. Em vista disso, sem reparos ao Relatório Fiscal quando a elas se refere. No que diz respeito a decisão da DRJ de não conhecer da manifestação de inconformidade quanto à compensação considerada não declarada por não ter sido enviada por meio do sistema PER/DCOMP (apresentada em papel à fl. 21 e datada de 23/02/2006), tenhoa por correta. A IN SRF 600, vigente à época, é explícita quanto à essa exigência, prescrevendo em seu art. 31, que: Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2 º a 4 º do art. 77, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. De sua feita, o art. 48 da mesma IN SRF só abre a via da manifestação de inconformidade "contra o não reconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação ". Portanto, tratandose de hipótese de compensação considerada não declarada, descabe a lide no rito do Decreto 70.235/72. Isso porque bastaria, como no caso dos autos, o contribuinte enviar o documento de acordo com o sistema eletrônico PER/DCOMP. Por fim, analiso as glosas referente às aquisições de insumos de pessoas jurídica inaptas, omissas ou com receitas incompatíveis. Com a devida vênia, entendo que a conversão do julgamento em diligência pelo CARF era prescindível perante o vasto bojo probatório dos autos. Por tal, refuto o argumento da empresa, em contrarazões à informação fiscal, de que deveria ser novamente o processo baixado em diligência para que fosse atendido especificamente os termos daquela. Nesse tópico a recorrente resume sua defesa alegando que realizou os pagamentos aos fornecedores objeto da glosa "via depósito bancário ou via TED/DOC diretamente aos emitentes das notas fiscais", o que, entende, demonstra sua boafé. E ao contrário do que a recorrente se alonga no sentido de refutar o argumento do Despacho Decisório de que as empresas fornecedoras cujos valores foram glosados não teriam feito pagamento algum das contribuições PIS/COFINS, este não foi o motivo da glosa, mas simples argumento daquela decisão, e não seu fundamento. A motivação da glosa, como dito, foi o fato de as aquisições de café terem sido feitas junto à empresas consideradas inidôneas, inativas ou inaptas. Cita escólio jurisprudencial, judicial e administrativo, que afirmam que mesmo que o documento fiscal seja inidôneo, provada a boafé e comprovado que a compra foi efetivamente realizada, deve ela ser aceita e que produza todos efeitos dela decorrente. Essa é a quaestio a ser solvida, qual seja se a recorrente desincumbiuse de provar o efetivo pagamento dessas compras e as entrada das mesmas em seu estabelecimento, de modo que fique, nos termos do art. 82 da Lei 9.430/96, provada a boafé que alega em seu proveito. Ressaltese que, independentemente da declaração de inaptidão em ato oficial adequado emitido pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil (RFB), a Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000531/200546 Acórdão n.º 3402002.971 S3C4T2 Fl. 1.404 12 documentação fiscal pode ser considerada como tributariamente ineficaz quando comprovada por outros meios a inexistência de fato de uma empresa supostamente fornecedora ou a inexistência de fornecimentos específicos desta com elementos irrefutáveis como a não localização da empresa no endereço informado à RFB, não comprovação do transporte de mercadorias, por exemplo, como in casu. Em que pese não tenha tratado o procedimento fiscal em exame de situações de declaração de inaptidão, ou mesmo da inidoneidade dos documentos fiscais emitidos pelos fornecedores do interessado, fato é que a menção da fiscalização sobre supostas irregularidades nas empresas fornecedoras, demandariam do adquirente/interessado, na comprovação do direito creditório postulado, demonstração cabal, por intermédio dos competentes registros contábeis e fiscais, da efetividade de suas aquisições e do ingresso das mercadorias adquiridas (café) nos seus estabelecimentos, de modo a ensejar a apropriação de créditos pretendida pelo contribuinte. Alem das provas indiciárias acostadas aos autos e convergentes no sentido de que a recorrente fazia parte desse "esquema criminoso" para "fabricar" créditos, ela não se desincumbiu de provar que os pagamentos foram feitos a essas empresas, e nem poderia, pois restou provada a simulação de compras de café das mesmas, pois, tudo leva a crer, as compras foram feitas de produtores rurais. Como antes abordado, ao contribuinte em processos de restituição/compensação cabe, nos termos da legislação que disciplina a matéria, a demonstração da existência do direito ao crédito alegado e sua liquidez. Assim, tendo sido invocadas pela fiscalização supostas irregularidades fiscais nos fornecedores relacionados, caberia a recorrente, na demonstração de seu suposto direito, a comprovação por intermédio de notas fiscais, comprovantes de pagamento, extratos bancários, comprovantes de recebimento, registros contábeis e fiscais, etc da efetividade de suas aquisições junto a esses fornecedores. A parca documentação anexada à Manifestação de Inconformidade apresentada não nos permite, contudo, chegar à conclusão sobre a realização das aquisições glosadas pela fiscalização. Demais disso, pouco serve juntar vários documentos sem articulálos com o objeto da defesa, no caso provar que pagou e que a mercadoria adentrou seu estabelecimento. Causame espécie a defendente alegar que verificava se a empresa simplesmente estava ativa pelo CNPJ e o SINTEGRA. Quero crer que relações comerciais com gastos em um único mês em valores tão expressivos não tenham se dado com base em trocas de correspondência entre seus funcionários e os das empresas fornecedoras. Tratandose dos valores em comento, não é crível que sequer não conhecesse as mesmas in loco. Diante de todas circunstâncias, com razão a autoridade fiscal que veicula em sua informação o contexto das operações que se analisa em relação às chamadas operações Tempo de Colheita e Broca, onde restou provado à exaustão (conforme o relatório de diligência fiscal formulado em relação à recorrente devido a questionamentos da DRJ/RJ em outros autos, mas anexado a estes) que havia um "esquema criminoso" de interposição fraudulenta dos pseudoatadistas de café, quando em verdade a compra era de produtor rural, com o fim específico de criar créditos fictícios de forma a diminuir os valores a pagar das contribuições nãocumulativas para as empresas do ramo de café. Essa foi também a conclusão do Acórdão CARF 3202001.204, de 28/04/2013. Não por acaso houve mudança significativa na tributação do PIS/COFINS sobre as receitas de venda no mercado interno de café não torrado, estando hoje zeradas as alíquotas sobre tais operações. Também as pessoas jurídicas Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000531/200546 Acórdão n.º 3402002.971 S3C4T2 Fl. 1.405 13 sujeitas à nãocumulatividade passaram, em 2012, a ter direito a crédito presumido com base em percentual sobre a receita de exportação. Como de praxe, a lei sempre vem atrás dos fatos. Os depoimentos denunciam a fraude, confirmam seu modus operandi, e, ainda, demonstram a participação efetiva dos compradores, entre os quais está o contribuinte, ora recorrente. Não se trata de depoimento qualquer, mas dos próprios fornecedores do contribuinte. Os indícios se acumulam no sentido de comprovar que algumas empresas Exportadoras/Indústrias do Espírito Santo, pelo que foi registrado até agora, efetivamente participaram da montagem e do uso do esquema fraudulento. Há prova documental neste sentido, e os depoimentos também convergem perfeitamente para este ponto, como por exemplo, no depoimento do corretor João Carlos de Abreu Zampier, onde se identifica os intermediários como empresas laranjas, cuja finalidade é vender nota fiscal e no de um outro corretor Valério Antônio Dallapícula , novamente de modo muito explícito é descrita a fraude. Há, nos autos, outros depoimentos de corretores e produtores rurais, inclusive no Estado de Minas Gerais, todos convergindo para os mesmos pontos. As empresas fornecedoras da recorrente, tais como V. Munaldi, Acádia, Colúmbia e outras arroladas nestes autos, não operam no mercado de compravenda de café, mas atuam em outro 'mercado', a saber, 'mercado de compravenda de nota fiscal'. Esta conclusão sobejamente demonstrada por farto suporte documental presente nos autos é constantemente ratificada nos depoimentos dos próprios envolvidos na fraude. Empresas como Coipex, Montanha Café, Colúmbia, Do Grão, Acádia e V. Munaldi e outras funcionam como 'laranjas', termo, aliás, empregado no meio do comércio cafeeiro, como se registra no depoimento dos corretores. Assim, considerando os fatos descritos, e sustentados pelo robusto conjunto probatório constante dos autos, é imperativo concluir que as 'compras' efetuadas pela recorrente, de pessoas jurídicas artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios de fato inexistentes para dissimular o negócio real entre o produtor rural/pessoa física e a defendente, constituíramse em fatos enquadráveis na hipótese do art. 72 c/c art. 73 da Lei n° 4.702/64. Finalmente, a inconformada menciona que não há liame algum entre a recorrente e algumas empresas atacadistas, seus fornecedores, assim, os créditos derivados das aquisições destas empresas não poderiam ser glosados. No entanto, a alegação não procede porquanto a caracterização daqueles fornecedores como empresa atacadista sem capacidade operacional, com existência fantasmagórica do ponto vista fiscal, mas com movimento apreciável de recursos restou incontroverso. Além disso, encontramse bem definidas como empresas criadas com o propósito de vender nota fiscal, não com o propósito de comercializar café, logo, não seria crível contrariando o que afirma seus próprios sócios e administradores que teria vendido café somente para RIO DOCE CAFÉ. Portanto, ao contrário do que afirma a recorrente, ela não demonstrou sua boafé, pois não comprovou o pagamento nem tampouco o ingresso do café em seu estabelecimento. Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13770.000531/200546 Acórdão n.º 3402002.971 S3C4T2 Fl. 1.406 14 Em remate, incabível e mesmo despropositado o pedido de análise restituição das quantias de IR e CSLL pagos sobre os créditos glosados pelo Fisco, uma vez que teriam sido incluídos na base de cálculo dos mesmos. Se assim entender a recorrente, deve fazêlo em outro processo com esse fim específico. Em conclusão, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10510.004396/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/04/2007
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-004.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em Não conhecer do Recurso Voluntário, em virtude de sua apresentação intempestiva.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em Não conhecer do Recurso Voluntário, em virtude de sua apresentação intempestiva. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (PresidenteSubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 43 96 /2 00 7- 42 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Relatório Período de apuração: 01/01/2005 a 30/04/2007 Data da lavratura da NFLD: 26/09/2007. Data da Ciência da NFLD: 04/10/2007. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Salvador/BA que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 37.016.4083, consistentes em contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida a segurados empregados e a segurados contribuintes individuais, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 50/66. De acordo com os Relatórios da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito os fatos geradores que integram o presente lançamento foram subdivididos consoante os seguintes levantamentos: · GFP B CALCULO DECL GFIP APOS AF. Basesdecálculo declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, após o início da ação fiscal; . · GFA B CALCULO DECL GFIP ANTES AF. Basesdecálculo declaradas em GFIP, antes do início da ação fiscal; · NGF BASES CALCULO NÃO DECL EM GF IP. Basesdecálculo não declaradas em GFIP. A Viação São Pedro Ltda. é integrante de grupo econômico denominado Grupo Bomfim, o qual é constituído pelas empresas adiante elencadas, as quais são solidariamente responsáveis pelo adimplemento do débito constituído, na forma exposta no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91. · Bomfim Empresa Senhor do Bomfim Ltda., CNPJ 13.012.141/000176; · LM Pneus e Transportes Ltda., CNPJ 32.890.915/000106; · São Cristóvão Transportes Ltda., CNPJ 03.250.884/000120; · Viação Cidade de Aracaju Ltda., CNPJ 05.952.305/000117; · Viação Senhor do Bomfim Ltda., CNPJ 13.180.559/000192; e · LM Empreendimentos Hoteleiros e Serviços Ltda., CNPJ 06.066.059/000169. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.004396/200742 Acórdão n.º 2401004.001 S2C4T1 Fl. 549 3 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo Viação São Pedro Ltda, conjuntamente com seus sócios, Jose Leonardo dos Santos e José Lauro Menezes Silva, apresentaram impugnação, em 05/11/2007, de fls. 362/380. Devidamente cientificados do lançamento tributário em questão, em fevereiro/2008, mediante os Ofícios a fls. 395/400, e avisos de recebimento a fls. 401/405, as devedoras solidárias Bomfim Empresa Senhor do Bomfim Ltda., LM Pneus e Transportes Ltda., São Cristóvão Transportes Ltda., Viação Cidade de Aracaju Ltda., e Viação Senhor do Bomfim Ltda., apresentaram impugnação intempestiva em 29 de julho de 2008, a fls. 434/494. Devidamente cientificada mediante o Edital 016/2008, a fl. 410, em 04/04/2008, a devedora solidária LM Empreendimentos Hoteleiros e Serviços Ltda. Apresentou, em 29/07/2008, impugnação intempestiva a fls. 495/496. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1515.889 – 6ª Turma da DRJ/SDR, a fls. 412/417, julgando procedente o lançamento em debate, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Os devedores solidários foram intimados da decisão de 1ª Instância entre os dias 07 e 14 de julho de 2008, conforme Intimações a fls. 422/427 e Avisos de Recebimento a fls. 428/433, porém, esgotados os respectivos trintídios normativos, não interpuseram recurso. O Sujeito Passivo, devedor principal, foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25/07/2008, conforme Intimação 218/2008 – SACAT, a fl. 421, e Aviso de Recebimento a fl. 517. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, em 27 de agosto de 2008, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 524/534, requerendo ao fim a improcedência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Os devedores solidários foram intimados da decisão de 1ª Instância entre os dias 07 e 14 de julho de 2008, conforme Intimações a fls. 422/427 e Avisos de Recebimento a fls. 428/433, porém, esgotados os respectivos trintídios normativos, não interpuseram recurso. O Sujeito Passivo, devedor principal, foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 22/07/2008, terçafeira, dia útil, conforme Intimação 218/2008 – SACAT, a fl. 421, e Aviso de Recebimento a fl. 517. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213/91, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.03/2007) §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Cumpre trazer à baila que os processos administrativos fiscais relativos aos créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007, Fl. 551DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.004396/200742 Acórdão n.º 2401004.001 S2C4T1 Fl. 550 5 para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo iter procedimental passou a ser regido, desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235/72, em atenção às disposições insculpidas no art. 25 daquele Diploma Legal. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1º do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2º desta Lei. §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. §3º Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os prazos recursais devem ser contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Estatuiu, igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência. Tal prerrogativa, contudo, lhe foi excluída pela lei nº 8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde que, a contar de então, não mais dispõe a referida autoridade de poder discricionário para prorrogar os prazos recursais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da Decisão de Primeira Instância Administrativa no dia 25/07/2008, sextafeira, dia útil, conforme Aviso de Recebimento a fl. 517, iniciandose, por conseguinte, a fluência do trintídio recursal na segundafeira imediatamente seguinte, digase, no dia 28/07/2008, dia útil. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria aos 26 dias do mês de agosto do mesmo ano, inclusive, terçafeira, dia útil. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo, o que não ocorre no caso em apreço. Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente no dia 28/07/2008, o que implica a fixação do dia 26/08/2008 como o dies ad quem para a protocolização do competente Recurso Voluntário. No caso vertente, havendo sido o Recurso Voluntário interposto pelo Devedor Principal protocolizado, tão somente no dia 27/08/2008, quartafeira, dia útil, como assim denuncia o Carimbo de Protocolo aposto no canto superior direito da Folha de Rosto do Instrumento Recursal, a fl. 524, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.004396/200742 Acórdão n.º 2401004.001 S2C4T1 Fl. 551 7 Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I, da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva no âmbito administrativo, a teor dos artigos 22 e 26, I, ‘a’, da Portaria RFB nº 10.875/2007, sob cuja égide sucederam os fatos jurídicos em realce. Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 22. Decorrido o prazo sem que o recurso tenha sido interposto, será o sujeito passivo cientificado do trânsito em julgado administrativo e intimado a regularizar sua situação no prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação. (grifos nossos) Parágrafo único. Esgotados os meios de cobrança amigável, o processo será encaminhado ao órgão competente para inscrição em DAU. Art. 26. São definitivas as decisões: I de primeira instância: a) depois de esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) b) na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita a recurso de ofício; c) quando não couber mais recurso; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §1º Na hipótese da alínea "a" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo darseá no primeiro dia útil Fl. 554DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. (grifos nossos) §2º Na hipótese da alínea "b" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo, relativamente à parte não recorrida, darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. §3º Nos julgamentos em que não couber mais recurso, o trânsito em julgado ocorre com a ciência da decisão ao sujeito passivo. §4º Nos casos de interposição dos recursos previstos no art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, o trânsito em julgado da decisão somente ocorrerá após a ciência da nova decisão ao sujeito passivo. Óbvio está que os selecionados dispositivos da Portaria MPS em realce não ousaram ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, sendo, antes, desta, mero reflexo, conforme se vos segue: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do presente Recurso Voluntário, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário, em virtude de sua apresentação intempestiva. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10510.004396/200742 Acórdão n.º 2401004.001 S2C4T1 Fl. 552 9 Fl. 556DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 13310.000034/2002-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS.
Nos termos do RICARF, cabe recurso especial quando decisões sobre a mesma legislação chegarem a conclusões divergentes sobre fatos ao menos assemelhados. Não se enquadra nessa moldura a confrontação de julgamento de processo que versa sobre crédito presumido de IPI com outro que trata de créditos básicos daquele imposto. No mesmo sentido, quando num processo há, e no outro não, a saída física dos insumos mandados industrializar por encomenda.
Numero da decisão: 9303-003.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
assinado digitalmente
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente
assinado digitalmente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Redator ad hoc do voto vencido
assinado digitalmente
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator designado para o voto vencedor
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). O Conselheiro Ivan Allegretti participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. Nos termos do RICARF, cabe recurso especial quando decisões sobre a mesma legislação chegarem a conclusões divergentes sobre fatos ao menos assemelhados. Não se enquadra nessa moldura a confrontação de julgamento de processo que versa sobre crédito presumido de IPI com outro que trata de créditos básicos daquele imposto. No mesmo sentido, quando num processo há, e no outro não, a saída física dos insumos mandados industrializar por encomenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. assinado digitalmente CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO – Presidente assinado digitalmente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Redator ad hoc do voto vencido assinado digitalmente JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator designado para o voto vencedor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 0. 00 00 34 /2 00 2- 12 Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13310.000034/200212 Acórdão n.º 9303003.303 CSRFT3 Fl. 1.267 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). O Conselheiro Ivan Allegretti participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente. Relatório Cuidase de recurso especial interposto por CALÇADOS ANIGER NORDESTE LTDA. (fls. 1097 a 1114) contra o v. acórdão proferido pela Colenda 1ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 1003 a 1009) que, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de perícia e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário. Por bem descrever a presente controvérsia, adoto o relatório apresentado no v. acórdão recorrido, verbis: "Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao 1° trimestre de 2002, apresentado em 06/06/2002, com fundamento na Lei nº 9.363/96. O processo de industrialização da requerente desenvolvese em estabelecimentos de terceiros, desde o beneficiamento do couro, feito por curtumes especializados, até a fabricação dos calçados, feita pela Cocalqui — Cooperativa de Calçados Quixeramobim Ltda. Analisando a documentação contábil da empresa, o Auditor Fiscal, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 90/119 e Informação Fiscal de fls. 337/338, constatou que não havia controle individualizado das operações de industrialização por encomenda e intimou a requerente a elaborálos. Depois de reiteradas intimações sem que a empresa lograsse apresentar e comprovar a existência de controles apropriados, propôs o indeferimento total do pleito. A Delegacia da Receita Federal em Fortaleza CE, acatando o parecer da fiscalização, indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento, registrando em seu despacho de f. 339 que a motivação da decisão foi a falta de comprovação do direito aos créditos pleiteados, de acordo com a legislação pertinente. Irresignada, a requerente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1 o Agente Fiscal, com um pouco mais de bom senso, com base nos dados que sempre estiveram à sua disposição, Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13310.000034/200212 Acórdão n.º 9303003.303 CSRFT3 Fl. 1.268 3 poderia constatar onde e para que finalidade teriam sido utilizados todos os insumos adquiridos; 2 para comprovar o crédito presumido alegado, o Agente Fiscal deveria ter verificado se: a) as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem com direito a crédito foram adquiridas no mercado nacional; b) as aquisições mencionadas estão suportadas por documentos fiscais hábeis e idôneos, devidamente registrados nos livros contábeis e fiscais; c) as exportações informadas foram efetivamente realizadas (Registro de Exportação — RE e SD); d) as receitas totais correspondem aos valores informados pela contribuinte em outras obrigações acessórias, corno, por exemplo, na DIPJ; e) o cálculo da relação Receita de Exportação/Receitas Totais foi realizado corretamente; e f) o cálculo do Crédito Presumido informado pela Contribuinte estava correto; 3 o AuditorFiscal não teria levado em conta as centenas de notas fiscais de compra de matériasprimas e de demais insumos de produção colocadas à sua disposição e nem verificado as dezenas de notas fiscais de exportação, B/Ls, REs, SDs, contratos de câmbio de exportação, etc; 4 o crédito presumido deveria ser calculado com base nas aquisições de insumos e no percentual de participação das receitas de exportação na receita total da empresa exportadora, não havendo necessidade de se saber quais teriam sido os insumos aplicados nas exportações realizadas; 5 o valor dos insumos poderia ser calculado somandose o estoque no início de um determinado período às aquisições, e diminuindose as saídas não aplicadas na produção e o estoque final do mesmo período; 6 a solicitação de documentos feita pelo AuditorFiscal somente poderia ter sido realizada por alguém com algum distúrbio psíquico ou de máfé. Mesmo assim, teria disponibilizado ao AuditorFiscal os seguintes documentos, os quais seriam mais do que suficientes para confirmar as exportações realizadas e a aquisição dos insumos utilizados na produção: livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias, livros de inventário, documentos comprobatórios da efetivação da exportação (RE, SD, BL, Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13310.000034/200212 Acórdão n.º 9303003.303 CSRFT3 Fl. 1.269 4 Contrato de Câmbio), livros diário e razão e fichas técnicas de produção; 7 se a fiscalização tinha alguma dúvida em relação a quais insumos e suas respectivas quantidades foram utilizados na fabricação dos calçados exportados, bastaria ter multiplicado a quantidade de calçados exportados de cada modelo pela quantidade de insumos definidos nas fichas de custos dos materiais por modelo; e 8 os pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI requeridos antes de 2001 foram deferidos sem que a fiscalização levantasse qualquer problema. Por fim, requereu a contribuinte: (1) a realização de perícia para esclarecer os quesitos que constam das fls. 327/328; (2) a reforma da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza CE para se deferir o pedido de ressarcimento; e (3) a atualizado do valor pleiteado pela taxa Selic desde a data do protocolo do processo até a data do efetivo ressarcimento. A DRJ em Belém — PA manteve inalterado o despacho decisório, indeferindo o pedido de perícia e negando o direito ao ressarcimento e às compensações, por falta de comprovação da liquidez e certeza dos créditos. No recurso voluntário, ao qual foram juntados diversos documentos, a empresa repisa e reforça os seus argumentos de defesa, reiterando a alegação de que produziu e exportou milhares de pares de calçados, fazendo jus ao crédito presumido solicitado. Reitera, também, o pedido de realização de perícia, para o fim de confirmar o seu direito ao ressarcimento, elaborando uma série de quesitos que, a seu ver, precisariam ser respondidos. Por fim, requer o deferimento integral do pedido de ressarcimento, devidamente atualizado pela taxa Selic, bem como a homologação das compensações inerentes a este processo." (grifos e destaques nossos) O v. acórdão ora recorrido possui a seguinte ementa, que bem resume os seus fundamentos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13310.000034/200212 Acórdão n.º 9303003.303 CSRFT3 Fl. 1.270 5 PEDIDO DE PERÍCIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. EMPRESA EQUIPARADA A INDUSTRIAL. RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. INDEFERIMENTO. O ressarcimento autorizado pela Lei nº 9.363/96 vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos, que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o seu indeferimento. Recurso negado. (grifos e destaques nossos) A Colenda Câmara a quo entendeu, em síntese, na esteira do voto proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Antonio Zomer, que se a requerente do crédito de IPI não mantém os controles exigidos pelas normas regulamentares, não logrando nem mesmo comprovar de forma adequada a realização da industrialização por encomenda, e mais, que os insumos foram, de fato, utilizados na fabricação dos produtos exportados, não há que se falar em direito ao ressarcimento do crédito presumido. De se notar que contra esse v. acórdão foram opostos embargos de declaração (fls. 1016 a 1022), que por sua vez foram rejeitados através da r. decisão de fls. 1095 a 1096). Irresignada, a contribuinte interpôs o já mencionado recurso especial, aduzindo, em síntese, que as informações fiscais e a documentação juntada aos autos são suficientes para apreciação do pedido pleiteado. O recurso especial do Contribuinte foi admitido através do r. despacho de fls. 1173 a 1174 quanto à questão da aceitação, como suficiente, do conjunto probatório apresentado pelo recorrente para demonstrar a procedência do seu direito creditório. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 1178 a 1199, onde se propugna pela manutenção do v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 1224, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, incumbiume o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais a formalizar o presente acórdão. Ressaltese que o relator Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13310.000034/200212 Acórdão n.º 9303003.303 CSRFT3 Fl. 1.271 6 original entregou o relatório e seu voto à secretaria da Câmara Superior. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da citada decisão. Desta forma, adotase o voto entregue pelo relator original, Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, vazado nos seguintes termos: "Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso especial deve ser conhecido. No tocante ao mérito, penso que o v. acórdão recorrido merece ser reformado. Com efeito, o que se depreende dos autos é que foi acostada vasta documentação a fim de comprovar o direito da contribuinte ao ressarcimento do crédito presumido de IPI. Por outro lado, a d. autoridade fiscal rejeitou a pretensão do contribuinte ao fundamento de que não haveria controle suficiente para comprovação do direito pleiteado. Com todas as vênias, pareceme que as questões são diversas. Uma é o direito em si quanto ao crédito e ao ressarcimento; outra é o quantum referente a tal crédito. O que se depreende dos autos é que a d. autoridade fiscal teria indeferido o direito com base na impossibilidade de aferição do quantum. Aliás, reforça essa conclusão o fato de que do pedido formulado nos presentes autos, nada foi deferido, ou seja, o indeferimento foi integral. A questão que se coloca, então, é a seguinte: será que a contribuinte não teria direito a nenhum crédito? E isso considerando que não se questiona que a empresa participa de um projeto específico do estado do Ceará e que existe uma cooperativa que opera diretamente em função das suas atividades? Não me afigura possível que de toda a documentação acostada aos autos (livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias, livros de inventário, documentos comprobatórios da efetivação da exportação, livros diário e razão e fichas técnicas de produção) nada foi útil para se chegar à conclusão que a contribuinte tem direito ao crédito presumido, ou ainda, que algum valor lhe seja devido. Nesse sentido, merece acolhida o contido no v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, 20402.186, da lavra do Ilustre Conselheiro Flávio Munhoz, apontado como paradigma no recurso especial, e cuja ementa tem o seguinte teor: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13310.000034/200212 Acórdão n.º 9303003.303 CSRFT3 Fl. 1.272 7 Ementa: IPI — PEDIDO DE RESSARCIMENTO — COMPROVAÇÃO EFICAZ O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no artigo 11 da Lei n° 9.779/99, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributários à alíquota zero, exige comprovação eficaz do que se pleiteia. A juntadas aos autos das Notas Fiscais de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, Fichas Quantitativas de Controle de Estoques e Notas fiscais de Exportação, são suficientes à apreciação do pedido de pleiteado. TAXA SELIC. O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39, §, 4° da Lei n° 9.250/95, aplicandose a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte (grifos nossos) Mister destacar, ainda, o seguinte excerto do voto proferido pelo Ilustre relator do paradigma acima, Conselheiro Flávio Munhoz, o qual peço vênia para adotar como razões de decidir, verbis: Conforme relatado, a d. Delegacia da Receita Federal de Fortaleza indeferiu o pedido ao argumento de irregularidades na escrituração fiscal da Recorrente, notadamente nos Livros Registro de Controle da Produção e Estoque Modelo 3 e de Inventário Modelo 7 e nas Notas Fiscais de remessas e retornos simbólicos de industrialização. A d. DRJ em RecifePE, em vista da decisão da d. DRF em FortalezaCE e das alegações e documentos juntados aos autos pela ora Recorrente, determinou fosse realizada diligência, ocasião na qual formulou quesitos que tiveram por objetivo evidenciar a existência do direito pleiteado, especialmente sobre a regularidade das aquisições de insumos, remessas e retornos de industrialização, de modo a comprovar a efetividade das operações e o termo inicial da taxa Selic postulada. A autoridade incumbida da realização da diligência, por seu turno, apontou diversos óbices à procedência do pedido, todos relacionados a irregularidades na escrituração dos Livros de Registro de Controle da Produção e Estoque Modelo 3 e de Inventário Modelo 7, que entendeu relevantes para o reconhecimento do direito, e, dessa forma, deixou de responder de forma objetiva e completa aos bem lançados quesitos formulados pela d. DRJ em RecifePE. Também questionou a regularidade das emissões de NotasFiscais nas remessas e retornos simbólicos de industrialização. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13310.000034/200212 Acórdão n.º 9303003.303 CSRFT3 Fl. 1.273 8 Assim, a d. DRJ em RecifePE entendeu que a matéria não se encontrava suficientemente esclarecida e optou por proferir decisão pelo indeferimento do pedido ao argumento de ser "imprescindível para tanto a comprovação da utilização". De início observo que há nos autos elementos suficientes à apreciação do pedido (foram juntadas aos autos as Notas Fiscais de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, as Fichas Quantitativas de Controle de Estoques, as Notas fiscais de Exportação, etc) e que, por ocasião da execução da decisão terá a autoridade oportunidade de conferir os documentos juntados aos autos, confrontandoos com os saldos credores apurados no Livro Registro de Apuração do IPI Modelo 8. Feitas essas considerações prévias, passo à análise do direito postulado. (...) (grifos e destaques nossos) Relevantes, ainda, as seguintes considerações postas pelo mesmo Ilustre Conselheiro Flávio Munhoz no v. acórdão 20402.189, também apontado como paradigma, que reforçam o entendimento adotado no presente julgamento, verbis: (...) De início observo que há nos autos elementos suficientes à apreciação do pedido (foram juntadas aos autos as Notas Fiscais de aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, as Fichas Quantitativas de Controle de Estoques, as Notas fiscais de Exportação, etc) e que, por ocasião da execução da decisão terá a autoridade oportunidade de conferir os documentos juntados aos autos, confrontandoos com as bases de cálculo adotadas para o cálculo do incentivo, inclusive ajustando o cálculo de acordo com o método PEPS, se tal alterar o valor do pedido formulado. (...) No caso dos autos, ficou demonstrado que os pedidos incluíram apenas o valor das aquisições das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pela Recorrente e por esta remetidos para industrialização em estabelecimentos de terceiros, dentre os quais diversas cooperativas de trabalhadores constituídas de acordo com o modelo provido ao empreendimento da Recorrente pelo Governo do Estado do Ceará. De acordo com as informações fiscais e a documentação que integra os autos, observase de inicio que tais cooperativas sempre funcionaram dentro do estabelecimento da Recorrente, e as industrializações foram realizadas com a utilização de maquinário de propriedade desta, cedido em comodato, razão Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13310.000034/200212 Acórdão n.º 9303003.303 CSRFT3 Fl. 1.274 9 pela qual podese afirmar que não houve, propriamente, saídas para industrialização, sendo correto também afirmar que tais apenas consubstanciaram operações fictas, o que toma de menor relevância as alegadas irregularidades nas remessas e retornos de industrialização que, de fato, não ocorreram. Feitas essas considerações prévias, passo à análise do direito postulado. (...) (grifos e destaques nossos) De se destacar, por último, que esse entendimento é corroborado pelas informações trazidas em julgamento pela contribuinte, especificamente de que teria proposto ação anulatória em relação a débitos tributários decorrentes de decisões do antigo Segundo Conselho de Contribuintes do mesmo teor da r. decisão ora recorrida, em que se discutiu, também, o ressarcimento de crédito presumido de IPI. Aliás, conforme se verifica às fls. 102, no Termo de Verificação Fiscal, tais processos (13310.000018/200149, 13310.000023/200232 e 13310.000042/200268) foram objeto de pedido de ressarcimento juntamente com o presente pleito. De toda forma, o que se afigura relevante destacar é que no bojo de tal ação anulatória foi produzida prova pericial contábil que afirmou, peremptoriamente, que a documentação apresentada à fiscalização seria hábil para comprovação do seu direito ao crédito presumido. Referido laudo, portanto, corrobora as alegações constantes dos presentes autos no sentido de que os livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias, livros de inventário, documentos comprobatórios da efetivação da exportação, livros diário e razão e fichas técnicas de produção são suficientes para apreciação do pedido pleiteado. Importante ressaltar, finalmente, que não se está a homologar o valor a ser ressarcido, mas apenas reconhecendo que os elementos apresentados pelo contribuinte são suficientes para lhe garantir o direito pleiteado. Com relação ao quantum, fica ressalvada a possibilidade da fiscalização conferir os cálculos apresentados. Por último, com relação à atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC, veiculada no recurso especial do contribuinte, é de se notar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente acima referido tem a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13310.000034/200212 Acórdão n.º 9303003.303 CSRFT3 Fl. 1.275 10 ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifos nossos) A decisão acima aludida foi proferida justamente em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI. Restou consolidado, assim, no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC nas hipóteses em que ocorre oposição estatal ilegítima. No precedente acima aludido tal oposição decorreu de ato normativo. No presente caso, a Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13310.000034/200212 Acórdão n.º 9303003.303 CSRFT3 Fl. 1.276 11 oposição decorreu da autoridade administrativa que analisou o pleito de ressarcimento dos referidos créditos. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, portanto, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte para reconhecer o seu direito ao ressarcimento do crédito presumido de IPI, na forma prevista na Lei nº 9.393/96, acrescido pela variação da taxa SELIC a partir da formulação dos pedidos, ficando ressalvado a possibilidade da fiscalização conferir os cálculos apresentados. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13310.000034/200212 Acórdão n.º 9303003.303 CSRFT3 Fl. 1.277 12 Com base nesses fundamentos, o relator original dava provimento ao recurso especial do contribuinte, tendo sido vencido pela maioria dos integrantes do colegiado. assinado digitalmente Henrique Pinheiros Torres redator ad hoc do voto vencido. Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, redator designado para o voto vencedor. Apesar do longo voto do dr. Rodrigo Miranda, constatamos em sessão que os acórdãos apontados como comprobatórios da divergência a tanto não chegavam e negamos conhecimento ao recurso pelos seguintes motivos. Quanto ao primeiro pretenso paradigma, referese ele ao direito ao aproveitamento de créditos básicos de IPI, direito esse que encontra amparo na Lei 9.779/99, distinta, portanto, da legislação aqui discutida: Lei 9.363/96. Já no que tange ao segundo paradigma, como bem anotado pelo dr. Rodrigo, tratavase, como neste, de crédito presumido de IPI. Lá, porém, e isso está substancialmente destacado no voto proferido pelo então Conselheiro Flávio de Sá Munhoz, foi sempre defendido que as tais "cooperativas" "funcionavam" dentro da exportadora. Por ênfase, transcrevo mais uma vez: De acordo com as informações fiscais e a documentação que integra os autos, observase de inicio que tais cooperativas sempre funcionaram dentro do estabelecimento da Recorrente, e as industrializações foram realizadas com a utilização de .maquinário de propriedade desta, "cedido em comodato" razão pela qual podese afirmar que não houve, propriamente, saídas para industrialização, sendo correto também afirmar que tais apenas consubstanciaram operações fictas, o que torna de menor relevância as alegadas irregularidades nas remessas e retornos de industrialização que, de fato, não ocorreram. E não havendo, de fato, saídas, não se discutiu naquele processo se poderse ia reconhecer o direito ao crédito presumido caso elas estivessem presentes. Importa reiterar: lá o que disse o dr. Flávio foi que as compras dos insumos estavam comprovadas, ou ao menos a fiscalização não as contestou, assim como não contestou sua suficiência para gerar os produtos exportados nem as efetivas exportações. E isso bastaria para que pelo menos algum crédito presumido fosse reconhecido. Aqui, ao contrário, defendeuse o tempo todo que as cooperativas não somente existiam como eram externas ao estabelecimento produtor. Deveras, a defesa escrita não contempla em uma linha sequer a premissa de que estivessem elas dentro da fábrica, pelo contrário, reproduz o recurso voluntário trecho do relatório fiscal que afirma: Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13310.000034/200212 Acórdão n.º 9303003.303 CSRFT3 Fl. 1.278 13 De fato, o Industrializador por Encomenda, Cocalqui, de acordo com a informação prestada pelo Interessado, e como verificamos no local, situase num edifício logo à frente da sede da Calçados Aniger do Nordeste Ltda., como se fora apenas outro galpão da mesma, inclusive com acesso por ela controlado. O substrato fático dos processos, portanto, difere, e difere de modo sensível, na medida em que a legislação estabelece rígidos controles para operações de saída/retorno que não foram tanto lá quanto aqui seguidos. É já sedimentada a jurisprudência no sentido de que o recurso especial tem como requisitos o exame da mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados. Não há dúvida de que, com respeito ao primeiro "paradigma", a legislação não é a mesma; com relação ao segundo, não se trata de fatos sequer assemelhados na medida em que aqui há isso o diz o tempo todo a defesa saída física de produtos do estabelecimento produtor para as tais "cooperativas". Registro que apenas nas sucessivas sustentações orais realizadas é que a defesa tentou, mas sem sucesso, comprovar que as cooperativas "operavam" dentro do estabelecimento da Calçados Aníger como fora pressuposto no caso da Canindé. Essas as considerações que levaram a maioria do colegiado a não conhecer do recurso. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS assinado digitalmente Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 13/11/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/11/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES, Assinado digitalmente em 09/11/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10440.001205/88-29
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 1990
Ementa: DEVOLUÇÃO DE RECURSO PARA SER EXAMINADO COMO IMPUGNAÇÃO
Justificada a reabertura do contraditório. Relevante
para o Decisum, o aperfeiçoamento ao fundamentação
fática do lançamento na Contestação Fiscal.
Numero da decisão: 103-10.783
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em restituir os autos repartição de origem, para que a autoridade de primeira instância aprecie o recurso como impugnação, nos termos do voto do relator
Nome do relator: Braz Januário Pinto
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Relevan- te para o Decisum, o aperfeiçoamento aa fundamenta- ção fAtica do lançamento na Contestação Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por DENTERN LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em restituir os autos repartição de origem, para que a autoridade de primeira instânciaapre cie o recurso como impugnação, nos termos do voto do relator. Sala das essões-DF., em 12 de novembro de 1990 ? ;/2 MACHADO C' DEIRA - PRESIDENTE - -INTO• ti ti - RELATOR VISTO EM NikITO 110' ANDA BRAGA - PROCURADOR DA FAZENDA NACIO- SESSÃO DE: 18mAl " NAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: FRANCISCO DE PAULA SCHETTINI, DICLER DE ASSUNÇÃO, JOSÉ ROCHA e LUIZ AL BERTO CAVA MACEIRA. Ausentes por motivo justificado, os Conselheiros ANTONIO PASSOS COSTA DE OLIVEIRA e VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE. .. sumo PUBLICO r Lotam Processo n9 10440/001.205/88-29 Recurso n9 95.593 Acórdão n9 103-10.783 Recorrente: DENTERN LTDA RELATÓRIO O Contribuinte, Dentern Ltda., com domicílio fiscal em Natal (RN), interpôs tempestivo recurso (f is. 208/255) a este Conselho, em 2/8/89, contra a R. Decisão (fls. 194/203) do Sr. Dele gado da Receita Federal naquela capital, que, em 26/5/89, julgara procedente em parte a exigência constituída pelo Auto de Infração (fls. 114/121), de 30/6/88, tempestivamente impugnada em 10/8/88, às fls. 128/142. 2. A matéria fática que deu fundamentação a exigência do imposto de renda constituído e seus acréscimos legais, no exerci cio de 1987 se referem a: a) Omissão de receita caracterizada por conta- Cz$ bilização parcial de pagamento de salários, conforme diferença apurada entre os valores das Folhas de Pagamento e os valores lança- dos na Conta Ordenadas e Salários, na quan- tia de 500,00 b) Omissão de receita caracterizada por depósi tos bancários não escriturados, sem origem e efetiva entrega comprovadas, conforme di- ferença apurada entre os valores dos extra- tos banéários e os escriturados na Conta Banco do Progresso, S/A, na quantia de 809.766,58 c) Omissão de receita caracterizada por ingres sos no Caixa como provindos de Banco, sem prova documental de efetiva entrada do nume rário, conforme diferença apurada entre os valores escriturados na Conta Caixa e Banco do Progresso, S/A e os valores comprovad (..1:2E71 ili% sumo MICO FEDEM. Processo n9 10440/001.205/88-29 2. Acórdão n9 103-10.783 mente constantes dos extratos bancários, na quantia de 449.723,36; Sub-total 1.259.989,94 d) Omissão de receita caracterizada por conta- bilização parcial de descontos recebidcosecen forme diferença apurada entre os valores constantes das Duplicatas pagas e as conta- bilizadas na Conta Descontos Recebidos, na quantia de 11.434,66; Total da Rec. Bruta omitida 1.271.424,60 e) Glosa de Custos e Despesas considerados in- dedutíveis: 1 - Gastos desnecessários ã atividade da Em presa (compra de camisas, de coroa de flores e multa da Sunab), na quantia de 9.618,007 2 - Despesas não incorridas no exercício,re ferente a Apólice de Seguro válida p/ 8/10/86 a 1/10/87, na quantia de 3.716,36; 3 - Custó de mercadorias adquiridas, sem pa gamento comprovado, conf. diferença apu rada entre os valores das duplicatas e a contabilização do seu pagamento, na quantia de 14.529.19; Soma 1.299.288,15 f) Glosa de imposto de renda retido na fonte compensado indevidamente por referir-se a aplicaçOes financeiras, a curto prazo, efe- tuadas no período de 1/1/86 a 24/7/86, na . quantia de 23.174,25. Na impugnação, o Contribuinte argüia, como declaran- 42L hjk SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10440/001.205/88-29 3. Acórdão n9 103-10.783 rante pelo lucro presumido e com respaldo no art. 111, III, do CTN, que manteve interpretar literalmente a dispensa de cumprimento de obrigação acessória, que, por sua vez, está definida no art. 113, § 29, e para o seu caso, regulamentada pelo art. 394, do RIR/80, que o Sr. Auditor Fiscal não poderia, nem mesmo verbalmente, exigir da Empresa, como fez, a apresentação do Livro Diário, mesmo levando. em consideração o disposto no art. 395, do RIR/80 (textos legais transcritos às fls. 129/130). Outro ponto de sua preliminar diz res peito a erro do Fisco, que teria sido cometido na capitulação le- gal da infração, conforme expõe às fls. 130/132, partindo da cita- ção do Sr. Autuante do art. 676, § único, do RIR/80, passando pelos arts. 468; 678, § 19 e 645, do RIR/80, para demonstrar que, campes soa jurídica não poderia ser enquadrado como infrator, sob a égide de dispositivos destinados à pessoa física. Conclui pedindo a nuli- dade do Auto de Infração, por carecer de capitulação legal, como assevera ter demonstrado. 4. No mérito, o Contribuinte impugna o feito argumentan do, em síntese, como razões de fatá: a) que a fiscalização, examinando o Livro Diário, verificouque o movimento bancário da Empresa, no Banco do Progresso S/A,. não foi escriturado nos meses de janeiro, maio e junho, ao comparar a escrituração contábil com os extratos bancários apresentados (fls. 45/66); b) que o Parecer Normativo CST n9 97/78 estabelece, no item 8, letra "b", que há necessidade de comprovação da receita bru ta que serviu de base para cálculo do lucro presumido atra- vés de livro Caixa, a empresa que não estiver obrigada a re gistrar suas operações em livros fiscais; c) que, como nossa Empresa está obrigada à escrituração dos li- vros fiscais do ICM e do ISS, inexiste necessidade de regis trar suas operações em qualquer outro livro; d) que, mesmo que houvesse tal obrigação, o laa'amento é incon sistente; SERVIÇO PUOISO 1EDEML Processo n9 10440/001.205/88-29 4. Acórdão n9 103-10.783 e) que o movimento bancário dos meses de janeiro, maio e parte de junho de 1986, foram escriturados em dezembro de 1986 e a prova cabal disso é o fato de que o saldo da conta Banco do Progresso, S/A, em 31/12/86, no Balanço Patrimonial, con forme cópia anexa, é de Cz$ 41.503,08, o mesmo do extrato, também em anexo; f) que essa ocorrência foi comunicada ao Sr. Auditor, contudo, a suspeição da omissão de receita, para ele, continuou a existir; g) que o sentido da disposição do § 29, do 678, do RIR/80, não foi alcançado pela Autoridade Fiscal, uma vez que por ele, o fisco deveria aceitar os esclarecimentos e as provas, sal vo se dispusesse de prova em contrário ou de indicio veemen • te de falsidade ou inexatidão dos esclarecimentos presta- dos pelo Contribuinte; h) que se está demonstrada, pelos documentos, extratos bancá- rios, livros de escrituração fiscal e contábil, a improce- dência da presunção da omissão de receita, o fisco há que aceitá-la, a menos que, assuma, conforme a lei, o ónus da prova e demonstre o contrário; i) que, nefli mesmo na conta Caixa, há ocorrência digna de regis tro fiscal, porquanto o movimento bancário transita. da se guinte forma: "os depósitos em bancos são recebidos, e, ato continuo, pagos por depósito. Os saques são recebidos e, ato continuo, pagos a quem de direito. Isto prova de forma irrefutável, a improcedência de qualquer omissão de receita na conta Caixa, mediante escrituração em mês diferente do competente, da movimentação bancária."; j) que, examinando todo o movimento da Empresa, no exercício social de 1986, a fiscalização só contestou os depósitos não escriturados na época própria, tendo aprovado os demais fa- tos registrados nos seus livros comerciais e fiscais; Processo n9 10440/001.205/88-29 FÇO MUCO FEDERAL órdão n9 103-10.783 1) que, se não foram tributados, esses fatos foram contabiliza dos corretamente, como se pode deduzir da peremptória exi- gência dos arts. 645 e 650, caput e s/§ 39, do RIR/80; m) que, como sabe a fiscalização, teve a Empresa duas fontes de receita, no ano-base de 1986, comercial, com registro' nos livros do ICM, e de prestação de serviços, nos livros do ISS; n) que, então, se o Fisco examinou todo o exercício de 1986 e não encontrou outras receitas que não as derivadas de sua impugnação (presunção ilegal de omissão de receita) e por- que concluiu que o movimento bancário escriturado teve es- sas duas fontes como origem, caso contrário teria adiciona- do às mesmas, todgs os créditos registrados nos extratos,pa ra apurar a receita bruta total; o) que, então, são prova em contrário, se 99/9% dos depósitos, créditos e/ou haveres registrados nos extratos de contas ban chias e contabilizadas, tiveram origem no faturamento, en- tão também 99,9% dos depositos escriturados a "posteriori", tiveram origem idêntica; p) que, fora dessas atividades normais, teve, em montante Infi mo, receitas de aplicação no mercado financeiro, não tribu- tadas na Declaração, pelo lucro presumido, mas na fonte ex- clusivamente. q) que sua receita bruta total declarada imposto em Cz$ 7.129.766,00, sendo, Cz$ 6.368.008,00 provenientes de ve das de mercadorias, conforme Livro de Registro de Saídas 04; Cz$ 152.106,11, da prestação de serviços, conforme vro de Registro de Prestação de Serviços n9 01, e Cz$ 218.611,11, de receitas de aplicações financeiras, iropr mente bitributadas (na fonte e na Declaração de Rend tos - Ex. 87), sendo que estes dois últimos valores lançados na linha 09, do quadro 10, do Formulário III Declaração do exercício de 1987; same PUOLICO MEM Processo n9 10440/001.205/88-29 6. Acórdão n9 103-10.783 r) que, conforme demonstrado acima, para chegar-se a receita bruta básica para tributação pelo regime do lucro presumi- do, adiciona-se à receita bruta declarada,deCz$ 7.129.766,00, a receita financeira não incluída no total, no valor de Cz$ 262.553,00, que resulta no montante de Cz$7.392.319,00, ainda dentro do limite legal para opção pelo lucro presumi- do. 5. Como razões de direito, o Contribuinte argumenta, em síntese: a) que a tributação dos depósitos bancários, por si só, limita da ao somatório puro e simples dos créditos nos extratos ban cários ou a diferença entre saldos das contas, nos meses, anterior e posterior, se constitui em erro grosseiro, capi- tulável no art. 650, do RIR/80, bem como ileg‘tima perante a jurisprudência administrativa e judiciária, conforme nume rosos Acórdãos do E. Conselho de Contribuintes e do E. Tri- bunal Federal de Recursos, bem como sua Súmula 182, de 7/10/85 (textos citados, parcialmente transcritos às fls. 136/137); b) que, como visto, nem todo depósito bancário decorre de ven- das, podendo constituir-se em: - dinheiro sacado de outro banco; - dinheiro obtido por empréstimos; - dinheiro recebido como adiantamento de futuras venda ou prestação de serviços; - dinheiro recebido após à escrituração da receita. c) que, por isto é que, dos totais havidos como créditos no mo vimento bancário, devem-se expurgar as disponibilidades de exercícios anteriores, o produto das receitas não tributá- veis, os empréstimos tomados no período etc., após o jogc de contas entre extratos das diversas agências bancária com as quais trabalha o Contribuinte, cotejando os depósi tos feitos numa agência bancária, com saques noutra, co _ SCRYIÇO PÚIIflFECERN. Processo n9 10440/001.205/88-29 7. Acórdão n9 103-10.783 coincidência de datas e valores; d) que, no máximo que poderia o Fisco fazer seria cotejar os depósitos ou créditos havidos em extratos de contas, com as receitas faturadas, vendas à vista, mês a mês, conforme in- teligência do Acórdão n9 103-04.965/82, mais o recebimento' por vendas a prazo faturadas nos meses anteriores, caracte- rizando, então a diferença que encontrasse, como importân- cia não tributada; e) que (após citar dois Acórdãos do E. Conselho), a Fiscaliza- ção aprovou 90% da origem dos recursos depositados no Banco do Progresso, S/A, porquanto tributou apenas os movimentos dos meses de janeiro, maio e junho de 1986, cuja escritura- ção fora postergada para dezembro/86; f) que, considerando que as quantias depositadas correspondem a receitas contabilizadas e figuram como disponível da pes- soa jurídica, em razóável proporção com as quantias acei- tas como comprovadas pelo fiscal, então podemos dizer, sem nenhuma sombra de dúvida, no mérito, improcede também o lan çamento fiscal ora impugnado; g) que, por fim, a eventuais diferenças lançadas nos livrosfis cais da:Empresa, porém, não declaradas, não podem consti- tuir matéria imponivel para aplicação do que dispõe o art. 396, do RIR/80, em 50% da receita omitida, segundo v. Acór dão do E. Conselho (ementa transcrita às fls. 139). 6. Nesta altura da defesa inicial, após argéi a ilegali dade da correção monetária do imposto de renda ou sua conversão em OTN, à vista da inconstitucionalidade declarada do art. 18, do D. Lei 2.323, de 26/2/87, conclui requerendo diligencia, para queaFis calização, no domicílio do Impugnante, responda o questionário que apresenta às fls. 141, lido a seguir. 7. Aos 26/9/88, em Petição de fls. 150, o Contribuinte requer, com fundamento no D. Lei 2471, de 1/9/88 (DOU - 2/9/88) , SERVIÇO PÚBLICO FEDE.RAL Processo n9 10440/001.205/88-29 8. Acórdão n9 103-10.783 art. 99, VII, e Súmula n9 182, do E. Tribunal Federal de Recursos, cancelamento da tributação originada exclusivamente de extratos e comprovantes bancários e fundada em cálculos por arbitramento, se- gundo as disposições dos arts. 180 e 18l,dopIpJ8Q,bnaxdatributa ção reflexa nos Processos decorrentes. As fls. 192, pede anexação ao Processo de cópia do Acórdão 101-78.185, de 12/12/88, favorável' a cancelamento idêntico. 8. Em longa Informação, ás fls. 188 a 190-v, o Sr. Autuan te faz a réplica de todos os pontos abordados pela defesa, a cuja leitura ora procedo em plenário, apresentando também o detalhamento comparativo e da conciliação das contas: "Depósitos Vinculados no Mercado Aberto-Banco do Progresso, S/A", "Bancos-C/Movimento-Banco do Progresso, S/A" e "Caixa Geral", mês a mês, no ano-base de 1986. 9. A Autoridade a quo, examinada a questão, assim sepro nunciou.a respeito, para no final reconhecer a procedência parcial da exigência, às fls. 198 a 202, lidas em plenário. 10. O Contribuinte inicia sua longa defesa final, argtfin — do a nulidade da R. Decisão de 19 grau, sob a fundamentação de que a Autoridade julgadora deixara de apreciar parte da Impugnação e aperfeiçoara o lançamento primitivo. No primeiro caso, pede a nuli- dade da R. Decisão a quo, firmado no V. Acórdão 106-1.593,de 27/7/88 (Ementa transcrita às fls. 212) e na argumentação de que não houve resposta aos questionmymntos apresentados no final de sua Impugnação, cujo objetivo era o de conduzir ã Fiscalização ao raciocínio de que se A+B.C, então a operação em que algo somado à A iguale a C, terá incluso, necessariamente, o elemento B. Assim argumenta para dizer em síntese que está em busca da verdade pactual não perquirida pela Fiscalização. Dissera na Impugnação e aqui repete, que os movimen- tos dos meses de janeiro, maio e parte de junho de 1986, da conta n9 031-000.125-2-Banco do Progresso, S/A-Agência Natal, foram escri turados no Livro Diário juntamente com o mês de dezembro/86, tendo em vista que o saldo exarado no extrato bancário daquela conta em 31/12/86, é o mesmo da conta gráfica correspondente na contabilida- de e no Balanço Patrimonial do exercício social, no exato valor de Cz$ 41.503,08. Lembra as provas incontrastáveis que apresentara SERMO PLIMMO rEDEVit. Processo n9 10440/001.205/88-29 9. Acórdão n9 103-10.783 diz que a Fiscalização preferiu adotar como prova, presunções inad- missíveis. Entende que a questão somente se soluciona pelo cotejo entre os elementos contábeis constitutivos do movimento global da conta Banco do Progresso S/A, no ano de 1986. A diligência requeri- da com tal finalidade, foi indevidamente indeferida, sem motivação alguma, apenas com respaldo em suposições do Sr. Autuante. Ao quere' rece, diz o Autuado, o motivo do indeferimento deveu-se ao que cons ta do item 3, parte V (conclusão) da R. Decisão a quo, assim escri- to: ... em resposta ao Termo de Constatação e Intimação - - folhas 67/103, a contribuinte nada comentou com relação aos demonstrativos anexos ao referido Ter- mo, sendo correto que o saldo da conta Bancos c/ mo vimento - Banco do Progresso SA., coincide com o O saldo dos extratos bancários, mas observando-se ir) g balanço - fls. 41,42 e 143, ha dese notar que não aparece em 31,127$6, na conta Depos. Vinc.VMrc. Abar to - Banco do Progresso SA., o saldo correspondente ao valor da aplicação n9 3915r4 -inivada eu 30.12.86 e resgatada em 05.01.877 no valor deCz$12W6.629,00." (os destaques não são do original). Ressalta que às fls. 26, do seu Diário (por computador) n9 04, está escriturado destacadamente, conforme cópia, em anexo, o valor de Cz$ 1.266.629,00, correspondente à aplicação n9 391564 - Banco do Progresso, S/A-Ag. Natal (RN). Diz ser, tal afirmação na Contesta- ção Fiscal (fls. 188/190), inovadora, ilegal, etc, e que o maisoccr reu da parte da àAutoridade a quo, tomando-a como motivo para indefe rir o pedido de diligência. Defende-se dizendo também, que o fato de não ter se lembrado de relatar o ocorrido em resposta ao tal Ter mo de Constatação e Intimação (fls. 67/103), feito de forma genéri- ca, de modo a não especificar a importância de Cz$ 1.266.629,00, não legitima o lançamento tributário na peça decisória, nem nos retira o direito inalienável de instaurar, como fez, o contraditório fis- cal através de Impugnação (art. 14, do Dec. 70.235/72), que é as- segurado pela Carta Magna (art. 59, inciso LV).Ademais, aduz, a de-. fesa, constitui inovação no Processo, a menção da quantia de Cz$... 1.266.629,00 como justificativa para indeferir o pedido de diligên- cia. Como inovadora de matéria imponivel, com prejuízo ao duplograu de jurisdição, diz, seguindo a jurisprudência administrativa, que o Decisum recorrido é nulo. Após dizer que a Autoridade a quo tam , . 42? I, ucorronai. Processo n9 10440/001.205/88-29 10. sump mm Acórdão n9 103-10.783 bém decidiu sobre o litígio concernente à má aplicação do que dis põe o art. 396, do RIR/80, preferindo considerar 100% dos valores supostamente enquadrados como omissão de receita, volta a falar do aperfeiçoamento do lançamento, na inovação do lançamento, com introdução na Contestação Fiscal da quantia citalade Cz$1.266.629,00 (transcreve Ementas de Acórdãos do E. Conselho, às fls. 217 a 219, a propósito). Conclui que esse novo lançamento, somente ocorreu ao tomar ciência da R. Decisão de 19 Instância, em 3/7/89, razão pela qual: "REQUER, que seja ANULADA a decisão da autorida de singular, pelos motivos congruentes vislumbra- dos através dos Acórdãos n9s 103-05.832/83 e 74.660/83, op. cit. Que a reclamatõria concernente a importância de Cz$ 1.266.629,00, indevida, aética, monstruosa e irresponsavelmente colocada na decisão singular co mo CALÇO para a manutenção FORÇADA da exigénciatrr butãria, seja recebida pôr essa Colenda Corte Fis cal, como IMPUGNAÇAO, pois somente na decisão de 19 Instância é que a mesma foi LANÇADA (art. 142, ca- put CTN); aperfeiçoamento INOVADOR da exigênciatri fl butãria primitiva, por "compensação" indevida (art. 142, §ü. CTN) das provas arrazadoras e fulminan- tes por nós apresentadas na peça inaugural." Ao prosseguir na defesa, o Contribuinte, repete, às fls. 220 a 223 razões iniciais, em preliminar, pedindo a nulidade do lançamen to, por capitulação legal confusa, esparsa e sem nexo causal com a matéria de fato. 11. Na parte do mérito, no Recurso, o Contribuinte ex- põe suas razões às fls. 224 a 255, bem como o que ao final rapar, a cuja leitura ora procedo. É o relatório. VOTO Conselheiro BRAZ JANUARIO PINTO, Relator. Considerando que na Contestação Fiscal os demons 1C21. SERVIÇO ~CO ~AL Processo n9 10440/001.205/88-29 11. Acórdão n9 103-10.783 trativos de fls. 152/187-v, apesar de repetirem o contido nos demonstrativos de fls. 67/70 e 100/102, isso se fez de forma mui to aperfeiçoada, monstrando o questionado muito mais claramente, reforçando sobremaneira a fundamentação decisória; bem como con- siderando não ter tido o Contribuinte acesso aos novos demonstra tivos, antes de impugnar o feito, Voto pela devolução do Recurso a Repartição de origem, a fim de que a D. Autoridade a quo o examinê como impug nação, confirmando ou não a procedência do apreciado a respeito, ã vista das razões e documentos apresentados ao E. Conselho, bem como consciência do Autuado e novo prazo para recurso voluntário. Bras, ia-DF., em 2 de novembro de 1990 (pra PIN‘ RELATOR MFCT. 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Numero do processo: 10410.901030/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.
A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantém-se a negativa em relação à compensação.
Numero da decisão: 1802-001.911
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantémse a negativa em relação à compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 90 10 30 /2 00 9- 11 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901030/200911 Acórdão n.º 1802001.911 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1135.430, às fls. 24 a 26: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação — DCOMP de fls. 16/20, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débito de sua responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 853,14, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado por estimativa em fevereiro de 2001. 2. Através do despacho de fl. 08, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal — DRF em Maceió identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. 3. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 01/02), afirmando que, em janeiro de 2001, pagou IRPJ no valor de R$ 853,14, apurado através de balanço mensal de redução. Alega que o valor foi recolhido indevidamente, pois teria encerrado o exercício com prejuízo. Pretende, assim, compensar o crédito com débito de estimativa apurado em exercício posterior. Sustenta desconhecer quais débitos motivaram a não homologação da compensação, requerendo que lhe sejam informadas a espécie e a competência do débito que foi alocado ao crédito por ela declarado. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901030/200911 Acórdão n.º 1802001.911 S1TE02 Fl. 4 3 Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 31/08/2012 (sextafeira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/10/2012, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o contribuinte efetuou indevidamente em março de 2001, pagamento de DARF no valor de R$ 853,14, relativo ao IRPJ apurado involuntariamente por Estimativa Mensal em fevereiro de 2001, quando o seu Balancete de Suspensão do período apresentava saldo negativo da base de cálculo do Imposto de Renda, conforme demonstrado às Fichas1 e 3, Fichas11 Fls. 7,8,9 e 10, e ficha12A Fls. 11 de sua DIPJ/2002 (em anexo); por entender que o imposto era devido, declarou desnecessariamente em DCTF, motivo pelo qual o pagamento foi reconhecido como integralmente vinculado ao suposto débito pela DRF/Maceió; como o imposto declarado foi pago indevidamente, representando crédito fiscal em favor do contribuinte, este por sua vez apresentou Declaração de Compensação DCOMP para compensar débito do IRPJ apurado por estimativa mensal em Julho de 2004, e involuntariamente no preenchimento do referido Pedido de Compensação, no campo "TIPO DE CRÉDITO" selecionou a opção "PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR" em lugar de "SALDO NEGATIVO DE IRPJ"; DO ESCLARECIMENTO o contribuinte reconhece que cometeu erro ao pagar em março de 2001, o IRPJ apurado aleatoriamente no mês de fevereiro quando o seu Balanço de Suspensão/Redução apresentava Saldo negativo; reconhece também que cometeu erro por declarar em DCTF o imposto pago, que não era devido; reconhece por fim ter cometido erro de digitação no momento da seleção da opção no campo "TIPO DE CRÉDITO" da DCOMP; DO DIREITO o contribuinte é optante do referido pagamento mensal previsto na Lei 9.430/1996, o qual utiliza uma base de calculo estimada, sendo devido o imposto sempre que o contribuinte gere receita. Porém, nos meses em que se pleiteia tal restituição, o contribuinte apresentou saldo fiscal negativo, desobrigandose, de acordo com os dispositivos legais, do pagamento do imposto; Fl. 51DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901030/200911 Acórdão n.º 1802001.911 S1TE02 Fl. 5 4 logo, se o contribuinte não possui saldo positivo na apuração da receita bruta mensal, concluise pela desnecessidade de pagamento de tributo; DA OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS – DCTF em virtude da obrigatoriedade de apresentação de DCTF, o contribuinte declarou a existência do imposto equivocadamente, o qual foi pago, consolidando o imposto, pago indevidamente, ao débito declarado; ressaltase que a DCTF vinculou o valor pago indevidamente ao débito presumido, como se confissão fosse, efetivando um equívoco inicial e retirando do contribuinte um credito que é seu por direito, suprimindoo ao pagamento de um imposto que não existiu; DO RESPALDO NA LEI N° 8.383/1991 E NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL o simples fato de a DCTF ter vinculado os valores pagos equivocadamente a um tributo que não se devia, não faz nascer para a Fazenda Pública a garantia de permanecer com tais valores, consolidar o débito indevido e permanecer com tal decisão, denegando ao contribuinte o direito ao crédito compensatório; é tão verdade o direito do contribuinte que em decisão a um recurso voluntário interposto em caso similar ao caso em tela, a Seção do Conselho Administrativo De Recursos Fiscais do Distrito Federal, em julgado anterior, julgou procedente o referido recurso, confirmando o direito do contribuinte em reaver os valores efetuados de forma indevida, gerado em virtude de erro no preenchimento da DCTF; DA OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA VERDADE MATERIAL de acordo com o princípio constitucional da verdade material ou real, a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos; diante do exposto, mostrase ofendido tal princípio, tendo em vista que a documentação anexada ao pedido de inconformidade faz meio de prova material, tido como lícito e capaz de instruir o processo e levar o órgão decisório a têlo como base para seu referido acórdão; A CONCLUSÃO à vista de todo o exposto, demonstrada a improcedência da decisão recorrida, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Este é o Relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901030/200911 Acórdão n.º 1802001.911 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 20/12/2005 (fls. 18 a 22), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de “pagamento indevido” a título de estimativa de IRPJ referente ao mês de fevereiro de 2001. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 27/03/2001 e possui o valor de R$ 853,14. A compensação abrange débito de estimativa de IRPJ referente ao mês de julho de 2004. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 853,14 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 10. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que a referida estimativa havia sido recolhida indevidamente, porque teria encerrado o exercício com prejuízo. Sustentou ainda que desconhecia os débitos que motivaram a não homologação da compensação, solicitando que lhe fosse informado a espécie e a competência do débito que foi alocado ao crédito pleiteado. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, considerando que não estavam presentes os requisitos de certeza e liquidez para o reconhecimento do direito creditório, nos seguintes termos: [...] 5. Como se observa nos autos, a interessada efetuou, em março de 2001, pagamento de DARF no valor de R$ 853,14, relativo ao IRPJ apurado por estimativa em fevereiro de 2001. Por entender indevido ou a maior o pagamento, transmitiu a declaração ora em exame, por via da qual utilizou o suposto crédito para compensar débito do IRPJ apurado por estimativa em julho de 2004. 6. A DRF/Maceió constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado ao próprio débito do IRPJ apurado por estimativa em fevereiro de 2001, que, conforme declarado em DCTF, importou em R$ 853,14, o exato valor do pagamento efetuado pela empresa. Ressaltese que o referido débito está claramente indicado no despacho decisório, nele constando o valor, o código de receita e o período de apuração. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901030/200911 Acórdão n.º 1802001.911 S1TE02 Fl. 7 6 7. Em consulta ao banco de dados da Receita Federal, verifiquei que a contribuinte efetivamente apresentou DCTF em que fez constar haver apurado por estimativa, em fevereiro de 2001, débito do IRPJ no valor de R$ 853,14, vinculandoo ao pagamento realizado através de DARF no mesmo montante (fl. 21). 8. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN) . 9. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Na primeira instância administrativa, a Contribuinte procurou comprovar o alegado direito creditório com a apresentação de folha do livro Razão onde estavam registrados os pagamentos de estimativa de IRPJ e de CSLL feitos ao longo do ano de 2001. Contudo, não haviam dúvidas sobre a existência do pagamento em questão, eis que o próprio despacho decisório já havia atestado esse fato, indicando o código de receita, o valor do DARF e a data de arrecadação. O mesmo despacho decisório também indicou precisamente o débito ao qual o pagamento estava vinculado, discriminando o valor do débito, o código de receita e o período de apuração, não havendo razão para que a Contribuinte alegasse desconhecimento do débito que motivou a não homologação da compensação. O referido débito, aliás, foi declarado em DCTF pela própria Contribuinte. Estas circunstâncias evidenciam que Contribuinte pouco contribuiu para o esclarecimentos dos fatos na primeira fase do processo. Desde o início, a controvérsia diz respeito à disponibilidade do recolhimento de estimativa, que a contribuinte alega como indevido ou a maior, e caberia a ela demonstrar a ocorrência de erro na informação prestada em DCTF. Quanto a isso, a Contribuinte simplesmente alegou na primeira instância administrativa que recolheu indevidamente estimativa de IRPJ, por ter apurado prejuízo fiscal. Ao proferir sua decisão, a Delegacia de Julgamento novamente tratou da falta de comprovação da certeza e liquidez do direito creditório, uma vez que a Contribuinte alegava ter realizado “pagamento indevido” de estimativa ao mesmo tempo em que havia confessado débito no valor do recolhimento. No que toca à comprovação de um indébito, é sempre importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901030/200911 Acórdão n.º 1802001.911 S1TE02 Fl. 8 7 Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Como já mencionado, desde o início a controvérsia diz respeito à disponibilidade do recolhimento de estimativa, que a contribuinte alega como indevido ou a maior. Nessa fase recursal, a Contribuinte anexou cópias parciais de uma DIPJ retificadora (Fichas 11 e 12A), que registram sinteticamente valores negativos como base de cálculo de IRPJ nos meses de 2001. E segue alegando que apurou prejuízo nos meses de 2001 e que teria recolhido indevidamente as estimativas mensais. Não consta a data em que essa DIPJ retificadora foi apresentada. A Contribuinte também não procurou esclarecer a razão do erro no recolhimento das estimativas, informando apenas “que cometeu erro ao pagar em Março de 2001, o IRPJ apurado aleatoriamente no mês de Fevereiro de 2001 quando o seu Balanço de Suspensão/Redução apresentava Saldo negativo”. Além disso, não há nos autos demonstração da apuração do lucro real (LALUR), seja para os períodos mensais, seja para o período anual; não há balancetes mensais de suspensão/redução que a Contribuinte alegou possuir (e que tornariam a própria estimativa a maior ou indevida); não há sequer um demonstrativo de apuração do resultado anual, com as correspondentes receitas e despesas, ainda que de forma globalizada (DRE). Já foi destacado que o processo administrativo fiscal possui uma dinâmica própria no que toca à formação da prova, que em alguns casos a carência de prova pode ser suprida pelo contribuinte no desenrolar do processo, etc., mas, mesmo assim, o contribuinte deve realizar um esforço probatório mínimo no intuito de dar substância às suas alegações. Nesse sentido, vale registrar que de acordo com o art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro – CPC, “o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. No caso, os elementos dos autos não são suficientes nem mesmo para demonstrar a apuração de prejuízo no ano em questão, inviabilizando inclusive a restituição/ compensação da estimativa na forma de saldo negativo. A certeza e a liquidez do crédito são indispensáveis para a efetivação da compensação autorizada por lei. Ausentes estes requisitos, mantémse a negativa em relação à compensação. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10410.901030/200911 Acórdão n.º 1802001.911 S1TE02 Fl. 9 8 Deste modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 56DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723208/2009-99
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Não se conhece de recurso voluntário contra decisão da DRJ relativa a lançamento impugnado pelo Contribuinte fora do prazo legal, de vez que sequer chegou a instaurar-se litígio nos termos do Decreto nº 70.235/72, quando não se alega no recurso a tempestividade da impugnação.
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 2802-003.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não se conhece de recurso voluntário contra decisão da DRJ relativa a lançamento impugnado pelo Contribuinte fora do prazo legal, de vez que sequer chegou a instaurar-se litígio nos termos do Decreto nº 70.235/72, quando não se alega no recurso a tempestividade da impugnação. Recurso Voluntário não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não se conhece de recurso voluntário contra decisão da DRJ relativa a lançamento impugnado pelo Contribuinte fora do prazo legal, de vez que sequer chegou a instaurarse litígio nos termos do Decreto nº 70.235/72, quando não se alega no recurso a tempestividade da impugnação. Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos NÃO CONHECER o recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado ad hoc. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 32 08 /2 00 9- 99 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.723208/200999 Acórdão n.º 2802003.331 S2TE02 Fl. 60 2 O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão, razão pela qual fui designado como Redator ad hoc, conforme despacho de fls. 58 do processo digital. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF (fls. 06 e ss.), lavrada em face da revisão de declaração de ajuste anual do exercício 2006, anocalendário 2005, em razão das seguintes supostas infrações: dedução indevida de Previdência Oficial, de dependente e de despesas médicas, bem como omissão de rendimentos. A contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02 e ss., em que, em síntese, alega que realmente cometeu erro ao deixar de incluir rendimentos tributáveis percebidos por dependente; que traz aos autos com sua impugnação documentação relativa aos demais valores glosados. Em julgamento, a 5ª Turma da DRJ/BHE, em sessão realizada no dia 30/04/2010, por unanimidade, não conheceu da impugnação ao fundamento de que a mesma fora apresentada de forma intempestiva. Cientificada da supramencionada decisão, conforme fl.3940, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, as fls. 41/42, reconhecendo a intempestividade de sua impugnação, atacando a decisão exarada pela DRJ, repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação e solicitando revisão de ofício do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão. Tendo sido nomeado ad hoc para formalização do acórdão, registro que não necessariamente concordo com a conclusão ou com os fundamentos do Relator. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. Em sede preliminar, o recurso não deve ser conhecido, uma vez que, não tendo sido tempestiva a respectiva impugnação, como admite a contribuinte, não chegou a instaurarse litígio quanto ao lançamento de que trata os autos, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Em suma, não é admissível recurso voluntário contra decisão da DRJ relativa a lançamento que não se impugnou tempestivamente, salvo se como preliminar do recurso constasse a tese da tempestividade da impugnação. Isto posto, nego conhecimento ao recurso. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.723208/200999 Acórdão n.º 2802003.331 S2TE02 Fl. 61 3 É como voto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc Fl. 61DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13855.722111/2011-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
NORMAS GERAIS. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Conforme Regimento Interno do CARF, o pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso, configurando-se a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente.
Como no presente caso há desistência, devido a inclusão em parcelamento, o recurso não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 2302-003.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência..
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), GRAZIELA PARISOTO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NORMAS GERAIS. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Conforme Regimento Interno do CARF, o pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso, configurando-se a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Como no presente caso há desistência, devido a inclusão em parcelamento, o recurso não deve ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência.. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), GRAZIELA PARISOTO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Conforme Regimento Interno do CARF, o pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso, configurandose a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Como no presente caso há desistência, devido a inclusão em parcelamento, o recurso não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência.. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 21 11 /2 01 1- 22 Fl. 8392DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), GRAZIELA PARISOTO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 8393DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13855.722111/201122 Acórdão n.º 2302003.668 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Feito o registro. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão de primeira instância, que julgou a impugnação improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. O lançamento é efetuado de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. A autoridade administrativa pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com simulação, com base no princípio da primazia da realidade, segundo a qual a substância deve prevalecer sobre a forma. SÓCIOS ADMINISTRADORES. RESPONSABILIDADE. DOLO. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SIMULAÇÃO. PRAZO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica se o prazo decadencial previsto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE E CONLUIO. Fl. 8394DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Aplicase a multa qualificada prevista no artigo 44, I, § 1o. da Lei 9.430/96 quando verificada a ocorrência de conduta dolosa caracterizada como sonegação, fraude ou conluio. REGIME SIMPLIFICADO. RECOLHIMENTOS. APROVEITAMENTO. É vedado o aproveitamento de tributos recolhidos pelo regime simplificado (Simples Nacional/Simples Federal) com contribuições previdenciárias. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação de leis, decretos e atos normativos por inconstitucionalidade ou ilegalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Segundo os autos o lançamento fundamentase em: AI DEBCAD nº 51.005.7675, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente a parte devida pela empresa. AI DEBCAD nº 51.005.7683, referente às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos (Terceiros). AI DEBCAD nº 51.005.7659 (AI38), referente à multa por descumprimento da obrigação acessória, em razão de a Rizatti & Cia Ltda apresentar livros contábeis com informações diversas da realidade e com omissão de informação verdadeira, ao deixar de escriturar em contabilidade pagamentos feitos “por fora” a segurados empregados. AI DEBCAD nº 51.005.7667 (AI56), referente à multa por descumprimento da obrigação acessória, em razão de a Rizatti & Cia Ltda deixar de formalizar contratos de trabalhos de segurados empregados por ela contratados. Durante o procedimento fiscal, a autoridade lançadora constatou que as empresas Milton Querino dos Santos EPP, Edna de Fátima Cruz EPP, FR Pereira Transportadora EPP e DAM Rizatti Transportes – EPP eram interpostas da Rizatti & Cia Ltda., com a finalidade de contratar segurados empregados com redução de encargos previdenciários, uma vez que, por ser optante pelo Simples/Simples Nacional recolhia a contribuição previdenciária patronal de forma diferenciada e beneficiada. Diante disso, enquadrouse, para fins previdenciários, todos os Fl. 8395DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13855.722111/201122 Acórdão n.º 2302003.668 S2C3T2 Fl. 4 5 empregados contratados pelas empresas interpostas como segurados empregados da empresa Rizatti. Os motivos que ensejaram o lançamento estão detalhadamente descritos nos autos. Contra o lançamento, a recorrente e Armando Antonio Rizatti apresentaram impugnações, acompanhada de anexos, argumentando várias questões, como muito bem demonstrado pela decisão a quo, conforme fls. 08311 a 08317. A Delegacia analisou o lançamento e as impugnações, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, acompanhado de anexos, onde reitera seus argumentos já apresentados na defesa. É o Relatório. Fl. 8396DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que utilizarei do registro em ata do que foi decidido. Feito o registro. Conforme demonstram os autos, a recorrente desistiu de seu recurso, devido a pedido de parcelamento. O Regimento Interno do CARF (RICARF) possui determinação sobre o procedimento a ser adotado nesses casos. RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Fl. 8397DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13855.722111/201122 Acórdão n.º 2302003.668 S2C3T2 Fl. 5 7 Portanto, como deixa claro a determinação regimental, como está configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, deste não devo conhecer. CONCLUSÃO: Pelo exposto, não conheço do Recurso Voluntário pela perda do objeto, frente à desistência. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 8398DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10480.014527/2002-90
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO CONFIRMADO.
Uma vez não confirmada a existência do direito creditório pleiteado, não se cogita sobre a aplicação do instituto da denúncia espontânea, para a qual se exige a ocorrência de efetiva quitação do tributo.
CRÉDITO BÁSICO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRAZO LEGAL PARA APRECIAÇÃO. TAXA SELIC. CABIMENTO. MORA DO FISCO APÓS 360 DIAS.
Na forma do artigo 24 da Lei 11.457/07, o Fisco tem o prazo de 360 dias para apreciar o pedido administrativo do contribuinte tendente a analisar a pretensão de ressarcimento. Uma vez transcorrido tal prazo, sem a efetiva conclusão do pedido administrativo, resta caracterizada a mora do Fisco, o que atrai o direito à correção monetária.
Numero da decisão: 3803-006.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à correção monetária, pela taxa Selic, após o prazo de 360 dias a contar do protocolo administrativo. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).
Nome do relator: PAULO RENATO MOTHES DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 INDUSTRIALIZAÇÃO. CALENDÁRIOS PERSONALIZADOS. CAMPO DE INCIDÊNCIA DE IPI. Inserese no campo de incidência do IPI a produção e venda de calendários personalizados, independentemente da incidência do Imposto sobre Serviços (ISS). Inexistência de saldo credor, na forma do artigo 11 da Lei 9.779/99. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO CONFIRMADO. Uma vez não confirmada a existência do direito creditório pleiteado, não se cogita sobre a aplicação do instituto da denúncia espontânea, para a qual se exige a ocorrência de efetiva quitação do tributo. CRÉDITO BÁSICO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRAZO LEGAL PARA APRECIAÇÃO. TAXA SELIC. CABIMENTO. MORA DO FISCO APÓS 360 DIAS. Na forma do artigo 24 da Lei 11.457/07, o Fisco tem o prazo de 360 dias para apreciar o pedido administrativo do contribuinte tendente a analisar a pretensão de ressarcimento. Uma vez transcorrido tal prazo, sem a efetiva conclusão do pedido administrativo, resta caracterizada a mora do Fisco, o que atrai o direito à correção monetária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à correção monetária, pela taxa Selic, após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 45 27 /2 00 2- 90 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10480.014527/200290 Acórdão n.º 3803006.976 S3TE03 Fl. 325 2 prazo de 360 dias a contar do protocolo administrativo. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator). Relatório Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator original e adoto o voto por ele redigido, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Tratase de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI (R$ 27.728,97) referente ao 2º trimestre de 2002 cumulado com pedido de compensação. A verificação fiscal de fls. 230/240 opinou pelo parcial deferimento do pedido em ressarcir o valor de R$ 24.702,73. O despacho decisório de fls. 243 seguiu a linha da verificação fiscal e homologou a compensação no valor supracitado. Entretanto, em fls. 242, o contribuinte atualizou o saldo credor de IPI e os débitos pela Selic. Informa que há discrepância entre o valor constante na DCTF e aquele das declarações de compensação, porquanto o primeiro tem incluído juros e a referida taxa, razão pela qual pugna a consideração dos valores da DCTF. Em manifestação de Inconformidade de fls. 252/263, pugna a Recorrente, preliminarmente, pela suspensão da exigibilidade do débito não homologado pela compensação, com reflexo na obtenção de certidões negativas de débitos para que possa desempenhar normalmente suas atividades. No mérito, alega que adquiriu materiais para a produção de calendários personalizados e que são tributados a alíquota "zero" ou são imunes à tributação. Ainda, que seus produtos somente sofrem incidência de ISS e que, portanto, não abateu dos créditos que pleiteou qualquer débito de IPI. A DRJ Recife/PE negou provimento à manifestação de inconformidade, afastando as alegações trazidas. Ressaltou ser desnecessário o pedido preliminar pleiteado, uma vez que a suspensão da exigibilidade do crédito se dá por força de lei, conforme §11 do art. 74 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 10.833/2003. Afastou os pedidos de realização de auditorias, levandose em conta que os produtos fabricados pelo contribuinte são tributados à alíquota zero ou imunes. No mérito, afastou a incidência do inciso V do art. 5º do RIPI/2002, pois não preenchidos seus requisitos. Em análise ao art. 8º, §1º do DecretoLei 406/1968, em sua redação original, que sujeitava os serviços incluídos na lista a ele anexada apenas à incidência de imposto municipal, o órgão julgador entendeu que não se está exigindo IPI sobre serviços, apenas sobre operação de industrialização de determinado produto pelo contribuinte, Fl. 325DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10480.014527/200290 Acórdão n.º 3803006.976 S3TE03 Fl. 326 3 afastando a incidência do referido artigo, bem como da Súmula 156 do STJ. Ainda, discorre a DRJ/REC, que a multa de mora aplicada ao caso tem fundamento no art. 61 da Lei 9.430/96 para fatos ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, porém, não pode ter a validade apreciada pela autoridade administrativa, tão somente pelo Poder Judiciário, mantendo assim a sua aplicação. Manteve a exigência fiscal na íntegra. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte discorre sobre o caráter constitucional do IPI, o campo de incidência deste e do ISS e sua aplicação ao presente caso, alegando que seus produtos somente sofrem incidência do imposto municipal, por tratarse de objetos personalizados e sob encomenda. Quanto à multa moratória, diz ser inaplicável pelo crédito ser anterior ao débito, configurando denúncia espontânea, logo, seria inexigível a cobrança da multa por ela estar excluída segundo o art. 138 do CTN, alegando que antecipou se a fiscalização e pagou os débitos que porventura seriam exigidos pelo Fisco quando da compensação realizada. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme apontado no Relatório supra, tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto o voto redigido pelo relator original, bem como a ementa, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Quanto à questão principal, qual seja, a não incidência de IPI sobre os produtos ora em discussão – calendários personalizados – visto que haveria a incidência de ISS, segundo a Recorrente. Penso que não assiste razão à Recorrente, conforme já expôs a 5ª Turma da DRJ/REC, Processo nº 10480014527/200290, cuja conclusão é perfeitamente aplicável ao caso dos autos, senão vejamos: Primeiro, é de se destacar que a operação efetuada pelo contribuinte se qualifica, sim, como de industrialização, porquanto incluída no seu campo de abrangência, a teor do art. 4° do Decreto n.° 4.544, de 2002 (Regulamento do [PI RIPI/2002), e não incidente, na hipótese, a situação prevista no inciso V do seu art. 5°, a qual estabelece que “o preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional ” se encontra fora do campo de incidência do IPI. Com efeito, não se trata de produto (no caso, calendários) fabricado em residência (lugar da morada; casa ou lugar onde se reside ou habita) ou em oficina (lugar onde se exerce um oficio, uma profissão), expressões não aplicáveis ao Fl. 326DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10480.014527/200290 Acórdão n.º 3803006.976 S3TE03 Fl. 327 4 estabelecimento industrial do contribuinte, tampouco preponderante o trabalho profissional nele exercido, pois o que o legislador visou excluir foram aquelas atividades para as quais o contributo do esforço humano fosse mais importante do que o que advém da utilização de máquinas ou aparelhos, tais como o artesão, o artista ou o pequeno artífice que, a depender da regra geral, se enquadrariam no campo de incidência do IPI, pois transformam, beneficiam montam, acondicionam ou reacondicionam, renovam ou recondicionam os insumos que utilizam , figuras que em nada se comparam com o estabelecimento industrial do contribuinte. Pois bem. Constatado que o inciso V do art. 5° do RIPIJ2002 não lhe socorre, passemos à análise do que previsto no §1° do art. 8° do Decretolei n.° 406, de 1968 na sua redação original, pois que revogado pela Lei Complementar n.° 116, de 31/07/2003 , o qual sujeitava os serviços incluídos na lista a ele anexada apenas à incidência do imposto municipal. Com fundamento em tal dispositivo, entendem alguns haveria óbice legal à cobrança do IPI na mesma operação. Ora, insta observar, de pronto, que não se está exigindo IPI sobre serviços, vez que sobre tais operações somente incidem ISS e ICMS, de forma que o dispositivo tãosó afasta a concomitante incidência deste último. Por seu tumo, o IPI, é cediço, incide sobre operação de industrialização, não sobre a prestação de serviços, de modo que os campos de incidência de ambos os impostos são completamente diversos, não havendo como invadir competência alheia. Não há confundilos, tanto assim que o Decretolei n.° 406, de 1968, destinase a estabelecer, conforme a sua própria ementa esclarece, “normas gerais de direito financeiro, aplicáveis aos impostos sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre serviços de qualquer natureza... ", pelo que a sua aplicação se restringe, destarte, apenas ao antigo ICM, hoje ICMS, e ao ISS municipal. O que quero dizer é que aquilo que se pretende afastar com a fiel observância da norma insculpida no §1° do art. 8° do Decreto lei n.° 406, de 1968, já se autorizava pela força mesma dos dispositivos que estabelecem as hipóteses de incidência do IPI e do ISS, não sendo necessário lançar mão do que nele regrado para obstar a incidência do imposto federal. Vou mais além. Também a Súmula 156 do Egrégio STJ, com base na qual o contribuinte intenta afastar a exigência do IPI, em nada lhe serve, pois resultou de reiteradas decisões que entendiam incabível, por negativa de vigência ao § l° do art. 8° do Decretolei n.° 406/68 daí o manejo do recurso especial (REsp) , a concomitante cobrança do então ICM e do ISS. Para ilustrar, reproduzo as seguintes ementas de acórdãos prolatados nos REsp n.°s 18992/SP, 33414/SP e 44892/SP, com base nos quais se formulou a dita súmula, na ordem aqui enunciada: Fl. 327DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10480.014527/200290 Acórdão n.º 3803006.976 S3TE03 Fl. 328 5 TRIBUTÁRIO ICM SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRAFICA FOTOLITOGRAFIA EMBALAGENS NÃO LNCIDENCIA D.L. N 406/68, ART. 8., PAR 1. PRECEDENT ES ST.I. A LEGISLAÇÃO NÃO FAZ DISTINÇÃO ENTRE OS SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRAFICA. EIW GERAL. DOS SERVIÇOS PERSONALIZADOS FEITOS POR ENCOMENDA. OS SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRAFICA REALIZADOS SOB ENCOMENDA. NA ELABORAÇÃO DE EMBALAGENS. ESTÃO SUJEITOS AO ISS E NÃO AO ICM RECURSO PROVIDO. TRIBUTÁRIO SERVIÇOS DE COIVÊOSIÇAO GRAFICA FEITOS POR ENC OMENDA. ISS DECRETOLEIN. 406/68, ART. 8.. PAR. I. INTERPRETAÇÃO. I OS IIVÍPRESSOS ENCOMENDADOS E PERSONALIZADOS ADQUIRIDOS PARA CONSUIVO DO PROPRIO ENCOMENDANT E, COMO ROTULOS, EMBALAGENS, ETIQUETAS, MZIITO EMBORA INT EGRADOS AO PREÇO DO PRODUTO, ESTÃO SUJEITOS A INCIDENCIA DO ISS E NÃO DO ICM PREÇEDENTES. II RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. " Assim sendo, a questão há de resolverse, como já o dissemos, a partir de outros referenciais que não os utilizados pelo contribuinte, os quais, infelizmente, cabe ressaltar, também foram manejados pelo Egrégio 2° Conselho de Contribuintes para invalidar exigências só aparentemente concomitantes do IPI e do ISS. Só aparentemente concomitantes, porque repisese mais uma vez não se está exigindo o IPI sobre serviços, mas sobre operação de industrialização de determinado produto pelo contribuinte, por isso inaplicáveis, como demonstramos, a Súmula 156 do STJ e a regra preconizada no § l° do art 8° do Decretolei n.° 406/68. Notese que, a vingar semelhante tese jurídica, incabível também a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica [RP] sobre a receita auferida na prestação dos serviços gráficos, visto que compõe a sua base de cálculo, o que sucede, inclusive, com a receita advinda da venda de produtos imunes a toda tributação, por força de dispositivo constitucional. O entendimento sustentado pelo contribuinte, no meu entender, decorre de uma leitura por demais apressada do dispositivo e da jurisprudência aqui mencionados, sem considerar que integram um todo harmônico o sistema tributário, a reclamar a construção de uma exegese que leve em conta as demais normas que o integram.” Fl. 328DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10480.014527/200290 Acórdão n.º 3803006.976 S3TE03 Fl. 329 6 Portanto, penso que a Recorrente não esteja desobrigada ao recolhimento do IPI, de modo que não deve ser reconhecido o direito de crédito nas saídas de “calendários personalizados”, o que lhe retira da condição de acumuladora de saldo credor em tais operações, na forma do artigo 11 da Lei 9.779/99. Em relação ao ponto da denúncia espontânea, convém trazer a lição proporcionada pelo douto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, em sessão do mês de janeiro de 2015, quando enfrentou questão semelhante, inclusive em relação ao mesmo contribuinte do presente processo, no que foi acompanhado por este Colegiado. Tratase do processo administrativo nº 10480.014518/200207, que então, passo a incorporar ao voto que segue, neste particular: Multa de mora. Denúncia espontânea. Quanto à exoneração da multa de mora com base no instituto da denúncia espontânea alegada pelo Recorrente, há que se destacar que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento submetido ao rito do art. 543C do Código de Processo Civil (recursos repetitivos), de observância obrigatória pelos conselheiros do CARF1, já decidiu pela não aplicação da denúncia espontânea aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados (REsp 962379), decisão essa cujo teor consta da súmula 360/STJ. Nesse julgamento, o STJ deixa claro que a aplicação da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) somente se dá quando o tributo, sujeito ao lançamento por homologação, tiver sido recolhido em atraso, mas antes da apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida. Eis o teor de partes dessa decisão do STJ: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido.(grifei) (...) 1 Conforme preceitua o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10480.014527/200290 Acórdão n.º 3803006.976 S3TE03 Fl. 330 7 VOTO (...) 4. Importante registrar, finalmente, que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. A propósito, reportome às razões expostas em voto de relator, que foi acompanhado unanimente pela 1ª Seção, no AgRG nos EREsp 804785/PR, DJ de 16.10.2006: "(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a não configuração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, pode se afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. (grifei) Verificase dos excertos supra que, para se aplicar a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, há necessidade de que o tributo tenha sido pago em atraso e antes da sua declaração com efeito de confissão de dívida. Eis a dicção do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. No presente caso, o direito creditório controvertido não foi reconhecido pela Delegacia de Julgamento, decisão essa mantida neste voto, não se tendo, por conseguinte, a configuração atual da extinção do crédito tributário por meio de compensação2, tratandose de um pleito relativo a direito creditório declarado mas não confirmado, o que equivale a um pagamento alegado e posteriormente não comprovado. Diante da atual situação deste processo (ainda que provisória ou precária, dada a possibilidade, ainda que remota, de modificação do julgamento), com o não reconhecimento do direito creditório, não se tem por configurada a homologação da 2 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; (...); VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; (Código Tributário Nacional CTN). Fl. 330DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10480.014527/200290 Acórdão n.º 3803006.976 S3TE03 Fl. 331 8 compensação nos termos previstos no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 19963, de forma que o pagamento a se efetivar no futuro deverá abarcar, além dos juros, a multa de mora decorrente do pagamento efetuado em atraso, pois, conforme consta das fls. 246 a 248, os respectivos débitos encontramse declarados em DCTF. Caso a compensação tivesse sido acolhida pela Delegacia de Julgamento e/ou confirmada neste voto, aí, sim, poderseia argumentar acerca de uma possível equiparação do pagamento antecipado previsto no art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN, à compensação declarada sob condição resolutória de sua ulterior homologação prevista no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, previsão normativa essa autorizada pelo art. 170 do CTN. Não tendo sido confirmada a existência do direito creditório ou do “pagamento antecipado”, tornase despicienda a discussão acerca da ocorrência ou não de prévia declaração para fins de aplicação da exegese contida na decisão do STJ, pois, para se acatar a denúncia espontânea, necessário se torna que duas premissas sejam atendidas concomitantemente, uma relativa à (i) inexistência de prévia declaração com efeito de constituição do crédito tributário e a outra referida a um (ii) efetivo pagamento em atraso, ou, similarmente, a um efetivo direito creditório declarado em atraso, mas anteriormente ao início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A Lei nº 9.430/1996 assim dispõe sobre os acréscimos moratórios cabíveis nos casos de pagamento extemporâneo: Art.61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 3 Lei nº 9.430/1996 Art. 74. (...) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10480.014527/200290 Acórdão n.º 3803006.976 S3TE03 Fl. 332 9 Verificase que a multa de mora decorrente de pagamentos em atraso encontrase prevista em lei válida e vigente, inexistindo qualquer irregularidade em sua exigência nos termos ora analisados. No presente caso, não se está diante de um direito creditório efetivamente existente, não lhe sendo estendida, por conseguinte, a regra definida no referido Recurso Especial, de observância obrigatória por parte deste Colegiado.” Deste modo, não há como acolher tal pretensão da Recorrente. Por fim, em relação ao pedido da Recorrente de que os créditos a serem reconhecidos nos autos deste processo administrativo devem ser corrigidos pela taxa SELIC, penso que lhe assiste razão. A questão não merece maiores delongas, pois o art. 62A do Regimento Interno do CARF assim preceitua: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Para reconhecer tal direito, há que estabelecer um critério que se extrai de dois julgados do E. Superior Tribunal de Justiça, ambos resolvidos em sede de recursos repetitivos, na forma do art. 543C do CPC. Nos autos do REsp 1.138.206, decidiuse que a Administração Tributária tem o prazo de 360 dias para apreciar e julgar pedidos de ressarcimento de créditos perseguidos pelos Contribuintes. Inclusive, ficou estabelecido que este critério se aplica tanto para os pedidos administrativos antes e após a vigência do art. 24 da Lei 11.457/2007. Conforme se percebe da leitura da ementa abaixo, há um prazo de 360 dias, contados do protocolo do pedido administrativo, para que o contribuinte tenha seu pedido efetivamente apreciado, sob pena de não sendo atendido em tal período, restar caracterizada a mora do Fisco. Vejamos o julgado supramencionado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10480.014527/200290 Acórdão n.º 3803006.976 S3TE03 Fl. 333 10 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10480.014527/200290 Acórdão n.º 3803006.976 S3TE03 Fl. 334 11 prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (RECURSO ESPECIAL 1.138.206. Rel. Min. LUIZ FUX. 1ª Seção. Em 09 de agosto de 2010.) Assim, passados 360 dias sem que o contribuinte tenha efetivamente sido atendido em seu pedido de ressarcimento de crédito, iniciase a incidência da SELIC, visto que a partir de então o Fisco está em mora. E quanto ao direito à correção, importante colacionar o segundo julgado do E.STJ, que segue abaixo: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10480.014527/200290 Acórdão n.º 3803006.976 S3TE03 Fl. 335 12 oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Recurso Especial nº RECURSO ESPECIAL Nº 1.035.847. Rel. Min. LUIZ FUX. 1ª Seção. Em 24 de junho de 2009). Por tais razões, ancoradas na regra do art. 62A do Regimento Interno do CARF, entendo que nesta parte o contribuinte tem parcial razão, devendo incidir a Taxa SELIC após 360 dias do protocolo do pedido administrativo em questão, na proporção dos créditos reconhecidos pela origem, que deverá recalcular o saldo em favor do Contribuinte, levando em consideração a correção monetária aqui reconhecida. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, tão somente para reconhecer o direito à correção monetária, pela Taxa SELIC, cuja indexação se dará após o prazo de 360 dias a contar do protocolo administrativo. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10480.014527/200290 Acórdão n.º 3803006.976 S3TE03 Fl. 336 13 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10880.985399/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias contado da intimação da decisão recorrida. Tendo a Contribuinte interposto o recurso voluntário fora do prazo legal, sem provar a ocorrência de causa impeditiva, o recurso não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 1201-001.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO- Relator.
EDITADO EM: 04/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Gilberto Baptista e Marcelo Cuba Netto.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias contado da intimação da decisão recorrida. Tendo a Contribuinte interposto o recurso voluntário fora do prazo legal, sem provar a ocorrência de causa impeditiva, o recurso não pode ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. MARCELO CUBA NETTO - Presidente. JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO- Relator. EDITADO EM: 04/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Gilberto Baptista e Marcelo Cuba Netto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1772; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 116 1 115 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.985399/200924 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.314 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de fevereiro de 2016 Matéria PER/DCOMP Recorrente PADO S/A INDUSTRIAL, COMERCIAL E IMPORTADORA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias contado da intimação da decisão recorrida. Tendo a Contribuinte interposto o recurso voluntário fora do prazo legal, sem provar a ocorrência de causa impeditiva, o recurso não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. MARCELO CUBA NETTO Presidente. JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Relator. EDITADO EM: 04/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, Gilberto Baptista e Marcelo Cuba Netto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 53 99 /2 00 9- 24 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 2 Relatório Em 31/01/2006, a Contribuinte, por meio da PER/DCOMP nº 42667.50676.310106.1.7.040718 (fls. 1/4), efetuou a compensação de crédito no valor original de R$ 2.730.959,36 (fl. 1), decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ apurado e recolhido em novembro de 2005, com débitos de IPI, COFINS e PIS apurados em dezembro de 2005, nos valores de R$ 417.109,07, R$ 169.773,28 e R$ 36.780,38 (fls. 2/3). Em 21/09/2009, o Sr. AuditorFiscal não homologou o pedido de compensação nº 42667.50676.310106.1.7.040718, já que “não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, descriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal” (fl. 9). Como consequência, o Sr. AuditorFiscal entendeu como valor devedor consolidado, correspondente ao débito, em seu entender, indevidamente compensado, para pagamento até 30/09/2009 (fl. 9): Principal Multa Juros 623.662,73 124.732,53 271.293,27 Intimada em 28/09/2009 (fl. 10), a Contribuinte, em 16/10//2009, protocolou manifestação de inconformidade (fls. 11/26 e anexos fls. 27/32). Em 17/05/2011, a 5ª Turma da DRJ/SP1, por meio do acórdão de nº 16 31.529 (fls. 42/44), decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: “Uma vez que a manifestação de inconformidade limitouse a discorrer sobre Obrigação do Reaparelhamento Econômico, nada se pronunciando a respeito do suposto crédito ou do DARF de IRPJ – estimativa, cod. 2362, pago a maior, considerase a PER/DCOMP não homologada por inexistência de crédito compensável” – fl. 44. Devidamente intimada em 10/06/2011 (fl. 114), a Contribuinte, em 14/07/2011, interpôs Recurso Voluntário (fls. 46/72 e anexos fls. 73/113), visando reformar o mencionado acórdão. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.985399/200924 Acórdão n.º 1201001.314 S1C2T1 Fl. 117 3 Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator. I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Um dos pressupostos e requisitos de admissibilidade determinados pelo Decreto n° 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF não se faz presente, qual seja, a tempestividade, razão pela qual o recurso não deve ser conhecido. A Contribuinte foi intimada do Acórdão nº 1631.529 (fls. 42/44) em 10/06/2011, uma sextafeira, conforme se observa do Aviso de Recebimento – AR (fl. 114), o que atende ao artigo 23, inciso II, do Decreto nº 70.235/721: Tendo em vista que a Contribuinte dispunha do prazo de trinta dias para interposição de Recurso Voluntário, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/722, e que o prazo somente se iniciou em 13/06/2011, uma segundafeira, em observância ao quanto 1 Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; 2 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO 4 disposto no artigo 5º, caput e parágrafo único, do Decreto nº 70.235/723, o prazo findaria em 12/07/2011, uma terçafeira. Todavia, o Recurso Voluntário só foi interposto pela Contribuinte em 14/07/2011, uma quintafeira (fl. 46), o que torna evidente a sua intempestividade: Reforçando a intempestividade, a Portaria nº 735, de 01/12/2010, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), publicada no Diário Oficial da União do dia 02/12/2010, não noticia nenhum feriado nacional, nem ponto facultativo nos dias 13/06/2011, 12/07/2011 e 13/07/2011: Corroborando ainda com a intempestividade, a Contribuinte não informa e, consequentemente, não comprova que não recorreu no prazo por justa causa, o que seria admitido pelo § 1º, do art. 183, do Código de Processo Civil4. 3 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. 4 Art. 183. Decorrido o prazo, extinguese, independentemente de declaração judicial, o direito de praticar o ato, ficando salvo, porém, à parte provar que o não realizou por justa causa. § 1o Reputase justa causa o evento imprevisto, alheio à vontade da parte, e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10880.985399/200924 Acórdão n.º 1201001.314 S1C2T1 Fl. 118 5 Desse modo, diante da ausência de justa causa e com fundamento nos arts. 5º, caput e parágrafo único, e 33, ambos do Decreto 70.235/72, não conheço do Recurso Voluntário interposto intempestivamente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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